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Guia do Consumo Sustentรกvel do Comerciante Varejista

Caderno do Varejista

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Guia do Consumo Sustentรกvel do Comerciante Varejista

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Sindicato do Comércio Varejista de Campinas e Região - Sindivarejista Presidente Sanae Murayama Saito Gerente Administrativo Elaine Oliveira Comunicação Roberto Goulart Junior

Guia do Consumo Sustentável do Comerciante Varejista - Conexão Social Sindivarejista Caderno do Varejista - ano 1 - n.1 - ed.1 Coordenação Roberto Goulart Junior Conteúdo Cristiano Barbosa, Edna Borges e Roberto Goulart Junior Ilustrações Roni Projeto Gráfico Communitas Comunicação

Rua General Osório, 883, 4º andar CEP 13010-111 - Campinas Tel./Fax (19) 3775-5560 www.sindivarejistacampinas.org.br

O Guia do Consumo Sustentável do Comerciante Varejista - Conexão Social Sindivarejista e o Caderno do Varejista aderiram à licença Creative Commons que permite a reprodução do conteúdo, exceto imagens, desde que seja citada como fonte a publicação e autoria.


Guia do Consumo Sustentável do Comerciante Varejista

As memórias que remetem à minha juventude são marcadas por momentos prazerosos. Cresci em Campinas e acompanhei o fortalecimento do comércio da região. Aos 14 anos de idade me lembro que ainda não existia o CEASA (Centrais de Abastecimento de Campinas S.A.) e era no pátio do Mercado Municipal que se fazia a distribuição para o abastecimento da cidade. Meus pais acordavam às 5 da manhã para as compras que supriam o comércio da família. Em um desses entrepostos, que traziam a mercadoria do CEAGESP, conheci Kimie Onno. Essa mulher sempre foi uma referência para a minha vida. Naquela época ela saia com seu caminhão de Campinas às 10h da noite, ia ao CEAGESP, chegava às 3h da manhã e ainda ia vender suas mercadorias. Foi a primeira mulher a abastecer os restaurantes industriais em Campinas com os hortifrutis que trazia de São Paulo. Assim, minha mãe aprendeu o caminho e nosso comércio no Mercado Municipal de Campinas começou a fazer o mesmo. Para minha família e para o nosso negócio, foi uma oportunidade de crescimento, mas que exigiu muito de todos nós. Tivemos que aprender no dia a dia o que era o comércio e como fazer tudo para que ele continuasse de portas abertas até agora. Hoje à frente de um sindicato que representa a categoria varejista, consigo enxergar a importância que o comércio varejista, soma de todas essas histórias de empresários que acreditaram em seus negócios, representa para a economia da região e do país. O varejo, além de sua força econômica, pode exercer um papel fundamental nas transformações que sonhamos para uma sociedade mais equilibrada. Ele é o elo entre quem produz e quem compra e tem uma presença muito próxima e forte nas comunidades onde está inserido.

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Foi com esse olhar que nasceu o desejo de um projeto como o Conexão Social Sindivarejista que se fundamentou em dois eixos de atuação: a memória do comércio varejista e a educação para a sustentabilidade. Acreditamos que o comerciante varejista pode despertar consciências, oferecer produtos mais eficientes e menos poluentes, mobilizar produtores e distribuidores, assim como educar e informar seus clientes para que possamos gerar menores impactos sociais e ambientais para a construção de um desenvolvimento mais sustentável. É assim que chegamos até vocês. O Caderno do Varejista tem a intenção de inspirar e envolver vocês varejistas na multiplicação do que chamamos de Consumo Sustentável no Varejo. É o início de um caminhar que se dá através da participação, das trocas de experiências e do compartilhamento de aprendizagens e saberes.

Sanae Murayama Saito Presidente do Sindivarejista Sindicato do Comércio Varejista de Campinas e Região

“Caminhante não há caminho, se faz caminho ao andar” Antonio Machado


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Como começou nossa história

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Os conceitos que nos orientam

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A metodologia: por onde e como começar

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Inspirações: práticas que deram certo

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Outras inspirações e Referências

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O Projeto

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Sumário


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O Projeto

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O projeto Conexão Social Sindivarejista, desde 2006, busca a promoção e o desenvolvimento de uma cultura de gestão para a responsabilidade social e sustentabilidade em Campinas e Região. Para isso, promoveu a construção de alianças intersetoriais, realizou encontros e oficinas, com destaque para o programa INTERNETHOS (Instituto Ethos), e as duas edições da Conferência Regional de Responsabilidade Social do Varejo (2007 e 2008), disseminando conceitos, práticas e ferramentas de gestão, aproximando indivíduos, organizações sociais e empresas. O Conexão Social Sindivarejista prioriza ações que têm como fios condutores a memória do comércio varejista e a educação para a sustentabilidade, buscando fortalecer o papel transformador do comerciante varejista em sua localidade.

Objetivo principal Reconhecer o comércio varejista enquanto agente de desenvolvimento local e forte elo da relação entre produção e consumo - fornecedores e consumidores, possibilitando a construção de uma ética mais coletiva, um novo olhar sobre a relação entre cidadania e hábitos de consumo sustentável.

Eixos de atuação Memória do varejo A partir da premissa que a memória é um precioso instrumento para a construção da história da localidade, o projeto visa, através do registro das histórias orais individuais e da construção de uma linha do tempo, a democratização da memória do varejo, reconhecendo o valor das histórias de vida dos comerciantes varejistas que contribuíram e atuam no desenvolvimento local. Relatar essas experiências é fundamental para romper barreiras e impulsionar processos de mudanças das relações sociais, políticas e econômicas. Além disso, acreditamos que o grupo que conta sua história percebe a dimensão de suas realizações e reafirma sua capacidade de participação e transformação. Serão produzidos vídeos documentários que registrarão as histórias de vida dos comerciantes varejistas, destacando a função do varejo como agente de desenvolvimento social (geração de trabalho e renda), como testemunho das mudanças do consumo e das relações sociais no espaço urbano (relações entre produção, consumo, comportamento, modos de vida).

