Page 1

SUÍNOS&CIA - REVISTA TÉCNICA DA SUINOCULTURA

ANO VI - Nº 36/2010


Editorial

A

velocidade com que as mudanças ocorrem no planeta acarretam grande impacto nas pessoas, na sociedade e no mundo empresarial. E a tendência é que esta aceleração seja ainda maior. Por isso, inovar e ficar atento às novas tecnologias são requisitos essenciais. Aliás, o profissional do futuro precisa reunir sete características: autogerenciamento, comunicação múltipla, negociação, adaptabilidade, educação contínua, domínio da tecnologia e foco nos resultados. Se o mundo sempre foi dividido em Eras, estamos vivendo a Era do Conhecimento, na qual estar atualizado é fundamental para a vida e os negócios. Se antes o acesso às informações era bem mais restrito, hoje elas estão disponíveis em qualquer lugar. A internet eliminou barreiras, aproximou pessoas e ajudou a mudar a maneira como víamos o mundo. Claro que é preciso selecionar as informações e saber usá-las corretamente, e na suinocultura não é diferente. Novas tecnologias de manejo, novas vacinas, melhoramentos genéticos que possibilitam maior qualidade à carne suína, novos sistemas de criação e muitos outros processo que levam avan-

ços à suinocultura precisam ser estudados e implementados por todos os profissionais desta cadeia. E por falar em profissional, não poderíamos deixar de prestar uma homenagem ao médico-veterinário. Em 9 de setembro de 1932, por meio do decreto nº 23.133, o então presidente Getúlio Vargas regulamentou a atuação deste profissional e o ensino da medicina veterinária. Por este motivo, a data passou a ser comemorada como o Dia do Médico-Veterinário. Mais do que cuidar de cães e gatos, a atuação deste profissional é muito importante e valorizada em diversas áreas, como assistência técnica, clínica e cirúrgica, gestão, vendas, medicina preventiva, saúde, nutrição, reprodução, inspeção à produção de alimentos de origem animal, controle de zoonoses, vigilância sanitária, auditorias, entre muitas outras. Por todas estas qualificações e sua importância no contexto de saúde animal, deixamos, aqui, nossos parabéns a todos os médicos-veterinários que aliviam o sofrimento e colaboram para o desenvolvimento da pecuária, promovendo a saúde da população.


Índice 6

Entrevista José Eduardo Butolo

12

Reprodução Aplicação de tecnologias avançadas de inseminação artificial para melhorar a competitividade da suinocultura

26

Recursos Humanos Especialista em suínos: profissional do futuro no presente

32

Sanidade Atualidades no Circovírus Suíno Tipo 2 (PCV2) - Parte II A prova de elisa: ferramenta útil para o diagnóstico sorológico da salmonelose

44

Sumários de Pesquisa

48

Aconteceu Novartis no IPVS 2010 em Vancouver, Canadá Poli-Nutri recebe mais um atestado de qualidade do Ministério da Agricultura Grupo Consuitec em parceria com a Cooperoeste

52

Informe Publicitário Talent: eficiência na conversão

54

Reportagem O sucesso do 5º Simpósio Internacional de Produção Suína Suinocultura Lar torna-se uma empresa certificada pela ISO 9001

60

Dicas de Manejo Como controlar a coccidiose suína

64

Divirta-se Encontre as palavras Teste seus conhecimentos Jogo dos 7 erros Cruzadox Respostas


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos&Cia é destinada a médicosveterinário, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnico-científicos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

Consultoria Técnica Adriana Cássia Pereira CRMV - SP 18.577 Deborah Gerda de Geus CRMV - SP 22.464 Edison de Almeida CRMV - SP 3045

Jornalista Responsável Paulo Viarti MTB.: 26.493

Projeto Gráfico e Editoração T2D Comunicação t2d@uol.com.br

Ilustrações Roque de Ávila Júnior

Departamento Cormercial Kellilucy da Silva comercial@suinosecia.com.br

Atendimento ao Cliente Adriana Cássia Pereira adriana@suinosecia.com.br

Assinaturas Anuais Brasil: R$ 120,00 Exterior: R$ 160,00 Liria Santos assinatura@suinosecia.com.br

Impressão Silvamarts

Administração, Redação e Publicação Rua Felipe dos Santos, 50 Jardim Guanabara CEP 13073-270 - Campinas - SP Tels.: (19) 3243-8868 / 3241-6259 suinosecia@suinosecia.com.br www.suinosecia.com.br

UPL - Cooperativa Agroindustrial LAR - Itaipulândia - PR

A reprodução parcial ou total de reportagens e artigos será permitida apenas com a autorização por escrito dos editores.


Entrevista A nutrição e suas interações Entrevista José Eduardo Butolo

Entrevista:

José Eduardo Butolo Biólogo, bioquímico, doutor em ciências na área de nutrição animal, fundador e primeiro presidente do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), no qual exerce, atualmente, o cargo de diretor-tesoureiro. Atuou como professor da ESALQ/Piracicaba e Unesp/ Jaboticabal, professor do curso de Mestrado e Doutorado da Unesp/Botucatu e membro do Conselho Superior de Zootecnia junto à Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. Estes são alguns dos tributos e qualificações do vasto currículo de José Eduardo Butolo, especialista em nutrição animal. Butolo já participou de inúmeros congressos, conferências e simpósios, sempre ligados às áreas de nutrição animal. Como expositor e conferencista, conhece bem as regiões produtoras de aves e suínos no Brasil, EUA, Europa e América do Sul. Ao longo de sua carreira acadêmica e profissional publicou livros e 74 trabalhos científicos. Também ministrou palestras e conferências e colecionou alguns prêmios, como o Nisseiken de Pesquisa Avícola, outorgado pelo Nippon Institute for Biological Science, de Tóquio, Japão, em 1973, e o de “Cientista do Ano”, por ocasião da Conferência APINCO de Ciência e Tecnologias Avícolas, em Santos, em 2006. Nesta entrevista, Butolo fala sobre o papel do nutricionista e suas perspectivas na área de produção animal. Explica como controlar a qualidade de matérias-primas destinadas à produção de ração e aborda as linhas de estudos que devem ser implementadas nos principais centros de pesquisa. Suínos & Cia

6

Suínos&Cia - Em sua experiência, qual o principal papel do nutricionista em maximizar os resultados zootécnicos que avançam a cada dia em relação à genética? Butolo - Conhecimento da evolução da genética das diferentes linhagens disponíveis no mercado, abrangendo a pecuária como um todo e as inter-relações com a nutrição, focando as exigências nutricionais, meio ambiente, manejo adequado, sanidade e instalações que possam atender às exigências do mercado globalizado, bem como suas restrições e a relevância mais importante, o custo da produção. Em termos nutricionais, para maximização dos resultados zootécnicos, o conhecimento da qualidade dos ingredientes que fizerem parte do alimento é imprescindível, além do conhecimento dos novos cultivares de milho e soja, pois as variedades transgênicas, principalmente do milho, já ocupam metade da área plantada. Portanto, somente por meio de uma pecuária altamente tecnificada e produtiva, poderemos atender à enorme demanda de alimentos, de maneira sustentável: ecologicamente correta, socialmente responsável, economicamente viável e cientificamente comprovada. Suínos&Cia - E em relação à sanidade ou saúde de população, como o nutricionista pode atuar? Butolo - Depois de muitos anos do uso de aditivos zootécnicos e, em particular, dos melhoradores de desempenho e eficiência alimentar (antimicrobianos na alimentação animal), esses produtos passaram a ser vistos como fatores de risco para a saúde do consumidor, com a possibilidade da presença de resíduos desses aditivos e de seus metabólitos em produtos comestíveis (carne, leite, ovos). Além disso, há possibilidade de indução de resistência bacteriana pela seleção de cepas resistentes, causada pela utilização prolongada de determinados antibióticos promotores de crescimento. Após a crescente pressão do consumidor pela necessidade de maior segurança alimentar, face aos escândalos ocorridos na Europa na última década, tais como a presença de dioxina na carne, pesticidas em frutas e doença da vaca louca (BSE), a União Europeia, por precaução, foi forçada, por meio de suas diretivas, a suspender o uso de vários antibióticos disponíveis no mercado e que eram utilizados como promotores de crescimento. Em face dessas diretivas, o MAPA (Ministério da Agricultura e Produção Animal), por meio da instrução normatiAno VI - nº 36/2010


Entrevista va no 13, de 30/11/2005, e seguindo orientações do Codex Alimentarius e da OMS (Organização Mundial de Saúde), regulamentou o uso de aditivos, e o nutricionista deve atuar com base nesta instrução normativa, permitindo a preservação da sanidade animal e humana e produzindo alimentos seguros, livres de resíduos e de contaminantes. Suínos&Cia - Quais os grandes desafios das empresas produtoras de núcleo e premix que necessitam se modernizar para acompanhar as atuais exigências de mercado? Butolo - O agronegócio brasileiro, referência mundial, e o intercâmbio de informações, com troca de conhecimento e pesquisas e conhecimento profundo das necessidades dos consumidores, são indispensáveis para manter a empresa na vanguarda da cadeia produtiva, dentro das atuais exigências do mercado. Suínos&Cia - A alimentação na produção de suínos responde por aproximadamente 70% do custo total. Pode ser possível reduzir estes custos dentro de um programa nutricional sem perder ou comprometer a produtividade? Butolo - Os elevados custos dos alimentos têm levado à procura de fornecedores de ingredientes alternativos. À primeira vista, fontes alternativas de ingredientes podem parecer mais econômicas, entretanto, existem riscos inerentes, associados com a globalização da cadeia de fornecedores. A contaminação com substâncias indesejáveis ou a variação na composição desses ingredientes podem superar qualquer vantagem econômica. Uma cadeia de fornecedores ampliada aumenta a necessidade de maior rastreabilidade e certificação. A avaliação de novos ingredientes e sua otimização nas formulações são responsabilidade dos nutricionistas para evitar o Ano VI - nº 36/2010

comprometimento do desempenho, principalmente em função da integridade do trato intestinal dos animais, responsável pela absorção dos nutrientes. Suínos&Cia - Poderia citar alguns conceitos atuais no contexto de nutrição animal que quebram paradigmas e contribuem em melhorias de resultados? Butolo - Paradigmas são modelos padrões, comuns no contexto da nutrição animal, que, quando quebrados, contribuem para a melhoria dos resultados econômicos e da produtividade em determinados segmentos da pecuária. Alguns exemplos em formulação de alimentos são a proteína bruta pela digestível ou ideal; extrato etéreo por ácidos graxos saturados e insaturados; determinados microminerais inorgânicos por orgânicos; aminoácidos totais por digestíveis; energia metabolizável por líquida; nutrientes de tabelas nacionais e internacionais por aqueles analisados rotineiramente em laboratórios próprios ou terceirizados Suínos&Cia - Atualmente, no Brasil, nossos planteis na área de pro-

dução de carne apresentam excelente controle sanitário. No entanto, existem muitos problemas imunossupressores relacionados às micotoxinas. O senhor poderia nos sugerir um breve conceito de como se pode estabelecer um protocolo funcional para o controle da qualidade de matérias-primas destinadas à produção de ração? Butolo - Quando nossos planteis na área de produção de carnes são desafiados com ingredientes de baixa qualidade e com a presença de micotoxinas, os mecanismos de defesa dos animais são prejudicados, tornando-os propensos a infecções entéricas, que diminuem a capacidade de absorção de importantes nutrientes para a perfeita resposta imune. A presença de alguma micotoxina, a combinação entre duas ou mais associadas nos ingredientes, principalmente o milho, ou ainda o próprio alimento que não é monitorado são responsáveis por maus desempenhos a curto, médio ou longo prazos. Portanto, a qualidade do alimento depende de um efetivo e bom controle de qualidade, que pode ser dividido em quatro áreas distintas: controle dos ingredientes; controle da formulação baseado no controle dos ingredientes; controle do proSuínos & Cia

7


Entrevista cesso de produção (recebimento e armazenamento dos ingredientes, liberados para uso após análises), análise de riscos, controle do produto final e expedição (BPF); e pontos críticos na produção dos alimentos (identificação de riscos e fixação de seus rigores). No quadro 1, você pode verificar algumas sugestões de análises de controle de qualidade e frequências em alguns ingredientes e produtos terminados Suínos&Cia - Como será o uso de promotores de crescimento na nutrição animal, já que se caminha cada vez mais para a restrição dos atuais produtos disponíveis no mercado? Butolo - Substituí-los quando forem confirmados cientificamente que são prejudiciais à saúde pública, em função da permanência de seus metabólitos em tecidos comestíveis, leite e ovos. Dos atuais produtos disponíveis no mercado para obtenção ou revalidação de seus registros, o MAPA tem exigido testes biológicos comprovando a sua eficácia e a curva de decaimento do produto, após o período de retirada (5 a 7 dias) antes do abate, além dos testes de estabilidade acelerada (6

meses) e de longa duração (2 anos) para novos produtos. A substituição dos antimicrobianos pelos aditivos alternativos (probióticos, prebióticos, fitoterápicos e nutracêuticos) já vem sendo pesquisada na última década, com resultados satisfatórios quanto à estabilização da microbiota e da integridade intestinal.

Para o especialista em nutrição animal, o principal papel do nutricionista é acompanhar a evolução da genética disponível no mercado dentro de suas diferentes linhagens e suas inter-relações com a nutrição, meio ambiente, manejo e sanidade Suínos&Cia - Quais os seus conselhos para as empresas que produzem produtos finais no segmento de alimentação animal? Butolo - Práticas que garantam a qualidade dos produtos, que são regulamentos técnicos sobre condições higiênico-sanitárias, BPF (Boas Práticas de Fabricação), HACCP (Análise de Pontos Críti-

cos) e rastreabilidade dos ingredientes quanto às suas características nutricionais, além de evitar contaminações cruzadas de aditivos nos produtos destinados aos animais em suas diferentes fases de criação e tipos de exploração pecuária. Suínos&Cia - Na atualidade, quais as principais linhas de estudos relacionadas à nutrição animal devem ser implementadas nos principais centros de pesquisa? Butolo - Ambiência e zootecnia de precisão, abrangendo formulação na base de energia líquida; proteína ideal em aves e suínos e dieta total para ruminantes; ingredientes alternativos protéicos e energéticos, bem como aditivos alternativos para substituição de antimicrobianos; dietas fásicas em frangos de corte; nutrição e meio ambiente, (aditivos para estabilização da microbiota e integridade intestinal, diminuição da produção de amônia, alteração do pH dos dejetos a partir da alteração da dieta e substâncias produtoras de odores); controle de resíduos e contaminantes, principalmente metais pesados; processamento industrial visando ao tamanho de partículas das dietas e qualidade na indústria de alimentos, “do campo ao prato”. Suínos&Cia - O senhor poderia comentar como o Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) contribuiu na educação continuada dos que se dedicam a nutrição animal no mercado nacional? Butolo - A fundação, em 5 de novembro de 1985, o Colégio Brasileiro de Nutrição Animal já realizou mais de uma centena de Encontros Técnicos Científicos, entre congressos, simpósios e cursos de atualização em avicultura, suinocultura, bovinocultura, aquicultura, equinocultura e pet (cães e gatos), abrangendo as áreas de nutrição, manejo, tecnologia da produção,

Suínos & Cia

8

Ano VI - nº 36/2010


INGREDIENTES

Classificação Granulometria DGM Umidade Proteína bruta Extrato etéreo Fibra bruta Matéria Mineral Cálcio Fósforo Sódio Potássio Magnésio Acidez Peróxido Aminas biogênicas Atividade ureática Solubilidade Aminoácidos Digestibilidade Pesticidas Micotoxinas Salmonella Ácidos graxos livres Ácidos graxos totais Tanino Gossipol Lactose

Entrevista

CEREAIS Milho

*

*

*

X *

Sorgo

*

*

*

O

X

Triticale

*

*

*

O

X *

*

FARELOS E SUBPRODUTOS VEGETAIS Milho moído

* * O O O O O O O O O O

O

O

Farelo de Trigo

*

* *

* O O O O O O

O

X

Farelo de Arroz integral

*

* * * * O O O O O O

O

X

Farelo de Arroz desengordurado

*

* * * * O O O O O O

O

X

Farelo de Soja

* O * * O O O O O O O O

* * O

X

Soja Integral desativada

* O * * * O O O O O O O *

* * O

X

O O

FARINHAS E SUBPRODUTOS ANIMAIS Farinha de carne

*

* * *

* * * * O O * * *

O *

*

Farinha de vísceras

*

* * *

* * * * * * * * *

O *

*

Farinha de penas e vísceras

*

* * *

* * * * * * * * *

O *

*

MINERAIS Fosfato bicálcico

*

Calcário

*

* * *

O

* *

O

ÓLEOS E GORDURAS Óleo bruto de soja

*

*

* *

*

* *

Gordura Animal

*

*

* *

*

* *

Ácidos graxos

*

*

* *

*

* *

SUCEDÂNEOS DE LEITE Leite integral

* * *

*

O

*

Leite desnatado

* * *

*

O

*

Soro de leite

* * *

*

O

*

PRODUTOS TERMINADOS – BASE NÍVEIS DE GARANTIAS REGISTRADOS Rações e concentrados

* O * * * * * * *

X X

*-Determinações frequentes O-Determinações realizadas dentro de um programa mínimo X-Determinações em condições especiais

saúde animal, meio ambiente, entre outras. Os objetivos desses eventos foram a apresentação de novas tecnologias e a discussão de problemas relacionados às diversas áreas da nutrição animal, visando ao aprimoramento do nível técnico de seus participantes e ao fomento à pesquisa científica e tecnológica para obtenção de melhores índices da produção animal. Neste ano, o CBNA completa 25 anos de atividades e, Ano VI - nº 36/2010

presentemente, cumpre uma pauta de grande importância para o nosso setor, que é a realização do IV CLANA (Colégio Latino-Americano de Nutrição Animal), em novembro. Suínos&Cia - Após dez anos da criação do CLANA (Colégio Latino-Americano de Nutrição Animal), quais foram as conquistas da parceria entre a CBNA (Colégio Brasileiro de Nutrição Animal)

e a AMENA (Associação Mexicana de Nutrição Animal)? Butolo - Em razão da importância que o CBNA e AMENA sempre representaram para a comunidade cientifica de seus países, buscouse, por meio da integração destas duas entidades, criar um fórum de discussões mais amplo e abrangente. Nesse sentido, em 17 de agosto de 2000, em Campinas, foi assinaSuínos & Cia

9


Entrevista do o Protocolo de Intenções entre o CBNA e a Amena, com o objetivo da criação do CLANA. Neste ato, o CBNA foi representado pelos seus presidente e vice, respectivamente, os Drs. Valdomiro Shigueru Myada e José Eduardo Butolo; e a AMENA representada pelos seus membros Drs. José Antonio Cuaron e Francisco Garcia. As conquistas dessa parceria foram o conhecimento das pesquisas realizadas pelos profissionais e pesquisadores brasileiros e mexicanos nas diversas áreas da nutrição animal; relacionamento técnico-profissional com associações de objetivos similares, tanto latino-americanas quanto mundiais, que a médio prazo também serão participantes do quadro associativo, culminando com a integração total da América Latina para uma futura associação conjunta entre essas entidades; aprimoramento e divulgação dos conhecimentos da nutrição animal, propiciando melhoria do nível técnico dos participantes e visando a melhores índices da produtividade animal; e os Congressos LatinoAmericanos de Nutrição, realizados pelo CLANA, em 2003 (Cancun), 2006 (São Paulo) e 2008 (Cancun), e este de 2010, que acontecerá na Estância de São Pedro. A progra-

Suínos & Cia

10

mação e todas as informações sobre o IV CLANA estão disponíveis no site www.cbna.com.br. Suínos&Cia - Na sua trajetória de pesquisa, qual foi o seu principal estudo que contribui para a nutrição animal nos últimos dez anos? Butolo - Em nosso Centro de Treinamento e Pesquisas, temos realizado, nos últimos 10 anos, pesquisas de eficácia, segurança, biodisponibilidade, resíduos de antimicrobianos e aditivos nutricionais em tecidos comestíveis (carne, leite e ovos). Essas pesquisas são exigidas para registro de produtos junto ao MAPA. Na sua interface temos realizado experimentos de produtividade das diferentes linhagens de aves de corte e postura, suínos, bovinocultura de corte e níveis de LMR de diferentes aditivos com base na legislação do Codex Alimentarius e OMS, além de trabalhos com ambiência, manejo e tecnologia de produção. Suínos&Cia - O segmento de nutrição animal gera empregos e oportunidades de mercado. Quais são seus conselhos para aqueles que estão começando e desejam atuar nessa área? Butolo - Nós conhecemos as

estruturas das universidades, bem como suas dificuldades, tanto das particulares, que proliferam a passos largos, bem como das federais e estaduais. Portanto, sugerimos aos universitários que almejam atuar no segmento da nutrição animal que se dediquem aos conhecimentos da bioquímica, fisiologia, estatística, técnicas laboratoriais básicas, informática, inglês e espanhol. Estagiar antes ou depois de graduado, em todas as áreas da pecuária, se possível, caso ainda não tenham escolhido um dos segmentos. Caso tenham, procurem, no segmento escolhido, conhecê-lo profundamente, fazendo estágios e cursos extracurriculares e participando de eventos como congressos e simpósios. Também devem procurar ser um dos melhores no segmento escolhido. “O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude, e o realista ajusta as velas.” Suínos&Cia - Na sua trajetória houve muitos acertos. Você poderia deixar uma mensagem de agradecimento àqueles que contribuíram para o seu sucesso na realização de seus sonhos? Butolo - Durante minha trajetória profissional, tivemos muitos acertos e uma somatória de erros, que fazem parte da vida de todo profissional que se dedica para atingir a realização de seus sonhos. Porém, antes e depois de formados, nós temos que agradecer em especial a nossos mestres e a todos os profissionais, amigos e conselheiros. Seria muito pouco o espaço para listar seus nomes. Entretanto, em especial, temos que agradecer e orar à memória de meus queridos pais por terem me dado a vida e possibilitado minha formação profissional, à minha esposa, pelo encorajamento e colaboração nos meus projetos e ideais, e aos meus filhos e netos, motivação maior da minha vida. “Nós devemos nos libertar da esperança de que o mar estará sempre calmo. Devemos aprender a navegar em ondas grandes” (Aristóteles Onassis). Ano VI - nº 36/2010


