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Setembro 2013 Da 0937 para o Mundo


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A Comunidade 0937, criada em 2006, é um grupo bastante dinâmico

composto

por

adultos

aficionados

pelo

jogo

de

construção LEGO® e prova disso são os vários eventos realizados todos os anos, bem como as várias atividades online dinamizadas no seu fórum. Agora a 0937 tem o prazer de apresentar a MOGAZINE, uma revista digital desenhada num formato especialmente a pensar na leitura em tablets. Esta revista pretende constituir um espaço em

português

com

artigos

e

conteúdos

inovadores

e

interessantes, reflexo da criatividade única dos membros da 0937. Caracterizada por usar uma linguagem simples e clara, a MOGAZINE pretende dar a conhecer a fãs do brinquedo e não só, as mais empolgantes novidades, factos e curiosidades, relatar aventuras em comunidade e acima de tudo celebrar este hobby que nos une. Para esta primeira edição, contamos com a colaboração de vários membros da 0937, incluindo o também LEGO Senior Designer

Marcos

Bessa,

autor

de

vários

conjuntos

LEGO

bastante apreciados pela comunidade AFOL como o 10937 Batman:Arkham Asylum Breakout e 10236 Ewok Village. Sem mais demoras, convidamo

lo então a "folhear" esta

revista. Esperamos que goste!. Alexis ,LBaixinho & Marcosbessa

Edição gratuita, proibido copiar ou redistribuir para fins lucrativos.

LEGO® é uma marca registada da LEGO Company, que não patrocina nem apoia esta revista. O site LEGO® poderá ser visitado em www.lego.com


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4 Casas Creator 8 Passo a passo, peça a peça: Quinjet 18 Há mais de 5 anos a 0937... 20 Construir modelos alternativos 26 A aventura de construir um Unimog 27 20 perguntas 20 peças 30 Os bons velhos Sets 32 Pedro Pinto e o seu Mr. Gold 34 Só para rir 36 Passatempos 34 Sem comentários 38 Informações


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Casas Creator m 2004 a LEGO® iniciou (ou re­iniciou) uma linha que apesar de não ser tão famosa como os edifícios modulares é, no seu direito, uma linha cheia de qualidades e potencialidades. Essa linha é a conhecida informalmente

E

como as Casas Creator. Portanto no final de 2004 a LEGO lançou a 4886 Building Bonanza integrada num extinto sub­tema conhecido como Designer Sets. O sucesso entre AFOLs foi imediato não tanto pelo desenho, mas pela presença em grandes quantidades de peças que apesar de relativamente comuns, não eram vistas em conjunto com muita regularidade. Refiro­me essencialmente a telhas, portas, janelas, tiles 1x1 em Grey, cercas e muitos bricks 1xn White. O preço

por peça (PPP) também era bastante atraente. De salientar que este conjunto era extremamente básico e que apesar da forma fácil de aceder ao interior da casa, este não tinha qualquer pormenor. Por fim não possuía qualquer minifig nem acessórios apesar de ter uma escala similar à dos minifigs. Um detalhe interessante é que as plantas eram brick­built e não peças específicas. A LEGO aguentou este conjunto até ao final de 2006 e em 2007 lança dois conjuntos (já do tema Creator) que facilmente podem ser considerados a continuação do 4886. O 4956 foi lançado em janeiro com o nome genérico de “House”. Estava bem na linha do conjunto lançado em 2004 e facilmente se poderia pensar nele como um upgrade. Continuavam a predominar as peças e técnicas básicas e o esquema de cores era similar. White nas paredes, Red para o telhado e Black para as janelas e portas. Dois desenvolvimentos interessantes são


5 a presença de algumas folhas e de janelas mais clássicas. Em setembro de 2007 aparece o 4954 Model Town House, o maior e provavelmente o melhor conjunto de toda a linha. Este conjunto tem o Tan como cor predominante e o telhado em Black. É o único set das

Em janeiro 2008 a LEGO lança apenas uma casa no tema Creator, a 4996 Beach House onde a cor predominante é o Yellow e o Black no telhado. Esta casa é também bem mais pequena que qualquer uma das anteriores e a primeira em que as portas tem 6 bricks de altura e onde aparece pela primeira vez acessórios claramente para minifigs. Em 2009 a LEGO volta a lançar apenas uma casa no tema Creator, a 6754 Family Home com Tan como cor principal e de telhas Red. Sem grandes novidades em relação às casas anteriores, pode­se por exemplo referir a utilização das novas portadas, independentes das janelas.

Casas Creator que ultrapassa as 1000 peças e o primeiro a possuir algumas técnicas que se podem considerar avançadas, nomeadamente no offset das janelas e na presença de tiles nas esquinas da casa.

No ano seguinte, 2010, a LEGO volta a marcar presença apenas com uma casa Creator. Desta vez é da 5891 Apple Tree House de cor White e com o telhado na invulgar cor de Dark Blue. Estranhamente o desenho desta casa dá à garagem uma boa parte do espaço interior. Em 2011 a LEGO volta a apostar forte no tema lançando três conjuntos que podem ser


6 considerados casas Creator. O primeiro é o 5766 Log Cabin com um design muito característico mas que apresenta duas grandes novidades. A primeira é a substituição das tradicionais baseplates por plates de grande dimensão (8x16 e 16x16). A segunda novidade está na presença

de um minifig, mostrando claramente o que as casas anteriores sugeriam, eram à escala minifig. Ambas as novidades estarão presentes nas seguintes casas Creator que a LEGO irá lançar. De notar que a presença do minifig é acompanhada com a presença de outras minifigs em alguns outros

conjuntos Creator e portanto não são uma exclusividade deste tipo de conjuntos Creator. A segunda casa Creator desse ano é o 5770 Lighthouse Island. A construção principal não obedece a algumas das anteriores premissas, primeiro por ser um edifício utilitário e não habitacional e em segundo, por não ter uma cor predominante. Por isso a integração na linha das casa Creator deste set pode ser duvidosa, visto que não é bem uma habitação. Como grandes novidades neste set, está a integração de um brick luminoso e de algum relevo na base. O último conjunto de 2011 foi o 5771 Hillside House a LEGO volta às cores básicas (branco para as paredes e vermelho para o telhado). O 7346 Seaside House foi a única casa Creator que a LEGO lançou em 2012. Com o incomum Medium Blue como cor predominante, representa uma casa junto à costa num ambiente de férias e surf. Como curiosidade destaco a representação de uma onda do mar, dando a sensação de um instantâneo fotográfico à construção. Em 2013 a LEGO volta a lançar três


