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Ano I - No 3- Junho/ 2010

Pet Saúde

Pet Sangue Bom!

Felinos em Foco

Identificação (plaquinha e microchip) sempre!

Entrevista

Animais em Pauta

Trabalho Pet

Essa terapia é animal

Pets torcedores Seu animalzinho gosta de futebol ou foge só de ver a bola rolando?


Editorial Caros leitores, Sem demagogia alguma, não há como agradecer tanto carinho e apoio. A cada edição, recebemos mensagens de incentivo que nos fazem acreditar cada vez mais em nosso trabalho e termos certeza de estarmos trilhando o caminho certo. Nesta edição, aproveitando que o Brasil inteiro está em ritmo de Copa, resolvemos presentear vocês com alguns pets torcedores. São histórias engraçadas de cães e gatos que torcem com a família, e até mesmo aqueles que se arriscam nos dribles. Também damos dicas para aplacar o medo de fogos e cornetas, tão comum em nossos amigos caninos. Falamos também da importância da doação de sangue em animais. Você sabia que eles também têm um banco de sangue e assim como nós sofrem com a escassez de doadores? Temos ainda uma interessante entrevista com o deputado Ricardo Tripoli, que fala um pouco de seu trabalho na defesa dos animais. Isso e muito mais você confere nas páginas a seguir. Espero que apreciem mais uma vez! Grande abraço, Vivian Lemos Editora vivian@conexaopet.com.br

Sumário

Expediente Múltipla Edições Ltda. Rua Conselheiro Laurindo, 600 cj.1101 CEP: 81020-230 Curitiba/PR Tel.: (41)3016-4843

Direção e Edição:

Vivian Lemos – MTB: 26122/RJ vivian@conexaopet.com.br

4

Mensagem dos Leitores

Daniele Knofel daniknofel@gmail.com

5

Classificados

Comercial:

6

Pet Notas

10

Felinos em Foco

12

Pet Saúde

16

Pet Comportamento

24

Pets torcedores

30

Celebridades do Bem

32

Trabalho Pet

36

Vitrine Pet

Criação e Design:

Thaisa Costa comercial@conexaopet.com.br

Sugestões, críticas e dúvidas: faleconosco@conexaopet.com.br

A revista virtual Conexão Pet em revista é uma publicação da Múltipla Edições. Todos os direitos reservados. Cópia de matérias são autorizadas desde que citada a devida fonte.

Agradecimentos: George Thomaz Harrison John Polis Marúcia Andrade Rosana Gnipper Thays Martinez.

38

Perfil Pet : Ricardo Tripoli


Editorial Caros leitores, Sem demagogia alguma, não há como agradecer tanto carinho e apoio. A cada edição, recebemos mensagens de incentivo que nos fazem acreditar cada vez mais em nosso trabalho e termos certeza de estarmos trilhando o caminho certo. Nesta edição, aproveitando que o Brasil inteiro está em ritmo de Copa, resolvemos presentear vocês com alguns pets torcedores. São histórias engraçadas de cães e gatos que torcem com a família, e até mesmo aqueles que se arriscam nos dribles. Também damos dicas para aplacar o medo de fogos e cornetas, tão comum em nossos amigos caninos. Falamos também da importância da doação de sangue em animais. Você sabia que eles também têm um banco de sangue e assim como nós sofrem com a escassez de doadores? Temos ainda uma interessante entrevista com o deputado Ricardo Tripoli, que fala um pouco de seu trabalho na defesa dos animais. Isso e muito mais você confere nas páginas a seguir. Espero que apreciem mais uma vez! Grande abraço, Vivian Lemos Editora vivian@conexaopet.com.br

Sumário

Expediente Múltipla Edições Ltda. Rua Conselheiro Laurindo, 600 cj.1101 CEP: 81020-230 Curitiba/PR Tel.: (41)3016-4843

Direção e Edição:

Vivian Lemos – MTB: 26122/RJ vivian@conexaopet.com.br

4

Mensagens dos Leitores

Daniele Knofel daniknofel@gmail.com

5

Classificados

Comercial:

6

Pet Notas

10

Felinos em Foco

12

Pet Saúde

16

Pet Comportamento

24

Pets torcedores

30

Celebridades do Bem

32

Trabalho Pet

36

Vitrine Pet

Criação e Design:

Thaisa Costa comercial@conexaopet.com.br

Sugestões, críticas e dúvidas: faleconosco@conexaopet.com.br

A revista virtual Conexão Pet em revista é uma publicação da Múltipla Edições. Todos os direitos reservados. Cópia de matérias são autorizadas desde que citada a devida fonte.

Agradecimentos: George Thomaz Harrison John Polis Marúcia Andrade Rosana Gnipper Thays Martinez.

38

Perfil Pet : Ricardo Tripoli


Classificados Se você tiver alguma dúvida, crítica ou sugestão envie sua mensagem para faleconosco@conexaopet.com.br e ela poderá ser publicada aqui.

Mensagens dos leitores Excelente, muito bom e gratificante saber que temos mais uma revista voltada para o mercado pet brasileiro. Parabéns, galera! Coloquem algo sobre mercado de tosa brasileiro. MIGUEL TOMÉ Creative Grommer Campinas/SP Parabéns pela iniciativa, sucesso! José Renato Ribeiro de Carvalho Guaratinguetá/SP Parabéns pelo trabalho e excelente site. Se possível, solicito divulgação de nosso site: Bichos do Campus/ADAACUFRGS www.bichosdocampus.ufrgs.br Muito obrigada e sucesso! Carmem Cunha Porto Alegre/RS Excelente a matéria sobre as telas para gatos. Parabéns a Dra. Marúcia. Aonde posso encontrá-la? Obrigado. Paulo A. Zunino Florianópolis/SC Desde que descobri esta revista procuro visitar todos os dias. Saudações a todos os amigos dos melhores amigos. Auauauau...... Admilson Pinto Maringá/PR

4

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Classificados Se você tiver alguma dúvida, crítica ou sugestão envie sua mensagem para faleconosco@conexaopet.com.br e ela poderá ser publicada aqui.

Mensagens dos leitores Excelente, muito bom e gratificante saber que temos mais uma revista voltada para o mercado pet brasileiro. Parabéns, galera! Coloquem algo sobre mercado de tosa brasileiro. MIGUEL TOMÉ Creative Grommer Campinas/SP Parabéns pela iniciativa, sucesso! José Renato Ribeiro de Carvalho Guaratinguetá/SP Parabéns pelo trabalho e excelente site. Se possível, solicito divulgação de nosso site: Bichos do Campus/ADAACUFRGS www.bichosdocampus.ufrgs.br Muito obrigada e sucesso! Carmem Cunha Porto Alegre/RS Excelente a matéria sobre as telas para gatos. Parabéns a Dra. Marúcia. Aonde posso encontrá-la? Obrigado. Paulo A. Zunino Florianópolis/SC Desde que descobri esta revista procuro visitar todos os dias. Saudações a todos os amigos dos melhores amigos. Auauauau...... Admilson Pinto Maringá/PR

4

5


Pet Notas

Reprodução

Passaporte para cães e gatos

Arranhador de papelão

Em pouco mais de dois meses quem quiser sair do país terá um passaporte de trânsito específico para o seu cão ou gato de estimação, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O passaporte irá agilizar os procedimentos de embarque e desembarque. No documento irão constar informações como vacinas, tratamentos e exames clínicos. Para obter o documento, o proprietário deve procurar um médico veterinário em estabelecimento especializado e implantar microchip no animal para facilitar a sua identificação em qualquer país. No ano passado foram inspecionados 15 mil animais de companhia nos três principais aeroportos brasileiros.

Todo mundo que tem gato - e mesmo quem não tem - sabe que os bichanos gostam e precisam afiar constantemente as unhas. Existem diversos produtos no mercado pet com este propósito, como os conhecidos postes de afiar unhas e uma centena de itens acarpetados. Caso não tenham algo específico, sofás, cortinas e o que mais você imaginar vão ser vítimas das garrinhas gatunas. "Por que então não criar algo mais estiloso?" - Foi o que pensou o Moderncat Studio e surgiu assim o "Wave", um sensacional arranhador feito em papelão. O mais bacana é que ele não usa cola, adesivos ou qualquer tipo de produto químico: apenas uma moldura de alumínio, tiras de papelão e 3 parafusos que juntam tudo. Além disto o seu formato é feito para ficar pendurado em maçanetas de porta e a alça arredondada é revestida de silicone para proteger o metal delas. Custa 45 dólares e cada refil completo de papelão, 20.

60 cães-guias

Reprodução/ Blog Bem Legaus

É o número de animais que auxiliam deficientes visuais em todo o país. Uma quantidade muito pequena em relação aos 2 milhões de deficientes visuais brasileiros. A discrepância de números é explicada por Fabiano Pereira, instrutor da Federação Internacional de Escolas de Cães-Guias (IGDF), pelo valor para treinamento e capacitação dos animais: R$ 25 mil por animal treinado. Altrendo images/Getty

7

6

Camas a prova de patas

Boião de cachorro

Os amantes dos felinos sabem o estrago que suas afiadas unhas podem fazer em roupas de cama novinhas. Para deixar seu amiguinho de quatro patas tirar uma soneca na sua cama e não se deparar com furinhos, os norte-americanos já contam com um protetor chamado Pawsoff (algo como Fora Patas!). O produto foi fabricado com o objetivo de proteger nossas camas de odores, pelos, germes, furos e outras cositas más. Vamos torcer para que chegue logo em nossa terrinha!

O "Pool Float Dog" é fabricado em tecido revestido de vinil resistente a perfurações e espuma ultraflutuante, garantindo que os cachorros possam tomar sol e relaxar sem o risco de cair na água. São três tamanhos e BBC duas opções de cores que não mancham, desbotam ou mofam graças a um tratamento especial que o vinil recebe. Sem falar que fora d'água serve como uma gostosa caminha. Destinada a cachorros bem nascidos e que têm piscina em casa, o que eu queria ver é se algum gato endinheirado encararia a brincadeira.

Reprodução/ People Pets

Fontes: Gazeta do Povo, Blog Bem Legaus e People Pets.

Chocolate do bem: Gostoso para você e bom para os cães Geralmente chocolate e cães podem resultar numa mistura mortal, mas a confeiteira Sarah Gross encontrou uma solução. “Animais e chocolate são as minhas paixões. Queria encontrar uma maneira de uni-las”. Foi o que ela fez com o lançamento do Chocolate do Resgate (Rescue Chocolate), delicioso chocolate gourmet que vem em embalagens que ressaltam a importância do resgate de cães e das doações para abrigos. Sarah afirma que 100% do lucro líquido com a venda dos chocolates é destinado ao resgate de animais nos Estados Unidos. “É a maneira mais doce de salvar vidas”. 8

Reprodução/ Blog Bem Legaus

Reprodução/ People Pets

9

Paulo Toledo Piza/G1


Pet Notas

Reprodução

Passaporte para cães e gatos

Arranhador de papelão

Em pouco mais de dois meses quem quiser sair do país terá um passaporte de trânsito específico para o seu cão ou gato de estimação, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O passaporte irá agilizar os procedimentos de embarque e desembarque. No documento irão constar informações como vacinas, tratamentos e exames clínicos. Para obter o documento, o proprietário deve procurar um médico veterinário em estabelecimento especializado e implantar microchip no animal para facilitar a sua identificação em qualquer país. No ano passado foram inspecionados 15 mil animais de companhia nos três principais aeroportos brasileiros.

Todo mundo que tem gato - e mesmo quem não tem - sabe que os bichanos gostam e precisam afiar constantemente as unhas. Existem diversos produtos no mercado pet com este propósito, como os conhecidos postes de afiar unhas e uma centena de itens acarpetados. Caso não tenham algo específico, sofás, cortinas e o que mais você imaginar vão ser vítimas das garrinhas gatunas. "Por que então não criar algo mais estiloso?" - Foi o que pensou o Moderncat Studio e surgiu assim o "Wave", um sensacional arranhador feito em papelão. O mais bacana é que ele não usa cola, adesivos ou qualquer tipo de produto químico: apenas uma moldura de alumínio, tiras de papelão e 3 parafusos que juntam tudo. Além disto o seu formato é feito para ficar pendurado em maçanetas de porta e a alça arredondada é revestida de silicone para proteger o metal delas. Custa 45 dólares e cada refil completo de papelão, 20.

60 cães-guias

Reprodução/ Blog Bem Legaus

É o número de animais que auxiliam deficientes visuais em todo o país. Uma quantidade muito pequena em relação aos 2 milhões de deficientes visuais brasileiros. A discrepância de números é explicada por Fabiano Pereira, instrutor da Federação Internacional de Escolas de Cães-Guias (IGDF), pelo valor para treinamento e capacitação dos animais: R$ 25 mil por animal treinado. Altrendo images/Getty

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Camas a prova de patas

Boião de cachorro

Os amantes dos felinos sabem o estrago que suas afiadas unhas podem fazer em roupas de cama novinhas. Para deixar seu amiguinho de quatro patas tirar uma soneca na sua cama e não se deparar com furinhos, os norte-americanos já contam com um protetor chamado Pawsoff (algo como Fora Patas!). O produto foi fabricado com o objetivo de proteger nossas camas de odores, pelos, germes, furos e outras cositas más. Vamos torcer para que chegue logo em nossa terrinha!

O "Pool Float Dog" é fabricado em tecido revestido de vinil resistente a perfurações e espuma ultraflutuante, garantindo que os cachorros possam tomar sol e relaxar sem o risco de cair na água. São três tamanhos e BBC duas opções de cores que não mancham, desbotam ou mofam graças a um tratamento especial que o vinil recebe. Sem falar que fora d'água serve como uma gostosa caminha. Destinada a cachorros bem nascidos e que têm piscina em casa, o que eu queria ver é se algum gato endinheirado encararia a brincadeira.

Reprodução/ People Pets

Fontes: Gazeta do Povo, Blog Bem Legaus e People Pets.

Chocolate do bem: Gostoso para você e bom para os cães Geralmente chocolate e cães podem resultar numa mistura mortal, mas a confeiteira Sarah Gross encontrou uma solução. “Animais e chocolate são as minhas paixões. Queria encontrar uma maneira de uni-las”. Foi o que ela fez com o lançamento do Chocolate do Resgate (Rescue Chocolate), delicioso chocolate gourmet que vem em embalagens que ressaltam a importância do resgate de cães e das doações para abrigos. Sarah afirma que 100% do lucro líquido com a venda dos chocolates é destinado ao resgate de animais nos Estados Unidos. “É a maneira mais doce de salvar vidas”. 8

Reprodução/ Blog Bem Legaus

Reprodução/ People Pets

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Paulo Toledo Piza/G1


Pet Notas

Reprodução

Passaporte para cães e gatos

Arranhador de papelão

Em pouco mais de dois meses quem quiser sair do país terá um passaporte de trânsito específico para o seu cão ou gato de estimação, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O passaporte irá agilizar os procedimentos de embarque e desembarque. No documento irão constar informações como vacinas, tratamentos e exames clínicos. Para obter o documento, o proprietário deve procurar um médico veterinário em estabelecimento especializado e implantar microchip no animal para facilitar a sua identificação em qualquer país. No ano passado foram inspecionados 15 mil animais de companhia nos três principais aeroportos brasileiros.

Todo mundo que tem gato - e mesmo quem não tem - sabe que os bichanos gostam e precisam afiar constantemente as unhas. Existem diversos produtos no mercado pet com este propósito, como os conhecidos postes de afiar unhas e uma centena de itens acarpetados. Caso não tenham algo específico, sofás, cortinas e o que mais você imaginar vão ser vítimas das garrinhas gatunas. "Por que então não criar algo mais estiloso?" - Foi o que pensou o Moderncat Studio e surgiu assim o "Wave", um sensacional arranhador feito em papelão. O mais bacana é que ele não usa cola, adesivos ou qualquer tipo de produto químico: apenas uma moldura de alumínio, tiras de papelão e 3 parafusos que juntam tudo. Além disto o seu formato é feito para ficar pendurado em maçanetas de porta e a alça arredondada é revestida de silicone para proteger o metal delas. Custa 45 dólares e cada refil completo de papelão, 20.

60 cães-guias

Reprodução/ Blog Bem Legaus

É o número de animais que auxiliam deficientes visuais em todo o país. Uma quantidade muito pequena em relação aos 2 milhões de deficientes visuais brasileiros. A discrepância de números é explicada por Fabiano Pereira, instrutor da Federação Internacional de Escolas de Cães-Guias (IGDF), pelo valor para treinamento e capacitação dos animais: R$ 25 mil por animal treinado. Altrendo images/Getty

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Camas a prova de patas

Boião de cachorro

Os amantes dos felinos sabem o estrago que suas afiadas unhas podem fazer em roupas de cama novinhas. Para deixar seu amiguinho de quatro patas tirar uma soneca na sua cama e não se deparar com furinhos, os norte-americanos já contam com um protetor chamado Pawsoff (algo como Fora Patas!). O produto foi fabricado com o objetivo de proteger nossas camas de odores, pelos, germes, furos e outras cositas más. Vamos torcer para que chegue logo em nossa terrinha!

O "Pool Float Dog" é fabricado em tecido revestido de vinil resistente a perfurações e espuma ultraflutuante, garantindo que os cachorros possam tomar sol e relaxar sem o risco de cair na água. São três tamanhos e BBC duas opções de cores que não mancham, desbotam ou mofam graças a um tratamento especial que o vinil recebe. Sem falar que fora d'água serve como uma gostosa caminha. Destinada a cachorros bem nascidos e que têm piscina em casa, o que eu queria ver é se algum gato endinheirado encararia a brincadeira.

Reprodução/ People Pets

Fontes: Gazeta do Povo, Blog Bem Legaus e People Pets.

Chocolate do bem: Gostoso para você e bom para os cães Geralmente chocolate e cães podem resultar numa mistura mortal, mas a confeiteira Sarah Gross encontrou uma solução. “Animais e chocolate são as minhas paixões. Queria encontrar uma maneira de uni-las”. Foi o que ela fez com o lançamento do Chocolate do Resgate (Rescue Chocolate), delicioso chocolate gourmet que vem em embalagens que ressaltam a importância do resgate de cães e das doações para abrigos. Sarah afirma que 100% do lucro líquido com a venda dos chocolates é destinado ao resgate de animais nos Estados Unidos. “É a maneira mais doce de salvar vidas”. 8

Reprodução/ Blog Bem Legaus

Reprodução/ People Pets

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Paulo Toledo Piza/G1


Pet Notas

Reprodução

Passaporte para cães e gatos

Arranhador de papelão

Em pouco mais de dois meses quem quiser sair do país terá um passaporte de trânsito específico para o seu cão ou gato de estimação, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O passaporte irá agilizar os procedimentos de embarque e desembarque. No documento irão constar informações como vacinas, tratamentos e exames clínicos. Para obter o documento, o proprietário deve procurar um médico veterinário em estabelecimento especializado e implantar microchip no animal para facilitar a sua identificação em qualquer país. No ano passado foram inspecionados 15 mil animais de companhia nos três principais aeroportos brasileiros.

Todo mundo que tem gato - e mesmo quem não tem - sabe que os bichanos gostam e precisam afiar constantemente as unhas. Existem diversos produtos no mercado pet com este propósito, como os conhecidos postes de afiar unhas e uma centena de itens acarpetados. Caso não tenham algo específico, sofás, cortinas e o que mais você imaginar vão ser vítimas das garrinhas gatunas. "Por que então não criar algo mais estiloso?" - Foi o que pensou o Moderncat Studio e surgiu assim o "Wave", um sensacional arranhador feito em papelão. O mais bacana é que ele não usa cola, adesivos ou qualquer tipo de produto químico: apenas uma moldura de alumínio, tiras de papelão e 3 parafusos que juntam tudo. Além disto o seu formato é feito para ficar pendurado em maçanetas de porta e a alça arredondada é revestida de silicone para proteger o metal delas. Custa 45 dólares e cada refil completo de papelão, 20.

60 cães-guias

Reprodução/ Blog Bem Legaus

É o número de animais que auxiliam deficientes visuais em todo o país. Uma quantidade muito pequena em relação aos 2 milhões de deficientes visuais brasileiros. A discrepância de números é explicada por Fabiano Pereira, instrutor da Federação Internacional de Escolas de Cães-Guias (IGDF), pelo valor para treinamento e capacitação dos animais: R$ 25 mil por animal treinado. Altrendo images/Getty

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Camas a prova de patas

Boião de cachorro

Os amantes dos felinos sabem o estrago que suas afiadas unhas podem fazer em roupas de cama novinhas. Para deixar seu amiguinho de quatro patas tirar uma soneca na sua cama e não se deparar com furinhos, os norte-americanos já contam com um protetor chamado Pawsoff (algo como Fora Patas!). O produto foi fabricado com o objetivo de proteger nossas camas de odores, pelos, germes, furos e outras cositas más. Vamos torcer para que chegue logo em nossa terrinha!

O "Pool Float Dog" é fabricado em tecido revestido de vinil resistente a perfurações e espuma ultraflutuante, garantindo que os cachorros possam tomar sol e relaxar sem o risco de cair na água. São três tamanhos e BBC duas opções de cores que não mancham, desbotam ou mofam graças a um tratamento especial que o vinil recebe. Sem falar que fora d'água serve como uma gostosa caminha. Destinada a cachorros bem nascidos e que têm piscina em casa, o que eu queria ver é se algum gato endinheirado encararia a brincadeira.

Reprodução/ People Pets

Fontes: Gazeta do Povo, Blog Bem Legaus e People Pets.

Chocolate do bem: Gostoso para você e bom para os cães Geralmente chocolate e cães podem resultar numa mistura mortal, mas a confeiteira Sarah Gross encontrou uma solução. “Animais e chocolate são as minhas paixões. Queria encontrar uma maneira de uni-las”. Foi o que ela fez com o lançamento do Chocolate do Resgate (Rescue Chocolate), delicioso chocolate gourmet que vem em embalagens que ressaltam a importância do resgate de cães e das doações para abrigos. Sarah afirma que 100% do lucro líquido com a venda dos chocolates é destinado ao resgate de animais nos Estados Unidos. “É a maneira mais doce de salvar vidas”. 8

Reprodução/ Blog Bem Legaus

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Paulo Toledo Piza/G1


Felinos em Foco

Identificação (plaquinha e microchip) sempre!!!!

Por Marúcia de Andrade Cruz*

Os nossos companheiros têm uma noção de direção excelente, mas muitas coisas podem acontecer em uma pequena voltinha... Lembrem que nossos protegidos não falam a nossa língua, e não serão compreendidos quando precisarem de ajuda. Quantas vezes não nos perdemos em locais muitas vezes conhecidos??!!! E num simples ato de perguntar a direção correta já resolvemos nosso problema!! Agora imaginem em um mundo repleto de sons, odores e movimentos e que ninguém entende a sua língua??? Difícil encontrar o caminho certo, não é mesmo??!! Por isso a importância de mantermos nossos companheiros com informações importantes e de fácil observação,

10

como nome e número de telefone, principalmente! Podem ser gravados em uma plaquinha de identificação, ou até mesmo escritos na face interna ou externa da coleira. Lembrem-se sempre de colocar um número de telefone que alguém atenda! Quem sabe até o número da clínica veterinária onde eles são atendidos regularmente, mas não esqueçam de avisar o responsável pela clínica. Se o espaço permitir a informação CASTRADO(A) também é interessante. Só para ressaltar: O CONTROLE POPULACIONAL É UM ATO DE AMOR!!! Visualizar a identificação é a maneira mais rápida de alguém poder ajudar seu amigo perdido. Isto mesmo: perdido!!!! Pois ninguém planeja perder-se ou perder alguém, por isso não relute em identificá-lo, mesmo que ele permaneça em uma residência que não haja possibilidade de fuga... pois, eventualmente poderá acontecer algo não planejado, como a abertura e não fechamento adequado de portas, janelas ou portões. Acredite, na grande maioria das vezes, as pessoas que se aproximam de um animal perdido têm a intenção de ajudar, e muitas vezes quando eles estão com plaquinhas de identificação as chances de alguém parar e fazer contato são maiores e com sucesso de 100% do encontro das partes (animal perdido e seu responsável desesperado!!!!). Existem outras maneiras de identificação, como o microchip, que está sendo implantado através da parceria Prefeitura Municipal de Curitiba e médicos veterinários, leia maiores informações no site: www.protecaoanimal.curitiba.pr.gov.br

A microchipagem é muito importante, pois as informações de cada animal microchipado é colocado em um banco de dados que pode ser facilmente acessado!!! Mas, como não pode ser vista sem a utilização de um aparelho detector do microchip não substitui a identificação externa, por isso a melhor escolha é a soma das duas identificações, pois o microchip tem a vantagem de não ser perdido como a coleira!! E por comentar coleira... Importante que a colocação das coleiras seja confortável para o animal, que não o machuque e que permita a fácil retirada caso ele se enrosque em algum local. Lembrando que a coleira com identificação tem a intenção de IDENTIFICAR seu amigo e não de contê-lo! PROCURE IDENTIFICAR SEUS MELHOOOORES AMIGOS URGENTEMENTE E CADASTRÁ-LOS NO SITE ACIMA PARA PROCEDER A IMPLANTAÇÃO DO MICROCHIP!!!! A GUARDA-RESPONSÁVEL É UM ATO DE AMOR!!! SEJA COMPROMETIDO COM O BEMESTAR E A SAÚDE DE SEU COMPANHEIRO!!! * MV, MsC, Marúcia de Andrade Cruz (CRMV 4357/PR) Médica Veterinária, Clínica Veterinária Mania de Gato Professora Clínica de Gatos, UTP

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Felinos em Foco

Identificação (plaquinha e microchip) sempre!!!!

Por Marúcia de Andrade Cruz*

Os nossos companheiros têm uma noção de direção excelente, mas muitas coisas podem acontecer em uma pequena voltinha... Lembrem que nossos protegidos não falam a nossa língua, e não serão compreendidos quando precisarem de ajuda. Quantas vezes não nos perdemos em locais muitas vezes conhecidos??!!! E num simples ato de perguntar a direção correta já resolvemos nosso problema!! Agora imaginem em um mundo repleto de sons, odores e movimentos e que ninguém entende a sua língua??? Difícil encontrar o caminho certo, não é mesmo??!! Por isso a importância de mantermos nossos companheiros com informações importantes e de fácil observação,

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como nome e número de telefone, principalmente! Podem ser gravados em uma plaquinha de identificação, ou até mesmo escritos na face interna ou externa da coleira. Lembrem-se sempre de colocar um número de telefone que alguém atenda! Quem sabe até o número da clínica veterinária onde eles são atendidos regularmente, mas não esqueçam de avisar o responsável pela clínica. Se o espaço permitir a informação CASTRADO(A) também é interessante. Só para ressaltar: O CONTROLE POPULACIONAL É UM ATO DE AMOR!!! Visualizar a identificação é a maneira mais rápida de alguém poder ajudar seu amigo perdido. Isto mesmo: perdido!!!! Pois ninguém planeja perder-se ou perder alguém, por isso não relute em identificá-lo, mesmo que ele permaneça em uma residência que não haja possibilidade de fuga... pois, eventualmente poderá acontecer algo não planejado, como a abertura e não fechamento adequado de portas, janelas ou portões. Acredite, na grande maioria das vezes, as pessoas que se aproximam de um animal perdido têm a intenção de ajudar, e muitas vezes quando eles estão com plaquinhas de identificação as chances de alguém parar e fazer contato são maiores e com sucesso de 100% do encontro das partes (animal perdido e seu responsável desesperado!!!!). Existem outras maneiras de identificação, como o microchip, que está sendo implantado através da parceria Prefeitura Municipal de Curitiba e médicos veterinários, leia maiores informações no site: www.protecaoanimal.curitiba.pr.gov.br

A microchipagem é muito importante, pois as informações de cada animal microchipado é colocado em um banco de dados que pode ser facilmente acessado!!! Mas, como não pode ser vista sem a utilização de um aparelho detector do microchip não substitui a identificação externa, por isso a melhor escolha é a soma das duas identificações, pois o microchip tem a vantagem de não ser perdido como a coleira!! E por falar em coleira, importante que a colocação das coleiras seja confortável para o animal, que não o machuque e que permita a fácil retirada caso ele se enrosque em algum local. Lembrando que a coleira com identificação tem a intenção de IDENTIFICAR seu amigo e não de contê-lo! PROCURE IDENTIFICAR SEUS MELHOOOORES AMIGOS URGENTEMENTE E CADASTRÁ-LOS NO SITE ACIMA PARA PROCEDER A IMPLANTAÇÃO DO MICROCHIP!!!! A GUARDA-RESPONSÁVEL É UM ATO DE AMOR!!! SEJA COMPROMETIDO COM O BEMESTAR E A SAÚDE DE SEU COMPANHEIRO!!! * MV, MsC, Marúcia de Andrade Cruz (CRMV 4357/PR) Médica Veterinária, Clínica Veterinária Mania de Gato Professora Clínica de Gatos, UTP

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Pet Saúde Pet Sangue Bom! Os animais também precisam de doadores de sangue. Que tal o seu amigo ajudar? Por Vivian Lemos

Assim como nós, os amigos de quatro patas também possuem um grande problema: a falta de doadores de sangue. No Brasil, já possuímos alguns bancos de sangue, mas a falta de informações faz com que careçam de estoque sanguíneo. Se você ama animais e tem um amiguinho saudável em casa, por que não fazer uma boa ação e ajudar a salvar a vida de outros bichinhos? Um animal pode precisar de transfusão sanguínea em diversas situações como: anemia, hemorragia, trombocitopenia, coagulopatias, pancreatite, hipoproteinemia. “O importante é o Médico Veterinário escolher a melhor fração do sangue a ser transfundida de acordo com o caso clínico, pois dessa forma além de repor o componente deficitário, o risco das reações transfusionais será menor. Lembrando que a transfusão de sangue é uma medida terapêutica emergencial devendo assim a afecção principal ser identificada e tratada”, ressalta a veterinária Bárbara Xavier. É claro que algumas condições devem ser respeitadas. Os cães devem ter de um a oito anos, pesarem mais de 25 quilos, serem dóceis, estarem com a vacinação e vermifugação em dia e não terem sofrido transfusões. No caso dos bichanos, as recomendações são as mesmas. As exceções ficam por conta da idade (entre um e seis anos) e do peso (acima de quatro quilos). Obedecidas as condições, o tutor deve procurar um Banco de Sangue Veterinário onde seu animal será examinado por um Médico Veterinário que coletará sangue para realizar os exames laboratoriais necessários para verificar as condições de saúde do animal e se ele possui alguma doença transmissível através da transfusão. “As raças mais indicadas são as de grande porte, pois se enquadram no peso mínimo exigido. Nos EUA, a raça Greyhound é a mais utilizada, pois a maioria dos cães dessa raça 12

são doadores universais. No Brasil essa raça não é popular e ainda não há identificação de uma raça que se aproxime do padrão ideal. Os gatos não possuem um doador universal”, afirma a Bárbara. Os cães possuem mais de 15 grupos sanguíneos descritos, sendo que oito são os de maior importância para a transfusão. No cão, o risco de reação em uma primeira transfusão é muito baixo, por este motivo normalmente o teste de compatibilidade só é realizado a partir da segunda transfusão. Os gatos possuem apenas três grupos sanguíneos diferentes, mas por possuírem anticorpos naturais (aloanticorpos) na circulação sanguínea, o risco de reação transfusional na primeira transfusão é muito alto. Por isso é importante assegurar a compatibilidade entre o doador e o receptor já na primeira transfusão. No momento de um procedimento tão delicado, é fundamental recorrer a um médico veterinário de confiança: “Existe risco de contágio se os veterinários responsáveis pelos doadores de sangue, não fizerem previamente os exames para investigar possíveis doenças vinculadas através da transfusão. O controle de qualidade é vital para manter a saúde do doador e principalmente do receptor. Independente do controle do sangue do

doador, ainda existe o risco de reações transfusionais, que podem ocorrer durante ou depois da transfusão”, alerta Bárbara Xavier. No Brasil, a transfusão de sangue já é um procedimento comum, porém alguns obstáculos ainda são enfrentados. Infelizmente, ainda existem mais receptores do que doadores. Especialmente entre os felinos. “Ainda tem tutor que acha que doar sangue deixa o animal fraco, anêmico, que corre risco de morte. Sendo que se o doador estiver bem clinicamente e seus exames dentro da normalidade, não há riscos”, explica Bárbara. Há ainda a questão financeira. Como a veterinária Bárbara Xavier nos explica, o procedimento ainda não é acessível a todos: “A bolsa de sangue não é gratuita, pois embora os doadores não recebam dinheiro diretamente, existe um custo para fazer os exames pré- transfusionais no doador (que são gratuitos para os tutores dos doadores), para coletar o sangue, armazenar a bolsa de sangue, separar os hemocomponentes”. E por fim, há a dificuldade de se obter a própria bolsa de sangue: “Em determinadas regiões não existe banco de sangue ou os que existem não dão conta da demanda”, lamenta a médica veterinária.

