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Revisão da líteratura

Segundo Campos Granell & Ramón Cervera (2001), Tschiene defende uma maior aproximação às características específicas de cada modalidade desportiva, valorizando a competição como elemento de desenvolvímento da performance. Neste contexto, Tschiene (1994), reportando-se ao caso específico do Futebol, salienta que o desenvolvimento da capacidade específica de rendimento, na maior parte dos casos, é obtido através da acumulação de jogos do campeonato. Em sua opinião, em muitas modalidades desportivas, a planificação do treino não tinha obtido resultados efectivos, uma vez que não havia uma verdadeira teoria do treino, pois as existentes mantinham um carácter basicamente analítico. Assim, as bases teóricas não se ajustavam à realidade da prática desportiva, até porque, a partir dos anos 70, o modelo de Matvéiev não oferecia alternativas úteis para a maioria dos desportos. Por outro lado, o processo de treino era baseado em esquemas parciais desconexos entre si e eram utilizados períodos extremamente longos de preparação geral que em nada beneficiavam as altas prestações desportivas. O último factor apresentado por Tschiene justificando a falta de resultados efectivos, por parte das teorias anteriores, relacionava-se com o facto da planificação do treino ser realizada sem considerar as características individuais dos sujeitos (Campos Granell & Ramón Cervera, 2001). Assim, segundo Caixinha (2001), Tschiene faz uma proposta pioneira relativamente à distribuição da carga durante a temporada, fundamentada na manutenção de volumes e intensidades elevadas durante todo o ciclo de treino. A dinâmica das cargas, em forma de pequenas ondas, determina mudanças frequentes e pouco intensas nos componentes da carga. Verifica-se a predominância da intensidade em unidades de treino relativamente curtas, onde se destacam as cargas de competição. Este autor utiliza o controlo individual das competições, como procedimento para desenvolvimento e manutenção da forma, através do incremento da intensidade específica. Introduz ainda o “intervalo profiláctico” (desde o período preparatório), após a aplicação de cargas específicas e antes das competições. Oliveira (1999) afirma que as formulações contidas no modelo desenvolvido por Tschiene foram um primeiro passo para a orientação da preparação nos jogos desportivos colectivos, contudo insuficiente, já que não explicitavam suficientemente as características da programação e organização do treino. Segundo Garganta (1993), Platonov (1991) refere que a periodização do treino pode ser efectuada segundo duas formas básicas. Assim, por um lado, poderiam ser utilizados microciclos e mesociclos de choque, implicando visíveis variações do volume, da intensidade e da complexidade das cargas, provocando oscilações na forma 14

Vitor Frade  

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