Entrevista

Ano VI - nº 36/2010

Suínos & Cia

11


Reprodução Aplicação de tecnologias Aplicação de avançadas de inseminação tecnologias artificial para melhorar a competitividade da suinocultura Reprodução

Introdução O uso da inseminação artificial (IA) no suíno tem promovido um impacto maior no desenvolvimento genético da suinocultura, nos últimos 40 anos. Entretanto, no geral, a eficácia da produção do plantel reprodutivo é altamente dependente da capacidade reprodutiva (fertilidade) dos machos usados na reprodução, para o desempenho da linha final de seus descendentes. Em função da estrutura poligâmica da produção de suínos, machos de baixa qualidade afetarão os resultados reprodutivos de numerosas fêmeas. No caso da IA podem ser centenas de fêmeas. Embora os ejaculados coletados para uso na IA sejam submetidos a análises padrão de sêmen, nas centrais de IA comerciais, a efetividade dessas avaliações é baixa, comparada

com a de outras espécies de animais de produção. A discussão a seguir, sobre a necessidade do uso de tecnologias mais avançadas de IA para melhorar o impacto dos machos da elite genética baseia-se em três suposições: 1. A utilização de machos subférteis e de ejaculados de baixa qualidade reduz a eficácia da produção. 2. O uso de um pool de sêmen de machos com definição ruim, quebra a relação entre o valor genético conhecido individual dos mesmos e a paternidade da progênie produzida. 3. O número excessivo de espermatozóides utilizados por leitegada nascida (provavelmente mais de nove bilhões são usados nos procedimentos de rotina) e, consequentemente, o alto número de cachaços necessários para a produção de

A taxa de prenhez e o tamanho da leitegada são as medidas máximas avaliadas do desempenho reprodutivo dos machos

Suínos & Cia

12

George R. Foxcroft Jenny Patterso Audrey Cameron Michael K. Dyck Centro de Pesquisa e Tecnologia de Suínos Universidade de Alberta george.foxcroft@ualberta.ca

sêmen, reduz o impacto genético dos melhores machos. Somadas, essas ineficiências da IA empregada na suinocultura representam a principal desvantagem para os suinocultores, em um mercado de produção animal globalizado. Em função de avanços recentes na tecnologia genômica, nossa capacidade em identificar machos com, até, um maior potencial estimativo de valor genético (EBV, em inglês) vai crescer, aumentando a possibilidade de se otimizar o uso dos mesmos em sistemas eficazes de produção de suínos. Estimativas disponíveis sugerem que as técnicas avançadas de IA podem incrementar o valor genético de cada suíno produzido em mais de US$ 1,00.

Vantagens estratégicas resultantes da melhora na avaliação da fertilidade dos machos. As medidas máximas do desempenho reprodutivo dos machos são a taxa de prenhez e o tamanho da leitegada. Tratam-se, porém, de medidas retroativas da fertilidade do macho, as quais podem ser altamente influenciadas pelo manejo e pela qualidade das porcas e marrãs inseminadas (10). A combinação de um exame físico completo do macho com a avaliação convencional do sêmen (concentração, morfologia, motilidade) pode nos fornecer uma alternativa para os dados de fertilidade vigentes (15). Enquanto essas avaliações podem estabelecer a condição de subfertilidade ou infertilidade de um animal, elas falham na identificação da fertilidade relativa dos machos que satisfaça os padrões aceitos pela indústria, relativos Ano VI - nº 36/2010


Reprodução à qualidade do esperma e do ejaculado(25). No geral, os prognósticos da fertilidade frequentemente aplicados na maioria dos centros comerciais de IA proporcionam uma estimativa bastante conservadora da fertilidade relativa individual dos machos. Além disso, o número relativamente alto de espermatozóides usados na prática da IA comercial (usualmente, mais de três bilhões por dose de diluente de sêmen) e a prática do pool de sêmen a partir de múltiplos ejaculados, mascaram a fertilidade limitada de alguns desses machos. Diferenças na fertilidade são mais evidentes quando um baixo número de espermatozóides é usado na IA e os machos são avaliados individualmente. Conforme já foi discutido por outros autores, se o impacto econômico total dos machos mais bem avaliados geneticamente fosse utilizado no nível da produção comercial, o número de porcas e marrãs inseminadas por macho deveria ser maximizado (14). O grande número de inovações na tecnologia da inseminação, incluindo as técnicas pós-cervical (29), e uterina profunda (28), conduz a um número mais baixo de espermatozóides usados por inseminação. A possibilidade adicional do uso de técnicas de ovulação controlada para a obtenção de protocolos de inseminação do tipo tempo fixo (5,9), poderia também aumentar substancialmente o uso de machos geneticamente superiores. A combinação da aplicação das técnicas de inseminação pós-cervical e tempo fixo (9), poderia, adicionalmente, promover a disseminação de uma genética superior. A previsão efetiva da fertilidade relativa do macho é essencial, permitindo a remoção dos animais menos produtivos das centrais de IA comerciais. Isso, por sua vez, otimiza o uso de machos comprovadamente férteis e altamente indexados – do ponto de vista genético – reduzindo o número de espermatozóides por dose inseminante. No nível nuclear esse procedimento permitirá um aumento da pressão de seleção, pelo crescimento do número de gerações originárias de machos de alto padrão. No nível da linha terminal de produção, seria possível uma melhoria considerável na eficácia da produtividade, a qual seria concretizada pela capitalização em machos de altos índices para traços tais quais: taxa de crescimento, conversão alimentar, rendimento e características de carcaça de sua progênie. Ainda que os mesmos custos fossem pagos, em terSuínos & Cia

16

A utilização de doses altas na inseminação artificial ou prática de pool de sêmen a partir de múltiplos ejaculados, mascaram a fertilidade do macho. mos de royalties genéticos, o fato de se comprar menos doses de sêmen de machos geneticamente superiores melhoraria substancialmente o custo-benefício para os produtores, em termos de desempenho crescimento/terminação da progênie, sendo substancial o valor obtido por carcaça vendida. Se estas mudanças na estratégia de produção forem implementadas, é crítico a identificação de cachaços de fertilidade relativamente baixa, os quais não terão bom desempenho se utilizados em situações de desafio, correspondentes a número reduzido de espermatozóides por dose inseminante ou a uma única inseminação a tempo-fixo. O conceito “sêmen utilizável” muda nesse contexto de maior demanda. As informações já existentes e as recentes pesquisas dirigidas para a obtenção desses critérios de maior demanda para sêmen utilizável são apresentadas a seguir. Essa revisão levará em consideração dados preliminares que reforçam a necessidade da identificação de diferenças substanciais na fertilidade de cachaços e o “efeito do acerto pela média”, resultante da utilização do pool de doses seminais de vários machos. Finalizando, serão apresentados dados recentes apoiando a situação de mudança para uma única IA a tempo fixo e, possivelmente, uma inseminação pós-cervical como “próximos passos” críticos na aplicação de nossa melhor genética suína para uma produção mais competitiva.

Avanços na avaliação do sêmen suíno Há uma longa história por trás da busca de um único teste, ou de uma combinação de testes, que pudesse predizer com acuracidade a questão da fertilidade do macho a partir de uma amostra de sêmen (2). Infelizmente, parece não haver uma resposta simples para essa questão extremamente complexa (23). Provas laboratoriais frequentemente examinam todo o esperma presente numa amostra, com relação à fertilidade, ainda que apenas de um a trinta espermatozóides sejam necessários para fertilizar todos os oocistos disponíveis. Braundmeier e Miller (2001) sugeriram que o espermatozóide que fertiliza os ovócitos “in vivo” pode ser uma pequena (até única) e altamente selecionada subpopulação, que não é representativa na média dos espermatozóides avaliados na amostra. Eles também sugerem que, pelo fato do espermatozóide precisar cumprir muitos requerimentos para concluir com sucesso a fertilização, testar um atributo isolado seria uma medida muito pouco produtiva para concluir sobre a fertilidade. Usando um raciocínio similar, RodriguezMartinez (2003) sugeriu que, para prever de modo acurado a qualidade do sêmen seria necessário testar todos os atributos chave do espermatozóide, em meio a uma Ano VI - nº 36/2010


Reprodução

Foto: Rafael Pallas O volume ejaculado, concentração espermática, percentual de motilidade e morfologia, são parâmetros que sugerem uma informação, mas não define a verdadeira fertilidade do cachaço grande e heterogênea população de espermatozóides que, potencialmente, afetassem a fertilização e o desenvolvimento embrionário. Apesar disso, os marcadores dessa fertilidade relativa selecionada inicialmente devem, no final das contas, prever a fertilidade relativa dos cachaços, quando se utiliza doses baixas de sêmen diluído para IA (23). Braundmeier e Miller (2001) revisaram alguns testes funcionais e moleculares usados para acessar a fertilidade do macho. Nessa revisão, descreveram dois traços espermáticos diferentes que afetam a fertilidade:  Traços compensáveis são aqueles que podem ser superados pela introdução de um grande número de espermatozóides, durante a inseminação. Problemas com motilidade e morfologia reduzirão o número de espermatozóides aptos a alcançar o ovócito, mas com a introdução de um grande número de espermatozóides, a redução na fertilidade pode ser minimizada.  Traços não compensáveis são aqueles que não podem ser superados pela introdução de um grande número de espermatozóides. Estes defeitos afetam a fertilização e o desenvolvimento embrionário e incluem: vacúolos nucleares, problemas morfológicos e questões na estrutura cromatínica do espermatozóide, que não inibem a fertilização. Para se prever a fertilidade de Ano VI - nº 36/2010

modo efetivo é essencial que se descrimine os traços compensáveis dos não compensáveis, em um ejaculado. Avaliação da fertilidade relativa do cachaço “in vivo”, usando alto número de espermatozóides por dose (ex.: três bilhões de espermato-

zóides) mascarará as diferenças em traços compensáveis, não permitindo que a indústria identifique machos que desempenharão bem, em procedimentos de IA mais exigentes. A avaliação convencional do sêmen geralmente inclui a medida do volume seminal, a concentração espermática e o percentual de motilidade morfologicamente e progressivamente normal do esperma (3). Embora alguns desses parâmetros estejam correlacionados com a fertilidade do cachaço (12, 30), muitos autores sugerem que essa informação – embora importante – não serve para um prognóstico acurado da verdadeira fertilidade do macho (6, 11,21). Conforme demonstrado na Tabela 1, as análises existentes são, também, usualmente inadequadas para prever a fertilidade relativa em machos saudáveis e com ejaculados que cumpram os padrões normais estabelecidos pela indústria (motilidade > 70% e patologias espermáticas < 30%) (12, 01), mesmo que a eficácia reprodutiva desses cachaços ainda seja substancialmente diferente (12, 27, 20, 25) . Conforme demonstrado na Tabela. 2, diferenças na fertilidade relativa se tornam evidentes, de modo crescente, quando doses de sêmen com baixa concentra-

Tabela 1. Relações entre motilidade espermática de cachaços, índices de penetração de espermatozóides, taxas de parição e número de leitões nascidos vivos (fonte: Flowers, 1997). Motilidade (%)a

Índice de penetração de espermatozóides (%)b

Taxa de parição (%)c

Número de nascidos vivos

94,7

89,5v (58)

86,9v (460)

10,6v

82,3

81,7vw (55)

87,1v (330)

10,5v

76,1

84,3vw (50)

84,5v (300)

10,5v

66,2

74,7w (44)

86,1v (264)

10,1v

52,4

55,5 (40)

72,4 (201)

9,2w

44,2

34,7y (28)

72,3w (168)

9,2w

32,6

21,3z (17)

51,7x ( 85)

7,8x

SEM

4,8

5,8

0,3

x

w

a

Motilidade é expressa como o número médio de espermatozóides móveis dentro das seguintes classes: > 90; 80-89; 70-79; 60-69; 50-59; 40-49 e 30-39. b

Índice de penetração de espermatozóides é definido como o percentual de óvulos que foram fertilizados. Os números em parênteses representam o número de ejaculados dentro de uma categoria de motilidade.

c

O número entre parênteses representa o número de fêmeas inseminadas dentro de uma categoria de motilidade. SEM = Erro Padrão da Média. v,w,x,y,z

Dentro da mesma coluna, com sobrescritos diferentes, são significativamente diferentes (p < 0,05).

Suínos & Cia

17


Reprodução Tabela 2. Resultados de fertilidade “in vivo” de nove cachaços com sêmen de características aceitáveis (motilidade espermática > 80% e patologias espermáticas < 15%). Marrãs inseminadas com 1,5 x 109 espermatozóides morfologicamente normais e móveis, por dose de 50 mL. (fonte: Ruiz-Sanchez, 2006). Macho

x, y, z

N° de fêmeas

Fertilidade “in vivo”

Inseminadas

Prenhez

Paridas

Taxa de prenhêz*

Taxa de parição*

Total** nascido

Índice** fertilidade

R-2

51

50

50

98x

98x

11,7±0,4ab

11,4±0,6a

Y-2

53

48

47

91xy

89xy

12,0±0,5a

10,9±0,6ab

Pu-3

57

54

52

95xy

91xy

11,2±0,5abc

10,2±0,6ab

B-1

55

54

52

98

94

abcd

10,7±0,5

10,2±0,6ab

R-3

55

52

52

94xy

95xy

10,9±0,4abcd

10,1±0,6ab

G-2

45

42

41

93xy

91xy

10,1±0,5abcd

9,5±0,6ab

B-3

55

51

51

93xy

93xy

9,6±0,5cd

8,8±0,6abc

R-1

56

48

47

86yz

84yz

10,0±0,4bcd

8,4±0,6bc

G-1

51

37

36

72

71

8,4±0,6

6,0±0,6c

p = 0,0003

p=0,0003

p < 0,001

p < 0,0001

x

xy

z

z

d

Médias com sobrescritos distintos, dentro de cada coluna, foram diferentes pelo método do x (p < 0,05).

a, b, c, d

2

Valores médios (LSM) com sobrescritos distintos, dentro de cada coluna, foram diferentes (p < 0,05).

Os números na tabela são pelos valores médios (LSM) ± erros padrão (SE) de LSM. p = probabilidade do principal efeito do macho. * expresso em % ** expresso em média ± erro padrão (SE) ção de espermatozóides (< dois bilhões) são utilizadas na IA (27, 29, 4, 25). Esse recurso provavelmente impede o efeito compensatório do uso de um número excessivo de espermatozóides por dose inseminante (26, 01) , revelando, consequentemente, diferenças importantes na fertilidade entre machos. Embora inúmeros outros marcadores da qualidade do sêmen e da fertilidade do macho tenham sido pesquisados (veja as revisões de Foxcroft et al., 2008) e possam – eventualmente – simplificar o processo de avaliação, já existe informação suficiente para embasar mudanças dramáticas na tecnologia da IA, na suinocultura.

Evidencia de diferenças na fertilidade relativa do cachaço, em Centrais de IA comerciais O uso quase que universal da mistura de doses de sêmen (pool de doses), em Centrais de IA comerciais limita muiSuínos & Cia

18

acima de 13 leitões nascidos vivos permitiria perseguir resultados ambiciosos em termos de desempenho para o plantel reprodutivo. Entretanto, quando a produtividade do pior macho1/3 entre eles é considerada, a produtividade como um todo cai pouco mais de um leitão nascido. Esse desempenho relativamente inferior, de 20 a 30% dos machos avaliados é consistente com os dados mais extensivos apresentados nas Tabelas 1 e 2. Com as práticas atuais de IA, essas diferenças substanciais na produtividade dos machos e a ligação com a progênie conhecida, produzida por cachaços individuais, são confundidas por: 1) o uso de mistura de sêmen (pool) e 2) alto número de espermatozóides por dose inseminante.

to a coleta de dados referente à fertilidade relativa dos machos no nível da produção. No entanto, os dados limitados disponíveis continuam a sugerir que existe uma variação substancial da fertilidade nas populações atuais de cachaços. Realmente, na falta de procedimentos de rotina para identificação da fertilidade relativa do macho e, consequentemente, da inabilidade em selecionar efetivamente animais das Centrais – nesse sentido – no nível do núcleo genético, deve-se esperar uma distribuição normal dos traços de fertilidade. Em discussões recentes, relativas ao desempenho geral do plantel de reprodução (comunicação pessoal de Billy Flowers), o ponto mais comentado foi o fato das limitações na tecnologia de IA poderem levar a indústria a subestimar continuamente a produtividade oriunda das atuais linhagens de fêmeas comerciais. Todos esses pontos tornaram-se evidentes em dados recentes obtidos de inseminações originárias de um único macho, no nível de granjas multiplicadoras (Figura 1).

A questão da mistura (pool) de sêmen na tentativa de otimizar a eficácia da produção.

Esses resultados indicam que a produtividade do melhor entre esses machos 2/3 é bastante alta e, uma média

Em um estudo preliminar recente, avaliamos o desempenho de dois maAno VI - nº 36/2010


Reprodução

Figura 1. Dados de tamanho de leitegadas nascidas de porcas inseminadas com machos Landrace comerciais, no esquema de único macho, com três bilhões de espermatozóides por dose inseminante (comunicação pessoal de Tony Chandaruk) chos, os quais rotineiramente cumpriam com os critérios normais para sêmen de qualidade aceitável (superior a 80% de motilidade e < 15% de patologias espermáticas). Esses machos tinham um histórico de boa fertilidade, quando usados em testes que requerem número adequado de doses de sêmen de origem mista, para normalizar algum efeito-cachaço que pudesse estar interferindo na fertilidade de porcas e marrãs alocadas em diferentes tratamentos experimentais. Antes de usálos experimentalmente em inseminações do tipo homospérmicas (sêmen originário de um único macho) em marrãs e porcas, nós avaliamos o desempenho desses dois machos (Blue e Red) usando ambos os tipos de protocolos de IA: sêmen de origem mista (heterospérmica) e sêmen originário de um único macho (homospérmica). Em todos os casos foi usado um total de dois bilhões de espermatozóides por dose de IA. Conforme demonstra a Tabela 3, ambos os machos foram bastante produtivos com as inseminações do tipo homospérmico e desempenharam ainda de modo aceitável com as inseminações do tipo heterospérmico. Houve, no entanto, uma diferença entre os machos da ordem de 2,5 embriões totais, no 30° dia de gestação, devido a uma diferença de 15% em ambos, taxa de fertilização e/ou sobrevivência embrionária nesse estágio da PreAno VI - nº 36/2010

nhêz. De modo notável, o desempenho destacado do cachaço mais fértil (Blue) foi mascarado pelo uso do sêmen de origem mista e a adoção da IA pela metodologia homospérmica deveria melhorar o número total de leitões nascidos, permitindo quer o macho Blue expressasse seu verdadeiro potencial reprodutivo. Parece razoável assumir que um efeito mediano similar resulta da mistura do sêmen dos melhores cachaços mostrados na Figura 1, com menos machos produtivos nessa população.

Dados de outro estudo recente, comparando o perfil de proteínas plasmáticas seminais de dois cachaços com níveis de fertilidade extremamente distintos (17) , ressaltam o problema da vinculação da progênie nascida de machos usados na IA como fornecedores de doses de sêmen de origem mista, para produção comercial. A capacidade fertilizante dos dois cachaços estudados (Machos A e B, Tabela 4), os quais apresentavam parâmetros seminais similares e tradicionalmente aceitáveis, na coleta, foi inicialmente testada com inseminação homospérmica (IA com sêmen de origem única). Baseado em, aproximadamente, 30 registros de inseminação/ macho, diferenças maiores entre esses machos, em termos de taxa e parição e tamanho de leitegada nascida, foram evidentes. O sêmen desses machos foi então misturado com o de três outros cachaços com parâmetros seminais similares e usado para a inseminação (dose inseminante contendo sêmen heterospérmico de cinco machos no total, com número semelhante de espermatozóides de cada macho dentre os participantes do pool). Essas inseminações heterospérmicas resultaram em uma taxa de prenhês de 90% (nove gestações, entre dez inseminações realizadas) e 104 leitões nasceram dessas nove leitegadas. O teste de paternidade dos leitões nascidos, realizado com a utilização de um quadro contendo até 84 marcadores de polimorfismo de nucleotídeos únicos, identificou o macho B como o responsável por 29,8% (31/104) dos leitões, enquanto o macho

Tabela 3. Resultados relativos a dois cachaços férteis, utilizados em protocolos de IA homospérmicos ou heterospérmicos, com 2 bilhões de espermatozóides por dose inseminante (SRTC – dado não publicados, 2009) Variável

Doses Macho Blue - sêmen Macho Sêmen de origem mista inseminantes de origem única Red

Sêmen de origem única N° de porcas inseminadas

32

11

14

Taxa de ovulação das porcas inseminadas*

20,3

20,7

20,3

Embriões vivos no 30° dia de gestação*

15,2

17,7

15,0

% de sobrevivência dos embriões*

75

85

75

* = valores médios

Suínos & Cia

19


Reprodução espermatozóides originalmente inclusos na dose inseminante (digamos, de um a dois bilhões, em vez de três bilhões).