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Se você possui um animalzinho em condições de ser doador e ficou sensibilizado com a falta de sangue, dirija-se ao banco sanguíneo veterinário mais próximo e ajude muitas vidas! Conforme relatado nesta matéria, seguindo os procedimentos corretos, seu amigo não corre riscos e ainda faz uma boa ação. Abaixo, uma lista de alguns Bancos de Sangue Veterinários do Brasil:

BSVET: (11) 3476-9461 Rua Desembargador do Vale, 196 Pompéia - São Paulo/SP Hemoterapet (21) 3286-7888 Rua Barão de São Francisco, 56 Vila Isabel – Rio de Janeiro/ RJ Vetpat (19) 3342-9312 ou 3342-9315 Rua Coronel Manuel Moraes, 146 Jardim Brasil – Campinas/SP Hemodog (71) 3011-6846 ou (71) 9978.2188 Rua dos Radialistas, 209 – salas 1 e 2 Pituba – Salvador/BA Hemovet (11) 2918-8050 Rua José Macedo, 98 São Paulo/ SP

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Faculdade de Veterinária da UFRGS (51) 3308-6095 Av. Bento Gonçalves, 9090 Agronomia – Porto Alegre/ RS Pronto Socorro Veterinário (31) 3422-5020 Rua Jacuí, 891 - Floresta Belo Horizonte/ MG UFPR - Universidade Federal do Paraná (41) 3350-5663 ou (41) 3350-5664 Rua dos Funcionários, 1540 - Curitiba/ PR UEL - Universidade Estadual de Londrina (43) 3371-4269 www.uel.br/portal/ Londrina/PR Hemovet - Hospital Veterinário da UFU FONES: (34) 3218-2135 - 3218-2196 Av. Mato Grosso, 3289 - Bloco 2S Campus Umuarama- Uberlândia/MG

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Pet Saúde Pet Sangue Bom! Os animais também precisam de doadores de sangue. Que tal o seu amigo ajudar? Por Vivian Lemos

Assim como nós, os amigos de quatro patas também possuem um grande problema: a falta de doadores de sangue. No Brasil, já possuímos alguns bancos de sangue, mas a falta de informações faz com que careçam de estoque sanguíneo. Se você ama animais e tem um amiguinho saudável em casa, por que não fazer uma boa ação e ajudar a salvar a vida de outros bichinhos? Um animal pode precisar de transfusão sanguínea em diversas situações como: anemia, hemorragia, trombocitopenia, coagulopatias, pancreatite, hipoproteinemia. “O importante é o Médico Veterinário escolher a melhor fração do sangue a ser transfundida de acordo com o caso clínico, pois dessa forma além de repor o componente deficitário, o risco das reações transfusionais será menor. Lembrando que a transfusão de sangue é uma medida terapêutica emergencial devendo assim a afecção principal ser identificada e tratada”, ressalta a veterinária Bárbara Xavier. É claro que algumas condições devem ser respeitadas. Os cães devem ter de um a oito anos, pesarem mais de 25 quilos, serem dóceis, estarem com a vacinação e vermifugação em dia e não terem sofrido transfusões. No caso dos bichanos, as recomendações são as mesmas. As exceções ficam por conta da idade (entre um e seis anos) e do peso (acima de quatro quilos). Obedecidas as condições, o tutor deve procurar um Banco de Sangue Veterinário onde seu animal será examinado por um Médico Veterinário que coletará sangue para realizar os exames laboratoriais necessários para verificar as condições de saúde do animal e se ele possui alguma doença transmissível através da transfusão. “As raças mais indicadas são as de grande porte, pois se enquadram no peso mínimo exigido. Nos EUA, a raça Greyhound é a mais utilizada, pois a maioria dos cães dessa raça 12

são doadores universais. No Brasil essa raça não é popular e ainda não há identificação de uma raça que se aproxime do padrão ideal. Os gatos não possuem um doador universal”, afirma a Bárbara. Os cães possuem mais de 15 grupos sanguíneos descritos, sendo que oito são os de maior importância para a transfusão. No cão, o risco de reação em uma primeira transfusão é muito baixo, por este motivo normalmente o teste de compatibilidade só é realizado a partir da segunda transfusão. Os gatos possuem apenas três grupos sanguíneos diferentes, mas por possuírem anticorpos naturais (aloanticorpos) na circulação sanguínea, o risco de reação transfusional na primeira transfusão é muito alto. Por isso é importante assegurar a compatibilidade entre o doador e o receptor já na primeira transfusão. No momento de um procedimento tão delicado, é fundamental recorrer a um médico veterinário de confiança: “Existe risco de contágio se os veterinários responsáveis pelos doadores de sangue, não fizerem previamente os exames para investigar possíveis doenças vinculadas através da transfusão. O controle de qualidade é vital para manter a saúde do doador e principalmente do receptor. Independente do controle do sangue do

doador, ainda existe o risco de reações transfusionais, que podem ocorrer durante ou depois da transfusão”, alerta Bárbara Xavier. No Brasil, a transfusão de sangue já é um procedimento comum, porém alguns obstáculos ainda são enfrentados. Infelizmente, ainda existem mais receptores do que doadores. Especialmente entre os felinos. “Ainda tem tutor que acha que doar sangue deixa o animal fraco, anêmico, que corre risco de morte. Sendo que se o doador estiver bem clinicamente e seus exames dentro da normalidade, não há riscos”, explica Bárbara. Há ainda a questão financeira. Como a veterinária Bárbara Xavier nos explica, o procedimento ainda não é acessível a todos: “A bolsa de sangue não é gratuita, pois embora os doadores não recebam dinheiro diretamente, existe um custo para fazer os exames pré-transfusionais no doador (que são gratuitos para os tutores dos doadores), para coletar o sangue, armazenar a bolsa de sangue, separar os hemocomponentes”. E por fim, há a dificuldade de se obter a própria bolsa de sangue: “Em determinadas regiões não existe banco de sangue ou os que existem não dão conta da demanda”, lamenta a médica veterinária.

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Se você possui um animalzinho em condições de ser doador e ficou sensibilizado com a falta de sangue, dirija-se ao banco sanguíneo veterinário mais próximo e ajude muitas vidas! Conforme relatado nesta matéria, seguindo os procedimentos corretos, seu amigo não corre riscos e ainda faz uma boa ação. Abaixo, uma lista de alguns Bancos de Sangue Veterinários do Brasil:

BSVET: (11) 3476-9461 Rua Desembargador do Vale, 196 Pompéia - São Paulo/SP Hemoterapet (21) 3286-7888 Rua Barão de São Francisco, 56 Vila Isabel – Rio de Janeiro/ RJ Vetpat (19) 3342-9312 ou 3342-9315 Rua Coronel Manuel Moraes, 146 Jardim Brasil – Campinas/SP Hemodog (71) 3011-6846 ou (71) 9978.2188 Rua dos Radialistas, 209 – salas 1 e 2 Pituba – Salvador/BA Hemovet (11) 2918-8050 Rua José Macedo, 98 São Paulo/ SP

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Faculdade de Veterinária da UFRGS (51) 3308-6095 Av. Bento Gonçalves, 9090 Agronomia – Porto Alegre/ RS Pronto Socorro Veterinário (31) 3422-5020 Rua Jacuí, 891 - Floresta Belo Horizonte/ MG UFPR - Universidade Federal do Paraná (41) 3350-5663 ou (41) 3350-5664 Rua dos Funcionários, 1540 - Curitiba/ PR UEL - Universidade Estadual de Londrina (43) 3371-4269 www.uel.br/portal/ Londrina/PR Hemovet - Hospital Veterinário da UFU FONES: (34) 3218-2135 - 3218-2196 Av. Mato Grosso, 3289 - Bloco 2S Campus Umuarama- Uberlândia/MG

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Pet Saúde Pet Sangue Bom! Os animais também precisam de doadores de sangue. Que tal o seu amigo ajudar? Por Vivian Lemos

Assim como nós, os amigos de quatro patas também possuem um grande problema: a falta de doadores de sangue. No Brasil, já possuímos alguns bancos de sangue, mas a falta de informações faz com que careçam de estoque sanguíneo. Se você ama animais e tem um amiguinho saudável em casa, por que não fazer uma boa ação e ajudar a salvar a vida de outros bichinhos? Um animal pode precisar de transfusão sanguínea em diversas situações como: anemia, hemorragia, trombocitopenia, coagulopatias, pancreatite, hipoproteinemia. “O importante é o Médico Veterinário escolher a melhor fração do sangue a ser transfundida de acordo com o caso clínico, pois dessa forma além de repor o componente deficitário, o risco das reações transfusionais será menor. Lembrando que a transfusão de sangue é uma medida terapêutica emergencial devendo assim a afecção principal ser identificada e tratada”, ressalta a veterinária Bárbara Xavier. É claro que algumas condições devem ser respeitadas. Os cães devem ter de um a oito anos, pesarem mais de 25 quilos, serem dóceis, estarem com a vacinação e vermifugação em dia e não terem sofrido transfusões. No caso dos bichanos, as recomendações são as mesmas. As exceções ficam por conta da idade (entre um e seis anos) e do peso (acima de quatro quilos). Obedecidas as condições, o tutor deve procurar um Banco de Sangue Veterinário onde seu animal será examinado por um Médico Veterinário que coletará sangue para realizar os exames laboratoriais necessários para verificar as condições de saúde do animal e se ele possui alguma doença transmissível através da transfusão. “As raças mais indicadas são as de grande porte, pois se enquadram no peso mínimo exigido. Nos EUA, a raça Greyhound é a mais utilizada, pois a maioria dos cães dessa raça 12

são doadores universais. No Brasil essa raça não é popular e ainda não há identificação de uma raça que se aproxime do padrão ideal. Os gatos não possuem um doador universal”, afirma a Bárbara. Os cães possuem mais de 15 grupos sanguíneos descritos, sendo que oito são os de maior importância para a transfusão. No cão, o risco de reação em uma primeira transfusão é muito baixo, por este motivo normalmente o teste de compatibilidade só é realizado a partir da segunda transfusão. Os gatos possuem apenas três grupos sanguíneos diferentes, mas por possuírem anticorpos naturais (aloanticorpos) na circulação sanguínea, o risco de reação transfusional na primeira transfusão é muito alto. Por isso é importante assegurar a compatibilidade entre o doador e o receptor já na primeira transfusão. No momento de um procedimento tão delicado, é fundamental recorrer a um médico veterinário de confiança: “Existe risco de contágio se os veterinários responsáveis pelos doadores de sangue, não fizerem previamente os exames para investigar possíveis doenças vinculadas através da transfusão. O controle de qualidade é vital para manter a saúde do doador e principalmente do receptor. Independente do controle do sangue do

doador, ainda existe o risco de reações transfusionais, que podem ocorrer durante ou depois da transfusão”, alerta Bárbara Xavier. No Brasil, a transfusão de sangue já é um procedimento comum, porém alguns obstáculos ainda são enfrentados. Infelizmente, ainda existem mais receptores do que doadores. Especialmente entre os felinos. “Ainda tem tutor que acha que doar sangue deixa o animal fraco, anêmico, que corre risco de morte. Sendo que se o doador estiver bem clinicamente e seus exames dentro da normalidade, não há riscos”, explica Bárbara. Há ainda a questão financeira. Como a veterinária Bárbara Xavier nos explica, o procedimento ainda não é acessível a todos: “A bolsa de sangue não é gratuita, pois embora os doadores não recebam dinheiro diretamente, existe um custo para fazer os exames pré- transfusionais no doador (que são gratuitos para os tutores dos doadores), para coletar o sangue, armazenar a bolsa de sangue, separar os hemocomponentes”. E por fim, há a dificuldade de se obter a própria bolsa de sangue: “Em determinadas regiões não existe banco de sangue ou os que existem não dão conta da demanda”, lamenta a médica veterinária.

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Se você possui um animalzinho em condições de ser doador e ficou sensibilizado com a falta de sangue, dirija-se ao banco sanguíneo veterinário mais próximo e ajude muitas vidas! Conforme relatado nesta matéria, seguindo os procedimentos corretos, seu amigo não corre riscos e ainda faz uma boa ação. Abaixo, uma lista de alguns Bancos de Sangue Veterinários do Brasil:

BSVET: (11) 3476-9461 Rua Desembargador do Vale, 196 Pompéia - São Paulo/SP Hemoterapet (21) 3286-7888 Rua Barão de São Francisco, 56 Vila Isabel – Rio de Janeiro/ RJ Vetpat (19) 3342-9312 ou 3342-9315 Rua Coronel Manuel Moraes, 146 Jardim Brasil – Campinas/SP Hemodog (71) 3011-6846 ou (71) 9978.2188 Rua dos Radialistas, 209 – salas 1 e 2 Pituba – Salvador/BA Hemovet (11) 2918-8050 Rua José Macedo, 98 São Paulo/ SP

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Faculdade de Veterinária da UFRGS (51) 3308-6095 Av. Bento Gonçalves, 9090 Agronomia – Porto Alegre/ RS Pronto Socorro Veterinário (31) 3422-5020 Rua Jacuí, 891 - Floresta Belo Horizonte/ MG UFPR - Universidade Federal do Paraná (41) 3350-5663 ou (41) 3350-5664 Rua dos Funcionários, 1540 - Curitiba/ PR UEL - Universidade Estadual de Londrina (43) 3371-4269 www.uel.br/portal/ Londrina/PR Hemovet - Hospital Veterinário da UFU FONES: (34) 3218-2135 - 3218-2196 Av. Mato Grosso, 3289 - Bloco 2S Campus Umuarama- Uberlândia/MG

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Pet Saúde Pet Sangue Bom! Os animais também precisam de doadores de sangue. Que tal o seu amigo ajudar? Por Vivian Lemos

Assim como nós, os amigos de quatro patas também possuem um grande problema: a falta de doadores de sangue. No Brasil, já possuímos alguns bancos de sangue, mas a falta de informações faz com que careçam de estoque sanguíneo. Se você ama animais e tem um amiguinho saudável em casa, por que não fazer uma boa ação e ajudar a salvar a vida de outros bichinhos? Um animal pode precisar de transfusão sanguínea em diversas situações como: anemia, hemorragia, trombocitopenia, coagulopatias, pancreatite, hipoproteinemia. “O importante é o Médico Veterinário escolher a melhor fração do sangue a ser transfundida de acordo com o caso clínico, pois dessa forma além de repor o componente deficitário, o risco das reações transfusionais será menor. Lembrando que a transfusão de sangue é uma medida terapêutica emergencial devendo assim a afecção principal ser identificada e tratada”, ressalta a veterinária Bárbara Xavier. É claro que algumas condições devem ser respeitadas. Os cães devem ter de um a oito anos, pesarem mais de 25 quilos, serem dóceis, estarem com a vacinação e vermifugação em dia e não terem sofrido transfusões. No caso dos bichanos, as recomendações são as mesmas. As exceções ficam por conta da idade (entre um e seis anos) e do peso (acima de quatro quilos). Obedecidas as condições, o tutor deve procurar um Banco de Sangue Veterinário onde seu animal será examinado por um Médico Veterinário que coletará sangue para realizar os exames laboratoriais necessários para verificar as condições de saúde do animal e se ele possui alguma doença transmissível através da transfusão. “As raças mais indicadas são as de grande porte, pois se enquadram no peso mínimo exigido. Nos EUA, a raça Greyhound é a mais utilizada, pois a maioria dos cães dessa raça 12

são doadores universais. No Brasil essa raça não é popular e ainda não há identificação de uma raça que se aproxime do padrão ideal. Os gatos não possuem um doador universal”, afirma a Bárbara. Os cães possuem mais de 15 grupos sanguíneos descritos, sendo que oito são os de maior importância para a transfusão. No cão, o risco de reação em uma primeira transfusão é muito baixo, por este motivo normalmente o teste de compatibilidade só é realizado a partir da segunda transfusão. Os gatos possuem apenas três grupos sanguíneos diferentes, mas por possuírem anticorpos naturais (aloanticorpos) na circulação sanguínea, o risco de reação transfusional na primeira transfusão é muito alto. Por isso é importante assegurar a compatibilidade entre o doador e o receptor já na primeira transfusão. No momento de um procedimento tão delicado, é fundamental recorrer a um médico veterinário de confiança: “Existe risco de contágio se os veterinários responsáveis pelos doadores de sangue, não fizerem previamente os exames para investigar possíveis doenças vinculadas através da transfusão. O controle de qualidade é vital para manter a saúde do doador e principalmente do receptor. Independente do controle do sangue do

doador, ainda existe o risco de reações transfusionais, que podem ocorrer durante ou depois da transfusão”, alerta Bárbara Xavier. No Brasil, a transfusão de sangue já é um procedimento comum, porém alguns obstáculos ainda são enfrentados. Infelizmente, ainda existem mais receptores do que doadores. Especialmente entre os felinos. “Ainda tem tutor que acha que doar sangue deixa o animal fraco, anêmico, que corre risco de morte. Sendo que se o doador estiver bem clinicamente e seus exames dentro da normalidade, não há riscos”, explica Bárbara. Há ainda a questão financeira. Como a veterinária Bárbara Xavier nos explica, o procedimento ainda não é acessível a todos: “A bolsa de sangue não é gratuita, pois embora os doadores não recebam dinheiro diretamente, existe um custo para fazer os exames pré- transfusionais no doador (que são gratuitos para os tutores dos doadores), para coletar o sangue, armazenar a bolsa de sangue, separar os hemocomponentes”. E por fim, há a dificuldade de se obter a própria bolsa de sangue: “Em determinadas regiões não existe banco de sangue ou os que existem não dão conta da demanda”, lamenta a médica veterinária.

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Se você possui um animalzinho em condições de ser doador e ficou sensibilizado com a falta de sangue, dirija-se ao banco sanguíneo veterinário mais próximo e ajude muitas vidas! Conforme relatado nesta matéria, seguindo os procedimentos corretos, seu amigo não corre riscos e ainda faz uma boa ação. Abaixo, uma lista de alguns Bancos de Sangue Veterinários do Brasil:

BSVET: (11) 3476-9461 Rua Desembargador do Vale, 196 Pompéia - São Paulo/SP Hemoterapet (21) 3286-7888 Rua Barão de São Francisco, 56 Vila Isabel – Rio de Janeiro/ RJ Vetpat (19) 3342-9312 ou 3342-9315 Rua Coronel Manuel Moraes, 146 Jardim Brasil – Campinas/SP Hemodog (71) 3011-6846 ou (71) 9978.2188 Rua dos Radialistas, 209 – salas 1 e 2 Pituba – Salvador/BA Hemovet (11) 2918-8050 Rua José Macedo, 98 São Paulo/ SP

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Faculdade de Veterinária da UFRGS (51) 3308-6095 Av. Bento Gonçalves, 9090 Agronomia – Porto Alegre/ RS Pronto Socorro Veterinário (31) 3422-5020 Rua Jacuí, 891 - Floresta Belo Horizonte/ MG UFPR - Universidade Federal do Paraná (41) 3350-5663 ou (41) 3350-5664 Rua dos Funcionários, 1540 - Curitiba/ PR UEL - Universidade Estadual de Londrina (43) 3371-4269 www.uel.br/portal/ Londrina/PR Hemovet - Hospital Veterinário da UFU FONES: (34) 3218-2135 - 3218-2196 Av. Mato Grosso, 3289 - Bloco 2S Campus Umuarama- Uberlândia/MG

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Pet Comportamento Como lidar com a morte do seu animal de estimação Conheça a rotina do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticosdo país. Lá, os donos aprendem como oferecer tranquilidade e conforto para o período final da vida de seus bichos.

EQUIPE MÉDICA: Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi nos corredores do Hospital Veterinário da USP

A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de

doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente. Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal. No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença,

acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao lugar em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.” A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença. A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questio-

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nário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.” É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local. Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

Neguinha no momento da consulta. A vira-lata é tratada como um membro da família Sargiani

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo? – Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos. – Faz um mês que a Neguinha ficou doente diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la. – Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo... – Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de

orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso. – Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca. Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias. – Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

A veterinária Teresinha Martins conversa com Maria e Tânia Sargiani (com Neguinha no colo) sobre o estado de saúde da cadela. "Sinceridade é essencial na hora da consulta", diz Teresinha

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A veterinária Denise Fantoni com Johnny. O cão tem metástase de um câncer

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia. – E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer? – Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria. – Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta? – Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja... – Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino. Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo

efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.” Teresinha passa para a etapa final da consulta. – A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco. – Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la? – Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas. – Ah, sim... Nossa, me deu um aperto no coração agora. Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha: –Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda. – Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros. – Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia... – afirma Maria. – Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários. O LADO DOS MÉDICOS Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna. Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento. Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários

envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a sen-

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório

O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais:

1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal? 2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear...)? 3. Como está o temperamento do seu animal? 4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)? 5. Você acha que o seu animal sente dor? 6. O seu animal tem apetite? 7. O seu animal se cansa facilmente?

hora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise. O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista,

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nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.” *Após a publicação da reportagem, fomos informados por Tânia Sargiani que a viralata Neguinha morreu. Na madrugada de 9 de maio, o estado de saúde da cadela piorou. Na terça-feira pela manhã, Neguinha foi levada ao Hospital Veterinário da USP e teve que ser sacrificada. “Foi bastante difícil tomar essa decisão”, disse Tânia. “Mas não podíamos ser egoístas e deixar ela sofrer.”

8. Como está o sono do seu animal? 9. O seu animal tem vômitos? 10. Como está o intestino do seu animal? 11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas? 12. Quanta atenção o animal está dando para a família? * Matéria originalmente publicada na revista Época

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Pet Comportamento Como lidar com a morte do seu animal de estimação Conheça a rotina do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticosdo país. Lá, os donos aprendem como oferecer tranquilidade e conforto para o período final da vida de seus bichos.

EQUIPE MÉDICA: Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi nos corredores do Hospital Veterinário da USP

A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de

doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente. Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal. No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença,

acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao lugar em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.” A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença. A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questio-

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nário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.” É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local. Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

Neguinha no momento da consulta. A vira-lata é tratada como um membro da família Sargiani

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo? – Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos. – Faz um mês que a Neguinha ficou doente diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la. – Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo... – Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de

orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso. – Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca. Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias. – Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

A veterinária Teresinha Martins conversa com Maria e Tânia Sargiani (com Neguinha no colo) sobre o estado de saúde da cadela. "Sinceridade é essencial na hora da consulta", diz Teresinha

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A veterinária Denise Fantoni com Johnny. O cão tem metástase de um câncer

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia. – E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer? – Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria. – Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta? – Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja... – Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino. Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo

efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.” Teresinha passa para a etapa final da consulta. – A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco. – Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la? – Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas. – Ah, sim... Nossa, me deu um aperto no coração agora. Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha: –Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda. – Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros. – Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia... – afirma Maria. – Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários. O LADO DOS MÉDICOS Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna. Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento. Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários

envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a sen-

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório

O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais:

1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal? 2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear...)? 3. Como está o temperamento do seu animal? 4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)? 5. Você acha que o seu animal sente dor? 6. O seu animal tem apetite? 7. O seu animal se cansa facilmente?

hora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise. O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista,

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nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.” *Após a publicação da reportagem, fomos informados por Tânia Sargiani que a viralata Neguinha morreu. Na madrugada de 9 de maio, o estado de saúde da cadela piorou. Na terça-feira pela manhã, Neguinha foi levada ao Hospital Veterinário da USP e teve que ser sacrificada. “Foi bastante difícil tomar essa decisão”, disse Tânia. “Mas não podíamos ser egoístas e deixar ela sofrer.”

8. Como está o sono do seu animal? 9. O seu animal tem vômitos? 10. Como está o intestino do seu animal? 11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas? 12. Quanta atenção o animal está dando para a família? * Matéria originalmente publicada na revista Época

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Pet Comportamento Como lidar com a morte do seu animal de estimação Conheça a rotina do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticosdo país. Lá, os donos aprendem como oferecer tranquilidade e conforto para o período final da vida de seus bichos.

EQUIPE MÉDICA: Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi nos corredores do Hospital Veterinário da USP

A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de

doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente. Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal. No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença,

acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao lugar em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.” A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença. A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questio-

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nário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.” É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local. Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

Neguinha no momento da consulta. A vira-lata é tratada como um membro da família Sargiani

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo? – Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos. – Faz um mês que a Neguinha ficou doente diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la. – Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo... – Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de

orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso. – Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca. Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias. – Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

A veterinária Teresinha Martins conversa com Maria e Tânia Sargiani (com Neguinha no colo) sobre o estado de saúde da cadela. "Sinceridade é essencial na hora da consulta", diz Teresinha

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A veterinária Denise Fantoni com Johnny. O cão tem metástase de um câncer

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia. – E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer? – Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria. – Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta? – Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja... – Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino. Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo

efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.” Teresinha passa para a etapa final da consulta. – A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco. – Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la? – Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas. – Ah, sim... Nossa, me deu um aperto no coração agora. Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha: –Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda. – Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros. – Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia... – afirma Maria. – Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários. O LADO DOS MÉDICOS Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna. Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento. Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários

envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a sen-

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório

O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais:

1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal? 2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear...)? 3. Como está o temperamento do seu animal? 4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)? 5. Você acha que o seu animal sente dor? 6. O seu animal tem apetite? 7. O seu animal se cansa facilmente?

hora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise. O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista,

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nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.” *Após a publicação da reportagem, fomos informados por Tânia Sargiani que a viralata Neguinha morreu. Na madrugada de 9 de maio, o estado de saúde da cadela piorou. Na terça-feira pela manhã, Neguinha foi levada ao Hospital Veterinário da USP e teve que ser sacrificada. “Foi bastante difícil tomar essa decisão”, disse Tânia. “Mas não podíamos ser egoístas e deixar ela sofrer.”

8. Como está o sono do seu animal? 9. O seu animal tem vômitos? 10. Como está o intestino do seu animal? 11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas? 12. Quanta atenção o animal está dando para a família? * Matéria originalmente publicada na revista Época

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Pet Comportamento Como lidar com a morte do seu animal de estimação Conheça a rotina do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticosdo país. Lá, os donos aprendem como oferecer tranquilidade e conforto para o período final da vida de seus bichos.

EQUIPE MÉDICA: Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi nos corredores do Hospital Veterinário da USP

A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de

doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente. Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal. No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença,

acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao lugar em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.” A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença. A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questio-

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nário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.” É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local. Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

Neguinha no momento da consulta. A vira-lata é tratada como um membro da família Sargiani

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo? – Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos. – Faz um mês que a Neguinha ficou doente diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la. – Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo... – Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de

orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso. – Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca. Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias. – Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

A veterinária Teresinha Martins conversa com Maria e Tânia Sargiani (com Neguinha no colo) sobre o estado de saúde da cadela. "Sinceridade é essencial na hora da consulta", diz Teresinha

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A veterinária Denise Fantoni com Johnny. O cão tem metástase de um câncer

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia. – E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer? – Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria. – Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta? – Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja... – Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino. Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo

efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.” Teresinha passa para a etapa final da consulta. – A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco. – Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la? – Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas. – Ah, sim... Nossa, me deu um aperto no coração agora. Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha: –Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda. – Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros. – Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia... – afirma Maria. – Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários. O LADO DOS MÉDICOS Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna. Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento. Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários

envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a sen-

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório

O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais:

1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal? 2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear...)? 3. Como está o temperamento do seu animal? 4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)? 5. Você acha que o seu animal sente dor? 6. O seu animal tem apetite? 7. O seu animal se cansa facilmente?

hora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise. O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista,

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nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.” *Após a publicação da reportagem, fomos informados por Tânia Sargiani que a viralata Neguinha morreu. Na madrugada de 9 de maio, o estado de saúde da cadela piorou. Na terça-feira pela manhã, Neguinha foi levada ao Hospital Veterinário da USP e teve que ser sacrificada. “Foi bastante difícil tomar essa decisão”, disse Tânia. “Mas não podíamos ser egoístas e deixar ela sofrer.”

8. Como está o sono do seu animal? 9. O seu animal tem vômitos? 10. Como está o intestino do seu animal? 11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas? 12. Quanta atenção o animal está dando para a família? * Matéria originalmente publicada na revista Época

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Pet Comportamento Como lidar com a morte do seu animal de estimação Conheça a rotina do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticosdo país. Lá, os donos aprendem como oferecer tranquilidade e conforto para o período final da vida de seus bichos.

EQUIPE MÉDICA: Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi nos corredores do Hospital Veterinário da USP

A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de

doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente. Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal. No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença,

acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao lugar em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.” A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença. A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questio-

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nário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.” É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local. Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

Neguinha no momento da consulta. A vira-lata é tratada como um membro da família Sargiani

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo? – Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos. – Faz um mês que a Neguinha ficou doente diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la. – Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo... – Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de

orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso. – Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca. Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias. – Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

A veterinária Teresinha Martins conversa com Maria e Tânia Sargiani (com Neguinha no colo) sobre o estado de saúde da cadela. "Sinceridade é essencial na hora da consulta", diz Teresinha

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A veterinária Denise Fantoni com Johnny. O cão tem metástase de um câncer

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia. – E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer? – Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria. – Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta? – Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja... – Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino. Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo

efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.” Teresinha passa para a etapa final da consulta. – A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco. – Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la? – Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas. – Ah, sim... Nossa, me deu um aperto no coração agora. Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha: –Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda. – Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros. – Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia... – afirma Maria. – Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários. O LADO DOS MÉDICOS Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna. Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento. Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários

envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a sen-

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório

O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais:

1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal? 2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear...)? 3. Como está o temperamento do seu animal? 4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)? 5. Você acha que o seu animal sente dor? 6. O seu animal tem apetite? 7. O seu animal se cansa facilmente?

hora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise. O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista,

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nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.” *Após a publicação da reportagem, fomos informados por Tânia Sargiani que a viralata Neguinha morreu. Na madrugada de 9 de maio, o estado de saúde da cadela piorou. Na terça-feira pela manhã, Neguinha foi levada ao Hospital Veterinário da USP e teve que ser sacrificada. “Foi bastante difícil tomar essa decisão”, disse Tânia. “Mas não podíamos ser egoístas e deixar ela sofrer.”

