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Marisa Rezende teve também formação como pianista e este instrumento ocupa posição central em sua obra. No conjunto dela, predominam obras para música de câmara envolvendo o piano. Em um texto de Rezende relatando alguns de seus procedimentos composicionais, ela afirma que muitas de suas obras tiveram como ponto de partida uma linha melódica. Este é o caso de Contrastes, para piano solo, de 2001: “...reconheço a força do elemento melódico como talvez o principal ponto de partida em minha obra, e vejo minha tendência atual para compor uma peça inteira, fixamente, sobre um ou alguns poucos conjuntos de alturas, como em Contrastes (2001) para piano, como uma extensão ou desdobramento dessa característica.” (Rezende, 2007:78) A obra Contrastes explora diversos contrastes possíveis de serem extraídos de um material musical relativamente simples, constituído por quatro notas: Dó5, Réb5, Sib4 e Fá4. O início da obra apresenta a indicação Conflituado. O primeiro contraste estabelecido é de tempo. A primeira exposição do material ocorre em colcheias, para em seguida ser apresentado em colcheias pontuadas. O desenvolvimento das possibilidades de contrastes deste material se dá em diversos níveis; andamento, textura, a articulação, registro, caráter. O uso rebuscado das possibilidades de ressonância do piano a partir do uso do pedal de sustentação e especialmente a exploração do timbre diferenciado propiciado pelo uso dos diversos registros caracterizam a obra.

Rogério Vasconcelos Barbosa (1963) – Iri (2004) A obra Iri, do compositor mineiro Rogério Vasconcelos Barbosa, professor de composição da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, faz parte de um ciclo de composições para diferentes formações: Urihi (2004 - 2005). O ciclo é composto das seguintes obras: pê, para clarinete solo, iriê para clarone, iri , para piano solo, e xapiripê, para clarinete, clarone, piano e quinteto de cordas. Com o que o compositor chama de “metáforas não sonoras” Urihi dialoga com a cosmologia dos índios Yanomami, comunidade que vive na região fronteiriça entre o Brasil e a Venezuela. Urihi é uma palavra yanomani que significa “ a floresta e seu chão. Significa também território. (...) urihi pode ser também, o nome do mundo. Urihi a pree, a grande “terra-floresta” (Albert apud Barbosa, 2008). Em sua tese de doutorado, Barbosa apresenta uma análise da obra Iri para piano solo, discutindo sua concepção e estruturação de diversos parâmetros. Discute o mapa temporal, tipos texturais e gestos, envelope macroformal, organização harmônica e rítmica.

CONGRESO INTERNACIONAL DE PIANO - La música latinoamericana para piano

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Congreso Internacional de Piano  

Congreso Internacional de Piano "La música Latinoamericana para piano" 18 al 21 de Noviembre de 2010 Buenos Aires Argentina

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