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Fazendeiros de cana Minha terra tem palmeiras? Não. Minha terra tem engenhocas de rapadura e cachaça e açúcar marrom, tiquinho, para o gasto. Canavial se alastra pela serra do onça, vai ao mutum, ao sarcundo, clareia morro escuro, queixadas, sete cachoeiras. Capitão-do-mato enverdece de cana madura, tem cheiro de parati no bananal e no lava, no picarrão, nas cobras, no toco, no alegre, na mumbaça. Tem rolete de cana chamando para chupar nas abóboras, no quenta-sol, nas botas. Tem cana caiana e cana crioula, cana-pitu, cana rajada, cana-do-governo e muitas outras canas de garapas, e bagaço para os porcos em assembleia grunhidora diante da moenda movida gravemente pela junta de bois de sólida tristeza e resignação. As fazendas misturam dor e consolo em caldo verde-garrafa e sessenta mil-réis de imposto fazendeiro.

Carlos Drummond de Andrade

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Trabalho, festas e identidade cultural nas terras do café e da cana Sertãozinho e Pontal, localizadas na região de Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo, se destacam pelo grande desenvolvimento proporcionado pela agroindústria da cana-de-açúcar.

das regiões nordeste e norte do Brasil, delineando uma sociedade que se caracteriza pela presença de diferentes tradições, costumes, sotaques e identidades culturais.

O cultivo e processamento da cana-de-açúcar, em larga escala, aconteceram a partir dos anos 1950.

Desses diferentes saberes resulta uma sociedade com perfil empreendedor. O conhecimento agrícola e industrial para aproveitamento da cana-de-açúcar gerou a prosperidade econômica e social, matriz econômica (açúcar/combustível/energia elétrica) que se lança sobre o futuro com novas possibilidades e desafios.

Na região estabeleceram-se os portugueses colonizadores, os paulistas entrantes, bandeirantes, os povos originários indígenas, negros africanos, imigrantes europeus e asiáticos e migrantes vindos

E tudo começou com o café... O plantio do café foi introduzido no Brasil, no período Colonial, no Estado do Rio de Janeiro.

E os italianos chegaram de além-mar... trazendo esperanças na mala e um novo brilho no olhar.

Em seguida, no Estado de São Paulo prosperou e se desenvolveu extraordinariamente nos famosos solos de terra roxa, na região de São Simão e Ribeirão Preto.

E foram semeando o chão

Como um produto voltado para a exportação e plantado em extensas porções de terra, a cultura do café se desenvolveu, estruturando-se sobre a grande propriedade e a mão de obra escrava.

pátria, raiz e certeza.

A partir dos anos 1870, os imigrantes europeus e asiáticos substituíram os africanos escravizados.

Na terra roxa de Ribeirão

e fazendo brotar o café. Tantos Giusepes, Pietros, Giovannis, Biancas, Elviras, Teresas, Italianos, sim senhor! Mãos prontas para o trabalho, para os versos e para as canções. brotam os cafezais. Nasce a companhia Mogiana. E de trem para Santos seguem

Panhadera, panhadera, panhadera de café. De dia roda a “penera” e de noite arrasta o pé.

as sacas de café. De lá, embarcam para Europa, os barões enriquecem e Ribeirão torna-se a “Capital do café.”

(Domínio público – cantoria realizada durante a colheita pelos colonos de café)

Mural representativo de colheita de café. Cravinhos, SP. Fotógrafa: Marcia Freitas

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Vista das primeiras edificações construídas no Engenho Central. À direita, Usina Schmidt, à esquerda edifício de apoio, atual almoxarifado. Data: 1911. Revista Brazil Magazine.

E chega a Cana...

Após a crise econômica de 1929, o plantio de café começou a declinar e, a partir dos anos 1930, começou o aumento de investimentos em outras culturas, como: arroz, milho e principalmente o algodão. A cultura da cana-de-açúcar foi trazida para a região de Ribeirão Preto, Sertãozinho e Pontal, na década de 1850, pelos primitivos povoadores. A produção destinava-se somente a atender as necessidades locais: produção de açúcar e aguardente. No início do século XX, por iniciativa de Francisco Schmidt, a cana-de-açúcar começou a ser plantada em larga escala no município de Sertãozinho, SP. A partir dos anos de 1950, as terras plantadas com café foram ocupadas pela cana-de-açúcar, alterando a matriz econômica da região. Nos anos de 1980, o Estado de São Paulo passou a liderar a produção canavieira nacional, com destaque para as regiões

de Ribeirão Preto, Araraquara e Piracicaba. Entre os anos de 1960 e 1982, houve um grande aumento da área cultivada com cana-de-açúcar no estado de São Paulo, em grande parte devido ao subsídio oferecido pelo PROÁLCOOL – programa de estímulo criado pelo Governo Federal no ano de 1975. A partir do Proálcool os grandes canaviais e usinas passaram a produzir, além do açúcar, o álcool combustível. A região de Sertãozinho e Pontal passou a liderar a produção de açúcar e álcool e os processos tecnológicos do plantio e processamento da cana-de-açúcar. A modernização da produção agrícola criou e fortaleceu as demandas por implementos mecânicos e maquinário agrícola, insumos e mão de obra especializada que hoje caracterizam essa região como uma referência para a indústria sucroalcooleira.

