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365HISTÓRIASDEVIDA 10 ANOS PROGRAMA ESCOLHAS


ÍNDICE Editorial

05

Capítulo

01

JOVENS

06-142

Capítulo

02

FAMÍLIA

143-179

Capítulo

03

TÉCNICOS

180-356

Capítulo

04

PARCEIROS

357-430


365HISTÓRIASDEVIDA

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/EDITORIAL DEZ ANOS DE BOAS ESCOLHAS Ao celebrarmos os 10 Anos do Programa Escolhas começamos a colher os frutos do trabalho, que foi sendo realizado com total entrega, dos consórcios de parceiros, dos técnicos locais e da equipa central, dos destinatários e dos beneficiários. Investindo na educação, na formação profissional, na participação cívica e comunitária, na inclusão digital e no empreendedorismo o Programa Escolhas tem proporcionado oportunidades de um futuro melhor a cerca de 100.000 crianças e jovens ao longo destes 10 Anos. Com um equilíbrio precioso entre o amor e o rigor, tem tido um papel fundamental nas Escolhas com futuro dos seus destinatários e beneficiários. Neste livro partilhamos, com muita alegria, 365 histórias de vida de sucesso marcadas pelo Escolhas nesta década. É bom ver hoje jovens adultos que agarraram nas oportunidades de poderem fazer outras Escolhas e transformaram as suas vidas num futuro melhor. Para mim, enquanto Coordenadora Nacional do Programa Escolhas tem sido um privilégio fazer parte desta grande família que se juntou à volta do lema “é possível mudar o mundo para melhor”. A todas as pessoas que se envolveram ao longo destes anos no Escolhas, o meu sincero agradecimento, pelo empenho, dedicação e espírito de missão com que abraçaram este Programa, acreditando que é possível proporcionar escolhas com futuro às crianças e jovens das zonas mais vulneráveis do País. Agradeço também tudo o que aprendi, o que vivi e senti ao estar perto das crianças e jovens “Escolhas”. Espero que uns e outros continuem a acreditar que para mudar o mundo, a mudança começa em cada um de nós, e não percam as oportunidades que o Programa Escolhas vos dá para que possam escrever um futuro melhor nas vossas vidas. Não se esqueçam que não vamos poder apagar o passado, mas podemos escrever o nosso futuro de forma diferente. Um futuro de Paz e Felicidade que todos merecem! Desejo uma vida longa ao Programa Escolhas, para que continue a ser o exemplo inspirador para as políticas de inclusão social de crianças e jovens, quer em Portugal quer a nível Internacional. Muitos Parabéns! Rosário Farmhouse Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural e Coordenadora Nacional do Programa Escolhas

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365HISTÓRIASDEVIDA

Pedro Cantecali “Mais acesso às novas tecnologias”

/Origem Guiné-Bissaú /Onde Vive Carnaxide - Outurela /Com quem vive Irmão /Ocupação Actual Chip7 /Sonho Não tenho apenas um sonho, sou uma pessoa de vários sonhos. Neste momento, o sonho que queria realizar era abrir um negócio na área de Informática. Ia adorar. /Projecto que frequenta Bairr@ctivo

6 | JOVENS

O Escolhas veio provar que ainda há instituições cujo objectivo principal, é promover a inclusão social de crianças e jovens carenciados, provenientes de vários lugares do mundo e de culturas diferentes, a custo zero para as famílias. Neste projecto, passei a valorizar a minha formação académica e tirei um curso dentro da área de Informática, o qual já serviu para conseguir um emprego dentro desta área, que adoro. Outra vitória importante a nível pessoal, foi o facto de continuar uma forte união com o meu irmão. A minha comunidade mudou muito também. As pessoas passaram a ter mais acesso às informações, às novas tecnologias e às diversas actividades promovidas pelo projecto, as quais abrem portas aos novos interesses, assim como à evolução pessoal e profissional.


Lúcio Pina

“Muito do que sou devo ao projecto”

O Escolhas tem um significado enorme na minha vida. Muito do que sou hoje devo ao projecto, pois conheci pessoas que me orientaram para um bom caminho. Participei em todas as actividades do espaço Escolhas e em todas elas tirei lições essenciais para a minha vida futura. Posso dizer hoje, que sou bem sucedido, tanto na vida académica como profissional. A nível social, consegui desenvolver ideias às quais não ligava. Neste sentido, pude conviver com pessoas de bem, que ainda hoje agradeço por terem surgido na minha vida, pois incutiramme valores como a tolerância e o respeito pelas diferenças. Aprendi que, só através de esforço pessoal, quer a estudar, quer a trabalhar, se consegue ser alguém na vida. Eu estou a batalhar por um futuro melhor, pois, estudo e trabalho e, em paralelo, participo como voluntário em projectos de acção social.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Casal da Mira, urbanização social /Com quem vive Mãe e irmão /Ocupação Actual Trabalhador Estudante /Sonho O meu sonho era tornar o meu bairro mais seguro e melhorar a sua imagem, que por vezes não é como as pessoas comentam. /Projecto que frequenta Projectos de Acção Social Voluntariado

JOVENS | 7


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Joana Moreira “O projecto tem contribuído muito para a renovação da Freguesia” /Origem Portuguesa /Onde Vive Olival, Vila Nova de Gaia /Com quem vive Pai /Ocupação Actual Estudante /Sonho Acabar o meu curso e trabalhar na minha área. /Projecto que frequenta Mais Jovem

8 | JOVENS

Foi a frequentar o “Mais jovem”, que me apercebi o quanto podemos crescer ao ajudar os outros. Por isso mesmo, procuro fazer trabalhos de voluntariado, durante todo o ano, contribuindo também para a melhoria da qualidade de vida das outras pessoas. O Escolhas fez com que eu ampliasse os horizontes, através do contacto com vivências diferentes, tornando-me uma pessoa mais pró-activa e mais crítica em relação ao que me rodeia...o meu bairro, o Olival, nunca conseguiu dar resposta às necessidades das crianças e jovens...falo na primeira pessoa, pois cresci aqui sem as mesmas oportunidades de colegas de outras localidades.No entanto, posso dizer que o projecto tem contribuído muito para a renovação da Freguesia...para além de dar resposta às necessidades dos mais desfavorecidos e de procurar desenvolver competências, a equipa sempre se mostrou disponível para apoiar.


Ana Filipa Gaspar

“Somos apoiados nos bons e maus momentos”

Vejo o Escolhas como a minha segunda casa...é onde fazemos novos amigos, convivemos, participamos em actividades várias e é no espaço que somos apoiados nos bons e maus momentos. O projecto ajudou-me a compreender melhor as coisas da vida, a socializar mais e a partilhar. No futuro, gostaria de poder ajudar os países em dificuldades, acabar com a guerra no mundo e apoiar as crianças carenciadas... fazer a diferença.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vivo num prédio ao lado de uma comunidade de etnia cigana. É bom morar assim num sítio com culturas tão diferentes. É um lugar bonito e sossegado para se viver /Com quem vive Mãe, Pai e mais três irmãos. /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de ajudar a minha família e todos os necessitados. /Projecto que frequenta Quero Saber

JOVENS | 9


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Emanuel Diogo Proença “Ajudar é uma experiência inesquecível” /Origem Portuguesa /Onde Vive Vivo num bairro com 4 prédios, onde moram também pessoas de etnia cigana /Com quem vive Mãe e irmãos mais novos /Ocupação Actual Estudante /Sonho O meu sonho é ter uma loja de Desporto ou de Cozinha. Gostava também de ter o mesmo que toda a gente, uma casa e filho /Projecto que frequenta Quero Saber

10 | JOVENS

No “Quero Saber” tenho tido sempre pessoas que me apoiam e isso fez com que, actualmente, eu seja, mais dedicado aos estudos, responsável e pontual. As actividades às quais temos acesso permitiram-me fazer amizades consistentes, construir o meu lugar no grupo, respeitar e ser respeitado... Gosto também de poder ajudar quem precisa mais do que eu...ajudar é uma experiência inesquecível.


Solange

“Sempre fizeram muito por mim”

Conheci o trabalho do Escolhas aos 10 anos de idade, hoje já tenho 17 e continuo a participar nas actividades, a conviver com o pessoal e a aprender coisas novas... Esta é a minha segunda casa, pois sempre fizeram muito por mim...o meu sonho era conhecer Cabo-Verde, o país de origem dos meus pais, e o projecto concretizou esse meu desejo...foi inesquecível!. Adquiri muitos conhecimentos importantes, mas, a aprendizagem mais valiosa, para mim, foram mesmo as Danças Africanas. O “Geração Cool” tem tido, igualmente, uma intervenção a destacar na vivência dos moradores da zona: havia pessoas que quase não tinham roupas...numa iniciativa em que participei, todos arranjámos roupas e vendemos a preços simbólicos, que iam dos 0.50 cêntimos aos 2 euros...logo aí, mudou a vida de algumas pessoas.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro Amarelo /Com quem vive Pai, mãe e irmãs /Ocupação Actual Estudante. /Sonho O meu sonho era conhecer Cabo-Verde e o Escolhas realizou-o /Projecto que frequenta Geração Cool

JOVENS | 11


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Fatu Banorá “O Escolhas foi a minha tábua de Salvação” /Origem Guiné /Onde Vive Vivo na freguesia de Monte Abraão, num andar. Perto do sítio onde vivo, há um parque, uma estação de comboios e o Dolce Vita, onde eu gosto muito de ir /Com quem vive Tia e a mãe dela /Ocupação Actual Estudante /Sonho O sonho que eu gostaria de realizar era trazer a minha mãe para Portugal. Ela está na Guiné e já não a vejo há quase três anos /Projecto que frequenta Raízes

12 | JOVENS

Quando vim para Portugal, só sabia escrever o meu nome e foi muito complicado adaptar-me às matérias escolares...ainda por cima, só tinha tido um ano de escola na Guiné, durante o qual, tive 5 meses internada. Foi muito complicado, mas, o Escolhas foi a minha tábua de salvação...as técnicas da equipa ajudaram-me a fazer os trabalhos de casa e agora já domino o Português! Estou no 3º ano e ao nível dos outros meninos da turma. O “Raízes” ajuda as crianças a aprender coisas novas sobre a vida e também dá apoio aos pais. Eu faço a minha parte, participo em todas as actividades e ajudo os outros colegas a estudar.


André Tiago

“Abriu-me o caminho certo para atingir objectivos”

Desde que cheguei ao projecto Escolhas tenho alcançado algumas vitórias, como o facto de ter enriquecido o meu Curriculum Vitae...também consegui melhorar as minhas capacidades para comunicar, eficazmente, com os outros. Evoluí como pessoa e sou hoje bastante autónomo a tomar as minhas decisões, assim como a tratar das burocracias que enfrentamos diariamente. Este projecto abriu-me o caminho certo para poder atingir os meus objectivos futuros. Estou bem ciente da realidade que nos rodeia e sei que é agora, enquanto sou jovem, a altura ideal para projectar o que quero fazer da minha vida. No Escolhas, pude ter acesso a várias actividades, nomeadamente Teatro, Cinema, Fotografia e Design, as quais têm contribuído para que eu defina bem os meus interesses. Procuro sempre ter participação activa em todas as actividades... eu próprio, já dinamizei algumas delas. Tento sempre incentivar os mais novos a recorrer ao projecto, pois, é lá que eles vão ter oportunidades, bons conselhos e mais recursos para avançarem na sua formação.

/Origem Português descendente de guineense. /Onde Vive Porto, Apartamento de Autonomização do IPT /Com quem vive Vivo com 5 jovens, com idades entre os 17 e os 22 anos. /Ocupação Actual Estudante no 12º ano no Curso Profissional de Técnico de Design. /Sonho Entrar na Escola de Sargentos da Força Aérea e criar uma pequena empresa na área do design. /Projecto que frequenta Terço em Movimento (3ª geração) e Escolhas em Movimento (4ª Geração)

JOVENS | 13


365HISTÓRIASDEVIDA

José Francisco Vaz “Sinto-me útil e gosto dessa sensação”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Coimbra - Centro de Estágio Habitacional Parque de Nómadas /Com quem vive Mãe, Padrasto e 4 irmãos /Ocupação Actual Assistente Operacional /Sonho Ter uma família e uma casa. /Projecto que frequenta Gerações com Futuros

Quando o projecto começou a trabalhar comigo e com a minha família, era eu ainda muito novo e vivia num acampamento junto ao Rio Mondego. Com a ajuda do projecto, a nossa comunidade foi realojada no Centro de Estágio Habitacional Parque de Nómadas. A partir daí, as coisas foram mudando bastante porque fomos sempre estimulados a estudar para definir o futuro. Com o “Gerações com Futuros” tínhamos que ir sempre à escola, apesar de eu não gostar muito no início. Motivaram-me para concluir o 9º ano, tirei um curso de informática no CID@NET, ganhei hábitos de trabalho com o programa pré-profissional e consegui um emprego. O projecto ajudou-me a atingir tudo isto. Hoje trabalho na Câmara Municipal de Coimbra. Sinto-me útil e gosto muito dessa sensação! Não esqueço o desafio importante que, um dia, o Escolhas me propôs e que fez a diferença na minha vida: viver, durante uns dias, num comboio, junto com outras crianças e jovens. Aceitei e quando entrei dei de caras com uma espécie de acampamento. Quando regressei, tinha um quarto, uma cama e uma bicicleta à minha espera. E Hoje em dia os resultados continuam. As crianças vão à escola muito mais cedo, têm consultas no médico e usufruem de actividades muito interessantes. A minha ligação ao projecto continua e, actualmente, continuo envolvido, de forma bastante regular, nas actividades.

14 | JOVENS


Vânia Oliveira

“Não quero que o Programa acabe, por isso, luto por ele!” O projecto ajudou-me a descobrir que somos todos diferentes uns dos outros e temos mesmo que saber lidar com essa realidade. O “Puerpolis II” fez com que eu tomasse contacto com novas culturas e costumes, quando nos levavam aos Encontros Nacionais de todos os projectos do Escolhas... nessas ocasiões, alargam-se os nossos horizontes e, acima de tudo, tornamo-nos pessoas melhores, sentimo-nos bem connosco e também para com os outros. Todos os monitores ajudam. Aprendo a conversar com eles e assim também desenvolvo as minhas capacidades. Aliás, foi com o Escolhas que despertei ainda mais o meu gosto pela música e pelos computadores. A equipa do projecto está connosco para o divertimento, para estudar, desabafar, tomar decisões, para tudo. Para a minha comunidade, o projecto fez com que muita coisa mudasse. Era tudo muito parado e com o “Puerpolis” vieram as ideias, as iniciativas, as actividades. Hoje, estamos todos unidos em prol de um objectivo: aprendermos uns com os outros.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Briteiros S. Salvador Guimarães – “é um meio rural onde toda a gente se conhece e que consegue atrair alguns turistas devido à “ Citânia de Briteiros” /Com quem vive Pais e irmã. /Ocupação Actual Estudante /Sonho Talvez viajar com os participantes do nosso projecto. Todos juntos num lugar novo. /Projecto que frequenta Puerpolis II

Por tudo isso, a onde vou, por onde passo, falo sempre no Escolhas. Não quero que o programa acabe e, por isso mesmo, luto por ele sempre que tenho oportunidade.

JOVENS | 15


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Larissa Amaral “Fizeram-me feliz e eu gosto de fazê-los felizes também!” /Origem Portuguesa /Onde Vive Marvila /Com quem vive Tia,irmão,inquilina /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ir à Disneyland Paris /Projecto que frequenta EU AMO SAC

16 | JOVENS

O projecto Escolhas tem me orientado em imensas coisas. Ajuda-me a ser corajosa, a não ter vergonha de me expressar, a saber estudar melhor. Agora até consigo expressar os meus sentimentos sem chorar e esforçar-me mais para alcançar os meus objectivos. Para a minha comunidade, o contributo do projecto tem sido fulcral, pois, vejo as pessoas a aprenderem a ter mais respeito umas pelas outras e a zelarem pelo seu bem-estar. Os técnicos do projecto apoiam-me sempre. Já me consolaram muitas vezes e esclarecera-me muitas dúvidas que tinha. Às pessoas que não conhecem o espaço do Escolhas, aconselho a irem lá! Eles tornam o impossível em possível!Eu também ajudo no que posso...eles fizeram-me feliz e eu gosto de fazê-los felizes também!


Hernâni Machado

“...melhor aluno, filho e amigo”

Com o “Bom Sucesso”, descobri a forma de melhorar o meu comportamento e de ser um melhor aluno, filho e amigo. Tenho aprendido a saber estar, saber falar e a respeitar os mais velhos, que era uma coisa que eu nunca soube fazer. O projecto mudou a minha vida ao evitar que eu me metesse em confusões. Além disso, os técnicos têm me ajudado a concretizar o meu maior sonho, que é ser cantor, e eu tenho apoiado o projecto no que posso. No início da construção do espaço e das pinturas, limpei, arrumei e participei na inauguração. A minha comunidade também mudou para melhor, nota-se muito isso pelo comportamento dos jovens do meu bairro, pela maneira de estar e forma de viver.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Olhão /Com quem vive Pais, avô e irmão /Ocupação Actual Estudos /Sonho Gostava de ser cantor /Projecto que frequenta Bom Sucesso

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Igor Espadas “Espaço de Encontros sem diferenças”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Pias – vila /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser jogador de andebol. /Projecto que frequenta Intercool – ICDS

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O “Intercool” ajudou-me a descobrir que a escola pode ser mais fácil do que parece. Tenho conseguido melhorar as minhas notas através da Escola Virtual e até já consegui um Satisfaz Bastante. No projecto, tenho a possibilidade de conviver e trabalhar em conjunto. Já tive formação em Informática e já me sinto capaz de trabalhar sozinho no computador. Com o Escolhas, temos um espaço onde as crianças e os jovens se encontram sem haver diferenças entre etnias. Há 5 anos e meio que faço parte desta casa e tenho uma participação activa na divulgação do projecto, cumprindo sempre as regras de funcionamento nas actividades.


Bruno Alexandre Costa

“Uma postura mais calma perante os problemas”

Com o “Arca de Talentos II”, tenho adquirido mais conhecimentos em Informática através do CID, onde tive acesso a cursos noutras áreas e também a anúncios de emprego. O projecto deu-me a conhecer novas realidades através dos intercâmbios e viagens que realizámos. Ajudou-me a crescer, mudou a minha maneira de agir e, hoje, já consigo ter uma postura mais calma perante os problemas. Neste momento, sinto-me mais à vontade para propor e organizar actividades: já organizei sessões de karaoke, caminhadas e participo activamente nas várias iniciativas que surgem.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Boidobra – Bairro Social da Alâmpada /Com quem vive Mãe e irmãos /Ocupação Actual Desempregado /Sonho Ter emprego /Projecto que frequenta Arca de Talentos II

Assim como na minha vida pessoal as coisas mudaram, o meu bairro contou com algumas transformações essenciais, em resultado dos apoios que tem recebido a todos os níveis – escolar, profissional, familiar e social. Já se organizam mais eventos, tais como, jantares comemorativos e Encontro de Pais. Diria que, o Escolhas é um amigo com quem podemos contar se o nosso objectivo é melhorar a nossa vida social e profissional!

JOVENS | 19


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Laureano Sousa Pereira “Descobri novos talentos”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Urbanização das Nogueiras – Teixoso /Com quem vive Pais e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Uma volta ao mundo /Projecto que frequenta Arca de talentos II

20 | JOVENS

No projecto Escolhas descobri novos talentos, como tocar Bombos. O monitor da Oficina de Percussão ajudou-me bastante para que eu aprendesse os ritmos, pois ele incentiva-nos muito a ultrapassar as barreiras. A nível escolar, tenho tido muito apoio ao estudo. Devo muito ao projecto por me ter ajudado a ver a vida de uma forma mais clara, pelos intercâmbios que me deram a conhecer pessoas e regiões diferentes, contribuindo para o meu crescimento pessoal. No meu bairro, o “Arca de Talentos” abriu um Gabinete de Intervenção Local que veio melhorar significativamente a vida dos moradores. É um espaço de aprendizagem, onde jovens e adultos têm acesso à Informática. Os mais novos podem agora ocupar o seu tempo com actividades mais didácticas e talvez isso se venha a reflectir positivamente na vida futura.


Dário Flores

“A equipa do projecto merece todo o nosso respeito” Os técnicos do “Encontros” interessaram-se por mim e deram-me apoio. Antes eu não tinha educação, não sabia responder a nada, não era capaz de ter atenção às coisas. Agora já ultrapassei as dificuldades iniciais e já tenho objectivos definidos: tirar um curso e organizar a minha vida.

/Origem Comunidade de etnia cigana

A nossa comunidade ganhou muito com o Escolhas, pois, já não há os conflitos que havia. Hoje, damo-nos mais com o povo. Toda a equipa do projecto merece todo o nosso respeito”.

/Ocupação Actual Estudante

/Onde Vive Sobral da Adiça /Com quem vive Pais e irmãs

/Sonho Ser mecânico ou electricista de automóveis. /Projecto que frequenta Encontros

JOVENS | 21


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Débora Gimenes “Prosseguir os estudos”

/Origem Comunidade cigana /Onde Vive Sobral da Adiça /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostava de ser professora, de dança por exemplo. Assim de hip-hop, uma coisa à frente /Projecto que frequenta Encontros I

22 | JOVENS

Desde pequenina que o projecto me ajuda a conhecer coisas novas e a valorizar a educação. Abriram a escola Pief no Sobral da Adiça e tenho feito um esforço por ir todos os dias e estar lá com atenção. Estou a aprender a ler melhor e um dia gostava de ser professora de Dança. Antes, pensava que já não tinha futuro, casava e já não aprendia mais, pois, sei que se não fossem as técnicas do projecto parávamos de estudar logo no 4º ano. O “Encontros” tem feito muita coisa pela nossa comunidade, por exemplo, quando houve cheias aqui na zona, ajudaram-nos muito e se não fossem as técnicas não sei como seria...conseguiram arranjar um sítio para não ficarmos ao relento.


Gabriel Oliveira

“O projecto motivou-me para o sucesso escolar”

Agradeço muito ao Escolhas por me ter ajudado a descobrir a minha paixão pelo surf e ainda por ter conseguido dar-me autoconfiança, pois, eu achava sempre que não conseguia e desistia de tudo. O “Eu amo SAC” mostrou-me que, com esforço, podemos alcançar muitas coisas que achamos não ser capazes e mudei então a minha atitude. Para já, tenho um sonho a concretizar: ser surfista profissional. A nível escolar, o projecto motivou-me para o sucesso escolar. Chumbei várias vezes e tinha negativas a quase todas as disciplinas. Este ano, no primeiro período tive positiva a tudo.

/Origem Brasileira /Onde Vive Santo António dos Cavaleiros /Com quem vive Pais e irmã /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser surfista profissional /Projecto que frequenta Eu Amo Sac

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Iuori Policarpo “Ajudou-me a descobrir o talento para as artes audiovisuais” /Origem Portuguesa /Onde Vive Santo António dos Cavaleiros, “o paraíso em ascenção!” /Com quem vive Mãe e 3 irmãos /Ocupação Actual Estudante, vendedor de formação e vigilante /Sonho “Ter o meu próprio espaço de material de produção de imagem vídeo e som” /Projecto que frequenta Eu Amo SAC

Quando vim para o projecto tinha 19 anos e frequentava um curso de desporto. Mas tudo mudou quando comecei a aprender técnicas de edição de vídeo e imagem. Acompanhado pelo monitor do CID@ Net, acabei por fazer alguns trabalhos e isso abriu-me algumas portas: em Julho de 2010, frequentei o workshop BI, realizado pela Câmara Municipal de Loures, no qual apresentei uma curta-metragem que, após uma selecção por parte dos formadores, entre nove curtas-metragens, foi considerada a melhor. Foi até exibida na RTP2. O “Amo SAC” ajudou-me a descobrir o talento que tinha para as artes audiovisuais e isso também fez com que eu me dedicasse a fundo nessa área. O facto é que abandonei o curso de Desporto para fazer um curso de multimédia. As mudanças sociais na zona são visíveis: os pais estão mais presentes na vida dos seus filhos, o comportamento de algumas crianças e jovens melhorou, todos podem ter acesso aos estudos, a novas perspectivas e objectivos na vida. O Escolhas é, para mim, um programa solidário, amigável, acessível a todos e empreendedor. Tento sempre fazer pelo projecto tanto quanto ele fez por mim. Aconselho sempre as pessoas a conhecerem o projecto.

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Andreia Moreira “Descobri um novo EU”

Neste projecto Escolhas, descobri um novo EU! O carinho, a dedicação, a atenção e o empenho de todos os técnicos marcaram a minha vida, tornaram-me uma pessoa melhor. Actualmente, consigo resolver mais facilmente os problemas, sou uma pessoa mais extrovertida, animada, sociável. A minha transformação teve também muito a ver com os passeios que o “Percursos Integrados” me proporcionou, levando-me a conhecer sítios inesquecíveis e pessoas insubstituíveis. O meu bairro também beneficiou muito com o “Percursos Integrados”. Na verdade, a população tornou-se mais sociável e unida e, consequentemente, o espaço exterior tornou-se mais agradável. Vejo que as pessoas com mais problemas, a nível psicológico ou social, têm no projecto um ombro amigo, que as vai sempre apoiar e ajudar, quer nos momentos de tristeza e angústia, quer nos momentos de felicidade. Sinto que a comunidade vê no projecto uma luz ao fundo do túnel. Os técnicos são também nossos pais e amigos. Eles são sempre os primeiros a incentivar-nos e a orientar-nos para que sejamos bons filhos e, futuramente, melhores cidadãos. Por isso, sempre fui leal e entreguei-me de corpo e alma ao projecto.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Urbanização de S. Lázaro, “Bairro social onde vivem pessoas de várias gerações, onde eu aprendo com as pessoas mais velhas, convivo com as pessoas da minha idade e ensino as pessoas mais novas” /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante no Colégio de São Gonçalo /Sonho Uma viagem a um país subdesenvolvido pois o meu sonho é poder defender os mais carenciados, as pessoas que não têm voz na sociedade /Projecto que frequenta Percursos Integrados

JOVENS | 25


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Vítor Magalhães “Recebo sempre carinho”

/Origem Portuguesa /Onde Vive S. Pedro da Cova – “descrevo-a como uma freguesia sossegada, onde gosto de viver. Precisava de ser mais limpa, mais segura, com mais serviços e transportes públicos. /Com quem vive Irmãos /Ocupação Actual Part-time em hotelaria (casa das bifanas) /Sonho ...que a minha namorada voltasse para mim. Que a minha vida melhorasse e se resolvessem os problemas que tenho. Gostaria de me dar bem com os meus irmãos, que nos respeitássemos. Gostava de me tornar motorista de transportes públicos ou de pesados e vou lutar por isso /Projecto que frequenta Animar Para Capacitar

26 | JOVENS

No “Animar Para Capacitar” recebo sempre carinho e amor. Paralelamente às educações que me proporcionam, os técnicos dão muita atenção. O facto é que toda esta dedicação faz-me sentir respeitado e, por conseguinte, a respeitar os outros. A minha família recebeu ajuda também, através dos programas de apoio alimentar. A nível profissional, tenho dado boas provas. Terminei o curso de Cozinha com 20 valores e já tenho emprego. A minha vida está orientada, tenho conseguido manter a minha casa e pagar as contas. Tudo isto só foi possível com o apoio dos técnicos do projecto, pois foram eles que me encaminharam para um Curso Profissional de Cozinha, ajudaram-me a procurar emprego e ainda a desenvolver oficinas de cozinha. Procuro retribuir o que o projecto tem feito por mim e, como tal, tenho uma participação activa em todas as actividades - por exemplo, a dada altura, concorri pelo “Animar” no torneio de KinBall e fui campeão. Quanto à minha comunidade, tenho percebido que cresce o respeito entre as pessoas, a animação é uma constante e há cada vez mais alternativas para crianças e jovens. Temos apoio escolar, educação sexual, familiar, profissional e estão accionados mecanismos de combate à violência. A parte lúdica é essencial e, nesse sentido, o programa Escolhas permite que o Centro Lúdico e o Centro Jovem, dois espaços de convívio, estejam abertos ao público de forma gratuita.


Leandro Pinela

“Permitiram-me sonhar mais alto e ter mais autoconfiança” A confiança que a equipa do “Tu decides+” depositou em mim motivou-me bastante, permitindo-me sonhar mais alto e ter mais autoconfiança. Isto não é conversa, é mesmo aquilo que sinto. O projecto apostou em mim e isso deu-me perspectiva na vida, assim como um olhar mais aberto para o mundo. Se hoje sou uma pessoa melhor, com personalidade forte, valores sólidos e conhecimentos, é devido à acção do Escolhas. A iniciativa “Navio Escolhas” é um marco na minha vida. Foi um espectáculo autêntico e foi uma honra ter participado. O projecto valorizou o meu empenho e permitiu-me participar nesta viagem inesquecível. A nível profissional, tenho evoluído muito na área que gosto. Sou fanático por Informática e no Escolhas pude frequentar cursos dentro desta área que adoro. Para o meu bairro, o convívio entre jovens de diferentes idades tem sido muito positivo. O ambiente está mais leve, há mais sentido de grupo porque as pessoas são mais unidas. Por tudo isto, aconselho sempre as pessoas a frequentar este projecto que luta, diariamente, em prol da melhoria das condições das nossas vidas.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vivo na cidade da Guarda, mais concretamente na estação (S.Miguel), na Rua do Girassol, num local muito calmo /Com quem vive Pais, Irmão, cão e pássaro /Ocupação Actual Estudante no 10º ano científico tecnológico /Sonho Acabar finalmente os estudos, encontrar emprego para ganhar o meu próprio dinheiro e sair de casa dos pais. Não devemos pedir muito, é importante sonhar, mas existem coisas pequenas a que devemos dar valor , tal como arranjar emprego...que cada vez mais é um problema /Projecto que frequenta Tu decides+

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Marcus Jesus “Consegui enveredar pelo bom caminho” /Origem Brasileira /Onde Vive Freguesia da Encarnação, no Bairro Alto, em Lisboa /Com quem vive Mãe e tio /Ocupação Actual Trabalho no Bar e sou aluno do Curso de Barman/ Barmaid do projecto +Skillz /Sonho Gostaria de poder abrir e gerir uma discoteca /Projecto que frequenta +Skillz

O +SKILLZ ajudou-me a apostar na minha formação e a progredir na minha carreira de Barman. Em resultado, encontro-me actualmente a frequentar o Curso de Barman do projecto, a fazer o RVCC de equivalência ao 9º ano e, paralelamente, a trabalhar. À parte dessas vitórias, para a renovação da minha autorização de residência, muito importante para mim, contei também com a preciosa ajuda do Escolhas. Há dois anos, fui morar para o Bairro Alto para sair de alguns percursos mais desviantes, mas quando lá cheguei comecei novamente a sair com algumas companhias menos interessantes. Ora, foi nessa altura que o Escolhas me deu a mão e fez-me perceber que era mais importante apostar em mim e na minha formação. Essa foi a minha grande vitória! Consegui afastar-me desse grupo de pessoas e enveredar por um bom caminho. Ao projecto devo a minha formação. Até ao momento, o meu percurso na escola estava marcado pelo insucesso e por sucessivas desistências, apesar disso, resolvi dar uma chance à escola e vou no bom caminho. Aliás, no Bairro Alto, muitos outros jovens voltaram à escola, estão a tirar cursos profissionais e participam em actividades úteis no espaço de Informática e nos ateliês artísticos. Com o Escolhas tudo mudou e para melhor. Gostaria muito que todos os jovens pudessem ter a oportunidade que eu tive, por isso, aconselho sempre os meus amigos e conhecidos a entrarem no projecto.

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Sylvanie Chawe

“Os meus bons resultados deram-me mais confiança”

Quando cheguei a Portugal, em 2007, tinha 13 anos de idade, não sabia falar nem uma palavra de português e, de início, tive mesmo muitas dificuldades em aprender! Nessa altura, a minha mãe inscreveu-me no Projecto Meg@ctivo, onde me ajudavam a fazer os trabalhos da escola e também a falar português. As dificuldades foram muitas, mas com o apoio que tive, consegui alcançar essa vitória. No início do curso, não foi tão fácil conviver com os outros, porque eu não me sentia à vontade e acabava por distanciar-me. Afastava-me das pessoas...não faziam isso por mal, era mesmo a minha maneira de ser. Acabei por aprender muito e conseguir um bom desempenho escolar, com boas notas na escola e com diplomas em Tecnologias de Informação e em Comunicação. Os meus bons resultados deram-me mais confiança e mais facilidade em comunicar com os outros, contrariando a minha natureza muito fechada.

/Origem Camaronesa /Onde Vive Pendão/Queluz /Com quem vive Mãe e Irmã /Ocupação Actual Estudante /Sonho O sonho que eu gostaria mesmo de realizar um dia, era poder estar de novo com a minha irmã mais velha, porque quando nós éramos pequenas passávamos o tempo todo a discutir por tudo e por nada, mas hoje, que estou longe dela, sinto tantas saudades dela! /Projecto que frequenta Meg@ctivo

No “Meg@ctivo”, aprendi a valorizar o grupo, a crescer como pessoa, a partilhar ideias e a organizar actividades para a comunidade.

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Miriam Santos “Vida mais colorida”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Sesimbra /Com quem vive Tios maternos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de ir até à Nova Caledónia (uma ilha ao lado da Austrália), porque é lá que vive o meu primo e também é um lugar paradisíaco e foi por isso que esta viagem me chamou à atenção. /Projecto que frequenta Escolhas no Trilho no Desafio

Até aos 12 anos, vivia com os meus pais, mas como eles não tinham possibilidades económicas para me educarem, o Tribunal retirou-me da casa deles e pôs-me no Centro Jovem Tabor, em Setúbal, onde morei durante um ano, seguindo uma rotina saudável. Durante esse tempo, as técnicas do projecto “No Trilho do Desafio” mantiveram sempre contacto comigo, quer por telefone, quer por carta, sendo sempre muito carinhosos, à medida que o meu processo continuava. O Tribunal de Família fazia várias audiências comigo para resolver o meu futuro, pois eu queria mesmo era ir viver com os meus tios maternos, com quem teria uma vida estável. O Escolhas sempre se esforçou para que fosse feita a minha vontade. Conseguiram e, hoje, já vivo com os meus tios, os quais fazem questão de manter a minha ligação ao Escolhas, pois ainda tenho muitos traumas por resolver. Os meus tios e o projecto fizeram com que eu aprendesse a viver em família. Melhorei o meu comportamento, aprendi a acatar os conselhos das pessoas queridas, a respeitar os outros e a trabalhar em grupo. As actividades que pratico no espaço, como canoagem, Surf, Pedalsurf, windsurf, caminhadas pedestres, assim como, a participação em intercâmbios têm contribuído, significativamente, para o meu desenvolvimento pessoal. Descobri a minha vocação. O projecto deu-me a oportunidade de realizar um estágio num salão de cabeleireiro e já tenho a certeza que é mesmo esta a profissão que pretendo seguir. Por tudo isto, só tenho bem a dizer. É um projecto sólido que luta para dar cor e alegria à vida dos jovens. A minha hoje é bem mais colorida! O Escolhas esteve sempre presente nos problemas da minha vida e, por essa razão, tem e terá uma grande influência em mim.

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Fábio Gomes

“Descobri capacidades em mim que nunca imaginei ter” No “Raiz” descobri novos lugares, cidades, visitei monumentos que desconhecia, fiz amizades e conheci pessoas que marcaram a minha vida pela positiva. Através das actividades do projecto, descobri capacidades em mim que nunca sequer imaginei ter, nomeadamente, a minha facilidade em lidar com os mais novos. Uma vitória a salientar é a escolaridade. Tenho continuado sempre os estudos e frequento hoje o 10º ano do ensino secundário. Sou também monitor voluntário em actividades do projecto com crianças da escola primária, perante as quais procuro assumir um papel importante e de referência. Os moradores do meu bairro têm beneficiado muito com o projecto. Crianças, jovens e adultos estão envolvidos em iniciativas que as levam a novas aprendizagens e, em consequência, a uma vida melhor.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro das Campinas, um bairro social da freguesia de Ramalde, na cidade do Porto /Com quem vive Pais e irmão /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de um dia entrar na Universidade e estudar no Curso de Jornalismo, para um dia ser Jornalista. /Projecto que frequenta Raiz – Porto

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Mónica Monteiro “A porta que abre nos momentos difíceis” /Origem Portuguesa /Onde Vive Zambujal de Loures /Com quem vive Mãe e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ter um emprego no mundo das artes. Visitar a Capela Sistina e o palácio de Versalhes. /O Que fez pelo Escolhas Colaborei nas actividades, participando e trabalhando para que resulte. /Projecto que frequenta Construindo novas cidadanias

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O “Construindo Novas Cidadanias” é uma porta que abre nos momentos menos felizes para trazer esperança à vida das pessoas. Para além da ajuda nas dificuldades, o Escolhas dá-nos perspectivas e incentiva-nos a lutar pelos nossos objectivos, tendo a consciência de que é preciso ser persistente para enfrentar os obstáculos e atingir metas. Aqui no bairro, o projecto tem ajudado as pessoas a concretizarem os seus pequenos sonhos. Se as mentalidades estão a mudar deve-se ao Escolhas. É a acção dos técnicos que nos estimula a encontrar novos rumos na vida e a ter novas perspectivas de futuro. No meu caso, deixei de lado a timidez para ser mais sociável e interagir mais com os outros. A minha participação nas actividades de grupo contribuiu muito para isso.


Claúdio Spínola

“A presença do Escolhas faz a diferença”

O Programa Escolhas significa muito para mim e levou-me a ver o lado bom das pessoas. Foi graças a ele que descobri a importância da escola, por isso, voltei a estudar. Já não estudava há 4 anos, tinha apenas o 8.º ano, e agora estou a frequentar um Curso de Assistente Familiar de apoio à comunidade, que dá equivalência ao 9.º ano. Se calhar, um dia até poderei ser eu a fazer o mesmo trabalho que os técnicos fazem no projecto. Com o “C@pacitar” adquiri novos valores e atitudes, fiz amizades, descobri que consigo ser bom estudante e, acima de tudo, encontrei novos interesses ao participar nas actividades, tais como, trabalhos decorativos, culinária e pastelaria, desportos radicais. Além disso, ainda tenho a oportunidade de trabalhar com os computadores e aprender programas informáticos de muita utilidade para o futuro, o Word e o PowerPoint, por exemplo. No bairro, a presença do Escolhas faz a diferença. Há um espaço de convívio comunitário, onde as pessoas comunicam, esclarecem dúvidas e participam nas actividades várias...há concursos de dança e fotografia, podem ver filmes. Temos também, uma Biblioteca ao dispor.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro da Ribeira Grande. É um bairro social situado na zona periférica do Funchal, é composto por 16 blocos de apartamentos. Tem espaços verdes, locais de lazer comuns à comunidade, tem um bar e uma padaria que servem de ponto de encontro dos habitantes /Com quem vive 4 irmãos, a cunhada e 5 sobrinhos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Terminar o curso que estou a frequentar e conseguir trabalho na área social...e quem sabe avançar para o secundário /Projecto que frequenta C@pacitar

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Lisandra Songobi “Adquiri mais conhecimentos, criatividade e responsabilidade” /Origem Nasci em Portugal mas a minha mãe é de Cabo Verde e o meu pai de Angola. /Onde Vive Tapada das Mercês. Tem imensos espaços verdes, prédios e diversas culturas. /Com quem vive Mãe e três irmãs. /Ocupação Actual Estudante (8º ano). /Sonho Viajar pelo mundo. Ser técnica de informática. /Projecto que frequenta O Espaço, Desafios e Oportunidades

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O Escolhas tem transformado a realidade social no meu bairro. Crianças e jovens carenciados recebem mais apoio nos estudos, desenvolvem as capacidades intelectuais, psicológicas e sociais, são encaminhados para o sucesso escolar. A nível pessoal, adquiri mais conhecimentos, criatividade e responsabilidade. Para este meu crescimento, o “Espaço, Desafios e Oportunidades” proporcionou-me todo o apoio escolar, assim como, uma série de actividades úteis como a Costura, Pintura e Informática. No ano passado, não ia ao projecto, desinteresseime pela escola e reprovei. Este ano lectivo, voltei ao espaço do Escolhas, orientei-me, sou representante do 8º ano na Assembleia de Jovens e tenho boas notas. Diria que o”Escolhas” é um projecto que dá valor aos carenciados, independentemente do tom de pele.


Nelson Salazar

“Comunidade cigana mais integrada”

O “Trampolim: Oficinas de dança, música e teatro” deu à minha comunidade novos horizontes, integração na sociedade e mais acesso às oportunidades. Foi o projecto que fez com que eu continuasse os estudos, fizesse novas aprendizagens e descobertas.

/Origem Portuguesa- Etnia cigana

O convívio no projecto é muito proveitoso. Nos encontros entre várias etnias, desenvolvem-se afectos e aceitam-se as diferenças. Não só aprendi mais sobre as várias tradições, através da convivência com pessoas de várias nacionalidades, como pude também divulgar a minha cultura, sobretudo através da música cigana.

/Com quem vive Pais e irmã mais nova

Por tudo o que alcancei com o Escolhas, continuo a ajudar na organização de várias actividades e eventos, procurando sempre envolver as crianças do meu bairro, tal como fizeram comigo no início.

/Onde Vive Bairro da Rosa, bairro municipal de Coimbra.

/Ocupação Actual Curso de Formação /Sonho Continuar a estudar e ir para a Faculdade para tirar o curso superior da arquitectura. /Projecto que frequenta Trampolim

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Brígida Lobo “Uma bolsa de estudo”

/Origem Portuguesa. /Onde Vive Bairro de Ramalde – Porto /Com quem vive Mãe e irmãos /Ocupação Actual Estudante no 9º ano /Sonho Gostava de um dia poder vir a trabalhar como agente da Policia Judiciária, para poder mudar o mundo. /Projecto que frequenta Raiz

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O Projecto “Raiz” descobriu as minhas fortes potencialidades para atingir um nível escolar muito elevado e fez com que eu tivesse a hipótese de ir estudar para um dos melhores colégios da cidade do Porto. Acreditaram nas minhas capacidades e recebi uma bolsa de estudo...fui escolhida pelo meu mérito escolar, sendo essa a minha principal vitória pessoal. No Bairro, penso que a intervenção do Escolhas foi crucial para uma melhoria na vida de todos, crianças, jovens e adultos. As pessoas estão diferentes e caminham para serem cidadãos de valor. Acredito nos resultados do projecto e, como tal, sempre que posso, colaboro activamente em todas as actividades.


João Paulo

“Reavaliação de metas”

O Projecto “Percursos Integrados” tem sido, sem dúvida, muito importante na minha vida. Ajudou-me a nível familiar e social, orientou-me a nível escolar. Inicialmente revelei alguma resistência, mas, graças à dedicação e persistência dos técnicos, cedi. A partir daí, interessei-me pelos estudos, construí novos objectivos e fiz uma reavaliação das minhas metas. Para ter a vida estável que ambiciono, tinha que mudar de atitude. Nesse sentido, o Escolhas fez muito por mim. Andava com más companhias e isso não era bom para quem queria evoluir. Depois, conheci novos locais, novas pessoas, fiz amizades verdadeiras e isso deu-me força para construir uma nova vida. Agora, dou todo o meu empenho ao projecto, o qual é uma mais-valia para o meu futuro. Na minha comunidade, também tem havido alterações nos comportamentos das pessoas. Vejo posturas mais calmas e mais respeito uns pelos outros.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Amarante /Com quem vive Mãe e irmão /Ocupação Actual Actualmente sou bombeiro voluntário nos bombeiros voluntários de Amarante. /Sonho Gostaria de seguir o serviço militar, de forma a estabilizar a minha vida, tanto a nível pessoal como profissional. /Projecto que frequenta Percursos Integrados

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Maria Elisabete Ribeiro “Aqui somos todos diferentes e todos iguais” /Origem Portuguesa. /Onde Vive Amarante /Com quem vive Pais e irmãs /Ocupação Actual Estudante /Sonho Tirar o curso de desporto /Projecto que frequenta Percursos Integrados

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No projecto “Percursos Integrados” tornei-me mais responsável e dedicada, mudei a minha postura perante as pessoas, respeitandoas mais. Se hoje sou mais sociável e interessada no trabalho devo-o ao Escolhas, o qual sempre acreditou em mim e incentivou-me a estudar. Hoje, valorizo o trabalho e as minhas potencialidades. A minha comunidade está mais unida e mais organizada. As pessoas respeitam-se umas às outras e têm mais calma na resolução de problemas...antes havia muitas zangas. Para mim, o projecto é o melhor lugar do mundo! Aqui somos todos diferentes e todos iguais.


Alexandra

“Dou muito orgulho a esta instituição”

“Escolhe Vilar” é um lugar extremamente activo, muito divertido e que ajuda muito a comunidade, dando apoio a todas as pessoas, quer tenham, ou não, dificuldades sociais e económicas. Aqui no Bairro, todos estão a mudar um pouco a forma de agir e pensar. Eu só tenho tido a ganhar. Com o Escolhas, pude já conviver com crianças de outras partes do país e mesmo de outras nacionalidades, descobri novos interesses, especialmente o gosto pela leitura e Culinária e até mesmo pelos estudos, em particular pela disciplina História, à qual tenho boas notas. Ajudo o projecto e procuro estar sempre presente em todas as actividades e dar sempre a minha colaboração. Sei que dou muito orgulho a esta instituição”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vila D’Este-Vila Nova de Gaia /Com quem vive Mãe e sobrinhos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ir a Barcelona e que este tipo de projectos do Programa Escolhas nunca acabe. /Projecto que frequenta Escolhe Vilar

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Duarte Lourenço “Mudaram toda a minha vida”

/Origem Portuguesa. /Onde Vive Falagueira /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Desempregado /Sonho Ser jogador de futebol /Projecto que frequenta A Rodar

Devo muita coisa ao “A Rodar”, pois, foi graças ao apoio da equipa que consegui alcançar algumas vitórias, as quais seriam à partida impossíveis de realizar. O projecto estendeu-me a mão numa altura muito complicada da minha vida e, com a ajuda deles, consegui superar o problema das drogas numa Clínica de Desintoxicação, para a qual fui encaminhado pela equipa de técnicos. Arranjaram-me uma escola, ajudaram-me na procura de trabalho e mudaram toda a minha vida. Cresci como pessoa e, neste momento, sou treinador de Futebol dos miúdos e colaboro pontualmente como monitor.

Rodrigo Miguel “Uma rampa de lançamento para os jovens” /Origem Portuguesa. /Onde Vive Falagueira /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Desempregado /Sonho Ser jogador de futebol /Projecto que frequenta Arodar

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Este projecto tem sido uma rampa de lançamento para muitos jovens que querem triunfar na vida. Todos somos incentivados a lutar para ter um futuro melhor e isso traz mudanças radicais. A nível pessoal, a equipa do “A Rodar” foi um grande pilar. Para além do apoio na escola, ajudou-me a lidar com os problemas insuportáveis que tinha em casa e a entrar num caminho mais promissor a nível profissional. Hoje, sou treinador da equipa de Futsal infantil deste projecto e costumo ajudar os mais pequenos com os trabalhos de casa.


Isabel Pereira

“Descobri aptidões e venci inseguranças”

No “Escolhas em Boa Hora” descobri aptidões, aprendi a vencer inseguranças e a reagir perante as dificuldades. Aprendi a ser mais sociável, pois tinha problemas nesse âmbito... tinha sempre receio de trabalhar em grupo e de enfrentar as pessoas em geral. Desde que o projecto me ajuda, já consegui apresentar três peças de teatro e enfrentar o público sem medos. Nas actividades desenvolvidas no espaço, encontrei interesses e aproveitei para a aperfeiçoar melhor algumas competências, nomeadamente técnicas de hotelaria. Apresentaria o Escolhas como um Programa que pretende melhorar os comportamentos incorrectos dos jovens, assim como a sua relação interpessoal, perceber quais os principais problemas da comunidade escolar e trabalhar para os resolver.

/Origem Portuguesa. /Onde Vive Almas da Areosa. Aldeia do distrito de Aguada de Cima. /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho Entrar para os Quadros Permanentes da Marinha. /Projecto que frequenta Escolhas em Boa Hora

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André Dias “Sou uma pessoa mais atenta aos problemas dos outros” /Origem Portuguesa /Onde Vive Lagos /Com quem vive Tios /Ocupação Actual Estudante /Sonho Um sonho que eu queria realizar era ser rapper. /Projecto que frequenta Aproximarte

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O “Aproximarte” fez-me um cidadão muito melhor. Melhorei a convivência social, pois, hoje sou uma pessoa bem mais atenta aos problemas dos outros. Participei em tudo o que me podia ajudar a crescer e consegui até ultrapassar a minha gaguez, o que é uma grande vitória...o Escolhas fez tanta coisa por mim que até já perdi a conta...é o melhor apoio que se pode ter. Acima de tudo, a presença do psicólogo no espaço é crucial para a nossa orientação individual e em grupo. Para as pessoas do meu bairro, também foi uma mais-valia a chegada do Escolhas, pois a minha comunidade evoluiu bastante em termos de relacionamento interpessoal.


Ana Azevedo

“Espaço de partilha de tristezas, alegrias, choros e risos”

Desde que estou no projecto, descobri que a vida não é só feita de sonhos e que, pelo meio deles, existem muitas responsabilidades. Descobri novas amizades, novos talentos em mim, novos lugares, enfim, novas experiências inesquecíveis. A minha maior vitória foi ter conquistado a confiança e o afecto das pessoas ligadas ao “CSI”. Foi no Escolhas que “encontrei” o Rugby, um desporto que me permitiu crescer e ganhar sentido de responsabilidade. O meu desempenho foi reconhecido e até recebi o prémio “Carácter”, numa gala onde estavam muitas pessoas a assistir. Hoje, já treino crianças mais pequenas. Os estudos vão de “vento em poupa”, o projecto encaminhou-me e estou a prosseguir os meus estudos num CEF As actividades realizadas têm feito com que eu seja mais activa em grupo: faço parte do grupo de percussão “Riturb”, do grupo de hip-hop “Grow-hop” e, em paralelo, pertenço ao grupo juvenil. Acima de tudo, o Escolhas “apresentou-me” um espaço de partilha de tristezas, alegrias, choros e risos.

/Origem Portuguesa. /Onde Vive Vivo no Bairro da Atouguia ou “Planeta dos Macacos”. O sítio onde vivem os meus maiores amigos. /Com quem vive Mãe, irmão, irmã e padrasto /Ocupação Actual Estudo num CEF para fazer o 9ºano /Sonho O sonho que eu gostaria de realizar, era que tivesse possibilidades de ir a Angola buscar algumas crianças para virem para Portugal e terem uma vida muito melhor. /Projecto que frequenta O CSI

No geral, penso que os moradores do bairro têm, actualmente, uma imagem muito positiva perante a sociedade. Hoje, quem conhece a zona, e mesmo quem não conhece, fala bem das pessoas que nele vivem...dizem que é gente de muitos talentos e que enfrentam os seus problemas.

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Adilson Horta “Passei a compreender outras culturas e etnias” /Origem Caboverdeana /Onde Vive Laranjeiro. Local calmo, não há muito barulho, não há muitas confusões. Tem local para fazer desporto próximo. /Com quem vive Irmã, pai e irmão. /Ocupação Actual Estudo. Estou a acabar o 12º ano e trabalho como monitor de desporto do +XL, e treino atletismo. /Sonho Gostava de ser alguém importante no desporto, a nível nacional, ganhar alguma medalha em atletismo. Gostava de entrar em desporto, de concluir o curso da faculdade em 3 anos e encontrar trabalho na área. /Projecto que frequenta +XL

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Quando vim para o “+XL” abri os meus horizontes. Conheci boas pessoas, passei a compreender melhor outras culturas e etnias, através de uma Formação de Formadores contra a Discriminação, e apercebi-me da importância da escola. No meu bairro, muita coisa mudou ao longo dos 4 anos de actuação deste projecto. Os jovens andavam sempre na rua, sem nada para fazer. Agora têm um espaço para conviver e serem apoiados para que, dessa forma, escolham melhores caminhos, acabem os estudos, encontrem emprego. A minha área é o Desporto e sou já monitor do projecto. Neste âmbito, desenvolvo também as minhas competências a outros níveis, pois, nem sempre é fácil realizar exactamente as actividades que queremos, por vezes, não há condições para a prática desportiva; aprendi então a pensar em alternativas... não são poucas as vezes em que entro em contacto com as entidades responsáveis pela área para tentar encontrar soluções. Faço questão que, os meus jovens tenham bons resultados e ganhem confiança no que fazem.


Vítor Ferreira

“...Fiz do Escolhas a minha missão”

O Escolhas tem o importante papel de fazer com que crianças e jovens sejam, no futuro, cidadãos eficazes no seu mundo. No meu caso, através do “Encontr@rte”, tenho descoberto capacidades escondidas e aprendido a trabalhar em equipa. Estou muito envolvido nas iniciativas do projecto. Uma das minhas vitórias foi ter conseguido dar o meu contributo para aproximar as famílias das crianças e pessoas de diferentes comunidades. Aprendi a pôr-me no lugar do outro, a respeitar as outras culturas e até a falar uma nova língua. É valiosa, esta oportunidade de participar num projecto que pode mudar gerações. E é com orgulho, que digo que fiz do Escolhas a minha vida.

/Origem Portuguesa. /Onde Vive Bairro da Urmeira, Odivelas /Com quem vive Pais e irmã. /Ocupação Actual Estou a estudar no 5º ano. /Sonho Gostaria de ver todos os que fazem parte do encontr@ rte, desde o mais novo até ao mais velho, a trabalhar para tornar o Bairro um sítio melhor para viver. /Projecto que frequenta Encontr@rte

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Rúben Rocha “O programa deu uma nova face à minha vida” /Origem Portuguesa /Onde Vive Vivo no Bairro da Urmeira em Odivelas. /Com quem vive Pais e irmãs /Ocupação Actual Estou a estudar no 5º ano /Sonho Gostaria de conhecer as pessoas responsáveis pela criação do Programa Escolhas. /Projecto que frequenta Encontr@rte

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O Programa Escolhas deu uma nova face à minha vida, alterou comportamentos que não eram os mais correctos e abriu-me possibilidades. Hoje, Sei respeitar as pessoas que estão à minha volta, aprendi métodos de estudo e a zelar pelo bem-estar da comunidade, assim como, pelo meio-ambiente. No projecto “Encontr@rte”, já plantei uma árvore, ajudei na reconstrução do parque infantil da Serra da Luz e colaborei na limpeza de algumas ruas do bairro.


Cátia Rocha

“Um futuro ligado ao futsal feminino”

Antes de frequentar o “Encontr@rte”, era uma adolescente que não levava a vida a sério, passava a maior parte do tempo sem fazer nada, quase nem sabia o significado da palavra RESPEITO. Mas isso tudo mudou. Hoje, com 17 anos, valorizo as pessoas, ajudoas quando é preciso, sem discriminar ninguém, tendo sempre presente que somos todos iguais! Nesses tempos, era uma adolescente muito envergonhada e, através das actividades do projecto, fui ficando cada vez menos tímida. A grande responsável pela minha mudança de atitude foi a equipa que trabalha no projecto. Seis pessoas excelentes, com as quais podemos partilhar os nossos problemas, sem sermos julgados, e que nos ajudam sempre a sermos melhores, apostando muito nas nossas capacidades.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vivo no Bairro da Urmeira, Odivelas. /Com quem vive Pais e irmãos. /Ocupação Actual Estou a estudar no 9º ano /Sonho Jogar na Selecção Nacional de Futsal feminino. /Projecto que frequenta Encontr@rte

Nesta nova fase da minha vida, o meu grande sonho é jogar na Selecção Nacional de Futsal Feminino. Normalmente, as raparigas não gostam muito de jogar à bola, mas eu sou uma rapariga diferente! Adoro futebol... até posso dizer que sou “viciada”.

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Igor Triães “Apoio psicológico fundamental”

/Naturalidade O Camarnal e um bairro social dado pela câmara às pessoas com mais necessidades, é um sítio calmo e sem confusões. /Com quem vive Mãe e irmão /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de ir visitar o espaço. /Projecto que frequenta Escola Com Escolhas E3i

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No projecto, tive o apoio psicológico que precisava para melhorar a relação complicada que tinha com o meu pai. Aprendi a ouvi-lo e a dar-lhe uma nova oportunidade. O “Escolas Com Escolhas” também me deu o apoio necessário para enfrentar algumas carências de bens. Em paralelo, também procuro dar o meu contributo ao Escolhas. Participo na organização de eventos, dou ideias para a concretização de várias iniciativas e ajudo a tomar conta dos mais novos. Não tenho dúvidas de que estes profissionais do Escolhas são nossos amigos.


Marta Martins “Boas influências”

Antes de ingressar no projecto achava que devia sobressair através de comportamentos negativos, pelo que, frequentemente, associava-me a grupos de amigos que não se interessavam pela escola e só a frequentavam para perturbar. No dia em que iniciei o apoio ao estudo, pensei mesmo não voltar, pois, achei-os muito exigentes. No entanto, com o passar dos dias, fui descobrindo um espaço de amizade onde, para além de realizar actividades interessantes, era também incentivada a estudar. Comecei a ter boas influências e aproximei-me da vida escolar. A equipa do “Ramal de Intervenção”, sempre atenta às nossas dificuldades pessoais e académicas, encaminhou-me para um Curso de Educação e Formação de Jovens – na área de Fotografia, o qual me permitiu concluir o 9ºano de escolaridade. A nível pessoal, transformei-me numa adolescente mais responsável.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro do Viso /Com quem vive Avó /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de ingressar na Faculdade. /Projecto que frequenta Ramal(de) Intervenção

O bairro parece outro. Como a comunidade é levada a participar activamente em todas as actividades do projecto, o espírito de união está a ganhar força. Vejo também, que os pais colaboram mais na educação dos filhos.

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Marta Oliveira “Sou melhor cidadã e uma pessoa mais humana” /Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro das Campinas bairro social da cidade do Porto. /Com quem vive Pais e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostava de ser Engenheira Informática, e tirar o curso de Engenharia Informática. /Projecto que frequenta Raiz

O Projecto ajudou-me a perceber que todas as pessoas têm valor, mesmo que a sua situação financeira não seja boa. Nada depende da classe social em que se nasce ou vive. Nas “mãos” do Escolhas, todos podem ter oportunidades. Com o acompanhamento do “Raiz”, dediquei-me aos estudos e consegui, por mérito próprio, ganhar uma Bolsa de Estudo na Instituição Promotora do projecto, o Colégio de Nossa Senhora do Rosário, uma das melhores escolas do Porto e de Portugal. Esta foi uma grande vitória pessoal, a qual contribuiu também, para a minha evolução pessoal. Sou melhor cidadã e uma pessoa mais humana. Faço questão de ser participante activa nas actividades do Escolhas, pois, quero sempre retribuir todo o apoio que tenho recebido. Sou monitora das actividades do projecto com as crianças na escola. Ajudo-as com os trabalhos de casa, procurando sempre ser uma referência, um modelo a seguir pelos mais novos. No bairro das Campinas, os moradores estão mais integrados na sociedade, na medida em que o projecto tem prestado apoio em várias vertentes: alimentação, estudos, família, orientação social e profissional... As pessoas sentem-se acarinhadas e ficam mais motivadas a mudar o comportamento para melhor.

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Cláudio Rodrigues

“Somos todos irmãos”

Sempre fui problemático. Esse mau comportamento deu origem a situações menos boas, que acabaram no tribunal e, até nesses momentos, a equipa técnica do “Sementes” esteve comigo a tentar orientar-me. Fui um jovem que sempre dei trabalho e causei alguns problemas, mas, neste projecto, sempre houve um lugar para mim. Hoje, já vejo a vida de uma forma menos conflituosa, participo nas actividades realizadas pelo projecto, onde tenho feito novas aprendizagens em várias áreas: Cultura, Saúde Mental, Comportamento Social, entre outras Com a vinda do Escolhas, o meu bairro tornou-se mais interessante e mais calmo. Criam-se mais actividades e convívio, assim como, apoios a todos os níveis, sobretudo na procura de emprego. A solidariedade já existe entre nós..., estávamos muito divididos por raças e agora já não é assim. Somos todos amigos, irmãos.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Neste momento vivo em Chelas, mas toda a vida vivi na Curraleira /Com quem vive Namorada. /Ocupação Actual Jogo futebol e ajudo na casa da juventude- no Projecto sementes. /Sonho Ser um grande jogar de futebol. Tenho treinado para isso e tento todos os dias trabalhar mais para alcançar o meu sonho. /Projecto que frequenta Sementes

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Ricardo “Acreditar nas minhas capacidades”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Costa da Capararica /Com quem vive Pais e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser guitarrista /Projecto que frequenta D.A.R à Costa

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O Escolhas abriu-me horizontes e oportunidades. O Escolhas temme orientado no sentido de perceber os meus gostos e interesses, proporcionando-me novas actividades. Estou a ter aulas de Música, o que me levou a consolidar o meu sonho de ser Guitarrista. O “D.A.R à Costa” trouxe-me mais convívio, fez-me acreditar nas minhas capacidades e a lutar pelas metas que quero atingir na vida. Penso que este projecto representa o “crescimento pessoal e profissional” para as crianças e jovens que o frequentam. É uma chance na vida, que ninguém deve deixar passar!


Moisés Maia

“Estou a ficar mais responsável”

O Bairro ganhou muito com a vinda do “Ainda Dar Que Falar”. Agora temos inúmeras actividades, como o futebol, o basquetebol, a pintura, a natação, Informática, entre outras...e os professores são muito fixes. Agora, já não precisamos de andar lá fora sem nada para fazer. Antes, não tínhamos nada aqui! No projecto, podemos libertar as nossas capacidades. Eu costumo cantar música cigana e os meus amigos gostam muito. É uma festa quando estamos todos aqui e eu toco as músicas na viola. Aliás, o meu tempo livre é passado sempre no espaço. Quando chego da escola, faço os trabalhos de casa, pois posso esclarecer as dúvidas com os professores, e depois vou participar nas actividades. Desta forma, sei que estou a ficar mais responsável.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Em Darque no Bairro 3 de Julho. /Com quem vive Com o meu pai, com a minha mãe e com a minha irmã. /Ocupação Actual Estudante. /Sonho Eu gostava muito de ser músico e de tocar a minha viola para toda a gente ver o que eu aprendi na Academia de Música de Viana do Castelo. Gostava de sair nas revistas e ser conhecido e toda a gente pedir a minha assinatura. O meu pai ia ficar muito feliz /Projecto que frequenta Ainda Dar Que Falar

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Leandra Maia “Não tinha nada para fazer, agora tenho muitas coisas boas” /Origem Portuguesa /Onde Vive Em Darque, no Bairro 3 de Julho. /Com quem vive Pais e irmã /Ocupação Actual Estudante /Sonho Eu gostava muito que a minha família fosse feliz e gostava de ser professora dos meninos pequeninos mas não gosto muito da escola. /Projecto que frequenta Ainda Dar Que Falar

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Desde que vim para o projecto “Ainda Dar que Falar”, tenho tido muita ajuda. Eu não sabia nada e agora já estou a aprender muitas coisas, a ler, escrever, desenhar, pintar e até a mexer nos computadores. As professoras na escola estão muito contentes comigo porque, agora, faço sempre os trabalhos de casa. O meu pai está sempre a incentivar-me a participar no projecto porque as actividades são muito boas para as crianças...Eu não tinha nada para fazer, agora tenho muitas coisas boas.


Magali Bonaparte

“Um Programa muito fixe”

O projecto ajudou-me a reflectir sobre a minha vida e sobre a importância do trabalho. Já não sou tão tímida como era, pois, no espaço do Escolhas temos sempre muito convívio”; também já tenho a responsabilidade de fazer os trabalhos escolares e as actividades ensinam-me muita coisa, como por exemplo, Informática. O Escolhas é um programa muito fixe com pessoas muito acessíveis.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vale da Amoreira /Com quem vive Mãe e irmãs /Ocupação Actual A estagiar (Curso Técnico de Apoio à Infância - 12.º ano) /Sonho Um dos meus sonhos é viajar para um lugar paradísico com praia. /Projecto que frequenta Escolhas VA

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Alexandre Landim “O Escolhas permite realizar projectos” /Origem Cabo-Verde /Naturalidade Casal dos Machados /Agregado Pais e irmão /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser jogador de futebol. /Projecto que frequenta Entrelaços, és capaz!

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A participação no “Entrelaços” ajudou-me a descobrir o valor da amizade. Adquiri novos conhecimentos, fiz amigos, visitei locais que desconhecia - o Museu Militar e o Aquário Vasco da Gama, aprendi a trabalhar com computadores e ganhei novas experiências. Só com este projecto soube o que era acampar! Para mim, o Escolhas permite realizar projectos e segue os interesses dos jovens do Bairro!


Artur Maia “É com orgulho que falo deste programa” O “Há Escolhas” já fez muitas coisas boas por mim. Os técnicos motivam-me diariamente e tenho aprendido a reconhecer os meus erros, sendo esse o primeiro passo para mudar de comportamento. Assim, voltei à escola, fiz novos amigos, voltei a ter boas notas e até ajudo nas actividades propostas pelo projecto, procurando ser um bom exemplo para os mais novos. Com o projecto, já conheci as instalações da Rádio Renascença e do Estádio da Luz, participei na organização do I torneio de futebol dos jovens do bairro e, com o apoio dos técnicos, estou a aprender a trabalhar com jovens e crianças. As pessoas que trabalham no Escolhas ajudam bastante a comunidade, e é com orgulho que falo deste programa aos meus amigos.

/Origem Português /Onde Vive Bairro Portugal Novo, bairro sem tutela jurídica /Com quem vive Mãe, imãos, prima, tio e avô /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria no futuro de arranjar um trabalho na tropa e constituir família para ter quatro ou cinco filhos e continuar a viver onde vivo! /Projecto que frequenta Há escolhas no bairro

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Emanuel Montes “Este projecto é uma família”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vila Real de Santo António /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho Eu gostava de melhorar este país porque daqui a pouco já ninguem mora cá devido à falta de emprego. /Projecto que frequenta Escolhas Vivas

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Este projecto é uma família, na qual não nos sentimos diferentes, apesar de estarmos entre várias nacionalidades e etnias. Os técnicos do projecto ajudam-nos independentemente de quem somos, isso para eles não importa. Estou contente por frequentar o “Escolhas Vivas”, pois, foi com ele que voltei à escola, descobri o Teatro e a Música...aprendi a tocar Viola, o que para mim foi uma grande vitória. Tenho muito respeito pelo trabalho dos técnicos e dou a minha contribuição para o jornal do Escolhas sempre que posso.


Margarida Seno “Mudança visível”

O meu comportamento melhorou desde que estou no projecto, a par da oportunidade de conhecer novos locais, através das colónias de férias, e de ter evoluído a nível profissional, ao ser escolhida para realizar um estágio na minha área. A mudança é visível. O Escolhas trouxe muitas actividades para o nosso bairro - desde ATL, colónias, CID@NET - estruturou uma Associação de jovens, criou ateliers de Expressão Plástica e Dramática, Dança, Futebol, Música, Teatro, entre outras...Todas elas para a nossa comunidade. Nós também contribuímos para a valorização do espaço, através do melhoramento do seu aspecto exterior e interior...todos colaborámos nas limpezas e na pintura, o que veio revelar o valor da união.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro da Esperança – Beja /Com quem vive Mãe e irmã /Ocupação Actual Desocupada /Sonho Um sonho que gostaria de realizar seria terminar o 12.º ano de escolaridade e frequentar um estágio profissional numa área relacionada com crianças. /Projecto que frequenta Inclusão pela Arte II

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Sofia Chéu “Descobri novos caminhos para alcançar o que quero” /Origem Portuguesa /Onde Vive Mafra. É uma vila que tem um Convento. /Com quem vive Pai e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Um dos sonhos que queria poder realizar era poder ajudar quem precisasse, ter bons estudos, ter uma boa carreira para poder conseguir alcançar os meus objectivos. /Projecto que frequenta Crescer Com Escolhas

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O “Crescer Com Escolhas” ajudou-me a descobrir novos caminhos para poder alcançar o que quero. Ajudou-me também nos problemas escolares, pessoais e familiares. Amigos, espaços novos, atitudes responsáveis...tudo isso foi-me revelado pelo projecto. Em geral, o Escolhas tem mudado a vida de muita gente do bairro. As famílias têm sido apoiadas com fornecimento de alimentos, o que tem facilitado em muito a vida das pessoas.


Tânia Paredes “Um pilar importante na minha vida”

O “Lagarteiro e o Mundo” ajudou-me a acreditar ainda mais em mim e ensinou-me, que com força de vontade, nada me impede de realizar todos os meus sonhos e projectos. Um grande marco na minha vida foi o fantástico intercâmbio, que realizei na Dinamarca, o qual só consegui devido ao sucesso que tive na escola e ao facto de ser participante assídua nas actividades do projecto. O Escolhas tem, portanto, sido um pilar importante na minha vida, pois foi ele que me incentivou a ir em frente e a nunca desistir do que quero. Entrar na faculdade e conseguir tirar o meu curso será a minha grande vitória. Penso que, também é gratificante para o Escolhas, saber que todo o trabalho prestado, não foi, nem será, em vão. Devido ao Escolhas tudo mudou aqui no Lagarteiro. As crianças têm um novo sorriso, pois, passaram a dedicar o seu tempo em actividades no projecto, em vez de andarem a fazer as suas traquinices.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Moro no Bairro do Lagarteiro. É um bairro do concelho do Porto que está agora a ser restaurado e penso que irá ficar uma urbanização de agrado para todos os seus moradores. /Com quem vive Mãe e irmão /Ocupação Actual Sou trabalhadora, mas vou entrar este ano para a faculdade. /Sonho O meu maior sonho é tirar o curso de Direito e poder exercer a minha função assim que possivel, pois é realmente algo que me fascina desde muito pequenina. /Projecto que frequenta Lagarteiro e o Mundo

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Vitara Ramos “Aprendi a olhar à minha volta e ajudar o próximo” /Origem Portuguesa /Onde Vive Mafra /Comq uem vive Mãe, irmão e dois gatos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Não tenho os meus ideais de vida ainda muito bem definidos. Com o Escolhas que me abre novas portas, como por exemplo na área do desporto, estou a definir melhor o meu projecto de vida e o meu futuro. Por isso não tenho um sonho que quisesse mesmo realizar. /Projecto que frequenta Crescer Com Escolhas

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Com o “Crescer com Escolhas” descobri um novo potencial no desporto, quem sabe se não me tornarei numa profissional. O valor da amizade foi outra das coisas das quais me apercebi, pois, era muito individualista e consegui sair desse mundo só meu para entrar num outro de mais confiança, respeito pelos outros e de responsabilidade pelos meus compromissos...aprendi a olhar à minha volta e ajudar o próximo. É sempre bom termos alguém que olhe por nós, para além da nossa família. O Escolhas deu-me novos ideais de vida, um projecto de vida, uma segunda família e novas amizades...puxou-me de um mundo meio escuro para um mais verde, com melhores escolhas. Na vida da comunidade, sei que o projecto tirou um peso de cima de muitos pais, que agora sabem que os filhos estão a ser acompanhados e a divertir-se no espaço.


Vanessa Garcia “Sonho trabalhar neste projecto com as crianças e jovens” A ajuda do “Escolhas VA” tem sido preciosa. Acho que se este projecto não existisse, estaria perdida para as drogas ou seria mais um caso de desistência escolar. Mas este projecto é uma realidade e, com ele, tenho evoluído muito e aprendido a valorizar-me mais. As actividades lúdicas e pedagógicas têm feito a diferença nas nossas vidas. Por isso, vou estar disponível para o Escolhas, nos bons e maus momentos. Aliás, um dos meus sonhos é trabalhar neste projecto com as crianças e jovens.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vale da Amoreira /Com quem vvie Pai, irmãos e primo /Ocupação Actual Trabalho e Estudo /Sonho Gostaria muito de ser Obstetra, mas acho que não consigo chegar lá. Estou no 9ºano preste a ir para o 10ºano, e tenho amigos que dizem que não vou conseguir sair do 1º agrupamento se for para medicina, a não ser que estude muito. Também queria ter uma casa minha, que pudesse sustentar os meus filhos sem dificuldades e sem algumas coisas que passei. Ser Feliz /Projecto que frequenta Escolhas Va

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Raven Sanches “Não ter seguido o caminho das ruas foi uma conquista” /Origem Guiné Bissau /Onde Vive Bairro das Manteigadas Setúbal /Com quem vive Mãe, irmãos e sobrinha /Ocupação Actual Contrato efectivo pintura automóvel na auto-europa. /Sonho Casar, ter uma família, um trabalho estável, e ter algum dinheiro. /Projecto que frequenta LX 15 Centro LúdicoPedagógico das Manteigadas

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No Escolhas, tornei-me um Homem, aprendendo a reconhecer os meus erros, a abraçar novos valores e a enveredar pelas vias certas. Tenho um espírito apaziguador e bom senso, descobri que vale a pena estudar e desenvolvi capacidades de formação/ organização de equipas. Não ter seguido o caminho das ruas foi uma grande conquista. É um bom projecto, com uma equipa simpática e prestável que nunca nos deixa sem apoio. Actualmente, tenho um emprego mas, continuo a participar no Escolhas, sobretudo ao nível do Desporto.


Virgínia Andrade “Mais tolerante com outras culturas”

Devo muito mesmo ao “Lagarteiro e o Mundo”. Aprendi a conviver com pessoas de outras nacionalidades e com formas de estar diferentes, permitindo-me abrir novos horizontes e ser mais tolerante com outras culturas. Este projecto deu-me acesso a experiências diferentes. Um marco importante na minha vida foi o “Comboio Escolhas”, actividade desenvolvida na primeira geração do Programa, onde fiz amizades para o resto da vida.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro do Lagarteiro /Comq uem vive Sozinha /Ocupação Actual Empregada de limpeza /Sonho Constituir uma enorme família, e sermos todos felizes. /Projecto que frequenta Lagarteiro e o Mundo

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Filipa Jesus “Aprendi a ser mais responsável”

/Origem Setubalense /Onde Vive Setúbal- Bela Vista /Com quem vive Mãee e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser psicóloga criminal, cantar com o FF e ter um espaço maior para o projecto. /Projecto que frequenta Agora Sim

Ao longo do meu percurso com o Escolhas, fiquei mais responsável, brincalhona e trabalhadora, por isso, e para que outras pessoas também tenham essas possibilidades, eu procuro ajudar na divulgação das actividades realizadas no projecto. O projecto ajudou-me a realizar sonhos, tais como, o de fazer voluntariado e o de conhecer pessoas e culturas diferentes. Despertei para o Mundo, aprendi a respeitar o momento de cada um, sem passar por cima de ninguém para me fazer ouvir... Posso dizer que, o Escolhas é a minha família. Foi com o apoio dos técnicos que segui os meus estudos e que consegui manter a Banda de Percussão Africana. O projecto mudou a nossa comunidade, de uma maneira geral. As pessoas já vêm aqui deixar currículos, já se inscrevem em cursos e frequentam o atelier de Informática. Há festas, passeios, actividades ao ar livre, caminhadas, acampamentos, aos quais todos no bairro têm acesso.

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Silvianne Luz “Vejo os problemas como desafios...”

O “ORIENTA-TE São Domingos de Rana” levou-me a perceber gostos e medos, sonho e desejos, deu-me mais confiança...vejo a vida de uma forma mais prática, percebendo que as dificuldades têm solução e que os problemas são desafios a superar. Ainda tenho muito a aprender, mas sei qual o valor das nossas escolhas e que é preciso fazê-las com confiança e auto-estima. Toda esta clareza foi o “Orienta-te” que me deu. O Escolhas faz diferença na nossa vida, na minha vida...essa mudança pode não ser algo palpável, que se toque, mas está aqui, eu sinto-a e vejo-a. Não esqueço as oportunidades que me são dadas e sempre vou lembrar-me do que senti quando o projecto me levou a conhecer o Estádio José Alvalade...Nunca tinha ido a um estádio, fui já com 19 anos e foi uma experiência agradável e única.

/Origem Caboverdiana /Onde Vive Tires, São Domingos de Rana /Com quem vive Mãe, irmão e padrasto /Ocupação Actual Estudante

/Sonho Ser Chef de Cozinha/Pastelaria. Poder proporcionar felicidade através da minha comida, das minhas invenções e produções culinárias. A comida é um conforto e eu quero proporcionar esse lado bom do conforto que a comida traz. /Projecto que frequenta Orienta-se SDR

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Raúl Vinagre “Ampliei horizontes”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vivo no Centro Social e Paroquial S. João Bosco Mirandela (Instituição de acolhimento de crianças e jovens) /Com quem vive Durante a semana no colégio e aos fins-de-semana casa do pai, da avó e da mãe alternadamente. /Ocupação Actual Sou estudante e estou a finalizar o 12º ano através de um curso profissional Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos /Sonho Ora uma boa pergunta?... um sonho que gostaria de realizar... tenho vários. Gostava de dar a volta ao mundo e ser inspector da Polícia. /Projecto que frequenta Incentivar em Mirandela

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Quando o “Incentivar” me orientou na escola, encaminhandome para o ensino secundário, começou uma grande história de amizade. A este projecto, devo a minha integração na comunidade e a descoberta das minhas potencialidades. Aceitei desafios, fiquei mais corajoso e aprendi que as derrotas fazem-nos crescer... Apercebi-me que eu era muito mais do que imaginava. A minha maior vitória foi aprender a ser eu mesmo, na luta pelos meus objectivos. Há iniciativas que nos marcam e a mim foi o Navio Escolhas que fez a diferença... senti que ia explodir de felicidade! Aqui, estive de frente com a amizade, a união, a partilha, a ajuda e a compaixão...deixei de ser preconceituoso e ampliei horizontes. Antes do Escolhas ser implementado, os jovens do bairro eram um pouco como “passarinhos na gaiola”, ou seja, sonhavam mas parecia tudo tão difícil de realizar... Então chegou o projecto e tudo mudou...foi como um oásis no deserto... começou a existir teatro, colónias, ocupação de tempos livres, apoio ao estudo, às famílias mais necessitadas, aos idosos....


