Issuu on Google+

Informativo da Faculdade Ideal • www.faculdadeideal.com.br

AGO 2012

ARTE DE RUA

Muita gente vê traços ora revoltos, ora irreverentes nos muros das metrópoles mundiais sem imaginar a trajetória de engajamento por de trás dessas manifestações. É uma cultura de rua que tem no grafite sua maior forma de expressão. São artistas anônimos, responsáveis por humanizar os contornos impessoais e, muitas vezes, sombrios de grandes cidades como Belém. Antes marginalizados, esses artistas vêm conquistando espaço e respeito e levantam bandeiras por meio da arte em que acreditam. ∆∆ Páginas 4 e 5


CONECTE!

2

Disposto a viver o sonho americano, em 2006, o analista de sistemas Thayo Vianna largou o emprego em Belém e partiu rumo aos Estados Unidos. Garantida, apenas a estadia de uma semana na cidade de Princenton. “Eu queria ter meu armário no colégio, participar de um baile de formatura e curtir uma festa num quarto de dormitório”, conta. A vontade de arriscar foi decisiva na empreitada de Thayo, mas nem todos têm coragem de deixar família e amigos para trás ou largar um emprego estável para investir num “recomeço” em outra cidade ou país. Mais do que dinheiro no bolso, a coragem é imperativa. “Correr atrás de objetivos comuns à sociedade não me traria realização. Nunca encarei nenhum trabalho apenas pelo lado financeiro, penso também nos vínculos de amizade”, diz a universitária Catarina Pantoja. Em 2011, ela trancou a graduação em Ciências Sociais e embarcou numa missão religiosa que a levou para a Colômbia. “Aqui, tenho desenvolvido trabalhos de conscientização social, como visitas a casas de recuperação e a crianças em situação de risco”, relata.

Arquivo pessoal

Quando recomeçar é necessário

Catarina deixou a vida em Belém para ser missionária na Colômbia

Nem sempre dá certo As dificuldades do recomeço são as mais variadas e podem te impulsionar ou te fazer desistir antes do planejado. “Eu tive dinheiro, carro, lugar para dormir e vaga num curso para imigrantes, mas não conseguia mais matar a saudade pelo Skype”, relembra Thayo, que voltou a Belém seis meses depois. A frustração pessoal não o impediu de tentar de novo e ele partiu para o Rio de Janeiro, onde mora e trabalha até hoje. A administradora Lívia Ximenes também encarou um retorno não planejado quando, em 2002, se mudou para Brasília para, entre outras atividades, cursar Desenho Industrial na Universidade de Brasília. “O alto custo de vida e a concorrência absurda do vestibular foram desestimulantes”, destaca. Tais dificuldades somaram-se às divergências com o meio-irmão anfitrião e Lívia retomou a rotina em Belém após quatro meses. “Voltei valorizando mais a vida aqui e decidi recomeçar.”

• Informativo da Faculdade Ideal | @faculdadeideal | /FaculdadeIdeal

• Diretor geral: Profo João Messias dos S. Filho • Vice-diretor: Profo Antonio Carlos T. de Moraes • Diretor financeiro: Profo Manoel Leite Carneiro • Diretor executivo: Nelson Beckman Nery • Diretora acadêmica: Profa Melissa Moraes • Diretor de marketing: Manoel Leite Junior • Gerente de marketing: Helder dos Anjos • Assessora de imprensa: Yorranna Oliveira Travessa Tupinambás, 461 • Batista Campos - Belém-PA. CEP 66.033-815 • (91) 3323-6000 Ajude a fazer o Conecte!. Mande sugestões, opiniões e dicas para conecte@grupoideal.com.br * Os conteúdos das seções “Eu indico” e “Opinião” são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da instituição.

Produção:

Distribuição/comercialização


Agência Pará

Ozenilda foi uma das voluntárias da revitalização do Carmo

Bruno Carachesti

Cuidar do patrimônio público é responsabilidade de quem? A resposta que vem à mente da maioria da população é sem dúvida “do poder público”, mas não é bem assim. Como o próprio nome diz, público quer dizer de todos, logo, manter, preservar e cuidar também deve ser responsabilidade dos cidadãos. Foi pensando assim que a dona de casa Ozenilda Corrêa se envolveu voluntariamente no projeto de revitalização da Praça do Carmo proposto pelo 6° Festival Cultura de Verão, promovido em julho pela Rede Cultura de Comunicação. “Revitalizar foi muito importante para tirá-la dessa situação e deixá-la bonita novamente. Moro aqui há trinta anos e a