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casas Creator, a 31009 Small Cottage, a 31010 Tree House e por fim a 31012 Family House. A primeira delas é o conjunto mais pequeno desta série com apenas 271 peças onde a cor predominante nas paredes é o Red e tendo o Dark Blue como cor do telhado. A inclusão da segunda casa deste ano na série também pode ser discutível, visto não ser bem uma habitação. A cor da casa propriamente dita é o esquema branco/vermelho, no entanto a estrutura da árvore dá­lhe um ar bem acastanhado. É de destacar também o minifig jovem e a quantidade de gadgets para aumentar a jogabilidade. Por fim a última casa editada pela LEGO até ao momento de concepção deste artigo é a 31012 e tem como principal particularidade a inclusão de um brick luminoso, à semelhança

do 5770 de 2011. É também a primeira casa a conter dois minifigs e um telhado sem cor uniforme. De notar que à semelhança dos outros conjuntos Creator, cada set contém instruções para três construções diferentes. Outra curiosidade interessante é a quantidade de casas que têm um churrasco/grelhador na parte exterior.. Numa apreciação global nota­se que a evolução da série está a passar de simples conjuntos direcionados para “construção” para conjuntos onde é dada uma crescente importância à jogabilidade após a construção. No entanto não é de condenar a preocupação na jogabilidade quando as casas continuam a ser esteticamente cuidadas e cumprirem na perfeição de acrescentar casas civis ao universo LEGO de cada ano. Como dito acima, é uma série interessante no seu próprio direito tanto pelo seu desenho onde predomina alguma variedade e elevada qualidade, mas também pelo sortido de peças que as compõem. Sortido de peças ótimo para construir... casas. LBaixinho


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m princípios de 2011, a equipa de designers responsável pela linha LEGO® Super Heroes – da qual tenho feito parte desde que fui admitido na empresa em Outubro de 2010 –, começava a trabalhar na segunda remessa de sets, desta feita, resultado da parceria com a DISNEY/MARVEL.

E

Tendo finalizado os primeiros sets da linha 6863 e 6860 – estava começar a trabalhar

meus três DC – 6858, ansioso por num novo

desafio! Felizmente este entusiasmo tem­se mantido até hoje, tantas que são as coisas novas em que vou tendo a oportunidade de “colocar as mãos”. Foi assim que recebi a tarefa de criar a nave principal da mais incrível equipa de heróis da MARVEL – os Vingadores. Até então nunca tinha ouvido falar no Quinjet, mas depressa me empolguei com aquele novo desafio. Nunca antes tinha dedicado muito tempo a construir qualquer tipo de aeronaves – excepto a Batwing (6863 Batwing


9 Battle Over Gotham City) –, nem mesmo quando era miúdo, por isso a minha experiência nesse campo era escassa. Trabalhar num tema como a linha LEGO Super Heroes, em que grande parte dos nossos produtos está directamente ligada a material específico dos parceiros desta licença, sejam filmes, séries televisivas, jogos ou livros de banda desenhada, implica bastante

Por esse motivo, estava completamente dependente da colaboração com a produção do filme para poder construir o melhor Quinjet possível com peças LEGO.. Mas quando se trata de revelar detalhes como este, as produtoras de filmes com potencial para se tornarem verdadeiros hits – como foi inubitavelmente o caso –, mais do que qualquer outra, são bastante cautelosas.

Imagem 1: Primeiro rascunho do Quinjet, por Luis F. Castañeda. pesquisa e consulta atenta de vários tipos de material. Neste caso em particular, o objectivo era recriar a aeronave específica do filme The Avengers. Apesar de ter aparecido inúmeras vezes em vários livros de banda desenhada, nenhuma dessas referências me podia ser realmente útil, já que o mais certo era mesmo a produção do filme desenhar do zero a sua interpretação da mesma.

Assim, numa reunião que alguns dos responsáveis pela produção do filme tiveram nas instalações da LEGO, juntamente com representantes da minha equipa de trabalho – líder de marketing, líder criativo, gestor de projecto e um designer (apenas!), foram revelados alguns detalhes da história do filme, bem como imagens que desvendavam o aspecto dos


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Imagem 2: Versão 0.0 ­ primeiro estudo em peças, por Bjarke Madsen.

Imagem 3: Realce de algumas das principais características da nave, por Bjarke Madsen.


11 veículos – incluindo o Quinjet – e os fatos das personagens principais. Numa equipa composta por cinco designers, é normal usarmos as melhores competências de cada um nos cenários em que estas mais se adequam. No caso, a presença de Luís Castañeda – ilustrador profissional – era fundamental, por forma a conseguirmos retirar a maior quantidade de informação possível daquela reunião. Fotos não eram permitidas e só semanas mais tarde viríamos a ter acesso a algum daquele material em formato digital. Importa realçar que esta reunião aconteceu numa fase ainda bastante preliminar do projecto – tanto do filme em si, como da nossa parte – daí todo o secretismo envolvido. Depois da primeira reunião, onde o Luís teve a oportunidade de rascunhar muito rapidamente a silhueta da nave, realçando apenas algumas das principais características que lhe saltaram à vista, Bjarke Madsen – Senior Designer que me serviu de mentor durante o meu primeiro ano enquanto Junior Designer – teve a oportunidade de fazer um primeiro exercício de construção, com o objectivo de encontrar a escala mais adequada para o potencial produto final. Conversando com o Luís e recorrendo ao seu rápido rascunho, Bjarke foi capaz de recriar um modelo com volume e proporções bastante realistas – aquilo que seria

a versão 0.0 do Quinjet em LEGO. Como se pode verificar na Imagem 2, nesta fase muito pouco importa a estabilidade do modelo ou a forma como este é construído. Muitas vezes, nesta fase, os designers recorrem mesmo ao corte e colagem de peças de modo a obter um resultado ilustrativo daquilo que se pretende, de uma forma rápida e eficaz. Este modelo é para uso interno apenas. Depois desta primeira etapa, durante a qual a linha de produtos ainda estava a ser arquitectada, a tarefa de desenhar o Quinjet veio finalmente parar às minhas mãos. Assim, era minha a tarefa de criar de um modelo cujo custo final devia corresponder a um produto com preço de mercado de 69.95 USD. Isso traduzia­se num determinado orçamento com o qual tive de trabalhar desde o início. Tinha também pre­definidos os personagens que deviam ser incluídos neste set – Black Widow, Iron Man, Thor, Loki e um dos seus soldados alien, embora o aspecto que eles viriam a ter ficasse completamente a cargo da equipa de designers gráficos a colaborar com o projecto. Teria também de incluir um veículo de escala inferior, para o vilão da história – Loki –, recriando assim uma cena de perseguição, apenas


