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ANO 4 - no 12 - MAI/2017

PUBLICAÇÃO DO CONSULADO GERAL DE ANGOLA EM SÃO PAULO

ELEIÇÕES GERAIS

SERÃO EM 23 DE AGOSTO

CAFUNDÓ:

UMA HERANÇA ANGOLANA NO BRASIL

Quilombo do interior de São Paulo foi criado no século XIX por descendentes de angolanos escravizados

JOSEFA SACKO NA UNIÃO AFRICANA

DIVERSIFICAÇÃO ECONOMICA cria oportunidades

USINA DE LAÚCA JÁ RECEBE ÁGUA


editorial

APRIMORAMOS NOSSO WEBSITE PARA MELHOR ATENDER A TODOS Sempre imbuído em prestar o melhor serviço às comunidades angolana e brasileira, o Consulado Geral de Angola em São Paulo tomou iniciativas no sentido de modernizar e aprimorar o seu website, um dos principais meios onde estão armazenadas e disponíveis as informações mais pertinentes sobre o funcionamento e os serviços da instituição. Essas informações, assim como o layout do site consular, devem, depois de um certo tempo, ser actualizadas e enriquecidas, de maneira a facilitar aos utentes a consulta dos diferentes dados e serviços consulares. Desta forma, o Consulado Geral, através de seus técnicos, apresenta em seu site um visual novo e diferente e espera com isso proporcionar melhor utilidade nesse equipamento, de maneira a satisfazer positivamente a comunidade. A novidade mais notória é a nova “cara” do site, que proporciona maior facilidade no acesso a certos links, como os de trabalho e ou de informações. Estamos cientes de que a tecnologia está constantemente em evolução e temos que acompanha-la ... Outra novidade é a digitalização da revista Angola Yetu. Essa mudança traz consigo vantagens em relação à edição impressa, particularmente pela possibilidade que traz de alcançar um número maior de leitores, os quais podem agora acessar este conteúdo de forma directa na página inicial do site. Espera-se que o “novo” site do Consulado Geral seja um instrumento facilitador e prático, estimulando o público a participar com sugestões e comentários para melhor servi-lo. DR. BELO MANGUEIRA Consul Geral/Embaixador

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AngolaYetu


sumário

Destaques Nacionais

»»Eleições marcadas para » 23 de agosto 4

»»Josefa Sacko eleita para » a União Africana 7

»»Albufeira de Laúca começa » a receber água 8

Actividades Consulares

»»Cônsul se encontra »

com empreendedores 10

»»Professores concluem » curso no Senai 12

»»Associações de angolanos

reúnem-se no Consulado 13

»»Diversificação cria

Economia

oportunidades em Angola 14

»»Aprovado projeto de apoio a

jovens empreendedores 20

»»China disponibiliza recursos a

países de língua portuguesa 22

Cultura

»»Quilombo Cafundó tem » raizes em Angola 24

»»António Mosquito recebe Troféu “Raça Negra” 27

»»Lançada em São Paulo coleção “África sem estereótipos” 28

»»Revolta de Cassange »

marca o início da luta » armada em Angola 30

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Destaques Nacionais

ELEIÇÕES

MARCADAS PARA 23 DE AGOSTO Mais de 9,4 milhões de angolanos serão chamados às urnas

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chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, convocou as próximas eleições gerais em Angola para 23 de agosto de 2017, informou a Casa Civil do Presidente da República. A convocatória das eleições foi feita por decreto presidencial de 25 de abril, nos termos da Constituição e da Lei Orgânica sobre as Eleições gerais: “para provimento do cargo de Presidente da República e de deputados à Assembleia Nacional são con-

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vocadas e marcadas para o dia 23 de agosto de 2017”. O diploma, informa a mesma fonte, “surge na sequência do pronunciamento da Comissão Nacional Eleitoral [CNE] de que estão criadas as condições para o efeito e da audição ao Conselho da República”, e “entra em vigor a partir do dia 01 de maio de 2017”. Para as eleições deste ano, o Movimento Popular pela Libertação de Angola - MPLA tem como principal candidato João Manuel Gonçalves Lourenço se-


É AUTOMATICAMENTE ELEITO PRESIDENTE DA REPÚBLICA E CHEFE DO EXECUTIVO O CABEÇA-DE-LISTA PELO CÍRCULO NACIONAL DO PARTIDO OU COLIGAÇÃO DE PARTIDOS MAIS VOTADO.

guido por Bornito de Sousa; pela União Nacional para a Independência Total de Angola - UNITA os candidatos são Isaias Henrique Gola Samacuva e Raúl Manuel Danda; na Aliança Patriótica Nacional – APN, são Quintino António Moreira e Marques José Canga; pela Frente Nacional de Libertação de Angola - FNLA são Lucas Benghim Gonda e Pedro Mucombe Dala; os cabeças da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral - CASA-CE são Abel Epalanga

Chivukuvuku e André Gaspar Mendes De Carvalho; e os principa is candidatos do Partido de Renovação Social - PRS são Eduardo Cuangana e José Carlos Ilenga. A Constituição de Angola prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, quando são escolhidos 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país, totalizando mais 90 parlamentares. É automaticamente eleito Presidente da República e chefe do Executivo o cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votado. Nesse último acto eleitoral, em 2012, segundo dados da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), o MPLA garantiu uma votação total de 71,84%, elegendo nos dois círculos 175 deputados, enquanto a UNITA conquistou 18,66% dos votos e 32 deputados. A então estreante coligação CASA-CE chegou aos 6,00% e oito deputados e o PRS aos 1,70% dos votos e três deputados, enquanto a FNLA conquistou apenas 1,13% dos votos, elegendo os restantes dois deputados.

PROCESSO ELEITORAL O presidente José Eduardo dos Santos autorizou um crédito adicional ao Orçamento Geral do Estado para 2017 no valor de Kz 50 mil milhões (USD 300 milhões), especificamente para o pagamento das “despesas do processo eleitoral”. Em 19 de abril, a jornalista Adeli-

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FOTO FRANCISCO MIUDO

Destaques Nacionais

FORAM REGISTADOS 9.459.122 CIDADÃOS, DOS QUAIS CERCA DE 6.600 MIL FORAM ACTUALIZADOS ENQUANTO OUTROS 2.700 MIL CORRESPONDEM A NOVOS REGISTOS. na Inácio informava no Jornal de Angola que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) estava a trabalhar localização e identificação das assembleias de voto, para garantir celeridade e eficiência nas eleições de agosto. Segundo o texto, o Ministério da Administração do Território (MAT) entregou ao CNE o Ficheiro Informático de Cidadãos Maiores e o relatório provisório do registo eleitoral; A porta voz da CNE, Júlia Ferreira, explicou que embora provisórios ao dados permitiriam a continuidade do trabalho da Comissão esclarecendo que o mapeamento das assembleias de voto faz parte do plano geral de atividades da CNE. O presidente da CNE, André da Silva Neto, afirmou ao mesmo jornal que o relatório apresentado pelo MAT vai permitir que a Comissão Nacional Eleitoral

