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SAÚDE CONECTADO

Ano 1  Número 3  AGOSTO de 2012  R$ 8,00

Viva mais com os voluntários Amor Dedicação Solidariedade

Crise das Santas Casas é debatida no Congresso 16 anos que colocam Jaú no mapa do transplante Governo libera R$ 11 mi ao HAC, mas ainda é pouco Dentistas se encontram em Jornada Odontológico Gripe suína e outras notas interessantes


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EXPEDIENTE

Publicação Conectado Editora ME. Av. Deputado João Lázaro de Almeida Prado, 176 Jardim Novo Horizonte – Jaú – SP CEP - 17.209-851 CNPJ 15.619.454.0001/12 Inscrição Estadual: Isenta (14) 3032-6383 conectadosaude@gmail.com DIRETORES Adriana Bueno Paulo César Grange JORNALISTA RESPONSÁVEL Paulo César Grange (MTB/SP nº 22.931) redacaoconectado@gmail.com Fone: (14) 9752-9286 DIRETORA COMERCIAL Adriana Bueno (MTB/SP nº 56.889) comercialconectado@gmail.com Fone: (14) 9772-4560 / 9781-9282 FOTOS Adriana Bueno Paulo César Grange Assessorias de imprensa Ariane Urbanetto (HAC) Ana Eliza Carraro (Santa Casa/Jaú) COLABORAÇÃO Marcos Marchi Caroline França Pinto Distribuição (dirigida/assinatura) Clínicas médicas e odontológicas, clínicas de beleza e estética, órgãos públicos, profissionais liberais, hospitais, faculdades, empresas Cidades: Jaú, Bauru, Barra Bonita, Bariri, Bocaina, Dois Córregos, Itapuí, Brotas, Torrinha, Pederneiras, Araraquara, Botucatu, Marília, Lençóis Paulista, São Manuel e outras Impressão: Grupo Tiliform Bauru – SP 0800-7079990 vendas@tiliform.com.br

ASSINATURAS comercialconectado@gmail.com (14) 3032-6383

Esta revista aceita, para fins de publicação, artigos científicos originais e inéditos que apresentem afinidade com o tema saúde, beleza e bem-estar. É de responsabilidade exclusiva dos autores o conteúdo dos artigos publicados

AO LEITOR Em 28 de agosto comemora-se o Dia Nacional do Voluntário. A celebração internacional ocorre em 5 de dezembro. Essas datas homenageiam uma pessoa imprescindível na sociedade moderna. Não se admite mais um mundo sem voluntários. Mais do que isso: o voluntariado cresce ano após ano e, no Brasil, estima-se a existência de mais de 42 milhões. No “Especial” desta edição, a Conectado Saúde celebra o trabalho voluntário e conta algumas histórias. Grupos se formam para ajudar pacientes de hospitais e os ajudam a viver mais, melhorando sua qualidade de vida. Arrecadam fundos, promovem campanhas, organizam eventos e investem tudo o que conseguem para ajudá-los. Em cada grupo pessoas comuns fazem trabalho de “formiguinha” em prol do próximo. São abnegadas no que fazem. Duas personagens retratadas na reportagem especial têm história de vida parecida. Uma delas é de Jaú. A outra de Cafelândia. Ambas são octogenárias e se dedicam a ajudar vítimas de câncer. Viúvas, desdobram-se para colaborar com os doentes. São aquelas típicas senhorinhas que todos as chamamos carinhosamente de vovós. Enfim, nos encantam quando conversam sobre a missão que realizam. Maria Itália Toffano Ronchi tem sua trajetória de vida ligada à entidade que ajuda pacientes vitimados pelo câncer. Ela simboliza o trabalho das voluntárias jauenses. A colega Wilma Baggio Nunes Pinto superou um câncer de mama há 20 anos e hoje só é feliz quando ajuda outros doentes.

Transplantes - Outro tema relevante nesta edição é sobre o transplante. Jaú se destaca pelo transplante de medula óssea, sendo um dos principais centros do país no assunto. A cidade também se dedica a captar órgãos para ajudar a reduzir a fila de pacientes em busca de coração, córnea, rim, fígado... Mair Pedro de Souza conta sobre o início do projeto de TMO, que completa 16 anos neste mês. E Otaviano Cardoso da Silva Felício fala da doação de múltiplos órgãos, lamentando ainda ocorrer perdas de órgãos saudáveis por conta da falta de informação de muitas famílias. Filantrópicos - Chama atenção ainda o debate em torno das crises dos hospitais filantrópicos. José Luiz Spigolon, superintendente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas, aborda o assunto a fundo, desde a origem do endividamento até a solução possível.

RETIFICAÇÃO Diferentemente do que informou legenda da foto da reportagem “Videoconferência para cirurgiões”, na página 26 da edição número 2 da Conectado Saúde, o nome do médico é Renato ZANATTO. CONECTADO SAÚDE 3


Voluntários para sempre

Atuação de grupos contribui para melhora de pacientes e garante vida mais longa com atitude de ajuda ao próximo Em 28 de agosto se comemora o Dia Nacional do Voluntariado. A mesma causa é homenageado em 5 de dezembro com o Dia Internacional dos Voluntários. Outras datas também fazem jus ao trabalho de abnegados em prol de pacientes pré e pós ato cirúrgico. O resultado é que o paciente acompanhado por voluntários vive mais ou tem qualidade de vida superior quando vitimado por doenças graves. Pesquisa apresentada recentemente mostra que o Brasil possui cerca de 42 milhões de voluntários. Jaú possui centenas deles envolvidos em instituições sociais, creches, igrejas e hospitais. Para celebrar a data nacional, a revista Conectado Saúde destaca os grupos ligadas à Santa Casa de Jaú e ao Hospital Amaral Carvalho, cujas ações re-

centes deram incentivo extra à prática do trabalho voluntário. No dia 22 de julho, o grupo Voluntariado Eventos promoveu feijoada em prol da Santa Casa de Jaú, arrecadando cerca de R$ 20 mil. O mesmo hospital possui ainda outra frente de pessoas ligadas ao terceiro setor, o Corpo de Voluntários da Irmandade de Misericórdia do Jahu. Duas semanas antes, a Fundação Amaral Carvalho promoveu encontro com cerca de 2.500 voluntários integrantes das ligas de combate ao câncer existentes em mais de 100 cidades.

Sobrevida - Coordenador das ligas de combate ao câncer, José Eduardo Nadalet lembra que o trabalho de fomentar a criação de entidades em ci“Temos um empenho para esse hospital, para a fundação. Nós não estamos colaborando para um hospital de Jaú, estamos colaborando para um hospital que atende pacientes do Brasil inteiro. Essa instituição vai além de Jaú e do Estado. Vocês, voluntários, dignificam essa instituição” (Devanir Ribeiro, deputado federal do PT e coordenador da bancada paulista, cujas emendas já beneficiaram o HAC em R$ 29 milhões)

geraldo alckmin recebe flores dos pacientes mirins Igor e Gabriel 4 CONECTADO SAÚDE

Fotos: Paulo César Grange

28 de agosto

José Eduardo Nadalet, organizador do encontro das ligas de voluntários de combate ao câncer

dades que enviam pacientes ao Hospital Amaral Carvalho começou em 1993. “Começou em Jaú com a criação da Entidade Anna Marcelina de Carvalho e percebemos que foi muito bem esse trabalho de voluntários na ajuda aos pacientes. Em 1996, a diretoria do HAC decidiu implementar as ligas nas cidades que mandam pacientes para Jaú.” Nadalet conta que o trabalho de criação de ligas começou nas cidades próximas, estendendo-se aos poucos para regiões distantes. “Hoje somos em 101 ligas, 98 no Estado de são Paulo, duas no Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais”, destaca, lembrando que o exército de voluntários chega a 4.500 – no encontro em Jaú apenas 11 cidades não enviaram representantes. “O prolongamento de vida com dignidade dos pacientes ou a cura aumentam em 12% nas cidades onde temos voluntários”, destaca Nadalet, destacando que esse encontro oferecido pela Fundação Amaral Carvalho funciona como renovador da motivação ao trabalho voluntário. “É uma renovação, uma confraternização.”

