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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA CAMPUS CABEDELO CURSO TÉCNICO SUBSEQUENTE EM MEIO AMBIENTE

RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL: REFLORESTAMENTO DO BIOMA MATA ATLÂNTICA NO LITORAL SUL PARAIBANO

MARIA AMÉLIA DA SILVA

CABEDELO, Janeiro de 2012.


FICHA DE IDENTIFICAÇÃO:

Estagiário

Nome: Maria Amélia da Silva Matrícula: 20101712028 Endereço: R. Rita Porfírio Chaves, 123 – Casa: 103 CEP: Cidade: João Pessoa

Estado: PB

Telefone: (83)8859-5278

E-mail: amelimarques@hotmail.com

Professor Orientador: André Rogério

Instituição Nome: Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste – SPM-NE Endereço: Rua Vereador Genival Guedes, 680 – Mário Andreazza CEP: 58309-760 Cidade: Bayeux

Estado: PB

Telefone: (83) 3253-9372

E-mail: spmpb@yahoo.com.br

Setor onde foi realizado o Estágio: Projeto Preservar e Produzir – Pitimbu/PB Data de início e término: 12/04 a 30/06 de 2011 Supervisor na Instituição: Darcy Lima

Carga horária: 240 h


MARIA AMÉLIA DA SILVA

REFLORESTAMENTO DO BIOMA MATA ATLÂNTICA NO LITORAL SUL PARAIBANO

Conceito: Comissão Examinadora:

___________________________________________ Examinador: Profa. Alexandra Rafaela da Silva Freire

_____________________________________________________ Examinadora: Prof. MSc. Marcelo Loer Bellini Monjardim Barboza

_________________________________________ Orientador: Prof. MSc. André Rogério Matos da Silva

Cabedelo, de Janeiro de 2012


AGRADECIMENTOS

A Deus criador de todos os recursos naturais essenciais a todas às formas de vida;

A toda a minha família pelo apoio e contribuição durante meu processo de formação profissional e pessoal;

Ao Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste e equipe técnica do Projeto Preservar pela oportunidade concedida de realizar estágio em uma área ampla para obtenção de conhecimentos técnicos, a agroecologia;

Aos Assentamentos: Nova Vida, Teixeirinha, Apasa e Capim de Cheiro por terem me recebido com carinho e pelos conhecimentos adquiridos e trocas de experiências durante o estágio realizado.


SUMÁRIO

1. APRESENTAÇÃO...........................................................................................................06 2. INTRODUÇÃO.................................................................................................................07 3. OBJETIVOS......................................................................................................................09 3.1 Geral.................................................................................................................................09 3.2 Específicos........................................................................................................................09 4. ATIVIDADES REALIZADAS.......................................................................................10 4.1 Metodologia Aplicada.....................................................................................................10 4.1.1 Cultivo de Horta Orgânica..........................................................................................12 4.1.2 Implantação de Sistemas Agroflorestais....................................................................13 4.1.3 Capacitação aos professores da Educação Básica dos Municípios de Pitimbu e e Caaporã......................................................................................................................17 4.1.4 Assistência técnica a agricultores familiares.............................................................18 4.1.5 Cinema Comunitário...................................................................................................19 4.1.6 Distribuição de Mudas................................................................................................19 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO....................................................................................20 5.1 Cultivo de Horta Orgânica............................................................................................20 5.2 Implantação de Sistemas Agroflorestais......................................................................22 5.3 Capacitação aos professores da Educação Básica dos Municípios de Pitimbu e Caaporã...........................................................................................................................25 5.4 Distribuição de Mudas e Assistência Técnica aos agricultores familiares...............25 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................27 7.REFERÊNCIAS..............................................................................................................28 ANEXOS.............................................................................................................................29


1. APRESENTAÇÃO O Serviço Pastoral dos Migrantes – SPM é uma das pastorais sociais que integram o Setor Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985 por padres, bispos e religiosos, após o desenvolvimento da Campanha da Fraternidade de 1980, com o lema “Para onde Vais”, que gerou várias reflexões sobre o fenômeno migratório do campo para cidade, suas causas e implicações no Brasil e no Mundo. Fortemente ligada aos movimentos sociais, à política alternativa, à vida eclesial e às organizações em geral, com a missão de “promover a igualdade social e garantir os direitos humanos, o exercício da cidadania, o respeito à diversidade, o protagonismo a acolhida solidária e a pluralidade cultural e religiosa dos migrantes e imigrantes, por meio da implementação de ações de fortalecimento de redes de parcerias” (SPM, 2005). Atua nas diversas origens da migração e imigração forçada, causadas pela concentração da terra pelo latifúndio e a exploração sistemática dos trabalhadores rurais, desenvolvendo alternativas e políticas públicas que reduzam a migração e seus efeitos, entre elas a luta pela reforma agrária e a valorização do trabalho humano, em várias regiões do país. Na Região Nordeste do país, as ações são administradas e desenvolvidas pela instituição regional SPM – NE, principalmente no estado da Paraíba realizando diversas atividades relacionadas a recuperação da dignidade humana e dos direitos dos migrantes, através do acompanhamento dos trabalhadores temporários da cana-de-açúcar e dos migrantes permanentes na área urbana. Na luta pela defesa dos direitos dos migrantes e na defesa da arte, da cultura e da religiosidade, nas lutas contra o preconceito e exploração dos migrantes, apoia os movimentos rurais na luta pela Reforma Agrária, na conscientização das comunidades rurais no desenvolvimento de tecnologias que possibilitem a convivência com o semiárido como a construção de cisternas de concreto para captação de água e incentivo a produção agroecológica, e recuperação e preservação do Meio Ambiente, especificamente do Bioma Mata Atlântica. As atividades relacionadas a recuperação e preservação do Bioma Mata Atlântica ocorrem através da Educação Ambiental, produção, plantio e distribuição de mudas e implantação de Sistemas Agroflorestais - SAFs, como ações diretas do Projeto Preservar Produzir “Recuperando o Meio Ambiente, Cultivando a Esperança” em assentamentos rurais do litoral sul paraibano, sendo este, setor de atuação do Estágio Curricular realizado.


