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Revisão Técnica ROTAVÍRUS • RNA vírus de dupla cadeia, sem envoltório, também conhecido como “the enteric flu” (influenza entérica). Ataca os enterócitos maduros, no terço superior das vilosidades intestinais. Entra nos enterócitos por endocitose (processo cálcio dependente) e replica-se no citoplasma, provocando mudanças na histologia local às 24 horas pós-infecção (essas mudanças são mais pronunciadas no intestino delgado). Altera os processos de absorção e secreção, afetando o transporte de sódio e de glicose, provocando assim uma diarreia osmótica por má absorção (diarreia aquosa às 8 horas pós-infecção). • O rotavírus excreta uma enterotoxina (NSP4) que induz o aumento da concentração do cálcio intracelular e a secreção do cloro, interferindo com a produção do NaCl e inibindo a função da ATPase Na+/K+ (bomba de sódio/potássio). Esta toxina tem efeitos mínimos em suínos adultos. • A maioria dos suínos é positiva para o rotavirus, ao longo de sua vida, porém, nem sempre mostra sinais clínicos. A enterite por rotavírus acomete leitões com menos de 7 dias de idade (maior incidência em leitões de 0 a 3 dias de vida). Para o diagnóstico da rotavirose por PCR é necessário coletar fragmentos de intestino delgado e conservá-los adequadamente. • Em suínos diferenciam-se quatro grupos de rotavírus (A, B, C, E), com duas proteínas de superfície: glicoproteina (G) e hemaglutinina (P). Assim, são descritos 12 tipos virais G e 7 tipos virais P. Não há proteção cruzada entre as diferentes cepas e grupos. O vírus é bastante resistente a condições ambientais e a muitos desinfetantes. Hoje em dia é comum identificá-lo como causa primária de diarreia, sendo mais frequente em primíparas, mas afetando as leitegadas de todos os ciclos produtivos.

NUTRIÇÃO

g/100 mL: limite inferior; 7 g/100 mL: redução do crescimento e 6 g/100 mL: anemia severa, havendo elevada mortalidade com níveis de 4 g/100 mL. Os leitões com anemia são mais susceptíveis à colibacilose, problemas respiratórios e têm uma elevada perda de apetite. Um leitão, ao nascer, contém cerca de 50 mg de ferro; o leite da porca lhe fornece de 1 a 3 ppm diários e suas necessidades durante o período de lactação são de 67 mg/kg de peso vivo. Doses de ferro dextrano, de 300 mg vs 200 mg, não demonstram diferenças até as 3 semanas de idade. Em leitegadas hiperprolíficas os níveis de ferro aos 17-18 dias de idade estão nos pontos de corte. • Entender a relação entre nutrição e patologia é essencial para resolver problemas multifatoriais. A influência da nutrição sobre a saúde dos leitões baseia-se em três pilares: o Adaptar os níveis de nutrientes e ingredientes à idade/ peso do leitão: no desmame necessitam de níveis elevados de aminoácidos para atingir sua tremenda capacidade de deposição proteica, associada a proteínas de alta qualidade biológica e digestibilidade. Os aminoácidos sintéticos não devem superar os 20% dos conteúdos na dieta final. Os carboidratos devem ser altamente palatáveis como fonte de energia, já que os leitões têm capacidade limitada de utilização de gorduras (um mínimo de lactose de elevada qualidade). O uso de cereais tratados é interessante, nas primeiras fases do leitão. o Maximizar a ingestão de ração para manter a saúde intestinal. Para tanto, é preciso usar matérias-primas de elevada digestibilidade e palatabilidade (ex.: proteína de plasma aumenta o consumo médio diário em 21%; o ganho médio de peso diário em 25% e o índice de conversão em 4%). Há uma grande interação entre fatores nutricionais, manejo, sanidade e ambiente, no consumo de ração. o Ajustar o consumo de cada tipo de ração e o momento

• VITAMINA D: é uma vitamina lipossolúvel que se armazena no fígado e no tecido adiposo. Sua deficiência produz hipocalcemia, atraso de crescimento e morte súbita. É necessária para a absorção do cálcio no intestino e para a manutenção da sua homeostase (cálcio da dieta e das reservas ósseas), visando manter os níveis estáveis. Também tem influência no sistema imunológico (receptores de vitamina D3 no núcleo de ativação dos linfócitos T). E para manter essas referidas constantes é prioritário que o seu nível sérico mínimo seja de 15 ng/mL. Leitões com problemas de diarreia por má-absorção têm os níveis de vitamina D reduzidos, aumentando o risco do desenvolvimento de patologias ósseas e de terem sua resposta imune às vacinas prejudicada. Entre as vitaminas lipossolúveis (A, D, E), a que melhor ultrapassa a barreira placentária é a vitamina D. A administração oral de suplementos à base de Ca (ex.: Colecalciferol™ a 40.000 UI/leitão às 16 horas de vida) melhora o ganho médio de peso diário, além de promover efeitos positivos sobre os níveis da mortalidade na lactação. • FERRO: até 1870 o ferro não era reconhecido como um nutriente vital para os animais. As primeiras pesquisas sobre anemia em leitões foram realizadas em 1923-24, na Escócia e em 1929 nos EUA. As deficiências de ferro são medidas pela concentração de hemoglobina no sangue (> 10 g/100 mL: normal; 8 Suínos & Cia

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Ano VII - nº 43/2012

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ROTAVÍRUS NUTRIÇÃO 30

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