Issuu on Google+

Abril de 2012

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental

Financiado por:

Autor: Ana Cavaco Co - Financiado por:

. Projeto NC 068

Entidade Promotora:

Consórcio:


“Família é contexto natural para crescer. Família é complexidade. Família é teia de laços sanguíneos e, sobretudo, de laços afetivos. Família gera amor, gera sofrimento. A família vive-se. Conhece-se. Reconhece-se.” Relvas, A. (1996), p. 9

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


ÍNDICE

1. Preâmbulo …………………………………………………………

4

2. Enquadramento da Problemática ……………………………….

4

3. Objetivos …………………………………………………………..

10

4. Utilidade ……………………………………………………………

10

5. Metodologia de Aplicação do Recurso …………………………

10

5.1 Como Utilizar …………………………………….…………… 10 5.2 Competências Técnicas necessárias ……………………… 11 5.3 Estratégias Utilizadas ……………………………………….. 11 5.3.1 A Estratégia de Mobilização das Famílias …………… 11 5.3.2 O Programa de Formação Parental …………………... 14 6. Resultados do Processo de Experimentação …………………

17

7. Avaliação/Impacto ………………………………………………..

20

8. Orientações Metodológicas ……………………………………

21

9. Referências Bibliográficas ……………………………………….

24

Anexos …………………………………………………………………….

25

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Preâmbulo

A ideia central deste manual assenta na partilha e divulgação de algumas práticas que se revelaram promissoras na promoção da capacitação e participação dos diferentes atores em matéria de inclusão social de crianças e jovens

provenientes

de

contextos

socioeconómicos

desfavorecidos

e

problemáticos. As estratégias de empowerment descritas têm como objetivo o reforço das capacidades dos seus destinatários prioritários, adotando uma perspetiva de intervenção sistémica, na qual se integra um conjunto diversificado de dimensões interdependentes.

Consiste num cômputo de resultados com vista à atenuação dos problemas

identificados,

pretendendo

estrategicamente

sensibilizar

as

instituições e os recursos, já hoje disponíveis na comunidade, para o redirecionamento da sua intervenção de forma a dar continuidade às ações que se revelaram mais eficazes.

Estas práticas foram aplicadas pelo projeto Azimute 270º, integrado na 4ª Geração do Programa Escolhas, visando a promoção do ajustamento social das crianças e jovens e suas famílias, tentando que elas próprias sejam agentes do seu processo de mudança. 2. Enquadramento da Problemática “Cada homem que tem filhos sente um desejo imenso de lhes dar amor e vive com a responsabilidade de os educar bem, de forma positiva e atualizada” Leonor Segurado de Falé Balancho, 2003

Atualmente, assistimos a uma mudança quer no papel das famílias, quer no papel das escolas, assumindo cada uma destas entidades inúmeras funções paralelas na vida e no desenvolvimento físico, psicológico, social e escolar das crianças.

A família é o cenário mais significativo do crescimento e desenvolvimento das crianças e é neste sentido que se torna importante reconhecer nos pais o papel de primeiros educadores, na medida em que o lar constitui a primeira escola de aprendizagens múltiplas e fundamentais.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Tendo em linha de conta as exigências que são sentidas no dia a dia familiar, o papel dos pais, torna-se cada vez mais importante no futuro desenvolvimento psicológico, social e escolar da criança. Neste sentido, a família é o lugar privilegiado, no qual a criança realiza a aprendizagem dos valores essenciais e do mesmo modo, estabelece as relações afetivas indispensáveis ao seu desenvolvimento global.

Constitui-se assim como o primeiro microssistema, no qual a criança se insere, é no seio da família que a criança faz as suas primeiras aprendizagens e adquire os requisitos necessários à aquisição de posteriores conhecimentos e capacidades.

Por outro lado, a escola atual também assume um papel preponderante no desenvolvimento da criança, visto ser um dos espaços onde esta passa mais tempo durante o dia. Este facto confere uma enorme importância às tarefas a desempenhar pela escola, não substituindo de modo algum as tarefas a desempenhar pela família.

É neste sentido que se torna importante e fundamental formar parcerias entre a escola e a família, numa tarefa comum de “ensinar”.

Os pais desejam cada vez mais informar-se sobre questões relacionadas com o desenvolvimento dos filhos e da sua função parental. A sua implicação na educação enriquece a qualidade das relações interindividuais na comunidade. Desta forma, o trabalho com pais amplia o trabalho realizado por eles no interior das suas casas e do mesmo modo do trabalho realizado pela escola.

Neste sentido, a educação dos pais favorece a emancipação dos adultos e das crianças, que poderão servir de mensagem e de mensageiro. Simultaneamente, constitui-se como uma forma de promoção de autonomia, enriquecimento da personalidade, encorajamento à maturidade, por meio do desenvolvimento de responsabilidades sociais.

Os pais são assim uns parceiros sociais obrigatórios, quando falamos em educação e desenvolvimento de crianças.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Contudo, nem sempre os pais se sentem preparados, quer em termos cognitivos, quer sociais para desempenhar a sua função parental, transferindo para a escola, toda e qualquer responsabilidade de educação dos seus filhos.

É certo que hoje em dia se enfrentam inúmeras dificuldades, quer profissionais, quer a nível psicológico e social, que dificulta o trabalho dos pais. Por outro lado, as próprias estruturas familiares sofreram também algumas alterações, tendo grande influência no desenvolvimento familiar. Importa assim, um esforço para uma ação educativa conjunta e o estabelecimento de relações fortes e estruturadas entre a escola e a família.

