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LABORATÓRIO VIRTUAL DE

Soluções

para o Abastecimento

de Água 31 de Julho a 07 de Agosto

Porto Alegre - RS - Brasil, 2020.



SUMÁRIO CONTEXTO................................................................................................................................................................................................................................................... 6 CONECTALAB......................................................................................................................................................................................................................................... 8 DIVULGAÇÃO E COMUNICAÇÃO..................................................................................................................................................................19 PLATAFORMAS................................................................................................................................................................................................................................ 22 PROCESSO............................................................................................................................................................................................................................................... 27 RESULTADOS DAS EQUIPES...............................................................................................................................................................................39 FECHAMENTO....................................................................................................................................................................................................................................61 REALIZAÇÃO........................................................................................................................................................................................................................................62

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CONTEXTO O relatório final de atividades é uma ferramenta de registro do processo do ConectaLAB. Trata-se de um formato de documento muito importante para os Laboratórios Cidadãos, garantindo que, além das metodologias e ferramentas aplicadas, o próprio processo seja compartilhado, abrindo a possibilidade de que seja replicado e/ ou remixado, parcialmente ou na sua totalidade. Neste documento, estão organizadas e compiladas informações referentes aos oito dias de operação do ConectaLAB EXPERIMENTAÇÃO PARA SOLUÇÕES COLETIVAS, o Laboratório Cidadão do IAB-RS, que, na sua 1ª edição, abordou o tema “Soluções para o Abastecimento de Água”.

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IAB-RS

TRANSLAB.URB

O Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento Rio Grande do Sul é uma organização civil de direito privado e interesse público e sem fins lucrativos, que atua na defesa da profissão de Arquitetura e Urbanismo, no incentivo a pesquisas e a novos processos que auxiliem a prática profissional, na promoção de concursos de projetos e no desenvolvimento da formação do Arquiteto e Urbanista. A atual gestão do IAB-RS 2020/22, em compromisso com as frentes de atuação do Departamento e atravessada pelo contexto de crise sanitária causada pela pandemia global da Covid-19, coloca-se, de forma propositiva, a pensar o tema do abastecimento de água, cuja precariedade assola as cidades, em especial, no que diz respeito às suas áreas periféricas.

O coletivo de inovação social urbana TransLAB.URB fez uso da experiência junto ao ecossistema de Laboratórios Cívicos, Laboratórios Cidadãos e de Inovação Social da rede internacional para enfrentar o desafio de transpor as diferentes dinâmicas vivenciadas nas experiências presenciais para o ambiente de rede imposto pelo contexto da pandemia de Covid-19. Nesse processo de transposição, buscou-se reforçar a importância do uso de ferramentas e metodologias de participação e colaboração, entendendo que o ambiente de prototipagem, seja presencial ou virtual, não deve ficar restrito apenas às atividades propostas, mas também ser parte inerente à operação do próprio Laboratório, de modo que o processo seja muito transparente e funcione como uma proposta inicial de possibilidades de trabalho coletivo, ao mesmo tempo em que está aberta para variações e adaptações a partir de propostas de todas as pessoas participantes.

Estimulada a pensar novas formas de proposição de ideias, de práticas colaborativas e de inovação social, a gestão propõe, em parceria com o coletivo TransLAB.URB, criar o primeiro Laboratório Cidadão do IAB-RS, sendo também o primeiro entre os demais departamentos do Brasil. A principal motivação para essa proposta está associada à necessidade de refletir de maneira crítica sobre a realidade das nossas cidades através do acesso ao direito básico e universal da água. A isso, soma-se a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento Básico que, de maneira geral, afasta o poder público da responsabilidade de prover o direito de acesso à água.

Para manter as condicionantes de uma experiência colaborativa profunda, o desenho do processo proposto fez uso da transparência e da corresponsabilização, apresentando um cronograma denso, mas orquestrando a possibilidade de adaptar-se às realidades das equipes através de uma distribuição de tempo de fala e escuta entre todas as pessoas e sempre contanto com uma equipe de retaguarda a postos para ajudar, conduzindo o processo com muita atenção para os objetivos específicos dentro das tarefas e para o objetivo principal e coletivo do Laboratório.

Na contramão dos processos que se distanciam da participação e da possibilidade de tomada de decisões coletivas, o Laboratório Cidadão apoia-se nas práticas do Urbanismo Colaborativo, o qual preza pela participação ativa e plural na identificação de problemas e tomada de decisões em planos e projetos. Para contemplar a pluralidade e a diversidade, o IAB RS abre a participação no laboratório para qualquer pessoa cidadã acima de 18 anos interessada na temática, de modo a abranger diferentes perfis e áreas do conhecimento.

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CONECTALAB A crise sanitária global de Covid-19 provoca um senso de urgência e expõe ainda mais a brutal desigualdade social brasileira que perpetua o fato de que muitas pessoas não têm garantido o Direito Humano à Água e ao Saneamento. No Brasil, 35 milhões de pessoas vivem sem acesso à água tratada e mais de 100 milhões não têm acesso à rede de esgoto, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, 2018). Apenas nos três primeiros meses de 2020, houve mais de 40 mil internações causadas por doenças relacionadas a falhas de saneamento básico. Se, cotidianamente, a falta de acesso à água potável é uma realidade para milhões de brasileiras e brasileiros e a precariedade do acesso ao saneamento é fonte de doenças, quais serão os impactos da pandemia de Covid-19 para a população mais vulnerável? A histórica ausência de políticas de Estado para lidar com o tema do acesso à água potável produz distorções como a atualização do Marco Legal do Saneamento Básico aprovada em meio à pandemia, que se concentra nas questões de normas para o serviço e na abertura do setor ao capital privado, mas que não parece dar conta das urgências humanas, deixando de fora da equação milhões de pessoas que não são contabilizadas nos planejamentos dos 5.570 municípios brasileiros, pois vivem em áreas irregulares. Portanto, configuram territórios sem previsão de entrada nas zonas atendidas pelos serviços de abastecimento oficiais. Em meio ao panorama de inúmeras realidades locais que já convivem com a precariedade, o planeta também está sob a sombra da emergência climática, um tipo de crise que já demanda respostas frente aos eventos cada vez mais frequentes e extremos, como as secas e enchentes que têm impacto direto no abastecimento de água. Diante de todas essas diferentes dimensões de um problema complexo e de um modelo vigente já defasado, urge o seguinte questionamento: como podemos ampliar o debate para toda a sociedade, ir além dos ciclos dos mandatos, incorporar ações e planos de emergência e contingência e, ainda, abrir espaço para a inovação na maneira de pensar sistemas de abastecimento de água? A partir dessa reflexão o Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento Rio Grande do Sul e o coletivo TransLAB.URB desenvolveram o ConectaLAB, um espaço para criar respostas a partir da inteligência coletiva e da experimentação colaborativa, com foco na produção de soluções para o acesso universal à água, considerando a construção de realidades futuras pós Covid-19. O objetivo do ConectaLAB foi elaborar um repertório de diretrizes orientadoras de processos de construção de soluções para atender às demandas da universalização do abastecimento de água, amplificando o debate junto à sociedade e impulsionando ações que gerem impacto no território. A partir da aplicação do conceito de Laboratórios Cidadãos, foi proposto um espaço virtual focado no tema do abastecimento de água, cujo desafio foi cocriar soluções para cenários pré-estabelecidos, trabalhando em um formato de maratona de oito dias dentro de equipes com formações/habilidades variadas, com encontros diários e contando com o apoio de pessoas com as atribuições de Mentoras, Mediadoras e Provocadoras, que foram responsáveis pela condução de todo o processo.

