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Animakids - Formação para o empreendedorismo inclusivo através da capacitação na área da animação de eventos -

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Índice INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................2 Contextualização .....................................................................................................................................................2

I. ENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL.......................................................................4 1.1. Empowerment .................................................................................................................................................4 1.2. Capacitação .......................................................................................................................................................5 1.3. Motivação ..........................................................................................................................................................5 1.4. Empreendedorismo e Educação não-formal ........................................................................................6 1.5. O Animakids .....................................................................................................................................................8

II. NARRATIVA DA PRÁTICA: PASSO A PASSO ............................................................ 10 1.Preparação dos/as formadores/as ........................................................................................................... 11 2.Constituição do Grupo de Formandos/as ............................................................................................... 13 3.Três Módulos de Formação Técnica .......................................................................................................... 13 4.Experiências Pré-profissionalizantes....................................................................................................... 18 5.Sessão de Formação sobre técnicas de procura ativa de emprego/formação .......................... 20 6.Workshop sobre o marketing pessoal ..................................................................................................... 20 7.Autonomização ................................................................................................................................................. 21

III. INSTRUMENTOS/FERRAMENTAS UTILIZADAS .................................................. 24 Compromisso de Participação ..................................................................................................................... 265 Dossier - Escultura de Balões .......................................................................................................................... 26 Dossier - Jogos Tradicionais ............................................................................................................................ 30 Dossier - Pinturas de Rosto ............................................................................................................................. 34 Questionário de Satisfação da(s) atividade(s) ...................................................................................... 347

IV. AVALIAÇÃO ...................................................................................................................... 38 V. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 42 Documentos Consultados ................................................................................................................................. 43

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Íntroduçao O empowerment exige a posse de conhecimentos, capacidades técnicas e atitudes visadas pela capacitação. Estas capacidades podem ser desenvolvidas em diversos contextos, representando as situações de educação não-formal condições propícias ao seu desenvolvimento. O Animakids, concebido enquanto ferramenta empreendedora e potenciadora de oportunidades de educação, de relação e de autonomia, pretende ser um guia para técnicos/as e monitores/as para a promoção da capacitação e do empreendedorismo de jovens em contextos de educação não-formal.

Contextualização O Programa Escolhas é um programa de âmbito nacional, tutelado pela Presidência do Conselho de Ministros, e fundido no Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), que visa promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos socioeconómicos mais vulneráveis, tendo em vista a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social. O projeto Animar para Capacitar é uma iniciativa de intervenção social implementada nas freguesias de Jovim e de S. Pedro da Cova (SPC) do Município de Gondomar, financiada pelo Programa Escolhas (PE). É promovido pela Câmara Municipal de Gondomar e gerido pela Associação Gondomar Cultural. Tem ainda como parceiros sociais: a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Gondomar (CPCJG), o Instituto Português da Juventude (IPJ), a Direção Geral de Reinserção Social – Equipa Porto Penal 4 (DGRS), os Agrupamentos de Escolas de SPC e de Jovim e Foz-do-Sousa, a Escola Secundária de SPC, o Programa para a Inclusão e Cidadania (PIEC) e a Junta de Freguesia de Jovim. O Projeto tem como objetivo a inclusão de crianças, jovens e famílias (oriundos de territórios que apresentam fatores de vulnerabilidade crítica) através da inclusão escolar, formação e emprego, cidadania, inclusão digital e empreendedorismo. A promoção da capacitação é transversal a todas estas dimensões. O Animakids é uma iniciativa do projeto Animar para Capacitar orientada para a motivação, (re)socialização, mediação, inserção social e profissional e de 2


acompanhamento de públicos em situação de vulnerabilidade. É uma iniciativa de empreendedorismo e capacitação que procura responder a problemas de desvalorização da formação escolar/profissional e do trabalho; bem como de fraca estruturação de projetos de vida e participação cívica. Tenciona ser uma ferramenta que motive para o trabalho/empregabilidade em part-time, para o desenho de um projeto de vida e, por fim, contribua para a (re)inserção social em conformidade com as normas socialmente vigentes. Nesse sentido sugere dinâmicas que providenciem experiências pré-profissionalizantes e que, em simultâneo e de forma não-formal, incidam sobre questões relacionadas com o saber-estar e saber-ser, bem como sobre a importância e valorização da formação escolar/profissional como fator indispensável para a igualdade de oportunidades.