8. Como está o sono do seu animal? 9. O seu animal tem vômitos? 10. Como está o intestino do seu animal? 11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas? 12. Quanta atenção o animal está dando para a família? * Matéria originalmente publicada na revista Época

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Pet Comportamento Como lidar com a morte do seu animal de estimação Conheça a rotina do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticosdo país. Lá, os donos aprendem como oferecer tranquilidade e conforto para o período final da vida de seus bichos.

EQUIPE MÉDICA: Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi nos corredores do Hospital Veterinário da USP

A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de

doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente. Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal. No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença,

acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao lugar em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.” A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença. A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questio-

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nário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.” É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local. Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

Neguinha no momento da consulta. A vira-lata é tratada como um membro da família Sargiani

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo? – Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos. – Faz um mês que a Neguinha ficou doente diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la. – Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo... – Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de

orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso. – Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca. Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias. – Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

A veterinária Teresinha Martins conversa com Maria e Tânia Sargiani (com Neguinha no colo) sobre o estado de saúde da cadela. "Sinceridade é essencial na hora da consulta", diz Teresinha

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A veterinária Denise Fantoni com Johnny. O cão tem metástase de um câncer

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia. – E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer? – Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria. – Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta? – Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja... – Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino. Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo

efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.” Teresinha passa para a etapa final da consulta. – A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco. – Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la? – Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas. – Ah, sim... Nossa, me deu um aperto no coração agora. Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha: –Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda. – Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros. – Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia... – afirma Maria. – Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários. O LADO DOS MÉDICOS Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna. Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento. Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários

envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a sen-

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório

O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais:

1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal? 2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear...)? 3. Como está o temperamento do seu animal? 4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)? 5. Você acha que o seu animal sente dor? 6. O seu animal tem apetite? 7. O seu animal se cansa facilmente?

hora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise. O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista,

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nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.” *Após a publicação da reportagem, fomos informados por Tânia Sargiani que a viralata Neguinha morreu. Na madrugada de 9 de maio, o estado de saúde da cadela piorou. Na terça-feira pela manhã, Neguinha foi levada ao Hospital Veterinário da USP e teve que ser sacrificada. “Foi bastante difícil tomar essa decisão”, disse Tânia. “Mas não podíamos ser egoístas e deixar ela sofrer.”

8. Como está o sono do seu animal? 9. O seu animal tem vômitos? 10. Como está o intestino do seu animal? 11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas? 12. Quanta atenção o animal está dando para a família? * Matéria originalmente publicada na revista Época

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Pet Comportamento Como lidar com a morte do seu animal de estimação Conheça a rotina do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticosdo país. Lá, os donos aprendem como oferecer tranquilidade e conforto para o período final da vida de seus bichos.

EQUIPE MÉDICA: Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi nos corredores do Hospital Veterinário da USP

A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de

doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente. Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal. No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença,

acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao lugar em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.” A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença. A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questio-

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nário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.” É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local. Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

Neguinha no momento da consulta. A vira-lata é tratada como um membro da família Sargiani

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo? – Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos. – Faz um mês que a Neguinha ficou doente diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la. – Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo... – Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de

orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso. – Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca. Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias. – Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

A veterinária Teresinha Martins conversa com Maria e Tânia Sargiani (com Neguinha no colo) sobre o estado de saúde da cadela. "Sinceridade é essencial na hora da consulta", diz Teresinha

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A veterinária Denise Fantoni com Johnny. O cão tem metástase de um câncer

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia. – E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer? – Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria. – Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta? – Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja... – Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino. Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo

efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.” Teresinha passa para a etapa final da consulta. – A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco. – Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la? – Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas. – Ah, sim... Nossa, me deu um aperto no coração agora. Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha: –Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda. – Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros. – Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia... – afirma Maria. – Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários. O LADO DOS MÉDICOS Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna. Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento. Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários

envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a sen-

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório

O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais:

1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal? 2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear...)? 3. Como está o temperamento do seu animal? 4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)? 5. Você acha que o seu animal sente dor? 6. O seu animal tem apetite? 7. O seu animal se cansa facilmente?

hora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise. O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista,

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nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.” *Após a publicação da reportagem, fomos informados por Tânia Sargiani que a viralata Neguinha morreu. Na madrugada de 9 de maio, o estado de saúde da cadela piorou. Na terça-feira pela manhã, Neguinha foi levada ao Hospital Veterinário da USP e teve que ser sacrificada. “Foi bastante difícil tomar essa decisão”, disse Tânia. “Mas não podíamos ser egoístas e deixar ela sofrer.”

8. Como está o sono do seu animal? 9. O seu animal tem vômitos? 10. Como está o intestino do seu animal? 11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas? 12. Quanta atenção o animal está dando para a família? * Matéria originalmente publicada na revista Época

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Pet Comportamento Como lidar com a morte do seu animal de estimação Conheça a rotina do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticosdo país. Lá, os donos aprendem como oferecer tranquilidade e conforto para o período final da vida de seus bichos.

EQUIPE MÉDICA: Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi nos corredores do Hospital Veterinário da USP

A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de

doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente. Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal. No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença,

acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao lugar em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.” A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença. A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questio-

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nário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.” É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local. Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

Neguinha no momento da consulta. A vira-lata é tratada como um membro da família Sargiani

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo? – Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos. – Faz um mês que a Neguinha ficou doente diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la. – Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo... – Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de

orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso. – Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca. Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias. – Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

A veterinária Teresinha Martins conversa com Maria e Tânia Sargiani (com Neguinha no colo) sobre o estado de saúde da cadela. "Sinceridade é essencial na hora da consulta", diz Teresinha

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A veterinária Denise Fantoni com Johnny. O cão tem metástase de um câncer

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia. – E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer? – Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria. – Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta? – Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja... – Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino. Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo

efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.” Teresinha passa para a etapa final da consulta. – A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco. – Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la? – Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas. – Ah, sim... Nossa, me deu um aperto no coração agora. Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha: –Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda. – Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros. – Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia... – afirma Maria. – Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários. O LADO DOS MÉDICOS Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna. Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento. Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários

envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a sen-

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório

O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais:

1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal? 2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear...)? 3. Como está o temperamento do seu animal? 4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)? 5. Você acha que o seu animal sente dor? 6. O seu animal tem apetite? 7. O seu animal se cansa facilmente?

hora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise. O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista,

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nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.” *Após a publicação da reportagem, fomos informados por Tânia Sargiani que a viralata Neguinha morreu. Na madrugada de 9 de maio, o estado de saúde da cadela piorou. Na terça-feira pela manhã, Neguinha foi levada ao Hospital Veterinário da USP e teve que ser sacrificada. “Foi bastante difícil tomar essa decisão”, disse Tânia. “Mas não podíamos ser egoístas e deixar ela sofrer.”

8. Como está o sono do seu animal? 9. O seu animal tem vômitos? 10. Como está o intestino do seu animal? 11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas? 12. Quanta atenção o animal está dando para a família? * Matéria originalmente publicada na revista Época

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Pets torcedores Seu animalzinho gosta de futebol ou foge só de ver a bola rolando? O que importa é a diversão que temos com eles

Por Vivian Lemos

Em tempos de Copa do Mundo, o Brasil inteiro vive em função de futebol. As famílias planejam festas em casa, ruas são decoradas, tabelas são distribuídas... Mas devemos lembrar que alguns brasileiros não gostam e até mesmo se aterrorizam com o burburinho provocado pelo campeonato: nossos amados de quatro patas! Muitos cães e gatos vivem um verdadeiro inferno em grandes eventos como a Copa do Mundo e o Revéillon. Barulhos de fogos, cornetas e gritarias perturbam profundamente nossos amiguinhos. Isso é comum e a maioria das famílias que possui pets depara-se com essa situação. O que fazer então? Se o animal tem um lugar no qual sente-se seguro, é importante liberar o acesso a ele. Especialistas recomendam também não dar carinho excessivo, pois o animal pode interpretar como recompensa. Em casos mais extremos, é preciso medicar o animal, claro, com o aval de seu médico veterinário. Mas, caro leitor, essa matéria não é para falar dos milhares de cães e gatos que sofrem com o barulho. Estamos aqui para contar histórias curiosas de animais e sua relação com o futebol. Alguns nem gostam mesmo do esporte e chegam a abandonar o cômodo em que a TV transmite o jogo. Outros arriscam até mesmo pedaladas à la Robinho. Vamos conhecer um pouco dessas histórias.

O juiz apita e a Fiona corre! Basta o árbitro indicar o início do jogo na TV e a Fiona sai correndo! Isso mesmo, essa simpática cadelinha tem pavor do esporte bretão. “A TV pode estar no mudo que ela vê que é jogo e se levanta do sofá e sai da sala”, afirma Cyntia Vinci, tutora da Fiona. Mesmo sem participar da torcida com a família, a totó é o xodó da casa: “Num primeiro momento meu marido não queria adotá-la, pois não queria cachorro em apartamento. Insisti tanto e um dia ele disse que concordava, mas que não iria até Curitiba buscá-la. Fiz contato com uma amiga e ela a trouxe para nossa casa (em SP). Hoje a Fiona é o xodó dele. Dorme na nossa cama, faz parte das viagens da família, enfim é a queridinha”, relata Cyntia. Mas quem sabe nessa Copa a família não conta com outros torcedores de quatro patas? Afinal, a trupe tem ainda com a cadelinha Zara e um gatinho que adotou a casa: “Essa semana fomos adotados

por um gato. Isso mesmo, ele entrou em casa na maior cara de pau, passeia pelos cômodos, dorme no sofá e até em baixo do carrinho da nossa bebê (seis meses), ignorando completamente as cachorras, acredita? Pelo jeito vai ficar por lá... Hoje deixei ele logo cedo na clínica veterinária para uma consulta completa e depois um banho e pego ele agora na hora do almoço. Se quer ficar em casa, tem que tomar banho!”, diverte-se Cyntia.

Família que torce unida se assusta unida! Vanderleia Iaros uniformiza seus cãozinhos desde a última Copa do Mundo. Não dá para negar que eles ficam todos muito fofuchos, mas nem por isso são assim tão entrosados com futebol. “Eles latem muito, procuramos nem sair de casa pra que eles se sintam seguros!”, afirma Vaderleia. Apesar da fama que os cães têm de adorarem uma visita, na casa de Vanderleia é um pouco diferente. “Quando chega visita, Sandynha, Vitor e Naomi parecem bichos do mato, ficam um pouquinho, daqui a pouco correm dormir no quarto. Já o Billy adora gente! Quanto mais gente melhor pra ele quase subir na cabeça! Temos que dar bronca nele porque ele quer colo, quer dar beijo em todo mundo, ele é o mais simpático e adora pessoas, além de ser extremamente dócil e espoleta. Será a primeira Copa dele, já que ele tem só um ano, os outros três - Sandynha tem 15 anos, Naomi e Vitor têm 10 anos, já são veteranos!”

Quem não tem cão... torce com gato! Quem convive com felinos, sabe que eles têm personalidade forte e não costumam ceder aos nossos caprichos, como usar roupinhas e acessórios. Porém, nesta Copa um lindo bichano torcerá a caráter pela seleção brasileira: o Xavier, ou Xaxá para os íntimos. Xavier foi adotado no Beco da Esperança, em Curitiba, e desde então usa roupinhas numa boa, como relata sua tutora, Michelle Eiras: “Desde pequeno eu coloco roupinhas, quando ele fica muito tempo sem usar ele anda meio agachado,mas cinco minutos bastam pra ele voltar a pular nos sofás como se não estivesse usando nada”. E Xaxá promete ser um torcedor pé quente, ou melhor, pata quente, e muito entrosado: “Quando vierem assistir os jogos aqui, garanto que ele vai adorar, pois ama pessoas e casa cheia, cheira todo mundo e é muito sociável. Todos gostam muito dele! Por ser tranquilo e companheiro, até quem não gosta de gatos diz `Não gosto de gatos, gosto do Xaxa`”, diverte-se Michelle. 25

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O cão que salvou a Copa

Um cachorro da raça labrador na Escócia teve de ser submetido a uma cirurgia para remover uma bola de futebol que havia engolido. Seu tutor, John Grant, explicou que ficou preocupado com uma tosse do cão e resolveu levá-lo ao veterinário. Foi só então que descobriu o que havia ocorrido. Um exame de raio-X revelou que havia um inesperado objeto escuro próximo ao coração de Bracken. "Nós ficamos muito surpresos, porque quando fizemos o raio-X não conseguíamos identificar o que era", disse Damien Chase, um veterinário que participou da operação. Somente depois, os especialistas entenderam que uma parte do estômago do cachorro, contendo uma bola de futebol murcha, medindo 12 centímetros, havia se aproximado do coração.

Em 28 de Maio de 1928, durante congresso da Fifa, o então presidente da Federação, Jules Rimet, ordenou que fosse feito um troféu todo em ouro para ser oferecido para o campeão da Primeira Copa do Mundo de Futebol. O feito foi confiado a Abel Lafleur, artesão francês que criou um troféu que representava a alegoria da Vitória, com asas estilizadas. Em sua base de mármore foram colocadas pequenas placas onde seriam grafados os nomes dos vencedores das outras edições do evento. A primeira taça tinha 30 centímetros e pesava 3,8 quilos de ouro puro. Uma fortuna para a época. Em 1946, a taça foi chamada de Jules Rimet em homenagem ao seu idealizador. Foi ele que sugeriu que a taça ficaria definitivamente com a equipe que vencesse três edições da Copa – na época ele julgava que dificilmente alguma seleção ganharia três torneios seguidamente. No entanto, em 1966 a taça foi roubada na Inglaterra e após muito procurar, foi um cão – sim, um cão chamado Pickles – que encontrou o valioso troféu enrolado em jornais no meio da rua. Como recompensa por seu heroísmo, Pickles ganhou de uma empresa que produzia ração, fornecimento gratuito de comida pelo resto de sua vida. Infelizmente, foi em solo brasileiro que a taça sumiu de vez. Em 1983 o troféu foi roubado e derretido para ser vendido. Pena que nenhum totó brasileiro conseguiu achar a taça.

Segundo eles, o labrador de dois anos sofria de uma anomalia congênita, um buraco em seu diafragma. Assim, parte de seu estômago eventualmente entrava e saía desse espaço. Porém, por causa da bola, o estômago ficou preso, perto do coração. "Ele é um cachorro muito sortudo. Ele teria morrido sem a operação", declarou Chase. O cão teve de passar por duas cirurgias para remover a bola e corrigir o defeito congênito. Isso é que é um cachorro fominha!

Cachorro pata quente! Uns o conhecem por Pelotinha. Há quem o chame apenas de Vira-Latas. Para o técnico do Pelotas, Beto Almeida, ele é um amuleto do grupo que garantiu lugar na primeira divisão do Gauchão em 2010. Celebrizado depois de entrar em campo, um cachorro sem raça definida virou símbolo e recebeu um novo nome. Lobo passou a ser considerado um cachorro pé-quente depois de ter invadido o campo e esfriado o adversário na quarta-feira. Tanto que os cerca de seis mil torcedores no Estádio da Boca do Lobo cantaram em uma só voz: “– Ão, ão, ão o cachorro é Lobão”. Já batizado com o novo nome, ele passeia nas imediações da Boca do Lobo como celebridade. Torcedores querem vê-lo, tocar nele ou mesmo tirar uma fotografia. Até mesmo uma equipe da RBS TV Pelotas (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul) foi conhecê-lo. No início, Lobo ficou arredio, estranhou o assédio. Bastaram alguns minutos para se acostumar com os holofotes: fez poses para o cinegrafista e até latiu no microfone do repórter. A relação de Lobo com o clube é antiga. Ele mora na praça Dom Antonio Zatera, em frente ao estádio. O garçom Carlos Roberto Campos, o Ceará, 35 anos, trabalha em uma churrascaria ao lado do estádio. Torcedor do Pelotas, Ceará costuma dar comida a Lobo. – Se ele não tivesse entrado em campo, a história do jogo poderia ter sido outra – pondera Ceará. A crença de que Lobo foi decisivo se espalhou pelo estádio e virou tema das conversas depois da partida. O Pelotas vencia por 2 a 0, no primeiro

tempo, mas o Riograndense pressionava. O cão entrou em campo para voltar a dar equilíbrio ao jogo. Interrompeu a partida por quatro minutos. Lobo cavou sob um portão e foi ao gramado. No campo de jogo, passou a seguir o auxiliar Carlos Selbach. Entre as linhas divisórias e a linha de fundo, Selbach era seguido de perto. E quando parou no meio do campo, Lobo chegou a pular para alcançar a bandeira do auxiliar. O jogo foi interrompido. Selbach tentou pegar e foi driblado. Delírio da torcida do Pelotas. O cão correu para o gol do Pelotas, driblou o goleiro e voltou a brincar com o auxiliar. Até que os maqueiros retiraram o célebre mascote.

Cães também petiscam durante o futebol Também no Rio Grande do Sul, os totós podem petiscar durante os jogos, e o melhor: com o total apoio de seus times do coração! . O Sport Club Internacional, mais conhecido como Inter, e o Grêmio de Foot-Ball Porto Alegre, ou simplesmente Tricolor, arrastam milhares de torcedores fanáticos aos estádios em dia de jogo. De olho nesses fãs, mas principalmente nos seus pets, a BioBase, fabricante de ração, desenvolveu alimentos para os cães desses torcedores. A ração pet Premium “Mascote Colorado” traz a marca do Inter na embalagem, que é vermelha e branca, assim como as cores do time. Já o “Raça Tricolor” tem embalagem azul, preta e branca, e o escudo do Grêmio. As rações integram a linha pet Auk e Miauk, que oferecem alimentos para filhotes, até rações padrão Premium. Alimentos para pets torcedores Divulgação

Fome de bola

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O Dunga não convocou, mas o Fenômeno vai para a Copa

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Fenômeno vai para a Copa da África.

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Como pudemos ver, são várias histórias e diversos comportamentos dos animais quando o assunto é futebol. O que importa mesmo é ter a companhia deles, não só nesse, mas em todos os momentos. Nossos companheiros nos divertem e mostram seu amor pelos humanos, não importa a situação. Mais uma lição que eles nos dão!

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Fenômeno entra em quadra Divulgação

O cãozinho joga futebol, basquete, participa de ações sociais, visita pessoas doentes, casas de idosos e já participou de vários programas na TV. Fenômeno também já estrelou comerciais publicitários. “Sempre soube que ele não era um cachorro comum. Ele tem algo a mais”, conta Rosa. A dupla vai ficar na África durante 45 dias e pretende visitar aldeias e os pontos turísticos da região. Eles vão se hospedar em uma pousada de um amigo de Rosa e, segundo ele, toda a viagem será financiada com seus próprios recursos. “Algumas empresas vão nos apoiar com equipamentos que o Fenômeno vai precisar nesse período, mas o custo da viagem será pago por mim. Acredito que nada disso tem preço, é uma vontade minha, um sonho” afirma. Após a temporada na África, Rosa pretende fazer um documentário com o material produzido. “Minha intenção é mostrar todos os lugares pelos quais passaremos. O povo, a cultura, os locais mais conhecidos, como por exemplo, o local em que o Mandela foi preso”, diz. Rosa não sabe se vai conseguir entrar com o Fenômeno nos estádios onde vão acontecer os jogos da seleção, mas garante que vai tentar. "Minha intenção é entrar. Espero que tudo corra bem." A próxima viagem da dupla, para a Disney, já está sendo planejada e deve servir de material para um longa-metragem que Rosa que produzir. “Esse é o meu maior sonho”, conta Rosa.

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Um cachorro vai embarcar rumo à África do Sul para acompanhar os jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. O objetivo de André Rosa, adestrador e tutor do cão, chamado Fenômeno – em homenagem ao jogador Ronaldo –, é gravar um documentário e mostrar as maneiras de um cachorro levar alegria às pessoas. Além de representar o país no campeonato mundial, a outra intenção do adestrador é fazer o bichinho se tornar o mascote do Brasil no continente africano. Fenômeno, da raça border collie, tem cinco anos e foi comprado por Rosa após ter sido dispensado por sua antiga tutora. “Ele era muito ativo e sua tutora morava em um apartamento. Ela preferiu dá-lo e uma amiga o pegou e o vendeu para mim. Se para ela o fato de ele ser muito "animado" era um problema, para mim foi ótimo”, diz Rosa.

Diversão com o pet: não tem preço

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Pets torcedores Seu animalzinho gosta de futebol ou foge só de ver a bola rolando? O que importa é a diversão que temos com eles

Por Vivian Lemos

Em tempos de Copa do Mundo, o Brasil inteiro vive em função de futebol. As famílias planejam festas em casa, ruas são decoradas, tabelas são distribuídas... Mas devemos lembrar que alguns brasileiros não gostam e até mesmo se aterrorizam com o burburinho provocado pelo campeonato: nossos amados de quatro patas! Muitos cães e gatos vivem um verdadeiro inferno em grandes eventos como a Copa do Mundo e o Revéillon. Barulhos de fogos, cornetas e gritarias perturbam profundamente nossos amiguinhos. Isso é comum e a maioria das famílias que possui pets depara-se com essa situação. O que fazer então? Se o animal tem um lugar no qual sente-se seguro, é importante liberar o acesso a ele. Especialistas recomendam também não dar carinho excessivo, pois o animal pode interpretar como recompensa. Em casos mais extremos, é preciso medicar o animal, claro, com o aval de seu médico veterinário. Mas, caro leitor, essa matéria não é para falar dos milhares de cães e gatos que sofrem com o barulho. Estamos aqui para contar histórias curiosas de animais e sua relação com o futebol. Alguns nem gostam mesmo do esporte e chegam a abandonar o cômodo em que a TV transmite o jogo. Outros arriscam até mesmo pedaladas à la Robinho. Vamos conhecer um pouco dessas histórias.

O juiz apita e a Fiona corre! Basta o árbitro indicar o início do jogo na TV e a Fiona sai correndo! Isso mesmo, essa simpática cadelinha tem pavor do esporte bretão. “A TV pode estar no mudo que ela vê que é jogo e se levanta do sofá e sai da sala”, afirma Cyntia Vinci, tutora da Fiona. Mesmo sem participar da torcida com a família, a totó é o xodó da casa: “Num primeiro momento meu marido não queria adotá-la, pois não queria cachorro em apartamento. Insisti tanto e um dia ele disse que concordava, mas que não iria até Curitiba buscá-la. Fiz contato com uma amiga e ela a trouxe para nossa casa (em SP). Hoje a Fiona é o xodó dele. Dorme na nossa cama, faz parte das viagens da família, enfim é a queridinha”, relata Cyntia. Mas quem sabe nessa Copa a família não conta com outros torcedores de quatro patas? Afinal, a trupe tem ainda com a cadelinha Zara e um gatinho que adotou a casa: “Essa semana fomos adotados

por um gato. Isso mesmo, ele entrou em casa na maior cara de pau, passeia pelos cômodos, dorme no sofá e até em baixo do carrinho da nossa bebê (seis meses), ignorando completamente as cachorras, acredita? Pelo jeito vai ficar por lá... Hoje deixei ele logo cedo na clínica veterinária para uma consulta completa e depois um banho e pego ele agora na hora do almoço. Se quer ficar em casa, tem que tomar banho!”, diverte-se Cyntia.

Família que torce unida se assusta unida! Vanderleia Iaros uniformiza seus cãozinhos desde a última Copa do Mundo. Não dá para negar que eles ficam todos muito fofuchos, mas nem por isso são assim tão entrosados com futebol. “Eles latem muito, procuramos nem sair de casa pra que eles se sintam seguros!”, afirma Vaderleia. Apesar da fama que os cães têm de adorarem uma visita, na casa de Vanderleia é um pouco diferente. “Quando chega visita, Sandynha, Vitor e Naomi parecem bichos do mato, ficam um pouquinho, daqui a pouco correm dormir no quarto. Já o Billy adora gente! Quanto mais gente melhor pra ele quase subir na cabeça! Temos que dar bronca nele porque ele quer colo, quer dar beijo em todo mundo, ele é o mais simpático e adora pessoas, além de ser extremamente dócil e espoleta. Será a primeira Copa dele, já que ele tem só um ano, os outros três - Sandynha tem 15 anos, Naomi e Vitor têm 10 anos, já são veteranos!”

Quem não tem cão... torce com gato! Quem convive com felinos, sabe que eles têm personalidade forte e não costumam ceder aos nossos caprichos, como usar roupinhas e acessórios. Porém, nesta Copa um lindo bichano torcerá a caráter pela seleção brasileira: o Xavier, ou Xaxá para os íntimos. Xavier foi adotado no Beco da Esperança, em Curitiba, e desde então usa roupinhas numa boa, como relata sua tutora, Michelle Eiras: “Desde pequeno eu coloco roupinhas, quando ele fica muito tempo sem usar ele anda meio agachado,mas cinco minutos bastam pra ele voltar a pular nos sofás como se não estivesse usando nada”. E Xaxá promete ser um torcedor pé quente, ou melhor, pata quente, e muito entrosado: “Quando vierem assistir os jogos aqui, garanto que ele vai adorar, pois ama pessoas e casa cheia, cheira todo mundo e é muito sociável. Todos gostam muito dele! Por ser tranquilo e companheiro, até quem não gosta de gatos diz `Não gosto de gatos, gosto do Xaxa`”, diverte-se Michelle. 25

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O cão que salvou a Copa

Um cachorro da raça labrador na Escócia teve de ser submetido a uma cirurgia para remover uma bola de futebol que havia engolido. Seu tutor, John Grant, explicou que ficou preocupado com uma tosse do cão e resolveu levá-lo ao veterinário. Foi só então que descobriu o que havia ocorrido. Um exame de raio-X revelou que havia um inesperado objeto escuro próximo ao coração de Bracken. "Nós ficamos muito surpresos, porque quando fizemos o raio-X não conseguíamos identificar o que era", disse Damien Chase, um veterinário que participou da operação. Somente depois, os especialistas entenderam que uma parte do estômago do cachorro, contendo uma bola de futebol murcha, medindo 12 centímetros, havia se aproximado do coração.

Em 28 de Maio de 1928, durante congresso da Fifa, o então presidente da Federação, Jules Rimet, ordenou que fosse feito um troféu todo em ouro para ser oferecido para o campeão da Primeira Copa do Mundo de Futebol. O feito foi confiado a Abel Lafleur, artesão francês que criou um troféu que representava a alegoria da Vitória, com asas estilizadas. Em sua base de mármore foram colocadas pequenas placas onde seriam grafados os nomes dos vencedores das outras edições do evento. A primeira taça tinha 30 centímetros e pesava 3,8 quilos de ouro puro. Uma fortuna para a época. Em 1946, a taça foi chamada de Jules Rimet em homenagem ao seu idealizador. Foi ele que sugeriu que a taça ficaria definitivamente com a equipe que vencesse três edições da Copa – na época ele julgava que dificilmente alguma seleção ganharia três torneios seguidamente. No entanto, em 1966 a taça foi roubada na Inglaterra e após muito procurar, foi um cão – sim, um cão chamado Pickles – que encontrou o valioso troféu enrolado em jornais no meio da rua. Como recompensa por seu heroísmo, Pickles ganhou de uma empresa que produzia ração, fornecimento gratuito de comida pelo resto de sua vida. Infelizmente, foi em solo brasileiro que a taça sumiu de vez. Em 1983 o troféu foi roubado e derretido para ser vendido. Pena que nenhum totó brasileiro conseguiu achar a taça.

Segundo eles, o labrador de dois anos sofria de uma anomalia congênita, um buraco em seu diafragma. Assim, parte de seu estômago eventualmente entrava e saía desse espaço. Porém, por causa da bola, o estômago ficou preso, perto do coração. "Ele é um cachorro muito sortudo. Ele teria morrido sem a operação", declarou Chase. O cão teve de passar por duas cirurgias para remover a bola e corrigir o defeito congênito. Isso é que é um cachorro fominha!

Cachorro pata quente! Uns o conhecem por Pelotinha. Há quem o chame apenas de Vira-Latas. Para o técnico do Pelotas, Beto Almeida, ele é um amuleto do grupo que garantiu lugar na primeira divisão do Gauchão em 2010. Celebrizado depois de entrar em campo, um cachorro sem raça definida virou símbolo e recebeu um novo nome. Lobo passou a ser considerado um cachorro pé-quente depois de ter invadido o campo e esfriado o adversário na quarta-feira. Tanto que os cerca de seis mil torcedores no Estádio da Boca do Lobo cantaram em uma só voz: “– Ão, ão, ão o cachorro é Lobão”. Já batizado com o novo nome, ele passeia nas imediações da Boca do Lobo como celebridade. Torcedores querem vê-lo, tocar nele ou mesmo tirar uma fotografia. Até mesmo uma equipe da RBS TV Pelotas (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul) foi conhecê-lo. No início, Lobo ficou arredio, estranhou o assédio. Bastaram alguns minutos para se acostumar com os holofotes: fez poses para o cinegrafista e até latiu no microfone do repórter. A relação de Lobo com o clube é antiga. Ele mora na praça Dom Antonio Zatera, em frente ao estádio. O garçom Carlos Roberto Campos, o Ceará, 35 anos, trabalha em uma churrascaria ao lado do estádio. Torcedor do Pelotas, Ceará costuma dar comida a Lobo. – Se ele não tivesse entrado em campo, a história do jogo poderia ter sido outra – pondera Ceará. A crença de que Lobo foi decisivo se espalhou pelo estádio e virou tema das conversas depois da partida. O Pelotas vencia por 2 a 0, no primeiro

tempo, mas o Riograndense pressionava. O cão entrou em campo para voltar a dar equilíbrio ao jogo. Interrompeu a partida por quatro minutos. Lobo cavou sob um portão e foi ao gramado. No campo de jogo, passou a seguir o auxiliar Carlos Selbach. Entre as linhas divisórias e a linha de fundo, Selbach era seguido de perto. E quando parou no meio do campo, Lobo chegou a pular para alcançar a bandeira do auxiliar. O jogo foi interrompido. Selbach tentou pegar e foi driblado. Delírio da torcida do Pelotas. O cão correu para o gol do Pelotas, driblou o goleiro e voltou a brincar com o auxiliar. Até que os maqueiros retiraram o célebre mascote.

Cães também petiscam durante o futebol Também no Rio Grande do Sul, os totós podem petiscar durante os jogos, e o melhor: com o total apoio de seus times do coração! . O Sport Club Internacional, mais conhecido como Inter, e o Grêmio de Foot-Ball Porto Alegre, ou simplesmente Tricolor, arrastam milhares de torcedores fanáticos aos estádios em dia de jogo. De olho nesses fãs, mas principalmente nos seus pets, a BioBase, fabricante de ração, desenvolveu alimentos para os cães desses torcedores. A ração pet Premium “Mascote Colorado” traz a marca do Inter na embalagem, que é vermelha e branca, assim como as cores do time. Já o “Raça Tricolor” tem embalagem azul, preta e branca, e o escudo do Grêmio. As rações integram a linha pet Auk e Miauk, que oferecem alimentos para filhotes, até rações padrão Premium. Alimentos para pets torcedores Divulgação

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O Dunga não convocou, mas o Fenômeno vai para a Copa

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Fenômeno vai para a Copa da África.

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Como pudemos ver, são várias histórias e diversos comportamentos dos animais quando o assunto é futebol. O que importa mesmo é ter a companhia deles, não só nesse, mas em todos os momentos. Nossos companheiros nos divertem e mostram seu amor pelos humanos, não importa a situação. Mais uma lição que eles nos dão!