Tabela 4. Comparações entre inseminações homospérmicas e heterospérmicas, com machos exibindo fertilidades relativas diferentes (dados não publicados de SRTC/ Alberta Swine Genetics Corporation – Alberta/Canadá, 2008) IA Variável Taxa de prenhês (%) Média total de nascidos

Homospérmica

Aplicação de tecnologias avançadas de IA para otimizar a transferência genética.

Macho A (31 inseminações) Macho B (27 inseminações) 45

100

9,22

12,04

IA

Heterospérmica

Pool de cinco machos, incluindo A e B, com igual quantidade de sptz. (n = 10 inseminações) Qtide. de gestações

9

Media total de nasc.

11,56 (n = 9)

Resp. pela progênie

1 (n =104)

A foi identificado como responsável por apenas um único leitão. Simplesmente do ponto de vista de otimizar a produtividade do plantel de reprodução, uma mudança para programas de IA do tipo sêmen de origem única já seria justificada. Os melhores machos expressarão seu potencial real e a produtividade do rebanho, como um todo, crescerá. Além disso, a pequena porcentagem de machos muito ruins será rapidamente identificada e poderá ser removida da produção comercial. Em tempo, seria realista sugerir que ambos, marcadores genéticos e fenotípicos, seriam desenvolvidos e poderiam ser usados de modo prospectivo para remover machos inferiores, antes que os mesmos fossem utilizados extensivamente na IA. Entretanto, os dados apresentados até o momento sugerem que o progresso pode ser feito pela adoção de estratégias de utilização de sêmen de origem única e pela avaliação dos cachaços com base em critérios rotineiros de produção. Economicamente, parece haver um pequeno risco de problemas na adoção dessas estratégias e possibilidades consideráveis de benefícios positivos. Mesmo esses dados preliminares demonstram os problemas críticos relacionados ao uso de técnicas de inseminação heterospérmica (sêmen de origem mista) na prática comercial: 1. Como é evidente, pelos resultados mostrados na Tabela 2 e na Figura 1 anteriores, mesmo quando o sêmen parece atingir critérios padrão para motilidade e morfologia, na coleta, inseminações hoSuínos & Cia

20

31 (n = 104)

meospérmicas ainda identificam algumas diferenças importantes entre determinados machos. 2. Se machos inferiores, como o A na Tabela 4, são incluídos no pool de doses inseminantes, eles produzem muito pouco em termos de progênie para a linha terminal. Portanto, na prática, muitos cachaços com alto índice EBV podem não passar, em termos de potencial genético relativo às fases de crescimento/terminação, caso sejam usados em um protocolo de inseminação “competitivo” de origem mista. 3. A contribuição desproporcionada de cada macho para a progênie da leitegada significa, essencialmente, que aqueles responsáveis pela genética da mesma são – na realidade – requisitados a fazê-lo em um nível muito mais baixo de

Levando toda a informação discutida anteriormente em consideração, a conclusão lógica relativa a desenvolvimentos futuros na tecnologia de IA seria uma mudança para as inseminações homospérmicas, com o mínimo possível de doses inseminantes compostas por ejaculados de cachaços com alto valor genético e fertilidade comprovada em um ambiente de “baixa dose de sêmen”. Como em outras espécies domésticas, o caminho lógico para atingir esse resultado é a introdução de programas de IA do tipo tempo fixo e, possivelmente, associar esse procedimento às técnicas de IA pós-cervical. A quantidade substancial de informação descrevendo o desenvolvimento de protocolos de tratamento hormonal para induzir a ovulação nos suínos foi extensivamente revista por Brüssow et al. (2009). Ligada a essa discussão está a interessante conclusão de que as fêmeas comerciais atuais, nos plantéis de reprodução bem manejados, demonstram uma crescente variação para menos no intervalo desmame-cio e podem até não mostrar uma resposta clara ao tratamento com a

Tabela 5. Fertilidade de porcas inseminadas no 10° dia pós-desmame (21 dias de lactação e media de 10,7 leitões desmamados) como Controles (sem tratamento) ou após a sincronização da ovulação com o agonista da GnRH aplicado por via vaginal, em veículo à base de gel (Ovugel®). (Fonte: Johnson et al., 2009) / (* Valores médios ± erro padrão) Controle

Ovugel®

Significância

N° inicial de porcas

150

150

--

N° de porcas inseminadas

123

150

--

Em cio no momento da IA (%)

100

83,3

< 0,001

N° de serviços por porca

2,3

1,0

< 0,001

4,7 ± 0,11

4,4 ± 0,11

0,05

% porcas paridas/desmamadas

72,7

76,7

0,43

Nascidos vivos total/leitegada*

10,9 ± 0,29

11,3 ± 0,29

0,37

Nascidos vivos/dose de sêmen

5,3

9,6

< 0,001

Desmame/Cio (dias)*

Ano VI - nº 36/2010


Reprodução Tabela 6. Fertilidade de porcas inseminadas como Controles (sem tratamento) ou após a sincronização da ovulação com pLH no começo do cio. (Fonte: Zak et al., 2009) Controle

pLH

Significância

N° de porcas

156

163

--

N° de inseminações

2,2

2,0

p < 0,001

82,3

87,4

p = 0,01

Total de nascidos/leitegada*

Taxa de parição (%)

11,7 ± 0,3

12,9 ± 0,3

p < 0,01

Total de nascidos vivos/leitegada*

10,8 ± 0,3

11,8 ± 0,3

p < 0,01

* Valores médios ± erro padrão Gonadotropina Coriônica de origem equina (eCG) no desmame (18). Em função disso, já há relatos de resultados aceitáveis, quando hormônios exógenos são utilizados para induzir a ovulação em porcas em um momento fixo, após o desmame. Um estudo recente de Johnston et al. (2009), usando um agonista do Hormônio Liberador da Gonadotropina (GnRH), o qual foi aplicado em porcas quatro dias pós-desmame, seguido de uma inseminação única 24 horas mais tarde, resultou em taxas de parição e tamanhos de leitegada comparáveis aos de fêmeas recebendo inseminações múltiplas durante o cio (Tabela 5). Isso também resultou em uma melhora no número de leitões nascidos por dose inseminante utilizada e demonstra o potencial para a maximização do uso de um número menor de machos altamente indexados. Além disso, Zak et al. (2009) tem demonstrado que a administração do Hormônio Luteinizante de origem suína (pLH) no começo do cio comportamental para controlar a ovulação, não só facilita a inseminação em tempo fixo, como também resulta na redução do uso de sêmen e diminui o trabalho dedicado à detecção

do cio, ao mesmo tempo que melhora a produtividade da porca (veja a Tabela 6). Estes dados demonstram que a administração do pLH no momento da detecção do cio permitiria a utilização da inseminação em tempo fixo entre 24 e 30 horas após o tratamento com o pLH. Em situações onde a sincronização do cio após o desmame não permite a aplicação efetiva, tanto de pLH como de GnRH em um momento fixo pósdesmame, a estratégia alternativa de usar a indução da ovulação após o tratamento inicial, no desmame, com a eCG continua sendo explorada com resultados aceitáveis (9). O protocolo eCG/pLH tem sido aplicado com sucesso, na combinação da IA pós-cervical com um número reduzido de espermatozóides por dose inseminante, sem afetar de modo adverso a fertilidade da fêmea (Tabela 7). Os resultados desses estudos têm induzido o trabalho na avaliação da aplicação do pLH no início do cio, seguido de uma única e baixa dose de sêmen, de 24 a 30 horas mais tarde e utilizando a técnica da IA pós-cervical (estudos em andamento). Estes e outros resultados sugerem que

Tabela 7. Desempenho reprodutivo de porcas inseminadas, por via cervical ou póscervical e com 1 ou 3 bilhões de espermatozóides por dose, após a sincronização da ovulação com eCG no desmame e com pLH 80 horas mais tarde. (fonte: Pelland et al. 2008) N° de espermatozóides/dose

IA cervical

IA

pós-cervical

3 bilhões

3 bilhões

1 bilhão

N° de porcas inseminadas

74,04

102

101

Taxa de concepção (%)

82,3

78,43

73,27

Taxa de parição (%)

67,31

68,63

68,32

10,93 ± 3,08

10,27 ± 3,27

10,79 ± 2,83

Tamanho total da leitegada* * Valores médios ± erro padrão

Ano VI - nº 36/2010

a implementação de programas de IA a tempo fixo em plantéis bem manejados de porcas pode ser uma realidade. Aliado ao uso de machos comprovadamente superiores, inseminação pós-cervical com cateteres e baixas doses de sêmen, essa inseminação em tempo fixo permitirá que a indústria da produção de suínos aplique o valor genético dos cachaços de elite em programas de cruzamento que são competitivos em outras espécies de animais de produção.

Conclusões A avaliação da fertilidade relativa entre machos comerciais destinados a IA e uma mudança para programas de IA com sêmen de origem única, reúnem o potencial para um benefício econômico significativo na suinocultura. A informação fornecida por essa abordagem seria também rapidamente disponível, de modo que a eliminação de cachaços menos férteis poderia ser alcançada em um estágio mais precoce. A caracterização de machos para IA que mantenham alta produtividade com número reduzido de espermatozóides por dose inseminante, permitirá também à industria capitalizar-se no estabelecimento de tecnologias emergentes de IA, entre elas a inseminação pós-cervical e a inseminação única em tempo fixo. Além disso, todas essas mudanças podem ser feitas sem nenhuma perda de produtividade, mensurada em termos de leitões nascidos por porca por ano. O mais alto mérito genético dos cachaços, que poderiam ser usados obliquamente em um número maior de marrãs e porcas, seria prover benefícios substanciais aos produtores, em termos de desempenho da progênie na linha final. Essas mudanças podem ser realizadas sem afetar ou, talvez, até aumentando o total de royalties genéticos pagos às companhias de genética e às centrais de inseminação comerciais, as quais poderiam transformar essas melhorias em eficácia e performance financeira na suinocultura. Artigo publicado nos Anais do 21° Congresso do IPVS, Vancouver/ Canadá – 18 a 21/07/2010 Suínos & Cia

21


Reprodução Referências 1. Alm, K., O. A. Peltoniemi, E. Koskinen, and M. Andersson. 2006. Porcine ! eld fertility with two different insemination doses and the effect of sperm morphology. Reprod Domest Anim 41: 210-213. 2. Amann, R. P. 1989. Can the fertility potential of a seminal sample be pre- dicted accurately? J Androl 10: 89-98. 3. Amann, R. P., D. F. Katz, and C. Wang. 1995. What is semen? How does semen analysis assist in understanding the reproductive status of the male? The handbook of andrology. American Society of Andrology, Schaumburg, IL. 4. Ardon, F., A. Dohring, X. Le Thi, K. F. Weitze, and D. Waberski. 2003. Assessing in vivo fertilizing capacity of liquid-preserved boar semen according to the ‘hanover gilt model’. Reprod Domest Anim 38: 161-165. 5. Baer, C., and G. Bilkei. 2004. The effect of intravaginal applied gnrh-agonist on the time of ovulation and subsequent reproductive performance of weaned multiparous sows. Reprod Domest Anim 39: 293297. 6. Brahmkshtri, B. P., M. J. Edwin, M. C. John, A. M. Nainar, and A. R. Krishnan. 1999. Relative efficacy of conventional sperm parameters and sperm penetration bioassay to assess bull fertility in vitro. Anim Reprod Sci 54: 159-168. 7. Braundmeier, A.G. and Miller DJ. 2001. The search is on: finding accurate molecular markers of male fertility. J. Dairy. Sci. 84:1915–1925. 8. Brüssow, K.-P., Schneider, F., Kanitz, W., Rátky, J., Kau# Suínos & Cia

22

old, J. and Wähner, M. 2009. Studies on fixed-time ovulation induction in the pig. In: Control of Pig Reproduction VIII, Eds. H. Rodriguez-Martinez, J.L. Vallet and A.J. Ziecik, Nottingham Univ. Press, Nottingham, UK, Soc. Reprod. Fertil. Suppl. 66: 187-195. 9. Cassar, G., R. N. Kirkwood, K. Bennet-Steward, and R. M. Friendship. 2005. Towards single insemination in sows. In: Proceedings of the 36th Annual Meeting of the American Association of Swine Veterinarians, Toronto, Ontario. p 353-356. 10. Colenbrander, B., B. M. Gadella, and T. A. Stout. 2003. The predictive value of semen analysis in the evaluation of stallion fertility. Reprod Domest Anim 38: 305-311. 11. Correa, J. R., M. M. Pace, and P. M. Zavos. 1997. Relationships among frozenthawed sperm characteristics assessed via the routine semen analysis, sperm functional tests and fertility of bulls in an artificial insemination program. Theriogenology 48: 721-731. 12. Flowers, W. L. 1997. Management of boars for efficient semen production. J Reprod Fertil Suppl 52: 67-78. 13. Foxcroft, G.R., Dyck, M.K., Ruiz-Sanchez, A., Novak, S. and Dixon, W.T. 2008. Identifying useable semen. Therio., 70 (8), 1324-1336. 14. Gerrits, R.J., Lunney, J.B., Johnson, L.A., Pursel. V.G., Kraeling, R.K., Rohrer, G.A. and Dobrinskya, J.R. 2005. Perspectives for artificial insemination and genomics to improve global swine populations. Theriogenology 63: 283–299.

15. Gibson, C. D. 1989. Examining for breeding soundness in boars. Veterinary medicine 84: 200. 16. Johnston, M.E., Gaines, A.M., Swanson M.E. and Webel, S.K. 2009. Timed insemination following GnRH agonist administration in weaned sows. Abstract, Conference Proceedings, VIIIth Int. Conf. Control of Pig Reproduction, Banff, Alberta. Canada. 17. Novak, S. et al. 2008. Fertility markers in boar semen. Advances in Pork Production 19: Abstract 28. 18. Patterson, J., Cameron, A., Smith, T., Kummer, R., Schott, R., Greiner, L., Connor, J. and Foxcroft, G. 2009. Responses to exogenous gonadotrophin treatment in contemporary weaned sows. In: Control of Pig Reproduction VIII, Eds. H. Rodriguez-Martinez, J.L. Vallet and A.J. Ziecik, Nottingham Univ. Press, Nottingham, UK, Soc. Reprod. Fertil. Suppl. 66: 303-304. 19. Pelland, C., Cassar, G., Kirkwood, R., Friendship, R. (2008) Fertility after intrauterine insemination with conventional or low numbers of spermatozoa in sows with synchronized ovulation. J Swien Health Prod 16(4):188-192. 20. Popwell, J. M., and W. L. Flowers. 2004. Variability in relationships between semen quality and estimates of in vivo and in vitro fertility in boars. Anim Reprod Sci 81: 97-113. 21. Rawls, A. et al. 1998. Overlapping functions of the myogenic bhlh genes mrf4 and myod revealed in double mutant mice. Development 125:23492358. Ano VI - nº 36/2010


Reprodução 22. Rodriguez-Martinez, H. 2003. Laboratory semen assessment and prediction of fertility: Still utopia? Reprod Domest Anim 38: 312-318. 23. Rodríguez-Martínez, H., Kvist, U., Saravia, F., Wallgren, M., Johannisson, A., Sanz, L., Peña, F.J., Martínez, E.A., Roca, J., Vázquez, J.M. and Calvete, J.J. 2009. The physiological roles of the boar ejaculate. In: Control of Pig 24. Reproduction VIII, Eds. H. Rodriguez-Martinez, J.L. Vallet and A.J. Ziecik, Nottingham Univ. Press, Nottingham, UK, Soc. Reprod. Fertil. Suppl. 66: 1-21. 25. Ruiz-Sanchez, A. L. 2006. Semen assessment techniques for determining relative boar fertility, PhD Thesis, University

Ano VI - nº 36/2010

of Alberta, Edmonton,Alberta. 26. Saacke, R. G., J. C. Dalton, S. Nadir, R. L. Nebel, and J. H. Bame. 2000. Relationship of seminal traits and insemination time to fertilization rate and embryo quality. Anim Reprod Sci 60-61: 663-677. 27. Tardif, S., J. P. Laforest, N. Cormier, and J. L. Bailey. 1999. The importance of porcine sperm parameters on fertility in vivo. Theriogenology 52: 447459. 28. Vazquez, J. M. et al. 2005. Improving the efficiency of sperm technologies in pigs: The value of deep intrauterine insemination. Theriogenology 63: 536-547. 29. Watson, P. F., and J. R. Behan. 2002. Intrauterine insemination

of sow with reduced sperm numbers: Results of a commercially based field trial. Theriogenology 57: 1683-1693. 30. Xu, X. et al. 1998. In vitro maturation and fertilization techniques for assessment of semen quality and boar fertility. J Anim Sci 76: 3079-3089. 31. Zak, L.J., Patterson, J., Hancock, J., Hockley, D., Rogan, D. and Foxcroft, G.R. Bene! ts of synchronizing ovulation with porcine luteinizing hormone (pLH) in a fixed time insemination protocol in weaned multiparous sows. In: Control of Pig Reproduction VIII, Eds. H. Rodriguez-Martinez, J.L. Vallet and A.J. Ziecik, Nottingham Univ. Press, Nottingham, UK, Soc. Reprod. Fertil. Suppl. 66: 305-306.

Suínos & Cia

23


Recursos Humanos Recursos Humanos

Especialista em suínos: profissional do futuro no presente

Especialista em suínos: profissional do futuro no Laura Batista laura_batista@hotmail.com

Introdução São vários os fatores que nos levam a repensar a necessidade de nos adequar como profissionais especialistas em suínos para enfrentar os novos desafios. Sem dúvida o mundo mudou, e isto é fato. Quando comparamos as difíceis fases que o setor atravessa na atualidade, em relação às de outras épocas, percebemos que os problemas são os mesmos, porém, em maiores dimensões, simplesmente por vivenciarmos na atualidade a globalização da economia e a crise mundial, exigindo criatividade, persistência e perseverança para superar a competitividade cada vez mais cerrada em todo o segmento. Participando de congressos internacionais, percebemos que a suinocultura mudou, exigindo mais dos profissionais que atuam nesse setor. Exatamente há um ano, em um dos importantes congressos do México, a Dra. Laura Batista proferiu em uma de suas palestras, de forma brilhante, o porquê reinventar-nos como veterinários em períodos de crise.

de ser uma granja isolada para fazer parte de um sistema, ou melhor, de uma cadeia. Dessa forma, perde-se a avaliação de indivíduos para entender população, sistemas, empresa, negócio, capital, retorno, região, país, continente. Na atual circunstância da suinocultura industrial, o papel do médico-veterinário dentro do contexto deixa de ser apenas clínico de indivíduos e passa a ser de um dos componentes da equipe na qual colabora no gerenciamento e nas tomadas de decisões no que se refere à medicina preventiva. Por outro lado, o empreendedor tem que gerar lucros e ser competitivo. As empresas se tornaram grandes integradores e investidores que, sem dúvida, exigem retorno de capital, custos competitivos e viabilidade econômica constante para se manter no mercado. Finalmente, podemos concluir que a suinocultura cresceu, adotou tecnologia de forma dinâmica, a qual exige nos moldar como especialistas a cada dia. Com certeza, o profissional que atua na área, independentemente da profissão ou função, deve compreender que faz parte de um exigente sistema, o qual requer constantemente atualização, negociação e competência. Estamos fa-

Maria Nazaré Simões Lisboa nazare@consuitec.com.br

lando de profissionais com capacidade e muita habilidade para gerenciar, aplicar conhecimentos técnicos, ser empreendedor, saber lidar e manejar pessoas, ser negociador, humilde, perseverante, aprender ganhar e perder na mesma intensidade, sabendo aproveitar cada situação, ter capacidade de reconhecer virtudes e fortalezas, saber lidar com fracasso. E entender que faz parte de um sistema que pode ser ou não competitivo.

Desafios

Para demonstrar a real situação dos profissionais que fazem parte da atual suinocultura, podemos citar como exemplo o próprio médico-veterinário, que tem nessa realidade o papel de ser extremamente perseverante, deixando de lado a vaidade do nome para se inserir em uma dinâmica de equipe que busca o mesmo objetivo. Nesse caso, o clínico de indivíduos passa a ter uma visão de mundo, preservação, saúde, população e sistema. O sucesso profissional depende da habilidade de trabalhar com pessoas e mulNo presente trabalho resolvemos tiplicar ideias. A equipe que forma deve abordar o tema de forma mais abrangenser parceira para adotar determinada te, envolvendo diferentes profissões linha de trabalho, participando de e profissionais, que são partes de Mudança e adequação de conceitos: forma ativa do investimento e retorno equipes que se formam para dirigir e Indivíduo Equipe de capital. Ser participativo por meio desenvolver a suinocultura. Sem dúde planejamento, orçamento, admivida, todos esses componentes, seja Receber Doar nistração de resultados. Enfim, saber em período de crise ou de fartura, Conveniência Competência completar-se pelo reconhecimento devem se adequar aos novos tempos das habilidades dos colaboradores, simplesmente porque essa dinâmiVaidade do eu Integrante do nós adotando parcerias. Assim, estamos ca atividade assim exige, nem mais, Valor pela Ética Razão do Capitalismo falando de organograma, liderança e nem menos. Ganhar Perder equipe, e o veterinário passa a ser inNa atual década, ao analisartegrante da empresa, participando das mos do ponto de vista prático, ocorAmor pelo que faz Cumprir metas importantes decisões e sendo ligado a reram grandes mudanças que valem Respeito pela vida Meio ambiente diferentes tipos de liderança, passana pena refletir onde estamos e para do a ser cada vez mais exigido. Investimento Despesas onde vamos? Inicialmente podemos avaliar que a suinocultura passou de um sistema de produção familiar para um sistema industrial, o qual deixou

Suínos & Cia

26

Lucro / Faturamento

Margem do negócio

Somar

Dividir

Quanto ao foco, continua o mesmo, porém, em diferentes proporções. Mente aberta para reconhecer

Ano VI - nº 36/2010


Recursos Humanos O oposto de ser proativo é ser reativo, ou seja, apagar incêndio ou reagindo a problemas só depois que acontecem. Vale a pena dar uma boa olhada no que está errado.