12 como sugestão de cenário de brincadeira. Elementos como este são bastante importantes aos olhos do nosso público alvo. Quando uma criança pega numa caixa de um tema como LEGO Super Heroes, duma forma um tanto diferente do que acontece com temas como CREATOR, ela espera encontrar uma missão, uma história que lhe servirá apenas – se tudo correr bem – como ponto de partida para horas de brincadeira. Apesar da importância de todos estes elementos na composição de um conjunto LEGO de sucesso, neste artigo vou focar­me apenas no desenvolvimento do Quinjet: a verdadeira jóia da coroa, neste caso. Baseando­me no trabalho já

desenvolvido por ambos os meus colegas, Luís e Bjarke, e ainda a aguardar por material de referência mais concreto e final vindo da MARVEL, iniciei o meu próprio primeiro estudo de proporções e funções. O objectivo principal aqui, mais do que definir uma escala, era encontrar um primeiro balanço entre a escala pretendida – praticamente estabelecida pelo primeiro modelo de Bjarke – e a estabilidade que um modelo deste tamanho requer, sem esquecer o aspecto da nave original. Desenhar um set LEGO apresenta imensos desafios; questões que a maioria dos AFOLs nem sequer imagina serem ponderadas na fase de desenvolvimento. Num tema como LEGO Super Heroes, em particular num set como o 6869

Imagem 4: Versão 0.5 ­ segundo estudo em peças, criado por mim


13 Quinjet Aerial Battle, a existência de uma referência específica quanto ao aspecto final que o produto deve ter – ainda que aproximadamente, claro – tem tanto de vantagem como de desafio. Se por um lado, o designer tem o processo criativo de criar algo atractivo e novo encurtado, por outro, está também bastante mais

MARVEL, tive oportunidade de criar então um modelo mais fiel àquele que viria a ver no filme no Verão de 2012, mais de um ano mais tarde. Chamei a esta a versão 1.0, a verdadeira. Na imagem 5 pode ver­ se que a nave já tinha as suas principais formas definidas e muitas das peças usadas nesta primeira

Imagem 5: Versão 1.0 ­ primeiro modelo baseado em material de referência mais substancial, criado por mim

limitado quanto às escolhas que pode fazer em relação às peças que vai usar e tem ainda a ingrata tarefa de ter de escolher características e funções às quais dará prioridade em detrimento de outras presentes no modelo oficial – é praticamente impossível recriar fielmente tudo o que se vê nos filmes! Quando finalmente recebemos material decente por parte da

versão permaneceram no modelo até à sua concretização final. De notar a diferença no esquema de cores em relação ao modelo final: a introdução de cores como Light Bluish Gray e Dark Blue revelou­se fundamental por diversos motivos, entre eles uma melhor diferenciação das peças na hora de construir, tanto na procura física dos elementos, como na “leitura” das


14 instruções em papel. Além disso, crianças gostam de cor e conjuntos monocromáticos e demasiado escuros tendencialmente captam menos atenção por parte dos mais pequenos, quando em competição directa com brinquedos dos mais variados tipos e cores, disponíveis na prateleira imediatamente ao lado...

entanto, esta característica teve de ser ignorada, dado que comprometia demasiado a estabilidade do modelo – imagem 7. Os primeiros testes de utilização também revelaram que as asas eram justamente um dos pontos principais nos quais as crianças colocam as mãos ao pegar na nave, daí ter sido de extrema importância

Imagem 6: Versão 2.0 com introdução de cor Light Bluish Grey. Na imagem 6 já se pode verificar que o aclaramento do esquema de cores foi realizado relativamente cedo no processo. Baseando­me no modelo 3D digital ao qual recebi acesso por parte da produção do filme, pude verificar que as asas da aeronave não eram totalmente paralelas ao chão, descaíndo ligeiramente para os lados. No

repensar a forma como estas seriam construídas, de modo a garantir o suporte necessário para que o modelo aguentasse horas de brincadeira. Nem sempre os modelos que temos de desenvolver nos permitem a integração de todos os detalhes que gostaríamos, seja pela


15 representada na Imagem 9, não se vêem grandes mudanças no aspecto exterior em comparação com a versão anterior. A parte superior entre o cockpit secundário e os

De Notar ... O logótipo da S.H.I.E.L.D. aparece pela primeira vez nas asas, num protótipo de autocolantes desenhados por mim.

Imagem 7: Versão 3.0 ­ estabilização das asas a 90º do corpo.

complexidade que eles adicionariam à construção, seja pela relevância (ou falta dela) em comparação com outros elementos que acabam por tomar o seu lugar. Mas um dos detalhes de que mais me orgulho de ter conseguido manter do princípio ao fim é o interior do cockpit principal. Pode­se verificar que praticamente nada mudou para além do esquema de cores em relação ao modelo final. Muitas vezes é dificil apontar uma fonte de inspiração específica para um determinado detalhe ou técnica, tantas que são as construções que vejo diariamente, mas lembro­me perfeitamente do que tinha em mente quando construí aquela cadeira de piloto (imagem 8): a primeira nave neo­classic space do Miguel Reizinho, com o cockpit DUPLO em Trans­Yellow. Na iteração seguinte, Versão 4.0

Imagem 8: Versão 3.0 ­ pormenor do interior do cockpit.

propulsores anteriores sofreu algumas alterações até ter encontrado a solução final. Até então, essa parte da nave estava completamente vazia, à espera que fosse encontrada uma função interessante para integrar no modelo. Na versão 5.0, testei uma solução que incluía uma espécie de pega elevatória que quando recolhida cobria aquela area vazia, e elevada oferecia uma solução com efeito “swoosh” ao máximo! No entanto, não era interessante o suficiente na perspectiva da equipa de Marketing e acabava por sacrificar um pouco o aspecto visual da nave naquela área tão visível, tornando­a bastante mais plana, quadrada e grosseira.