Contudo, o que ainda está por discutir e encontrar, são as formas mais eficazes de intervir tendo em conta a problemática das famílias e da sua relação com as escolas e as formas de mobilização das mesmas para a participação nos programas de formação parental. O que leva os pais a participarem neste tipo de ações, o que os motiva a assumirem um papel mais presente na vida educativa dos seus filhos, bem como, as formas utilizadas nesta mobilização.

Tendo em conta a experiência adquirida, nem sempre é fácil levar os pais a participar neste tipo de ações, uma vez que, existem algumas ideias e preconceitos que dificultam a mobilização dos pais e familiares. Entre outras a ideia de que “ninguém os pode ensinar a ser pais”, que “quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro”, por desvalorizarem a sua função parental e pensarem que não têm nada que ensinar aos seus filhos, que não têm tempo, que não é importante, que não têm nada a ganhar pela sua participação, etc.

Existem assim, muitos constrangimentos a esta relação que dependem também dos contextos onde são estabelecidas, contudo é possível enumerar alguns mais frequentes e que parecem trespassar a fronteira do contexto social, tal como é o caso da dificuldade das escolas em acompanhar o ritmo da sociedade civil, adotando metodologias de educação participada, a quebra do esquema tradicional da vida familiar e a entrega de novas responsabilidades à escola (Reimão, 1996). Por outro lado, a relação entre a escola e a família pode tornarse conflituosa, na medida em que a escola é sentida como uma intrusa na educação e consequentemente em conflito com a família (Moura, 2005). Contudo, existem outros condicionantes desta relação, que dizem respeito às idades das crianças e ao seu nível escolar, ao tamanho e à localização das

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


escolas, à perceção que os professores têm de si próprios e ainda das características dos pais a nível sócio - económico (Montadom, 2001).

Assim, esta relação está mais facilitada com os pais e familiares das crianças mais novas e que frequentam o pré-escolar e o 1º ciclo do ensino básico (Montadon, 1991), como também com os pais das crianças que apresentam mais dificuldades escolares, neste último caso, não por mais disponibilidade dos pais, mas talvez por um maior interesse por parte dos professores (Eccles e Harold cit por Montadon, 2001).

Relativamente ao tamanho e à localização das escolas, são as escolas das áreas metropolitanas que apresentam um maior distanciamento face às famílias (Montadon, 2001).

No que diz respeito à perceção que os professores fazem acerca de si próprios, sendo a relação entre a escola e a família, mais difícil com os professores que têm uma perceção negativa de si próprios (Hoover-Dempsey et al, 1987 cit por Montadon, 2001). Contrariamente, são os professores que têm perceções positivas acerca das suas competências e relativamente ao seu trabalho que estabelecem uma melhor relação com os pais de meios desfavorecidos (Epstein cit por Montadon, 2001).

Por último, as características sócioeconómicas dos pais são também referenciadas como variáveis importantes no estabelecimento da relação entre a escola e a família, pois são os pais com recursos mais altos que participam mais na vida escolar dos filhos, contudo outros estudos apontam para que esta não seja uma condicionante relevante, na medida em que existem muitos pais de recursos mais baixos que se implicam na vida escolar dos filhos (Clark, 1983; Scott-Jones, 1987; cit por Montadon, 2001).

Assim sendo, é visível que nem todos os pais atribuem o mesmo valor à escola e da mesma forma, a escolaridade não é vivida igualmente por todas as crianças, jovens e famílias. Contudo, a grande maioria dos pais atribui uma grande importância à escola, esperando que esta discipline os seus filhos (Montadon e Perrenoud, 2001), podendo até haver alguma desresponsabilização por parte dos pais, com um misto de desconfiança relativamente à escola, no

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


que diz respeito ao modo como esta instituição trata do seu filho (Montadon e Perrenoud, 2001).

Por estes motivos o diálogo entre estas duas instituições de base da educação da criança não é fácil, até porque o grupo profissional de docentes encontra-se muito organizado e assume um grande poder em termos da sociedade civil, estando integrado num sistema escolar que foi concebido para funcionar sem negociar com os pais (Montadon e Perrenoud, 2001).

Tendo em conta o atrás descrito, urge adaptar e mudar as estratégias educativas dos pais, no sentido de se tornarem mais eficazes, trazendo-lhes a eles próprios um sentimento de bem estar emocional (Marujo, 1997).

Neste sentido é dado um valor extremo à criança e à educação de pais, na medida em que “ninguém nasce ensinado” e longe vai o tempo onde ser pais e mãe era considerado como fazendo parte do instinto do Homem e da Mulher. Desta forma, é necessário uma aprendizagem que valorize o impacto dos comportamentos dos adultos na construção da identidade das crianças e jovens, que são os seus filhos (Becnel, 1990; Bentler, Oro-Bentler & Mitchell, 1979; Gordon, 1989 cit por Marujo, 1997).

Por outro lado, é importante um investimento na mudança da atitude dos pais face à escola e face aos técnicos, dando-lhes um conjunto de informações importantes para o desenvolvimento dos seus filhos, tendo consciência do seu papel enquanto pais e acima de tudo do poder que exercem na educação dos seus filhos, ou seja, transmitir a ideia de que existe uma possibilidade de construção permanente da forma de ser e educar (Marujo, 1997).

