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CULTURA Casa Fiat se renova para grandes eventos do Momento Itália-Brasil

ATUALIDADE Tecnologia italiana será utilizada para monitorar Amazônia

MÚSICA Ivete Sangalo faz parceria com Gigi D’Alessio www.comunitaitaliana.com

Rio de Janeiro, outubro de 2010

Ano XVII – Nº 148

Digital

ISSN 1676-3220

R$ 11,90

Número de domicílios, expectativa de vida, mobilidade urbana, escolaridade e qualidade das construções são alguns quesitos do Censo na busca pela fotografia do povo brasileiro dos últimos 10 anos

Confira as dicas dos atores de Passione para viajar pela Toscana


34 CAPA

Uma nova radiografia do Brasil será publicada a partir de novembro, quando o IBGE anuncia parte dos resultados do primeiro Censo digital realizado no mundo. As pesquisas envolvem de 230 mil recenseadores e deve muito do seu sucesso ao método concebido pelo estatístico italiano Giorgio Mortara, que introduziu cálculos e gráficos na década de 1940

Editorial

Metas e políticas............................................................................06

Cose Nostre

Tim fecha contrato para fornecer 25 mil acessos móveis ao governo do Estado de São Paulo......................................07

Atualidade

Assassinato do prefeito que transformou Pollica-Acciaroli numa das praias mais visitadas da Itália causa comoção e mundo perde um dos maiores defensores do meio-ambiente........................................... 14

Meio Ambiente

Ministro divulga o Brasil além de sol e praia e busca apoio italiano para a candidatura de São Paulo como sede da Expo 2020������������� 18

Tecnologia

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais faz parceria com a Telespazio para combater o desmatamento....................................20

Economia

O CEO da Fiat, Sergio Marchione, vem ao Brasil para receber prêmio e afirma que o seu país tem muito a aprender com os brasileiros........................................26

Mercado

Boom gastronômico faz a UFRJ criar curso e empresários dedicarem canal de TV 24hs exclusivo ao tema...............................32

Roberth Trindade

Claudio Cammarota

Intercâmbio unirá parque italiano ao segundo maior parque urbano do Brasil����������������������������������������� 17

Turismo

30 Moda Alternativa

Jovens estilistas de Roma apresentam em São Paulo uma nova proposta para a altacostura com coleções ousadas

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54 Turismo Alpes italianos

Caminhadas e trilhas por um patrimônio natural da humanidade, a cidade de Madonna di Campiglio reserva um grande espetáculo

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Design Biennale brasiliana

História Museu

Prodotti con minore impatto e socialmente responsabili. La sostenibilità nel design a favore di tutti

A primeira hospedaria de imigrantes no Brasil terá um museu a céu aberto no Rio de Janeiro


FUNDADA EM MARÇO DE 1994 Diretor-Presidente / Editor: Pietro Domenico Petraglia (RJ23820JP) Diretor: Julio Cezar Vanni Publicação Mensal e Produção: Editora Comunità Ltda. Tiragem: 40.000 exemplares Esta edição foi concluída em: 13/10/2010 às 15:30h Distribuição: Brasil e Itália Redação e Administração: Rua Marquês de Caxias, 31, Niterói, Centro, RJ CEP: 24030-050 Tel/Fax: (21) 2722-0181 / (21) 2722-2555 e-mail: redacao@comunitaitaliana.com.br SUBEDItora: Sônia Apolinário jornalismo@comunitaitaliana.com.br Redação: Guilherme Aquino; Nayra Garofle; Sarah Castro; Sílvia Souza; Janaína Cesar; Lisomar Silva REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco Projeto Gráfico e Diagramação: Alberto Carvalho arte@comunitaitaliana.com.br Assistente de arte: Wilson Rodrigues arte2@comunitaitaliana.com.br Capa: PhotosToGo.com Colaboradores: Pietro Polizzo; Venceslao Soligo; Marco Lucchesi; Domenico De Masi; Fernanda Maranesi; Beatriz Rassele; Giordano Iapalucci; Cláudia Monteiro de Castro; Ezio Maranesi; Fabio Porta; Paride Vallarelli; Aline Buaes CorrespondenteS: Guilherme Aquino (Milão); Janaína Cesar (Treviso); Leandro Demori (Roma) Lisomar Silva (Roma); Quintino Di Vona (Salerno) Robson Bertolino (São Paulo) Publicidade: Rio de Janeiro - Tel/Fax: (21) 2722-2555 comercial@comunitaitaliana.com.br RepresentanteS: Minas Gerais - GC Comunicação & Marketing Geraldo Cocolo Jr. Tel: (31) - 3317-7704 / (31) 9978-7636 gcocolo@terra.com.br ComunitàItaliana está aberta às contribuições e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos e estrangeiros. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, sendo assim, não refletem, necessariamente, as opiniões e conceitos da revista.

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Metas e políticas

ma operação gigantesca em busca do fiel retrato do brasileiro. O mais detalhado levantamento demográfico já realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chama atenção não somente pelos números, mas, sobretudo, por ser a primeira pesquisa censo no mundo a inserir todas as ferramentas disponíveis da era digital. Realizado a cada década no país desde 1940, o deste ano, fará uma radiografia de 58 milhões de famílias, 30% a mais do que o anterior. Estima-se que os 230 mil funcionários recrutados para a execução do questionário, que abrange 108 perguntas, percorrerão uma extensão equivalente a 445 voltas ao mundo. Uma tarefa árdua e que requer a máxima atenção, pois a partir do resultado emergirá a planilha de metas e políticas públicas em prol de uma sociedade tão complexa quanto globalizada. Nossa reportagem entrevistou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, e descobriu que em meio à história do censo brasileiro, que iniciou em 1872, um italiano foi o responsável pela implantação do modelo que vigora desde 1940 para os estudos e as avaliações corretas dos resultados. O milanês Giorgio Mortara faleceu em 1967, mas é apontado até hoje como o mais importante estatístico e economista para o recenseamento demográfico no Brasil. “Queríamos contar com ele nos dias de hoje para superarmos desafios complexos”, revela Nunes. Na Itália a expectativa para o censo que será iniciado somente em 2011 é por saber o quanto a crise afetou os bolsos da população e como foi a transformação da società depois do fenômeno da imigração acentuada no país. Nesta edição, depois do sucesso de Marina Silva em sua campanha que atingiu índices jamais alcançados pelos partidos verdes de qualquer país, destacamos matéria sobre Pietro Petraglia um importante acordo para monitorar e ajudar a combater Editor o desmatamento e o uso indevido do solo da Amazônia. Os dados serão controlados na cidade de Matera, na região italiana de Basilicata, a partir do trabalho da Telespazio para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Outro grande passo a favor do meio ambiente foi o reconhecimento dado pela Unesco ao Parque das Dunas, localizado em Natal, como reserva natural da biosfera e que ganhou grande destaque durante o Fórum Terra Futura, realizado em Florença. Como a sustentabilidade faz parte do lazer consciente, Comunità mostra que o ministro Luiz Barreto, foi à Itália, terceiro maior mercado emissor de turistas para o Brasil, para divulgar o turismo rural e fechou inúmeras parcerias que darão grande impulso nesse setor entre os dois países. Leia estas e outras boas reportagens impressas em nossas páginas 100% recicláveis e com utilização de tinta ecológica resultante de matérias primas renováveis que causam menos impacto à natureza. Boa leitura!

La rivista ComunitàItaliana è aperta ai contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori e sprimono, nella massima libertà, personali opinioni che non riflettono necessariamente il pensiero della direzione.

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ComunitàItaliana

editorial

Entretenimento com cultura e informação

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COSE NOSTRE Julio Vanni

Novo ministro

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vice-ministro italiano das Comunicações, Paolo Romani assumirá a pasta do Desenvolvimento Econômico do país. A nomeação de Romano foi exigida pela opinião pública e pelas forças políticas, que criticavam a ausência de um ministro tão importante para a indústria da Itália. O cargo ficou vago por 153 dias - o ministro Claudio Scajola renunciou ao ser envolvido em um escândalo de corrupção. O novo ministro, de 63 anos, iniciou sua carreira como jornalista de televisão, tendo sido enviado especial para a cobertura de conflitos armados e desde 1994 faz parte do partido fundado por Berlusconi. Quando ocupava o cargo de vice-ministro das Comunicações foi acusado de favorecer o império das comunicações de Berlusconi ao adotar um decreto que limitava a publicidade para os canais de televisão a cabo, setor dominado pelo rival comercial do primeiro-ministro, o magnata Rupert Murdoch.

Dilma vence

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eu Dilma na cabeça para os brasileiros que estão na Itália, no primeiro turno das eleições. A candidata petista recebeu 50,46% dos votos, seguida por José Serra, do PSDB, com 28,9% e de Marina Silva, do PV, com 17,8%. Com zonas eleitorais armadas em Roma e Milão, o pleito na Itália teve um total de 5.596 votos válidos. O segundo turno das eleições 2010 será no dia 31 de outubro.

Scanners perdem

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Palermo e Milão. A decisão final será tomada ainda este mês. O presidente da Autoridade da Aviação Civil italiana diz que o tempo do controle de cada passageiro é mais longo do que o controle manual. Além disso, a frequência do “scanner” foi reduzida para não mostrar as partes íntimas, mas é precisamente nestas zonas que se podem esconder armas e explosivos.

epois das questões ligadas à privacidade, os “scanners corporais” revelam-se agora lentos e ineficazes. Na Itália, após seis meses de teste e um gasto de 2 milhões de euros, o governo vai abandoná-los, segundo o jornal Corriere della Sera. O aparelho em teste em Roma já foi desligado e a tendência é que o mesmo ocorra nos aeroportos de Veneza,

Anti-Apple

Itália vai de Virzi

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filme “La prima cosa bella”, dirigido por Paolo Virzi é o candidato da Itália a melhor filme estrangeiro ao Oscar. A Comissão de Seleção instituída pela Associação Nacional da Indústria Cinematográfica, Audiovisuais e Multimídia (ANICA) escolheu esta história de uma família da Toscana ambientada nos anos 70 entre outros dez candidatos. As indicações para os cinco finalistas ao Oscar de melhor filme estrangeiro serão divulgadas em 25 de janeiro. A entrega dos prêmios acontece no dia 27 de fevereiro. ‘Lula, o filho do Brasil” é o representante tupiniquim na premiação.

PhotosToGo.com

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ão importam os tamanhos, cores e materiais, mas sim que sejam usados. Depois das pets, latas de alumínio, papel e outros, a reciclagem chegou aos sutiãs na Itália. Pelo menos é o que pretende uma campanha pioneira de recolhimento de artigos íntimos em uma rede milanesa. Até 30 de novembro, a cada peça entregue na loja, a cliente recebe um bônus de 3 euros para sua nova compra. Os sutiãs recebidos serão usados para a construção de painéis isolantes com fim na diminuição da poluição sonora em diferentes ambientes. È a primeira vez que esses materiais serão usados nesses aparelhos. Bons frutos da ecossustentabilidade.

Rapidinhas ● O cineasta e roteirista italiano Piero Vivarelli, de 83 anos, morreu em Roma devido a problemas cardíacos. Seu filme mais famoso foi “Il Dio Serpente” (1970). ● A Câmara Italiana de Santa Catarina participou da Itajaí Trade Summit com o projeto “Portos: Aspectos de Infraestrutura e Logística: Uma oportunidade para as empresas italianas”. A feira reuniu mais de 8 mil visitantes. ● Roberto Giovannetti, presidente da Primeiro Amor  em Obras Sociais (Pramos), do Rio de Janeiro, foi condecorado com a Medalha de Ouro da Câmara de Comér-

cio e Indústria da Província de Lucca, na Toscana, por seus trabalhos na área social e projetos na educação de crianças carentes e ensino da língua italiana. ● O polvo Paul, famoso durante a Copa do Mundo da África do Sul, recebeu certidão de nascimento em águas italianas. Ele foi pego em 2008 Marina di Campo, na ilha de Elba. ● Comemorando este mês seus 57 anos de existência, a Petrobras realizou na manhã de um culto ecumênico para seus funcionários no edifício-sede da empresa, no Rio.

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comissão de fiscalização na TV e na mídia Osservatorio Antiplagio enviou carta à ministra do Turismo da Itália, Michela Vittoria Brambilla, na qual denunciou que um aplicativo para iPhone, iPod e iPad da Apple, intitulado ‘’What Country’’, para viajar no conforto da poltrona, identifica a Itália com a pizza e a máfia. Segundo o documento, na apresentação, cada país é identificado com fotos e situações características. A Espanha é representada pelo povo acolhedor e pela paella; a França pelas praças românticas e pelo vinho; a Suíça pelos bancos e o chocolate; os Estados Unidos pelo sonho americano e pelo hambúrguer; enquanto a Itália é descrita como pizza, máfia e lambreta. “Trata-se de uma representação ofensiva e inaceitável da Itália, que é o farol no mundo pela história, cultura e estilo”, disse Brambilla.

TIM

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TIM fechou um contrato com o governo do Estado de São Paulo para oferecer mais de 25 mil acessos móveis destinados à administração pública direta e indireta. Segundo a empresa, é o maior contrato do mercado de telefonia móvel no país em 2010, no valor aproximado de R$ 36 milhões.

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opinião frases “Ma vogliamo buttare un’occasione di attrarre investimenti perché quattro comitati protestano per il blocco del traffico all’Eur sette giorni ad agosto?”, Gianni Alemanno, sindaco di Roma parlando della possibilità di ospitare il Grande Premio di Formula 1, a difesa di un circuito urbano e ponendo il veto all’autodromo di Vallelunga

“As pessoas falam demais. Disseram que eu estava na Itália e eu nem sabia!”,

“Sono qui per darvi un forte incoraggiamento a non aver paura di testimoniare con chiarezza i valori umani e cristiani, così profondamente radicati nella fede e nella storia di questo territorio e della sua popolazione”,

Débora Lyra, miss Brasil, depois de assumir namoro com o jogador do Milan Alexandre Pato

Papa Benedetto XVI, in un appello affinché le persone non cedano alla violenza, durante una visita a Palermo, in Sicilia, dov’è nato il più famoso dei sistemi mafiosi, Cosa Nostra “Nas cenas envolvendo pizza, por exemplo, quando eu terminava de filmar precisava comer o pedaço inteiro. Depois que deixamos Roma eu estava quase cinco quilos mais gorda.”, Julia Roberts, atriz, sobre sua entrega à personagem de Comer, rezar, amar

enquete 10 milhões de italianas já sofreram abusos no trabalho. Você já passou por isso? Sim – 55,6% Não – 44,4%

Veneza, Bari, L’Aquila, Matera e Siena se candidatam a capital cultural da Europa em 2019. Qual vencerá? Veneza - 36,4%

Bari - 9,1%

Siena - 27,3%

L’Aquila - 9,1%

Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 24 a 28 de setembro.

cartas

“G

Não – 60% Sim – 40%

Matera - 18,2%

Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 21 a 24 de setembro.

Cientistas italianos dizem que em 2050 será possível viver até os 150 anos. Você acredita?

Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 28 de setembro a 5 de outubro.

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ostei de ler, na edição passada, a matéria sobre a seleção brasileira de vôlei masculina. É incrível a força desse esporte no país, apesar de todas as atenções dadas ao futebol, que aliás, não ganha nada há tempos. Bernardinho explicou bem porque o vôlei é vitorioso: os jogadores trabalham sério”.

uito interessante a matéria sobre a usina de biodiesel em Porto Real, no Rio de Janeiro. Confesso que não sabia que era possível transformar pinhão em combustível. Essa riqueza natural é o grande trunfo do Brasil. Tomara que o país tenha tecnologia o suficiente para aproveitar da melhor maneira possível tanta riqueza”.

Carla Madeira Cello – Recife, PE – por e-mail

Oscar Lamego – Friburgo, RJ - por e-mail

Errata: Ao contrário do que foi publicado na matéria “Maré Alta” (edição 147), a Rodriquez-Cantieri Navalli não está produzindo uma nova barca para a travessia RioNiterói, mas trabalha em um projeto que participará de licitação a ser promovida pelo governo do Estado do Rio de Janeiro. Na mesma matéria, o técnico Giovanni Cavallo representa a Marine System, que pertence ao grupo.

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serviço agenda

Comércio O Sistema de Câmaras Italiano organiza uma missão comercial de caráter multissetorial para São Paulo por ocasião da XII Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial e

Sustentabilidade (FIMAI). A iniciativa é parte do projeto América Latina  – criado pela Empresa Especial da Câmara de Comércio de Florença (Promofirenze), Unioncamere da Toscana e Unioncamere Emilia Romagna, juntamente com a Interamerican Investment Corporation (IIC - Grupo BID) – e que visa o desenvolvimento de relações industriais e comerciais no campo das energias renováveis, de biomassa, tratamento de água e resíduos. O programa da missão inclui, além de encontros com empresas brasileiras e a participação no evento nos dias 8 e 9 de novembro. Mais informações: (+39 055 2671 633) ou e-mail para francesco.pannocchia@ promofirenze.com. Fotografia Composta por 33 imagens, com tiragens limitadas, a exposição

do fotógrafo Orlando Azevedo, traz as marinhas que há anos são produzidas por ele. Denominada Arqueologia da Morte, a mostra, em cartaz em Curitiba, exibe animais mortos e objetos em deterioração, “recolhidos como náufragos da existência”, como define o próprio autor. Nela, o artista reconstitui o que foi a vida e o que foi desejo. Trata-se de um olhar sobre a morte, como

Orlando Azevedo

Pintura A Sociedade Cultural Ítalo-Brasileira Amici d’ Italia de São José do Rio Preto divulga suas atividades culturais para outubro e novembro. Dia 29 de outubro, às 19h30, o professor Salvatore D’Onofrio apresenta conferência Um professor riopretense nascido na Itália. No campo da pintura, Maria Hortência Costa assina a exposição Viagens através das cores em cartaz durante todo novembro. A Sociedade fica na Rua Pernambuco, Número 3130, Bairro Redentora. Contato (17) 3233-0330 e secretaria@amiciditalia.com.br.

na estante

a grande viagem da passagem e da vida, na qual a fotografia, em um resgate da memória, promove a ressurreição da extinção. No Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes – 999). Até 21 de novembro. Moda Atenção fashionistas! As datas da 18ª edição do Fashion Rio e da 30º edição do SPFW para lançamento das coleções Inverno 2011 já estão definidas. O Calendário Oficial da Moda Brasileira tem início com o Fashion Rio, que será realizado entre os dias 11 e 15 de janeiro, nos armazéns do Pier Mauá. O Rioà-Porter, salão de negócios de moda e design oficial do evento, começa em 12 de janeiro e terá três dias de duração. Em São Paulo, de 28 de janeiro a 2 de fevereiro, no Pavilhão da Bienal do Parque do Ibirapuera, será realizado o SPFW.

click do leitor

Arquivo pessoal

Comprometida. Depois de atrair mais de 8 milhões de pessoas com seu Comer, Rezar, Amar, Elizabeth Gilbert dá continuidade ao livro - que já virou filme. Durante quase um ano, ela estudou a instituição do casamento para contar sua nova história, que se inicia 18 meses depois do fim do primeiro livro. Agora, ela e o brasileiro Felipe vêem-se obrigados a encarar o matrimônio por conta de problemas com a imigração. Com humor, inteligência e algumas viagens, o livro se transforma em uma celebração do amor apesar das suas complexidades. Objetiva, 240 páginas, 33,90 reais.

“N

Queimar a Casa: Origens de um Diretor Quase meio século após fundar o Odin Teatret, Eugenio Barba faz aqui uma análise de sua vida de criador experimental, em obra de grande importância histórica. A obra faz fronteira entre um tratado de natureza técnica e um romance autobiográfico: da morte do pai ao ingresso na escola militar, da chegada à Suécia, de carona, à experiência de marinheiro, da infância em Gallipoli ao encontro com Grotowski, partindo de uma intrigante recordação de infância - um espetáculo que termina em chamas. Perspectiva, 304 páginas, 65 reais.

os casamos em junho e nossa lua de mel foi percorrer a Itália de norte a sul. Era o nosso sonho! A viagem foi maravilhosa. O país é apaixonante, difícil eleger uma cidade preferida. Todas deixaram um gostinho de quero mais, principalmente a paradisíaca ilha de Capri. Com certeza, vamos voltar”. Julia Linhares Rio de Janeiro - RJ Mande sua foto comentada para esta coluna pelo e-mail: redacao@comunitaitaliana.com.br

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Opinione Fabio Porta fabioporta@fabioporta.com

Europa unita: 60 anni ma non li dimostra La lezione che arriva al mondo da sessanta anni di storia pacifica e unitaria europea

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e c’è una cosa della quale noi italiani dovremmo andare forse più orgogliosi è la partecipazione attiva e fin dal primo momento al processo di unificazione politica dell’Europa. Il 2011 sarà un anno di grandi celebrazioni, per noi italiani. Celebreremo innanzitutto i 150 anni di unità del nostro Paese e, qui in Brasile, dedicheremo alla presenza italiana un intero anno di iniziative ed eventi culturali. Pochi sanno però che nel 2011 ricorderemo anche i sessanta anni degli albori dell’unione europea: nel 1951 infatti nasceva la Comunità Europea del Carbone e dell’Acciaio (CECA). L’idea era stata del Ministro francese Robert Schumann, che con un famoso discorso pronunciato un anno prima aveva proposto la costituzione di un’alta autorità per il controllo degli enormi giacimenti minerari di una regione dell’Europa centrale, la Ruhr. Era la prima volta che nel continente, segnato meno di dieci anni prima da una guerra tragica e distruttiva, si concretizzava un sogno che fino ad allora era stato appannaggio di pochi convinti idealisti. I sei Paesi che aderirono alla CECA furono Italia, Francia, Germania, Belgio, Paesi Bassi e Lussemburgo. Dopo pochi anni, nel 1957, l’accordo tra questi Paesi si estendeva agli altri settori produttivi e commerciali e nasceva la CEE, la Comunità Economica Europea. Il cammino per l’integrazione economica avrebbe poi spianato la strada ad una più difficile ma conseguente integrazione politi-

ca e sociale. Due importantissimi eventi storici avrebbero segnato negli anni seguenti la storia del continente europeo, spianando la strada alla nascita dell’attuale

“Spero che il nuovo governo brasiliano saprà porre il tema dell’integrazione continentale e del rapporto con l’Europa al centro della propria azione”

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Unione dei 21 Stati membri: la fine delle dittature in Spagna e Portogallo nella metà degli anni ‘70 e la caduta del Muro di Berlino alla fine degli anni ‘80. A cavallo tra queste due grandi fatti si erano svolte le prime storiche elezioni del Parlamento Europeo, nel 1979, vero simbolo della nuova istituzione. Nel 1993 sono già quindici i Paesi che firmano il famoso “Trattato di Maastricht” che sanciva la facoltà per la nuova Europa di deliberare non più soltanto in materia economica ma anche in politica estera e negli affari interni dei singoli Paesi. Sono le premesse per l’arrivo di un’altra piccola rivoluzione per la storia dell’Europa: la nascita della moneta unica, l’Euro. Siamo nel 1999 e per la prima volta ci sentivamo tutti dav-

vero europei. Ricordo un viaggio pochi anni prima con un amico brasiliano: andammo in macchina in Austria, Germania, Danimarca, Belgio e Francia. Ogni Paese una moneta, credo che perdemmo più soldi nel cambio delle varie valute che in benzina… Oggi, nonostante siamo consapevoli – soprattutto in Italia – di alcuni errori compiuti nell’introdurre in maniera affrettata e non graduale la moneta unica, possiamo affermare, alla luce della recente crisi finanziaria internazionale, che senza l’introduzione dell’Euro l’Italia starebbe forse navigando nel mezzo del Mediterraneo tra la Grecia e l’Africa, colpita da una crisi economica che non ci ha affondato soprattutto grazie all’ancora europea. L’Europa è così oggi l’unico vero contraltare all’unilateralismo americano fondato sul dollaro e al neoimperialismo economico cinese al quale con sempre maggiore fatica proviamo a ribellarci. Il mondo multilaterale che vorrei, e del quale i Paesi emergenti come il Brasile saranno tra i protagonisti principali, deve vedere l’Europa come soggetto protagonista in ragione della sua storia unitaria, ma anche delle sue molteplici e ricche relazioni internazionali, prima tra tutte quella con l’America Latina. Il continente sudamericano può e deve ispirarsi a quanto di positivo è stato prodotto dall’integrazione europea di questi ultimi sessanta anni e spero che il nuovo governo brasiliano saprà porre il tema dell’integrazione continentale e del rapporto con l’Europa al centro della propria azione.


Opinione Ezio Maranesi eziomaranesi@terra.com.br

Il cane di Vasco Rossi Evadere le imposte è legittima difesa?