Estudo - O índice citado pelo coordenador das ligas é referente a um estudo realizado entre 2004 e 2007. “Fizemos uma pesquisa que mostrou que o prognóstico de índice de cura e sobrevida para o paciente atendido pelos


“Acho ótimo (a difusão do trabalho do Hospital Amaral Carvalho por meio da FEBEC). Eu sou um fã da Fundação Amaral Carvalho, desse trabalho maravilhoso que é feito aqui em termos de saúde pública e do trabalho voluntariado. O voluntariado faz toda a diferença. é um salto, é o amor ao próximo, é o esforço coletivo e é um reconhecimento à seriedade da Instituição (HAC)” (Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, durante encontro de voluntários em Jaú, garantindo que o HAC tem o melhor custobenefício do país)

voluntários era 12,4% maior”, destaca o superintendente da Fundação Amaral Carvalho, Antonio Luis Cesarino de Moraes Navarro. Navarro, que também é presidente da Febec (Federação Brasileira de Entidades de Combate ao Câncer – www. febec.org.br) destaca que essa vida mais longa aos doentes de câncer ocorre graças ao diagnóstico precoce, ao menor abandono no tratamento e às melhores condições clínicas que o paciente passa a ter quando é bem acompanhado. “São cinco pilares: educação, prevenção, acesso ao diagnóstico, tratamento precoce, com o diferencial do apoio psicossocial”. Navarro recorda que antes de incentivar a criação das ligas o hospital percebia muita fuga do tratamento pós-cirurgia. “Ocorria abandono por falta de condições de se manter, as prefeituras não tinham transporte para enviá-los para Jaú, nas suas casas faltavam alimentação adequada ou precisavam de um complemento nutricional e não tinham, além da falta do apoio espiritual.” E completa: “Esse grupos de voluntários passaram a trabalhar o que chamamos de apoio biopsicossocial, que é o apoio no transporte, na nutrição adequada... Isso reduziu o número de abandono de tratamento. As funções clínicas do paciente melhoraram e isso, por si só, aumenta a cura e a

Grupo de voluntários de Bocaina é recepcionado pelo Remédicos do Riso na chegada ao encontro anual

sobrevida.”

Participantes – O encontro de voluntários do Hospital Amaral Carvalho atraiu muita gente, além dos voluntários de mais de 80 cidades - as ligas com dez ou quinze anos de existência receberam certificados. As ligas que organizam leilões beneficentes também foram homenageadas. A solenidade teve animação da banda Delphos, dos cantores Rosa e Rosinha e Luiz Ayrão. Também se apresentou o coral da Associação de Combate ao Câncer de Boracéia (SP). Uma atração à parte foi o grupo de grupo de palhaços Remédicos do Riso, formado por voluntários. Como faz anualmente, compareceu para fazer a alegria do público com suas palhaça-

das, desde a chegada das delegações até o encerramento. O padre Dom Francisco José Zugliane, bispo de Amparo, abençoou a festa. Autoridades oficiais também compareceram, como o governador Geraldo Alckmin, o deputado estadual Pedro Tobias e os deputados federais Devanir Ribeiro (PT), Milton Monti (PR) e Ricardo Izar Júnior (PSD). O secretário de Saúde de Jaú, Abdala Atique, representou o Executivo local. A coordenadora de Assistência e Serviço Social do HAC, Vanessa de Moraes, leu carta da senadora Marta Suplicy (PT), na qual disse sentir orgulho por emenda dela beneficiar o hospital jauense. A voluntária Maria Itália Toffano Ronchi, de Jaú, leu homenagem à bancada paulista dos deputados federais. “O melhor trabalho na parte do câncer é esse voluntariado, não só equipamento e medicamento. Graças a vocês (voluntários) os pacientes se recuperam mais rápido” (Pedro Tobias, deputado estadual do PSDB e médico oncologista, destacando que o HAC tem o maior serviço de transplante de medula óssea do Brasil) CONECTADO SAÚDE 5


Wilma Baggio Nunes Pinto, 83 anos, é de Cafelândia (SP). Ela foi homenageada como a voluntária símbolo no 16º Encontro dos Grupos de Voluntários de Combate ao Câncer da Fundação Amaral Carvalho, ocorrido dia 7 de julho. A doença ronda a vida dessa professora aposentada. Ela superou um câncer de mama há 20 anos. O marido não. Vítima de câncer no pulmão, ele faleceu há seis anos. Sobre a homenagem que recebeu do coordenador das ligas de combate ao câncer, José Eduardo Nadalet, dona Wilma considerou “uma surpresa muito grande”, já que nunca esperou que isso pudesse acontecer. “Fui portador de câncer há 20 anos. Sofri duas cirurgias violentas e estou curada. Minha meta é ajudar as pessoas que passam por isso”, comenta a senhora que é voluntária há dez anos e que preside o grupo de Cafelândia há nove anos. O grupo possui 30 integrantes e promove ações para atender pacientes vitimados pela doença e que precisam de apoio de remédios, fraldas, roupas de cama e banho e ainda alimentos. “Entregamos a quem precisa duas cestas de hortifrútis por mês e uma cesta básica geral. Atendemos em média de 17 a 20 pacientes, alguns só com remédios”. Os voluntários contra o câncer de Cafelândia têm sede própria, construída por meio de doações. Wilma conta 6 CONECTADO SAÚDE

Fotos: HAC/Divulgação

Ela venceu o câncer. Hoje batalha pela causa

Dona Itália Ronchi entra na onda dos clowns presentes no evento e participa da brincadeira de bicicleta com o voluntário da alegra Fernando Beber

Wilma, de Cafelândia, foi homenageada em nome de todas as voluntárias


Legião jauense de apoio a pacientes

que a família toda dela (filhos e netos) a incentivam no trabalho voluntário, que é gratificante. “Meu marido também era muito entusiasmado, mas ele teve câncer no pulmão e morreu há seis anos. Sobre a melhora na qualidade de vida e a cura dos doentes, Wilma garante que o trabalho dos voluntários ajuda de forma significativa. “Com certeza ajuda o paciente a ter uma vida melhor”, garante, lembrando que a retaguarda que o grupo proporciona, o que inclui visitas domiciliares e até empréstimo de cadeiras de roda ou de banho quando necessário.

Em Jaú, o grupo de voluntários contra o câncer tem a denominação de Entidade Anna Marcelina de Carvalho. São cerca de 240 integrantes, mas nem todos se dedicam em tempo integral à causa. Em média o trabalho beneficia cerca de 200 pacientes todos os meses, atendidos nas casas de apoio mantidas com apoio da Fundação Amaral Carvalho (FAC) e de colaboradores. Sinônimo de voluntária, dona Maria Itália Toffano Ronchi foi quem leu carta de agradecimento à bancada paulista de deputados federais no encontro das ligas, realizado no dia 7 de julho, no Caiçara Clube de Jaú. Ela falou em nome dos mais de 2.000 voluntários presentes, destacando suporte social que as ligas prestam em suas cidades e o trabalho que permite aumentar a sobrevida dos doentes. “Que continue nos prestigiando (deputados). Da nossa parte continuaremos nessa causa”.

Itália tem 84 anos de idade e é voluntária há 18 anos, considerando-se praticamente uma fundadora da Entidade Anna Marcelina. É uma das voluntárias mais atuantes e conceituadas pelo seu histórico. Prova disso é que antes mesmo do lançamento oficial do McDia Feliz ela já havia conseguido 37 patrocinadores, falando pessoalmente com cada empresário.

Morte pelo caminho - “Desde que nasci sempre fui voltada para os mais necessitados”, diz ela. Itália conta que antes de se formar o grupo de voluntários em Jaú muitos pacientes de outras cidades “morriam pelo caminho” ou abandonavam os tratamentos por causa das constantes idas e vindas até Jaú para passar por consultas e sessões de quimioterapia e radioterapia. “Hoje, os pacientes vão para suas casas, voltam e quando precisam ficar mais tempo são abrigadas nas casas de apoio. O paciente ganha com isso e nós ganhamos a felicidade de vê-los fortes”, ressalta a voluntária. Na casa de apoio os pacientes recebem cinco ou mais refeições por dia. Até mesmo familiares que os acompanham são abrigados e atendidos por voluntários.

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Jogo de bola beneficente

Paulo César Grange

SOLIDARIEDADE

Dupla Rosa e Rosinha planeja partida com artistas e craques do futebol para ajudar hospital do câncer Os músicos Rosa e Rosinha são os patronos deste ano do McDia Feliz, a ser realizado em 25 de agosto, mas os jauenses radicados em Jundiaí (SP) estão pensando além e planejam uma partida de futebol beneficente para o fim do ano. O objetivo é trazer a Jaú artistas famosos e craques do futebol para angariar recursos em prol do Hospital Amaral Carvalho. A revelação de que essa partida está sendo preparada se deu no 16º Encontro dos Grupos de Voluntários de Combate ao Câncer da Fundação Amaral Carvalho. Na ocasião ocorreu o lançamento da campanha McDia Feliz, da qual José Renato Castro (Rosa) e Daniel Cardamone Sanchez (Rosinha) foram escolhidos patronos. “A gente tem 20 anos de carreira e sempre tem feito ações em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agora tem um valor especial fazer por Jaú, que é a nossa cidade. Estamos felizes. Conte com a gente para o que precisar, não só para o McDia feliz, mas para outros eventos que possam ajudar as pessoas”, diz Renato. Sobre o encontro de voluntários, Renato falou que “dá mais incentivo aos apoiadores que ajudam o hospital o ano todo”, ressaltando que é um prêmio para os milhares de voluntários. “Vir para Jaú fazer um show para uma cau8 CONECTADO SAÚDE

sa tão nobre é uma honra que fica gravado no coração.”