Jéssica Coelho “Mais equilibrada e assertiva”

Desde que frequento o “ Intervir”, tenho uma visão diferente da vida, passei a aceitar as diferenças, a valorizar as pessoas pela sua maneira de ser e não pela aparência que têm. O Projecto ajudou-me a encarar os meus problemas e a saber lidar com eles... sou uma pessoa mais equilibrada e assertiva...aprendi a valorizar-me. Para Santo André, este Projecto representa mais oportunidades, através das actividades e formações que realiza, e uma melhoria das relações interpessoais, pois, as pessoas estão mais tolerantes, menos preconceituosas, aceitam melhor aquilo que é diferente.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vila Nova de Santo André, Concelho de Santiago do Cacém. É uma freguesia urbana situada num concelho rural, com alguns problemas sociais graves. /Com quem vive Irmã, cunhado e sobrinhos /Ocupação Actual Estudante /Sonho O meu maior sonho é poder ser voluntária pela Unicef, para ajudar as crianças em África. Gostava de lhes poder dar os bens necessários de que necessitam, como comida e roupa, ensinálas a ler e a escrever para um dia poderem ter um futuro melhor e poderem ter oportunidades iguais a tantas outras crianças. /Projecto que frequenta Intervir.Com

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Lara Mota “Bons valores na comunidade”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Setúbal-Azeda /Com quem vive Mãe e irmão /Ocupação Actual Actividades com o Projecto Agora Sim /Sonho Ser Actriz /Projecto que frequenta Agora Sim

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O “Agora Sim” permitiu-me descobrir como funciona o mundo que nos rodeia e veio mostrar que nem todos os Bairros Sociais são maus. Com a acção da equipa, têm sido transmitidos bons valores na comunidade...há menos jovens desocupados e mais interessados no que os rodeia. Eu aproximei-me da escola e aprendi que não é com revolta que damos volta à vida, mas sim investindo em nós próprios...há que acreditar em nós e não baixar a cabeça aos que nos rebaixam. Estou a fazer pela vida e até já formei uma banda - os LazyBones”. Falo sempre no projecto às pessoas e na sua mais-valia para a vida de todos.


Eusébio Pascoal “Estou mais motivado”

Estou mais motivado e mais capaz de acreditar no meu futuro, desde que frequento o “Reinvent@.com”. As minhas capacidades estão mais desenvolvidas, principalmente nas Artes Plásticas, e o meu relacionamento com os outros melhorou. A escola é também mais importante para mim, pois passei a respeitar os professores e os colegas. Agora sou uma pessoa mais participativa nas actividades e sei obedecer às regras. Antes do projecto, andava com más companhias e nem sabia o que queria. Agora até ajudo os professores a falar com outros jovens e a dar bons conselhos, pois o Escolhas ajudou-me a acreditar que posso ajudar os outros.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro da Nazaré no Funchal Habitação Social, num T3 /Com quem vive Mãe, padrasto e irmãos /Ocupação Actual A minha ocupação neste momento são só as actividades do Projecto Escolhas. /Sonho Gostaria de ser milionário, assim seria feliz. /Projecto que frequenta Reinvent@.com

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Vânia Martins “Sempre de portas abertas para nos receber” /Origem Caboverdiana /Onde Vive Vale da Amoreira num bairro social. /Com quem vive Mãe, irmão, tios e avós maternos /Ocupação Actual Trabalho como Técnica de Apoio à Infância. /Sonho Gostaria de numa determinada altura da minha vida, poder conhecer grande parte do mundo, ou seja, viajar pelo mundo fora. O facto de eu querer vir a viajar pelo mundo fora é devido ao meu imenso gosto pela dança e querer fazer isso pelo mundo todo, se possível. /Projecto que frequenta Escolhas VA

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Durante muitas alturas da minha vida, nunca soube onde ir passar o meu tempo livre. Com a presença do Escolhas no meu bairro, que veio dar atenção às necessidades dos jovens sem rumo e orientação, isso mudou. O projecto está sempre de portas abertas para nos receber e ouvir os nosso problemas, aconselhando actividades e sugerindo os caminhos certos para seguimento a um percurso académico de futuro.


Vanessa Pinto “Ajudou-me a ser mais altruísta e tolerante” No “Mundo à Escolha”, tive a possibilidade de criar novas amizades, participar nas festas da minha freguesia e de ter umas férias de Verão maravilhosas. Para além disso, o contacto com muitas pessoas diferentes ajudou-me a estar atenta ao que me rodeia, a ser mais tolerante e altruísta...deixei de pensar só em mim. Para os jovens do bairro, o Escolhas tem sido fundamental na ocupação do tempo de forma mais educativa, adquirindo conhecimentos em áreas diversas.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vivo no centro do Porto e gosto muito da minha cidade. /Com quem vive Avó, tia, irmão, pai e primos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Um dos sonhos que eu gostava de ver realizado, é o de um dia poder ser Bióloga Marinha. /Projecto que frequenta Um Mundo à Escolha

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Maqui Moreira “Percebemos que sem estudos, não temos futuro” /Origem Caboverdiana /Onde Vive Quinta Fonte da Prata. /Com quem vive Pais e Irmão /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de estudar numa grande Universidade para ser uma grande médica cirurgiã. Gostava também de abrir uma clínica. /Projecto que frequenta Tasse

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O projecto TASSE ajudou-me a trabalhar em grupo e a ter consciência da importância que a Escola tem na nossa vida. Deixei de lado a timidez que tinha em relação aos outros e tornei-me mais comunicativa em equipa e nas aulas. O Escolhas ajudou-me a perceber que, se estudarmos vale a pena e esta aprendizagem não foi só minha, a minha comunidade também passou a valorizar mais a escola, a perceber que, sem estudos, não temos futuro. Por essa razão, não falto muito às aulas, porto-me bem, respeito os monitores e os meus colegas, não perturbo os outros. Este projecto ajuda, acima de tudo, a fazer boas escolhas.


Sandro Amorim “A vida tem mais sentido”

Com o projecto “Acreditar “ descobri que a vida tem mais sentido, que não devemos parar, ter sempre força para superar barreiras e lutar por aquilo que queremos. Aprendi muitas das coisas que, hoje em dia, utilizo para ajudar aqueles que mais necessitam. Foi com o apoio do Escolhas, que consegui mudar a minha forma de ver a vida. Hoje em dia sou feliz porque aprendi a ser um bom cidadão. A comunidade do Bairro de Aldoar também está mais alegre. As crianças e jovens têm ao dispor actividades lúdicas e pedagógicas, que os ocupam e as impedem de seguir por caminhos mais perigosos. Para mim, o Escolhas é um programa revolucionário, que abre as suas portas para ajudar os mais necessitados, sem fazer distinção.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro de Aldoar, fica na cidade do porto. O Bairro de Aldoar foi construído em 1968 em terrenos oferecidos por Manuel Carlos Agrelos. Daí a sua anterior designação. É formado por 16 blocos de habitação plurifamiliar constituído por 396 fogos que serviram para alojar as pessoas que viviam nos bairros de lata de Xangai e da Liberdade, localizados nas imediações. /Com quem vive Mãe e irmão /Ocupação Actual Além de ajudar com voluntariado numa associação local, faço também parte do projecto Acreditar do programa escolhas em Aldoar. /Sonho Gostaria de conhecer um pouco mais sobre o mundo, viajar pelo mundo, conhecer novas culturas, ajudar populações necessitadas e fazer uma viagem pelo mar. /Projecto que frequenta Acreditar

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Marisa Fontes “Sinto-me importante”

/Origem Caboverdiana /Onde Vive Fonte da Prata /Comq uem vive Pais e Irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ver a associação da qual faço parte crescer e dentro dela podermos demostrar aquilo de que somos capazes. /Projecto que frequenta Tasse

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O Escolhas deu-nos um espaço em que somos acolhidos com amor e carinho. Eu não seria hoje quem sou, se o “TASSE” não estivesse presente na minha vida...não deixei a escola, ganhei respeito e mais responsabilidades...sinto que tenho valor, com a consciência de que posso alcançar todos os meus objectivos, se lutar por eles. Sinto-me importante no “TASSE”. A implementação deste projecto no meu bairro evitou muitos abandonos escolares e permitiu novos rumos de vida. Quero sempre continuar ligada ao projecto, pois, sei que aqui, os pequenos projectos individuais podem avançar e tornar-se grandes.


Eduardo Martins “Sinto-me parte do projecto”

A minha irmã é Dinamizadora do “Escol(h)a Viva” e isso fez com que me aproximasse dele também, adquirindo novas competências. Para além da parte da formação profissional, ganhei ainda em evolução pessoal. Nunca pensei que ia ser tão feliz neste projecto. Novas perspectivas abriram-se para mim. Eu, que antes não gostava de estudar, resolvi esforçar-me e consegui resultados muito positivos...para isso, contei com o apoio das técnicas do Escolhas, sobretudo nas disciplinas mais difíceis...sinto-me sempre muito orgulhoso quando recebo uma boa nota e, por isso, vou logo partilhar a notícia com quem ajudou. Apercebi-me que sou capaz de ultrapassar as barreiras com esforço e dedicação. Estou muito envolvido nas iniciativas projecto, tanto na planificação, como na dinamização de actividades. Sinto-me parte disto e isso tem sido um factor de motivação. Faço Hapkido, futsal e aprendi a tocar bombo...sei que, o que aprendo agora vou, mais tarde, partilhar com os outros jovens. Por essa razão, nunca falto! Divirto-me e divirto os mais pequenos. No geral, os nossos pais estão certamente agradecidos, porque o Escolhas tirou muitas crianças e jovens da rua, onde passavam o tempo a fazer asneiras, dando-lhes a possibilidade de canalizar o tempo para actividades úteis para o futuro.

/Origem Nasci no Hospital da Cova da Beira na Cidade da Covilhã, tenho a Nacionalidade Portuguesa. /Onde Vive Vivo na cidade do Fundão que pertence ao distrito de Castelo Branco, localizada no sopé do Monte de São Brás entre a Serra da Gardunha e a Serra da Estrela, mais conhecida pela Região Cova da Beira, “Terra da Cereja” e do “Imago” festival de cinema. /Com quem vive Pais e irmã. “Somos uma Família feliz e muito dinâmica, gostamos de ajudar o próximo, somos todos Bombeiros Voluntários do Fundão.” /Ocupação Actual Sou estudante de 9º ano na Escola Secundária do Fundão. /Projecto que frequenta Escol(H)a Viva II

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Diogo Brito “Basta um pequeno gesto para ajudar os outros e fazê-los felizes” /Origem Portuguesa /Onde Vive Actualmente moro no Fundão, numa rua muito próxima do projecto, mesmo no centro da cidade, junto da Biblioteca Municipal, do pavilhão multiusos e dos seus jardins, onde eu passava grande parte dos meus dias antes de ir para o projecto. /Com quem vive Mãe, irmã e padrastro /Ocupação Actual Estou a finalizar o Curso Serviço de Mesa/Bar /Sonho Sair e viajar até França. Como saio poucas vezes do Fundão, um dos meus sonhos quando for mais crescido e ganhar um ordenado será viajar e ir até à França, quem sabe se continuar a estudar na área da restauração possa vir a tornar-me num grande Chefe de cozinha em França. /Projecto que frequenta Escol(H)a Viva II

O projecto ajudou-me a ultrapassar algumas carências na vida da minha família. Para mim, o facto de terem resolvido uma situação que me entristecia, significou muito para mim...nunca vou esquecer: usava uns óculos com lentes partidas, precisava de outros, mas os meus pais não tinham dinheiro...ia para a escola com os óculos naquelas condições e era gozado...ficava muito triste. Eis que as técnicas do “Escol(H)a Viva conseguiram que fosse a várias consultas de oftalmologia e arranjaram forma de me comprar uns óculos! Com esta situação, percebi que, de facto, todos nós somos importantes neste projecto contra a exclusão social, ninguém é colocado à parte e tenta-se sempre ajudar quem se encontra em situações complicadas. A união faz a força! No entanto, no início, não fiquei feliz quando fui para o projecto, nem percebia como era possível que os outros meninos o estivessem... eu tinha sido encaminhado pela Comissão de Crianças e não estava assim tão contente. Nessa altura, os estudos não me corriam bem, já tinha reprovado alguns anos e pensava seriamente em desistir... lá em casa a minha mãe também não fazia muita questão que eu continuasse a estudar. Tudo mudou, quando a psicóloga do projecto encaminhou-me para um curso CEF- Serviço Mesa e Bar. Hoje, sou um bom aluno, prestes a ir para o estágio, num dos melhores restaurantes do Fundão. Tenho participado em várias actividades de voluntariado e percebi que, basta um pequeno gesto para ajudar os outros e fazê-los felizes! Esta tem sido uma das minhas principais aprendizagens. O Escolhas conseguiu implementar, no bairro, uma Loja Solidária para ajudar as pessoas carenciadas, uma medida essencial para melhorar o bem-estar na comunidade.

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Cátia Queirós “Os medos para trás”

Quando comecei a participar no “Desafio” tinha 14 anos e estava na 3.ª classe. Desde o início, vivi experiências enriquecedoras, relacionei-me mais com os oautros e ganhei em responsabilidade. As inúmeras actividades fizeram com que, quase sem dar por isso, aprendesse a lidar com os meus receios e a ir mais além. Fiz Canoagem e Escalada, aprendi a falar em público, contrariando a minha personalidade introspectiva e a parte da Informática ajudou-me também a criar o meu blog, onde partilho pensamento e ideias. O bairro está mais vivo, sendo de realçar a mudança nas atitudes dos moradores, que dão cada vez mais valor ao sítio onde vivem, em vez de rejeitá-lo, como faziam antes. A esse nível, dei a minha colaboração ao participar no Concurso “Muda o Bairro”, no qual a minha equipa saiu vencedora.

/Origem Portuguesa. /Onde Vive Oliveira do Douro, Bairro /Com quem vive Pais e irmãos /Ocupação Actual Trabalho /Sonho Terminar o 12º ano que frequento neste momento e de seguida tentar entrar na universidade para seguir Psicologia. Futuramente adoraria trabalhar com crianças. É o meu desejo e sonho. /Projecto que frequenta Desafios

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Rodrigo Amaro Cunha “O Escolhas tem um lugar na minha família” /Origem Portuguesa /Onde Vive Moro na cidade do Fundão, situada na região da Cova da Beira, conhecida pelas Cerejas. /Com quem vive Mãe e irmãos /Ocupação Actual Frequenta um curso CEF Serviço de Mesa Bar /Sonho Gostava de jogar e treinar na selecção nacional de futsal e poder conhecer o João Benedito e o Bebé. /O Que fez pelo Escolhas Participo nas actividades do meu projecto e como acho que algumas são muito importantes, para alguns colegas que não frequentam o projecto, por vezes convido-os para participar e assim eles ficam a conhecer um pouco do universo ESCOLHAS! /Projecto que frequenta Escol(H)a Viva II

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O Escolhas também tem um lugar na minha família, pois, tem contribuído em muito para o seu equilíbrio e harmonia. Já passámos por momentos muito difíceis, sobretudo quando os meus pais se divorciaram. Na altura, parecia que o mundo ia desabar e “o Escol(H)as” ajudou-nos a superar as dificuldades... tivemos que procurar ajuda, começámos a ir à Loja Solidária do bairro, uma vez que a minha mãe não tinha meios para suprir as necessidades. Hoje, felizmente, tudo está mais fácil, pois, temos mais estabilidade emocional e apoio social. Sou agora muito diferente. Deixei para trás as inseguranças de miúdo, tornei-me mais confiante, empreendedor e mais virado para o próximo, menos para mim. Uma vitória, tendo em conta que era bastante egoísta, demasiado voltado para mim próprio. Em conjunto com a equipa, consegui escolher um percurso escolar adaptado às minhas capacidades. Com esta orientação, aprendi a gostar da escola, pretendo terminar o curso para entrar no mundo do trabalho e, neste seguimento, quero compensar a minha família pelo esforço que tem feito pelo meu futuro...também não quero desiludir as técnicas, que depositaram em mim confiança e dedicação. Tenho que referir a minha participação no Navio Escolhas... foi inesquecível. Foi a oportunidade de viver uma semana idílica, um sonho tornado realidade! Nunca tinha saído da minha cidade, e esse foi um momento marcante na minha vida, no qual conheci novas pessoas e aprendi novos valores. O Escolhas está no meu coração e prometo não desiludir!


Liliana Gomes “Um mundo de novos interesses”

O facto de ter sido mãe adolescente e de ter conseguido continuar a estudar, não deixando de lutar pelos meus sonhos e objectivos, foi uma grande vitória para mim, alcançada graças ao apoio do “ÁfriCá: Asas e Raízes”. Os técnicos estiveram do meu lado em situações complicadas, sempre disponíveis para mim...deram-me apoio escolar, revelando-me um mundo de novos interesses, através das actividades do Verão, cursos e workshops. O projecto tem ajudado também muitas famílias carenciadas aqui de Caxias. Jovens e adultos são incentivados a voltar a estudar e orientados no sentido de encontrar emprego.

/Origem Caboverdiana /Onde Vive Caxias – Oeiras /Com quem vive Pais, irmãos, filha e sobrinho /Ocupação Actual Estudante /Sonho Um dos meus grandes sonhos é tirar um curso de fotografia, sendo que tenho mais, mas esse é o principal. /Projecto que frequenta Áfri-Cá: Asas e Raízes II

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Paulo Pinto “Aprendi a estudar e a respeitar”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro do Zambujal /Com quem vive Pais e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser um bom informático /Projecto que frequenta Percursos Acompanhados

O projecto virou por completo a minha vida, mudou-me ao ponto de eu já não viver sem ele! Com o “Percursos”, aprendi a estudar e a respeitar, palavras que não eram sequer usadas no meu vocabulário. Antes de entrar para este projecto, era um aluno mal comportado, tinha péssimas notas, cheguei mesmo a estar em risco de chumbar. Não era nem assíduo, nem pontual, andava com más companhias, que só me queriam levar por maus caminhos, nos quais desrespeitava até os amigos. O Escolha conseguiu recuperar-me...foi uma “mãe” para mim. A comunidade do bairro também não é mais a mesma. Temos melhores notas, somos mais aplicados e respeitadores.

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Wilson Alves “Aprendi a ser mais humilde e prestável” O “Construindo Novas Cidadanias” ajudou-me a descobrir que nada está perdido e que, com força de vontade, podemos realizar os sonhos. Aprendi a ser mais humilde e prestável, mais ambicioso, tendo sempre em conta que o dinheiro não é tudo. O Escolhas acolheu-me como uma família e transmitiu-me bons ensinamentos para a minha vida em sociedade. Ensinou-me a ser uma pessoa mais agradável, a respeitar para ser respeitado, a ajudar sempre os colegas, despertando o meu espírito de união. Sei hoje, que posso ser uma referência positiva. Estes valores foram extensíveis à comunidade em geral e o ambiente no bairro também é outro.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Zambujal de Loures /Comq uem vive Pai /Ocupação Actual Actor e Músico não profissional /Sonho Ser um homem com liberdade financeira para ajudar os que mais precisam. Desmistificar a conotação negativa que muita gente tem sobre o RAP. /Projecto que frequenta Construindo Novas Cidadanias

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365HISTÓRIASDEVIDA

Tiago Moreira “Adquiri auto-controlo emocional”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Zambujal-Loures /Com quem vive Pais e irmão /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostava de me tornar um DJ profissional ou produtor de som. Gostava muito de poder ser actor e de entrar no mundo artístico. /Projecto que frequenta Construindo Novas Cidadanias

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No “Construindo Novas Cidadanias” descobri-me profissionalmente. No Grupo de Teatro IBISCO tomei contacto com a representação, já visitei estúdios de gravação, estabeleci contactos no meio das artes, aprendi técnicas de manuseamento de material de multimédia e de DJ, nomeadamente mesas de mistura e técnicas de iluminação. A nível comportamental, adquiri mais auto-controlo emocional, dominando a raiva e os impulsos. Pelo Escolhas, dedico muito tempo e energia! Aposto na divulgação das várias actividades para tentar envolver neste projecto cada vez mais jovens do Zambujal.


Desiree Regazonni “A escola tornou-se uma aliada”

O Escolhas indicou-me os caminhos correctos da vida e deixei de ser uma das miúdas mais complicadas do bairro, com problemas de comportamento e pouca aptidão para os estudos. As técnicas aconselharam-me a fazer um curso de formação e isso fez com que a escola se tornasse minha aliada. Hoje, sou Mediadora de Conflitos, para ajudar crianças problemáticas, como um dia eu fui, e ao mesmo tempo, também faço trabalhos de voluntariado. Tudo isto só foi possível devido ao projecto, que ao dar-me apoio, fez-me sentir como parte de uma família.

/Origem Italiana /Onde Vive Bairro Lagarteiro Porto /Com quem vive Avó /Ocupação Actual Desempregada /Projecto que frequenta Lagarteiro e o Mundo

O “Lagarteiro e o Mundo” deu-me opções e penso que, de modos gerais, os jovens conseguem melhorar a sua qualidade de vida se abraçarem este projecto e seguirem as directivas. Eu surpreendime a mim mesma e não deixo de participar em tudo o que esteja ligado ao projecto.

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365HISTÓRIASDEVIDA

Arnaldo Ramos “Podemos mudar o nosso futuro e o dos outros” /Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro de Santiago. Bairro histórico e muito pobre no centro histórico de Estremoz. /Com quem vive Mãe e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser polícia. /Projecto que frequenta Geração XXI

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Desde que vim para o “Geração XXI”, comecei a ser mais responsável, a gostar de estudar e a ajudar os mais pequenos. Dei por mim a querer ir mais longe e a acreditar nas minhas capacidades, o que se tem vindo a reflectir positivamente no meu percurso escolar e nas relações sociais. Este projecto é uma mais-valia e se deixarmos os técnicos actuarem, podemos mudar o nosso futuro e o dos outros.


Miguel Ramos “Ir mais além e fazer a diferença”

Acho que o programa Escolhas é Fantástico porque nos revela o mundo. Não podemos pensar apenas no nosso pequeno espaço, temos que ir mais além para poder fazer a diferença. Quando se conhecem pessoas diferentes, novas culturas e realidades, passamos a querer fazer parte disto de uma forma positiva. Eu já estou a dar passos importantes ao nível escolar, trabalho e participo nas actividades do projecto...já tenho ido a encontros a representar o “Geração XXI”, como foi no caso do acampamento nacional da Lousã, e pretendo fazer muito mais.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro de Santiago. Bairro histórico e muito pobre no centro histórico de Estremoz. /Com quem vive Mãe e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser jogador de futebol profissional /Projecto que frequenta Geração XXI

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Abulai Danfa -Júnior “Vencer as dificuldades da língua”

/Origem Guineense /Onde Vive Santo António dos Cavaleiros /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta EU AMO SAC

Tenho 8 anos de idade e sou da Guiné. Vim para Portugal, em meados de Dezembro de 2010, e tenho sido apoiado pelas técnicas do “Eu AMO SAC”. No início, eu não falava nada de português, não andava ainda na escola e tinha dificuldades em brincar com os outros meninos...e assim era mais calado. Agora, já entrei na escola e estou muito melhor. Apesar de ainda ter dificuldades na língua, já gosto mais de brincar e estou mais feliz!

Mariana Pagaimo “Mais autoconfiança e positividade”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Montemor-o-Velho /Com quem vive Mãe, irmã, avó materna /Ocupação Actual Estudante /Sonho Veterinária /Projecto que frequenta Escolhas Múltiplas

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O projecto deu-me muito até agora. A Psicóloga do “Escolhas Múltiplas” têm-me dado apoio e já consegui controlar os medos, a ansiedade e o nervosismo, sobretudo na altura dos testes. O facto de ter alguém em quem confiar e falar dos meus problemas fez com que, eu própria ganhasse em auto-confiança e positividade, deixando de lado as tristezas. No Escolhas, participo sempre nas actividades propostas e mostro a minha disponibilidade para ajudar os colegas com dificuldades.


Mikael Monteiro “Em vista uma vida melhor”

Sou cabo-verdiano e vim para Portugal, há cerca de três anos, com o objectivo de ser alguém na vida. Hoje, tenho 15 anos, frequento o 7º ano de escolaridade, e tenho como objectivo principal ir para a faculdade e formar-me, de modo a ter uma vida melhor. Conto com o Escolhas neste meu caminho. Inicialmente, tive muitas dificuldades em ambientar-me ao país, não só por não perceber o português, mas também por estranhar os estilos de vida e hábitos...parecia-me que as pessoas falavam muito rápido e que estavam atrasadas para alguma coisa! A relação entre pais e filhos é bem diferente do que estava acostumado em Cabo Verde... Cá em Portugal, os filhos não respeitam os pais, já no meu país, o que os pais dizem é uma ordem a ser acatada.

/Origem Cabo-Verde /Onde Vive Belavista – Setúbal /Com quem vive Pai, madrasta e 3 irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Trazer a minha mãe para Portugal /Projecto que frequenta Pro Infinito e Mais Além

A nível da simpatia, talvez por não entender a língua, achei as pessoas menos bondosas que no meu país. Apesar de tudo, tenho conseguido fazer muitos amigos, especialmente desde que comecei a frequentar o “Pro Infinito e Mais Além”. Um espaço precioso, onde me incentivam a estudar, esclarecem dúvidas, ensinam a trabalhar com o computador, levam-me a conhecer novos locais. Quero continuar no projecto por muitos mais anos, pois sinto que ainda tenho muito para dar e receber.

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Tiago Filipe Teixeira “Ajudou-me a descobrir que não é proibido sonhar” /Origem Portuguesa /Onde Vive Eu vivo na Tapada das Mercês. Acho que é uma zona linda, muito povoada. Temos muitas nacionalidades. /Com quem vive Pais e irmãos. /Ocupação Actual Estudante. Frequento o 6º ano de escolaridade. /Sonho Ter um bom emprego no futuro /Projecto que frequenta O Espaço, Desafios e Oportunidades.

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O projecto ajudou-me a descobrir que é bom estudar, amar e ajudar. Ajudou-me a descobrir que não é proibido sonhar. Tenho ajuda a estudar de forma diferente, tenho apoio ao estudo e aulas no cid@net. Também me ajudam a ser mais ajuizado e responsável. Aprendi muitas coisas novas, como por exemplo: fazer aviões. Ajudou-me ainda a passar de ano, a utilizar o computador. Quando cometo erros ajudam-me a reconhecer que errei. Em suma fez com que melhorasse as notas escolares: a escola ficou interessante. Para quem nunca ouviu falar neste projecto eu apresentar-lo-ia como um projecto acolhedor e muito simpático. Um projecto que ajuda nos bons e maus momentos. Desde o ano lectivo passado que represento o meu ano de escolaridade na Assembleia de Jovens. Aqui no projecto ensino os mais novos a fazer aviões e ajudo-os a integrarem-se na escola.


Kevin de Carvalho “A comunidade escolar mudou”

Aprendi muitas coisas, tais como: utilizar o PC porque não sabia; a estudar e preparar-me para os testes; ajudar-me a comportarme melhor dentro e fora da sala de aula. Antes estava em risco de chumbar. Com o projecto melhorei bastante. Levou-me a conhecer a Madeira, que eu não conhecia. Nessa ida à Madeira conheci mais pessoas, mais projectos. Pela primeira vez andei num navio e gostei muito da experiência. Aprendi a respeitar todas as pessoas. A comunidade escolar mudou com a aprendizagem das ferramentas informáticas....sinto que era mais difícil estudar se não tivesse o Programa Escolhas. É um programa que existe de Norte a Sul de Portugal. Ajuda as pessoas que têm dificuldades e ensina coisas importantes para a vida.

/Origem Portuguesa. A minha mãe é de Cabo Verde. /Onde Vive Mercês. A minha rua é calma. É uma rua com muitas pessoas. /Com quem vive Mãe e irmão /Ocupação Actual Estudante /Sonho O meu sonho é ser futebolista. /Projecto que frequenta O Espaço, Desafios e Oportunidades.

Também já pude dar o meu contributo: ajudo quando os outros jovens estão necessitados. Represento os colegas do meu ano na Assembleia de Jovens. Já fui monitor, ensinei os outros a fazerem aviões.

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Denilson Lopes “Graças ao projecto espero chegar à minha primeira vitória” /Origem Cabo-Verdeana /Onde Vive Amadora-Falagueira /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho Um dia sonho em visitar o Dubai porque é um país muito bonito /Projecto que frequenta A Rodar

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Graças ao projecto estou a dar os meus primeiros passos na luta com a matemática, em breve espero chegar à minha primeira vitória. A nível comunitário o projecto organizou actividades que melhoraram o convívio dos moradores do bairro, agora vejo que o bairro está mais unido. É um programa muito didáctico. Participei na organização de actividades do projecto: Acampamento de verão, Torneio de Futsal, Festa do vizinho. Sinto que tenho todas as possibilidades.


Elisandra “Estou a estudar com vontade e ânimo”

Se não fosse o Escolhas, hoje estaria numa escola de ensino normal e a não gostar dos estudos. Mas, graças ao Projecto, hoje estou no 1º ano do Curso Profissional de Restauração Cozinha/Pastelaria, e estou a gostar muito! Foi o “Viva”, que me ajudou a procurar a escola, a conhecê-la e a inscrever-me e...consegui entrar! Para mim é uma vitória estar a fazer aquilo que eu sempre gostei, mesmo com as dificuldades que hoje existem neste mundo. Estou a estudar com vontade e ânimo! Sempre gostei de cozinhar, mas sempre quis aprender mais e mais ... e hoje eu sei confeccionar pratos que nunca pensei que iria saber fazer.

/Origem Angolana /Onde Vive 2º Torrão/Trafaria, num bairro cheio de Africanos /Com quem vive Pais, e irmão, irmãs /Ocupação Actual Estudante /Sonho Um dia, gostaria de ter um trabalho dentro da área em que estou (restauração), ter um bom horário e salário. /Projecto que frequenta Vive as tuas Escolhas

O escolhas fez muito por mim!! Devido à sua ajuda hoje estou a estudar com prazer! e não pretendo parar! faço o que realmente gosto ... Na minha comunidade, penso que as coisas também se transformaram para melhor. A juventude passou a gostar de ir à escola!. O Escolhas é uma nova oportunidade nas nossas vidas, um novo caminho para concretizarmos os nossos sonhos! é uma ajuda que temos para decidirmos o que queremos ser na vida.

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Miguel Ângelo Meda “Aprendemos a ser homens de confiança” /Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Com quem vive Avó e mãe /Ocupação Actual Estudante /Sonho No futuro, gostaria de ser designer gráfico, entrar para a Escola de Belas-Artes /Projecto que frequenta Mais Jovem

O Escolhas ajudou-me a dar um novo rumo à minha vida, a ser mais educado, a ser honesto e a ser amigo das outras pessoas porque também queremos que elas sejam nossas amigas. Uma vitória para mim no projecto foi ser sempre um miúdo bem comportado... às vezes umas asneiras mas tudo se resolve com a aprendizagem. Consegui ser bem capaz de fazer coisas por mim, mas com consciência, tirei cursos de Informática e tirei cursos pela Internet. O Escolhas ajudou-me a saber respeitar os outros. Aliás, desde que o projecto abriu, todos nós começámos a respeitar-monos uns aos outros e a ver o mundo de outra maneira, de modo diferente. O ambiente é sempre melhor do que antes! Acima de tudo, aprendemos a ser homens de confiança. Se o formos, somos sempre recompensados. Hoje sei que posso ter oportunidades e ser alguém...Ser uma pessoa sociável, bem-educada e saber viver.

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Fábio Daniel Lopes “O Escolhas mostrou-me as vantagens de estudar” O Escolhas mostrou-me as vantagens de estudar. Os técnicos sempre me disseram que não devia faltar à escola e que devia sempre respeitar os outros...ensinamentos brilhantes e luminosos. O meu comportamento mudou devido ao apoio que tive no Projecto. A sala de computadores e o apoio escolar têm sido muito importante spara mim e para toda a comunidade. Ao voltar a aplicar-me na escola decidi escolher os meus sonhos.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Com quem vive Pais, 3 irmãos e sobrinha /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de ser professor de Português...ou então Psicólogo /Projecto que frequenta Mais Jovem

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365HISTÓRIASDEVIDA

Inês Filipa Oliveira “Um dia, também quero ajudar os que precisam” /Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Comq quem vive Pais, irmã e irmão. /Ocupação Actual Escola e Mais Jovem /Sonho Ajudar os que precisam. /Projecto que frequenta Mais Jovem

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Se não houvesse o “Mais Jovem”, a esta hora não sabíamos nada, mas como o projecto abriu, nós sabemos quase tudo e descobri que podemos ser bons alunos. Aprendi a ler e a escrever, a ser bem-educada. Aqui temos actividades, fazemos coisas e aprendemos muito nos nossos tempos livres e nas férias. Um dia, também quero ajudar os que precisam, tal como fazem comigo agora. É esse o meu sonho!


Olívia Moreira “Estou mais disposta a ajudar e menos centrada em mim” Este projecto ajudou-me a descobrir outras realidades, a dar mais importância às questões ambientais e a outros problemas da actualidade.... Acima de tudo, a dar mais valor a quem trabalha com problemas sociais, pois sei que é muito duro mas claro também muito gratificante. O “Mais Jovem” assume um papel essencial no meu desenvolvimento pessoal, pois, estou mais disposta a ajudar os outros e menos centrada em mim.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Com quem vive Mãe, irmã e avó. /Ocupação Actual Estudante /Sonho Finalizar o meu curso, ir para a faculdade e trabalhar numa área que me agrade, de preferência /Projecto que frequenta Mais Jovem

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365HISTÓRIASDEVIDA

Ana Rita Nunes “O Projecto ensinou-me a ser amiga de todas as pessoas” /Origem Portuguesa /Onde vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Com quem Vive Avó, bisavô e padrinho. /Ocupação Actual Estudante /Sonho gostaria de ser Professora ou médica /Projecto que frequenta Mais Jovem

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O “Mais Jovem” ensinou-me a ser educada, honesta, amiga de todas as pessoas, a tirar boas notas na escola e a trabalhar com o computador. As técnicas ajudam-me a estudar e a comportarme...a ser uma miúda inteligente, a ser amiga do ambiente, dos animais, das plantas, dos meus familiares e a ser amiga com quem convivo. Agora que já estudo já sei quais são os meus sonhos... gostaria de dar um lar aos que mais precisam e ver como as pessoas do Alentejo convivem.


Pedro Alberto Lopes “O meu sonho é ajudar um amigo quando este precisar” Se o projecto não abrisse, eu e mais alguns colegas não passávamos de ano, mas como o “Mais Jovem” existe nas nossas vidas, as coisas são bem melhores. Comecei a aprender a ler e a escrever, a fazer os trabalhos da escola, a estudar. O Projecto tem uma biblioteca e é lá que podemos ler. Também temos as actividades nos tempos livres...agora já não ficamos sem nada para fazer. O Escolhas abriu novas oportunidades para a comunidade. Crianças, jovens e adultos podem ir ao espaço e aí terem acesso a informações sobre cursos.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Com quem vive Pais, irmão, irmã, sobrinha /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ajudar /Projecto que frequenta Mais Jovem

O meu sonho é ajudar um amigo quando este precisar.

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Alexandra Silva “O Escolhas ajudou-me a descobrir que tenho talentos” /Origem Portuguesa /Onde Vive Montijo - Bairro do Esteval. é fixe /Com quem vive Mãe, padrasto , 4 irmãos /Ocupação Actual Estudante do 7º ano /Sonho Ser Bailarinha /Projecto que frequenta Tu Kontas Mais Ainda

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O Escolhas ajudou-me a descobrir que tenho talentos e que consigo obter os meus objectivos, desde que lute por eles. Melhorei as minhas notas na escola e o comportamento...ajudoume a descobrir coisas que tenho em mim que nem eu conhecia!.... Antes do projecto existir aqui no bairro as pessoas só faziam ‘’porcaria’’, mas quando o “Tu Kontas” iniciou actividade tudo mudou...agora as crianças/jovens mudaram e para melhor. As actividades estão abertas a todos e nós também podemos contribuir para o Projecto...eu ajudo os mais novos com os trabalhos da escola, esclareço-lhes as dúvidas e ajudo a organizar jogos e festas...


Adriana Sanganha “Não falto ao apoio escolar”

O projecto ajudou-me a descobrir várias coisas e a aprender coisas que eu desconhecia. Uma das minhas vitórias foi frequentar o CAE “Centro de apoio escolar”, pois, ajudou-me a melhorar as notas. Eu. que no início era muito calada, muito envergonhada, deixei de ser assim tão tímida..as pessoas deste projecto fizeram com que eu me sentisse bem e assim socializasse mais. O “Geração Inconformadus” mudou-me um pouco...participo em muitas actividades e não falto ao apoio escolar. Este Projecto tem sido muito bom também, para os adultos...por causa da Escola de Pais.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Ponte de Sor /Com quem vive Mãe /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostava de ir aos E.U.A /Projecto que frequenta Geração Inconformadus

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365HISTÓRIASDEVIDA

Bruno Miguel Pinto “Dou todo o meu tempo e motivação ao Projecto” /Origem Portuguesa /Onde Vive Montijo /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho “No futuro, quero ter uma vida pessoal e profissional estável” /Projecto que frequenta Tu Kontas Mais Ainda

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O Escolhas ajudou-me a descobrir quem sou. Posso dizer que sou uma pessoa muito mais responsável e respeitadora dos outros. Ajudou-me nas minhas escolhas, pois, aprendi a estabelecer os meus objectivos...sei que quero estudar para ter um futuro profissional bem sucedido. Todas as crianças e jovens da comunidade podem agora viver várias experiências...há actividades diferentes, há passeios, há convívio...ocupa-se bem os tempos-livres. Hoje, dou todo o meu tempo e motivação ao Projecto em que participo.


Tiago Duarte Afonso “Um Programa educativo e muito divertido” O “Quero Saber” é muito importante para mim. Neste espaço aprendi a estudar e a fazer os trabalhos de casa, a trabalhar com o computador e a conviver melhor com os colegas nas festas, eventos, actividades e muitos outros divertimentos. Tenho novos interesses...cinema e escrever...faço notícias para o nosso jornal digital. Se tivesse que apresentar o Escolhas diria que é um programa educativo e muito divertido.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Tortosendo, uma vila do concelho da Covilhã /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho Conhecer o realizador Anime Yugioh /Projecto que frequenta Quero Saber

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365HISTÓRIASDEVIDA

Eduardo dos Santos “...deu-me a ajuda que precisava”

/Origem Portuguesa /Onde Vive bairro com 6 prédios, um parque infantil onde jogamos à bola, uma capela, uma piscina, um pavilhão, um café e um lar de idosos /Com quem vive Pais, irmão e irmã /Ocupação Actual Aluno da EB 2/3 do Tortosendo /Sonho Tenho muitos, mas os meus grandes sonhos são ver os Los Angeles Lakers jogar ou ver o Justin Bieber ao vivo” /Projecto que frequenta Quero Saber

104 | JOVENS

O Escolhas deu-me a ajuda que precisava...nos trabalhos de casa, a estudar para os testes, a ocupar bem o tempo e a divertir-me. Consegui subir as notas a algumas disciplinas e descobri que gosto de estudar...hoje estou bem mais informado. No Projecto, encontrei também apoio nos problemas da vida, uns maiores que os outros. A minha comunidade está também diferente, todos têm mais acesso ao conhecimento, há mais espírito de alegria e mais organização. Ao aprender com a equipa do “Quero Saber” e ao mostrar bons resultados, sei que estou também a dar incentivo ao Escolhas a continuar a fazer o que tem feito até aqui com todas as crianças e jovens.


Rui Simões “Antes não fazia nada, agora já trabalho com o computador” O Projecto ajudou-me a ficar mais calmo e a portar-me melhor na escola e em todos os sítios. Dou-me melhor com os amigos... aprendi a conviver melhor, talvez devido aos passeios que fazemos em grupo...fui a muitos sítios que nunca iria se não existisse o “Escolhe Vilar”. Antes não fazia nada, agora já trabalho com o computador, sei instalar jogos, ir ao messenger , escrever no jornal digital...faço também os meus trabalhos da escola. Dou também o meu contributo ao Escolhas. Faço o que for preciso, ajudo a tomar conta dos putos, fico responsável pela porta e outras “cenas”.

/Origem Vila Nova de Gaia /Onde Vive “Um sítio grande, com muitos prédios, muitas ruas, com um supermercado e muita gente” /Com quem vive Mãe /Ocupação Actual Não faço nada porque fui operado à coluna e tive de sair da escola este ano /Sonho Fazer uma grande viagem a Londres com os colegas do Projecto /Projecto que frequenta Escolhe Vilar

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365HISTÓRIASDEVIDA

Catarina dos Santos “...pode ajudar as pessoas a ver as comunidades sociais de forma diferente” /Origem Portuguesa /Onde Vive Monte Caparica /Com quem vive Mãe /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostava de escrever um episódio da série “Grey’s Anatomy /Projecto que frequenta Geração Cool

Ajudou-me a descobrir que, com a ajuda dos amigos, podemos conseguir bastante. O Projecto “Putos do Bairro” ajudou-me a aprender a trabalhar em equipa e a aceitar diferentes opiniões! Aprendi a trabalhar com pessoas com quem não tinha muita confiança e que existem mais opiniões num grupo...não é só a minha que conta. Com o “Putos do Bairro” conseguimos conhecermo-nos melhor e, em simultâneo, dar a conhecer o nosso bairro às pessoas de fora para também melhorar a imagem da nossa comunidade perante os outros. Diria que o Programa Escolhas pode ajudar as pessoas a ver as comunidades sociais de uma forma diferente, sem preconceitos.

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Tatiana Félix “Quero ter a minha vida organizada”

O Programa Escolhas teve muito impacto na minha vida. Posso dizer que foi bom ter pertencido a este projecto, pois aprendi coisas diferentes, coisas novas. Ajudou-me a melhorar a minha maneira de ser e a construir um futuro. Quando vim para o projecto, tinha uns 13 anos de idade... fazia de tudo, adorava cuidar dos outros, tirar fotocópias, estar com os mais pequenos a ajudá-los nos trabalhos de casa, isso fazia-me sentir bem… é que eu gosto de ajudar os outros!

/Origem Portuguesa /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ter o meu salão de cabeleireiro /Projecto que frequenta Poder Escolher

Tirei um curso de Acção Educativa no CEF (curso de educação e formação), depois fiz o 9º ano no Centro de Formação de Alverca, e aí tirei o curso de cabeleireira. Correu muito bem, fui a melhor da turma, nunca tirei negativas...mas é verdade que faltava algumas vezes. Depois fiz o exame final, tirei 20 valores, e iniciei o estágio. Se não conseguir depois arranjar emprego, vou continuar a estudar e tirar um curso de esteticista e massagista para fazer o 12º ano. Daqui a uns anos, quero muito ter o meu salão de cabeleireiro, quero ter a minha vida organizada com uma casa, as minhas coisas.

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365HISTÓRIASDEVIDA

Joel Santos “Ganho o meu dinheiro, tenho a minha independência” /Origem Portuguesa /Onde Vive Vila Franca de Xira /Ocupação Actual Executador num Armazém /Sonho Ser pasteleiro /Projecto que frequenta Poder Escolher

Gostei muito de aprender com os meus formadores do Escolhas, por exemplo, um dos projectos em que estava envolvido era o grupo de tutores, aí eu aprendi bastante para poder mudar o bairro. Aprendi a renovar as salas do centro, a organizar e participar nas várias actividades...danças, festas no bairro, matinés dos jovens e intercâmbios de vários projectos. Tudo isto fez-me aprender muito. Também gostei de trabalhar com o POJ (programa de ocupação de jovens) aqui no Centro Comunitário de Povos. Hoje sou uma pessoa que respeita os outros porque aprendi a lidar com as pessoas de forma correcta e assertiva. Aprendi a ser uma pessoa sincera, respeitadora, cuidadora e comunicativa...é claro que também tenho alguns defeitos. Fiz o 9º ano num Curso de Educação e Formação, de Pintura de Azulejos, e apesar de andar sempre na paródia com os meus colegas, porque de vez em quando faltava às aulas, sempre consegui atingir os meus objectivos. Hoje em dia tenho a minha carreira profissional, sei que não é o melhor dos trabalhos, mas gosto de o fazer...também sei que posso ir mais longe. Ganho o meu dinheiro e tenho a minha independência e quero lutar pelos meus objectivos. Sei que vou ter uma vida boa, uma casa, bens essenciais, saúde e constituir família.

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Bruno Augusto Paiva “Um “comportamento difícil” a melhorar” Estou no “Olh@r + Positivo” desde Setembro de 2010 e sei que não sou um caso fácil para este Projecto. Sei que tenho uma personalidade difícil, sou muito agressivo e mal-educado... inclusive, tenho tido várias situações desagradáveis na escola porque tenho dificuldades em manter-me calmo. No Projecto, fico de castigo se me portar mal, se disser palavrões e se for agressivo...detesto que me chamem nomes e depois parto para a violência. As técnicas do Projecto bem me dizem para melhorar as minhas atitudes, para não ser tão rebelde mas, às vezes, não ligo nada. Os problemas na escola têm sido uma constante e já fui suspenso duas vezes.

/Origem Portuguesa /Onde vive Freguesia de Sandim /Com quem vive Pai e avó materna. Pais divorciados. /Ocupação Actual Estudante 7º ano /Projecto que frequenta Olh@r + Positivo

Em Março, iniciei um Projecto de Vida, pelo qual o “Olh@r+Positivo” é responsável. Acordei com a Escola e Projecto que iria repensar o meu comportamento, actualizar os cadernos diários, ajudar nas tarefas dos monitores do Projecto e ainda não faltar às aulas e respeitar os Professores...mas tem sido difícil cumprir as tarefas. No CID@net gosto de estar. O Monitor até me convidou para ser seu assistente e isso tem me motivado bastante. O meu comportamento melhorou...é que eu quando tenho mais liberdade, sinto-me bem. Aqui neste espaço estou sempre bem, faço os trabalhos de casa e depois jogo.

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365HISTÓRIASDEVIDA

Helena Maria Afonso “Aqui tenho conhecido muitos locais que antes desconhecia” /Origem Portuguesa /Onde vive Freguesia de Sandim /Com quem vive Pai e avó materna. Pais divorciados. /Ocupação Actual Estudante 7º ano /Projecto que frequenta Olh@r + Positivo

Estou no “Olh@r + Positivo” desde Outubro de 2010. No início, foi difícil...não conhecia ninguém e, como falava castelhano, achava que a língua pudesse ser um entrave ao relacionamento com os outros jovens. Actualmente, o Projecto é muito importante na minha vida, pois tenho mais amigos...e a língua não é problema. Aqui tenho conhecido muitos sítios que antes desconhecia...adorei o desafio “Todos ao Estádio”, pois nunca tinha ido ver um jogo de futebol ao vivo...adorei também o Encontro Intercultural que o Projecto promoveu, pois pude reviver os costumes da Venezuela. O “CID@net é óptimo porque aí posso usar o computador e manter o contacto com os meus amigos e família da Venezuela. O apoio ao estudo e o Hip Hop são as minhas actividades favoritas, uma porque ajuda nos trabalhos escolares e outra porque me diverte com os amigos. O Projecto permitiu-me ainda tirar o aparelho que tinha nos dentes, e que já não tinha manutenção desde que vim da Venezuela. Explicaram-me que foi a Entidade Gestora do Projecto, através da Clínica, que disponibilizou todos os meios para que tivesse o tratamento adequado em Saúde Oral. Agora já me sinto melhor sem o aparelho.

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Eduardo José Travanca “O Projecto tirou-me das más companhias” Aos 13 anos comecei a conviver com jovens locais com a mesma idade, vizinhos, e que apresentavam comportamentos desviantes. Mudei os meus gostos musicais, passei a ouvir Hip Hop e Rap, consumi drogas leves... fiz coisas erradas...como invasão de propriedade. Estes amigos levaram-me a conhecer pessoas bastante influentes no crime da cidade do Porto e entrei para um gangue...cheguei a assaltar uma casa juntamente com os colegas. Um ano mais tarde o gangue separou-se mas continuei a procurar os colegas e a consumir drogas leves. No ano lectivo anterior, quase fui expulso da Escola e inserido num Centro Educativo, devido ao meu mau comportamento e elevado insucesso escolar. Depois, esses meus vizinhos imigraram para França, e tudo mudou para mim. Estou no “Olh@ar + Positivo” desde Maio do ano passado, participando nas actividades e auxiliando nas tarefas com os mais novos...mudei ainda de escola e tenho vindo a melhorar as notas e comportamento.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Freguesia de Sandim /Com quem vive Mãe e Padastro. Perdeu o Pai aos 2 anos de idade /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser cozinheiro /Projecto que frequenta Olh@r + Positivo

O Projecto tirou-me das más companhias, ganhei mais amigos e novos companheiros. Foi nas conversas com técnicos e colegas de Projecto que consegui abrir novos horizontes e dedicar-me mais aos estudos. A mudança para a Secundária do Freixieiro em Oliveira do Douro tem sido bom para mim, lá estou inscrito no CEF de Jardinagem. O Olh@r+Positivo é para mim uma família. Aqui há união e laços de amizade entre os jovens do Projecto. Estou também a tentar deixar de fumar, já não consumo drogas e estabeleci objectivos de vida: quero ser cozinheiro num restaurante fixe e de boa reputação.

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Gerson Franco “Falo sempre do Projecto aos meus amigos e digo-lhes para virem também” /Origem Portuguesa /Onde Vive “Vivo na freguesia de Monte Abraão, perto de uma escola e de um parque onde vou muitas vezes jogar à bola. O local onde vivo é muito bonito. /Com quem vive Mãe e duas irmãs /Ocupação Actual Estudante /Sonho Voltar à Alemanha...é um país muito bonito e não é sujo /Projecto que frequenta Raízes

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No Escolhas estou a aprender a conviver com as outras pessoas e a ter uma melhor atitude...antes não gostava muito de mim porque me portava mal e as pessoas olhavam me de lado...Agora não só me esforço por ter um comportamento mais adequado como também insisto em estudar e em ter boas notas. No “Raízes” sou outro...conheço pessoas, sítios novos e participo em muitas actividades. De um modo geral, os outros meninos de Monte Abraão aderem às iniciativas e deixaram de andar nas ruas sem fazer nada. Falo sempre do Projecto aos meus amigos e digo-lhes para virem também.


Vânio “Agora frequento a escola...antes passava muito tempo sem ir” Comecei a frequentar as actividades de férias do Projecto, no Verão do ano passado, juntamente com os meus primos. As dificuldades de relacionamento com os colegas e equipa técnica, que marcaram o início, foram rapidamente ultrapassadas com a ajuda de todos. Agora frequento a escola Quinta do Simão...antes passava muito tempo sem ir, apesar de até gostar. O Escolhas tem me dado apoio nos estudos para poder acompanhar as matérias que são dadas e dou-me bem com todos, colegas e professores. O que mais gosto de fazer?...adoro jogar futebol e ver desenhos animados.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Acampamento em Ervideiros – Comunidade de Etnia Cigana /Com quem vive Pais, irmãos, tios e primos /Ocupação Actual Estudante – 3º ano /Projecto que frequenta MultiSendas

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Cristiano “Quero ter mais colegas a seguir o mesmo caminho” /Origem Portuguesa /Onde Vive Acampamento em Ervideiros – Comunidade de Etnia Cigana /Com quem vive Com mulher... até há bem pouco tempo partilhava a mesma “casa” com os pais e mais 4 irmãos /Ocupação Actual Estudante - 7.º ano /Sonho Voltar à Alemanha...é um país muito bonito e não é sujo /Projecto que frequenta MultiSendas

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Desde o início do projecto MultiSendas que frequento as actividades (ateliers) e sou capitão da equipa de futebol “Galegos”. Com este projecto, percebi a importância dos estudos e as consequências de se faltar à escola. Neste momento, transitei para uma turma normal, tendo sido concluída a não necessidade de um plano curricular alternativo. Quando tenho dificuldades nalguma matéria, procuro apoio no espaço do MultiSendas e, em conjunto com a equipa, esclareço dúvidas e ultrapasso os problemas...aqui tenho um estudo mais acompanhado e aproveito e faço os trabalhos escolares. Quero ter mais colegas a seguir o mesmo caminho e, por isso, tento dar sempre um bom exemplo, não só aos amigos, como também aos meus irmãos...faço-lhes entender o valor de construírem um futuro para terem uma vida independente.


Dolores Piedade “Tenho aprendido a fazer mil e uma coisas” Tenho aprendido a fazer “mil e uma coisas” com o Escolhas. Aprendi a ler melhor, habituei-me a fazer os trabalhos da escola e a “mexer” no Computador...e estou a aprender a nadar! Através deste projecto, posso ir à Piscina...gosto de ir mas também me faz bem por causa de um problema que tenho da perna. No “Geração XXI” podemos todos fazer mais coisas...ir para o museu, trabalhar com o barro...é bom, é divertido. Para os nossos pais também é bom porque eles também podem vir aqui e participar nos cursos...a minha mãe tem vindo aprender Informática.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro das Quintinhas – “é um bairro que tem muitas barracas e casas como a minha” /Com quem vive Pais e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ter uma casa grande e um quarto só para mim com muitos brinquedos /Projecto que frequenta Geração XXI

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Marta Pataco Repinaldo “Temos quem nos ajude nos trabalhos da escola, na vida e em tudo!” /Origem Portuguesa /Onde Vive Centro Histórico de Estremoz - junto ao Pelourinho /Com quem vive Mãe e irmãs /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostava de ser Educadora de Infância ou Veterinária /Projecto que frequenta Geração XXI

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O “Geração XXI” ajudou-me a estudar mais, porque houve um ano em que chumbei e depois não pude ir ao acampamento do projecto, no Verão, fiquei muito triste...por isso aprendi que o melhor era estudar para poder ter mais oportunidades e, desde aí, nunca mais chumbei, vou sempre às actividades e também aos acampamentos que eu gosto muito. Aprendi a ser melhor pessoa e a portar-me bem. Aprendi a gostar de estudar para chegar onde quero. Sou mais responsável, ajudo os mais pequenos e a equipa do “Geração XXI” e estudo mais. Já estou no 7º ano e gostava de poder chegar ao 12º ano e depois ir para a universidade. O Escolhas fez-me conhecer pessoas de outras regiões e culturas, oriúndas de sítios muito diferentes do meu. A nossa comunidade tem acesso a coisas e a actividades mais fixes! E temos também quem nos ajude nos trabalhos da escola, na vida e em tudo!


Cleiton Mendes Varela “Ao Escolhas devo novas descobertas, novas aprendizagens, novas amizades” Ao Escolhas devo novas descobertas, novas aprendizagens, novas amizades. Com o “Formar Inserir” fomos ao Museu de Arqueologia da Amadora e ao Palácio de Belém, participamos diariamente em novas actividades e convivemos bastante, o que é bom para todos... para sermos mais comunicativos e menos envergonhados. Se quisesse apresentar o “Formar Inserir” a alguém, falava nas actividades de futebol, na sala de informática, no espaço criança e no estudo apoiado...e claro nas amizades que fiz aqui.

/Origem Cabo Verde /Onde Vive Amadora-Bairro Santa Filomena /com quem vive Pai e tio /Ocupação Actual Estudante /Sonho Jogar futebol no Benfica e ser um condutor de mota. Também gostaria de realizar uma viagem a Cabo Verde para visitar a minha família. /Projecto que frequenta Formar Inserir

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Flávio Moreira Furtado “O Escolhas veio tornar a nossa realidade um pouco melhor” /Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro Santa Filomena /Com quem vive Mãe , Irmã e Avó /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostava que o bairro mudasse definitivamente para melhor

A vida não é fácil para nós que vivemos num bairro social, mas o Escolhas veio tornar a nossa realidade um pouco melhor... conheci pessoas novas, novas localidades e conhecimentos. Aprendi a fazer as minhas escolhas. A vida mudou no Bairro. Fomos à Madeira, convivemos muito nas actividades, somos ajudados nos estudos. No espaço temos alguém que nos apoia no que necessitamos.

/Projecto que frequenta Formar Inserir

Helder “Os tempos livres bem ocupados”

/Origem Português /Onde Vive Amadora /Com quem vive Mãe, irmãos, avó e tio /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser locutor de rádio. /Projecto que frequenta Formar Inserir

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Visitar a Media Capital Rádios foi um momento alto para mim e devo isso ao Escolhas. Para além disso, aprendo inúmeras coisas aqui no “Formar Inserir” nomeadamente, Informática e actividades desportivas. Gosto muito de estar neste espaço, tenho os meus tempos livres bem ocupados e nas férias há sempre passeios programados para os jovens da comunidade. Nestas alturas, dou sempre a minha colaboração...ajudo a equipa sempre que posso.


Juliana Morais “Aprendemos a respeitarmo-nos uns aos outros” O Escolhas é um programa cheio de oportunidades para os jovens. Neste espaço aprendemos a ser unidos e a descobrir novas amizades, sem ligar às diferenças. O “Mais Jovem” trouxe também muitas coisas boas à comunidade. Temos os tempos livres ocupados com actividades interessantes e podemos também passear e conhecer sítios diferentes, assim como diferentes culturas. Com novas realidades aprendemos a respeitarmo-nos uns aos outros.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Com quem vive Pais e irmão /Ocupação Actual Estudante /Sonho Tirar um curso de cabeleireira /Projecto que frequenta Mais Jovem

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João Baldé “Posso estar mais tempo com os meus amigos” /Origem Portuguesa /Onde Vive Monte Abraão - Sintra /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta Raízes

O Projecto “Raízes” é um dos meus passatempos preferidos. Lá divirto-me muito e aprendo coisas boas e úteis. Uma delas é a controlar o meu comportamento, pois, à sexta-feira fazemos uma sessão de relaxamento. Este é um local importante para mim.... Posso estar mais tempo com os meus amigos. Às vezes as monitoras são muito chatas, mas no fundo do meu coração eu sei que é para o meu bem... Foi por andar no Projecto Raízes que pude participar, no ano passado, no Navio Escolhas! Só assim tive a oportunidade de ir à Madeira, uma experiência muito, muito, muito boa... conheci outras pessoas, outros costumes e outra parte de Portugal. Algo que nunca vou esquecer! E sei que só fui porque tento portar-me bem e participar nas actividades do projecto. E, por isso, não sei o que seria de mim sem o Projecto.

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Bruno Souza “Aqui sinto-me mais leve”

Para mim, se o Projecto Raízes não existisse o que seria de nós que aqui andamos. Se o Programa Escolhas não ajudasse o Projecto Raízes todos os dias, de certeza que andávamos na rua, sem actividades. O dia em que a minha mãe me inscreveu neste Projecto foi o melhor dia do mundo. Desde então, estou a aprender mais para ser alguém na vida...quero ser uma pessoa melhor e aqui sinto-me mais leve e bom.

/Origem Brasileira /Onde Vive Monte Abraão - Sintra /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta Raízes

O “Raízes” é que põe no meu caminho as pessoas correctas. Fiquem com Deus e um beijo.

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Daniel “Passei de rebelde a estável e responsável” /Origem Portuguesa /Onde Vive Vila Franca de Xira /Ocupação Actual Estudante /Sonho Lançar um CD e construir uma carreira de rapper com sucesso /Projecto que frequenta Poder Escolher

O impacto que o projecto Escolhas teve na minha vida foi muito importante porque passei de um rapaz rebelde para um rapaz estável, responsável e normal, com a orientação técnica de profissionais excelentes... estou muito satisfeito por o “Poder Escolher” ter entrado na minha vida. O meu percurso escolar foi, em algumas alturas, muito complicado, sobretudo após a separação dos meus pais...nessa altura, comecei a “estragar-me” ... Juntei-me aos gangs, bebia e fumava....um dia, participei num conflito e fui penalizado a sério...aí “abri os olhos” e entrei num PIEF. O objectivo agora é terminar os estudos para um dia ser alguém com um futuro risonho e acredito profundamente que o PIEF e o Projecto Escolhas foram das melhores coisas que me aconteceram na vida...agradeço a todos eles, professores, técnicos, coordenadores... Quero agora concluir o 9º ano, integrar um Curso de Hotelaria com equivalência ao 12º ano e arranjar um bom emprego, para depois cumprir o meu sonho de lançar um CD.

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Mauro Ferreira “Um mau percurso interrompido a tempo” Quando o projecto Escolhas chegou ao Bairro 6 de Maio, eu tinha 8 anos, altura em que faltava à escola, assaltava as pessoas no comboio, andava sem pagar nos transportes públicos e entrava, saltando a vedação, no Estádio da Luz sendo muitas vezes apanhado pelo segurança e levado para a esquadra da PSP de Benfica. Após o contacto da Escola Azevedo Neves e da Polícia com o Projecto “Anos Ki Ta Manda”, passei a frequentá-lo participando em intercâmbios, passeios, acampamentos e cheguei a fazer uma formação de Informática.

/Origem Brasileira /Onde Vive Bairro 6 de Maio - Amadora /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta Anos Ki Ta Manda

Uma forma de me estimular a ir às aulas e ter um bom aproveitamento era o facto de só poder participar das actividades do “Anos Ki Ta Manda”, se cumprisse com as minhas obrigações enquanto aluno. De facto, esta contrapartida ajudou muito no meu rendimento escolar porque a antiga Coordenadora do Projecto era informada sempre que eu faltasse às aulas. Havia uma troca constante de informações entre a Coordenadora e a escola. Actualmente, passados 8 anos e graças ao projecto, continuo a estudar, a ter um bom desempenho e a participar nas actividades do Escolhas.

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Jéssica Oliveira “O Projecto deu-me muito...foi uma das melhores coisas que podia ter aparecido!” /Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Com quem vive Pais e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Dar a volta ao mundo.

O Projecto deu-me muito...foi uma das melhores coisas que podia ter aparecido. Tenho amigos novos...as actividades, o contacto com novas realidades e os estudos fizeram de mim uma pessoa muito melhor, mais interactiva, mais interessada no que me rodeia. Um factor muito importante para a nossa comunidade foi a melhoria que houve no relacionamento da etnia cigana com a nossa...eu aprendi a não excluí-los só porque são ciganos, e damo-nos todos bastante bem!

/Projecto que frequenta Mais Jovem

José “Fui ganhando a amizade e o respeito dos colegas” /Origem Brasileira /Onde Vive Um dos acampamentos de Ervideiros /Com quem vive Pais e três irmãos /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta MultiSendas

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O “MultiSendas” contribuiu em muito para o meu desenvolvimento. No início, tinha alguns problemas de comportamento, os quais foram ultrapassados pelo professor e pelo projecto...fui ganhando a amizade e o respeito dos colegas, com quem adoro jogar futebol. Não deixo de participar nas actividades de férias do projecto e no apoio aos trabalhos escolares dos outros meninos... ajudo-os sempre, pois eu tenho boas notas.


José Diogo “Apoio às dificuldades de integração”

Na escola, sempre tive dificuldades em acompanhar as matérias”. Estas dificuldades foram passadas pelos professores ao Projecto, que recorrendo à psicóloga da Fundação CESDA, elemento do consórcio do projecto, realizou uma avaliação diagnóstica, para desta forma se proceder à solicitação do apoio do ensino especial, aguardando-se a resposta. Tenho problemas de integração no grupo dos colegas, por causa da timidez e da baixa auto-estima. Mas, participo nas actividades e tenho sempre o apoio das pessoas ligadas ao “Multisendas.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Ervideiros /Com quem vive Mãe, irmã e um sobrinho /Ocupação Actual Estudante 2º ano /Projecto que frequenta MultiSendas

Rui Veiga “Assim que saio da escola vou logo para a Khapaz” Conheço a Associação Khapaz há 3 anos” – responsável por este Projecto financiado pelo Escolhas – “e lá faço os meus trabalhos da escola, jogo computador na sala do CID@net, participo nas muitas actividades, piscina, praia, canoagem, carrinhos de rolamentos... assim que saio da escola vou logo para a Khapaz.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Arrentela /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta Projecto “Comun”Nik”Acção” da Khapaz Associação

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Vasco Monteiro “Um espaço onde fazemoso que mais gostamos” /Origem Portuguesa /Onde Vive Arrentela /Ocupação Actual Músico /Projecto que frequenta Projecto “Comun”Nik”Acção” da Khapaz Associação

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Sou um jovem que gosta e faz música. E desde que frequento a Khapaz, há sensivelmente 2 anos, tenho um espaço onde em conjunto com outros jovens podemos fazer aquilo que mais gostamos. O nosso trabalho passa por ouvirmo-nos uns aos outros, fazemos bit´s, avaliamo-nos mediante o nosso grau de evolução e prática. Hoje em dia, também ensino os mais pequenos a fazer o que aprendi há um tempo atrás. Graças ao Programa Escolhas tenho também oportunidades de visitar outros locais, com a equipa técnica que lá está... Sozinho, e com as condições financeiras que possuo, tudo isto estaria num futuro distante. Obrigada por tudo.


Alfredo Correia “Adquiri competências para o futuro”

O Escolhas, juntamente com a Khapaz, deu-me a oportunidade de participar em eventos, desde a sua concepção até a sua realização, fazendo com que adquirisse conhecimentos na área da escrita e leitura. Aprendi valores importantes para a vida prática, como por exemplo, que as coisas não são fáceis e que para as conseguirmos temos que trabalhar bastante. Hoje em dia, sou uma pessoa confiável para servir de monitor nas actividades que são realizadas nos projectos da Khapaz e do Escolhas...adquiri competências valiosas para o futuro.

/Origem Brasileira /Onde Vive Arrentela /Com quem vive Pais e três irmãos /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta “Comun”Nik”Acção” da Khapaz Associação

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365HISTÓRIASDEVIDA

Argelita Cruz “Conheci novas pessoas”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Arrentela /Com quem vive Mãe, irmã e um sobrinho /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta Projecto “Comun”Nik”Acção” da Khapaz Associação

Em 2007 comecei a frequentar assiduamente a Khapaz. Embora já conhecesse a associação, tive a hipótese de conhecer vários locais do país com as saídas que os Projectos do Programa Escolhas proporcionaram, conheci novas pessoas e com algumas estabeleci uma amizade que ainda perdura. O mais importante para mim foi o facto de ter conseguido fazer o 9º ano, digo isto porque tinha grandes dificuldades a matemática e o apoio escolar proporcionou-me muito apoio nesse sentido... também tive que me aplicar bastante. Neste momento, estou a terminar o 12º ano na escola de Moda em Lisboa.

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Margarida Carrilho “Permitiu-me gradualmente reforçar a auto-estima” Eu tinha uma personalidade inibida, tensa, fechada, com um comportamento apelativo e muito dependente, mostrava grande dificuldade em posicionar-me nas relações interpessoais... anulava-me como forma de conquistar os outros. A integração no VAI.PE permitiu-me gradualmente reforçar a auto-estima... já sou capaz de manifestar autenticidade e proximidade no relacionamento com os outros e simultaneamente preservar a minha individualidade.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Setúbal /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta Vai.PE

O meu crescimento pessoal permitiu-me explorar e reforçar as competências académicas. Com efeito, tenho um crescente interesse e motivação pelo universo escolar, que acaba por ser uma área de conforto, pois já percebi que é uma área na qual me posso afirmar e controlar. A par disso, ingressei numa escola de música e formei uma banda, o que para mim é uma grande evolução, tanto da capacidade de investimento, como da exposição pública a que me sujeito.

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Rúben Carapinha “Reduzir absentismo e investir no plano escolar” /Origem Portuguesa /Onde Vive Setúbal /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta Vai.PE

Tinha problemas de disciplina, absentismo e sucesso escolar... era muito imaturo, muito centrado nas minhas questões pessoais, com grande dificuldade em investir no plano escolar. Também era bastante influenciável...acho que a indisciplina era uma forma de ganhar popularidade e reconhecimento junto dos outros. A minha integração no VAI.PE permitiu-me gradualmente, com avanços e recuos, reduzir o absentismo e investir no plano escolar, percebendo que tinha capacidades para o fazer. Passei a ser mais auto-crítico, a questionar os meus comportamentos e atitudes. Todas estas mudanças estão assentes no relacionamento afectivo que estabeleci com a equipa. Sou, actualmente, um dos grandes adeptos das actividades propostas pelo Projecto e uma presença constante nas actividades e nas instalações do espaço.

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João Paulo Paliotes “Há um momento em que temos que crescer” Entrei na escola aos seis anos, chumbei no 4º ano e no 5º ano; no 6º passei com vista à inclusão no curso na Coudelaria de Alter, uma vez que gostava dos cavalos. Por questões financeiras e pela questão da despesa das deslocações não foi possível integrar o referido curso, e fiquei a estudar numa escola oficial. Mas não gostava da escola... não estava atento nas aulas, portava-me mal, as “más companhias” também ajudavam a isso. Quando reprovei novamente no 7º ano decidi não voltar à escola....estive um ano e meio sem estudar...muitas horas na sala, fartava-me de lá estar e depois nos testes tinha sempre um fraco ou um não satisfaz. Nesse período, em que abandonei os estudos, ajudava o meu pai com o gado e com os cavalos. Como gostava de cavalos ia ao fim da tarde ter com uma professora de equitação, momento em que podia montar. Esta proximidade possibilitou-me o contacto com crianças deficientes, ajudando-as a montar.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Vaiamonte /Com quem vive Pais e dois irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Trabalhar como Tratador de Desbastador de Equinos /Projecto que frequenta Envolver

Na altura, tive conhecimento da existência de um curso “Tratador e Desbastador de Equinos” a ter lugar na ETAPRONI, em Nisa. Ingressei no curso e descobri que é mesmo isso que quero fazer. Ganhei um rumo. A iniciativa de voltar a estudar foi minha, pela comparação que fiz em relação aos meus pais e as dificuldades sentidas pela sua baixa escolaridade (o meu pai tem o 1º ano e a minha mãe o 4º). Estou a fazer um esforço pela escola, estou motivado a finalizar o curso...e se custou voltar a estudar! já quase que nem me lembrava como é que se escrevia, e custou-me relembrar a pouca matéria que eu tinha aprendido. O curso mudou a minha vida e o que me fez mais ver isso foi o tempo em que estive fora da escola! Tenho 16 anos e há um momento em que temos que crescer e saber o que queremos na vida. Ao contrário do que muitos pensam, a vida não é um mar de rosas. JOVENS | 131


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Hermínio da Costa “Estou mais responsável e tenho sempre vontade de colaborar” /Origem Portuguesa /Onde Vive Freguesia de Sosa (Concelho de Vagos) /Com quem vive Mãe e cinco irmãos /Ocupação Actual Trabalhador-Estudante /Projecto que frequenta SEnvolver

A minha família é sinalizada e acompanhada pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) do concelho de Vagos, e eu fui encaminhado para a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos (EPADRV), no ano lectivo de 2009/2010, ingressando no Curso CEF “Tratador e Debastador de Equinos. Por indicação da CPCJ, face às dificuldades da minha família e ao meu absentismo escolar, passei a integrar a Residência da Escola, durante a semana. Quando estava em casa era difícil cumprir horários porque não me conseguia organizar... muitas vezes faltava o dinheiro para os transportes para a Escola. Agora, também trabalho ao fim-de-semana, durante toda a noite de Sábado, numa Padaria, para poder obter algum rendimento para as despesas. Neste momento, devido ao Projecto “Envolver”, melhorei na escola e estou mais interessado nas actividades do projecto, estou mais responsável e tenho sempre vontade de colaborar. Este ano, vou concluir o 9º ano e depois vou continuar os estudos inscrevendome num Curso Profissional. O Programa Escolhas tem tido, de facto, um grande impacto na minha vida!

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Claúdio Leita “Os técnicos são meus amigos, tratam-me bem” O Escolhas mudou alguma coisa na minha vida! Agora, participo em actividades, como o Rugby, aprendemos a fazer coisas bonitas, passeamos nos tempos livres. No bairro, as coisas também estão melhores...era uma zona com muitas confusões...mas com o projecto, os jovens vão para o espaço em vez de andarem na rua a causar conflitos. A escola é outra parte importante. Agora vou sempre e depois faço os trabalhos no Escolhas, com a ajuda dos explicadores. Os técnicos são meus amigos, tratam-me bem, não gozam comigo e fazem-me feliz!

/Origem Vila Nova de Gaia /Onde Vive Vila d’Este /Com quem vive Pais, irmãos, sobrinhos e tio /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ter uma mota /Projecto que frequenta Escolhe Vilar

Luis Carrilho “O Escolhas fez-me uma pessoa melhor!” No Escolhas mudei os meus hábitos e atitudes...faço coisas que antes não fazia. Trabalho em equipa, fiz novas amizades e cultivo novos valores, nomeadamente o respeito pelos outros. O Escolhas fez-me uma pessoa melhor! As notas subiram porque também tenho o apoio escolar do projecto, onde me ensinam a estudar, explicam as coisas e ajudam-me a fazer o trabalho de casa. As actividades são muito giras...educam mas também divertem.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Rosmaninhal /Com quem vive Pais ,irmão,padrinho,avô /Ocupação Actual Estudante /Ocupação Actual Ter uma banda e ser o cantor /Projecto que frequenta Geração Inconformadus

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365HISTÓRIASDEVIDA

Iracema Pereira “Procuro contribuir para o Projecto, estando sempre presente” /Origem Portuguesa /Onde Vive Lamego /Com quem vive Irmã /Ocupação Actual Estudante /Sonho Professora de Educação Física

O Escolhas possibilitou-me novas aprendizagens, como por exemplo, a Informática. Ao mesmo tempo, fiz novas amizades. As minhas colegas começaram a participar no Clube do Escolhas de Ouro, eu comecei a ir também, ganhei gosto e agora vou sempre. As técnicas sempre me ajudam quando é preciso...a estudar e fazer os trabalhos de casa. Por isso, procuro contribuir também para o Projecto, estando sempre presente.

/Projecto que frequenta Escolas d’Ouro

Telma “O Projecto ajudou-me a começar uma nova etapa de vida” /Origem Portuguesa /Onde Vive Lamego- Lar das crianças /Com quem vive Instituição /Ocupação Actual Estudante /Sonho Treinadora de Futebol /Projecto que frequenta Escolas d’Ouro

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O Projecto ajudou-me a começar uma nova etapa de vida. Deume um espaço para estudar, fazer os trabalhos e dedicar-me mais às coisas da escola...e também um espaço para conviver com os outros. No Escolhas convive-se em harmonia, as actividades decorrem sem problemas e todos aprendem, até mesmo a trabalhar com o computador.


Raquel Vicente “Estou mais motivada para tudo”

O Escolhas permite que, ao socializarmos e convivermos com outras pessoas, ganhemos em aprendizagem e na aquisição de novos valores. Eu era uma pessoa muito desmotivada e não tinha interesse em nada que estivesse à minha volta... Assim que comecei a participar nas actividades do Projecto, parece que ganhei um novo ânimo... mudei muito o meu ponto de vista em relação à vida e à escola, pois estou mais interessada nos estudos. Estou mais motivada para tudo.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Setúbal /com quem vive Mãe, Irmão e avô /Ocupação Actual Estudante /Projecto que frequenta VaiPE

Daniela “Hoje o computador não é novidade...é uma realidade para nós” Se hoje o computador não é mais uma novidade mas sim uma realidade para a nossa comunidade, deve-se à intervenção do Escolhas, que nos pôs à disposição as aulas de Informática no CID@ NET, nas quais aprendemos Informática na óptica do utilizador. Nas aulas de Informática, aprendemos os programas, mas depois também podemos aceder de forma livre e autónoma à Internet, sempre com o acompanhamento do monitor...É importante saber usar as tecnologias, pois são fundamentais muitas vezes para resolver pequenas questões do quotidiano.

/Origem Portuguesa /Onde Vive Lamego /Com quem vive Colegas /Ocupação Actual Estudante /Sonho Sair de Lamego /Projecto que frequenta Escolas d’Ouro

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Marta “Saber usar o Facebook e a Internet com segurança” /Origem Portuguesa /Onde Vive Lamego/Castro Daire /Ocupação Actual Estudante /Sonho Voltar para junto da minha família

O Escolhas fez tudo por mim e eu tenho aproveitado todos os ensinamentos. Aprendi a trabalhar com o computador...e claro a utilizar as redes sociais e a internet. O monitor do CID tem apostado em nós e orienta-nos, não só nos trabalhos escolares que eventualmente temos para fazer no computador, mas também a saber usar o Facebook e a Internet com segurança.

/Projecto que frequenta Escolas d’Ouro

Ana Micaela Relvas “Partilham-se alegrias e tristezas”

/Origem Espanhola /Onde Vive Cabouco /Com quem vive Mãe e dois meio-irmãos /Ocupação Actual Desempregada /Sonho Ir a Veneza /Projecto que frequenta Escolas d’Ouro

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O Escolhas fez com que, pela primeira vez, os jovens tivessem a oportunidade de ocupar os seus tempos livres em actividades interessantes e úteis. Como resultado, estamos mais próximos do conhecimento e também mais unidos. No espaço partilham-se histórias, casos da vida, as dificuldades diárias, as alegrias, as tristezas, os sonhos...isso junta-nos e estimula o respeito mútuo.


Cédric Lopes ”Actividades cativam mais as pessoas”

Este Projecto ajudou-me a crescer, a organizar-me nos estudos, na escola e a partilhar...mostrou-me a realidade multicultural. Na comunidade assiste-se a uma grande adesão às actividades que, pela sua diversidade, cativam mais e mais pessoas. O Escolhas está a mostrar-nos que todas as crianças e jovens podem ter as mesmas oportunidades, independentemente de serem carenciados ou não. Aqui são tratados por igual.