2. Manter-se atualizado (educação continuada)

mudanças e aceitação de tamanho e dimensão na integração de valores.

Resultado do processo = Suínos e Lucro Visão de resultados crescentes: constantemente administrar, crescimento organizado e sustentável. Eu gostaria de ser lembrado como um sujeito que amou profundamente o mundo, as pessoas, os bichos, as àrvores, as águas, a vida. Paulo Freire

Importantes características que devem apresentar os profissionais especialistas em suínos para serem parte desta nova cadeia de produção: 1. Ser proativo (significa pensar e agir antecipadamente - habilidade de prever uma situação e agir antes de ela acontecer) Sem dúvida, é um excelente método para evitar mais trabalho no caminho, mas também pode ser extremamente importante para evitar catástrofes, planeAno VI - nº 36/2010

jando bem quanto ao futuro e ao desenvolvimento de métodos no trabalho, no estudo e em casa, que fazem a vida mais fácil não apenas para você, mas também para os demais. Adotar o hábito de tomar providências e desenvolver soluções de contorno. Ser capaz de buscar, adotar e utilizar novas tecnologias, técnicas e informação quando estão disponíveis. Aprender a trabalhar em tempo real, não no passado, no que poderia ser, e sim como estamos e aonde vamos. Isso implica num esforço contínuo de aprendizagem e atualização, que nós mesmos teremos de procurar. Sem dúvida é uma responsabilidade que temos para conosco e com nossa profissão. Esta educação contínua nos dará segurança e capacidade de decisões para arriscar com os pés no chão. Porém, da mesma maneira, temos de aprender a aceitar a responsabilidade de nossas palavras, ações e decisões e, assim mesmo, ter a humildade de saber quando nos equivocamos e aceitar que nem sempre temos a verdade absoluta. As pessoas que têm o hábito da proatividade não são agressivas, arrogantes ou insensíveis, muito pelo contrário, movem-se por valores, sabem o que necessitam e atuam em consequência. Embora o tempo gasto planejando ou organizando não é tempo utilizado em uma tarefa necessária, um pouco de planejamento pode salvar muito tempo ao executá-la. Não deixe de planejar com essa desculpa, pois se lamentará por não ter um plano para seguir depois e irá verdadeiramente desperdiçar tempo, voltando atrás para correções.

Temos de estar em dia com temas de interesse para a função que desempenhamos, como também para o posto que queremos desenvolver no futuro. Devemos estabelecer um plano de carreira profissional e revisá-lo, pelo menos, a cada seis meses. Isso nos permitirá corrigir o rumo, no caso de estarmos equivocados ou de havermos nos desviado demais do caminho original. A educação contínua é adquirida por meio da leitura diária e da participação constante em conferências, cursos e congressos. Durante a nossa participação nesses eventos vale a pena nos ater em escutar e analisar as palestras, em questionar e criticar – de maneira positiva e construtiva – desenvolvendo, para tanto, um espírito crítico e colocando em discussão os conceitos que nos pareçam errôneos, perguntando e discutindo, de modo respeitoso. Além disso, sobretudo, aproveitar a oportunidade para fazer contatos. A maior parcela da informação poderá ser encontrada nos livros, anais, artigos e na internet; no entanto, o contato com pessoas que podem nos apoiar no nosso desenvolvimento profissional só se consegue mediante a comunicação e o contato direto e pessoal. Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino. Paulo freire Educar é instrumentalizar o individuo para uma vida próspera e feliz. Helio Silva

3. Aprender e praticar constantemente a trabalhar em equipe Como pessoas são formadas de virtudes e defeitos, a difícil missão de substituir maus hábitos por bons são desafios constantes no ser humano para se Suínos & Cia

27


Recursos Humanos fortalecer e desenvolver boas habilidades produtivas. Porém, para se trabalhar em equipe é preciso deixar as individualidades de lado e aprender a atuar de forma alinhada, focada por um projeto comum, o qual se compartilha do mesmo objetivo. Geralmente, cada um de seus membros tem habilidades e conhecimentos complementares e uma interdependência que exige que todos trabalhem juntos para poder alcançar o objetivo que os unem. Aprender a nos relacionar com nossa equipe de trabalho é fundamental. Compreender seus questionamentos, dúvidas e trabalhar com elas em conjunto, buscando obter os melhores resultados. Não é nenhum segredo que o triunfo ou o fracasso das empresas modernas estão mediados, em grande parte, pela capacidade de recrutar, instruir e motivar pessoas de alta qualidade e alto desempenho. Os pilares da suinocultura são a genética, a nutrição, a sanidade e o manejo. No entanto, a base para obter sustentação e resultados são as pessoas que ao exercerem suas funções adequadamente fazem a diferença.

4. Ser empreendedor, inovador, sonhador e ter senso de humor Temos de gerar e incorporar ideias inovadoras em nosso local de trabalho.

O Velho Chefe

O Novo Líder

Conhecimento técnico

Autoconhecimento

Experiência Prática

Transferência de informação

Capacidade de cobrança

Capacidade de motivação

Acúmulo de conhecimento

Transmissão de conhecimento

Comunicação unilateral

Diálogo

Capacidade de se impor pela fala

Capacidade de ouvir

Engajamento na empresa

Engajamento na sociedade

Distribuição de ordens

Distribuição de responsabilidades

Pregação de princípios

Pregação e aplicação de princípios

Falta de mobilidade entre áreas

Habilidade de lidar em outras áreas Fonte: Revista Você RH (maio/junho de 2010, página 28)

Inspiremo-nos nos sonhos, nas aventuras, na imaginação, na fantasia. “Se és capaz de imaginá-lo, és capaz de torná-lo realidade”. Aprendamos a olhar o presente de uma forma realista e a sonhar e planejar realizações futuras. Sonhemos com o impossível para conseguir o possível. Aprendamos a rir de nossas limitações e a colocar nossa mente a serviço da inovação, de apostar no entusiasmo e no atrevimento, sem medo do fracasso ou do que dirão. Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo, mas é preciso gente para fazer do sonho uma realidade. Walt Disney

5. Ser um bom administrador Diante da globalização e da concorrência com as grandes potências, não temos mais que uma opção: o sistema gerencial de qualidade total. Este modelo de administração tenta conseguir qualidade total no produto final, mantendo a harmonia entre os trabalhadores e os meios social e ambiental onde se desenvolve a empresa. Escutar com atenção o que as pessoas desejam, mesmo quando elas mesmas não o saibam o que exatamente querem, certamente faz a diferença. Os bons líderes inspiram suas equipes com sua visão de um mundo melhor e infundem a confiança, o amor e a gratidão em suas relações de trabalho. O que as pessoas precisam é ter uma missão e um entusiasmo para alcançá-la. Não se pode construir sobre o medo ou a ameaça. Com organização, trabalho, criatividade e um bom produto ou serviço, seja de pequeno ou grande porte, todos terão lugar e fatia de mercado.

6. Liderança

Um bom Líder faz brotar, é exemplo, capaz de pensar e executar diante das necessidades da empresa

Suínos & Cia

28

Partimos do princípio que todos nós podemos ser líderes. Porém, cada um com o seu estilo, devendo somente ser constante e congruente com o que dizemos e fazemos. O bom líder faz brotar, é exemplo, capaz de pensar, pelo menos, com dez anos de antecipação. Deve adiantar-se às necessidades, aos modismos, às mudanças. Convém ser proativo e não reativo. Um líder deve ter um objetivo comum, valores éticos e morais, capacidade, entusiasmo e um grande poder de convencimento. Deixemos que nossa força interior nos dê a disposição diária para fixarmos novas metas e desafios e para Ano VI - nº 36/2010


Recursos Humanos Cabe-nos descobri-las e desenvolvê-las dentro da suinocultura:  Gerenciamento;  Docência: formação dos profissionais do futuro;  Campo: explorar a expressão total da capacidade genética de nossos animais com o menor custo possível;  Pesquisa: ajudar a criar o futuro;  Indústria: aplicar as ferramentas disponíveis;  Política: ajudar a obter um futuro melhor para este país maravilhoso;  Assessoria idéias):

especializada

(algumas

o Análises de produção; o Análises econômicas;

o Análises de laboratório; O especialista de hoje se faz necessário de constante capacitação e atualização para o segmento do conhecimento profissional e pessoal cumpri-los com o esforço diário. Busquemos a moderação e o autocontrole, tenhamos atitude serviçal, respeito, compaixão, empatia e a capacidade de converter cada situação em uma experiência útil.

7. Ter um mentor Um mentor reconhece o potencial que existe em cada um de nós. Está disposto a caminhar ao nosso lado, guiarnos, motivar-nos e proteger-nos, enquanto damos os primeiros passos em uma nova aventura. Possuir um mentor é um tesouro que não tem preço, um grande privilégio e uma honra excepcional. O conselho de alguém com mais experiência e de tipos diferentes dos nossos nos enriquecerá como profissionais e seres humanos. Busquem um ou vários mentores, não tenham medo de pedir ajuda e descobrirão um mundo maravilhoso a seu lado. Só desperta paixão de aprender, quem tem paixão de ensinar Paulo Freire

8. Principais dicas para enfrentar os atuais desafios e sermos competitivos para permanecer nessa dinâmica atividade:  Mente aberta para inovação;  Aceitar mudança;  Aceitar que o mundo mudou e se globaAno VI - nº 36/2010

lizou. Existe necessidade de falar bem um ou dois idiomas, além do idioma nativo;  Ser aberto a viver em uma nova cidade ou país;  Compreender que informática, computador e softwares são seus aliados e não inimigos. Aprender a lidar com tudo isso com perfeição;  Sair de sua zona de conforto;  Atuar, estudar e aprender em áreas totalmente desconhecidas;  Reiniciar sua carreira em uma nova área;  Aceitar que faz parte de um processo e no início todos os lados devem investir. No início, pode se tratar de uma remuneração econômica possivelmente menor, mas certamente em um futuro breve se surpreender de suas próprias expectativas; Enfim, ser feliz e realizado profissionalmente. Compreender que multiplicar faz a grande diferença. Sem dúvida não é e nem será fácil o caminho a ser seguido neste desafio, não existe substituto para o trabalho árduo, honesto e ético. No entanto, jamais deverá existir a menor dúvida, a recompensa sempre chegará. Temos muitas áreas de oportunidade e um universo de possibilidades de desenvolvimento pela frente.

o Auditorias de biosseguridade; o Cursos de capacitação.

Vale a pena refletir É melhor serem dois do que um, porque tem melhor recompensa pelo seu trabalho. Se um cair, o outro o ajuda a levantar. Mas pobre do que estiver só, pois, caindo, não haverá quem o levante. Extraído do Livro Eclesiastes

Conclusão Estamos em um momento mágico, cheio de oportunidades, com uma economia crescente. Sem dúvida é hora de somar, de nos unirmos, deixar de lado os interesses e as vaidades, a visão curta e disputas pessoais. Apenas dessa forma pode-se chegar à maturidade, que exige nossa participação como verdadeiros atores de mudanças no desenvolvimento e na melhoria da suinocultura brasileira.

Agradecimentos especiais A toda equipe que integra a Consuitec e me faze desenvolver e aprender constantemente a trabalhar em equipe; Aos colegas que me ajudaram na elaboração desse trabalho: Laura Batista, Helio Silva, Deborah De Gueus e Andrea Silvestrim; Revista Você RH (maio/junho); Ao mestre Paulo Freire (pernambucano e pedagogo). Suínos & Cia

29


Sanidade Sanidade

Atualidades no Circovírus Suíno Tipo 2 (PCV2) Parte II Atualidades no Circovírus

Hipóteses e objetivos O desenvolvimento da síndrome do emagrecimento progressivo pós-desmame (sigla em inglês, PMWS) parece estar relacionado à replicação massiva do circovírus suíno do tipo 2 (PCV2), enquanto a infecção subclínica – a ocorrência mais comum em suínos infectados pelo PCV2 – aparentemente pressupõe o controle da carga viral. A formação insuficiente ou retardada de anticorpos antiPCV2 e, particularmente, a ausência de anticorpos neutralizantes (NA, em inglês) têm sido relacionadas à alta carga viral e ao desenvolvimento da PMWS. Em compensação, pouco se sabe a respeito do papel da imunidade mediada por células. No entanto, certas características da infecção causada pelo PCV2, tal qual a coexistência da viremia persistente e dos altos níveis de anticorpos anti-PCV2, ou o fato do PCV2 ser um vírus estritamente associado a células, sugerem que as respostas humorais poderiam não ser suficientes para lidar com a infecção pelo PCV2. Por essa razão, foi levantada a hipótese de que o controle imunológico da replicação do PCV2 implicaria no envolvimento da imunidade mediada por células. As vacinas contra o PCV2 estão disponíveis atualmente, ou virão a ser, em breve, em todos os países de suinocultura relevante. Embora a eficácia das mesmas venha sendo altamente testada (e provada) em ensaios a campo, poucos dados relativos aos mecanismos imunológicos, implícitos na proteção induzida pela vacina, estão disponíveis. Com base no fato dos NA anti-PCV2 serem protetivos contra a infecção pelo PCV2 e o desenvolvimento da PMWS, foi lançada a hipótese de que o mecanismo primário por trás da proteção conferida pela vacinação seria a indução dos NA. Estudos epidemiológicos recentes sugerem uma mudança nos genótipos Suínos & Cia

32

predominantes excedentes do PCV2, e os pertencentes ao grupo filogenético PCV2b têm sido considerados mais virulentos que os pertencentes ao grupo filogenético PCV2a. Todas as vacinas comerciais contra o PCV2 são produzidas com base no grupo PCV2a, mas a implementação das mesmas no campo reduz drasticamente a incidência da PMWS em granjas nas quais o PCV2b predomina. Portanto, vacinas baseadas no PCV2a parecem proteger de modo igualitário contra as infecções causadas por ambos os grupos, PCV2a ou PCV2b. A continuação desse trabalho de tese, que teve a sua primeira parte publicada em nossa edição anterior, tem por objetivo caracterizar as respostas imunológicas, no decurso da infecção pelo PCV2 e, posteriormente, à vacinação contra o referido vírus, por meio dos seguintes parâmetros: • Caracterização do perfil imunológico desenvolvido por suínos na infecção pelo PCV2 e investigação do papel dos diferentes componentes virais na indução das respostas inatas e adaptativas específicas ao PCV2. • Caracterização das respostas imunológicas desenvolvidas por suínos convencionais, após a vacinação com uma e duas doses de uma vacina de subunidades baseada em PCV2a Cap (Porcilis PCV®) e avaliação da sua eficácia frente ao desafio com isolados de PCV2a e PCV2b. • Investigação do efeito dos anticorpos maternais na vacinação de leitões contra o PCV2 e, por meio dela, fornecimento de informações a serem utilizadas como um guia, na implementação apropriada de programas de vacinação no campo.

Desenvolvimento de imunidade mediada por

Maria Fort Médica Veterinária e Doutora mariafort@gmail.com

células frente ao circovírus suíno do tipo 2 (PCV2) em leitões nascidos por meio de cesariana e privados de colostro Introdução Muitos estudos têm sugerido a interação entre o PCV2 e o sistema imunológico como um evento chave na patogenia da PMWS. O PCV2 infecta a linhagem de células monocíticas (155,58,192), e sua persistência de longa duração no interior de macrófagos e células dendríticas (DC, em inglês) tem sido apontada como um mecanismo potencial de disseminação para o PCV2 por meio do organismo (192). Adicionalmente, o PCV2 prejudica a habilidade das células mononucleares do sangue periférico (PBMC, em inglês) em responder aos mitógenos (31), e o DNA viral tem se revelado um bloqueador da atividade das células produtoras naturais de interferon (NIPC, em inglês), responsáveis pela produção de interferon alpha (IFN-α), o que – por sua vez – afeta a habilidade dessas células em mediar respostas antivirais no processo da infecção (194). Além disso, o PCV2 tem se revelado um indutor da secreção de interleucina-10 (IL-10), em PBMC (células mononucleares do sangue periférico) cultivadas in vitro (31,82), levando à regulação descendente de outras citocinas, produzidas durante a resposta a um antígeno contra o qual o animal já esteja sensibilizado (recall antigen, em inglês) (82). Os autores desses estudos mais recentes sugerem o envolvimento da IL10 na supressão das respostas Th1 (caracterizadas pela produção de interferon Ano VI - nº 36/2010


A maioria das infecções causadas pelo PCV2 são subclínicas, e diferentes fatores têm sido sugeridos como desencadeadores em potencial para o desenvolvimento da doença. Os modelos experimentais mais bem sucedidos incluem a co-inoculação com o parvovírus suíno, ou PPV (5), e o uso de substâncias moduladoras do sistema imunológico, tais como a metaloproteína KLH (keyhole limpet haemocyanin, em inglês) em adjuvante incompleto de Freund (87). Ocasionalmente, a PMWS também tem sido reproduzida com o uso do PCV2 sozinho (5,83). Embora nenhum desses modelos tenha sido demonstrado e repetido com consistência em suínos convencionais, evidências apontam na direção de uma alteração da resposta imunológica induzida pelo PCV2 sozinho ou por outros fatores, como desencadeantes do desenvolvimento da PMWS. Lipopolissacarídeos (LPS) vêm sendo utilizados em trabalhos preliminares, na tentativa de reproduzir uma doença respiratória multifatorial induzida por vírus, por meio da inoculação de suínos ou com o vírus da PRRS (PRRSv) ou com o coronavírus respiratório suíno (PRCv) (189, 190). Resultados desses estudos demonstraram que o efeito imunomodulador dos LPS, visto como uma expressão gênica de certas citocinas pró-inflamatórias, foi considerado correlato com a forma clínica da doença. Adicionalmente, outro estudo realizado por Chang et. al. em 2006 demonstrou que os LPS foram capazes de induzir, in vitro, a regulação ascendente da replicação do PCV2 em macrófagos suínos de origem pulmonar. A nossa intenção, com o presente trabalho, foi a de obter uma percepção mais profunda da resposta imune gerada na infecção pelo PCV2, por meio do estudo em suas formas inata e adaptativa, em animais inoculados experimentalmente, Ano VI - nº 36/2010

90

6

80

5

70

A

60

4

50

3

40 30

2

20

1

10 0

0 7

14

21

29

Dias pós infecção

PCV-2 - IFN - γ - SC/milhões PBMC

gama ou IFN-γ) observadas durante o decurso da PMWS. Essa hipótese também é apoiada por outros trabalhos, realizados com suínos inoculados experimentalmente com PCV2, nos quais a elevação dos níveis séricos de IL-10 estaria relacionada com o desenvolvimento da PMWS (176) ou com o aumento da carga viral sérica do PCV2 (34). Esses dados, em conjunto, sugerem que os mecanismos utilizados pelo PCV2 para neutralizar as defesas imunológicas do hospedeiro encontramse, provavelmente, no âmbito da atividade imuno-moduladora de seus componentes virais.

PCV-2 - IFN - γ - SC/milhões PBMC

Sanidade

90

6

80

5

70

B

60

4

50

3

40 30

2

20

1

10 0

0 7

14

21

29

Dias pós infecção

IFN-g ELISPOT

IPMA

Anticorpos neutralizantes

PCV2 Q-PCR

Figura 2.2.: Valores médios de células secretoras de IFN-g-PCV2 (IFN-g-PCV2-SC), anticorpos antiIPMA (IPMA), anticorpos neutralizantes (NA) e viremia (Q-PCR) de grupos C (A) e D (B) inoculados com o PCV2, dos sete aos 29 dias PI (apenas suínos dos quais PBMC foi coletada estão incluídos). tanto com o PCV2 sozinho como em combinação com os LPS, imunoestimulantes em potencial. Os parâmetros avaliados foram usados para estabelecer um modelo de referência, para ser comparado – mais tarde – com os eventos que ocorrem no decurso da PMWS.

Materiais e métodos Desenho experimental Todos os detalhes relativos à origem e ao alojamento dos animais, assim como as condições experimentais,

foram previamente descritos (53). Resumidamente, 54 leitões com uma semana de idade, nascidos de cesariana (identificados, em inglês, pela sigla CDCD), foram alocados nesse estudo. Eles foram distribuídos, ao acaso, em quatro grupos: A (n = 10), B (n = 8), C (n = 18) e D (n = 18). No grupo A, os suínos foram mantidos como controles não vacinados; no grupo B, foram inoculados por via intraperitoneal, com 50 μg/kg de LPS, originários da bactéria Salmonella thyphimurium (Sigma-Aldrich, L7261); no grupo C, os suínos foram inoculados com 105,2 doses infecciosas 50% (em inglês, TCID50), produzidas em cultura de tecidos (células PK-15) do PCV2 Suínos & Cia

33


Sanidade Práticas Experimentais (GEP, em inglês) e com a aprovação do Comitê de Ética e Bem-Estar Animal da Universidade Autônoma de Barcelona.

Estudos virológicos e sorológicos Determinação da carga viral: no soro, pela média de uma prova de PCR quantitativa (Q-PCR) (128); no tecido, usando o processo ISH (hibridização in situ) (155). Respostas humorais ao PCV2 foram acessadas por meio de um teste de IPMA (prova de imunoperoxidase em monocamada) e de neutralização viral (VNT, em inglês), como descrito anteriormente (154).

