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SUÍNOS&CIA - REVISTA TÉCNICA DA SUINOCULTURA

ANO VII - Nº 38/2011


Editorial

N

esta edição, o destaque da revista é o Dr. Bruno Silva, que nos conta sobre sua pesquisa na área de nutrição e sua experiência de trabalho no Institute for Pig Genetics, da Holanda. Doutor em nutrição, ele recebeu um dos mais importantes prêmios pelo seu trabalho de pesquisa. Confira também a entrevista da presidente do 6° Suinter, a médica-veterinária Maria Nazaré Simões Lisboa, que prepara a nova edição do simpósio com temas atuais, baseados na inovação e na sustentabilidade. A edição deste ano acontecerá em um dos locais mais maravilhosos do país, Foz do Iguaçu, no Paraná. Confira as expectativas e saiba como vem sendo preparado o programa deste importante evento. Na área de sanidade, pode-se contemplar o que há de mais inovador no mundo sobre a pleuropneumonia suína, uma doença respiratória causada pela bactéria Actinuobacillus pleuropneumoniae (App). A epidemiologia e a estatística também estão presentes na sanidade, destacando a importância das análises de resultados.

Já o sumário de pesquisa traz recentes publicações sobre incremento genético na vitalidade de leitões recém-nascidos, como prevenir a micotoxicose por fusarium na espécie suína e, na área de reprodução, a relação de cistos ovarianos em fêmeas suínas. Aproveite ainda as informações da dica de manejo para revisar e melhorar seus resultados reprodutivos. A cada dia aumenta a participação de mulheres na suinocultura, e esta edição também traz uma reportagem que mostra os motivos de elas estarem assumindo funções que anteriormente eram exercidas apenas pelos homens, principalmente no setor de reprodução. Sem dúvida, é um espaço que elas estão conquistando por meio da melhoria de resultados, dedicação e superação, como demonstra a experiência vivenciada por uma granja no interior de Minas Gerais, citada nesta matéria. A seção Divirta-se traz, além de jogos, inúmeras surpresas para atualizar seus conhecimentos de forma divertida. Tudo isso e muito mais você pode conferir nas próximas páginas. Boa leitura.


Índice 6

Entrevista Destaque Bruno Alexander Nunes Silva

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Sanidade Toxina RTX: fatores de virulência específicos do hospedeiro do Actinobacillus pleuropneumoniae

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Sanidade Aplicações a campo do NNT (Número Necessário de Tratamentos)

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Revisão Técnica ALLEN D´LEMAN SWINE CONFERENCE St. Paul – Minnesota, EUA

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Reportagem Cresce a participação da mulher nos diferentes segmentos da suinocultura

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Sumários de Pesquisa

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Dicas de Manejo

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Informe Publicitário Boehringer reforça seu time no Brasil O papel dos probióticos na saúde dos suínos Grupo Guabi contrata Estela Gama como supervisora técnica para Linha Nutriserviços

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Divirta-se Jogo dos 7 erros Encontre as palavras Teste seus conhecimentos


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos&Cia é destinada a médicosveterinários, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnico-científicos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

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Fazenda Grupo Cabo Verde

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Entrevista Destaque Produzir com máxima eficiência e sustentabilidade Para o pesquisador Bruno Alexander Nunes Silva, este é um dos principais desafios da suinocultura brasileira

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pesquisador Bruno Alexander Nunes Silva trabalhou durante os últimos dois anos e meio na Holanda em nutrição de suínos, no Institute for Pig Genetics (IPG) e na TOPIGS International Service & Development. Agora está de volta ao Brasil para assumir o cargo de nutricionista da TOPIGS na América Latina e Ibérica (Espanha e Portugal). Para ele, um dos grandes desafios para a suinocultura brasileira será o de aprender a produzir com máxima eficiência e sustentabilidade, respeitando as exigências dos consumidores, dos diferentes mercados, normas internacionais de bem-estar animal e o ecossistema. Bruno Silva possui graduação em Zootecnia, e mestrado em Bioclimatologia Animal, pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), e doutorado em Bioclimatologia e Nutrição de Suínos, pela UFV e Institut National de la Recherche Agronomique (INRA), da França. Atua na área de Ambiência e Exigências Nutricionais de Suínos em regiões de climas tropical e temperado. No final do ano passado, ele recebeu, em Brasília, o Prêmio Capes de Tese, concedido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de

Houve mais facilidades para você desenvolver sua linha de pesquisa por estar em um país como a Holanda? De certa forma sim, uma vez que o nível de tecnologia e de investimentos de recursos no desenvolvimento de pesquisas aplicáveis é muito maior que no Brasil.

A Holanda apoia a pesquisa de forma diferente em relação a outros países que participam da suinocultura sustentável? Diferentemente do Brasil e de muitos outros países, a Holanda apoia o desenvolviSuínos & Cia

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Pessoal de Nível Superior às melhores teses de doutorado defendidas e aprovadas nos cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação, considerando os quesitos originalidade e qualidade. A tese de Bruno Silva, intitulada Efeitos das modificações nutricionais e/ou ambientais sobre o desempenho de porcas em lactação e suas leitegadas sob condições de clima tropical, aborda os efeitos do resfriamento do piso e o uso de dietas com diferentes concentrações de aminoácidos industriais sobre o desempenho e o comportamento de porcas lactantes durante o verão. O trabalho também enfatiza os efeitos de dietas com redução do conteúdo de proteína bruta ou suplementadas com aminoácidos essenciais sobre o desempenho e o comportamento alimentar durante um período de 28 dias de lactação sob condições de clima tropical úmido. Nesta entrevista, além dos desafios da suinocultura e do prêmio conquistado em Brasília, ele também aborda as mudanças na nutrição dos suínos, os avanços na área de bioclimatologia e sua expectativa sobre a suinocultura brasileira para os próximos anos.

mento de pesquisas sustentáveis que possam trazer retorno para melhoria da qualidade de vida da população, sempre respeitando o bem-estar animal e a conservação do meio ambiente.

O que realmente mudou na nutrição de suínos nos últimos anos e quais os mitos e verdades? Vários avanços ocorreram dentro do âmbito da nutrição de suínos nos últimos anos. Hoje já há muito mais conhecimentos das rotas metabólicas, eficiência energética e nutrição aminoacídica, e cada vez mais se tem

investido em nutri-genômica, mostrando que a nutrição não se limita somente à digestão e eficiência de utilização de nutrientes, mas também é resultante da interação de vários complexos enzimáticos que são influenciados pelo grau de expressão genética de cada um deles, podendo ser por efeito nutricional ou genótipo direcionado. São vários os mitos e verdades dentro da nutrição de suínos; entre eles podemos citar que se acreditava em crescimento compensatório em suínos, ou seja, os animais que tivessem seu crescimento em um determinado período da vida comprometido poderiam Ano VII - nº 38/2011


Entrevista Destaque obtidas em países de clima temperado. Apesar de vários fatores estarem envolvidos, o fator clima é mais limitante para a eficiência na produtividade. O estresse por calor ocasionalmente afeta os países de clima temperado via as chamadas ondas de calor e acaba sendo um problema constante na maioria das regiões tropicais e subtropicais. Em adição, nestas regiões, os efeitos das altas temperaturas são acentuados pela umidade relativa. Em reconhecimento ao estresse térmico ser um problema para uma produção suína eficiente, decidimos abordar um tema que pudesse trazer alternativas nutricionais ou ambientais para amenizar os efeitos negativos que o clima quente tem sobre a produtividade de uma das fases mais importantes dentro da suinocultura, a maternidade. Dr. Bruno Nunes no seminário técnico se recuperar e retomar seu potencial normal em um estágio mais tardio, mas isto não passa de mito, já que se provou que animais com atraso no seu crescimento, mesmo recebendo uma supernutrição, não são capazes de se recuperarem. Outro mito é de que em condições de clima tropical, aumentando o consumo de ração da fêmea lactante, a capacidade de produção de leite da fêmea aumenta. Isto não é verdade. Várias pesquisas mostraram que a capacidade de produzir leite sob condições de clima quente é diretamente influenciada pela alteração no perfil hormonal das glândulas mamárias. A fêmea reduz as concentrações de vários hormônios ao nível de glândula mamária, principalmente os da tireóide (T3 e T4), hormônios conhecidos como termogênicos. Esta alteração hormonal é uma forma de adaptação para reduzir a produção de calor endógeno. Desta forma, mesmo concentrando a dieta ou trabalhando com aditivos de baixo incremento calórico, é possível apenas melhorar a condição corporal da fêmea, sem aumentar a capacidade de produção de leite. Outro ponto bastante discutido é de que o tipo de ingrediente utilizado para formular a dieta poderá influenciar na capacidade de absorção dos nutrientes e, por consequência, no perfil de aminoácidos requerido pelo animal. Isto é uma verdade; dependendo do tipo de matériaprima, é possível que se tenha maior fermentação, redução de digestibilidade e alterações do funcionamento do trato gastrointestinal, Ano VII - nº 38/2011

necessitando-se reajustar o perfil de alguns aminoácidos para compensar as perdas. Isto é chamado de proteína ideal dinâmica.

O que lhe levou a abordar os efeitos das modificações nutricionais e/ou ambientais sobre o desempenho de porcas em lactação e suas leitegadas sob condições de clima tropical? Em regiões de clima tropical, como o Brasil, geralmente a produtividade e o desempenho das fêmeas estão abaixo daquelas

Como você espera que a suinocultura brasileira adote os últimos avanços na área de bioclimatologia? Para mim, não há outra alternativa senão investir cada vez mais em bioclimatologia. Para produzir com máxima eficiência é necessário conhecer e saber manejar as necessidades térmicas de cada uma das categorias suínas dos genótipos atuais. Os genótipos suínos apresentaram um aumento de produção de calor em 18,1%, aproximadamente 1% ao ano, de 1984 a 2002. Podemos atribuir a este aumento mudanças na composição corporal dos suínos atuais, menos gordura e mais mús-

Dr. Bruno Alexander Nunes Silva, recebendo prêmio Capes, em Brasília

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Entrevista Destaque culos, e no aumento das taxas de turnover proteico. Para cada 2,8% de aumento no percentual de tecido magro, a produção de calor aumenta em torno de 18,7%, apresentando um impacto significativo sobre as instalações e manejos adotados para estes animais. O aumento na produção de calor endógeno deve ser considerado, principalmente em regiões de clima tropical, no momento em que está sendo feita a construção das instalações e durante as formulações das dietas. Estas mudanças ocorridas na composição corporal dos suínos e no aumento das taxas de turnover proteico também contribuem para maiores necessidades de energia e aminoácidos.

A temperatura e as condições ambientais podem influenciar na dieta de suínos, e em que fases seriam mais relevantes? O potencial elevado de desempenho presente nos suínos gera maior susceptibilidade ao estresse por calor. As estratégias nutricionais podem limitar a produção de calor endôgeno e melhorar o desempenho dos suínos sob condições de estresse térmico. O uso de dietas de baixo incremento calórico ou dietas de alta densidade podem efetivamente atenuar os efeitos das temperaturas elevadas, particularmente em suínos na fase de terminação e reprodução, porém, somente quando as dietas estiverem corretamente balanceadas na relação aminoácidos/ energia. Entretanto, a otimização da produtividade sob condições de estresse térmico necessita de uma combinação apropriada de estratégias nutricionais e manejo.

Considerando os avanços genético e nutricional, você poderia fazer um resumo sobre o que se espera da suinocultura brasileira para os próximos anos?

as diferenças entre os genótipos disponíveis no mercado brasileiro para que se possa potencializar a produtividade com máxima eficiência.

Dentro dos pilares da base de sustentação do sistema de produção, como sanidade, genética, nutrição e manejo, quais desses segmentos a suinocultura brasileira tem mais necessidade de avançar? Penso que todos estão interligados, uma vez que para potencializar o genótipo é necessário manejo de ambiente e instalações adequados, nutrição que permita o fornecimento de nutrientes para o máximo desempenho reprodutivo e produtivo e sistemas livres de desafios sanitários, permitindo, assim, intensificar cada vez mais o sistema de produção de suínos com máxima eficiência.

Como utilizar as atuais ferramentas de formulação nutricional para animais em crescimento buscando otimizar o atual potencial genético? Durante a última década houve avanços rápidos na nutrição, mas a eficiência de utilização da proteína da dieta para o crescimento e produção de suínos ainda permanece subotimizada devido às limitações bioquímicas e fisiológicas. Baseado em novas tecnologias relacionadas ao metabolismo intestinal, bem como a regulação da expressão dos genes, métodos práticos envolvendo suplementação de pré-bióticos, glutamina e arginina podem permitir aumentos na absorção e na eficiência de utilização dos aminoácidos pelo sistema circulatório, estimulando a síntese proteica celular e, por consequência, melhorar

O Brasil é um dos maiores produtores de suínos do mundo e, por consequência, de ingredientes, como milho e soja, utilizados na formulação das dietas de suínos. O nível de tecnologia adotado é geralmente alto, especialmente na indústria de nutrição. Entretanto, a tecnologia para formulação de dietas foi, e ainda é, muitas vezes baseada em informações oriundas de requerimentos nutricionais determinados principalmente nos Estados Unidos e Europa. É indiscutível que a adoção de tecnologias estrangeiras permitiu intensificar e tecnificar a suinocultura brasileira. Entretanto, o que vemos é que grande parte destas tecnologias necessita ser reavaliada e adaptada, uma vez que não atende de forma completa às condições brasileiras de produção de suínos. Neste sentido, poderemos esperar avanços na tecnologia de alimentos e nutrientes para a suinocultura brasileira, permitindo quebrar de vez nosso vínculo de dependência de tecnologia oriunda de fora do país. O intenso trabalho de melhoramento genético realizado nos suínos, com o objetivo de obter maior eficiência alimentar e carcaças com maior teor de carne magra, também tem levado a alterações significativas nos requerimentos nutricionais para estes animais. No entanto, quando associamos a genética e o ambiente com a nutrição, poucas empresas fornecem programas de nutrição atualizados para o desenvolvimento e maximização dos potenciais dos genótipos utilizados, sendo este um fator a ser mais bem elucidado e explorado. Penso que o entendimento destes fatores já é realidade na maioria das empresas de nutrição e imagino que isto tenderá a ser a direção, ou seja, conhecer Suínos & Cia

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Dr. Bruno Nunes, durante palestra

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Entrevista Destaque teorias e tecnologias são desenvolvidas, muitas das vezes alterando princípios básicos do conhecimento fisiológico e metabólico. De forma que ainda existe muito trabalho a ser feito, portanto, espaço no mercado para profissionais competentes nunca faltará.

Como deseja contribuir, por meio de seus conhecimentos, com a suinocultura brasileira? Por meio da aplicação dos conhecimentos gerados no desenvolvimento de pesquisas que sejam de grande valia para o aprimoramento da suinocultura brasileira, bem como auxiliar para o avanço do conhecimento científico de qualidade no país. Da esquerda para direita, Professora Rita Flávia M. de Oliveira, Professor Juarez Lopes Donzele, Dr. Jean Noblet, Dr. Bruno Silva, Professor M.T.L. Abreu e Dr. S.W. Kim a eficiência de utilização dos aminoácidos para maximizar o potencial nas fases de crescimento.

Para se obter melhores índices de crescimento e transformação de ração em carne, deve-se formular considerando a base genética das fêmeas reprodutoras ou dos machos terminadores? Definitivamente devemos formular considerando a base genética do macho terminador. Dentro do processo de seleção genética, ele contribui muito mais para vitalidade, produção de carne e eficiência alimentar do que a fêmea reprodutora. Esta informação é confirmada pelo fato de que dentro de linhas puras, a do macho normalmente tem uma deposição protéica, em média, 17% superior a da fêmea reprodutora, com uma eficiência superior (r.c.) em torno de 47%.

Quais os principais desafios da pesquisa brasileira quando comparada com a de outros países, que são nossos principais competidores na produção de carne suína? Sem dúvida, um dos grandes desafios para a suinocultura brasileira será o de aprender a produzir com máxima eficiência e sustentabilidade, respeitando as exigências dos consumidores, dos diferentes mercados, normas internacionais de bem-estar animal e o ecossistema. Penso que a curto prazo, se queremos ter maior participação nas exporAno VII - nº 38/2011

tações de carne suína para os mercados internacionais, precisaremos aprender a trabalhar sem o uso de promotores de crescimento e ɞ-adrenérgicos.

Sua tese de doutorado foi premiada pela Capes. Como se sente por ter recebido este reconhecimento? Este prêmio é concedido às melhores teses de doutorado defendidas no Brasil. Por isso, o fato de estar entre os premiados representa uma grande honra e oportunidade para ser reconhecido no âmbito nacional da pesquisa. O que, com certeza, abriu e continuará abrindo novas oportunidades na minha careira profissional.

Como você vê a importância deste prêmio para os pesquisadores brasileiros que atuam na mesma área? Estes prêmios estimulam os pesquisadores a produzir cada vez mais trabalhos de excelente padrão, o que por sua vez ajuda no crescimento da ciência e da tecnologia na área de suinocultura no Brasil.

