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Curitiba, outubro de 2012 - Ano 16 - número 213 período de de Jornalismo Jornalismo manhã manhã PUCPR PUCPR 213-- 44oo período jornalcomunicare@hotmail.com - @jorcomunicare

POLÍTICA Mais da metade dos vereadores de Curitiba são reeleitos pág. 06

POLÍCIA Menos brinquedos, mais trabalho. Crianças trocam infância por fotos pág. 10

SAÚDE Rosa é a cor e outubro é o mês de combate ao câncer de mama pág. 11

CULTURA Curitibanos comemoram mês da Cultura Japonesa pág. 13

Confira conteúdo adicional


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opinião

Curitiba, outubro de 2012

as condições sociais se relativizam e perante a morte os homens são todos iguais

A morte e a persistência da memória

Fala, Professor

Vive-se em uma sociedade em que o significado da morte se perde por não se aceitá-la e nem discuti-la A produtividade e o progresso são guias numa sociedade em que não se pensa na morte e fala-se dela o menos possível. Os costumes exigem que o falecimento seja o objeto ausente das conversas educadas. Quando torna-se necessário fazer alusão a ele, recorre-se a eufemismos que ajudam a disfarçá-lo. “Nada” é como se resume o “descanso eterno” e tudo a que ele está associado. Priva-se o indivíduo de sua agonia, de seu luto e da nítida consciência de um possível fim. Impõe-se ao término da vida um tabu. Tornam-se marginalizados os que estão próximos ao último fechar de olhos. A morte já não é mais um destino num mundo que nega sua experiência e torna o homem “coisa” além. Embora se negue com veemência, o homem tem direito a sua morte, assim como tem direito a sua vida. É tão importante “dar o último suspiro”, como pro-

cesso humano, quanto é nascer e viver. Não se morre mais como se costumava fazer há anos. Já não se fecham as janelas, não se acendem velas, não cobrem os espelhos, não se paralisam os relógios quando alguém morre. Hoje, os ritos também se extinguiram, e se ainda não desapareceram por completo, se mostram tímidos e enfraquecidos. Estão mais vivos os mortos do que os próprios vivos. A memória dos que se foram é mais forte do que a presença dos que ainda transitam em solos firmes. Não se trata de um discurso demagógico ou religioso. Trata-se do fato de que está vivo aquele que permanece ativo em lembranças e memórias. É eterna a presença quando se há lembrança. É a vida quem legitima a ausência dela. Há a persistência da morte e, portanto, da vida. Há na morte, um inerente aprendizado que deveria se fazer

“O Comunicare é um espaço em que o aluno pode exercitar na prática tudo aquilo que aprende na teoria” Suyanne Tolentino - Professora de Comunicação Social

Fala, Aluno

presente não só no fim. Diante dela todos os homens se igualam. Sua força é desferida indiscriminadamente, sem levar em consideração o status daqueles a quem escolhe. Todos devem morrer, jovens e velhos, ateus e crentes, homens e mulheres,

brancos e negros, ricos e pobres. Relativizando todas as condições sociais, a morte revela a absoluta igualdade entre os homens, nivelando-os ao mesmo destino. Basta estar vivo. Francisco Mallmann

“A importância do Comunicare está nas informações, que são destinadas aos estudantes e aos jovens” Guilherme Zapone Melek - Estudante de Publicidade e Propaganda

OMBUDSMAN: O SUCESSO DAS PAUTAS QUE RETRATAM A GRANDE CURITIBA SE ENFRAQUECE COM REDUNDÂNCIAS

Mobilidade: Ainda falta mais atenção na hora de produzir a notícia

De maneira geral a abordagem do tema obteve sucesso com pautas que abrangeram assuntos do cotidiano de uma grande cidade como Curitiba relacionando mobilidade. Porém, os erros ainda continuam os mesmos; nada de grave diante da proposta do jornal laboratório que visa justamente a experimentação do futuro jornalista. Contudo, tais falhas dão dicas de uma possível desatenção na hora da produção da reportagem. De início dou destaque a colu

EXPEDIENTE

Pontifícia Universidade Católica do Paraná Rua Imaculada Conceição 1.115, Prado Velho, Curitiba/PR Outubro de 2012 – Edição 213 Reitor Ir. Clemente Ivo Juliatto

na de Opinião com um texto bem desenvolvido, o que a meu ver, instiga o leitor a dar continuidade a leitura do jornal. Porém, há uma quebra quando começam a surgir títulos e suspensórios com palavras repetidas. Como já disse, falta atenção do repórter – e claro, um pouco mais de paciência para formular títulos que atraem o leitor, pois, não há tempo para redundâncias e exageros como “Ônibus híbridos reduz MUITO a taxa de CO2”. As fotos também Decana da Escola de Comunicação e Artes Eliane Cristine Francisco Maffezzolli Coordenador do Curso de Jornalismo Julius Nunes COMUNICARE Jornalista Responsável Julius Nunes DRT-PR 5156 Coord. de Projeto Gráfico Marcelo Públio

trazem um certo incomodo devido à falta de variações, sendo que a maioria delas soam óbvias – um exemplo é a pg 11 em “ Chip é criado para guardar vagas preferenciais ” - sem acrescentarem em nada ao texto, além da maioria ser de automóveis. Entendo que o tema é mobilidade, entretanto, não haveria a necessidade de mais da metade das imagens serem de veículos em ângulos parecidos. Uma solução seria através de maior destaque

para personagens, que geram aproximação e identificação do leitor para com a notícia, como o da reportagem sobre os portadores de deficiência e a dificuldade de locomoção com ruas deterioradas. Sobre o layout, acredito que só em um momento de epifania o projeto gráfico será alterado e finalmente renovado. O público do Comunicare, até onde sei, é em grande maioria universitário, o que deveria servir como dado e base para alterar esse modelo

Editorias Capa - Nivia Kureke

Educação - Paulo Semicek

Opinião - Francisco Mallmann

Saúde - Laura Nicolli

Internet - Heron Torquato

Cultura - Bruna Habinoski

Entrevista - Letícia da Rosa

Esporte - Marcio Morrison

Comportamento - Natalia Concentino

Internacional - Rafaela Bez

Política - Laís Capriotti

Variedades - Isabela Bandeira

Economia - Ruthielle Borsuk

quadrado que perdura por anos. A capa e a contra capa desta edição me parecem um início, uma vez que trazem vividez através de uma distribuição de cores clean e o ponto certo de informações sem pesar aos ol hos, o que gera interesse de leitura. Giovana Luersen Comunicare 2009

Nossa Capa

A foto da capa do Comunicare no 213 foi feita pela aluna Ana Luiza de Souza


entrevista

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Curitiba, outubro de 2012

MUSEU OSCAR NIEMEYER TORNA-SE NOVAMENTE A PASSARELA DO PRINCIPAL EVENTO DE MODA EM CURITIBA

4ª edição do LABmoda traz novos estilistas Além de moda, o evento é também considerado multicultural. A Semana de Moda conta com apresentações artísticas e arte em geral Nessa edição, 13 marcas apresentam suas peças para o verão 2013 no Museu Oscar Niemeyer. O diretor criativo, Junior Gabardo, dá mais detalhes sobre o LABModa. Além disso, Gabardo nos conta sobre o processo de criação para sua marca Sexxes e dificuldades que jovens estilistas encontram no início da carreira.

Comunicare - O que essa 4º edição do LABmoda trará de diferente? Junior - Tere����� mos a inclusão de uma terceira passarela chamada passarela Art. Esta passarela será exclusiva para designers que tem uma ”pegada” mais artística e menor apelo comercial.

para compor um evento desse porte. Quem deseja desfilar na semana de moda deve ficar atento ao site do evento porque é lá que divulgamos a abertura das inscrições. Comunicare - O que ainda falta na Semana de Moda? Junior - Falta apoio. No Brasil de uma forma geral temos dificuldades para manter grandes eventos de forma sustentável. O governo precisa reconhecer neste tipo de atividade uma possibilidade interessante para a cidade e isso se estende para as empresas privadas. Hoje o LABmoda leva para o MON 8.000 pessoas com idade central entre 18 e 25 anos e que pagam ingresso para entrar e assistir os espetáculos. É uma mídia interessantíssima, mas ainda pouco aproveitada pelo mercado. Esse aporte permitiria ao evento crescer ainda mais dentro de um processo orgânico e sustentável.

“É uma mídia interessantíssima, mas pouco aproveitada”

Comunicare - Como funciona o processo de escolha dos estilistas para desfilar no LABmoda? Junior - Depende da passarela em que o designer ou marca quer participar. Na passarela principal a gente respeita o histórico da marca no evento, por isso só entra uma marca quando alguém sai. Este ano apenas uma marca entrou: Reptilia. Normalmente escolhemos marcas que estão desfilando na passarela 2 que consideramos uma ponte de acesso. Além disso, a marca deve ter trabalho de mercado com público em formação e claro, todas as demais características técnicas

Comunicare - O que diferencia a Semana de Moda de Curitiba para outros eventos de moda, por exemplo, São Paulo Fashion Week? Junior - Nós somos um evento de varejo, os desfiles não são para lojistas e sim para consumidores finais. A pessoa vai no evento, vê a roupa na passarela e pode comprar imediatamente na feira que há no anexo da sala de desfiles. Além disso, somos um evento multicultural. A moda no nosso caso é vista sob todos os aspectos de convergência com outras áreas. Assim, temos música por conta

Divulgaçâo

Comunicare - Como surgiu a Semana de Moda? E como foi desenvolver essa ideia? Junior - A Semana de Moda na verdade é um evento que pertence a um projeto maior chamado LABmoda. A gente sabia que a cidade tinha potencial para um evento mais alternativo que trabalhasse a moda e outras artes juntas de forma sincera e não apenas como isca para atrair público, então montamos um evento colaborativo onde todos participam, todos dividem os gastos e todos ganham.

Junior Gabardo durante palestra do LABmoda na FNAC em Curitiba

do figurino das bandas, artes cênicas pelo mesmo motivo, temos dança e instalações de artes plásticas que tenham diálogo com moda. Comunicare - A sua marca Sexxes já possui um grande reconhecimento local. Como foi desenvolvê-la? E quais foram as dificuldades? Junior - Desenvolver �������������������� uma marca fora de um eixo de visibilidade como o RJ - SP é sempre um esforço muito grande. Acredito que nossa maior dificuldade tenha sido o fato de termos sido aceitos como uma marca local, quando todos estavam de olho nas marcas de fora.

no mercado. Isso é bom pra todo mundo que faz parte da cedia de moda na cidade. Comunicare - Que dicas você daria para quem está começando na Moda, tanto na parte de criação quanto na de produção de textos e editoriais? Quais as dificuldades no começo da carreira? Junior - Inicialmente não dá mais pra fazer como antigamente que as pessoas aprendiam fazendo. Tem que conhecer o mercado onde vai atuar. Além de todas aquelas coisas que todo mundo fala sobre dedicação, esforço, e trabalho. Eu diria que a pessoa deve criar relacionamentos sólidos e sinceros para ser respeitada no mercado. Sem isso, nenhum profissional vai chegar a lugar nenhum com a moda. Entender de mercado é a principal dica. Quem pensa que fazer moda é desenhar e desfilar “quebra a cara”.