16 De Notar ... O protótipo tem escrito “Heat Test” em algumas partes. Faz parte do processo “cozer” os modelos num forno para simular o efeito da passagem do tempo e da exposição ao sol na conecção das peças LEGO. Isto permite­nos evitar soluções e conecções demasiado frágeis.

Imagem 9: Versão 4.0.

Imagem 10: Versão 5.0 ­ com pega elevatória.


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Imagem 11: Versão 6.0 ­ bastante próxima do modelo final. Nem sempre os modelos “reais” que temos de reproduzir oferecem funções traduzíveis em LEGO. No caso do Quinjet, era importante ter espaço para sentar os três Super Heróis incluídos no set dentro da nave: Black Widow, Thor e Iron Man. O resto do espaço teria de ser aproveitado com algo que pudesse oferecer algo de empolgante que pudesse expandir os cenários de brincadeira. Depois de algumas tentativas, com bastante trabalho até chegar à solução final, acabei por criar uma espécie de pequena nave de controlo remoto, que embora não tenha sido baseado no modelo de referência, foi aprovado pela parceira DISNEY/MARVEL. É comum, nós designers, tomarmos algumas liberdades como esta ao

longo do processo de desenvolvimento dos sets, sempre com a intenção de criar o melhor brinquedo do mundo! Assim, o 6869 Quinjet Aerial Battle tornou­se num dos sets de que mais me orgulho até hoje, na minha ainda curta carreira de LEGO Designer. E mais do que o orgulho pelos desafios vencidos durante o processo de desenvolvimento – do qual apenas vos levantei uma pontinha do véu – é o orgulho de saber que crianças um pouco por todo o mundo – e até adultos! – se deliciaram a construir e brincar com este modelo.

marcosbessa


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HÁ MAIS DE 5 ANOS A 0937... FEZ O PRIMEIRO CONCURSO DE NATAL 16 de Dezembro de 2006 foi anunciado o primeiro Concurso de MOCs no Fórum 0937 (link). Pelo meu conhecimento, foi também o primeiro concurso no panorama AFOL português. O concurso tinha um formato muito especial, visto que tinha um carácter de surpresa. Os participantes teriam que apresentar uma construção com menos de 100 peças, de tema livre e em que o prazo limite terminava dois dias e meio depois do anúncio.

A

O intuito do pequeno número de peças e de um prazo limite apertado seria o nivelar as participações de forma a que o tamanho do stock caseiro de cada um não interferisse na qualidade final. Participaram 9 utilizadores do Fórum (pedroagnelo, El_Gordo, Biczzz, Eínon, evildead, rupi, Dedezani, Jorge Nunes e tânia) em que a variedade foi o ponto forte. Com o decorrer dos anos, algumas das hiper­ligações do tópico original ficaram “mortas”, no entanto pode­se ver as imagens das participações na galeria do Comunidade 0937 (link) bem

Dezembro

9

2006

Participantes

pedroagnelo, El_Gordo, Biczzz, Eínon, evildead, rupi, Dedezani, Jorge Nunes e tânia


19 como numa pasta do BrickShelf criada para o efeito (link). A votação foi realizada logo a seguir (link) onde os utilizadores tinham dois dias para escolherem as duas participações favoritas.

Vencedor Ford modelo T do Ricardo “evildead” Silva

O vencedor foi o Ford modelo T do Ricardo “evildead” Silva, que também foi o primeiro de muitos trabalhos apresentados por ele. A construção não possuia técnicas avançadas, no entanto misturava, de uma forma harmoniosa, peças com origem em conjuntos com mais de 20 anos de diferença resultando num modelo facilmente reconhecível. O sucesso deste concurso foi repetido nos anos seguintes no que é agora uma tradição: O concurso de Natal da 0937.

“Há mais de 5 anos a 0937...” é um tema que pretendo revisitar regularmente aqui na MOCgazine. O intuito principal é mesmo relembrar bons momentos da 0937, tanto online como offline. Momentos que de alguma forma foram importantes para a evolução da 0937 bem como dos seus membros e que ficam aqui registados, espero que, com a sobriedade de (mais de) 5 anos de distância. LBaixinho


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CONSTRUIR MODELOS ALTERNATIVOS uitas vezes, quando se fala em MOCs, pensa­se imediatamente em construções originais algo complexas, criadas com muitas peças provenientes de vários conjuntos, colecções grandes ou de compras no Bricklink®. No entanto, não é obrigatório ser assim. Mesmo com uma quantidade limitada de peças provenientes de apenas um conjunto é possível criar novos modelos, além daqueles que são mostrados nas instruções. Estes modelos são modelos alternativos e são MOCs criados usando peças de apenas um conjunto ou de um número limitado de conjuntos. São também conhecidos, em inglês, por Single set MOCs ou One set MOCs. O conceito é o mesmo dos modelos secundários, cujas instruções habitualmente vêm incluídas nos próprios conjuntos. O melhor exemplo actualmente é dado pela gama LEGO® Creator, cujos conjuntos normalmente trazem instruções para um modelo principal, geralmente mais complexo, e dois secundários. Como se verá em seguida, as construções possíveis não ficam limitadas a estes modelos, podendo o utilizador final criar mais alguns e assim explorar melhor um conjunto adquirido.

M

Conjunto 31003 – Red Rotors. ©2013 The LEGO Group. Exemplo de um conjunto LEGO® Creator que inclui instruções para o modelo principal e para mais dois modelos secundários. Esta gama de conjuntos é especialmente rica em peças de utilização mais genérica, pelo que é a minha preferida para a criação de modelos alternativos.

