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Campanha Paz Sim! NATO Não! Uma notável jornada da luta pela Paz

2009-2011

Dois anos a construir a

Chegamos a esta XXII Assembleia da Paz com a sensação de dever cumprido. Não esquecemos as insuficiências que persistem, mas sabemos que se realizaram em Portugal, neste período, notáveis jornadas de luta pela paz e que para elas contribuímos de forma decisiva. O mandato que agora termina não se confinou à luta contra a NATO, mas esta ocupou grande parte das nossas energias, nomeadamente ao longo de todo o ano de 2010. Tendo-se empenhado deste o primeiro instante na criação e desenvolvimento da Campanha Paz Sim! NATO Não!, o CPPC foi uma força decisiva para que esta tenha atingido a abrangência que acabou por assumir. Ao fazê-lo, cumprimos aquilo a que nos tínhamos proposto na nossa anterior assembleia, na qual decidimos trabalhar para «encontrar uma resposta forte do movimento da paz» às pretensões da NATO Ao longo deste biénio, durante o qual foi cha- e da cimeira que realizaria em mado a responder a grandes desafios, o CPPC solo nacional. deu um enorme contributo para o alargamento Este papel activo do CPPC, do campo da paz, esclarecendo e mobilizando conhecido por todos quantos mais e mais por tugueses para a causa da paz e se envolveram na Campanha, da solidariedade e cooperação entre os povos. ficou expresso no facto de ter

sido o seu presidente a intervir em nome da Campanha Paz Sim! NATO Não! no final da grande manifestação de 20 de Novembro de 2010, que levou mais de 30 mil pessoas a Lisboa. Mas a manifestação foi o coroar de um processo imenso e intenso, que levou a rejeição da NATO a todo o País, em dezenas de acções: jornadas de rua, debates, sessões públicas, concertos e a petição que recolheu mais de 13 mil assinaturas e que levou ao Parlamento a exigência da dissolução da NATO. Na maioria destas acções – esclarecendo e mobilizando, enfim, cumprindo o seu papel – participaram activamente dirigentes e activistas do CPPC. Valorizando o empenhamento do CPPC na Campanha Paz Sim! NATO Não!, valorizamos todo o seu esforço na construção e dinamização de um trabalho unitário amplo, que envolveu dezenas de organizações, centenas de activistas e milhares de apoiantes. Com a Campanha Paz sim! NATO não!, o CPPC, fiel à sua história e aos seus princípios, esteve onde devia estar: na linha da frente do combate por um mundo mais justo, solidário e pacífico.


Fim à ocupação do Sahara Ocidental

O povo saharaui mereceu a solidariedade constante do CPPC ao longo destes dois anos. Logo em 5 de Dezembro de 2009, poucos dias depois do início do mandato que agora finda, partiu para os acampamentos de refugiados saharauis no deserto argelino uma delegação portuguesa promovida pelo CPPC. E lá voltámos em Março do ano seguinte, para acompanhar a reconstrução da escola «portuguesa» no Sahara Ocidental, só possível graças ao empenho do CPPC. Quanto a activista saharaui Aminetu Haidar esteve em Portugal, em Novembro de 2010, o CPPC rendeulhe a sua mais sincera homenagem, participando nas diversas iniciativas agendadas e promovendo em nome próprio algumas outras. O CPPC acompanhou, em Dezembro de 2010, a visita a Portugal do governador da província de Dajla, Salem Lebsir, levando a mais gente a denúncia da violência da ocupação marroquina do Sahara Ocidental. Em vários comunicados, o CPPC reafirmou sua solidariedade com a legítima aspiração do povo saharaui à sua autodeterminação e independência.

Solidariedadecomomundoárabe

Contra a Agressão à Líbia A vergonhosa agressão militar contra a Líbia mereceu o pronto repúdio do CPPC, que promoveu logo no dia 23 de Março uma concentração junto à Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa. Aí denunciou-se o carácter predador dessa agressão e a hipocrisia «humanitária» dos que a promoveram. Em vários debates realizados por todo o País, dirigentes e activistas do CPPC revelaram as causas profundas que se escondiam por detrás dessa agressão, nomeada-

mente as ricas reservas de petróleo líbias, a recusa do governo Líbio em entregar partes substanciais das riquezas nacionais às potenciais ocidentais e a própria localização privilegiada do país, entre a Europa, o Médio Oriente e África. O CPPC solidarizou-se com os movimentos populares que deflagraram na Tunísia, no Egipto, no Bahrein e no Iémen – e que, no caso dos dois primeiros, levaram mesmo ao derrube dos respectivos presidentes.

Não ao Militarismo

O assinalar dos bombardeamentos nucleares de Hiroxima e Nagasáqui pelos EUA, a recusa da militarização e a exigência do fim das bases militares estrangeiras e do desarmamento continuou a ser um aspecto central da actividade do CPPC nestes anos. Em diversas tomadas de posição, sessões e debates denunciou-se a escalada armamentista e militarista dos EUA e da União Europeia, o reforço da NATO enquanto aliança militar agressiva e o alinhamento das autoridades portuguesas neste caminho, contrário à Constituição da República.