O que é o que é? De nó em nó nasce a doçura. Nasce capim e brota do mel. Depois de transformado, se fazem doces do céu? É a Cana, rapadura, garapa, mascavo, tudo na moenda e no tacho.

Francisco Schmidt recepciona comitiva da Secretaria da Cultura do Estado, durante a chegada dos maquinários da Usina Schmidt. Data:1911. Fotógrafo: Não identificado

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O trabalho na cana: do boia-fria ao novo perfil do trabalhador rural É madrugada, desponta mais um dia de trabalho. Nas marmitas ou caldeirõezinhos, a boia que sai quentinha, nunca é esquentada. A comida sempre fria, é comida todo dia. Vestidos com muitas camadas de roupas, lenços, bonés, chapéus, mangas compridas. Nas mãos e nos rostos, muitas marcas do sol a pino e da vida. No transporte sobre o pau-dearara ou ônibus rurais vão num chacoalhar. Segue o boia-fria...

Trabalhador rural com vestimenta típica usada na década de 1980. Data: 2018. Fotógrafo: Alisson Santos

Em 1984, temos um marco na história do trabalhador rural brasileiro, a greve de Guariba, SP. Este movimento social, por melhores condições de trabalho no campo, determinou a mudança da legislação trabalhista para o setor. Antes do movimento, as condições de trabalho eram precárias, com jornadas extenuantes, falta de equipamentos de segurança e baixa remuneração. Após a greve, as negociações garantiram aos cortadores de cana a volta do sistema de corte em cinco ruas nos canaviais, benefícios como descanso semanal, férias, 13º salário, indenização em caso de demissão, aumento no valor pago pela produtividade, direito a equipamentos de proteção, assistência médica e banheiros junto às plantações. No início dos anos de 1990, a necessidade de buscar novas técnicas para uma maior produtividade na lavoura, levou os proprietários à adoção da mecanização da agricultura. Em 2003, foi implantada a primeira máquina colhedora com tecnologia 100% nacional, sendo que o fim das queimadas, conforme preconiza o Protocolo Agroambiental no Estado de São Paulo, foi um estímulo à mecanização dos canaviais. O campo mudou e os trabalhadores também. Automação, máquinas modernas e a tecnologia substituíram o trabalho da maior parte dos boiasfrias e hoje a qualificação profissional é necessária.

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Um novo perfil do trabalhador rural emergiu nos campos. O avanço das tecnologias digitais sobre as atividades no campo, a agricultura de precisão, a busca por processos agroeconômicos sustentáveis demandam novos aprendizados e requalificação do conhecimento e do trabalhador rural.

Divulgação Valtra


Sanfoneiro- Festa Junina Museu da Cana. Data: 2016, Fotografo: Leonardo Granelly

Os trabalhos e os dias: festas e identidade cultural do mundo rural

Camponês, caipira, roceiro, sertanejo são algumas denominações pelas quais eram chamados os camponeses do interior das terras de São Paulo, porções de Minas Gerais e Mato Grosso.

Alguns estudiosos acreditam que a palavra caipira vem das palavras em Tupi: Caapora e Caipora que significam cortador de mato, roçador. Na região de Sertãozinho, Pontal e Ribeirão Preto, há ainda a denominação de Sertanejo e Mogiano para designar as pessoas que passaram ou se fixaram nesse território desde o século XVII.

Sertanejo denomina as pessoas que se aventuraram rumo ao sertão, regiões do interior do Estado de São Paulo desconhecidas e, Mogianos, as pessoas que, saindo das vilas de Mogi-Guaçu e Mogi-Mirim, rumavam para as terras do interior, atravessando o território paulista rumo às terras de Goiás e Mato Grosso. A denominação de região Mogiana e Alta Mogiana advém desses povos e, posteriormente, em 1872, a fundação da Companhia de Estrada de Ferro Mogiana acabou por sedimentar mais esta nomenclatura.

Estação Schmidt da Cia Mogiana Estrada de Ferro, localizada na Fazenda Vassoural, vizinha do Engenho Central. Criada para escoamento do Café da fazenda Vassoural e do açúcar do Engenho Central. Data: 1974. Fotógrafo: German Lorca. Acervo Museu da Cana

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O tempo: os dias e as noites no campo (na roça) O trabalhador começa o dia com as estrelas. Desperta o sol, dá milho às galinhas e aos porcos, toma o café fervido na garapa ou com água e açúcar. E vai para lida até o pôr do sol. Essa é a vida! Esse é o tempo da roça, da labuta ao repouso. Vista do nascer do sol no canavial. Data 2018. Fotógrafa: Maria Esteves

É a faina, jornada de 12 horas de trabalho no verão e, de 10 horas, no inverno. O almoço acontecia normalmente às 9 horas. Ao meio-dia havia a parada de 1 hora para a merenda. No fim do dia, em casa, dava-se a ração de milho para a criação. A janta era às 19 horas, e depois das 20 horas, quase todos já estavam dormindo. Os assalariados trabalham por salário mensal. Para o sitiante ou o roceiro, os homens e as mulheres do meio rural, a unidade fundamental era o ano agrícola. O ritmo da vida era determinado por dia e noite que delimitavam o trabalho e o repouso. O ritmo era também regulado pela semana, medida pela revolução da Lua.