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Í. Enquadramento Teorico e Conceptual Com base em Antunes (2010) tendo em conta que cada contexto, que cada grupo de pessoas/comunidade representa uma situação particular e única, e sabendo que não podemos “ocupar o lugar” dessas populações, o trabalho interventivo deve definir-se em torno de quatro pontos centrais que estão profundamente interrelacionados: i)

Capacitação e desenvolvimento de competências (pessoais e sociais) para o

empowerment; ii)

Relação efetiva de comunicação e de confiança;

iii)

Centralidade do grupo alvo específico, ao longo de todo o processo de

intervenção; iv)

Reflexão contínua na e sobre a ação.

1.1. Empowerment O empowerment representa o domínio das competências (sociais, políticas, económicas, culturais, educativas e de formação, legais e de saúde e ambiente) necessárias para a inserção social, ou seja a plena integração na comunidade de referência (Teles e Pinto, 2009). Segundo Rappaport o termo empoderamento remete para um processo através do qual se ganha «mestria ou controlo sobre as suas vidas e participação democrática na vida das suas comunidades» (Rappaport citado por Menezes, 2007: 57). Assim, sendo o empowerment exige a posse de conhecimentos, capacidades técnicas e atitudes visadas pela capacitação. Estas capacidades podem ser desenvolvidas em diversos contextos, representando as situações de educação não-formal condições propícias ao seu desenvolvimento.

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1.2. Capacitação A capacitação pode ser definida como um conjunto de mecanismos intencionais que procuram prover ou contribuir para reconhecer os indivíduos de competências (Teles e Pinto, 2009). Remete para um processo bidirecional (top down e bottom up) que depende fortemente dos indivíduos, dos contextos e dos processos (Teles e Pinto, 2009) e que pode ocorrer a três níveis: individual, organizacional e comunitário. Zimmerman, citado por Menezes (2007), acrescenta ainda uma segunda variante, a capacitação psicológica (intrapessoal, interacional e comportamental). No Animakids as estratégias de capacitação para o alcance das mudanças desejadas (inserção profissional e social) envolvem o indivíduo e a comunidade passando pela motivação e (re)socialização. Nesta sequência o recurso foi concebido enquanto ferramenta empreendedora e potenciadora de oportunidades de educação, de relação e de autonomia.

1.3. Motivação Etimologicamente o termo motivação deriva da palavra latina moveres que significa mover. Remete, assim, para uma direção do comportamento, ou seja uma ação originada por um impulso e orientada para um objetivo. A motivação que portanto conduz à ação pode ter origem intrínseca e/ou extrínseca (Heckhausen e Heckhausen, 2008). Recuperando a questão de Rudolp (2003) "por que o indivíduo se comporta da maneira como ele o faz?", pode-se responder que ele o faz porque tem uma motivação. O objetivo que orienta a ação originada pela motivação pode ser equiparado a uma necessidade sentida pelo indivíduo. Recorrendo assim a Maslow (1955, 1970) o objetivo pode ser a satisfação de necessidades básicas/físicas, ou seja o evitamento de algo indesejável, ou pode reportar-se a necessidades mais elevadas, à necessidade de crescimento e desenvolvimento, à procura de alcançar algo mais desejável, à realização pessoal. Nesta sequência, importa fomentar nos jovens o desejo pela plena inserção social, pela realização pessoal através da formação e/ou inserção profissional e orientar as ações para a (re)socialização. Neste âmbito, a inserção profissional manifesta-se 5


enquanto finalidade e/ou meio para o alcance de uma meta superior, a inserção social, pois promove a adequação do padrão comportamental e relacional às normas socialmente vigentes.