2. INTRODUÇÃO

O Bioma Mata Atlântica é um conjunto de ecossistemas que ocupam faixas de larguras variáveis ao longo da Costa Brasileira abrangendo dezessete estados, do Nordeste ao Sul do país, com florestas altas e densas, devido às condições locais de clima e relevo, onde em áreas com altitudes elevadas predomina a vegetação nativa de pequeno porte formada por arbustos e plantas herbáceas, e no litoral ocorrem manguezais com águas salobras e restinga. São ecossistemas bastante complexos, com altos índices de diversidade biológica, que sofrem constante ameaça de extinção, principalmente as decorrentes da antropização dos seus ecossistemas ao longo tempo. Pois na época da colonização do Brasil, a Mata Atlântica representava 15% do território brasileiro, e atualmente, conforme os últimos levantamentos da Fundação SOS Mata Atlântica, encontra-se apenas com 7,84% de seus remanescentes distribuídos de maneira não equilibrada entre as várias fitofisionomias do Bioma (BRASIL, 2008). Na Paraíba, o desmatamento desenfreado para o desenvolvimento do agronegócio, vem colocando em alerta de extinção várias espécies vegetais e animais, e por se tratar de um sistema extremamente complexo entrelaçado em redes, onde o desaparecimento de uma espécie animal ou vegetal compromete a existência de outras. Além do desmatamento outros fatores contribuem para a destruição do Bioma, como as queimadas e o comércio ilegal sem controle de vegetais. Na perspectiva de recuperar e preservar os remanescentes da Mata Atlântica da Paraíba, o SPM-NE, atualmente em parceria com a instituição espanhola MANOS UNIDAS, vem desenvolvendo ações práticas através do Projeto Preservar e Produzir – P & P, a partir do desenvolvimento da Educação Ambiental e da Implantação de Sistemas Agroflorestais – SAFs, na Zona da Mata Paraibana, exclusivamente em Assentamentos Rurais do Litoral Sul, situados nos Municípios de Pitimbu e Caaporã. O Projeto Preservar e Produzir vem atuando na região desde 2008, com os eixos temáticos: Recuperação de Áreas Degradadas, Reflorestamento, Implantação de Sistemas Agroflorestais, Educação Ambiental e Desenvolvimento de Tecnologias Sociais. Acompanha as famílias agricultoras no plantio de mudas nativas da Mata Atlântica, e as escolas locais com atividades educacionais e culturais com professores e alunos, com o principal objetivo de


“Fortalecer e ampliar as experiências demonstrativas de reconversão de uso da terra e recuperação de remanescentes de Mata Atlântica, visando segurança alimentar e nutricional, incremento de renda, transformação social e igualdade de gênero e geração, através da Educação Ambiental e da adoção e difusão de Sistemas Agroflorestais na Zona da Mata Paraibana”. Além disso promove a permanência do homem no campo evitando a migração forçada (SPM, 2009). Em foco, este trabalho tem o objetivo de demonstrar o desenvolvimento e o acompanhamento das atividades do Projeto Preservar e Produzir - P&P, realizadas nos Assentamentos Rurais: Apasa, Nova Vida e Teixeirinha (Pitimbu) e Capim-de-Cheiro (Caaporã) durante o período de 12/04 a 30/06 de 2011, como instrumento para elaboração de relatório técnico de conclusão de curso, sob a supervisão do coordenador do mesmo, Darcy Lima, e orientação do Prof. MSc. André Rogério Matos da Silva.


3. OBJETIVOS 3.1 Geral Apresentar o Relatório de Habilitação Profissional do curso Técnico Subsequente em Meio Ambiente, através das ações de Educação Ambiental e reflorestamento, do Projeto Preservar e Produzir em Assentamentos Rurais dos municípios de Pitimbu e Caaporã – PB.

3.2 Específicos  Acompanhar e conhecer a implantação de Sistemas Agroflorestais e sua importância agroecológica;  Conhecer e assistir as atividades teóricas e práticas a partir do cultivo de horta orgânica;  Acompanhar seminários de capacitação para docentes da rede pública municipal;  Identificar e recomendar técnicas alternativas de preservação do Meio Ambiente.


4. ATIVIDADES REALIZADAS O estágio realizado ocorreu no período de 12/04 a 30/06 de 2011, no desenvolvimento das seguintes atividades: 

Cultivo e Manutenção de horta orgânica;

Implantação de Sistemas Agroflorestais;

Realização de oficinas com os professores da Rede Pública Municipal;

Assistência técnica a agricultores familiares;

Distribuição de mudas para reflorestamento;

Cinema Comunitário.

