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Curitiba, setembro de 2012 - Ano 16 - número 211 - 4oo período de Jornalismo manhã PUCPR jornalcomunicare@hotmail.com - @jorcomunicare

MOBILIDADE

INFRAESTRUTURA Curitiba só tem três táxis adaptados pág. 05

EDUCAÇÃO Metade dos alunos reprova em teste prático do DETRAN pág. 08 e 09

TECNOLOGIA Carros terão chips de identificação no ano que vem pág. 11

POLÍCIA Apenas 10% dos flanelinhas estão regulares pág. 14

Confira conteúdo adicional


02

opinião

Curitiba, setembro de 2012

Grandes carros ocupam o lugar de pequenas demonstrações de humanidade

O trânsito e as relações motorizadas

Fala, Professor

A cultura do automóvel constrói no trânsito um espaço em que se exclui a interação das minorias

Surgem facilidades, aparatos tecnológicos e novos modelos a cada estação. Funcionalidade e praticidade se tornam guias. Encontram-se variadas cores de um mesmo produto e diferentes intensidades e qualidades de uma mesma função. Planeja-se uma nova revolucionária pequena peça. O tempo e velocidade se tornam, além de relativos, palpáveis. Promete-se maior conforto e agilidade. O mundo parece ser dos motorizados. A cidade passa a ser pensada a partir dos grandes e imponentes automóveis. As máquinas parecem legitimar e naturalizar a incoerência do homem ao tentar encontrar espaço num ambiente major itar iamente desumano. Não há teor humano no trânsito. O que se encontra são pequenas, e raras, demonstrações de gentileza e solidariedade, e inúmeros exemplos de impiedade. Nenhuma máquina das que constituem

as ruas existiriam sem quem as conduzisse, embora isso pareça estar esquecido. Entende-se mobilidade no contexto da cultura do automóvel. As minorias, formadas por pedestres, ciclistas, cadeirantes e tantos outros, se percebem vivendo possíveis ideias de “mobilidade” às avessas e pautadas por uma sociedade que prima e favorece os motores. Não há grande inovação que suprima o mal maior: a ausência de humanidade. São todos iguais, independentemente da forma com que se movimentem. A f inalidade, embora não os meios, é a mesma. Busca-se a movimentação, o deslocamento. Não se discute a necessidade de ciclovias, ciclofaixas, faixas de pedestres e guias rebaixadas para cadeirantes, por um único motivo: são necessárias. Não é algo que exija um grande esforço intelectual para se compreender.

“Acho interessante o trabalho que é exercido em grupo e de maneira interdisciplinar no jornal Comunicare” Camila Ferreira da Costa Teixeira Coordenadora do Curso de Design de Moda

Fala, Aluno

É como pedir para um motorista se imaginar sem ruas ou asfalto. Impossível. O espaço urbano, antes de se segmentar para criar ambientes exclusivos de cada meio de transporte, deveria ser tomado por algo que é muito

maior do que obras físicas. Se ter como certeza de que o trânsito é um espaço social. Trata-se de um lugar-comum em que precisamos voltar a habitar: é unificar, ou estacionar. Francisco Mallmann

“A pluralidade de informações que o jornal apresentou sobre as redes sociais me fez percebê-las de outra maneira” Bruna Zem - Estudante de Engenharia Civil

OMBUDSMAN: Abordar redes sociais em um jornal impresso foi um desafio exercido com êxito

Erros básicos desfavorecem boas matérias no tema Redes Socias

O tema foi abordado com criatividade pelos alunos que perceberam a diversidade de pautas e as novidades no meio do tema - Redes Sociais- na 209ª edição do Jornal Comunicare. Falar sobre as redes sociais em um jornal impresso é um enorme desafio e nesse contexto, os alunos apresentaram uma boa condução editorial. Ressalto que nessa edição, o que faltou foi um cuidado

EXPEDIENTE

maior na hora de tratar deter m i na dos a ssu ntos como se fossem a última tendência do momento, não podemos esquecer que estamos falando de redes sociais e que elas mudam a todo o instante. O que foi novidade há 2 semanas, pode não ser mais agora. Aqui, cabe a vocês acharem um gancho que seja bom o suficiente e que faça valer a pena a publicação da matéria em uma mídia impressa, como Coordenador do Curso de Jornalismo

Reitor Ir. Clemente Ivo Juliatto Decana da Escola de Comunicação e Artes Eliane Cristine Francisco Maffezzolli

Infraestrutura - Samara Macedo

Julius Nunes

Política - Ruthielle Borsuk

COMUNICARE

Economia- Marcio Morrison

Jornalista Responsável Universidade Católica do Paraná Pontifícia Universidade Católica do Paraná Rua Imaculada Conceição 1.115, Prado Velho, Curitiba/PR Setembro de 2012 – Edição 211

é o Jornal Comunicare. Um ponto que dei xou a desejar foi a questão da valorização dos personagens, como por exemplo, na editoria de comportamento. Falar sobre r ela cion a me nt o s e m r e d e s sociais não é novidade, o que poderia ter sido a grande diferença nas matérias seria uma história de algum personagem que chamasse a atenção não a exposição de vários sem nenhum aprofundamento.

Meio Ambiente / Tecnologia - Rafaela Bez

Coord. de Projeto Gráfico

Comportamento - Isabela Bandeira

EDITORIAS

Nossa Capa

em ler o conteúdo. Apesar de poucas mudanças, ainda vejo a mesma diagramação do antigo Comunicare, quadrado e sem alterações gráficas. E mais, onde foi a criatividade nas fotos dessa e d iç ã o? E m p elo m e no s 3 matérias estavam estampadas fotos com os mesmos elementos: um personagem de costas olhando para a tela do computador. Ainda falta a ousadia na parte visual do jornal.

Emeline Hirafuji Egresso Jornalismo PUCPR

Comunicare 2009

Educação- Laís Capriotti

Julius Nunes DRT-PR 5156

Marcelo Públio

Ao longo do jor nal, encontrei alguns erros básicos nos textos que ce r t a mente poderiam ter sido detectados em uma boa revisão. Esses erros, mesmo que pequenos, desfavorecem qualquer matéria que certamente passou por uma ampla pesquisa e um árduo trabalho dos repórteres. Cuidado na hora da escolha do título, ele pode valorizar, como pode fazer com que o leitor perca o total interesse

Cultura - Paulo Semicek Polícia / Justiça - Laura Nicolli

Capa - Nivia Kureke

Saúde - Natalia Concentino

Opinião - Francisco Mallmann

Variedades - Letícia da Rosa

Entrevista - Bruna Habinoski

Internet - Heron Torquato

A foto da capa do Comunicare no 211 foi feita pela aluna Camila Vichoski

Foto: Arquivo


entrevista

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Curitiba, setembro de 2012

Além de contribuir com a mobilidade, o uso da bicicleta é muito mais econômico

O trânsito também pertence aos ciclistas

Blogueiro e repórter de um dos principais veículos impressos da cidade defende o uso da bicicleta como meio de transporte sustentável

de carros. É preciso uma maior conscientização. Comunicare: Os cidadãos de Curitiba deveriam ser mais incentivados a usarem transportes alternativos? Alexandre: Curitiba é hoje a capital mais motorizada do país, ela tem quase um carro por habitante, e isso é insustentável, uma monstruosidade. A capital paranaense é uma cidade que tem uma fama de ser sustentável, ecológica, mas atualmente destrói praças para abrir ruas, quando deveria ser o contrário. A política pública ainda vem incentivando e favorecendo os carros, um exemplo é a obra de 98 milhões para construir um viaduto na Avenida das Torres. Basicamente para você incentivar o cidadão a usar transportes alternativos tem que investir em i n f r a e st r ut u r a e na segurança acima de tudo. Desde não ser assaltado a não ser desrespeitado. E o indutor desse processo todo é a prefeitura. Um dos caminhos são as campanhas, desde as escolas.

Comunicare: Você já fez alguma viagem de bicicleta? E dos lugares que visitou, qual oferece mais suporte aos ciclistas? Alexandre: Minha grande aventura foi a travessia da Rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso. Eu cruzei toda a rodovia, de Poconé até Porto Jofre, têm uns 180 quilômetros. É uma estrada que foi feita na época da ditadura militar e não foi concluída, então ela atravessa, corta o pantanal selvagem. É um safári sobre duas rodas. E em questão de suporte, em Santa Catarina tem um circuito de cicloturismo, chama-se o circuito Vale Europeu. Ele é todo planejado para que você sozinho, o faça de bicicleta. Quando começa a fazer o circuito, a pessoa ganha uma espécie de passaporte, que contém um mapa, telefones de emergência, localização, uma série de informações que você vai necessitar durante a viagem. E em cada posto, cada cidade, quando você passe em locais conveniados você ganha um carimbo. É fantástico, você passa por umas cinco cidades, e o passeio tem em torno de 320 quilômetros, e dura cerca de cinco dias. É um grande modelo.

“Curitiba tem uma infraestrutura que é voltada ao lazer”

Comunicare: O que te levou a andar de bicicleta? Alexandre: A bicicleta foi meu esporte e minha paixão de infância e adolescência. Eu pratiquei diversos esportes, como todas as crianças, mas o que eu realmente gostava era de pegar minha

Comunicare: Como surgiu seu blog na Gazeta do Povo, o “Ir e vir de bike”? Alexandre: Eu estou na Gazeta do Povo há quatro anos e meio e o trabalho do jornalista, principalmente em um jornal impresso, é escrever. Eu já estava envolvido com a bicicleta, já era meu meio de transporte e já estava me envolvendo com o movimento dos

Arquivo pessoal/ACN

Comunicare: Quais são as maiores dificuldades de andar de bicicleta em Curitiba? E o que pode ser feito para reverter essa situação? Alexandre: A dificuldade é justamente o uso da bicicleta como meio de transporte. Curitiba tem uma infraestrutura básica, que é voltada ao lazer. Você pode pegar sua bicicleta e conseguir ir de um parque ao outro, mas tem dificuldade de ir da sua casa ao seu trabalho. Isso vai muito do uso e do compartilhamento do espaço urbano, porque a bicicleta pelo código de trânsito é considerada um veículo, com isso tem direitos e deveres. Inclusive a lei diz que a bicicleta tem preferência sobre os carros. No trânsito a regra é o mais forte cuidar do mais fraco. A inversão dessa lógica não acontece apenas em Curitiba, mas sim no país inteiro. Um vem se sobrepondo ao outro, os ligeirinhos sobre os carros, os carros sobre os ciclistas e muitas vezes, devido a essa lógica maluca, o próprio ciclista reproduz isso, andando na calçada, sem dar o devido respeito ao pedestre. A grande dificuldade é a convivência dos veículos. Quem se dispõe a usar a bicicleta como veículo sabe que está correndo certos riscos. É preciso de uma maior fiscalização para auxiliar a mobilidade e fazer com que as regras sejam cumpridas. Isso também ocorre devido a uma falta de cultura, em que todas as pessoas são merecedoras de respeito e que a bicicleta não está ali para atrapalhar, na verdade quem causa o congestionamento e ocupa espaço são os excessos

bicicleta ao final da tarde e sair pedalar. Ela te coloca em contato consigo mesmo, quando você está pedalando pode pensar na sua vida, refletir, é uma meditação, um momento seu.

Bicicletada em Curitiba

Arquivo pessoal/ACN

Há pouco mais de um ano, o jornalista, ciclista e cicloativista, Alexandre Costa Nascimento percorreu a estrada da Transpantaneira de bicicleta e foi convidado a contar sua aventura em um blog dentro do site do jornal Gazeta do Povo, veículo em que trabalha há quatro anos e meio. Essa foi a primeira oportunidade de escrever para um grande número de leitores sobre uma paixão que começou desde sua infância, vivida em Araraquara, São Paulo. No blog, Alexandre consegue expor os diferentes pontos de vista de quem anda de bicicleta, principalmente o político, muito defendido pelos chamados “cicloativistas”. O repórter não tem carro por opção e diz que falta para o governo enxergar a bicicleta como meio de transporte, e aos ciclistas lembrarem-se dos seus direitos e deveres enquanto circulam pelas ruas da cidade.