1.4. Empreendedorismo e Educação não-formal No domínio da educação o discurso teórico de referência é decisivo para a forma como se concebe a intervenção educativa. Nesta linha de pensamentos a intervenção no Animakids orienta-se por uma conceção da educação enquanto acontecimento permanente. «Numa perspetival de aprendizagem ao longo da vida, uma educação empreendedora deve envolver os jovens (…) Uma boa prática de ensino é o desenvolvimento de iniciativas que incluam a aprendizagem pela realização - “aprender, fazendo” - onde os jovens enfrentam o mundo real e experienciam atividades empreendedoras» (Redford, 2010: 4). O conceito de educação permanente surge associado ao Movimento da Educação Permanente1 que afirma que uma situação educativa, tanto pode ocorrer em contextos escolares, no âmbito de contextos de educação não-formal, como em situações de carácter informal. A partir da Carta Internacional de Educação para o Lazer da Associação Mundial de Recreação e Lazer, a finalidade básica da educação consiste em «desenvolver os valores e atitudes das pessoas e provê-las com o conhecimento e aptidões que lhes permitirão sentir-se mais seguras e obter mais prazer e satisfação da vida» (Associação Mundial de Recreação e Lazer, 1993, on-line). Esta conceção não só reconhece à educação a importância para o trabalho e a economia, mas considera-a essencial para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento de pessoas equilibradas. Corroborando com Antunes (2010) a experiência e a comunicação passam a ser duas componentes centrais da formação. Dependendo a possibilidade de aprender do envolvimento dos sujeitos nas situações vividas, da diversidade das situações, da capacidade de as integrar (Fernandes, 2004), e não apenas das ofertas das instituições (Illich, 1976), a educação assume-se pela sua dimensão democrática. O manifesto da Educação Permanente pode ser associado ao relatório Faure (1981), publicado com o título “Aprender a Ser”, que em simultâneo defende o conceito e dá início à ideia da cidade educativa. 1

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Neste sentido, a educação não segue a lógica da reprodução, mas da descoberta, da reflexão crítica, da consciência aprofundada e formação emancipadora2 e libertadora que, por sua vez, leva à Acão. Freire (1979), no contexto escolar, denomina-a por pedagogia da conscientização. A partir da conceção apresentada distinguem-se três formas de educação, a educação formal, não-formal e informal. Mantendo-se fiel às práticas dos espaços em que surge o Animakids, este orientase pela educação não-formal. Esta dimensão «representa, para os projetos Escolhas, um âmbito e uma ferramenta educativos indispensáveis à estratégia de inclusão social, de cidadania democrática e de participação plena que se quer promover junto das crianças e jovens» (Teles; Pinto; 2009: 27). A educação não-formal define-se em articulação e complementaridade entre a educação formal e informal. De forma geral a educação não-formal abrange todo um campo de atuação educativa não escolar (englobando instituições, atividades, meios e âmbitos da educação) que, no entanto, tenha sido criado expressamente para satisfazer determinados objetivos educativos, concretamente que tenha por intenção a educação facilitadora de aprendizagens de conhecimentos e competências identificáveis (Morand-Aymond, 1992). Dito de outro modo, é um tipo de educação intencional, com objetivos definidos, porém não circunscrita à escolaridade convencional (Trilla-Bernet, 1992). Canário (1999) relaciona a educação não-formal com: i)

a flexibilidade de horários, programas e locais,

ii)

a participação ativa e voluntária (dos/as jovens na integração das situações educativas) em ambientes não-hierárquicos3; e ainda

iii)

a preocupação (da equipa técnica) em traçar situações educativas e experiências singulares, que sejam mobilizadoras e significativas para os contextos e públicos específicos.

A estes fatores Teles e Pinto (2009) acrescentam: iv)

a centralidade do/a aprendente,

A formação emancipadora é condição para o desenvolvimento local. Analogicamente a um exemplo de Rogers (1977) do âmbito da psicoterapia, também aqui a intenção não é curar as pessoas conforme a normatividade, mas fazer com que sarem. A ideia que está subjacente é o acompanhamento e a ajuda ao longo do próprio desenvolvimento. 3 Acrescento de Teles e Pinto (2009) 2

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v)

a importância das relações de afetividade e proximidade,

vi)

o papel incontornável das atividades lúdico-pedagógicas,

vii)

a predominância da avaliação qualitativa, contínua e participada por todos/as, e ainda

viii)

a proposta educativa assente em valores sociais e humanos que conduzam a processos de transformação pessoal e coletiva.

