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Berlusconi Voto de confiança passa e abre nova crise

Arte Confira a tradição dos presépios napolitanos

História Patrimônio histórico é destruído em Pompéia www.comunitaitaliana.com

Ano XVII – Nº 150

ISSN 1676-3220

R 7,00 R$ 11,90

Rio de Janeiro, dezembro de 2010

Passaporte em alta Movidas pelo bom momento da economia, filas triplicam em busca de vistos e documento brasileiro na Itália

Domenico De Masi destaca papel da CI em seu número 150


Está nos números. Está no dia a dia dos brasileiros. Estamos vivendo o Brasil de todos.

35,7 milhões

de brasileiros subiram de classe social

e

27,9 milhões superaram a pobreza.*


www.obrasildetodos.com.br *Fonte: PNAD/IBGE. Elaboração: FGV/CPS (ascensão social) e IPEA (superação da pobreza).


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D e z e mbro de 2010

Ano XVII

Nº150

Nossos colunistas 06 | Cose Nostre Leandro Demori

Itália demonstra interesse em sistema de votação eletrônica utilizado pelo Brasil

16 | Fabio Porta Dilma non incontrerà le stesse condizioni favorevoli trovate da Lula

17 | Ezio Maranesi La drammatica situazione di Napoli `e da addebitare esclusivamente alle sue pessime amministrazioni, ai napoletani che le hanno votate e allo scarso sprito civico della popolazione

36

18 | Paride Vallarelli

O Brasil ganha destaque internacional pelo equilíbrio e crescimento da economia e traz a baile a valorização de vistos de trabalho para estrangeiros e o documento do passaporte

Especial 12 | Domenico De Masi Conhecido mundialmente como um dos mais originais pensadores, o sociólogo Domenico De Masi dedica artigo ao que une e separa Brasil e Itália e ressalta importância dos 150 números da revista ComunitàItaliana para as duas nações

Perfil 19 | Gemmelagio Rio de Janeiro e Florença tornam-se cidades irmãs

Atualidade 20 | Calamidade Mal tempo e má administração geram perdas incalculáveis para o patrimônio histórico em Pompéia

23 | Donna É criada associação para defender e auxiliar as mulheres que querem conquistar maior espaço no mercado de trabalho italiano

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30 | Corrupção Escritor denuncia relações entre o crime organizado e o Estado e dá dicas de como a sociedade deve agir contra o “inimigo”

32 | Guerra ao tráfico Depois das ações dos governos Estadual e Federal contra o crime organizado no Rio de Janeiro, novas iniciativas visam a melhoria das condições de vida de populações em favelas

Política 24 | Poder Silvio Berlusconi recebe voto de confiança e protestos violentos marcam o país

26 | Entrevista Antes de deixar o cargo, Lula agradeceu a sua ex ministra Marina Silva, que ganhou grande destaque durante a campanha presidencial articulada pelo nosso entrevistado: o ambientalista João Paulo Capobianco

dezembro 2010 | comunitàitaliana

Arte 28 | Presépios As tradições dos presépios italianos. Arte milenar que retrata o sacro e o profano

54 | Teatro Libro di foto fatte dietro le quinte di spettacoli presentati alTheatro Municipal di Rio de Janeiro conclude Il centenario del monumento

56 | Traços Os desenhos eróticos de Milo Manara podem ganhar versão inspirada na mulher brasileira 61 | Ciência Museu é inaugurado em Florença em homenagem a Galileu Galilei e em seu acervo estão restos mortais do físico

Arte 63 | Turismo As comemorações pelos 100 anos do charmoso trem que liga a Itália à Suíça

Passione: luoghi comuni a volte poco lusinghieri sugli italiani, non perch`e offensivi, quanto piuttosto perch`e semplicimente il trito e ritrito leitmotiv dell’italiano amatore e suonatore di organetto

53 | Andrea Ciprandi Ratto È il caso di porsi alcune domande circa la gestione della violenza ma anche quella della biglietteria e degli impianti

Moda 42 | Prada A marca Prada se rende a globalização e passa a adotar selo de origem de seus produtos não realizados na Itália


Editorial

Expediente

150

C

hegamos a edição de número 150. Para falar sobre a importância do feito, convidamos nosso colaborador Domenico De Masi, um dos mais respeitados sociólogos e pensadores da atualidade, que, para a alegria de nossa equipe, leitores e patrocinadores, contextualizou a revista Comunità como fundamental para as relações entre a Itália e o Brasil através de um paralelo entre as duas sociedades. “Em todos esses anos, a ComunitàItaliana abordou os temas comuns ao Brasil e à Itália, contou a história e os méritos dos oriundos, contribuiu significativamente para lhes dar uma identidade a ser motivo de orgulho. Agora, finalmente, a todos – empresários, artistas, políticos, intelectuais – que na Itália se deram conta do imponente progresso em curso no Brasil, que querem desenvolver laços aqui e além do oceano, começam a descobrir também a revista ComunitàItaliana e o precioso serviço que essa presta para os dois Países”. Nossa revista chega a essa marca renovada. Com um projeto gráfico inovador, que acompanha a tedência das melhores publicações no mundo, oferecemos a partir desta edição, mais conteúdo com melhor legibilidade e leveza para manuseá-la e degustá-la por completo. Destacamos o belo trabalho do artista gráfico Alberto Carvalho, que ganha corpo nestas páginas. Com esse número comemoramos também uma nova atitude social. A união entre os poderes e os cidadãos de bem contra o crime organizado. Esse tema é abordado em texto sobre a batalha que chamou a atenção da mídia internacional pela postura com que se observa a busca por um estado do Rio de Janeiro com maior qualidade de vida para seus cidadãos. Da Itália, o escritor Nando dalla Chiesa, ajuda a entender as ligações perigosas entre o poder institucional e a máfia. Para combater esse mau, nos dá dez mandamentos na obra “A convergencia” a serem utilizados pelos civis em qualquer sociedade corrompida. Contrastando com uma ação responsável, por incompetência administrativa, tivemos estragos de valor incalculável em Pompéia. Com a falta de estrutura e manutenção no sítio arqueológico que é patrimônio histórico da humaniPietro Petraglia dade, as chuvas que assolaram a bota no mês de novembro Editor causaram danos irreparáveis. Mas quem parece ter blindagem impenetrável é mesmo o primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Apesar de fontes darem como certas as eleições na próxima primavera italiana, o cavaliere conseguiu de novo escapar de uma queda conseguindo uma ridícula maioria de três votos na Câmara dos Deputados no último dia 14. Incrível é observar que o país passa por um momento de pobreza política tão grande, que mesmo com todos os protestos, mesmo com todos os escândalos envolvendo vários níveis do governo atual, fala-se que Berlusconi ainda poderia vencer nas urnas, caso seja candidato, por falta de uma liderança capaz de afrontar o delicado período de críse econômica pelo qual passa a Itália. Líder absoluto de vendas entre os famosos bonecos de presépios napolitanos, o premier é a encarnação do sacro e do profano retratado por artesãos dessa arte milenar, visitada em reportagem de nossa correspondente Aline Buaes. Na última edição do ano, desejamos a todos um Natal maravilhoso e um ano de 2011 de boas conquistas e saúde. Boa leitura!

Fundada

em

março

dezembro 2010 | comunitàitaliana

1994

Diretor-Presidente / Editor: Pietro Domenico Petraglia (RJ23820JP) Diretor: Julio Cezar Vanni Publicação Mensal e Produção: Editora Comunità Ltda. Tiragem: 40.000 exemplares Esta edição foi concluída em: 16/12/2010 às 18:00h Distribuição: Brasil e Itália Redação e Administração: Rua Marquês de Caxias, 31, Niterói, Centro, RJ CEP: 24030-050 Tel/Fax: (21) 2722-0181 / (21) 2722-2555 e-mail: redacao@comunitaitaliana.com.br Redação: Guilherme Aquino; Nayra Garofle; Sarah Castro; Sílvia Souza; Janaína Cesar; Lisomar Silva REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco Projeto Gráfico e Diagramação: Alberto Carvalho arte@comunitaitaliana.com.br Capa: Divulgação Colaboradores: Pietro Polizzo; Venceslao Soligo; Marco Lucchesi; Domenico De Masi; Fernanda Maranesi; Beatriz Rassele; Giordano Iapalucci; Cláudia Monteiro de Castro; Ezio Maranesi; Fabio Porta; Paride Vallarelli; Aline Buaes; Franco Gaggiato CorrespondenteS: Ana Bizzotto (São Paulo); Guilherme Aquino (Milão); Janaína Cesar (Treviso); Leandro Demori (Roma); Lisomar Silva (Roma); Quintino Di Vona (Salerno); Robson Bertolino (São Paulo) Publicidade: Rio de Janeiro - Tel/Fax: (21) 2722-2555 comercial@comunitaitaliana.com.br RepresentanteS: Sergio Percope Rio de Janeiro - Tel: (21) 2245-8660 (21) 8136-7427 spercope@comunitaitaliana.com.br Minas Gerais - GC Comunicação & Marketing Geraldo Cocolo Jr. Tel: (31) 3317-7704 / (31) 9978-7636 gcocolo@terra.com.br ComunitàItaliana está aberta às contribuições e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos e estrangeiros. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, sendo assim, não refletem, necessariamente, as opiniões e conceitos da revista. La rivista ComunitàItaliana è aperta ai contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori e sprimono, nella massima libertà, personali opinioni che non riflettono necessariamente il pensiero della direzione. ISSN 1676-3220

8

de


cosenostre Julio Vanni

Tecnologia para votar presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro

O

Ricardo Lewandowski, levou às autoridades italianas em Roma, o sistema de votação eletrônica utilizado no Brasil. Em palestra que contou com a presença do ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, expôs o funcionamento da máquina e ouviu do ministro, que é responsável pela organização e realização das eleições no país europeu, o interesse do uso da tecnologia aqui aplicada. Lewandowski enfatizou características como segurança, transparência, baixo custo e eficiência que justificam sua implantação. Durante as eleições deste ano, o governo italiano enviou dois observadores no primeiro turno para acompanhar todo o processo técnico. As principais curiosidades demonstradas foram sobre a certificação, a transmissão de dados e a transparência do processo.

Energia a expectativa pela paridade de custos entre a energia

N

solar e outras fontes de eletricidade, a Itália necessitará investir até 2020 um total de 90 bilhões de dólares no setor. A intenção é alavancar sua capacidade de geração de energia renovável em 47 gigawatts. A estimativa é da organização não governamental Pew Charitable Trusts. “Para igualar os preços, o governo deverá reduzir a partir de 2011 as tarifas atuais das contas para a energia solar, mas mesmo com estes cortes, a análise do Bloomberg New Energy Finance indica que a Itália será o mercado mais interessante nos próximos anos para a energia solar fotovoltaica. E no mercado ocupa uma posição privilegiada para investimentos e financiamentos de energia limpa”, destaca o documento.

Emigração propósito, um relatório

Dicionário eputados conferiram

divulgado pela Fundação Migrantes sobre os italianos no mundo atesta que a Itália “ainda é um país de emigração”. Segundo o documento, hoje os cidadãos italianos inscritos nos registros dos residentes no exterior são 4.028.370, o equivalente a 6,7% da população total que habita o território italiano. Os dados mostram um aumento da imigração italiana para o exterior. Em 2009, os residentes fora da Itália eram 113 mil a menos, e, há quatro anos, eram um milhão a menos em relação aos dados registrados em abril deste ano pela mesma fundação. Aos cidadãos inscritos nos registros se somam os de origem italiana, que segundo o relatório representam “uma outra Itália”, sendo cerca de 80 milhões residentes principalmente no Brasil, Argentina e Estados Unidos.

Divulgação Pirelli

À

2011

bate à porta e o tradicional Calendário Pirelli expõe em suas páginas a beleza das raízes da civilização clássica. Divindades, heróis e mitos são os protagonistas no trabalho de Karl Lagerfeld, nesta 38ª edição da publicação. ‘Mythology’ apresenta 15 modelos (entre as quais as italianas Bianca Balti e Elisa Sednaoui e a ítalo-brasileira Isabeli Fontana), 5 presenças masculinas e a atriz americana Julianne Moore. Em 36 fotos em preto e branco, Lagerfeld propõe uma representação ideal e imortal da beleza: “A atualidade da mitologia está no amor pela juventude, no culto ao corpo, na aceitação do desejo sem o castigo divino e na homenagem permanente à Mãe Natureza”, conceitua o alemão.

Rapidinhas Presidente do Conselho Fiscal da Câmara de Comércio Italiana do Rio Grande do Sul, Giovanni Cataldi Neto, recebeu Prêmio Destaque do Instituto Brasileiro de Executivo de Finanças do estado. Calisto Tanzi, fundador e ex-proprietário do grupo italiano Parmalat, foi condenado a 18 anos de prisão em processo sobre a falência da empresa em 2003 que deixou um buraco de 14 bilhões de euros. A sentença foi proferida em um tribunal de Parma.

Parceria que reúne a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria de Minas Gerais e a prefeitura de Belo Horizonte, entre outras entidades, o Projeto ITES para empregabilidade de jovens ítalo-brasileiros foi lançado no início do mês. Mais informações: lavoro@italiabrasil.com.br. A 9ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, ocorrerá entre os dias 6 e 10 de julho de 2011. A curadoria é de Manuel da Costa Pinto.

D

em primeira mão o primeiro “Dicionário da emigração italiana 18612011, história de uma semântica tricolor”. O volume será publicado na Itália março de 2011 e reune “palavras, símbolos, sons e emoções de uma página particularmente importante da história italiana”. Com autoria de Mina Capusso e Tiziana Grassi, o dicionário será distribuído entre as várias comunidades italianas no exterior.

Laura Pausini diz não rincipal atração

P

da festa de lançamento do Fiat Bravo, no Rio de Janeiro, a cantora italiana Laura Pausini cancelou sua participação no evento. A violência, no estado, que culminou na tomada de território do Complexo da Penha e do Alemão pela polícia teriam sido o motivo da recusa da artista. Segundo release divulgado pela companhia, Pausini alegou motivos pessoais para justificar a ausência.

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Opinião enquetes Madres de clausura criam blog na Itália para se aproximarem dos jovens. É uma boa estratégia?

Sim - 83,3% Não - 16,7% No site www.comunitaitaliana.com entre os dias 27/11 a 01/12.

frases “O Milan é brasileiro na alma, é impossível não ficar bem aqui. Eu já não me movo. Quero ficar mais dez anos”,

‘’Não encontraremos novos caminhos para o nosso desenvolvimento econômico e social se humilharmos um dos recursos mais ricos da Itália: o recurso da cultura na sua acepção unitária’’,

Robinho, atacante brasileiro do clube, ao elogiar o estilo do clube italiano.

Giorgio Napolitano, presidente da Itália, ao entregar os prêmios De Sica, no Quirinale, sede da presidência.

Visto italiano dependerá de teste de proficiência do idioma. Você concorda?

“Uma noite, eu e Brad saimos para jantar e queria me vestir e colocar salto alto. Quando terminamos o jantar, tivemos que pedir galochas emprestadas porque a água subiu tanto que não podíamos andar pelas ruas. Mas essa é a mágica de Veneza”,

Sim - 80% Não - 20% No site www.comunitaitaliana.com entre os dias 01/12 a 03/12.

Copa do Mundo: Rússia, em 2018 e Catar, em 2022. Você aprova a escolha da Fifa?

Sim - 83,3% Não - 16,7% No site www.comunitaitaliana.com entre os dias 03/12 a 07/12.

Adriano, Ronaldinho, Diego e Felipe Melo disputam o prêmio de pior jogador da Itália.É justo?

Sim - 66,7% Não - 33,3%

Angelina Jolie, atriz, sobre sua temporada na Itália, onde gravou “The Tourist” com Johnny Depp

“Espero que esta inauguração nos traga sorte: estamos no final de um ano que foi muito importante para a Ferrari, com bons resultados no campo desportivo, mas principalmente nos campos econômico e industrial”,

“Não temos amigo melhor. Ninguém defende a administração norteamericana com a mesma coerência com a qual nestes anos Berlusconi defendeu as administrações de [George W.] Bush, [Bill] Clinton e [Barack] Obama”,

Luca Cordero di Montezemolo, presidente da Ferrari, durante a inauguração da primeira loja dedicada exclusivamente aos fãs da marca do “cavallino rampante”.

Hillary Clinton, Secretária de Estado dos Estados Unidos, ao confirmar as ótimas relações entre os dois países.

No site www.comunitaitaliana.com entre os dias 07/12 a 10/12.

cartas

“S

aber que a massa “pode e deve” ser incluída numa dieta saudável como mostrou a matéria da última edição foi uma grande surpresa para mim. Sempre ouvi de muitos médicos e nutricionistas que esse tipo de carboidrato não era recomendável. Só posso dizer que fiquei feliz por não precisar deixar minha macarronada fora do prato! Lucimara P. Bizzo – São Paulo – SP – por e-mail

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“I

nteressante a matéria sobre a legalização do aborto. Eu sou totalmente contra. Para mim, isso seria compactuar com um crime. Ninguém tem direito de tirar a vida do outro. Seja qual for a situação, se ela existe é porque Deus assim permitiu. Nos cabe apenas aceitá-la e seguir adiante. Assunta Peregrino – Campinas – SP – por e-mail


Serviço agenda

no Museu Julio de Castilhos, em Porto Alegre. Mais informações: (51) 3221-3959. Arte no Paraná O Estado da Arte - 40 anos de Arte Contemporânea no Paraná 1970-2010. Inédita, a mostra pretende fazer um retrato da arte local. As 150 obras, aproximadamente, dos 80 artistas integrantes desta coletiva são apresentadas em dois núcleos. Na sala intitulada Poéticas Transitivas, estão trabalhos produzidos entre os anos de 1970 e 1990. A sala chamada de Expresso 2000 concentra-se na produção atual. Esta apresentação marca a culminância do projeto Artistas Paranaenses, desenvolvido pelo MON, desde 2003, com o objetivo de exibir e divulgar

tos do acervo arquitetônico Art Déco do Rio de Janeiro, entre fachadas, monumentos, interiores, móveis, objetos e detalhes arquitetônicos. Até 30 de janeiro, na Caixa Cultural. Outras informações: (21) 2262-8152.

do acervo do Instituto Moreira Salles, além de uma seleção de cerca de 60 obras de linguagens variadas, de artistas modernos e contemporâneos, que abordam a imagem da capital federal. Organizada em dois núcleos, discute os simbolismos de Brasília e a condição atual da arquitetura e do urbanismo contemporâneos. No primeiro, apresenta parte da valiosa coleção de fotografias de Marcel Gautherot, Peter Scheier e Thomaz Farkas. No segundo núcleo, a imagem da capital aparece em trabalhos de linguagens variadas por meio de mapas, cédulas de dinheiro, recortes de jornal, cartazes, cartões-postais, vídeos e fotografias. São obras realizadas por artistas como Waldemar Cordeiro, Cildo Meireles, Almir Mavignier, entre outros. Até 16 de janeiro, na Galeria de Arte do Sesi. Telefones: (11) 3146-7405 / 3146-7406. Marcel Gautherot

Revolução Farroupilha Com objetivo de mostrar as passagens e os personagens importantes da Guerra dos Farrapos, a exposição expõe objetos pessoais além de documentos e acervos da época. Traz peças como a fita de Antônio de Souza Neto, lanternas de campanha, faixas, lenços, distintivos, fragmentos de antigos navios, lanças, ponta de lanças, e o espadim usado por Garibaldi, o grande destaque da mostra são as pinturas Bento Gonçalves da Silva, José Gomes de Vasconcellos Jardim de F. Polrh, Ponte da Azenha de Luiz Cúria, Casa Branca de V. Cervásio, Carga de Cavalaria foto) de Guilherme Litran e General Antônio de Souza Netto de Azevedo Dutra. A partir de 23 de janeiro,

Rio Art Déco A mostra coloca em pauta o tema Art Déco. A iniciativa serve como preparação para o 11º Congresso Mundial de Art Déco, que acontecerá em agosto de 2011, pela primeira vez numa cidade da América Latina. Estão em exposição mais de 100 fo-

DIvulgação

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a arte produzida no Estado. A obra em destaque, Entre Um e Outro, é de Lahir Ramos. No Museu Oscar Niemeyer. Informações: (41) 3350-4400

Brasília em São Paulo As construções de Brasília. Mostra com 140 fotografias

clickdoleitor O Imperador – Os portões de Roma Romance histórico que inaugura a saga O Imperador, que vendeu três milhões de exemplares em todo o mundo e foi traduzida para 23 idiomas. A vida do grande líder Júlio César e o império de tiranos, escravos, intrigas e paixões da Roma antiga são destacados por Conn Iggulden com base em relatos comprovados por descobertas arqueológicas. Júlio César, o mais lendário de todos os monarcas, ascendeu de chefe político a chefe militar, e de chefe militar a ditador. Para contar essa história, Iggulden acompanha a trajetória dos irmãos Caio e Marco, em pleno colapso da República romana. Editora Record, 378 páginas, 49,90 reais.

Colona é a nona! A história da imigração italiana contada por uma avó. A professora de italiano Lydia Gabellini, neta de quatro avós imigrantes do nordeste da Itália conta como os valores, hábitos, cultura e alimentação influenciaram a vida na casa de seus pais e nas gerações seguintes. Com ilustrações de Ana Terra, o livro é dividido em dez capítulos e volta no tempo para contar a crianças e adolescentes características do Rio Grande do Sul e da Itália, desde os idos de 1800. Editora Comunicação Impressa, 68 páginas, preço sob consulta.

Arquivo pessoal

naestante

“A

Itália sempre terá parte em nossas vidas e em outubro de 2003 aproveitamos uma viagem de 15 dias no país para passar por Padova, terra de meus bisavô e avô, que eram da localidade de Saleto di Montanha. Uma graça. Também estivemos no Vaticano, lugar de extrema beleza”. Jorge Bertin e Maria Neiva Bertin Porto Alegre, RS — por carta

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comunitàitaliana150 DomenicoDeMasi

A lição do Brasil La lezione del Brasile Empresários, artistas, políticos, intelectuais que na Itália se deram conta do imponente progresso em curso no Brasil, descobrem a revista ComunitàItaliana e o precioso serviço que essa presta para os dois Países

Imprenditori, artisti, politici, intellettuali che in Italia si sono accorti dell’imponente progresso in atto nel Brasile, scoprono anche la rivista ComunitàItaliana e il prezioso servizio che esso rende ai due Paesi Domenico de Masi é um dos mais originais e criativos pensadores do nosso tempo. Sociólogo, especialista em Sociologia do Trabalho, professor da Universidade La Sapienza, de Roma, fundador e diretor da S3 Studium, escola voltada para as ciências organizacionais, Domenico de Masi é autor de vários livros, entre eles alguns cujos títulos deixam claro o aspecto revolucionário de suas idéias: “Desenvolvimento sem trabalho”, “O futuro sem trabalho”, “O ócio criativo”, “A emoção e a regra”.

Domenico De Masi è uno dei più originali e creativi pensatori del nostro tempo. Sociologo, specialista in Sociologia del Lavoro, professore ordinario presso l’Università La Sapienza di Roma, fondatore e direttore della S3 Studium, scuola rivolta alle scienze organizzative, Domenico De Masi è autore di vari libri, tra cui qualcuno il cui titolo lascia chiaro l’aspetto rivoluzionario delle sue idee: “Sviluppo senza lavoro”, “Futuro senza lavoro”, “Ozio creativo”, “L’emozione e la regola”.

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A

revista ComunitàItaliana está desenvolvendo um importante papel para as relações culturais e econômicas entre o Brasil e a Itália. Papel tanto meritório quanto longo e tenaz no tempo. Hoje na Itália todos olham o Brasil com admiração, considerando-o, justamente, como um dos países mais prestigiosos do primeiro mundo. Mas por muitas décadas o Brasil foi considerado do terceiro mundo, frívolo e subdesenvolvido onde os nossos antepassados mais pobres emigravam com a esperança de matar a fome, mas sem grandes perspectivas, essas reservadas somente aqueles que chegavam nos Estados Unidos. Em todos esses anos, a ComunitàItaliana abordou os temas comuns ao Brasil e à Itália, contou a história e os méritos dos oriundos, contribuiu significativamente para lhes dar uma identidade a ser motivo de orgulho. Agora, finalmente, a todos – empresários, artistas, políticos, intelectuais – que na Itália se deram conta do imponente progresso em curso no Brasil, que querem desenvolver laços aqui e além do oceano, começam a descobrir também a revista ComunitàItaliana e o precioso serviço que essa presta para os dois Países. Vale a pena, portanto, recordar as afinidades que os aproximam e as diferenças que ainda os separam. Em junho, o “Financial Times” dedicou um inserto triunfante ao New Brazil, marcando um aumento de nove pontos no seu PIB; em novembro o Le Monde Diplomatique dedicou sete páginas à nova classe média brasileira. Na Europa, estes argumentos sócio-econômicos determinam uma admiração crescente

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L

a rivista ComunitàItaliana sta svolgendo un ruolo importante nei rapporti culturali ed economici tra Brasile e Italia. Ruolo tanto più meritevole quanto più lontano e tenace nel tempo. Oggi in Italia tutti guardano al Brasile con ammirazione, considerandolo, a buon diritto, come uno dei paesi più prestigiosi del Primo Mondo. Ma per molti decenni il Brasile è stato considerato come un Terzo Mondo frivolo e sottosviluppato dove i nostri antenati più poveri emigravano con la speranza di sfamarsi ma senza le rosee prospettive riservate ai compatrioti che approdavano negli Stati Uniti. In tutti questi anni, ComunitàItaliana ha intercettato i temi comuni al Brasile e all’Italia, ha raccontato la storia e i meriti degli oriundi, ha contribuito in misura notevole a conferire loro una identità di cui essere orgogliosi. Ora, finalmente, tutti coloro – imprenditori, artisti, politici, intellettuali – che in Italia si sono accorti dell’imponente progresso in atto nel Brasile e che intendono stringere legami al di qua e al di là dell’Oceano, cominciano a scoprire anche ComunitàItaliana e il prezioso servizio che esso rende ai due Paesi. Vale perciò la pena di ricordare le affinità che li accomunano e le differenze che tuttora li separano. A giugno il Finacial Times ha dedicato un inserto trionfale al New Brazil, che va marcando una crescita di nove punti nel suo PIL; a novembre Le monde diplomatique ha riservato sette pagine alla nuova classe media brasiliana. In Europa questi argomenti socio-economici determinano un’ammirazione crescente per il Brasile, molto più del fatto


pelo Brasil, muito mais pelo fato de que em 2014 vai se- che nel 2014 esso ospiterà la World Cup e nel 2016 diar a Copa do Mundo e as Olimpíadas em 2016. ospiterà le Olimpiadi. O Brasil – que está reescrevendo a geografia do mundo Il Brasile – che sta riscrivendo la geografia del monem termos de cultura, liberdade e economia – tem uma do in termini di libertà, cultura ed economia – ha una área 28 vezes maior do que a Itália e uma população de superficie 28 volte più vasta dell’Italia e una popolazio194 milhões de habitantes: mais que três vezes em rela- ne di 194 milioni di abitanti: più che tripla rispetto a ção à italiana. O Brasil pode se dar ao luxo de ter grandes quella italiana. Il Brasile potrebbe concedersi il granespaços: em média, para cada quilômetro quadrado há 23 de lusso degli spazi: mediamente, in un chilometro pessoas, enquanto que na Itália há 196 habitantes. Porém, quadrato vivono 23 abitanti mentre in un chilometro como neste caso a média significa muito pouco, parado- quadrato dell’Italia vivono 196 abitanti. Mai, però, xalmente, na verdade, 87% da população brasileira está come in questo caso la media significa ben poco: paraconcentrada no litoral, enquanto que na Itália, estão dis- dossalmente, infatti, l’87% della popolazione brasiliana tribuídas em um monte de cidades pequenas e médias. è ammassata nelle grandi città della costa mentre quelRoma, a maior metrópole italiana, não tem mais do que 3 la italiana vive ben distribuita in una miriade di città milhões de habitantes, enquanto São Paulo (terceira maior piccole e medie. Roma, che è la più grande metropoli cidade do mundo depois de Tóquio e Deli) tem mais de 20 italiana, non supera i 3 milioni di abitanti, mentre San milhões e o Rio de Janeiro, 12 milhões de habitantes. Paolo (terza città del mondo dopo Tokio e Deli) ha 20 Em comparação com a Itália, o Brasil é um país mui- milioni di abitanti e Rio de Janeiro ne ha 12. to mais jovem. A expectativa de vida do italiano é de 83 Rispetto all’Italia, il Brasile è un paese molto più anos, os italianos com mais de 60 anos de idade repre- giovane. La speranza di vita di un italiano è di 83 anni, sentam 27% do total e aqueles com menos de 15 anos gli italiani con più di 60 anni di età rappresentano il representam apenas 14%. Em vez disso, a expectativa 27% del totale e quelli con meno di 15 anni rapprede vida do brasileiro é de 74 anos, brasileiros com mais sentano solo il 14%. Invece la speranza di vita di un de 60 anos são apenas 10% do total, mas aqueles com brasiliano è di 74 anni, i brasiliani con più di 60 anni menos de 15 anos representam até 25 por cento. sono appena il 10 per cento del totale ma quelli con Vamos dar uma olhada na riqueza. Entre as eco- meno di 15 anni raggiungono il 25 percento. nomias mais fortes do mundo, a Itália está em sétimo Diamo uno sguardo alla ricchezza. Tra le economie più lugar com um PIB de 2,203 bilhões de dólares, enquan- forti del mondo l’Italia è al settimo posto con un PIL di to o Brasil está em décimo lugar com um PIB de 1.575 2.203 miliardi di dollari mentre il Brasile è al decimo posto bilhões dólares. Como a população brasileira é muito con un PIL di 1.575 dollari. Poiché la popolazione brasimaior, a diferença entre os liana è molto più numerosa, dois países torna-se enorme la differenza tra i due Paesi se passamos a comparar PIB diventa enorme se si passa a per capita: na média, um paragonare il PIL pro-capite: brasileiro dispõe de 8.200 in media un brasiliano didólares por ano, enquanto spone di 8.200 dollari l’anno um italiano dispõe de 38.000 mentre un italiano dispone dólares. Mas a riqueza prodi 38.000 dollari. Però la ricduzida no Brasil aumenta em chezza prodotta dal Brasile 8 pontos por ano, enquanto aumenta di 8 punti all’anno a italiana não aumenta nem mentre quella italiana non Auditorium de Ravello, desenho de Oscar Niemeyer mesmo em 2 pontos. aumenta neppure di 2 punti. Auditorium di Ravello, disegno di Oscar Niemeyer Em que áreas estão traIn quali settori lavobalhando os brasileiros? rano i brasiliani? Il 7% è Cerca de 7% estão empregados na agricultura, 28% na occupato in agricoltura, il 28% nell’industria e il 65 nei indústria e 65% nos serviços. Os italianos, no entanto, servizi. Gli italiani, invece, lavorano solo per il 2% in apenas 2% trabalham na agricultura e até mesmo 71% agricoltura e addirittura per il 71% nei servizi. nos serviços. A differenza del Brasile, la grande maggioranza deAo contrário do Brasil, a grande maioria dos ita- gli italiani appartiene alla classe media. Ma anche qui lianos pertencem à classe média. Mas mesmo aqui as le cose vanno pareggiandosi. In Brasile, negli ultimi ancoisas estão se equiparando. No Brasil, nos últimos ni, i poveri sono diminuiti di 26 milioni; il proletariato anos, os pobres foram reduzidos em 26 milhões, o è aumentato di 8 milioni; la classe medio-bassa (balcoproletariado aumentou em 8 milhões, e a classe média nistas, professores de ensino fundamental, auxiliares baixa (balconistas, professores de Ensino Fundamen- de enfermagem, auxiliares de escritòrio, receptionistas, tal, Auxiliares de Enfermagem, Auxiliares de escritório, motoristas, garçons, barbero, cabeleireiras, manicures, recepcionistas, motoristas, garçons, barbeiros, cabe- trabalhaadores qualificados, ecc.) è aumentata di 20 leireiras, manicures, trabalhaadores qualificados etc) milioni; la classe media (gerentes, professores de nìvel aumentou em 20 milhões; a classe média (Gerentes, médio, profssionais da segurança p§blica, militares, professores de nivel médio, profissionais de Seguran- enfermeiras, trabalhadores de nìvel técnico, ecc.) è ça Pública, Militares, enfermeiras, Trabalhadores de aumentata di 8 milioni; la classe medio-alta (piccoli imNível Técnico etc) aumentou em 8 milhões; a clas- prenditori, medici, ingegneri, professori universitari, se média-alta (proprietários de pequenos negócios, giuristi, manager, ecc.) è aumentata di 2 milioni e mezzo. médicos, engenheiros, professores universitários, adCiò significa che 38,5 milioni di brasiliani hanvogados, gerentes etc) aumentou em 2 milhões e meio. no visto migliorare il loro tenore di vita in termini di