Alexandre em sua viagem pela Transpantaneira

cicloativistas e em bicicletadas. Ai eu criei um blog e quando eu fui sair de férias, para fazer a viagem da transpantaneira, minha chefe, Mariza Valério, me questionou por que eu não fazia um blog para contar sobre a viagem. Daí eu contei sobre o meu blog e ela falou para nós o colocarmos na Gazeta do Povo. Em resumo, o blog foi criado para que eu contasse sobre a minha viagem. Ele continuou e eu falo ali sobre o trânsito, segurança, cultura atrelada à bicicleta. Ele é hoje um dos blogs mais lidos da Gazeta. Quando completou um ano chegou a marca de 500 mil acessos. Em média os posts têm dois mil acessos podendo chegar a até 45 mil, como já aconteceu. Comunicare: Qual é a economia feita pela troca de ônibus e carro por bicicleta? Alexandre: Trocando o ônibus

pela bicicleta, em um ano, a economia chega a R$ 1.357,20 – mais de dois salários mínimos de “Participação de Lucros e Resultados” (PLR) para quem pedala. Se aplicado mensalmente na poupança, em cinco anos o valor supera oito mil reais. Com o carro, nem se compara. O gasto mensal para manter um veículo popular gira em torno de R$1000 (combustível, seguro, IPVA, licenciamento, manutenção preventiva, depreciação, estacionamento, lavagem e pequenos reparos). Em um ano, são doze mil reais; isso sem contabilizar as parcelas, juros e encargos do financiamento. Já uma boa bicicleta custa cerca de mil e quinhentos reais e requer cerca de duzentos reais anuais em gastos de manutenção. Ana Luiza Souza Bruna Habinoski Cecília Moura


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infraestrutura

Curitiba, setembro de 2012

ESCOLHA PELO TRANSPORTE PARTICULAR AINDA É PRIORIDADE DEVIDO Às condições NO SISTEMA PÚBLICO

Tráfego de veículos traz problemas para capital

Nivia Maria Kureke

Implantação do metrô não será suficiente para desafogar o trânsito em Curitiba, deve haver investimento em outros modais

Crescimento na frota de veículos causa superlotação nas vias

A capital paranaense ocupa o 4º lugar no país em número de carros por habitante. Há um carro para cada 1,3 morador da cidade, de acordo com dados do IBGE e do Departamento Nacional de Trânsito do Paraná (Denatran). O número corresponde a 1.746.896 curitibanos para 1.315.305 veículos. Diante de tantos carros, o tráfego intenso acaba sendo inevitável. De acordo com o coorde-

nador do curso de Arquitetura e Urbanismo, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt, a opção pelo veículo particular ainda é feita porque há uma gradativa piora do sistema de transporte em termos de qualidade. “Não há segurança ou conforto mínimo para circular em alguns horários, o que faz com que as pessoas deixem de usar o transporte coletivo

para usar seu veículo particular”, afirma. Segundo ele, para gerar maior interesse da população para utilizar o transporte público deve haver uma integração entre os diversos tipos de ônibus e linhas. Outro ponto que ele ressalta, são os vários modais de deslocamento que existem na cidade, sendo que cada um possui sua própria característica. Portanto, deve-se investir em todos, e consequentemente o sistema inteiro deve melhorar. O engenheiro químico, Fernando Fabelino de Souza, que utiliza o carro como transporte para o trabalho, diz já ter pensando em utilizar o transporte coletivo, mas não usa pela falta de infraestrutura nos ônibus. “Moro em uma cidade da região metropolitana, ao norte, e trabalho ao lado sul, ou seja, tenho que me deslocar bastante e hoje não existe uma linha pública adequada

que seja rápida e confortável para esse deslocamento”, declara. Metrô Com um orçamento de aproximadamente R$ 2,33 bilhões, a primeira linha do metrô curitibano é a Linha Azul, que terá 14,2 quilômetros e ligará o extremo sul da capital (CIC) ao centro da cidade. O início das obras está previsto para este ano, com entrega calculada para 2016. De acordo com Hardt, a implantação do metrô não resolverá o problema de tráfego na capital. “O metrô sozinho não vai ajudar a desafogar o trânsito. Deve-se investir em outros modais de transporte também”, afirma. Segundo ele, o ideal é a implantação de uma rede de metrô na cidade, mas o que falta não

é planejamento e sim quantidade de dinheiro suficiente para investir. “Não adianta planejar, deve ter dinheiro para executar, tanto é que já está planejado o eixo norte, mas não tem dinheiro para fazê-lo agora”, explica. Ele ressalta que Curitiba não deve ser comparada com cidades como Paris e Londres, pois essas capitais possuem metrôs há mais de 100 anos, época em que foi possível serem implantados e o impacto era menor. “Hoje tudo é mais difícil e muito mais caro para iniciar uma obra dentro da cidade. Muitas vezes não é viável para a capital”, afirma.

“Não adianta planejar, deve ter dinheiro para executar”

Mobilidades alternativas

Ariane Priori Gonçalves Bianca C. Santos Samara Tamazia Macedo

“Investir em ciclovias é uma maneira de melhorar o trânsito. Haja vista que este transporte modal tem adeptos e só não atrai mais, porque falta estrutura. A capital precisa de um novo planejamento para a mobilidade urbana ser eficiente. É necessário criar áreas para pedestres e ciclistas, amplas e contínuas, oferecendo uma cidade para as pessoas e não para os carros”. Rafael Milani Medeiros Urbanista - Mestre em redes de mobilidade urbana

“O sistema de carros compartilhados foi desenvolvido devido às preocupações com a dependência dos automóveis. Este novo fenômeno pode mudar o relacionamento das pessoas com o carro em comunidades urbanas densas e os maiores beneficiados são aqueles que não precisam do carro todos os dias, pois o principal objetivo do serviço é, justamente, restringir o uso do automóvel a situações específicas. No Brasil, apenas São Paulo utiliza do meio”. Luisiana Paganelli Silva Urbanista - Mestranda em Mobilidade Urbana

“O metrô não vai atrair nenhum passageiro novo para o sistema, pois 80% das viagens no eixo sul, onde haverá o metrô, são completadas com outra viagem de ônibus. Ou seja, 80% dos usuários do metrô ainda serão usuários de ônibus. O metrô trará mais conforto para os usuários de ônibus em um trecho da viagem. E é tudo. Talvez muito dinheiro para tão pouco”. Fábio Duarte Professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUCPR


infraestrutura

05

Curitiba, setembro de 2012

COM 3,2 MILHÕES DE HABITANTES, A CAPITAL PARANAENSE POSSUI APENAS TRÊS TÁXIS ADAPTADOS PARA CADEIRANTES

Portadores de deficiência insatisfeitos com infraestrutura

A Urbanização de Curitiba (URBS) afirma que 85% das estações tubo são acessíveis a deficientes, 92% dos ônibus possuem elevadores para cadeirantes e 20% dos assentos desses veículos são destinados às pessoas idosas, gestantes e portadores de deficiências. Mauro Nardini, presidente da Associação de Deficientes Físicos do Paraná, diz que existe um projeto que determina que todos os ônibus devam ser acessíveis. “A cidade está atingindo sua meta e poderá ser a primeira a cumpri-la até 2014”. Mas a capital possui apenas três táxis adaptados para cadeirantes e todos eles pertencem a Sérgio Siqueira. “O táxi é uma Kombi com elevador,

assim a pessoa não precisa sair da cadeira”, explica. A procura é relativa, mas se o movimento aumenta em determinado dia, e o usuário não agendou o táxi, ele pode ficar sem se locomover. O que a prefeitura de Curitiba considera números gratificantes, é muito pouco para quem depende da boa ação alheia para viver. A cadeirante Antonietta Micheletto, 82 anos, conta que não é só no transporte que falta estrutura. “Eu já não faço compras há três anos, todas as vezes que pretendo sair, preciso conferir se o local tem banheiro adequado, rampa, elevador. É humilhante”, desabafa. Para o deficiente visual Talivo Leite, a situação é parecida. Ele explica que a pista tátil é ideal

para a locomoção do cego, pois ela dá uma maior sensibilidade, mas conta que é difícil encontrála na capital porque a calçada precisa ser regular para que a pista seja instalada e não é o que acontece. “Aqui onde eu moro (Novo Mundo) tem uma pista tátil, mas é difícil encontrá-las na cidade”, diz Leite. Segundo a prefeitura, nos últimos anos foram construídos 400 quilômetros de novas calçadas e até o fim do ano a cidade terá mais 260, porém as construções, reformas e manutenções dessas calçadas são de responsabilidade dos proprietários. Ariane Priori Gonçalves Bianca C. Santos Samara Tamazia Macedo

Bianca C. Santos

Divulgada como cidade modelo no quesito transporte, Curitiba ainda deixa muito a desejar na acessibilidade segundo usuários

Cadeirante com dificuldade para se locomover nas calçadas

Para saber como deixar sua calçada nos padrões determinados pelo governo, acesse a cartilha Pedagógica Urbana no site www.curitiba.pr.gov.br.

Motoristas não sabem como funciona a sincronização em curitiba

Semáforos não agradam em horário de pico Foto: http://guamareemdia.com

istas não sabem como esse método funciona. “Se o motorista mantém a velocidade máxima da via - nem abaixo, nem acima do permitido, consegue passar em até 6 ou 7 semáforos em sincronismo, sem interrupção. A onda verde (que é uma programação específica para a sequência de semáforos) funciona, mas apenas se o motorista não andar a 100 quilômetros por hora, em uma via que a máxima permitida é de 60”, explica. O taxista Jorge Dalago conta que depois de 12 anos trabalhando no trânsito, passou a ser mais observador e descobriu sozinho como funcionava a sincronização. “Conheço um monte de gente que não sabe disso e acha que o defeito é no aparelho”, declara. Os motoristas ainda fazem outras reclamações. Chellington Tell afirma que em horário de maior fluxo a sincronia dos

Carros não conseguem “pegar a onda verde”

A prefeitura de Curitiba investiu cerca de R$ 1,6 milhões para sincronizar os semáforos em 25 quilômeros de maior fluxo de veículos na capital, segundo a Secretaria Municipal de Trânsito (Setran). No entanto, pesquisa realizada pelo Jornal Comunicare revela que de 72 motoristas, devidamente habilitados, 41 não

sabem como funciona a sincronização e criticam dizendo que a nova implantação não está funcionando. Rejane Scotti Cansi, que é instrutora de trânsito há 14 anos, explica que os semáforos sincronizados foram bem planejados, porém, podem não estar sendo aproveitados porque os motor-

sinais não ajuda na fluidez do trânsito. “Em horário de rush ela não funciona, pois é impossivel manter a velocidade permitida na via”, diz. Para a instrutora Rejane, o problema é que não há política de trânsito no Brasil. “Por que fazem propagandas de bebidas, liquidações, venda de carros, televisão por assinatura e não fazem propaganda de trânsito?”, questiona. Ela afirma que ensina, em suas aulas, o funcionamento dos semáforos e até mesmo da sincronização, mas que isso não é obrigação do instrutor. Deveria fazer parte da política de trânsito das prefeituras. A assessoria do Setran informou ao Comunicare que o processo de incorporação de semáforos sincronizados começou no ano passado e ainda não terminou. Segundo o órgão, na medida em que o novo sistema é implantado, é comentado também sobre a velocidade permitida na via para que a onda verde funcione. Ariane Priori Gonçalves Bianca C. Santos Samara Tamazia Macedo

Estacionamento Irregular

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determina que 5% das vagas de estacionamentos particulares devem ser destinadas para idosos e 2% para pessoas com deficiências. Para utilizar as vagas é preciso que o motorista tenha um cartão especial, mas é comum encontrar carros sem essa identificação. Entre janeiro de 2011 e agosto de 2012, a Central de Atendimento e Informações (Central 156) recebeu 834 reclamações de uso irregular das vagas de estacionamento exclusivas. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, o motorista que estaciona irregularmente nesses locais recebe três pontos na carteira de habilitação e deve pagar uma multa de R$53,20. Em casos extremos o veículo pode ser removido.