“Hoje o LABmoda leva para o MON 8.000 pessoas”

Comunicare O LABmoda dá a oportunidade a jovens estudantes de moda de mostrarem seus talentos. Isso sempre esteve presente no evento? E quais são os resultados disso para a moda curitibana? Junior - O resultado é que todos os que tiveram esta chance já não podem mais ser considerados “jovens” estilistas porque eles cresceram com o evento. Todos os designers que começaram conosco e continuam desfilando estão aumentando cada vez mais sua participação

Bianca Thomé Letícia da Rosa Costa

Letícia da Rosa Costa


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comportamento

Curitiba, outubro de 2012

Valores são reforçados na escola, mas devem ter sua base formada em casa

Características da personalidade humana são adquiridas antes mesmo de nascer

É na infância que a personalidade dos indivíduos é definida. A genética e os fatores externos, como ambiente familiar e escolar, por exemplo, são determinantes para a formação pessoal. Alguns pais, entretanto, desconhecem a importância que seu comportamento tem na constr ução da identidade dos filhos. De acordo com Silvana Grams, pedagoga e diretora do Centro de Educação Infantil Pequeno Amigo, é na escola que as crianças aprendem a desenvolver a socialização, ter as noções iniciais de rotina, adquirem coordenação motora e são ensinadas a explorar todo seu potencial, mas, com relação aos valores que formam a personalidade, ela alerta que devem vir de casa. “Os valores

devem ser trabalhados na escola, mas é fundamental que a base seja ensinada no ambiente familiar. É importante que eles sejam criados em casa e apenas reforçados na sala de aula, pois não é papel dos professores criar valores ou regras, e sim trabalha-los como uma forma de extensão do trabalho escola/ casa”, explica. Para a pedagoga, a criança, mesmo antes de nascer, já está suscetível a perceber o sentimento que os pais demonst ram. Ela alerta que, desde o momento em que eles planejam ter o filho e a forma como lidam com a gravidez, é transmitido emoções para o feto. “O modo como eles pensam, como pretendem ser pais, a expectativa em relação ao filho mudam a maneira que o bebê vai agir”, sinaliza

“É fundamental que a base venha de casa”, afirma pedagoga.

a psicóloga responsável técnica pelo Núcleo de Prática em Psicologia da PUCPR, Mari Ângela Calderari Oliveira. “Mas não são apenas os fatores externos que influenciam, a bagagem genética que a pessoa carrega já traz traços de sua personalidade”, completa. Ela explica que a individualidade permanente ao indivíduo é adquirida, em média, até os cinco anos, quando eles começam a fazer suas próprias escolhas. Ethel Fortes, mãe há 5 anos, conta que desde a gravidez se preocupava com a educação de seu filho. “Eu colocava músicas calmas para ele se acostumar com o som, e, até hoje, ele é mais calmo e até dorme quando ouve”, diz. ”Acredito que os pais tem que se preocupar desde o início, porque muitos deles não sabem que um ambiente ruim pode causar mudanças no modo de ser da criança”, completa. A pedagoga afirma que a essência é levada

Jéssica Fernanda

Genética e fatores externos como a relação que os pais tem com os filhos, por exemplo, faz parte da construção da individualidade

Crianças demonstram curiosidade em aprender desde cedo

durante a vida, podendo ter apenas algumas transformações. Mas, para ela, independente da personalidade e de como ela é construída, é fundamental respeitar o outro. “As diferenças devem ser mostradas, faladas, e respeitadas. É importante criar uma ideia de que as diferenças existem, mas

TESTE vocacional ajuda a mostrar aspectos decisivos na busca da carreira

Autoconhecimento e características pessoais são fundamentais na escolha da orientação profissional Em época de vestibular, no momento da escolha da profissão, as dúvidas em relação ao futuro vem à tona. No processo, características como a personalidade, qualidades, dificuldades, cultura e, até mesmo aspecto sócio-econômico, são determinantes na escolha do curso. Segundo a psicóloga Viviane Tetu, responsável pela orientação profissional da Clínica de Prática em Psicologia da PUCPR, as pessoas devem ser orientadas a buscar o autoconhecimento. “A personalidade de cada um deve ser levada em conta. É importante que a pessoa se identifique como tímida, autoritária, perfeccionista ou até submissa para saber qual

profissão se aproxima mais das suas características”, afirma. Camila Thiemi Nascimento, estudante de Biomedicina da UFPR, conta que no colégio teve a oportunidade de ter uma orientação vocacional que a ajudou a determinar a área que queria seguir. “Em um dos encontros a psicóloga pediu para levarmos informações sobre um curso, e foi aí que eu conheci a Biomedicina. Sempre gostei muito de Biologia, mas não encontrava um curso que combinasse comigo, e depois de pesquisar, pude escolher minha futura carreira”, relata. Já para Ana Caroline Moreno, aluna de Relações Internacionais da Unicu-

ritiba, tinha uma dificuldade maior em conciliar tudo que era de seu interesse. “Procurei ajuda vocacional porque sempre tive muitas dúvidas, gostava de coisas muito diferentes. No fim do processo ainda não tinha sugestões concretas do que seguir, então acabei fazendo uma escolha um pouco aleatória e está dando certo”, diz. Ao fazer a opção por Engenharia Civil no vestibular, Bruno Roberto Slompo, relata que levou em consideração o mercado de trabalho e o gosto por algumas matérias do curso. “Quando comecei a pensar percebi que estava agindo por impulso e, como tinha feito uma segunda opção em Ciências

Econômicas, refleti sobre o ‘leque’ que se abriria ao seguir essa profissão e acabei mudando minha escolha”, afirma. Mas, com relação aos fatores que influenciam na escolha, a psicóloga alerta. “A pessoa não deve desistir de um ramo por não ter uma garantia de grande retorno financeiro. Todos devem escolher o que gostam. Os estudantes tem que ter em mente que nem sempre um alto grau de conhecimento em certa área vai determinar uma excelência no desempenho profissional”, sinaliza. Carolina Cachel Mayara Duarte Natalia Concentino

não qualificam ou desqualificam ninguém”, relata.

Carolina Cachel Mayara Duarte Natalia Concentino

Que característica combina 1 mais com cada profissão? Realista: Engenharia, Cirurgia Médica e Análise de Sistemas. Intelectual: Medicina, Ciências Sociais, Economia, Odontologia e Veterinária. Social: Assistência Social, Turismo, Advocacia e Psicologia. Convencional: Contabilidade, Hotelaria e Administração de Empresas na área financeira. Empreendedor: Jornalismo, Administração de Empresas na área de marketing e Advocacia. Artístico: Publicidade, Música, Arquitetura e Ar tes Cênicas. Fonte: Site Vestibular 1.


comportamento

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Curitiba, outubro de 2012

como desfiles comerciais, os conceituais também impulsionam o consumo das lojas

Moda conceitual versus Moda comercial

Letícia da Rosa

expressa o conceito do designer. É por meio dela que a empresa se diferencia”, relata. Dos desfiles para as lojas, as roupas comerciais são as peças criadas para se utilizar no dia a dia, tendo como sua base da criação de roupas conceituais. Ferreira explica que, atualmente, a diferenciação dos dois conceitos está menor. “O comercial antes era visto como uma roupa mais vendável, e o conceitual era visto como algo exacerbado, que não seria vestível. Mas os conceitos estão mudando.”, afirma. Com relação aos desfiles, a coordenadora conta que também possuem formas alternativas. “Dependendo da localização que acontecem podem ser formatados de formas bem diferentes“, explica.

Letícia da Rosa

Desfiles de moda são eventos em que são apresentadas as novas ideias e conceitos de determinada marca e/ ou estilista, representando estas características com as modelos que passam pela passarela exibindo seus trajes. Certas roupas chamam mais a atenção do público por serem exageradas e não possuirem a praticidade exigida no dia a dia. São essas as chamadas roupas conceituais. De acordo com Camila Ferreira, coordenadora dos cursos de Design de Moda e Desenho Industrial da PUCPR, os trajes deste estilo são os que exibem o perfil da marca de uma forma mais extremista, ou seja, não são roupas feitas para serem utilizadas pelas ruas, mas sim para transmitir uma mensagem. Para ela, a moda conceitual é importante para mostrar a identidade da empresa. “A importância dessa moda é que ela vende a imagem da marca e

Letícia da Rosa

Roupas com design exagerado, em desfiles de moda, tem como meta transmitir mensagem da empresa e vender uma ideia da marca

Nas três primeiras fotos, a moda concietual, com um design diferenciado, se faz presente

Carolina Cachel Mayara Duarte Natalia Concentino

Eventos de moda tem o objetivo de impulsionar o interesse do público

“Falta investimento no conhecimento e treinamento dos profissionais”, diz blogueira.

Letícia da Rosa

Comercial do Paraná (ACP), que tem o objetivo de desenvolver na comunidade o interesse e promover a execução de projetos nas áreas cultural, artística, educacional, esportiva, social, filantrópica, de meio ambiente e manter depar tamentos para a prestação de serviços e orientação na defesa dos interesses das classes que representa e dos seus associados;

Letícia da Rosa

O interesse pela moda local dos curitibanos vem crescendo gradativamente. Eventos como a Semana de Moda de Curitiba e o Paraná Business Collection tem como objetivo impulsionar ainda mais o interesse do público pelo setor. Mas, segundo Ana Loureiro, designer de acessórios, blogueira de moda e filha de estilista, ainda falta organização e desenvolvimento na área. De acordo com a Associação

Letícia da Rosa

Desinteresse na produção de marcas e grifes locais fragiliza o mercado Moda comercial, alavancada pelas vendas, é observada nos trajes das três últimas modelos

não há registros e dados sobre distribuição de renda no ramo da moda. Os investimentos não devem ser apenas financeiros, de acordo com a designer. “Falta dinheiro, mas também falta investimento no conhecimento e treinamento dos profissionais”, comenta. A profissionalização vai além do trabalho do estilista, que é o encarregado

de criar tendências e coleções, segundo Ana. Ela explica que há várias outras atividades muito importantes e que ainda não conseguiram seu devido destaque. “Eventos alternativos são sempre legais. Mas acredito que é melhor incentivar um grande evento, ter uma referência forte da cidade na moda, antes de começar coisas paralelas”, diz.

Para a designer, há um problema cultural.“Teoricamente temos muito potencial de mercado na cidade, mas os curitibanos não sabem valorizar o trabalho de seus conterrâneos”, lamenta.