/Origem Francesa /Onde Vive Ponte de Sótão – Góis. “Uma aldeia a 10 km de Góis, bastante calma e com poucos habitantes” /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante e fubebolista /Sonho Conhecer outras pessoas e ter novos interesses /Projecto que frequenta Escolhas de Futuro

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Isael Sousa Silva “...ajudou-me a estudar de forma mais eficaz” /Origem Cabo-Verdeana /Onde Vive Bairro do Chegadinho /Com quem vive Tia e Primo /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de conhecer o Brasil e o Egipto...são países muito bonitos /Projecto que frequenta Agir

138 | JOVENS

A minha evolução deu-se a nível escolar. As notas subiram...o meu “calcanhar de Aquiles” era o Inglês, mas já passei da negativa para a positiva porque a equipa do Projecto muito me ajudou, esclareceu, explicou e ajudou-me a fazer os trabalhos escolares e a estudar de forma mais eficaz. No Bairro...as coisas mudaram....as crianças, que estavam na rua sem fazer nada, passaram a ver os seus tempos livres bem ocupados, as famílias têm agora onde pedir esclarecimentos sobre questões práticas da vida, são sensibilizadas para a importância da Informática, dos bons hábitos alimentares....


Danielson “Trouxe-nos a amizade e o companheirismo” O Bairro do Armador é um Bairro social de agradável habitação e vivência, com grandes sítios para se estar e conviver, zonas verdes, campo de futebol, espaço jovem...óptimo ambiente para os jovens. Nesta comunidade, o Escolhas tem estado muito presente e trouxe-nos a amizade, o companheirismo, o respeito mútuo, muita convivência, passeios e viagens e uma equipa dedicada que está presente para nos apoiar e motivar. É uma família plena.

/Origem Cabo-Verdeana /Onde Vive Bairro do Armador /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ir a Cabo Verde acompanhado pelos meus amigos do PISCJA e passar lá uma semana... ou simplesmente fazer uma rota turística por Portugal fora, para descobrir as suas belezas e riquezas /Projecto que frequenta PISCJA

JOVENS | 139


365HISTÓRIASDEVIDA

Marco Ronaldo “Os conhecimentos aprofundam-se”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Camacha /Com quem vive Pais /Ocupação Actual Estudante /Sonho Jogar no Barcelona

O Projecto ajudou-me a descobrir novos amigos para novas actividades realizar. Os conhecimentos aprofundam-se, acabamos por ficar mais interessantes como indivíduos... As actividades realizadas não poderiam cativar mais, desde as áreas mais pedagógicas às mais lúdicas. No Escolhas, a palavra é dinamismo, é mudança...não se pode estagnar nas mesmas ideias de sempre!

/Projecto que frequenta Despertar@Nogueira

Marta Trindade “As pessoas encontram-se com alegria”

/Origem Portuguesa /Onde Vive Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Com quem vive Pais e irmãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Visitar vários países. /Projecto que frequenta Mais Jovem

140 | JOVENS

Desde que frequento este Projecto, que transformei-me como pessoa. Hoje, consigo interagir com diferentes personalidades e aprendi a respeitar mais as pessoas. O “Mais Jovem” deu-me várias oportunidades preciosas, tais como, a possibilidade de experimentar actividades interessantes e de conhecer outros países. Aqui no meu bairro, vejo bem que as pessoas aderem às iniciativas organizadas pela equipa do Escolhas e encontram-se com alegria. Penso que é um óptimo projecto, pois ajuda as pessoas a desenvolverem-se!. Por tudo isso, também faço questão de marcar presença nas diferentes actividades propostas.


Fábio “Aprendi a ser capaz...”

No “Escolhe Vilar” aprendi a ser capaz de fazer coisas...já sei trabalhar com o Computador e também já sei como estudar mais e melhor. Aqui no Escolhas, as crianças têm um espaço onde podem estudar e fazer os trabalhos de casa...se não soubermos alguma coisa, temos sempre alguém que nos ajude e explique. Agora convivo com muita gente e acho que isso fez-me respeitar mais os outros e também, ser mais responsável...estou sempre disponível para ajudo os mais novos no que eles precisam!

/Origem Portuguesa /Com quem vive Mãe e irmã /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ser Rico /Projecto que frequenta Escolhe Vilar

Gustavo Correa “Já aprendi muitas coisas úteis”

O “EntreNós” tem feito a diferença na minha vida. Já aprendi muitas coisas que vão ser muito úteis para a vida futura, como por exemplo, utilizar o computador – já sei criar pastas, usar o Word, utilizar a Escola Virtual. O espaço dá-nos acesso ao Apoio Escolar, através do qual, aprendemos a estudar e a esclarecer as matérias que não compreendemos...fazemos os trabalhos da escola e as técnicas ajudam e explicam como fazer bem. Como gosto muito do Escolhas, procuro contribuir sempre com ideias giras para o Projecto.

/Origem Brasileira /Onde Vive Bairro Norton de Matos /Com quem vive Mãe /Ocupação Actual Estudante /Sonho Gostaria de ser profissional de Motocross /Projecto que frequenta EntreNÓS

JOVENS | 141


365HISTÓRIASDEVIDA

Sofia Loemba “Ajudou-me nas minhas dificuldades”

/Origem Angolana

O “EntreNós” ajudou-me nas minhas dificuldades.

/Onde Vive Bairro Norton de Matos

Passei a estudar mais... a saber utilizar o computador, pois, o Projecto criou um espaço dedicado à Informática, no qual podemos trabalhar nos computadores com a ajuda do Monitor... fazemos jogos e também os trabalhos da escola.

/Com quem vive Pais e imãos /Ocupação Actual Estudante /Sonho Ter uma PSP... Ser psicóloga... Ter uma casa com piscina e jacuzzi... Ganhar o Euromilhões /Projecto que frequenta EntreNÓS

142 | JOVENS

Desde que aqui estou, participo em actividades, concursos, passeios, convivo mais e divirto-me bem mais...


Célia Costa “As famílias são estimuladas a serem mais independentes” Pela “mão” do Escolhas somos, actualmente, uma comunidade com condições e infraestruturas para as crianças poderem ocupar os tempos livres de uma forma pedagógica e organizada, com a ajuda de profissionais muito competentes, dotados de conhecimentos e meios para as acompanhar. A vida familiar tem tido, igualmente, a intervenção do “TASSE”. Este projecto ajudou-nos a nós, como pais, a ter mais consciência de como educar os nossos filhos, proporcionando-lhes melhor ambiente familiar e, por conseguinte, um contexto mais propício ao estudo e à melhoria das notas.

/Onde Vive Quinta da Fonte da Prata /Ocupação Actual Desempregada /Familiares no Projecto Uma filha /Projecto que frequenta TASSE

A minha filha Inês tinha dificuldades em se relacionar e saber respeitar as brincadeiras das outras crianças, tinha medo de estar em locais onde houvesse muita “confusão”... o convívio no projecto, os ensinamentos dos Técnicos e a melhoria das relações em família têm contribuído para uma alteração positiva do seu comportamento. Está mais integrada socialmente. As famílias são estimuladas a serem mais independentes e, por sua vez, a transmitir uma postura mais confiante e segura aos filhos, educando-os com mais regras e a definir objectivos. Tenho aprendido muito... Aprendi que as dificuldades que encontro são comuns aos outros pais e que podemos aprender com os que já as ultrapassaram. Nunca é tarde para mudar seja o que for! Ajudaram-me a modificar a minha forma de educar, a não entrar em pânico face aos problemas, a sentir-me mais segura, com mais capacidade como mãe e, neste seguimento, a harmonizar o ambiente familiar.

FAMÍLIA | 143


365HISTÓRIASDEVIDA

João Costa “Está a mudar, por completo, a minha vida” /Onde Vive Ponte Sor /Ocupação Actual Desempregado /Familiares no Projecto Dois, João e a filha /Projecto que frequenta Geração Inconformadus

144 | FAMÍLIA

Sou viúvo e educar uma filha sozinho não tem sido fácil, mas contei com o auxílio do Escolhas e consegui melhorar o meu relacionamento com ela que, por sua vez, mudou também o seu comportamento para muito melhor. A equipa do projecto tem sido uma influência positiva nas nossas vidas. Estou muito contente com o “Geração Inconformadus”. O apoio escolar tem ajudado a minha filha a melhorar as notas e o convívio com os outros jovens acaba por incutir-lhe o valor do respeito pelos outros, o qual eu valorizo muito em termos de educação”. A Escola de Pais veio em meu favor...estou a aprender e isso está a mudar, por completo, a minha vida!


Guiomar Sousa “...Aprendi a saber estar e a saber fazer”

O “Multivivências” melhorou o meu comportamento e as minhas atitudes, pois aprendi a saber estar e a saber fazer. Tem sido uma experiência pessoal preciosa. Nas acções de sensibilização realizadas pelo projecto, aprendi e aprofundei vários temas, tais como, Primeiros Socorros, Segurança Rodoviária, Acidentes Domésticos, entre outros. Agora, sei bem como gerir as questões práticas do quotidiano: aprendi a poupar, a lidar com a casa, a agir em situações de doença, bem como, a relacionar-me melhor com os filhos.

/Onde Vive Bairro da Ponte de Anta – Espinho /Ocupação Actual Desempregada/Doméstica /Familiares no Projecto Seis, um filho e cinco sobrinhos /Projecto que frequenta Multivivências

Sou de etnia cigana e a minha comunidade tem mudado para melhor, pois foram criadas acções específicas, quer para os homens, quer para as mulheres, tais como, actividades práticas, artes decorativas e apoio educativo, sendo este último essencial para mim, pois o meu filho tem necessidades educativas especiais e já pôde aprender novas actividades, adquirir novos conhecimentos e visitar lugares que desconhecia. Todos estamos a perceber a importância da ocupação dos tempos livres com actividades que nos enriquecem. O Escolhas tem sido também muito útil no apoio social que nos tem prestado, sobretudo ao nível alimentar.

FAMÍLIA | 145


365HISTÓRIASDEVIDA

Paula Dores “Definimos o nosso projecto de vida familiar e pessoal” /Onde Vive Coimbra /Ocupação Actual Desempregada /Familiares no Projecto Sete, esposo e filhos /Projecto que frequenta Gerações com Futuros

O “Gerações com Futuros” deu-nos uma equipa de pessoas disponíveis, sempre dispostas a ajudar e a promover coisas engraçadas para toda a família”... actualmente, tenho 2 filhas no Grupo de Dança e 2 filhos na Banda de Música. Foi na 2ª Geração do Programa Escolhas, que os técnicos começaram a trabalhar com a nossa família. Nessa altura, vivíamos num acampamento junto ao Rio Mondego e apoiaramnos a todos os níveis...na inserção das crianças na escola, assim como no seu acompanhamento regular, no acesso a apoios que desconheciamos, no realojamento, na ocupação dos tempos livres, na formação profissional. Em resumo, definimos o nosso projecto de vida familiar e pessoal. Hoje, vivemos numa casa limpa, os meus filhos andam na escola, têm médico de família e temos as nossas necessidades básicas satisfeitas. É fundamental que as as nossas crianças aprendam com a escola, amigos, professores e técnicos, para que, tenham um futuro diferente. Agora é possível! E sei que quando precisarmos, eles estão lá para nós e por nós.

146 | FAMÍLIA


Sandra Félix “Estimula-se a convivência...ensina-se a respeitar as outras pessoas” No “Animar para Capacitar”, os meus fihos têm actividades e criam novos interesses. Vê-se que gostam de estar no grupo e assim não vão para a rua ganhar vícios....Fico mais descansada. A nível educativo, tem sido fundamental o papel do Escolhas... estimulase a convivência e, ao mesmo tempo, ensina-se a respeitar as outras pessoas. Antes, havia no bairro muitas crianças que não respeitavam os pais nem ninguém e agora fazem-no.

/Onde Vive Jovim, Gondomar /Ocupação Actual Doméstica /Familiares no Projecto Cinco filhos /Projecto que frequenta Animar para Capacitar

Sei também que, quando sou eu que preciso de ajuda posso sempre contar com toda a equipa. Às vezes, saio de casa a sentir-me muito em baixo, mas, depois de conversar com as técnicas, fico muito melhor. Quando chego a casa, nem pareço a mesma pessoa! As novas aprendizagens que fiz, ao nível da tapeçaria e arranjos florais, têm feito milagres por mim, e isso nota-se em tudo, até na relação com os meus filhos...aprendi a conversar com eles e a ter mais calma.

FAMÍLIA | 147


365HISTÓRIASDEVIDA

António Fernandes “Há mais respeito nas relações”

/Onde Vive Bairro da Alâmpada, Boidobra /Ocupação Actual Desempregado /Familiares no Projecto Sete, a esposa, um filho, dois sobrinhos e três primos /Projecto que frequenta Arca de Talentos II

Antes deste projecto, os jovens do bairro não tinham qualquer tipo de actividade e nós não tínhamos ninguém a quem recorrer quando precisávamos de ajuda a nível educativo. No meu caso em particular, o meu filho tinha grandes dificuldades na escola: não sabia ler e chegava a chorar porque não queria ir. Desde que ingressou no “Arca de Talentos” começou a gostar da escola e está muito melhor! Se ele hoje sabe ler, deve-se à dedicação e tempo que o projecto dedica ao meu filho. Para a comunidade, tem sido valioso o acesso à Informática. Os miúdos aprendem a lidar com computadores e ainda ajudam os adultos quando estes têm algum problema e não sabem como o resolver. Talvez por esta troca de conhecimentos, há hoje mais respeito nas relações sociais.

148 | FAMÍLIA


Maria da Glória Teixeira “Foi este projecto que me fez voltar a sorrir” A relação da minha família com os Técnicos do Escolhas tem sido muito proveitosa a todos os níveis. A minha filha frequentou o projecto “Percursos Integrados” e é agora Dinamizadora Comunitária do Projecto. Dá-me muito orgulho ver esta evolução! Também a minha vida pessoal se transformou substancialmente. A dor de ter perdido um filho tirou-me a alegria de viver e toda a equipa me deu muito apoio nos momentos difíceis. Posso dizer que foi este projecto que me fez voltar a sorrir... Todos são fantásticos e muito humanos!

/Onde Vive Amarante /Ocupação Actual Auxiliar de serviços Gerais /Familiares no Projecto Três, Maria e filhos /Projecto que frequenta Percursos Integrados

A nível profissional, só tenho tido a ganhar, pois, inscrevi-me em cursos de Informática e assim consegui enriquecer o meu currículo. Para além disso, consegui terminar o 6º ano de escolaridade. Este projecto fazia mesmo falta!

FAMÍLIA | 149


365HISTÓRIASDEVIDA

Maria Pais “Os meus filhos encontraram uma segunda casa” /Onde Vive S.Miguel, Guarda /Ocupação Actual Trabalha numa engomadoria /Familiares no Projecto Três filhos e quatro sobrinhos /Projecto que frequenta tu decides+...

O Escolhas tem tido um papel central nas nossas vidas. Todas as actividades criadas são sempre uma mais-valia para as crianças e jovens, assumindo um papel fulcral na construção de um desenvolvimento saudável, levando-as a estabelecer objectivos próprios. A auto-estima aumenta e são adquiridos valores morais, tais como o respeito pelos outros, a organização e a tolerância. Este projecto tem sido realmente eficaz no que respeita, não só à educação de pais e filhos, mas também à promoção do respeito entre culturas diferentes, ao reunir crianças de várias etnias e raças e fazer com que elas trabalhem em conjunto. A minha família está mais harmoniosa: os meus filhos encontraram, no projecto, uma segunda casa, onde podem receber apoio a todos os níveis, com resultados pessoais e profissionais; e eu encontrei ajuda para conseguir educá-los cada vez melhor.

150 | FAMÍLIA


Manuela Saúde “O diálogo familiar fica favorecido”

O “BXPRO JOVEM” tem um valor inestimável para o desenvolvimento social e intelectual dos mais novos, pois, permite-lhes aceder a actividades e conhecimentos que, de outra forma, não estariam disponíveis. Antes da intervenção do Escolhas, as nossas crianças só podiam realizar visitas de estudo através da escola e os tempos livres representavam um vazio. O acesso à internet, a formação TIC, as actividades de ocupação dos tempos livres durante as férias, o apoio escolar, bem como, outras actividades lúdicas e formativas, são hoje uma realidade na Baixa da Banheira. O projecto é um espaço onde eles gostam de estar e, para além do percurso escolar, penso que são valiosos todos os momentos de convívio e intercâmbio com outras crianças, experiências e novos conhecimentos.

/Onde Vive Baixa da Banheira /Ocupação Actual Administrativa /Familiares no Projecto Dois, um filho e um sobrinho /Projecto que frequenta BxB PRO JOVEM

O diálogo familiar fica igualmente favorecido. Eles partilham o conhecimento connosco e nós aprendemos também...aprendi que a partilha multicultural e o convívio aberto com outras crianças e jovens, sem que exista qualquer preconceito, são elementos importantes na educação e na formação das crianças. Para além disso, estou mais descansada por saber que o meu filho e o meu sobrinho estão a ter uma ocupação positiva dos seus tempos livres.

FAMÍLIA | 151


365HISTÓRIASDEVIDA

Elisabete Borges “Acesso a actividades estimulantes”

/Familiares no Projecto Duas filhas

O Espaço, Desafios e Oportunidades” assume um papel relevante na vida das nossas crianças e jovens, através do acesso a actividades lúdico-pedagógicas que, não só estimulam o convívio entre os alunos de várias culturas, como também enriquecem os conhecimentos e consolidam o respeito mútuo.

/Projecto que frequenta O Espaço, Desafios e Oportunidades

Nas actividades lúdicas, como por exemplo a Costura, as minhas filhas já fazem coisas bonitas sem gastar dinheiro.

/Onde Vive Tapada das Mercês /Ocupação Actual Trabalha num restaurante

O apoio do Escolhas tem feito a diferença na minha vida familiar. Consigo agora rentabilizar melhor o tempo que estou com as minhas filhas e isso é muito gratificante...uma delas até já me ensinou a trabalhar com o computador.

Maria de Jesus Teixeira “O meu filho está mais feliz”

/Onde Vive Tapada das Mercês /Ocupação Actual Doméstica /Familiares no Projecto Um filho /Projecto que frequenta O Espaço, Desafios e Oportunidades

152 | FAMÍLIA

Desde que frequenta o “Desafios e Oportunidades”, o meu filho mudou totalmente a atitude que tinha em relação à escola..estudar era um suplício para ele. Hoje, o meu filho estuda sem eu mandar, melhorou todo o seu comportamento escolar e está muito mais feliz. Na relação com o meu filho, tudo corre melhor...eu mudei também... procuro estar mais presente e estudar com ele.


Adelaide “Aprendi a ser boa mãe”

Nunca vou esquecer o que o projecto tem feito por mim, pois foi ele que fez com que eu não perdesse os meus filhos para uma Instituição, ajudando-me a mudar a vida.

/Onde Vive Bairro do Casal de Malta

O “Escola Com Escolhas” deu-me força, esperança, novas aprendizagens. Aprendi a ser boa mãe e a estar mais atenta aos problemas deles. Quero que na vida dos meus filhos não falte afecto e bons valores. Vou lutar por isso!

/Familiares no Projecto Quatro filhos

/Ocupação Actual Assistente Operacional

/Projecto que frequenta Escola Com Escolhas E3i

FAMÍLIA | 153


365HISTÓRIASDEVIDA

Cecília Pinheiro “Abrem-se novos caminhos, que não passam pelas drogas” /Onde Vive Setúbal /Ocupação Actual Monitora de ensino especial /Familiares no Projecto Uma filha /Projecto que frequenta VaiPe

O Escolhas tem tido uma intervenção especial no meu bairro. As crianças e jovens têm acesso às actividades lúdicas e à partilha de experiências, que antes lhes estavam vedadas, principalmente por motivos financeiros. O espírito de união prevalece, partilham-se medos e dificuldades, abrem-se novos caminhos, encontram-se soluções, que não passam pelas ruas, nem pelas drogas. Todas estas mudanças devem-se aos profissionais do “VaiPe”, que estão sempre disponíveis e motivados. A relação que tenho com a minha filha saíu fortalecida. Antes não a deixava sair sozinha e superprotegia-a, mas, depois da sua entrada para o grupo, pude ficar mais tranquila...finalmente, ela estava a participar em algo útil, divertido e, em segurança. Ela, que até então estava numa fase em que mentia por tudo e por nada, talvez devido ao meu divórcio, melhorou muito nesse sentido e eu ganhei confiança nela. Como mãe trabalhadora devo muito ao projecto. Nas últimas férias, eu estava a trabalhar e a minha filha teve o acompanhamento que, de outra forma, não teria. Eu estava descansada, pois, sabia onde e com quem ela estava.

154 | FAMÍLIA


Mariana Mendes “Um emprego nos Censos 2010”

No “Tá-se Bem na BOBA” tenho recebido, através do Gabinete de Empregabilidade, apoio para encontrar emprego. Depois de alguns meses de desespero por estar desempregada, a equipa ajudou-me a candidatar-me para os Censos 2011. Inscrevi-me e, depois de uma formação de 2 dias, comecei a trabalhar como Recenseadora do Instituto Nacional de Estatística (INE). Foi uma experiência muito gratificante, que me enriqueceu a nível pessoal, curricular e profissional.

/Onde Vive Casal da Boba, Freguesia de São Brás - Amadora /Ocupação Actual Recenseadora (INE) /Familiares no Projecto Sem familiares no projecto /Projecto que frequenta Tá-se BEM na BOBA

A minha zona de residência tem agora uma “cara” nova. Os convívios fomentam o respeito entre todos, assim como, o espírito de interajuda; as actividades lúdicas e pedagógicas mantêm os jovens fora dos caminhos da delinquência.

FAMÍLIA | 155


365HISTÓRIASDEVIDA

António Paulino “Tenho um emprego e uma vida nova”

/Onde Vive Casal da Boba, Freguesia de São Brás - Amadora /Ocupação Actual Funcionário da Câmara Municipal da Amadora /Familiares no Projecto Sem familiares no projecto /Projecto que frequenta Tá-se BEM na BOBA

O apoio prestado pelo Gabinete de Empregabilidade deste projecto tem sido precioso para mim, pois, a ele devo o meu emprego. Aprendi a fazer o meu Currículo Vitae e respectivas cartas de apresentação/ motivação. Depois candidatei-me a várias ofertas de emprego e, graças a isso, encontro-me a trabalhar na Câmara da Amadora. O processo foi até rápido. Inscrevi-me num concurso público e fui admitido. A equipa do “Tá-se Bem na BOBA” ajudou-me ainda a preencher alguns documentos, pedidos pelo Departamento de Recursos Humanos, para efectivar o meu contrato. Agora tenho um emprego e uma vida nova! Este projecto é uma mais valia para pequenos e grandes! Todos ficam a ganhar: os mais jovens, pela oportunidade de participar nas várias actividades ocupacionais que o projecto oferece, e os adultos, porque podem beneficiar de apoio social e de alguns cursos importantes na hora de conseguir emprego. Neste momento, há um curso gratuito de Informática, com direito a certificado. Actualmente, não tenho familiares a frequentar o projecto. No entanto, tenho amigos que têm lá filhos e apercebo-me que eles gostam muito de lá estar...penso que é uma ajuda enorme para que os jovens não enveredem por maus caminhos.

156 | FAMÍLIA


Albertina Constâncio “Pretendo iniciar um negócio próprio”

O apoio que tenho recebido mudou a minha atitude face à vida e deume novas perspectivas. Estabeleci objectivos para a minha vida, estou mais confiante e acredito que posso ter um futuro melhor com a ajuda do Escolhas. Pretendo aumentar a minha escolaridade e iniciar o meu negócio próprio. Já tenho até uma ideia concebida: apostar num quiosque de venda de comidas rápidas e alimentos empacotados. Participei no curso PEI 2010, na Junta de Freguesia, frequento actualmente um curso de Informática e, paralelamente, tenho usufruído de vários tipos de apoio, nomeadamente a nível escolar, através das acções de Informação/sensibilização, que têm sido promovidas.

/Onde Vive Casal da Boba, Freguesia de São Brás - Amadora /Ocupação Actual Frequenta RVCC para obtenção do 12.º ano de escolaridade /Familiares no Projecto Uma filha /Projecto que frequenta Tá-se BEM na BOBA

A minha filha está mais feliz também. Para além do apoio escolar, as actividades lúdico-pedagógicas têm sido uma mais-valia para ela.

FAMÍLIA | 157


365HISTÓRIASDEVIDA

Isabel Ferreira “Um espaço de confiança para partilhar dificuldades” /Onde Vive Casal da Boba, Freguesia de São Brás - Amadora /Ocupação Actual Empregada de cozinha num Restaurante /Familiares no Projecto Sem familiares no projecto /Projecto que frequenta Tá-se BEM na BOBA

O “Tá-se Bem na BOBA” foi fundamental na minha vida. A dada altura, tive apoio jurídico no Processo da Regulação do Poder Paternal e Divórcio, pois precisei de ser esclarecida sobre todos os trâmites legais necessários na interposição de uma acção judicial, e também apoio social ao nível da aquisição de bens de primeira necessidade. Quando andava a procurar emprego, ajudaram-me na realização de candidaturas a ofertas de emprego. Hoje, já tenho emprego e já não frequento o grupo de entre-ajuda, mas vejo a importância que a Fundação AGIR continua a ter na vida de todos do Bairro...é um espaço de confiança para partilhar as suas dificuldades. Actualmente, a minha luta é a busca do bem estar físico e emocional dos meus filhos. Para isso, também conto com o Escolhas.

158 | FAMÍLIA


Cristina Aveiro “Criam-se novos laços, convívios e amizades” O Projecto “C@pacitar” trouxe muitas coisas às crianças e jovens do Bairro...ajuda no dia-a-dia da escola, através do Apoio Escolar... os tempos livres são hoje ocupados de outra forma... já não andam pela rua sem nada para fazer, agora frequentam as actividades do projecto, onde são supervisionados e orientados por pessoas adultas e responsáveis. Para eles, é também a possibilidade conhecerem novos locais e de terem acesso aos eventos culturais.

/Onde Vive Bairro da Ribeira Grande /Ocupação Actual Assistente Operacional /Familiares no Projecto Quatro, Cristina,a mãe, a filha e sobrinha /Projecto que frequenta C@pacitar

Este tem sido um espaço privilegiado para novos encontros e amizades...criam-se novos laços, convívios e amizades...até mesmo entre as famílias e a equipa do escolhas. A minha mãe passa as tardes no projecto e gosta de estar lá a ver os jovens nas actividades... antes, ela estava sempre em casa e agora está na companhia de jovens...isso faz com que ela fique mais alegre! Aprendi aqui a verdadeira importância do convívio entre gerações diferentes.

FAMÍLIA | 159


365HISTÓRIASDEVIDA

Angeline Djile “Deu-me novas oportunidades e melhor integração social” /Onde Vive Pendão, Queluz /Ocupação Actual Desempregada /Familiares no Projecto Duas filhas /Projecto que frequenta Meg@ctivo

160 | FAMÍLIA

O Escolhas deu-me novas oportunidades e uma melhor integração na sociedade. As minhas duas filhas foram muito apoiadas pela equipa do “Meg@ctivo”, sobretudo a mais velha, que chegou a Portugal e não sabia falar uma palavra de português. O projecto ajudou-a a ultrapassar os problemas de integração na sociedade e hoje ela é uma menina muito feliz e bem sucedida. No ano passado, ganhou o Prémio de Mérito e Excelência. Não tem preço tudo o que fizeram por nós!


Sandra Lopes “Um filho “mais activo e empenhado””

Antes da existência deste projecto na zona, o meu filho passava os dias em casa sem se relacionar com ninguém. Precisava de orientação! Actualmente, as actividades e o convívio com outros jovens ajudou-o a melhorar e hoje tenho um filho mais activo, participativo e empenhado na escola. A minha postura também mudou, aprendi a ouví-lo e a estar mais atenta ao seu dia-a-dia. A insegurança, que foi sempre uma preocupação minha, é caso resolvido. Agora sei sempre onde o meu filho se encontra. Sei que, neste grupo, ele encontrou um “porto seguro”, onde é aconselhado e acompanhado.

/Onde Vive Maia /Ocupação Actual Auxiliar de Acção Educativa /Familiares no Projecto Um filho /Projecto que frequenta Ramal(de) Intervenção

Para as crianças, jovens e famílias desta zona de intervenção, o “Ramalde” tem dado provas da sua eficácia em alterar comportamentos desviantes e em promover mais e melhor educação. É um passo em frente para a formação de cidadãos activos e instruídos.

FAMÍLIA | 161


365HISTÓRIASDEVIDA

Liliana Fernandes “O projecto transformou-me numa nova pessoa” /Onde Vive Gafanha da Boa Hora /Ocupação Actual Desempregada /Familiares no Projecto Dois filhos /Projecto que frequenta Escol(h)as em Boa Hora

O projecto transformou-me numa nova pessoa. Em parte, porque estou a fazer pela minha formação pessoal e profissional...a aprender Informática, a trabalhar com a Internet e com os emails, também a fazer um melhor currículum vitae para me facilitar a procura de um emprego. Espero vir ainda a aprender muito mais! O Escolhas deu-me novos horizontes e mostrou-me novas maneiras de comunicar. Eu tinha algumas dificuldades a nível de relacionamento social e estou a ultrapassar esse problema, com o apoio dos técnicos. Também o meu filho, que era muito fechado, tornou-se mais participativo e extrovertido. Acredito no futuro. Sei que, no “Escol(h)as em Boa Hora”, ele vai crescer com mais responsabilidade, obediência e boas-maneiras.

162 | FAMÍLIA


Anabela Pereira “Salvou-me da dependência das drogas”

No meu caso, o Escolhas salvou-me da dependência das drogas e mostrou-me que há outros caminhos. Hoje tenho a amizade da equipa e todo o acompanhamento psicológico que necessito. Todos têm feito muito por mim e pelo bem-estar da minha família. O “Távola Redonda” significa, para a nossa comunidade, mais conhecimentos, cultura, oportunidades para pais e filhos, interacção social.

/Onde Vive Caneças /Ocupação Actual De baixa médica /Familiares no Projecto Um filho /Projecto que frequenta Távola Redonda

FAMÍLIA | 163


365HISTÓRIASDEVIDA

José Costa “Sou hoje melhor Pai”

/Onde Vive Quinta da fonte da prata /Ocupação Actual Desempregado /Familiares no Projecto Uma filha /Projecto que frequenta Tasse

164 | FAMÍLIA

Este projecto tem vindo a valorizar o nosso Bairro. Hoje, há mais condições de vida para as crianças e adultos, assim como mais e melhor educação. Eu aprendi a lidar melhor com os problemas do meu quotidiano e a relacionar-me com os meus filhos, pois inscrevime no Curso de Pais. Sou hoje melhor pai. A minha filha tinha muitos medos, não brincava com ninguém nem gostava de sair de casa...agora está bem melhor e tem aprendido muito. Valorizo muito tudo o que tem sido feito pelo Tasse em prol da educação das crianças, do intercâmbio social e da amizade entre todos.


Helena Azenha “Mais autonomia à vida dos nossos filhos” O Escolhas trouxe mais alegria, felicidade, responsabilidade e autonomia à vida dos nossos filhos. O que a equipa de Técnicos tem feito pela comunidade não tem preço!... tem contribuído para o desenvolvimento intelectual dos nossos jovens, através de jogos interactivos e de concentração, para o convívio social, pela promoção de passeios e várias actividades, tais como a canoagem. O meu filho é mais responsável e organizado, melhorou as notas, pois tem mais interesse pelo estudo. Eu própria aprendi a ajudar o meu filho a estudar as disciplinas nas quais tem mais dificuldade”.

/Onde Vive Bebedouro - Arazede, Coimbra /Ocupação Actual Doméstica /Familiares no Projecto Um filho /Projecto que frequenta Escolhas Múltiplas II

A educação das crianças e jovens preocupa-me muito, e o que mais desejo é que sejam saudáveis, felizes e educados, que se respeitem e sejam respeitados, contrariando o bullying e o preconceito. A presença do Escolhas tem uma acção ponderante a este nível.

FAMÍLIA | 165


365HISTÓRIASDEVIDA

Conceição Amaro “Reequilíbrio familiar”

/Onde Vive Fundão /Ocupação Actual Ajudante de cozinha na cantina da Santa Casa da Misericórdia /Familiares no Projecto Três filhos /Projecto que frequenta Escol(H)a Viva II

O Escol(H)a Viva II esteve presente no momento mais difícil da minha vida. A situação era bastante delicada, estava a divorciarme do meu marido, tinha pouco dinheiro, os meus filhos já tinham sofrido bastante e continuávamos todos numa situação complicada, sobretudo a nível emocional. Foi difícil para mim, mas sobretudo para os meus filhos que assistiram ao desmoronar da família. Na altura, usufruímos do apoio da psicóloga do projecto, que nos ajudou a conquistar o equilíbrio emocional e fez com que voltássemos a ser uma família unida. Esta vitória, devemo-la ao projecto! Estou muito tempo fora de casa, pois, trabalho muito para dar uma vida mais confortável aos meus filhos e, a este nível, o Escolhas tem tido um papel essencial. Os meus filhos podem ir para o projecto e ocupar o tempo a participar em actividades, as quais eu nunca poderia proporcionar-lhes, porque a nossa situação financeira não permite. Para mim, é também a oportunidade de ver os meus filhos acompanhados por quem lhes incute valores importantes, como os da Responsabilidade, Solidariedade, Respeito pelo Próximo e Igualdade de direitos.

166 | FAMÍLIA


Mariana “Um futuro melhor para todos”

Sou mãe solteira e, até usufruir deste apoio, as minhas dificuldades eram mais do que muitas, sobretudo num contexto social difícil de quebrar...no tempo do Casal Ventoso, não havia nada para os miúdos, muitos enveredaram por maus caminhos e, hoje, estão ou estiveram presos. Actualmente, as crianças já tem uma opção, pois o “Fazer a Ponte” abre-lhes as portas para caminhos mais saudáveis e com mais oportunidades, tendo em vista um futuro melhor para todos.

/Onde Vive Avenida de Ceuta /Ocupação Actual Auxiliar de Acção Educativa /Familiares no Projecto Três filhos /Projecto que frequenta Fazer a Ponte

Fazer face ao desemprego foi um dos desafios com que me deparei e, nessa luta, contei com todo o apoio. Sempre que preciso, vou ao Projecto e sei que tenho uma resposta. Ajudaram-me a ter acesso ao Rendimento Mínimo e a encontrar um trabalho. Agora sou Auxiliar de Acção Educativa, estou a tirar o 9º ano e depois quero continuar os estudos. Os meus filhos estão bem orientados. Eles vão para o espaço, lá estudam e aprendem actividades novas, como a Dança, Teatro e Informática.

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Luís Fernandes “O melhor que podia ter acontecido às nossas vidas” /Onde Vive Bairro da Alâmpada, Boidobra /Ocupação Actual Desempregado /Familiares no Projecto Sete, esposa, um filho e cinco primos /Projecto que frequenta Arca de Talentos II

O Escolhas trouxe à nossa comunidade, pessoas que nos ajudam nas dificuldades que vivemos...uma equipa que tem tempo para nos ouvir e apoiar e nos dá muito apoio familiar, especialmente aos nossos filhos. O “Arca de Talentos” é muito importante para a vida do meu filho... ele tem apoio nos estudos e está a aprender a ler... é muito bom para ele, pois, eu quero que ele tenha um bom futuro com oportunidade de ser aquilo que nunca consegui ser! Para além disso, está a ter boas influências e a receber bons valores, tais como o Respeito e a Humildade. Todos os dias eu também aprendo alguma coisa... como tratar dos problemas que ocorrem na vida quotidiana e a comunicar melhor com as pessoas. Este projecto foi o melhor que podia ter acontecido nas nossas vidas!

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Carla Russo “Todos estamos a aprender, pais e filhos!” O Escolhas deu-nos um espaço de convívio e acompanhamento, que dá muito apoio às crianças e lhes proporciona actividades úteis para o seu desenvolvimento. O Projecto incentiva os meus filhos a estudar e mostra-lhes a importância da escola para um futuro melhor. Nas férias, eles têm sempre actividades interessantes para fazer, já não estão desocupados.

/Onde Vive Bairro do Esteval, Montijo /Ocupação Actual Trabalha na área da Floricultura /Familiares no Projecto Dois filhos /Projecto que frequenta Tu Kontas (+ Ainda)

A equipa do “Tu Kontas” é uma presença essencial nas nossas vidas...a educação é uma tarefa que a família não consegue cumprir sozinha e eles dão todo o apoio. Todos estamos a aprender, pais e filhos! Ajuda-me sempre que preciso e sempre que tenho alguma dúvida e aos meus filhos também, através do Projecto Tu Kontas (+ Ainda).

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Marta Marabuto “Acesso ao Coaching de Empreendedorismo” /Onde Vive Bairro Alto, Lisboa /Ocupação Actual Ajudante de Cozinha /Familiares no Projecto Três filhos

O Escolhas veio trazer à nossa comunidade muitas valências que até então não existiam. Apoio escolar para os filhos, actividades artísticas e workshops, viagens e intercâmbios, actividades desportivas, possibilidade de crescimento para os jovens, bom relacionamento, ocupação de tempos livres, disponibilidade de equipamento informático e acesso à Internet. O Projecto tem permitido a melhoria do rendimento escolar dos filhos e eu aprendi Informática, trabalho artístico com mosaicos e tive acesso ao apoio ao empreendedorismo – Coaching de Empreendedorismo, no sentido de criar o meu próprio negócio.

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Susana “Uma boa linha de suporte para as famílias” Através do Escolhas, a comunidade da zona passou a ter qualidade escolar para as crianças e acompanhamento nas férias, entre outros apoios. Havia muito insucesso escolar entre as crianças e jovens e, desde o projecto, tem-se feito algo no sentido de inverter essa situação. O “VaiPe” tem sido uma mais-valia no âmbito do apoio pedagógico para o meu filho, assim como um elemento de amizade e companheirismo. Bons valores são transmitidos, assim como incentivados interesses pelas várias diversas áreas nomeadamente, Artes, Desporto, entre outras.

/Onde Vive Setúbal /Ocupação Actual Gerente /Familiares no Projecto Um filho /Projecto que frequenta Vai.Pe

Este Projecto é uma boa linha de suporte as famílias. Os técnicos estão sempre prontos a unir pais e filhos e, só por isso, têm o meu apoio incondicional. Eu estou a aprender a dialogar melhor com o meu!

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Marta Fonseca “Com o Escolhas, vejo em cada dificuldade, uma oportunidade de melhorar” /Onde Vive Casal da Boba, Freguesia de São Brás - Amadora /Ocupação Actual A concluir o 9.º ano de escolaridade através da frequência de um curso de pastelaria no Centro de Formação Profissional do Sector Alimentar e tem dois empregos /Familiares no Projecto Sem familiares no projecto /Projecto que frequenta Tá-se BEM na BOBA

Considero que este projecto tem contribuído em várias áreas. Uma das que destaco é o apoio escolar às crianças e jovens residentes no casal de São Brás. Quanto aos adultos, são importantes os cursos de informática existentes, bem como as acções de Informação/ sensibilização promovidas. O “Tá-se BEM na BOBA”, em parcerias com outros projectos e instituições locais, já me prestou apoio em diferentes áreas , em particular no apoio jurídico, no pagamento de dívidas, na procura de emprego, na obtenção de bens de primeira necessidade e aconselhamentos ao nível da sexualidade. Tenho aprendido imenso em todas as sessões de informação e sensibilização organizadas por este projecto Um dos motivos pelo quais considero o projecto essencial para a comunidade é o facto de dar apoio escolar aos jovens do Bairro, entre os quais incluo as minhas filhas , embora elas não sejam consideradas destinatárias por causa da idade. Ainda a nível educativo, considero muito importante o incentivo ao voluntariado, o qual deve ser incutido desde a tenra idade, e penso que o Escolhas assume um papel muito interventivo a este nível, transmitindo sempre bons valores. Neste momento, e depois de um período complicado, encontro-me a trabalhar afincadamente em dois locais. Estou grata à equipa pela disponibilidade, pelo estímulo à motivação e empenho...com o Escolhas, vejo em cada dificuldade, uma oportunidade de melhorar!

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Paula Gonçalves “Uma boa influência para os jovens”

O “VaiPe” tem proporcionado aos jovens novas oportunidades, novas orientações e incentivos. O projecto deu novos horizontes à minha filha que, como é comum a muitos jovens, já esteve um bocado perdida nas opções que tomou. Agora, é uma pessoa mais empenhada, deixou de faltar às aulas e tem novos objectivos para a vida. O Escolhas é uma boa influência para os jovens, pois passalhes valores essenciais como o respeito, o interesse pela escola, mostrando-lhes a importância dos estudos para a vida futura.

/Onde Vive Setúbal /Ocupação Actual Desempregada /Familiares no Projecto Uma filha /Projecto que frequenta Vai.Pe

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Domingas Semedo “Vieram novas possibilidades”

/Onde Vive Talude, Militar do Talude /Ocupação Actual Trabalho /Familiares no Projecto Um filho /Projecto que frequenta Sai do Bairro Cá Dentro

A nossa comunidade saiu a ganhar com a vinda deste projecto. Com o Escolhas, vieram novas possibilidades, às quais ninguém tinha acesso nem sabia como consegui-lo. No meu caso, pude colmatar algumas necessidades prementes. Consegui o contacto e acompanhamento com a ACAPO, a matricula numa Escola de Ensino Especial, bem como o respectivo acompanhamento de uma Técnica de Ensino Especial, Software para Invisuais, apoio na Regularização, acesso à natação. É quase tudo para mim! Mostraram-me novos caminhos, vieram apoiar-me a níveis que sempre me preocuparam, nomeadamente a situação familiar, habitacional e escolar, assim como o bem-estar da criança/jovem, deram-me mais contactos para aumentar a minha rede social.

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Adelina Trindade “Crianças e jovens ampliam interesses”

Com o “Escolhas VA” vieram os passatempos aliciantes, formações, workshops, entre outras actividades estimulantes. As crianças e jovens ampliam interesses, melhoram a prestação escolar, têm acesso à formação. O projecto tem-se revelado muito útil na relação escola-aluno, pois, através da equipa do Escolhas, os jovens aprendem a ser respeitadores, a respeitar para serem respeitados. Vejo isso nos meus filhos.

/Onde Vive Vale da Amoreira /Ocupação Actual Doméstica /Familiares no Projecto Três filhos /Projecto que frequenta Escolhas VA

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Teresa “Integração profissional valiosa”

/Onde Vive Casal dos Machados /Ocupação Actual Trabalho /Familiares no Projecto Dois filhos /Projecto que frequenta Entrelaços, és capaz!

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O apoio na integração profissional e emprego de jovens no projecto foram dois dos benefícios mais valiosos do Escolhas. É importante na vida dos meus filhos, porque é um espaço onde podem conviver com os outros jovens e onde existem sempre adultos que os acompanham. Aqui aprendem a respeitar as diferenças. Com o apoio do projecto, consegui eu também definir formas de melhor acompanhar o percurso dos meus filhos.


Cláudia Fernandes “...aos pais ensinou-os a exigir e a estar atentos” Este projecto representa um maior acompanhamento dos jovens nos tempos livres, evitando que estes sejam votados ao acaso. Os meus sobrinhos estudam agora depois das aulas, fazem os trabalhos escolares, estão integrados nos grupos de estudo e de leitura. À parte disso, é-lhes dada a oportunidade de visitarem e descobrirem lugares diferentes, algo que antes não tinham possibilidades.

/Onde Vive Bairro do Zambujal /Ocupação Actual Desempregada /Familiares no Projecto Dois sobrinhos /Projecto que frequenta Percursos Acompanhados

O Escolhas mostrou às famílias que existe sempre um caminho melhor, alternativas positivas que devemos procurar seguir. Aos filhos, deu-lhes oportunidades, mas aos pais, ensinou-os a exigir e a estar mais atentos à realidade

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Monicabai Meggi “O Escolhas serve duplamente a pais e filhos” /Onde Vive Bairro das Olaias /Ocupação Actual Doméstica /Familiares no Projecto Quatro, Monicabai e três filhos /Projecto que frequenta Há Escolhas no Bairro - lx 025

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O Escolhas serve duplamente a pais e filhos. A mim, ajudaram-me a resolver problemas práticos do meu quotidiano, especialmente assuntos burocráticos, a preencher documentos, a contactar a Segurança Social, a ter aulas de português e a fazer prova de condição de recursos. Aos miúdos, deu-lhes um espaço agradável e seguro, onde eles podem ficar durante o dia e fazer actividades. Também eu vou ao projecto apenas falar com a equipa, voltei a estudar e a poder ajudar os filhos nos trabalhos da escola.


Pedro Moreira “Crianças e jovens não vão seguir o caminho dos pais” Ao “ECOS” devemos tudo. Anteriormente, não existia no bairro nenhum apoio para as crianças, jovens e famílias, nem qualquer sentido social e educativo...as pessoas não sabiam lidar umas com as outras...a comunidade estava sem estruturas, entregue à indisciplina dos indivíduos. Actualmente, temos o Escolhas e já consigo ver as crianças e jovens, a saberem aproveitar as oportunidades, não vão seguir o caminho dos pais. Eu estou a educar a minha filha, com a ajuda deste projecto, no sentido dela não seguir o meu passado.

/Onde Vive Bairro Social /Ocupação Actual Pintor /Familiares no Projecto Dois, a filha e irmão /Projecto que frequenta ECOS

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Marina Pedroso

/Projecto que Representa Programa Escolhas - ACIDI /Funções na Instituição Técnica de Acompanhamento e Avaliação dos projectos da Zona Lisboa

Tive conhecimento do Programa Escolhas através do gabinete de orientação de estágios da faculdade e face à minha formação académica e interesses, esta foi a primeira opção de estágio. Em Setembro de 2002, iniciei o meu estágio curricular num projecto Escolhas, com intervenção no bairro da Quinta do Mocho, freguesia de Sacavém, concelho de Loures. Após 6 meses de estágio, optei por continuar no projecto como voluntária, uma vez que esta era sem dúvida uma oportunidade de aprendizagem importante. Assim, durante mais 6 meses fui voluntária no projecto, onde “dei e recebi muito….”! Após um ano no projecto, fui convidada a assumir as funções de técnica, as quais assumi até à 2ª Geração do Programa Escolhas. Em Setembro de 2006 assumo a coordenação do “Projecto Esperança” até Agosto de 2009, sempre no mesmo bairro, sempre no mesmo projecto… Em Agosto de 2009 assumo funções na equipa técnica do Programa Escolhas até ao dia de hoje. Tem sido sem dúvida um percurso, no qual tenho aprendido muito, nomeadamente ao nível das estratégias de intervenção com crianças, jovens e familiares em contextos vulneráveis, onde as redes, as sinergias, os recursos, as vontades… assumem um papel determinante nos sucessos! O balanço destes 10 anos de Programa Escolhas é muito positivo. Tem sido um caminho…em que a missão do Programa, quanto a mim, tem sido cumprida, no sentido de permitir a integração de crianças e jovens, a igualdade de oportunidades e a coesão social. Parece-me também que a evolução enquanto programa é notória, o que eleva a exigência do trabalho desenvolvido por todos os intervenientes. Quem passa pelo Programa, quer sejam os seus beneficiários directos quer sejam os técnicos envolvidos, entendem certamente “o mundo de Escolhas…” em que todos vivemos, em que a opção (a tal escolha) “mais acertada” permitirá certamente um futuro melhor!

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Teresa Batista

Em Maio de 2002, respondi a um anúncio de emprego para trabalhar num Programa orientado para prevenção da Criminalidade e Inserção de jovens dos bairros mais problemáticos dos Distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.

/Projecto que Representa Programa Escolhas /Funções na Instituição Técnica de Zona Sul e Ilhas

Fui chamada para a entrevista, na altura realizada numa das sedes do referido programa, em Setúbal. O desafio proposto foi o de integrar a equipa Técnica do Bairro da Quinta da Princesa, no Seixal. Na altura, fui entrevistada pelo Coordenador de Bairro (era assim antes denominado), Pedro Calado, actualmente o Director do Programa Escolhas. E, foi, nesse momento, que tomei conhecimento do Programa Escolhas, um mundo desafiador e motivante! A entrevista correu bem, mas tive que aguardar pela resposta… No regresso a casa, fui contactada … Era já para começar no dia seguinte, dia 22 de Maio de 2002! Movida por felicidade e ansiedade, voltei para o local da entrevista para acertar todos os pormenores. Era tudo o que eu queria, na altura com 24 anos, era um sonho poder trabalhar com crianças e jovens de contextos vulneráveis, ainda por cima, em contexto comunitário. E assim tudo começou, este longo percurso no Programa Escolhas… atravessando todas as gerações do programa, colhendo inúmeras aprendizagens e sensações. Estive como técnica no Bairro da Quinta da Princesa até 2004 (1ª geração), passando a coordenadora do projecto “ Tutores de Bairro”, no mesmo bairro, de 2004 a 2007 (2ª e 3ª gerações), e integrando em Setembro de 2007, até ao momento, a equipa central do programa (3ª e 4ª gerações). Na equipa central, integrei a equipa técnica da Zona Centro (assim denominada na 3ª geração), e actualmente (4ª geração) integro a equipa técnica da Zona Sul e Ilhas. Agora com 33 anos, avalio todo este percurso como grandioso e TÉCNICOS | 181


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maravilhoso…tem sido um crescimento e uma evolução constante. As diversas experiências que tenho tido dentro do Programa Escolhas, têm-me permitido crescer profissionalmente (desafiando todas as minhas inseguranças) e pessoalmente (tornando-me uma pessoa mais capaz e cada vez mais sensível ao trabalho com crianças e jovens). O Balanço que faço deste 10 anos de Programa Escolhas, é naturalmente muito positivo. O Programa cresceu e evoluiu grandemente na sua acção e missão, e todos os envolvidos, desde as crianças e jovens, famílias, técnicos, instituições, voluntários, estagiários, com as crianças e jovens … têm igualmente crescido e evoluído com o Programa. É um “mundo” que se alimenta a si próprio, com a junção de todas estas sinergias. Com o atravessar das gerações, o Programa Escolhas tem elevado a sua responsabilidade e exigência, e tem sido reconhecido a nível social e político, como um programa de extrema relevância. Envolvendo um público diversificado e com objectivos cada vez mais exigentes orientados para o impacto da sua acção, o programa tem sido e continua a ser a Escolha acertada!

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Joana Morais e Castro

Trabalhei uns anos no CNAI do Porto e nunca me esquecerei do primeiro contacto que tive com o trabalho do Programa Escolhas. Um dos casos que mais me marcou no Gabinete de Apoio Jurídico ao Imigrante, foi o de uns irmãos de origem Cabo Verdeana, nascidos em Portugal, a estudar em Portugal e que se encontravam em situação irregular. Eram 5 irmãos e o mais velho tinha tido uma ordem de abandono do território Português, o que naturalmente chocou a família directa e a indirecta onde se incluía a comunidade e um projecto do escolhas.

/Projecto que Representa Programa Escolhas /Funções na Instituição Técnica da equipa da zona Norte e Centro

Foi numa altura em que a Lei de Imigração e da Nacionalidade não contemplavam, nem protegiam estas situações, pelo que apesar de uma difícil caminhada, com o apoio do projecto, que actuava com base na confiança, proximidade e cumplicidade e o do CNAI que dava o apoio formal, informativo e legal, o final foi feliz. O que me marcou, de facto, foi a percepção que os projectos escolhas são muito para lá das suas actividades, são canais de comunicação da comunidade e para a comunidade, são linguagem, são afectos e são verdade. Sem dúvida que estes ingredientes invisíveis são o grande segredo dos 10 anos Escolhas, são a sua mais-valia e o garante do seu festejo. Nessa altura, mal eu sabia que um dia estaria aqui, dentro do Programa Escolhas e surpresa das surpresas, há pouco tempo estive com o mais novo desses irmãos. Foi muito comovente quando o vi e fiquei atenta a pensar como estaria. Mas antes de lhe perguntar, a resposta foi evidente quando começa a dançar e outros o seguem. De aprendiz a mestre…e de mestre a aprendiz...este é o círculo escolhas que tenho o orgulho de procurar servir. TÉCNICOS | 183


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La Salete Lemos

/Projecto que Representa Programa Escolhas /Funções na Instituição Acompanhamento e Avaliação dos projectos do Programa Escolhas

Eu conheci o Programa Escolhas por mero “acaso”, visto que fui seleccionada para integrar a equipa central após ter respondido a um anúncio de um jornal diário. Pelo facto de fazer parte da equipa central do Programa Escolhas há exactamente 10 anos e ter estado implicada desde a sua génese, sinto um turbilhão de emoções quando em retrospectiva penso em tudo o que se fez, em todos os jovens que se envolveram e em todas as actividades que se realizaram. Foram 10 anos da minha vida profissional e pessoal muito intensos, pois ao longo destes anos fui crescendo e aprendendo muito com os colegas de equipa, com os projectos, com os jovens e com os diversos parceiros que foram passando pelo Programa. Ao longo destes 10 anos, o próprio Programa Escolhas tem evoluído bastante de geração para geração, na perspectiva de superar os aspectos menos conseguidos, e sempre com o objectivo de melhorar o âmbito e a qualidade da intervenção junto das crianças e jovens público-alvo. Foram anos de muito trabalho, mas também foram anos recheados de momentos de gratificação e de reconhecimento do trabalho conjunto que temos vindo a desenvolver com as equipas técnicas e com os consórcios. Que pode ser visível pela manutenção e preservação de alguns equipamentos construídos desde a 1ª geração, pela chamada “geração escolhas”, onde vemos crianças, que hoje são jovens a serem monitores de actividades a dinamizadores comunitários, a construírem e a optarem por percursos de vida que, à primeira vista, seriam impensáveis e pela “energia escolhas”, algo que não se consegue explicar, mas que se sente nas diversas actividades de âmbito nacional que têm tido lugar ao longo destes anos e que se reflecte na entrega ao cumprimento dos objectivos definidos, no espírito de camaradagem, de solidariedade e de inter-ajuda que se observa entre os jovens, que pelo facto de virem de diferentes pontos do país, à partida parecem ter pouco em comum, porém, o que se constata na realidade é que

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por “pertencerem” ao Programa Escolhas, este pouco rapidamente se transforma em muito e desperta toda esta energia que é partilhada e comum a todos. Sem dúvida que o balanço destes 10 anos de Programa Escolhas é muito positivo, estando certa que ainda haverá muito para fazer e muito para melhorar, tendo consciência que já muito se fez e que já existe todo um percurso realizado com resultados evidentes!

Ricardo Santos

Fui convidado em 2003 para integrar o Ciber Espaço Jovem, em Monte Abraão, practicamente no final da 1ª Geração, depois integrei a equipa do Projecto Raízes ao longo da 2ª Geração. Posteriormente, na 3ª Geração, passei então a Coordenador do Távola Redonda, onde continuei até Maio de 2010, altura em que iniciei funções na equipa central do Programa Escolhas.

/Projecto que Representa Programa Escolhas /Funções na Instituição Consultor Técnico

Ao longo das quatro “Gerações Escolhas”, cresci como Técnico e como pessoa. O trabalho desenvolvido no dia-a-dia com os jovens, familiares, passando pela comunidade e pela sociedade em geral, leva-nos a perceber a importância de todos e o papel que cada um pode desempenhar em qualquer que seja o contexto. Poder apoiar, mas acima de tudo, poder acompanhar lado a lado alguém, na resolução dos seus problemas e na concretização dos seus sonhos, tem sem dúvida um valor inestimável. TÉCNICOS | 185


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Ângela Leal

/Projecto que Representa Programa Escolhas /Funções na Instituição Estagiária – Área de Comunicação e Formação

O meu primeiro contacto com o Programa Escolhas foi em 2008, quando me encontrava no 3ºano da Licenciatura em Ciências da Educação. Nessa altura, no âmbito da disciplina de Seminário de Integração Profissonal IV, foi-nos proposto juntarmo-nos em grupos de trabalho e integrarmo-nos numa instituição que possibilitasse a concepção, desenvolvimento e avaliação de projectos de intervenção em âmbitos educativos e/ou formativos formais e não formais, mobilizando os diversos contributos teóricos das disciplinas do curso. Como tal, e após algumas pesquisas sobre o público-alvo e o âmbito de intervenção das instituições, tendo em conta os nossos interesses acabámos por escolher o ISU. Nesta instituição conhecemos o projecto Emprega o Futuro que é desenvolvido ao abrigo do Programa Escolhas. Durante quatro meses, fui fazendo visitas periódicas ao ISU, onde pude participar activamente nas actividades, ajudando as técnicas nas suas tarefas e dinamizando acções de formação voltadas para a promoção de competências para a empregabilidade. Em 2010 voltei a ter contacto com Programa Escolhas, através do projecto D.A.R. à Costa. A participação neste projecto foi a propósito de uma disciplina do mestrado em Educação Intercultural, em que durante três meses envolvi-me nas actividades do projecto numa dinâmica multicultural, tendo em conta a diversidade cultural das crianças que fui acompanhando. A experiência com estes dois projectos Escolhas foi muito enriquecedora, na medida em que através de um contacto directo com a realidade de organizações que trabalham com públicos mais vulneráveis, fui desenvolvendo competências variadas que me tornam mais apta para futuras intervenções em projectos de desenvolvimento local e dinamização comunitária, numa perspectiva da educação para o desenvolvimento pessoal e profissional de forma a promover a inclusão social.

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Luisa Cruz “Uma década cheia de Boas Escolhas”

Ao longo destes 10 anos de trabalho na equipa central do PE, diria que foram apenas 10 meses, 10 dias, 10 horas, uma vez que tudo se passou num ritmo frenético, muito acelerado, por vezes mesmo alucinante, mas deveras gratificante do ponto de vista profissional e pessoal.

/Projecto que Representa Programa Escolhas /Funções na Instituição Coordenadora da Zona Lisboa

As aprendizagens e vivências que têm sido adquiridas no terreno, junto das nossas comunidades, crianças, jovens, familiares, entre outros permitiram-nos estabelecer um compromisso efectivo com todos, trabalhando e actuando numa lógica de coresponsabilização e sustentabilidade das iniciativas locais. Acredito que a década que agora comemoramos tem sido cheia de Boas Escolhas junto das nossas comunidades e vamos continuar numa lógica de cruzamento de sinergias para construir uma sociedade mais justa, plural e igualitária!

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Patrícia Martins “Integração social bem sucedida”

/Como Começou Quando o Projecto CADI teve a sua primeira edição em 2004, trabalhava na Entidade Promotora e conhecia as pessoas que estavam envolvidas na criação do Projecto. Na 2ª edição do Projecto CADI, com início em 2006, fui convidada a integrar a equipa do projecto como monitora do CID. O que mais me atraíu no Projecto foi o tipo de população com que o projecto trabalha. São pessoas que precisam muito de nós. /Projecto que Integra CADI /Comunidade Anadia /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 5 anos

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No meu trabalho, o que me motiva é saber que, com o meu contributo, estas pessoas já são aceites na sociedade. Com efeito, a comunidade com que trabalho já é aceite na sociedade. Os jovens e crianças conseguem ter um melhor aproveitamento escolar e notou-se um menor abandono escolar. Trata-se de uma comunidade com muitos problemas de integração uma vez que provêm de meios socio-económicos vulneráveis. Neste momento, o projecto CADI já é reconhecido no Concelho e fora dele, pelas actividades desenvolvidas não só para os seus beneficiários e destinatários mas também para a comunidade. Uma história vivida no Escolhas, a qual não vou esquecer, é o caso de uma adolescente, que faz parte do projecto desde 2004, e que provém de um contexto familiar desfavorecido e com bastantes problemas, que conseguiu ver cumprido o seu sonho de entrar na Universidade.


Tânia Mestre “Motiva-me saber que faço a diferença na vida destes jovens” Trabalho numa comunidade altamente vulnerável, numa zona rural do Baixo Alentejo. Os jovens envolvidos no nosso projecto sofrem uma grande falta de oportunidades, visto que esta zona é extremamente desertificada, com muita falta de emprego, bens culturais ou oferta ocupacional. As respostas na comunidade são escassas, os interesses dos jovens imensamente limitados pela própria limitação que vivem no seu dia-a-dia. As dificuldades de mobilidade são imensas, visto que é um território enorme (o maior concelho da Europa!), com a população completamente dispersa e uma rede de transportes altamente deficiente. As famílias são frequentemente negligentes na educação destes jovens, existe muita pobreza e falta de (in)formação. Os maiores problemas que identificamos são alcoolismo e outros consumos abusivos, violência doméstica, abandono e insucesso escolar, e exposição a modelos de risco. Motiva-me saber que faço a diferença na vida destes jovens, que por pouco impacto que possa ter a nível geral, nas particularidades do quotidiano, sinto que estes jovens sabem que estamos aqui por eles. E que, se não formos nós, muito poucas pessoas mais os ajudarão. Trabalhar nestas realidades apresenta tantos desafios que muitas vezes perdemos a motivação e a força e pensamos que não serve de nada o nosso esforço. Mas sei que temos impacto quando os jovens nos procuram a nós, quando nos telefonam para o nosso número pessoal, a buscar apoio, ajuda, conforto nas mais variadas situações. Porque de facto, não têm mais para onde se virar. E terem-nos a nós e reconhecerem isso e procurarem-nos mostra que temos impacto nas suas vidas.

/Como Começou Já tinha tido oportunidade de trabalhar com o PE em 2007/2008, e gostei muito da experiência, penso que é um Programa muito interessante, absolutamente necessário e com muito potencial e muito para fazer. Sou animadora sociocultural e a possibilidade da mudança social através da intervenção em meios vulneráveis atraíume completamente. Também a perspectiva de intervenção integrada numa comunidade, envolvendo as famílias e também outras entidades de relevo na comunidade me suscitou curiosidade e interesse, pelo que tendo já trabalhado na zona da Grande Lisboa num projecto Escolhas, quando vim residir no Alentejo trouxe o Escolhas comigo! /Projecto que Integra “Agora” /Comunidade Odemira /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde o início desta 4º geração, no início do “Agora

As maiores vitórias penso que nem foram ainda a nível dos jovens. Julgo ser já uma grande vitória, com um ano de vida e o nosso projecto ser reconhecido e aceite numa comunidade como é Odemira, termos parceiros importantes da comunidade, envolvermos outras instituições locais. Porque só e apenas com esta sinergia TÉCNICOS | 189


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poderemos continuar a trabalhar por estes jovens e famílias. E criar esta rede, sensibilizar outras entidades para a importância deste projecto e do nosso trabalho, é para mim das maiores vitórias que vou conseguindo. Gostava de conseguir mudar o rumo de alguns jovens, que sei que não têm a melhor vida à sua espera. Gostava que vissem o potencial dentro de si próprios e que lhe dessem uso. Gostava de criar oportunidades de vida, mostrar-lhes que há outros caminhos, outras opções, que há um mundo lá fora. Gostava de lhes abrir as portas do Mundo, mas talvez isso seja pedir demais, tantas são as portas fechadas que estes jovens têm à sua volta... Só que lhes abra algumas janelas dou-me por feliz. A nossa proximidade com os jovens é tanta, que tenho muitas histórias que me tocam e muitas pessoas que nunca esquecerei. Posso apontar, a título de exemplo, um dia em que um nosso jovem, o Jorge, perdeu o pai, e eu e a nossa psicóloga fomos, pelas sinuosas estradas de Odemira, até à aldeia onde este jovem mora, no momento do velar de corpo do pai (horas antes do funeral). Como se fosse da família, estive perto do caixão, abracei-me à mãe deste jovem, que mais ninguém tinha que a consolasse naquele momento, e chorei com ela a morte de quem sustentava aquela família. Conversámos com a família durante cerca de duas horas, ali, no velório do seu pai, e o Jorge, habitualmente muito calado, encontrou a confiança e o à-vontade para se soltar. Sei que nunca me esquecerei disso, e sei que o Jorge também nunca se vai esquecer. Continua um rapaz calado, mas cada vez que passa por mim, os nossos olhos encontram-se com uma cumplicidade especial e sei que quando ele precisar, sabe que estamos aqui para ele.

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Paula Cruz “Pequenas vitórias em comunidade de etnia cigana” A comunidade para a qual trabalho, apesar de muitas vezes abranger toda a freguesia de Olival, é a situada no Bairro D. Armindo Lopes Coelho, em que podemos encontrar pessoas de etnia cigana e não cigana. Penso que esta é uma comunidade fechada ao resto da freguesia, pois as únicas pessoas externas ao bairro que o frequentam, fazem-no por motivos profissionais ou para visitar familiares. Os restantes olivalenses evitam ao máximo entrar no bairro e posso arriscar que a maioria nunca cá entrou. Trata-se, portanto, de um bairro com má reputação para o exterior. Dentro do bairro, apesar de relativamente calmo, dão-se alguns conflitos, alguns deles graves e entre elementos da própria etnia. No geral, os residentes são apáticos, dados a mexericos e intrigas, resignados à condição de “socialmente desfavorecidos”, dependem dos diversos subsídios atribuídos e ficam à espera deste “dinheiro fácil”, sem pouco ou nada fazerem para alterarem a situação em que se encontram. Na sua maioria, são pessoas sem capacidade de transmitirem valores, regras ou educação aos seus filhos. São poucos os jovens que têm ambições, bons resultados escolares (os de etnia cigana nem são incentivados pelos encarrregados a frequentarem a escola e as meninas não vão além do 4.º ano segundo as leis deles...) ou que se dediquem mesmo a actividades que gostam. Para conseguir trabalhar com eles é preciso aliciálos e definir estratégias diversificadas para os manter motivados. Pois além de não se motivarem facilmente, têm mais dificuldades de aprendizagem do que os meninos externos ao bairro e não possuem resistência à frustação, desistindo quase de imediato de tudo o que não estão a conseguir concretizar ou que lhes vá dar muito “trabalho”.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através da coordenadora do Projecto, a Dra Sara Ramos. O que mais me atraíu a integrar a equipa do Projecto MAIS JOVEM foi a oportunidade de poder ajudar crianças desfavorecidas, de poder dar-lhes competências que tenho a certeza que lhes irão ser muito úteis, de poder provê-las de experiências que de outra forma não teriam acesso, de poder ter um emprego em que faço realmente o que gosto - ensinar e educar ao mesmo tempo ajudar em tarefas tão diversificadas, de poder crescer enquanto ser humano, de poder aumentar as minhas competências e enriquecer o currículo... Enfim, de sentir que realmente posso ser útil à sociedade e fazer a diferença na vida destas crianças!!! /Projecto que Integra Mais Jovem /Comunidade Olival - Vila Nova de Gaia /Funções no Projecto Monitora CID@NET /Tempo de Colaboração 4 anos

Motiva-me saber que temos um papel importante na vida das crianças e jovens que frequentam o projecto, que os provemos de competências que de outra forma não teriam, que os ajudamos a integrarem-se na sociedade. Mas o que mais me motiva é reparar TÉCNICOS | 191


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nos seus progressos nos âmbitos mais básicos: na aquisição de hábitos de higiene e de cidadania. É com enorme satisfação que os ouvimos agora a dizer por favor e desculpa ou a baterem à porta antes de entrar, por exemplo. Parecem trivialidades, mas para nós são pequenos troféus. Sinto que o nosso trabalho tem impacto. Sentimos que os familiares das crianças e jovens confiam em nós, no nosso discernimento e nas nossas decisões. Foi muito gratificante quando os encarregados começaram a perceber a relação entre o trabalho e a recompensa dos seus educandos e a aceitarem que esse é o factor determinante para serem escolhidos para certas actividades... De igual forma, é visivel o respeito que os frequentadores deste espaço têm por nós e o esforço que fazem para respeitar as regras. Enquanto monitora cid, noto também um grande aumento de competências informáticas... Para mim, as nossas maiores vitórias foram: termos conseguido que um número elevado de pessoas externas ao bairro viessem ao nosso espaço, que a equipa de futebol dos ciganos fosse integrada nos torneios locais, que muitas crianças superassem dificuldades na escola. Conseguimos também melhorar o aspecto do bairro e criar um espaço de lazer e convívio através do “Muda o Bairro”... Gostava que as crianças e jovens interiorizassem que não têm que levar o mesmo tipo de vida da dos pais, que o empenho, o esforço, o trabalho e a honestidade são a base de uma vida melhor e gostava de incutir-lhes a vontade de lutarem pelo que desejam em contrapartida de viverem uma vida desinteressante e desinteressada à espera que o dinheiro venha ao fim do mês. Ou seja, no fundo o que eu gostava de deixar a estas crianças era as competências e força de vontade para terem uma vida melhor. Há momentos que vou para sempre recordar: alegria e satisfação que proporcionámos aos jovens que foram ao intercâmbio de jovens na Polónia por andarem pela primeira vez de avião.

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Marco Cruz “Um jovem do Bairro a trabalhar no projecto” A comunidade em que trabalhamos não é muito fácil, porque nem toda a gente adere às actividades que o projecto propõe, sendo as crianças e jovens os que mais aderem ao projecto. Com os pais é mais difícil trabalhar, porque a maior parte não tem disponiblidade para as actividades propostas. O que me motiva neste trabalho é poder ajudar as crianças e os jovens do bairro, porque eu também sou um deles apesar de trabalhar no projecto, e sei as dificuldades e as necessidades que as crianças e os jovens do bairro têm. O meu trabalho ainda só tem tido impacto dentro do projecto, porque as pessoas da comunidade em geral ainda não se habituarem ao facto de eu agora trabalhar no projecto, porque sempre me viram como um simples jovem que vinha para o Projecto fazer as actividades e ajudar no que era preciso, mas com o tempo espero que eu consiga ter impacto na comunidade em geral e aí poder fazer actividades e coisas interessantes para as famílias.

/Como Começou Eu conheci o projecto desde que o abriram no bairro. O que me atraíu no projecto foi as coisas novas que o projecto trouxe para o bairro e poder fazer actividades que se calhar nunca teria oportunidade de realizar. /Projecto que Integra Mais Jovem /Comunidade Bairro Social /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração 5 meses

Foram várias as vitórias que o projecto conseguiu neste bairro: tirar as crianças e jovens da rua e levá-las a experimentarem coisas novas, ajudar a comunidade a progredir na vida..., conseguir que algumas crianças de etnia cigana se interessassem pelos estudos, porque não é algo que aconteça regularmente nesta etnia. Gostava que, um dia, as pessoas fossem todas mais unidas, para não criar mau ambiente no bairro. O que mais me marcou neste projecto foram os dois intercâmbios internacionais. Outro marco a realçar foi o facto de me terem dado a oportunidade de trabalhar no projecto e o que ainda estão a fazer para que eu consiga ser alguém na vida.

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Telma Silva “Este trabalho ajuda os intervenientes no seu crescimento pessoal” /Como Começou Tive conhecimento do Projecto MAIS JOVEM aquando da procura de estágio profissional na instituição Olival Social. O que mais me atraiu neste projecto, foi o facto de trabalhar com crianças com dificuldades de aprendizagem. /Projecto que Integra Mais Jovem /Comunidade Bairro D. Armindo Lopes /Funções no Projecto Técnica /Tempo de Colaboração 1 ano e 6 meses

O meu trabalho incide numa comunidade constituída por população cigana e não cigana, que sofre de várias carências monetárias, tem baixo nível de escolaridade, não tem regras básicas enraízadas. São estas características que tornam esta população aliciante. O que mais me motiva a trabalhar neste projecto é o desejo de mudança, a vontade de tornar o futuro dos indivíduos mais promissor em todos os contextos do social e do pessoal. Este trabalho é gratificante e motivante pelo facto de ajudar todos os intervenientes no seu crescimento pessoal. Cada história, cada acontecimento leva a um momento de reflexão que nos torna a cada dia que passa um ser humano mais solidário com o próximo. O trabalho do Projecto tem um impacto no dia-a-dia da comunidade em vários campos. No campo educacional verifica-se que os indivíduos já ganharam um maior respeito pela escola. Realizam as actividades escolares com mais motivação e já sentem a leitura como sua aliada na obtenção de melhores resultados e recorrem a meios tecnológicos para realizar tarefas escolares. A nível comportamental verificam-se resultados a nível de postura, da linguagem, a abordagem com as pessoas é feita de uma forma mais tranquila. Verifica-se que passaram a ter maiores cuidados consigo nomeadamente, a nível de higiene pessoal. As famílias mantém um bom contacto e estão sempre receptivas a ideias e actividades que as enriqueçam enquanto pessoa, enquanto familiares e cidadãos. Em suma, verifica-se o impacto na confiança que a comunidade deposita no projecto recorrendo ao mesmo em situações de alegria ou de tristeza. As maiores vitórias do projecto verificam-se na boa comunicação com a comunidade cigana, na luta constante por melhores

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resultados a nível escolar, pela alteração de hábitos de higiene e alimentares. Nesta comunidade gostaria de, um dia, alterar o sentimento de estagnação para a vontade de lutar e sonhar. A história que não irei esquecer é de uma menina que vive com a avó, tem pouco convívio com mãe e pai. Apesar de todas as dificuldades com que se tem deparado durante o seu crescimento, consegue ser social, boa aluna e empenhada em todas as tarefas que se compromete a realizar.

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Diogo Pinto “É motivante a convivência com os jovens” /Como Começou Conheci o Projecto através de um convite da entidade promotora, o agrupamento de escolas do Tortosendo. Agradou-me a hipótese de trabalhar directamente com crianças e jovens de uma comunidade, da qual eu faço parte, e pensar que podia, de alguma forma, ser utíl no desenvolvimento dos mesmos. Também eu sei o que é ser considerado um miúdo problemático e se calhar foi por esse motivo que também se lembraram de mim para esta função. Hoje as coisas já não são assim, e tenho a possibilidade de mostrar aos jovens o que era antigamente e o que consegui atingir hoje em dia. /Projecto que Integra Quero Saber /Comunidade Tortosendo /Funções no Projecto Dinamizador comunitário /Tempo de Colaboração 1 ano

A comunidade de Tortosendo tem dois bairros sociais, ambos com várias famílias de etnia cigana e famílias de contextos socioeconómicos desfavorecidos. Para além disso, esta comunidade tem 18 associações, entre as quais a Assoçiação de Reformados, Sport Tortosendo e Benfica BTT, Unidos Futebol Clube, entre outras. É muito motivante a convivência com os jovens, a sua boa disposição, a predisposição dos mesmos para experimentar as várias actividades que temos vindo a desenvolver ao longo deste projecto. É muito gratificante sentir a retribuição de carinho que os jovens do projecto demonstram para com os técnicos que os acompanham nas actividades. Tenho vindo a desenvolver actividades com eles, as quais eles nunca tinham tido oportunidade de experimentar e, nesse sentido, eles evidenciam expressões e sentimentos que mostram o seu agrado perante as diversas situaçõe. É visível a mudança de atitudes e comportamentos destes jovens, a partir do momento em que começaram a ter coisas novas e diferentes para fazer no seu dia-a-dia. Para mim, uma das maiores vitórias deste projecto foi a mudança de atitudes dos jovens, quer seja na comunidade em geral, quer seja no seu desempenho escolar, o qual melhorou claramente, segundo a opinião dos professores. Relativamente à comunidade em geral, após a resistência inicial às actividades de grande envolvência desenvolvidas pelo projecto, agora são as próprias pessoas que nos questionam quando serão as próximas. Gostava que a mentalidade dos jovens mudasse, pois sendo eles o motor de uma comunidade, se eles crescerem com bons princípios e uma mentalidade de mudança, certamente o futuro seria melhor. O conhecimento de uma voluntária que, durante as férias de verão, auxiliou o projecto nas actividades realizadas, não me vou esquecer porque, a partir dessa data, começámos a namorar.

