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SUÍNOS&CIA - REVISTA TÉCNICA DA SUINOCULTURA

ANO VI - Nº 34/2010


Editorial

N

esta edição o destaque é para a presidente do Suinter, Maria Nazaré Simões Lisboa que fala de um dos eventos técnicos mais importantes do país que acontecerá em junho na cidade de Campinas - São Paulo. Confira as expectativas e saiba como vem sendo preparado o programa desse importante evento. Quanto à sanidade o artigo: produzindo um suíno blindado se pode concluir que linhas de estudos de controle de doenças vem utilizando técnicas da biologia molecular para se obter animais mais resistentes. Ainda na linha de sanidade confira o inédito trabalho que demonstra as principais características de Streptococcus suis e suas correlações. No sumário de pesquisa se pode contemplar os fatores de risco associados com natimortalidade em rebanhos suínos que pode variar de 3% a 8%. Dentre todos os natimortos, 10% morrem poucos dias antes do nascimento, 75% durante a parição e 15% nas primeiras horas após o parto. Aproveite as informações de como adequar boas práticas de manejo antes e durante os partos para reduzir o número de leitões natimortos. A posição hierárquica das porcas pode afetar sua fertilidade, e este assunto também é tratado nas próximas páginas. O maior desafio quando se aloja suínos de qualquer idade em grupo é o da agressão entre os mesmos. O esforço dessas brigas por hierarquia pode afetar o desempenho reprodutivo das fêmeas. Já a seção Dica de Manejo traz informações sobre uma das formas de minimizar as perdas de leitões na maternidade, que se inicia nos partos. Afinal, prestar os primeiros socorros ao recém-nascido garante melhores resultados de sobrevivência e desmamados de bom peso. Para refletir um pouco sobre o verdadeiro significado da palavra felicidade, leia com atenção o texto da seção de Recursos Humanos. E divirta-se aprendendo sobre os inúmeros fatores que influenciam na perda de peso e desempenho de leitões de maternidade. Boa leitura.


Índice 6

Reportagem Campinas sedia o 5º Simpósio Internacional de Produção Suína

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Sanidade Suínos blindados: avanços genéticos na resistência a doenças

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Sanidade Revisão sobre a infecção por Streptococcus Streptococcus suis e suas correlações

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Manejo Manejo pré -abate de suínos e seus efeitos na qualidade da carcaça e carne

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Revisão Técnica Allen D´Leman Swine Conference St.Paul Minnesota

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Sumários de Pesquisa

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Informe Publicitário Tortuga: DNA voltado para a melhora do resultado ao produtor

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Informe Publicitário FARMABASE inicia novo ciclo de gestão em 2010 e já inicia o ano com o lançamento de um novo produto para suínos.

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Recursos Humanos O banqueiro de investimentos e o americano.

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Dicas de Manejo Assistência ao parto: Cuidando do recémnascido

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Divirta-se Jogo dos 7 erros Teste seus conhecimentos Encontre as palavras


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos&Cia é destinada a médicosveterinário, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnico-científicos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

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Reportagem Reportagem

Campinas sedia o 5º Simpósio Internacional de Produção Suína

Campinas sedia o 5º Simpósio Internacional de Produção Suína

De acordo com a presidente do Suinter, Maria Nazaré Simões Lisboa, gestão e inovação serão os focos principais do evento Qual o principal objetivo do Suinter? Nazaré – Valorizar a suinocultura brasileira no contexto internacional e disponibilizar aos profissionais que se dedicam à pesquisa e aos que estão no dia a dia do campo o que existe de mais inovador e atual em termos de conhecimento. Na verdade, pode-se afirmar que na atualidade a informação existe em todos os meios de comunicação, mas o importante é aprender a colocá-la em prática de forma eficiente e econômica, e nada melhor do que a experiência por meio da troca de informações. Ou seja, estamos falando de gestão e inovação.

O que se pode esperar de inovação?

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ealizar um encontro de alto nível técnico em um dos locais mais nobres de Campinas sempre foi um dos sonhos de toda a comissão organizadora do Suinter – Simpósio Internacional de Produção Suína –, que acontece de 15 a 17 de junho, no The Royal Palm Plaza Hotel. Com foco em gestão e inovação, o SUINTER reúne diversos especialistas nacionais e internacionais para abordar, de forma inovadora, temas que vão direcionar a suinocultura brasileira a definir seu alto status competitivo no contexto da suinocultura mundial. Com a expectativa de receber mais de 500 participantes nesta edição, o evento consagrou-se e tornou-se agenda de diversas empresas em cada edição. Parceiros como a Pfizer, Merial, Novartis, Formil, Ceva, Nutrifarms, Vaccinar, Kubus, Tectron, Casp, entre outros, estarão em todo o material de divulgação. Também há o apoio de várias associações, entre elas a ABRAVES São Paulo, Associação Paulista dos Produtores de Suínos (APCS) e Associação Brasileira de Produtores de Suínos (ABCS), que sempre nos apóiam em todas as edições. Nesta entrevista, a presidente do SUINTER, Maria Nazaré Simões Lisboa, fala sobre o principal objetivo deste simpósio e das expectativas deste evento, muito aguardado por todo o setor. Suínos & Cia

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Nazaré – O próprio formato do evento. Teremos apresentações de linhas de trabalhos com os melhores especialistas do mundo nas diferentes áreas e exposições de experiências práticas vividas por outros especialistas quando adotaram essa linha no seu dia a dia de campo. Na verdade, nosso propósito é, de maneira simples e prática, levar o conhecimento de forma segura para ser aplicado dentro das granjas, garantido a competitividade do próprio negócio.

Quanto ao programa, seguirá a mesma estrutura dos anteriores? Nazaré – Posso afirmar que sim, pois a estrutura do evento e as palestras terão o mesmo padrão de alto nível técnico das edições anteriores. Trataremos de temas ligados à saúde de população, manejo, produção, reprodução, nutrição e gestão. Porém, a edição deste ano do Suinter tem a base da gestão e da inovação, pontos cruciais na suinocultura moderna, que almeja crescimento organizado e competitivo.

Qual tema chamará mais a atenção dos participantes, segundo sua expectativa? Nazaré – Estou muito otimista com todo o programa, que Ano VI - nº 34/2010


Reportagem tem sido cuidadosamente elaborado pela comissão científica. Os temas de sanidade trarão muitas inovações, principalmente sobre a erradicação de Mycoplasma hyopneumoniae, que certamente poderão ser adotadas nas empresas que desejam diminuir o impacto econômico da doença, visando à saúde do plantel.

Que tipo de público deseja trazer ao evento? Nazaré – Nosso evento é técnico, com foco na educação continuada. Dessa forma, desenhamos o programa para empresários e produtores que almejam melhorarem seus custos de produção por meio da adoção de tecnologia que garanta sua margem de lucro e os tornem cada vez mais competitivos. Sem dúvida, o evento será voltado para profissionais especialistas, do empreendedor ao trabalhador de granja, tais como funcionários, técnicos agropecuários, administradores, veterinários, agrônomos, zootecnistas, entre outros. O programa elaborado reforça o potencial técnico para se manter cada vez mais especialista, sem perder o foco. Nesse caso, além da inovação, o propósito é o trabalho em equipe, principalmente quando se trata da linha do conhecimento.

Você espera a participação de quantas pessoas? Nazaré – Acredito que, a exemplo dos eventos anteriores, a procura do público cresce a cada ano. Nossa expectativa para este ano é ter um público de 500 pessoas.

Existem muitas empresas parceiras nessa jornada? Nazaré – Felizmente o Suinter tornou-se agenda dos nossos parceiros em cada edição. Mesmo em períodos difíceis podemos contar com empresas como a Pfizer, Merial, Novartis, Formil, Ceva, Nutrifarms, Vaccinar, Kubus, Tectron, Casp, entre outros, que certamente estarão em todo o material de divulgação. Também temos recebido o apoio de várias associações, como Abraves São Paulo, Associação Ano VI - nº 34/2010

Paulista dos Produtores de Suínos (APCS) e Associação Brasileira de Produtores de Suínos (ABCS), que sempre nos apóiam em todas as edições.

O que tem sido um marco no Suinter 2010? Nazaré – Primeiramente o apoio dos patrocinadores, das associações e organizadores, que têm acreditado na proposta do evento mesmo em um momento difícil, devido à crise econômica mundial vivenciada no ano passado. Sinceramente, seguem nossos mais sinceros agradecimentos. Porém, alguns clientes, de forma generosa, nos ensinam que a arte é desenvolver recursos e multiplicá-los, principalmente quando existe escassez. Aplicá-lo é relativamente mais fácil. Outro marco foi trabalhar no programa com Mike Mohr, transferindo uma visão de gestão e inovação, que são as chaves para superar esses

momentos difíceis.

Qual a sua mensagem para aquele que tem dúvida se deve participar do evento? Nazaré – As oportunidades passam e, sem dúvida, o Suinter é o momento de rever e fazer amigos, trocar experiências, aprender, inovar, superar dificuldades e investir em conhecimento. Finalmente, trata-se de um aprendizado capaz de ser adotado imediatamente no dia a dia de trabalho de todos os segmentos da cadeia. Sempre vale a pena desfrutar de um ambiente alegre, agradável e confortável em Campinas.

Existe alguma surpresa preparada para os participantes? Nazaré – Sim. Além da realização e crescimento profissional, o participante do evento terá momentos inesquecíveis. Confira!

Confira o depoimento de um dos palestrantes Dr. Marcelo Gottschalk, será um dos palestrantes do 5° Simpósio Internacional de Produção Suína – SUINTER. médico-veterinário e PhD em microbiologia e imunologia pela Universidade de Montreal. Atualmente é professor titular e diretor do grupo de pesquisa de doenças infecciosas de suínos da mesma universidade. Atua também como diretor do centro de pesquisa em infectologia suína no Estado de Quebec, no Canadá, e do laboratório internacional de referência em Streptococcus suis e Actinobacillus pleuropneumoniae. Possuí inúmeras publicações em revistas internacionais e de capítulos de livros, como “Diseases of Swine“. Profissional reconhecido internacionalmente e consagrado como pesquisador pela Organização Mundial da Saúde

(OMS), Dr. Gottschalk ainda traz em seu histórico palestras nos melhores congressos do mundo. Segundo Gottschalk, “O simpósio servirá como um intercâmbio de informações para aqueles que trabalham com a suinocultura. Ele também será importante para a saúde humana, sendo um foco especial de trabalho, por meio de muito estudo baseado em diversas pesquisas”.

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Sanidade Sanidade

Suínos blindados: Suínos blindados: avanços avanços genéticos na resistência a doenças genéticos na resistência a doenças

O

primeiro esboço do projeto de seqüenciamento do genoma de suínos foi concluído e está na hora de refletir a respeito de como esse conhecimento pode auxiliar no controle das doenças. Avanços consideráveis no campo da biologia molecular permitem a identificação de mudanças no genoma suíno, nos níveis genético e dos nucleotídeos. Estas mudanças nos nucleotídeos são chamadas de polimorfismos de nucleotídeo único (single nucleotide polymorphisms) ou, abreviadamente, SNPs (Figura 1). Os SNPs podem ser usados como marcadores de DNA, sendo possível a determinação de sua associação com traços economicamente importantes ou saber se eles conferem diferenças na susceptibilidade à doença. Para estudar os mecanismos genéticos envolvidos com esta susceptibilidade, esses estudos de associação são levados adiante com o auxílio de potentes métodos estatísticos e populações de animais bem caracterizadas, as quais foram desafiadas experimentalmente ou vivenciaram um surto da doença. Por isso mantiveram dados clínicos e/ou informação sorológica acurados. Marcadores de DNA são usados para a seleção assistida por marcadores (MAS) em programas de melhoramento genético para identificar o melhor plantel de reprodução, o qual produzirá as gerações futuras. A seleção pode ser alcançada por

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muitos traços de importância econômica. Essa seleção impacta, tipicamente, em milhões de suínos. Na última década se conduziu uma quantidade significativa de pesquisa, para o entendimento dos traços relacionados com a saúde, incluindo a robustez. Um suíno robusto é definido como sendo capaz de crescer e sobreviver em ambientes comerciais modernos (Figura 2). Suínos robustos devem manter parâmetros adequados de produção, incluindo traços de carcaça e reprodutivos. Suínos robustos devem ser mais eficientes e eficazes em termos de custo. Não há marcador genético mágico que confira resistência a todas as doenças, tampouco marcadores para uma resposta imune superior que controle todas as doenças. Entretanto, tem sido demonstrado que existem

Figura 1. Polimorfismos individuais do nucleotídeo ou SNPs são versões diferentes da sequência de um gene

Lucina Galina, MV, PhD Operações Veterinárias para Suínos dos EUA Pfizer Animal Health lucina.galina@pfizer.com

componentes genéticos associados à suscetibilidade decrescente para doenças específicas.

Doenças Influenciadas por Genes Únicos Marcadores de DNA e suas associações com traços relacionados à saúde vêm sendo usados comercialmente desde o início dos anos 90, quando os testes com o gene halotano (Hal) começaram. Responsável pela síndrome do estresse suíno, ele tem um efeito deletério na qualidade da carne suína. Testes de DNA têm sido usados para remover do plantel reprodutivo e até das linhagens comerciais os genes positivos para o estresse e os suínos que os carreiam. A resistência genética para a doença do edema, causada pela cepa F18 da E. coli, pode ser conseguida com o uso de marcadores de DNA. A resistência é conferida por uma mutação no gene fucosyltransferase 1 (FUT1). Devido a uma única mutação no gene FUT1, o receptor FUT1 não pode se expressar no intestino e, sem o receptor, a E. coli F18 não pode atacar, nem se multiplicar e produzir toxinas, tampouco produzindo a doença do edema(10). Hoje é possível selecionar plantéis de reprodução que carreguem versões favoráveis dos genes Hal ou FUT1 e melhorem a sanidade. A cepa F4 da E. coli causa diarréia em Ano VI - nº 34/2010


Sanidade suínos, mas alguns suínos são naturalmente resistentes a esse fator (R). A resistência ao F4 é controlada por um único gene recessivo, e os animais que tiverem dois alelos (RR) são resistentes, enquanto os que carreiam o gene susceptível (S) e que são RS ou SS não são resistentes. O cruzamento para resistência às diarréias causadas pela E. coli F4 pode ser obtido pelo aumento da frequência dos bons alelos (R), por meio da utilização de marcadores de DNA (relatório anual da danishpigproduction.dk). Estes são exemplos em que doenças são controladas por genes únicos, e a seleção de animais resistentes ocorre sem dificuldades ou complicações. Na última década a pesquisa tem demonstrado que, para doenças como a síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos (PRRS), salmoneloses, doença de Glasser e outras, genes múltiplos, em vez de únicos, controlam a susceptibilidade, o que torna a seleção mais complexa.

As Ferramentas: Marcadores Moleculares Para estudar as mudanças no nível genético, a suinocultura tem migrado dos testes de marcadores de DNA únicos para os de marcadores múltiplos as varreduras de genoma total. Para medir a expressão do RNA durante o processo da doença, também tem sido utilizada a metodologia do RNA micro arrays. Isso tem sido possível graças ao desenvolvimento de técnicas de genotipagem em larga escala e à diminuição do custo dela por ponto de dado. Agora, milhares de marcadores são todos alocados em um chip menor que uma lâmina de microscópio. Hoje, um chip de 50.000 SNP (Polimorfismo do Nucleotídeo Único) está disponível para uso comercial, e um chip de 100.000 SNP poderá se tornar Ano VI - nº 34/2010

Figura 2. Suínos robustos são aqueles animais que crescem bem e sobrevivem na presença do desafio das doenças que as granjas comerciais enfrentam nos dias de hoje. Para o melhoramento genético como um todo, a robustez pode ser um objetivo melhor do que a resistência a doenças

uma realidade em breve. Companhias de genética suína usam marcadores de DNA recém descobertos como parte de seus programas de melhoramento genético.

não são adequados para a maioria dos suinocultores. Seu custo estimado para a suinocultura global é de US$ 3,00 a US$ 10,00 por suíno acometido.

Esses programas integram descobertas da área de genética molecular com metodologias quantitativas de genética para aumentar a acuracidade da seleção, cumprindo objetivos de cruzamento complexos. Essas metodologias são usadas para melhorar economicamente traços importantes de produção, incluindo a robustez.

Há evidência de que as melhorias genéticas realizadas nas porcas afetem o seu desempenho reprodutivo, durante um surto do PRRSv. Um estudo foi realizado para determinar se 60 SNPs estavam associados a traços de leitegadas de porcas acometidas pelo PRRSv. Os SNPs testados estavam localizados em genes codificados por receptores virais conhecidos ou em genes de imunidade ou de replicação; ou então foram avaliados genes de macrófagos infectados pelo PRRSv expressos de modo diferenciado.

Susceptibilidade a Doenças Complexas é Poligênica Em muitos países, a doença causada pelo vírus da PRRS (PRRSv) é, de modo global e na suinocultura comercial, a mais importante em termos econômicos. O PRRSv representa um risco de disruptura para disseminação genética, afeta os estágios de crescimento e produção e sua prevenção, tratamento e controle

Foi testado o DNA de 1.400 porcas, de duas granjas acometidas pelo PRRSv, as quais eram previamente negativas para o vírus. A maioria dos animais foi exposta ao vírus, e uma das granjas conduziu um programa de exposição planejada, no qual todos os animais adultos do plantel foram expostos Suínos & Cia

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Sanidade intencionalmente ao vírus. Análises realizadas em conjunto revelaram que muitos marcadores estavam associados com o número de suínos nascidos vivos, porcas que carreavam uma versão não favorável de SNP (Polimorfismo do Nucleotídeo Único) tinham, em média, 1,5 leitão a menos que as que carreavam a versão favorável do gene e o número de mumificados tinha aumentado(04). Também foram avaliados os resultados de um estudo realizado com dados comerciais em larga escala (7.500 registros), relativos ao genoma total de uma granja que estava passando por um surto do PRRSv. Os dados de produção foram disponibilizados antes e depois do surto, tendo as porcas sido genotipadas por meio da utilização de um chip suíno de 7.000 SNP (Polimorfismo do Nucleotídeo Único). Os resultados indicaram que porcas carreando uma combinação de seis SNPs tiveram um decréscimo significativo no número de suínos nascidos vivos e um aumento no número total de nascidos mortos ou mumificados. Em média, cada SNP significativo expressava 70% para o

total de nascidos mortos e 21% para o total de nascidos mumificados nas porcas mais susceptíveis ao PRRSv. Esses SNPs estavam segregados nas diferentes linhagens comerciais estudadas, e o autor concluiu que os mesmos poderiam ser como que um passo para cruzar animais de linhagens comerciais, que são robustos em presença da infecção pelo PRRSv(05). A susceptibilidade genética ao PRRSv nos suínos em crescimento está sendo investigada nos EUA pelo Host Genetics Consortium ou PHGC (www.ars.usda.gov/research/projects/ projects.htm), na busca de práticas alternativas de controle do PRRSv. O consórcio PHGC engloba múltiplas instituições de pesquisa e pretende desafiar experimentalmente suínos em fase de creche, de diferentes origens genéticas, caracterizando-os de acordo com a sua susceptibilidade ao PRRSv, com base em sinais clínicos, mortalidade e crescimento e na utilização da melhor metodologia de análise da associação total do genoma (usando o chip de 50.000 SNP) para caracterizar quais versões dos genes estão associadas, com susceptibilidade decrescente.

Figura 3. Exemplo de um chip SNP suíno contendo 50.000 polimorfismos no nível do nucleotídeo, que incluem genes de todo o genoma suíno

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Trata-se de um projeto de fundo público, de modo que os resultados estarão disponíveis e, caso genes com os maiores efeitos relativos à susceptibilidade ao PRRSv sejam encontrados no cruzamento das diferentes linhas genéticas, os marcadores de DNA poderão ser utilizados para diminuir essa susceptibilidade. Foram relatadas diferenças na susceptibilidade para Salmonella choleraesuis, em uma população reserva de suínos criados a partir de quatro cachaços e desafiados experimentalmente, sugerindo que a melhoria genética realizada em um animal influencie o modo como ele responde à doença(09). Genes candidatos foram testados em amostras de suínos para animais mais ou menos susceptíveis derivados dessa população. SNPs múltiplos foram associados de modo significativo com a contagem bacteriana hepática e esplênica, e as diferenças foram da ordem de ± 1 log (ou 10 vezes mais bactérias). Os SNPs nos genes NRAMP1, BPI e NFKB1 estão entre aqueles marcadores ligados à susceptibilidade nessa população(07). Além disso, marcadores múltiplos foram encontrados em cinco regiões de cromossomos, e é provável que contenham genes envolvidos com a susceptibilidade à salmonela(09). É interessante notar que muitos desses genes são parte da resposta imune natural e marcadores promissores, pois podem estar envolvidos com o decréscimo na susceptibilidade a outros patógenos intracelulares. Marcadores genéticos múltiplos são tidos como associados às respostas do hospedeiro frente à infecção pelo H. parasuis, agente da doença de Glässer(02). Ela é caracterizada por poliserosite, artrite e, dependendo da cepa, pneumonia. Está associada, em algumas granjas, a um nível significativo de mortalidade, normalmente em grandes sistemas de múltiplos sítios, nos quais os leitões são desmamados muito cedo e convivem Ano VI - nº 34/2010


Sanidade com outros suínos infectados no momento em que a imunidade passiva está decrescendo. Para identificar diferenças na susceptibilidade foi provocada uma infecção experimental em suínos com a mesma origem genética. Eles mostraram diferenças em sua susceptibilidade à doença de Glässer, de muito susceptível a menos susceptível(01). A identidade dos genes responsáveis por essas diferenças está sob investigação. Há evidências sobre as diferenças na susceptibilidade à doença associada ao circovírus suíno do tipo 2 (PCV2-AD). A PCV2-AD caracteriza-se por alta mortalidade (>50%) e morbidade (>50%) em determinado plantel. Suínos acometidos também apresentam definhamento, sintomas respiratórios, linfoadenopatia e lesões linfóides características, observadas ao microscópio. Suínos Duroc, Landrance e Large White foram avaliados e o resultado da avaliação sugeriu que os Landrace eram mais susceptíveis à doença e suas lesões, possuindo baixos níveis de proteção por imunidade adquirida(06).

para a totalidade da robustez, em combinação com ferramentas tradicionais de seleção, como a de valores de reprodução estimados (EBVs), que são estimativas de mérito genético de um animal, baseadas em informações fenotípicas e medidas no topo da pirâmide genética dos rebanhos-núcleo. A seleção de genoma total (GWS) pode ser usada para identificar animais superiores, utilizando toda a informação em seus genomas individuais. A GWS pode ser alcançada por meio do uso de chips SNP (Polimorfismo do Nucleotídeo Único) (Figura 3) disponíveis comercialmente. GWS é um tópico que tem causado muito interesse nos dias de hoje. Chips SNP (Polimorfismo do Nucleotídeo Único) de alta densidade, como os que estão disponíveis, podem ser usados na metodologia de seleção de genoma total, para privilegiar traços de produção, e para reduzir a susceptibilidade a doenças. Entretanto, é pouco provável que o GWS seja usado apenas para robustez ou resistência a doenças, num futuro próximo, quando houver muitos outros traços econômicos importantes.