4.1 Metodologia Aplicada

Figura 1: Localização da área de atuação P & P. Fonte: SPM - NE, 2009

Como representado na figura acima, o desenvolvimento das atividades ocorreu em três Assentamentos Rurais do Município de Pitimbu (Nova Vida, Teixeirinha e Apasa) e no Assentamento Capim de Cheiro em Caaporã, abrangendo 328 famílias beneficiárias indiretamente, e 80 famílias diretamente, agricultoras e agricultores familiares oriundos do processo de Reforma Agrária, numa área de aproximadamente 569,90 ha de Reserva Legal, servindo por adesão voluntária (devido haver uma convivência consolidada dos agricultores


com a equipe técnica do projeto, através da execução de projetos anteriores), como unidades demonstrativas de técnicas agroflorestais que possibilitem ao máximo a recuperação e preservação da fauna e flora local e conservação do solo (SPM-NE, 2009). Teve como estratégias de ação: 1. Transformar agricultores em plantadores de florestas produtivas e multiplicadores destas práticas agroecológicas em outros assentamentos da região, através da implantação de SAFs, demonstrando que é possível produção sustentável de alimentos e fortalecimento da agricultura familiar em harmonia com o Meio Ambiente; 2. Desenvolvimento da Educação Ambiental, ampliando as discussões sobre os aspectos ambientais no âmbito das escolas municipais dentro da área de execução do projeto, com docentes e discentes. Em todo o processo de planejamento de execução das atividades foram contatadas: lideranças locais de outros assentamentos, docentes de outras escolas, redes regionais e nacionais de proteção ao meio ambiente, como a Rede Mata Atlântica, Rede Brasileira de Agrofloresta, Rede de Sementes do Nordeste, Cáritas Brasileira, Comissão Pastoral da Terra, além da efetiva participação dos beneficiários dos recursos naturais, com o intuito de ampliar os conhecimentos relacionados às problemáticas e potencialidades locais, no sentido de otimizar e viabilizar o desenvolvimento das atividades propostas, e garantir a médio e longo prazo a consolidação dos princípios de sustentabilidade. As atividades desenvolveram-se a partir da assistência técnica e de conscientização dos beneficiários para: 1. Conservação e uso sustentável da biodiversidade e dos recursos naturais; 2. A preservação e recuperação das matas ciliares para preservação das nascentes e das APPs em geral; 3. Eliminação das queimadas e do uso de agrotóxicos; 4. Produção mantida com insumos internos, promovendo a otimização dos lotes das famílias como sugere os SAFs;


5. Produção de materiais de divulgação das atividades executadas, para valorização dos assentamentos e de uma possível continuidade das ações de preservação e produção agroecológica, através da autonomia dos mesmos na busca por novas parceiras financiadoras, através do incentivo à organização comunitária e solidariedade entre os assentamentos beneficiários e não beneficiários. Foram realizadas assembleias, seminários, oficinas, visitas técnicas a campo nos lotes das famílias, cultivo de hortas orgânicas, implantação de SAFs, distribuição de mudas e cinema comunitário.

4.1.1 Cultivo e Manutenção de horta orgânica O cultivo de horta orgânica realizou-se como instrumento de desenvolvimento da Educação Ambiental e promoção de uma alimentação saudável e segura aos alunos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Nova Vida do Assentamento Nova Vida, no Município de Pitimbu, local da sede do P&P, sob a orientação do Biólogo voluntário do projeto Wellington Paes. Foram desenvolvidas todas as etapas necessárias de um sistema de cultivo em pequena escala, como a construção dos canteiros, adubação, plantio, manutenção (limpeza e controle de pragas) e colheita, todas com a participação efetiva dos alunos, no período de 12/04 a 30/06, no Viveiro de Mudas do P&P. Na construção dos canteiros foram adotadas formas estruturais que representam as formas e/ou componentes da natureza, que possibilitassem o manejo adequado, eficaz e ágil dos mesmos, otimizando ao máximo o espaço utilizado e o tempo no desenvolvimento das atividades. Assim como o modelo “buraco de fechadura”. As espécies de hortaliças cultivadas foram àquelas de conhecimento dos discentes, como também foram introduzidas algumas desconhecidas por eles. Na adubação fez-se uso de cobertura morta vegetal provenientes das podas do próprio viveiro, e no controle de pragas com uso de defensivos naturais como a urina de vaca, desbaste e retirada das plantas contaminadas por algum organismo patogênico.


4.1.2 Implantação de Sistemas Agroflorestais As atividades relacionadas à implantação dos Sistemas Agroflorestais – SAFs foram realizadas no período de 13/04 a 30/06 de 2011, nos municípios de execução do Projeto, Pitimbu e Caaporã, especificamente nos Assentamentos Rurais Capim de Cheiro (Caaporã), Teixeirinha e Nova Vida (Pitimbu), nas parcelas de 3 (três) agricultores (um de cada assentamento), atuando como principal tecnologia social

para a recuperação das áreas

degradadas remanescentes da Mata Atlântica da região, recuperação e preservação da biodiversidade, desenvolvimento da agroecologia e segurança alimentar e promoção da Educação Ambiental às famílias envolvidas. No processo de implantação dos sistemas levou-se em consideração os princípios básicos dos SAFs, desde a elaboração até a execução, a saber: 

Definição de área, que seja possível trabalhar a agricultura;

Espécies utilizadas (nativas, de serviço e prioritárias); escolher as espécies prioritárias em função da segurança alimentar familiar e/ou da sua capacidade de diversificar a renda familiar;

Viabilidade econômica ao agricultor e ambiental;

Diversidade de atividades e espécies, para que o solo seja produtivo o ano todo;

Geração de produtos isentos de contaminação por agrotóxico;

Participação do beneficiário desde o planejamento até a execução do SAF, principalmente no que se refere ao levantamento histórico da área, das atividades que eram desenvolvidas e das espécies que melhor se desenvolvem na região;