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asco Rossi è un cantante pop di successo. A Sanremo urlò “Voglio una vita spericolata ... la voglio piena di guai.” Ne ebbe parecchi: droga, carcere e altro. Aveva talento e fece quattrini. Come tutti, rivoluzionari a 20 anni e conformisti a 50, Vasco si quietò e divenne oculato nell’amministrare i suoi beni e i suoi guai. Il fisco lo accusa di aver intestato ad una società di comodo la sua barca per non pagare le imposte. Alla stessa società, diciamo Rossi srl, ha apportato anche il cane, per evitare guai il giorno in cui il suo fedele amico, frustrato e umiliato avendo per padrone una persona giuridica, mordesse qualche malcapitato. Al quale non farebbe molta differenza l’essere morso dal cane di Vasco o dal cane della Rossi srl. Quanto alla barca, Vasco si intenderà col fisco. Non è certo l’unico a non voler pagare le tasse. Vi sono migliaia di storie illustri. Valentino Rossi volò con la sua Yamaha, cosí come Capirossi e

Biaggi. Il fisco li raggiunse. A Tomba, esimio sciatore, lo slalom non riuscí. Cipollini e Bettini corsero a perdifiato ma non abbastanza. Fisichella accelerò ma il fisco è stato più veloce. Maradona non pagò le tasse e lotta con un debito di 35 milioni. La “mano di Dio” fregò gli inglesi ma qui fallí. Il fisco è riuscito a strappargli un orecchino prezioso, ma il debito rimane e il prode Armando non può tornare a Napoli dove l’adorano. Nel 1982 Sofia Loren atterra a Roma e la portano in carcere. Ci starà un mese. Poi sistema i suoi conti col fisco e va ad abitare in Svizzera. Fulgido esempio di amor di patria. Tutti applaudirono il grande Pavarotti. Tutti meno il ministro delle finanze, svegliato al “Nessun dorma” dal travolgente finale “... vincerò”. Questa battaglia Pavarotti la perse. Nel mondo dell’alta finanze l’ultimo caso riguarda gli eredi dell’avv. Agnelli che concordano con il fisco il pagamento di 100 milioni di euro. La lista è lunga: si stima che l’eco-

nomia sommersa valga 20% del PIL e che siano evase imposte per 120 miliardi. Un dato pittoresco: nei porti italiani attraccano 120.000 barche di oltre 10 metri. La loro manutenzione costa 50.000 euro. Solo 110.000 persone in Italia dichiarano un reddito superiore a 200.000 euro. Non è un miracolo: le barche appartengono a società di comodo, spesso offshore. Grazie al Montecarlogate abbiamo imparato molto sui paradisi fiscali

“Surfate sul web e vedete come sia facile e economico costituire una società offshore, affidarle i beni e goderne i benefici senza pagare le tasse”

e sulle società offshore. Surfate sul web e vedete come sia facile e economico costituire una società offshore, affidarle i beni e goderne i benefici senza pagare le tasse. La storia è nota: un appartamento a Montecarlo di proprietà di AN, il partito di Fini, è stato svenduto a prezzo di banana marcia a una società offshore, che l’ha ceduto ad un’altra, in un giochino di scatole cinesi, che l’ha affittato (sorpresa!), al cognato di Fini. La sede della società è l’isola di Saint Lucia, un paradiso fiscale che non ha accordi con l’Italia, quindi non riusciremo mai a sapere chi è il proprietario della società, cioè dell’appartamento. “Sia bandito chi pensa male”, come disse il re Edoardo III allacciando la giarrettiera dell’amante. Il Liber Statutorum Vitellianae, codice penale vigente a Viadana nel ‘300, sanciva che ai falsari fosse mozzata la mano destra. Il grande evasore è un falsario. Buon per lui che i tempi sono cambiati altrimenti l’Italia sarebbe un paese di monchi. Nessuno biasima l’evasore. Se poi si chiama Rossi o Maradona ha tutta la nostra ammirata benevolenza. Evadere le tasse non fa notizia. L’evasione affibbiata a Vasco Rossi ha avuto pochi commenti. In questo nostro strano mondo, in cui anche i cani hanno un cane, ha fatto notizia il triste destino del suo cane che, senza un padrone che lo accarezzi, deve guaire sotto il tavolo di una srl.


notizie Modernizzare per un miglior servizio

Energia Solare

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L’

impresa MPX, del gruppo EBX dell’imprenditore Eike Batista, comincia a costruire la prima centrale ad energia solare in Brasile. Sarà fabbricata nel comune di Tauá, nel Ceará. La MPX è autorizzata dalla Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a mettere in atto un progetto di generazione di energia solare di 50MW, che saranno collegati al sistema elettrico nazionale. La prima fase della centrale dovrebbe costare sui 12 milioni di reais. Saranno 4,4 mila pannelli solari per produrre 1MW, energia sufficiente per rifornire 850 domicili. Si prevede che la centrale entri in funzione entro la fine di quest’anno.

l Consolato d’Italia a Rio de Janeiro festeggia una nuova fase nei miglioramenti che sta mettendo a punto per il servizio erogato ai cittadini italiani e brasiliani. Il Consolato riceve una media di 2mila persone al mese in cerca di servizi che vanno dalle richieste di visto e legalizzazioni a quelle di cittadinanza e passaporto, ma ora ha dato il via alle prenotazioni elettroniche che permettono a chi fa la richiesta di scegliere giorno e orario per andare al Consolato. Secondo l’amministratore di sistemi del Consolato, Marco Forgiarini, grazie ad un applicativo gestito dal sistema a Roma si può razionalizzare l’erogazione ed evitare che le persone vadano senza motivo al Consolato. Dopo aver attivato la prenotazione per visti e servizi notarili, il programma dovrebbe offrire, entro la fine di ottobre, anche la prenotazione per richieste di passaporti. — Lavoriamo con 14 impiegati e riceviamo circa 500 persone alla settimana. Prima le persone venivano e entravano in una coda senza essere sicuri di essere ricevuti. Inoltre ci sono casi in cui chi fa la richiesta non porta tutti i documenti, quindi dovevano ritornare – spiega. Ora grazie ad una registrazione nel sito www.consriodejaneiro.esteri.it (bisogna cliccare sul link prenota appuntamento) si potranno avere tutte le informazioni legate a ciò che interessa all’utente. Secondo Forgiarini il nuovo sistema è democratico e applica una modernizzazione adeguata alla circoscrizione, che aumenta di 3 mila cittadini all’anno. Patronati e Comites stanno aiutando la popolazione di anziani ad usare gli strumenti. Oltre a Rio, i Consolati di São Paulo e Curitiba usano altri applicativi del beneficio.

ella sua prima operazione il Fundo Soberano do Brasil (FSB) sarà usato nella fase di capitalizzazione del Banco do Brasil. Saranno stanziati 1,7 miliardi di reais per comprare 62,5 milioni di azioni dell’impresa statale nella prima offerta in preparazione. Il volume rappresenta il 22% sul totale che la banca metterà sul mercato. L’obiettivo dell’operazione è di incamerare 8 miliardi di reais, che saranno usati per rafforzare l’area di credito e fare nuovi acquisti. Il Fundo è una specie di cassaforte affinché il governo possa mettere da parte eventuali introiti fiscali eccedenti.

Show

Autobus

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l 22 ottobre due grandi cantanti italiani che risvegliano passioni in Brasile da molti anni saliranno sul palco dello HSBC Brasil, a São Paulo: Amedeo Minghi e Paolo. I due sono interpreti di qualche canzone della colonna sonora della telenovela Passione: “La vita mia” e “Malafemmena”. Qualche canzone di Minghi, che è un cantautore, è già stata interpretata da Andrea Bocelli, Anna Oxa e Gianni Morandi ed ha un rapporto molto stretto con il Brasile, dov’è diventato famoso grazie alla canzone “Cantare è d’Amore”, tema della telenovela Anjo Mau (1997), della Rede Globo. Invece Paolo, figlio di una brasiliana, oltre ad essere cantautore è maestro. Ha inciso versioni in italiano di canzoni brasiliane come “Se eu não te amasse tanto assim” (Se non ti amassi cosí tanto), di Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle e “Sozinho” (Da solo), di Peninha. Il suo album più recente, “Amore Perfetto”, presenta la canzone “Malafemmena” (Antonio de Curtis, in arte Totò), registrata con la sua voce per la colonna sonora della telenovela Passione. La canzone è il tema del protagonista Totò, interpretato da Tony Ramos.

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Sovrano

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na task force che riunisce governo e imprese pubbliche e private si sta muovendo affinché gli autobus della Regione Metropolitana di Rio siano totalmente convertiti al gas naturale compresso(CNG) entro l’inizio delle Olimpiadi del 2016. La progettazione è a carico della CEG, compagnia distributrice di gas. Prevede il rifornimento di 80 garage di autobus a Rio, Duque de Caxias e Nova Iguaçu per poter erogare il gas a circa 12mila veicoli. Secondo studi della CEG se gli autobus vanno con il 70% di CNG e il 30% di diesel, l’emissione di CO² sarà ridotta di circa 170mila tonnellate annue. Per trasformare il progetto in realtà saranno necessari investimenti di 100 milioni di reais. Ci si aspetta che nel 2012 i veicoli con il 90% di CNG saranno già in fase di test sulle strade.

Consumo verde

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l Brasile è arrivato al secondo posto nel ranking del consumo verde reso noto dalla National Geographic Society. Al primo posto c’è l’India. La lista è stata fatta a partire da interviste fatte con 17mila persone in 17 paesi, che ha preso in considerazione le abitudini di consumo e lo stile di vita delle persone in rapporto alle aggressioni ambientali. Statunitensi e canadesi sono arrivati all’ultimo posto del ranking. Rispecchiando una tendenza generale, il miglior risultato brasiliano è legato all’abitazione. Secondo il sondaggio i brasiliani usano poco i condizionatori d’aria e il riscaldamento. Invece per ciò che riguarda l’alimentazione il risultato del Brasile non è stato migliore dovuto al grande consumo di carne (la mangiano il 60% dei brasiliani).


política

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arecia um discurso de fim de mandato – ou de início de outro – aquele inteiramente lido por Silvio Berlusconi no dia 29 de setembro deste ano na Câmara de Deputados em Roma. Nele, frases e mais frases montavam o quadro de um país otimista, fora da crise que se abateu pela Europa e em constante aperfeiçoamento social. O que começou com tom sereno logo foi transfigurado pelas vaias da oposição, que se misturavam aos aplausos dos políticos governistas. “Berlusconi está descolado da realidade”, disse mais tarde a deputada Rosi Bindi (PD). A presença do premier na Câmara tinha uma razão fundamental: buscar apoio de um número alto de deputados. O objetivo: continuar a governar. O resultado foi falsamente favorável à Berlusconi: apesar da maioria obtida na votação, no bojo de votos estavam os deputados do grupo de Gianfranco Fini, inimigo íntimo do premier e que pode tirar o time de campo a qualquer momento. A queda do governo, com a dissidência dos ‘finianos’, é cada vez mais provável. Os inimigos estão ansiosos por isso. Muitos perdem a linha. Anda na presença de Berlusconi – que permeneceu na Câmara após discursar –, o deputado Antonio di Pietro (Italia dei Valori) que chamou Il Cavaliere de “estuprador da democracia”. A frase, dita de modo inflamado e quase catártico, provocou uma debandada de deputados do PDL da sala. Os próximos passos são tão incertos e inflamados quanto à política italiana dos últimos tempos. Mesmo entre a maioria, no entanto, há consenso de que será difícil que o governo siga firme e forte até o fim do mandato. Espera-se por antecipação das eleições, que deveriam ocorrer somente daqui há três anos. O maior aliado de Silvio Berlusconi na atualidade, o senador Umberto Bossi (Lega Nord), de-

prévias para escolher seu candidato, apagar a briga interna de egos e buscar apoio de outros partidos de centro, centro-esquerda e esquerda. O capítulo dos próximos dias devem ser mesmo o que trará a reorganização das forças políticas e dos próprios partidos. Gianfranco Fini pode fundar, oficialmente, o seu. Até agora o presidente da Câmara é líder de um grupo dentro do PDL chamado “Futuro e Liberdade”. O próprio PDL, um ano e meio após sua fundação oficial, pode mudar de nome, mesmo que a hipótese seja remota.

Guerra sem fim Berlusconi discursa na Câmara, inflama ainda mais os ânimos políticos e joga uma cortina de fumaça sobre o futuro de seu governo. A primavera pode trazer eleições

Leandro Demori Especial de Roma

clarou ao jornal La Padania que a maioria governista na Câmara é “estreita” e que vê com melhores olhos as eleições do que um governo claudicante. Caso seja a via escolhida, as eleições italianas, contudo, não devem acontecer antes da primavera. Historicamente, nunca

se votou no outono/inverno na Itália, período que traz ventos de final de ano e festas cristãs como o Natal e a Befana. Além disso, hoje, nenhum partido se arriscaria às urnas. O PDL foi rachado após a ruptura de Berlusconi e Fini, e o PD, maior partido da oposição, precisaria fazer

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O discurso O que se viu na Câmara dos Deputados foi um Silvio Berlusconi quase ecumênico, aberto à Igreja ao fazer concessões em relação a pesquisas com células-tronco e morte assistida, por exemplo. Depois, falou sobre federalismo fiscal para agradar a Lega Nord. E ventilou nas entrelinhas a refundação do PDL. A ideia do premier, discute-se nos bastidores, é congregar os centristas desgarrados da UDC, os Finianos indecisos e os grupos independentes de um Partido Democratico rachado. Para o senador �Niccolò Ghedini (PDL), que acumula a função de advogado de Berlusconi, foi um “discurso de alto nível”. Líderes da oposição, no entanto, foram unânimes em dizer que a leitura feita pelo premier mais parecia uma obra de ficção. “Não existe mais governo”, sentenciou Pierluigi Bersani, secretário do PD. “Vamos às urnas”. Para Nicchi Vendola (PD), governador da Puglia e um dos nomes fortes para concorrer contra uma possível candidatura de Berlusconi, o premier se distancia cada vez mais dos problemas da Itália. “É um Berlusconi em fuga, exorcista. O que conta a Berlusconi é sobreviver dia após dia. Pela primeira vez, ele tem medo de perder”, disse.

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atualidade

Lições de pescador

Assassinato de prefeito ambientalista reacende luta contra máfia no Sul da Itália

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Aline Buaes

Especial para Comunità

m “prefeito-pescador”, ambientalista militante, que amava sua terra natal e que em 15 anos de administração colocou sua cidade no mapa das praias mais limpas da Itália. Não bastasse isso, construiu um novo porto turístico que se tornou um dos mais movimentados do país durante o verão e instituiu uma prefeitura com índices impressionantes de tratamento de água, esgoto e coleta seletiva de lixo. Somente isso já seria louvável, não fosse sua cidade localizada na região da Campânia, onde o mundialmente famoso problema do lixo - que possui raízes profundas em meios às organizações mafiosas - atinge a maior parte das prefeituras. Personagem célebre em diversos meios internacionais, das organizações ambientalistas aos militantes políticos, este corajoso prefeito italiano foi longe demais na sua defesa do meio-ambiente e da legalidade. Ele pagou com a vida o preço de proteger a

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sua terra, que dizia ser a “principal riqueza do seu povo”, das garras dos criminosos locais. O assassinato de Angelo Vassallo, 57 anos, prefeito de Pollica-Acciaroli, cidade com cerca de três mil habitantes no litoral sul de Salerno, ocorrido no último dia 6 de setembro, foi considerado, desde o início, como um crime encomendado. Sua morte reacendeu na Itália as discussões contra as ações impunes da máfia napolitana. Milhares de pessoas compareceram ao seu funeral, provenientes de todo o país, entre autoridades políticas, líderes ambientalistas, militantes de partidos de esquerda e moradores da região, que espalharam pela cidade cartazes com os dizeres “Ciao Angelo, eroe del Cilento”, em referência ao Parque Nacional do Cilento, declarado Patrimônio

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da Humanidade pela Unesco, no qual está inserido o território da cidade e no qual Vassallo também exercia funções administrativas. No dia seguinte ao crime, o escritor Roberto Saviano escreveu: “As balas que atingem o peito, uma emboscada que parece também uma mensagem. É assim que os mafiosos matam; foi assim que morreu Angelo Vassallo”. Autor do

best-seller Gomorra (2006), livroreportagem sobre os clãs mafiosos de Nápoles, ele quis enfatizar que o prefeito, como muitos outros líderes locais assassinados pela máfia italiana ao longo dos anos 80 e 90, lutava a todo custo contra o “avanço do cimento às custas de uma beleza magnífica”. Morto com nove tiros à queima roupa quando chegava em casa em um domingo à noite, Vassallo era conhecido pela sua luta pela legalidade. Ele não temia afastar pessoalmente os traficantes de drogas do porto e batalhou pelo controle das licitações para a construção do novo porto, a fim de evitar irregularidades. Por essas e outras atitudes, os investigadores desde o início qualificaram o crime como de “raiz político-mafiosa” e passaram o caso para a Procuradoria Nacional Antimáfia. Praia limpa A praia de areia fina e branca de Acciaroli, com suas flores de lírios marinhos nos meses de julho e agosto, atraem as atenções dos turistas, que multiplicam a população local durante o verão. Suas águas cristalinas dividem a atenção com as praias rochosas de Pioppi, outra fração do município de Pollica, que inclui também os borgos medievais de Celso, Galdo e Cannicchio. Desde 1987, essa cidade encravada entre o mar e as montanhas, é premiada pelas principais classificações de balneabilidade europeias e italianas, como a Bandeira Azul, da Federação Interna-


cional para Educação Ambiental (FEE), e a Guida Blu, da organização ambientalista italiana Legambiente, que em 2010 elegeu a cidade de Vassallo como a praia mais limpa da Itália. Os prêmios foram conquistados não apenas pela grande beleza natural das praias e dos vilarejos, imersos no verde do Parque do Cilento, mas, principalmente, pela qualidade dos serviços públicos oferecidos, como coleta seletiva do lixo, tratamento de água e esgoto, acessibilidade para deficientes físicos, além das iniciativas de educação ambiental e promoção cultural. — Com a paciência e a calma de um pescador, Vassallo levou a sua Pollica a escalar as nossas classificações até conquistar o primeiro lugar alguns meses atrás — observou o vice-presidente da Legambiente, Sebastiano Venneri, ao destacar também a construção do novo porto turístico, uma obra, que na sua opinião, que em qualquer outro lugar da Itália, teria “representado cimentificação”, mas que, em Pollica, se traduziu em uma “pequena maravilha que em nada atrapalhou a atmosfera do local”. Filosofia slow Entre as muitas iniciativas de Vassallo, destaca-se a inclusão da cidade no movimento internacional Cidade Slow, projeto da organização Slow Food que reúne administrações municipais e regionais do mundo inteiro determinadas a melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes, atra-

Acima, Porto de Acciaroli. Vassalo conseguiu com que a sua cidade fosse eleita a praia mais limpa da Itália

vés da preservação do seu patrimônio gastronômico. Ele era militante ativo do movimento, eleito recentemente vice-presidente internacional da rede de prefeituras e esteve até mesmo na China para promover essa filosofia. Em Pollica, cidade berço da dieta mediterrânea, instituiu a promoção de produtos agrícolas e pesqueiros locais, como as anchovas marinadas e de “menaica”, o queijo “cacioricotta” de cabra cilentana e os figos bran-

cos do Cilento, inseridos no projeto internacional “Arca do Gosto” da Slow Food, que identifica e divulga produtos gastronômicos especiais ameaçados de extinção, mas que ainda possuem potencial produtivo e comercial. O engajamento de Vassallo “era um posicionamento importante, uma escolha consciente de uma via alternativa ao excesso de construções e à especulação imobiliária”, segundo o sociólogo Carlo Petrini, presidente

O mar de Hemingway

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ração mais conhecida do município de Pollica, a praia de Acciaroli, pequena comunidade costeira que se divide entre o turismo e a pesca, teria sido o local onde o célebre escritor Ernest Hemingway se inspirou para a escrever o seu mais famoso romance, O velho e o mar. Reza a lenda que Hemingway teria passado dez dias em Acciaroli durante o verão de 1951, após cancelar um encontro em Nápoles com aristocratas locais. Neste período, teria travado longas conversas com os pescadores, um deles em especial, conhecido como “U’Viecchio”, que seria o verdadeiro personagem narrado por Hemingway na sua obra que lhe valeu um Prêmio Nobel. Certificada por escassas menções de amigos e familiares do escritor, essa estadia, polêmica e discutida, jamais saiu do imaginário popular local, que até hoje chama a praia principal de “Mar de Hemingway” e que foi o tema da última das iniciativas ousadas do “prefeito-pescador”, assassinado alguns dias antes de um grande evento que pretendia justamente celebrar, pela primeira vez na história, essa relação da cidade com o famoso escritor.

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e fundador do movimento Slow Food, que reúne mais de 100 mil associados em todo o mundo. — A sua obra como prefeito foi um exemplo para o Cilento na tutela do território e na valorização da agricultura local — afirmou Petrini em um pronunciamento oficial no dia seguinte ao crime. Vassallo também foi o responsável pela construção do único museu da Itália dedicado à chamada “dieta mediterrânea”, inaugurado em 2004, junto ao Museu do Mar na localidade de Pioppi. Foi justamente nesse pequeno vilarejo de pescadores que morou, durante mais de 30 anos, o fisiologista americano Ancel Keys, primeiro cientista a reconhecer oficialmente, em 1954, a “dieta mediterrânea” como fator determinante na boa saúde dos povos mediterrâneos e na proteção contra doenças cardiovasculares. Keys, que morreu em 2004 aos 101 anos, conduziu importantes estudos durante as três décadas que permaneceu no Cilento, observando aquela população que consumia muita massa, peixes frescos, legumes temperados com azeite de oliva, hortaliças da estação, além de muito queijo, frutas e vinho. Na opinião do prefeito assassinado, a presença de Keys no Cilento foi muito importante para a população local, que aprendeu a valorizar ainda mais suas tradições culinárias, e, por isso, o museu foi intitulado justamente Museu Vivo da Dieta Mediterrânea Ancel Keys. Também está em vias de instituição na cidade um Centro de Estudos sobre os Alimentos e Estilo de Vida Mediterrâneo-Cilentano.

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attualità

Esempio da seguire Una delle più importanti istituzioni filantropiche del mondo, la Fondazione Cariplo completa 18 anni d’attività

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Guilherme Aquino

Correspondente • Milão

a Fondazione Cariplo, una delle più grandi del mondo, la cui sede è a Milano, vive lo splendore della maggiore età. Con i suoi 18 anni, più che fare i conti col passato, la società filantropica guarda al futuro. E’ dal 1991 che, accanto a organizzazioni e cooperative non profit, la Fondazione funziona come una specie di antenna alla ricerca di nuove soluzioni per vecchi o attuali problemi di sfondo sociale. La capacità di occupare uno spazio dove altre istituzioni pubbliche o private non riescono o non vogliono entrare, fa sì che questa fondazione sia una protagonista di primo piano nell’elaborazione di piani per la crescita sostenibile delle comunità urbane. La valorizzazione del capitale umano è uno dei principali strumenti per lo sviluppo. Al contrario di quello che ci si aspetterebbe l’appoggio della Cariplo è rivolto più a progetti individuali che a sostenere finanziariamente le organizzazioni. Nel caso di queste

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ultime la Fondazione Cariplo, più che rifornire il “pesce”, insegna a pescare, che in questo caso significa dare finanziamenti, grazie a progetti realizzabili in grado di offrire autonomia ed efficacia. La dipendenza non fa parte del vocabolario degli amministratori. La neutralità è una forza fondamentale nei rapporti stabiliti con i vari partner e con le reti d’appoggio che si devono muovere in totale sinergia. Così come la fiducia di andare avanti nonostante le avversità. — Viviamo anni di grande turbolenza e incertezza, ma il livello dei finanziamenti è stato mantenuto, sacrificando le riserve per dare stabilità e mantenere l´erogazione dei servizi — afferma il presidente della Fondazione Carialo, Giuseppe Guzzetti. L’istituzione è nata con la Cassa di Risparmio delle Province

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Lombarde, creata nel 1991 come ramo filantropico della banca. Da allora ha appoggiato circa 20 mila progetti ed ha movimentato un totale di 2 miliardi di euro. Dal 2006 la Fondazione sovvenziona una ricerca a favore dello studio in corsi che fanno parte di centri di eccellenza. Dopo quattro anni ed una spesa di 13 milioni di euro la Cariplo diffonde i risultati, che dimostrano il progresso ottenuto nelle indagini per il male di Alzheimer, per quello di Parkinson e i danni provocati dall´esposizione ai raggi ultravioletti. Ambiente, arte e cultura, ricerca scientifica e servizi per il pubblico formano il quadrilatero in cui la Fondazione Cariplo si muove con disinvoltura. La preservazione del territorio e del patrimonio

culturale e artistico, l’incentivo alla produzione e alla divulgazione delle ricerche, e l’appoggio a chi ha bisogno di aiuto compone un mosaico di grande responsabilità sociale. E fra tutti questi elementi è proprio l’ultimo quello che provoca maggiore sensazione, perché si tratta di dare una migliore qualità di vita ai cittadini in difficoltà.

In questo campo la Fondazione Cariplo agisce a 360 gradi. Inserimento sociale, educazione multiculturale, coesione, protezione verso i minori e verso chi soffre limitazioni fisiche e psicologiche, il mercato immobiliare sociale per i senza tetto, tutto ciò si trova nella lista delle competenze degli operatori e amministratori della Cariplo, che conta su 170 collaboratori.   Fra tutti questi progetti il principale e più recente è la creazione dell’Housing Social, cioè l´edilizia non profit in grado di offrire abitazioni dignitose a basso costo, escludendo il guadagno della speculazione immobiliare. L’innovazione di poter ottenere gratuitamente terreni pubblici e di impiantare una amministrazione sociale per l’operazione, ha avuto bisogno della creazione, appunto, di una nuova Fondazione, la Housing Social, che gestisce il Fondo Immobiliario etico Abitare Sociale. Tre zone a Milano e una a Crema serviranno per costruire circa 700 residenze. L’iniziativa prevede inoltre di fare migliorie in quelle già esistenti, come per esempio installare pannelli solari per diminuire i costi dell’energia elettrica. La creazione di isolati affittati a prezzi più bassi di quelli praticati sul mercato “selvaggio” in Lombardia è già una realtà. Naturalmente con i dovuti servizi di infrastruttura, come il trasporto pubblico.


meio ambiente

Lazer sustentável Em Natal, segundo maior parque urbano do Brasil firma parceria com unidades de conservação na Itália

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onhecida como Cidade do Sol por ser o lugar onde o astro rei mais brilha no Brasil – são mais de 300 dias por ano -, Natal, capital do Rio Grande do Norte, tem mais a iluminar para o país que suas dunas e cenários praianos famosos. Que o diga a Itália, que recentemente foi apresentada ao modelo de gestão do Parque das Dunas, uma área florestal com 1.172 hectares no coração da cidade, em que experiência de diálogo entre desenvolvimento socioeconômico e preservação ambiental tem rendido muitos frutos. Segundo maior parque urbano do país (o primeiro é a Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro), o local é um dos poucos abrigos para a vegetação remanescente da Mata Atlântica. Sob administração do governo do estado, o parque concentra atividades de

Silvia Souza integração comunitária e sustentabilidade. Depois de reconhecido pela Unesco como reserva natural da biosfera, ganhou o respeito italiano durante o Fórum Terra Futura, evento sobre sustentabilidade e meio ambiente realizado em Florença. — Foram dias de muito aprendizado. Firmamos, através da ONG Instituto Itália-Brasil, uma parceria de observação de prática de gestão que nos unirá a um parque italiano de ecossistema parecido com o nosso. Será uma espécie de intercambio e temos até o final do ano para estruturar esse planejamento — comenta o administrador da unidade de conservação, Alexandre Gusmão. A convite da ONG Coletivo Quan An, criada pelo italiano Antonino Condorelli, além de participar do seminário, Gusmão fez visitas técnicas e ministrou pa-

lestras para representantes de entidades ligadas ao tema. O Parque das dunas se tornou referência por congregar atividades de lazer, esporte e cultura. A ONG de Condorelli é uma das que atuam no espaço da reserva com trabalhos de educação e consciência cidadã. Lá são realizadas palestras e práticas de coleta seletiva e oficina de arte para crianças – a partir do reaproveitamento de materiais colhidos no próprio lo-

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cal. Além disso, o parque tem um anfiteatro com capacidade para 300 pessoas onde, aos domingos, ocorrem apresentações de música instrumental. — Precisamos formar o preservador e recebemos muitas crianças. Elas mesmas viram patrulheiras do ambiente. E criando um ciclo até podemos fomentar a geração de renda. Por exemplo, temos um trabalho com as latinhas de alumínio. O Brasil recicla 80% das latinhas que produz. Isso significa que existe um campo e seu desenvolvimento não está em atraso — analisa Gusmão. Exemplo semelhante ele observou na Comunidade Montanhesa de Casentino. Na unidade de conservação, os moradores fazem reciclagem de resíduos e através da compostagem em um aterro sanitário obtém o gás usado para aquecerem suas casas em dias de inverno. Já em Stazzema, o administrador se deparou com situação comum às comunidades brasileiras. Sofrendo com constantes deslizamentos de terras e perdas de vida, o município uniu moradores a uma equipe de engenheiros florestais. O objetivo: impedir a ocupação irregular e conter encostas. — Aqui por ser uma área extensa, a preocupação é com as invasões. Por isso, atuamos constantemente com fiscalização e policiamento ambiental — completa. Para todos os gostos Além de integrar ações de preservação ambiental, o Parque das Dunas é uma boa pedida para os potiguares e visitantes que desejam se exercitar ou simplesmente apreciar belas vistas da cidade. Atualmente, cerca de mil pessoas fazem parte do cadastro de caminhantes e usam uma pista de um quilômetro asfaltada que o parque oferece. Práticas de yoga, ginástica e tai chi chuan também podem ser feitas no local gratuitamente e um instrutor de educação física sempre acompanha os grupos. Para os amantes de aventura, a opção é escolher uma das três trilhas que o Parque possui com diferentes características e duração de percurso. Com agendamento prévio é possível contar com um guia para o passeio. E se a intenção é viajar pela história local, um museu dedicado à fauna e à flora da região cumpre bem o programa.

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turismo

Convite Ministro brasileiro do Turismo vai à Itália para lançar programa para receber turistas italianos e fecha acordos em diferentes frentes no setor

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recisamos mostrar aos turistas italianos que o Brasil vai além de sol e praia. Temos uma oferta diversificada de produtos turísticos que atende às demandas mais diferentes”. Foi divulgando essa meta que o ministro brasileiro do Turismo, Luiz Barretto abriu os trabalhos em viagem oficial à Itália. Disposto a “vender” o Brasil aos italianos, dos turistas aos empreendedores, o ministro passou uma semana no país e firmou acordos e parcerias na Toscana, em Roma e Milão. O impulso na “abertura” das fronteiras ocorre em um momento de expectativa de crescimento no

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Silvia Souza setor entre 10% e 12%, na comparação com o ano passado. A estimativa foi anunciada por Barretto em recente reunião do Conselho Nacional de Turismo (CNT). Entre as conquistas alcançadas na Itália, o ministro trouxe na bagagem um pacto para o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo. Em reunião com a ministra italiana do Turismo, Michela Vittoria Brambilla, Barretto anunciou que Itália e Brasil vão definir ações conjuntas de comunicação e repressão a esse tipo de crime, o qual a ministra italiana repudiou: — A exploração sexual não deveria ser chamada de turismo.