Vet Rio / ção a g l

Fenômeno entra em quadra Divulgação

O cãozinho joga futebol, basquete, participa de ações sociais, visita pessoas doentes, casas de idosos e já participou de vários programas na TV. Fenômeno também já estrelou comerciais publicitários. “Sempre soube que ele não era um cachorro comum. Ele tem algo a mais”, conta Rosa. A dupla vai ficar na África durante 45 dias e pretende visitar aldeias e os pontos turísticos da região. Eles vão se hospedar em uma pousada de um amigo de Rosa e, segundo ele, toda a viagem será financiada com seus próprios recursos. “Algumas empresas vão nos apoiar com equipamentos que o Fenômeno vai precisar nesse período, mas o custo da viagem será pago por mim. Acredito que nada disso tem preço, é uma vontade minha, um sonho” afirma. Após a temporada na África, Rosa pretende fazer um documentário com o material produzido. “Minha intenção é mostrar todos os lugares pelos quais passaremos. O povo, a cultura, os locais mais conhecidos, como por exemplo, o local em que o Mandela foi preso”, diz. Rosa não sabe se vai conseguir entrar com o Fenômeno nos estádios onde vão acontecer os jogos da seleção, mas garante que vai tentar. "Minha intenção é entrar. Espero que tudo corra bem." A próxima viagem da dupla, para a Disney, já está sendo planejada e deve servir de material para um longa-metragem que Rosa que produzir. “Esse é o meu maior sonho”, conta Rosa.

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Um cachorro vai embarcar rumo à África do Sul para acompanhar os jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. O objetivo de André Rosa, adestrador e tutor do cão, chamado Fenômeno – em homenagem ao jogador Ronaldo –, é gravar um documentário e mostrar as maneiras de um cachorro levar alegria às pessoas. Além de representar o país no campeonato mundial, a outra intenção do adestrador é fazer o bichinho se tornar o mascote do Brasil no continente africano. Fenômeno, da raça border collie, tem cinco anos e foi comprado por Rosa após ter sido dispensado por sua antiga tutora. “Ele era muito ativo e sua tutora morava em um apartamento. Ela preferiu dá-lo e uma amiga o pegou e o vendeu para mim. Se para ela o fato de ele ser muito "animado" era um problema, para mim foi ótimo”, diz Rosa.

Diversão com o pet: não tem preço

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Pets torcedores Seu animalzinho gosta de futebol ou foge só de ver a bola rolando? O que importa é a diversão que temos com eles

Por Vivian Lemos

Em tempos de Copa do Mundo, o Brasil inteiro vive em função de futebol. As famílias planejam festas em casa, ruas são decoradas, tabelas são distribuídas... Mas devemos lembrar que alguns brasileiros não gostam e até mesmo se aterrorizam com o burburinho provocado pelo campeonato: nossos amados de quatro patas! Muitos cães e gatos vivem um verdadeiro inferno em grandes eventos como a Copa do Mundo e o Revéillon. Barulhos de fogos, cornetas e gritarias perturbam profundamente nossos amiguinhos. Isso é comum e a maioria das famílias que possui pets depara-se com essa situação. O que fazer então? Se o animal tem um lugar no qual sente-se seguro, é importante liberar o acesso a ele. Especialistas recomendam também não dar carinho excessivo, pois o animal pode interpretar como recompensa. Em casos mais extremos, é preciso medicar o animal, claro, com o aval de seu médico veterinário. Mas, caro leitor, essa matéria não é para falar dos milhares de cães e gatos que sofrem com o barulho. Estamos aqui para contar histórias curiosas de animais e sua relação com o futebol. Alguns nem gostam mesmo do esporte e chegam a abandonar o cômodo em que a TV transmite o jogo. Outros arriscam até mesmo pedaladas à la Robinho. Vamos conhecer um pouco dessas histórias.

O juiz apita e a Fiona corre! Basta o árbitro indicar o início do jogo na TV e a Fiona sai correndo! Isso mesmo, essa simpática cadelinha tem pavor do esporte bretão. “A TV pode estar no mudo que ela vê que é jogo e se levanta do sofá e sai da sala”, afirma Cyntia Vinci, tutora da Fiona. Mesmo sem participar da torcida com a família, a totó é o xodó da casa: “Num primeiro momento meu marido não queria adotá-la, pois não queria cachorro em apartamento. Insisti tanto e um dia ele disse que concordava, mas que não iria até Curitiba buscá-la. Fiz contato com uma amiga e ela a trouxe para nossa casa (em SP). Hoje a Fiona é o xodó dele. Dorme na nossa cama, faz parte das viagens da família, enfim é a queridinha”, relata Cyntia. Mas quem sabe nessa Copa a família não conta com outros torcedores de quatro patas? Afinal, a trupe tem ainda com a cadelinha Zara e um gatinho que adotou a casa: “Essa semana fomos adotados

por um gato. Isso mesmo, ele entrou em casa na maior cara de pau, passeia pelos cômodos, dorme no sofá e até em baixo do carrinho da nossa bebê (seis meses), ignorando completamente as cachorras, acredita? Pelo jeito vai ficar por lá... Hoje deixei ele logo cedo na clínica veterinária para uma consulta completa e depois um banho e pego ele agora na hora do almoço. Se quer ficar em casa, tem que tomar banho!”, diverte-se Cyntia.

Família que torce unida se assusta unida! Vanderleia Iaros uniformiza seus cãozinhos desde a última Copa do Mundo. Não dá para negar que eles ficam todos muito fofuchos, mas nem por isso são assim tão entrosados com futebol. “Eles latem muito, procuramos nem sair de casa pra que eles se sintam seguros!”, afirma Vaderleia. Apesar da fama que os cães têm de adorarem uma visita, na casa de Vanderleia é um pouco diferente. “Quando chega visita, Sandynha, Vitor e Naomi parecem bichos do mato, ficam um pouquinho, daqui a pouco correm dormir no quarto. Já o Billy adora gente! Quanto mais gente melhor pra ele quase subir na cabeça! Temos que dar bronca nele porque ele quer colo, quer dar beijo em todo mundo, ele é o mais simpático e adora pessoas, além de ser extremamente dócil e espoleta. Será a primeira Copa dele, já que ele tem só um ano, os outros três - Sandynha tem 15 anos, Naomi e Vitor têm 10 anos, já são veteranos!”

Quem não tem cão... torce com gato! Quem convive com felinos, sabe que eles têm personalidade forte e não costumam ceder aos nossos caprichos, como usar roupinhas e acessórios. Porém, nesta Copa um lindo bichano torcerá a caráter pela seleção brasileira: o Xavier, ou Xaxá para os íntimos. Xavier foi adotado no Beco da Esperança, em Curitiba, e desde então usa roupinhas numa boa, como relata sua tutora, Michelle Eiras: “Desde pequeno eu coloco roupinhas, quando ele fica muito tempo sem usar ele anda meio agachado,mas cinco minutos bastam pra ele voltar a pular nos sofás como se não estivesse usando nada”. E Xaxá promete ser um torcedor pé quente, ou melhor, pata quente, e muito entrosado: “Quando vierem assistir os jogos aqui, garanto que ele vai adorar, pois ama pessoas e casa cheia, cheira todo mundo e é muito sociável. Todos gostam muito dele! Por ser tranquilo e companheiro, até quem não gosta de gatos diz `Não gosto de gatos, gosto do Xaxa`”, diverte-se Michelle. 25

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O cão que salvou a Copa

Um cachorro da raça labrador na Escócia teve de ser submetido a uma cirurgia para remover uma bola de futebol que havia engolido. Seu tutor, John Grant, explicou que ficou preocupado com uma tosse do cão e resolveu levá-lo ao veterinário. Foi só então que descobriu o que havia ocorrido. Um exame de raio-X revelou que havia um inesperado objeto escuro próximo ao coração de Bracken. "Nós ficamos muito surpresos, porque quando fizemos o raio-X não conseguíamos identificar o que era", disse Damien Chase, um veterinário que participou da operação. Somente depois, os especialistas entenderam que uma parte do estômago do cachorro, contendo uma bola de futebol murcha, medindo 12 centímetros, havia se aproximado do coração.

Em 28 de Maio de 1928, durante congresso da Fifa, o então presidente da Federação, Jules Rimet, ordenou que fosse feito um troféu todo em ouro para ser oferecido para o campeão da Primeira Copa do Mundo de Futebol. O feito foi confiado a Abel Lafleur, artesão francês que criou um troféu que representava a alegoria da Vitória, com asas estilizadas. Em sua base de mármore foram colocadas pequenas placas onde seriam grafados os nomes dos vencedores das outras edições do evento. A primeira taça tinha 30 centímetros e pesava 3,8 quilos de ouro puro. Uma fortuna para a época. Em 1946, a taça foi chamada de Jules Rimet em homenagem ao seu idealizador. Foi ele que sugeriu que a taça ficaria definitivamente com a equipe que vencesse três edições da Copa – na época ele julgava que dificilmente alguma seleção ganharia três torneios seguidamente. No entanto, em 1966 a taça foi roubada na Inglaterra e após muito procurar, foi um cão – sim, um cão chamado Pickles – que encontrou o valioso troféu enrolado em jornais no meio da rua. Como recompensa por seu heroísmo, Pickles ganhou de uma empresa que produzia ração, fornecimento gratuito de comida pelo resto de sua vida. Infelizmente, foi em solo brasileiro que a taça sumiu de vez. Em 1983 o troféu foi roubado e derretido para ser vendido. Pena que nenhum totó brasileiro conseguiu achar a taça.

Segundo eles, o labrador de dois anos sofria de uma anomalia congênita, um buraco em seu diafragma. Assim, parte de seu estômago eventualmente entrava e saía desse espaço. Porém, por causa da bola, o estômago ficou preso, perto do coração. "Ele é um cachorro muito sortudo. Ele teria morrido sem a operação", declarou Chase. O cão teve de passar por duas cirurgias para remover a bola e corrigir o defeito congênito. Isso é que é um cachorro fominha!

Cachorro pata quente! Uns o conhecem por Pelotinha. Há quem o chame apenas de Vira-Latas. Para o técnico do Pelotas, Beto Almeida, ele é um amuleto do grupo que garantiu lugar na primeira divisão do Gauchão em 2010. Celebrizado depois de entrar em campo, um cachorro sem raça definida virou símbolo e recebeu um novo nome. Lobo passou a ser considerado um cachorro pé-quente depois de ter invadido o campo e esfriado o adversário na quarta-feira. Tanto que os cerca de seis mil torcedores no Estádio da Boca do Lobo cantaram em uma só voz: “– Ão, ão, ão o cachorro é Lobão”. Já batizado com o novo nome, ele passeia nas imediações da Boca do Lobo como celebridade. Torcedores querem vê-lo, tocar nele ou mesmo tirar uma fotografia. Até mesmo uma equipe da RBS TV Pelotas (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul) foi conhecê-lo. No início, Lobo ficou arredio, estranhou o assédio. Bastaram alguns minutos para se acostumar com os holofotes: fez poses para o cinegrafista e até latiu no microfone do repórter. A relação de Lobo com o clube é antiga. Ele mora na praça Dom Antonio Zatera, em frente ao estádio. O garçom Carlos Roberto Campos, o Ceará, 35 anos, trabalha em uma churrascaria ao lado do estádio. Torcedor do Pelotas, Ceará costuma dar comida a Lobo. – Se ele não tivesse entrado em campo, a história do jogo poderia ter sido outra – pondera Ceará. A crença de que Lobo foi decisivo se espalhou pelo estádio e virou tema das conversas depois da partida. O Pelotas vencia por 2 a 0, no primeiro

tempo, mas o Riograndense pressionava. O cão entrou em campo para voltar a dar equilíbrio ao jogo. Interrompeu a partida por quatro minutos. Lobo cavou sob um portão e foi ao gramado. No campo de jogo, passou a seguir o auxiliar Carlos Selbach. Entre as linhas divisórias e a linha de fundo, Selbach era seguido de perto. E quando parou no meio do campo, Lobo chegou a pular para alcançar a bandeira do auxiliar. O jogo foi interrompido. Selbach tentou pegar e foi driblado. Delírio da torcida do Pelotas. O cão correu para o gol do Pelotas, driblou o goleiro e voltou a brincar com o auxiliar. Até que os maqueiros retiraram o célebre mascote.

Cães também petiscam durante o futebol Também no Rio Grande do Sul, os totós podem petiscar durante os jogos, e o melhor: com o total apoio de seus times do coração! . O Sport Club Internacional, mais conhecido como Inter, e o Grêmio de Foot-Ball Porto Alegre, ou simplesmente Tricolor, arrastam milhares de torcedores fanáticos aos estádios em dia de jogo. De olho nesses fãs, mas principalmente nos seus pets, a BioBase, fabricante de ração, desenvolveu alimentos para os cães desses torcedores. A ração pet Premium “Mascote Colorado” traz a marca do Inter na embalagem, que é vermelha e branca, assim como as cores do time. Já o “Raça Tricolor” tem embalagem azul, preta e branca, e o escudo do Grêmio. As rações integram a linha pet Auk e Miauk, que oferecem alimentos para filhotes, até rações padrão Premium. Alimentos para pets torcedores Divulgação

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O Dunga não convocou, mas o Fenômeno vai para a Copa

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Fenômeno vai para a Copa da África.

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Como pudemos ver, são várias histórias e diversos comportamentos dos animais quando o assunto é futebol. O que importa mesmo é ter a companhia deles, não só nesse, mas em todos os momentos. Nossos companheiros nos divertem e mostram seu amor pelos humanos, não importa a situação. Mais uma lição que eles nos dão!

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Fenômeno entra em quadra Divulgação

O cãozinho joga futebol, basquete, participa de ações sociais, visita pessoas doentes, casas de idosos e já participou de vários programas na TV. Fenômeno também já estrelou comerciais publicitários. “Sempre soube que ele não era um cachorro comum. Ele tem algo a mais”, conta Rosa. A dupla vai ficar na África durante 45 dias e pretende visitar aldeias e os pontos turísticos da região. Eles vão se hospedar em uma pousada de um amigo de Rosa e, segundo ele, toda a viagem será financiada com seus próprios recursos. “Algumas empresas vão nos apoiar com equipamentos que o Fenômeno vai precisar nesse período, mas o custo da viagem será pago por mim. Acredito que nada disso tem preço, é uma vontade minha, um sonho” afirma. Após a temporada na África, Rosa pretende fazer um documentário com o material produzido. “Minha intenção é mostrar todos os lugares pelos quais passaremos. O povo, a cultura, os locais mais conhecidos, como por exemplo, o local em que o Mandela foi preso”, diz. Rosa não sabe se vai conseguir entrar com o Fenômeno nos estádios onde vão acontecer os jogos da seleção, mas garante que vai tentar. "Minha intenção é entrar. Espero que tudo corra bem." A próxima viagem da dupla, para a Disney, já está sendo planejada e deve servir de material para um longa-metragem que Rosa que produzir. “Esse é o meu maior sonho”, conta Rosa.

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Um cachorro vai embarcar rumo à África do Sul para acompanhar os jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. O objetivo de André Rosa, adestrador e tutor do cão, chamado Fenômeno – em homenagem ao jogador Ronaldo –, é gravar um documentário e mostrar as maneiras de um cachorro levar alegria às pessoas. Além de representar o país no campeonato mundial, a outra intenção do adestrador é fazer o bichinho se tornar o mascote do Brasil no continente africano. Fenômeno, da raça border collie, tem cinco anos e foi comprado por Rosa após ter sido dispensado por sua antiga tutora. “Ele era muito ativo e sua tutora morava em um apartamento. Ela preferiu dá-lo e uma amiga o pegou e o vendeu para mim. Se para ela o fato de ele ser muito "animado" era um problema, para mim foi ótimo”, diz Rosa.

Diversão com o pet: não tem preço

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Pets torcedores Seu animalzinho gosta de futebol ou foge só de ver a bola rolando? O que importa é a diversão que temos com eles

Por Vivian Lemos

Em tempos de Copa do Mundo, o Brasil inteiro vive em função de futebol. As famílias planejam festas em casa, ruas são decoradas, tabelas são distribuídas... Mas devemos lembrar que alguns brasileiros não gostam e até mesmo se aterrorizam com o burburinho provocado pelo campeonato: nossos amados de quatro patas! Muitos cães e gatos vivem um verdadeiro inferno em grandes eventos como a Copa do Mundo e o Revéillon. Barulhos de fogos, cornetas e gritarias perturbam profundamente nossos amiguinhos. Isso é comum e a maioria das famílias que possui pets depara-se com essa situação. O que fazer então? Se o animal tem um lugar no qual sente-se seguro, é importante liberar o acesso a ele. Especialistas recomendam também não dar carinho excessivo, pois o animal pode interpretar como recompensa. Em casos mais extremos, é preciso medicar o animal, claro, com o aval de seu médico veterinário. Mas, caro leitor, essa matéria não é para falar dos milhares de cães e gatos que sofrem com o barulho. Estamos aqui para contar histórias curiosas de animais e sua relação com o futebol. Alguns nem gostam mesmo do esporte e chegam a abandonar o cômodo em que a TV transmite o jogo. Outros arriscam até mesmo pedaladas à la Robinho. Vamos conhecer um pouco dessas histórias.

O juiz apita e a Fiona corre! Basta o árbitro indicar o início do jogo na TV e a Fiona sai correndo! Isso mesmo, essa simpática cadelinha tem pavor do esporte bretão. “A TV pode estar no mudo que ela vê que é jogo e se levanta do sofá e sai da sala”, afirma Cyntia Vinci, tutora da Fiona. Mesmo sem participar da torcida com a família, a totó é o xodó da casa: “Num primeiro momento meu marido não queria adotá-la, pois não queria cachorro em apartamento. Insisti tanto e um dia ele disse que concordava, mas que não iria até Curitiba buscá-la. Fiz contato com uma amiga e ela a trouxe para nossa casa (em SP). Hoje a Fiona é o xodó dele. Dorme na nossa cama, faz parte das viagens da família, enfim é a queridinha”, relata Cyntia. Mas quem sabe nessa Copa a família não conta com outros torcedores de quatro patas? Afinal, a trupe tem ainda com a cadelinha Zara e um gatinho que adotou a casa: “Essa semana fomos adotados

por um gato. Isso mesmo, ele entrou em casa na maior cara de pau, passeia pelos cômodos, dorme no sofá e até em baixo do carrinho da nossa bebê (seis meses), ignorando completamente as cachorras, acredita? Pelo jeito vai ficar por lá... Hoje deixei ele logo cedo na clínica veterinária para uma consulta completa e depois um banho e pego ele agora na hora do almoço. Se quer ficar em casa, tem que tomar banho!”, diverte-se Cyntia.

Família que torce unida se assusta unida! Vanderleia Iaros uniformiza seus cãozinhos desde a última Copa do Mundo. Não dá para negar que eles ficam todos muito fofuchos, mas nem por isso são assim tão entrosados com futebol. “Eles latem muito, procuramos nem sair de casa pra que eles se sintam seguros!”, afirma Vaderleia. Apesar da fama que os cães têm de adorarem uma visita, na casa de Vanderleia é um pouco diferente. “Quando chega visita, Sandynha, Vitor e Naomi parecem bichos do mato, ficam um pouquinho, daqui a pouco correm dormir no quarto. Já o Billy adora gente! Quanto mais gente melhor pra ele quase subir na cabeça! Temos que dar bronca nele porque ele quer colo, quer dar beijo em todo mundo, ele é o mais simpático e adora pessoas, além de ser extremamente dócil e espoleta. Será a primeira Copa dele, já que ele tem só um ano, os outros três - Sandynha tem 15 anos, Naomi e Vitor têm 10 anos, já são veteranos!”

Quem não tem cão... torce com gato! Quem convive com felinos, sabe que eles têm personalidade forte e não costumam ceder aos nossos caprichos, como usar roupinhas e acessórios. Porém, nesta Copa um lindo bichano torcerá a caráter pela seleção brasileira: o Xavier, ou Xaxá para os íntimos. Xavier foi adotado no Beco da Esperança, em Curitiba, e desde então usa roupinhas numa boa, como relata sua tutora, Michelle Eiras: “Desde pequeno eu coloco roupinhas, quando ele fica muito tempo sem usar ele anda meio agachado,mas cinco minutos bastam pra ele voltar a pular nos sofás como se não estivesse usando nada”. E Xaxá promete ser um torcedor pé quente, ou melhor, pata quente, e muito entrosado: “Quando vierem assistir os jogos aqui, garanto que ele vai adorar, pois ama pessoas e casa cheia, cheira todo mundo e é muito sociável. Todos gostam muito dele! Por ser tranquilo e companheiro, até quem não gosta de gatos diz `Não gosto de gatos, gosto do Xaxa`”, diverte-se Michelle. 25

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O cão que salvou a Copa

Um cachorro da raça labrador na Escócia teve de ser submetido a uma cirurgia para remover uma bola de futebol que havia engolido. Seu tutor, John Grant, explicou que ficou preocupado com uma tosse do cão e resolveu levá-lo ao veterinário. Foi só então que descobriu o que havia ocorrido. Um exame de raio-X revelou que havia um inesperado objeto escuro próximo ao coração de Bracken. "Nós ficamos muito surpresos, porque quando fizemos o raio-X não conseguíamos identificar o que era", disse Damien Chase, um veterinário que participou da operação. Somente depois, os especialistas entenderam que uma parte do estômago do cachorro, contendo uma bola de futebol murcha, medindo 12 centímetros, havia se aproximado do coração.

Em 28 de Maio de 1928, durante congresso da Fifa, o então presidente da Federação, Jules Rimet, ordenou que fosse feito um troféu todo em ouro para ser oferecido para o campeão da Primeira Copa do Mundo de Futebol. O feito foi confiado a Abel Lafleur, artesão francês que criou um troféu que representava a alegoria da Vitória, com asas estilizadas. Em sua base de mármore foram colocadas pequenas placas onde seriam grafados os nomes dos vencedores das outras edições do evento. A primeira taça tinha 30 centímetros e pesava 3,8 quilos de ouro puro. Uma fortuna para a época. Em 1946, a taça foi chamada de Jules Rimet em homenagem ao seu idealizador. Foi ele que sugeriu que a taça ficaria definitivamente com a equipe que vencesse três edições da Copa – na época ele julgava que dificilmente alguma seleção ganharia três torneios seguidamente. No entanto, em 1966 a taça foi roubada na Inglaterra e após muito procurar, foi um cão – sim, um cão chamado Pickles – que encontrou o valioso troféu enrolado em jornais no meio da rua. Como recompensa por seu heroísmo, Pickles ganhou de uma empresa que produzia ração, fornecimento gratuito de comida pelo resto de sua vida. Infelizmente, foi em solo brasileiro que a taça sumiu de vez. Em 1983 o troféu foi roubado e derretido para ser vendido. Pena que nenhum totó brasileiro conseguiu achar a taça.

Segundo eles, o labrador de dois anos sofria de uma anomalia congênita, um buraco em seu diafragma. Assim, parte de seu estômago eventualmente entrava e saía desse espaço. Porém, por causa da bola, o estômago ficou preso, perto do coração. "Ele é um cachorro muito sortudo. Ele teria morrido sem a operação", declarou Chase. O cão teve de passar por duas cirurgias para remover a bola e corrigir o defeito congênito. Isso é que é um cachorro fominha!

Cachorro pata quente! Uns o conhecem por Pelotinha. Há quem o chame apenas de Vira-Latas. Para o técnico do Pelotas, Beto Almeida, ele é um amuleto do grupo que garantiu lugar na primeira divisão do Gauchão em 2010. Celebrizado depois de entrar em campo, um cachorro sem raça definida virou símbolo e recebeu um novo nome. Lobo passou a ser considerado um cachorro pé-quente depois de ter invadido o campo e esfriado o adversário na quarta-feira. Tanto que os cerca de seis mil torcedores no Estádio da Boca do Lobo cantaram em uma só voz: “– Ão, ão, ão o cachorro é Lobão”. Já batizado com o novo nome, ele passeia nas imediações da Boca do Lobo como celebridade. Torcedores querem vê-lo, tocar nele ou mesmo tirar uma fotografia. Até mesmo uma equipe da RBS TV Pelotas (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul) foi conhecê-lo. No início, Lobo ficou arredio, estranhou o assédio. Bastaram alguns minutos para se acostumar com os holofotes: fez poses para o cinegrafista e até latiu no microfone do repórter. A relação de Lobo com o clube é antiga. Ele mora na praça Dom Antonio Zatera, em frente ao estádio. O garçom Carlos Roberto Campos, o Ceará, 35 anos, trabalha em uma churrascaria ao lado do estádio. Torcedor do Pelotas, Ceará costuma dar comida a Lobo. – Se ele não tivesse entrado em campo, a história do jogo poderia ter sido outra – pondera Ceará. A crença de que Lobo foi decisivo se espalhou pelo estádio e virou tema das conversas depois da partida. O Pelotas vencia por 2 a 0, no primeiro

tempo, mas o Riograndense pressionava. O cão entrou em campo para voltar a dar equilíbrio ao jogo. Interrompeu a partida por quatro minutos. Lobo cavou sob um portão e foi ao gramado. No campo de jogo, passou a seguir o auxiliar Carlos Selbach. Entre as linhas divisórias e a linha de fundo, Selbach era seguido de perto. E quando parou no meio do campo, Lobo chegou a pular para alcançar a bandeira do auxiliar. O jogo foi interrompido. Selbach tentou pegar e foi driblado. Delírio da torcida do Pelotas. O cão correu para o gol do Pelotas, driblou o goleiro e voltou a brincar com o auxiliar. Até que os maqueiros retiraram o célebre mascote.

Cães também petiscam durante o futebol Também no Rio Grande do Sul, os totós podem petiscar durante os jogos, e o melhor: com o total apoio de seus times do coração! . O Sport Club Internacional, mais conhecido como Inter, e o Grêmio de Foot-Ball Porto Alegre, ou simplesmente Tricolor, arrastam milhares de torcedores fanáticos aos estádios em dia de jogo. De olho nesses fãs, mas principalmente nos seus pets, a BioBase, fabricante de ração, desenvolveu alimentos para os cães desses torcedores. A ração pet Premium “Mascote Colorado” traz a marca do Inter na embalagem, que é vermelha e branca, assim como as cores do time. Já o “Raça Tricolor” tem embalagem azul, preta e branca, e o escudo do Grêmio. As rações integram a linha pet Auk e Miauk, que oferecem alimentos para filhotes, até rações padrão Premium. Alimentos para pets torcedores Divulgação

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O Dunga não convocou, mas o Fenômeno vai para a Copa

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Fenômeno vai para a Copa da África.

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Como pudemos ver, são várias histórias e diversos comportamentos dos animais quando o assunto é futebol. O que importa mesmo é ter a companhia deles, não só nesse, mas em todos os momentos. Nossos companheiros nos divertem e mostram seu amor pelos humanos, não importa a situação. Mais uma lição que eles nos dão!

Vet Rio / ção a g l

Fenômeno entra em quadra Divulgação

O cãozinho joga futebol, basquete, participa de ações sociais, visita pessoas doentes, casas de idosos e já participou de vários programas na TV. Fenômeno também já estrelou comerciais publicitários. “Sempre soube que ele não era um cachorro comum. Ele tem algo a mais”, conta Rosa. A dupla vai ficar na África durante 45 dias e pretende visitar aldeias e os pontos turísticos da região. Eles vão se hospedar em uma pousada de um amigo de Rosa e, segundo ele, toda a viagem será financiada com seus próprios recursos. “Algumas empresas vão nos apoiar com equipamentos que o Fenômeno vai precisar nesse período, mas o custo da viagem será pago por mim. Acredito que nada disso tem preço, é uma vontade minha, um sonho” afirma. Após a temporada na África, Rosa pretende fazer um documentário com o material produzido. “Minha intenção é mostrar todos os lugares pelos quais passaremos. O povo, a cultura, os locais mais conhecidos, como por exemplo, o local em que o Mandela foi preso”, diz. Rosa não sabe se vai conseguir entrar com o Fenômeno nos estádios onde vão acontecer os jogos da seleção, mas garante que vai tentar. "Minha intenção é entrar. Espero que tudo corra bem." A próxima viagem da dupla, para a Disney, já está sendo planejada e deve servir de material para um longa-metragem que Rosa que produzir. “Esse é o meu maior sonho”, conta Rosa.

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Um cachorro vai embarcar rumo à África do Sul para acompanhar os jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. O objetivo de André Rosa, adestrador e tutor do cão, chamado Fenômeno – em homenagem ao jogador Ronaldo –, é gravar um documentário e mostrar as maneiras de um cachorro levar alegria às pessoas. Além de representar o país no campeonato mundial, a outra intenção do adestrador é fazer o bichinho se tornar o mascote do Brasil no continente africano. Fenômeno, da raça border collie, tem cinco anos e foi comprado por Rosa após ter sido dispensado por sua antiga tutora. “Ele era muito ativo e sua tutora morava em um apartamento. Ela preferiu dá-lo e uma amiga o pegou e o vendeu para mim. Se para ela o fato de ele ser muito "animado" era um problema, para mim foi ótimo”, diz Rosa.

Diversão com o pet: não tem preço

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Pets torcedores Seu animalzinho gosta de futebol ou foge só de ver a bola rolando? O que importa é a diversão que temos com eles

Por Vivian Lemos

Em tempos de Copa do Mundo, o Brasil inteiro vive em função de futebol. As famílias planejam festas em casa, ruas são decoradas, tabelas são distribuídas... Mas devemos lembrar que alguns brasileiros não gostam e até mesmo se aterrorizam com o burburinho provocado pelo campeonato: nossos amados de quatro patas! Muitos cães e gatos vivem um verdadeiro inferno em grandes eventos como a Copa do Mundo e o Revéillon. Barulhos de fogos, cornetas e gritarias perturbam profundamente nossos amiguinhos. Isso é comum e a maioria das famílias que possui pets depara-se com essa situação. O que fazer então? Se o animal tem um lugar no qual sente-se seguro, é importante liberar o acesso a ele. Especialistas recomendam também não dar carinho excessivo, pois o animal pode interpretar como recompensa. Em casos mais extremos, é preciso medicar o animal, claro, com o aval de seu médico veterinário. Mas, caro leitor, essa matéria não é para falar dos milhares de cães e gatos que sofrem com o barulho. Estamos aqui para contar histórias curiosas de animais e sua relação com o futebol. Alguns nem gostam mesmo do esporte e chegam a abandonar o cômodo em que a TV transmite o jogo. Outros arriscam até mesmo pedaladas à la Robinho. Vamos conhecer um pouco dessas histórias.

O juiz apita e a Fiona corre! Basta o árbitro indicar o início do jogo na TV e a Fiona sai correndo! Isso mesmo, essa simpática cadelinha tem pavor do esporte bretão. “A TV pode estar no mudo que ela vê que é jogo e se levanta do sofá e sai da sala”, afirma Cyntia Vinci, tutora da Fiona. Mesmo sem participar da torcida com a família, a totó é o xodó da casa: “Num primeiro momento meu marido não queria adotá-la, pois não queria cachorro em apartamento. Insisti tanto e um dia ele disse que concordava, mas que não iria até Curitiba buscá-la. Fiz contato com uma amiga e ela a trouxe para nossa casa (em SP). Hoje a Fiona é o xodó dele. Dorme na nossa cama, faz parte das viagens da família, enfim é a queridinha”, relata Cyntia. Mas quem sabe nessa Copa a família não conta com outros torcedores de quatro patas? Afinal, a trupe tem ainda com a cadelinha Zara e um gatinho que adotou a casa: “Essa semana fomos adotados

por um gato. Isso mesmo, ele entrou em casa na maior cara de pau, passeia pelos cômodos, dorme no sofá e até em baixo do carrinho da nossa bebê (seis meses), ignorando completamente as cachorras, acredita? Pelo jeito vai ficar por lá... Hoje deixei ele logo cedo na clínica veterinária para uma consulta completa e depois um banho e pego ele agora na hora do almoço. Se quer ficar em casa, tem que tomar banho!”, diverte-se Cyntia.