Dias pós inoculação Figura 2.1.: Níveis de IFN-a (pg/mL) detectados no plasma, expressos como média ± desvio padrão (em inglês, S.D.) de suínos positivos em cada grupo experimental (A a D), de zero a 29 dias pósinfecção. O número de suínos positivos em cada ponto de tempo está indicado. cepa Burgos (1 mL por via oral e 1 mL por via nasal); e no grupo D, os suínos receberam, simultaneamente, PCV2 e LPS nas mesmas dosagens descritas anteriormente. Com o objetivo de se estudar os eventos característicos dos estágios iniciais da infecção, foram sacrificados e sequencialmente necropsiados 32 leitões durante os primeiros oito dias do experimento, para a coleta de tecidos, amostras de soro e PBMC (células mononucleares do sangue periférico). Os suínos restantes foram acompanhados durante o período experimental, tendo sido sangrados nos

dias zero, 7, 14, 21 e 29 pós-inoculação (pós-infecção), para coleta de soro (todos eles) e PBMC (células mononucleares do sangue periférico) [dois de cada grupo controle (A e B) e cinco de cada grupo inoculado com o PCV2 (C e D)]. Durante o período experimental, os sinais clínicos foram monitorados diariamente, e os suínos foram pesados três vezes por semana, até o 29° dia pós-infecção (eutanásia). A Tabela 2.1, a seguir, resume o desenho experimental. O cuidado com os animais, atividades e procedimentos do estudo foram conduzidos de acordo com o guia de Boas

Tabela 2.1. Resumo do desenho experimental Dias pós infecção Grupo

Inóculo

Dose

00

01

02

05

07

08

14

21

29

N° de suínos examinados por dia A

MME*

2 mL

6

1

1

1

4

1

4

4

4

B

LPS

50 μg/ kg

4

1

1

1

4

1

4

4

4

C

PCV2

105,2 TCID50

6

3

3

3

6

3

6

6

6

D

PCV2 + LPS

B+C

6

3

3

3

6

3

6

6

6

22

8

8

8

20

8

20

20

20

Nº total de suínos * Meio Mínimo Essencial

Suínos & Cia

34

Determinação do perfil das citocinas “ex vivo” Os níveis de IFN-α, IL-10, IL-1β, IL-8 e TNF-α (fator de necrose tumoral alfa) das amostras de plasma foram examinados por meio de métodos de captura ELISA, utilizando anticorpos disponíveis comercialmente (anticorpos anti-IFN-α, da PBL Biomedical Laboratories, Piscataway/NJ, EUA; anti-IL-1β, anti-IL-8 e anti- TNF-α, da R&D Systems, Espanha e anti-IL-10, da Biosource, Espanha). Para cada ELISA, o valor de corte foi calculado como sendo a média da densidade óptica dos controles negativos, mais três desvios-padrão. As concentrações das citocinas foram determinadas por regressão linear composta pelas densidades ópticas dos padrões de citocinas usados em cada teste.

Determinação do perfil das citocinas “in vitro” PBMCs (células mononucleares do sangue periférico) foram separados do sangue total por meio de centrifugação por gradiente de densidade, utilizando-se para tanto o Histopaque 1.077 (SigmaAldrich). Células foram cultivadas por 20 horas, a 37°C, em 5% de CO2 (5×105 células/poço), na presença do PCV2 [multiplicidade de infecção ou m.o.i. (em inglês), à base de 0,01 TCID50/célula], de PHA (polímero do tipo poli-hidroxialcanoato) a 10μg/mL ou foram estimuladas por simulação com o sobrenadante de cultivo Ano VI - nº 36/2010


Sanidade de células PK-15 não infectadas. Os cultivos foram realizados, pelo menos, em triplicata, e os sobrenadantes correspondentes aos mesmos, animal e estímulo, foram misturados para a análise. Foram executadas provas de ELISA de captura para IFN-γ (BD, Madri/Espanha), IL-2, IL-4 e IL-10 (Biosource, Espanha), tendo as concentrações de citocinas sido calculadas como já explicado anteriormente. As frequências de PCV2-IFN-γSC (células secretoras interferon-gama) em PBMCs (células mononucleares do sangue periférico) foram determinadas por ELISPOT (spot de imunoadsorção enzimática) aos 7, 14, 21 e 29 dias PI, por meio do uso de anticorpos monoclonais (mAbs) comerciais (kits Swine IFN-γ Cytosets, Biosource, Espanha), de acordo com um protocolo previamente descrito (39). Resumidamente, placas de poliestireno de fundo chato com 96 poços (Costar 3590, Corning, EUA) foram cobertas com anticorpos anti-IFN-γ, na proporção de 8,3 μg/mL, em tampão carbonato-bicarbonato (pH 9,6), e mantidas assim durante toda a noite. As placas foram lavadas três vezes com tampão fosfato salino (PBS) e preenchidas com PBS contendo 10% de soro fetal bovino (FBS), por uma hora, a 37°C. Após a remoção da solução bloqueadora, 100 μL contendo 5×105 PBMCs (células mononucleares do sangue periférico) foram depositados por poço e foi realizada a estimulação, ou pelo PCV2 (m.o.i. = 0,01), PHA (10μg/mL) ou por simulação, durante 20 horas, a 37°C e na presença de 5% de CO2. Células foram removidas e poços foram incubados por uma hora, a 37°C, com 50μL de anticorpos conjugados à biotina (recurso utilizado para aumentar a sensibilidade em ensaios imunológicos) a 2,5 μg/mL, em PBS contendo 0,05% de Tween 20 e 0,5% de soro-albumina bovina (PBS-T-BSA). Após três enxágues com PBS-T as placas foram incubadas por uma hora com Streptavidin-horseradish peroxidase ou HRP (Biosource, Espanha), à base de 0,5 μg/mL em PBS-T-BSA e, finalmente, o 3,3´,5,5´-tetramethylbenzidine (TMB) azul (Calbiochem, Espanha) foi utilizado para revelar a reação. PCV2-IFN-γ-SC foi calculado pela subtração do número de manchas contadas nos poços submetidos à simulação das manchas presentes nos poços estimulados pelo PCV2. Os resultados foram expressos como número de IFN-γ-SC por milhão de PBMCs (células mononucleares do sangue periférico). Suínos & Cia

36

Determinação do subconjunto de leucócitos Os subconjuntos de PBMCs (células mononucleares do sangue periférico) foram caracterizados, do ponto de vista fenotípico, por meio da citometria de fluxo para células CD3+ (BD #559582), CD4+ (BD #12516), CD8+ (Southem Biotec #4520-09), CD21+ (Southem Biotec #4530-02) e SWC3/CD172a (Southem Biotec #4525-09). 50 μL de uma suspensão de células ajustada para 4 × 106 células/mL em um meio para citometria de fluxo (FCM, em inglês) com PBS contendo 0,1% de BSA, foi semeado em uma placa de 96 poços e incubado durante 30 minutos com 50 μL de cada mAb, seguido por dois enxágues com FCM. Com exceção das CD21+, que já estavam conjugadas com isotiocianato de fluoresceína, (FCM) e das CD8+ e SWC3, conjugadas com ficoeritrina (PE, em inglês), uma Ig-FITC antirroedor, de origem leporina (Dako, Dinamarca), foi usada como um anticorpo secundário. Finalmente, as PBMCs (células mononucleares do sangue periférico) foram enxaguadas duas vezes em FMC contendo 0,3% de paraformaldeído. A análise foi realizada utilizando-se um citômetro de fluxo EPICS_XL MCL (BeckmanCoulter, EUA). Foram usados isótipos de anticorpos pareados irrelevantes, como controles de fundo.

Análise estatística A análise estatística usada para comparar as médias dos diferentes parâmetros entre grupos foi realizada pela metodologia do modelo linear geral (GLM), por meio do software SAS 9.1 (SAS Institute Inc., Cary, North Carolina/EUA). Quando nenhuma diferença atribuída ao efeito dos LPS era detectada, os dados eram analisados considerando a inoculação do PCV2 como a única variável classificatória, sendo os grupos A+B considerados controle, e os grupos C+D inoculados com o PCV2. O nível de significância (α) foi fixado como 0,05.

Resultados Achados clínicos e patológicos Detalhes sobre dados clínicos e

patológicos poderão ser vistos em Fernandes et. al. (2007). No final do estudo (dia 29 PI), os grupos inoculados com o PCV2 demonstraram baixa média de peso corporal (6,6 ± 2,3 kg no grupo C e 6,6 ± 2,7 no D), comparados com os grupos controle (8,0 ± 1,72 kg no grupo A e 7,5 ± 1,6 no B), p < 0,05. Entretanto, nenhum dos suínos desenvolveu sinais clínicos compatíveis com a PMWS durante a totalidade do estudo. Um dia PI (pós-infecção), todos os suínos que receberam os LPS (grupos B e D), tiveram temperatura corporal (medida pela via retal) significativamente mais alta, comparado com os grupos A e C (39,2 ± 0,9 vs 38,4 ± 0,4; p < 0,01); daí em diante não se observou diferença na temperatura retal entre os grupos. Com relação a estudos patológicos, animais sacrificados entre os primeiros 8 dias PI (pós-infecção) não tinham lesões, tampouco vírus detectáveis nos tecidos, pela prova de ISH. Em contraste, dos 20 suínos necropsiados no final do estudo (dia 29 pós-infecção), 9/12 animais inoculados com o PCV2 demonstraram a presença de lesões suaves, semelhantes às causadas pelo PCV2 no tecido linfóide, associadas a quantidades baixo-moderadas de DNA de PCV2 nas mesmas, de acordo com a prova de ISH (5/6 no grupo C e 4/6 no grupo D).

Viremia e resposta humoral ao PCV2 Resultados de Q-PCR demonstraram que o DNA do PCV2 surgiu, primeiramente, no soro de suínos inoculados com o PCV2 ao redor do 7° dia PI (pósinfecção), com o aumento dos títulos até o dia 14 PI (pós-infecção) no grupo C (6,4 × 105 ± 1,3 × 105 cópias virais/mL) e o dia 21 PI (pós-infecção) no grupo D (1,3 × 106 ± 2,8 × 105 cópias virais/mL), p < 0,05. Suínos não inoculados com o PCV2 permaneceram livres do vírus durante todo o estudo. O desenvolvimento da resposta humoral iniciou-se nos suínos inoculados com o PCV2 (grupos C e D), com o surgimento dos anticorpos detectados na prova de soro-neutralização (IPMA), principalmente entre 7 e 14 dias PI (pós-infecção), com o aumento dos títulos até o dia 29 PI (pós-infecção) (média de título de IPMA = 10,3 ± 1,2 log2). A soroconversão para anticorpos neutralizantes (NA) ocorreu entre 21 e 29 dias PI (pós-infecção), com um título médio de 5,0 ± 1,1 log2. Não Ano VI - nº 36/2010


Sanidade foram observadas diferenças entre os grupos C e D relativas a títulos detectados por IPMA e NA.

Respostas às citocinas “ex vivo” No dia 1 PI (pós-infecção) todos os leitões inoculados com o PCV2 tiveram um aumento transitório de IL-8 no soro (3/3 no grupo C: 170 ± 38 pg (picogramas)/mL e 3/3 no grupo D: 200 ± 23 pg/ mL), ao passo que os controles não inoculados permaneceram negativos. Durante o tempo em que a IL-8 baixou, os níveis de IFN-α começaram a ser detectados no soro de suínos inoculados com o PCV2. Deste modo, no segundo dia PI (pós-infecção), um animal do grupo C e um do grupo D eram positivos para essa citocina e, no quinto dia PI (pós-infecção), o soro de todos os suínos inoculados com o PCV2 tinha IFN-α detectável (3/3 no grupo C: 151 ± 12,7 pg/mL e 3/3 no grupo D: 149,7 ± 39,1 pg/mL). Subsequentemente, resultados positivos foram detectados apenas esporadicamente (Figura 2.1.). Com relação à detecção da IL10 no soro, somente um animal (nº.51) do grupo C foi positivo (dia 7 PI (pósinfecção); 154 pg/mL). Para a IL-1β e a THF-α, a maioria dos leitões foi negativa e essas citocinas eram detectadas apenas esporadicamente, não obstante o status da inoculação (dados não mostrados).

Respostas às citocinas “in vitro” Após o tratamento in vitro da PBMC (células mononucleares do sangue periférico) com o PCV2 não foi observada nenhuma indução em IL-2, IL-4 ou IFN-γ. Por outro lado, os níveis de IL-10 detectados em sobrenadantes de PBMC (células mononucleares do sangue periférico) estimuladas com o PCV2 foram significativamente mais altos que os detectados em cultivos submetidos à simulação (p < 0,01). De fato, a IL-10 liberada induzida pelo vírus foi observada em todos os dias de coleta, sem diferenças entre os tratamentos, embora resultados individuais demonstrem certa variação no interior do mesmo grupo, ao longo do estudo. Deste modo, no grupo A, 9/10 suínos foram detectados como positivos (variação de 17,2 - 273,9 pg/mL), 8/8 no grupo B (variação de 19,3 - 194,4 pg/mL), 16/18 no grupo C (variação de 13,1 - 298,3 pg/mL) e 15/18 no grupo D (variação de 36,3 - 282,4 pg/mL). Ano VI - nº 36/2010

O desenvolvimento de IFN-γSC (células secretoras interferon-gama) PCV2 específico foi observado apenas nos grupos inoculados com o PCV2 (C e D), tendo sido iniciado, principalmente, entre 14 e 21 dias PI (pós-infecção). Desse modo, no dia 21 PI (pós-infecção), 4/5 suínos do grupo C e 3/4 do grupo D foram positivos, com frequências médias de 77 ± 30 e 84 ± 49 IFN-γ-SC (células secretoras interferon-gama) PCV2 por milhão de PBMC (células mononucleares do sangue periférico) (p > 0,05), respectivamente. No dia 29 PI (pós-infecção) todos os suínos estavam positivos (média IFNγ-SC (células secretoras interferon-gama) PCV2 de 73 ± 30 e 59 ± 49 nos grupos C e D, respectivamente; p > 0,05). A Figura 2.2. mostra valores médios de IFN-γ-SC (células secretoras interferon-gama) em suínos inoculados com o PCV2 (grupos C e D), juntamente com a média dos títulos de anticorpos anti-PCV2 e da viremia.

Determinação do subconjunto de leucócitos Nas análises de citometria de fluxo, a maioria das mudanças na proporção relativa dos subconjuntos celulares foi esporádica e transitória, não podendo ser atribuída aos tratamentos recebidos. De qualquer modo, suínos infectados pelo PCV2 demonstraram um decréscimo nas proporções relativas das células CD4+SwC3+ (0,3 ± 0,2 vs 1,1 ± 0,4; p < 0,01), do mesmo modo que nos linfócitos CD4+CD8+ (3,5 ± 0,8 vs 5,9 ± 1,9; p < 0.01) nos dias 14 e 21 PI (pós-infecção), respectivamente, comparado com suínos livres de PCV2. Adicionalmente, uma mudança nas células CD21+ foi observada nos grupos inoculados com o PCV2, comparativamente aos grupos controle nos mesmos dias (1,7 ± 0,7 vs 3,3 ± 1,0; p < 0,05 e 2,1 ± 0,7 vs 3,0 ± 0,5; p = 0,056 – respectivamente). No dia 29 PI (pós-infecção) aquelas diferenças desapareceram.

Discussão A patogenia da PMWS ainda não é totalmente compreendida, não havendo um parâmetro isolado ou grupo de parâmetros que possam ser usados como prognosticadores confiáveis do desenvolvimento da doença. Relatos anteriores sugeriam que a interação do complexo

hospedeiro-vírus e a resposta imune gerada subsequentemente poderiam ser determinantes críticos para o entendimento da doença (123,176,194). Em nosso estudo tentamos caracterizar alguns dos parâmetros das respostas imune inata e adaptativa contra o PCV2, em animais que passam pela infecção sem desenvolver sintomas clínicos. Até agora, embora a reprodução da PMWS tenha sido possível com a utilização de vários modelos experimentais (188), nenhum deles tem conseguido reproduzir o problema de modo consistente em suínos convencionais. Entre eles, o uso de imunoestimulantes e de co-infecções, seguidos da infecção pelo PCV2 é – aparentemente – a estratégia mais bem-sucedida para reproduzir experimentalmente a doença clínica, sugerindo a ativação do sistema imunológico como um fator desencadeante em potencial para a PMWS (188). No presente estudo, o efeito da imunoestimulação no decurso da infecção pelo PCV2 foi avaliado em leitões CDCD com uma semana de idade, por meio da injeção dos mesmos com LPS, simultaneamente à inoculação oronasal do PCV2. Embora os LPS tenham sido considerados como detentores de um efeito positivo na replicação da infecção causada pelo PCV2 nos macrófagos pulmonares (22), nossos dados revelaram um efeito não significativo do LPS na evolução da infecção causada pelo PCV2 e nos parâmetros imunológicos avaliados durante o experimento. Esses resultados sugerem que a replicação viral induzida pelo LPS relatada in vitro aparentemente não ocorra in vivo, ou não seja suficientemente extensiva para desencadear a PMWS, sob as atuais condições experimentais. Contudo, estudos adicionais do tipo “efeito local do LPS nos tecidos-alvo do PCV2” deveriam ser conduzidos, no sentido de concluir o assunto, uma vez que não foi detectada a indução significativa de citocinas pró inflamatórias, atribuída ao LPS. Com relação à resposta imune inata contra o PCV2, o evento mais imediato detectado a seguir da infecção pelo PCV2 foi um aumento na IL-8 em nível sérico (dia 1 PI (pós-infecção). A habilidade do PCV2 em induzir a produção de IL-8 nos macrófagos alveolares ou PBMCs (células mononucleares do sangue periférico) dos suínos havia sido relatada previamente (31, 21 ) e combina com a natureza inflamatória dos lesões usualmente vista em animais infectados pelo PCV2. Suínos & Cia

37


Sanidade No presente estudo, outras citocinas pró-inflamatórias, tais como a IL-1β ou a TNF-α não foram detectadas no soro, em um modelo consistente. Entretanto, o fato dessas citocinas não terem sido detectadas no plasma não as exclui de ter uma participação importante nas fases iniciais da infecção, pois elas poderiam ter tido uma atuação local (no sítio da replicação viral) sem, entretanto, ter atingido níveis altos o suficiente para serem detectadas no soro. Em contraste, uma resposta IFN-α foi observada em suínos inoculados com o PCV2, no dia 5 PI (pósinfecção). A IFN-α é considerada uma citocina crucial para a defesa antiviral do hospedeiro, estando envolvida não apenas na resposta inata, mas também na regulação da resposta imune adaptativa, gerada frente a uma infecção viral. De fato, a habilidade de antagonizar respostas mediadas pela IFN-α por caminhos distintos e, por meio disso, interferir no mecanismo imunológico do hospedeiro, tem sido relatada no caso de várias viroses (57). No caso do PCV2, estudos recentes mostraram que o vírus ou estruturas PCV2-CpG (oligo deoxinucleotideos) podem inibir ou induzir as respostas IFN-α (193, 200) dependendo do subconjunto de células envolvido e da estrutura dos CpGs. Vincent et. al. (2007) relatou que o PCV2 seria capaz de bloquear a indução IFN-α nas NIPC (células naturalmente produtoras de interferon), sugerindo a atividade imunomoduladora do PCV2 como sendo um evento chave na patogenia da PMWS. A esse respeito, aqueles animais que passam pela infecção sem desenvolver sintomas clínicos estariam aptos a neutralizar a atividade inibitória do PCV2, provavelmente por meio de fortes respostas inatas. Em nosso estudo, a detecção de IFN-α no soro de todos os suínos inoculados com o PCV2, nos estágios iniciais da infecção, indicou a geração do desenvolvimento de uma resposta imune inata contra o vírus. O fato de não terem sido encontrados genomas de PCV2, tampouco lesões associadas ao PCV2 nos tecidos dos suínos necropsiados inicialmente, pode ser atribuído à habilidade do PCV2 em persistir nas células de linhagem monocíticas sem promover replicação ativa (193) e, então, não ser detectado pela técnica padrão HIS. Esses resultados – somados ao fato do PCV2 ser conhecido como mediador da inibição da capacidade de resposta das NIPC – sugerem que o equilíbrio enSuínos & Cia

38

tre a habilidade do hospedeiro em montar uma resposta inata antiviral apropriada e a habilidade viral em deprimi-la, pode ser determinante para a evolução da infecção e o desencadeamento da doença. Níveis elevados de IL-10 no soro foram detectados somente em um suíno inoculado com o PCV2, no dia 7 PI (pósinfecção). Contrastando com esse fato, resultados in vitro mostraram uma indução da liberação de IL-10, em resposta ao estímulo do PCV2 junto ao PBMC (células mononucleares do sangue periférico). Esse fato ocorreu independentemente do tratamento administrado aos animais. O envolvimento da IL-10 na patogenia da PMWS tem sido sugerido em vários estudos. Darwich et. al. (2003b) encontrou uma super-expressão de IL-10 mRNA no timo de suínos afetados pela PMWS, em correlação com lesões linfóides. A avaliação do perfil de citocinas em amostras de sangue de suínos inoculados experimentalmente com o PCV2 também mostrou uma associação entre níveis plasmáticos elevados de IL-10 e o desenvolvimento da PMWS (176). In vitro, o PCV2 tem demonstrado a capacidade de induzir a secreção de IL-10 em cultivos de PBMC, os quais, sucessivamente, levam à repressão de outras citocinas (82). Todos juntos, esses dados indicam que a habilidade do PCV2 em induzir IL10 poderia contribuir para a condição de imunossupressão observada no decurso da PMWS. Em nosso estudo, nenhum dos suínos desenvolveu sinais clínicos, e a viremia diminuiu no 29º dia, menos em um deles (nº.51). É interessante ressaltar que esse animal foi o único a ter IL-10 detectável no soro. Esses resultados sugerem que alguns suínos – aqueles que controlam a progressão da infecção – poderiam neutralizar a habilidade do PCV2, de induzir a liberação de IL-10. Com relação às respostas adaptativas, anticorpos IPMA anti-PCV2 surgiram ao redor do 14º dia PI (pós-infecção), enquanto os NA (anticorpos neutralizantes) apareceram de sete a 14 dias mais tarde. O desenvolvimento atrasado ou ineficaz da imunidade mediada por anticorpos anti-PCV2 havia sido previamente correlacionado com o alto nível de replicação do vírus e efeito da doença clínica (127, 123, 54 ). Entretanto, certo atraso na resposta neutralizante tem sido observado também em suínos infectados subclinicamente pelo PCV2, nos quais a PMWS não se desenvolveu (54).