Troca de experiências entre equipe técnica e o agricultor no intuito de consolidar e diversificar seus próprios conhecimentos, e consequentemente garantir o bom desenvolvimento do SAF;

Acumular matéria orgânica no sistema através da capina seletiva e podas periódicas, de modo que os nutrientes retornem ao solo manejado;

Não utilizar fogo e manter o controle de pragas e doenças, através de defensivos naturais;


Áreas de Implantação A extensão das áreas para implantação dos SAFs foram estabelecidas pelos próprios agricultores, onde segundo eles, são áreas em que os mesmos desejam fazer a reserva legal de suas parcelas, e que futuramente, quando as espécies arbóreas atingirem seu “clímax”, não mais utilizarão os espaços entre elas para as culturas anuais, como no início do desenvolvimento dos SAFs. A área total dos três SAFs é de 100 x 110 m, subdividida em:  35 x 35 m, na parcela da

Srª. Iolanda, do Assentamento Capim de Cheiro,

Caaporã/PB; 

30 x 25 m, na parcela do Sr. Luiz Braz, do Assentamento Teixeirinha, Pitimbu/PB;

35 x 30 m, na parcela do Sr. Belarmino, do Assentamento Nova Vida, Pitimbu. Para definição dessas áreas foram feitas visitas in loco, para analisar características de

solo, umidade, clima e marcação da área, e a partir desses dados definiu-se as espécies a serem plantadas, os espaçamentos adequados, a limpeza do terreno (capina), sempre levando em consideração os conhecimentos e desejos do agricultor. Para tanto, criou-se um croqui de cada SAF, representando a distribuição adequada das espécies utilizadas, de modo que, na realidade uma não prejudicasse o desenvolvimento da outra, e de modo geral todo o sistema, e nem a área de produção do agricultor vizinho, visto que as áreas dos SAFs desenvolvidos encontram-se na divisa das parcelas. Sendo cada croqui construído com a participação do beneficiário, assim como mostra a figura abaixo:

Figura 2: Reuniões de planejamento com agricultora beneficiária.


Espécies plantadas As espécies utilizadas nos SAFs foram escolhidas de acordo com a disponibilidade do viveiro florestal do Projeto e a necessidade do agricultor, focando sempre as espécies prioritárias em função da segurança alimentar da família e/ou da sua capacidade de diversificar a renda familiar, como também em função das demandas existentes do mercado presente e futuro, as quais foram: 

Espécies prioritárias – anuais e perenes, utilizadas para o consumo humano, considerando a segurança e sustentabilidade alimentar da família, e para a geração de renda através do possível beneficiamento e comercialização, como frutíferas e lenhosas em geral;

Espécies de serviço- repelentes, nativas e adubadoras, usadas na prestação de serviços ambientais como: controle de pragas e doenças, fixação de nutrientes no solo, controle a erosão hídrica e eólica, além de proporcionarem um clima mais agradável ao ambiente e favorecerem a diversidade biológica, etc. As espécies prioritárias anuais, como feijão, milho, fava, mandioca, inhame, batata,

hortaliças em geral, medicinais e outros, ficaram a ser cultivadas pelo agricultor, no processo de continuidade e manutenção do SAF, de acordo com a época de cultivo de cada uma delas.

Estrutura e distribuição espacial dos SAFs A estrutura adotada nos três SAFs foi a estrutura horizontal, que possibilita a existência de um ou vários estratos, e a densidade das espécies principais que compõem o consórcio agroflorestal, de modo a garantir a produtividade e a sustentabilidade do sistema, através da agrofloresta tipo floresta-pomar, onde utilizou-se o maior número possível de espécies de cultivo permanente, distribuídos uniformemente, de acordo com o crescimento de cada uma, as condições de solo, insolação, umidade, sombreamento, relevo e a época de colheita.


As práticas agroflorestais utilizadas foram a capina seletiva (limpeza do terreno), na retirada das plantas invasoras e daninhas que prejudicam o desenvolvimento inicial das espécies arbóreas e arbustivas, deixando as mudas de árvores que nasceram naturalmente, bem como as adultas existentes, incorporando-as ao sistema; escolha das espécies a serem cultivadas; desenho da área, obedecendo os espaçamentos adequados; o plantio consorciado denso, respeitando os ciclos de vida e o porte das diferentes espécies; formação de cercaviva; e o monitoramento e manutenção dos sistemas. A figura abaixo representa uma das práticas adotadas:

Figura 3: Capina seletiva

A distribuição espacial adotada foi a uniforme, onde as espécies obedecem a um padrão determinado com espaçamentos constantes, pré- definidos para cada uma delas, de acordo com o nível de desenvolvimento de cada espécie. Sendo que para maioria das espécies arbóreas o espaçamento foi de 4m de uma planta para outra e de 5m entre as fileiras, com exceção da Euterpe oleracea (Açaí) e a Eugenia unifloa L. (Pitanga), com o espaçamento reduzido para 2m e 2,5 m, respectivamente. O plantio foi o mais variado possível, seguindo uma sequência pré-estabelecida (frutífera, de serviço, lenhosa...), de maneira a melhorar a produtividade e adaptar as plantas às melhores condições ambientais. Sendo que algumas espécies foram utilizadas para demarcar limites e formação de cercas-vivas, como a Euterpe oleracea a Bixa orellana L (Urucum), e a Polycias guilfoylei L. (Croti). Durante todo o processo de implantação dos SAFs, foi discutido com os agricultores as técnicas adequadas de manejo e as práticas agroflorestais essenciais para o bom desenvolvimento do sistema, principalmente a capina, o plantio das culturas anuais entre os espaços das espécies arbóreas (adubadoras, repelentes) e as podas, na época adequada, além da rotação de culturas e uso de espécies de diferentes ciclos de vida.