Você gostaria de deixar alguma mensagem ou pensamento para os profissionais que desejam entrar nessa área? A mensagem que deixo é que a fisiologia e o metabolismo animal são muito dinâmicos, de forma que todos os dias novas

Seus trabalhos apresentam conceitos diferentes dos que tínhamos até hoje. Qual paradigma você terá de quebrar e de que maneira pretende faze isso para implantar esses conceitos? Acho que o principal deles é mostrar de forma definitiva que o clima tropical é o principal fator determinante na produção de suínos nos trópicos e que, portanto, necessitamos entender cada vez mais a interação entre fisiologia, metabolismo e homeotermia. Necessitamos criar nossas próprias teorias e quebrar o vínculo com os sistemas de produção da Europa e dos Estados Unidos, uma vez que estes nunca refletiram nossa realidade.

Sucesso combina com persistência, paciência, gratidão e respeito. Na sua trajetória certamente houve pessoas e fatos que contribuíram para seu sucesso. Gostaria de citar algum agradecimento? Tenho que agradecer a muita gente, afinal nunca trabalhei sozinho. Mas entre as principais pessoas responsáveis pelo meu crescimento pessoal e profissional, cito minha família e minha esposa em primeiro lugar, e em segundo, meus orientadores de tese no Brasil, Profs. Rita Flávia M. de Oliveira e Juarez Lopes Donzele, da Universidade Federal de Viçosa, e meus orientadores estrangeiros no INRA – França, Drs. Jean Noblet e David Renaudeau. Se não fossem pelos ensinamentos, apoio e voto de confiança, com certeza não teria conseguido alcançar as conquistas que obtive na minha carreira profissional até este momento. Suínos & Cia

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Sanidade Toxina RTX: fatores de virulência específicos do hospedeiro do Actinobacillus pleuropneumoniae

Joachim Frey Instituto de Bacteriologia Veterinária Universidade de Bern Joachim.Frey@vetsuisse.unibe.ch

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ctinobacillus pleuropneumoniae é o agente etiológico da pleuropneumonia, uma doença pulmonar grave e contagiosa que acomete os suínos, causando perdas econômicas significativas na produção industrial destes animais, em nível global. A tipificação sorológica identifica 15 sorotipos importantes, que apresentam diferenças significativas em termos de virulência. Particularmente, os sorotipos 1 e 5 e – em menor extensão – o 9 e o 11 estão envolvidos nos surtos graves da doença, causando alta mortalidade e as principais lesões pulmonares. Sorotipos 2, 4, 6 e 8 também causam perdas econômicas importantes na produção de suínos, embora sejam sorotipos relativamente menos patogênicos que os mencionados anteriormente, causando menor mortalidade, mas graves lesões pulmonares. Sorotipos 3, 7 e 12 são significativamente menos virulentos. O sorotipo 3 parece ter virulência muito baixa e, praticamente, nenhuma importância epidemiológica em muitos países. Entretanto, alguns surtos devidos ao sorotipo 3 têm sido relatados. A sorotipagem foi uma das mais importantes ferramentas epidemiológicas para monitorar e controlar a pleuropneumonia suína, a despeito da dificuldade de diferenciação entre certos sorotipos, como o 3 e o 8, os quais dividem seus principais antígenos de superfície. A tipificação genética do A. pleuropneumoniae por meio da prova do PCR, baseada nas principais toxinas RTX – os genes da toxina apx –, fornece um poderoso método para a con-

Figura 2. A organização e a estrutura genética das toxinas RTX são mostradas no topo da figura. Os quatro genes do operon são representados por caixas abertas com o ativador dos genes C, que codifica a estrutura da toxina, A e a secreção do Tipo I envolvendo a sequência de genes independentes B e D. A linha tracejada abaixo do mapa genético mostra a direção da transcrição. O sinal de término da transcrição rho independente, entre os genes A e B, é indicado pelo formato de um grampo de cabelo. Os produtos correspondentes a cada um dos genes estão representados abaixo deles. O cassete de ligação ATP da secreção da proteína B está abreviado como ABC. firmação de ambos: o grupo de sorotipos baseado em sua virulência potencial e a espécie Actinobacillus pleuropneumoniae.

Toxinas RTX do A. pleuropneumoniae As três exotoxinas: a fortemente hemolítica ApxI, a fracamente hemolítica

As toxinas RTX representam uma grande família de toxinas bacterianas de origem proteica e proteínas efetoras e estruturais. RTX: Repete na Toxina estrutural toxinas proteicas contendo entre 4 e 50 nonapeptídeos repetidos Leu-X-Gly-Gly-X-Gly-(Asn-Asp)-Asp-X L-X-G-G-X-G-(N/D)-D-X Figura 1. Particularidades bioquímicas das toxinas RTX.

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ApxII e a não-hemolítica ApxIII, pertencentes à família das toxinas RTX, são os principais fatores de virulência do patógeno suíno A. pleuropneumoniae. ApxI, ApxII e ApxIII são proteínas formadoras de poros, secretadas pelo App - (Actinobacillus pleuropneumoniae) e que promovem efeitos citotóxicos em linfócitos e macrófagos. Geralmente, as toxinas RTX são encontradas em muitas bactérias patogênicas Gram-negativas, em particular no gênero Pasteurellaceae. Elas compartilham propriedades funcionais e estruturais, incluindo a presença comum de arranjos em sequência de repetição nonapeptídeo rica em glicina (L/I/F-X-G-G-X-G-N/DD-X), na toxina proteica estrutural (Figura 1). A particularidade dessas toxinas é o fato de serem produzidas como percussores inativos, os quais são ativados por um processo de acilação. Posteriormente, são Ano VII - nº 38/2011


Sanidade O determinante genético para a ApxI nos sorotipos 1, 5a, 5b, 9, 10, 11 e 14 consiste dos genes contíguos apxICABD, como é característico para a maioria dos operons RTX, enquanto o operon truncado, consistido apenas dos genes secretores apxIBD, é encontrado nos sorotipos 2, 4, 6, 7, 8 e 12, os quais não produzem ApxI (Tabela 1, Figura 4). O sorotipo 3 não contém todos os genes do operon apxI.

Figura 3: Ativação da pré-toxina ApxI do Actinobacillus pleuropneumoniae pelo ativador ApxC, uma acilase e a subsequente secreção concomitante por meio do canal de secreção específico do Tipo I, composto dos produtos dos genes RTX, ApxIB e ApxID e da proteína da membrana bacteriana TolC. secretadas por um determinado sistema de secreção do Tipo I, por meio de uma sequência de sinais no C-terminal da toxina. Toxinas RTX requerem uma organização genética particular envolvendo o gene A, que codifica a proteína estrutural; o gene C, que codifica o ativador; e dois genes adicionais, B e D, que codificam as proteínas necessárias para as funções secretoras (Figuras 1 e 2). As toxinas RTX parecem requerer o Ca2+ para a sua atividade citotóxica. O sítio de ligação Ca2+ é criado pelo domínio do nonapeptídeo rico em glicina, o qual, juntamente com o Ca2+ ligado, está envolvido no reconhecimento da célula-alvo do hospedeiro. A hélice amphiphatic do N-terminal da proteína RTX e o domínio hidrofóbico são tidos como envolvidos na formação do poro, causando a atividade citolítica. O sinal de secreção das toxinas RTX está localizado na extremidade do C-terminal, em contraste com a maioria das outras proteínas bacterianas secretadas (Figura 2). As toxinas RTX são, no geral, biossintetizadas como precursores inativos, os quais são, então, ativados por acilação, com a ajuda do cofator proteico de acilação C. Sendo as toxinas RTX, uma vez ativadas, altamente membrana-ativas, são secretadas pela bactéria concomitantemente ou imediatamente após o processo de ativação, por meio de um canal adequado de secreção do Tipo I, construído pelas proteínas B e D (no caso do A. pleuropneumoniae, ApxIB e ApxID) mais a membrana proteica comum da Suínos & Cia

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bactéria, a proteína TolC (Figura 3). As três toxinas RTX do A. pleuropneumoniae comportam-se, geralmente, de modo similar, mas mostram características bioquímicas e citotóxicas diferentes. A toxina ApxI é uma proteína com massa molecular aparente de 105 kDa e que mostra aspectos típicos das toxinas RTX, incluindo três domínios fortemente hidrofóbicos e 13 repetições nonapetídeo ricas em glicina. A ApxI é fortemente hemolítica e citotóxica, demonstrando alta similaridade de aminoácidos com a hemolisina HlyA da Escherichia coli (60% de identidade) e, em menor extensão, com a leucotoxina LktA da Manheimia (Pasteurella) haemolytica (44% de identidade).

A toxina ApxII é uma toxina RTX com massa molecular aparente de 105 kDa, com domínios RTX típicos, mas com apenas oito repetições nonapetídeo ricas em glicina (Tabela 1). Ela é fracamente hemolítica e citotóxica, imunologicamente distinguível da ApxI e mostra alta similaridade com a leucotoxina Lkt da M. haemolytica (67% de identidade em termos de aminoácidos), sendo muito menos similar à ApxI (46% de identidade) e à HlyA da E. coli (47% de identidade). O operon apxII contém apenas o gene ativador apxIC e o gene estrutural apxIA (Fig. 4), os quais estão presentes em todas as cepas de referência, exceto nos sorotipos 10 e 14. A ApxII parece ser secretada por meio do canal de secreção do Tipo I, baseado nas proteínas codificadas pelos genes apxIBD, presentes em todos os sorotipos, exceto no 3, o qual não secreta ativamente a ApxII. A toxina ApxIII tem massa molecular aparente de 120 kDa e estrutura RTX com 13 repetições nonapetídeo ricas em glicina e mostra similaridade significativa em termos de aminoácidos com ApxI (54% de identidade) e HlyA (54% de identidade) (Tabela 1, Figura 4). É, no entanto, não hemolítica, mas fortemente

Tabela 1. Toxinas Apx características do A. pleuropneumoniae

Nome

Genes

Massa molecular

Repetições de glicina

Atividade

ApxI

apxIC, apxIA, apxIB, apxID

105 kDa

13

Fortemente hemolítica e citotóxica

ApxII

apxIIC, apxIIA

105 kDa

8

Fracamente hemolítica e citotóxica

ApxIII

apxIIIC, apxIIIA, apxIIIB, apxIIID

120 kDa

13

Não hemolítica e fortemente citotóxica

ApxIV

apxIVA, ORF1

170 a 202 kDa

14 a 24

Não é expressa em culturas de Actinobacillus pleuropneumoniae Atividade co-hemolítica

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Sanidade

Figura 4. Genes dos três operons apx diferentes e toxinas Apx secretadas nos diferentes sorotipos e biovares de A. pleuropneumoniae. C e A indicam o gene ativador e o gene estrutural de codificação da toxina, respectivamente, enquanto os genes de codificação do dispositivo de secreção são representados por B e D. As caixas quebradas representam os fragmentos dos genes do terminal prime final 3 truncado apxIA ou do terminal prime final 5 apxIIB. citotóxica. Os genes estão dispostos em ordem típica apxIII CABD e presentes nos sorotipos 2, 3, 4, 6, 8 e 15 (Tabela 1, Figura 4). Um quarto determinante RTX, apxIV A, foi detectado em todos os sorotipos de A. pleuropneumoniae. Esse determinante genético codifica uma proteína de massa molecular que varia entre 170 e 202 kDa, dependendo do sorotipo. A proteína ApxIV contém um número variável de repetições nonapetídeo ricas em glicina, entre 14 e 24, de acordo com o sorotipo. O ApxIV A não é produzido quando a cepa de A. pleuropneumoniae cresce abaixo das condições da cultura. Entretanto, ficou evidente, várias vezes, que o A. pleuropneumoniae expressa o ApxIV A durante a infecção dos suínos. Os animais infectados com qualquer dos sorotipos de App (Actinobacillus pleuropneumoniae) mostram anticorpos direcionados contra o ApxIV A. A análise genética confirmou que o gene apxIV A mostra variações na porção que codifica as repetições ricas em glicina, dependendo do sorotipo, o que resulta em massa molecular variável nas proteínas codificadas pelo ApxIV A. O “3’end” (“prime final três”, termo de direcionalidade relativo à biologia molecular) do gene apxIV A, ao contrário, parece ser altamente conservado, servindo como um marcador genético para a espécie A. pleuropneumoniae. O gene apxIV A é precedido por um quadro de leitura aberto, ORF1, que parece estar envolvido na ativação do ApxIV A. Suínos & Cia

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Papel das toxinas Apx na patogenia A presença de determinadas toxinas Apx é inerente a certos sorotipos de A. pleuropneumoniae, sendo uma indicação do grau de virulência de determinada cepa. Os sorotipos 1, 5, 9 e 11 são particularmente virulentos. As cepas patogênicas de A. pleuropneumoniae produzem e secretam pelo menos uma das três toxinas Apx – ApxI, ApxII e ApxIII – ou uma combinação de duas entre as três (Figura 4). Sorotipos que produzem duas toxinas Apx diferentes são, geralmente, mais virulentos que aqueles que produzem apenas uma, e os sorotipos que produzem ApxI

são os mais virulentos. Existem muitas evidências experimentais que reforçam a importância das exotoxinas em termos de virulência. Evidência direta do papel de ApxI e ApxII na virulência e patogenia do A. pleuropneumoniae em suínos foi obtida por experimentos complementares com um mutante deficiente em hemolisina do sorotipo 5. Um App mutante, incapaz de exportar ApxI e ApxII após a perda de todo o operon apxI por mutagênese química, foi demonstrado como sendo nãovirulento (Figura 5). Complementação com genes apxI BD permite a exportação do ApxII e restaura a virulência em suínos, até certo ponto. A complementação com o operon apxI total clonado resultou na expressão de ambos, ApxI e ApxII, restaurando totalmente a virulência, devido a uma cepa que levava a altos índices de mortalidade em suínos infectados. ApxI, ApxII e ApxIII estão todas diretamente envolvidas na patogenia das infecções devidas ao App em suínos, além de representarem um papel primordial na proteção imunitária dos suínos vacinados contra a pleuropneumonia. Por outro lado, o papel do ApxIV A na virulência do App ainda não está claro. Entretanto, o ApxIV tem sido considerado um marcador genético e sorológico útil, comum em todos os sorotipos do Actinobacillus pleuropneumoniae. Consequentemente, tem sido usado extensivamente para diagnóstico, por meio de kits de detecção PCR e ELISA específicos para o A. pleuropneumoniae.

Figura 5: Representação genética da deleção Apx da cepa parental J45, do sorotipo 5 do A. pleuropneumoniae, resultando na cepa mutante J45mIT4-H, não secretora da toxina Apx e avirulenta, mais a complementação do mutante pelos genes apxIBD ou apxICABD, clonados no plasmídeo de ampla gama de hospedeiros e cujo processo habilita o mutante J45 a secretar ApxII gradualmente ou a produzir e secretar ApxI e ApxII e, consequentemente, retomar a virulência.