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Essa é a viagem da vergonha. Aqui na Itália, uma lei recém aprovada pelo congresso permite que os cidadãos acusados de prática de crimes sexuais no exterior sejam processados. É uma lei de difícil aplicação porque é complexa a apuração de um suposto crime fora da Itália. Mas já é um avanço. No Brasil, além das ações de repressão, a cargo das polícias estaduais e da Polícia Federal, o Ministério do Turismo realiza ações de qualificação com famílias socialmente vulneráveis, por meio do programa Turismo Sustentável e Infância (TSI). — Além da ação policial, é preciso oferecer alternativas de emprego e renda às populações mais pobres — disse o ministro. Passando para um chamariz convidativo aos turistas italianos, a viagem do ministro culminou na inclusão de destinos brasileiros de cunho religiosos na oferta de viagens da Ópera Romana Peregrinações, a agência oficial do Vaticano. Os destinos começarão a ser comercializados este mês e a iniciativa é uma vontade antiga da Santa Sé.

— O Brasil, é um país que oferece oportunidades únicas para se conhecer a experiência humana, a possibilidade de encontrar pessoas de várias raças e culturas — salienta o administrador da agência, padre Caesar Atuire que, em 2009, aproveitou o Congresso da Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV) para iniciar os contatos que possibilitaram a parceria. Aliás, será durante o Congresso da ABAV deste ano que os primeiros roteiros brasileiros deste nicho

Ministra italiana do Turismo, Michela Brambilla diz não à exploração sexual no setor


serão divulgados. O Ministério do Turismo trabalha na elaboração de um catálogo com os pontos de culto que constituirão o mapa do turismo religioso no país. De início, estão previstas viagens para as cidades de São Paulo e Aparecida do Norte, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e cidades históricas de Minas Gerais, Recife e Salvador. Na ocasião, Atuire e sua comitiva deverão ser apresentados a outros grandes destinos de peregrinação brasileiros nas regiões Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste e a destinos de ecoturismo como Foz do Iguaçu, Amazônia e o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. “Vamos aproveitar nossa visita ao Brasil para divulgar o estilo de vida peregrino”, completa o padre. A primeira grande ação de promoção internacional ocorrerá em junho de 2011, na Itália, durante a edição do Josp Fest (o Festival Internacional dos Itinerários do Espírito), evento que começou a ser organizado em 2009. Intercâmbio Além de tratar do combate à exploração de menores, o ministro Luiz Barretto aproveitou à visita a ministra Brambilla para firmar um acordo para que o governo de Milão apóie a candidatura da cidade de São Paulo à sede da Expo 2020. Milão será sede da edição de 2015 da feira mundial. Os governos da cidade e do estado de São Paulo, juntamente com o governo federal, trabalham para consolidar a candidatura paulistana, que será apresentada em 2011. Recebido por representantes de 20 empresas de viagem e turismo na Câmara de Comércio,

Ministro Luiz Barretto cumpriu agenda que incluiu palestra a empresários

Cidades históricas de Minas Gerais, como Ouro Preto (acima), Rio de Janeiro e Salvador, com a igreja do Bonfim, abaixo, estão entre os destinos na oferta da agência vaticana

Indústria, Artesanato e Agricultura de Milão, o ministro Barretto apresentou a nova campanha de promoção turística do país: “O Brasil te chama. Celebre a vida aqui”. A Itália é o terceiro maior mercado emissor de turistas estrangeiros para o Brasil, atrás da Argentina e dos Estados Unidos. Antes do encontro com os empresários, o ministro foi condecorado pelo presidente da entidade, Carlo Sangalli, com a medalha de ouro da Câmara de Comércio. Também na câmara, o ministro brasileiro participou de um encontro promovido pela Rede Itália América Latina (RIAL) para 200 empresários em que ressaltou as boas condições de investimento no Brasil, puxadas por índices macroeconômicos com o crescimento da classe média, a redução da pobreza e o conseqüente aumento do mercado consumidor doméstico. Segundo Barretto, atualmente essa fatia da população representa aumento de 30 milhões de pessoas com acesso ao mercado de consumo. A fim de incrementar segmentos, a agenda do ministro tam-

bém incluiu uma reunião com o presidente da Terra Nostra, Tulio Marcelli. A entidade privada é vinculada à Coldiretti, a confederação italiana dos produtores agrícolas. Criada em 1973, a Terra Nostra regulamenta a atividade agroturística, estabelecendo, entre outros parâmetros, os critérios de certificação. De 30% a 40% da receita dos 3 mil sócios é proveniente do serviço de hospedagem e alimentação oferecido nas fazendas, de acordo com Marcelli. Para pertencer à organização, as propriedades devem manter a atividade rural. A intenção aproximar os empresários e as experiências desenvolvidas na bota do turismo rural brasileiro. Na região da Toscana, acompanhado do presidente do Instituto Brasileiro do Vinho e diretor da União Brasileira de Vitivinicultura, Rinaldo Dal Pizzol, e do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Paulo Solmucci Junior, Barretto visitou o consórcio do vinho nobre, na cidade de Montepulciano. Em parceria com as prefeituras da região, a entidade, criada há

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40 anos, foi responsável pela reestruturação do roteiro de enogastronomia que promove a visitação às vinícolas e a degustação da gastronomia local. — Além do vinho, produto que já estamos divulgando, podemos aplicar esta experiência a outros produtos brasileiros, como o café, a cachaça e o açúcar – acrescentou o ministro. Integrante da comitiva, a secretária municipal de Turismo de Bento Gonçalves, Ivane Fávero, acredita que a visita à Itália abriu uma frente de benchmarking de enoturismo e turismo de bem-estar, além de aproximar os italianos da cultura trazida para o Brasil. — Foi apresentado o vídeo de Bento Gonçalves, em italiano, o qual emocionou os presentes, já que muitos desconheciam nossa ascendência italiana. Também negociamos operadores e descobrimos que algumas empresas já enviavam dois ou três grupos, mas sem uma organização logística e que desconheciam a possibilidade de serem recebidos pelos ‘circolos’ italianos no Brasil.

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tecnologia

Vigia do planeta Telespazio faz parceria com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que permitirá combate a desmatamento e uso indevido do solo em florestas tropicais

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Guilherme Aquino, de Milão, e Silvia Souza

Amazônia vista da Basilicata é um gigantesco tapete com todos os matizes possíveis e imagináveis do verde. Alvo do interesse internacional, a região conhecida como pulmão do planeta, é observada por satélites do mundo todo. A partir de outubro, pelo menos no que diz respeito à parte brasileira, uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Telespazio, permitirá que as imagens

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geradas por aparelhos italianos e monitoradas na região meridional da Itália ajudem no controle do desmatamento e uso do solo da floresta. O acordo prevê o treinamento em processamento digital de imagens de radar, o desenvolvimento e testes de metodologias para mapeamento de uso e cobertura da terra e a realização de trabalhos de campo, entre outras ações voltadas aos estudos, que utilizarão dados do sensor COS-

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MO-SkyMed, fornecidos pela empresa italiana Telespazio. O satélite se une a outros três operados pela também italiana e-Geos e juntos irão vasculhar uma superfície de 1.026.000 quilômetros quadrados. O sistema é conhecido pelo nome de constelação. Os satélites, ao invés de passar sobre uma determinada área de tempos em tempos, podem sobrevoar um mesmo espaço mais vezes e em intervalos menores. Ou seja, praticamente, em tempo real, para as distâncias e eventos naturais ou não, o receptor terrestre vai receber as imagens que, somadas e anexadas umas às outras, irão formar uma espécie de filme. E não existe tempo feio que atrapalhe a coleta de imagens. Não importa se seja dia ou noite. O sistema opera através de radar, ou seja, envia e recebe sinais que são decodificados em fotos, em imagens de alta definição com um metro de tamanho. — É um acordo inédito e que contribuirá com os estudos de biomassa das florestas tropicais. A vantagem desse sistema aponta para uma maior rapidez no gerenciamento dos dados com imagens muito mais nítidas. Só para dar um exemplo, seria possível ter um mapa da Amazônia Legal em 15 dias com resolução de três metros e do Brasil inteiro

Satélite se une a outros três aparelhos italianos que monitoram o planeta. Imagens têm alta resolução e superam a ocorrência de nuvens na Amazônia

com menos de um mês, algo impensado com o monitoramento atual — informa o diretor presidente da Telespazio Brasil, Marzio Laurenti. Todas as informações são enviadas para o centro de controle da e-Geos, localizado em Matera, na região da Basilicata. Criado em 1994, o Centro Espacial de Matera trabalha em colaboração com o governo italiano. São oito antenas e cerca de cem empregados, espiando o mundo, sem perder um detalhe. O brasileiro Inpe monitora a Amazônia com imagens de satélites desde a década de 70. Este trabalho, atualmente, é feito na sede do Instituto em São José dos Campos, interior de São Paulo, mas será transferido para Belém, onde está instalado o Centro Regional da Amazônia (CRA), célula do Instituto. O Centro iniciou suas atividades em janeiro


de 2009. Em julho passado, foi inaugurado o prédio que abrigará o Laboratório para Monitoramento Global das Florestas Tropicais por satélites. O estabelecimento do Instituto na região Norte descentraliza as atividades espaciais no país e, também, fomenta a criação de novas linhas de pesquisas, especialmente em sensoriamento remoto. — O INPE já testa imagens de outros satélites para diversas finalidades, em São José dos Campos, através de pesquisas, projetos, dissertações de mestrado e teses de doutorado. O INPE Amazônia pretende testar para áreas na Amazônia e com foco nos projetos que já são desenvolvidos para o monitoramento da Amazônia Legal. A grande vantagem destes dados é a independência das condições atmosféricas, ou seja, com a penetração do pulso emitido por um sensor de radar, pode-se atravessar as nuvens, que não aparecem nas imagens e permitem maior cobertura. Receberemos as imagens e em contrapartida, a Telespazio terá acesso ao resultado de nossos estudos — diz a pesquisadora do CRA Alessandra Gomes. Diferentes usos Empresa com 80% de participação da Telespazio (Finmeccanica /Thales) e 20% da Agência Espacial Italiana, a e-Geos detém os direitos exclusivos de comercialização das imagens. Este negócio de “vender” a Terra vista lá do alto está ganhando um grande mercado em todo o mundo. O Japão é o principal comprador deste novo tipo de comércio que beira a ficção-científica. Porém, mesmo com as antenas e as câmeras no espaço sideral, o negócio possui os pés bem plantados na terra. Os objetivos são tão variados quanto as necessidades dos clientes. Eles podem ser institucionais, privados, pessoas físicas ou jurídicas, não importa. A previsão do tempo, talvez, seja a missão mais elementar, mas não menos importante, a ser cumprida com este sistema de constelação de satélites artificiais. A observação terrestre também serve, por exemplo, para monitorar os navios que lavam as cisternas cheias de petróleo em mar aberto; detectar fenômenos como o “nascimento” de um iceberg gi-

Marzio Laurenti é o diretor presidente da Telespazio Brasil

gantesco com o destaque da placa de gelo do continente antártico; detectar queimadas (caso brasileiro), inundações e até terremotos. Isso pensando em meio ambiente. No campo da segurança nacional ou no econômico, o monitoramento por satélite ajuda na busca por riquezas minerais no subsolo, ainda que este caso específico não esteja na “órbita” dos satélites Cosmo-SkyMed. As ondas enviadas pelo aparelho penetram muito pouco na terra já que rebatem ao primeiro obstáculo, que, na Amazônia, seriam as copas das árvores e as fuselagens dos aviões, em vôo ou não. No setor agrícola, esse sistema pode ajudar na criação de da-

dos sobre a safra, sem falar nas informações meteorológicas. No caso de um terremoto, por exemplo, o sistema não prevê o sisma, mas pode indicar às equipes de socorro as áreas mais atingidas. O arsenal de informações faz com as empresas que atuam neste mercado estejam sempre correndo atrás das últimas inovações no setor. A e-Geos entra no mercado brasileiro através da parceira Telespazio Brasil junto com a também brasileira Imagem. — Vamos monitorar o que for pedido pelo governo, nosso cliente. Vai ser uma varredura no campo do meio ambiente e na luta contra os traficantes de drogas que voam em pequenos aviões e pousam em aeroportos escondidos na selva — afirmou o responsável pelo serviço de dados da e-Geos, Gianni Riccobono. De olho Não é de hoje que Itália e Brasil firmam trabalhos na área de tecnologia. Mas é especialmente na

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região Norte do Brasil que o país europeu tem despontado para iniciativas de cooperação. Em sua quarta edição, o Seminário de Tecnologias Estratégicas Brasil e Itália, por exemplo, realizado em setembro, escolheu o Pará para discutir ações e parcerias entre as nações. Anual, o mesmo evento já havia sido feito em São Luís, como atividade do Amazontech 2008. Promovido pela Embaixada Italiana e o Conselho de Secretários Estaduais para assuntos de ciência e tecnologia (Consecti), o evento tem como objetivo estreitar as relações entre os países, particularmente no que se referem a atividades relacionadas à ciência e tecnologia, desenvolvidas em centros especializados em ambos os países. — Atualmente, o Pará não conta com a presença de grandes empresas italianas, embora a Itália Danieli, líder mundial na produção de siderurgias, já tenha iniciado alguns contatos para construir uma fábrica perto de Belém. O Pará foi escolhido para receber o Seminário porque é um dos Estados brasileiros mais ativos e com uma grande vontade política, econômica e social de crescimento e desenvolvimento — assinala o adido cientifico da Embaixada da Itália no Brasil, Roberto Spandre, destacando que, através de seus ministérios das relações exteriores, Brasil e Itália já desenvolvem projetos importantes na área amazônica com a presença de regiões italianas como Marche e Piemonte.

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mercado

Degustador profissional de azeite, Vitor Fratini

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PhotosToGo.com

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azeite já é um item indispensável na mesa dos brasileiros. Se na Europa é fácil encontrar o degustador profissional do produto, por aqui, esse mercado ainda está em crescimento. O especialista italiano Vitor Fratini, convidado pela organização da 4ª edição da ExpoAzeite, em São Paulo e no Rio de Janeiro, realizada em setembro, veio ao Brasil para ministrar um curso sobre azeites e afirma que a figura do degustador é fundamental em um mercado como o brasileiro, que tem potencial de crescimento e demanda. — Reconhecer características organolépticas (cor, brilho, sabor, odor e textura) e entender o que cada alimento apresenta é de fundamental importância para a escolha de um produto de qualidade – garante. O evento reuniu mais de 200 rótulos da Argentina, Chile, Uruguai, Espanha, Itália e Portugal. Além da degustação dos produtos importados, o que também chamou a atenção foi a presença do primeiro azeite extra virgem brasileiro, vindo da propriedade Olivas do Sul, localizada em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul. — O Brasil está começando a colher suas primeiras produções, mas ainda há muito que investir nesse setor — comenta uma das organizadoras da ExpoAzeite, Patricia Galasini. Frattini concorda e afirma ainda que o Brasil tem um grande potencial para este segmento e “logo será um grande produtor de azeites de qualidade”. — No Brasil, os produtores ainda devem aprender a conhecer

Essência verde Degustador profissional de azeite, o italiano Vitor Fratini avalia mercado brasileiro e fala sobre a importância de se conhecer o produto antes de adquiri-lo

Robson Bertolino

Correspondente • São Paulo melhor a árvore, a oliveira, além de métodos de extração e, principalmente, a qualidade “made in Italy olio di qualità”. Acredito que nos próximos anos o Brasil já apresentará uma produção inicial significativa. O objetivo deverá ser o da qualidade e não da quantidade — ressalta. Saber o país de origem do azeite, informações sobre o selo de qualidade na rotulagem e a data de validade são fatores considerados importantes pelo especialista para que o consumidor possa adquirir um produto de qualidade. — Ao escolher um azeite no ponto de venda, o produto deve

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estar longe do calor e da luz do sol — completa. O italiano revela também que o mercado de azeites cresce a cada dia e a especialização se torna cada vez mais necessária, visto que o consumo aumenta a cada ano. Frattini explica que o papel do especialista é degustar e classificar os produtos. — A análise sensorial, hoje, tem papel fundamental no setor de alimentos, sendo utilizado para diversos tipos de ações. Na Itália, esta profissão já existe há muitos anos. No Brasil, está começando, mas é um mercado com muito potencial — diz o especialista, lembrando que em seu país, por lei,

antes de ser colocado no mercado o azeite deve ser degustado e, posteriormente, reconhecido pelo Governo — Esta fase de degustação é feita por profissionais formados, os assagiàtores, que têm a missão e a responsabilidade de indicar a qualidade do produto e certificá-lo — completa. Sobre os países que produzem os melhores azeites, Frattini é categórico ao afirmar que a Europa tem grande preocupação com a qualidade de sua produção. Sem se comprometer, o especialista não dá “nomes aos bois”, mas diz que o selo Dominação de Origem Protegida (DOP) existe para garantir a qualidade e é utilizado por diversos produtores da Europa. — Testes de qualidade são realizados com frequência também e os órgãos governamentais realizam fiscalização dos produtos — diz. Questionado sobre os pratos que ele indicaria para a melhor utilização do azeite, o italiano não se faz de rogado e afirma que o produto pode ser utilizado em qualquer um. Doce ou salgado e até em sobremesas, para ele, o azeite é um ótimo finalizador que ressalta aromas e sabores. Data marcada A ExpoAzeite 2010 encerrou a sua 4ª edição, que recebeu cerca de 2 mil pessoas, já com data marcada para 2011 em São Paulo. A 5ª edição será realizada em setembro do ano que vem no centro Fecomércio. Este ano, realizado também na Cidade Maravilhosa, na Firjan, a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro organizou um Espaço Itália. Participaram da feira, duas produtoras italianas: a Nigemi Srl, de Chiaramonte Gulfi, no coração da Sicília, e a Simptrade, da região do Lazio. O sucesso do evento ficou por conta do “Aceto Balsamico”, com 40 anos de preparo. Outros produtos que chamaram a atenção de todos foram as conservas “sotto oleo” – com destaque para as alcachofras. Além do Concurso de Azeites Extra Virgens, a feira ainda realizou o 1º Encontro Brasileiro sobre Plantio de Oliveiras, que reuniu dezenas de interessados em dois dias inteiros de workshops para abordar o tema como agronegócio no Brasil e no mundo.


affari

Alta stagione Filiera di grezzo e metano mette insieme piccole e medie imprese attente alla fetta di mercato brasiliano

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li investimenti dello strato pre-sale hanno imposto al Brasile un salto di tecnologia e qualità per ciò che riguarda lo sfruttamento del petrolio e hanno confermato Rio de Janeiro come la capitale dell’oro nero. Con l’80% della produzione di grezzo e il 50% di quella di gas naturale, la città ha ospitato vari eventi per affari economici legati al settori. Ne è riprova l’ultima edizione della Rio Oil & Gás, in settembre, al Riocentro. L’evento, che ha compreso un’Esposizione e una Conferenza Internazionale, ha raggiunto il record di partecipazioni di 20mila persone che ci sono andate e l’adesione di imprese di 53 nazioni. Creata nel 1982 e realizzata ogni due anni, la fiera ha avuto come punto forte lo spazio per le micro e piccole imprese. Tra que-

partecipare a un evento di questa importanza ci apre la strada anche con altre nazioni. Queste piccole e medie imprese possono divenire rifornitrici indirette nei progetti guidati dalla Petrobras — dice il dirigente per l’area dei beni strumentali, tecnologia e servizi dell’ICE di Roma, Ferdinando Fiore. Gli interessi brasiliani sono rafforzati dalle statistiche che indicano una crescita del PIL mag-

giore del 7%. Dalla perforazione in campi offshore e onshore, alla raffinazione del grezzo fino alla lavorazione di derivati, gli italiani sono venuti a dimostrare di aver sviluppato una tecnologia molto appurata, specialmente nella produzione di valvole, tubi e conessioni, ma anche di software di gestione e di organizzazione del lavoro sulle piattaforme. — Negli ultimi sei anni avevo partecipato alla fiera come indipendente. Ora con l’ICE ho una struttura e il supporto del Made in Italy, che sicuramente rafforza l’immagine dell’Italia e attrae più contatti — dice l’ingegnere Paola Romiti, della Petrol Instruments. Il biglietto da visita viene insieme al fatto che più dell’80% delle circa 600 imprese italiane del comparto operino all’estero e più del 90% del loro fatturato sia realizzato in attività oltrefrontiera. — Vogliamo stabilirci in questo mercato che, malgrado stia crescendo in maniera significativa, si sta dimostrando di essere altamente specializzato. Fino al 2008 gli investimenti della Petrobras erano di 15 miliardi di dollari annui e ora arrivano a 28 miliardi. Le previsioni ottimiste dicono che, con lo sfruttamento del pre-sale, il Brasile dovrebbe arrivare al sesto posto nella produzione mondiale — mette in enfasi l’analista dell’ICE in Brasile, Ronaldo Padovani.

Silvia Souza ste 220 con fatturato di perfino 2,4 milioni di reais annui, che hanno mostrato i loro prodotti e le tecniche usate proprio per affermare la loro presenza in Brasile nella filiera di grezzo e metano. Grazie all’evento si stimano 300 milioni di dollari in contratti, firmati nei quattro giorni di questa edizione della fiera. In quella passata, nel 2008, il giro di affari era stato di 250 milioni di dollari. Attenta alla crescita del comparto in Brasile, l’Italia si è fatta presente. Oltre agli stand di imprese già presenti in Brasile, l’Istituto Italiano per il Commercio Estero (ICE) ha organizzato un padiglione per ospitare un gruppo di piccole e medie imprese. — Siamo sicuri che Brasile, Venezuela e Argentina siano i paesi di maggior sviluppo negli ultimi anni in questo settore e

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intercâmbio

Direto do forno Jovens riograndenses descendentes de italianos cumprem estágio na Sicília em etapa final de projeto de gastronomia

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Silvia Souza

ma das regiões turísticas mais visitadas da Itália, circundada pelo Mar Mediterrâneo, a Sicília, onde se encontra o maior vulcão da Europa, o Etna, foi escolhida como ponto de partida para 25 jovens ítalo-brasileiros dispostos a enveredar pelo ramo dos negócios turísticos e gastronômicos. Depois de cinco meses de aulas e um total de 600 horas de estudo distribuídas entre teoria, palestras e visitas técnicas a empresas do setor de hotelaria e gastronomia, foi no território italiano que a primeira turma do projeto Porto Alegre Ristorazione e Turismo Integrato (PARTI) concluiu sua formação cumprindo estágio em dez diferentes empresas. Iniciativa financiada pelo Ministério do Trabalho e Assistência Social e de Relações Exteriores da Itália, o PARTI tem como objetivo a inserção dos participantes no mercado de trabalho, possibilitando o desenvolvimento de uma atividade empreende-

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dora ligada ao turismo e à gastronomia, na circunscrição de Porto Alegre. Para tanto, acolheu jovens descendentes que já são cidadãos italianos ou estão em processo para obtenção da dupla cidadania. A escolha da capital gaúcha se deu pela sua posição estratégica no Mercosul, de centro geográfico entre os principais itinerários da região, como Buenos Aires, Montevidéu, São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto, iniciado em março deste ano, terminará oficialmente no próximo dia 20 de outubro. Na Sicília, o grupo participou de um programa junto a uma estrutura receptiva de alto nível, em hotéis de quatro e cinco estrelas, na zona de Taormina – centro balneário cultural e turístico da província de Messina – e de Siracusa – cidade reconhecida Patrimônio da Humanidade pela Unesco e de forte vocação turística. Os alunos contam para o estágio com o apoio do Food and Beverage Manager (programa

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internacional de emprego no setor). Na área da panificação, foram definidas empresas situadas em pequenas cidades dos arredores do Etna. Foram cinco dias num regime de oito horas diárias que incluíram visitas didáticas a outras tipologias de estrutura, respondendo a diversas exigências dos alunos, correspondentes a sua idéia futura de empreendimento. Para Elisa Prenna, o intercâmbio serviu como trampolim para a concretização de um antigo projeto. Administradora por formação e cozinheira por alma, como ela mesma se define, Elisa se prepara para abrir o bistrô ChicaFundó. Aos 36 anos, depois de largar a carreira na área de comércio exterior, onde trabalhou por 12 anos, ela reconhece, no curso financiado pelo governo italiano, o impulso que faltava para colocar no papel o plano de abrir o seu primeiro negócio.

Elisa Prenn: impulso para abrir o próprio negócio

— O curso me ajudou muito na organização geral, no entendimento do mercado e da própria gastronomia italiana, representa uma linha mestra que está me guiando e dizendo o que eu tenho que fazer. O projeto me formatou e eu tive a obrigação de fazer um plano de negócio, o que é essencial para um novo empreendimento — observa. Com duas funcionárias já contratadas, Elisa aguarda a finalização das obras de seu espaço dentro do casarão da loja Refúgio Urbano (Rua Cel. Bordini, 232, bairro Moinho de Ventos). A pretensão é que a inauguração ocorra em novembro. — Teremos duas opções de prato do dia, além de rotisserie e uma delicatessen. A idéia é também comercializarmos produtos de alguns colegas do curso, como da Ângela Cagliari, especialista em doces, além de utilizarmos duas receitas do professor Andréa Pioppi, nos pães oferecidos pela casa. À noite, a nossa previsão é abrirmos quinta, sexta e sábado para um grupo pequeno, somente com préreserva. À tarde, iremos sublocar a cozinha para amigos que fazem catering, produção de alimentos para eventos — descreve, provando que a técnica da organização e definição de metas foi bem aprendida. O PARTI é uma realização do Consorzio Quality In Training, DES Srl e Associação União dos Italianos no Mundo (UIM Brasil) em parceria com a Câmara de Comércio Italiana do Rio Grande do Sul, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e o Sindicato de Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre (Sindpoa). Com conteúdo programático distribuído em negócios e gastronomia, os alunos tiveram aulas de inglês, italiano, direito do trabalho, informática, marketing e administração, gestão de empresas, recepção e atendimento ao cliente, além de módulos que passaram pela cozinha típica italiana, ministrados por três chefs italianos, docentes da Universidade dos Sabores de Perugia: Domenico D’Imperio, Fabrizio Sangiorgi e Andréa Pioppi. Como incentivo para a participação, os alunos receberam uma bolsa auxílio para cobrir os custos de alimentação e de deslocamento.


Conferenza

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ocente presso la Facoltà di Lettere dell’Universita degli Studi di Roma “Tor Vergata”, il professore Fabio Pierangeli ha proferito una conferenza presso l’Universidade do Estado do Rio de Janeiro. In essa ha percorso aspetti della cultura italiana dalla seconda metà del XX secolo attraverso le opere di Cesare Pavese ed Italo Calvino, due autori conosciuti in tutto il mondo. Pierangeli, che fa anche parte del corpo docente del Dottorato Internazionale di Letterature Comparate di Tor Vergata, è uno degli editori dell’inserto “Mosaico”, pubblicato all’interno di ComunitàItaliana. Inoltre fa parte del consiglio editoriale di varie riviste scientifiche italiane ed internazionali ed è un famoso critico letterario. È venuto in Brasile grazie ad accordi di cooperazione accademica tra Tor Vergata e varie università brasiliane.

Virtuale

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ei importanti case editrici brasiliane si sono unite per creare una distribuzione virtuale. La Distribuidora de Livros Digitais è stata la soluzione incontrata dagli editori per commercializzare gli e-books e controllare il numero degli esemplari venduti. Hanno aderito alla piattaforma digitale: Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Intrínseca e Planeta. La DLD comincia a operare a dicembre con 500 titoli. All’inizio l’impegno sarà rivolto alle librerie virtuali che operano in portoghese, rivolte al consumatore brasiliano. A partire dal 2011 la collezione della DLD sarà rifornita con 300 titoli al mese.