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comunitàitaliana150 DomenicoDeMasi

Isso significa que 38,5 milhões de brasileiros têm melhorado seu padrão de vida em termos de cuidados de saúde, habitação, transportes, segurança, alimentação, educação, cultura, entretenimento, aprendizagem de línguas estrangeiras, esportes, viagens, condições psicológicas. Entre 2004 e 2008 as reservas monetárias chegaram a 235 bilhões de dólares, a economia cresceu mais do que na Índia e na China. A Embraer produz aeronaves de alta qualidade, a siderurgia produz o melhor aço inoxidável do mundo, a JBS oferece comida de todo o planeta, a Rede Globo entretém com suas novelas. A difusão da televisão na Itália e no Brasil é mais ou menos igual. Se ao invés comparamos o número de computadores, telefones celulares e as assinaturas de Internet, a Itália tem o dobro ou até o triplo. Outras diferenças a favor da Itália chamam atenção no comércio mundial, que está em 9º lugar, enquanto o Brasil está apenas em 27º. Mas o Brasil é a quarta potência do mundo para a agricultura e é um dos maiores produtores de estanho, níquel, alumínio, óleo de semente, algodão, energia. A Itália supera em grande escala o Brasil nas receitas do turismo e da produção de patentes, enquanto o Brasil vai muito além da Itália na produção de automóveis e no incremento do mercado de ações. Fizemos uma cesta de cifras e agora podemos dar-nos algumas considerações. Stefan Zweig publicou em 1941 o Brasil: país do futuro, no qual ele afirma que este país estava “sem dúvida, destinado a desempenhar um papel importante no desenvolvimento do futuro do planeta”. Desde então, os brasileiros se auto-ironizam sobre a profecia de Zweig e Jorge Amado a usa no País do carnaval como provocação contra os ricos estúpidos e presunçosos. Mas desde que Oscar Niemeyer completou em apenas quatro anos a construção de Brasília, quando o visionário presidente Juscelino Kubitschek a inaugurou (1960), desde quando Fernando Henrique Cardoso curou a economia em dois mandatos (1995-2002) e desde que Luiz Inácio Lula da Silva concluiu a obra através da exploração do mercado interno, melhorando o bem-estar das classes pobres e curando de uma forma inteligente a imagem externa, a profecia de Zweig saiu do mundo das metáforas para entrar no mundo das estatísticas. O aspecto mais importante deste sucesso é o de que o Brasil conseguiu chegar até aqui como Brasil. Enquanto que o Japão pagou um alto preço em termos antropológicos, americanizando excessivamente a sua cultura, enquanto a Rússia cedeu às seduções de um capitalismo selvagem, que não se importa em se misturar com o crime, o Brasil cresce sem renunciar a sua latinidade alegre, acolhedora, sensualidade, extroversão. Quarenta raças convivem juntas pacificamente, o samba e a bossa nova não se renderam ao rock, a TAM recebe seus passageiros a bordo de suas aeronaves como uma “empresa orgulhosa de ser brasileira”, a brasilidade estabeleceuse como a característica essencial na missão da Globo. Claro, o Brasil é um país marcado por grandes

assistenza sanitaria, abitazione, trasporti, sicurezza, alimentazione, istruzione, cultura, divertimenti, apprendimento delle lingue straniere, palestre, viaggi, condizione psicologica. Tra il 2004 e il 2008 le riserve monetarie sono arrivate a 235 bilioni di dollari; l’economia è cresciuta più dell’India e della Cina. L’Embraer produce aerei di altissima qualità, la siderurgia sforna il migliore acciaio del mondo, la JBS fornisce tutto il pianeta di prodotti alimentari, la rete Globo lo intrattiene con le sue telenovelas. La diffusione della TV a colori in Italia e in Brasile è più o meno pari. Se invece si compara il numero di computer, di cellulari e di abbonamenti a internet, l’Italia ne ha il doppio o addirittura il triplo. Altre differenze a favore dell’Italia si rimarcano nel commercio mondiale, dove è al nono posto mentre il Brasile è solo al ventisettesimo. Però il Brasile è la quarta potenza mondiale per produzione agricola ed è uno dei maggiori produttori di stagno, nichel, alluminio, cotone, oli di semi, energia. L’Italia supera di gran lunga il Brasile nei ricavi da turismo e nella produzione di brevetti, mentre il Brasile supera di gran lunga l’Italia nella produzione automobilistica e nell’incremento del mercato azionario. Abbiamo fatto una scorpacciata di cifre e ora possiamo concederci qualche considerazione. Nel 1941 Stefan Zweig pubblicò Brasile: terra del futuro, in cui sosteneva che questo paese era “indubbiamente destinato a giocare uno dei ruoli più importanti nello sviluppo futuro del pianeta”. Da allora, i brasiliani auto-ironizzano sulla profezia di Zweig e Jorge Amado la usa nel Paese del carnevale come sfottò contro i ricchi stupidi e presuntuosi. Ma da quando Oscar Niemeyer completò in soli quattro anni la costruzione di Brasilia, da quando il visionario presidente Juscelino Kubitschek la inaugurò (1960), da quando Fernando Henrique Cardoso risanò l’economia in due mandati (dal 1995 al 2002) e da quando Luiz Inàcio Lula da Silva ha completato l’opera valorizzando il mercato interno, migliorando il welfare nei confronti delle classi disagiate e curando in modo intelligente l’immagine esterna, la profezia di Zweig è uscita dal mondo delle metafore per entrare nel mondo delle statistiche. L’aspetto più rilevante di questo successo è che il Brasile lo ha ottenuto restando Brasile. Mentre il Giappone ha pagato un prezzo altissimo in termini antropologici, americanizzando eccessivamente la propria cultura, mentre la Russia ha ceduto alle lusinghe di un capitalismo efferato, che non disdegna la commistione con la criminalità, il Brasile è cresciuto senza rinunziare alla sua latinità gioiosa, fatta di accoglienza, di allegria, di sensualità, di estroversione. Quaranta razze vi convivono pacificamente, il samba e la bossa nova non hanno capitolato di fronte al rock, la TAM vi accoglie a bordo dei propri aerei dandovi il benvenuto di una compagnia “orgogliosa di essere brasiliana”, la brasilianità è affermata come tratto irrinunciabile nella mission della Globo. Certo, il Brasile resta un paese segnato da grandi ineguaglianze sociali, da esplosioni intollerabili di

“O aspecto mais importante deste sucesso é o de que o Brasil conseguiu chegar até aqui como Brasil. Enquanto que o Japão pagou um alto preço em termos antropológicos”

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desigualdades sociais, explosões intoleráveis de violência que envenenam a convivência e impedem o desenvolvimento do turismo, por uma burocracia ineficiente e muitas vezes corrupta. Mas dois mandatos de Cardoso serviram para equilibrar o real com o dólar e para dar ao país auto-estima; e os dois mandatos de Lula, que continuou pelo menos em parte a política econômica de seu antecessor, tem servido para criar 14 milhões de novos empregos, para proteger o Brasil dos efeitos da crise internacional, para ampliar a classe média, sem a qual nenhum país pode sair do subdesenvolvimento. Ambos – FHC e Lula – consolidaram a democracia em um país que, de 1964 a 1984, sofria os estragos de um governo militar do qual conseguiu escapar sem derramamento de sangue. Hoje Lula – “carisma, charme e prestígio”, como definido pelo Financial Times – ao final de seu segundo mandato, tem 70 por cento de um consenso interno e uma estima mundial incondicional. É o primeiro presidente do Brasil nascido em uma família pobre que durante anos trabalhou como mineiro e não tem um diploma universitário. No entanto, como ele mesmo gosta de ressaltar com orgulho, é o presidente que criou mais universidades e que abriu suas portas para o maior número de estudantes pobres, a fim de construir uma economia baseada no conhecimento e progresso científico, para a melhoria contínua da qualidade de vida. Nas eleições de outubro, foram comparados a protegida de Lula, Dilma Roussef, simpática, sanguinea e batalhadora, com José Serra, protegido de Cardoso, economista de origem calabresa, ex-ministro de FHC, depois prefeito e governador do Estado de São Paulo. Qualquer um deles teria sido um líder digno de dois grandes predecessores. Justamente o oposto da Itália, onde a iminente eleição reserva ao vencedor, seja ele quem for, a terrível tarefa que o espera: a de restaurar o orgulho, o equilíbrio, a dignidade e a esperança para um país desanimado com uma economia em declínio, sem uma estratégia, afundado no ridículo por um líder que sempre coloca seus próprios interesses e os seus próprios vícios pessoais em detrimento da comunidade. Costumo ir ao Brasil e tenho o privilégio de ser um cidadão honorário do Rio de Janeiro. Infelizmente, devo confessar que a mesma sensação assustadora que se tinha 30 anos atrás, desembarcando de Roma para São Paulo, hoje se sente para quem vai de São Paulo para Roma. Me conforta, porém, o pequeno consolo de que a cada ano, no seminário que organizo na Itália, para discutir a criatividade, participam ilustres brasileiros – de cientistas, como os economistas Gleiser e Pitanguy a economistas como Arrida e Giannetti, de políticos como José Serra e Luiz da Silveira a escritores como Afonso Romano de Santanna e Marina Colassanti, de jornalistas como Roberto d’Avila a empresários como Roberto Irineu Marinho. E o Auditorium, projetado em Ravello por Oscar Niemeyer é destinado a criar uma ponte cultural entre a velha Europa e o jovem Brasil.

violenza che avvelenano la convivenza e impediscono lo sviluppo turistico, da una burocrazia inefficiente e spesso corrotta, da un forte debito con l’estero. Ma i due mandati di Cardoso sono serviti per pareggiare il real con il dollaro e per conferire autostima al paese; i due mandati di Lula, che ha proseguito almeno in parte la politica economica del predecessore, sono serviti per creare 14 milioni di nuovi posti di lavoro, per proteggere il Brasile dagli effetti negativi della crisi internazionale, per allargare quella classe media senza la quale nessun paese può uscire dal sottosviluppo. Entrambi – Cardoso e Lula – hanno consolidato la democrazia in un paese che, dal 1964 al 1984, ha subìto l’ingiuria di un governo militare dal quale è riuscito a liberarsi senza spargimento di sangue. Oggi Lula – “carisma, charme e prestigio”, come lo ha definito il Financial Times – alla fine del suo secondo mandato, gode del 70 per cento di consensi interni e di una stima incondizionata in tutto il mondo. E’ il primo presidente del Brasile che è nato in una famiglia poverissima, ha fatto per anni il minatore e non ha una laurea. Tuttavia, come egli stesso ama sottolineare orgogliosamente, è il presidente che ha costruito più università e che ne ha dischiuso le porte al maggior numero di studenti poveri, nell’intento di costruire un’economia basata sulla conoscenza e sul progresso scientifico, per un miglioramento continuo della qualità della vita. Nella competizione elettorale di ottobre, si sono confrontati la delfina di Lula, Dilma Roussef, simpatica, sanguigna e battagliera, con José Serra, delfino di Cardoso, economista di origini calabresi, ex ministro di Cardoso, poi sindaco di San Paolo e governatore dello Stato di San Paolo. Chiunque dei due avesse vinto, sarebbe comunque stato un leader degno dei due grandi predecessori. Proprio l’opposto dell’Italia dove si profilano elezioni in cui il vincitore, chiunque esso sia, sarà al di sotto del terribile compito che lo attende: quello di restituire orgoglio, equilibrio, speranza e dignità a un paese demotivato, con una economia in dissesto, senza una strategia, affondato nel ridicolo da un leader che antepone sistematicamente il proprio interesse e i propri vizi personali alle sorti della collettività. Vado spesso in Brasile e ho il grande privilegio di essere cittadino onorario di Rio de Janeiro. Debbo purtroppo confessare che la stessa sensazione scoraggiante che trenta anni fa si aveva sbarcando da Roma a San Paolo, oggi si avverte sbarcando da San Paolo a Roma. Mi conforta però la piccola consolazione che ogni anno, al seminario che organizzo in Italia per discutere della creatività, vengono illustri personaggi brasiliani – da scienziati come Gleiser e Pitanguy a economisti come Arrida e Giannetti, da politici come José Serra e Luiz da Silveira a scrittori come Alfonso Romano de Santanna e Marina Colassanti, da giornalisti come Roberto d’Avila a imprenditori come Roberto Irineu Marinho. E l’Auditorium progettato per Ravello da Oscar Niemeyer è destinato a creare un ponte culturale tra la vecchia Europa e il giovane Brasile.

“L’aspetto più rilevante di questo successo è che il Brasile lo ha ottenuto restando Brasile. Mentre il Giappone ha pagato un prezzo altissimo in termini antropologici”

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opinione FabioPor ta

La vera Olimpiade “I

Continuare a crescere riducendo le disuguaglianze: la scommessa di Lula che tocca a Dilma vincere

una forte riduzione della spesa pubblica (anche a costo di ridurre fortemente il peso delle politiche sociali e di conseguenza i servizi offerti ai cittadini in materia di sanità, previdenza e scuola) e solo dopo alcuni anni di questa cura sarebbero stati in in grado di riprendere il ciclo virtuoso che aveva caratterizzato il continente europeo come l’unica area del mondo dove era stato possibile coniugare sviluppo economico e welfare state. Questo modello, a quanto pare, non sembra avere funzionato: l’Europa di oggi sta attraversando uno dei suoi peggiori cicli economici, contraddistinto da una crescita media molto bassa e da un generale impoverimento della popolazione, senza che al tempo stesso si intraveda ancora una via d’uscita sostenibile a questa crisi. E’ per questo che quanto è successo in quest’ultima decade in Brasile costituisce in Brasile qualcosa di straordinario. Mentre il Paese in questi anni cresceva ad un ritmo costante e sostenuto, ventidue milioni di persone uscivano dalla soglia della povertà grazie a specifiche politiche di carattere sociale; e tutto ciò non avveniva a scapito della classe media, che parallelamente si rafforzava divenendo per la prima volta (e non solo numericamente) dominante e di conseguenza protagonista

Divulgação

“Dilma non incontrerà le stesse condizioni favorevoli trovate da Lula”

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Ricardo Stuckert

Ricardo Stuckert

l Brasile è l’unico grande Paese al mondo dove la crescita e lo sviluppo sono stati accompagnati da una parallela drastica riduzione delle disuguaglianze”: con queste parole l’ex Primo Ministro italiano Romano Prodi ha voluto rendere omaggio al Paese che più di ogni altro ha saputo conquistarsi in questi anni un ruolo ed una credibilità forte e duratura sul piano internazionale. Ho ascoltato (e condiviso) le parole di Prodi nel corso di un incontro tenutosi poche settimane fa nel cuore della campagna Toscana, in un piccolo centro in provincia di Siena dove si è tenuto per un paio di giorni un seminario parlamentare. L’affermazione di Prodi – che oltre ad essere stato per due volte negli ultimi quindici anni Presidente del Consiglio italiano ha ricoperto anche il delicato e prestigioso incarico di Presidente dell’Unione Europea negli anni immediatamente precedenti alla realizzazione della moneta unica, l’Euro – merita un approfondimento ed una riflessione da parte di chi, come me ma anche (credo) di chi legge abitualmente questa rivista, segue con attenzione e magari con uno sguardo “italiano” le vicende di questo Paesecontinente chiamato Brasile. Uno dei dilemmi della politica italiana ed europea di questi ultimi anni, infatti, è stato quello della cosiddetta “politica dei due tempi”: i governi europei, sostenevano in tanti, dovevano procedere con fermezza e rigore ad

del “boom economico” brasiliano. Sono consapevole che tale lettura può suonare riduttiva e semplicistica alle orecchie di qualcuno, ma credo trattarsi comunque di un dato di fatto statisticamente incontestabile e politicamente incontrovertibile. Se è infatti vero che tale “miracolo” è stato reso possibile grazie ad una congiuntura favorevole da un lato, e ad una disparità sociale arrivata a livelli così alti da rendere quasi obbligatoria una relativa riduzione, è altrettanto vero che gli altri Paesi del BRIC (Russia, India e Cina) in condizioni simili di crescita economica non hanno ridotto nella stessa misura

le loro profonde disuguaglianze sociali. E’ probabile che la nuova Presidente del Brasile non incontrerà le stesse condizioni favorevoli trovate da Lula, a partire dal livello di espansione dell’economia mondiale: la sua sfida sarà quindi più difficile, e questo anche perché si tratterà, dopo aver ridotto le ingiustizie sociali più scandalose, di dare all’intera popolazione risposte serie in materia di educazione, sanità pubblica, sicurezza e infrastrutture. Solo dalla capacità di dare una risposta positiva e strutturale all’insieme di questi problemi sarà possibile far derivare un primo e compiuto giudizio sull’operato di Dilma Rousseff. Un giudizio che, parallelamente, ci dirà se il Brasile vincerà la sua speciale Olimpiade: quella di un Paese che si candida ad essere un vero e grande leader mondiale dei prossimi dieci anni.


opinione

EzioMaranesi

Domanda senza risposte Dove metteremo la spazzatura di Napoli?

A

vevo cenato da Mimí alla Ferrovia, tradizionale ristorante di cucina napoletana. Camminavo verso l’hotel lungo via d’Aragona, sporca, poco illuminata, pochissimi passanti, un cane randagio, un paio di puttane. Dal cielo cadde un sacco di spazzatura. Si ruppe, rovesciando parte della immondizia sulla strada. Per poco non mi colpí. Un uomo in canottiera si affacciò ad una finestra del terzo piano, guardò sotto e si ritirò. Avvenne alcuni anni fa, e me ne ricordo quando i media mostrano le montagne di spazzatura che soffocano Napoli. E’ un problema cronico: Napoli e la Campania, con i loro governi di sinistra, non l’hanno risolto. Non è un problema politico, è di competenza e di onestà. Napoli ha un esercito di spazzini e ha avuto soldi, anche europei, per risolverlo. Vi sono state collusioni con la camorra? Certamente. Due anni fa Berlusconi l’onnipotente promise che in 10 giorni avrebbe ripulito la città. Ci riuscí. Ma Berlusconi non puó risolvere

in 10 giorni un problema di cultura civica che ha radici antiche. La soluzione ora indicata è: versare la spazzatura nelle discariche napoletane per tre anni, costruire 4 termovalorizzatori e farli funzionare, investire in mezzi ed educazione civica per avviare la raccolta differenziata. Vi sono 5 discariche nei dintorni di Napoli. La gente impedisce con tutti i mezzi, soprattutto illeciti, il passaggio degli autocarri della nettezza urbana. Volti stravolti e paonazzi inveiscono in TV contro Berlusconi, che non c’entra nulla. La protesta ha ragioni valide, ovviamente. Ma se l’immondizia non può essere versata nelle discariche, dove può essere messa? Un blog ha posto la domanda. Ha ricevuto risposte oscene, che non riportiamo, o suggestive: nell’isola dei famosi, nei giardini di villa Certosa, nel piazzale di Montecitorio, ecc. E perché non in piazza del Plebiscito, a Napoli, visto che si tratta di immondizia napoletana? Il blog ha chiuso per autocensura. Il governo chiede ora alle Regioni di ospitare parte della spazzatura. Alcune accettano, altre no. Ma potrà Bologna essere la discarica di Napoli per i prossimi 3 anni? Aspettiamoci giorni torridi, nel napoletano. Interverrà l’esercito, altri autocarri saranno bruciati, la gente indignata e paonazza continuerà ad inveire, ripresa dalle telecamere di Annozero che ha un motivo in più per mazzolare Berlusconi. Ma il problema,

nei prossimi 3 anni, non lo risolve né Berlusconi né Santoro. Lo potranno risolvere solo gli abitanti dei sobborghi di Napoli se accetteranno la spazzatura nelle discariche vicino a casa. Sarà un sacrificio, un pericolo, una resa umiliante, ma non c’à altra via d’uscita. Saviano non poteva esimersi dal dire la sua. Ne ho ammirato il coraggio. Il suo “Gomorra” è una veemente denuncia contro la camorra. E’ costretto a vivere con la protezione di una scorta armata. Il successo però gli ha dato alla testa. E’ ospite in un programma settimanale TV a 50.000 euro al colpo, e pontifica su tutto. Ha fascino, quindi si è propensi a credergli, ma ciò non significa che reciti il Vangelo. Ora accusa il Nord di essere responsabile della situazione di Napoli, per aver scaricato rifiuti tossici nelle discariche campane, in collusione con la mafia. E’ un fatto provato e una vergogna per le imprese che l’hanno fatto. Mi chiedo però cosa facesse allora questa stessa gente che oggi brucia i camion della spazzatura napoletana quando vedeva passare davanti a casa i veleni nordisti. Mi chiedo perché questa gente lascia cadere a pezzi la sua bellissima città. Mi chiedo perché non cerca di liberarsi della camorra. L’anno prossimo celebreremo i 150 anni della unità d’Italia e la filippica di Saviano contro il nord è quanto mai inopportuna. La drammatica situazione di Napoli è da addebitare esclusivamente alle sue pessime amministrazioni, ai napoletani che le hanno votate e allo scarso spirito civico della popolazione. Io non ho mai visto a Cremona, o a Varese, sacchi di spazzatura piovere dal cielo.

“La drammatica situazione di Napoli è da addebitare esclusivamente alle sue pessime amministrazioni, ai napoletani che le hanno votate”


opinione ParideVallarelli

L’Italia della Globo Guai a chi si lascia andare ai soliti luoghi comuni…

C

onfesso i miei peccati, ebbene sí, seppur “costretto”, anche al sottoscritto è capitato di sottomettersi al rito collettivo che coinvolge l’intera nazione brasiliana, ossia quello di dover assistere (non sempre, sia chiaro) alle telenovelas che impazzano su tutti i canali TV a qualsiasi ora del giorno. Già, questa malsana abitudine che affligge decine di milioni di persone di ogni ceto e casta per vicende di tradimenti e violenti litigi, di falsità e gelosie, non mi riesce proprio di capirla. Non sarebbe comunque mia intenzione scrivere di telenovelas in questo spazio, ma da alcuni mesi a questa parte su Rete Globo passa alle 9 di sera Passione. Si, perché si tratta di una telenovela molto popolare che narra la storia di una famiglia di origini italiane (mi par di aver capito così…) e che inizialmente vive in Toscana per poi spostarsi a San Paolo dove intrighi amorosi e altro si susseguono in continuazione. Beh, scusate la mia ignoranza ma non saprei davvero raccontarla meglio. Eppure, quel che mi è fin da subito balzato agli occhi di questa soap opera è stato l’evidente uso ed abuso di stereotipi che infarciscono le vicende sentimentali di Totò, uno dei personaggi principali e più popolari. Luoghi comuni a volte poco lusinghieri sugli italiani, non perché offensivi, quanto piuttosto perché semplicemente il trito e ritrito leitmotiv dell’italiano amatore e suonatore di organetto, come diceva Winston Churchill. Lasciamo perdere la “mescolanza” linguistica che accomuna alcuni personaggi di Passione che parlano uno slang italo-portoghese che, a mio parere, è ridicolo e buffo al tempo stesso (l’uso delle parolacce in italiano è fenomenale…), ma il Totò lottatore e guerriero che per amore varcherebbe solitario le

Colonne d’Ercole e che quando grida mi viene il terrore che gli scoppi la giugulare incarna il mito italico del maschio istintivo, passionale e un poco animale (soprattutto quando suda). Eppure amici, riflettendoci bene mi accorgo di essermi sbagliato. Già, chiedo scusa ma quel che ho detto in merito agli stereotipi sugli Italiani è falso. Mi rendo conto di non aver capito che l’Italia è il paese dei nani e delle ballerine, dei suonato-

professa magnanimo e generoso perché vorrebbe aiutarle tutte (se è per questo le aiuterei ben volentieri anch’io). E per non parlare del nostro patrimonio artistico e ambientale assai decantato (lasciamo perdere le rovine di Pompei perché appunto sono rovine e quindi prima o dopo cascano…) usato per originalissime “modifiche” che abbiano lo scopo di dare lustro a colui che tutto può zompando da una villa all’altra tra festini colorati e ritrovi di amici intimi (cioè in intimità). Già, questo è il paese del Bengodi e dell’amore, di “tuttabuonagente” e, dulcis in fundo, della pizza, della pasta, del mandolino e della mafia (ma non al Nord per rispetto alla Lega… baciamo le mani!). Ed allora, perché prendersela con Passione e Totò? Perché pensare tutto il male possibile di questa telenovela, che in realtà non è che la parodia della Bella Italia

ri di organetto (sempre per come la diceva Churchill), di genio e sregolatezza, di inguaribili romantici che tradiscono alla prima che capita, di puttanieri e santi, di navigatori ed eroi… Può bastare così? Ma sí, proprio mi ero scordato di chi tiene in alto i vessilli del nostro paese magari in una serata estiva cantando accompagnato dal suo fido musico un repertorio di canzoni melodiche e strappalacrime mentre sullo sfondo anche al suggestivo Vesuvio verrebbe voglia di eruttare benché non gli riesca. O ancora mentre abbraccia tante belle ragazze (che ci sia scappata anche qualche toccatina?) e si

che tanto ci manca e che qualche lacrimuzza ci fa versare? Già, e non fatemi citare Gaber che cantava “Io non mi sento italiano ma per fortuna o purtroppo lo sono” quando ormai gli mancava poco da vivere e che un segno, anzi un solco, nel paese dei tanti Pulcinella (quelli che a bugie e frottole sono abbonati da sempre) e dei tanti Pantalone (quelli che pagano sempre le tasse e finiscono per essere tartassati anche per causa di chi evade il fisco) ha tracciato. Italia, che Passione!

“Già, e non fatemi citare Gaber che cantava ‘Io non mi sento italiano ma per fortuna o purtroppo lo sono’”

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Gemellaggio

Ritmo de passione Embaixador carioca comemora gemellaggio entre Rio de Janeiro e Florença Nayra Garofle

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Stelio Amarante no Palácio da Cidade, que já foi sede da embaixada da Inglaterra

Fotos: Roberth Trindade

apital cultural do Brasil, o Rio de Janeiro se tornou, em novembro, cidade-irmã de Florença, a capital cultural da Itália. Esse é um projeto que vinha ocupando o coordenador de Relações Internacionais da Prefeitura carioca, embaixador Stelio Marcos Amarante. Ele conta que foi o prefeito da cidade italiana quem procurou o Rio para propor o gemellaggio – como esse tipo de parceria é conhecido. O objetivo, explica, é facilitar transferências de tecnologia, moda e experiência com o turismo. — Florença tem muito para nos oferecer, como por exemplo, na área de restauro. O Rio também tem muito a dar na questão do turismo. Será uma boa parceria — comemora o embaixador lembrando que no ano que vem será festejado o Momento Itália Brasil. O entusiasmo do diplomata por assuntos relacionados com a Itália é antigo. Ele confessa que sempre desejou ser o embaixador do Brasil na Itália. Amarante decidiu ser diplomata após vencer um concurso do jornal O Globo, em 1963, no

qual tinha de escrever sobre o muro de Berlim. Como prêmio, uma viagem de 15 dias para a Alemanha. Amarante estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro, cursou a Faculdade Nacional de Direito e chegou ao Instituto Rio Branco. — Meu primeiro posto, em 1967, foi na Suíça, já como Segundo-Secretário. Uma das primeiras coisas que fiz foi visitar a Itália onde comprei um Alfa Romeo Berlina. Era o meu maior sonho — confessa. Com seu carro, ele percorreu o país de norte a sul, nas várias vezes em que viajou para lá, a lazer. O diplomata acha o país “belíssimo” e percorrê-lo de carro “muito prazeroso”. Assim, não é de se estranhar que esteja atento à movimentação relacionada ao ano da Itália no Brasil. Ele está trabalhando junto à Prefeitura para que alguns eventos possam ser realizados na cidade, mas ainda não há uma programação confirmada. Depois de atuar como segundo-secretário na Suíça, Amarante foi para a Colômbia e, em seguida, para o Irã,

Perfil

já como primeiro-secretário. Ao retornar para Brasília, foi indicado para Portugal como conselheiro. Mais uma vez de volta ao Brasil, foi nomeado chefe da Divisão da Europa Ocidental. Em seguida, o diplomata foi enviado para a Alemanha e depois Santiago do Chile. Somente em 1998 chegou ao cargo de embaixador do Brasil na Bolívia. Seu último posto fora do Brasil foi na Irlanda. Como todo diplomata, o embaixador domina diversos idiomas, entre eles: inglês, francês, espanhol e alemão. O italiano ele não fala, mas consegue entender. Segundo ele próprio, seu dia a dia é tranquilo, apesar de ser por intermédio do seu setor que todos os assuntos do exterior chegam ao prefeito Eduardo Paes. Pedidos de audiência, reuniões, despachos periódicos com o prefeito, tudo passa por ele, que recebe cônsules e embaixadores no belíssimo casarão do Palácio da Cidade, em Botafogo, antiga Embaixada da Inglaterra. Na avaliação de Amarante, o prefeito tem realizado um “intenso trabalho” no sentido de melhorar a cidade. Porém, acredita que, para atrair cada vez mais investimentos estrangeiros para o município será preciso “continuar dando atenção aos setores de infra-estrutura, transporte público e hotelaria”. Ele destaca duas iniciativas da prefeitura que seguem por esse caminho: a recuperação da área portuária e a criação das linhas Bus Rapid Transit (BRT) “para que os ônibus deixem de ser os vilões da história”. Quando o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, assumiu o cargo em 2008, logo solicitou uma ajuda ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre quem ele deveria convidar para ocupar o cargo de coordenador de Relações Internacionais da prefeitura. A indicação foi categórica. Foi assim que Amarante, carioca de 68 anos, se tornou o diplomata oficial da cidade. Depois de 40 anos percorrendo mundo afora representando o Brasil, o Embaixador já havia decidido se estabelecer, de vez, na sua cidade natal, mas cultivava o desejo de continuar a trabalhar. Quando recebeu o convite, aceitou de pronto. — Eu comuniquei ao ministro a minha vontade e ele me indicou assim que houve oportunidade — conta ele que lamenta, apenas, a falta de tempo para viajar mais a lazer e conhecer melhor o Brasil.