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Sanidade Tabela 2: Toxinas RTX de várias espécies de Pasteurellaceae Espécies

Toxina RTX

kDa

Especificidade

Hemólise*

M. haemolytica

Lkt

102

Leucócitos bovinos

Médio

P. aerogenes

Pax

107,5

Desconhecida

-*

A. pleuropneumoniae A. suis

ApxI

110

Linfócitos suínos

Forte

A. pleuropneumoniae A. suis

ApxII

102,5

Linfócitos suínos

Fraco

A. pleuropneumoniae

ApxIII

120

Macrófagos suínos

-*

A. equuli

Aqx

110

Linfócitos equinos

Forte

A. actinomycetemcomitans

Ltx

114

Linfócitos humanos

-

* em placas de Agar sangue contendo 5% de eritrócitos de carneiro ** atividade co-hemolítica (CAMP)

Genes da toxina RTX em outras espécies do gênero Pasteurellaceae e sua especificidade ao hospedeiro Há muitas linhas de evidência demonstrando que outras bactérias, além do A. pleuropneumoniae, também carregam toxinas RTX muito similares às toxinas Apx (Tabela 2). Para muitas dessas toxinas tem sido demonstrada uma característica que diz respeito à maior extensão da virulência do patógeno, além de sua especificidade ou predileção pelo hospedeiro. Isso é muito bem ilustrado pelas duas espécies do gênero Pasteurellaceae taxonomicamente quase idênticas, o Actinobacillus suis, um patógeno para

os suínos, e o Actinobacillus equuli, igualmente para os equinos. Tem sido demonstrado que o A. suis produz duas toxinas RTX, as quais são virtualmente iguais à ApxI e à ApxII. A bactéria Gramnegativa A. suis causa uma septicemia aguda e rapidamente fatal, particularmente em suínos jovens desmamados precocemente. Em contraste, a taxonomicamente quase idêntica espécie A. equuli causa a “doença do potro sonolento”, uma septicemia dos potros neonatos. A.  equuli secreta uma toxina RTX específica, a Aqx, que é diferente das duas toxinas específicas dos suínos, ApxI e ApxII. Assim, ambas as espécies – A. suis e A.  equuli – contêm toxinas de origem proteica específicas, da família das toxinas

RTX formadoras de poros; entretanto, as duas espécies diferem em seu perfil de toxina RTX. O A. equuli hemolítico contém o operon para a toxina Aqx, ao passo que o A. suis abriga genes para ApxI e ApxII. Com relação a isso, notou-se que, antes da diferenciação entre a toxinas Aqx, ApxI e ApxII, havia considerável confusão na taxonomia do A. suis e do A. equuli. Com o objetivo de mostrar a especificidade das toxinas ao hospedeiro, Aqx, ApxI e ApxII foram expressas e secretadas como toxinas recombinantes em Escherichia coli para excluir qualquer outros fatores que pudessem interferir com a toxicidade. A atividade tóxica da proteína correspondente revela características particulares em eritrócitos e em linfócitos isolados do sangue de suínos e equinos. O poder da atividade hemolítica de cada uma das toxinas foi independente da origem dos eritrócitos. Entretanto, quando se testou atividade citotóxica, a proteína Aqx mostrou um efeito tóxico muito maior em linfócitos equinos do que em linfócitos suínos. Por outro lado, ApxI e ApxII mostraram um forte efeito citotóxico em linfócitos suínos e apenas uma toxicidade de segundo plano em linfócitos equinos (Figura 6). Notar que a toxicidade da ApxII foi geralmente mais baixa que a da ApxI, o que também reflete na virulência mais baixa do A.  pleuropneumoniae, que somente secreta ApxII. Os resultados in vitro indicam claramente uma especificidade à espécie do hospedeiro da atividade tóxica da toxina RTX Aqx do A. equuli aos equinos e da ApxI e ApxII do A. suis aos suínos.

Notas de conclusão

Figura 6: Especificidade do hospedeiro para Aqx em linfócitos de equinos e para ApxI e ApxII em suínos. Todas as três toxinas foram expressas e secretadas como proteínas recombinantes em uma cepa especial de Escherichia coli.

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Toxinas RTX, como ApxI, ApxII, ApxIII e Aqx, são os principais atributos de virulência de suas bactérias patogênicas correspondentes, App, Actinobacillus suis e Actinobacillus equuli. Além disso, elas exercem controle na especificidade do hospedeiro desses patógenos. Assim, essas toxinas e seus respectivos genes são usados com sucesso para identificar as espécies e como diagnóstico etiológico e sorológico das doenças correspondentes. Além do mais, tem-se demonstrado extensivamente que suínos vacinados com ApxI, ApxII e ApxIII detoxificadas recebem proteção contra a pleuropneumonia causada por qualquer um dos 15 sorotipos diferentes. Ano VII - nº 38/2011


Sanidade Referências Bibliográficas Pesquisadas 01. Beck, M., Vandenbosch, J .F., Jongenelen, I.M.C.A., Loeffen, P.L.W., Nielsen, R., Nicolet, J., and Frey, J. (1994). RTX toxin genotypes and phenotypes in Actinobacillus pleuropneumoniae field strains. J. Clin. Microbiol. 32, 2749–2754. 02. Berthoud, H., Frey, J., and Kuhnert, P. (2002). Characterization of Aqx and its operon: the hemolytic RTX determinant of Actinobacillus equuli. Vet. Microbiol. 87, 159–174. 03. Jeyaseelan,S., Hsuan,S.L., Kannan,M.S., Walcheck,B., Wang,J.F., Kehrli,M.E., Lally,E.T., Sieck,G.C., Maheswaran,S.K.: (2000) Lymphocyte functionassociated antigen 1 is a receptor for Pasteurella haemolytica leukotoxin in bovine leukocytes. Infect. Immun. 68, 72-79.

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04. Segers,R.P.A.M., Smits,M.A., Stenbaek,E., Struck,D.K., Vandenbosch,J.F., Willson,P.J., Young,R.: (1993) Actinobacillus pleuropneumoniae RTX-toxins Uniform designation of haemolysins, cytolysins, pleurotoxin and their genes. J. Gen. Microbiol. 139, 17231728. 05. Van den Bosch,J.F., Pennings,A.M.M.A., Cuiijpers,M.E.C.M., Pubben,A.N.B., van Vugt,F.G.A., van der Linden,M.F.I.: (1990) Heterologous protection induced by an A. pleuropneumoniae subunit vaccine. Proceedings of the International Pig Veterinary Society Congress 11, 11.. 06. VanOstaaijen, J., Frey, J., Rosendal, S., and MacInnes, J.I. (1997).

Actinobacillus suis strains isolated from healthy and diseased swine are clonal and carry apxICABD(var. suis) and apxIICA(var. suis) toxin genes. J. Clin. Microbiol. 35, 1131– 1137. 07. Welch,R.A., (2001) RTX toxin structure and function: a story of numerous anomalies and few analogies in toxin biology. Curr. Top. Microbiol. Immunol. 257 , 85-111. 08. Frey, J. and Kuhnert, P. (2002). RTX toxins in Pasteurellaceae. Int. J. Med. Microbiol. 292, 149–158. 09. Vanden-Bergh, P.,Zecchinon, L.M., Fett, T. Desmecht, D. (2009) Porcine CD18 mediates Actinobacills pleuropneumoniae ApxII speciesspecific toxicity. Vet. Res. 40: 33-43.

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Sanidade Aplicações a campo do NNT (Número Necessário de Tratamentos)

C

ada resultado de pesquisa de alta qualidade requer o relato de cálculos estatísticos. O dicionário Merriam-Webster define estatística como “uma área da matemática que lida com a compilação, análise, interpretação e apresentação de uma massa de dados numéricos” [1]. Um dos termos estatísticos no qual focalizamos muita atenção é o valor do P, uma estatística que nos proporciona a medida da probabilidade de um determinado resultado ter ocorrido ao acaso. Em outras palavras, ele é usado para nos informar se um resultado é estatisticamente significativo ou não. Trata-se de um cálculo de valor, mas que não diz nada a respeito da importância clínica do evento.

Desde 1988, a área de medicina humana vem implementando o conceito de número necessário para tratar (NNT) [2]. O conceito é simples: quantos indivíduos são necessários tratar para se obter um resultado mais favorável? É uma forma de se

Alejandro Ramirez M. Veterinário, MS em Saúde Pública Iowa State University ramireza@iastate.edu

medir a extensão do efeito para auxiliar melhor os médicos e os pacientes a interpretarem os resultados de ensaios clínicos aleatórios [3]. Um NNT = 1 significa 100% de efeito. Cada indivíduo tratado teve um bom resultado, enquanto cada indivíduo não tratado teve um resultado ruim. Assim, quanto menor o número (ou seja, quanto mais próximo de 1), melhor. O pior resultado é o NNT = -1. A fórmula seguinte é usada no cálculo do NNT:

NNT = 1 / ARR = 1 / (EER - CER) ARR = Risco Absoluto de Redução EER = Índice de Eventos Experimentais CER = Controle de Taxa de Eventos Para melhor entender este conceito, vejamos um exemplo: de acordo com o Food and Drug Administration (FDA, órgão norte-americano que normatiza o uso de drogas e alimentos), o sumário do Freedom of Information (FOI, informações que ficam à disposição do Ministério Público) do produto Draxxin® solução injetável, em um teste a campo envolvendo 533 suínos, durante um grave surto de doença respiratória aguda, mostrou que o percentual de animais curados foi estatisticamente significativo (P = 0,0214), em maior grau, no grupo tratado com a tulatromicina (189/266, ou 71.05%), em comparação ao grupo controle que recebeu solução salina (124/267, ou 46.44%) [4]. Neste caso, o ARR = 0,7105 – 0,4644 = 0,2461. Em outras palavras, há uma diferença de 24,61% no índice de cura entre os suínos tratados com a tulatromicina e a solução salina, neste ensaio. Neste caso, o NNT = 4 (1 / 0,2461). Isso seria interpretado como se fosse necessário tratar quatro suínos com tulatromocina para obter um tratamento mais eficaz em termos de cura. Neste caso em particular, a “cura” foi definida no 7º dia póstratamento, em um suíno estando vivo e com a temperatura retal <104o F (39º C), apresentando um número normal de movimentos respiratórios, além de não estar em má condição corporal. Estes resultados podem causar um choque inicial pelo fato de alguns suínos realmente se recuperarem da doença, não obstante serem tratados, e o tratamento não conseguir curar a todos eles. Como se sabe, doenças respiratórias a campo não são causadas somente por um único agente infeccioso, ocorrendo, na maioria das vezes, a inclusão de outros patógenos, especialmente de origem viral, e o sistema imunológico dos suínos também tenta se defender da doença. Neste estudo

NNT auxilia o número necessário de indivíduos a serem tratados para se obter um resultado mais favorável

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Observação: ® marca registrada do Laboratório Pfizer, Inc. para a tulatromicina.

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Sanidade em particular, Actinobacillus pleuropneumoniae, Pasteurella multocida, Bordetella bronchiseptica e Haemophilus parasuis foram isolados de diferentes suínos pesquisados [4]. É preciso também lembrar que mesmo sendo 100% efetivos, os antibióticos requerem identificação e tratamento precoces para que o seu uso seja bem-sucedido. É importante enfatizar que, num só estudo, vários NNT diferentes podem ser calculados; cada um para cada efeito avaliado. Assim, para o mesmo estudo sobre a tulatromicina acima mencionado, a mortalidade também foi avaliada. O grupo tratado com a tulatromicina teve uma mortalidade de 2,6% (7/226), mais baixa que os 9,% (24/227) encontrados no grupo controle que recebeu a solução salina [4]. Neste caso, o NNT = 1 / (0,026 – 0,090) = -15,6 ou -16. O sinal negativo indica que o grupo tratado teve um índice mais baixo nesse efeito, o que, neste caso, é o resultado desejado, uma vez que queremos menos óbitos. Assim, 16 suínos precisaram ser tratados com a tulatromicina para prevenir um óbito, comparativamente ao grupo controle. Lembrar que no caso deste estudo, a mortalidade foi avaliada apenas no 7º dia pós-tratamento. Não há ajustes para mortalidades tardias ou mesmo para possíveis futuros desempenhos ruins de suínos, nos quais o problema torne-se crônico. O NNT pode ser facilmente calculado por meio de diferentes ramos do conhecimento, uma vez fornecida a contagem bruta ou a taxa dos dados. Se os resultados forem dicotômicos (o que significa que eles podem ser divididos em duas categorias, tipo sim ou não), então o NNT pode ser regularmente calculado. Podem ser usadas até fórmulas ou tabelas especiais para conversão de taxas de probabilidade (OR) em NNT [5]. Um ponto-chave a considerar é que o NNT não pode ser calculado a partir de controles de estudos de caso porque não há incidência/prevalência estatística disponível. Outro exemplo de como usar o NNT pode ser visto pelo resumo dos dados de um estudo de Allan e Bilkei, realizado em 2005 e relativo às melhorias decorrentes do uso do orégano em uma granja de 2.100 fêmeas, na Hungria.[6]. Em seus resultados, eles afirmam que “o tratamento com o orégano reduziu a taxa de mortalidade anual das fêmeas (4,02 ± 0,4% versus 6,92 ± 1,11%, P = 0,003) e diminuiu a refugagem de porcas durante a lactação (8,01 ± 1,11% versus 14,02 ± 1,33%, P = 0,02). Além disso, o tratamento com orégano aumentou a taxa de parição (77,02 ± 2,31% versus 69,91 ± 2,32%, P = 0,01), aumentando o número de leitões nascidos vivos por leitegada (10,49 ± 1,5 versus 9,95 ± 1,22, P < 0,05)” [6]. Todos estes dados podem ser compilados e resumidos na Tabela 1 seguinte. 1- Nascidos vivos/leitegada já é um número de resultado real e não pode ser convertido em índice; daí o NNT não poder ser calculado.

O NNT também mede a extensão do efeito a ser aplicado para auxiliar os médicos-veterinários a interpretar os resultados clínicos e laboratoriais 2- Taxa de natimortos: nesse caso, é considerado um índice; as unidades não são informadas, mas o nome da variável sugere uma taxa. Há também contradição nos dados relatados no estudo, uma vez que a taxa de natimortos deveria ser menor para o grupo tratado com o orégano, embora não seja isso o relatado. Os NNT negativos que aparecem na Tabela 1 correspondem a variáveis nas quais se esperaria que o efeito fosse menor no grupo tratado. Assim, nesse caso, seria necessário fornecer orégano para 35 porcas para prevenir a mortalidade de uma delas. Para cada 17 porcas alimentadas com orégano ocorrerá o decréscimo de uma porca refugada. Suplementando 14 porcas com orégano ocorrerá o aumento de uma porca na taxa de parição. Finalmente, pode-se concluir que será preciso fornecer orégano para 980 porcas para se obter mais um natimorto (ver a observação nº 2, da Tabela 1).

Tabela 1: Resumo dos resultados e dos valores de NNT calculados em um ensaio relativo ao fornecimento de orégano por meio da ração para 2.100 porcas, com o objetivo de melhorar o seu desempenho reprodutivo. Orégano

Controle

ARR

NNT

Taxa de mortalidade

4,02

6,92

-2,9

-35

Taxa de refugagem

8,01

14,02

-6,01

-17

Taxa de parição

77,02

69,91

7,11

14

Nascidos vivos / leitegada1

10,49

9,95

Taxa de natimortos2

0,909

0,807

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Não Não disponível disponível 0,102

980

Este artigo não tem o objetivo de avaliar os pontos fortes ou fracos de nenhuma das publicações aqui ilustradas. Elas foram usadas apenas para demonstrar como o NNT pode ser calculado a partir de dados já prontos e disponíveis. Todos os estudos precisam ser avaliados de modo crítico, antes que as recomendações geradas pelos mesmos sejam implementadas em qualquer granja. Outro termo similar ao NNT é o NNH, ou número necessário para causar danos. Neste caso, utilizando a mesma

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Sanidade fórmula exata do NNT pode-se calcular o número de indivíduos necessários a serem tratados, antes da ocorrência de um evento prejudicial. Se os dados sobre natimortos descritos na Tabela 1 estiverem corretos (nível mais alto de natimortos no grupo tratado com orégano), então o NNT poderia ser considerado um NNH. Como em todo valor estatístico, é importante haver um intervalo de confiança (CI) para o NNT. A fórmula para o cálculo de um CI de 95% pode ser complexa, dependendo do tipo de dado disponível. Por esta razão, não discutiremos isso neste artigo. Existem programas que calcularão esse valor, disponíveis na web (ex.: http://www.graphpad.com/quickcalcs/nnt1.cfm). É importante lembrar que, uma vez determinado, o CI ajudará a colocar melhor em perspectiva a faixa de variação necessária para um resultado mais favorável. Um dos problemas diz respeito ao ARR não ser estatisticamente significativo, o que fará o intervalo de confiança para o NNT parecer bastante incomum. Por exemplo, digamos que em um estudo qualquer se calcula o ARR = 10% (CI de 95%, -5% a 25%); então o NNT = 10 (CI de 95%, -20 a 4). O NNT, matematicamente, não pode assumir um valor entre -1 e 1; então, por conseguinte, esse CI não usual sugere que o NNT abrange o ∞ (infinito), indicando não ser estatisticamente significativo. Neste caso, o alcance real do NNT vai de 4 até o ∞ e do -∞ até -20 [7]. A publicação Bandolier, da Universidade de Oxford, relativa à Medicina Baseada em Evidência, sugere que o NNT para tratamentos muito eficazes varie, usualmente, entre 2 e 4, considerando que medidas úteis de profilaxia podem ter um grande NNT [7]. Medidas preventivas envolvem, usualmente, situações em que poucos pacientes podem se tornar contaminados, em grandes populações. Um exemplo desta situação é o uso da aspirina, que tem um NNT = 40 na prevenção de uma morte a mais na 5ª semana após o infarto do miocárdio, ainda assim considerado um tratamento benéfico [8]. Lembrar que o NNT baseia-se em resultados específicos, com prazos específicos associados aos mesmos. Isso significa que devemos ser muito cuidadosos ao comparar tratamentos cruzando estudos distintos, a não ser que estejamos comparando estudos realizados em igualdade de condições [8]. Suínos & Cia

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Outra vantagem do NNT é que ele nos permite calcular o impacto econômico de uma intervenção. Conhecendo-se a diferença de preços entre duas intervenções distintas, além de seus ARR, é possível calcular o valor necessário a ser gasto para salvar um ou mais suínos. Exemplo: Produto A custa US$ 2,50 por suíno Produto B custa US$ 1,00 por suíno ARR = 17% a favor do Produto A NNT = 6 Isso significaria ser necessário tratar seis animais com o produto A para salvar um suíno a mais, comparado com o produto B. O custo seria de US$ 9,00 a mais para tratar seis suínos com o produto A, comparado ao produto B [6 * (US$ 2,50 – US$ 1,00)], mas o resultado seria um suíno vivo a mais. Estes cálculos indicam um gasto de, pelo menos, US$ 1,00 em cada suíno (tratamento base). Resumindo, o NNT é uma ferramenta simples, que pode ser usada diariamente na lida com os suínos. Trata-se de uma maneira fácil de explicar a estatística, além da significância clínica de novas intervenções. Ele pode também simplificar o cálculo do custo-benefício de diferentes intervenções aos nossos clientes.