Há também muitas doenças na suinocultura e, particularmente para o caso de doenças complexas, pode demorar muito para haver algum melhoramento genético. Consequentemente, uma questão relevante é a seguinte: vale a pena selecionar resistência a uma doença, em detrimento de outra, uma vez que essa outra pode vir a se tornar mais importante em alguns anos?

Suínos prontos para a Vacinação Um enfoque alternativo para a seleção à resistência a doenças ou à robustez seria selecionar suínos prontos para a vacinação. Sabe-se que certas vacinas funcionam bem, conferem proteção e, com ferramentas moleculares modernas, é possível identificar genes responsáveis por melhores respostas à vacinação. Portanto, podemos ser capazes de selecionar suínos que carreiem genes favoráveis à resposta vacinal. Tem sido observado um decréscimo dramático nos índices de mortalidade

Melhoramento Genético para Traços de Saúde Complexos A focalização na resistência específica à doença é difícil para o melhoramento genético, sendo relevantes as seguintes questões:  Que doenças escolher?  Quais traços de produção substituir ou em qual deles reduzir a pressão de seleção? A relevância das doenças muda a todo o momento. Além disso, traços associados com a susceptibilidade a doenças e mortalidade têm baixa herdabilidade e são difíceis de medir. Entretanto, a seleção assistida por marcadores (MAS) deveria ser usado Ano VI - nº 34/2010

Os Chips SNP, podem ser utilizados para selecionar genoma total, vizando assim, reduzir a susceptibilidade a doenças.

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Sanidade devidos à PCV2-AD, desde que as vacinas foram introduzidas nos EUA, mas talvez essa resposta possa ser melhorada por meio da seleção. A vacinação contra influenza suína é um outro exemplo de como um suíno pronto para a vacinação pode ser benéfico.

Conclusão Doenças, sejam subclínicas ou agudas, têm um impacto no desempenho e na lucratividade da suinocultura. Métodos alternativos para melhorar a sanidade, como a seleção genética para robustez e a sobrevivência são relevantes, mas têm baixa herdabilidade e estão sujeitos a influências poligênicas, consistentes com a hereditariedade do complexo genético quantitativo. Marcadores genéticos múltiplos para doenças complexas e também para o crescimento robusto dos suínos têm sido identificados. Atualmente, a seleção assistida por marcadores, para objetivos multitraços complexos, é utilizada no melhoramento suíno. A produção de suínos blindados, o que os torna mais robustos e resistentes a doenças, é um processo muito complexo, que requer um enfoque geral, incluindo boas normas de manejo, supervisão veterinária, vacinação, tratamentos, controle e seleção genética crescente, que precisa ser equilibrada por traços de produção e robustez/resistência a doenças e alternativas para o melhoramento genético, tais quais suínos prontos para a vacinação. No final, tudo isso significa melhores produtos derivados da suinocultura e um aumento na capacidade de antecipação para produtores e unidades de processamento. Suínos & Cia

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Sanidade Sanidade Revisão sobre a infecção por Streptococcus suis e suas correlações

Revisão sobre a infecção por Streptococcus suis e suas correlações

Introdução

A

s infecções causadas por S. suis constituem, juntamente com aquelas causadas por Haemophilus parasuis, os mais importantes agentes bacteriológicos de importancia nos últimos 15 anos na produção intensiva de suínos.. Assim sendo, S. suis e H. parasuis são os patógenos bacterianos que, possivelmente, causam os maiores percentuais de morte em leitões desmamados em nível mundial. Os tipos de doenças mais comumente associadas ao S. suis são meningite, septicemia e morte

súbita por choque séptico, artrite, endocardite, pneumonia e poliserosite ou doença de Glässer(14). Embora o suíno seja o principal reservatório da bactéria, outras espécies animais podem ser infectadas(7, 8, 9). Entre elas encontra-se o homem. Geralmente, as pessoas infectadas trabalham em contato com o suíno, por isso a consideramos uma doença profissional ou não, dependendo da ocorrência em países ocidentais ou na Ásia (ver adiante). Embora o percentual de suínos acometidos seja de cerca de 100%, a incidência da doença é, geralmente, inferior a 10% (20% em casos extremos). Os sinais clínicos da doença são observados, sobretudo,

Figura 1: Leitão afetado com sinais clínicos de meningite causada por Streptococcus suis (movimento de pedalagem)

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Marcelo Gottschalk1 Mariela Segura2 Médico Veterinário1, PhD2 Universidade de Montreal Centro de Pesquisa em Infectologia Suína, Québec, Canadá marcelo.gottschalk@umontreal.ca em animais entre cinco e dez semanas de vida, ultrapassando – ocasionalmente – as 16 semanas. Atipicamente é possível observar casos em leitões antes do desmame(14). Apesar da intensa pesquisa realizada com o S. suis nos últimos anos ter trazido uma nova e importante informação, persistem, ainda, vários enigmas sobre as infecções causadas por este patógeno. Por exemplo, atualmente, podemos isolar, identificar e sorotipar facilmente cepas procedentes de suínos doentes(14). Também podemos aplicar novas técnicas moleculares para completar os estudos epidemiológicos(12). Hoje em dia dispomos, também, da informação de que as cepas não são, necessariamente, as mesmas em toda a parte. Não obstante, carecemos das informações mais significativas para controlar a infecção e a patologia: a detecção de animais portadores, a identificação de fatores de virulência e/ou marcadores, vacinas protetoras, conhecimento sobre sorotipos distintos do sorotipo 2, etc. O pessoal que trabalha no laboratório não pode seguir atuando sem a visão dos veterinários que enfrentam diariamente as infecções causadas pelo S. suis. Analogamente, os clínicos deveriam ter acesso à informação atual gerada pelos diferentes laboratórios ao redor do mundo e aplicar estes conhecimentos para aperfeiçoar o controle das infecções causadas por este importante patógeno. Ano VI - nº 34/2010


Sanidade que lhe proporcionem evidência da existência de um problema coletivo em sua granja, como a redução de consumo de alimento ou o aumento de problemas respiratórios(14, 24).

Diagnóstico clínico O sinal clínico mais precoce e constante da infecção é a febre de 40°C a 42°C. O período de incubação pode ser curto (24 horas). Em consequência, em surtos muito agudos, o primeiro sinal pode ser a aparição de dois ou três suínos mortos(24). Nos casos de meningite, os sinais clínicos vão desde uma leve incoordenação, mudança postural e ataxia até decúbito lateral com movimentos de pedalagem (Figura 1), convulsões, opistótonos e nistagmo horizontal. É normal observar sequelas como cegueira ou posturas anormais de cabeça (que às vezes se confunde com otite) nos animais que se recuperam do quadro nervoso. É possível observar também septicemias: orelhas e partes distais das extremidades azuis (cianose). Quando o curso da doença não é tão rápido, observa-se inchaço e inflamação das articulações (artrite, Figura 2). De fato, os casos de poliartrite são muito comuns na América do Norte.

A idade de aparição da doença e os seus sinais clínicos variam segundo a granja, sendo, de algum modo, específicos para cada uma delas(14). A doença aguda associada ao S. suis aparece, inicialmente, em suínos desmamados aparentemente normais, sem que existam sinais predisponentes particulares. Com ou sem meningite, os suínos apresentam artrite e poliserosite com claudicação e tumefação em múltiplas articulações. Esse quadro é seguido de septicemia. A endocardite vegetativa é uma sequela que aparece após algumas semanas da manifestação da infecção aguda. O suíno com endocardite vegetativa é encontrado morto ou seriamente doente, com diversos graus de dispnéia, cianose ou perda de peso. As infecções por S. suis em leitões lactentes são diagnosticadas de forma menos frequente que nos animais recém-desmamados. Têm sido descritas infecções por S. suis em leitões neonatos após o término da “fading pig syndrome”(23). Ainda que os suínos estejam sadios ao nascer e mamem com energia, morrem de 12 a 14 horas após o parto. Esse quadro poderia ser confundido com inanição ou hipoglicemia, se não fossem os cultivos puros de S. suis obtidos a partir de amostras de coração, sangue e articulações desses suínos. Para confirmar o diagnóstico é necessário

Os casos de pneumonia são mais comuns quando há uma patologia mista, como, por exemplo, influenza, Pasteurella sp, Bordetella sp, Actinobacillus pleuropneumoniae e PRRS (Staats et al., 1997; Thanawongnuwech et al., 2000). Com exceção do quadro articular, que é bastante frequente e se estabelece progressivamente, os sintomas apresentam-se de um modo individual característico. Assim sendo, o produtor não verá sinais predisponentes claros

uma exploração minuciosa e um cultivo. A manifestação das infecções por S. suis em leitões lactentes pode ser influenciada por práticas de manejo não efetuadas corretamente, em termos de higiene (corte da cauda, corte de dentes, assepsia de umbigos) ou por instalações que possam causar abrasões ou lesões cutâneas; neste caso, a aparição de artrite é muito frequente.

Agente etiológico O S. suis apresenta 35 sorotipos ou variedades capsulares. Nem todos os sorotipos têm a mesma patogenicidade(14). O sorotipo 2 é o mais comumente isolado a partir de animais doentes, na maioria dos países(16, 21). Apesar do grande número de sorotipos descritos, a maioria dos isolamentos provenientes de casos clínicos pode ser reagrupada entre os sorotipos 1 e 8(21). Sorotipos encontrados pouco frequentemente foram descritos, em determinadas ocasiões, como responsáveis por sérios surtos epidêmicos, como no caso do sorotipo 9, do sorotipo 14 e, recentemente, em Québec, do sorotipo 33. A distribuição dos sorotipos mais comumente isolados no Canadá e nos EUA, nos últimos anos, pode ser observada na Tabela 1 e, com dados mais recentes, na Tabela 2. Contrariamente ao que ocorre na maioria dos países europeus e asiáticos, o percentual de isolamentos do sorotipo 2 é baixo no Canadá e nos EUA.

Tabela 1: Distribuição dos sorotipos mais comumente isolados de casos clínicos no Canadá. Os dados (expressos em porcentagem) provêm de nosso laboratório de referência. Sorotipo

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2

32

21

23

19

24

18

18

18

22

15

1/2

9

12

13

8

9

14

8

11

13

13

3

14

12

13

10

10

12

14

11

12

10

4

4

4

5

3

5

8

5

5

3

4

7

3

7

7

7

6

8

10

7

6

7

8

7

6

7

8

7

7

6

7

6

7

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Sanidade Tabela 2: Distribuição dos sorotipos mais comumente isolados de casos clínicos no Canadá em 2008 e 2009. Os dados (expressos em porcentagem) provêm de nosso laboratório de referência. ANO 2008 Tipo capsular

nº de isolados

% de isolados

Tipo capsular

nº de isolados

% de isolados

3

43

13,8

3

33

12,0

2

40

12,9

2

29

10,6

1/2

32

10,3

8

20

7,3

8

27

8,7

22

18

6,6

4

15

4,8

1/2

17

6,2

7

14

4,5

33

11

4,0

22

13

4,2

4

10

3,6

5

10

3,2

5

10

3,6

9

6

1,9

7

9

3,3

21

a

6

1,9

16

6

2,2

a

NS/AA

56

18

NSa

61

22,3

Outros

49

15,8

Outros

50

18,2

isolados não sorotipáveis ou auto-aglutinantes

Já se propôs que as cepas desse sorotipo seriam menos patogênicas em ambos os países (quando comparadas às europeias, por exemplo) e que os problemas clínicos estariam, sobretudo, associados a infecções virais causadas pela PRRS (26), o que permitiria que outros sorotipos menos patogênicos fossem também prevalentes.

na maioria dos países, os esforços de tipificação, diagnóstico e controle foram dirigidos a ele. Das pesquisas realizadas nos últimos anos fica clara a existência de cepas virulentas e avirulentas de S. suis, sorotipo 2. Não se conhece com exatidão os fatores de virulência que poderiam ser utilizados como marcadores de virulência (11).

O S. suis, sorotipo 2, pode ser isolado de animais sadios, embora a prevalência nesses casos seja geralmente muito baixa (14). Por outro lado, certos sorotipos são encontrados normalmente nas vias respiratórias superiores do suíno, como, por exemplo, os sorotipos 17, 18, 19 e 21. Algumas cepas não tipificáveis são também comumente isoladas. Ultimamente temos demonstrado que várias dessas cepas não tipificáveis não possuem cápsula, o que indica que não seriam “novos sorotipos”, mas, provavelmente, cepas de sorotipos conhecidos que tenham perdido a capacidade de produzir ou expressar as cápsulas, não podendo, assim, serem tipificadas. Uma vez que o sorotipo 2 é o mais importante,

Finalmente, as cepas isoladas podem ser comparadas por distintos métodos moleculares. A utilização desses métodos pode nos fornecer uma fotografia do DNA da bactéria, o qual pode ser comparado entre elas. O perfil genético de uma bactéria é único, o que nos permite seguir – epidemiologicamente – uma cepa. Geralmente, vários sorotipos estão presentes em uma mesma granja e, inclusive, no mesmo animal. Até várias cepas que pertençam a um mesmo sorotipo. Porém, geralmente apenas uma cepa é responsável pelos sinais clínicos presentes na granja (18, 19, 20) . Essa informação é muito importante no momento de se escolher uma cepa para ser incluída em uma autovacina.

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ANO 2009

A transmissão da infecção Como foi mencionado anteriormente, o período mais crítico com relação à expressão clínica situa-se entre as cinco e as dez semanas de idade, apesar de certas granjas terem seu próprio perfil de idade (14). A transmissão horizontal pode ocorrer mais frequentemente no início do pós-desmame, quando os suínos competem entre si e quando se produz uma mistura de saliva infectada e sangue, oriundos das feridas por mordedura. A transmissão da infecção entre diferentes granjas ocorre, geralmente, com o movimento de portadores sãos. As mães infectam os leitões durante o parto, por via vaginal e/ou por via respiratória, logo em seguida ao nascimento. Estudos realizados em nosso laboratório, com o S. suis, indicam que os animais se infectam mais comumente durante o parto (mecanicamente) e nascem infectados (05). No desmame e na engorda, a transmissão se realiza, principalmente, por via respiratória. Embora a transmissão se efetue, sobretudo, por contacto direto, nariz-nariz, experiências realizadas por nosso laboratório demonstraram que a transmissão pode ocorrer pelo ar, em distâncias superiores a 80 cm e em número suficientemente alto para produzir sinais clínicos à distância. Outras vias, como a mecânica (roupas, botas, etc.), moscas e roedores, também foram propostas(03). Foi demonstrado que o S. suis pode sobreviver em água a 4°C durante cerca de duas semanas e, na temperatura de 25°C, durante oito dias, na matéria fecal(04). É possível que isso represente uma fonte de contaminação por meio das moscas.

Diagnóstico da doença e da infecção O diagnóstico presuntivo da doença é realizado, geralmente, com Ano VI - nº 34/2010


Sanidade base nos sinais clínicos, idade dos animais e lesões microscópicas(14, 24). A confirmação (obrigatória) realiza-se por meio do isolamento da bactéria no laboratório. É crucial a análise dos animais que não tenham sido tratados com antibióticos para a obtenção de resultados laboratoriais precisos. O isolamento a partir de lesões é normalmente fácil, porém, o S. suis precisa estar presente em quantidades significativas nos órgãos a serem analisados. O diagnóstico da infecção em granjas sem a presença de sinais clínicos (infecção subclínica), no caso desse patógeno, é muito difícil. Ao contrário da pleuropneumonia suína, não existe uma técnica validada para o diagnóstico preciso das infecções devidas ao S. suis, na ausência de sinais clínicos. Como a maioria das granjas está infectada, a simples presença dessas bactérias não é indicativa dos problemas causados, direta ou indiretamente, por elas. O diagnóstico clínico diferencial inclui a pseudorraiva (Aujeszky), o Haemophilus parasuis (doença de Glässer), a doença do edema e a falta de água (intoxicação por sal/íons de sódio). Baseado em nossa experiência, a doença de Glässer é o quadro mais difícil de ser diferenciado da infecção causada pelo S. suis, o que faz com que não se possa excluí-la até a obtenção dos resultados de cultivo e histopatologia. Ainda que não seja fácil diferenciar essas duas doenças baseando-se unicamente nos sinais clínicos, a medida da temperatura do animal é útil e recomendada. A infecção pelo H. parasuis (doença de Glässer) manifesta hipertermia, embora somente em raras ocasiões ela seja superior a 41ºC. Na doença do edema a temperatura não costuma ser elevada e também não excederia os 40ºC. Nas infecções causadas pelo S. suis, a temperatura pode ultrapassar facilmente os 41ºC. Nos casos de meningite, quando o agente causal é o S. suis, os Ano VI - nº 34/2010

Figura 2: Artrite aguda provocada por Streptococcus suis

animais respondem melhor à antibioticoterapia; nos casos de H. parasuis, geralmente é muito difícil salvar os animais com sintomatologia clínica.

Tratamento Não há dúvida que a infecção causada pelo S. suis é difícil de ser controlada. A dificuldade de se prever a cronologia de um surto em uma granja sugere a necessidade de utilizar diversos programas de controle, em função do veterinário envolvido, da região e, inclusive, do país. Diante de um surto há duas fases concretas para o controle efetivo da doença: ação imediata e métodos preventivos (ver a próxima seção). Em se tratando da fase aguda, recomenda-se, sobretudo, reduzir a mortalidade e os sinais clínicos(14). Durante a fase aguda, a observação minuciosa dos leitões por, pelo menos, quatro vezes/dia, permite a detecção precoce dos animais com problemas de equilíbrio ou com sinais que façam pensar em uma septicemia. Estes animais e qualquer outro suspeito devem ser retirados da sala e levados à enfermaria. Se não há enfermaria, podem ser deixados no corredor. O tratamento

tem três fases: a) antiinflamatório; b) antibiótico (parenteral) e c) hidratação (parenteral ou retal). Os antibióticos com os melhores resultados são os beta-lactâmicos, especialmente a amoxicilina. Esse antibiótico apresenta boa atividade frente ao S. suis e atinge níveis suficientemente altos no organismo, inclusive nas vias respiratórias. Outros exemplos de antibióticos que podem ser úteis são o florfenicol e o ceftiofur. A maioria das tetraciclinas deve ser evitada, já que o nível de resistência, especialmente em cepas de sorotipo 2, é elevado.

