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Toda mãe tem direito a ter seu filho Toda criança tem direito a ter sua mãe

Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna

28 de maio


Prezados e prezadas profissionais de saúde Gravidez e o parto significam vidas. Vidas da criança, da mãe, do pai, de famílias, da comunidade... Gravidez e parto são naturais e trazem histórias, algumas tristes. Nos tempos passados mulheres morriam após o nascimento do bebê. Nos romances de épocas vividas há relatos de vidas ceifadas nesse momento especial. Morte materna assim foi sendo naturalizada como um desígnio da natureza. Mas, o mundo não para e os conhecimentos acumulados da ciência trazem novos olhares, possibilitando novos cuidados, com a marca da prevenção. Assim, a morte materna, ainda presente na nossa cidade, deve ser reduzida, pois 90% das mortes são evitáveis . “Atualmente, com tantos avanços científicos e tecnológicos nas áreas de saúde materna e perinatal, é inadmissível que o processo de reprodução leve uma mulher ao óbito.” Morte materna não é natural e é mais do que um dado estatístico, é remetido a toda a sociedade humana. Entretanto, as informações compiladas sobre quem morre e como as mortes ocorrem são um norte para conhecer e buscar onde as falhas ocorreram e como atuar. O processo de trabalho inclui: investigação informação  identificação de problemas  intervenção  prevenção. E é neste sentido que esse livreto está sendo construído. Vamos dialogar com os dados de 2012 do Comitê Municipal de Prevenção e Controle de Morte Materna do Rio de Janeiro. A Superintendência de Promoção da Saúde espera colaborar com os profissionais da nossa cidade levando informações para preservar a vidas das mulheres. Superintendência de Promoção da Saúde da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro


Histórias vividas e números: humanizando a contagem Toda morte materna deve ser contada... As mulheres têm o direito de serem reconhecidas como cidadãs perante a lei.” (art.6 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948)

Buscando informações O que é mortalidade materna Morte materna é a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela, porém não devida à causas acidentais ou incidentais.

Razão de Mortalidade Materna Número de óbitos maternos, por 100 mil nascidos vivos de mães residentes em determinado espaço geográfico, no ano considerado. O indicador que reflete a qualidade da atenção à saúde da mulher. Valores elevados estão associados à insatisfatória prestação de serviços de saúde a esse grupo, desde o planejamento familiar e assistência pré-natal, até a assistência ao parto e ao puerpério.

Os dados indicam os grupos de maior incidência: • Idade de 20-29 anos • Mulheres de cor preta e parda (negras) • Com ensino fundamental Casos emblemáticos Alyne e Marina morreram durante o ciclo gravídico puerperal e hoje são referências para a luta pela redução da mortalidade materna. Comitê Municipal de Prevenção e Controle de Morte Materna do Rio de Janeiro – 2012


Pré-natal Os antigos diziam que a gravidez é um estado interessante. Nas mulheres é período com necessidades especiais nas esferas física, emocional e social.

Falar de pré-natal é priorizar as ações ligadas à promoção da saúde da mulher e seu concepto e a prevenção da morte materna, escopo desta publicação. Cuidado nas unidades básicas de saúde: o ciclo gravídico-puerperal Acompanhamento pré-natal permite cuidados à gestante e seu concepto, devendo incluir o parceiro. Cuidar pressupõe diálogo com a família, é momento de ações educativas e oportunidade para acompanhar a mulher, verificar o andamento da gravidez, detectar possíveis problemas com ela e seu bebê, prevenir e tratar.

O cuidado pré-natal pode começar no momento da confirmação da gravidez, com o exame positivo. Acolhimento e acesso permeiam sentimentos, emoções e questionamentos. O início do pré-natal é mundialmente considerado ideal no primeiro trimestre da gravidez. Mas há que se considerar que podem haver dificuldades e o acesso ser tardio. O acolhimento imediato pode preservar vidas. Acesso não é só geográfico Pouco acesso se remete ao acesso social, à situações de abandono, à pobreza, à escolaridade baixa ou ausente.