Ariane Priori Gonçalves Bianca C. Santos Samara Tamazia Macedo


06

política

Curitiba, setembro de 2012

Motoristas que conduzirem veículos nesses locais podem ser autuados com multa grave

Canaletas de ônibus perdem exclusividade

Ainda que haja fiscalização, ciclistas desrespeitam a lei e utilizam os locais proibidos pela falta de opção, estrutura e “segurança”

Bicicletas Para o secretário de trânsito de Curitiba, Marcelo Linhares, a bicicleta é a solução mais viável para desafogar o trânsito da cidade. Obras devem ser feitas para que os ciclistas possam utilizá- las como o principal meio de transporte nos próximos anos. Curitiba conta com uma malha cicloviária de 120 km por toda a cidade. Isso corresponde a soma de ciclovias de três grandes capitais juntas: São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. Fica atrás somente do Rio de Janeiro, que tem 240 km. Estão sendo construídos mais 22 km de infraestrutura cicloviária, principalmente na Avenida das Torres e na Linha Verde. A meta é atingir 400 km até a Copa do Mundo de 2014. Deivid Simioni

não existe punição, restando apenas a orientação. Para evitar essas imprudências, os agentes de trânsito, em parceira com a Polícia Militar, devem fazer inspeções diariamente. O diretor de fiscalização da Secretaria de Trânsito (Setran), Adão José Lara Vieira, afirma que este trabalho possui a função de orientar os cidadãos. “Além da fiscalização, são feitas campanhas educativas”, afirma. Entretanto, mesmo com esses trabalhos de divulgação, para o agente da Setran em exercício há 13 anos, Gilson Magalhães, abordar essas pessoas é complicado, uma vez que elas não respeitam as exigências. Ele confessa que transitar nas canaletas é muito mais seguro que nas vias comuns, mas isso não impede os acidentes. “Eles não têm medo de perder a vida e sim o dinheiro, por isso é preciso sancionar leis que mexam no bolso do indivíduo”, destaca. Os ciclistas reconhecem a norma, mas reclamam da falta de ciclofaixas. O estudante André, por

exemplo, prefere usar as canaletas pela facilidade no deslocamento. “Já passei por várias situações em que tive que desviar dos carros para não ser atropelado. Além disso, nós não somos os únicos que não cumprimos com a lei, pois os policias vivem dirigindo nas canaletas sem precisar”, desabafa. Outra reclamação dos corredores é a falta de respeito dos motoristas nas vias comuns. Carlos, que é engenheiro, sabe que é uma troca

arriscada, mas utiliza esses locais pela “segurança”. “É muito melhor desviar dos ônibus do que esperar que os carros desviem de mim”, compara. Para o educador físico Thiago Vichinieviski, as pessoas preferem utilizar esse espaço devido à falta de opção. “Hoje temos uma saturação de pessoas e pouca estrutura para proporcionar uma alternativa de locomoção”. Se a fiscalização e a estrutura não vivem bons momentos, a

Foto: Caio Henrique Rocha

O uso indevido das canaletas exclusivas para ônibus é a principal causa de acidentes envolvendo o transporte público em Curitiba. Segundo dados do Batalhão de Polícia de Trânsito, de janeiro a abril deste ano ocorreram oito atropelamentos nessas vias. De um lado estão os ciclistas que exigem locais apropriados para locomoção, do outro os motoristas de ônibus que reclamam do risco que passam. Curitiba se tornou modelo nacional ao implantar vias de uso específico para o transporte coletivo, no entanto, o que se tem visto na capital paranaense é que pedestres, ciclistas, skatistas e até veículos comuns circulam pelas canaletas de forma inapropriada. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê uma multa que chega a R$ 127,69 reais, além de cinco pontos na carteira de habilitação para os condutores de automóveis. Quanto aos pedestres e ciclistas,

Ciclista ignora sinalização na canaleta da Av. Sete de Setembro

solução pode estar na reeducação dessas pessoas. É o que afirma o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt. Para ele a conscientização e a punição são aspectos fundamentais. “Nós não podemos ter um policial em cada trecho de canaleta. A fiscalização faz parte, mas se você pegar exemplos de Países mais desenvolvidos como a Alemanha, onde não existem catracas no metrô, a punição para alguém que é pego sem o bilhete é implacável”. Hardt diz ainda que os brasileiros possuem uma cultura que gera uma falsa imagem de que se é cometido um falso delito, este pode ser perdoado. “Não importa se eu roubei um lápis ou se eu roubei um celular, eu roubei e tenho que ser punido. A sociedade tem que assimilar esse grande processo de educação cidadã que há necessidade no País como um todo”, conclui.

Caio Henrique Rocha

Os quatro principais candidatos citam a ciclovia como meio sustentável

Candidatos propõem obras para melhorar o trânsito

O assunto “trânsito”, um dos maiores problemas enfrentado pelos curitibanos nos últimos anos. tem grande destaque nas eleições de 2012. Segundo enquete realizada pelo Jornal Comunicare, de 04 a 14 de setembro de 2012, 97% dos motoristas curitibanos estão insatisfeitos com o trânsito. Os principais candidatos à prefeitura de Curitiba, Gustavo Fruet, Luciano Ducci, Rafael Greca e Ratinho Junior, apresentaram em seus planos de governo, propostas para “desengarrafar” as principais vias da cidade, além de alternativas para a diminuição da poluição. O candidato Gustavo Fruet, do PDT, pretende completar e integrar a Linha Verde com novas trincheiras, viadutos e passarelas. Ele ressalta o uso das bicicletas, que é um dos meios de transporte muito usados em sua campanha.

Uma das propostas é a construção de 300 quilômetros de ciclovias em toda a cidade, especialmente ao longo das linhas dos ônibus expressos na Zona Central e nos bairros. Luciano Ducci, do PSB, quer viabilizar obras viárias locais onde há maior fluxo de carros. Segundo o candidato, essas intervenções são necessárias para redistribuir os “nós” do trânsito. Para Ducci, isso trará redução do tempo de espera em transpor o cruzamento, redução da duração das viagens e o aumento da segurança viária. O candidato também pretende construir ciclovias. No plano de recuperação de ciclovias, estão previstos 37 quilômetros em uma primeira etapa e mais 63 na segunda fase. O candidato Rafael Greca, do PMDB, propõe novas vias rápidas, fim dos sinaleiros de 3

tempos e dos radares, que ele chama de caça-níqueis. Para ele, são necessários apenas semáforos e lombadas eletrônicas. Greca pretende construir baterias de trincheiras, de rotatórias e trabalhar na sincronização dos semáforos para fazer o trânsito fluir. Prevê a construção de até duzentas passagens de nível que são cruzamentos ao mesmo nível entre uma ferrovia e um caminho ou estrada. Quanto às ciclovias, a ideia é construir 150 quilômetros de ciclofaixas, que são vias de tráfego, geralmente no mesmo sentido de direção dos automóveis. Ratinho Junior, do PSC, pretende promover intervenções urbanísticas em vias públicas, particularmente transposições (viadutos e trincheiras), que facilitem o fluxo do tráfego. Segundo ele, um dos pontos importantes

para tais correções é a Linha Verde, cuja travessia, atualmente, é bastante complicada. Também pretende criar novos binários (sistemas de ruas que levam e trazem o trânsito) em vários pontos da cidade. O candidato também pretende ampliar a malha de ciclovias, fazendo a interligação ao sistema de transporte coletivo, e quer instalar, em todos os terminais, bicicletários para conserto e manutenção das bicicletas. Os quatro candidatos têm como proposta a implantação do metrô, que hoje tem orçamento de R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do Governo Federal, R$ 300 milhões do Governo do Estado, os dois a fundo perdido, e o restante, dividido entre a Prefeitura e a iniciativa privada. Ruthielle Borsuk Ailton Nunes


economia

Curitiba, setembro de 2012

07

capital paranaense tem média de carros por habitante maior do que são paulo

Frota em Curitiba passa de 1,2 milhão de carros

Redução do IPI ajudou no aumento de vendas nas concessionárias

Heron Torquato

Com o crescimento populacional das cidades e as inúmeras facilidades na compra de veículos, a frota automobilística não para de crescer. De acordo com o último levantamento divulgado pelo Departamento de Trânsito do Paraná (DETRAN-PR), realizado em agosto deste ano, Curitiba tem uma frota de veículos de 1.286.859 automóveis, a quinta maior do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, que têm populações maiores. Os dados são um pouco diferentes dos registrados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e pelo IBGE (ver página 04), mas demonstram que o número vem aumentando com o passar dos anos. Uma das explicações para o aumento significante da frota ano a ano, segundo o economista Carlos Padovezi, são as facilidades de financiamento que a população encontra para comprar um veículo. “Hoje comprar um carro ficou mais fácil do que uns anos atrás. As concessionárias oferecem várias vantagens para o consumidor, como o parcelamento a longo prazo, em alguns casos em até mais de 70 meses”. Outro fator que contribuiu para o crescimento foi a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) por parte do Governo, que terminaria no final de agosto, mas foi prorrogado até outubro pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. “A redução do IPI foi um dos fatores marcantes também para a aproxi mação do consumidor com o produto”, declarou. Em Curitiba, de acordo com dados do DETRAN-PR, quase 20 mil novos carros foram emplacados nos últimos seis meses. A média é de pouco mais de 3.200 automóveis a cada 30 dias. As estatísticas apontam um número ainda mais expressivo,

Heron Torquato

Nos últimos seis meses, Curitiba emplacou 20 mil novos veículos. A média ultrapassa o número de 3000 automóveis a cada 30 dias

Trânsito cresceu na capital paranaense nos últimos anos

na capital, no quesito automóvel por habitante. Com base na população levantada pelo Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 1.746.896 pessoas, a “Cidade Sorriso” tem uma média de 0,73 carro por habitante – considerada alta, já que na cidade de São Paulo, que tem a maior frota do país, o número é de 0,64 carro por habitante. O número de veículos cada vez maior não é detectado exclusivamente nas estatísticas. O trânsito, que cresce de forma diretamente proporcional, é a forma como os motoristas percebem esse crescimento. O taxista José Eduardo, de 52 anos, que trabalha nas ruas da cidade paranaense há mais de duas décadas, reclama

“ Hoje comprar um carro ficou mais fácil do que uns anos atrás “

do tempo perdido parado em congestionamentos, o que prejudica o trabalho. “O número de veículos que circulam em Curitiba é muito grande. O tempo que eu levava 20 anos atrás é três vezes menor do que o tempo que eu levo pra fazer o mesmo caminho na hora do rush hoje”, comparou, apontando, também, as facilidades de compra como justificativa para a ampliação da frota. Para o estudante de design Felipe Meireles, de 19 anos, que dirige há sete meses, a paixão do brasileiro por carros também gera crescimento na frota. Segundo ele, o problema é que a cidade não consegue comportar esse aumento. “Falta estrutura, não tem como desafogar o fluxo. E não tem como substituir o carro por bicicleta, por exemplo, porque não tem ciclovia suficiente”, avalia. João Pedro Alves Marcio Kaviski


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educação

Curitiba, setembro de 2012

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Curitiba, setembro de 2012

DURANTE O MÊS DE SETEMBRO CURITIBANOS RECEBEM PALESTRAS E EVENTOS SOBRE EDUCAÇÃO COM CICLISTAS, E APRENDEM COMO PEDALAR adequadamente NAS RUAS DA CAPITAL paranaense

Mês da bicicleta é celebrado em Curitiba com atividades diárias e informativas No Paraná morre um ciclista a cada dois dias, sendo a capital responsável por 67% dos acidentes fatais no estado. Em 2011 foram dezoito mortes em cento e sessenta e três acidentes envolvendo usuários de bicicletas

“O intuito é fortalecer a cultura da bicicleta”

der os interesses dos ciclistas. Brand classifica a entidade como um braço institucional voltado ao diálogo com o local público “Surgimos como uma espécie de formalização dos movimentos de bicicleta de Curitiba”, diz. Outra iniciativa é a Bicicletaria Cultural, um estacionamento de bicicletas localizado no centro da cidade que é também um ponto de apoio ao ciclista urbano. A casa propõe discussões políticas e formas de ética e coexistência. “Quando a gente vê uma pessoa de fora dando palestra em algum lugar procuramos trazê-la aqui pra conversar sobre projetos que deram certo. Além disso, temos o curso de mecânica para que as pessoas criem uma aproximação com a bicicleta. Direta e indiretamente a gente trabalha com edu-

cação no trânsito”, afirma Patrícia Valverde, proprietária do local. As ações que envolvem educação no trânsito ainda são raras, mas estão aumentando aos poucos. Iniciativas que têm como objetivo reduzir o número de acidentes e mortes envolvendo ciclistas. No Paraná morre um ciclista a cada dois dias. Curitiba é responsável por 67% dos acidentes fatais com usuários de bicicletas. Só no ano passado foram 163 acidentes entre automóveis e bicicletas, 18 pessoas morreram. Nos últimos 11 anos foram 346 mortes. Dados como estes demonstram a insegurança vivida por aqueles que optaram pela bicicleta, e a necessidade de se viabilizar meios que promovam a harmonia no trânsito. “É necessário iniciar um processo de reeducação de motoris-

Cultura da bicicleta é discutida e é tema de eventos na capital.