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EQUIPE INTERNA A equipe interna de coordenação e mediação do ConectaLAB foi formada por dez pessoas, sendo quatro delas membras da Diretoria do IAB-RS, Gestão 2020/2022, e outras seis do coletivo TransLAB.URB. Essa equipe multidisciplinar foi responsável pelo trabalho de desenvolvimento conceitual, produção e realização do Laboratório, incluindo ações de facilitação e mediação entre as equipes de participantes, além de ser responsável pela coleta e análise dos dados, sistematização e elaboração deste Relatório e do Guia ConectaLAB Orientações Para o Acesso à Água.

Bruna Tavares (IAB-RS); Camila Bellaver (IAB-RS); Fausto Isolan (TransLAB.URB); George Cereça (TransLAB.URB); Isadora Scopel (TransLAB.URB); Leonardo Márquez (TransLAB.URB); Mario Prati (TransLAB.URB); Paula Motta (IAB-RS); Rafael Knebel (TransLAB.URB); Rochele Lyrio (IAB-RS).

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MENTORAS O Laboratório contou com a contribuição de pessoas Mentoras com perfis distintos, que desenvolveram junto à equipe do ConectaLAB a orientação e o acompanhamento das quatro equipes participantes ao longo da coconstrução das suas ideias. As Mentoras tiveram o papel de auxiliar e conduzir o processo colaborativo por meio de encontros com as equipes, onde estimularam o pensamento crítico em relação a cada um dos cenários, trouxeram referências, impulsionaram a busca por inovação social e direcionaram para a exequibilidade das propostas. Os convites às Mentoras foram feitos de modo estratégico, contemplando os seguintes perfis: Perfil Técnico-local; Perfil Laboratórios Cidadãos; Perfil Militante/Profissional; Perfil Técnico-científico.

DAIANA SANTOS Daiana Santos é sanitarista, educadora social, idealizadora e coordenadora do Fundo de Amparo ao Combate à Fome para Mulheres, promotora da saúde da população negra e facilitadora dos projetos sociais: População em Situação de Rua, Formação Política, Promotores da Saúde da População Negra. É, ainda, ativista dos movimentos de mulheres, negros e negras, LGBTQIA+ e População em Situação de Rua.

GEORGIA NICOLAU Georgia Nicolau é cofundadora e diretora do Instituto Procomum, organização cuja missão é promover, proteger e criar novos bens comuns. É articuladora, gestora social e facilitadora de processos de fortalecimento de organizações da sociedade civil. Foi diretora da Secretaria de Economia Criativa (2013-2014) e da Secretaria de Políticas Culturais (2015-2016) do Ministério da Cultura do Brasil. É fellow na Atlantic Fellows for Social and Economic Equity na London School of Economics and Political Science.

KAYA LAZARINI Kaya Lazarini é arquiteta e urbanista, graduada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestre e doutoranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Entre 2005 e 2011, foi parte do coletivo Grupo Risco no apoio a movimentos de moradia e, desde 2010, faz parte da assessoria técnica Usina-CTAH, que assessora movimentos sociais na luta pela terra e pela moradia.

MARUSSIA WHATELY Marussia Whately é urbanista, diretora do Instituto Água e Saneamento, focado na universalização do saneamento, em especial para comunidades urbanas vulneráveis e comunidades rurais. Coordenou o Programa Mananciais, do Instituto Socioambiental, entre 2003 e 2009, onde liderou a campanha “De Olho nos Mananciais”. Integrou a equipe do Instituto Democracia e Sustentabilidade e coordenou a campanha “Floresta Faz a Diferença” (em 2011). Apoiou a estruturação do Programa Municípios Verdes em 100 municípios do Pará, como consultora do IMAZON e da CLUA - Climate And Land Use Alliance. É idealizadora da Aliança pela Água, rede com mais de 80 organizações da sociedade criada em 2014 para enfrentamento da crise hídrica de São Paulo. É autora de diversos livros e publicações, entre eles o “Século da Escassez. Uma nova cultura de cuidado com a água: impasses e desafios”.

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PROVOCADORAS Fazendo uso da inteligência coletiva, o processo do Laboratório buscou a contribuição de pessoas com perfis distintos para exporem suas experiências e trajetórias, levantando pontos relevantes e desafios que poderiam surgir no decorrer do processo. As pessoas Provocadoras exerceram, nesse trabalho, um importante papel compartilhando saberes que pudessem contribuir com a temática e o objetivo do Laboratório. Tiveram a tarefa de inspirar as equipes de participantes para cocriação de ideias durante o Laboratório e de trazer sugestões criativas para as participantes.

BRENO HENRIQUE Breno Henrique é oceanógrafo formado pela UERJ e compõe o eixo de Justiça Ambiental do Data_labe, onde produz narrativas ambientais e mobilizações territoriais a partir de sua favela, o Complexo da Maré. Atualmente, é coordenador do Cocôzap, um projeto sobre a incidência e o mapeando do saneamento básico na favela.

FERNANDO CAMPOS COSTA Fernando Campos Costa é técnico militante no campo da bioconstrução e de ações cooperativas com ações fundamentadas nas artes, agroecologia, agricultura urbana, educação popular, comunicação comunitária junto a comunidades e movimentos sociais, acreditando nos mutirões como metodologia transformadora. Militante da Amigos da Terra Brasil desde 2010, do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e Representante do IAB-RS no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA) em 2013. Fez parte da Comissão Organizadora da Cúpula dos Povos durante a Rio+20. Integrou a Coordenação da APEDEMA-RS (Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente) no período 2010-2011. Participou do Prêmio Interações Estéticas, Residências Artísticas em Pontos de Cultura em 2009, e recebeu o Prêmio TUXAUA, do Ministério da Cultura. Pertenceu ao Comitê Organizador do Acampamento Intercontinental da Juventude do Fórum Social Mundial nas edições de Porto Alegre 2002, 2003 e 2005 e compôs a equipe do Ateliê do Fórum Social Mundial em 2005. A partir de 2002, integrou a equipe de técnicos do Centro de Formação de Trabalhadores Rurais Sem Terra Sepé Tiarajú em Viamão. Foi da Comissão organizadora do EREA 2000 em São Leopoldo. Compôs o COLMEA – Conselho Livre Metropolitano dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo.

FRANCINA BUONANOTTE Francina Buonanotte é arquiteta formada pela Universidad Nacional de Córdoba - Argentina e pós-graduada em Pedagogia da Cooperação & Metodologias Colaborativas. Participou do programa de empreendedorismo social Guerreiros Sem Armas (Instituto Elos). É focalizadora de jogos cooperativos e jogo Oasis. Atua como facilitadora em projetos de mobilização comunitária, design participativo e urbanismo colaborativo. Trabalha no terceiro setor na elaboração de projetos sociais nas áreas de educação e desenvolvimento social. É cofundadora do coletivo Nutrição para Imaginação e atua em projetos de Acupuntura Urbana, transformando espaços em comunidades.