Prevenção 1) Controle dos fatores predisponentes: o S. suis é um bom exemplo de um agente infeccioso que tenha emergido com a intensificação da suinocultura. Os fatores que influenciam na aparição abrupta de seus sinais clínicos são superpopulação, má ventilação, variações importantes de temperatura e mistura de animais de idade diferente (mais de duas semanas de diferença). Embora no início as práticas de manejo « tudo dentro - tudo fora » parecessem favorecer a redução da prevalência de Suínos & Cia

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Sanidade casos clínicos, observa-se cada vez mais o fato de que os problemas de mortalidade durem muito mais, ao longo do tempo, nesse tipo de procedimento. Nos sistemas de rotação, no caso de granjas novas ou recém-povoadas, ocorrem sérios problemas clínicos durante os primeiros dois anos. Passado esse período, a imunidade parece se nivelar (provavelmente o nível de anticorpos maternais) e os sintomas desaparecem. Nos sistemas “tudo dentro tudo fora”, o nível de mortalidade é menor, embora não se resolva com o tempo(14). 2) Novas tecnologias de produção: A prática do desmame precoce, medicado ou não, foi tentada no sentido de eliminar a infecção. Os resultados foram muito contraditórios, segundo quem os tem relatado. Não se pode esquecer que, em muitos casos, a infecção se estabelece de modo muito precoce nos leitões. Alguns pesquisadores europeus relataram que em sistemas “indoor” é possível eliminar o S. suis sorotipo 2, por meio da utilização do desmame precoce (muito) medicado. A metodologia do banho de antibiótico-desinfetantes ao nascimento também foi relatada como sendo eficaz, embora somente uma vez. Entretanto, a experiência da América do Norte, nesse sentido, é relativamente constante: a infecção não pode ser eliminada com o desmame precoce. Nos casos europeus, naqueles em que o esquema funcionou, quem sabe se possa dizer que a metodologia teve êxito na eliminação da presença de casos clínicos: não existe método para certificar a ausência de S. suis sorotipo 2(14). 3) Medicação preventiva: O suplemento com antibióticos, via água de bebida ou ração, é utilizado frequentemente na prevenção dos surtos agudos da doença, com resultados muito variáveis, dependendo do tempo de administração e do produto utilizado. Antes de lançar mão desse método há várias considerações a serem feitas: a biodegradação do antibiótico, sua rota de veiculação (alimento ou água), a concorrência entre os animais a serem medicados (lotes superpovoados) e a concentração sérica necessária para eliminar o patógeno. Estudos realizados por membros da nossa equipe demonstram que a penicilina V permite um nível sérico suficientemente elevado para prevenir uma infecção por S. suis. A presença do alimento pode provocar uma diminuição dos níveis sanguíneos, quando se utiliza a penicilina G, recomendando-se, por isso, o seu uso na água. Em geral, é difícil se observar resistência à penicilina entre as cepas de S. suis. Uma vez mais a amoxicilina apresenta bons resultados, com baixa resistência(14). 4) Vacinas: As poucas vacinas comerciais utilizadas Suínos & Cia

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são bacterinas (vacinas feitas a partir de bactérias inteiras, inativadas). Lamentavelmente, estas vacinas nem sempre dão os resultados esperados. Os motivos exatos da falha não são bem conhecidos, ainda que já esteja claramente demonstrado que o adjuvante utilizado seja de primeira importância. Adjuvantes à base de óleo são muito mais eficazes que aqueles que utilizam hidróxido de alumínio. A presença de anticorpos maternais pode também interferir com a vacinação. A vacinação de matrizes – embora pareça não ser suficiente para proteger os leitões de modo completo – diminui as mortalidades, segundo resultados obtidos, ainda que seja necessária a realização de mais estudos para confirmá-lo. Uma vez que se decida pela vacinação, é preciso identificar bem o sorotipo presente. É importante recordar que a proteção seria sorotipo-específica. No caso do S. suis, as vacinas comerciais são unicamente dirigidas ao sorotipo 2. Se os sorotipos envolvidos no problema parecem ser outros (ou não se pode saber, devido à falta de laboratórios de diagnóstico suficientemente equipados), recomenda-se a utilização de autovacinas. Não se deve esperar por milagres, mas em combinação com a medicação preventiva é possível conseguir algum progresso(14).

Figura 3: A medicação via água de bebida ou ração, é utilizada frequentemente na prevenção dos surtos de infecções por S.suis.

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Sanidade Alguns pesquisadores têm sugerido uma “vacinação” que, na realidade, é uma “infecção”, utilizando uma cepa virulenta para infectar todos os animais com poucos dias de vida, quando o nível de anticorpos maternais é alto. Esta colonização diminuiria o número de subpopulações – infectadas e não infectadas – e estabilizaria a população em geral. Os resultados obtidos parecem ser interessantes, embora pouco concludentes, e a utilização rotineira de uma cepa virulenta viva em toda a população poderia ser arriscada em longo prazo. Sem contar que o uso de uma cepa virulenta, que é um importante agente de zoonose, poria em risco o pessoal da granja.

Erradicação Quando se fala de S. suis é muito difícil falar em termos de erradicação. O suíno é o seu principal reservatório, e a taxa de portadores é muito elevada. A bactéria pode sobreviver por muito tempo no ambiente exterior e pode circular entre roedores e outras espécies animais (inclusive o ser humano). Nem a vacinação, nem a medicação podem eliminar a infecção. Não há método sorológico para identificar os animais portadores. O despovoamento / repovoamento pode funcionar, embora não existam métodos confiáveis para saber que as reposições sejam livres de cepas patógenas de S. suis. O desmame precoce não elimina a infecção produzida durante o parto. Conclusão: até o presente, estas infecções não podem ser erradicadas(14).

A infecção em seres humanos Na sociedade atual, na qual a criação de bovinos se desenvolve de um modo intensivo para abastecer Ano VI - nº 34/2010

Figura 4: Alguns pesquisadores indicam a vacina nos recém-nascidos com uma cepa virulenta, os resultados parecem ser interessantes, mas a longo prazo pode ser arriscado.

uma população mundial em constante crescimento, o controle das zoonoses é imprescindível. Recentemente, o interesse geral centralizou-se na gripe aviaria, porém, não se deve esquecer que outras doenças vêm emergindo com força. Entre estas últimas caberia destacar a zoonose causada pelo S. suis(12, 13). O primeiro caso de infecção por S. suis em humanos foi descrito em 1968, na Dinamarca. Desde então, um número cada vez maior de casos tem sido documentado. A situação mudou muito nos últimos quatro anos, já que essa doença está sendo descrita cada vez mais na espécie humana. A maioria dos casos ocorre na Ásia (China, Japão, Hong Kong, Tailândia, Vietnam, Singapura), embora também sejam relatados na maior parte dos países da Europa (Espanha, Itália, Alemanha, Áustria, Portugal, Grécia, Suécia, Holanda, Irlanda, RU, França, Bélgica, Suíça, Croácia), na Austrália, Nova Zelândia, Canadá, EUA, Argentina (ao menos seis casos) e no México(12). De fato, se imagina que o número de isolamentos em humanos seja sensivelmente

superior ao relatado, principalmente devido a problemas na identificação dos mesmos em laboratórios de medicina humana, onde devem ter sido confundidos várias vezes com outros patógenos humanos. É curioso que, com uma enorme produção de suínos, o Brasil não relate casos em humanos. A infecção por S. suis sorotipo 2, em suínos, é muito comum nesse país, o que torna muito provável que vários casos da doença em humanos, devidos a este patógeno, não tenham sido corretamente identificados. Como foi mencionado anteriormente, até na Argentina, que tem uma suinocultura significativamente menor que a do Brasil, vários casos em humanos (100% deles em suinocultores) já foram descritos(22). Em humanos, o S. suis causa, principalmente, uma meningite (purulenta ou não) ou uma endocardite, embora vários casos de peritonite, rabdomiólise, artrite, espondilose, pneumonia, uveíte e endoftalmite tenham sido relatados. Casos hiperagudos, com choque séptico e alto nível de mortalidade têm sido observados recentemente(01, 12). De fato, em Suínos & Cia

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Sanidade

Figura 5: Contato íntimo entre distintas espécies animais em países asiáticos

2005 uma epidemia importante afetou mais de 200 pessoas em Sichuan (sul da China), provocando a morte de mais de 40 delas(25, 28, 29). Todos os casos ocorreram em criações de fundo de quintal e foram consecutivos a uma epidemia da doença no suíno. A sintomatologia observada no homem foi típica de um choque tóxico ou séptico, com falha múltipla de órgãos internos, coagulação intravascular disseminada, “púrpura fulminante” com petéquias em distintas partes do corpo, seguida de morte. Em alguns casos, os sinais clínicos graves começaram entre quatro e cinco horas após a realização de uma necropsia em suínos, sem o uso de luvas. As vias de entrada do patógeno em humanos seriam pequenas lesões na pele. O S. suis pode também colonizar as vias respiratórias superiores e o trato gastrintestinal(12). O período de incubação varia de poucas horas até dois a três dias. Apesar de se conhecer poucas características da epidemiologia dessa doença no homem, a maioria dos casos segue uma exposição anterior ao suíno ou à sua carne(01). De fato, a maioria Suínos & Cia

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dos casos, no ocidente, é descrita em produtores de suínos, trabalhadores de matadouros, açougueiros e veterinários. É importante ressaltar que a sintomatologia no suíno seja um prérequisito indispensável para a transmissão da doença ao ser humano(10,12). As cepas isoladas do homem são muito similares àquelas isoladas de suínos em uma mesma região geográfica. Portanto, a maioria das cepas é relativamente suscetível à penicilina(10). Entretanto, o tratamento em humanos é geralmente muito longo (mais de seis semanas), sendo recomendada uma combinação entre antibióticos, como a gentamicina ou outros aminoglicosídeos. Nos casos humanos de meningite há um número muito elevado de sequelas nas pessoas que se recuperam da infecção. As mais comuns delas são a surdez e os problemas vestibulares, que afetam o equilíbrio(10,12). Há diferenças importantes na epidemiologia da infecção pelo S. suis em humanos, entre os países asiáticos e europeus. Na Europa a doença causada pelo S. suis era considerada, no passado, como um acontecimento

raro em humanos. A maioria dos casos de pessoas infectadas é de suinocultores, trabalhadores e inspetores de abatedouros, açougueiros e veterinários de campo(13). No Reino Unido e na França essa infecção foi considerada como uma doença ocupacional em 1983 e 1995, respectivamente(12). Na Holanda, o país europeu com o maior número de relatos publicados sobre humanos infectados por S. suis, o risco anual de ocorrência de uma infecção desse tipo entre funcionários de abatedouros e criadores de suínos estava estimado, aproximadamente, em 3/100.000, um índice 1.500 vezes mais alto que o de pessoas que não trabalham diretamente na suinocultura. Açougueiros têm um índice anual de 1,2/100.000. Esse índice é ainda maior no Reino Unido(12). Na Alemanha, o índice de veiculação do S. suis sorotipo 2 pela nasofaringe, em grupos de alto risco (açougueiros, funcionários de abatedouros e de centrais de processamento de carne) foi de 5,3%, enquanto que aqueles sem contato com suínos ou com sua carne resultaram negativos(13). A situação nos países asiáticos é completamente diferente e não somente devido ao recente surto chinês. Casos de infecções por S. suis em humanos têm sido relatados, recentemente, como a terceira causa mais comum de aquisição comunitária de meningite em Hong Kong, seguida do S. pneumoniae e do Mycobacterium sp. No Vietnam, é atualmente considerada como a mais frequente causa de meningite bacteriana em adultos. O estilo de vida (Figura 3) e o uso comum de criações de fundo de quintal para produzir suínos na Ásia (Figura 4), onde espécies animais diferentes (incluindo o homem) têm contato próximo com os suínos (Figura 5) são modos consideravelmente distinto dos países europeus. Os suínos são, às Ano VI - nº 34/2010


Sanidade vezes, abatidos ilegalmente em casa, não sendo pouco frequente o abate de animais doentes para o consumo familiar. Além disso, há ampla disposição de carne suína in natura e de produtos derivados da mesma, comercializados e adquiridos pela população em mercados a céu aberto. Desse modo, é impossível excluir a exposição indireta. Adicionalmente, o consumo de carne suína fresca é bastante comum na Ásia. De fato, acredita-se que a maioria dos casos de infecção de pessoas sem contato direto com a suinocultura, nos países asiáticos, ocorra por via oral(27). Casos oriundos desses países incluem não apenas um número significativo de donas de casa (provavelmente contaminadas por produtos derivados de carne suína fresca), mas também pessoas que não tiveram nenhum tipo de exposição à carne, como mencionado anteriormente(27). Foi demonstrado, por meio de cultivo direto, que mais de 6% das amostras coletadas em seis pontos de comercialização de Hong Kong eram positivas para o S. suis(15). De fato, a incidência anual para o grupo “ocupacional” (contato direto com suínos), em Hong Kong, foi de 32/100.000, 350 vezes mais alta que a da população em geral (0,09/100.000) e 30 vezes mais alta que a do grupo homólogo, na Holanda(13). A incidência mais alta no grupo ocupacional de Hong Kong, comparada à da Holanda, pode ser explicada pelo fato de haver uma maior prevalência para infecções causadas pelo S. suis, nos suínos asiáticos, embora isso ainda necessite ser confirmado. Por outro lado, a menos dramática diferença entre o grupo ocupacional e a população em geral (350 vezes em Hong Kong vs 1.500 vezes na Holanda) pode ser devida, mais uma Ano VI - nº 34/2010

vez, ao fato da população em geral – nos países asiáticos – ter um nível de contato muito mais alto com a carne suína in natura, conforme explicado. Ainda não existem vacinas para humanos. Há um informe na literatura de um caso de choque séptico recorrente, 15 anos após a primeira infecção. A segunda infecção foi fatal e causada pelo mesmo sorotipo (sorotipo 2). Considera-se que a sintomatologia foi consequência de uma reinfecção, o que sugere pouca resposta do sistema imunológico frente à primeira infecção(12). Apesar do risco em países desenvolvidos ser relativamente baixo para o ser humano, algumas medidas preventivas podem ser tomadas. É possível que numerosas pessoas que trabalham na suinocultura sejam portadoras sãs de S. suis. Em condições de estresse ou de doenças debilitantes (diabetes, alcoolismo, doenças imunossupressoras, etc.), a infecção por S. suis pode se desenvolver(10). Foi relatado um aumento da predisposição da doença em pessoas que tenham sofrido ablação de baço(06). De fato, no Reino Unido e na França, onde é considerada uma doença laboral, desaconselha-se fortemente as pessoas que tenham sofrido essa operação a trabalharem na suinocultura. O uso de luvas é extremamente importante. O S. suis pode sobreviver no meio ambiente, em matéria fecal, durante mais de 100 dias a 0 °C, até 10 dias a 9 °C e até uma semana à temperatura ambiente de 22 °C. Ao mesmo tempo é importante recordar que o S. suis é relativamente sensível aos vários tipos de desinfetantes. Concluindo, esta doença continua sendo extremamente importante, do ponto de vista produtivo no suíno e uma importante doença emergente na espécie humana(12).

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Manejo Manejo

Manejo pré -abate de suínos Manejo pré -abate de suínosefeitos e seus e seus na qualidade efeitos na qualidade da carcaça e carne da carcaça e carne Introdução

O

aumento expressivo no volume de carne produzida, 101,0 milhões de toneladas (suínos), 94,6 milhões de toneladas (aves), e 65,4 milhões de toneladas (bovinos)15 combinados com o compromisso de atingir o mercado consumidor num curto período de tempo, modificaram marcadamente a tecnologia empregada no processo de abate e o gerenciamento da qualidade e quantidade do produto industrializado. Determinadas operações do processo de abate (coleta dos animais para a área de insensibilização; insensibilização elétrica e gasosa; divisão longitudinal da carcaça e resfriamento rápido das mesmas); equipamentos para cortes primários; sistemas de embalagem e congelamento foram automatizados objetivando viabilizar altas capacidades produtivas e maior eficiência dessas operações. Mesmo com a automação presente, a indústria da carne é responsável por um grande número de empregos diretos e indiretos. Operacionalmente, o contínuo fornecimento de suínos para atender altas capacidades de abate por hora é fundamental para maximizar a mão de obra e os equipamentos empregados. Este trabalho requer um planejamento cuidadoso, coordenação e Suínos & Cia

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Expedito Tadeu Facco Silveira Centro de Tecnologia de Carnes tadeu.s@uol.com.br

execução de operações pré-abate que seguem rigorosamente horários préestabelecidos.

mente US$ 20 milhões / ano, com o manejo inadequado de suínos (WHAN,1993).

Os procedimentos de manejo pré-abate englobam diferentes fatores estressantes para os animais, os quais são considerados uns dos mais importantes influenciadores nos aspectos qualitativos da carne11.

Diante do exposto, o presente trabalho objetiva rever os principais aspectos envolvidos no manejo do suíno durante o preparo e transporte até o abatedouro e suas interações com a qualidade da carcaça e carne.

Entre as etapas componentes do manejo no transporte, o embarque/ desembarque dos animais, é considerado o momento de maior estresse, devido à interação do homem com o suíno, mudanças de ambiente e as dificuldades dos animais de deslocar-se sobre rampas, que na maioria das vezes, se encontram com ângulo de inclinação além do permitido (20º). Nesse momento predominam medo, esforço e maus-tratos com a utilização excessiva do bastão elétrico16. Os aspectos econômicos envolvidos no manejo pré-abate já foram avaliados em alguns paises. No Canadá os prejuízos decorrentes do manejo inadequado, corresponderam a perdas da ordem de 1.500t20; nos EUA os defeitos com carne PSE geraram perdas de US$ 0.34 por animal19. Na Europa o transporte representa 0,1-1% da mortalidade dos suínos32. Suínos abatidos na Espanha e EUA apresentam 1-4% escoriações severas, devido ao sistema de transporte, método de movimentação e insensibilização inadequada18, 44. Na Austrália perde-se aproximada-

Programação de abate O peso de abate é definido pelo mercado consumidor e torna-se complexo para a indústria em determinadas situações quando diversas classes de peso são requeridas. Para atender a esse tipo de demanda as empresas utilizam dados de produção na granja (ganho de peso médio diário em função da linhagem, sexo, alimentação e programas de manejo) e periodicamente executam amostragens aleatórias para conferir esses pesos. Esse procedimento auxilia na estimativa do peso final de abate requerido pelo mercado com uma margem de segurança. Após a definição do peso de abate e identificação das granjas fornecedoras estabelece-se uma programação para efetuar a coleta dos suínos. Recomenda-se lavar os animais na granja para melhorar a higiene e qualidade microbiológica bem como proceder à tatuagem do lote de suínos objetivando minimizar Ano VI - nº 34/2010


Manejo o efeito de estresse dessa operação normalmente realizada durante o desembarque dos animais no abatedouro37. A programação de abate é influenciada por alguns fatores tais como tipo de contrato estabelecido com os fornecedores (independentes, integrados, cooperados) e número de pessoas envolvidas no processo de coleta na propriedade.

Manejo no transporte dos suínos O abate de suíno é usualmente precedido pelo transporte o qual normalmente está associado a um esforço físico, que pode prejudicar o bem estar animal. Como consequência, danificações na carcaça e alterações nas condições do tecido muscular podem também ocorrer. Investigações científicas realizadas nas décadas de 70 e 8026, 38 procuraram analisar o tipo de estresse decorrente do transporte a fim de desenvolver soluções para evitá-lo. Os princípios mais importantes requeridos para reduzir o estresse no transporte são hoje conhecidos e estão sendo implementados na prática, particularmente na construção de veículos. A preparação para o transporte inicia-se fixando a data da coleta. Normalmente os animais são submetidos ao jejum na granja no galpão da crescimento/terminação e este deve ser projetado em local de fácil acesso ao caminhão para proceder à operação de embarque. Recomenda-se que o transporte seja efetuado à noite ou nas primeiras horas da manhã quando o clima não estiver quente ou abafado.

Jejum alimentar É classificado como o primeiro Ano VI - nº 34/2010

ponto crítico de controle, pois a sua pratica minimiza a taxa de mortalidade durante o transporte; melhora a segurança alimentar (diminui os riscos de extravasamento do conteúdo intestinal durante a evisceração e disseminação de bactérias patogênicas através das fezes) e ambiental (menor volume de dejetos no abatedouro). O tempo de jejum influencia as outras condições do estresse do transporte e pode ser responsável por um aumento no total de perdas. Na pratica recomenda-se um tempo de jejum total entre 16 a 24 horas14 para esvaziar o conteúdo gástrico e minimizar os riscos de contaminação fecal. No entanto, tem sido reportada uma ampla variação no peso do conteúdo estomacal, independentemente do tempo de jejum aplicado39. Assim o tempo de jejum total sugerido pela França (24 horas09), Reino Unido (12 a 18 horas42) e Espanha (22 a 28 horas30) teve como referencia um conteúdo estomacal menor que 1,4kg. As perdas de peso durante o jejum variam entre 0,12 a 0,20 % / hora e são inicialmente causadas pela excreção de fezes e urina. As perdas de peso na carcaça concentram-se no período entre 9 a 18 horas após o ultimo arraçoamento e, dependendo do fator estressante adicional, essas perdas variam entre 0,06 a 0,14%/hora durante o período de 48 horas de jejum. A reserva do glicogênio muscular é reduzida em 10% do nível considerado normal para o jejum correspondente a 21 horas. Dessa forma, WARRISS & BEVIS (1987) recomendam para jornadas que excedam este período a inclusão da alimentação e de um período de descanso antes de proceder ao abate21. Os trabalhos realizados por BEATTIE et al., (1999) e BROWN

et al., (1999) aplicando jejum total até 24 horas em suínos mostraram que as perdas de peso corporal e de carcaça variaram entre 5 a 6% e 1 a 2%, respectivamente, porém não foram significativas. No entanto, alimentar os animais até antes do transporte não é econômico, pois o estresse digestivo normalmente leva o animal à morte, a ração administrada nas últimas 10 horas não é convertida em ganho de carcaça e o estresse do transporte combinado com estomago cheio promove a proliferação de espécies de salmonelas no intestino e sua excreção no ambiente, comprometendo a segurança alimentar. O jejum alimentar combinado com outros fatores estressores aplicados durante o manejo pré-abate afetam negativamente a qualidade da carne suína. Suínos que não foram submetidos ao jejum e abatidos imediatamente após a chegada no abatedouro apresentaram um pH inicial muito baixo no lombo, aumentando a incidência de carne PSE (MARIBO, 1994). Os experimentos realizados por EIKELENBOOM et al. (1989) indicaram que jejum total correspondente a 24 horas reduz a incidência de PSE e melhora a cor, maciez e retenção de água na carne. Estes autores recomendaram períodos de jejum entre 16 e 24 horas objetivando minimizar a diminuição no rendimento da carcaça. Jejum prolongado combinado com manejo pré-abate inadequado, reduziu o nível de carboidrato e aumentou a incidência de carne DFD (escura, firme e ressecada na superfície), especialmente nos músculos que sustentam a postura e o peso do animal (Adductor e Semispinalis capitis). Constatou-se neste trabalho uma redução na incidência de carne PSE e no rendimento de carcaça12. Suínos & Cia

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Manejo fixadas a cada 20 cm de distância. As rampas ou plataformas devem possuir proteção lateral (cerca) com altura mínima equivalente a 0,90cm.