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Carmen Borges “Sentir que somos reconhecidos é gratificante” Nesta comunidade, trabalhamos com crianças e jovens de famílias com uma rectaguarda familiar bastante positiva, por um lado, e com famílias desestruturadas com várias carências a nível afectivo e económico, por outro lado. É uma comunidade multifacetada, rica pela diversidade de culturas e pelas aprendizagens que daí podemos obter. O que me motiva neste trabalho é a oportunidade de todos os dias ser recebida com sorrisos, de todos os dias poder ajudar, de alguma forma, alguém. Trabalhar com as crianças e jovens é muito enriquecedor, poder ainda trabalhar juntamente com as famílias e sentir que somos reconhecidos pelos mesmos é gratificante. Sinto que o meu trabalho tem impacto, na medida em que os pais reconhecem o mesmo e nos agradecem pelo apoio dado, tanto aos filhos como a eles próprios. O reconhecimento por parte de alguns professores também denota a influência que o nosso trabalho tem nas escolas. Neste território, a maior vitória alcançada foi, quanto a mim, a envolvência das famílias na educação dos seus filhos. O que eu gostava de mudar nesta comunidade, diz respeito à forma como alguns destes jovens vêem o seu futuro. Gostaria que todos eles pudessem acreditar num futuro melhor e cheio de boas escolhas.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas quando ainda estudava e estava a fazer voluntariado nesta comunidade. Daí suscitou o meu interesse para conhecer mais acerca deste programa. O que me atraíu e atrai no Programa Escolhas é o facto de dar oportunidades a crianças e jovens. Oportunidade de escolhas, oportunidade de conhecer novas culturas, novos locais e acesso a determinadas ferramentas... /Projecto que Integra Escolhe Vilar /Comunidade Vila D´Este; Bairro do Balteiro /Funções no Projecto Técnica /Tempo de Colaboração 3 anos e meio

Uma história vivida no Escolhas que jamais irei esquecer, não é de todo pelas melhores razões, mas pelo impacto que a história teve em mim. Estavamos a tratar da viagem à Serra da Estrela e faltavam poucos dias para a realização da mesma, quando uma mãe chega à nossa beira e nos diz que a sua filha não pode ir. Como era normal, questionamos a razão e ela disse-nos que a sua filha não podia ir porque não tinha nada para o lanche da sua filha. Como não podia deixar de ser, isso não foi impedimento para esta criança ir nesta viagem e se divertir junto dos seus amigos. Infelizmente, esta realidade verifica-se muitas vezes por aqui, no entanto, não deixa de ter sempre um impacto em mim, enquanto profissional e enquanto pessoa. TÉCNICOS | 197


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Irene Freitas “...motiva-me a constante necessidade de adaptação e criatividade” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas quando trabalhava aqui em Vila D’Este num Projecto do IDT, o “Prevenir Integrando”, como coordenadora. O Programa Escolhas estava no terreno, com uma equipa e um espaço sediado no bairro de Balteiro, com quem articulávamos. No Verão de 2006, depois do “Prevenir”ter terminado, continuei a trabalhar com as crianças e jovens que já ajudava desde 2001 em regime de voluntariado, e com uma equipa de RSI ao mesmo tempo. Nessa altura, surgiu a oportunidade de concorrer ao Programa Escolhas e, sabendo eu da necessidade de um Projecto desses nesta comunidade, decidi ir para a frente com a candidatura, como me fora proposto pela JFVA. O que me atraía no Escolhas era a hipótese de poder continuar com esta população, que eu tão bem conhecia, e os modelos de intervenção do Programa, a estrutura, as regras bem delineadas com objectivos, avaliações rigorosas, o apoio no trabalho realizado e a certeza de que era um Programa que já tinha dado provas da sua eficácia e eficiência. /Projecto que Integra Escolhe Vilar /Comunidade Vila D’Este, Vila Nova de Gaia /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Janeiro de 2007

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Esta comunidade é um espaço enorme de partilha das mais diversas comunidades, backgrounds culturais, com habitação social, onde fervilham ideias, problemas, soluções, tudo. É uma população muito problemática, onde a violência, as drogas, o alcoolismo, os problemas de saúde mental, ou seja, comportamento aditivos, transgressivos e desviantes se destacam, mas também é uma comunidade com uma riqueza intercultural e intergeracional muito grande e que se for orientada, pode fazer a diferença. No meu trabalho, motiva-me a constante necessidade de adaptação e criatividade para resolver os problemas que vão surgindo e que são normais neste tipo de Projectos, o dinamismo com que estes projectos são obrigados a trabalhar, o trabalho no terreno, os resultados diários da nossa intervenção, a liberdade para realizar actividades adequadas às reais necessidades da população. Podermos trabalhar honesta e livremente, sem pesos políticos, sem a necessidade da mediatização, o que pode enviesar muitas vezes os resultados das intervenções, é outra grande motivação. Todos os dias, assisto a mudanças muito positivas, às vezes não são grandes mudanças, provavelmente estas seriam muitas vezes desvalorizadas, mas quem trabalha diariamente com esta população, dá muito valor a essas pequenas mudanças, porque vemos que são o primeiro passo para atingir as metas propostas. Um pequeno exemplo disso, é ver uma criança de 7 anos a vir aqui, espontaneamente, pela primeira vez, fazer os trabalhos de casa; ouvir um obrigada pela primeira vez; ver um jovem catalogado como revoltado e violento, pedir para ajudar nas actividades do Projecto. São tantas as histórias... Há grandes vitórias: o envolvimento dos jovens no sucesso do Projecto, ao criarem um clube de voluntariado, ao quererem constituir uma associação de voluntariado para ajudar a comunidade. Gostava


de deixar a associação de jovens legalmente constituída de forma a que, os meus jovens consigam trabalhar em prol da comunidade autonomamente. Há tantas e tantas... Há Histórias divertidíssimas que vivi no Projecto e com o Projecto. Há também histórias muito tristes, mas há uma coisa que nunca vou esquecer: o dia em que foi aprovada a candidatura à 4ª geração do Programa Escolhas. Apesar do Projecto da 3ª geração ter terminado em Outubro de 2009, a Equipa Técnica do Projecto manteve-se em regime de voluntariado a trabalhar normalmente... Os jovens foram, desde o início, envoltos na nova candidatura. No dia em que estavam para sair os resultados, respirava-se ansiedade no Projecto, embora nós enquanto técnicos tentássemos trabalhar esta questão e explicássemos que a não aprovação da candidatura, era uma realidade possível. Crianças, jovens, famílias e comunidade nem queriam pensar nessa hipótese... Mas no dia, sentiu-se o peso dessa realidade... Quando saíram os resultados, todo o projecto explodiu de alegria, mas eu não estava presente. Quando voltei à sede do projecto, vi a alegria e o orgulho nas caras de todos...nunca vou esquecer o abraço que um jovem me deu a chorar...Como é óbvio também chorei, não só pelo facto ser uma “chorona”, mas porque aquele jovem, aquele abraço, estavam carregados de emoção e agradecimento.

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Vera Trigo “Promover oportunidades junto da Comunidade Cigana” /Como Começou Tive conhecimento do Programa Escolhas e do Projecto Escola Intercool, na 3ª geração do Programa Escolhas, enquanto estagiária da Câmara Municipal de Serpa (entidade promotora do Projecto), tendo acompanhado o projecto enquanto representante da autarquia, em substituição da técnica responsável na altura. A altura em que terminei o estágio correspondeu ao período em que o coordenador saiu do projecto e portanto fui contactada para concorrer ao lugar de coordenadora, tendo sido seleccionada. Desta forma, quando integrei a equipa técnica, já conhecia o Projecto e a minha opinião é que este seria um trabalho extremamente desafiante ao nível profissional e pessoal. /Projecto que Integra Intercool /Comunidade Nas freguesias de Pias, Vale de Vargo e Brinches /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 3 anos e 8 meses

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O Projecto Intercool – ICDS trabalha com crianças, jovens e familiares da comunidade cigana de Pias e com crianças, jovens e familiares da comunidade maioritária provenientes de contextos sociais e/ ou económicos vulneráveis. A comunidade cigana vive em bairros com condições de habitabilidade bastante precárias e verifica-se uma elevada taxa de analfabetismo entre os adultos e uma taxa de absentismo, insucesso e abandono escolar igualmente significativa entre as crianças/jovens, havendo uma clara desvalorização da escola por parte dos familiares que, aliada a factores culturais, se reflecte no desempenho escolar das crianças e jovens. Dadas as suas particularidades culturais constitui um grande desafio o trabalho com esta comunidade, nomeadamente ao nível das questões de cidadania e ao nível da motivação para questões relativas à educação, a importância da educação no seu futuro. Esta tem sido aliás uma das grandes “batalhas” das técnicas, ao nível das várias actividades e contactos com esta comunidade, levar a que interiorizem a importância da Escola e as oportunidades que esta acarreta. O que me motiva neste trabalho é o facto deste poder, de certa forma, fazer a diferença na vida de algumas crianças, jovens e familiares, promovendo algumas oportunidades ao nível do desenvolvimento escolar, pessoal e social a que estas pessoas, de outra forma, provavelmente não teriam acesso ou não “saberiam como aceder”. Os resultados, para quem trabalha ao nível da intervenção social , não são imediatamente visíveis, não é num curto espaço de tempo que se cumprem todos os objectivos a que nos propomos, estes resultados aparecem quase como que a “conta-gotas”, são resultados a longo prazo, mas assim que começam a surgir são bastante gratificantes. E em relação à comunidade com a qual trabalho já são visíveis algumas melhorias , situações que não se verificavam há meia dúzia de anos atrás antes de se iniciarem os projectos Escolhas. Penso, portanto, que é um trabalho com impacto, na medida em que, através destes projectos, do trabalho dos técnicos e das técnicas e também dos parceiros, foram criadas respostas locais, que anteriormente não


existiam, para as pessoas, com as quais trabalhamos diariamente. As maiores vitórias deste projecto foram sem dúvida a relação de proximidade que se conseguiu estabelecer com a comunidade cigana, e a melhoria ao nível da relação/ interacção entre esta comunidade e a comunidade maioritária, sobretudo ao nível das crianças e jovens em que a maioria hoje já não se refere aos colegas como a cigana ou cigano, mas sim como a Maria, o Manuel…chamam-nos pelo nome, já vão percebendo que os meninos e meninas ciganos apesar de todas as diferenças são no fundo iguais a eles…simplesmente crianças! Também é gratificante ver, ao nível do 1º ciclo, os colegas a insistir para que as meninas e meninos de etnia cigana fiquem na escola até mais tarde e participem nas actividades de enriquecimento curricular, como o apoio ao estudo, a educação fisica… Ao nível dos dos jovens, o Projecto em articulação com a EBI JI de Pias candidatou-se ao Programa para a Inclusão e Cidadania (PIEC) e temos neste ano lectivo, 2010/2011, uma turma PIEF constituída maioritariamente por jovens da comunidade cigana que estavam ainda no 1º ciclo, alguns no 1º e 2º ano de escolaridade, e em risco de abandono escolar…esta turma ,ao ver os resultados atingidos e a satisfação da maioria dos jovens, constitui igualmente uma vitória no trabalho com esta comunidade… Queria que, um dia, se pensasse para além da própria cultura…que a cultura cigana deixasse de funcionar como entrave ao desenvolvimento escolar, profissional e pessoal … que esta comunidade, mantendo os seus costumes, passasse a valorizar a Escola, como já acontece noutros territórios, que esta geração de crianças e jovens tivessem oportunidades que os seus pais e avós não tiveram…e que daqui a uns anos estivessem integrados na sociedade portuguesa, respeitando os seus deveres e usufruindo dos seus direitos… Há uns dias atrás deu-se uma situação que não vou esquecer…uma das meninas da turma foi ao pé de uma outra menina, de etnia cigana, que estava, com alguma dificuldade, a tentar ler um texto, sentou-se ao pé dela e disse-me que ia ajudá-la e ensiná-la a ler! E assim foi, ajudou-a a juntar as letras, formar palavras e ler o texto até ao fim… foi emocionante de ver! TÉCNICOS | 201


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Elisabete Oliveira “A vontade de transformar o mundo em que vivemos” /Como Começou Conheci o projecto na instituição em que estava a trabalhar em regime de trabalho ocupacional. Fui convidada pela entidade promotora para fazer parte da equipa técnica. Desde logo me atraiu o facto de ser um Programa a nível nacional e a multiplicidade de actividades (intercâmbios) que poderíamos fazer com os outros projectos, assim como a troca de experiências e partilha de materiais. /Projecto que Integra Geração Inconformadus /Comunidade Ponte de Sor /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde Dezembro de 2006

A comunidadede Ponte de Sor é multifacetada. Desde crianças e jovens com limitados recursos económicos, mas com vontade de aprender, a jovens desmotivados em relação à escola e ao futuro. Inicialmente, com alguns alunos descendentes de imigrantes... à medida que o projecto foi ficando conhecido na comunidade, temos tido uma grande adesão e sinalização por parte das entidades parceiras de alunos descendentes de imigrantes, desde Romenos a Ucranianos e Brasileiros. Motiva-nos a vontade de mudar, de transformar o mundo em que vivemos, daí o nome deste projecto Geração Inconformadus, uma geração que não se conforma com o actual estado das coisas e que pretende ser e fazer uma mudança sobretudo na vida das pessoas. Poder ajudar os outros, aumentando as suas potencialidades é um grande desafio! Saber que mudámos a vida de alguém, que fizemos a diferença na vida dessa pessoa é o que realmente me motiva para este trabalho. Destaca-se o número crescente de sinalizações pelas entidades parceiras e a procura do nosso projecto por outros jovens da comunidade. O nosso trabalho tem tido um grande impacto nos jovens que procuram estar connosco e ajudar-nos nas mais variadas tarefas, desde organização de actividades a acções de voluntariado. Posso dizer a partilha de informações pela rede social, ou seja, a troca de informações pelas escolas, nomeadamente os Directores de Turma, e pelos psicólogos que acompanham estes alunos, algo que sem o Programa Escolhas não teríamos conseguido, tem sido a maior vitória. Também aponto o envolvimento dos parceiros e a mudança de vida de alguns jovens. Nesta comunidade queria deixar o respeito pela diversidade cultural e linguística, a integração dos descendentes de imigrantes,

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a motivação dos jovens num futuro melhor. O espírito de entreajuda e a missão de voluntariado uns para com os outros e em especial para as pessoas da 3.ª idade. No Verão, na actividade Inconformadus em Missão, habitualmente fazemos visitas domiciliárias a pessoas idosas que moram sozinhas. Numa das primeiras visitas, só tínhamos o nome da rua, mas não sabíamos onde ficava. Depois de várias ruas percorridas, eu e os jovens finalmente descobrimos e foi giro ver como através duma actividade aprendemos “geografia” da nossa cidade! Noutro dia também descobrimos que a idosa que visitávamos era vizinha de outra já anteriormente visitada e recordo ainda hoje a sugestão de um dos jovens: “Porque não combinamos as visitas em conjunto, ora na casa duma ora na casa doutra, mas sempre com as 2? Assim, não ficam tanto tempo sem receber visita.” E assim fizemos. Lançámos o convite às 2 idosas e elas aceitaram. Depois de um Verão de visitas, foi gratificante ver a aproximação destas 2 vizinhas e o comentário de um dos jovens “Até conseguimos aproximá-las! Não esquecerei o brilho no olhar dos jovens que me acompanharam nas manhãs de todo um Verão e o sorriso de satisfação no rosto das idosas que abriram a sua casa e o seu coração à nossa vinda! E nos abraços de despedida, confessarem-nos que foi a melhor coisa que poderíamos ter feito, que graças a nós tinham retomado o gosto por fazer bolos, por arranjar a casa, etc. Foi como devolver-lhes a vida!!! Seguimos com a alma leve, missão cumprida!!!

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Cláudia Guerra “A Inclusão Social das comunidades ciganas no território” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas quando este lançava as candidaturas para projectos de 3ªGeração. O que mais me atraiu foi o público-alvo a que se dirigia e a sua estratégia focada no território de intervenção. /Projecto que Integra Encontros /Comunidade concelho de Moura /Funções no Projecto Técnica /Tempo de Colaboração 4 anos

As comunidades com quem trabalhamos são comunidades rurais ciganas e não ciganas que têm preconceitos negativos mútuos. Motiva-me acompanhar processos de empowerment individual e comunitário de famílias desfavorecidas económica e socialmente. Tenho Interesse em contribuir para a desmistificação de estereótipos. O nosso trabalho tem impacto junto dos destinatários do projecto, na forma como crianças e jovens ciganos e não ciganos se relacionam. Para além disso, o projecto tem dado oportunidades de desenvolvimento de competências a crianças e jovens que no seu contexto não poderiam ter de outra forma. Tem contribuído para abrir horizontes das comunidades ciganas e não ciganas e para trazer para a ribalta a questão da inclusão social das comunidades ciganas no território. Uma das nossas maiores vitórias foi a abertura da turma PIEF em Sobral da Adiça, que integra 8 jovens que anteriormente estavam em abandono escolar, depois de mais de ano de trabalho de sensibilização das instituições locais e contra os estereótipos negativos contra a comunidade cigana no território. Também de realçar, a criação de uma turma de alfabetização de adultos para os jovens da Póvoa de São Miguel, depois de ter sido identificada esta necessidade pelos próprios jovens há mais de 3 anos e de várias tentativas do projecto para pô-la em marcha. Estas duas soluções na área da educação dão-nos hoje claros indícios de que foram os caminhos mais acertados para os seus destinatários. Gostaria que as condições básicas de vida das famílias que residem no acampamento em Sobral da Adiça, onde nem acesso à água têm, fossem melhoradas. Desta forma estaríamos a permitir uma vida mais digna destas famílias e a potenciar o desenvolvimento de outras competências e a abertura de outros caminhos de inclusão social.

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Uma situação que nunca vou esquecer, pela negativa, deu-se depois de um temporal em Sobral da Adiça. O líder da comunidade cigana contacta a equipa do projecto Encontros para pedir apoio, dado que todas as barracas onde vivem ficaram sem telhado. Nós desencadeamos um processo de angariação de um local para alojamento temporário nas noites seguintes até que a comunidade conseguisse reconstruir as suas barracas. Todo o processo foi muito longo, marcado por atitudes discriminatórias de muitas instituições locais e pessoas. Assim, a comunidade acabou por dormir a primeira noite no alpendre de uma escola e as seguintes nos seus próprios veículos, apesar de algumas instituições estarem mobilizadas e desenvolverem esforços para encontrar soluções mais dignas. Contudo, a população da aldeia impediu que estas fossem postas em marcha. Nestes dias fiquei bem ciente de como a comunidade cigana aqui é alvo de atitudes racistas, que assumem um cariz visceral e que não permitem que nem em casos de emergência o espírito de solidariedade se manifeste.

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Evelize Costa “Tornar a Alta de Lisboa um território mais unido e coeso” /Como Começou Sou moradora da Alta de Lisboa desde dos meus 6 anos, nessa altura a alta era um conjunto de bairros e eu vivia na Quinta Grande. Depois de ter feito o curso de agentes de desenvolvimento local que o ISU dinamizou, comecei a trabalhar nesta instituição com as crianças do bairro, dinamizando o ATL. Em 2004 integrei a equipa técnica do projecto na segunda geração do programa escolhas, como monitora e animadora sócio cultural. A curiosidade e o pôr- me à prova no trabalho com jovens foi a minha principal motivação ao integrar este projecto. /Projecto que Integra Emprega do Futuro /Comunidade Alta de Lisboa /Funções no Projecto Monitora/animadora /Tempo de Colaboração 6 anos

A Alta de Lisboa tem muitos problemas. Os jovens estão desocupados e sem interesse em encontrar um rumo para a sua vida. O tráfico de drogas estimula os jovens a permanecerem nesta situação e é hoje um dos problemas mais complicados que tem denegrido a imagem do bairro. A alta de Lisboa de hoje era um conjunto de bairros de barracas há 10 anos, e isto faz com que seja uma zona grande e dispersa e faz também com que as rivalidades que havia nesse bairros se mantenham entre os jovens e adultos. Quebrar estas barreiras é difícil e o projecto procura dar algum contributo para isto, mas são precisos muitos mais anos para que a alta consiga ser um território mais unido e coeso. O desafio de trabalhar com jovens e suas famílias é imenso. Trabalhar na rua com os jovens sendo eu moradora é algo difícil. A separação entre a minha vida pessoal e o profissional nem sempre se consegue, mas só numa atitude de entrega e estabelecimento de confiança é possível chegar aos jovens e trazê-los para o projecto. Os jovens são um desafio porque, mesmo conhecendo-me de toda a vida, isso nem sempre é o factor para aderirem ao projecto. Há muitos altos e baixos e momentos de desmotivação dos jovens, pelo que são precisas muitas estratégias e muitas tentativas e nunca desistir. O facto de ser moradora do bairro tem sido muito importante. Sem esta “figura” o fosso entre o projecto e os jovens seria grande e mais difícil de ultrapassar. Através da minha acção já alguns jovens desocupados ingressaram em algumas actividades do projecto e alguns seguiram um rumo positivo, outros não. Mas só por alguns, valeu a pena. Existem jovens que estão a trabalhar e a fazer formação profissional com a ajuda do projecto. O projecto criou um grupo de jovens que intervém na comunidade, grupo JOIA, que se mantém activo e coeso

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há 5 anos. Através do projecto, jovens da Alta puderam participar em vários intercâmbios internacionais. O Projecto aproximou diversas instituições que trabalhavam de costas voltadas e hoje são entidades do consórcio. Trabalho em prol de uma comunidade mais unida e com jovens mais activos na sua comunidade. Para recordar, uma história com desfecho positivo: Uma jovem de 13 anos descobriu que estava grávida e não sabia o que fazer. Tinha medo de contar aos pais e por isso abandonou a casa dos pais e andou fugida. Os pais procuraram-me e pediram-me ajuda para a encontrar. Eu sabia onde ela estava e só foi possível o reencontro entre os pais e a jovem porque ela confiou em mim. A mediação deste conflito foi bem sucedida.

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Anabela Rigueiro “Dignificação de crianças/jovens imigrantes” /Como Começou Participei na elaboração da candidatura do projecto EntreNÓS e tomei conhecimento do Programa Escolhas não só pela divulgação dos projectos financiados, no programa televisivo (NÓS), mas também através de contactos próximos de famílias que participavam activamente noutros projectos da região de Coimbra, nomeadamente o “Trampolim”. O que me atraiu no Projecto foi poder intervir junto de famílias imigrantes de modo a facilitar a sua integração, nomeadamente através da inclusão de crianças nas escolas e poder contribuir para a sua formação e dignificação. /Projecto que Integra EntreNós /Comunidade Comunidade imigrante da região de Coimbra /Funções no Projecto Monitora /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

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A comunidade é bastante heterogénea, em virtude de possuir imigrantes de diferentes nacionalidades e existir um grande número de imigrantes romenos. O que, por um lado, é bastante motivador, por outro, conduz a uma intervenção difícil pela especificidade de cada indivíduo e cultura. O nosso trabalho é motivado pela alegria que existe nas crianças e jovens na realização das actividades. Sinto que a nossa intervenção tem tido impacto, não só junto de crianças e jovens imigrantes, que estão institucionalizadas, promovendo o seu convívio e sua dignificação e respeito, principalmente na actividade do Exploratório Multicultural, mas também, junto de crianças imigrantes que frequentam o Apoio Lúdico-Pedagógico, em que é conquistado o gosto pela aprendizagem. De referir ainda, a Multiculturoteca, em que nas turmas com crianças e jovens imigrantes ou descendentes de imigrantes são trabalhadas na sua integração e no respeito pelas diferenças culturais. Levar algumas crianças romenas, que praticavam mendicidade, a frequentarem algumas actividades do Projecto, é já uma vitória nossa. Neste Projecto, não esquecerei a alegria de dois irmãos romenos, que não estavam integrados na escola e que praticavam mendicidade, e foram trazidos pela Equipa de Rua do Projecto e que começaram a frequentar o Apoio Lúdico-pedagógico, no final do 3º período lectivo de 2009/2010. Estes irmãos foram muito bem acolhidos pelos participantes havendo lugar para a partilha de histórias da Roménia e do ensinamento da Língua Romena.


Susana Alves “Vêem em mim um possível futuro”

A comunidade onde trabalho, engloba três áreas de intervenção distintas (Bairro das Nogueiras no Teixoso, Bairro da Alâmpada na Boidobra e Bairro de S. Domingos em Cantar-Galo). No Bairro das Nogueiras predominam problemas associados à toxicodependência, ao alcoolismo e ao desemprego, grande parte da população que lá reside está neste momento sem perspectivas de futuro de vida. Esta postura relativamente ao futuro é também característica do Bairro da Alâmpada, é uma comunidade com desemprego e famílias com baixos rendimentos. Neste bairro existem algumas famílias de etnia cigana. Por último, o Bairro de S. Domingos é mais calmo e apresenta características diferentes, apesar de serem famílias com poucos recursos têm uma perspectiva diferente de vida, o desemprego começa a caracterizar este bairro. Na sua maioria, a comunidade em que trabalho é caracterizada por jovens indiferentes à escola, famílias com problemas sociais, muito agonizadas com a actual situação de desemprego, baixa escolaridade e comportamentos de risco. É através da intervenção feita com os jovens nos bairros sociais que muitos deles descobrem talentos e competências que desconheciam neles próprios e são esses talentos que me despertam a cada dia do meu trabalho. Reconheço muito impacto na nossa acção. No princípio, quando me tornei parte da equipa, os jovens, principalmente os do Bairro das Nogueiras, local onde resido, não aceitaram de imediato. Estes consideravam que eu ainda era “uma deles” e não percebiam muito bem as minhas funções, mas depois com o passar do tempo viram que eu era uma ponte de ligação com a equipa, ou seja, viram-me de outra maneira. A possibilidade de fazer algo no bairro com eles, o Espaço 33, é exemplo dessa conquista.

/Como Começou projecto em si conheci quando fui viver para o Bairro das Nogueiras. Naquela altura o projecto estava na 3.ª Geração do Programa Escolhas. Comecei a participar com os jovens que participavam e eram meus amigos. No início o que me atraiu mais no projecto foi uma actividade que se realizava semanalmente a “Expressão Plástica”. Nela, aprendíamos imensa coisa e fizemos trabalhos lindíssimos com diversas técnicas. Com o tempo fui participando nas restantes actividades e sem me dar conta estava a participar de forma assídua. Como era das mais velhas, o projecto começou-me a responsabilizar em algumas actividades, senti-me que era útil e que contribuía para fazermos mais actividades. /Projecto que Integra Arca de Talentos II /Comunidade Bairro das Nogueiras, Teixoso; Bairro da Alâmpada, Boidobra; Bairro de S. Domingos, Cantar Galo /Funções no Projecto Dinamizadora Comunitária /Tempo de Colaboração 1 ano

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Com o resto dos jovens fui bem aceite e sempre respeitaram a minha presença como Dinamizadora Comunitária. A minha própria função provocou algum impacto, antes de fazer parte da equipa eu não tinha trabalho regular e com esta oportunidade os jovens vêem em mim um possível futuro... eles podem um dia também ter uma porta aberta para um futuro melhor. A maior vitória foi a criação do Gabinete de Intervenção Local, criado no Bairro das Nogueiras. Este é um bairro muito problemático e a criação deste gabinete vai ajudar a fazer uma intervenção mais próxima dos moradores e abrir novos caminhos aos jovens. Nesta comunidade, gostava de fazer a diferença, de desmistificar a ideia de “Bairro Social”: a forma como estes bairros sociais são vistos pelos outros e interiorizados por quem lá vive.

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Tiago Abreu “É motivante o desafio de melhorar a vida das pessoas” É uma comunidade que valoriza a “escola da vida”, com um espírito de bairro e altruísta, no entanto, a maioria vive em situações sócioeconómicas vulneráveis. É motivante o espírito de equipa, o desafio de melhorar a qualidade de vida das pessoas, a relação de confiança e os pequenos grandes sucessos das crianças e jovens na melhoria das suas competências pessoais, sociais e escolares. A intervenção do “Tu Kontas + Ainda” tem tido um impacto positivo a curto e médio/longo prazo, que se verifica através da relação de confiança estabelecida, também ao nível de conhecimentos adquiridos através da educação (não) formal, da mudança de atitudes e adopção de comportamentos de saúde. São de enumerar as nossas pequenas grandes vitórias. A constituição e autonomia de uma Associação de Imigrantes; um maior envolvimento dos familiares na educação dos filhos; autoestima mais positiva e confiante nos jovens; o empreendedorismo e espírito de iniciativa dos jovens e a troca de experiências com outros jovens de outros projectos e a desconstrução de uma ideia negativa do bairro, sendo encarado hoje em dia como um bairro mais seguro e com valor. Espero, um dia, deixar nesta comunidade uma identidade social mais valorizada e associada a estereótipos mais positivos.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através da Entidade Promotora e colaborei na candidatura do projecto “Tu Kontas” à 3ª geração escolhas. O que me atraiu no Programa Escolhas foi o convívio entre projectos, a intencionalidade da intervenção através da Educação Não Formal e a promoção da inclusão social. /Projecto que Integra Tu Kontas + Ainda /Comunidade Bairro do Esteval e da Caneira, Montijo /Funções no Projecto Técnico /Tempo de Colaboração 4 anos

Uma história com o Escolhas a não esquecer deu-se quando fui com 7 jovens do projecto acampar durante 4 dias para o Bioparque (S. Pedro do Sul), e no ultimo dia surgiu um imprevisto e a carrinha da entidade promotora não nos pôde ir buscar. Nesse dia, estava a chover imenso, e lá consegui que a entidade que gere o Bioparque nos levasse na carrinha deles até Viseu, e de Viseu apanhámos um autocarro para Lisboa, em Lisboa apanhámos o Barco para o Montijo

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e os pais dos jovens vieram buscar os jovens à estação do Barco... todo este percurso foi encarado pelos jovens como uma aventura, onde todos se entre-ajudaram a levar tendas e mochilas e onde também reinou a boa disposição. Durante a viagem de barco, houve um momento de avaliação final da actividade, que revelou muita maturidade e cumplicidade do grupo...fizeram um balanço muito positivo da actividade e o desejo de voltar a repetir a experiência.

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Ana Fina “Mudamos e somos mudados.... marcamos a diferença” Os bairros em questão estão situados na periferia da cidade de Montijo e ficam nas duas extremidades opostas da circular. Têm realidades completamente diferentes, quer em termos de famílias que aí residem, quer em termos da maturidade da intervenção realizada. Sendo famílias oriundas de contextos sociais e económicos vulneráveis, são diferentes as especificidades sociais e culturais nos dois territórios, sendo os destinatários de um dos bairros maioritariamente de etnia cigana, em que o processo de aproximação/relação tem sido muito rico. No outro bairro, local onde a intervenção do projecto tem um percurso mais longo, a comunidade aparece-nos numa etapa diferente, tendo sido possível o amadurecimento de estratégias de intervenção e a progressão ao nível dos resultados alcançados. A motivação essencial vem do trabalho diário e do feedback que recebemos das crianças, jovens e familiares com as quais partilhamos todos os dias um pouco da nossa energia; vem das pequenas mudanças que vamos presenciando, da partilha...dos sorrisos e dos abraços que recebemos sem pedir, do pedido de ajuda, do obrigado por estares aqui. A nossa passagem pelo bairro, pelas pessoas e pelas suas vidas não é indiferente. A nossa intervenção vai marcando pequenas mudanças que ao longo do tempo, todas juntas fazem a diferença. A realidade vai mudando na vida daquela criança, daquele jovem, daquela mãe, daquele pai ou daquela avó. A nossa maior vitória passa pelo reconhecimento do projecto e dos seus técnicos, como elementos de referência positiva no bairro. A identificação positiva connosco permite a adopção de percursos alternativos, a experimentação de outras realidades e a decisão consciente.

/Como Começou Conheci o projecto na sua fase mais inicial, aquando a candidatura na 3.ª Geração do Programa Escolhas. Integrei todo o processo de análise de necessidades, prioridades e finalidades de intervenção. Estive presente nos primeiros passos de “chegada ao terreno”, nas primeiras contrariedades e nos primeiros sorrisos. Ao longo de quase 5 anos, muitos foram os desenvolvimentos e muitos meninos e meninas, muitas famílias passaram por nós. Penso que é esta a nossa grande responsabilidade e o nosso grande desafio. Estas pessoas passam por nós, nós passamos por elas e nada fica igual. Mudamos e somos mudados... Marcamos uma diferença! /Projecto que Integra “Tu Kontas + Ainda” /Comunidade Bairro do Esteval e da Caneira, Montijo /Funções no Projecto Coordenação /Tempo de Colaboração Desde Dezembro de 2006

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A valorização de princípios como o respeito por si próprio, pelos outros e pelo espaço comum. Não me esqueço de muitas situações, mas recordo uma mais recente...O carinho com que uma jovem me agradeceu por tê-la acompanhado ao hospital, depois de ter sido atropelada no bairro. Era fim de dia, o projecto estava a fechar e os pais estavam a trabalhar. A menina estava muito magoada e a ausência de um familiar levou-me a acompanhá-la ao hospital, na ambulância. “Obrigada Ana, por estares ao pé de mim e não me deixares sozinha.

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Ana Vilaça “A possibilidade de contribuir para a integração de diferentes culturas na sociedade” Considero que a comunidade com que tenho vindo a trabalhar tem sofrido transformações, no sentido de ilustrar uma maior variedade de culturas e nacionalidades, entre as quais se destacam a cultura romena e brasileira. Neste sentido, considero igualmente que a nossa sociedade tem feito esforços para se adaptar a estas mesmas alterações. Aquilo que me motiva para este trabalho é a possibilidade de contribuir para a integração de diferentes culturas na sociedade onde habito e, de um modo geral, estar envolvida na adaptação da minha comunidade a este fenómeno social cada vez mais actual que é a imigração. Sinto que o meu trabalho tem algum impacto, a curto prazo junto das crianças, jovens e familiares imigrantes com quem tenho trabalhado, mas também junto dos técnicos com quem tenho articulado. Penso, contudo, que o impacto será mais forte a médio, longo prazo pois acredito que tem promovido a integração de valores como a aceitação da diferença e da tolerância. Penso que a maior vitória deste projecto, ainda com pouco tempo de vida, é o reconhecimento que vamos tendo por parte da comunidade imigrante praticante de mendicidade. Por serem uma população de difícil acesso e relacionamento, ficamos bastante satisfeitos pela relação privilegiada que o Projecto EntreNós mantém com estes imigrantes. De um modo geral, gostava que a nossa comunidade olhasse de forma diferente para a comunidade de romenos que se encontra em situação de mendicidade e que reunissem esforços no sentido de promover a sua integração efectiva.

/Como Começou Tive conhecimento do Programa Escolhas através do Programa televisivo “NÓS”, em 2008. Posteriormente, no final do ano de 2009, no âmbito da elaboração da candidatura do Projecto “EntreNÓS”, tive oportunidade de conhecer mais aprofundadamente vários projectos financiados pelo Programa Escolhas. O que me atraiu no Programa Escolhas foi principalmente a sua população-alvo (crianças e jovens descendentes de imigrantes e provenientes de minorias étnicas), bem como a sua política de integração das diferentes culturas. Mais especificamente, gostei do leque de actividades atractivas que os vários projectos desenvolviam. /Projecto que Integra EntreNós /Comunidade Comunidade imigrante da região de Coimbra /Funções no Projecto Técnica /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

Um das histórias que guardo com muito carinho prende-se com

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a conquista de uma família que se encontrava a pedir dinheiro na rua. Inicialmente o contacto foi difícil, mas progressivamente esta família de romenos recém-chegados a Coimbra (mãe, pai e quatro filhos) foi confiando na equipa deste projecto. Esta relação de confiança culminou com a vinda de dois filhos menores até ao espaço CID@NET e da sua fácil integração no grupo de crianças e jovens, durante um período em que habitualmente estariam a mendigar nas ruas. O facto de os pais desta família compreenderem a importância destas crianças conviverem com outras crianças da sua idade, em vez de estarem desprotegidas na rua, foi de facto uma das nossas maiores conquistas.

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Filomena Gatinho “O Projecto está, aos poucos, a tornar-se um local de referência” “A Baixa da Banheira é um território com muitas dificuldades ao nível das respostas educativas e profissionais. Existe um número significativo de jovens que desistiram precocemente da escola e que se encontram sem nenhum outro tipo de resposta – não conseguem aceder ao emprego e possuem baixas qualificações (escolares e profissionais). Existe também na comunidade cigana, um número significativo de crianças que têm apenas o 1.º ciclo de escolaridade e muitas vezes nem isso, uma vez que a sua assiduidade à escola é muito irregular. Por outro lado, verifica-se uma falta de acompanhamento familiar, quer nas questões escolares, quer a outros níveis, sendo por isso muito difícil para os técnicos conseguirem chegar às famílias das crianças e jovens acompanhados. A nossa acção tem tido impacto, embora as mudanças se processem por vezes de forma demasiado lenta. É muito positivo verificar as alterações no comportamento, na motivação e na aprendizagem das crianças e jovens. O Projecto está, aos poucos, a tornar-se um local de referência, onde as crianças e os jovens se dirigem nos seus tempos livres. Também tem sido um local de apoio à população escolar (jovem e adulta) – sendo muitas vezes a única alternativa gratuita no apoio na realização e impressão dos trabalhos. O convívio intergeracional, concretizado através da realização de actividades que envolvem crianças, jovens e idosos, também tem sido uma vitória progressiva, na medida em que tem provocado alterações positivas nos comportamentos das crianças, dos jovens e dos idosos. Gostava de deixar um envolvimento diferente entre as crianças, jovens e respectivas famílias. Gostava que muitas das nossas actividades pudessem ter continuidade e continuassem a assegurar

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através do contacto com uma instituição do Vale da Amoreira onde estive a dar formação. Fui então apresentada à coordenadora do Projecto que estava a intervir na E.B. 2/3 do Vale da Amoreira e que era promovido pela Rumo, Cooperativa de Social, CRL. Estávamos na 2.ª geração do Escolhas. Foi assim que passei a ser monitora CID nesse Projecto, onde fiquei até ao seu término, dois anos depois. Em 2009 fui convidada pela Rumo, Cooperativa de Solidariedade Social, CRL, para integrar a equipa do Projecto BxB PRO JOVEM, que teria o seu início em Janeiro de 2010. Aceitei numa lógica de dar continuidade ao trabalho que já vinha realizando com crianças e jovens no concelho da Moita. O que me atraíu nos Projectos e na intervenção no âmbito do Programa Escolhas foi a possibilidade de trabalhar com crianças e jovens em situação de risco. /Projecto que Integra BXB PRO JOVEM /Comunidade Baixa da Banheira, Concelho da Moita /Funções no Projecto Monitora /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

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respostas no que se refere ao apoio e à ocupação construtiva dos tempos livres das crianças e jovens da comunidade. Temos um jovem destinatário com 21 anos, de etnia cigana, com o 6.º ano do ensino básico, que estava fora do sistema de ensino e sem nenhuma ocupação laboral por se encontrar reformado por invalidez. Foi-nos sinalizado pela equipa do Rendimento Social de Inserção da Baixa da Banheira por estar completamente desocupado, isolado socialmente e apresentar comportamentos agressivos no contexto familiar. A sua vinda foi relutante no início e quando vinha permanecia essencialmente calado e sem interagir com as técnicas e com os outros jovens. O único interesse que demonstrava era ouvir música na internet. Através desse interesse, conseguimos motivá-lo progressivamente para outras actividades. Ao longo do tempo foi-se interessando pela Formação TIC, pelos workshops de carácter mais artístico, pelas actividades intergeracionais, pelas visitas de estudo e saídas na comunidade (que anteriormente rejeitava). Recentemente percebemos o seu interesse pela língua inglesa e foi-lhe proposta a aprendizagem do Inglês no âmbito do apoio escolar, na qual tem revelado grande motivação. Demonstra também interesse na realização de um estágio de sensibilização ao mundo do trabalho, na área de biblioteca, que se prevê que tenha início em breve. A sua evolução tem sido notável, embora ainda tenha um longo caminho pela frente. Esta é sem dúvida uma história de vida da qual não nos vamos esquecer.

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Ana Pacheco “Motiva o impacto na alteração de comportamentos” A comunidade onde trabalho diferencia-se ao nível das famílias pela precariedade económica, desemprego, fraca capacidade de cumprimento das responsabilidades parentais, negligência parental, fraca integração da comunidade emigrante e, ao nível das crianças e jovens pelo absentismo e abandono escolar, fraco aproveitamento escolar e reconhecimento da importância da escola, desenraizamento cultural, dificuldades cognitivas e de relacionamento, bem como carências afectivas. Neste trabalho, motiva o impacto na alteração de comportamentos das crianças e jovens, a educação para a cidadania, o ensino de novas competências (escolares, relacionais e no meu caso concreto o ensino das TIC). Sinto que o nosso trabalho tem impacto quando os jovens demonstram alteração nos seus comportamentos, quando conseguem regular melhor a sua agressividade, quando encontram outras estratégias de resolução de conflitos, quando melhoram as suas notas escolares, quando encontram ferramentas de estudo na internet. Reconheço o impacto do nosso trabalho quando as “nossas” crianças/jovens procuram nos técnicos o apoio para a resolução/aconselhamento nos problemas e alegrias das suas vidas (a importância da existência de adulto de referência). As vitórias estão no envolvimento das famílias nas actividades do projecto, no número de crianças/jovens que frequentam com regularidade diária o projecto, na melhoria do aproveitamento escolar dos destinatários, bem como no reconhecimento por parte do agrupamento de escolas do impacto do projecto na vida dos jovens, bem como na articulação instituída e na intervenção concertada existente.

/Como Começou Conheço o programa Escolhas desde a sua constituição, enquanto projecto de intervenção em bairros problemáticos de Lisboa. Posteriormente tive a oportunidade de trabalhar na 3º Geração dos Escolhas no projecto O Espaço, Desafios e Oportunidades - Tapada das Mercês. Em relação ao projecto Raízes, já conhecia a sua intervenção desde a altura em colaborei, em outras funções, na entidade promotora desde projecto. Sempre reconhecia a importância da intervenção do Raízes na freguesia de Monte Abraão, face à precariedade de respostas para a infância e juventude neste território, bem como nos resultados alcançados pelo projecto junto da sua população. /Projecto que Integra Raízes /Comunidade Monte Abraão, Queluz – Sintra /Funções no Projecto Monitora CID@net /Tempo de Colaboração 1 ano

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O reconhecimento da importância da infância por parte da comunidade, bem como da importância do afecto nas relações, a diminuição da negligência parental! Há histórias de vida que não esquecemos...a de uma menina que veio para Portugal devido a um problema cardíaco, que nunca tinha frequentado a escola e que hoje se encontra no 3º ano e que o seu maior sonho é trazer a mãe para Portugal, que não vê há três anos.

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Leila Cunha “Aproximar as crianças da escola”

Esta é uma comunidade multicultural (ciganos, africanos e caucasianos). A maioria dos adultos de etnia cigana vivem do rendimento social de inserção, apenas têm o 4º ano de escolaridade e têm em média 3 filhos. Existem alguns jovens que se encontram em abandono escolar e no desemprego. Após quatro anos de intervenção, verificamos um decréscimo nos casos de abandono escolar e um aumento significativo de crianças que frequentam regularmente a creche. Existem idosos no bairro mas não se destacam.

/Como Começou Conheci o projecto através de colegas e aquilo que mais me atraiu foi a possibilidade de trabalhar directamente com a comunidade. Capacitando-os pessoalmente e socialmente de forma a incluí-los na sociedade.

As pequenas conquistas que se vão obtendo no trabalho com os participantes do projecto são muito motivadoras, assim como os gestos de carinho por parte da população, o reconhecimento pelo trabalho prestado e as mudanças, que mesmo sendo pequenas, me enchem de orgulho e são uma lufada de motivação.

/Comunidade Bairro do Casal do Silva

Neste momento, vê-se o nosso impacto nas crianças que começaram a frequentar a escola com mais regularidade. Vejo o resultado da intervenção na população que se sente mais próxima do projecto e dos técnicos. O PIEF permitiu incluir os jovens que se encontravam em abandono escolar no sistema de ensino. As actividades diárias do projecto permitem desenvolver competências pessoais e sociais nos participantes do projecto. A mediação escolar tem vindo a aproximar o bairro da escola reduzindo o absentismo escolar. E são estas as maiores vitórias...o combate ao absentismo escolar através da reunião com os professores, da mediação escolar e do PIEF, a elaboração de currículos e procura de formação profissional para jovens e adultos, o desenvolvimento de competências pessoais e sociais nos participantes do Projecto a Rodar, a proximidade da equipa com a população.

/Projecto que Integra A Rodar

/Funções no Projecto Atendimentos e encaminhamentos de jovens e adultos para cursos de formação e emprego; dinamização de actividades lúdico-pedagógicas com crianças e jovens; favorecer o sucesso escolar dos jovens através da atribuíção de uma bolsa de formação /Tempo de Colaboração 2 anos e 8 meses

Na comunidade gostava de poder reforçar a importância da escolaridade, capacitando os sujeitos através de cursos de formação, actividades lúdico-pedagógicas, conversas informais e estratégias de empreendedorismo. Com isto, enchê-los de confiança, amor-próprio e torná-los mais autónomos. TÉCNICOS | 221


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Patrícia Retrê “Diminuição do insucesso escolar na comunidade” /Como Começou Resposta de emprego. O que me atraiu neste projecto foi o facto de trabalhar com uma população multicultural e que se preocupa em valorizar a igualdade de oportunidadespara todos. /Projecto que Integra Espaço, Desafios e Oportunidades /Comunidade Tapada das Mercês /Funções no Projecto Psicóloga /Tempo de Colaboração 5 anos

A comunidade da Tapada das Mercês é multicultural com dificuldades económicas. No trabalho diário, motiva-me o facto de poder ajudar a mudar um bocadinho a vida das crianças e jovens, que pensam não valer a pena sonhar. O impacto da nossa acção é visível no sucesso escolar das crianças e jovens, na melhoria a nível de atitudes e comportamentos... aprendem a acreditar em si e a lutar pelos seus sonhos. As nossas maiores vitórias foi termos conseguido atingir os resultados a que nos propusemos. Diminuição do insucesso escolar, aumento da autonomia de estudo dos jovens e das competências préprofissionais. Melhoria em termos de competências pessoais e sociais e aumento de capacidades cognitivas dos jovens. Gostava que, com o meu trabalho, toda a comunidade percebesse que é necessário ajustar as respostas às verdadeiras necessidades e interesses das crianças e jovens por forma a que haja resultados positivos. Um facto muito importante para mim, foi o sucedido com um jovem sinalizado como muito perturbador na sala de aula....ele mudou completamente o seu comportamento nas minhas aulas de um dia para o outro e quando reflecti sobre o que poderia ter acontecido para tão repentina mudança, percebi que o que eu tinha considerado um acto “normal” teve um grande impacto neste jovem: uma mera “festinha” na cabeça, um sorriso sincero e um “Boa! vês como consegues?”…Nunca me irei esquecer deste jovem porque fez com que eu percebesse que algo que considerava tão normal e frequente como receber afecto, não é assim tão habitual na vida de muitas crianças e jovens. Esta história veio reforçar a importância que o afecto tem na vida de todos nós. A partir desta história fiquei mais atenta à importância de darmos mais afecto aos que nos rodeiam.

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Andreia Sousa “...todos os dias salvar um bocadinho de alguém...” O projecto c@pacitar trabalha com a População da Freguesia de Santo António, situada na Periferia do Funchal, a mais populosa Freguesia do Funchal, com cerca de 40 000 Habitantes, pelo que a intervenção do projecto centra-se no Bairro da Ribeira Grande (sede de Projecto) e no Bairro de Santo Amaro. Estando mais tempo afecta ao Bairro da Ribeira Grande penso que faz sentido falar desta comunidade. Este Bairro tem várias particularidades sendo que, uma delas é o facto de existirem pessoas vindas de toda a ilha... foi construído por fases e foi servindo de local de realojamento para muitos vindos de diferentes locais da ilha. No entanto, considero que actualmente esse aspecto não é impedimento para o convívio e as pessoas fundem-se. Contudo e infelizmente, dentro do próprio bairro existem pessoas que não se “misturam”, como elas próprias dizem. Desde que estou integrada no Programa Escolhas, nunca acordei sem vontade de ir trabalhar… existem fases difíceis de muito trabalho e de algum stress mas um sorriso de um jovem, uma pequena mudança, uma pequena demonstração de afecto ou o simples facto de, quando chego ao bairro, já ter os utentes à minha espera a virem buscar-me ao carro compensa tudo. Sinto-me motivada porque vejo mudança, vejo que o meu trabalho e o da minha equipa começa a dar frutos e que nada é em vão. Apesar de saber que não posso mudar o mundo, acredito que posso, em conjunto com a minha equipa, todos os dias “ salvar um bocadinho do mundo de alguém” e isso faz-me não querer parar. Acredito nas nossas crianças e jovens enquanto geração futura e acredito das capacidades deles, cada um à sua maneira. Acredito que o meu trabalho tem impacto pela dinâmica que se envolve em torno das actividades e pela procura da população. Sinto que as pessoas procuram-nos, não só quando precisam de ajuda em algum

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através do antigo projecto da Região da 3.ª Geração o Alternativas. O que mais me atrai no Programa Escolhas é a Dinâmica constante que se vive, um dia nunca é igual a outro e nunca sabemos o que aí vem. De realçar o trabalho dos técnicos que trabalham por de trás das equipas do terreno, da equipa que constantemente lança desafio às equipas técnicas, desafios esses que vão de encontro às necessidades dos nossos jovens, são iniciativas capazes de motivar todos. Acho que é muito importante realçar o espírito de entreajuda que existe no Escolhas, quando temos dúvidas ou precisamos de uma ideia existe uma partilha muito grande de ideias, estratégia, ferramentas de intervenção... gosto sobretudo do gosto que existe em partilhar, não só entre os projectos e os coordenadores de zona como também entre projectos, não só os cá da Região, apesar destes serem uma grande ajuda e um grande apoio. Ainda bem que assim é, pois assim conseguimos dar resposta às necessidades dos nossos jovens e assim sentimos que realmente trabalhamos por uma finalidade e que o fazemos todos juntos. Orgulho-me de fazer parte do Programa Escolhas.

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/Projecto que Integra C@pacitar /Comunidade Freguesia de Santo António, Madeira /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 1 ano e 3 meses

aspecto, mas também para poderem participar nas actividades ou para nos poderem ajudar. As maiores vitórias… estamos a intervir há 1 ano e penso que ainda não conseguimos grandes vitórias, no entanto, acredito que as grandes vitórias fazem-se passo a passo... e conseguiu-se dar grandes passos com os nossos jovens, agora já começam a perceber o que é dar a palavra e cumprir aquilo a que se propõem e isso faz deles pessoas mais responsáveis. Quando terminar o Projecto gostava de deixar marcas na comunidade, mas que não sejam físicas, gostava que as pessoas aproveitassem o facto de viverem num bairro onde vivem tantas pessoas e tão juntas umas das outras, gostava de lhes deixar espírito de interajuda. Gostava ainda de deixar uma marca em cada um deles, hábitos saudáveis e de estudo de companheirismo que nunca se esqueçam da importância de estudar e de praticar desporto e de como serem pessoas integradas na sociedade e sobretudo felizes... Espero que um dia mais tarde quando se lembrarem de mim possam dar um sorriso… eu vou sem dúvida sorrir quando me lembrar de cada um deles. O escolhas fez-me mudar também a história da minha vida, com o escolhas tive oportunidade de trabalhar em intervenção social como sempre quis, sinto que cresci em todos os aspectos, melhorei as minhas capacidades de intervenção e todos os dias sinto que estou melhor ao nível de intervenção no terreno. A História vivida no escolhas que nunca vou esquecer está relacionada com um jovem que, quando o projecto começou, já não estudava há 4 anos...depois de muitas conversas e desabafos, esse jovem voltou a estudar, está a tirar um curso ligado à área social com equivalência ao 9.º ano e diz que o seu maior sonho é terminar o curso e ter um trabalho como o meu e quem sabe até progredir nos estudos. Gosto de ver o seu empenho e desempenho, a forma diferente como olha para o Futuro... .Fico feliz de ter feito parte de uma mudança positiva na vida deste jovem.

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Cátia Silva “Sentirmos que fazemos falta é de certo modo motivador” A comunidade para quem trabalho revela muitas carências a vários níveis. Fracos recursos financeiros, falta de atenção e afectos. Neste contexto, é gratificante verificar que todo o nosso trabalho é reconhecido e valorizado. Os jovens são os que mais nos procuram a pedir ajuda, quer a nível escolar, quer ao nível das questões práticas do dia-a-dia. O que mais me motiva é verificar que o nosso trabalho é valorizado pela população para quem trabalhamos...sentirmos que fazemos falta é de certo modo motivador, pois é a prova de que o nosso trabalho é útil e valorizado. Como monitora cid@net vejo que este espaço é procurado por cada vez mais pessoas e cada vez mais beneficiários procuram os cursos de iniciação à Informática. As maiores vitórias que já verifiquei, ao longo deste primeiro ano de implementação do projecto, é sem dúvida o facto dos jovens estarem a melhorar os seus resultados escolares...e também o regresso à escola por parte daqueles que já tinham abandonado o ensino. Gostava, nesta minha intervenção, de deixar à comunidade competências suficientes para que consigam ter um futuro melhor, para que façam escolhas acertadas e adequadas na vida. Não me vou esquecer do modo como a população nos acolheu e nos integrou. A população foi acolhedora e mostrou-se, rapidamente, interessada em participar nas actividades. Uma história que marcou muito foi uma beneficiária nos procurar, por ter comprado um computador e tê-lo em casa há quase um ano sem o ter ainda tirado da caixa....não tinha quem a ensinasse a trabalhar nele. Assim, começou a frequentar o espaço CID@NET com muito interesse e empenho”. O facto de estarmos três anos a acompanhar esta população de certeza irão ficar muitas histórias...

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através do anterior Projecto “Alternativas”. O que mais me atraíu neste programa é o facto de trabalharmos no terreno com a comunidade que necessita da nossa ajuda podendo assim, dar o meu contributo enquanto membro da comunidade. O trabalho desenvolvido pelo Escolhas é sem dúvida muito abrangente, permitindo assim igualdade de oportunidades a toda a população com carências a vários níveis. O facto de trabalhar com o principal objectivo de melhorar as condições de vida desta população, incentiva-me cada vez mais, pois ao ver os frutos que ao longo do tempo se vai verificando acredito que as mudanças serão significativas. /Projecto que Integra C @pacitar /Comunidade Bairro Social, Funchal /Funções no Projecto Monitora CID@NET /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

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Marisa Tapadinhas “Sucesso dos Cursos de educação Formação” /Como Começou Tive contacto com o Programa sobretudo através dos meios de comunicação social, antes de integrar a instituição para onde fui trabalhar neste âmbito (ADN). /Projecto que Integra SI-32 /Comunidade Nisa /Funções no Projecto Antiga Coordenadora /Tempo de Colaboração -

Este projecto actua numa comunidade do interior, portanto relativamente pequena e onde a maior parte das pessoas se conhece. Nesse sentido, este factor muitas vezes funciona como facilitador do trabalho. O espírito de entrega, entreajuda e colaboração existente entre todos os envolvidos é sempre muito estimulante. O gosto pela área do social é transversal, e o facto do trabalho ser desenvolvido em parceria é algo que me faz mais sentido, na medida em que todos trabalham para um fim comum, todos contribuem com aquilo que têm ao seu dispor e, em conjunto, nasce uma sinergia que dá frutos. Para mim, esse é o factor que mais se torna distintivo do trabalho realizado. Quanto se acompanha a evolução dos projectos, ou quando se prolonga o trabalho entre gerações, como é o caso, uma vez que comecei a trabalhar com o Escolhas ainda na terceira geração, vêse a evolução junto das crianças e jovens. É notória a alteração de comportamentos, de hábitos, de formas de viver e de estar. No fundo, é esse o objectivo do trabalho e é compensador quando se vê esse resultado na prática. Uma das maiores vitórias, a meu ver, foi a conquista do trabalho junto da comunidade cigana, a par do sucesso que tiveram os Cursos de Educação Formação de Tratamento e Desbaste de Equinos. Quer uma actividade, quer outra, foram pioneiras a nível de intervenção, dado que foram actividades de difícil conquista, cuja actuação no terreno se fez de muitas dificuldades, mas cujo resultado foi extremamente compensador. Quer num caso, quer noutro, o sucesso foi de tal ordem que se prolongaram as actividades para a geração que se seguiu, sendo de realçar que foram iniciativas que se demarcaram pela diferença. Ao longo dos anos, houve várias situações relevantes... mas uma de que me recordo particularmente foi a ida ao ZOO no âmbito do ATL... os rostos da crianças ao ver uma realidade até então para eles desconhecida, foi algo ficou gravado na mente de todos.

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Gonçalo Costa “Impacto positivo no desenvolvimento de competências” A comunidade em que actuamos apresenta todos os aspectos positivos e negativos de uma comunidade periférica, suburbana de uma capital. Se, por um lado, existe uma crise social transversal às famílias com quem trabalhamos, níveis de pobreza preocupantes e até alguma falta de condições de higiene e segurança nos seus bairros, por outro lado, é uma comunidade que tem sabido resistir às adversidades e tem sabido sobreviver com alguma alegria que muitas vezes é contagiante. Sendo uma comunidade onde a descendência de imigrantes africanos é muito grande, conferelhe características próprias e uma cultura de partilha de valores e tradições que acabam por torná-la numa pequena África lusitana ou num particular Portugal com sabor a funaná e a kizombas. Mesmo sendo uma comunidade com muita gente de pouca esperança e dependente das instituições, tem nas suas gentes, jovens, adultos, população sénior, gente que quer inverter o ciclo, pessoas que querem associar-se, querem ocupar os tempos livres de forma saudável e, principalmente, tornar a comunidade, numa comunidade única onde inesperadamente o potencial artístico e participativo surge onde haveria menos expectativas. Sair todos os dias e ter alguma certeza que o nosso trabalho teve um impacto dá-nos incentivo. Impacto esse às vezes imediato, outras vezes mais gratificante quando é a longo prazo e mais estabilizado. Motiva-me aquilo que aprendo com os jovens que também influenciam as minhas escolhas. Motiva-me a capacidade que estas comunidades têm de suportar condições muitas vezes terceiromundistas. Motiva-me saber que posso transmitir algumas ferramentas para que eles possam ser os próprios agentes de mudança. Motiva-me saber que se não houvesse projecto estas crianças e estes jovens teriam a grande maioria dos seus direitos em risco. Se este é um trabalho que permite dar dignidade, confiança, força, sucesso e esperança a uma criança ou a um jovem, que trabalho mais motivador que este existirá?

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através da instituição gestora do Projecto +XL, Associação Solidariedade e Desenvolvimento do Laranjeiro, sendo o meu primeiro contacto direto com as actividades, através do site e dos vídeos do Projecto. Já tinha algum conhecimento do Programa, através da publicação da Revista Escolhas como suplemento de algumas publicações da imprensa nacional. Atraíu-me sobretudo a capacidade das equipas técnicas poderem trabalhar localmente nas comunidades, havendo toda uma estratégia de intervenção mais global e com planos de intervenção pensados a nível global. Saber que poderia trabalhar com crianças e jovens numa comunidade específica, com uma identidade própria, com problemas específicos dessa população atraíu-me muito mais como base de trabalho de prevenção e intervenção psicossocial, do que se fosse por exemplo em contexto de gabinete fora da realidade local. Atraíu-me não só esta forma inovadora de intervir, como também sobretudo perceber através de testemunhos reais das crianças e de jovens de que é possível fazer a mudança nos seus projectos de vida e que de facto, souberam Escolher. Penso que o próprio nome do Programa não podia ter sido melhor “escolhido”.

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/Projecto que Integra Projecto +XL /Comunidade Laranjeiro e Feijó, Almada /Funções no Projecto Psicólogo /Tempo de Colaboração Desde Novembro de 2007

A nossa intervenção tem impacto a todos os níveis. Desde logo, ao perceber que os jovens sentem que tem impacto, quer nas suas vidas quer nas dos seus familiares. Este impacto muitas vezes só é observável a longo ou médio prazo, mas é possível mesmo quotidianamente perceber que há mudanças no comportamento, desenvolvimento de competências, mais iniciativas de propostas por parte dos jovens, aprendizagem de regras e focalização em actividades com princípio meio e fim. Outra maneira de ver esse impacto é o efeito multiplicador que acontece na comunidade, havendo mais jovens a convidar outros jovens a participar e a mudar a imagem da comunidade junto dos outros. As vitórias passam por projectos idealizados e desenvolvidos pelos jovens, principalmente os relacionados com a dança, o teatro e a música e o sucesso que tiveram fora de portas, pelo reconhecimento do valor do projecto pelas entidades parceiras e as muito boas avaliações pelo P.E., quer na 3ª geração, quer já nesta 4ª geração. Com o meu trabalho, queria contribuir para uma nova visão desta comunidade. Visão enraizada nestes jovens que, no futuro, gostava que a transmitissem a outros novos jovens, às suas crianças, a novas gerações. Visão de que é possível, apesar da vulnerabilidade a que estão sujeitos e à crise que estão a viver, ter um novo caminho, seja ele através da arte ou da inclusão digital ou da educação não formal. Que é possível escolher ser diferente e ser diferente melhor. Que isso se tornasse um verdadeiro movimento social, cultural e de cidadania e não apenas um resumo de melhorias estatísticas com um prazo de validade. Ou então, mais simples: que pelo menos um rapaz ou uma rapariga, acabe o seu curso de faculdade, encontre trabalho na área que quer, ajude a sua família e ajude outros jovens a seguir esse exemplo.

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Existem duas ou três histórias que nos marcam mais pela proximidade. Talvez exista um ou outro jovem que não me vou esquecer pelo que conseguiu atingir, superando os problemas em casa, falta de dinheiro e de afectividade. A história de um jovem que era maltratado no seu país de origem, vem para Portugal com grandes dificuldades de integração e de conhecimento da língua e que, depois de um percurso no Projecto, começa a escrever a sua poesia, as suas canções e a exprimir o que sente...vou sempre recordar porquetambém participei nesse processo, como também na ajuda à elaboração desses poemas...Hoje em dia compõe as suas canções, continua a tentar prosseguir nos estudos e poderá vir a ser um exemplo para os outros mais novos.

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Carlos Grácio “Jovens mais proactivos e próximos da Escola” /Como Começou Inicialmente, acompanhava a 1ª geração pela Comunicação Social. A ideia de apresentar um projecto surgiu após a Câmara Municipal de Sintra ter informado sobre a realização de novas candidaturas. O que me atraíu no Projecto foi poder proporcionar uma nova oferta educativa no âmbito do Ensino Experimental das Ciências e Tecnologias numa escola de contexto social vulnerável, fazendo por este meio a integração escolar e social dos jovens. /Projecto que Integra Espaço, Desafios e Oportunidades /Comunidade Tapada das Mercês /Funções no Projecto Coordenador /Tempo de Colaboração 6 anos e meio

A comunidade da Tapada das Mercês está em risco de exclusão, com falta de ofertas relativamente a outras comunidades, jovens em risco de exclusão e no limiar da delinquência. População constituída, maioritariamente, por imigrantes de diversos países, com maior incidência dos PALOP. Famílias com baixa escolaridade, empregos precários e desemprego. Um estímulo para a nossa intervenção é a possibilidade de proporcionar a mudança nos jovens, integrando-os na sociedade. O impacto do nosso trabalho vem da relação de confiança entre técnico e jovem, sendo que o técnico é visto como um modelo e confidente para o jovem. Dessa forma, o jovem aceita mais facilmente a realização das actividades que lhes são propostas e que lhes proporcionam a sua mudança. Esta modificação é espelhada no relacionamento do jovem com os colegas, no respeito demonstrado pelo próximo, maior tolerância, e na sua capacidade para rejeitar os desafios para comportamentos desviantes. Há várias conquistas. Ter conseguido inverter a situação em que alguns alunos se encontravam, mais especificamente, desinteressados pelo aprender, pelo seu sucesso escolar e alguns pela própria vida (demonstrado pela falta de motivação e objectivos futuros). A transformação que o projecto lhes tem proporcionado, tornando-os jovens diferentes, com maior autoestima, sabendo o que querem da vida, traçando inclusivamente metas e objectivos a alcançar, tem sido uma das grandes vitórias do projecto, entre outras (como o sucesso escolar, a diminuição de comportamentos de risco...). Com o tempo, gostaria de deixar jovens mais proactivos, que olhassem para a sociedade como sua e que agarrassem as oportunidades oferecidas.

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Um exemplo de uma acção bem sucedida deu-se, no início do “Espaço, Desafios e Oportunidades”, em 2004, aquando a inclusão no projecto de um aluno do quinto ano de escolaridade repetente, com sucessivas suspensões, comportamentos desajustados na sala de aula e revoltado contra tudo e contra todos (por vezes com ele próprio). A primeira actividade que o aluno teve no projecto foi o Ensino Experimental das Ciências e Tecnologias na Oficina Lúdico Pedagógica, na qual desenvolveu trabalhos oficinais na área do aeromodelismo/construção de aeromodelos. A atenção que os técnicos lhe deram levou a que o aluno permanecesse muitas horas no projecto (intervalos e fora do horário curricular), o que permitiu que houvesse um diálogo constante com o aluno sobre o seu comportamento em sala de aula e sobre as suas dificuldades, explicando-lhe e dando-lhe estratégias para saber estar na escola, fazendo-o compreender qual o seu papel e o do professor. Fruto de todo o trabalho supramencionado, o aluno nunca mais foi suspenso (inicialmente foi colocado fora da sala de aula umas seis vezes), transitou todos os anos, passou a ter objectivos delineados para o seu futuro, aumentou a sua auto-estima. Esta sua mudança foi reconhecida pelos professores da escola...

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Carla Santos “Maior abertura à comunidade”

/Como Começou Em 2001 /Projecto que Integra Sai do Bairro Cá Dentro /Comunidade Caboverdeana /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 4 anos e 4 meses

Fabulosa e com uma forte rede de solidariedade. É assim que descrevo a comunidade em que este Projecto actua. Motivam-me as pessoas, o bairro, a cultura, a lógica de organização e adaptação da população às várias contingências da vida, a criatividade e a capacidade brutal de gestão do insuficiente. O projecto e todos os serviços que disponibilizamos vão sempre ao encontro das necessidades da nossa comunidade pelo que, a comunidade sente o impacto da nossa acção. Pensamos nesta população quando apostamos na flexibilidade de horário, no acompanhamento permanente dos casos, na disponibilização de recursos (informação, recursos técnicos e outros ). Para esta população gostaria de deixar, futuramente, possibilidades de Escolha; Disciplina, Planeamento operacional e acima de tudo garantir que a situação habitacional seja olhada de uma forma concertada. O novo espaço, a maior abertura à comunidade e outros acessos a recursos constituem as nossas vitórias. Entre as histórias de vida que nos temos deparado, saliento a do Nelson. Este jovem juntou-se ao projecto em virtude de ter tido um acidente e ter ficado invisual e nós enquanto projecto a operar na Sede da AMRT considerámos que não tínhamos condições físicas nem técnicas de trabalhar com uma situação daquelas. Então aliámo-nos ACAPO para nos ajudar e conseguimos ultrapassar as limitações para fazer um trabalho válido.

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Carla Brito “Somos um importante recurso na comunidade” A comunidade em causa é citadina. Tem uma grande mistura étnica, de comportamento, valores e ideais o que muitas vezes leva a que as relações sejam conturbadas entre vizinhos. As pessoas não se movem por um sentimento de pertença pois não estão satisfeitas com o realojamento e, por isso, não existem muitos momentos de convívio. No entanto, por faixas etárias surgem grupos com vários elementos que interagem sem pensar em etnias ou desavenças de outros familiares. Estas novas gerações estão cada vez mais autónomas, independentes e com vontade de seguir caminhos diferentes dos percorridos pelas suas famílias. Assim esta comunidade está em constante mutação, até porque muitas vezes surgem novas famílias e vem para cá viver outros elementos, que trazem novas dinâmicas. A vontade de poder mostrar caminhos diferentes, de apoiar a construção de novos projectos de vida, adaptados ao que cada um quer ou deseja fazer. São estes factores que nos incentivam a continuar o trabalho. Somos um grande apoio no território, pois não existem muitas outras valências institucionais na zona. Assim como trabalhamos a educação, a procura de emprego, o apoio social, o desenvolvimento de competências e a criação de situações laborais, somos um importante recurso na comunidade. Posso afirmar que nunca seremos esquecidos nestes bairros, por bons motivos. As nossa vitórias passam pelo contacto com as famílias, pelo número de crianças e jovens que tem ao longo destes 10 anos frequentado o projecto, e pelos técnicos que hoje trabalham connosco e que outrora foram destinatários. Também os movimentos associativos de jovens são uma grande conquista.

/Como Começou Pretendia um estágio curricular na área da Psicologia Clínica, mas ao mesmo tempo estava a escrever a minha tese de monografia sobra a Vinculação da criança cigana e o seu auto-conceito. Então para poder recolher os dados propus-me para um estágio no projecto Sementes, para poder estar mais a par de alguns aspectos da etnia, que ainda desconhecia, e de algumas vivências das crianças que pudessem influenciar o seu auto-conceito. Fui criando raízes no projecto, até que me propuseram ser coordenadora e cá estou. /Projecto que Integra Sementes /Comunidade Comunidade cigana da Picheleira /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 2 anos

São muitos tantos os bons momentos que guardo... Do projecto guardo piadas e acções dos miúdos que são muito gratificantes, como o jantar de Natal de 2010, que juntou cerca de 100 pessoas e só havia comida para menos de metade..., o Acampamento Escolhas de 2009 e o “Navio Escolhas” em 2010. TÉCNICOS | 233


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Paula Ferreira “Aposta no desenvolvimento dos afectos nos jovens” /Como Começou Estive no programa escolhas desde o seu início como formadora dos mediadores e bolseiros, mais tarde passei para Técnica de Bairro do Lagarteiro e, em 2004, saí por razões profissionais, em 2011 regressei como Coordenadora do Projecto O Lagarteiro e o Mundo. O que me atraíu neste projecto foi o desafio de deixar sementes de alguma esperança em territórios onde muitas vezes ela escasseia. Agrada-me a ideia de tocar na vida destas crianças e jovens e deixar uma marca positiva. /Projecto que Integra Largateiro e o Mundo /Comunidade Bairro do Lagarteiro /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde Fevereiro de 2011

O Bairro do Lagarteiro é uma comunidade típica de um bairro portuguense, cheia de vida, mas também de histórias tristes de muitas pessoas que deixaram de acreditar no esforço do trabalho e da dedicação. Quando “ cativada”, esta população é extremamente leal e participativa. Pelo facto do projecto estar na zona há cerca de 10 anos, tem uma boa aceitação por parte das pessoas...apesar dos altos e baixos. Continuamos a nossa intervenção por acreditar que podemos fazer a diferença na vida de muitos destes jovens, participar nas suas vidas e ajudá-los a construir uma vida melhor para eles e com eles. Tentamos trabalhar com os jovens nos três níveis essenciais para eles: ao nível da acção da responsabilização pessoal e colectiva; ao nível cognitivo, nomeadamente na compreensão dos direitos e deveres, na transmissão e consciência de valores; ao nível afectivo, nas emoções, na auto-estima, nos sentimentos de identidade e pertença...pensamos que o afecto é um vínculo essencial para conquistar e envolver os jovens. Entre as nossas maiores conquistas, está a maturidade de alguns jovens que nos acompanham no projecto; a constituição de uma associação juvenil dinâmica, que possa de certa forma dar continuidade ao projecto no futuro; a aceitação/reconhecimento do projecto por parte da comunidade. No Escolhas, há uma história que sempre me lembro. Chamavase Constantino, mas gostava que lhe chamassem Tino. Tinha uns olhos enormes, de um verde cristalino que lhe iluminava o rosto, quase sempre sério. O Tino não estava para ser integrado no grupo de formação de competências pessoais e sociais. Era um miúdo muito difícil, frequentemente agressivo e arranjava sempre problemas no bairro. No entanto, os técnicos decidiram colocar o Tino na lista dos formandos.

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No primeiro dia da formação, encontrei um grupo bastante agitado. Todos queriam falar ao mesmo tempo, diziam piadas acerca dos colegas, interrompendo constantemente a formação. De repente o Tino, com ar zangado, disse: - “Calem-se pá, parecem umas crianças, eu vim para aqui para aprender, senão ficava no bairro. Se não querem ouvir vão lá para fora...”. Seguiram-se alguns minutos de silêncio, ninguém esperava uma reacção daquelas, nem mesmo eu. Aproveitei o momento para falarmos novamente nas regras da formação. Discutimos novamente a necessidade da existência de regras para podermos aprender uns com os outros. A formação foi decorrendo de forma mais serena, mas o comportamento do Tino não parava de me surpreender. Participava activamente nas actividades de grupo, estava sempre atento e pronto para responder a qualquer desafio dos formadores. Não só, era o líder do grupo, como aquele que demonstrava maior vontade de aprender. Curiosamente, o miúdo que se esperava que fosse o mais complicado e difícil, revelou-se o formando mais aplicado. Para ele, também era estranho. Numa conversa fora da formação, dizia-me ele: -“Ó setora, nunca curti esta cena da escola. Quando fui para o ciclo uma professora chamou-me burro e eu peguei numa cadeira e parti o quadro todo. Fui expulso da escola e nunca mais lá pus os pés, mas a formação estou a curtir...É pena que seja só uma semana”. Respondi-lhe que estava muito contente por ele estar a gostar e que ele deveria voltar para a escola, pois era muito inteligente e tinha uma grande vontade de aprender. Olhou para mim, com ar espantado, e respondeu-me: - “ A setora está a reinar comigo! Eu inteligente?! No bairro toda a gente me chama ressacado, até o meu pai diz que vou acabar como os meus irmãos, estão todos a meter p’ra veia. Ninguém dá cinco tostões por mim...” Tentei conhecer um pouco mais sobre a sua história de vida, e desta forma tentar compreender aqueles sentimentos tão negativos que TÉCNICOS | 235


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tinha sobre si mesmo. O Tino era realmente um rapaz inteligente. Aquela inteligência intuitiva, que se aprende na rua, na sobrevivência do dia-a-dia, e que, nem sempre, é possível medir através de testes e notas de pauta...! Com a história do Tino apenas gostaria de reflectir sobre a forma injusta e, muitas vezes, apressada como julgamos os outros. O Tino é um de entre muitos exemplos de miúdos que são postos à margem da escola, não por incapacidade de aprender, mas pela forma como se comportam. O peso das opiniões negativas que se foram formando sobre ele e que aos poucos, foram assimilados na sua consciência, levaram-no a acreditar que a sua vida não seria diferente dos irmãos toxicodependentes. No entanto o Tino, com apenas 19 anos, ainda poderia sonhar com muitos caminhos a percorrer. Contudo, para ele, já tudo tinha sido decidido, apenas representava o seu papel de miúdo rebelde que já sabe muito bem desenrascar-se. O que mais me impressionou foi a fatalidade com que o Tino encarava o seu destino, como se quase já não lhe pertencesse. Não pude deixar de pensar em como é importante reflectir com todos aqueles que trabalham com pessoas, principalmente os educadores e os trabalhadores socais, na necessidade de estimular sentimentos mais positivos, de procurar elogiar mais do que criticar. Apesar das dificuldades e das limitações, que muitas vezes nos condicionam, devemos tentar fazer um esforço para olhar mais fundo. Ver para além do óbvio e do mais fácil, e não nos deixar mais prender às aparências que, quase sempre, nos enganam.

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Ana Lopes Miguel “...gostava de deixar aos nossos meninos, a semente de um futuro melhor” A comunidade do Bairro Armador é diversificada e complexa. Nela existem três culturas predominantes: a Africana, a Indiana e a Cigana. Estas culturas têm alguma dificuldade de convivência, que acaba por transparecer na relação que as crianças estabelecem entre si. Para além da questão cultural, existe também a questão familiar. Esta comunidade prima pela desestruturação familiar, quer por ausência de um ou de ambos os progenitores, quer pela desresponsabilização parental, ou pela negligência.

/Como Começou Eu já fazia parte da entidade promotora e gestora do PISCJA, logo conhecia de perto o projecto. Assim, quando surgiu a oportunidade (na minha vida e na vida do projecto) de me juntar à equipa fi-lo com muito agrado, uma vez que sempre acreditei no trabalho realizado.

Todas as crianças que vêem o PISCJA como uma segunda casa (às vezes a primeira) e os técnicos como uma família. Eles dão-me motivação para cada dia dar o meu melhor. O impacto do Projecto vai-se sentindo nas pequenas coisas! A criança que corre ao vir da escola para nos contar as notas escolares; o jovem que conta connosco quando precisa de ajuda; a mãe que nos procura quando precisa de orientação...

/Projecto que Integra PISCJA /Comunidade Bairro do Armador /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 16 meses

Tendo em conta a história do PISCJA e contando com o facto de ter sido o primeiro neste território, pode-se dizer que uma das primeiras vitórias foi retirar as crianças e os jovens da rua (e dos hábitos a ela associados). Depois houve que manter as crianças no espaço jovem, ocupadas de forma lúdica e educativa, dando-lhes afecto e regras. A seguir vieram outras vitórias, nomeadamente as parcerias com as escolas, o reconhecimento da comunidade. O trabalho faz-se de pequenas vitórias, por isso gostava de deixar nos nossos meninos a semente de um futuro melhor. Não há apenas uma história no Escolhas, há as histórias do dia-a-dia, de todos os dias! Talvez possa referir uma menina em especial que percebeu que o PISCJA é como uma casa e, então, todos os dias sai da escola, de mochila às costas, sem paragens directamente para lá. Ao chegar faz os trabalhos de casa, depois brinca, conversa e com muita frequência prepara um presente para uma das técnicas (um desenho, um poema, uma flor...). Depois chega a hora de fechar, até amanhã! TÉCNICOS | 237


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Diana Ferreira “Pais e Filhos unidos na aprendizagem da língua portuguesa” /Como Começou Conheci o Escolhas através do centro de formação Proformar (atualmente Almadaforma) e o que me atraíu foi a possibilidade de criar actividades de motivação para a Língua Portuguesa para além contexto formal de estudo na escola. /Projecto que Integra Dar à Costa /Comunidade Costa da Caparica /Funções no Projecto Técnica de Português e actualmente Voluntária /Tempo de Colaboração 2 anos e meio

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A comunidade da Costa da Caparica é muito diversa, mas muito ligada ao mar e à sua terra, que tem orgulho das suas origens e culturas, querendo continuar tradições e costumes. Enquanto Técnica de Português motivou-me o facto de haver uma panóplia de oportunidades ligadas à lusofonia que fazem muito sentido no ensino da língua portuguesa a várias vozes. A minha intervenção teve impacto em especial na relação entre pais e filhos, envolvidos em projectos comuns, como o da leitura e do estudo da língua portuguesa. A maior vitórias foi estreitar as relações pais /filhos num objetivo comum de aprendizagem da língua portuguesa, criando espaços e iniciativas para ambos. Nesta população queria deixar a noção de que estamos sempre a aprender, que a aprendizagem é intergeracional e que aprendemos uns com os outros, na base do respeito pelo outro e por nós. Nunca esquecerei a festa de despedida com as várias fotos das minhas actividades e com os vários destinatários que as escolheram e as viveram comigo, bem como a continuação de experiências além fronteiras, através da participação do jornal do Projecto “O Tr@nsFormArte” que chegou à edição 100, sendo o reflexo do meu trabalho e da equipa com a comunidade.