A análise citométrica indicou que suínos infectados sofreram um decréscimo nas células CD4+SwC3+, CD4+CD8+ e CD21+ aos 14 e 21 dias PI (pós-infecção), tendo estes valores voltados à normalidade no final do estudo. Mudanças nos subconjuntos de PBMC (células mononucleares do sangue periférico), em suínos que não desenvolveram a doença, haviam sido previamente relatadas (33, 126) e diferem daquelas observadas em suínos afetados pela PMWS (126); enquanto que a leucopenia observada nos suínos infectados subclinicamente parece ser transitória, a leucopenia nos animais afetados pela PMWS aparece mais cedo, é mais forte e está correlacionada ao surgimento da doença clínica. A regra para os mecanismos de defesa celular específicos, na provisão da proteção contra a PMWS, ainda não foi elucidada. Nesse nosso estudo descrevemos pela primeira vez o desenvolvimento do IFN-γ-SC, em resposta à infecção pelo PCV2. O IFN-γ é considerado uma citocina chave para a polarização do Th1; por meio do controle da diferenciação das células T CD4 ainda não expostas ao antígeno (em inglês, naïve CD4 T cells) para efetores Th1, essa citocina media a imunidade celular contra infecções virais. Ainda nesse estudo, o desenvolvimento da IFN-γ-SC em resposta à infecção subclínica de animais pelo PCV2 iniciou-se – na maioria das vezes – entre 14 e 21 dias PI, tendo sido coincidente com o decréscimo da carga viral no sangue de todos os suínos, exceto um deles. Nossos resultados sugerem que as respostas mediadas por células, mensuráveis como IFN-γ-SC, possam também contribuir – juntamente com o desenvolvimento dos PCV2 NA (Anticorpos neutralizantes) – com a derrota do PCV2. Concluindo, os resultados desse estudo sugerem que, no caso de suínos infectados pelo PCV2, uma resposta precoce de IFN-α juntamente com o desenvolvimento do IFN-γ-SC e dos NA anti-PCV2 possam ser prognosticadores adequados da evolução da infecção pelo PCV2, os quais deveriam ser explorados em experimentos com o objetivo de elucidar mecanismos que possam ser a razão das diferentes consequências clinicas da referida infecção nos suínos. Referências Bibliográficas estão disponíveis no site: www.suinosecia.com.br Ano VI - nº 36/2010


Sanidade A prova de ELISA: ferramenta A prova de elisa: útil para o odiagnóstico ferramenta útil para sorológico da salmonelose Introdução O termo salmonelose é empregado para descrever a infecção causada por microrganismos do gênero Salmonella. É uma das infecções mais comuns na suinocultura, tendo sido reconhecida como causadora de uma importante zoonose, em nível mundial, de impacto econômico tanto para humanos como para animais. Esta bactéria é um patógeno dos suínos, capaz de infectar lotes durante períodos prolongados. A alta densidade animal, o estresse no desmame ou no transporte e as doenças nutricionais ou infecciosas aumentam a sua eliminação por parte dos portadores. Quando todos os animais adoecem simultaneamente deve-se suspeitar de uma fonte contaminada, como alimento, cama, água ou ambiente. A incidência da doen-

ça está estreitamente relacionada com o sistema de manejo, particularmente os de tipo intensivo. Há dois tipos de apresentação: a salmonelose entérica, que gera perdas econômicas importantes em consequência do atraso no crescimento e no incremento nos índices de conversão alimentar, e a forma septicêmica, na qual os animais estão resistentes à movimentação, acomodados em um canto da baia, ou mortos, com cianose abdominal, nasal e nas extremidades. O gênero Salmonella pertence à família Enterobacteriacea, sendo bacilos Gram negativos, intracelulares, móveis com flagelos perítricos, não esporulados e anaeróbicos facultativos, capazes de resistir a diversas condições ambientais. Crescem em Agar MacConkey e em outros meios que contenham bile e não fer-

Grandes populações podem ser infectadas pela salmonelose

Suínos & Cia

40

ROSALBA CARREON NAPOLES1,3 rcn@correo.unam.mx CELENE CRUZ BENAVIDES 2,3 M.V. Zootecnista e MSc. 1,3 M.V. Zootecnista2 Facultad de Medicina Veterinaria y Zootecnia3 mentam a lactose. As espécies que comumente afetam o suíno são a Salmonella enterica, subespécie enterica sorovariedade choleraesuis, e a Salmonella enterica, subespécie enterica sorovariedade typhimurium. O local de eleição para a infecção por salmonelas, normalmente, é intestino delgado. Afeta com maior frequência os suínos jovens, a partir do desmame até os quatro meses de idade, podendo também acometer animais adultos. Embora se possa estabelecer um diagnóstico presuntivo, com base nas manifestações clínicas associadas aos achados de necropsia, ele deve ser confirmado com o isolamento do microrganismo e estudos sorológicos. O método padrão para a detecção de suínos positivos para Salmonella é o exame bacteriológico das fezes, embora mais recentemente as provas de ELISA para Salmonella estejam disponíveis como seletivas para a resposta sorológica da infecção. As técnicas de diagnóstico indireto ou sorológico apresentam uma série de vantagens. Em primeiro lugar, os níveis sorológicos de anticorpos não flutuam, como no caso da eliminação das salmonelas nas fezes e, portanto, permitem que tenhamos uma idéia mais clara do que pode estar ocorrendo, tanto no nível individual, como no de grupo ou granja. A utilização de amostras de soro também evita outros problemas inerentes à coleta de fezes: volume e urgência da remessa ou refrigeração. A estrutura antigênica das enterobactérias é tal que permite relacionar vários gêneros entre si, definindo sorologicamente um sem-número de espécies bacterianas. Ano VI - nº 36/2010


Sanidade

A bacteriologia é o método standart para detectar salmonelose.

Colônias de Salmonella spp em Ágar MacConkey. Ao delinear uma técnica para o diagnóstico indireto das infecções por Salmonella devemos escolher entre técnicas específicas, capazes de detectar a resposta imunitária induzida por um número limitado de sorotipos ou, inclusive, um único sorotipo, e as técnicas de caráter geral, capazes de detectar a infecção por diferentes tipos ou grupos desta bactéria ou, inclusive, por todos ou a grande maioria dos sorotipos implicados nas infecções de uma determinada espécie. Por conseguinte, a medida do nível de anticorpos específicos de Salmonella por meio da prova de ELISA poderia ser um método útil em programas de prevenção e/ou controle. Em combinação com os exames bacteriológicos, uma prova de ELISA pode ser uma boa ferramenta para calcular a incidência real da Salmonella nos suínos. As provas podem ser utilizadas para a detecção da infecção causada por cepas de Salmonella dos sorogrupos B, C1 e D (Quadro 1.) Ano VI - nº 36/2010

Colônias de Salmonella spp em Ágar SS

Atualmente há três provas comerciais de ELISA disponíveis: A, B e C. A prova de ELISA A (norte-americana) consiste em uma imunoanálise enzimática para a detecção de anticorpos contra Salmonella sp no soro, plasma e extrato de carne suína. Permite a detecção sistemática rápida de anticorpos contra uma ampla gama de grupos séricos de Salmonella, indicando exposição à bactéria. A prova de ELISA é rápida e confiável para estimar a prevalência de salmonelose nas granjas de suínos. A prova de ELISA B (espanhola) é um imunoensaio enzimático indireto (ELISA indireto) para a detecção de anticorpos contra Salmonella em suínos, relativos aos antígenos LPS O tipos 1, 4, 5, 6, 7 e 12. As placas, nessa prova, contêm o LPS purificado de S. typhimurium e de S. choleraesuis. O conjugado é composto por soro de coelho antissuíno marcado com peroxidase. Trata-se de uma prova útil para a prática de screening em grande escala e para programas de controle de

Quadro 1 Sorotipo

Grupo

S. typhimurium S. derbi

B

S. brandenburg S. choleraesuis S. livingstone

C1

S. infantis S. panamá S. enteritidis

D

Salmonella em suínos. A outra prova de ELISA é de origem alemã (C) e consiste também em um imunoensaio enzimático para detecção de anticorpos contra Salmonella em amostras de origem suína, incluindo extrato de carne, soro e plasma. São detectados, com essa prova, os anticorpos para o antígeno O, tipos 1, 4, 5, 6, 7 e 12. Ela permite a detecção de anticorpos em mais de 90% dos sorotipos de Salmonella mais frequentes; sua microplaca é coberta com antígeno de Salmonella. Atualmente já existem alguns estudos comparando, entre si, algumas destas provas. Em um deles, onde se utilizou duas das três provas de ELISA disponíveis, concluiu-se que as provas A e B utilizadas podem ser incluídas no programa de controle de Salmonella como metodologia para monitorar a soroprevalência desse microrganismo nos lotes, uma vez que – nas duas provas – foram obtidos resultados similares em aproximadamente 50% dos soropositivos. As diferenças nos resultados das amostras individuais foram similares entre as provas, e a correlação em conjunto entre os resultados foi boa. A prova de ELISA A apresentou o nível mais alto de amostras positivas, com 52%, enquanto que a ELISA B revelou 48% de positivos. Outro estudo que utilizou a prova de ELISA A mostrou menor sensibilidade, com 44% de amostras positivas e 45% de granjas soropositivas. Porém, em outro estudo foi relatado que a sensibilidade e a especificidade foram mais altas Suínos & Cia

41


Sanidade

A prova de ELISA é rápida e confiável para estimar prevalência de salmonelose em granjas de suínos. com a prova de ELISA A, em comparação a outra prova. Essa maior sensibilidade poderia estar relacionada ao uso de um antígeno de maior espectro (frente aos sorogrupos B, C1 e D de Salmonella) em comparação a um antígeno restrito aos sorogrupos B e C1 da outra prova. Assim, a prova de ELISA A poderia ter detectado animais com anticorpos circulantes que não teriam sido reconhecidos pela outra prova em comparação. Os resultados sugerem que a sensibilidade das provas varia de modo importante, em função dos sorotipos envolvidos. Também foi relatado que a sensibilidade e a especificidade das provas de ELISA para salmonelose podem variar, dependendo do ponto de corte e da prevalência da infecção presente na granja. Por isso o conhecimento dos sorotipos de Salmonella presentes em uma região Suínos & Cia

42

é necessário, no sentido de determinar a precisão das provas sorológicas. Não há como não admitir que, como já mencionado, o fato de estas provas sorológicas poderem ser realizadas também a partir do extrato de carne seja uma ferramenta valiosa para a detecção da salmonelose no abatedouro, atividade realizada naqueles países onde a salmonelose é parte de um programa nacional de controle, por ser um importante problema de saúde pública.

avaliação da doença e da eficácia das medidas de controle aplicadas, objetivos importantes para a produção de suínos e para a saúde pública.

Referências Consultadas

Conclusão

01. Epizootiología de la salmonelosis en bovinos, porcinos y aves. México, D.F. Disponible en: http://www.fmvz. unam.mx/fmvz/cienciavet/revistas/ CVol 3/CVv3c05.pdf <http://www. fmvz.unam.mx/fmvz/cienciavet/ revistas/CVol%203/CVv3c05.pdf>

A combinação da bacteriologia com a sorologia é a opção mais recomendável para o diagnóstico da salmonelose, já que – por um lado – nos permitirá conhecer as variedades sorológicas implicadas e – por outro – realizar uma melhor

03. Threlfall EJ. Salmonella. Health Protection Agency 2008:639-647.

02. Straw B, D´Allaire S, Mengeling WL, Taylor DJ. Enfermedades del cerdo. Tomo I. 8ª ed. Buenos Aires, Argentina: Intermédica, 2001:501,509

Ano VI - nº 36/2010


Sanidade

Ano VI - nº 36/2010

Suínos & Cia

43


Sumários de Pesquisa

D

Sumáriosesempenho de Pesquisa reprodutivo de leitoas de acordo com a taxa de crescimento e espessura de toucinho no momento da cobertura Para atingir as metas de cobrição e tornar as leitoas mais produtivas, é importante reconhecer as principais características fisiológicas das linhas-fêmea e, em particular, o excepcional potencial de crescimento dos genótipos modernos. Correlações positivas da taxa de crescimento (GR) ou espessura de toucinho (ET) com o desempenho reprodutivo subsequente de leitoas ocorreram em vários estudos, embora haja inconsistências. Com alimentação à vontade e alocações de espaço recomendadas (~1,5m2 por fêmea) durante o desenvolvimento, a taxa de crescimento não parece limitar a idade do início do primeiro cio. Marrãs com maior taxa de crescimento podem ter o estro puberal induzido com sucesso antes de 150-170 dias de idade, e as marrãs podem ser cobertas entre 185 e 210 dias de idade, sem prejudicar o desempenho reprodutivo. Em marrãs cobertas no terceiro estro, a diferença na taxa de crescimento resultou em uma enorme variação nos pesos de cobrição, variando de 100 kg até 190 kg, mostrando que leitoas com maiores taxas de crescimento podem tornar-se acima do peso no momento da cobertura, se um momento pré-determinado (terceiro estro neste caso) for levado em conta para a primeira cobrição.

de uma análise retrospectiva, a influência da taxa de crescimento e espessura de toucinho na primeira cobertura de fêmeas de linhas contemporâneas sobre o desempenho reprodutivo subsequente e a variação de peso ao nascer na primeira leitegada.

Método: O estudo foi realizado entre junho de 2006 até abril de 2007, numa granja com capacidade para acomodar 2.400 fêmeas. Foram avaliadas a influência da taxa de crescimento (GR) e espessura de toucinho (ET), na primeira cobertura de fêmeas, sobre o desempenho reprodutivo até a primeira parição e sobre a variação no peso ao nascer dos leitões. 1.421 leitoas (PIC Camborough 22®) foram classificadas em três grupos, de acordo com a taxa de crescimento, desde o nascimento até a primeira cobertura: GR I (600-700 g / d, n = 345), GR II (701770 g / d, n = 710) e GRIII (771-870 g / d, n = 366). As análises também foram realizadas considerando os três grupos formados de acordo com a espessura de toucinho (BF mm) no acasalamento: BFI (10-15mm; n = 405); BFII (16-17mm; n = 649) e BFIII (18-23mm; n = 367).

Resultados: Não houve diferenças na taxa de parto e de retorno ao estro entre os grupos de BF ou GR. As leitoas dos grupos GRII e GRIII tiveram maior tamanho de leitegada em comparação às leitoas do grupo GRI, respectivamente, 0,5 e 0,9 leitões a mais, mas uma porcentagem maior de natimortos intraparto foi observada no grupo de fêmeas GRIII em comparação com os grupos GRI e GRII.

Além disso, as fêmeas GRIII tiveram mais leitões com peso inferior a 1.200 g, com leitegadas com um maior coeficiente de variação para peso ao nascer e maior percentual de leitegadas com um coeficiente de variação acima de 20% do que as fêmeas GRI. Mais leitões nascidos totais e nascidos vivos foram observados nas fêmeas BFII em comparação com as fêmeas BFI. Não houve diferenças entre os grupos BF no número de natimortos e nem nas variáveis relativas ao peso ao nascer dos leitões. Os autores concluíram que o tamanho da leitegada aumenta quando a taxa de crescimento ultrapassa 700 g/d e quando a espessura de toucinho é de 1617 mm. Entretanto, a taxa de natimortos aumentou nas leitoas com GR > 770 g/d. Considerando os custos com ração durante os dias não produtivos, desde a seleção até a primeira gestação, o número de leitões nascidos vivos e a uniformidade do peso ao nascer observada neste estudo, parece vantajoso realizar a primeira cobertura das leitoas, independentemente da idade, desde que elas tenham taxa de crescimento entre 600 e 770 g/d e BF ≥ 16 mm. Dito de outra forma, não existe vantagem, em termos de taxa de parição e número de nascidos vivos, em realizar a primeira cobertura de leitoas com taxa de crescimento maior que 770 g/d e espessura de toucinho lombar acima de 17 mm.

Assim, as práticas tradicionais de manejo precisam ser reavaliadas se quisermos captar todo o potencial econômico das modernas leitoas de reprodução, mesmo que seja difícil discernir os efeitos da idade, peso, espessura de toucinho e número do estro na primeira cobrição, sobre o desempenho reprodutivo subsequente e longevidade. Este artigo (Animal Reproduction Science 121 (2010) 139–144) relata o estudo conduzido por Amaral Filha e colaboradores (UFRGS, Faculdade de Agronomia, Departamento de Zootecnia) e teve como objetivo investigar, por meio Suínos & Cia

44

Ano VI - nº 36/2010


Sumários de Pesquisa

E

studo longitudinal de campo para avaliar o nível de fatores de risco das porcas associados com natimortos O número de leitões desmamados por porca / ano, considerado como a meta mais importante da produtividade do rebanho, é influenciado pelo tamanho da leitegada e mortalidade pré-desmame. Durante a última década, a seleção para um maior tamanho de leitegada em várias populações de suínos foi bastante eficiente. No entanto, ela tem sido, muitas vezes, acompanhada por um aumento no número de leitões natimortos. As taxas de natimortalidade relatadas variam entre 3% e 8%. Um estudo anterior sobre os fatores de risco para natimortalidade em nível de rebanho sugeriu que o tipo de raça utilizada no rebanho e alguns fatores relacionados com o manejo, como a supervisão das porcas no parto e uma temperatura elevada na maternidade, estavam associados com a ocorrência de leitões natimortos. Os rebanhos que ocasionalmente realizam supervisão do parto foram confrontados com mais natimortos em comparação com granjas onde se realiza habitualmente a supervisão. Pelo fato de ser pouco prático e antieconômico observar continuamente o processo do parto em rebanhos comerciais, seria interessante se os produtores de suínos pudessem identificar potenciais porcas de risco para leitões natimortos já antes da parição. Embora vários fatores associados à ocorrência de natimortos (tamanho da leitegada, ordem de parto, condição da porca, duração da gestação, duração do parto) tenham sido descritos, não foi dada atenção às características específicas das porcas (tais como ocorrência de natimortos em partos anteriores) que poderiam ajudar a avaliar o risco de natimortalidade em cada porca individualmente antes do parto. Por outro lado, a precisão para medir alguns fatores importantes, como a condição corporal da porca, tem melhorado largamente. Em estudos anteriores, o efeito da condição corporal sobre a ocorrência de natimortos foi avaliado com base em uma única pontuação visual da porca ao parto, embora, hoje, seja geralmente aceito que Ano VI - nº 36/2010

este método é muito subjetivo e impreciso, dependendo, em larga medida, das habilidades de pontuação da pessoa. A avaliação da espessura de toucinho, como meio de controlar a condição da porca, é um método mais objetivo e preciso. Até o momento, não existem estudos disponíveis que combinem ambos os fatores de risco no nível da porca e do rebanho, numa análise multinível, permitindo estimar, ao mesmo tempo, a importância relativa das práticas de manejo e características da porca. Além disso, os resultados da maioria dos estudos epidemiológicos disponíveis sobre natimortos necessitam ser atualizados, à medida que a produtividade da porca melhorou significativamente durante as últimas duas décadas com a introdução de novas práticas de manejo e novas linhagens. O objetivo do estudo realizado por Vanderhaeghe e colaboradores (Animal Reproduction Science, Volume 120, Issues 1-4, Julho 2010, Pg 78-83) foi investigar fatores de risco para leitões natimortos sob condições de manejo comercial de porcas praticado na Bélgica, concentrando-se nos níveis de espessura de toucinho das porcas e na ocorrência de natimortalidade na parição anterior. Método: No total, 545 fêmeas de 22 rebanhos de suínos foram incluídas no estudo. Dois modelos multiníveis de regressão logística foram utilizados para investigar os fatores de risco para leitões natimortos. Um incluiu a ocorrência de natimortos no parto anterior, enquanto o outro não.