E era também a Lua que regulava a ocorrência das festas que demarcavam eventos importantes sobre o plantar e o colher, sobre o ritmo de vida dos animais de criação. O ano era a medida que regulava os ciclos das plantas, a evolução das sementes. O tempo da roça é o tempo do dia e da noite, do sol e da lua, das estações. E assim a vida transcorria em simbiose com a natureza, o ciclo agrícola e o trabalho fundiam-se. Os domingos eram os dias de descanso, era quando se davam também os contatos sociais, as visitas aos povoados e às vilas para as compras e transações comerciais.

Vista da primeira Colônia do Engenho Central de Pontal. Data: 1974. Fotógrafo: N/D

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Vamos sair do cotidiano e fazer festa! Vamos celebrar a vida! Festa é reconciliação, fraternidade, união. Festa é tradição!

Quadrilha durante Festa Junina realizada no Museu da Cana. Data: 2016. Fotógrafo: Nice Marinho

As festas e celebrações As festas de matrizes religiosas e as celebrações são manifestações de verdadeiro patrimônio cultural material e imaterial.

Bater os pés. Bater as mãos. Mistura de indígenas, portugueses, africanos, e, aqui, na região de Ribeirão,

Os dias santificados, os dias dos santos padroeiros, as frequentes missas realizadas aos domingos nas vilas são práticas religiosas que reafirmam a conexão das comunidades rurais com o sagrado, com as tradições.

também de italianos.

Algumas das festas populares são heranças de práticas religiosas, o catolicismo popular, dos tempos das colônias, outras foram incorporadas ao calendário religioso ao longo da história.

Salve a natureza!

Salve os rituais indígenas, o vira, o batuque e a tarantela! Salve os santos, os orixás! Mistura boa das manifestações religiosas.

Na comunidade da antiga Colônia do Engenho Central de Sertãozinho/ Pontal são mantidas até os dias atuais as tradições e seguintes festas: - Festas Juninas: com destaque para o Dia de São Pedro, em 29 de junho. - Festa de São Gonçalo: é comemorada tradicionalmente em 10 de janeiro. No Engenho Central de Sertãozinho e Pontal, não tem calendário fixo.

- Companhia de Santos Reis: Celebrações realizadas no mês de dezembro. - Festa de São Sebastião: Comemorado em 20 de janeiro na antiga Colônia do Engenho Central desde tempos remotos.

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Festas Juninas

Celebração durante festa no Museu da Cana. Festa de São Pedro. Data: 2017. Fotógrafo: N/D

A origem das Festas Juninas vem das celebrações que desde a Idade Média, na Europa, anunciavam o solstício de verão e de inverno e homenageavam os deuses da natureza e da fertilidade. Estas celebrações estavam ligadas à agricultura e ao ciclo das semeaduras e às colheitas. Com o tempo, a igreja católica acabou aderindo às festas, atribuindo-lhes um caráter religioso. Em Portugal, passou-se a comemorar o dia de São João, que batizou Jesus, em 24 de junho, dando a estas comemorações o nome de festas joaninas. No Brasil, as festas juninas foram introduzidas pelos portugueses no período colonial e, desde então, sofrem influências das culturas africanas e indígenas, ganhando características peculiares em cada parte do Brasil.

Na festa caipira, estendem-se bandeirinhas, dança-se a quadrilha e pula-se fogueira. O milho do indígena, vira canjica, pipoca e bolo de fubá. Tem quentão pra lá de bão! E vinho quente dos portugueses e italianos.

No interior do estado de São Paulo, também são comemorados o dia de Santo Antônio em 13 de junho e São Pedro em 29 de junho. No estado de São Paulo, o ano agrícola começava em agosto com o preparo da terra para o plantio e terminava em junho e julho com as operações de colheita. As festas de São João, no dia 24 de junho ou a festa de São Pedro, no dia 29 de junho, demarcavam o encerramento do ano. Já a festa de São Roque, em 16 de agosto, dava início ao ano agrícola, portanto, estava carregada de votos de esperança.

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Retrato de D. Vanda, antiga moradora do Engenho Central, ao lado do estandarte de São Pedro. Data: 2016. Fotógrafo: Clark Santos Alves


Detalhe de dança durante festa no Museu da Cana. Data: 2016. Fotógrafa: Nice Marinho

Festa de

São Gonçalo

Eu lhe ofereço um santinho, uma dança e uma reza,

São Gonçalo é um santo português, nascido no ano de 1187.

por ter alcançado uma graça, para alguém que tanto preza.

