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Revisão da literatura equipa de Futebol. Neste contexto, Olabe Aranzábal (2002) entende que é necessário que todos os jogadores da equipa estejam associados, tenham uma ideia e um objectivo comum. “Tudo no Futebol, incluindo a criatividade, necessita de se apoiar numa ordem” (Valdano, 1998, p. 26). Todavia, é extremamente importante estarmos conscientes de que a ordem pretendida resulta do treino de cada dia (Olabe Aranzábal, 2002). Caso os eventos e comportamentos fossem exclusivamente casuais e aleatórios, seria impossível impor o nosso saber, a nossa vontade. Caso não fosse criada uma certa rotina, regularidade e predictibilidade (através do treino), o jogo resumir-se-ia a uma série interminável de escolhas aleatórias, com consequências também aleatórias e tomar-nosia prisioneiros impotentes da sorte (Araújo & Garganta, 2002). Neste sentido, o Futebol é um fenômeno de “incertezas inteligentes” (Garcia Lavera, 2002). Em síntese, gostaríamos de salientar que o jogo de Futebol não está condenado a decorrer de forma aleatória, O acaso não deve orientar a actividade dos futebolistas. A ordem ou organização é um elemento imprescindível para que as equipas de Futebol consigam dar cumprimento àquilo que normalmente se designa por ‘jogar bem”. Em decorrência do anteriormente exposto, Aguirre Onaindia (2002) considera que o mais importante em Futebol é jogar bem, i. e., ter onze elementos orientados para o mesmo objectivo. Jogar bem é tomar decisões correctas e levar a efeito o que se pratica durante a semana (Pérez García, 2002; Aguirre Onaindia, 2002; Mel Pérez, 2002). Seguindo esta ordem de ideias, pode afirmar-se que com o treino se visa jogar melhor (Garcia Lavera, 2002). Se atentarmos em algumas das afirmações proferidas pelos autores acima referidos, constata-se uma relação directa entre alguns dos aspectos relativos à natureza do jogo de Futebol e o respectivo treino. Esses autores atribuem grande importância ao treino enquanto processo regulador da actividade competitiva em Futebol, O facto de Garganta (1 999a) considerar que, conforme se quer jogar, assim se deve treinar, reforça a ideia que acabamos de expor. Em sintonia com as ideias acima apresentadas, Frade (2001) afirma que o Futebol não é um fenómeno natural, é um fenómeno construído através do processo de treino. Contudo, este processo deve ser devidamente pensado e planeado, pois só assim é possível a realização de uma preparação científica da equipa (Teodorescu, 1984). Neste sentido, o mesmo autor salienta que o planeamento é uma necessidade e que este se constitui como ajuda para o trabalho do treinador. Assim sendo, tal como inicialmente nos questionamos acerca da natureza do jogo de Futebol, pensamos ser de toda a pertinência, neste momento, fazer uma alusão ao processo de treino, caracterizando-o e abordando alguns dos conceitos que lhe são inerentes, nomeadamente o seu planeamento e periodização. 5

Vitor Frade  

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