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Atualidade

Patrimônio histórico destruído Somente no último mês Pompei sofreu quatro desabamentos e os principais centros históricos do Vêneto foram alagados. Perda é inestimável Janaína César

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De Treviso

ovembro não deu trégua à Itália. O mês, que mal havia começado, foi marcado pelas chuvas ininterruptas que provocaram fortes danos ao país. No norte, as províncias de Vicenza, Treviso, Pádua, Verona e Veneza ficaram dias embaixo d´água em consequência do alagamento sofrido em toda a região, e no sul, a cidade de Pompei, o mais importante sítio arqueológico italiano, sofreu quatro desabamentos. No dia primeiro de novembro é comemorado o dia dos mortos e, neste ano, essa data trouxe tristeza ao país. Foi quando iniciou o alagamento no Vêneto. Os dados da catástrofe são trágicos: três mortes, mais de 3000 desabrigados, 121 cidades inundadas e cerca de 500 mil pessoas atingidas diretamente pelo alagamento. Prejuízos de cerca 1 bilhão de euros. Há tempos não se via algo assim, nem

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mesmo o famigerado alagamento de 1966 provocou tantos danos. Entre os centros históricos, o de Vicenza foi o mais atingido. A cidade que desde 1994 passou a integrar a lista de patrimônio da humanidade da Unesco, viu as águas do Bacchiglione – rio que nasce lá e atravessa toda a região até desembocar em Veneza – subirem cerca de dois metros e com uma força violenta, destruírem tudo o que encontraram no caminho. As ruas e vielas da cidade Palladiana, por alguns dias, puderam ser confundidas com os canais venezianos. Água e lama entraram em todos os lugares, lojas, restaurantes, casas e prédios antigos. Os subsolos do Teatro Olímpico e do Museu Cívico do Palazzo Chiericati foram alagados, assim como o Teatro Astra teve corredores, escadas de acesso à plateia e camarins completamente submersos. Além dos prédios históricos, alguns negócios quase centenários sofreram danos irreparáveis, como

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Acima, Trebio Valente. Abaixo , policial interdita o Collegium Juventutis Pompeianae

a alfaiataria Martini e Moscolin, fundada há cerca 70 anos e sempre localizada ali, na praça Matteotti, no centro da cidade. — Perdemos tudo, anos de trabalho que se foram. Como faremos? Ainda não terminamos de limpar a loja, mas da estimativa que fizemos, tivemos um prejuízo de cerca 150 mil euros só de material. Sem contar o que perdemos a cada dia com o estabelecimento fechado, os clientes ligam para fazer pedidos e nem isso pudemos aceitar, porque toda a matéria-prima foi perdida — diz Giorgio di Martini, um dos sócios da alfaiataria. — Foi horrível ver o local inundado, com a


água que ultrapassava 1,30 m de altura. Fiquei três dias criando coragem para entrar e ver o dano e, quando entrei, chorei. Outro que passou por apertos foi o Giancarlo Busato, proprietário da Estamparia de Arte e Litografia Busato, localizada na Porta Santa Lucia, no centro. — A água aqui na rua subiu quase dois metros, fiquei três dias esperando baixar o nível para entrar no negócio e quando entrei, ainda tinham uns 30 cm de água. Fica difícil fazer um balanço do prejuízo porque uso material e maquinário muito antigo, que são praticamente difíceis de serem encontrados no mercado. Tive que limpar tudo e tentar recuperar o que fosse possível. Um amigo marceneiro passou dois dias aqui dentro comigo analisando o que poderia ser salvo — diz. — Perdemos quase todo o trabalho feito até aquela data, deveríamos entregar vários pedidos para o natal, mas ficamos parados todo esse tempo, hoje, 23 de outubro, após vinte dias do desastre, estamos realizando nossa primeira impressão — completa.

Fotos: Divulgação

Ruínas de Pompei A cidade que foi enterrada viva pela erupção do Vesúvio no ano 79 D.C. e redescoberta através de escavações arqueológicas, está caindo em ruínas. Apenas neste ano ocorreram sete desabamentos e destruições de paredes e casas, dos quais quatro aconteceram somente em novembro. Pompei é conhecida como uma metáfora cultural do país, visto que um sítio arqueológico do gênero, testemunha da história milenar do homem, não existe em nenhum outro lugar do mundo. A primeira a desabar foi a Domus dei Gladiatori (Escola dos

Acima, Domus del Moralista.

A província de Vicenza ficou embaixo d’água. O alagamento causou prejuízos de cerca de 1 bilhão de euros

gladiadores), localizada na via dell´Abbondanza, principal rua da cidade. A casa, que não era aberta à visita interna, chamava a atenção dos turistas pelas pinturas afrescadas nas paredes que podiam ser vistas exteriormente. Dias depois, novamente na via dell´Abbondanza, a 20 metros da Domus dei Gladiatori, desabou um muro realizado com tufo (veja box e fotos) da Domus del Moralista. Dando prosseguimento ao desastre, sucessivamente, desabaram um muro não afrescado na rua Stabiane e outro no Lupanare Piccolo, ambos também realizados com tufo. — Essas estruturas resistiram a um terremoto e a erupção do Vesúvio. Até hoje, dois séculos e meio de gestão do sítio, nunca aconteceu uma coisa tão grave como essa — diz o presidente da Associação Nacional dos Arqueólogos, Tsao

Curiosidade

T

ufo è uma rocha magmática de origem vulcânica. Leve, não muito resistente, mas fácil de manipular. A região onde está localizada Pompei é evidentemente rica deste material devido a explosão do Vesúvio, vulcão ativo, em várias épocas da história.

Cevoli. Segundo Cevoli, o degrado de Pompei aconteceu por falta de manutenção e má administração. Basta ver os dados: desde 1920, somente uma intervenção de restauro foi realizada na cidade. Isso aconteceu em 1947, após os bombardeamentos da segunda guerra mundial, em 1943. A cidade foi, em partes, destruída e hoje sabe-se que o trabalho de restauro feito à época pecou em alguns pontos, como por exemplo, a utilização de cimento armado para a reestruturação de alguns tetos, como da casa do moralista. Segundo o ministro da cultura Sandro Bondi as estruturas desabaram por causa das infiltrações provocadas pelas fortes chuvas que caíram na cidade e pelo uso do cimento no teto, as paredes laterais originais, não resistiram ao peso e desabaram. Segundo o arquiteto Antonio Irlando, responsável pelo Observatório do Patrimônio Cultural, 80% da cidade pode desabar de um momento a outro. Mas o que fazer quando o país destina somente 0,19% do PIB para a gestão do patrimônio histórico e cultural e outros países europeus investem de 1 a 2%? A situação de descaso em Pompei é tão grave que no início deste mês, alguns inspetores da ONU foram visitar o local para verificar o estado das escavações. É possível que a Itália seja condenada por inadimplência  e tenha que pagar uma multa muito salgada. O presidente da República, Giorgio Napolitano, quando esteve no Vêneto para ver de perto o desastre, disse que teve a mesma tristeza em frente a destruição de Pompei: — O que aconteceu no Vêneto é lastimável, e, em Pompei, uma vergonha. Precisamos cuidar do nosso patrimônio histórico e artístico!

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Attualità

Quanti siamo?

Popolazione è aumentata del 12% negli ultimi dieci anni, secondo dati dell’IBGE e in Brasile ci sono più donne che uomini Nayra Garofle

S

ono stati quattro mesi di intenso lavoro ed ecco che i risultati del Censimento 2010, resi noti alla fine di novembre dall’Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística rivelano che la popolazione brasiliana ha già sorpassato i 190 milioni di persone. In numeri esatti, siamo 190.732.694. Negli ultimi dieci anni, la popolazione ha presentato tassi di crescita del 12,3% inferiori a quelli osservati nel decennio anteriore: 15,6% tra il 1991 e il 2000. Il rilevamento dell’IBGE, realizzato da 230mila persone che hanno lavorato direttamente, di cui 191 censitori, rivela che la regione Sud-Est continua ad essere la più popolosa del Brasile con 80.353.724 persone. Rio de Janeiro è al secondo posto nel ranking delle città più popolose del Brasile con 6.323.037 di abitanti, dietro a São Paulo, che segue al primo posto con 11.244.369. Tra gli Stati quello di São Paulo è continua ad essere il più densamente popolato con 41.252.160 persone mentre quello di Roraima presenta il minor numero di abitanti: 451.227. Lo Stato di Rio de Janeiro è al terzo posto con 15.993.583, un aumento dell’11,13% in rapporto al 2000. Il censimento 2010 dimostra anche che in rapporto a 10 anni fa la gente è oggigiorno più urbana: nel 2000 l’81% dei brasiliani viveva nelle città, mentre oggi ci abita l’84%. 22

Inoltre il lavoro di raccolta dati rivela che in Brasile ci sono più donne che uomini. Sono 97.342.162 contra 93.390.532. Ciò significa che ci sono 95,9 uomini ogni 100 donne. Ossia, 3,9 milioni di donne in più che uomini. Il Censimento Demografico ha incluso un minuzioso rilevamento di tutti i domicili brasiliani. Sono state visitate 67,6 milioni di residenze e perlomeno un abitante di ognuna di esse ha fornito informazioni su tutti gli altri. I dati si riferiscono al 1º agosto. Dal 4 novembre l’IBGE ha realizzato un’attività di supervisione e controllo di qualità di tutto il materiale raccolto insieme alle Comissões Censitárias Estaduais (CCE) e alle Comissões Municipais de Geografia e Estatística (CMGE,) in tutte le 27 Unità della Federação e nei comuni brasiliani. Le commissioni hanno avuto la funzione di canale di comunicazione tra l’IBGE e la società, ed hanno partecipato a tutto il processo di realizzazione del Censimento. I censitori hanno comunque trovato 6,1 milioni di residenze vuote, in cui non abita nessuno. I domicili di uso sporadico hanno sommato 3,9 milioni. Invece i domicili collettivi

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Il presidente dell’IBGE, Eduardo Pereira Nunes

Durante il 2011 saranno rese note informazioni sugli immigranti

sono 110 mila e includono alberghi, pensioni, carceri, caserme e alloggiamenti, case di riposo, orfanati, conventi, residenze collettive per lavoratori, ecc. In tutto 901 mila residenze sono state classificate come chiuse. In questi casi l’IBGE ha usato un metodo per fare la stima del numero di persone residenti: ha attribuito ad ogni domicilio chiuso il numero di abitanti di un altro domicilio che era stato considerato chiuso, ma poi è stato censito. Secondo l’IBGE questo è un metodo già usato da istituti ufficiali di statistica internazionali, come quelli di Stati Uniti, Canada, Australia, Messico e Nuova Zelanda; ed era già stato usato nel Conteggio del 2007 messo in pratica dall’IBGE. La speranza di vita continua in crescita e, di conseguenza, anche la popolazione brasiliana sta invecchiando. Secondo l’IBGE il Censimento 2010 ha potuto dimostrare che ci sono 23.760 brasiliani ultracentenari. La Bahia è lo Stato con il più grande numero (3.525), seguita da São Paulo (3.146) e Minas Gerais (2.597). Queste sono le prime informazioni rese note dal Censimento. Durante tutto il 2011 saranno presentati gli indicatori sociali, economici, i livelli di educazione, il numero degli immigranti ed altre informazioni. — Faremo calcoli avanzati del Censimento. Ossia, selezioneremo un insieme di indicatori sociali, economici, demografici e domiciliari. Poi li processeremo per poter fare, durante il 2011, una grande divulgazione del censimento demografico — garantisce il presidente dell’IBGE, Eduardo Pereira Nunes.


Atualidade

Salto alto

A

De Milão

s mulheres na Itália estão muito longe da igualdade. Entre os países industrializados no ocidente, a Itália é um dos mais machistas, quase na lanterna da fila da retribuição salarial: 27º lugar, entre os 30. O problema não diz respeito apenas a valor nominal da hora trabalhada em comparação ao homem, mas entre as próprias colegas de outras nações. Essa diferença obriga muitas delas a fazerem contas com a ajuda de familiares, além dos próprios companheiros, quando eles existem. Os dados do Banco da Itália não deixam dúvidas sobre o empobrecimento e a discriminação que recaem sobre os ombros femininos. Uma mulher italiana ganha, em média, 1.221 euros por mês, enquanto um homem recebe 1.553. Este valor é 21,4% inferior e é mais baixo do que a diferença de 19,1%, de dez anos atrás. A conciliação entre o trabalho e a casa e, a ausência de suporte público para as italianas aumentam a injustiça social. Num território dominado pelo descaso, nasce “Valore D, Mulheres na Cúpula para as Empresas do Amanhã”, para dar uma força à ascensão feminina ao poder nas empresas. A associação tem como objetivo ajudar o crescimento profissional e pessoal das mulheres em carreira dentro das empresas. Ela foi criada para fomentar uma cultura empresarial e ensinar a quem precisa a se valorizar diante de um muro de preconceito. — A falta de uma legislação nos obriga a criar soluções para que a mulher possa expressar todo o seu potencial além de promover uma mudança cultural no campo da empresa, conquistando o espaço por méritos próprios — explica a presidente de Valore D, Alessandra Perrazzelli. A mulher italiana ocupa aproximadamente 47% do mercado de trabalho, contra a presença de 53% dos homens. A conta começa a piorar quando se descobre que 60% das mulheres possuem o grau

universitário, mas não conseguem avançar na carreira. Chegar ao topo de uma empresa é quase uma utopia. Apenas 4% dos conselhos de administração de empresas da Itália possuem mulheres, contra 47% na Noruega e 11% na média europeia. A associação Valore D chega para fornecer instrumentos de comportamento e de conhecimento para ajudar mulheres imprensadas entre o sentimento de culpa pela família e a guerra dos sexos dentro do ambiente de trabalho. — Durante um ano damos uma consultoria pessoal a quem nos procura. Temos um mentor que acompanha e orienta os passos da cliente rumo ao objetivo de ser reconhecida e de valer os seus direitos sem colocar em risco o seu percurso profissional — diz Alessandra. O caminho inclui a participação em debates e palestras realizadas por mulheres que venceram obstáculos, encontros com um tutor que acompanha a escalada da candidata e o acesso a uma coletânea de casos de práticas empresariais. Pesquisas apontam que a exclusão das mulheres é nociva à sociedade. A ausência de políticas de paridade compromete o desenvolvimento do país do sentido demográfico ao econômico. — As grandes empresas já perceberam a importância da mulher em cargos estratégicos — conta a responsável por Valore D. Em menos de dois anos da criação, a associação conta com 36 empresas na carteira de clientes, ao custo de 10 a 15 mil euros anuais de cota. Entre eles estão Microsoft, Intesa, Jhonson&Jhonson, Enel, General Eletric, Luxottica, Unicredit Group, Vodafone, com um universo de dependentes da ordem de 200 mil. Neste período Valore D apurou que 69% das entrevistadas declaram precisar mostrar a capacidade de trabalho além do que os homens, 57% acham que se existissem mais mulheres no topo da pirâmide menos difícil seria a estrada para chegar no

“As grandes empresas já perceberam a importância da mulher em cargos estratégicos” Alessandra Perrazzelli, presidente de Valore D

Divulgação

Guilherme Aquino

PhotosToGo.com

Associação ajuda mulheres a valorizar seus talentos na disparidade do mercado de trabalho italiano

alto, 73% das mulheres empregadas não possuem filhos, contra 47% dos homens, e 70% percebem a maternidade como um obstáculo à carreira. A Valore D atua como um catalisador de ideias e de orientação. E pelo visto vai ter muito trabalho pela frente. Segundo o Fórum Econômico Mundial, ocorrido em outubro, no quesito de participação no mercado de trabalho, a Itália ocupa o 87º lugar mundial e o 121º no que diz respeito ao direito de conquistar uma posição de liderança. No tratamento dispensado à mulher o país ocupa o 74º lugar, atrás da Colômbia, do Peru e do Vietnã. Outros números colocam a mulher italiana na pré-história: apenas 45% trabalham fora de casa, menor índice de toda a Europa, contra 72% das inglesas e 80% das norueguesas. No meio rural, a italiana enfrenta ainda mais preconceito em conseguir um trabalho. E uma pesquisa da Associação Italiana dos Donos de Casa alerta que 95% dos homens nunca usaram uma máquina de lavar. Roupa suja se lava em casa, mas, por que apenas as mulheres devem fazer este trabalho?

comunitàitaliana | dezembro 2010

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Política

Leandro Demori

N

De Roma

o dia 14 deste mês, 314 deputados deram voto de confiança ao premier, batendo os 311 que pediam sua demissão. O resultado é uma derrota para Gianfranco Fini, presidente da Câmara e ex-aliado do premier que saiu do Popolo della Libertà (PDL) para fundar seu próprio grupo, o Futuro e Libertà per L’Italia (FLI). Foram do próprio FLI que saíram dois dos votos que ajudaram a manter Il Cavaliere à frente do governo. Ao final da votação, Fini minimizou: “vitória numérica, não política”, disse lacônico. De fato, a vitória com maioria estreita não é garantia de paz para Berlusconi. Os próximos movimentos do premier já começaram e foram dirigidos àquele que ficou conhecido como “terzo polo”, um emaranhado de pequenos grupos de parlamentares que não estão aliados ao PDL, tampouco ao Partito Democratico (PD). A maioria deles, no entanto, é anti-berlusconista e pouco cooptável caso seja Berlusconi a liderar as tratativas do PDL. A margem de manobra reduzida pode ser dirigida a pequenos grupos de deputados independentes, insuficientes, no entanto, para dar estabilidade. O partido que surge como alternativa de aliança é o Unione di Centro (UDC), ex-aliado de Berlusconi no primeiro ano de governo. A proposta foi feita após a votação na Câmara por Umberto Bossi, líder da Lega Nord, partido que apoia o primeiro-ministro. Apesar disso, nem mesmo Bossi acredita em um sucesso importante capaz de manter o governo em pé a longo prazo. Com os três votos a mais conquistados no dia 14, nem mesmo os decretos-lei que a base aliada tem em pauta têm garantia de aprovação. “Com essa maioria não se governa. Ou ampliamos, ou vamos às urnas”, decretou Bossi. 24

As eleições devem ser mesmo o caminho para o país, com data pré-marcada em torno de março do próximo ano. Em um trabalho de bastidores, Berlusconi conseguiu alargar a base antes da votação na Câmara. Pouco a pouco, deputados foram saindo de seus partidos para formar “grupos independentes”, que mais tarde votariam “sim” à confiança. Muito além disso, acredita, não se chega. A ação foi duramente criticada pela oposição, que chamou o trabalho de compra de votos: — Mudar de ideia é aceitável, mas fazer isso para enriquecer ou comprar um apartamento envergonha a política, — atacou Pier Ferdinando Casini, da mesma UDC agora cortejada pelo PDL.

dezembro 2010 | comunitàitaliana

AP

Após dois anos à frente do governo mais barulhento da Segunda República, Silvio Berlusconi vence moção de confiança por três votos. Vitória minúscula para dar segurança ao mandato

Em momentos diferentes, Berlusconi faz gesto para oposição se calar pela perda e depois mostra preocupação com a situação

AP

Por um fio

Imagem blindada Por muito anos a imagem de Silvio Berlusconi dentro da Itália fora melhor avaliada do que aquela vista de fora. O jeito bufão e a avalanche de gafes que envergonham o país pelo mundo agradavam aos italianos, que, afinal, o elegeram três vezes nos últimos 16 anos. Com a lista de escândalos sexuais e problemas judiciários dos últimos tempos, a figura blindada do premier parece estar perdendo a couraça também na península. Levantamento feito pelo centro de pesquisa Ipsos mostra que o nome do homem mais rico do país não vale mais tanto assim no mercado público de santinhos. Ao responderem a pergunta “quem seria o melhor líder para assumir o governo”, os italianos escolheram o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo (53%) como cabeça de chapa. Por ordem, atrás de Montezemolo viriam Gianfranco Fini (51%), a presidente da Confindustria, Emma Marcegaglia (49%), o governador da região Puglia, Nichi Vendola (47%), o presidente da Banca D’Italia, Mario Draghi


Em pesquisa recente, nomes como os de Luca di Montezemolo (53%), Emma Marcegaglia (49%), Nichi Vendola (47%) e Pier Luigi Bersani (45%) aparecem como os mais cotados para o cargo do premier

do país”. Para muitos, Italia Futura é nada menos do que o embrião do partido de Montezemolo, que seria apoiado por importantes setores industriais do país caso pretendesse concorrer nas próximas eleições. Batata quente Apesar de desejar a queda de Berlusconi, parte importante da esquerda sabe da bomba que seria um processo eleitoral em um momento tão delicado para a Itália. Com as contas públicas derretidas, o país entra frequentemente em listas de nações à perigo de default. A cautela seria justificada pelo temor de uma crise de confiança caso o governo caia – crise essa que assola a Europa e já arrastou Grécia e Irlanda para o buraco. No momento, o único partido que deseja eleições é a Lega Nord, paradoxalmente, já que é ela quem mantém Il Cavaliere no poder. Isso porque os leguistas têm certeza de que crescerão no próximo pleito. O Partito Democratico (PD), principal ator de centro-esquerda, sofre uma disputa interna. O candidato natural seria Pier Luigi Bersani, secretário nacional do partido. Nos salões do PD, no entanto, ganha força o nome de Nichi Vendola, governador da Puglia e figura bem cotada no quadro geral da política italiana. Uma sondagem feita pela Ipr Marketing a pedido do jornal La Repubblica mostra que, se as eleições fossem hoje, os italianos com voto na centro-esquerda prefeririam Vendola a Bersani: 51% a 49%. Para também 49% dos eleitores, Vendola tem chances reais de bater Berlusconi nas urnas, enquanto somente 31% acreditam no êxito de Bersani. Dentro do PDL a coisa não é melhor. Caso Berlusconi – por um milagre ou forçado por baixos

Governo técnico

P

oucos analistas acreditam na capacidade de Silvio Berlusconi de governar o país, tendo ou não o voto de confiança na Câmara. Sua maioria, caso ainda exista, é estreita e pouco confiável. A decisão em caso de ingovernabilidade caberia ao presidente da República, Giorgio Napolitano. Pela Constituição, é ele quem ordena novas eleições ou articula com os campos políticos um possível “governo técnico” capaz de levar o país a dias mais calmos. A Itália já passou por essa experiência entre abril de 1993 e maio de 1994. Na época, Carlo Ciampi, então presidente da Banca D’Italia (o Banco Central italiano), assumiu a presidência do Conselho de Ministros após o estouro de Tangentopoli, a estação de caça à corrupção política promovida pela Justiça iniciada de 1992 a 1996. No período – também conhecido como “Mãos Limpas” –, os partidos políticos desapareceram dando origem aos atuais. Coincidência ou não, um dos nomes mais cotados para assumir o Palazzo Chigi, em caso de queda de Berlusconi, ocupa novamente o cargo de presidente da Banca D’Italia. Pelas últimas pesquisas, Mario Draghi teria apoio da situação e da oposição, além de gozar de bom prestígio público. Outro nome possível seria o do ministro da Economia, Giulio Tremonti. Na conta da Lega Nord, partido que apoia Berlusconi, Tremonti é a opção que mais agrada à oposição entre os nomes mais próximos ao Cavaliere. Por hora, o ministro vem negando uma possível oferta para assumir as rédeas do país. A essa altura do campeonato, no entanto, o futuro nem mesmo a Deus pertence.

Fotos: Divulgação

(47%), o secretário-geral do Partito Democratico, Pier Luigi Bersani (45%), o líder da UDC, Pier Ferdinando Casini (41%) e por fim Silvio Berlusconi (41%). A questão era de múltipla escolha. É cedo ainda para levar esses números ao pé-da-letra como intenção de voto, mas um dado chama atenção: entre as opções escolhidas pelos eleitores, três delas são de fora do mundo da política tradicional, Marcegaglia, Draghi e justamente o nome mais cotado, o de Luca di Montezemolo. Empresário de sucesso, vencedor de diversos títulos com a Ferrari – a segunda ‘seleção italiana’ depois daquela de futebol – Montezemolo tem trajetória afastada dos salões dos partidos, ao menos como imagem pública. Apesar de negar o lançamento de sua candidatura, o manager fundou no ano passado um think thank chamado Italia Futura, grupo tido como apolítico, nascido para “promover o debate civil sobre o futuro

Depois do voto a favor do governo, protestos violentos nas ruas italianas

índices de popularidade – decida não concorrer, restam poucos de seus asseclas com imagem pública forte para encarar uma campanha que promete ser dura. Recentemente, o premier começou a trabalhar a figura de Mariastella Gelmini, ministra da Educação e uma das mulheres fortes do governo. Por onde ia, Silvio levava Gelmini. Uma semana antes da votação de confiança, no entanto, protestos estudantis contra a reforma da universidade proposta pela ministra provocaram confrontos entre estudantes e a polícia. As imagens da televisão e os feridos de ambos os lados colocaram sua imagem de Gelmini na lama. Com estilo personalista, Berlusconi tem dificuldades em dividir o poder, o que torna do PDL um partido órfão de sucessores. comunitàitaliana | dezembro 2010

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Entrevista

Entre o verde Terminadas as eleições, um nome ganhou destaque entre os articuladores de campanhas, o do ítalo-brasileiro João Paulo Capobianco Silvia Souza

O

ano de 2010 terá páginas de destaque na história do Partido Verde (PV). Graças à campanha à presidência de Marina Silva, às propostas e aos debates apresentados nos quatro cantos do país, a legenda atingiu uma visibilidade inédita e toma posição quanto ao futuro do Brasil. Coordenador da campanha da senadora acreana, o ítalo-brasileiro João Paulo Capobianco foi um dos nomes na equipe que hasteou a bandeira verde no território político brasileiro. Nascido no ano de 1957, em São Paulo, o ambientalista, conheceu Marina Silva enquanto militava. É fundador e foi diretor de entidades como a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Sócio Ambiental. Quando a então senadora assumiu o Ministério do Meio Ambiente em 2003, o chamou para ser secretario de Biodiversidade e Florestas, cargo que ocupou de 2003 a 2006, sendo depois alçado

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a vice-ministro. Nesta entrevista à Comunità, o biólogo comenta sobre a posição do partido a partir da posse de Dilma Rousseff em 1º de janeiro. E não rechaça a possibilidade de, nos próximos anos, disputar algum cargo político. Casado pela segunda vez e pai de cinco filhos, João Paulo diz que sua veia italiana fica evidente quando está no país europeu. Hoje, para além do movimento político, esse ex-fotógrafo profissional participa de conselhos de organizações nãogovernamentais, tem uma empresa de consultoria na área de planejamento sócio-ambiental estratégico e, no momento, finaliza a criação de um fundo para captar recursos e investir em projetos na Amazônia. ComunitàItaliana – A opção pela independência no 2º turno das eleições não anulou o trabalho realizado até então?

dezembro 2010 | comunitàitaliana

Capobianco acompanha Marina Silva em solenidade do Dia da Árvore (21 de setembro) em 2004

João Paulo Capobianco – Tivemos uma forte movimentação no segundo turno – a Marina (Silva, candidata à presidência pelo PV), por exemplo, trabalhou a agenda no que havíamos proposto e desenvolvido durante a nossa campanha –, apresentamos uma plataforma aos dois candidatos, que assumiram compromissos com a sociedade a partir dela. Acreditamos que nossa posição foi de independência de fato, uma vez que nossa questão é programática, não envolve a questão de alianças com um ou outro, mas sim, uma aliança em torno de propostas concretas que interessem à sociedade brasileira. CI - Existe a pretensão de o PV participar do governo Dilma? Como fica o posicionamento do partido agora? JP - Terminada a eleição, ainda vai haver uma discussão no partido. Há uma corrente, que eu acredito que seja majoritária e da qual Marina e eu somos integrantes, que é a de não participar do governo enquanto partido. Afinal de contas, temos uma consolidação da terceira via, em que o ideal é estarmos em posição de total independência para poder criticar, elogiar e apoiar, quando for o caso. Quando estamos no governo, como partido, ficamos limitados. Também não fomos convidados formalmente para tal. CI - Podemos falar então em um PV mais forte para 2014? JP - Com certeza. O partido cresceu muito. Mesmo comparando com o partido internacional, porque nós temos PV em mais de uma centena de países, as lideranças se reúnem anualmente, há encontros dos verdes, então, mesmo olhando para o movimento internacional, tivemos um salto significativo. Seguimos um caminho firme e creio que em 2012 e 2014 ofereçamos alternativas à sociedade brasileira para a disputa do governo.


CI - O senhor seria um desses candidatos? JP - Sofri muita insistência agora mesmo nessa eleição para que isso ocorresse. Minha entrada no PV foi em decorrência disso. Na época, baseado na experiência de Roma, que elegeu um prefeito do PV, o partido queria ampliar sua participação em todo o mundo. Fui procurado para disputar a prefeitura em São Paulo, o que acabou não vingando. Essa é uma questão que está aberta, não descarto, embora sinta que tenho uma vocação maior para o executivo. Para 2012 acredito o Ricardo Young seria um nome muito bom para a prefeitura. Que foi nosso candidato ao Senado e recebeu quatro milhões de votos. Mas isso é futuro, nada está decidido. CI - Os votos recebidos por Marina não foram apenas de eleitores que militam nesse movimento. Vocês fizeram algum tipo de análise a respeito disso? Tiveram essa preocupação quanto ao discurso adotado? JP - O Partido Verde não é um partido ecológico. Não é um partido que trata exclusivamente de propostas ambientais. Nossa plataforma de governo tinha como prioridade a educação e nós tínhamos um amplo espectro de atuação na área econômica, social, cultural, a questão da governabilidade. Ou seja, um conjunto que consideramos fundamental para a sustentabilidade política no país. Não tenho dúvidas de que nossa plataforma ampla cativou eleitores de diferentes espectros, desde aqueles que já vinham conosco ou estão mais ligados à questão ambiental como também eleitores preocupados com a ética na política, gestão publica, sustentabilidade econômica e tudo o mais. CI - Em relação à questão ambiental, como o senhor avalia o Brasil atualmente? JP - Na minha visão, nós tivemos muitos avanços pontuais no Brasil, avanços em determinados setores, por exemplo, a questão do desmatamento na Amazônia e a criação de áreas de proteção ambiental (parques e reservas); o Brasil foi o que mais fez, considerando todos os países membros da Convenção sobre Diversidade Biológica, nos últimos seis, cinco anos. A própria gestão ambiental melhorou muito. Temos uma legislação que é considerada uma das melhores do mundo. Mesmo no tema das mudanças climáticas, definiu

metas, surpreendendo muitos países teve uma atitude unilateral de redução de emissão. CI - O que falta então? JP - Uma internalização da questão ambiental como algo estratégico nas ações de governo e da própria sociedade. Ainda permanece uma visão de que a questão ambiental é uma questão secundária, que atrapalha o desenvolvimento. São conflitos sem sentido, problemas que precisam ser equacionados para que esse assunto tome seu lugar de destaque até mesmo para o desenvolvimento do país. Esse seria um passo que daríamos com a Marina Silva presidente. Ela considera a nossa diversidade ambiental, social e cultural como elementos básicos e fundamentais para o Brasil no século 21. Um Brasil na era das mudanças climáticas, em que os atributos ambientais são positivos e podem alavancar a economia do país. CI - O senhor tem acompanhado a relação do PV em países como a Itália, por exemplo? O presidente da Federação dos Verdes da Itália, Angelo Bonelli, declarou que a contar pela gestão Lula, é necessário maior atenção neste setor por parte da presidente eleita, Dilma Rousseff. JP - Eu tive uma relação interessante com o PV na Itália. O prefeito de Roma [Francesco Rutelli] que era da Lega Ambiente quando eu trabalhei lá com um projeto. Agora, os dois então candidatos tinham, no nosso ponto de vista, uma visão muito parecida quanto à questão da sustentabilidade e que, para nós, é uma visão muito reducionista. Então, considerando a fala do dirigente do PV, eu diria que se o Serra tivesse ganho seria a mesma coisa. Os dois têm uma visão pior do que desenvolvimentista que é a “crescimentista”, em que o crescimento econômico é justificativa para basicamente tudo. A Dilma terá dificuldades, mas espero que uma vez eleita para a presidência ela passe a tratar essa questão de forma estratégica. Essa é nossa expectativa, embora reconheçamos que pelo passado e experiência recente isso não vá ser fácil. CI - Como era esse trabalho com a Lega Ambiente? JP - Tínhamos uma cooperação entre o Instituto

Sócio Ambiental, do qual eu era dirigente, e o partido. Fizemos uma parceria para implementar ações nas áreas de mananciais da grande São Paulo. A Lega tem uma experiência importante nesse campo e fizemos um programa de estudos e propostas para proteção da região da Guarapiranga, entre 1995 e 1998. Cerimônia de apresentação dos dados de desmatamento da Amazônia com a então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e a Ministra Marina Silva, realizada em 2007

Em uma de suas viagens à Itália, em 2004, com a esposa Luciana

CI – Então o senhor conhece bem a Itália. Como é a sua relação com o país? JP - Meu avô e minha avô vieram da Itália no início do século passado. Ele de Roma e ela de Firenze. Meu pai nasceu aqui e tenho uma forte ligação com a cultura, o país. Já es-

tive na Itália como turista, algo que gosto de mais, à trabalho, participando de reuniões na FAO [Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação] e em função da parceria com a Lega Ambiente. Conheço bem Roma e toda parte da Toscana, que amo e é onde quero voltar sempre, além de Veneza, que é maravilhosa. Meu sonho de consumo é ir para o Sul, que não conheço ainda. Vou tirar férias, mas não vou para lá agora por causa do frio. Acho que a partir de abril e maio é a época mais interessante, que dá para aproveitar. CI – Tem a cidadania italiana? Quando essa nacionalidade se manifesta? JP - Tenho a cidadania italiana. Somos muito italianos em nossa forma de ser. Tenho seis irmãos e temos pouca diferença de idade. Os italianos têm um estilo muito família, nos domingos almoçam juntos, viajam e passam as férias juntos. É algo que mantenho. E quando estou na Itália me sinto em casa, falo alto. Minha mãe que é mineira aprendeu a fazer a melhor macarronada de São Paulo.