As razões para criar modelos alternativos podem ser várias. No meu caso, o que me leva a construir estes modelos é o desafio de construir com recursos limitados, o que obriga a um maior engenho para criar o MOC desejado, o que acredito que leva a um aprimoramento do domínio de muitas técnicas de construção. Gosto também de explorar as potencialidades de um conjunto recentemente adquirido, aproveitando para conhecer melhor as potencialidades de novas peças, se existirem. Por último, e mais recentemente, a falta de tempo. É mais fácil pegar num pequeno monte de peças e construir um


21 pequeno MOC do que gerir uma colecção inteira que, por falta de espaço, não se encontra organizada da melhor forma.

Ter um pequeno conjunto de peças armazenadas numa caixa pequena facilita a arrumação e o transporte. Estão sempre à mão para quando apetece dedicar algum

Exemplo de um modelo alternativo criado com poucas peças. O conjunto 8664 – Road Hero apenas tem 55 peças e ainda sobraram algumas após esta construção.

Não são necessários conjuntos grandes para se conseguirem fazer alguns MOCs. A partir de um pequeno conjunto com 55 peças, o 8664 – Road Hero, consegui criar um pequeno carro desportivo. Dadas as limitações, a qualidade e o detalhe podem sair penalizados. Neste exemplo, o carro nem sequer tem pára­brisas e é completamente vermelho. Mesmo assim, é tão funcional como o modelo principal. Mais recentemente criei um helicóptero usando as peças do 5892 – Sonic Boom. O modelo aproxima­se bastante do que queria criar, excepto a frente e o trem de aterragem, que destoam das formas

Este pequeno e futurista helicóptero foi criado com as peças do 5892 – Sonic Boom. A maior quantidade de peças deste conjunto permitiu a criação de um MOC com formas mais complexas.


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O Concept 8671, um carro que foi criado com as peças do 8671 – Ferrari 430 Spider. É um exemplo de um MOC onde a escassez de peças passa quase despercebida.

fluidas da fuselagem. Não consegui pensar numa melhor solução e as peças disponíveis não permitiram melhorar estes aspectos. No entanto, nem sempre menos peças

Este foi o pequeno conjunto de peças que deu origem ao Concept 8671.

significam menor qualidade. Um conjunto pode ter as peças certas para o que se pretende fazer. O melhor exemplo de entre os meus MOCs é o Concept 8671, criado com peças do conjunto 8671 – Ferrari 430 Spider, que tem o aspecto que queria, é maior e usa menos peças que o modelo principal. O meu processo criativo para estes modelos é simples mas diferente do seguido para um MOC normal. Num MOC normal começo por escolher o que quero criar e em seguida procuro as peças e técnicas que melhor se encaixam nas formas e funções a reproduzir. Num modelo alternativo, o processo é o inverso.


23 Olhando para o inventário disponível, procuro as peças ou os conjuntos de peças que mais se assemelham a objectos existentes e começo a partir daí. Posso também começar por juntar algumas peças ao acaso e explorar as formas resultantes. O Concept 8671 anteriormente mencionado começou a partir dos guarda­lamas. Juntando algumas peças curvas com as peças usadas como guarda­lamas no modelo principal, reparei que o resultado se assemelhava às formas típicas da parte frontal de um carro de corrida. Todo o modelo foi construído a partir dessa secção, o que acabou por dar ao carro o seu aspecto distinto. Actualmente, o meu tema preferido é o Creator. Assim sendo, adquiri dois conjuntos desse tema: o 31006 – Highway Speedster e o 31003 – Red Rotors. Construí um modelo alternativo para cada um deles. Para o 31006 – Highway Speedster, o MOC que criei é um carro. Este é

O carro na sua versão quase final, já com as formas bem definidas mas ainda com algumas imperfeições.

um conjunto rico em peças curvas que me fizeram lembrar as partes laterais de um Fórmula 1. Com esta ideia, comecei a construção. Aproveitei os dois Technic Beams

Etapa inicial da construção do Fórmula 1. Os dois Technic Beams (as peças azuis) seguram as rodas enquanto definia as formas da carroçaria.

Blue para segurar as rodas e comecei por moldar as partes laterais, o nariz e as asas traseira e dianteira. O aspecto geral pareceu­me animador, pelo que continuei a construção. Uma das vantagens dos conjuntos Creator é a variedade de peças de utilização genérica, pelo que não foi difícil moldar o resto do carro até atingir a sua versão quase final. As peças de suporte foram retiradas e o detalhe foi sendo acrescentado até obter uma carroçaria de formas suaves. Consegui ainda acrescentar um interior com banco para o piloto e volante. Esta versão ainda tinha algumas arestas a limar: as rodas traseiras não estavam bem seguras e a peça de cor tan(tile 2x2) em frente ao


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Esta é a versão final do carro de Fórmula 1.

cockpit não poderia ficar naquela posição, pois destrói o esquema de cores do carro. Não havendo mais peças lisas disponíveis (Tiles), a solução foi alterar a parte lateral de modo a libertar duas Tiles 2x2 White. Acabei por gostar mais do novo desenho da lateral, que agora termina de uma forma mais suave. Com estes problemas resolvidos, cheguei à versão final do carro, suficientemente sólido, com bom aspecto e, mesmo tendo dimensões aproximadas às do modelo principal, não usa todas as peças. O conjunto 31003 – Red Rotors, que à primeira vista parecia modesto e menos interessante, acabou por me

surpreender pelo modelo principal, bem mais atractivo do que a caixa deixa transparecer, e pela boa selecção de peças. No entanto, são em menor quantidade e por isso muito mais restritas ao modelo principal. A inspiração acabou por vir de apenas uma peça que vi pela primeira vez neste conjunto e que me lembrou imediatamente a cara

O conjunto de peças que forma a cabeça do robot. Foi assim que nasceu o modelo alternativo do conjunto 31003 – Red Rotors.