Adelaide Leite “Um “ponto de referência” para aprender pelas actividades” Esta comunidade é calma , pacífica e de fácil trato. Desde o início, o Projecto tem tido uma boa relação com esta população que abre as portas de suas casas com facilidade aos Técnicos do Projecto. Se têm algum problema, dirigem-se ao projecto a pedir ajuda. A maior dificuldade que encontro é em sensibilizar os adultos no sentido de os responsabilizar para os seus deveres, nomeadamente, quanto ao acompanhamento dos seus educandos, quer ao nível escolar como pessoal/social. O que me motiva é a esperança e a tentativa de se fazer sempre mais e melhor. As pessoas não têm todos o mesmo ritmo de aprendizagem e de tomada de consciência das responsabilidades. Têm outros valores e interesses que nem sempre correspondem aos nossos. É necessário insistir, pois tal como diz o velho ditado “água mole em pedra dura tanto dá até que fura”. Penso que este Projecto tem algum impacto na medida em que, as pessoas têm confiança nos Técnicos e sentem de que alguma forma estes são um ponto de ajuda e orientação para os seus problemas.

/Como Começou Conheci o Projecto através da candidatura realizada pelo Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro, que me convidou para fazer parte da equipa, uma vez que já tinha alguma experiência em trabalho com Famílias. O que me levou para o Projecto foi a “ aventura “ de uma nova experiência, uma vez que nunca trabalhara num Projecto desta natureza. /Projecto que Integra Agir /Comunidade Quinta do Chegadinho, Feijó, Almada /Funções no Projecto Técnica Superior de Serviço Social /Tempo de Colaboração 4 anos

O Projecto é uma mais valia para esta comunidade, pois aqui as crianças /jovens encontram um ponto de referência para poderem aprender através da realização de actividades: passeios, participações em eventos e intercâmbios com outros projectos. Às famílias também lhes é proporcionado passeios para lugares onde nunca foram, e além disso a aprendizagem da leitura e da escrita é uma mais valia para elementos da comunidade que nunca tinham tido oportunidade de pegar num lápis e aprender a escrever o seu nome. Desejaria que a comunidade adquirisse o hábito da pontualidade e o transmitisse aos seus educandos; que houvesse mais unidade na comunidade e melhores relações entre vizinhança; TÉCNICOS | 239


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que fossem mais responsáveis no que respeita aos seus deveres como cidadãos e educadores. A história que não vou esquecer foi quando foi introduzida no Projecto a alfabetização. Tinha elementos da comunidade que nunca tinham ido à escola e, ao fim de um ano, já conseguiam ler e escrever o seu nome.

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Sónia Mera “Aproximar a escola da Comunidade de etnia cigana” A comunidade de etnia cigana em que actuo apresenta características muito próprias. Valoriza a tradição e a sua cultura é vista como algo muito importante nas suas vidas. O que me motiva neste trabalho é o facto de poder conhecer e perceber melhor a cultura desta comunidade. O facto de poder ajudar as crianças e mostrar-lhes que lá fora do seu mundo existem outras escolhas importantes para o seu futuro/ percurso educativo e profissional.

/Como Começou Tive conhecimento do “Inclusão” através da coordenadora do mesmo. O que mais me atraíu na ideia de ir trabalhar num projecto desta natureza foi o facto de poder trabalhar com crianças e jovens de etnia cigana. Digo isto porque é um público que sempre me fascinou.

Sinto que a minha intervenção tem contribuído para que as crianças e jovens, com quem desenvolvo várias actividades lúdico – pedagógicas, valorizem mais a importância da escola e que, ao nível da higiene pessoal, se denote algum cuidado.

/Projecto que Integra Inclusão pela Arte II

As maiores vitórias por nós vivenciadas são pequenas coisas, como por exemplo o facto das crianças/jovens irem de forma mais regular à escola, que os pais sejam mais presentes, que reconheçam a equipa do projecto como uma possibilidade de resposta positiva e uma nova opção de escolha.

/Comunidade Bairro das Pedreiras /Funções no Projecto Animadora sociocultural /Tempo de Colaboração 15 meses

Nesta população, queria deixar marcas importantes..., gostava que as pessoas se tornassem mais autónomas na forma como acedem aos serviços, nomeadamente Segurança Social, Cáritas, etc.

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Ana Gomes “Desmistificação face os bairros sociais”

/Como Começou Conheci o Projecto uma vez que já estava inserida em contexto de trabalho no Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro. Neste sentido, fui convidada a coordenar o Projecto, o que se traduziu numa proposta irrecusável, nomeadamente, por se tratar de uma área de intervenção à qual sinto-me ligada desde a opção em seguir a vertente social. /Projecto que Integra Agir /Comunidade Quinta do Chegadinho, Feijó, Almada /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 1 ano e alguns meses

“A comunidade em que trabalhamos é constituída por famílias essencialmente advindas dos PALOP (Angola, Moçambique, São Tomé, Cabo Verde e Guiné) e consequentemente por crianças e jovens luso-africanos sobre os quais recai a transgeracionalidade inerente ao fenómeno de exclusão social e às problemáticas recorrentemente associadas, como o isolamento social, insucesso escolar, transtornos de conduta adolescente, baixa qualificação formativa e profissional, baixa qualificação parental e problemas comunitários. A nossa intervenção tem impacto e considero-a bastante positiva. A presente afirmação assume-me em diferentes perspectivas, não só para os destinatários/beneficiários, como também, para os parceiros sociais, entidades privadas e população em geral. O impacto do nosso trabalho nos destinatários/beneficiários faz-se sentir no desenvolvimento pessoal, social e comunitário; face aos parceiros e entidades privadas, o impacto passa pela consciencialização e sensibilização para uma intervenção em rede, criando estratégias de intervenção conjunta, definindo trajectórias de vida com vista ao sucesso, fortalecendo as capacidades/potencialidades que cada pessoa apresenta, minimizando e/ou extinguir situações/problemas; por fim, para a população em geral, o impacto assenta na desmistificação face aos bairros sociais, apostando na divulgação e sensibilizandoos para uma atitude pró-activa, reforçando que está na altura de deixar a visão dos pobres/coitadinhos (atitudes de âmbito somente caritativo) e paradoxalmente, a rotulagem dos subsídiodependentes (sustento do estado). O Projecto está implementado desde a 3ªGeração, certamente que muitas vitórias foram sentidas neste começo, contudo, uma das vitórias que quero e devo referir é a conquista dos jovens do bairro, que gradualmente se vai sentindo e, sem dúvidas, o trabalho em parceria cada vez mais coeso.

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Nesta comunidade, gostava que, um dia, os familiares das nossas crianças/jovens investissem mais, naquilo a que chamo de “pequenos gestos”, que fazem muitas vezes a diferença, a título de exemplo, posso referir a questão escolar, onde é perceptível o interesse dos encarregados de educação face às notas, participação nas reuniões, faltas, comportamentos e outros, traduzindo-se no castigo vs elogio/prendas (...), mas esquecendo-se de que o “mundo” de uma criança/jovem não é somente a escola e que as suas vivências quotidianas, traduzem-se, também, no empenho escolar. Desta forma, gostaria que os familiares participassem, da mesma forma que fazem no contexto escolar, nas actividades culturais e sociais das crianças e jovens, pois é triste, ver um palco com actores aprendizes actuar, onde no público se encontram poucos familiares a assistir. Mas, esta é uma questão que estamos a trabalhar, e aos poucos e poucos vão-se visualizando alterações. O Escolhas é feito de momentos inesquecíveis. O Escolhas de Portas Abertas, pela envolvência e toda a gestão de recursos que assumiu, a disponibilidade da equipa restrita e alargada e das entidades/pessoas a quem solicitámos colaboração. As participações nos meios de comunicação social, jornal e televisão, pela experiência e impacto. Por fim, sem dúvida o momento em que um jovem, a quem foi dada a responsabilidade de escrever a letra da música para uma curta-metragem, elaborada pelas crianças/jovens do Projecto e com a fundamental participação de um membro do consórcio (empresa privada), entrou dentro de gabinete com os seus amigos e disse, “Ana, já está tudo pronto”. Recordo, ainda hoje, o arrepio que senti quando comecei a ouvir a música e a sentir cada palavra escrita naquela letra, fiquei emocionada de facto, pois está fantástica!

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Hugo Caseira “Intervenção com forte influência nos comportamentos das crianças/jovens” /Como Começou Ouvi amigos a falar no Escolhas e atraíu-me o facto de poder trabalhar com crianças e jovens de minorias étnicas, porque sempre fui apaixonado pela multiculturalidade. /Projecto que Integra T3tris /Comunidade Complexo Habitacional do Picoto e Bairro Social de Pronte dos Falcões /Funções no Projecto Técnico de Psicologia e Ensaiador do grupo de percussão /Tempo de Colaboração Desde o início de 2010

A comunidade em causa vive com muitas carências a nível escolar e académico e ao nível de condições básicas de vida, onde as oportunidades não chegam da melhor forma. Têm problemas de integração na sociedade maioritária, sobretudo a nível profissional. Ao mesmo tempo é uma comunidade com muita riqueza cultural e que tem um grande espírito de união. Motiva-me o facto de trabalhar com comunidades que nunca ninguém viu ou quis ver e o facto deste ser um projecto de raíz, também elaborado por mim, está a fazer-me alcançar um dos meus maiores sonhos. Sinto que esta intervenção social tem fortes influências nalguns comportamentos positivos que as crianças e jovens têm vindo a revelar desde que começámos a intervir. Já sentem a nossa falta... A confiança e o respeito por parte de algumas pessoas da comunidade, quer sejam crianças e jovens, quer adultos, foi uma conquista para nós, assim como, num nível mais específico, o facto de ver que o grupo de percussão começa a tornar-se autónomo e estruturado. Gostava de deixar diferente, para melhor, a vida de algumas destas crianças. Gostava que elas pudessem ter um futuro diferente, ou pelo menos que ajudassem os seus filhos a terem um futuro diferente. Que tivessem mais escolhas!... No Escolhas, saliento uma situação a recordar: quando um pai de uma criança, músico cigano conceituado, convidou o grupo de percussão do t3tris, bem como a sua equipa técnica, para uma festa cigana onde ele ia actuar.

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Sandra Carvalho “O único recurso dos jovens para conseguir apoio escolar” A comunidade de Lameiro está inserida num meio rural, com famílias muito carenciadas com pouca formação escolar mas que, de uma maneira geral, incentivam os filhos e têm vontade que eles participem em todas as actividades. A maior motivação que podemos ter é a evolução que os jovens vão tendo e que é visível tanto a nível de comportamento como de aproveitamento. A nossa intervenção tem apresentado vários resultados: muitos dos jovens estão a frequentar o CID; alguns jovens desempregados procuram ajuda para elaborar currículos e cartas de apresentação...e sinto mais abertura por parte dos encarregados de educação, incentivando os filhos a frequentar o CID e as actividades do projecto...

/Como Começou Conheci o projecto através de Técnicos anteriores e dos Serviços Municipais de Acção Social. /Projecto que Integra Basto Jovem /Comunidade Lameiros, Cabeceiras de Basto /Funções no Projecto Monitor CID /Tempo de Colaboração 2 anos

Este é um meio rural com pessoas com pouca formação e poder económico. Nós somos único recurso dos jovens para conseguirem ter apoio escolar, entre outro tipo de ajudas. Ao longo deste trabalho, queria fazer com que estes jovens adquirissem regras, valores , educação. Entre as pessoas que nos vão marcando ao longo da nossa acção no Escolhas, nunca irei esquecer a Soraia....ela tinha muitas dificuldades escolares e de comunicação e quando veio pela primeira vez ao CID quase não falava, muito tímida... os pais aflitos a explicar que a professora lhes tinha dito que o melhor era arranjar uma explicadora, uma vez que na escola ela não tinha meios e a disponibilidade necessária. A criança não lia nem escrevia, tinha muitas dificuldades...mas, passado algum tempo, através do nosso apoio, a Soraia já lia fluentemente escrevia e trabalhava com o computador. Foi uma grande mudança. Hoje é uma boa aluna.

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Paula Varela “Conseguimos alterar algumas mentalidades” /Como Começou Foi através de uma colega e o que mais me atraiu foi o desafio de poder impulsionar a mudança de comportamentos e atitudes. Assim como também foi bastante aliciante a perspectiva de poder proporcionar, estimular e desenvolver situações/ acções que promovam a igualdade de oportunidades.

A comunidade das Manteigadas é desprovida de equipamentos sociais, sendo que a zona onde se insere ainda é caracterizada por algumas caracteristicas rurais. A população varia entre a etnia lusa, cigana, africana e timorense. É uma comunidade que se caracteriza por vários problemas de ordem social, onde a falta de recursos e a “fome” são realidades evidentes. É uma comunidade com fracos recursos económicos, com um baixo nível de escolaridade e consequentemente com dificuldades de inserção social.

/Projecto que Integra Centro Lúdico Pedagógico de Manteigadas (CLPM)

Neste trabalho, são várias as motivações. A ligação que, ao longo do tempo, se foi estreitando com a população, principalmente com as crianças e jovens. A mesma vontade de sempre em continuar a trabalhar com e para esta população, de forma a acompanhar as suas mudanças, alterações, evolução e, como é obvio, a gratificação que se sente ao poder ajudar esta população, por forma a conseguirem resolver os seus problemas e promover a sua integração.

/Comunidade Bairro de Manteigadas, Setúbal /Funções no Projecto Coordenadora de Projecto /Tempo de Colaboração 9 anos

Tanto as famílias, como as crianças e jovens reconhecem o projecto no bairro. Temos evitado determinados comportamentos desviantes, sendo que ao longo destes 9 anos, poucos casos de delinquência, abandono escolar, ou desocupação total , têm surgido. Nesta comunidade já foram alcançadas algumas vitórias. Conseguimos transformar/alterar algumas mentalidades, ajudar crianças e jovens a traçar percursos de vida positivos, por forma a fomentar a igualdade de oportunidades, conseguimos movimentar o projecto ao longo de 4 gerações, sempre com vertentes geradoras de interesse para o seu público-alvo. O objectivo central é criar, com o tempo, uma comunidade detentora de autonomia que permitisse a sua integração social, escolar e profissional... Dado este território ser desprovido de equipamentos sociais, gostaria que o projecto vingasse e se 246 | TÉCNICOS


conseguisse autonomizar de forma a permanecer no terreno, mesmo que o PE não o financie. Em 9 anos de trabalho no Escolhas, tenho já inúmeras histórias a lembrar, mas realmente uma situação que nos marcou, aconteceu logo na primeira geração do Programa e tem sido transmitida dos jovens mais velhos para os mais novos como um grande feito. Diz respeito à corrida de carrinhos de rolamentos realizada no Parque Eduardo VII com os 53 projectos existentes na altura, em que o CLPM alcançou 2 vitórias, um 1º e um 2º lugares. Esta actividade deu lugar a algo que tem continuado ao longo das 4 gerações, pois desde então quiseram sempre realizar este evento uma vez por ano. Até que, na 3ª geração, o parceiro do consórcio - município de Setúbal através do projecto “mais ambiente” - agarrou a ideia e tem promovido a iniciativa para as várias instituições da cidade e projectos do PE. Desta forma, esta história acabou por ser marcante, deu os seus frutos, tanto para o projecto como para outras entidades.

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Cristina Gonçalves “Sentir que posso facilitar processos de mudança é o motor do trabalho” /Como Começou A minha entrada no Programa Escolhas surgiu na sequência do estágio académico realizado, através da Rumo, na Escola Básica 2/3 Vale da Amoreira. Em 2003, quando terminou o estágio, surgiu o convite para integrar o Projecto “Os Sinais dos Outros”, financiado pelo Programa Escolhas. Face ao gosto pelo trabalho com jovens, o desafio foi aceite e, desde então, nunca mais voltei a sair do Vale da Amoreira, a minha segunda casa! /Projecto que Integra Escolhas VA /Comunidade Vale da Amoreira /Funções no Projecto Coordenadora de Projecto /Tempo de Colaboração Desde 2010

O Vale da Amoreira é uma freguesia do Concelho da Moita, situada no distrito de Setúbal. É uma comunidade com um número significativo de crianças e jovens e pautada por uma grande diversidade cultural, sobretudo ligada a raízes africanas. Estas são duas das especificidades do Vale da Amoreira que, do meu ponto de vista, contribuem para a enorme riqueza e potencial da freguesia. O desafio diário de trabalhar com a população, sobretudo com os jovens, na construção de aprendizagens e de experiências que possam enriquecer os percursos de cada um. Sentir que faço parte parte da vida destes jovens e que posso facilitar os processos de mudança nas suas vidas é o grande motor de todo o trabalho. Quando iniciei o meu trabalho nesta zona, com o Escolhas, vivia em busca de evidências do impacto da intervenção do Projecto. Foi um processo difícil, de alguma frustração, por perceber que o investimento diário não correspondia a resultados visíveis, sobretudo imediatos. No entanto, com o tempo, e não deixando de acreditar na importância do trabalho desenvolvido, fui percebendo duas questões que me têm acompanhado ao longo do meu percurso: primeiro, tem que se olhar para as pequenas coisas, para as pequenas vitórias alcançadas com cada um dos jovens; segundo, e o tempo a que já estou na comunidade permite-me aferi-lo, só a médio/longo prazo é que temos noção efectiva do impacto do nosso trabalho. Assim, fui aprendendo a olhar para cada um dos jovens, tentando perceber de que forma a intervenção pode ter alterado alguma coisa na sua vida, mesmo que não tenha sido o inicialmente previsto, com os objectivos definidos. E são vários e de diversas ordens os impactos que se percebem na vida de muitos dos jovens que têm passado pelos projectos. Desde a simples participação em actividades que, de outro modo, não teriam fácil acesso, à

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representação que tais experiências proporcionam nas suas vidas em termos de construção de relações e de aprendizagens. Desde o recurso a alguém que os ajuda a melhorar o seu desempenho escolar e a percepção sobre o seu potencial, à melhoria dos resultados escolares, à transição de ano, à integração de uma oferta educativa/formativa em que têm oportunidade de alterar o sentido do seu percurso. Por vezes e com alguns jovens, tal não acontece logo, com outros acontece mais tarde e com outros nunca chega a acontecer. No entanto, não tenho dúvidas que, para muitos, existe sempre algum impacto nas iniciativas promovidas e que nem sempre é aquele que pensámos inicialmente, mas que não deixa de ser igualmente importante. A maior vitória prende-se com o progressivo reconhecimento, por parte da população, de que é um projecto aberto a todos e que proporciona tempos e espaços de participação, seja em actividades mais lúdicas, de formação, de apoio ao estudo ou outras. O que mais gostava de deixar é a noção do potencial que cada um tem para poder construir o seu percurso e de que todos têm um papel mais activo na comunidade para mudar a imagem que a mesma tem dentro e fora dos contornos da freguesia.

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Fernando Neto “...defini um Projecto de Vida”

/Como Começou Este Projecto surgiu na minha vida aos 14 anos como destinatário. Hoje, tenho 20 anos e continuo ligado ao Escolhas como Dinamizador Comunitário /Projecto que Integra Trampolim /Comunidade Bairro da Rosa /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração -

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Ser Dinamizador Comunitário do Projecto “Trampolim” é uma oportunidade para usufruir com mais qualidade o presente e um apoio no salto para um futuro mais organizado e adequado às minhas intenções. Estou , neste momento, também a concluir o 12º ano de escolaridade na área de Informática. Trata-se de uma oportunidade para fazer a diferença na comunidade à qual pertenço e como tal conheço bem, o Bairro da Rosa. Baseando-me nas aprendizagens que fiz e nas experiências que tive até agora, quero deixar às crianças do bairro, a saudável mensagem de que ”é possível”… O Escolhas deu-me muito. Sou o que sou pelo apoio que recebi e pelas actividades às quais tive acesso... através de saídas nacionais e internacionais absorvi conhecimentos, aprendizagens, reforçei as relações interpessoais, alarguei horizontes...defini um projecto de vida, baseado na conciliação de estudos com ocupação de tempos livres.


Andreia Cerqueira “Jovens e crianças procuram cada vez mais ter voz no Projecto” A comunidade em que actualmente trabalho, apresenta um forte traço rural, e apesar de Mafra ser um concelho geograficamente grande e disperso, a maioria das pessoas conhece-se. Contudo, este cariz rural, esconde um isolamento de cada família face aos seus problemas. Na sua globalidade, a comunidade tem graves problemas sócioeconómicos, contudo mais graves ainda são os problemas sociais, ao nível das relações interpessoais, onde a maioria das nossas crianças e jovens vivem situações familiares desestruturadas e fechadas em si mesmas. A motivação para realizar este trabalho, vem do facto de acreditar ser possível intervir numa comunidade com a sua população e originar uma mudança positiva para a mesma. Acreditando nesta mudança, e na melhoria das situações de cada família, de cada criança e de cada jovem, a motivação existe. O impacto sentido, através do trabalho até aqui desenvolvido, advém não só da sensibilização da comunidade para apoiar o outro, como também do aumento da importância dada à voz das crianças e dos jovens... aos poucos temos assistido o Gabinete da Juventude a questionar os jovens sobre as suas opiniões, a pedir-lhes sugestões; na escola, o corpo docente tenta organizar e dinamizar o espaço escola de forma a ir de encontro aos interesses dos jovens. Outro impacto sentido, é a construção de relações e laços, entre famílias, crianças e jovens...

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas na Faculdade, onde realizei um estágio numa Associação que tinha um Projecto Escolhas. Após este primeiro contacto com o trabalho desenvolvido pelo Programa, que não só correspondia às minhas expectativas profissionais, como me fascinou com as possibilidades de intervenção em diversos contextos, contextos esses que muitas vezes são rotulados de forma errada, o Escolhas permitiu-me então encontrar um lugar para agir profissionalmente de forma criativa e de qualidade. /Projecto que Integra Crescer com Escolhas /Comunidade Mafra /Funções no Projecto Técnica de Desenvolvimento Comunitário /Tempo de Colaboração 1 ano e 3 meses

A maior vitória deste projecto, prende-se com a mobilização de um consórcio para o apoio e intervenção nesta esta comunidade, prestando um apoio em parceria e fortalecendo a comunicação entre entidades concelhias. Outra vitória, são os jovens e crianças, que cada vez mais procuram ter voz no projecto, de forma a intervir

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na comunidade em que se inserem. E por fim, a vitória das famílias, que cada vez mais saem do seu isolamento e procuram apoio e infraestruturas que lhes dêem mais suporte. Para além da criação de uma rede de suporte para crianças e jovens, uma rede que lhes permitisse ter voz e poder de acção, para participarem activamente na comunidade em que estão inseridos, gostaria também de estimular a vertente cultural do concelho, abrir os horizontes desta comunidade para a arte e as suas mais-valias, tanto enquanto forma de expressão como também enquanto forma de suporte social. Há muitas situações de registo ao longo do nosso trabalho.... Uma das crianças que integra o nosso projecto, entrava muitas vezes em conflito com as outras. Inicialmente resolvia sempre as situações com o recurso à violência física e, quando os Técnicos tentavam dialogar com a criança, muitas vezes esta era extremamente incorrecta. Até que, depois de muitas vezes lhe ter dito para, em vez de agredir os outros, vir falar comigo, que depois eu ajudaria a resolver a situação, há um dia em que entra em conflito com outra criança e, após algum tempo de discussão, agarra na outra criança pela camisola, puxa-a para esta a acompanhar, vem direita a mim e diz: “Olha eu estou enraivecido, mas ainda não lhe bati, por isso é bom que me ajudes, senão eu bato-lhe.” Este dia foi a vitória, a vitória de uma criança que anteriormente tinha um rótulo tremendamente negativo, mas que cada dia desde então, tem vindo a ganhar uma imagem muito mais positiva, tudo porque percebeu que no Escolhas nós damos a Escolha de serem ouvidos, de serem amparados e apoiados e não julgados e ignorados.

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Joana Fontes “Gostaria de dar perspectivas de vida e uma ideia de futuro” A comunidade em que trabalhamos pauta-se pela juventude mas, acima de tudo, e pelo que me tem sido dar a conhecer desde o início do projecto, pela falta de perspectivas de futuro, de esperança, marcada também por um elevado grau de problemas familiares, a nível de alcoolismo, desemprego e exclusão social. Para se trabalhar numa “Equipa Escolhas” temos ou devemos reunir certas características, nomeadamente muito dinamismo, optimismo, espírito crítico, alegria e esperança para dar, mas também muita paciência e perseverança, pois nem todos os dias são dias fáceis, e nem todos os casos que acompanhamos e com que trabalhamos são de sucesso. Apesar disso, pensamos e continuamos a fazer o melhor.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas atraves da santa Casa da Misericordia de Mirandela. O Projecto “Incentivar” atraíu-me desde logo pelo dinamismo e pela forma como intervém com o seu público-alvo. Os objectivos e os princípios segundo os quais o programa se rege fizeram também, desde um primeiro momento, todo o sentido para mim.

As conquistas surgem quando, por exemplo, conseguimos que um jovem que não tinha quaisquer objectivos de vida os passe a ter... percebemos que conseguimos fazer desse jovem não só uma pessoa mais forte e melhor, mas também um amigo!

/Comunidade Mirandela

Nesta comunidade, gostaria de dar perspectivas de vida e uma ideia de futuro a muitos jovens....e proporcionar momentos divertidos e felizes a muitas crianças. Gostava que, de alguma maneira, Projecto marcasse a vida deles e que muitos se tornassem membros activos e integrados na nossa comunidade. A convivência no Escolhas é muito intensa, o que dá origem a muitas histórias de vida... um Verão inteiro de Colónia de Férias trouxe muitos sorrisos, gargalhadas, diversão, aventura, calor, água, banhos. Tudo isto na companhia de crianças que, se não existisse o programa, teriam um Verão vazio, triste e facilitador de comportamentos desviantes. O Escolhas, por estas particularidades, vai ser sempre inesquecível para mim!

/Projecto que Integra Incentivar

/Funções no Projecto Psicóloga Clínica /Tempo de Colaboração Desde janeiro de 2010

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Eunice Lopes “Um espaço de referência no Bairro”

/Como Começou Conheci o PE há 10 anos atrás através do grupo de mediadores do Vale da Amoreira. Posteriormente, surgiu a oportunidade de trabalhar como mediadora jovem urbana na minha localidade, nomeadamente na Baixa da Banheira. Dez anos depois, voltei ao PE como coordenadora do Projecto Bola Pra Frente. Aquilo que mais me atraiu no Programa foi o aspecto inovador de contratarem jovens do bairro, capacitálos para trabalhar com a sua própria comunidade e ao mesmo tempo que proporcionam um leque de oportunidades, um leque de Escolhas! /Projecto que Integra Bola Pra Frente /Comunidade Bairro Padre Cruz, Carnide /Funções no Projecto Coordenadora de Projecto /Tempo de Colaboração 6 meses

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“O Projecto “Bola Pra Frente” no Bairro Padre Cruz, conhecido por BPC , onde a designação da comunidade é “Brancos, Pretos e Ciganos, entra com respeito que serás respeitado”. Chegando a este bairro social, o maior da Península Ibérica, deparamo-nos com as diferentes comunidades, indivíduos, uns com as suas tradições bastante enraizadas, outros que ultrapassam os limites impostos pelas suas culturas. Encontramos então novas gerações, filhos de negros com ciganos, africanas convertidas à tradição cigana, ciganos que falam crioulo, portugueses assimilados à cultura africana, uma verdadeira encruzilhada de identidades que me fazem questionar constantemente sobre a perda de tradições, mas ao mesmo tempo, fascina-me os efeitos da interculturalidade vivenciada. Uma das coisas que mais gozo me dá é sentar-me com os jovens, “descascar as suas cebolas” culturais e compreender as novas representações sociais existentes neste contexto. Observa-se também o contraste do rural com o urbano, dezenas de prédios altos e edifícios modernos, máquinas de ginásio “públicas” que se confrontam a poucos metros com as hortas cultivadas e pequenas zonas verdes, onde ainda podemos encontrar algumas vacas a pastar! Único! BPC é o 4º bairro social em que tenho oportunidade de trabalhar, sendo este, sem alguma dúvida o mais desafiante pela heterogeneidade e dificuldades que apresenta. Grande parte da população não tem a escolaridade mínima mas apresenta um conjunto de potencialidades e competências subaproveitadas nas mais diversas dimensões, que na maioria das vezes não são valorizadas, nem mesmo pelos próprios. Não é nada fácil cativar esta população mas depois de cativada abre-se um novo mundo de conhecimentos e experiências, onde acredito que podemos plantar a semente e vê-la crescer por si mesma. A minha grande motivação é sem dúvida a enorme paixão por aquilo faço. Esta paixão alimenta-se da crença na mudança, na transformação que se realiza através de relações horizontais, onde a partilha e o despertar de consciências críticas são as principais ferramentas. Existem dias de forte cansaço, onde levanto mil e uma questões sobre as nossas práticas, mas as pequenas mudanças que vou observando no meu


dia-a-dia, fazem-me sentir que vale sempre a pena acreditar, mudar, ser a “pequena gota no oceano”. Sinto que temos impacto na comunidade, quando os vejo a trabalhar em equipa, quando colocam mil e uma dúvidas, quando reclamam porque vamos fechar para reunião, quando ainda não abrimos e já temos vários jovens à porta, quando respeitam as regras, quando assumem os erros, quando pedem ajuda para passar de ano, quando desabafam sobre problemas familiares ou choram porque acabaram o namoro, quando me mostram a boa nota que tiveram, quando os familiares ligam a dar a notícia que arranjaram emprego depois de os apoiarmos, quando nos pedem ajuda por causa dos filhos, quando sugerem novas actividades, quando se envolvem activamente nas acções, quando se empenham nas actividades…no fundo quando nos reconhecem como agentes de mudança e se tornam consciente ou inconscientemente agentes da sua própria mudança. Considero que ainda é muito cedo para falar em vitórias uma vez que, no mundo social, só conseguimos visualizá-las a longo prazo. Entretanto, penso que o facto de termos conseguido ser uma das poucas entidades sedeadas no bairro, com a qual a comunidade estabeleceu uma relação positiva e um laço de confiança, constitui um grande ganho. A mobilização de 27 voluntários que participam semanalmente nas acções, o vínculo e empatia com o projecto é também um grande factor de sucesso. Por fim, é de referir, a crescente afluência dos jovens ao projecto, a constituição do projecto enquanto espaço de referência do bairro e reconhecimento por parte de outras entidades. Ao longo desta intervenção, gostaria de contribuir para a minimização da situação da subsídio-dependência geracional, através da promoção de um espírito empreendedor, capacitação, e abertura de novas oportunidades e de escolhas, Contribuir para a formação de uma comunidade consciente da sua situação, das suas potencialidades, autora da sua mudança... deixar cidadãos activos no seu bairro, no seu país, no mundo! TÉCNICOS | 255


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Natalina Araújo “Um factor de coesão territoria”

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através de uma indicação do Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Darque que desafiou um conjunto de elementos da comunidade de Darque a elaborar uma candidatura ao Programa. O que mais me atraíu no Programa foi o seu enfoque na promoção da inclusão social de crianças e jovens provenientes de meios desfavorecidos. /Projecto que Integra Ainda Dar que falar /Comunidade Darque, Viana do Castelo /Funções no Projecto Faço parte da Equipa Técnica e sou responsável pela dinamização das actividades de apoio Psicopedagógico; Orientação vocacional e Apoio à procura Activa de Emprego. /Tempo de Colaboração Desde 2004

A comunidade de actuação do “Ainda Dar que Falar” é caracterizada por um meio sócio-económico e cultural desfavorecido, que integra um grupo significativo de cidadãos de etnia cigana. É uma comunidade que dispõe de alguns recursos associativos com algum dinamismo, que podem ser potenciados para a inclusão social das crianças e jovens. O que mais me motiva é poder ajudar as crianças e jovens da comunidade a definirem um projecto de vida mais rico que abarque as diferentes dimensões da construção da identidade. O que considero mais importante é o podermos proporcionar a estas crianças e jovens a possibilidade de exploração das suas potencialidades e favorecer a inclusão na comunidade onde se inserem. Dado que o meu trabalho está muito centrado no apoio à definição de um projecto vocacional é neste âmbito que considero que as acções desenvolvidas tiveram impacto na vida de um número significativo de jovens. Alguns fizeram cursos de formação profissional quando à partida pensavam abandonar a escola, outros continuaram os seus estudos para o ensino secundário quando, inicialmente, só pretendiam concluir o 9º ano. Tudo isto exigiu um acompanhamento muito individualizado, muito incentivo e um envolvimento activo dos seus pais e encarregados de educação. O Projecto permitiu a oferta de um leque muito diversificado de oportunidades, no âmbito da educação não formal , favorecedoras do desenvolvimento pessoal e social mais completo e integrado das crianças e jovens da comunidade. Para além disso, funcionou também como um factor de coesão territorial, unindo diferentes actores num trabalho colectivo orientado por objectivos e valores partilhados. Contribuiu para que diferentes entidades da freguesia se conhecessem melhor

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e trabalhassem colaborativamente para promover a inclusão das crianças e jovens. A seu tempo, gostaria muito que houvesse uma verdadeira integração das crianças e jovens de etnia cigana nas dinâmicas associativas locais. Não posso deixar de recordar a participação na actividade “Darque e as Invasões Francesas: Uma história com muitas estórias”, uma actividade de recriação histórica, que envolveu um número muito significativo de crianças , jovens e cidadãos da freguesia. Uma actividade em que as diferentes gerações trabalharam em conjunto para a criação de em evento que reforçou verdadeiramente o sentido de identidade darquense.

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Rita Magalhães “Se pudesse deixaria uma comunidade mais consciente das suas capacidades” /Como Começou O primeiro contacto com o Projecto “Bola P´ra Frente”, financiado pelo Programa Escolhas, surgiu na fase da sua concepção. Na altura, fazia voluntariado num projecto piloto da Associação Nacional de Futebol de Rua, entidade promotora do Projecto e apoiei a equipa técnica na realização da candidatura ao Programa Escolhas. Por este motivo, senti desde sempre um vínculo especial a este projecto. /Projecto que Integra Bola Pra Frente /Comunidade Bairro Padre Cruz /Funções no Projecto Técnica de Intervenção Comunitária /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

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Contactamos diariamente com pessoas de muitas origens e variadíssimas culturas. Os adultos partilham de uma grande falta de motivação para se envolverem em grupos de trabalho que visem a melhoria da comunidade onde vivem, ou grupos de lazer se para tal estiver implicado um compromisso. De uma forma geral, as pessoas desta comunidade não demonstram ter projectos de vida definidos. O que mais me motiva no meu trabalho deve-se à multiculturalidade da comunidade com a qual trabalho, o que é extremamente enriquecedor e divertido. Torna-se um desafio constante trabalhar com pessoas que têm prioridades e formas de estar na vida que, por vezes, são completamente opostas às minhas prioridades e aos meus referenciais de valores. É muito interessante agir e reflectir sobre os impactos do meu trabalho e da acção de toda a equipa e consequentemente procurar estratégias para envolver a comunidade, de modo a que a mesma possa abrir horizontes e desenvolver competências como a auto-estima e a confiança em si mesmos e no seu futuro. Sinto diariamente que o trabalho que realizo tem impacto junto da comunidade com a qual trabalho. Nem sempre temos esse feedback imediato, no entanto alguns acontecimentos trazemnos essa resposta de uma forma muito evidente. Recordo alguns desses momentos: quando o dinamizador comunitário tomou a decisão de concorrer à faculdade; o dia em que uma mulher de etnia cigana ponderou procurar trabalho; quando um jovem que havia desistido de concluir o 9º ano, reflectiu e decidiu voltar a frequentar o estágio; quando os familiares nos procuram para pedir apoio para fazer o seu curriculum vitae e procurar trabalho; sempre que um jovem procura apoio nas oficinas de estudo, entre tantas outras situações. Nestes momentos, tenho a garantia de que o meu trabalho tem um verdadeiro impacto na comunidade.


A confiança dos jovens e dos familiares foi sem dúvida a nossa maior conquista ao longo destes meses. Muitos jovens criaram laços fortes connosco e acredito que possamos ser uma referência nas suas vidas, apesar das muitas resistências que têm de vencer para fazer mudanças nos seus hábitos e estilos de vida. No entanto, temos tido muitas evidências positivas no desejo de criar essa mudança. Se pudesse deixaria uma comunidade mais consciente das suas capacidades e potencialidades, livres do peso social do meio onde estão inseridas. Gostaria de encontrar daqui a uns anos os “nossos meninos” com vidas organizadas, famílias estruturadas, profissionalmente realizados e completamente integrados na sociedade. Jamais me poderei esquecer das manifestações de alegria dos jovens quando realizámos a viagem à Serra da Estrela. A euforia nos dias que antecederam a viagem, a inquietude da partida, as intermináveis questões de quem pouco saiu do seu bairro, os sorrisos daqueles que nunca tinham visto neve, as brincadeiras na casa, a adrenalina quando os levamos à estação de esqui, os momentos animados nas refeições, a curiosidade nos olhares no Museu do Pão. Recordo ainda os receios dos familiares em autorizar a saída dos seus filhos nesta viagem, mas através do diálogo foram vencendo os seus medos e compreenderam que seria uma experiência muito importante para os seus filhos.

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Sónia Costa “Um projecto que favoreceu a abertura da escola à comunidade” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas em 2001, quando fazia estágio curricular numa instituição de Aldoar. Foi-me apresentado o Programa, com as linhas gerais e objectivos orientadores do trabalho e, pouco tempo depois de terminar o estágio, contactaram-me para uma entrevista de trabalho com a proposta de integração numa equipa de intervenção no terreno, inicialmente no Bairro de Aldoar e Bairro São João de Deus (Porto). A concordância com as linhas orientadoras da intervenção foram uma das motivações para abraçar o desafio. /Projecto que Integra Acreditar /Comunidade Aldoar /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 9 anos

Aldoar é uma freguesia de contrastes, onde facilmente se percebe um acentuado desnível social, cultural e económico. Mas, apesar das limitações da população com a qual trabalhamos, quando visitamos o bairro de Aldoar e Fonte da Moura recebemos sempre o sorriso e a boa disposição de uma população que, apesar das dificuldades que encontrou ao longo da vida, não deixou de Acreditar. A minha motivação prende-se com o gosto pela intervenção comunitária e com a convicção de que só com um trabalho articulado e em rede, com instituições locais e com a comunidade poderá sustentar a intervenção. O impacto do trabalho desenvolvido pelo Escolhas em Aldoar é visível. Inicialmente numa perspectiva de aproximação à comunidade e depois numa perspectiva de trabalho articulado com as instituições e com a comunidade. Penso que a continuidade deste projecto favoreceu a coesão da rede de intervenção social local, assim como a abertura da Escola (entidade promotora do Projecto) à comunidade, facilitando a ligação escola-aluno-família. Vitórias… o sorriso estampado na cara das crianças e jovens quando conseguem superar as suas próprias expectativas; a abertura, aceitação e responsabilização da escola relativamente ao trabalho social; a consolidação de uma rede de trabalho social local. Gostaria que a metodologia de trabalho em parceria se mantivesse de modo a responder às solicitações de forma consistente. Gostaria também que o trabalho realizado com os jovens no sentido de desenvolver a capacidade crítica, a consciência cívica, o espírito empreendedor, a autonomia, se traduzisse na concepção de uma associação que desse continuidade a algum do trabalho desenvolvido pelo Projecto.

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Já vivi muitas histórias na companhia do Escolhas, umas mais emotivas, outras mais divertidas, efectivamente já são muitos anos. Mas se tivesse que seleccionar uma, descreveria a sensação de satisfação que senti a primeira vez que levei os jovens a acampar; a expectativa e o receio de sair do bairro pela primeira vez, a curiosidade por vivenciar novas aventuras, o sorriso de satisfação por conhecer novas realidades e experienciar novos desafios… Foi realmente gratificante.

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Nisa Mendonça “Temos tido uma actuação efectiva na procura de emprego” /Como Começou Conheci através de uma amiga, que já conhecia o Programa Escolhas da geração anterior. O que mais me atraíu foi sobretudo o facto de ser um Programa muito inovador em vários aspectos. /Projecto que Integra Despertar@Nogueira /Comunidade Comunidade do Bairro da Nogueira /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 1 ano e 3 meses

O Bairro da Nogueira é um complexo habitacional socialmente muito isolado e estigmatizado, com vários problemas sociais comuns a este tipo de bairros. Faz falta valorizar o lado bom das pessoas, porque na comunidade estão habituados só a desvalorizar. Motiva-me o facto de poder proporcionar momentos diferentes e únicos para pessoas que têm poucas ou nenhumas oportunidades. E de ter capacidade para mostrar-lhes que existem outras opções ou realidades de vida, diferentes daquelas que estão habituados a assistir no bairro. O meu trabalho é estimulado pelo facto de poder contribuir para alguma mudança ou na tomada de uma atitude positiva nas suas vidas. A mudança não é um resultado que se obtém rapidamente, contudo ao longo do tempo constatam-se algumas mudanças de comportamento que muitas vezes traduzem por si só uma mudança no estilo de vida adoptado. Temos tido uma actuação efectiva na procura de emprego e no processo de tratamento de toxicodepedentes, que através do projecto, conseguiram encontrar objectivos de vida e deixaram de consumir estupefacientes. Gostaria de contribuir, a seu tempo, para tornar esta população, numa comunidade com mais iniciativa e mais consciente das escolhas e/ou opções. Os casos de sucesso não se esquecem, como é a história de vida de um jovem, toxicodependente, que se encontra em tratamento, e que o sucesso deste deve-se em grande parte à sua envolvência e participação no projecto...muitas vezes trabalha de forma voluntária no mesmo. Refere-se ainda o facto de o mesmo integrar o grupo de Teatro criado pelo nosso projecto em parceria com o Centro Comunitário da Nogueira.

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Vera Quelhas “Criação de um porto de abrigo para crianças e jovens” A Comunidade Mafrense apresenta muitas características da Zona Oeste, sendo um concelho geograficamente extenso e disperso, mas em que a maioria da população se conhece. Aquilo que sinto, é que por toda a vertente turística da área, pela sua beleza natural e ruralidade, é um concelho muitas vezes descrito como tendo uma maior qualidade de vida, mas acaba por estar muito mascarado um agravamento das condições socio-económicas das famílias. A maioria das famílias com as quais trabalhamos apresentam alguma desestrutura familiar e sem grande suporte familiar/social. Quando propus à instituição a candidatura ao Programa Escolhas, fi-lo convicta que o arrancar deste projecto iria permitir proporcionar a algumas destas crianças e jovens experiências que de outra forma nunca conseguiriam experienciar. Tenho consciência que não consigo Mudar o Mundo, mas se mudar o Mundo de uma só criança, o Mundo já mudou. É esta motivação que trago comigo todos os dias! o acreditar que pudemos fazer diferente e que esta diferença pode alterar todo um percurso de vida são motivos mais suficientes para acreditar que o nosso propósito é algo muito grande e de valor. O surgir do “Crescer com Escolhas” veio permitir desenvolver com as crianças e jovens e suas famílias, actividades que de outra forma nunca conseguiríamos desenvolver. Muitas vezes dou por mim a olhar para algumas crianças e jovens que, quando chegaram até nós, eram descritas como sendo “pequenos terroristas”, e hoje são crianças que assumem responsabilidades, que querem fazer algo por si, querem ser uma voz activa no desenvolvimento e crescimento. Jovens que antes mal levantavam a cabeça do chão e abriam a boca para expressar a sua opinião, e que hoje em dia nos enchem de ideias e pedidos de ajuda para tornarem a sua comunidade

/Como Começou Enquanto Técnica tive conhecimento do programa escolhas em 2005 quando trabalhei na CM de Vila Franca de Xira e articulei com o projecto Poder Escolher. Este contacto permitiu-me perceber enquanto Directora Técnica da ACJ que seria um projecto muito interessante desenvolver no concelho de Mafra, que não tem respostas sociais que englobem o trabalho desenvolvido pelo “Crescer com Escolhas” e que nos últimos anos tem sofrido grandes alterações pelo fluxos migratórios. A atracção do Programa Escolhas prende-se com a multiplicidade de actividades que o mesmo permite desenvolver, sendo uma tipologia de projectos que permite edificar junto de crianças/jovens e suas famílias uma intervenção integrada e holística. /Projecto que Integra Crescer com Escolhas /Comunidade Mafra /Funções no Projecto Psicóloga Clínica /Tempo de Colaboração 1 ano e 3 meses

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mais atraente e que vá de acordo com os seus interesses e motivações. Sinto que com a criação deste espaço, estas crianças e jovens perceberam que têm um “porto de abrigo” que lhes quer dar asas para voarem por si. Hoje em dia, estas crianças e jovens desenvolveram mais o seu sentido crítico, deixando de ser passivos nas situações. Alguns deles são verdadeiramente agentes activos no seu processo de mudança. Gostava que, desta experiência, se criasse uma Associação Juvenil ou outro tipo de Associação que impulsionasse o concelho e a sua gente.

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Vítor Martins “...É notório o carinho das crianças na relação com a equipa” Na sua generalidade, a comunidade alvo da intervenção social do projecto é de etnia cigana. Este grupo minoritário além de uma cultura complexa, com especificidades muito próprias e vincadas, denota comportamentos atípicos capazes de promover a sua exclusão e rotulagem por parte da sociedade geral. É também patente a falta de regras societais, nomeadamente nos laços de amizade que as crianças estabelecem entre si, na deposição desenfreada de lixo nos espaços adjacentes à sede do Projecto, na relação, por vezes atribulada, que os residentes estabelecem com os Técnicos. Além do misticismo que envolve toda a cultura cigana, é notório o carinho canalizado pelas crianças na relação que estabelecem com a equipa técnica. É frequentemente as crianças e jovens procurarem os técnicos do projecto para conversar sobre os seus problemas, os seus receios futuros, as expectativas dos pais, as suas relações amorosas, etc. Tal acção profissional supera, em grande medida, o desalento e a frustração que muitas vezes se instalam.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através de um convite da Câmara Municipal de Viana do Castelo para assumir a coordenação da 4ª Geração deste novo projecto /Projecto que Integra Ainda Dar Que Falar /Comunidade Darque, Viana do Castelo /Funções no Projecto Coordenador /Tempo de Colaboração 1 ano

Constituindo uma das principais premissas deste novo projecto, foram estabelecidas novas parcerias com o objectivo primordial de combater problemas sociais que afectam a qualidade de vida das pessoas. Adoptando esta metodologia de acção foi possível rentabilizar esforços e recursos, sem, no entanto, duplicar e sobrepôr acções. Uma das principais vitórias deste projecto foi sensibilizar a população-alvo para a questão do lixo. Em fase inicial do projecto, este era sem dúvida um grave problema que afectava esta população e que potenciava focos de marginalidade e delinquência. Mediante este trabalho em parceria foi possível

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alterar a imagem exterior do bairro, apostando sobretudo na preservação dos jardins, na colocação de mais papeleiras, etc. Até mesmo as crianças e jovens tomaram a inicitiva de pedir sacos do lixo e luvas ao projecto para apanharem o lixo nos espaços junto ao Centro Comunitário de Darque (sede do projecto). Outra grande vitória foi a mobilização de um conjunto de parceiros, cujos recursos foram canalizados para a real resolução das situações-problema. Incutir nesta população que o Estado Social criou mecanismos para trabalhar e promover a real inclusão social destas pessoas...

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Micael “É motivante o facto de poder motivar jovens a mudar...” A comunidade de CADI detém sobretudo problemas familiares, condições precárias, dificuldades escolares. É uma população imigrante. Nesta intervenção é motivante o facto de poder motivar, educar, liderar e acreditar, que é possível mudar e desenvolver capacidades em jovens, até então desconhecidas. Penso que este projecto tem tido impacto na comunidade, na forma como me relaciono com os jovens e crianças, a maneira com que realizo e cativo os mesmos a participarem nas actividades e sobretudo o estar sempre com pensamento positivo e disposto em qualquer altura para os puder ajudar.

/Como Começou Conheci o Escolhas através de actividades em que participei. O que me atraíu foi o facto de poder educar, motivar jovens e crianças com comportamentos especiais /Projecto que Integra CADI /Comunidade Cadi /Funções no Projecto Dinamizador comunitário /Tempo de Colaboração 1 ano e 1 mês

Entre as nossas maiores conquistas, está a inscrição de mais jovens no Projecto e aprendizagem que alguns tiveram com o decorrer das actividades. Queria deixar a minha marca nesta população...um dia encontrar aqui Jovens com mais conhecimentos, mais empenhados e com vontade de se desafiarem. Ao longo da nossa envolvimento com o Escolhas, as histórias que nos emocionam são muitas, mas talvez a mais simples e a que mais me fez pensar foi uma criança me ter chamado de pai e, a partir daí, sempre me tem tido um carinho “especial”.

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Renato Simões “Gostava de deixar um sentimento de esperança e de ajuda” /Como Começou Conheci o projecto através de uma vaga de emprego, e o que me atraíu mais foi facto de ser um projecto vocacionado para a ajuda social e formação /Projecto que Integra CADI /Comunidade Anadia /Funções no Projecto Monitor Cid Net /Tempo de Colaboração 7 meses

A Anadia é uma comunidade com grandes carências sociais, sobretudo devido ao desemprego. O que me dá estímulo neste trabalho surge principalmente quando sinto que estou a fazer a diferença no bem-estar do próximo. Penso que a actuação deste projecto tem tido impacto na população de várias maneiras...quando vejo que os meus utentes estão a desenvolver capacidades...quando o meu trabalho resolve directamente um problema deles, quer formativo, quer por vezes pessoal. As nossas conquistas passam pelo envolvimento de muitos jovens, crianças e também de emigrantes nas actividades e sentir que lhes transmitimos conhecimentos positivos e de utilidade. Nesta comunidade, gostava de deixar alguns conhecimentos úteis dos TIC mas também um sentimento de esperança e de ajuda. Nunca vou esquecer a cara de felicidade de alguns jovens e crianças quando nós lhes damos atenção, carinho, amizade e também quando atingem os objectivos desejados.

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Sara Ramos “As maiores vitórias são as pequenas conquistas...” A comunidade deste Bairro é eclética. Temos famílias de etnia cigana e outras sem etnia. Regra geral, as pessoas que vivem no bairro são desmotivadas e desinteressadas, sem projectos de vida para si e para os filhos, dependentes de subsídios para viverem. As crianças seguem os modelos dos pais e, por isso, não investem em projectos académicos ou outras actividades. No entanto, esta comunidade tem mostrado abertura à intervenção do projecto. A possibilidade de tocar na vida de algumas crianças e jovens, ajudando-os a escolher caminhos melhores, a tomar decisões mais adequadas. A possibilidade de abrir portas e horizontes. Tudo isto incentiva-nos a continuar a dar o noss melhor. Vejo as marcas da nossa intervenção na vivência das crianças, que se tornaram mais disponíveis para os estudos e que conseguem explorar melhor as suas potencialidades enquanto indivíduos e cidadãos.

/Como Começou O que me atraíu no Programa Escolhas foi a possibilidade de trabalhar com crianças e jovens carenciados. Sempre me interessei por intervenção comunitária e o Escolhas ofereceu-me a oportunidade de criar um projecto de raiz, de o ver crescer e de ver o impacto que este tem tido na comunidade para a qual se dirige /Projecto que Integra Mais Jovem /Comunidade Bairro D. Armindo Lopes Coelho /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde Dezembro de 2006

Os pequenos sorrisos e os olhos a brilhar pela nota positiva no teste de matemática. O abraço no fim do espectáculo do grupo de teatro. O beijinho inesperado quando entram pela porta do projecto. O agradecimento sentido do jovem que finalmente se foi inscrever no curso CEF. O e-mail da mãe a felicitar-nos pelo bom trabalho durante as colónias de férias. O telefonema da Direcção do Agrupamento a pedir ajuda para um aluno problemático na escola. As maiores vitórias são as pequenas conquistas...A disponibilidade das pessoas para se tornarem cidadãos, trabalhadores/estudantes, pais/filhos e amigos responsáveis. Existem várias histórias de vida que foram tocadas pelo projecto. Histórias de meninos que nos fizeram rir a determinado momento. Existem histórias de amizades e laços que se criaram.

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Dóra Kenéz “A comunidade tem cada vez mais confiança no Projecto” /Como Começou Sou de nacionalidade húngara e vim para Portugal como voluntária do Programa “Serviço Voluntário Europeu”, em 1998. Fiz voluntariado e vivi na Comunidade Juvenil S. Francisco de Assis, em Olho Marinho perto de Coimbra, durante 6 meses e depois durante vários anos continuei a trabalhar com as crianças e jovens desta instituição. Sempre fiquei em contacto com uma Técnica, que me acolheu quando fui voluntária, do Instituto Português da Juventude de Coimbra. Ela gostou do meu trabalho desenvolvido com os jovens e crianças da Comunidade e quando nasceu o Projecto Trampolim, em 2004, ela encaminhou-me para ser animadora. Só conheci o PE e o Trampolim quando cheguei em Novembro de 2004 ao terreno. Atraíu-me a ideia de continuar a trabalhar com crianças e jovens “desfavorecidos”, assim como com as famílias também.

Trabalho com a comunidade cigana, mas também com não ciganos e alguns outros descendentes de imigrantes ou mesmo imigrantes. O que acho mais importante é que estas culturas todas misturamse aqui nestes bairros e as pessoas respeitam-se.

/Projecto que Integra Trampolim

Agora, depois de seis anos de trabalho, vêem-se algumas mudanças. As famílias tem confiança em nós, alguns jovens e crianças mudaram de comportamentos, mudaram de caminhos... As oficinas funcionam com regularidade e cada vez mais com a responsabilidade dos grupos que fazem parte. As actividades cada vez mais são organizadas pelos jovens e não só pelos Técnicos do Projecto...

/Comunidade Bairros Municipais de Planalto de Coimbra; Bairros de Rosa e do Ingote /Funções no Projecto Animadora Sociocultural /Tempo de Colaboração 6 anos

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Quando se fala da comunidade, fala-se da população em geral destes bairros sociais onde as pessoas são ainda um pouco fechadas, desconfiadas em certas alturas, mas também muito ligadas em outras alturas. A nova geração dos jovens e crianças está mais aberta para partilhar as suas culturas e conviver. O que me motiva neste trabalho é conseguir mudar a imagem destes bairros e dos seus habitantes perante as pessoas (que não vivem aqui, e que muitas vezes vêem esta comunidade como algo negativo para a cidade). Gosto de estar com as crianças e jovens, motivá-los, ajudá-los, ensiná-los - através das oficinas regulares (artísticas) e das actividades pontuais (saídas, intercâmbios, voluntariado,etc) - a crescerem com mais responsabilidade, aceitando e respeitando os outros, a conhecerem novas realidades e culturas. Acho que o meu trabalho tem impacto, mas nem sempre fácil de ver...Os resultados só se vêm a médio/longo prazo. Não se pode mudar alguém ou ter impacto neste comunidade em pouco tempo.


A maior vitória tem sido a mudança de vida de alguns jovens. Um jovem que frequenta o Projecto desde o início agora é Dinamizador Comunitário, outros continuaram estudar e trabalhar e têm vidas mais equilibradas. Termos conseguido um grupo base de vários jovens e crianças que participam regularmente, com assiduidade e pontualidade, é outra conquista importante...a comunidade tem cada vez mais confiança no Projecto e envolve-se mais nas actividades. Através do “Trampolim” gostava de, a seu tempo, mudar a mentalidade das pessoas,... que percebessem quanto é importante o respeito pelos outros, aceitar as diferentes culturas e modos de viver, mostrar aos jovens e crianças a importância de ouvir os outros, aceitar outras ideologias e de não desistir dos seus sonhos... Há muitos momentos que não posso esquecer. Uma história marcante foi o fim da “primeira” geração do Programa... os jovens e crianças chegaram ao Projecto e estavam todos a protestar, poism não queriam que o “Trampolim” acabasse. Organizámos uma festa “final” e todos gritaram que queriam a continuação do Projecto. Senti uma grande vitória e muita emoção para ver que eles estavam tão ligados ao Projecto e que fazíamos parte da vida deles.

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Pedro Mira “...saber que posso mudar outras vidas é a minha principal motivação” /Como Começou Propuseram-me o cargo que ocupo actualmente como monitor de Cid@Net...., uma oportunidade irrecusável para trabalhar no terreno, com as problemáticas da comunidade /Projecto que Integra Eu Amo SAC /Comunidade Santo António dos Cavaleiros /Funções no Projecto Monitor de Cid@Net /Tempo de Colaboração 1 ano

A comunidade de Santo António dos Cavaleiros é uma comunidade como muitas outras...com as suas problemáticas mas também com muito talento a desenvolver. Ter uma missão a cumprir e saber que a minha vida pode mudar outras vidas é a minha principal motivação. Este projecto é uma oportunidade para muita gente poder desenvolver capacidades, talentos e dons. A nossa intervenção passa por, acima de tudo, levar as pessoas a acreditarem que são capazes de realizar, de fazer a diferença, de ter um fututo. Aqui no espaço, há a oportunidade de aceder às novas tecnologias. Na comunidade já se verifica uma mudança ao nível relacional, comportamental e uma também subida no interesse escolar e nas novas tecnologias. Queria deixar na população a ideia de que tudo é possível quando feito com paixão e dedicação. Todos os dias há sempre uma história que se repete...a da relação que existe entre a equipa e jovens. É uma relação muito forte de confiança e amizade... que nos permite ser uma boa influência para eles.

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Tânia Sanchêz “Sou o elo de ligação entre a minha comunidade e a instituição” Esta comunidade é um pouco difícil de moldar e de incentivar, mas aos poucos as pessoas mostram-se receptivas em envolverem-se nas actividades e revelam alguma vontade de se inserirem socialmente. O que me motiva neste trabalho é poder trabalhar com a população da minha etnia. Para além disso, sinto que o meu trabalho tem impacto, pois eu sou o elo de ligação entre a minha comunidade e a instituição. A maior vitória foi ver como indivíduos da comunidade a entender a importância da inclusão escolar, a perceber que é possível ser um cidadão integrado na sociedade, sem perder as raízes da nossa cultura. É bom verem o meu exemplo.

/Como Começou Conheci o Projecto através da minha mãe e de uma amiga que fizeram uma formação de mediação /Projecto que Integra Multivivências /Comunidade Etnia cigana /Funções no Projecto Dinamizadora Comunitária /Tempo de Colaboração 5 meses

Um momento que considero marcante para a população foi a realização do Escolas Portas Abertas - 2011 : Workshop de Henna.

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Inês Castro “Eu Amo SAC. O mais importante é o amor” /Como Começou Conheci o projecto através da coordenadora de projecto quando ela e a anterior equipa se candidataram. O que mais me atraÍu no projecto foi o facto de este dar resposta às necessidades das crianças, jovens e familiares que são influenciados pelo Projecto /Projecto que Integra Eu Amo SAC /Comunidade Santo António dos Cavaleiros /Funções no Projecto Dinamizadora Comunitária /Tempo de Colaboração 7 meses

Uma comunidade perdida com ausência de amor. É, acima de tudo, o que caracteriza esta população de Santo António dos Cavaleiros. O que mais me motiva é o facto de saber tenho algum poder para mudar a vida destas crianças, a todos os níveis. O meu trabalho pode ter impacto de várias maneiras: o que dizemos, da forma que o dizemos, o que fazemos...tudo pode influenciar. As crianças absorvem tudo e podemos marcar a vida delas. O meu desejo é esse mesmo, marcar a vida delas de uma forma positiva para, quando crescerem, poderem dizer são pessoas melhores graças ao Projecto. Para além do nosso objectivo de influenciar crianças e jovens, para que se desenvolvam de uma maneira saudável, gostaria de lhes incutir o sentimento de amor por elas mesmas, pelos outros e pela comunidade... daí o nome: “Eu Amo SAC. O mais importante é o amor. Não posso enumerar nenhuma história em especial, pois todos os dias são diferentes e as crianças comportam-se de maneira diferente todos os dias. Todos os dias existe uma história gratificante para ser contada. Todos os momentos, todos os segundos têm marcado a minha vida, e este trabalho de facto, mudou a minha vida!

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Filipa Amaral O “envolvimento dos pais é fundamental” neste trabalho Descreveria esta população como sendo uma “multicomunidade”, visto que Coimbra abraça várias nacionalidades. Actualmente, aquela que mais se destaca é a nacionalidade romena, pela quase chocante utilização de menores para a mendicidade, ignorando as necessidades básicas / primárias de crianças tão pequenas, a quem a infância é retirada. A comunidade imigrante em Coimbra, caracteriza-se, ainda, por concentrar imigrantes de 2ª e 3ª gerações. O que mais me motiva neste trabalho são as ofertas que disponibilizamos às crianças, que de outra forma, por diferentes motivos, não teriam acesso. É transversal a tudo isto, observar o crescimento das crianças, utilizando as ferramentas que lhes vão sendo dadas e, principalmente, a alegria que demonstram (É, se dúvida, muito muito muito gratificante). O trabalho que temos efectuado tem impacto, principalmente, no desenvolvimento pessoal e social das crianças. Uma importante vitória para o nosso Projecto foi ganhar a confiança dos pais das nossas crianças e jovens, sendo uma base fundamental para o trabalho que desenvolvemos, no qual o envolvimento dos pais é fundamental. E, na sua sequência, a fidelização de algumas crianças e jovens ao projecto, se bem que ainda é uma batalha que o “EntreNÓS” trava. Nesta comunidade, gostava de contribuir para uma maior abertura perante aquilo “que julgamos diferente”... Desenvolver sentimentos de aceitação, tolerância, abertura. Por mais simples que seja, até ao momento, tive uma experiência que não me vou esquecer. Tinha entrado para o projecto, há menos de quinze dias, e, estando as crianças de férias e, sendo Verão, organizou-se uma ida à piscina. Nesse dia, fomos para a paragem de autocarro e....autocarro, nada! Não havia, devido a

/Como Começou Tive conhecimento de uma entrevista para Coordenadora de Projecto e decidi candidatar-me, sem ter grande conhecimento daquilo que me esperava! No decorrer da entrevista fui informada de que o projecto se integrava no Programa Escolhas, algo que já tinha ouvido falar... Posteriormente, decidi pesquisar sobre “o que seria este programa... e à medida que avançava no site, cada vez mais me entusiasmava a hipótese de coordenar um projecto com características tão promissoras e cativantes!! Aquilo que mais me atraíu ao Programa Escolhas foi o facto das crianças / jovens serem o mais importante da intervenção, envolvendo-as na construção de um futuro mais seguro e confortável, responsabilizando-as pelo curso das suas vidas /Projecto que Integra EntreNÓS (NC-051/C/E4G) /Comunidade Imigrantes e descendentes de imigrantes /Funções no Projecto Coordenadora de Projecto /Tempo de Colaboração 8 meses

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alteração de horários! Tivémos de ir a pé...e durante o caminho as crianças fartaram-se de reclamar, e queriam fazer sempre pausas pelo caminho... Quando chegámos à piscina (Parque Municipal de Campismo de Coimbra), foi como chegar ao “paraíso”, as crianças ficaram de tal forma felizes e entusiasmadas, que arrepiou todos os presentes. Foi uma experiência tão gratificante, que, mesmo em dias de frio, as crianças perguntam “Quando voltamos à piscina?!?”.

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David Santos “Somos uma família para a comunidade” Eu trabalho com todos os miúdos que vivem nos bairros – Bairro das Panteras e Bairro da Armona - sejam brancos, pretos, azuis, amarelos, ciganos, chineses, etc...para mim somos todos iguais. O que me motiva neste projecto é esta equipa maravilhosa com a qual trabalho e este ambiente que criámos no espaço com os miúdos. Posso dizer que já somos como família para toda a comunidade nestes bairros. Gostaria imenso que o nosso trabalho diário se viesse a reflectir dentro da comunidade, mesmo depois do Projecto terminar. Queria que os valores permanecessem, a mudança continuasse.

/Como Começou Conheci o projecto através da polícia e de mais duas pessoas, Ana Leal (Minha coordenadora) e Sérgio Miguel (Ex monitor cidnet). O que me atraíu no projecto foi ter a oportunidade de poder abrir novos horizontes e poder conhecer pessoas novas e ajudar o meu povo. É muito interessante porque eu só passei mal na vida porque não tive quase ninguém para me apoiar como hoje em dia estes jovens têm /Projecto que Integra Bom Sucesso /Comunidade Bairro das Panteras e bairro da Armona /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração 9 meses

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Raquel Correia “Uma oportunidade para crianças e jovens descobrirem o poder do amor” /Como Começou Há muito que as pessoas envolvidas na candidatura sabiam do meu interesse por trabalhar, de forma mais directa, junto de pessoas com necessidades específicas, especialmente crianças e jovens. Assim, quando fui desafiada para ser parte integrante da equipa do projecto não hesitei e decidi abandonar uma carreira numa multinacional onde lidava com negócios de grandes empresas. Sabia que a minha vida iria fazer mais sentido vivida em prol de pessoas, que iriam viver um tempo de mudança na comunidade de Santo António dos Cavaleiros, um tempo de oportunidade, valorização, crescimento estruturado, capacitação e amor, amor ao próximo e a si mesmas /Projecto que Integra Eu Amo SAC /Comunidade Santo António dos Cavaleiros /Funções no Projecto Técnica de Intervenção social /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

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A comunidade em causa não se sente amada nem sabe como amar. A Cidade Nova e as Torres da Bela Vista são bairros inserido na freguesia de Santo António dos Cavaleiros, constituídos, na sua maioria, por comunidades imigrantes. A população jovem e infantil apesar de ter nascido e crescido em Portugal não se sente parte deste país mas também não tem referências do país de origem da sua família, além das memórias dos seus pais. Trata-se assim de uma comunidade que não se sente parte de Portugal e que se caracteriza por famílias desestruturadas, onde os principais problemas são a toxicodependência, o alcoolismo, a falta de objectivos e perspectivas futuras, o insucesso escolar e a criminalidade. No meu envolvimento com este projecto, motiva-me o facto de poder dar uma oportunidade a estas crianças, jovens e famílias de descobrirem o poder do amor, de amarem e de se sentirem amados. O poder fazer parte de um crescimento estruturado e de uma redescoberta de si mesmos, das suas potencialidades e forças, incentivando-os a darem cada vez mais de si próprios e a esforçarem-se por serem capazes de ultrapassar os seus medos e fraquezas. Uma vida com sentido vivida através do relacionamento e intervenção em outras vidas...É isso que me motiva para este trabalho. O trabalho de amar e educar um ser humano é um processo contínuo e infindável já que cada dia é uma aprendizagem, no entanto é gratificante poder ver e experimentar a mudança de comportamentos, pensamentos e atitudes dos participantes do projecto. Perceber que os rebeldes já se quebrantam, que os refilões já dizem “obrigado”, “se faz favor” e colocam perguntas quando antes simplesmente iam embora, que cada um já começa a saber colocar-se no lugar do outro e assim medir as consequências do que faz, que apesar de ser difícil é importante pedir desculpa, que a vida é feita de relacionamentos e que para


isso é preciso aprender a lidar com as pessoas... perceber que muitos já captaram estas mensagens é realmente prova de que o trabalho diário causa impacto. A maior vitória foi dar a oportunidade, a crianças e famílias em situações vulneráveis, de poderem desenvolver aptidões e actividades escolares, desportivas, artísticas, culturais, familiares, relacionais, nas novas tecnologias, promovendo assim uma melhoria na auto-estima e, consequentemente, um crescimento e desenvolvimento estruturado. Gostava que toda a comunidade percebesse que somos parte uns dos outros e que juntos formamos uma grande família, pelo que devemos amor e respeito uns para com os outros. Gostava que todos percebessem que os problemas e conflitos se resolvem falando e perdoando, assim como diariamente somos perdoados quando erramos. E gostava que cada pessoa percebesse que tem importância, capacidade e é dotada de dons que servem para fazermos diferença positiva na vida de quem nos rodeia. Dos momentos vividos com o Escolhas, não vou esquecer o dia em que percebi porque é que os filhos de imigrantes africanos não se sentem parte de Portugal. De repente, instalam-se gritos, insultos e agressões verbais que doem mais que as físicas. Os vizinhos sentiram o “seu” espaço invadido e sentiram dificuldade em dividi-lo pacificamente. O rastilho de pólvora que há muito estava a ser construído acabou por se incendiar e gerar uma grande explosão. A equipa do “Eu Amo SAC” servia de mediador entre grupos que se atacavam com palavras mais afiadas que qualquer faca e que se ameaçavam constantemente de agressão física que era aparada pela equipa que acabava sendo atingida no campo de batalha. De um lado, adultos que reclamavam os direitos que achavam ser seus de cidadãos e contribuintes portugueses e, do outro, crianças e jovens que acusadas de falta TÉCNICOS | 279


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de respeito, de falta de educação e de viverem num país que não seria o deles. De lamentar o facto dos adultos não estarem disponíveis para uma conversar com a equipa do projecto. De louvar o comportamento das crianças e jovens que, embora magoadas e injustiçadas souberam controlar-se e amparar-se uns aos outros de modo a não piorar a situação e perceberam que realmente os problemas se resolvem conversando, algo que uma das partes não esteve disposta a fazer. No mesmo dia, uma outra situação me levou a perceber que o racismo está vivo e de boa saúde, quando eu pensava que era algo ultrapassado e tratado. Tudo se passou numa tarde de sol, calor e muita brincadeira...o facto de muitas crianças e jovens frequentarem a sede do projecto, que se situa numa praceta, junto a um parque infantil, gerou na população vizinha algum descontentamento por sentirem o “seu” espaço, que é público e e de todos, invadido. No final, crescemos enquanto equipa e enquanto projecto e mostrámos aos participantes a importância de sabermos respeitar cada pessoa, colocando-nos no lugar delas.

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Cláudia Prates “A motivação é sem dúvida o sorriso nos nossos destinatários...” A comunidade com quem trabalho é envolvente, mas com os problemas de abandono e desemprego em grande escala. Os consumos também imperam, a familia muito pouco presente na vida dos seus filhos e envolvida nas suas questões. Têm uma característica interessante: são “bairristas”, o que torna difícil a vinda de outros novos membros. A motivação é sem dúvida o sorriso nos nossos destinatários, o grande abraço e conjunto de mimos que nos dão, no final de um dia, onde tudo nos parece muito sem cor..., o “obrigado”, sem o dizer, mas agindo na envolvência das actividades propostas, participando cada vez mais; quando trazem boas notas e querem cada vez ter melhores..., quando não desistem de acreditar que conseguem..., porque como nos dizem “Todos Kontamos + Ainda” e esta é a nossa segunda casa.

/Como Começou Conheci Escolhas através da Câmara Municipal do Montijo, com a preparação de candidatura para a 3. geração. O que me atraíu, foi o desafio com uma nova “Comunidade”, estando com o quartel general mesmo no bairro. A inovação a nível de estrutura do programa, também me atraíu

Vemos o impacto do nosso trabalho diariamente. Fazemos parte do seu dia-a-dia, somos um espaço no bairro, “kontam” connosco na partilha de pequenas intimidades suas. A familia já nos vê como um amigo dos seus filhos e vem até ao nosso espaço de livre vontade, conversar, partilhar. A envolvência e a partilha com todos é cada vez mais estreita, e isso é notório. Conquistas e vitórias...Envolver uma comunidade de etnia cigana, conseguir que as crianças nos abraçem e conseguir leválas para outros locais, longe do seu bairro, e os pais permitirem.

/Funções no Projecto Técnica

/Projecto que Integra Tu Kontas + Ainda /Comunidade Montijo, Esteval e Caneira

/Tempo de Colaboração 4 anos

Deixar diferente? Para as nossas crianças e jovens pensarem no nosso símbolo, mesmo não estando com eles, reviverem os nossos “ensinamentos” e acreditarem que é possível, desafiar a vida e ir em frente. A autonomia e a confiança neles próprios. Uma história a lembrar: um jovem que estava em casa sem nada para fazer, apareceu no CID, fez formação, foi atendido pelo agente de formação, iniciou uma observação de percursos e voltou à escola. “Mudou-me a vida...”, “Ganhei tantas coisas ...”; “Muitos Mimos...”. Integrou o projecto como Dinamizador Comunitário. “Cresci enquanto pessoa e ganhei uma nova vida”; “Fiz uma nova familia...”; “Ganhei novos amigos...” A história reflete a verdadeira satisfação de deixar algo diferente na comunidade. TÉCNICOS | 281


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Sandra Duarte

/Como Começou Em 2006 , estava desempregada e fizeramme a proposta de integrar a equipa do projecto. Quando percebi as características do projecto, que iría trabalhar com crianças, jovens e famílias de contextos desfavorecidos, aceitei de imediato, pois trabalhar directamente com a população foi sempre algo que me atraíu, não tivesse eu tirado o curso de Política Social. Era uma equipa jovem, cheia de entusiasmo e vontade de mudar algo na comunidade!/Projecto que

Trabalhamos em comunidades economicamente desfavorecidas e em contextos sociais vulneráveis. Estas famílias, vivem o dia a dia, sem muitas regras... sem um acompanhamento pessoal e escolar dos filhos... São famílias que precisam de apoio na “gestão” da sua vida. Mas acima de tudo, são crianças e jovens que precisam de acompanhamento individualizado, de reforço da auto-estima, de carinho, de uma palavra amiga apenas....

Integra Tu Kontas + Ainda

Acompanhar estas famílias na sua luta por uma vida melhor, ouvir, encaminhar, apoiar... Ter a consciência que estas famílias sabem que estamos aqui para as apoiar... é muito gratificante! Com o Projecto conseguimos mudar de uma forma gradual algumas atitudes e comportamentos...crianças mais confiantes, mais alegres, mais extrovertidas.

/Comunidade Concelho do Montijo /Funções no Projecto Técnica de Intervenção social /Tempo de Colaboração 4 anos

Neste trabalho, motiva-me o facto de poder mudar algo, por pouco que seja, na vida de crianças e jovens, de contextos desfavorecidos. Conviver e acompanhar crianças e jovens no seu percurso de vida. Sentir que faço parte desse percurso, seja por um conselho, por apenas ouvir o que têm para dizer, seja por ajudar nos seus estudos...

Lembro-me que antes do projecto chegar ao bairro, estas crianças não conviviam umas com as outras, a partir de determinada altura formou-se um grupo só, de entreajuda, de companheirismo. As nossas vitórias podem não ser visíveis de imediato, mas são graduais. Vencer foi cativar as crianças, jovens e famílias a participar no projecto. Crianças e jovens que não conviviam, mas que viviam no mesmo bairro, e que actualmente convivem de uma forma saudável. Verificar que, ao longo do tempo, as notas escolares têm vindo a melhorar. A melhoria da auto-estima também foi uma grande vitória, que culmina com a integração na Academia de Talentos, onde se expõem a dançar e cantar.

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Gostava que estas crianças e jovens, tivessem um percurso diferente dos pais. Quebrar os ciclos... A história que mais me marcou e que se vê a importância dos Projectos do Programa Escolhas, foi a história do nosso dinamizador comunitário. que quando o projecto iniciou, não tinha perspectivas de vida, como ele dizia ���estava em casa sem fazer nada” e ao longo das actividades do projecto, fez um estágio, integrou um curso de formação profissional, e hoje está como nosso Dinamizador Comunitário e está a terminar o curso. Tem uma vida organizada e amadureceu com o projecto.

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Filipe Silva “Mostrar aos jovens as vantagens do Conhecimento” /Como Começou A possibilidade de contribuir de alguma forma para uma melhor integração de todos os imigrantes na sociedade portuguesa. Acho que as novas tecnologias podem ter um papel importante nessa integração, essencialmente no que diz respeito a conhecerem melhor os seus direitos e deveres, como na experiência partilhada de vivências, dificuldades e sucessos /Projecto que Integra EntreNós /Comunidade Imigrantes e descendentes de imigrantes /Funções no Projecto Monitor CID@NET /Tempo de Colaboração 1 mês e meio

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A comunidade em causa é constituída por imigrantes e descendentes de imigrantes, é uma população motivada, mas com algumas dificuldades de integração. Neste Projecto, é muito estimulante trabalhar com crianças e jovens, tentando mostrar-lhes as vantagens que o Conhecimento tem nos nossos dias, a importância das novas tecnologias para o futuro... Já ouve casos de jovens desmotivados com os trabalhos escolares, que ao perceber a quantidade de informação existente na Internet, rapidamente ganharam motivação e perceberam que a tarefa que lhes era pedida não era irrealizável. Através do “Entre Nós”, gostava de deixar nestes jovens a vontade de aprender.


Carla Canas “A Importância do Centro de Apoio Escolar para os comportamentos” Na comunidade onde trabalho existe uma grande diversidade de pessoas oriúndas de outros países, numa realidade de dificuldades financeiras num grande número de famílias. Motiva-me o facto de ver a evolução dos destinatários, de sentir o quão importante é a nossa intervenção na vida deles. Através do Centro de Apoio Escolar, consigo que as crianças melhorem tanto ao nível do comportamento como ao nível do aproveitamento escolar. As maiores vitórias do projecto passam pela transformação de alguns dos nossos destinatários, ...começam a frequentar o projecto e a mudar as atitudes. Crianças e Jovens introvertidos, tímidos e sem espírito de iniciativa ficam divertidos, faladores, com espírito crítico. Isso é muito bom!

/Como Começou O Programa Escolhas entrou na minha vida quando a Associação onde trabalhava se candidatou com o projecto “Operação Mobilização” ao Programa Escolhas /Projecto que Integra Geração Inconformadus /Comunidade Ponte de Sor /Funções no Projecto Técnica /Tempo de Colaboração Desde Dezembro de 2006

Nesta intervenção, gostaria de deixar o valor do respeito.... gostava que a comunidade se respeitasse, independentemente da sua raça, credo ou cor.