Pontos-chave relativos ao NNT - Ele é, usualmente, arredondado para um número inteiro; - Matematicamente, seu valor não pode variar entre -1 e 1; - Quando ARR = 0, então NNT = ∞, indicando ausência de efeito; - Um NNT diferente pode ser calculado para cada efeito, dentro de um único estudo; - Números mais baixos são desejáveis como opções de tratamento; - Números mais elevados são aceitáveis para medidas preventivas; - NNT deve ser relatado sempre especificando o resultado, bem como o seu período de tempo específico; - Comparar o NNT entre dois estudos diferentes somente quando houver certeza de estar comparando estudos em igualdade de condições (mesmos resultados no mesmo período); - Cuidado para não interpretar o valor do NNT como sendo mais alto [9].

Referências 01. Merriam-Webster Online Dictionary. Disponível em http:// www.merriam-webster.com/ dictionary/statistics. Último acesso: 09/16/2010. 02. Laupacis, A.; Sackett, D.L.; Roberts, R.S. An assessment of clinically useful measures of the consequences of treatment. N Engl J Med. 318:1728-33. 1988. 03. Attia, J.; Page, J.; Heller, R.F.; Dobson, A.J. Impact numbers in health policy decisions. J Epidemiol Community Health. 56:600-605. 2002. 04. Freedom of information summary for NADA 141-244. Food and Drug Administration. May 24, 2005. Disponível em: http:// www.fda.gov/downloads/ AnimalVeterinary/Products/ Approved AnimalDrugProducts/ FOIADrugSummaries/ ucm118061.pdf. Último acesso: 09/17/2010. 05. Calculating and using NNT. Bandolier Extra. February, 2003. Disponível em: http://www. medicine.ox.ac.uk/bandolier/ Extraforbando/NNTextra.pdf. Último acesso: 09/17/2010. 06. Allan, P.; Bilkei, G. Oregano improves reproductive performance of sows. Therio. 63:716-721. 2005. 07. Alman, D.G. Confidence intervals for the number needed to treat. BMJ. 317:1309-1312. 1998. 08. Moore, A. What is an NNT? Bandolier What is…? series. April 2009. Disponível em: http://www. medicine.ox.ac.uk/bandolier/ painres/download/whatis/NNT. pdf. Último acesso: 09/17/2010. 09. Stang, A.; Poole, C.; Bender, R. Common problems related to the use of number needed to treat. J of Clin Epidemiol. 63:820-825. 2010. Ano VII - nº 38/2011


Revisão Técnica ALLEN D´LEMAN SWINE CONFERENCE St. Paul – Minnesota, EUA 18 a 22 de Setembro de 2010 Introdução

P

rofessor Antonio Palomo mais uma vez colabora com os leitores da Suínos&Cia. De uma forma direta e prática, demonstra as principais conclusões da Conferência sobre Suinocultura organizada pelo departamento de formação continuada da Universidade de Minnesota, em homenagem ao médicoveterinário Allen D. Leman. Em sua 37ª edição, contou com a participação de 900 veterinários especialistas em suínos, de 20 países, teve sete

GERAL FOLEY, J.  Estamos na “Era da Revolução Verde“. A agricultura intervém na emissão de gases do efeito estufa, daí a estimativa prioritária de um conhecimento preciso do problema e da pesquisa de soluções agronômicas. Necessitamos de soluções e não de retórica, assim como de incentivos econômicos a nossos produtores. www.environment.umn.edu ASLAM, F.  O mercado das proteínas de origem animal, do ponto de vista da Wall Street – em nível mundial e centralizada em um cenário global –, determina como tendências recentes os seguintes pontos:  Volatilidade dos mercados;  Dificuldades para predizer o mercado da carne suína;  Oscilações dos preços das matériasprimas;  Preferência dos investidores pela obtenção de benefícios;  Expansão das empresas brasileiras do setor. Suínos & Cia

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começando cada referência pelo nome do primeiro autor de cada um dos trabalhos.

seminários prévios – durante o final de semana –, quatro conferências magistrais, cinco intervenções pontuais e 78 palestras, além de diversos posters, dentre os quais uma comissão de três pessoas selecionou quatro para apresentação oral (um deles a cargo de nossa companheira Anna Romagosa).

Deste modo, abordaremos da seguinte forma: • Geral • Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS) • Circovírus Suíno (PCV2) • Gripe • Sanidade • Meio ambiente • Nutrição • Reprodução

Entre os participantes, cabe destacar, além da afluência massiva de técnicos norte-americanos, amplas delegações da China, Alemanha, México e Canadá. A estrutura deste resumo que organizei agrupa o conteúdo do evento em oito seções,

E propõe um conjunto de estratégias para manter o negócio funcionando, como segue: 

Ter um orçamento ajustado e sólido;

Melhorar o custo de produção: produtos com ROI (retorno sobre o investimento) adequado, investimentos previstos e mensuráveis, sistemas de controle em tempo real;

Manejar bem os fatores de risco: identificá-los e avaliá-los;

Ter uma estratégia de crescimento clara, com uma disciplina de execução e colocação de capital;

PARÂMETRO

Prof. Dr. Antonio Palomo Yagüe Diretor da Divisão de Suinocultura SETNA NUTRICION SA – INZO antoniopalomo@setna.com

Boa comunicação com abatedouros, indústrias, entre outros.

TOCKACH, M. D.  Dois terços do orçamento para pesquisa nas universidades norte-americanas vêm da indústria privada. A aplicação dos avanços tecnológicos em genética e nutrição tem um profundo impacto na economia de nossas empresas. Estes avanços, por sua vez, entre 1980 e 2005, com base em uma tese de doutorado realizada por FIX (2007), na Carolina do Norte, são os seguintes (http://www.lib.ncsu.edu/ theses/available/etd-05012007-090614/ unrestricted/etd.pdf):

MELHORIA TOTAL - %

BASE GENÉTICA

BASE NUTRIÇÃO

Redução de dias para abate

13

6

7

Melhora índice de conversão

27

7

20

Redução da gordura dorsal

24

24

---

Incremento na área de lombo

34

21

13

Aumento da eficácia na deposição protéica magra

45

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Ano VII - nº 38/2011


Revisão Técnica A universidade, o setor privado e a parceria universidade/empresa desenvolvem os três modelos de pesquisa com suas vantagens e inconvenientes. Do seu ponto de vista, os modelos de pesquisa necessitam de criatividade, dinheiro, concepção e compromisso investigadores, capacidade crítica e credibilidade. WAGSTROM, L.  O Food and Drug Administration (FDA) regulamenta tanto o uso de antimicrobianos em animais como na medicina humana. Eles têm um novo setor (NADA) que cuida da aplicação dos medicamentos nos animais, supervisionado por um Comitê de Medicina Veterinária, que estudará cada produto antes de sua aprovação. Os processos, para a aprovação, passam por demonstrar a eficácia e a segurança no animal, estudar o impacto no meio ambiente e a segurança nas pessoas que consomem os produtos de origem animal, além de estudar as resistências antimicrobianas (riscos potenciais de resistência bacteriana no animal, resistências cruzadas a patógenos humanos e eficácia frente a agentes causadores de zoonoses). Em junho de 2010 foi aprovada uma norma para o uso responsável de medicamentos antimicrobianos na alimentação animal, com base no princípio de preservar a saúde animal, incluindo a prevenção da doença e o limite para o uso excessivo de antimicrobianos na alimentação de animais de produção. Continua a pressão social para oficializar as referidas regulamentações nos EUA. ROTTO, H.  O uso de antimicrobianos na ração está em pleno debate pelo Comitê Nacional de Suinocultura (National Pork Board) e a Associação Norte-americana de Veterinários Especialistas em Suínos (American Association of Swine Veterinarians ou AASV), com os objetivos de conhecer os níveis usados, a duração de sua aplicação e a razão para o seu uso. O referido debate tem por base as questões de sanidade e bem-estar, assim como a melhora dos parâmetros produtivos. Por esse motivo, o veterinário tem papel fundamental nesse processo, como responsável pelo seu uso e pela percepção pública do mesmo. Atualmente não se utiliza antimicrobianos de modo contínuo nos suínos, durante toda a fase de engorda. Ano VII - nº 38/2011

Catedral de Saint Paul, MN WADELL, J.  Os antimicrobianos vêm sendo usados na produção animal há 50 anos e hoje, tanto na Europa como nos EUA, tem-se a consciência de reduzir seu uso de uma forma real, com base em uma série de princípios de precaução. Isso está sendo aplicado nos sistemas de produção modernos, por meio de melhorias em instalações, nutrição, biossegurança, manejo e protocolos de imunização. Para tanto, devemos estar abertos a encontrar alternativas para o uso contínuo, assim como educar os nossos produtores e nós mesmos com relação a essas mudanças, além de considerar os benefícios econômicos para o produtor que adota as referidas práticas. STUART, B.  Em 2009 a China e o Japão importaram dois milhões de toneladas de carne suína. Os EUA exportaram entre 18% e 20% de sua produção. Desde 1990, o volume de exportação multiplicou-se 17 vezes. O mercado mundial de carne suína é dinâmico. Hoje a China está produzindo e consumindo mais da metade da carne de suínos produzida no mundo. VELLELLA, R.  Há uma relação positiva, de moderada a forte, entre os incentivos aos trabalhadores e os resultados produtivos (de 6% a 12%). Para isso, os programas de motivação são essen-

ciais, sendo aplicados por meio de planos específicos de treinamento. Dito de outro modo, os programas de formação reforçam o efeito positivo dos planos de incentivos, melhorando as atitudes laborais, assim como a atração, seleção e retenção dos trabalhadores na granja. Esses referidos planos devem estar baseados tanto em resultados produtivos da granja, como na atitude frente ao trabalho. DEBUSE, N.  Na última década (2000 a 2010), a produtividade anual por porca foi incrementada em cinco a seis leitões. Os principais fatores envolvidos foram as melhorias aplicadas por especialistas em nutrição, genética, sanidade, manejo e meio ambiente, os quais – em sua maioria – representados por veterinários. Dentro da genética, vale destacar as estratégias de seleção por hiperprolificidade, peso e sobrevivência ao nascer, além da avaliação de parâmetros reprodutivos. Na nutrição, a adequação da composição das dietas às necessidades nutricionais e aos novos requerimentos genéticos fixou os novos programas de alimentação. No campo do manejo, os programas de formação e treinamento de pessoal, baseados na biologia do suíno, assim como na busca de pessoas que liderem as equipes, têm sido os caminhos. “As pessoas não são resistentes às mudanças, mas sim às mudanças bruscas“. Suínos & Cia

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Revisão Técnica SÍNDROME REPRODUTIVA E RESPIRATÓRIA SUÍNA

dução da movimentação dos leitões ajuda a diminuir a carga viral.

DEE. S.  Dedicou 23 anos de sua vida a estudar o vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRSv). Resume o referido tempo em cinco etapas: desconhecimento, necessidades, inovações, trabalho em equipe e educação, fazendo um repasse das principais ações e resultados obtidos de forma cronológica.

HOLTKAMP, D. J.  Num trabalho conjunto entre a AASV e o Ministério da Agricultura dos EUA (USDA) foi desenvolvido um sistema para classificar as granjas segundo sua situação frente ao PRRSv, com base tanto na eliminação viral (negativa, incerta e positiva), como no estado de exposição da granja (positivo ou negativo). As unidades de terminação foram classificadas apenas como positivas ou negativas. A referida classificação, em reprodutoras, ficou como segue na tabela 01.

REICKS, D.  Ainda que as vacinas não tenham uma eficácia total, elas nos servem para reduzir a carga viral na granja. As dúvidas estão no fato de serem mais eficazes as mortas ou as vivas e se são necessários os anticorpos neutralizantes para a proteção eficaz frente à infecção. Em seus ensaios realizados com diferentes vacinas, encontrou melhorias nos dados produtivos, frente a animais não vacinados.

As técnicas para demonstrar a eliminação viral incluem a detecção direta do mesmo por PCR e o isolamento viral. A exposição é determinada pela detecção de anticorpos (provas de ELISA, IFA, IPMA), sendo o PCR e o ELISA os testes de eleição. Atualmente, a técnica do PCR em fluidos orais tem se revelado altamente efetiva, inclusive em populações onde há baixa prevalência.

BAKER, S.  Determinou a transmissão por via hematógena entre animais infectados e suscetíveis ao repetir o uso da mesma agulha. Encontrou um número inferior de suínos positivos ao PRRSv, por meio de prova de PCR realizada aos 22 dias do uso de seringas sem agulhas.

MORRISON, B.  O projeto regional para o controle e a eliminação do PRRSv requer confidencialidade com alto grau de abnegação, tanto da parte dos produtores como dos veterinários envolvidos (controle, eliminação da infecção, erradicação e extinção são os passos que marcam a sua realização). http://www. dcd.gov/MMWR/preview/mmwrhtml/ su48a7.htm

WAGNER, M.  Quando expôs porcas gestantes a vírus homólogos e heterólogos, observou febre entre 24 e 48 horas durante 3 a 10 dias, com grandes variações, assim como abortos a partir do 5º dia em todos os ciclos (variável, no caso de ter havido outro contato prévio com um vírus similar, ou não). Ocorre viremia desde o 1º até o 21º dia posterior à inoculação. Nos leitões desmamados o vírus é detectado até 10 semanas depois do pico da manifestação clínica da doença. A re-

LINHARES, D.  A coleta de amostras, a armazenagem, o transporte e o processamento das mesmas é essencial para otimizar a sensibilidade e a especificidade das técnicas de diagnóstico. Devemse utilizar os cartões FTA® (membrana de celulose utilizada para diagnóstico viral) após a obtenção da amostra de sangue (tanto fresco como seco) por perfuração da orelha do suíno, o que permitirá con-

Tabela 1 CLASSIFICAÇÃO DA GRANJA

ESTADO DE EXPOSIÇÃO AO PRRSv

I - Positiva Instável

+

+

IIA - Positiva Estável

Incerta

+

IIB - Positiva Estável Eliminando Vírus

Incerta ou Eliminando

+

III - Negativa Temporária

-

+

IV - Negativa

-

-

Suínos & Cia

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ELIMINAÇÃO DO PRRSv

firmar a infecção passados quatro dias da inoculação/infecção propriamente dita. A sensibilidade e a especificidade da prova de PCR em tempo real (RT-PCR) são similares à das amostras de fluidos orais. SPRONK, G.  Em quatro granjas com 3.200 a 3.400 porcas, nas quais não se movimentam os leitões em fase de lactação durante 12 semanas, obtêm-se bons resultados na redução da prevalência do PRRSv no momento do desmame. EICHMEYER, M.  Depois de dez anos de pesquisas foi aprovada pelo USDA a vacina liofilizada do PRRSv, reidratada com uma mistura de M. hyopneumoniae e PCV2 (Ingelvac® C i r c o F L E X - M y c o F L E X ™ , do laboratório Boerhringer Ingelheim), administrada em uma só injeção de 2 mL por via intramuscular, às três semanas de idade. Foi demonstrada sua segurança, sem reações no ponto de inoculação, nem reações sistêmicas. Foi determinada a eficácia da referida vacinação tríplice frente a infecções mistas, o que revelou um menor grau de lesões pulmonares, maior ganho médio de peso diário, menor mortalidade e viremia (três estudos, em Indiana, Missouri e Nebraska).