Educação por um trânsito melhor

Instrutores estão insatisfeitos com números de aulas práticas obrigatórias

Reprovação em teste prático chega a quase 50% De janeiro de 2011 até março deste ano, o total de alunos reprovados no teste prático do Departamento de Trânsito do Paraná (DETRAN-PR), em Curitiba, chega a quase 50%. No teste teórico 40% dos interessados em tirar carteira de habilitação reprovam, e no exame psicotécnico o índice de não aprovados é de 2%. A instrutora Márcia Berto, que trabalha em um centro de formação de condutores (CFC) no Centro da capital, acredita que o motivo para que metade dos interessados reprovem no teste prático é o número de aulas práticas. Atualmente, pelo Código de Trânsito Brasileiro, o futuro motorista precisa cumprir quarenta e cinco horas de aulas teóricas e vinte de práticas. “Deveríamos ter mais tempo para passar as informações, a pessoa tem que estar preparada para sair sozinha depois”, comenta. Por outro lado Márcia diz que o número de aulas teóricas é suficiente, já que, segundo ela, a quantidade basta para repassar todas as informações aos alunos.

A maioria das pessoas que reprovam na prova prática alegam que sofreram de nervosismo e ansiedade na hora do teste. Joine Oliveira, também instrutora, acredita que são dois os problemas enfrentados pelos alunos: o nervosismo e a falta de prática. “É complicado, enquanto alguns alunos pegam o jeito logo de cara, alguns demoram meses para conseguir sair pelo bairro. O problema é a falta de segurança, ficam c o m m e d o ”, diz. Outro ponto importante é a questão de aulas nas estradas. Os instrutores concordam com a atual legislação que não prevê aulas em rodovias, mas alguns alunos discordam. A advogada Tatiana Rahuam, de 31 anos, acredita que algumas aulas em estradas deveriam ser obrigatórias. “O que é passado nas aulas serve para pessoas que dirigem apenas em

pequenas distâncias e em bairros menos movimentados. Mas para dirigir em vias rápidas ou mesmo estradas é insuficiente. Especialmente porque a velocidade limitada a 40 quilômetros por hora, para os veículos de autoescola faz com que a pessoa recém-habilitada não tenha percepção da necessidade destas vias”, comenta. Tatiana reprovou nos dois primeiros testes práticos, e conseguiu sua habilitação depois de 8 meses. Alexandre Mohr, habilitado nas categorias A e B (moto e carro, respectivamente), comenta o fato das aulas práticas de moto serem feitas apenas no pátio. “Faltam alternativas para este problema. Primeiramente nenhum instrutor aceitaria subir numa garupa com um aluno, já que a moto não possibilita a instalação de um comando duplo, como é feito nos carros”, diz. “As aulas em parte são sufi-

“Deveríamos ter mais tempo para passar as informações”

cientes, mas o teste do DETRAN, tanto o teórico quanto o pratico são insuficientes. Os critérios adotados são absurdamente rígidos, assim forçando as escolas a ensinar o aluno a dirigir para o teste, e não para o transito do dia a dia”, completa Mohr. São raros os casos de pessoas que tiram a primeira habilitação apenas com as 20 horas de aulas práticas. Segundo o DETRAN, o reteste prático só pode ser realizado novamente após 15 dias e tem um custo de R$65,00, mais o aluguel do carro que varia em cada autoescola, uma média de R$170,00. Para tirar a carteira de habilitação para carro, o aluno tem um custo médio de R$1.400,00, e R$1.700,00 para habilitação dupla, carro e moto. Fora o acerto mínimo de pontos nas provas, o aluno deve ter feito o mínimo exigido de aulas. O aluno que não se sente preparado para o teste prático pode fazer aulas extras que têm um custo aproximado em R$55,00 cada. Lais Capriotti

tas, ciclistas e também pedestres. Precisamos difundir as regras de trânsito, a fim de promover um espaço mais seguro de circulação. Os motoristas devem compreender que estão em situação de vantagem, razão pela qual devem ceder espaço e vez aos usuários da bicicleta”, explica o cicloativista André Feiges. David Rocha, outro cicloativista, reitera o posicionamento de Feiges afirmando que “ainda existem motoristas que ameaçam os ciclistas. E um número grande de ciclistas sem conhecimento sobre a maneira correta de se portar no trânsito”. Além da educação no trânsito e do bom senso daqueles que atuam nele, os ciclistas reivindicam também uma melhoria na infraestrutura destinada ao seu meio de

Letícia Moreira

que de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro deveria ser de 1,5 metros, porém, em Curitiba, possui apenas 75 centímetros de largura. Esta irregularidade foi comprovada por uma iniciativa de fiscalização dos ciclistas, atuando em prol do seu direito de trafegar com responsabilidade e segurança. Ainda que o mês da bicicleta termine no dia 30 de setembro, as atividades que envolvem os ciclistas curitibanos se estendem ao longo do ano, por meio de mobilizações e manifestos, que ocorrem no último dia de cada mês e de eventos promovidos pela Bicicletaria Cultural.

Camila Vickoski

DETRAN-PR reformula campanhas sobre direção

Órgãos responsáveis pelo trânsito nas ruas e rodovias do Brasil realizam diferentes ações para atingir os cidadãos, visando a segurança no trânsito por meio da educação e conscientização. As ações vão desde simples panfletagens e blitze, até ações de abrangência global, como o Projeto Vida no Trânsito, que tem como um dos coordenadores a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo estatísticas, grande parte dos acidentes de trânsito ocorre devido à irresponsabilidade e inconsequência dos condutores. De acordo com o secretário de educação da Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba (Setran), Celso Alves Mariano, dirigir alcoolizado, ou em alta velocidade, e fazer manobras irregulares são os principais motivos. “A maior causa dos acidentes é comportamento, não são as deficiências estruturais ou de fiscalização ou da legislação que geram a violência no trânsito”, diz. Segundo o secretário falta fazer com que os cidadãos se sintam parte do problema, e é este o objetivo do Projeto Vida no Trânsito. “A segunda fase (do projeto) já iniciou e é o envolvimento e a divulgação para o cidadão saber que os acidentes estão acontecendo próximos à casa dele, mas, ao mesmo tempo, saber que se ele é parte do problema, ele também é parte da solução”, afirma. A ação da OMS conta com a participação dos Departamentos de Trânsito e das secretarias e está sendo realizada em diversos países como parte da Década de Ações pela Segurança Viária da ONU, estabelecida entre 2010 e 2020. No Brasil, as capitais escolhidas foram: Palmas (TO), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG), e Teresina (PI).

transporte. Atualmente Curitiba possui cento e vinte quilômetros de malha cicloviária, a segunda maior do país, mas a reclamação de quem depende da bicicleta é que o circuito é mais destinado ao lazer e em alguns trechos as ciclovias estão em péssimas condições. Outro problema na opinião dos ciclistas é a ciclofaixa, um caminho com extensão de quatro quilômetros, instalado na Avenida Marechal Floriano Peixoto, e que seria uma opção para os que buscam se locomover de bicicleta, se não fosse seu mal planejamento. A ciclofaixa curitibana, diferente de todas as outras cidades brasileiras, foi colocada no lado esquerdo da rua, que é o espaço que os automóveis utilizam para fazer ultrapassagens. Outra falha está na espessura da faixa,

Campanhas divertidas mostram que álcool não combina com direção Uma campanha educacional lançada pelo Departamento de Trânsito do Paraná abordou 1,5 mil jovens curitibanos na primeira semana do mês de setembro. Com o objetivo de incentivar o uso de táxis e caronas solidárias, para diminuir os altos índices de acidentes envolvendo motoristas alcoolizados, a conscientização ainda vai percorrer outras cinco capitais. A primeira etapa da campanha Se liga no trânsito - Se beber não dirija, foi realizada nos locais com maior concentração de bares na cidade. Mais de vinte locais receberam abordagens de equipes de promotores e educadores

do Detran-PR, que por meio de ações educativas distribuíram material informativo, bafômetros descartáveis além de realizarem alguns jogos. A existência de programas sensibilizadores e panfletagens sem acompanhamentos posteriores refletia nas estatísticas um déficit educacional nos condutores. Para Juan Franco, Coordenador de Educação para o Trânsito do órgão, “ações pontuais não servem mais para resolver os números negativos envolvendo jovens, direção e álcool”, diz. Para ele é preciso que existam ações frequentes. “O trânsito nada mais é do que um reflexo de como está a educação

Jéssica Fernanda

porte e uma melhor estruturação nas ruas. A comemoração existe desde 2007 e é apoiado por iniciativas independentes como a Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (Ciclo Iguaçu) e a Bicicletaria Cultural. “O intuito principal é fortalecer a cultura da bicicleta e também a educação com os ciclistas e dos ciclistas”, explica Jorge Brand, diretor da Associação. Criada em 2011, a Ciclo Iguaçu é uma entidade associativa que atua para ampliar o uso da bicicleta como meio de transporte no espaço urbano e assim defen-

Francisco Mallmann

Setembro é o mês da bicicleta em Curitiba, a capital do segundo Estado brasileiro mais violento com os ciclistas. São trinta dias em que se celebra a cultura, bem como a ética e a educação no trânsito. O calendário conta c om se s se nta atividades c omo pa le s tras, oficinas, exibições de filmes, grupos de discussões e bicicletadas. Os cicloativist a s , p e s s oa s que têm práticas diárias para conscientizar a população sobre a importância da bicicleta, reivindicam o respeito aos usuários desse meio de trans-

Campanha é reforçada com distribuição de adesivos.

do povo. Se não temos tolerância, é por que perdemos valores e princípios passados pelos nossos pais”, completa Franco. Para o diretor geral do DETR AN-PR, Marcos Traad, a preocupação vai além das consequências que um jovem dirigindo embriagado pode causar. “Quando toma a decisão de agir dessa forma, o jovem inconsequente não coloca apenas a sua vida em risco, é uma ação com danos coletivos”, pontua Traad. E é por meio de um jogo de videogame, desenvolvido exclusivamente para essas abordagens nos bares, que o jovem visualiza o que pode acontecer se ele beber e insistir em dirigir. Em um tablet (computador portátil) o condutor indica a bebida ingerida e a quantidade de doses. A partir daí, ele deve seguir virtualmente por uma via, livrando-se de obstáculos comuns, como curvas e cruzamentos. O grau de dificuldade é medido de acordo com a quantidade de bebida ingerida, que corresponde às possíveis perdas de sentido no decorrer do trajeto. A estudante Roberta Valenza,

de 21 anos, após perder o controle algumas vezes, por causa das caipirinhas ingeridas de forma fictícia, optou por decidir antes de sair de casa se vai beber ou não, e dessa forma poder pegar carona com as amigas. “Você saber que a bebida afeta seus sentidos ao dirigir é uma coisa, mas presenciar isso, pelo vídeogame, é outra. Se todos tivessem a oportunidade de jogar, deixariam o carro em casa, ou não beberiam quando estivessem dirigindo”, conclui. Além de informar, as ações divertem os participantes, como no caso de Letícia Pereira, amiga de Roberta, “Achei engraçado ver ela tentando dirigir o tablet”, confessa a jovem. As ações de conscientização, com o videogame, vão percorrer outros 150 estabelecimentos em diversas cidades do estado até o início de outubro. A atividade é uma parceria das Secretarias de Comunicação dos Estados, Detrans, Batalhões de Polícia de Trânsito e prefeituras locais.