Uno in più

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ue anni fa l’Inter di Milano ha comprato il cartellino del calciatore brasiliano Philippe Coutinho. All’epoca aveva 16 anni. Il mese scorso il giocatore ha compiuto 18 anni e finalmente ha potuto firmare il contratto con il club italiano. Ex Vasco, Coutinho ha ricevuto molti elogi dal suo nuovo tecnico, Rafa Benitez, secondo il quale il brasiliano può diventare “il futuro dell’Inter”. La stampa italiana fa già dei paragoni fra Coutinho e l’altro giocatore brasiliano Alexandre Pato del Milan. Ma la nuova promessa dell’Inter dice che preferisce giocare a mezzo campo: — Non vedevo l’ora di venire qua. Adesso voglio affermarmi nell’Inter e diventare una figura famosa nel calcio italiano — ha affermato Coutinho durante la firma del contratto.

Ambiente

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l Jardim Botânico di Rio de Janeiro avrà un Museo dell’Ambiente. Il progetto è stato messo a punto dagli architetti Bruno Santa Cecília e André Prado, di uno studio di Belo Horizonte, che hanno vinto il concorso promosso dall’Instituto dos Arquitetos do Brasil do Rio (IAB-RJ). Il museo dovrebbe costare circa 8 milioni di reais. La sua inaugurazione è prevista per il luglio 2012, quando nella città ci sarà la Rio+20, Conferenza delle Nazioni Unite sullo Sviluppo Sostenibile. Il nuovo spazio offrirà 1,4 m² di area costruita e avrà spazi espositivi e un auditorium.


economia

Reconhecimento CEO mundial da Fiat, Sergio Marchionne vem ao Brasil para os 10 anos do GEI e compara os diferentes momentos vividos por italianos e brasileiros com destaque ao presidente Lula

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Robson Bertolino

Correspondente • São Paulo

ma noite de gala reuniu grande parte do PIB ítalo-brasileiro num hotel de luxo de São Paulo em setembro. Não era para menos, o Gruppo Esponenti Italiani, entidade que reúne os principais líderes e empresários italianos em atividade no país, comemorava seus 10 anos. Num impecável vestido realizado exclusivamente para a ocasião pelo estilista Giorgio Armani, a apresentadora Mariana Godoy não poupou fôlego para falar das afinidades entre brasileiros e italianos e narrar a histórica relação entre Brasil e Itália. O discurso serviu de introdução para chamar ao palco o presidente reeleito do GEI, Valentino Rizzioli, também presidente da Case New Holland e vice-presidente da Fiat no Brasil, que destacou a importância da atuação da entidade no Brasil e anunciou a entrega da quinta edição do Prêmio Amerigo Vespucci. – Esta é a principal comenda entregue a cada dois anos a personalidades e companhias que contribuíram significativamente

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para o desenvolvimento e a integração entre Brasil e Itália — disse Rizzioli antes de convidar ao palco o economista Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que recebeu o troféu das mãos do embaixador da Itália no Brasil, Gherardo La Francesca. Coutinho destacou a importância da premiação e creditou o fato de que a capacidade criativa das companhias italianas serve de exemplo às companhias nacionais. Em seu agradecimento, Coutinho salientou a contribuição dos italianos para o desenvolvimento nacional. — A industrialização no Brasil deve muito a colonização italiana, que hoje, chega a cerca de 25 milhões de pessoas de origem italiana. Sem contar a contribuição cultural que a Itália nos deixou. Isso fortalece o laço entre os dois países — disse. Depois foi a vez de o embaixador do Brasil em Roma, José Viegas Filho, entregar o prêmio Amerigo Vespucci para o CEO mundial

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Presidente do BNDES, Luciano Coutinho conversa com o CEO mundial da Fiat, Sergio Marchionne

do Grupo Fiat, Sergio Marchionne. Ao recebê-lo, Marchionne homenageou as 240.000 pessoas que compõem a Fiat e a Chrysler no mundo e falou sobre os negócios do grupo e da importância das operações da Fiat no Brasil. — Todos os dias estes trabalhadores dedicam com paixão todas as suas habilidades para que estas sejam empresas sérias e respeitadas. Neste imenso país, é graças a estas pessoas que hoje podemos nos sentir orgulhosos do que foi construído e daquilo que continuaremos a construir juntos. É uma população rica em trabalho e capacidade. O Grupo

Fiat tem uma grande honra em trabalhar no Brasil — constatou o CEO. Marchionne lembrou ainda que no ano de 2009, um ano difícil economicamente para o mundo, as atividades brasileiras tiveram um resultado determinante para o Grupo. — O mercado de negócios do Brasil no último ano está entre os primeiros do mundo. Diversos fatores, como econômicos e comerciais, favorecem o crescimento dos negócios – disse. No mesmo dia do evento do GEI, Marchionne esteve reunido com dirigentes de todos os negó-


cios do Grupo Fiat no Brasil para discutir estratégias para o futuro: — Posso garantir que pretendemos consolidar nossa presença e liderança no Brasil. Vamos preservar e desenvolver a preciosa contribuição do Brasil ao Grupo Fiat. O CEO foi o principal convidado do evento do GEI e foi bastante aplaudido pelos presentes. Marchionne fez uma análise da atual situação da indústria automobilística mundial e dos desafios necessários para sua recuperação. O Prêmio Amerigo Vespucci é uma reprodução de uma das caravelas das expedições do navegador florentino que explorou a costa brasileira no Século XVI e cujo nome inspirou a América. O governador em exercício de São Paulo, Alberto Goldman, também participou do evento: — A comunidade italiana, como outras aqui presentes, ajudou a construir a maior economia do País e uma das mais significativas no mundo. CEO da Fiat diz que Itália tem muito a aprender com o Brasil O CEO do Grupo Fiat, Sergio Marchionne, entre outros comentários positivos sobre a economia brasileira, disse que a Itália tem muito a aprender com o país. — Na Itália estamos buscando gerir uma situação onde eventualmente é preciso encontrar os pontos de convergência para levar o país adiante, de outro modo não iremos muito longe. Mas, se analisamos a realidade italiana comparada à brasileira, vemos a diferença. Lula soube modular a intervenção do governo no momento certo para evitar que a tempestade da crise global chegasse — afirmou com veemencia e completou — Lula é uma pessoa que admiro e aprecio, e a

Valentino Rizzioli: vice-presidente da Fiat no Brasil

qual desejo um grande bem, não apenas porque a Fiat está bem no Brasil, mas porque deu um grande ensinamento ao resto do mundo.    Em relação à atividade da empresa no mundo, Marchionne lembrou da reestruturação que está promovendo. — A companhia tem feito um grande trabalho para dar de novo dignidade a todos os colaboradores da Fiat, não apenas na Itália, mas em todo o mundo. O que cansa é que este fato é completamente ignorado em meio aos muitos discursos de ideologias que não têm valor no contexto global. O CEO revelou aos presentes que conferiram o evento do GEI que, entre todos os outros países que o Grupo Fiat está presente, o Brasil está com uma ótima “saúde”. — Estamos fazendo ainda as contas da recessão do ano passado, mas, podemos destacar que neste ano o Brasil crescerá em nossos negócios em 7%. O mercado de automóveis, em particular, tem obtido um resultado extraordinário — assinalou. Em seu discurso, Marchionne ressaltou ainda que nos primeiros oito meses do ano de 2010, o mercado do Brasil já superou o da Alemanha em vendas de automóveis: — É uma tendência que deverá continuar e a nossa previsão para o mercado local é de chegar a 4,3 milhões de unidades até 2014. O Grupo Fiat confirmou o investimento de R$ 6 bilhões para o período de 2008/2010. Marchionne não revelou qual será o novo volume de investimentos para os próximos anos, mas destacou que a meta é aumentar as vendas no mercado brasileiro para 1 milhão de veículos por ano até 2014. — Continuaremos a investir na expansão da gama de produtos e, nos próximos anos, isso irá alavancar os resultados de nossa colaboração com a Chrysler. O Brasil terá uma das contribuições mais importantes para o nosso plano de expansão — pontuou. Chrysler venderá híbridos no Brasil A Chrysler, divisão do Grupo Fiat que engloba a marca de mesmo nome, além de Dodge e Jeep, venderá veículos híbridos no Brasil. Segundo Sergio Marchionne, a convivência entre as várias marcas será pacífica no País e ainda está em fase de adapta-

Marchionne recebe prêmio do embaixador do Brasil em Roma, José Viegas Filho (acima) e o embaixador Italiano no Brasil, Gherardo La Francesca entrega troféu a Coutinho

ção — a Fiat assumiu o controle acionário da Chrysler em 2009. De acordo com o executivo, a decisão se baseia no fato de a Chrysler ter mais experiência em veículos híbridos. Ele não revelou detalhes dos planos, mas informou que a Fiat será um dos cinco maiores produtores mundiais de veículos nos próximos três anos. Alfa Romeo de volta ao Brasil Sergio Marchionne, confirmou também que a Alfa Romeo voltará

ao País em 2012. De acordo com o executivo, o retorno da marca italiana ao Brasil ocorrerá juntamente com sua estreia nos EUA. Embora Marchionne não tenha revelado detalhes da operação, é certo que os carros da Alfa serão produzidos na fábrica da Chrysler, em Toluca, no México, onde a Fiat também fará o compacto 500. Como o Brasil tem acordos comerciais com o país norte-americano, esses veículos virão sem recolher imposto de importação.

O GEI no Brasil

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GEI brasileiro nasceu em 23 de maio de 2000 e foi o terceiro a surgir no mundo depois daqueles de Nova York e Londres. A sede está localizada na cidade de São Paulo e a entidade é um referencial da atividade empresarial italiana no Brasil, complementando ações desenvolvidas pelos órgãos oficiais italianos. No Brasil, o GEI usa como símbolo uma caravela, em homenagem à participação dos navegadores italianos na exploração do Novo Mundo. O mesmo tema se repete no “Prêmio Amerigo Vespucci”, concedido pelo GEI às personalidades que trabalham em benefício da aproximação econômica, cultural e social entre Brasil e Itália. Entre os agraciados pela distinção estão o ministro do Desenvolvimento, Guido Mantega, o ex-ministro da mesma pasta, Luiz Fernando Furlan, e o Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, bem como os italianos Pier Ferdinando Casini, ex-presidente da Câmara dos Deputados italiana, e Ernesto Illy, presidente da indústria de café Illy. Reeleito, presidente do Grupo Esponenti Italiani (GEI), Valentino Rizzioli é natural de Calto, Rovigo, na Itália. O executivo é também presidente da Case New Holland, fabricante de tratores, colheitadeiras e máquinas de construção. Formado em Engenharia pela Academia Aeronáutica Militar de Pozzuoli, Valentino Rizzioli é especializado em administração de empresas e finanças. No Brasil desde 1969, ano de início das atividades da Fiat Tratores e Máquinas Rodoviárias, está a frente do GEI desde outubro de 2006.

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moda

Beleza gaúcha

— Não consigo explicar a sensação de vencer esse concurso — comemora a modelo. Camila foi convidada para participar do evento enquanto passeava em um shopping em Porto Alegre. Dentre os 16 jurados que a premiaram estava Bernard Hennet, presidente da Elite World.

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Nova Bassano: nordeste riograndense

Modelo nascida em cidade fundada por imigrantes italianos ganha um dos principais concursos de beleza do Brasil

Da Redação

aúcha de Nova Bassano, Camila Peruzzo, de 14 anos, venceu, no mês passado, o Elite Model Look 2010. Realizado em São Paulo, o concurso, antes conhecido como The Look of The Year, foi o responsável por revelar importantes nomes das passarelas no Brasil como Isabeli Fontana e Gisele Bündchen, vencedora de 1994. A nível mundial, o concurso “descobriu” beldades como Cindy Crawford, Naomi Campbell, Linda Evangelista e Claudia Schiffer. Com 1,77 m e 52 kg, Camila concorreu com outras 38 garotas de todo o país. Como prêmio, ela ganhou um contrato de exclusividade com a nova Elite Brasil e 150 mil reais em trabalhos. Ela também vai representar o país, na final mundial do concurso, a ser realizado na China, em outubro. comunità italiana2.pdf

8-07-2010

A cidade natal da modelo foi criada por imigrantes italianos. Em Nova Bassano, praticamente não existe pobreza. A cidade é considerada uma das mais seguras e bem desenvolvidas do Brasil. Os primeiros imigrantes chegaram da Itália em torno de 1890. A localidade foi chamada de Nova Bassano em homenagem à cidade originária da maioria dos imigrantes, Bassano del Grappa, na provincia de Vicenza, no norte Itália.

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outono italiano começa com a atmosfera envolvente do Blues. Um dos mais famosos templos da música internacional, feita para aquecer a alma nas notas musicais desse e outros ritmos, é o Big Mama. Você pode chegar lá depois de ter feito seu passeio pelo antigo bairro romano de Trastevere. O Big Mama festeja 26 anos de atividades artísticas promovendo espetáculos com os melhores intérpretes do momento. Importante: o Big Mama também desenvolve projetos de solidariedade junto a comunidades africanas. Big Mama - Vicolo San Francesco a Ripa ,18.

A Bela e a Fera

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fantástico espetáculo musical baseado no conto de fadas A Bela e A Fera chegou a Roma. Cerca de 25 milhões de espectadores já assistiram a essa maravilhosa versão rica de efeitos especiais que ficará em cartaz no histórico Teatro Brancaccio. Se você não conseguiu assistir ao espetáculo no

Brasil, aproveite a ocasião para vê-lo na Cidade Eterna. Existe melhor cenário no mundo para se aplaudir a um grande show de fantasia? La Bella e La Bestia - Teatro Brancaccio - Via Merulana, 244. A partir do dia 22 de outubro e durante todo o mês de novembro. Ingressos entre 39 e 83 euros.

Roma Festival

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Vatican By Night

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uzes noturnas e magia especial nas grandes obras realizadas por artistas célebres como Michelangelo e Raffaello. É o que espera por você durante uma visita noturna ao Museu do Vaticano. O local, agora, abre suas portas ao público interessado em descobrir o fascínio que os afrescos na Capela Sistina e nas Salas de Raffaello revelam à noite. Reserve sua visita on line no site do Vaticano porque a reserva antecipada é obrigatória. Ingressos: 19 euros

atriz americana Judie Foster vai dar dicas às crianças das escolas italianas sobre como produzir e ver um filme descobrindo detalhes que enriquecem a trama. Essa é uma das novidades da quarta edição do Festival Internacional de Cinema que se realiza em Roma. Atores italianos e estrangeiros desfilam na entrada do Auditorium Parco della Musica, como se estivessem caminhando sobre o tapete vermelho do festival de Veneza. Organize-se para assistir, sobretudo, a filmes e documentários inéditos. Em certos casos, esta é a única oportunidade para se ver produções extraordinárias que nem sempre são contempladas pelas grandes redes de distribuição. Roma Festival Internazionale Film Auditorium – Parco della Musica. De 28 de outubro a 5 de novembro.

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Beba do Samba

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ateu saudades do Brasil? A melhor solução é encontrar um alegre ponto de encontro e cantar com o mesmo entusiasmo de artistas e intérpretes da música brasileira. Muitos deles são radicados em Roma e fazem rodas de samba à noite, de quarta-feira a domingo. Curta uma roda de samba depois de ter passeado pelas ruas do popular bairro de San Lorenzo. Aqui você vai sentir o prazer de uma saudade alegre do Brasil, temperada com todos os ritmos da MPB. Beba do Samba - Via de’ Messapi, 8.

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moda

Alternativa

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Brasil ganha cada vez mais destaque no cenário internacional de moda. Além de abrigar unidades das grandes grifes internacionais, a cidade de São Paulo foi palco de um desfile de moda diferente do que costumamos ver. O “Final Work Moda 2010 – A moda é um ofício” trouxe para a metrópole paulista 54 modelos de roupas, assinados por 15 jovens criadores italianos, selecionados e premiados pela Accademia di Costume e di Moda de Roma. O

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evento aconteceu no fim de setembro com o objetivo de ressaltar a excelência do ‘made in Italy’. As coleções apresentadas em São Paulo haviam desfilado em fevereiro deste ano durante o Alta Moda Roma, espécie de semana de alta-costura italiana. Com a parceria entre o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, o Instituto Italiano para o Comércio Exterior e a Accademia, novos talentos da alta costura romana puderam ser conhecidos por aqui.

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Parceria permite que novos talentos da moda italiana se apresentem no Brasil e abre porta para quem quer estudar numa das mais tradicionais escolas de estilistas da Europa Robson Bertolino

Correspondente • São Paulo — O mercado e os produtos brasileiros são de grande interesse. Estamos pela primeira vez no País e abertos ao intercâmbio profissional e cultural — disse o italiano Andrea Lupo Lanzara, diretor-geral da escola. — Além de mostrar nossos jovens criadores, ver o que se produz aqui e abrir espaço para quem estiver interessado em estudar na Accademia — completou o diretor, que é da terceira geração de dirigentes da escola.

Os novatos estilistas italianos estiveram pela primeira vez em São Paulo e sabiam pouco sobre a indústria da moda canarinho.  — Eu já ouvi falar dos sapatos brasileiros e claro, da Gisele Bündchen, mas conheço pouco da moda brasileira — confessou a estilista Laura Maria Grillo, de 26 anos. O tema escolhido pela Accademia propôs que os alunos abordassem trabalhos artesanais com o foco em suas coleções. A estilista Valéria Onnis, de 27 anos, usou o


Fotos: Claudio Cammarota

Novos estilistas trabalharam criações com lã, bordados e texturas. Acima e abaixo, Daniele Gottastia, um dos destaques do grupo, exibe parte de sua coleção. Ao lado, zíperes se transformam em acessório

da Casa Brasileira, uma nova atmosfera europeia. Os destaques ficaram por conta de Daniele Gottastia, numa coleção alegre que usou as cores primárias para sublimar as formas geométricas com lã costurada ou bordada e assim criar uma trama em volta dos vestidos. A jovem Fortuna Bri-

guglio, numa coleção também baseada em bordados, trabalhados de forma quase abstrata em vestidos longos e coloridos. Outro destaque foi Valentina Klanjscek com uma coleção quase grunge, porém, sofisticada, toda trabalhada no tricô de variados pontos. Já Laura Maria Grillo apresentou uma mistura de tecidos que começa desde os entrelaçamentos de fibras e fios até a imagem final. E, por final, Ilaria Vallone com um trabalho de feltro em looks volumosos e tonalidades escuras, remetendo ao streetwear. Os jovens estilistas da Accademia di Costume e di Moda que se apresentaram no Final Work Moda 2010 foram: Chiara Aversano, Paola Balzano, Fortuna Briguglio, Gabriella Capuani, Claudio Dicorato, Antonella Geracitano, Daniele Gottastia, Laura Maria Grillo, Valentina Klanjscek, Marzio Martella, Ilaria Murrone, Ilaria Vallone, Valeria Onnis, Sara Mirabella, Chiara Zuliani.

Final Work da Accademia

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Andréa Lupo Lanzara é quem dirige a Accademia

feltro de lã e buclê para construir roupas inspiradas na arquitetura. — A minha ideia foi mostrar modelos estruturados e com formas marcadas que dessem uma visão em terceira dimensão da roupa. Com um tom de moda alternativa, no Final Work 2010 podese perceber que estes jovens estilistas estão dispostos a sair da proposta da moda convencional, o que é um marco para a tradicional alta costura italiana. Bordados, peles, tricô e entrelaçamentos de fibras levaram à passarela paulistana, montada no Museu

missão da Accademia di Costume e di Moda, segundo Andrea Lupo Lanzara, é promover novos estilistas. Eles são selecionados por um júri formado por especialistas do setor e idealizam uma coleção composta por cinco looks, de acordo com o tema proposto, sob a orientação de Liliana Tudini, coordenadora do curso. Os melhores trabalhos são escolhidos e apresentados na semana de Alta Costura de Roma. Os temas desenvolvidos são sugeridos e trabalhados de acordo com a formação única recebida na Accademia, que promove o estudo contemporâneo da moda e do vestuário. Cada tecido nasce de uma pesquisa e experimentação de tintas e sobreposições, trançados de fibras, colagens, estampas florais bordadas, aplicações, plissados feitos à mão e costuras que criam tramas únicas. A criatividade é aplicada no tecido e no estilo do momento da criação até o planejamento do desfile. A Accademia oferece atualmente dois cursos principais, o de costume e moda e de design de jóias. A escola é hoje um dos mais tradicionais da Europa. Foi fundado em 1964 e firmou-se como um grande centro de pesquisas de moda.

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mercado

Boom gastronômico O interesse brasileiro pela culinária faz Universidade Federal do Rio de Janeiro inaugurar curso de gastronomia e empresários criarem um canal de TV 24 horas exclusivo para o tema

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Nayra Garofle

ara quem ainda está em dúvida sobre o que cursar, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) oferece uma novidade em seu vestibular 2011: o bacharelado em gastronomia. Inicialmente serão 20 vagas para o segundo semestre do ano que vem. Segundo a coordenadora da comissão de implantação do bacharelado, Nilma Morcef de Paula, o curso chega para atender a uma demanda do mercado cada vez mais exigente. A UFRJ será a quarta universidade federal a ter um curso de gastronomia. Oferecida pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro, refe-

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rência na área, a nova graduação demorou dois anos para sair do papel. Aprovada em 2007 no Plano de Reestruturação e Expansão da UFRJ, segundo a professora Nilma, os dois anos foram decisivos para a formatação e definição das disciplinas. — Houve um cuidado muito grande na elaboração do curso e seleção do conteúdo programático. Uma atenção especial foi dada aos profissionais da área para que eles nos contassem quais são as principais carências do setor. Com esse diagnóstico, formatamos o curso e só decidimos abrilo depois de ter certeza que terí-

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amos estrutura para ele — explica a coordenadora. Para criar o novo curso, foram investidos cerca de 15 milhões de reais. De imediato, foram realizadas adaptações em um laboratório de Nutrição para abrigar duas turmas de 20 alu-

No vestibular da UFRJ as vagas de gastronomia são para o segundo semestre do ano que vem

nos cada. São instalações provisórias. A meta é, dentro de dois anos, o novo curso ter seu próprio prédio no campus do Fundão, na Ilha do Governador. O principal objetivo do bacharelado é formar um profissional capaz de trabalhar em qualquer área da gastronomia. Uma pesquisa realizada há dois anos pela professora Nilma constatou que havia cerca de 100 cursos de nível técnico, com duração de dois anos. Para formar, em quatro anos, um profissional capaz de trabalhar em todas as áreas, a grade curricular prevê estágios obrigatórios em três eixos: hospitalidade, ciência da alimentação e gestão e serviços de alimentação. Ainda haverá disciplinas dadas por professores do departamento de História e da Escola de Belas Artes. Segundo Nilma, a proposta é agregar nutrição à gastronomia.


Na área da hospitalidade, os alunos contarão com disciplinas como história da alimentação e da gastronomia; alimentação e cultura; gastronomia e turismo; educação, saúde e ambiente. Já na área da ciência da alimentação, o curso fica um pouco mais específico oferecendo matérias como bases moleculares da gastronomia; confeitaria; gastronomia para grupos específicos; culinárias do mediterrâneo; culinária asiática e culinária regional brasileira 1 e 2. O terceiro nível, com foco em empreendimentos gastronômicos abordará disciplinas como fundamento de marketing e serviços; comunicação em gastronomia; planejamento estratégico em alimentação; legislação em empreendimento gastronômico; gestão de eventos gastronômicos; gestão de pessoas; e café, bares e bebidas. — Fizemos algumas pesquisas e percebemos que, cada vez mais, as pessoas se alimentam fora de casa. É preciso saber o que se come e a qualidade do que se come. Por isso, o objetivo é unir a gastronomia à saúde — diz. Coordenadora de programa de pós-graduação em Nutrição, Rosangela Pereira ressalta a importância do curso estar inserido no Instituto de Nutrição e Saúde: — Há uma necessidade de resgatar o gosto pela cozinha e pela saúde também. A coordenadora revela também que já se pensa além da graduação. O objetivo da faculdade é ampliar os horizontes com projetos de especializações, mestrados e doutorados. Também estão previstos a realização de intercâmbios e parcerias com outros países. — A universidade já trabalha com intercâmbios e pretendemos fazer parcerias com outros países

Receitas e pratos típicos apresentados pelo chef francês radicado no Brasil, Patrice Dartagnan

como a Itália, a França e os Estados Unidos, que têm grandes referências na área — afirma Nilma. No Brasil, a região Nordeste lidera a lista de universidades federais que oferecem o bacharelado em gastronomia. Quando foi implantado na Universidade Federal Rural de Pernambuco, em 2005, o curso atingiu a marca de 31,7 candidatos por vaga. A procura se deve ao fato de o Recife ser o terceiro principal pólo gastronômico do país – atrás apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo – e à instalação em Pernambuco de grandes resorts e hotéis, que exigem profissionais desse segmento. Na Universidade Federal do Ceará o curso teve início este ano. O principal objetivo é formar bacharéis com condições de exercer a atividade profissional em diferentes setores e segmentos sociais, públicos e privados. Já na Universidade Federal da Bahia, o curso está em seu

No Chef TV, o telespectador vai poder aprender a escolher os melhores vinhos

quarto semestre e conta, hoje, com cerca de 180 alunos. A proposta é formar profissionais aptos a aplicar técnicas de preparo culinário tendo como princípio norteador a valorização da gastronomia brasileira e baiana. A Universidade já tem projetos de intercâmbio e, apesar de o curso ser novo, há interesse em tornar viável algumas parcerias com universidades estrangeiras. 24 horas Que o interesse pela gastronomia vem crescendo por parte dos brasileiros é fato consumado. Há algum tempo, as emissoras de TV vêm apostando em programas sobre culinária. Há dois anos, um grupo de empresários começou a desenvolver um projeto relacionado com o assunto que começa a sair do papel. Em janeiro de 2011, será lançado um canal de televisão inteiramente dedicado aos prazeres da boa mesa, 24 horas por dia. Chef TV estará disponível, por enquanto, na grade dos assinantes da TVA em quatro capitais. — Já acertamos a exibição nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis. A partir de novembro, estaremos abertos para negociações com outras operadoras brasileiras — afirma a diretora de programação, Débora Abreu. A grade será composta, inicialmente, por 30 programas em diversos formatos - de dropes de um a cinco minutos a produções de 15 a 30 minutos. As atrações são nacionais e estrangeiras.

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— Há dois programas programas irlandeses: um passeia pelo interior francês e o outro, da Catherine Fulvio, onde ela percorre a Itália para apresentar as comidas típicas e os vinhos do país — conta Abreu. As demais produções estrangeiras do novo canal ficam por conta de um documentário francês sobre Slow Food (movimento criado em 1989 para tentar recuperar o prazer de comer bem e as tradições culinárias) e uma série enfocando 30 chefs internacionais. Além das aulas de culinária, uma gama de programas irão abordar os alimentos orgânicos; a escolha dos melhores vinhos e dicas de como reaproveitar alimentos. A proposta é oferecer atrações de fácil assimilação, como O pão nosso de cada dia, com Michel Darqué, que vai ensinar a preparar pães. A cozinha regional será explorada em Condimentos, apresentado por Elzinha Nunes, filha da cozinheira Maria Lúcia Clementino Nunes, que batiza o restaurante mineiro Dona Lucinha. Outra curiosidade do Chef TV será o programa Leda vai às compras, com a atriz Leda Frederico. Ela vai passear por espaços inusitados, como o Mercadão da Cantareira ou as lojas do bairro oriental da Liberdade, em São Paulo, em busca de especiarias e ingredientes. O toque de humor fica por conta dos ambientes descontraídos e das pessoas que circulam por estes locais.

