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SUÍNOS&CIA - REVISTA TÉCNICA DA SUINOCULTURA

ANO VII - Nº 44/2012


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Editorial Crise ou oportunidade de mudança? Sabemos que a globalização conecta o mundo. Facilmente, em poucos minutos, é possível conhecer hábitos e culturas distantes e distintas à nossa. Porém, infelizmente ou felizmente, é possível sofrer diferentes consequências dessa imediata comunicação quando ela chega de forma irresponsável, trazendo insegurança e instabilidade. O mundo mudou, e a maneira de como devemos enfrentar essas mudanças é fundamental para alcançar os objetivos estabelecidos. Em momentos desfavoráveis existem dois caminhos: renascer ou afundar em pessimismo e falência. Nas situações mais difíceis, sempre existirá uma luz que pode conduzir ao encontro de novas oportunidades. São nos momentos de crise, dificuldade financeira ou mesmo falta de perspectiva que se deve ficar atento às oportunidades. Fazer uma reflexão de como foram enfrentados outros difíceis momentos e quais estratégias ajudaram a encontrar os caminhos para a superação, com base em fatos vivenciados e na própria experiência, poderá indicar a encontrar soluções. Com certeza, a chance do sucesso baseia-se em otimismo e na forma como se olham os problemas. No entanto, é preciso considerar que cada momento é diferente, exigindo adoções de diferentes estratégias. Sem dúvida, diante do fracasso, as oportunidades ficam ocultas pela inércia, desesperança e medo. A crise pode ser a porta de descoberta e conhecimento à medida que somos forçados a buscar soluções, rever posições, arriscar e conquistar espaços que permitam ser a grande sacada para permanecer ou não na atividade, desde que criteriosamente analisada e devidamente aplicada no momento certo. Infelizmente ou felizmente, quantas crises, ao longo de nossa vida, conseguimos superar? Certamente a atual sempre é e será a mais difícil. Todos nós temos vários talentos. Momentos difíceis são propícios para desenvolver talentos adormecidos e esquecidos. “O desespero é desperdiçar as oportunidades”, já dizia Richard Bach, autor de Fernão Capelo Gaivota. Portanto, seguem algumas sugestões de como transformar crise em oportunidades: Discernimento para distinguir realidade de imaginação e mudar para melhor; Compreensão para entender que existem limites; Humildade para reconhecer talentos e saber agregá-los; Flexibilidade para se curva diante dos fatos; Ousadia para arriscar; Criatividade para superar o que já existe e fazer a diferença; Coragem para superar o medo e a acomodação, elegendo as melhores escolhas. Portanto, ânimo e encontre na boa leitura a oportunidade para fazer a diferença. Maria Nazaré T. S. Lisboa


Índice 6

Entrevista

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Manejo

19

Reprodução

26

Sanidade

33

Revisão Técnica

44

Sumários de Pesquisa

48

Divirta-se

50

Dicas de Manejo

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Aconteceu

Antonio Palomo Yagüe Como formar lotes de suínos semanais na direção do lucro Causas de anestro e cio silencioso na fêmea suína Monitorando doenças infecciosas em plantéis de suínos por meio de amostras de fluidos orais

Resumo do 4º Simpósio da Associação Europeia de Gestão da Saúde de Suínos, realizado em Bruges

Encontre as palavras Jogo dos 7 erros Teste seus conhecimentos Labirinto

Prejuízos gerados pelas doenças respiratórias na suinocultura são analisados durante ciclo de palestras promovido pela Boehringer Ingelheim


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos&Cia é destinada a médicosveterinários, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnicocientíficos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

Consultoria Técnica Adriana Cássia Pereira CRMV - SP 18.577 Edison de Almeida CRMV - SP 3045 Mirela Caroline Zadra CRMV - SP 29.539

Jornalista Responsável Paulo Viarti MTB.: 26.493

Projeto Gráfico e Editoração Dsigns Comunicação - dsigns@uol.com.br

Ilustrações Roque de Ávila Júnior

Foto da Capa Jeffrey Zimmerman

Departamento Comercial Mirela Caroline Zadra dtecnico@consuitec.com.br

Atendimento ao Cliente Adriana Cássia Pereira adriana@suinosecia.com.br

Assinaturas Anuais Brasil: R$ 120,00 Exterior: R$ 160,00 Mirela Zadra assinatura@suinosecia.com.br

Impressão Gráfica Silva Marts

Administração, Redação e Publicação Av. Fausto Pietrobom, 760 Jd. Planalto - Paulínia/SP CEP 13.145-189 Tel: (19) 3844-0443/ (19) 3844-0580 Fazenda Grupo Cabo Verde

A reprodução parcial ou total de reportagens e artigos será permitida apenas com a autorização por escrito dos editores.


Entrevista Nutrição de fêmeas de alta prolificidade De acordo com o médico-veterinário Antonio Palomo Yagüe, assim como na genética, sanidade e manejo, também houve melhorias significativas na nutrição, e uma das mais importantes, no campo aplicativo, talvez seja o avanço no conhecimento das matérias-primas a partir do ponto de vista nutricional. Confira nesta entrevista.

Antonio Palomo Yagüe Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Complutense de Madrid, na Espanha, da qual também é professor do departamento de Medicina e Cirurgia Animal; PhD e mestre em Nutrição de Suínos, pela Universidade de Minessota (EUA); mestre em Patologia e Produção de Suínos, pela Universidade de Utrech (Holanda); e produtor de suínos. Dr. Antonio Palomo possui mais de 400 artigos científicos publicados além de ser excelente palestrante em congressos internacionais. Atualmente, é diretor da divisão de suinocultura da empresa francesa Setna Nutrición InVivo NSA e colaborador assíduo da Suínos & Cia. Nesta entrevista, Dr. Palomo evidencia os aspectos e desenhos nutricionais, manejo e custo de produção em fêmeas de alta prolificidade.

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Suínos&Cia - Quais os principais aspectos nutricionais a serem avaliados nas porcas de alta prolificidade? Dr. Palomo - Na nutrição de porcas com leitegada de tamanho elevado, considero importante três aspectos básicos: desenvolvimento ósteo-esquelético e reprodutivo das futuras reprodutoras, a partir dos 100 a 120 dias de idade (níveis de energia, aminoácidos, cálcio, fósforo e oligoelementos, vitaminas); fazer um esquema de nutrição diferenciado por fases de gestação (0 a 35 dias, 35 a 80 dias e 80 dias até a entrada em parição), com base nas necessidades de crescimento e de formação de tecidos reprodutivos (útero, placenta e fetos), centralizado em níveis de energia, relação de aminoácidos, qualidade de fibra (PNA – fibra dietética – Fibra detergente neutro (FDN) / Fibra detergente ácido (FDA)), balanço eletrolítico e necessidades de micronutrientes; e fazer um esquema de nutrição peri-parto adequado para facilitar a produção de leite e o consumo diário de ração de lactação, promovendo maior ingestão de nutrientes durante os dias de lactação (energia líquida, aminoácidos digestíveis, relação cálcio/fósforo digestível, balanço eletrolítico e oligoelementos-vitaminas).

40 dias de gestação (facilitar a nidação e a implantação, recuperando, ao mesmo tempo e gradualmente, a condição corporal); do 40o ao 80o dias de gestação (facilitar o desenvolvimento do aparelho mamário e a vitalidade do leitão no nascimento); dos 80 aos 105/108 dias de gestação (melhorar o peso da leitegada ao nascer e evitar o catabolismo proteico na porca); e entre o 5o e o 7o dias prévios ao parto (evitar a constipação intestinal e favorecer o desencadeamento e o desenvolvimento de um parto fisiológico).

Suínos&Cia - Com relação ao manejo da alimentação em porcas lactantes, qual seria a melhor estratégia: três, quatro ou mais tratos?

Suínos&Cia - Na fase de gestação, o que recomendar no manejo da alimentação e por que?

Dr. Palomo - Na lactação, adaptar os níveis de ingestão às suas três fases metabólicas: nos primeiros 3 a 4 primeiros dias (fase hiper-gonadotrófica), evitando um consumo excessivo de nutrientes; entre os dias 5 e 15 (fase de transição), quando devemos atingir os consumos máximos de nutrientes factíveis para cada porca, segundo o seu ciclo produtivo e o tamanho de leitegada; e do dia 16 ao desmame (fase de normalização), em que a porca termina de regredir o tecido reprodutivo, devendo ingerir a maior quantidade de alimento possível para reduzir sua perda de peso e melhorar o peso da leitegada no desmame.

Dr. Palomo - Na gestação, eu diferenciaria as seguintes fases: do desmame à inseminação (máxima ingestão energética para obter a melhor taxa de ovulação e ovócitos de qualidade); primeiros 35 a

Suínos&Cia - Atualmente o custo de produção é alto devido ao aumento considerável dos níveis de ingredientes na ração, especialmente farinha de soja. Você Ano VII - nº 44/2012


Entrevista de gestação), mas também influirá na taxa de prolificidade do(s) ciclo(s) seguinte(s), assim como na produção leiteira da lactação seguinte. Portanto, sempre afirmo que aquilo que for bem feito nesse ciclo reprodutivo, na fase de gestação, facilitará a lactação e, por sua vez, permitirá obter melhores resultados no ciclo reprodutivo seguinte. Hoje a produtividade individual é tão importante quanto a longevidade de cada porca, podendo haver uma intervenção em ambas, do ponto de vista nutricional.

Suínos&Cia - Durante o verão, quais seriam as diferentes estratégias recomendadas para que ocorra menor perda de massa muscular, sobretudo em primíparas, em relação aos outros períodos do ano? acredita e recomenda o uso de diferentes opções que possam ser utilizadas na nutrição das porcas em fases distintas da produção, sem comprometer a produtividade delas? Dr. Palomo - Devemos partir do princípio de que os suínos devem cobrir suas necessidades de manutenção e produção com base no seu potencial genético e que, para tanto, precisam que as rações tenham níveis adequados de nutrientes. Podemos restringir esses nutrientes, porém, os suínos restringirão, pelo menos na mesma medida, os seus resultados. O incremento nos custos de alimentação, derivado do aumento dos custos da proteína (farinha de soja) e da energia (cereais e gordura), no meu ponto de vista, deve fazer com que aprimoremos nossa inteligência e nossos conhecimentos nutricionais, a fim de manter uma ótima nutrição como garantia dos resultados produtivos. Para isso, a inclusão de fontes alternativas à proteína de soja, como, por exemplo, ervilhas, colza, tremoço, girassol e farinhas de origem animal, é essencial para diluir o impacto econômico da sua utilização exclusiva. Não devemos nos esquecer de que o nutriente de maior custo é a energia (58% a 64%), seguido da proteína/aminoácidos (25% a 30%) e das fibras e cinzas (minerais, vitaminas), que não chegam a superar os 15% da equação do custo dos Ano VII - nº 44/2012

níveis nutricionais da ração. Também são de grande ajuda os programas de manejo baseados em sistemas de alimentação líquida, a criação de modelos de dietas para suínos de engorda e reprodutoras e os sistemas de racionamento. Devemos levar em conta que, do total dos custos com alimentação, 70% correspondem aos suínos de engorda, 15% aos leitões e outros 15% às reprodutoras. Não é menos transcendente a importância qualitativa da nutrição das porcas nos resultados produtivos dos leitões e da nutrição dos leitões nos resultados produtivos dos suínos de engorda.

Suínos&Cia - Você acredita que deveria haver um programa de nutrição para cada uma das diferentes etapas da gestação e da lactação, já que os índices de leitões nascidos e desmamados vêm aumentando? Dr. Palomo - Como expliquei anteriormente, acredito que sim. Eu diria, ainda, que cada uma dessas fases da gestação tem influência na fase seguinte. Inclusive, grande parte das etapas de nutrição, na gestação, influenciará os resultados da lactação. Além do que, a nutrição durante a lactação influenciará não somente a sua condição corporal no desmame e na alimentação posterior (nas primeiras fases

Dr. Palomo - A primeira estratégia nutricional para a época do verão, quando as temperaturas elevadas influenciam negativamente na capacidade de consumo voluntário de ração das porcas, seria não permitir que nenhuma delas, sobretudo as primíparas, chegue ao momento do parto gordas e/ou com sobrepeso. Um excesso de consumo energético durante a gestação, na primavera, implicará em menor consumo de ração de lactação no verão. Recordemos que a ingestão de alimento, nas porcas, é regulada pelo sistema nervoso central e que os suínos têm grande dificuldade em manter sua temperatura corporal estável. São muitas as estratégias nutricionais e de manejo, relativas à nutrição, aplicáveis para reduzir o impacto do verão sobre a perda da condição corporal, especialmente de tecido muscular, nas genéticas atuais mais conformadas e com menos gorduras. Além disso, todos os protocolos de manejo conhecidos e também aqueles não citados nesta entrevista me permitem indicar algumas recomendações de base puramente nutricionais, tais como facilitar o consumo de água; ajustar o balanço eletrolítico das dietas (200 a 225 mEq/Kg); reduzir o nível de proteína bruta das rações entre 6% e 8%, mantendo o nível de aminoácidos digestíveis e o valor energético; adotar um perfil de energia para a ração a partir da maior utilização de carboidratos adicionados (em vez de gordura); incluir Suínos & Cia

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Entrevista isso, nós devemos adaptar os programas de nutrição ao melhoramento genético obtido. Leva menos tempo montar uma formulação de ração do que fixar um parâmetro geneticamente. Considero que devemos trabalhar unidos, geneticistas e nutricionistas, para obter o máximo do potencial genético, sem esquecer que fenótipo é igual a genótipo mais ambiente.

Suínos&Cia - Você recomenda uma estratégia diferente de manejo de nutrientes para as porcas, após o parto (primeiros dias) e, em caso positivo, por que?

um mínimo de fibra detergente neutro (FDN); fortalecer o aporte de vitaminas e utilizar minerais na forma orgânica; incorporar um probiótico e/ou um prebiótico na dieta da gestação anterior.

Suínos&Cia - O crescimento da contribuição da genética com relação à prolificidade é um fato. Você crê que a nutrição seguiu este mesmo caminho? Dr. Palomo - As melhorias genéticas relativas ao tamanho da leitegada nos permitem aumentar a produtividade de nossas granjas. Acredito que a genética caminha um passo adiante da nutrição e que, por

Dr. Palomo - Conforme referenciei, nos primeiros três dias após o parto a porca está em uma fase hiper-gonadotrófica, na qual baixam drasticamente os níveis de estrógenos e progesterona, ao mesmo tempo em que se mantêm os níveis de FSH e LH. Isso, sem dúvida, condiciona sua capacidade de consumo, tempo de esvaziamento gástrico, tempo de trânsito e capacidade de digestão e absorção de nutrientes. Um sobreconsumo de nutrientes, nesta primeira fase, força o metabolismo basal da porca, o que me leva a considerar a recomendação de fornecer alimentação com níveis tendendo para baixo, o que ajudará também a reduzir a incidência de transtornos metabólicos posteriores ao parto.

Suínos&Cia - Há também uma estratégia de manejo de nutrientes para cobrir custos durante os primeiros 30 dias de gestação? Dr. Palomo - Nesta fase, com relação à alimentação, podemos encontrar na literatura científica recomendações de diferentes empresas genéticas (dinamarquesas, holandesas, francesas, americanas, canadenses) oferecendo diferentes níveis nutricionais. Algumas recomendam alta ingestão de ração para gestação, para recuperar rapidamente as reservas corporais (até 3 quilos/porca/dia), e o fornecimento de outros conteúdos na faixa de 2,0 a 2,2 kg/porca/dia, para cobrir as necessidades da fêmea durante o primeiro mês. Aos 30 dias de gestação, cada embrião pesa cerca de 2 gramas. Os níveis de alimentação com dietas padrão de gestação vão depender de quão bem realizamos nosso trabalho durante a lactação. Portanto, se nós falharmos nesta fase em que a porca está em saldo negativo, nutricionalmente falando, nos veremos obrigados a aumentar o consumo no primeiro mês de gestação para restaurar as reservas corporais, a fim de obter um tamanho de leitegada adequado no parto subsequente. Caso contrário, quando a perda da condição corporal for aceitável, podemos manter, no primeiro mês de gestação, um nível conservador de consumo para que a porca recupere progressivamente suas reservas de modo mais fisiológico.

Suínos&Cia - Em que medida o sistema de alimentação automatizada pode influenciar a eficiência da alimentação das porcas, nas fases de gestação e lactação? Dr. Palomo - O que os sistemas eletrônicos de alimentação nos permitem é fixar as curvas de potência específicas de cada fase e o tempo de produção das porcas, ao longo de seu ciclo produtivo, além de serem capazes de realizar uma alimentação individual de cada porca por meio dos controles do tipo PDA (personal digital assistant ou assistente digital pessoal). Assim, os responsáveis pelos setores de gestação e lactação podem, a cada dia e Suínos & Cia

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Entrevista após a revisão da condição corporal de cada animal, ajustar o consumo de forma informatizada e em tempo real. Não nos esqueçamos de que, para um nutricionista, o ponto principal para a tomada de decisão sobre níveis de nutrientes e ração baseia-se na ingestão alimentar diária.

Suínos&Cia - Devem ser adotadas estratégias nutricionais diferenciadas para granjas que produzam mais de 30 leitões/ porca/ano? Dr. Palomo - Naturalmente, a estratégia nutricional deve ser ajustada ao nível de produção, de 25 a 30, ou mais leitões/ porca/ano. Eu também apontaria para o objetivo de desmamar 125, 150, 175 ou 200 kg de leitão/porca/ano. Neste caso, a estratégia será diferente.

Suínos&Cia - Quais são os principais avanços no campo da nutrição nos últimos anos? Dr. Palomo - Sem dúvida, como na genética, sanidade, manejo, instalações e pessoal (mão de obra), houve também melhorias significativas na nutrição. Uma das mais importantes, no campo aplicativo, talvez seja o avanço no conhecimento sobre as matérias-primas a partir do ponto de vista nutricional: as equações de NIR (near infrared spectroscopy ou espectroscopia de infravermelho), a utilização da proteína ideal (equilíbrio de aminoácidos digestíveis vs proteína digestível), a utilização do valor da energia líquida separado por fases de produção (leitões, crescimento, terminação e reprodução), a relação cálcio/fósforo digestível, o melhor conhecimento sobre a fibra e seus vários componentes (fibras de alta/baixa, rápida/ lenta fermentações em diferentes idades), o uso de fontes de minerais em formas orgânicas e de aditivos nutricionais que promovem o equilíbrio da flora intestinal (por conseguinte, da capacidade imunológica dos suínos). A interação entre a nutrição, nutrição/reprodução, nutrição/ imunidade e nutrição/sanidade digestiva tem avançado ultimamente no campo do conhecimento e de modo bastante práSuínos & Cia

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tico, o que, sem dúvida, nos trará novos conceitos para melhorar a produção nos próximos anos.