Jéssica Fernanda


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DURANTE O MÊS DE SETEMBRO CURITIBANOS RECEBEM PALESTRAS E EVENTOS SOBRE EDUCAÇÃO COM CICLISTAS, E APRENDEM COMO PEDALAR adequadamente NAS RUAS DA CAPITAL paranaense

Mês da bicicleta é celebrado em Curitiba com atividades diárias e informativas No Paraná morre um ciclista a cada dois dias, sendo a capital responsável por 67% dos acidentes fatais no estado. Em 2011 foram dezoito mortes em cento e sessenta e três acidentes envolvendo usuários de bicicletas

“O intuito é fortalecer a cultura da bicicleta”

der os interesses dos ciclistas. Brand classifica a entidade como um braço institucional voltado ao diálogo com o local público “Surgimos como uma espécie de formalização dos movimentos de bicicleta de Curitiba”, diz. Outra iniciativa é a Bicicletaria Cultural, um estacionamento de bicicletas localizado no centro da cidade que é também um ponto de apoio ao ciclista urbano. A casa propõe discussões políticas e formas de ética e coexistência. “Quando a gente vê uma pessoa de fora dando palestra em algum lugar procuramos trazê-la aqui pra conversar sobre projetos que deram certo. Além disso, temos o curso de mecânica para que as pessoas criem uma aproximação com a bicicleta. Direta e indiretamente a gente trabalha com edu-

cação no trânsito”, afirma Patrícia Valverde, proprietária do local. As ações que envolvem educação no trânsito ainda são raras, mas estão aumentando aos poucos. Iniciativas que têm como objetivo reduzir o número de acidentes e mortes envolvendo ciclistas. No Paraná morre um ciclista a cada dois dias. Curitiba é responsável por 67% dos acidentes fatais com usuários de bicicletas. Só no ano passado foram 163 acidentes entre automóveis e bicicletas, 18 pessoas morreram. Nos últimos 11 anos foram 346 mortes. Dados como estes demonstram a insegurança vivida por aqueles que optaram pela bicicleta, e a necessidade de se viabilizar meios que promovam a harmonia no trânsito. “É necessário iniciar um processo de reeducação de motoris-

Cultura da bicicleta é discutida e é tema de eventos na capital.

Educação por um trânsito melhor

Instrutores estão insatisfeitos com números de aulas práticas obrigatórias

Reprovação em teste prático chega a quase 50% De janeiro de 2011 até março deste ano, o total de alunos reprovados no teste prático do Departamento de Trânsito do Paraná (DETRAN-PR), em Curitiba, chega a quase 50%. No teste teórico 40% dos interessados em tirar carteira de habilitação reprovam, e no exame psicotécnico o índice de não aprovados é de 2%. A instrutora Márcia Berto, que trabalha em um centro de formação de condutores (CFC) no Centro da capital, acredita que o motivo para que metade dos interessados reprovem no teste prático é o número de aulas práticas. Atualmente, pelo Código de Trânsito Brasileiro, o futuro motorista precisa cumprir quarenta e cinco horas de aulas teóricas e vinte de práticas. “Deveríamos ter mais tempo para passar as informações, a pessoa tem que estar preparada para sair sozinha depois”, comenta. Por outro lado Márcia diz que o número de aulas teóricas é suficiente, já que, segundo ela, a quantidade basta para repassar todas as informações aos alunos.

A maioria das pessoas que reprovam na prova prática alegam que sofreram de nervosismo e ansiedade na hora do teste. Joine Oliveira, também instrutora, acredita que são dois os problemas enfrentados pelos alunos: o nervosismo e a falta de prática. “É complicado, enquanto alguns alunos pegam o jeito logo de cara, alguns demoram meses para conseguir sair pelo bairro. O problema é a falta de segurança, ficam c o m m e d o ”, diz. Outro ponto importante é a questão de aulas nas estradas. Os instrutores concordam com a atual legislação que não prevê aulas em rodovias, mas alguns alunos discordam. A advogada Tatiana Rahuam, de 31 anos, acredita que algumas aulas em estradas deveriam ser obrigatórias. “O que é passado nas aulas serve para pessoas que dirigem apenas em

pequenas distâncias e em bairros menos movimentados. Mas para dirigir em vias rápidas ou mesmo estradas é insuficiente. Especialmente porque a velocidade limitada a 40 quilômetros por hora, para os veículos de autoescola faz com que a pessoa recém-habilitada não tenha percepção da necessidade destas vias”, comenta. Tatiana reprovou nos dois primeiros testes práticos, e conseguiu sua habilitação depois de 8 meses. Alexandre Mohr, habilitado nas categorias A e B (moto e carro, respectivamente), comenta o fato das aulas práticas de moto serem feitas apenas no pátio. “Faltam alternativas para este problema. Primeiramente nenhum instrutor aceitaria subir numa garupa com um aluno, já que a moto não possibilita a instalação de um comando duplo, como é feito nos carros”, diz. “As aulas em parte são sufi-

“Deveríamos ter mais tempo para passar as informações”

cientes, mas o teste do DETRAN, tanto o teórico quanto o pratico são insuficientes. Os critérios adotados são absurdamente rígidos, assim forçando as escolas a ensinar o aluno a dirigir para o teste, e não para o transito do dia a dia”, completa Mohr. São raros os casos de pessoas que tiram a primeira habilitação apenas com as 20 horas de aulas práticas. Segundo o DETRAN, o reteste prático só pode ser realizado novamente após 15 dias e tem um custo de R$65,00, mais o aluguel do carro que varia em cada autoescola, uma média de R$170,00. Para tirar a carteira de habilitação para carro, o aluno tem um custo médio de R$1.400,00, e R$1.700,00 para habilitação dupla, carro e moto. Fora o acerto mínimo de pontos nas provas, o aluno deve ter feito o mínimo exigido de aulas. O aluno que não se sente preparado para o teste prático pode fazer aulas extras que têm um custo aproximado em R$55,00 cada. Lais Capriotti

tas, ciclistas e também pedestres. Precisamos difundir as regras de trânsito, a fim de promover um espaço mais seguro de circulação. Os motoristas devem compreender que estão em situação de vantagem, razão pela qual devem ceder espaço e vez aos usuários da bicicleta”, explica o cicloativista André Feiges. David Rocha, outro cicloativista, reitera o posicionamento de Feiges afirmando que “ainda existem motoristas que ameaçam os ciclistas. E um número grande de ciclistas sem conhecimento sobre a maneira correta de se portar no trânsito”. Além da educação no trânsito e do bom senso daqueles que atuam nele, os ciclistas reivindicam também uma melhoria na infraestrutura destinada ao seu meio de

Letícia Moreira

que de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro deveria ser de 1,5 metros, porém, em Curitiba, possui apenas 75 centímetros de largura. Esta irregularidade foi comprovada por uma iniciativa de fiscalização dos ciclistas, atuando em prol do seu direito de trafegar com responsabilidade e segurança. Ainda que o mês da bicicleta termine no dia 30 de setembro, as atividades que envolvem os ciclistas curitibanos se estendem ao longo do ano, por meio de mobilizações e manifestos, que ocorrem no último dia de cada mês e de eventos promovidos pela Bicicletaria Cultural.

Camila Vickoski

DETRAN-PR reformula campanhas sobre direção

Órgãos responsáveis pelo trânsito nas ruas e rodovias do Brasil realizam diferentes ações para atingir os cidadãos, visando a segurança no trânsito por meio da educação e conscientização. As ações vão desde simples panfletagens e blitze, até ações de abrangência global, como o Projeto Vida no Trânsito, que tem como um dos coordenadores a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo estatísticas, grande parte dos acidentes de trânsito ocorre devido à irresponsabilidade e inconsequência dos condutores. De acordo com o secretário de educação da Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba (Setran), Celso Alves Mariano, dirigir alcoolizado, ou em alta velocidade, e fazer manobras irregulares são os principais motivos. “A maior causa dos acidentes é comportamento, não são as deficiências estruturais ou de fiscalização ou da legislação que geram a violência no trânsito”, diz. Segundo o secretário falta fazer com que os cidadãos se sintam parte do problema, e é este o objetivo do Projeto Vida no Trânsito. “A segunda fase (do projeto) já iniciou e é o envolvimento e a divulgação para o cidadão saber que os acidentes estão acontecendo próximos à casa dele, mas, ao mesmo tempo, saber que se ele é parte do problema, ele também é parte da solução”, afirma. A ação da OMS conta com a participação dos Departamentos de Trânsito e das secretarias e está sendo realizada em diversos países como parte da Década de Ações pela Segurança Viária da ONU, estabelecida entre 2010 e 2020. No Brasil, as capitais escolhidas foram: Palmas (TO), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG), e Teresina (PI).

transporte. Atualmente Curitiba possui cento e vinte quilômetros de malha cicloviária, a segunda maior do país, mas a reclamação de quem depende da bicicleta é que o circuito é mais destinado ao lazer e em alguns trechos as ciclovias estão em péssimas condições. Outro problema na opinião dos ciclistas é a ciclofaixa, um caminho com extensão de quatro quilômetros, instalado na Avenida Marechal Floriano Peixoto, e que seria uma opção para os que buscam se locomover de bicicleta, se não fosse seu mal planejamento. A ciclofaixa curitibana, diferente de todas as outras cidades brasileiras, foi colocada no lado esquerdo da rua, que é o espaço que os automóveis utilizam para fazer ultrapassagens. Outra falha está na espessura da faixa,

Campanhas divertidas mostram que álcool não combina com direção Uma campanha educacional lançada pelo Departamento de Trânsito do Paraná abordou 1,5 mil jovens curitibanos na primeira semana do mês de setembro. Com o objetivo de incentivar o uso de táxis e caronas solidárias, para diminuir os altos índices de acidentes envolvendo motoristas alcoolizados, a conscientização ainda vai percorrer outras cinco capitais. A primeira etapa da campanha Se liga no trânsito - Se beber não dirija, foi realizada nos locais com maior concentração de bares na cidade. Mais de vinte locais receberam abordagens de equipes de promotores e educadores

do Detran-PR, que por meio de ações educativas distribuíram material informativo, bafômetros descartáveis além de realizarem alguns jogos. A existência de programas sensibilizadores e panfletagens sem acompanhamentos posteriores refletia nas estatísticas um déficit educacional nos condutores. Para Juan Franco, Coordenador de Educação para o Trânsito do órgão, “ações pontuais não servem mais para resolver os números negativos envolvendo jovens, direção e álcool”, diz. Para ele é preciso que existam ações frequentes. “O trânsito nada mais é do que um reflexo de como está a educação

Jéssica Fernanda

porte e uma melhor estruturação nas ruas. A comemoração existe desde 2007 e é apoiado por iniciativas independentes como a Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (Ciclo Iguaçu) e a Bicicletaria Cultural. “O intuito principal é fortalecer a cultura da bicicleta e também a educação com os ciclistas e dos ciclistas”, explica Jorge Brand, diretor da Associação. Criada em 2011, a Ciclo Iguaçu é uma entidade associativa que atua para ampliar o uso da bicicleta como meio de transporte no espaço urbano e assim defen-

Francisco Mallmann

Setembro é o mês da bicicleta em Curitiba, a capital do segundo Estado brasileiro mais violento com os ciclistas. São trinta dias em que se celebra a cultura, bem como a ética e a educação no trânsito. O calendário conta c om se s se nta atividades c omo pa le s tras, oficinas, exibições de filmes, grupos de discussões e bicicletadas. Os cicloativist a s , p e s s oa s que têm práticas diárias para conscientizar a população sobre a importância da bicicleta, reivindicam o respeito aos usuários desse meio de trans-

Campanha é reforçada com distribuição de adesivos.

do povo. Se não temos tolerância, é por que perdemos valores e princípios passados pelos nossos pais”, completa Franco. Para o diretor geral do DETR AN-PR, Marcos Traad, a preocupação vai além das consequências que um jovem dirigindo embriagado pode causar. “Quando toma a decisão de agir dessa forma, o jovem inconsequente não coloca apenas a sua vida em risco, é uma ação com danos coletivos”, pontua Traad. E é por meio de um jogo de videogame, desenvolvido exclusivamente para essas abordagens nos bares, que o jovem visualiza o que pode acontecer se ele beber e insistir em dirigir. Em um tablet (computador portátil) o condutor indica a bebida ingerida e a quantidade de doses. A partir daí, ele deve seguir virtualmente por uma via, livrando-se de obstáculos comuns, como curvas e cruzamentos. O grau de dificuldade é medido de acordo com a quantidade de bebida ingerida, que corresponde às possíveis perdas de sentido no decorrer do trajeto. A estudante Roberta Valenza,

de 21 anos, após perder o controle algumas vezes, por causa das caipirinhas ingeridas de forma fictícia, optou por decidir antes de sair de casa se vai beber ou não, e dessa forma poder pegar carona com as amigas. “Você saber que a bebida afeta seus sentidos ao dirigir é uma coisa, mas presenciar isso, pelo vídeogame, é outra. Se todos tivessem a oportunidade de jogar, deixariam o carro em casa, ou não beberiam quando estivessem dirigindo”, conclui. Além de informar, as ações divertem os participantes, como no caso de Letícia Pereira, amiga de Roberta, “Achei engraçado ver ela tentando dirigir o tablet”, confessa a jovem. As ações de conscientização, com o videogame, vão percorrer outros 150 estabelecimentos em diversas cidades do estado até o início de outubro. A atividade é uma parceria das Secretarias de Comunicação dos Estados, Detrans, Batalhões de Polícia de Trânsito e prefeituras locais.