RAYSSA SAIDEL CORTEZ Rayssa Saidel Cortez já atuou em equipes de projetos arquitetônicos e de instalações hidráulicas ecológicas. Atualmente, está no Doutorado em Planejamento e Gestão do Território (PPG-PGT/UFABC), realiza pesquisa em segurança hídrica e comunidades vulneráveis e é pesquisadora no Laboratório Justiça Territorial (labJUTA).

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SELEÇÃO Por meio do Formulário de Inscrição (online), as pessoas candidatas a participantes do ConectaLAB forneceram informações sobre sua disponibilidade de dias para participação, o seu interesse no Laboratório, a sua aproximação com o tema, os conhecimentos que poderiam aportar para o processo e as ideias que já vinham pensando para os problemas de abastecimento de água. Além de considerar essas informações como critérios de seleção, a curadoria também observou outros dados de cadastro, tais como idade, gênero, etnia, local de residência, áreas de atuação, conhecimento acadêmico e sabedoria empírica, com o objetivo de formar um grupo de pessoas de perfis e formações diversas.

PARTICIPANTES O resultado do processo de seleção foi a escolha de 29 pessoas participantes dentre as 96 inscritas. Além disso, três pessoas de diferentes estados receberam convites diretos para participar, de modo a agregar suas experiências enquanto ativistas comunitárias ao Laboratório. A maioria das pessoas participantes do ConectaLAB identificou-se como mulher (75%), seguida por homem (22%) e por uma pessoa participante não-binária. A idade das participantes variou dos 20 até os 61 anos, sendo que 59% das participantes tinham até 30 anos e apenas 3% tinham acima de 50 anos. Quanto à etnia/cor, 50% das pessoas autodeclararam-se brancas; 28%, negras/pretas; 6%, pardas; 3%, indígenas, 6% deram outra resposta — como “etnia água”— ; e 6% não declararam. Quando observada a ocupação das pessoas selecionadas, houve maioria de estudantes de graduação (34%) em Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia Hídrica e Geologia, seguidos por pessoas que atuam em Arquitetura e Urbanismo (19%), Engenharias (19%) e Educação (16%). O ConectaLAB também contou com uma Advogada, um Produtor Cultural, uma Oceanógrafa e uma Vazanteira.

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O Estado com maior representatividade em número de participantes foi o Rio Grande do Sul (38%), seguido por Pernambuco (16%) e por Minas Gerais (13%). As pessoas participantes estavam distribuídas nas seguintes cidades: Arapiraca (AL); Belém (PA); Belo Horizonte (MG); Florianópolis (SC); Lauro de Freitas (BA); Nova Lima (MG); Petrolina (PE); Petrópolis (RJ);

Porto Alegre (RS); Recife (PE); Salvador (BA); Santos (SP); São Paulo (SP); Seropédica (RJ); Teresina (PI).

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GUIA CONECTALAB + GUIA DA PARTICIPANTE Foram produzidos dois Guias prévios ao início do Laboratório: o 1º foi o Guia ConectaLAB contendo informações gerais sobre a proposta e, pelo seu potencial como material de divulgação do Laboratório, ficou disponibilizado na página web do IAB-RS. Logo após a confirmação da participação no ConectaLAB, as pessoas selecionadas receberam, diretamente em seus e-mails de contato, o Guia da Participante. Essa publicação continha — além das boas-vindas a bordo — uma completa apresentação da estrutura e do funcionamento do Laboratório, tais como: a apresentação das Mentoras e Provocadoras, a explicação sobre os Cenários abordados, as plataformas a serem utilizadas, o cronograma geral, o formato e o conteúdo da Entrega Final e encaminhamentos quanto aos resultados.

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EQUIPES E CENÁRIOS As 32 pessoas participantes foram divididas em 04 equipes de 08 pessoas para trabalhar nos diferentes cenários pré-estabelecidos. Para a escolha das participantes que iriam compor cada equipe a organização do ConectaLAB levou em consideração as informações fornecidas no Formulário de Inscrição. Os critérios para essa escolha foram a diversidade de gênero, de idade, de etnias, de situação socioeconômica e de local de residência. Além disso, foram observadas as experiências e os conhecimentos prévios de cada participante, de modo que as pessoas se relacionassem da melhor maneira possível com as potenciais características dos seus respectivos cenários. Os cenários foram criados a partir de características de comunidades da Região Metropolitana de Porto Alegre que apresentam aspectos de precariedade recorrentes em outras cidades brasileiras. Assim, foram consideradas como base para a construção dos 04 cenários uma série de situações reais em que há precariedade, escassez ou emergência em relação ao acesso à água. A proposta inicial dos cenários foi validada previamente à operação do ConectaLAB junto a lideranças comunitárias, ativistas e pesquisadores da temática do Direito à Água.

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CENÁRIO 1 - BAIRRO CONSOLIDADO, PERIFERIA

CENÁRIO 02 - ESPAÇOS PÚBLICOS

O Cenário 01 é caracterizado pelas áreas da cidade com atendimento precário, aquelas que, mesmo atendidas pela rede pública, têm abastecimento intermitente, de forma frequente ou sazonal, recebem água com baixa pressão ou água de má qualidade (contaminada e/ou com odor, gosto, coloração alterada). Essa característica é identificada, principalmente, nas regiões periféricas dos municípios, onde, geralmente, concentram-se as populações de baixa renda — que muitas vezes não têm caixas d’água em suas casas. Participantes:

O Cenário 02 é caracterizado pelos espaços públicos da cidade nos quais circulam pessoas em situação de rua e demais pessoas transeuntes. Esses espaços são atendidos pela rede, porém não contam com equipamentos como bebedouros, pias e banheiros públicos em boas condições de uso e em quantidade suficiente para um acesso democrático à água. Nesse cenário de abandono e descaso com espaços públicos, tanto no centro, quanto na periferia das cidades, destaca-se que a população em situação de rua não tem acesso à água para satisfazer suas necessidades básicas de higiene, começando por poder lavar suas mãos. Participantes:

Camila da Silva Santos (Santos/SP)

Caos Prestes (São Paulo/SP)

Estudante de Engenharia Ambiental;

Produtor Cultural;

Lélis Espartel (Porto Alegre/RS)

Edwiges Leal (Belo Horizonte/MG)

Engenheiro Civil e Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (UFRGS);

Marina Serrano Barbosa Mergulhão (Recife/PE)

Arquiteta e Urbanista, conselheira IAB-MG e coordenadora adjunta da Comissão do Patrimônio Cultural CAU-MG;

Arquiteta e Urbanista cofundadora do coletivo Massapê;

Ísis Fernanda Salles Freitas Santos Souza (Salvador/BH)

Michele Rihan Rodrigues (Porto Alegre/RS)

Graduanda em Geografia (UFBA), liderança jovem na Organização Engajamundo;

Advogada, vice-coordenadora do Conselho Distrital de Saúde do Extremo Sul de Porto Alegre;

Leonardo Klein Manera (Porto Alegre/RS) Graduando em Engenharia Hídrica (UFRGS);

Milena Moreira Santos (Salvador/BA)

Marilia Ramos da Mota (Porto Alegre/RS)

Estudante de Arquitetura e Urbanismo (UFBA) e Pós-Graduanda em Assistência Técnica, Habitação e Direito à Cidade pela Residência em Arquitetura, Urbanismo e Engenharia (UFBA);

Engenheira Civil (PUC-RS);

Melina Rattes Lima da Motta (Recife/PE)

Thiago Alberto da Silva Pereira (Arapiraca/AL) Engenheiro Civil, Doutor em Recursos Hídricos e Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo (UFAL);

Urbanista e Arquiteta (UFPE), pós-graduanda em Assistência Técnica para Arquitetura, Urbanismo e Engenharia (UFPE), cofundadora do coletivo Massapê e CoPresidenta na atual gestão IAB-PE;

Ursula Wilberg de Castro Costa (Petrópolis/RJ)

Sarah Marques (Recife/PE) Educadora Popular, cofundadora do Caranguejo Tabaiares Resiste e bolsista do Fundo Baobá;

Engenheira Hídrica e Mestra em Gestão de Recursos Hídricos (MPEH/UNIFEI);

Vânia de Oliveira Alves (Petrolina/PE)

Veridiana Farias Machado (Porto Alegre/RS)

Engenheira, Socióloga e Mestra em Projetos Educacionais (USP).