Figura 1. Embarque dos animais em carroceria de piso móvel.

Embarque As situações de máximo estresse correspondem ao período de embarque e desembarque dos animais, devido à interação homem – animal e da mudança de ambiente. Quando o suíno é conduzido fora das instalações criatórias, seu batimento cardíaco pode dobrar em relação ao período de descanso (80 batimentos/minuto). Quando as condições de condução do animal até o veículo de transporte e o subsequente embarque são inadequados, um acréscimo adicional no batimento cardíaco pode ocorrer (250 batimentos/minuto). Assim que os animais estão acomodados no interior da carroceria o batimento cardíaco cai consideravelmente (150 batimentos/ minuto) e continua cair ligeiramente durante o transporte. Mesmo após 100 minutos do início do transporte, o batimento cardíaco permanece entre 20 a 50 batimentos/minuto acima do valor de descanso36. Preferencialmente, a condução dos animais para o veículo de transporte deve ser realizada através de corredores limitados lateralmente por paredes sólidas de 80 cm de altura. As mudanças de direção devem ser arqueadas ou formando ângulos maiores que 90°. A largura desse corredor deve permitir aos animais caminharem ou correrem lado a lado sem comprimirem-se excessivamente. O piso deve ser de material Suínos & Cia

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antiderrapante em toda sua extensão. JONGMAN et al., (2000) demonstraram que a utilização de bastão elétrico na condução de suínos é mais aversiva do que inalar 90% de CO2. Assim, o uso de bastão elétrico ou varas deve seve ser evitado devido ao seu efeito prejudicial sobre o bem estar (frequência cardíaca), equimoses na carcaça e qualidade da carne (salpicamento e hematomas). Recomenda-se, portanto, conduzir grupos pequenos compostos de 3 a 5 animais com o auxilio de uma prancha de alumínio ou plástico resistente. Os animais embarcam com maior facilidade no veículo de transporte quando rampa de acesso e carroceria está no mesmo nível. Isto pode ser conseguido através de carrocerias dotadas de piso móvel (Figura 1). No caso de ser utilizado rampas para o embarque dos animais, em carroceria de piso fixo (Figura 2) o ângulo de inclinação entre a plataforma de embarque e a carroceria não deve exceder 20° (15° é considerado o melhor). O piso deve ser antiderrapante e possuir faixas de 2 cm de altura,

WARRISS (1994) constatou que a inclinação de 20°, da rampa utilizada para o embarque e desembarque de suínos, mostrou-se adequada para movimentar os animais durante essas operações. As soluções apresentadas para minimizar ou eliminar o esforço físico e o estresse imposto aos animais nessas situações variam entrem os países05. Em Portugal, as grandes granjas possuem plataformas de embarque que se ajustam à altura do veículo de transporte. O desembarque é efetuado através de elevador (gôndola hidráulica) localizado na plataforma de recepção do abatedouro. Na Itália, o embarque é realizado através de uma rampa portátil (inclinação de 15°) e o desembarque nas instalações de abate por meio de elevador. Na Bélgica e Holanda as granjas possuem um elevador junto à plataforma de embarque para executar a operação e utiliza rampas para o desembarque dos animais. Os veículos de transporte dinamarqueses possuem um elevador localizado na parte traseira da carroceria, que é utilizado no embarque dos animais; rampas ajustáveis com a altura da carroceria são empregadas durante o desembarque no abatedouro. Os sistemas descritos anteriormente contribuem para o bem estar animal, uma vez que resulta, em reduções no batimento cardíaco e temperatura

Figura 2. Embarque dos suínos e carroceria de piso fixo.

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Manejo corporal, beneficiando positivamente a qualidade da carne. Após o embarque é recomendável que os animais sejam molhados com o auxilio de aspersores de água localizados na carroceria do caminhão (Figura 3). Este procedimento ajuda reduzir a temperatura corporal imposta pela atividade física que os animais foram submetidos no corredor de condução do galpão de terminação bem como pelo estresse imposto pelo novo ambiente do caminhão. O período de 30 minutos com aspersão após o embarque é sugerido para que os animais fiquem menos agitados, segundo observações realizadas por SILVEIRA (2006). Misturar animais de grupos sociais diferentes na mesma baia induz altos níveis de agressão em função do estabelecimento de uma nova hierarquia social. Interações agressivas dos animais resultam maiores pontuações de escoriações na pele, especialmente em machos bem como defeitos na qualidade da carne44. Se a mistura for inevitável, este autor recomenda que a mesma seja realizada no embarque do que mais tarde, pois os animais brigam menos no caminhão em movimento e tem mais tempo para descansar depois da briga. A manutenção e a adequação das instalações devem ser consideradas no embarque. Especial atenção deve ser dada ao longo dos corredores de condução dos animais na granja criatória. Os seguintes fatores são importantes: falta de portas nas unidades de terminação; iluminação inadequada; falta de laterais que permitam aos animais olharem para fora e, portanto serem advertidos; mudanças no ângulo reto ou mesmo agudo na direção que faz os animais perderem o contato visual ou corporal; piso demasiadamente liso ou feito de vários materiais. Ano VI - nº 34/2010

Figura 3. Aspersão de água após o embarque na granja.

As falhas de manejo executadas pela mão de obra são oriundas de diversos fatores: frequentemente trabalham sobre pressão; pode haver falta de conhecimento etológico e experiência prática. Portanto, torna-se um desafio adotar um manejo para conduzir os animais, aproveitando a vantagem de sua curiosidade natural (comportamento exploratório) e do seu instinto de rebanho. Os funcionários encarregados dessa tarefa, não encontrando alternativa, tomam medidas coercitivas devido a falta de conhecimento aplicando manejo inadequado como bater nas partes sensíveis do corpo do animal ou aplicar choques através de bastões elétricos. O choque elétrico é doloroso para o animal e podem resultar reações de pânico e afetar negativamente a qualidade da carne.

Veículo de transporte O tipo de veículo, piso e condições de ventilação desempenha um importante papel no bem estar animal. Os veículos maiores (carroceria articulada) minimizam os

efeitos traumatizantes do transporte (impactos e/ou deslocamento dos animais para frente e para trás). Carrocerias compartimentadas (Figura 4) têm seu espaço interno definido fisicamente, oferecendo maior conforto aos animais, pois limita o seu número e diminui o estresse social (ao evitar a mistura de rebanhos diferentes). A localização dos animais nos diferentes compartimentos da carroceria tem efeitos no bem estar animal e qualidade da carne. BARTON GADE et al., (1996) constataram que suínos transportados no piso inferior apresentaram maior temperatura corporal e maiores níveis sanguíneos de cortisol. Animais localizados nos compartimentos da frente e de trás tiveram pior qualidade de carne (DFD ou PSE) e maiores níveis de lactato em comparação aos que estavam posicionados nos compartimentos centrais. Estes autores reportaram que os suínos transportados no piso inferior apresentaram uma maior incidência de carne PSE especialmente se a baia for mal ventilada, ou uma tendência à carne DFD, devido aos efeitos do estresse físico causado pela necessidade de manter-se em pé para Suínos & Cia

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Manejo suportar o nível mais alto de vibrações. CHRISTENSEN e BARTONGADE, (1996) reportaram que quando a temperatura exterior varia entre 12˚ a 16˚C a temperatura no piso superior é 6˚C mais alta do que o inferior. Como a zona de termoneutralidade dos suínos está entre 26˚ a 31˚C, a temperatura do ar não deve exceder 30˚C33. O piso da carroceria está diretamente relacionado com o equilíbrio do animal e consequentemente seu conforto. O revestimento emborrachado (10 mm de espessura) com superfície de botões (1,5 mm de altura) diminui a possibilidade de o animal escorregar durante o movimento do veículo e reduz o barulho durante o embarque e desembarque.

Densidade populacional A escolha da densidade populacional de suínos na carroceria do caminhão é determinada pelo custo de transporte combinado com o bem estar animal (mortalidade) e a qualidade da carcaça e da carne (Figura 5). Diante desse contexto, as recomendações de densidade populacional que se seguem devem ser ajustadas às condições de transporte (clima, tipo de estrada, distancia, linhagem e tamanho do suíno) encontradas nos diferentes paises.

Figura 4. Portões sobre o piso inferior utilizados para compartimentar os Animais em três grupos de 20 animais.

Quando a densidade populacional dos suínos transportados é alta resultará um desconforto, pois nem todos são capazes de deitar ao mesmo tempo. Nessa situação, alguns sentarão sobre os outros, posição essa que causa a dispnéia (dificuldade na respiração). Para livrar-se dessa situação, os animais fazem um tipo de alongamento, colocando seus pés dianteiros sobre outros. Outra dificuldade refere-se à troca térmica, a que o suíno é particularmente sensível. É óbvio que a temperatura ambiente e a ventilação afetam a densidade populacional. Animais transportados em temperaturas menores que 5°C mostram-se tranquilos durante a viagem mesmo quando a densi-

Figura 5. Densidade populacional utilizada na carroceria de transporte

Suínos & Cia

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dade populacional é alta, porque eles tentam evitar a perda de calor corporal através do contato físico. Já temperaturas maiores que 15°C promovem agitações e até mesmo pânico. A Legislação da União Européia (95/29/EC) especifica que a densidade populacional de suínos, considerando o peso aproximado de 100 kg, não deve exceder 235 kg/m2 (0,425 m2/100 kg), admitindo-se um aumento maximo de 20% (0,510m2/100kg ou 196 kg/m2) dependendo das condições climáticas e tempo de transporte. O Quadro 1 apresenta recomendações de densidade populacional adotada por vários paises. WARRISS, (1998) recomenda a densidade populacional de 250 kg/ m2 (0,40 m2/100 kg ou 2,5 animais/ m2) para suínos terminados de 90 a 100 kg, fundamentado nas medidas do espaço necessário para o decúbito esternal do animal. Os trabalhos realizados com transporte de suínos aplicando densidade populacional alta ou baixa evidenciam forte influencia no Ano VI - nº 34/2010


Manejo comportamento do suíno resultando maiores pontuações na escoriação da pele e prolapso retal. LAMBOOJ et al., (1985) constataram que os suínos tendem a se acalmar em duas horas do inicio da viagem quando são submetidos baixas densidades (0,66 m2/100 kg) durante o transporte. Já BARTON GADE & CHRISTENSEN, (1999) reportaram que diminuindo a densidade populacional de 0,42 a 0,50 m2/100 kg, especialmente em viagens curtas, não incrementou o número de animais deitados, mas evidenciou a dificuldade dos mesmos manter o equilíbrio principalmente nas curvas ou em estradas ruins. LAMBOOJ & ENGEL, (1991) estudaram a aplicação de densidades altas (> 250 kg/m2 ou < 0,40 m2/100 kg) no transporte de suíno e reportaram uma agitação continua dos animais que estavam deitados em função daqueles que estavam procurando um lugar para deitar. Tal situação resulta em comportamento de monta e provoca interações agressivas entre os animais e consequentemente pontuações maiores de escoriações na pele23.

Quadro 1. Densidades populacionais sugeridas por alguns paises. Densidade Populacional

Países

Kg / m

m2 / 100 kg

Animais / m2

Canadá1

294 a 243

0,34 (<16ºC) a 0,41 (≥ 24ºC)

3 a 2,5

Canadá

294 a 312

0,34 a 0,32

3 a 3,1

EU

286 a 256

0,35 a 0,39

2,86 a 2,56

233 a 200

0,43 a 0,50

2

2

Alemanha3 1

AAC, 1993

2

varias regiões do Canadá, AALHUS et al., (1992)

A incidência de mortalidade de suínos terminados durante o transporte aumentou de 0,04 para 0,77%22 quando se aplicou densidades maiores que 250 kg/m2 (0,40 m2/100 kg ou 2,5 animais/m2). RICHES et al., (1996) constatou essa mesma tendência para densidades maiores que 238 kg/ m2 (0,42 m2/100 kg ou 2,38 animais/ m2). Normalmente os suínos adultos são mais susceptíveis ao estresse pelo calor, incrementando assim a mortalidade, ferimentos (hematomas) e depreciando a qualidade da carne. Os trabalhos conduzidos por RICHES et al., (1998) mostraram que transportar suíno aplicando densidades maiores que 235 kg/m2 (0,43 m2/100 kg ou 2,3 animais/m2), limite estabelecido pela União Européia,

2,33 a 2 3

WARRISS, 1998

resulta em maior sujidade e influencia na segurança alimentar. A aplicação de alta ou baixa densidade no transporte de suínos afeta negativamente a qualidade da carne. LAMBOOJ & ENGEL, (1991) reportaram que viagens longas (22 a 44 horas) e aplicação de alta densidade, ou seja, maior que 250 kg/ m2 (0,40 m2/100 kg ou 2,5 animais/ m2) prejudica a qualidade da carne e o rendimento de carcaça. Na Europa constatou-se que a densidade populacional inferior a 200 kg/m2 (0,50 m2/100 kg ou 2 animais/m2) resultou uma incidência de carne PSE em aproximadamente dois terços do rebanho de suínos e tal incidência foi ainda maior para densidades mais alta03. Outros trabalhos realizados indicam que a densidade populacional deve ser limitada para 213 kg/m2 (0,47 m2/100 kg ou 2,1 animais/m2) quando se objetiva melhorar o bem estar animal e a qualidade da carne.

Tempo e distância de transporte

Figura 6. Transporte de suínos.

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Partindo do princípio que os animais não se apresentam totalmente tranquilos durante o transporte, viagens mais curtas são plenamente justificadas. Portanto, à distância percorrida é menos importante que o tempo de transporte, uma vez que os eventos que afetam o tempo (coleta de animais nas diversas granjas, trafego lento, engarrafamento etc.) Suínos & Cia

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Manejo horas e receber ração antes de continuar a viagem (95/29/EC). Já no Canadá o tempo mínimo de descanso é de 5 horas01. Esta diferença está fundamentada no fato de que ainda não foi estabelecido um tempo de descanso mínimo após uma viagem longa que concilie o bem estar animal e os custos da empresa transportadora.

Figura 7. Plataforma de desembarque.

podem ter um efeito mais adverso no estresse do animal (Figura 6). Suínos transportados a uma distância de 650 km apresentaram maiores valores de pH45 e pH24 do que aqueles que viajaram 180 km. O tempo de transporte contribui para elevar o pH24 quando é suficientemente longo para fadigar os suínos41. A incidência de PSE foi mais elevada em transportes de curta duração (30 minutos) e mais baixa para transportes mais longos (80 minutos). A União Européia em sua legislação não fixa o tempo máximo de transporte, apenas intervalos após os quais deve ser oferecido aos suínos água e alimentação, isto é, após 8 e 24 horas, respectivamente05.

Figura 8. Carroceria piso fixo.

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O Quadro 1 mostra tempo de viagem e a distancia percorrida no transporte de suínos praticado em alguns países. BROWN et al., (1999) reportaram que o tempo total de transporte entre 8 e 16 horas, mesmo sem acesso

O tempo de viagem influencia o comportamento e a qualidade da carne suína. GRANDIN, (1994) observou que os suínos submetidos a períodos curtos de viagem (< 30 minutos) mostraram-se mais difíceis de serem manejados do que aqueles transportados por períodos mais longos. GISPERT et al., (2000) constataram que viagens curtas (< 2 horas) incrementaram a incidência de carne PSE em 2,3% e viagens mais longas (> 2 horas) a susceptibilidade de desenvolvimento de carne DFD aumentou concomitantemente com a taxa de mortalidade dos suínos04.

a água, parece ser aceitável sob o ponto de vista de bem estar animal. Viagens mais longas, o tempo de transporte pode ser prolongado até 24 horas, desde que ventilação e densidade sejam adequadas e tenha água disponível. Tempos de viagem superiores a 24 horas, os animais devem ser desembarcados, descansados por 24

Figura 9. Carroceria piso móvel.

Condições climáticas As condições climáticas influenciam na intensidade do estresse que o animal é submetido durante o transporte e também determina a condição na qual os animais iniciam o transporte, além de sua capacidade de recuperação nas instalações do abatedouro. Temperaturas acima de 18°C aumentam as perdas ocasionadas durante o transporte dos suínos41, 42. Este fato torna-se agravante quando predomina o calor úmido, pois o animal apresenta maior dificuldade de eliminar o calor corporal, aumentando assim sua temperatura interna e, consequentemente, prejudicando seu bem estar. Em situações mais drásAno VI - nº 34/2010


Manejo Quadro 1. Tempo e distancia de transporte praticada em alguns paises. Países

Até 2 horas 100 km

UE

200 km

X

Espanha

3 horas

Autores

X*

Warriss, 1996

X

Aalhus et al., 1992

X

Canadá

Faucitano, 1996

*Limite aceitável recomendado do grupo de trabalho sobre transporte de suínos ticas, o incremento do batimento cardíaco pode levar o animal à morte. A qualidade da carne (incidência de PSE/ DFD)é prejudicada com a adição de fatores estressantes, tais como temperaturas mais elevadas predominantes durante os períodos mais quentes do ano17, como também temperaturas muito baixas.

Desembarque Chegando ao abatedouro os suínos devem ser desembarcados para evitar desconforto e agitação dos animais em função de um tempo muito prolongado de espera. Nesse sentido, a logística de transporte deve contemplar horário de embarque na granja, distancia

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percorrida, número de animais transportados e tempo de transporte que combinado com um número adequado de plataformas reduziria o tempo de espera de desembarque e contribuiria com o bem estar animal. (Figura 7). Na pratica esse tempo é variável podendo estender-se de 5 minutos a varias horas (JONES, 1999), 4 horas02 entre 3 a 4 horas37. O estresse durante o desembarque é considerado menor ou semelhante ao do embarque, no entanto o manejo inadequado durante esse processo resulta hematomas e ferimentos. A exposição dos animais ao vento, chuva ou sol forte devido à falta de cobertura na plataforma de desembarque ou mesmo iluminação inadequada na pocilga de repouso dificulta a condução dos animais e o consequente desembarque. Assim, a adequação das instalações da plataforma de recepção dos animais do abatedouro é de suma importância. A interação homem-animal também se faz presente muito forte durante o desembarque e nesse sentido é importante conhecer o comportamento do suíno, que apresenta uma dificuldade natural em descer rampas, principalmente com inclinações superiores a 15 - 20˚ (Figura 8). Assim essa operação torna-se mais difícil se os animais forem forçados para frente aplicando manejo inadequado por meio de varas, choques e gritos. A utilização de carrocerias móveis facilitaria essa operação, pois coloca os animais no mesmo nível da plataforma de desembarque (Figura 9).

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Manejo Referências bibliográficas 01. AAC. Recommended code of practice for the care and handling of farm animals ¬pigs. Agriculture and Agri-Food Canada Publ. 1898/E. 1993. 02. AALHUS, J.L., MURRAY, A.C., JONES, S.D.M., TONG, A.K.W. Environmental conditions for swine during marketing for slaughter -a national review. Technical Bulletin 1992–6E, Research Branch, Agriculture et Agro-Alimentaire Canada. 1992. 03. BARTON-GADE P., WARRISS P.D., BROWN S.N., LAMBOOIJ E. Methods of assessing meat quality. Proceedings of the EU-seminar “New information on Welfare and meat quality of pigs as related to handling, transport and lairage conditions” Mariensee, Germany, June 1995. 29–30, 23–34. 04. BARTON-GADE, P. & CHRISTENSEN, L. Transportation and pre-stun handling: CO2-Systems, Danish Meat Research Institute, Manuscript no 1430E, http:/ www.dmri.dk, 1999. 05. BARTON-GADE, P., BLAABJERG, L.O., CHRISTENSEN, L. New lairage system for slaughter pigs: effect on behaviour and quality characteristics. Proc. 38th ICoMST Clermont-Ferrand, France.1992. p.161–164. 06. BARTON-GADE, P.; WARRIS, P.D; BROWN, S.N.; LAMBOOIJ, E. Methods of improving pig welfare and meat quality by reducing stress and discomfort before slaughtermethods of accessing meat quality. Proceedings European Seminary “New information on welfare and meat quality of pigs as related to handling transport and lairage conditions”. Mariensee, Germany, p. 23-34, 1996. Suínos & Cia

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07. BEATTIE, V.E., WAETHERUP, R.N., MOSS, B.W. The effect of feed restriction prior to slaughter on performance and meat quality of pigs. Proc. British Society of Animal Science, pp. 11, Penicuick, Midlothian, UK. 1999. 08. BROWN, S.N., T.G. KNOWLES, J.E. EDWARDS AND P.D. WARRISS. Behavioural and physiological responses of pigs to being transported for up to 24 hours followed by six hours recovery in lairage. Veterinary Record. 145:421-426, 1999. 09. CHEVILLON, P. Le contrôle des estomacs de porcs á l’abattoir: le miroir de la mire á jeun en élevage. Techi-Porc.1994. 10. CHRISTENSEN, L., BARTONGADE, P. A. Design of experimental vehicle for transport of pigs and some preliminary results of environmental measurements. Proc. EU-seminar “New Information on Welfare and Meat Quality of Pigs as Related to Handling, Transport and Lairage Conditions”, 1996. p. 47–68, Landbauforschung Volkenrode, Sonderheft 166, Mariensee, Germany. 11. COOK, J.C. Neurological measures to qualify welfare aspects of stunning. In: INTERNATIONAL WORKSHOP ON STUNNING SYSTEMS FOR PIGS AND ANIMAL WELFARE, 1999, Billund, Denmark. Proceedings... Billund: Danish Meat Research Institute, 1999. p.25-27. 12. EIKELENBOOM, G.; BOLINK, A. H. & SYBESMA, W. Effet du jeune avant Le chargement sur la qualité et le rendement de carcasse des poreso. Qualité de la Viande du Pore. France, 1989. 13. EIKELENBOON, G.; BOLINK,

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29. G.S.M. Transport of pigs by car for two days: some aspects of watering and loading density. Livest. Prod. Sci. 13, 289–299. 1985.