CIRCOVÍRUS SUÍNO HENRY, S.  A persistência do vírus PCV-2 no ambiente e a exposição ao mesmo são um risco constante de infecção. O primeiro indicador de falha na imunização é a demonstração de viremia. Uma possível consequência negativa da vacinação no momento do desmame seria originar um estresse em uma fase muito vulnerável. Assim se explica o caso clínico de leitões com idade variando entre 6 e 14 semanas, bom estado corporal e vacinados na 3ª semana, os quais morrem repentinamente acometidos por um edema pulmonar inter-lobular com exsudado amarelado soro-sanguinolento abundante na cavidade torácica; outro grupo de leitões, nesse mesmo caso clínico, vai perdendo peso e se extenuando. CALDWELL, B.  As vacinas comerciais são muito eficazes na redução da mortalidade e dos sinais clínicos associados às infecções pelo PCV2. Foram estudadas sete unidades de terminação que usam sistematicamente a vacina às Ano VII - nº 38/2011


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Organizing Commitee: CReSA emerging2011@cresa.uab.cat Joaquim Segalés: joaquim.segales@cresa.uab.cat Enric Mateu: enric.mateu@cresa.uab.cat General Secretariat: Grupo PĂĐşĮco emerging2011@pacifico-meetings.com

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Revisão Técnica três semanas de idade, tendo sido encontrados leitões-refugo no final da engorda, títulos numericamente mais altos frente ao PCV2 (medidos por meio de imunofluorescência indireta ou IFA), maior percentual de suínos virêmicos e uma equivalência genômica maior de PCV2 (via PCR-RT) que os suínos que estavam com peso bom no momento do abate. Também foram demonstradas diferenças no ganho médio de peso diário entre as três vacinas comerciais utilizadas e com relação às terminações não vacinadas. DVORAK, C.  A vacinação reduz o nível sérico de PCV2, mas não elimina a infecção pelo vírus. O PCV2 é eliminado pelo colostro, leite e fezes, sendo o vírus estável no meio ambiente. Foi realizado um estudo em três granjas com 1.700 a 3.500 reprodutoras, no Estado de Minnesota/EUA, o qual demonstrou uma viremia nas fêmeas variável entre as granjas, não havendo nenhuma correlação entre o número de partos das porcas como fator de risco. O percentual de fezes positivas também variou entre elas, do mesmo modo que o nível de anticorpos. O vírus permaneceu em grande quantidade no piso das baias após a lavagem, decrescendo posteriormente à desinfecção e ao esvaziamento das mesmas. Dessa forma, foi possível concluir que a infecção e o nível de anticorpos independem do número de partos da porca. Ainda nesse estudo concluiu-se que 73% dos leitões nascem virêmicos, devido à infecção uterina.

do o sistema SAS e se obteve um efeito significativo na redução da mortalidade da ordem de 2,75 vezes.

GRIPE GRAMMER, M.  As infecções pelo vírus da gripe A, em suínos, são as mais prevalentes e consideradas endêmicas. Causam uma alta morbidade (32%) e baixa mortalidade (2,8%), sendo o vírus encontrando no tecido respiratório com uma sazonalidade de maior prevalência entre março/abril e setembro/novembro. 53% dos positivos são suínos entre 12 e 17 semanas de idade, podendo haver detecção viral até em leitões de seis semanas. O vírus pode ser detectado em populações sem sinais clínicos, não havendo diferenças estatísticas entre tipo de granja, histórico de vacinação e idade entre granjas positivas e negativas. TORREMORELL, M.  Os primeiros isolamentos do vírus da gripe A, da família Orthomyxoviridae (RNA), foram feitos nos EUA em 1931. Os referidos vírus têm propensão a sofrer erros em seus nucleotídeos, quando se replicam. O epitélio da traqueia do suíno expressa os receptores para os vírus das gripes aviária e humana. A epidemiologia do vírus da gripe é complexa e, nos EUA, houve pouco impacto na produção até 1998, quando somente esteve presente o H1N1. A partir desse momento emergiram diferentes subtipos, tendo ocorrido a infecção endêmica

de muitas granjas com diversos sorotipos ao mesmo tempo, podendo o vírus persistir e se desenvolver na granja, apesar das estratégias implantadas. A principal medida de controle é a vacinação, a qual previne tanto os sinais clínicos como as lesões, melhorando os parâmetros produtivos e reduzindo as infecções secundárias, apesar de não evitar a infecção. A maioria das vacinas, nos EUA, é para aplicação em reprodutoras, previamente ao parto (em 71% das granjas) e com o objetivo de municiar os leitões de imunidade passiva. A vacinação na fase de engorda é recomendada, porém, não frequente (em 7,9% das granjas) devido ao custo da mesma. O efeito da vacinação sobre a transmissão viral na granja é insuficiente, o que dá lugar à grande variabilidade, dependendo da cepa utilizada, tanto procedente da vacina, como circulante do campo. Isso nos dá uma ideia de como a vacinação pode influir nas dinâmicas de transmissão e excreção do vírus da gripe entre a população suinícola (hoje, o Estado de Minnesota é o terceiro maior produtor de suínos dos EUA). ALLERSON, M.  O impacto clínico da pandemia ocasionada pela nova cepa do vírus da gripe H1N1 2009, nos suínos, foi similar ao de outras cepas que circularam anteriormente. A transmissão deste tipo de vírus de humanos para suínos foi causada devido à grande quantidade de surtos de gripe ocorridos em granjas. Houve um estudo, realizado com 406 mil reprodutoras de 132 granjas

HOLCK, T.  Realizou uma meta-análise em 10 estudos sobre o uso da vacina Ingelvac® CircoFLEX às três semanas de idade, considerando o ganho médio de peso diário, concluindo resultados estatisticamente significativos e consistentes (+ 0,33, com 99% de intervalo de confiança entre 0,29 e 0,38), que incluem diferentes sistemas de produção e regiões geográficas. DIAZ, E.  Os resultados obtidos em cinco estudos, comparando duas doses frente a uma dose completa, não foram significativos em termos de suínos virêmicos, média de títulos sanguíneos de anticorpos e ganho médio de peso diário. COLL, T.  Em uma meta-análise realizada em 38 provas envolvendo suínos vacinados com Ingelvac® CircoFLEX frente a não vacinados, foi utilizaSuínos & Cia

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Granja experimental de suínos da Universidade de Minnesota

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A Boehringer Ingelheim colocou no mercado a Ingelvac CircoFLEX™ e a Ingelvac MycoFLEX™, as melhores vacinas contra PVC2 e Mycoplasma hyopneumoniae. Agora oferecemos a tecnologia FLEX que permite a aplicação dessas duas vacinas numa única injeção de 2ml.

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Revisão Técnica e 2.423 funcionários de granjas em Minnesota com o objetivo de determinar tal ponto. Recomendaram-se a monitoria e a vacinação do pessoal que trabalha em granjas, assim como a observação de todas as medidas de biossegurança (roupas, botas, higiene pessoal, limpeza, desinfecção) usuais. O percentual de isolamentos, por cepas, foi o seguinte: H1N1 = 52%, H3N2 = 13% e H1N2 = 13%. Os suínos infectados excretam o vírus durante não mais do que 7 a 10 dias, e a persistência do mesmo nas granjas de reprodutoras se deve à infecção contínua de animais jovens suscetíveis. Mesmo com um percentual elevado de leitões lactentes positivos no desmame (63%, pela prova do PCR), não foi possível isolar o vírus das reprodutoras após 30 dias do aparecimento dos sinais clínicos nas mesmas. ROMAGOSA, A.  Conhecer a transmissão do vírus da gripe é o primeiro passo para se desenhar os programas de controle. Foram tomados como base para um estudo dez grupos com dez leitões de três semanas de idade cada, com quatro réplicas, e alojados de forma separada em baias isoladas (controle, vacinados com cepas homólogas e heterólogas). Nos leitões-controle o vírus foi detectado aos 4,3 dias, em média, após a infecção (um deles no 2º dia, por PCR nasal). No grupo da vacina homóloga não se detectou a transmissão, tendo sido a mesma intermediária no grupo dos vacinados com a vacina heteróloga. O vírus da gripe se dissemina mais rapidamente em populações não imunizadas do que nas vacinadas.

SANIDADE FRIENDSHIP. B.  “Síndrome da perda do crescimento pós-desmame“ (Perweaning Failure to Thrive Syndrome ou PFTS). Já em 2008 falava-se da síndrome catabólica pós-desmame, que descrevia a mobilização das reservas lipídicas, a perda de massa muscular, a debilidade, perda de crescimento e, eventualmente, a infiltração gordurosa no fígado. Um grupo de veterinários canadenses (de Ontário, Manitoba e Saskatchewan) e norte-americanos (de Iowa, Kansas e Carolina do Norte) descreveu suas experiências sobre a PFTS, resumindo-se nos seguintes pontos:  Os leitões desmamados são normais, com vitalidade e robustez às três semanas de idade; Suínos & Cia

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 Começam a comer rapidamente, após o desmame e não manifestam sinais clínicos de doença;  A partir da semana do desmame baixam seu consumo e passam a apresentar letargia, depressão, palidez e desidratação, debilitando-se em duas a três semanas;  A incidência da síndrome é variável (de 3 a 20 %), com baixa resposta aos tratamentos com antibióticos;  A atividade do grupo decresce, assim como o crescimento e o consumo. Os leitões menores no momento do desmame têm risco reduzido de desenvolver a PFTS;  Há um pico de baixas entre três e quatro semanas após o desmame, com mortalidade mínima nas semanas seguintes;  No final pode aparecer emaciação e diarreia, com complicações septicêmicas bacterianas secundárias (Haemophilus parasuis, Streptococcus suis, Salmonella sp);  As lesões mais características são a condição corporal pobre, a emaciação, a ausência de gordura corporal, o estômago vazio, o conteúdo intestinal aquoso, o intestino com paredes finas e a atrofia severa do timo. Outras lesões menos frequentes são a broncopneumonia, a artrite, os abscessos umbilicais, gastrite, colite, lipidose (ou degeneração gordurosa) hepática e rinite não proliferativa. A referida síndrome é observada com mais frequência no inverno e em granjas de alto nível sanitário, negativas para o PRRSv e o PCV2. Foi identificada a presença de um citomegalovírus, embora não se conheça precisamente sua etiologia. MACEBO, N.  Desenvolveu um novo teste de ELISA para determinar o decréscimo da imunidade maternal e o desenvolvimento da imunidade ativa frente à exposição ou à vacinação contra o Haemophilus parasuis. A referida bactéria é uma das principais responsáveis pela mortalidade de leitões entre sete e nove semanas de idade, provocando quadros severos de poliserosite fibrinosa, artrite e meningite, com mortes súbitas nas 24 horas posteriores à infecção.

CLAVIJO, M. J.  O Mycoplasma hyorhinis é uma bactéria emergente, responsável pela morte de leitões na fase de recria, diagnosticado em aproximadamente 50% dos problemas de poliserosite analisados (por PCR) no Laboratório de Diagnóstico de Veterinária da Universidade de Minnesota, em 2009. Foi desenvolvido um novo teste do tipo qPCR, mais sensível que o baseado em gel e que detecta especificamente o referido agente, a partir de amostras de exsudado nasal e de tonsilas. PRIMUS, A.  Em condições de campo foram isoladas dos suínos até cinco tipos distintos de Brachispiras: B. pilosicoli, B. hyodisenteriae, B. intermedia, B. murdochii e B. innocens, identificadas e diferenciadas pela prova de PCR 16SrRNA. 68% das Brachispiras isoladas no Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Universidade de Minnesota não são tipificáveis, número esse que vem se incrementando. Suspeita-se que sejam potencialmente virulentas e que estejam associadas a quadros clínicos. MARQUES, B. M.  Realizou um estudo em quatro unidades de terminação, no Brasil, sobre a incidência e o grau de mordeduras de cauda, concluindo que a maior gravidade das mesmas consiste na alteração no ganho médio de peso diário dos suínos afetados, no aumento da depreciação das carcaças por abscessos e em lesões pulmonares. Do mesmo modo, o uso de desinfetantes ambientais (peróxidos) na diluição de 1:50 reduziu a pressão de infecção e melhorou o ganho médio de peso diário dos suínos em fase de engorda.

MEIO AMBIENTE PHILLIPS, C. E.  As reações de medo ao homem por parte das porcas gestantes provocam estresse crônico, alterando seu comportamento e reduzindo sua produtividade. A referida resposta vêse influenciada por muitos fatores, entre os quais o tempo de contato, a genética, o estado fisiológico e o sexo e a idade do ser humano. Seu estudo determinou que as porcas são mais suscetíveis às reações de medo no final da gestação, não tendo sido encontradas diferenças devido aos ciclos reprodutivos, associando o medo com as mudanças hormonais durante a gestação. Ano VII - nº 38/2011


Revisão Técnica ção de diferentes enzimas (alfa-amilase, endo-beta-glucanase e xilanase), em conjunto com uma granulometria fina, melhora o valor energético (energia digestível e energia metabolizável) em 2,55%. ZHAO, J.  A alimentação de leitoas, futuras reprodutoras, com fontes de minerais orgânicos e inorgânicos (50/50): zinco, manganês, cobre e selênio, implica em uma menor taxa de porcas descartadas antes do quarto parto.

Departamento de Nutrição da Universidade de Minnesota JACOBSON, L. e THOMA, G.  A emissão de gases de efeito estufa (C02, CH4 e N20, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso) é variável, segundo a fase de produção, a saber:  Reprodutoras = 12%  Leitões e fase de engorda = 60%  Sistemas de calefação, refrigeração = 9,4% O metano e o óxido nitroso têm 21 e 310 vezes mais potência de efeito estufa que o dióxido de carbono. A produção média de metano pelos suínos de engorda está entre 103 e 190 g/dia/AU, o que corresponde a 500 kg, segundo diferentes ensaios realizados na Itália, Alemanha e EUA. GESING, L. M.  Em 2009 foram realizadas 23 provas, em condições de campo, para se estimar o grau de mortalidade dos suínos durante o transporte da granja ao abatedouro, chegando-se ao resultado de 0,69%. Foram levados em conta diferentes fatores, como a preparação da carga, o local de embarque, o tempo de carregamento, o transporte propriamente dito e o espaço no caminhão. ELLIS, M.  Os suínos que se estressam durante o transporte têm acidose metabólica, derivada, principalmente, Ano VII - nº 38/2011

de práticas inadequadas durante o carregamento, espaço insuficiente no caminhão e da mistura de suínos de diferentes origens. Condições ambientais extremas (frio e calor) durante o transporte também podem contribuir com o estresse.

SCHOOK, L. B.  Pesquisas recentes sobre a resposta imune e sua relação com a flora microbiana digestiva têm aberto a porta para novas medidas de tratamento e controle de transtornos digestivos. Leitões sadios, colocados frente a infectados experimentalmente por via oral, apresentaram menos lesões e sinais clínicos respiratórios devidos ao Mycoplasma hyopneumoniae.

CRENSHAN, J. D.  Porcas alimentadas durante a gestação com dietas que incorporam proteína de plasma (0,5%) tendem a melhorar o número de leitões desmamados, assim como a homogeneidade do peso individual e da leitegada completa. O peso dos leitões aos 18 dias de idade foi de 5,53 e 5,81 kg, com um ganho médio diário na fase de lactação de 230 e 248 gramas diárias, sem e com plasma, respectivamente.

KITT, S.  A alimentação das porcas e de suas leitegadas, atualmente, é muito diferente do que se fazia há 10/20 anos, devido ao incremento no tamanho da leitegada, aumento do crescimento da mesma e sua associação com as demandas metabólicas. O papel do nutricionista não termina com a formulação da ração, devendo, ele, ter conhecimento da grande influência do manejo na granja. Assim, é essencial para a produção a interação positiva entre o nutricionista e o equipamento de produção. As dietas das futuras reprodutoras condicionam a vida reprodutiva das mesmas (longevidade e prolificidade), sendo essencial o uso de certos minerais e vitaminas. O objetivo das dietas de gestação depende do bom conhecimento de cada um dos estados de prenhes (primeiro mês, manutenção da gestação e mês anterior ao parto). Há um amplo debate sobre os requerimentos de aminoácidos das porcas gestantes hiperprolíficas durante a gestação e no final dela. As dietas de lactação têm como finalidade otimizar a tomada do colostro, limitar a perda de tecido gorduroso e, sobretudo, protéico, assim como maximizar a produção leiteira para maior peso da leitegada no desmame, tudo isso baseado na maior ingestão de nutrientes disponíveis na ração. A demanda metabólica, nas porcas modernas, continua aumentando.

ZANOTTO, D. L.  Em dietas de engorda à base de milho a incorpora-

MOESER, A.  A mucosa intestinal do leitão é a barreira crítica de defesa

NUTRIÇÃO SMIT, M.  A suplementação durante as fases de gestação e lactação, com ácidos graxos ômega 3, produz dados inconsistentes relativos à melhora dos parâmetros reprodutivos (aumento do tamanho da leitegada, peso da leitegada ao nascer e peso dos leitões no desmame). Em prova realizada pelo autor, com 117 primíparas, observou-se maior peso dos leitões no desmame, mas não houve alteração no restante dos parâmetros.