Passou por um período de busca interior e encontrou na experiência popular a maneira de converter pecadores, pregou e operou supostos milagres por todo o norte de Portugal. Morreu no dia 10 de janeiro de 1259 em Amarante, no Douro, à margem direita do rio Tâmega. Após sua morte, passou a ser protetor dos violeiros e ser considerado um santo casamenteiro. Em Portugal, a sua festa é realizada em Amarante, no dia 7 de junho e dedicam-lhe uma semana de festejos, com procissões, bandas de música, folguedos populares. No Brasil, a festa, na atualidade, não tem dia determinado. A Festa de São Gonçalo acontece na antiga Colônia do Engenho Central de Sertãozinho e Pontal, em razão de uma promessa feita por Dona Vanda, moradora da colônia; é realizada uma vez por ano, sem dia fixo.

O termo Folclore foi criado por um Inglês chamado Willian John Thoms, em 1846. Resultado da junção de duas palavras: Folk, que significa povo; eLore, que é saber; ou seja, o “saber do povo”. O termo veio para reunir todas as expressões do saber tradicional preservado pela transmissão1 1

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D.Nayr, antiga moradora do Engenho Central, portando estandarte. Data: 2016. Fotógrafo: Hossame Nakamura

Folia de Reis

A folia de Santos Reis, trazida da Europa, pelos portugueses, se espalhou por todo o território brasileiro. É uma manifestação religiosa e festiva que reúne um grupo de pessoas para rezar, tocar e cantar em louvor aos Três Reis Santos. O grupo se ornamenta com roupas que identificam a companhia, geralmente camisa da mesma cor com o nome da companhia bordado. Os palhaços apresentam-se com trajes típicos coloridos e máscaras. Nos instrumentos musicais são colocadas muitas fitas coloridas com as cores da companhia, cada uma com um significado, para homenagear a Virgem Maria. A bandeira é um elemento sagrado, representa os Reis Santos e deve ser a primeira a chegar às casas visitadas, seguindo sempre à frente do grupo. As pessoas prendem na bandeira, com um alfinete, fotos, amuletos e dinheiro, para pedir ou agradecer por uma graça alcançada. Segundo a tradição, esses objetos não podem ser costurados na bandeira para que os nós não atrapalhem o pedido, por isso são usados os alfinetes. A caminhada das companhias acontece no mês de dezembro, sendo que a data varia de acordo com a região e a cidade, mas o dia simbólico para começar é o dia 24 de dezembro, véspera do nascimento de Jesus. Há lugares em que a caminhada se estende durante todo o mês de dezembro e vai até 06 de janeiro. As companhias arrecadam doações de moradores que são agraciados com as orações. Essas doações vão para instituições filantrópicas e de caridade ou servem para realizar a festa da

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chegada da bandeira no último dia de peregrinação. Faz parte da tradição, o morador da casa visitada agradecer à companhia com uma doação em dinheiro, gêneros alimentícios ou mesmo um jantar ou almoço para os integrantes e para quaisquer pessoas que cheguem para participar da oração. Dizem os devotos que nessas ocasiões a comida é sempre suficiente para quem aparecer, mesmo que não haja a previsão das quantidades, nunca falta alimento. Sem contar os comentários sobre o sabor maravilhoso das refeições.

Companhia de Reis em cortejo no pátio do Museu da Cana. Data: 2016. Fotógrafo. N/D


Detalhe de violeiros durante Festa no Museu da Cana. Data: 2016. Fotógrafa: Nice Marinho

Festa de

São

S ebastião

O Dia de São Sebastião, 20 de janeiro, é comemorado por algumas famílias da comunidade da antiga Colônia do Engenho Central de Sertãozinho/Pontal, desde tempos remotos. “Até hoje temos festa, a D.Vanda, ainda moradora daqui, organiza uma festa com o padre, mas agora, a festa é lá, em frente à colônia, só vêm os amigos mesmo, depois da reza com o padre, que vem de Pontal, começa o arrastapé”. Além das festas de matriz religiosa, existem na região do atual Museu da Cana, antigo Engenho Central, algumas manifestações folclóricas, sendo que, as tradicionais Festas de Reis e suas Companhias, a Festa de São Gonçalo e as Festas Juninas são igualmente manifestações de matriz religiosa, mas que se caracterizam também como folclóricas. Nas primeiras décadas do século XX, alguns estudiosos começaram a se dedicar aos estudos das manifestações folclóricas no Brasil. Várias festas, costumes e crenças foram elencadas como folclóricas, embora haja algumas divergências conceituais entre os estudiosos. As manifestações folclóricas caracterizam-se pelos saberes e valores culturais que se dão no cotidiano das comunidades tradicionais.

tem forte influência da “cultura caipira”. É praticada em fazendas, sítios e roças, e pode ser vista principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Acredita-se que foi criada por um padre jesuíta chamado “José de Anchieta” para catequizar os índios, inserindo esta dança nas festas de São Gonçalo e Nossa Senhora da Conceição; outras pessoas dizem que era praticada pelos bandeirantes em seus momentos de descanso quando estavam embrenhados nas trilhas à procura de ouro.