Carolina Cachel Mayara Duarte Natalia Concentino


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política

Curitiba, outubro de 2012

dos 702 candidatos, 38 vereadores são eleitos em curitiba no dia 7 de outubro, o dia do voto

Mais de 50% dos vereadores são reeleitos A Câmara Municipal de Curitiba ganhou, nestas eleições, 18 vereadores novatos. Os outros 20 foram reeleitos. O PSC é o partido que mais terá representantes pelos próximos quatro anos, um total de seis. Já, quando falamos de coligação, a que mais elegeu vereadores foi a “Unidos por Curitiba”, composta pelos partidos PRB, DEM, PHS, PMN, PSB, PSDB e PSB. Foram 13 os eleitos. A eleição para cargos no Legislativo (deputado federal, estadual e vereador) é classificada como proporcional, já para cargos do Executivo (governador, presidente e prefeito) e para o Senado é chamada de majoritária. A decisão do eleito pela majoritária é bem simples, o candidato mais votado assume o cargo. Na proporcional o calculo é diferente. O quociente eleitoral é quem indica quantos vereadores de cada partido serão eleitos. Por exemplo, nas últimas eleições tivemos quase 1 milhão

de votos válidos e 38 cadeiras disponíveis na câmara. O quociente ficou em 23 mil, e o partido que somasse os votos de todos os seus candidatos e chegasse a esse valor conquistaria uma cadeira. O partido que atingisse o dobro, conquistaria duas vagas, e assim por diante. Com a quantidade de vagas definidas por partido, o vereador que recebesse mais votos dentro daquela legenda, assumia a cadeira. Mas nem todo eleitor concorda com essa maneira que é feita a decisão, muitos acreditam que a eleição proporcional não é democrática. “Eu acho que esta forma de eleição se mostra antidemocrática, uma vez que torna ineficaz a escolha individual dos eleitores, pois um candidato que recebeu maior número de votos poderá não ser eleito se o seu partido não alcançar o número de votos necessários. Assim, elege-se um partido e não, um candidato”, conclui Rodrigo Biaggi, advogado.

Jéssica Fernanda

Eleitores acham eleição classificada como proporcional antidemocrática, pois elege-se um partido e não um candidato

No voto por legenda só os digitos do partido são apertados.

Cristiano Santos, vereador mais votado nas ultimas eleições. Recebeu 14.819 votos e foi eleito pelo PV, que fazia parte da coligação PDT/PT/PV, e que conquistou 8 cadeiras no total. O vereador que colocou seu nome nas eleições pela primeira vez atribui esse resultado ao seu trabalho e dedicação, “Pra se alcançar um objetivo não tem

segredo, tem que trabalhar. Minha campanha foi marcada por várias caminhadas diárias nos bairros. Ouvindo moradores, com aperto de mão firme e compromisso firmado, olho no olho”, afirma. Outro fator importante nas eleições para vereador é o voto por legenda, que é a escolha pelo partido e não por um candidato em

específico. Salete Bez, candidata pelo PT, recebeu 4.462 votos na última eleição e está como primeira suplente, o que significa que se algum dos vereadores eleitos pela sua coligação sair do cargo por algum motivo, ela é a próxima a entrar. Salete está na política há 24 anos e concorda com esse sistema. “É um voto importante, é o voto em que a pessoa dá num projeto construído sob um partido. Muitas vezes a pessoa não quer votar em um candidato, mas vota na legenda para contribuir com o projeto daquele partido. E assim, contribui com todos os candidatos”, diz. O vereador tem como função ajudar a população em diversas áreas. Além disso ele deve fiscalizar o que a prefeitura está fazendo e monitorar o andamento da cidade e pode também criar projetos de leis para melhoria do seu município. Lais Capriotti Camila Vichoski

o atual Número de mesários voluntários satisfaz o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná

TRE-PR comemora aumento no voluntariado nestas eleições

As eleições municipais de 2012, em todo o estado do Paraná, tiveram um acréscimo de aproximadamente 25 mil mesários voluntários. Foi o primeiro ano, em mais de 60 anos do voto democrático, em que essa marca foi alcançada. Segundo um balanço realizado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná(TRE-PR), a

conta é simples, são 414 locais de votação com 3.888 sessões no total, necessitando de cinco funcionários em cada sessão, o que soma um pouco mais de 19 mil pessoas recrutadas para trabalhar no pleito. Desse número, 20% não esperaram a convocação e se ofereceram de forma espontânea para realizarem os trabalhos de mesário.

Jéssica Fernanda

Todos os mesários devem participar do treinamento.

A estudante do curso de Educação Física da Universidade Federal do Paraná, Yanajara Tavares foi uma dessas voluntárias na capital paranaense. E acredita na relevância dessa atividade para o decorrer das eleições “É importante e muito bom, pois é notável a necessidade de pessoas auxiliando nesses dias”, afirma. Mas também confessa interesse pessoal no trabalho voluntário, “Além de ajudar, são oferecidas horas complementares na faculdade para os mesários”. Um dos principais motivos que vêem recrutando jovens para esse trabalho. Para o Coordenador de Comunicação Social do TRE-PR, Marden Machado, a figura do mesário em suas amplas funções, é a mais importante no dia das eleições, e assim não há possibilidade de realizá-las sem essas pessoas. “É um trabalho que precisa ser feito, em todo o mundo onde há eleições pessoas são convocadas para trabalhar. Ou seja, em todos

os casos há necessidade de convocação”, diz. A convocação é feita devido ao amplo número de vagas comparadas com os pequenos índices daqueles que se oferecem para realizar o trabalho. Embora o número de voluntários venha crescendo, ainda não é suficiente para que as cartas convocatórias deixem de ser destinadas a alguns eleitores nos meses que antecedem as eleições. Para os que recebem a correspondência, fica a surpresa. No caso da estudante de Relações Públicas, Brenda Lara, o fato foi negativo “Cheguei a achar a carta grosseira. Fiquei questionando a democracia de um país que te obriga a fazer algo a favor da pátria. Mas, por outro lado, pensei em como a educação que recebemos afasta a população de assuntos relacionados à política, achando que a maioria dos parlamentares são corruptos e que não há jeito para isso. Então eu acredito que dificilmente haveria pessoas sufi-

cientes para o trabalho, se esse não fosse obrigatório”, declara. Marden faz questão de ressaltar a importância dos trabalhos prestados nos dias destinados à votação “É um trabalho importante, você presta um serviço cívico para sua cidade e estado. Vai muito além da folga e dos outros benefícios oferecidos. É a possibilidade de conhecer e lidar com diferentes pessoas”, afirma. E com os índices de voluntariado crescendo cada vez mais, o otimismo, por parte do Tribunal Regional Eleitoral é grande. “Quem sabe um dia, não nos igualamos a Barbosa Ferraz, em que pôde-se alcançar um índice de 100% de voluntariado”, completa Marden, referindo-se a cidade do interior do estado que nesse ano conseguiu esses números.

Jéssica Fernanda Letícia Moreira


economia

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Curitiba, outubro de 2012

O AUMENTO NO PODER DE COMPRA É UM DOS FATORES QUE TEM LEVADO AS MULHERES AO ENDIVIDAMENTO

Curitibanas estão mais endividadas

Uma pesquisa elaborada pela Associação Comercial do Paraná (ACP), em setembro deste ano, apontou que as mulheres curitibanas são mais devedoras que os homens. Segundo dados do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), 400 das 15706 que foram ao órgão foram entrevistadas no mês passado e dentre estes, 60,5 % das mulheres apresentaram restrição no Cadastro de Pessoa Física (CPF) contra 39,5 % dos homens. O perfil em Curitiba revela que as inadimplentes têm, na maioria dos casos, entre 21 e 30 anos de idade e possui renda familiar de até dois salários mínimos. Simone Beatriz, 30 anos, foi levada pela empolgação das compras de roupas, calçados e bolsas e acabou não conseguindo saldar suas dividas. “Meu gasto mensal chega a R$ 1.000.00”. Existe um aumento no poder aquisitivo, principalmente das classes de renda mais humildes da população, é o que afirma o Supervisor da Disseminação de Informações do IBGE Hélio Higa. “Este fato gerou algumas

Ruthielle Borsuk

Sinal amarelo para as mulheres, as quais representam em torno de 60,5% do total de devedores na capital paranaense

Mulheres correspondem a 55% do público dos shoppings

consequências como o acesso ao crédito e a alguns instrumentos, como o cartão de crédito, cujo uso nem sempre é realizado de forma criteriosa, agravado pelo estímulo ao consumo”, ressalta. A pesquisa da ACP mostra que as principais formas de pagamento são o parcelamento no carnê, cheque e cartões. O economista, e conselheiro do Corecon-PR (Conselho Regional de Economia do Paraná) Eduardo Consentino defende o uso do cartão de crédito em parcelamentos ao invés

do uso do cheque. “É muito mais prático e fácil lembrar-se das obrigações nas tarifas do que usar cheques para fazer parcelamento de compras, pois existe o risco grande de esquecer uma ou outra conta no decorrer do mês, o que pode comprometer o orçamento mensal”. Ele diz ainda que o uso do cartão de crédito deve ser feito em casos especiais. “Vamos supor que o salário acabou e ainda faltam cinco dias para o fim do mês, de repente precisam-se comprar medicamentos ou colocar gasolina

no carro, neste caso o cartão de crédito é a melhor alternativa, pois ao invés de usar o limite do cheque especial, usa-se o cartão para pagar esta despesa no próximo mês, junto com o pagamento, sem juros, é como se o indivíduo passasse a usufruir de um empréstimo a custo zero”. Consentino diz que para que não haja perigo de desiquilíbrio financeiro, é importante que o consumidor não se deixe seduzir pelos altos limites ofertados nos cartões de crédito e a programação para não exceder o limite de 30% do orçamento doméstico com parcelas ou financiamentos. Seguindo esta regra, ele recomenda guardar 10% do salário em poupança ou qualquer outro investimento de baixo risco para suprir financeiramente em caso de eventualidades e os restante do ordenado, cerca de 60% do restante gastar com demais compras, contas, alimentação e lazer. “Vale lembrar que é primordial que uma pessoa interessada em se livrar de uma situação de desiquilíbrio financeiro, coloque no papel todas as suas despesas e receitas, todas mesmo,

aí perceberá que um dos maiores vilões do orçamento doméstico são as pequenas despesas do diadia (que não são contabilizadas) e não as grandes contas”, conclui. Caio H. Rocha Ailton Nunes

Taxas Reduzidas

Bradesco: - Reduziu as taxas em 54% (bandeira Visa). Caixa Econômica Federal - O car tão da Caixa reduziu as taxas em até 52%. Itaú - O novo cartão do banco, o Itaú 2.0, apresentou uma redução de 54% nas taxas. Banco do Brasil - O banco diminuiu as taxas em 34%.

MINORIA INVESTE NA BOLSA DE VALORES POR NÃO ENTENDER COMO FUNCIONA O MERCADO ACIONÁRIO Uma das maneiras de se fazer investimentos à longo prazo é investir na bolsa de valores e também aplicar na poupança. Porém, o mercado acionário interessa a poucos por ser de alto risco e menos conhecido. Segundo pesquisa realizada pelo site de economia Ecofinanças, 72% dos iniciantes desistem da bolsa em três meses por não saber investir. Isso porque a cultura de investimentos em ações ainda não é muito difundida no Brasil. O perfil do investidor brasileiro é conservador. Já no caso da poupança, que é um tipo de investimento mais conhecido e seguro, cada família, em média, possui duas cadernetas. A grande fonte de poupança são as contribuições aos fundos de pensão nas instituições de empresas ou bancos. A líder do mercado em relação

à poupança é a Caixa Econômica Federal, que, no ano de 2010 captou um total líquido no mês de novembro de R$ 33,5 milhões em Curitiba. No mesmo ano, a capital acumulou um total de R$ 311 milhões. Adalberto Santos Mottin, 50 anos, empresário, diz que sempre teve poupança, pois é a melhor forma de pagar as dívidas e investir no seu negócio. Já Helington Menezes Silva, 31 anos, pequeno empresário, conta que tem uma poupança e aconselha a quem quer lucro à longo prazo buscar a poupança financeira, que é outro tipo de poupança, geralmente garantido pelo governo até um determinado valor, por meio do Fundo Garantidor de Crédito. Essa poupança tem baixo risco e baixo rendimento, ou seja, vai obter capital um pouco mais demorado.