Gente bacana - Sobre o jogo festivo, o escalado para falar dos preparativos é Daniel. “Vamos nos dedicar ao máximo, usar nossas influências para uma causa nobre. A gente sai para o Brasil todo fazendo esses jogos beneficentes, por que não fazer em Jaú, onde nascemos e fomos criados, e ajudar a causa do HAC?” A dupla foi criada em 1993. Entre os jogadores contatados estão Nenê (PSG) e outros, inclusive ex-atletas, como Sérgio (ex-Palmeiras), Ronaldo (ex-Corinthians), Oscar Schimidt (basquete). Também estão na lista de convidados cantores como Daniel, Leonardo, Rick... “Vamos convidar toda essa galera, trazer duplas novas, vamos convidar muita gente bacana”, finaliza, prevendo o jogo para 23 de dezembro. Rosa e Rosinha já participaram de várias campanhas em prol do Hospital Amaral Carvalho e gravaram até um comercial de TV. “Essa instituição é fabulosa em todos os sentidos. Além da incontestável seriedade médica e clínica, desempenha um trabalho social incrível, com o apoio de voluntários, atendendo pacientes carentes e amparando suas famílias”, comenta Rosinha.

Rosa e Rosinha, patronos do Mc Dia Feliz, e a trupe do Remédicos do Riso

Mas que dia feliz! Está marcado para 25 de agosto mais uma edição da campanha McDia Feliz, este ano tendo como McAmigos os cantores Rosa e Rosinha. Mais de 30 mil crianças e adolescentes com câncer e seus familiares são beneficiados anualmente no país pela maior campanha brasileira de combate ao câncer infanto-juvenil. Criada em 1988, essa ação é coordenada pelo Instituto Ronald McDonald e já arrecadou mais de R$ 130 milhões, contribuindo para instituições de apoio e tratamento oncológico, entre elas a Fundação Amaral Carvalho (FAC), de Jaú (SP). A arrecadação destinada nos últimos anos permitiu a construção da Casa de Apoio Infantil e adquiriu mobília para o novo prédio que terá capacidade para acomodar 32 crianças em tratamento no Hospital Amaral Carvalho e seus acompanhantes. Para ajudar basta comprar tíquetes antecipados do sanduíche Big Mac por R$ 10,50, que estão à venda na Entidade Anna Marcelina de Carvalho. Os cupons poderão ser trocados no dia 25 de agosto nos restaurantes McDonald’s de todo o país – Jaú se beneficia com as vendas realizadas na própria cidade e ainda São Carlos, Araraquara e Ourinhos. O lançamento oficial da campanha ocorreu em 28 de julho, com a presença do jornalista Carlos Nascimento, parceiro da FAC e membro fundador da Casa de Apoio Infantil da instituição. A coordenadora de Assistência Social da Fundação, Vanessa de Moraes, informa que este ano o HAC teve 5.700 tíquetes à disposição. Os voluntários também vendem camisetas, bonés e outros artigos alusivos ao McDia Feliz. Informações: Entidade Anna Marcelina de Carvalho, (14) 3624-6592 ou 3602-1386


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INVESTIMENTOS

Vista interna do prédio que vai abrigar o novo centro cirúrgico do hospital especializado no tratamento do câncer em Jaú

HAC/Divulgação

R$ 11 milhões ajudam,

mas não resolve Recursos prometidos por governador não são suficientes para finalizar centro cirúrgico de hospital oncológico Além dos R$ 5 milhões que virão para investimentos, o Hospital Amaral Carvalho vai precisar de mais R$ 4 milhões no ano que vem para concluir as obras do no centro cirúrgico. A análise é do superintendente da Fundação 10 CONECTADO SAÚDE

Adriana Bueno

Amaral Carvalho, Antonio Luis Cesarino de Moraes Navarro. Em 7 de julho, quando da visita a Jaú, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou um termo de liberação de R$ 5 milhões para obras do hospital e outro de R$ 6 milhões (em seis parcelas) para custeio da entidade. “Esse dinheiro não conclui as obras do centro cirúrgico. É dinheiro para uma fase da conclusão. O centro cirúrgico é um complexo, inclui UTI, central de materiais, de medicamentos, nova recepção... É uma obra de 6 mil metros quadrados, com orçamento de R$ 9 milhões.

Alckmin: verba para custeio e para investimento


Um Jeep pela causa

Adriana Bueno

Antonio Navarro, superintendente da Fundação Amaral Carvallho

Paliativo – Sobre a verba de R$ 6

Quem pretende aderir à Solidariedade Premiada pode obter informações pelo telefone (14) 3296-1326 ou 9606-1863, como também pelo e-mail claudia2d@ ig.com.br ou joão@tufaonet.com.br O Jeep a ser sorteado possui estas características: Apflex, 5 marchas, freio a disco 4r, gaiola, guincho, banco concha, tow bar, tanque inox, direção hidráulica

milhões para custeio, Antonio Navarro ressalta que o HAC trabalha basicamente com recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) e que a tabela de procedimentos é insuficiente para custeio da atividade hospitalar. “Na verdade, o governo está complementando um pouco para que a gente possa comprar medicamentos, pagar funcionários e outras atividades. É um paliativo, uma ajuda complementar ao pagamento feito pelo SUS”, ressalta. “O governo Alckmin tem preocupação com saúde, com a oncologia e tem demonstrado isso. Ele sabe que na oncologia se diagnosticada a doença a tempo o índice de cura e sobrevida é muito grande.”

Paulo César Grange

Provavelmente no início do próximo ano sejam liberados outros R$ 4 milhões.” Navarro lembra que o HAC é um dos hospitais que mais fazem cirurgia oncológica no país, mesmo contando com um centro cirúrgico “acanhado”. Por isso, precisa trabalhar até 18 horas por dia, até mesmo aos sábados. Chega a praticamente 24 horas quando se inclui serviços de limpeza e manutenção. “O que a gente precisa é de um novo centro cirúrgico. Nossa expertise é oncologia, oncologia clínica e radioterapia, hospital do câncer e hospital de câncer faz muita cirurgia”, diz o administrador.

Um Jeep amarelo e todo equipado foi adquirido por voluntários para contribuir com as obras sociais do Hospital Amaral Carvalho. Ele será sorteado entre as pessoas que participam da Solidariedade Premiada, no dia 19 de agosto, em Arealva (SP). Na ocasião, outros nove prêmios também serão sorteados, incluindo moto, TV. notebook e geladeira. No mesmo dia ocorre um leilão de animais e outras prendas em prol da entidade. Os postos de venda em Jaú são: SD Tintas, Auto Posto Pit Stop e na portaria do Hospital Amaral Carvalho. Há postos ainda em Bauru, Botucatu e outras cidades. Um dos organizadores é João Roberto Vicari (João Tufão), do grupo Amigos de Jacuba. Segundo ele, a estimativa é que essa ação arrecade cerca de R$ 380 mil para a entidade. Os ganhadores serão conhecidos no 3º Encontro de Jipeiros, onde quase 200 voluntários vão estar na ativa para organizar a festa.

Sorteio no dia 19 de agosto em Arealva-SP CONECTADO SAÚDE 11


VOLUNTARIADO

Integrantes do Voluntariado Eventos durante feijoada beneficente em prol da Santa Casa de Jaú

Santa Casa e seus 2 grupos de abnegados Santa Casa de Jaú/Divulgação

Dois grupos de voluntários se complementam em prol da Santa Casa de Jaú. Cada um tem seu perfil, mas o objetivo é um só, o de obter recursos para ampliar serviços de saúde prestados pelo hospital e propiciar melhorias para os pacientes atendidos pela instituição. Juntos são cerca de 100 voluntários, todos merecedores de honra ao mérito neste dia 28 de agosto, Dia Nacional do Voluntariado.