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Um Robot, modelo alternativo do conjunto 31003 – Red Rotors. O aspecto geral faz lembrar alguns brinquedos das décadas de 80 e 90.

de um robot. Adicionando mais algumas peças, ficou construída aquela que viria a ser a cabeça do MOC. Não há peças em quantidade suficiente para construir pernas humanóides. A solução foi usar as rodas disponíveis para permitir o movimento e equilíbrio e escondê­ las com outras peças, formando a base e o tronco. Com esta estrutura terminada, foi fácil concluir o modelo final com as peças restantes, adicionando braços e colocando a cabeça. Inicialmente planeei que a tampa na parte posterior se abrisse para deixar ver os controlos, mas essa ideia foi abandonada em favor da robustez do modelo. Construir modelos alternativos é

uma boa forma de passar o tempo. Aqui deixei como exemplo vários modelos criados por mim a partir de conjuntos Creator, mas isso não significa que os conjuntos das restantes gamas não sejam também adequados a este tipo de construções. Basta, antes de comprar, analisar o conjunto e o respectivo inventário. Boas construções! Biczzz

Quer saber mais? Os Meus Modelos Alternativos: http://www.flickr.com/photos/biczzz/coll ections/72157635111225396/

Todos os meus MOCs:

http://www.flickr.com/photos/biczzz/coll ections/72157635110309472/

O meu Blogue:

http://biczzz.blogspot.com


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A AVENTURA DE CONSTRUIR UM UNIMOG construções System. A cabine do Unimog também foi interessante, pois mistura Technic e System e mesmo com Technic consegue­se fazer passar a ideia que as construções podem ser visualmente atrativas tal como as de System. A única coisa que não gostei de fazer foi colocar os flexible tubes nos pneumáticos, é tarefa árdua mesmo! epois de ter adquirido o Unimog no último Arte em Peças, perdi algum tempo a montar o dito. Foi uma tarefa que me demorou 4 dias, quase um dia para cada livro de instruções. Demorei no total umas boas 7 horas até concluir a construção. Os primeiros livros demoraram mais tempo, também são maiores e passava algum tempo à procura das peças, depois com o passar do tempo comecei a encontrar cada vez mais rápido e consegui construir cada vez mais rápido os passos.

D

Na globalidade não achei complicado, houve alturas que não percebi o que estava a construir,mas depois lá se fez luz e o resultado final é engenhoso. Gostei de construir os diferenciais, abriu­me os olhos para o que realmente se pode fazer com Technic e as possibilidades para implementar o mesmo em

Quem me conhece sabe que a minha experiência com Technic é limitada, posso dizer mesmo que é nula e se em System eu costumo enganar­me várias vezes, em Technic deveria ser o mesmo ou até pior. Mas só me enganei uma vez, foi um erro meio chato, mas lá consegui resolver, o meu erro foi na direção, enganei­me ao não colocar um axle juntamente com um pin connector e depois a direção não funcionava corretamente. Resumindo, creio que o Unimog é um set excelente, adorei construir e fiquei com vontade de construir o modelo B. Tenho também, agora, uma boa base de peças technic e um motor que era algo que queria já há algum tempo. Já posso pensar em criar algo para GBC por exemplo, ou criar movimento em MOCs futuros. Technic ficou claramente com mais um fã. Miguel Oliveira


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20 PREGUNTAS 20 PEÇAS ‐ MIGUEL REIZINHO

M 1

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iguel Reizinho é membro da Comunidade 0937 e é actualmente o Embaixador LEGO desta LUG (LEGO Users Group) e acedeu ao convite de ser o primeiro entrevistado desta rubrica.

Com que idade começaste a brincar com LEGO? Não consigo precisar. Era miúdo. Talvez 3 ou 4 anos. Tenho uma irmã mais velha e o LEGO® era partilhado. Tínhamos umas caixas cilíndricas altas, que eu julgo que eram de detergente de roupa, cheias de peças. Muito Legoland. Lembro­me que apenas o mais recente, comprado para mim, é que já tinha minifigs como as actuais. Na altura, espaço e bombeiros era a minha preferência.

Passaste por uma "dark age"?

Aqueles carros já não se pareciam com nada daquilo que eu estava habituado a construir quando era criança. Comecei a procurar na internet por novos modelos e descobri que havia todo um mundo de adultos e de suas magnificas criações.

Ainda tens material anterior à "dark age"? Não. Nada sobreviveu, com muita pena minha. Aliás, a minha primeira compra no Bricklink foi o set 885 Space Scooter, um dos que tinha.

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Sim tive. Na adolescência fui largando o LEGO aos poucos. Ainda me lembro de brincar com 12 ou 13 anos, mas usava­o essencialmente para fazer veículos ou acessórios para as action figures.

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Há quanto tempo regressaste ao hobby e o que o motivou? Regressei ao hobby há aproximadamente 5 anos. Comprei um set City para o 5º aniversário do meu filho. Ele gostou muito e ajudei­o a construir, mas não foi o suficiente para o bichinho voltar. De seguida comprei­lhe os carros da linha SpeedRacer, os sets 8158 e 8159. Aí sim, fiquei completamente apanhado.

Quanto tempo por semana despendes com Lego? Não é regular. Mas há sempre alguma coisa para fazer. Todas as semanas pego em peças. Nem que seja para arrumar.

Costumas construir sozinho/a ou acompanhado/a?

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Ambos. Apesar de a maior parte das vezes ser sozinho, também participo em alguns displays comunitários que implica construir com outras pessoas.

Onde costumas construir? Em casa. Ou no local da exposição, antes desta abrir!

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Tens uma legoficina permanente? Tenho uma mini­oficina, um cantinho com estantes onde guardo as peças organizadas e uma secretária para servir de base às construções. Por vezes a secretária é demasiado pequena.

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Qual ou quais são os teus temas preferidos? O meu tema preferido é Espaço. Mas depois gosto de tudo um pouco.

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Apenas posso julgar por aqueles que montei. De todos esses, o 10210 Imperial Flagship é realmente excepcional!

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Coleccionas algum tema? Não. Compro sets que me agradam, independente do tema. Tenho algumas preferências, temas que me agradam mais, mas não colecciono. E não compro um set apenas para terminar uma colecção se o set não me agradar.

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Qual foi para ti o melhor set de sempre?

Qual é aquele que tu achas que foi o teu melhor MOC?

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Gostei muito de fazer o redux do 897 Mobile Rocket Launcher. Acho que temos sempre uma preferência pelo ultimo que fazemos. Portanto talvez deva responder o próximo!