Ainda assim existem pessoas que pretendem não fazer esse tipo de investimento por ser pouco rentável ou por demorar um pouco para ter renda, como é o caso de Renato Silveira de 45 anos. Ele diz que não tem poupança, pois com as constantes baixas da Taxa Selic, o rendimento das aplicações pósfixadas e poupanças está cada vez menor. “Não é mais vantagem”, alega Renato. Para a economista Josilene Silva, as pessoas devem investir após terem total controle sobre os próprios rendimentos e gastos: “O investimento contribui para a realização das metas, principalmente as de longo prazo.” Segundo ela, um aspecto importante na definição de onde e como aplicar dinheiro é a taxa de retorno do mesmo, onde quanto maior a taxa de retorno, maior é o risco

Ruthielle Borsuk

Brasileiro prefere caderneta de poupança a investir em ações

Em média, cada família possui duas cadernetas de poupança

envolvido no investimento. Outro fator a ser considerado trata-se do resgaste à longo prazo, pois quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado maior será o retorno. A economista ainda explica que, no Brasil existem a poupança e os títulos do governo, que são considerados os mais conservadores por apresentarem menor risco.

Porém o mercado acionário também é uma grande oportunidade para os investidores. Os bancos comerciais e financeiros, assim como as corretoras são os grandes intermediadores das transações de investimentos. Ruthielle Borsuk Deivid Simioni


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educação

Curitiba, outubro de 2012

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Curitiba, outubro de 2012

Curitiba tem vários locais para que professores levem os seus alunos para ambientes externos, que reforcem a aprendizagem do que é ensinado dentro da sala de aula

Visitações e aulas externas ajudam alunos a entenderem o que é explicado em sala

Locais como o Bosque do Capão da Imbuia e o Parque da Ciência recebem alunos diariamente

Governo e universidades oferecem vagas para estudar fora do país

Intercâmbio gera oportunidades para alunos

Estudar no exterior, seja na Europa, Estados Unidos, Canadá e até na Austrália, é o sonho de parte dos universitários. É a chance de viajar para aprimorar os estudos e entrar forte na luta por um bom emprego. Com programas propostos pelo Governo Federal e pelas universidades, sejam elas públicas ou particulares, os estudantes tem a possibilidade de, caso sejam aceitos, estudar em instituições internacionais e assim ganhar o algo a mais necessário para chegar ao mercado de trabalho. Um desses programas de intercâmbio é o Ciência sem Fronteiras. Criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), O projeto deve distribuir até 101 mil bolsas em quatro anos, para promover intercâmbio, com o objetivo de que alunos de graduação ou pós-graduação façam estágio no exterior. A finalidade destes estágios é manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. O Ciência sem Fronteiras também busca atrair

pesquisadores do exterior que queiram estabelecer parcerias com pesquisadores brasileiros. Além de também proporcionar a oportunidade para que os pesquisadores de empresas brasileiras

Além do programa do Governo e das universidades, alguns estudantes viajam por conta própria para estudar fora. É o caso de Felipe Bittencourt, de 20 anos. Estudante de Design, Felipe

Paulo Semicek

Paulo Semicek

Não é apenas na sala de aula plina de Metodologia do Ensino zki cita a importância do contato sora de geografia Valquría Renk que um estudante pode aprender. da História, tivemos a ideia de ver de estudantes com o ambiente. observa a responsabilidade que Sair da rotina é algo que vem sen- todos os pontos turísticos de nos- “A faixa etária dos grupos meno- o educador tem com esses aludo explorado, com frequência, por sa cidade. O objetivo era saber de res que nos visitam é de nove a nos. “Já trabalhei com crianças educadores em geral. Essa prática que forma podemos relacionar os dez anos, o que torna ainda mais menores na prefeitura e também tem um nome teórico, chamado conteúdos em nosso ambiente de importante a relação deles com o fazia aulas de campo no bairro de Aprendizagem pela Descoberta trabalho, a escola, com a oportu- que é mostrado aqui. Eles conseg- da escola (Tatuquara, Umbará e Guiada, desenvolvido por Tom de nidade de levar os nossos alunos uem ter uma visão real da nossa Bairro Alto). Visitávamos alguns Jong em 1991. Este tipo de ensino a uma visita a pontos históricos fauna, que também é riquíssima lugares do bairro e fazíamos enprioriza a oportunidade dos estu- na cidade em que moramos”. e ainda conhecem mais sobre as trevistas. Com alunos menores Para que esses passeios edu- espécies, o que comem e onde é mais difícil, tem de ir em dois dantes realizarem experiências e mudarem valores, vendo o com- cativos aconteçam regularmente, vivem, para que a preservação ou três professores, precisa a auportamento de um fenômeno pre- é necessária a existência de lu- seja feita com maior consciência.’’ torização dos pais, sem esquecer do planejamento. É sente no mundo real, fora bastante responsdo ambiente de ensino. abilidade do profesComo diz a professora sor, pois ele assume Cristiane, do colégio a turma em outro CECEC, “os alunos ambiente e podem visualizam em visisurgir imprevistos.” tas o que é citado em Além do museu sala, fugindo da rotina de História Natural, livro e do caderno”. se destacam em CuA professora de ritiba o Museu Oscar Publicidade e ProNiemeyer e o Museu paganda da PUCPR, do Holocausto, que Fernanda Fabricio, também oferecem que promove pelo mevisitas e material nos duas visitais anupara uso acadêmico. ais com seus alunos, É comum enressalta o acréscimo contrar grupos de no aprendizado fora. estudantes sendo “As visitações e os guiados dentro dos passeios são intereslocais, que agensantes no sentido e Museus propiciam experiências didáticas que nem sempre estão presentes em sala dam por meio dos fazer o aluno vivenciar o Presente no dia em que a seus sites os horários mais adconteúdo. É uma experiência gares apropriados e com horários importante, de levar o conheci- possíveis para diferentes públi- reportagem do Comunicare foi equados para a ida dos alunos. mento na integra. O que eu mais cos. Em Curitiba, vários locais ao museu, Cristiane, a profes- Fora da capital, o Parque da Ciêngosto é que, no meu caso como tem essa possibilidade, como o sora de ensino Infantil do Colégio cia Newton Faria, localizado em professora de adultos, muitos do Museu de História Natural do CECEC, de Curitiba, explicou o Quatro Barras, região metropolidos meus alunos nunca foram Capão da Imbuia, que recebe em projeto realizado com os alunos. tana de Curitiba, é outra referênaté um museu de arte e este é o média 40 alunos por período em “Estou há um ano com este grupo cia. Sendo um espaço destinado primeiro contato que eles têm ’’. dias de visita (de terça a domin- de crianças e a gente vem sempre à exposição de elementos cientíJá a estudante de pedago- go), desde a década de 90, quando ao museu para realizar diferentes ficos e também tecnológicos, o gia Aline Ávila, 20, comenta as exposições foram inauguradas. projetos. Neste ano, a ideia é parque possui recursos didáticos as vantagens da aprendizagem, O museu recebe desde o ensino fazer um documentário sobre os e de multimídia, além de oficinas mas explica que não se pode es- primário a ensino superior, ofer- animais em extinção e as crianças para os visitantes aproveitarem as quecer a sala de aula. “Inovar ou ecendo dois tipos de ambientes apresentarem para os seus pais. atrações do local. As visitas tamcriar novas estratégias de estu- para os visitantes. O primeiro Nós trouxemos questionamentos bém necessitam ser agendadas no dos faz com que cada aula seja setor possui exposição em vit- que serão levadas a bióloga na sala site, que apresenta todas as informais produtiva e intensa. A aula rines, conhecida como Diorama, de aula e irão nos ajudar na con- mações sobre o assunto que será expositiva dentro de uma sala de aonde se encontram animais em- clusão do trabalho”. Há 20 anos abordado em cada local de visita e aula é também fundamental, pois palhados (taxidermizados). No na carreira, a professora considera também o número de participantes não podemos desconsiderar nen- segundo setor, ao ar livre, há uma a cidade um bom local para visi- permitidos, além do público alvo hum método de ensino.”. Hoje floresta de Araucárias com uma tas orientadas e é adepta do estilo. e do horário estimado para o tour. No caso das crianças, o rena faculdade, Aline tem a oportu- passarela suspensa de aproximanidade de ir a diferentes lugares damente 400 metros que os visi- comendado pelas professoras pelo seu curso. Aline conta que, tantes também podem conhecer. entrevistadas é que a idade para Biólogo responsável pelas ex- começar essas atividades é com durante o curso, sua turma orgaMarcos Garcia nizou várias visitas. “Na disci- posições, Marco Aurélio Bregen- oito ou nove anos. A profesPaulo Semicek

Paulo Semicek

Educadores fazem um alerta para que não se desvalorize o que é ensinado dentro da sala, e também para que haja equilíbrio entre as atividades externas à instituição e o padrão tradicional

Por instituições ou por conta própria, há opções para intercâmbio

recebam treinamento e adquiram experiência no exterior, conforme diz o site do próprio projeto. O requisito para entrar é desenvolver um projeto científico. Após todo o progresso do trabalho, o aluno passa por uma seleção, onde os projetos mais bem elaborados ganham bolsas para o intercâmbio.

viajou para a Itália, se especializar em sua área. Com vagas limitadas na sua faculdade no Brasil, e com a burocracia do programa federal, os pais de Felipe bancaram a viagem. E a experiência agregou ao conhecimento ao estudante, como ele conta. “Viajar para um país onde sua área de estudo é forte ajuda. Por conta

da experiência, consegui um estágio na volta ao Brasil, além de me sentir muito avançado no meu curso.” Porém, a burocracia dos programas incomoda. “Tentar viajar pela universidade ou pelo Ciência sem Fronteiras é complicado. A iniciativa é boa, mas é tudo devagar’’, diz Felipe. Apesar da burocracia, o Brasil é o terceiro país que mais envia estudantes para intercâmbio. Dados da Associação de Agências e Operadoras de Intercâmbio, a Belta, revelam que , no ano passado, aproximadamente 170 mil brasileiros foram estudar no exterior por meios desses programas, tendo um aumento de 20% com relação ao ano anterior. Com relação aos destinos preferidos pelos estudantes brasileiros, o mesmo estudo revela que os principaís países são os Estados Unidos, Canadá e Àfrica do Sul. Opções baratas de câmbio e custo de vida influenciam as escolhas.

Pedro Domingues

Veja as melhores opções disponíveis para intercâmbio EUA - Atrai muitos jovens para intercâmbio, pela quantidade de universidades e pela facilidade para se arrumar pequenos empregos. A maior quantidade de brasileiros do que em outros países também facilita a viagem

CANADÁ - país que tem crescido bastante na área de intercâmbio. Custo de vida menor e possibilidade de dividir trabalho e estudo facilitam a ida para terras canadenses, além de não existir limitação da carga horária de trabalho.

AUSTRÁLIA - O clima é parecido com o do Brasil, o que torna mais rápida a adaptação. A procura também é grande pelo câmbio, que é menor do que o dólar americano, o que barateia os custos de vida.