1.5. O Animakids O Animakids foi criado no âmbito da atividade Empresa de Prestação de Serviços do Animar para Capacitar com o objetivo de promover o empreendedorismo inclusivo e a capacitação como área estratégica de intervenção, facilitando assim a autonomização individual de forma gradual. Pretende despertar e promover as capacidades empreendedoras dos/as jovens para que criem as suas próprias oportunidades e se tornem independentes em termos de emprego e subsistência, tirando grande satisfação pessoal nisso. Em consonância com as afirmações de Teles e Pinto (2009) o Animakids assenta, em valores sociais e princípios promotores da inclusão social e da cidadania democrática (igualdade de oportunidades, coesão social, valorização e respeito das/pelas diferenças, solidariedade e cooperação). A finalidade educativa primária das ofertas e atividades do Animakids é a exposição dos/as jovens a situações significativas que possam conduzir à aprendizagem e motivá-los/as. «A motivação e a valorização das experiências pessoais são instrumentos relevantes do sucesso dos processos de capacitação» (Teles e Pinto, 2009: 96), daí que seja importante refletir sobre as potencialidades da formação experiencial do Animakids, a fim de conferir visibilidade à educação informal e sobretudo não-formal, quando as situações e experiências são pensadas intencionalmente como situações educativas. O Animakids não sugere uma lógica cronológica nem está preso a horários, é flexível, suscetível de adaptação e alteração segundo as exigências e desafios que possam surgir. A adesão por parte dos/as jovens é voluntária. As conversas informais podem ajudar os/as jovens a tomar decisões, revelando-se para isso essencial que os/as jovens participem e estabeleçam interações 8


significativas (Silva, 2004). Neste sentido a participação, cuja importância é salientada ainda por Menezes (2007), Guerra (2002) e Pacheco (2006), de todos/as os/as envolvidos/as, ao longo de todo o processo é uma prioridade. A formação experiencial assume uma importância central, pois esta não só tem impacto a nível cognitivo, como na totalidade da pessoa, a nível do saber, saberfazer e saber-estar (Menger, 2005).

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ÍÍ. Narrativa da Pratica: Passo a Passo O Animakids surgiu na sequência do acolhimento no Animar para Capacitar (Centro Lúdico Municipal de SPC) de duas jovens para a realização de um estágio profissional na área do apoio psicossocial. Ao longo dos cinco meses de intervenção, requeridos para obtenção da certificação profissional, as atividades passaram sobretudo por oficinas de expressão plástica e dramática. Estas atividades tiveram grande impacto junto dos/as destinatários/as e despoletaram nos/as jovens o interesse em experienciá-las no papel de dinamizadores/as. Em simultâneo as mesmas foram ganhando visibilidade no exterior o que originou a solicitação ao Animar para Capacitar para sua integração em diversos eventos socioculturais. Foram por fim o reconhecimento das potencialidades inerentes a essas dinâmicas e a procura da comunidade que fizeram surgir a ideia de criar o Animakids como ferramenta de motivação para o trabalho/empregabilidade em part-time, para a procura de formação e para o desenho de um projeto de vida, concretamente de implementar o Animakids enquanto Empresa de Prestação de Serviços. Partindo então da experiência de estágio para a teorização do Animakids, fundamentou-se a solução de intervenção alternativa na animação de eventos. Após análises consecutivas com os/as jovens interessados/as na disseminação do Animakids e entre equipa, após recomendações proferidas por especialistas da área do empreendedorismo e capacitação, em sessões de avaliação promovidas pelo PE, a versão inicial regista diversas alterações no sentido de conferir ao Animakids uma melhor aplicabilidade noutros contextos. Nesta sequência, a versão final que aqui é apresentada centra-se na formação técnica das três dinâmicas que maior procura apresentaram e que diretamente se associam à animação de eventos: escultura de balões, jogos tradicionais e pinturas de rosto. Não obstante é fundamental iniciar-se a narrativa com as preocupações que estiveram inerentes a todo o processo de implementação. 10