Resultados: Leitões natimortos foram observados em 48,3% das leitegadas, e a taxa média de natimortalidade nas fêmeas foi de 7,5%. Em ambos os modelos, as porcas com baixos níveis de espessura de toucinho lombar (<16 milímetros), na época do parto, tiveram um risco aumentado de natimortalidade em comparação com porcas com espessura de toucinho média (16-23 mm). O toque vaginal durante o parto também foi associado com a ocorrência de natimortos. Porcas que pariram durante o dia foram mais propensas a ter natimortos do que a porca com parto durante a noite, e cada unidade de aumento no tamanho da leitegada total aumentou significativamente o risco de leitões natimortos. A ordem de parto foi significativamente associada com o risco de leitões natimortos quando a natimortalidade no parto anterior foi levada em conta. O risco de natimortalidade foi 2,5 vezes maior entre as fêmeas com mais de um natimorto no parto anterior em comparação com porcas sem natimortos na parição anterior. Os autores concluíram que fêmeas de ordem de parto elevada, com grandes leitegadas e baixo nível de gordura lombar, e as porcas com mais de um natimorto no parto anterior requerem atenção especial devido a um risco aumentado de natimortos. Finalmente, todas as práticas realizadas na maternidade devem ser conduzidas com cuidado e sem perturbação das fêmeas durante o processo de parição. Suínos & Cia

45


Sumários de Pesquisa

I

nfertilidade sazonal em porcas: um estudo de campo para analisar os papéis relativos do estresse térmico e fotoperíodo

Ao contrário de javalis e de algumas espécies domésticas, como ovinos e caprinos, os suínos não têm um forte modelo sazonal de reprodução. No entanto, certo grau de sazonalidade da reprodução em porcas foi relatado em muitos países, incluindo EUA, Finlândia e Tailândia. Tem sido demonstrado que a sazonalidade ocorre em diferentes sistemas de produção, níveis de desempenho e condições ambientais. As mais importantes manifestações da estação do ano sobre a reprodução de suínos incluem puberdade tardia, uma proporção menor de fêmeas apresentando estro após desmame e uma redução na proporção de fêmeas que concebem com manutenção da prenhez. Os cachaços são igualmente suscetíveis à infertilidade sazonal. Todas essas manifestações são observadas de junho a novembro no hemisfério norte. Não há consenso sobre os fatores causais deste fenômeno e sua importância relativa. Os principais parâmetros envolvidos são o estresse calórico, o fotoperíodo, umidade, catabolismo lactacional, uso do cachaço, estrutura social do grupo

de porcas, genética e manejo. Em alguns estudos experimentais, o estresse térmico apresentou maior influência do que o fotoperíodo. Em contraste, outros autores consideram a infertilidade sazonal como uma herança (atavismo) da fisiologia do javali relacionada ao fotoperíodo. No javali, a reprodução é determinada, principalmente, pelo fotoperíodo, mesmo que os fatores ambientais (clima, estado nutricional e os contextos sociais) possam atrasar ou adiantar o início da época de reprodução. Na produção de suínos, poucos estudos observacionais de campo têm discutido o papel relativo das altas temperaturas e fotoperíodo, provavelmente porque estes dois fatores ambientais estão altamente correlacionados nos climas temperados. Na França, a infertilidade sazonal em porcas foi alvo de estudos anteriores, e as relações entre infertilidade sazonal e estresse por calor foram avaliadas. A menor taxa de fertilidade foi observada em agosto, e a infertilidade sazonal foi mais prevalente em efetivos com um baixo desempenho reprodutivo geral. No entanto, estes estudos não avaliaram o papel do fotoperíodo como um fator de confundimento do estresse por calor. Os rebanhos suínos franceses são de tamanho médio e alta produtividade. Em 2007, o número médio de leitegadas desmamadas por rebanho e por ano foi de 403, e o número médio de leitões desmamados por porca/ano foi de 27,0. A idade média ao desmame foi de 24,7 dias,

a taxa de concepção ao primeiro serviço foi 89,0%, e o intervalo médio desmame - serviço efetivo foi de 8,9 dias. Neste contexto, o objetivo deste novo estudo, conduzido por V. Auvigne e colaboradores (Theriogenology 74 (2010) 60–66), foi analisar os papéis relativos da alta temperatura e do fotoperíodo como os fatores ambientais que afetam a reprodução de suínos em um clima temperado.

Método: Foram analisados os resultados de cinco anos (2003-2007) de diagnóstico de gestação via ultrassom, realizado em 266 granjas em confinamento total. Para todas as explorações, os dados abrangeram o período de estudo. Foi decidido utilizar um delineamento multianual a fim de distinguir os efeitos do fotoperíodo (que é invariável de um ano para outro) e do estresse térmico, o qual apresenta uma variação interanual. O trabalho focou-se em um dos componentes da infertilidade sazonal, ou seja, a taxa de concepção quatro semanas após a inseminação. As granjas estavam situadas em quatro regiões francesas. Foram incluídos dados de 22.773 leitegadas e 610.117 porcas. A infertilidade sazonal foi definida como a diferença relativa entre a taxa de fertilidade no verão (inseminações nas semanas 25-42) e inverno (inseminações nas semanas 01-18 do mesmo ano). Em cada região, duas variáveis meteorológicas foram definidas com base nos dados de uma estação meteorológica de referência: o número de dias quentes (temperatura máxima ≥ 25ºC) e dias tropicais (temperatura máxima ≥ 32ºC e temperatura mínima ≥ 18ºC).

Resultados: A fertilidade média foi de 85%. A infertilidade sazonal média foi de 2,8% e mais de 7,1% para um quarto (25%) dos rebanhos. A infertilidade sazonal não variou de acordo com as áreas ou a fertilidade inicial (definida para cada granja estudada como a fertilidade média do inverno ao longo de cinco anos). A infertilidade sazonal diferiu de acordo com o ano e foi significativamente maior em 2003 do que nos outros quatro anos, os quais não diferiram entre si. Nas quatro regiões, 2003 foi o ano com o maior número de dias quentes, e 2007, com o mínimo. Esse estudo reforça a hipótese de um papel proeminente do fotoperíodo na infertilidade sazonal e de uma função adicional de estresse térmico nos anos mais quentes. Suínos & Cia

46

Ano VI - nº 36/2010


Para tratar os problemas respiratĂłrios e entĂŠricos dos

45% pĂł solĂşvel.

J3519/MAR2010

suĂ­nos, um sĂł produto: DenagardÂŽ

Com amplo espectro de ação e elevada solubilidade e absorção, DenagardÂŽ 45% pĂł solĂşvel aumenta a chance de cura nas infecçþes, oferecendo resposta clĂ­nica rĂĄpida HHĂ&#x20AC;FD]DWpPHVPRFRQWUDFHSDVUHVLVWHQWHVDRVPDFUROtGHRVH lincosamidas 1. Acerte em cheio com um sĂł produto para medicação via ĂĄgua de bebida: DenagardÂŽ 45% pĂł solĂşvel. ReferĂŞncia: 1. Karlsson, M. and Franklin, A. (2000). Proc. 16th IPVS Congress, Melbourne, Australia. p123.

Novartis Saúde Animal Ltda. Av. Prof. Vicente Rao, 90 - CEP.: 04636-000 - São Paulo - SP Informaçþes ao Cliente: 0800-8888280 www.novartis.com.br DenagardŽ VRO~YHOpPDUFDUHJLVWUDGDGD1RYDUWLV$* %DVLOpLD6XtoD

45

solĂşvel


Aconteceu Novartis no IPVS 2010 em Vancouver, Canadá

Aconteceu Novartis

A Novartis participou do IPVS emPoliVancouver com delegações de várias partes Grupo do mundo: USA, Inglaterra, França, Tailândia, Dinamarca, México entre outros países foram representados. A delegação Brasileira foi uma das maiores, sendo composta por um grupo de 13 pessoas entre clientes, consultores e colaboradores da Novartis. Com um portfólio bastante amplo para a suinocultura, os destaques no Stand da Novartis foram a linha de Vacinas; a família Denagard® e os produtos da linha Bioprotecion. Uma novidade que foi lançada no mercado brasileiro agora no mês de julho, é a vacina Pili+C® para o controle da colibacilose e clostridiose dos leitões. O novo produto complementará o portfólio de vacinas da Novartis e atenderá uma necessidade marcante dos clientes. Em 2009, a Novartis investiu US$ 107 milhões em Pesquisa & Desenvolvimento representando 9,7% do faturamento da empresa, um dos maiores percentuais do mercado. Novos lançamentos da Novartis são aguardados para o mercado

Brasileiro, comenta Luciano Lunardi, Gerente Nacional de Vendas da Novartis. No Brasil a empresa tem posição de destaque no setor, com forte presença no campo, a equipe de suinocultura é composta por 12 colaboradores veterinários que atuam em todas as áreas importantes de produção no país. A Novartis Saúde Animal é uma empresa farmacêutica com sede na cidade de Basel na Suíça, está presente em 40 países, conta com 2.600 colaboradores no mundo e faturou em 2009 USD 1,1 bilhão. O evento que realizado em Vancouver, Canadá de 18 a 21 de julho é o mais importante evento científico de suinocultura. Veterinários de todo o mundo,

pesquisadores, cientistas e empresários participaram do 21 º International Pig Veterinary Society (IPVS), ou Congresso da Sociedade Internacional de Veterinária Suína. O evento além de ser um importante fórum mundial marca mais de duas décadas de encontros bienais da Sociedade Internacional de Veterinária Suína. Profissionais das mais diversas partes do mundo estiveram na cidade que se transformou na capital da suinocultura e da difusão do conhecimento. De acordo com Sylvie D’Allaire da comissão organizadora do IPVS 2010 o 21 º Congresso da Sociedade de Veterinária Suína em Vancouver , Canadá, todo o setor comemora esta oportunidade que os canadenses tem em sediar pela primeira vez este importante encontro. O IPVS, um evento itinerante, considerado o mais importante encontro científico da suinocultura mundial, reuniu especialistas, pesquisadores e profissionais de diversos países para debater os mais recentes avanços tecnológicos do setor. Por: Eliana Panty

Poli-Nutri recebe mais um atestado de qualidade do Ministério da Agricultura A Poli-Nutri, mais uma vez, mostra a sua responsabilidade com os consumidores brasileiros e acaba de receber do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (M.A.P.A.) a certificação referente à Instrução Normativa de nº 65/06, que rege a licença para a utilização de medicamentos. A certificação, que já havia sido concedida para a fábrica de Osasco, em São Paulo, agora foi, também, obtida para a unidade de Maringá. É um reconhecimento do compromisso da Poli-Nutri em prestar cada vez mais um

Suínos & Cia

48

serviço melhor a seus clientes e parceiros. A certificação é fruto do empenho e da dedicação de uma equipe comprometida que busca a excelência de seu trabalho para gerar melhores produtos. A IN 65 mostra também que a empresa atende a todos os

procedimentos exigidos, desde instalações adequadas, segurança, origem e qualidade de suas matérias-primas. A Poli-Nutri entende que, tão importante quanto atender às exigências e a regulamentação legal, é o compromisso e a responsabilidade com a sanidade dos alimentos de origem animal que chegam à mesa do consumidor. A próxima unidade a se submeter à auditoria de certificação é a de Euzébio, no Ceará, programada para as próximas semanas, afirma a direção da companhia.

Ano VI - nº 36/2010


Aconteceu

Ano VI - nº 36/2010

Suínos & Cia

49


Aconteceu Grupo Consuitec em parceria com a Cooperoeste A Grupo Consuitec em parceria com a Cooperoeste realizou no ultima dia 30 de agosto em Pará de Minas uma reunião técnica na area de reprodução, contando com a participação de mais de 140 pessoas. Durante o evento contamos com a presença do presidente da Cooperoeste

Inacio Diniz, proprietários de granjas, técnicos, médicos veterinários e colaboradores. A idealização deste evento teve o intuito de difundir conhecimento técnico na região e divulgar o trabalho do Grupo Consuitec que atualmente possui 5 segmentos:

No decorrer do evento a Dra. Deborah Gerda de Geus abordou o tema sobre “Estratégias de manejo para otimizar os resultados reprodutivos” onde demonstrou as oportunidades encontradas nas granjas para obter o máximo de resultado. A Dra. Caterine Ruiz expla-

nou sobre o “Controle de qualidade no processamento de sêmen” enfatizando os principais pontos que devem ser seguidos em uma central de Inseminação Artficial. O evento foi en cerrado com um coquetel para integração de todos os participantes.

Suínos & Cia

50

Ano VI - nº 36/2010


Aconteceu

Ano VI - nº 36/2010

Suínos & Cia

51


Informe Publicitário Talent: eficiência na conversão A TOPIGS, líder global em genética e inseminação artificial de suínos, lança no Brasil o Talent, linha sintética de reprodutores de alta performance desenvolvida especificamente para os sistemas modernos de produção suína. Os objetivos de seleção genética do Talent têm como foco principal uma baixa conversão alimentar e um alto ganho de peso diário (GPD). Esses dois fatores associados permitem que os custos de alimentação permaneçam baixos. A progênie do Talent é vigorosa, apresentando altas taxas de sobrevivência e melhor eficiência alimentar associadas à excelente qualidade de carne e de carcaça. Tudo isso faz do Talent o animal mais eficiente na conversão de ração em carne, proporcionando melhores benefícios econômicos. Hermanus Wigman, Diretor da TOPIGS do Brasil, menciona que a linha é de fácil manejo e chama a atenção para o diferencial da vitalidade. “É uma linha adequada para sistemas de alimentação à vontade, tanto de ração seca, quanto líquida. Ao mesmo tempo, sua seleção para vi-

talidade gera animais de terminação uniformes e de ótimo vigor, com altas taxas de sobrevivência”, enfatiza. O geneticista da TOPIGS, André Costa, destaca a alta qualidade de carne e carcaça além do elevado percentual de lombo e pernil da progênie Talent. “São fatores determinantes de padrão no abate e rendimento que o novo produto traz com diferencial ao mercado”, explica. “O Talent será o ícone de eficiência no mercado”, conclui Wigman.

Genética de ponta O rigoroso programa genético da TOPIGS parte de pelo menos 4000 reprodutores, cujo desempenho é testado individualmente, apenas os 40 melhores são selecionados como pais da próxima geração. A linha Talent é selecionada com base em registros individuais de consumo de ração e conversão alimentar. Esta seleção também é baseada na mensuração da profundidade de lombo e espessura

de toucinho através da utilização de ultrassom (Aloka). Estes dados servem de base para a seleção de animais com ótimos valores genéticos para qualidade de carcaça. Nas etapas seguintes, os níveis de desempenho são medidos ao peso de abate médio de 120 kg para mostrar o melhoramento constante do ganho de peso diário, sem comprometer o percentual de carne magra. Os intervalos entre gerações são reduzidos por meio da estrutura de inseminação artificial das granjas núcleos, proporcionando o máximo progresso genético. Ao final dos testes, um animal de cada leitegada nascida nas granjas núcleo é selecionado para ser abatido e dissecado com o objetivo de avaliar a qualidade de carcaça e de carne. Com ajuda da moderna tecnologia SNP (Single-Nucleotide Polymorphism) que permite a identificação de genes de alto valor econômico, este programa de seleção é a base para a maximização econômica da linha macho com progresso genético rápido e sustentável.

Informe Publicitário Talent: eficiência na conversão

Suínos & Cia

52

Ano VI - nº 36/2010


Reportagem O sucesso do 5º Simpósio Internacional de Produção Suína

Reportagem O sucesso

O 5º Simpósio Internacional de Produção Suína (Suinter), realizado em um dos melhores hotéis de Campinas Royal Palm Plaza , SP reuniu especialistas para discutir temas como manejo, saúde e nutrição. A presidente do Suinter, Maria Nazaré Simões Lisboa, faz um balanço deste simpósio e já programa o próximo, para 2011 Realizar o 5° Simpósio Internacional de Produção Suína nesse formato foi um sonho da equipe organizadora do Suinter. Por isso, temos a honra de agradecer aos patrocinadores e participantes pelo sucesso do evento. Podemos resumir que todos os nossos objetivos foram alcançados e se traduziram em sucesso absoluto, superando nossas expectativas. Lugar maravilhoso com ambiente descontraído e favorável, cumprindo com o propósito de rever amigos, trocar informações e planejar o futuro dessa dinâmica atividade. Público seleto, formado pelos principais especialistas e formadores de opinião, os quais delegam a grande capacidade de tomadas de decisões da expressiva suinocultura brasileira e de outros países latinos. As palestras com temas atuais, contendo informações pertinentes, que podem ser adotadas no dia a dia das gran-

Comissão Organizadora do Suinter jas consagraram mais uma vez o porquê participar do Suinter faz a diferença. Para concluir, posso afirmar que nosso maior desafio estará em atender as sugestões dos patrocinadores e participantes de realizar no próximo ano o Suinter do mesmo formato em uma das regiões mais bonita do pais como Foz do Iguaçu que apresenta infra-estrutura de turismo e conforto para os participantes. Dessa forma, juntamente com as sugestões dos próprios participantes, programamos o próximo Suinter para os dias 27, 28 e 29 de junho de 2011. Nosso site já está aberto para sugestões do 6° Simpósio Internacional de Produção Suína, o qual estará recebendo suas sugestões para tornar o programa técnico cientifico cada vez melhor atendo a necessidade dos nossos patrocinadores e participantes.

Os temas abordados chamaram à atenção dos participantes, gerando troca de informações condizentes com as experiências práticas do campo.

Suínos & Cia

54

Maria Nazaré Simões Lisboa, presidente do Suinter Ano VI - nº 36/2010


Reportagem

O entreterimento junto aos palestrantes foi o momento oportuno para os participantes tirarem suas dúvidas

Participantes elogiam organização do 5º Suinter Jorge Pacheco marca presença no Suinter desde sua primeira edição e faz questão de estar sempre presente por ser um evento comprometido em manter os profissionais da área atualizados, com informações técnicas condizentes com as experiências práticas. Para ele a 5° edição superou, novamente, as expectativa. “O tema Gestão e Inovação abordou assuntos que nos fazem deparar e repensar sobre os conceitos e paradigmas que devem ser introduzidos e superados na cadeia de produção suína. Esses atributos demonstram que temos uma longa jornada para percorrer, e esses pontos acrescentam muito à suinocultura brasileira”, diz.

Hélcio José da Silva destacou a organização do evento. “Parabenizo a comissão organizadora por ter escolhido assuntos de extrema importância para a Jorge Pacheco melhoria de resultados reprodutivos e econômicos da suinocultura. Os palestrantes, profissionais de alto nível, foram muito bem escolhidos. O público ficou muito satisfeito com a programação do evento”, afirma Silva, já se preparando para a próxima edição do Suinter. “Espero estar presente, pois a busca por informação é um dos segredos para alcançarmos sucesso em qualquer segmento”, finaliza.

Ano VI - nº 36/2010

Hélcio José da Silva

Suínos & Cia

55


Reportagem Suinocultura Lar torna-se uma empresa Suinocultura Lar torna-secertificada pela ISO 9001 uma empresa

Como uma das primeiras suinoculturas no país a adotar os padrões de ISO 9001, a Cooperativa Lar, mais uma vez, surpreende pela capacidade de inovar, acreditando que a organização e padronização fazem parte de alguns dos pré-requisitos para se manter e crescer nesse mercado altamente competitivo. A Lar também surpreende pela sua capacidade de gestão e inovação. Confira os motivos que a fazem crescer a cada ano e ser uma das cooperativas mais sustentáveis e competitivas na suinocultura brasileira. Suinos & Cia: A Cooperativa foi a primeira do gênero a receber a certificação. O que isto representa? Dirceu Zotti: Este pioneirismo demonstra o empenho da Cooperativa em relação à valorização das expectativas de seus clientes e associados. A certificação das unidades de produção de matrizes e de suínos foi um desafio para a Cooperativa, pois como em outras atividades as quais fomos pioneiros na certificação, não tínhamos referências sobre procedimentos ou metodologias adotadas por outras empresas neste segmento de negócio. O que fizemos foi buscar as melhores práticas possíveis, considerando padrões mundiais, e padronizá-las em nossos processos e sistemas. Para isso, necessitamos montar e planejar uma eficiente estratégia de treinamento, contemplando várias etapas, com o objetivo de todas as pessoas e equipes estarem devidamente preparadas para atuar nessa nova realidade. Suínos & Cia: Quais os fatores que levaram a Suinocultura da Cooperativa Lar a se tornar uma empresa certificada pela ISO 9001? Dirceu Zotti: Primeiramente, a proposta da Lar foi se certificar como empresa, estendendo-se aos seus diferentes segmentos. Como empresa, tivemos a fase de transição de um perfil econômico de produção primária para a agregação de valor por meio da agroindustrialização. Especialmente a partir de meados da Suínos & Cia

56

Unidade Produtora de Leitões em Itaipulândia - PR década de 90, a Cooperativa sentiu a necessidade de uma atuação com produtos diferenciados nos mercados em que iria atuar. Assim, já em 2000, incrementou seus esforços nos programas de qualidade e, mais objetivamente, em 2001, na Certificação ISO 9001. O objetivo da Cooperativa, que é ter todos os seus processos certificados pela norma, estaria praticamente atingido com a certificação das Unidades de Produção de Leitões e Matrizes. Nossa suinocultura cresceu, agregou valores e, hoje, contempla duas unidades (UPL) com 5.400 matrizes em cada uma, totalizando 10.800 fêmeas, e mais uma unidade de produção de matrizes de 750 fêmeas (rebanho fechado) que se auto repõe e produz a necessidade de marrãs (fêmeas de reposição) de todo plantel.