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Ana Maria Carvalho “Conseguiu-se alterar projectos de vida, pessoais, escolares e profissionais” /Como Começou Estava a tirar uma pos-graduação na área da juventude e como tinha conhecimento da existência do Programa Escolhas considerei que seria uma excelente aprendizagem e, assim, fiz o estágio aqui e por aqui estou até hoje

É uma comunidade igual a tantas outras, com as suas dificuldades e problemáticas e com as suas potencialidades e alegrias. Necessitam de orientação e dedicação.

/Projecto que Integra Percursos Integrados

Vejo os resultados do nosso trabalho, todos os dias, nos comportamentos e atitudes das crianças, dos jovens, dos familiares, dos professores.

/Comunidade Concelho de Amarante /Funções no Projecto Psicóloga /Tempo de Colaboração 4 anos e 9 meses

O desafio constante, a necessidade de encontrar soluções, as perdas e os ganhos, o conhecimento, a partilha, a equipa...são bons estímulos à nossa intervenção.

As maiores vitórias foram conseguidas junto de alguns jovens que haviam enveredado por caminhos ditos de risco e com a intervenção do Escolhas conseguiu-se alterar projectos de vida pessoais, escolares e profissionais construídos por e com eles. Nesta comunidade, gostava de contribuir para a alteração das mentalidades, o relacionamento entre as pessoas, as relações familiares, os conflitos. Uma história com final feliz aqui no Escolhas foi a de um jovem que apresentava comportamentos de risco (abandonou a escola, roubava, drogava-se) e conseguimos a sua inclusão e, neste momento, inverteu completamente a sua trajectória de vida.

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Vânia Moreira “Impacto na auto-confiança das crianças e na capacitação dos jovens” A comunidade das freguesias de Jovim e S. Pedro da Cova é constituída por cidadaos e cidadãs plenos/as de direitos e deveres. É desta forma que a caracterizo. No desempenho do meu trabalho, motivam-me as flores, as cartas e desenhos que as crianças me oferecem, o sucesso académico dos jovens, discurso e o fair-play dos jovens em situações públicas, as pequenas grandes vitórias a nível de emprego e auto-emprego. O meu trabalho e o da minha equipa tem impacto na auto-confiança das crianças, na capacitação dos jovens, na integração social das famílias, nos parceiros e na forma de verem e de trabalharem com a população, na potenciação de recursos sociais do município, na desconstrução dos estigmas na comunidade em geral. Entre as nossas vitórias contam-se: 5 Turmas de PIEF; participação no Torneio de Futebol de Rua, em colaboração com a Cais desde 2006 – fomos campeões nacionais nos anos de 2008 e 2010; Hipermercado-Social que envolve a comunidade e os destinatários numa dinâmica entre quem tem para dar e quem tem necessidade de receber; a actividade “Assembleia de Jovens”reconhecida como uma boa prática e aplicada a todos os projectos na 4a Geração do Programa; a procura do projecto para estudos académicos pela Universidade do Porto e Universidade de Braga. Nesta comunidade, gostava de contribuir para uma maior participação cívica, para a valorização do percurso escolar, para a autonomia financeira pela valorização do trabalho, em detrimento da subsídio-dependência, para destinatários empreendedores.

/Como Começou Era Educadora de Infância no Centro Lúdico Municipal e queria criar contextos de vida mais inclusivos para as crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Tomei conhecimento através da autarquia da possibilidade de financiamento através do Programa Escolhas. Juntamente com colegas de trabalho e parceiros idealizámos uma candidatura. O que mais me atraíu no Programa foi a ideologia de projecto, a perspectiva intercultural e o trabalho em comunidade de prática /Projecto que Integra Animar Para Capacitar /Comunidade freguesias de Jovim e S. Pedro da Cova, Gondomar /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde o início do projecto, na 2ª geração do Programa

Histórias do Escolhas que não esquecerei: Quando num campeonato de futebol de rua, a primeira noite que dormimos fora, o jovem mais agressivo, que todos temiam, chorou porque nunca tinha saído de casa e queria ir para junto da mãe; Quando TÉCNICOS | 287


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conseguimos a retirada de uma jovem da tutela do pai...perante a situação de abuso que sofria, afirmou que “fechava os olhos e chorava para dentro”; Quando fiz uma entrevista às crianças para saber o que entendiam ser as Assembleias e uma criança de 7 anos afirma: “são coisas educativas!”; Quando adaptámos uma das casas de banho para potenciar o banho gratuito à comunidade e ao ceder o desodorizante a uma jovem de 16 anos ela o coloca por cima de uma camisola de lã.

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Wilder Matzinhe “Vêem-me como um modelo de referência” As comunidades do Bairro do Esteval e da Caneira têm maioritariamente as seguintes características: Grande incidência de famílias beneficiárias do RSI, com Baixa escolaridade, com carências ao nível da satisfação das necessidades básicas e dificuldade em arranjar trabalho. Crianças e jovens com problemas de abandono e absentismo escolar, ausência de projecto de vida e carências ao nível da satisfação das necessidades básicas. No entanto, importa referir que o projecto tem desenvolvido um trabalho muito importante e um acompanhamento destas situações. O que me motiva é essencialmente é o facto das crianças, jovens e familiares verem o Projecto como uma mais-valia para as suas vidas. Sinto que eles confiam em mim, procuram-me quando precisam de ajuda e vêem-me como um modelo de referência. A maior vitória é ver a alegria das crianças e jovens pela sua participação no projecto e a sua motivação, no que respeita ao percurso escolar. A confiança das famílias na equipa técnica é também indicativo do impacto do “Tu Kontas +Ainda”.

/Como Começou Conheci o “Tu Kontas” através de um amigo meu que frequentava o Projecto e me convidou para o acompanhar ao espaço. Desde desse dia fiquei muito impressionado com o trabalho e comecei a frequentar regularmente o projecto /Projecto que Integra Tu Kontas (+ Ainda) /Comunidade Montijo /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

Nesta intervenção do projecto, gostava de deixar os jovens do bairro com uma formação académica para poderem entrar no mundo de trabalho e mudar a imagem que os outros têm do nosso bairro. A história do Escolhas da qual não me vou esquecer é a minha. Fui beneficiário do projecto, voltei a estudar incentivado pelos Técnicos do projecto e hoje faço parte da equipa técnica do Tu Kontas (+ Anda).

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Ana Paula Candeias “Investir esforços para promover a participação” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas através da experiência que a minha entidade laboral (Rumo, Cooperativa de Solidariedade Social, CRL) já tinha tido aquando da 2.ª Geração. Atraíu-me particularmente a possibilidade de poder trabalhar com crianças e jovens numa lógica de promoção de competências e apoio nos processos de reorientação escolar e profissional e na construção de projectos de vida /Projecto que Integra Baixa da Banheira, Moita /Comunidade Concelho de Amarante /Funções no Projecto Coordenadora do Projecto /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

A Freguesia da Baixa da Banheira é um território com fragilidades, em que se verifica abandono escolar precoce e insucesso escolar; comportamentos desviantes e consumos de substâncias; delinquência juvenil; situações de maus-tratos e negligência, muitas famílias desestruturadas. São também evidentes a dificuldade de acesso a respostas formativas adequadas às necessidades e a elevada desocupação juvenil, com desemprego e Índices de pobreza, destacando-se um número elevado de famílias beneficiárias de Rendimento Social de Inserção (RSI). A saída precoce do sistema escolar é muitas vezes motivada pela dificuldade no exercício das funções executivas e de controlo parental, pelo pouco envolvimento com a escola, pela pouca importância atribuída à frequência e aos resultados escolares e ainda por carências de ordem económica. Estes factores estão também associados a uma maior dificuldade, por parte dos jovens, na construção de projectos de vida (antevisão do futuro), que optam preferencialmente por respostas imediatistas. É bastante estimulante, saber que estou a contribuir para o reforço da coesão social, intervindo com crianças, jovens, famílias e actores sociais da Baixa da Banheira, no sentido do reforço da inclusão escolar e da educação não formal, da promoção da dinamização comunitária e da cidadania, do empreendedorismo, do empowerment, da igualdade de oportunidades e da não discriminação. É sempre muito gratificante observar as alterações nos hábitos, rotinas, comportamentos, atitudes e motivações das crianças e jovens e saber que tivemos um papel nestes processos de mudança. Enche-me de orgulho ver a forma como alguns deles têm aproveitado as oportunidades de aprendizagem e partilha que lhes têm sido proporcionadas, como já conseguem

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planificar, organizar e implementar actividades, como levam os estudos mais a sério e como têm projectos de vida minimamente estruturados. Aos poucos, a própria comunidade começa a encarar-nos como um espaço de referência no apoio à população. O início da intervenção foi algo insidioso. A Baixa da Banheira é um território onde não tem havido intervenção a este nível e a população olhava com suspeição para o espaço e para as actividades, parecendo não entender o enquadramento da nossa acção. A população aqui funciona ainda numa lógica de assistencialismo, tendo dificuldades em perceber que “a forma mais eficaz de ensinar alguém a obter peixe é ensinando-o a pescar”. Aos poucos este conhecimento foi aumentando e a informação foi sendo transmitida. A adesão das crianças e dos jovens foi sendo cimentada, quer na participação nas actividades, quer no planeamento e avaliação das mesmas. Progressivamente assumimo-nos como um espaço de apoio à população jovem, a qual população mais velha pode também recorrer. Outra grande vitória foi também a promoção do convívio intergeracional, observado na adesão às actividades que envolvem crianças, jovens e idosos e na forma como se encaram mutuamente. Gostaria (e estamos a investir esforços nesse sentido) de promover o sentido de participação social e comunitária da população e de fomentar o envolvimento das famílias na educação das suas crianças e jovens. Gostaria de poder observar uma comunidade mais proactiva, menos centrada na satisfação das necessidades mais imediatas e com maior capacidade de perspectivação do futuro, que fosse capaz de dar continuidade a actividades e iniciativas de interesse comunitário. Gostaria de contribuir para a criação de uma rede de empregabilidade neste território, com as diferentes instituições a trabalhar em TÉCNICOS | 291


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parceria numa lógica de atendimento integrado, promotor da autonomia da população e que contrariasse a tendência geral para o assistencialismo que se verifica actualmente. É extremamente gratificante perceber que até nas pequenas coisas podemos fazer a diferença na vida de crianças e jovens com poucos recursos económicos e com experiências muito pouco diversificadas, sobretudo fora da Baixa da Banheira. Quando fomos, pela primeira vez, às Piscinas Municipais de Vendas Novas - apesar da proximidade geográfica relativa, a maioria das crianças e jovens nunca tinham lá ido - foi inesquecível o êxtase e a alegria deles... estavam num estado de euforia tal, que tivemos que os mandar comer, porque recusavam-se a sair de dentro da piscina!

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Ricardo Sousa “...acabo por ser uma referência para os mais novos” A Comunidade do Centro Comunitário de Povos tem poucos recursos e apresenta uma realidade social caracterizada pelo abandono escolar precoce, baixa escolaridade e muita gente sem trabalho.

/Como Começou Conheci este projecto, porque sou residente do bairro de Povos e atraíu-me principalmente devido ao seu papel na comunidade

Como Dinamizador Comunitário, acabo por ser uma referência para os mais novos. Isso dá-me muita motivação, pois, também facilita-me a tarefa de ajudá-los nos trabalhos escolares e noutros contextos...sabem que podem contar comigo nesse sentido. Para a população em geral dou o meu contributo também, no que poder ajudar. Muitas pessoas têm dificuldades ou dúvidas sobre determinados assuntos e eu tento ser o mais esclarecedor para com elas e ajudá- las ou encaminhá- las para as pessoas competentes.

/Projecto que Integra Poder (es)colher /Comunidade Centro Comunitário de Povos /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

As maiores vitórias neste projecto foi a vinda de várias crianças/ jovens para o centro comunitário, onde se ocupam com muitas dinâmicas e podem aprender com a minha ajuda. Uma situação muito gratificante para mim ocorreu no âmbito deste projecto. Certo dia, já eu estava fora do centro comunitário e a ir para casa, quando um menino do 1º ciclo chamou-me, veio a correr até mim e agarrou-se a dizer: - “Ricardo és o meu idolo!”...fiquei com isso na cabeça até hoje.

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Ana Freitas “No Futuro, gostaria que esta população se tornasse mais autónoma” /Como Começou Conheci o “Poder (Es) Colher” através da realização de um trabalho de voluntariado para o Município de Vila Franca de Xira (Parceiro do Projecto). Trabalhei inicialmente numa Universidade Sénior e, posteriormente, no Centro Comunitário de Povos, onde o nosso projecto estaria a dar os primeiros passos. Após esse trabalho, realizei estágio profissional, até ficar contratada pelo Município. O que me atraíu neste projecto foi sempre a intervenção na comunidade /Projecto que Integra Poder (Es)Colher /Comunidade Povos, Vila Franca de Xira /Funções no Projecto Psicóloga /Tempo de Colaboração 6 anos

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Um desafio diário!!!Falamos de uma população com carências a vários níveis, isolada e estigmatizada, mas que possui também recursos internos que a marcam e a tornam resiliente. O que nos motiva passam pelos pequenos sucessos que diariamente vão surgindo, a motivação e envolvimento das crianças, jovens e suas famílias. Sabemos que a curto prazo o impacto da nossa intervenção não é visível, mas acreditamos que a longo prazo o será, uma vez que, todos os dias, a equipa se esforça para alcançar os objectivos propostos, sobretudo, na capacitação da população e na construção da sustentabilidade do projecto. Este projecto tem vindo a alcançar algumas vitórias, nomeadamente o envolvimento gradual da população nas diversas actividades, quer sejam actividades dirigidas a crianças e jovens, como o trabalho realizado em parceria com as escolas, o ATL, CID e os cursos de formação residencial sempre muito solicitados, bem como actividades dirigidas aos adultos, quer sejam actividades pontuais como festas temáticas no Bairro, cursos de formação parental, alfabetização, RVCC e etc. No futuro, gostaria que esta população se tornasse mais autónoma e empreendedora, que investisse no seu futuro e nunca deixasse de sonhar...Gostaria também que as respostas na sociedade a nível institucional fossem de encontro às reais necessidades da população. Mais do que uma história vivida... ao longo destes seis anos vivenciei algumas histórias de pessoas com quem, directa ou indirectamente me envolvi...perdas, de Técnicos que rodopiavam de trabalho em trabalho, de população que, pelas vicissitudes da vida, mudavam de residência; frustrações, após investimento desmedido na luta pela causa da inclusão social, mas também muitos ganhos e sucessos, que superaram todos os dissabores que inevitavelmente surgiam no desafio da intervenção comunitária, como sendo o envolvimento e participação da população, a diminuição do insucesso e abandono escolar...


Francisca Lopes “O Programa Escolhas abriu-me muitas portas” Quando inaugurámos o espaço IAC, onde estava localizado o programa Escolhas, os jovens do bairro é que instalaram toda a electricidade, pintaram as paredes, colocaram os armários e até pediram loiça às empresas. Como não havia fundos tivemos que pôr os jovens a fazer algo. Ao final de três gerações do “Escolhas”, fiquei um ano no desemprego, ao final do qual, após um período em que fiz voluntariado nas ludotecas e uma formação de animadora sociocultural, fui novamente recrutada pelo Programa para desempenhar funções de animadora na mesma instituição. Assim, de facto o Programa Escolhas marcou e mudou a minha vida pela possibilidade de crescimento e aprendizagem profissional. Abriu-me muitas portas. Tinha orgulho de dizer que eu era do Programa Escolhas porque as pessoas tratavam-me muito bem...para uma pessoa que foi criada num Bairro como o do 6 de Maio, ter a possibilidade de sair daqui e ser bem tratada pelos outros...fazia-me sentir bem.

/Como Começou A minha participação com o Programa Escolhas começou quando exercia funções de Mediadora Jovens Urbano (MEJUS). A minha missão era ser “bombeira”, tinhamos que fazer de tudo um pouco. Depois, eu e os meus inaugurámos o Espaço IAC onde está agora o Projecto “Anos Ki Ta Manda” /Projecto que Integra Anos Ki Ta Manda /Comunidade Bairro 6 de Maio, Amadora /Funções no Projecto Técnica de Animação socio-cultural /Tempo de Colaboração Desde 2001

O objectivo do Escolhas é dar oportunidade aos jovens e, na minha altura, agarrei a minha com ”unhas e dentes”.

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Wilson Aspirante “Sempre quis fazer parte desta equipa”

/Como Começou O meu primeiro contacto com o Progama Escolhas foi em 2001, quando eu tinha 14 anos. Fui seleccionado pelo “Anos Ki Ta Manda”, para um grupo que eles consideravam de jovens destinatários, devido ao meu insucesso escolar provocado pelo excesso de faltas e más notas /Projecto que Integra Anos Ki Ta Manda /Comunidade Bairro 6 de Maio /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração 6 anos

Quando frequentava o Projecto no grupo dos jovens destinatários, aprendi a fazer planos de estudos, dinâmicas e travei grandes amizades com parceiros e Técnicos , que mantenho até hoje. Passado algum tempo, entrei para um colégio em Setúbal (Centro Jovem Tabor), que era parceiro de um projecto do Programa Escolhas no Bairro da Bela Vista. Mal tive conhecimento disso, passei a frequentá-lo, em especial, a sala Cidnet para fazer trabalhos da escola, ocupar o meu tempo livre com jogos, actualização de várias redes sociais e troca de e-mails. Lamentava não participar nas actividades que eles promoviam uma vez que o meu colégio já me proporcionava isso. Passados 6 anos, voltei para o Bairro 6 de Maio e uma das primeiras coisas que perguntei é se o “Anos Ki Ta Manda” ainda existia e mal soube que permanecia em funcionamento passei a frequentá-lo. Senti uma enorme diferença porque as coisas já não eram como no “meu tempo”, tinha mais organização, os espaços estavam melhor divididos o que permitia maior possibilidade de selecção das actividades. Com o tempo, dei por mim não só a participar nas actividades mas, também a ajudar os Técnicos com os mais jovens. Torneime então, voluntário nos meus tempos livres e nos passeios organizados pelo Projecto. Actualmente, encontro-me a desempenhar funções de Dinamizador Comunitário, a convite da antiga Coordenadora do Projecto. Sinto-me satisfeito e realizado porque sempre quis fazer parte desta equipa e ajudar a minha comunidade nas suas necessidades.

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Nuno Medeiros “É da necessidade de responder aos novos desafios que surge a motivação” Em 2004 iniciou-se o Projecto “Desafios”, no âmbito do Programa Escolhas de segunda geração, em Oliveira do Douro. Mais uma vez considero uma sorte ter integrado uma equipa sob a orientação de um Consórcio de instituições com um profundo conhecimento da comunidade e com ideias claras de quais as prioridades de intervenção junto da população juvenil de um bairro social local, desprovida de respostas alternativas de ocupação, de orientação para a formação e emprego e de intervenção orientada para a promoção do sucesso escolar das crianças e jovens. O nome do projecto (“Desafios”) reflecte exactamente a realidade da intervenção deste projecto. É da necessidade de responder a novos desafios relativos à vida das crianças, jovens e famílias que surge a motivação para este tipo de intervenção. Ter a capacidade de transformar as frustrações, as desilusões e as perdas em novos pontos de partida para se chegar ao sucesso e à mudança, representam uma boa parte daquilo que move a equipa diariamente. Outra grande fonte de motivação neste trabalho é perceber o impacto directo e muitas vezes indirecto que a participação nas actividades do Project teve na formação formal e pessoal de muitas crianças e jovens, que apesar de terem uma participação menos regular no Projecto actualmente, pertencem a uma geração na qual reconhecemos sinais positivos da sua passagem pelo Programa Escolhas em função exactamente das escolhas que foram fazendo ao longo destes anos.

/Como Começou O primeiro contacto com o Programa Escolhas foi em Outubro de 2001 quando integrei a equipa de coordenação da zona do Porto. Como psicólogo foi das primeiras experiências profissionais e a primeira na área da intervenção social com comunidades de meios considerados socialmente desfavorecidos. O que mais me atraíu e incentivou foi integrar uma equipa verdadeiramente dinâmica e multidisciplinar e que enfrentou o enorme desafio de tornar realidade a intervenção do Programa. Esta experiência de aprendizagem gradual e partilhada por todos os elementos da equipa foi e continua a ser, ao fim destes 10 anos, a linha orientadora da minha intervenção actual no projecto /Projecto que Integra Desafios /Comunidade Oliveira do Douro /Funções no Projecto Coordenador / Psicólogo /Tempo de Colaboração Desde 2004

Para além dos pequenos e grandes sucessos junto das crianças e jovens participantes nas actividades, uma das mais valias que penso que o Escolhas trouxe a esta comunidade foi a possibilidade de haver maior atenção para esta faixa da população do bairro e para as suas verdadeiras necessidades. O projecto serviu num primeiro momento como motor para a reunião e aproveitamento TÉCNICOS | 297


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de esforços e recursos existentes localmente em função das principais necessidades da comunidade e da mobilização de energias para se promoverem formas alternativas de inclusão e intervenção, sempre de uma forma desburocratizada e humanamente muito próxima. Não tenho dúvidas de que o Escolhas fez e continua a fazer a diferença em Oliveira do Douro. Apesar das dificuldades, dos constantes avanços e recuos, dos sucessos e insucessos formais do projecto e dos objectivos a que nos propomos atingir, há algo que sei que no fundo sinto ser o mais importante: os valores transmitidos pela equipa às crianças, jovens e famílias com as quais temos contacto diariamente. O reencontro com os agora adultos, destinatários em 2001, são o melhor reforço para os desafios que a equipa enfrenta diariamente. Quero relembrar a exposição do Programa Escolhas realizada na FIL em Lisboa, envolvendo todos os 52 projectos dos distritos de Porto, Lisboa e Setúbal. O envolvimento em todo o processo desde a sua idealização e concepção, e realização envolvendo crianças, jovens e famílias dos projectos constituiu, a nível pessoal, uma experiência única. Tornou-se possível nos dias da exposição, aberta ao público em geral e à comunicação social, passar uma imagem genuína de positividade e de energia humana de pessoas que conseguem atingir resultados notáveis. Ainda que com recursos limitados e algumas dificuldades, fica na minha memória a imagem de um esforço incrível de uma equipa dedicada onde se confundiam os técnicos, os destinatários, os voluntários, as famílias, os vizinhos, os curiosos e que resultou num ambiente de festa, de multiculturalidade e de união, onde a diferença era uma mais valia. Obrigado por estes 10 anos. Parabéns!

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Samanta Nunes “Sei que consigo transmitir às crianças o que um dia me foi passado a mim” Trata-se de um bairro pobre, casas arruinadas, muita poluição das ruas, as relações sociais estão degradadas...mas, apesar de tudo, é o meu céu, é onde sinto que sou eu...não quero trocar por nada as raízes que cá tenho, os laços que criei. Com este projecto, temos conseguido mudar a comunidade... passo a passo! Melhorámos muito as formas de estar das pessoas que vivem nela...tal como eu me tornei numa pessoa mais “rica”, com objectivos de vida e com vontade de conseguir mais e melhor, a maioria das pessoas está agora a passar por esse processo de transformação. O facto de já ter tido muitos benefícios com o Escolhas, faz-me lutar também por fazê-los sorrir e tentar, enquanto Dinamizadora Social, que crianças e jovens cresçam da melhor forma possível. E sei que consigo transmitir às crianças o que um dia me foi passado a mim. Dou o meu melhor ao Projecto, sinto que os pais confiam em mim e agradecem a evolução que já sentem nos filhos... mas fazemos questão de fazê-los perceber também, que a colaboração deles é preciosa também...tentamos envolvê-los na educação dos seus filhos.

/Como Começou Vivo cá no bairro desde que nasci, e como todos os que hoje apoio, um dia fui apoiada pois era destinatária deste projecto desde a primeira geração. Gostar de estar no Escolhas, senti o espaço como a minha segunda casa. Por isso, quando me surgiu a oportunidade de trabalhar aqui não hesitei...foi como a realização de um sonho!/ Projecto que Integra Lagarteiro e o Mundo /Comunidade Bairro do Lagarteiro /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração 3 meses

Verifico que aqui no Lagarteiro, cada vez mais os jovens apaziguam as brigas, investem cada vez mais no ensino superior, encaram a realidade de forma positiva e reconhecem que o Escolhas é uma oportunidade nas suas vidas...as famílias estão mais harmonizadas. O Grupo de Dança, o qual integro, a associação juvenil, que estamos a criar como um espaço de união e amizadade, são dois factores de aproximação entre a comunidade, dois agentes transformadores e estão a abrir portas a melhores relações entre as pessoas.

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Daniela Ribeiro “A minha intenção, é contribuir para uma maior dinamização nesta comunidade” /Como Começou Já fazia parte da Associação Batoto-yetu quando o projecto chegou ao bairro. E o que me atraíu foram as actividades /Projecto que Integra Áfri Ka /Comunidade Caxias /Funções no Projecto Dinamizadora Comunitária /Tempo de Colaboração 1 ano e meio

O facto de saber que posso ajudar as pessoas com quem cresci dá-me muita vontade de fazer mais e melhor enquanto Dinamizadora Comunitária....fazer deste projecto um lugar para jovens, uma espaço de actividades lúdicas e pedagógicas, onde podem conviver com outros jovens em vez de estarem sozinhos, “enfornados” em casa a consumir tudo o que passa na televisão. Nesta comunidade, a qual caracterizo como sendo “preguiçosa”, a maior conquista é estar a conseguir melhorar a relação entre jovens e crianças, a estimular mais o convívio entre eles e a incutir-lhes o interesse face às actividades que organizamos. A minha intenção, é contribuir para uma maior dinamização nesta comunidade. São imensas as histórias que já vivi no Escolhas e não vou esquecê-las, pois cada momento é especial...todos os dias, há histórias especiais....a hora do lanche é a hora mais divertida e de certeza de que não me vou esquecer desses momentos!

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Lígia Dourado “As crianças/jovens sentem-se bem comigo...realizadas e fortes” A comunidade em causa é especial. As pessoas são desconfiadas e preocupadas, mas a taxa de criminalidade é baixa, os relacionamentos entre os habitantes são razoáveis, os familiares têm uma baixa escolaridade e a maioria são subsídiodependentes. Os jovens/crianças apresentam algum absentismo e não têm um acompanhamento adequado pelas famílias...são carentes de afectos. Motiva-me trabalhar com estas crianças/jovens, preocupo-me bastante com o seu bem-estar e procuro insistir com eles nos trabalhos escolares e na participação nas actividades...e os resultados escolares têm melhorado. Neste momento, há alunos encaminhados para o CEF que já estão a apresentar resultados muito bons na escola. Os Familiares têm aproveitado o acesso às aulas de alfabetização. Tudo isso, está a mudar o bairro! As crianças/jovens sentem-se bem comigo, sentem-se realizadas e fortes, descarregam todas as energias nas actividades desportivas, usam toda a sua imaginação e criatividade para manualidades e ,no fim de tudo, tenho melhores resultados. Tem sido uma vitória para mim ter conseguido que todos eles tenham um relacionamento muito bom comigo, de muita confiança.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através da Junta de Freguesia de Paranhos no Porto. O que me atraíu no Escolhas foi o facto do trabalho ser desenvolvido com crianças e famílias e este contacto social é divinal, por isso quero-me manter sempre presente nas vidas deles /Projecto que Integra Saber Viver /Comunidade Paranhos, Porto /Funções no Projecto Dinamizadora Comunitária /Tempo de Colaboração 1 ano

A história mais marcante que vivi no Escolhas foi a realização de uma manualidade realizada num espaço do bairro. Eu tinha combinado com os jovens irem num Sábado a um local combinado para enfeitar um mural para o Dia da Liberdade... pensei mesmo que, como era um Sábado, os jovens não aparecessem, mas surpreenderam-me pela positiva e apareceram com muita vontade de trabalhar. Depois do trabalho estar concluído, foi exposto numa associação desportiva.

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Sofia Rocha “É possível ambicionar um futuro melhor”

/Como Começou No ano de 2006, após a conclusão da minha licenciatura, fui convidada a ocupar o cargo de Técnica no projecto “ Viver em Liberdade II” onde me mantive até 2007. A colaboração com o referido projecto manteve-se até ao final da Terceira Geração do Programa Escolhas, uma vez que trabalhei como Educadora Social num dos empreendimentos sociais abrangidos pelo projecto. A minha colaboração com o programa escolhas continuou até os dias de hoje com a elaboração e desenvolvimento da candidatura do projecto “Um Mundo à escolha” que foi aceite para integrar a quarta geração do Programa Escolhas /Projecto que Integra Um Mundo à Escolha /Comunidade Miragaia /Funções no Projecto Técnica /Tempo de Colaboração 16 meses

Miragaia é uma pequena freguesia situada na Zona Histórica do Porto. Esta é uma zona marcada pela degradação habitacional, baixas qualificações escolares e profissionais, desemprego, comportamentos desviantes e marginais. A minha maior motivação é poder contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e equilibrada, por acreditar que é possível ambicionar um futuro melhor. Encaro as funções que me são atribuídas como um desafio a vencer, sobretudo quando o público – alvo do meu trabalho é constituído por jovens e crianças em situação preocupante. O trabalho desenvolvido por mim e pela restante equipa técnica do projecto “Um Mundo à Escolha” tem um impacto muito positivo na comunidade em que o projecto está inserido. Podemos referir, por exemplo, a melhoria das notas escolares dos nossos destinatários, conseguida através da realização de diversas actividades criadas para este efeito e, também, a ocupação dos tempos livres das crianças - semanalmente são desenvolvidas actividades lúdicas e pedagógicas que foram pensadas para ir ao encontro dos seus gostos, fazendo com que, cada vez mais, sejamos procurados pelos jovens da comunidade. A principal vitória foi sentir que as crianças, jovens e familiares têm confiança em nós e nos procuram para desabafar e pedir ajuda para a resolução dos problemas pessoais, profissionais e escolares. Foi igualmente importante perceber que as crianças e jovens passaram a ocupar o seu tempo livre com as actividades do projecto em vez de andarem a vaguear pelas ruas. Gostaria que as crianças e jovens da comunidade alargassem os seus horizontes e percebessem que todas as pessoas são capazes de superar os obstáculos e construir projectos de vida firmes, baseados nas suas capacidades e interesses pessoais.

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Ana Almeida “A valorização da autonomização dos jovens” Uma grande parte destes jovens são provenientes de bairros de realojamento dispersos pela freguesia e na sua maioria descendentes de países africanos. São assim provenientes de territórios de vulnerabilidade e sofrem um franco isolamento dada a insuficiente rede de transportes. Muitos apresentam trajectórias escolares pautadas pelo insucesso o que pode explicar em parte as suas baixas expectativas. São jovens como outros. Para eles, os amigos e o grupo são essenciais, têm muito a ensinar-nos e têm imensas competências (nomeadamente artísticas: dança, música, teatro). Além destes jovens, intervimos igualmente junto de população mais velha, proveniente do Bairro onde estamos sediados. É um privilégio podermos trabalhar com esta comunidade de acolhimento pois só assim estamos de facto a promover a integração dos jovens descendentes...e dos jovens em geral. A valorização da autonomização dos jovens, a criação de oportunidades para que estes desenvolvam o seu potencial, trabalhar com uma boa equipa, a necessidade de contínua reinvenção de estratégias de intervenção, intervir junto de uma comunidade de acolhimento.

/Como Começou A minha história com o Escolhas dura há 4 anos. Comecei por trabalhar no Projecto “Trampolim” em Coimbra, onde estive cerca de 3 anos, e estou há 1 ano no Projecto ORIENTA.TE , de S. Domingos de Rana. O que me atraíu foi o facto de sentir que o Escolhas concede uma real estrutura à intervenção comunitária que se pauta pelo seu carácter inovador /Projecto que Integra ORIENTA.TE /Comunidade Freguesia de São Domingos de Rana /Funções no Projecto Técnica de Intervenção Comunitária /Tempo de Colaboração 15 meses

A nossa intervenção tem impacto na comunidade, na medida em que é uma actuação centrada no público-alvo, que se adapta ao seu ritmo, interesses e necessidades e que tem um foco claramente positivo, centrado no potencial humano, o que permite que sejam de facto trabalhados os projectos de vida. E porque também, possibilita que se intervenha junto da comunidade de acolhimento e junto dos parceiros (sector público e privado) o que potencia a criação de condições para a integração. O “ORIENTA.TE” teve início na 4ª Geração. Sendo assim, foi uma vitória que, no espaço de um ano, tivesse conseguido mobilizar estratégias para que o público -alvo se identificasse com o TÉCNICOS | 303


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Projecto e para que tivéssemos um grupo de participantes regulares. Um dos momentos mais especiais foi o vivido no 1º ano de organização e dinamização do Festival ORIENTA.TE...Tivemos o prazer de ter dois vencedores do Concurso Talentos Musicais (Mentes em Progresso e Seth). Ver a comunidade africana e portuguesa a dançarem juntas animadamente foi outro momento inesquecível. Por último, destaco toda a criação de uma rede de mentores possível através da boa vontade de instituições e individuais que se disponibilizaram a partilhar com os jovens o que é o universo de diversas profissões/áreas profissionais ( Força aérea, Organização de Eventos, Cozinha e Patelaria, Futsal, Fotografia, Educação da Infância). Gostava que a comunidade com que trabalhamos estivesse menos isolada, que a comunidade de acolhimento ficasse cada vez mais receptiva, que as instituições ( sector público e privado) praticassem activamente a sua responsabilidade social, que estes jovens acreditem mais no seu próprio potencial.

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Raquel Costa “Capacitar para uma maior participação social e comunitária” A comunidade é composta, em grande percentagem, por crianças e adultos em situação de desfavorecimento social que requerem um acompanhamento psicossocial e educativo regular. É uma comunidade rural, com bons recursos naturais, mas isolada neste grande concelho de Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra. Associado a este isolamento desencadeia-se um conjunto de problemas vários: violência doméstica, alcoolismo, pobreza, baixa escolaridade, desemprego, … Os seus habitantes têm dificuldade de acesso à informação e ao exercício pleno da sua cidadania. As crianças são meigas, dinâmicas, interessadas e interessantes, mas devido à sua proveniência familiar são detectados comportamentos de risco na Escola e, por isso, se justifica a permanência de uma equipa técnica multidisciplinar no Agrupamento de Escolas. A motivação é diária. A motivação surge do contacto diário com os beneficiários e destinatários do Projecto e das mudanças que são operadas nas suas vidas. O trabalho tem impacto na comunidade escolar porque ao apostarmos em actividades de educação não formal, nas três Escolas de intervenção, atraímos as crianças e os adolescentes para envolver-se na realização das mesmas conseguindo, para o efeito, aumentar o seu sucesso escolar, capacitar para uma maior participação social e comunitária e apoiar a sua inclusão digital. A actividade “Rumo à Canoagem”, da Medida III, foi a que possibilitou a obtenção melhores resultados escolares e comportamentais nos participantes, num total de 7, porque o desporto é uma importante ferramenta social e educativa que facilita a “negociação” entre a criança/o adolescente, a família, a equipa, os professores….e, nomeadamente, o trabalho de equipa, o cumprimento de horários e regras, o respeito, a solidariedade, o empenho, a responsabilidade individual e colectiva.

/Como Começou Conheci o Projecto Escolhas Múltiplas através de duas técnicas da Entidade promotora e gestora do referido Projecto e o que, mais me atraíu e, continua a atrair é o seu modelo de gestão, a sua dimensão territorial e o seu impacto nacional mas, principalmente, na vida das crianças, dos jovens e das suas famílias abrangidas pelo Programa” /Projecto que Integra Escolhas Múltiplas /Comunidade Associação Fernão Mendes Pinto / Agrupamento de Escolas de Arazede /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 6 meses

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As maiores vitórias do Projecto, durante os seis meses de coordenação, neste território foram a assiduidade, o interesse, empenho e gratificação dos destinatários e beneficiários revelados durante a dinamização das actividades nas Escolas e nas Comunidades. Partilho uma história que, ainda hoje, recordo com alguma tristeza. Uma criança com 11 anos, inserida num contexto sociofamiliar problemático, que relatou o fim-de-semana dramático vivido na companhia dos seus familiares. E, ainda que criança em idade, tornou-se um “adulta à força”. Na segunda-feira, no corredor da Escola, ao cruzar-se comigo solicitou apoio à equipa para irmos à sua casa de modo a nos certificarmos que a sua mãe estava bem devido aos episódios violentos que se registaram, durante o fimde-semana, entre os dois “amores da sua vida” (o pai e a mãe). Esta situação exigiu uma forte intervenção técnica e uma tomada de medidas sociais de protecção aos menores e de apoio aos adultos do agregado.

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Márcia Pereira “Um porto seguro onde são atenuados medos e anseios....” A comunidade onde trabalho é caracterizada por uma diversidade cultural, a interacção uns com os outros origina muitas vezes conflitos. A minha maior motivação é sem dúvida a diferença que marcamos no bairro, o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas famílias...as crianças e jovens recorrem a “nós” equipa, como um “porto seguro”, onde são atenuados os seus medos, anseios e muitas vezes a motivação para continuarem nesta longa jornada pela vida. Um factor também importante que destaco é sem dúvida o papel mediador que desenvolvemos na comunidade, a comunicação e parcerias que estabelecemos com as instituições existentes acabam por facilitar a resolução de problemas de alguns familiares problemáticos, mas a minha maior motivação é sem dúvida o contacto directo com a população alvo, quer no desenvolvimento de actividades, como também a função de acompanhamento familiar. Sinto que o trabalho que desenvolvemos tem grande impacto na comunidade, pois em muitos casos proporcionamos vivências e experiências positivas nas crianças/jovens e partilham em casa com os seus familiares, pais, avós, irmãos e primos. Verificamos uma melhoria na comunicação com as suas famílias (pois já têm experiências positivas para partilhar) e consequentemente motivam uns aos outros a participarem nas actividades, gerando uma relação de participação cívica, iniciativa, interesse e compromisso com a sua comunidade.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas pela primeira vez no 4º ano de Curso, através da realização de um trabalho de investigação integrado na cadeira de Educação para os Valores, orientado pela docente Drª Sílvia Madeira, no Instituto Superior de Educação de Santarém, no ano de 2007. O que mais me atraíu neste projecto, é toda a complexidade que compõe a sua filosofia e missão. Os meus ideais vão de encontro com o trabalho desenvolvido pelo Programa Escolhas, a intervenção comunitária, o trabalho com as famílias, o acreditar e apostar em cada indivíduo como um ser único e proactivo na sua comunidade /Projecto que Integra Reinvent@.com /Comunidade Bairro da Nazaré, Funchal /Funções no Projecto Coordenadora do Projecto /Tempo de Colaboração 1 ano

As maiores vitórias foram sem dúvida, o facto de muitas crianças e jovens estarem anteriormente expostas a factores de risco, e após a existência do projecto foram envolvidos em actividades e em projectos que contribuíram para o desenvolvimento de competências, motivando-os para a construção dos seus próprios projectos de vida. TÉCNICOS | 307


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Nesta comunidade, gostaria de desenvolver em cada indivíduo o espírito crítico, através de uma educação dos valores para uma sociedade justa, (com direitos e deveres) e que cada um acreditasse que a sua felicidade depende da definição dos seus objectivos e da concretização dos mesmos. Uma história vivida e que não irei esquecer, é sem dúvida a actividade “Navio Escolhas”, quando visitou o nosso bairro, pois contagiou toda a comunidade “numa Energia Escolhas”, que perdurou ao longo do tempo. O Intercâmbio e envolvimento da comunidade na preparação desta actividade foi sem dúvida uma experiência única.

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Gisela Grave “Projecto de prevenção de comportamentos desviantes” Trabalho com crianças, jovens e famílias de classes sociais desfavorecidas e ambientes familiares disfuncionais com carências afectivas, económicas e sociais a necessitarem de grande apoio, compreensão e estímulos positivos. Nesta intervenção motiva-me o facto de gostar de trabalhar com crianças e jovens e de lhes poder transmitir algumas bases que contribuirão para o seu sucesso enquanto futuros cidadãos. Pela interação que existe entre mim e os jovens, que demonstram entusiasmo na concretização das actividades propostas, pelo comportamento que demonstram nas actividades, como nas saídas de convívio com outros jovens, vejo o impacto que tem o meu trabalho no “Dar à Costa”. A maior vitória é o projecto funcionar como prevenção de comportamentos desviantes e como modelo de integração social de minorias étnicas e de grupos de exclusão social. Gostava que estes destinatários desenvolvessem consciência social de perfeita integração na sociedade, participando enquanto cidadãos activos.

/Como Começou Conheci o Escolhas através de um amigo, que me convidou para fazer parte da equipa. Atraíu-me o tipo de interacção que a equipa mantém com crianças e jovens de ambientes sociais desfavorecidos e o facto de poder ajudá-los a desenvolver competências técnicas e sociais que irão fazer parte do seu percurso de aprendizagem ao longo da vida /Projecto que Integra D.A.R à Costa /Comunidade Costa da Caparica /Funções no Projecto Técnica de Expressão Plástica /Tempo de Colaboração 1 ano

Ao longo do trabalho com o Escolhas, há muitos momentos inesquecíveis: a alegria com que foi vivida a festa de aniversário da destinatária Elisandra fortes, a alegria que vi nos seus olhos quando recebeu a lembrança que lhe foi dada, o seu olhar de agradecimento e amizade por lhe ter sido porporcionada uma festa a ela dedicada.

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Sara Lopes “...criar jovens autónomos e capazes de ajudarem quem precise” /Como Começou Conheci o Escolhas através do meu Estágio /Projecto que Integra Agora Sim! /Comunidade Setúbal /Funções no Projecto Monitora Cid@Net /Tempo de Colaboração 9 meses

A área de intervenção do “”Agora Sim!” abrange uma comunidade caracterizada pela falta de motivação e perspectivas para o futuro, porque até o projecto abrir as suas portas, não existia quem acreditasse que aquelas crianças e jovens fossem capazes de alcançar os seus objectivos. Um sorriso, depois de uma conquista, é o melhor estímulo para continuar a dar tudo por estes jovens e respectivas famílias. O nosso trabalho tem impacto e isso é visível na confiança que eles nos depositam...sabem que o projecto existe para os ajudar no que for preciso...no meu caso, no apoio para a realização de trabalhos escolares de carácter obrigatório, em que estes jovens sentem-se perdidos e sem saber por onde começar. A maior vitória do projecto é a admiração que as famílias e particulares nos devotam e a maior de todas as conquistas é a aceitação das actividades como forma de ocupação dos tempos livres de muitos jovens, que agora participam nelas...ao invés de estar na esquina do bairro. Gostava de aqui criar jovens autónomos e capazes de ajudarem quem precise e continuarem em busca daquilo que realmente acreditam sem perderem as esperanças.

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Mariana Figueiras “Ter desafios novos quase todos os dias”

A comunidade dos Bairros Sociais de Loulé abarca uma população um pouco conflituosa, com uma cultura muito específica, uma maneira de ser muito especial. Ter desafios novos quase todos os dias, motiva-me sempre neste meu trabalho, o qual penso que tem tido impacto na alteração de comportamentos quer das crianças e jovens, quer dos próprios pais. Com efeito, alguns jovens em situação de abandono e/ou absentismo escolar, alteraram comportamentos na medida em que, face à nossa intervenção, as famílias começaram a transmitir-lhes a importância de um percurso escolar. Conseguir que uma jovem, que estava em abandono escolar há 4 anos, voltasse a estudar e com bons resultados para completar a escolaridade obrigatória, foi uma enorme conquista para nós.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através da divulgação de candidatura na 2º geração ( à qual a minha instituição na altura se candidatou, tendo sido aprovada sem financiamento). O que mais me atraíu no Programa Escolhas foi o facto de poder trabalhar determinadas problemáticas directamente com os jovens e, ao mesmo tempo, poder intervir com as suas famílias /Projecto que Integra Ecos /Comunidade Bairros Sociais de Loulé /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 4 anos

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Ana Cavaco “As maiores vitórias foram ao nível da aquisição de competências em TIC” /Como Começou Tomei conhecimento do Programa Escolhas, na 2ªGeração, através da minha entidade patronal, quando me desafiaram para colaborar numa candidatura a um projecto para trabalhar com crianças e jovens. Estávamos em Agosto de 2004... Ao ler o regulamento, os objectivos do programa e todas as informações relativas ao Escolhas, o que atraíu foi a possibilidade de intervir em comunidades locais, com a participação de todos e com objectivos tão nobres como a inclusão social de crianças e jovens de contextos sócio-culturais mais vulneráveis /Projecto que Integra Azimute 270º /Comunidade Peniche /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde Janeiro 2005

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A comunidade onde trabalho é desafiante, é vulnerável, tem horizontes pouco ambiciosos, fracas competências escolares, pessoais e sociais, contudo, é criativa, bem disposta e com um forte potencial ao nível do seu percurso escolar e profissional. O que me motiva é cada criança e/ou jovem, um SER com um potencial enorme de evolução individual e de grupo. É acreditar que, através de uma abordagem não formal, podemos conseguir chegar mais longe e mais perto do nosso ideal de qualidade de vida. É acreditar no potencial das pessoas no geral e na sua capacidade de efectuar escolhas ao longo da sua vida, que quanto mais conscientes se tornarem, melhores serão. A nossa actuação tem algum impacto, contudo é uma área em que os resultados nem sempre são evidentes e a curto prazo, o que muitas vezes dificulta a avaliação do impacto das intervenções. Neste território, as maiores vitórias foram ao nível da aquisição de competências em TIC e ao nível pessoal e social com os jovens que frequentam as actividades do projecto. A perspectiva de que é possível mudar e para melhor, de que vale a pena o esforço da nossa participação e que todos temos alguma coisa para evoluir. Queria que estas ideias se enraízassem nesta população. No início da nossa intervenção, os jovens começaram a frequentar o espaço apenas pelo facto de não terem computador em casa e esta ser uma oportunidade de usufruírem dos equipamentos disponíveis no CID. Contudo, ao longo da nossa intervenção, foi possível a criação de um grupo de jovens, no qual foram evoluindo do ponto de vista pessoal e social.


Helena Gonçalo “Gostaria que as famílias se capacitassem para melhor saberem educar” A comunidade abrangida pelo PISCJA é constituída por crianças e jovens com algumas lacunas, especialmente no que diz respeito ao ambiente familiar, à auto-valorização e às expectativas de futuro. Contudo, são, também, pessoas muito resilientes e com enormes potencialidades. Motiva-nos...os constantes desafios que nos apresentam e a compensação de ver muitos deles ultrapassados, os laços que se criam com as crianças e jovens e a importância que sinto que o fazemos exerce na sua vida. É, também, muito satisfatório trabalhar com uma equipa jovem, empenhada e com um excelente espírito de cooperação. Sinto que, aos poucos, temos sido capazes de colmatar algumas das lacunas que estas crianças e jovens evidenciam e que as relações estabelecidas com eles são muito significativas para ambos. Estou há pouco tempo neste projecto, mas julgo que as vitórias conquistadas se vão observando quotidianamente: quando as crianças chamam amigos para se inscreverem no projecto, quando aderem às actividades com empenho e dedicação, quando levam um sorriso para casa. Quando, apesar das histórias de vida complicadas, são capazes de se valorizar e criar um projecto de vida saudável.

/Como Começou A primeira vez que ouvi falar do Programa Escolhas foi num congresso, na faculdade - e pareceu-me um programa aliciante como potencial futuro emprego. Depois disso, tive a oportunidade de realizar um estágio profissional na Santa Casa da Misericórdia de Mirandela, que é a entidade promotora de um dos projectos do Escolhas (Incentivar). Nestte âmbito, tive o meu primeiro contacto directo com o programa e gostei muito, pela população com a qual trabalhei, pela diversidade de actividades realizadas e pela importância que assumiam na vida das crianças e jovens /Projecto que Integra PISCJA /Comunidade Bairro do Armador, Lisboa /Funções no Projecto Técnica (Psicóloga) /Tempo de Colaboração 3 meses e meio

Acima de tudo, gostaria que as famílias se capacitassem para melhor saberem educar, formar e amar, de modo a este tipo de projectos deixarem de fazer sentido. O facto de me ter sentido acolhida no seio de uma grande família, em que as crianças e jovens aparecem no espaço do projecto só para contarem uma coisa boa que lhes aconteceu, é muito gratificante e inesquecível.

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Léa Oliveira “Construção de projectos de vida com a comunidade” /Como Começou Conheci o PE quando ainda estudante do Ensino Superior, alguns colegas de cursos estagiaram no Bairro do Lagarteiro e em outros projectos do PE. Achei interessante a intervenção feita pelo PE nomeadamente no que diz respeito ao trabalho com minorias étnicas e descendentes de imigrantes, um público sobre o qual existem muitos estereótipos e preconceitos. Tive de igual modo, enquanto estudante, a oportunidade de contactar com algumas crianças do projecto Lagarteiro e o Mundo, através da dinamização de algumas actividades com elas (apoiando os colegas que estagiavam cá no projecto) /Projecto que Integra O Lagarteiro e o Mundo /Comunidade Bairro do Lagarteiro /Funções no Projecto Técnica /Tempo de Colaboração 2 anos e meio

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A comunidade do Bairro do Lagarteiro caracteriza-se por não acreditar nas suas capacidades e competências. É simpática, generosa, solidária e muito criativa. As conquistas que aqui vamos conseguindo, no trabalho com as crianças/jovens e suas famílias, é bastante estimulante para o projecto. Penso que fazemos diferença e que temos impacto...pela alteração de alguns comportamentos, pelo reconhecimento que o trabalho dos técnicos tem para esta população, pela necessidade que as crianças/jovens têm em frequentar as actividades do projecto e pela importância que têm para a sua vida... pelo facto de algumas crianças denominarem o projecto como “Léa”. O crescente reconhecimento que o projecto tem nesta comunidade e a importância que tem na vida das crianças/jovens e suas famílias, assim como, as relações de afectividade que se criaram com a população...são algumas da nossas vitórias. Gostaria que, através do trabalho realizado com esta comunidade e da construção de projectos de vida com ela, ela possa sonhar mais alto e, de facto, viver melhor, sempre com a lembrança de tudo aquilo que o projecto lhe proporcionou e de tudo aquilo que construiu com o projecto. Jamais esquecerei o dia em que o projecto levou algumas crianças a fazer um pequeno cruzeiro no rio Douro. Todas elas experimentavam, pela primeira vez andar de barco, as emoções estavam ao rubro entre um misto de felicidade e de medo, medo que rapidamente se dissipou. Para mim foi extremamente gratificante e emocionante ver os olhos destas crianças brilhar de felicidade, de alegria.


Carolina Remédios “Uma equipa técnica empenhada na construção dos seus destinatários” A comunidade da Costa da Caparica caracteriza-se por ter alguns factores de risco, nomeadamente o baixo estatuto sócio-económico o que por vezes limita algumas oportunidades de desenvolvimento, no entanto, também é uma população com imensos recursos, nomeadamente o exemplo de trabalho e humildade dos adultos para as crianças e jovens que a constituem, e muitas tradições passadas de forma inter-geracional o que os enriquece de uma forma global. O que mais me motiva é trabalhar com crianças e jovens cujos recursos e capacidades muitas vezes ainda não foram desenvolvidos nem promovidos e desta forma contribuir e participar deste processo de crescimento e construção é algo que me deixa muito orgulhosa. A nível profissional cativam-me também as estratégias que se desenvolvem para intervir com esta população considerada de uma forma geral de “risco”. Penso que o meu trabalho tem impacto, na medida em que trabalho directamente com as crianças e jovens diariamente nas actividades, promovendo competências, regulando as situações de emergência, modelando comportamentos, entre outras tarefas que inevitavelmente acabam por influenciar o desenvolvimento do púplico alvo.

/Como Começou Conheci o projecto através da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. Neste projecto fiquei agradada com as áreas de Intervenção bem como as metodologias usadas para com a população alvo. Também me atraíu o facto de trabalhar e actuar numa zona piscatória onde a praia e os espaços abertos podem ser usados como recurso /Projecto que Integra D.A.R. à Costa /Comunidade Costa da Caparica /Funções no Projecto Estagiária Profissional de Psicologia - Participação em várias actividades com crianças e jovens, assim como o envolvimento das famílias /Tempo de Colaboração 1 mês

As maiores vitórias, penso que passaram pelo encaminhamento de vários jovens para um percurso escolar ou profissional que lhes possa constituir um futuro, e também a constituição de uma equipa técnica estável, profissional e empenhada na construção e desenvolvimento dos seus destinatários e beneficiários. Gostava muito de trabalhar a questão do racismo e contribuir para uma mudança a este nível, permitindo que as várias raças se interrelacionassem na comunidade que constituem. Até agora já assisti a algumas histórias. Um dia fui com as crianças para a praia fazer actividades e as suas brincadeiras fascinaram-me. A facilidade com que elas agarravam nos peixes, se fundiam na areia e brincavam nos barcos de pesca, é algo difícil de esquecer. TÉCNICOS | 315


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Nuno Ribeiro “Crianças, jovens e famílias são as “Escolhas Vivas” do projecto” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas em 2002 - Escolhas 1º Geração - através do contacto com algumas instituições\ associações com ligações ao trabalho de intervenção social. Nessa altura, fiquei muito entusiasmado com a filosofia do Programa Escolhas tendo em conta os seus princípios em matéria dos Direitos Humanos e a sua “aposta” na cooperação e desenvolvimento sustentável /Projecto que Integra Escolhas Vivas /Comunidade Concelho de Vila Real de Santo António /Funções no Projecto Coordenador do Projecto /Tempo de Colaboração 4 Anos

As crianças, jovens e seus familiares são as “Escolhas Vivas” do projecto, tendo em conta a riqueza dos seus contributos das suas vivências; aprendizagens e partilha durante o desenvolvimento das actividades, onde se destacam o Ambiente, Educação Social, Educação Ambiental, Artes do Flamenco, Artes de Novo Circo, Formação de Informática, outras.Acredito que o desenvolvimento sustentável só será possível através da implementação de boas práticas sócioculturais, educativas e de cidadania que no seu todo, reforcem o aparecimento de estilos de vida saudáveis. O “Escolhas Vivas”, é um projecto muito respeitado na comunidade residente local, regional pelo seu contributo e trabalho no terreno a nível do diálogo intercelular e intervenção comunitária junto das crianças e jovens e seus familiares tendo em conta os resultados no que concerne à diminuição de comportamentos de risco, sucesso e empenhamento escolar e cultural. As nossas vitórias verificam-se em várias vertentes: o respeito pelos “particularismos culturais” das comunidades cigana e imigrante; a recolha de tradições locais e pela área do ambiente; o aumento da motivação e sucesso escolar das crianças e jovens do concelho; o aparecimento de grupos informais: Exemplo do grupo de “Dança Flamencas” formado por crianças das comunidades ciganas e não ciganas que “apostaram” na partilha e diálogo inter-cultural o que contribui para o melhoramento das relações interpessoais e de vizinhança. Nesta comunidade, gostaria de deixar a sustentabilidade do projecto, autonomização dos grupos informais, “novos agentes /intervenientes” de desenvolvimento social. Entre muitas outras histórias , não posso esquecer o momento em que conhecemos o “Paulinho” uma criança cigana que aprendeu a ler espontaneamente aos 3 anos e que nos dizia sonhar com o projecto “Escolhas Vivas” todos os dias e que se sentia muito feliz por participar nas actividades. Ainda hoje é o melhor aluno na escola. Mesmo quando não pode ir, devido a problemas de saúde, mantém uma grande paixão pelo conhecimento... chega a tirar 100% a matemática, literatura portuguesa.

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Andreia Fonseca “Um Programa de Educação Parental bem sucedido” A comunidade de Lamego apresenta algumas dificuldades a vários níveis, sobretudo económico e social. Actuar na vida de crianças/jovens destes contextos socio-económicos desfavorecidos e a possibilidade de lhes proporcionar oportunidades, que de outra forma não tinham, são factores motivam continuamente no nosso trabalho. O resultado da nossa intervenção é percebido através da evolução, quer social quer cognitiva, que algumas crianças e jovens já alcançaram. Uma das nossas conquistas foi a integração de 12 progenitoras num Programa de Educação Parental. No “Escolhas D’Ouro”, tem havido momentos preciosos vividos com a comunidade...um desses momentos foi a relação de grande proximidade que existiu entre os técnicos e as crianças no Natal D’Ouro.

/Como Começou Tive conhecimento do Programa Escolhas no âmbito do trabalho que desenvolvi aquando da implementação da Rede Social em Lamego /Projecto que Integra Escolhas D’Ouro /Comunidade Lamego /Funções no Projecto Técnica representante do Município de Lamego /Tempo de Colaboração 1 ano e 2 meses

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Andreia Andrade “...o trabalho do projecto tem impacto nas crianças e nos jovens” /Como Começou O principal factor que me atraíu neste projecto foi a comunidade destinatária e beneficiária do mesmo, dada a sua especificidade: o facto de se trabalhar com a comunidade de etnia cigana constituía um enorme desafio e oportunidade de aprender mais sobre esta cultura. O facto de o projecto estar ao abrigo de um programa nacional como o Programa Escolhas, com créditos demonstrados e comprovados a nível nacional e com tão bons resultados foi, sem dúvida, mais um factor de interesse /Projecto que Integra MultiSendas /Comunidade Comunidade de etnia cigana residente nos acampamentos de Ervideiros, Aveiro /Funções no Projecto Educadora Social /Tempo de Colaboração 1 ano e 3 meses

A comunidade de etnia cigana residente em Ervideiros é diferente consoante os bairros a que as pessoas pertencem, contudo há características comuns: a vida em comunidade muito marcada e a importância dada aos laços familiares. É uma comunidade em que não há uma cultura de trabalho muito presente, sendo que a fonte de rendimento da maior parte das famílias são as prestações sociais. São comunidades com alguma abertura ao exterior, apesar de haver algumas questões culturais que são muito deles. Apesar das dificuldades sentidas no dia-a-dia, o trabalho realizado com as crianças é o que me preenche mais, dada a disponibilidade com que estas se relacionam connosco e o carinho e atenção de que necessitam. É muito bom proporcionar às crianças e jovens oportunidades que eles dificilmente teriam, não fosse o projecto. O impacto do trabalho do projecto observa-se por pequenas vitórias. A relação de proximidade que se tenta estabelecer quer com as crianças, quer com jovens e adultos é, quanto a mim, uma forma de se trabalhar que proporciona um maior envolvimento das pessoas, o que tem reflexos nos resultados. Sente-se que o trabalho do projecto tem impacto nas crianças e nos jovens, na alteração de alguns discursos e aspirações e nas relações com os seus pares e professores. Por outro lado, as sessões de educação parental promovem a reflexão dos pais relativamente às questões ligadas ao desenvolvimento dos seus filhos e às suas necessidades. Vão-se observando pequenas vitórias com o trabalho que se vai desenvolvendo: uma maior participação das crianças, jovens e adultos nas actividades do projecto, a diminuição do abandono e absentismo escolar das crianças e jovens e uma responsabilização maior dos pais nestes aspectos.

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Através deste Projecto, queria provocar a alteração dos discursos e aspirações dos mais jovens: a manutenção das características culturais que lhes são intrínsecas, mas a prova de que tal não constituiu um impedimento de estes jovens se destacarem pessoal e profissionalmente. Marcaram-me os casos de jovens e crianças que se destacam na interacção com os colegas e com a escola, uma vez que vão dando os pequenos passos necessários para uma maior integração social desta comunidade.

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Carla Fernandes “Gostava de ver estes pequeninos a serem grandes mulheres e homens...” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas através das redes sociais e informação recolhida no âmbito da própria entidade promotora (Cáritas Diocesana de Aveiro). Assim, e com vista a dar continuidade às intervenções comunitárias desenvolvidas anteriormente em Ervideiros, foi possível enquadrar as respostas a serem necessárias junto da comunidade à luz dos princípios do Programa Escolhas. Deste modo, participei na elaboração da candidatura do MultiSendas, tendo sempre, como ponto de maior atracção o trabalho e as expectativas em relação ao futuro das crianças e adolescentes da mesma comunidade /Projecto que Integra MultiSendas /Comunidade Comunidade de etnia cigana residente nos acampamentos de Ervideiros, Aveiro /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

A comunidade cigana de Ervideiros, regista de imediato uma identidade cultural própria que acaba por aliciar o amadurecimento de estratégias de intervenção, bem como provocar a devida agilidade em termos interculturais. É uma população com uma cultura própria, e mesmo na sua matriz cultural, revela especificidades, muitas ainda por conhecer. Os índices de motivação para a integração são muito baixos, os constrangimentos são mais do que muitos, o grau de tolerância que é exigido potencia ao desenvolvimento de estratégias de controlo pessoal e profissional que, de alguma forma, se traduzem num “crescimento interior”. Uma comunidade jovem, com “outros olhos” para o mundo, com outros valores, outras dinâmicas, outra forma de estar... Uma comunidade subsídio dependente, sem hábitos de trabalho, distante da escola e de qualquer percurso formativo, sem projectos de vida. Modos de vida que se reproduzem de geração para geração, e que com o tempo e o passar de várias intervenções, revela algumas mudanças, pequenas mas ao mesmo tempo gigantescas neste processo de Mudança. Sem dúvida, motiva-me no trabalho com esta comunidade a expectativa e a esperança de um futuro melhor para as crianças e adolescentes da comunidade. Mesmo em fases mais complicadas, procuro sempre o lado mais positivo deste trabalho: os seus impactos. Talvez o maior impacto seja a escalada das minhas expectativas em relação à comunidade, o que pode significar que de facto acredito na mudança e na integração dos mais pequeninos. Com todas as dificuldades, é possível assistir aos sonhos partilhados por todas as crianças em relação ao seu futuro.

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Assisto às aprendizagens dos pais através dos seus filhos e isso é também para todos nós uma grande lição. Mesmo que com muitas oscilações, muitos entraves culturais e comunitários, mesmo que com muita luta... as questões da importância da escola, dos direitos das crianças e de todos, os deveres, a cidadania e tudo mais é levado para casa e de uma forma ou outra é falado, é lembrado é reflectido... é dado assim um grande primeiro passo! - a comunidade não desistir deste processo. Nestas pessoas, gostaria de deixar novas vontades, novas aspirações. Deixar nas crianças, futuras mulheres e homens capazes de construir o seu projecto de vida, com a garantia da sua identidade cultural cigana e devidamente integrados na restante sociedade. Gostava de, daqui a uns anos, ver estes pequeninos a serem grandes mulheres e homens e olhar para trás e dizer “eu participei neste percurso”. O “MultiSendas” é um projecto inicial no âmbito do Programa Escolhas, contudo tomo nota da história que os mais pequeninos elaboraram - o momento da sua escrita e da sua criação, da sua leitura, do anonimato e ao mesmo tempo da partilha entre todas as crianças naquela história, que no fim revelou a vontade de ser melhor e mais. Foi marcante a surpresa e o orgulho das crianças ao verem os seus pais a representar essa mesma história. Foi marcante “mostrar” aos pais os sonhos dos filhos.

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Ana Andrade “...frequentar um espaço securizante como alternativa à rua” /Como Começou Conheci o projecto através da comunicação social e internet. O que mais me atraíu no Programa Escolhas e nomeadamente no Projecto onde trabalho foi a possibilidade de poder trabalhar com crianças/ jovens em/ou risco de exclusão social /Projecto que Integra Raízes /Comunidade Monte Abraão /Funções no Projecto Técnica local /Tempo de Colaboração 2 anos e meio

A comunidade de Monte Abraão caracteriza-se essencialmente por ser imigrante ou descendente de imigrantes, com problemáticas sociais associadas, nomeadamente carências económicas e famílias com dinâmicas desestruturadas e/ou desajustadas. O que mais me motiva para este trabalho é o facto de poder trabalhar com crianças/jovens. Apesar de o trabalho efectuado não se poder basear apenas em números, acredito que tem forte impacto na comunidade, as crianças/jovens poderem passar a frequentar um espaço securizante como alternativa à “rua”, onde são acompanhados tanto a nível escolar, individual, familiar... As maiores vitórias do projecto prendem-se com o número crescente de crianças/jovens e respectivas famílias serem acompanhadas efectivamente a nível sócio-psico-educativo. Gostaria que esta comunidade passasse a olhar para as crianças/ jovens de uma forma mais individual e com a importância que elas tanto merecem. Não me esquecerei de uma criança, hoje já é um jovem, que quando integrou o projecto Raízes revelava frequentemente comportamentos desajustados no espaço, bem como agressivos para com colegas e técnicos. Nos dias de hoje esses comportamentos reduziram em muito e ele é o primeiro a admitir que tal alteração de postura deveu-se à intervenção e acompanhamento por parte da equipa do projecto.

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Tânia Borja Manuel “...que os pais...escrevam no tecto dos seus quartos os sonhos dos seus filhos” Não obstante as fragilidades vivenciadas, a comunidade residente em Monte Abraão mantém-se coesa quando se trata de “tratar” os elementos do próprio bairro. A heterogeneidade cultural, se por um lado por vezes levanta problemas ao nível relacional, por outro contribui para um espírito de inter-ajuda, fundamental para a gestão de dificuldades que surgem no dia-a-dia. No que ao “Raízes” diz respeito, a comunidade que beneficia até hoje das acções do projecto - ou beneficiou em algum momento - mantém um clima de respeito pelo trabalho desenvolvido e apreço pelo acompanhamento, mais ou menos individual, nas diversas situações que foram surgindo. A minha motivação está inerente ao acreditar que os “favores em cadeia” são fundamentais para vivermos num mundo melhor. Acreditar que, ainda que não consigamos gerar mudança de comportamentos em todos os destinatários e beneficiários, os “poucos” que conseguem avançar no percurso complicado da vida, representam 100% de eficácia face aos objectivos inicialmente definidos. Vemos e sentimos o impacto do trabalho desenvolvido em diversas solicitações de jovens e famílias para apoio na resolução de constrangimentos com que se deparam e que bloqueiam a prossecução de objectivos pessoais, revelando que o “Raízes” conquistou um lugar de referência positiva na comunidade. Para além das conquistas que vislumbramos no percurso desenvolvimental de crianças e jovens que beneficiaram da intervenção do Projecto, considero que a maior vitória - transversal a todo o trabalho desenvolvido até hoje - tem sido o crescente envolvimento do consórcio do Projecto Raízes, na medida em que vêm sendo desenvolvidas sinergias que vão no sentido de colmatar as fragilidades identificadas aquando o diagnóstico e, paralelamente, vêm permitindo a consolidação de parcerias com carácter informal.

/Como Começou Ainda estava a realizar a minha formação académica quando tomei conhecimento do trabalho desenvolvido pelo Programa Escolhas, em algumas das unidades curriculares da minha formação académica. A vertente mais apelativa para mim estava concernente com o trabalho desenvolvido junto da população imigrante e/ou descendente de imigrantes, devido ao percurso de exclusão social que muitos atravessam até se sentirem integrados na comunidade. Quando terminei o curso em Psicologia Criminal e do Comportamento Desviante tive a oportunidade de trabalhar com jovens com condutas disruptivas, o que me levou a aceitar o convite para coordenar o Projecto Raízes, que opera em Monte Abraão. Aqui vislumbrei a oportunidade de contribuir para a melhoria da qualidade de vida de crianças e jovens e investir para que o grupo alvo de intervenção consiga, num futuro próximo, usufruir de uma plena igualdade de oportunidades /Projecto que Integra Raízes /Comunidade Monte Abraão /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde Outubro de 2006

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Sou da opinião que a qualidade do seio familiar é marcante em todo o percurso desenvolvimental dos nossos destinatários e beneficiários e, neste sentido, a minha mensagem vai para as famílias das nossas crianças e jovens: que os pais e mães consigam escrever no tecto dos seus quartos os sonhos dos seus filhos, para que seja a primeira coisa que vêem ao acordar e a última que olham antes de adormecer e, desta forma, consigam promover diferentes herdos parentais, indo ao encontro do espírito “rumo ao futuro” que nos move. A realçar está o processo de candidatura de jovens que integravam o Projecto Raízes ao concurso “9 Bairros, Novos Sons”, iniciativa que decorreu durante a terceira geração do Programa Escolhas. Por um lado, por se tratar de um projecto que procurou ressaltar e valorizar competências latentes nos grupos juvenis. Considero importante a valorização de dimensões que não são “vendíveis”, mas que acabam por fazer a diferença no (des)empenho e motivação dos participantes na reprogramação dos seus projectos de vida. Por outro lado, e aqui numa perspectiva mais pessoal e afectiva, os N´GAPAS terem sido um dos grupos seleccionados, o que lhes [nos] permitiu transmitir a grupos de pares e outros com quem intervimos que “os sonhos comandam a vida” e podem tornar-se realidade, desde que não se perca a humildade e a consciência de que a vida dá-nos as oportunidades, mas somos os verdadeiros responsáveis pelo destino que lhes damos.

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Ana Maria Carvalho “... conseguiu-se alterar projectos de vida pessoais, escolares e profissionais” A comunidade do Concelho de Amarante é igual a tantas outras, com as suas dificuldades e problemáticas e com as suas potencialidades e alegrias. Necessitam de orientação e dedicação. O desafio constante, a necessidade de encontrar soluções, as perdas e os ganhos, o conhecimento, a partilha, a equipa...tudo isso motiva-nos diariamente no “Percursos Integrados”. Sinto, sem a menos dúvida, o nosso impacto na comunidade e vejo isso todos os dias nos comportamentos e atitudes das crianças, dos jovens, dos familiares, dos professores. As maiores vitórias foram conseguidas junto de alguns jovens que haviam enveredado por caminhos ditos de risco e com a intervenção do Escolhas conseguiu-se alterar projectos de vida pessoais, escolares e profissionais construídos por e com eles. Nas mentalidades, no relacionamento entre as pessoas, nas relações familiares e nos conflitos...a todos estes níveis gostaríamos de deixar as nossas marcas nesta comunidade.

/Como Começou REstava a tirar uma pos-graduação na área da juventude e como tinha conhecimento da existência do Programa Escolhas considerei que seria uma excelente aprendizagem e, assim, fiz o estágio aqui, e por aqui estou até hoje /Projecto que Integra Percursos Integrados /Comunidade Concelho de Amarante /Funções no Projecto Psicóloga /Tempo de Colaboração Desde Junho de 2006

Foram muitas as histórias que aqui se passaram e umas mais marcantes que outras, contudo, houve um jovem que acompanhamos que apresentava comportamentos de risco (abandonou a escola, roubava, drogava-se) e conseguimos a sua inclusão e neste momento inverteu completamente a sua trajectória de vida.

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Vera Pragana “... o futuro depende das nossas acções e competências” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas aquando da minha integração laboral no NDS em 2005, visto que decorriam na instituição as actividades do Projecto Tu Decides – Programa Escolhas 2.ª Geração. Ao ter conhecimento dos objectivos do Projecto e, mais concretamente, do Programa Escolhas considerei, de facto, que este proporcionaria um conjunto de oportunidades ��s crianças e jovens que acompanhávamos no âmbito da nossa actividade profissional, inscrita no trabalho psicossocial e comunitário, oportunidades estas que lhes permitiriam (re)pensar os seus projectos de vida que, muitas vezes, estariam à partida limitados por uma série de factores da conjuntura familiar, social e/ ou económica. O Programa Escolhas apresentava, sem dúvida, uma oportunidade de mudança e de crescimento da qual se poderiam colher frutos. Por outro lado, a componente do Programa Escolhas que incide no desenvolvimento de um trabalho junto das minorias étnicas e da comunidade imigrante sempre me fascinou, visto que acredito que a interculturalidade é uma fonte de riqueza para a sociedade em que vivemos, sobretudo pela aprendizagem que se retira da partilha de experiências e de vivências

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As Crianças, Jovens e Famílias que se constituem os destinatários do “Tu Decides +…”, na sua maioria, provêm de contextualizações sistémicas muitas vezes caracterizadas pela disfuncionalidade e desestruturação. Neste sentido, o Projecto, e os projectos anteriormente implementados, tem como fundamento intervir junto deste grupo e, numa abordagem de co-construção, criar alternativas a processos perpetradores de vivências problemáticas e até patognomónicas e traçar perspectivas de um futuro mais risonho e positivo. O que realmente é motivante na participação num projecto como este é esta perspectiva construtivista da nossa intervenção, onde se pretende essencialmente que os destinatários desenvolvam as suas competências idiossincráticas e se tornem pró-activos na concretização de projectos de vida pessoais, interpessoais, sociais, académicos, profissionais e familiares geradores de um bem-estar individual, mas também social e comunitário. A aposta na valorização das competências individuais das crianças e jovens e das famílias com as quais trabalhamos é, sem dúvida, uma mais-valia do Projecto e do Programa Escolhas. Por outro lado, o desenvolvimento de um conjunto de actividades que proporcionem a estas crianças, jovens e famílias a vivência e o conhecimento de realidades diferentes às quais talvez nunca poderiam ter acesso é também um factor determinante da motivação e do empenho de toda a equipa do Projecto. Relativamente ao meu trabalho e, mais concretamente, na Avaliação e Acompanhamento Psicopedagógico, penso que já é muito positiva a ressonância que tem esta actividade junto das crianças e jovens que integra no que se refere à forma como estas passam a perspectivar o seu futuro e a acção que podem e devem ter na sua construção. Quanto à Escola de Pais, penso que todo o trabalho de mediação de formação que se tem desencadeado tem


tido um impacto muito positivo no acompanhamento que os pais e famílias que participam nesta actividade fazem dos seus filhos. O Projecto deu um novo dinamismo a freguesias tantas vezes esquecidas. O “Tu Decides +...”,como já fiz referência, foi criando uma panóplia de actividades que proporcionaram às suas crianças, jovens e famílias experiências diferentes. O Projecto deu e continua a dar voz a estas crianças, jovens e famílias e àqueles que tantas vezes não têm voz numa sociedade tantas vezes etnocêntrica apesar de tantos alertas aos ganhos da educação para a inclusão e interculturalidade. Deu e continua a dar voz à nossa comunidade cigana e imigrante…

/Projecto que Integra Tu Decides+ /Comunidade freguesias de S.Miguel, Sé, S.Vicente, Vila Fernando, Casal de Cinza e Porto da Carne, Guarda /Funções no Projecto Psicóloga - responsável pelas actividades Avaliação e Acompanhamento Psicopedagógico e Escola de Pais /Tempo de Colaboração Desde 2007.

Gostaria de deixar ainda mais enraizado, nesta comunidade, de que o futuro depende das nossas acções e competências e que se surgem oportunidades e pessoas que colaboram connosco em prol do nosso futuro devemos saber acolhê-las!!! Tantas histórias que não se esquecem… Mas, na verdade, houve uma que me marcou especialmente! A história de uma jovem imigrante puérpera que, por se encontrar completamente isolada socialmente, chegou a viver numa contextualização que poderia pôr em risco a vida do seu bebé, o qual não conseguia alimentar devidamente. Foi o Projecto “Tu Decides” que teve conhecimento desta situação e que, através das diligências que efectuou, conseguiu que esta mãe e criança fossem apoiadas! Neste momento tudo corre bem! A criança cresceu, já tem três anos e vive saudavelmente com a sua mãe que conseguiu a integração plena na sociedade portuguesa.

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Carlos Antunes “Vemos que muitos jovens estão a tirar partido da nossa existência” /Como Começou Eu conheci o projecto “Bola P’ra Frente” , em 2009, através de amigos que frequentavam os treinos de futebol de rua. O que me atraiu no Projecto foi a adesão dos meus amigos aos treinos e por ser uma coisa diferente realizada no nosso bairro. /Projecto que Integra Bola Prá Frente /Comunidade Bairro Padre Cruz, Carnide /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário, que tem o papel de “ponte” entre a comunidade e o projecto, tendo também a função de atrair os jovens para a participação na mesma. /Tempo de Colaboração Desde Fevereiro de 2010

A comunidade com a qual trabalho é um bocadinho difícil, porque é uma população um pouco “fechada”. Já foi um bairro problemático...drogas e confusões. Hoje, como jovem e morador, vejo que o Bairro Padre Cruz está a mudar para melhor, tendo ainda alguns problemas na área disciplinar e escolar. O que mais me motiva para trabalhar neste projecto é o facto de ser morador do bairro e estar sempre rodeado de gente que conheço e que cresceu comigo, e também de saber que agora posso ajudá-los a crescer ainda mais como pessoas...e que posso ser um exemplo para eles. Queremos ter um impacto na comunidade, ajudando os jovens a investir nas suas capacidades, a desviarem-se dos maus caminhos e a tornarem-se cidadãos activos da nossa comunidade. As maiores vitórias do nosso projecto prendem-se com o facto de termos sido tão bem aceites nesta comunidade. Verificamos que o nosso esforço e trabalho estão a dar resultado. Vemos que muitos dos jovens estão a tirar partido da nossa existência para melhorarem como pessoas. Gostava que os jovens que frequentam o projecto se tornassem mais autónomos e pessoas melhores e que tirassem o máximo de proveito do que aprenderam nesta associação. Uma história da qual não me vou esquecer é a da minha chegada ao Projecto para fazer parte da equipa “Bola P’ra Frente” no bairro onde resido,... a maioria do pessoal eram meus amigos e conhecidos...

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Tiago Ganhão “Maior capacidade de respostas ao nível de ocupação dos jovens” O “Intervir.com” trabalha sobretudo com crianças e jovens, dos 6 aos 24 anos de idade, da comunidade de Vila Nova de Santo André... muitos deles são imigrantes e descendentes de imigrantes. Intervir na vida destes jovens, pondo em prática o que estudei na área de organização de eventos desportivos, tem sido muito estimulante para mim. Como Dinamizador Comunitário neste Projecto, vejo que tenho impacto na vida deles, pois, tem havido um aumento da adesão às actividades realizadas. As maiores vitórias centram-se na maior capacidade de respostas ao nível de ocupação dos jovens, na contribuição para a diminuição de consumos dos jovens que frequentam os programas, na criação de um pólo com o Centro de Novas Oportunidades, na promoção de encontros geracionais, na implementação de uma Equipa de Basebol e Softbol.