Pedro Domingues


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educação

Curitiba, outubro de 2012

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Curitiba, outubro de 2012

Curitiba tem vários locais para que professores levem os seus alunos para ambientes externos, que reforcem a aprendizagem do que é ensinado dentro da sala de aula

Visitações e aulas externas ajudam alunos a entenderem o que é explicado em sala

Locais como o Bosque do Capão da Imbuia e o Parque da Ciência recebem alunos diariamente

Governo e universidades oferecem vagas para estudar fora do país

Intercâmbio gera oportunidades para alunos

Estudar no exterior, seja na Europa, Estados Unidos, Canadá e até na Austrália, é o sonho de parte dos universitários. É a chance de viajar para aprimorar os estudos e entrar forte na luta por um bom emprego. Com programas propostos pelo Governo Federal e pelas universidades, sejam elas públicas ou particulares, os estudantes tem a possibilidade de, caso sejam aceitos, estudar em instituições internacionais e assim ganhar o algo a mais necessário para chegar ao mercado de trabalho. Um desses programas de intercâmbio é o Ciência sem Fronteiras. Criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), O projeto deve distribuir até 101 mil bolsas em quatro anos, para promover intercâmbio, com o objetivo de que alunos de graduação ou pós-graduação façam estágio no exterior. A finalidade destes estágios é manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. O Ciência sem Fronteiras também busca atrair

pesquisadores do exterior que queiram estabelecer parcerias com pesquisadores brasileiros. Além de também proporcionar a oportunidade para que os pesquisadores de empresas brasileiras

Além do programa do Governo e das universidades, alguns estudantes viajam por conta própria para estudar fora. É o caso de Felipe Bittencourt, de 20 anos. Estudante de Design, Felipe

Paulo Semicek

Paulo Semicek

Não é apenas na sala de aula plina de Metodologia do Ensino zki cita a importância do contato sora de geografia Valquría Renk que um estudante pode aprender. da História, tivemos a ideia de ver de estudantes com o ambiente. observa a responsabilidade que Sair da rotina é algo que vem sen- todos os pontos turísticos de nos- “A faixa etária dos grupos meno- o educador tem com esses aludo explorado, com frequência, por sa cidade. O objetivo era saber de res que nos visitam é de nove a nos. “Já trabalhei com crianças educadores em geral. Essa prática que forma podemos relacionar os dez anos, o que torna ainda mais menores na prefeitura e também tem um nome teórico, chamado conteúdos em nosso ambiente de importante a relação deles com o fazia aulas de campo no bairro de Aprendizagem pela Descoberta trabalho, a escola, com a oportu- que é mostrado aqui. Eles conseg- da escola (Tatuquara, Umbará e Guiada, desenvolvido por Tom de nidade de levar os nossos alunos uem ter uma visão real da nossa Bairro Alto). Visitávamos alguns Jong em 1991. Este tipo de ensino a uma visita a pontos históricos fauna, que também é riquíssima lugares do bairro e fazíamos enprioriza a oportunidade dos estu- na cidade em que moramos”. e ainda conhecem mais sobre as trevistas. Com alunos menores Para que esses passeios edu- espécies, o que comem e onde é mais difícil, tem de ir em dois dantes realizarem experiências e mudarem valores, vendo o com- cativos aconteçam regularmente, vivem, para que a preservação ou três professores, precisa a auportamento de um fenômeno pre- é necessária a existência de lu- seja feita com maior consciência.’’ torização dos pais, sem esquecer do planejamento. É sente no mundo real, fora bastante responsdo ambiente de ensino. abilidade do profesComo diz a professora sor, pois ele assume Cristiane, do colégio a turma em outro CECEC, “os alunos ambiente e podem visualizam em visisurgir imprevistos.” tas o que é citado em Além do museu sala, fugindo da rotina de História Natural, livro e do caderno”. se destacam em CuA professora de ritiba o Museu Oscar Publicidade e ProNiemeyer e o Museu paganda da PUCPR, do Holocausto, que Fernanda Fabricio, também oferecem que promove pelo mevisitas e material nos duas visitais anupara uso acadêmico. ais com seus alunos, É comum enressalta o acréscimo contrar grupos de no aprendizado fora. estudantes sendo “As visitações e os guiados dentro dos passeios são intereslocais, que agensantes no sentido e Museus propiciam experiências didáticas que nem sempre estão presentes em sala dam por meio dos fazer o aluno vivenciar o Presente no dia em que a seus sites os horários mais adconteúdo. É uma experiência gares apropriados e com horários importante, de levar o conheci- possíveis para diferentes públi- reportagem do Comunicare foi equados para a ida dos alunos. mento na integra. O que eu mais cos. Em Curitiba, vários locais ao museu, Cristiane, a profes- Fora da capital, o Parque da Ciêngosto é que, no meu caso como tem essa possibilidade, como o sora de ensino Infantil do Colégio cia Newton Faria, localizado em professora de adultos, muitos do Museu de História Natural do CECEC, de Curitiba, explicou o Quatro Barras, região metropolidos meus alunos nunca foram Capão da Imbuia, que recebe em projeto realizado com os alunos. tana de Curitiba, é outra referênaté um museu de arte e este é o média 40 alunos por período em “Estou há um ano com este grupo cia. Sendo um espaço destinado primeiro contato que eles têm ’’. dias de visita (de terça a domin- de crianças e a gente vem sempre à exposição de elementos cientíJá a estudante de pedago- go), desde a década de 90, quando ao museu para realizar diferentes ficos e também tecnológicos, o gia Aline Ávila, 20, comenta as exposições foram inauguradas. projetos. Neste ano, a ideia é parque possui recursos didáticos as vantagens da aprendizagem, O museu recebe desde o ensino fazer um documentário sobre os e de multimídia, além de oficinas mas explica que não se pode es- primário a ensino superior, ofer- animais em extinção e as crianças para os visitantes aproveitarem as quecer a sala de aula. “Inovar ou ecendo dois tipos de ambientes apresentarem para os seus pais. atrações do local. As visitas tamcriar novas estratégias de estu- para os visitantes. O primeiro Nós trouxemos questionamentos bém necessitam ser agendadas no dos faz com que cada aula seja setor possui exposição em vit- que serão levadas a bióloga na sala site, que apresenta todas as informais produtiva e intensa. A aula rines, conhecida como Diorama, de aula e irão nos ajudar na con- mações sobre o assunto que será expositiva dentro de uma sala de aonde se encontram animais em- clusão do trabalho”. Há 20 anos abordado em cada local de visita e aula é também fundamental, pois palhados (taxidermizados). No na carreira, a professora considera também o número de participantes não podemos desconsiderar nen- segundo setor, ao ar livre, há uma a cidade um bom local para visi- permitidos, além do público alvo hum método de ensino.”. Hoje floresta de Araucárias com uma tas orientadas e é adepta do estilo. e do horário estimado para o tour. No caso das crianças, o rena faculdade, Aline tem a oportu- passarela suspensa de aproximanidade de ir a diferentes lugares damente 400 metros que os visi- comendado pelas professoras pelo seu curso. Aline conta que, tantes também podem conhecer. entrevistadas é que a idade para Biólogo responsável pelas ex- começar essas atividades é com durante o curso, sua turma orgaMarcos Garcia nizou várias visitas. “Na disci- posições, Marco Aurélio Bregen- oito ou nove anos. A profesPaulo Semicek

Paulo Semicek

Educadores fazem um alerta para que não se desvalorize o que é ensinado dentro da sala, e também para que haja equilíbrio entre as atividades externas à instituição e o padrão tradicional

Por instituições ou por conta própria, há opções para intercâmbio

recebam treinamento e adquiram experiência no exterior, conforme diz o site do próprio projeto. O requisito para entrar é desenvolver um projeto científico. Após todo o progresso do trabalho, o aluno passa por uma seleção, onde os projetos mais bem elaborados ganham bolsas para o intercâmbio.

viajou para a Itália, se especializar em sua área. Com vagas limitadas na sua faculdade no Brasil, e com a burocracia do programa federal, os pais de Felipe bancaram a viagem. E a experiência agregou ao conhecimento ao estudante, como ele conta. “Viajar para um país onde sua área de estudo é forte ajuda. Por conta

da experiência, consegui um estágio na volta ao Brasil, além de me sentir muito avançado no meu curso.” Porém, a burocracia dos programas incomoda. “Tentar viajar pela universidade ou pelo Ciência sem Fronteiras é complicado. A iniciativa é boa, mas é tudo devagar’’, diz Felipe. Apesar da burocracia, o Brasil é o terceiro país que mais envia estudantes para intercâmbio. Dados da Associação de Agências e Operadoras de Intercâmbio, a Belta, revelam que , no ano passado, aproximadamente 170 mil brasileiros foram estudar no exterior por meios desses programas, tendo um aumento de 20% com relação ao ano anterior. Com relação aos destinos preferidos pelos estudantes brasileiros, o mesmo estudo revela que os principaís países são os Estados Unidos, Canadá e Àfrica do Sul. Opções baratas de câmbio e custo de vida influenciam as escolhas.

Pedro Domingues

Veja as melhores opções disponíveis para intercâmbio EUA - Atrai muitos jovens para intercâmbio, pela quantidade de universidades e pela facilidade para se arrumar pequenos empregos. A maior quantidade de brasileiros do que em outros países também facilita a viagem

CANADÁ - país que tem crescido bastante na área de intercâmbio. Custo de vida menor e possibilidade de dividir trabalho e estudo facilitam a ida para terras canadenses, além de não existir limitação da carga horária de trabalho.

AUSTRÁLIA - O clima é parecido com o do Brasil, o que torna mais rápida a adaptação. A procura também é grande pelo câmbio, que é menor do que o dólar americano, o que barateia os custos de vida.

Pedro Domingues


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polícia

Curitiba, outubro de 2012

PAIS E PEDAGOGOS TÊM VISÕES DIFERENTES SOBRE a exposição de crianças e adolescentes ao mundo adulto

Modelos trabalham a partir dos 7 meses de vida

No Brasil existe apenas um projeto de lei que determina a idade mínima de 14 anos para a realização de trabalhos voltados à mídia De acordo com o levantamento do IBGE realizado este ano, o Paraná está entre os 15 estados com maior número de crianças e adolescentes trabalhando, pois quase 6% da população entre 10 e 13 anos tem um emprego. Em julho de 2012 o coral do Palácio Avenida foi acusado de explorar as crianças que participam das apresentações. Esse caso trouxe à tona a discussão sobre o que é trabalho infantil, já que muitas crianças trabalham como atores e modelos, fazem regimes e têm cargas horárias extensas e não são consideradas ‘exploradas’. O produtor Vinícius Waltrick trabalha com modelos a partir dos sete meses de vida. Segundo ele, trabalhar nos meios artísticos pode trazer benefícios, já que a criança se torna mais responsável. “As crianças de hoje amadurecem mais cedo e tendem a conciliar o trabalho com o bom rendimento

Curitiba é preconceituosa?