Adao de Almeida, Presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE)

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Kz 50 mil milhões foram disponibilizados pelo Governo para o pagamento das “despesas do processo eleitoral

comece a trabalhar seriamente na produção de cadernos eleitorais. O magistrado – segundo a mesma reportagem – lembrou que a Lei Orgânica sobre as Eleições Gerais indica que o ficheiro definitivo deve ser entregue à CNE 15 dias depois de o Presidente da República convocar as eleições gerais, mas garantiu que os dados provisórios vão permitir à CNE trabalhar com celeridade nas suas tarefas no processo eleitoral. O Ministro Bornito de Sousa informou na ocasião que o Relatório entregue especifica o acórdão do Tribunal Constitucional sobre o pedido de impugnação da constitucionalidade da Lei do Registo Eleitoral Oficioso e destaca também os objectivos do processo de registo eleitoral, com realce para a actualização e a prova de vida. O secretário de Estado para os Assuntos Institucionais, Adão de Almeida, apresentou o relatório de balanço do registo eleitoral. Segundo o documento, foram registados 9.459.122 cidadãos, dos quais cerca de 6.600 mil foram actualizados enquanto outros 2.700 mil correspondem a novos registos. Fontes: Agência Lusa / Rede Angola / Angop / Jornal de Angola


JOSEFA SACKO

ELEITA PARA A UNIÃO AFRICANA Engenheira angolana torna-se comissária da União Africana (UA) para o Comércio Rural e Agricultura » A candidata angolana a comissária da União

Africana (UA) para a Economia Rural e Agricultura, Josefa Sacko, foi eleita para o cargo em 30 de janeiro, durante a 28.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorreu em Addis Abeba, capital da Etiópia. A eleição da engenheira Josefa Sacko para tal posto representa a afirmação de Angola a nível do continente africano, considerou em Luanda o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti. “Esta cimeira – disse Chikoti - representa para Angola um passo para afirmação do país na União Africana e no continente, sobretudo porque permitiu eleger a engenheira Josefa Sacko, numa altura em que todos os países reconhecem que a agricultura é um sector chave para a economia de cada um dos estados”, referiu. Por sua vez, Josefa Sacko apontou o trabalho com a juventude e as mulheres como vector para alavancar a produtividade agrícola e a economia, com vista a atingir o desenvolvimento sustentável do continente.“Temos uma agenda muito carregada. Vou tudo fazer durante o mandato de quatro anos, com vista a alavancar a produtividade agrícola e a economia rural. Para isso, pretendo trabalhar com os jovens e com as mulheres, pois correspondem cerca de 80 porcento da força activa no campo agrícola”, destacou. Na mesma ocasião, foi escolhido o novo presidente da entidade, que é o Chefe de Estado da Guiné Conacri, Alpha Condé, enquanto a presidência da Comissão passa para o ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade, Moussa Faki

Mahamat. Ele sucede no cargo à sul-africana Nkosazana Dlamini Zuma, que não se candidatou ao segundo mandato de quatro anos a que tinha direito. Moussa Mahamat venceu a ministra dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Amina Mohamed Jibril, depois de sete idas ao voto. O Presidente da Guiné Conacri, Alpha Condé, substitui no cargo rotativo de dois anos o Chefe de Estado do Chade, Idriss Déby. O agora presidente da Comissão da União Africana é um conhecido diplomata chadiano com experiência na resolução de conflitos e na luta contra o terrorismo, que esteve à frente da diplomacia do seu país nos últimos nove anos. Os Chefes de Estado e de Governo aprovaram também a reintegração do Reino do Marrocos na União Africana. Fonte: Jornal de Angola

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Destaques Nacionais

ALBUFEIRA DE LAÚCA COMEÇA A RECEBER ÁGUA Hidroelétrica do rio Cuanza deve gerar energia a partir de julho » Desde março deste ano, a albufeira

da barragem hidroeléctrica de Laúca, em construção no Médio Cuanza, começou a ser enchida e a previsão é de que, a partir de julho, a primeira turbina comece a gerar energia elétrica. O anúncio foi feito pelo Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, que adiantou que o enchimento da albufeira em época de pouca chuva fará com que a barragem de Cambambe (Cuanza Norte) receba menos água, produzindo assim menos energia.

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Segundo a agência Angop, disse o Ministro que, para mitigar os efeitos dessa redução, a partir de maio entraria em operação a primeira turbina da Central do Ciclo Combinado de Soyo, com 120 megawatts que seriam adicionados ao sistema de produção. O enchimento da albufeira de Laúca será repartido em quatro etapas, sendo a primeira de 11 a 13 de março, destinada ao fecho do túnel do desvio do rio, que retoma assim seu curso natural. Com a conclusão da quarta etapa, em 2018,


BARRAGENS TERÃO REFORÇO

A META ATÉ 2025 É ATINGIR OS 9 MIL MEGAWATTS, PARA FAZER FACE A UM AUMENTO PREVISTO DE 70% NA PROCURA DOMÉSTICA. a albufeira da barragem de Laúca terá uma cota de 850 metros e uma extensão de 188 quilómetros. Já a barragem da usina, em construção na província de Malange, tem 156 metros de altura e 1242 metros de comprimento, com uma capacidade de produção de 2070 megawatts de energia elétrica. O empreendimento de Laúca faz parte dos principais projectos do Plano de Acção do Sector da Energia e Águas para o período 2013 – 2017, que termina com a fase de estabilização. O alcance da sua capacidade instalada é de pelo menos cinco mil megawatts, quando a meta até 2025 é atingir os nove mil megawatts, para fazer face à procura doméstica, cujas projecções apontam para um aumento na ordem de 70 por cento. Para o enchimento da albufeira do AHL até a cota de 800 metros, de modo a reter água suficiente para os testes de comissionamento das primeiras unidades geradoras, serão necessários 553 milhões de metros cúbicos.

O Conselho de Ministros de Angola aprovou no final de janeiro o Plano Nacional da Água, documento que define as linhas mestras da estratégia de gestão dos recursos hídricos do país até 2040. Orçado em 110 mil milhões de Dólares, o plano abrange designadamente acções já em curso como o reforço das barragens sobre o rio Kwanza. De acordo com o plano, até 2025, deveria ser dada especial atenção à agricultura e pecuária. Em seguida, a gestão deste recurso poderia ser também direcionada para a indústria. Ao apresentar o documento à comunicação social, o Secretário de Estado das Águas, Luís Filipe da Silva, destacou os eventuais conflitos que podem surgir em torno da distribuição da água no seio da população, justificando a necessidade de gerir de forma racional este recurso. Apesar de aprovado em janeiro, vários dos projectos que integram este plano estratégico e de investimento já estavam em curso, como a construção e reforço de potência nas barragens do rio Kwanza (Laúca e Cambambe). Fontes: LUSA e RFI

Fontes: Macauhub/Angop)

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Actividades Consulares

CÔNSUL SE ENCONTRA COM

EMPREENDEDORES Comerciantes angolanos desenvolvem actividades na região central da capital paulista