Família que torce unida se assusta unida! Vanderleia Iaros uniformiza seus cãozinhos desde a última Copa do Mundo. Não dá para negar que eles ficam todos muito fofuchos, mas nem por isso são assim tão entrosados com futebol. “Eles latem muito, procuramos nem sair de casa pra que eles se sintam seguros!”, afirma Vaderleia. Apesar da fama que os cães têm de adorarem uma visita, na casa de Vanderleia é um pouco diferente. “Quando chega visita, Sandynha, Vitor e Naomi parecem bichos do mato, ficam um pouquinho, daqui a pouco correm dormir no quarto. Já o Billy adora gente! Quanto mais gente melhor pra ele quase subir na cabeça! Temos que dar bronca nele porque ele quer colo, quer dar beijo em todo mundo, ele é o mais simpático e adora pessoas, além de ser extremamente dócil e espoleta. Será a primeira Copa dele, já que ele tem só um ano, os outros três - Sandynha tem 15 anos, Naomi e Vitor têm 10 anos, já são veteranos!”

Quem não tem cão... torce com gato! Quem convive com felinos, sabe que eles têm personalidade forte e não costumam ceder aos nossos caprichos, como usar roupinhas e acessórios. Porém, nesta Copa um lindo bichano torcerá a caráter pela seleção brasileira: o Xavier, ou Xaxá para os íntimos. Xavier foi adotado no Beco da Esperança, em Curitiba, e desde então usa roupinhas numa boa, como relata sua tutora, Michelle Eiras: “Desde pequeno eu coloco roupinhas, quando ele fica muito tempo sem usar ele anda meio agachado,mas cinco minutos bastam pra ele voltar a pular nos sofás como se não estivesse usando nada”. E Xaxá promete ser um torcedor pé quente, ou melhor, pata quente, e muito entrosado: “Quando vierem assistir os jogos aqui, garanto que ele vai adorar, pois ama pessoas e casa cheia, cheira todo mundo e é muito sociável. Todos gostam muito dele! Por ser tranquilo e companheiro, até quem não gosta de gatos diz `Não gosto de gatos, gosto do Xaxa`”, diverte-se Michelle. 25

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O cão que salvou a Copa

Um cachorro da raça labrador na Escócia teve de ser submetido a uma cirurgia para remover uma bola de futebol que havia engolido. Seu tutor, John Grant, explicou que ficou preocupado com uma tosse do cão e resolveu levá-lo ao veterinário. Foi só então que descobriu o que havia ocorrido. Um exame de raio-X revelou que havia um inesperado objeto escuro próximo ao coração de Bracken. "Nós ficamos muito surpresos, porque quando fizemos o raio-X não conseguíamos identificar o que era", disse Damien Chase, um veterinário que participou da operação. Somente depois, os especialistas entenderam que uma parte do estômago do cachorro, contendo uma bola de futebol murcha, medindo 12 centímetros, havia se aproximado do coração.

Em 28 de Maio de 1928, durante congresso da Fifa, o então presidente da Federação, Jules Rimet, ordenou que fosse feito um troféu todo em ouro para ser oferecido para o campeão da Primeira Copa do Mundo de Futebol. O feito foi confiado a Abel Lafleur, artesão francês que criou um troféu que representava a alegoria da Vitória, com asas estilizadas. Em sua base de mármore foram colocadas pequenas placas onde seriam grafados os nomes dos vencedores das outras edições do evento. A primeira taça tinha 30 centímetros e pesava 3,8 quilos de ouro puro. Uma fortuna para a época. Em 1946, a taça foi chamada de Jules Rimet em homenagem ao seu idealizador. Foi ele que sugeriu que a taça ficaria definitivamente com a equipe que vencesse três edições da Copa – na época ele julgava que dificilmente alguma seleção ganharia três torneios seguidamente. No entanto, em 1966 a taça foi roubada na Inglaterra e após muito procurar, foi um cão – sim, um cão chamado Pickles – que encontrou o valioso troféu enrolado em jornais no meio da rua. Como recompensa por seu heroísmo, Pickles ganhou de uma empresa que produzia ração, fornecimento gratuito de comida pelo resto de sua vida. Infelizmente, foi em solo brasileiro que a taça sumiu de vez. Em 1983 o troféu foi roubado e derretido para ser vendido. Pena que nenhum totó brasileiro conseguiu achar a taça.

Segundo eles, o labrador de dois anos sofria de uma anomalia congênita, um buraco em seu diafragma. Assim, parte de seu estômago eventualmente entrava e saía desse espaço. Porém, por causa da bola, o estômago ficou preso, perto do coração. "Ele é um cachorro muito sortudo. Ele teria morrido sem a operação", declarou Chase. O cão teve de passar por duas cirurgias para remover a bola e corrigir o defeito congênito. Isso é que é um cachorro fominha!

Cachorro pata quente! Uns o conhecem por Pelotinha. Há quem o chame apenas de Vira-Latas. Para o técnico do Pelotas, Beto Almeida, ele é um amuleto do grupo que garantiu lugar na primeira divisão do Gauchão em 2010. Celebrizado depois de entrar em campo, um cachorro sem raça definida virou símbolo e recebeu um novo nome. Lobo passou a ser considerado um cachorro pé-quente depois de ter invadido o campo e esfriado o adversário na quarta-feira. Tanto que os cerca de seis mil torcedores no Estádio da Boca do Lobo cantaram em uma só voz: “– Ão, ão, ão o cachorro é Lobão”. Já batizado com o novo nome, ele passeia nas imediações da Boca do Lobo como celebridade. Torcedores querem vê-lo, tocar nele ou mesmo tirar uma fotografia. Até mesmo uma equipe da RBS TV Pelotas (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul) foi conhecê-lo. No início, Lobo ficou arredio, estranhou o assédio. Bastaram alguns minutos para se acostumar com os holofotes: fez poses para o cinegrafista e até latiu no microfone do repórter. A relação de Lobo com o clube é antiga. Ele mora na praça Dom Antonio Zatera, em frente ao estádio. O garçom Carlos Roberto Campos, o Ceará, 35 anos, trabalha em uma churrascaria ao lado do estádio. Torcedor do Pelotas, Ceará costuma dar comida a Lobo. – Se ele não tivesse entrado em campo, a história do jogo poderia ter sido outra – pondera Ceará. A crença de que Lobo foi decisivo se espalhou pelo estádio e virou tema das conversas depois da partida. O Pelotas vencia por 2 a 0, no primeiro

tempo, mas o Riograndense pressionava. O cão entrou em campo para voltar a dar equilíbrio ao jogo. Interrompeu a partida por quatro minutos. Lobo cavou sob um portão e foi ao gramado. No campo de jogo, passou a seguir o auxiliar Carlos Selbach. Entre as linhas divisórias e a linha de fundo, Selbach era seguido de perto. E quando parou no meio do campo, Lobo chegou a pular para alcançar a bandeira do auxiliar. O jogo foi interrompido. Selbach tentou pegar e foi driblado. Delírio da torcida do Pelotas. O cão correu para o gol do Pelotas, driblou o goleiro e voltou a brincar com o auxiliar. Até que os maqueiros retiraram o célebre mascote.

Cães também petiscam durante o futebol Também no Rio Grande do Sul, os totós podem petiscar durante os jogos, e o melhor: com o total apoio de seus times do coração! . O Sport Club Internacional, mais conhecido como Inter, e o Grêmio de Foot-Ball Porto Alegre, ou simplesmente Tricolor, arrastam milhares de torcedores fanáticos aos estádios em dia de jogo. De olho nesses fãs, mas principalmente nos seus pets, a BioBase, fabricante de ração, desenvolveu alimentos para os cães desses torcedores. A ração pet Premium “Mascote Colorado” traz a marca do Inter na embalagem, que é vermelha e branca, assim como as cores do time. Já o “Raça Tricolor” tem embalagem azul, preta e branca, e o escudo do Grêmio. As rações integram a linha pet Auk e Miauk, que oferecem alimentos para filhotes, até rações padrão Premium. Alimentos para pets torcedores Divulgação

Fome de bola

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Fenômeno vai para a Copa da África.

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Diversão com o pet: não tem preço vu

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Como pudemos ver, são várias histórias e diversos comportamentos dos animais quando o assunto é futebol. O que importa mesmo é ter a companhia deles, não só nesse, mas em todos os momentos. Nossos companheiros nos divertem e mostram seu amor pelos humanos, não importa a situação. Mais uma lição que eles nos dão!

Vet Rio / ção a g l

Fenômeno entra em quadra

O cãozinho joga futebol, basquete, participa de ações sociais, visita pessoas doentes, casas de idosos e já participou de vários programas na TV. Fenômeno também já estrelou comerciais publicitários. “Sempre soube que ele não era um cachorro comum. Ele tem algo a mais”, conta Rosa. A dupla vai ficar na África durante 45 dias e pretende visitar aldeias e os pontos turísticos da região. Eles vão se hospedar em uma pousada de um amigo de Rosa e, segundo ele, toda a viagem será financiada com seus próprios recursos. “Algumas empresas vão nos apoiar com equipamentos que o Fenômeno vai precisar nesse período, mas o custo da viagem será pago por mim. Acredito que nada disso tem preço, é uma vontade minha, um sonho” afirma. Após a temporada na África, Rosa pretende fazer um documentário com o material produzido. “Minha intenção é mostrar todos os lugares pelos quais passaremos. O povo, a cultura, os locais mais conhecidos, como por exemplo, o local em que o Mandela foi preso”, diz. Rosa não sabe se vai conseguir entrar com o Fenômeno nos estádios onde vão acontecer os jogos da seleção, mas garante que vai tentar. "Minha intenção é entrar. Espero que tudo corra bem." A próxima viagem da dupla, para a Disney, já está sendo planejada e deve servir de material para um longa-metragem que Rosa que produzir. “Esse é o meu maior sonho”, conta Rosa.

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Um cachorro vai embarcar rumo à África do Sul para acompanhar os jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. O objetivo de André Rosa, adestrador e tutor do cão, chamado Fenômeno – em homenagem ao jogador Ronaldo –, é gravar um documentário e mostrar as maneiras de um cachorro levar alegria às pessoas. Além de representar o país no campeonato mundial, a outra intenção do adestrador é fazer o bichinho se tornar o mascote do Brasil no continente africano. Fenômeno, da raça border collie, tem cinco anos e foi comprado por Rosa após ter sido dispensado por sua antiga tutora. “Ele era muito ativo e sua tutora morava em um apartamento. Ela preferiu dá-lo e uma amiga o pegou e o vendeu para mim. Se para ela o fato de ele ser muito "animado" era um problema, para mim foi ótimo”, diz Rosa.

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O Dunga não convocou, mas o Fenômeno vai para a Copa

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Pets torcedores Seu animalzinho gosta de futebol ou foge só de ver a bola rolando? O que importa é a diversão que temos com eles

Por Vivian Lemos

Em tempos de Copa do Mundo, o Brasil inteiro vive em função de futebol. As famílias planejam festas em casa, ruas são decoradas, tabelas são distribuídas... Mas devemos lembrar que alguns brasileiros não gostam e até mesmo se aterrorizam com o burburinho provocado pelo campeonato: nossos amados de quatro patas! Muitos cães e gatos vivem um verdadeiro inferno em grandes eventos como a Copa do Mundo e o Revéillon. Barulhos de fogos, cornetas e gritarias perturbam profundamente nossos amiguinhos. Isso é comum e a maioria das famílias que possui pets depara-se com essa situação. O que fazer então? Se o animal tem um lugar no qual sente-se seguro, é importante liberar o acesso a ele. Especialistas recomendam também não dar carinho excessivo, pois o animal pode interpretar como recompensa. Em casos mais extremos, é preciso medicar o animal, claro, com o aval de seu médico veterinário. Mas, caro leitor, essa matéria não é para falar dos milhares de cães e gatos que sofrem com o barulho. Estamos aqui para contar histórias curiosas de animais e sua relação com o futebol. Alguns nem gostam mesmo do esporte e chegam a abandonar o cômodo em que a TV transmite o jogo. Outros arriscam até mesmo pedaladas à la Robinho. Vamos conhecer um pouco dessas histórias.

O juiz apita e a Fiona corre! Basta o árbitro indicar o início do jogo na TV e a Fiona sai correndo! Isso mesmo, essa simpática cadelinha tem pavor do esporte bretão. “A TV pode estar no mudo que ela vê que é jogo e se levanta do sofá e sai da sala”, afirma Cyntia Vinci, tutora da Fiona. Mesmo sem participar da torcida com a família, a totó é o xodó da casa: “Num primeiro momento meu marido não queria adotá-la, pois não queria cachorro em apartamento. Insisti tanto e um dia ele disse que concordava, mas que não iria até Curitiba buscá-la. Fiz contato com uma amiga e ela a trouxe para nossa casa (em SP). Hoje a Fiona é o xodó dele. Dorme na nossa cama, faz parte das viagens da família, enfim é a queridinha”, relata Cyntia. Mas quem sabe nessa Copa a família não conta com outros torcedores de quatro patas? Afinal, a trupe tem ainda com a cadelinha Zara e um gatinho que adotou a casa: “Essa semana fomos adotados

por um gato. Isso mesmo, ele entrou em casa na maior cara de pau, passeia pelos cômodos, dorme no sofá e até em baixo do carrinho da nossa bebê (seis meses), ignorando completamente as cachorras, acredita? Pelo jeito vai ficar por lá... Hoje deixei ele logo cedo na clínica veterinária para uma consulta completa e depois um banho e pego ele agora na hora do almoço. Se quer ficar em casa, tem que tomar banho!”, diverte-se Cyntia.

Família que torce unida se assusta unida! Vanderleia Iaros uniformiza seus cãozinhos desde a última Copa do Mundo. Não dá para negar que eles ficam todos muito fofuchos, mas nem por isso são assim tão entrosados com futebol. “Eles latem muito, procuramos nem sair de casa pra que eles se sintam seguros!”, afirma Vaderleia. Apesar da fama que os cães têm de adorarem uma visita, na casa de Vanderleia é um pouco diferente. “Quando chega visita, Sandynha, Vitor e Naomi parecem bichos do mato, ficam um pouquinho, daqui a pouco correm dormir no quarto. Já o Billy adora gente! Quanto mais gente melhor pra ele quase subir na cabeça! Temos que dar bronca nele porque ele quer colo, quer dar beijo em todo mundo, ele é o mais simpático e adora pessoas, além de ser extremamente dócil e espoleta. Será a primeira Copa dele, já que ele tem só um ano, os outros três - Sandynha tem 15 anos, Naomi e Vitor têm 10 anos, já são veteranos!”

Quem não tem cão... torce com gato! Quem convive com felinos, sabe que eles têm personalidade forte e não costumam ceder aos nossos caprichos, como usar roupinhas e acessórios. Porém, nesta Copa um lindo bichano torcerá a caráter pela seleção brasileira: o Xavier, ou Xaxá para os íntimos. Xavier foi adotado no Beco da Esperança, em Curitiba, e desde então usa roupinhas numa boa, como relata sua tutora, Michelle Eiras: “Desde pequeno eu coloco roupinhas, quando ele fica muito tempo sem usar ele anda meio agachado,mas cinco minutos bastam pra ele voltar a pular nos sofás como se não estivesse usando nada”. E Xaxá promete ser um torcedor pé quente, ou melhor, pata quente, e muito entrosado: “Quando vierem assistir os jogos aqui, garanto que ele vai adorar, pois ama pessoas e casa cheia, cheira todo mundo e é muito sociável. Todos gostam muito dele! Por ser tranquilo e companheiro, até quem não gosta de gatos diz `Não gosto de gatos, gosto do Xaxa`”, diverte-se Michelle. 25

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O cão que salvou a Copa

Um cachorro da raça labrador na Escócia teve de ser submetido a uma cirurgia para remover uma bola de futebol que havia engolido. Seu tutor, John Grant, explicou que ficou preocupado com uma tosse do cão e resolveu levá-lo ao veterinário. Foi só então que descobriu o que havia ocorrido. Um exame de raio-X revelou que havia um inesperado objeto escuro próximo ao coração de Bracken. "Nós ficamos muito surpresos, porque quando fizemos o raio-X não conseguíamos identificar o que era", disse Damien Chase, um veterinário que participou da operação. Somente depois, os especialistas entenderam que uma parte do estômago do cachorro, contendo uma bola de futebol murcha, medindo 12 centímetros, havia se aproximado do coração.

Em 28 de Maio de 1928, durante congresso da Fifa, o então presidente da Federação, Jules Rimet, ordenou que fosse feito um troféu todo em ouro para ser oferecido para o campeão da Primeira Copa do Mundo de Futebol. O feito foi confiado a Abel Lafleur, artesão francês que criou um troféu que representava a alegoria da Vitória, com asas estilizadas. Em sua base de mármore foram colocadas pequenas placas onde seriam grafados os nomes dos vencedores das outras edições do evento. A primeira taça tinha 30 centímetros e pesava 3,8 quilos de ouro puro. Uma fortuna para a época. Em 1946, a taça foi chamada de Jules Rimet em homenagem ao seu idealizador. Foi ele que sugeriu que a taça ficaria definitivamente com a equipe que vencesse três edições da Copa – na época ele julgava que dificilmente alguma seleção ganharia três torneios seguidamente. No entanto, em 1966 a taça foi roubada na Inglaterra e após muito procurar, foi um cão – sim, um cão chamado Pickles – que encontrou o valioso troféu enrolado em jornais no meio da rua. Como recompensa por seu heroísmo, Pickles ganhou de uma empresa que produzia ração, fornecimento gratuito de comida pelo resto de sua vida. Infelizmente, foi em solo brasileiro que a taça sumiu de vez. Em 1983 o troféu foi roubado e derretido para ser vendido. Pena que nenhum totó brasileiro conseguiu achar a taça.

Segundo eles, o labrador de dois anos sofria de uma anomalia congênita, um buraco em seu diafragma. Assim, parte de seu estômago eventualmente entrava e saía desse espaço. Porém, por causa da bola, o estômago ficou preso, perto do coração. "Ele é um cachorro muito sortudo. Ele teria morrido sem a operação", declarou Chase. O cão teve de passar por duas cirurgias para remover a bola e corrigir o defeito congênito. Isso é que é um cachorro fominha!

Cachorro pata quente! Uns o conhecem por Pelotinha. Há quem o chame apenas de Vira-Latas. Para o técnico do Pelotas, Beto Almeida, ele é um amuleto do grupo que garantiu lugar na primeira divisão do Gauchão em 2010. Celebrizado depois de entrar em campo, um cachorro sem raça definida virou símbolo e recebeu um novo nome. Lobo passou a ser considerado um cachorro pé-quente depois de ter invadido o campo e esfriado o adversário na quarta-feira. Tanto que os cerca de seis mil torcedores no Estádio da Boca do Lobo cantaram em uma só voz: “– Ão, ão, ão o cachorro é Lobão”. Já batizado com o novo nome, ele passeia nas imediações da Boca do Lobo como celebridade. Torcedores querem vê-lo, tocar nele ou mesmo tirar uma fotografia. Até mesmo uma equipe da RBS TV Pelotas (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul) foi conhecê-lo. No início, Lobo ficou arredio, estranhou o assédio. Bastaram alguns minutos para se acostumar com os holofotes: fez poses para o cinegrafista e até latiu no microfone do repórter. A relação de Lobo com o clube é antiga. Ele mora na praça Dom Antonio Zatera, em frente ao estádio. O garçom Carlos Roberto Campos, o Ceará, 35 anos, trabalha em uma churrascaria ao lado do estádio. Torcedor do Pelotas, Ceará costuma dar comida a Lobo. – Se ele não tivesse entrado em campo, a história do jogo poderia ter sido outra – pondera Ceará. A crença de que Lobo foi decisivo se espalhou pelo estádio e virou tema das conversas depois da partida. O Pelotas vencia por 2 a 0, no primeiro

tempo, mas o Riograndense pressionava. O cão entrou em campo para voltar a dar equilíbrio ao jogo. Interrompeu a partida por quatro minutos. Lobo cavou sob um portão e foi ao gramado. No campo de jogo, passou a seguir o auxiliar Carlos Selbach. Entre as linhas divisórias e a linha de fundo, Selbach era seguido de perto. E quando parou no meio do campo, Lobo chegou a pular para alcançar a bandeira do auxiliar. O jogo foi interrompido. Selbach tentou pegar e foi driblado. Delírio da torcida do Pelotas. O cão correu para o gol do Pelotas, driblou o goleiro e voltou a brincar com o auxiliar. Até que os maqueiros retiraram o célebre mascote.

Cães também petiscam durante o futebol Também no Rio Grande do Sul, os totós podem petiscar durante os jogos, e o melhor: com o total apoio de seus times do coração! . O Sport Club Internacional, mais conhecido como Inter, e o Grêmio de Foot-Ball Porto Alegre, ou simplesmente Tricolor, arrastam milhares de torcedores fanáticos aos estádios em dia de jogo. De olho nesses fãs, mas principalmente nos seus pets, a BioBase, fabricante de ração, desenvolveu alimentos para os cães desses torcedores. A ração pet Premium “Mascote Colorado” traz a marca do Inter na embalagem, que é vermelha e branca, assim como as cores do time. Já o “Raça Tricolor” tem embalagem azul, preta e branca, e o escudo do Grêmio. As rações integram a linha pet Auk e Miauk, que oferecem alimentos para filhotes, até rações padrão Premium. Alimentos para pets torcedores Divulgação

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O Dunga não convocou, mas o Fenômeno vai para a Copa

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Como pudemos ver, são várias histórias e diversos comportamentos dos animais quando o assunto é futebol. O que importa mesmo é ter a companhia deles, não só nesse, mas em todos os momentos. Nossos companheiros nos divertem e mostram seu amor pelos humanos, não importa a situação. Mais uma lição que eles nos dão!

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Fenômeno entra em quadra Divulgação

O cãozinho joga futebol, basquete, participa de ações sociais, visita pessoas doentes, casas de idosos e já participou de vários programas na TV. Fenômeno também já estrelou comerciais publicitários. “Sempre soube que ele não era um cachorro comum. Ele tem algo a mais”, conta Rosa. A dupla vai ficar na África durante 45 dias e pretende visitar aldeias e os pontos turísticos da região. Eles vão se hospedar em uma pousada de um amigo de Rosa e, segundo ele, toda a viagem será financiada com seus próprios recursos. “Algumas empresas vão nos apoiar com equipamentos que o Fenômeno vai precisar nesse período, mas o custo da viagem será pago por mim. Acredito que nada disso tem preço, é uma vontade minha, um sonho” afirma. Após a temporada na África, Rosa pretende fazer um documentário com o material produzido. “Minha intenção é mostrar todos os lugares pelos quais passaremos. O povo, a cultura, os locais mais conhecidos, como por exemplo, o local em que o Mandela foi preso”, diz. Rosa não sabe se vai conseguir entrar com o Fenômeno nos estádios onde vão acontecer os jogos da seleção, mas garante que vai tentar. "Minha intenção é entrar. Espero que tudo corra bem." A próxima viagem da dupla, para a Disney, já está sendo planejada e deve servir de material para um longa-metragem que Rosa que produzir. “Esse é o meu maior sonho”, conta Rosa.

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Um cachorro vai embarcar rumo à África do Sul para acompanhar os jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. O objetivo de André Rosa, adestrador e tutor do cão, chamado Fenômeno – em homenagem ao jogador Ronaldo –, é gravar um documentário e mostrar as maneiras de um cachorro levar alegria às pessoas. Além de representar o país no campeonato mundial, a outra intenção do adestrador é fazer o bichinho se tornar o mascote do Brasil no continente africano. Fenômeno, da raça border collie, tem cinco anos e foi comprado por Rosa após ter sido dispensado por sua antiga tutora. “Ele era muito ativo e sua tutora morava em um apartamento. Ela preferiu dá-lo e uma amiga o pegou e o vendeu para mim. Se para ela o fato de ele ser muito "animado" era um problema, para mim foi ótimo”, diz Rosa.

Diversão com o pet: não tem preço

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Celebridades do bem Famosos a favor dos animais! Na seção Celebridades do Bem deste mês, trazemos mais alguns famosos que utilizam sua imagem a favor dos nossos amigos de quatro patas. Vamos conhecê-los e admirá-los ainda mais!

Betty Gofman A atriz Betty Gofman tornou-se reconhecida por seus papéis em telenovelas, mas atualmente o público pôde descobrir outra faceta sua: a de apaixonada por animais. Betty revelou que recolhe cães abandonados das ruas, trata deles e ajuda-os a encontrarem novos lares. A atriz chegou até mesmo a cogitar a possibilidade de seguir a carreira de médica veterinária durante a adolescência. Durante participação no quadro “Cachorrada Vip” do Domingão do Faustão, ela aproveitou o espaço não só para mostrar o talento de sua cadelinha, Menina, mas também para conscientizar a população sobre os direitos dos animais.

O frontman da banda australiana Silverchair é apaixonado por animais, e não se cansa de defendê-los. Johns é vegano (não come nada e nem utiliza acessórios e roupas provenientes de animais), é apaixonado por sua cadelinha SRD Sweep (que recolheu na rua) e faz campanhas em prol do bem-estar animal, como uma em que aparece falando sobre as péssimas condições nas quais os frangos da rede de lanchonetes americana KFC são mantidos.

Morrissey

Brigitte Bardot A atriz francesa Brigitte Bardot é mundialmente conhecida por sua fama de símbolo sexual, conquistada graças a suas sensuais aparições em filmes nos anos 50 e 60. Mesmo após ter deixado as telonas, essa grande mulher ainda é uma presença constante na mídia, e utiliza sua fama para agir em prol dos animais. Bardot já engajou-se em campanhas contra a matança das focas, e há mais de 20 anos dirige uma fundação que leva seu nome e visa o bem-estar animal. 30

Daniel Johns

O cantor inglês Morrissey é mundialmente famoso por ter sido vocalista da banda The Smiths, um dos ícones musicais dos anos 80. Mesmo com o fim da banda, o músico conseguiu manter-se sob os holofotes e construiu uma bem-sucedida carreira solo. O inglês sabe como utilizar sua imagem a favor dos nossos amiguinhos quadrúpedes, tanto que já fez inúmeras campanhas para a ONG PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), sempre que tem a oportunidade declara em suas entrevistas que é vegano e tem até mesmo uma música intitulada Meat is Murder (Carne é Assassinato).

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Celebridades do bem Famosos a favor dos animais! Na seção Celebridades do Bem deste mês, trazemos mais alguns famosos que utilizam sua imagem a favor dos nossos amigos de quatro patas. Vamos conhecê-los e admirá-los ainda mais!

Betty Gofman A atriz Betty Gofman tornou-se reconhecida por seus papéis em telenovelas, mas atualmente o público pôde descobrir outra faceta sua: a de apaixonada por animais. Betty revelou que recolhe cães abandonados das ruas, trata deles e ajuda-os a encontrarem novos lares. A atriz chegou até mesmo a cogitar a possibilidade de seguir a carreira de médica veterinária durante a adolescência. Durante participação no quadro “Cachorrada Vip” do Domingão do Faustão, ela aproveitou o espaço não só para mostrar o talento de sua cadelinha, Menina, mas também para conscientizar a população sobre os direitos dos animais.

O frontman da banda australiana Silverchair é apaixonado por animais, e não se cansa de defendê-los. Johns é vegano (não come nada e nem utiliza acessórios e roupas provenientes de animais), é apaixonado por sua cadelinha SRD Sweep (que recolheu na rua) e faz campanhas em prol do bem-estar animal, como uma em que aparece falando sobre as péssimas condições nas quais os frangos da rede de lanchonetes americana KFC são mantidos.

Morrissey

Brigitte Bardot A atriz francesa Brigitte Bardot é mundialmente conhecida por sua fama de símbolo sexual, conquistada graças a suas sensuais aparições em filmes nos anos 50 e 60. Mesmo após ter deixado as telonas, essa grande mulher ainda é uma presença constante na mídia, e utiliza sua fama para agir em prol dos animais. Bardot já engajou-se em campanhas contra a matança das focas, e há mais de 20 anos dirige uma fundação que leva seu nome e visa o bem-estar animal. 30

Daniel Johns

O cantor inglês Morrissey é mundialmente famoso por ter sido vocalista da banda The Smiths, um dos ícones musicais dos anos 80. Mesmo com o fim da banda, o músico conseguiu manter-se sob os holofotes e construiu uma bem-sucedida carreira solo. O inglês sabe como utilizar sua imagem a favor dos nossos amiguinhos quadrúpedes, tanto que já fez inúmeras campanhas para a ONG PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), sempre que tem a oportunidade declara em suas entrevistas que é vegano e tem até mesmo uma música intitulada Meat is Murder (Carne é Assassinato).