4.1.3 Capacitação aos professores da Educação Básica dos Municípios de Pitimbu e Caaporã As oficinas com os professores da rede pública municipal nas áreas de atuação do projeto, ministradas pelo biólogo Welington Paes aconteceram em dois momentos: o primeiro na Secretaria de Educação de Caaporã, com a participação de um único docente de cada unidade escolar, visando à multiplicação dos conhecimentos adquiridos aos demais colegas. E no segundo momento com os docentes da Escola Municipal do Assentamento Nova Vida e do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI e do PRO-JOVEM do município de Pitimbu. As oficinas tiverem carga horária total de 20h, distribuídas entre o período de 08 e 10 de junho. Abaixo algumas figuras das oficinas realizadas:

Figura 4: Oficina com os docentes do município de Caaporã.

Figura 5: Oficina com os docentes do município de Pitimbu

As temáticas das oficinas foram relacionadas com as condições ambientais do Planeta, Educação Ambiental – EA a partir do ponto de vista legal da Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA, e o atual sistema de Gerenciamento de Resíduos Sólidos dos municípios em questão, sendo a geração e o tratamento dos resíduos sólidos o foco das oficinas, como instrumentos de debates quanto às problemáticas causadas por estes nos núcleos urbanos e rurais e consequentemente nos recursos naturais, e também a importância da redução na geração dos resíduos e do tratamento adequado como a reutilização ou reciclagem. Foi realizado um breve histórico das primeiras discussões sobre a EA no Brasil e no mundo e a importância da sua consolidação na obtenção de uma relação harmônica com a natureza, destacando o papel fundamental da escola e dos educadores, atores essenciais neste processo de transformação de comportamentos e atitudes com o Meio Ambiente, e com isso possibilitar uma qualidade de vida às atuais e futuras gerações.


Durante os momentos de discussão foram apresentados vídeos e animações, no sentido de viabilizar um real entendimento das temáticas abordadas. Por fim, como atividade prática, foram confeccionados jogos pedagógicos a partir de materiais reutilizáveis/recicláveis (plástico, papel, papelão, embalagem de produtos, isopor, etc.), relacionadas às diversas disciplinas do ensino fundamental como, Língua Portuguesa, Matemática, Conhecimentos Gerais, etc. agindo como instrumentos para o desenvolvimento de atividades escolares mais dinâmicas e interativas.

4.1.4 Assistência Técnica aos agricultores familiares As orientações aos agricultores familiares beneficiários através ocorreram da participação da equipe técnica do P&P nas assembleias das associações comunitárias dos assentamentos; das visitas aos lotes dos agricultores; no acompanhamento a comercialização dos produtos agrícolas nas feiras agroecológicas da região; e nos eventos de promoção a preservação e uso racional dos recursos naturais. Abrangeu as seguintes práticas: 

Manejo adequado do solo, de modo que minimizem os efeitos dos processos erosivos oriundos das atividades agrícolas;

Produção e uso de defensivos naturais;

Confecção de gotejadores alternativos para irrigação;

Controle de queimadas;

Produção e uso de adubação orgânica;

Organização e solidariedade comunitária;

Implantação de Sistemas Agroflorestais – SAFs; e

Distribuição de mudas.


4.1.5 Cinema Comunitário Realizado exclusivamente no Assentamento Nova Vida (Pitimbu), aberto a comunidade, a cada quinze dias, sempre nas quartas-feiras, a partir das 18h como um instrumento de promoção de atividade de lazer e cultura aos moradores, onde sempre eram reproduzidos filmes que de alguma forma retratassem um pouco as questões sócio-ambientais, de maneira lúcida e divertida, e sempre de classificação livre viabilizando a participação de todas as faixas etárias.

4.1.6 Distribuição de Mudas e Cinema Comunitário Para a distribuição de mudas para reflorestamento dos lotes dos agricultores, foi feito previamente o cadastramento dos beneficiários, com nome, espécies e quantidade desejadas, de acordo com a disponibilidade do viveiro, realizado no período de 25 a 30 de junho nos quatro assentamentos de atuação do projeto. E a entrega das mudas no período de 04 a 07/07. As espécies e a quantidade de mudas entregues por assentamento variarem de acordo com o número de agricultores cadastrados e quantidade de mudas solicitadas por estes. Em relação ao cinema comunitário, a atividade possibilitou: a promoção de lazer e cultura e sensibilização ambiental de maneira lúdica, exclusivamente no Assentamento Nova Vida, a participação significativa da população local, principalmente do público infantojuvenil, e maior interação entre a equipe técnica do projeto e a comunidade.


5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Cultivo de horta orgânica Como já citado anteriormente, as atividades referentes ao cultivo de hortaliças orgânicas aconteceram exclusivamente no Assentamento Nova Vida, na sede do projeto, onde está situado o viveiro de mudas, com os alunos da Escola Municipal Nova Vida, sob a orientação do biólogo Wellington Marchi Paes, fazendo uso das técnicas da permacultura, a título: “Permacultura na Escola: Plantando a Semente”. As atividades foram desenvolvidas no período de 04 a 06/2011, no turno matutino, sendo, das 08h às 09h com os discentes do 2º ao 5º ano do ensino fundamental, e das 09h às 10h com os do 1º ano, ambas as turmas com uma frequência em média de quinze alunos, com participação efetiva nas ações propostas, tanto teóricas quanto práticas.