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Mapeame Mappa demografico Censo de 2010 inova no uso de tecnologia digital, mas ainda se rende à metodologia criada por um italiano em 1940 Censimento del 2010 innova con l’uso della tecnologia digitale, ma usa ancora la metodologia ideata da un italiano nel 1940

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lguém bate à sua porta e faz perguntas um tanto particulares como quanto você ganha; quantos filhos tem; quantas pessoas moram na sua casa. Você não apenas responde como gosta muito da visita. Não é para menos. Afinal, ao deixar esse “curioso” entrar, você terá ajudado a montar o perfil da população brasileira. A cada 10 anos, funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são designados para esta tarefa com o objetivo de reunir o máximo de informações que possam contribuir para o mapeamento demográfico do país. Desde agosto, 230 mil pessoas estão trabalhando diretamente no censo. A previsão é de que a coleta total de dados seja finalizada este mês. No fim de novembro os dados oficiais começam a ser divulgados. Em entrevista à Comunitá, o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, adianta algumas novidades: — Em relação ao último censo, é possível dizer que houve uma redução evidente do número

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médio de moradores por domicílio. Há 10 anos, para cada 10 domicílios visitados, a gente encontrava 38 moradores; este ano, esse número caiu para 33 moradores. Segundo o presidente isso não significa que o número da população esteja caindo, mas que o número de domicílios aumentou e que dentro de cada unidade moram menos pessoas. Fatores como a diminuição da fecundidade mostram que o número médio de filhos que a mulher brasileira tem continua caindo. Além de haver muitas moradias ocupadas por pessoas idosas. — A expectativa de vida da população brasileira continua crescendo. Os filhos e parentes desses idosos vão constituindo as suas próprias famílias e nós temos

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ualcuno bussa alla tua porta e ti fa domande un po’ private tipo: quanto guadagni, quanti figli hai e quante persone vivono a casa tua. Tu non solo rispondi, ma la visita ti fa piacere. E hai ragione. Infatti quando fai entrare questo “curioso” aiuti a delineare il profilo della popolazione brasiliana. Ogni 10 anni impiegati dell’Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) svolgono questo incarico per riunire il maggior numero di informazioni possibili che possano contribuire alla mappa demografica del Brasile. Da agosto 230mila persone stanno lavorando direttamente al censimento. Si prevede che la raccolta totale dei dati sarà conclusa entro la fine del mese. Alla fine di novembre i dati ufficiali cominceranno ad essere resi noti. In un’intervista a Comunità, il presidente

Nayra Garofle dell’IBGE, Eduardo Pereira Nunes, antecipa qualche novità: — In rapporto all’ultimo censimento possiamo dire che c’è stata un’evidente riduzione del numero medio di abitanti per domicilio. Dieci anni fa dieci domicili censiti sommavano 38 abitanti; quest’anno il numero è sceso a 33. Secondo il presidente ciò non significa che la densità della popolazione stia diminuendo, ma sí che il numero di domicili è aumentato e che vi ci abitano meno persone. Fattori come il calo della fecondità dimostrano che il numero medio di figli nati da madri brasiliane continua a diminuire. Inoltre ci sono molte residenze occupate da anziani. — La speranza di vita della popolazione brasiliana continua in crescita. I figli e i parenti di questi anziani costituiscono le proprie famiglie e inoltre in Brasile abbiamo un numero consistente di persone anziane più che centenarie — spiega Nunes. Secondo queste informazioni il presidente dell’IBGE può affermare che la popolazione brasilia-


Fotos: Divulgação IBGE

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Inovação O Brasil saiu na frente dos demais ao promover o primeiro censo digital e computadorizado em nível nacional. Os recenseadores transmitem todos os dados coletados através de um aparelho chamado Personal Digital Assistant (PDA) para mais de sete mil postos de coleta regionais distribuídos em todo o país. Outra novidade é a possibilidade de o cidadão responder ao questionário via Internet. Para isso, o recenseador entrega um envelope com um código que dá acesso ao questionário e a um site seguro. Os números relacionados ao censo são superlativos. Até setembro, 230 mil recenseadores visitaram 51 milhões de domicílios em 5.565 municípios. O custo desse processo está estimado em mais de 900 milhões de dólares. Os preparativos iniciais começaram em 2007, com provas-piloto que se estenderam até 2009. Os resultados finais serão

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publicados em 2011. O primeiro censo do Brasil, em 1872, contou 10,1 milhões de habitantes, e o último, em 2000, registrou 169,8 milhões de habitantes. Um italiano no censo O sucesso de todo esse trabalho deve-se a um italiano que muito contribuiu com os censos de 1940 e 1950. O estatístico, demógrafo e economista Giorgio Mortara foi responsável por dezenas de estudos na área e “pensou em perguntas que ninguém havia pensado antes”, como explicou Nunes. Dessa forma, ele ajudou a resolver questões reais através de cálculos e gráficos. — Os métodos criados por ele foram essenciais para o desenvolvimento da cultura do censo do Brasil. Mortara era um obreiro incansável e um professor afável que aliava cultura e rigor científico — explica a assessora da presidência do IBGE para o censo, Alícia Bercovich, coautora do artigo “Redescobrindo o Brasil: viagem à demografia de Giorgio Mortara”, escrito para uma homenagem realizada pelo IBGE, em 2007, aos 40 anos de morte do italiano. Mortara nasceu em Mântua, na região da Lombardia, em 1885. Depois de se mudar com a família para Nápoles, em 1894, o italiano cursou o liceu e a faculdade de direito, formando-se em 1906. O interesse pelos estudos era evidente na vida do italiano que logo ganhou uma bolsa para aperfeiçoamento em estatística em Berlim, entre 1907 e 1908. Seus trabalhos começaram a ser publicados e ele foi convidado para integrar a redação do Gior-

Fotos: Divulgação IBGE

um número não desprezível de pessoas idosas, inclusive, com mais de cem anos de idade no Brasil — explica Nunes. De acordo com essas informações, o presidente do IBGE pode afirmar que a população brasileira está envelhecendo muito. Isto ocorre por conta de dois fenômenos: “envelhece porque vive mais e melhor; vive mais e melhor porque a mortalidade infantil está diminuindo muito”. — Se na primeira fase da vida, a criança supera as dificuldades inerentes do pós-natal, ela vai ter uma capacidade de resistência muito maior por toda a vida e vai viver muito. Além disso, a população está envelhecendo porque nascem menos crianças — informa. Esta coleta de dados realizada pelo IBGE é uma tarefa árdua também feita em outros países. O censo demográfico internacional, que tradicionalmente também acontece a cada 10 anos em diversos países, este ano vai mapear, ao todo, quase a metade da população mundial, de 6,7 bilhões de pessoas. Entre os países que realizaram ou ainda estão realizando o censo, até o final do ano estão Argentina, Bolívia, Cabo Verde, China, Estados Unidos, Finlândia, Indonésia, Japão, México, Paquistão, Rússia e Zâmbia.

na sta invecchiando molto. E dice che ciò è dovuto a due fenomeni: “invecchia perché vive di più e meglio; vive di più e meglio perché il tasso di mortalità infantile sta diminuendo molto”. — Se nella prima fase della vida il bambino supera le difficoltà legate alla fase postnatale avrà una capacità di resistenza molto maggiore per tutta la vita e vivrà molto. Inoltre la popolazione sta invecchiando perché nascono meno bambini — dice. Questa raccolta di dati realizzata dall’IBGE è un compito difficile realizzato anche in altri Paesi. Il censimento demografico internazionale, che per tradizione ha luogo anche in altri Paesi ogni dieci anni, quest’anno mapperà, in to-

Giorgio Mortara, que “pensou em perguntas que ninguém havia pensado antes” e o filho Valério Mortara, numa homenagem feita pelo IBGE ao seu pai, em 2007 Giorgio Mortara, che “ha pensato a domande a cui nessuno aveva pensato prima” e il figlio Valerio Mortara, in un omaggio reso dallo IBGE a suo padre nel 2007

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tale, quasi la metà della popolazione mondiale, ossia 6,7 miliardi di persone. Tra i Paesi che hanno realizzato o raccoglieranno dati per il censimento entro la fine dell’anno ci sono Argentina, Bolivia, Capo Verde, Cina, Stati Uniti, Finlandia, Indonesia, Giappone, Messico, Pakistan, Russia e Zambia. Innovazione Il Brasile è stato il pioniere nella promozione del primo censo digitale e computerizzato a livello nazionale. I rilevatori trasmettono tutti i dati raccolti per mezzo di un apparecchio chiamato Personal Digital Assistant (PDA) a più di settemila postazioni regionali di raccolta in tutto il Brasile. Un’altra novità riguarda la possibilità del cittadino di rispondere al questionario in Internet. Per farlo, il censitore consegna una busta con un codice che dà accesso al questionario e ad un sito internet sicuro. I numeri del censimento sono enormi. Fino a settembre 230mila rilevatori hanno visitato 51 milioni di residenze in 5.565 comuni. Si stima che tutto costerà più di 900 milioni di dollari. I preparativi per il censo hanno avuto inizio nel 2007, con test pilota durati fino al 2009. I risultati finali saranno resi noti nel 2011. Il primo censimento brasiliano, nel 1872, aveva rilevato 10,1 milioni di abitanti e l’ultimo, nel 2000, ne aveva registrati 169,8 milioni.


Un italiano nel censimento Il successo di tutto questo lavoro è dovuto ad un italiano che ha contribuito molto ai censimenti del 1940 e del 1950. Lo statistico, demografo ed economista Giorgio Mortara era il responsabile di decine di studi in quest’area e “ha pensato a domande a cui nessuno aveva mai pensato prima”, ha spiegato Nunes. Cosí ha aiutato a risolvere questioni reali grazie a calcoli e grafici. — I metodi creati da lui sono stati essenziali per lo sviluppo della cultura del censimento del Brasile. Mortara era un infaticabile lavoratore ed un amabile professore che riuniva in sé cultura e rigore scientifico — spiega l’assessore della presidenza dell’IBGE per il censimento, Alícia Bercovich, coautrice dell’articolo “Ri-

nale degli Economisti, que depois passou a dirigir até 1938. Mortara lecionou na Universidade de Milão, local para onde se mudou e no qual passou a dar aulas também na Universidade Bocconi. Em 1938, o italiano perdeu os cargos por conta de pressões políticas e leis racistas. Judeu, se viu obrigado a sair da Itália para fugir das perseguições do regime totalitarista. Fontes indicariam que o embaixador Barboza-Carneiro o teria convidado para colaborar no censo de 1940 e Mortara veio para o Brasil em 1939. — Ele chegou ao país numa época em que o IBGE tinha acabado de ser criado. O primeiro censo tinha sido feito em 1872 e o último em 1920. Quando iniciamos os trabalhos para o censo de 1940 nós já estávamos há 20 anos sem informações — revela o presidente Nunes, funcionário do IBGE desde 1980 e no cargo desde 2003. O italiano, então, criou no IBGE a modalidade de estudos das informações existentes para compor a avaliação não só da população como da própria cobertura e qualidade do recenseamento. — Até hoje a gente faz isso, a reconciliação dos dados do censo. Essa cobertura é feita por dois métodos: uma nova pesquisa de campo que a gente faz com uma amostra pequena para revisitar os domicílios e verificar se

as respostas correspondem àquelas que o recenseador coletou. Isso é o que a gente chama de avaliação direta. E a indireta que é a utilização dos dados externos para ver a evolução da população. Então, tem todo um modelo construído e adotado pelo IBGE que nasceu em 1940, e o mentor deste modelo foi o Mortara — explica Nunes. O presidente conta que o que mudou da época de Mortara para hoje foi a ampliação dos quesitos do questionário. Muitas perguntas realizadas até hoje foram feitas pela primeira vez em 1940 por influência do italiano. — A evolução da taxa de fecundidade, para saber o número médio de filhos da mulher brasileira e a taxa de mortalidade foram ‘ideias’ dele, por exemplo. Muitos desses itens incluídos no censo de 1940 no Brasil passaram a ser recomendações das Nações Unidas para que os países façam isso nos seus censos. Todos nós dentro do IBGE conhecemos e sabemos quão importan-

scoprendo il Brasile: viaggio alla demografia di Giorgio Mortara”, scritto in occasione di un omaggio resogli dall’IBGE nel 2007 per i 40 anni della morte dell’italiano. Mortara nasce a Mantova, in Lombardia, nel 1885. Dopo essersi trasferito con la famiglia a Napoli nel 1894 fa il liceo, poi la facoltà di Giurisprudenza e si laurea nel 1906. Gli interessi per gli studi sono evidenti nella vita di questo italiano che subito consegue una borsa di studi per un perfezionamento in statistica a Berlino, tra il 1907 e il 1908. I suoi lavori cominciano ad essere pubblicati e viene invitato a far parte della redazione del Giornale degli Economisti, di cui diviene poi direttore fino al 1938. Mortara tiene allora lezioni presso l’Università di Milano, città in cui si trasferisce e dove comincia ad insegnare anche presso la Bocconi. Nel 1938 l’italiano perde gli incarichi dovuto a pressioni politiche e leggi razziste. Ebreo, se ne deve andare dall’Italia per fuggire dalle persecuzioni del regime

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totalitario. Qualche fonte suggerisce che l’ambasciatore BarbozaCarneiro l’abbia invitato in Brasile per collaborare al censimento del 1940 e Mortara ci arriva nel 1939. — E’ arrivato qui in un’epoca in cui l’IBGE era appena stato fondato. Il primo censimento era stato fatto nel 1872 e l’ultimo nel 1920. Quando abbiamo dato inizio ai lavori per quello del 1940 eravamo senza informazioni già da vent’anni — rivela il presidente Nunes, impiegato dell’IBGE dal 1980 e che copre questo incarico dal 2003. All’epoca l’italiano nell’IBGE ha creato la modalità di studi delle informazioni esistenti per comporre la valutazione non solo della popolazione ma anche della copertura e della qualità del censimento. — Ancora oggi lo facciamo, ossia l’accostamento dei dati del censimento. Questa copertura viene fatta per mezzo di due metodi: un nuovo sondaggio che facciamo con una piccola campionatura per rivisitare le abitazioni e verificare se le risposte corrispondono a quelle che il censitore ha raccolto. Questa fase la chiamiamo valutazione diretta. E l’indiretta, che è quella che usa i dati esterni per vedere l’evoluzione della popolazione. Quindi c’è tutto un modello costruito e adottato dall’IBGE, nato nel 1940, e Mortara ne è stato l’ideatore — spiega Nunes. Il presidente racconta che l’unico cambiamento dall’epoca di Mortara sono le domande del questionario, ora più ampie. Molte domande di quelle fatte fino ad oggi risalgono al ‘40 grazie all’italiano. — L’evoluzione del tasso di fecondità, per sapere il numero medio di figli delle donne brasiliane e quello di mortalità sono state sue ‘idee’, per esempio. Molte di queste voci incluse nel censimento del ’40 in Brasile hanno cominciato ad essere indicate dalle Nazioni Unite affinché siano usate dai Paesi nei loro censimenti. Tutti noi all’interno dell’IBGE conosciamo e sappiamo quanto è stato importante Mortara. Quando parliamo di censimento [diciamo che] i più importanti sono stati quelli del ’40 e del ’50 — dice. Con la fine del regime fascista nel ’45 il governo ha restituito l’incarico di professore a Mortara, ma lui ha ritenuto che, per gratitudine verso il Brasile, era suo dovere terminare il compito in cui si era impegnato. Solo dopo

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capa te o Mortara foi. Quando falamos em censo, os mais importantes foram os de 1940 e 1950 — diz. Com o fim do regime fascista, em 1945, o governo italiano restituiu o cargo de professor a Mortara, mas ele julgou ser seu dever terminar a tarefa que estava empenhado, por gratidão ao Brasil. Só após se aposentar do IBGE, em 1956, ele voltou a lecionar na Itália, na Universidade de Roma, por quatro anos letivos até se aposentar e receber o título de professor emérito. Em 1962, ele recebeu também o Premio Marzotto e prosseguiu em seu trabalho científico, colaborando com o IBGE e com instituições internacionais de economia, estatística e demografia, até 1967, ano de sua morte, que ocorreu no Rio de Janeiro. Mortara teve quatro filhos, todos nascidos na Itália: Alberto, Guido, Marcela e Valério. Os dois últimos estão vivos e moram no Rio de Janeiro. — Com 10, 11 anos, eu via meu pai trabalhar muito e até levar trabalho para casa. Mas eu não tinha ideia das dificuldades enfrentadas por ele porque eu era muito novo e ele não falava sobre isso comigo. Talvez, meus irmãos soubessem de algo. O que sei é que meu pai, enquanto trabalhou, cultivou as melhores relações de amizade e era muito querido por seus colegas de trabalho — confidencia Valério Mortara, de 79 anos. O presidente do IBGE revela que gostaria de ainda poder contar com a ajuda de Mortara para superar alguns desafios que o Instituto terá de enfrentar na década atual. Ele explica que, como a instituição deu “passos gigantescos” no sentido de fazer grandes pesquisas estatísticas, muitas políticas públicas e leis foram e são criadas tendo como parâmetro de referência as informações produzidas pelo IBGE. Dessa forma, o autor dos trabalhos fica impossibilitado de alterar os parâmetros do ponto de vista metodológico e conceitual: — Se eu promover alguma alteração expressiva na minha pesquisa eu posso alterar o impacto que isso pode ter numa lei específica, como por exemplo, tamanho de população, conceito de domicílio, conceito de município em termos de concentração urbana, pois são todos conceitos apoiados

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em critérios estatísticos do IBGE. O conceito de microrregião criado pelo IBGE é de 1974 e ele poderia ser repensado hoje. Mas muitas leis dizem que determinados recursos vão para os municípios em função do conceito de microrregião. Sendo assim, uma determinada região pode deixar de ganhar ou perder esses recursos. Outro fator que segundo o presidente envolve diretamente o italiano é sobre a legislação que diz que os municípios do Brasil devem receber recursos do fundo de participação dos municípios, o que acontece em função do tamanho da população. Com isso, o IBGE tem que calcular o tamanho da população de cada município por ano. Para isso, é preciso ter essas informações que Mortara desenvolveu e muitas delas não são estatísticas disponíveis anualmente por municípios. Assim, o IBGE precisa fazer estimativas de população. É possível ocorrer uma discrepância em alguns casos entre a população estimada e a população recenseada. — Precisamos aperfeiçoar esses modelos demográficos de estimativa anual municipal. Certamente, o Mortara haveria de iluminar muitos os nossos estatísticos e demógrafos para que encontrassem uma solução inteligente para darmos conta desse que eu diria ser um dos maiores desafios que o IBGE terá de enfrentar. Mais detalhado Além da novidade tecnológica no censo 2010, alguns quesitos foram incluídos no questionário. Pela primeira vez está sendo perguntado quanto tempo as pessoas gastam para ir de casa até o trabalho ou o local de estudo e qual meio de transporte elas utilizam. Assim, será possível avaliar como se dá a mobilidade atual no país. Os recenseadores também estão verificando as condições de urbanização dos domicílios. Além das perguntas que já eram realizadas como se tem água, esgoto e coleta de lixo, atualmente, o censo está perguntando sobre pavimentação e iluminação pública. — Um outro ponto importante é relativo à educação. Detalhamos todos os níveis de escolaridade e também estamos colhendo dados sobre quem tem acesso a programas de previdência social — informa Nunes.

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essersi pensionato dall’IBGE, nel 1956, ha ricominciato a dare lezioni in Italia, presso l’Università di Roma, per quattro anni fino a pensionarsi e ricevere il titolo di professore emerito. Nel ’62 ha ricevuto anche il Premio Marzotto ed ha proseguito nei suoi lavori scientifici, collaborando all’IBGE ed a istituzioni internazionali di economia, statistica e demografia, fino al ’67, anno del suo decesso, a Rio de Janeiro. Mortara ha avuto quattro figli, tutti nati in Italia: Alberto, Guido, Marcella e Valerio. Gli ultimi due sono vivi e abitano a Rio de Janeiro. — A 10, 11 anni vedevo mio padre che lavorava molto e portava pure lavoro a casa. Ma non avevo idea delle difficoltà che affrontava perché ero molto piccolo e non me ne parlava. Forse i miei fratelli ne sapevano qualcosa. So solo che mio padre, fin quando ha lavorato, ci ha sempre tenuto alle sue amicizie ed era molto caro ai suoi colleghi — confida Valerio Mortara, 79 anni. Il presidente dell’IBGE rivela che gli piacerebbe poter ancora contare sull’aiuto di Mortara per superare qualche sfida che l’Instituto dovrà affrontare in questo decennio. Spiega che siccome l’istituto ha fatto “passi da gigante” nel senso di fare grandi ricerche statistiche, molte politiche pubbliche e leggi sono state e sono ancora create usando come parametri di riferimento le informazioni prodotte dall’IBGE. Cosí l’autore dei lavori non può alterare i parametri dal punto di vista metodologico e concettuale: — Se io promuovo una qualche alterazione espressiva nella mia ricerca posso alterare l’im-

patto che ciò può avere su di una legge specifica, come per esempio la densità demografica, il concetto di domicilio, quello di comune in termini di concentrazione urbana, visto che sono tutti concetti appoggiati su criteri statistici dell’IBGE. Il concetto di microregione creato dall’IBGE è del 1974 e oggi potrebbe essere ripensato. Ma molte leggi dicono che determinati stanziamenti sono attribuiti ai comuni grazie al concetto di microregione. Quindi una certa regione potrebbe non ricevere più o perdere queste risorse. Secondo il presidente un altro fattore che coinvolge direttamente l’italiano riguarda la legislazione che dice che i comuni del Brasile devono ricevere stanziamenti del fondo di partecipazione dei comuni a seconda della densità demografica. Con ciò l’IBGE deve calcolare la densità di ogni municipio per anno. Per fare questo bisogna avere le informazioni che Mortara ha messo a punto e molte di esse non sono statistiche annue disponibili per i comuni. Cosí l’IBGE deve fare stime sulla popolazione. Può esserci una discrepanza in qualche caso tra la popolazione stimata e quella censita. — Dobbiamo perfezionare questi modelli demografici di stima annua comunale. Sicuramente Mortara potrebbe illuminare molti dei nostri statistici e demografi per fargli trovare una soluzione intelligente per risolvere questa che ritengo sia una delle maggiori sfide che l’IBGE dovrà affrontare. Più dettagliato Oltre alla novità tecnologica nel censimento 2010, altri quesiti sono stati inclusi nel questionario.

Os dados coletados são enviados para postos de coleta através de um aparelho chamado Personal Digital Assistant. O desafio do recenseador é percorrer longas distâncias para chegar às casas em que ele precisa visitar I dati raccolti sono inviati alle postazioni di raccolta per mezzo di un apparecchio chiamato Personal Digital Assistant. La sfida del censitore riguarda il percorrere lunghe distanze per arrivare alle case che deve visitare


Fotos: Divulgação IBGE

O presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, afirma que só a partir de 2011 serão divulgados números como indicadores sociais e presença de imigrantes no país Il presidente dello IBGE, Eduardo Pereira Nunes, dice che solo dal 2011 saranno resi noti numeri riguardanti gli indicatori sociali e la presenza di immigranti in Brasile

As dificuldades Engana-se quem pensa que as principais dificuldades encontradas pelos recenseadores estão no acesso a comunidades carentes e favelas. O presidente do IBGE afirma que o recenseador é responsável por uma área delimitada, chamada de setor censitário. Geralmente, essa área é a mais próxima de sua casa, para que ele já seja conhecido no local. — Na verdade, são os condomínios fechados os lugares de difícil acesso porque o recenseador precisa passar por vários porteiros até chegar ao morador. E, este morador, quase sempre, não se encontra em casa no horário comercial porque trabalha. Sendo assim, o recenseador tem de voltar mais de uma vez para fazer a coleta — explica Nunes. Nas zonas rurais, o maior problema é a locomoção. O desafio do recenseador é percorrer longas distâncias para chegar às casas em que ele precisa visitar. Por outro lado, o profissional costuma ser bem recebido e não encontra dificuldades para fazer a entrevista. A ponto de muitos terminarem por dormir nos domicílios de famílias que os receberam. Nunes ressalta o fato de o censo 2010 estar sendo mais comentado pela população. Ele afirma que isso é resultado de uma campanha intensa de publicidade e visibilidade e, por conta disso, o IBGE é mais reconhecido pela sociedade de hoje do que há 10 anos.

“De mão beijada” A verdade é que o censo 2010 está sendo realizado no período em que o país se prepara para receber novos governantes. Em 2011, uma gama de informações será apresentada pelo IBGE. Com isso, os resultados da pesquisa, segundo o presidente, contribuem e muito para os futuros gestores reavaliarem suas políticas públicas. — Exatamente por isso, a gente quer correr com os resultados para que os novos governantes já possam ter em 2011 muitas informações sobre seu estado, sobre o país e com base nelas já possam tomar decisões e avaliarem suas políticas. No fim de novembro, alguns dados serão divulgados, como por exemplo, o tamanho da população, inclusive por sexo, por condição de população rural e urbana. A partir de 2011, serão divulgados números robustos sobre a população brasileira, os indicadores sociais, econômicos, números de habitantes, níveis de educação, imigrantes e outras informações. — Nós vamos fazer uma tabulação avançada do censo. Ou seja, vamos selecionar um conjunto de indicadores sociais, econômicos, demográficos e domiciliares. Vamos processar esses indicadores para ao longo de 2011 já fazermos uma grande divulgação do censo demográfico — garante o presidente.

Per la prima volta viene domandato quanto tempo le persone ci mettono per andare da casa al lavoro o dove studiano e quale mezzo di trasporto usano. Cosí si potrà valutare come avviene attualmente la mobilità nel Paese. I censitori stanno anche verificando le condizioni di urbanizzazione delle residenze. Oltre alle domande che si facevano già, come se ci sono acqua, fogne e raccolta dei rifiuti, ora il censimento fa domande in rapporto alla pavimentazione e illuminazione pubbliche. — Un altro punto importante è legato all’educazione. Dettagliamo tutti i livelli scolastici e stiamo anche raccogliendo dati di coloro che hanno accesso a programmi di previdenza sociale — informa Nunes. Le difficoltà Si sbaglia chi pensa che le principali difficoltà trovate dai censitori risiedano nell’accesso alle comunità carenti e favelas. Il presidente dell’IBGE dice che il censitore è responsabile di un’area delimitata, chiamata settore del censo. Di solito quest’area è la più vicina alla sua casa cosí lui è già riconosciuto nel luogo. — In realtà sono i condomini privati che sono di difficile accesso, perché il censitore deve passare per vari portieri prima di arrivare all’abitante. E questi non sta quasi mai a casa in orario d’ufficio perché lavora. Cosí il rilevatore deve tornare varie volte per fare la raccolta dati — spiega Nunes. Nelle zone rurali il problema maggiore sono gli spostamenti.

Naturais da Itália no Brasil em 2000

Nati in Italia residenti in Brasile nel 2000 Norte Nord 814 Nordeste Nord-Est 2.765 Sudeste Sud-Est 45.243 Sul Sud 4.891 Centro-Oeste 1.319 Centro-Ovest

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La sfida del censitore riguarda il percorrere lunghe distanze per arrivare alle case che deve visitare. Ma questo professionista di solito viene trattato bene e non ha difficoltà a fare l’intervista. Addirittura qualcuno di loro alla fine dorme nelle residenze delle famiglie che l’hanno ricevuto. Nunes mette in risalto che il censimento del 2010 è il più commentato, finora, dalla popolazione. Dice che questo è risultato di un’intensa campagna di pubblicità e visibilità e, dovuto a ciò, l’importanza dell’IBGE è riconosciuta più oggi che 10 anni fa. Ma la realtà è che il censimento 2010 è in fase di realizzazione proprio nel periodo in cui il Brasile si prepara a ricevere nuovi governanti. Nel 2011 l’IBGE presenterà un grande ventaglio di informazioni, quindi i risultati del sondaggio, secondo il presidente, contribuiranno moltissimo ai futuri rappresentanti per rivalutare le loro politiche pubbliche. — Proprio per questo dobbiamo affrettarci a dare i risultati, perché i nuovi governanti possano avere già nel 2011 molte informazioni sui loro Stati, sul Paese e, su questa base, prendere decisioni e valutare le loro politiche. Alla fine di novembre qualche dato sarà reso noto, come ad esempio quello sulla densità demografica, anche considerando il sesso e se uno vive in città o in campagna. Dal 2011 saranno divulgati numeri importanti sulla popolazione brasiliana come gli indicatori sociali, economici, la densità demografica, i livelli scolastici, gli immigranti ed altre informazioni. — Faremo una tabulazione avanzata del censimento. Ossia selezioneremo un insieme di indicatori sociali, economici, demografici e domiciliari. Li processeremo per poter già fare, durante il 2011, una grande divulgazione del censimento demografico — garantisce il presidente.