Pela liberdade da Palestina Nestes dois anos de intensa e esforçada acção, o CPPC manteve bem alta a bandeira da solidariedade com o povo da Palestina e do seu legítimo direito a um Estado soberano, independente e viável. Para além das diversas notas emitidas, repudiando o agravamento da ocupação israelita e do assassinato, por este, de centenas de palestinianos, o CPPC deu expressão institucional e de rua a esta causa, que há muito abraça. Em Julho de 2011, o CPPC empenhou-se na dinamização de uma plataforma que desse expressão à exigência de reconhecimento do Estado da Palestina como membro de pleno direito das Nações Unidas, solicitada pela Organização para a Libertação da Palestina. O abaixoassinado, ao qual aderiram cinquenta organizações, foi entregue ao primeiro-ministro por representantes dos subscritores, entre as quais se encontrava o presidente do CPPC. A 2 de Junho de 2010, o CPPC promoveu, juntamente com outras organizações, uma concentração junto à Embaixada de Israel em protesto contra o ataque militar israelita contra uma frota humanitária internacional que tentava chegar a Gaza. Aí exigiu-se uma vez mais o fim do bloqueio a Gaza e a criação do Estado da Palestina. Em Setembro, o CPPC esteve presente na missão à Palestina promovida pelo Conselho Mundial da Paz e pela Federação Mundial da Juventude Democrática, levando a sua solidariedade directamente ao heróico povo palestiniano.

Não às guerras imperialistas

Solidariedade com Cuba

O CPPC manteve activa solidariedade com Cuba, exigindo o fim do criminoso bloqueio imposto pelos Estados Unidos da América e a libertação dos cinco cubanos presos nesse país por defenderem Cuba do terrorismo. Este ano, o CPPC fez-se representar na reunião do Conselho Executivo do Conselho Mundial da Paz, realizada em Havana, onde pôde também levar a solidariedade dos portugueses ao heróico povo de Cuba, que há década faz frente ao mais poderoso país do mundo, defendendo a sua soberania e o seu direito de viver segundo o caminho que decidiu trilhar. No dia 12 de Fevereiro de 2009 o CPPC esteve presente num almoço comemorativo dos 50 anos da Revolução Cubana.

O CPPC reafirmou a exigência do fim das agressões ao Afeganistão e ao Iraque e de outras guerras de agressão em curso e o respeito pelo direito soberano dos povos a decidirem livremente sobre o seu futuro.


Defender a Constituição

Manifestação do 1.º de Maio de 2010

Notícias da Paz, boletim do CPPC

Uma intervenção ímpar e necessária Toda a actividade de que apenas muito sumariamente demos conta nesta folha permitiu ao CPPC intervir em prol dos seus princípios na sociedade portuguesa. O CPPC desdobrou-se em contactos com organizações, estruturas e instituições. Para além da edição de milhares de documentos, foi criada a página do Facebook e editados quatro números do boletim Notícias da Paz, um deles em formato electrónico. Os dois números do jornal da Campanha Paz Sim! NATO Não! ficaram, com sucesso, a cargo do CPPC.

Com a luta dos Trabalhadores e do povo

O CPPC fez-se representar em todas as manifestações promovidas pela CGTP-IN que se realizaram nos últimos anos contra o empobrecimento e as injustiças praticadas contra os trabalhadores e o povo português. Uma organização com décadas de luta pelo direito dos povos ao seu desenvolvimento soberano, como poderia não estar solidária com a luta do seu próprio povo? Para além do 1.º de Maio – onde, para além de uma representação na manifestação conta todos os anos com um espaço próprio na Alameda, em Lisboa – o CPPC marcou também presença em diversas outras acções de protesto e luta da dos trabalhadores, porque entende que o bem-estar e igualdade só são possíveis com a paz.

O CPPC não limitou a sua actividade ao acompanhamento e denúncia de aspectos particularmente gravosos da situação internacional. Nos dois acampamentos da juventude realizados em Avis, em 2010 e 2011, o CPPC marcou uma presença activa. Tendo ambos a paz como tema central, o primeiro integrou-se na Campanha Paz Sim! NATO Não! e o segundo na plataforma em defesa da Constituição da República Portuguesa, das quais o CPPC é uma das organizações promotoras – ou não consagrasse a Constituição o empenho de Portugal na construção de um mundo de paz, sem colonialismo e imperialismo, e reconhecesse o direito dos povos à autodeterminação e independência e à insubmissão contra a opressão. O CPPC integra ainda a Campanha em Defesa da Água Pública.

Desfile do 25 de Abril de 2011. Lisboa

Acampamento pela Paz. Avis, Julho de 2011

Dois anos a construir a Paz!  

Dois anos de actividade do CPPC

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