“O que é história oral? É um método? Uma disciplina? Um tema novo? Na minha opinião, é uma abordagem muito mais ampla: é a interpretação da história, das sociedades e das culturas por meio da escuta e do registro da história de vida das pessoas. E a habilidade fundamental na história oral é aprender a escutar.” Paul Thompson

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Segundo a UNESCO, a educação para o desenvolvimento sustentável trata-se principalmente da questão de valores, onde o respeito é o tema central: respeito pelos outros (incluindo gerações presentes e futuras), respeito pela diferença e pela diversidade, pelo meio ambiente e pelos recursos do planeta que habitamos.

Educação para a sustentabilidade A educação é um fator preponderante para que a humanidade possa superar os desafios atuais, transformando-os em oportunidades de inovação e crescimento que resultem em melhoria da qualidade de vida. Sob essa perspectiva, o projeto busca a ampliação do olhar das pessoas através da sensibilização a partir de diferentes métodos pedagógicos – arte, experiências, diálogos e debates - direcionados para os diferentes grupos que integram cada localidade. Consideramos uma visão fundada em três dimensões: • Social: bem-estar humano e a qualidade de vida. • Econômica: gestão mais eficiente dos recursos. • Ambiental: diminuição dos impactos sobre o meio ambiente. Nas ações de educação para a sustentabilidade serão desenvolvidas oficinas de consumo sustentável, orçamento familiar e fotografia para os diversos públicos da comunidade – entre eles, professores e alunos, jovens e varejistas do bairro.

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Estas ações visam consolidar a missão e promover os valores que orientam a gestão do Sindivarejista junto aos seus representados e à sociedade que atua.


Como começou nossa história com o varejo local Nossa história com os varejistas da região do Ouro Verde começou em abril de 2009 com uma parceria no Programa do Comércio Varejista do SEBRAE que contou ainda com o SENAC e Prefeitura de Campinas. O objetivo do programa é desenvolver a capacidade de gestão dos empresários a partir da visita gratuita de consultores que orientam práticas para a melhoria do negócio. Guia do Consumo Sustentável do Comerciante Varejista

A partir dos encontros com os varejistas locais, convidamos todos a integrar o Projeto Conexão Social Sindivarejista. Vários comerciantes foram indicados pelo grupo. Visitamos um a um para que conhecessem as ações do projeto e todos foram convidados a participar da Roda de Histórias. A Roda de Histórias aconteceu em uma noite na Associação de Bairro do Jardim Aeroporto com a presença de 6 varejistas locais. Muitas histórias e causos foram contados e, juntos, construímos uma linha do tempo que representa a história de desenvolvimento do bairro para esse grupo. As histórias não pararam por aí. Cada varejista foi entrevistado individualmente e pode contar sua trajetória de vida enquanto empresário e pioneiro do comércio varejista da região. Essas entrevistas se transformarão em um documentário que será exibido nas escolas locais e na comunidade. Queremos com isso levar essas histórias de vida para a população para que os comerciantes varejistas sejam reconhecidos como importantes agentes de desenvolvimento da comunidade.

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Integrando as ações do projeto, desenvolvemos na Escola Municipal André Tosello, indicada pelos varejistas, atividades pedagógicas com alunos e professores, focadas no Consumo Sustentável e Orçamento Familiar: Oficina com os professores, Apresentação artística sobre o Orçamento Familiar, distribuição da Revista Conexão Social Sindivarejista, Jogo do Consumo Sustentável e a Caderneta do Orçamento Familiar, Oficina de Fotografia (Caminhada Fotográfica) e Oficina do Consumo Sustentável com visita dos alunos a um comércio varejista do bairro, atendendo um público direto de mais de 700 alunos e aproximadamente 30 professores. O desafio agora é estimular você, comerciante varejista, a multiplicar e implantar ações de consumo sustentável no seu negócio. Além das ações práticas propostas no Guia do Consumo Sustentável para o Comerciante Varejista, nosso objetivo é formar uma rede local que amplie e dê continuidade às ações do projeto, valorizando o papel transformador do comércio varejista do bairro e juntando esforços para o desenvolvimento dessa região. Todos os resultados das ações e atividades desenvolvidas serão explorados em uma exposição que acontecerá no Terminal Ouro Verde em agosto de 2010 e em espaços dos parceiros do projeto Conexão Social Sindivarejista.

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.” Guimarães Rosa


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Os conceitos que nos orientam Consumo Sustentável: um novo olhar

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Para facilitar o entendimento e a compreensão da necessidade de inserir o tema do consumo sustentável nas ações diárias do comércio, desenvolvemos um material relacionado ao tema, tendo como fio condutor ações práticas que possam trazer benefícios ao comerciante. Entendemos o consumo sustentável a partir de dois eixos básicos para reflexão: oportunidade de melhoria na gestão do negócio (diminuição de custos operacionais como energia, novas alternativas em produtos e fornecedores) e de sua valorização frente à sua comunidade (contratação de pessoas do bairro, engajamento nas ações sociais e políticas). Ações que juntas podem resultar na conquista e fidelização de clientes.

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Portanto, o Consumo Sustentável não quer dizer que o cliente deixará de comprar, mas sim que irá buscar uma nova forma de se relacionar com o ato da compra, seja revendo suas necessidades ou optando por produtos que gerem benefícios para o meio ambiente e a sociedade.