Desde 1986 - Um deles é o Corpo de Voluntários da Irmandade de Misericórdia do Jahu, criado em maio de

1986 por Maria Odila Junqueira Almeida Prado Galvão França. São 26 anos desempenhando um papel importante, ajudando a amenizar o sofrimento de pacientes, em especial às crianças da pediatria. Doação de roupas, fraldas (infantis e geriátricas), produtos de higiene e brinquedos estão entre as ações do Corpo de Voluntários. A título de exemplo, em termos de fraldas para pacientes adultos, foram doadas mais de 10.400 unidades entre janeiro e julho de 2012. A vice-presidente do Corpo é Terezinha Carvalho Piva Almeida Leite, que Arquivo/Santa Casa de Jaú

Clélia Cerini Borgo, Maria Odila Galvão de França, Wanda Fonseca, Marlene Perobelli Pansieri e Claudia Bianco: voluntárias em foto do início dos anos 90 12 CONECTADO SAÚDE

resume desta forma o trabalho da organização: “Nosso trabalho representa o amor a Deus e à caridade cristã”. O grupo se reúne semanalmente para definir as ações de cada voluntária. Terezinha integra o grupo desde sua origem e já foi presidente por vários anos (1997/2009). Hoje, o Corpo é presidido por Dirce Aparecida Pigoli Bortoluci. Entre essas ações estão realização de bazares, venda de artigos na boutique interna, criação de equipes de crochê e costura, de confecção de fraldas... Tudo para obter dinheiro a ser revertido para alguma obra do hospital ou compra de equipamento. Um lema do grupo foi retirado da Bíblia (Tiago, 2-17), que prega a realização de obras em nome da fé: “Assim, também a fé, se não tiver obras estará morta em si mesmo”

Destaques - Destaca-se na história do grupo, entre outras, a inauguração da “Boutique das Voluntárias”, que até hoje garante renda para os trabalhos do grupo. Outro fato marcante foi a ação ocorrida em 1992 e 1993: doação de verbas para construção da UTI Infantil e Neonatal da Santa Casa. Terezinha diz que em termos de va-


Paulo César Grange

Corpo de Voluntários: vice-presidente, Terezinha Carvalho Piva Almeida Leite (à dir.), e a colaboradora Vera Lúcia Aparecida Moreno Martin na boutique

Santa Casa de Jaú/Divulgação

lores, a troca de 13 leitos da UTI adulta foi a maior campanha já feita pelas voluntárias: “Foram três anos para conseguir os R$ 47 mil necessários”, ressalta, lembrando que o fato se deu em 2004. Muitas outras iniciativas foram conduzidas pelas voluntárias, incluindo reformas de setores do hospital, aquisição

Voluntárias da Santa Casa de Jaú trabalham na confecção de fraldas infantis e geriátricas destinadas a pacientes

de uniformes para funcionários e as festas em prol de pacientes, como Páscoa, Junina, Dia da Criança e Natal. Os enxovais para recém-nascidos carentes é uma prática rotineira – no fim de julho, por exemplo, em cinco dias foram doados quatro kits, cada qual estimado em cerca de R$ 180,00. “São atendidos muitos pacientes pobres”, diz a voluntária, lembrando que o grupo provê as necessidades de acordo com as necessidades e condições Quando o Corpo de Voluntárias promove bazares, o maior número de “fregueses” vem do próprio hospital:

“Temos uma grande ajuda das funcionárias. Quando fazemos bazar do doce elas compram tudo”. Para abastecer o bazar de roupas usadas o grupo conta com doações. Hoje, no Corpo de Voluntárias estão pessoas de todas as camadas sociais, mulheres voltadas para a caridade e humanidade. “Somos mesmo um corpo, com uma completando o serviço da outra”, diz Terezinha. As adesões de novas voluntárias ocorrem com freqüência, bastando que a interessada procure a entidade. Informações: (14) 3602-3433.

Fazer eventos está no ‘sangue’ Presidente do Voluntariado Eventos, Rita Ester Masiero Bernardi é quem assume condição de promover iniciativas que alavanquem o braço financeiro dos voluntários da Santa Casa de Jaú. Sua história de vida está ligada a eventos, por isso tudo o que ela encabeça redunda em sucesso. “Quando peço alguma doação para algum evento ninguém me nega”, garante. Foi assim para realizar a feijoada ocorrida no fim de julho, no Jahu Clube, com cerca de 300 adesões e quase R$ 20 mil de arrecadação. “Ganhamos tudo”, destaca, ao falar

dos ingredientes para o prato principal. Para o evento “bombar” entrou em cena o trabalho de voluntários do grupo e de amigos do grupo criado em julho de 2006. “Muita gente ajuda de graça, até funcionárias de amigas minhas ajudam. Tem gente que nem é do grupo de voluntários e trabalha mesmo assim”, ressalta Rita, que chega organizar quatro a cinco eventos por ano. O próximo será a noite alemã, marcada para 20 de outubro no Jahu Clube. Aniversários coletivos das integrantes do Voluntariado ou de amigas também ajudam a levantar recursos – as aniversariantes pagam

as festas e pedem como presentes doações em dinheiro para a causa voluntária. A destinação dos recursos, segundo Rita Bernardi, depende da urgência do hospital. “Atendemos às necessidades da mesa diretora”, explica, que pode ser compra de roupa de cama, de banho, jalecos para funcionários... Algumas ajudas já concretizadas incluem compra de TV com fone para setor de hemodiálise, reforma do piso da fisioterapia, compra da mobília para o Pronto Socorro Infantil, troca da câmara frigorífica da cozinha... CONECTADO SAÚDE 13


NACIONAL

Divulgação

Deputado Darcísio Paulo Perondi (Frente Parlamentar da Saúde), Antonio Brito (Frente Parlamentar das Santas Casas de Misericórdia), Édson Rogatti (presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo e José Luiz Spigolon (superintendente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas)

Dívidas de filantrópicos podem bater R$ 15 bi Estimativa faz parte de relatório elaborado por deputados e mostra que Santas Casas estão em situação “terminal” As Santas Casas e hospitais filantrópicos do Brasil estão em estado “terminal” por causa da dívida bilionária que acumulam. Ainda existe salvação, mas não será fácil, segundo analisa José Luiz Spigolon, administrador de empresas jauense e superintendente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (www. cmb.org.br). “Haverá casos em que os cortes terão de ser na ‘carne”, sentencia. Recentemente, o grupo especial da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados (CSSF) divulgou relatório no qual está um diagnóstico quase fatal. Os números informam que a dívida a acumulada até maio era de R$ 11,2 bilhões, com previsão de chegar a R$ 15 bilhões no 14 CONECTADO SAÚDE

próximo ano caso continue no mesmo ritmo de crescimento. De acordo com o relatório, essa conta é quase sete vezes maior do que o valor devido pelas 2,1 mil entidades filantrópicas em 2005. O relator, deputado federal Antônio Brito (PTB-BA), sentencia que as Santas Casas estão pedindo misericórdia. “Essas entidades estão na UTI. Se nada for feito, elas entram em colapso”. No entendimento dele, além da dívida gigante outro problema tão sério ou até maior é a falta de perspectiva de pagamento e saber que a conta só tende a crescer. Brito diz que o estágio do endividamento começa quando as entidades fazem empréstimos e não conseguem pagar. Depois, deixam de quita impos-

tos. Em seguida, quem não recebe são os fornecedores. A vítima em seguida são as contas patronais, até chegar ao fundo do poço, que é o não pagamento dos funcionários. São três as saídas apontadas por ele: correção na tabela do SUS, criação de um mecanismo para custear as despesas hospitalares sem atrelar à tabela e ainda transferir as dívidas de bancos privados para os bancos públicos em busca de juros menores. A revista Conectado Saúde ouviu o jauense José Luiz Spigolon, que está em Brasília e participa ativamente das reuniões envolvendo deputados e entidades ligadas aos filantrópicos. Spigolon fala sobre a crise na entrevista a seguir. 


Conectado - Tem saída para os filantrópicos enfrentar essa dívida bilionária? José Luiz Spigolon - Saída tem, mas terá de ser construída por consenso entre todos os atores envolvidos: os governos federal, estadual e municipal; os órgãos legislativos, os dirigentes das Santas Casas e hospitais sem fins lucrativos e seu corpo funcional (médicos, enfermeiros e demais colaboradores); entidades e membros influentes da comunidade de cada hospital; entre outros. Conectado – Qual essa saída? Spigolon - Haverá casos em que os cortes terão de ser na “carne” e com os sofrimentos naturais que isto envolve. Um bom exemplo é a crise econômico-financeira que os países europeus estão vivendo. Praticamente todos seus dirigentes acordaram para a gravidade do problema e estão incessantemente buscando soluções capazes de amenizar os problemas a médio e longo prazos, mesmo com grandes sacrifícios da população. Conectado - Só a atualização da tabela do SUS resolveria essa dívida? Spigolon - Primeiro é preciso entender a origem dessa dívida. Os números que aí estão são incontestáveis e demonstram que o subfinanciamento dos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido o maior responsável pelos seguidos déficits acumulados ano após ano por essas entidades, mas também há problemas de má gestão em muitas delas. Um segmento tão complexo entre as várias atividades empresariais não pode estar sujeito a improvisações, quer nos investimentos que necessita fazer com frequência, quer na própria administração dos seus recursos físicos, financeiros e humanos.