Suínos & Cia

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Revisão Técnica  As futuras reprodutoras representam uma média de 24% do efetivo;  Uso escasso do efeito macho nas nulíparas para a indução e detecção do cio (9,4%);  Nascidos totais de 10,96 ± 0,7 e nascidos vivos de 10,66 ± 0,06;  Longevidade de 4,89 ± 0,07 (partos médios no momento do abate);  Idade média ao desmame de 22,39 ± 0,22 dias;  Mortalidade na fase de lactação, de 11,2 ± 0,33;  Leitões desmamados vivos por parto de 9,7 ± 0,06;

Centro da história de Minnesota do ambiente luminal, por isso, todas as estratégias de manejo que a preservem são necessárias, para evitar transtornos digestivos com implicação no rendimento dos leitões desmamados. O epitélio intestinal está polarizado, o que determina a compartimentação dos íons de transporte, que criam o gradiente necessário para uma correta absorção e secreção de eletrólitos. No intestino delgado há criptas e vilosidades, e no intestino grosso não há vilosidades, mas sim uma superfície entre criptas na qual se realiza a absorção de fluidos e eletrólitos. O sistema nervoso entérico (SNE) e as células do sistema imunológico estão intimamente envolvidas na regulagem, secreção e absorção. O SNE é composto por dois plexos interconectados, o mioentérico e o submucosal, os quais operam independentemente do sistema nervoso central. Os principais neurotransmissores do SNE são a acetilcolina (Ach), o peptídeo intestinal vasoativo, ou VIP, e a norepinefrina, todos com funções relativas à absorção. Essas terminações nervosas da mucosa intestinal são estimuladas por toxinas bacterianas, diferentes antígenos, substâncias tóxicas pró-inflamatórias, que afetam a regulagem das secreções. As células de imunidade inata (neutrófilos, fagócitos, macrófagos) residem no tecido subepitelial e na lâmina própria. A barreira intestinal de defesa está dividida em três componentes, como segue: 1-Barreira extrínseca: secreção de muco rico em bicarbonato e peptídeos antimicrobianos Suínos & Cia

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2-Barreira intrínseca: permeabilidade do epitélio da mucosa 3-Barreira imunológica: tecido linfóide agregado às placas de Peyer Quando o intestino sofre algum dano ocorre um incremento na permeabilidade, do mesmo modo que no caso de processos de estresse agudos e crônicos. São vários os nutrientes e matérias-primas que influem positivamente na integridade da mucosa intestinal (saúde digestiva), entre eles, proteína de plasma, probióticos, prebióticos, glutamina, arginina, ácidos graxos poliinsaturados e apresentações de ferro em certos níveis.

REPRODUÇÃO REICKS, J.  Em várias centrais de inseminação vê-se uma redução da motilidade e um incremento da aglutinação espermática, com arterite perivascular no epidídimo dos cachaços, cuja etiologia tem a ver com os níveis elevados de vomitoxina e zearalenona na ração. KOKETSU, Y.  Uma análise da produtividade de 96 granjas, no Japão, revelou os seguintes parâmetros (tamanho médio de 361 ± 39 porcas):  Grande variação nos dados reprodutivos em todas estas granjas comerciais;

 O lucro líquido por leitegada vai de US$ 367,30 no 1º parto, ao pico de US$ 596,20 no 5º parto, declinando a US$ 497 no 8º parto. Assim, ao subir o preço das matérias-primas, reduz-se a vida média produtiva das porcas. PINILLA, J. C.  A alta produtividade de uma granja não é um acidente, já que as práticas de manejo têm uma grande repercussão. O manejo das futuras reprodutoras tem grande influência nos partos seguintes, na fertilidade e no custo de produção (idade e peso adequados na primeira inseminação, com alimentação à vontade no período anterior a ela, conjuntamente com a presença de cachaços durante seis semanas, em quantidade e qualidade). O censo de entrada de nulíparas não deve superar 5% do efetivo de cada vez, com um programa sanitário preventivo estrito na fase de adaptação e quarentena. A taxa de reposição anual deve estar entre 40% e 50%, com uma média de ciclos por porca de 3,5 partos. As porcas, até o terceiro ciclo, não se amortizam. O controle da condição corporal durante a gestação é essencial, lembrando que um sobrepeso dá lugar a uma maior taxa de reposição (mortas e eliminadas), mais nascidos mortos, menor consumo na fase de lactação, maior perda de peso no desmame, menor peso de leitegada no desmame e pior produtividade no ciclo seguinte. Um dos maiores efeitos negativos das mudanças na condição corporal da porca, ao longo do ciclo reprodutivo, é o baixo peso dos leitões ao nascer. Ano VII - nº 38/2011


Para tratar os problemas respiratĂłrios e entĂŠricos dos

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J3519/MAR2010

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solĂşvel


Reportagem Cresce a participação da mulher nos diferentes segmentos da suinocultura

E

m 8 de março comemorou-se o Dia Internacional da Mulher, e a Suínos & Cia aproveita esta edição para destacar a participação de mulheres na suinocultura que enfrentaram desafios e assumiram postos que anteriormente eram ocupados apenas por homem, demonstrando que podem produzir resultados sem nenhum tipo de preconceito. É comum observarmos a presença feminina no setor de maternidade das granjas, porém, nos demais segmentos, principalmente na reprodução, ainda é pouco frequente. O presente destaque aconteceu na granja Santa Vitória, localizada nas proximidades do Triângulo Mineiro, que, por carência de mão de obra masculina na região, as mulheres começaram a quebrar barreiras e assumirem áreas diferentes, como o setor de reprodução. E em pouco tempo apresentaram evolução nos resultados, assumindo que a diferença para obter sucesso foi o trabalho de uma equipe totalmente focada, com dedicação, perseverança e muito respeito.

A granja Santa Vitoria foi adquirida em agosto de 2009 por um grupo que decidiu investir em mais uma propriedade do setor como estratégia de crescimento. Por se tratar de nova aquisição, a qual foi implantada uma diferente forma de administração, algumas mudanças ocorreram, principalmente na equipe. Hoje, 80% dela é formada por mão de obra feminina. A cidade, também chamada Santa Vitória, e regiões próximas não têm tradição em suinocultura. As mulheres, na maioria das vezes, são domésticas e dependentes. Utilizando filosofia totalmente empresarial no que se refere à seleção de mão de obra, a empresa buscou adequar as funções de acordo com o perfil do ocupante e das vagas, para serem preenchidas, de preferência, por pessoas da região. O resultado não demorou muito a acontecer, e as vagas, na sua maioria, foram sendo preenchidas por mulheres.

Keila Cristina Oliveira, 38 anos, atua na área de gestação. Começou a trabalhar muito jovem, aos 12 anos, como doméstica, e atualmente sente-se muito feliz e realizada por ter sido contratada pelo Grupo Cabo Verde. “Não posso me arrepender de ter começado a trabalhar tão cedo, pois aprendi a ser responsável e dedicada”, afirma Keila, que inicialmente optou em trabalhar na suinocultura para mudar de vida. “Procurava algo que me valorizasse como profissional e tive a informação, por uma amiga, que havia uma vaga na suinocultura. Em meio a tanta ansiedade, busquei Suínos & Cia

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Reportagem na maternidade, onde me destaquei e, por isso, fui promovida a fazer parte da reprodução, em especial na área de central e lançamento de dados. Tive a primeira oportunidade de trabalho quando visitei uma suinocultura em Goiás, conheci todos os setores e fiquei encantada pela maternidade. Em pouco tempo já estava atuando nesta área”, destaca, com entusiasmo. “Gosto do contato com animais, em especial o suíno, que realmente é fascinante” afirma Mariney, que hoje não se vê atuando em outro segmento.

mais informações e falei com o gerente, que me entrevistou e ofereceu uma oportunidade. Agarrei com toda a vontade e aprendi a gostar do meu trabalho”, completa Keila, que a cada dia aprende mais nessa atividade. “Tenho ferramentas para melhorar os resultados e os busco sempre para obter reconhecimento, crescendo na minha vida profissional. Confesso que a maior lição que aprendi foi que todo sonho é possível. Quando queremos, podemos. Nunca imaginei que fosse conseguir trabalhar com suínos e gosto do que faço. Antes, não havia espaço nessa área para a mulher, mas com trabalho e dedicação conquistamos nosso lugar, demonstrando que somos capazes. Sinto que ainda existe espaço para sermos muito mais valorizadas. Jamais enfrentei preconceitos, porém, sabemos que eles existem. Conciliar trabalho com os papéis de mãe e esposa não é fácil, mas nunca desisto dos meus sonhos. Espero crescer profissionalmente e continuar nessa dinâmica atividade, sempre sendo reconhecida para me manter motivada. Um dia alguém me disse que se acharmos que soAno VII - nº 38/2011

mos capazes, não devemos deixar que ninguém tire de nós essa ideia”, finaliza.

Mariney Gonçalves da Silva tem 25 anos e está há um ano e meio na empresa, sendo responsável pelo setor de lançamentos de dados e pela central de inseminação. Com experiência anterior em suinocultura, deslumbrou-se com a possibilidade de seguir atuando no setor. “Na granja Santa Vitória comecei

Batalhadora, além de trabalhar na suinocultura, ainda concilia a vida de mãe e esposa e confessa que ainda consegue um tempo para estudar à noite. “Tenho de me desdobrar para dar conta de tudo, mas estou conseguindo”, diz ela, que não enfrenta preconceitos no trabalho. “Venho de uma família na qual as mulheres trabalham. Meu foco é atingir as metas, vencer todos os desafios e superar as expectativas”, conclui.

Maria Ester da Silva, de 43 anos,

com experiência de apenas dez me-

Suínos & Cia

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Reportagem

ses em suínos, sente-se realizada em ter assumido esse diferente desafio. Para ela, tudo ainda é muito novo, porém, sente-se motivada com o fascínio da atividade. Sua experiência profissional anterior foi em abatedouro e como doméstica. “Assim que tive a notícia que o Grupo Cabo Verde estaria contratando mulheres, confesso que fiquei muito interessada. Para resumir, fui fazer um teste de dois dias para adaptação e continuo na empresa até hoje, com a visão de crescimento pessoal e profissional por meio de plano de carreira e pelo fascinante mundo do desafio de aprender coisas novas seguidamente. No início, confesso que encontrei algumas dificuldade de como utilizar o calendário de 1000 dias, como identificar o cio, conhecer sua duração e fluxo de granja. Mas hoje comento estes assuntos com muita naturalidade e superei as dificuldades. Atualmente, sou uma mulher mais independente e me sinto valorizada”, destaca.

parações, mas somos tão competentes quanto os homens. Assumir a área de inseminação foi uma tarefa de grande responsabilidade, mas com a ajuda de nossos consultores, tudo vem dando certo. Minha maior realização é receber cumprimentos pelas melhorias de resultados”, finaliza.

Rosângela Maria de Paula Costa, 39 anos, também faz parte do time de reprodução. Confessa que pas-

sou a atuar na área porque sempre conviveu com suínos por influência do marido dela, que dedicou boa parte de suas atividades profissionais à suinocultura. “Sem dúvida, esse tipo de trabalho me mantém motivada e segura pela própria confiança e estabilidade que a empresa transfere para mim e minha família, garantindo nossa fonte de renda. Asseguro que não é fácil, no início tive dificuldades de adaptação, mas logo dei conta do recado. Hoje, sinto orgulho do meu trabalho e útil diante de tamanha responsabilidade. Consigo enfrentar os desafios de maneira mais fácil para serem superados. Sem dúvida, quero aprender e me especializar cada vez mais na suinocultura”, conclui. Os quatro exemplos ilustram bem a importância do papel feminino na suinocultura. São exemplos de superação, dedicação e profissionalismo, que inspiram outras mulheres a trilharem o mesmo caminho. Parabéns a todas vocês que fazem parte destas e de outras histórias de perseverança e sucesso.

Maria Ester acredita que o campo fica mais agradável com a presença das mulheres. “Evito comSuínos & Cia

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Ano VII - nº 38/2011


Sumários de Pesquisa

I

ncremento genético na vitalidade de leitões

Em todo o mundo a produtividade da fêmea suína está aumentando rapidamente, especialmente quanto ao número de leitões nascidos por porca/ano, como no caso da Holanda. (Figura 1). O desafio para a área produtiva é desmamar esses leitões e ter uma alta produção de suínos/ porca para o mercado. Como uma empresa de genética, a TOPIGS vem realizando seleção para a vitalidade e apresentou um trabalho conduzido por Michiel Westerhof no Encontro Anual da American Association of Swine Veterinarians em 2010 – USA. O melhoramento da vitalidade é importante por razões econômicas, mas também por razões de bem-estar animal. A sociedade na Europa está preocupada com a taxa de mortalidade em suínos e culpando a indústria suína porque o alojamento nos sistemas industriais de criação de suínos estaria comprometendo o bem-estar dos animais. A sobrevivência do leitão e, portanto, a mortalidade de leitões, tem três principais componentes: a capacidade maternal das porcas, a vitalidade dos leitões e as condições ambientais. Neste artigo foi enfocada a vitalidade. A vitalidade dos leitões é descrita como o potencial do leitão para sobreviver até o desmame.

Método: Como selecionamos a vitalidade? Nas granjas núcleo de melhoramento genético, entre outros dados é registrado: o peso de todos os leitões nas-

Figura 1

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Figura 2 cidos, número de tetas, transferência (enxertia) de leitões e data da morte ou data de desmame de todos os leitões. A partir do conjunto de dados que resulta deste protocolo de registro, os valores genéticos são estimados (EVG), utilizando um modelo animal, com (leitão) e fêmea que o adotou, como efeito animal. A sobrevivência do leitão é definida como uma característica binária, com uma pontuação zero para os suínos mortos antes ou ao desmame, incluindo leitões natimortos, e uma pontuação de 100, se vivo no dia do desmame. O sexo, peso ao nascer dos leitões nas classes de 100g e tamanho de leitegada são tomados como efeitos fixos,

enquanto que o efeito de leitegada da mãe natural dos suínos é tomado como um efeito aleatório. Os valores genéticos estimados para a sobrevivência do leitão podem ser interpretados como desvios da probabilidade média de sobrevivência e são expressos em porcentagem. Entre as diferentes linhas existem diferenças entre os animais individuais nos valores genéticos estimados para a vitalidade e capacidade maternal. A utilização dos melhores animais para a próxima geração garante uma melhoria no nível genético de uma população específica. O gráfico (Figura 2) mostra a diferença na estimativa da taxa de sobrevivência de leitões com um alto, médio e baixo valor genético. Isso mostra claramente que leitões com EVG (estimativa de valor genético) alta para vitalidade, especialmente para animais de baixo peso ao nascer, têm uma maior taxa de sobrevivência, em comparação com leitões com um valor genético médio ou baixo. Quais são as características biológicas dos leitões com EVG alta para vitalidade? Para descobrir isso, animais com altos e baixos EVG foram selecionados e acasalados. Em 111 dias de gestação, os leitões foram obtidos por cesariana, e analisados.

Resultados: Houve uma diferença significativa no desenvolvimento dos órgãos: Leitões com EVG alta para a vitalidade tinham fígados 7,1% mais pesados, intestinos delgados 5,4% mais pesados e glândulas adrenais 21,7% maiores. ResulAno VII - nº 38/2011


Sumários de Pesquisa tando em uma carcaça fetal com 10,1% superior de gordura e 10,5% mais glicogênio no fígado. Ao selecionar para a vitalidade, os leitões têm mais gordura na carcaça e um elevado teor de glicogênio do fígado. Juntamente com maiores glândulas adrenais esses leitões estão mais bem equipados para sobreviver aos primeiros dias de vida e ter um começo melhor. O maior teor de energia e a maior capacidade de mobilização desta fazem esses leitões mais vitais. Daí a escolha sobre a vitalidade ser um aspecto essencial para o sistema de produção. A seleção desde 1994 sobre as características de vitalidade dos leitões e habilidade maternal, resultou, portanto, num bom progresso genético. Nos últimos cinco anos com as linhas puras TOPIGS a taxa de sobrevivência dos leitões do nascimento ao desmame aumentou de 4 para 8%.

A

bordagem com polímeros glucomanano para prevenir as micotoxicoses por Fusarium em suínos

A contaminação de grãos a campo, como milho, trigo e cevada, com fungos Fusarium, é um fenômeno comum no Canadá, em muitas regiões dos EUA e da Europa. Embora o nível de contaminação varie de ano para ano, é difícil encontrar grãos completamente desprovidos de micotoxinas em um determinado ano. Os fungos Fusarium nestes grãos têm a capacidade de produzir micotoxinas, sendo as mais importantes o deoxynivalenol (DON), o 15-acetil deoxynivalenol e a zearalenona. O deoxynivalenol também é conhecido como vomitoxina, e esse nome é derivado da sua capacidade para induzir o vômito em suínos, alterando a neuroquímica cerebral e a motilidade intestinal. Vômitos em suínos expostos a DON são uma indicação de uma toxicidade aguda, que é um fenômeno raro no campo. Em concentrações mais baixas, no entanto, o DON ainda pode alterar a neuroquímica cerebral de suínos com menor ingestão de alimentos, menor ganho de peso e menor competência imunológica. A zearalenona interfere com a capacidade de reprodução dos suínos, e os sintomas podem se manifestar, como Ano VII - nº 38/2011

manchas avermelhadas (hiperemia) e edemaciação da vulva, vulvovaginite, prolapso retal e abortos. A zearalenona afeta o sistema reprodutivo, principalmente pela sua interação com receptores de estrogênio nos órgãos reprodutivos. Dada a extensa contaminação de grãos no Canadá com micotoxinas de Fusarium, estudos detalhados foram realizados ao longo das últimas três décadas tanto em instituições ligadas à agricultura do Canadá como na Universidade de Guelph. A maioria desses estudos incluiu o uso de grãos naturalmente contaminados, os quais permitem a interação de micotoxinas diferentes, bem como outros fatores dietéticos. Porém, em estudos anteriores, os níveis de DON em dietas para suínos

de creche foram superiores aos níveis que seriam tradicionalmente encontrados em condições comerciais. Como resultado, foi levantada a hipótese de que a intervenção nutricional (polímero Glucomanano (GMP), Alltech Inc.) deveria ser avaliada em um nível moderado de contaminação com DON, imitando o cenário de campo. O objetivo do estudo de campo, estatisticamente controlado, conduzido por Swamy, H.V.L.N. e colaboradores, e apresentado no encontro da American Association of Swine Veterinarians - AASV, 2010, foi avaliar o efeito do GMP na redução do impacto de grãos contaminados com micotoxinas de Fusarium sobre o desempenho de leitões de creche.