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m meio à crise financeira, cresce o número de comerciantes angolanos na região do Brás, na zona central da cidade de São Paulo. Dedicados à actividade mercantil, retalhista ou grossista, os angolanos se destacam nos mais diversos segmentos, nomeadamente vestuários, calçados, cosméticos, alimentos, bebidas e outros. Com objectivo de conhecer melhor a realidade que muitos deles enfrentam nas suas actividades comerciais, o Cônsul Geral de Angola em São Paulo, Belo Mangueira, efectuou no dia 10 de Fevereiro uma visita aos peque-

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nos e médios empreendedores angolanos dessa região, conhecida como um dos maiores mercados da América Latina Muitos desses comerciantes apontam imensas dificuldades para lucrar e expandir seus negócios. A situação de crise que Angola atravessa, a carga tributária no Brasil e a burocracia para abrir uma empresa estão entre os principais entraves encontrados. Osvaldo João Gomes, dono do restaurante Kianda, reside há oito anos em São Paulo. Ele apostou neste segmento de mercado, depois de muitos anos de-


dicando-se a exportação de produtos diversos para Angola. “A situação do nosso país está a mudar os hábitos e a rotina de dezenas de pequenos e médios empresários que exercem algum tipo de actividade mercantil no Brás”, comentou. Para José Antônio, que exerce actividade comercial no Brasil desde 1986, ter o próprio negócio é uma oportunidade de realização de sonho, e que o ajuda a enfrentar as dificuldades no período de recessão. “Penso em voltar para Angola, e prosseguir com os meus negócios, mais no sentido de dar o meu contributo no amplo processo de reconstrução e desenvolvimento da terra que me viu crescer”, argumenta. Natural de Luanda e dona de uma franquia de marca de roupas africanas, a comerciante Olga Mendes, esclarece que os grandes desafios para se abrir uma empresa no Brasil são “as dificuldades de infraestrutura que aumentam o custo operacional, a pesada carga tributária, que é alta e complexa, e a transação de divisas em Angola completam o quadro dos constrangimentos que vivem diariamente os pequenos empresários angolanos no Brasil”.

Manifestando sua preocupação com o facto de que, devido às dificuldades, muitos empreendedores optam em desistir dos negócios, o cônsul Belo Mangueira ressaltou “o papel interventivo do IACEM – Instituto Angolano de Comércio Exterior e Mediação no sentido de se encontrar as melhores soluções para que os empreendedores estejam organizados e sintam menos o impacto deste crise”. Acompanhado de membros do consulado, realizou uma jornada que incluiu visitas a restaurantes gerenciados por angolanos, lojas de roupa, calçados, cosméticos, entre outros negócios, muitos deles em parceria com empreendedores brasileiros, aos quais o cônsul teceu elogios pela aproximação com angolanos.

Encontros permitiram conhecer melhor a realidade desses empresários

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Actividades Consulares

PROFESSORES CONCLUEM

CURSO NO SENAI

Projecto de formação de quadros beneficia profissionais do CENFOC – Centro de Formação Profissional em Construção Civil em Viana

» Oito professores angolanos dessa instituição pertencente ao Ministério da Administração Publica e Emprego e Segurança Social de Angola concluiram um curso de recapacitação ministrado pelo SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Foi para conhecer de perto esse trabalho e a estrutura do Senai que, em 24 de abril uma delegação consular visitou as escolas "Mariano Ferraz", localizada na Vila Leopoldina, zona oeste da capital, e a escola Orlando Lavieiro Ferraiolo, esta no bairro do Tatuapé, zona leste da cidade. Roberto Monteiro Spada, Director de Relações Externas do SENAI recebeu a comitiva chefiada pelo embaixador Belo Mangueira e, com ajuda dos Di12

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rectores das referidas escolas, apresentou a estrutura das duas unidades, como salas de aula, oficinas, bibliotecas, destacando os equipamentos de ultima geração utilizados na escola, o que possibilita aos formandos uma alta qualidade de ensino. Spada também explicou aos visitantes o teor do projecto trilateral de intercâmbio entre o Brasil, Angola e Japão sobre a formação de técnicos profissionais que patrocina o curso e que reune SENAI, CENFOC e a JICA – Agencia de Cooperação Internacional Japonesa. "A educação não tem bandeira. A forma mais eficaz de transformação econômica e social é por meio da educação profissional.”, afirmou na ocasião Roberto Spada, acrescentando que “O

comprometimento dos formadores angolanos foi um diferencial para o bom resultado da actividade da formação dos formadores. Se Angola decidir investir 4 por cento das receitas advenientes do petróleo, em parceria com o SENAI, elaborando um projecto estratégico, é possível transformar este país em referência na educação profissional, ao nível do continente e do mundo”. Ressaltando ter ficado impressionado com a alta qualidade dos equipamentos do Senai, Belo Mangueira expressou o compromisso em apoiar as acções que envolvam o projecto de formação de professores angolanos: "Gostei de ver as escolas bem apetrechadas, desde o material de apoio aos cursos à higiene do estabelecimento. Aos formandos angolanos, espero que tenham sabido aproveitar tudo, e que isto venha, de facto, servir de material de apoio e que saibam retransmitir aos outros os conhecimentos adquiridos. Portanto, felicito-vos, desejando muito boa sorte”.

Roberto Monteiro Spada e o Consul Belo Mangueira no Senai


ASSOCIAÇÕES DE ANGOLANOS REÚNEM-SE NO CONSULADO

Participaram de encontro representantes de entidades de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul

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Realizado nas instalações do Consulado, o encontro serviu para elaboração de um plano conjunto de tarefas a serem executadas pelas lideranças das associações com apoio do Consulado Geral de São Paulo. No seu breve discurso, o cônsul Belo Mangueira destacou que: " Temos cadastrado uma média de 4.276 angolanos distribuídos por estados, e reafirmamos aqui, o nosso compromisso de continuar com o processo este ano, para que ninguém fique de fora", disse. As efemérides em alusão ao 4 de Abril, dia da paz; o 17 de Setembro, dia do herói nacional e 11 de Novembro, dia da independência nacional, foram mencionadas ao longo do encontro, tendo se decidido que além de programas conjuntos, as associações terão os seus programas locais, pois não se poderá aglomerar todos os membros das diferen-

tes associações. Nesta perspectiva, o cônsul geral, enfatizou a necessidade de um maior envolvimento dos representantes para que se cumpram com sucesso os programas apresentados. O presidente da Associação Palanca Negra, Carlos Francisco João, afirmou que "o mais importante é que o consulado tem vindo a encarar mais de perto nossos problemas, e a partir das discussões deste evento analisaremos e definiremos o que vamos querer para nossa associação". Helder Chimbulula, presidente da União dos Angolanos no Estado do Paraná, deu a conhecer que trezentos e oitenta angolanos, entre estudantes e residentes, estão cadastrados na associação que representa, e neste momento procura encetar contactos com os mesmos no sentido de informar-se sobre a condição de moradia de cada um, questões ligadas à universidade e até mesmo a regularização dos cadastrados junto à Polícia Federal. É importante ressaltar que o primeiro encontro se traduziu na continuidade do exitoso trabalho que as associações de angolanos vêm desenvolvendo desde algum tempo, visando dar visibilidade e reconhecimento às comunidades entre residentes e estudantes. Neste processo, em conjunto com o consulado, várias conquistas e avanços foram obtidas, dentre elas a obtenção de documentos e a participação maior de estudantes em actividades sócio-culturais, acadêmicas e esportivas.