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Na Itália, só em 2011

In Italia solo nel 2011 Projeto piloto que ouviu 78 mil famílias no ano passado foi bem-sucedido. Inovações na maneira de colher os dados devem trazer mais precisão ao levantamento Progetto pilota che l’anno scorso ha sondato 78 mila famiglie ha avuto successo Innovazioni sui metodi di raccolta dati dovranno assicurare più precisione ai rilevamenti

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á se vão quase 10 anos do último censo feito pela Itália para decifrar os nuances de sua população. Naquela época, temas latentes como a imigração não eram ainda fenômenos tão importantes como hoje. O que pode ter mudado no país em quase uma década? O mundo do trabalho, as relações sociais e o tamanho das famílias sofreram mudanças após a crise econômica que golpeou particularmente a Europa e suas políticas de welfare state? O que fazem e o que querem os jovens italianos de hoje em meio a um país que exibe uma população média cada vez mais envelhecida? Para responder a essas e a outras perguntas, o Instituto Nazionale di Statistica (Istat) fará um censo geral da população italiana no próximo ano. A particularidade é que, antes do trabalho geral de pesquisar as mais de 60 milhões de pessoas que vivem na península, o Istat realizou no ano passado um levantamento piloto com um universo reduzido de famílias. Foram ouvidas 78 mil

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famílias distribuídas em 31 municípios do país para representar as diversas realidades entre as regiões. Apesar de pequena se comparada ao Brasil, a Itália tem peculiaridades culturais, históricas e sociais que diferem enormemente de região para região. O censo italiano é diferente daquele feito no Brasil. O recenseador não é a única figura responsável pelos dados levantados – a população também o é. Ao visitar as famílias, o funcionário do Estado deixa com

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Leandro Demori

Especial de Roma ono già passati quasi 10 anni dall’ultimo censimento fatto in Italia per rilevare informazioni sulla sua popolazione. A quell’epoca temi latenti come quello dell’immigrazione non erano ancora fenomeni importanti come al giorno d’oggi. Cosa può essere cambiato in Italia in un decennio? Il mondo del lavoro, i rapporti sociali e la dimensione della famiglia hanno subíto cambiamenti dopo la crisi economica che ha colpito specialmente l’Europa e le sue politiche di welfare state? Cosa fanno e cosa vogliono i giovani italiani di oggi nel mezzo di un paese che presenta una popolazione media sempre più avanti nell’età? Per rispondere a questa e ad altre domande, l’anno prossimo l’Istituto Nazionale di Statistica (Istat) fa-

rà un censimento generale della popolazione italiana. La particolarità risiede nel fatto che prima del lavoro generale di ricerca fatto con i più di 60 milioni di persone che vivono sulla penisola, l’Istat ha realizzato, l’anno scorso, una rilevazione pilota con un universo ridotto di famiglie. L’Istituto ha sentito 78 mila nuclei familiari in 31 comuni italiani per rappresentare le diverse realtà tra le regioni. Malgrado sia di piccole dimensioni se paragonata al Brasile, l’Italia presenta peculiarità culturali, storiche, linguistiche e sociali che presentano differenze abissali da regione a regione. Il censimento italiano è diverso da quello fatto in Brasile. Il censitore non è l’unico responsabile dei dati rilevati: anche le persone lo sono. Quando visita le famiglie il rilevatore dello Stato lascia nelle loro mani dei questionari che si devono compilare e consegnare al municipio locale. Una delle novità del censimento del 2011 già testate nel rilevamento pilota è proprio il metodo come i questionari sono distribuiti e consegnati. Dall’anno prossimo ogni comune potrà inviare i questionari per posta. E i cittadini, a loro volta, potranno restituirli via web, posta o centri di raccolta. — La meta è quella di facilitare il lavoro di tutti — dice il responsabile dell’Istituto Nazionale di Statistica, Andrea Mancini. Un’altra novità sarà l’uso di un sistema di gestione di famiglie chiamato Sistema di Gestione della Rilevazione (SGR). Con il SGR i più di 8 mila organi di censimento avranno accesso immediato via web ai dati, soprattutto a quelli di famiglie che non avranno ancora consegnato i questionari. Il governo vuole evitare che questi siano “dimenticati” nelle case delle persone e che il numero di cittadini che non li consegneran-


elas alguns questionários que devem ser preenchidos e entregues na prefeitura local. Uma das novidades do censo de 2011 já testadas no levantamento piloto é justamente o método como os questionários são distribuídos e entregues. A partir do ano que vem, cada prefeitura poderá enviar os questionários por correio. Os cidadãos, por sua vez, poderão entregá-los via web, correios ou centros de recolhimento. — O objetivo é facilitar o trabalho de todos — diz o responsável pelo Centro de Estatísticas e Recenseamento, Andrea Mancini. Outra novidade será o uso de um sistema de gestão de famílias chamado Sistema di Gestione della Rilevazione (SGR). Com o SGR, os mais de 8 mil órgãos de recenseamento terão acesso online e imediato aos dados e, sobretudo, às famílias que já terão entregado os questionários. O governo quer evitar que questionários sejam “esquecidos” nas casas das pessoas e que o número de cidadãos que deixam de entregá-los seja relevante a ponto de alterar ou mascarar dados. Na Itália, os cidadãos são obrigados a informar ao governo seu endereço durante toda a vida. Pessoas que mudam de cidade ou até mesmo de país também. Esse sistema gera um problema crucial para o censo: muitas pessoas se mudam e não alteram o endereço junto aos órgãos oficiais. Ou seja: para o governo, uma pessoa registrada em Reggio Calabria é, em tese, cidadão daquela cidade – mesmo que essa pessoa esteja morando em Roma.

— Isso causa um desequilíbrio que pretendemos corrigir também com o SGR — explica Andrea Mancini, informando que com auxílio do software, os recenseadores irão atualizar os cadastros de moradia, sendo possível verificar se a pessoa que informou uma determinada residência, de fato, vive nela. Antes do censo que contabiliza o número de pessoas, o Istat pretende fazer um censo imobiliário. O objetivo é ter uma fotografia mais precisa das cidades e de suas construções. Saber, por exemplo, o número de casas, o número de edifícios, quantos andares, em média, eles têm, se são dotados de elevadores ou não, se são exclusivamente residenciais ou mistos. Essas informações, segundo o instituto, casarão com os dados recolhidos da população. Assim, será possível verificar onde e como as pessoas vivem.

no sia rilevante al punto da alterare o mascherare dati. In Italia i cittadini sono obbligati ad informare il governo il loro indirizzo per tutta la vita. Persone che cambiano città o persino di Paese. Questo sistema causa un problema cruciale al censo: molta gente cambia città ma non comunica il nuovo indirizzo all’anagrafe. Quindi per il governo una persona registrata a Reggio Calabria in tesi è cittadino di quella città, anche se sta abitando a Roma. — Tutto questo causa uno squilibrio che vogliamo correggere anche con il SGR — spiega Andrea Mancini, dicendo che con l’aiuto del software i rilevatori potranno aggiornare i regi-

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stri abitativi, e che sarà possibile verificare se la persona che ha dichiarato una determinata residenza ci vive veramente. Prima del censimento che calcola il numero di persone, l’Istat vuole fare un censimento degli immobili. La meta è quella di avere una foto il più precisa possibile delle città e delle sue costruzioni. Sapere, per esempio, il numero di case, di edifici e di quanti piani sono in media, se hanno l’ascensore o no, se sono esclusivamente residenziali o misti. Queste informazioni, secondo l’Istituto, saranno paragonate ai dati raccolti dalla popolazione. Cosí sarà possibile verificare dove e come vivono le persone.

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musica

Tu ci vai? Venticinque anni dopo la sua realizzazione Rock in Rio torna in città

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l festival che è entrato a far parte della storia di Rio de Janeiro ed è diventato famoso internazionalmente torna in città. Il Rock in Rio sarà realizzato di nuovo a Barra da Tijuca, adesso in un nuovo centro permanente per spettacoli che sarà amministrato dal comune.

Sônia Apolinário Il mese scorso il sindaco Eduardo Paes e l’impresario Roberto Medina hanno chiuso l’accordo per realizzare tre edizioni dell’evento nel 2011, 2013 e 2015, sempre in settembre. Tutto si svolgerà in uno spazio di 150 mila metri quadri sulle rive della Lagoa de Jacarepaguá. E durante le Olimpiadi del

2016 servirà come area di svago esclusiva per gli atleti. Il piano del comune è che l’area – che sarà chiamata Parque Olímpico Cidade do Rock – dopo il festival di musica del 2011 possa accogliere altri grandi eventi. Quando il parco sarà libero dagli show verrà usato dalla popolazione che ci entrerà gratuitamente. Si pensa di spostare là gli eventi che attualmente si svolgono sulla spiaggia di Copacabana e nella baia di Botafogo, che provocano molta confusione al traffico della città e reclami degli abitanti dei quartieri limitrofi. — La città ha bisogno di un luogo adatto ai grandi eventi. Oltre

a ciò Rock in Rio forse è, col carnevale, quello più rappresentativo dell’essere carioca. Abbiamo scelto di fare il festival a settembre perché è un mese in cui Rio non ha molte eventi. E così possiamo attrarre più turisti in città— afferma il sindaco Eduardo Paes. Il terreno scelto per accogliere il festival si trova davanti alla futura Vila Olímpica degli atleti. Ed è stato proprio là nel 1985 che si è svolta la prima edizione del Rock in Rio. Il comune dovrà espropriare l’area e investirvi 40 milioni di reais in opere d’urbanizzazione. Il centro potrà accogliere 120 mila persone. L’inizio dei lavori è previsto per novembre e dovrà essere concluso in otto mesi.

Il sindaco Eduardo Paes e l’imprenditore Roberto Medina: Rock in Rio 2011 a Barra da Tijuca


música

Noite de Rainha

Depois de estrear sua carreira internacional em Nova Iorque, Ivete Sangalo segue rumo à Itália e sobe ao palco com Gigi D’Alessio

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ravar dois dvd’s, um no extinto estádio Fonte Nova, na Bahia, e outro no Maracanã, não foi suficiente para a cantora Ivete Sangalo. No início do mês, a baiana desembarcou nos Estados Unidos para lançar a sua tão sonhada carreira internacional. Desta vez, o destino foi Nova Iorque, mais precisamente o Madison Square Garden, onde gravou o seu mais novo dvd. Apesar das críticas feitas pelo jornal The New York Times afirmando que a cantora ainda estaria longe de aspirar a Top Ten mundial e fazer companhia a artistas como Beyoncé, Madonna e Shakira, Ivete não pareceu se preocupar, deu de ombros às críticas e seguiu viagem rumo à Itália. Depois do Madison Square Garden, a próxima parada foi o palco do Stadio Olimpico di Roma. A cantora brasileira entrou e cumprimentou os mais de 20 mil presentes, em italiano: “Buonasera, sono felice di stare qui con voi. Grazie Italia”. Ivete Sangalo era convidada de honra do cantor italiano Gigi D’Alessio no show da turnê Questo sono io World Tour 2010. — Quero apresentar uma artista extraordinária que fez 15 horas de voo do Brasil para estar aqui hoje em Roma — afirmou

Leandro Demori Especial de Roma

Gigi ao apresentar Ivete Sangalo a seu público. A convidada de honra pareceu à vontade e puxou logo um dueto em italiano e português de uma nova versão da balada “Se eu não te amasse tanto assim”, composta por Herbert Vianna e Paulo Sergio Valle. Ivete, naturalmente, interpretou a parte em português, enquanto Gigi cantou estrofes em italiano da música lançada em 2002, do álbum homônimo da baiana. O dueto foi o aquecimento para que Gigi deixasse a “rainha do axé” sozinha no palco. Nada de balanço brasileiro. Ao “assumir” o palco, Ivete toca piano e canta sozinha a canção Easy, de Lionel Richie, repetindo a interpretação que fez também em seu show em Nova Iorque. Ao final da música, Gigi D’Alessio reaparece e volta a fazer elogios à cantora:

— Grande Ivete Sangalo! Durante o show, que foi transmitido pela Radio Rai Uno para toda a Itália, a cantora brasileira procurou exaltar o novo parceiro de música. — Fui recebida com muito carinho e estou feliz por estar aqui. Gigi é um artista popular como eu. Gosto de dividir o palco com pessoas assim, criteriosas com o que fazem — afirma no palco. Não é apenas no Brasil que Ivete tem tratamento de rainha. A estadia de Ivete em Roma teve ares de autoridade de Estado. D’Alessio ofereceu à ela seu jatinho particular, transportando a cantora de Portugal até à Itália. Além disso, a baiana teve uma escolta de batedores da polícia de Cidade Eterna solicitada pelo próprio anfitrião para acompanhá-la do aeroporto ao Stadio Olimpico.

Bus repellibusam volupti aut ad quis aut molor sitemol uptatissunt aut faccaectur alibus molo voloressequi coria volorem velici quati ium expedi

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A baiana ficou hospedada em uma suíte de 350 metros quadrados no hotel Hotel Parco dei Principi -um dos mais suntuosos da capital -- com vista para o Vaticano. Em entrevista após o show, Gigi D’Alessio contou que a apresentação “della Sangalo” em Roma é uma prévia do que estará no próximo disco do cantor – e também nos palcos do Brasil. Os dois já haviam gravado a música “Un nuovo baccio” que também terá texto em português e italiano e fará parte do primeiro álbum de Gigi destinado ao público brasileiro, com previsão de lançamento para o final do ano. Para o lançamento, uma série de shows em terras brasileiras já está sendo elaborada. — Ivete é uma mulher extraordinária. Não vejo a hora de chegar ao Brasil e encontrar não só os 34 milhões de italianos que estão por lá hoje, mas também de sentir a energia dos fãs de Ivete — declara Gigi que faz show no Brasil em breve. O aperitivo apresentado em Roma teve somente duas músicas, mas parece ter sido o suficiente para mostrar a boa receptividade do público composto de muitos italianos. “Grazie Italia, ti voglio muito bene”. Misturando italiano e português, línguas também presentes na massa de romanos e brasileiros que prestigiavam o show, a cantora baiana se despediu. Foi muito aplaudida, com tempo para saudar o prefeito de Roma, Gianni Alemanno, e a apresentadora de televisão Valeria Marini, que se agitavam pelos camarotes. Ivete, Gigi, Valeria Marini e algumas celebridades fecharam a noite jantando em um restaurante de comida típica napolitana. A noite acabou em pizza. Nesse caso, parece ser um bom sinal.

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negócios

Chef paulista fa successo con ristoranti aperti in alberghi

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Robson Bertolino

Correspondente • São Paulo

antenere in vita un ristorante dentro un albergo non è un compito facile. Perché indipendentemente dal menu il locale di solito è visto appena come una soluzione per turisti frettolosi o poco curiosi di esplorare la città in cui si trovano. Ma questa storia, almeno a São Paulo, comincia a cambiare. Adesso quattro ristoranti che sono all’interno di due alberghi sono i beniamini dei paulisti. Hanno in comune il fatto di cucinare all’italiana e di appartenere alla stessa persona che “per caso” è lo chef di questi locali. La Forchetta e Il Papavero (nell’Hotel Quality Suítes) e La Ter-

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rina e Fior d’Italia (Hotel Mercure), in differenti quartieri della città, hanno le sale sempre piene. Per ognuno di loro lo chef Aldo Teixeira ha creato un menu diverso, ma senza rinunciare ai piatti classici della gastronomia italiana. Niente male per un cuoco autodidatta, ma che ha appreso dentro casa sua le lezioni più importanti che poteva avere sull’argomento in questione. Da bambino Teixeira amava osservare la nonna italiana (nata nel Veneto), che preparava la pasta fresca nella cucina della fattoria dove abitavano, a José Bonifácio, nell’interno dello stato di São Paulo. Laureato in amministrazione alberghiera e gastronomia nel

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Fotos: Claudio Cammarota

Quattro volte sapore

Senac, Teixeira ha intrapreso la professione nel 1975 quando è diventato cuoco del Clube Piratininga, nella regione centrale di SP. Tempo dopo è andato a lavorare nel ristorante Forchetta D’oro, esercitando diverse funzioni fino a diventare direttore. — Sono stato cameriere, aiuto cuoco e barman. Ho imparato quello che so in gran parte facendo pratica — racconta lo chef, che ha impiegato 16 anni per arrivare ad aprire il suo primo ristorante, La Forchetta, nel 2002. Nel menu ha riunito sapori italiani e brasiliani come i Ravioloni di Baccalà (ravioli con ripieno di baccalà e porro, conditi con sugo di pomodori senza la pelle, frutti di mare e funghi shiitake) e il Risotto di Manga (riso italiano arborio con fette di manga). L’anno dopo Teixeira ha aperto il Fior d’Italia che ha an-

che saloni per feste con capienza di 400 persone. Il ristorante La Terrina è nato nel 2006 dall’unione di due storie di successo – i ristoranti Forchetta D’Oro e Terrina. L’ambiente, moderno e accogliente, unisce la delicatezza dei toni pastello – nel salone principale – alla raffinatezza del gazebo, a lato della casa, che è decorato con ceramiche dipinte a mano da artisti brasiliani. In cucina predominano gli aromi e i sapori che privilegiano il nord dell’Italia, fra cui spicca il piatto Quaglie Al Niño (quaglie disossate, cucinate con un sugo d’erbe, accompagnate da capellini verdi con sugo d’erbe). Invece Il Papavero è più frequentato all’ora di pranzo, data la vicinanza con l’Avenida Paulista. Nel menu troviamo classici come la Steak à Diana (filetto alla griglia con burro, cipolla, funghi champignon, salsa rôti e panna da cucina) che convive con ricette più avanzate come il Pollo Ripieno di Pere (petto di pollo riempito di pere, cotto al vapore con un leggero sugo alla mostarda, accompagnato da riso ripassato in un condimento alle fragole). — Siamo sicuri che una speciale attenzione verso i clienti fa la differenza. Quando una persona esce di casa per mangiare, è alla ricerca di un sapore speciale, di un buon servizio e prezzi buoni. Uno dei miei segreti è quello di unire sapori curiosi a classici della culinaria italiana — afferma lo chef che sta già programmando di aprire una quinta casa, stavolta dentro un grande centro commerciale nella zona ovest di São Paulo.

La Terrina: l’ambiente unisce la delicatezza dei toni pastello alla raffinatezza del gazebo, che è decorato com ceramiche dipinte a mano da artisti brasiliani


Fotos: PhotosToGo.com

SaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSa

Agrião

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ublicada no British Journal of Nutrition and Biochemical Pharmacology, pesquisa da Universidade de Southampton, na Inglaterra, alerta que uma substância presente no agrião pode bloquear a formação de vasos sanguíneos que alimentam tumores. Para chegar à conclusão, os cientistas deram uma porção de 80 g de agrião a um grupo de mulheres que já tinham tido câncer de mama. Exames de sangue feitos nas voluntárias nas 24 horas seguintes ao consumo detectaram níveis significativos do composto feniletil isotiocianato, do agrião, nas amostras.

Próstata

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o Canadá, pesquisadores descobriram que um medicamento receitado a pacientes com alta taxa de colesterol também pode ser eficaz no tratamento contra o câncer de próstata. A rosuvastatina parece impedir o crescimento de um tumor na próstata de ratos, segundo o estudo divulgado na revista European Urology. A estatina atuaria como um inibidor angiogênico, ou seja, pode impedir que o tumor forme vasos sanguíneos. Se esta hipótese for confirmada por meio de testes clínicos, o tratamento contra o câncer de próstata de alguns pacientes ficará mais barato.

Saúde dos olhos

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esquisadores do Instituto de Tecnologia Waterford afirma que o ganho de peso e de gordura pode aumentar os riscos de desenvolver uma séria condição ocular que pode levar à cegueira. Ao estudar mais de 800 adultos irlandeses, os cientistas descobriram que o pigmento macular, obtido com o consumo de frutas, verduras e legumes que contêm luteína e zeaxantina, pode proteger contra a degeneração macular ao filtrar a luz azul que causa danos à mácula e neutralizar as moléculas instáveis que contribuem com a doença.

Contra o câncer

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Viagra pode aumentar a eficácia da droga doxorubicina no combate ao câncer de próstata e, ao mesmo tempo, aliviar os danos do tratamento ao coração, segundo estudo da Universidade Virginia Commonwealth, nos Estados Unidos. De acordo com os autores, há quatro décadas esse agente de quimioterapia é usado no tratamento de diversos tipos de câncer, apesar de ser associado a prejuízos para o coração anos mais

Diabetes

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essoas que dormem menos de seis horas por noite parecem não conseguir regular a glicose de forma tão eficiente. Isso aumenta seus riscos de desenvolver diabetes e doenças cardíacas, segundo estudo publicado na revista Annals of Epidemiology. Foram avaliadas mais de 1,4 mil pessoas com idades entre 35 e 79 anos. “Descobrimos que curta duração de sono estava associada com um significativo aumento de três vezes na propensão a desenvolver intolerância à glicemia de jejum, comparado a pessoas que têm uma média de seis a oito horas de sono por noite”, escreveu o pesquisador Saverio Stranges, da Escola Médica de Warwick, no Reino Unido.

tarde. Agora, o Viagra aparece como uma boa opção para reduzir esse efeito colateral sem atrapalhar a ação do remédio. “Acreditamos que o sildenafil (Viagra) poderia ser um excelente candidato para incorporação nos protocolos de tratamento - com potencial de aumentar a eficácia antitumor, enquanto protege o coração contra os danos em curto e longo prazo da doxorubicina”, destacou Rakesh C. Kukreja, que coordenou o estudo.

Conjuntivite alérgica

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o Brasil, o mês de setembro marca a chegada da primavera. Com a nova estação, chega também uma maior incidência de conjuntivite alérgica devido à grande quantidade de pólen no ar. De acordo com o médico oftalmologista José Geraldo Pereira, do Hospital de Olhos Inob, em Brasília, os sintomas dessa alteração são bem conhecidos: coceira, ardência, lacrimejamento, olhos vermelhos e fotofobia ou sensibilidade excessiva à luz. “Quem mais sofre são as crianças, por terem o hábito de esfregar os olhos. Quando contaminadas, as mãos atuam na propagação de diversas doenças”, lembra o especialista. Suas recomendações: manter as mãos limpas; evitar coçar os olhos; evitar flores dentro de casa; manter os ambientes arejados; forrar travesseiros e colchões com material antialérgico e antibactericida; lavar roupas guardadas há muito tempo antes de usar; evitar o manuseio de objetos com muito pó; manter filtros de aparelhos de ar condicionado sempre limpos; e tomar cuidado com animais domésticos que soltam pelos.

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Calcio Andrea Ciprandi Ratto

Tipicamente italiano N

el mondo del pallone nostrano hanno recentemente fatto irruzione un paio di novità. Una di carattere organizzativo, vale a dire l’introduzione della partita della domenica all’ora di pranzo; l’altra mediatica, cioè l’ammissione delle telecamere negli spogliatoi prima di ogni partita. Sono innovazioni che non avrebbero alcun legame tra loro se non fosse che sono anche gli indicatori di due atteggiamenti tipicamente italiani: il perenne lamentarsi e l’assuefazione alla banalità. Andiamo con ordine. Ne è passato di tempo da quando ci raccontarono che le partite di cartello del campionato inglese programmate a mezzogiorno rientravano in un piano di controllo dei tifosi scalmanati. Alcuni studi, ci dicevano, avrebbero provato la minore pericolosità degli ultras più violenti prima di una certa ora. Fatti due calcoli sui fusi orari asiatici e considerato l’improvviso fiorire di sponsor asiatici anch’essi, però, a più di una persona era sorto il dubbio che la sicurezza c’entrasse poco o che quanto meno esistesse una fortunata coincidenza fra i ‘prime time’ indonesiani, cinesi e giapponesi e i momenti del giorno in cui i teppisti inglesi erano più controllabili. Ci ha pensato Galliani, l’estate scorsa, a fugare ogni dubbio. Le partite disputate e trasmesse all’ora di pranzo, aveva spiegato, costituivano una mera quanto preziosa fonte di entrate e questo valeva anche per Lega e squadre di Serie A, nessuna esclusa, che da lì a pochi mesi avrebbero sperimentato questa nuova formula. Partendo da questo presupposto, dovrebbe fare specie che dopo 46

le prime giornate siano piovute lamentele da più parti. Non stupisce invece il fatto che a lamentarsi siano stati alcuni fra i più noti e vulcanici Presidenti della massima serie italiana dopo che le loro rispettive squadre non erano riuscite a portare a casa i tre punti da questo appuntamento. C’è da chiedersi come possano lagnarsi dopo aver firmato l’ennesimo contratto remunerativo che lega il calcio alle televisioni. Sarebbe meglio dire ‘assoggetta’, ma data la libertà di ogni contraente di aderire o meno, foss’anche attraverso l’intermediazione di un organo collegiale come la Lega, scappa da ridere. Non è tempo che certi primattori del nostro calcio si assumano le proprie responsabilità prendendo finalmente una posizione chiara? Sarebbe infatti oppor-

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tuno che non fingessero disagio e comunanza d’interessi coi tifosi insoddisfatti perché, è evidente, il loro primo pensiero non è per le sorti della squadra ovvero dei colori bensì per quelle della Società, leggasi profitti. Ma l’assurdo sta anche in altro. Mentre questi Presidenti, in attesa dei prossimi, c’è da scommetterci, piangono dorate lacrime di coccodrillo, una parte della televisione satellitare si vanta di aver proiettato i tifosi in pantofole nel futuro dell’informazione. Da questa stagione chi non va allo stadio può godersi interviste a bordo campo fra un tempo e l’altro e soprattutto le immagini dagli spogliatoi prima del fischio d’inizio. “Entreremo nel ‘sancta sanctorum’ del calcio, potremo finalmente farvi vivere le emozioni e le tensioni

del prepartita coi vostri idoli, seguiti nell’imminenza di scendere in campo!” ci avevano annunciato. Peccato che nessun allenatore darebbe le ultime indicazioni tattiche e nessun giocatore riuscirebbe a trovare la concentrazione in presenza delle telecamere. Ecco allora che è necessario spacciare per immagini in diretta (e dell’ultimo momento) quelle registrate mezz’ora prima: in un trucco del genere mi sono già imbattuto allorché ho visto ripetersi la stessa scena, definita sempre in diretta. Insomma, siamo alla presa in giro. E soprattutto, mi chiedo, cosa c’è da vedere? Dài, possiamo tranquillamente fare a meno di questi servizi che ritraggono calciatori inibiti e restii a mostrarsi per quel che sono, che quando arriva la telecamera sghignazzano, si ammutoliscono e abbassano lo sguardo come a significare “guarda cosa ci tocca fare…” Insomma, da un lato un atteggiamento teatrale e tanto più antipatico quanto più si pensa che i più importanti protagonisti del calcio possono permettersi di lanciare il sasso e poi nascondere la mano. Lamentandosi pure di quel sasso lanciato. Dall’altro, ecco una cronaca televisiva propinataci, oltre che coi soliti toni esagerati e autocelebrativi, nel più assurdo dei modi: riadattando sempre più spesso la realtà, come succede anche in molti TG di carattere generale. Tristemente. E’ come se del discernimento di chi guarda non importasse nulla perché l’importante è trasmettere qualcosa di fintamente inedito per giustificare nuovi investimenti degli sponsor. Per me, queste due facce della stessa e italianissima medaglia pari sono.