Foram realizados debates sobre a importância do consumo de vegetais orgânicos para obtenção de uma alimentação saudável, visando a prevenção de doenças ou como fonte medicinal, além da preservação das plantas e dos recursos naturais em geral, principalmente a água e o solo, componentes essenciais na produção de alimentos saudáveis. Foram discutidas as partes da planta (raiz, caule, folha. Flores, frutos e sementes), suas respectivas funções, as condições ambientais favoráveis ao seu desenvolvimento, como também da micro e mesofauna responsáveis pela manutenção do solo, polinização e dispersão de sementes, entre outros assuntos como, geração e tratamento de resíduos sólidos, contaminação das fontes águas, e as condições atuais da biodiversidade local, discutindo e sugerindo as possíveis soluções que minimizem a degradação ambiental no assentamento.


Na prática foram construídos dois canteiros circulares no modelo “buraco de fechadura”, delimitados com resíduo reciclável/reutilizável (garrafas pet), coletados da comunidade pelos alunos participantes. Tal ação proporcionou o desenvolvimento de práticas como, preparo do solo usando esterco animal e cobertura vegetal, semeadura e irrigação, nos quais foram semeadas sementes de Solanum melongena (berinjela), Beta vulgaris (beterraba), Brassica oleracea var. italica (brócolis), Allium cepa L. (cebola), Allium fistulosum L. (cebolinha), Brassica oleracea (couve), Abelmoschus esculentus (quiabo), Capsicum annuum L. ( pimentão) e Coriandum sativum (coentro), assim como mostra a figura abaixo:

Figura 6: Canteiro “buraco de fechadura”.

Figura 7: semeadura de hortaliças.

Em outros dois canteiros lineares (modelo convencional) pré-existentes cultivados pela equipe técnica do viveiro, os alunos acompanharam o desenvolvimento e a manutenção (fazendo o desbaste e transplante quando necessário) de outras espécies de hortaliças como Lycopersicon lycopersicum (tomate), Lactuca sativa (alface), Eruca sativa (rúcula), Coriandum sativum (coentro) e Brassica oleracea L. (nabo), as quais foram colhidas pelos participantes, sendo parte para o consumo familiar e a outra parte doada a escola para o preparo da merenda escolar. Durante a colheita reservou-se as sementes de algumas espécies como coentro e alface na perspectiva de que os discentes iniciassem a construção de sua própria horta familiar.


Diante do trabalho realizado com as crianças da escola e do relato de alguns pais, podemos considerar a necessidade de atividades que possam inserir valores educacionais, diferentes da educação escolar e familiar, na perspectiva de promover o interesse pela cultura de subsistência e prepará-las para a vida que se abre, resgatando o amor, a esperança e a criatividade na melhoria da qualidade de vida da população. É de fundamental importância as atividades realizadas pelo Viveiro, pois proporciona uma visão mais abrangente do mundo, diferente da realidade local (PAES, 2011).

5.2 Implantação dos SAFs A área total dos três SAFs implantados foi de 100 x 110m, onde utilizou-se uma diversidade bastante significativa de espécies, com cerca de 15 sp distintas em cada um dos sistemas, atendendo um dos princípios essenciais de uma Agrofloresta, a diversidade biológica vegetal, sendo a maioria frutíferas, uma preferência do agricultor, para obtenção de uma alternativa complementar de renda no futuro, entre outros benefícios a longo e curto prazo. Embora haja a necessidade de um aporte maior de insumos no início do SAF, com mudas, mão-de-obra familiar, assistência técnica e conhecimento, quando consolidado sua exploração e manutenção exigem cada vez menos trabalho humano durante sua evolução, favorecidos por fatores naturais como o sombreamento, a variedade de componentes que geram diversas fontes de renda a médio e longo prazo (madeiras, alimentos...) (MAY, 2008). Outro fator importante que facilita a comercialização dos produtos agroflorestais é a organização dos agricultores familiares em associações ou cooperativas, como também o beneficiamento dos produtos. Além do apoio das instituições governamentais e não governamentais na busca pela implantação de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do campo. As espécies frutíferas aliadas às de serviço contribuem com a melhora nas estruturas físicas e químicas do solo, devido o aumento da taxa de matéria orgânica e de infiltração de água no solo, controle de erosão, tanto hídrica quanto eólica, aumento da população de microrganismos e insetos benéficos, estreitamento da variação de temperatura para as culturas e animais (DUBOIS, 2008).


A tabela a seguir representa as espécies utilizadas nos SAFs e suas respectivas funções: Tabela 1. Espécies utilizadas nos SAFs e seus respectivos usos Nome Ciêntífico

Nome Popular

Anacardium ocidentalle L.

Caju

Achras zapota, L. Anona muricato L. Artocarpus integrifolia L. Azadirachta indica A. Juss

Sapoti Graviola Jaca Nim

Bauhinia forficata

Pata-devaca

Bixa orellana L.

Urucum

Cinnamomum zeylanicum

Canela

Eugenia malaccensis Eugenia unifloa L.

Jambo Pitanga

Euterpe oleracea

Açaí

Harconia speciosa Gomez Lecythis pisonis Cambess Lucuma caimito Mangifera indica L.