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Economia

DIVERSIFICAÇÃO CRIA OPORTUNIDADES EM ANGOLA A necessidade urgente de desenvolver actividades para além da extração e venda de petróleo deve atrair novas empresas e empreendedores brasileiros

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ue tipo de oportunidades existem para o pequeno ou médio investidor interessado em abrir um negócio em Angola? Quais as facilidades e as dificuldades? Um caminho para quem estiver disposto a encarar esse desafio é obter ajuda de uma das diversas instituições que trabalham para facilitar o intercâmbio de negócios entre os dois países. Além de um organismo oficial, a Representação Comercial de Angola no Brasil (http://www.rcomercialangola.com.br/) , órgão da Embaixada de Angola no Brasil instalado em São Paulo, actuam nesse sentido, frequentemente em parceria com instituições como a Câmara de Comércio Angola|Brasil, o Instituto Angolano de Comércio Exterior e Mediação – IACEM (http://institutoiacem.com.br/home/ ), a Câmara de Comércio Afro-brasileira - Afro Chamber (http://afrochamber.org/site/ ) e o Instituto Internacional Feafro (www.feafro. com.br). Também pode ser útil para o interessado conhecer um pouco da experiência

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de uma empresa que já enfrentou esse desafio e actua nos mercados angolano e africano, como é o caso da Sapeka Lingerie. Criada em 2008 com o objectivo de promover e auxiliar o comércio e os negócios internacionais entre os dois países, estimulando a iniciativa privada e a livre concorrência em Angola, a Câmara de Comércio Angola|Brasil (www.angolabrasil. org.br) distribuiu em janeiro uma Newsletter intitulada “Como Abrir uma Empresa em Angola”. Nela, estão listadas as opções disponíveis no País para actuação de empresas estrangeiras. A primeira possibilidade, informa o boletim, é montar um escritório de representação que angarie negócios para a matriz; essa representação, informa a Câmara, não pode celebrar contratos em seu nome, pode comprar um único escritório e contratar até 6 funcionários, chegando a 8 em circunstâncias excepcionais, com um montante mínimo de investimentos de USD 60.0000,00 a título de caução, a ser devolvida no encerramento da actividade. O processo


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FOTO: DAVID STANLEY / WIKIMEDIA COMMONS


Economia

de constituição, que precisa ser aprovado pelo Banco Nacional de Angola, tem despesas administrativas estimadas em cerca de US 10.000,00 e uma duração que varia de 1 a 2 meses. Outro caminho para o investidor interessado no mercado angolano, de acordo com a Câmara de Comércio Angola|Brasil, é a abertura de uma sucursal, organização sem personalidade jurídica, que desenvolve projecto específico sob responsabilidade da empresa-mãe. Para actuar de maneira independente no mercado angolano, o investidor pode criar uma nova sociedade, por quotas ou anônima, nesse caso com no mínimo dois sócios. Fora o Escritório de Representação, afirma a Newsleter, o investimento mínimo é de USD 500.000, sem direito a exportar dividendos, com um investimento de até USD 10.000.000 e com necessidade aprovação pela

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AO CONTRARIO DO QUE POSSA PENSAR, COM AS DIFICULDADES ECONÔMICAS ENFRENTADAS EM ANGOLA (...) SE ABREM NOVAS OPORTUNIDADES. APIEX. Para ter direito a exportar dividendos, o investimento deve ser superior a USD 10.000.000 e precisa ser aprovado pelo Presidente da República. O prazo indicado em lei é de cerca de 4 meses.

CRISE E OPORTUNIDADE O engenheiro Joel Carlos Luis é consultor independente, Diretor Executivo da Alcontinental e Presidente do Instituto Angolano de Comércio Exterior e Mediação – IACEM, associação criada no Brasil para ajudar e facilitar a actuação do empresariado angolano no País e também para prestar auxílio aos empresários brasileiros que pretendem investir em Angola. Segundo ele, é preciso reconhecer que a queda do preço do petróleo e a consequente redução da arrecadação de receitas por parte do Governo angolano afectam fortemente as possibilidades de negócios para empresários e empreendedores brasileiros em Angola, “Mas este – pondera Luis - é apenas um indicador que não deve ser analisado em separado, e sim junto de outros. Ao contrário do que possa pensar, com as dificuldades econômicas enfrentadas em Angola, em consequência da queda do preço do petróleo, se abrem novas oportunidades.” Segundo o presidente do IACEM, “é preciso ter em conta que a crise em Angola é essencialmente cambial, uma vez que internamente a economia continua pujante, a produção interna vem aumentando, ainda que timidamente, e o consumo também se manteve alto. Portanto, a crise fica circunscrita ao comércio internacional, visto que não há moeda estrangeira o suficiente para sustentar este comércio”. Ele reconhece, no entanto, que essa dificuldade afecta a produção, visto que são ainda importados muitos dos insumos de que se precisa para produzir. “Exatamente devido a este problema


Um caso exemplar Criada em 1999 no Rio de Janeiro, a Sapeka Lingerie, especializada na confecção de moda íntima sensual, percebeu o grande potencial de mercado dos países africanos, em especial os de língua portuguesa, a partir de uma participação, 2011, na Feira Internacional de Maputo (FACIM), oportunidade proporcionada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos – APEX. As exportações foram crescendo a ponto de a empresa sentir a necessidade de ter sua própria estrutura comercial para atender a demanda local. Em parceria com uma empresa de Angola, construíram na cidade de Benguela um Centro de Distribuições com 350 m² com investimento inicial de US$ 500 mil. “Investimos em Angola, - explica o diretor da empresa Felipe Bortolotti - por ser um país que tem muita procura por nossos produtos, mas a população não tinha conhecimento de como importar ou não sabia o procedimento. Também pequenas quantidades ficavam inviáveis pelo custo do frete. Sendo assim, em parceria com a Sra. Lorena Pinheiro, decidimos abrir um Centro de Distribuições com exclusividade para toda

Angola, agilizando a entrega e flexibilizando em termos de custo e quantidade. Inclusive dando a oportunidade do cliente visitar o local e poder levar a mercadoria no acto da compra. Assim, esse Centro atende revendedoras e consumidores”. Bortolotti conta que a empresa exporta há 8 anos com sucesso e que, desde o início da operação local, em setembro de 2015, os resultados foram positivos, mas que a situação mudou drasticamente com proibição de venda de dólares por parte dos bancos, o que limita as compras a algumas pessoas que possuem cartão de crédito. “Muitos angolanos têm Kwanza, mas não conseguem comprar dólares e assim não fazem negócios. Esperamos imensamente que essa crise em Angola passe rápido, para que voltemos a fazer negócios com eles. Temos muita identificação com os angolanos por conta da cordialidade e alegria e será um prazer. O nosso projecto em Angola não é simplesmente vender lingerie, mas também a geração de empregos no Centro de Distribuições e entre os micro empreendedores espalhados por toda Angola com as revendedoras.”