Isto só será possível se se assumir uma atitude de apoio aos pais enquanto seres humanos, isto é, só tendo consciência de que têm controlo sobre a sua vida e que têm um papel muito importante no desenvolvimento dos seus filhos, fazendo com que acreditem em si próprios e conscientes daquilo que são capazes da fazer ou não fazer (Marujo, 1997).

Segundo Perez (2005) as famílias precisam de formação para participarem ativamente na educação dos seus filhos, interiorizando um conjunto de atitudes

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


favoráveis ao sucesso, desenvolvendo uma maior familiaridade com a cultura escolar (Martins, 2003).

A educação de pais para o seu envolvimento terá efeitos educacionais e sociais positivos no desenvolvimento da criança, pois tanto pais como professores terão sempre algo a aprender, como também para partilhar (Moura, 2005). Assim a tarefa de ambos ficará facilitada e mais adequada, na medida em que partilham preocupações e tarefas educativas, conduzindo a uma maior confiança dos pais no trabalho das escolas (Moura, 2005).

A escola tem um papel para a inclusão social, de apoio, aconselhamento e intervenção junto das famílias, não tendo apenas em linha de conta o seu papel não menos importante de ensinar as crianças os conteúdos escolares preconizados pelo sistema educativo. A escola deverá assim intervir de uma forma mais global, tendo em conta o ser humano global com o qual interage todos os dias (Moura, 2005).

Em suma, e apesar de ser um objetivo muito difícil de alcançar, a escola deverá constituir-se como um projeto coletivo da própria comunidade, passando de um espaço de ensino a um espaço de educação e cidadania (Moura, 2005).

Um Programa de Educação Parental, poderá funcionar como um dispositivo importante para a consecução deste objetivo da escola como um projeto coletivo, no qual pais, professores, crianças e comunidade colaboram em uníssono.

A nova forma de encarar a educação, as transformações que temos vindo a assistir e os benefícios e constrangimentos que se colocam na participação mais efetiva das famílias no processo educativo dos seus filhos, constituem os fundamentos principais para a realização de programas que visam trabalhar a relação entre a escola e a família.

Este tipo de programas, contribui para uma maior participação dos pais nas aprendizagens escolares, resulta num melhor aproveitamento escolar e numa atitude mais positiva dos alunos face aos conteúdos curriculares que a escola transmite, ampliando o sucesso escolar dos alunos.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Estudos efetuados por Epstein (1995) concluíram que uma boa relação entre a escola e a família promove um melhor clima escolar, um maior suporte ás famílias, a promoção de competências dos pais, a ligação das famílias à escola e o auxílio dos professores no seu trabalho docente. Outros estudos mostraram também que, as atitudes dos pais face à escola são influenciadas pelas suas perceções sobre o tipo de colaboração que estabelecem com os professores (Coleman et al, 1996).

Em suma, a realização de programas que promovam a relação entre a escola e a família são de todo desejáveis e existem razões que sustentam a sua necessidade e apontam para as suas vantagens e benefícios de todos os agentes educativos. 3. Objetivos Este recurso tem objetivo orientar todos os técnicos/professores que pretendem implementar um programa de formação parental com famílias de crianças e jovens com baixas competências parentais, no sentido da sua mobilização para a participação. 4. Utilidade Este recurso não terá uma utilidade de forma imediata, uma vez que estarão descritas um conjunto de estratégias devidamente testadas de mobilização das famílias que poderão ser implementadas nos diferentes contextos de intervenção, contudo exigirá alguma preparação, bem como um Programa de Formação Parental. 5. Metodologia de Aplicação do Recurso 5.1 Como utilizar Este recurso poderá ser utilizado como Guia de Orientações Estratégicas para a mobilização das famílias para a participação num programa de formação parental e para a sua implementação.

É constituído por três partes distintas, uma primeira de introdução e enquadramento da problemática da intervenção com a família e a importância do desenvolvimento de programas de formação parental na atualidade.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Uma segunda parte de descrição da metodologia utilizada, com a respetiva apresentação de resultados e impactos da sua implementação e por último uma terceira parte com Fichas de Atividade, que são exemplos concretos de intervenção, que poderão servir de modelo para a replicação da metodologia preconizada neste recurso. 5.2 Competências Técnicas necessárias Os requisitos necessários serão: - Ser técnico de intervenção social e ou da área da educação; - Os técnicos deverão ter poder de comunicação; - Deverão ter um bom conhecimento da realidade local;

A abordagem deverá ser não formal, coerente e credível, sem juízos de valor acerca dos comportamentos dos pais e dos estilos educativos parentais de cada um, bem como das suas crenças e valores culturais.

A postura inicial não deverá ser de ensino e aprendizagem, mas sim de partilha de conhecimentos e vivências, entre técnicos e pais, bem como entre pais.

Um fator facilitador será se o técnico(a) for mãe ou pai, na medida em que, tem uma experiência direta e concreta cerca da função parental, o que poderá facilitar a relação com os pais, a linguagem utilizada, a perspetiva de vida e por isso influenciar a credibilidade perante os pais. 5.3 Estratégias utilizadas 5.3.1 A Estratégia de mobilização das famílias Para a mobilização das famílias, foram utilizadas várias estratégias, com base no conhecimento adquirido da realidade local, da temática em questão e da mesma forma de alguma literatura existente neste âmbito, que nos permitiram selecionar alguns princípios de intervenção base, que nos foram muito úteis ao longo da intervenção.