Educadora Social, graduanda de Psicologia (Unisinos) e apoiadora do Movimento Nacional da População de Rua-RS.

Mediadoras: Camila Bellaver (IAB RS); Fausto Isolan (TransLAB.URB).

Mediadoras: George Cereça (TransLAB.URB); Leonardo Márquez (TransLAB.URB); Rochele Lyrio (IAB RS).

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CENÁRIO 3 - OCUPAÇÃO IRREGULAR

CENÁRIO 4 - ÁREA RURAL

O Cenário 03 é caracterizado pelos territórios e edificações ocupados de forma irregular perante a administração pública, ou seja, imóveis cujos habitantes não detêm a titularidade, de modo que não têm abastecimento formal, seja por falta de atendimento da rede, seja por impossibilidade de acesso. A irregularidade, reflexo da desigualdade social brasileira, pode ser relacionada à ocupação de áreas privadas, de áreas impróprias para urbanização (Áreas de Preservação Permanente, Áreas de Risco) ou de áreas não reconhecidas pelo poder público municipal, como alguns quilombos e aldeias urbanas. Para a população que reside nesses territórios, somam-se duas fragilidades: a do direito à habitação e a do direito à água.

O cenário 04 é caracterizado pelas áreas rurais ou isoladas, distantes dos centros urbanos, sem previsão de conexão ao sistema público de abastecimento de água. Nessas regiões, o custo para conexão com a rede de abastecimento público é elevado, existe grande disponibilidade de espaço para implementação de infraestrutura, porém há riscos de contaminação do solo e do lençol freático. Esse cenário refere-se a populações de comunidades rurais e retomadas indígenas, que se relacionam com a água como um bem natural muito valioso. Participantes: Bianca dos Santos Von Ahn (Porto Alegre/RS)

Participantes:

Estudante de Engenharia Hídrica (UFRGS);

Elisa Escosteguy Utzig (Porto Alegre/RS)

Débora Carvalho Boratto (Belo Horizonte/MG)

Estudante de Arquitetura e Urbanismo (UFRGS);

Estudante Engenharia Ambiental (UFMG);

Gabriella Stephany Pinto Oliveira (Belo Horizonte/MG)

Marcos Filgueiras Jorge (Seropédica/RJ)

Urbanista e Arquiteta, pós-graduanda em Planejamento Ambiental Urbano e Formação Social do Espaço;

Engenheiro Agrícola, Mestre em Agricultura Orgânica e Doutor em Ciência, Tecnologia e Inovação em Agropecuária (UFRRJ);

Jaqueline de Castro (Porto Alegre/RS)

Maria Lúcia Oliveira (Teresina/PI)

Liderança comunitária Vida Nova e estudante de Técnico em Agroecologia;

Presidente do Centro de Defesa Ferreira de Souza, Umbandista, Militante e defensora das raízes indígenas e negras;

Juan Carlos Ticona (Porto Alegre/RS e Lima/Peru)

Mariana Mincarone (Porto Alegre/RS)

Engenheiro Civil (UNI), Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (IPH/ UFRGS) e Doutorando em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental no Instituto de Pesquisa Hidráulica (IPH/UFRGS);

Arquiteta e Urbanista (UFRGS);

Miguel Abudo Momade Ali (Recife/PE e Nampula/Moçambique)

Mirian Souza Fonseca (Lauro de Freitas/BA)

Educador Social, Mestre em Gestão de Desenvolvimento e Doutorando em Desenvolvimento Urbano (UFPE);

Estudante de Artes Cênicas - Habilitação em Direção Teatral (ETUFBA);

Renata Maria Marin (Porto Alegre/RS)

Mônica Lacerda Grandini (Nova Lima/MG)

Estudante de Engenharia Hídrica (UFRGS);

Arquiteta e Urbanista e diretora de Meio Ambiente do IAB-MG;

Rodrigo de Pinho Franco (Florianópolis/SC)

Simone Trindade (Porto Alegre/RS)

Engenheiro Sanitarista e Ambiental (UFSC).

Mediadoras:

Técnica em Hidrologia e Estudante de Geologia (UFRGS).

Mediadoras:

Mario Prati (TransLAB.URB); Paula Motta (IAB-RS).

Bruna Tavares (IAB-RS); Isadora Scopel (TransLAB.URB); Rafael Knebel (TransLAB.URB).

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DIVULGAÇÃO E COMUNICAÇÃO DIVULGAÇÃO A divulgação do ConectaLAB via imprensa deu-se através de publicações em meios locais e canais online do IAB-RS, assim como pela rede de parceiros e contatos de relacionamento institucional. A fim de realizar uma chamada de abrangência nacional para o públicoalvo, utilizou-se também as redes sociais de parceiros e de instituições ligadas à temática do Laboratório para auxiliar no impulsionamento orgânico da divulgação. Houve divulgação do ConectaLAB em dois veículos de imprensa: a Gaúcha ZH e o Jornal do Comércio, na coluna “Pensar a Cidade”, da jornalista Bruna Suptitz. Parceiros e apoiadores: ŵŵ A Cidade Precisa de Você ŵŵ BORA - Dados e Mobilidade ŵŵ Coletivo Massapê ŵŵ Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RS (CAU-RS) ŵŵ GypsyLab 8 ŵŵ IAB-PB ŵŵ IAB-PE ŵŵ Interventura ŵŵ Laboratório Urbano Efêmero de Campo Grande - MS ŵŵ Laboratório Urbano Efêmero de São Luís - MA ŵŵ Placemaking Brasil ŵŵ Raiz Urbana ŵŵ Rede Brasileira de Urbanismo Colaborativo ŵŵ Segura a Onda ŵŵ Sindicato dos Arquitetos do RS (SAERGS) ŵŵ Universidade Livre da Chapada Diamantina (ULCD)

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REDES SOCIAIS

LINGUAGEM

Visando a autonomia do processo de comunicação externa do ConectaLAB, no dia 10 de julho, a organização do Laboratório lançou perfis no Facebook, Instagram, Twitter e Youtube. As redes sociais serviram para divulgar informações sobre o funcionamento e os objetivos do Laboratório, chamar a atenção de pessoas interessadas para que realizassem suas inscrições, compartilhar informações sobre a temática e divulgar as propostas elaboradas pelas equipes. As redes sociais cumpriram o papel de divulgação e comunicação com o público externo ao longo da execução do Laboratório, disponibilizando informações sobre etapas do processo de desenvolvimento das propostas, apresentações intermediárias e finais. Essas redes seguem ativas, possibilitando a contínua exposição do andamento do processo e seus resultados de forma aberta, além de chamar a atenção para o tema do Direito à Água.