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Trabalho Pet

Essa terapia é animal! Pacientes se beneficiam do contato com pets para melhorar sua qualidade de vida

Há tempos os cientistas estudam os benefícios da zooterapia (terapia assistida por animais) nos seres humanos. Não só em casos de patologias graves, os amigos de quatro patas auxiliam, mas também em asilos de idosos – onde o maior problema é a solidão – e até no aprendizado de crianças. No Brasil, algumas iniciativas já vêm dando o que falar. Em 2000, durante um estágio de com crianças especiais, a psicóloga Manuella Balliana Maciel percebeu a necessidade de criar alternativas e levar as crianças para ambientes diferente da sala de aula e de atendimento, oferecendo maior contato com a natureza. Como sempre gostou

muito de animais, ficou curiosa em saber o que poderia acontecer na interação de cães com crianças e idosos em atendimento terapêutico. Em 2003, ela fez o I Curso de Terapia com Animais na USP e em 2004 ela iniciou o trabalho com Sammy, sua Labradora em seu consultório e depois em asilos e escolas especiais. Assim nasceu o Instituto Cão & Cia, que atua em Curitiba. Manuella conta que já coleciona alguns casos de sucesso em cinco anos de zooterapia: “Numa escola especial, as professoras ficaram impressionadas com uma criança que tem comportamentos agressivos, pois quando os animais estão presentes, essa criança mostra sinais de afeto e

“Além do desenvolvimento da afetividade, percebemos evolução na área física e motora”.

carinho, o que tem diminuído muito sua agressividade em sala de aula. No asilo para senhores ocorre o mesmo com um senhor que não se relaciona adequadamente com as pessoas e chega até ser agressivo. Quando ele vê os animais, logo pede para pegá-los no colo e diz que os animais são os melhores amigos do homem. Além do desenvolvimento da afetividade, percebemos evolução na área física e motora. Em outra escola especial, havia uma criança que não gosta de se movimentar para andar, mas adora andar atrás dos animais e brincar de pega-pega. Com essa brincadeira, ele se desenvolveu muito. Em geral, crianças com dificuldades motoras se esforçam mais para realizar movimentos na presença dos animais do que numa sessão de fisioterapia convencional”. Em São Paulo, atua o INATAA (Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais), ONG fundada em 2008, que atua nas áreas de Terapias Assistidas por Animais – AAA – Atividade Assistida por Animais/EAA- Educação Assistida por Animais/TAA- Terapia Assistida por Animais e Treinamento e Entrega de Cães de Serviço e

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prática de exercícios, a memória, lembranças e percepção da realidade, concentração e atenção, estimulam os processos cognitivos das atividades cotidianas, cooperação e capacidade de resolução de problemas, a afetividade e elevação da auto-estima, a habilidade para confiar, a possibilidade de estabelecer vínculos e aceitação da reabilitação. E reduzem: PA (pressão arterial), frequência cardíaca, triglicérides, colesterol, depressão, uso de medicação psicotrópica e analgésica, estresse, isolamento, solidão, ansiedade em geral, além da liberação dos neurotransmissores: ß-endorfina, dopamina, feniletalamina, dos hormônios: prolactina, oxicitocina e a redução do hormônio do estresse, o cortisol”.

emocional que o animal proporciona. O animal não julga a criança quando ela não lê corretamente uma palavra e interage diretamente nas historinhas, dando a pata e fazendo outros comandos para divertir e estimular a criança a querer aprender cada vez mais”, afirma Manuella Maciel. Mas não é qualquer um que pode ser cão terapeuta. Para desempenhar bem a função é necessário ser dócil, carinhoso, ter entre um e dez anos, é necessário estar com a vermifugação, vacinação, controle de eco e endoparasitas em dia, ter controle fisiológico (não fazer xixi e cocô em qualquer lugar), ter um bom nível de socialização com pessoas e outros cães, saber alguns comandos e truques. Além disso, os “cães terapeutas” passam por avaliações freqüentes de comportamento e saúde. Os animais também são muito bem-vindos em alguns lares de idosos. Quem vê a interação entre

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Assistência. É constituída de voluntários e profissionais com experiência de mais de oito anos em atendimentos terapêuticos e ações voluntárias envolvendo a interação homem-animal, remanescentes da extinta Ong OBIHACC(2000-2008). O Instituti atende cerca de 300 pessoas por mês, entre crianças, adultas e idosas, em instituições asilares e no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Hospital das Clínicas – IPQ(Instituto de Psiquiatria), em São Paulo, sendo 50 Voluntários com cão e sem cão e 51 Cães. Segundo Silvana Prado, presidente do INATAA, alguns profissionais da área da saúde ainda apresentam restrições à zooterapia: “Os profissionais das instituições diretamente ligadas ao INATAA nos apóiam 100%, pois acreditam e vêem resultados no nosso trabalho, mas ainda sentimos restrições de outros profissionais do meio”. Como já foi mencionado, não é só nos casos de patologias graves que a zooterapia pode ajudar. Os animais são bons companheiros também na sala de aula: “Crianças com dificuldades na escola geralmente tem problemas de auto-estima e muitas são tímidas. Trabalhamos com o apoio

É importante ressaltar que não há raças definidas para realizar esse trabalho. O importante é se enquadrar no perfil já citado nesta matéria e as únicas restrições são em relação a raças consideradas violentas. Para ser voluntário do INATAA ou do Instituto Cão Amigo não é necessária nenhuma formação específica. “O importante é ter boa vontade, responsabilidade social e posse responsável, que implica o cuidado com o seu animal”, explica Silvana Prado. Se você se interessou pelo trabalho das ONGs citadas nesta matéria, basta acessar www.inataa.org.br/ www.caoamigo.org.br. O projeto Cão Amigo está com seleção para novos voluntários. Participe!

vovôs e totós percebe a melhora na vida de ambos: “É comprovado por pesquisa científica que o simples ato de acariciar um animal por 15 minutos diminui a pressão arterial e os batimentos cardíacos, aumenta o sistema imunológico e acelera a produção de serotonina no organismo. Além desses benefícios, os animais se tornam parte da família dos idosos institucionalizados, pois a maioria não recebe visitas de familiares, mas os animais os visitam duas vezes ao mês e dão todo amor e carinho que eles precisam. É interessante salientar que apesar da frequência das visitas ser relativamente baixa, os funcionários dos asilos falam que a alegria das visitas dura a semana toda”, explica Manuella Maciel. Além de concordar, com Manuella, Silvana Prado ainda destaca benefícios adicionais dessa convivência: “Os cães potencializam a sensação de felicidade, socialização e comunicação dos indivíduos, diminuem a incidência de depressão, a

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Trabalho Pet

Essa terapia é animal! Pacientes se beneficiam do contato com pets para melhorar sua qualidade de vida

Há tempos os cientistas estudam os benefícios da zooterapia (terapia assistida por animais) nos seres humanos. Não só em casos de patologias graves, os amigos de quatro patas auxiliam, mas também em asilos de idosos – onde o maior problema é a solidão – e até no aprendizado de crianças. No Brasil, algumas iniciativas já vêm dando o que falar. Em 2000, durante um estágio de com crianças especiais, a psicóloga Manuella Balliana Maciel percebeu a necessidade de criar alternativas e levar as crianças para ambientes diferente da sala de aula e de atendimento, oferecendo maior contato com a natureza. Como sempre gostou

muito de animais, ficou curiosa em saber o que poderia acontecer na interação de cães com crianças e idosos em atendimento terapêutico. Em 2003, ela fez o I Curso de Terapia com Animais na USP e em 2004 ela iniciou o trabalho com Sammy, sua Labradora em seu consultório e depois em asilos e escolas especiais. Assim nasceu o Instituto Cão & Cia, que atua em Curitiba. Manuella conta que já coleciona alguns casos de sucesso em cinco anos de zooterapia: “Numa escola especial, as professoras ficaram impressionadas com uma criança que tem comportamentos agressivos, pois quando os animais estão presentes, essa criança mostra sinais de afeto e

“Além do desenvolvimento da afetividade, percebemos evolução na área física e motora”.

carinho, o que tem diminuído muito sua agressividade em sala de aula. No asilo para senhores ocorre o mesmo com um senhor que não se relaciona adequadamente com as pessoas e chega até ser agressivo. Quando ele vê os animais, logo pede para pegá-los no colo e diz que os animais são os melhores amigos do homem. Além do desenvolvimento da afetividade, percebemos evolução na área física e motora. Em outra escola especial, havia uma criança que não gosta de se movimentar para andar, mas adora andar atrás dos animais e brincar de pega-pega. Com essa brincadeira, ele se desenvolveu muito. Em geral, crianças com dificuldades motoras se esforçam mais para realizar movimentos na presença dos animais do que numa sessão de fisioterapia convencional”. Em São Paulo, atua o INATAA (Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais), ONG fundada em 2008, que atua nas áreas de Terapias Assistidas por Animais – AAA – Atividade Assistida por Animais/EAA- Educação Assistida por Animais/TAA- Terapia Assistida por Animais e Treinamento e Entrega de Cães de Serviço e

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prática de exercícios, a memória, lembranças e percepção da realidade, concentração e atenção, estimulam os processos cognitivos das atividades cotidianas, cooperação e capacidade de resolução de problemas, a afetividade e elevação da auto-estima, a habilidade para confiar, a possibilidade de estabelecer vínculos e aceitação da reabilitação. E reduzem: PA (pressão arterial), frequência cardíaca, triglicérides, colesterol, depressão, uso de medicação psicotrópica e analgésica, estresse, isolamento, solidão, ansiedade em geral, além da liberação dos neurotransmissores: ß-endorfina, dopamina, feniletalamina, dos hormônios: prolactina, oxicitocina e a redução do hormônio do estresse, o cortisol”.

emocional que o animal proporciona. O animal não julga a criança quando ela não lê corretamente uma palavra e interage diretamente nas historinhas, dando a pata e fazendo outros comandos para divertir e estimular a criança a querer aprender cada vez mais”, afirma Manuella Maciel. Mas não é qualquer um que pode ser cão terapeuta. Para desempenhar bem a função é necessário ser dócil, carinhoso, ter entre um e dez anos, é necessário estar com a vermifugação, vacinação, controle de eco e endoparasitas em dia, ter controle fisiológico (não fazer xixi e cocô em qualquer lugar), ter um bom nível de socialização com pessoas e outros cães, saber alguns comandos e truques. Além disso, os “cães terapeutas” passam por avaliações freqüentes de comportamento e saúde. Os animais também são muito bem-vindos em alguns lares de idosos. Quem vê a interação entre

34

Assistência. É constituída de voluntários e profissionais com experiência de mais de oito anos em atendimentos terapêuticos e ações voluntárias envolvendo a interação homem-animal, remanescentes da extinta Ong OBIHACC(2000-2008). O Instituti atende cerca de 300 pessoas por mês, entre crianças, adultas e idosas, em instituições asilares e no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Hospital das Clínicas – IPQ(Instituto de Psiquiatria), em São Paulo, sendo 50 Voluntários com cão e sem cão e 51 Cães. Segundo Silvana Prado, presidente do INATAA, alguns profissionais da área da saúde ainda apresentam restrições à zooterapia: “Os profissionais das instituições diretamente ligadas ao INATAA nos apóiam 100%, pois acreditam e vêem resultados no nosso trabalho, mas ainda sentimos restrições de outros profissionais do meio”. Como já foi mencionado, não é só nos casos de patologias graves que a zooterapia pode ajudar. Os animais são bons companheiros também na sala de aula: “Crianças com dificuldades na escola geralmente tem problemas de auto-estima e muitas são tímidas. Trabalhamos com o apoio

É importante ressaltar que não há raças definidas para realizar esse trabalho. O importante é se enquadrar no perfil já citado nesta matéria e as únicas restrições são em relação a raças consideradas violentas. Para ser voluntário do INATAA ou do Instituto Cão Amigo não é necessária nenhuma formação específica. “O importante é ter boa vontade, responsabilidade social e posse responsável, que implica o cuidado com o seu animal”, explica Silvana Prado. Se você se interessou pelo trabalho das ONGs citadas nesta matéria, basta acessar www.inataa.org.br/ www.caoamigo.org.br. O projeto Cão Amigo está com seleção para novos voluntários. Participe!

vovôs e totós percebe a melhora na vida de ambos: “É comprovado por pesquisa científica que o simples ato de acariciar um animal por 15 minutos diminui a pressão arterial e os batimentos cardíacos, aumenta o sistema imunológico e acelera a produção de serotonina no organismo. Além desses benefícios, os animais se tornam parte da família dos idosos institucionalizados, pois a maioria não recebe visitas de familiares, mas os animais os visitam duas vezes ao mês e dão todo amor e carinho que eles precisam. É interessante salientar que apesar da frequência das visitas ser relativamente baixa, os funcionários dos asilos falam que a alegria das visitas dura a semana toda”, explica Manuella Maciel. Além de concordar, com Manuella, Silvana Prado ainda destaca benefícios adicionais dessa convivência: “Os cães potencializam a sensação de felicidade, socialização e comunicação dos indivíduos, diminuem a incidência de depressão, a

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Trabalho Pet

Essa terapia é animal! Pacientes se beneficiam do contato com pets para melhorar sua qualidade de vida

Há tempos os cientistas estudam os benefícios da zooterapia (terapia assistida por animais) nos seres humanos. Não só em casos de patologias graves, os amigos de quatro patas auxiliam, mas também em asilos de idosos – onde o maior problema é a solidão – e até no aprendizado de crianças. No Brasil, algumas iniciativas já vêm dando o que falar. Em 2000, durante um estágio de com crianças especiais, a psicóloga Manuella Balliana Maciel percebeu a necessidade de criar alternativas e levar as crianças para ambientes diferente da sala de aula e de atendimento, oferecendo maior contato com a natureza. Como sempre gostou

muito de animais, ficou curiosa em saber o que poderia acontecer na interação de cães com crianças e idosos em atendimento terapêutico. Em 2003, ela fez o I Curso de Terapia com Animais na USP e em 2004 ela iniciou o trabalho com Sammy, sua Labradora em seu consultório e depois em asilos e escolas especiais. Assim nasceu o Instituto Cão & Cia, que atua em Curitiba. Manuella conta que já coleciona alguns casos de sucesso em cinco anos de zooterapia: “Numa escola especial, as professoras ficaram impressionadas com uma criança que tem comportamentos agressivos, pois quando os animais estão presentes, essa criança mostra sinais de afeto e

“Além do desenvolvimento da afetividade, percebemos evolução na área física e motora”.

carinho, o que tem diminuído muito sua agressividade em sala de aula. No asilo para senhores ocorre o mesmo com um senhor que não se relaciona adequadamente com as pessoas e chega até ser agressivo. Quando ele vê os animais, logo pede para pegá-los no colo e diz que os animais são os melhores amigos do homem. Além do desenvolvimento da afetividade, percebemos evolução na área física e motora. Em outra escola especial, havia uma criança que não gosta de se movimentar para andar, mas adora andar atrás dos animais e brincar de pega-pega. Com essa brincadeira, ele se desenvolveu muito. Em geral, crianças com dificuldades motoras se esforçam mais para realizar movimentos na presença dos animais do que numa sessão de fisioterapia convencional”. Em São Paulo, atua o INATAA (Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais), ONG fundada em 2008, que atua nas áreas de Terapias Assistidas por Animais – AAA – Atividade Assistida por Animais/EAA- Educação Assistida por Animais/TAA- Terapia Assistida por Animais e Treinamento e Entrega de Cães de Serviço e

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prática de exercícios, a memória, lembranças e percepção da realidade, concentração e atenção, estimulam os processos cognitivos das atividades cotidianas, cooperação e capacidade de resolução de problemas, a afetividade e elevação da auto-estima, a habilidade para confiar, a possibilidade de estabelecer vínculos e aceitação da reabilitação. E reduzem: PA (pressão arterial), frequência cardíaca, triglicérides, colesterol, depressão, uso de medicação psicotrópica e analgésica, estresse, isolamento, solidão, ansiedade em geral, além da liberação dos neurotransmissores: ß-endorfina, dopamina, feniletalamina, dos hormônios: prolactina, oxicitocina e a redução do hormônio do estresse, o cortisol”.

emocional que o animal proporciona. O animal não julga a criança quando ela não lê corretamente uma palavra e interage diretamente nas historinhas, dando a pata e fazendo outros comandos para divertir e estimular a criança a querer aprender cada vez mais”, afirma Manuella Maciel. Mas não é qualquer um que pode ser cão terapeuta. Para desempenhar bem a função é necessário ser dócil, carinhoso, ter entre um e dez anos, é necessário estar com a vermifugação, vacinação, controle de eco e endoparasitas em dia, ter controle fisiológico (não fazer xixi e cocô em qualquer lugar), ter um bom nível de socialização com pessoas e outros cães, saber alguns comandos e truques. Além disso, os “cães terapeutas” passam por avaliações freqüentes de comportamento e saúde. Os animais também são muito bem-vindos em alguns lares de idosos. Quem vê a interação entre

34

Assistência. É constituída de voluntários e profissionais com experiência de mais de oito anos em atendimentos terapêuticos e ações voluntárias envolvendo a interação homem-animal, remanescentes da extinta Ong OBIHACC(2000-2008). O Instituti atende cerca de 300 pessoas por mês, entre crianças, adultas e idosas, em instituições asilares e no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Hospital das Clínicas – IPQ(Instituto de Psiquiatria), em São Paulo, sendo 50 Voluntários com cão e sem cão e 51 Cães. Segundo Silvana Prado, presidente do INATAA, alguns profissionais da área da saúde ainda apresentam restrições à zooterapia: “Os profissionais das instituições diretamente ligadas ao INATAA nos apóiam 100%, pois acreditam e vêem resultados no nosso trabalho, mas ainda sentimos restrições de outros profissionais do meio”. Como já foi mencionado, não é só nos casos de patologias graves que a zooterapia pode ajudar. Os animais são bons companheiros também na sala de aula: “Crianças com dificuldades na escola geralmente tem problemas de auto-estima e muitas são tímidas. Trabalhamos com o apoio

É importante ressaltar que não há raças definidas para realizar esse trabalho. O importante é se enquadrar no perfil já citado nesta matéria e as únicas restrições são em relação a raças consideradas violentas. Para ser voluntário do INATAA ou do Instituto Cão Amigo não é necessária nenhuma formação específica. “O importante é ter boa vontade, responsabilidade social e posse responsável, que implica o cuidado com o seu animal”, explica Silvana Prado. Se você se interessou pelo trabalho das ONGs citadas nesta matéria, basta acessar www.inataa.org.br/ www.caoamigo.org.br. O projeto Cão Amigo está com seleção para novos voluntários. Participe!

vovôs e totós percebe a melhora na vida de ambos: “É comprovado por pesquisa científica que o simples ato de acariciar um animal por 15 minutos diminui a pressão arterial e os batimentos cardíacos, aumenta o sistema imunológico e acelera a produção de serotonina no organismo. Além desses benefícios, os animais se tornam parte da família dos idosos institucionalizados, pois a maioria não recebe visitas de familiares, mas os animais os visitam duas vezes ao mês e dão todo amor e carinho que eles precisam. É interessante salientar que apesar da frequência das visitas ser relativamente baixa, os funcionários dos asilos falam que a alegria das visitas dura a semana toda”, explica Manuella Maciel. Além de concordar, com Manuella, Silvana Prado ainda destaca benefícios adicionais dessa convivência: “Os cães potencializam a sensação de felicidade, socialização e comunicação dos indivíduos, diminuem a incidência de depressão, a

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Essa terapia é animal! Pacientes se beneficiam do contato com pets para melhorar sua qualidade de vida

Há tempos os cientistas estudam os benefícios da zooterapia (terapia assistida por animais) nos seres humanos. Não só em casos de patologias graves, os amigos de quatro patas auxiliam, mas também em asilos de idosos – onde o maior problema é a solidão – e até no aprendizado de crianças. No Brasil, algumas iniciativas já vêm dando o que falar. Em 2000, durante um estágio de com crianças especiais, a psicóloga Manuella Balliana Maciel percebeu a necessidade de criar alternativas e levar as crianças para ambientes diferente da sala de aula e de atendimento, oferecendo maior contato com a natureza. Como sempre gostou

muito de animais, ficou curiosa em saber o que poderia acontecer na interação de cães com crianças e idosos em atendimento terapêutico. Em 2003, ela fez o I Curso de Terapia com Animais na USP e em 2004 ela iniciou o trabalho com Sammy, sua Labradora em seu consultório e depois em asilos e escolas especiais. Assim nasceu o Instituto Cão & Cia, que atua em Curitiba. Manuella conta que já coleciona alguns casos de sucesso em cinco anos de zooterapia: “Numa escola especial, as professoras ficaram impressionadas com uma criança que tem comportamentos agressivos, pois quando os animais estão presentes, essa criança mostra sinais de afeto e

“Além do desenvolvimento da afetividade, percebemos evolução na área física e motora”.

carinho, o que tem diminuído muito sua agressividade em sala de aula. No asilo para senhores ocorre o mesmo com um senhor que não se relaciona adequadamente com as pessoas e chega até ser agressivo. Quando ele vê os animais, logo pede para pegá-los no colo e diz que os animais são os melhores amigos do homem. Além do desenvolvimento da afetividade, percebemos evolução na área física e motora. Em outra escola especial, havia uma criança que não gosta de se movimentar para andar, mas adora andar atrás dos animais e brincar de pega-pega. Com essa brincadeira, ele se desenvolveu muito. Em geral, crianças com dificuldades motoras se esforçam mais para realizar movimentos na presença dos animais do que numa sessão de fisioterapia convencional”. Em São Paulo, atua o INATAA (Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais), ONG fundada em 2008, que atua nas áreas de Terapias Assistidas por Animais – AAA – Atividade Assistida por Animais/EAA- Educação Assistida por Animais/TAA- Terapia Assistida por Animais e Treinamento e Entrega de Cães de Serviço e

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prática de exercícios, a memória, lembranças e percepção da realidade, concentração e atenção, estimulam os processos cognitivos das atividades cotidianas, cooperação e capacidade de resolução de problemas, a afetividade e elevação da auto-estima, a habilidade para confiar, a possibilidade de estabelecer vínculos e aceitação da reabilitação. E reduzem: PA (pressão arterial), frequência cardíaca, triglicérides, colesterol, depressão, uso de medicação psicotrópica e analgésica, estresse, isolamento, solidão, ansiedade em geral, além da liberação dos neurotransmissores: ß-endorfina, dopamina, feniletalamina, dos hormônios: prolactina, oxicitocina e a redução do hormônio do estresse, o cortisol”.

emocional que o animal proporciona. O animal não julga a criança quando ela não lê corretamente uma palavra e interage diretamente nas historinhas, dando a pata e fazendo outros comandos para divertir e estimular a criança a querer aprender cada vez mais”, afirma Manuella Maciel. Mas não é qualquer um que pode ser cão terapeuta. Para desempenhar bem a função é necessário ser dócil, carinhoso, ter entre um e dez anos, é necessário estar com a vermifugação, vacinação, controle de eco e endoparasitas em dia, ter controle fisiológico (não fazer xixi e cocô em qualquer lugar), ter um bom nível de socialização com pessoas e outros cães, saber alguns comandos e truques. Além disso, os “cães terapeutas” passam por avaliações freqüentes de comportamento e saúde. Os animais também são muito bem-vindos em alguns lares de idosos. Quem vê a interação entre

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Assistência. É constituída de voluntários e profissionais com experiência de mais de oito anos em atendimentos terapêuticos e ações voluntárias envolvendo a interação homem-animal, remanescentes da extinta Ong OBIHACC(2000-2008). O Instituti atende cerca de 300 pessoas por mês, entre crianças, adultas e idosas, em instituições asilares e no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Hospital das Clínicas – IPQ(Instituto de Psiquiatria), em São Paulo, sendo 50 Voluntários com cão e sem cão e 51 Cães. Segundo Silvana Prado, presidente do INATAA, alguns profissionais da área da saúde ainda apresentam restrições à zooterapia: “Os profissionais das instituições diretamente ligadas ao INATAA nos apóiam 100%, pois acreditam e vêem resultados no nosso trabalho, mas ainda sentimos restrições de outros profissionais do meio”. Como já foi mencionado, não é só nos casos de patologias graves que a zooterapia pode ajudar. Os animais são bons companheiros também na sala de aula: “Crianças com dificuldades na escola geralmente tem problemas de auto-estima e muitas são tímidas. Trabalhamos com o apoio

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*Os produtos foram pesquisados em sites de pet shops e pet shops virtuais e fazem parte de uma seleção jornalística, sem fins comerciais. Para formas de pagamento, frete e prazos de entrega, entrem em contato com os sites. 37


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Perfil Pet Animais em Pauta

Deputado Ricardo Tripoli é o entrevistado do mês do Conexão Pet em Revista Por Vivian Lemos

Ricardo Tripoli é ambientalista, advogado e deputado federal pelo PSDB-SP. Foi eleito vereador em 1982 e quatro vezes deputado estadual. Em 1995 se tornou presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em 1999, assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Foi Presidente da Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional em 2008 e Vice-Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Em entrevista exclusiva à Conexão Pet em Revista, o deputado fala sobre a legislação ambiental brasileira, sobre o Programa de Proteção e Bem- Estar de Cães e Gatos, de São Paulo, sobre o projeto de lei que proíbe

animais em circos e muitos outros assuntos. Confira: Conexão Pet- De que forma o senhor se envolveu com a questão animal? Quando começou sua atuação neste segmento? Ricardo Tripoli: Minha trajetória política começou em 1982, quando fui o terceiro vereador mais votado do município de São Paulo. A partir deste momento, ingressei na luta pelas questões ambientais, focado principalmente na defesa animal. Na década de 90, já como deputado estadual por São Paulo, fui autor da lei do ICMS ecológico, que destinou mais recursos para municípios com parques, reservas biológicas e estações ecológicas.

sempre me posicionei favorável à proibição. Em 1994, como presidente da Assembleia Legislativa do Estado de S. Paulo, elaborei É passada hora de encerrar a crueldade propostas para regulamentação ambiental contra os animais. Não sou contra os circos, e implantei o programa de educação ambisomente não tolero que atrocidades aconental e de preservação da Mata Atlântica. Em teçam naqueles ambientes. O animal circense vai do picadeiro para a jaula e da 1999, assumi a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, fui presidente do Consema jaula para o picadeiro, sem falar na forma com que eles são treinados. Sabemos que (Conselho Estadual do meio Ambiente) e recebi o prêmio top de Ecologia pelo projeto existem muitas situações em que são mutila“São Paulo Pomar, Mais Verde Mais Vida”. dos e maltratados. É bom lembrar que diversos países já optaram pela proibição, entre Também fui autor do Código Estadual de Proteção Animal (Lei n.º 11977/2005) que eles estão Áustria, Costa Rica, Dinamarca, Finlândia, Índia, Israel, Cingapura e Suécia. já vigora a quatro anos, conhecida como Lei Tripoli de Proteção Animal. Inclusive, No Brasil, a proibição já existe em seis estative a oportunidade de apresentar aqui na dos. Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Câmara dos Deputa“Não sou contra os circos, sodos projeto que São Paulo, Mato mente não tolero que atrocidades Grosso do Sul e em institui o Código aconteçam naqueles ambientes. O Federal de Bemmais de 50 cidades. animal circense vai do picadeiro Estar Animal. Nessas O país vive uma para a jaula e da jaula para o picaintensa evolução propostas fiz deiro, sem falar na forma com que questão de abordar cultural e a popueles são treinados”. lação brasileira já a posse responsável e as punições legais a quem promove maus percebeu essa mudança. A partir deste motratos aos animais. mento é necessário valorizar os artistas circenses e proibir, de uma vez por todas, Conexão Pet - Qual a importância da lei a utilização de qualquer espécie em espetáculos. que proíbe a utilização de animais em circos (7291/2006)? Qual será o impacto disso nos circos? Conexão Pet - O projeto de lei 4548/1998 prevê a exclusão dos animais domésticos/ Ricardo Tripoli: O projeto de lei que proíbe domesticados como vítimas de maus tratos. O senhor apresentou um recurso o uso de animais em circos do país é extremamente importante e representa contra a mesma. Acredita que a sociedade uma evolução na legislação brasileira. está suficientemente alerta para os riscos Acompanho a tramitação desde sua origem e desse PL ser aprovado? 39

38

Ricardo Tripoli: Apresentei ao Plenário da um modelo que deveria ser exportado e serve Câmara dos Deputados recurso contra este de exemplo para todo o país. projeto pois considero inconstitucional o parecer aprovado pela Comissão de ConstiConexão Pet - O senhor acredita que as tuição e Justiça. Inclusive, fui apoiado por leis relacionadas à proteção dos animais no mais de 60 parlamentares de diversos estaBrasil são muito brandas ou apenas não são dos e partidos. Acredito que a proposição cumpridas? permite que excessos contra os animais sejam cometidos indiscriminadamente. A Ricardo Tripoli: O Brasil possui uma leproibição de crueldade contra os animais gislação avançada. O maior problema é está prevista em nossa Carta colocar em prática as leis que já estão em Magna. Da maneira como está, o projeto vigor. O que realmente precisa acontecer é punição exemplar para quem cometer libera a prática de abuso e maus-tratos e viola frontalqualquer tipo de abuso “ A verdade é que se gasta muito contra os animais. mente o § 1º, mais para matar do que para salvar do art. 225, da vidas e controlar as zoonoses. Isto é Constituição Conexão Pet- Qual é o péssimo! É uma incoerência do maior empecilho à esteriFederal. Em ponto de vista econômico, ético, lização pública de animais h i p ó t e s e moral e social”. nas grandes cidades? alguma os animais devem ser Ricardo Tripoli: A superpopulação de cães tratados com perversidade. É importante e gatos é um problema comum a todas as ressaltar para a sociedade brasileira que se a cidades brasileiras. Milhares de animais se proposta for aprovada representará o maior encontram abandonados nas ruas ou em retrocesso da história da proteção animal no abrigos à espera de um dono. A esterilização Brasil. cirúrgica como método de controle da natalidade de cães e gatos é um avanço. ParticularConexão Pet - Qual é a importância do mente, não vejo empecilho neste sentido. A PROBEM (Programa de Proteção e Bemverdade é que se gasta muito mais para Estar de Cães e Gatos) para efetivamente matar do que para salvar vidas e controlar melhorar a condição de vida dos animais? as zoonoses. Isto é péssimo! É uma incoerência do ponto de vista econômico, ético, moral Ricardo Tripoli: É extremamente impore social. Em São Paulo, para se ter uma idéia, tante! A iniciativa conscientiza a população para capturar, manter durante três dias, sasobre o crime de abandono aos animais. É crificar e incinerar um animal se gastava em um programa é essencial e representa um média, R$ 130,00. Já para esterilizar um exemplo de inclusão social. Não podemos animal com registro e vacinação contra mais desconsiderar a participação dos cães raiva em programas mantidos em cone gatos em nossa sociedade e os benefícios vênios com ONGs, a Prefeitura gasta hoje, que trazem às famílias humanas. O Probem é

em média, R$ 32,00. Acredito que podem ser feitas parcerias entre as unidades de controle de zoonoses, entidades de proteção de animais e clínicas veterinárias para a realização da esterilização. Reforçar o controle de natalidade de cães e gatos é de grande importância para a saúde pública. Conexão Pet - As prefeituras das grandes cidades (e governos em âmbito geral) podem, efetivamente, colaborar para a redução da superpopulação de animais nas ruas? Ricardo Tripoli: Podem e devem. A castração é uma política pública simples e eficaz. Inclusive, abordo esse aspecto no Código Federal de Bem Estar Animal. Um dos maiores problemas é a superpopulação de cães e gatos nos centros urbanos. Infelizmente, muitos municípios ainda utilizam a prática de sacrificar animais como forma de controle sanitário. No entanto, o controle da população de cães e gatos deve ser feito por meio de programas de registro e identificação de animais, associados à esterilização e à adoção. O controle da superpopulação de animais beneficia o meio ambiente. E o meio ambiente não está apenas a serviço do homem. Somos parte integrante e temos obrigações ambientais.

Conexão Pet - De que forma os cidadãos podem colaborar para a melhoria na qualidade de vida dos animais? Ricardo Tripoli: De várias maneiras. O mais importante é ter consciência. A posse responsável é um bom exemplo. Os animais de estimação precisam de espaço, exercícios regulares, sol, água limpa e alimentação adequada. Devem dispor de abrigo contra o sol, a chuva, o frio, intempéries. Cães e

42

Conexão Pet - Quando o cidadão vê animais serem maltratados e recorre às autoridades policiais geralmente é tratado com desdém. Como proceder nestes casos? Ricardo Tripoli: O cidadão não deve se calar. É preciso denunciar, em qualquer situação. No estado de São Paulo, por exemplo, abandonar ou deixar um animal sem cuidados é mau trato (Lei Municipal 13.131/01, Art. 30). No âmbito nacional, praticar maus-tratos contra quaisquer animais é crime (Lei de Crimes Ambientais – Lei

41

40

Federal 9.605/98, Art. 32, que embasa as denúncias contra quem maltrata). As denúncias envolvendo a Lei de Crimes Ambientais devem ser feitas nos Distritos Policiais, com as devidas provas.