1. Preparação dos/as formadores/as O presente subcapítulo reitera as preocupações transversais a todo o processo de implementação do Animakids. Trata-se de cuidados a ter por parte da equipa técnica e/ou monitores/as em todas as fases de implementação. Esta definiu-se em torno dos quatro pontos centrais supracitados que se encontram intimamente inter-relacionados. 1. 1. Desenvolvimento de competências pessoais e sociais Ao longo de todo o processo de implementação do Animakids, em concreto de acompanhamento dos/as jovens foi impreterível ter-se a consciência plena de que o objetivo final da intervenção é o desenvolvimento de competências (pessoais e sociais) promotoras da capacitação (pessoal e social). Assim sendo, não menosprezando a relevância da aquisição de saberes técnicos, foi essencial ter-se em atenção o saber-ser, o saber-estar e a capacidade de autonomização dos/as jovens. Nesta sequência atribui-se valor acrescentado à forma de relacionamento entre pares, entre os/as jovens e os elementos técnicos e, posteriormente, entre os/as jovens e os potenciais utentes. Enfatizando-se a importância do respeito pelo/a outro/a e pela diferença, teve-se especial atenção à forma de interacção adotada ao longo das sessões e à capacidade de iniciativa, por exemplo no que diz respeito à entreajuda. Para desinibir e promover o sentido de grupo optou-se assim por iniciar cada sessão com dinâmicas de ice-breaking e team-building. 1. 2. Relação efetiva de comunicação e de confiança A própria relação entre os/as formadores/as e os/as formandos/as, baseandose na comunicação igualitária bidirecional e na confiança, tencionou servir de exemplo. Existindo comunicação efetiva e confiança entre equipa técnica e jovens, a base para a expressão e autoafirmação por parte dos/as jovens esteve salvaguardada, uma vez que estes/as não temeram manifestar divergências de pensamento e propor alternativas. A participação dos/as formadores/as nas dinâmicas de ice-breaking e team-building contribuiu em muito para a afirmação dessa relação. 11


1. 3. Centralidade do grupo alvo específico Tendo sido um fator implícito até ao momento, a centralidade do grupo alvo ao longo de todo o processo de implementação foi uma condição indispensável. A presente proposta alternativa de intervenção passou por diferentes grupos alvos distribuídos por duas freguesias. Cada grupo apresentou as suas particularidades (interesses, ambições, disponibilidades …) que importou ter em conta para poder adequar os conteúdos das diferentes sessões e da formação em geral. Em sequência o cronograma para a intervenção foi negociado e as sessões agendadas de acordo com as disponibilidades de cada um/a, frisando-se que existiria flexibilidade para ajustes caso se verificasse a necessidade devido a compromissos imprevistos. Também a estrutura do mesmo se apresentou aberta e suceptível de a qualquer momento integrar sugestões que surgissem por parte dos/as jovens. Nesta conjuntura a metodologia da aprendizagem pela conversa revelou ser um processo de excelência para conhecer o grupo, especificamente cada elemento do grupo, e despertar o interesse na criação das suas próprias oportunidades. As conversas aparentemente informais permitiram a auscultação de interesses e uma orientação mais personalizada em que se fomentou a importância da escolaridade e o valor pelo trabalho para a independência em termos de subsistência. Esta orientação prosseguiu também fora das sessões estipuladas através da análise do perfil dos/as jovens, do levantamento de ofertas formativas (Cursos de Educação e Formação para Jovens, Cursos de Formação Profissional) ou profissionais correspondentes e da motivação para o ingresso nos respetivos cursos, no mercado do trabalho ou para a criação do próprio emprego. 1. 4. Reflexão contínua na e sobre a ação A abertura e a flexibilidade, no entanto, reforçaram a necessidade de reflexão na e sobre a Acão, para que se criasse um distanciamento analítico, se mantivesse presente a finalidade da intervenção e, apesar de todos os ajustes, se seguisse um fio condutor. Posto isto, com base na escuta ativa e na observação, a intervenção foi acompanhada por reflexões contínuas entre formadores/as e também em reuniões de equipa alargada do Animar para Capacitar. 12


Ainda em simultâneo à implementação do Animakids a equipa técnica articulou com outras instituições (parceiras) no sentido de propiciar a integração dos jovens em eventos que conferissem experiências pré-profissionalizantes e/ou de promover ações de formação complementares à formação técnica prevista. A sessão de formação sobre técnicas de emprego/formação é um exemplo que se desenvolveu em articulação com o Gabinete de Inserção Profissional

2. Constituição do Grupo de Formandos/as Tendo-se verificado que o grupo constituinte das diferentes versões do Animakids fora constituído por jovens entre os 14 e 19 anos de idade que tinham tido experiências desmotivantes em contextos de educação formal, foi deveras importante que a adesão ao grupo fosse voluntária. Assim a divulgação do Animakids a este grupo de jovens foi conseguida através das Assembleias de Jovens que ocorriam no Animar para Capacitar semanalmente. Em sequência a constituição do grupo passou pela inscrição e participação voluntária, mas assídua, na formação, sendo o horário das sessões flexível e negociado com o grupo de formandos/as. Antes do início da formação celebrou-se um contrato de compromisso de participação entre formadores/as e formandos/as. O número de elementos dos grupos Animakids foi variando. Como o Animakids não foi uma atividade em exclusivo no Animar para Capacitar e para permitir um acompanhamento individual dos/as jovens, considerou-se que o número adequado equivale a um ratio de quatro formandos/as por formador/a. Deste modo o acompanhamento foi personalizado e o funcionamento regular das restantes atividades não ficou comprometido.