“Sempre que aparece alguém diferente, essa pessoa é vista com certo preconceito.” Patrícia da Silva 22, operadora de caixa

“As pessoas mudaram e com isso surgiu o preconceito. Acho que todo mundo tem preconceito com alguma coisa.” Romeu Ferreira 59, cobrador

escolar, por exemplo,” ressalta. A li ne Leite, a dvoga d a trabalhista, explica que trabalho infantil é aquele exercido por criança ou adolescente menor de 16 anos, o qual é proibido por lei. Também existem restrições quanto aos horários noturnos e trabalhos realizados em locais

perigosos ou que atentem contra a moral do menor. “Não acredito que as denuncias ao Coral sejam procedentes, já que as realizações das apresentações encontram-se dentro das disposições legais previstas na legislação”, pontua. Para a pedagoga Alice Grigolo, é errado expor crianças a este

tipo de trabalho. “Eu considero trabalho infantil sim, além do que expõe a criança ao mundo adulto muito cedo e isso pode trazer malefícios futuros, como perda da identidade”, explica. Karina Tamazia, que é modelo fotográf ica desde os 9 anos, nunca se sentiu explorada, ao contrário, insistia aos pais para que isso acontecesse. “. “Eu queria tirar fotos para o catalogo de roupas da fábrica da minha avó e foi assim que comecei. Tenho 14 anos e posso dizer que sou modelo profissional e amadureci muito com as experiências que tive”, afirma a modelo. Dorotide Tamazia, mãe da jovem, diz não considerar isso trabalho infantil. “Ela não trabalha para sobreviver, faz por amor, porque têm dom e porque quer”, diz. Para Dorotide errado é privar um filho do que ele quer e pode fazer. Samara Macedo

Natal com Coral

O Coral do HSBC terá apresentações esse ano, mas com carga horária reduzida. Serão nove apresentações de 50 minutos cada. Os curitibanos e turistas podem prestigiar pelo 22º ano consecutivo o espetáculo de Natal que é realizado no Palácio da Avenida. Em julho deste ano o Coral foi alvo de denúncias feitas pelo Ministério Público do Trabalho e Ministério do Trabalho e Emprego. Os órgãos acusavam o Banco de obter lucros e de submeter as crianças à exaustiva carga horária de ensaios. O Banco se defende, por meio da assessoria, afirmando que as apresentações são representações artísticas e não devem ser vistas como trabalho. Por esse motivo, não deve-se cogitar o pagamento de um salário mínimo.

Samara Macedo

1º DISTRITO NEGA HAVER AGRESSÕES CONTRA POPULAÇÃO LGBTTIS NO CENTRO DE CURITIBA

Paraná é o 6º estado com mais agressões a homossexuais

Por três anos consecutivos, Paraná está entre os estados com maior número de homicídios homofóbicos, segundo dados apurados pela ONG Dom da Terra, que atua na defesa dos direitos LGBTTIs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais, Intersexuais e Simpatizantes). No Brasil, só neste ano, ocorreram 200 casos até agosto. Já no ano de 2011 foram 198, nos quais 25 no estado e 14 em Curitiba, apontando-o como o maior em número de homicídios. De acordo com o coordenador de projetos da ONG Dom da Terra, Márcio Marins, Curitiba é uma cidade com aspecto conservador e isso faz com que a população tenha certo preconceito com pessoas que tem opção sexual diferente, sendo esse o principal motivo para ocorrerem as agressões. “A pior coisa que uma vitima pode fazer é não denunciar, pois assim ela está protegendo o agressor”, afirma. Ele ressalta a importância

da existência de leis que auxiliem os homossexuais. “Precisamos de leis que protejam o LGBTTIs. Não queremos nenhum privilégio, o que queremos são direitos iguais”, declara. Um dos principais problemas e nc ont r a do s é c om g r u p o s organizados, na maioria das vezes por neonazitas que são contra os homossexuais. Porém, segundo o superintendente d o 1º d i s t r it o policial de Curitiba, Adolfo Rosevics Filho, não há registros de ag ressões que envolva m LGBTTIs e skinheads. “Não tivemos esse tipo de situação no centro da capital. Apenas conflitos entre gangues. Nunca tive um caso, por exemplo, de um homossexual entrar na delegacia dizendo que foi agredido”, afirma.

Em 2009 e 2010, o estado esteve no topo da lista de registros de homicídios contra a população LGBTTIs. Segundo levantamento sobre violência homofóbica feito pelo Governo Federal, a taxa média do Brasil é de 3,5 violações a cada 100 mil habitantes. No Paraná o índice chega a 4,1. C o m o crescente número de agressões, a população homossexual sente medo ao sair de casa. É o caso do estoquista, de 18 anos, Eduardo Costa*, que há 2 anos foi vitima de agressão na capital. “Estava em um antigo bar GLS em Curitiba, quando o gr upo me avistou. Começaram até a me ameaçar de morte. Foi uma situação que eu não desejo a ninguém”, afirma. Depois do acontecimento, Costa

“Não queremos privilégios, apenas direitos iguais”

conta que tem medo de sair de casa, principalmente sozinho. “A gente acaba ficando traumatizado, mas no final, eu sou apenas mais uma vítima desses agressores”, declara. Até quem nunca sofreu nenhum tipo de agressão fica inseguro ao sair nas ruas. O estudante Luis Dutra* conta que mesmo apenas presenciando um ataque homofóbico, o medo se tornou parte do seu dia a dia. “Quando presenciei esse ataque horrível, fiquei assustado com tamanha violência, e isso me deixou com receio de ir para o centro nas noites de sábado, porque a gente nunca sabe de onde pode vir uma agressão”, declara. Segundo ele, o preconceito deveria ser criminalizado. “Só assim poderiam ser tomadas medidas para eliminar o problema de agressões a homossexuais”, desabafa. *Nome alterado Ariane Priori Gonçalves Bianca C. Santos


saúde

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Curitiba, outubro de 2012

Campanha contra câncer de mama ganha visibilidade

Outubro Rosa ilumina

Escolas municipais estimulam Curitiba alimentação saudável

Inca estima que 3110 novos casos de câncer de mama serão registrados no Paraná em 2012 O dia 27 de outubro é marcado

Laura Nicoli

As cores de outubro já não são quando diagnosticados, se encon- ção das pessoas sobre o combate mais definidas pelas árvores flori- tram em um quadro avançado. “A ao câncer de mama”, diz. Em Curitiba, prédios históridas em meio às ruas asfaltadas ou campanha traz a realidade da precos iluminam suas fachadas com jardins multicoloridos em bairros venção e da doença a um número luzes na cor rosa, como a estufa residenciais. Atualmente o mês é maior de pessoas”, conclui. rosa. Este é mais um ano em que o Segundo o Inca, no primeiro do Jardim Botânico, o Palácio da Governo do Paraná promove em semestre de Justiça e o Paço da Liberdade. Curitiba, em parceria com a As2012, mais de Além destes, alguns bares e ressociação Comercial do Paraná, um milhão taurantes usam do apelo visual o “Outubro Rosa”, movimento de brasile- para mostrar sua adesão à causa, iniciado nos Estados Unidos, iras entre entre eles estão a Cantina do Déno ano de 1997, e que ao lon50 e 69 lio, o Bella Banoffi, o Cana Benta go de 31 dias divulga ações anos fizeram e a Estofaria. A companhia de voltadas para a prevenção a mamografia transporte ferroviário Serra Verde do câncer de mama e o no Sistema Único Express, responsável pelo trajeto diagnóstico precoce de Saúde (SUS), entre Curitiba e Morretes, pintou da doença. As ativio que representa um vagão inteiro de rosa, e desdades são realum aumento de tina, durante o mês de Outubro, izadas nas 22 41% em com- parte das vendas de seus bilhetes Regionais paração ao para o Instituto Humanista de Dede Saúde do m e s m o senvolvimento Social (Humsol). Estado, com p e r í o - O Shopping Curitiba e o Hospital apoio dos do de Erasto Gaertner também particimunicípios e 2010. Este pam da homenagem. A designer Daniela Razera de 50 entidades que crescimento na aderiram à campanha. proporção de mul- decorou sua loja “Dupla Design” O Instituto Nacional do Cânc- heres que se submeteram ao ex- com os laços nas vitrines, distribui er (Inca) estima que o Paraná deve ame deve-se ao acréscimo e ao broches para suas clientes e já registrar, somente neste ano, 3110 avanço da qualidade dos serviços planeja a venda de camisetas para novos casos de câncer de mama. oncológicos, além da grande cam- reverter o lucro a uma instituição Para o Oncologista Sergio Hatsch- panha de conscientização sobre o que apoie a campanha. Grande bach, é necessário esclarecer que assunto. Silvia Pessoa, articulado- parte do engajamento de Daniela existem duas situações de preven- ra do ODM (Objetivos de Desen- parte de sua experiência pessoal ções contra a doença. “A primeira volvimento do Milênio – projeto com o câncer de mama. Há um é através de ações e hábitos que criado pela ONU em 2000, que ano e meio livre da doença, diagpodem reduzir as situações clini- estabeleceu 8 Jeitos de Mudar o nosticada em 2010, explica que cas que colocam o paciente em Mundo) também participa da di- descobriu sua situação durante um exame prevenrisco. Os exames tivo de rotina e vê são outro tipo de sua loja como uma prevenção, uma forma maior de dimamografia, vulgação do tema. uma ressonân“O que mudou cia magnética, tudo pra mim foi enfim, procediquando uma amiga mentos médicos me disse que a cura que possibilitem depende da sua diagnosticar conduta, e acredito algo antes que que seja verdade, seja possível nocâncer não é sinôntar algum nóduimo de morte. A lo através do minha vida não toque”, afirma o médico. Proprietária da loja “Dupla Design” adere a campanha anualmente mudou por causa da doença”, diz. Hatschbach salienta que apesar da campanha vulgação de informações para ser cor de rosa, a doença atinge o Outubro Rosa. “Fazemos palambos os sexos. Geralmente, os estras, caminhadas, entrega de homens têm mais resistência em folhetos informativos, uso do laço Laura Nicolli fazer exames preventivos, por isso e da cor rosa pra chamar a atenVictor Hugo

como o Dia Nacional de Controle à Obesidade. Em Curitiba, a secretaria municipal de saúde trabalha na reeducação alimentar de crianças, adolescentes e adultos, com intuito de mudar hábitos alimentares e evitar futuras complicações. Oficinas e cardápios especiais são colocados em prática em escolas municipais, assim como em todas as 109 unidades da rede pública de saúde. O “Circuito da Alimentação Saudável” é realizado desde 2010 pelo Departamento de Educação Alimentar e Nutricional do Abastecimento. No Mercado de Orgânicos de Curitiba, as crianças recebem orientações sobre alimentação saudável. Silvia Rocha, Nutricionista da Secretaria do Abastecimento, comenta que “reeducar a alimentação desses jovens é essencial. A influência da mídia para que se consuma é absurda, ela possui uma abordagem agressiva. Induz as pessoas a terem hábitos prejudiciais, fazendo com que ela acredite que comprando aquilo ou consumindo algo você alcançará a plena felicidade”. Ela explica que o perfil alimentar da população foi alterado, e que atualmente a obesidade virou uma epidemia mundial. “É importante você ir conversar com as crianças, porque elas estão

formando seus hábitos alimentares, e assim você pode conseguir mudar o rumo das coisas”, diz. A importância de tratar da doença com crianças é explicada pelo médico e coordenador do Departamento de Psiquiatria da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Adriano Segal. Segundo ele, a doença atua em várias áreas físicas. “A obesidade é uma doença multifatorial, onde aspectos hereditários, metabólicos, ambientais, comportamentais e psicológicos interagem de um modo ainda não totalmente compreendido”. Na Escola Municipal Paranavaí as crianças são incentivadas a ter uma alimentação saudável todos os dias. Os cardápios semanais são criados por nutricionistas da empresa Risotolândia, que atua no segmento de alimentação escolar para órgãos públicos, e financiados pela Prefeitura de Curitiba. A Coordenadora Irene Kotelok explica que uma das regras da escola é a proibição de alimentos que não sejam apropriados para a saúde dos alunos. “Quando algum estudante não está satisfeito com o cardápio que oferecemos na escola, ele pode trazer algo de casa, desde que seja saudável. Conversamos com os pais, para que eles incentivem seus filhos. Queremos motivar toda a família a criar uma cultura de alimentação que não seja prejudicial, criando dentro da escola a rotina de se comer da forma correta”, diz. Hellen Albuquerque Laura Nicolli

O IMC é um padrão internacional para medida do grau de obesidade. A formula corresponde a divisão do peso pela altura ao quadrado.