Os animais compõem este cenário, são sujeitos de direitos, são seres sensientes, e assumem funções vitais em todo o sistema. Legislar sobre o controle animal é necessário. A superpopulação de cães e gatos traz gravames ambientais, de saúde e segurança pública. São questões relevantes enfrentadas por quase todos os municípios brasileiros, cujos cofres são onerados com ações repressivas que não enfrentam o problema, apenas o tratam paliativamente. É preciso estimular ações preventivas de controle populacional, com registro, educação para propriedade responsável, desestimular o abandono e os maus-tratos, controle reprodutivo e adoção de animais.

gatos devem ser acompanhados por um médico veterinário e precisam de vermifugações periódicas. Isso garante a saúde do animal e da família humana. A vacinação anual contra doenças espécieespecíficas, que atingem somente os animais e a vacina contra a raiva, disponibilizada em todas as cidades pelo Poder Público são fundamentais. Parece óbvio, mas quando os animais adoecem devem receber plena assistência, incluindo exames laboratoriais eventualmente solicitados pelo veterinário responsável. A assistência constante é vital, sobretudo no envelhecimento. A solidão é um grande mal para cães e gatos. Muitos animais solitários

adquirem neuroses, latem demais, uivam, estragam móveis, provocando problemas com vizinhos ou aborrecendo a família. É válido ressaltar que cães e gatos não podem ser humanizados excessivamente. É preciso respeitar suas necessidades naturais. Eles não precisam de excesso de roupas, muito menos de sapatos ou adornos incômodos. Os animais gostam da terra, de cheirar o chão, as árvores e os postes, de marcar território, de latir e cheirar outros cães. Quando você sair com seu cachorro, não o trate como se ele fosse uma criança. E também preste atenção nos limites físicos deles, cuidado para não forçá-los a corridas exaustivas ou levá-los a passear em

horários de sol a pino. Com estes e outros cuidados a qualidade de vida dos animais está assegurada.

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Perfil Pet Animais em Pauta

Deputado Ricardo Tripoli é o entrevistado do mês do Conexão Pet em Revista Por Vivian Lemos

Ricardo Tripoli é ambientalista, advogado e deputado federal pelo PSDB-SP. Foi eleito vereador em 1982 e quatro vezes deputado estadual. Em 1995 se tornou presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em 1999, assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Foi Presidente da Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional em 2008 e Vice-Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Em entrevista exclusiva à Conexão Pet em Revista, o deputado fala sobre a legislação ambiental brasileira, sobre o Programa de Proteção e Bem- Estar de Cães e Gatos, de São Paulo, sobre o projeto de lei que proíbe

animais em circos e muitos outros assuntos. Confira: Conexão Pet- De que forma o senhor se envolveu com a questão animal? Quando começou sua atuação neste segmento? Ricardo Tripoli: Minha trajetória política começou em 1982, quando fui o terceiro vereador mais votado do município de São Paulo. A partir deste momento, ingressei na luta pelas questões ambientais, focado principalmente na defesa animal. Na década de 90, já como deputado estadual por São Paulo, fui autor da lei do ICMS ecológico, que destinou mais recursos para municípios com parques, reservas biológicas e estações ecológicas.

sempre me posicionei favorável à proibição. Em 1994, como presidente da Assembleia Legislativa do Estado de S. Paulo, elaborei É passada hora de encerrar a crueldade propostas para regulamentação ambiental contra os animais. Não sou contra os circos, e implantei o programa de educação ambisomente não tolero que atrocidades aconental e de preservação da Mata Atlântica. Em teçam naqueles ambientes. O animal circense vai do picadeiro para a jaula e da 1999, assumi a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, fui presidente do Consema jaula para o picadeiro, sem falar na forma com que eles são treinados. Sabemos que (Conselho Estadual do meio Ambiente) e recebi o prêmio top de Ecologia pelo projeto existem muitas situações em que são mutila“São Paulo Pomar, Mais Verde Mais Vida”. dos e maltratados. É bom lembrar que diversos países já optaram pela proibição, entre Também fui autor do Código Estadual de Proteção Animal (Lei n.º 11977/2005) que eles estão Áustria, Costa Rica, Dinamarca, Finlândia, Índia, Israel, Cingapura e Suécia. já vigora a quatro anos, conhecida como Lei Tripoli de Proteção Animal. Inclusive, No Brasil, a proibição já existe em seis estative a oportunidade de apresentar aqui na dos. Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Câmara dos Deputa“Não sou contra os circos, sodos projeto que São Paulo, Mato mente não tolero que atrocidades Grosso do Sul e em institui o Código aconteçam naqueles ambientes. O Federal de Bemmais de 50 cidades. animal circense vai do picadeiro Estar Animal. Nessas O país vive uma para a jaula e da jaula para o picaintensa evolução propostas fiz deiro, sem falar na forma com que questão de abordar cultural e a popueles são treinados”. lação brasileira já a posse responsável e as punições legais a quem promove maus percebeu essa mudança. A partir deste motratos aos animais. mento é necessário valorizar os artistas circenses e proibir, de uma vez por todas, Conexão Pet - Qual a importância da lei a utilização de qualquer espécie em espetáculos. que proíbe a utilização de animais em circos (7291/2006)? Qual será o impacto disso nos circos? Conexão Pet - O projeto de lei 4548/1998 prevê a exclusão dos animais domésticos/ Ricardo Tripoli: O projeto de lei que proíbe domesticados como vítimas de maus tratos. O senhor apresentou um recurso o uso de animais em circos do país é extremamente importante e representa contra a mesma. Acredita que a sociedade uma evolução na legislação brasileira. está suficientemente alerta para os riscos Acompanho a tramitação desde sua origem e desse PL ser aprovado? 39

38

Ricardo Tripoli: Apresentei ao Plenário da um modelo que deveria ser exportado e serve Câmara dos Deputados recurso contra este de exemplo para todo o país. projeto pois considero inconstitucional o parecer aprovado pela Comissão de ConstiConexão Pet - O senhor acredita que as tuição e Justiça. Inclusive, fui apoiado por leis relacionadas à proteção dos animais no mais de 60 parlamentares de diversos estaBrasil são muito brandas ou apenas não são dos e partidos. Acredito que a proposição cumpridas? permite que excessos contra os animais sejam cometidos indiscriminadamente. A Ricardo Tripoli: O Brasil possui uma leproibição de crueldade contra os animais gislação avançada. O maior problema é está prevista em nossa Carta colocar em prática as leis que já estão em Magna. Da maneira como está, o projeto vigor. O que realmente precisa acontecer é punição exemplar para quem cometer libera a prática de abuso e maus-tratos e viola frontalqualquer tipo de abuso “ A verdade é que se gasta muito contra os animais. mente o § 1º, mais para matar do que para salvar do art. 225, da vidas e controlar as zoonoses. Isto é Constituição Conexão Pet- Qual é o péssimo! É uma incoerência do maior empecilho à esteriFederal. Em ponto de vista econômico, ético, lização pública de animais h i p ó t e s e moral e social”. nas grandes cidades? alguma os animais devem ser Ricardo Tripoli: A superpopulação de cães tratados com perversidade. É importante e gatos é um problema comum a todas as ressaltar para a sociedade brasileira que se a cidades brasileiras. Milhares de animais se proposta for aprovada representará o maior encontram abandonados nas ruas ou em retrocesso da história da proteção animal no abrigos à espera de um dono. A esterilização Brasil. cirúrgica como método de controle da natalidade de cães e gatos é um avanço. ParticularConexão Pet - Qual é a importância do mente, não vejo empecilho neste sentido. A PROBEM (Programa de Proteção e Bemverdade é que se gasta muito mais para Estar de Cães e Gatos) para efetivamente matar do que para salvar vidas e controlar melhorar a condição de vida dos animais? as zoonoses. Isto é péssimo! É uma incoerência do ponto de vista econômico, ético, moral Ricardo Tripoli: É extremamente impore social. Em São Paulo, para se ter uma idéia, tante! A iniciativa conscientiza a população para capturar, manter durante três dias, sasobre o crime de abandono aos animais. É crificar e incinerar um animal se gastava em um programa é essencial e representa um média, R$ 130,00. Já para esterilizar um exemplo de inclusão social. Não podemos animal com registro e vacinação contra mais desconsiderar a participação dos cães raiva em programas mantidos em cone gatos em nossa sociedade e os benefícios vênios com ONGs, a Prefeitura gasta hoje, que trazem às famílias humanas. O Probem é

em média, R$ 32,00. Acredito que podem ser feitas parcerias entre as unidades de controle de zoonoses, entidades de proteção de animais e clínicas veterinárias para a realização da esterilização. Reforçar o controle de natalidade de cães e gatos é de grande importância para a saúde pública. Conexão Pet - As prefeituras das grandes cidades (e governos em âmbito geral) podem, efetivamente, colaborar para a redução da superpopulação de animais nas ruas? Ricardo Tripoli: Podem e devem. A castração é uma política pública simples e eficaz. Inclusive, abordo esse aspecto no Código Federal de Bem Estar Animal. Um dos maiores problemas é a superpopulação de cães e gatos nos centros urbanos. Infelizmente, muitos municípios ainda utilizam a prática de sacrificar animais como forma de controle sanitário. No entanto, o controle da população de cães e gatos deve ser feito por meio de programas de registro e identificação de animais, associados à esterilização e à adoção. O controle da superpopulação de animais beneficia o meio ambiente. E o meio ambiente não está apenas a serviço do homem. Somos parte integrante e temos obrigações ambientais.

Conexão Pet - De que forma os cidadãos podem colaborar para a melhoria na qualidade de vida dos animais? Ricardo Tripoli: De várias maneiras. O mais importante é ter consciência. A posse responsável é um bom exemplo. Os animais de estimação precisam de espaço, exercícios regulares, sol, água limpa e alimentação adequada. Devem dispor de abrigo contra o sol, a chuva, o frio, intempéries. Cães e

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Conexão Pet - Quando o cidadão vê animais serem maltratados e recorre às autoridades policiais geralmente é tratado com desdém. Como proceder nestes casos? Ricardo Tripoli: O cidadão não deve se calar. É preciso denunciar, em qualquer situação. No estado de São Paulo, por exemplo, abandonar ou deixar um animal sem cuidados é mau trato (Lei Municipal 13.131/01, Art. 30). No âmbito nacional, praticar maus-tratos contra quaisquer animais é crime (Lei de Crimes Ambientais – Lei

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Federal 9.605/98, Art. 32, que embasa as denúncias contra quem maltrata). As denúncias envolvendo a Lei de Crimes Ambientais devem ser feitas nos Distritos Policiais, com as devidas provas.

Os animais compõem este cenário, são sujeitos de direitos, são seres sensientes, e assumem funções vitais em todo o sistema. Legislar sobre o controle animal é necessário. A superpopulação de cães e gatos traz gravames ambientais, de saúde e segurança pública. São questões relevantes enfrentadas por quase todos os municípios brasileiros, cujos cofres são onerados com ações repressivas que não enfrentam o problema, apenas o tratam paliativamente. É preciso estimular ações preventivas de controle populacional, com registro, educação para propriedade responsável, desestimular o abandono e os maus-tratos, controle reprodutivo e adoção de animais.

gatos devem ser acompanhados por um médico veterinário e precisam de vermifugações periódicas. Isso garante a saúde do animal e da família humana. A vacinação anual contra doenças espécieespecíficas, que atingem somente os animais e a vacina contra a raiva, disponibilizada em todas as cidades pelo Poder Público são fundamentais. Parece óbvio, mas quando os animais adoecem devem receber plena assistência, incluindo exames laboratoriais eventualmente solicitados pelo veterinário responsável. A assistência constante é vital, sobretudo no envelhecimento. A solidão é um grande mal para cães e gatos. Muitos animais solitários

adquirem neuroses, latem demais, uivam, estragam móveis, provocando problemas com vizinhos ou aborrecendo a família. É válido ressaltar que cães e gatos não podem ser humanizados excessivamente. É preciso respeitar suas necessidades naturais. Eles não precisam de excesso de roupas, muito menos de sapatos ou adornos incômodos. Os animais gostam da terra, de cheirar o chão, as árvores e os postes, de marcar território, de latir e cheirar outros cães. Quando você sair com seu cachorro, não o trate como se ele fosse uma criança. E também preste atenção nos limites físicos deles, cuidado para não forçá-los a corridas exaustivas ou levá-los a passear em

horários de sol a pino. Com estes e outros cuidados a qualidade de vida dos animais está assegurada.

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Perfil Pet Animais em Pauta

Deputado Ricardo Tripoli é o entrevistado do mês do Conexão Pet em Revista Por Vivian Lemos

Ricardo Tripoli é ambientalista, advogado e deputado federal pelo PSDB-SP. Foi eleito vereador em 1982 e quatro vezes deputado estadual. Em 1995 se tornou presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em 1999, assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Foi Presidente da Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional em 2008 e Vice-Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Em entrevista exclusiva à Conexão Pet em Revista, o deputado fala sobre a legislação ambiental brasileira, sobre o Programa de Proteção e Bem- Estar de Cães e Gatos, de São Paulo, sobre o projeto de lei que proíbe

animais em circos e muitos outros assuntos. Confira: Conexão Pet- De que forma o senhor se envolveu com a questão animal? Quando começou sua atuação neste segmento? Ricardo Tripoli: Minha trajetória política começou em 1982, quando fui o terceiro vereador mais votado do município de São Paulo. A partir deste momento, ingressei na luta pelas questões ambientais, focado principalmente na defesa animal. Na década de 90, já como deputado estadual por São Paulo, fui autor da lei do ICMS ecológico, que destinou mais recursos para municípios com parques, reservas biológicas e estações ecológicas.

sempre me posicionei favorável à proibição. Em 1994, como presidente da Assembleia Legislativa do Estado de S. Paulo, elaborei É passada hora de encerrar a crueldade propostas para regulamentação ambiental contra os animais. Não sou contra os circos, e implantei o programa de educação ambisomente não tolero que atrocidades aconental e de preservação da Mata Atlântica. Em teçam naqueles ambientes. O animal circense vai do picadeiro para a jaula e da 1999, assumi a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, fui presidente do Consema jaula para o picadeiro, sem falar na forma com que eles são treinados. Sabemos que (Conselho Estadual do meio Ambiente) e recebi o prêmio top de Ecologia pelo projeto existem muitas situações em que são mutila“São Paulo Pomar, Mais Verde Mais Vida”. dos e maltratados. É bom lembrar que diversos países já optaram pela proibição, entre Também fui autor do Código Estadual de Proteção Animal (Lei n.º 11977/2005) que eles estão Áustria, Costa Rica, Dinamarca, Finlândia, Índia, Israel, Cingapura e Suécia. já vigora a quatro anos, conhecida como Lei Tripoli de Proteção Animal. Inclusive, No Brasil, a proibição já existe em seis estative a oportunidade de apresentar aqui na dos. Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Câmara dos Deputa“Não sou contra os circos, sodos projeto que São Paulo, Mato mente não tolero que atrocidades Grosso do Sul e em institui o Código aconteçam naqueles ambientes. O Federal de Bemmais de 50 cidades. animal circense vai do picadeiro Estar Animal. Nessas O país vive uma para a jaula e da jaula para o picaintensa evolução propostas fiz deiro, sem falar na forma com que questão de abordar cultural e a popueles são treinados”. lação brasileira já a posse responsável e as punições legais a quem promove maus percebeu essa mudança. A partir deste motratos aos animais. mento é necessário valorizar os artistas circenses e proibir, de uma vez por todas, Conexão Pet - Qual a importância da lei a utilização de qualquer espécie em espetáculos. que proíbe a utilização de animais em circos (7291/2006)? Qual será o impacto disso nos circos? Conexão Pet - O projeto de lei 4548/1998 prevê a exclusão dos animais domésticos/ Ricardo Tripoli: O projeto de lei que proíbe domesticados como vítimas de maus tratos. O senhor apresentou um recurso o uso de animais em circos do país é extremamente importante e representa contra a mesma. Acredita que a sociedade uma evolução na legislação brasileira. está suficientemente alerta para os riscos Acompanho a tramitação desde sua origem e desse PL ser aprovado? 39

38

Ricardo Tripoli: Apresentei ao Plenário da um modelo que deveria ser exportado e serve Câmara dos Deputados recurso contra este de exemplo para todo o país. projeto pois considero inconstitucional o parecer aprovado pela Comissão de ConstiConexão Pet - O senhor acredita que as tuição e Justiça. Inclusive, fui apoiado por leis relacionadas à proteção dos animais no mais de 60 parlamentares de diversos estaBrasil são muito brandas ou apenas não são dos e partidos. Acredito que a proposição cumpridas? permite que excessos contra os animais sejam cometidos indiscriminadamente. A Ricardo Tripoli: O Brasil possui uma leproibição de crueldade contra os animais gislação avançada. O maior problema é está prevista em nossa Carta colocar em prática as leis que já estão em Magna. Da maneira como está, o projeto vigor. O que realmente precisa acontecer é punição exemplar para quem cometer libera a prática de abuso e maus-tratos e viola frontalqualquer tipo de abuso “ A verdade é que se gasta muito contra os animais. mente o § 1º, mais para matar do que para salvar do art. 225, da vidas e controlar as zoonoses. Isto é Constituição Conexão Pet- Qual é o péssimo! É uma incoerência do maior empecilho à esteriFederal. Em ponto de vista econômico, ético, lização pública de animais h i p ó t e s e moral e social”. nas grandes cidades? alguma os animais devem ser Ricardo Tripoli: A superpopulação de cães tratados com perversidade. É importante e gatos é um problema comum a todas as ressaltar para a sociedade brasileira que se a cidades brasileiras. Milhares de animais se proposta for aprovada representará o maior encontram abandonados nas ruas ou em retrocesso da história da proteção animal no abrigos à espera de um dono. A esterilização Brasil. cirúrgica como método de controle da natalidade de cães e gatos é um avanço. ParticularConexão Pet - Qual é a importância do mente, não vejo empecilho neste sentido. A PROBEM (Programa de Proteção e Bemverdade é que se gasta muito mais para Estar de Cães e Gatos) para efetivamente matar do que para salvar vidas e controlar melhorar a condição de vida dos animais? as zoonoses. Isto é péssimo! É uma incoerência do ponto de vista econômico, ético, moral Ricardo Tripoli: É extremamente impore social. Em São Paulo, para se ter uma idéia, tante! A iniciativa conscientiza a população para capturar, manter durante três dias, sasobre o crime de abandono aos animais. É crificar e incinerar um animal se gastava em um programa é essencial e representa um média, R$ 130,00. Já para esterilizar um exemplo de inclusão social. Não podemos animal com registro e vacinação contra mais desconsiderar a participação dos cães raiva em programas mantidos em cone gatos em nossa sociedade e os benefícios vênios com ONGs, a Prefeitura gasta hoje, que trazem às famílias humanas. O Probem é

em média, R$ 32,00. Acredito que podem ser feitas parcerias entre as unidades de controle de zoonoses, entidades de proteção de animais e clínicas veterinárias para a realização da esterilização. Reforçar o controle de natalidade de cães e gatos é de grande importância para a saúde pública. Conexão Pet - As prefeituras das grandes cidades (e governos em âmbito geral) podem, efetivamente, colaborar para a redução da superpopulação de animais nas ruas? Ricardo Tripoli: Podem e devem. A castração é uma política pública simples e eficaz. Inclusive, abordo esse aspecto no Código Federal de Bem Estar Animal. Um dos maiores problemas é a superpopulação de cães e gatos nos centros urbanos. Infelizmente, muitos municípios ainda utilizam a prática de sacrificar animais como forma de controle sanitário. No entanto, o controle da população de cães e gatos deve ser feito por meio de programas de registro e identificação de animais, associados à esterilização e à adoção. O controle da superpopulação de animais beneficia o meio ambiente. E o meio ambiente não está apenas a serviço do homem. Somos parte integrante e temos obrigações ambientais.

Conexão Pet - De que forma os cidadãos podem colaborar para a melhoria na qualidade de vida dos animais? Ricardo Tripoli: De várias maneiras. O mais importante é ter consciência. A posse responsável é um bom exemplo. Os animais de estimação precisam de espaço, exercícios regulares, sol, água limpa e alimentação adequada. Devem dispor de abrigo contra o sol, a chuva, o frio, intempéries. Cães e

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Conexão Pet - Quando o cidadão vê animais serem maltratados e recorre às autoridades policiais geralmente é tratado com desdém. Como proceder nestes casos? Ricardo Tripoli: O cidadão não deve se calar. É preciso denunciar, em qualquer situação. No estado de São Paulo, por exemplo, abandonar ou deixar um animal sem cuidados é mau trato (Lei Municipal 13.131/01, Art. 30). No âmbito nacional, praticar maus-tratos contra quaisquer animais é crime (Lei de Crimes Ambientais – Lei

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Federal 9.605/98, Art. 32, que embasa as denúncias contra quem maltrata). As denúncias envolvendo a Lei de Crimes Ambientais devem ser feitas nos Distritos Policiais, com as devidas provas.

Os animais compõem este cenário, são sujeitos de direitos, são seres sensientes, e assumem funções vitais em todo o sistema. Legislar sobre o controle animal é necessário. A superpopulação de cães e gatos traz gravames ambientais, de saúde e segurança pública. São questões relevantes enfrentadas por quase todos os municípios brasileiros, cujos cofres são onerados com ações repressivas que não enfrentam o problema, apenas o tratam paliativamente. É preciso estimular ações preventivas de controle populacional, com registro, educação para propriedade responsável, desestimular o abandono e os maus-tratos, controle reprodutivo e adoção de animais.

gatos devem ser acompanhados por um médico veterinário e precisam de vermifugações periódicas. Isso garante a saúde do animal e da família humana. A vacinação anual contra doenças espécieespecíficas, que atingem somente os animais e a vacina contra a raiva, disponibilizada em todas as cidades pelo Poder Público são fundamentais. Parece óbvio, mas quando os animais adoecem devem receber plena assistência, incluindo exames laboratoriais eventualmente solicitados pelo veterinário responsável. A assistência constante é vital, sobretudo no envelhecimento. A solidão é um grande mal para cães e gatos. Muitos animais solitários

adquirem neuroses, latem demais, uivam, estragam móveis, provocando problemas com vizinhos ou aborrecendo a família. É válido ressaltar que cães e gatos não podem ser humanizados excessivamente. É preciso respeitar suas necessidades naturais. Eles não precisam de excesso de roupas, muito menos de sapatos ou adornos incômodos. Os animais gostam da terra, de cheirar o chão, as árvores e os postes, de marcar território, de latir e cheirar outros cães. Quando você sair com seu cachorro, não o trate como se ele fosse uma criança. E também preste atenção nos limites físicos deles, cuidado para não forçá-los a corridas exaustivas ou levá-los a passear em

horários de sol a pino. Com estes e outros cuidados a qualidade de vida dos animais está assegurada.

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Perfil Pet Animais em Pauta

Deputado Ricardo Tripoli é o entrevistado do mês do Conexão Pet em Revista Por Vivian Lemos

Ricardo Tripoli é ambientalista, advogado e deputado federal pelo PSDB-SP. Foi eleito vereador em 1982 e quatro vezes deputado estadual. Em 1995 se tornou presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em 1999, assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Foi Presidente da Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional em 2008 e Vice-Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Em entrevista exclusiva à Conexão Pet em Revista, o deputado fala sobre a legislação ambiental brasileira, sobre o Programa de Proteção e Bem- Estar de Cães e Gatos, de São Paulo, sobre o projeto de lei que proíbe

animais em circos e muitos outros assuntos. Confira: Conexão Pet- De que forma o senhor se envolveu com a questão animal? Quando começou sua atuação neste segmento? Ricardo Tripoli: Minha trajetória política começou em 1982, quando fui o terceiro vereador mais votado do município de São Paulo. A partir deste momento, ingressei na luta pelas questões ambientais, focado principalmente na defesa animal. Na década de 90, já como deputado estadual por São Paulo, fui autor da lei do ICMS ecológico, que destinou mais recursos para municípios com parques, reservas biológicas e estações ecológicas.

sempre me posicionei favorável à proibição. Em 1994, como presidente da Assembleia Legislativa do Estado de S. Paulo, elaborei É passada hora de encerrar a crueldade propostas para regulamentação ambiental contra os animais. Não sou contra os circos, e implantei o programa de educação ambisomente não tolero que atrocidades aconental e de preservação da Mata Atlântica. Em teçam naqueles ambientes. O animal circense vai do picadeiro para a jaula e da 1999, assumi a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, fui presidente do Consema jaula para o picadeiro, sem falar na forma com que eles são treinados. Sabemos que (Conselho Estadual do meio Ambiente) e recebi o prêmio top de Ecologia pelo projeto existem muitas situações em que são mutila“São Paulo Pomar, Mais Verde Mais Vida”. dos e maltratados. É bom lembrar que diversos países já optaram pela proibição, entre Também fui autor do Código Estadual de Proteção Animal (Lei n.º 11977/2005) que eles estão Áustria, Costa Rica, Dinamarca, Finlândia, Índia, Israel, Cingapura e Suécia. já vigora a quatro anos, conhecida como Lei Tripoli de Proteção Animal. Inclusive, No Brasil, a proibição já existe em seis estative a oportunidade de apresentar aqui na dos. Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Câmara dos Deputa“Não sou contra os circos, sodos projeto que São Paulo, Mato mente não tolero que atrocidades Grosso do Sul e em institui o Código aconteçam naqueles ambientes. O Federal de Bemmais de 50 cidades. animal circense vai do picadeiro Estar Animal. Nessas O país vive uma para a jaula e da jaula para o picaintensa evolução propostas fiz deiro, sem falar na forma com que questão de abordar cultural e a popueles são treinados”. lação brasileira já a posse responsável e as punições legais a quem promove maus percebeu essa mudança. A partir deste motratos aos animais. mento é necessário valorizar os artistas circenses e proibir, de uma vez por todas, Conexão Pet - Qual a importância da lei a utilização de qualquer espécie em espetáculos. que proíbe a utilização de animais em circos (7291/2006)? Qual será o impacto disso nos circos? Conexão Pet - O projeto de lei 4548/1998 prevê a exclusão dos animais domésticos/ Ricardo Tripoli: O projeto de lei que proíbe domesticados como vítimas de maus tratos. O senhor apresentou um recurso o uso de animais em circos do país é extremamente importante e representa contra a mesma. Acredita que a sociedade uma evolução na legislação brasileira. está suficientemente alerta para os riscos Acompanho a tramitação desde sua origem e desse PL ser aprovado? 39

38

Ricardo Tripoli: Apresentei ao Plenário da um modelo que deveria ser exportado e serve Câmara dos Deputados recurso contra este de exemplo para todo o país. projeto pois considero inconstitucional o parecer aprovado pela Comissão de ConstiConexão Pet - O senhor acredita que as tuição e Justiça. Inclusive, fui apoiado por leis relacionadas à proteção dos animais no mais de 60 parlamentares de diversos estaBrasil são muito brandas ou apenas não são dos e partidos. Acredito que a proposição cumpridas? permite que excessos contra os animais sejam cometidos indiscriminadamente. A Ricardo Tripoli: O Brasil possui uma leproibição de crueldade contra os animais gislação avançada. O maior problema é está prevista em nossa Carta colocar em prática as leis que já estão em Magna. Da maneira como está, o projeto vigor. O que realmente precisa acontecer é punição exemplar para quem cometer libera a prática de abuso e maus-tratos e viola frontalqualquer tipo de abuso “ A verdade é que se gasta muito contra os animais. mente o § 1º, mais para matar do que para salvar do art. 225, da vidas e controlar as zoonoses. Isto é Constituição Conexão Pet- Qual é o péssimo! É uma incoerência do maior empecilho à esteriFederal. Em ponto de vista econômico, ético, lização pública de animais h i p ó t e s e moral e social”. nas grandes cidades? alguma os animais devem ser Ricardo Tripoli: A superpopulação de cães tratados com perversidade. É importante e gatos é um problema comum a todas as ressaltar para a sociedade brasileira que se a cidades brasileiras. Milhares de animais se proposta for aprovada representará o maior encontram abandonados nas ruas ou em retrocesso da história da proteção animal no abrigos à espera de um dono. A esterilização Brasil. cirúrgica como método de controle da natalidade de cães e gatos é um avanço. ParticularConexão Pet - Qual é a importância do mente, não vejo empecilho neste sentido. A PROBEM (Programa de Proteção e Bemverdade é que se gasta muito mais para Estar de Cães e Gatos) para efetivamente matar do que para salvar vidas e controlar melhorar a condição de vida dos animais? as zoonoses. Isto é péssimo! É uma incoerência do ponto de vista econômico, ético, moral Ricardo Tripoli: É extremamente impore social. Em São Paulo, para se ter uma idéia, tante! A iniciativa conscientiza a população para capturar, manter durante três dias, sasobre o crime de abandono aos animais. É crificar e incinerar um animal se gastava em um programa é essencial e representa um média, R$ 130,00. Já para esterilizar um exemplo de inclusão social. Não podemos animal com registro e vacinação contra mais desconsiderar a participação dos cães raiva em programas mantidos em cone gatos em nossa sociedade e os benefícios vênios com ONGs, a Prefeitura gasta hoje, que trazem às famílias humanas. O Probem é

em média, R$ 32,00. Acredito que podem ser feitas parcerias entre as unidades de controle de zoonoses, entidades de proteção de animais e clínicas veterinárias para a realização da esterilização. Reforçar o controle de natalidade de cães e gatos é de grande importância para a saúde pública. Conexão Pet - As prefeituras das grandes cidades (e governos em âmbito geral) podem, efetivamente, colaborar para a redução da superpopulação de animais nas ruas? Ricardo Tripoli: Podem e devem. A castração é uma política pública simples e eficaz. Inclusive, abordo esse aspecto no Código Federal de Bem Estar Animal. Um dos maiores problemas é a superpopulação de cães e gatos nos centros urbanos. Infelizmente, muitos municípios ainda utilizam a prática de sacrificar animais como forma de controle sanitário. No entanto, o controle da população de cães e gatos deve ser feito por meio de programas de registro e identificação de animais, associados à esterilização e à adoção. O controle da superpopulação de animais beneficia o meio ambiente. E o meio ambiente não está apenas a serviço do homem. Somos parte integrante e temos obrigações ambientais.

Conexão Pet - De que forma os cidadãos podem colaborar para a melhoria na qualidade de vida dos animais? Ricardo Tripoli: De várias maneiras. O mais importante é ter consciência. A posse responsável é um bom exemplo. Os animais de estimação precisam de espaço, exercícios regulares, sol, água limpa e alimentação adequada. Devem dispor de abrigo contra o sol, a chuva, o frio, intempéries. Cães e

42

Conexão Pet - Quando o cidadão vê animais serem maltratados e recorre às autoridades policiais geralmente é tratado com desdém. Como proceder nestes casos? Ricardo Tripoli: O cidadão não deve se calar. É preciso denunciar, em qualquer situação. No estado de São Paulo, por exemplo, abandonar ou deixar um animal sem cuidados é mau trato (Lei Municipal 13.131/01, Art. 30). No âmbito nacional, praticar maus-tratos contra quaisquer animais é crime (Lei de Crimes Ambientais – Lei

41

40

Federal 9.605/98, Art. 32, que embasa as denúncias contra quem maltrata). As denúncias envolvendo a Lei de Crimes Ambientais devem ser feitas nos Distritos Policiais, com as devidas provas.