Conectado – Como fica isso então? Spigolon - Conclui-se facilmente que isto não pode persistir e a atualização da tabela se faz urgente. Entretanto, apenas essa atualização não resolve o problema da dívida, ela estanca a “hemorragia”, ou seja, deixa de gerar déficits seguidos, mas não vai gerar recursos para pagamento da dívida. Esta terá de ser alvo de um tratamento específico, substituindo-se os bancos comerciais pelos oficiais e alongando os prazos para pagamento com juros subsidiados, nos moldes do que se tem feito para outras áreas da economia brasileira, dispor de linha especial de crédito para renegociar as dívidas com fornecedores, alongar o prazo para parcelamento dos débitos previdenciários e tributários, com perdão das multas. Conectado - Quais os próximos pas-

Divulgação

Conectado – Quando começou essa crise? Spigolon - Há cerca de uma década e meia o Ministério da Saúde decidiu não mais reajustar linearmente os valores dos procedimentos médico-hospitalares que

compõem a Tabela do SUS - não repassa nem mesmo a inflação gerada pelo próprio governo. Os procedimentos de baixa e média complexidade (maior frequência dos serviços prestados pelas Santas Casas e hospitais filantrópicos) são os que mais têm sofrido os impactos negativos dessa decisão. Hoje a remuneração de um parto normal, cesariana, cirurgias obstétricas, infarto do miocárdio, fratura de membros inferiores e superiores, laqueadura tubária, cirurgia de próstata, entre outros, remuneram cerca de um terço (1/3) do custo que os hospitais têm para realizá-los. Quanto mais se realiza, maior o prejuízo.

sos da Confederação das Santas Casas? Spigolon - Juntamente com os deputados Antonio Brito, Luiz Henrique Mandetta e Darcísio Perondi, respectivamente, presidentes da Frente Parlamentar de Apoio às Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas da área da saúde, da Comissão de Seguridade Social e Família e da Frente Parlamentar da Saúde, a CMB pretende levar o Relatório da Câmara dos Deputados aos ministros do Planejamento, Orçamento e Gestão, da Secretária-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, ao vice-presidente da República, Michel Temer, à OAB Brasil, e a outras lideranças nacionais que poderão influenciar o governo na necessidade de medidas emergenciais para evitar o pior na já combalida assistência pública médico-hospitalar do país, considerando que mais de 50% dessa assistência é realizada pelas Santas Casas e hospitais filantrópicos. Conectado - Qual a situação atual do relatório sobre a dívida filantrópica? Spigolon - Os parlamentares já referidos, acompanhado de quase duas dezenas de outros colegas, entregaram formalmente o relatório ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, expuseram a preocupante situação e solicitaram providências imediatas, inclusive com o aporte de recursos financeiros do atual orçamento. A Comissão de Seguridade Social e Família vai enviar o relatório para vários órgãos de governo afetos à saúde pública, entre eles o Conselho Nacional de Saúde. Conectado - Dá para saber qual a dívida de hospitais da nossa região? Jaú, Bauru, Bariri, Marília, Botucatu e outros? Spigolon - Infelizmente não disponho do detalhamento da dívida dessa região. O levantamento foi realizado pelas federações estaduais que compõem a CMB, as quais nos enviaram apenas o consolidado de cada Estado. Creio que a Federação de São Paulo não possa divulgar em respeito ao sigilo de cada entidade. CONECTADO SAÚDE 15


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Serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO) do HAC atinge maioridade aos 16 anos

HAC/Divulgação

TRANSPLANTE Procedimento de coleta de medula

Nova medula para 1.800 pacientes Criado em 1996, o Serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital Amaral Carvalho (HAC), em Jaú, chega a agosto de 2012 com cerca de 1.800 procedimentos realizados, o que o coloca como um dos principais centros do país. São 16 anos de atividade, mas já é possível dizer que a “maioridade” chegou para a equipe que realiza em média 18 transplantes mensais e cerca de 200 por ano. Balancete da instituição encerrado em maio de 2012 aponta para 1.762 transplantes já realizados. “Conseguimos fazer número de transplantes que é incomparável no Adriana Bueno

Mair Pedro de Souza, médico do setor de transplante de medula óssea do HAC: 80 procedimentos em cinco meses de 2012 18 CONECTADO SAÚDE

Brasil. Apenas o Hospital das Clínicas, em São Paulo, fez algo semelhante. Fazemos alguma coisa na casa dos 200 por ano”, diz um dos coordenadores da unidade, o médico Mair Pedro de Souza, citando 211 procedimentos em 2010 e 199 em 2011. Em 2012, até maio, foram realizados 80 transplantes no HAC. Mair explica que o HAC é o centro que mais faz transplantes de não-aparentados no Brasil. Segundo ele, são cerca de 60 centros cadastrados, que realizam entre 1.600 e 1.800 transplantes anuais. Além de Jaú, só outros três centros superam a barreira de 100 procedimentos por ano: São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. “O grande auxílio que o serviço do HAC dá para o Ministério da Saúde é o alto número de transplantes que realizamos para atender as demandas das regiões norte e nordeste. No norte não temos nenhum centro. No nordeste em alguns, um grande em Recife. No centro-oeste tem um embrionário em Brasília e um pequeno em Goiânia. De Belo Horizonte para baixo é que as coisas acontecem”, ressalta o médico que já foi secretário da Saúde de Jaú.

Demanda – Com base nos padrões norte-americanos, a demanda por TMO no Brasil seria entre 3.000 a 5.000 transplantes por ano, mas não se

atinge 2.000, lamenta Mair de Souza. Ele justifica essa demanda reprimida por falta de centros em algumas regiões, falta de diagnóstico de doenças como leucemia, falta de condições de pacientes para chegar aos transplantes, e ainda mortalidade que se registra ao longo do tratamento. “Alguns pacientes morrem sem diagnóstico, outros por falta de percepção do médico que deveria fazer o transplante e outros morrem por falta de condição para fazer o transplante”, lamenta. Ele ressalta que quase todas as leucemias são tratadas com transplantes, mas em alguns casos tenta-se debelar doenças com tratamento quimioterápico.

Redome - O serviço do HAC é referência nacional e já transplantou pacientes de praticamente todos os Estados brasileiros. Entre eles o primeiro realizado num índio. “O maior volume de pacientes ainda é de São Paulo, mas temos grandes parceiros em Santa Catarina, Ceará, Amazonas e Maranhão, que enviam muitos pacientes”. Entre os cerca de 1.800 transplantes, menos de 50 foram realizados por meio de convênios particulares – os transplantes em geral são financiados pelo SUS. Jaú integra o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME)


Iniciativa em prol do paciente As atividades da equipe de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital Amaral Carvalho (HAC), mantido pela Fundação Amaral Carvalho (FAC), tiveram início para suprir uma carência local. Na época, os pacientes precisavam se deslocar até Curitiba (PR), local onde a demanda era grande por atender pacientes de todo o país. O mentor do centro em Jaú foi o hematologista Vergílio Antonio Rensi Colturato. Ele liderou o movimento em busca de recursos para dotar o HAC de um centro de TMO. Buscou ver-

você não acha um doador compatível no banco nacional, você abre para uma rede internacional”, diz Mair de Souza, lembrando que o material é comprado pelo Brasil para ser infundido no paciente atendido pelo SUS.

Coleta - Hoje, a maioria das medulas transplantadas é proveniente do próprio banco nacional. “Temos em nosso banco cerca de 3 milhões de doadores”, diz o médico, citando que o cadastro é centralizado no Instituto Nacional do Câncer no Rio de Janeiro (Inca). No Hospital Amaral Carvalho é feita a coleta da medula. Antes, porém, o cidadão que queira ser um doador faz um cadastro no hemonúcleo e fornece uma amostra de sangue. “Essa amostra fornece a informação que fica disponível no cadastro nacional de doadores de medula óssea”, explica Mair de Souza. Cabe ao médico gerar a demanda de receptores, cruzando dados do paciente com registro dos doadores.

bas na própria instituição, contou com apoio de pacientes e de empresários, até que chegaram recursos oficiais para ajudar a alavancar o serviço. Ao lado de Vergílio no projeto estava Mair Pedro de Souza, um dos coordenadores da unidade. Mair diz que muitas pessoas ajudaram na época, inclusive o pai de uma paciente, que deu ajuda significativa. Outras doações chegaram de forma anônima. Ele explica que sem o envolvimento amplo nada teria sido realizado. Até então, os serviços de transplantes eram agregados a universidades e grandes hospitais. Jaú, uma cidade pequena do interior, mostrou seu potencial de assistência médica. E até hoje se destaca no cenário nacional quando se fala em TMO. “Esse centro teve nome e sobrenome: o dr. Vergílio Colturato, que foi o

HAC/Divulgação

e tem acesso a centros internacionais para captação de medulas e de cordão umbilical. Em 2004, o HAC se destacou com o primeiro transplante de cordão umbilical produzido no Brasil (doado, preparado e utilizado no próprio país). Até então os cordões vinham do exterior. Até hoje ainda se buscam cordões e medulas no exterior, quando não se encontram doadores compatíveis no Brasil. Os maiores centros doadores são Estados Unidos e Alemanha, para onde médicos do HAC se deslocam em “bate e volta” para buscar o material. “Cheguei a ficar 19 horas na Alemanha”, conta o médico, lembrando de uma vez que ele próprio viajou para buscar medula. A medula óssea precisa chegar ao destino em 48 horas, por isso é buscada pessoalmente por um médico do serviço de TMO do HAC. Os cordões do exterior vêm por meio de empresas especializadas no transporte. “Quando