Suínos&Cia - Quando ocorre alta mortalidade de porcas em gestação e lactação, chegando a níveis como 6%, ela estaria mais estreitamente relacionada à genética ou à nutrição, ou você acha que haveria um vínculo direto entre as duas? Dr. Palomo - Vocês falam em 6% de mortalidade nas porcas como um parâmetro alarmante e passível de intervenção. O que pensariam se estivessem diante de 10% a 12%, como em muitos países europeus? Certamente é preocupante, pois indica um grave problema, tanto em termos econômicos, como de bem-estar animal. Podemos ver, em determinadas linhagens genéticas, uma tendência de dados de mortalidade mais elevados do que em outras. Os suinocultores costumam expressá-la dizendo o seguinte: “esta porca é muito mais delicada do que a que eu tinha antes e costuma morrer mais, fazendo o mesmo”. Do meu ponto de vista há um componente genético que dificilmente nos escapa, mas a verdade é que eu não estou tão certo de que este seja apenas um fator predisponente ou determinante. No entanto, quando trabalhamos por meio da nutrição, em alguns casos,

conseguimos reduzir ligeiramente essas taxas de mortalidade. Considero lógico que, se temos animais geneticamente melhorados para aumentar a produtividade, com um metabolismo mais forçado, qual será a resposta do sistema imunológico? Eu também acho que possa haver uma interação genética/sanidade/nutrição nessa taxa de mortalidade aumentada.

Suínos&Cia - Agora, quais são os erros mais importantes cometidos na alimentação de suínos de alto rendimento? Dr. Palomo - As principais falhas em termos de alimentação de suínos de alto desempenho, nas granjas que visito com mais frequência, são as mesmas de sempre, agravadas, logicamente, pelas exigências cada vez maiores para essa categoria

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Entrevista lementos), além dos gases de efeito estufa (NH3, NH4, H2S, CO2, CO) prejudiciais à saúde dos trabalhadores, pode ser modulada parcialmente por meio da concepção de ambos: as rações e os programas de fornecimento das mesmas adaptados para cada fase de produção. Nessa resposta se englobariam todas as questões anteriores e muitas outras conclusões.

Suínos&Cia - Por que você escolheu a medicina veterinária?

de animais, devido ao seu alto potencial de deposição de tecido magro e crescimento. Não nos esqueçamos que fazer um quilo de carne magra é mais interes-

Dr. Palomo - Meus pais eram agricultores/suinocultores e tinham uma pequena granja em Segóvia, na região central da Espanha, onde eu e todos os meus irmãos trabalhávamos no tempo livre que nos sobrava dos estudos. Desde muito pequeno eu já queria ser veterinário de suínos.

nosso objetivo básico, de produzir um alimento de alto valor nutricional e sadio para alimentar as pessoas.

Suínos&Cia - Qual é o seu ponto de vista sobre o trabalho dos produtores de suínos para os próximos cinco anos? Dr. Palomo - Como filho de suinocultores e, agora também produtor, minha análise para os próximos cinco anos é positiva para aqueles que estão dispostos a trabalhar e viver desse negócio de forma séria e profissional. Com o aumento da população mundial, temos de elevar a produção de alimentos. Obviamente que isso acontecerá de modo diferente, de país para país, porém, de forma muito similar entre os principais países produtores, como Brasil e Espanha.

sante para o suinocultor, em termos de quilos de ração, do que fazer um quilo de gordura. Porém, do ponto de vista nutricional, fazer um quilo de carne implica em uma maior necessidade de nutrientes e, portanto, em esforço metabólico. Por isso, os principais erros referem-se ao suprimento inadequado de alimentos, como água e ração, ou à concentração e equilíbrio insuficientes de nutrientes nas dietas. Adicionado a estes erros básicos, o manejo inapropriado da ração e as alte-

Suínos&Cia - O que mais o fascina e o encanta na produção de suínos? Dr. Palomo - O que eu mais aprecio na suinocultura é o fato de ela ter uma base biológica e ser muito dinâmica em termos de conhecimentos e, ao mesmo tempo, muito exigente na busca constante por resultados, além de permitir que eu me relacione com profissionais de todo o mundo. Tudo isso sem perder de vista o

Suínos&Cia - Sabendo de sua paixão e dedicação para com o suíno, o que o faria manter a motivação nesse segmento? Dr. Palomo - Do meu ponto de vista e com base no raciocínio de Spinoza, de que a motivação está no tronco da árvore da vida, abaixo das emoções e dos instintos, sendo, portanto, o pilar que nos fortalece e move, no meu caso concreto, a principal razão para me manter motivado na suino-

rações incorretas nos procedimentos em cada estágio de produção, peso ou idade dos animais são bastante comuns.

Suínos&Cia - Como reduzir os resíduos de ração nos sistemas modernos de produção e quais os índices esperados nas diferentes etapas da produção, quando existe harmonia entre o ambiente, a nutrição e a sanidade? Dr. Palomo - Abordo esta questão do ponto de vista de respeito ao meio ambiente, o que deve prevalecer nessa nossa atividade produtiva. Não há dúvida de que a remoção de elementos eliminados pelas fezes e urina que tenham efeitos sobre o solo (nitrogênio, fósforo, oligoeAno VII - nº 44/2012

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Entrevista

cultura baseia-se no meu conhecimento e na paixão que tenho por ela, além da razão externa de que, historicamente, a evolução da demografia humana e da criação de suínos caminha em paralelo. E tudo isso ligado ao fato de que devo dar às minhas filhas o exemplo da realização de um trabalho bem feito para a sua vida.

Suínos&Cia - Como um reconhecido professor de medicina veterinária, qual a sua análise sobre o ensino dessa atividade em nível mundial? Dr. Palomo - Como professor, o que eu realmente desenvolvo é a minha grande satisfação em transmitir tanto conhecimentos científicos, técnicos e práticos como de relações sociais e humanas entre estudantes, profissionais, produtores e empresários. Ajudar a qualquer aluno a entrar no mundo da suinocultura me dá a satisfação do dever cumprido, ao mesmo tempo que me faz sentir realizado nessa fantástica profissão que é a medicina veterinária. Eu acredito que o aumento do conhecimento deve acompanhar, em todos os momentos, os valores éticos e a ética propriamente dita da nossa profissão, na certeza de que servimos ao nosso negócio de criação de suínos e à sociedade em geral. Suínos & Cia

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Suínos&Cia - Uma carreira brilhante, sem dúvida, deve ter tido o apoio de algumas pessoas no sentido de colocar em prática alguns planos ou, inclusive, sonhar. A quem você gostaria de agradecer? Dr. Palomo - Quando acabo de fazer 27 anos como veterinário ligado ao setor da suinocultura, há muitas pessoas que tenho de agradecer por me permitirem manter esta ilusão constante. A lista seria interminável e são ​​muitos os dias nos quais se adicionam novas pessoas a ela. Bem, são só 10 mil dias e tenho a sensação de que são mais de 10 mil pessoas a quem devo agradecer o apoio. Aprendi e tive o apoio básico da maioria dos suinocultores, empresários e trabalhadores de todas as granjas que visitei no mundo. Também me empurraram adiante muitos dos companheiros e companheiras de trabalho nas empresas em que desenvolvi e venho realizando minha atividade diária. São muitos estudantes, hoje já grandes profissionais, que, com seu fôlego, juventude e vontade de aprender, me conduziram a maiores desafios profissionais e pessoais. Dentro do mundo acadêmico também foram e são muitos os professores que me deram a oportunidade de estar na universidade como mais um, o que certamente me permitiu conhecer muitas escolas de referência ao redor do mundo, as quais sempre me deram essa base e conhecimento científico necessários para resolver

muitos problemas. Não menos, agradeço a todos os companheiros das indústrias farmacêutica, de genética, nutrição, instalações, laboratórios e uma série de consultores na Espanha e em todo o mundo que me permitiram completar minha visão geral do setor suinícola, proporcionando, a todo o momento, a oportunidade de expandir meus conhecimentos e contatos. Faço menção especial ao Antonio, Chema, Pedro e Santiago. Eles sabem muito bem quem são. Eu não teria chegado até aqui sem todos nem cada um deles. Mas, claro, e também foi assim no meu caso, a pedra angular que permitiu que tudo isso fosse possível, foram minha família e os amigos. Meus amigos sabem bem quem são e me sinto muito orgulhoso deles. E minha família, materna e paterna, me ajudou a dar o salto da minha cidade natal, com 16 anos, para a universidade. Acreditaram em mim e me apoiaram. Sem essa atenção inicial, nada teria sido possível. A eles gostaria de juntar meus vizinhos da cidade natal, peça fundamental da minha juventude e caráter. E no lugar mais destacado estão a minha base genética e as pessoas com quem a compartilho, os que me deram tudo e a quem devo tudo o que sou. Aqui estão os meus irmãos, irmãs e sobrinhos, meus pais e minhas filhas. Com eles cheguei ao núcleo de todos os meus planos, sonhos e ilusões, e hoje formam o motor da minha vida: minhas filhas e princesas, Antía e Valéria; minha mãe, dona Dionísia, a luz da minha vida; e Maria, minha grande companheira. Obrigado a todos.

Agradecimento Professor Palomo, a equipe da Suínos & Cia., em nome da editora técnica e médicaveterinária Nazaré Lisboa, agracede por todas as suas colaborações ao longo dos últimos anos, com seus brilhantes trabalhos e revisões, sua presteza e dedicação nas entrevistas e suas participações nos eventos promovidos pela Consuitec. Sempre que solicitado, nos atendeu prontamente. Por tudo isto, só temos a lhe agradecer. Nosso muito obrigado! Ano VII - nº 44/2012


Manejo Como formar lotes de suínos semanais na direção do lucro

Introdução Como médico-veterinário de animais de produção, temos o importante papel de proporcionar aos mesmos bemestar e saúde. Além de oferecer à atividade, para que seja viável, monitoramento e gestão dos custos de produção. O programa de manejo all in all out fornece as medidas necessárias para o controle dos custos de produção. No entanto, essas medidas só poderão ser implementadas pelo veterinário após a organização de um modelo de fluxo de produção, de modo a evitar os gargalos da sub ou da superlotação. Sendo evidente que também faz parte do papel do médico-veterinário montar um plano estratégico com objetivos claros que seja encorajador e motivador ao suinocultor investir seu capital nessa estratégia que mantém a atividade constante e padronizada a cada semana com o menor impacto possível das oscilações de preço de mercado. Muitas empresas ainda trazem como objetivo o número de matrizes no plantel. No entanto, o que determina a viabilidade econômica dessa atividade é o número de animais vendidos e que estejam dentro de um determinado padrão e se mantenha a oferta da mesma quantidade de animais vendidos a cada semana.

na produtividade do plantel dos animais de reprodução, ignorando o impacto econômico que existe na fase de crescimento e terminação. • Ênfase baseada nas reprodutoras: dias não produtivos e terminados/ porca/ano; • Ênfase baseada em terminados: conversão alimentar, idade de abate, composição de carcaça e peso de abate. A ênfase com base nas reprodutoras não está relacionada diretamente com o lucro e não deve ser considerada na análise do orçamento total de uma granja. Dias não produtivos e terminados/porca/ano também são abertos à manipulação. Por exemplo, a mudança na definição das fêmeas de primeiro parto ou o manejo manipulado do descarte de porcas podem representar um grande impacto nos parâmetros do plantel reprodutivo, porém pode não significar nenhum impacto sobre o crescimento/terminação desse plantel. Sem dúvida, o sistema de análise baseado em reprodutoras tem ainda o papel de ajudar a reduzir o custo de produção, mas somente nos casos em que o objetivo do peso de carne pago por lote tenha sido atingido. A mudança no sentido de se tomar por base o manejo do lote de crescimento/

John Carr Médico-veterinário Consultor swineunit1@yahoo.com

terminação tem sido impulsionada pela necessidade de acomodar a terminação dos suínos às exigências do bem-estar animal. Muitos países, entre eles os EUA, têm legislação sobre a densidade dos lotes ou, mais tipicamente, têm sugerido diretrizes semelhantes às vigentes nos EUA, Canadá e Austrália. Estes requisitos de densidade do plantel colocam um limite no potencial de produção de uma suinocultura. O controle dos custos deve, portanto, ser administrado com conhecimento e cumprimento dessas limitações de produção.

Organizando um modelo de fluxo de produção na suinocultura O manejo all-in/all-out, aplicado aos suínos, conduz ao conceito de lote. Na suinocultura, os animais são produzidos em lotes e permanecem juntos desde a concepção até o abate. Uma vez considerado este conceito, os objetivos e os níveis de interferência nesses lotes podem ser definidos. Um lote é um parâmetro de tempo fixo que, na produção comercial de suínos que adota o programa all-in/ all-out, varia de um dia a quatro semanas, dependendo do fluxo de animais no setor de crescimento/terminação.

Sucesso ou fracasso de um sistema de produção de suínos deverá ser medido com base na quantidade e qualidade dos animais que formam um lote a cada semana na saída ou venda desses animais de terminação. Mesmo quando ocorre venda de leitões desmamados, o verdadeiro rendimento ocorre quando esses animais são vendidos para o abate ou quando se destinaram a reposição. Tradicionalmente a análise de resultados na maioria dos sistemas de produção de suínos se concentram Suínos & Cia

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Figura 1. O espaço necessário para terminar os animais e o número de matrizes aumentam nos meses de verão

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Manejo Grupos de fêmeas destinadas ao parto O conceito all-in/all-out deve começar no setor da maternidade. O número de salas que agrupam lotes de fêmeas para parição (salas de parto) é a única característica estável, dentro de um modelo de fluxo de produção comercial de suínos, que não é afetado por influência das estações do ano (veja exemplo na Figura 1). Por exemplo, a granja tem de fazer uma escolha: transformar-se em uma unidade de 1.000 matrizes, considerando que a taxa de parto diminui durante o verão. Isso significa ter menos partos no outono e menos terminados para vender na primavera. Deve-se considerar, então, que as salas contendo lotes de 42 porcas parindo por semana produzirão a mesma quantidade semanal, em kg de carne, mas o tamanho da granja irá variar de 963 a 1.020 matrizes, entre as diferentes estações do ano. A idade do desmame e o período de permanência do lote (tempo em semanas) irão determinar o número de lotes de parição disponíveis. Complementando o exemplo, um lote semanal desmamado com quatro semanas de idade requer cinco salas de parto. Cada um deles terá o mesmo número de salas de parto.

Quando iniciar o lote É vital que o lote de fêmeas destinado à reprodução seja realmente composto por porcas que irão chegar ao parto. Para assegurar que estes grupos de indivíduos estejam dentro do mesmo lote, os registros deles deverão ser iniciados já no dia seguinte ao do desmame. Assim, se a rotina da granja estabelece que o desmame ocorra na segunda-feira, o primeiro dia para registro do lote será a terça-feira. Discrepâncias, nesse sentido, costumam ocorrer com marrãs e porcas que retornam cio, as quais geralmente são registradas em outro lote (Tabela 1).

Cálculo das metas mínimas de reprodução para os lotes

[Fórmula 2] Número de maternidade/lote = número mínimo de leitões a ser desmamados por lote / número de leitões desmamados por sala [Fórmula 3] Meta de reprodução para os lotes = número de salas de partos / taxa de partos por lote Exemplo: uma granja na União Europeia (UE) na qual os suínos são vendidos aos 110 kg de peso vivo; 741 m2 de área desobstruída estão disponíveis por lote de suínos no setor de terminação (0,65m² é o espaço mínimo exigido por suíno terminado); 95% é a taxa atual de animais terminados; 12 leitões são desmamados por gaiola e 85% é a média da taxa de parição nos últimos seis meses. Considerar ainda os requerimentos para reprodutoras e notar que se deve inseminar e fazer parir todas as porcas que ocupem toda sala de parto.

O cálculo deve começar no setor de terminação. [Fórmula 1] Número mínimo de leitões a ser desmamados por lote = área desobstruída do setor de terminação / espaço necessário por suíno terminado / taxa de animais terminados* * a taxa de animais terminados corresponde ao percentual de animais remanescentes após a mortalidade pósdesmame e a contabilização das marrãs destinadas à reprodução.

Meta de reprodução para o lote = {[(741 / 0,65) / 0,95) / 12] / 0,85} = 118

A taxa de parto do lote A meta do setor de reprodução tem sido tradicionalmente calculada utilizando-se a taxa histórica de parto. No entanto, trata-se de um número médio que precisa ser aplicado com precaução a um lote individual, uma vez que a taxa de parto irá variar de lote para lote. Algum

Tabela 1. Exemplos de cálculo de objetivos de reprodução por lote Taxa de parto esperada (%) ¹

Opções Reprodutivas

Lote A inverno

Lote B Verão

Lote C Inverno

# Fêmeas reprodutoras em cada grupo

Porcas Desmamadas # porcas desmamadas antes de 15 dias de lactação

75

0

0

1

# porcas desmamadas com intervalo desmame cobertura ≤ 6 dias

87

19

19

14

# porcas desmamadas com intervalo desmame cobertura ≥ 7 dias

75

0

0

2

Retorno de cio das porcas Primeiro retorno

75

2

2

3

Segundo ou mais retorno

60

0

0

2

Marrãs

75

4

4

3

Estação do ano Verão

75

Outras Estações

82

Sim Sim

Sim

Número de fêmeas cobertas

25

25

25

Taxa de parição esperado do lote

84

76

76

Número esperado de fêmea para parir

20

19

19

Expectativa de preencher todas as salas de parto

Sim

Não

Não

1

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Taxa de parto esperado é determinado pela granja – os números utilizados são exemplos.

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Manejo si só – teria lhe custado 2.880 kg de carne não vendidos, procedentes de suínos marginais altamente rentáveis. Note que a taxa de parto também pode variar muito, como uma função matemática, em vez de um problema de manejo ou um processo patogênico.