3. Três Módulos de Formação Técnica A formação técnica, como referido acima, incide sobre as três dinâmicas que ao longo das diferentes fases de experimentação e avaliação do Animakids maior impacto nos/as jovens e maior procura na comunidade demonstraram. Dividido em três módulos foram assim apresentadas três práticas de animação de eventos, nomeadamente escultura de balões, jogos tradicionais e pinturas de rosto. 13


3.1. Duração das Sessões A duração de cada sessão foi apontada para hora e meia, mas na prática existiu flexibilidade para ajustes consoante as motivações. Quando se observou grande motivação nos/as jovens, as sessões estenderam-se até duas horas. 3.2. Dinâmicas de Grupo Deu-se início a cada sessão com uma ou duas dinâmicas de grupo. Embora estas estivessem previstas apenas para as primeiras sessões, para quebrar a barreira inicial e criar o sentido de grupo entre os/as jovens, os seus contributos para a motivação e os benefícios a elas associadas no decorrer de cada sessão justificaram o recurso às mesmas em cada sessão. Inicialmente estas foram selecionadas pelos/as formadores/as, consoante as suas características de ice-breaking e promotoras do team-building.

Com o decorrer da formação foram os/as próprios jovens que propuseram e prepararam as dinâmicas, segundo critérios destacados pela equipa formadora. Por vezes as mesmas foram utilizadas para fins de distração a meio ou no final das sessões. 3.3. Estruturação da Dimensão Técnica O ponto central das sessões foi a aprendizagem das dinâmicas supracitadas. Ficou à responsabilidade dos elementos da equipa formadora disponibilizar o guião prático para cada sessão, bem como os materiais necessários. 14


Sequência de sessões Atendendo à impossibilidade de compilar todos os modelos inscritos em cada módulo foram distribuídos documentos/guiões práticos que, passo a passo, expuseram os princípios básicos e 10 modelos exemplificativos das respetivas dinâmicas. Os exemplos serviram de ponto de partida para a definição de dossiers personalizados. Em cada módulo, o dossier resultante da união de todos os documentos visou despertar e contribuir para a promoção de capacidades empreendedoras que auxiliassem a constituição do Animakids enquanto empresa de prestação de serviço no sentido da criação de oportunidades. Teve-se o cuidado de definir a sequência dos (10) guiões práticos referentes a cada módulo consoante o seu grau de complexidade. Posto isto, iniciou-se com a apresentação dos princípios básicos, passando-se seguidamente à experimentação técnica de modelos que foram aumentando no grau de complexidade. Após as primeiras duas sessões de cada módulo, em que foram retratados os princípios básicos, facultou-se em simultâneo o acesso à Internet para que os/as formandos/as a qualquer momento pudessem tomar a iniciativa de pesquisar modelos alternativos e acrescentar novos exemplos ao dossier disponibilizado pela equipa formadora. Sequência de módulos A própria sequência dos módulos foi pensada intencionalmente a partir da intensidade de interação e de contacto físico inerente a cada dinâmica. Nesta lógica começou-se pela escultura de balões, em que a interação basilar é estabelecida entre dois elementos de forma verbal, aquele/a que esculpe o balão e a criança que o receberá.

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Seguiu-se o módulo dos jogos tradicionais que requereu a organização e coordenação de pequenos e médios grupos e que solicitou contacto físico para o desenrolar harmonioso dos diversos jogos.

Por fim, prosseguiu-se com as pinturas de rosto que, não obstante a relação estabelecida entre dois elementos, necessitaram de maior contacto físico, logo exigiram maior cuidado com a higiene pessoal e com o acondicionamento do material.

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3.4. Discussão/Avaliação Para finalizar cada sessão, o grupo juntou-se em círculo e discutiu o desenrolar da mesma. Neste momento valorizou-se a expressão de cada elemento, para se pronunciar sobre a dimensão estética dos resultados, mas sobretudo para se pronunciar sobre as sensações pessoais. Incentivou-se a reflexão sobre a sessão e sobre os seus eventuais contributos a nível pessoal: Sinto-me capaz? Sinto-me mais confiante? Quero aprender mais? O que gosto mais nas sessões? O que gostaria de fazer?