Definindo Consumo Sustentável Entendemos que cada produto que chega ao comércio varejista tem uma história que começa no seu nascimento e vai até o seu descarte. No meio desse caminho, aparece você comerciante, que é o elo principal entre aqueles que produzem e os que consomem. Diante disso, destacamos essa posição do comércio varejista que demonstra sua importância econômica e seu papel fundamental na promoção de mudanças que podem beneficiar toda a sociedade.

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Afinal, o que é a tal sustentabilidade? Utilizar-se de toda a potencialidade de produção, sem deixar de visar o bem-estar humano e do ambiente, tanto no presente, quanto para as gerações futuras. O Relatório de Brundtland (1987) delimitou que sustentabilidade trata de “suprir as necessidades da geração presente, sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Isso engloba aspectos não somente ambientais, mas sociais, econômicos e culturais.

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O Guia propõe ações práticas e simples que podem ser incorporadas no dia-a-dia do negócio. Muitas ações, sabemos que você pensou em fazer ou já pratica em seu comércio. A proposta é ajudá-lo a repensar e organizar essas práticas para que possam ser comunicadas e multiplicadas junto aos públicos que se relacionam com seu comércio: funcionários, fornecedores, clientes e a própria comunidade. Acreditamos que pode ser o início de uma rica possibilidade de aproveitar o crescente interesse pelas questões relacionadas à sustentabilidade.


E responsabilidade social, o que é?

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Para o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social: “... é a forma de gestão que se define pelo compromisso público de implementação de processos produtivos, comerciais e gerenciais baseados em relações éticas, transparentes e solidárias da empresa com todos os públicos afetados pelas suas atividades e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com a sustentabilidade da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a igualdade.”.

1° momento - Melhorias na gestão do negócio Ninguém conhece melhor o seu negócio que você, comerciante varejista, que muitas vezes passa o dia todo no seu estabelecimento. Porém, algumas vezes a rotina diária acaba nos impedindo de enxergar novas possibilidades e alternativas simples que podem resultar em ganhos econômicos, sociais e ambientais para o seu comércio e sua comunidade. Ações como: o uso de lâmpadas mais eficientes e econômicas, a verificação de possíveis vazamentos, melhor aproveitamento da luz natural, o desenvolvimento de fornecedores locais ou próximos de sua região, além de resultarem redução de custos e mais dinheiro em caixa, podem redefinir sua posição estratégica entre a indústria e o cliente.

2° momento - Valorização frente à sua comunidade Lembrando sempre da sua posição estratégica, o comerciante varejista pode e deve influenciar de maneira positiva na comunidade onde atua. É no comércio local que fazemos mais que negócios. Temos a oportunidade do nosso primeiro emprego, nos atualizamos sobre o que acontece na vizinhança e no mundo, discutimos sobre futebol, política e novela, cultivamos amizades e valorizamos o lugar onde vivemos. O varejista que conhece e valoriza a sua comunidade tem muito mais que um estabelecimento comercial. Ele busca participar ativamente das ações que podem colaborar para que este seja um lugar melhor para que seus filhos e futuras gerações possam crescer e viver. Assim, o comerciante varejista pode atuar de diversas maneiras, seja ela, na contratação de funcionários da comunidade local, incentivando e possibilitando o seu desenvolvimento profissional e pessoal, apoiando e multiplicando ações/campanhas educativas direcionadas aos seus clientes.


Peças de comunicação distribuídas na comunidade Dentro da proposta de aplicação do projeto no bairro, foram entregues ‘kits’ para os alunos da escola municipal envolvida no projeto. Nas ações de continuidade propostas, iremos contar com a participação dos varejistas na distribuição dos materiais. Abaixo segue uma breve explicação das peças:

Jogo do Consumo Sustentável Pensando em desenvolver de maneira lúdica, atrativa e de fácil entendimento, elaboramos um Jogo de tabuleiro Jogo do Consumo Sustentável – onde as crianças percorrerão um caminho que inicia e termina na casa da família Oliveira. Nesse percurso ele conhecerá mais o bairro onde os personagens vivem e passará por diversas situações que exemplificam o que é na prática o consumo sustentável.

Caderneta do Orçamento Familiar Para facilitar o controle do orçamento familiar distribuímos também uma caderneta, que ajudará a organizar as contas da família. Ela possui uma planilha onde poderão ser anotadas as receitas e despesas mês a mês.

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A Revista conta a história da família Oliveira que precisa organizar o seu orçamento para atender as diferentes necessidades de cada um. Essa situação é muito comum nas famílias, que precisam planejar, eleger prioridades e controlar mês a mês o que ganham e o que gastam. Diante disso, fazer o orçamento familiar é uma forma de compreender, repensar e praticar novos hábitos de consumo.

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Revista Conexão Social Sindivarejista


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A metodologia: Por onde e como começar

. O que eu preciso aprender mais? . Com quem eu posso aprender mais? . O que eu faço, já fiz e que posso recomeçar ou fazer diferente (melhorar)? . Como posso aproveitar melhor os recursos humanos, financeiros e materi ais que possuo? . Com quem posso contar para fazer isso comigo? (parcerias) . Como irei comunicar o que farei? Diante das respostas que surgirem a questão que vem a seguir é: por onde começar? Sugerimos os seguintes passos para estruturar um plano de ação do consumo sustentável:

1º passo: o que eu sei sobre o assunto? (conhecimento) Explorar as experiências já realizadas. Rever e aprimorar as estratégias. Ações “pé no chão”: considerar os recursos financeiros, estruturais e humanos disponíveis. Usar a criatividade e pensar em soluções que requeiram poucos investimentos.