Estabilização intermediária das metas de produção dos lotes

Figura 2. Taxa de parto mensal para o hemisfério norte (América do Norte) e o hemisfério sul (Austrália Ocidental); dados combinados: 2002 a 2004

grau de variação, entretanto, é previsível, seja ele associado à paridade, à estação do ano (Figura 2) ou ao intervalo desmamecio, devendo ser considerado ao se fixar o objetivo do lote. O plantel de fêmeas é composto por fêmeas desmamadas, marrãs e fêmeas que repetem cio. Cada um deste grupo tem uma taxa de parto diferente, mas previsível e que deve ser levada em conta quando da estimativa da taxa de parto do lote. Por exemplo: espera-se que as marrãs tenham uma taxa de parto cerca de 10% menor do que uma porca desmamada de terceiro parto. A taxa de parto esperada para marrãs e porcas que não conseguem emprenhar cai progressivamente a cada retorno de cio subsequente (Figura 3). Marrãs repetidoras devem passar por diferentes combinações de cobertura, ou seja, inseminação artificial (I.A.) e monta natural por cachaço. Se retornarem mais uma vez deverão ser descartadas. Porcas de retorno

devem ser cobertas apenas como parte do programa de descartes e não como parte do pool do lote de reprodução. Quando todos os fatores relativos à taxa de parição forem contabilizados, uma meta mínima de reprodutoras por lote poderá ser criada. Por exemplo: uma granja com 20 salas de parto e uma taxa média de parição de 85%, ao definir uma taxa de parto de 105%, definirá uma meta de produção de lotes de 25 fêmeas por sala. Lotes de 25 fêmeas foram criados em cada uma dessas salas, mas se a granja não tivesse considerado a composição do plantel de reprodutoras, o objetivo para os lotes de fêmeas para parição não teria sido atingido de modo constante. Além disso, como parte de uma expectativa natural e não devido a um agente patogênico, ocorreu uma taxa de parto de 72%. Se a granja tivesse seguido a abordagem tradicional, a perda destes dois lotes – por

Figura 3. Taxas de parto de porcas da reprodução em condição normal e com os retornos sucessivos

Suínos & Cia

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Até o pool de marrãs deve ser formado obedecendo ao conceito de lote no local para estabilizar o programa de descarte. Ao se tomar a decisão de descartar, a primeira consideração deve ser o bemestar da porca, caso esteja comprometido. Se este for o caso, a fêmea em questão deve ser abatida ou descartada imediatamente. No entanto, se o bem-estar da porca não estiver comprometido, a segunda questão deve ser: “há uma marrã de reposição para ser incorporada ao mesmo lote?” Se não, a porca não poderá ser descartada. Em muitas granjas, as decisões sobre o descarte de porcas são tomadas no desmame. No entanto, seria mais apropriada essa tomada de decisão ser adiada até o final da semana de cobertura ou o momento de verificação da prenhez. As porcas precisam ser descartadas à medida que envelhecem, mas eliminar fêmeas de descarte após a cobertura fornece mais opção para a granja. Inseminar todas as porcas possíveis (incluindo as de descarte), durante a semana de cobertura, permite uma revisão do número de fêmeas que foram cobertas. Se a meta de cobertura foi facilmente atingida, é só remover as fêmeas de descarte na semana seguinte. Reter fêmeas desmamadas por uma semana permite que o seu aparelho mamário regrida e até, possivelmente, que alguns casos de claudicação/ rigidez no andar possam ser corrigidos. Na realidade, poucas granjas removem fisicamente as fêmeas de descarte dentro da semana do desmame. Os custos associados a este programa correspondem a duas doses de sêmen. Se a porca for selecionada, remova o seu registro de cobertura do sistema, pois ela não fará mais parte do cálculo da taxa de parição. Se a porca não foi inseminada visando chegar ao parto, ela será uma fêmea de descarte. Dessa forma, será mantida no rebanho apenas como uma segurança para ajudar a garantir o cumprimento do objetivo de formação dos lotes. Se a mantivermos até o 28o dia de verificação da gestação, Ano VII - nº 44/2012


Manejo poderemos garantir que um número suficiente de porcas estejam gestantes, antes da ocorrência de qualquer descarte. Se um número suficiente de porcas estiver prenhas, não será necessário verificar o estado de não prenhez da referida porca, mas simplesmente mandá-la para o mercado. O descarte nessa fase traz os benefícios adicionais da recuperação das fases de desmame e lactação, com a possibilidade de recuperação do peso adicional da porca. Remover cobertura da porca do sistema de registro, pela razão já citada. Uma possível vantagem adicional destes descartes de porcas prenhas é que, por meio do aborto farmacológico, elas possam ser utilizadas para “tapar buracos” no programa futuro do sistema de produção.

Estabilização do fluxo de suínos em longo prazo A estabilização do fluxo de suínos em longo prazo só é conseguida por meio da manipulação do número de marrãs. Os requisitos para que as marrãs componham um lote deverão ser determinados próximo da 10a semana do lote. Porcas prenhas na 10a semana de gestação deverão ser criteriosamente analisadas. Se existir a probabilidade que um indivíduo seja refugado, uma marrã deverá ser selecionada ou entregue na granja. Isto dará um período de 9 a 10 semanas para que a granja promova a introdução e a aclimatação da marrã, antes que ela seja incorporada ao grupo de cobertura do lote. Notar que as porcas de descarte deverão ser mantidas até o 28o dia de gestação, antes de realmente deixarem a granja.

Atingindo 100 kg desmamados por lote de parição Uma vez praticado um all-in/ all-out consistente no setor de maternidade, a granja precisa se concentrar na maximização da qualidade e da quantidade de leitões desmamados para garantir que as metas de produção de carne estabelecidas sejam alcançadas. Durante a última década tem acontecido um aumento progressivo no tamanho da leitegada, sendo comum alcançar a meta de 12 leitões desmamados por sala de parto. Há uma série de fatores a considerar quando se analisam os valores relativos aos totais nascidos. O número total de leitões nascidos por lote é determinado pelo número de porcas que parem nesse lote. Uma falha Suínos & Cia

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Figura 4. Peso da leitegada por lote de parição, considerando a ordem de parto

no preenchimento do lugar de uma porca descartada resulta em 12 leitões não desmamados, o que corresponde a um peso morto de 80 kg e de 960 kg de carne suína não vendida. A obtenção de uma vida produtiva adequada começa com a primeira leitegada. As marrãs devem ter como alvo um total de nascidos de 13,5 leitões, pelo menos. O perfil de parição correto é essencial para a sobrevivência a longo prazo; os partos mais produtivos vão do 3o ao 6o, e as porcas com esse perfil devem representar 46% do plantel de reprodutoras. O objetivo da granja, em número de terminados, pode ser atingido mais facilmente se o tamanho da leitegada desmamada for incrementado (Figura 4). Esse incremento é possível por meio de um controle melhor dos partos, da redução da parada de crescimento da leitegada no pós-desmame e do aumento da sua sobrevivência. O desmame tradicional acontece na 5ª feira para que o gerenciamento da reprodução seja otimizado. Com um sistema de produção que utiliza a I.A. e a exposição aos cachaços, dois funcionários da granja podem inseminar 50 fêmeas em uma hora, tornando a reprodução rápida e eficaz. A necessidade da inseminação ocorre no momento do pico da jornada de trabalho do inseminador, durante a semana, já não procede. Com leitegadas de 15 ou mais leitões nascidos totais, é mais importante que os esforços do funcionário responsável sejam dirigidos para o manejo e o cuidado com a leitegada no nascimento, especialmente no que diz respeito ao consumo de colostro por cada leitão dentro das seis horas após o nascimento.

Desmame na segunda-feira Nessa situação de um maior número de leitões desmamados, o melhor esquema consiste em fazer o desmame às segundas-feiras. Incrementar a ingestão de ração dos leitões na primeira semana pós-desmame é um procedimento crítico para uma terminação bem-sucedida. O pico da movimentação do dia do parto muda para a terça-feira, permitindo que a equipe tenha mais tempo para manejar os leitões nos primeiros dias de vida. A vantagem adicional da prática do desmame na segunda-feira é que, com a inseminação ocorrendo na sexta-feira e no sábado, o sêmen utilizado seria mais fresco, o que deve aumentar ainda mais o tamanho da leitegada.

Manipulação do lote de parição por parte do médico-veterinário O estabelecimento desse tipo de abordagem remove uma importante fonte de variação muito comum em granjas, representada pelo excesso ou falta de lotação crônica nos setores de terminação, sempre associada com a presença e os desafios das doenças. A análise e a interpretação das características do rebanho adulto devem ser orientadas a partir da produção dos leitões desmamados. A genética e o manejo do leitão desmamado são, portanto, os determinantes do seu potencial de renda. Compreender o fluxo dos animais por meio da granja e o seu impacto no custo de produção permitem ao veterinário planejar o manejo, mantendo, ainda, o seu papel central na equipe responsável pela sanidade. Ano VII - nº 44/2012


Reprodução

Rafael T. Pallás Alonso Médico-veterinário - Diretor Técnico KUBUS, S.A. rtpallas@gmail.com

Causas de anestro e cio silencioso na fêmea suína

Introdução Podemos definir o anestro como a ausência de cio ou ciclo estral, sendo sempre a sua causa primária a regulação hormonal deficiente: secreção insuficiente de GnRH pelo hipotálamo, que leva a um déficit de produção de hormônios gonadotrópicos (LH e FSH), responsáveis pelo amadurecimento dos folículos, ovulação e funcionamento normal dos corpos lúteos. De acordo com a intensidade do problema, encontramos três manifestações diferentes: • Anestro • Cios silenciosos • Cios débeis (fracos, pouco evidentes)

Tipos de Anestro Tradicionalmente, distinguem-se dois tipos de anestro: • Anestro fisiológico: aquele produzido de forma natural. Em fêmeas jovens, até no máximo oito meses de idade, durante a gestação ou a lactação; em fêmeas desmamadas, no máximo até o 100 dia pós-desmame. • Anestro patológico: aquele produzido anormalmente. Em fêmeas jovens, com mais de oito meses de idade; em fêmeas desmamadas, após o 100 dia pós-desmame. Em ambos os casos, as fêmeas não deverão ter apresentado nenhum sinal de cio e, caso tenham sido cobertas, não deverão ter se tornado gestantes, nem tampouco ter retornado ao cio.

Dentro dessa categoria, de anestro patológico, encontramos duas manifestações distintas:

Anestro patológico verdadeiro • Ovários inativos ou muito pouco ativos: • O desenvolvimento folicular começa, mas não é distinguido antes da formação de um folículo. • Atividade mediana, porém, insuficiente, dos ovários: • Desenvolvimento folicular até o estado pré-ovulatório. • Não há produção de estrógenos e, portanto, não há ovulação e tampouco sinais externos de cio. • Taxa de progesterona sanguínea < 3 ng/mL.

Pseudoanestro • Cios silenciosos. • Desenvolvimento folicular e ovulação normal, porém, não há ou são pouco evidenciados os sinais externos de cio. • Cios não detectados. • Taxa de progesterona sanguínea > 3 ng/mL.

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Reprodução Objetivos Em todas as granjas devemos avaliar e cumprir os seguintes objetivos: • 85% a 90% das fêmeas desmamadas deveriam ser cobertas durante a primeira semana pós-desmame. • Se houver mais de 5% a 7% das fêmeas sem cobrir, passados 10 dias do desmame, será um indicativo de problema na granja. • Aproximadamente 85% das nulíparas deveriam entrar regularmente no cio, entre os 210 e 240 dias de idade.

Causas de anestro As diferentes causas de anestro podem ser enquadradas em três grandes grupos:

Gráfico 1. Influência do ciclo sobre o intervalo desmame-cio Fonte: PigCHAMP Pró Europa (31.447 coberturas)

1. Causas independentes do manejo e da patologia. 2. Causas devido ao manejo. 3. Causas devido à patologia.

Causas independentes do manejo e da patologia Entre elas, temos: • Idade e número de ciclos da fêmea: todos nós sabemos que, nas fêmeas jovens, a duração do cio é menor do que nas adultas, por isso existe um risco maior de ele não ser detectado. Também está demonstrado que o intervalo desmame-cio (IDC) e o percentual de anestro são maiores nas primíparas do que nas porcas de segundo parto, já que existe competição pelos nutrientes, em razão do crescimento da fêmea e de sua função reprodutora (Gráfico 1). De acordo com o demonstrado no gráfico 2, o IDC diminui conforme aumenta o número de ciclos: • Genética: há enormes variações entre as raças e as linhagens disponíveis no mercado. Em geral, o IDC das linhagens mais magras e das fêmeas de raça pura tende a ser maior do que o das linhagens mais gordas e das fêmeas híbridas. De qualquer forma e como nos outros parâmetros reprodutivos, a herdabilidade do IDC é baixa, entre 0,1 e 0,15. É recomendável que as fêmeas de reposição da granja venham sempre de empresas de genética reconhecidas. Se elas forem selecionadas na própria granja, deve-se evitar o uso de preparações horSuínos & Cia

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Gráfico 2. Influência do ciclo sobre o intervalo desmame-cio Fonte: PigCHAMP Pró Europa (31.447 coberturas)

monais em avós e bisavós, dar preferência a filhas procedentes de fêmeas com puberdade precoce e selecionar aquelas que entrem facilmente no cio, mostrem sinais externos de cio óbvios, apresentem um intervalo desmame/cio curto e tenham a vulva bem desenvolvida e também boa capacidade de ingestão na fase de maternidade. • Estação climática: as temperaturas elevadas e o fotoperíodo decrescente normalmente influem nessa fase das fêmeas, atrasando e dificultando sua entrada no cio. O efeito do calor é mais importante que o do fotoperíodo, de modo que, no hemisfério norte, os principais problemas surgem no verão e no início do outono, ou seja, entre julho e outubro (Gráfico 3). • Condições ambientais:

o Temperatura: é o principal fator ambiental que afeta o bom funcionamento da função reprodutiva. As temperaturas elevadas durante a fase de lactação são particularmente prejudiciais, de modo que acima de 22°C a 24°C começam a surgir problemas com ingestão pós-parto, que levam à perda da condição corporal da fêmea, influenciando de modo adverso a sua próxima entrada no cio. A ingestão é reduzida em 0,2 kg para cada grau acima da temperatura ambiente de 22°C. Assim, na sala de partos, a temperatura deve estar próxima dos 20°C. Esse fenômeno também ocorre no caso de temperaturas inferiores a 16ºC, o que poderá induzir à perda da condição corporal e nos levar aos problemas já citados anteriormente. Ano VII - nº 44/2012


Reprodução

Gráfico 3. Efeito estacional sobre o percentual de anestros Fonte: PigCHAMP Pró Europa (27.234 coberturas)

o Umidade relativa: é importante devido à sua relação com a temperatura, de modo que uma umidade elevada aumenta o efeito das temperaturas elevadas. O chamado índice de calor corresponde à relação entre a temperatura e a umidade relativa, existindo maior sensação térmica quando da combinação da umidade elevada com a temperatura elevada, em comparação com situações de baixa umidade. A umidade relativa ideal deve oscilar entre 60% e 75%. o Fotoperíodo/iluminação: geralmente ocorre um aumento nos anestros e no aparecimento de cios débeis (fracos, pouco evidentes) em situações de fotoperíodo negativo (horas de luz do dia reduzidas). A esse respeito, é recomendado fornecer de 14 a 16 horas de luz/dia e de 8 a 10 horas de escuridão/dia. Se a luz natural não é suficiente, recomendamos a suplementação com luz fluorescente branca, de modo a proporcionar, geralmente, uma intensidade luminosa de 200 a 300 lux; no período do desmame-cio, em particular, recomenda-se de 300 e 400 lux. Nesse setor da granja é importante a colocação

dos tubos de luz fluorescente próximos da cabeça das fêmeas, em função da serotonina e da melatonina (neurotransmissores envolvidos na regulação do cio) serem produzidas na glândula pineal/epífise cerebral.

Causas devido ao manejo Na verdade, estas são as principais causas do anestro em fêmeas. De modo que, na maioria das vezes em que nos deparamos com problemas desse tipo em uma granja, a solução normalmente é encontrada quando se mudam determinadas diretrizes de gestão. As principais situações relacionadas ao manejo são: • Fatores sociais: está comprovado que o alojamento em grupo diminui o IDC. No entanto, este alojamento deve considerar determinadas condições: o Densidade adequada: > 3 m2/porca.

o Não mais que 10 fêmeas/grupo.

o Espaço suficiente de comedouro. o Bebedouros suficientes.

o Vazão mínima de água de 2 litros/ minuto. o Grupos homogêneos: agrupar por idade, tamanho e condição corporal. • Alimentação durante a fase de lactação: a primeira coisa a considerar é que a alimentação durante a gestação tem influência na ingestão alimentar durante a fase de lactação subsequente. Por isso é importante não alimentar demais as porcas durante a gestação, pois a levará a uma redução do consumo de ração durante a fase de lactação e à perda de condição corporal no desmame (um dos principais fatores desencadeantes de cios débeis, anestros e aumento do IDC). Isso resulta no que chamamos de efeito sanfona. Estima-se que, para cada 0,5 kg de excesso na ração diária de gestação haja uma diminuição de 1 kg no consumo diário da ração de lactação. No entanto, uma ingestão elevada nas últimas 2 ou 3 semanas de gestação não costuma afetar o consumo das lactantes, mas é especialmente importante não as alimentar em excesso na semana anterior ao parto. O racionamento na fase de lactação, por sua vez, costuma atrasar a entrada em cio e aumentar o percentual de anestros. Devemos controlar tanto a qualidade da ração quanto a quantidade fornecida, levando em conta as deficiências de nutrientes que afetam principalmente as fêmeas jovens, primíparas e de segundo parto que ainda estejam crescendo.

A falta de desenvolvimento da vulva indica uma deficiência no desenvolvimento do aparelho genital e, portanto, dificuldade ou impossibilidade de entrar no cio

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A má nutrição durante a fase de lactação provoca perda de condição corporal e, consequentemente, leva a fêmea a mobilizar suas reservas. Suínos & Cia

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Reprodução Quanto maior a perda de condição corporal, maior será o IDC. O controle do estado corporal da fêmea no desmame é uma das principais tarefas da pessoa responsável pelo setor de lactação, pois perdas de peso superiores a 10% entre o nascimento e o desmame são problemáticas, e acima de15% passam a ser críticas. As porcas devem entrar em trabalho de parto com uma espessura de toucinho variando entre 16 mm e 20 mm em P2 (espessura de toucinho imediatamente após a última costela, a 6,5 cm da linha dorso-lombar), que é, aproximadamente, equivalente a uma condição corporal de 3 a 3,5. Embora não haja grandes variações nesse aspecto, entre os diferentes tipos de reprodutoras do mercado, é importante seguir as recomendações dadas por cada empresa de genética. A perda de gordura no ponto P2, entre o nascimento e o desmame, não deveria exceder aos 4 mm, já que perdas superiores indicam excesso de influência negativa na condição corporal. As fêmeas que, no desmame, estejam em um estado fisiológico predominantemente catabólico tendem a alongar o seu IDC, aumentar o percentual de anestros e repetições de cio e – estando prenhas – ter um número menor de leitões no parto seguinte. Para compensar essa situação, há estratégias de manejo que permitem àquelas fêmeas que, no desmame, mostrem uma perda de condição corporal maior do que a recomendada (o que acontece especialmente em fêmeas de segundo parto) passar um cio sem serem aproveitadas. Existem também abordagens hormonais, como a aplicação de Altrenogest™ nesse tipo de fêmeas, durante 7 dias após o desmame.