Os prédios no entorno da Praça do Carmo também foram revitalizados

praça esteve abandonada na maior parte desse tempo”, declarou. Quem visitar hoje a Praça do Carmo vai notar a revitalização das cores nos bancos, lixeiras, postes de iluminação e meios-fios, assim como nas fachadas das casas e prédios comerciais do entorno, tudo feito por moradores da Cidade Velha, universitários e pintores profissionais. Segundo Adelaide Oliveira, presidente da Cultura, o trabalho de embelezamento do Carmo ocorreu graças a um pacto entre sociedade civil, empresas comerciais e instituições públicas. “Aproveitamos a praça para a programação do festival, então por que não deixar algo de concreto nela? Daí surgiu a ideia de revitalizá-la”, explica. A diversidade marcou a equipe de voluntários: viam-se jovens e idosos num grupo de 60 homens e mulheres. “Todas as cores usadas na praça foram recomenda-

das pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)”, destaca Adelaide. Projeto da Universidade Federal do Pará (UFPA) para revitalização do centro histórico de Belém, o Fórum Landi também contribuiu com a iniciativa. “Disponibilizamos arquitetos para evitar desvios nos critérios artísticos que vigoravam quando as construções foram erguidas”, informa Flávio Nassar, arquiteto e coordenador do Fórum. Ele vê um caráter didático nesse trabalho de renovação do Carmo. “Funciona para advertir sobre como ficaria a cidade no caso de um profundo processo de revitalização.” E, para levar essa proposta adiante, só com planejamento. “O tráfego intenso de ônibus nos bairros antigos e a utilização do Ver-o-Peso como polo de venda de peixe a atacado são funções inadequadas para o centro histórico de Belém”, argumenta.

CONECTE!

Cuidar, renovar, transformar

3


Matéria de capa Uma das intervenções com grafite em Belém

Edpaulo e um dos integrantes do coletivo Cosp Tinta

CONECTE!

MUNDANA E DEMOCRÁTICA 4

Capital dos Jogos Olímpicos 2012, Londres hoje tem uma paisagem marcada pela irreverência e pela crítica social dos artistas urbanos. Eles usam o spray para retratar ícones pop, animais em preto e branco e pessoas com câmeras no lugar da cabeça. Uma volta pelo leste londrino e dá para dimensionar essa criatividade, impressa nos prédios e muros das metrópoles globais, os principais suportes para a grafitagem. Traços do gênero também são vistos em algumas esquinas de Belém, como no muro da Travessa Castelo Branco, antes de chegar à avenida José Malcher, no bairro de São Brás. O colorido dele é resultado de uma intervenção feita há dois anos pelos grafiteiros do Coletivo Cosp Tinta, numa ação que contou, também,

com a participação do artista urbano paulista Eduardo Kobra. Os grafiteiros têm no spray a principal ferramenta de trabalho. Um labor denominado de grafite. “O grafite surgiu da pichação, do hábito de escrever o nome em paredes e do desenvolver um estilo próprio de letras”, explica o grafiteiro e arte-educador Edpaulo Moares. Ele é um dos fundadores do Cosp Tinta, um dos maiores representantes em Belém dessa manifestação artística marginalizada até pouco tempo, mas que ainda não usufrui de uma aceitação total. No ano passado, Ed, como é conhecido, foi detido por dano ao patrimônio público enquanto grafitava. “Mas a cultura hip hop me deu o preparo político necessário para lidar com essas abordagens policiais”, des-


Caroline Riley Fotos: Bruno Carachesti

taca o artista, referindo-se à bandeira maior do Cosp Tinta: o hip hop. A grafitagem é um dos quatro segmentos trabalhados pelo grupo: os outros são a dança de rua (break); o mestre de cerimônia (MC), quem compõe e canta a rima; e o disc jockey (DJ), responsável pela base rítmica do movimento. Junto, eles produzem o que o Cosp Tinta chama, também, de cultura de rua. “Quando pichava, eu queria jogar informação na rua, mas sem problemas. Nunca quis ligação com gangues. Daí veio a minha paixão pela cultura da rua”, revela Ed. O Cosp Tinta, hoje, agrega também professores e pedagogos, dentre outros profissionais, que auxiliam no trabalho comunitário de oficinas e palestras desenvolvido pelo grupo no bairro do Tapanã. O maior expoente desse engajamento é a Casa do Graffiti, contemplada, em 2010, com o Prêmio Cultura Hip Hop, do Ministério da Cultura.

Street Art View

O streetartview.com apresenta uma coleção colaborativa de locais do Google Street View onde a arte de rua está presente. Os visitantes têm conhecimento do contexto em que a arte está inserida e como ela interage com a paisagem urbana.

