Comunicarte 2018

Page 1

COMUNICARTE Jornal Mural do Curso de Jornalismo da Uninter Foto: Patrícia Lourenço

O fotojornalismo não tolera “photoshopada” TEXTO: Patrícia Lourenço FOTO: Renan Paczkowski

O ato de manipular uma fotografia coloca em xeque a credibilidade do fotógrafo e do próprio fotojornalismo, que busca a construção de uma interpretação da realidade. Segundo o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, é da responsabilidade profissional “rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao pú-

blico o eventual uso de recursos de fotomontagem”. Mas, não é sempre assim que acontece. Com os avanços tecnológicos se tornou mais fácil, rápido e cada vez menos aparente para o leitor esse tipo de intervenção na imagem. Mas qual seria a diferença entre tratamento e manipulação de imagens? Quem explica é a professora Sionelly Leite, de Jornalismo: “O fotojornalismo permite apenas o tratamento da fotogra-

fia, que nada mais é que fazer ajustes na luz, no enquadramento. Já a manipulação extrai ou soma algum elemento à ima-

gem”. Assim, a manipulação não é permitida no fotojornalismo, pois dessa forma o mesmo acaba por alterar a verdade. Em

tempos de disseminação das Fake News o jornalismo íntegro deve ser fiel à imagem, à cor, às palavras e até mesmo ao silêncio.

Percepção de um fotojornalista A mentira tem perna curta Entrevista com o profissional Albari Rosa

A manipulação de imagens é antiética e pode trazer graves consequências aos fotojornalistas. TEXTO: Samuel Maurício Junior

A credibilidade de um jornalista é medida por como ele trata a veracidade. No fotojornalismo não é diferente. Abaixo dois casos de fotógrafos que manipularam as imagens. O fotógrafo Marcio Cabral ganhou o prêmio do concurso de Vida Selvagem de 2017 por uma foto de um tamanduá subindo um formigueiro. Porém, ele perdeu o prê-

mio sob a suspeita de ter usado um tamanduá empalhado. Durante a Guerra Civil Americana, em 1863, o fotógrafo Alexander Gardner tirou a foto de um soldado morto caído entre rochas que foi nomeada “O último descanso do atirador”. Anos depois foi descoberto que ele teria arrastado o cadáver de um soldado para criar a fotografia.