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cultura

Curitiba, outubro de 2012

Entre os meses de janeiro e agosto ações culturais beneficiaram mais de 140.000 crianças

Projetos incentivam a cultura e a arte infantil

Comemoração gratuita de Dia das Crianças lota o Largo da Ordem

que é um processo sociocultural, e que eles desenvolvem a disciplina, concentração, trabalho em grupo e principalmente a cidadania. ‘’É uma ferramenta para o futuro, mostrando que a vida é feita de superações de desafios para alcançar os sonhos’’. Existem também algumas regras, a criança precisa estar matriculada na escola e acontecem reuniões periódicas com as famílias, que são de grande importância. ‘’ Crianças que tem o apoio da família se desenvolvem mais rapidamente e tem mais confiança em si mesmo, rendendo

muito mais’’, afirma Moura. Entre as atividades desenvolvidas nas aulas circenses estão às técnicas aéreas, acrobacias, equilíbrio, manipulação, representação, história do circo, procedimentos de segurança e avaliação física. E além das atividades governamentais, já existem projetos privados, que auxiliam e agregam ainda mais para a cidade. É o caso do Criança na Plateia, blog criado pela jornalista Paula Martins, que surgiu graças a seu filho Petrus de quatro anos, que na época tinha dois. Sendo sempre questionada pelas mães de quais locais leva-

rem os seus filhos, e como ela descobria, Paula resolveu escrever essas dicas, surgindo o blog. Hoje ela tem diversos seguidores, que acompanham o blog diariamente e participam muito mais de atividades culturais com seus filhos, como é o caso da mãe da Antonella Andrioni, de 3 anos, Giulianna Andrioni. ‘’Minha ideia amadureceu depois de conhecer a Paula e o seu projeto Criança na Plateia e agora sempre levo a minha filha’’. Ela ainda completa que essas programações melhoraram o relacionamento de sua família, em um relacionamento de mais amor, carinho e atenção. Além disso, Giulianna ainda conta que os benefícios são vários, estimula o senso crítico, melhora a percepção e a interpretação. Fatores esses que a psicóloga Claudia Celli Cadenas confirma e complementa ‘’Além de estimular inteligências múltiplas às crianças aprendem uma liberdade de se expressar, convivem melhor na escola, em grupo e absorve novos conceitos que podem ser levados até sua vida adulta’’. Quem se interessou e quer conhecer mais sobre os projetos e suas programações é só acessar os site www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br e o www.criancanaplateia.com.br . Bruna Habinoski

Bruna Habinoski

trabalham com riqueza de materiais, diferentes espaços e o imaginário. Atualmente elas contam com 80 crianças, entre 7 e 17 anos. O circo itinerante está montado no Bairro Alto Boqueirão, onde fica durante dois anos e depois muda para outro bairro, com o intuito de aderir um maior número de pessoas. Os exercícios praticados aliam o físico ao psicológico, que além de fazer bem para a saúde auxilia na lateralidade e ocupação de crianças, normalmente de classes mais baixas. O coordenador de circo, da Fundação Cultural, Albanir de Quadros Moura conta

Bruna Habinoski

Nos primeiros oito meses do ano, a Fundação Cultural de Curitiba, em parceria com a Secretaria Municipal da Educação promoveu 657 ações na capital, nas mais diversas áreas de literatura, circo, teatro, xadrez, música e cinema. A maior concentração delas fica como incentivo à leitura, que realizaram um total de 277 ações. O número vem crescendo a cada ano, e a Fundação Cultural tenta contribuir e auxiliar dentro do possível com essa disseminação de cultura, em geral, visando uma maior divulgação e valorização nacional, mas a falta de profissionais envolvidos com a cultura e arte prejudica os projetos. Janine de Souza Malanski, diretora de Ação Cult ural da Fundação, afirma ainda que a arte infantil, assim com a cultura, devem ser mais acessíveis, de uma maneira que não afetem nenhum dos lados, tanto s profissionais quanto o público, pois os envolvidos precisam receber pelo seu trabalho. É por essa razão que empresas privadas poderiam entrar com mais apoio. ‘’Só o governo não consegue atender a demanda’’, ressalta Janine. Atividades que são oferecidas gratuitamente geram um maior estímulo aos pais, que consequentemente marcam maior presença com seus filhos e é por isso que a população cobra que atividades de incentivo devem ser mais baratas, tornando acessível a todos, isso é algo comum a todas as atividades, diz Janine. Ela ainda diz que concorda com os pedidos, mas o que precisa ser modificado é a política de incentivo, aumenta-se o acesso e diminui o valor. ‘’Produzir uma peça de teatro infantil é mais caro que uma peça para adultos, pois as crianças absorvem mais e precisam de uma maior riqueza de elementos e composições para entender, já o adulto abstrai se desprende do material e usa seu repertório. Só a iluminação de um espetáculo, por exemplo, custa em torno de 80 mil reais’’, diz. Uma iniciativa que possuiu atividades que prendem a atenção das crianças são as circenses, que

Bruna Habinoski

Entre as atividades desenvovidas pelo governo e a inciciativa privada estão xadrez, circo, peças de teatro e oficinas de literatura

O xadrez foi uma das atividades mais disputadas pelas crianças

Artistas encantavam e divertiam a todos que estavam no evento


cultura

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Curitiba, outubro de 2012

MÊS DA CULTURA JAPONESA EM CURITIBA TEM DIVERSAS ATRAÇÕES CULTURAIS ABERTAS AO PÚBLICO

Japão mostra sua cara

Durante o mês de outubro a capital paranaense faz uma homenagem para a terra do sol nascente em vários pontos da cidade Ao longo do mês de outubro, o Consulado Geral do Japão em Curitiba organiza o Mês da Cultura Japonesa, com exposições, apresentações artísticas e mostras de cinema abertos gratuitamente ao público com o objetivo de divulgar a cultura japonesa para toda a população, descendente ou não. A maior ia dos eventos ocorre na Rua 24 horas, na Cinemateca e no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná até o dia 31 de outubro. Segundo Kawa mot o, v ice cônsul do Japão em Curitiba, as parcerias f irmadas para a organização do evento são fundamentais. “A realização do Mês da Cultura Japonesa só é possível mediante a parceria com tais entidades, que facilitam a execução dos planos do Consulado”, afirma a vice-cônsul. Além disso, para Kawamoto, várias entidades têm interesse em apoiar eventos como esse, inclusive fora de Curitiba. A cerimônia de abertura ocorreu na Rua 24 Horas, que foi reinaugurada ano passado após quatro anos fechada, e é o local da maioria das atrações do evento. A sócia da empresa responsável pela administração da Rua, Jucél ia Ca ma rgo ressalta a impor tância de receber eventos como esse. “A Ru a 24 Hor a s precisa desses trabalhos culturais para não ter a imagem de simplesmente uma galeria e sim, um ponto turístico”. Durante a abertura houve práticas tradicionais japonesas, como a quebra de um barril de sakê (bebida fermentada do arroz típica do Japão) e a apresentação do grupo Wakaba. Em atividade há sete anos, o grupo reúne cinquenta e

dois integrantes que tocam o taikô, tradicional instrumento de percussão, sendo que nove deles fizeram performances na cerimônia. O coordenador do Wakaba, Hermes Murakami, reforça que para a apresentação os participantes não precisaram de muito ensaio, pois tocaram as músicas que sempre treinam durante as reuniões semanais do grupo que, segundo Her mes, “são abertas a todos os simpatizantes da cultura japonesa”. Uma das atrações mais esperadas da programação foi o show musical Infinity – Impressões do Japão, que foi realizado no dia cinco no Teatro da Reitoria da UFPR com a presença de aproximadamente 4 0 0 pessoa s . A s

Ana Luiza Souza

Temos o objetivo de mostrar a riqueza da música japonesa

Grupo Wakaba em apresentação com o tradicional taikô na abertura do evento

culturas diferentes,” avalia Cássio Schollemberg, estudante de 19 anos. “A escolha das músicas foi pensada com o objetivo de mostrar ao público a riqueza da história da música japonesa, com músicas tanto de 3.000 anos atrás como do último mês”, explica Sumie Kaneko. A apresentação teve a participação especial da violinista Carolina Frederico e do percussionista Márcio Zulak, músicos brasileiros que já tocaram em diversas orquestras do país. A programação cultural terá ainda, até o fim de outubro, exposições de Ikebana (arranjos florais), a n i mê s (de se nhos animados) e mangás (revistas Ana Luiza Souza em quadrinhos), musicistas japonesas Yoko Reikano Kimura e espetáculos de dança e música, Sumie Kaneko, transmitiram a mostra de quinze filmes japoneses atmosfera calma e silenciosa do e concurso de oratória. Para saber mais consulte o Japão ao tocarem os instrumentos Koto (uma espécie de harpa) site do Consulado Geral do Jae Shamisen (parecido com um pão em Curitiba www.curitiba. banjo), ambos de corda. “A organi- br.emb-japan.go.jp ou ligue para zação e divulgação de espetáculos (41)3322-4919. como esse no Brasil é importante Ana Luiza Souza para estimular o contato entre

O Japão desembarca no Brasil A imigração japonesa no Brasil começou em 1908 com um acordo entre os governantes brasileiros e japoneses. Em 28 de abril daquele ano 781 japoneses partiram de Kobe, no Japão, a bordo do navio Kasato Maru. As cidades que tiverem o maior número dos habitantes imigrando foi Okinawa, Kagoshima, Fukushima e Hiroshima. Em 18 de junho de 1908 esses imigrantes desembarcaram no Porto de Santos, depois de 52 dias de viagem. A maioria veio para o país em busca de lavouras de café em São Paulo e no norte do Paraná. Depois dos percursores de 1908, milhares de japoneses continuaram a desembarcar no Brasil. No Paraná, Maringá e Londrina são as cidades com maior número de descendentes de japoneses. Em Curitiba a maioria dos japoneses chegou em 1915. Eles se estabelecerem nos bairros Uberaba, Campo Comprido, Santa Felicidade e Araucária. Hoje existem cerca de 35 mil descendentes de japoneses na capital paranaense. Para homenagear esse grande população de imigrantes na Cidade o Consulado do Japão em parceria com Fundação Cultural de Curitiba comemora o Mês da Cultura Japonesa com o objetivo de divulgar a cultura em Curitiba. Cecília Moura