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Destaque

Religião

Tradicionais presépios de Nápoles vão muito além dos personagens históricos do Natal Aline Buaes

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de Nápoles

odos os anos, entre novembro e dezembro, uma pequena rua do centro histórico de Nápoles atrai milhares de turistas do mundo inteiro. Eles vêem até a cidade para conferir de perto o trabalho dos artesãos responsáveis pelos presépios mais famosos do mundo, representantes de uma tradição artística que remonta ao século XVII. Nesta época, o passeio pela Via San Gregorio Armeno é rito obrigatório entre os napolitanos, que devem preparar os seus presépios para o Natal, mas também para os turistas, que, ao final, se divertem com os pastores que reproduzem personagens famosos, como Maradona, Michael Jackson e Barack Obama. Uma das principais características do presépio napolitano tradicional é, justamente, a presença de personagens mundanos ao lado das figuras religiosas típicas, como os Três Pastores e a Virgem Maria, e nos últimos anos alguns destes artistas napolitanos têm oferecido retratos cada vez 28

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mais cômicos e atuais da sociedade italiana e mundial ao retratarem celebridades do mundo da política, do esporte e do espetáculo. Considerado “menino-prodígio” entre os artesãos, Genny Di Virgilio, 29 anos, começou a trabalhar com a família aos nove anos de idade, na loja Di Virgilio, umas das mais tradicionais entre as dezenas de bancas de artesãos localizadas na mesma via. Seus trabalhos são frutos de uma tradição familiar de quatro gerações, que começou em 1830, com os seus bisavós. – A verdadeira arte dos presépios são estes pastores feitos de terracota policromada, com olhos de vidro, mãos e pés em madeira, o corpo em fio de ferro coberto com cânhamo e vestidos com roupas confeccionadas em seda de San Leuci (borgo na província de Caserta responsável pela produção deste nobre tecido) – afirma Genny, que, na contramão, se intitula precursor da arte que ele chama de “pastores de atualidade”. O jovem artesão explica que o primeiro “pastor moderno” criado por ele foi em 1993: uma réplica do então promotor público Antonio Di Pietro, responsável pela investigação conhecida como “Mãos Limpas”, que levou centenas de políticos italianos para a cadeia. “Com aquele boneco, lançamos essa moda”, diz Genny. Nos últimos sete anos esses personagens famosos ganharam vida, e, se no início eram poucas criações, atualmente novas versões de celebridades são criadas a cada semana.

Fotos: Daniel Bianchini

Entre o sacro e o profano


Em 2010, entre as estátuas de famosos, como habitual nos últimos anos, aparece o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, nas suas diversas versões, a mais nova delas chamada “Bunga Bunga”. Uma referencia às festas privadas na residência do político com garotas de programa. Estas estátuas reproduzem muito da curiosidade nacional italiana, estimulada pela imprensa sensacionalista. Outros escândalos políticos recentes estão entre os “pastores da atualidade”, como o caso envolvendo o cunhado do líder político Gianfranco Fini na compra de uma mansão em Montecarlo. Mas, os mais vendidos em absoluto, segundo os artesãos, são sempre as grandes estrelas internacionais, de Maradona, ídolo “santificado” pela população napolitana que aparece nas versões de técnico da seleção argentina e na comemoração de seus 50 anos de idade, passando por Michael Jackson, em diversas e divertidas versões, os casais Barack e Michelle Obama e Nicolas Sarkozy e Carla Bruni, os papas João Paulo II e Bento XVI, além dos grandes ídolos do futebol mundial, como Ronaldinho, Kaká, Messi, entre outros. Os pastores famosos custam, em suas diferentes versões e tamanhos, a partir de 10 euros, podendo sair por até 300 euros. Di Virgilio explica que as estátuas de famosos são compradas por turistas, mas também pelos moradores locais, que costumam presentear amigos e familiares com réplicas dos seus ídolos, que muitas vezes são colocadas junto aos presépios tradicionais. Arte repleta de supertições A arte dos presépios napolitanos evoluiu a partir do trabalho de escultores renomados do Renascimento que atuavam em Nápoles no século XVII, principalmente Giuseppe

A cabeçada do jogador francês Zinedine Zidane no italiano Marco Materazzi durante a final da Copa do Mundo de 2006 ainda figura entre as estátuas mais “clássicas” dos artesãos

Berlusconi numa referência às festas privadas com garotas de programa. O artesão Genny Di Virgilio começou a trabalhar aos nove anos de idade

O presépio do lixo

E

m protesto à nova crise do lixo que Nápoles está passando, que devido a problemas de administração publica provoca o acúmulo de toneladas de resíduos nas ruas da cidade, os artesãos da via San Gregorio Armeno criaram o “Presépio da munnezza” (lixo em dialeto local), com os pastores, Maria, João e o menino Jesus usando mascaras para se proteger do cheiro tóxico. “O lixo afasta os turistas e os moradores, que não querem vir ao centro”, lamenta Genny Di Virgilio alegando a influência negativa da crise sobre a economia da cidade.

Sanmartino, que com suas figuras sacras em terracota iniciou uma verdadeira escola de artistas de presépios. A partir de então, muitos artesãos se especializaram e, aos poucos, passaram a introduzir, junto à cena clássica da Natividade, o mundo profano externo, a Nápoles do século XVIII, com suas tavernas, roupas típicas e atividades comerciais da época. O evento bíblico é revisitado, e reinventado, pelas mãos desses hábeis artesãos, como os membros das famílias Ferrigno e Di Virgilio, as duas mais tradicionais casas de presépios napolitanos, que desde meados do seculo XIX apresentam a sua arte nas vitrines da via San Gregorio Armeno. Das mãos habilidosas desses artesãos transparece a alma do povo napolitano, que mescla religião e superstição. Ao lado de imagens de Maria com o Menino Jesus e os Três Pastores, mesclam-se personagens da cultura popular napolitana, como Pulcinella, máscara da Commedia dell Arte, o amuleto da sorte Sciò Sciò, o tocador de gaita, a vendedora de queijos, os músicos, o açougueiro, o vendedor de peixes entre tantos outros. A confecçao das estátuas tradicionais segue o mesmo procedimento ao longo dos séculos, em uma arte ensinada de pai para filho. As paisagens e os personagens sao representados com um realismo que impressiona, com expressões e olhares que parecem vivos, por exemplo, ou com alimentos que parecem reais. Os preços variam de acordo com as

dimensões e a tipologia, podendo custar até milhares de euros, no caso dos presépios mais autênticos e clássicos, com roupas confeccionadas com seda antiga e fios de ouro. Vendidos para o mundo inteiro sob encomenda, a tradição dos presépios napolitanos se mantém viva, principalmente em Nápoles, onde as Igrejas costumam apresentar anualmente belos presépios artísticos e onde cada família cria a sua própria obra de arte com os pastores e estruturas adquiridos com os artesãos locais. Os Ferrigno, uma das famílias mais tradicionais e conhecidas no exterior, mantêm até hoje não apenas a estrutura familiar dentro da empresa, como o atelier no andar superior da loja, centralizando o controle da produção sob o olhar atento de Marco Ferrigno, um dos irmãos a frente do negócio, que exibe com orgulho as preciosidades com acesso para poucos, como estátuas da Virgem Maria com o Menino Jesus que custam cerca de 4 mil euros. Pulcinella, personagem da cultura popular napolitana, se encontra ao lado de Maria, Jesus e os Três Pastores

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Atualidade

Livro

Os dez mandamentos contra o crime

Guilherme Aquino

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De Milão

sociólogo e escritor Nando dalla Chiesa, lançou um livro sobre as ligações perigosas entre o crime organizado e o poder institucional. Nele, apresenta as regras fundamentais para eliminar a máfia da sociedade, que podem ser adaptadas a outras realidades, como a brasileira, no caso da guerra ao narcotráfico. O título da obra é “A convergência: Máfia e Política na Segunda República” e abrange o período histórico italiano que começa no início dos anos 90 e que, ainda hoje, vê em cena os mesmos personagens políticos que surgiram naquela época. O livro tem 300 páginas nas quais Nando, responsável pela cátedra de Sociologia do Crime Organizado na Universidade Estatal de Milão, analisa e defende a tese de que o crime organizado fez dois acordos com o Estado italiano para garantir a sobrevivência: um com as forças partidárias políticas e outro com as instituições.

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A denúncia sobre o pacto mafioso com o Estado está sob investigação dos magistrados de Palermo. Das lições aprendidas em campo, dentro e fora de casa – o escritor é filho do general Carlo Alberto dalla Chiesa, morto em 1982 durante um atentado da máfia – nasce o decálogo de instrumentos civis para proteger a sociedade. — Os estudiosos observam com muita atenção a linguagem usada pelos mafiosos e por aqueles que também a usam. E isto se chama de convergência linguística — explica o professor Nando dalla Chiesa. E a associação de palavras em comum ganha nome e sobrenome. Em diferentes passagens do livro, o autor coloca declarações públicas de autoridades e expoentes da máfia que poderiam ter sido ditas pelas mesmas pessoas, como por exemplo: “Os magistrados são duas vezes malucos. Primeiro porque o são politicamente, e depois porque o são como um doido qualquer, para fazer este tipo de trabalho alguém deve ser perturbado mental.

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O livro abrange o período histórico italiano que começa no início dos anos 90 com os mesmos políticos em cena ainda hoje

São antropologicamente diferentes do resto da humanidade”, afirmou o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, em 11 de setembro de 2003, numa entrevista ao jornal inglês The Spectator. O chefe da máfia Luiciano Liggio, do clã dos Corleanesi, em uma entrevista a Rai 1 afirmou: “quando um juiz me interrogou me dei conta que eu estava diante de uma doente. Se atrás das escrivaninhas do Estado existem psicóticos não é culpa minha. Por que não se certificam com exames adequados antes de dar a estas pessoas um cargo?”. O escritor está certo de que a luta contra a máfia em alguns territórios italianos está comprometida e cita a região da Lombardia, assediada pela Ndrangheta. Ele defende a necessidade de falar sobre o tema. — Ao contrário dos terroristas, a máfia prefere o silêncio, a invisibilidade, a sua própria negação — alerta ele. A guerra contra a máfia apenas pode ser vencida com uma série de atitudes de batalhas civis. Nando,


uma das maiores autoridades sobre sexto mandamento indica o apoio o assunto no país, apresenta dez incondicional a quem luta contra a mandamentos para os cidadãos máfia. “O orgulho e o senso do decomuns combaterem o crime or- ver são a base da motivação contra ganizado na sociedade. Três deles a qual a indiferença pode abater”, dizem respeito ao poder da infor- escreve Nando. Basta pouco, como mação, cinco sobre a importância uma carta a um jornal para expresda força da coletividade, um defen- sar o apoio e tornar a ação ainda de o consumo responsável e dois mais eficiente. O sétimo é nunca chamam a atenção para a escolha agir sozinho, sempre em grupo pados candidatos aos cargos públicos ra tutelar os indivíduos e dar maior e para o controle da legalidade. O possibilidade de realce à denúncia. primeiro mandamento determiO oitavo mandamento pede na o estudo do fenômeno, a sua para que o cidadão escolha muiorigem, o conhecimento sobre o to bem o seu candidato político e inimigo. O segundo é aprender a não troque votos por promessas de separar o joio do trigo, identificar favor e de apoio. O voto deve ser as campanhas que desmoralizam dado ao candidato, sem distinção os adversários da máfia, tais co- de bandeira e não deve ser anulamo os comerciantes que recusam do e nem em branco sob o risco de tornarem-se vítimas favorecer a eleição de extorsão e sofrem de nomes ligados à represálias acolhidas máfia. A única idede maneira superologia da máfia é o ficial pela imprensa poder, independente geral e relegadas a da orientação polísegundo plano pelas tica. O voto deve ir autoridades. O terpara pessoas capazes ceiro mandamento é de impedir infiltraaquele de fomentar ções criminosas nas Nando dalla Chiesa, a discussão em amclasses política e sociólogo e escritor bientes férteis para administrativa. A a compreensão do nona regra é a de tema, criando um “capital social aumentar o controle da legalidaanti-máfia”, além de investir na de, ou seja, dar ao cidadão comum educação da geração futura. elementos para que ele possa idenA lista dos mandamentos do pro- tificar movimentos suspeitos tais fessor Nando dalla Chiesa continua como evasão fiscal, trabalho ilesob o lema “unidos venceremos”. gal de menores de idade, abuso A quarta regra prevê a criação de na construção civil, corrupção na grupos de debates, de estudos e de administração pública, exploração pesquisas para apresentar à socie- da prostituição e tráfico de drogas, dade as consequências da presença entre outros crimes. O décimo e úlda máfia em um determinado ter- timo mandamento reza a cartilha ritório. O quinto item do cardápio do consumo responsável, crítico, anti-máfia valoriza as ações cole- como a participação em grupos de tivas, como denúncias e protestos compras solidárias, boicote a negóque sirvam de incentivo aos cida- cios e serviços com os proprietários dãos “neutros” a tomarem partido suspeitos de ligação com a máfia e, ao mesmo tempo, criar um am- através de empresas criadas para labiente hostil ao vizinho mafioso. O var o dinheiro sujo.

“Nós estamos na vanguarda do crime e também na vanguarda contra o crime.”

Para o sociólogo, o crime organizado fez dois acordos com o Estado italiano para garantir a sobrevivência: um com as forças partidárias políticas e outro com as instituições

Máfia internacional Nando dalla Chiesa condena a resignação da sociedade e a cumplicidade, a convergência de objetivos de grupos políticos e de criminosos. Ele afirma que existe uma grande área cinzenta que liga a máfia aos seus adversários. E deve-se estar atento aos municípios pequenos que servem de trampolim para o desenvolvimento das atividades ilícitas e ocupação do que ficou de fora. — Em realidades menores é mais fácil para o mafioso se instalar. A força do voto e a pouca vigilância das autoridades, da polícia, favorecem a infiltração. Em alguns casos a polícia tenta salvar a própria pele e passa a fazer parte de esquemas ilícitos — diz Nando. Ele também defende a união das forças internacionais na luta contra a máfia global. — Existem colaborações muito eficientes. Com o Brasil foram feitos acordos com métodos, já nos anos 80. Existem problemas de unificação de normas entre os países. Algumas nações não reconhecem o crime de associação mafiosa, então um foragido não é preso porque o reato não é punido pela lei. Sabemos que é mais difícil coordenar operações, como na Espanha, porque não é possível fazer incursões noturnas, existem limites para as operações, nós estamos na vanguarda do crime e também na vanguarda contra o crime. Temos que convencer as outras nações sobre a importância de algumas opções — diz o professor. A recente apreensão de uma tonelada de cocaína no porto de Gioia Tauro, no sul da Itália, no container de um navio de bandeira italiana que tinha zarpado do porto de Santos, no Brasil, mostra como a luta ao crime organizado está longe do fim. E com relação ao tráfico de drogas, Nando afirma que a solução pode estar na educação. — Se existe uma oferta é porque tem uma demanda. Tem que sensibilizar o consumidor. Existem duas saídas: ou se legaliza as drogas com todo o custo social ou se derruba a demanda. Senão, atingimos um clã e aparece outro, prendemos um chefe e surge um mais jovem, mais violento. — A Itália experimentou, antes de outros países, modelos importantes de luta à criminalidade. A ideia de colaboração de mafiosos com a justiça deve ser incentivada, são delinquentes que ajudam a combater a delinquência. Acho que todos os países devem adotar esta linha de ação — fala sobre o programa da justiça italiana para o mafioso arrependido. Ele também defende a chamada “white list”, ou seja, listas com os nomes de empresas acima de quaisquer suspeitas para participação em concorrências públicas. comunitàitaliana | dezembro 2010

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Atualidade

É nóis! Depois de ganhar destaque internacional, ocupação é sucedida por iniciativas para melhoria das condições de vida nos complexos da Penha e do Alemão Da Redação

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Policiais civis hasteiam bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro no ponto mais alto do morro do Alemão

é para que de fato o estado esteja nas favelas que compõem a região. — As reconquistas dos territórios tanto da Vila Cruzeiro quanto do Alemão já foram efetivadas. Esse é um processo e nós não vamos dormir nos louros da conquista — garante o governador Sérgio Cabral. Com a atenção da imprensa internacional voltada para o Rio de Janeiro, periódicos italianos dedicaram espaço à cobertura da violência. Fotos: Divulgação

ntem, o Pavão-Pavãozinho. Amanhã, os complexos da Penha e do Alemão. Tal como aconteceu no fim de 2009, quando a pacificação atraiu turistas aos morros da Zona Sul carioca e tornou o local a sensação do Réveillon 2010; moradores da Zona Norte do Rio, sonham com um Natal e Ano Novo especiais. No território reconquistado pelo poder público, as novidades incluem a instalação de uma Unidade de Policia Pacificadora (UPP) e do Teleférico que vai integrar as favelas do complexo do Alemão, além da presença de psicólogos e pedagogos para acompanhar alunos da rede municipal e estadual nas favelas da região. As iniciativas alargam o caminho trilhado pelo estado depois da

ação de combate ao tráfico de drogas e à criminalidade iniciada no fim de novembro. Em doze dias, a presença da polícia civil e militar, além do Exército, gerou um saldo de 133 presos e 440 veículos, 36,6 toneladas de drogas, 548 armas e 59 explosivos apreendidos. Com o apoio da população, através do Disque Denúncia, policiais permanecem em alerta para investigações e controle para que a ilegalidade não volte à comunidade. — Estou feliz porque entraram sem dar um tiro. Estão de parabéns. Obrigada pela nossa segurança — diz uma carta entregue a um policial e assinada por uma menina de 7 anos, moradora do Alemão. No rastro da alegria pelo direito de ir e vir, no local onde vivem 400 mil pessoas, segundo cálculos baseados em dados de Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a preocupação agora

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O jornal Corriere della Sera destacou que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) contou com a ajuda da Marinha para conquistar a Vila Cruzeiro, na Penha. Além disso, a reportagem, que saiu na capa da publicação, comenta o número de mortos e diz que a polícia luta contra o tráfico de drogas na cidade. O texto explica ainda o que é o caveirão, carro utilizado pelo Bope para incursões em favelas. Já o site La Republica, divulgou pela primeira vez o assunto e disponibilizou um vídeo com imagens das ações da polícia no Rio de Janeiro. Destaque do governo Sérgio Cabral, as unidades de polícia pacificadoras (UPP) modificaram as favelas em que foram instaladas e se a chegada dos policiais inibe a ação dos bandidos, o programa também ajudou a transformar a imagem que a população tem das polícias. Atualmente, a cidade conta com 13 UPPs. Durante as operações nos complexos do Alemão e da Penha, o governador Sergio Cabral anunciou que a unidade local será entregue a região no segundo semestre de 2011. De acordo com o coronel Robson Rodrigues, responsável pelo programa, a UPP Penha/Alemão terá além da sede, 30 pontos avançados e contará com efetivo de 2.300 homens. Segundo o oficial, as comunidades da região estão entre as 40 favelas mapeadas pela Secretaria de Segurança Pública, que deverão receber UPPs até dezembro de 2014. Entre as informações levantadas e que justificam sua implantação estão a quantidade de acessos e rotas de fuga: 47 no Alemão e 37 na Vila Cruzeiro: — Os critérios técnicos para a instalação de uma UPP são a capacidade de violência letal, domínio de território, armamento de guerra e dificuldade da polícia em entrar no local. Mas, além disso, há critérios mais subjetivos, como aceitação dos moradores do trabalho da polícia e da presença de traficantes. No Alemão, a aceitação superou as nossas expectativas. Até o fim de 2014, a expectativa é de que haja 40 UPPs no Estado, com um efetivo de 12 mil policiais militares. O beneficio chegaria a 165 comunidades. No entanto, o oficial é taxativo quanto à presença de policiamento ser a solução para o tráfico de drogas. — Quem disser que vai acabar com o tráfico é um mentiroso.

Carta de uma menina de 7 anos entregue a um policial

Gôndola do Teleférico do Alemão. O governador Sergio Cabral anunciou que a UPP será entregue a região no segundo semestre do ano que vem

Enquanto houver procura por drogas, vai ter gente para vender. Vamos acabar é com o domínio territorial imposto pelo fuzil. No Complexo do Alemão há uma situação semelhante à da Cidade de Deus, onde há um consumo interno grande e muitos dependentes químicos. Ainda que não acabe com o tráfico, o trabalho dos policiais nas UPPs tem o reconhecimento da população. Uma semana depois da entrada de policiais civis e militares do Rio, com auxílio das Forças Armadas, nos complexos, um estudo encomendado pelo jornal O Globo ao Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) foi feito com 800 moradores de favelas (400 onde há UPPs e 400 onde não há UPPs). A pesquisa feita por telefone aponta que as UPPs são amplamente aprovadas em favelas com e sem as unidades de pacificação (92% e 77%, respectivamente). Por outro lado, em locais com UPPs, a confiança na PM é mais que o dobro da registrada em favelas ainda não pacificadas (60% contra 28%).

— Os policiais de UPPs são os mesmos e estão todos os dias numa mesma localidade. Isso é bem diferente de um modelo no qual o cidadão vê um policial num dia e, no outro, ele já não sabe quem é. Num ambiente relativamente de paz, como no caso das comunidades com UPPs, a relação do policial com os moradores se desenvolve melhor. Daí esta confiança — observa o secretário de Segurança Publica José Mariano Beltrame que, durante a ocupação na Zona Norte, comemorou: — Se tirou dessas pessoas o que eles chamavam e consideram porto seguro. É importante prender essas pessoas. Mas é mais importante tirar o território. Boas Novas Além da UPP, a inauguração do Teleférico do Alemão, construído com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também é esperada pelos moradores. A linha vai integrar as favelas do Complexo do Alemão ao sistema de transporte público do Rio de Janeiro (a estação de trem de Bonsucesso e cinco pontos de ônibus no conjunto de favelas) e entrou em fase final de obras pós-retomada do território. A previsão é de que em março as 152 gôndolas entrem em funcionamento para percorrer os 3,5 quilômetros de ligações. Elas têm capacidade para transportar dez pessoas por cabine e por dia são esperadas 30 mil pessoas. Segundo a Secretaria de Obras do Estado, o novo meio de transporte pode reduzir para 16 minutos o trajeto que hoje leva até 1h30min, entre a estação de trem e o Morro da Fazendinha. Um ponto turístico do Rio esquecido por conta da violência, a

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Igreja de Nossa Senhora da Penha também entrou na rota das melhorias para a região. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou a construção de um plano inclinado para facilitar o acesso de moradores, fieis e turistas ao local. O tradicional santuário católico, erguido no alto de uma pedra, conta com uma escadaria de 382 degraus, que muitos fieis sobem a pé ou de joelhos para pagar promessas. De acordo com o prefeito, a inauguração do novo acesso está prevista para março de 2012. O município vai investir R$ 17,6 milhões na construção de dois planos inclinados sobre trilhos, com duas estações. Retrospectiva Tomada por problemas comuns às grandes cidades como criminalidade, favelização, tráfico de drogas, milícias e corrupção, a região metropolitana do Rio de Janeiro viveu um plano de guerra para combater o domínio de facções criminosas em uma operação que pretendia instaurar o terror na capital e em cidades vizinhas. Carros e ônibus foram queimados e arrastões nas principais vias expressas deixaram a população assustada. A ação dos criminosos foi vista pelo governo estadual como uma resposta às UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), instaladas nos dois últimos anos em comunidades antes dominadas pelo tráfico, e configurou a versão de que a ordem dos ataques saiu de presídios federais, onde residem criminosos conhecidos internacionalmente como Fernandinho Beira-Mar, Marcinho VP, Elias Maluco, entre outros. A hipótese trouxe à tona discussões sobre leis e regime penitenciário no Brasil. O jurista e ex-secretário nacional Antidrogas Wálter Maierovitch considera as prisões como o “calcanhar de Aquiles” do sistema de segurança pública. — Enquanto tiver entropia e indisciplina, teremos o crime organizado comandando os presídios — diz. Ele defende o sistema adotado em 1982 pela Itália, que mudou seu código penitenciário para isolar os líderes da máfia e diferenciar esta organização dos demais grupos criminosos – caminho seguido, segundo ele, por outros países, como Alemanha e França. De acordo com o jurista, a rigidez da Itália com os mafiosos presos é total, onde as visitas pessoais são monitoradas, 34

sem intimidade, e os detentos podem se reunir com outras pessoas por meio de videoconferência. Já a comunicação com os advogados é feita por envelopes mediados pela administração prisional: — Na Itália, a relação (entre preso e advogado) é efetivamente profissional. Não é como aqui, onde o sujeito está inscrito na Ordem (dos Advogados do Brasil) e é um bandido. No Brasil, se tem muita facilidade. Imagine um preso passar um bilhete para o advogado e ele se prestar a isso. Além disso, segundo Maierovitch, o sistema italiano determina que, quando um mafioso preso pede para sair do sistema de segurança máxima, a polícia penitenciária e o Ministério Público Antimáfia devem dar pareceres sobre a sua suposta desvinculação da organização criminosa. Os ataques tiveram início no dia 21 de novembro quando seis homens armados de fuzis incendiaram dois carros na Linha Vermelha. Dois dias depois, a Polícia Militar realizou operações em cerca de 20 favelas utilizando um efetivo formado por 13 batalhões. Confirmado o apoio da Marinha do Brasil, no dia 25, uma megaoperação do Bope na região das favelas na Penha, contou com seis veículos blindados da esquadra e dois caminhões. No total, a Marinha disponibilizou à Secretaria de Segurança Pública do estado três tipos de blindados: M-113, CFN Anfíbio (CLAnf), viaturas sobre rodas piranha e 98 homens para apoio logístico. Os veículos resistem a tiros de fuzis e metralhadoras, como 7,62 e 30, que fazem parte do arsenal ostentado pelos traficantes. “A segurança é total”, assinala o comandante do Batalhão Logístico de Fuzileiros Navais, capitão-de-mar-e-guerra, Carlos Chagas.

A Igreja de Nossa Senhora da Penha entrou na rota das melhorias para a região

dezembro 2010 | comunitàitaliana

Fotos: Divulgação

Atualidade

Tanques do Exército foram utilizados nas operações cujo saldo foi de 36,6 toneladas de drogas e 548 armas apreendidas

Durante a tarde do mesmo dia, 350 policiais tomaram o controle da Vila Cruzeiro provocando a fuga em massa de suspeitos da comunidade. Já no dia 26, cerca de 800 soldados do Exército foram enviados ao conjunto de favelas do Alemão e à Vila Cruzeiro e oito pessoas presas na operação foram transferidas para presídios federais. Em agenda no exterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou apoio ao estado: — Tudo o que ele (o governador Sergio Cabral) precisar, que estiver dentro da lei, que o governo federal puder fazer para ajudar o Rio de Janeiro nós faremos, porque não é humanamente explicável que 99% de pessoas de bem, trabalhadoras, que querem viver em paz, sejam molestadas por gente que está na marginalidade. Uma intensa troca de tiros ainda foi registrada no dia 28. Quando o conflito foi finalizado com a participação de cerca de 2.600 homens, helicópteros e veículos blindados na tomada do Alemão. — A minha satisfação é poder trazer a paz a essa comunidade. Fizemos história reconquistando a Vila Cruzeiro e o Alemão — declara o policial civil Henrique Cerqueira que participou da operação.


Notizie

Brasile tra i più ammirati el 2009 il Brasile è arrivato al 20º posto tra i paesi più

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dano quelli della bandiera italiana e per questo ha fra i suoi tifosi moltissimi italo-brasiiani, il Fluminense Football Club ha alzato la coppa di Campione Brasiliano nel 2010 dopo aver sconfitto per 1 a 0 la squadra paulista del Guarani nell’ultima partita del campionato. Guidata da Muricy Ramalho, tecnico che è stato cogitato anche dalla nazionale brasiliana, la squadra ha contato sulla stella del campionato, il mezzocampo argentino Dario Conca, unico calciatore a giocare in tutte le 38 partite. La squadra tricolore ha sommato 71 punti seguita dal Cruzeiro con 69 punti e dal Corinthians con 68. comunità italiana2.pdf

8-07-2010

Embratur

Tricolore alza la coppa opo 26 anni la consacrazione. Squadra i cui colori ricor-

ammirati del mondo. L’affermazione è stata fatta dal consulente britannico Simon Anholt, specialista in immagine internazionale di paesi durante il seminario “Imagem do País e a Promoção Turística Internacional”, promosso dalla Embratur e dall’Instituto Marca Brasil, a Brasília. La buona posizione è stata raggiunta nella ricerca realizzata nel 2009 da Anholt, che realizza lo studio dal 2005 e intervista più di 20mila persone nel mondo riguardo all’immagine di 50 paesi differenti. Il 20º posto situa il paese come il primo emergente della lista e il primo a riuscire ad apparire tra i 20 meglio collocati, come Stati Uniti, Francia e Germania. La valutazione della ricerca è basata su sei grandi temi che comporranno una specie di “Marchio del Paese”. E che sono: prodotti della nazione, i governi, la cultura nazionale, le persone, il turismo e gli investimenti legati all’immigrazione. “Questa immagine, la reputazione di un paese, è il suo bene più prezioso”, ha valutato.