Iluminação: disposição de lâmpadas fluorescentes suplementares para se obter 300/400 lux de intensidade luminosa no setor no qual ocorre o desmame-cio

perda excessiva de peso e condição corporal, seria a causa principal de anestro e de cios débeis (fracos, pouco evidentes). • Alimentação pós-desmame: desde o momento do desmame, as porcas devem ter à sua disposição água e ração (melhor que seja de lactação, em vez de gestação) à vontade, até o momento da cobertura. Em certas ocasiões é recomendável a suplementação com complexos vitamínico-minerais ou açúcar a 5% para incrementar os níveis de energia. • Duração da lactação: as lactações com menos de 18 dias aumentam o IDC (Gráfico 4). Nas de mais de 30 dias pode haver cios, principalmente se houver lactações em grupo e com a pre-

sença de machos, como pode acontecer em explorações extensivas ou quando existirem problemas de lactação ou de manejo: agalaxia, adoções mal realizadas, leitões fracos, desmames parciais, doenças e mortalidade de leitões. Todas estas circunstâncias fazem com que a liberação de prolactina diminua e, portanto, desbloqueie a regulagem hormonal do ciclo, levando ao desencadeamento de um novo ciclo. • Controle ambiental: o controle ambiental deverá ser direcionado no sentido de reduzir os efeitos do calor (no caso de temperaturas acima de 22ºC) e do frio (temperaturas menores que 15ºC) e monitorar o fotoperíodo.

Para estimular o consumo de ração das porcas durante a lactação, podemos recorrer às seguintes práticas: o Fazer com que elas se levantem várias vezes ao dia; o Limpar diariamente os comedouros;

o Fornecer ração fresca várias vezes ao dia: usar dietas concentradas; o Vigiar as fermentações na ração: as altas temperaturas das salas de parto fazem com que elas surjam rapidamente; o Fornecer água à vontade: fria a 15ºC;

o Manter vazão de água mínima de 2 a 3 litros/minuto. Suplementar água, se necessário; o Refrigerar as salas de parto.

Concluindo, qualquer problema de manejo que leve a uma redução no consumo de ração na fase de lactação e a uma Suínos & Cia

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Gráfico 4. Influência da duração da lactação sobre o IDC e o IDCF Fonte: PigCHAMP Pró Europa (72.160 lactações)

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Reprodução o Concentração de gases: devemos tentar fazer com que o nosso sistema de controle ambiental mantenha a concentração dos seguintes gases no nível mínimo:  CO2: < 0,35 ppm.  NH3: < 0,10 ppm; em ambientes com mais de 10 ppm, as futuras reprodutoras têm sua capacidade de entrar no cio afetada.  H2S: < 0,002 ppm.

Alimentação durante a lactação: as fêmeas que no desmame apresentam condição corporal deficiente têm sérias dificuldades para entrar no cio

As medidas tomadas no sentido de manter a temperatura abaixo dos 22ºC incrementarão o consumo de ração na lactação e no pós-desmame, o que resultará em uma perda menor da condição corporal e uma melhor distribuição de carne.

 Velocidade do ar em partos: 0,2 a 1,0 m/segundo;

o Temperatura: como já havia sido comentado anteriormente, as altas temperaturas nas salas de parto são o principal fator ambiental causador de anestro.

 Fluxo de ar por fêmea em gestação: 25 a 250 m3/hora;

o Ventilação: é recomendável observar o seguinte com relação à ventilação:

 Velocidade do ar na gestação: 0,3 a 4,0 m/segundo;  Fluxo de ar por fêmea em partos (m3/ hora): 28 (inverno) e 375 (verão);

 Velocidade do ar relaciona-se com a temperatura: valor CATA = 31 a 33, havendo ainda velocidades mais elevadas ao se aumentar a temperatura do ar.

• Estresse: de forma geral, qualquer fator ou manejo estressante pode favorecer a aparição de cios débeis (fracos, pouco evidentes) e anestro. É importante não estressar a porca jovem com procedimentos de vacinação e vermifugações próximos à época de manifestação da puberdade. Por isso, o programa vacinal das fêmeas de reposição deve estar finalizado antes dos seis meses de idade delas. Recomenda-se identificar e isolar as porcas nervosas, que, com sua atitude, estressam as companheiras alojadas nas proximidades. • Instalações deficientes: provocam, de modo contínuo, um grande estresse nas fêmeas. Problemas desse tipo são densidade excessiva, pisos escorregadios e/ou deteriorados, falta de limpeza e comedouros e bebedouros com desenho inadequado. Todas estas causas, além de gerarem um grande estresse, incrementam as lutas entre as fêmeas, surgindo, consequentemente, problemas de aprumos e unhas, os quais rapidamente levam à diminuição do nível de ingestão e a perdas na condição corporal. • Detecção do cio: os cios não detectados são a causa principal de falsos anestros. A falta de estimulação com o macho produz cios débeis (fracos, pouco evidentes).

A climatização das salas de parto é fundamental para incrementar o consumo de ração durante a lactação

Suínos & Cia

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Os machos dedicados ao trabalho de estimulação e detecção do cio devem ser adultos, bons produtores de saliva, com forte odor sexual, boa libido, não agressivos e fáceis de manejar. O número necessário de machos rufiões vai depender do tamanho da granja, devendo haver uma proporção de 1 macho cada 100 a 150 fêmeas. É muito recomendável que se trabalhe com grupos (pool) de machos para que as fêmeas tenham a maior oferta sexual possível e, portanto, sejam bastante estimuladas. Ano VII - nº 44/2012


Reprodução Referências 1. VICENTE RODRÍGUEZ-ESTÉVEZ. El anestro y la infertilidad estacional de la cerda. Editorial Servet.

Esta é a situação que se deve evitar para melhorar a entrada no cio após o desmame e os índices de produção do parto seguinte

O ato de rufiar as fêmeas deve começar imediatamente após o desmame, por meio de um procedimento que permita o contato nariz com nariz (entre fêmea e macho), juntamente com a pressão dorsal e na região dos flancos, feito por um funcionário. É recomendável a realização de duas rufiagens diárias, de manhã e à tarde; mas se for para fazer duas detecções de cio diárias de modo rápido e mal feito, é preferível fazer uma só, de forma correta. Os principais problemas relacionados a esse manejo são a falta de experiência do pessoal envolvido, problemas com o cachaço (idade – muito jovem ou muito velho, tamanho – muito grande ou muito pequeno em relação às fêmeas, falta de libido, problemas de aprumo, excesso de peso, inexperiência, nervosismo, distrações, estresse e excesso de uso) e instalações deficientes para a realização desse tipo de trabalho (tamanho reduzido, sujeira, falta de luz, pisos escorregadios, obstáculos e excesso de densidade).

Causas devido às patologias Entre elas encontramos: • Doenças em geral: qualquer doença sistêmica ou que produza febre; • Partos prematuros: partos aos 112 dias ou menos tendem a alongar o IDC; • Cistos ovarianos: patologia mais frequente em primíparas; • Lesões musculares e articulares: pela perda de condição corporal que originam; • Endometrites/Metrites: a piometra mantém elevados os níveis de progesterona; • Micotoxinas na ração: o Intoxicação por F2: produzida por fungos do gênero Fusarium, acima de 3 a 5 ppm; o Intoxicação por Zearalenona: de 3 ppm a 10 ppm ingeridos na etapa média do ciclo estral podem ter efeito durante vários meses. • Problemas na lactação: síndrome MMA (metrite, mamite, agalaxia). • Queimaduras solares e outras lesões na pele: insolação e fotossensibilização. • Medicações em geral, durante longo tempo: há que se prestar atenção nos efeitos secundários.

Conclusão

Detecção de cio com um pool de machos

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Os cios débeis (fracos, pouco evidentes), o aumento do intervalo desmame cobertura (IDC) e os anestros apenas indicam a existência de um problema, cuja causa terá de ser estudada e solucionada.

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Sanidade Monitorando doenças infecciosas em plantéis de suínos por meio de amostras de fluidos orais Introdução A premissa dessa discussão é a de que nós – produtores, veterinários, especialistas em sanidade suína – precisamos das melhores informações sobre as doenças infecciosas para: (1) apoiar ambas, a saúde do suíno e a saúde financeira da empresa, por meio da tomada de decisão no nível do plantel; (2) informar a respeito das condições das áreas/regionais sobre a doença; (3) acelerar o controle da doença em nossos respectivos países. Todos os dias, nas granjas, produtores de suínos e veterinários tomam decisões que afetam a saúde do plantel e a rentabilidade do negócio. Diante da incerteza, eles equilibram suas decisões entre o tamanho e a probabilidade das perdas econômicas, comparando medidas preventivas com custos de prevenção, de modo a impedir a ocorrência de doenças. Estas decisões podem ser guiadas pela experiência, conselhos, anúncios, boatos ou tradição familiar, mas raramente pelos dados de saúde específicos e atuais da propriedade. Todos os dias, em escritórios ao redor do mundo, autoridades de saúde pública, agentes de saúde animal, representantes comerciais e representantes eleitos regulamentam, planejam e respondem a situações de sanidade animal utilizando dados ultrapassados, fragmentários e/ou inexatos, relativos a doenças infecciosas. Para tomar decisões melhores, nós precisamos de melhores dados relativos às doenças infecciosas. Temos excelentes ensaios de diagnóstico, muitos bons métodos analíticos (de epidemiologia, estatística, modelos experimentais, etc.) e um pessoal altamente treinado para usar essas ferramentas. Mas o custo de geração desses dados, com base na coleta e testes com amostras para diagnóstico (sangue, fezes, swab nasal) Suínos & Cia

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“herdados da granja”, é muito caro para trazer recursos poderosos para essa finalidade, como rotina (Dohoo, 1993; James, 2005). Se quisermos elevar a resolução de problemas relacionados a doenças infecciosas para um próximo nível, precisamos de uma estratégia mais eficaz para a coleta de dados nas populações de suínos.

Desenvolvimentos e aplicações em humanos Diagnósticos a partir de líquidos orais são relativamente novos na medicina veterinária, mas têm sido amplamente utilizados em medicina diagnóstica humana, particularmente nos últimos 25 anos (Prickett e Zimmerman, 2010). Descobertas relacionadas ao HIV (Human Immunodeficiency Virus ou vírus da imunodeficiência humana) estimularam o desenvolvimento atual dos diagnósticos a partir de líquidos orais, na medicina humana. Especificamente, o isolamento do HIV e a detecção de anticorpos anti-HIV em fluidos orais (Archibald e colaboradores, 1986; Groopman e colaboradores, 1984) mostraram que o diagnóstico do HIV pode se basear em fluidos orais, ao invés de soro. A maioria dos ensaios atuais, realizados com fluidos orais para o diagnóstico de doenças infecciosas em seres humanos, baseia-se na detecção de anticorpos. Esta abordagem é apoiada por uma série de descobertas que começaram com a demonstração de proteínas do soro no fluido oral humano, em 1960 (Ellison e colaboradores, 1960), e no reconhecimento de que o anticorpo estaria presente no fluido oral apenas se estivesse também no soro do indivíduo (Kraus e Konno, 1963). A prova da passagem dos anticorpos séricos para a cavidade oral foi fornecida por Challacombe e colaboradores (1978) por meio da demonstração de que

Jeffrey J. Zimmerman Médico-veterinário e PhD Colégio de Medicina Veterinária Universidade do Estado Iowa jjzimm@iastate.edu

IgG, IgM e IgA radio-marcadas e injetadas em macacos rhesus foram detectadas nos fluidos bucais deles, pouco tempo depois. A produção local de anticorpos por células plasmáticas derivadas do soro nas glândulas salivares e nos dutos do tecido linfóide associado (DALT) também ficou conhecida nessa mesma época (Beckenkamp, 1985; Brandtzaeg, 1981, 1989; Crawford e colaboradores, 1975; Mestecky 1987, 1993; Morrier e Barsotti, 1990; Nair e Schoeder, 1986). Foi demonstrado que as células do plasma secretam IgA na saliva, em conjunto com células epiteliais ductais e acinais, as quais expressam receptores específicos para IgA. Também foi demonstrada a secreção local de IgM e IgG, embora em concentrações mais baixas que as da IgA (Challacombe e colaboradores, 1997). O sucesso do diagnóstico do HIV por meio de líquidos orais, em conjunto com outras melhorias realizadas nas tecnologias de diagnóstico, resultou no desenvolvimento de uma grande variedade de ensaios para outras doenças infecciosas e não infecciosas, drogas, hormônios e marcadores de doença (Mandei, 1993; Tabak , 2007). Este processo foi estimulado com base no sucesso passado, na adaptação da tecnologia de diagnóstico para a matriz de fluido oral e também devido ao fato do fluido oral ser facilmente recolhido, processado e armazenado (Chiappin e colaboradores, 2007). A facilidade da coleta de amostras de fluidos orais facilitou a realização de grandes estudos epidemiológicos sobre agentes infecciosos significativos, por exemplo: o HIV na África (Connolly e colaboradores, 2004; Fylkesnes e Kasumba, 1998) e na Tailândia (Frerichs e colaboradores, 1994) e o sarampo na Europa (Ramsay e colaboradores, 1997), na Etiópia (Nigatu e colaboradores, 2008), no Brasil (de Azevedo Neto e colaboradores, 1995; Oliveira e colaboradores, 1998) e na África (Ohuma e colaboradores, 2009). Ano VII - nº 44/2012


Sanidade

Adsorvente de baixa inclusão para

Fusarium Toxinas Zearalenona DON T2 Vomitoxina DAS

ITRO IN V Recomenda-se o uso de uma corda de algodão, por ser altamente absorvente e biodegradável

Desenvolvimentos na área de sanidade suína A pesquisa no setor de imunologia básica, em suínos, espelhou-se nos resultados obtidos em outras espécies, e a maioria dos principais patógenos suínos e/ou anticorpos contra eles tem sido estudada nos fluidos orais dessa espécie. Corthier (1976) descreveu pela primeira vez a detecção de anticorpos contra o vírus da peste suína clássica (CSFv, ou PSCs) em fluidos orais de origem suína. Trabalhos posteriores mostraram que tanto a inoculação intranasal como a intramuscular com o CSFv produziram níveis detectáveis de anticorpos no soro e nos fluidos orais (Corthier e Aynaud, 1977). Em suínos infectados com o Actinobacillus pleuropneumoniae (APP), Loftager e colaboradores (1993) detectaram a IgA em fluidos orais antes de fazê-lo no soro e concluíram que um ensaio da detecção de IgA baseado em fluidos orais pode ser um método prático para revelar a infecção pelo APP. Além do CSFv e do APP, uma lista parcial de agentes ou anticorpos detectados em fluidos orais poderia incluir o vírus da peste suína africana (Greig e Plowright, 1970), o Erysipelothrix rhusiopathiae (Bender e colaboradores, 2010), o vírus da febre aftosa (Eblé e colaboradores, 2004), o vírus influenza A (Detmer e colaboradores, 2011; Irwin e colaboradores, 2010; Romagosa e colaboradores, 2011), o circovírus suíno do tipo 2 (Prickett e colaboradores, 2008a; Prickett e colaboradores, 2011), o vírus da síndrome respiratória e reprodutiva suína (PRRSv, por Kittawornrat e colaboradores, 2010; Ano VII - nº 44/2012

Prickett e colaboradores, 2008b), o torque teno vírus (Pogranichniy e colaboradores, 2010; Ramirez e colaboradores, 2012), o vírus da gastroenterite transmissível (DeBuysscher e Berman, 1980) e o vírus da estomatite vesicular (Stallnecht e colaboradores, 1999). Cumulativamente, estes relatórios sugerem que os fluidos orais podem ser utilizados para monitorizar uma ampla gama de agentes infecciosos dos suínos.

Aplicações em sanidade suína Coleta de amostras Amostras de fluidos orais são facilmente coletadas nos suínos, bastando suspender uma corda em um local acessível (vídeo disponível em http://vetmed. iastate.edu/vdpam/disease-topics/oralfluids). Recomenda-se o uso de uma corda de algodão, por ser altamente absorvente e biodegradável. Como demonstrado no vídeo, após convenientemente amarrada, a corda deve ser mantida na altura da paleta dos animais, em uma área limpa da baia, durante 20 a 30 minutos. Os fluidos orais são recuperados dos suínos na medida em que eles mastigam a corda. Para extrair a amostra, a extremidade inferior (molhada) da corda deve ser inserida em um saco de plástico limpo e – manualmente ou mecanicamente – espremida ou comprimida. O fluido recuperado deve ser vertido para um tubo, por meio do corte de um dos cantos do saco plástico (figura 1). O volume da amostra recolhida depende da idade e do número de suínos que contribuem para a composição dela. Kittawornrat e colaboradores (2010) relataram, em um estudo relativo ao PRRSv em cachaços alojados

IVO IN V

DOSAGEM RECOMENDADA

Preventivo

Curativo

0,5 Kg/ton

1,0 Kg/ton

* Até 500 ppb de Zearalenona na ração. ** Dietas com mais de 500 ppb de Zearalenona e ou quadros de sintomatologia clínica

NO BRASIL 10 anos

DE SUCESSO

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Sanidade

Figura 1 - 1. Suspender uma corda em local acessível; 2. Manter a corda a uma altura na qual os animais consigam mordê-la; 3. Inserir a corda em um saco plástico limpo; 4. O fluido recuperado deve ser vertido para um tubo, por meio do corte de um dos cantos do saco plástico

individualmente, que o volume médio da amostra deveria ser de, aproximadamente, 16 ml por animal. A coleta de amostras de fluidos orais é exequível, pois tira vantagem do comportamento normal do suíno. A exploração é parte do repertório comportamental dos suínos, e eles, instintivamente, testam novos objetos pela mastigação (Kittawornrat e Zimmerman, 2011). Comportamentalistas animais relatam que os suínos preferem objetos flexíveis, destrutíveis, mastigáveis ​​– adjetivos que combinam perfeitamente com a corda (Feddes e Fraser, 1994; Zonderland e colaboradores, 2001). Por estas razões, a amostragem de fluido oral pode ser realizada com segurança, em várias fases da criação de suínos: leitões com a porca, leitões em fase de creche, suínos em termi-

nação e cachaços alojados individualmente (Kittawornrat e colaboradores, 2010). Estas características comportamentais ocorrem enquanto os suínos não estejam severamente afetados pelos sintomas de alguma doença, daí os índices de sucesso das amostragens coletadas não terem sido alterados durante a infecção aguda com o vírus influenza (Millman e colaboradores, 2009) e o PRRSv (Kittawornrat e colaboradores, 2010).