Para saber mais

http://cosptintabelem.blogspot.com.br www.facebook.com/thiagomundano http://misturaurbana.com/category/street-art

CONECTE!

GRAFITE PAPO RETO Essa é a proposta do grafiteiro paulista Thiago Mundano, para quem a arte de hoje é essencialmente comercial. “Aí entra o grafite, revolucionário e democrático, pois a grande maioria da população brasileira nunca pôde entrar num museu para conferir uma exposição de perto”, argumenta. Arte mundana, segundo ele, o grafite vai aonde o povo está. Mundano passou por Belém em 2011, durante o TEDxVer-o-Peso, e pretende voltar com o projeto Pimp My Carroça, para recauchutar os veículos dos catadores de resíduos sólidos da capital paraense. O nome alude ao programa de “tunagem” de carros Pimp My Ride, da MTV norte-americana. “A arte mundana é engajada, capaz de ajudar as pessoas. Não se restringe ao apelo decorativo”, finaliza.

5


agende-se

fique ligado

CONECTE!

Um sofá para o mundo todo

6

As empresas estão cada vez mais globalizadas. Por isso, é preciso uma percepção apurada do mundo para se conquistar uma boa vaga no mercado de trabalho atual. E ter fluência num segundo idioma muitas vezes não basta: é necessário estar antenado com outras culturas. O Couch Surfing, comunidade virtual em que os usuários combinam hospedagens mundo afora a custo zero, pode ser uma ótima ferramenta para isso. “No Couch Surfing, você tem a oportunidade de conhecer pessoas de todos os cantos e de trocar experiências únicas, além de diminuir o custo da viagem”, afirma a jornalista Karla Godoy. Há seis anos ela usa o serviço, que, numa tradução literal, significa surfando no sofá. Luxemburgo, Hungria, Áustria, França e Itália são os países já visitados por Karla via Couch Surfing. “Vivenciei as culturas locais e isso mudou a minha vida”, destaca.

Hoje ela mora na Alemanha, onde cursa Antropologia Cultural, incentivada pela pluralidade dos costumes conferidos de perto no Couch Surfing. Percepção não proporcionada por hotéis, completa. “A plataforma obriga o viajante a frequentar bairros dificilmente vistos por outros turistas.” Embaixador do Couch Surfing em Belém, o engenheiro de produção Lysmar Freitas também usa o serviço desde 2006, principalmente para aperfeiçoar o idioma. Só no mês de julho, ele hospedou três couchsurfers: um de Natal (RN) e um casal da Argentina. “É possível estabelecer uma rede de contatos em torno do mundo”, afirma. Seja para fazer contatos ou ganhar fluência num idioma global, os couchsurfers mostram que o importante é sair da zona de conforto.

SEMINÁRIO A UFPA sedia o II Seminário Nacional sobre Documentação do Patrimônio Arquitetônico com o Uso de Tecnologias Digitais entre os dias 5 e 7 de dezembro. Mais informações em ascom.ufpa.br/ links/arq2012.pdf

LITERATURA Concurso literário Dalcídio Jurandir, da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, recebe inscrições até o dia 21 de setembro. Confira o edital no site fcptn.pa.gov.br. Mais informações nos telefones (91) 3202- 4375/4379 ou pelo e-mail gped@fcptn. pa.gov.br ESTÁGIO Museu Goeldi seleciona estagiário em Arqueologia dentre estudantes do 2° ou 3° semestre de História, Ciências Sociais ou Geografia. Currículos devem ser enviados para arqueologia@museu-goeldi.br até o dia 17 de agosto. Mais informações nos números (91) 32176046/6044.

CONCURSO Concurso público para a Câmara Municipal de Ananindeua inscreve até 10 de setembro para 68 vagas de níveis Fundamental, Médio e Superior. Mais informações no site cetapnet.com.br.


opinião

Nelson Rodrigues,

Há um Nelson Rodrigues em cada brasileiro. A frase pode até soar clichê, mas certamente Nelson não se importaria com ela. O ordinariamente comum o atraía, mesmo que do banal extraísse sempre um relato extraordinário. Mas em que sentido há um Nelson Rodrigues em cada um de nós? É simples. Porque temos fixação pelo “buraco da fechadura”, ou seja, queremos ser testemunhas das tragédias e dramas particulares que nos rodeiam. Nos interessamos pelo que seria “pequeno”, mas humano. E por sermos humanos, sofremos, traímos, amamos, nos derramamos em pieguices devastadoras e arroubos eloquentes de sentimentos. Era disso que Nelson extraía histórias e personagens. Em todos os aspectos. Como cronista esportivo, buscava algo além da simples partida de futebol. E encontrava sempre um episódio épico, um drama digno dos grandes heróis titânicos. Como dramaturgo, expunha vícios, pecados e fantasias suburbanas, da classe média.