Suínos & Cia: A implantação da ISO 9001 tem sido cada vez mais frequente nas grandes empresas devido a essa dimensão, o que, sem dúvida, aumenta a necessidade de organização interna. Quais os benefícios que impactaram na atividade após sua introdução? Dirceu Zotti: Nossas granjas são altamente competitivas, e cada ano a produtividade aumenta, melhorando custos de produção e viabilizando as margens. As equipes estão interadas e motivadas. Inicialmente, introduzimos os processos de Qualidade Total, facilitando a adoção da ISO. Atualmente, todo o nosso processo está documentado conforme a norma, ou seja, a padronização proporcionada pela ISO 9001 auxilia a Cooperativa no monitoramento dos seus processos e reAno VI - nº 36/2010


Reportagem Dirceu Zotti: Passamos por várias mudanças, como a execução de muitos treinamentos com a equipe para esclarecimento do projeto de implantação, adequação aos procedimentos operacionais, inserção de novos procedimentos que até então não existiam, implementação de registros de dados do processo, tomadas de ações preventivas e corretivas de possíveis erros no processo, adequações de instalações e equipamentos, criação de um novo setor, o “CQ”, e maior preparo das lideranças para obter o comprometimento da equipe em relação a este novo desafio. Equipe recebe a certificação da ISO 9001 sultados, garantindo as condições necessárias para a tomada de ações corretivas e preventivas, no caso desses processos se comportarem de maneira diferente do planejado. Com a ISO 9001, conseguimos realizar análises criteriosas nos pontos críticos do processo, e, envolvendo toda a equipe, podemos planejar, organizar e controlar melhor as nossas atividades. Com o gerenciamento dos processos, mantemos e melhoramos a produtividade e, consequentemente, o resultado é a satisfação dos nossos investidores (cooperados), colaboradores e clientes.

Suínos & Cia: A suinocultura possui uma série de atividades complexas, das quais todos devem estar cientes de como, quando e por que devem ser efetuadas. De que maneira a ISO 9001 auxilia?

Suínos & Cia: A ISO 9001 exige que os colaboradores adotem novos regulamentos de informação, visando a diminuir os riscos de erros. Quais as dificuldades encontradas frente aos colaboradores? Dirceu Zotti: Uma das dificuldades enfrentadas foi a aceitação para a mudança de hábitos, visto que toda mudança causa desconforto e uma reação. Mas com os treinamentos tivemos o comprometimento da equipe, e a ISO 9001, hoje, é um fato consumado. Suínos & Cia: Com relação aos colaboradores, que mudanças a empresa teve de se adequar para a implantação da ISO 9001?

Suínos & Cia: Para que todo esse processo tenha continuidade e seja de eficiência efetiva são necessárias auditorias. Poderia citar alguns critérios de como são realizadas? Dirceu Zotti: As auditorias são imprescindíveis para a manutenção da ISO 9001. A Cooperativa atua com auditores internos treinados e com experiência na implantação da norma em cada uma das suas unidades. A cada seis meses são feitas pré-auditorias internas em todas as unidades com certificação ISO, ou seja, os auditores das próprias unidades auditam os processos de maneira que se possa ter um primeiro retrato da sua situação atual. Vale lembrar que sempre utilizamos os critérios de independência e imparcialidade nas auditorias, evitando que o auditor

Dirceu Zotti: É justamente esse um dos principais benefícios da ISO 9001 em qualquer processo. Por meio da padronização dos processos e atividades via procedimentos operacionais (PO), a ISO 9001 tem auxiliado os funcionários na realização dessas atividades complexas e até mesmo na melhoria desses processos. Considerando que os próprios funcionários é quem descrevem as suas atividades nos procedimentos, muitas vezes, quando do treinamento à equipe, novas idéias e melhorias surgem, o que nos possibilita a realimentação do processo e a tão esperada melhoria contínua. Ano VI - nº 36/2010

Processo de auditoria nas unidades de produção

Suínos & Cia

57


Reportagem audite o seu próprio processo. Após esta etapa, aproximadamente um mês depois, as unidades recebem a visita de auditores internos de outras unidades da Cooperativa, de maneira que as oportunidades de melhoria evidenciadas na pré-auditoria interna possam ser checadas e também outras visões e possibilidades de melhorias dos auditores das outras unidades possam ser absorvidas. Desta forma, as unidades ficam preparadas para receber a auditoria externa, que acontece anualmente.

Suínos & Cia: Uma das grandes dificuldades existentes no mercado de trabalho é a rotatividade de pessoas. Os procedimentos operacionais colaboram no treinamento e motivação dos novos contratados? Dirceu Zotti: Sim, a implantação da ISO 9001 tem nos auxiliado nesse sentido, pois todos os colaboradores estão envolvidos na norma e nos padrões, transformando-os em conhecimento. Isso nos possibilita uma nova cultura que vai se disseminando entre toda a equipe. Desta forma, proporciona maior segurança e tranquilidade para as pessoas que estão no processo, da mesma forma para os novos funcionários, pois a descrição de todas as atividades em forma de POs só facilita o entendimento do processo e sua rápida adaptação.

Funcionários da Cooperativa Agroindustrial Lar

Suínos & Cia: A suinocultura mudou no decorrer desses anos, exigindo das empresas mais profissionalismo. A certificação dentro da suinocultura da Lar facilita a comercialização? Dirceu Zotti: Mais que facilitar a comercialização, nosso principal objetivo é garantir a venda de nossos produtos. E cada vez os consumidores estão mais exigentes. Temos que garantir alimento de excelente qualidade, simplesmente para poder ter acesso à comercialização. Não se pode esquecer que o mundo mudou, os consumidores estão optando por qualidade, devido ao esclarecimento, poder aquisitivo, entre outros fatores. A tendência da exigência de um consumidor em qualquer

Os procedimentos operacionais facilita o entendimento do processo e proporciona maior segurança e tranquilidade para a equipe da cooperativa

Suínos & Cia

58

parte do mundo sempre será a mesma, buscar qualidade, e nosso propósito é buscar a melhoria contínua e satisfação do cliente para que possamos sempre ter a preferência.

Suínos & Cia: Espera-se uma redução de custos após a aquisição da ISO 9001, devido à diminuição de erros e desperdícios. A empresa contabilizou alguma redução? Dirceu Zotti: Hoje as empresas crescem de maneira organizada ou desaparecem. E a prática de uma gestão eficiente é o primeiro passo. Isso pode ser observado em analises de indicadores eficientes, nos quais buscamos informações concretas sobre o comportamento de setores e as atividades que são exercidas. A competitividade com a globalização da economia é cada vez mais acirrada, exigindo do produtor ou do empresário que acompanhem seus custos e melhorem suas margens com maior produtividade, por meio de estratégias corporativas. Não é nosso intuito gerar outro custo, que pode ser chamado de custo da não qualidade. São os pequenos detalhes que fazem a diferença. Colaboração: Joicemara Silva: Lider do controle da qualidade. Vanderlei Zappani: Gerente da Unidade produtora de Leitões de Itaipulândia. Dirceu Zotti: Gerente da Suinocultura da Cooperativa Agroindustrial Lar. Ano VI - nº 36/2010


Dicas de Manejo Dicas de Manejo Como controlar a

Como controlar a coccidiose suína

A diarréia neonatal é um problema presente na suinocultura, e sua importância tem aumentado devido à intensificação e tecnificação dos sistemas de produção de suínos. Diferentes agentes patogênicos podem ser causadores de diarréia em leitões, como vírus, entre eles, o rotavírus e o coronavírus; bactérias, como Escherichia coli, Clostridium perfringens, salmonelas; entre outros. No entanto, estudos demonstram que a causa mais frequente de diarréia em leitões entre 6 e 15 dias de vida é a coccidiose. Vamos verificar abaixo, as principais dicas para o controle da coccidiose suína.

A coccidiose dos leitões é causada pela infecção por Isospora suis. Este protozoário é um parasita unicelular que realiza parte do seu ciclo de vida no interior das células do intestino delgado dos leitões, e a outra parte de seu desenvolvimento ocorre no meio ambiente. Ao final da fase de desenvolvimento do Isospora suis no intestino dos leitões, há a formação de um ovo microscópico, denominado oocisto. Este oocisto de Isospora suis é eliminado com as fezes do animal. Havendo condições ideais de temperatura, umidade e oxigênio no meio ambiente, este oocisto se desenvolve para formar um oocisto esporulado dentro de 1 a 3 dias. O oocisto esporulado presente no ambiente de criação é capaz de infectar outros leitões, mantendo a coccidiose na granja. Ciclo de vida do Isospora suis

A sintomatologia da coccidiose clínica ocorre mais frequentemente em leitões entre 2 e 3 semanas de vida. Os sintomas normalmente começam com diarréia pastosa ou aquosa, fezes de cor branca ou amarela. A diarréia dura, em média, 5 a 6 dias.

Fezes características da coccidiose

Suínos & Cia

60

Ano VI - nº 36/2010


Dicas de Manejo

Na mesma leitegada podem ser encontrados animais com diarréia típica de coccidiose e animais com fezes normais. Os animais afetados apresentam condições físicas deficientes e retardo no crescimento, podendo ser observada desidratação.

Fezes características da coccidiose

A diarréia clínica observada nos leitões acometidos pela coccidiose é resultado das lesões causadas à mucosa do intestino delgado (jejuno e íleo).

Leitão com condições físicas deficientes e retardo no crescimento

Durante o desenvolvimento intracelular de alguns estágios do parasita, há destruição das células do epitélio intestinal dos leitões e das vilosidades intestinais, podendo até haver destruição de porções do intestino. Como resultado, há comprometi-

mento da função digestiva, prejudicando tanto a digestão como a absorção de nutrientes. Com isto, observa-se diarréia e baixo ganho de peso, e as lesões fazem com que o intestino se torne mais vulnerável à invasão por outros agentes patogênicos.

Foto de microscopia eletrônica do epitélio intestinal normal

Foto de microscopia eletrônica do epitélio intestinal 5 dias após a infecção artificial por Isospora suis

Ano VI - nº 36/2010

Suínos & Cia

61


Dicas de Manejo O diagnóstico da coccidiose neonatal suína causada pelo Isospora suis é baseado na sintomatologia clínica, no histórico da granja e na demonstração da presença do parasita. Deve-se realizar a pesquisa de oocistos nas fezes dos animais. Lembre-se que mesmo fezes firmes podem conter grandes quantidades de oocistos, pois a diarréia pode ocorrer após a eliminação dos oocistos por meio das fezes.

Oocistos esporulados de Isospora suis

O controle da doença depende da correta administração do anticoccidiano aos animais e também da adoção de boas práticas de higienização. Para evitar os sintomas clínicos, a diminuição do peso dos animais e os demais prejuízos causados pela coccidiose, o tratamento deve ser iniciado antes que a coccidiose clínica tornese evidente. A coccidiose não responde ao tratamento com antibióticos. A Toltrazurila é o princípio ativo indicado para a profilaxia e tratamento da coccidiose em leitões. O tratamento profilático da coccidiose deve ser realizado em toda a leitegada, entre o 3º e o 5º dia de vida do leitão. Tratamento profilático de toda a leitegada com Toltrazurila

Os oocistos são altamente resistentes no meio ambiente. Para o controle efetivo da doença, além do tratamento profilático dos animais, recomenda-se:  Banhar as porcas antes de sua entrada na maternidade;  Remover constantemente as fezes de porcas e leitões, evitando que os leitões entrem em contato com suas fezes e com as de outras leitegadas;  Evitar a transferência de leitões doentes para leitegadas sadias;  Adotar programas de biossegurança na granja, fazendo o controle de vetores passivos, como roedores e insetos;  Realizar um completo e adequado processo de desinfecção do ambiente. Por: Dra. Eliana Ottati. N. Dantas M.V. – Coordenadora Técnica da Unidade Aves e Suínos – Bayer HealthCare Suínos & Cia

Ano VI - nº 36/2010

62

Anuncio


Benefícios para toda a vida! 1 mL faz a diferença

J n/10 Jun Jun/ 0

1 dose de Baycox® Pig Doser elimina a coccidiose e eleva o peso dos leitões.*

Consulte sempre um Médico Veterinário.

www.bayeravesesuinos.com.br

* Metaphylactic treatment of piglet coccidiosis with Baycox® 5%: effect on weight gain, morbidity and mortality during suckling and nursing period. Böhne et al. Bayer International Pig Symposium, Copenhagen, 15 July, 2006.

Anuncio_Baycox_2010_210x297mm.indd 1

8/6/2010 15:34:11


Divirta-se Encontre as palavras

Divirta-se Encontre as palavras No diagrama abaixo encontra-se as diferentes áreas de atuação que o profissional especialista em suínos pode Teste seus conhecimentos atuar. Vamos encontrá-las? Jogo dos 7 erros S S D F A H J K L P Q O W E R O T A Y R U C L L O R L D O K Cruzadox M S C D F G A H O J S F O Z D P L A N E J A M E N T O R D C V F D I G B B H Y U J C I W H E T P O I I K C U N M B T Y O Respostas Nutricionista I F G O H X D S Q C I P E I R F Y F E C F M O Z A Q W T D N Geneticista Sanitarista Estatístico Consultor Comercial Docente Gestor Vigilante Sanitário Inspeção de Alimentos Ambientalista Planejamento

G I L A N T E S A N I T A R I O M Y M E X R O V R G

R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

T S J R G T I E T R R T E Y C U N I N O T D Q Q G T

G Q I T V A S M X N L G V R B B N R X L Y F O N V Y

A E O C I T T K R J E H O N C H L I I L R G W K C H

X L S Q A N H H B X N U T R I C I O N I S T A O Z N

C T B T K B J B N D B J B N S B W B S K B J E J D B

C E Í W O B L N C M D L R H E E K V P F V K E F E T

R S G D J R L G Y W F L G Y W F L G E J S L R H A I

T D Y L G G P Y U S G P Y U S G P Y Ç I C O T T C R

O D O F O H O T J Z H O T J Z H O T Ã H H O T G S A

I W F O D J I F M X J I F M X J I F O O J I O B A E

Z R C I O M U C K A M U C K A M U C D T M U Y F N I

U Y X Y T N Y X I Q N Y X I Q N Y X E G N C O C I W

N T D L C K T D O W K T D O W K T D A R L G U D T A

X B S O M L R R L A L R R L A L R R L F L R D L A D

G I M V I P E E P S P E E P S P E E I I P O I S R O

L E T I E O W S P D O W S P D O W S M D C G O I I C

R Q N L Q I Q Z O E I Q Z O E I Q Z E E I S O A S H

B G A E N U Z A I R U Z A I R U Z A N R H Z T O T A

U X N L T D X Q L F J X Q L F J X T T T J M P L A T

T C W H U I U W K C K C W K C I E W O C R Q O K L O

D I F U C L C K E J H V A J X H L D S N X F L J K S

N A Z U A H B I F Z G B Z U Z G S U H I G B F U O G

D W X N A F L X S K F N X N A D N U F H A R O E A F

S R S H Q C M N M T F M S M H C R A M I C M B M C C

D L W B C D K S H A A M B I E N T A L I S T A B W D

R Y I U A M H E H E X P L H E X O E H E X A D H E X

S O D Y D S V D Y D C T L F B O R F D H R O N Y D S

S U L T O R D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

Teste seus conhecimentos Teste seus conhecimentos frente ao Complexo Respiratório Suíno (CRS) respondendo Verdadeiro (V) ou Falso (F) as seguintes informações: (

) O Complexo Respiratório Suíno é a manifestação da ação conjunta de bactérias e vírus

(

) O vírus da PRRS é considerado um agente primário do Complexo Respiratório Suíno

(

) A Pneumonia por Pasteurella multocida causa lesões pulmonares típicas de pneumonia intersticial

(

) As lesões de broncopneumonia produzidas por bactérias estão localizadas em todo o parênquima pulmonar (difuso)

(

) A lesão pulmonar produzida pelo Actionobacillus pleuropneumoniae (App) é do tipo pneumonia fribrinosa

(

) A Rinite Atrófica Progressiva (RAP) está associada somente pela infecção pela Pasteurella multocida tipo “D”

(

) A lesão microscópica que caracteriza envolvimento de pneumonia produzida pelo Mycoplasma hyopneumoniae é a hiperplasia linfóide peribroquiolar

Suínos & Cia

64

Ano VI - nº 36/2010


Divirta-se

Jogo dos 7 erros

Cruzadox Vamos responder às perguntas ao lado encontrando as respostas para o diagrama abaixo: 6

H

E

T

E

R

O

S

P

E

R

M

I

A 7

8

F

E

R

O

R

M

O

N

I

O

B

1

12

S

T

O

W

A

A

4

L

I

B

I

D

O

R

X

T

A

L

D

3

R

E

P

E

T

I

Ç

Ã

O

D

E P

5

C

O

L

O

R I

13

A

B

O

R

S

T

R

O

15

E

S

P

T

O

E

E

T

N

G

A

11

M

Ano VI - nº 36/2010

R

E

S

B

I

L

O

O

G

R

T

R

E

U

L

E

S

I

D

14

9 T

I

M

10

O 2

C

S

Ç A

R

E

H

Õ

E

S

1 - Índice que indica a eficiência reprodutiva da fêmea 2 - Concentração da dose inseminante usualmente utilizada 3 - Falha reprodutiva 4 - Característica de um bom rufião 5 - Essencial para o leitão 6 - Mistura de vários ejaculados 7 - Cachaço em inglês 8 - Secreção eliminada pela saliva do macho 9 - Fase de desafio para o leitão 10 - Primeiro sinal da A M A puberdade 11 - Marrã em inglês 0 12 - Porca em inglês 13 - Interrupção da gestação 14 - Produto para diluir o sêmen 15 - Exame do sêmen Suínos & Cia

65


Divirta-se

Encontre as palavras S M V I G I L A N T E S A N I T A R I O M Y M E X R O V R G

S S F F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

D C D G T S J R G T I E T R R T E Y C U N I N O T D Q Q G T

F D I O G Q I T V A S M X N L G V R B B N R X L Y F O N V Y

A F G H A E O C I T T K R J E H O N C H L I I L R G W K C H

H G B X X L S Q A N H H B X N U T R I C I O N I S T A O Z N

J A B D C T B T K B J B N D B J B N S B W B S K B J E J D B

K H H S C E Í W O B L N C M D L R H E E K V P F V K E F E T

L O Y Q R S G D J R L G Y W F L G Y W F L G E J S L R H A I

P J U C T D Y L G G P Y U S G P Y U S G P Y Ç I C O T T C R

Q S J I O D O F O H O T J Z H O T J Z H O T Ã H H O T G S A

O F C P I W F O D J I F M X J I F M X J I F O O J I O B A E

W O I E Z R C I O M U C K A M U C K A M U C D T M U Y F N I

E Z W I U Y X Y T N Y X I Q N Y X I Q N Y X E G N C O C I W

R D H R N T D L C K T D O W K T D O W K T D A R L G U D T A

O P E F X B S O M L R R L A L R R L A L R R L F L R D L A D

T L T Y G I M V I P E E P S P E E P S P E E I I P O I S R O

A A P F L E T I E O W S P D O W S P D O W S M D C G O I I C

Y N O E R Q N L Q I Q Z O E I Q Z O E I Q Z E E I S O A S H

R E I C B G A E N U Z A I R U Z A I R U Z A N R H Z T O T A

U J I F U X N L T D X Q L F J X Q L F J X T T T J M P L A T

C A K M T C W H U I U W K C K C W K C I E W O C R Q O K L O

L M C O D I F U C L C K E J H V A J X H L D S N X F L J K S

L E U Z N A Z U A H B I F Z G B Z U Z G S U H I G B F U O G

O N N A D W X N A F L X S K F N X N A D N U F H A R O E A F

R T M Q S R S H Q C M N M T F M S M H C R A M I C M B M C C

L O B W D L W B C D K S H A A M B I E N T A L I S T A B W D

D R T T R Y I U A M H E H E X P L H E X O E H E X A D H E X

O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L F B O R F D H R O N Y D S

Jogo dos 7 erros

K C O N S U L T O R D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

Teste seus conhecimentos ( F ) O Complexo Respiratório Suíno é a manifestação da ação conjunta de bactérias e vírus ( V ) O vírus da PRRS é considerado um agente primário do Complexo Respiratório Suíno ( F ) A Pneumonia por Pasteurella multocida causa lesões pulmonares típicas de pneumonia intersticial

Cruzadox

( F ) As lesões de broncopneumonia produzidas por bactérias estão localizadas em todo o parênquima pulmonar (difuso) ( V ) A lesão pulmonar produzida pelo Actionobacillus pleuropneumoniae (App) é do tipo pneumonia fribrinosa ( F ) A Rinite Atrófica Progressiva (RAP) está associada somente pela infecção pela Pasteurella multocida tipo “D” ( V ) A lesão microscópica que caracteriza envolvimento de pneumonia produzida pelo Mycoplasma hyopneumoniae é a hiperplasia linfóide peribroquiolar Suínos & Cia

66

6

H

E

T

E

R

O

S

P

E

R

O

R

M

O

N

I

O

E

R

M

I

A 7

8

F

B

1

12

S

T

O

W

A

A

4

L

I

B

I

D

O

R

X

T

A

L

D

3

R

E

P

E

T

I

Ç

Ã

O

D

E

E

C

M

P

5

C

O

L

O

R I

13

A

B

O

R

S

T

R

O

15

E

S

P

T

O

A E

E

T

N

M

O

11 O

G

R

A

T

R

0

M

S

Ç A

R

I G

E

U

L

10

E

S

I

D

14

O

9 2

T

R

E

S

B

I

L

H

Õ

E

S Ano VI - nº 36/2010

A


Pode ser aplicada na 1a semana de vida (3 dias de idade).

Rápida resposta imune

Animais protegidos já na 2a semana após a vacinação.

Proteção duradoura Uma única aplicação e mais de 25 semanas de cobertura vacinal.

Garantia de resultados Ampla quantidade de estudos e mais de 2 bilhões de doses aplicadas.

Ligue Grátis: 0800-011-1919 | falepfizersaudeanimal@pfizer.com www.pfizersaudeanimal.com.br

Número 1 em proteção contra Pneumonia Enzoótica.

©Copyright - Laboratórios Pfizer Ltda. 2010 - Todos os direitos reservados.

Proteção precoce

Revista Suínos e Cia  

Edição 36 da Revista Suínos e Cia

Advertisement