Testes com fluidos orais Até agora, a maioria das amostras de fluidos orais de suínos é testada por PCR, porque os ensaios com anticorpos provenientes de fluido oral só recentemente começaram a se tornar disponíveis. Um cuidado a ser levado em consideração: as provas de PCR precisam ser otimizadas

O ELISA está sendo adaptado para determinação dos anticorpos frente a PRRS a partir de fluidos orais em rebanhos comerciais e programas de eliminação do agente

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para a matriz de fluido oral para evitar resultados falso-negativos. Certifique-se de que o laboratório com o qual você está trabalhando tenha passado pelo processo de validação. Como um exemplo de monitoria baseada em PCR, Ramirez e colaboradores (2012) acompanharam aproximadamente 12.150 suínos em dez unidades de creche/terminação de dez granjas diferentes, utilizando fluidos orais recolhidos e testados a intervalos de duas semanas, frente ao PCV2, ao PRRSv, ao vírus influenza do tipo A (IAv) e aos genogrupos torque teno vírus 1 (TTV1) e 2 (TTV2). O estudo concluiu que amostras de fluido oral podem ser coletadas e submetidas ao laboratório pelo pessoal local e que a análise de uma variedade de parâmetros de produção no contexto da circulação dos patógenos pode fornecer informações oportunas para dar apoio a intervenções no sentido de prevenir, controlar ou eliminar os agentes infecciosos. Assim, uma abordagem baseada na prova do PCR pode, de maneira eficiente e eficaz, detectar a circulação de agentes patogênicos em rebanhos suínos. Mais recentemente, os ensaios com anticorpos tiveram a sua origem adaptada para fluidos orais (Kittawornrat e colaboradores, 2012; Langenhorst e colaboradores, 2011). Baseado no número de amostras positivas (n = 492) e negativas (n = 367) obtidas a partir desse material, Kittawornrat e colaboradores (2012) estimaram a sensibilidade e a especificidade do diagnóstico de um anticorpo IgG anti PRRSv, por meio de uma prova de ELISA, em 94,7% (95% com intervalo de confiança de 92,4% a 96,5%) e 100% (95% com intervalo de confiança de 99% a 100%), respectivamente, com um corte S/P ≥ 0,40. Ano VII - nº 44/2012


Sanidade fato das doenças terem uma vigilância de grande significado. A criação de novos testes é, atualmente, uma área de pesquisa ativa em vários laboratórios ao redor do mundo. Assim, este problema deve ser resolvido na medida em que pesquisadores e empresas do setor de diagnósticos forneçam novas e bem-sucedidas opções de ensaios com fluidos orais para a bancada de trabalho.

Amostragem de fluido oral tornou-se rotina em muitas granjas de suínos na América do Norte

Com base nesses dados, concluiuse que o teste a partir de fluidos orais poderia fornecer uma abordagem eficiente de custo-benefício para a monitoria do PRRSv em rebanhos comerciais e em programas de eliminação dele. Este ensaio vem sendo realizado no Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Iowa State University (ISU VDL) desde novembro de 2011, tendo sido implementado ou avaliado em laboratórios de diagnóstico que servem aos produtores de suínos no Canadá e nos EUA. Está claro que a capacidade de adaptação de um anticorpo para a prova de ELISA sugere que outros ensaios com anticorpos, para outros agentes patogênicos, também poderiam ser modificados para o uso de material coletado a partir da referida origem. A diferença entre estas duas abordagens (monitoria baseada no PCR vs baseada em anticorpos) reflete as características dos ensaios. Ensaios baseados em PCR são úteis para detectar a circulação imediata dos agentes patogênicos; baseados em anticorpos, são úteis para informar o nível de imunidade do rebanho, fornecendo um panorama do histórico da infecção na população. Por refletirem diferentes fases do processo infeccioso, o teste mais adequado pode ser selecionado para servir à necessidade mais imediata. Assim, em vez de um ensaio superior ao outro, é melhor poder contar com ambos, um na mão esquerda e outro na direita. Ano VII - nº 44/2012

Aceitação dos testes a partir de fluidos orais Devido à sua conveniência, a amostragem de fluido oral tornou-se rotina em muitas granjas na América do Norte. No Laboratório de Diagnóstico Veterninário da Universidade do Estado de Iowa - ISU VDL, o tipo de amostra “fluido oral de origem suína” foi inserido no sistema de gerenciamento do laboratório de informação em fevereiro de 2010. Durante o restante de 2010, 10.329 amostras de fluido oral foram recebidas para testes. O número de amostras aumentou para 32.517 em 2011 e, nas primeiras seis semanas de 2012, o ISU VDL já recebeu 6.032 das referidas amostras para serem testadas. Se este ritmo continuar para o restante de 2012, o laboratório receberá mais de 52 mil amostras de fluidos orais. Naturalmente, o ISU VDL é apenas um dos vários laboratórios de diagnóstico dos EUA que realizam testes a partir de fluidos orais para produtores de suínos e veterinários.

Desafios Como em qualquer nova tecnologia, a implementação total dos diagnósticos a partir de líquidos orais enfrenta desafios. O mais óbvio deles é a falta de um conjunto completo de ensaios concebidos para funcionar com o material coletado a partir dessa fonte. Em particular, os ensaios validados para a detecção dos vírus da peste suína clássica, peste suína africana e febre aftosa, utilizando fluidos orais, seriam desejáveis por causa da promessa de serem mais baratos e eficazes, além do

Um desafio ainda mais sutil reside na capacidade de controle do fluido oral para gerar dados. O poder desta abordagem é o potencial de gerar um fluxo semicontínuo de informações em termos do rebanho e da área/região onde está localizada a granja, em nível nacional. Esse desafio reside no fato de alguns dos nossos laboratórios de diagnóstico estarem preparados para fornecer resultados no formato de conjuntos de dados longitudinais e de alguns dos nossos produtores e veterinários estarem treinados para analisar estatisticamente estas informações e seus efeitos sobre a saúde e a produtividade, tomando, em seguida, decisões ou desenhando intervenções com base nessas análises.

Conclusões Se pretendermos elevar a resolução dos casos de doenças infecciosas para um próximo nível, precisaremos de um processo mais barato e conveniente para coletar e testar um número razoável de amostras, em intervalos suficientemente frequentes, de modo a capturar dados sobre estas doenças em populações de suínos, em um processo contínuo de análise/ resposta. Na granja, a integração dos dados de vigilância sanitária com os registros genealógicos irá nos fornecer os meios para identificar a circulação de patógenos específicos, quantificar seus efeitos sobre a saúde do suíno e a sua produtividade, estabelecer intervenções no patógenoalvo correto e na população e monitorar o tempo de intervenção para obter o efeito máximo. No nível regional, a vigilância baseada nos fluidos orais colocaria os programas de controle da área mais “em tempo real”, tornando-os também mais práticos e acessíveis. Em âmbito nacional, uma infraestrutura de vigilância baseada em ensaios otimizados para a matriz de fluido oral tornaria mais rápida a coleta de dados para o controle dos programas nacionais de contenção/eliminação de agentes de doenças exóticas. Suínos & Cia

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Revisão Técnica

Antonio Palomo Yagüe Diretor da Divisão de Suinocultura SETNA NUTRICION – INVIVO NSA antoniopalomo@setna.com

Resumo do 4º Simpósio da Associação Europeia de Gestão da Saúde de Suínos, realizado em Bruges

Introdução Pela primeira vez foi realizado um simpósio conjunto entre a Academia Europeia de Manejo Sanitário Suíno (European College of Porcine Health Management, ou ECPHM) e a Associação Europeia de Manejo Sanitário Suíno (European Association of Porcine Health Management, ou EAPHM). Nesta ocasião, foi escolhida a cidade de Bruges, dos canais belgas, após as três anteriores terem sido realizadas na Dinamarca (Copenhague), Alemanha (Hannover) e Finlândia (Helsinki), respectivamente. Estas três edições foram organizadas pela ECPHM, com a participação de 100, 200 e 280 profissionais, respectivamente, havendo, nessa atual, cerca de 1.000 participantes. Quanto ao número de trabalhos apresentados, houve 11 conferências magistrais e 26 sessões orais, além da apresentação de 216 pôsteres, o que corresponde a praticamente o dobro dos números do ano anterior. Quero destacar que, segundo os estatutos da EAPHM, houve a renovação de dois dos membros da diretoria: Dominiek Maes (Bélgica) e Antonio Palomo (Espanha). Os novos membros da Diretoria que foram elegidos são: Olivier Duran e Heiko Nathues, da Alemanha, e Enric Marco, da Espanha. A próxima conferência anual será em Edimburgo (Escócia), entre 22 e 24 de maio de 2013 (Mark White), seguida de sua sexta edição em Sorrento (Itália – Paolo Martelli). Mais informações estão no site www.eaphm.org.

Setor suinícola na Bélgica (Piet Vanthemsche) • Na Bélgica, estão catalogadas 5.500 granjas, produzindo um total de 12 milhões de suínos/ano, o que corresponde Ano VII - nº 44/2012

a 5% da produção da Europa-27, com um percentual de autoconsumo de 260%. O tamanho das granjas é bem definido, de tal forma que 57% delas produzem menos de 1.000 suínos/ano (o que corresponde a 21% dos suínos), 28% produzem entre 1.000 e 2.000 suínos/ano (37% dos suínos) e 15% produzem mais de 2.000 suínos/ano, o equivalente a 42% dos suínos belgas. Em 10 anos, a produção subiu apenas 0,3 leitão/porca/ano. • Os maiores desafios enfrentados pelo setor de suínos belga, nesse momento, são: o Normativas ambientais: nitratos, amoníaco e odores; o Mudança climática sustentável: consumo de carne; o Dependência das importações de soja;

o Bem-estar animal: porcas em grupos e castração de leitões; o Saúde animal: doenças emergentes;

o Saúde humana: resistências antimicrobianas e prescrição responsável de antibióticos; o Políticas comunitárias: GMO (organismos geneticamente modificados), ambiente e promotores de crescimento.

Uso de antimicrobianos na produção de suínos • Thomas, V.: nosso objetivo, com o uso de antibióticos, é proteger as saúdes humana e animal e o bem-estar de todos, preservando, ao mesmo tempo, as suas eficácias atual e futura, com base nas suas indicações específicas. A produção de suínos na Europa é de 250 milhões, sendo esperada uma demanda incrementada da ordem de 23% para 2019. Os antibióticos são utilizados, sobretudo, na terapia e na prevenção de infecções bacterianas, sendo as digestivas e as respiratórias as mais frequentes. O uso responsável dos agenSuínos & Cia

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Revisão Técnica tes antimicrobianos é, talvez, o aspecto mais crucial, e devemos ficar restritos em nos ater às instruções de uso (evitar o uso extra-label dos mesmos). O Ministério da Agricultura dinamarquês tem a intenção de reduzir em 50% o uso de antibióticos, entre 2009 e 2013. A avaliação adequada dos riscos deve ser centralizada na identificação precoce e no desenvolvimento de resistências, na harmonização da tomada de amostras, nos testes de diagnósticos e em seus critérios de interpretação.

ticos ainda não surgiu em grande escala. Estudos piloto vêm sendo realizados em granjas distintas nos últimos anos (principalmente na fase de engorda), em países como Holanda e Dinamarca. Eles contemplam a definição de planos de ação prontos para serem colocados em prática, no sentido de prevenir condutas adquiridas pelo uso de antibióticos no tratamento de problemas sanitários. Em todos os casos, os aspectos relativos ao bem-estar dos animais são levados em conta.

• Jones, P.: os antimicrobianos são essenciais no tratamento e na prevenção de infecções e zoonoses, tanto em animais quanto em pessoas. São fundamentais para a saúde e o bem estar-animal, a segurança dos alimentos derivados dos animais e a alimentação global. Os políticos e legisladores europeus continuam atentos a maiores restrições no uso dos antimicrobianos em animais, adotando a prescrição veterinária e apelando à responsabilidade e habilidade deles em dispensá-los de forma prudente (Comissão Dalli, novembro de 2011).

• Em 434 isolamentos bacterianos realizados na Alemanha foram encontrados 115 padrões diferentes de resistência, relativos a derivados da penicilina, ampicilina, eritromicina e tetraciclina. Foram determinados em granjas específicas, sem diferença entre regiões de produção.

• Houben, M.A.M.: para definir melhor a prescrição de antibióticos e reduzir, assim, o seu uso indiscriminado, é necessário dosificar, expressando as quantidades com base em produto puro/ kg de peso vivo dos suínos, ou melhor, na definição de dose diária – “defined daily dose” – ou dose diária definida (DDD), com uma correlação precisa de gramas de produto/kg de peso vivo. O incremento do interesse dos consumidores pela disponibilidade de carne suína livre de antibió-

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• O governo francês quer reduzir em 25% o uso de antimicrobianos até 2016. Entre 1999 e 2009, o custo da medicação foi reduzido em € 0,70/100 kg de carcaça (injetável: € 0,41 e oral € 0,24). Neste período, a medicação preventiva superou a curativa. • A agência dinamarquesa de alimentação, por meio da iniciativa Carta Amarela 2010, pretende reduzir o consumo de antibióticos na suinocultura em 12,5% entre 2009 e 2010; e em 25% entre 2010 e 2011. Neste caso, o uso de vacinas aumentou. • Na Suécia os medicamentos veterinários devem ser dispensados em farmácias. Desde 2006 e até 2010 os injetáveis foram incrementados em 23%

(os benzil-penicilínicos em até 61%, enquanto as tetraciclinas, os macrolídeos e as pleuromutilinas – para medicações em massa – foram reduzidos em 37%, 50% e 61%, respectivamente). • As resistências a antibióticos são conferidas por pequenos plasmídeos, assim como por genes de resistência integrados aos cromossomos. • Os programas de vacinação preventiva representam uma opção para reduzir o uso de antimicrobianos. • Na Itália foi observado um aumento de multirresistências a Escherichia coli F4+, entre 2008 e 2011. • O risco de aquisição de resistência ao Haemophilus parasuis ocorre tanto pela transmissão vertical/horizontal de plasmídeos quanto pela transferência genética horizontal. • A soro-prevalência do Toxoplasma gondii, na Itália, é de 17,3% em javalis e de 5,25% em suínos de engorda, no momento do abate. O T. gondii é um parasita extracelular que se localiza no cérebro e no coração de suínos, mais comumente. • A suinocultura europeia tomou a iniciativa voluntária de eliminar a castração cirúrgica em 2018.

Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRRS) • Morrison, R.: A PRRS foi identificada formalmente em 1991. Em 2011, nos EUA, foram estimadas perdas anuais diretas da ordem de US$ 664 milhões, somadas a US$ 477 milhões correspondentes a perdas indiretas, o que resultou em um montante aproximado de US$ 100 milhões mensais. As principais medidas de controle na granja são os fluxos únicos, a aclimatação das primíparas, o fechamento da granja às visitas, aplicação de vazio sanitário, os programas de vacinação e as medidas estritas de biosseguridade. Ainda assim, as reinfecções de granjas são frequentes, particularmente em regiões de alta densidade de suínos e no mês de novembro (nos EUA), o que tem levado à definição de planos de ação regionais, com o objetivo de reduzir a incidência, prevalência, morbidade e mortalidade devidas à doença a níveis aceitáveis. Para isso, são necessárias certas medidas de intervenção contínua. Atualmente, cerca Ano VII - nº 44/2012


Revisão Técnica listas em Suínos (AASV)/diretiva PRRS.

de 20 projetos regionais estão em andamento em todo o território norte-americano, no Canadá (Ontário, Quebec) e no México (http://cdc.gov/MMWR/preview/ mmwrhtm/su48a7.htm e http://prrs.org/ default.aspx). Estes programas, voluntá-

Ano VII - nº 44/2012

rios têm um custo aproximado de € 86,00/ porca, com um benefício estimado de € 174,00/porca. Foram criados grupos de trabalho entre profissionais que, por sua vez, relatam seus progressos à Associação Norte-Americana de Veterinários Especia-

• Vidal, A.: Declara não haver trabalhado nunca, como veterinário, em ambientes livres do vírus da PRRS (PRRSv). A proteção mediante vacinação não parece ser a primeira barreira de proteção, talvez devido ao grande número de cepas com graus diferentes de antigenicidade e estrutura genética, o que torna conveniente um estudo relativo ao retorno do investimento. Por outro lado, considera positivo manter extremas as medidas de isolamento e os protocolos de biosseguridade (mudas de roupa específicas para cada granja, não ter contato com outros suínos positivos nas 48 horas anteriores e atentar ao transporte dos animais, ração, tratores transportadores de dejetos e veículos dos funcionários). As estratégias de tratamento da água de bebida e a limpeza das granjas são importantes, assim como os programas de controle de insetos, desinfecção e desratização (programas DDD), além do uso de telas mosquiteiras e para controle de pássaros. A introdução de novas cepas de vírus pode nos levar a

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Revisão Técnica numerosas situações imprevistas. O controle da PRRS em granjas positivas contempla dois parágrafos essenciais: o Evitar a introdução de novos vírus: as leitoas de reposição devem entrar na granja negativas, bem aclimatadas e já expostas a um vírus vacinal controlado, seguro, rápido e simples. As medidas estritas de biosseguridade devem ser tanto externas quanto internas (tudo dentro/tudo fora, sempre, limitar adoções e cessões de leitões e nunca movêlos para trás); o Melhorar o sistema imunológico dos suínos. • O genoma viral é detectado em suínos inoculados entre os 7 e os 77 dias posteriores (em amostras de sangue), sendo excretado durante os 48 dias posteriores. A probabilidade da transmissão viral se reduz drasticamente a partir dos 30 dias posteriores à infecção. A duração da viremia, em estudos realizados na Polônia em granjas de ciclo completo, variava de 2 a 18 semanas. Neste país são utilizadas vacinas tanto em porcas de reposição quanto em reprodutoras já em produção, e devese considerar que elas podem influir na prevalência viral da granja. • O custo econômico de quadros de PRRS, na Bélgica, tanto em leitões quanto em suínos de engorda, foi de € 6,45 e € 20,13/suíno, respectivamente, entre 2004 e 2008. • Há uma boa correlação entre o PCR individual e o realizado a partir de um pool de cinco soros e fluidos orais.