Catira é conversa entre os pés e as mãos dos dançarinos. A melodia da viola é puxada pelos violeiros. Era dança de homens. Hoje, abre-se para mulheres e crianças. Dançar, todo mundo gosta!

A Catira ou Cateretê é uma manifestação folclórica que ocorre junto à comunidade e região adjacente à antiga Colônia do Engenho Central. Essa dança

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As comidas de tradição caipira

Como é boa a vida na roça! Casa toda ensolarada, com varanda sombreada. O chão, áspero cor de terra. Ao fundo o alambique e o monjolo, As lavouras de cana-de-açúcar Roça de milho e mandioca da cultura indígena. Técnicas portuguesas e locais para preparo dos alimentos. Carnes de porco, leitão, frango e galinha. Feijão fervido com sal e banha suína. Vez ou outra... Hum... Pedaços de carne de porco! O milho assado. Cozido de caldo de carne, pescado ou galinha. Há também outras delícias, o pão, o bolo de milho, a broa Ah! E os bolinhos com ovos e açúcar! Não se esqueçam da horta que está sempre ao pé da porta! Patos, pintinhos, galinhas e porquinhos correm pelo quintal. De dia, o suor é do trabalho. No fim do dia, tocar viola e contar causos em volta da fogueira. Ver assombração e Saci-Pererê. As crianças sobem nas árvores, rodam pião, chupam frutas no pé.

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Comiam-se também diversas abóboras, a batata-doce, o cará, a couve, a chicória e a serralha. Os temperos eram sal, banha de porco, pimentas. O sal era o motivo para que as pessoas que moravam mais afastadas se deslocassem até os povoados. Muitas vezes era o sal que impulsionava o contato do caipira com outros povoados e gentes. O leite, o trigo e a carne de vaca eram consumidos excepcionalmente. O açúcar estava sempre presente. A garapa e a rapadura eram produzidas nas engenhocas a partir da cana-de-açúcar. A aguardente de cana também era consumida pelo caipira como estimulante. O café só chegou à mesa do caipira a partir do final do século XIX. A coleta de palmito e de frutos do mato, como: jabuticaba, maracujá, goiaba, pitanga, banana e mamão complementavam o cardápio. A caça de aves, veados, tatus, lagarto teiú, entre outros, dotava a mesa de carnes em ocasiões especiais ou de acordo com as estações. Tanto a coleta de frutos e vegetais nativos, como as técnicas de caça e pesca foram ensinadas pelos povos originários, os indígenas.

Caldeirão pertencente a D. Vanda, antiga cortadora de cana, moradora do Engenho Central. Os trabalhadores rurais saiam de casa de madrugada levando as marmitas com o almoço - a boia. Em razão de não haver lugar adequado para esquentar a comida era consumida fria. assim o termo boia-fria, passou a denominar esses trabalhadores. Data 2018. Fotógrafa: Maria Esteves


Fogão de lenha que é utilizado ainda hoje, diariamente, por D. Vanda, na Vila do Engenho Central. Data: 2018. Fotógrafa: Maria Esteves

A D ieta Pela manhã, o café simples consiste em um pouco de pó fervido na garapa, ou pó fervido com água e açúcar. O café propriamente dito é tomado somente em ocasiões especiais ou servido para as visitas. O almoço e merenda, feitos junto às roças, eram levados em uma panelinha com mais ou menos 1 litro de capacidade, com uma colher amarrada sobre a tampa e envolta em um embornal de algodão.

vezes era mantida uma cabra para fornecer o leite para as crianças. Os principais produtos comprados nas vendas localizadas nas vilas eram: o macarrão, consumido poucas vezes ao ano, carne de vaca, a farinha de trigo e o sal.

As comidas normalmente eram arroz, feijão e farinha de milho. Em alguns dias eram acrescidos pedaços de frango, carne seca ou carne de porco, às vezes um ovo, uma fatia de pão e cebola frita. O jantar era feito em casa, normalmente às 19 horas, e o cardápio era semelhante ao do almoço. À noite tomava-se café ou garapa fervida. O arroz, o feijão e a farinha eram por excelência a “comida”, o restante era chamado “mistura”. As verduras mais comuns eram a couve, a alface, o repolho. Também a nativa beldroega (alecrim-de-são-José). O tomate era também cultivado e consumido. A grande maioria dos alimentos era de produção familiar. Não havia leite de vaca em abundância, por

Rapaduras produzidas no tradicional bairro Pati, em Sertãozinho, local de moradia de famílias de imigrantes italianos. Data: 2018. Fotógrafo: Alisson Santos

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Remédios e Benzeduras: a terapêutica caipira Para saúde e dores da vida, uma vela, uma reza, remédios da natureza, cousas feitas por benzedeiras e benzedores. As curas milagrosas cabem aos curadores. Orações e água benta dos rios fazem brotar os alívios tão necessários. Plantas medicinais. Data:2018. Fotógrafa: Maria Eugenia Ugucione Biffi

As plantas eram ministradas como remédios para vários tipos de enfermidades, aprendizado oferecido pelos povos primordiais, os indígenas, aos colonizadores portugueses. O conhecimento era passado de geração a geração por tradição oral. Havia vários tipos de xaropes: flor de abacate (Lauruspersea L.), para tosse; pimenta-cumari (Capsicumbaccatum L.), como soro antiofídico; raiz-preta (ChiococaanguifugaMart.), como purgativo; casca-de-anta (DrimyswinteriForst.), para cólica e fraqueza do estômago; barbatimão (Styphnodendronbarbatiman Mart.), para feridas e hemorragias; perobinha (SweethiaelegansBenth), para asma e ataques.