2º passo: o que eu preciso saber mais? (pesquisa) Pesquisar quem já fez ou está fazendo a ação que você pensou. Aprendemos muito com a experiência dos outros. Consultar o Guia do Consumo Sustentável do Comerciante Varejista e o Caderno do Varejista do Sindivarejista, onde você encontrará muitas experiências e conceitos, além de links para consultar na internet.

3º passo: como planejar a ação? (planejamento) Sugerimos a organização de uma planilha simples de planejamento, onde será detalhado o projeto, especificando as ações: como, tempo (quando), recursos (quanto), indicadores e responsáveis. Veja o modelo:

Mário Quintana

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. O que eu sei sobre o assunto?

“Democracia? É dar, a todos, o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, isso depende de cada um.”

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Algumas questões são importantes para responder antes da implantação de ações de consumo sustentável no seu comércio:


Projeto: Reduzir o consumo de energia PROJETO Reduzir o consumo de energia

AÇÕES Trocar as lâmpadas por mais econômicas Colocar telhas transparentes ou clarabóias

TEMPO Até 5 de junho

RECURSOS R$ xx

INDICADORES Conta de energia

RESPONSÁVEIS Fulano

Até 5 de julho

R$ xx

Conta de energia

Ciclano

*Trocar as lâmpadas pode resultar numa economia na conta de luz de cerca de 20% a 30%.

Projeto: Incentivar a alimentação saudável PROJETO

Incentivar a alimentação saudável

AÇÕES TEMPO Informar através Até 5 de junho de cartazes e panfletos as vantagens para a saúde da alimentação natural Até 5 de julho Promover a degustação de produtos com sugestão de receitas simples e baratas

RECURSOS R$ xx

INDICADORES Aumento das vendas dos produtos da ação

RESPONSÁVEIS Fulano

R$ xx

Pesquisa de Ciclano satisfação com os clientes

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4º passo: como comunicar o que está sendo feito para os clientes? Fixar cartazes em locais visíveis Distribuir panfletos informativos Divulgar na internet (fazer uma lista de e-mails dos clientes) Convidar colegas, comerciantes varejistas, para conhecer a experiência e pensar parcerias Divulgar as ações para fornecedores

5º passo: como avaliar o que está sendo desenvolvido? Consultar a opinião dos clientes, funcionários e fornecedores. Aplicar ficha de avaliação. Colocar caixa de sugestões. Produzir relatório descrevendo as facilidades, dificuldades e ganhos das ações implantadas (registro).


Assim, quantas horas serão dedicadas às ações, quais os materiais que serão utilizados, bem como os responsáveis de como colocá-las em prática são decisões que serão tomadas a partir do planejamento do projeto e do negócio. Caso haja dúvidas em relação ao desenvolvimento de alguma atividade, a equipe do Conexão Social se coloca à disposição dos varejistas, durante o período de aplicação do projeto no bairro, para orientações e esclarecimentos. Os casos relacionados a seguir foram extraídos do ‘Banco de Práticas’ do Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo do Centro de Excelência em Varejo (GVcev) da Fundação Getulio Vargas (FGVEAESP):

Caso 1

AÇOUGUE CULTURAL T-BONE Porte/Categoria: Microempresa Setor Varejista: Açougue Brasília - DF (Distrito Federal) www.t-bone.com.br Proprietário LUIZ AMORIM DOS SANTOS t-bone@t-bone.com.br Tel. (61) 3963-2070

Ler para Crescer Uma história de superação A história do T-Bone é marcada por duas etapas importantes: a primeira delas ocorre quando seu atual proprietário, Luiz Amorim, trabalha por 15 anos como funcionário da loja, que se chamava Triângulo e depois Damasco. A segunda acontece em 1994, quando surge a oportunidade de Amorim comprar o açougue, depois de anos de trabalho e dedicação. Para Luiz Amorim, que se alfabetizou aos 16 anos e leu seu primeiro livro aos 18, “a cultura é a mão mágica que molda a alma através da poesia, da literatura, do teatro, da música, da fotografia, do cinema e das artes plásticas”.

O Banco de Práticas é uma ferramenta de pesquisa que disponibiliza centenas de casos de responsabilidade social e sustentabilidade do setor varejista brasileiro para consulta pública e gratuita. Utilize os exemplos do Banco de Práticas como inspiração para desenvolver iniciativas sustentáveis na sua empresa ou entidade. www.varejosustentavel. com.br

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Apresentamos alguns casos que podem servir de inspiração para as ações no seu comércio varejista. Nossa expectativa é que elas possibilitem ideias práticas que sirvam de referência, que sejam adaptadas e recriadas considerando as especificidades de tempo e espaço, de recursos materiais e humanos.

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Inspirações: práticas que deram certo


É por acreditar nisso, e também por sentir a alegria que as manifestações artísticas proporcionam ao homem, que Luiz Amorim aposta na educação e na cultura, idealizando projetos que permitam a toda a comunidade brasiliense sentir a mesma emoção que ele sente diante da arte.

Biblioteca Comunitária T-Bone Por acreditar no poder transformador da cultura, Luiz Amorim quis compartilhar com as pessoas sua paixão pela literatura. Tudo começou quando ele colocou 10 livros em uma estante instalada dentro do Açougue Cultural T-Bone. A idéia foi bem recebida pelos clientes e moradores, e a cada dia o Açougue recebia um número maior de doações de livros. Em conseqüência de todo o interesse despertado na comunidade, o espaço físico do T-Bone acabou ficando pequeno para o tamanho do sonho de Luiz Amorim, alimentado com o apoio dos amigos e dos amantes da literatura. O que começou com uma dezena de volumes, hoje constitui um acervo de mais de 40 mil títulos. Assim, o sonho cresceu e ampliou-se, surgindo um novo ambiente cultural para disponibilizar o acervo aos moradores de Brasília: a Biblioteca Comunitária T-Bone (BCT).