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Curitiba, outubro de 2012

esporte

COM 124.000 METROS QUADRADOS O TERRENO FOI VENDIDO POR UM VALOR DE 57,5 MILHÕES

Área do Pinheirão ainda sem definição

Conjunto habitacional, centro esportivo, shopping center e torreres comerciais são algumas das possibilidades de construção na área

Flavio Darin

Flavio Darin

Projetado para ser uma das grandes praças esportivas do país, hoje o Complexo Poliesportivo Pinheirão vive cercado de incógnitas. Inutilizável desde 2007 por uma ordem judicial, o estádio está localizado em um terreno que foi leiloado em junho e que ainda não tem um uso definido. O terreno que abriga o estádio, propriedade da Federação Paranaense de Futebol (FPF) até metade deste ano, foi à leilão com o intuito de sanar parte das dívidas da instituição, que somavam um valor de R$ 57,748 milhões, Estádio do Pinheirão antes da reforma de acordo com o balanço financeiro de 2011. Na primeira tentativa de venda, em 14 de junho, o lance inicial era de R$ 69 milhões e acabou não sendo comprado. Duas semanas depois, no dia 28, então, o Pinheirão foi arrematado pelo valor de R$ 57,5 milhões pela JD Agricultura e Participações Sociais Ltda., companhia de propriedade do empresário João Destro, dono de um grande grupo de atacado. Localizado na Avenida Victor Ferreira do Amaral, no bairro do Tarumã, o terreno do Pinheirão tem a área total Além da Maua, Alex é outro presente dos 103 anos do Coritiba que, no entanto, não descartou no último dia 12, a construção de de 124 mil metros quadrados. Comparando com os dois maiores outras possibilidades de uso para uma nova arena esportiva onde estádios da capital, caberiam 3,4 a área. “A gente não sabe o que hoje é o Pinheirão. No entanto, Couto Pereira ou 3,24 Arenas da vai fazer realmente. Se será outro o rumor foi desmentido com o Baixada no local, como mostrado estádio, torres comerciais, torres anúncio do presidente alviverde, no infográfico ao lado. Poderiam, residenciais, shopping center, tudo Vilson Ribeiro de Andrade, de que também, ser construídos quatro isso é especulação do pessoal que serão feitas apenas obras de modernização no estádio Couto Pehospitais com 300 leitos, 41 esco- está curioso”, complementou. Uma das opções mais cotadas reira. Além disso, também como las com 20 salas de aula ou ainda era a construção de um novo está- presente de aniversário, o meio de 2.480 casas populares. João Carlos Destro, filho de dio por parte do Coritiba. Em 2011, campo Alex,35, conhecido como “ João Destro e responsável pelo como lembrou a Gazeta do Povo o menino de ouro” teve sua volta terreno, revela que a proposta ini- em junho deste ano, o clube che- ao Alto da Glória confirmada para cial para o Pinheirão é a reforma gou a negociar a compra do terreno a temporada de 2013. e regularização da situação do em conjunto com um grupo invesestádio para voltar a ser utilizado. tidor, mas o negócio acabou não “Nossa ideia é reformar o estádio sendo fechado. Uma nova onda de do Pinheirão, tirar o alvará com especulações aconteceu neste mês todas as benesses possíveis com de outubro, com a expectativa de bombeiro, projeto estrutural, para que o time do Alto da Glória puJoão Pedro Alves poder trazer vários eventos aqui desse anunciar no aniversário de Marcio Kaviski para Curitiba”, declarou Destro, 103 anos de fundação, completos


internacional

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Curitiba, outubro de 2012

DEBATES DE QUESTÕES AMBIENTAIS, SOCIAIS E ECONOMICAS MEXEM COM CANDIDATOS A PRESIDÊNCIA

EUA deve modificar aspectos econômicos

Para advogados, economia brasileira não sofrerá mudanças, já para economistas o país passará por alterações políticas e econômicas. Um dos debates dominantes entre os candidatos a presidência dos Estados Unidos é o avanço da economia no país que atualmente sofre com a crise. Além disso, o debate da questão ambiental também é muito presente, já que o país é o que transmite a maior taxa de emissão de carbono do mundo e diminuindo este aspecto se afeta vários setores de produção e, principalmente a economia. A questão étnico-racial, principalmente o racismo, também é bastante discutida, já que um candidato é Republicano e o outro é Democrata (denominações político-ideológicas e étnicas distintas). Segundo alguns advogados eleitorais, as mudanças são significativas em alguns países da Europa e da África. A advogada especialista em Direito Eleitoral, Eneida Desiree Salgado diz que atualmente no Brasil, as mudanças não são muito significativas, pois a

economia nacional está equilibrada e a moeda está valorizada. “O impacto das eleições americanas na economia brasileira é mais simbólico do que real”. Isto porque o setor econômico brasileiro é considerado diferente do americano, o ritmo e os ideais não seguem um mesmo caminho. Na americana, o plano econômico é muito maior, com questões mundiais, já no Brasil o processo é bem menor e mais focado no próprio país. O estudante de economia, Nóe Santiago, já fez intercâmbio para os Estados Unidos e diz que o estudo acadêmico do curso de Economia nos EUA é diferente do brasileiro. “Nos Estados Unidos o que ensinam na Universidade é uma economia totalmente diferente da que as Universidades daqui nos passam, ela segue o ritmo do país. O ritmo de uma economia que ultrapassa o limite das fronteiras do Estado”. O economista financeiro, Car-

los Padovezi, cita que as mudanças no Brasil podem existir não só em aspectos econômicos, mas também políticos. “Mudanças na atual política monetária americana, por exemplo, afetariam a liquidez mundial. Ao mesmo tempo aumento das barreiras de importação daquele país afetaria imediatamente seus parceiros comerciais.” Essas mudanças seriam principalmente no setor de importação de produtos importados e exportação de produtos nacionais, um dos grandes setores de reserva financeira do Brasil. As eleições presidenciais dos Estados Unidos acontecem no dia 06 de novembro de 2012 e os candidatos que disputam a presidencia são: o Democrata e atual presidente Barack Obama contra o candidato Republicano Mitt Romney. Harianna Stukio Rafaela Bez

DIVISÃO NOS EUA VAI DE ESQUERDA LIBERAL À CONSERVADORA

A grande diferença entre Democratas e Republicanos nos Estados Unidos Este ano nos EUA democratas e republicanos disputam o governo do país, mas, para entender a ideologia e o modo de governo de cada um é necessário analisar aspectos, perfis e atitudes de governantes que aderem à essas denominações políticas. Como diferenciação, o Partido Democrata, cujo atual Presidente Barack Obama segue, foi criado antes do Partido Republicano e defende princípios de esquerda liberal. Com isso, os Democratas possuem o apoio de uma grande massa da população americana assalariada e intelectual. Já o Partido Republicano segue uma vertente conservadora. Acredita no poder das forças militares e na manutenção da tradição nacionalista, além de crer intensamente no grande poder da população de origem branca, de classe alta e com maior consumo cultural.

A cientista política Samira Kauchakje considera a diferença entre as duas correntes bem evidentes, como a forma que cada corrente governista trata da questão dos impostos. “Em termos de posições político-partidárias socialdemocratas: os democratas, com aprovação da maior presença do Estado na economia e maior investimento em política pública social. Em oposição: os republicanos, cuja preferência é por menor presença de Estado nas duas áreas refletindo na menor carga tributária.” Segundo a eleitora americana Jessie Wilkes, essa divisão de ideologias fica bem evidente entre o povo americano. “Republicanos tendem a ser homens brancos de classe alta que colocam suas crenças pessoais e opiniões em primeiro lugar. Já os Democratas geralmente são pessoas que

colocam a ética em primeiro lugar e tentam criar um governo igualitário.” Ainda segundo Jessie, o comportamento dos eleitores e candidatos durante o período eleitoral americano, pode ser comparado com a realidade brasileira. “Durante o período eleitoral, cada movimento que o candidato faz está sendo vigiado. Se eles falarem qualquer coisa que pode ser mal interpretada, ou parecer ruim, eles ferem a própria imagem com muita facilidade.” Dizendo ainda que nos Estados Unidos, além da extrema confiança e da população em ser e se sentir Democrata ou Republicano a participação das pessoas com o papel de analisar o candidato de ideias opostas também é intenso e influencia muito no resultado das eleições. Kamilla Ferreira

FONTE: Portal Terra

DEMOCRATAS

REPUBLICANOS


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Curitiba, outubro de 2012

variedades

Um Grito de Alerta

O mapa da violência e homicídios de mulheres no Brasil , que neste ano foi publido pelo Instituto Sangari (coordenado pelo sociólogo Júlio Jacobo Waiselfiz) e realizado em parceria da FLACSO (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), serve como grito de alerta para autoridades e para toda a população. A lei Maria da Penha foi promulgada em setembro de 2006, o que representou uma leve queda em números de homicídios. A partir de 2008, a violêcia retoma os patamares anteriores, indicando que essa política brasileira ainda não é suficiente para reverter a situação.

O Brasil está na 7ª posição em relação a homicídios femininos entre outros 84 países. apresenta uma taxa de 4,4% em 100 mil mulheres. Enquanto o Paraná é o 3° estado com mais números de homicídios femininos, Curitiba ocupa a 4ª posição entre as capitais, perdendo para Maceió, Vitória e João Pessoa.

Dos casos de agressão contra a mulher registrados, 51% apresentavam reincidência. O grupo de vítimas em que há maior reincidência é o de mulheres a partir de 30 anos.

A faixa etária que mais há incidentes, é a de 20 a 29 anos.

Em 68,8% dos casos no Brasil, a agressão acontece em casa e 42,5% dos agressores são parceiros e ex-parceiros.

Helena Bianchi, Isabela Bandeira Rodolfo Kowalski, Saulo Schmaedecke

5,5%

2,26% 6,33%

8,66%

44,25% 12,22% 20,18% Psicológica Sexual Física

Autoprovocada Abandono Tortura Outros

Ao contrário do que tudo indica nos dados coordenados por Julio Jacobo, o titular da Delegacia de Homicídios de Curitiba, Rubens Recalcatti, diz não ver aumento de mulheres mortas por causa de agressão doméstica. Ele afirma que o maior motivo dos homicídios na capital paranaense, independente da faixa etária, é a droga. Por ser usuária, a pessoa muitas vezes acaba se criminalizando e falecendo em razão disso. O número de homens é bem maior, mas o índice de mulheres cresce cada vez mais. Uma dessas mulheres agredidas é M.C.*, de 17 anos. Ela perdeu a virgindade aos 13, vítima de estupro. Temendo a reação de amigos e familiares, a garota não delatou o crime. O pai dela até hoje sequer imagina que sua filha foi violentada. “Eu era novinha, não sabia de nada. Sentia medo do que os outros pensariam se soubessem do que aconteceu”, relata a jovem, que garante ter superado o incidente. “Eu não guardo mágoas e por isso não tenho trauma, só medo de sair a noite sozinha”.

*Entrevistada preferiu não divulgar o nome

Comunicare Geral  

Ao contrário das outras edições, esta edição "Geral" do Jornal Comunicare, não se prende em um tema específico e aborda vários assuntos.

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