Firenze Giordano Iapalucci

La Porta dell’Infinito

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i inaugura il 29 ottobre presso la Galleria Varart di Firenze la mostra personale di Franco Summa dal titolo “La Porta dell’Infinito”. Quella di Summa viene denominata “arte ambientale” perché opera in ampi spazi meglio ancora se sono aperti e inseriti nell’ambito urbano. Le sue opere spesso ritraggono infatti strade, porte, muri scale e molto altro utilizzando materiali come stoffa e carta, sfruttando l’ampiezza dei colori per la trasformazione stessa dell’oggetto. Numerose le sue mostre personali ospitate da importanti gallerie come quella di Kassel e la Biennale di Venezia. Inaugurazione alle ore 18.00. Resterà aperta fino al 22 gennaio 2011 con orario 10.00 - 12.30 / 16.00 - 19.30 Chiuso lunedì e festivi.

Boccaccesca

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itorna, dal 2 al 10 ottobre a Certaldo Alto (Fi), la rassegna dei prodotti e dei piaceri del gusto di stampo toscano. Una manifestazione piena di eventi al suo interno. Oltre alla degustazione di cibi e bevande è possibile partecipare anche alle lezioni di cucina toscana come ad incontri sulla biodiversità e

la cosiddetta “filiera corta”, ossia l’attenzione a quei prodotti che hanno una piena tracciabilità e una vicinanza fisica vera e propria dal produttore al consumatore finale. Nelle serate di sabato 9 e domenica 10 ottobre vi sarà poi la premiazione di migliori vini toscani, sia bianchi che rossi. Ingresso libero.

Testimoni di un assenza Weekend con il delitto

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rentadue sculture dell’artista spagnolo Román Hernández e di Michele Mulas in memoria di Jorge Eielson: un artista come anche poeta e scrittore di origine peruviana del secolo scorso a cui hanno voluto dedicare questa mostra dal titolo “Testimoni di un’assenza”. La linea invisibile che unisce tutte le opere si dipana sul rapporto artistico intrecciato con Eielson, e nonostante il loro lavoro artistico parta sempre dall’osservazione della realtà pervengono a due modelli distinti e assai personali di astrazione. Nella parte finale della mostra sono esposte alcune opere dello stesso Eielson dalle quali è possibile evincere il dialogo artistico con i due artisti, Hernández e Mulas. Galleria del Palazzo Coveri a Firenze. Fino al 22 ottobre. Ingresso libero.

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li amanti del genere thriller sono convocati il 6 novembre a San Vincenzo, in provincia di Livorno. Questa volta però niente libri o mostre. L’ambientazione è tutta reale e l’avventura del giallo è vissuta in prima persona. Tutto si svolge tra sabato 6 e domenica 7 novembre in un casale immerso nella campagna toscana, il Podere Tuscania. Si tratta di mettere in campo, insieme alla propria squadra, le proprie abilità di detective raccogliendo indizi, compiere sopralluoghi, perquisizioni e interrogare testimoni per scoprire un misterioso omicidio (ovviamente fittizio). Sarete in grado di smascherare il vero assassino? Il prezzo è 135 euro inclusi pernottamento, cena, bevande, colazione, pranzo e gioco. Info: email: info@yellowlegacy.it

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Il ritorno di Beppe Grillo

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educe dal tour europeo con lo spettacolo “Incredible Italy” (Londra, Bruxelles, Parigi, Vienna, Monaco, Zurigo e Basilea tra le tante), Beppe Grillo ritorna sui palchi italiani dopo 7 anni di assenza. Il comico genovese proporrà quell’umorismo a denti stretti dove la risata è la prima scorza dietro la quale si cela un mondo molto più complesso e fatto di inquietanti verità. Nel suo spettacolo, con il solito linguaggio pungente, costellato di spunti per la critica costruttiva toccherà i temi a lui da sempre più cari come la politica, l’economia e l’ecologia. Chi vuole avere uno squarcio della vera realtà italiana celata dai media deve assolutamente andare al Teatro Verdi di Montecatini Terme (Pt) il 15 ottobre. Ingresso da 22 a 36 euro.

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cultura

Petrópolis in festa Con teatro, shows, enogastronomia, cinema e poesia la città festeggia la cultura italiana

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Silvia Souza

a città di Petrópolis, che si trova nella regione montagnosa di Rio de Janeiro ed ha una popolazione di circa 300 mila abitanti, un terzo dei quali discendenti di italiani, ha scelto il mese di settembre per rendere omaggio alla cultura degli immigranti che ha accolto, e che ancora è percepibile se si guarda alle famiglie residenti nel comune. Risultato: una profusione di manifestazioni culturali che in una settimana hanno dimostrato che la cosiddetta città imperiale conserva le attrattive che avevano conquistato la napoletana imperatrice Teresa Cristina. Realizzata dalla Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis insieme alla Casa d’Italia Anita Garibaldi, la Serra Serata ha ricevuto in quattro giorni un pubblico di 100 mila persone. La festa, che celebra la presenza italiana in questo comune a partire dall’arrivo della sposa di D. Pedro II a Rio de Janeiro (la nave era approdata il 3 settembre e lo sbarco era avvenuto il giorno dopo), ha occupato la Praça da Liberdade ed è entrata a far parte del calendario ufficiale degli eventi del comune. — La varietà delle attività è stata un fattore positivo per cui

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abbiamo potuto attrarre pubblici diversi. Dobbiamo ricordare che Petrópolis fa parte della lista dei comuni che stimolano il turismo secondo il Ministero del Turismo. Alberghi e locande hanno riscontrato il tutto esaurito. Con questo tipo di organizzazione abbiamo avuto un circuito gastronomico con il meglio della culinaria italiana,  balli tipici, show musicali e una mostra del cinema italiano — ci informa il direttore culturale della Casa D’Italia di Petrópolis, José Luiz D’Amico. Sul tema teatro e musica ha avuto grande rilievo il Gruppo Amarcord – Compagnia Italiana di Teatro e Opera. Come parte del progetto Palco Itália, Petrópolis ha ricevuto il gruppo creato nel 2000 a Bologna, gruppo che nel-

le sue rappresentazioni mischia il cabaret lirico alle canzoni tradizionali italiane. Sul tema poesia il concorso Passione ha coinvolto il pubblico infantile e giovanile preoccupandosi di preservare la storia e l’italianità trasmessa di generazione in generazione. Oltre alla festa, abbellita da banchi con cibi tipici, il Seminário Itália-Brasil ha presentato ai partecipanti uno scambio di culture e possibilità. A cominciare dalla conferenza della direttrice dell’Istituto Nazionale Assistenza Sociale (INAS) di Rio de Janeiro, Rita Martire, che ha affrontato il tema “Diritti: Titolo di Cittadinanza, Lavoro in Italia e Previdenza – L’Assistenza Sociale Italiana vigente in Brasile”. Sono state ricordate le cose fatte dagli italiani nel paese e i loro percorsi. La storica Patrícia Souza Lima ha presentato un lavoro sulla comunità italiana

di Niterói, regione metropolitana di Rio de Janeiro, con testimonianze di immigranti arrivati negli anni ‘50. Inoltre il professore Francisco Antonio Doria ha raccontato la storia delle famiglie Cavalcanti, Acciaioli (Accioli), Spinola, Doria e Lomellini nel Brasile dei secoli XVI e XVII, per spiegare come famiglie di grandi mercanti italiani hanno aiutato a “colonizzare” il Brasile. Fra argomenti ed invitati vari, il professor Aniello Angelo Avella, Titolare della Università di Roma Tor Vergata e membro del Consiglio Nazionale di Ricerche del Dipartimento dell’Identità Culturale – Italia, ha presentato una biografia inedita dell’imperatrice Dona Teresa Cristina. Avella è stato nominato Consigliere dell’Ambasciata d’Italia per gli Eventi Culturali che si riferiscono al “Momento Italia in Brasile”.

Brindisi: Il sindaco Paulo Mustrangi (sinistra), il console Umberto Malnati e il presidente della Casa d’Italia Anita Garibaldi, Pasquale Cutrupi. Accanto, tavolo della commissione del concorso Passione

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Milão Guilherme Aquino

Casa Nova

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Ibrit está de casa nova. O Instituto Brasil-Itália, centro de referência cultural brasileiro em terra estrangeira, mudou de endereço. Ele agora abre as suas portas em Via Clerici, 3, bem no centro de Milão, ao lado da estação do metrô de Cordusio, entre o Castelo Sforzesco e a praça do Duomo. A nova sede continua a oferecer os serviços de biblioteca, com cerca de 9 mil volumes, além de videoteca, cursos de língua portuguesa e uma agenda cultural que revela o Brasil com todas as suas belezas, riquezas e contradições. Os telefones também mudaram: 0289072333 e 0289072399. Já o site é o mesmo: www.ibrit.it.

Hotel musical

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ilão ganhou um hotel lírico. Distante poucos passos do teatro La Scala, no coração de Brera, o Milano Scala nasce como uma obra-prima, quase uma ópera do meio ambiente. A tecnologia implantada permite um grande consumo de energia, através de equipamentos de última geração capazes de distribuir a luz e o calor sem o menor desperdício. Além disso,

todos os papéis usados no hotel, do banheiro à administração são de florestas certificadas. Mas a grande cena é a decoração dos quartos e halls. Elementos de cenografia e fotografia e nomes das óperas líricas e dos principais compositores decoram e batizam cada um dos ambientes. Partituras e referências ao mundo da música estão por todas as partes dando um charme extra ao local.

Raízes elegantes

Divino

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museu Casa del Manzoni, no centro de Milão, exibe votos de fiéis que receberam a benção do divino. O voto da virgindade em troca da salvação do perigo, feito por Lucia Mondella e descrito no famoso romance Promessi Sposi, é o ponto de partida para uma viagem religiosa de gratidão pela graça alcançada. Cem peças, entre as mais importantes e originais da principal coleção privada italiana, são exibidas para quem tem na fé uma força interior capaz de remover montanhas. Pinturas em mesas, telas e em outros materiais contam a devoção às promessas feitas ao longo dos últimos quinhentos anos. ...E fo voto a voi... fica em cartaz até o dia 29 de outubro.

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Voto em Milão

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s brasileiros que solicitaram o alistamento, a transferência ou a revisão do Título de Eleitor dentro do prazo previsto, ou seja, 5 de maio, poderão votar nas eleições presidenciais, no primeiro turno, dia 3 de outubro e, caso haja, no segundo turno, dia 31 de outubro. O horário de votação, em ambos os casos, é das 8h às 17h, no Palazzo Clerici, em via Clerici, 5, e não na sede do Consulado do Brasil. O motivo é que este é um espaço maior, uma vez que o eleitorado brasileiro em Milão é muito grande.

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Palazzo Visconti, no centro de Milão, reviveu os seus dias de esplendor com ginga e muito sincretismo religioso. O histórico palácio, construído no século 17, serviu de cenário para festa da Independência do Brasil. Exatamente no dia sete de setembro, o empresariado milanês e a comunidade brasileira reuniram-se para celebrar o grito do Ipiranga. O anfitrião, cônsul do Brasil em Milão, o embaixador Luiz Henrique Pereira da Fonseca, juntou os amigos dos dois países na comemoração. No cardápio, quitutes brasileiros. Em cena, duas bailarinas vestidas de baiana reproduziram passos do candomblé.

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turismo

Roteiro estrelar Em livro, atores da novela Passione se tornam guias da Toscana

Sônia Apolinário

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Alberto Carvalho

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atriz Fernanda Montenegro revela sua paixão pela cidade de Pienza. Já Mariana Ximenes se impressionou com a igreja de San Galgano, perto de Siena, enquanto Reynaldo Gianecchini mata as saudades de Lucca e Leandra Leal descobre o melhor sorvete do mundo em San Gimignano. Atores da novela que a Rede Globo exibe no horário nobre, eles assumem o papel de guia turístico no livro Passione, um roteiro pela Toscana lançado pela BEĨ Editora. De leitura ligeira, as 175 páginas formam um mosaico da região ao norte da Itália que povoa o imaginário de turistas de todos os cantos do mundo. Feito basicamente a partir do depoimento dos atores que foram para lá gravar cenas iniciais da novela, o livro é uma espécie de guia afetivo onde eles fornecem dicas de passeios, restaurantes e com-

Ao lado, Pienza, onde tem um ravióli inesquecível, segundo Fernanda Montenegro. Acima, Lucca, a cidade com ar medieval que encanta Reinaldo Gianecchini

pras, além de explicar um pouco da personalidade e hábitos dos habitantes da Toscana. Coincidência ou não, a maior parte do “elenco” do livro é de origem italiana. Dentre eles, tem até “toscanos”. A família de Gianecchini é originária de Lucca. O ator aproveitou períodos de folga da gravação para rever a cidade: — Acho Lucca uma graça. É sempre uma delícia voltar. É interessante notar como a cidade se mantém medieval na aparên-

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cia, ao mesmo tempo em que, nos interiores das casas, é moderna, com serviços e lojas atuais, de importantes grifes italianas. “Italianos” ou não, a maioria dos atores também conhecia a Itália de outros carnavais. Fernanda Montenegro, por exemplo, cuja família é da Sardenha, foi à Toscana pela primeira vez há mais de 30 anos. As gravações de Passione foram as responsáveis pela sua quarta incursão pela região. Mas foi na época em que

participava da novela Esperança (2002) – que também teve Gianecchini no elenco — que a atriz descobriu sua “pérola” italiana: Pienza, quase uma aldeia nos arredores de Siena. — É uma cidade deslumbrante. Como sempre, pequena, com um lado medieval. Numa volta das gravações de Esperança, paramos ali e comemos um ravióli até hoje inesquecível. Minha sugestão é para que, se passarem pela região, não deixem de co-


Marcio de Souza

como reservados e tendem a ser formais nos primeiros contatos com pessoas desconhecidas”. Já Tony Ramos (brasileiro legítimo, mas casado com uma italiana e habituée do país) destaca o caráter artesanal do made in Italy típico da região. Isso, segundo ele, é o que faz toda a diferença nos produtos, ou como diz, “são sutilezas, são cuidados, são acabamentos” que os diferenciam das coisas feitas em outros lugares. Ainda no quesito gastronomia, Mariana Ximenes observa que é preciso ter um certo planejamento para comer, na Toscana. Isso porque, por volta das 14h30, os restaurantes fecham. O jantar também costuma ser servido mais cedo do que os brasileiros estão habituados e não é comum restaurantes abertos ao longo da madrugada. De todos os lugares onde esteve, a atriz destacou o La Giostra, em Florença, onde o próprio dono (de origem nobre) atende e cozinha. Há seis anos, Mariana fez uma bela viagem pela região. Chegou a alugar uma casa em Siena para aproveitar melhor. Agora, ela pode voltar à igreja de San Galgano: — É um lugar carregado de história que me tocou profundamente. É como se fosse uma ruína no meio da floresta, um monumento lindo. Para as gravações de Passione, a equipe percorreu várias cidades, mas usou Siena como base. Na opinião de Leandra Leal, lá, “você aluga um carro e é feliz porque

Mariana Ximenes adora Siena, em especial a igreja de San Galgano. Abaixo, Cacciucco livornese, uma das receitas que estão no livro

Tadeu Brunelli

nhecê-la — sugere a atriz que, desta vez, ao visitar a cidade, comprou um colar de coral em um “antiquário pequeno, lindo”. Apesar de ter alguma intimidade com a região, a atriz admite ter cometido uma gafe imperdoável. Diante de um orgulhoso produtor, Fernanda pediu um pouco de presunto de... Parma: — O homem me olhou com uma cara de decepção! Para usufruir o paraíso gastronômico do local, é preciso conhecer algumas regrinhas básicas. No livro, quem dá algumas dicas preciosas é outro “toscano” e de nome muito importante: Marcelo Medici. Florença é a terra do seu avô, mas, “infelizmente”, como conta o ator, seu sobrenome não tem ligação com os patronos do Renascimento e “donos” da capital da Toscana. Ele avisa que, por lá, é necessário evitar o costume brasileiro de fazer vários pedidos ao garçom, todo mundo ao mesmo tempo. Pior ainda: fazer um pedido para mudar de ideia em seguida e escolher outra coisa. — Eles não gostam disso e se fecham. Para eles, a composição dos pratos é quase sagrada. Se você pedir uma massa com tartufo, nem adianta pedir queijo ralado porque com tartufo, eles não servem — explica o ator que é apaixonado pela cidade de Monteriggioni, uma vila medieval encravada no topo de uma colina, perto de Siena. Aliás, logo no início, o livro avisa que os toscanos “são tidos

roda por todo entorno”. Foi exatamente isso o que ela fez. Dessa forma, ela se deparou com um “lugar incrível”: Monteriggioni, onde fica o que, segundo a atriz,

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está o restaurante tido como o melhor da Toscana, Il Pozzo. Já o melhor sorvete é o da Gelateria di Piazza, em San Gimignano. — Quando eu provei esse sorvete, o impacto foi muito grande. Queria trazer para o Brasil, para os meus amigos — conta. No final do guia, algumas receitas de pratos ajudam a dar mais água na boca dos amantes da culinária toscana. São cinco ao todo, além de receitas-base como, por exemplo, de molho de tomate ou risoto. Há também oito sugestões de vinhos da região para harmonizar com essa comida.

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cultura

Um passo à frente

Instalada em Minas Gerais, mas com atuação em diferentes cidades do país, Casa Fiat de Cultura passa por obras enquanto se prepara para Momento Itália-Brasil

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Silvia Souza

érie de eventos que marcará a cultura italiana em terras tupiniquins, o Momento Itália-Brasil só começa no segundo semestre de 2011. Porém, em Minas Gerais, a Casa Fiat de Cultura já trabalha em prol das mostras que exibirá no período. Criado há quatro anos e plenamente integrado à promoção cul-

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tural na região metropolitana de Belo Horizonte, o espaço passa por uma reforma estrutural e durante o evento capitaneado pela Embaixada da Itália no Brasil terá papel importante no âmbito artístico. Além de palco para a exposição Roma Imperial, com objetos como joias e afrescos que nunca saíram da Itália, suas galerias ainda apresentarão obras de Caravaggio e Giorgio de Chirico, ícones da fase renascentista e surrealista italianas respectivamente. Localizada em Nova Lima, a Casa de Cultura tem uma área

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total de 3.650 metros quadrados e é mantida pelas empresas do Grupo Fiat. Tem entre seus objetivos o estímulo à circulação dos bens culturais, a democratização do acesso às artes e a inclusão social. Sua atuação ultrapassa as paredes de sua sede e acompanha a realização de eventos em outras cidades do Brasil. — Era um sonho antigo da empresa ter esse canal e, fisicamente, retribuímos aos mineiros que nos adotaram. Está na veia do grupo esse entrosamento e apoio à cultura e educação. Na Itália, a empresa participa de diferentes atividades nesse sentido, então, ter esse espaço aqui foi um movimento natural proposto pelo atual presidente Cledorvino Bellini — recorda o presidente da Casa Fiat de Cultura José Eduardo de Lima Pereira, que acumula o cargo à função de diretor para Assuntos Corporativos da Fiat do Brasil.

Segundo Pereira, o ambiente nasceu como oportunidade para a ponte cultural entre Brasil e Itália, o que explica a exposição inaugural, Arte Italiana do Masp. Além das pinturas e esculturas em mármore oriundas da Itália, a mostra apresentou peças arqueológicas originárias da Magna Grécia, da Etrúria e do período da Roma antiga, além de uma série de cerâmicas chamadas maiólicas e livros raros da biblioteca do Museu de Arte de São Paulo. Agora, quatro anos depois e com um público acumulado em 250 mil pessoas, o local passa por obras estruturais que incluem melhorias no sistema de segurança, troca de piso, aperfeiçoamento da hidrometria na sala de exposições e a montagem

José Eduardo de Lima Pereira, presidente da Casa Fiat de Cultura

de uma cozinha que permitirá o local receber eventos de cunho gastronômico. A reforma garantirá uma ampliação na capacidade de suas galerias de 300 kg para 500 kg por metro quadrado. Apesar das obras, a Casa não para. Na vanguarda pela abertura do pensamento e da construção social, realiza anualmente o seminário “Mutações”. Em sua quarta edição, o ciclo teve a coordenação de Adauto Novaes


e discutiu o tema A invenção das crenças. Realizado simultaneamente em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, nos meses de agosto e setembro, a série contabilizou 80 conferências coma participação de professores e filósofos que trataram as abordagens científicas e religiosas do assunto. Atualmente, em parceria com a Origem Produções, a Casa Fiat realiza a 3ª Mostra Jovens Designers, com 120 produtos selecionados entre mais de 60 universidades. Depois de passar por São Paulo, Florianópolis, em outubro, e Brasília, em novembro, receberão a exposição. A última parada será em Belo Horizonte, em janeiro. Já em parceria com o projeto Sempre um Papo, será realizado na Casa, até novembro, o seminário Filosofia e Autoconhecimento – Diálogos com Márcia Tiburi. A sessão de debates contará com a participação de filósofos convidados. — Entendemos que a arte e a cultura não se prendem a formas específicas e nossa intenção é levar informação e conhecimento a todos que desejarem. Para isso, buscamos uma programação aberta a diferentes categorias. E nossos funcionários e seus familiares também usam esse espaço e se veem mais motivados — observa o presidente da Casa.

À direita e abaixo, cenas do projeto educativo do espaço que recebe portadores de necessidades especiais e estudantes

Com esse pensamento, uma das iniciativas capitaneadas pela Casa Fiat de Cultura é seu programa educativo que inclui, entre outras ações, assessoria a professores, visitas temáticas, palestras e oficinas. Tudo sem que os participantes tenham que desembolsar um centavo: — É emocionante participar, ou mesmo observar, a evolução de um programa de parceria com as redes públicas estaduais e municipais de ensino fundamental em torno de um projeto educacional ligado a uma exposição de relevo. Isso permite, a partir da adoção de uma abordagem transversal e multidisciplinar, levar para o dia-a-dia da sala de aula a reflexão criativa do aluno. A menina e o menino chegam à galeria sentindo-se os donos de tudo aquilo, pois conhecem os fundamentos do que é exibido; não são observadores passivos, pois aquele universo de arte faz parte de seu mundo de conhecimento. Retrospectiva Apesar da curta trajetória, a Casa Fiat de Cultura ainda tem em seu

currículo a participação na 27ª Bienal de Arte de São Paulo, em que promoveu o Fiat Mostra Brasil – projeto em que premiou 30 artistas. Em 2007, foi a vez da exibição de Speed – A Arte da Velocidade, que contemplou o futurismo italiano e, de forma dinâmica, narrou o inicio da mecânica e a evolução do automóvel. Já em 2008, o espaço recebeu Amílcar de Castro, lançou o projeto Música na Casa Fiat de Cultura e apresentou as mostras Com que roupa eu vou e A arte nos Mapas. O recorde de público (124 mil pessoas) foi alcançado em 2009, quando a Casa promoveu O mundo Mágico de Marc Chagall e Rodin, do Ateliê ao Museu, eventos que marcaram a celebração do Ano da França no Brasil e o roteiro das artes plásticas no país. Neste ano, devido à reforma em sua sede, a Casa realizou, em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, a exposição Guignard e o oriente: China, Japão e Minas, que depois de receber 50 mil visitantes em São Paulo, fica em cartaz até 7 de novembro em Porto Alegre, ou mais preci-

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samente no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Na avaliação de Pereira, não há fronteiras para a arte. Segundo ele, o compromisso da Casa é levar as obras dos grandes artistas do mundo a diversos pontos do Brasil. Com 35 anos de trabalho na Fiat, o advogado compara a cultura italiana à brasileira para explicar os ideais desenvolvidos na Casa Fiat de Cultura. — Sou descendente de portugueses e alemães. Porém, aprendi muito com a cultura italiana e admiro essa capacidade de fazer muito do pouco, de transformar uma terra aparentemente pobre, dar nova feição à realidade que lhes é imposta. Nós brasileiros também somos assim — avalia. Em consonância com a evolução apregoada pelo Grupo Fiat, Pereira deixa escapar que seu atual xodó é o novo Uno, segundo ele, “o carro mais bonito já feito aqui”. Mas ao olhar o passado da empresa, os momentos mais marcantes são próprios do início da caminhada da Fiat no Brasil. Formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, Pereira foi advogado da Companhia de Distritos Industriais do estado e chefe de gabinete da liderança do Governo na Assembleia Legislativa. — Eu já trabalhava pela Fiat sem fazer parte dela. Fiz a contratação da estrutura básica e acompanhei a expropriação do terreno. Andei muito a cavalo naquele lugar que daria origem à fábrica com os engenheiros, enquanto se fazia a medição do solo. Depois, já contratado, outro momento inesquecível foi o da inauguração, quando servi de intérprete para os presidentes do Brasil, Ernesto Geisel, e da Fiat, Giovanni Agnelli.

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turismo

Brincando nas montanhas do senhor Madonna di Campiglio, um camarote para o espetáculo dos Alpes italianos

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Guilherme Aquino

Correspondente • Milão

s nuvens brincam de esconde-esconde entre a floresta de pinheiros. A dança ao sabor do vento cria uma cenografia única nas Dolomitas, cadeia montanhosa dos Alpes orientais no norte da Itália. A uma altitude de 1.522 metros, a cidade de Madonna di Campiglio assiste ao espetáculo da natureza de camarote. Palco das primeiras escaladas de pioneiros alpinistas, as montanhas desde sempre vivem do turismo. Hoje, o visitante pode escolher desde a simples contemplação das montanhas decretadas patrimônio natural da humanidade pela Unesco, a caminhadas por uma infinidade de trilhas, ou pedalar em pistas que cortam bosques e pastos. Com cerca de mil habitantes, Madonna di Campiglio é uma vila e uma estação de esqui situada no Val Rendena, na comune de Pinzolo. Chalés espalham-se

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por todos os lados, com as janelas apoiadas sobre jardineiras cobertas de jasmim. No inverno neva, e muito. O cenário pintase de branco em toda a região, mas durante os outros períodos do ano a natureza prodigiosa troca de folhas e cores em infinitas matizes. A imersão na natureza selvagem só ocorre quando o bosque termina, acima dos dois mil metros. Lá no alto, gramíneas e poucos animais delimitam a ação do homem no processo de domesticação da natureza. Camponeses, criadores de cavalos, vacas e bois, viviam em condições difíceis, no passado. Já seus descendentes hoje são acostumados ao conforto da vida moderna, com teleféricos que facilitam o deslocamento. Em poucos minutos, o barulho dos (poucos) carros da cidade, fica para trás, ou melhor, para baixo, e é substituído pelo mugido das vacas e pe-

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los sons dos sinos que os animais trazem pendurados nos pescoços. A majestade das montanhas impressiona e obriga o visitante a rever a própria dimensão no mundo. Nas paredes até parece que a natureza desenhou um infinito jogo da velha, formado por linhas verticais e horizontais. Os riscos verticais retratam o encontro das forças subterrâneas entre as placas da África e da Europa. A erosão a golpes de vento e gotas de chuva, pedras de granizo e neve modela as rochas transformando-as em uma obra de arte condenada ao desaparecimento. As enormes paredes são eternos desafios aos alpinistas. Grandes nomes como o italiano Reinhold Messner e o austríaco Hans Kammerlander as conquistaram pelo amor às montanhas. Uma atração irresistível faz das Dolomitas uma passagem obrigatória para quem pretende se aventurar pelas rochas. A vida em Madonna di Campiglio gira em torno dessas montanhas. A tecnologia e a

corrida atrás de recordes transformaram as escaladas em grandes eventos econômicos. A pureza perdida, agora, tenta ser recuperada com a reeducação dos jovens. — Temos que realfabetizar a nova geração para ter um respeito maior pela montanha, valorizar a montanha. Hoje tudo aqui é muito rápido. Os jovens pensam que o bosque de pinheiros é uma flora selvagem, não sabem que o pasto, por exemplo, é obra do homem — afirma Annibale Salsa, integrante da Academia da Montanha. E para reaproximar as pessoas da montanha de forma saudável os administradores locais realizam uma série de eventos culturais e esportivos ao longo do ano. Neste verão, o festival Mistério dos Montes, realizado no mês passado, proporcionou encontros artísticos, literários, fotográficos e cinematográficos entre profissionais que vivem da montanha e pela montanha. Mas as Dolomitas não podem ser resumidas ao alpinismo. Em julho, os torcedores de futebol puderam acompanhar de perto a pré-temporada da Juventus, em Pinzolo. O curioso é que o time de Turim levou para casa um presente especial: como o ar do local é muito puro, garrafas de oxigênio foram cheias e transportadas para o clube. Já os amantes da bicicleta assistiram a uma das etapas mais difíceis da Craft Bike Transalp. Foram 1.200 ciclistas divididos em 550 equipes de 33 países que percorreram 47,73 km com a 2.147 metros de altitude, colocando à prova a força motora (das pernas) e da mente (a força de vontade).


italian style

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paixão italiana pelo famoso blue jeans é antiga e sempre foi sinônimo de clássico moderno. Confira algumas novidades das principais marcas italianas para esta estação Outono-Inverno:

Íntimo

Conjunto de calcinha e sutiã da Tezenis. Preço: € 15,80 (www.tezenis.it)

Diesel

A marca que é objeto de desejo quando o assunto é jeans aposta no estilo “boyfriend” Pollyes. Preço: € 260 (www.diesel.com)

No pé

Bota feminina em estampa blue jeans da SAX. Preço: € 219 (www.sax-shoes.com)

Tigresa

Miss Escape Denim Dolce & Gabbana. Versão denim da clássica estampa tigresa. Preço médio: € 650

Para sentar

Sofá em denim Chester da Dimitris Zoz. Preço sob consulta. (www.dimitriszoz.com)

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design

Questione in evidenza Curitiba riceve la Biennale Brasiliana di Design discutendo la sostenibilità e la valorizzazione dei prodotti

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Silvia Souza

he cosa possono avere in comune le confezioni di margarina, le lavatrici ad alto potenziale e i mobili? Per chi visita la Biennale Brasiliana di Design, questi ed altri elementi sono l’esempio di tutto quello che il Brasile può offrire quando il tema è design e sostenibilità. La mostra, alla sua terza edizione, ha come obiettivo la democratizzazione del design. Dopo essere stato presentato a São Paulo (2006) e Brasília (2008), l’evento arriva ora al sud del Brasile ed occupa vari punti di Curitiba, nel Paraná. Spazi istituzionalizzati come musei e università e locali pubblici con grande affluenza di persone come i parchi, che affrontano iniziative sul tema centrale della Bienal: “Design, Inovação e Sustentabilidade”.