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Localizada próximo ao Açougue, a BCT é a única biblioteca comunitária da Região Norte, um espaço em que os leitores podem fazer empréstimos de obras variadas, gratuitamente. Além disso, funciona como centro de operações da ONG Projetos Culturais T-Bone, por intermédio da qual a empresa concretiza suas iniciativas. A biblioteca conta com miniteatro/sala de cinema para 40 pessoas, um salão para oficinas e um acervo muito variado, incluindo títulos de filosofia, contos, política, poesia, literatura brasileira e internacional, e muitos outros gêneros. A BCT recebe diariamente cerca de 100 leitores, estando aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, das 9h às 13h. Outras ações do projeto: ONG Projetos Culturais T-Bone Noite Cultural T-Bone Encontro com Escritores Prêmios literários Sede de Cultura Roedores de Livros Lançamentos de livros e noites de autógrafos Galeria de arte Cineclube T-Bone


Caso 2

Supermercados Cardoso

Faz tempo que o Supermercados Cardoso vem se preocupando com a questão da responsabilidade social, razão pela qual buscou primeiramente entender em que consistiria, de fato, ser uma empresa cidadã e socialmente responsável. O Supermercados Cardoso entende que seu papel social não se restringe, pura e simplesmente, ao cumprimento das obrigações legais inerentes a qualquer empresa. Antes é preciso ir mais além e fomentar ações voluntárias que apóiem o desenvolvimento da comunidade e a preservação do meio ambiente – ações que, em última análise, possam gerar benefícios para a comunidade, o consumidor, os colaboradores, os parceiros e todos os públicos com os quais a empresa interage. Mais do que um modismo, a responsabilidade social tem sido para a empresa, uma prioridade estratégica. O projeto foi concebido em 2003 e está em pleno andamento. Desde o instante de sua criação até hoje, foram feitas diversas revisões e implementadas muitas mudanças. Resultados obtidos e benefícios para a empresa Os resultados de cada ação do projeto são muito positivos. A seguir, são destacados alguns deles: • Campanha de doação de sangue: de acordo com o diretor da unidade de coleta de sangue de Jequié, essa campanha é de fundamental importância para as pessoas que necessitam de sangue. Em uma de suas etapas foi possível abastecer as unidades de outras três cidades vizinhas e também o hemocentro da capital, reforçando os estoques para o carnaval, quando a demanda é muito grande. Hoje, dentro do banco de dados da empresa, constam mais de 100 colaboradores cadastrados que são doadores regulares. Muitas pessoas da comunidade, quando precisam de sangue, antes de procurar um banco de sangue dirigem-se primeiro ao Supermercados Cardoso.

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Contato FRANCIENE L. SANTOS Cargo Coordenadora de Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social Empresarial francis@supermercadoscardoso.com.br Tel. (73) 3527-8900

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Porte/Categoria: Média Empresa Setor Varejista: Supermercado Jequié - BA (Bahia) www.supermercadoscardoso.com.br


• Campanha da coleta seletiva: os resultados são surpreendentes. Somente com o material gerado pela empresa (caixas de papelão, plástico, etc.), gratuitamente repassado à Cooperativa de Catadores da cidade, está sendo gerada uma renda média mensal de aproximadamente R$ 90,00 para cada catador, isso sem falar na geração de trabalho, na redução do volume de lixo do aterro sanitário, na redução dos gastos públicos com a coleta de lixo e na sensibilização de outras empresas e da sociedade civil, que hoje já se movimenta nessa direção. • Aumento da motivação, da admiração e do comprometimento dos colaboradores. Em conseqüência, aumento da produtividade e melhoria considerável do clima organizacional. • Os colaboradores passaram a exercer a cidadania de forma mais plena, não só no trabalho, mas também em casa, na escola e no convívio social. • A empresa adquiriu o status de empresa cidadã, fortalecendo sua imagem institucional perante toda a comunidade. • A empresa também conquistou o respeito e a admiração dos públicos com os quais interage, como atestam manifestações de reconhecimento que vão desde uma moção de aplausos por unanimidade da Câmara Municipal, passando pelo selo Amigo do Catador, do Movimento Nacional de Catadores (instituído pelo presidente Lula em 2003), até um simples, mas valioso bilhete de um catador agradecendo a ajuda do Supermercados Cardoso à cooperativa, entre tantas outras demonstrações de apreço recebidas. 20

• Maior atração e retenção de talentos para o quadro de colaboradores. • E, finalmente, o mais importante: maiores possibilidades de crescimento e desenvolvimento; afinal, como parte de um sistema, a empresa tem mais chances de se desenvolver se atuar em uma sociedade também desenvolvida, garantindo, dessa forma, a tão discutida sustentabilidade empresarial. Valor do investimento Atualmente, o Supermercados Cardoso conta com um orçamento fixo mensal para o projeto, destinado às ações desenvolvidas pelo Comitê de Responsabilidade Social, que representa até 0,5% do seu faturamento. Vale ressaltar que somente a partir de 2005 a empresa passou a utilizar ferramentas de controle de investimentos mais efetivas.