Buscou-se o uso de uma linguagem neutra em gênero que fosse inclusiva para pessoas com deficiência visual e auditiva e que não prejudicasse a leitura de pessoas que têm dislexia. Além disso, buscou-se também abordar as questões mais técnicas sempre com linguagem mais acessível, de modo a não criar barreiras de compreensão dos debates.

Foram impulsionadas quatro postagens via Facebook, todas focadas na convocatória de participantes de todas as regiões brasileiras. O alcance dessas postagens chegou a um total de 18.781 pessoas e contou com 7213 interações diretas com os conteúdos.

Facebook Youtube Instagram

Número de postagens 34 7 61

Seguidoras 864 curtidas/877 seguidoras 32 inscritas 488 seguidoras *consulta em 20/09/20

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PLATAFORMAS O Laboratório fez uso de um conjunto de plataformas digitais para que o desenvolvimento das atividades contemplasse a essência da experiência dos Laboratórios presenciais. A seguir, elencamos as plataformas escolhidas pela equipe organizadora para facilitar a comunicação, o compartilhamento e o trabalho colaborativo das pessoas participantes.

E-MAIL Utilizado para comunicações oficiais do ConectaLAB com pessoas Participantes, Provocadoras e Mentoras. Também serviu para tirar dúvidas, trocar informações, avisos e enviar grandes arquivos digitais — como a entrega final

GOOGLE DRIVE Foi o repositório de arquivos, com pastas criadas para cada equipe e uma pasta geral, com informações disponibilizadas para todas as pessoas participantes, funcionando também como pasta de troca de arquivos.

MURAL Foi a plataforma escolhida para o desenvolvimento de algumas atividades propostas por propiciar um espaço online para o trabalho colaborativo e ambiente visual para registros dos encontros das equipes. Segundo a própria plataforma, ela oferece “quadros brancos virtuais compartilhados onde as equipes podem explorar visualmente desafios complexos, facilitar métodos de pensamento de design e organizar processos”. Foi nesse espaço virtual que se organizou algumas atividades e também onde foram disponibilizados, previamente, conteúdos do processo do Laboratório. O Mural foi disponibilizado com acesso aberto durante todos dias do Laboratório, possibilitando que as equipes pudessem ter essa plataforma como mais uma opção para os trabalhos internos.

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WHATSAPP Foram criados grupos de Whatsapp para cada uma das equipes, com as pessoas participantes e suas respectivas Mediadoras, além de uma lista de transmissão. Por ser bastante acessível e possibilitar uma comunicação rápida entre todas as pessoas, os grupos de Whatsapp foram utilizados para envio de lembretes, agendamento de mentorias, dúvidas e respostas, organização interna e discussões entre membros das equipes. As Mediadoras de cada grupo tiveram a tarefa de enviar por essa plataforma informações sobre o funcionamento do Laboratório, compartilhar links e dar suporte às participantes sobre as atividades e tarefas. A lista de transmissão foi utilizada para enviar informes gerais para as pessoas participantes.

ZOOM A plataforma de reuniões virtuais Zoom foi utilizada para realizar os encontros online, tanto os internos de cada equipe, quanto os externos, que também foram transmitidos ao vivo através do Youtube e da página do Facebook do ConectaLAB. Também foram disponibilizadas salas exclusivas para as quatro Equipes reunirem-se, desenvolverem suas ideias e realizarem as mentorias. Assim como a plataforma Mural, as salas do Zoom também estiveram sempre disponíveis para as pessoas participantes que quisessem utilizá-las nos projetos ou como o “ponto de encontro” do Laboratório.

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PROCESSO Após as etapas de estruturação do Laboratório Cidadão, com a definição da abordagem temática e a pré-produção, o processo da vivência (digital) do ConectaLAB ocorreu ao longo de oito dias. Teve início numa sexta-feira (garantindo um mergulho intenso no final de semana) e desenvolveu-se em uma rotina de atividades ao longo da semana até a sua conclusão com a entrega e apresentação das soluções cocriadas pelas quatro equipes. A seguir, serão apresentadas as atividades e metodologias aplicadas ao longo dos oito dias do ConectaLAB.

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CRONOGRAMA GERAL



ABERTURA Atividade com o objetivo de apresentar o conceito, a estrutura, o funcionamento e a programação do Laboratório, assim como anunciar as equipes e os seus respectivos cenários. A abertura aconteceu em um evento realizado na plataforma Zoom, tendo seu primeiro momento transmitido ao vivo pelas redes sociais do ConectaLAB e pelo canal do Youtube. No segundo momento, a transmissão externa foi encerrada e abriram-se quatro salas do Zoom para que tivesse início o trabalho em equipes. Nessas salas, foram feitas as apresentações individuais das pessoas participantes e as pessoas mediadoras contextualizaram os cenários de forma detalhada, explicaram os objetivos diários da semana do Laboratório e o formato da entrega final, além de responderem dúvidas que surgiram.

MESA DAS MENTORAS A Mesa das Mentoras ocorreu no sábado de manhã por meio da plataforma Zoom, com transmissão aberta ao vivo nos canais do ConectaLAB. O evento teve como objetivo apresentar as mentoras e criar um momento de reflexão acerca do tema de abastecimento de água, práticas coletivas e questões sociais que marcam o acesso (ou a falta de acesso) à água. A partir dos diferentes perfis das mentoras, foi possível construir um diálogo ao mesmo tempo sério e afetuoso sobre as questões sensíveis à água e sobre o processo de trabalho que ali se iniciava, já que durante a semana, de segunda a quinta, as mentoras teriam encontros com as equipes para auxiliar no desenvolvimento dos projetos. A mentora Georgia Nicolau abordou questões tecnológicas e de saberes com a perspectiva de conhecimento aberto e livre, além da união entre conhecimentos tradicionais, criatividade e inovação. Daiana Santos trouxe questões sociais e territoriais sobre lutas e enfrentamento para o acesso à direitos, abordou o descaso do poder público com sua responsabilidade de assegurar os direitos básicos dos cidadãos e conferiu destaque aos marcadores de etnia e de gênero que dão “cara” às vulnerabilidades sociais. Marussia Whately falou sobre a crise de abastecimento consolidada, que é marcada pela desigualdade entre os territórios da cidade, e os impactos na vida e na saúde das pessoas que não têm o acesso adequado à água, ressaltando aspectos agravados na pandemia. Kaya Lazarini abordou o trabalho em assessoria técnica, os processos de mutirão e de autogestão e a importância de aliar saberes técnicos e populares em contraposição ao apagamento provocado por grandes projetos e intervenções.

PROVOCADORAS Os dois momentos das provocações aconteceram no sábado e no domingo, através da plataforma Zoom, com transmissão nos canais do ConectaLAB. No sábado, a conversa aconteceu com a participação de Francina Buonanotte, do coletivo Nutrição para Imaginação, e de Breno Henrique, do Data_Labe. Ambos abordaram suas práticas de trabalho e trouxeram como contribuição as experiências no campo da mobilização comunitária, uso de tecnologias sociais, coleta e uso de dados e desafios para elaboração de projetos. No domingo, a conversa contou com a presença de Rayssa Cortez, do LabJuta, e de Fernando Costa, do Amigos da Terra Brasil. Suas falas ressaltaram as questões ambientais em meio urbano, o Direito de acesso à água e processos coletivos e de autogestão como formas de atuação em projetos.