CircoFlex™ (1,0 mL) reduziu a mortalidade frente aos não vacinados em 38% (3,09% vs 1,94%) e melhorou o ganho médio de peso diário em 31 gramas e a conversão alimentar em 180 gramas, além de reduzir em 60% o custo terapêutico (com um aumento de € 5,00 na margem global). Outros trabalhos indicam melhora na conversão alimentar da ordem de 90 gramas, mais 20 gramas no ganho médio de peso diário e 4 dias a menos de permanência no setor de engorda. O retorno ao investimento (ROI, em espanhol) mais geral, com o uso de vacinas contra o PCV2, foi de 4:1. Em todos os casos, a excreção viral foi reduzida. • O impacto econômico da síndrome multissistêmica do definhamento (SMDS, ou post weaning multisystemic wasting syndrome – PMWS, em inglês) associada à circoviose suína, no Reino Unido (2008), com base em um modelo aleatório, foi de 61,9 milhões de libras esterlinas. • Estudo realizado em 24 granjas espanholas do tipo UPL (72.424 leitões com 18 a 29 dias), utilizando a vacina CircoFlex™ (1 mL/ds.), revelou melhora no índice de conversão alimentar da ordem de 177 gramas, em média (fase de engorda); houve, ainda, redução de 14,5 kg na ração consumida (por cabeça) e um valor diferencial de € 4,10/suíno (Coll e colaboradores). • A análise de pool de fezes por meio de técnicas de PCR não revelou associação quantitativa entre o PCV-2 e a

Lawsonia intracellularis em quadros clínicos de diarreia. A sensibilidade e a especificidade dessa técnica de análise costumam ser de 86,4% e 100% e de 97% e 100%, para a L. intracellularis e o PCV-2, respectivamente. A sensibilidade se reduz muito quando a quantidade de bactérias ou vírus na amostra é baixa. • Vários trabalhos relativos ao uso da vacina Circovac™ em reprodutoras revelaram melhora nos índices de produção nos seguintes países: o Bulgária: aumento de 0,8 leitão desmamado por parto; o França: redução adicional de 0,88% na mortalidade do setor de engorda; o Espanha: aumento do nível de anticorpos em leitões desmamados (García Rabanal e colaboradores).

Gripe • A Noruega esteve livre dos vírus da influenza suína H1N1 e H3N2 até outubro de 2009. Provas sorológicas e de PCR realizadas em 2010 revelaram que 43% das granjas-núcleo de seleção e 41% das granjas multiplicadoras eram positivas, com sintomas clínicos variáveis entre elas. • O uso de paracetamol em suínos com gripe reduz a febre e os sintomas respiratórios, facilitando o consumo de ração. Recomenda-se sua aplicação durante quatro dias. Ocorre também melhora na concentração de leucócitos.

• O PRRSv altera a produção de citocinas pró-inflamatórias. O vírus pode afetar a função imune das células que apresentam o antígeno e romper a ativação das células T – CD3. • A inclusão de tilmicosina na ração, a 400 ppm, reduz o nível de viremia em suínos expostos ao vírus.

Circovírus (PCV-2) e circovirose suína (PCVAD) • A vacinação de leitões desmamados com Circovac™ (0,5 mL) resulta em um peso de abate mais homogêneo, além de melhorar o índice de ganho médio de peso diário (+ 40 gramas). • A vacinação de 12.220 leitões de três semanas de idade com a Ingelvac Suínos & Cia

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Ano VII - nº 44/2012


Revisão Técnica Disenteria suína

binantes (Bhlp 29.7) estão em uso, experimentalmente;

• Hampson, D.J.: o gênero Brachyspira inclui sete nomes oficiais dessa espiroqueta intestinal anaeróbica, dos quais seis colonizam os suídeos (B. hyodisenteriae, B. pilosicoli, B.suanatina, B. murdochii, B. innocens – que não é patogênica – e B. intermedia). Duas delas colonizam o intestino do suíno, a B. hyodisenteriae, fortemente hemolítica e patogênica, e a B. innocens, não hemolítica (e tão pouco patogênica).

o Uso de dietas ricas em polissacarídeos não amiláceos, que dificultam a sobrevivência bacteriana;

Atualmente, esse cenário vem mudando, com isolamentos frequentes de B. intermedia e de cepas atípicas. A sequência genômica de cada uma dessas cepas está bem definida. Para o desenvolvimento da doença é necessário a presença da bactéria no intestino grosso, e o seu crescimento em grande quantidade. Há interações físicas e químicas entre os componentes da dieta e a microbiota saprófita do cólon, condicionadas pelo ambiente. A resposta quimiotática frente à mucina dessas bactérias define a maior ou a menor virulência das diferentes cepas. Os mecanismos que induzem o dano celular na mucosa incluem a atividade biológica dos lipo-polissacarídeos e a ação sobre as proteases de membrana. As recomendações para o controle da disenteria suína são:

o As dietas em forma de papa reduzem a prevalência da Brachyspira.

o Redução do estresse ambiental e social; o Vacinação que impeça a colonização e reduza as lesões. Atualmente, vacinas produzidas a partir de proteínas recom-

o Uso de dietas com inulina (80 g/kg de ração), polpa de beterraba e ervilhas reduz a susceptibilidade a infecções experimentais, ao mesmo tempo que incrementam o número de Bifidobacterium thermoacidophilu e Megasphoera elsdenii na flora do cólon;

• Rubio, P.: a disenteria suína, na Espanha, tem diferentes apresentações clínicas. Foram isoladas mais de 600 cepas de Brachyspira hyodisenteriae na Europa, as quais afetam tanto as granjas de suínos brancos quanto as de ibéricos, sejam pequenas, médias ou grandes, sendo a incidência superior nas de tamanho médio. Ao contrário do que se vê em outros países europeus, a susceptibilidade a antibióticos aumentou (tiamulina, valnemulina, tilosina, lincomicina, tilvalosina), e 60% das cepas isoladas, entre 2008 e 2009, têm um MIC (concentração inibitória mínima) > 0,5 ug/mL frente à tiamulina. O uso de derivados gárlicos tem se mostrado eficaz (propil propano tiosulfonato e propil propano tiosulfinato). Têm sido usadas também vacinas autógenas (109 bactérias/ds.), aplicadas em reprodutoras (duas doses separadas por um intervalo de duas semanas e, posteriormente, revacina-

ção às três semanas antes de parir). Além disso, recomenda-se vacinar os leitões na semana após o desmame, revacinando-os duas semanas depois (redução de mortos e do custo de tratamento, especialmente nos suínos de engorda de granjas de múltiplos sítios. O uso de probióticos e prebióticos para modular a flora gastrintestinal ajuda a reduzir a incidência do problema.

Mycoplasma hyopneumoniae e Circovírus Suíno Tipo 2 • Leitões com idade entre 3 e 5 semanas já podem estar infectados pelo Mycoplasma hyopneumoniae (M.hyo). Amostras tráqueo-bronquiais são de 3,5 a 4,5 vezes mais sensíveis que as coletadas por meio de swabs nasais. • A comparação entre dois programas de vacinação contra M. hyo e PCV-2 em suínos sacrificados aos 9 meses de idade (FlexCombo™, 1 dose de 2 mL às 3 semanas de idade vs CircoFlex™ às 3 semanas de idade + Suvaxyn MHyo™ às 4 e 7 semanas de idade) não mostrou diferença em termos de parâmetros de produção e rendimento de carcaça, havendo apenas menor mortalidade e menos suínos descartados no primeiro programa, o que resultou em um benefício de € 0,46/suíno. • É essencial que se conheça a dinâmica da infecção na granja quando se aplica uma só dose de vacina contra a pneumonia enzoótica. • Foram comparados dois esquemas de aplicação vacinal: uma só dose de 4 mL de Porcilis PCV™ vs duas doses de 2 mL de Porcilis MHyo™ separadas, em cada base da orelha, não havendo diferença entre eles em termos de segurança e eficácia dos produtos, nem do crescimento dos leitões. • O exame clínico (índice de tosses e quantificação do grau delas), as lesões de abatedouro e a detecção direta do agente nos pulmões por PCR são as bases para o diagnóstico definitivo da pneumonia enzoótica. • O risco de positividade em leitões aumenta em granjas com 15 porcas/ sala de partos ou mais e naquelas nas quais o número de nulíparas supera 120. A duração da lactação (mais de 18 dias) e o momento em que se aplica a vacina têm um impacto importante no desenvolvimento da pneumonia enzoótica em suínos de engorda.

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Revisão Técnica lidade para a sobrevivência dos leitões é o peso ao nascer. 40% das baixas se concentram em leitões com menos de 1 kg de peso vivo, 15% delas nos leitões entre 1 kg e 1,2 kg de peso vivo e somente 7% nos leitões com peso acima de 1,5 kg a 1,6 kg. O suíno é o animal ungulado mais sensível ao frio. A hipotermia derivada da perda de calor por unidade de peso vivo é inversamente proporcional ao tamanho corporal. A ingestão de colostro é essencial para a termorregulação.

• A aplicação da Suvaxyn MH One™ aos 7 dias de idade, com ou sem a presença de anticorpos passivos maternais, reduz as lesões pulmonares, bem como a quantidade de bactérias nos brônquios e pulmões, promovendo um grau considerável de proteção a partir das duas semanas após a vacinação. • Estudo realizado em 40 granjas espanholas confirmou que os leitões estão infectados no momento do desmame, por meio da detecção do agente em swabs nasais, por PCR (Bringas e colaboradores). Nessa mesma linha há trabalhos em granjas italianas (36), dinamarquesas (37) e belgas. • Vários trabalhos demonstram a eficácia do florfenicol, tanto frente ao M. hyo quanto às bactérias do Complexo Respiratório Suíno (Pasteurella multocida, Actinobacillus pleuropneumoniae, Haemophilus parasuis).

Manejo e bem-estar animal • Baxter, E.M.: a mortalidade dos leitões tem dois componentes essenciais, o de natureza econômica e o de bem-estar. A média de mortalidade no setor de lactação, na Europa, é de 12,9%; e a inclusão dos nascidos mortos eleva o índice para 16% a 20%, com variações consideráveis entre as granjas. As principais medidas de controle são a melhora das condições ambientais nos partos e as práticas de manejo. Na Dinamarca, este parâmetro vem mudando, em consequênSuínos & Cia

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cia das estratégias de seleção genética no aumento do tamanho das leitegadas. Tamanho de leitegada e mortalidade no setor de lactação estão fortemente interrelacionados, sendo necessário melhorar a vitalidade dos leitões ao nascer para reduzir a segunda. Para cada aumento de 0,5% no índice de mortalidade da lactação, reduz-se a produção/porca/ano em 10 kg de suíno. O primeiro requerimento do leitão é sobreviver ao processo de nascimento. Os nascidos mortos (8%) estão associados, principalmente, a partos distócicos, derivados de uma maior duração deles, tamanho de leitegada elevado e hipóxia. A má qualidade da placenta, devido a um atraso em seu desenvolvimento, tem sido sugerido como um fator predisponente. Os leitões com hipóxia têm temperatura retal inferior e menor capacidade de sobrevivência 10 dias após o parto, com um crescimento pior. O segundo requerimento é sobreviver após o nascimento, o que dependerá da sua capacidade de comportamento e da habilidade em adaptar suas mudanças fisiológicas, mantendo uma termorregulação adequada; além disso, é necessário haver disponibilidade de tetas funcionais para garantir a ingestão de colostro, essencial para manter sua homeostase e amadurecer seus órgãos vitais. A maior causa de mortalidade pós-natal está relacionada ao complexo hipotermia/letargia/ esmagamento. O terceiro requerimento da vita-

A vitalidade por ordem de nascimento é variável e não está bem definida, sendo independente do peso naquele momento. O incremento do tamanho de leitegada de 11 para 16 leitões reduziu o peso médio de 1,59 kg para 1,26 kg de peso vivo/leitão (35 gramas a menos por cada leitão suplementar). Isso significa que cada leitão tem, proporcionalmente, menor superfície de placenta e irrigação sanguínea mais baixa, o que altera seu desenvolvimento muscular, reduzindo seu potencial de crescimento e sua habilidade de termorregulação. A maior heterogeneidade entre leitões aumenta o risco de mortalidade. Seguem algumas soluções para aumentar a vitalidade deles: o Aumentar os níveis de polissacarídeos não amiláceos na dieta das porcas, antes da inseminação; o Suplementar com ácidos graxos essenciais no final da gestação; o Assistir aos partos de forma personalizada; o Melhorar o ambiente e reduzir os níveis de estresse no momento do parto; o Ajustar os critérios de seleção por número de leitões desmamados sobre nascidos e leitões vivos aos 5 dias pósnascimento (LP5), reduzindo a variabilidade intra-leitegada. • Dentro do assunto bem-estar animal, além da questão ética, há fatores econômicos a serem considerados. Assim, por exemplo, nos casos de transtornos locomotores derivados de artrites ou problemas ósteo-esqueléticos, teremos, além de condenações no matadouro, atrasos na saída da terminação (9 dias, em média) e maior gasto com antibióticos. • Sandoe, P.: as implicações éticas e de bem-estar derivadas do incremento da mortalidade na lactação, quando se trabalha no sentido de aumentar o tamanho da leitegada, nos faz pensar em modiAno VII - nº 44/2012


Revisão Técnica afetará de modo negativo o bem-estar das porcas e suas leitegadas. • A uniformidade dos leitões é afetada pelo número de partos, tamanho da leitegada e intervalo desmame/próxima inseminação.

ficar alguns critérios de seleção, de modo a atentar para o número de leitões vivos aos 5 dias após o nascimento (Danish Animal Protection Society, janeiro de 2012). Este parâmetro vem sendo trabalhado desde 2004, já havendo uma melhora de 6% no grau de sobrevivência. Trata-se de um

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dado de seleção que não tem repercussão negativa sobre o referido parâmetro. Há também a questão da melhoria nos programas de manejo associados a adoções/ cessões, porcas nutrizes e mães adotivas. Se não for acompanhado de um bom manejo e realizado por pessoal treinado,

• Castração: o peso médio, no abate, entre suínos castrados cirurgicamente e imuno-castrados não foi diferente, havendo apenas menor dispersão a favor da segunda categoria. Os machos castrados pelo método convencional se atacam com maior frequência e intensidade, em comparação aos imuno-castrados (após a segunda aplicação). Há um limite superior de peso testicular determinado pelos matadouros para suínos machos imunocastrados, da ordem de 300 gramas. Um estudo nesse sentido revelou que 15,2% dos suínos imuno-castrados superou esse limite, o que nos faz pensar que essa questão do peso não seja um indicador confiável para a imuno-castração. • As medidas de biosseguridade, tanto internas quanto externas, têm uma influência significativa sobre o ganho médio de peso diário nos suínos (engorda), além de promover menor utilização de agentes antimicrobianos.

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Revisão Técnica • Nova formulação de florfenicol, para ser administrado em dose única de 30 mg/kg de peso vivo, mostrou-se eficaz frente ao Complexo Respiratório Suíno (Nuflor Swine Once™ 450 mg). • A síndrome do edema do mesocólon (sigla: MES, em inglês) caracteriza-se pelo edema e inflamação do mesocólon de leitões com menos de duas semanas de idade, produzidos pela toxina do Clostridium perfringens e Clostridium difficile. • O programa Individual Pig Care (IPC, do laboratório Pfizer) é um protocolo de manejo desenvolvido para identificar problemas de forma precoce nos leitões ou nos suínos em fase de engorda. Inclui observações diárias relatadas de forma metódica. Os dados são digitalizados e transferidos em tempo real, havendo um feedback diário e uma monitoria dos processos. A aplicação do programa em 10 granjas (7 na Alemanha + 3 na Espanha) resultou na redução de 40% da mortalidade dos leitões, 8% a mais de ganho médio de peso diário e redução no uso de antibióticos da ordem de 47%. • Os níveis de cortisol na saliva nos permitem medir os níveis de estresse. • A administração de Metacam™ (anti-inflamatório não hormonal do laboratório Boehringer Ingelheim) a 0,4 mg/kg de peso vivo, por via oral no dia do parto, incide de modo positivo sobre a síndrome MMA (metrite, mamite, agalaxia), reduzindo a mortalidade na lactação, promo-

vendo maior ganho médio de peso diário nos leitões e aumentando o peso da leitegada no desmame.

