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23 volte-face

FIM DE SÉCULO

Há altruísmo suficiente em ser-se espontâneo, Carperizando as horas, pessoas e a brisa visível Com a mesma racionalidade sensível Que um anoitecer lento e instantâneo. Manhã breve nesta Terra tão escavada. Rumores que atiçam um rastilho a dinamite, Que seguindo o curso dos dias sem limite Explodirá talvez sobre a vida duma Era inacabada. É dura a música desconcertante no poente E dementes os momentos neste clima finessecular. O ontem das descobertas; depressa o hoje da sede de sondar! Intercalam esta História em penumbra nascente. Desassossega o ruído dos portões entreabertos Dos tempos vindouros?!...São nítidas as "casas" À procura de um brumoso abrigo com asas: Sanidade disfarçada, fel, horizontes incertos...


UMA QUESTÃO DE RUÍDO O grito áspero da serpente é inaudível em plena rebentação AMOR O MAR recua e esconde-se oculta-se e deflagra rosas e arame rosas e arame a derradeira barricada O latido ensurdecedor apinha-se na região costeira AMOR O MAR agiganta-se A caravana dos sonhos atravessa incólume a terra devastada pelo ruído Os arquitectos beijam-se na boca E oferecem as suas especiarias a quem passa A matilha ficou para trás presa nos arames Explodindo com rosas engasgadas.


UMA QUESTÃO COMUM Meu AMOR, No vértice deste Tempo esquecido dos espíritos Antigos Um coração é congregado nas fileiras da Mudança E num passo decisivo resolve permanecer livre No único espaço possível longe da miséria humana: O teu abraço.


GATOS DORMINDO EM TELHADOS DE VIDRO Há uma certa rectidão quadrilínea Que tropegamente nos impele a andar. E se não constar de nenhuma alínea, Lamento, mas será convidado a parar. Adormeço ao som da hiper-civilização, Aquela que me acorda sempre em sobressalto. Bramindo, entoando as leis na comunicação Do mais magro, mais rico, mais giro e mais alto. Incandesço com a luz das borboletas nocturnas. A sedução publicitária é hoje sacra e fulcral. Um ideal omniausente nestas gentes tão soturnas Dá lugar ao altar para essa bela "femme fatale". Enredados pelos olhos, p'lo nariz - o que apareça! Mortos pela boca, ouvidos...e pela cabeça.



VOLTE-FACE #1 (preview)