Pré-natal Dialogando com os dados, com políticas e pesquisas Em pesquisa sobre o porquê da realização ou não do pré-natal , mulheres mostraram que o valor atribuído ao acompanhamento é o que norteia a sua realização. O valor se materializa na perspectiva futura: o bebê. É ele o protagonista da história. A própria mulher e o binômio mãe-filho são menos lembrados. Pesquisa realizada no CMS I RA-Pré-natal: o olhar das mulheres, 1999 O acesso a cuidados pré-natais, o valor atribuído pela família, a disponibilidade de serviço, a distância, o meio de transporte e o custo foram consideradas variáveis para o comparecimento ao pré-natal . Pesquisa de revisão - S Thadeus, D Maine, 1994

Programa Cegonha Carioca: Oportunidade para mães e bebês! A partir do sétimo mês toda gestante tem a oportunidade única de tirar dúvidas e receber orientações durante a visita à maternidade onde seu bebê vai nascer. Pelo Programa todas as gestantes têm uma maternidade de referência e transporte garantido no momento do parto. Acesso facilitado!


Causas de morte materna Entender o conceito de morte materna implica em buscar definições da Epidemiologia. Vejamos o que diz o Datasus para causas de mortes obstétricas:

Causas obstétricas diretas São aquelas resultantes de complicações obstétricas na gravidez, parto ou puerpério devidas a intervenções, omissões, tratamento incorreto ou a uma cadeia de eventos resultantes de quaisquer das causas acima mencionadas. Causas obstétricas indiretas São aquelas resultantes de doenças existentes antes da gravidez ou de doenças que se desenvolveram durante a gravidez não devidas a causas obstétricas diretas, mas que foram agravadas pelos efeitos fisiológicos da gravidez Mortalidade materna segundo tipo de causas C.18 http://tabnet.datasus.gov.br/tabdata/livroidb/idb2010/c18.pdf


Morte materna: Dialogando com os dados de 2012 da cidade do Rio de Janeiro As mulheres que morreram realizaram pré-natal?

72 % realizaram PN 37 % do total a partir do 1º trimestre 28 % não realizaram

Morte por Causas obstétricas Diretas Hemorragia ante/pós parto Hipertensão gestacional Infecção puerperal Embolia de origem obstétrica Aborto Eclampsia Transtornos do fígado Placenta prévia Cardiomiopatia no puerpério Gravidez ectópica

Indiretas Doenças complicando a gravidez Tuberculose Anemia Doenças do aparelho circulatório Doença do aparelho respiratório Doenças do aparelho digestivo Doenças da pele Outras doenças AIDS Hipertensão pré-existente

Questões As causas de morte obstétricas poderiam ser prevenidas com pré-natal de qualidade? O pré-natal pode ser fator de proteção para a (não)morte das mulheres ? O acesso ao pré-natal é diminuído para as mulheres que mais necessitam?


Gestação, parto e puerpério: praticando a Integralidade

MATERNIDADE

Pré-natal Acompanhamento da saúde da mulher e do futuro bebê

Qualidade Acesso Interação nas consultas

Reconhecimento de Vulnerabilidades Intercorrências Alterações de sinais vitais e/ou de exames laboratoriais