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Revisão Técnica Revisão Técnica Allen D´Leman Swine Conference St.Paul Minnesota

Allen D´Leman Swine Conference St.Paul - Minnesota

Introdução

N

ovamente nosso consultor e Dr. Antonio Palomo apresenta o resumo com o conteúdo principal de todos os trabalhos apresentados na reunião de médicos veterinários especialistas em suínos, realizada no Centro de Convenções Riverfront, da cidade de St. Paul, estado de Minnesota, EUA, em setembro de 2009. Participaram dessa reunião 770 profissionais, havendo 83 apresentações orais e 42 posters, além de 15 empresas patrocinadoras, 63 expositores e 14 seminários de especialização. Gostaríamos de destacar, especialmente, por ser bem conhecido o prestígio delas na Espanha, duas menções bem merecidas: 1 - A nomeação da Dra. Montserrat Torremorell como Allen D. Leman Chair Swine Health and Productivity. Esse cargo foi ocupado anteriormente por Thomas Blaha, entre abril de 1996 e 2003, seguido de Peter Davies, nos seis anos seguintes. 2 - A entrega do Leman Science and Practice Award 2009 à Dra. Laura Batista. Aproveito a oportunidade para lhes dar minhas mais sinceras e cordiais felicitações e meus melhores desejos futuros, o que seguramente é um sentimento geral. Para uma melhor compreensão abordaremos o presente resumo ordenado por temas, conforme segue o índice abaxio: • Geral • Vírus da Influenza (Gripe) • Bem-estar Animal • Transtornos Respiratórios • Transtornos Digestivos • Nutrição • Economia da Produção • Reprodução

Suínos & Cia

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Prof. Dr. Antonio Palomo Yagüe Diretor da Divisão de Suínos SETNA NUTRICION SA – INZO antoniopalomo@setna.com

Geral BAXTER, R.  A evolução da economia suína mundial será influenciada pelos concorrentes globais (Brasil, Rússia, Índia e China), pelas decisões dos governos em política agrícola-pecuária, pelo impacto das energias alternativas, pelo crescimento da população mundial nos próximos vinte anos, pelo papel das novas tecnologias, pela ciência e os conhecimentos, assim como em função dos abatedouros e das grandes superfícies, determinados pelas necessidades dos consumidores.

Dra Laura Batista, recebe a homenagem do Leman Science and Practice Award 2009

Ano VI - nº 34/2010


Revisão Técnica STEIN, T.  No futuro, a aplicação de sistemas de informação e análise de dados, tanto em nível produtivo como financeiro, será essencial para se determinar a competitividade, associada à eficiencia na produção, ainda que continue a distância entre as melhores e piores empresas. Além do custo de produção, devemos conhecer o ponto de corte da rentabilidade, a margem de benefício e o fluxo de caixa por suíno vendido, em tempo real. Desta forma, o bom conhecimento do nosso fluxo de produção e de seus modelos de projeção a curto e médio prazos são essenciais. É bom recordar que quem tiver um projeto estabelecido já parte de uma vantagem competitiva, necessitando apenas de uma cultura de empresa, de um trabalho disciplinado e ser persistente em sua execução. DAVIES, P.  A definição de doenças emergentes refere-se a doenças que aparecem novamente na população com um rápido incremento em sua incidência ou em sua distribuição geográfica. Nos últimos 20 anos têm surgido novas patologias na suinocultura, como segue: 

Duas pandemias virais severas: PRRS, PCV2 (não zoonoses).

Nipah virus, 1998, na Malásia: zoonose epidemiológica regional.

Detecção mundial assintomática do vírus da hepatite E.

 Zoonose esporádica na Austrália, do Paramixovirus Menangle.  Epidemia em humanos na China, em 2005, de Streptococcus suis - 2. 

MRSA (Staphilococcus aureus resistente a Meticilina) ST398, colonizando pessoas e suínos.

Sem dúvida, as mudanças consideráveis ocorridas nos sistemas de produção têm condicionado os Ano VI - nº 34/2010

padrões das doenças. As medidas de biossegurança e de medicina preventiva têm contribuido positivamente, enquanto o fluxo de animais (Minnesota recebe diariamente 10.000 suínos de outros 30 estados), o tamanho das granjas, a densidade regional de animais e o excesso de produção estão limitando a resposta imune e facilitando novas apresentações clínicas. É fundamental uma detecção precoce e a adoção de protocolos de atuação para o controle dessas patologias emergentes (restrição de movimentação, despovoamento, tratamentos terapêuticos). Para isso, o uso de metodologia técnica informatizada pode ser de grande ajuda, colocando os veterinários na primeira linha de resposta, dentro dos programas de inteligência epidemiológica. Na Universidade de Minnesota (o maior estado norte-americano em produção de suínos) foi desenvolvido um sistema de informação geográfica (GIS) para todo o estado, com base na localização/informação por GPS de cada granja, desenhado previamente para o programa de erradicação do vírus da PRRS (PRRSv). O GIS utiliza um sistema protótipo que inclui uma base de dados (Microsoft SQL – Minnesota Board Animal Health) e os mapas do Google East (ESRI-Arc IMS/Arc SDE). O sistema integra, em tempo real, os sinais clínicos das granjas e permite fazer uma análise tempo-espacial da doença. Para a sua aplicação total é necessário promover mudanças na mentalidade cultural, tanto da indústria como da profissão de veterinário, as quais permitam tanto levar a cabo como proteger a informação (Minnesota Swine Disease Maping System). WADDELL, J.T.  Na hora de decidir pelo fármaco adequado, são muitos os fatores a considerar. Além de se ter em conta o diagnóstico preciso e a sensibilidade do

agente infeccioso, devemos avaliar o estágio da doença, a dose, as coinfecções, as vias de administração, os períodos de supressão, a farmacocinética, o tamanho do lote de animais, o fluxo de suínos e a relação custo/ benefício. Os antibióticos não podem resolver os problemas derivados de manejo deficiente, má ventilação ou problemas nutricionais. Nas medicações via água de bebida é essencial determinar o consumo real diário de água por animal/lote, assim como sua evolução cronológica, ajustando as doses com base na atividade do antibiótico (mg) por categorias de peso vivo dos animais (kg). Na ração, a diretiva norte-americana permite apenas a adição de um só antibiótico por tratamento, que será considerado adequado apenas se, ao monitorar sua resposta no tempo, for obtida a cura dos animais (“Right drug-Right pigsRight dose-Right time-Right routeRight frequency”). STROBEL, M.  É necessário maximizar o efeito no uso dos antibióticos, e ao mesmo tempo minimizar o risco de criar resistências tanto nos suínos como nas pessoas. O uso de doses muito elevadas de antibióticos traz consequências negativas no aumento de resíduos e nas resistências citadas. Por isso, é importante conhecer com precisão a relação entre a dose, a via de administração, o tempo de vida média e os resíduos produzidos pelos antibióticos. A combinação de vários antibióticos, além de não ser permitida, sendo reponsabilidade exclusiva do veterinário, gera, ainda, mais lacunas no entendimento da matriz de fatores anterior. O uso de antibióticos sem registro aumenta a necessidade de ser cauteloso nos períodos de supressão. O trabalho mostra uma tabela interessante, com os períodos de supressão de todos os produtos terapêuticos usados nos EUA e os níveis de tolerância no Japão. Suínos & Cia

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Revisão Técnica KINSLEY, K.P.  Uma intervenção precoce é muito importante no desenvolvimento de um plano de medicação, tanto em leitões como na fase de crescimento, assim como para a rentabilidade do mesmo (custo/ efetivo). Desta forma, o tratamento mais eficaz com o custo mais efetivo é o objetivo, devendo-se deixar de lado os grandes custos de medicação com eficácia variável e com baixo retorno (inclusive, negativo) ao investimento. Deve-se conhecer bem o tratamento, analisando-o previamente à sua aplicação. ROVIRA, A.  O Mycoplasma hyorhinis é uma bactéria comum no trato respiratório de suínos sadios (cavidade nasal, tonsilas e pulmões). Ela é transmitida das porcas para os leitões durante a primeira semana de vida dos mesmos e entre os leitões, nas creches. No Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Universidade de Minnesota houve um incremento em seu diagnóstico por PCR, nos casos de poliserosites (55%) e problemas de aprumo (12%). As coinfecções são comuns, particularmente nos casos de poliserosite, com o PRRSv, o vírus da gripe, o H. parasuis, o Streptococcus suis, a Pasteurella multocida e a Bordetella

bronchiseptica. A associação mais interessante é a que ocorre com o Haemophilus parasuis, sendo a poliserosite normalmente positiva para as duas bactérias, ou negativa para ambas, havendo um mecanismo sinérgico. Seu tratamento com antibiótico só é eficaz nos primeiros estágios da doença, havendo sensibilidade à lincomicina, à tilosina e à tiamutina. LEUWERKER, B.  O Mycoplasma hyorhinis é encontrado, além nas infecções sistêmicas (três semanas de vida), em casos de manqueira de suínos adultos como causa primária, afetando um lote de animais pontualmente ou como agente secundário em manqueiras de adultos devidas ao Streptococcus suis e ao Mycoplasma hyosynoviae. Entre os antibióticos mais eficazes para o seu controle estão a lincomicina, a tilosina e a tetraciclina. As autovacinas não são eficazes na sua prevenção, tampouco foi demonstrada imunidade cruzada com vacinas contendo M. hyopneumoniae. Para o seu diagnóstico é suficiente o envio de amostras refrigeradas de animais, com sinais clínicos recentes e não medicados.

Gripe ou influenza suína VAN REETH, K.  Vírus RNA, da família Orthomyxoviridae. A combinação de suas duas glicoproteinas externas, hemoaglutinina (H1 a H16) e neuraminidase (N1 a N9) é que determina a cepa viral. Deste modo, há 254 combinações possíveis do mesmo. As pequenas mutações que ocorrem em seu genoma determinam sua variabilidade antigênica. Os dois mecanismos básicos das referidas mutações baseiam-se na introdução de um novo vírus, originário de um reservatório animal ou em uma modificação genética. Esta última pode ocorrer quando duas cepas virais diferentes infectam o hospedeiro simultaneamente. O vírus da gripe A infecta, além de humanos e suínos, equinos, aves domésticas e silvestres. Está demonstrado científicamente como as aves aquáticas silvestres são a origem de todas as cepas do vírus da gripe A. As aves se diferenciam dos mamíferos por não serem suscetíveis tanto à cepa H como à N, além de permitirem a replicação viral tanto no trato respiriatório como intestinal. Nos vírus avícolas encontramos dois patótipos de alta e baixa patogenicidades. Os de alta virulência causam infecções generalizadas, que atacam todos os órgãos vitais, sendo o resultado de mutações na hemaglutinina, depois da introdução das cepas H5 e H7, de baixa patogenicidade, em frangos. A patogenia e os sinais clínicos da gripe são similares em humanos e suínos. O vírus se replica nas células epiteliais da mucosa nasal, traquéia e pulmões. A replicação e excreção viral é transitória, durando de seis a sete dias. As infecções assintomáticas são frequentes, em pessoas e suínos. O vírus Influenza é um potente indutor de citoquinas inflamatórias no trato respiratório, as quais determinam a manifestação clínica da doença, uma vez que mediam a criação rápida de

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Revisão Técnica uma sólida resposta imune. Ainda que haja, frequentemente, uma origem comum em pessoas e suínos, o vírus da gripe não é idêntico, nem genética, nem antigenicamente. Os vírus variam do mesmo modo, entre a Europa e a América do Norte, havendo cepas diferentes na Ásia. A cepa européia H1N1 tem uma origem aviária única, tendo sido introduzido por patos silvestres em 1979. Já nos EUA circulam dois tipos de cepa H1N1, o primero conhecido como vírus H1N1 clássico, presente desde o início do século XX e que, provavelmente, emergiu pela transferência de humanos a suínos durante a pandemia de 1918. E o segundo, resultado de uma recombinação do H1N1 com as recentes cepas emergentes H3N2 e H1N2. Esse tríplice recombinante é o vírus progenitor mais importante da nova pandemia viral do H1N1, de 2009. A epidemiologia e a evolução do vírus Influenza em suínos é extremamente complexa, diferindo entre regiões por todo o mundo. A introdução de uma nova cepa viral na população, per si, é insuficiente para iniciar uma pandemia, já que o vírus deve sofrer uma série de mudanças genéticas (por mutação ou por recombinação) para adaptar-se a uma replicação eficiente e ser transmitido entre pessoas. Durante o século XX foram descritas três pandemias do vírus Influenza, anteriores à atual: 1ª Gripe Espanhola de 1918 (H1N1): quadro clínico extremo, com elevada mortalidade. As análises filogenéticas indicam que os vírus da gripe humano/suíno, 1918/1919, são geneticamente similares, sendo factível a possibilidade de haver um ancestral comum entre eles. A origem exata do vírus é controvertida e, possivelmente, nunca saberemos se ele surgiu primero de pessoas ou de suínos. Ano VI - nº 34/2010

2ª Gripe Asiática de 1957 (H2N2). 3ª Gripe Hong Kong de 1968 (H3N2). Estas duas últimas pandemias tiveram sua origem em uma recombinação entre uma cepa viral avícola e outra humana. Houve a geração de uma nova cepa, com uma nova neuraminidase e com um ou dois genes modificados. Pesquisas demonstram que não há uma evidência direta do papel do suíno como hospedeiro intermediário dessas referidas cepas e da trasferência viral às pessoas. Desde 2003 os focos de gripe aviária H5N1 têm ocorrido em frangos, em muitos países da Ásia, Europa e África, provocando 438 casos de infecção em pessoas e com 262 óbitos, segundo WHO agosto/2003, pela replicação viral massiva nos pulmões. Felizmente o vírus não se adaptou para a transmissão entre pessoas, não havendo, portanto, pandemia. O referido vírus H5N1 se replica no trato respiratório do suíno, embora muito menos que o H1N1, pois sendo um agente muito virulento em aves, é muito pouco virulento em suínos. Além disso, demonstrou-se que o referido vírus não se adapta para a replicação

em suínos. Seria preciso que o suíno se expusesse a uma elevada pressão de infecção com o vírus de origem avícola, para conseguir se infectar. O subtipo H5N2, de baixa virulência em aves e humanos, se replica nos mesmos órgãos que a cepa H1N1 europeia. O principal lugar de replicação dos vírus aviários, em humanos e suínos, está localizado nos receptores pulmonares. Ao contrário do que se acreditava até agora, o trato respiratório humano contém receptores para o vírus da gripe tanto em sua parte superior, como na inferior. Daí se explica como as cepas virais de origem aviária, que se replicam continuamente em suínos, se adaptam tão bem nos receptores humanos, o que faz com que o suíno – tão suscetivel aos vírus de erigem aviária como os humanos – possa servir de hospedeiro intermediário para a transmissão viral das aves às pessoas. Vários grupos de pesquisa dedicados à gripe suína passaram a realizar estudos de infecções experimentais com o novo vírus H1N12009, mas ele nunca conseguiu ser demonstrado nos suínos, não havendo, por isso, evidência de que essa espécie tenha algum papel, seja Suínos & Cia

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Revisão Técnica na epidemiologia ou na disseminação do vírus para a população humana mundial. Até o momento foram identificadas apenas seis granjas no mundo infectadas por este vírus H1N1 (três no Canadá, duas na Argentina e uma na Austrália) sem haver, entretanto, constância de transmissão das pessoas para os suínos. Este novo virus H1N1-2009 é muito diferente, antigenicamente, do vírus da gripe humana sazonal, embora seja similar ao vírus H1N1 que circula entre as pessoas desde 1950. Talvez por isso o novo vírus esteja afetando mais as pessoas jovens, já que os adultos poderiam ter proteção cruzada frente à nova cepa gerada por contatos anteriores com os tipos citados, o que explicaria o por quê da pandemia atual não poder alcançar, até o momento, a gravidade das três pandemias descritas inicialmente. TORREMORELL, M.  A gripe não é uma infecção persistente, mas transitória, deixando a população imunizada por um período curto de tempo. O vírus é excretado em seis a sete dias e morre fora do hospedeiro. As técnicas de vazio sanitário são eficazes no seu controle, assim como o fato de evitar a entrada de portadores e a mistura de animais de idades e origens diferentes. Foi descrito um programa de eliminação do vírus H3N2 em uma granja de 1200 porcas, em três sítios, por meio do despovoamento das fases dois e três, assim como a entrada de reposição negativa, com o fechamento da granja e sem a utilização de vacinas. THOMPSON, R.N.  Descreve como chegar a tornar negativas duas granjas de ciclo completo. A primeira, soropositiva desde 2005 e sem sinais clínicos, realizando duas vacinações nas reprodutoras, tanto nulíparas como em produção. A vacinação demonstra uma redução considerável da circulação viral na granja. Suínos & Cia

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Na segunda granja, o status negativo para o vírus da gripe é alcançado sem vacinação e com a manutenção de autorreposição negativa. NIKKEL, T.  Realizou dois estudos vacinando porcas e leitões desmamados com uma autovacina de Influenza, um deles com dose completa de 2 ml, via intramuscular e outro com dose de 0,2 ml, via intradérmica, e encontrou a mesma resposta imunitária e clínica, em ambos os casos. GRAMER, M.  O termo pandemia não indica grau de virulência, nem gravidade, sendo tão somente um termo epidemiológico. Por definição é a ocorrência de uma doença em muitas partes do mundo ao mesmo tempo, podendo ser leve ou severa, causar os sintomas da doença em questão ou promover mortalidade, podendo mudar sua condição (severidade) durante o curso da doença. A família do vírus da gripe tem quatro gêneros bem definidos: 1) A: causa a doença em animais (mamíferos e aves) e humanos. Este gênero tem oito segmentos de genes em seu RNA. No caso da nova cepa H1N1- 2009, o vírus acumulou mudanças em vários genes, as quais o tornam capaz de disseminar-se facilmente de humano a humano e de humano a suíno. Será necessário a realização de mais trabalhos de pesquisa para conhecer com detalhes a transmissão e a disseminação deste vírus da gripe entre populações de pessoas e animais. 2) B: causa a doença somente em humanos. 3) C: podem infectar humanos, cães e suínos, embora não se tenha nenhuma evidência em suínos até o momento. 4) Thogovirus. DAVIES, P.  A primeira

granja de suínos no mundo na qual foi descrita a infecção pelo novo vírus H1N1-2009, em 26 de junho, fica em Alberta (Canadá) e teve todo o seu efetivo sacrificado. No Google há 88 milhões de referências à “gripe suína“ e somente 8 millhões à “Influenza H1N1“. Até o momento não há evidência científica de que a população suína tenha tido algum papel na propagação da epidemia. Entretanto, a pandemia continua no hemisfério Norte, no verão, e previsivelmente ocorra no hemisfério Sul, no inverno. A pandemia caracterizou-se por sua rápida transmissão global, embora a severidade seja menor que nos casos de gripe sazonal endêmica, limitando-se ao trato respiratório. O consumo de carne suína é totalmente seguro e não representa risco de contágio em nenhum caso. Até agora o custo econômico da pandemia concentrou-se no México, onde houve uma redução de vôos e de reservas em hotéis da ordem de 80% e onde o movimento financeiro proveniente do turismo chegou a cair 43%. Um estudo europeu determinou perdas da ordem de 3,5% no PIB. No mercado norte-americano estimam-se perdas de US$ 10,00 por suíno vendido, em 2009. LOWE, J.  Como veterinários, nossa primeira missão é proteger a saúde humana. A vacinação das pessoas envolvidas na produção de alimentos deve ser realizada com o objetivo de reduzir o risco de transmissão de humanos a suínos, já que nos EUA os dois vírus H1N1 predominantes são de origem humana. Outras medidas essenciais para o seu controle baseiam-se em: 1) Evitar interações entre pássaros e suínos. 2) Limitar o contato de suínos com pessoas de risco e sempre empregar medidas de biossegurança para entrar nas granjas (troca de roupa e calçados). Ano VI - nº 34/2010


Revisão Técnica 3) Promover, por conta da empresa, a vacinação de todos os trabalhadores que vão entrar em contato com os suínos contra o vírus da gripe humana sazonal. As vacinas contra gripe, do tipo vírus morto, vêm sendo usadas em grau variável desde 1990 nos suínos norte-americanos. Elas reduzem a replicação viral e sua excreção e diminuem os sinais clínicos e as lesões pulmonares. São utilizadas vacinas comerciais e autovacinas, já que a imunidade cruzada tem suas limitações. Atualmente há uma investigação de vacinas de vetores, presumivelmente mais eficazes.