Vergílio Antonio Rensi Colturato, hematologista mentor do centro de TMO em Jaú

grande mentor, foi ele quem capitaneou essa cruzada em busca do transplante. A gente deve muito ao trabalho e empenho dele”, destaca Mair. Segundo ele, é preciso olhar pra trás e agradecer as pessoas que ajudaram, como um ex-prefeito de Pederneiras, que criou lei municipal para repassar recursos ao HAC. “Esse prefeito fez recomendação para que a microrregião de Jaú fizesse o mesmo. Algumas prefeituras seguiram, outras não. Por incrível que pareça, Jaú não aderiu. E eu era o secretário de Saúde na época, mas não consegui convencer o prefeito a aderir”, recorda-se. Ele diz que as dificuldades eram imensas até 2001, quando foram obtidos recursos federais para a construção do prédio. CONECTADO SAÚDE 19


O marketing social adotado pelo novelista Manuel Carlos em “Laços de Família” ajudou a desmitificar o transplante de medula óssea no país. A opinião é do hematologista Mair Pedro de Souza, um dos coordenadores da unidade de transplante do Hospital Amaral Carvalho de Jaú. “Durante a novela o Brasil dobrou o número de doadores de medula. De 15 mil para mais de 38 mil”, comemora. A novela foi exibido entre 2000 e 2001 e registrou recordes de audiência. O médico de Jaú conta que a novela foi fundamental para chamar atenção para o problema dos doentes de leucemia. “Deveria ser obrigatório em todas as novelas ter alguma coisa relacionada à saúde ou à prevenção.” No folhetim, a protagonista Camila, interpretada por Carolina Dieckmann, descobriu ser portadora de leucemia e sua família iniciou uma corrida em busca de um doador compatível. O tema foi retomado na novela “Sete Pecados”, também da TV Globo - Juju, interpretada pela atriz Nicete Bruno, passou por um transplante de medula óssea, cujo doador foi o filho Teobaldo, interpretado por Roberto Bataglin. “Laços de Família” contribuiu para

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Fotos: Arquivo/Rede Globo

Marketing social em novela ajuda

Camila, interpretada por Carolina Dieckmann na novela “Laços de Família”: debate do tema estimulou crescimento de doadores de medula no Brasil

aumentar o número de doadores, mas um problema ainda persiste no país, na avaliação do médico. “O número de centros que estão fazendo transplantes de não-aparentados não tem aumentado. Causa agonia ficar esperando vagas para poder internar o paciente. Isso está no afligindo aumentar a oferta de doadores sem aumentar os centros de transplantes.” E vai além: “Uma coisa é dizer para a família que seu filho não tem doador e outra é dizer que tem doador, mas não podemos transplantar nesse momento por falta de vaga”, alerta Mair de Souza.

Treinamento - Ele lembra que o HAC tem promovido treinamentos para profissionais de capitais que enviam muitos pacientes a Jaú, como São Luiz, Fortaleza e Manaus para que, inicialmente, recebam os pacientes de volta e, posteriormente, criem seus próprios centros. Fortaleza, segundo ele, vai transplantar em breve. Em Manaus ele admite que as condições existem, mas que falta um empreendedor para começar e deslanchar o projeto – “falta um dr. Vergílio por lá”, diz, referindo-se ao mentor do centro de TMO de Jaú. São Luiz ainda está longe de ter seu centro.

Transplantes realizados no HAC

(agosto/1996 a maio/2012) Alogênicos (*) 1.195 67,8% Autólogo 567 32,4% Total 1.762 100% (*) 906 entre aparentado/entre familiares

Nº de procedimentos 1996 7 1997 18 1998 17 1999 14 2000 16 2001 54 2002 81 2003 100 2004 123 2005 166 2006 170 2007 165 2008 163 2009 178 2010 211 2011 199 2012 80 (*) até maio Fonte: Hemonúcleo Regional de Jaú/ Fundação Dr. Amaral Carvalho-Jaú


Motivação que vem da equipe “Aqui no hospital se alguém chegar sem esse entusiasmo ou desmotivado, que mude de idéia se não o pessoal do Hospital Amaral Carvalho vai fazer você mudar”. A frase é do engenheiro químico José Maurício, 48 anos, de Três Lagoas (MS). Ele chegou a Jaú em 16 de fevereiro e em 18 de maio passou por um transplante de medula óssea. Maurício lembra que tudo ocorreu muito rápido em sua vida. Não tinha dores, mancha na pele ou cansaço quando descobriu a leucemia. Num exame de rotina descobriu que o basso tinha aumentado de volume. Dias depois estava em avaliação no ambulatório do HAC em Bauru. A descoberta da leucemia mielóide crônica interrompeu suas férias. O quadro era crítico. Um dia depois de chegar a Jaú fez sua primeira quimioterapia. O transplante era questão de dias. Maurício recebeu a medula do irmão mais novo, um fumante que parou com o vício tão logo foi constatada sua compatibilidade para o transplante. Onze dias depois do transplante a medula “pegou” e Maurício passou a ter sua rotina ligada ao hospital tomando medicamentos e soro, quando necessário. No início de julho, quando foi entrevistado pela Conectado Saúde, ele dizia que depois de ter sobrevivido a outra meta para sua vida era voltar à

normalidade, ao trabalho e ser produtivo novamente. Estava motivado a se recuperar. Centenas de amigos manifestaram apoio. A Blíblia também. Ciente da gravidade da doença, Maurício admite que ter informação sobre tudo o que o cerca é fundamental para tomar decisões. “A não informação gera desconfiança e medo. Desde que cheguei aqui estive em reuniões... mais reuniões do que consulta, às vezes com dois médicos. Nunca faltou informação. A gente precisa entender o que está acontecendo para poder ajudar.”

Fraqueza – Situação diferente viveu o pedreiro Armando Oliveira Silva, de Passos (MG). Sua primeira consulta em Jaú foi em 10 de abril. No dia 26 se internou para ser submetido ao transplante de medula óssea. “Descobri a doença na minha cidade. Estava trabalhando e comecei a me sentir muito fraco, tinha fraqueza nas pernas, emagreci muito. Fiz exames e constatou a doença. Fiz tratamento por um ano. Estava até bem, mas a médica achou melhor fazer o transplante.” Armando recebeu a medula do irmão, que veio de Minas Gerais e ficou dez dias no Hospital Amaral Carvalho. A mulher do pedreiro está com ele em Jaú nessa fase de recuperação. Pai de três filhos, ele não vê a hora de voltar para casa e retomar a vida profissional. O bom atendimento que recebe de toda a equipe de TMO lhe dá forças para superar a saudade.

Como funciona a doação de medula óssea • É preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e boa saúde • É necessário se cadastrar como doador voluntário em um hemocentro • No cadastramento, os voluntários doam apenas 10 ml de sangue; • Essa amostra passa por um exame de laboratório, chamado teste de HLA, que determina as características genéticas do possível doador; • As informações são colocadas em um cadastro nacional (Redome) • Quando alguém precisa de transplante, os técnicos do Redome fazem a pesquisa de compatibilidade por entre os registros de todos os doadores cadastrados; • Se for encontrado doador compatível, ele será convidado a fazer outros exames de compatibilidade genética. Se o perfil coincidir com o do paciente que precisa do transplante, o voluntário decide se realmente quer doar; • Durante a doação, o doador recebe anestesia geral. Com uma agulha, a medula é aspirada do osso da bacia; • A quantidade de medula doada é de apenas 10% da medula total. Em 15 dias ela já estará recomposta. Fonte: www.abrale.org.br/doencas/transplante

O que é TMO?

Quando é necessário?

Formas de transplante

É um tipo de tratamento proposto para algumas doenças benignas ou malignas que afetam as células do sangue. Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula

Em doenças do sangue como a Anemia Aplásica Severa e em alguns tipos de leucemias, dependendo do subtipo, idade, e resposta a quimioterapia inicial. No Mieloma Múltiplo e Linfomas, o transplante também pode estar indicado.