Caso 3

Supermercado Ademar Porte/Categoria: Média Empresa Setor Varejista: Supermercado Jd São Marcos - Campinas - SP Tel. (19) 3246-3178

Em todos os setores e seções do supermercado, os materiais recicláveis como embalagens de mercadorias compradas de fornecedores - plásticos e papelão, metal, entre outros, são armazenados e revendidos. Os recursos são aplicados na gestão do negócio, inclusive em outras ações de responsabilidade social empresarial. O desafio começou com os sete check-outs do supermercado passando a oferecer para o transporte das mercadorias dos consumidores sacolas retornáveis produzidas de ráfia e vendidas ao preço de R$ 2,25. As sacolas de plásticos convencionais foram retiradas de circulação do supermercado. Para o contato com os clientes os colaboradores foram treinados e explicam sobre os benefícios que a redução do uso de sacolas plásticas convencionais e os impactos dessa ação tanto na comunidade, causando poluição e enchentes, como os reflexos positivos em relação à diminuição do uso do plástico (petróleo) e ao aquecimento global. A comunicação também contou com informes espalhados pelo supermercado. Até ocorrer a aceitação completa do projeto o estabelecimento passou a deixar disponível aos clientes algumas caixas de papelão, costumeiramente reaproveitadas pelo próprio supermercado, para servirem de transporte das mercadorias. A nova postura despertou o interesse de outros estabelecimentos do bairro. A adoção do uso de sacolas recicláveis também movimenta a ação de novos

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A empresa Supermercado Ademar, localizada no Jardim São Marcos em Campinas, tem a sustentabilidade no DNA do seu negócio. Foi criada graças a recursos oriundos da venda de material reciclável. Sim, sua proprietária é ex-catadora de “lixo” reciclável nas ruas de Campinas. Maria das Dores Ribeiro Lemes, conhecida como Dalva, abriu o Supermercado Ademar em 1985 que se tornou o maior supermercado da região. O supermercado atende moradores do bairro e de regiões vizinhas como o Jardim Campineiro, o Santa Mônica e o Jardim dos Amarais. Possui 33 funcionários, sete check-outs e área de vendas de 1.200 metros quadrados. Tudo construído com dinheiro economizado da atividade de catadora de material reciclável na rua que exerceu durante 25 anos. O empenho e o respeito ao meio ambiente foram incorporados na rotina do supermercado, onde todos os colaboradores são instruídos sobre a importância da aplicação da reciclagem, reaproveitamento e atitudes que diminuem o desperdício.

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Proprietária Maria das Dores Ribeiro Lemes - “Dalva” Tel. (19) 3246-3178


empreendedores da própria comunidade que viram na fabricação de sacolas recicláveis, uma oportunidade de geração de renda. Valor investido no projeto O valor investido no projeto foi de R$ 2,5 mil, gasto na produção de cada lote de mil sacolas de ráfia. Benefícios gerados O maior benefício gerado para a empresa foi a satisfação de estar contribuindo para a conscientização sobre o uso racional das sacolas plásticas e seus impactos. A mobilização junto à comunidade, que entendeu a necessidade de incorporar uma mudança de postura no ato de consumir. Com isso, a população passou a utilizar além da sacola retornável, alternativas para o transporte das mercadorias adquiridas. O envolvimento dos consumidores ocasionou em uma extensão dos relacionamentos da empresa com a comunidade e uma nova representatividade econômica conquistada pelo supermercado.

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A economia de recursos gerada com o que era anteriormente gasto na compra de sacolas plásticas convencionais, contribuiu para potencializar a gestão interna da empresa. Isso ampliou as possibilidades da empresa melhorar as ações de preservação e uso consciente do material descartado, além da implementação de um programa de fidelização de clientes. A ação reduziu o descarte de 20 mil sacolas plásticas convencionais por mês. A repercussão do projeto gerada através de inúmeras reportagens veiculadas em diferentes mídias de todo o Brasil (Boletim Nosso Varejo – Sindivarejista de Campinas e Região, três matérias no Jornal Correio Popular de Campinas, Matéria para o Fórum de Varejo e Consumo Sustentável do Centro de Excelência no Varejo da Fundação Getúlio Vargas, Matéria no Portal da APAS entre outros), serviu como um aporte publicitário que um estabelecimento como o Supermercado Ademar, do Jardim São Marcos, bairro da periferia de Campinas, jamais conseguiria obter. A divulgação da ação pelos próprios consumidores, a propaganda ‘boca-a-boca’, além de atrair novos consumidores das cercanias vizinhas, atraiu a atenção de uma parcela de clientes que adota a postura de consumir em estabelecimentos que possuem algum grau de preocupação sócio ambiental.


Caso 4

União dos Empreendedores da Vila Arens (UEVA) Porte/Categoria: Entidade Setor Varejista: Associação com diversos varejistas Jundiaí - SP Tel. (11) 3446-0301 e 4607-0706

O bairro foi o berço da industrialização de Jundiaí no início do século 20. Nesse contexto, as indústrias se instalavam no local em busca da proximidade com a ferrovia situada na área. Nessa época, a Vila Arens era conhecida como “Bairro do Pito Aceso”, em virtude da grande quantidade de chaminés e fábricas que se concentravam na região. No entanto, com o desenvolvimento gradativo das rodovias, em todo o País, simultaneamente ao sucateamento das estradas de ferro, tamanha imponência do bairro acabou sucumbindo frente ao crescimento do Centro da cidade, o qual passou a receber todo o prestígio que outrora havia pertencido à Vila Arens. Tanto que, em meados do ano 2001, o bairro já apresentava visível decadência comercial e social. O número de camelôs crescia indiscriminadamente, assim como os índices de violência. Conseqüentemente, veio a queda no faturamento das empresas instaladas na região e a desvalorização dos imóveis tanto comerciais como residenciais. Os bens públicos instalados no local se deterioravam e eram alvos de vandalismo. Com a certeza de que nada mudaria a situação, caso o segmento empresarial não tomasse a iniciativa, tendo em vista ser o setor que mais ansiava pela recuperação do bairro, e buscando mobilizar a categoria, que já se encontrava entregue à própria sorte, um grupo de empresários pesquisou e comparou, por meio de filmagens em São Paulo - SP, ruas com históricos comerciais semelhantes aos dos ‘tempos de ouro’ da Vila Arens, o resultado causado na capital era de abandono e falência dos empreendedores paulistanos e o que já se verificava no bairro jundiaiense.