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Capa

Cidadania

Rumo

ao

Sul

Verso Sud

Com a mudança da balança financeira mundial, muitos italianos começam a se interessar pelo Brasil. A valorização do passaporte brasileiro passa por histórias de família, mas também de negócios Con i cambiamenti del bilancio finanziario mondiale molti italiani hanno cominciato ad interessarsi al Brasile. La valorizzazione del passaporto brasiliano passa attraverso storie di famiglia ma anche affari Leandro Demori De Roma

O

museu dedicado a emigração italiana inaugurado no ano passado no subsolo do monumento vitoriano em Roma mostra uma história de dor e partidas. Entre fins do século XIX e meados do século XX, os italianos que deixaram a península em busca de terras prometidas – sobretudo nas Américas – passaram por momentos de sofrimento e desesperança que marcariam suas vidas. Mais de 100 anos após os cruzeiros da morte que cruzavam o Atlântico com despreparo visível, uma nova onda de emigração acomete a Itália. Dessa vez, no lugar de miseráveis e maltrapilhos, são os jovens empresários a moldar o perfil do novo caçador de tesouros. O fervor econômico dos anos 60 dá claros sinais de esgotamento e, hoje, os jovens italianos estão novamente olhando para o além-mar. O Brasil é um dos principais destinos. Com a estabilidade social e os avanços das últimas décadas, a imagem do país – em anos não muito distantes ligada a esquadrões da morte, corrupção, instabilidade econômica e miséria absoluta – foi parcialmente limpa no exterior. O novo momento vem chamando cada vez mais a atenção de quem vê dias negros pela frente em uma 36

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l museo dedicato all’emigrazione italiana inaugurato l’anno scorso nel sottosuolo del monumento vittoriano a Roma mostra una storia di dolore e di addii. Tra la fine del XIX e la metà del XX secolo gli italiani che hanno lasciato la penisola alla ricerca di terre promesse – soprattutto nelle Americhe – sono passati per momenti di sofferenza e delusione che avrebbero segnato le loro vite. Più di 100 anni dopo le traversate della morte, che percorrevano l’Atlantico con una visibile mancanza di preparazione, una nuova onda di emigrazione colpisce l’Italia. Stavolta al posto di miserabili e straccioni sono i giovani impresari a delineare il profilo dei nuovi cacciatori di tesori. Il boom economico degli anni ’60 dà chiari segni di svuotamento e oggi i giovani italiani stanno guardando ancora una volta verso oltremare. Il Brasile è uno dei destini principali. Con la stabilità sociale e i progressi degli ultimi decenni l’immagine del Paese – che durante anni non lontani era legata a squadroni della morte, corruzione, instabilità economica e miseria assoluta – è stata in parte riscattata all’estero. Il nuovo momento sta richiamando sempre più le attenzioni di chi vede giorni bui davanti a sé, in un’Italia frammentata e stagnante, dominata dalle raccomandazioni politiche e con poco spazio per la meritocrazia.


Itália fragmentada e estagnada, dominada pelas indicações políticas e com pouco espaço para a meritocracia. Segundo dados do estudo “Rapporto Italiani nel mondo 2010” capitaneado pela Fondazione Migrantes, mais de quatro milhões de italianos vivem oficialmente espalhados pelo planeta. Em 2010, o número de cidadãos que deixaram a península em busca de outros países foi de 113 mil. Se comparado com 2006, último ano antes da crise econômica que golpeou fortemente a Europa, quase um milhão de italianos deixaram o país. O número total representa 6,7% da população – quase o mesmo número de imigrantes de outros países que vivem na Itália. A maior parte dos migrantes italianos são homens (53%) e jovens, entre 20 e 40 anos. Tem instrução médio-alta (67,2%) e se sentem integrados nos países que escolheram para viver, onde não têm problemas com a língua local, são donos da própria casa e estão satisfeitos com os trabalhos que fazem. Ainda segundo os dados da Fondazione Migrantes, que usa como base uma série histórica colhida pelo governo italiano desde 1876, os italianos no exterior não pensam em voltar à Itália. Onde moram? A maioria na Europa (55,3%), seguido das Américas (39,3%), Oceania (3,2%), África (1,3%) e Ásia (0,9%). Uma fotografia mais acurada, no entanto, mostra que o país que mais recebe imigrantes italianos é a Argentina, que supera por pouco a Alemanha (ambos com mais de 600 mil residentes registrados). O Brasil tem atualmente 273 mil italianos legais vivendo no país – é o quinto maior contingente atrás somente de Suíça e França. Nascido em Sorrento, ao sul de Nápoles, Antonino Esposito chegou no Brasil há três anos como parte da leva de novos imigrantes que buscam empreender no exterior. Após ter conhecido a brasileira Andrea Cominato, por quem se apaixonou, passou um ano vivendo entre a Itália e o Brasil. Atraído pelo crescimento e pela melhora da imagem do país, visualizou oportunidades de negócios que estão saturadas ou de difícil colocação em uma Itália com economia enferrujada há mais de uma década. O primeiro investimento do empresário foi o bar Republic Pub, na Vila Madalena, em São Paulo, logo no primeiro ano de Brasil. Diante do sucesso, Esposito montou, no mesmo bairro, a lanchonete John & Paul, inaugurada este ano. A casa, como evidencia o nome, traz toda a atmosfera de Liverpool e decoração com quadros e objetos inspirados em seus filhos mais famosos, os Beatles, banda pela comunitàitaliana | dezembro 2010

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qual Esposito é apaixonado. — O Brasil está em um momento fantástico, ao contrário da Itália — explica. — Estou muito bem no país. Sinto saudades da família e dos amigos, mas me sinto em casa aqui. Não só de italianos vem vivendo o Brasil cosmopolita. No primeiro semestre deste ano, 22.188 estrangeiros pediram visto de trabalho para viver no país, exatos 3.519 a mais do que no mesmo período do ano passado. É o maior número de pedido de vistos da história em um semestre, conforme dados do Ministério do Trabalho. Os estrangeiros que mais procuram o Brasil para morar, trabalhar e investir vêm de EUA, Filipinas, Reino Unido, China, Índia, Alemanha, Japão, França e Itália. O trâmite normal para viver no país é feito através da PF, mas outra possibilidade é requerer visto por casamento diretamente nos consulados do Brasil no exterior. O país não concede cidadania ou passaporte brasileiro por causa de casamento – como no caso da Itália – mas o visto é permanente. Entre janeiro e novembro deste ano foram contabilizados 96 pedidos de vistos para cidadãos italianos em função de matrimônio com brasileiros ou brasileiras somente no Consulado de Milão. Pessoas como Antonio Esposito, que conheceram brasileiras e decidiram arriscar a vida do outro lado do mar. — Temos verificado um aumento da solicitação de informações a respeito do tema, principalmente através de perguntas enviadas por e-mail — diz Eliana Gialain, responsável pelo setor. Em Roma, de janeiro a outubro deste ano, foram 84 pedidos. Em 2009, 72 italianos requereram visto por casamento. Esses dois anos marcam um crescimento espantoso nas estatísticas. A média dos anos anteriores (2006, 2007 e 2008) vinha sendo em torno de 30 pedidos. — Os últimos dois anos foram os que chamaram mais atenção pelo crescimento e também pelo interesse em informações. Os pedidos se avolumaram bastante porque muitas pessoas acreditam que o Brasil conceda cidadania por matrimônio, como é o caso da Itália — confirma Irene Vida Gala, cônsul adjunto do Brasil em Roma e chefe da seção responsável pela emissão dos documentos. Além de empresários e investidores, também estudantes deixam a Itália para se aventurar em outras paisagens. O país não tem um censo completo dos pesquisadores

Antonino Esposito posa ao lado da mulher Andrea Cominato: se sente em casa no Brasil

Antonino Esposito posa accanto alla moglie Andrea Cominato: in Brasile si sente in casa

“Le richieste si sono accumulate molto perché la gente crede che il Brasile rilasci la cittadinanza per matrimonio, come avviene in Italia.” Irene Vida Gala, console aggiunto del Brasile a Roma

“Os pedidos se avolumaram bastante porque muitas pessoas acreditam que o Brasil conceda cidadania por matrimônio, como é o caso da Itália.”

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Irene Vida Gala, cônsul adjunto do Brasil em Roma

Secondo dati dello studio “Rapporto Italiani nel mondo 2010” capitanato dalla Fondazione Migrantes, oltre quattro milioni di italiani vivono ufficialmente sparsi per il pianeta. Nel 2010 il numero di cittadini che hanno lasciato la penisola alla ricerca di altri paesi corrisponde a 113mila. Se paragonato al 2006, ultimo anno prima della crisi economica che ha fortemente colpito l’Europa, quasi un milione di italiani hanno lasciato il loro Paese. Il numero totale rappresenta il 6,7% della popolazione – quasi lo stesso numero di immigranti di altri Paesi che vivono in Italia. La maggior parte dei migranti italiani sono uomini (53%) e giovani, tra i 20 e i 40 anni. Hanno un livello scolastico medio-alto e si sentono integrati nei paesi che hanno scelto per vivere, in cui non hanno problemi con la lingua locale, sono proprietari della loro abitazione e sono soddisfatti del lavoro che fanno. Sempre secondo dati della Fondazione Migrantes, che usa per base una serie storica raccolta dal governo italiano dal 1876, gli italiani all’estero non pensano di ritornare in Italia. Dove abitano? La maggior parte in Europa (55,3%), poi in America (39,3%), Oceania (3,2), Africa (1,3%) e Asia (0,9%). Ma uno spaccato più accurato dimostra che il Paese col maggior numero di immigranti italiani è l’Argentina, che supera di poco la Germania (entrambi con più di 600mila residenti registrati). Il Brasile oggigiorno ha 273mila italiani che vivono legalmente nel paese – è il quinto maggior contingente dopo la Svizzera e la Francia. Nato a Sorrento, a sud di Napoli, Antonino Esposito è arrivato in Brasile tre anni fa come membro del gruppo dei nuovi immigranti che vogliono essere imprenditori all’estero. Dopo aver conosciuto la brasiliana Andrea Cominato, di cui si è innamorato, ha passato un anno vivendo tra il Brasile e l’Italia. Attratto dalla crescita e e dalla migliore immagine del Paese ha presentito opportunità di affari ormai sature o di difficile materializzazione in un’Italia dall’economia arrugginita da più di dieci anni. Il primo investimento dell’imprenditore è stato il bar Republic Pub, alla Vila Madalena, a São Paulo il primo anno che è arrivato in Brasile. Di fronte al successo Esposito ha aperto, nello stesso quartiere, la tavola calda John & Paul, inaugurata quest’anno. Il locale, come dice il nome, ricorda l’atmosfera di Liverpool con l’arredamento di quadri e oggetti ispirati nei suoi pargoli più famosi, i Beatles, banda di cui Esposito è appassionato. — Il Brasile si trova in un momento fantastico, al contrario dell’Italia — spiega. — Mi trovo molto bene nel Paese. Sento nostalgia della famiglia e degli amici, ma qui mi sento a casa. Il Brasile cosmopolita non vive solo di italiani. Nel primo semestre di quest’anno 22.188 stranieri hanno chiesto il visto di lavoro per vivere nel Paese, esattamente 3.519 di più dello stesso periodo dell’anno scorso. È il maggior numero di richieste di visti della storia in un semestre, secondo dati del Ministério do Trabalho. Gli stranieri che si interessano di più al Brasile per abitarci, lavorarci ed investire vengono da USA, Filippine, Gran Bretagna, Cina, India, Germania, Giappone, Francia e Italia. Le vie legali normali per vivere in Brasile passato per la PF, ma si può anche richiedere il visto per matrimonio direttamente presso i consolati del Brasile all’estero. Il Paese non concede la cittadinanza o il passaporto brasiliano solo dovuto al matrimonio – come accade in Italia – ma il visto è permanente. Tra il gennaio e il novembre di quest’anno sono stati calcolate 96 richieste di visti


que vivem no exterior. Dos dois mil que se inscreveram no banco de dados do Ministério da Educação, somente um em cada quatro pensa em voltar para a península. Para piorar, dois terços dos pesquisadores considerados de alto nível formados pelo país foram embora. Um dos destinos é o Brasil, que entre 2006 e 2010 aumentou em 30% o número de bolsas concedidas a pesquisadores estrangeiros pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, pulando de 1462 para 1899, principalmente para as áreas de engenharia e ciências exatas. Estamos recebendo cada vez mais gente, e gente boa — se anima Jabob Palis, cientista brasileiro que estuda o “caos” e recebeu por seus avanços na área matemática de compreensão quase etérea o prêmio Balzan, importante honraria científica concedida pela fundação ítalo-suíça de mesmo nome com sede em Roma. Ele é o primeiro brasileiro a botar essa medalha no peito e a levar para casa mais de 1,2 milhão de reais – metade será investido em projetos de jovens cientistas. Para Palis, o Brasil deveria duplicar o investimento em ciência em relação ao PIB até 2020 se não quiser ver Índia e China ‘decolarem’. — Se não corrermos não pegamos mais. Não há modo de se consolidar como país sem estímulo à ciência — prega. Um ‘manual de instruções’ foi entregue aos candidatos à Presidência durante a campanha eleitoral deste ano. Nele, há indicações de que as universidades precisam ser mais dinâmicas e aplicar políticas mais inteligentes para atrair justamente pesquisadores estrangeiros. Hoje, é exigido que falem português. — Isso não faz sentido! — reclama. — Gente muito qualificada tem que vir morar no Brasil e se comprometer em falar português em dois anos. Não podemos espantar esses cérebros. Para atrair os melhores, a carta – recebida também pela presidente eleita Dilma Rousseff – sugere bolsas de dois anos para estrangeiros qualificados com salários de 7 a 8 mil reais por mês para equiparar a oferta brasileira aos ganhos de cientistas em início de carreira em países desenvolvidos. “Depois o cara conhece uma menina, casa e vai ficando”, brinca Palis. Soltanto il cuore Na década seguinte aos anos negros da Segunda Guerra Mundial a Itália era um país em pedaços. Perdedores do conflito já em 1943, os italianos ainda passaram por dois anos de uma sangrenta guerra civil até que a paz fosse finalmente reconquistada. O cessar-fogo trouxe consigo a realidade de uma nação que não mais existia e muitos, sonhando com uma vida nova, migraram. Entre eles, Cesare Vogna, napolitano de 25 anos que pisou no Brasil nos primeiros ventos do verão de 1950. Levado por um amigo, Vogna queria construir uma fábrica de móveis na América do Sul, trabalho herdado do pai. O empreendimento não deu certo, mas a estada de poucos meses no Brasil mudou sua vida para sempre. “Vi um italiano lindíssimo na praça”, disse Maria Rainha à mãe ao chegar em casa. Mineira, criada no Rio de Janeiro, a garota com então 18 anos jamais poderia imaginar que poucos dias após aquele comentário aos suspiros estaria de namorico com o tal italiano. O caso de amor foi intenso e veloz. Meses depois, ele precisou voltar para seu país, deixando com Maria uma promessa: voltaria para buscá-la e casaria com ela. Foram dois angustiantes anos de cartas trocadas até

“Gente muito qualificada tem que vir morar no Brasil e se comprometer em falar português em dois anos, que seja. Não podemos espantar esses cérebros.” Jabob Palis, cientista brasileiro na Itália “Gente molto qualificata deve venire ad abitare in Brasile e impegnarsi a parlare il portoghese in due anni. Non possiamo spaventare questi cervelloni.” Jabob Palis, scienziato brasiliano in Italia

Curiosidades

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iferentemente da lei italiana, a brasileira não concede cidadania juris sanguinis por documentação de avós ou bisavós, por exemplo. Somente de pais para filhos de forma direta.

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differenza dalla legge italiana quella brasiliana non concede la cittadinanza juris sanguinis grazie a documenti di nonni o bisnonni, per esempio. Solo diretttamente dai genitori ai figli

per cittadini italiani dovuto a matrimonio con brasiliani o brasiliane solo presso il Consolato di Milano. Persone come Antonio Esposito, che hanno conosciuto brasiliane e hanno deciso di avventurarsi oltreoceano. — Abbiamo verificato un aumento delle richieste di informazioni sul tema, specialmente per mezzo di domande inviate per e-mail — dice Eliana Gialain, responsabile del settore. A Roma, dal gennaio all’ottobre di quest’anno, sono state 84 richieste. Nel 2009 hanno richiesto il visto per matrimonio 72 italiani. Questi due anni hanno segnato una crescita spaventosa nelle statistiche. La media degli anni anteriori (2006, 2007 e 2008) era sempre di circa 30 richieste. — Gli ultimi due anni sono stati quelli che hanno richiamato più le attenzioni dovuto alla crescita ma anche all’interesse per le informazioni. Le richieste si sono accumulate molto perché la gente crede che il Brasile rilasci la cittadinanza per matrimonio, come avviene in Italia — conferma Irene Vida Gala, console aggiunto del Brasile a Roma e capo della sezione responsabile del rilascio dei documenti. Oltre ad imprenditori e investitori anche gli studenti lasciano l’Italia per avventurarsi in altri lidi. Il Paese non offre un censimento completo dei ricercatori che vivono all’estero. Dei duemila che si sono iscritti nel banco dati del Ministero dell’Istruzione, Università e Ricerca solo uno su quattro pensa di ritornare nella penisola. Per peggiorare le cose, due terzi dei ricercatori considerati di alto livello laureati in Italia sono partiti. Una delle mete è il Brasile, che tra il 2006 e il 2010 ha aumentato del 30% il numero di borse concesse a ricercatori stranieri dal Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), saltando da 1462 a 1899 di esse, specialmente nelle aree di ingegneria e scienze esatte. — Stiamo ricevendo sempre più persone e competenti — dice soddisfatto Jabob Palis, scienziato brasiliano che studia il “caos” ed ha ricevuto grazie ai suoi progressi nell’area matematica di comprensione quasi eterea il premio Balzan, importante riconoscimento scientifico concesso dalla fondazione italo-svizzera dallo stesso nome con sede a Roma. E’ il primo brasiliano a mettersi questa medaglia sul petto e a portarsi a casa più di 1,2 milione di reais – di cui metà sarà investito in progetti di giovani scienziati. Per Palis il Brasile dovrebbe raddoppiare gli investimenti in scienza in rapporto al PIL entro il 2020 se non vuole che India e Cina ‘prendano il volo’. — Se non ci affrettiamo non li raggiungiamo più. Non ci si può consolidare come Paese senza stimolo alla scienza — dice. Un ‘manuale di istruzioni’ è stato consegnato alla Presidenza durante la campagna elettorale di quest’anno. In esso ci sono indizi del fatto che le università dovrebbero essere più dinamiche e applicare politiche più intelligenti per attrarre proprio ricercatori stranieri. Oggigiorno si esige che parlino portoghese. — Questo non ha un senso logico! — reclama. — Gente molto qualificata deve venire ad abitare in comunitàitaliana | dezembro 2010

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Cidadania

que Cesare voltasse para o Brasil e pedisse Maria em casamento – casaram no Rio de Janeiro antes de se mudarem definitivamente para Nápoles. A história de Cesare e Maria é a história de uma inteira geração de jovens do pós-guerra italiano. Casais que se conheceram no exterior e voltaram para ajudar a reconstruir o país. Como personagens reais de uma história de amor, o italiano Cesare e a brasileira Maria Rainha tiveram filhos, dois, ambos nascidos em Nápoles, italianos para todos os efeitos. Mas o verde e amarelo que restaram em suas veias começa a se manifestar e mostrar outra face dos italianos que buscam o Brasil como “segunda casa”, e não como destino de negócios. Nos últimos meses, a Embaixada do Brasil em Roma concedeu passaportes brasileiros a sete italianos – nascidos na Itália mas com pai ou mãe brasileiros. O número, pequeno mas inédito, tende a aumentar nos próximos anos. — Aos poucos, filhos e netos de brasileiros começam a tomar conhecimento da lei. Há um interesse crescente em buscar essas origens por parte de quem nasceu aqui — explica Irene Vida Gala. O contingente de italianos-brasileiros deve aumentar graças justamente à história de amor entre Cesare e Maria. — Foi uma das maiores felicidades da minha vida ter recebido esse documento — emociona-se Italia Vogna, filha do casal, nascida em Nápoles em 1965 mas que tem “o Brasil no coração”. Neste ano, ela e o irmão Gioachino (dez anos mais velho) obtiveram a cidadania brasileira. — Fomos criados em um ambiente totalmente brasileiro, com minha mãe em casa que ouvia Tom Jobim, Vinícius de Moraes e toda aquela música maravilhosa — conta Italia. — Éramos a atração da vizinhança naqueles anos: mamãe fazia feijoada e todos os nossos amigos iam lá em casa comer — lembra. A vida de Italia foi totalmente traçada pelas raízes brasileiras que a mão sempre regou. Ao som da bossa nova, a napolitana criada ouvindo o português desde o berço aprendeu a língua e os costumes cantarolando com a mãe, se tornando uma devota da arte e sobretudo da música brasileira. Estudou artes no Liceu Artístico e na Academia de Belas Artes de Nápoles antes de começar carreira como cantora e pintora. Nos primeiros anos teve a honra de dividir o palco com Paulinho Nogueira e Toquinho. Com este, gravou uma canção ainda inédita, que espera pelo momento ideal para ser lançada. Italia deve ser a responsável por continuar o movimento crescente de italianos que buscam cidadania brasileira: suas duas filhas, Giorgia, de 13 anos e Valentina, de 8 – ambas nascidas em Roma e que ainda não conhecem o Brasil – deverão se tornar cidadãs brasileiras para todos os efeitos nos próximos meses, quando terão seus documentos em mãos. 40

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Brasile e impegnarsi a parlare il portoghese in due anni. Non possiamo spaventare questi cervelloni. Per attrarre i migliori la lettera – ricevuta anche dal presidente eletto Dilma Rousseff – suggerisce borse di studio di due anni per stranieri qualificati con stipendi che vanno dai 7 agli 9 mila reais al mese per equiparare l’offerta brasiliana ai guadagni degli scienziati in inizio di carriera nei paesi ricchi. “Poi il tipo conosce una ragazza, si sposa e rimane”, scherza Palis.

Parcerias e estímulo em universidades: Dilma Rousseff

Partnership e estimulo in università: Dilma Rousseff ha ricevuto una lettera

Concessões* 2006  28 vistos 2007  24 vistos 2008  33 vistos 2009  72 vistos 2010  84 vistos * Avanço das concessões de vistos para italianos através de casamento com brasileiros no consulado de Roma

* Aumento di concessioni di visti ad italiani per mezzo del matrimonio con brasiliani al consolato di Roma

Soltanto il cuore Nei decenni seguenti agli anni bui della Seconda Guerra Mondiale l’Italia era un paese sconvolto. Sconfitti in guerra già nel 1943, gli italiani hanno affrontato anche una sanguinosa guerra civile per due anni fino a quando la pace è stata finalmente riconquistata. Il cessare il fuoco ha riportato con sé la realtà di una nazione che non esisteva più e molti, sognando una nuova vita, sono emigrati. Tra di loro c’è Cesare Vogna, napoletano 25enne che ha messo piede in Brasile nelle prime folate di vento estivo del 1950. Portato da un amico Vogna voleva costruire una fabbrica di mobili in Sudamerica, mestiere ereditato dal padre. L’impresa non è andata avanti ma il soggiorno di pochi mesi in Brasile ha cambiato la sua vita per sempre. — In piazza ho visto un bellissimo italiano — ha detto Maria Rainha alla madre arrivando a casa. Dello stato di Mina, cresciuta a Rio, la ragazza allora 18enne non avrebbe mai immaginato che pochi giorni dopo quella frase trasognata si sarebbe messa insieme a quell’italiano. Il caso d’amore è stato intenso e veloce. Mesi dopo lui è dovuto tornare in Italia, ma ha fatto una promessa a Maria: sarebbe tornato a riprenderla e l’avrebbe sposata. Sono stati due angosciosi anni di scambio di lettere fino a che Cesare tornasse in Brasile e chiedesse Maria in matrimonio – si sono sposati a Rio de Janeiro prima di trasferirsi definitivamente a Napoli. La storia di Cesare e Maria è la stessa di un’intera generazione di giovani del dopoguerra italiano. Coppie che si sono conosciute all’estero e sono ritornate per aiutare nella ricostruzione del Paese. Come personaggi reali di una storia d’amore, l’italiano Cesare e la brasiliana Maria Rainha hanno avuto due figli, entrambi nati a Napoli, italiani a tutti gli effetti. Ma il verde e giallo che è restato nelle loro vene comincia a manifestarsi e a far vedere l’altra faccia degli italiani che cercano il Brasile come “seconda casa” e no come destino di affari. Negli ultimi mesi l’Ambasciata del Brasile a Roma ha concesso passaporti brasiliani a sette italiani – nati in Italia com con padre o madre brasiliani. La quantià, piccola ma inedita, tenderebbe ad aumentare nei prossimi anni. — Poco a poco figli e nipoti di brasiliani cominciano a conoscere la legge. C’è un crescente interesse ad andare in cerca di queste origini da parte di chi è nato qui — spiega Irene Vida Gala. La schiera di italiani-brasiliani dovrebbe aumentare proprio grazie alla storia di amore tra Cesare e Maria. — E’ stata una delle maggiori gioie della mia vita aver ricevuto questo documento — dice emozionata Italia Vogna, figlia della coppia nata a Napoli nel 1965 ma che ha “il Brasile nel cuore”. Quest’anno lei e il fratello Gioachino (dieci anni più grande) hanno ottenuto la cittadinanza brasiliana. — Siamo stati allevati in un ambiente totalmente brasiliano, con mia madre a casa che sentiva Tom Jobim, Vinícius de Moraes e tutta quella musica meravigliosa — racconta Italia. — Eravamo il centro delle attenzioni della vicinanza in


— Eu também quero — diz em um português ainda em fase de aprendizado a pequena Valentina, observada pelo pai, Goffredo Ceglia Manfredi, enquanto brinca com o almoço servido no hotel da família, um elegante prédio do século XV a dois passos do Coliseu. A história de amor entre Italia e Goffredo já dura mais de 15 anos e também foi marcada por cores brasileiras. “Nos conhecemos enquanto eu cantava bossa nova em um espetáculo em Nápoles” lembra Italia. Goffredo estava na cidade para cuidar de outro hotel da família (localizado na ilha de Capri) e, depois do concerto, se apresentou à jovem artista. Papo vai, papo vem, Italia descobre que Goffredo também havia morado com os pais no Rio de Janeiro. — Ficamos dois anos lá, mas lembro de pouca coisa pois era muito pequeno — conta ele, que entende o português “mas não fala”. Assim como muitos brasileiros que obtêm cidadania italiana se sentem italianos de coração, também Italia Vogna se sente brasileira. A busca pelos documentos é apenas parte de um resgate familiar que a artista pretende fazer daqui por diante – que vem sendo cumprido ao longo dos anos. Além de praticar português com a mãe que vive em Nápoles, ela fala por telefone com as tias e primas que moram no Rio. “Meu pai passou a vida toda querendo morar no Brasil, até seus últimos dias de vida ele sempre dizia isso”, recorda Italia. Cesare Vogna tentou voltar com a família ao país, mas as incertezas econômicas e políticas dos anos 70 e 80 não permitiam a aventura. Como uma espécie de homenagem ao pai, Italia já pensa em voos mais altos. — Tem essa música minha com o Toquinho que está guardada, mas como também sou artista plástica seria uma boa ideia pensar em algo nesse meio para fazer no Brasil — imagina. A ideia de juntar pintura e música já tem um esboço inicial: traduzir para o português parte do repertório de músicas napolitanas clássicas, arranjadas com tons de bossa nova e samba-canção. As credenciais estão na mesa: a nova ítalo-brasiliana tem em casa discos de Ary Barroso, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim, Luiz Bonfá e todos os demais ícones mundiais da música brasileira, além de coletâneas de sambas e bossas. No texto biográfico de sua primeira exposição de quadros (chamada “Bailar” e lançada em 2004) , Italia resume que a vida é “a arte do encontro”, citando Vinícius de Moraes. Cesare, Maria, Gioachino, Italia, Giorgia e Valentina são personagens dessa arte.

Curiosidades

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010 foi o primeiro ano em que italianos com pai ou mãe brasileiros pediram cidadania brasileira na Itália, com direito a passaporte e tudo.

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l 2010 è stato il primo anno in cui italiani con padre o madre brasiliani hanno richesto la cittadinanza brasiliana in Italia, con diritto al passaporto (e tutto il resto).