Alogênico: as células progenitoras provém de um doador previamente selecionado por testes de compatibilidade, normalmente identificado entre os familiares ou em bancos de medula óssea Autólogo: as células progenitoras provém do próprio paciente. Singênico: as células progenitoras provém de gêmeos idênticos (univitelinos)

Fonte: www.abrale.org.br/doencas/transplante

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HISTÓRIA

Voltarelli, o mentor da ‘Conexão Caipira’ Fotos: Arquivo/Mair de Souza

Congresso de TMO homenageia imunologista pioneiro da pesquisa em célulastronco no Brasil

Júlio Voltarelli (o primeiro da esquerda e no detalhe) e colegas da conexão caipii, incluindo Mair de sousa (centro, camisa azul)

A “Conexão Caipira” sofreu um baque neste ano com o falecimento do seu mentor, o professor Júlio Cesar Voltarelli, médico da Divisão de Imunologia Clínica do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto (FMRP). Ele tomaria posse na presidência da Sociedade Brasileira de Transplantes de Medula Óssea (SBTMO) neste início de agosto. Voltarelli organizava o XVI Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (de 2 a 5 de agosto de 2012 em Ribeirão Preto/SP), mas faleceu em março. O evento, com cerca de 800 participantes do Brasil e do exterior, o manteve como presidente ‘in memorian’ e nomeou Belinda Pinto Simões como presidente da Comissão Científica do XVI Congresso da SBTMO (www.abhheventos.com.br/ sbtmo2012/). Voltarelli tinha profunda ligação com médicos do setor de TMO do Hospital Amaral Carvalho, de Jaú. Um deles, Mair 22 CONECTADO SAÚDE

Pedro de Souza, conta que a morte repentina do imunologista foi um baque para todos os profissionais envolvidos com transplante de medula óssea. “O professor Júlio Voltarelli foi um grande estudioso da área de imunologia e dos transplantes de medula óssea. Com um humor refinado e inteligência ímpar, colocou nosso país em patamar de ampla visibilidade pelos trabalhos que desenvolveu com sua equipe nas pesquisas com células-tronco”, comenta Mair, lembrando da morte do colega, ocorrida em 21 de março aos 63 anos de idade.

Convite dos EUA - Voltarelli publicava com frequência em revistas de importância internacional e foi notícia de impacto internacional quando demonstrou resultados de seus estudos envolvendo transplantes em diabetes. “O impacto de seus dados foi tão impressionante que motivou convite para realizar palestra para deputados e se-

nadores dos EUA, interessados em disponibilizar aos cidadãos americanos a estratégia terapêutica desenvolvida em Ribeirão Preto”. Mair diz que além de cientista, Voltarelli era um formador de profissionais em diferentes áreas da atenção à saúde, desde a graduação até a pós-graduação. “Era uma liderança de grande relevância entre os profissionais envolvidos com transplantes de medula e foi um dos mentores da Sociedade Brasileira de Transplantes de Medula Óssea”. Segundo Mair de Souza, Voltarelli foi um dos idealizadores do grupo de estudos cooperativos envolvendo centros de transplantes do interior paulista, denominado Conexão Caipira – inclui hospitais de Jaú, Barretos, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. “O Júlio personificou um pensamento de Leonardo da Vinci: ‘é preciso ser muito sofisticado para ser simples’. Já faz muita falta”, finaliza o médico jauense.


CONECTADO NOTÍCIAS Gripe suína: cuidado com ela A cada dia novos casos de gripe suína (H1N1) são confirmados em todo o país. Casos de mortes provocados pela doença não ficam atrás. Já passam de centenas. Mesmo assim, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reafirmou que não há risco de uma nova epidemia. Conforme o ministro, o que existe hoje é uma maior circulação do vírus e uma maior estrutura para a sua detecção. Medidas de prevenção: - Usar máscaras cirúrgicas descartáveis em locais com aglomeração de pessoas e pouca ventilação (ajuda, mas não é 100% eficaz) - Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço - Evitar locais com aglomeração de pessoas. - Evitar contato direto com pessoas doentes. - Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal. - Evitar tocar olhos, nariz ou boca. - Lavar as mãos frequentemente com sabão e água (usar ainda álcool gel) - Em caso de adoecimento, procurar assistência médica Dr. Segalla no Oncoguia - Não usar medicamentos sem orientação médica O médico de Jaú José Roberto Martins Segalla foi o representante regional no 3º Fórum Oncoguia, realizado recentemente em São Paulo. Denominado Fórum de Discussão de Políticas de Saúde em Oncologia, o encontro realizado pelo Instituto Oncoguia cumpriu o objetivo de gerar debates que influenciam no aprimoramento de políticas públicas para o câncer. Declarações dos convidados incitaram nos espectadores o amadurecimento político para participação no processo de mudanças e melhorias na saúde. “O político não Remédicos entende a língua que fala o médico, por isso não o escuta. Odontologia do Riso Ele escuta, sim, a sociedade”, refletiu José Getúlio O grupo Remédicos do em Igaraçu Segalla, oncologista clínico do Hospital Amaral Carvalho, Igaraçu do Tietê passa a contar Riso marcou presença em de Jaú. Na foto, José Getúlio Segalla (HAC-Jaú), Luciana neste segundo semestre com eventos importantes em Jaú, Holtz (Instituto Oncoguia) e Robson Ferrigno (SBR) o Centro de Especialidades mostrando sua solidariedade. Osiris Lambert Bernardino/Divulgação Odontológicas (CEO). A Depois de recepcionarem unidade recebeu o nome de os convidados no Encontro dentista Francisco Cerny e foi de Voluntários das Ligas construída por meio de convênio de Combate ao Câncer, os com o Ministério da Saúde. O palhaços atuou em parceria com o Corpo de Bombeiros na Executivo local disponibiliza campanha “Bombeiro Sangue os profissionais e materiais utilizados no trato dentário Bom”. Os remédicos fizeram – o atendimento é gratuito carreata pela cidade para em implante, canal, cirurgia, convidar doadores e deram periodontia, diagnóstico de muita alegria no ginásio onde câncer bucal e confecção de ocorreu a coleta de sangue próteses dentárias (dentaduras e de cerca de 90 bolsas. Um pontes). sucesso!!! CONECTADO SAÚDE 23


ODONTOLOGIA

Jornada dentária Especialistas debatem estética, implante, dor e fotografia na odontologia em encontro anual em Jaú

Programação Dia 29 - 9h às 12h Profa. Dra. Anadelia Soares Tema: “A excelência estética na odontologia adesiva”

Dia 29 - 14h às 18h Temas diversos e voltados para dentistas e estudantes da área estão na programação da 30ª Jornada Odontológica de Jaú, de 29 a 31 de agosto. No encontro anual organizado pela Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas-Jaú (APCD). Paralelamente será realizada também a 25ª Semana de Odontologia Preventiva, com ação em escola da rede municipal. Presidente da APCD-Jaú, o dentista Danillo Montovanelli Júnior diz que a jornada deste ano homenageia Paulo Rezende Ribeiro. “É um dentista de Jaú que trabalha muito para a associação. Esteve em todas as jornadas desde o início, por isso o reconhecimento dessa homenagem.” Ribeiro está na ativa e é associado da APCD. Sobre os palestrantes convidados para a Jornada, Montovanelli explica que a escolha é feita por indicações de associados e pela diversidade dos temas, de forma a agradar a todos, tanto os profissionais experientes na odontologia, como estudantes. A estimativa dele é que o encontro tenha entre 120 e 150 adesões de profissionais. “É uma jornada que recebe muitos dentistas da região. Já tivemos jornada com mais de 200 inscritos”, diz o presidente da APCD. O prazo de adesão termina em 27 de agosto – www. apcdjau.com.br. No dia 31 será realizado o encerramento da jornada com jantar festivo.

Social – Além das palestras voltadas para dentistas, a APCD realiza um evento de alcance social, a Semana Preventiva, que consiste na visita a uma escola municipal para orientar sobre escovação, 24 CONECTADO SAÚDE

Prof. Dr. Victor Clavijo Tema: “Procedimentos clínicos eficazes em odontologia estética”

Dia 30 - 8h às 18h Prof. Flávio Augusto Cardoso de Faria Tema: “Sedação, controle de dor e edema na prática odontológica”

Dia 31 – 8h às 12h Prof. Ivan Yoshio Tema 1: “Escolha de cor através de fotografia digital” Tema 2: “Fotografia odontológica digital - câmera e qualidade de imagem”

Dia 31 - 14h às 18h Prof. Fábio Tobias Perassi Tema: “Endodontia ao alcance de todos: simplificando o preparo do canal e sua obturação” Fonte: APCD-Jaú

distribuição de kits com escola e creme dental. Danillo Montovanelli Júnior explica que é criado um “escovódromo” na escola para orientar estudantes da faixa de 6 a 8 anos de idade. “É uma forma de retribuir para a cidade o que ela nos proporciona”, destaca o presidente da APCD, que tem nos planos a criação de um escovódromo fixo na sede da entidade, em parceria com o poder público. O trabalho da Semana Preventiva é coordenado pela diretora de prevenção da APCD, Priscila Delamano Criado. O dentista Renato Avelino de Oliveira Junior é o presidente do evento em 2012.