Os animais compõem este cenário, são sujeitos de direitos, são seres sensientes, e assumem funções vitais em todo o sistema. Legislar sobre o controle animal é necessário. A superpopulação de cães e gatos traz gravames ambientais, de saúde e segurança pública. São questões relevantes enfrentadas por quase todos os municípios brasileiros, cujos cofres são onerados com ações repressivas que não enfrentam o problema, apenas o tratam paliativamente. É preciso estimular ações preventivas de controle populacional, com registro, educação para propriedade responsável, desestimular o abandono e os maus-tratos, controle reprodutivo e adoção de animais.

gatos devem ser acompanhados por um médico veterinário e precisam de vermifugações periódicas. Isso garante a saúde do animal e da família humana. A vacinação anual contra doenças espécieespecíficas, que atingem somente os animais e a vacina contra a raiva, disponibilizada em todas as cidades pelo Poder Público são fundamentais. Parece óbvio, mas quando os animais adoecem devem receber plena assistência, incluindo exames laboratoriais eventualmente solicitados pelo veterinário responsável. A assistência constante é vital, sobretudo no envelhecimento. A solidão é um grande mal para cães e gatos. Muitos animais solitários

adquirem neuroses, latem demais, uivam, estragam móveis, provocando problemas com vizinhos ou aborrecendo a família. É válido ressaltar que cães e gatos não podem ser humanizados excessivamente. É preciso respeitar suas necessidades naturais. Eles não precisam de excesso de roupas, muito menos de sapatos ou adornos incômodos. Os animais gostam da terra, de cheirar o chão, as árvores e os postes, de marcar território, de latir e cheirar outros cães. Quando você sair com seu cachorro, não o trate como se ele fosse uma criança. E também preste atenção nos limites físicos deles, cuidado para não forçá-los a corridas exaustivas ou levá-los a passear em

horários de sol a pino. Com estes e outros cuidados a qualidade de vida dos animais está assegurada.

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Perfil Pet Animais em Pauta

Deputado Ricardo Tripoli é o entrevistado do mês do Conexão Pet em Revista Por Vivian Lemos

Ricardo Tripoli é ambientalista, advogado e deputado federal pelo PSDB-SP. Foi eleito vereador em 1982 e quatro vezes deputado estadual. Em 1995 se tornou presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em 1999, assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Foi Presidente da Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional em 2008 e Vice-Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Em entrevista exclusiva à Conexão Pet em Revista, o deputado fala sobre a legislação ambiental brasileira, sobre o Programa de Proteção e Bem- Estar de Cães e Gatos, de São Paulo, sobre o projeto de lei que proíbe

animais em circos e muitos outros assuntos. Confira: Conexão Pet- De que forma o senhor se envolveu com a questão animal? Quando começou sua atuação neste segmento? Ricardo Tripoli: Minha trajetória política começou em 1982, quando fui o terceiro vereador mais votado do município de São Paulo. A partir deste momento, ingressei na luta pelas questões ambientais, focado principalmente na defesa animal. Na década de 90, já como deputado estadual por São Paulo, fui autor da lei do ICMS ecológico, que destinou mais recursos para municípios com parques, reservas biológicas e estações ecológicas.

sempre me posicionei favorável à proibição. Em 1994, como presidente da Assembleia Legislativa do Estado de S. Paulo, elaborei É passada hora de encerrar a crueldade propostas para regulamentação ambiental contra os animais. Não sou contra os circos, e implantei o programa de educação ambisomente não tolero que atrocidades aconental e de preservação da Mata Atlântica. Em teçam naqueles ambientes. O animal circense vai do picadeiro para a jaula e da 1999, assumi a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, fui presidente do Consema jaula para o picadeiro, sem falar na forma com que eles são treinados. Sabemos que (Conselho Estadual do meio Ambiente) e recebi o prêmio top de Ecologia pelo projeto existem muitas situações em que são mutila“São Paulo Pomar, Mais Verde Mais Vida”. dos e maltratados. É bom lembrar que diversos países já optaram pela proibição, entre Também fui autor do Código Estadual de Proteção Animal (Lei n.º 11977/2005) que eles estão Áustria, Costa Rica, Dinamarca, Finlândia, Índia, Israel, Cingapura e Suécia. já vigora a quatro anos, conhecida como Lei Tripoli de Proteção Animal. Inclusive, No Brasil, a proibição já existe em seis estative a oportunidade de apresentar aqui na dos. Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Câmara dos Deputa“Não sou contra os circos, sodos projeto que São Paulo, Mato mente não tolero que atrocidades Grosso do Sul e em institui o Código aconteçam naqueles ambientes. O Federal de Bemmais de 50 cidades. animal circense vai do picadeiro Estar Animal. Nessas O país vive uma para a jaula e da jaula para o picaintensa evolução propostas fiz deiro, sem falar na forma com que questão de abordar cultural e a popueles são treinados”. lação brasileira já a posse responsável e as punições legais a quem promove maus percebeu essa mudança. A partir deste motratos aos animais. mento é necessário valorizar os artistas circenses e proibir, de uma vez por todas, Conexão Pet - Qual a importância da lei a utilização de qualquer espécie em espetáculos. que proíbe a utilização de animais em circos (7291/2006)? Qual será o impacto disso nos circos? Conexão Pet - O projeto de lei 4548/1998 prevê a exclusão dos animais domésticos/ Ricardo Tripoli: O projeto de lei que proíbe domesticados como vítimas de maus tratos. O senhor apresentou um recurso o uso de animais em circos do país é extremamente importante e representa contra a mesma. Acredita que a sociedade uma evolução na legislação brasileira. está suficientemente alerta para os riscos Acompanho a tramitação desde sua origem e desse PL ser aprovado? 39

38

Ricardo Tripoli: Apresentei ao Plenário da um modelo que deveria ser exportado e serve Câmara dos Deputados recurso contra este de exemplo para todo o país. projeto pois considero inconstitucional o parecer aprovado pela Comissão de ConstiConexão Pet - O senhor acredita que as tuição e Justiça. Inclusive, fui apoiado por leis relacionadas à proteção dos animais no mais de 60 parlamentares de diversos estaBrasil são muito brandas ou apenas não são dos e partidos. Acredito que a proposição cumpridas? permite que excessos contra os animais sejam cometidos indiscriminadamente. A Ricardo Tripoli: O Brasil possui uma leproibição de crueldade contra os animais gislação avançada. O maior problema é está prevista em nossa Carta colocar em prática as leis que já estão em Magna. Da maneira como está, o projeto vigor. O que realmente precisa acontecer é punição exemplar para quem cometer libera a prática de abuso e maus-tratos e viola frontalqualquer tipo de abuso “ A verdade é que se gasta muito contra os animais. mente o § 1º, mais para matar do que para salvar do art. 225, da vidas e controlar as zoonoses. Isto é Constituição Conexão Pet- Qual é o péssimo! É uma incoerência do maior empecilho à esteriFederal. Em ponto de vista econômico, ético, lização pública de animais h i p ó t e s e moral e social”. nas grandes cidades? alguma os animais devem ser Ricardo Tripoli: A superpopulação de cães tratados com perversidade. É importante e gatos é um problema comum a todas as ressaltar para a sociedade brasileira que se a cidades brasileiras. Milhares de animais se proposta for aprovada representará o maior encontram abandonados nas ruas ou em retrocesso da história da proteção animal no abrigos à espera de um dono. A esterilização Brasil. cirúrgica como método de controle da natalidade de cães e gatos é um avanço. ParticularConexão Pet - Qual é a importância do mente, não vejo empecilho neste sentido. A PROBEM (Programa de Proteção e Bemverdade é que se gasta muito mais para Estar de Cães e Gatos) para efetivamente matar do que para salvar vidas e controlar melhorar a condição de vida dos animais? as zoonoses. Isto é péssimo! É uma incoerência do ponto de vista econômico, ético, moral Ricardo Tripoli: É extremamente impore social. Em São Paulo, para se ter uma idéia, tante! A iniciativa conscientiza a população para capturar, manter durante três dias, sasobre o crime de abandono aos animais. É crificar e incinerar um animal se gastava em um programa é essencial e representa um média, R$ 130,00. Já para esterilizar um exemplo de inclusão social. Não podemos animal com registro e vacinação contra mais desconsiderar a participação dos cães raiva em programas mantidos em cone gatos em nossa sociedade e os benefícios vênios com ONGs, a Prefeitura gasta hoje, que trazem às famílias humanas. O Probem é

em média, R$ 32,00. Acredito que podem ser feitas parcerias entre as unidades de controle de zoonoses, entidades de proteção de animais e clínicas veterinárias para a realização da esterilização. Reforçar o controle de natalidade de cães e gatos é de grande importância para a saúde pública. Conexão Pet - As prefeituras das grandes cidades (e governos em âmbito geral) podem, efetivamente, colaborar para a redução da superpopulação de animais nas ruas? Ricardo Tripoli: Podem e devem. A castração é uma política pública simples e eficaz. Inclusive, abordo esse aspecto no Código Federal de Bem Estar Animal. Um dos maiores problemas é a superpopulação de cães e gatos nos centros urbanos. Infelizmente, muitos municípios ainda utilizam a prática de sacrificar animais como forma de controle sanitário. No entanto, o controle da população de cães e gatos deve ser feito por meio de programas de registro e identificação de animais, associados à esterilização e à adoção. O controle da superpopulação de animais beneficia o meio ambiente. E o meio ambiente não está apenas a serviço do homem. Somos parte integrante e temos obrigações ambientais.

Conexão Pet - De que forma os cidadãos podem colaborar para a melhoria na qualidade de vida dos animais? Ricardo Tripoli: De várias maneiras. O mais importante é ter consciência. A posse responsável é um bom exemplo. Os animais de estimação precisam de espaço, exercícios regulares, sol, água limpa e alimentação adequada. Devem dispor de abrigo contra o sol, a chuva, o frio, intempéries. Cães e

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Conexão Pet - Quando o cidadão vê animais serem maltratados e recorre às autoridades policiais geralmente é tratado com desdém. Como proceder nestes casos? Ricardo Tripoli: O cidadão não deve se calar. É preciso denunciar, em qualquer situação. No estado de São Paulo, por exemplo, abandonar ou deixar um animal sem cuidados é mau trato (Lei Municipal 13.131/01, Art. 30). No âmbito nacional, praticar maus-tratos contra quaisquer animais é crime (Lei de Crimes Ambientais – Lei

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Federal 9.605/98, Art. 32, que embasa as denúncias contra quem maltrata). As denúncias envolvendo a Lei de Crimes Ambientais devem ser feitas nos Distritos Policiais, com as devidas provas.

Os animais compõem este cenário, são sujeitos de direitos, são seres sensientes, e assumem funções vitais em todo o sistema. Legislar sobre o controle animal é necessário. A superpopulação de cães e gatos traz gravames ambientais, de saúde e segurança pública. São questões relevantes enfrentadas por quase todos os municípios brasileiros, cujos cofres são onerados com ações repressivas que não enfrentam o problema, apenas o tratam paliativamente. É preciso estimular ações preventivas de controle populacional, com registro, educação para propriedade responsável, desestimular o abandono e os maus-tratos, controle reprodutivo e adoção de animais.

gatos devem ser acompanhados por um médico veterinário e precisam de vermifugações periódicas. Isso garante a saúde do animal e da família humana. A vacinação anual contra doenças espécieespecíficas, que atingem somente os animais e a vacina contra a raiva, disponibilizada em todas as cidades pelo Poder Público são fundamentais. Parece óbvio, mas quando os animais adoecem devem receber plena assistência, incluindo exames laboratoriais eventualmente solicitados pelo veterinário responsável. A assistência constante é vital, sobretudo no envelhecimento. A solidão é um grande mal para cães e gatos. Muitos animais solitários

adquirem neuroses, latem demais, uivam, estragam móveis, provocando problemas com vizinhos ou aborrecendo a família. É válido ressaltar que cães e gatos não podem ser humanizados excessivamente. É preciso respeitar suas necessidades naturais. Eles não precisam de excesso de roupas, muito menos de sapatos ou adornos incômodos. Os animais gostam da terra, de cheirar o chão, as árvores e os postes, de marcar território, de latir e cheirar outros cães. Quando você sair com seu cachorro, não o trate como se ele fosse uma criança. E também preste atenção nos limites físicos deles, cuidado para não forçá-los a corridas exaustivas ou levá-los a passear em

horários de sol a pino. Com estes e outros cuidados a qualidade de vida dos animais está assegurada.

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Perfil Pet Animais em Pauta

Deputado Ricardo Tripoli é o entrevistado do mês do Conexão Pet em Revista Por Vivian Lemos

Ricardo Tripoli é ambientalista, advogado e deputado federal pelo PSDB-SP. Foi eleito vereador em 1982 e quatro vezes deputado estadual. Em 1995 se tornou presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em 1999, assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Foi Presidente da Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional em 2008 e Vice-Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Em entrevista exclusiva à Conexão Pet em Revista, o deputado fala sobre a legislação ambiental brasileira, sobre o Programa de Proteção e Bem- Estar de Cães e Gatos, de São Paulo, sobre o projeto de lei que proíbe

animais em circos e muitos outros assuntos. Confira: Conexão Pet- De que forma o senhor se envolveu com a questão animal? Quando começou sua atuação neste segmento? Ricardo Tripoli: Minha trajetória política começou em 1982, quando fui o terceiro vereador mais votado do município de São Paulo. A partir deste momento, ingressei na luta pelas questões ambientais, focado principalmente na defesa animal. Na década de 90, já como deputado estadual por São Paulo, fui autor da lei do ICMS ecológico, que destinou mais recursos para municípios com parques, reservas biológicas e estações ecológicas.

sempre me posicionei favorável à proibição. Em 1994, como presidente da Assembleia Legislativa do Estado de S. Paulo, elaborei É passada hora de encerrar a crueldade propostas para regulamentação ambiental contra os animais. Não sou contra os circos, e implantei o programa de educação ambisomente não tolero que atrocidades aconental e de preservação da Mata Atlântica. Em teçam naqueles ambientes. O animal circense vai do picadeiro para a jaula e da 1999, assumi a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, fui presidente do Consema jaula para o picadeiro, sem falar na forma com que eles são treinados. Sabemos que (Conselho Estadual do meio Ambiente) e recebi o prêmio top de Ecologia pelo projeto existem muitas situações em que são mutila“São Paulo Pomar, Mais Verde Mais Vida”. dos e maltratados. É bom lembrar que diversos países já optaram pela proibição, entre Também fui autor do Código Estadual de Proteção Animal (Lei n.º 11977/2005) que eles estão Áustria, Costa Rica, Dinamarca, Finlândia, Índia, Israel, Cingapura e Suécia. já vigora a quatro anos, conhecida como Lei Tripoli de Proteção Animal. Inclusive, No Brasil, a proibição já existe em seis estative a oportunidade de apresentar aqui na dos. Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Câmara dos Deputa“Não sou contra os circos, sodos projeto que São Paulo, Mato mente não tolero que atrocidades Grosso do Sul e em institui o Código aconteçam naqueles ambientes. O Federal de Bemmais de 50 cidades. animal circense vai do picadeiro Estar Animal. Nessas O país vive uma para a jaula e da jaula para o picaintensa evolução propostas fiz deiro, sem falar na forma com que questão de abordar cultural e a popueles são treinados”. lação brasileira já a posse responsável e as punições legais a quem promove maus percebeu essa mudança. A partir deste motratos aos animais. mento é necessário valorizar os artistas circenses e proibir, de uma vez por todas, Conexão Pet - Qual a importância da lei a utilização de qualquer espécie em espetáculos. que proíbe a utilização de animais em circos (7291/2006)? Qual será o impacto disso nos circos? Conexão Pet - O projeto de lei 4548/1998 prevê a exclusão dos animais domésticos/ Ricardo Tripoli: O projeto de lei que proíbe domesticados como vítimas de maus tratos. O senhor apresentou um recurso o uso de animais em circos do país é extremamente importante e representa contra a mesma. Acredita que a sociedade uma evolução na legislação brasileira. está suficientemente alerta para os riscos Acompanho a tramitação desde sua origem e desse PL ser aprovado? 39

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Ricardo Tripoli: Apresentei ao Plenário da um modelo que deveria ser exportado e serve Câmara dos Deputados recurso contra este de exemplo para todo o país. projeto pois considero inconstitucional o parecer aprovado pela Comissão de ConstiConexão Pet - O senhor acredita que as tuição e Justiça. Inclusive, fui apoiado por leis relacionadas à proteção dos animais no mais de 60 parlamentares de diversos estaBrasil são muito brandas ou apenas não são dos e partidos. Acredito que a proposição cumpridas? permite que excessos contra os animais sejam cometidos indiscriminadamente. A Ricardo Tripoli: O Brasil possui uma leproibição de crueldade contra os animais gislação avançada. O maior problema é está prevista em nossa Carta colocar em prática as leis que já estão em Magna. Da maneira como está, o projeto vigor. O que realmente precisa acontecer é punição exemplar para quem cometer libera a prática de abuso e maus-tratos e viola frontalqualquer tipo de abuso “ A verdade é que se gasta muito contra os animais. mente o § 1º, mais para matar do que para salvar do art. 225, da vidas e controlar as zoonoses. Isto é Constituição Conexão Pet- Qual é o péssimo! É uma incoerência do maior empecilho à esteriFederal. Em ponto de vista econômico, ético, lização pública de animais h i p ó t e s e moral e social”. nas grandes cidades? alguma os animais devem ser Ricardo Tripoli: A superpopulação de cães tratados com perversidade. É importante e gatos é um problema comum a todas as ressaltar para a sociedade brasileira que se a cidades brasileiras. Milhares de animais se proposta for aprovada representará o maior encontram abandonados nas ruas ou em retrocesso da história da proteção animal no abrigos à espera de um dono. A esterilização Brasil. cirúrgica como método de controle da natalidade de cães e gatos é um avanço. ParticularConexão Pet - Qual é a importância do mente, não vejo empecilho neste sentido. A PROBEM (Programa de Proteção e Bemverdade é que se gasta muito mais para Estar de Cães e Gatos) para efetivamente matar do que para salvar vidas e controlar melhorar a condição de vida dos animais? as zoonoses. Isto é péssimo! É uma incoerência do ponto de vista econômico, ético, moral Ricardo Tripoli: É extremamente impore social. Em São Paulo, para se ter uma idéia, tante! A iniciativa conscientiza a população para capturar, manter durante três dias, sasobre o crime de abandono aos animais. É crificar e incinerar um animal se gastava em um programa é essencial e representa um média, R$ 130,00. Já para esterilizar um exemplo de inclusão social. Não podemos animal com registro e vacinação contra mais desconsiderar a participação dos cães raiva em programas mantidos em cone gatos em nossa sociedade e os benefícios vênios com ONGs, a Prefeitura gasta hoje, que trazem às famílias humanas. O Probem é

em média, R$ 32,00. Acredito que podem ser feitas parcerias entre as unidades de controle de zoonoses, entidades de proteção de animais e clínicas veterinárias para a realização da esterilização. Reforçar o controle de natalidade de cães e gatos é de grande importância para a saúde pública. Conexão Pet - As prefeituras das grandes cidades (e governos em âmbito geral) podem, efetivamente, colaborar para a redução da superpopulação de animais nas ruas? Ricardo Tripoli: Podem e devem. A castração é uma política pública simples e eficaz. Inclusive, abordo esse aspecto no Código Federal de Bem Estar Animal. Um dos maiores problemas é a superpopulação de cães e gatos nos centros urbanos. Infelizmente, muitos municípios ainda utilizam a prática de sacrificar animais como forma de controle sanitário. No entanto, o controle da população de cães e gatos deve ser feito por meio de programas de registro e identificação de animais, associados à esterilização e à adoção. O controle da superpopulação de animais beneficia o meio ambiente. E o meio ambiente não está apenas a serviço do homem. Somos parte integrante e temos obrigações ambientais.

Conexão Pet - De que forma os cidadãos podem colaborar para a melhoria na qualidade de vida dos animais? Ricardo Tripoli: De várias maneiras. O mais importante é ter consciência. A posse responsável é um bom exemplo. Os animais de estimação precisam de espaço, exercícios regulares, sol, água limpa e alimentação adequada. Devem dispor de abrigo contra o sol, a chuva, o frio, intempéries. Cães e

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Conexão Pet - Quando o cidadão vê animais serem maltratados e recorre às autoridades policiais geralmente é tratado com desdém. Como proceder nestes casos? Ricardo Tripoli: O cidadão não deve se calar. É preciso denunciar, em qualquer situação. No estado de São Paulo, por exemplo, abandonar ou deixar um animal sem cuidados é mau trato (Lei Municipal 13.131/01, Art. 30). No âmbito nacional, praticar maus-tratos contra quaisquer animais é crime (Lei de Crimes Ambientais – Lei

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Federal 9.605/98, Art. 32, que embasa as denúncias contra quem maltrata). As denúncias envolvendo a Lei de Crimes Ambientais devem ser feitas nos Distritos Policiais, com as devidas provas.

Os animais compõem este cenário, são sujeitos de direitos, são seres sensientes, e assumem funções vitais em todo o sistema. Legislar sobre o controle animal é necessário. A superpopulação de cães e gatos traz gravames ambientais, de saúde e segurança pública. São questões relevantes enfrentadas por quase todos os municípios brasileiros, cujos cofres são onerados com ações repressivas que não enfrentam o problema, apenas o tratam paliativamente. É preciso estimular ações preventivas de controle populacional, com registro, educação para propriedade responsável, desestimular o abandono e os maus-tratos, controle reprodutivo e adoção de animais.

gatos devem ser acompanhados por um médico veterinário e precisam de vermifugações periódicas. Isso garante a saúde do animal e da família humana. A vacinação anual contra doenças espécieespecíficas, que atingem somente os animais e a vacina contra a raiva, disponibilizada em todas as cidades pelo Poder Público são fundamentais. Parece óbvio, mas quando os animais adoecem devem receber plena assistência, incluindo exames laboratoriais eventualmente solicitados pelo veterinário responsável. A assistência constante é vital, sobretudo no envelhecimento. A solidão é um grande mal para cães e gatos. Muitos animais solitários

adquirem neuroses, latem demais, uivam, estragam móveis, provocando problemas com vizinhos ou aborrecendo a família. É válido ressaltar que cães e gatos não podem ser humanizados excessivamente. É preciso respeitar suas necessidades naturais. Eles não precisam de excesso de roupas, muito menos de sapatos ou adornos incômodos. Os animais gostam da terra, de cheirar o chão, as árvores e os postes, de marcar território, de latir e cheirar outros cães. Quando você sair com seu cachorro, não o trate como se ele fosse uma criança. E também preste atenção nos limites físicos deles, cuidado para não forçá-los a corridas exaustivas ou levá-los a passear em

horários de sol a pino. Com estes e outros cuidados a qualidade de vida dos animais está assegurada.

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Doutores da alegria e da amizade Dizer que eles são fiéis é pouco para descrever o que um animal de estimação significa na vida de pessoas mais velhas. A companhia de um bichinho melhora a autoestima, traz alegria e estimula a prática de exercícios “Os animais de estimação funcionam como um suporte emocional. Com o tempo, acumulamos perdas afetivas, físicas e até de papel na sociedade. A companhia de um mascote dá estabilidade e faz com que a pessoa recupere funções”, explica Ceres Berger Faraco, médica veterinária, doutora em psicologia e autora de trabalhos sobre terapia assistida por animais.

Cuidados

A saúde do idoso é frágil e precisa de algumas medidas para evitar acidentes

Quedas

Cachorros muito pequenos podem fazer com que o idoso tropece em casa. É preciso educar o animal e deixar os cômodos sem obstáculos.

Unhas bem cortadas

A pele da pessoa mais velha é frágil e pode machucar facilmente. As unhas dos animais devem estar sempre aparadas para evitar acidentes.

Sol

É sempre bom lembrar: passeios devem ser feitos em horários em que o sol é mais fraco, no início da manhã ou no fim da tarde. Isso vale para o idoso e para o cão. Também é preciso usar protetor solar.

Mordidas

Alguns cães têm o hábito de morder. O costume é mais comum nos de pequeno porte. A única solução é o adestramento. Fontes: Cristina Coelho Neto, médica veterinária do Consultório Veterinário Vetclin; Roberto Luiz Lange, médico veterinário da Clínica Santa Mônica.

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Na alegria e na tristeza Um animal de estimação trata da mesma forma as crianças, os jovens ou idosos. Ele ouve todas as histórias sem criticar e, se preciso, não liga de passear todo dia no mesmo lugar. “É uma amizade incondicional, eles aceitam o dono indiscriminadamente e demonstram afeto sempre. O resultado é a promoção da autoestima”, afirma a médica veterinária Ceres. A alegria que os pequineses Nuno, Nina e Bebel trazem para a vida de Norma Amaral, de 70 e poucos anos (como ela gosta de dizer), pode ser percebida em dois minutos de conversa. É só ouvi-la contar sobre quando Nina, de 3 anos, brinca de esconde-esconde ou quando os três resolvem sentar no sofá na hora do noticiário da tevê. “Eles assistem comigo. Cada um tem seu lugar no sofá. Às vezes, Bebel, de 1 ano, quer pegar o lugar de outro e dá briga”, conta. Norma mora sozinha e não consegue mais imaginar sua vida sem os cachorrinhos. “Só quem tem sabe a alegria que eles podem dar. É só chegar em casa e ver que estão me esperando e o dia fica mais bonito. Não vou dizer que eles não me dão trabalho, porque dão sim, mas é compensador.” Vivian Hauer, de 77 anos, também não consegue imaginar como seriam suas manhãs sem a cantoria animada do seu canarinho de 4 anos. O nome dele? Roberto Carlos. “Quando ganhei o Roberto logo vi que ia ser um ótimo cantor, então dei o nome. Ele anima a casa. Já tive outros passarinhos, mas eles não viveram muito tempo. Espero que o Roberto viva muito ainda.”

Amigo ideal Não importa se é um cachorro de raça ou um vira-latas, um gato ou mesmo um passarinho. A preferência por um ou outro depende dos hábitos da pessoa. Saiba como escolher o companheiro perfeito:

Tamanho:

O porte é definitivo na hora de adotar o animal. Cães de raça grande são muito fortes e podem arrastar o idoso em uma caminhada. O ideal são as raças médias, de mais ou menos oito quilos.

Idade:

Filhotes, não! Além de ter de educar o animalzinho, vai ser difícil acompanhar o ritmo dele. Cães adultos são mais indicados. Que tal adotar um vira-latas mais velho? A vantagem de ter cães adultos, de 5 ou 6 anos, é que tanto o dono quanto o animal estarão no mesmo ritmo.

Raças:

Alguns cães de médio porte são muito agitados, como o beagle e o cocker spaniel. Essas raças precisam ser educadas. Lhasa apso, poodle ou mesmo os cães de focinho curto – pug e buldogue inglês – são mais tranquilos.

Bichano:

Gatos também demonstram carinho, mas não gostam de passear e são menos sociáveis. Por isso são os amigos ideais de idosos que têm menos mobilidade e não podem andar muito.

Pequeninos:

Os pássaros podem ser ótimos companheiros, principalmente as espécies que têm o costume de cantar, como canário ou pintassilgo. A calopsita também é uma boa opção, pela interação com o dono. Fontes: Cristina Coelho Neto, médica veterinária do Consultório Veterinário Vetclin; Roberto Luiz Lange, médico veterinário da Clínica Santa Mônica.

Além de mandar a solidão embora, quem tem um animal de estimação tem uma rotina mais saudável. Imagine o quanto é preciso se movimentar para cuidar de um bichinho: colocar comida, limpar a casa ou gaiola, brincar. “São estímulos para as atividades físicas. Isso pressupõe um ganho em mobilidade”, afirma Ceres. Recuperar funções pode significar um recomeço. “É um novo sentido para a vida do idoso, que geralmente fica bastante tempo sozinho. Faz com que ele sinta menos a ausência de familiares e também se considere útil para alguém”, diz Fernanda Cidral, psicóloga clínica e terapeuta. Não é à toa que existem vários estudos científicos que comprovam os benefícios que um animal de companhia pode trazer à saúde do idoso, entre eles a melhoria de quadros de doenças crônicas, como diabete ou hipertensão. A médica veterinária Leticia Séra Castanho, fundadora e coordenadora do Projeto Amigo Bicho, de Curitiba, promove encontros entre animais e idosos em tratamento de mal de Alzheimer ou Parkinson. “Há uma melhor resposta a terapias de um modo geral, porque aumenta a resposta imunológica e a sensação de bem-estar. Ao contar as histórias de seus animais e falar sobre o passado, os idosos estimulam a memória. Quando eles escovam os pelos dos cachorrinhos ou fazem carinho, treinam a coordenação motora.” 27

O vínculo entre o idoso e o animal de estimação pode ser muito mais forte do que em outras fases da vida. “O animal torna-se a própria família da pessoa”, diz a psicóloga e terapeuta Fernanda. O medo de perder o amigo animal pode ser maior, mas deve ser enfrentado da mesma forma, como em qualquer outra fase. “É preciso lidar com o luto. É bom sempre olhar pelo lado positivo, para o que o idoso ganhou com a convivência.” Há também o outro lado: o risco de o bichinho perder o dono. “As pessoas precisam pensar por outra perspectiva, no lado do animal, que também sofre. Há o risco das duas coisas acontecerem e a família deve estar preparada para adotar esse animal ou dar suporte caso o idoso perca seu amigo”, afirma Ceres. u

Parceiro de vida saudável O companheiro de caminhada de Luiz Fernando Ribeiro de Campos, 65 anos, é Pudim, um yorkshire terrier de 8 anos e meio. Os dois andam, em média, uma hora por dia. Antes de o yorkshire ser adotado pela família, há três anos, Luiz não tinha o hábito de caminhar. “Ele precisa caminhar e eu também. É um incentivo. Passei a ir com ele e criei o hábito.” A médica veterinária Cristina Coelho Neto, do Consultório Veterinário Vetclin, considera a caminhada uma das melhores formas de o cachorro e o dono compartilharem momentos de lazer e se exercitarem. “O idoso se anima e se cuida mais porque precisa estar bem para acompanhar o cachorro. Ele sabe que o bichinho depende dele.” O médico de Luiz Fernando ficou feliz com a rotina trazida pelo yorkshire. Depois de dez anos, a diabete e a hipertensão estão controladas. “A atividade física foi fundamental. Quando Pudim desanima, pego ele no colo e continuo caminhando, mas normalmente nós dois seguimos o mesmo ritmo, ele é ligeirinho.”

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Mais sociáveis Não falta assunto para quem tem animais de estimação. É por isso que os especialistas dizem que eles são como facilitadores sociais. “É diferente passear sozinho e com um cachorro, por exemplo. Sempre vai ter alguém para perguntar alguma coisa ou trocar experiências. Assim essas pessoas acabam aumentando o círculo de amigos”, diz a médica vererinária Ceres Faraco. Quando Lilian Nogueira resolveu comprar um gatinho persa para a sua mãe, Marlene Gon çal ves Dias, de 73 anos, a ideia era que ela se sentisse menos sozinha. “Eu viajava muito e ficava preocupada. No começo, ela não gostou, mas foi só eu levar Joy para casa e vi que se dariam bem. Ela briga, brinca com o gato, educa. Antes minha mãe era mais quietinha e fechada, hoje está bem mais ativa.” Marlene concorda: “Fico mais alegre com Joy”. Agora Lilian não viaja tanto, mesmo assim, quem cuida de tudo, inclusive dos mimos, é sua mãe. “Refogo almeirão e escarola para misturar na ração, ele gosta muito.” A psicóloga Fernanda Cidral alerta para o fato de que a pessoa mais velha não deve se restringir somente à relação com o animal e evitar o contato com outras pessoas. “Um cachorro não vai substituir a família ou os filhos. O contato humano é indispensável. A pessoa pode dosar isso e não se fechar muito, mas aproveitar o contato para treinar habilidades sociais, como se comunicar ou demonstrar afeto.” * Esta matéria foi originalmente publicada no site do jornal Gazeta do Povo.

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#03 - Junho 2010  

Revista Conexão Pet, edição de Junho 2010

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