Mangaba Sapucaia Abiu Mangueira

Persea americana Polycias guilfoylei L. H. Bailey

Abacate Croti

Schinus terebinthifolia Raddi

Aroeira

Jenipapo Tabebuia avellanedae Theobroma cacao Tamarindus indica, L. Total

Ipê Roxo Cacau Tamarindo 23

Usos no SAF

Alimentação, medicinal, adubadeira Alimentação adubadeira Alimentação, adubadeira. Alimentação, adubadeira Defensivo (inseticida e repelente). Adubadeira, ornamentação, alimentação animal. Alimentação, adubadeira, demarcar limites Alimentação humana, medicinal, Alimentação, adubadeira. Alimentação, produção de cosméticos, adubadeira. Alimentação, adubadeira,produção de cosméticos. Alimentação, adubadeira Adubadeira Alimentação, adubadeira. Alimentação, madeira e adubadeira Alimentação, adubadeira. Adubadeira, cercas vivas, condutoras de outras plantas, ornamental. Medicinal, alimentação animal, madeira, quebra vento e cerca viva. Medicinal, alimentação, adubadeira Madeira, adubadeira. Alimentação, adubadeira Alimentação, adubadeira. -

Quantidade média por SAF 7 3 2 2 1 1,3

3,3 0,3 2 4 18

8,3 1,3 1,3 3 2 -

2

0,3 1 1 1 75


A figura a seguir representa a estrutura implantada em um dos SAFs e a distribuição das espécies:

Figura 8: SAF da Srª Iolanda do Assentamento Capim de Cheiro

Durante as visitas aos assentamentos assistidos observou-se que a maioria dos agricultores adotaram de maneira voluntária um sistema agroflorestal específico, os quintais agroflorestais, cercas vivas ou plantios em linhas para demarcar limites, sistemas de plantios típicos de pequenas propriedades rurais. Esses sistemas são comparativamente pequenos e pouco diversificados quanto à sua composição, com cerca de no máximo doze espécies frutíferas associadas às hortas familiares e cercas vivas, sendo este último geralmente utilizando-se espécies ornamentais como: Polycias guilfoylei L. H. Bailey (Croti) e Hibiscus rosa-sinensis L. (brinco-de-princesa).


5.3 Capacitação aos professores da Educação Básica dos Municípios de Pitimbu e Caaporã Tomando como base de discussão o cotidiano da população local, a ação de alguns empreendimentos industriais na região, e a atuação (ou a falta) dos gestores municipais e estaduais, em relação aos aspectos sócio-ambientais, as oficinas promoveram grandes debates resultando reflexões sobre o papel e/ou relação de cada indivíduo o grupo social nas problemáticas ambientais da região. Durante as discussões destacou-se às problemáticas relacionadas aos resíduos sólidos nos municípios, e de que maneira estas poderão ser levadas para a sala de aula tendo como base a PNEA, política esta pouco conhecida pelos docentes da região. Sugeriu-se que os docentes incluam as questões ambientais nos conteúdos programáticos escolares diariamente e de maneira interdisciplinar, assim como recomenda a PNEA. Foram confeccionados jogos pedagógicos, como: dominós matemáticos e silábicos, resta 1, entre outros, funcionando como desenvolvimento de novas metodologias para o trabalho interdisciplinar nas escolas e facilitar aprendizagem dos alunos, além de possibilitar a atividades escolares mais dinâmicas e interativas e estimular o senso criativo dos discentes, ressaltando a importância do reaproveitamento de vários materiais que potencialmente agiriam como agentes poluidores do Meio Ambiente. Vale ressaltar que houve uma frequência mais significativa em Caaporã, onde participaram ao menos um representante de cada unidade escolar do município, enquanto que em Pitimbu, apenas os docentes do Assentamento Nova Vida dos programas: PETI e PROJOVEM, devido à falta de apoio da secretaria de educação deste município.

5.4 Distribuição de Mudas e assistência aos agricultores familiares A partir do cadastramento dos agricultores, as mudas foram entregues na parcela dos mesmos, no período estabelecido pelos próprios agricultores e pela equipe técnica, ficando o plantio sob a responsabilidade dos beneficiários. Foram entregues 2190 mudas, atingindo uma diversidade de 26 espécies (frutíferas, lenhosas e de serviço), em três dos quatro assentamentos assistidos (Apasa, Teixeirinha e Capim de Cheiro).


Com as elevadas taxas precipitações ocorreu um atraso não significativo na entrega das mudas, e ainda com bastante dificuldade, devido às condições precárias das vias de acesso às parcelas dos agricultores beneficiários. Mesmo assim todas as mudas foram entregues no período agendado com os beneficiários. A figura a seguir representa uma das entregas:

Figura 6: Entrega de mudas na parcela do agricultor

Além da distribuição de mudas, os agricultores foram orientados sobre práticas agroecológicas que não degradam o meio ambiente, o que resultou na redução das práticas de queimadas na região, construção de quintais florestais, produção e uso de defensivos naturais, (a exemplo da urina de vaca), plantio de 15 mil mudas (desde o início do projeto até a atualidade), organização e solidariedade comunitária na busca pela implantação de políticas públicas visando uma melhora na qualidade de vida no campo, sensibilização da população quanto às questões ambientais locais, principalmente as que ameaçam a manutenção de recursos naturais essenciais à vida e produção no campo, entre eles os mananciais hídricos locais. Vale salientar que os resultados positivos citados acima são mudanças de comportamentos de alguns agricultores (exceto os quintais florestais que são adotados pela maioria deles), pois quando compara-se a população total beneficiária direta ou indiretamente, constata-se uma resistência assentados em adotar práticas agrícolas sustentáveis alegando sua inviabilidade produtiva e sua eficácia, principalmente quando se refere ao uso de defensivos e adubos naturais, além de ainda fazerem uso de queimadas, chegando a afetar áreas de produção de outros agricultores, consequência de uma herança cultural do lucro fácil e imediato.