Bem-estar animal LI, Y.Z.  A adição de triptofano nas dietas de porcas gestantes, três dias antes e três dias depois do parto, não afeta o nível de agressões quando elas se misturam, tampouco os níveis de cortisol das mesmas. As que recebem 0,3% de triptofano, frente às que são suplementadas com 0,15%, apresentam um tamanho de leitegada superior. BURKGREN, T.  Discute a importância de tornar públicos os

modernos sistemas de produção para construir uma imagem pública mais adequada, assim como o entendimento, a confiança e a segurança no consumo da carne suína. Os consumidores devem receber uma mensagem única e clara das diferentes instituções e organizações. Em situações de crise deve haver um porta-voz único, que veicule junto à sociedade uma mensagem simples, clara e bem argumentada do ponto de vista científico. Essa pessoa deve ter status de especialista e possuir credibilidade, ao mesmo tempo em que lance mensagens positivas. MORGAN MORROW, W.E.  A eutanásia é uma solução humana e responsável que deve aliviar o sofrimento e proteger a saúde do restante dos animais. A atitude das pessoas à frente de um processo de eutanásia em granjas varia tremendamente, o que deve ser respeitado, além da necessidade de haver um treinamento adequado. Os procedimentos de eutanásia aprovados nos EUA são: • Eletrocução, pistola e anestesia induzida, como as menos recomendáveis. • CO2: ocorre diversidade genética

na reação dos suínos à inalação do mesmo (Grandin, T.). O método é simples, pouco custoso e com risco escasso. É essencial a definição do fluxo de CO2 segundo o volume da sala. Métodos combinados com óxido nitroso a 20%, que reduzem o tempo da morte são aplicados. CONNOR, J.  Apresenta algumas conclusões de suas experiências em granjas, nos EUA, que dispõem de gestações em grupo com estações eletrônicas de alimentação. Aqui não se exige espaços mínimos, como na Europa. As porcas são trazidas das gaiolas bem antes dos sete dias depois da inseminação ou a partir do 35° dia de gestação. O número médio de porcas por estação é de 50 a 65, utilizando tanto grupos estáticos como dinâmicos, dependendo do tamanho da granja. Os períodos e lotes de treinamento são uma premissa do sistema para eliminar aquelas porcas que não aprendem a comer nas estações. As principais agressões ocorrem na entrada das estações, sendo, por isso, essencial definir os tempos e as quantidades disponíveis de alimento. A principal vantagem está no ajuste da curva de alimentação. Em sua experiência, os resultados produtivos não são inferiores aos que tinham essas mesmas granjas no sistema de gestação em gaiolas individuais. WILSON, M.  Os problemas locomotores têm um grave impacto sobre o bem-estar das porcas, a economia da granja ao aumentar a taxa de descartes e os dias não produtivos, além de reduzir a fertilidade e a prolificidade. Aplica-se às manqueiras um tipo de resposta inflamatória, sendo necessário realizar um diagnóstico preciso das mesmas, assim como implementar as medidas de manejo, nutricionais e de prevenção sanitárias convenientes ao seu controle. DEEN, J.  A longevidade

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Revisão Técnica e a produtividade são reduzidas em granjas com problemas locomotores, assim como a qualidade dos leitões ao desmame. Somente solucionaremos esse tipo de problema se eliminarmos os fatores que os determinam. É essencial que seja feito um estudo a respeito dos tipos de lesão que provocam as manqueiras e atuar em suas consequências.

era a rinite atrófica, o Mycoplasma hyopneumoniae, o vírus da gripe, o A. pleuropneumoniae, e a Pasteurella multocida. Nos anos 90, o vírus da PRRS, o vírus da gripe, o vírus PCV2, o S. suis, o Haemophilus parasuis e o Actinobacillus suis. Considera-se primordial a realização de um diagnóstico apropriado e preciso, baseado em:

BRUMM, M.  Os sistemas de ventilação funcionam tomando como referência as sondas de temperatura. Em função da melhoria genética do rendimento de carne magra, os suínos atuais produzem entre 10% e 15% a mais de calor endógeno, o que também afeta as reprodutoras, tanto gestantes como lactantes. O que os sistemas de ventilação mais necessitam é tornar preciso o grau de renovação de ar e o controle da umidade. Hoje em dia, uma temperatura elevada com alta umidade, mais a produção endógena, pode ser letal para as genéticas atuais. Assim, é essencial conhecer a velocidade mínima e máxima dos ventiladores, o volume que são capazes de movimentar, além de sua capacidade e tamanhos, já que a capacidade de extração dos mesmos e a criação de pressões estáticas negativas são um problema grave. Isso tudo associado a avarias mais frequentes e ao maior consumo energético.

• Sinais clínicos e fatores de manejo desencadeantes e agravantes no nível de granja. A detecção precoce de sintomas e animais doentes é essencial.

Transtornos respiratórios HOOVER, T.  Em leitões com Complexo Respiratório Suíno (CRS) o tratamento com uma só dose de Tulatromicina™ dá melhor resultado que duas doses de penicilina G procaína, reduzindo em 36% o número de animais tratados e aumentando o ganho médio diário em 5 gramas. THACKER, B.  As doenças respiratórias vêm evoluindo ao longo dos anos, sendo o CRS, hoje, um problema previsível. Nos anos 80 Ano VI - nº 34/2010

• Testes para diagnóstico na granja: coleta adequada de amostras, em número, animais e tecidos. • Diagnóstico laboratorial: conhecer bem as limitações dos mesmos, assim como sua interpretação correta e explicação na granja. Os tópicos relativos aos tratamentos devem ser focalizados na seleção do antibiótico, na via de administração, na dose e no tempo de aplicação, com ou sem antiinflamatórios. A prevenção faz parte da base da metodologia de preferência a ser adotada para o controle do CRS, devendo ser assumidos como tópicos os riscos ambientais, de manejo, sanitários, genéticos e nutricionais. O desenho de um plano de vacinação centralizado nos agentes primários, a metafilaxia e a definição dos tempos de aplicação são considerados chaves. GREINER, K.  As infecções conjuntas mais frequentemente diagnosticadas no Laboratório da Iowa State University são aquelas originadas pelo PRRSv e pelo PCV2. A aplicação de vacinas é recomendada entre 14 e 28 dias prévios à infecção, o que permite reduzir a viremia e o grau de lesões. A conjunção com a vacina contra M. hyopneumoniae é considerada importante no controle do CRS.

YESKE, P.  A eficácia das vacinas contra o PCV2 tem sido tremenda, tanto no que diz respeito à melhoria dos parâmetros produtivos dos leitões, como dos suínos de crescimento. Entre as principais considerações estão o status sanitário da granja com relação ao PRRSv, ao vírus da gripe, ao M. hyopneumoniae, ao Streptococcus suis e ao Haemophilus parasuis; assim como a combinação entre vacinas. Para tanto, devemos estudar cada granja individualmente. NEREM, J.  Expõe uma prova realizada em uma granja de 3200 reprodutoras em ciclo completo, com histórico de PCVAD (doença induzida pelo PCV) e M. hyopneumoniae, com pico de mortalidade de 10% a 15%, em suínos entre 16 e 17 semanas de vida. Não foram observados problemas na fase de creche. O uso de CircoFlex™ e MycoFlex™ no quinto dia de vida, combinado ao desmame, mostrou diferenças significativas quanto ao ganho médio diário, a mortalidade e aos suínos refugo sacrificados. MAASS, P.  Independentemente da vacina contra a PCVAD utilizada, foi observada uma viremia residual, a qual não afeta os parâmetros de crescimento. BRETAY, K.  A vacinação conjunta de leitões com três semanas de vida, com Ingelvac™ PRRS MLV e Ingelvac™ CircoFlex, não promove nenhum efeito negativo sobre a produtividade em animais positivos para PRRS e PCV2. BAYSINGER, A.  Altos níveis de anticorpos maternais de PCV2, determinados por imunofluorescência, não interferem com a imunidade ativa de leitões com três semanas de vida, vacinados com CircoFlex™, tendo sido observado um maior ganho médio diário nas creches. Suínos & Cia

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Revisão Técnica dos programas de prevenção, que incluem o uso rigoroso de sistemas de vazio sanitário, temperatura adequada nas placas de aquecimento do piso e nas salas, o uso de desinfetantes em sistema rotacional e pós secantes, além da atenção específica durante as primeiras 24 horas seguintes ao parto (“A Sanidade é Crítica “). EISENMENGER, M.  As causas de diarréias de origem infecciosa posteriores ao desmame mais frequentes, nos EUA, são as seguintes:

LOWE, J.F.  O efeito do PCV2 nas reprodutoras não está bem descrito, nos EUA. O autor faz referência a um caso, em uma granja livre do PRRSv, com um incremento de até 10% de mumificados, durante dez semanas, em meados de 2008, o qual desapareceu subitamente. No soro dos leitões e no colostro estava presente o vírus PCV2. O problema limitou-se tão somente às marrãs.

lactentes, por Escherichia coli sorotipo O8, provocando até 40% de mortalidade, sem sinais de desidratação. O estomago permanece cheio de leite, o intestino delgado dilatado e atônico, com conteúdo aquoso amarelado e sem alterações na mucosa e nos ganglios linfáticos. Leitões de porcas de primeiro e segundo partos foram mais afetados. Descrito na Dinamarca, Canadá, França e EUA.

COLLEL, M.; MARCO, E.; SANTAMARIA, R.; BRINGAS, J.  Estudo sobre a base de um procedimento de erradicação de Actinobacillus pleuropneumoniae, em uma granja de 600 reprodutoras, na Espanha, em março de 2005, com marbofloxacina. Foi tomado como partida uma modificação do sistema suiço de erradicação. Utilizou-se como técnica diagnóstica uma prova de PCR diferencial, entre o A. pleuropneumoniae e o Actinobacillus porcinotonsillarum, para determinar a presença da bactéria três anos depois da erradicação.

HOLLIS, W.  Determinou um incremento da diarréia em leitões lactentes. Primeiro, considerando o diagnóstico segundo a idade em que apareciam os sintomas:

Transtornos digestivos SVENSMARCK, B.  Nova síndrome diarréica em leitões Suínos & Cia

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• Menos de 24 horas: falta de ingestão de colostro. • Entre um e três dias de vida: Escherichia coli e Clostridium sp. Diarréia aquosa. • Entre cinco e sete dias de vida: Rotavírus. Presença de vômitos, com destruição de vilosidades aos cinco dias e diarréia a partir do 7º e até o 10º dia. Nessa etapa, também é frequente a coccidiose por Isospora suis. São essenciais o tratamento imediato e o cumprimento detalhado

• Rotavírus dos tipos A e C (diagnóstico por PCR): entre um e três dias após o desmame aparecem um a dois leitões com diarréia aquosa amarelada, e nos três dias seguintes, de 5% a 10% deles estão infectados, situação que atinge o ápice após 5 a 7 dias. A solução reside no estabelecimento de um status imunológico similar no desmame (segregação de partos, aumento da idade do desmame, alto nível de sanidade nas baias de parição e creches). • Escherichia coli K88 e F18: mais grave quanto mais jovens. • Salmonella sp grupo B4 (S. typhimurium). Mais frequente nos leitões das enfermarias. Praticar medidas sanitárias de alto nível. Não se deve esquecer a qualidade da água de bebida, da ração e do ambiente térmico. RADEMACHER, C.  A ileíte continua sendo um problema nas fases de crescimento, nos EUA, tanto em sua forma aguda como crônica, com baixa mortalidade e grande impacto negativo tanto no ganho médio diário como na dispersão dos pesos no abate. A vacinação com Enterisol™ Ileitis, entre sete e oito semanas prévias à soroconversão, é muito eficaz e apresenta resultados repetitivos. Em infecções conjuntas Ano VI - nº 34/2010


Revisão Técnica minerais, com especial atenção ao cálcio e fósforo digestível, determina o interesse em ajustar seus níveis em reprodutoras, levando em conta suas necessidades e variáveis sobre a produção, assim como a incorporação de fitases e sua interação com o zinco, o que determina uma redução considerável, tanto em problemas locomotores como na taxa de mortalidade das porcas.

com a B. hyodisenteriae, o uso de tilosina, lincomicina e tiamulina via água de bebida é eficaz, particularmente se administradas em conjunto com a vacina. GROSSE, B.  O uso da vacina Enterisol™ Ileitis em suínos de crescimento, positivos para infecções clínicas e subclínicas, assim como para a Brachispira hyodisenteriae, determina uma melhora no ganho médio diário da ordem de 35 gramas e no índice de conversão da ordem de 190 gramas, assim como uma diminuição na taxa de mortalidade, comparativamente aos suínos não vacinados (3,42% vs 4,68%). HUSA, J.  O uso de ceftiofur sódico e da tulatromicina não reduz a eficácia da vacina oral Enterisol™ Ileitis, sendo compativel esses procedimentos conjuntos.

Nutrição HAZZLEDINE, M.  Considerando a visão européia, analisa as diferentes matérias-primas alternativas, assim como os aditivos nutricionais realmente efetivos, com o objetivo de ter esses componentes e suas Ano VI - nº 34/2010

matrizes nutricionais bem avaliadas na hora de formular. Indica essas alternativas como fator principal para redução dos custos de alimentação por suíno e para baixar os níveis de mortalidade. Dentre as matériasprimas alternativas destaca a necessidade de conhecer sua qualidade e o percentual de incorporação em cada fase para não afetar os parâmetros de ganho médio diário e o índice de conversão (ervilhas, tremoço, DDGS ou subprodutos de destilaria de grãos, glicerol, girassol, subprodutos líquidos). Com relação às especificações nutricionais, faz uma referência especial ao equilíbrio de aminoácidos (lisina, metionina, treonina, triptofano e valina), assim como a relação lisina/energia e as considerações relativas ao incremento dos níveis energéticos, mantendo a relação anterior para melhorar a conversão alimentar e o crescimento. Discorre sobre o nível ótimo de vitamina E, seu efeito sobre o sistema imunológico e sobre sua importância relativa nas mortes súbitas pela doença do Coração de Amora. Assume que a vitamina E natural tem dupla atividade, comparativamente à forma sintética. Quanto à suplementação de

Entre os aditivos nutricionais, assume como de uso comum as enzimas e a fitase, assim como os ácidos orgânicos, probióticos e certos prebióticos. Considera em fase de avaliação para sua incorporação atual os minerais quelados, os óleos essenciais, a carnitina, a betaina e a lecitina. Mostra um trabalho, incorporando 0,5% de CLA (ácido linoléico conjugado) e melhorando o ganho médio diário, o índice de conversão e o percentual de carne magra. CAST, W.  Considerando a visão norte-americana e partindo de uma grande variação de preços de certas matérias-primas nos últimos 30 meses (milho, de US$ 100,00 a US$ 300,00/ton; soja, de US$ 156,00 a US$ 444,00/ton; fosfato monocálcico, de US$ 335,00 a US$ 1060,00/ ton; e a gordura, de US$ 240,00 a US$ 1000,00/ton), assumindo os preços atuais para compor o respectivo estudo de custos, sugere que as principais estratégias nutricionais para lidar com o custo de produção seriam: • Tamanho de partícula: com relação ao milho e trabalhando entre 400 e 1000 microns de variação, cada 100 microns que reduzimos melhora sua utilização entre 1,0% e 1,5%. Para isso devemos dispor de tecnologia de produção suficiente, uma vez considerando que a fluidez da ração se reduz. • Aperfeiçoar o uso das fitases: pode-se reduzir o custo em até Suínos & Cia

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Revisão Técnica US$ 1,00 por suíno. Em dietas com DDGS, na terminação e em porcas gestantes, podemos chegar a eliminar as fontes externas de fósforo. • Incorporação de aminoácidos sintéticos: ao mesmo tempo em que reduzimos o nível de proteína da dieta e incorporamos lisina, metionina e treonina, sobretudo em dietas de crescimento e terminação, podemos chegar a economizar acima de US$ 2,00 por suíno. • DDGS: é essencial estabelecer os valores nutricionais adequados a cada um dos DDGS utilizados, segundo sua origem, já que é frequente haver variações, sobretudo no nível de energia, devido ao fato de que em algumas plantas se extrai a gordura dos componentes solúveis pela centrifugação. Outro risco importante é o seu conteúdo de micotoxinas. A economia pode chegar aos US$ 5.00 a US$ 7,00 por suíno de crescimento ou reprodutora. • Rações granuladas: vantagens das rações paletizadas, como a redução de desperdícios, modificação de amidos, proteínas e fibras da ração, aumentando sua palatabilidade e melhorando sua fluidez. Além de poder camuflar matérias-primas de qualidade variável, não chegam a promover, experimentalmente, 4% de melhoria no ganho médio diário e 6,75% de melhoria no índice de conversão alimentar na engorda. Essa mesma observação se dá no nível de provas comerciais, em melhorias da ordem de 1,5% na fase de crescimento e de 3% na conversão alimentar. Com exceção dos casos nos quais a qualidade do granulado é residual, com a presença de granulometria muito fina, os referidos efeitos podem se anular, se passarmos do limite dos 20%, o que, adicionado ao incremento de úlceras gastroesofágicas Suínos & Cia

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e de mortalidade, coloca em dúvida a rentabilidade da adoção da granulação nessas condições. • Nível de energia da ração: o incremento do nível de energia mantendo a relação lisina/calorias melhora a conversão alimentar, ainda que, em sua experiência, níveis muito elevados de energia terminem não sendo rentáveis. Isso estará condicionado ao peso final dos suínos e aos dias de permanência na terminação. RADEMACHER, C.  A doença do Coração de Amora é o resultado de uma deficiência de vitamina E ou selênio, em suínos suscetíveis. Acomete, normalmente, os suínos mais crescidos, de uma sala ou um lote de crescimento ou leitões recém-desmamados, no final do verão ou no princípio do outono. Os lotes acometidos costumam apresentar uma maior incidência de mortes súbitas (1% a 2% em dois dias), são pálidos e, na necrópsia, observa-se líquido de cor âmbar entre o coração e os pulmões, os quais se apresentam congestivos, edematosos e recobertos por fibrina.

Apesar do quadro descrito, a análise dos níveis de selênio e de vitamina E, na ração e no fígado dos animais acometidos, revelou níveis normais, o que determinou um estudo mais detalhado do caso e fez o autor suspeitar de uma predisposição genética pelo uso de uma linhagem de machos Duroc. SCHWARTZ, K.  A doença do Coração de Amora (Mulberry Heart Disease, ou MHD) é uma patologia originária de uma cascata metabólica fatal, derivada de um estresse oxidativo, que causa necrose do miocárdio, arritmia ventricular e morte súbita dos suínos acometidos. A etiologia do problema não é bem conhecida, de modo que a suplementação com vitamina E pode prevenir a sua manifestação, embora em nem todos os casos. Seu diagnóstico baseia-se na patologia, pela observação das lesões, sendo, por esse motivo, não definitivo, já que são inúmeras as patologias infecciosas e intoxicações que podem produzir episódios de morte súbita. Os sinais clínicos são observados nos suínos que, previamente, estavam sadios e robustos e que de repente aparecem mortos, com lesões multifocais, equimoses e hemorragias

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Novartis


Revisão Técnica Iodo (insaturação dos ácidos graxos presentes na gordura da carcaça) como referência para a mesma, determinando como valor máximo o de 73 g/100 gramas. Dentro das três técnicas de análise, a metodologia de um NIR calibrado é a mais usada, nestes momentos. Níveis mais elevados determinam gorduras muito friáveis e pouco firmes, as quais são depreciadas pelos centros de abate, sobretudo para a exportação.

difusas no miocárdio de ambos os ventrículos e com coleção abundante de fluido âmbar (> 50 mL) no pericárdio. Microscopicamente devemos encontrar necrose das miofibrilas do miocárdio. O autor realiza um repasse cronológico das doenças cardíacas nos suínos, retrocedendo 100 anos, quando as mesmas se associavam a dietas únicas de batatas para, posteriormente, relacioná-las com as dietas de alto nível de carboidratos (especialmente glicose), com a toxina Sigha 2 α, da Escherichia coli (E. edemas), com as dietas contendo níveis elevados de gorduras insaturadas e oxidadas (presentes nos óleos de peixe) e, recentemente, com certas linhas genéticas, o que se mostrou inconsistente. Como problemas mais frequentes e atuais, podemos encontrar a doença do Músculo Branco em ruminantes (rara nos suínos), a hepatose dietética por deficiência de selênio (pouco frequente nos suínos) e as miopatias nutricionais relacionadas com deficiências de selênio e/ou vitamina E. A idade mais frequente para a manifestação da MHD é em leitões com três a seis semanas de vida, não sendo a mesma considerada um Suínos & Cia

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problema nas granjas do meio-oeste norte-americano. Apesar da vitamina E poder atuar preventivamente (não o selênio), os níveis da mesma no fígado, coração e soro dos suínos afetados é normal, por isso sua suplementação não costuma alterar a taxa de mortalidade causada pela doença. Essa não é uma observação nova, já tendo sido relatada por Nielsen, em 1989, na Dinamarca. RUEN, P.  Devido aos preços elevados dos fosfatos, têm sido identificados erros, tanto involuntários como voluntários, em sua incorporação. Isso tem levado algumas granjas a manifestar graves problemas metabólicos ósseos, os quais causam transtornos locomotores e atraso no crescimento. Analisando o conteúdo de cinzas do fêmur, assim como os níveis de cálcio e fósforo das referidas granjas, o autor concluiu que eles estavam dentro dos valores padrão. De ROUCHEY, J.  Atualmente, nos EUA, muitos abatedouros estão enfatizando a qualidade da gordura das carcaças como medida de Qualidade em Suinocultura, tendo tomado o valor do índice de