Jéssica Fernanda


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meio ambiente

Curitiba, setembro de 2012

ôNIBUS ECOLOGICAMENTE CORRETO MOVIDO A BIODIESEL É INOVAÇÃO NO TRANSPORTE PÚBLICO DE CURITIBA

Ônibus hibribus reduz muito a taxa de CO2

Movido a biodiesel e com funcionamento em dois motores, veículo é o que oferece o maior ganho ambiental do mercado automotivo Rafaela Bez

Ônibus de Curitiba é movido com motor 100% biodiesel

O ônibus híbrido Hibribus é movido a biodiesel e a eletricidade e é o que oferece o maior ganho ambiental do mercado. O veículo começou a ser produzido pela Volvo em Curitiba, com investimento de US$ 20 milhões. A operação é com dois motores (elétrico e a biodiesel), que funcionam em pa-

ralelo ou de forma independente. Segundo Dirlene Souza, ambientalista do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o ônibus ajuda na sustentabilidade. “É um ônibus cujo enxofre, que é o material mais poluente, tem porcentagem quase zerada, isso faz com que a emissão de gás carbônico seja muito

reduzida”, explica. O motorista do transporte coletivo, Miguel Coutinho, diz que durante os 16 anos de profissão nunca viu algo assim. “A cidade de Curitiba estava precária de transporte que colaborasse com a natureza, agora veremos se realmente podemos ser um modelo”, destaca. Já a usuária de ônibus, Izabella Duarte, diz que a cidade ainda está distante da questão ambiental. “Não é porque temos um ou outro ônibus diferente, que já estamos colaborando com o meio ambiente”, diz. Para ela a cidade ainda precisa investir muito na sustentabilidade, não só para ser reconhecida como modelo para as demais, mas para que haja um verdadeiro cuidado com a natureza e futuras gerações.

Rafaela Bez

SOLUÇÃO PODERIA SER ADOTADA para diminuir o fluxo DE VEÍCULOS NA CAPITAL

A cidade de Curitiba que sempre foi exemplo de planejamento para outras do Brasil, a cada vez mais se parece com São Paulo e seu trânsito congestionado. Uma proposta eficaz para melhorar o grande fluxo de veículos na capital pode ser o rodízio de carros. Esse é um sistema que faz com que carros com iniciais da letra A circulem durante um dia e os demais fiquem em casa e assim sucessivamente, revezando o dia durante a semana. Em 2007, o então vereador Custódio da Silva criou um projeto de lei que propunha a implantação deste sistema em Curitiba. O mesmo foi deixado de lado por ser considerado ineficiente. Emissão de CO2 Muitos ambientalistas dizem que o rodízio não diminui a emissão de carbono, uma vez que

Rafaela Bez

Rodízio de carros é recusado em Curitiba por ser considerado ineficiente para o tráfego da cidade

Rodízio de carros pode diminuir congestionamentos

com ou sem rodízio, o número de carros nas ruas é quase o mesmo. Para o urbanista Rodrigo Firmino, o rodizio de carros teria em Curitiba um impacto diferenciado. “Em São Paulo há uma área bem demarcada pelos rios Pinheiros e Tietê, e consequentemente de-

finida pelas avenidas de mesmo nome, que facilita a implantação do sistema e a limitação territorial da área de circulação. Em Curitiba, o sistema tem uma estrutura diferente, sem anéis viários bem definidos, o que faz com que os trajetos passem pelo centro ou

próximo das áreas centrais. No entanto, o rodízio isoladamente tem pouco impacto na redução de emissões, e no número de carros nas ruas”, explica. A iniciativa divide opiniões, como é o caso de Victor Nogueira, que acredita ser uma atitude pouco eficiente. “Pessoas com poder aquisitivo umais elevado poderão comprar um segundo carro de placa diferente e circular pela cidade”. Já Henrique Senna, motorista se diz a favor da medida. “Seria uma ótima maneira de conscientizar as pessoas, tanto para a diminuição da poluição, quanto para a saúde. O rodizio influenciaria as pessoas a irem trabalhar a pé, ou de bicicleta”.

Biocombustível O Biocombustível é um combustível de origem biológica não fóssil. Normalmente produzido a partir de matérias agrícolas, como por exemplo, cana-de-açúcar, mamona, soja, milho, beterraba, entre outros. Existem vários tipos de biocombustíveis: como o bioetanol, biodiesel, biogás, e biometanol. Vantagens e desvantagens do uso do biocombustível: * Possibilita o fechamento do ciclo do carbono (CO2), o que estabiliza a concentração desse gás na atmosfera, contribuindo para “frear” o aquecimento global; * Contamina os lençóis freáticos por nitritos e nitratos, oriundos de fertilizantes Harianna Stukio

Harianna Stukio


tecnologia

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Curitiba, setembro de 2012

o motorista que desrespeitar a iniciativa pode ter o carro guinchado e sofrer multa do contran

Chip é criado para guardar vagas preferenciais Dispositivo dá boas vindas a motoristas que têm direito às vagas e avisa outros condutores quando o veículo não pode estacionar O cadeirante Brunno Panosso, 21 anos, diz que a iniciativa pode trazer ótimos resultados. “Devese existir um investimento nessa tecnologia que é muito necessária e nos ajuda muito, contar com a ajuda da tecnologia nos auxilia muito no dia a dia”, conta. O engenheiro criador do dispositivo é especializado em questões de acessibilidade. Sérgio Yamawaki conta que a ideia de implantar os chips, é fazer com que os motoristas que desrespeitam a sinalização passem vergonha e se conscientizem, além de garantir com mais rigorosidade que as vagas preferenciais sejam respeitadas. Segundo ele, o maior problema enfrentado pelos cadei-

“Deve existir um investimento nesse tipo de tecnologia”

A nova lei O monitoramento por antenas espalhadas por ruas ajudará a reprimir o furto e o roubo de automóveis e cargas. A partir de janeiro, os motoristas serão convocados pelo DETRAN para instalar a placa com o chip de rastreamento. Segundo o Denatran, o custo será de R$ 5, e o pagamento será feito com a taxa de licenciamento anual. Caso o veículo não tenha o equipamento, a antena não registrará a passagem e as autoridades policiais serão alertadas. A infração será grave (multa de R$ 127,69, com perda de cinco pontos na carteira), com retenção do veículo até a regularização. Rafaela Bez

rantes e idosos, é a dificuldade na fiscalização, já que, é muito difícil para os órgãos responsáveis darem

sistema do papel que era colado no vidro para autorizar o estacionamento em vagas preferenciais,

Kamilla Ferreira

Foi criado em 2008 um dispositivo para selecionar usuários das vagas preferenciais de idosos e deficientes físicos. O mecanismo funciona através de um chip que é implantado no carro do cadeirante ou idoso, e um leitor que reconhece esse chip, colocado no chão em um lugar estratégico na vaga para fazer o reconhecimento dos veículos com permissão para estacionar. Ao passar pelo sensor, se o carro possuir o chip, o motorista é saudado com uma mensagem de boas vindas, caso contrário, um alarme sonoro dispara, alertando que aquele local é reservado e que o motorista está cometendo uma infração de trânsito.

Placa identificando local exclusivo para deficientes

conta de toda a demanda de vagas encontradas na cidade. Arthur Ramos, 63 anos, conta que acha muito eficiente o dispositivo inventado. “Eu já gostava do

e acho que com a tecnologia, encontrar uma vaga vai ser muito mais fácil”. Segundo o engenheiro, propostas para implantá-lo nos carros

adaptados estão sendo estudadas e discutidas entre empresas patrocinadoras e a Associação Comercial do Paraná. Os primeiros locais a receberem a tecnologia devem ser shoppings centers e supermercados, já no início do próximo ano. Iniciativa As vagas de estacionamento para idosos e deficientes foram regulamentadas e garantidas por lei, pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Desta forma, todas as cidades brasileiras são obrigadas a destinar 3% das vagas de estacionamento público para idosos e 2% para deficientes. Porém, grande parte dos condutores de veículos ainda desrespeita a legislação e estaciona nas vagas preferenciais, correndo o risco de ter o carro guinchado e sofrer multas. Kamilla Ferreira

INDÚSTRIA AUTOMOTIVA DEVE AUMENTAR PREÇO DOS CARROS EM MAIS DE R$600

Departamento Nacional de Trânsito prevê que carros devem usar chips rastreadores a partir de 2013

Veículos do país deverão ter até 30 de junho de 2014, um chip eletrônico para identificação. O equipamento será instalado na parte interna do para-brisa dianteiro e vai auxiliar no rastreamento dos carros. A lei de implantação do novo Sistema de Identificação Automática em Veículos (SINIAV) foi aprovada pelo Departamento Nacional de Transito (Denatran) e entrou em vigor em agosto de 2012. A instalação dos dispositivos começará em janeiro de 2013. O projeto já existe desde 2006, porém, só foi aprovado no ano passado. Além de ajudar no rastreamento de veículos e cargas

roubadas, também ajudará no planejamento, na fiscalização e gestão do trânsito e da frota de veículos. A ideia é facilitar o trabalho de melhoramento do tráfego de carros nas vias. As antenas, que vão receber os sinais e realizar a identificação ficarão espalhadas pelas cidades e terão também o objetivo de controlar os semáforos para que não haja tantos congestionamentos. A formanda em direito, Tailaine Costa, diz que a OAB é contra a medida, por denegrir a privacidade alheia. “A OAB é contra a iniciativa. Os locais por onde uma pessoa percorre integram a sua intimidade e priva-

“Os locais por onde uma pessoa percorre integram a sua intimidade”

cidade, sem justo motivo a instalação obrigatória (uma vez que a não obediência acarretará multa) de chips de rastreamento. Ora, não havendo necessidade para a limitação de garantias individuais, a medida torna-se desarrazoada e inconstitucional”. Gabriel Oliveira, motorista, afirma que com esse controle dos sinaleiros, o fluxo em horários de grande movimento deve melhorar. “Tem ruas que não se consegue pegar vários sinaleiros abertos. Quando um abre o próximo fecha e por assim vai, é tudo dessincronizado”, diz. A antena terá a função de detectar carros estacionados de forma irregular e carros com a documentação fora do padrão, ao detectarem, as antenas enviarão um alerta para as centrais de processamento.

Funcionamento O chip terá que conter cinco informações que não poderão ser alteradas: numero da placa, categoria, espécie e tipo do veículo e um número serial único. “Essa lei ainda está em fase de regulamentação pelo CONTRAN, assim que aprovada oficialmente, todas as sedes do DETRAN deverão se responsabilizar em instalar os chips nos carros que já rodam e também as antenas que farão as leituras”, diz José Carlos, coordenador de Trânsito do DETRAN-PR. Após aprovada a lei, os fabricantes de automóveis serão obrigadas a colocar os chips nos carros zero. A medida não foi bem recebida pela indústria automotiva, já que o preço de um carro novo deverá subir em média R$ 600. Letícia Duarte


12

comportamento

Curitiba, setembro de 2012

Curitibanos questionam profissionalismo e conduta de motoboys no trânsito

Acidentes gerados pela pressão do trabalho Imprudência, pressão no trabalho e até mesmo a falta de respeito pela sinalização são os principais causadores de acidentes no Paraná. Curitibanos reclamam de como motoboys agem no trânsito. O blog Sinal Vermelho Curitiba, em tom de sátira, reclama, junto a vídeos, que estes motofretistas têm um “instinto suicida”, mostrando seus flagras de erros no trânsito e os chamando de “barbeiros”. O grande problema é quando estes erros se transformam em acidentes graves. Os dados do Detran-PR de 2012 revelam que, de 321 óbitos causados por acidentes no trânsito, 99 destes motociclistas que são jovens entre 18 e 30 anos de idade. Pela necessidade de ceder à pressão do trabalho, os motoboys correm contra o tempo e podem perder a própria vida em acidentes no trânsito. Segundo Paulo Afonso Bracarense Costa, secretário do Trabalho e Emprego da Prefeitura Municipal de Curitiba, “a violência no trânsito tem ceifado vidas aos milhares”. A principal razão destes acidentes é, muitas vezes, a pressa.