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Economia

– afirma - surgem novas oportunidades que têm a ver com a produção interna destes insumos. Estou a falar de sectores outrora esquecidos, como agricultura, agroindústria, pescas, turismo, e serviços.”

NA ROTA DA DIVERSIFICAÇÃO Para o Presidente do IACEM, Angola chegou a um momento em que a diversificação da economia tornou-se uma questão de sobrevivência, tanto que é vista pelo governo como principal rota de saída da crise. “Isso abre sem dúvida nenhuma – diz ele – uma grande oportunidade para investidores estrangeiros e brasileiros em particular. A experiência que o Brasil tem nas áreas do agronegócio, turismo, silvicultura, peças, turismo, serviços, entre muitos outros sectores, pode

ser aproveitada.” Joel Carlos Luis lembra que, apesar do desenvolvimento que Angola conheceu antes da actual crise financeira, o País ainda tem sectores virgens a serem aproveitados e muitos outros já experimentados mas que podem ser melhor aproveitados. “O ideal – conclui - seria que esta diversificação criasse um círculo virtuoso, onde com o aumento da produção se aumenta a oferta de emprego, a renda e consequentemente o número de consumidores e o consumo.” Essa visão da crise da economia angolana como uma janela de oportunidade para investimentos em novos negócios é compartilhada por Rui Mucaje, Presidente da Câmara de Comércio Afro-brasileira - Afro Chamber, entidade criada em 1972 e que se apresenta como “alternativa de abordagem ao mercado que se encontra cada vez mais receptivo aos serviços e produtos “Made in Brazil”, bem como na importação de produtos de origem africana nas trocas comerciais bilaterais.” Angolano radicado no Brasil mas com família no

A EXPERIÊNCIA QUE O BRASIL TEM NAS ÁREAS DO AGRONEGÓCIO, TURISMO, SILVICULTURA, PEÇAS, TURISMO, SERVIÇOS, ENTRE MUITOS OUTROS SECTORES, PODE SER APROVEITADA. país de origem, Mucaje lembra que em 2015 o preço do barril de petróleo, principal mercadoria exportada por Angola, caiu de 115 para 30 dólares, com profundo impacto sobre a economia do País, mas observa que hoje o preço do produto já está em recuperação e chega a 54 dólares. “Eu penso que agora é o momento de Angola retornar à sua fase de crescimento e que existe um entendimento muito grande por parte do governo também de que tem que ter uma diversificação da economia, de não deixar a economia centrada no petróleo. E essa nova fase que vamos iniciar é de uma melhora desse cenário econômico em Angola”.

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NOSSO OBJECTIVO É DESMISTIFICAR UM POUCO A VISÃO QUE EM GERAL O EMPRESÁRIO BRASILEIRO TEM DA ÁFRICA. O presidente da Afro Chamber vê o mercado angolano como uma formação bem recente, mas por isso mesmo muito sensível e permeável às inovações, em comparação às economias com regras fixas há mais tempo. “Hoje, e isso é que interessa à gente, os processos de negociação com Angola, em termos de abertura de empresas, de incentivos a negócios, são os melhores desde sempre. Existe uma abertura, temos o chamado guichê único, onde num mesmo espaço físico você abre a conta e emite a guia para fazer todas as contribuições ao governo. Pelo facto de os angolanos serem muito empreendedores – e isso é uma coisa que nos une muito com o Brasil – é que tais facilidades têm sido colocadas junto às empresas locais.”

PEQUENOS E MÉDIOS “Antes nós tínhamos (investindo em Angola) apenas empresas de grande porte, que iam lá com grandes e mega projectos, mas hoje vários grupos de pequenos empreendedores estão interessados, por exemplo, no sector de serviços, que atende ao turismo de eventos”, diz Silvana Saraiva, presidente mundial do Instituto Internacional Feafro, organização sem fins lucrativos que tem como objectivo estreitar relações comerciais, institucionais e culturais do Brasil com os países da diáspora e do continente africanos. Lembrando que a Feafro tem em Angola uma sede e um vice-presidente que cuida de todas as nossas acções dentro do país, Silvana conta que, em novembro passado, a entidade organizou o evento Oportunidades de Negócios com África, dentro do qual o Consul Geral Belo Mangueira fez uma exposição sobre as oportunidades oferecidas aos investidores pelo país, detalhando as possibilidades e demandas das diferentes provín-

cias. “Isso despertou o interesse de uma gama muito grande de empreendedores que estavam presentes no evento e que tiveram depois rodadas de negócios com representantes da Câmara de Comércio Brasil Angola e representantes dos empresários de Angola”, diz Silvana. Ela avisa estar se preparando para organizar nos próximos meses uma missão empresarial para Angola. “A gente não faz grandes grupos, em geral 10 e 15 empresas, no máximo 20, com dois representantes cada uma. Realizamos alguns encontros, visitas técnicas e promovemos algum turismo, porque também o nosso objectivo é desmistificar um pouco a visão que em geral o empresário brasileiro tem da África. Luanda, por exemplo, é uma cidade extremamente desenvolvida, com uma infraestrutura para receber turistas, tanto de negócios quanto de lazer, e o empresário brasileiro não sabe.”

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Economia

APROVADO PROJECTO DE APOIO A

JOVENS EMPREENDEDORES Linha de crédito pretende incentivar atividade empresarial

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Executivo angolano aprovou, no início de janeiro, o Regulamento da Linha de Crédito de Apoio ao Empreendedor Jovem (Projovem), um fundo de apoio a projectos de jovens empreendedores. Trata-se de uma linha de crédito para o jovem empreendedor que decida dedicar-se a uma actividade empresarial. Em nota publicada pela Angop, o coordenador geral do Fórum Angolano dos Jovens Empreendedores (FAJE), Alberto Mendes, afirmou considerar a acção do Executivo como um sinal positivo que vai ajudar os jovens a materializar os seus projectos e elevar o nível de iniciativas privadas no país, visando o desenvolvimento socio-económico de Angola.