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O bairro da Vila Arens está localizado na região sul do município de Jundiaí. É uma zona com predominância residencial, mas com uma diversidade muito grande na área comercial e de serviços. A região conta com aproximadamente 780 empresas subdivididas em 166 categorias diferentes. O nome “Arens” é uma referência direta à antiga Fundição Arens.

foto: Fabio Barros

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Contato Paulo Costa Proprietário da empresa: McDonald’s Jundiaí Tel. comercial: (11) 4586-4752 psacosta@terra.com.br


As filmagens, apresentadas em assembléia geral com toda a comunidade da Vila Arens, não poderiam ser mais desesperadoras. Ruas como a Av. São João, Alcântara Machado e a Avenida Celso Garcia, que na década de 70, haviam tido destaque na área econômica, no momento se limitavam a abrigar mendigos por suas calçadas e uma infinidade de camelôs, os quais tapavam as poucas frentes de lojas que ainda teimavam em resistir. Outro fator preocupante, que também já se apresentava na Vila Arens, era os inúmeros imóveis postos à venda ou para locação. Com suas fachadas deterioradas por ação de vândalos, que as pichavam, os bairros visitados em nada deixavam a desejar perante as cinematográficas ‘cidades-fantasmas’ tão presentes em filmes de terror e de velho-oeste. Sem representatividade no cenário local, os empreendedores, já cansados de tanta indiferença por parte dos poderes públicos, resolveram se unir e criar, em 17 de abril de 2001, a União dos Empreendedores da Vila Arens UEVA. A partir daí, não seria mais preciso implorar por apoios ou parcerias. O projeto, que se concretizou dando voz ao slogan “A união faz a força”, frase recorrente até hoje em reuniões e encontros dos associados, vem exercendo desde então sua responsabilidade social: trazer o bairro à tona e, com isso, fazer com que moradores, empreendedores e funcionários sintam orgulho de pertencerem ao bairro que um dia foi o berço da industrialização de Jundiaí. 24

Responsabilidade Social A UEVA entende como responsabilidade social a maneira ética e transparente de relacionamento com todos os seus pares (empreendedores, empresas, moradores e meio ambiente). A instituição serve como elo entre os segmentos detentores de um mesmo propósito, ou seja, fazer a região voltar a prosperar de forma sustentável e ordenada, gerando empregos e receita ao município, além de minimizar os problemas decorrentes da ociosidade econômica. Inserido nessa responsabilidade está, também, o papel de suprimir os efeitos colaterais que chegam junto com o crescimento da região, ou seja, aumento da criminalidade, poluição visual, sonora e de ruas, além da saturação de suas vias, com o aumento de tráfego de veículos e pedestres. Antes da criação da UEVA, existiam entre 5 e 10 camelôs trabalhando nas ruas do bairro, que contava até então, com apenas 480 pontos de comércio e serviços, dos quais, cerca de 120 (25%) se encontravam fechados sem quaisquer motivos apresentados. A situação da Vila Arens se transformou completamente após a criação da UEVA. Hoje, existem cerca de 780 estabelecimentos, com menos de dez fechados, e mesmo assim, motivados por ampliações, reformas ou até deslocamento de ponto. Quanto aos camelôs, esses já não fazem mais parte da realidade da região.


A geração de empregos também é visível, com a estabilidade e o interesse de grandes redes pela região, como é o caso das Casas Bahia, por exemplo. Ao todo, a média de empregos criados no período compreendido entre o ano de 2001 (criação da UEVA) e início de 2008, foi próxima de 5.000 (cinco mil).

Muito importante na revitalização da região também foi o interesse de empreendedores imobiliários que estão adquirindo antigas fábricas para criar os chamados “residenciais clubes”. Esses números demonstram claramente o perfil de público interessado na Vila Arens, após todo o processo de revolução proporcionado na região nos últimos 7 anos: formadores de opinião e com poder aquisitivo classificado nas classes A e B.

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O resultado pode ser facilmente verificado com o aumento de faturamento de alguns empreendimentos, como por exemplo a franquia do Mc Donald´s, localizada na rua Vigário J. J. Rodrigues, que contabilizou um crescimento, entre 2001, ano de sua inauguração, e 2008, de 300%. Outros empreendedores independentes chegaram a índices superiores a 200%.

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Dessa forma, considerando ter havido, segundo dados do IBGE de 2007, pequeno crescimento populacional fixo, ou seja, residentes no bairro, da ordem de 1,3%, entre 2000 e 2007, e que a taxa de população flutuante, isto é, composta por empregados e empreendedores, cresceu vertiginosamente, atingindo cerca de 20 mil pessoas, acredita-se que a renda per capita do bairro, após a UEVA, tenha superado os 100 pontos percentuais.