Em primeiro lugar, a ideia de que as crianças e jovens são um veículo de passagem de informação essencial entre a escola e/ou projetos e a família e deverão por isso estar envolvidos no processo de mobilização das famílias para a participação nas ações de formação parental.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Em segundo lugar, que as escolas deverão igualmente estar no centro da questão, uma vez que é o local onde as crianças e jovens passam a maior parte do seu tempo, exercendo uma forte influência no seu desenvolvimento e educação.

Um terceiro princípio, que se prende com a adequação das ações às necessidades apresentadas pelas famílias, pelo que consideramos ser um forte preditor de sucesso se as ações forem de encontro às motivações e necessidades das famílias, quer ao nível dos aspetos operacionais (horário, duração e tipologia das sessões, periodicidade e local de desenvolvimento das sessões), quer ao nível das temáticas e forma de abordagem das mesmas.

Neste sentido foram desenhadas várias estratégias, que passamos a descrever: Levantamento das necessidades ao nível da formação parental Começámos por efetuar um levantamento de interesses aos pais das crianças através da elaboração e aplicação de um inquérito por questionário, com a colaboração dos professores dos três agrupamentos escolares do concelho de Peniche que se mostraram disponíveis e recetivos para o projeto, para além dos parceiros que tiveram um papel fundamental ao longo deste período de implementação do projeto.

Posteriormente foram analisados os inquéritos por questionário e contactados telefonicamente, os pais que demonstraram interesse na participação nas ações de formação. Paralelamente foi sendo estruturado o programa de formação com as temáticas escolhidas pelos inquiridos, contactados os formadores adequados, que colaboraram voluntariamente neste projeto.

Numa segunda fase foi efetuada a calendarização da ação de formação, tendo em conta a disponibilidade dos formadores e as preferências dos inquiridos, e constituiu-se o programa de formação Ao longo deste processo foram sendo realizadas várias reuniões quer com os parceiros, quer com os professores, com os quais foi possível criar uma sinergia muito positiva de colaboração, não só na aplicação dos questionários de levantamento de interesses dos pais, como na dinamização de algumas. Foi possível envolver cerca de 152 pais na resposta aos questionários.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Divulgação por meio de cartazes e fliers em locais estratégicos, nomeadamente nas escolas. Os cartazes tinham uma leitura simples, com as informações essenciais, tais como, o horário, a temática e o local da ação, sempre com uma mensagem de motivação para os pais, na qual se inscrevia a mais valia para os filhos da participação dos pais.

Envio de convites por correio à participação nas ações para pais e familiares que já tinham frequentado outras ações anteriores, uma vez que a associação já tem uma experiência anterior e uma bolsa de contactos nesta vertente.

Divulgação no Facebook do projeto. Este meio de divulgação não se tem revelado muito eficaz com este público, contudo é sempre uma mais valia, no sentido do passa palavra digital. Envio de SMS, no dia anterior a cada uma das sessões.

Convite aos pais e familiares das crianças e jovens do projeto para a participação numa atividade comemorativa do Dia do Pai, no Dia da Mãe, e no Dia Internacional da Família. Estes convites foram elaborados pelas próprias crianças durante as atividades do projeto e pessoalmente pelos técnicos do projeto, através do contacto informal com as famílias.

Ida ao Estádio de Alvalade em Família – Esta foi uma atividade promovida pelo Programa Escolhas e potenciada pelo projeto para o contacto com as famílias, uma vez que para a participação das crianças e jovens na ida ao Estádio, para ver o jogo do Sporting Clube de Portugal, estas teriam que se fazer acompanhar por um elemento da família adulto, proporcionando a relação entre pais e filhos e/ou outros familiares e por outro lado, uma oportunidade de melhoria do contacto com o projeto, contribuindo para o estreitar de relações de proximidade e o objetivo último a promoção de competências parentais. Relação de proximidade com as escolas e professores, havendo contactos frequentes com os professores e partilhando informações e estratégias de intervenção.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Participação de alguns professores nas sessões de formação parental, como animadores das mesmas em temáticas relacionadas com o comportamento das crianças na escola ou na relação escola-família. 5.3.2 O Programa de Educação Parental O Programa surge como uma das respostas aos problemas identificados pelo diagnóstico inicial do projeto, que evidenciava a necessidade de trabalhar com as famílias das crianças e jovens, na medida em que a família é o primeiro cenário significativo na vida da criança e que se mantém durante toda a vida.

A escola também assume um papel importante a partir de uma certa altura da vida da criança e por este motivo, torna-se relevante trabalhar com as escolas.

Paralelamente foram diagnosticados alguns problemas de insucesso e abandono escolar, que são fenómenos complexos e que necessitam de ser abordados de uma forma global, não beneficiando apenas os conteúdos escolares e/ou as capacidades das crianças, mas também os contextos sociais e familiares onde as crianças e jovens estão inseridos.

Desta forma, o Programa de Educação Parental terá como principais objetivos promover a relação escola-família e por outro lado promover as competências parentais.

No mesmo sentido, importa habilitar os pais na sua função de educadores, elaborando programas, cujos objetivos se centrem na procura de uma educação estruturada e na formação de cidadãos autónomos e criativos.

Assim, procuramos pôr em prática programas que detetem e sistematizem estratégias psicossociais que promovam as relações intra-familiares, que atualizem e ativem os comportamentos parentais suscetíveis de estimular o desenvolvimento cognitivo e afetivo das crianças e por último que encorajem os pais na sua função parental, suscitando neles a vontade de diversificar, enriquecer, experimentar e avaliar as suas práticas educativas.