Mauri Alves, de 48 anos, é técnico administrativo e utiliza a motocicleta para diversos fins. “Como os motoboys têm pressa para fazer os serviços, exageram na velocidade, além de muitas vezes, não respeitar a sinalização”, diz. Muitos também culpam os chamados corredores virtuais pelos acidentes. Antônio Cesar Saciotti, tesoureiro de uma indústria automotiva, afirma que o uso de corredores virtuais não é um problema apenas de motofretistas. “Em grandes metrópoles como Curitiba, as leis de trânsito são as mesmas, tanto para condutores de carros ou de motos. Os chamados ‘corredores virtuais’ não são reconhecidos nas leis de trânsito e podem impedir que haja uma dirigibilidade melhor por parte de ambos, muitas vezes causando acidentes inesperados”, conta. Apesar das reclamações, profissionais que dependem do veículo afirmam que a imprudência, por mais que perigosa, é necessária. Caso de Edmilson da Mata, secretário geral do Sindicato dos trabalhadores condutores de veículos motonetas, motocicletas e similares

de Curitiba e região metropolitana (Sintramotos), que diz que a própria sociedade impõe os corredores para motofretistas, pois se não ultrapassarem os carros dessa forma, não irão atender a demanda e seus clientes. “Sem o corredor, o motociclista não sobrevive”, afirma. Segundo Mata, a maioria dos profissionais motofretistas é de jovens entre 18 e 30 anos de idade, que realizam estes trabalhos para melhorar sua condição financeira e sustentar a família. Para o secretário do Trabalho e Emprego da Prefeitura Municipal de Curitiba, Paulo Afonso Bracarense, uma solução viável para o problema pode ser a nova lei que exige especialização do motofretista. Ela foi criada no começo de agosto de 2010, mas ainda não entrou em vigor. Segundo ele, além da profissão ficar mais reconhecida, os cursos devem preparar os motoboys para enfrentar o trânsito pesado. A resolução exige ainda melhores equipamentos de segurança. “Quem fez esta resolução estava preocupado com a saúde do trabalhador motofretista”, diz ele.

Helena Bianchi Góes

O uso de corredores virtuais e velocidade em excesso são as principais causas de acidentes envolvendo profissionais motofretistas

A rotina de trabalho dos motoboys exige prudência e paciência

A ONU prevê que daqui a 20 anos, 60% da população mundial estarão nos centros urbanos. No Brasil, o número já chega a 85%. “As cidades não estão preparadas para tanto automóvel. A motocicleta é uma alternativa e a cidade precisa se organizar para esta alternativa”, conclui Bracarense. Helena Bianchi Góes Isabela Bandeira

Motoristas de outros estados apontam falta de educação de curitibanos

Irresponsabilidade e agressividade ao volante são os principais motivos para acidentes no trânsito

Diariamente, 164 novos veículos são inseridos no trânsito de Curitiba, ou seja, uma média de 1.148 ao mês. Isso faz com que o trânsito congestione e, aliado ao estresse causado pelo dia a dia, aumenta a agressividade e irritabilidade ao volante. O número de acidentes de trânsito cresceu 6% no Paraná, saltando de 41,3 mil em 2009 para 43,8 mil em 2010. A imprudência e a negligência dos motoristas são os principais fatores. Um estudo realizado em 2010 por José Brites, investigador do Centro de Estudos de Psicologia Cognitiva e da Aprendizagem, avaliou o comportamento de 480 motoristas e apontou que a agressividade ao volante aumenta a

probabilidade de se causar um acidente, com a concentração do motorista deixando de ser a estrada. Segundo o psiquiatra Júlio César Fontana Rosa, da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), a combinação de problemas em casa, no trabalho e no trânsito pode fazer com que nasça a violência. “Em determinadas situações que você tem tempo para refletir, você deixa de realizar aquele ato. Temos que ficar atentos porque o trânsito está nos levando a situações de impaciência onde estamos explo-

dindo”. Para o mineiro Mauri Alves, administrador de empresas, os motor ist as curitibanos são irresponsáveis. “Em outros lugares, como São Paulo, o volume de carros é muito maior, porém os motor ist as são muito mais educados e respeitam muito mais a educação”. O comportamento do curitibano ao volante, inclusive, é motivo de piada na Internet. No blog “Trocistas”, uma matéria intitulada “Curitiba, a cidade mais antipática

“O trânsito está nos levando a situações de impaciência”

do país” diz que “para os nativos dessa amada cidade, a conta feita ao avistar uma placa de limite de velocidade é limite de velocidade dividido por dois. Ou seja, quando o curitibano avistar um sinal de radar ele reduzirá a velocidade para 30 km/h, fazendo com que todos os carros atrás tenham de reduzir para 30 e não 60, como um ser humano normal faria. Depois do carro ter passado o radar, a velocidade é dobrada, no caso de ser 60 o limite, passará a ser 120 km/h.”

Guerra dos Sexos A guerra entre gêneros no trânsito não é de hoje. O dilema de quem dirige melhor (homem ou mulher?) pode chegar a um fim. Segundo um estudo realizado por Rodrigo Ramalho em março de 2012, Especialista em Inteligência Emocional, Educação e Segurança Viária (PEETrânsito), mulheres têm mais facilidade em realizar manobras e evitar acidentes mais graves devido a sua maior capacidade de percepção. “É possível que as mulheres melhorem as aptidões espaciais se forem treinadas, embora seja verdade que existam diferenças mais acentuadas entre os gêneros. Um quarto da população feminina consegue superar o sexo oposto neste tipo de habilidade.”, afirma Ramalho em seu artigo Inteligência Feminina no Trânsito. Isabela Bandeira

Rodolfo Kowalski


cultura

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Curitiba, setembro de 2012

Ao contrário de grupos tradicionais, motociclistas evitam excessos e seguem boa conduta

Motoclube segue princípios de família

Com três anos de fundação, “Golgotanos” combinam motos clássicas com mensagens religiosas, mesmo enfrentando preconceitos cional, mas aqui dentro nós nos vemos como uma família”. O surgimento do grupo está diretamente ligado à comunidade Golgota. Nela, se reúnem pessoas de diversos estilos, como punks e ex-skinheads para encontros religiosos. E a partir daí, Charlie e outros amigos resolveram fundar o motoclube. Desde então, eles se ma ntém ligados á comunidade, e evitam ingerir bebidas alcoólicas e são totalmente contra a violência. Em datas festivas, como Páscoa, Dia das crianças e Natal, o motoclube visita regiões carentes e organiza uma distribuição de presentes e comida para as crianças. No entanto, os Golgotanos já enfrentaram problemas com a

“Aqui dentro nós nos vemos como uma família”

sua identificação. Por usarem a vermelho nos coletes, eles já foram relacionados aos Hells Angels, maior motoclube do mundo e considerado o mais perigoso dos Estados Unidos pelo FBI, a maior unidade de poícia norte-americana.Mas Charlie logo esclarece a oonfusão. “O vermelho do nosso colete se refere ao sangue que Cristo derrubou por seus fiéis, e não vamos tirar essa cor”. O grupo também já foi acusado de invadir calçadas e quase atropelar pedesetres em uma passeata em maio deste ano, algo que foi logo desmen- Pela primeira vez , o desfile de Sete de Setembro teve um motoclube tido por testemunhas na ocasião. E pela conduta, os Golgotanos nicare acompanhou Eo desfile, casa de algum integrante. Também foram convidados para participar que em cada moto trazia cartazes possuem página no Facebook, do desfile cívico-militar de 7 de com dizeres contra a violência e chamada “Golgotanos M.C.’’ setembro, em Curitiba. O evento, as drogas. com presença do governador do Atualmente, o grupo tem 42 Paulo Semicek estado, contou pela primeira vez motos e cerca de 300 membros. Marcos Garcia com um motoclube. O Comu- As reuniões são toda sexta-feira na Paulo Semicek

A princípio, o motoclube Golgotanos parece apenas mais um grupo de motociclistas, fãs de rock ‘n roll e que frequentam os bares da cidade., mas logo se revela diferente dos outros movimentos. Eles são cristãos e vão à igreja com a família. Ainda gostam de rock, mas também promovem cultos e projetos comunitários, todos organizados pela equipe. Charlie Piercer, como se identifica um dos líderes do grupo, explica como surgiu a ideia de fundar o motoclube. “Todos curtiam moto e participavam de encontros, então decidimos unir o útil ao agradável, já que também gostamos de falar de Deus. Os motoclubes de fora nos veem como um grupo tradi-

Exigências do Detran elevam gastos de relíquias

Gastos elevados não diminuem a paixão de colecionadores de carros antigos

Pedro Domingues

Apaixonados por carros. O Freitas, dono de um Ford Shelby slogan de famosa empresa de 1969. ‘’Nós temos verdadeiras automóveis é a melhor frase para raridades em casa. O meu Shelby definir os colecionadores de auto- Cobra vale pelo menos uns 85 móveis antigos. Com um cuidado parecido com o de um pai com seu filho, eles deixam suas máquinas em perfeito estado, sempre limpas e quase intactas. Mas esse cuidado tem um custo. Com as várias exigências do DENATRAN e com a burocracia para poder andar com esses carros nas ruas, a paixão acaba saindo Colecionadores preferem o anonimato mais cara do que se imagina. Com gastos maiores com gaso- mil reais, é perigoso sair de casa lina, pois carros antigos possuem com ele. Só saio para exposições’’. motores potentes que gastam mais E o valor dos carros é grande combustível, os colecionadores por conta dos investimentos ao evitam passear com seus carros, longo dos anos, tudo para deixa-los não só pelo gasto, mas também em ótimo estado. “Eu gastei muito pela segurança pessoal e do carro. dinheiro desde que resolvi cuidar É o que diz o colecionador Elias para valer. Não sei exatamente,

mas entre limpeza, manutenção e substituições das peças, devo ter gasto uns 150 mil reais em 25 anos’’, diz Elias, que reclama das dificuldades de ter um carro ‘placa preta’ no Brasil. Segundo o DENATRAN, para um carro ter placa preta, é preciso um percentual mínimo para aprovação em vistoria: 80% de originalidade das peças e 70% de conservação. E para manter um carro assim, gastos como os mencionados por Freitas são comuns entre os colecionadores. Em Curitiba, é possível admirar os carros todo sábado, na Praça da Espanha à tarde. Outro local é o Museu do Automóvel, na Avenida Candido Hartmann, ao lado do Parque Barigui. Pedro Domingues

Como seu carro pode virar uma relíquia RESOLUÇÃO Nº 56, DE 21 DE MAIO DE 1998 - Ter no mínimo 30 anos de fabricação - Conservar características originais (80% de peças genuínas) - Estado de conservação deve ser de 70% desde a fabricação - Ser parte integrante de uma coleção -Ter certificado de originalidade, reconhecido pelo Denatran - O certificado pode ser emitido em entidade credenciada (clube de carro antigo) - A taxa média pelo certificado é de 70 reais (vistoria + documento) - Colocar a placa preta no veículo, obrigatória para qualquer carro considerado uma relíquia - Manter o carro antigo conservado, tomando as devidas precauções de mecânica, lataria e condições do tempo Fonte: Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN)


polícia

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Curitiba, setembro de 2012

Sem fiscalização da Prefeitura e da Polícia Militar, flanelinhas trabalham sem cadastro

Guardadores de carros atuam ilegalmente Profissão de guardador de carros possui mais de 1000 trabalhadores ilegais e sem conhecimento sobre seus direitos em Curitiba Laura Nicolli