Sabemos que é possível manipular a qualidade da gordura final da carcaçal do suíno, mediante o tipo de gordura que incorporamos nas dietas, havendo em ambas uma relação de ácidos graxos similar, salvo exceções. A formulação com dietas insaturadas (óleos de soja, gorduras vegetais, soja full fat, DDGS) resulta em carcaças com gorduras friáveis. Os tipos de cereais usados nas dietas interferem de forma distinta sobre o índice de iodo, de tal forma que a incorporação de cevada, por exemplo, melhora o índice sobre o sorgo e este sobre o uso do milho. Quanto à incorporação de salbutamol (Paylean™ – não permitido na Europa), há trabalhos com opiniões desencontradas e, portanto, não definitivas. É importante ter em conta que o índice de iodo não difere entre as distintas localizações da gordura no organismo, como tampouco é significativo entre os sexos e a sanidade geral do suíno (há uma observação de que o mesmo é melhor em suínos sadios do que em doentes). Quanto ao uso de diferentes dietas, ao longo da fase de crescimento dos suínos utilizando gorduras mais ou menos insaturadas, não se tem certeza ainda de como poderíamos chegar a determinar a qualidade da gordura final, apesar das diferentes equações sobre o assunto. SHURSON, J.  Em 2008 Ano VI - nº 34/2010


Revisão Técnica foram utilizados 2,8 milhões de m³ de DDGS na alimentação de suínos, nos EUA, 14% de toda a produção, sendo o milho a sua origem principal. Os níveis energéticos do mesmo, em se tratando do composto de máxima qualidade, são similares ao do cereal, com: • 3.370 a 3.378 Mcal/Kg de EM • 3.490 a 3.639 Mcal/Kg de ED • 2.610 Mcal/Kg de Energia Líquida A digestibilidade dos aminoácidos varia muito, segundo suas origens e a unidade de fabricação. No caso da lisina, uma digestibilidade real pode variar de 43,9 a 63%. Os DDGS são uma excelente fonte de fósforo disponível (0,6%) e digestível (59%). A incorporação de DDGS (origem: milho) nas diferentes fases de produção, segundo determinado em diferentes trabalhos, nos leva às seguintes conclusões: 1 - LEITÕES: não utilizar durante as três primeiras semanas depois do desmame, já que ocorre uma redução do consumo de alimento e do crescimento dos mesmos. Podem ser incorporados na fase inicial em até 30%, sem variações nos parâmetros produtivos. 2 - REPRODUTORAS: não afeta os parâmetros reprodutivos. Para incluí-los na fase de lactação, eles deverão estar previamente incluídos na ração de gestação para que elas estejam habituadas e para que não haja problemas de consumo. Na gestação podem ser incluídos em até 50% e nas lactantes, 30%. 3 - CRESCIMENTO: foram apresentados os seguintes resultados, relativos a 25 experimentos (com níveis de incorporação entre 5% e 30%): • O ganho médio diário aumentou no experimento 1 reduziu-se no experimento 10 e não foi afetado no experimento 14. Ano VI - nº 34/2010

• O índice de conversão alimentar aumentou no experimento 6, reduziu-se no experimento 4 e não foi afetado no experimento14. • O consumo médio diário aumentou no experimento 1, reduziu-se no experimento 6 e não foi afetado no experimento 14. • O rendimento de carcaça não foi afetado no experimento 8 e reduziu-se no experimento 9 (com DDGS de trigo e sorgo, reduz-se em todos). • Aumentou o índice de iodo em todos, a não ser que os DDGS sejam eliminados da ração nas últimas três a quatro semanas. • A cor e a oxidação da gordura do lombo não foram afetadas. Como dado acessório observou-se uma maior liberação de nitrogênio nos dejetos, o que ressaltou o odor dos mesmos. Também se aceita que a incorporação dos DDGS nas dietas de crescimento reduziu a incidência, a gravidade e as lesões causadas por Lawsonia intracellularis. O etanol foi utilizado como oxigenante da gasolina, pela primeira vez, em 1988, com o objetivo de reduzir suas emissões. São muitas as companhias petrolíferas que estão investindo na produção de etanol (British petroleum: US$ 112,5 milhões; Chevron: US$ 2,5 milhões; Royal Dutch Shell: US$ 1,7 milhão; Conoco Phillips Co: US$ 4,75 milhões; Marathon Oil Co: US$ 10 milhões; Exxon Mobil Corp; Valero). WHITNET, M.  Apresenta o novo National Swine Nutrition Guide, que não tem a intenção de substituir as tabelas do NRC, mas sim ser uma publicação prática que contenha as recomendações de nutrientes e o esboço dos programas de alimentação. O objetivo é incrementar os conhecimentos básicos da

nutrição, os princípios da alimentação e as práticas de manejo das rações, servindo como um guia tanto para produtores como para nutricionistas, consultores, estudantes, professores e todo o pessoal envolvido na produção de suínos. Os membros do comitê que elaborou o referido guia, organizados a partir do setor de extensão da Universidade de Minnesota, são professores universitários (oito universidades), nutricionistas de suínos e especialistas da suinocultura. A publicação está dividida em 19 partes e inclui uma tabela com 200 matérias-primas, às quais se pode ir adicionando outras, além de permitir a possibilidade de se formular, dentro da mesma. As recomendações nutricionais são determinadas com base nas do NRC e em outras tabelas internacionais, incorporando os níveis de energia líquida, além dos de energia digestível e metabolizável, assim como os valores de fósforo disponíveis e digestíveis. O guia está disponível desde novembro de 2009, na página da web www.porkgateway.org, e, posteriormente, será impresso em papel pelo U.S. Pork Center of Excellence, State Extension Services – University of Minnesota, assim como no Pork Industry Handbook.

Economia da produção LOULA, T. & YESKE, P.  Os produtores norte-americanos, nos últimos 24 meses, acumularam perdas da ordem de US$ 25,00 a US$ 30,00/suíno abatido, além da estimativa de terem sacrificado 200.000 reprodutoras. Esta crise não é como a de 1998, uma vez que contempla dois fatores novos, ou seja, a recessão global e a pandemia do vírus da gripe A-H1N1. As principais causas iniciais da mesma precisam ser buscadas no incremento da produção de etanol e na subida de preços de certas matériasSuínos & Cia

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Revisão Técnica FASE DE PRODUÇÃO

CONSUMO (KG/ANIMAL)

CUSTO (US$/SUÍNO)

LEITÕES: Pré-inicial I Pré-inicial lI Inicial

33,14 0,72 2,60 29,66

14,35 1,16 1,98 11,13

17

CRESCIMENTO: 28 a 113 Kg de PV

227,76

53,41

63

PORCAS: Reposição Gestantes Lactantes Cachaços

1.200 300 629 427 912,50

264,32 90 149,80 114,52 217,36

22

POR SUÍNO ABATIDO:

300

127,63

100

primas, na expansão produtiva da China, no melhor controle do PRRSv e do PCV-2 com vacinas – supõe-se um incremento de 6% a 9% de suínos no mercado – e no aumento de nascidos vivos por melhoria genética, assim como a melhoria dos resultados referentes a leitões e reprodutoras, ao se incrementar a idade do desmame, de 17 para 22 a 24 dias de vida. Segundo os autores, os pontos críticos de interesse para o futuro são: a) Otimizar o peso de abate, assim como homogeneizar os suínos junto a esse peso (“right pigs on the truck“). b) Maximizar o fluxo de reprodutoras, mantendo-o equilibrado.

de peso vivo (2.314 kg/porca/ano), com preços médios para aquisição de cevada, da ordem de US$ 140,00/ton, e de trigo, da ordem de US$ 165,00/ ton. Com estas premissas, seu custo de produção por suíno abatido (COP) é de US$ 127,63 com um preço de rentabilidade – “breakeven” – de US$ 138,91. No desmembramento do referido custo de produção básico, temos: 1 - Gastos variáveis = US$ 114,91 sobre 90% dos custos, somando a ração, salários e reposição (80% do custo total de produção). O restante dos custos variáveis soma outros 10%, igualando em percentual os custos fixos. Detalhamento:

d) Incorporação de novas tecnologias em granjas.

c. Reposição de porcas - US$ 7,44 (6%)

Suínos & Cia

b. Salários - US$ 7,97 (7%)

d. Terapêuticos - US$ 2,85 e. Manutenção - US$ 3,65 f. Marketing/Transporte - US$ 2,05 g. Outros (sêmen, escritório) - US$ 5,37 2 - Gastos fixos = US$ 12,73/suíno, classificado como segue: a. Amortização - US$ 5,61 b. Juros - US$ 3,44

d. Seguros - US$ 0,75 Se analisarmos separadamente os gastos com alimentação, por fases de produção, teremos a seguinte tabela:

Observações

a. Ração - US$ 85,57 (67%)

THEEDE, A.  Faz uma apresentação sobre custos de produção nos primeiros oito meses de 2009, nos EUA, baseado em uma granja de ciclo fechado. As metas são produzir 2.050 suínos, abatê-los com 113 kg

c. Salários - US$ 2,87 e. Impostos - US$ 0,06

c) Maior formação e preparação do pessoal da granja.

e) Promoção do hábito de consumir carne suína entre a população – melhorar a percepção social.

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CUSTO %

• O gasto terapêutico é de US$ 58,45/porca/ano. • O gasto com reprodução (CIA doses de sêmen) é de US$ 43,47/ porca/ano.

Reprodução ENOKIDA, M.  Observou uma maior prevalência de porcas com claudicação, em fêmeas com mais de quatro partos. ICHIKAWA, H.  Analisou 21 granjas nas quais os partos eram induzidos, observando que o número de nascidos vivos se reduz em induções precoces e que não se modifica em induções tardias. SAITO, H.  Não encontrou diferenças na longevidade de porcas entre o primeiro e o segundo partos, que têm um diferencial de um a três leitões nascidos vivos. As que têm menos de dois a quatro leitões ou mais de quatro entre si terão uma vida produtiva muito diferente. SASAKI, Y.  É importante tomar a decisão de enviar porcas para o abate, as quais, quando necessário, devem ser sacrificadas o quanto antes, com o objetivo de reduzir os dias não produtivos. TAKANASHI, A.  Recomenda eliminar as porcas com leitegadas pequenas e com número elevado de dias não produtivos para melhorar a produtividade das granjas. Ano VI - nº 34/2010


Sumários de Pesquisa Sumários feitosde daPesquisa intervenção manual no parto sobre o desempenho reprodutivo de fêmeas suínas

E

Na moderna suinocultura, a intervenção obstétrica manual durante o parto é útil quando o intervalo entre os nascidos excede entre 20 e 30 minutos para evitar a exaustão da fêmea, desde que outras atitudes já tenham sido tomadas, como estimulá-la a levantar e fazer-lhe uma massagem abdominal. As distocias (partos dificultosos) em suínos não são comuns quando comparadas às outras espécies, ocorrendo em menos de 3% dos partos. Os fatores relacionados à ocorrência de distocia, segundo estudos, são a inércia uterina, mau posicionamento do leitão no canal do parto, presença de mais de um feto no canal do parto, rotação uterina e fetos muito grandes. A distocia aumenta a incidência de leitões natimortos, principalmente por prolongar a duração do parto. Estudos verificaram que a chance de ocorrência de natimortos são duas vezes maior nos partos com mais de três horas. Apesar de ser recomendada para diminuir a natimortalidade, existem controvérsias se, em certos casos, a própria intervenção não se constitui em fator de risco para a natimortalidade. Deve ser considerado que a intervenção manual precoce e errônea pode promover distúrbios no parto natural, ocasionando ferimentos do tecido do canal do parto, morte dos fetos, diminuição da viabilidade dos leitões, infecções locais ou sistêmicas ou, até mesmo, morte da fêmea. Apesar de necessária para Suínos & Cia

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ocasiões de distocia, a intervenção obstétrica manual é um método invasivo, e agentes com potencial patogênico podem ser introduzidos no útero, comprometendo o desempenho reprodutivo subsequente. Há pouca informação disponível sobre as consequências da intervenção obstétrica manual. Tendo em vista o aumento de produtividade das fêmeas modernas, em termos de número de leitões nascidos, e a provável necessidade de maior intervenção ao parto, foi considerado importante estudar o seu efeito no desempenho reprodutivo posterior. O estudo realizado na Faculdade de Veterinária, UFRGS, (Mellagi et al., Ciência Rural, v.39, n.5, ago, 2009) procurou avaliar as características de partos submetidos à intervenção manual e os efeitos dessa intervenção no desempenho reprodutivo subsequente e na taxa de remoção.

Método: O estudo foi conduzido em uma Unidade Produtora de Leitões

com 1.800 matrizes, da genética Agroceres PIC®, na região da Serra Gaúcha. Foram coletados dados de fichas das fêmeas referentes a 4121 partos (data do parto, ordem de parto, número de leitões nascidos vivos, natimortos, mumificados e ocorrência de intervenção obstétrica manual), os quais foram separados em grupos: Controle (3271 partos) e Intervenção (850 partos). A intervenção realizada pela introdução da mão e do braço no canal vaginal e/ou útero durante o trabalho de parto, definida como intervenção obstétrica manual, foi realizada após higiene do posterior das fêmeas e com o uso de luva descartável e gel. A decisão de prestar o auxílio foi baseada no intervalo entre nascidos (maior que 30 minutos) e na dificuldade em expulsar os leitões (deficiência nas contrações abdominais ou uterinas). Foi analisado o desempenho reprodutivo subsequente nas fêmeas inseminadas no primeiro estro após o desmame correspondente à lactação dos partos avaliados. Também foi avaliada Ano VI - nº 34/2010


Sumários de Pesquisa a remoção das fêmeas no ciclo produtivo subsequente ao parto avaliado.

Resultados: O percentual de partos submetidos à intervenção manual foi de 20,6%. Não houve diferença na ocorrência de intervenção ao parto de acordo com as classes de tamanho de leitegada (<11, 11-14 e >14 leitões). A proporção de intervenção ao parto aumentou significativamente no verão e conforme o aumento da ordem de parto (OP). Nos partos com intervenção foi constatada uma significativa maior duração, nas fêmeas OP 1. Também ocorreu um maior número de leitões natimortos e maior frequência de partos com pelo menos um natimorto nas fêmeas OP 1, OP 3-5 e OP 6-10. No grupo Intervenção foi significativo o maior intervalo desmameestro (IDE) nas fêmeas de OP 1-2, menor taxa de parto nas fêmeas OP 3-5 e menor tamanho da leitegada nas fêmeas OP 6-10. Foi sugerido que ao levar patógenos para o ambiente uterino, a intervenção obstétrica manual pode comprometer a próxima gestação, tanto na sua manutenção quanto no número de leitões produzidos.

F

atores de risco associados com natimortos em rebanhos suínos No passado, muitos esforços foram feitos pelos produtores de suínos e programas genéticos para melhorar a produtividade das matrizes, via seleção genética, para aumento do tamanho da leitegada. Entretanto, em concorrência com a seleção para tamanho da leitegada, o número de leitões natimortos também aumentou, limitando a efetividade geral da seleção para aumento do tamanho da leitegada. Como a produtividade anual da porca é medida em termos de número de leitões criados/ porca/ano, cada leitão perdido ao nascimento ou durante a lactação implica em perda econômica e desmotivação para os produtores. A natimortalidade descrita na literatura varia de 3% a 8%. Dentre todos os natimortos, 10% morrem poucos dias antes do nascimento, 75% durante a parição

e 15% nas primeiras horas após o parto. As mortes pré-parto geralmente são devidas às infecções, enquanto as mortes intraparto são mais relacionadas às causas não infecciosas. Vários fatores têm sido associados com a ocorrência de natimortos. A maioria destes fatores de risco foram relacionados às características da porca como tamanho da leitegada, ordem do parto, condição física, duração da gestação, duração do parto e/ ou características do leitão, como intervalo de nascimento, ordem de nascimento, nível de hemoglobina e peso ao nascer. Muitos desses fatores não são sempre independentes. A duração aumentada do parto tem sido associada com uma leitegada grande, baixo peso ao nascer, ordem de parto mais elevada e maior necessidade de assistência ao nascimento. Existem relatos de que o baixo desempenho na maternidade está associado com práticas de manejo, condições de alojamento das porcas e personalidade dos funcionários. Os dados sobre

Os autores concluíram que a intervenção manual ao parto é efetuada com maior frequência no verão e em fêmeas mais velhas, comprometendo o intervalo desmama-cio, a taxa de parto ou o tamanho da leitegada subsequente. A taxa de remoção antes da inseminação, no primeiro cio após o desmame, é maior nas fêmeas com intervenção manual no parto. Ano VI - nº 34/2010

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Sumários de Pesquisa o impacto dos fatores relacionados ao manejo sobre a natimortalidade são escassos e, principalmente, focados na supervisão das parições, formato da baia/gaiola, temperatura ambiental ou fibra na dieta. Portanto, o estudo (Ghent University, Belgium, Department of Reproduction, Obstetrics and Herd Health, Faculty of Veterinary Medicine) conduzido por Vanderhaeghe e colaboradores (Animal Reproduction Science 118 (2010) 62–68) procurou utilizar uma abordagem multivariada para examinar o efeito combinado de fatores de risco para a natimortalidade em nível de rebanhos comerciais, com base numa consulta escrita por meio de um detalhado questionário.

Método: Um questionário escrito, contendo questões semiabertas relacionadas direta ou indiretamente aos leitões natimortos, foi enviado para 250 rebanhos suínos (acima de 150 porcas) selecionados ao acaso na região norte da Bélgica. No total, 111 questionários retornaram (taxa de resposta de 44.4%) e 107 foram válidos para análise. A correlação entre os fatores de risco e natimortos foi avaliada por meio de um modelo de efeito linear generalizado, com a porcentagem de natimortos como variável resposta.

Resultados: A frequência média de natimortos relatados foi de 7,5% (D.P. 2,8%). O tipo de raça utilizada nas granjas foi significativamente associado com a porcentagem de leitões natimortos. O efeito Suínos & Cia

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da raça pode ser explicado pelas diferenças inerentes de cada uma. O produtor necessita saber que algumas são mais predispostas a ter leitões natimortos do que outras. A alta temperatura na maternidade (≥22◦C) foi associada com significativamente mais natimortos, enquanto o banho (ducha com água morna) na porca antes da parição resultou em significativamente menos natimortos (5,8%) comparado com o não uso do banho (7,7%). Foi sugerido que, rotineiramente, o banho nas porcas antes da parição contribui para um melhor estado de higiene geral do rebanho e que o efeito limpante da água com uma temperatura de 30 ºC a 35ºC é melhor em comparação com a água fria. Isto sugere que o maior risco de natimortos nos rebanhos nos quais as porcas nunca são lavadas pode estar ligado a alguns agentes patogênicos que afetam o trato reprodutivo da porca. Quando a supervisão da parição foi realizada ocasionalmente, foram observados significativamente mais natimortos (8,1%) em comparação com o não atendimento da parição (6,5%) ou supervisão frequente do parto (6,9%). Foram encontradas interações interessantes entre raça e uso do banho antes da parição ou supervisão das porcas durante o parto e também entre a temperatura na maternidade e o de banho nas porcas. A associação estatística entre fatores de risco e a ocorrência de natimortos não indica necessariamente uma relação causal. Isto é reconhecido como uma limitação inerente a esse tipo de estudo para identificação de fatores de risco. Uma outra crítica aos estudos observacionais é que

as associações identificadas raramente são validadas por testagem das mesmas em cima de outro conjunto de dados. Este estudo foi focado, principalmente, em fatores em nível de granja, mas dentro de cada rebanho, as características das porcas e dos leitões também podem influenciar o número de leitões natimortos. Portanto, são importantes novas pesquisas para elucidar o papel dos fatores de risco mencionados em nível de rebanho, juntamente com algumas características das porcas (como condição corporal e ordem de parto) na ocorrência de natimortos. Os autores concluíram que a raça é o maior fator envolvido na frequência de natimortos. Em adição, algumas práticas de manejo antes ou durante a parição podem reduzir o número de leitões natimortos.

A

posição hierárquica das porcas pode afetar sua fertilidade

O maior desafio quando se aloja suínos de qualquer idade em grupo é o da agressão entre estes animais. Ao se misturar porcas que não se conhecem, ocorrem inevitáveis interações agonísticas espécie-específicas durante um período de aproximadamente dois dias, resultando numa hierarquia social. Estas interações são conhecidas por serem estressantes. O esforço dessas brigas por hierarquia pode afetar o desempenho reprodutivo das fêmeas, embora existam apenas alguns resultados experimentais disponíveis nesse assunto. Lutas constantes podem Ano VI - nº 34/2010


Sumários de Pesquisa matrizes que se alimentavam era considerada como alta posição, e o restante como baixa posição hierárquica. A ordem de parto, o genótipo, a taxa de parição e o tamanho das leitegadas (nascidos totais e nascidos vivos) eram avaliados individualmente para cada matriz em ambas as granjas.