Qual foi o último set que compraste/recebeste? O ultimo set que comprei foi o set Creator 31011 Aviation Adventures. Ainda está por montar.

Consideras que investes muito de ti neste hobby?

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Não. Há alturas mais complicadas, como as preparações de eventos. Mas de certo modo dá para conciliar bem o hobby com a vida pessoal.

Planeias em papel ou informaticamente o que vais construir? Em papel nunca faço. É mais normal começar a fazer em digital e depois passar para ABS para finalizar. Por vezes salto a parte do digital e começo logo com peças. E o mais provável é isso acontecer enquanto estou a arrumar peças.

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Com que idade começaste a brincar com Lego?

O que vês de mais positivo neste hobby?

Os MOCs normalmente duram o tempo de eu precisar das peças que eles usam para outro MOC. Alguns têm a sorte de eu gostar muito deles para ir comprar apenas aquelas peças outra vez e voltar a construir o velho MOC. Outros são simplesmente desmanchados.

Um dos aspectos mais positivos é a estimulação da criatividade. Não requer uma grande destreza manual o que permite que crianças e adultos possam construir, às vezes até em conjunto (outro ponto positivo), e ficar satisfeitos com o resultado.

Como costumas partilhar os teus MOCs com a comunidade AFOL? Normalmente coloco fotos no Flickr e no forum da Comunidade0937. É normal haver MOCs feitos sem terem fotos publicadas.

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Qual é a peça que tu achas indispensável? Nesta altura, a minha peça preferida é sem dúvida o tile, round 1 x 1.

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A longevidade do brinquedo também é importante: um conjunto de peças permite ser reutilizado várias vezes em construções diferentes. Uma vez mais é a satisfação de ver o resultado final e a antecipação de começar outra vez. Enfim, cada maluco com a sua mania.

Por fim aqui fica a resposta ao desafio de fazer um MOC com 20 peças.

Que nova peça gostarias que fosse criada? Não tenho desejo de nenhuma peça que gostaria de ver criada. Gostaria sim, de ver peças existentes, mas noutras cores. Especialmente trans­ yellow. Qualquer um destes windscreens seria bem vindo: Windscreen 6 x 4 x 2 Wedge Curved

Windscreen 10 x 6 x 3 Bubble Canopy Double Tapered

Windscreen 7 x 4 x 2 Round Monforte

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OS BONS VELHOS SETs ‐ 6398

or muitos considerada a melhor esquadra da polícia da época dourada da LEGO® (1980­1999), este conjunto apareceu em 1993 e tinha a árdua tarefa de “substituir” a mítica 6386 Police Command Base de 1986, que era até ao momento, um dos conjuntos policiais mais desejados na altura.

P

Fazia parte do tema City, integrada no subtema Police. Quando apareceu em Portugal pela primeira vez, o seu PVP rondava os 12.000$00 (aproximadamente 60 €). Era até à altura um dos maiores conjuntos alguma vez feito para o tema Cidade, com 615 peças e 5 minifigs. Destes, todos eles eram novos, com as novas

fardas/uniformes, e pela primeira vez apareceu um “prisioneiro”, sendo o minifig em questão exclusivo deste set, aparecendo noutros conjuntos com variações a nível de cores nas “pernas” e cabelo/chapéu. Como curiosidade, o prisioneiro foi denominado de Jailbreak Joe. Além do minifig, destaque para outras peças que apareceram pela primeira vez neste set/tema/ano, nomeadamente as seguintes printed parts. Relativamente ao set em questão, apresentava 4 veículos: moto, carro, jipe e helicóptero.

Enquanto que a moto e o carro eram bastante semelhantes a outros veículos produzidos pela marca, tanto o jipe como o helicóptero (especialmente este), fugiam um pouco ao modelo tradicional. O 4x4 surpreendia pela suspensão e por todos os seus apetrechos (mochila, machado, pá e walkie­talkie), o segundo destacava­se pela sua dimensão. De certeza que fez as delícias de muitos miúdos e graúdos na época (e até mesmo hoje). Relativamente ao complexo policial, este era bastante completo e cheio de diversas áreas/compartimentos.


31 Podemos tentar dividi­los em 3 pequenos edifícios, todos eles ligados entre si no primeiro piso, através de uma ponte que atravessa

a baseplate. O edifício da esquerda, com 2 andares, possui um escritório para o “telefonista”, no primeiro andar. No rés­do­chão do edifício da direita, existe um pequeno compartimento com algumas ferramentas e um pequeno espaço para colocar a motorizada. Destaque para a cela, com um sistema de fecho de portas bastante eficaz, recorrendo a hinge bricks e a uma bar 1 x 3 with Clip and Stud Receptacle (Robot Arm), para bloquear o gradeamento e impedir que o prisioneiro fuja. Ao meio, uma pequena barreira policial a controlar a entrada e saída de veículos. No piso superior, destaque para os escritórios: uma sala de descanso com canecas (serão cervejas?), para os minifigs descansarem, e uma máquina de café… fica apenas a faltar os donuts.

Ao lado, a sala CSI, com tiles impressas com impressões digitais e um retrato robot do nosso Jailbreak Joe. Na parede, um painel com um sticker a representar o que deverão ser algumas câmeras de vigilância do edifício. Por cima, mais uma sala de vigilância com cassetes, computador e um novo sticker num painel representando o mapa da cidade. Por fim, no último piso temos o dormitório. Resumidamente, este é um conjunto com muita jogabilidade, cheio de peças úteis, que fez certamente as delícias de muitos jovens na altura. É um “must have” para qualquer colecionador deste tema e é certamente um ícone e um dos melhores sets lançados neste ano.

(Este artigo é meramente pessoal e não reflete a opinião/posição da comunidade 0937, sendo exclusivamente da responsabilidade do autor). Alex


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Pedro Pinto e o seu Mr. Gold bem quantos me compraram mas não devem ter sido mais de 6 ou 7. Não me recordo do primeiro conjunto, o que mais me recordo foi da esquadra da Policia que tive. Sim, era Policia e não Bombeiros, o que construía… Lembro­me de construir muitos carros e camiões, helicópteros e robôs, lembro­me desses porque era a altura de dar os Transformers na TV. Pedro Pinto tem 34 anos e é bombeiro de profissão. É um dos muitos membros da Comunidade 0937 que partilha o gosto pelo Lego.