M antendo as tradições

As transformações econômicas, a crescente urbanização, a chegada de modernidades e novos modos de vida fazem nascer no coração do caipira certo saudosismo da vida antiga. A valorização do passado é, portanto, uma constante e se faz presente por meio da tradição

Para aquelas que davam à luz (termo usado para quem acaba de ter um filho), fazia-se uma dieta de parto, consumindo carne de frango. Já para as crianças doentes era oferecido leite de cabra. Com o tempo e a chegada da urbanização, surgiram nas vilas e povoados as farmácias e as Santas Casas (hospitais). A busca pela cura de doenças e males passou a ser realizada entre os planos racional (científico) e mágico, combinando a cura pelos remédios “de farmácia”, mas sem deixar de lançar mão de remédios caseiros e benzeduras. Assim conviviam o passado e o presente, o conhecimento tradicional com o conhecimento científico.

oral, os “causos” de santos, de bichos, de milagres, de assombração. As tradições do passado são perpetuadas por meio da realização das festas, das celebrações, das receitas, das comidas, das cantigas e dos sotaques, que trazem até o presente os costumes e os saberes forjados no passado.

Sinto saudade do aperto de mão, da mesa sempre posta, do dedo de prosa no portão.

Um dedo de prosa entre amigos foliões de reis. Data: 2016. Fotógrafo: Hossame Nakamura

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Conjunto de edifícios do Engenho Central. A partir da esquerda entrada da cana, barracão da moenda, Usina Schmidt e ensaque. Data: 1974. Fotografo: German Lorca. Acervo Museu da Cana

M useu da Cana

O Engenho Central foi inaugurado em 1906 por Francisco Schmidt. Após o falecimento de Schmidt, em 1924, passou por herança aos seus filhos Arthur e Ernesto Schmidt. Em 1964, foi adquirido por Maurilio Biagi que ali constituiu, em 1966, a Companhia Agroindustrial Engenho Central - CAIEC. Naquela época as atividades no Engenho Central eram destinadas a dar apoio à Usina Santa Elisa, também de propriedade da família Biagi. Ainda na década de 1960, foram construídas as instalações e iniciadas as atividades de produção de cachaça. No início dos anos de 1980, o Engenho Central encerrou definitivamente as suas atividades econômicas. A conservação dos edifícios e máquinas do Engenho Central foi possível graças ao empenho e à vontade do patriarca Maurílio Biagi, apoiado pela esposa e filhos. Durante a década de 1970, a empresa Zanini S.A. Equipamentos, então presidida por Maurílio Biagi, financiou uma extensa pesquisa e a aquisição de peças e equipamentos relativos à produção de açúcar no Brasil Colônia. Tais atividades de pesquisa e aquisições foram coordenadas por Luiz Biagi, que idealizou e reuniu peças representativas da produção de açúcar no século XVI, juntamente com o equipamento da Usina Schmidt para a criação do Museu. As atividades de pesquisa e projeto do museu ficaram a cargo de Cristina Duarte Prata. Após o falecimento de Maurilio Biagi em 1978, seus filhos e a esposa dona Edilah Lacerda Biagi, apoiados por toda a família,

deram continuidade à preservação das edificações e do maquinário original do Engenho Central com intuito de concretizar a criação do Museu. Toda a área e o complexo de edifícios do Engenho Central, na Fazenda Vassoural, foram legados por herança a Luiz de Lacerda Biagi, segundo filho de Maurílio. Em 2006, o complexo Engenho Central foi doado ao Instituto Cultural Engenho Central, criado com o objetivo de levar adiante o projeto de implantação do Museu. O instituto é presidido, desde a sua fundação, por Luiz de Lacerda Biagi, entusiasta e principal idealizador do Museu da Cana. Em 14 de dezembro de 2013, foi concluída a primeira fase de implantação do Museu da Cana, cujo objetivo é preservar e difundir a história e memória industrial da cana-de-açúcar, que tanto influenciou a história do Brasil e contribuiu para o desenvolvimento da região de Ribeirão Preto e Sertãozinho. O Instituto Cultural Engenho Central, por meio do apoio, parceria, patrocínio empresarial, e das leis de incentivo, constitui-se como instituição mantenedora do Museu da Cana. O Museu da Cana enseja consolidar-se, até 2020, como uma instituição sólida na musealização de seu patrimônio industrial, fomentando as atividades de preservação, pesquisa, comunicação, além das atividades educativas, culturais e de lazer, envolvendo principalmente a comunidade e cidades do seu entorno.