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Orçado em quatro biliões de kwanzas, o “Projovem vai disponibilizar 200 mil dólares para cada projecto, definido, valor que Mendes considera bom e suficiente para quem vai começar a implementação de um projecto empresarial, desde que os critérios a serem utilizados para a selecção dos projectos sejam ajustados dentro de uma estratégia global ou nacional, vocacionada à diversificação económica do país. Ainda de acordo com a nota da Angop, o "Projovem", que será assegurado pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), vem dar resposta a algumas das solicitações feitas pela juventude durante o Fórum Nacional de


Auscultação dos Jovens, realizado em 2013, no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND/2013-2017). A linha de crédito, que terá como operadores entidades ligadas ao Conselho Nacional da Juventude, Instituto Nacional da Juventude e o Instituto Nacional de Apoio às Micros, Pequenas e Médias Empresas, vai financiar os sectores da hotelaria e turismo, indústria, agricultura, pecuária, prestação de serviços, das pescas, tecnologias de informação e comunicação, do comércio e empreendedorismo cultural, respectivamente. O projecto ora aprovado durante a 1ª Reunião Ordinária Conjunta das Comissões Económica e para Economia Real do Conselho de Ministros, orientada pelo Titular do Poder Executivo, José Eduardo dos Santos, visa entre outros objectivos, criar um mecanismo para que os jovens possam dedicar-se ao empreendedorismo, no quadro de um novo processo de educação da juventude, com vista a pôr em marcha o espírito criativo.

Alberto Mendes -Coordenador Nacional da FAJE

REPERCUSSÃO NO BRASIL Jovens angolanos empreendedores e residentes no Brasil, que apresentaram projectos ligados ao empreendedorismo na "1° Feira Científica Angolana" em Abril de 2016, demonstraram grande interesse pela iniciativa e assinalaram pontos significativos deste projecto como também interesse em aplicar os seus no mercado angolano. Marseu de Carvalho, formado em Marketing um dos jovens angolanos empreendedores e residentes no Brasil, que apresentou um projecto, explica que no ponto de vista econômico esse projecto, se implementado com rigoror, traz inúmeras vantagens tanto para o empreendedor como para a estabilidade econômica do pais, "Para o empreendedor um crédito o ajuda a potencializar o seu negócio e caso ele não tenha um negócio o ajuda a implantar alguma ideia que tenha desenvolvido, o que acaba fazendo com que tenhamos um aumento no poder de compra da população e de activo circulante do país". Para Marseu, no que diz respeito a actual situação do país, esta é uma maneira viável de se contornar a adversidade, sendo uma alternativa, que não pode andar só. "Para galgarmos pequenos passos para o real crescimento temos que começar a investir em commodities e em industrias, isso vai aumentar o nosso número de exportações e diminuir as importações e como consequência teremos valorização da nosso moeda, e uma entrada maior de divisas no país e potencialização da economia em diversos seguimentos".

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Economia

CHINA DISPONIBILIZA RECURSOS A PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

Angola e Brasil estão aptos a serem beneficiados por uma dotação financeira inicial de mil milhões de dólares. » Com sede prevista para funcionar em Macau no decorrer de 2017, o Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa tem como objectivo o apoio à cooperação no âmbito de investimento entre as empresas chinesas (incluindo de Macau) e as dos países de língua portuguesa, orientando estas últimas, nomeadamente de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste, para o investimento directo multilateral, aumentando a força global das empresas investidoras e promovendo o desenvolvimento económico dos países membros. 22

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Durante o evento realizado em Macau no dia 1 de fevereiro durante o qual foi anunciada a transferência do fundo de Pequim para Macau, a vogal executiva do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), Glória Batalha Ung disse ao Jornal de Angola que isso tornará mais fácil para as empresas locais a obtenção de informações sobre o fundo. “Vai haver mais facilidade na procura de financiamento para os respectivos projectos e o desenvolvimento dos mercados dos países de língua portuguesa, em cooperação com as empresas da China.”, declarou.


ENERGIA SOLAR NO BRASIL O Fundo de Cooperação para o DeNo final de janeiro, o Fundo de Coo- senvolvimento entre a China e os Paíperação para o Desenvolvimento entre ses de Língua Portuguesa, anunciaa China e os Países de Língua Portu- do em Novembro de 2010 pelo então guesa aprovou um financiamento para primeiro-ministro Wen Jiabao, durante um projecto de energia solar no Brasil a terceira Conferência Ministerial do e está a “analisar meia dúzia de pro- Fórum de Macau, tem uma dotação financeira inicial de mil jectos”, anunciou o milhões de dólares. director-geral adjun“VAI HAVER MAIS Informação mais deto do departamento talhadas sobre essa de gestão do Fundo, FACILIDADE NA iniciativa podem ser segundo informação PROCURA DE obtidas no site(http:// do Jornal de Angola. FINANCIAMENTO PARA www.forumchinaplp. Song Feng adiantou org.mo/?lang=pt) do que, além dos dois OS RESPECTIVOS Fórum para a Cooprojectos autorizados PROJECTOS E O peração Económica para Angola e MoçamDESENVOLVIMENTO e Comercial entre a bique, o financiamento DOS MERCADOS DOS China e os Países de aprovado agora para Língua Portuguesa o Brasil, que visa a PAÍSES DE LÍNGUA (Macau), também coprodução de 200 mePORTUGUESA.” nhecido como “Fórum gaWatts de energia de Macau”, mecaniseléctrica, representa um investimento de 200 milhões de dó- mo multilateral de cooperação interlares norte-americanos, 20 milhões dos governamental e tem como objectivo a consolidação do intercâmbio económico quais avançados pelo Fundo. Segundo o Cônsul Geral da China em e comercial entre a China e os Países São Paulo, Song Yang, a colaboração de Língua Portuguesa, utilizando Macau com os países de língua portuguesa é como plataforma de ligação entre eles. uma das prioridades da China. Ele ressalta a parceria estratégia de seu País Fontes: Jornal de Angola e Macauhub com Portugal e lembra que a China tem investimentos muito importantes em Angola. “Temos, por exemplo, cerca de 200 mil trabalhadores que estão contribuindo para a prosperidade do país e uma empresa chinesa finalizou em 4 ou 5 anos uma ferrovia com extensão de 1300 quilômetros”. Yang lembra também que a colaboração chinesa com o Brasil é maior ainda: “O investimento chinês no País já está em quase 40 bilhões de dólares e o comércio (entre os dois países) no ano passado foi 58 bilhões. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e creio que também de Angola.”

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Cultura

QUILOMBO CAFUNDÓ TEM RAIZES EM ANGOLA

Descendentes de angolanos formaram a comunidade em 1855

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omposta por 28 famílias e formada por descendentes angolanos escravisados em busca de liberdade, a comunidade do quilombo Cafundó está localizada na área rural do Município de Salto de Pirapora, região centro sul do Estado de São Paulo, a uma distância de cerca de 60 Kms da capital. Por conta disso, em março deste ano uma comitiva do Consulado Geral de São Paulo esteve no quilombo para manifestar solidariedade aos moradores e conhecer melhor sua história. Após uma calorosa recepção por parte dos moradores e autoridades locais, a comitiva liderada pelo Cônsul Belo Mangueira percorreu, demoradamente,

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o pequeno povoado que, além de casas de pau-a-pique e de madeira, possui uma pequena biblioteca, capela, sala de reuniões. No entorno, ficam as terras de onde a população retira a sua sobrevivência e onde se vê arvores frutíferas e campos hortícolas. Também se destacam no ambiente arvores decorativas muito frondosas, sob as quais, à semelhança do que acontece em muitas aldeias angolanas, realizam-se encontros dos moradores, em que os mais velhos discutem os mais diversos problemas. Belo Mangueira e sua equipe foram recepcionados pela coordenadora da Comunidade Quilombola Cafundó, Regina Aparecida Pereira, que