Diz-nos, Pedro, o que viste no Lego?

O LEGO é um brinquedo que sempre gostei desde pequeno, porque dá­nos a possibilidade de construir seja o que for. O limite é a nossa imaginação e, como podemos ver nos MOC´s apresentados os limites estão sempre a ser quebrados. O LEGO foi­me “apresentado” por um primo que tinha alguns conjuntos e então, com 6 ou 7 anos, não me recordo muito bem, comecei a mexer nas peças e a ver o que se conseguia fazer com o LEGO, foi a partir dai que comecei construir e a pedir aos meus pais que me comprassem LEGO.

E os teus pais compravam-te muito ou pouco Lego? Lembras-te do teu primeiro conjunto? E o que costumavas construir? Os meus pais não me compraram muito LEGO, não me recordo muito

Estiveste quanto tempo sem contacto com este hobby? O que te fez voltar? Estive muito tempo sem contato com este hobby, sensivelmente 18 anos. O que me fez voltar… Várias situações, umas delas, o nascimento do meu filho Nuno fez­me olhar novamente para as montras das lojas de brinquedos e claro está para o LEGO, recordando­me do que tinha, do que fazia e dos bons momentos que passei quando era mais jovem.

Achas que o teu filho te vai seguir as pisadas? Eu acho que sim. Ele gosta de construir e brinca bastante com o LEGO que tenho dispersado pelo sótão.

Dado ser um brinquedo/hobby que é conotado como sendo para crianças, que comentários obtiveste dos teus amigos mais próximos?

Tive algumas críticas, mas maioritariamente foram eles a brincar comigo. Mais tarde começaram a perceber melhor o meu gosto pelo


hobby e a conhecer as construções, onde eu mostrava as fotos das exposições realizadas pela Comunidade e faziam­me a típica pergunta “isto é tudo em LEGO?”, até que por fim já me perguntavam onde iria ser a próxima porque queriam ir ver também.

Consideras-te um coleccionador ou construtor? Eu considero­me um pouco dos dois, gosto de construir e também de colecionar, se bem que ao longo do tempo vai­se perdendo o amor aos conjuntos originais, que vão sendo destruídos para se ter peças para construir, embora existam alguns conjuntos que mantenho intactos.

Quais são os teus temas preferidos e porquê?

Os meus temas… CITY, porque gosto do tema e é onde se insere claro está, os bombeiros, embora esteja neste momento a lançar um braço ao CASTLE dado haver aquele espirito medieval de batalhas e a misticidade que se encontra.

O que é que já construíste?

Já tenho construído alguns modulares, a grande área de floresta existente na cidade 0937, entre outros pequenos veículos.

Podes dizer-nos os teus planos para futuros MOCs?

MOCs para o futuro tenho alguns em projeto, uns mais trabalhosos que outros, mas só o tempo o dirá quando é que estarão prontos para aparecerem ao público.

Sabemos que foste um dos

sortudos que teve a sorte de encontrar a minifigura dourada da série 10, o famoso Mr. Gold? Queres contar-nos como foi esse momento?

Bem este momento foi um pouco hilariante, agora quase que me envergonha, mas naquele momento não quis saber das aparências. Então foi assim, numa das minhas idas ao corredor dos brinquedos de um conhecido hipermercado lá fui eu apalpar mais uma coleção da serie 10, já a tinha quase toda quando a falta da Bumblebee Girl me fez mudar para uma nova caixa, passei mais umas três ou quatro saquetas pelas mãos quando de repente apalpo algo de diferente, nem queria acreditar, acho que verifiquei aquela saqueta umas não sei quantas vezes para ter a certeza (até parece que não estou farto de apalpar saquetas), fiz uma festa, dei pulos, mas acho que não gritei… (acho eu), de seguida liguei à Andreia a dizer a novidade, ela também não queria acreditar, tal como muita gente minha conhecida daí a realização do vídeo de apresentação que coloquei na minha página do Facebook.

E agora, dado ser uma peça que vale tanto no mercado, o que pensas fazercom ela?

Ficar com ela, foi uma decisão a dois, minha e da Andreia, esta é a veia de colecionador a vir ao de cima.

Que reacções tiveste dos teus amigos? Invejam-te, não?

Bem… a meu ver acho que não, não quero pensar nisso. Andreia

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SÓ PARA RIR


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PASSATEMPOS Diferenรงas

Encontra as 7 diferenรงas


Sopa de letra

37 Procura e encontra todas as palavras listadas a direita da sopa de letra COMUNIDADE LEGO SET SYSTEM TECHNIC AEP MOGAZINE PORTUGAL MOC WIP CREATOR CITY NXT MINDSTORM

Palavras cruzadas VERTICAL

1­ Dentro da caixa original | 2­ Medida usada em criações feitas com peças da LEGO® | 3­ Tema da LEGO voltada para a educação tecnológica. | 4­ Conjunto de módulos para transporte de bolas (sigla) | 5­ Pequena construção | 6­ Adulto fã de peças LEGO (sigla) | 7­ Conjunto de pessoas

HORIZONTAL

1­ Plates 1x2 with one stud | 2­ O maior evento da comunidade 0937 (sigla) | 3­ Mascote da 0937 | 4­ A Minha Criação (sigla) | 5­ Pequena figurina | 6­ O grupo LEGO (sigla) | 7­ Beige | 8­ Slope Brick 33 1 x 1 x 2 3


S E M C O M E NT Á R I O S


INFORMAÇÕES Este é o primeiro número da MOGAZINE e portanto ainda é um projeto em formação. Se tens ideias, sugestões ou pretendes mesmo colaborar, contacta­nos neste tópico do Fórum 0937:

http://comunidade0937.com/forum/index.php/topic,13155.0.html

Soluções

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Redação

Alexis LBaixinho Monforte Alex Marcosbessa Andreia

Revisão de Textos Andreia Biczzz Hugosantos

Edição Alexis

Publicação Tito LBaixinho

www.comunidade0937.com

MOGazine #1  

This is the MOGazine. The LEGO themed magazine published by some AFOLS from Comunidade 0937.

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