Guardadores de carros preferem continuar trabalhando sem cadastro

Apesar da função de guardador de carros ser legalizada, cerca de 1000 trabalhadores continuam atuando de forma ilegal na capital paranaense. A legislação permite o exercício da ocupação quando há registro na Delegacia Regional do Trabalho, mas em Curitiba, apenas 126 pessoas estão cadastradas. A Prefeitura da cidade e a Polícia Militar afirmam não terem controle sobre a situação e não praticam qualquer tipo de fiscalização do trabalho efetuado por estes “flanelinhas”. Cobrar estacionamento em vias públicas sem autorização é exercício ilegal da profissão, podendo até mesmo

ser considerada extorsão, neste caso, para o infrator, a lei prevê de 4 a 10 anos de prisão. Criada em 1975, a Lei Federal nº 6.242/75 permite o exercício da profissão de guardador e lavador autônomo de veículos automotores, para tal, é necessário o cadastramento, e o pagamento por seu serviço sempre é facultativo. Porém, ainda existem aqueles que exercem a função de forma ilícita, seja por não haver conhecimento da legalidade do ofício, ou mesmo para que possam cobrar o preço que acharem necessário. Na Praça Carlos Gomez, os guardadores de carros Luis Wan-

derlei e Carlos Campanhuli trabalham respectivamente há 16 e 14 anos no mesmo endereço. Campanhuli afirma “nós estamos aqui todos os dias, todas as pessoas da região confiam em nós, ficamos com a chave do carro deles e tudo mais. Mas tem muito guardador ai que não vale nada, eu diria que oitenta por cento é mendigo, bêbado, ou marginal. Nós levamos a fama por causa destas pessoas, elas sim deveriam ser presas”. Ambos explicam que não aderiram ao cadastramento por não acreditarem na “boa fé” da associação dos guardadores, que não leva a profissão a sério. A equipe de reportagem tentou entrar em contato com a Associação dos Guardadores de Automóveis de Curitiba para obter mais informações, mas não houve resposta. Segundo o advogado especializado em direito do trânsito, Marcio Dias, a fiscalização é competência da Prefeitura por meio de agentes de trânsito credenciados. Caso ocorra o crime de extorsão ou

exercício ilegal da profissão, os acusados deverão ser encaminhados para a Delegacia Policial. Em nota da assessoria, a Prefeitura de Curitiba afirma que não é da sua competência controlar a profissão dessas pessoas, mas que os cidadãos que se sentirem extorquidos podem fazer uma denúncia. Da mesma forma, a Policia Militar por meio de sua assessoria declarou que poderá prender um “flanelinha” ilegal ao se deparar com um, ou por meio de reclamações. Atualmente, não existe em Curitiba nenhuma lei que regulamente a profissão. Em 2009, o vereador Jair Cezar criou um projeto de lei que continua parado na câmara desde então. O plano possui um curso de capacitação para mel horar a post u r a dos guardadores nas ruas e o registro que possibilita que o motorista o identifique, além de não permitir o cadastro e posteriormente a atuação dos “flanelinhas” que possuírem qualquer pendência judicial. Na cidade de São Paulo,

“Tem muito guardador que não vale nada, eu diria que 80%”

uma operação especial da policia conseguiu prender dos meses de Maio à Agosto de 2012, 442 guardadores ilegais. A atual situação de descontrole por parte da autoridade gera casos como da publicitária Flávia Monteiro Neves. A curitibana relata que ao estacionar o carro na Rua Itupava, teve seu veículo furtado e danificado. Flávia comenta “quando sai do carro não havia flanelinhas nas redondezas, mas quando retornei, meu carro tinha sido violado, e um guardador ainda me pediu o pagamento pela “vigia” do veículo”. A revolta com a impunidade e a falta de soluções para as atividades ilegais de alguns “flanelinhas” revoltou o advogado Oneir Guedes. Com o intuito de criar um blog de denúncia surgiu a “Liga Nacional Anti-Flanelinha”, que segundo Guedes “reúne notícias dos jornais de todo o país sobre a criminosa conduta dos guardadores de carros clandestinos”. Para o advogado, alguns destes guardadores ilegais “se valem do medo natural do cidadão diante da violência urbana, para oferecer um suposto serviço de vigilância”, diz. Laura Nicolli

Baixam apreensões de carteiras de habilitação por embriaguez

Um levantamento realizado anualmente pelo DETRAN-PR revela queda no número de carteiras de habilitação apreendidas, com motoristas embriagados ao volante. Em 2011, cerca de duzentos e setenta e um motoristas na faixa de dezoito a vinte e cinco anos foram penalizados com suspensão do direito de dirigir. Em 2012 o número caiu para cento e quarenta e nove, quase à metade em relação ao ano anterior. No Código de Trânsito Brasileiro existem nove artigos que ocasionam a perda direta da carteira. Entre eles, os três mais comuns cometidos pelos curitibanos podem ser conferidos no Box ao lado.

Segundo Marli Batagini, Coordenadora de Infrações do DETRAN do Paraná, além desses artigos, o motorista que somar vinte pontos na carteira, com infrações de riscos menores, tem o

documento confiscado durante o período de um mês. “O motorista tem a carteira suspensa a partir do momento que junta vinte pontos dentro do prazo de doze meses após a primeira infração”,

esclarece Marli. O empresár io José Costa teve sua carteira suspensa pela quantidade de multas cometidas por andar além da velocidade permitida. Para obter a carteira novamente participou do curso de reciclagem oferecido pelo DETRAN-PR, com duração de cinco horas durante cinco dias. “O processo de reciclagem foi muito proveitoso. Aprendi muito sobre legislação, sobre leis que ainda não existiam quando tirei a carteira. Relembrei sobre primeiros socorros. Acho que todos deveriam fazer a reciclagem“, incentiva o empresário. Victor Hugo Hellen Albuquerque

Caso Carli Filho

Um dos casos de suspensão de carteira mais conhecidos no Paraná é o do ex-deputado Carli Filho. Ao dirigir acima da velocidade máxima pemitida (estava a mais de 160km/h em uma via de 60 km/h de velocidade máxima) e sob efeito de ácool causou um acidente que levou matou duas pessoas. O caso completou três anos em março e permanece sem resolução, com possibilidade de ir a júri popular.


saúde

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Curitiba, setembro 2012

Utilização de substâncias que afetam a noção de direção do motorista é visto como crime normal

Ausência de aparelho que comprove o uso de drogas dificulta resolução de acidentes

condutor, diminuir seus reflexos e prejudicar sua visão por alguns instantes. Para coibir o uso de álcool no trânsito foi criada a lei seca, que por meio de blitz e do uso de bafômetros, conseguiu reduzir o número de motoristas que insistem em dirigir depois de beber. Já em relação às outras drogas, ainda não há, no Brasil, uma medida que identifique imediatamente a presença de entorpecentes no organismo do motorista. Israel Magrin, sócio de uma autoescola de Curitiba, e estudante de Direito da PUCPR, relata que,

Carolina Cachel

Sem previsão de futuros projetos que incluam o aparelho, Brasil está atrasado na identificação de drogas ilícitas Acidentes de trânsito, em sua tamento é semelhante a quem está Países tomam medidas maioria, são causados pelo fator alcoolizado, mas como não temos humano. Dentre os motivos que algo que comprove a substância para evitar que condutoinfluenciam na má conduta dos ilícita no organismo, essa atitude motoristas está o uso do álcool e se baseia somente no testemunho res utilizem substâncias de drogas. Essas substâncias são do policial, que, está apto a validar capazes de desviar a atenção do isto”, explica. ilícitas no trânsito

Auto escolas incentivam bom comportamento no trânsito

em agosto de 2011, teve seu carro batido por motoristas visivelmente drogados e, pela falta de preparo dos policiais que atenderam o caso e pela ausência de equipamentos, não aconteceu nada com os responsáveis. “Eles bateram no meu carro e os policiais não fizeram

nada. Fiquei espantado pelo fato deles estarem visivelmente alterados e drogados”, conta. De acordo com o Tenente Ismael Veiga, policial do Batalhão da Polícia de Trânsito da capital, nessas ocasiões, os profissionais tem uma conduta a seguir. “O tra-

Com relação ao exame de sangue, o tenente sinaliza que as pessoas, assim como o bafômetro, tem a opção de não fazer. “Nesses casos, o motorista será indiciado apenas por crime de trânsito, tendo sua habilitação suspensa e tendo que pagar multa. Mas, se for feito o exame e constatado o uso de drogas, o motorista responderá por crime comum”, adverte. Mayara Duarte Carolina Cachel Natalia Concentino

Condutores de ônibus, taxistas e coletores são os mais afetados

Horas no trânsito podem causar doenças

Estresse, dor na coluna, circulação e respiratórios são alguns dos problemas que podem ser causados pelo trânsito. Passar horas preso em congestionamentos, ficar constantemente na mesma posição e enfrentar barulhos como buzinas e freadas, por exemplo, são os principais fatores que propiciam o desenvolvimento de problemas de saúde em motoristas, pedestres, ciclistas, pessoas que utilizam o transporte coletivo e, também,

trabalhadores do ramo. O presidente da filial local da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, Jack Szymanski, afirma que muitas das reclamações da população, como cansaço muscular e dores nas costas, estão relacionadas principalmente porque as pessoas permanecem muito tempo na mesma posição, dirigindo. O médico aconselha os motoristas a redobrarem a atenção com a saúde. “Sempre

Mayara Duarte

Congestionamentos são prejudiciais à saúde

que possível, o motorista deve se exercitar com alongamentos, mesmo parado dentro do trânsito. Fazer movimentos circulatórios no pescoço, alongamento dos braços, das mãos, do antebraço, dos dedos, movimentos de vai e vem dos pés, atingindo também as pernas. Ações como estas podem evitar problemas vasculares, edemas e inchaço dos membros inferiores”, aconselha. Os sucessivos recordes de congestionamento de trânsito expõem os indivíduos a diversos poluentes, podendo levar também às doenças respiratórias e cardíacas, como sinusite, rinite alérgica, bronquite, asma e enfisema pulmonar. De acordo com recentes pesquisas do Laboratório de poluição da USP (Universidade de São Paulo), a cada 10 microgramas por metro cúbico de poluentes acima do padrão recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o risco de câncer do pulmão aumenta 12% e o de doenças cardio-

vasculares 9%. “As pessoas devem ficar em alerta porque a poluição sonora, embora não se acumule no meio ambiente, causa vários danos ao corpo e à qualidade de vida dos motoristas”, explica Szymanski. Além das doenças físicas, as psicológicas também fazem parte da vida dos trabalhadores e dependentes do trânsito. De acordo com Marcelo de Moraes Cassiano, cobrador de uma linha de ônibus da Região Metropolitana de Curitiba, a responsabilidade que o motorista tem ao dirigir, é cada vez maior, o que também desencadeia uma série de problemas. “Há um número grande de motoristas que se afasta, não só pelo estresse e pelas consequências do trânsito, mas principalmente por depressão. Conheço casos de atropelamentos e batidas que traumatizaram os trabalhadores”, relata. Mayara Duarte Carolina Cachel Natalia Concentino

FRANÇA: Desde julho, uma lei obriga todos os condutores a terem um bafômetro no veículo. Em novembro de 2012 valerá também para estrangeiros. Quem desobedecer pode ter de pagar multa e está sujeito a perder pontos na carteira de habilitação. De acordo com estatísticas, na França, o álcool está ligado a 30% das vítimas fatais de acidentes de trânsito.

AUSTRÁLIA: O consumo de substâncias ilícitas a nível de dependência é reprimido , não dá cadeia, mas não isenta a pessoa de responsabilidades legais, como por exemplo, fumar maconha e dirigir um carro, causar um acidente, ou de mau comportamento em vias públicas. No caso de estrangeiros, pode acarretar em deportação.

CANADÁ: O país apoia pesquisas sobre consumo de álcool, visando nortear políticas públicas para diminuição do consumo de bebidas alcoólicas. Restringir a disponibilidade do álcool tem sido uma política-chave.


16

variedades

Curitiba, setembro de 2012

Primeiros socorros WW

Bianca Thomé Letícia Rosa

Em caso de FRATURAS: O que fazer

O que NÃO fazer

+ Solicitar assistência médica; mantendo a pessoa calma e aquecida.

+ Não movimente a vítima até imobilizar o local atingido.

+ Verificar se o ferimento não interrompeu a circulação sanguínea.

+ Não dê qualquer alimento ao ferido, nem mesmo água.

+ Imobilizar o osso ou articulação atingida com uma tala.

EMERGÊNCI A

190 - Polícia Militar 192 - SAMU 193 - SIATE 198 - Polícia Rodoviária Estadual

+ Manter o local afetado em nível mais elevado que o resto do corpo e aplicar compressa de gelo.

Você sabe o nome correto das placas abaixo? 1

2

3

4

5

_______________ _______________ _______________ _______________ _______________ 6 10 7 9 8 2t

_______________ _______________ _______________ _______________ _______________

A - Passagem obrigatória B - Alfândega C - Pedestre, ande pela esquerda D - Peso máximo permitido por eixo E - Pista irregular F - Confluência à direita G - Vento Lateral H - Estreitamento de pista ao centro I - Cruzamento de vias J - Passagem de nível sem barreira K - Passagem obrigatória

Respostas: 1-J, 2-H, 3-F, 4-I, 5-G, 6-E, 7-K, 8-B, 9-D, 10-C

Comunicare Mobilidade  

A edição "Mobilidade" aborda diverso temas desde a educação no trânsito até a economia e seu mercado automobilístico.

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