Regina Aparecida Pereira este à frente da recepção à comitiva consular.

abordou assuntos atinentes à vida da comunidade. Ela contou que o Quilombo nasceu no ano de 1855, quando Joaquim Congo e Ricarda contraíram matrimonio e geraram duas filhas: lfigênia e Antônia, matriarcas de Cafundó. Regina explica que eram terras extensas, cobiçadas pelos fazendeiros da região, que invadiram ou forçaram a venda mediante intimidação. “As terras foram-se – conta Regina - tornando ínfimas a ponto de nos encontrarmos confinados neste pedaço. No entanto, a nossa luta prossegue em busca das terras perdidas, pois é um legado deixado pelos nossos antepassados” A comunidade reservou para a delegação momentos de laser ao exibir o melhor que têm da sua cultura, com apresentações de cordel, poesia e danças bastantes animadas, abrilhantadas por um batuque, tipicamente africano. “É uma alegria tão grande que dificilmente conseguiria dizer. Pensando com vocês sobre o nosso passado comum, preservando a nossa e vossa identidade cultural. Isto nos anima e fortalece bastante” dis-

se a coordenadora Regina Pereira quando mostrava um canto da Capela onde se viam fotografias de antepassados. O final do encontro foi marcado por um apelo feito pelo Cônsul-Geral, para a mobilização de esforços no sentido de a comunidade de Quilombó de Cafundó possa receber apoio adequado no sentido

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Cultura

“À SEMELHANÇA DAS NOSSAS TRADIÇÕES, - DIZ ELA - ELES NOS RECEBEM, CUMPRIMENTANDO OU ESTENDENDO AS DUAS MÃOS E EMBAIXO DE UMA ÁRVORE FRONDOSA (...) de lidar com alguns problemas de ordem social: “Acreditamos que é necessário que algo se faça em beneficio da comunidade, melhorando permanentemente a qualidade dos serviços prestados ou outros que se farão”. O encontro foi coroado com um almoço de confraternização servido por um prato típico, recordando a culinária angolana.

TRAÇOS COMUNS Os moradores do Cafundó preservam a memória de uma língua própria desenvolvida pela comunidade, uma fusão das línguas nacionais angolanas. Judith Luacute, angolana, profissional da área da saúde e estudiosa da vida dos quilombos, que integrou a comitiva consular, afirma que isto é

prova mais do que evidente de que se trata de descendentes de angolanos que foram escravizados e trazidos para o Brasil: “São tantas, mas tantas semelhanças, a ponto de ter encontrado uma Língua falada por eles que se chama Acupopia, ou seja, vocábulo que na Língua Nacional Umbumdo significa falar, uma fusão do Kimbundo e o Kikomgo resultou na língua que falam há muito tempo, depois de para aqui terem sido trazidos.” Judith Luacute ressalta ter também constatado que os hábitos alimentares dos moradores do Cafundó pouco ou nada fugiram dos de Angolano, a exemplo da pulenta, que é o nosso funji. “À semelhança das nossas tradições, -diz ela - eles nos recebem, cumprimentando ou estendendo as duas mãos e embaixo de uma árvore frondosa, lugar em que habitualmente, os nossos mais velhos reúnem para abordar assuntos inerentes a comunidade ou a aldeia que vivem.”

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ANTÓNIO MOSQUITO RECEBE

TROFÉU “RAÇA NEGRA” Acionista do Global Media Group, empresário angolano foi homenageado pela comunidade afro-brasileira

» Durante evento realizado em 21 de novembro

de 2016, na Sala São Paulo, região central da capital paulistas, activistas, representantes do governo estadual e federal, dirigentes de empresas, imprensa e outras lideranças assistiram António Mosquito ser distinguido como empresário do ano pela comunidade afro-brasileira. A cerimónia que homenageou também o ex-senador e reverendo americano Jesse Jackson, a presidente da Suprema Corte do Brasil, Carmen Lúcia, e a cantora Elza Soares, vencedora do Grammy Latino 2016 de melhor álbum de música. "Estou muito feliz por receber este prémio. É um gesto único e uma distinção que aceitei com muito prazer. Acho benéfico, muito positivo, trabalharmos pelo progresso e a valorização da comunidade negra. Isto ainda é um princípio, um trabalho de anos, mas tende a crescer", disse António Mosquito, líder do grupo empresa-

rial GAM, com negócios nas áreas de comércio, transportes, construção civil, hotelaria, imobiliária, agricultura e pecuária, e também na comunicação social, como acionista de referência do Global Media Group. O presidente do júri que escolhe os homenageados, José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, justificou que a distinção de Mosquito tem como objectivo alargar as referências positivas da comunidade afro--brasileira: "Aqui, 53% da população é negra, mas não temos nenhum empresário ou director de grande empresa negro que tenha tido tanto sucesso como António Mosquito. Esperamos que ele seja um espelho." Patrocinado também pela ONG Afrobras, Troféu Raça Negra faz parte das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra e nele personalidades e autoridades negras e não negras, nacionais e internacionais, são premiadas por exaltar, enaltecer e divulgar o valor das iniciativas, acções, gestos, posturas, atitudes, trajetórias e realizações que tenham contribuído para aprofundamento e ampliação da valorização da raça negra.

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Cultura

LANÇADA EM SÃO PAULO COLEÇÃO

“ÁFRICA SEM ESTEREÓTIPOS” Objectivo é reduzir o grande desconhecimento sobre África existente no Brasil

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colectivo Afreaka organizou no dia 13 de Fevereiro, no Cine Galeria Olido, em São Paulo, um evento para lançamento da colecção de publicações ''África sem estereótipos'', com conteúdo apurado em 15 países africanos. Isso, visando estabelecer diálogos entre a cultura brasileira, a produção cultural da África contemporânea e suas manifestações e diversidades culturais. O evento inclui a mesa de debates "Africa e Educação, intervenção gastronômica com Surama Caggiano e apresentação musical com voz e violão de Ericah Azeviche e Ana Carolina. Em entrevista concedida a Thais Paiva e publicada na revista Carta Capital em 17 de fevereiro, a