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MURAL DE EXPECTATIVA Ferramenta que complementa o processo de cocriação, utilizada para captar noções de como se sentem e o que esperam as pessoas que participam do Laboratório. Utilizando a plataforma Mural, foi solicitado que os participantes respondessem à questão “Qual a tua expectativa para esse processo que vai iniciar?” com palavras, pequenas frases ou ainda desenhos e imagens que representassem sua expectativa no momento de início do ConectaLAB. A coleta das expectativas foi parte importante do processo ao permitir o cruzamento com informações, desejos e sentimentos absorvidos desde o primeiro contato com o Laboratório até a atividade de cocriação das primeiras diretrizes de trabalho.

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BANCO COMUM DE CONHECIMENTO O banco comum de conhecimento é uma base de conhecimentos compartilhados, nesse caso, sobre a temática do Laboratório, inspirado na filosofia e em métodos do software livre, dinâmicas coletivas de aprendizagem e educação mútua, cultura copyleft, processos de cooperação e inovação social. Utilizando a plataforma Mural, as Mediadoras resgataram as habilidades e conhecimentos que cada participante indicou no preenchimento do Formulário de Inscrição do Laboratório. Essas informações ficaram disponíveis no Mural para edição, caso alguma participante julgasse necessário alterar as aptidões que identificasse serem interessantes para o desenvolvimento da proposta. Essas informações foram importantes para as participantes conhecerem mais umas às outras, autoorganizarem-se como equipe e distribuírem as tarefas ao longo do desenvolvimento das propostas.

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8 LOUCO O 8 Louco (Crazy 8) é uma ferramenta de criação coletiva que foi adaptada para o ambiente digital para ser utilizada na etapa de cocriação no formato de um jogo de oito minutos, que desafiou as pessoas participantes a esboçarem quatro diferentes soluções ou ideias para uma mesma questão. Essa técnica permite que todas as ideias de todas as participantes sejam levadas em consideração de modo a complementar o processo criativo. A atividade foi realizada no Zoom, em salas separadas por equipes. Para a atividade, as pessoas participantes precisaram de uma folha de papel dividida em quatro quadrantes, algo para desenhar (caneta, lápis, etc.) e algum dispositivo para fotografar os desenhos. A partir do questionamento “Que fatores são importantes a serem considerados, focando na produção de soluções para o acesso universal à água e também na construção de realidades futuras pós-Covid, cruzando as características do cenário proposto para a equipe?”, as participantes passaram por um processo individual de proposição, desenhando uma nova ideia a cada dois minutos em cada um dos quadrantes. Esse momento inicial possibilitou que todas expressassem, livremente, aquilo que imaginavam serem soluções possíveis e adequadas.

Em seguida, as participantes fotografaram seus desenhos e enviaram para as Mediadoras da sua equipe, que carregaram as imagens no Mural sem identificar a autoria. Já “embaralhados”, os desenhos foram analisados pelas participantes, que buscaram entender o que eles significavam e agrupá-los considerando padrões de semelhanças e categorias de soluções. Nesse processo, as participantes foram encorajadas a conversar sobre os desenhos, expondo suas opiniões e dúvidas de forma espontânea, de modo que todas as ideias fossem compreendidas e levadas em consideração. Ao fim, todos os desenhos da equipe formaram o painel de ideias do grupo, que serviu como base para a construção democrática das diretrizes que guiaram a proposta da equipe.

Exemplo 8 Louco das equipes

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COCRIAÇÃO DE DIRETRIZES A partir da experiência do ‘8 Louco’, as equipes tiveram diante de si suas ideias organizadas em grandes grupos temáticos, aos quais elas aplicaram “filtros” para identificar subdivisões relativas a prazos (curto, médio, longo), custos (baixo, médio, alto) e envolvimento de diferentes atores sociais. Isso possibilitou uma reflexão mais aprofundada sobre a implementação das soluções, que conduziu à organização das ideias de forma visual, no Mural, e de forma escrita, em um documento final das Diretrizes, que foram a base para o desenvolvimento das propostas de soluções apresentadas ao final do Laboratório por cada uma das equipes.

Exemplo produção das diretrizes das equipes

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MENTORIAS O processo de mentoria deu-se diariamente entre o quarto e o sétimo dia do Laboratório. No primeiro dia, cada equipe teve horários fixos e individuais para cada mentoria, garantindo o encontro de 30 minutos com cada uma das quatro Mentoras. No segundo dia, também houve horários fixos para as equipes encontrarem com as quatro Mentoras, porém as mentorias foram compartilhadas entre algumas das equipes, possibilitando a aproximação de participantes, o intercâmbio e a inspiração entre as pessoas. As mentorias compartilhadas geraram bons momentos de reflexão e troca, auxiliando no processo de desenvolvimento criativo e abrindo novas possibilidades de organização e elaboração do trabalho coletivo. Nos dois últimos dias de mentoria, as equipes puderam escolher tanto seus horários, quanto com qual Mentora gostariam de fazer os encontros. Essa possibilidade foi delineada a fim de respeitar o processo de trabalho das equipes, que já se encontravam da metade para o final do desenvolvimento de suas propostas.

PRODUÇÃO LIVRE POR EQUIPES As quatro equipes do Laboratório foram orientadas e encorajadas a auto-organizar reuniões internas para trabalhar em suas ideias e propostas, trocar informações e desenvolver o material para a entrega e a apresentação final nos horários em que não havia atividades préagendadas. As equipes tiveram autonomia para definir as ferramentas que queriam utilizar e as Mediadoras providenciaram salas da plataforma Zoom sempre abertas para reuniões, grupos de WhatsApp disponíveis a qualquer momento para discussões e espaços virtuais da plataforma Mural para a criação gráfica. Assim, durante todos os dias do Laboratório, havia canais abertos e livres para todas as participantes desenvolverem as suas propostas para o desafio do Laboratório. O incentivo à autogestão e uma agenda de atividades com previsão de momentos livres para o trabalho em equipe permitiram uma maior espontaneidade processual e livre iniciativa das participantes para tomar decisões e evoluir suas propostas finais.

PONTOS DE CHECAGEM Durante a semana do Laboratório, com o objetivo de acompanhar o andamento dos grupos e captar as expectativas e sentimentos das participantes, foram realizados breves encontros entre as Mediadoras e suas respectivas equipes. Esses encontros ocorreram na segundafeira, na terça-feira e na quinta-feira da semana do Laboratório - na quarta-feira e na sexta-feira, ocorreram os eventos de Apresentação Intermediária e Apresentação Final, respectivamente, que dispensaram os momentos de checagem. Nesses momentos, as Mediadoras também tiveram como tarefa conferir o cumprimento dos objetivos diários das equipes, que foram: ŵSegunda-feira: ŵ Diretrizes cruzadas com Cenários; ŵTerça-feira: ŵ Desenvolvimento da proposta e cruzamento com as diretrizes; ŵQuinta-feira: ŵ Encaminhamento para finalização e ajustes da proposta apresentada.