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Organizzata dal Centro de Design Paraná e dalla Federação das Indústrias do Estado (FiepParaná) attraverso il Centro Internacional de Inovação (C2i), la Biennale dura fino al 31 ottobre e ne è curatrice Adélia Borges. L’idea è di mostrare che design e sostenibilità sono alla portata di tutti. Si prevede che 250 mila persone possano vedere o partecipare a qualcuna delle manifestazioni proposte. — La maggior parte della popolazione brasiliana è poco informata sul significato del design e ancora meno sulla sostenibilità. E’ un tema molto recente, vincolato specialmente all’area del marketing, che l’ha usato come richiamo per le vendite senza offrire in realtà prodotti con minore impatto o socialmente più responsabili — è la riflessio-

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ne della direttrice di progetti del Centro de Design Paraná, Letícia Castro Gaziri. Secondo lei la proposta della Biennale è quella di smitizzare il design e la sostenibilità e di ampliare la conoscenza sul tema. Perciò diversi prodotti, che

fanno parte della vita quotidiana di tutti, sono installati in vari spazi della città. L’esposizione principale è suddivisa in 12 nuclei per facilitare la comprensione dei visitatori. In questa parte sono affrontati vari aspetti fra i quali troviamo il consumo di energia, l’uso dell’acqua, il trasporto e l’identità. Da un altro lato sono presentati nella mostra prodotti che il consumatore trova sugli scaffali del supermerca-


to, avvicinando così il prodotto ai consumatori: — Sono confezioni di margarina, di carta igienica ed anche prodotti come frigoriferi, lavatrici ad alto potenziale, divani ed altro. Speriamo di attrarre l’attenzione del Paese e del mondo su questo tema così importante per il futuro di tutti. Nell’affrontare questa discussione abbiamo la pretesa di richiamare ognuno di noi a fare la sua parte nel processo di sostenibilità e nel consumo consapevole. Nuovi La Biennale di Curitiba è composta da quattro mostre. La preoccupazione di non limitare i progetti all’asse Rio-São Paulo ha aiutato a presentare un’esposizione pluralista. E’ il caso della mostra “Novíssimos”, che porta alla ribalta una nuova generazione di designers formatasi recentemente. L’esposizione crea un ponte tra domanda e offerta con lavori che vanno dai mobili ai lampadari, dai gioielli ai casalinghi, dalle macchine ad una biblioteca itinerante.

Accanto, la mostra “Sustentabilidade, e eu com isso?” discute un miglior uso di pezzi e materiali. Sopra, storia del mobilificio CIMO viene raccontata e, sotto, il design urbano riceve un buono spazio alla Biennale

Mostre che danno enfasi a innovazione e design dando importanza al concetto dei prodotti. A destra, la carrozzina Walk on air, finalista di un concorso internazionale

— Abbiamo selezionato 53 progetti fra più di 150. Si potranno vedere opere di stati come Amazonas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Goiás. E fra questi progetti due sono iscritti ad un concorso in Germania, che nel settore è un punto di riferimento— commenta il professor Ivens Fontoura, curatore della mostra. Nonostante il Brasile non possieda indicatori dell’industria del design, la crescita di questa nicchia dell’economia fa sì che la cultura del design acquisti uno spazio tra gli impresari e la popolazione. Il Centro di Design Paraná, creato nel 1999, conferma l’interesse per il settore. Durante questo periodo di tempo l’istituzione ha assistito già più di 100 imprese nello sviluppo dei loro prodotti. Bisogna aggiungere che, solo nella capitale dello stato, 11 università offrono corsi di design. — La produzione brasiliana si distacca nei suoi prodotti per l’uso di varie materie prime, una grande creatività, i colori e le tessiture. La biennale ha dimostrato che il Brasile possiede grandi imprese e studi di design, che danno vita a prodotti che rispondono a criteri sostenibili, e che può distaccarsi nel settore grazie alla sua creatività e disponibilità di materiali — conclude Letícia. Secondo la direttrice il fatto che il Brasile disponga di centri di design all’interno di industrie importanti mette il Paese in grado di lanciare i suoi prodotti locali sul mercato internazionale. E cita come esempi la Electro-

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lux con l’Industrial Design Center Latin America  e la FIAT con un centro di stile che ha prodotto recentemente la nuova Uno. Per il presidente della FiepParaná, Rodrigo da Rocha Loures, il design è l’elemento capace di dare grande impulso al suo successo nell’ambiente industriale: — Le differenze tecnologiche fra i vari prodotti tendono ad essere sempre più piccole tanto da essere difficile che il consumatore le percepisca. E non ci stiamo riferendo solo alla presentazione finale del prodotto, ma a tutto il processo, dalla fase di sviluppo alla commercializzazione. E’ necessario che l’industria, principalmente le micro e piccole imprese, comincino ad usare il design come strumento per la competitività. Fanno anche parte del programma dell’evento i dibattiti, le presentazioni di libri, tavole rotonde e visite tecniche alle imprese. L’esposizione “Sostenibilità: e io che c’entro?” porta negli spazi pubblici urbani 30 cartelloni inediti alla ricerca di nuovi sguardi e riflessioni sul termine, sull’uso e sulle consequenze. Nel raggiungere la meta di educare per la formazione di cittadini consapevoli, la tematica esposta nella Biennale sarà utilizzata nella formazione dei professori della rete comunale d’insegnamento.

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história

Terra à vista Primeira hospedaria de imigrantes no Brasil, Ilha das Flores terá museu a céu aberto

Sílvia Souza

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Vista do Pátio dos Imigrantes (com a caixa d’água para os banhos ao fundo)

(UERJ), visa atrair estudantes e descendentes dos imigrantes ao local, além de oferecer ao município da região metropolitana do estado um espaço de cultura. Dividido em três momentos, o projeto está em sua primeira fase, que deve ser concluída até o final de 2010. Consiste na demarcação com totens de seis locais representativos para visitação, além do lançamento do site do projeto. Enquanto isso, historiadores da UERJ trabalham no levantamento de informações junto a cidadãos que passaram pelo local. Os dados

estão sendo obtidos via entrevistas orais com pessoas que pertenceram ao último período de recebimento dos refugiados e 85% dos relatos provêm de italianos. — A Ilha das Flores foi ponto de chegada para 85% dos italianos e alemães que vieram ao Brasil. O Rio de Janeiro se configurou como ponto de passagem. Por isso, a grande história da imigração se concentrou nos estados do Sul e de São Paulo. São Paulo e Espírito Santo, inclusive, têm seus museus da imigração. Faltava dar o devido valor ao Rio — analisa

Roberth Trindade

orto seguro para milhares de estrangeiros que deixaram seus países em busca de uma oportunidade de sobrevivência e vida nova, uma faixa de terra cercada pelas águas da Baía de Guanabara, em São Gonçalo, está sendo redescoberta. Ponto de partida na história de mais de 300 mil imigrantes que o país recebeu entre os anos de 1877 e 1966, a Ilha das Flores, se transformará em um museu a céu aberto. O minucioso trabalho de resgate pretende contar as expectativas e experiências vividas por italianos, espanhóis, portugueses, alemães - gente de várias nacionalidades que vieram para o Brasil para trabalhar nas lavouras ou impulsionar a industrialização. Batizada de Projeto Imigrantes, a iniciativa tem por objetivo construir o Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores. A ser feito em parceria entre a Marinha do Brasil e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro

o historiador Henrique Mendonça, coordenador do projeto. Segundo Mendonça, um dos motivos para o Brasil ter sido escolhido por tantos imigrantes após a 2ª Guerra foi a assinatura do acordo de refugiados. O sentimento de pertencimento à nova nação era comum aos italianos que chegavam: — Trieste era um local comum a esses imigrantes. Em um dos relatos nos deparamos com a lembrança de um senhor italiano que, ainda na viagem, se referia aos imigrantes como “os brasileiros”. Também tem a história da festa pela passagem pela linha do Equador, quando eles sabiam que estavam mais perto da nova vida. Para dar visibilidade à ilha e ao trabalho, os organizadores buscam o apoio da iniciativa privada. Sob posse da Marinha desde 1968, o local abriga o Comando da Tropa de Reforço do Corpo de Fuzileiros Navais. Apesar de ligada ao continente por um aterramento feito na época da construção da BR-101, preserva características arquitetônicas das últimas reformas e construções, além do cais principal que era visto pelos imigrantes quando as embarcações se aproximavam. Um dos pontos altos do projeto será a construção do Espaço do Imigrante, no qual será feita uma sala para projeção de vídeos e exposição de um painel com a cronologia da imigração através da Ilha. A visitação reserva ainda projeções sonoras e de imagens no Cais do Bote, onde os imigrantes desembarcavam. Já o Café do Imigrante será uma mistura de lanchonete e loja de souvenir.

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Roberth Trindade

Roberth Trindade

Roberth Trindade

Pôr do sol na Ilha e arquitetura conservada das construções feitas para abrigar os imigrantes. À esquerda, foto do refeitório feita na década de 1920. À direita, militares passeiam em espaços usados pelos que chegavam ao Brasil

Roberth Trindade

O palco da exposição permanente do projeto será o antigo refeitório. Lá, por meio de recursos tecnológicos, os visitantes poderão refletir sobre a imigração sob a pesquisa em seis eixos temáticos: trabalho, Rio de Janeiro, álbuns de família, imprensa, cultura e o mar/Marinha. — Há um nítido traço de união entre os imigrantes e a Marinha. Eles, força (de trabalho) que veio do mar e nós, força (armada) que vai para o mar. O Brasil foi descoberto pelo mar. A Marinha visualiza neste projeto a possibilidade de contribuir com o resgate de fatos históricos importantes para a formação de nossa identidade nacional — defende o contra-almirante Jorge Mendes Bentinho, comandante da Tropa de Reforço.

O professor Henrique Mendonça, da UERJ, coordena a pesquisa de memória sobre o local

“Você é um estranho e o Brasil o acolheu” Essa frase, escrita em várias línguas, era a primeira forma de recepção que o imigrante recebia ao chegar à Ilha das Flores. Depois de viagens que duravam entre 13 e 15 dias, esse era o primeiro contato que tinham com o solo brasileiro. Pela regra, eles deveriam ficar hospedados na Ilha por até oito dias. Mas na prática esse tempo chegava às vezes a um mês. Com alojamentos feminino e masculino, as acomodações chegavam a receber 3,5 mil pessoas por vez. — Alguns trabalhadores desembarcavam no porto do Rio e já eram encaminhados para os locais onde tinham contrato de trabalho. Os demais saíam dos navios e eram colocados em pequenas embarcações para a ilha. E aqui aconteciam choques culturais superiores à diferença de língua. Eles diferiam nos alimentos consumidos, no modo de se vestir e se portar. Vamos contemplar isso nesse resgate — comenta Mendonça. Na Ilha das Flores, quem embarcar nesta viagem ao passado poderá visitar locais que ainda guardam registros dos seus hospedes. Como o pátio dos imigrantes, onde muitos tomavam banho e se impressionavam com o tamanho da caixa d’água instalada para uso dos “moradores”. Aliás, não era raro

um imigrante se surpreender com a chance de comer uma manga ou outra fruta tirada direto do pé. A exaltação à natureza era completa com os banhos nas águas da baía e, se da antiga instalação do administrador local é possível contemplar um incrível pôr do sol, hoje é o comandante quem tem esse privilégio. A unidade de saúde, de onde saem os oficiais que prestam serviço em situações de emergência (como o terremoto de janeiro no Haiti), foi instalada no mesmo local onde funcionou o centro médico e maternidade dos imigrantes. Outros tempos Além de abrigar o Centro de Memória da Imigração, a Ilha das Flores também foi escolhida para a construção da nova Casa do Marinheiro no Rio de Janeiro. A única sede do espaço de lazer e convivência para os oficiais era a construção na avenida Brasil. O complexo vai receber os cerca de 600 oficiais lotados ali e os que trabalham em outros postos. A história da Ilha, no entanto, tem registros anteriores ao recebimento dos imigrantes. Ela começa a aparecer em mapas cartográficos no século 18 e até 1770 era chamada de Ilha de Santo Antônio. Em 1834, consta um documento que confere a posse do lugar a Delfina Felicidade do Nascimento Flores, daí o batismo de Ilha das Flores. Em 1857, ou seja, após a Lei de Terras, que determinou a documentação de todas as propriedades em território nacional, José Inácio Silveira da Mota adquire a

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ilha e nos anos seguintes as vizinhas do Engenho, Ananazes e Mexingueira. De ideias abolicionistas, Silveira da Mota era senador e já havia apresentado, quando deputado geral, o primeiro projeto que defendia a venda separada de membros de famílias escravas. Segundo Mendonça, o político acreditava que a imigração pudesse substituir o braço escravo. As atividades da Ilha como hospedeira de imigrantes começaram em 1877 e em seis meses, cerca de 10 mil pessoas passaram por ali. Seis anos depois, o arquipélago foi vendido ao ministério da Agricultura, que tornou a hospedaria um símbolo da política para atração de mão de obra. Até 1966, quando se encerrou o serviço de imigração na ilha, o lugar foi administrado por diferentes órgãos. Repassada à Marinha, recebeu o Comando da Tropa de Reforço em 1971. Com o esforço de resgate da memória dos refugiados, a expectativa é instalar completamente o Centro de Memória até 2012. Em seguida, a equipe terá três anos para produzir um livro que, narrando as histórias mais representativas, comemoraria os 70 anos do fim da guerra: — Esse pedacinho de chão tem história e precisamos contá-la. Esperamos que a Ilha das Flores seja receptora de novos grupos, desta vez, dispostos a sair daqui com um pouco da cultura do Brasil e espalhando-a — conclui o professor.

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il lettore racconta e pertenceu ao 25º Batalhão, do 3º Regimento dos Bersagliere, chegando a ser condecorado com medalha de honra, na Batalha de Tyrol, em 1866, por atos de bravura. Depois que deu baixa do exército, casou-se com minha bisavó Maria Regini, indo trabalhar no cultivo de uva, em Franceningo di Gaiarine, na província de Treviso. Na Itália, eles tiveram oito filhos, um deles, meu avô Ferrucio. Como muitas famílias italianas, eles decidiram vir para o Brasil em busca de uma vida melhor. Aos 43 anos, meu bisavô deixou o Porto de Gênova com a família no vapor Bourgogne e desembarcou no porto de Santos no dia 8 de dezembro de 1887. A família passou por várias cidades de São Paulo até se estabelecer em Nova América (distrito de Itápolis). No Brasil, meus bisavós tiveram mais quatro filhos. Meu bisavô morreu em 1916 s no ia al it e minha bisavô em 1929. eto e bisneto de Sou mais ligado às faos foi em an de ta et mílias dos dois filhos de meu rlando er os ad bisavô, Ferrucio e Francesco. s seus antepass do em ig or da a Em outubro de 1989 fui à busc a ic óg al ne ge Itália para descobrir mais vore e montou sua ár informações e constatei que scobriu de e el ra tu en ambos nasceram no distriom a av s to de Franceningo. Lá, ar as pessoas no ud aj er az pr ninguém conhecia os Beum a ni da da ci retta, a família tinha sapla processos de du ído da cidade muitos anos ofle

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ideia de se fazer um histórico da família Beretta, no Brasil, sempre me empolgou. O maior obstáculo que encontrei foi que nenhum membro da família sabia exatamente onde haviam nascido os que deram origem à linhagem. Achavam que era a província de Treviso. Além disso, ninguém tinha um documento. Até que eu soube que uma prima de São Caetano do Sul (SP), tinha um passaporte do meu bisavô, Antonio Beretta, que também era bisavô dela. Descobri que meu bisavô nasceu em 31 de maio de 1833, na cidade de Sacile, província de Pordenone. Ele fez parte da elite do exército do rei da Itália, Umberto I,

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Orlando entre a bisavó Maria Regini e o pai Cezar Beretta. No alto, Antonio Beretta

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antes com destino ao Brasil. Supõe-se que devem existir descendentes pelo norte da Itália. Em Brescia, existe uma fábrica de armas Beretta que tive a oportunidade de conhecer em agosto do ano passado. Perto de Milão, na autopista, também há um grande frigorífico só de carne suína, de nome Fratelli Beretta. Meu avô chegou ao Brasil com seis anos de idade e ao ficar mais velho, sempre ajudou o pai nos serviços agrícolas. Ele e minha avó, Luiza Del Boni, tiveram 11 filhos, um deles, foi meu pai Cezar, que nasceu na Argentina. Meus avós e minha tia mais velha, Maria, passaram um ano em Buenos Aires. Assim, meu pai acabou nascendo no país vizinho. De volta ao Brasil, anos mais tarde, meu pai se casou com a minha mãe, filha de italianos da província de Rovigo. Ele se estabeleceu em Borborema, onde tinha um armazém de secos e molhados e também comprava cereais. Meu pai teve três filhos: eu e minhas irmãs Aldice e Althair. Em 1942, fomos morar em São José do Rio Preto. Enquanto estudávamos na cidade, meu pai se estabeleceu em Votuporanga, no ramo de cereais. Somente três anos depois é que fomos morar todos juntos novamente. Meu pai morreu em 1978 e a comunidade de Votuporanga prestou-lhe uma homenagem, dando seu nome a uma rua. Eu me formei como engenheiroagrônomo e administrador de empresas. Gosto muito de fazer processos de dupla-cidadania. Já fiz mais de 150 e nunca cobrei pelos meus serviços. Na minha casa temos 11 passaportes italianos e eu já fui 12 vezes à Itália. Fundei duas Associações Italianas, uma em Votuporanga e outra em Fernandópolis (SP). Atualmente, sou presidente de honra das duas entidades, além de ser Correspondente Consular Honorário em Votuporanga. Aqui, em minha cidade, a nossa associação tem uma bela chácara denominada Stanza “ La Bella Italia”, onde fazemos nossas reuniões. Vamos construir uma sala própria para guardar relíquias que os descendentes de italianos trouxeram. Será o nosso Museu do Imigrante. Orlando Beretta, Votuporanga, SP


Sapori d’Italia Robson Bertolino Fusili con Salsiccia e Brocoli alla Nonna Rosa Ingredientes para a carne: 400g de fusili caseiro, 200g de massa de linguiça tipo calabresa de pernil, 100g de flores de brócolis, ½ xícara de cebola picada, 2 dentes de alho moídos, ½ xícara de vinho tinto seco, 4 tomates picados sem sementes e sem miolo, 2 xícaras de molho base de tomate peneirado, 2 colheres de pesto de manjericão, sal, azeite e alecrim a gosto, salsa para decorar.

De geração em geração Cantina C...Que Sabe! mantém a tradição de chefs da família Stippe

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ão Paulo - A história das cantinas italianas em São Paulo não seria a mesma sem a C...Que Sabe! São 79 anos de tradição no circuito paulistano da gastronomia ítalo-brasileira, dos quais 37 anos com o mesmo nome. Na terceira geração da família Stippe à frente do fogão, o restaurante segue como um dos mais requisitados da cidade. Abrir a cantina foi ideia de Francesco Stippe, um italiano de Corleone, região da Sicília, que chegou ao Brasil na década de 1920. Ele se tornou banqueteiro do Conde Matarazzo, um personagem muito conhecido e poderoso na alta sociedade paulistana da época. Isso ajudou no movimento inicial da Cantina, que recebia políticos, socialites e artistas, já que a casa era cercada por teatros, alguns ainda em funcionamento. Na década de 70, Roberto, filho de Francesco, ao assumir o comando do restaurante passou a chamá-lo de C...Que Sabe! Na época, o chef contou com a ajuda de familiares para comandar o negócio. A mulher Luzia incrementou o cardápio com novas receitas, enquanto seu filho Bruno, ainda criança, já mostrava talento na cozinha. Hoje, é Bruno Stippe quem cuida da Cantina que tem um cardápio 100% italiano. Além da boa comida, um atrativo da C...Que Sabe! é a tarantela, ainda mais quando os garçons arremessam as bandejas de inox ao chão para dar mais ênfase à cantoria. Bruno começou a brilhar na cozinha na década de 1990, embora já estivesse trabalhando na cantina desde 1981. O chef, além de receber todos os clientes pessoalmente, conta com uma formação impecável. Tem especialização em cozinha Siciliana,

Modo de fazer: Refogar a calabresa no azeite até começar branquear; juntar a cebola e deixar que tudo doure. Juntar o alho e o alecrim e mexer bem. Acrescentar o vinho e deixar ferver até evaporar totalmente. Juntar os pedaços de tomate, os brócolis e o pesto. Refogar até que o tomate esteja macio. Acrescentar o molho e deixar ferver. Ajustar o sal se necessário. Cozinhar a massa al dente e juntar ao molho para finalizar seu cozimento. Polvilhar um pouco de salsa e servir.

Calabresa e Molisana nas modalidades tradicional, contemporânea e básica molecular. Bruno é também presidente da FIC - Federazione Italiana Cuochi (Delegação Brasileira da Federação Italiana de Chefs), apresentador do programa de TV Pilotando o Fogão há 21 anos no Brasil e 3 anos no canal MNN em Manhatam (EUA), além de ser o atual campeão da Copa Mundial “Gelato in Tavola” realizada ano passado, em Rimini. O cardápio da Cantina conta com opções para vegetarianos. O chef é membro Slow Food no Brasil e da AAO (Associação da Agricultura Orgânica). — Micchelli, o meu filho, também já cozinha. Ele deve ser o próximo a manter a tradição da família — orgulha-se o chef.

O chef Bruno Stippe tem especialização em cozinha Siciliana, Calabresa e Molisana

Serviço: Cantina C...Que Sabe! - Rua Rui Barbosa, 192 Bixiga - São Paulo - Tel: (11) 3289-2574

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La gente,

il posto Claudia Monteiro de Castro

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Parque dos monstros

uma horinha de Roma, perto da cidade de Viterbo, tem um parque muito curioso: o Parque dos Monstros. É uma área verde com várias esculturas gigantes esculpidas em grandes blocos de pedra, nos mais inusitados formatos. A mais famosa é a de uma cara enorme de um monstro, com a boca aberta, onde os visitantes podem entrar. Tem também a tartaruga, os dragões que lutam, a bela adormecida, o elefante e o guerreiro, o monstro com três cabeças. O parque foi projetado em meados do século 16, pelo arquiteto Pirro Ligorio, o mesmo que realizou a Villa D’Este em Tivoli, a mando do príncipe Pier Francesco Orsini, que estava com o coração aos pedaços, depois da morte de sua esposa, Giulia Farnese. O parque foi abandonado nos séculos seguintes e reaberto e restaurado em 1954. O nome original do lugar encantado era “La Villa delle Meraviglie”. Mas devido às suas estranhas esculturas, acabou sendo batizado popularmente de Parque dos Monstros.

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Em busca da casa perfeita

penas um ano e meio atrás eu morava sozinha. Então veio o namorado morar comigo que, como brinde, trouxe o cachorrinho, no velho estilo “pague um, leve dois”. E menos de um ano depois, veio a noticia: gêmeos à vista. Resumindo, de uma família de um, em questão de um ano e meio, passo a uma família de cinco. Falta mesmo só o papagaio para completar a alegria. As consequências são tantas. Uma delas é achar uma casa nova. Afinal, em 55 metros quadrados fica meio apertado, mesmo se nos anos pós-guerra na Itália, moravam mãe, pai, 8 filhos, cachorro, gato, hamster e canarinho num espaço como o meu. Já foi uma novela achar este apartamento onde moro há seis anos. Vi lugares mais horripilantes, li os anúncios imobiliários mais mentirosos do mundo. Uma constante era ler “seminterrato luminoso”, ou seja, um apê que fica metade no subsolo e outra no térreo, que de iluminado não tem nada. Ou “casa graciosa” que era um verdadeiro pulgueiro. Enfim, custou, mas achei este lar de hoje, num bairro bonito perto do Vaticano, com um pátio interno cheio de árvores e roseiras, inclusive com uma biblioteca pública dentro do condomínio. Ah, e a sorte foi incrível: o apartamento era todo reformado e, mais importante, no mesmo gosto que o meu, simples, com janelas bonitas, piso de madeira, ladrilhos de primeira no banheiro, banheira (o remédio antistress número um!). E eis que mais uma vez vou em busca do Santo Graal, um apartamento nos trinques, de razoável bom gosto, em Roma. Quando esta decisão de

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mudar de casa foi tomada, já coloquei mãos, ouvidos, pés e tudo mais à obra e comecei a minha busca desenfreada, de olho nos cartazes, nos anúncios dos jornais e na internet, falando com os porteiros do bairro. Em uma semana, vi dez apartamentos. Um pior do que o outro. Um era caro porque era recém reformado com um gosto estapafúrdio: banheiro com ladrilhos laranja, cozinha com azulejos roxos, quarto com parede pintada de verde, outro quarto com parede pintada de vermelho e crème de la crème ao contrário: piso de mármore preto - logo eu, que sigo o lema “tudo branquinho”. Outro até que era bonito, mas super barulhento, localizado numa rua principal. Um terceiro, longe do metrô. E para finalizar, um estava literalmente aos pedaços sendo que, do elevador, já dava para sentir um cheiro de desmaiar. Isso porque a proprietária tinha um inusitado bicho de estimação: um gambá. Mas faz favor! É claro que um pouco da culpa é minha. A minha casa ideal metropolitana seria uma cobertura, com uma sala com lareira, uma bela vista da janela, localizada numa rua bonita, um prédio com fachada bela, num bairro bom, perto dos meios de transporte, pois não tenho carro e que não custe os olhos da cara. Ou seja, impossível! Mas, brincadeiras e exigências à parte, quando se trata de procurar casa, melhor se for como no amor: paixão à primeira vista. Que seja por um pequeno detalhe, uma vista, uma sacada, uma cozinha. Mas que acenda uma chama no coração.



Revista Comunità Italiana Edição 148