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diretora e idealizadora do projecto, Flora Pereira, explica que existe um grande desconhecimento sobre o continente africano no Brasil, além do esteriótipo negativo, existe ainda a romantização de uma África tradicional que ficou parada no tempo. Outro grande esteriótipo do continente para os brasileiros, segundo Flora, é a generalização, como se África fosse uma coisa única, o que acaba por desvalorizar toda a diversidade do continente. "Essa generalização, inclusive, acentua o preconceito. Quando a televisão noticia um atentado na Nigéria ou um conflito no Sudão, associa-se esses factos a todo resto do continente, desconsiderando que são 54 países. Claro que conflitos ou pobreza


existe, mas é preciso entender que são locais e situações específicas, assim como é no Brasil, na Europa e em todo o resto do mundo", frizou. O principal objectivo do lançamento da colecção é exactamente trazer uma informação de boa qualidade, revelar o outro lado e incluir os traços positivos que o continente alberga. "Fazendo da educação curricular e extracurricular um espaço de trocas de heranças culturais e artísticas e promovendo o resgate de nossa identidade e uma nova proposta de formação da juventude no Brasil". “África sem estereótipos” tem um conteúdo impresso inédito apurado em África, com mais de 40 reportagens e entrevistas, sua publicação é em formato de revista e é voltada tanto para o aluno quanto para o auxílio aos professores e multiplicadores da educação, se apresentando como uma fonte de conhecimento didático e servindo como material de auxílio."Precisamos reflectir sobre nossas origens e nossas conexões contemporâneas para nos entendermos como latino-americanos e para, então, entendermos quem somos enquanto brasileiros, quais culturas nos formaram. Negar a África é negar mais da metade da nossa história e focar em apenas uma versão", finaliza Flora. Para promover o cumprimento da Lei 10.639/03 e reforçar a presença de África nas instituições de ensino, o Afreaka distribuirá gratuitamente a

coleção em 1800 escolas públicas e instituições culturais de todo o estado de São Paulo. De natureza multidisciplinar, o objectivo é que as publicações possam servir como uma fonte de conhecimento didático sobre as sociedades africanas, suas culturas e formas de expressões artísticas actuais; conjugando-o com a estratégia e perspectiva proposta dentro dos parâmetros curriculares e modalidades de ensino. Fundado pela jornalista Flora Pereira e pelo designer Natan Aquino, o projeto Afreaka teve início em 2012. Hoje o tem mais de um milhão de acessos e 50 mil seguidores nas redes sociais. A equipe cresceu e o projecto vem experimentando, além da área da comunicação, interlocuções com os campos da educação e da produção cultural, sempre com objectivo de trazer a África ainda mais para perto do Brasil.

SÃO AO TODO 4 VOLUMES: 1. Mídia, Literatura, Arte, Grandes Impérios e Identidade; 2. Línguas, Autenticidade, Sustentabilidade, Tecnologia e Filosofia; 3. Grafite, Sociedades Tradicionais, Música, Dança e Grandes Cidades; 4. África nas Escolas - sugestão de atividades e exercícios para a sala de aula.

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Cultura

REVOLTA DE CASSANGE

MARCA O INÍCIO DA LUTA ARMADA EM ANGOLA Entre Janeiro e Fevereiro de 1961, houve um período de Sangue e Luta, início de uma Revolução que levou o País à Independência POR: DANILSA ALMEIDA

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Os acontecimentos mais graves da Baixa de Cassange ocorreram no dia 4 de Janeiro de 1961. A revolta em si teve início em Outubro de 1960, quando os camponeses não aceitaram as sementes de algodão a serem semeadas em Janeiro. Os capatazes da companhia “Luso-Belga Cotonang” perceberam que começara um movimento grevista em resposta aos maus tratos, à exploração do homem pelo homem. Os trabalhadores se revoltaram por que trabalhavam praticamente de graça, situação revoltante e humilhante que culminou naquele alvoroço. “Comemoramos 56 anos desta data histórica e importante da Nação Angolana. Desde criança, ouvi falar desta efeméride e me foi ensinado a reverenciar a memória, vida dos trabalhadores da Baixa de Cassange e assim como honrar os heróis do 4 de Fevereiro”, diz Jorge Manuel, Presidente da Mesa da Assembleia Geral União dos Angolanos do Estado de Santa Catarina da - UASC, formado em Teologia e residente no Brasil há 27 anos. Ele frisa ainda que, “pelos relatos da época a injustiça resi-

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dia em que para um trabalhador pagar o imposto geral mínimo tinha que vender 10 sacos de algodão, ou obrigatoriamente contrair dívidas para pagar na próxima colheita. Os habitantes eram obrigados a produzir algodão, sendo que a terra era produtiva para outras plantações. Tal injustiça, semeava sentimento de rebeldia e conflito”. Tais acontecimentos tiveram base nas Províncias de Malange e Lundas, especificamnte na região que compreende as aldeias de Massango, Cambo Sunginge, Kanzage, Wholo dia Coxi, Zunge, Santa Comba, Mulundo,Teka dia Kinda, Mona, Xandel e lango Milando, nos Municípios de Cahombo, Marimba, Cunda da Baze e Quela. Um mês depois, no dia 4 de Fevereiro de 1961,começa a luta armada em Angola. Ecoava em toda Província a revolta pelas mortes inocentes na Baixa de Cassange e neste dia Patriotas angolanos desencadearam um ataque contra as masmorras da cadeias de São Paulo e da casa de Reclusão em Luanda. Foram 14 anos de contagem regressiva para o 11 de Novembro de 1975, culminando com a Independência da Nação.


“Uma multidão de catanas não teve medo de enfrentar a indústria bélica Portuguesa. Com vontade divina da liberdade, invadiram as instalações supracitadas e da Emissora Nacional de Angola.”, prossegue Jorge Manuel. E lembra que, na história do país, esta data é lembrada como o “Dia dos “Mártires”. É importante rememorarmos a história para que o marco seja sempre celebrado com sentimento de grande valorização histórica e cultural da nação angolana. A narrativa dos factos da repressão colonial realça para os jovens angolanos o valor deste marco na riqueza histórica de Angola. Como reafirma Manuel, “Que as gerações vindouras, nunca se esqueçam destas datas memoráveis da história de

Angola. Vivemos a influência estrangeira, razão pela qual precisamos inculcar na mente das novas gerações os valores do nacionalismo, fazendo lembrança do Hino Nacional Angolano como símbolo mais vivo e presente nos nossos dias: ’Ó pátria, nunca mais esqueceremos Os heróis do 4 de Fevereiro Ó pátria nós saudamos os teus filhos Tombados pela nossa independência Honramos o passado a nossa história Construindo no trabalho um homem novo’’

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PUBLICAÇÃO DO CONSULADO GERAL DE ANGOLA EM SÃO PAULO ANO 4 - no 12 - MAI/2017

DIREÇÃO GERAL Cônsul Geral: Belo Mangueira Vice-cônsul: Alice Mendonça ADMINISTRATIVA Vice-cônsul da área consular: Isaú Boco Vice-cônsul das comunidades: Alves Fernandes REDAÇÃO Editor-chefe: Flavio Carrança Editor-assistente: Vasco Suamo Repórter: Danilsa de Almeida JORNALISTA RESPONSÁVEL Flavio Carrança MTb nº 12.724 PROJECTO GRÁFICO & DIAGRAMAÇÃO O Nome da Rosa Editora www.nomedarosa.com.br

Editora de arte: Júlia Melo Designer: Emília Adamo Para enviar sua sugestão de pauta, artigos, críticas e elogios para a redação:

sectorcomunidade@consuladogeraldeangolasp.net

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Angola Yetu - ed12  
Angola Yetu - ed12  

Revista do Consulado Geral de Angola em São Paulo. Ano 4 - nº 12 - MAIO/2017

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