Atentava contra os padrões vigentes, mesmo sendo, em essência um conservador por natureza. No jornalismo policial dava a cada crime tintas shakespearianas. E dizia que aquilo era “a vida como ela é”. Poucos foram tão múltiplos como Nelson Rodrigues. Certamente nenhum tão talentoso em tantas áreas diversas. O homem que viu de perto a fome e a fartura, o poder e o ostracismo, a glória e a ruína soube catalisar isso em personagens densos, vivos, cheios de uma feroz humanidade. Foi perseguido pela direita e pela esquerda. Os primeiros viam nele o destruidor da moral cristã familiar. Os segundos, um conservador que não se alinhava aos ventos da mudança, típicas das décadas de 50 e 60. Nelson Rodrigues não estava nem de um lado nem de outro. Seria mais uma vez clichê dizer que estava um pouco além disso tudo. Mas o fato é que trazia internamente todas as contradições. Amigo de presidentes militares, teve

Ismael Machado, jornalista, escritor e mestre em Literatura pela Universidade Federal do Pará.

o filho torturado pela ditadura. Defensor de valores familiares, atreveu-se a, no acaso de uma existência, largar tudo para viver um amor muito mais jovem. O personagem Nelson Rodrigues talvez seja maior do que a obra. Não importa se ele redefiniu a ideia de teatro moderno no Brasil com Vestido de Noiva. Não importa se transformou a crônica esportiva em biscoito fino. E muito menos que tenha estabelecido a ideia de romances escritos em capítulos nos jornais. Tudo isso cabe num homem só. Mas o ultrapassa. Nelson viveu tragédias particulares e familiares. Do assassinato do irmão na redação do jornal do pai à tuberculose que sempre lhe acompanhou e ainda, a doença precoce da filha mais nova. Toda a existência de Nelson Rodrigues é marcada por quedas e soerguimentos. Morto em 1980, completaria 100 anos de vida em 2012. Na verdade, um século só não comporta tanto para um homem chamado Nelson Rodrigues.

CONECTE!

a vida mais do que ela é

7


Agenda Cultural

Sesc Boulevard (Av. Boulevard Castilho França, 522/523, Campina) “Só Lâmina”, exposição do artista plástico Nuno Ramo com pinturas baseadas na poesia de João Cabral de Melo Neto, além de uma escultura sonora e um filme sobre Nelson Cavaquinho. A partir de 9 de agosto, com entrada franca.

Cine Estação - Av. Boulevard (Estação das Docas Campina) Castilho França, s/n, 16/08, às 18h; dia , “Febre do Rato” dia 18/08, às 18h dia 17/08, às 20h30; 10, 18h e 20h30; e 20h30; dia 19/08, às h e 20h30. dia 26/08, às 10h, 18 Ouro”, dia “Rock Brasília – Era de 17/08, às 18h. 16/08, às 20h30; dia

Cinema no Sesc Confira a programação de cinema do Sesc Boulevard para o mês de agosto. Os filmes são exibidos no auditório do centro cultural, sempre às 16h.

Cine CCBEU

(Trav. Padre Eu tíquio, 1309, Ba tista Campos) Dia 09/0 8, “Seven – Os Se te Pecados Capitais” ; dia 16/08, “Zodíaco”; dia 23 /08, “A Rede Socia l”; dia 30/08, “Millen nium – Os Hom ens que Não Amavam as Mulheres”; Sempre às 18h30.

Casa das Onze Janelas (Praça Dom Frei Caetano Brandão , s/n, Cidade Velha) Exposição “O Fio do Abismo”. Mostra com 24 obras de 18 artistas selecionados pelo Program a Itaú Cultural. Até 2 de setembro, de terça a sexta, das 10h às 18h. Sáb ados, domingos e feriados, das 9h às 14h. Ingressos a R$ 2. Dia 11/08 ,“A Casa dos Maus Espíritos” Dia 12/08, “A Queda da Casa de Usher” Dia 18/08, “Muralhas do Pavor” Dia 19/08, “O Corvo” Dia 25/08, “O Abominável Dr. Phibes” Dia 26/08, às 16h, “As Sete Máscaras da Morte”

* Programação sujeita a alteração


Conecte! agosto 2012