A nova forma de encarar a educação, as transformações que temos vindo a assistir e os benefícios e constrangimentos que se colocam na participação mais

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


efetiva das famílias no processo educativo dos seus filhos, constituem os fundamentos principais para a realização de programas que visam trabalhar a relação entre a escola e a família.

Este tipo de programas, contribui para uma maior participação dos pais nas aprendizagens escolares, resulta num melhor aproveitamento escolar e numa atitude mais positiva dos alunos face aos conteúdos curriculares que a escola transmite, ampliando o sucesso escolar dos alunos.

Contudo, após a fase de divulgação e mobilização foi necessário criar diferentes abordagens tendo em linha de conta as necessidades dos pais. A primeira abordagem concretizou-se na construção de uma ação de formação parental, mediante inscrição dos pais e/ou familiares interessados, com módulos de formação específicos, nomeadamente, os seguintes: Módulo 1: Desenvolvimento Infantil Módulo 2: Comunicação e Linguagem na Relação entre a Criança e o Adulto Módulo 3: Indisciplina em Casa e na Escola Módulo 4: Os Pais como Educadores numa Escola Aberta Módulo 5: Relação Pais/Filhos Módulo 6: Gestão de Conflitos na Relação Familiar Módulo 7: Formas de Abordagem do HIV Sida com crianças e jovens Módulo 8: Importância da Leitura para o Desenvolvimento Infantil/Juvenil

Cada módulo teve a duração de 2 horas e foi dinamizado por formadores diversos com experiência em cada uma das áreas com o apoio técnico e logístico da equipa técnica do projeto. Os formadores tiveram flexibilidade nas abordagens das temáticas, tendo sido efetuado um documento de orientação estratégica partilhado por todos os intervenientes, no sentido de não se duplicarem conteúdos, nem formas de abordagens, tais como, dinâmicas de grupos e jogos repetidos.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Cada módulo contou com uma abordagem muito participada e dinâmica das sessões, possibilitando a troca de experiências.

A definição das temáticas dos módulos, teve em conta o levantamento de interesses, no qual foi perguntado aos pais quais as temáticas que gostariam de ver abordadas no curso de formação.

Este foi o primeiro conjunto de módulos abordados, podendo ser abordadas as temáticas de maior interesse nos contextos de implementação do programa.

Neste sentido, os módulos deverão ser definidos consoante os contextos de implementação, os destinatários da formação, as suas características pessoais, sociais e escolares, tendo como base o princípio já referido anteriormente de empowerment dos envolvidos e da partilha e complementaridade de saberes.

No final da ação, os participantes receberam um certificado de formação e preencheram um questionário de avaliação da satisfação, bem como da perceção individual acerca da aquisição de competências parentais.

Para a continuidade do programa, poderão ser definidos novos módulos de formação, tendo em linha de conta uma avaliação contínua, adotando os princípios da investigação-ação, na qual os diagnósticos deverão ser sistematicamente atualizados através de avaliações intercalares. Como segunda abordagem, foram dinamizados cinco workshops temáticos, mediante inscrição por parte dos pais e/ou familiares, contudo, independentes uns dos outros, não obrigando os participantes a estarem presentes num número mínimo de sessões.

Os workshops foram dinamizados por convidados especialistas nas áreas específicas.

Nesta abordagem, houve sempre um pequeno lanche, que após e/ou durante a sessão, quebrava um pouco o gelo e permitia um ambiente de informalidade, proximidade e confiança que em muito beneficiou a atividade.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Após cada workshop, era passado um pequeno questionário de avaliação da sessão, onde os participantes podiam ir dando a sua opinião e perceção acerca do decorrer das sessões. 6. Resultados do Processo de Experimentação

Para a avaliação dos resultados da experimentação foram tidos em conta os seguintes indicadores: - Nº de ações realizadas; - Nº de pais e/ou familiares envolvidos; - Aquisição de competências parentais.

Na primeira abordagem foi realizada uma ação de formação que contou com a participação de 15 participantes que assistiram, pelo menos a uma sessão da iniciativa.

Um dos objetivos desta Ação de Formação Parental foi contribuir para a melhoria/facilitação da relação entre a escola e a família, duas instituições que desempenham

um

papel

extremamente

importante

no

crescimento

e

desenvolvimento das crianças e jovens.

Neste sentido, os pais e familiares foram questionados acerca deste ponto, ao que responderam que este programa “facilita muito” na relação entre os dois agentes. Programa de Formação Parental Facilita na Relação Escola-Família

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


A Universidade das Famílias teve também como meta criar as condições favoráveis, através da abertura de um espaço de partilha de experiências e saberes complementares dos técnicos responsáveis por cada módulo e dos próprios pais e familiares participantes das Ações de Formação. Pretendeu-se assim, contribuir para o desenvolvimento ao nível da aquisição e/ou melhoria de competências parentais, uma vez que se considera que a família é o primeiro cenário de desenvolvimento da criança e que desempenha um papel essencial ao longo de toda a sua vida.

Assim, é importante reforçar as capacidades dos pais para que fiquem mais atentos e informados acerca dos assuntos relacionados com os filhos.