Italia e Goffredo, ao lado das filhas: história marcada pelo amor ao Brasil

Italia e Goffredo accanto alle figlie: storia segnata dall’amore per il Brasile

quegli anni: mamma faceva la feijoada e tutti i nostri amici venivano da noi a mangiarla — ricorda. La vita di Italia è stata totalmente tracciata dalle radici brasiliane che la mano ha sempre innaffiato. Al suono della bossa nova, la napoletana cresciuta ascoltando il portoghese fin dalla culla ha imparato la lingua e i costumi canticchiando con la madre, diventando una devota dell’arte e soprattutto della musica brasiliana. Ha studiato arti al Liceo Artistico e presso l’Accademia di Belle Arti di Napoli prima di cominciare la sua carriera di cantante e pittrice. Nei primi anni ha avuto l’onore di condividere il palco con Paulinho Nogueira e Toquinho. Con quest’ultimo ha registrato una canzone ancora inedita che aspetta il momento ideale per essere lanciata. Italia sarà forse responsabile della continuazione del movimento crescente di italiani che vogliono la cittadinanza brasiliana: le sue due figlie Giorgia (13) e Valentina (8) – entrambe nate a Roma e che non conoscono ancora il Brasile – dovrebbero diventare cittadine brasiliane a tutti gli effetti nei prossimi mesi quando avranno il loro documento nelle mani. — Pure io lo voglio — dice in un portoghese ancora in fase di apprendimento la piccola Valentina, osservata dal padre, Goffredo Ceglia Manfredi mentre scherza con il pranzo servito nell’albergo della famiglia, un elegante palazzo del XV secolo a due passi dal Colosseo. La storia d’amore tra Italia e Goffredo dura ormai da 15 anni ed è stata anche lei segnata dai colori brasiliani. “Ci siamo conosciuti mentre cantavo bossa nova in uno spettacolo a Napoli”, ricorda Italia. Goffredo si trovava in città per occuparsi dell’altro albergo della famiglia (sull’isola di Capri) e, dopo il concerto, si è presentato alla giovane artista. Mentre chiacchieravano Italia ha scoperto che anche Goffredo aveva abitato con i genitori a Rio de Janeiro. — Ci eravamo rimasti due anni, ma mi ricordo molto poco perché ero piccolo — racconta lui che capisce il portoghese “ma non lo parla”. Cosí come molti brasiliani che ottengono la cittadinanza italiana si sentono italiani nel cuore, anche Italia Vogna si sente brasiliana. La richiesta dei documenti è appena una parte del recupero familiare che l’artista vuole fare d’ora in avanti – e che porta avanti da anni. Oltre a praticare il portoghese con la madre che vive a Napoli, lei parla per telefono con le zie e cugine che abitano a Rio. — Mio padre ha passato tutta la vita volendo abitare in Brasile, fino agli ultimi suoi giorni di vita l’ha sempre detto — ricorda Italia. Cesare Vogna ha cercato di ritornare con la famiglia nel Paese, ma le incertezze economiche e politiche degli anni ’70 e ’80 non permettevano di avventurarsi cosí. Come se fosse una specie di omaggio al padre, Italia già immagina cose più serie. — C’è questa mia canzone con Toquinho che ho messo da parte, ma siccome sono anche artista plastica sarebbe una buona idea pensare a qualcosa in questo ambiente da fare in Brasile — immagina. L’idea di mettere insieme pittura e musica ha già un canovaccio iniziale: tradurre in portoghese parte del repertorio di classiche canzoni napoletane, con arrangiamenti in tono di bossa nova e samba-canção. Le credenziali sono sul tavolo: la nuova italiana-brasiliana in casa ha dischi di Ary Barroso, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim, Luiz Bonfá e di tutte le altre icone mondiali della musica brasiliana, oltre a raccolte di samba e bosse. Nel testo biografico della sua prima esposizione di quadri (chiamata “Bailar” e lanciata nel 2004) Italia riassume che la vita è “l’arte dell’incontro”, citando Vinícius de Moraes. Cesare, Maria, Gioachino, Italia, Giorgia e Valentina sono personaggi di questa arte. comunitàitaliana | dezembro 2010

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Moda

Negócios

Prada not

made in Italy Novo projeto com coleções da grife produzidas em outros países traz nova dimensão ao conceito de globalização Aline Buaes

Especial para Comunità

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ímbolo de elegância e glamour da moda italiana, a grife Prada se coloca na contramão das tendências para abalar o conceito de luxo. Em janeiro próximo chega às lojas uma nova coleção de roupas, sapatos e acessórios da marca milanesa, intitulada “Made In” e que trará produtos produzidos em outros países, como Índia e Peru, mas que prometem conservar o estilo inconfundível que trouxe fama mundial ao trabalho de Miuccia Prada. A iniciativa da grife, que incluirá etiquetas especiais nos produtos indicando o país de produção, não é inédita na Itália, mas se destaca pelo fato de trazer um novo conceito de luxo, que une técnicas produtivas artesanais, herdeiras 42

de tradições locais em alguns casos milenares, com o estilo de uma das principais marcas de moda do mundo. Além de valorizar culturas diferentes, apresentando um novo modo de globalização, o projeto também mostra transparência com o consumidor, seguindo a direção contrária das polêmicas que unem atualmente os fabricantes italianos em torno da pirataria. A medida se adequa à política de proteção da etiqueta “Made in Italy”, em que produtores com fábricas localizadas em outros países indicam a origem dos produtos comercializados. Cosmopolita Seguindo a filosofia cosmopolita do seu avô, Mario Prada, visionário fundador da marca, que em 1913 já viajava pelo mundo em busca de materiais e técnicas refinadas para as suas bolsas e malas de couro,

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Miuccia Prada seguiu a filosofia cosmopolita de seu avô, Mario Prada

a estilista Miuccia Prada, a frente da empresa desde 1978, decidiu acentuar ao máximo este espírito sofisticado, de saber com quem e onde realizar com perfeição um determinado produto. E assim, buscou identificar em diferentes países do mundo, nichos de excelência absoluta com os quais pode contar para a produção de parte de suas coleções. Em um país como a Índia, famosa por fornecer mão de obra barata para tantas multinacionais produtoras de roupas e sapatos, a estilista foi buscar colaboração com artesãos especializados no bordado Chikan, o mais antigo e refinado entre os indianos, fruto de uma tradição muçulmana que remonta ao século III a. C. e que, sendo realizado apenas à mão, exige anos de prática para ser feito com perfeição. Desta colaboração


inédita surgiu uma coleção de vestidos Prada “Made in Índia”, que inclui também uma linha de sapatilhas, sandálias e bolsas produzidas com técnicas tradicionais e artesanais da tecelagem indiana inspiradas nas cores do festival Holy, uma grande festa popular celebrada na Índia no início da primavera. A busca pela excelência de Prada também chegou até o Japão, país conhecido entre os especialistas pelos jeans de qualidade absoluta, para firmar uma parceria com a Dova. Considerada a produtora do denim mais sofisticado do mundo, ela produzirá modelos de calças em quatro tecidos e sete lavagens diferentes, com ideogramas Kanjji pintados à mão dentro de cada peça. Dentro da Europa, Prada encontrou na Escócia técnica e tradição inexistentes na Itália: as lãs e tartans nos mais variados tipos de xadrezes são produzidas artesanalmente desde o século IV e desde 1819 foram minuciosamente catalogadas. Da parceria com laboratórios artesanais na Grã-Bretanha nasceu uma coleção de kilts (saias originalmente masculinas tipo envelope) feitos com a mais pura lã escocesa. E na América Latina, do alto das montanhas andinas, Miuccia Prada descobriu que a super leve e quente lã de alpaca, chamada pelos incas de “ouro dos Andes”, funcionava muito melhor quando os casacos e cardigãs eram produzidos pelos ateliês tradicionais dos camponeses peruanos. “Eles utilizam uma técnica com mais de 3 mil anos de idade, muito melhor do que quando a matéria prima era exportada diretamente para a Europa”, declara a estilista. — Você precisa abraçar o mundo se quiser viver nele agora — afirma Miuccia logo após o anúncio do novo projeto, mostrando-se fiel a visão cosmopolita do seu avô e defendendo a valorização da originalidade ao decidir por especificar a proveniência dos produtos e o uso de técnicas originais nestas coleções. — Eu vinha pensando neste projeto já há bastante tempo e em diferentes aspectos — explica, reiterando que a Prada, com 85% da sua produção feita na Itália, não tem motivos para não reconhecer o uso de mão de obra estrangeira.

Para a estilista, com este projeto, sua empresa “está deixando a hipocrisia de lado”, em referência indireta a um grande número de fabricantes de vestuário italianos que, mesmo produzindo em unidades fora da Itália, mantém a classificação do produto como de origem italiana.

Os produtos “Made In” prometem conservar o estilo inconfundível da Prada

Nova dimensão para globalização Enquanto fabricantes e políticos italianos discutem a melhor forma de proteger a essência dos produtos, o anúncio da Prada sobre o projeto, como de praxe, foi feito sob uma grande campanha de marketing, criando grandes expectativas no mercado italiano. — A Prada é uma marca que sempre traz novidades interessantes e neste caso está trazendo o conceito de transparência de realidades diferentes. O importante é que seja divulgado o local de produção, já que a Prada não é do tipo que busca reduzir custos, mas, pelo contrário, está sempre buscando a excelência — explica a estilista e pesquisadora do Istituto Europeo di Design de Milão, Silvia Zancarli. — E mais do que isso, busca valorizar tradições de alfaiataria locais, como a indiana. É certamente um projeto fora do comum — acrescenta. Silvia explica que a atual lei italiana permite a etiqueta indicando “Made in Italy” quando algumas determinadas partes do processo

de produção são comprovadamente realizadas na Itália, mas não necessariamente todas. — Este detalhe abre uma brecha na legislação para empresas que queiram se aproveitar e produzir as mercadorias em mercados onde consigam reduzir os custos — destaca. — As grandes grifes, como no caso da Prada, precisam dar o bom exemplo, de projeto com responsabilidade, de valorizar os países onde estão sendo produzidas as roupas. Na opinião da arquiteta e especialista em design industrial Paola Bertola, a nova iniciativa da Prada “é um projeto que interpreta as atuais dinâmicas de globalização da moda, pois caminha em uma ótica de sustentabilidade, com toda a campanha de marketing e promoção trazendo um valor muito positivo para o mercado”. Para a pesquisadora do Politécnico de Milão, os produtos da coleção produzidos no Japão, um país onde a mão de obra não é barata, “os produtos da Prada trarão uma nova dimensão da globalização, serão produtos muito especiais, que unirão uma cultura local japonesa muito nobre com o conceito de moda da Prada”, define.

“Você precisa abraçar o mundo se quiser viver nele agora” Miuccia Prada

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Moda

Negócios

Bertola explica que a iniciativa é inédita pela campanha de comunicação que acompanha o projeto, mas que não é o primeiro caso de marca italiana a adotar este procedimento. — Diversas marcas já fazem isso há muitos anos, como um modo de ser transparente com o consumidor, mas também de evitar interpretações incorretas sobre as práticas comerciais da empresa — afirma, citando nomes como a Tod’s, fabricante de calçados de luxo que há muitos anos indica na sola das suas linhas de sapatos para crianças que a produção foi feita na China. — Em muitos outros casos, encontramos etiquetas indicando ‘Design made in Italy’ e produção ‘Made in’ outros países como China, Romênia, Ucrânia, e do Leste Europeu. A coordenadora do curso de Moda do Politécnico de Milão recorda, inclusive, que a região do Leste Europeu é base de muitas empresas italianas do setor de moda, como Diesel e Benetton. — É normal, a Itália é um país fisicamente pequeno, não podemos possuir essa capacidade produtiva. Quando se analisam as dimensões do mercado, fica evidente que muitas mercadorias são produzidas, pelo menos parcialmente, em outros países — acrescenta, citando o caso de algumas províncias da região do Vêneto, com poucos milhares de habitantes e índices de exportação mais altos do que países como a Bélgica. — É natural que as empresas vão buscar outros mercados nos quais produzir suas mercadorias — explica. Tutela do “100% italiano” Conforme explica Bertola, na Itália existem normativas específicas para regular este tipo de produção e estão em discussão mudanças nesta normativa, que busca cada

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vez mais tutelar a produção 100% italiana e estimular as empresas à prática da transparência. Para o presidente da Câmera Nacional da Moda Italiana, entidade organizadora das principais semanas de moda de Milão e da qual fazem parte as principais marcas e grifes italianas, Mario Boselli, a iniciativa de Prada “é inteligente e válida”.

“No caso da coleção produzida no Japão, que não é um país onde a mão de obra é barata, os produtos da Prada trarão uma nova dimensão da globalização, serão produtos muito especiais, que unirão uma cultura local japonesa muito nobre com o conceito de moda da Prada”. Paola Bertola, coordenadora do curso de Moda do Politécnico de Milão

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— Sempre fomos defensores dos autores de uma comunicação transparente em relação ao consumidor final e consideramos positiva qualquer iniciativa que informe onde o produto foi fabricado — afirma Boselli, recordando que recentemente a Comunidade Europeia aprovou uma lei obrigando os fabricantes de roupas europeus a indicarem na etiqueta quando a proveniência dos produtos for externa à União Europeia. Boselli também destaca o fato da Prada não ser a primeira grife italiana a adotar esse procedimento de transparência com o consumidor. — A Prada está divulgando e fazendo muita publicidade sobre o projeto, mas existem muitas outras marcas italianas que já adotam este procedimento, que ainda não é obrigatório, indicando a origem da mercadoria — explica. Polêmicas à parte, consumidores do mundo inteiro poderão conferir os novos produtos Prada produzidos no Japão, Índia, Peru e Escócia a partir de janeiro nas principais lojas e revendedores da grife.


milão

Guilherme Aquino

Aula de sorvete s primeiras nevadas já começaram a

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cair. Em pleno outono, o inverno deu o ar da graça e deixou uma Milão branca, quebrando os tons de cinza da cidade e salpicando aqui e ali as cores amarelas e vermelhas da meia-estação. Pensando no calor do verão, é hora de aprender a fazer o sorvete artesanal italiano, legítimo. E não por acaso, a Universidade de Sorvete, a Carpigiani Univerity Gelato está com as portas abertas para as inscrições ao curso de janeiro que vai selecionar 11 projetos que serão acompanhados de perto pela empresa. Maiores informações no site: www. gelatouniversity.com

Arte jovem

A

Fundação Matalon, no centro de Milão, homenageia a arte do futuro. Durante todo o mês de dezembro até o dia sete de janeiro, o museu da instituição abre as portas para a exposição Elogio dell’Arte. A ideia é mostrar aos visitantes as obras de arte realizadas por alunos da categoria Erasmuns – bolsa de estudo internacional – inscritos na

Cine-panetone s italianos não passam um fim de ano

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sem marcar ponto no cinema. Eles prestigiam, já como tradição natalícia, os filmes que retratam os próprios italianos, fazendo-os rir de si mesmos. Neste ano chegam a mais de mil salas cinematográficas três títulos: “A Natale mi Sposo”, “La Banda dei Babbi Natale” e “Natale in Sudafrica”. Nesta época, eles se transformam em campeões de bilheteria. Só para citar um exemplo, “Natal no Rio de Janeiro”, de 2008-09, bateu a marca dos 24 milhões de euros. O risco de um canibalismo cinematográfico, uma espécie de overdose de oferta, existe, mas o público, cansado de um ano marcado pela crise, poderá ter três chances de se dar duas horas de alegria e leveza com esta ou aquela comédia pastelão, como nos velhos e bons tempos populares, dos cinemas enormes e sem cadeira numerada.

prestigiosa Accademia di Brera. Os professores irão apresentar os trabalhos de estudantes que vieram de diferentes países e que, distantes do próprio local de origem, se “contaminam” com a tradição e os estímulos oferecidos pela cidade de Milão, terreno fértil para a arte, sendo a sede de tantas galerias e instituições privadas.

Mural de Merini aniversário de um ano da morte

O da grande poetisa de Milão, Alda Brasil espaçoso Merini, chega com a boa notíca da novo espaço cultural do Instituo Brasilcriação de um museu em sua homeO

Itália, o Ibrit, foi aberto em Corso Sempione, 32_B. A ampla sala já serve para cursos de dança e exposições artísticas, além de apresentações de música, estilo um banquinho e um violão. O consulado do Brasil e a administração do Ibrit conseguiram colocar em pé uma estrutura capaz de representar o país na mesma proporção com a qual a sua grandeza ganha cada vez mais atenção da mídia italiana. Agora, o Ibrit conta com a sede no palácio histórico de via Clerici, 4, bem no centro da cidade e local dos cursos de língua. Já a outra sede, numa zona nobre de Milão, será mais usada para os eventos em verde e amarelo. Maiores informações no site: www.ibrit.it

nagem. Ele vai ser inaugurado no dia 21 de março de 2011, mas os trabalhos de reforma do novo imóvel, em via Gola, já estão prestes a começar. Uma das novidades do projeto de memória de Alda Merini é o de transportar para o museu uma das paredes da casa onde ela viveu quase todos os seus anos. Elas estão cobertas de frases, versos, poesias, números e recados que juntos formam uma fotografia, um mosaico da alma da poetisa impresso na pintura dos muros. Um mural criado ao longo do tempo que agora poderá ser admirado por todos.

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Negócios

Missão

Lombardia busca parceiros

Empresários lombardos realizam missão no Rio de Janeiro e em São Paulo com vistas nos grandes eventos que o país vai sediar

U

ma iniciativa da Regione Lombardia, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Econômico, o Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE) e a Câmara de Comércio de Milão, através da Promos, trouxe ao Brasil um grupo de cerca de 20 empresas e 50 dirigentes no mês de novembro. Vieram para uma semana de encontros, visitas técnicas e conversas com instituições governamentais e empresas do Rio de Janeiro e São Paulo. Com o tema “Os Grandes Eventos como Motores de Desenvolvimento Econômico”, a iniciativa focou nas oportunidades de negócios e o impacto positivo, especialmente em relação à infraestrutura, rede hoteleira e imobiliária,  sistema de transporte e tecnologia. Os setores estão em destaque nas demandas dos grandes eventos nas cidades que os hospedam, a exemplo da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos – que ocorrerão aqui em 2014 e 2016, respectivamente; da Expo Mundial 2015, que será sediada em Milão e Feiras Internacionais. A missão foi liderada pelo secretário de Comércio, Turismo e Serviços da Região Lombardia, Stefano Maullu, que ressaltou a experiência italiana na realização de importantes eventos, tais como Copas do Mundo, Jogos Olímpicos 46

(Turim sediou os Jogos de Inverno em 2006), e da Região Lombardia como pólo de feiras internacionais, especialmente Milão. Sem fixarse em projetos específicos, Maullu enfatizou que o grupo está atento a empreendimentos como o trem de alta velocidade (TAV) que ligará o Rio a São Paulo, às obras de revitalização na Zona Portuária do Rio, como demais intervenções na paisagem urbana das cidades, além das reformas e construções que envolvem estádios e complexos esportivos, como o Maracanã. — O Brasil inaugurou uma ampla faixa temporal para investimentos e viemos nos credenciar para essas iniciativas. Temos aqui micro e médias empresas com referência e know how para os desafios que as cidades brasileiras irão enfrentar — destaca. Responsável por 35% das exportações que a Itália faz para o Brasil, a Região Lombardia quer se firmar como parceira do país.

Fotos: Bruno de Lima

Silvia Souza

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O diretor da Promos Milano Andrea Bonalumi conversa com o cônsul da Itália no Rio de Janeiro, Umberto Malnati, ao lado do diretor do Centro Internacional de Negócios da Firjan Amaury Temporal

Maullu recorda que o legado em infraestrutura e em urbanização, deixado em Turim após os Jogos de Inverno, se aplicam às necessidades brasileiras. Para o secretário, depois de Milão, São Paulo é um local natural para sediar a Expo 2020 e salienta parcerias entre as cidades. — Em 2015 desenvolveremos o tema enogastronomia, na verdade alimentação e energia verde. Temos muito o que aprender com o Brasil. Aqui é um celeiro, com interessante sistema para a agricultura, inovação com relação ao uso do território e do desenvolvimento sustentável. Sem falar no setor energético, em que vocês têm experiências com etanol desde a década de 1960. Sem dúvida, com São Paulo sediando a Expo também teremos mais acesso à América Latina e o Brasil é uma porta natural para esse contato. A delegação lombarda também contou com a liderança do ex-prefeito da cidade de Milão e presidente da Ge.Fi S.p.a, empresa feirística organizadora da Expo Itália Real Estate (Eire), Antonio Intiglietta. Durante a apresentação do grupo para o setor de construções, o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio de Janeiro (SindusconRio) Roberto Kauffmann incentivou o trabalho dos lombardos: — Falamos de um setor que deve fechar 2010 com a movimentação de 70 bilhões de reais e eles têm interesse em uma área em expansão que é o social housing. Estão capacitados para desenvolver parcerias com empresas locais e participar do “Minha Casa, Minha Vida”. Nos próximos dois anos a estimativa é de que sejam feitas 2 milhões de moradias — avisa Kauffmann, citando as zonas Oeste e Norte do município do Rio de Janeiro, além das cidades de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo como preferenciais neste mercado. A missão lombarda no Rio coincidiu com a realização da Soccerex, exposição anual de empresas do setor esportivo com foco na Copa do Mundo. De olho no mercado brasileiro, a empresa italiana de material esportivo Errea, fornecedora de uniforme do Bari e do Parma, aproveitou a ocasião para divulgar sua expansão. A empresa já possui acordos com times de outros países europeus, da Austrália e alguns do Oriente Médio. — Nossa estratégia é sempre entrar nos mercados com mais de um time. Queremos em 2012 ter times na primeira e segunda divisão brasileiras — afirmou o gerente de vendas esportivas da Errea Tommaso Mazzanti.


Tecnologia

Tecnologia em prol do ambiente Empresas italianas mostram o que há de mais moderno em tecnologias ambientais no mercado internacional em feira realizada em São Paulo Robson Bertolino

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De São Paulo

Feira Internacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Fimai) gerou oportunidades para o intercâmbio comercial de tecnologias entre o Brasil e a Itália, entre os dias 9 e 11 de novembro. A afirmação de que o mercado é promissor para ambos os países, vêm dos principais porta-vozes do setor. No caso do Brasil por questões sociais como, obras de saneamento contempladas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e erradicação dos lixões dos grandes centros urbanos e implantação de aterros sanitários. Já no caso da Itália, por conta de possuir tecnologias e projetos em prática por lá que podem ser implantadas aqui. O assunto ganhou destaque de representantes dos dois governos

nesta edição da Fimai. Um pavilhão oficial italiano reuniu 11 empresas do setor do meio ambiente para promover a aproximação entre as empresas do mercado de desenvolvimento sustentável com investidores e parceiros de negócios no Brasil, interessados na troca de acordos de colaboração comercial, industrial e tecnológica. Pavilhão italiano A iniciativa partiu do Instituto reuniu 11 empresas Italiano para o Comércio Exterior do setor de meio ambiente (ICE), entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento Econômico, e do Evento Ministério Italiano egundo os organizadores do evento, do Meio Ambiente 36 mil visitantes passaram pela e da Tutela do TerFimai durante os três dias, sendo a ritório e do Mar. maioria, profissionais da área ambiental E o resultado foi e especialistas no assunto. Quanto ao número de negócios, o valor calculado percebido logo para a edição de 2010 foi 30% maior nos primeiros dias que o de 2009, representando um total do evento. Uma aproximado de 1,1 bilhão de reais. das empresas preReunindo mais de 400 expositores, sentes, a Eurovix, a XII Fimai superou as expectativas da companhia italiaedição anterior, de acordo com o diretor na com mais de 30 executivo Julio Tocalino Neto. “A feira está crescendo muito em número de anos no mercado visitantes e congressistas qualificados. de biotecnologia, já

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Painel solar da empresa italiana Pro D3 Srl

Em 2009 tivemos dois seminários paralelos, nesta edição tivemos sete. Esse aumento mostra o crescente interesse de instituições e pessoas em disseminar o conhecimento socioambiental. No total tivemos 1,2 mil congressistas. Também contamos com a presença de muitos expositores que participaram pela primeira vez e já apresentaram resultados positivos”, pondera.

Negócios

sinalizava a possibilidade de fechar bons contratos. — É um evento importante pela divulgação do assunto biotecnologia que ainda é novo. Aqui apresentamos as características que diferenciam nossos produtos dos concorrentes e nos abrem mercado — afirma o diretor técnico da Eurovix, Eduardo Barbosa. Líder no mundo no setor de biotecnologia, a empresa está no Brasil há três anos, tempo em que se ocupou de conseguir registro e licenças para seus bio-ativadores, uma mistura selecionada de enzimas e microrganismos para o tratamento de substâncias orgânicas, solo, água e ar. — É um mercado que cresce muito no Brasil e deverá se ampliar ainda mais — diz o executivo da empresa. As expectativas são as melhores, principalmente depois da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. — É necessário melhorar a questão da política dos órgãos ambientais que restringem o uso de muitos produtos por desconhecimento da causa. Com uma legislação adequada existe um aumento de consumo — completa. Na última década, empresas italianas aumentaram seus negócios com empresas brasileiras, afirmou o program manager do Italian Environment Desk do ICE, Diego Tomassini. — A preocupação com o meio ambiente vêm aumentando a cada dia, aonde a sustentabilidade chega como um diferencial competitivo. As ações neste setor fortalecem a imagem da empresa e geram novas oportunidades de negócios, independente do tamanho da empresa — explica o executivo. Outro destaque da comitiva italiana foi o Projeto de Desenvolvimento Bilateral Sustentável realizado pela Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura com o objetivo de promover e facilitar projetos de empresas italianas e brasileiras com a difusão da cultura do “Green Economy”. As empresas italianas participantes da Fimai foram: Air Clean Srl, Archimede Solar Energy, Astra Engineering Srl, Eurovix Srl, Irac Srl, Pagani Geotechnical Equipment Srl, Pro D3 Srl, Sereco Srl, Tecnoimpianti Water Treatment Srl, Vomm Impianti e Processi Spa e XEO4 Srl.

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Negócios

Ocasião

Eike Batista comemora os 15 anos do CIN e aproveita para destacar os investimentos do seu grupo durante o evento

“S

omos movidos pelo desejo de empreender. Está no nosso DNA identificar oportunidades únicas de negócios e desenvolvê-las partindo do zero”. A mensagem assinada pelo presidente Eike Batista abre o texto de apresentação do Grupo EBX no site da companhia mais comentada do território brasileiro nos últimos anos. Visionário, o oitavo homem mais rico do mundo, segundo a Forbes, tem feito jus ao ditado de transformar o que toca em ouro e encerra a década de 2000 no topo dos investimentos e projetos que num futuro próximo já se encontram bem desenvolvidos. Vice-presidente do Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ), o empresário foi destaque no almoço que celebrou os 15 anos do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em novembro. Criado nos anos 80 com ações focadas no setor de mineração, o Grupo EBX ampliou sua área de atuação e hoje mantém negócios no ramo offshore, imobiliário, logístico, de produção e exploração de óleo e gás, além do nicho de entretenimento e lazer. 48

A história das empresas, que ganham a letra X em seus nomes como símbolo ou superstição para a multiplicação dos negócios, se misturam a do mineiro de Governador Valadares. A contar pelos números que fizeram o empresário saltar da 61ª, em 2009, para a 8ª posição, em 2010, entre os mais ricos do mundo na Forbes, a mandinga tem dado certo. Quando a lista foi divulgada, em março, Eike Batista tinha, segundo a revista, um patrimônio de 27 bilhões de dólares contra 19,5 bilhões acumulados no ano passado. Em 2011, com a inauguração do Porto do Açu, no norte do estado do Rio de Janeiro, esses números tendem a aumentar ainda mais. Segundo Eike, as operações no Porto do Açu permitirão uma

Fotos: Bruno de Lima

Da Redação

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O presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, durante a celebração dos 15 anos do CIN

O vice-presidente do Centro Industrial do Rio de Janeiro, Eike Batista, foi o principal destaque do evento

redução em até 30% no custo de produtos como automóveis e navios. E diante do mercado interno, cuja venda de automóveis em 2010 chegou ao índice de 3,4 milhões de autos, não descartou o desejo de investir no ramo. Japoneses e europeus estão na mira das negociações para um investimento estimado em 1 bilhão de dólares para a fabrica de carros elétricos. Os primeiros entrariam com a tecnologia das baterias e os outros com componentes mecânicos do automóvel. O projeto prevê a construção da unidade em módulos e a unidade inaugural terá capacidade para 100 mil veículos por dia. A expectativa é de que seu funcionamento comece em quatro anos. E pensar que o empresário foi apresentado a muitos brasileiros em um carnaval, quando a modelo Luma de Oliveira, na época sua esposa, o homenageou na Marquês de Sapucaí, usando uma coleira com seu nome. Na década da retomada naval e dos superlativos gerados pelo pré-sal, as empresas de Eike encontraram em São João da Barra, um porto seguro para suas operações. Segundo Eike, o local pode ser chamado de “a Embraer dos mares”, numa menção à bem sucedida empresa aeroespacial brasileira. — Acredito muito no nosso país e sou amante do Rio. Aqui temos sim diversas formas de atuação, seja na revitalização da Marina e na reforma do Hotel Glória, nos programas de despoluição da Baía de Guanabara, nas Unidades de Polícia Pacificadora ou mesmo no restaurante Mr. Lam. O Rio é tão múltiplo que nos permite essas ações — explica Eike. A cidade deve reunir as iniciativas da mais nova empresa do Grupo EBX, a IMGX - joint venture com IMG Worldwide, empresa de esportes e comunicação. Criada em novembro passado, a empresa já prepara projetos para a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos e Paraolimpicos de 2016. As bases da associação foram acordadas em um encontro com o presidente do conselho de administração e CEO da IMG Worldwide, Ted Forstmann. — Ted tem uma visão única sobre como usar o esporte e o entretenimento como forma de estimular educação, criar empregos, orgulho e, assim, estimular a auto-estima das pessoas. Está transformando a IMG, de uma agência de talentos, em uma empresa global de esportes e comunicação, e essa joint venture poderá se beneficiar dessa qualificação.


Notizie

Modella assassinata a modella Caren Brum Paim, 22 anni, candidata per

L Minas indica punti importanti del rapporto Italia-Brasile irando a rendere omaggio alle personalità italia-

M

ne e brasiliane che contribuiscono attivamente al rafforzamento dei rapporti tra l’Italia e il Brasile, la Camera Italo-Brasiliana di Minas ha realizzato per il quinto anno di seguito la consegna della Medaglia Italia Affari. Stavolti i premiati sono stati l’ex governatore e attuale senatore eletto Aécio Neves, rappresentante del Brasile, e il presidente della Ferritas Magnéticas (Fermag) e dell’Associação de Cultura Ítalo-Brasileira de Minas Gerais (Acibra-MG) Mario Araldi, rappresentando l’Italia. Secondo il presidente della Camera Italiana Giacomo Regalgo, durante gli otti anni che è stato a capo del governo di Minas Gerais Aécio ha reso possibili diverse azioni e progetti che hanno avvicinato Minas e Italia non solo in ambito economico, ma anche in attività legate alla cultura, al turismo, insegnamento, ricerca e tecnologia. Tra le azioni possiamo citare la Semana de Minas Gerais in Piemonte, il Projeto Jovens Mineiros Cidadãos do Mundo e l’appoggio alla Festa della Repubblica Italiana a Belo Horizonte. Nato in Lombardia, Araldi è arrivato in Brasile nel 1976 e da allora rappresenta la comunità italiana a Minas Gerais. La Acibra è la responsabile della realizzazione annuale della Festa della Repubblica Italiana a Belo Horizonte, maggior festa italiana all’estero, che ha riunito nel 2010 più di 50mila persone. Nelle edizioni anteriori della consegna della Medaglia Italia Affari la Camera Italiana ha già reso omaggio al presidente della Fiat do Brasil e della Fiat América Latina, Cledorvino Belini; all’allora vice governatore dello stato di Minas Gerais, Antonio Augusto Anastasia e al presidente della Case New Holland, Valentino Rizzioli, tra tante altre personalità.

Caxias do Sul al concorso Miss Italia Brasile, è stata trovata senza vita la mattina del 1º dicembre in un luogo vicino alla frazione di Fazenda Souza. La giovane, iscritta al corso di scienze informatiche presso l’Università di Caxias do Sul, aveva arrotolato intorno al collo il filo delle cuffiette ed ematomi sulla schiena e sul viso. Il suo vicino, Eduardo Faranzena, 24 anni, ha confessato l’omicidio. Il ragazzo ha ammesso di essere stato aiutato dalla madre a trasportare il corpo della giovane. Secondo la polizia il reato potrebbe essere stato commesso nella casa di Farenzena il 30 novembre. Dopo l’omicidio Eduardo avrebbe messo la giovane morta in macchina e sarebbe andato con la madre verso la Zona Rurale di Caxias do Sul, dove avrebbe abbandonato il corpo. Sempre secondo la polizia Eduardo Farenzena potrà essere accusato di omicidio e la madre di occultamento di cadavere; il ragazzo si sarebbe presentato spontaneamente al commissariato e, siccome non è stato preso in flagrante, è stato rilasciato. — E’ stato uno chock molto grande per tutti noi. Caren era molto bella, educata e di buona indole. Aveva molte chance di arrivare fino alla fine del concorso. Inoltre era amata da tutti qui a Caxias — ha dichiarato l’organizzatore di Miss Italia Brasile, Kadu Lopes.

Ammodernamento a compagnia aerea italiana Alitalia ha annunciato che

L

sta lavorando per rendere più moderna la sua flotta aerea e per aumentare i benefici dei programmi per i passeggeri assidui. L’informazione viene data da Fabio Fantini, direttore generale della compagnia per l’Argentina, il Cile, il Paraguay e l’Uruguay. Sempre secondo lui la città di Salerno, nell’Italia centrale, sarà una destinazione in più che permetterà il collegamento con qualunque parte del mondo. — Vogliamo fare da ponte per gli italiani nel mondo. In Europa siamo presenti in tutte le grandi capitali e sono previste nuove mete internazionali — ci dice, ricordando che l’impresa ha accordi con Sky Team e una alleanza con l’Air France proprio per offrire più possibilità di voli.

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ItalianStyle Confira algumas sugestões de presentes para o Natal 2010 marcas italianas

Mokona Junior

A Faro Toys, em parceria com a Bialetti, criou a miniatura perfeita da famosa cafeteira elétrica que prepara cafés e cappuccinos. Indicada para crianças a partir de 3 anos, promete funcionar de verdade. Preço: € 17 www.farotoys.it

aerrsiacse P e V

uemdinino ddialo rosacoem o l C gio f roco vel Suporte para garrafas “PISA”

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Notas

Periodontite m estudo da Universidade de Har-

U

Sem estresse exo e doces podem reduzir estresse e

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ansiedade. É o que aponta um estudo da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos. De acordo com os pesquisadores, esse efeito das atividades prazerosas pode durar pelo menos sete dias. Em testes com ratos, os pesquisadores observaram que os roedores que, por duas semanas, foram alimentados com uma solução adoçada artificialmente duas vezes por dia apresentaram frequência cardíaca reduzida e menores níveis de hormônios do estresse. E os efeitos foram similares para os ratos que tiveram livre acesso a seus parceiros sexuais. Por outro lado, os ratos que não tiveram nenhum dos dois privilégios e aqueles que apenas receberam a solução de açúcar direto no estômago não apresentaram esses indicadores.

vard, nos Estados Unidos sugere que o consumo de peixes gordurosos como o salmão, a sardinha e o atum pode ajudar a prevenir e a tratar a periodontite, uma doença da gengiva. Avaliando dados de mais de 9 mil adultos examinados no período entre 1999 e 2004, os pesquisadores notaram que aqueles que ingeriam mais peixes ricos em ômega-3 tinham uma redução significativa nos riscos de ter a doença. “Descobrimos que a ingestão de ácidos graxos ômega-3, particularmente o DHA e o EPA, é inversamente associado à periodontite na população dos Estados Unidos”, destacou o pesquisador Asghar Z. Naqvi.