/Como Começou Era antigo beneficiário do Projecto. Frequentava a actividade Dimensão Jovem, na qual eu era o representante da Comunidade de Basebol e Softbol do Município de Santiago do Cacém, onde o projecto é o elo de ligação com as várias entidades circundantes /Projecto que Integra Intervir.com /Comunidade Vila Nova de Santo André /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2011

A seu tempo, espero que o projecto de Basebol e Softbol, se torne uma referência no Município circundante.

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Mara Rangel “Trabalhar pela diferença e pelo apoio ao próximo” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas (PE) através de uma antiga colega de trabalho, que trabalhava comigo no Centro Paroquial da Costa de Caparica e que tinha um projecto implementado nesse local. Como sabia, quais eram os objectivos, e como eram feitas todas a dinâmicas, fui durante uns tempos dar apoio na ludoteca que funcionava em paralelo com o projecto. Aí tive uma maior noção de como funcionam os projectos do PE, e comecei a interessar-me por esta área. O “Bola P´ra Frente” entrou na minha vida na altura certa. Encontrava-me desempregada e, em conversa com uma amiga minha que coordena um projecto em Sines, tive a indicação que em Carnide havia um projecto que estava a necessitar de um Monitor de Cid@Net com a maior urgência. A mesma deu-me todas as indicações e, assim fiz, enviei o meu CV e no espaço de horas recebi um telefonema para ir a entrevista no dia a seguir... Fiquei bastante contente por ter entrado para o PE! Na realidade o que me atrai neste tipo de projectos é a forma como se cativam as crianças/ jovens e familiares a participar e ter voz activa nas várias medidas que se desenvolvem /Projecto que Integra Bola Prá Frente /Comunidade Bairro Padre Cruz, Carnide /Funções no Projecto Monitora de Cid@Net /Tempo de Colaboração 7 meses

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O Bairro Padre Cruz é o maior bairro social da Península Ibérica e encontra-se em renovação habitacional, sendo que o objectivo é reestruturar a zona velha desse mesmo bairro, deitando abaixo a zona mais antiga, que se encontra junto ao mercado e onde vivem os moradores mais antigos, os quais sabem bem como era e como é agora o chamado BPC – Brancos, Pretos e Ciganos. O misto de etnias é grande, mas o seu dia-a-dia digamos que é pacífico, tirando os momentos de grande tensão proporcionados pelas mesmas quando estas entram em conflito, e digo-vos que não é uma visão bonita de se ver. Lamentavelmente, esta é uma comunidade subsídiodependente e isso é bem notório, os homens passam o dia no café e as mulheres estão sempre na rua com os seus filhos que por sinal não são poucos. Os restantes que trabalham saem muito cedo de suas casas e regressam muito tarde, e os seus filhos acabam por passar muitas horas sozinhos, levando uma vida muito “livre”, o que faz com que façam o que querem, quando querem e se quiserem. É uma comunidade com uma dinâmica muito própria só mesmo estando cá para se perceber como funciona, mas eu gosto. Há vários factores que me motivam. Poder transmitir os meus conhecimentos, e os da minha equipa, aos jovens e os seus familiares. Ver que, no final de tanto investimento, valeu a pena, mesmo sabendo que para atingir aquele fim tivemos que “mover vales e montanhas”... o trabalho social é assim, o trabalhar pela diferença e pelo apoio ao próximo ...é aqui que me sinto realizada. No Cid@Net, porque tem ao dispor computadores - simultaneamente uma ferramenta de trabalho e lazer - consegue-se trabalhar as competências Sociais e Tecnológicas. Sinto então, que o nosso trabalho tem impacto na comunidade. No espaço onde me encontro, para além dos jovens/ adultos gostarem de estar nos computadores, conseguem-se trocar partilhas, receber novas aquisições ao nível da literacia digital, trabalhar aquisições sociais e acima de tudo estar em boa companhia. O facto de ser uma pessoa bem-disposta e receptora, para além de técnica amiga, consigo obter alguns dos objectivos pretendidos. São momentos únicos.


Liliana Sanches “Espero que os jovens sigam o caminho correcto para terem um futuro melhor” Esta não só é a comunidade para quem trabalho, como também é a minha própria comunidade. Nasci e cresci aqui posso dizer com toda a certeza que é um bairro social onde várias crianças e jovens têm problemas escolares e familiares. O tráfico também é algo que está na vida de muitos destes jovens, mas graças ao Programa Escolhas temos aqui a nossa Instituição para acolher estes jovens e afastá-los desses comportamentos desviantes. Enfim, Apesar de todos estes problemas gosto do bairro onde vivo e espero, juntamente com a minha equipa técnica, poder contribuir para que estes jovens tenham um melhor futuro. Estou aqui para ajudar e sei que as pessoas dão valor ao que fazemos. Os jovens sabem reconhecer quendo estão errados e sabem agradecer pelo que fazemos por eles, cada um da sua forma. Cada dia que passa é mais uma vitória alcançada por nós. Todos os dias eles aprendem algo e o mais importante é saber que eles reflectem e agradecem pelos bons resultados obtidos, não só na escola, mas também na vida pessoal e familiar.

/Como Começou Sou desta comunidade e foi através de um trabalho para a disciplina de Psicologia, que entrei em contacto com a instituição. Os jovens e crianças que frequentam este Projecto foram um grande incentivo para a minha colaboração, pois estudo Animação Sociocultural e adoro trabalhar com este grupo etário /Projecto que Integra Projecto de Inclusão Social de Crianças e Jovens do Armador /Comunidade Bairro do Armador, Lisboa /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração 3 meses

Espero acima de tudo que eles sigam o caminho correcto da vida para terem um futuro melhor. Espero que, um dia, tenham filhos e os apoiem muito, tal como nós fazemos hoje com eles.

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Vítor Ribeiro “Motiva-me poder ajudar, um jovem que seja, a realizar o seu projecto de vida” /Como Começou Em 2006, a Freguesia de Olival em Vila Nova de Gaia decidiu candidatar-se à terceira fase do Programa Escolhas, com o projecto “Mais Jovem”. Por conhecer algumas pessoas envolvidas no processo de candidatura, foi nessa altura que tomei conhecimento do Programa Escolhas. Acompanhei o projecto, desde o início, pois achei o trabalho com a comunidade muito interessante e sempre que me era possível, colaborava com a equipa técnica /Projecto que Integra Um Mundo à Escolha /Comunidade Zona Histórica do Porto, Miragaia /Funções no Projecto Monitor CID@NET /Tempo de Colaboração 16 meses

Os jovens com que trabalhamos estão inseridos num contexto social muito complicado onde as principais problemáticas são a violência, o tráfico e a existência de grupos organizados. O desemprego é também um factor preocupante nesta comunidade e, com ele, surgem outro tipo de problemas, nomeadamente a “subsídio-dependência”. Poder ajudar, um jovem que seja, a conseguir realizar um projecto de vida consistente, é motivação suficiente para a nossa intervenção. Pensar que posso contribuir para uma viragem positiva na vida de um jovem é algo que me mantém estimulado, isto apesar das contrariedades que vão surgindo. Vejo que o Projecto tem visibilidade. As pessoas da comunidade começam a falar cada vez mais do “Um Mundo à Escolha” e das actividades desenvolvidas pelo mesmo. A procura do espaço tem aumentado com o passar do tempo, assim como o envolvimento nas actividades organizadas. Uma das nossas vitórias é o facto dos jovens depositarem confiança na equipa técnica. Outra, é o facto de cada vez menos os jovens ficarem na rua e procurarem o Projecto, ocupando assim os tempos livres de forma positiva. Para esta comunidade, gostaria de deixar um grupo de jovens que desse continuidade ao trabalho efectuado pelo Projecto.

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Luis Ferreira “Gostaria de deixar alguma consciência social nas pessoas” As comunidades ciganas da Vila de Prado são das mais carenciadas e das mais excluídas do país. O contribuir para alterar a situação de exclusão das crianças e jovens destinatários do projecto motiva-me o bastante. O “Giro” tem bastante visibilidade no seio da comunidade. Vêem-se os resultados na alfabetização, na aquisição de comportamentos sociais, bem como na inclusão digital das crianças e jovens. Ainda não se pode dizer que haja grandes vitórias, mas já se tem estes pequenos resultados. Nesta população, gostaria de deixar alguma consciência social nas pessoas, assim como alguma capacidade de resposta para fazer face aos problemas que as afligem.

/Como Começou Conheci o Escolhas, através de uma associação a que pertencia e que se candidatou ao Programa. O que me atraíu foi poder conjugar a minha área, a Informática, com a intervenção social /Projecto que Integra GIRO /Comunidade Comunidades ciganas da Vila de Prado, Concelho de Vila Verde /Funções no Projecto Monitor Cid@Net /Tempo de Colaboração 1 ano e 4 meses

Já tenho presenciado muitas histórias aqui no Escolhas, aprendese muito e toma-se consciência de muita coisa no nosso trabalho. Quando houve uma visita de um mediador cigano do sul do país às comunidades destinatárias, com as quais o nosso projecto trabalha, verifiquei que para os outros ciganos, os “nossos” não eram aceites como pertencendo à etnia...pode-se ver que entre a minoria mais excluída do pais, há também lugar para a exclusão.

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Nelson Oliveira “...temos a responsabilidade de ser uma boa referência para os jovens” /Como Começou Fiz voluntariado numa instituição durante um período de férias de verão. Após terminar e passado alguns meses ligaram-me e perguntaram se queria fazer parte de um projecto/ programa escolhas. Devido as minhas habilitações contrataram-me como monitor CID@NET. Dar formação e ajudar jovens na aprendizagem foi o que mais me aliciou /Projecto que Integra Crescer com Escolhas /Comunidade Mafra /Funções no Projecto Monitor CID@NET /Tempo de Colaboração 12 dias

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A comunidade de Mafra apresenta carências próprias, no que diz respeito à afectividade, disciplina e mesmo organização. Neste trabalho temos a responsabilidade de ser uma boa referência para os jovens. Este aspecto motiva-me diariamente para um bom desempenho...fazer parte do desenvolvimento formativo de cada jovem acaba por ser bastante atractivo. Ainda será bastante prematuro dizer que o meu trabalho causa algum impacto para este jovens, num futuro próximo já se poderá ver qualquer coisa. Neste momento inicial, já tenho a vitória de ter conseguido cativar os jovens para os meus métodos de trabalho e garantir uma boa assiduidade. A seu tempo, gostava muito de saber que o meu trabalho contribuiu, de certa forma, para eles conseguirem desenvolver competências e conseguir um bom futuro. Quando se trabalha na área social tem-se muito para contar... Quando da minha participação num outro projecto, fiz o acompanhamento a um jovem que tinha algumas dificuldades. Nós tínhamos uma relação de amizade e respeito mútuo e, no momento da minha saída, este jovem referiu, a chorar, que eu era o ídolo dele...este momento ficou marcado.


Mónica Alexandre “... vou guardar sempre os sorrisos das crianças e jovens” A comunidade do Vale da Amoreira revela muitas fragilidades, muitos problemas de ordem social e económica, mas tem também muitas potencialidades, pelo facto da sua população ser muito jovem. A minha principal motivação são as pessoas com quem trabalho diariamente. Sinto que o meu trabalho tem impacto, pelo facto de estar disponível para ouvir, aprender e partilhar experiências com as crianças, jovens e adultos que nos procuram.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através de uma amiga /Projecto que Integra Escolhas VA /Comunidade Vale da Amoreira /Funções no Projecto Monitora Cid@Net /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2007

Considero que as maiores vitórias do projecto são as experiências e aprendizagens que têm sido proporcionadas à população com quem temos trabalhado, ao longo destes anos. Para ser sincera é-me difícil enunciar uma história, ou um momento específico do qual não me vou esquecer, uma vez que têm sido muitos os bons momentos vividos junto da comunidade do Vale da Amoreira. No entanto, posso afirmar que vou guardar sempre os sorrisos das crianças e jovens quando experimentam, ou conhecem algo novo com o projecto.

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Cristiano Pereira “A motivação vem da muita vontade de trabalhar com jovens” /Como Começou Conheci o Programa Escolhas através de um amigo. O que me atraiu no projecto foi o trabalho com jovens /Projecto que Integra Murjona Junior /Comunidade Horta do Carmo, Tavira /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração 1 mês

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A comunidade da Horta do Carmo é um bairro social onde coexistem muitas famílias com dificuldades económicas, sendo crucial uma intervenção de um projecto como o nosso. Enquanto Dinamizador Comunitário, tenho a responsabilidade de cativar os jovens para as nossas iniciativas. A minha motivação para esta função vem exactamente da muita vontade de trabalhar com jovens, adquirir e transmitir-lhes novos conhecimentos e ideias. Penso que o nosso projecto tem dado provas perante a população, pois, muitos jovens que outrora não tinham ocupação, sendo os tempos-livres marcados pelo vazio, hoje têm um espaço e actividades que lhes permitem conhecer coisas novas.


Luis Té “A comunidade já é nossa e nós somos da comunidade” No Casal dos Machados e Quinta das Laranjeiras a marginalidade é um problema...a maioria dos jovens andam desocupados, têm baixa escolaridade, são muitos e estão organizados em pequenos grupos, têm o consumo de drogas leves como passatempo. Saber que a comunidade precisa de mim e do meu trabalho motiva-me por completo, a par da curiosidade e do desejo de mudar as mentalidades. O “Entrelaços, és capaz!” tem tido bastante impacto nesta comunidade, pois, depois de um ano entre ameaças com pedras , armas e facas, sem regras de conduta social, surge hoje o diálogo, a participação voluntária nas actividades e eventos...não só os jovens, mas também toda a família, vêm ter connosco para esclarecer dúvidas, apresentar questões, procurar emprego, fazer os currículos...sempre com base numa relação de confiança. A comunidade já é nossa e nós somos da comunidade. Gostava, ao terminar o projecto, que toda a comunidade fosse capaz de se reunir em associação e conseguir expor de forma organizada os seus problemas. Espero que, um dia, as pessoas saibam a quem se dirigir; onde dirigir-se; que sejam capazes de sentir a necessidade de emprego e aceitar o sacrifício inerente a qualquer que seja o trabalho.

/Como Começou Só conheci o projecto no momento em que fui convidado para fazer parte da equipa e o que me atraíu na altura foi poder dar o meu contributo nas tecnologias de informação e comunicação /Projecto que Integra Entrelaços, és capaz! /Comunidade Casal dos Machados e Quinta das Laranjeiras /Funções no Projecto Monitora Cid@Net /Tempo de Colaboração 4 anos

Neste projecto, as histórias são muitas...boas e más, desde assistir a uma agressão com uma pedra na coluna vertebral dum indivíduo contra o outro e quando veio o INEM, este bateu numa pedra e rebentou o motor;... a desarmar duas jovens que lutavam com faca, prontas para se matarem; ...ao reconhecimento de méritos dos jovens das comunidades locais com orientações dos técnicos.

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Carla Barbosa “Ajudar a Comunidade é o que me incentiva nesta área” /Como Começou Uns meses antes da abertura deste projecto vi uns anúncios para trabalho nas escadas do nosso bairro e infelizmente nessa altura estava desempregada e entreguei o meu curriculum. Passado um tempo fui chamada e explicaram-me o meu trabalho e aceitei na hora, pois morava aqui no bairro desde nascença e conheço praticamente esta população que gosto muito /Projecto que Integra Há Escolhas no Bairro /Comunidade Bairro Portugal Novo e Olaias /Funções no Projecto Dinamizadora Comunitária /Tempo de Colaboração 11 meses

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O Bairro Portugal Novo e Olaias abarca uma comunidade com várias etnias e culturas, portugueses, indianos, ciganos e africanos. Uma população calma com alguns dias de rivalidade, mas nada que não passe. Pois é normal neste meio de tanta diversidade haver este tipo de situações. Ajudar a Comunidade é o que me incentiva nesta área. Conseguir que as pessoas venham ao projecto pedir ajuda é uma grande vitória...actualmente, tenho tido praticamente todos os dias, mediação e muitas crianças para apoio escolar.


Marta Mories “A possibilidade de ter um impacto positivo nos percursos de vida” Este trabalho é a possibilidade de poder trabalhar directamente com crianças e jovens, numa perspectiva de capacitação, e ter um impacto positivo nos seus percursos de vida. A comunidade de Caxias, apesar dos seus problemas e dificuldades, tem muitos recursos e potencialidades, que podemos aproveitar diariamente. Vê-se algum impacto da nossa intervenção sobretudo, na diminuição do abandono escolar e reintegração de vários jovens no sistema de ensino. Este projecto tem o objectivo de dar as ferramentas para que, um dia, esta seja uma comunidade com mais autonomia para conseguir encontrar soluções novas para os seus problemas.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através de uma amiga, que trabalhava num projecto do Programa Escolhas e sentime interessada porque me permitiu trabalhar na minha área (Psicologia) em contexto comunitário /Projecto que Integra Áfri-Cá: Asas e Raízes II /Comunidade Caxias, Concelho de Oeiras /Funções no Projecto Técnica (Psicóloga) /Tempo de Colaboração 2 anos

Nunca me vou esquecer das colónias de férias que passei com os jovens, porque é um período em que conseguimos reforçar os laços que nos unem e sedimentar as bases para um trabalho continuado.

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Ana Francisco “Estamos a ter impacto na população, insistindo na estreita relação de confiança” /Como Começou Conheci o Escolhas através de uma oferta/proposta de trabalho. O que me atraíu no Projecto/Programa foi o facto de trabalhar com crianças e jovens /Projecto que Integra Escolhas de Futuro /Comunidade Comunidade Portuguesa e envelhecida /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 4 anos e meio

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Actuamos numa comunidade envelhecida e isolada, com poucos jovens, mas estes têm grandes capacidades desde que estimulados e acompanhados. Existem também, dificuldades de acesso às novas tecnologias de informação. O facto de trabalhar com crianças e jovens no terreno, a aprendizagem, a conquista dos jovens considerados problemáticos ( ou mais carentes de afectos) incentivam-me diariamente a continuar. Estamos a ter impacto na população, insistindo na estreita relação de confiança e no leque diversificado de actividades. A estas pessoas deixaria o reconhecimento, a relação de amizade e confiança entre as crianças/jovens, a força de vontade, o gosto pelas coisas e a consciência de que tudo pode acontecer...no fundo, não desistir dos sonhos e lutar/batalhar pelos nossos interesses e gostos.


Marta Pinto “O nosso trabalho não é indiferente a ninguém na comunidade” Os Bairros Sociais de Atouguia e Gondar integram uma comunidade constituída, maioritariamente, por pessoas com baixos níveis de escolaridade, elevada taxa de desemprego, com problemas de alcoolismo ou outras substancias aditivas, com vulnerável condição socioeconómica, com crianças e jovens propensos ao insucesso escolar e consequente absentismo e abandono escolar. Por outro lado, esta é também uma comunidade com muitos valores individuais, com genuínas relações socais, com espírito solidário, em suma, com muitas competências sociais e pessoais. Olhar para trás, para o ano de 2007 e lembrar algumas das vidas de crianças e jovens, algumas muito difíceis, outras muito frágeis, e olhar o dia de hoje e ver essas mesmas vidas estruturadas, seguras, social e emocionalmente preenchidas é, com certeza o principal factor de motivação, aquilo que, todos os dias me leva ao Bairro com a convicção que o meu trabalho é muito importante para essas mesmas vidas. O impacto do meu trabalho é literalmente perceptível nas emoções que todos os dias surgem no projecto. O nosso trabalho não é indiferente a ninguém na comunidade, às vezes odiado, mas a maior parte das vezes amado, o CSI tem, sobretudo, motivado o bem-estar e a normalidade psicossocial de crianças e jovens, visível nos risos, nos abraços, nas conversas, nas confissões e, até, nos pequenos conflitos, nas ansiedades e nas desmotivações. Consolidar, nos Bairros, uma ocupação edificante dos tempos livres de crianças e jovens, uma dinâmica social activa e interventiva, uma rotina regrada e saudável das condutas diárias das crianças e jovens, aspecto tão importante para o desenvolvimento das suas competências sociais e pessoais, foram, sem dúvida, grandes vitórias do projecto, indissociáveis da promoção de um decréscimo de algumas das problemáticas que atingiam este território.

/Como Começou Licenciada em Antropologia, a frequentar o Mestrado em Estudos da Criança e à procura do 1º emprego, vou assistir, no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, onde estudei, a um debate entre antigos alunos integrados profissionalmente e ex-alunos que ouviam o “não, não temos vaga para um antropólogo”, frase que, até então, tantas vezes soou aos meus ouvidos. No debate, oiço um Antropólogo que estaria a coordenar um Projecto de Intervenção no âmbito do Programa Escolhas e que, tão apaixonadamente, o descreve, transportando-me, em pouco tempo, para a sua realidade, a realidade que eu tão idealmente imaginava para mim, a minha pretensão profissional. Passado uns meses, sem que se suspeitasse de qualquer relação com o debate que eu havia assistido, surge a oportunidade de integrar a Coordenação do, então, Projecto “Bússola”, desenvolvido em Guimarães, no âmbito do Programa Escolhas. Finalmente tinha chegado a minha vez. A vez de iniciar um percurso profissional e, em última análise pessoal, junto da família Escolhas, onde, sem duvida, me sinto em família

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/Projecto que Integra Projecto CSI - Crescer Solidário e Integrado /Comunidade Bairros sociais de Atouguia e Gondar, Guimarães /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 5 anos e 6 meses

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Gostava que a influência familiar no desenvolvimento de muitas das crianças e jovens não tivesse um peso tão “pesado”, e que elas pudessem fazer as suas escolhas livres de uma herança educacional, por vezes, muito débil e, potencialmente, preponderante na reprodução de estilos de vida favoráveis à exclusão ou auto-exclusão social.


Liliana Martins “Promover um maior envolvimento na vida da comunidade” A população de Vagos valoriza cada vez o sucesso escolar e a formação profissional. No então, verificam-se ainda muitas dificuldades em envolver e responsabilizar as famílias na vida escolar das crianças e jovens. Nesta comunidade, gostava de aumentar a capacitação e autonomia dos jovens, assim como promover um maior envolvimento na vida da comunidade. A nossa intervenção tem tido visibilidade ao nível da dinamização de actividades que favorecem o desenvolvimento de capacidades em jovens, na sua grande maioria, inseguros, desmotivados e desinteressados, em relação ao sucesso escolar e ao estabelecimento de relações interpessoais. O impacto tem se verificado também no aumento da responsabilização e da motivação dos jovens em relação às actividades propostas e a importância destas para as suas vidas. Não consigo destacar uma história particular, mas é muito gratificante quando sinto que os jovens me vêem e me sentem, não só como técnica/ monitora do Projecto, mas também como uma fonte de apoio, a quem podem recorrer.

/Como Começou omei conhecimento do Projecto/ Programa Escolhas através da parceria que a minha entidade empregadora (Câmara Municipal de Vagos) estabeleceu com o Projecto Escol(h)as em Boa-Hora. Os objectivos a que o Projecto se propõe e a população a quem se dirige, tornam-no um desafio constante /Projecto que Integra Escol(h)as em Boa-Hora /Comunidade Vagos /Funções no Projecto Psicóloga /Tempo de Colaboração 1 ano

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Susana “Transformar histórias dificeis em histórias de heróis” /Como Começou Atraíram-me os objectivos ambiciosos e as metas em termos sociais /Projecto que Integra Escola Com Escolhas /Comunidade Marinha Grande /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração 4 anos

A Marinha Grande tem uma comunidade muito específica, com uma cultura muito própria, onde se valoriza os que se interessam pelo bem dos seus filhos, netos, das suas crianças e jovens. As crianças e jovens destinatários do Projecto motivam-me diariamente, mas também o facto de cada dia ser uma conquista e de poder transformar cada sorriso, cada entusiasmo e cada sonho não numa batalha, mas acima de tudo numa vitória. A actuação do “Escola Com Escolhas” tem impacto na população, embora muitas vezes seja apenas verificado algum resultado apenas a longo prazo...o que existe é todo um percurso cheio de pequenos impactos. Aqui queria transformar histórias dificeis em histórias de heróis, fazer sentir aos pais a importância da Educação na integração dos seus filhos na sociedade, trazer escolhas mais positivas...jovens com um futuro risonho, sonhos tornados reais. Há pequenos grandes sucessos todos os dias que não se esquecem com o passar do tempo. A história de dois jovens muito rebeldes e em abandono escolar que, após de integrados numa Instituição através da actividade de Voluntariado, sentiram-se valorizados e regressaram ao sistema de ensino, destacando-se no ano lectivo seguinte pela positiva e completando a Escolaridade Mínima Obrigatória.

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João David Paço “...olhar mais para as potencialidades do que para as dificuldades” A comunidade da Serra da Luz e da Urmeira é, sem dúvida, uma comunidade com todos os factores de risco associados a Bairros Sociais, no entanto queria destacar os aspectos positivos que encontrei. Esta comunidade tem muitos jovens com os quais podemos trabalhar no sentido de os tornar no futuro o motor de desenvolvimento do local onde vivem. A comunidade possuiu também uma grande multiculturalidade que, sendo trabalhada no sentido correcto, pode enriquecer o local onde vivem e, por último, esta população tem algumas pessoas de referência que vivem no Bairro e que realmente se interessam pelo lugar onde vivem. O meu principal motivo é poder deixar um marco positivo na vida das crianças, jovens e famílias que acompanhamos no Encontr@rte. Mas também quero aprender o que de positivo esta comunidade tem para oferecer. De facto, poder contribuir com as minhas capacidades para o desenvolvimento de outras pessoas é de facto muito motivante. O nosso trabalho tem sempre impacto no local onde o nosso projecto actua. Noto que há mais respeito entre as crianças e jovens que frequentam o projecto, que percebem a importância da escola no seu futuro e que as famílias começam a perceber que têm de ter um papel mais activo no desempenho das suas funções parentais.

/Como Começou O meu primeiro contacto com o Programa Escolhas aconteceu quando estava a trabalhar numa escola profissional na Amadora e me nomearam como representante da escola na parceria do projecto “Formar e Inserir do Bairro de Santa Filomena”. Comecei a ir às reuniões de consórcio onde disponibilizava informação sobre a oferta formativa da escola onde trabalhava. Entretanto a Associação Rute (da qual sou sócio), no início de 2010, conseguiu financiamento para o projecto que desenvolveu para os Bairros da Serra da Luz e Urmeira, e convidou-me para coordenar este projecto e eu aceitei /Projecto que Integra Encontr@rte /Comunidade Bairros da Serra da Luz e da Urmeira /Funções no Projecto Técnica (Psicóloga) /Tempo de Colaboração 1 ano

As vitórias vêem-se na mobilização das crianças, jovens e as suas famílias para a participação, organização e planificação de actividades para a comunidade. Gostaria que esta comunidade passasse a olhar mais para as suas potencialidades do que para as suas dificuldades, a acreditar que se trabalharem para alcançar os seus objectivos ou sonhos que o vão conseguir. Gostaria de ver mais tarde, alguns dos TÉCNICOS | 345


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destinatários que frequentaram o projecto Encontr@rte à frente de projectos semelhantes para esta comunidade. Lembro-me de uma história muito engraçada que aconteceu durante uma actividade de voluntariado que estavamos a desenvolver. Fizemos um concurso para ver quem conseguia apanhar mais lixo das ruas do Bairro da Serra da Luz. Criámos duas equipas e entregámos sacos de lixo dos grandes. A competição foi de tal modo renhida que, no final, tivemos que intervir porque as equipas estavam a roubar sacos de lixo umas às outras.

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Diana West “Um ponto de encontro e entrosamento entre jovens e crianças” A comunidade do Casal do Silva Falagueira é bastante fechada, tanto as instituições como a população. Ao longo dos anos, temos vindo a notar uma diferente abertura e sobretudo uma maior articulação entre as instituições. É uma população heterógenea e com diferentes backgrounds culturais e é bastante pequena em termos de dimensão. Apesar de poucas, existem respostas na comunidade para algumas das problemáticas. O principal problema é a falta de condições económicas das famílias, o desemprego e baixa escolaridade/formação. Motiva-me a possibilidade de trabalhar em diferentes escalas, ou seja, trabalhar no directo com os destinatários e beneficiários, e também trabalhar com os parceiros, ou as instituições parceiras. Em simultâneo trabalhar ao nível da planificação, sustentabilidade e desenvolvimento, e do trabalho em rede e articulação.

/Como Começou Conheci o “A Rodar” através de uma colega. Atraíu-me a metodologia do Programa Escolhas, a possibilidade de trabalhar fora do contexto escolar e a possibilidade de desenvolver funções de coordenação /Projecto que Integra A Rodar /Comunidade Casal do Silva, Falagueira /Funções no Projecto Coordenadora /Tempo de Colaboração Desde Setembro de 2008

A possibilidade de trabalhar com jovens, crianças e adultos é aliciante. Aqui penso que o que me motiva é a diversidade de tarefas e responsabilidades e também a flexibilidade e crescimento que o terreno exige. O “A Rodar” é um ponto de encontro e entrosamento entre jovens e crianças que, fora do espaço, pouco convivem. O nosso Projecto tem tido um forte impacto nos jovens, ao nível das oportunidades e do desenvolvimento de competências e comportamentos positivos. Penso que o meu trabalho ajudou algumas intituições e parceiros (intitucionais, funcionários, professores, etc) a ver de outro modo o trabalho de intervenção social e em particular com a população cigana. Ao longo desta intervenção temos tido algumas conquistas. Aumentar o número de crianças pequenas a frequentar o Jardim de Infância e garantir que não existem crianças em idade escolar que não estejam matriculadas. Integrar através da turma PIEF TÉCNICOS | 347


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alunos que estavam em abandono escolar. Ter uma boa relação com a população que, a pouco e pouco, vem reconhecendo a importância do projecto. Dinamizar a rede de parceiros, que finalmente começa a trabalhar com maior articulação. Com o tempo, gostava de ter mais técnicos da comunidade a trabalhar no projecto. Gostava de contribuir para aumentar o número de alunos inseridos em escolas e formação. A revelar a visibilidade deste projecto na comunidade, é de realçar a noite em que foram divugados os resultados das candidaturas para o Programa Escolhas de 4ª Geração. No espaço do “A Rodar” estava concentrada imensa gente da população e quando se anunciou, após um grande suspense, que o projecto iria continuar houve uma reacção explosiva por parte da população! Estavam muito felizes e contentes e nesse momento senti e percebi o quanto a população acarinhava o projecto.

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Rui Bordadágua “As maiores vitórias do projecto estão relacionadas com o sucesso escolar” A comunidade do Casal do Silva tem um baixo grau de escolaridade, sobretudo a população adulta. A população mais jovem encontrase, na sua maioria, inscrita no sistema escolar. É sempre um incentivo poder fazer com que estas pessoas tenham uma vida melhor e mais integrada na sociedade. Sinto que o meu trabalho tem um grande impacto nas competências TIC dos participantes e no sucesso escolar dos mesmos. Foi no CID do “A Rodar” que muitos jovens tiveram o primeiro contacto com as novas tecnologias e foi no CID também que desenvolveram as competências básicas. O impacto no sucesso escolar atribuo às ferramentes TIC colocadas à disposição dos participantes. Estas ferramentas possibilitam que os participantes estudem diferentes matérias de uma forma bastante interessante e simples. Noto que muitos dos participantes tem os seus únicos momentos de estudo no computador, por isso, as ferramentas que colocamos à disposição são bastante importantes para o sucesso escolar. Facto comprovado por diversos testemunhos. Considero que as maiores vitórias do projecto estão relacionadas com o sucesso escolar. O projecto promove diariamente actividades que levam as crianças a ir à escola e depois insiste no apoio escolar aqui no espaço. Gostava que de sair daqui com uma comunidade que respeitasse mais o outro e mais capacitada para enfrentar os desafios da sociedade.

/Como Começou Conheci o Programa Escolhas através do irmão de uma ex-colega de trabalho. Ele trabalhava como monitor CID no projecto “Sementes” quando soube que o projecto onde trabalho actualmente procurava preencher a vaga de monitor CID, então entrou em contacto comigo para me informar da vaga pois sabia que eu gostava do trabalho que realizava. O que me atraíu no projecto foi a possibilidade de trabalhar directamente com pessoas. Antes de trabalhar no Programa Escolhas desenvolvia programas numa Seguradora, após 2 anos de trabalho quis experimentar uma área mais ligada às pessoas /Projecto que Integra A Rodar /Comunidade Casal do Silva /Funções no Projecto Monitor CID /Tempo de Colaboração 2 anos e 3 meses

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Susana Lourenço “Um olhar mais atento para as carências” /Como Começou Comecei a minha participação no Projecto como Técnica de uma entidade parceira do Consórcio, mais tarde fiquei como membro da sociedade, dando continuidade à minha participação, de uma forma voluntária e, por fim, fiquei no Projecto como Técnica /Projecto que Integra Escolhas D’Ouro /Comunidade Lamego /Funções no Projecto Técnica /Tempo de Colaboração Desde Janeiro de 2010

A comunidade de Lamego é formada por pessoas cooperantes e, depois de perceberem bem os objectivos e benefícios que o “Escolhas D’Ouro” lhes pode proporcionar, demonstraram ainda mais interesse em participar. A cooperação e dedicação de todos os membros da equipa técnica, pelo bom ambiente que conseguem criar e por terem a percepção de que o projecto é uma mais-valia para a população, bem como o crescimento pessoal que me é proporcionado, constituem factores motivacionais de relevo para o meu desempenho deste trabalho. E claro que sinto o nosso impacto nas crianças, que têm mais algumas capacidades de comunicação e dedicação ao outro e estão envolvidas de alma e coração no projecto. As nossas vitórias...envolver um número considerável de crianças, bem como diferentes técnicas de diversas áreas, proporcionar diferentes actividades, desenvolvendo competências básicas nas crianças. Nesta comunidade, gostava de deixar um olhar mais atento para as carências que Lamego tem e uma atenção reforçada a estas crianças que, acima de tudo, precisam de atenção. Neste projecto, apoiamos uma menina (que me parece) com um ligeiro grau de autismo, sem diagnóstico estabelecido. E é gratificante e extremamente satisfatório ver como esta criança tem evoluído e o carinho que nos transmite a nós, conseguindo desenvolver competências também ao nível dos computadores, com o apoio do CID@NET e ajuda do monitor.

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Paulo Saraiva “As crianças já trabalham muito melhor com as novas tecnologias” Esta comunidade é bastante interessante isto porque, as pessoas têm um grau de motivação bastante elevado para o desempenho das tarefas que lhes são pedidas. Aqui, é muito gratificante e motivante o facto de encontrar crianças que adoram o espaço e se sentem muito confortáveis nas tarefas que lhes são pedidas. De modo geral, através do CID@NET, as crianças já trabalham muito melhor com as novas tecnologias e sabem que lhes permite fazer pesquisas orientadas para os seus estudos. Deste “Escolhas D’Ouro” gostava de deixar, às crianças e jovens, a ideia de que “o céu é o limite” se queres chegar algum lado... com força e motivação tu consegues.

/Como Começou Conheci o projecto através de uns amigos e gostei porque apresenta um leque de possibilidades de crianças com dificuldades em terem acesso a novas tecnologias /Projecto que Integra Escolhas D`Ouro /Comunidade Lamego /Funções no Projecto Monitor CID@NET /Tempo de Colaboração 1 mês

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Tiago Nabais “O CID@net assume uma importância valiosa para crianças e jovens” /Como Começou Conheci o Projecto quando fui convidado a integrar a equipa e ser monitor CID@ net. O que mais me aliciou foi o facto de poder tratar directamente com jovens, por forma a tentar fazer a diferença no amanhã dos mesmos /Projecto que Integra O Espaço, Desafios e Oportunidades /Comunidade Tapada das Mercês /Funções no Projecto Monitor CID@net /Tempo de Colaboração 1 ano e meio

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Esta comunidade da Tapada das Mercês apresenta muitos problemas sócio-económicos. Grande parte dos jovens que fazem parte do Projecto são imigrantes ou descendentes de imigrantes, uma vez que a população envolvente à escola onde nos encontramos também o é. O que mais me motiva para este trabalho, é o facto de todos os dias conseguir ajudar os jovens e dar-lhes acesso a coisas que sem o Projecto não seriam possíveis. Os laços de amizade que com o tempo se firmam com os jovens é outra grande motivação no trabalho desempenhado. O CID@net assume uma importância valiosa para crianças e jovens, pois é a sua única forma de contacto com um computador e Internet. Aqui têm a possibilidade de realizar trabalhos escolares e de evoluir na sua formação pessoal e profissional. Também o facto de podermos fazer com que não passem tanto tempo sozinhos, ajuda-os a sentirem-se úteis e bem com eles próprios e também a afastá-los de problemas.


Hugo Cortez “Represento um elo de ligação entre a comunidade e o Trampolim” Era destinatário do Escolhas, pois era e sou morador no Planalto do Ingote. Esta comunidade é a minha casa...as minhas raízes, assumindo por isso um significado especial estar, actualmente, a trabalhar no Projecto como Dinamizador Comunitário.

/Como Começou Estou envolvido nas actividades do Projecto Escolhas desde a sua 1º Geração

Represento agora um elo de ligação entre a comunidade e o “Trampolim”, onde agora tenho a responsabilidade de dar a mesma contribuição que um dia me foi dada.

/Comunidade Planalto do Ingote, Coimbra

Nunca vou esquecer o que o Escolhas fez por mim e vou sempre lembrar momentos importantes como os Intercâmbios realizados e os Campos Internacionais de Trabalho.

/Projecto que Integra Trampolim

/Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração 1 ano

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Paulo Guerra “A evolução de cada um deles no instrumento é um vitória para mim” /Como Começou Conheci o programa através de uma participação num Curso de DJ. Na altura, fiquei fascinado pelas oportunidades que poderia obter com um curso destes e como os cursos presentes neste programa poderiam ajudar outras pessoas que de outra forma não teriam meios para obtê-los. Penso que hoje em dia, a partilha de conhecimento e experiência são muito importantes e isso é uma coisa que temos aqui no +Skillz /Projecto que Integra + Skillz /Comunidade Bairro Alto /Funções no Projecto Monitor de Guitarra /Tempo de Colaboração 4 Meses

Descreveria esta comunidade como sendo bastante ecléctica e jovem, com grande potencial e energia, necessitando sobretudo de uma boa orientação. Várias coisas me motivam. Como por exemplo, o facto de ensinar aos jovens uma nova maneira de se expressarem, com uma linguagem que hoje em dia tem que estar muito presente nos nossos dias; ver a sua evolução ao longo dos meses; o envolvimento que se cria com cada um e o facto de aprender constantemente com cada um deles. Sinto que tem um forte impacto o meu trabalho, porque possibilita a todos os que ensino uma coisa a aprender, tanto a nível artístico, com uma leitura de um instrumento musical, como a nível pessoal, aumentando a confiança de cada um e as capacidades cognitivas. Usando assim, a sua energia de um modo positivo. A evolução de cada um deles no instrumento é uma vitória para mim. Ver como todos eles desenvolvem o gosto pela música e vê-los a dar os “primeiros passos” nas suas próprias criações é gratificante. Gostava de deixar nesta comunidade o bom gosto pela música e mostrar como ela nos pode unir. Existe uma rapariga que toca muito bem para a idade, mas basicamente não quer ter aulas comigo porque, segundo ela, e passo a citar: “não gosta de mim”... Tem um feitio e um carácter muito forte, mas quando deixa o orgulho de lado, ela aparece-me nas aulas mostra-me muito rápido o que aprendeu sozinha e diz-me para eu lhe ensinar uma coisa muito rápida. Eu aproveito para lhe melhorar a técnica e ensino-lhe uma música mais sonante, para ver se a conquisto e para ela começar a frequentar as aulas com mais assiduidade. Não tenho tido sorte no que respeita à presença dela nas aulas, mas gosto de ver a atitude dela a mudar a meu respeito e a evolução dela no instrumento, com esta forma diferente de ensinar.

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Alexandru Dobra “Promover a interculturalidade e combater as atitudes discriminatórias” Almancil tem uma comunidade multicultural, na qual vivem pessoas de várias nacionalidades: Romenos; Moldavos; Ucranianos; Russos; Húngaros; Italianos; Franceses; Ingleses; Indianos; Brasileiros; Marroquinos; Guineenses; Venezuelanos; Chineses; entre outros. Ao trabalhar no “Asas Para Amanhã” tenho a oportunidade de mudar algo nesta comunidade, tendo como objectivo promover a interculturalidade e combater as atitudes discriminatórias. Penso que estamos a ter algum impacto, pois as pessoas de outras culturas não são distantes e desconfiadas como antes...aos poucos começam a aprender e a conviver com outras culturas. Conseguimos criar e dinamizar actividades multiculturais, destinadas a todos...para que ninguém olhasse a raças, nacionalidades, culturas. Aqui não há quaisquer desigualdades.Com este Projecto, gostaria de contribuir para que as minorias étnicas, os mais desfavorecidos e desprotegidos sejam mais apoiados. Não me vou esquecer da equipa técnica anterior pois foram eles que me motivaram e me incentivaram para fazer o que estou a fazer.

/Como Começou A ex-coordenadora do projecto conhecia-me desde criança e, sabendo que estou desempregado, per guntou-me se queria candidatar-me ao cargo de Dinamizador Comunitário, na altura nem sabia o que era o Programa Escolhas. Ela contou-me os objectivos do projecto, e fiquei interessado. Não pensei duas vezes, fiz o Curriculum Vitae, entreguei e fiquei /Projecto que Integra Asas Para Amanhã /Comunidade Almancil /Funções no Projecto Dinamizador Comunitário /Tempo de Colaboração 1 ano 6 meses

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Sónia Martins “As vitórias passam pela maior participação dos jovens no projecto” /Como Começou Conheci o projecto através de um professor. Atraíume todo o trabalho que o projecto faz neste bairro /Projecto que Integra A Rodar /Comunidade Casal do Silva /Funções no Projecto Planeamento e implementação de actividades lúdicopedagógicas com grupos de crianças/jovens com idades compreendidas entre os 6 e os 20 anos; contacto próximo com a comunidade; estratégias de resolução de conflito; Desenvolvimento de competências associadas /Tempo de Colaboração 2 anos e 7 meses

A população do Casal do Silva caracteriza-se pela heterogeneidade cultural e étnica, com uma forte incidência na população cigana. Défice de competências parentais, desorganização familiar e financeira, carências económicas, exclusão social no caso da etnia cigana, relação distante com instituições, falta de recursos e respostas locais, falta de informação e conhecimento sobre as respostas existentes. Motiva-me ver que o meu trabalho está a ter um grande impacto no comportamento escolar e social das crianças com quem trabalho diariamente. Antigamente as raparigas ciganas quase não faziam o 2º ciclo, hoje em dia já não acontece. A escola não tinha qualquer tipo de aproximação com a comunidade e, neste momento, esta barreira foi ultrapassada. As vitórias passam pela aproximação e solicitação dos familiares ao projecto e pela maior participação dos jovens e da comunidade no projecto. Gostava de modificar a relação desta comunidade com as outras instituições e que alguns jovens continuassem a estudar e tivessem uma profissão.

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Maria Felicidade Nunes “Gostaria de deixar os jovens com um projecto de vida” Conheci o programa Escolhas em actividades realizadas no bairro. No âmbito da nossa parceria, a nossa associação colabora na realização de actividades com crianças e jovens do bairro. A comunidade residente é marcadamente multicultural. O “Percursos Acompanhados” tem desempenhado um trabalho útil em especial para as crianças e jovens do bairro. A “Partilha” trabalha com todos os moradores do bairro, em especial na área da habitação e na área social. Nesta comunidade, gostaria de deixar os jovens com um projecto de vida, de modo a que pudessem encarar/perspectivar o futuro de forma diferente.

/Instituição “A Partilha” – Associação de Moradores do Bairro do Zambujal - Buraca /Comunidade Com toda a comunidade residente no Bairro do Zambujal /Função Presidente de Direcção /Projecto Percursos Acompanhados

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Miguel Honrado

/Projecto que Representa EGEAC /Funções na Instituição Presidente do Conselho de Administração

Conheci o Programa Escolhas quando em 2007 estive integrado na equipa de programação cultural do evento “O Estado do Mundo” / Fundação Gulbenkian, durante o qual realizámos vários projectos com o Programa Escollhas Embora não tenha acompanhado o programa desde o seu início considero-o um projecto da maior relevância e da maior importância dentro das políticas públicas ligadas à multiculturalidade e à inclusão. Desde a minha chegada à EGEAC que considerei como prioritário o restabelecimento de parcerias com o Escolhas sendo que, neste momento, já existe uma relação de trabalho que já produziu efeitos, e apresentará bastantes mais num futuro muito próximo. Tem sido de facto um prazer trabalhar com a equipa do programa, além de muito enriquecedor ao nível profissional e humano.

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Rita Amorim

Lembro-me de ter ido apresentar a FDTI (Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação) e o seu Centro Novas Oportunidades à sede do Programa Escolhas e de me ter deparado com uma sala cheia de curiosos. Deve ter sido a apresentação mais dinâmica que fiz. Não sei ao certo o número de projectos que lá estavam representados, mas lembro-me de estarem perto de 50 pessoas. Aí tive o primeiro contacto com a realidade deste programa.

/Projecto que Representa FDTI /Funções na Instituição Coordenadora de Centro Novas Oportunidades

Independentemente da cidade e do bairro, os problemas sociais são sempre numerosos e há que tentar ajudar as pessoas a encontrarem um rumo nesta sociedade. Com o nosso Centro Novas Oportunidades colaborámos em 3 projectos (Mira Sintra, Afri-Ca: Asas e Raízes e + Skillzs) e ao longo destes quase 4 anos conseguimos certificar 75 adultos (34 do nível secundário e 41 do nível básico). Tem sido um privilégio trabalhar com estes projectos, pois desta forma conseguimos trabalhar com públicos diversificados e é muito gratificante sentir que de alguma forma também colaboramos para a integração social de tantas pessoas.

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Corália Loureiro

/Projecto que Representa Câmara Municipal do Seixal /Funções na Instituição Vereadora do Pelouro dos Recursos Humanos, Modernização Administrativa e Acção Social

Enquanto Vereadora responsável pela área social do município do Seixal, ao longo dos últimos 18 anos, tive o privilégio de ver “nascer” o Programa Escolhas, em 2001 e de o acompanhar até ao presente momento (4ª Geração) através da sua implementação e desenvolvimento no município do Seixal, que contou com o apoio desta Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia, entre outros parceiros. Sendo o Seixal um município de grande diversidade e riqueza cultural, a nossa preocupação tem sido a de promover uma cultura de convivência e de diálogo intercultural. Este é, estou convicta, um dos desafios que se colocam à actual sociedade global, em nome de uma cidadania efectiva e assente na igualdade. Daí termos “abraçado” o Programa Escolhas desde a sua primeira hora. Na Amora, Quinta da Princesa, a parceria que as autarquias assumiram com o Programa Escolhas, quer na sua 1º Geração, quer no Projecto Tutores de Bairro (2ª, 3ª e 4ª Geração), permitiu a formação de mediadores culturais, numa primeira fase, e tem vindo a estimular a participação cívica e comunitária junto das crianças e jovens residentes e a co-responsabilização das famílias, bem como a inclusão escolar, prevenindo o abandono, absentismo e insucesso escolar dos seus destinatários. A integração de tutores, em contexto escolar – EB1 Quinta da Princesa – através da dinamização de actividades lúdicopedagógicas, tem funcionado como referência e estímulo para as crianças e jovens, baseando-se numa intervenção primária, desbloqueando e minimizando os factores de risco algo evidentes neste público-alvo. A importância deste trabalho de parceria junto da comunidade deste bairro, onde existe um serviço de proximidade da Câmara Municipal do Seixal, tem sido um factor fundamental de inclusão social e de respeito mútuo pela identidade de cada um.

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Na Arrentela, Quinta do Cabral, esta acção com o Programa Escolhas, em parceria com a Khapaz Associação Cultural, vem desde Abril de 2001. Permitiu a legalização desta associação juvenil e também ter um espaço no meio da sua área de intervenção, tendo a sua actividade inicial sido feita com jovens dinamizadores comunitários, avançando com projectos como o Konversu, Rualidades e com o actual Comunnikacção, que têm possibilitado o desenvolvimento de aptidões e competências pessoais, escolares e profissionais aos seus destinatários, proporcionando a inclusão social destas crianças e jovens, provenientes de contextos sócioeconómicos mais vulneráveis, tendo em conta o risco de exclusão social, nomeadamente descendentes de imigrantes e minorias culturais, procurando a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social no território. A Câmara Municipal do Seixal tem vindo a desenvolver uma política social centrada no trabalho colectivo, em parceira, e no desenvolvimento de projectos que reforcem a igualdade e promovam a solidariedade, a inclusão social e a cidadania, e que garantam a estabilidade e coesão do nosso concelho. Acreditamos que este é o caminho certo e, por isso, as nossas práticas de intervenção e de cidadania espelham o empoderamento destes cidadãos e cidadãs e das organizações locais, intensificando e fortalecendo esta cooperação entre parceiros e potenciando os recursos existentes sempre na expectativa de melhoria da qualidade de vida das nossas populações e da plena integração dos nossos munícipes.

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Vitória Valejo

/Projecto que Representa IAS - Instituto de Acção Social - Açores /Funções na Instituição Interlocutora do SASE Jovens em Risco e da Rede Regional de CDIJ - Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil

Conheci o Programa Escolhas, através de Candidaturas, 2º e 3º Geração a projetos realizados por diversas instituições da Região Autonoma dos Açores, Escolha Certa (Ribeira Grande), Novos Rumos (Capelas), Viragens (Ponta Delgada), Pedra Segura (Vila Franca do Campo), Porto Seguro (Rabo de Peixe) e Veredas (Horta - Ilha Faial), fazendo parte do Consórcio, como representante do IAS - Instituição de Acção Social/DRSSS/SRTSS. Faço um balanço muito positivo. O Programa Escolhas contribuiu para termos como sustentabilidade e meta dos projectos de 2º, 3º G a criação de uma Rede Regional de Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil (CDIJ) que integram uma resposta global tendo em vista a promoção da inclusão social de jovens aos níveis da sua identidade pessoal, familiar, escolar, profissional e comunitária. O Escolhas permitiu contribuir para a Igualdade de Oportunidades pelo desenvolvimento de competências pessoais, relacionais, escolares e profissionais e capacitar/ desenvolver nos jovens o exercício da cidadania e o pleno direito à participação comunitária como factor de uma verdadeira integração na sociedade.

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Sónia Paixão

A Câmara Municipal de Loures aderiu ao Programa Escolhas desde a 1ª Geração em 2001, candidatando projectos que foram sucessivamente aprovados. Coesão social, cidadania, educação, acção, solidariedade, artes, orgulho, optimismo, igualdade, conhecimento, inclusão, inovação, parceria, pertença, culturas, voluntariado, oportunidades, respeito, lusofonia, participação, diversidade. ESCOLHAS!

/Projecto que Representa Câmara Municipal de Loures /Funções na Instituição Vereadora do Departamento de Coesão Social e Habitação

Dez anos depois de iniciarmos a caminhada da inclusão social de crianças e jovens em maior risco de exclusão através do Programa Escolhas, resumo com estas palavras o resultado dos projectos que desenvolvemos nesta década. O Município de Loures aderiu a este programa desde o primeiro momento, assumindo-o como um dos mais importantes instrumentos ao serviço das suas políticas sociais de proximidade, e tem conseguido, ao longo destes dez anos, alargar o número de projectos e os territórios de intervenção. Dez anos depois, e em plena 4ª Geração, Loures tem seis Escolhas em curso. Escolhas que estão a construir novas cidadanias, a dar oportunidades e a mostrar caminhos de vida em escolas, bairros e freguesias onde convivem várias gerações de nacionais de países terceiros. Continuamos a mobilizar milhares de jovens para projectos artísticos, a promover competências pessoais e profissionais, a descobrir talentos, a fomentar auto-estimas, a criar esperança, a dar oportunidades e liberdade de escolha. Até agora, ganhámos um grupo de Teatro muito especial, valorizámos o nosso património humano e imaterial e aumentámos a coesão social.

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Enquanto responsável pela Divisão de Igualdade e Cidadania, unidade orgânica que gere os Escolhas a nível local, congratulome com as políticas de inclusão do Governo e felicito o ACIDI pela confiança que depositou em nós, aprovando sucessivamente os projectos concelhios. A nível local, aplaudo os desempenhos dos coordenadores dos projectos: a Eunice, o Embaló, a Erica, o Camilo, a Marina, a Carla e o Bruno. Esta década de transformações também não seria possível sem as instituições locais que se associaram aos diferentes projectos. A todos os parceiros que integraram estes verdadeiros consórcios de boas escolhas o meu bem-haja! A partir de agora e tendo consciência que uma escolha na vida anula imediata e inevitavelmente muitas outras, jamais poderemos deixar de promover boas Escolhas. Com futuro.

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Armando Leandro

É com muito gosto e honra que, muito sinteticamente, emito a minha opinião e visão pessoal sobre o Programa Escolhas, no momento em que comemora os seus 10 anos. Tenho tido com o Programa, desde o seu início, contactos para mim sempre muito enriquecedores. São particularmente significativos os contactos e colaborações no quadro das minhas funções como Presidente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, nos últimos cinco anos.

/Projecto que Representa Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco /Funções na Instituição Presidente

Tenho podido constatar a qualidade verdadeiramente notável da sua concepção, quer ao nível do ideal profundamente humanista que constantemente o inspira, numa clara assumpção do paradigma dos direitos fundamentais de toda a pessoa, fundados na sua indiscutível e inviolável dignidade, quer ao nível do pensamento dinâmico que o orienta, ancorado em exigente fundamentação científica e empírica e numa permanente preocupação de formação, avaliação, supervisão e investigação/acção, numa perspectiva transdisciplinar. A esta concepção alia uma organização simultaneamente rigorosa e flexível que facilita e reforça o espírito colaborativo e a adesão, quer dos seus distintos colaboradores, quer dos diversificados destinatários. O êxito da sua intervenção concreta relativamente a problemáticas individuais, familiares e comunitárias particularmente complexas, e em circunstâncias especialmente difíceis, tem tradução expressiva no prestígio indiscutível que o Programa Escolhas tem granjeado. É de salientar, a tal propósito, o carácter muito positivo dos anseios e expectativas, nunca goradas, que têm manifestado os destinatários das sucessivas «gerações» que o Programa tem sabido conceber e executar, numa demonstração lúcida e generosa da compreensão da necessidade de corresponder, tanto quanto possível, aos resultados da avaliação das acções e aos apelos das muito rápidas PARCEIROS | 365


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mudanças nos circunstancialismos culturais, sociais, ambientais e económicos em que actua, sobretudo ao nível da complexidade, heterogeneidade e multiculturalidade. Termino realçando os efeitos muito benéficos da colaboração entre o Programa Escolhas e as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens nos territórios em que o Programa actua, numa comunhão de ideias e de esforços para levar à vida de cada criança os direitos que lhe reconhecemos e que são fundamentais à qualidade humana e, por consequência, à qualidade do nosso desenvolvimento, a todos os níveis. Permita-se-me ainda que, com a minha homenagem, de muita admiração e estima, a todos os Responsáveis e Agentes do Programa Escolhas, pelo trabalho de grande qualidade que vêm desenvolvendo, expresse a nossa profunda satisfação e sentida certeza de que aqueles benefícios para as nossas crianças serão ainda mais acentuados com o aprofundamento que poderá resultar do recente Protocolo celebrado entre o ACIM, representado pela distintíssima Alta Comissária, e a Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, em domínios não só da prevenção terciária ou reparadora das situações de perigo, mas também, assinale-se, ao nível da prevenção primária e secundária das situações de perigo e risco. Reflecte-se, a nosso ver, nesse Protocolo, que muito nos honra e em que colocamos o maior empenho, uma ética da esperança, que não nega a difícil realidade, mas que suporta a firme determinação de nunca desistir de concorrer para que os destinatários comuns das nossas responsabilidades, neste caso as crianças, possam ser efectivamente Sujeitos do seu próprio destino, como titulares dos direitos humanos que o nosso tempo veio reconhecer-lhes já também no domínio jurídico, num salto civilizacional a que é irrenunciável corresponder no ideal, no pensamento e na acção concreta de todos nós. 366 | PARCEIROS


Fátima Matos

Os logótipos do Programa Escolhas e do PIEC – Programa para a Inclusão e Cidadania nas cores que se fundem e nas mãos que se tocam, podem ser a metáfora que sintetiza a acção de ambos os programas ao longo de uma década de parceria. As mãos dadas simbolizam ainda um caminho percorrido lado a lado, de um PEETI, na altura uma criança com 3 anos, e do recém-nascido Escolhas. Olhando para trás crescemos juntos, passámos de PEETI a PETI e mais tarde a PIEC, sempre com a companhia de cada uma das quatro gerações Escolhas, trilhámos a década que agora comemoram!

/Projecto que Representa PIEC/PETI /Funções na Instituição Coordenadora Nacional do PIEC

Desde o primeiro dia e ao longo destes 10 anos em conjunto, estabelecemos pontos de toque que dão mais cor à intervenção de ambas as organizações, potenciámos o trabalho de cada programa com as parcerias desenvolvidas ao longo do país, criámos, juntos, zonas de toque entre ambos os projectos que os tornaram ainda mais fortes e deram azo a ainda melhores resultados. Da partilha de informação à partilha de práticas, fomos crescendo em conjunto, dando as mãos, usando-as em projectos que complementaram a educação formal dos PIEF – Programa Integrado de Educação e Formação - com as actividades de educação não formal desenvolvidas pelos vários projectos Escolhas ao longo do país. Dos bairros sociais às serranias, do mar à neve, mais do que partilha de recursos e processos criaram-se escolhas. Houve ao longo do tempo uma dança entre as iniciativas Escolhas e os vários PIEF e vice-versa, em que a iniciativa se complementava ora de um lado, ora do outro, num processo ágil em que a flexibilidade organizacional de ambas as instituições fez surgir soluções dificilmente implementáveis por qualquer delas por si só, dando um exemplo claro da importância da colaboração interinstitucional na criação de complementaridades.

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O Programa Escolhas, nas suas diversas gerações, foi e continua a ser um parceiro de relevo no desenvolvimento das competências pessoais e sociais dos jovens integrados em PIEF e encaminhados para outras medidas educativas e formativas, garantindo uma continuidade entre o meio intra-escolar e o meio extra-escolar, defendendo os mesmos valores, criando sinergias sobre os mesmos desafios, dando cor ao trabalho desenvolvido, fundindo-o de tal forma que as cores de ambos os logótipos se esvaneceram numa mistura de cores de vida que cria, nas intervenções mais conseguidas, algo que os ultrapassa e ao mesmo tempo os realiza: crianças e jovens plenos de cidadania.

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Rubina Leal

O Programa Escolhas é sem dúvida o melhor programa de inclusão social efectuado até hoje em Portugal. Os desequilíbrios e desigualdades sociais são problemas com que a humanidade se debate desde sempre e cada vez mais. A melhor forma de lidar com os desafios sociais, especialmente em contextos vulneráveis, é através da prevenção e de intervenções integradas na comunidade.

/Projecto que Representa Câmara Municipal do Funchal /Funções na Instituição Vereadora Comunicação social

O programa Escolhas tem efectivamente permitido este desenvolvimento comunitário, através de estratégias e metodologias de acção concertadas nas diversas comunidades proporcionando a coesão social. Bem hajam a todos aqueles que tem contribuído para o sucesso e desenvolvimento deste Programa no todo Nacional.

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Luís Filipe Simões “Um trabalho de enorme visão estratégica” /Instituição CILAN /Comunidade Comunidade Cigana do Tortosendo /Função Técnico Superior /Projecto Quero Saber

O CILAN é um centro de formação com forte implementação no Concelho da Covilhã. Neste sentido, temos um papel interventivo na educação e formação de jovens e activos empregados e desempregados. A parceria com o Programa Escolhas foi-nos proposta pelo Agrupamento de Escolas do Tortosendo, e também pela empresa “Coolabora”. A nossa instituição, o CILAN, aceitou o desafio e tornou-se um parceiro activo na implementação e divulgação do projecto “Quero Saber”, o qual actua na Comunidade Cigana do Tortosendo. A comunidade em questão é constituída por pessoas com baixos indíces de escolaridade, com baixos recursos, reduzida participação cívica e social, pouca preocupação com a educação formal dos seus elementos, elevada estratificação social e uma cultura muito fechada. Esta população vive, na sua maioria, do sector terciário, nomeadamente das vendas em mercados e feiras. O CILAN é um parceiro activo e interventivo na implementação e divulgação do projecto. A nossa intervenção reporta-se ao cumprimento do objectivo específico constante do projecto “Quero Saber”. Contribuir para a inclusão escolar e da educação não formal, através de acções que reintegrem na escola os que a tenham abandonado precocemente, como sejam a criação de respostas em contexto escolar e o trabalho de intervenção junto dos encarregados de educação. Em meu entender, o Escolhas desenvolve um trabalho meritório na aproximação da educação aos públicos mais desfavorecidos. De facto, a sociedade contemporânea portuguesa tem desvalorizado a importância de um bom ensino e educação. A baixa qualificação, ainda característica dos portugueses, tem condicionado um bom desenvolvimento da qualificação e da integração social. Intervir

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formando os jovens, modificando a sua visão da escola, motivando a sua visão da escola, motivando-os para os processos de ensino e formação traduz-se num excelente trabalho de enorme visão estratégica. A nossa instituição tem tido a preocupação de transmitir a importância de um bom ensino e formação na vida da comunidade. Procura-se, assim, respeitando as diferenças culturais que nos separam, que a comunidade fique mais rica, com maior preocupação social e maior dinamismo. Uma história digna de registo prende-se com a importância que a comunidade atribuiu à Matemática e as Tecnologias de Informação e Comunicação. Saliento este facto, uma vez que falamos de indivíduos com fracos conhecimentos da língua portuguesa, mas que, percebem e reconhecem a importância destas duas áreas na vida dos tempos modernos. Poderia parecer um paradoxo, no início, ver uma comunidade cigana a solicitar formação na área dos “Computadores”... mas veio, de facto, a constatar-se que, a importância da formação na vida desta comunidade é também, determinada pelo valor que a escola atribuiu a estes indivíduos.

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Maria Carlos Santos “Inclusão Social e igualdade de Oportunidades” /Instituição NERCAB - Associação Empresarial da Região de Castelo Branco /Comunidade Concelho da Covilhã /Função Técnica /Projecto Quero Saber

Conheci o Programa Escolhas através do contacto pessoal das técnicas do Agrupamento de Escolas do Tortosendo e da firma Coolabora. O NERCAB agarrou a oportunidade de desempenhar um papel activo neste projecto, sobretudo nas actividades relacionadas com a sensibilização/informação dos jovens para o mercado de trabalho e qualificação escolar e profissional. A Região da Covilhã é caracterizada por uma população envelhecida, com uma elevada taxa de desemprego (superior à média nacional), falta de investimentos públicos e privados, baixa escolaridade e qualificação profissional. Como consequência, verifica-se um crescente aumento de problemas sociais, situações de marginalidade, pobreza e exclusão social. O desenvolvimento do projecto tem vindo a proporcionar, por um lado, a inclusão social bem patente num crescente envolvimento e enriquecimento pessoal e social de crianças e jovens e, por outro lado, o reconhecimento da importância da temática, do ponto de vista da igualdade de oportunidades, e o reforço da coesão social por parte da comunidade envolvente, graças à concretização de soluções efectivas. Acreditamos que se trata de uma iniciativa assertiva e de grande valor social. Tendo em consideração que o projecto “Quero Saber” só arrancou em Março de 2010, e dada a complexidade que caracterizam algumas das actividades, penso que o balanço é muito positivo. Sinto que o trabalho da NERCAB está a ter impacto na comunidade, na medida em que os jovens têm demonstrado grande interesse e participação nas actividades em que a nossa instituição tem um papel mais interventivo. Já visitaram várias empresas e tiveram a oportunidade de falar com os técnicos sobre o que é um posto de trabalho, que responsabilidades exige e, por conseguinte, a importância dos estudos e de uma qualificação profissional, na definição de um percurso profissional e integração no mercado de

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trabalho. Também participaram em sessões práticas em acções de formação profissional, interagindo com formandos e formadores, numa perspectiva elucidativa da construção de um percurso profissional. Destaco, com grande satisfação, o empenho e envolvimento destes jovens, motivados e agradecidos, pela oportunidade que o programa Escolhas lhes proporcionou de perspectivarem um percurso de vida. Cada vez mais, os jovens participam nas actividades do “Quero Saber”, demonstrando grande entusiasmo e empenho, vontade de aprender, cientes da sua crescente capacitação de competências.

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Cláudia Branco Afonso “Parceria de sinalização e eliminação do abandono Escolar” /Instituição Câmara Municipal de Coimbra /Comunidade Planalto do Ingote /Função Técnica Superior de Sociologia no Departamento de Habitação /Projecto Trampolim

Quando iniciei funções no Departamento de Habitação da Câmara Municipal de Coimbra, já assumia o papel de Entidade Promotora no consórcio do Projecto Trampolim. Actualmente, acompanho as reuniões de consórcio e de gestão, e colaboro na concretização do seu plano de actividades sempre que necessário. O Planalto do Ingote é constituído por dois Bairros Municipais, Bairro da Rosa e Ingote e o Bairro António Sérgio, cujas principais problemáticas caracterizam-se por uma população residente com carências económicas e habilitacionais, fomentadas pelo desemprego, absentismo e insucesso escolar, degradação das habitações e espaços comuns e frágeis relações de vizinhança. O “Trampolim” tem contribuído, directamente, para a sinalização e eliminação do abandono escolar por parte dos jovens residentes, auxiliando-os a desenvolverem o seu próprio projecto de vida, de forma saudável e profícua e para o fomento da gestão participada, por parte dos jovens, em acções de dinamização do Bairro onde residem. O principal impacto da Câmara Municipal de Coimbra na comunidade do Planalto, prende-se com a melhoria das suas condições habitacionais, manutenção e gestão do espaço público e melhoria das condições de vizinhança. Até agora, nesta parceria com o Escolhas, é de realçar o intercâmbio luso-húngaro, o qual foi uma experiência inesquecível, pelo envolvimento dos técnicos, das famílias e jovens, tanto na sua preparação como concretização, mas também pelo enriquecimento cultural que fomentou.

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Maria Helena Gomes “O trabalho do Escolas é, sem dúvida, único!” Conheci o Projecto Escolhas através de membros da comunidade educativa, que tinham contactos com o coordenador do projecto “Geração Cool”. Actualmente, colaboro através trabalho que realizo com as turmas PIEF e sinto que a acção da ESMC tem impacto na comunidade em questão, ao nível das famílias e dos jovens que são intervencionados. A comunidade da zona é muito heterogénea, rica na sua diversidade cultural, mas muito fechada em si própria. Apresenta também grandes carências económicas. Neste quadro, o Escolhas realiza , sem dúvida, um trabalho único, que conseguiu, por um lado, ter uma grande dimensão, pois abarca todo o país, e por outro, cimentar-se a nível local, de uma forma sólida e verdadeiramente interventiva, sendo uma mais valia para as comunidades onde actua.

/Instituição ESMC – Escola Secundária do Monte da Caparica /Comunidade Monte da Caparica (PIA) /Função Directora Turma PIEF /Projecto Geração Cool

Uma história com o Escolhas, da qual não me vou esquecer, é a de um aluno guineense que, quando chegou ao projecto, quase não falava português, mas a sua vontade e determinação fez com que superasse todas as dificuldades. Para além do horário escolar, frequentou aulas extra de português e fazia todos os trabalhos de recuperação que lhe eram pedidos. Jamais esquecerei as cartas que escreveu, no final do ano, aos professores e técnicos, agradecendo a oportunidade que lhe tinha sido dada e tudo o que tinham feito por ele. Na festa da escola até declamou Camões! Hoje em dia trabalha e continua a estudar à noite.

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Arminda Gonçalves “Desenvolver capacidades de integração junto dos alunos” /Instituição Agrupamento de Escolas de Eugénio de Castro – Coimbra /Comunidade Jovens filhos de imigrantes e respectivas famílias, famílias em risco e ainda restante comunidade escolar. /Função Sub-directora /Projecto Projecto EntreNós

O nosso Agrupamento de Escolas conheceu o projecto Escolhas através de uma proposta de parceria por parte do CEIFAC – Centro Integrado de Apoio Familiar de Coimbra, atendendo ao número de alunos imigrantes no agrupamento e que foram identificados pela DREL. Neste momento, colaboramos fazendo a ponte entre as acções propostas pelo CEIFAC e as turmas, inserindo as sessões nas actividades da Multiculturoteca. Para além disso, o CEIFAC desenvolve trabalho no âmbito do apoio a famílias e da promoção de competências pessoais, sociais e até tecnológicas, entre outras. Actuamos numa Comunidade multicultural, onde a imigração tem vindo a alargar o número de alunos e o leque de nacionalidades. Há a preocupação de desenvolver capacidades de integração, especialmente junto dos alunos inseridos em turmas onde existam imigrantes, e junto da restante comunidade escolar. O Escolhas tem uma a preocupação de actuar com celeridade junto dos alunos e das famílias, encaminhando cada caso para a(as) instituição/ões que integram a parceria, e para as técnicas do “EntreNÓS”. Sinto que a nossa intervenção tem tido impacto, pois, o Agrupamento procura a integração plena, a todos os níveis, dos alunos filhos de imigrantes e dos alunos oriúndos de famílias em risco. Gostaria, nesta parceria, de contribuir para uma escola onde, haja aceitação, partilha e interiorização dos valores mais tarde transmitidos à sociedade.

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Joaquim Pinheiro “Mudar mentalidades, abrir horizontes, incutir valores” A parceria entre o agrupamento de Escolas do Marão e o Escolhas aconteceu por iniciativa da respectiva equipa técnica, que contactou os diversos Agrupamentos de escolas, entre outras instituições, para dar a conhecer os objectivos que norteavam este projecto. A comunidade em que actuamos localiza-se numa zona rural, onde é muito evidente a emigração e o desinteresse pela escola e, por isso, não valoriza o conhecimento escolar. É uma comunidade com poucas perspectivas de futuro e uma considerável percentagem de alunos com problemas emocionais e comportamentais, fruto da sua convivência em famílias disfuncionais e sujeitos a negligência familiar.

/Instituição Agrupamento de Escolas do Marão /Comunidade Amarante - região do Marão /Função Subdirector /Projecto Projecto Percursos Integrados

Como parceiros, fazemos questão de estar presentes e participar activamente em todas as reuniões do consórcio; disponibilizando, na instituição, todos os meios para o desenvolvimento das actividades; dando a conhecer as actividades desenvolvidas pelo projecto, junto da comunidade escolar, através da sensibilização dos professores para a importância das actividades e das iniciativas do Escolhas; colaborando na selecção dos beneficiários do projecto, de acordo com o perfil desejado. O trabalho desenvolvido pelo projecto Escolhas revelou-se, desde o início, como uma mais- valia para todo o agrupamento, constituindo-se como um parceiro privilegiado e fundamental no combate ao insucesso escolar, bem como na colaboração da tarefa de aproximar a família à escola, assumindo um papel fundamental para o equilíbrio emocional dos alunos, através do apoio, aconselhamento psicológico e da orientação vocacional. Tendo em consideração as características da nossa comunidade, é facilmente perceptível que, uma instituição como a nossa tenha um impacto bastante positivo na comunidade. É esta instituição que tem a tarefa de mudar as mentalidades, de abrir horizontes, de incutir valores e enriquecer culturalmente toda a comunidade PARCEIROS | 377


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educativa. Esta é uma tarefa difícil, longa e árdua mas que vai sendo conseguida. Quando queremos mudar alguma coisa, o sonho é sempre grande. Gostava sobretudo de deixar uma geração mais “amiga” do conhecimento, mais próxima da escola, com um respeito total pelos valores humanos e com perspectivas de futuro um pouco diferente das actuais. Foi evidente a abertura e a adesão da comunidade escolar às actividades do escolhas. Gostava de salientar o papel da Orientação Vocacional, a qual, de uma forma gradual, foi abrindo perspectivas novas aos alunos e à família, e contribuiu para que os alunos sentissem necessidade de prolongar o seu percurso escolar para além dos 9 anos de escolaridade.

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Tito Silva “Uma aposta para um projecto de vida com mais sentido” A nossa parceria com o Escolhas serve uma comunidade multicultural com muitas crianças e jovens em idade escolar, muitos problemas familiares e um elevado índice de insucesso escolar...há famílias desestruturadas e com muita ausência de afectos e valores. Procuramos estar presentes nas reuniões de consórcio, estimulando a equipa e procurando por todos os meios criar condições para que o projecto seja bem sucedido. O trabalho desenvolvido tem sido uma mais-valia para um número elevado de crianças, jovens e famílias, que através do “Eu Amo SAC”, encontraram uma ferramenta para ultrapassarem as suas dificuldades e capacitarem para um projecto de vida com mais sentido.

/Instituição ABA /Comunidade Santo António dos Cavaleiros /Função Presidente da direcção /Projecto EU AMO SAC

O trabalho da nossa instituição tem tido bastante impacto na comunidade. Hoje, atingimos muitas famílias, que têm imensas dificuldades e que deixaram o anonimato. Através dos testemunhos de crianças e jovens do projecto, vemos que este veio dar respostas concretas para muitas pessoas que não tinham nada. Na comunidade onde actuamos, gostaria de ver uma cidade diferente, onde as pessoas têm valor...e se empenham em criar fundamentos sólidos para que os seus sonhos sejam realizados... uma cidade em que as pessoas amem o seu próximo e a sua cidade..Por isso, “EU AMO SAC” Uma história gira deu-se em Junho de 2010, quando recebemos um grande grupo vindo do Brasil que levou, a todas as escolas da freguesia, iniciativas de Dança, Capoeira, Batucada, Palhaços...no final, fizemos uma grande feijoada à Brasileira para todos, cerca de 400 pessoas. Foi muito bom vermos a força dos relacionamentos!

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Maria Joaquina Costa “Lógica de partilha e de agregação de recursos” /Instituição ICE - Instituto das Comunidades Educativas /Comunidade Baixa da Banheira /Função Técnica Superior Desenvolvimento e Intervenção Social /Projecto BXBProJovem

Ainda antes da candidatura ao Escolhas, já o ICE e a Associação Rumo mantinham uma relação de parceria. Posteriormente, estas duas entidades principiaram uma candidatura concertada e um processo conjunto de reflexão, ficando a concepção do projecto BXBProJovem a cargo da Rumo. O ICE colabora com o Escolhas enquanto parceiro directo. A Associação Rumo e o ICE mantêm uma estreita parceria no desenvolvimento das acções realizadas conjuntamente no âmbito do projecto, estando eu, inclusivamente, a trabalhar directamente em algumas acções desenvolvidas. A comunidade em que operamos revela problemáticas diversas, acentuadas pela actual crise, onde cada dia mais famílias necessitam de apoios diversos, que sirvam de suporte à educação dos seus filhos. Enquanto associação de desenvolvimento local, o ICE destacase pelas dinâmicas que desenvolve, numa lógica de partilha e de agregação de recursos, criando acções que envolvam a comunidade como um todo na construção de soluções. Esta metodologia é uma mais valia para que o “BxB ProJovem” crie acções de impacto junto da comunidade, sendo o ICE, num primeiro momento, o elo que promove a ligação entre comunidade e projecto. O Escolhas realiza um trabalho consciente das motivações/ necessidades/problemáticas dos jovens, através de um olhar atento, crítico e responsável, observando, interagindo e apoiando no terreno, de acordo com o momento. Quando se trabalha com jovens, todos os dias assistimos a histórias muito ricas e muito diferentes. A que mais me marcou nos últimos tempos, deu-se na festa de Carnaval, no âmbito da actividade intergeracional no Centro de Dia. Fez-se uma proposta aos jovens

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para que fossem eles a realizar a iniciativa com a “Prata da Casa” e um grupo de meninas de etnia cigana ficaram muito entusiasmadas e quiseram participar do programa dançando com os idosos. A proposta foi aceite pelos técnicos, os quais têm vindo a trabalhar a importância da responsabilidade junto deste grupo de jovens… que nunca sabe chegar a tempo e cumprir com as suas obrigações. Assim, desde o início, se pôs a possibilidade de haver um momento no programa para o qual seria necessário um plano B… No dia indicado e às horas certas, lá estava o grupo de jovens de etnia cigana muito bem vestidas, com um CD onde estavam gravadas as canções que tinham ensaiado em casa...cantaram e encantaram...alguns idosos juntaram-se-lhes nas danças, tal era a sua alegria e motivação por ali estarem.

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José Manuel Formosinho “Colaboro com o projecto de alma e coração” /Instituição Instituto Profissional do Terço /Comunidade Tratando-se de uma IPSS, todas as respostas sociais participam e beneficiam das oportunidades conferidas pelo Projecto: Lar com 59 crianças e jovens em risco, Apartamento de Autonomização e o CATL, com 40 crianças e jovens, mas também todos os 10 parceiros /Função Provedor /Projecto Escolhas em Movimento

Esta parceria com o Escolhas está focada numa comunidade em que prevalecem as crianças e jovens em risco e as de famílias com menores recursos e, também, as dos imigrantes, a quem temos dado uma atenção especial, não só pelas actividades oferecidas durante o período de aulas, como especialmente nos períodos de interrupção lectiva. Desenvolvemos ainda informação adequada à integração e legalização dos progenitores imigrantes, procurando oferecer-lhes uma ajuda amiga. A candidatura à geração anterior do Escolhas decorreu da necessidade de oferecer novas oportunidades a crianças e jovens em risco, necessitadas de quem acredite neles e lhes proporcione apenas os meios para revelar potencialidades e habilidades. Encontrar sinais da grandeza deste Programa foi fácil, eles existem por este país fora, nas diversas comunidades, ajudandoas a construir palcos para tantos artistas como são as nossas crianças e jovens das comunidades menos afortunadas. Colaboro com o projecto de alma e coração. Na gestão do programa, em colaboração com a Coordenadora, equipa e Consórcio, mantendo todos os recursos disponíveis e assegurando sempre os pagamentos dos salários, mesmo em situações a descoberto. Participando nas reuniões do consórcio e abrindo as portas da instituição a todas as iniciativas e actividades. Assistindo a ensaios, sessões no CID-NET, espectáculos na instituição e no exterior. Encorajando os utentes a participarem e os elementos da equipa a melhorarem o seu trabalho.Estando sempre disponível. O trabalho desenvolvido pelo Escolhas é muito profissional, diria mesmo com o sentido da prestação de um serviço público. Todos os elementos da equipa são de grande qualidade pessoal e humana e merecem a admiração dos Técnicos e demais colaboradores da Instituição e já conquistaram as Escolas com quem trabalhamos. Sinto também que o trabalho do IPT tem impacto na comunidade.