Resultados:

causar lesões, aumentar a demanda de energia e também prejudicar o resultado reprodutivo. O agrupamento de porcas durante o momento da implantação (2ª a 3ª semana de gestação) pode levar a um aumento da porcentagem de retornos e afetar o tamanho da leitegada. De acordo com a diretiva da Comunidade Européia 2001/88/ EC, a partir de 2013 será obrigatória a permanência de todas as leitoas e matrizes em alojamento coletivo, de quatro semanas póscobertura até uma semana antes do parto. Esta formação de grupos irá gerar uma inevitável disputa por posição. Medidas como o planejamento do tamanho e o formato das baias com espaço adequado por matriz, piso não escorregadio, construção de uma área de escape, supervisão e redução do número de reagrupamentos podem minimizar estas disputas. Neste contexto, um estudo conduzido por Steffen Hoy, e colaboradores procurou determinar o impacto da posição hierárquica sobre a fertilidade de matrizes alojadas em grupo (Department of Animal Breeding and Genetics, Ano VI - nº 34/2010

Os resultados da análise dos dados mostraram influência significativa da posição social sobre o desempenho reprodutivo das matrizes. A análise mostrou que matrizes com maior posição hierárquica tinham taxa de Justus Liebig University, Germany parição significativamente maior - Livestock Science, vol.126, na granja A (88,8% vs. 82,8%). O 2009, p. 69-72). tamanho de leitegada também foi maior em ambas as granjas para as matrizes com maior posição Método: hierárquica (12,66 (A) e 16,14 (B) Este estudo de campo, sob leitões/ leitegada) em comparação condições práticas de manejo, foi com as fêmeas de baixa posição realizado em duas propriedades hierárquica (12,13 (A) e 14,83 (B) (Granja A: grupos pequenos de 8 leitões/leitegada). Em 676 parições ocorreu animais; Granja B: grupo grande de 100 fêmeas), avaliando um uma vantagem para as porcas de total de 484 matrizes submetidas maior ranqueamento correspona alojamento coletivo em duas dente a 0,53 leitão nascido por leitegada (granja A). O valor a granjas. mais para nascidos vivos foi 0,49. Na granja A, as fêmeas eram Na granja B as porcas de maior agrupadas ao desmame em grupos hierarquia atingiram uma média de 8 animais e era verificado o de 1,31 leitão a mais nascido por número de disputas entre as porcas leitegada e 0,72 nascido vivo em durante 48 horas pós desmame. A comparação com as fêmeas de posição na hierarquia social era menor hierarquia. calculada com base no número Os autores concluíram que de vitórias e derrotas que cada quando porcas são agrupadas, o animal sofria, depois os animais eram divididos em 2 grupos: alta e momento e as condições (tamanho do grupo, espaço por porca) do baixa posição hierárquica. reagrupamento precisam ser consiNa granja B, a posição derados para prevenir a influência hierárquica era determinada pela negativa da baixa posição hierárordem de alimentação diária, por quica sobre a fertilidade. meio de duas estações eletrônicas de alimentação no período de Por: Paulo Roberto da Silveira um ano. A primeira metade das psouzadasilveira@gmail.com Suínos & Cia

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Tortuga: DNA Tortuga: DNA voltado para voltado para a melhora a melhora do resultado ao produtor do resultado ao produtor Empresa voltada à qualidade de vida dos animais cresce em ritmo acelerado

A

Tortuga tem crescido em ritmo acelerado nos últimos anos. A empresa investiu pesado na estruturação da equipe de suinocultura em 2009 e tem como meta para este ano um crescimento de 30% na participação de mercado, com foco em parcerias sólidas e de resultados. Para isso, planeja investir R$ 5 milhões. Durante este ano, a proposta é lançar 25 produtos, que serão agregados à já consagrada linha Nutrição Suínos, entre eles as rações prontas para as fases pré-iniciais e iniciais de leitões. Estas rações são compostas por ingredientes de altíssima qualidade

e pelo que há de mais recente em pesquisa na área de nutrição animal, tais como minerais na forma orgânica, aditivos nutracêuticos, enzimas, além dos demais nutrientes necessários ao bom consumo e desempenho dos animais. Para que tudo isso aconteça da melhor forma possível, a empresa investe constantemente em pesquisas, que comprovam a eficácia da tecnologia dos complexos minerais em forma orgânica, e em produção própria e exclusiva no Brasil. Em diversas espécies animais têm-se obtido resultados positivos, seja na produção direta ou no suporte para

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que os animais sejam saudáveis e possuam condições de produzir mais e melhor, expressando, assim, todo o seu potencial genético. Tudo isto reverte em custo-benefício altamente atrativo para o produtor, melhor performance animal e, finalmente, segurança e qualidade de alimento para humanos.

Os lançamentos Na linha Nutrição Suínos, será lançada a Suipremium pré 600, um núcleo de alta inclusão com as novidades tecnológicas descritas acima, que agregará novas possibilidades à linha de Iniciais Suipremium comercializada atualmente. As novas tecnologias em nutrição estão sendo adicionadas em toda a linha Nutrição suínos. E neste ano ainda serão lançadas novas opções em praticamente todos os produtos da linha, aumentando sua flexibilidade e competitividade necessárias para atender às exigências do produtor moderno e eficiente, respeitando o meio ambiente, a eficiência produtiva e a produção de alimentos seguros e saudáveis. No campo dos aditivos, a família Kelatone desempenha papel fundamental no controle dos efeitos das micotoxinas no organismo dos animais. É essencial ao bom desempenho deles e terá sua linha ampliada Ano VI - nº 34/2010


Informe Publicitário com o lançamento do produto para o controle dos efeitos das Zearalenonas. Haverá, ainda, o lançamento de um aditivo energético/aminoácido para as fases de lactação.

“Inovação sempre é o foco da história da empresa” A Tortuga tem sua história ligada às inovações na nutrição e saúde animal. Lançou vários produtos pioneiros em épocas em que eles não eram sequer cogitados. Viabilizou a produção em áreas hostis ao bom desempenho animal e segue pesquisando e desenvolvendo tecnologias de ponta, contribuindo, assim, para o desenvolvimento do setor e abrindo caminho para novas técnicas. Há 56 anos a empresa pesquisa, desenvolve e lança produtos e soluções tecnológicas voltados para a melhora do desempenho dos animais de produção, contribuindo para a evolução da produção de alimentos e da qualidade da alimentação da população. Este produtos pioneiros proporcionaram a expansão da pecuária nacional, desde a avicultura, passando pela bovinocultura e suinocultura, modernizaram técnicas de produção e contribuíram, como poucas empresas do setor, para que a produção nacional atingisse os níveis de excelência atuais.

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voltadas para o campo, priorizando a educação da criança e do adolescente do meio rural, com doação de bens necessários ao bem-estar dos beneficiários ou o desenvolvimento de projetos educacionais em comunidades e ou instituições. O Instituto Tortuga tem ação em todo o território nacional.

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FARMABASE inicia novo ciclo de gestão em FARMABASE inicia novo ciclo de gestão em 2010 e já inicia com o o ano com o lançamento de 2010 e jáo anoinicia lançamento de um novo produtoum para suínos. novo produto para suínos. Empresa realiza mudanças no quadro societário e pretende crescer cerca de 50% nos próximos 2 anos.

A

Farmabase Saúde Animal, empresa nacional de grande prestígio, inserida nos mercados de avicultura e suinocultura há 16 anos, apresenta para o início de 2010, um novo modelo de gestão, e agora passa a ser dirigida apenas pelo médico veterinário

Paulo Machado, que detém o total controle acionário da empresa. Idealizada pelos médicos veterinários Paulo Machado e Edison Hydeo Baba, e posteriormente com a entrada de Luiz Mafra e Carlos Eduardo, a Farmabase foi administrada pelos 4 sócios por

mais de 10 anos. Parceria esta de grande sucesso, visto que a empresa acumulou grandes conquistas, com crescimentos anuais sempre acima da média. A partir de 2010, o médico veterinário Paulo Machado passa a ter o total controle da Farmabase,

Equipe FARMABASE no lançamento do produto FARMAFLOR

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Informe Publicitário onde encerra-se um ciclo de administração conjunta e dá-se início à nova gestão. “O ano de 2009 foi um ano de grandes mudanças para o mercado veterinário, pois além de um ano de crise, foram vivenciadas algumas fusões entre empresas, tanto por parte das indústrias farmacêuticas fabricantes de medicamentos veterinários, quanto por parte das indústrias que fazem parte da cadeia da produção de proteína animal. A Farmabase não ficou atrás e foi sondada algumas vezes por multinacionais atuantes no mercado. Devido a essas intensas especulações, muitas vezes houve dúvidas, mas conseguimos chegar a um acordo, onde ao invés de tornar a Farmabase, mais uma empresa adquirida por um grande grupo estrangeiro, realizei a proposta aos demais sócios de adquirir a parte deles e iniciar este novo projeto” – explica Paulo Machado. E continua. – “O acordo foi amigável e respeitoso, visto que cada antigo sócio, possuía seus devidos planos futuros, mas o meu foi sempre de ver a Farmabase em constante crescimento, pois foi com muito trabalho, determinação e competência que conseguimos juntos colocar a Farmabase onde ela está hoje”.

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Com a nova gestão, a Farmabase passa por uma fase de reestruturação, e anunciará em breve a contratação de novos profissionais para algumas áreas estratégicas da empresa, pois pretende aumentar em 50% seu faturamento nos próximos dois anos. Atualmente na 13ª posição do ranking de faturamento das indústrias veterinárias (SINDAN), a Farmabase espera figurar entre os 10 primeiros e maiores players do mercado até o ano de 2015 e para isso trabalhará com muita eficiência e foco no cliente, complementa Paulo Machado. Além da nova gestão, neste início de 2010, a Farmabase vem com novidades e lança no mercado o produto FARMAFLOR, antimicrobiano à base de florfenicol. Único na concentração de 4%. Indicado contra as principais infecções respiratórias que acometem os suínos, podendo ser utilizado particularmente nas seguintes situações: • Mistura de animais de diferentes origens; • Transferência dos animais nas diferentes fases de criação; • Introdução em ambientes contaminados ou contendo animais doentes;

• Outras condições de estresse que diminuem a resistência orgânica. Inclui em seu amplo espectro antibacteriano, importantes microorganismos envolvidos no complexo de doenças respiratórias dos suínos, tais como os causadores de Pasteureolose Pulmonar, Pneumonia Enzoótica, Pleuropneumonias e Pleurisias. Além do lançamento de produto realizado neste início de 2010, em Março a Farmabase também conseguiu sua re-certificação da ISO 9001:2008, garantindo aos seus clientes o controle total dos processos internos de produção, além de um acompanhamento e manutenção de processos produtivos terceirizados, garantindo credibilidade e confiabilidade do que é produzido pela empresa e pelos seus fornecedores aumentando assim a qualidade dos seus produtos. Esta significativa trajetória de vida, somada à confiança de seus parceiros prepara a FARMABASE para os desafios que virão. Fonte: Assessoria de Imprensa Farmabase

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Recursos Humanos Recursos Humanos O banqueiro de investimentos e o americano.

O banqueiro de investimentos e o americano.

U

m banqueiro de investimentos americano estava no cais de uma povoação das Caraíbas quando chegou um barco com um único pescador. Dentro do barco havia vários atuns amarelos de bom tamanho. O americano elogiou o pescador pela qualidade do pescado e lhe perguntou: - Quanto tempo gastou para pescá-los? - Pouco tempo. - Porque não gasta mais tempo e consegue mais peixes? O pescador disse que tinha o suficiente para satisfazer às necessidades imediatas da sua família. Então, o americano perguntou novamente: - Mas o que você faz com o resto do seu tempo? - Ah! Depois de pescar, descanso um pouco, brinco com os meus filhos, durmo a sesta com a minha mulher, vou ao povoado à noite, onde tomo vinho e toco violão com os meus amigos. Tenho uma vida prazerosa e ocupada. O americano respondeu: - Sou um especialista em gestão e poderia ajudá-lo. Você deveria investir mais do seu tempo na pesca e adquirir um barco maior. Depois, com os ganhos, poderia comprar vários barcos e,

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eventualmente, até uma frota de barcos pesqueiros. Em vez de vender o que pescou para um intermediário, poderia fazê-lo diretamente a um distribuidor e até abrir a sua própria distribuidora. Poderia, assim, controlar a produção, o processamento e a distribuição. Deveria sair deste pequeno povoado e ir para a capital, de onde gerenciaria a sua empresa em expansão. - Mas quanto tempo isso demoraria? - Entre 15 e 20 anos. - E depois? O americano riu e disse que essa era a melhor parte. - Quando chegar a hora, poderá anunciar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) e vender as ações da empresa ao público. Ficará rico, terá milhões! - Milhões! E depois? -

Poderá, então, aposentar-se. Morar em uma cidade da costa, onde poderá dormir até tarde, pescar

um pouco, brincar com os seus filhos, dormir a sesta com a sua mulher, ir todas as noites ao povoado tomar um vinho e tocar violão com os seus amigos. - E, por acaso, isso não é o que eu já tenho? Moral da história: Quantas vidas se desperdiçam buscando alcançar uma felicidade que já se tem, mas que muitas vezes não se consegue perceber. A verdadeira felicidade consiste em apreciar o que temos e não em nos sentirmos mal por aquilo que não temos. “Se choras por ter perdido o sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas”. A felicidade é um trajeto, não um destino! Autor desconhecido.


Dicas de Manejo Dicas de Manejo

Assistência ao parto: Cuidando do recém-nascido

Assistência ao parto: Cuidando do recém-nascido

Uma das formas de minimizar as perdas de leitões na maternidade, que ocorrem nos primeiros dias de vida e atingem 70% das causas morte, é assistir aos partos e obter leitões nascidos com vitalidade. Sem dúvida, prestar os primeiros socorros ao recémnascido garante melhores resultados de sobrevivência e desmamados de bom peso.

Atualmente existem produtos no mercado de linha pediatra, como os pós-secantes, que têm o objetivo principal de diminuir as perdas de calor e consequentes processos de desidratação dos recém-nascidos. Vamos conferir, na sequência abaixo, como deve ser utilizado esse produto para garantir melhor vitalidade dos leitões após o nascimento:

Momentos antes do parto, as instalações devem estar previamente limpas e desinfetadas. A higiene faz parte do processo de prevenção de doenças para o recém-nascido.

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Dicas de Manejo O leitão acaba de nascer, e a parteira, utilizando luvas, deve passar o pó secante em toda a superfície corpórea do leitão. Isto ajudará a absorção da água e a diminuição da perda de energia.

A ingestão imediata de colostro, após o nascimento, garantirá o rápido aporte energético, auxiliando, assim, a absorção de importantes imunoglobulinas.

O produto poderá ser colocado ao longo do piso da maternidade ou mesmo na área de descanso dos recémnascidos, evitando o estresse térmico e melhorando a higiene e conforto dos leitões nas primeiras horas de vida.

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Dicas de Manejo Quanto mais precoce for a primeira mamada do colostro após o nascimento, maiores as chances de sobrevivência dos leitões na maternidade.

Após 24 horas do uso do pó secante, já se pode observar o processo de secagem do cordão umbilical. Com adequado uso do pó no cordão umbilical pode-se reduzir as infecções que ocorrem via ascendente.

No recém-nascido, quando a secagem ocorre por meio do uso de papeltoalha, o mesmo gasta de 15 minutos a 30 minutos pós-nascimento aquecendo-se, antes da primeira mamada, aumentando o risco de esmagamento. Suas poucas reservas energéticas são direcionadas para produção de calor corporal, tornando-o apático e sonolento. Por hipoglicemia, principalmente nos leitões mais fracos (3 a 5 por leitegada), eleva-se a taxa de mortalidade pós-nascimento. Suínos & Cia

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Dicas de Manejo

Leitões com vitalidade mamam mais colostro, obtendo assim leitegadas mais saudáveis e uniformes. Dessa forma podem-se reduzir excessivas transferências que comprometem o ganho de peso dos leitões nos primeiros dias de vida.

As principais consequências: desmamar muitos leitões uniformes, fortes, saudáveis e pesados.

Colaboração: Daniel Pigatto Monteiro daniel@tectron.ind.br Ano VI - nº 34/2010

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Divirta-se Jogo dos 7 erros Divirta-se Jogo dos 7 erros Teste seus conhecimentos Encontre as palavras

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Divirta-se

Teste seus conhecimentos São inúmeros fatores que influenciam na perda de desempenho dos leitões recém nascidos. As principais causas são desidratação, perda de brilho nas cerdas, comprometimento de desenvolvimento corporal, baixo ganho de peso e consumo restringido. Na maioria dos casos pode complicar com infecções secundárias trazendo transtornos como diarréia e outras complicações.

Assinale abaixo quais destes fatores têm envolvimento direto com a ineficiência de manejos: (

) Ausência ou insuficiência da ingestão de colostro

(

) Inadequado manejo de Corte de dentes

(

) PCV2

(

) Oscilações Térmicas;

(

) PMWS

(

) Ambiente desfavorável;

(

) Leitões em tetas desprovidas de mama ou com baixa produção de leite

Encontre as palavras Vamos encontrar no diagrama abaixo quais são os materiais necessários para realizar uma necropsia: Luvas Facas Bisturi Tesouras Sacos plásticos Frascos estéreis Swab Seringa Agulha Pinça Serra Caixa isotérmica Ano VI - nº 34/2010

S M A R G A S I D E F G I H I O U U E Y M Y M E X R O V R G

S S F G R S C A I X A I S O T É R M I C A M Z F E S N L F R

D C P G U S J R G T I E T R R T E Y C U N I N O W D Q Q G T

F D I O Z L I T V A Z M X N L G V R B B N R X A Y F O N V Y

A F N H A P H C J O K U E J E H O N C H L I B L R G W K C H

H G Ç X X L H A R N H H B X N H A A X N M S C A N K N O Z N

J A A D C T B G K B J B N D B J B N S B W A L K B J E J D B

K H L S C E V O A B L N C M D L R H E E K C V F V K E F E T

L O J Q R Z G D J F L G Y W F L G Y W F L O A J S L R H A I

P J N C V D Y E G G P Y U S G P Y U S G P S S I C O T T C R

Q S G W O D O B O H O T J Z H O T J Z H O P T H H O T G S A

O F E P I W F I D J I F M X J I F M X J I L S O J F O B L E

W G D E Z R C S O M U C K A M U C K A M U Á G T M R Y F J I

E Z E I U A X T T N Y X I Q N Y X I Q N Y S D G N A O C M W

R D W R N I D U J K T D O W K T D O W K T T N R L S U D L A

O D A F X O S R M L R R L A L R R L A L R I F F A C A S N D

T E O Y G C E I I P E E P S P E E P S P E C O I P O I S T O

A S P F L P T I E O W S P D O W S P D O W O P D O S O I D C

Y Z Z E C D F C Q I Q Z O E I Q Z O E I Q S O A I E O A C H

R A I R B R A I N U Z A I R U Z A I R U Z A I R H S T O B A

U Q S F U K N L D D X Q L F J X Q L F J X T L T J T P L V T

C W K M T E S O U R A S K C K C W K C I C W R C R É O K S O

I P C O D H F U C L N K E J H V A J X H L D J N X R L J N S

L D U Z N F Z U A H B Z F R G B Z U Z G S U H I G E F U U G

O X N A D Y X N A F L X N K I N X N A D N U F H A I O E M F

R S M Q S R S E R R A N M Q F N S M H C R A M I C S B M I C

L W B W D L W B C D K S H A G Y G B W R V W B W B L D B W D

D R T T R Y I U A M H E H E X P L A E X O E H E X A D H E X

O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L F B O R L U V A S N Y D S

K C T H A B V C X R D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

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Divirta-se

Jogo dos 7 erros

Teste seus conhecimentos ( X ) Ausência ou insuficiência da ingestão de colostro ( X ) Inadequado manejo de Corte de dentes ( ) PCV2 ( X ) Oscilações Térmicas; ( ) PMWS ( X ) Ambiente desfavorável; ( X ) Leitões em tetas desprovidas de mama ou com baixa produção de leite Suínos & Cia

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Encontre as palavras S M A R G A S I D E F G I H I O U U E Y M Y M E X R O V R G

S S F G R S C A I X A I S O T É R M I C A M Z F E S N L F R

D C P G U S J R G T I E T R R T E Y C U N I N O W D Q Q G T

F D I O Z L I T V A Z M X N L G V R B B N R X A Y F O N V Y

A F N H A P H C J O K U E J E H O N C H L I B L R G W K C H

H G Ç X X L H A R N H H B X N H A A X N M S C A N K N O Z N

J A A D C T B G K B J B N D B J B N S B W A L K B J E J D B

K H L S C E V O A B L N C M D L R H E E K C V F V K E F E T

L O J Q R Z G D J F L G Y W F L G Y W F L O A J S L R H A I

P J N C V D Y E G G P Y U S G P Y U S G P S S I C O T T C R

Q S G W O D O B O H O T J Z H O T J Z H O P T H H O T G S A

O F E P I W F I D J I F M X J I F M X J I L S O J F O B L E

W G D E Z R C S O M U C K A M U C K A M U Á G T M R Y F J I

E Z E I U A X T T N Y X I Q N Y X I Q N Y S D G N A O C M W

R D W R N I D U J K T D O W K T D O W K T T N R L S U D L A

O D A F X O S R M L R R L A L R R L A L R I F F A C A S N D

T E O Y G C E I I P E E P S P E E P S P E C O I P O I S T O

A S P F L P T I E O W S P D O W S P D O W O P D O S O I D C

Y Z Z E C D F C Q I Q Z O E I Q Z O E I Q S O A I E O A C H

R A I R B R A I N U Z A I R U Z A I R U Z A I R H S T O B A

U Q S F U K N L D D X Q L F J X Q L F J X T L T J T P L V T

C W K M T E S O U R A S K C K C W K C I C W R C R É O K S O

I P C O D H F U C L N K E J H V A J X H L D J N X R L J N S

L D U Z N F Z U A H B Z F R G B Z U Z G S U H I G E F U U G

O X N A D Y X N A F L X N K I N X N A D N U F H A I O E M F

R S M Q S R S E R R A N M Q F N S M H C R A M I C S B M I C

L W B W D L W B C D K S H A G Y G B W R V W B W B L D B W D

D R T T R Y I U A M H E H E X P L A E X O E H E X A D H E X

O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L F B O R L U V A S N Y D S

K C T H A B V C X R D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

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MILHÕES

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ANO VI - Nº 34/2010SUÍNOS&amp;CIA-REVISTATÉCNICADASUINOCULTURA Editorial Boa leitura.

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