Neste sentido, os formandos foram inquiridos acerca do nível de atenção na educação dos filhos, do sentimento de bem estar consigo próprio por participar na ação de formação, da receção de novas informações e de respostas para a resolução de alguns problemas. Foi possível apurar os dados apresentados nas figuras seguintes: Considera-se mais atento a alguns temas relacionados com a educação do seu filho?

Sente-se melhor consigo próprio por participar na Universidade das Famílias?

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


A leitura que se faz destes gráficos é que todos os participantes consideraram que após a formação, consideram-se mais atentos a alguns assuntos relacionados com a educação dos filhos, e que se sentem “muito” melhor consigo mesmo por participar nesta acção, exceptuando um formando que se sente “igual”.

Foi questionado aos participantes se nestas sessões “encontraram algumas respostas que os ajudaram a resolver alguns problemas”, a maioria afirmou que encontraram as “suficientes”, e deram alguns exemplos de problemas que conseguiram resolver, que não teriam conseguido se não tivessem frequentado as sessões, tais como: “Nos momentos de desacordo, opto por deixar para um pouco mais tarde, tornar a falar do assunto” e “como abordar sexualidade, HIV e toxicodependência”.

Outra das questões aberta que foi colocada teve a ver com o facto de ter havido alguma mudança em alguma coisa ou algum aspeto específico no seu comportamento ou forma de estar perante os filhos, todos afirmam que sim, que houve mudanças tais como: “sim, tento compreende-lo melhor, visto ser um adolescente (teimoso)” e “Mudou, porque neste momento consigo que a minha postura em relação a algumas decisões seja sempre a mesma”.

No âmbito da segunda abordagem descrita, foram realizados de Janeiro a Junho de 2011, cinco workshops temáticos que contaram com a participação de 25 pais e/ou familiares, sendo uma média de 10 participantes constantes, apesar da não obrigatoriedade de participação em mais do que uma sessão, o que consideramos um aspeto muito positivo, e um forte indicador de eficácia na mobilização e da qualidade do programa em si.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


7. Avaliação/impacto Ao nível da avaliação e impacto das ações de formação parental quer nos pais, quer nos filhos quer na comunidade, a nossa perceção é muito subjetiva, na medida em que não foi efetuada nenhuma recolha sistemática de dados que nos permitam estabelecer relações de causa-efeito nas ações desenvolvidas e nos comportamentos adotados pelos pais. Algumas mais valias prendem-se com o facto de ter permitido o contato inicial com os pais e/ou familiares das crianças, no sentido de estabelecer uma relação de proximidade, o facto de promover oportunidades de interação entre pais e filhos (motivação de pais e filhos para a participação), promover a Relação entre pais e filhos e o contacto personalizado com os pais, valorizando a colaboração dos filhos na abordagem de aproximação aos pais.

Contudo,

salientamos

alguns

exemplos

que

consideramos

relevantes,

nomeadamente os seguintes: Encaminhamento conjunto (escola, família e projeto) para respostas específicas ao nível das necessidades educativas específicas das crianças; Trabalho em rede entre escola, família e comunidade (projeto) ao nível da elaboração de trabalhos para épocas festivas, nomeadamente, no Carnaval, para a elaboração das máscaras para o desfile escolar. Este facto parece aparentemente, irrelevante, contudo, para este contexto é um aspeto significativo e que retrata a relação de proximidade com as famílias, adquirida ao longo do decorrer das sessões do programa de formação parental; Partilha de dificuldades e reconhecimento da possibilidade de ajuda e de respostas para problemas dos filhos; Reconhecimento da importância da realização de atividades conjuntas entre pais e filhos, como por exemplo na elaboração de um desenho conjunto e sua influência na qualidade da relação entre pais e filhos. Foi para a maioria dos pais, a primeira vez que dedicaram algum do seu tempo para estarem com os seus filhos a realizar uma tarefas tão simples como fazer um desenho. Alguns pais participam mais ativamente nas sessões em que as atividades/dinâmicas são conjuntas entre pais e filhos. Demonstração de maior interesse no percurso escolar e social dos filhos, valorizando-o. Como exemplos concretos é o aumento das visitas à

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


escola e ao ATL para se inteirarem dos sucessos e/ou insucessos do percurso escolar dos filhos, valorização da realização dos trabalhos de casa, procura de respostas para as dificuldades dos filhos nas questões escolares. 8. Orientações Metodológicas Um programa de Educação Parental pretende-se que seja participado por toda a comunidade educativa, ou seja, pais, professores e alunos. Neste sentido, as orientações metodológicas centram-se nesta aproximação entre os vários intervenientes da comunidade educativa, com um objetivo comum e na participação ativa de todos eles.

É certo que esta não é tarefa fácil e que muitas vezes pode resultar infrutífera, contudo o diálogo entre os parceiros logo desde uma fase inicial de definição de objetivos, de planificação das sessões, da definição de periodicidade e horários, etc., poderá constituir-se como um motor de arranque para o funcionamento efetivo do programa.

Outra

orientação

metodológica

será

o

levantamento

de

interesses e

necessidades dos pais e professores e das suas dificuldades enquanto educadores, para que o programa possa responder efetivamente ao grupo de destinatários. Este levantamento deverá ser periódico, utilizando metodologias de avaliação intercalar, no sentido de uma atualização sistemática dos interesses e motivações, de pais, professores e crianças.