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Acervo do M useu da Cana O grande destaque do acervo do Museu da Cana é a Usina Schmidt, formada por um maquinário para a fabricação do açúcar. As máquinas e edifícios foram mantidos e conservados por Maurílio Biagi, esposa e seus filhos. Entre as máquinas estão alguns exemplares fabricados no Reino Unido, na França e Alemanha, entre as décadas de 1870 e 1880. Este maquinário foi adquirido por Francisco Schmidt junto a outro grande fazendeiro da época, Henrique Dumont Villares, filho de Henrique Dumont e irmão de Santos Dumont. Entre o maquinário estão: moenda a vapor, cozedores, cristalizadores e ensacadores. O Museu da Cana conta também com um acervo histórico composto por: antigas semeadeiras, bombas de abastecimento, o carimbo que identificava as sacas de açúcar com a marca do Engenho, maquinário das oficinas de manutenção e até mesmo o antigo relógio que ficava no ponto mais alto da torre da usina. Muitos desses objetos figuram como precursores da metalurgia desenvolvida na região para atender à demanda do processamento da cana-de-açúcar, trabalho executado em grande parte pelos imigrantes, principalmente italianos. O acervo possui também uma coleção de objetos de Banguê, arrematados de antigos engenhos da região nordeste, datados do século XVI.

Fornalhas e forjas da oficina da Usina Schmidt do Engenho Central. Data: 2018. Fotógrafa: Tania Registro

Volandeiras fabricadas na cidade de Lille, na França, 1886. Parte integrante da linha de produção de açúcar da Usina Schmidt. Data: 2013. Fotógrafo: Beto Baptista.

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Um M useu Vivo O termo Colônia se refere ao conjunto de moradias dos colonos ou empregados dos estabelecimentos rurais, instalados a partir da chegada de grandes contingentes de imigrantes oriundos principalmente da Europa. Na região de Ribeirão Preto, nas grandes fazendas de café no final do século XIX e início do século XX, as colônias possuíam de 1.000 até 2.500 residentes nas Fazendas Monte Alegre, Guatapará e outras. O termo refere-se também ao sistema de remuneração dos colonos contratados – sistema de colonato, nos anos 1890 no Estado de São Paulo. O sistema de colonato foi posteriormente substituído por outros tipos de contratos.

Vista aérea do complexo arquitetônico e canavial. Olivieiro Pluviano. Data: 2013

Bota ordem nas casas, limpinhas por dentro e por fora, calçadas e ruas ensaboadas. Era tudo uma beleza! Quem tem a calçada mais limpa? É dona Wanda? É dona Nair? Briga entre vizinhos? Nunca! A amizade sempre prevaleceu. Havia muitas festas, casamentos, juninas, religiosas, procissões E todas acabavam ali, embaixo do barracão”.

A tradição oral aponta que a construção da Colônia do Engenho Central remonta aos primórdios da implantação do complexo arquitetônico, década de 1910. Nela residiam os empregados e familiares das atividades desenvolvidas no Engenho – atividades agrícolas e industriais (Usina Schmidt). Em 1945 a Usina Schmidt possuía 10 casas para os colonos, construídas com tijolos e cobertura de telhas. Essa primeira Colônia foi demolida e construída em outro local dentro da área do Engenho. Hoje, na fachada de uma das casas, está esculpida a data de 1984, um indicativo do ano de construção das casas com tijolos à vista. Após a desativação do Engenho Central como unidade produtiva, continuaram a residir na antiga colônia alguns exempregados que perpetuaram a continuidade da realização de festas, jogos de futebol, jogo de bocha e outras manifestações culturais, responsáveis por manter viva a cultura manifesta no local.

Grupo de antigos moradores da colônia Engenho Central, atual Vila do Engenho. Data: 2017. Fotógrafo: N/D