Saúde

Para a memória e acordo com uma pesquisa divulga-

D

da no Journal of Agricultural and Food Chemistry, da Sociedade Química Americana, a blueberry, uma planta largamente cultivada em países do Hemisfério Norte, conhecida no Brasil como mirtilo, pode ajudar a melhorar a memória de idosos. A pesquisa avaliou grupos de idosos que ingeriram o suco e estes mostraram melhoras significativas de aprendizado e em testes de memória. “Esses resultados preliminares de memória são encorajadores e sugerem que a suplementação com mirtilo pode oferecer uma aproximação para prevenir ou atenuar a neurodegeneração”, escreveram os cientistas, segundo o Science Daily.

É União proibido Europeia anunciou a proibição do ele-

A

mento químico bisfenol-A em mamadeiras plásticas. A decisão foi tomada por temores de que o elemento, também conhecido como BPA, afete o desenvolvimento, o sistema imunológico e possa causar câncer em crianças pequenas. A fabricação de mamadeiras com o bisfenol-A fica proibida a partir de março de 2011 e sua importação ou comercialização, a partir de junho. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite o uso da substância desde que dentro do limite de 0,6 mg para cada quilo de embalagem.

Cranberry Contra a artrite fruta com origem nos Estados Unidos, a enzima bromelina, encontrada na Umacranberry, tem dado o que falar entre os urologistas

A

carne e no suco de abacaxi, ajuda o organismo a digerir proteínas, mas também tem outros benefícios importantes. Quando tomada com o estômago vazio, a bromelina age como um agente antiinflamatório que tem sido utilizado para reduzir a dor da artrite e inchaço nas articulações. Um estudo mostrou que uma combinação de enzimas, incluindo a bromelina, pode ser uma alternativa segura aos medicamentos anti-inflamatórios para as pessoas com osteoartrite no joelho.

no Brasil. Estudos científicos internacionais vêm provando que uma de suas substâncias ativas, a proantocianidina (PAC) – responsável pelo mecanismo de antiaderência encontrado no suco - impede que as bactérias fiquem grudadas e se reproduzam no epitélio do trato urinário. Ainda não encontrada no Brasil in natura, mas muito popular na forma de suco, geleias e outros derivados, hoje uma dieta rica em cranberry é comumente indicada para pacientes que apresentam quadro de infecção urinária.

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Automobilismo

Bravíssimo Da Redação

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ançado pela Fiat no Salão Internacional do Automóvel, realizado em São Paulo no mês passado, a versão nacional do Bravo acaba de entrar no mercado. A partir de R$55.200 o modelo chega com duas potentes motorizações — a nacional 1.8 16V E.torQ com câmbio mecânico ou Dualogic, e a importada 1.4 T-Jet com câmbio de 6 marchas — e três versões de acabamento — Essence, Absolute e T-Jet — muito bem equipadas. Fabricado no Brasil, o lançamento marca o encerramento do maior investimento já feito pela Fiat no país, de R$ 6 bilhões aplicados de 2008 a 2010. E inicia um novo ciclo maior ainda, de R$ 10 bilhões que serão investidos de agora até 2015. — Estamos pondo no mercado o melhor dos hatchs médios, dando uma injeção de esportividade ao segmento com elegância, dinamismo e prazer ao dirigir — afirmou o diretor de Produto e Exportação da Fiat, Carlos Eugênio Dutra, durante a apresentação do modelo, no Rio de Janeiro, lembrando que é missão do Bravo suceder o Fiat Stilo.

O design é um dos pontos fortes do Fiat Bravo. Suas linhas agressivas e dinâmicas —inspiradas em parte no design dos veículos de Gran Turismo — levam a esportividade juntamente com o consagrado desenho italiano, mas mantendo o novo family feeling dos modelos da Fiat. Olhando o Fiat Bravo por trás, a linha lateral curva do vidro cria um interessante balanço com o contorno das lanternas, totalmente curvas exceto pela face externa, que se insere na traseira diagonalmente. Os planos do posterior do carro são limpos e curvos, com o pára-choque embutido. Segurança também é um dos principais quesitos do modelo. Para se ter uma ideia, o carro pode ser equipado com até sete airbags — dois frontais, dois laterais dianteiros, dois para a proteção das cabeças dos ocupantes, além de um para a proteção dos joelhos do motorista. A lista de novidades inclui o painel driver oriented, voltado para o motorista; safe lock (que impede a abertura das portas por dentro); sensor de pneus (que mostra ao condutor as condições dos pneus:

Fiat Bravo

Motor: 1.8 Flex (132 cv) Comprimento: 4,33 m Largura: 1,79 m Entreeixos: 2,60 m Porta-malas: 400 litros Peso: 1.340 kg Preço: a partir de R$55.200

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O carro tem um sensor que mostra as condições dos pneus, se estão vazios ou cheios demais, por exemplo

se vazios, cheios demais, furados ou inadequados à velocidade); e ainda o Rádio NAV, que agrega rádio, MP3, CD player, computador de viagem e GPS. Como se não bastasse, ainda possui faróis de Xenon, sensor de estacionamento dianteiro, espelhos retrovisores externos rebatíveis e um novo teto solar Skydome. — Todos os itens tornam o Bravo um produto refinado, pensado para superar todas as expectativas dos clientes mais exigentes — disse Dutra. Além de bem recheado, o Bravo conta com bom acabamento interno, painel emborrachado em duas texturas. Como opcional é oferecido revestimento em couro dos assentos e das portas em marrom escuro. A iluminação interna alaranjada dá uma sensação de conforto ainda maior. Para o lançamento, a Fiat escolheu a cidade do Rio de Janeiro. Inicialmente, a cantora italiana Laura Pausini faria uma apresentação exclusiva durante o evento, mas não pôde vir alegando questões particulares. Em seu lugar, Daniela Mercury embalou a noite com sua voz marcante em um encontro inédito com a carioca Fernanda Abreu e Paula Lima.

Fotos: Divulgação

Fabricante italiana fecha o ano com anúncio de aumento de 80% nos investimentos em 2011 no Brasil


calcio

AndreaCiprandiRatto

Senza via d’uscita H o provato un senso di scoramento di fronte alle ennesime decisioni prese dalle Autorità italiane in merito alla sicurezza negli stadi. Soltanto nella prima settimana di dicembre, infatti, sono stati almeno 25 gli incontri di ogni Categoria a cui non ha potuto assistere la maggior parte dei tifosi ospiti residenti nella città della propria squadra o addirittura nell’intera Regione da cui essa proviene. Ora, sappiamo tutti che alle partite non vanno solo appassionati e che come dimostrato poco tempo fa in occasione di Italia-Serbia gli spalti sono il più comodo e visibile palcoscenico da cui lanciare in qualsiasi modo qualsivoglia messaggio, legato o meno che sia allo sport. Sappiamo anche che il sottobosco di violenza delle Categorie inferiori è immensamente più preoccupante di quanto accada in Serie A e B. Detto questo, è il caso di porsi alcune domande circa la gestione della violenza ma anche quella della biglietteria e degli impianti. Perché è il quadro generale a far venire i brividi. In Inghilterra, dopo tre decenni di saccheggi e pestaggi fra bande di ultras, si è passati dalle inferriate a impianti senza barriere. Il deterrente è la certezza della pena, agevolata dall’opera di steward preparati e da un monitoraggio da parte della Polizia senza pari in tutto il mondo. Con la necessità di badare ormai solo a pochissimi intemperanti, tutta gente che se esagera lo fa principalmente nell’esultanza e non più all’interno di gruppi organizzati, le celle destinate ad accoglierli restano per lo più vuote e gli spalti, invece, stracolmi. In Italia, ahimè, al contrario c’è ancora chi prova a fare baraonda negli stadi e quando non ci riesce passa direttamente a mettere a ferro e fuoco qualsiasi posto da cui transiti.

Si è allora pensato di limitare le occasioni in cui certi scontri possono avvenire, individuando nell’assenza dei tifosi ospiti la soluzione migliore. Guardando per televisione l’ultimo derby di Roma mi chiedevo come mai una tribuna fosse per metà vuota. Ho poi scoperto che l’accesso a quei settori era stato vietato non solo a chiunque fosse sprovvisto della Tessera del Tifoso ma anche a chi, pur essendone titolare, avesse più di una

puzza di bruciato perché siamo in troppi a porci sempre le stesse domande senza che nessuno abbia saputo darci risposte esaurienti. Ci chiediamo anche perché al degrado di impianti a pezzi si debba aggiungere lo squallore di spalti semivuoti, in cui spiccano le barriere più che la gente accorsa a vedere una partita. La Juventus è prossima a inaugurare il proprio stadio ma nel frattempo la Fiorentina ha det-

certa età e meno di un’altra, più precisamente sessant’anni. Morale, un tifoso di cinquantanove anni e con Tessera quel giorno non ha potuto andare allo stadio. Siamo arrivati a questo: che nella totale incapacità di gestire il fenomeno, la pericolosità viene dedotta dall’età. Per sconfortato che io sia, preferisco pensare che a mancare non sia la capacità di sistemare le cose bensì la volontà. E con questo arriviamo a un altro punto: la gestione della biglietteria. E’ forte la sensazione che ci siano accordi fra Autorità e gestori dei tagliandi, Società incluse. Non è infatti possibile che i controlli sulla corrispondenza dell’identità del titolare del biglietto e di chi lo utilizza non vengano fatti con regolarità. Sorge addirittura il sospetto che dietro all’esclusione di determinate fette di mercato corrispondenti a precise aree geografiche possa magari esserci il privilegio degli affari condotti in altre zone, il tutto mascherato dalla necessità di garantire l’ordine pubblico. Vero o meno che sia, resta il fatto che c’è

to addio alla Cittadella Sportiva di cui i suoi Dirigenti avevano parlato a lungo prima di dovervi rinunciare per motivi politici. Quindi la notizia non dev’essere l’inaugurazione del nuovo impianto torinese bensì il fallimento generale dell’idea di ammodernamento del Paese anche attraverso lo sport, per quanto a breve ogni Club debba presentare un piano di sviluppo. Su internet sono disponibili centinaia di immagini degli stadi che verranno, da Roma a Genova e a tutta l’Italia, ma quando li vedremo realizzati? E una volta che saranno aperti, come potremo frequentarli? Agli steward, poi, che pagano sulla propria pelle la mollezza del Legislatore più di quanto se ne dia notizia, toccherà prendere le solite botte? In attesa di scoprirlo, senza arrivare all’umiliante paragone con gli Stati Uniti lustriamoci gli occhi con gli stadi del resto del mondo, a partire da quelli brasiliani che stanno sorgendo proprio in questo periodo in vista dei prossimi Mondiali. Ben sapendo che dietro la bellezza c’è di più.

“E’ il caso di porsi alcune domande circa la gestione della violenza ma anche quella della biglietteria e degli impianti”

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Arte

Fotografia

Spettacolo immortalato

Movimentos, con foto fatte dietro le quinte di spettacoli presentati al Theatro Municipal di Rio de Janeiro, conclude il programma annuale del centenario del monumento Silvia Souza

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er molti vedere uno show, una commedia o un balletto potrebbe rappresentare la soglia di un universo di magia ed emozioni senza pari. Quando tutto ciò ha luogo sul palco del Theatro Municipal di Rio de Janeiro i sentimenti coinvolti, di chi è spettatore o protagonista dei sogni, diventano ancora più forti. Cercando di immortalare e rivelare momenti che vanno oltre il palco, i fotografi Adriana Lins e Henrique Pontual firmano un libro di immagini fotografate dietro le quinte di otto spettacoli prodotti nel luogo che ospita una ricca storia 54

di simboli culturali della città e dello stesso Stato. Dalla passione di Henrique per il balletto materializzata in varie scene che vanno dai preparativi fino alla fine di una presentazione, i partner dello studio Ah!Fotografia hanno lavorato sulle foto tra il 2007 e il 2009. Movimentos arriva in libreria con 208 pagine, una raccolta di 400 foto, tra cui immagini dei balletti Giselle e Lo Schiaccianoci (un classico dell’epoca natalizia) e le opere Fidelio e La Bohème in cui sono protagonisti ballerini, cantanti, musicisti, maestri, coreografi, direttori, macchinisti, lift e cameriere. — Volevamo riprendere l’importanza delle persone, di tutti in questo scenario che è il Theatro

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Ana Botafogo si presenta in Giselle. Sopra, le quinte dello Schiaccianoci

Municipal. L’anima dell’arte si fa con tante persone che la costruiscono o la ammirano — afferma Adriana. Per captare questo spirito di cose, Adriana e Henrique hanno definito un’intensa routine giornaliera fatta di prove, messa in opera di strutture e presentazioni. E nei primi mesi la macchina fotografica è rimasta a casa affinché gli autori potessero conoscere l’universo in cui stavano abitando gli artisti. — Abbiamo disegnato quello che volevamo e abbiamo fatto qualche mese di streching con la coreografa Marcia Pinheiro per capire meglio lo sforzo e il coinvolgimento dei ballerini. Le abbiamo dedicato il libro — spiega Henrique. Il fotografo pernambucano, che nel 2007 ha esposto Máscaras Venezianas – un parallelo tra i carnevali di Venezia e di Recife – ha dimostrato di essere molto meticoloso nella produzione del libro. Henrique ha perfino prodotto un igloo con isolamento acustico in tessuto nero, con una sola apertura per la macchina fotografica; questo gli ha permesso di installarsi in luoghi come la fossa dell’orchestra, nella platea o sul palco del Theatro Municipal senza essere visto. — Il Theatro Municipal di Rio è uno degli ultimi al mondo ad avere i tre gruppi artistici. L’orchestra


Luiz Carlos Cavalcanti: esercizi prima degli spettacoli

Fotos: Divulgação

che interagisce con il coro e i due con il corpo di ballo, il che offre una dinamica molto ricca. Questo lavoro non presenta nessuna immagine del teatro, non c’è l’edificio, la scalinata perché miravamo l’essere umano. Abbiamo fotografato gente sorridente o triste e perfino l’istante in cui una ballerina ha avuto i crampi, piena di dolori dopo la chiusura del sipario — ricorda. Nel frattempo Adriana Lins è entrata nei camerini e ha fotografato gli artisti in momenti di relax o di stanchezza, mentre si preparavano per entrare in scena o al rientro dopo le presentazioni, dietro le quinte. Dopo la fase di ambientazione il lavoro ha reso 32 mila foto e c’è stato bisogno di cinque mesi di organizzazione per scegliere il materiale che avrebbe fatto parte del libro. Adriana, essendo designer, firma anche il progetto grafico di Movimentos insieme a Guto Lins: — Per il designer, “cucire” il progetto grafico con foto fatte da lui stesso gli dà molta più libertà e proprietà nelle scelte. Nei mesi di diagrammazione vedevamo la gente fotografata talmente tante volte che ci sentivamo vicini a loro. Leila, la cameriera; Marieta, che riceve il pubblico nel Palco Nobile; la ragazza che vende caramelle all’ingresso e tanti altri. Oltre ad essere stato accuratamente scelto dai fotografi, il materiale è anche stato osservato e valutato dai ballerini invitati tra cui Eliana Caminada e Norma Pinna, curatrice artistica delle foto dei balletti, che è già stata solista e prima ballerina:

— Ho lavorato su circa mille e cinquecento fotografie e mi sono vista a sfogliare questo vissuto con la danza classica dalla parte della macchina fotografica. Dal punto di vista tecnico ho dovuto selezionare foto in cui il corpo di ballo fosse nella posizione giusta. Vedere il gruppo attraverso le foto ha risvegliato in me l’entusiasmo e l’allegria dei miei amici. Sulla scena, dal vivo, uno vede l’emozione una volta sola. Nella fotografia il momento rimane. Percepiamo tutti i dettagli. Il libro, che conta sulla presentazione della cineasta e presidente della Fundação Theatro Municipal Carla Camurati, documenta il sentimento e lo sforzo di varie persone che hanno costruito una storia all’interno del Theatro e che fanno parte della storia dell’arte brasiliana in sé, come le ballerine Ana Botafogo e Cecília Kerche e i maestri Henrique Morelembaum e Roberto Minczuk. Icona della danza brasiliana, Ana è stata fotografata durante le presentazioni del balletto Giselle e dell’opera con canto I sette peccati capitali, entrambi del 2008, poco prima dell’inizio dei lavori di restauro e ristrutturazione del Municipal. — Un libro che parla di persone, dei loro movimenti e emozioni sono sicuro che commuoverà tutti noi artisti e il pubblico in generale. Mi ha rallegrato molto sapere che Henrique e Adriana hanno conservato con la loro arte un istante della mia arte affinché future generazioni possano sfruttare questo momento. Un libro di grande qualità, creativo e di estremo buongusto: arte che risulta in arte — segnala.

Accanto l’italo-brasiliana Norma Pinna fa le prove. Sopra, scena di La Bohème e, sotto, il maestro Minczuk dirige il Fidelio

Copertina e parte interna del libro

Dopo il lancio dell’opera Adriana ed Henrique ora lavorano per ottenere finanziamenti per un esposizione con le immagini più significative di questo lavoro. Per la fotografa i quattro anni dedicati al libro – oltre ai due anni sul campo sono stati necessari un anno per la pre-produzione e un altro anno per la post-produzione – sono valsi la pena e il risultato positivo è stato raggiunto grazie alla complementarità dei suoi autori. — Dico sempre che Henrique ed io ci completiamo visto che il mio stile è più spontaneo, basato sulle attività dietro le quinte del cinema; invece la sua caratteristica è quella di ottenere finanziamenti in modo esigente ed accurato, che viene dalla sua esperienza di fotografo pubblicitario, di studio. Pochi artisti hanno visto le immagini durante la produzione. I pochi che le hanno viste ci aiutavano molto limando il lavoro, facendoci conoscere meglio l’ambiente. Tutto il lavoro è stato inconsueto, [è stato] un privilegio trovarsi in questo ambiente di musica e danza nelle attività giornaliere.

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Arte

Desenho

Os traços

ousados e geniais

de Manara

encantam o Brasil Nayra Garofle

U

m dos maiores quadrinistas vivos, Milo Manara veio ao Brasil para participar do Rio Comicon, festival internacional de quadrinhos realizado pela primeira vez no Rio de Janeiro. Com mais de 30 anos de carreira, ele foi o homenageado desta edição e responsável pela criação do logo oficial do evento que aconteceu em novembro. Os traços do italiano puderam ser conferidos de perto pelo público numa exposição intitulada “Manara in Brasile”. A vinda do desenhista, apoiada pelo Instituto Italiano de Cultura do Rio, causou euforia entre os amantes de gibis. Num dos encontros, na Sala Itália, no Instituto, mais de 200 pessoas ouviram e interagiram com o artista. Conhecido por seus desenhos eróticos, Milo Manara é autor da famosa série de álbuns “Clic”, sobre um controle remoto que provoca orgasmos nas mulheres. O artista também adaptou para os quadrinhos textos literários de Giovanni Boccaccio, do escritor irlandês Jonathan Swift e o Kama Sutra. Além do erotismo em seus trabalhos, Manara se destacou em parcerias com os cineastas Federico Fellini (em storyboards e no álbum

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“Viagem a Tulum”) e Alejandro Jodorowsky (nos álbuns históricos sobre os Bórgias). — Claro que me agrada muito ler e desenhar outros tipos de quadrinhos, mas tem só dois problemas: o primeiro é que eu vejo que na vida normalmente há um percentual de erotismo muito alto. Por isso, eu sinto necessidade de colocar em toda história um certo percentual de erotismo. O segundo problema é que eu tenho medo de decepcionar meus leitores ao abrirem o livro e perceberem que não tem nenhuma garota nua — diz sorrindo. Quarto de uma família de seis filhos, Milo Manara nasceu em 12 de setembro de 1945, em Luzon, pequena cidade italiana da província de Bolzano, próxima da fronteira austríaca. Atraído pelo desenho (em sua infância, ele ilustra Ilíada e Odisseia, de Homero), ele descobriu os quadrinhos em contato com o escultor espanhol Berrocal, de quem virou assistente, mas Manara afirma que é totalmente autodidata. — Sempre desenhei, desde criança. Minha mãe me contava que tinha de me catar fora de casa porque eu vivia desenhando por aí. A minha vida inteira está ligada ao desenho, mas profissionalmente comecei em 1968, quando passei a ver a arte como algo social, com uma relação maior junto à sociedade — revela.

Roberth Trindade

Desenhista italiano é homenageado no país e afirma que as cariocas podem lhe inspirar para trabalhos futuros


O artista e suas obras expostas em “Manara in Brasile”, no Rio Comicon

Acima, a versão de Manara para X-Men. Abaixo, o cartaz oficial do Rio Comicon

Fotos: Divulgação

Suas primeiras obras profissionais – e eróticas –, publicadas a partir de 1968 lhe permitiram financiar seus estudos de arquitetura em Veneza. E foi também, a partir deste período que Manara começou a desenhar cartazes políticos, histórias para crianças e, enfim (em 1976), uma primeira história em quadrinhos pessoal, O Rei dos Macacos, publicada na Itália pela revista Linus. Em 1978, o desenhista criou o personagem de Giuseppe Bergman, a pedido da revista mensal francesa À Suivre, cujas aventuras aparecem em álbuns na editora Casterman, a partir de 1980. Seu talento para o desenho erótico o conduz a publicar, a partir de 1983, na editora Albin Michel. E, assim, Manara foi traçando, literalmente, a sua história. A parceria com o escritor e desenhista italiano Hugo Pratt, em 1987, rende a história em quadrinhos Verão Índio, que em 2005 foi eleita uma das 100 melhores histórias em quadrinhos do século 20, segundo uma votação feita pelo Festival de Amadora, em Portugal. Sete anos mais tarde essa experiência foi renovada em O Gaúcho. Nesse tempo, sua relação com os quadrinhos, de qualquer modo, influenciou seu contato com o cinema, já que a técnica utilizada por ambos é muito similar. A obra de Federico Fellini, outro “mestre da aventura” para Milo Manara, inspira uma nova colaboração, com a realização de Viagem à Tulum (1990), que se renovará em 1996 com A Viagem de G. Mastorna. — Fellini começava seus filmes a partir do desenho, na pesquisa dos personagens. A cenografia ele desenhava para Dante Ferretti, seu grande cenógrafo. Ele desenhava muito bem e tinha o hábito de desenhar todas as manhãs os sonhos que tinha à noite. Ele tinha um caderno grande, do qual eu tenho uma cópia, com todos esses sonhos contados e ilustrados. Uma verdadeira viagem no imaginário felliniano. Eu fazia o esboço, mostrava e se não era aquilo que ele queria ele corrigia. Fellini era muito exigente. Trabalhar com ele foi difícil. Uma grande escola, mas muito severa — conta Manara que não usa o computador para trabalhar, mas, sim, lápis e caneta. Por conta disso, se define como “um dinossauro”. Para Manara, há uma linha bem tênue entre o erotismo e a pornografia, na verdade, ele não vê muita

diferença entre os dois senão na intenção de quem os fazem. O desenhista lembra de uma frase de Woody Allen que considera “muito divertida” e que diz que “a pornografia é o erotismo dos outros”. — O que para mim pode ser pornográfico para outro pode ser simplesmente erótico e vice-versa. Há uma grande demanda pelo erotismo, mas para atendê-la a resposta não pode ser somente um monte de páginas estampadas só pra fazer um pouco de dinheiro, isso eu chamo de pornografia. Se em vez disso, se busca dar uma resposta autêntica, verdadeira, aí eu chamo de erotismo. Resumindo: se é excitante é erotismo se não é excitante é pornografia — define. A respeito do convite para vir ao Brasil e como principal homenageado do Rio Comicon, Milo Manara define como um milagre e tem sorte porque seu trabalho é reconhecido. Ele conta que a inspiração para criar o logo oficial do evento veio da imagem da mulher brasileira sonhada pelos europeus. — Botei ali dentro tudo que o imaginário italiano e europeu alimenta sobre o Brasil. A bela garota, a camisa da seleção brasileira de futebol, a vista do Rio com o Pão de Açúcar. Naturalmente, a garota que nós pensamos é a do carnaval porque são as imagens que se vêem muito no mundo. Com esses corpos atléticos, ligeiramente andrógenos, mas de uma beleza absoluta — elogia o desenhista, ressaltando que

sabe que o Brasil vai muito além. — É incrível o crescimento virtuoso e o fato de terem elegido uma mulher presidente. Acho que na Itália nunca aconteceria uma coisa do gênero. Isso é sinal de que o futuro é aqui e não na Europa — completa. O desenhista afirma conhecer e apreciar alguns cartunistas brasileiros, mas prefere não citar nomes por ser contra qualquer tipo de competição. — Conheço todos por sua fama e reputação. Mesmo que não sejam muito traduzidos na Itália, tenho lido algumas de suas histórias. É a primeira vez que seus quadrinhos os trazem ao Brasil, mas Manara já visitou o país outras vezes, a passeio. Sua passagem por aqui renderá frutos, já que Manara afirma que as cariocas inspiram o mundo inteiro e não só a ele. Sobre seus projetos futuros, ele conta que termina este ano o quarto e último volume da série Bórgia – que descreve o papado de Alexandre VI, cheio de escândalos de corrupção e sexuais. — Em seguida, quero me dedicar por algum tempo à pintura e à ilustração. Devo aproveitar a minha viagem ao Brasil para conhecer de perto a beleza da mulher carioca e, quem sabe, dedicar um livro inteirinho à beleza dela.

Vampirella, uma das personagens mais famosas do desenhista

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Arte

Obituário

O último adeus “Pai da comédia italiana” comete suicídio aos 95 anos

Da Redação

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s apreciadores da comédia italiana perdem um de seus maiores mestres: Mario Monicelli. O cineasta tinha 95 anos e passava por um tratamento de câncer terminal na próstata. No dia 30 de novembro se atirou da janela do quinto andar do Hospital San Giovanni de Roma, onde estava internado. Considerado um dos maiores mestres do cinema italiano do pósguerra, o diretor fez vários filmes de sucesso, entre eles: “O Incrível Exército de Brancaleone”, “Quinteto irreverente”, “Meus Caros Amigos” e “Parente é Serpente”. Ele dirigiu mais de 60 longas-metragens e escreveu mais de 80 roteiros. Mario Monicelli nasceu em Viareggio, cidade litorânea da região da Toscana, em 15 de maio de 1915. Era filho do crítico teatral e jornalista Tommaso Monicelli, que também se suicidou, em 1946. O cineasta chegou a estudar História e Filosofia na cidade de Pisa. A partir de 1934 – com menos de 20 anos –, estreou dois curtas-metragens com seu amigo Alberto Mondadori: “Cuore rivelatore” e “I ragazzi della via Paal”. Este último foi destaque na Mostra de Veneza, criada dois anos antes. Em 1959, seu filme “A 58

“Meus caros amigos” e “Parente é serpente”: alguns dos sucessos de Monicelli

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Grande Guerra” ganhou o Leão de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Veneza, rendendo ainda a primeira de suas quatro indicações ao Oscar. A segunda viria em 1963, com “I compagni”. Foi a partir de 1953 que Monicelli entrou no mundo da direção e tornou-se um mestre de um gênero de comédia que colocava em cena problemas da sociedade da época, em plena evolução. Trabalhou com os maiores atores da Itália, como Totò, Aldo Fabrizi, Vittorio De Sica, Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi, Anna Magnani, Alberto Sordi, Nino Manfredi, Paolo Villaggio, Monica Vitti, Enrico Montesano, Giancarlo Giannini, Philippe Noiret, Giuliano Gemma, Stefania Sandrelli, Gian Maria Volonté e Leonardo Pieraccioni Sua morte gerou uma série de discussões na Câmara dos Deputados na Itália durante uma homenagem, realizada este mês, ao mestre da comédia. Walter Veltroni, ex-prefeito de Roma e ex-candidato ao cargo de premier pela centro-esquerda, deu início aos debates ao iniciar seu pronunciamento. Para ele, Monicelli era um “artista anti-retórico e coerente”, o que ficou comprovado em seu “último ato da vida”.

— Mario viveu e não se deixou viver, assim como não se deixou morrer — enfatizou. O momento foi oportuno para a deputada Rita Bernardini. A parlamentar ressaltou que a morte de Monicelli deveria fazer com que o Parlamento “refletisse sobre o modo pelo qual algumas pessoas, que não conseguem seguir em frente, se veem obrigadas a deixar suas vidas, ao invés de morrerem ao lado de seus entes queridos”. Dessa forma, ela acabou fazendo uma referência mais clara à eutanásia, que é proibida pela legislação italiana e que fez com que as discussões esquentassem na sede do Legislativo. Já a democrata-cristã Paola Binetti pediu o “fim dos avisos em favor da interrupção da vida, partindo do caso de homens desesperados, porque Monicelli havia sido deixado pela família e pelos amigos, e o seu foi um gesto de enorme solidão, não de liberdade”. Em outro momento, o presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, que mais cedo visitou a câmara ardente com os restos mortais do diretor, considerou que “Monicelli se foi com uma última e forte manifestação de sua personalidade, uma vontade que devemos respeitar”. Em telegrama enviado à família, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi também manifestou suas condolências: “Expresso a minha dor e do Governo italiano pelo trágico desaparecimento de Mario Monicelli, mestre da cinematografia italiana”.

O cineasta não teve velório. O corpo foi levado para Monti, o bairro onde vivia em Roma, para um último adeus aos monitcianos. Em seguida, foi para a Casa do Cinema para ser saudado por todos aqueles que quiseram lhe oferecer uma última homenagem. O neto do cineasta, Niccolò Monicelli, informou que o corpo seria cremado de forma privada, na presença apenas da família. — Não é um final trágico, é um homem que viveu — afirma Niccolò, que rejeita a ideia de que o gesto de seu avô deva ser interpretado de forma dramática.


firenze

Giordano Iapalucci

Mappe e vedute dia Florentia Libreria Gonnelli di Firenze pre-

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Lucca Digital Photo

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ucca ospita anche quest’anno uno dei Festival internazionali di fotografia più importanti d’Europa, arrivato alla sua sesta edizione: il Lucca Digital Photo Fest. Il filo conduttore di quest’anno è la donna, soggetto e musa ispiratrice. Il festival non si ferma solo all’esposizione fotografica ma presenta

senta la mostra dal titolo “Florentia”. L’esposizione accoglie mappe, piante topografiche e vedute per lo più sconosciute sia della Firenze antica (XV sec.) che attuale. L’esposizione contiene più di 500 fogli ed è un vero e proprio viaggio attraverso 5 secoli di trasformazioni urbanistiche del capoluogo toscano. Dalle carte si può notare come anche la cartografia, nel tempo, abbia sempre più ricercato criteri scientifici nella riproduzione del territorio cambiando anche stili e teorie estetiche. Presso la Libreria Antiquaria Gonnelli di Via Ricasoli 6-14r-16r, 50122, Firenze. Orario: dal martedi al sabato dalle 9.00 alle 13.00 e dalle 15.30 alle 19.00.

anche numerosi eventi collaterali, come vari workshop durante i quali sarà possibile confrontarsi e conoscere le tecniche dei più importanti fotografi del mondo come quelle dell’artista statunitense Sandy Skoglund. Ingresso libero. Lucca, Piazza San Michele – Logge Palazzo Pretorio. orario: 10.00 – 19.30.