Reprodução • Kauffold, J.: as falhas reprodutivas são a primeira causa da eliminação de porcas em granjas (anestros, vazias no momento do parto, multirrepetidoras e abortos). A análise do trato reprodutivo, ante e post-mortem, nos revela, em essência, o seguinte: o Ante-mortem: a exploração retal não é muito bem tolerada pelas porcas. A dificuldade de passar pela cérvix e o escasso interesse econômico limitam a exploração vaginal. Os sistemas de ultrassonografia nos permitem analisar questões anatômico-fisiológicas, tanto nos ovários quanto nos cornos uterinos/ útero. Não servem para detectar corpus albicans, nem processos inflamatórios crônicos. As variações na textura uterina nos ajudam a definir processos tóxicos por zearalenona e quadros de endometrites. Uma nova técnica de ultrassom chamada sonografia de zona, embora ainda não disponível a nível prático, nos permite analisar o trato genital com maior resolução e imagens de melhor qualidade. o Post-mortem: o exame do tamanho, coloração e consistência são parâmetros morfológicos de grande ajuda. A presença de corpus albicans nos indica

ciclicidade. Os ovidutos variam muito de tamanho, podendo indicar oclusões e aderências (hidro ou pio-salpingites). O tamanho e a cor dos cornos uterinos são indicadores de normalidade. A presença de fluidos e/ou edema são determinantes. Devemos levar em consideração que podemos encontrar refluxo de urina, devido ao próprio sacrifício. Podemos fazer histologia, tomando órgãos refrigerados ou fixados em formaldeído de 4% a 10%. A análise de sangue e bile também pode ser prescrita. As patologias mais frequentes são endometrite, edema endometrial por exposição à zearalenona, lesões nas trompas de Falópio em infecções por Clamidia sp, falta de higiene e imunossupressão. • Vanrompay, D.: as primeiras infecções por Clamidia sp foram descritas em processos de artrites e pericardites nos EUA, em 1955. Posteriormente, na Rússia (1960/1970), foram descritas em casos de broncopneumonia e abortos em porcas. Em 1969, a Clamidia sp foi isolada pela primeira vez na Áustria, e em 1980, na Alemanha, em suínos doentes. Em 1990, em Iowa e Nebraska (EUA), foi isolada em suínos com conjuntivites/ceratoconjuntivites, ao mesmo tempo em que era isolada na Europa em porcas com problemas reprodutivos (repetições e abortos). A Clamidia suis está relacionada com pericardites, poliartrites, poliserosites (em leitões), assim como em problemas reprodutivos (repetições, abortos, mumificados, descargas vaginais, síndrome de disgalaxia periparto, orquites, epididimites e uretrites). A melhor técnica de diagnóstico é o cultivo celular, sendo a Clamidia suis e a Clamidia abortus as mais prevalentes nos pulmões e no trato digestivo. As Clamidias são muito sensíveis a detergentes e desinfetantes (amônia quaternária, fenóis, isopropis e iodados). Os antibióticos aos quais têm mais sensibilidade são as tetraciclinas (clortetraciclina, oxitetraciclina, doxiciclina); quinolonas (enrofloxacina) e macrolídeos também se mostram eficazes. Não há vacinas comerciais contra a clamidiose suína disponíveis no mercado, ainda. A fertilidade é maior naquelas granjas nas quais se emprega mais tempo no processo de detecção dos cios. • A aplicação de Maprelín™ (hormônio análogo do GnRH) nas 24 horas após o desmame determina uma

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Revisão Técnica quanto maior for o seu nível de solubilidade (usada no tratamento de diarreias em humanos). • Suínos de engorda alimentados com dietas que contenham níveis elevados de fibra têm maior peso estomacal, não sendo significativa a diferença de peso do intestino delgado/ grosso. Esse fato está associado com uma contagem mais alta de lactobacilos e bifidobactérias, em detrimento do número de enterobactérias, o que implica em maior saúde digestiva em função da flora benéfica. • Os suínos de engorda e leitões alimentados com probióticos têm menos problemas sanitários e quadros digestivos. As porcas que recebem probiótico na fase de lactação desmamam leitões de maior peso. • A inclusão da levedura Actisaf™ a 1000 ppm na ração reduz a incidência de diarreias por Escherichia coli subtipo ETEC em leitões desmamados, em comparação ao uso de ZnO2 a 3000 ppm. • Leitões com 16 dias de idade, em comparação a outros com 18 e 20 dias, são mais suscetíveis à Escherichia coli F18, uma vez que seu íleo tem menor permeabilidade a dextranos, o que reduz sua capacidade como barreira de defesa.

redução no intervalo desmame/cobertura, sem que se observe diferença na duração do cio. • O diâmetro dos cornos uterinos está relacionado positivamente com o peso e o volume do útero. • A atividade plasmática das enzimas glutamil transferase e fosfatase alcalina está relacionada com o volume do ejaculado e muito relacionada com a concentração espermática. A concentração de sódio, cloro e potássio está associada com a morfologia espermática. Somente os níveis de magnésio estão associados aos danos na membrana espermática. • A presença de leucócitos na urina indica inflamação dos rins e/ou do trato urinário (a redução do pH da urina para menos de 6 é a recomendação para o controle desse tipo de problema). • Os parâmetros fisiológicos em cachaços adultos, da raça Pietrain, são temperatura retal de 38ºC e 37,6ºC, frequência respiratória de 36 e 37 movimentos/minuto e pulso de 104 e 96 batidas/minuto em jovens e adultos, respectivamente. Recordar que, nos leitões recém-nascidos, a temperatura retal oscila entre 39 ºC e 39,5ºC.

Nutrição • Óleos essenciais de orégano têm ação antimicrobiana e antioxidante (polifenóis, carvacol, timol), atuando como permeabilizadores e despolarizadores das membranas das bactérias. • O uso de óxido de zinco (ZnO2) produz uma drástica e rápida depressão no crescimento bacteriano, tanto no estômago como no jejuno. A fonte de sulfato de zinco é mais absorvida Ano VII - nº 44/2012

• A inclusão de Bacillus subtilis PB6 em rações de leitões desmamados melhora o ganho médio diário, o índice de conversão e o índice de diarreias, resultando em um trato intestinal mais saudável (manutenção do balanço da microbiota). Considera-se como sendo diarreia um conteúdo de matéria seca fecal menor que 18%. • O manano-oligossacarídeo Actigen™ melhora a saúde digestiva e modula a resposta imunológica. Estudos comparativos frente à medicação tradicional (amoxicilina a 400 ppm + colistina a 100 ppm) não mostraram diferenças nos parâmetros de produção posteriores ao desmame. • Biomos™ a 1 kg/ton, adicionado a dietas de gestação e lactação, determina maior ingestão de imunoglobulinas por parte dos leitões, os quais apresentarão maior peso no desmame e menor mortalidade na fase de lactação. Não foi observada nenhuma influência no número de leitões nascidos vivos. • A inclusão de ácidos poli-insaturados (óleo de peixe) em dietas de porcas lactantes auxilia o crescimento e o desenvolvimento fetal, melhorando também o crescimento dos leitões desmamados. • A inclusão de minerais orgânicos na dieta de reprodutoras melhora a fertilidade (2,3%) ao longo dos ciclos produtivos (principalmente no 3º e 4º parto), assim como a prolificidade (nascidos e desmamados vivos) e o peso no desmame. Ao mesmo tempo, a taxa de reposição por problemas locomotores se reduz, e aumenta a permanência de porcas a partir do quarto parto, na granja. • A inclusão de atapulgina (silicato de alumínio/magnésio) em dietas de leitões desmamados reduz a gravidade das diarreias. • Estudo realizado em nível mundial, entre janeiro de 2010 e outubro de 2011, em 6.483 amostras de ração, revelou uma quantidade considerável de micotoxinas (pela metodologia de cromatografia de líquidos): 27% de aflatoxinas, 42% de zearalenona, 58% de deoxinivalenol, 55% fumonisina e 26% de ocratoxina. Suínos & Cia

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Revisão Técnica • A quantidade de colostro produzido vai sendo reduzida à medida que aumenta o número de partos, não havendo correlação com o número de leitões nascidos vivos. A ingestão média de colostro por leitão é de 324 gramas/kg de peso, com uma variação de 0 a 1.554 gramas. Depende muito da genética e do indivíduo, assim como da duração do parto, número de leitões e da variação do peso deles. É essencial saber o número de tetas realmente funcionais. O suplemento de colostro para leitões (50 mL) incrementa os níveis de IgG no sangue, mas não aumenta a sobrevivência deles. • Leitões de peso mais baixo ao nascer têm vilosidades intestinais mais curtas, criptas reduzidas, menor atividade de sucrase e menor tempo de esvaziamento gástrico, com o mesmo tempo de trânsito intestinal. • As necessidades de ferro durante a lactação está estimada em 67 mg/kg de peso vivo (50 mg de reserva corporal e 1 mg diário ingerido via leite). Níveis de ferro inferiores a 9 g/mL indicam anemia. Os 200 mg de ferro suplementados no dia do nascimento cobrem os primeiros 4 kg de peso do leitão e, por volta dos dias 17 e 18 de lactação, aparecem novas necessidades de ferro até a chegada aos 7kg de peso (+ 191 mg/leitão), sendo, por isso, recomendado uma segunda dose de 200mg. • O estímulo da produção de insulina por meio da dieta (sucrose + lactose a 150 g/dia de cada uma), durante o período do desmame, não melhorou a uniformidade dos leitões. • O uso de proteína de batata fermentada para leitões melhora os níveis plasmáticos de IGF-1, reduz a mortalidade e melhora o crescimento (+ 10 gramas). Em suínos de engorda, melhora o índice de conversão e o percentual de carne magra (benefício estimado entre € 2,2 e 4,0/ suíno). • O incremento de lisina nas dietas de suínos inteiros e imuno-castrados aumenta o ganho médio de peso diário, o que não ocorre nos castrados cirurgicamente. A resposta ao índice de conversão é melhor em imuno-castrados do que em castrados cirurgicamente. Devemos, então, adicionar o nível adequado de lisina nas últimas cinco semanas da dieta de suínos imuno-castrados para um melhor retorno econômico. Suínos & Cia

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Vários assuntos • Torque teno vírus 2 (TTV2): foram estudadas duas cepas virais, moduladas pela presença de outros vírus concomitantes [PCV-2/PSC (peste suína clássica)]. O TTSuV2 (torque teno sus vírus 2 ou anelovírus) é o mais prevalente. Os processos de imunossupressão afetam a replicação viral. • As principais bactérias isoladas em lesões de pneumonia, na França, são devidas a Mycoplasma hyopneumoniae, Pasteurella multocida, Haemophilus parasuis, Actinobacillus pleuropneumoniae e Streptococcus suis. A gravidade dos quadros clínicos de A. pleuropneumoniae é altamente dependente dos isolamentos (Europa: cepas 2, 4, 9; e EUA: cepas 1, 5, 7 – ocasionalmente 8 e 15, nos casos com impacto sanitário). • A incidência de pleurites nos abatedouros de diferentes países europeus está quantificada entre 1,8% e 20%, com uma média de 10%. • A prevalência da rinite atrófica, presente na França desde 1987, vem se reduzindo desde 2010. Não se observa efeito geográfico, mas sim menor incidência em granjas de tamanho inferior a 160 matrizes. Em 50% das granjas usam vacina. • A Peste Suína Clássica (PSC) está presente ainda em muitos países, sendo várias as medidas adotadas para o seu controle. No Brasil, foi erradicada em 1978, mas surgiram alguns focos esporádicos desde então. Entre 2010 e 2011 não foi diagnosticado nenhum caso, e a erradicação está em andamento. Na Sérvia foram detectados dois casos (um em uma granja grande e outro em uma granja pequena) em novembro de 2010, depois de o último ter ocorrido em 2007. Na Macedônia, até 10/11/2011, 45,2% dos soros analisados foram positivos, em consequência de programas de vacinação ruins e da presença de javalis positivos. • Um estudo apresentou as provas de eficácia e segurança de uma nova vacina de subunidades Stx2e contra a doença do edema (Ecoporc Shiga™). Testada em três granjas alemãs, resultou em morbidade e mortalidade menores nos leitões desmamados, os quais tiveram também maior

ganho médio de peso diário. • Na Espanha foi desenvolvida uma metodologia para diagnóstico por PCR, com o objetivo de detectar 6 dos principais fatores de virulência das bactérias implicadas na diarreia de leitões lactentes (Vall e colaboradores – Laboratório Hipra). • Suínos vacinados com Enterisol Ileitis™ tiveram melhor ganho médio de peso diário no setor de engorda. • O Isospora suis tem um pico de excreção aos 7 dias pós-infecção, o qual se reduz com o uso de toltrazuril, além de diminuir a diarreia e melhorar o ganho médio de peso diário dos leitões lactentes. • São conhecidas oito espécies de Trichinella sp e quatro genótipos. Em muitos países, a maior fonte de contaminação para esse nematódeo é a ingestão de carne de javali. Em suínos comerciais a prevalência é nula ou muito baixa (da ordem de 0,00013%). • As desparasitações orais com fenbendazol, aplicado a 2,5 mg/kg de peso vivo durante dois dias, mostram-se mais eficazes que as de um só dia frente ao Ascaris suum. A migração larvar nos pulmões e fígado (milk spots ou manchas de leite) está correlacionada a um índice de conversão ruim, a um menor ganho médio de peso diário e à maior gravidade dos quadros respiratórios. • A formulação de adjuvantes para a estabilização e o controle de vacinas passa por uma formulação correta, curto período de reação e longo tempo de eficácia. É importante aplicar as vacinas na temperatura adequada. • Os principais fatores que afetam a mortalidade de leitões antes do desmame são os partos prematuros, as porcas em má condição corporal (tanto magras quanto gordas) e o baixo peso ao nascer. • Um ensaio realizado na Espanha, analisando a mortalidade de suínos de engorda com base em um modelo de regressão multivariável, revelou que os fatores associados são a estação do ano, a duração do período de engorda, a mistura de suínos de diferentes origens e o tratamento massal com antibióticos (Segales e colaboradores). Ano VII - nº 44/2012


Sumários de Pesquisa O tamanho da leitegada subsequente é aumentado quando as porcas lactantes recebem dietas contendo ácidos graxos Omega-3 do óleo de peixe

da leitegada. Assim, a inclusão de óleo de peixe na ração de lactação das matrizes poderia melhorar sua produtividade. O objetivo inicial do estudo conduzido por R.J. Smits e colaboradores (Journal of Animal Science, 2011, 89: 2731-2738) foi avaliar o desempenho reprodutivo de porcas alimentadas com óleo de peixe como fonte de AGPI Omega-3 antes do parto e durante a lactação.

Método: A nutrição durante a lactação possui efeitos profundos no crescimento e na sobrevivência dos conceptos suínos, e existem evidências de que as mudanças nutricionais até o desmame afetam a qualidade do folículo. Foi demonstrado que a suplementação de rações com ácidos graxos polinsaturados (AGPI) Omega-3,

A partir do dia 107 ± 0,1 de gestação, 328 porcas de ordem de parto (OP) entre zero e 7 (média 2) foram alimentadas com uma ração suplementada com sebo (controle) ou com uma ração isocalórica suplementada com 3g de óleo de pescado/kg (Omega-3). As rações foram

a partir do óleo de peixe, melhora o de-

formuladas para conter a mesma quanti-

senvolvimento do cérebro e da imunidade

dade de energia (13,9 MJ/kg), gordura

neonatal dos leitões. Entretanto, existe

bruta (54 g/kg) e proteína bruta (174 g/

escassa informação a respeito do efeito

kg). As porcas receberam 3 kg diários da

do AGPI Omega-3 sobre os parâmetros

dieta experimental durante 8 dias antes

reprodutivos das matrizes suínas. O au-

do parto e continuaram com as mesmas

mento do conteúdo em AGPI Omega-3

dietas, porém, à vontade até o desmame

antes do parto e durante a lactação pode-

(média de 18, 7 dias de lactação). Após o

ria melhorar a qualidade dos ovócitos e a

desmame, todas as fêmeas passaram a ser

sobrevivência embrionária e, por conse-

alimentadas com ração de gestação, sem

quência, a taxa de concepção e o tamanho

óleo de pescado, até o parto seguinte.

Resultados: O fato de suplementar ração com ácidos graxos ricos em Omega-3 não teve efeito sobre o peso dos leitões ao nascimento sobre seu ritmo de crescimento antes do desmame, nem sobre seu peso ao desmame e nem sobre o consumo de alimento pela porca. Entretanto, as fêmeas alimentadas com Omega-3 apresentaram maior tamanho de leitegada na parição subsequente (10,7 ± 0,3 vs 9,7 ± 0,3 leitões nascidos totais e 10,2 ± 0,3 vs 9,3 ± 0,3 leitões nascidos vivos; P < 0,05). Os autores relataram que este é o primeiro estudo a demonstrar que a alimentação de porcas com rações enriquecidas com AGPI Omega-3 provenientes de óleo de peixe, antes do parto e durante a lactação, aumenta o tamanho da leitegada no parto subsequente, independentemente do consumo de energia.

A colonização nasal por Staphylococcus aureus tem um claro aumento por ocasião do desmame em rebanhos de ciclo completo Um estudo foi apresentado por G. Merialdi e colaboradores no 4th European Symposium of Porcine Health Management, 2012, com o objetivo de determinar as mudanças relacionadas com a idade de colonização nasal por S. aureus resistente à meticilina (MRSA) em suínos.

Método: Foram tomadas amostras nasais de um total de 30 porcas aos 80 dias de gestação e amostras da pele do aparelho mamário aos 3 dias pós-parto, assim como amostras nasais dos leitões aos 3 dias de vida, um antes do desmame (27 dias), último da fase de transição (75 dias), primeiro da terminação (120 dias), metade da terminação (180 dias) e abate (270 dias). Suínos & Cia

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Sumários de Pesquisa mães, haviam sido expostos aos antibióticos antes do estudo. Foram utilizados animais de várias leitegadas, divididas em dois grupos, às 18 semanas de vida. Uma parte dos animais da leitegada recebeu uma dieta com antibióticos promotores de crescimento (clortetraciclina, sulfametazina e penicilina), e a outra metade também ganhou a mesma dieta, porém, sem antibióticos. Foram recolhidas amostras fecais imediatamente antes do início do tratamento (dia 0) e aos 3, 14 e 21 dias após. As amostras do dia zero foram utilizadas para descrever o microbioma intestinal suíno antes do período de tratamento com antibióticos.

Resultados: Também foram coletadas amostras do pó com gases estéreis dos pavilhões de gestação (30 amostras de uma única vez) e duas vezes nas salas de parto, desmame, crescimento e engorda, na presença dos animais (10 amostras) e após limpeza e desinfecção.

Resultados: Foi observada colonização nasal em 1/30 das porcas, enquanto não se detectou MRSA a partir das amostras da pele mamária. Em relação aos leitões registrou-se colonização em 1/30 aos 3 dias de vida (1,7%); aos 27 dias todos foram negativos; aos 75 e 120 dias todos resultaram colonizados pelo MRSA; enquanto aos 180 dias, o número de suínos colonizados foi reduzido para 11/60 (18,3%). Na idade de abate, 14/59 foram positivos (23,7%). Não foi detectada contaminação ambiental por MRSA, nem nos alojamentos de gestação e nem de parição, enquanto 5/10 de amostras de pó na área de desmame foram identificadas como positivas para MRSA. Após limpeza e desinfecção foi detectado MRSA em 4/10 dos locais de desmame. Nos alojamentos de crescimento, a taxa de amostras positivas foi de 5/10 nos alojamentos povoados e de 2/10 após limpeza e desinfecção. Na engorda, Ano VII - nº 44/2012

a taxa de amostras positivas foi de 1/10 antes e depois da desinfecção. O estudo conclui que o índice de colonização nasal do MRSA está relacionado à idade, com claro aumento durante o desmame e índice de 100%, que persiste na fase de crescimento e diminui na engorda, até aproximadamente 20%. Foi observada uma tendência similar na amostras ambientais.

Impacto dos antibióticos na ração sobre o microbioma intestinal do suíno Um trabalho conduzido por Torey Loofta e colaboradores de vários centros estadunidenses, recentemente publicado (2012), estudou o impacto do uso de antibióticos na ração sobre o microbioma intestinal de suínos.