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As 10 instituições do consórcio olham hoje de maneira bem diferente para o instituto, reconhecendo a mais-valia e a seriedade do que tem sido desenvolvido. Trabalhamos pelo reconhecimento do serviço público que a instituição presta à comunidade, esvaziando alguma carga negativa que ainda subsiste sobre as IPSS’s. Espero que o Instituto Profissional do Terço, neste ano onde comemora o 120º Aniversário, seja acolhido pela comunidade com o mesmo carinho e a mesma entrega que lhe dedicamos. O IPT é da Comunidade e está inteiramente ao seu serviço. Há uma história que tenho registada: a elevada classificação atribuída ao projecto “Terço em Movimento”, da geração anterior, foi conhecida por nós poucos minutos antes de ser servido o jantar no Lar e à satisfação dos elementos da Equipa, juntou-se a euforia das crianças e jovens presentes. O sucesso alcançado era de todos e os utentes diziam-me: - Sr. Provedor, não nos podem tirar o Escolhas.

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Agostinho Almeida “Parceria contra as assimetrias”

/Instituição APAEPEL /Comunidade Amora /Função Presidente /Projecto Tutores de Bairro

Conheci o Projecto Escolhas aquando da criação de Associações de Pais em todas as Escolas do Agrupamento, a qual também pretencia a Escola onde estava sediado o Projecto “Tutores de Bairro”, e foi num trabalho conjunto com a Coordenadora do Projecto e os Técnicos, que tentámos levar a cabo esse objectivo, sendo uma comunidade muito específica, não foi de forma alguma um objectivo fácil de alcançar, e foi na procura de estratégias, nas múltiplas tentativas que, fomos ao mesmo tempo, tendo conhecimento de como o trabalho deste projecto se desenvolvia, e de que forma podíamos contribuir para a realização da missão que se propunha, e de uma forma mais alargada fomos, dentro das nossas competências, participando e apoiando as iniciativas do projecto, relativamente ao objectivo da AP, dada a dificuldade não só desta escola, mas em todas do Agrupamento de se constituir Orgãos Sociais de forma a oficializar as APS em cada escola, optamos por criar uma Associação de Pais do Agrupamento de Escolas e dinamizar em cada escola as delegações da AP estando enquadrados nos Estatutos da Associação, com autonomia para desenvolverem as actividades em cada escola que achem pertinentes. A comunidade onde actuamos é muito heterogénia, com níveis sócio-económico e cultural muito diversificados, onde se sente um agravamento das condições de vida, comum aliás a todo o País. Nela sente-se um esforço por parte da Autarquia, e das instituições de trabalharem em rede de forma a minimizar as assimetrias existentes, sendo uma Comunidade periférica (dormitório) onde muitas pessoas se deslocam para Lisboa, ausentando-se grande parte do dia, deixa muitos jovens e idosos entregues a si próprios. É, contudo, um local pacífico, onde se vive em Paz e Harmonia, com alguns casos pontuais de violência localizados. A grande responsabilidade que assumimos relativamente ao Projecto como Entidade Promotora e Gestora é, acima de tudo, assegurar que em termos financeiros, os ordenados sejam

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rigorosamente pagos a horas, e que nada falte, procuramos estar sempre presentes, pois somos da opinião que transmite segurança a quem está no terreno, sentir a presença e interesse das entidades. Procuramos estar envolvidos nas diversas actividades, propostas pelo projecto, sempre que somos solicitados, estamos presentes. Temos sob a nossa responsabilidade o Projecto GAAF, que articula com o projecto Tutores de Bairro, de forma a dar respostas mais eficazes, optimizando recursos e a intervenção, somos também uma entidade privilegiada no contacto com a Escola e que procuramos que a relação desta com o Projecto seja de excelência, assim como com os restantes parceiros do Consórcio. O trabalho desenvolvido pelo projecto é determinante, na redução das assimetrias, na igualdade de oportunidades, na esperança de um futuro melhor. A comunidade vivia sem o Projecto? Vivia, mas não era a mesma coisa. Está tudo feito? Não, está garantidamente muito por fazer. Os recursos são escassos e o esforço de quem está no terreno é muito intenso, de muita dedicação, de muito amor a esta causa. Dar aos jovens uma visão mais optimista, mostrar que é possível terem um futuro diferente...é uma luta diária para que estes jovens acreditem que podem e devem ser os construtores de um Mundo mais justo, mais igual, mais fraterno, de um mundo melhor. A nossa instituição é muito jovem, talvez das mais jovens do nosso Concelho, contudo, penso que temos procurado dar algumas respostas, nas quais acreditamos. Em dois anos, criámos respostas para uma centena de famílias que estavam sem possibilidades económicas de deixarem os seus filhos, fora dos períodos lectivos, nos colégios privados, dentro desta oferta de serviço, acolhemos algumas crianças. Não temos valências do Estado nem da Segurança Social para esta resposta, é sustentável pelo pagamento dos pais unicamente para pagar as despesas. A procura tem aumentado e também a responsabilidade dos pais em participar e PARCEIROS | 385


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se empenharem em projectos e respostas para as suas próprias necessidades. Temos propósitos maiores, procurar respostas a nível do Apoio Escolar, Psicologia, Apoio Jurídico, etc. Gostaria de fazer poder ver ainda uma comunidade onde a Partilha fosse interiorizada como sendo algo natural...esta Partilha é fundamental para uma comunidade com menos assimetrias, mais justa. Gostava de conseguir um espaço social, onde quem tem a mais podia deixar para quem precisa, onde se pudesse recolher as sobras dos restaurantes, para dar de comer a quem tem fome, para que ninguém tivesse que recorrer aos baldes do lixo. Gostava que a comunidade em geral fosse menos egoísta, mais solidária e participativa para o bem comum. Das parceria com o Escolhas já vivi histórias interessantes, nomeadamente a Viagem de Incentivo Escolar aos Açores. Foi como dizem os miúdos “Brutal” pela beleza natural das ilhas, mas acima de tudo, pela beleza das relações que se criaram, internas e externas ao grupo, é gratificante ver a alegria de quem trabalhou para conquistar este troféu, e o que ele representa, para muitos uma oportunidade única...Foi nesta proximidade que os sentimos mais perto, que os entendemos melhor...

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Agostinho Patrício “Promover a igualdade e a inclusão digital” Conheci o Escolhas, em 2009, no Funchal, numa divulgação promovida pelo próprio Programa junto das instituições. Agora somos parceiros num trabalho que considero muito importante para a promoção das comunidades locais, onde se desenvolvem actividades tendo em vista a igualdade de oportunidades, a inclusão digital , a formação para a cidadania e a inserção no mercado de trabalho dos jovens e suas famílias.

/Instituição Casa do Povo de São Martinho /Comunidade Bairro da Nazaré /Função Presidente da Direcção /Projecto Reinvent@.com

A comunidade em que operamos é multicultural, onde existem famílias de étnia cigana, africana de países lusófonos - Cabo Verde, Guiné e Angola - e também famílias de Países de Leste. Não obstante esta diversidade cultural, as pessoas estão inseridas no meio, graças a projectos desenvolvidos para a integração social através de uma interacção e participação nas actividades culturais, efemérides (Convívio de Natal, Dia Europeu dos Vizinhos, Dia da Criança, Dia dos Avós), para além da comunidade local participar em actividades culturais e efemérides alusivas dos países de origem...Há a salientar também, a partilha de hábitos culturais através da gastronomia. Esta Comunidade também está inserida a nível laboral, com pelo menos um membro da família. Contudo, é necessário dar continuidade a este trabalho de intervenção para que, a comunidade permaneça coesa e onde se possa promover a igualdade de oportunidades, inclusão digital e a formação permanente. A Casa do Povo de São Martinho colabora como representante da entidade gestora e promotora do “Reinvent@.com”, através da gestão financeira e colaboração no plano de actividades e na sua dinamização. Este projecto é constituído por um consórcio de 13 instituições públicas e privadas, onde se realiza bimestralmente reuniões para acompanhamento/avaliação do Projecto. Quanto ao impacto na comunidade, a instituição desenvolve inúmeras actividades, das quais destacamos as Valências de PARCEIROS | 387


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Centro de Convívio e Centro de Dia, destinadas a 60 idosos, tem um professor destacado para o ensino recorrente e alfabetização para 20 pessoas, promove cursos de formação destinados às famílias ao longo do ano. O projecto “Reinvent@.com” é uma mais-valia pois, temos realizado um trabalho intergeracional com actividades formativas, recreativas, culturais e desportivas. O projecto trabalha em parceria com a Casa do Povo, onde envolvemos toda a comunidade nas acções desenvolvidas. Um dia, nesta comunidade, “gostaria de ver uma sociedade onde houvesse uma maior justiça social, onde todos os residentes tivessem oportunidade de realização pessoal e profissional e que a igualdade de oportunidades fosse uma realidade, para que pudessem concretizar os seus sonhos e projectos. Há já marcas importantes que eu e a comunidade jamais esqueceremos: o evento “Navio Escolhas”, em 2010, e a participação nas actividades desenvolvidas no bairro da Nazaré por jovens do continente e do próprio bairro.

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Dulce de Jesus Cachola “É um trabalho interessante, acompanhado, abrangente e exigente” Conheci o projecto Escolhas através das parcerias Locais e daqui surgiu o estabelecimento desta parceria, que envolve uma comunidade com carências individuais e sociais graves, dependente e com pouca iniciativa para a mudança, mas também com capacidade de auto-organização para o desenvolvimento de eventos de animação.

/Instituição Centro Social Cultural e Recreativo do Bairro da Esperança

A minha colaboração com o projecto é realizada como representante da Entidade Promotora do “Inclusão pela Arte II”, apoiando e orientando a equipa de trabalho, assim como na participação em algumas actividades. Proponho novas estratégias de acção junto da coordenadora e consórcio, no sentido de melhorarmos a intervenção de projecto. É um trabalho interessante, acompanhado, abrangente e exigente.

/Função Directora Técnica

/Comunidade Bairro da Esperança e Bairro Pedreiras

/Projecto Inclusão pela Arte II

Penso que a nossa instituição está a ter impacto. Em primeiro lugar, porque trabalhamos com públicos exigentes no sentido da intervenção ter que ser persistente, dadas as carências da população e também dos recursos financeiros da instituição. No entanto, por vezes sinto que podíamos dar uma maior visibilidade ao que fazemos...realizamos muita intervenção, onde se aplica muito esforço, mas que, por diversos motivos, não se conseguem atingir em tempo útil os objectivos traçados. Na comunidade, gostava de proporcionar aos jovens oportunidades de vida diferenciadas, que permitissem uma mudança de mentalidade e estilos de vida, assim como, criar estruturas de serviços qualificados ao nível do edificado e recursos humanos, apostando na competência técnica. Das histórias que vivi com os escolhas, o que mais me agradou foram as oportunidades criadas com os subprojectos que desenvolvem ao longo dos projectos. Lembro–me, na 3.ª Geração do Escolhas, do Concurso de Fotografia com as Máquinas Lomo, em que participei, e depois a entrega dos prémios nos jardins da Gulbenkian. Foi muito bom. PARCEIROS | 389


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Ana Paula Silva “Garantir a igualdade de oportunidades e de acesso” /Instituição CESIS - Centro de Estudos para a Intervenção Social /Comunidade Supervisão da equipa /Função Assistente Social/Secretária da Direcção /Projecto Percursos Acompanhados

Tive conhecimento do projecto escolhas quando foi implementando nos diferentes bairros de todo o país como uma resposta à delinquência juvenil. O CESIS colabora agora com o Escolhas, fazendo a supervisão/acompanhamento da equipa que o desenvolve diariamente, num trabalho que vejo como a possibilidade de levar a igualdade de oportunidades e o acesso a determinados direitos e deveres até onde não existem. A parceria está centrada numa comunidade que tem revelado uma grande motivação de mudança através da educação. É um bairro de realojamento social com grandes carências económicas e sociais, com uma população jovem e heterogénia. O trabalho da instituição tem impacto na comunidade. Ao longo dos anos, tem assumido um grande destaque e reconhecimento por parte de crianças, jovens e famílias, onde se tem apostado no aumento da escolaridade. É uma instituição procurada por quem tem dificuldades na escola e reconhece que precisa de trabalhar mas consegue ter sucesso na escola. Algo desconhecido até então. A forma mais visível é o número de jovens que completaram a sua escolaridade obrigatória e continuam a estudar, é o envolvimento dos familiares nas diferentes actividades, é o envolvimento dos professores. Para esta comunidade, trabalhamos para garantir a igualdade de oportunidades e de acesso. Todos podem conhecer o sucesso escolar, basta serem vistos como iguais no momento em que entram para a escola. Há muitas histórias vividas com o Escolhas...de salientar a de um jovem que já tinha abandonado a escola no 3º ciclo do ensino básico (logo na segunda geração do escolhas) porque uma professora lhe disse que “já não valia a pena ir mais à escola”. O projecto agarrou na criança, fê-la trabalhar com a escola e hoje completou o 9º ano de escolaridade e continua a estudar.

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Luísa Martins “Luta por um percurso escolar para as crianças/jovens da comunidade” Esta parceria está direccionada a uma comunidade de etnia cigana, com muitos problemas sociais, famílias problemáticas, com familiares detidos, tudo isto, reflectindo-se na educação dos filhos, aprendizagens e estados psicológicos muito afectados, devido à desestruturação do meio em que vivem. O trabalho do Escolhas é de muito empenho... os alunos desta escola são difíceis e mesmo nesse contexto, o trabalho é desenvolvido em várias vertentes, indo ao encontro dos interesses desses mesmos alunos.

/Instituição Agrupamento de Escolas de Nogueira /Comunidade Complexo habitacional do Picoto /Função Educadora de Infância /Projecto Projecto T3tris

O Agrupamento de Escolas de Nogueira colabora nesta parceria com o Escolhas, através de reuniões com convocatória, reuniões informais, troca de ideias, trabalhos, planificações de articulação em relação à comunidade e escola, informações e articulação com os professores do 1º ciclo e projecto T3tris. Temos tido algum reflexo na comunidade, principalmente junto dos alunos do pré-escolar. Em relação aos mais velhos, não sinto que isso aconteça com tanta intensidade, as famílias são pouco receptivas à escola e desmotivadoras. O impacto que temos na comunidade será realizado através de mensagens passadas pelos alunos, saídas, articulação, festas, trabalhos realizados para a família e diálogos pessoais com familiares, tanto a nível de bairro onde habitam, como a nível de escola. Na comunidade, gostava de ver um maior envolvimento das famílias no processo educativo dos seus educandos, para assim dar continuidade aos estudos no 2º ciclo...queria que fosse diferente... as meninas terem que casar aos 13 anos...leis feitas por antigos e que deviam ter mais impacto perante a Protecção de Menores... Há várias histórias no Escolhas que são para recordar: a Recepção à Alta Comissária e todo o seu envolvimento, desde os ensaios da peça de fantoches ao actuar da percussão dos bombos; o Dia da Criança 2010: com os ateliers montados de pintura faciais, jogos tradicionais e os grandes INSUFLÁVEIS no ringue; a actuação na entrega dos prémios do Agrupamento, onde se pôde assistir a uma amostra de trabalho fabulosa, uns verdadeiros artístas em palco.... PARCEIROS | 391


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Maria Tavares Lindeza “Acompanhamento de famílias problemáticas” /Instituição DGRS, Equipa Beira Norte Extensão da Covilhã /Comunidade Círculo Judicial da Covilhã, ( Tribunais da Covilhã, Fundão e Sabugal) /Função Técnica Superior de Reinserção Social /Projecto Escolha Viva, Fundão

O Escolhas começou a fazer parte das nossas vidas, através da Rede Social do Fundão, na altura da 1º candidatura ao programa, e fomos convidados para fazer parte do consórcio. Considero que o trabalho realizado pelo projecto é muito importante na área da prevenção primária de crianças e jovens e no acompanhamento de famílias problemáticas e carenciadas. Será também de referir o trabalho positivo ao nível da integração social. Esta parceria concentra-se numa comunidade caracterizada por uma parte urbana e por outra rural, onde o desemprego e o trabalho precário têm uma grande dimensão, reflectindo-se ao nível da delinquência. Também o consumo de álcool em excesso, por parte da população adulta e cada vez mais dos jovens da nossa área de actuação, está na origem do cometimento de crimes, alguns de alguma gravidade . A colaboração da DGRS, Equipa Beira Norte, é feita sobretudo, ao nível do encaminhamento de jovens em acompanhamento educativo no âmbito de processos tutelares, colocação de arguidos em SMT e troca de informações em relação a familiares de jovens em acompanhamento em processos penais. O trabalho realizado tem tido impacto na comunidade em questão. Atualmente, a nossa instituição desenvolve uma acção de assessoria aos Tribunais, na elaboração de relatórios na área penal e tutelar, sendo o nosso trabalho dirigido para a reintegração social de condenados em cumprimento de medidas probatórias em comunidade, ou seja, substituições de multa por dias de trabalho, suspensões do processo e suspensões da execução de pena, para além do acompanhamento de libertados condicionais. Nesta comunidade, a redução da criminalidade é uma meta a atingir, mas, na conjuntura actual, será certamente uma utopia. Entretanto, há sempre histórias positivas. No âmbito da execução de uma medida de trabalho comunitário aplicada pelo Tribunal do Fundão,

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encaminhámos um jovem jogador de futsal da ADF da zona, que conseguiu a dinamização de treinos de futsal e actividades no projecto com os jovens. Este foi um trabalho que o arguido considerou muito gratificante e teve uma grande receptividade e avaliação positiva por parte dos jovens e dos técnicos do projecto.

Ana Cristina Almeida “...Esforço sistemático e dirigido pela motivação para a realização de sucesso” Primeiramente, conheci o projecto pelos meios de comunicação social. Mais recentemente, por contacto directo, do projecto Escolhas Múltiplas (na preparação da sua reedição). Colaboro com o projecto Escolhas articulando o meio académico com a realidade próxima, aproximando os conteúdos e processos de formação teórica e técnica de futuros psicólogos (principalmente) a contextos empíricos especificados. Ainda, participando nas reuniões de consórcio e apresentando ideias de concertação e de concepção de intervenções fundamentadas/enquadradas em teorias psicológicas, valorizando a componente de avaliação (de competências, de processos e de impacto dos programas), preferencialmente, baseada em problemas e de resposta à intervenção. Trata-se de uma comunidade com poucas oportunidades/ escassez de recursos locais, incluindo condições habitacionais, equipamentos sociais, culturais, desportivos, artísticos, lúdicos,

/Instituição Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra /Comunidade Comunidade Escolar. No âmbito do projecto “Gostar de Aprender ”,de promoção do sucesso educativo e de prevenção do abandono escolar precoce, implementado no Agrupamento de Escolas de Arazede, com sede na E.B. 2,3 de Arazede (Montemor-oVelho), numa acção integrada /Função Docência, Investigação e Prestações de serviços à comunidade /Projecto Escolhas Múltiplas II

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etc. Com heranças culturais/familiares pobres (pobreza material, financeira, de afectos e de competências), comprometedoras do exercício da autonomia responsável e das expectativas de futuro dos mais jovens, em quem se manifesta o insucesso nas aprendizagens e no desenvolvimento global. Baixos níveis de participação e cidadania e, no caso das famílias, défice de competências parentais associado a problemáticas de natureza transgeracional e multidimensional, isolamento social, alcoolismo e violência doméstica. Vejo o trabalho desenvolvido pelo projecto Escolhas como uma necessidade imprescindível, a replicar, divulgar e ampliar em diferentes regiões e zonas de incidência de comportamentos de vida marcados por factores e processos de risco, pelo valor de capacitação da população em diferentes estratos, pela competência das equipas, desde o momento da identificação de casos e situações até às estratégias de intervenção e de avaliação de impacto, passando pelo acompanhamento sistemático, holístico dos sistemas de vida individual-familiar-escolar e comunitário, pela sustentatibilidade das acções levadas a cabo com elevado profissionalismo, responsabilidade, envolvimento e compromisso, sempre com tranquilidade presencial, consciência e atenção, impregnando os ambientes de positividade responsável, bom-humor e atitude reforçadora de participação, reestruturação e modificação de comportamentos, no sentido da adequação, da qualidade e da saúde e bem-estar geral. Sinto que o trabalho de aproximação científica e académica da instituição que integro tem impacto na comunidade (escolar e educativa) pelo esforço sistemático e dirigido pela/para a motivação para a realização de sucesso, de forma a revelar a instrumentalidade das aprendizagens e a reflectir as situações num quadro de rigor e de fundamentação. O trabalho da instituição a que pertenço tem, ainda, impacto na comunidade pelas medidas de aferição e validação 394 | PARCEIROS


das práticas sob referência aos modelos advogados, mediante critérios objectivos e operacionalização consistente. Como exemplo concreto do impacto na comunidade, do trabalho desenvolvido na instituição em que me filio, a possibilidade dada em contexto de unidades curriculares em que me encontro directamente envolvida, aos estudantes (do Curso de Mestrado Integrado em Psicologia) de participarem em processos de aprendizagem baseados em projecto, tendo como cenário o Projecto Escolhas Múltiplas II. Desta oportunidade, no ano lectivo de 2009/2010, surgiu um trabalho dirigido especificamente para um grupo de crianças de etnia cigana, na altura a frequentar o 1º ciclo na Escola Básica dos Pelichos. O projecto intitulado “Gostar de Aprender em Cena” teve como objectivos promover as competências de Língua Portuguesa (desenvolvimento de vocabulário, melhoria da dicção, pronúncia e correcção ortográfica), e envolver os pais das crianças em tarefas correlativas à escola. Com base num modelo de etapas de resolução de problemas, a metodologia privilegiada para atingir os objectivos foi pensada em termos activos, recorrendo-se à expressão dramática e, a partir do desenvolvimento de um recurso electrónico de sistematização de um conjunto de jogos dramáticos para implementar na sala de aula, propôs-se a realização de uma peça de teatro como momento final de consolidação da intervenção. Gostava de deixar na comunidade um tónus de capacitação, num registo de autonomia, responsabilidade, cooperação, auto-regulação (cognitiva, emocional, social), competências de resolução de problemas (problematização, pedido de ajuda, iniciativa, criatividade, pensamento divergente, proactividade, tomada de decisões, pensamento crítico). Gostava que a experiência do Projecto multiplicasse as oportunidades de gerar processos protectores, resiliência, que aumentasse respostas de adaptabilidade e modificação contingente pela produção de novas ideias, estratégias/heurísticas, e que promovesse a diferenciação de percursos em autonomia e recuperação de estatutos de conforto PARCEIROS | 395


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social, autosatisfação, crenças de auto-eficácia e que a experiência permitisse a reorganização interna e mediada a partir do exemplo de práticas propostas e estratégias transferíveis em termos de procedimentos de monitorização e auto-controlo em cidadania e respeito mútuo. Uma história a recordar: a primeira vez que para mim o “Escolhas Múltiplas” ganhou os aromas da terra, as faces das muitas pessoas, as linhas dos espaços de vida e os sons de tempos que as metrópoles já quase esqueceram, que conduzida pela naturalidade da equipa residente, capaz de em cada sorriso ler um nome e uma história, visitei a casa que vem sendo construída com a cautela, carinho e sabedoria de quem sabe que o terreno é frágil e os alicerces ainda não suportam o peso dos ensejos. Era um dia de Primavera, de chilreios e risos de meninos, de silêncios e de distâncias. Dia de sentir e de pensar: quem sou eu? Quem é cada uma destas crianças? De onde vieram estas professoras? Como chegaram aqui as Técnicas? De onde vimos, para onde vamos? Porque é que só agora nos encontramos? Onde está, afinal, o Mundo? O que havemos de querer? O que queremos poder? O que podemos fazer? O que faremos para dar e receber múltiplas oportunidades de aprender? O que recebemos para escolher? Que escolhas são de Direito? Quem tem direito a escolher? Que famílias, quais escolas, quantos sítios conhecer, caracterizar, acompanhar? Que desempenhos avaliar? O que resta, ainda, a cada um de nós aprender? O que é que cada um de nós pode fazer para melhorar a condição dos Outros? E há silêncios de tranquilidade; e distâncias que incomodam. Porque julgando que sabemos, não julgamos o conhecimento que temos na prova dos seus efeitos que, por excessos de acessos e recursos, peca pelo defeito de não saber que há comunidades sem rede, sem sinal ou ligações. E em tempos de impessoalidade, de escola de massas 396 | PARCEIROS


e universalidade das tecnologias que fazem do planeta uma aldeia global, há um isolamento atroz, cujos fragmentos vejo uma equipa compor, estresindo valores e estimas, sentimentos de pertença e animando, informando muito mais do que as palavras e os gestos comunicam. Uma equipa cujo trabalho se expande em ligação com as docentes, com as gentes com poder de educar, de confiança, cuja vinculação trazem as crianças e jovens ao século XXI. E nesta curta viagem de (re)conhecimento, a paisagem surpreendeu e como se a expressão do incontável tivesse poisado ali, algures, num lugar pequeno onde encontrámos um grupo de pompa liderado por uma professora-boneca, manual de boas-maneiras, que em tom meigo, voz suave e determinação guiava os seus discípulos obedientes, ávidos de aprender a dizer bem as palavras, interessados para além dos livros e do que o acampamento lhes permitia ver, querendo bem aproveitar o tempo, aprendi que o preconceito nunca deve entrar na escola, muito menos pela nossa mão. Perante a minha presença inesperada, o olhar vivo não escondia a curiosidade, e perante o meu desafio a seguir ao cumprimento: «Alguém quer fazer perguntas?», o mais pequeno dos meninos, de dedo erguido no ar, logo que autorizado pela professora, interpelame com a mais doce das expressões: «Se faz favor, como se chama?» Naquele momento a bisonha ingenuidade caiu e floresceu a semente prometendo frutos fascinantes de um projecto que se vê, se ouve, se sente pulsar e nos faz marcar o passo para a mudança, para que a todos chegue a multiplicidade da paleta que dá colorido ao Mundo, com recursos de qualidade, ajudas de especialidade, técnicas competentes, com os quadros de rigor, fundamentos e respeito pelos princípios básicos, em métricas de valor criterioso, acrescentado, passível de integrar a urbanidade e participação cívica, em compromissos sociais, partilha e desenvolvimento mútuo.

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António José Gamboa “...poder deixar a marca de união na diversidade e aposta na multiculturalidade” /Instituição Escola E.B 2,3 Prof. Pedro d’Orey da Cunha /Comunidade Comunidade Educativa do Agrupamento de Escolas da Damaia /Função Director do Agrupamento de Escolas da Damaia /Projecto Academia Escola Mais

Conhecemos o Programa Escolhas, através da Associação “Mediar”, e, a partir daí, seguiu-se uma parceria centrada na implementação do projecto “Academia Escola Mais” numa comunidade multicultural, com uma forte presença caboverdeana inserida num território assimétrico do ponto de vista social, com desigualdades gritantes, onde coexistem bairros críticos (Cova da Moura/6 de Maio) e bairros de luxo (Neudel). Neste contexto social, a Escola e este projecto desempenham um papel fundamental de socialização e de garantia de igualdade de oportunidades para todos. O Escolhas assume um trabalho fundamental no desenvolvimento de projectos, onde as instituições “formais” raramente actuam, e ao garantir o financiamento e o acompanhamento deste(s) projectos está a contribuir positivamente para a promoção destas comunidades socialmente desfavorecidas. A Escola E.B. garante a aposta no trabalho de proximidade com o Bairro, a mediação, a animação de recreios, o trabalho com as famílias e ainda possibilita o acompanhamento de muitas crianças fora do horário escolar, quer com actividades desportivas, de apoio ao estudo ou na realização de campos de férias, durante os períodos de pausas e férias lectivas. Acresce ainda a efectivação de um trabalho intenso na área da inclusão digital (para pais e alunos). Nesta comunidade queria, sobretudo, poder deixar a marca de união na diversidade e aposta na multiculturalidade como uma riqueza deste território. É de realçar a história do dia-a-dia de entrega total dos técnicos que aqui trabalham. Não me esqueço naturalmente do seu trabalho empenhado, dedicado até ao limite, mesmo quando, por dificuldades burocráticas, não recebiam o seu salário. Mesmo nessas circunstâncias de alguma angústia pessoal, continuaram a dar o seu melhor em prol do projecto, da escola e da comunidade.

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Orlando Fonseca “Reverência aos que não desistem e lutam por um amanhã melhor” Esta relação com o Escolhas partiu de um convite à parceria no consórcio do projecto da Associação Espaço Jovem de Santa Filomena, tendo em vista a actuação num Bairro socioculturalmente desfavorecido, com predominância de residentes com origem em PALOPs, grande incidência de jovens e adolescentes com dificuldades de integração escolar e social, déficit de formação/ educação e problemas de desemprego. O Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes contribui facilitando a integração escolar dos alunos do bairro, agilizando a articulação com a família por via da mediação operecionalizada por elementos da Associação, articulando com a Associação na actividade de apoio ao estudo proporcionada aos alunos do bairro.

/Instituição Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes /Comunidade Bairro de Santa Filomena na Amadora, Freguesia da Mina /Função Adjunto da Direcção do Agrupamento de Escolas /Projecto Formar Inserir

O Escolhas realiza um trabalho válido de facilitação da integração sociocultural dos jovens do bairro, fortalecendo a sua confiança e o seu autoconceito. Proporciona estímulos e afectos doutra forma inalcançáveis, apesar dos parcos recursos, desconforto das instalações e insalubridade da envolvente. Penso que o impacto do agrupamento na comunidade em questão é claramente positivo, ao proporcionar escolarização, formação, alimentação e afectos, substituindo em muitos casos a família inexistente ou disfuncional. Espero estar a contribuir para mudar imagem que muitos dos autóctones têm, relativamente à comunidade envolvente, considerando-a injusta, discriminante e culpada da sua situação. Vou sempre lembrar-me da visita, guiada pelo Presidente da Associação Espaço Jovem, aos meandros do bairro e a algumas residências, na companhia de um repórter fotográfico que urdia um artigo fotográfico no âmbito do Ano Internacional contra a pobreza e exclusão sociocultural. Reverência aos que não desistem e lutam por um amanhã melhor! PARCEIROS | 399


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Maria do Rosário Sousa “O projecto “Mais Jovem” é um bom elo de comunicação” /Instituição Agrupamento Vertical de Olival /Comunidade Comunidade Escolar do AVO /Função Subdirectora /Projecto Projecto Mais Jovem

Embora já conhecesse o Projecto Escolhas, como Juíz Social em V. N. Gaia e alguma ligação à CPCJR , foi a partir do Projecto “Mais Jovem” e, posteriormente, do “Olhar mais Positivo” que conheci mais de perto o trabalho que desenvolvem e os objectivos que detêm. O Projecto articula com o Agrupamento Vertical de Olival, sobretudo em duas freguesias. Este é parceiro em várias actividades e acompanhamento de alunos. Todo o trabalho de parceria é facilitador dos percursos escolares e sócio-afectivos dos nº alunos, é uma maisvalia. O Projecto tem ao seu serviço, pessoal empenhado e capaz de levar os objectivos até ao fim. O Projecto “Mais Jovem”, um dos parceiros neste convívio de esforços e sinergias, tem pautado a sua actividade, pelo rigor e pelo esforço continuado. É muito disponível e proactivo nas propostas que apresenta e desenvolve. É um bom elo de comunicação. A comunidade em que esta parceria actua é multicultural, com um elevado número de jovens de etnia cigana e um número residual de jovens oriúndos de outros países europeus ou outros. Além da diversidade cultural, existe de igual forma uma grande disparidade sócio-económica com um índice elevado de desemprego e outros problemas associados. O nosso agrupamento não é só um Projecto Educativo abrangente e exigente para todos, é também um conjunto de pessoas com uma vontade de dar exemplo e de ajudar os alunos a transformar-se em verdadeiros cidadãos. Neste sentido, acredito no seu impacto na comunidade. O Agrupamento Vertical de Olival, com o seu exemplo e exigência, deixam marca nos alunos que por ele passam. Nada é deixado ao acaso! Gostava que os alunos se orgulhassem de pertencerem ou de terem pertencido a uma instituição que se preocupa com eles e que se quer orgulhar deles. Gostava que o número de alunos que passa nesta instituição, fizesse parte da mancha humana necessária para transformar este país num local melhor para todos viverem (e conviverem).

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Andreia Isabel Oliveira “Comunidade mais integrada em actividades, cursos de formação e estágios” Conheci o projecto quando ainda andava a estudar na Universidade. Sou a representante da Instituição e colaboro como parceira, na elaboração e avaliação dos Relatórios, sinalizações de jovens para as actividades do projecto, articulação com os diversos técnicos. É um trabalho dinâmico e sensibilizador, pois actua num concelho caracterizado pelo desemprego, baixa escolaridade, abandono escolar, trabalho precário e sazonal. Existência de alguns casos de toxicodependência e prostituição. O impacto da nossa actuação é notório. A instituição para a qual trabalho, o Centro de Recuperação Infantil de Ponte de Sor”, é direccionada para o público com necessidades educativas especiais e com diversos tipos de deficiência. Conseguimos abranger várias crianças, jovens e adultos que não tinham a resposta adequada, e integrá-las em actividades, cursos de formação e estágios.

/Instituição Centro de Recuperação Infantil de Ponte de Sor /Comunidade Concelho de Ponte de Sor e de Gavião /Função Educadora Social acompanhamento a famílias do RSI /Projecto Projecto Geração Inconformadus

Com esta parceria, gostaria de ver, a seu tempo, mudanças positivas ao nível das competências pessoais e sociais.

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Beatriz Tomé dos Reis “Reforçar o cumprimento da escolaridade obrigatória” /Instituição Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Aveiro /Comunidade Comunidade Cigana de Aveiro, Ervideiros /Função Presidente /Descrição Um grupo de pessoas que precisa de interiorizar valores, normas de convivência social e de respeito pelos outros. /Projecto Projecto Multisendas

Conheci o Escolhas aquando do momento da candidatura, na sequência do convite para integrar o consórcio, enquanto Entidade Parceira. A Comissão de Protecção de Crianças de Aveiro colabora através da participação nas reuniões do consórcio, nas Assembleias gerais e ainda nas várias iniciativas organizadas pelo “Multisendas”, nomeadamente na moderação de uma mesa redonda, no âmbito da acção “Temas de Encontro”. Este Projecto desempenha um trabalho muito meritório, cujo objectivo é dotar as famílias de um conjunto de conhecimentos que potenciem o desenvolvimento e educação integral das crianças e jovens, garantindo, por parte dos mesmos, o cumprimento da escolaridade obrigatória. A nossa instituição tem impacto na comunidade em causa, na medida em que reforça, junto dos pais e das crianças e jovens, a importância do cumprimento da escolaridade obrigatória, bem como da protecção e promoção dos direitos das crianças e jovens. Ao longo desta parceria, gostaria de contribuir para que os vários elementos da comunidade fortalecessem um conjunto de valores, regras e normas que lhes permitam exercer, de modo coerente e efectivo, as suas funções parentais com mais educação e respeito pela cidadania.

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Pedro Lopes “É sem dúvida uma grande experiência para todos” Conheci o Escolhas através do projecto anterior promovido pela Caminhar, no âmbito do Escolhas 3ª Geração. A nossa parceria actua numa comunidade com grandes carências e vulnerabilidades. Um meio deprimido, interior, pequeno, mas em que todo o tipo de problemática social está presente, como se se tratasse de um bairro da periferia das grandes cidades. O trabalho desenvolvido pelo Projecto é de grande qualidade, com muito rigor, e que consegue mobilizar um leque de parceiros muito vasto. É sem dúvida uma grande experiência para todos, e uma mais-valia para a comunidade local.

/Instituição Caminhar - Associação Cristã de Apoio Social /Comunidade Ponte de Sor /Função Presidente da Direcção /Projecto Projecto Geração Inconformadus

Acredito que a nossa instituição tem, de facto, um impacto nesta população. Pela adesão da comunidade às diversas actividades do projecto e pelo entusiasmo com que falam do mesmo, quer as crianças, quer os jovens, quer ainda os pais. Com o tempo, gostava que a comunidade se tornasse mais participativa, mais equilibrada, mais consciente das suas potencialidades e que explorasse efectivamente essas potencialidades. Gostava de viver numa comunidade em que o civismo e a preocupação com o outro imperassem. A abertura oficial do Escolhas de Portas Abertas, em Dezembro 2010, nomeadamente pela adesão da comunidade à iniciativa, é um facto que não vou esquecer. Era uma massa de gente muito diversa, muito interessante. E todos muito entusiasmados - num vídeo realizado previamente - a falar sobre as coisas boas que o projecto já lhes tinha oferecido. Foi uma tarde muito enriquecedora.

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Conceição Loureiro “O trabalho desempenhado pelo projecto é oportuno e conveniente” /Instituição CPCJ /Comunidade Ponte de Sor /Função Presidente /Projecto Projecto Inconformadus

Foi através das parcerias formadas que conheci o Escolhas, com o qual colaboramos propondo acompanhamento de jovens. A comunidade que apoiamos começa a tornar-se seriamente complicada no que respeita a comportamentos desviantes, com bastantes dificuldades no que diz respeito ao campo logístico. Na população de Ponte de Sor, queria deixar como contributo um maior respeito uns pelos outros. Considero que o trabalho desempenhado pelo projecto é oportuno e conveniente, existindo uma capacidade de colaboração entre as pessoas. Em relação à nossa instituição, penso que sim, que temos um real impacto na comunidade, atendendo à protecção que é feita às crianças e jovens, aproveitando essa situação para alterar os comportamentos familiares.

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Manuel Dias Andrade “...ir ao encontro dos problemas e dificuldades manifestados pelos alunos” A parceria com o Escolhas deu-se por indicação da entidade dinamizadora do projecto - Associação Caminhar- Ponte de Sor. A Escola colabora através do encaminhamento de alunos para beneficiar de Apoio Escolar (CAES), apoio psicológico, treino de competências pessoais e sociais e actividades lúdico-pedagógicas. Por vezes, também solicitamos intervenção com a família, ao nível do atendimento e aconselhamento, apoio psicossocial ou treino de competências parentais. Acresce que também, colaboramos com diversos materiais sempre que tal nos é solicitado. Tratando-se de uma instituição formativa sentimos que o trabalho da escola contribui para a formação dos jovens.

/Instituição Escola Secundária de Ponte de Sor /Comunidade Escola Secundária de Ponte de Sor /Função Director /Projecto Projecto Geração Inconformadus

Esta comunidade educativa tem cerca de 1000 pessoas ((850 alunos; 100 professores e 50 funcionários) com interesses e motivações muito heterogéneos. O trabalho realizado pelo Projecto é muito oportuno, no sentido em que se tenta ir ao encontro dos problemas e dificuldades manifestados pelos alunos, nomeadamente, os alunos com maiores dificuldades económicas e carências afectivas. Através desta parceria com o Escolhas, gostaria de contribuir da melhor forma possível para uma melhor formação dos alunos na escola e na sua dimensão de cidadãos.

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Gabriela Guerreiro “...é uma referência municipal enquanto resposta social” /Instituição Câmara Municipal do Montijo /Comunidade Montijo (Esteval e Caneira) /Função Representante da entidade promotora /Projecto Projecto Tu Kontas (+ Ainda)

Foi através de documentação do ACIDI que conhecemos o Escolhas. Na parceria estabelecida, procuro dar o meu contributo na sua gestão técnica e facilitação de contactos e relações institucionais do projecto. Procuro ainda integrar o projecto “Tu Kontas + ainda” na estratégia global de intervenção social do município. A zona de actuação é constituída por territórios maioritariamente de habitação social, mas distintos nas vivências e nas suas características sociais, pelo que requer, da parte da equipa, formas distintas de intervenção. O Bairro do Esteval é um território onde a acção se encontra mais amadurecida e consolidada, tendo sido bastante mais fácil a entrada e a intervenção conseguida. O bairro da Caneira, território que entra como prioritário, na III geração, é marcadamente habitado por pessoas de etnia cigana. Nada vai ser como antes... Julgo que estes dois territórios vão ser marcados positivamente pela intervenção escolhas. Manter estes projectos a funcionar é a nossa grande aposta. A criatividade e a inovação no “modus operandi” do “Tu Kontas + ainda” tem vindo a marcar estes jovens. Neste momento, creio que é uma referência municipal enquanto resposta social para os bairros da Caneira e do Esteval. Gradualmente, a equipa tem vindo a obter pequenas vitórias, na conquista de jovens para o projecto. A Câmara Municipal tem sob a sua gestão um conjunto alargado de projectos sociais e de promoção da saúde. O facto do “Tu Kontas” ser um destes projectos permite-nos estar mais perto de quem, efectivamente, mais necessita.

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Ana Albuquerque “uma resposta alternativa com resultados efectivos junto das minorias” Dado o âmbito da actividade da CPCJ de Coimbra, direccionada para a protecção de crianças e jovens em situação de perigo e atenta ao carácter do Programa Escolhas, foi esta CPCJ entendida como parceiro privilegiado para ingressar no Consórcio do projecto. A parceria implica a colaboração da Comissão através do encaminhamento de situações, tendo por base a parceria dinâmica e bilateral. O Escolhas actua como uma resposta alternativa com resultados efectivos junto das minorias étnicas. Trata-se de uma comunidade heterogénea, transversal a qualquer situação económica, ainda que predominem as famílias com condições mais desfavoráveis e por isso mais frágeis, mais expostas e com parcos recursos internos. As principais temáticas incidem principalmente nos problemas ligados ao álcool, na toxicodependência, nos comportamentos desviantes, perturbações mentais e violência.

/Instituição Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Coimbra /Comunidade Crianças em perigo e respectivas famílias /Função Representante da Segurança Social e Secretária da CPCJ de Coimbra /Projecto Projecto EntreNós

A comunidade reflecte o nosso impacto, pois, somos uma equipa multidisciplinar que trabalha as problemáticas mencionadas, no sentido de remover a situação de perigo das crianças e jovens do concelho de Coimbra, dando ferramentas de empowerment às famílias acompanhadas. A esta comunidade gostaria de deixar acompanhamentos mais próximos às famílias sinalizadas; maior inclusão ao nível do acesso a bens e a serviços; e Implementação de respostas ao nível da saúde mental.

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Guiomar Neves “Parceria interventiva ao nível do cumprimento da escolaridade” /Instituição Agrupamento de Escolas de Esgueira /Comunidade Comunidade de Ervideiros /Função Adjunta da Directora /Projecto Projecto MultiSendas

Tive melhor conhecimento do Programa Escolhas quando me integrei no “Multisendas”. Anteriormente, conhecia o nome e algumas actividades que pude ver em programas televisivos. Com o estabelecimento de uma parceria entre a instituição a que pertenço e este projecto, a nossa colaboração tem sido feita nas escolas acompanhando o percurso escolar dos alunos e interagindo com a família. A comunidade de Ervideiros, uma população de etnia cigana a residir em acampamentos, não valoriza a escola levando a problemas de assiduidade e mesmo de abandono escolar. Os indivíduos têm dificuldade em aceitar regras estabelecidas dentro e fora da sala de aula. O trabalho desenvolvido pelo Agrupamento tem impacto junto desta população, no que diz respeito ao cumprimento da escolaridade de crianças e jovens. Ao longo desta parceria, gostaria de deixar nestas pessoas a importância do cumprimento da escolaridade com vista a um futuro melhor. Também gostaria que fosse mais esbatida a diferença de “género de modo” a permitir que as jovens possam construir uma vida diferente, mais igual.

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Solange Isabel Oleiro “Parceria centrada no bem-estar das crianças e jovens“ Esta parceria surgiu depois do conhecimento do Programa Escolhas através da Associação de Desenvolvimento de Nisa – ADN. A partir daí, a nossa instituição tem contribuído com sugestões de actividades possíveis de se realizarem na comunidade e no encaminhamento da população alvo para as mesmas. A acção do projecto é muito positiva e útil. Na tentativa de mudar hábitos e comportamentos, tendo como fim a responsabilidade parental e o bem estar das crianças e jovens e suas famílias, penso que a Comissão tem o seu impacto nesta comunidade, constituída sobretudo por crianças e Jovens provenientes de famílias disfuncionais.

/Instituição Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Nisa /Comunidade Crianças e Jovens e Risco /Função Presidente da CPCJ de Nisa /Projecto Projecto Envolver

Não vou esquecer, a oportunidade que o programa deu, através das actividades desenvolvidas, a algumas crianças e jovens em risco, de ocuparem o seu tempo livre de uma forma saudável, com a aquisição de conhecimentos, de uma forma gratuita, não se esquecendo da importância em satisfazer as suas necessidades mais básicas.

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Nuno Alves “Dinamizadores influentes e sempre muito disponíveis” /Instituição Associação de Juventude de Góis /Comunidade Jovens de Góis /Função Presidente /Projecto Projecto Escolhas do Futuro – Góis

A parceria que a Associação de Juventude de Góis tem com o projecto Escolhas implica a nossa colaboração em diversas actividades cujo o público alvo sejam os jovens. Publicitamos os eventos, criamos parcerias, partilhamos experiências, entre outras iniciativas. Em relação ao “Escolhas do futuro”, desde o início que se afirmaram na Vila de Góis perante os jovens, com projectos criativos, interessantes, com dinamizadores influentes e sempre muito disponíveis. Os jovens da comunidade têm muitas capacidades, ideias criativas, mas são muito dependentes das novas tecnologias e de difícil abertura perante novos desafios. A nossa Associação tem tido impacto a este nível, conquistado os participantes, realizado actividades criativas e, já criou algumas rotinas em termos de datas a celebrar, como o Dia da Juventude, Gala de Natal, entre outras. Acima de tudo, gostaria que os jovens se tornassem activos na comunidade onde estão inseridos, que fossem dinâmicos e criativos. Todo o trabalho associativo e voluntário dará ferramentas para um melhor confronto com o futuro social e profissional. Após a criação do Grupo de jovens e, o respectivo incentivo à participação no mesmo, foi possível criar um grupo sólido e dinâmico com o objectivo de rejuvenescer a Associação de Juventude de Góis, que até então, se encontrava “adormecida”. Graças ao Escolhas, este grupo conta já com 3 anos de muitas actividades, muitos associados e com um papel relevante na Vila de Góis. Obrigado Escolhas!!!

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Filipa Susana Grácio “Um trabalho relevante e reconhecido pela comunidade” O Grupo de Aeromodelismo “Os Caças” conheceu o Escolhas por intermédio da Câmara Municipal de Sintra. Na parceria firmada colaboramos acompanhando a equipa técnica na qualidade de representante legal da entidade promotora e gestora. Vemos este projecto como um trabalho relevante e reconhecido pela comunidade. A comunidade da Tapada das Mercês tem necessidade de intervenção sócio-educativa por se tratar de uma população vulnerável em risco de exclusão, essencialmente imigrante, bem como um território onde as ofertas para os jovens são quase inexistentes. A nossa instituição tem um impacto relevante na população...temos 23 anos de existência e muita visibilidade no concelho de Sintra, pela qualidade e trabalho desenvolvido em diversas localidades e escolas, bem como pelo apoio que presta ao projecto nas várias áreas.

/Instituição Grupo de Aeromodelismo “Os Caças” /Comunidade Na Tapada das Mercês /Função Directora /Projecto O Espaço, Desafios e Oportunidades

Uma comunidade mais proactiva, com mais consciência do mundo que a rodeia, mais desperta para as oportunidades e mais capacitada. Tudo isto gostaríamos de deixar nesta população.

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Paulo Ferreira “Parceria aproxima fotografia e vídeo dos jovens da comunidade” /Instituição FPF, Audiovisuais, Educação e Informática, Lda. /Comunidade Chegadinho velho e novo /Função Sócio-Gerente /Projecto Projecto Agir

A nossa parceria – conhecemos o projecto Escolhas através da Instituição Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro – actua numa comunidade com múltiplas etnias mas, de um modo geral, com um comportamento social agradável. Os residentes são simpáticos, atenciosos e demonstram uma gratidão e apreço pelas iniciativas nas quais a FPF, Lda intervém em conjunto com o projecto Agir. A nossa instituição colabora com o Escolhas através de iniciativas voluntárias de formação na área de fotografia e vídeo junto dos jovens da comunidade, na faixa etária compreendida ente os 7 e os 14 anos. Vejo que o Escolhas tem um trabalho muito importante no que diz respeito à reinserção social das comunidades nas quais intervém e que é um trabalho que, a médio e longo prazo, é que se verá de facto o impacto, a diferença e as melhorias . Sinto que o FPF tem impacto na comunidade...É notória a comparência regular e participativa tanto da comunidade às instalações do “Agir”, como dos colaboradores do Projecto junto da comunidade, através de iniciativas e trabalhos efectuados no terreno. Neste trabalho contínuo, gostaria de partilhar junto dos jovens da comunidade, valores tais como a humildade, responsabilidade, assiduidade, honestidade, profissionalismo, partilha e ajudá-los a encarar uma vida adulta suportada nestes valores.

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Cecília Amaro “... o projecto auxiliou a descobrir e percorrer novos caminhos” O NERGA foi convidado para constituir o Consórcio do Projecto “Tu decides…”, 2ª. Geração, e desde o primeiro momento não teve dúvidas quanto ao papel que, o NDS, na qualidade entidade promotora, iria desempenhar a este nível. O NDS foi desenvolvendo o Projecto, na sua área de intervenção e a real importância do mesmo tem vindo a consolidar-se ao longo dos anos. Estamos conscientes da batalha árdua, porém, o alento de atingir os seus objectivos, provém de um acreditar profundo na essência deste projecto. São projectos muito importantes para o desenvolvimento social de uma região, que quer ser cada vez mais competitiva. O Projecto é desenvolvido junto de comunidades desfavorecidas, nomeadamente jovens com baixas qualificações e na sua maioria desempregados. Estas crianças e jovens são provenientes de etnia cigana, de Instituições Sociais e Centro Educativo, excluídas da sociedade, com bastante falta de auto-estima que necessitam de uma oportunidade de mudança e de mais apoios tendo em vista a sua plena integração na sociedade. No âmbito do Projecto “Tu decides…”, promovido pelo Núcleo Desportivo e Social - NDS e face aos pressupostos do projecto e público-alvo, o NERGA tem-se empenhado em valorizar essa iniciativa, procurando, através dos seu know-how e participação nas diferentes actividades promovidas por este projecto, instigar a promoção de boas práticas e subsequente responsabilidade social das várias entidades que connosco agem e se pugnam por esses valores.

/Instituição NERGA – Núcleo Empresarial da Região da Guarda, Associação Empresarial /Comunidade Este projecto além de actuar na Freguesia de São Miguel da Guarda, intervém nas freguesias urbanas da Sé e de São Vicente na Guarda, e ainda nalgumas freguesias rurais deste concelho, como são: Casal de Cinza e Vila Fernando. /Função Acumula funções de Directora/coordenadora do Centro Novas Oportunidades do NERGA e Coordenadora local do Pólo da ESTEBI, Escola Tecnológica. Representante do NERGA na Direcção da Escola Tecnológica da Beira Interior - ESTEBI. /Projecto Projecto “Tu Decides +”, entidade promotora e gestora NDS

O Projecto “Tu decides +..” representa assim, para muitos daqueles que por diferentes razões se encontram excluídos da sociedade, a porta de entrada para a inclusão social e o ponto de partida para realização dos seus projectos de vida.

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O Projecto contribui para proporcionar melhores níveis de participação cívica, política e cultural. Traduzida em maior igualdade de oportunidades para todos, o acesso à educação contribui para dissipar mecanismos de segregação social, promovendo uma maior igualdade social na aquisição de condições de bem-estar social, de uma maior tolerância às diferenças sociais e raciais e, simultaneamente, geradores de sentimentos de maior segurança. As actividades desenvolvidas servem de suporte e apoio no desempenho pessoal, social, escolar e profissional dos destinatários, visando torná-los mais pró-activos e integrados na sociedade. Este projecto já “fez história” e “alterou a história de vida” de muitas famílias, crianças e jovens. A comunidade sofreu uma alteração positiva, hoje temos famílias com mais conhecimentos, melhor informadas, mais empreendedoras e qualificadas. Consideramos que o NDS é composto por equipa técnica multifacetada, experiente e qualificada capaz de responder aos desafios que as crianças e os jovens enfrentam diariamente. Tivemos a oportunidade de observar a equipa do NDS afecta a este projecto, e sempre colocou no seu trabalho, muito profissionalismo, dedicação e principalmente “PAIXÃO”. A implementação dos objectivos propostos é indicadora do trabalho que a equipa do Projecto tem vindo a desenvolver e da receptividade que a iniciativa tem acolhido. Estes são os factores para o sucesso do projecto no sua área de actuação e para o cumprimentos dos objectivos, é importante dar continuidade a este projecto, já que tem um papel preponderante na sociedade. O investimento em educação e formação produziu aquisições significativas em diversos domínios, nomeadamente, na organização da vida social e participação cívica mais intensa. Por outro, a 414 | PARCEIROS


tolerância social, o ambiente de inovação e a promoção da igualdade de género são outros exemplos de ganhos sociais que este projecto conseguiu estimular por via da aposta na educação e formação das pessoas. Salientamos, ainda que o NDS, enquanto entidade promotora não tem poupado esforços no sentido de fortalecer o Consórcio, através da participação e promoção de reuniões e encontros, como forma de partilhar boas práticas “Conhecimentos e Saberes”. Esta troca de experiência permitiu consolidar procedimentos, melhorar metodologias e fortalecer os laços do Consórcio. O NERGA, constituído em 1984, por iniciativa conjunta da Associação Industrial Portuguesa e de um grupo de empresários da Região da Guarda, é uma Associação Empresarial sem fins lucrativos e de utilidade pública cujo âmbito territorial é o Distrito da Guarda. Tem como objectivos: promover o desenvolvimento da actividade empresarial do Distrito da Guarda, em especial dos seus associados; assegurar a prestação de informação aos seus associados nas áreas de maior relevância para a sua actividade, bem como a sua participação em programas e actividades que vão de encontro à suas necessidades; Contribuir, pelas mais diversas formas, para o desenvolvimento socioeconómico da nossa região e suas potencialidades, tanto por iniciativas próprias como apoiando e cooperando em projectos promovidos por outras entidades. Possuímos os seguintes serviços: Formação Profissional, Gabinete de Apoio ao Empresário, Centro Novas Oportunidades, Organização de Eventos, Gabinete De comunicação, Gabinete de Apoio Jurídico, Comissão Florestal e Gabinete de Qualidade O NERGA, tem vindo a desenvolver actividades na área da formação e educação, do apoio empresarial, dos eventos e no sector florestal. Os resultados alcançados, permitiram às empresas e empresários PARCEIROS | 415


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envolvidos, melhorarem os seus níveis de eficácia, inovação emotivação, aumentar as suas qualificações e consequentemente os seus resultados económicos e financeiros e capacidade de internacionalização. Esta Instituição tem também actuado no âmbito social e ambiente no desenvolvimento das seguintes actividades: prestou o seu apoio e a sua colaboração, nomeadamente, através da cedência das suas instalações, na realização da Gala da ASTA – Associação SócioTerapêutica de Almeida e na 1ª Gala Social do Distrito da Guarda organizada pelo Centro Distrital da Guarda do Instituto da Segurança Social; esta Associação colaborou ainda, com a Delegação da Guarda da Cruz Vermelha Portuguesa na realização da Feira/Mostra de Produtos Regionais da Cruz Vermelha, com a finalidade de angariar fundos para esta instituição; na qualidade de parceiro da Feira Social de S. Miguel, iniciativa organizada pela Freguesia de S. Miguel, o NERGA participou uma vez mais neste evento, tendo ainda prestado um importante apoio logístico na sua organização. Na área da responsabilidade ambiental, o NERGA participou no “Movimento Plantar Portugal”, tendo em colaboração com a CERCIG plantando uma centena de árvores nos espaços envolventes desta Associação e anteriormente, o NERGA divulgou e participou, através da sua Comissão Florestal, na iniciativa “Limpar Portugal”. A Comunidade em que opera o Projecto já está diferente. Actualmente, a comunidade acredita na inclusão social, envolve mudanças em todas as pessoas, é um trabalho longo e desafiador. A Promoção da Igualdade de oportunidades é uma realidade a comunidade já tem conhecimentos dos seus dos direitos civis, políticos, económicos, sociais, culturais e de desenvolvimento Apesar do trabalho desenvolvido pelo Projecto, o trabalho não se encontra terminado, apenas começado, é com orgulho que 416 | PARCEIROS


afirmamos que, passados estes anos, o projecto auxiliou a descobrir e percorrer novos caminhos, a sua continuidade é fundamental para uma sociedade cada vez mais justa. Há uma história com o Escolhas que não vou esquecer: num período de férias da Páscoa, desloquei-me com os meus filhos até ao Parque Urbano do Rio Diz. Face ao dia primaveril, muito jovens se deslocaram até lá para praticarem algumas actividades desportivas e lúdicas. Mas houve um grupo em especial que me chamou atenção, estava muito divertido, o riso das crianças era contagiante. Observei com mais atenção, e constatei que era um grupo de crianças e jovens acompanhados por alguns monitores…. a relação de amizade, brincadeira e cumplicidade que tinham entre eles surpreendeu-me agradavelmente. Os risos dos adultos e das crianças confundiamse…. a cumplicidade entre os monitores e as crianças era magnífica. Reconheci então a equipa de monitores, era a equipa do Projecto “Tu decides+…”. Parabéns pela dedicação, pelo profissionalismo e pela entrega a este projecto e a todos os jovens, crianças e famílias.

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Paula Ribeiro “A dedicação do Projecto é de louvar”

/Instituição Câmara Municipal de Mafra /Comunidade Mafra /Função Coordenadora Sector Acção Social /Projecto Projecto Crescer com Escolhas

Conheci o Projecto Escolhas no âmbito do trabalho e da Rede Social. A nossa parceria actua numa comunidade pouco numerosa... poucos mas bons...a Câmara Municipal participa nos momentos de produção e avaliação de actividades para o público-alvo; e colabora enquanto cidadã nas acções promovidas para a comunidade. Considero que o trabalho deste Projecto é muito esforçado e a sua dedicação de louvar! Nesta comunidade gostava de ver, ao longo desta intervenção, mais participação e envolvimento, bem como menos protagonismo dos comportamentos “protocolares”.

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José Neves “Um programa lusófono de sucesso e de relevância internacional” Esta parceria com o Escolhas actua numa comunidade com fragilidades económicas e sociais, elevada presença de uma comunidade jovem desempregada e de crianças menores. Como tesoureiro da associação, colaboro coordenando a candidatura do projecto, participando pontualmente em actividades mais ligadas à vertente artística do projecto, acompanhando de perto as actividades, articulando o projecto com as restantes actividades da associação.

/Instituição A.C.J. Batoto Yetu Portugal /Comunidade Portuguesa de descendencia africana, cigana, portuguesa /Função Tesoureiro

/Projecto Afri-ca II

Considero o trabalho do Escolhas bastante positivo, inovador, variado nas suas vertentes de actuação, mediático... um programa lusófono de sucesso e de relevância internacional. Quanto à nossa associação, é visível o impacto da intervenção através do feed back das crianças, pais e parceiros; e do número de gerações que já fizeram parte do percurso da instituição. A nossa capacidade de resiliência e sobrevivência, durante 15 anos, numa área de trabalho tão difícil, vem também demonstrar o impacto forte que temos na comunidade, não deixando as pessoas indiferentes.. Gostaria de deixar a esta população, um maior sucesso escolar, maior cidadania e a criação de outras entidades civis que fossem de encontro às aspirações das pessoas da comunidade.

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Anabela Coelho “Uma intervenção muito válida e meritória” /Instituição Junta de Freguesia de Darque /Comunidade Darque /Função Vogal do Executivo /Projecto Projecto Ainda Dar-que falar

A comunidade de Darque é muito heterogénea, muito complexa e tem muitos casos sociais, para além dos problemas trazidos pelas pessoas da etnia. Darque tem muitos habitantes que não são naturais da terra, não têm raízes nem qualquer tipo de ligação, paralelamente, são pessoas, que na sua maioria, são beneficiárias de RSI. A Junta de Freguesia de Darque conheceu o Programa Escolhas no primeiro protocolo assinado no Escolhas 2ª Geração. Neste Projecto, a minha colaboração tem sido menos activa, pois está direccionada para um público alvo muito específico, o que condiciona mais a nossa acção. Mas a parceria está a funcionar muito bem. Considero que o Escolhas tem sido uma intervenção muito válida e meritória. É importante que seja bem aproveitado e bem desenvolvido como tem sido na nossa comunidade (não querendo com isto dizer que não pudéssemos fazer mais). Eu penso o nosso impacto é sólido na comunidade, pois todos os problemas, ou quase todos, passam por nós e tentamos atender todos os que solicitam a nossa ajuda e satisfazer as suas pretensões, dentro do possível. Gostava que esta comunidade deixasse de ter tantos casos sociais, que as pessoas tentassem fazer a sua vida com mais autonomia; gostava, de num futuro próximo, que esta comunidade fosse olhada com outros olhos e que as pessoas tivessem prazer de pertencer à nossa comunidade; queria um juventude activa e empreendedora. Não me vou esquecer nunca do destaque que foi dado à participação dos “ZÈS PUMBAS”, numa actividade desenvolvida pelo Escolhas. Acho que foi muito gratificante ouvir e ler comentários tão favoráveis de “gente nossa”.

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Sílvia Baptista “A comunidade aceita o Projecto como essencial para o dia-a-dia no seu bairro” A Escola EB 2.3 está integrada no Agrupamento a qual pertencem 10 estabelecimentos de ensino e de educação, no concelho de Loures, mais concretamente na freguesia de Sacavém. A sua população escolar é maioritariamente proveniente desta freguesia e de Prior Velho. Nestas localidades situam-se dois bairros residenciais problemáticos. A Urbanização Terraços da Ponte, em Sacavém, é um bairro de realojamento essencialmente residencial; Bairro Quinta da Serra, constituído por barracas muito degradadas, sem saneamento básico e sem luz nas vielas. Os alunos são, na sua grande maioria, descendentes de populações que vieram dos PALOPs.

/Instituição Escola EB 2.3 Bartolomeu Dias /Comunidade Urbanização Terraços da Ponte – Sacavém /Função Ligação à comunidade. /Projecto Projecto Esperança

Extremamente carenciados, a maioria dos alunos são subsidiados pela Acção Social Escolar. Resultados escolares dos alunos com elevadas taxas de insucesso, principalmente em Língua Portuguesa e Matemática, registando-se lacunas significativas nas aquisições básicas a nível da leitura, do vocabulário, do cálculo e da resolução de problemas. Grande número de jovens e crianças na rua na maior parte do seu tempo extra-escolar, em virtude dos horários por turnos dos pais ou de familiares. Um número significativo de crianças a cuidar de irmãos mais novos e a desempenhar tarefas domésticas. Muitos alunos apresentam carências de ordem afectiva, alimentar, higiénica e de cuidados de saúde primários. A escola EB 2. 3 Bartolomeu Dias integrou em 2001 o PIC Programa de Intervenção Comunitária - sediado na Urbanização Terraços da Ponte. Nessa mini rede social pertencia, entre outros, o coordenador do Projecto Esperança, da 1ª Geração do Programa PARCEIROS | 421


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Escolhas. Passei a representar a Escola EB 2.3 Bartolomeu Dias no consórcio do projecto a partir daí. Como representante da Escola Bartolomeu Dias fiz parte do consórcio até Julho de 201. De momento estou aposentada e a minha colaboração é meramente pontual. O “Esperança” é aceite pela comunidade residente na Urbanização Terraços da Ponte, e tem vindo a ser aceite de uma forma exponencial pelos professores das escolas abrangidas pelo Projecto, constituindo, muitas vezes, um recurso das próprias escolas que identificam o Projecto como necessário. Sente-se ainda que se tem vindo a alargar a acção para outras camadas da população, nomeadamente junto daquelas que não estão intimamente ligadas às actividades. Esta equipa (não esquecendo os que por este projecto já trabalharam) construiu uma rede social bem consolidada nesta comunidade com características problemáticas, visto ser um bairro de realojamento essencialmente residencial, ficando os jovens entregues a si mesmos. A comunidade aceita a equipa técnica do Projecto como essencial para o dia-a-dia no seu bairro. O nosso impacto na comunidade verifica-se pela participação e representação na Rede Social do Concelho, nos projectos do Programa Escolhas; pela actuação do GAAF junto das famílias; pela realização de sessões de formação parental para os encarregados de educação de alunos mais problemáticos; pela preocupação na análise do insucesso escolar e consequente tomada de medidas para o seu combate; Pela articulação dos Directores de Turma com os encarregados de educação; pelo combate à agressividade e 422 | PARCEIROS


abstenção às aulas com a actuação dos animadores e mediadores; pela criação de CEF para alunos com mais de 14 anos e sem o 2º ciclo; pela orientação dada a alunos para outras formas de formação e procura de emprego; Pela participação de alunos na Orquestra Geração. Para esta comunidade, gostaria de deixar uma escola mais autónoma, sem restrições financeiras; um elevado número de alunos com o 12º ano de escolaridade concluído; uma população jovem escolarizada e sem medo de ser estigmatizada por serem moradores de determinados bairros ou por terem a sua pele de uma cor diferente. ...Vivi intensamente estes últimos anos da minha profissão e encontrei uma ilha de afectos em cada aluno com quem convivi. Mesmo os que me diziam “Vou-te matar!!” traziam no olhar um pedido de socorro, uma urgência de criar laços e uma vontade de serem considerados.

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Joana Teixeira “ Escolhas é um programa dinâmico, articulado e mediático” /Instituição Agrupamento Vertical de Escolas Manoel de Oliveira /Comunidade Aldoar /Função Animadora Sociocultural /Projecto Projecto Acreditar

Esta parceria com o Escolhas surgiu para actuar numa comunidade jovem, desafiante. E diversificada em extractos sociais, logo são necessárias técnicas de abordagem e sensibilização diferentes, quase personalizadas, para cada extracto ou para cada “grupo” de jovens. Colaboro com o Programa através do Projecto Acreditar, sediado na Escola EB 2,3 Manoel de Oliveira, na qual desempenho a função de Animadora Sociocultural. Esta actividade é realizada no âmbito do projecto TEIP (Território de Educação e Intervenção Prioritária) em parceria com o “Acreditar”, no qual integro a Equipa Técnica, dinamizo actividades de Animação de Recreios, Expressão Dramática, Grupo de Jovens e ocupação de tempos livres em férias lectivas. Vejo que o Escolhas é um programa dinâmico, articulado e mediático. Aprecio a variedade de técnicos que nele trabalham, o cuidado com actualização de instrumentos de estudo e investigação, as instituições com quem fazem parcerias, o cariz das actividades para os jovens e a divulgação do trabalho junto da comunicação social. O nosso agrupamento tem impacto na comunidade por intervir, primeiro junto de um público jovem, que está em formação e, graças a isso, ter depois contacto com público adulto (pais e encarregados de educação) e contribuir também para a formação deste, trabalhando assim para uma maior coesão e equilíbrio da comunidade. Para a população de Aldoar, gostaria de deixar precisamente a ideia de que é possível deixar algo diferente. Ideia de que é possível tornar o espaço em que estamos em algo melhor. A realidade do Escolhas tem muitas situações marcantes. Não vou esquecer o dia em que um aluno do Grupo de Jovens, ao sair de uma sessão e ver o padrasto na rua, voltou para trás... apenas para retomar o fôlego num lugar seguro e depois voltar para casa.

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Laura Teixeira “O Escolhas representa um ponto de contacto imprescindível para os jovens” Conheci o Programa Escolhas pela sinalização de jovens inseridos em famílias de risco, com necessidade de encaminhamento para o Centro de Saúde e acompanhamento na aquisição de competências. No âmbito da parceria que temos, o Aces Arco Ribeirinho colabora articuladamente e em actividades conjuntas. A População em que intervimos é socioeconomicamente desfavorecida, com uma taxa populacional elevada e flutuante; adolescentes em situação de risco social e biológico; Familias monoparentais; situações graves de insalubridade ,absentismo escolar; violência familiar,desinformação na area da Saúde; alcoolismo e um número elevado de pessoas portadoras de doença mental.

/Instituição Aces Arco Ribeirinho /Comunidade Vale da Amoreira /Função Enfermeira Especialista Saúde Comunitária /Projecto Escolhas VA

Quanto a mim, o Escolhas representa uma mais-valia, um ponto de contacto imprescindível para os jovens. Um reforço no relacionamento entre as instituições, relacionamento esse, que é escorado numa vontade comum de dinamizar actividades, que promovam valores e competências e uma população juvenil mais próspera e activa. A nossa instituição tem igualmente um impacto significativo por se inserir a nivel local numa boa rede de parceiros. Desta intervenção em parceria queria deixar na comunidade, mais apoios a nível social. Tenho várias histórias Escolhas para contar, mas o que mais me impressiona é a relação de proximidade que a Coordenadora do ESCOLHAS VA tem com os jovens ali integrados.

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Renato Florim/Tiago Gomes “O Escolhas mantém uma grande proximidade com esta comunidade” /Instituição Ágil - Associação de Jovens de Lordelo do Ouro /Comunidade Lordelo do Ouro /Função Membros dos órgãos sociais da Ágil /Projecto METAS - Mediar Escolhas, Trabalhar Autonomias

Já se falava em constituir uma Associação de Jovens desde a 1ª geração do Programa Escolhas, ainda no Bairro do Aleixo. No entanto, essa vontade foi sendo adiada por diversas razões. No ano de 2007, com o apoio do projecto Metas (3º geração), um grupo de jovens residentes nos bairros sociais de Lordelo do Ouro, tiveram vontade de constituir um grupo, com o intuito de activar e inovar acções para os jovens do espaço do C.I.J. (Centro de Iniciativa Jovem) local onde decorre o projecto. Na 3º geração existiu a possibilidade da criação de uma associação de jovens em Lordelo do Ouro, que dinamizasse um conjunto de actividades tanto desportivas como culturais para as crianças e jovens da freguesia. Com a ajuda do projecto foi criada uma Comissão de Gestão que serviu basicamente como um ensaio para a formação da Associação de jovens. Durante 1 ano a comissão de gestão organizou-se por auto-iniciativa e foi organizando algumas actividades. Durante este tempo de experimentação houve muitos aspectos positivos que fez com que a eventual formação da Associação se apressasse. Então em Setembro de 2008, constituiu-se legalmente a Associação que se designa por AGIL Associação de Jovens de Lordelo do Ouro. Sendo assim, passou a ser a mais recente associação da freguesia. Esta associação organiza-se por dois departamentos o desportivo e o cultural. No desportivo realizam-se torneios e actividades radicais, já no departamento cultural faz-se projecção de filmes, debates, workshops de pintura, desenho, literatura. 2009 foi um ano em grande para a ÁGIL, pois conseguiu impor-se na freguesia e as suas acções foram requisitadas para dinamização de outras associações, escolas, festivais etc. Em 2010 a associação promoveu actividades mais aliciantes do que nos anos anteriores. Tem estado a investir nas férias ágeis que consistem no planeamento e execução de actividades nos períodos de férias, para as crianças

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das escolas EB1 e para os jovens do C.I.J., tendo também realizado um acampamento. Na 4ª geração, a Ágil integrou naturalmente o consórcio do projecto METAS, sendo uma das instituições mais directamente envolvidas no dia-a-dia do projecto. O Lordelo do Ouro é uma zona de fortes contrastes sociais, no entanto a população com que trabalhamos é essencialmente oriunda de zonas de habitação social. O Escolhas tem conseguido manter uma grande proximidade com esta comunidade, sendo uma referência para muitas crianças, jovens e suas famílias. A Ágil é ainda uma associação jovem, mas está a consolidar-se. Gostaríamos que esta associação se mantivesse operacional, sempre com novos jovens activamente envolvidos..

Elsa Figueiredo “...É a base para um percurso de inclusão social” O projecto Percursos Acompanhados é promovido pelo CESIS que foi quem esteve na origem da Cooperactiva. A COOPERACTIVA colabora com o Escolhas em termos financeiros/ LOGISTICOS: pagamento de água, luz e comunicações; ao nível dos Recursos humanos: colaboração da auxiliar de serviço na confecção dos lanches das crianças e jovens; apoio de uma técnica para o acompanhamento escolar; serviço de limpeza do espaço

/Instituição COOPERACTIVA /Comunidade Amadora-Buraca-Bº Zambujal /Função Directora técnica /Projecto Percursos Acompanhados

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onde se desenvolve o projecto; encaminhamento de pessoas para o CID@curso. O trabalho do Escolhas é essencial e indispensável. É a base para que estas crianças e jovens possam beneficiar de um percurso de inclusão social diferente do que tiveram os/as seus/uas ascendentes. A educação formal e não formal potenciada pelo projecto é a porta que se abre para um percurso escolar com sucesso, contrariando a tendência de abandono escolar precoce que caracteriza a vida de jovens de contextos socioeconomicamente desfavorecidos, como o é o Bairro do Zambujal, que abarca uma população rica em diversidade, acolhedora e solidária. A nossa instituição tem um forte impacto na medida em que trabalha com as pessoas para o seu processo de autonomia, privilegiando sempre a educação e o emprego como facilitadores dessa autonomia. As comunidades têm uma vida muito própria. Mas pensando que dependeria do que eu gostava que fosse, de certeza uma comunidade mais informada em que as suas escolhas fossem verdadeiramente opções e não determinadas pelo andar dos acontecimentos. Principalmente gostava que as pessoas que tornam esta comunidade tão rica acreditassem que grande parte do futuro está nas suas mãos e não em algo transcendente que nunca conseguirão alcançar.

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Armando Coelho “...uma mais-valia para a melhoria da comunidade educativa deste Agrupamento” O Agrupamento é preterido pelos grupos sociais mais favorecidos e acolhe a heterogeneidade dos alunos mais modestos. São, na sua maioria, provenientes dos lugares onde não moram a abundância e o conforto. São moradores dos bairros da Agra, do Amial, da Azenha, do Carriçal, do Regado, de Santa Luzia e de São Tomé, ou das velhas casas que sobreviveram à destruição dos campos e das hortas. O AVEA confronta-se com a heterogeneidade das famílias e das culturas de bairro – geograficamente próximos, onde se encontram situações de pobreza, emprego precário e/ou mal remunerado ou mesmo desemprego; fragilidade de competências de vida, em grande parte dos casos sustentada pelos abonos do rendimento de inserção social; baixa literacia; comportamento de desistência e interiorização de marginalidade. Tal perspectiva traduz-se nos comportamentos de desinteresse de uns e outros – PP/EE e educandos .

/Instituição EB2,3 Pêro Vaz de Caminha /Comunidade Amial /Função Director /Projecto Projecto Saber Viver

Esta população é uma população fragilizada do ponto de vista social e cultural, com baixas expectativas face à importância da escolarização, com baixos níveis de escolaridade e de literacia. A maioria das pessoas, por razões de desemprego, situações de precariedade, prolongamento de subsídio-dependência, defrontase com dificuldade em dar resposta às necessidades básicas. Esta dificuldade tem consequências graves nos percursos escolares dos alunos, quer pela dimensão material (vários casos de fome identificados), quer pela dimensão sócio-cultural. A relação com o Escolhas surgiu através da Junta de Freguesia. Este Projecto faz parte integrante do desenvolvimento das actividades nas escolas do Agrupamento. Todas as actividades a desenvolver são planeadas com os técnicos colocados pelo Projecto. Considero o trabalho do Escolhas como uma mais-valia para a melhoria da comunidade educativa deste Agrupamento. O trabalho desenvolvido tem como objectivo colmatar alguns dos problemas com que as escolas se debatem e que resultam em PARCEIROS | 429


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insucesso, absentismo, indisciplina, e, numa relação estreita com isto, como causa e causadora, numa débil relação escola-pais/EEcomunidade. É nosso compromisso a luta pela equidade, assumindo que as instituições escolares são o espaço onde “naturalmente” interagem alunos de distintos colectivos sociais, de diferentes etnias, de diferente sexo, com diferentes destrezas e níveis de desenvolvimento e com distinta e desigual bagagem cultural e linguística; algo que é coerente com o princípio da igualdade de oportunidades. Pretendemos assim oferecer a transmissão de saberes cientificos e sobretudo disponibilizar um ambiente de acolhimento afectivo para os Encarregados de Educação e alunos. A esta comunidade, gostaria que a nossa intervenção deixasse marcas ao nível das prioridades relativas aos alunos: o sucesso escolar e educativo; hábitos de estudo nos alunos; diminuição do absentismo e o abandono escolar; participação e o desenvolvimento cívico dos alunos; o comportamento e a disciplina dos alunos; prosseguir na política de inclusão sócio-escolar das minorias culturais e sociais ou dos que têm problemas de aprendizagem, emocionais ou outros; competências para a vida activa; a autonomia dos alunos; prioridades relativas aos encarregados de educação; participação dos encarregados de educação e de outros elementos da comunidade educativa; criação do Gabinete do aluno na EB2,3 Pêro Vaz de Caminha.

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