“Otium” zio, dal latino Otium. È questo il

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Ri-generazioni Chianti d’autunno ino al 9 gennaio in località Quieta a ggi la gita fuori porta ci fa visitare uno

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Massarosa, in provincia di Lucca, 29 artisti esporranno le proprie opere ricavate da materiali rigenerati, destinati alla discarica. Si tratta di un evento patrocinato oltre che dalle numerose istituzioni anche dalla Regione Toscana e dall’Ambasciata del Brasile. La mostra porta alla luce una nuova tendenza artistica. In questo caso il “viaggio artistico” non antepone l’idea in quanto ispirazione all’oggetto e all’utilizzo dei materiali con i quali e dai quali creare arte, ma obbedisce esattamente al suo contrario. Ingresso gratuito con orario pomeridiano 15.30 alle 19.30.

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dei più bei luoghi della campagna toscana ed italiana in generale: il Chianti nel suo volto autunnale, per molti inedito ma estremamente affascinante. Soprattutto se la bellezza naturalistica in cui ci si immerge è accompagnata da un’ottima organizzazione in fatto di degustazioni e abbinamenti enogastronomici. Sarà un viaggio alla scoperta di fattorie, musei, piazze, castelli e antiche botteghe artigiane alla ricerca anche di un nuovo volto dell’agricoltura legato alla eco-sostenibilità. Fino a domenica 12 dicembre. Per prenotazioni: www.chiantidautunno.it

titolo della mostra personale di Marco Manzella. Raffinato artista contemporaneo di origini livornesi, Manzella espone tempere su tavola e tecniche miste su carta con elementi che vanno dalla pittura toscana del ‘500 fino ad arrivare alla pop art inglese. Il suo linguaggio sintetico ma altamente espressivo ha spesso come protagoniste le figure umane nella loro plasticità inserite in un prospettiva di un universo naturale e quasi sospeso. L’artista livornese ha esposto in questi ultimi anni in importanti rassegne italiane e estere come in Francia, Spagna, Germania e Stati Uniti. Fino al 30 dicembre presso Mercurio Arte Contemporanea a Viareggio (LU). Ingresso gratuito.

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Livro

Sociedade

Num cárcere da Itália, a voz de uma brasileira Guilherme Aquino

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De Milão

lorisbela Inocêncio de Jesus ainda não se recuperou do tempo em que ficou presa no cárcere de Lecce. “Esta é uma ferida que sangra e que não sei se vai cicatrizar”, diz ela. Lá, a brasileira alegou ser inocente do crime pelo qual foi condenada, o de exploração da prostituição, “um dos reatos mais comuns e menos punidos do código penal italiano, basta ver o que ocorre nos altos escalões do governo”, replica Florisbela aludindo aos casos de prostitutas que foram deitar nos leitos do poder. Amante da literatura, Florisbela usou as horas livres na prisão para exercitar a paixão pela escritura que a acompanha desde os tempos de adolescência. Durante as transferências da prisão de Lecce àquela de Perugia, por conta das audiências no tribunal, ela acabou convivendo com a americana Amanda Knox, condenada a 26 anos de cadeia pelo assassinato – junto com o namorado Raffaelle Solecito e de Ruby, da Costa do Marfim – da estudante universitária e companheira de quarto, a inglesa Meredith Kricher. E durante o período no qual elas dividiram a vida atrás das grades, a brasileira escreveu um livro, Passeggiando con Amanda, uma espécie de viagem pelas entranhas do cárcere feminino, através de um olhar crítico sobre sistema penitenciário italiano. — Naquela época muitos brasileiros foram presos por nada. Acho que se tratava de uma retaliação generalizada contra a decisão do governo Lula de não extraditar o Cesare Battisti para a Itália, aquele ex-terrorista que fugiu para o Brasil. Uma juíza durante a minha primeira audiência disse que o meu governo não estava se comportando bem. Eu respondi que eu estava de acordo com a decisão tomada pelo meu país — conta a brasileira. 60

Em livro, capixaba protesta contra sistema prisional italiano e dá dicas de cuidados e regras de comportamentos para “uma pessoa cultivar a esperança e não sucumbir”

Amante da literatura, Florisbela usou as horas na prisão e escreveu 100 páginas

Do livro emerge um retrato duro da prisão que, em muitas passagens, mais parece um purgatório a caminho do inferno. Uma crítica ao sistema prisional da Itália. — Eu entrei como saí. Aliás, entrei como católica e fui embora como testemunha de Jeová. Não consegui ver padre bêbado nos visitar, achei melhor me agarrar à bíblia. A fé é uma forma de salvação, me ajudou a suportar os difíceis momentos e é preciso acreditar nela para suportar a vida lá dentro — conta Florisbela que vem de longe, muito longe de Montefisacone, distante dez minutos de carro da estação de trem de Viterbo. A brasileira tem 58 anos de idade, dos quais mais da metade passados na Itália. Ela nasceu em Mimoso do Sul, no estado do Espírito Santo, filha de um agricultor e de uma dona de casa. Florisbela se tornou professora fazendo o curso Normal. Em seguida, ela viajou para o Rio de Janeiro e, sendo uma bailarina nata, acabou entrando em um grupo de dança que foi realizar uma série de apresentações na Itália. Era fim dos anos 70, começo dos anos 80, quando, durante um espetáculo, um italiano, sentado na primeira fila,

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A americana Amanda Knox, com quem Florisbela conviveu na cadeia, condenada a 26 anos de prisão pelo assassinato de Meredith Kricher

apaixonou-se pela brasileira. Aquele encontro já dura 30 anos. O marido estava no Brasil quando a mulher foi presa. Ele voltou imediatamente, mas não podia fazer nada a não ser esperar o curso da justiça. Enquanto isso, Florisbela escrevia, observava, conversava, pleiteava, aprendia, estudava, escrevia e escrevia. — Não era fácil, eu tinha que conseguir canetas com as quais eu pudesse escrever. Muitas agentes me davam canetas que falhavam. Para mim, era uma clara demonstração de incômodo sobre o que eu anotava — diz Florisbela. Um ano dentro da prisão foi suficiente para Florisbela ter a certeza de que a principal forma de manterse em pé, com a cabeça no lugar, era a de elevar e trabalhar a auto-estima. — Esta é a regra número um para sobreviver às durezas de uma cela — explica ela que no livro descreveu uma série de cuidados e regras de comportamento para uma pessoa cultivar a esperança e não sucumbir diante do autoritarismo e dos maus tratos. Mais do que “Passeando com Amanda”, o livro de 100 páginas é um “passeio” pela realidade dura da cadeia. Uma impressionante série de relatos, como letras tatuadas e marcadas em carnes vivas e almas penadas. — Eu vi uma presa ser chamada para ir embora, pois o tempo dela tinha chegado ao fim e, na última barreira, ter que voltar para a cela porque a burocracia italiana tinha cometido um engano. Mas se pode imaginar o trauma que um erro deste tipo pode gerar numa pessoa que está já muito debilitada mentalmente? — questiona a brasileira, que decidiu usar o talento de escritora para colocar a boca no trombone. Através de artigos seus publicados num jornal do cárcere ela conseguiu expor as suas ideias e acabou conquistando o apreço das colegas de cela, das agentes penitenciárias e da própria diretoria do presídio.


Museu

Eppur si muove! Florença inaugura um museu em homenagem a Galileu Galilei e expõe partes de seu corpo perdidas há mais de um século Leandro Demori

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De Roma

ciência e a busca pela exatidão e pela regra imutável foram premiadas com o acaso. Desaparecidos por mais de um século, dois dedos e um dente de Galileu Galilei são a atração mais peculiar (e bizarra) do recém inaugurado Museo Galileo. As “peças” podem ter sido encontradas por mera sorte. Porém, já estava em andamento a homenagem de Florença ao cientista toscano e pai da ciência moderna que, para isso, reformou e rebatizou o seu antigo Museu da Ciência. Nascido em Pisa em 15 de fevereiro de 1564 e morto em Florença, em 8 de janeiro de 1642, Galileu teve as partes do corpo encontradas por dois colecionadores fiorentinos, Alberto Bruschi e sua filha Cândida. Eles foram expostos junto a outro dedo, já conservado pelo antigo museu. — Foi obra do acaso. O mérito é da minha filha — conta Alberto Bruschi, modesto. Os dedos e o dente estavam escondidos dentro de um relicário dos anos 1800, vendido em um leilão pela prestigiada Casa d’aste Pandolfini. O lote, de número 190, anônimo, tinha uma descrição modesta para a grandeza

de seu conteúdo: “74 centímetros de altura, madeira talhada e torneada, com cilindro interno de vidro dentro do qual se encontra uma relíquia”. O comércio de pedaços de pessoas de séculos passados é um antigo costume italiano entre relicários e casas de leilão. Ninguém espera que, no entanto, fragmentos de um dos mais notáveis gênios da humanidade estivessem camuflados em um dos muitos relicários que circulam pelo meio. O polegar e o indicador da mão direita, assim como o molar de Galileu, foram arrematados por 650 euros. — Minha filha estava fazendo uma tese de láurea sobre a sepultura de Galileu e seus restos mortais e, subitamente, reconheceu a peça — explica Bruschi que confirmou a autenticidade, posteriormente, com estudiosos e peritos da área. O Museo Galileo não gira somente em torno dos restos mortais de seu homenageado. As contribuições à ciência são as principais atrações de seus corredores, que misturam antigos instrumentos com instalações contemporâneas alinhadas às melhores do mundo. — Beleza, design e tecnologia — resume Paolo Galuzzi, diretor do museu. — Uma tecnologia que está a serviço dos

Acima, Sidereus Nuncius, o primeiro tratado científico baseado em observações astronômicas realizadas com um telescópio. Abaixo, o relicário onde estavam escondidos os dedos e o dente de Galileu Galilei

objetos expostos, não uma tecnologia invasiva e exibicionista. As estrelas aqui são os instrumentos e descobertas do passado. O conceito parece estar por todos os cantos do palazzo do século 12 que abriga os únicos instrumentos idealizados e construídos pelo próprio cientista, como o famoso telescópio usado para observar o céu e descobrir os satélites de Júpiter e as montanhas e crateras da Lua, em março de 1610, há exatos 400 anos. Foram justamente as observações dos satélites de Júpiter que o levaram a defender o sistema heliocêntrico de Copérnico – ideia que o levou à condenação de prisão domiciliar pela Igreja Católica e gerou uma das mais célebres frases da ciência, dita por Galileu, após a condenação: “Eppur si muove!” (“Mesmo assim se move”) [em torno do sol]. Aos visitantes, é possível dispor de um aparelho de videoguia chamado Track Man, similar – em tamanho e aparência – a um GPS. Conforme se move, o aparelho reconhece o ponto da sala e fornece material audiovisual de apoio ao objeto que está sendo observado. O reconhecimento é feito de modo autônomo, basta estar com o aparelho e caminhar livremente, deixando-se levar pela atmosfera do lugar. As obras de restauração e modernização do antigo museu custaram cerca de 8 milhões de euros, mas não primaram pelo gigantismo e exibicionismo arquitetônicos. Tudo foi medido e pensado para fazer com que as peças não sejam ofuscadas pela arquitetura. O museu se torna, assim, mais uma visita obrigatória a toda obrigatória Florença.

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IlLettoreRacconta

S

ou da terceira geração da minha família no Brasil. Cresci gostando de spaghetti, canção italiana e vinho, e com um mal compreendido interesse pela Serra Gaúcha, onde instalaram-se as colônias italianas dos imigrantes, região que visitava eventualmente. Minha infância transcorreu em meio a calabreses sem o saber: meu pai faleceu quando eu estava com quatro anos e minha mãe, talvez para proteger-me da ausência paterna, quase nada falou dele, embora conservando os costumes como a bracciola, a macarronada com carne assada aos domingos, o “sangari”, mistura de água, vinho e açúcar para as crianças, mas sem visitar os conazionali. Quando atingi a casa dos quarenta anos conscientizei-me, assim por impulso, que meu avô fora emigrante calabrês, que eu podia ter nascido na Itália, que os dados culturais como música, gastronomia e a sonoridade da língua italiana eram-me inerentes. Italiano nascido no Brasil - este País sem vocação para a História e preservação do passado (talvez por ser um passado português), saí em busca de minhas origens, interessei-me em aprender o mínimo de paPorto Alegre

lavras e regras gramaticais, saber a geografia e a história italiana. Obtive o reconhecimento da cidadania e o passaporte. Viajei para lá em 1992. O primeiro lugar no qual senti-me italiano foi em Firenze, no bairro do albergo. Olhei para a casa do outro lado da rua, a cor e os frizos nas paredes, encostei a mão no cimento e, ao tocar aquela parede antiga, transportei-me ao passado do meu avô, à minha gene, às minhas origens. “Eu sou daqui”, disse-me em pensamento. No dia seguinte senti outra grande sensação ao ingressar no museu Academia e deparar-me, logo à entrada, com a escultura de David, Michelangelo ao alcance da mão! O terceiro estremecimento ocorreu ao caminhar pelas vielas medievais de Assisi, meus sonhos e fantasias realizados. Um quarto estupor aconteceu em Roma, numa sucessão de sobressaltos: Coliseo, Forum, Basilia di San Pietro. Mais tarde, Veneza! Meu último tremor aconteceu em outra viagem, ao ingressar em Morano Calabro, percorrer a Vigna della Signora, a rua onde viveu meu avô até emigrar. Percorri as ruas da cidade, as igrejas, o castelo, como se nunca houvesse saído de lá. Onde permaneci duas semanas. Duas vezes chorei o pranto que brotou do mais fundo da minha alma: ao receber a notícia da morte de mamãe e ao despedir-me de Morano Calabro. Choro silencioso, copiosas lágrimas. Retornei dividido ao Brasil, despedaçado por sentir-me brasileiro e querer-me italiano. A terceira viagem foi com terno e gravata, italiano em sua própria terra. Quarenta e cinco dias sozinho, percorrendo pessoas, livrarias, mercados, coisas comuns; andei em bicicleta, li diariamente os jornais, retornei diversas vezes aos mesmos lugares. Como em casa. Numa cidade ao Norte, a pequena Fontaniva, fui recebido por uma família para quem havia feito adoção de duas crianças, e ali permaneci carregando lixo, passeando, cozinhando, visitando pessoas e até de uma pequena festa comunitária participei. Nessas três viaJosé Carlos e a esposa Clara aproveitam a gens fui até o ponto mais escuro água de uma fonte italiana do meu ser, viajei no tempo e refiz minha genealogia. Senti-me profundamente mal, adoeci. Depois, saí do transe e voltei à vida. Hoje sei quem sou: brasileiro, com olhar latinoamericano; pitada de sangue grego,pitada de brúzio; mais que calabrês, um homem del Sud, un meridionale. De minhas origens restaram ternas lembranças de rostos, objetos, paisagens e sentimentos. Da Itália e do Brasil. Tudo irremediavelmente misturado. José Carlos Laitano, 66 anos, escritor e juiz aposentado, Porto Alegre Mande sua história com material fotográfico para: redacao@comunitaitaliana.com.br

Calábria 62

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Turismo

Na rota do trem vermelho Itália e Suíça comemoram os cem anos do trem da linha do Bernina, da ferrovia Rética, Patrimônio Cultural da Unesco desde 2008 Guilherme Aquino

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De Milão

s ferrovias italiana e suíça nem sempre seguem as mesmas linhas paralelas. A qualidade dos serviços e, principalmente, a pontualidade, além do preço, são critérios que pesam na escolha de um cliente. Mas, se existe uma unanimidade, dos dois lados da fronteira, é sobre o trem da linha do Bernina, da ferrovia Rética. Na Itália, a estação de partida é na cidade de Tirano que festeja, junto com a Suíça, o centenário do trem considerado o mais charmoso do mundo. De lá sai a moderna locomotiva que puxa os vagões vermelhos através do Passo do Bernina, um vale aberto pela natureza entre os Alpes, e viaja pelo meio das montanhas e glaciares até a famosa cidade de Saint Moritz. Não por acaso, a linha, junto com a de Albula, entrou para lista do Patrimônio Cultural da Unesco, em 2008. A linha Bernina transporta 700 mil turistas, anualmente, durante as quatro estações e beneficia muitas cidades italianas. Além de Tirano, a cidade de Sondrio e os municípios à margem do lago de Como,

O trem da linha do Bernina, da ferrovia Retica, é considerado o mais charmoso do mundo

como Gravedona e Dongo, tiram vantagem, direta e indireta, deste turismo. De todas elas, Tirano é a que mais se beneficia. Na pequena cidade, incrustada nos Alpes, o movimento de pessoas é intenso o ano inteiro. De origem medieval, Tirano sempre teve uma posição estratégica importante. Porta Milanesa, Porta Bormina, Porta Poschiavina são testemunhas do controle exercido à época do vai e vem dos viajantes que, no passado, percorriam este vale suíço. Sim, pois Tirano fazia parte do Cantão Grigione. A estação fica a poucos metros do centro da cidade e da estrada que leva à fronteira. E aqui começa uma viagem inesquecível. Logo na entrada suíça, nota-se a engenhosidade da linha ferroviária com um viaduto helicoidal de Brusio, uma solução genial para

a época como forma de superar o desnível do território. Essa é única linha ferroviária suíça que corta os Alpes de norte a sul sem passar por nenhum túnel. A obra prima de engenharia sai de 429 metros acima do nível do mar e segue serpenteando pelas montanhas até atingir a altitude de 2.253 metros. Depois, progressivamente, vai baixando até 1.775 metros, na estação final de Saint Moritz. O trecho principal tem 22 km de uma lenta subida e com inclinações e pendências de 70%. A viagem prossegue pela cidade de Poschiavo, já conhecida em 1740 pela beleza arquitetônica e paisagística pelos historiadores de dois séculos atrás. O contato com as línguas de gelo acontece na estação de Alp Grüm, contruída em 1923. Ali, diante dos olhos, a natureza apresenta a geleira Palü. A próxima parada é no antigo Hospício Bernina, transformado em hotel e restaurante, a 2.253 metros de altitude, o ponto mais alto de toda a ferrovida Retica. Aqui existe ainda uma fronteira a ser ultrapassada, a do idioma. Até agora, a língua falada era o italiano. Daqui em diante, cardápios e cartazes de informações são em românico e alemão. Na estação do glaciar Morteratsch uma geleira imensa, que ano após ano está derretendo devido ao aquecimento global - os passageiros podem sair do trem e passear até a base da montanha gelada. A viagem continua depois rumo a Pontresina, uma cidade aos pés de uma montanha de 4.048 metros. Um colosso de pedra que vigia os habitantes lá de cima. Foi dali que partiram os primeiros alpinistas ingleses para conquista do Piz Bernina. O ponto final é na cidade de Saint Moritz, famosa por ser um reduto de vips e personalidades internacionais durante a estação de inverno. Uma viagem para se fazer com os olhos bem abertos e se beliscar de vez em quando para não dizer depois que foi um sonho..

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Evento

Gastronomia

Tudo se transforma “Se uma batata pode se transformar em trufa, então, tudo na cozinha é possível. Essa esperança é necessária nos dias de hoje” Robson Bertolino

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De São Paulo

sustentabilidade deixou de ser um assunto referente somente à preocupação com os problemas ambientais. Num momento em que o planeta pede atenção, atualmente, mestres da gastronomia se unem para avaliar o que esta área pode fazer para contribuir e não haver desperdícios. Partindo do princípio da Lei de Lavoisier onde “na natureza nada se perde, tudo se transforma”, os chefs vão pelo mesmo caminho na cozinha. Ícones italianos como Massimo Bottura, da Osteria Franciscana (Bolonha); Ricardo Carelli, da Escola Alma (Colorno) e Carlo Petrini, o jornalista que criou o movimento Slow Food, são alguns dos que têm se preocupado em discutir um caminho para a gastronomia sustentável. — A ideia é a de que, com a vontade e o pensamento, a matériaprima possa se reinventar. Estou falando de humildade, de coisas comuns que, no fundo, se olharmos com atenção, são extremamente 64

Massimo Bottura e Paolo Marchi lutam pela sustentabilidade na cozinha

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interessantes e cheias de significado — afirma Bottura, um dos chefs italianos mais badalados, famoso pelas releituras de pratos tradicionais da cozinha da “mamma”. Para ele, o trabalho na cozinha tem constantes transformações e o respeito à tradição é fundamental para bons resultados . — Os pratos também falam dos sonhos e esperança: se uma batata pode se transformar em trufa, então, tudo na cozinha é possível. Essa esperança é necessária nos dias de hoje, e também na cozinha e na vida. Porque nunca é tarde demais, tudo ainda é possível — acredita. Seu restaurante, o Osteria Francescana, aberto em 1995 em Modena, tem duas estrelas do conceituado Guia Michelin, que avalia os melhores restaurantes do mundo. Além deste reconhecimento, Bottura conta com uma extensa lista de premiações e menções em publicações especializadas em gastronomia. O jornalista Carlo Petrini também tem aberto os olhos de muitas pessoas sobre o atual sistema alimentar mundial e como formas mais sustentáveis de se lidar com a comida podem evitar a destruição do planeta.

— Os elementos desse colapso são evidentes: a perda da fertilidade do solo e o uso de produtos químicos nas plantações. Isso está provocando um desastre social — avalia. Para Petrini é preciso ter uma visão mais holística da gastronomia e não somente pela ótica industrial — Não é a gastronomia que tem que salvar o mundo, é o mundo que vai salvar a gastronomia — ressalta. Assim como Massimo Bottura, Petrini prefere definir a cozinha como uma linguagem em constante transformação. — O italiano que falo não é o que se falava há 100 anos. Assim, a cozinha também, que é uma forma de expressão, está em constante mutação. No entanto, para mudar, é importante ter memória. Se você precisa chegar a um lugar, você deve saber de onde vem — diz. O Slow Food segue o conceito da ecogastronomia, conjugando o prazer e a alimentação com consciência e responsabilidade, reconhecendo as fortes conexões entre o prato e o planeta. Criador do movimento — uma associação internacional sem fins lucrativos fundada em 1989 como resposta aos efeitos padronizantes do fast food — , Petrini afirma que quando esta ideia surgiu, estava escrito “movimento internacional pela proteção e o direito ao prazer’. — Acredito que, neste momento histórico, este seja um direito fundamental da humanidade. O prazer em direção ao belo e ao bom – na língua hebraica, o “belo” e o “bom” são uma só palavra. Se nossos avós batalharam pelo voto universal ou pelo direito às oito horas de trabalho, nossa batalha social e política mais importante é o direito ao belo e ao bom para todos — reflete. Recentemente, os chefes mais engajados com a sustentabilidade, incluindo Bottura e Ricardo Carelli, além do jornalista Petrini, vieram ao Brasil para discutir e criar um documento de compromisso mundial de mudanças de parâmetros e condutas. Batizada de Carta São Paulo, o tratado visa que os profissionais da área se comprometam trabalhar para melhorar o planeta. Eles estiveram presentes durante um evento promovido pela revista Prazeres da Mesa e pelo Senac São Paulo, em outubro, que recebeu cerca de 10 mil visitantes. A julgar pela empolgação dos porta-vozes da cozinha mundial, a mudança de rumo e de comportamento dos chefs em direção a uma gastronomia mais sustentável já está em curso.


saporid’italia NayraGarofle

No fim, peixe

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io de Janeiro - Para comemorar a nossa 150ª edição, nada mais justo do que convidar um dos maiores conhecedores da gastronomia mediterrânea: Angelo Neroni. Ele, que inaugurou a nossa editoria Sapori d’Italia em junho de 1998, chegou ao Brasil nos anos 70 e daqui não saiu mais. No país, Neroni recebeu muitos prêmios e participou de inúmeros programas de televisão, divulgando com maestria a cozinha da Bota. Para os leitores de Comunità ele preparou uma ceia suculenta como sugestão para as festas de fim de ano. Entre os pratos estão um leitão desossado, pernil apresuntado artesanal e, claro, um peixe ao forno, que não poderia faltar já que ele é oriundo de Grottammare, província de Ascoli Piceno, na região de Marche. Neroni é italiano, mas foi na Alemanha que ele se tornou adulto e teve interesse pela gastronomia. Antes de aprender a cozinhar, se tornou maitre e, depois, restaurant manager. Entre os lugares pelos quais passou está o restaurante do Castelo de Monrepos, em Ludwigsburg, um dos mais luxuosos do mundo. Com experiência e curiosidade decidiu abrir seu próprio restaurante, o Via Veneto, e chamou o melhor chef de sua cidade natal, que estaria disponível por três meses, para ensiná-lo a cozinhar. — Eu, ingênuo, acreditava que em três meses conseguiria aprender tudo. É claro que aprendi, mas na prática — conta. Chegou no Brasil em 1976, quando vendeu o Grottamare para um conterrâneo. Apesar de não conhecer o país e não falar português, Neroni veio para o Rio de Janeiro. Aqui, passou meses “aproveitando e gastando” até que resolveu voltar a trabalhar, “só para não ficar parado”. Em sua bagagem Neroni carrega nomes de restaurantes que abriu pelo estado: Bella Blu, Don Pasquale, em Conceição de Jacareí, Nel Blu, o primeiro rodízio de massas do Rio, o Mediterrâneo são alguns deles. Aos 63 anos, ele está à frente do recém-inaugurado Etrusco. A casa funciona onde era o restaurante Spacca Napoli, em Copacabana, o qual Neroni também ajudou a levantar. A escolha do nome é uma homenagem ao povo que viveu na península itálica na região ao sul do rio Arno e ao norte do Tibre, equivalente à atual Toscana, com partes no Lácio e na Úmbria. O restaurante tem 70 lugares e toda a decoração — paredes vermelha e roxa, com cópias de pinturas etruscas, como uma parte da Tumba dos Leopardos — foi escolhida por Neroni. No primeiro quarteirão da praia, os clientes podem desfrutar de sabores incríveis em receitas de risoto com camarão e aspargos frescos ou rigattone ao molho de vitelo. Também são boas pedidas a carne assada com vinho acompanhada de pappardelle rustiche e o linguado assado com camarão, batatas cozidas e legumes no vapor. Para a sobremesa, sorvete feito na casa, nos sabores de amora, torrone, manga, framboesa, cupuaCeia farta preparada por Neroni é uma çu, creme de baunilha amostra do que o cliente poderá degustar ou de chocolate belga.

Fotos: Roberth Trindade

O chef Angelo Neroni, idealizador deste “Sapori d’Italia”, prepara ceia natalina italiana para os leitores

Peixe ao forno Neroni Ingredientes: 1 peixe de 1kg e ½ (Pargo, Badejo, Garopa, Robalo); 2 tomates maduros; 2 batatas; 6 azeitonas pretas; 6 dentes de alho; 2 ramos de alecrim; ½ mole de salsa; ½ colher de alcaparras; Azeite extravirgem; ½ copo de vinho branco; ½ copo de água; Sal e pimenta a gosto. Modo de preparo: Numa assadeira, coloque metade dos temperos e a água. Com o peixe limpo, coloque dentro dele um pouco de alecrim, salsa, um dente de alho, sal, pimenta e azeite. Corte as batatas em gomos e os tomates em quatro partes. Ferva as batatas por cinco minutos, Coloque o vinho por cima do peixe, em volta dele, as batatas e os tomates. Fatie o restante do alho e coloque o restante dos temperos. Coloque o azeite em cima do peixe e das hortaliças. Tempere com sal e pimenta. Faça um corte longitudinal no peixe. Leve ao forno pré-aquecido (180ºC) por 30 minutos. A ceia preparada para os leitores de Comunità também pode ser degustada pelos comensais no dia 24 de dezembro: raviole di fagiano (recheados com polpa de faisão, creme de funghi e geléia de frutas do bosque), porchetta ascolana (leitão desossado, recheado com carnes variadas e temperos aromáticos, assado no vinho branco) e polenta grelhada. Para quem quiser aproveitar e fazer um dos pratos da ceia, o italiano apresenta o Peixe ao forno Neroni, o prato mais fácil de preparar. Presente para aqueles que apreciam a boa mesa. Serviço: Rua Ferreira, 25 Copacabana - Rio de Janeiro - Tel: (21) 2513-2434

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la gente, il posto ClaudiaMonteiroDeCastro

Castroni

C

astroni é uma rede de lojas de guloseimas em Roma. Existem várias pela cidade, mas uma das maiores é a da rua Cola di Rienzo, no bairro de Prati. Além de delícias de diversas regiões italianas, massas, molhos, mostardas, vinhos, chocolates, produtos em conserva, encontram-se também produtos de diversos países do mundo. Quer biscoito inglês? Eles têm. Suco americano de cranberry ou preparado para fazer panquecas? Eles têm. Baixou uma vontade de comida mexicana, de nachos (doritos) com guacamole? Você pode matar a vontade. E se der saudade dos quitutes brasileiros, aqui eles têm guaraná Antártica, cerveja Skol, feijão preto, goiabada e bananada. Os gulosos agradecem.

Ai, que Saudades!

É

o período mais longo que fico sem visitar minha pátria e já estou entrando em crise de abstinência. Já passou um ano e oito meses e sei que vão passar dois anos antes de poder ir para meu adorado Brasil, em fevereiro do ano que vem, dada a circunstância do nascimento dos meus dois pequenos. A saudade está apertando e começo a entrar em delirium tremens. Nem falo da saudade óbvia das pessoas queridas, família e amigos, que por sorte, pelo menos uma parte pôde vir me visitar na Itália ultimamente. Falo das saudades de coisas bobas que fazem parte do nosso dia a dia no Brasil e a gente às vezes nem liga, dando por certo. Alguns lugares, algumas comidas, alguns cantinhos da cidade... Às vezes, me pego pensando no pastel da rua Maceió, em Higienópolis. Pastel de carne, de queijo, de palmito, de catupiri, pastel nos mais diversos sabores, um manjar dos deuses. Ou sonho o creme holandês da doceria Vienna. Isso sem mencionar a Nha Benta (na versão tradicional, ou nas mais novas côco e maracujá) e as balinhas de leite moça da Kopenhagen. Saudades dos restaurantes da hora do almoço, a quilo. Saudades loucas do suco de fruta de conde das esquinas de suco do Rio de Janeiro, do cuscuz vendido na praia cheio de leite moça, de andar no calçadão de Ipanema com meu pai a passo veloz e depois, de brinde, tomar uma água de coco gelada. Saudades da praça de alimentação dos shoppings de São Paulo, onde se pode comer a preços razoáveis sushi, camarão, baked potato e tudo mais. E saudades de casquinha de siri, para não falar da feijoada completa! Saudades do Sujinho, do Pedaço da Pizza, na rua Augusta, aberto até altas horas da madrugada e saudade da pizza brasileira em geral, que é diferente da italiana, mais substanciosa, principalmente pizza a portuguesa, que não tem aqui, ou com mussarela, alho e óleo… Saudades da Drogaria Onofre da Paulista, que fica aberta 24 horas e que dependendo dos gastos dão de presente cupom de massagens, de maquiagem, etc. sem contar o cafezinho que sempre oferecem aos clientes como cortesia. E do cinema da rua Augusta, o Cinesesc, um dos cinemas mais charmosos de Sampa? Onde se pode bebericar um drinque ou um café enquanto se vê um filme. Faço a maior propaganda dele pelo mundo afora, e se tivesse dinheiro, abriria um cinema assim em Roma. Ai, que saudades que está dando! Brasil me aguarde, que se Deus quiser, ano que vem vou fazer um estrago, como se diz em bom português, na minha estadia vou enfiar o pé na jaca!

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Profile for Comunita Italiana

Revista Comunità Italiana Edição 150  

Edição Completa Número 150 para leitura online. Revista Comunità Italiana, a maior mídia da comunidade ítalo-brasileira.

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