Esta poderá ser uma estratégia de motivação dos pais para a participação nas sessões, pois pretende-se passar a mensagem de que as suas necessidades, opiniões, dificuldades, dúvidas, sucessos e insucessos na prática da sua função parental são importantes e fundamentais para o desenrolar do programa. Muitas vezes dissemos que o programa era construído em conjunto, valorizando o papel ativo que os pais podem ter na evolução das dinâmicas de grupo e familiares. Acreditamos que o que define a eficácia dos programas é a sua adaptação ao público-alvo, pelo que, sugerimos um enorme esforço neste sentido.

As sessões práticas e referentes a aspetos concretos da vida diária dos pais, é outro aspeto que consideramos fundamental.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


O contacto personalizado e de proximidade, é igualmente um aspeto a dar enorme relevância neste tipo de intervenção.

O papel das crianças e jovens na mobilização dos seus pais e/ou familiares é também de levar em linha de conta, uma vez que estas têm um forte impacto na decisão dos pais e/ou familiares acerca da participação num programa de formação parental.

Algumas sessões do programa foram desenvolvidas apenas com pais e outras com pais e filhos, estas últimas a propósito da comemoração de dias festivos do Dia do Pai, o Dia da Mãe, o Dia da Família e por outro lado, na construção de algo em conjunto, utilizando a estratégias do desenho, da expressão plástica e habilidade manual, como estímulo para a partilha de tempo de qualidade em conjunto, prazeroso para pais e filhos.

As temáticas poderão igualmente ser dinamizadas pelos pais, contudo, no nosso programa isso ainda não foi possível, pois consideramos que ainda existe alguma dificuldade por parte dos pais para se exporem diante de outros pais, contudo para grupos mais coesos, onde já exista um sentimento de pertença ao grupo e um nível de confiança que permita este facto, consideramos que poderá ser uma prática a adotar.

Um aspeto que consideramos facilitador da mobilização dos pais para a participação num programa de formação parental, é a proximidade e contacto com os filhos dos participantes, ou seja, na realização de atividades complementares com as crianças, na medida em que, eles próprios considerem importante a participação dos seus pais e familiares no programa e que a encarem como um aspeto essencial ao seu próprio desenvolvimento. Paralelamente, poderão ser utilizadas estratégias de motivação das crianças para a mobilização dos pais nas ações de formação parental, tais como, o ganho de créditos ou pontos, em troca da participação dos pais nas sessões. Numa fase inicial poderá ser uma estratégia eficaz.

Uma outra estratégia de motivação que foi utilizada no programa, foi a presença de um chá ou café e umas bolachinhas nas sessões do programa. Nem sempre funcionou eficazmente, mas ajudou na criação de um ambiente informal, de partilha e de maior privacidade.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Neste tipo de intervenção, consideramos que o aspeto fulcral é de facto a mobilização, pois tendo em conta a experiência adquirida, os pais e/ou familiares que participam, adquirem e/ou aperfeiçoam as suas competências parentais, contribuindo para um bem estar pessoal, que em muito beneficia a relação entre pais e filhos. Contribui igualmente para um sentimento de alguma segurança e confiança na função parental e acima de tudo tendo consciência dos seus limites e falhas, no sentido de uma maior atenção a alguns alertas dados pelas crianças e jovens ao longo do seu percurso de desenvolvimento global.

O mundo da formação parental é muito extenso e existem alguns aspetos que consideramos que poderemos melhorar na nossa intervenção e que poderá servir de linha orientadora para futuros utilizadores deste recurso, que passamos a descrever: O nome “Universidade das Famílias” poderá ser adaptado aos diferentes contextos de implementação; A metodologia de avaliação e monitorização do programa deverá ser aperfeiçoada, dando um enfoque maior aos registos de alteração de comportamentos, de mudanças de pensamentos e reações na relação entre pais e filhos. No nosso programa utilizámos apenas a recolha de testemunhos e o preenchimento de questionário de auto-perceção ao nível da aquisição de competências parentais e de um questionário de satisfação. Contudo, poderão ser utilizadas outras formas de avaliação, que permitam uma análise mais fina do impacto deste tipo de ação. Como sugestão fica a construção de um portefólio individual de cada participante, com evidências das aprendizagens de cada uma temáticas abordadas. De seguida apresentamos alguns anexos que retratam algumas das atividades desenvolvidas.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


9. Referências Bibliográficas Martins, E. (2003). Dinâmicas de envolvimento da família na vida escolar. In José Ornelas & Susana Maria (Eds.). III Conferência de Desenvolvimento e Saúde Mental – Participação, Empowerment e Liderança Comunitária.(pp.225 – 233). Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Marujo, H. A. (1997). As Práticas Parentais e o Desenvolvimento Sócio – emocional: Propostas para uma Optimização de Recursos e Resultados. In Helena Marchand e Helena rebelo Pinto (Eds.). Família: Contributos da Psicologia e das Ciências da Educação – Actas. (pp. 129 – 141). Lisboa: Educa. Montadon, C. & Perrenoud, P. (2001). Entre pais e professores. Um diálogo impossível? – Para uma análise sociológica das Interacções entre Família e a Escola. Tradução de Cristina Gomes da Silva. Oeiras: Celta Editora. Montadon, C. (2001). O desenvolvimento das Relações Família – Escola – Problemas e Perspectivas. In Entre pais e professores. Um diálogo impossível? – Para uma análise sociológica das Interacções entre Família e a Escola. Tradução de Cristina Gomes da Silva. (pp. 13 – 27).Oeiras: Celta Editora. Montadon, C. (2001). Algumas tendências Actuais nas relações Famílias Escola. In Entre pais e professores. Um diálogo impossível? – Para uma análise sociológica das Interacções entre Família e a Escola. Tradução de Cristina Gomes da Silva. (pp. 153 – 163).Oeiras: Celta Editora. Moura, D. (2005). Escola: Família, Modelos Educativos e Comunidade. Extracto do artigo Riscos e Delinquências Juvenis em Contextos de Realojamento. Identidades, Imagens e Expectativas dos Jovens. Cidades. Comunidades e Territórios, Nº7. CET – Lisboa. Moura, D. (2005). Família: Trajectórias, perfis e papéis. Extracto do artigo Riscos e Delinquências Juvenis em Contextos de Realojamento. Identidades, Imagens e Expectativas dos Jovens. Cidades. Comunidades e Territórios, Nº7. CET – Lisboa. Pérez, M. T. D. (2005). Voces Silenciadas? Vocês Silenciosas? La Participación de las Famílias en los Centros Escolares. Padres Y Maestros, Nº 294.(pp.13 – 17).