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Referências Bibliográficas BERGER, P. O rumor dos anjos: sociedade moderna e a descoberta do sobrenatural. Petrópolis: Vozes, 1973. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Os Caipiras de São Paulo. São Paulo: Brasiliense. 1983. CAMPAGNOL, Gabriela. Usinas de açúcar: habitação e patrimônio industrial. 2008. Tese (Doutorado em Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2008. doi:10.11606/T.18.2008.tde06022009-151443. Acesso em: 2016-10-20. CANDIDO, Antonio. Os Parceiros do Rio Bonito – Estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. SP/RJ: EDUSP/Ouro sobre Azul. 2017. CASTRO, Meire Cristina de; TONETTO, Sandra Marcia. As mulheres da safra. Trabalho de Conclusão de Curso de História, da Faculdade de História, Direito e Serviço Social da UNESP, Franca. Sob a orientação da Profa. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimaraes. Franca, 1996 (exemplar existente na Biblioteca de Apoio do APHRP). GALIANO, André de Mello; VETTORASSI, Andréa; NAVARRO Vera Lucia.Trabalho, saúde e migração nos canaviais da região de Ribeirão Preto (SP), Brasil: o que percebem e sentem os jovens trabalhadores? Rev. Bras. Saúde Ocup., São Paulo, 37 (125): 51-64, 2012. IANNI, Octávio. Origens agrárias do Estado Brasileiro. SP: Brasiliense, 1984. MELLO, Maria Conceição D’Incao de. O boia-fria: acumulação e miséria. 9a ed. Petrópolis: Vozes, 1993. PETRONE, Maria Thereza Shorer. A lavoura canavieira em São Paulo: expansão e declínio (1765-1851). São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1968. PRADO JR, Caio. História Econômica do Brasil. 3a ed. SP: Brasiliense. RAMOS, Dulcinéia Aparecida Rissatti. Território e indústria: as empresas metalomecânicas em Sertãozinho. Dissertação (Mestrado), Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2009. REGISTRO, Tania C. Museu da Cana - Engenho Central de Pontal/Sertãozinho – SP. Ribeirão Preto: No Prelo. 2016. RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro – A formação e o sentido do Brasil. 3ª. Ed., São Paulo: Global, 2015. SILVA, José Graziano da. O que é questão agrária. 3a ed. SP: Brasiliense. Coleção Primeiros Passos. THOMPSON, Paul. A voz do passado. RJ: Paz e Terra, 1992. TORRES, João Batista de Vasconcelos. Condições de vida do trabalhador na agroindústria do açúcar. Rio de Janeiro: Instituto do Açúcar e do Álcool, 1945. Vídeos O funcionamento de engenhos mecanizados e trabalho nos canaviais: - Ilha da Madeira. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=capbIpx8DvY> - Lençóis Paulistas. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0VFBzoe69Ew> A vida dos trabalhadores rurais antes da greve de Guariba: - O Boia-fria 1984. Produção Cine Clube Cauim. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-6wc6nb0ix0> Mecanização: - Tecnologia do campo - evolução cana-de-açúcar. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=b2HDejE13og> Sugestões de músicas - As três nascentes de João Pacífico. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=NvZn0CKODe8> - Estrada do Sertão de J. Pernanbuco, Hermínio B. de Carvalho e W. Rodrigues por Lysia Condé. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=6LBEYR2A1ME> - Bola de meia, bola de gude, Milton Nascimento por grupo A quatro vozes. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ZqSb QgNWdUM&list=PLPERxu4jBN0-9qfbSk9ERIu_0wNv7wJ5Y> Artigos - Cotidiano boia-fria – com fotos. Disponível em: <https://davidarioch.wordpress.com/2010/04/16/o-cotidiano-do-boia-fria/> - Proibição da queimada e mecanização da colheita da cana. Disponível em: <https://digitaispuccampinas.wordpress.com/2016/07/25/ os-dois-lados-da-moeda/> - O Sotaque Caipira. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/geral,sotaque-caipira-saiu-da-capital-diz-estudo-imp-,643088> Acesso em: 08/05/2018. - 30 anos da Greve de Guariba de 1984. Disponível em: <http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2014/05/levante-em-spque-marcou-luta-de-cortadores-de-cana-completa-30-anos.html> - Mecanização da Colheita da Cana-de-açúcar Atinge 90% na Safra 2016/17. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto. php?codTexto=14308>. Acesso em: 30/05/2018.

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País do Açúcar Começar pelo canudo, passar ao branco pastel de nata, doçura em prata, e terminar no pudim? Pois sim. E o que boia na esmeralda da compoteira: molengos figos em calda, e o que é cristal em laranja, pêssego, cidra vidrados? A gula, faz tanto tempo, cristalizada. Carlos Drummond de Andrade

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Ficha Técnica

PROJETO

COLHENDO MEMÓRIAS: museu e escola Ficha Técnica Idealização: COMUNICA RELAÇÕES PÚBLICAS Produção executiva: Maria Esteves Gestão do Museu da Cana: Leila Heck Historiadora: Tania Registro Administradora do projeto: Lucia Monteiro Produtor: André M. Fernandes Consultor artístico pedagógico: Dino Bernardi Projeto pedagógico: Maria Fernanda Vanin Menezello Textos históricos: Tania Registro e Ana Luiza Gentil Coordenação Ação Educativa: Marion Emídio Dramaturgia: Ana Luiza Gentil e Dino Bernardi Arte educadores: Celina Magalhães, Eudóxio Beato, Marion Emídio e Toninho Costa Músicos: Lucas Oliveira e André M. Fernandes Atrizes: Adriana Scannavez e Cinthia Vendruscolo Composição músicas: Lucas Oliveira e Dino Bernardi Composição letras: Ana Luiza Gentil e Lucas Oliveira Cenografia: Dino Bernardi e Eudóxio Beato Montagem cenário: Gilvan Pacheco Design gráfico: Fusion Creative Studio Revisão: Alice Gomes Ilustrações: Denis Dalben Produção de vídeo: Fusion Creative Studio Assessoria de imprensa: Outras Palavras Comunicação digital: Inova House

Antigas ferramentas de trabalho do Engenho Central. Data: 1974. Fotografo: German Lorca. Acervo Museu da Cana

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Recurso Pedagógico 1 – Texto Histórico  

Projeto Colhendo Memórias - Recurso 1: Texto histórico, elemento central do projeto, pois é o material que dá suporte a todo o trabalho do p...

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