Método: Os leitões utilizados no estudo nasceram no Centro Nacional de Enfermidades Animais, de Ames, e se encontravam alojados num entorno altamente controlado e descontaminado. Nem os leitões utilizados no estudo, nem suas

Foram observadas mudanças nos filotipos bacterianos após os 14 dias de tratamento com antibióticos, com um aumento das Proteobactérias (1% a 11%) nos suínos medicados, em comparação com os animais não medicados. Esta mudança foi impulsionada por um aumento nas populações de Escherichia coli. A análise dos metagenomas mostrou que os genes funcionais microbianos relacionados com a produção e conversão de energia se incrementaram nos suínos alimentados com antibióticos. Os resultados também indicam que os genes de resistência a antibióticos aumentaram tanto em quantidade como em diversidade no microbioma de suínos medicados, apesar de um contexto de alta resistência nos suínos não medicados. Alguns genes enriquecidos, tais como as O-fosfotransferases, conferem resistência a antibióticos que não foram administrados neste estudo, o que demonstra o potencial para seleção indireta da resistência. Os resultados mostram que o microbioma suíno alberga diversos genes de resistência, inclusive na ausência de pressão seletiva. Em especial, cinco genes foram detectados com alta frequência, tanto no microbioma de suínos medicados como nos não medicados. Existem efeitos colaterais evidentes na utilização de antibióticos em rações, em doses subterapêuticas, e eles devem ser considerados nas análises de custo-benefício. Suínos & Cia

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Sumários de Pesquisa Dietas acidificadas para leitões: importância da capacidade tamponante dos alimentos Os componentes das dietas de suínos apresentam propriedades físicoquímicas importantes que afetam os processos digestivos. Dentre estas propriedades, a capacidade tamponante (CT) dos alimentos destaca-se por afetar a variação do pH da digestão. A maior parte da composição das rações de leitões baseia-se em produtos de origem vegetal, em que o milho representa cerca de 50% da composição da ração, e a soja corresponde a aproximadamente 20%. Além dos ingredientes vegetais, são utilizados suplementos lácteos, gorduras e farinhas proteicas de origem animal nas rações de leitões. Neste caso, é importante ressaltar que as frações fibrosas dos alimentos apresentam grande relevância na CT. Em nutrição animal, ela tem sido definida como a habilidade de um alimento em suspensão aquosa em resistir à mudança de pH decorrente da adição de uma solução ácida ou básica.

desenvolvida e proposta pelo grupo de pesquisa do Laboratório de Sistematização, Análise e Modelagem em Produção e Nutrição Animal (LabSisZoot) do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Paraná (UFPR): a taxa linear de tamponamento (TLT) (Oliveira Jr. et al., 2008, Bockor, 2009). Este artigo, de autoria de Warpechowski, M.B. e colaboradores, do Departamento de Zootecnia (UFPR), faz o relato sobre esse estudo.

Método: A pesquisa sobre a Taxa Linear de Tamponamento (TLT) visou a atacar dois problemas básicos: a não linearidade e não aditividade da capacidade tamponante, que atrapalhava seu uso em formulação linear; e a diferença entre a faixa de pH medida no laboratório e o pH dos eventos que ocorrem no trato gastrintestinal dos animais. Assim, a primeira altera-

Figura 1. Curva de titulação de alguns alimentos, do pH 8 ao pH 2 Fonte: Banco de dados do LabSisZoot – UFPR

A CT tem sido avaliada em ingredientes e misturas (vitamínicas e minerais) utilizados em rações animais. Normalmente são utilizadas, para esta avaliação, as curvas de titulação do alimento em suspensão aquosa. Atualmente não existe um consenso entre os pesquisadores sobre qual é a metodologia que melhor explica os efeitos da propriedade físico-química da capacidade tamponante. Além disso, as curvas de titulação para determinação da capacidade tamponante não apresentam comportamento linear, tornando as medidas não aditivas. Isso quer dizer que, pelos métodos tradicionais, não é possível estimar com precisão a capacidade tamponante de rações a partir da capacidade tamponante de seus ingredientes. Com o objetivo de solucionar esses problemas, uma nova medida foi Suínos & Cia

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Figura 2. Curva de titulação linearizada de alguns alimentos Fonte: Banco de dados do LabSisZoot – UFPR

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Sumários de Pesquisa ção foi fixar a faixa de pH avaliado, sendo a curva de titulação realizada e registrada detalhadamente e com alta precisão do pH 8 até o pH 2. Para isso, a amostra é dispersa em solução aquosa e, após registrar o pH inicial, a solução é elevada até o pH 8, sendo, em seguida, titulada com HCl. A linearização das curvas é obtida na sequência, pela transformação dos dados de pH, sendo, então, a TLT calculada como o inverso da inclinação da regressão linear obtida entre o pH (Y) e a quantidade adicionada de ácido ou base (X), conforme exemplificado nas Figuras 1 e 2 (página 46).

Resultados: Com base nos resultados, pressupõe-se que a taxa linear de tamponamento consiga avaliar melhor o efeito da CT em todo o trato digestório e em diferentes momentos da digestão, permitindo a obtenção de uma taxa linear única que explique a capacidade tamponante em ampla faixa de pH, de maneira que atenda aos interesses de formulação de dietas para suínos e demais espécies, bem com os momentos da digestão e a fermentação no trato gastrintestinal. Igualmente, mantém-se o uso de uma unidade de medida facilmente aplicada e comparável entre diferentes produtos e alimentos, expressa

em mEq H+ por grama de matéria seca de amostra, o que facilita seu uso na formulação de dietas completas e a classificação dos diferentes ingredientes, suplementos e aditivos.

Capacidade Tamponante (CT) e dietas de leitões: A CT mostra-se como uma propriedade muito relevante para leitões desmamados, uma vez que estes possuem um sistema digestório imaturo para consumo de dietas vegetais, com limitada capacidade de produção de HCl e consequente reduzida atividade de enzimas pancreáticas e intestinais (Bellaver, 2000). Somados a estes fatores, é preciso levar em conta ainda as alterações de ambiente e o estresse que ocorre devido à separação da mãe e à formação de novos grupos sociais, provocando o reduzido desempenho pósdesmame com desordens digestivas de origens nutricional e patológica.

Uso de acidificantes em dietas de leitões: Os objetivos esperados com a adição de acidificantes (ácidos orgânicos e/ou inorgânicos) em dietas de leitões jovens baseiam-se na redução do pH estomacal, aumento da atividade enzimática

e controle da flora bacteriana, contribuindo para o incremento da digestibilidade, crescimento animal e saúde intestinal. A quantidade de acidificante adicionada à ração dependerá do pH do trato gastrointestinal e da capacidade tamponante dos ingredientes da dieta. Além da importância de acidificar o estômago do leitão jovem, também é necessário fornecer dietas com ingredientes de baixa capacidade tamponante (CT) para que o trato digestório do animal possa ser acidificado e as enzimas digestivas sejam adequadamente ativadas. Existem trabalhos que já revelaram a importância da CT da dieta, por ser uma característica que altera o efeito do ácido no estômago. No conjunto dos trabalhos já realizados no LabSisZoot, foi possível verificar que existe um valor de TLT ótimo para resultar em máximos coeficientes de digestibilidade. Além disso, ficou comprovado que a TLT mostra-se eficiente para determinação da CT, bem como para calcular o valor da dieta final por formulação linear, mesmo com alimentos e aditivos com alta gordura ou protegidos com gordura. O ideal é que se mantenha nas matrizes nutricionais uma medida como a TLT para cada alimento, além de suplemento e aditivo obtidos por meio de análise laboratorial, a partir de tabelas de valores médios ou, ainda, por meio de equações de predição. Os resultados até então observados pelo LabSisZoot mostram que: - A capacidade tamponante das dietas de leitões tende a influenciar a digestibilidade dos nutrientes; - A adição de acidificantes em dietas para leitões mostra-se eficiente para reduzir a taxa linear de tamponamento. - O nível de adição dos acidificantes depende diretamente da capacidade tamponante da dieta final, e a TLT permite calcular a CT, determinando a quantidade exata de acidificante para cada tipo de dieta, otimizando seu uso e, consequentemente, aumentando a garantia de efeito.

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Divirta-se Encontre as palavras Oferecer adequadas condições de conforto aos leitões é fundamental para preservar a saúde e aumentar a sobrevivência dos mesmos. No diagrama ao lado encontra-se os itens que devem ser revisados e mantidos em perfeito funcionamento para oferecer conforto e bem-estar aos recém-nascidos. Vamos encontrá-los.

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Aquecedores Cortinas Portas Janelas Piso aquecido Tapete de borracha Jornal picado Maravalha

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Lâmpadas Campânulas Gás Eletricidade Escamoteador Termômetros Pó secante

S M A I S I D A F T G S H N J T K R L O M P M E X R O V R G

S S F F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M O F E S N L F A

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D R T T R Y I U A L H E H E X D L H E X O E H E X S D H E X

O D Y D S O D Y D S H D Y D C T O F B O R F D H R O N Y D S

Jogo dos 7 erros

Respostas na página 58 Suínos & Cia

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K S O D S F L G O H D A R E L E T R I C I D A D E K C E F Z


Divirta-se

Teste seus conhecimentos Uma granja no interior de Minas Gerais, de 1.200 matrizes, apresentou, nos últimos meses, o seguinte gráfico quanto aos resultados de nascidos totais e nascidos vivos. Ao analisá-lo, qual o seu diagnóstico? a) Parvovirose Suína b) Síndrome do segundo parto c) Erisipela Suína d) Leptospirose Baseado no diagnóstico de acordo com a sua resposta, assinale qual alternativa pode contribuir para melhorar o perfil do gráfico apresentado. a) Vacinar o plantel contra as doenças reprodutivas b) Efetuar o controle de roedores c) Revisar e adequar o manejo de preparação de marrãs d) Medicar a água de bebida e) Medicar a ração de todo o plantel reprodutivo

Labirinto

Respostas na página 58

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Dicas de Manejo Transporte das doses de sêmen suíno Atualmente existem muito mais informações e aplicação prática da importância do controle de qualidade de todo processo e procedimento que deve ter em cada dose de sêmen. Os índices de fertilidade e prolificidade estão intimamente ligados aos fatores que dependem do macho e da fêmea para obtermos excelência nesses resultados. O processo de controle de qualidade inicia desde o manejo dos animais, coleta, procedimentos, preparação das doses e manutenção da qualidade até o momento da fecundação. Confira abaixo como se deve transportar o sêmen para manter a qualidade de todo processo.

Para produção de sêmen utilizar cachaços de alto valor genético com capacidade de transmitir aos seus descendentes melhoria de resultados zootécnicos.

Preservar a saúde das doses de sêmen, evitar qualquer fator de risco que possa contaminá-lo. Manter cuidados de limpeza e higiene desde a coleta, preparação das doses e conservação. Utilizar, de preferência, materiais descartáveis.

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Dicas de Manejo

Utilizar diluente de alta proteção que atenda e preencha todas as normas de controle de qualidade.

Utilizar, para a diluição, água da mais nobre pureza. Água do tipo I é a mais apropriada para proteção e manutenção das células espermáticas.

Evitar o uso de termômetros que tenha contato diretamente com o sêmen, água e dose seminal. Utilizar termômetros digital (laser).

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Dicas de Manejo

Empacotar as doses em bolsas de malha ou de plástico perfuradas para evitar criação de microclima interior, sobretudo se for necessário transportar as doses à temperatura superior a 16°C ou imediatamente após a coleta quando a curta distâncias.

Não romper a cadeia de frio, sobretudo em translado de mais de meia hora, usar geladeiras de transportes especiais e veículos acondicionados adequadamente para o transporte.

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Dicas de Manejo

Se utilizar caixas de transportes de isopor expandido, deve-se colocar fonte de frio ou calor em seu interior, dependendo da temperatura externa e do material isolante. Deve-se, ainda, completar os espaços com bolinhas/flocos de isopor.

Colocar e organizar as doses na caixa de transporte de forma que se possa evitar movimentos e vibrações durante o transporte. Utilizar material de preenchimento.

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Dicas de Manejo

Manter uma rotina de controle interno de temperatura das caixas de transportes por meio de datalogger (termômetros que configuram variações de temperaturas em curto período de tempo). Transportar as doses estabilizadas à temperatura de 16°C.

Evitar variação térmica e movimentos de trepidação. Jamais esquecer que o material transportado são células e requer cuidados especiais. Material altamente sensível.

Por Rafael Pallás e Nazaré Lisboa Suínos & Cia

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Aconteceu Prejuízos gerados pelas doenças respiratórias na suinocultura são analisados durante ciclo de palestras promovido pela Boehringer Ingelheim A Boehringer Ingelheim do Brasil promoveu em 5 de junho, em Indaiatuba (SP), mais um evento do Ciclo Respiratory Day, que teve o objetivo de analisar os problemas respiratórios na suinocultura. Durante o evento, foram realizadas as palestras “A contribuição do manejo para os desafios e controle das doenças respiratórias”, com Nazaré Lisboa, da Consuitec; “Monitoramento e pontos-chave de controle da PCV2 e Mycoplasma hyopneumoniae”, com Patrícia Schwarz, da Boehringer Ingelheim do Brasil; e, fechando o evento, “Boehringer Ingelheim: empresa inovadora e atenta às necessidades do mercado”, com Eduardo Leffer, gerente de marketing para suinocultura da Boehringer Ingelheim. Na abertura do evento, Nazaré Lisboa alertou para a necessidade de adequação das instalações das granjas a um correto sistema de produção e sua correlação aos aspectos sanitários. “É preciso estabelecer um planejamento que garanta um correto fluxo de produção dos lotes para que se mantenha uma condição ambiental adequada ao desenvolvimento dos suínos”, destacou Nazaré. “Para isso, podem ser feitas algumas análises. As condições que estou oferecendo ao meu plantel são boas? São as mais adequadas? SiSuínos & Cia

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Palestrante Nazaré Lisboa abordou as principais dicas de manejo que contribuem para o controle das doenças respiratórias

tuações inadequadas de produção são portas de entrada de doenças respiratórias e elas roubam os melhores índices de conversão alimentar, além de gerarem enorme prejuízo na granja. O importante é o máximo rigor na busca pela saúde da população”, afirmou. Ela destacou ainda que o sistema de produção na suinocultura privilegia muito o combate com relação aos efeitos das doenças, ao invés da sua prevenção. “Planejamento, bom manejo, correto processo de vacinação e controle adequado na produção são pontos-chave, aos quais os produtores devem ficar atentos. Eles podem fragmentar o sistema de pro-

dução para identificar onde estão os problemas e por onde está escoando o seu lucro”. Patrícia Schwarz abordou os principais pontos para um correto monitoramento de programas vacinais, por meio de uma avaliação de performance do lote e diagnóstico clínico e laboratorial. “Quando analisamos o processo de vacinação na granja, alguns critérios devem ser observados dentro dos fatores citados, como, por exemplo, refugagem, desuniformidade do plantel, ganho de peso diário e conversão alimentar. Acima de tudo, é preciso tomar por base também o cálculo do retorno do investimento Ano VII - nº 44/2012


Aconteceu feito na granja, do que é investido e do que realmente é gerado em lucro ao produtor”. Além disso, Patrícia apresentou a questão da relação entre a viremia (presença de vírus vivos no sangue circulante) e a análise geral dos resultados de performance na granja sobre o processo vacinal. Segundo ela, os dados de viremia não respondem sobre os resultados da resposta vacinal e seus ganhos gerados na granja. “O que deve ser privilegiado é a proteção do animal pela observação dos sinais clínicos, além dos dados de performance, como conversão alimentar, ganho de peso diário, refugagem e variabilidade do lote, não esquecendo nunca da ausência de reações vacinais. Todos estes objetivos são atingidos com um sistema de vacinação que seja eficaz e seguro”, explicou. Em outro tópico de sua apresentação, Patrícia abordou a incidência de Mycoplasma hyopneumoniae na suinocultura e sua forma de controle. “A vacinação contra a Pneumonia Enzoótica auxilia na manutenção da performance dos animais e na garantia dos resultados finais da produção.

Patricia Schwarz abordou os principais pontos para um correto programa vacinal frente ao PCV-2 e Mycoplasma hyopneumoniae

Visando à rentabilidade da atividade, é preciso, acima de tudo, planejamento e avaliação constantes das ferramentas de controle e utilização de protocolos adequados de vacinação. Essa é a diferença entre o sucesso e o fracasso na granja”, alertou. Fechando o evento, Eduardo Leffer mostrou a importância dos encontros com produtores e também com renomados pesquisadores. “A Boehringer é uma empresa diferenciada, que investe muito em pesquisa para estar alinhada à necessidade da

atual e futura suinocultura, segundo as demandas de mercado e as necessidades de proteção do plantel”, destacou. Para os participantes do evento, esta foi uma oportunidade de estar em contato com pesquisas de ponta e análises diferenciadas, que visam a dar o suporte ao produtor no campo. “Para nos auxiliar em decisões, é fundamental esta parceria proposta pela Boehringer, uma empresa que nos ajuda no dia a dia e nos traz confiança, pois ela cria, atesta e dá condições aos seus parceiros”, afirmou o consultor Paulo César Michelone. De acordo com Antonio Carlos Pereira, gerente de suinocultura, a Boehringer atingiu o objetivo em mostrar como é possível ter um custo mais racional com a produção, suporte e consultoria na granja, visando ao desenvolvimento e evitando perdas. “São os detalhes que nos mostram como podemos produzir melhor e com mais segurança”, disse.

O evento reuniu empresários, produtores, técnicos e gerentes da suinocultura do Estado de São Paulo

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Giovana de Paula giovana.comunicacao@terra.com.br Suínos & Cia

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Divirta-se - Respostas

Teste seus conhecimentos

Encontre as palavras S M A I S I D A F T G S H N J T K R L O M P M E X R O V R G

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Uma granja no interior de Minas Gerais, de 1.200 matrizes, apresentou, nos últimos meses, o seguinte gráfico quanto aos resultados de nascidos totais e nascidos vivos. Ao analisá-lo, qual o seu diagnóstico? a) Parvovirose Suína b) Síndrome do segundo parto c) Erisipela Suína d) Leptospirose Baseado no diagnóstico de acordo com a sua resposta, assinale qual alternativa pode contribuir para melhorar o perfil do gráfico apresentado. a) Vacinar o plantel contra as doenças reprodutivas b) Efetuar o controle de roedores c) Revisar e adequar o manejo de preparação de marrãs d) Medicar a água de bebida e) Medicar a ração de todo o plantel reprodutivo

Jogo dos 7 erros

Suínos & Cia

Labirinto

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Você já conhece o TM ®700? Todo mundo está comentando.

®

TM 700 é altamente concentrado, é estável sob diversos processos de fabricação e requer pequena inclusão nas rações. TM® 700 tem amplo espectro de ação e é eficaz contra patógenos respiratórios e entéricos dos suínos. A oxitetraciclina presente no TM® 700, tem baixa ligação com as proteínas plasmáticas e atinge altas concentrações nos tecidos.

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17045_an02_TM700 quarta-feira, 28 de dezembro de 2011 16:37:57


Monitorando doenças infecciosas a partir de amostras de fluídos orais  

Monitorando doenças infecciosas a partir de amostras de fluídos orais Edição 44

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