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


ANEXOS Ficha de Atividade 1 Denominação: Universidade das Famílias Objetivos:  Promover as competências parentais;  Envolver os pais no processo de desenvolvimento físico, pessoal e social dos seus filhos;  Promover o auto-conhecimento enquanto pessoas e enquanto pais;  Promover a auto-estima dos pais;  Promover formas de comunicação mais eficazes na relação dos pais com a criança, que sejam potenciadoras do desenvolvimento sócio-emocional da criança;  Promover a discussão e treino de estratégias para prevenir/lidar com comportamentos desafiantes da criança;  Promover atitudes mais optimistas na relação dos pais consigo próprios, com os outros e perante a vida em geral, que venham a ter impactos positivos nas suas práticas educativas. Destinatários: Pais e familiares das crianças e jovens

Descrição da Atividade: O programa tem a duração de 20 horas e é constituído por sessões semanais e/ou quinzenais com os pais e familiares das crianças e jovens. As sessões têm a duração de duas horas em horário pós-laboral e são dinamizadas por técnicos. Neste programa existiram três tipos de sessões, nomeadamente: sessões com pais e sessões com pais e filhos.

Sugestões/Recomendações  Envolvimento da comunidade educativa, através da colaboração dos docentes e dos conselhos executivos das escolas para a divulgação do programa junto dos pais.  Avaliação da satisfação dos pais, participantes no Programa de Educação Parental através de um questionário de satisfação.  Debates e reflexão acerca de temas do interesse dos pais;

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


 Atividades de expressão plástica, de culinária entre pais e filhos;  Conferências com oradores convidados acerca de temas do interesse dos pais;  Festas de convívio entre professores, pais e alunos.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Ficha de Atividade 2 Denominação: Sessões com pais Objetivos:  Promover as competências parentais;  Envolver os pais no processo de desenvolvimento físico, pessoal e social dos seus filhos;  Promover o auto-conhecimento enquanto pessoas e enquanto pais;  Promover a auto-estima dos pais;  Promover atitudes mais optimistas na relação dos pais consigo próprios, com os outros e perante a vida em geral, que venham a ter impactos positivos nas suas práticas educativas. Destinatários: Pais e familiares das crianças e jovens

Descrição da Atividade: Estas sessões iniciavam-se com uma dinâmica de quebra-gelo, para colocar os pais mais à vontade e para que se sentissem mais seguros no grupo. Depois, era lançado o tema da sessão e proposta uma atividade, na qual os pais pudessem entrar em interação uns com os outros e partilhar ideias e experiências relacionadas com os seus filhos. No final, era feita uma conclusão das ideias partilhadas e apresentados alguns conceitos chave relacionados com o tema da sessão. Sugestões/Recomendações

- Temas: Auto-estima; Trabalhos para casa; Relação entre escola e família; Participação dos pais na escola; a Entrada para a escola; a Importância dos afetos; Regras e Castigos. - Participação dos professores; - Debate de ideias; - Trabalho de grupo; - Dramatização de situações.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Ficha de Atividade 3 Denominação: Sessões com pais e filhos Objetivos:  Promover as competências parentais;  Promover formas de comunicação mais eficazes na relação dos pais com a criança, que sejam potenciadoras do desenvolvimento sócio-emocional da criança;  Promover a discussão e treino de estratégias para prevenir/lidar com comportamentos desafiantes da criança; Destinatários: Pais e filhos

Descrição da Atividade: Estas sessões são as mais participadas, pois são os filhos que incentivam os pais a participarem nas actividades. De início um jogo de quebra-gelo e depois uma atividade que é realizada a par entre pais e filhos. No final uma conclusão acerca do tema e do papel de pais e de filhos em relação ao mesmo. Sugestões/Recomendações

-Temas: Regras e Castigos; Culinária; Família; A Importância dos Afetos; A Construção de Histórias. - As actividades deverão ser dinâmicas e interativas, para promover a relação entre os pais e os filhos; - Atividades de Expressão Plástica subordinada a um tema (barro, pintura, desenho); - Dramatização de histórias e de outras situações relacionadas com o dia-a-dia familiar; - Estabelecimento de regras em conjunto; - Exploração de interesses em conjunto.

Universidade das Famílias - Formas de Mobilização das Famílias para a Participação em Programas de Formação Parental e Exemplo de Programa de Formação Parental


Universidade das Famílias