6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados obtidos demonstram a importância do desenvolvimento da Educação Ambiental no campo através de metodologias que consideram a realidade e cultura local, tanto na obtenção de uma alimentação segura e a sustentabilidade sócio-econômica da região, quanto pela preservação dos recursos naturais e da sua biodiversidade, uma vez que demonstrou e implantou experiências de sistemas de produção (os SAFs) que possibilitam uma harmonia com o Meio Ambiente, minimizando os impactos ambientais, além de serem fontes de renda, soberania e segurança alimentar, e consequentemente uma melhora da qualidade de vida das famílias beneficiárias. Outro fator que evidencia os benefícios do Preservar e Produzir, foi a ampliação de suas atividades para além de sua área de abrangência, como a formação com os docentes da rede pública dos municípios de Pitimbu e Caaporã, e o Seminário com jovens, o encontro “Juventude e Migração”, com a participação de jovens das áreas de atuação do SPM-NE, sendo que em ambos as atividades foram mais teóricas, que resultaram em grandes e importantes debates e troca de experiências sobre as questões sociais e ambientais locais, como também sobre as iniciativas de algumas comunidades participantes, buscando a recuperação de áreas degradadas. Como trata-se de um projeto sobretudo de Educação Ambiental e sensibilização sócioambiental, o processo de mudança de comportamento e a recuperação de áreas degradadas ocorrem a longo prazo e de forma muito lenta. Porém, é necessário estabelecer parcerias concretas e contínuas com o poder público e/ou instituições privadas, de maneira que garantam a continuidade das ações, uma vez que o período de vigência do projeto encerrou-se em junho de 2011 devido a sua insustentabilidade financeira, cessando as atividades até atualidade (exceto a distribuição de mudas) pois o SPM-NE não possui condições financeiras de dar continuidade as ações implementadas de tanta importância para a recuperação e o desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica no litoral sul paraibano. Contudo, pode-se considerar que o estágio realizado foi bastante proveitoso, pois possibilitou a realização de todas as atividades propostas com base nos princípios agroecológicos, visando à recuperação do Bioma Mata Atlântica associada à sustentabilidade da população local, além da ampliação dos conhecimentos relacionados à agroecologia, tanto para os beneficiários quanto para equipe técnica do projeto.


7. REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Secretaria da Agricultura Familiar. Manual Agroflorestal para a Mata Atlântica. Brasília, 2008. p. 185 – 186.

CENTRO DE DESENVOLVIMENTO AGROECOLÓGICO. Espécies Agroflorestais mais usadas na zona da mata de Pernambuco. Centro Sabiá. Recife, 2009. 56 p.

DUBOIS, Jean. Classificação e Breve Caracterização de SAFs e Práticas Agroflorestais. In: Manual Agroflorestal para a Mata Atlântica. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Brasília, 2008. p. 17- 62.

MAY, P. H. Viabilidade Financeira, Renda Familiar e Serviços Gerados por SAFs. In: Manual Agroflorestal para a Mata Atlântica. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Brasília, 2008. p. 65 – 69.

PAES, Wellington Marchi. HORTA AGROECOLÓGICA: Permacultura na escola: Plantando a semente. In: Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste. Relatório Final: Projeto Preservar e Produzir. Bayeux, 2011. p. 63

SENA, Claudius Monte de. & GARIGLIO, Maria Auxiliadora. Sementes Florestais: Colheita, Beneficiamento e Armazenamento. Guias Técnicos. 2. Projeto Conservação e Uso Sustentável da Caatinga. MMA. Programa Nacional de Florestas. Natal, 2008. p. 25.

SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES. Vinte anos a caminho. 1. ed. CCJ. São Paulo, 2005. 88 p.

SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES DO NORDESTE. Projeto Preservar e Produzir. Bayeux, 2009. p. 5-6.

________ Projeto Preservar e Produzir. Bayeux, 2009. p. 10-14.


ANEXOS

Figura: SAF Agricultor Belarmino


Tabela de Distribuição de mudas por Assentamentos/beneficiários diretos. Município / Assentamento Pitimbu

Apasa

Beneficiários

Luís Augusto da Silva

Nome Ciêntífico/popular

Quantidade

Anacardium ocidentalle L. /Caju

112

Azadirachta indica A Juss / Nim Bauhinia forficata/Pata-de-vaca

27 52

Lecythis pisonis Cambess /Sapucaia

08

Mangifera indica L. / Manga

70

Schinus terebinthifolia Raddi /Aroeira

08

Stryphnodendon adstringens /Conta N.Senhora

28

Tabebuia avellanedae Lor . ex Giriseb / Ipê-Roxo Persea americana /Abacate

80

Euterpe oleracea /Açaí

62

Theobroma cacao/ Cacau

04

Genipa americana L./Jenipapo

56

Mimosa caesalpiniifolia Benth/Sabiá

960

Artocarpus integrifolia L./ Jaca

235

Eugenia malaccensis /Jambo

30

Eschwellera blanchetiana /Imbiriba

26

Achras zapota L./Sapoti

65

Lucuma caimito /Abiu

39

Pterocarpus violaceus /Pau-sangue

59

Anona muricato L. /Graviola

115

Olea europaea/Oliveira

35

Persea pyrifolia /Maçaranduba

36

Eugenia unifloa L./Pitanga

23

15


Manoel Ant么nio

Bixa orellana L. /Urucum

10

Marcos Viegas

Spondias tuberosa /Umbu

05

Thiago

Citrus aurantifolia (Christm) Swingle /Lim茫o

30

TOTAL

2190


Relatório de Estágio - Preservar e Produzir