Tabela 1: Impacto econômico no GMP, com prevenção para micotoxinas Parâmetros

GMP

Controle

Entradas de suínos

338

336

Saída de suínos

336

334

Mortalidade (%)

0.59

0.60

Peso na entrada (kg)

7.8

6.8

Peso na saída (kg)

23.4

21.7

Ganho total

15.6

14.9

Consumo de ração total (kg)

26.4

26.2

Dias sob tratamento

39

39

ADG (g)

387

391

FCR

1.67

1.78

$12.99

$13.26

Custo da alimentação / suíno (7-23 kg)

Suínos & Cia

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Sumários de Pesquisa pecialmente DON e zearalenona) também podem explicar parte das razões. A toxina DON, quando mascarada,por exemplo, escapa do processo de análise de rotina no laboratório, mas é liberada durante a digestão no trato gastro-intestinal. Uma vez liberada, funciona da mesma maneira das toxinas DON livres e aumenta a toxicidade. Recente pesquisa conduzida na Universidade de Guelph, no Canadá, indicou que os grãos podem conter níveis mascarados de DON, de até 75%. Concluiu-se que o desempenho de suínos de creche pode ser comprometido quando os alimentos contêm níveis de deoxynivalenol tão baixos quanto 0,7 ppm, o nível em que a recusa do alimento não é aparente. Tais perdas de desempenho podem ser prevenidas com o uso do polímero glucomanano.

Método: • O experimento foi conduzido em uma creche comercial de suínos no sul de Ontário, Canadá, entre junho e julho de 2009; • 674 leitões recém-desmamados, com cerca de 20 dias de idade, foram divididos aleatoriamente para uma dieta controle ou para uma dieta suplementada com 1 kg por tonelada de GMP; • 3 fases de alimentos foram oferecidos numa base ad libitum; • 83-85 suínos / baia, 4 baias/ tratamento; • As dietas controle e tratamento foram formuladas com as mesmas especificações de nutrientes; • Foram tomados os pesos iniciais (6,8 a 7,8 kg), seguido de mais 3 pesagens antes do final do experimento; • O consumo de ração por baia e a mortalidade foram registrados, e a conversão (FCR) foi ajustada para a mortalidade. O ganho médio diário também foi determinado.

Resultados: Não houve efeito significativo das dietas sobre o consumo alimentar, ganho de peso e mortalidade (Tabela 2). No entanto, a conversão alimentar tendeu a ser menor no grupo alimentado com GMP, em comparação com os animais controle (Tabela 1, P = 0,1). O cálculo econômico mostrou que a suplementação com GMP para a dieta contaminada com micotoxinas reduziu o custo da alimentação em 0,27 dólares. O experimento de campo analisado estatisticamente demonstrou que Suínos & Cia

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o GMP tem a tendência a evitar a queda induzida por micotoxinas na utilização do alimento. Isto está de acordo com vários testes de campo realizados ao redor do mundo. Estes resultados também podem levantar a questão sobre se a alimentação com altos níveis de grãos contaminados com DON para suínos de creche, em condições acadêmicas, é o modelo adequado para avaliar adsorventes de micotoxinas, pois não é um reflexo de condições comerciais. Como a maioria dos testes utiliza leitões logo após o desmame, pode haver um efeito de confundimento de estresse de desmame com a recusa alimentar induzida por micotoxinas. Este efeito combinado pode comprometer os leitões de tal maneira que eles podem não ser capazes de responder à suplementação alimentar de um adsorvente de micotoxinas. Alternativamente, o baixo nível de DON nas situações normais de campo traz a diminuição moderada no consumo de alimentos, que pode ser evitada pelo uso de adsorventes de micotoxinas. Como visto neste estudo, tais procedimentos de prevenção são rentáveis. Existem várias razões para que um baixo nível (0,7 ppm no experimento em curso) ou mesmo um nível indetectável de DON possa comprometer o desempenho de suínos. Estas podem incluir a presença de diversas micotoxinas conhecidas ou desconhecidas na alimentação, agindo em sinergia ou de uma forma aditiva. As informações recentes sobre micotoxinas combinadas ou mascaradas (es-

R

elações entre cistos ovarianos e estados morfológico e hormonal do ovário em fêmeas suínas

A ocorrência de cistos ovarianos pode ter efeito prejudicial sobre a saúde das porcas e reduzir o seu desempenho reprodutivo. Alguns estudos confirmam as conexões entre distúrbios reprodutivos e a presença de cistos ovarianos encontrados após o abate. A doença cística do ovário (DCO) em suínos aparece com frequência em porcas multíparas e não oferece sintomas patognomônicos, exceto um ciclo estral irregular ou prolongado, anestro permanente, infertilidade, menor taxa de concepção e mudanças comportamentais. Os cistos parecem ser um importante fator de risco no retorno ao estro, e estas estruturas de ovário estão presentes em aproximadamente 10% das fêmeas abatidas por problemas de fertilidade. No entanto, pouco é conhecido sobre a incidência de cistos ovarianos nos rebanhos suínos, pois eles também podem ocorrer sem levar ao abate por problemas reprodutivos. A presença de cistos antes da inseminação artificial e concepção pode não interferir com a ovulação de outros folículos, mas poderia diminuir o número normal de ovos viáveis. O estresse social pode influenciar o delicado padrão hormonal próximo ao momento da ovulação e fertilização. É bem conhecido que o estresse pode ter um Ano VII - nº 38/2011


Sumários de Pesquisa efeito negativo sobre o desempenho reprodutivo em animais. Existe uma cascata de eventos hormonais após a imediata resposta endócrina a um estressor. O estresse é conhecido por ser acompanhado por níveis elevados de ACTH. Este hormônio é liberado pela glândula hipófise anterior em resposta a um estímulo estressante e irá atuar no córtex adrenal, fazendo com que produza e libere cortisol, que afeta vários órgãos reprodutivos e vias hormonais. A falta de hormônio luteinizante (LH), que é necessário para induzir a ovulação, tem sido apontada como a principal causa de cistos ovarianos na fêmea suína. Porcas com intervalo desmameestro inferior a três dias e uma duração da lactação menor de 14 dias têm maior probabilidade de desenvolver cistos ovarianos. Sugere-se que a causa deste estado é o insuficiente sistema de descarga de LH, fazendo com que os folículos deixem de ovular e tornem-se císticos. Também foi demonstrado que o hipotireoidismo promove a formação de cistos ovarianos. O papel dos hormônios tireoidianos na função do ovário foi evidenciado por muitos autores. A progesterona de origem adrenal pode servir, pelo menos em parte, como um componente na etiologia deste tipo de infertilidade. Injeções de progesterona durante a fase folicular do ciclo também causou desenvolvimento de cistos ovarianos. A administração de compostos progestacionais a fim de sincronizar ciclos estrais em suínos é conhecido como razão resultante de uma alta incidência de ovários císticos. Além disso, alguns autores

sugerem que a presença de cistos ovarianos em fêmeas suínas está relacionada com as estações do ano. As interações hormonais do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano são responsáveis por uma reprodução normal em fêmeas suínas. A ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal pode dificultar a secreção normal de gonadotrofinas e, como consequência, afetar a atividade normal do ovário. É muito difícil diagnosticar a doença cística ovariana em suínos com base no perfil hormonal. Mas é sabido que esta patologia está relacionada com distúrbios hormonais. É difícil de diagnosticar cistos por meio de métodos sorológicos, pois as concentrações plasmáticas do hormônio progesterona, estradiol e luteinizante, neste distúrbio, são similares em porcas no diestro. O objetivo do estudo conduzido na universidade Wrocław, Polônia, por K. Szulanczyk-Mencel et al, Animal Reproduction Science 121 (2010) 273–278, foi avaliar a relação entre cistos ovarianos e concentrações de hormônios esteróides ovarianos: 17β-estradiol (E2), progesterona (P4), testosterona (T) e androstenedione (A4), tanto no plasma sanguíneo quanto em cistos, assim como avaliar o estado morfológico do córtex ovariano em fêmeas suínas.

Método: As fêmeas foram divididas em três grupos: POP (porcas com ovários policisticos), POO (porcas com ovários oligocísticos) e controle (porcas

sem cistos ovarianos). Os ovários das avaliações foram coletados após o abate de 18 porcas multíparas. A atribuição de uma porca para o grupo policístico ou o grupo com ovários oligocístico dependia do número de cistos que havia sido descoberto em seus ovários: no grupo de ovários oligocísticos, até dez cistos, e no grupo de ovários policisticos, quando mais de dez cistos estavam presentes. O número discriminante entre ovários policísticos e oligocísticos foi de dez cistos nos ovários, definido de acordo com Ebbert Bostedt (1993).

Resultados: Dezenove matrizes suínas (7,98%) de 238 abatidas durante 15 meses tinham cistos no ovário. Sete fêmeas (2,94%) tiveram ovários policísticos, enquanto 12 fêmeas (5,04%) tiveram ovários oligocísticos. Entre os animais POP e POO, foram observadas diferenças estatisticamente significativas no número de cistos foliculares (CF – 8,6 vs 1,5), cistos foliculares da teca luteína (CFTL – 8,0 x 2,0), cistos foliculares luteínicos (CFL – 4,5 vs cistos. 2,0) e cisto de corpo lúteo (CCL – 1,7 vs 0,4, sendo P ≤ 0,01). Nas porcas POP os tipos mais comuns de cistos foram CF e CFTL (8,6 e 8,0), enquanto nas porcas POO os cistos em seus ovários ocorreram em um nível similar (CF - 1.6, CFTL- 2.0, CFL - 2.0). A existência de mais de dez cistos ovarianos nas fêmeas diminuiu significativamente a frequência de folículos ovarianos fisiológicos (primário, em crescimento e em maturação) e aumentou significativamente o processo patológico de atresia em todas as fases do desenvolvimento dos folículos ovarianos (P ≤ 0,01). O estudo não revelou qualquer efeito do crescimento ou diminuição do número de cistos ovarianos sobre as concentrações de E2 e P4 no plasma sanguíneo das porcas. Os ovários policisticos diminuíram significativamente as concentrações de A4, mas aumentaram a concentração de T no plasma sanguíneo (P ≤ 0,01). A presença de cistos ovarianos foi, em geral, muito positivamente correlacionada com a concentração de E2, T e A4 a partir do líquido dos cistos, em todos os tipos de cistos ovarianos e com a atresia de folículos primários (coeficiente de correlação de 0,72 até 0,97, P ≤ 0,05). O fenômeno de cistos ovarianos foi significativamente correlacionado negativamente com todas as gerações de folículos ovarianos (P ≤ 0,05). Por: Dr Paulo Roberto S. da Silveira psouzadasilveira@gmail.com

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Dicas de Manejo Para obter excelência nos resultados reprodutivos existem algumas considerações que devem ser adotadas no manejo da inseminação artificial (IA). São quatro os pontos-chave para o sucesso da reprodução: 1 - Momento da inseminação 2 - Detecção do cio 3 - Qualidade do sêmen 4 - Treinamento e capacitação de pessoas O que se conhece na pesquisa e nos serve de referências para aplicá-la no dia a dia da granja e obter excelência nos resultados reprodutivos das granjas:

Porcas inseminadas com intervalo desmame-cio nos dias 3, 4 e 5 são mais produtivas que as demais que apresentam cio com mais de 6 dias de intervalo. Estabelecer manejos de efeito da presença do macho duas vezes ao dia para estímulo de cio a partir do dia seguinte ao desmame.

Estimular cio de marrãs por meio do efeito de presença de macho desenvolve o aparelho genital e aumenta a produtividade da fêmea desde o primeiro parto.

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Dicas de Manejo A ovulação da porca ocorre no terço final do cio. Os espermatozóides levam aproximadamente duas horas para alcançarem a zona pelúcida dos óvulos, portanto, o seu poder de capacitação é de duas horas. A sobrevivência do espermatozóide no trato genital da fêmea é calculado em torno de 25 a 42 horas, embora alguns autores afirmam até 70 horas. O número ideal para uma boa taxa de fertilização varia de 3 a 4 bilhões de espermatozóides na espécie suína. Inseminar a fêmea próxima à ovulação garante melhor capacidade de fecundação.

A fêmea deve ser inseminada apenas quando apresenta total aceitação receptividade à monta.

Evitar contaminação bacteriana desde o início do processo iniciando pela coleta. Utilizar luvas e sobreluvas para proteção da luva de coleta.

Coletar o sêmen em adequado manequim e manter todos os cuidados de higiene durante a coleta Ano VII - nº 38/2011

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Dicas de Manejo Utilizar material descartável em todo processo de manipulação do sêmen e preparação da dose

Manter os cachacos em ambiente adequado com muito conforto. Temperatura ideal de 20 a 22 °C e umidade relativa de 70%, livres de correntes de ar.

Manter fêmeas em ambiente confortável livre de correntes de ar. Temperatura ideal de 20 a 22 °C e umidade relativa entre 60% e 70% e 14 horas de luz.

Investimentos em seleção e capacitação de pessoas no setor de reprodução são da ordem de 1:4 ou seja a cada R$ 1,00 investido obtém-se R$ 4,00 de retorno. Pessoas devidamente qualificadas, motivadas e preparadas conhecendo quais são as prioridades e funções que fazem a produção de leitões, são fundamentais para o sucesso dos resultados reprodutivos. Suínos & Cia

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A Poli-Nutri vende tecnologia nutricional por meio de soluções únicas. A precisão tecnológica, aplicada às necessidades específicas de cada produtor, f Faça como muitos, use e comprove.


Informe Publicitário Boehringer reforça seu time no Brasil A multinacional alemã, Boehringer-Ingelheim, atual líder mundial em vacinas para suínos apresenta novas contratações para o Brasil. Visando reforçar sua equipe e manter a qualidade dos serviços prestados aos clientes, cinco médicos veterinários engrossaram a estrutura da empresa no país.

Consultores Técnico-comerciais: Marcos Barezani - Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais, tem experiência na área de sanidade animal, com ênfase em suinocultura. Atuará orientando os clientes e equipes de campo dos estados de SP e MG. Elaer Matos - Formado em Medicina Veterinária pela UDESC (Lages-SC), possui sólida experiência tanto na agroindústria, como na indústria farmacêutica. Atuará orientando os clientes e equipes de campo dos estados de SC, PR e RS.

Gerente de Produtos: Otávio Fregonesi - Médico veterinário com MBA em marketing, Otávio ingressou no time para integrar a equipe corporativa, auxiliando na elaboração e execução das estratégias de crescimento da empresa.

Equipe Enterisol Ileitis: Vladimir Borges - Com mestrado em reprodução de suínos pela UFRGS e 14 anos de experiência na área, já atuou nos segmentos de genética, agroindústria e nutrição. Ingressou no time para coordenar os trabalhos técnicos com a vacina Enterisol Ileitis, um produto inovador e único no mercado para o controle da Lawsonia intracellularis. Juliana Calveyra - Com mestrado em sanidade em suínos e segurança alimentar, é responsável pelo suporte técnico aos clientes que utilizam a Enterisol Ileitis, enriquecendo a qualidade dos serviços prestados pela empresa. Suínos & Cia

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Informe Publicitário

O papel dos probióticos na saúde dos suínos

A

s doenças são grandes problemas para a produção de suínos, pois podem resultar em redução da produtividade e do bem-estar animal, mortalidade e aumento dos custos de produção. Em 2008, por exemplo, na Dinamarca, a despesa média anual com veterinários e medicamento era de 5 euros/matriz, 2,40 euros/leitão e 0,8 euros/ animal para abate. O enorme prejuízo econômico que as doenças representam para a indústria suinícola enfatiza a importância do manejo sanitário, que deve ocorrer em todos os níveis – estratégico, tático e operacional.