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APRESENTAÇÃO INTERMEDIÁRIA Momento criado, estrategicamente, para que as equipes sistematizassem o conteúdo da sua produção até a metade do processo e praticassem o roteiro de suas apresentações finais, testando a relação entre o tempo de fala e o conteúdo que gostariam de destacar. Esse foi um momento fechado (sem transmissão ao vivo) no qual as equipes foram orientadas a ter ao menos duas pessoas apresentando a proposta — sendo que uma delas, necessariamente, deveria ser uma mulher — com tempo total de dez minutos e quaisquer recursos gráficos que julgassem necessários. Esse também foi um momento de encontro coletivo com a presença de todas as participantes, o que possibilitou uma troca de experiências e ideias para “oxigenar” as equipes e estimulá-las para os últimos dias de Laboratório.

ENTREGA FINAL Agendada para um par de horas antes da apresentação final, a entrega dos arquivos seguiu uma combinação que foi reforçada tanto nos momentos coletivos, quanto nas mentorias e Pontos de Checagem, de modo a garantir que as equipes conduzissem seus trabalhos ao longo da semana tendo em vista a produção de quatro pranchas temáticas, identificadas previamente no Guia do Participante. Os arquivos referentes às pranchas A3 foram enviados via e-mail para a organização do Laboratório no formato *.pdf, consolidando a entrega das quatro equipes.

APRESENTAÇÃO FINAL Foi a solenidade oficial de fechamento de toda a experiência do Laboratório Cidadão vivenciado digitalmente ao longo de oito dias. Contou com a presença das 50 pessoas envolvidas, entre Participantes, Mentoras, Provocadoras e Mediadoras. A partir de um roteiro pré-definido, o objetivo foi conciliar as falas institucionais com as apresentações finais das quatro equipes, contando ainda com tempo para comentários finais e apresentação da performance “Pesadelo Escafandrista”,01 especialmente produzida para o evento.

01 Vídeo performance “Pesadelo Escafandrista” Apresentação: ConectaLAB/ Produção: IAB-RS e TransLAB.URB/ Parceria: Grupo Cerco/ Recurso: Ponto de Cultura Ficha Técnica: Concepção: Kalisy Cabeda e Manoela Wunderlich/ Direção: Manoela Wunderlich/ Atuação: Kalisy Cabeda/ Edição: George Cereça/ Realização: Grupo Cerco/ Música Satélites/ Autoria: Clarissa Ferreira/ Intérpretes: Clarissa Ferreira, Kia Sajo, Paola Kirst e Tamiris Duarte/ Violinos: Clarissa Ferreira/ Violão e guitarra: Neuro Júnior/ Contrabaixo e guitarra: Tamiris Duarte/ Bateria: Lucas Ramos/ Produção musical: Clarissa Ferreira, Lucas Ramos, Tamiris Duarte e Wagner Lagemann/ Gravado, mixado e masterizado por Wagner Lagemann no estúdio da Pedra Redonda.

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REVISITANDO MURAL DE EXPECTATIVAS A última atividade programada foi a retomada das expectativas que cada pessoa expressou no início do Laboratório, de modo a revisitar o sentimento e expressar o que mudou ao fim do processo. A atividade havia sido pensada para ocorrer na plataforma Mural, porém aconteceu de forma espontânea nas falas das participantes e acabou gerando uma sequência de relatos muito potentes em relação ao impacto positivo que o processo proporcionou ao aproximar pessoas de diferentes locais, diferentes trajetórias e com uma ampla gama de conhecimentos técnicos e populares. Foi o momento de coroamento e fechamento do Laboratório

CRONOGRAMA LABORATÓRIO VIRTUAL As atividades propostas somaram, aproximadamente, 23 horas de encontros online, desde a abertura e alinhamento das equipes, falas das Mentoras e Provocadoras, Pontos de Checagem com Mediadoras, momentos de mentorias ao longo da semana até a Apresentação Intermediária e a Apresentação Final das propostas. Além da programação oficial, a plataforma de reunião online por vídeo também ficou disponível diariamente para possibilitar o encontro conforme a autogestão de cada equipe. As atividades de abertura do Laboratório, encontros com Provocadoras e a Apresentação Final das propostas foram transmitidas nos canais do Youtube e/ou Facebook, totalizando, aproximadamente, seis horas de transmissão ao vivo com acesso aberto ao público através de links disponibilizados em postagens via redes sociais do Laboratório.

AUDIOVISUAL Além de todos os encontros virtuais na plataforma Zoom terem sido gravados (áudio e vídeo da tela), também foi solicitado a toda pessoa participante que compartilhasse um pequeno vídeo pessoal contendo suas impressões sobre a experiência no Laboratório e sua opinião sobre a importância dos processos colaborativos tanto presenciais, quanto virtuais. Todo esse conteúdo foi decupado e editado para compor o registro audiovisual do ConectaLAB.

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RESULTADOS DAS EQUIPES O processo do Laboratório de Soluções para o abastecimento de Água contou com uma equação de diferentes abordagens para alcançar uma variedade de objetivos e resultados tanto específicos de metodologias e ferramentas, quanto resultados gerais do processo como um todo. Nesse sentido, o esforço de Mentoras, Provocadoras e Mediadoras foi para orientar as quatro equipes para chegarem a propostas fundamentadas, com características adequadas para enfrentar os desafios de cada cenário trabalhado e com resultados que encaminhassem para uma continuidade de desenvolvimento em etapas futuras.

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EQUIPE 01 - BAIRRO CONSOLIDADO A Equipe 01 partiu do entendimento de que a problemática da falta de água na cidade formal pode ser ocasionada por diferentes motivos, tais como: infraestrutura precária, com material de baixa qualidade que acaba por gerar vazamentos e perdas; projeto subdimensionado e/ ou obsoleto, em que a vazão de água a ser distribuída é subdimensionada; gestão de recursos financeiros que não prioriza o investimento em saneamento básico. A partir dessa compreensão, da elaboração coletiva de diretrizes e dos momentos de mentoria, o fluxograma que havia sido desenvolvido como método para compreender o problema e as possíveis soluções evoluiu para o “Água em Jogo”, ferramenta colaborativa e lúdica de mobilização comunitária. Seu objetivo é incentivar e fortalecer a reflexão, a autonomia e a colaboração na busca pelo Direito ao acesso à água através de uma abordagem lúdica para identificação das demandas e direcionamento para possíveis caminhos administrativos (via concessionária/poder público) e autogestionados para a construção de uma nova cultura de cuidado com a água. Assim, além de gerar conscientização sobre os direitos e encorajar a organização e a cooperação comunitária em um processo de “despertar para os direitos”, o jogo traz um repertório de soluções que podem ser implementadas individual ou coletivamente para fortalecer a autonomia hídrica.

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EQUIPE 02 - ESPAÇO PÚBLICO O primeiro grande debate dentro da equipe foi a desvinculação do acesso à água da ideia de unidade habitacional. Foi preciso trazer o debate do acesso à água para o território expandido, os espaços públicos, os equipamentos públicos, os locais de passagem, a rua e, complementando com a questão das pessoas em situação de rua, uma dimensão ampliada de uma série de problemas estruturais da sociedade que ficaram mais evidentes na pandemia. Desde o início, a equipe pautou as diferentes soluções no princípio de que o fornecimento de água no espaço urbano deveria ser responsabilidade da Administração Pública e que outros aspectos como manutenção, ideias e implementação poderiam ser corresponsabilizados junto aos demais setores da sociedade (Iniciativa Privada, Academia e Sociedade Civil) a partir de uma estratégia de mapeamento de redes de apoio pré-existentes, de modo a criar camadas complementares e aumentar o alcance de pontos de acesso à água, sempre potável, para diferentes usos: o primordial — matar a sede, o fundamental —, lavar-se e, por último, a dimensão da água enquanto geradora do senso de comunidade através da experiência lúdica — brincar no espaço público.