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Outras inspirações e Referências

Sindivarejista – Sindicato do Comércio Varejista www.sindivarejistacampinas.org.br Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo - GVcev - FGV-EAESP www.varejosustentavel.com.br

Sustentabilidade e Responsabilidade Social Akatu – Instituto Akatu - Consumo Consciente www.akatu.org.br Centro de Estudos em Sustentabilidade - FGV-Ces www.ces.fgvsp.br Ecoprático - TV Cultura www.ecopratico.com.br Ethos - Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social www.ethos.org.br Empresa Verde - Blog Revista Época - Negócios colunas.epocanegocios.globo.com/empresaverde Greenpeace www.greenpeace.org Kairós - Instituto Kairós www.institutokairos.org.br Mercado Ético www.mercadoetico.terra.com.br Mundo Sustentável www.mundosustentavel.com.br Observatório Social www.observatoriosocial.org.br Página 22 www.pagina22.com.br

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD www.pnud.org.br Projeto Terra www.projetoterra.org.br The Natural Step (TNS) www.naturalstep.org Varejo Sustentável Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo - GVcev - FGV-EAESP www.varejosustentavel.com.br WWF-Brasil www.wwf.org.br

Alimentação Saudável Vida Simples vidasimples.abril.com.br Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC) www.ecocentro.org Mesa Brasil - Livros de receitas www.sescsp.org.br/sesc/mesabrasilsp Pastoral da Criança www.pastoraldacrianca.org.br Fome Zero www.fomezero.gov.br

Certificações e Selos Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (ABRINQ) www.abrinq.com.br Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) www.abnt.org.br

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Conexão Social www.conexaosocial.org.br

Planeta Sustentável www.planetasustentavel.abril.com.br

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Sites


FairTrade www.fairtrade.net

Sociedade do Sol www.sociedadedosol.org.br

FSC Brasil www.fsc.org.br

Universidade da Água www.uniagua.org.br

Instituto Biodinâmico (IBD) www.ibd.com.br

Memória

Procel www.eletrobras.gov.br/procel

Museu da Pessoa www.museudapessoa.net Projeto Memórias do Comércio de Campinas www.museudapessoa.net/sesccampinas

Consumo Sustentável Akatu – Instituto Akatu www.akatu.org.br Coleção Consumo Sustentável e Ação – ONG 5 Elementos www.5elementos.org.br Catálogo Sustentável www.catalogosustentavel.com.br Companhia Paulista de Força e Luz www.cpfl.com.br 28

Compra Consciente - Buscapé compraconsciente.buscape.com.br Energia Eficiente www.energiaeficiente.com.br Escola Água Cidadã peac.phsantana.infinitehost.com.br Foot Print - Pegada Ecológica www.footprintnetwork.org Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor www.idec.org.br

Repensar, Reduzir, Repensar e Reciclar Akatu - Campanha “1/3 de tudo que você compra vai direto para o lixo” www.akatu.org.br/sites/desperdicio/ Associação Brasileira de Embalagem www.abre.org.br Comitê da Democratização da Informática CDI Campinas - lixo eletrônico www.cdicampinas.org.br Compromisso Empresarial para Reciclagem CEMPRE www.cempre.org.br Embalagem Sustentável embalagemsustentavel.wordpress.com Saco é um Saco - Campanha do Ministério do Meio Ambiente www.sacoeumsaco.com.br Sacola Ecológica Permanente www.sacolapermanente.org.br

Kairós - Instituto Kairós www.institutokairos.org.br

Livros

Ministério do Meio Ambiente www.mma.gov.br

A Árvore do Conhecimento Humberto R. Maturana e Francisco J. Varela, Editora Palas Athena

OndAzul - Fundação Movimento OndAzul www.ondazul.org.br Pegada Ecológica www.pegadaecologica.org.br Portal do Consumidor www.portaldoconsumidor.gov.br

Desenvolvimento Sustentável: Que Bicho é Esse? Jose Eli da Veiga e Lia Zatz, Editora Autores Associados Varejo Socialmente Responsável Coordenação Jacob Jacques Gelman e Juracy Parente, Editora Bookman


Publicação Fórum de Varejo e Consumo Sustentável: experiências, debates e desafios Coordenação Juracy Parente, Jacob Jacques Gelman, Roberta Cardoso

O Buraco Branco no Tempo Direção de Peter Russel, EUA, 2008

Filmes

Super Size Me - A Dieta do Palhaço Dirigido e protagonizado por Morgan Spurlock, EUA, 2004

Syrianna Direção de Stephen Gaghan – Warner Bros, EUA, 2006

A História das Coisas De Annie Leonard The Story Stuff - www.storyofstuff.com

Dossiê Universo Jovem MTV www.mtv.uol.com.br/dossie/ Guia do Consumo Sustentável do Comerciante Varejista

The Corporation Direção de Mark Achbar e Jennifer Abbott; Roteiro: Joel Bakan, Canadá, 2004 Os Deuses Devem Estar Loucos Direção de Jamie Uys, Botsuana/África do Sul, 1980 Desenho “Os Simpsons” - Especial para o Dia das Bruxas V – Tempo e Castigo Direção de Matt Groening Erin Brockovich Direção de Steven Soderbergh, EUA, 1998 Uma verdade inconveniente Direção de Davis Guggenheim, EUA, 2006

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Zugzwang Direção de Duto Sperry, Brasil, 2009 Home - Nosso Planeta, Nossa Casa Direção de Yann Arthus-Bertrand, França, 2009 Ilha das flores Direção de Jorge Furtado, Brasil, 1989 Delírios de Consumo de Becky Bloom Direção de P.J. Hogan, EUA, 2009 Simpsons, o Filme Direção de David Silverman, EUA, 2007 Criança, A Alma do Negócio - Documentário De Estela Renner, Brasil www.alana.org.br/CriancaConsumo (download) Saindo da Lixeira - Documentário Do Grupo Alma Ambiental, Brasil Surplus: Terrorized Into Being Consumers - Documentário Suécia, 2009

“O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia” Guimarães Rosa


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Informações e dicas práticas para o varejista implementar no seu negócio. Ações simples que trazem resultados na gestão e para um mundo melh...

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