APCD Jaú Rua Gumercindo do Amaral Carvalho, 70 17211-090 - Jaú - SP (14) 3621-1666 contato@apcdjau.com.br www.apcdjau.com.br


CONECTADO SAÚDE 25


Adriana Bueno

social Hora da beleza Studio Fausto Gomes - Cabelo & Arte comemora primeiro aniversário recebendo clientes. Para abrilhantar o evento contou com consultor técnico Fabrício Pessoa, da Matrix Loreal, que demonstrou produtos especiais para hidratação. A linha de produtos de beleza fez sucesso e teve aprovação unânime das clientes.

Adriana Bueno

Adriana Bueno

Fabrício Pessoa, a modelo Marina Gambarini e Guilherme Real, assistente do Studio

Fausto Gomes e equipe: Denise Bonilha, o assistente Guilherme Real e Danielle (esposa)

Fausto ao lado de Rosana Coimbra Ometto, que levou as filhas Maria Eugenia e Victoria

Divulgação

Divulgação

Feijoada social A sociedade se reuniu em torno da mesa por uma boa causa dias atrás. No amplo salão do Jahu Clube, o Voluntariado Eventos promoveu um feijoada beneficente e atraiu gente do bem. As fotos mostram alguns dos colaboradores com a causa da Santa Casa de Jaú Divulgação

Angela Ometto Dias e Antonio Dias de Jesus na companhia de Antonio Luiz Cremasco (integrante da Mesa Diretora da Santa Casa de Jaú) e Lúcia Cremasco em evento beneficente

Paulo César Grange

Deputado na Santa Casa

O provedor Alcides Bernardi Júnior e sua esposa, a presidente do Voluntariado Eventos, Rita Ester Masiero Bernardi, com a filha, Mônica Masiero Bernardi, que prestigiou o e evento na companhia do marido, o também médico Gaudêncio Guidorzi Neto 26 CONECTADO SAÚDE

O deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP) visitou a Santa Casa de Jaú dias atrás. Na foto, ele aparece ao lado da administradora do hospital, Scila Andrea Pascoalotte Carretero. Ele analisa novas emendas para completar uma que já garante recursos para compra de equipamentos


Divulgação

Integração e motivação Serviu para integrar as voluntárias o encontro anual realizado em Jaú. Mais de 2,5 mil pessoas que se dedicam ao paciente oncológico estiveram no evento, que também tem um efeito motivador muito grande para quem dele participa. Casos e histórias contadas no encontro mostram que o ser humano precisa ser mais solidário com o próximo e esquecer as mesquinharias. Um brinde a todos! Divulgação

Secretário de Saúde de Jaú, Dr. Abdala Atique deu as boas vindas no evento e garantiu que a Prefeitura está pronta para colaborar com a causa no que for necessário. Ao lado dele, Ricardo Cesarino Brandão (presidente da FAC), José Eduardo Nadalet (organizador do encontro), Antonio Luís Cesarino de Moraes Navarro (superintendente da FAC) e o deputado federal Devanir Ribeiro (PT)

Divulgação

Dom Francisco José Zugliane, bispo de Amparo, abençoou a festa realizada para celebrar o bem que a ajuda ao próximo proporciona. Aproveitou para tirar fotos com dirigentes do Hospital Amaral Carvalho Divulgação

A coordenadora de Assistência e Serviço Social do HAC, Vanessa de Moraes, recepcionou a equipe da revista Conectado Saúde, cuja diretora comercial, Adriana Bueno, fez contatos importantes para alavancar a nova publicação sobre saúde no Estado de São Paulo

A cúpula tucana do Estado de São Paulo também se fez presente no encontro realizado em Jaú. O governador Geraldo Alckmin anunciou liberação de verbas para hospitais da cidade, inclusive para a Santa Casa, representada pela administradora Scila Carretero. Presidente do PSDB, o deputado bauruense Pedro Tobias marcou presença Ariane Urbanetto/Divulgação HAC

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Sangue Bom Integrantes do grupo Remédicos do Riso se unem em prol de uma casa: a doação de sangue na campanha promovida pelos bombeiros

Causa nobre A equipe da Entidade Anna Marcelina de Carvalho e do Serviço Social da FAC (Fundação Amaral Carvalho) aproveitou evento de vulto para vender camisetas da campanha McDia Feliz 2012 CONECTADO SAÚDE 27


CONECTADO NOTÍCIAS Palestra para o Vivaleite na Barra O médico Jaime Roberto Spanghero, pediatra da rede municipal de saúde de Barra Bonita, fez palestra sobre saúde da criança e da família, destacando a importância da higiene corporal e do ambiente, cuidados com a alimentação do bebê e da criança, enfocando erros comumente cometidos pelos pais, a importância da vacinação e ainda desmistificou mitos praticados na sociedade. O evento foi organizado pelo Departamento Municipal de Saúde para as 150 famílias beneficiárias dos Projetos Vivaleite e Leite Social.

De Jaú para Barretos Leitor da Conectado Saúde enviou a foto ao lado para mostrar um caso de sucesso e que poderia servir de exemplos para instituições locais. A Femalhas (feira de roupas) realizada em Jaú, recentemente, cobrou ingresso de R$ 2 e destinou a renda para o Hospital do Câncer de Barretos. Logo na entrada no recinto cartaz avisava que os organizadores eram “solidários” com o hospital de fora. Os valores arrecadados não foram informados, mas certamente reforçou o caixa da instituição que trata do câncer em Barretos.

250 no Fórum da Alegria O 2º Fórum da Alegria em Saúde do Hospital Amaral Carvalho atraiu cerca de 250 pessoas. Oficinas, palestras interativas e apresentações de grupos foram as atrações. No encerramento estava lá de novo os Remédicos do Riso, criado há dez anos e que atua em consonância com o hospital do câncer. Uma das organizadoras do evento, Eneida Stefanoni, ressaltou a importância do humor no ambiente hospitalar e no tratamento de qualquer doença. Um encontro como esse contribui para que mais pessoas se envolvam em trabalhos voluntários. Na foto, Eneida Stefanoni, Ricardo Brandão e Vanessa Moraes 28 CONECTADO SAÚDE

Barra: Centro de Fisioterapia Está em construção em Barra Bonita o novo Centro de Fisioterapia. O prédio, com 300m2, está sendo edificado no bairro Cohab. O local terá salas de ginástica, avaliação, recepção, administração, turbilhão, aparelhos, sanitários masculino e feminino. O espaço contará também com equipamentos modernos. O custo é de R$ 500 mil, com verbas federais intermediada pelo barra-bonitense Paulo Matheus.

Santa amamentação A Semana Internacional da Amamentação foi comemorada de 1º a 8 de agosto pelo Departamento de Gestação de Alto Risco (Gestar) e pelo Banco de Leite da Santa Casa de Jaú. As palestras foram ministradas por profissionais trabalham em setores envolvendo gestantes e recém-nascidos, como as enfermeiras Claudete Ferreira, Emika Nakasato Arato, a nutricionista Lisiane Aguiar Scheeren, a técnica em enfermagem Rogéria Priscila da Silva Miguel e a fonoaudióloga Juliana Di Chiachio.


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Marcos Marchi

Reeducação fiscal ou nos perderemos em algum lugar do passado Nos últimos tempos temos ouvido e lido notícias de uma política de revitalização de nossa economia, iniciada pela desoneração da folha de pagamento das empresas, em que a contribuição patronal é substituída em alguns setores pelo recolhimento em percentagem entre 1 e 1,5% sobre o faturamento. Isso faz com que setores agraciados por essa mudança se tornem mais competitivos, com a diminuição do custo dos reflexos que recaem sobre a mão-de-obra, em especial os encargos sociais. Entende o governo que, alterando a forma de pagamento de parte dos valores devidos à Previdência Social, haverá um custo menor da mão-de-obra. Seguindo esta política, encontraremos uma diminuição dos juros bancários, tão cruéis e caros como temos em nosso país, e desonerando alguns segmentos do IPI, possibilitando uma diminuição do preço de produtos como veículos e eletrodomésticos. Pois bem, toda essa política demandará

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diminuição da arrecadação tributária, certo? Errado! Nos últimos anos temos convivido com mudanças profundas no sistema de informação tributária. Temos hoje no país um controle fiscal de grande eficiência e voracidade, justamente por isso precisamos repensar e nos reeducarmos para essa nova economia. Este sistema de informação é e será cada vez mais alimentado de tal forma que nada passará sem que antes esteja informado aos computadores que enxugam estas informações e traduzem em procedimentos mais rápidos e eficientes na fiscalização e acompanhamento a todos, pessoas físicas e pessoas jurídicas. Por consequência, trarão aumento na arrecadação de impostos. É óbvio que se toda esta mudança que vem nos abraçando dia a dia, principalmente nos últimos anos, tornarem-se em beneficio do país, em especial do povo, poderemos acreditar que esta política se tornou justa e benéfica. Vamos aguardar e ver o que o futuro nos apresentará.

Marcos Marchi é contabilista e consultor de empresas.


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