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EQUIPE 03 - OCUPAÇÃO IRREGULAR A equipe enfrentou o desafio de pensar soluções para o cenário de ocupações irregulares e identificou a necessidade de renomear o termo aplicado para “ocupações sem titularidade de terra” a fim de adotar uma linguagem acessível. O debate foi uma constante entre as pessoas participantes devido à complexidade existente nessa tipologia, então, compreendeu-se que a falta de abastecimento de água está interligada, essencialmente, à falta de moradia nessas áreas. A partir daí, a equipe elencou a luta pelos direitos como força motriz para o desenvolvimento de uma campanha pelo direito ao abastecimento de água onde a participação popular, juntamente à sociedade civil organizada e à academia, aparece como o caminho para a mitigação desse problema estrutural. A articulação em rede, assim como proposições de soluções emergenciais, como reaproveitamento de materiais e metodologias pedagógicas, aparecem como diretrizes para a aplicação da campanha.

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EQUIPE 04 - ÁREA RURAL De início à aproximação ao Cenário Rural, a equipe identificou a diversidade dos cenários no território brasileiro, assim como a problemática da necessidade de protagonismo das comunidades que vivem nesses territórios — comunidades indígenas, quilombolas e campesinos — na busca de soluções para o abastecimento de água e para o reconhecimento dos seus direitos no tema do saneamento, o que direcionou o trabalho da equipe para um proposta de ferramenta que auxilia a busca de soluções pela própria comunidade. As diretrizes propostas pela equipe foram pontos que guiaram o desenvolvimento das ideias desde o primeiro lançamento, na rodada de cocriação. Reforçou-se a importância do fortalecimento e do incentivo da autonomia das comunidades rurais, buscando sempre o respeito à cultura, à população local e ao meio ambiente. Foram pautados aspectos como a gestão compartilhada e a identificação de lideranças locais, reconhecendo e fortalecendo o protagonismo das mulheres. “A ideia é colocar a comunidade como centro e não propor uma solução única, pronta ou universal, com o entendimento de que o processo é tão ou mais importante que a solução em si” como cita uma das principais diretrizes propostas pela equipe.

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FECHAMENTO

FUTURO E MATERIALIZAÇÃO

DESAFIOS ONLINE Ao mesmo tempo em que criou a “fagulha” necessária para a criação do ConectaLAB, a situação de pandemia impôs a necessidade de distanciamento físico que determinou a realização do Laboratório por meio virtual. O principal desafio de processos participativos digitais como esse segue sendo a desigualdade social que, dentre tantas outras coisas, impede que grande parte da população tenha as condições materiais de acesso à tecnologia — identificamos a existência de uma “brecha digital”, uma realidade esmagadora que mantém grande parte da população sem acesso à internet de boa qualidade e, até mesmo, sem acesso à tecnologia para fazer uso adequado da rede mundial de computadores. A inclusão digital é um desafio complexo e contínuo que inicia na questão de infraestruturas (eletricidade, banda larga, wifi, 3G/4G), equipamentos (computador de mesa, notebook, smartphone) e chega na questão de linguagem (plataformas em inglês, curva de aprendizado de programas), além da disponibilidade de tempo para conectar-se, frente às demandas de trabalho remunerado e não remunerado. É fundamental compreender que qualquer planejamento para criar momentos colaborativos digitais deve pautar a garantia de acesso democrático às ferramentas de comunicação e de trabalho. Assim, é necessário buscar alinhamento e equalização dentro das equipes, de modo que a vantagem das pessoas com mais condições ou privilégios não seja amplificada, mas sim que todas as pessoas possam participar com qualidade. No contexto do ConectaLAB, teve-se ciência das limitações que o formato digital impõe para a participação de pessoas de realidades socioeconômicas mais precárias, então, foi oferecida ajuda de custo, buscou-se formas de prover pacotes de dados para garantir a possibilidade de conexão à internet e abordou-se de maneira franca as dificuldades que seriam enfrentadas ao longo da semana.

Nas semanas posteriores ao lançamento oficial dos resultados da 1ª edição do ConectaLAB, a organização do Laboratório vai iniciar uma nova etapa de trabalho para buscar formas de dar prosseguimento às ideias desenvolvidas pelas equipes. A continuidade das propostas parte da vontade de materializar o espírito da inovação social urbana, de aprofundar a democracia participativa e de explorar a inteligência coletiva na construção de soluções para problemas cotidianos. Originalmente, a etapa de trabalho posterior ao Laboratório havia sido pensada para a aplicação das ideias resultantes, diretamente, no território, com elaboração de materiais técnicos tais como os de um Projeto Executivo de arquitetura. No entanto, as propostas elaboradas pelas equipes tiveram características mais próximas de processos pedagógicos e de engajamento social e menos relacionadas com construção de estruturas. Assim, ajustou-se a abordagem da etapa de materialização, expandindo a visão para possibilidades de mobilização social e de geração de ferramentas políticas e pedagógicas acerca de direitos sociais. A principal força do material produzido é, portanto, poder ser utilizado como base para a tomada de decisão em diversas escalas, desde a doméstica até a comunitária, com a possibilidade de aplicação entre movimentos sociais e organizações da sociedade civil que trabalham com o tema de acesso à direitos e incidência política. É importante ressaltar que este Relatório e o Guia ConectaLAB - Orientações Para o Acesso à Água seguem os princípios do conhecimento aberto, ou seja, podem ser acessados, utilizados, modificados e compartilhados por qualquer pessoa, desde que seja citada a fonte e que os novos materiais sejam disponibilizados sob os mesmos termos. Isso permite que esses conteúdos sejam apropriados livremente e transformados para adaptarem-se a qualquer contexto local, de modo a gerar resultados que vão além daqueles previstos pelas pessoas envolvidas na sua elaboração. A utilização dos conhecimentos resultantes do ConectaLAB deve, ainda, enfrentar alguns desafios, tais como: a adaptação das propostas ao contexto local para se chegar a um projeto que respeite as especificidades do território, a viabilidade de trabalho presencial ainda no contexto do risco de contágio por Covid-19 e a necessidade de mobilizar parceiros, instituições e comunidades locais em torno do projeto.

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REALIZAÇÃO O Laboratório ConectaLAB - Experimentação para Soluções Coletivas, em sua primeira edição “Soluções para o Abastecimento de Água”, foi uma iniciativa do Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento Rio Grande do Sul, Gestão 2020/2022, em parceria com o coletivo TransLAB.URB, com recursos do Ponto de Cultura Solar do IAB-RS, projeto selecionado no edital do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria da Cultura em 2019.

AGRADECIMENTO A todas as pessoas que, de alguma maneira, participaram, incentivaram e apoiaram o ConectaLAB - Experimentação para Soluções Coletivas em sua primeira edição “Soluções para o Abastecimento de Água”.

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ConectaLAB - EXPERIMENTAÇÃO PARA SOLUÇÕES COLETIVAS edição “Soluções para o Abastecimento de Água” De 31/07 a 07/08 Laboratório virtual. Porto Alegre - RS - Brasil, 2020.

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