Diálogo

Escutar Olhar Sentir Buscar

Conhecimentos

Medidas preventivas Abordagens terapêuticas


Uma história a ser lembrada Da Redação Em 14 de novembro de 2002, Alyne da Silva Pimentel Teixeira estava no sexto mês de gestação e buscou assistência na rede pública em Belford Roxo, no estado do Rio de Janeiro. Alyne era negra, tinha 28 anos de idade, era casada e mãe de uma filha de cinco anos. Com náusea e fortes dores abdominais, buscou assistência médica, recebeu analgésicos e foi liberada para voltar a sua casa. VEJA MAIS Especialistas cobram medidas para reduzir mortalidade materna Não tendo melhorado, retornou ao hospital, quando então foi constatada a morte do feto. Após horas de espera, Alyne foi submetida a cirurgia para retirada dos restos da placenta. O quadro se agravou e foi indicada sua transferência para hospital em outro município, mas sua remoção foi feita com grande atraso. No segundo hospital, a jovem ainda ficou aguardando por várias horas no corredor, por falta de leito na emergência, e acabou falecendo em 16 de novembro de 2002, em decorrência de hemorragia digestiva resultante do parto do feto morto. O caso foi apresentado à Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (Cedaw), órgão ligado à ONU, pela mãe de Alyne, Maria de Lourdes da Silva Pimentel. Em 2011, o Cedaw responsabilizou o Estado brasileiro por não cumprir seu papel de prestar o atendimento médico adequado desde o início das complicações na gravidez de Alyne. Para o órgão, a assistência à saúde uterina e ao ciclo reprodutivo é um direito básico da mulher e a falta dessa assistência consiste em discriminação, por tratar-se de questão exclusiva da saúde e da integridade física feminina. O Cedaw determinou que o Estado brasileiro indenizasse a família de Alyne Teixeira e apresentou recomendações a serem adotadas no serviço público de saúde, para melhorias no atendimento de gestantes. Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)


Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna 28 de maio


Barrigas solidárias em torno do mundo: mulheres defendem mães e crianças

Brasil

Bélgica


A Superintendência de Promoção da Saúde lembra

Rio de Janeiro 2014


O MinistĂŠrio da SaĂşde reconhece


Mulheres e crianças na Declaração do Milênio


Palavras da Rede Mulher Quem morre e por que As principais causas da mortalidade materna são a hipertensão arterial, a hemorragia, as complicações decorrentes do aborto realizado em condições inseguras, a infecção pósparto e as doenças do aparelho respiratório. Muitas vezes a realização de exames simples pode prevenir complicações para a grávida e para o bebê. Por vezes, as mulheres correm riscos porque não se sabe que elas têm pressão alta ou diabetes. Além disso, o risco de morte materna está diretamente relacionado ao nível socioeconômico das mulheres. Pesquisas mostram que o maior índice no Brasil é de mulheres pobres, em especial as mulheres negras. As mortes maternas geralmente estão relacionadas à falta de acesso a serviços de saúde de qualidade, principalmente nas áreas rurais. Além do despreparo dos profissionais de saúde, da falta de humanização do atendimento e de serviços funcionando em condições precárias, também contribuem para esse grave problema as condições sociais e econômicas desfavoráveis das mulheres, que incluem pouca escolaridade, baixa renda e desemprego. A falta de acesso e o uso inadequado de métodos anticoncepcionais, além do número insuficiente de serviços para o atendimento da mulher vítima de violência sexual, também resultam em um grande número de gestações indesejadas e, consequentemente, na realização de abortos clandestinos, feitos sem condições de segurança, que aumentam os riscos de morte materna.

http://www.redemulher.org.br/encarte56.html


Bibliografia Relatório Anual do Comitê Municipal de Prevenção e Controle de Morte Materna do Rio de Janeiro - 2012 Martins, A.L. Mortalidade materna de mulheres negras no Brasil Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(11):2473-2479, nov, 2006 S Thadeus, D Maine; Too far to walk: maternal mortality in context, in Soc Sci Med. 1994 Apr; 38(8):1091-110. Viana, R.C. Garbi Novaes, M.R.C Calderon, I.M.P; Mortalidade Materna - uma abordagem atualizada Com. Ciências Saúde - 22 Sup 1:S141-S152, 2011

http://www.ripsa.org.br/fichasIDB/record.php?node=C.3&


Apresentação Mortalidade Materna