Saúde estratégica O manejo sanitário estratégico envolve um planejamento de longo prazo, medido em anos, que deve incluir considerações como:  Local de produção: manter uma distância entre outros locais de produção avícola e pecuária;  Localização dos galpões: produção em um único ou em múltiplos sítios, e suas relações com outras operações. Instalações para quarentena;  Nível sanitário do rebanho: deve ser um rebanho SPF (livre de patógenos específicos);  Armazenamento e manipulação de dejetos, bem como um plano de sistema de biodigestor para a destinação dos mesmos;

Jens Noesgaard Jorgensen 1, 3 Robert Lantz 2, 3 PhD, Horsholm, Dinamarca Milwaukee, Wisconsin, EUA 3 Saúde Animal & Nutrição, Chr. Hansen A/S 1

2

Saúde tática

entre diferentes grupos de suínos dentro do plantel.

Neste nível, o tempo de planejamento é mais curto, geralmente um ano ou até menos. Decisões aqui são tomadas com relação aos seguintes tópicos:

A proteção contra infecção externa está relacionada com todos os fatores que podem prevenir que patógenos externos penetrem na granja.

 Regras para receber visitantes;  Participação em programas de controle e monitoramento sanitário;  Programas de cuidados com a imunidade;  Protocolos de vacinação;  Protocolos de limpeza e desinfecção.

Saúde operacional Neste nível de planejamento, a visão de tempo é curta, desde o planejamento diário até algumas semanas. Aqui, as principais atividades são a implantação e controle de programas e procedimentos previamente acordados. Uma maneira alternativa de trabalhar o manejo sanitário é dividir as questões em:  Proteção contra infecção externa.  Proteção contra infecção interna. A proteção contra infecção interna cobre todos os elementos relacionados à prevenção da transferência de patógenos

Deve ser observado que os pontos mencionados acima não são uma lista completa de todas as questões que devem ser consideradas com relação ao manejo sanitário. Visite o website do Centro Dinamarquês de Pesquisas Suínas (Danish Pig Research Centre) para uma descrição mais detalhada sobre estes tópicos.

Controle da imunidade Com a implantação de programas de controle sanitário, o cuidado com a imunidade torna-se cada vez mais importante. Um alto grau de imunidade é benéfico, porém, com um bom manejo sanitário, é mais difícil de conseguir. É essencial o controle efetivo da disseminação de agentes infecciosos presentes em um plantel. Isto pode ser conseguido por meio do controle sanitário das novas fêmeas introduzidas por meio de quarentenas, levando em conta o histórico de certas questões sanitárias no plantel reprodutivo. Este é um tópico sob constante

Tabela 1. Composição nutricional das dietas Pré-inicial

Inicial

Recria

 Projeto de edificações individuais;

Unidades de ração para suínos/100 kg ração

121

116

111

 Sistema em que o produtor é o proprietário versus sistema de engorda mediante contrato;

Proteína bruta (%)

19,7

19,2

18,1

Gordura bruta (%)

5,1

6,2

4,7

Lisina (g/kg)

12,8

12,9

11,5

Metionina (g/kg)

4,1

4,0

3,6

 Genética dos animais de reposição: própria ou adquirida. Ano VII - nº 38/2011

Suínos & Cia

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Informe Publicitário debate, uma vez que isto acontece pela movimentação de dejetos entre os grupos de suínos. É importante considerar que sempre haverá riscos de vírus e bactérias em uma unidade de suínos com a entrada de novos animais no rebanho. Estes patógenos também podem entrar pela ração, material de cama e pelo ar, por meio da ventilação.

Manejo da microbiota intestinal Sempre haverá uma comunidade de microrganismos no trato gastrointestinal do suíno, denominada microbiota. Esta comunidade de microrganismos sempre terá alguns patógenos e bactérias benéficas.

Gráfico 1: Ganho médio diário

O crescimento excessivo destes patógenos resultará em transtornos intestinais, que podem levar a uma supressão da produtividade e, em alguns casos, até a morte.

realizado na Dinamarca. O experimento foi conduzido com o probiótico em uma granja comercial produtora de suínos sob elevadas condições sanitárias (status SPF/ AP12).

Assim sendo, assegurar a saúde intestinal faz parte do manejo sanitário de hoje e, muitas vezes, isto é denominado manejo da microbiota. A saúde do trato gastrintestinal é assegurada controlando a qualidade dos ingredientes da ração e a estrutura física da ração e pelo uso de aditivos probióticos.

O experimento incluiu um total de 1.092 suínos DanBred durante aproximadamente 40 dias a partir do desmame (desmamados com 28 dias e alimentados no experimento até 68 dias de idade).

Probióticos Os probióticos são aditivos microbianos vivos para uso em ração e que têm um efeito benéfico sobre o equilíbrio da microbiota intestinal do animal hospedeiro, sendo, portanto, um aditivo eficiente para a obtenção da saúde e funcionalidade do trato alimentar.

de trigo, cevada, soja e 1000 UI de fitase e usadas nas quatro fases de arraçoamento utilizadas:  Fase 1 (dias 28-38): Pré-inicial.  Fase 2 (dias 38-45): Inicial + 2500 ppm zinco.  Fase 3 (dias 45-60): Inicial.  Fase 4 (dias 60-68): Recria.

Os animais foram divididos entre os dois grupos de tratamento, controle ou com probiótico, com 35 suínos/baia e duas baias/unidade experimental. Isto resultou em 7-8 repetições/tratamento.

A única diferença entre as dietas nos dois grupos de tratamento foi a inclusão de 400 g de probiótico/ton de ração no grupo probiótico.

Os suínos foram obtidos de três parições consecutivas, e os tratamentos foram alocados de maneira uniforme às unidades experimentais dentro de cada seção, de maneira a assegurar um teste simultâneo balanceado.

Durante todo o experimento, os animais tiveram ração e água ad libitum.

As dietas foram formuladas à base

A composição nutricional das dietas pode ser vista na Tabela 1.

Os resultados deste trabalho são apresentados nos gráficos 1 e 2 e na tabela 2. Os resultados do grupo controle posi-

O uso de probióticos tem mostrado benefícios significativos na produção de suínos pelo seu modo de ação, que inclui:  Exclusão competitiva dos patógenos;  Inibição de patógenos;  Produção de enzimas digestivas;  Aumento da digestibilidade dos nutrientes;  Estimulação do sistema imune.

Um experimento ilustrativo Uma ilustração do impacto positivo do uso de probióticos pode ser visto nos resultados de um recente experimento Suínos & Cia

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Gráfico 2: Conversão alimentar

Ano VII - nº 38/2011


Informe Publicitário Tabela 2. Efeito da aplicação de probióticos às dietas de suínos Controle

Probiótico

591

502

8

7

Número de suínos Número de repetições

Diferença (%)

Também demonstra que os probióticos podem melhorar a saúde gastrintestinal e a funcionalidade de tal forma que são obtidas melhoras significativas nos parâmetros de produção e economia.

Peso inicial (kg)

7,1

6,9

-2,7

Peso final (kg)

26,1

27,6

+5,7

Referências Consultadas

Consumo de ração (g/dia)

765

776

+1,4

Ganho médio diário (g/dia)

473

a

512

+8,2

Taxa de conversão alimentar (g/g)

1,61

1,52b

-5,0

01. Bækbo, P. & Larsen, L.P., 2005. Sundhed og sygdom hos svin. 5. edition, Landbrugsforlaget. 188 pp

Retirados

1,2

0,9

-25 : P≤0,08; : P≤0,03

a

cionaram a granja de suínos entre as 50% top da Dinamarca, especialmente com relação à carga de doenças (% retirada do experimento). Adicionar probióticos às dietas reduziu ainda mais a carga de doenças (expressa como a porcentagem retirada do experimento). Como consequência, os suínos reagiram, aumentando o ganho de peso médio diário e a taxa de conversão alimentar em 8% (P≤0,08) e 5% (P≤0,03), respectivamente. Tendo como base o custo da ração

b

e os preços atualizados de suínos na Dinamarca (semana 26, 2010), o uso de probióticos resultou, neste experimento, em um retorno sobre o investimento de 10:1.

Conclusão Este experimento comprova que, mesmo em granjas suinícolas de alto desempenho, o trato gastrintestinal ainda está sujeito a um funcionamento não ideal e funcionalidade reduzida devido aos patógenos.

02. Kristensen, A.R. et al. 2008. Herd management science I. Basic concept, Sl books, 140 pp 03. Jensen T., & Bækbo, P. 2010. Sektionering, VSP (http://vsp.lf.dk/), 14 pp 04. VSP 2009. Intern smittebeskyttelse. (http://vsp.lf.dk/), 5 pp 05. VSP, 2009, Ekstern smittebeskyttelse (http://vsp.lf.dk/), 6 pp 06. VSP, 2009. Immunitet og immunitetsstyring. (http://vsp.lf.dk/), 4 pp

Grupo Guabi contrata Estela Gama como supervisora técnica para Linha Nutriserviços O Grupo Guabi contratou a médica-veterinária Estela Gama para atuar como supervisora técnica para a Linha Nutriserviços. Formada pela Universidade Federal de Goiás, Estela é especialista em produção e mestre em nutrição de suínos e aves pela Universidade Federal de Lavras.

Com 36 anos no mercado, o Grupo Guabi é hoje um dos maiores produtores de rações e suplementos do país e conta com oito unidades fabris localizadas em Campinas (SP), Bastos (SP), Sales Oliveira (SP), Pará de Minas (MG), Anápolis (GO), Além Paraíba (MG), Goiana (PE) e São Gonçalo do Amarante (CE).

Com 12 anos de experiência na área, seu novo desafio inclui assistência aos clientes da Guabi, além de oferecer treinamentos para equipes que atuam nas revendas parceiras.

Mais informações no site: www.guabi.com.br

Ano VII - nº 38/2011

Por: Lucia Nunes Diretora e Jornalista Responsável luciacomunicacao@uol.com.br Suínos & Cia

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Divirta-se Encontre as palavras Os aminoácidos determinam o valor nutricional das proteínas, e algumas não são sintetizados pelos animais. A deficiência destes aminoácidos limitam a síntese S S D F A H J K L P Q O W E R O T A Y R U C S L O R L D O K protéica e a eficiência da utilização dos alimentos. M S C D F G A H O J A F O Z D M R B N V J C M X N Z O R D S A F D I G B B H Y N J P I W H E E P O I D K C U N M B T Y O Vamos encontrar no diagrama ao lado: I F G O H X D S I C I P E I R F O F E C F M O Z A Q W T D D

- Triptofano - Lisina - Biotina - Metionina - Cistina - Colina - Treonina - Valina - Isoleucina - Tirosina - Arginina

S I D A F T I R O S I N A R L O M Y M E X R O V R G

R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S A L F R

T S J R G T I R T R R T E Y C U N I N O T L Q Q G T

Q Q I T V A S M X N L G V R B B N R X L I F O N V Y

A E O C I Y T K R J E H O N C H L I T N R G W K C H

X L I Q A N H H B X J U K R L C M O A I B T F O Z N

C S B U K B J B N D B J B N S B W B G K B J E J D B

T E I W E B L N C M D L R H E E K V P F V K E F E T

R S G D J R L G Y W F L I S I N A G B J S L R H A I

O D Y L G G P Y U S G P Y U S G P Y H I C O T T C R

O D O F O H O T J Z H O T J Z H O T U H H O T G Q A

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U Y X Y T N Y X I Q N Y X I Q N O X E G N C O C N W

N T D L H K T D O W K T D O W K L D K R L G U D R A

X R S O M L R R L A L R R L A L E R L F L R E L A D

N I N A I P E E P S P E E P S P U E P I P O I S R O

L P T I E O W S P D O W S P D O C S M D B G O I G C

F T O L Q I Q Z O E I Q Z O E I I Z F E I S O A I H

B O A E N U Z A I R U Z A I R U N A J R O Z T O N A

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T A W H U I U W K C K C W K C I E W O C I Q O K N O

D N F U C L U K E J H V A J X H L D W N N F L J A S

N O Z U A H B I F Z G B Z U Z G S U H I A B F U O G

D W X N A F L X Y K F N X N A D N U F H A R O E A F

S R S H Q C M E T I O N I N A C R A M I C M B M C C

D L W B C D K S H A T M R I E N W A Q I A T Z B W D

R Y I U A M H E H E X P L H E X O E H E X A D H E X

S O D Y D S V D Y D C T L F B O R F D H R O N Y D S

S F L G O H D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

Jogo dos 7 erros

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Ano VII - nº 38/2011


Divirta-se

Teste seus conhecimentos 1. Qual dos agentes abaixo é responsável pela pleuropneumonia contagiosa suína? ( ) Vírus da PRRS ( ) Circovírus suíno tipo 2

( ) Existe uma pleupneumonia com engrossamento da pleura do tipo fibroso que provoca aderências ( ) Microscopicamente as lesões pulmonares se caracterizam com áreas de necrose associadas a processos de trombose vascular

( ) Mycoplasma hyopneumoniae ( ) Actinobacillus pleuropneumoniae 2. Como se transmite a pleuropneumonia suína? ( ) Por contato direto entre suínos ( ) Por aerossóis a curtas distâncias ( ) Por meio da inseminação artificial e embriões ( ) Por pessoas 3. Quantos são os sorotipos de App capsulares com marcada diferença de virulência entre os mesmos? ( ) Mais de 20 ( ) Menos de 10 ( ) Até o presente momento são 12 ( ) Ainda não se conhece 4. Quais os sinais clínicos que aparecem na forma aguda da pleuropneumonia suína? ( ) Anorexia, hipertermia, dispnéia, cianose e alta mortalidade ( ) Diarreia, hipotermia, dispnéia, baixa mortalidade e alta morbidade ( ) Febre alta, anorexia, respiração dolorosa ( ) Corrimento nasal seroso, baixa morbidade e alta mortalidade 5. Quais as principais lesões causadas pelo App?

6. Quais as ferramentas de diagnóstico laboratorial utilizadas para detecção do App e confirmação de diagnóstico clínico? ( ) Sorologia por meio da técnica de ELISA, fixação de complemento ou teste de aglutinação em látex ( ) Imunofluorescência e imunoperoxidasa, como também PCR de amostras de tonsilas ou pulmão ( ) Cultivo e coaglutinação direta de tecido ( ) Todas as alternativas estão corretas 7. Qual das alternativas abaixo não procede como medidas de controle de pleuropneumonia suína? ( ) Prevenir a entrada de animais portadores ( ) Desmame precoce medicado com menos de 21 dias ( ) Não se faz necessário o uso de medicação injetável nos animais doentes e prevenção por meio do uso de vacinas ( ) Realizar adequado manejo de limpeza, desinfecção e prática de manejo tudo dentro tudo fora 8. Qual a relação de antibióticos abaixo é mais indicada no tratamento da pleuropneumonia suína? ( ) Ceftiofur, Enrofloxacina, Penicilina, Tiamulina, Tetraciclina, Tilmicosina, Tulatromicina ( ) Amoxicilina, Tilosina, Gentamicina, Tilosina, Enrofloxacina

( ) Em casos agudos existem nódulos pulmonares de tamanhos variáveis

( ) Lincomicina, Sulfanamidas, Oxitetraciclina, Flofenicol

( ) O pulmão aparece com pequenas áreas consolidadas

( ) Tiamulina, Amoxicilina, Sulfanamidas, Lincomicina, Tilosina

Ano VII - nº 38/2011

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Divirta-se

Encontre as palavras S M A I S I D A F T I R O S I N A R L O M Y M E X R O V R G

S S F F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S A L F R

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F D I O Q Q I T V A S M X N L G V R B B N R X L I F O N V Y

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Jogo dos 7 erros

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Teste seus conhecimentos 1. Qual dos agentes abaixo é responsável pela pleuropneumonia contagiosa suína? ( x ) Actinobacillus pleuropneumoniae 2. Como se transmite a pleuropneumonia suína? ( x ) Por contato direto entre suínos ( x ) Por aerossóis a curtas distâncias 3. Quantos são os sorotipos de App capsulares com marcada diferença de virulência entre os mesmos? ( x ) Até o presente momento são 12 4. Quais os sinais clínicos que aparecem na forma aguda da pleuropneumonia suína? ( x ) Anorexia, hipertermia, dispnéia, cianose e alta mortalidade 5. Quais as principais lesões causadas pelo App? ( x ) Existe uma pleupneumonia com engrossamento da pleura do tipo fibroso que provoca aderências ( x ) Microscopicamente as lesões pulmonares se caracterizam com áreas de necrose associadas a processos de trombose vascular 6. Quais as ferramentas de diagnóstico laboratorial utilizadas para detecção do App e confirmação de diagnóstico clínico? ( x ) Todas as alternativas estão corretas 7. Qual das alternativas abaixo não procede como medidas de controle de pleuropneumonia suína? ( x ) Não se faz necessário o uso de medicação injetável nos animais doentes e prevenção por meio do uso de vacinas 8. Qual a relação de antibióticos abaixo é mais indicada no tratamento da pleuropneumonia suína? ( x ) Ceftiofur, Enrofloxacina, Penicilina, Tiamulina, Tetraciclina, Tilmicosina, Tulatromicina

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Revista Suínos e Cia. Edição 38

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