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4. Experiências Pré-profissionalizantes Na sequência da formação relatada no ponto anterior, providenciou-se experiências pré-profissionalizantes nos espaços físicos do Animar para Capacitar, através do envolvimento em atividades de animação do Projeto, bem como noutros espaços do concelho. Estas últimas foram proporcionadas através da integração dos/as jovens em diferentes eventos locais promovidos por entidades parceiras. São exemplos a apontar: Comemoração do Dia Mundial da Criança (organizado pelo Agrupamento Vertical de Jovim e Foz do Sousa)

Comemoração do Dia Mundial da Criança (organizado pela Junta de Freguesia de SPC)

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Feira da Saúde (organizada pela Comissão Social de Freguesia de SPC)

Festa de Final de Ano Letivo (organizada pela Junta de Freguesia de SPC)

o Festival Gasómetro (organizado pela Associação Social Estrelas de Silveirinhos).

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Estas iniciativas de cariz comunitário, ou seja não remuneradas, contaram com o apoio técnico e material do Animar para Capacitar que disponibilizou os materiais necessários e supervisionou as animações. Sempre que oportuno e possível as experiências foram acompanhadas pela aplicação aos/às beneficiários/as de um questionário de satisfação, que fora previamente elaborado com os/as jovens. Estas experiências pré-profissionalizantes apoiaram a divulgação do Animakids pela comunidade.

5. Sessão de Formação sobre técnicas de procura ativa de emprego/formação Concluída a formação prática, promoveu-se, em articulação com o Gabinete de Inserção Profissional da Câmara Municipal de Gondomar, uma sessão de formação sobre técnicas de procura ativa de emprego. Sob forma de debate aberto, abordaram-se questões relacionadas com a inscrição ou regularização da situação no Instituto do Emprego e Formação Profissional e de incentivo à criação do próprio emprego. Nesta formação atribuiu-se principal relevo ao destaque das competências individuais dos/as jovens, aliadas à valorização pessoal dos/as mesmos/as enquanto seres participativos e criativos na sociedade. No final a técnica do Gabinete de Inserção Profissional disponibilizou-se a verificar a situação de inscrição dos/as jovens, sendo que os/as mesmos/as, em contrapartida, se comprometeram, em caso de desativação, a regularizar a mesma. A formação decorreu numa quinta-feira, a comunicação a situação face à inscrição foi comunicada na sexta-feira e já na segunda-feira os/as jovens cuja inscrição não estava ativa ou se limitava a emprego, foram regularizar a mesma e/ou inscreverse para formação.

6. Workshop sobre o marketing pessoal Dando continuidade à formação sobre técnicas de procura ativa de emprego dinamizou-se, no âmbito do Centro de Inclusão Digital, promovido no Animar para Capacitar pelo PE, um workshop sobre o marketing pessoal. Este workshop, que teve a duração de 7horas, centrou-se em aspetos essenciais à própria apresentação 20


dos/as jovens e dos serviços de animação de eventos a prestar. Em concreto fez-se uma introdução a um conjunto de ferramentas para a criação de uma identidade pessoal e corporativa. Para o efeito foram utilizadas as plataformas de criação de blogs Wordpress e Blogger, assim como ferramentas de microblogging como o Twitter. Por acréscimo foi vincada a pertinência duma presença nas redes sociais, no Facebook e no Linkedin, assim como da disseminação do serviço em suporte físico, tais como cartões-de-visita, panfletos e cartazes. Ainda neste âmbito foram apresentadas soluções offline para a criação de um currículo e um portefólio digital, elaborados com recurso às ferramentas do Microsoft Office (Word, Publisher e PowerPoint) assim como software de tratamento e edição de imagem/vídeo (Paint.NET e Windows Live Movie Maker).

Durante o workshop enfatizou-se a importância do impacto da dimensão visual no público, do qual se espera que venha a ser cliente. Assim, a par com a dimensão textual (que importa estar livre de incorreções ortográficas e gramaticais), o olhar dos/as jovens foi direcionado para a mensagem implícita contida nas imagens a divulgar e a necessidade de uma seleção crítica.

7. Autonomização Por fim, efetuou-se o acompanhamento dos/as jovens (individualmente ou pequenos grupos auto-organizados) no processo de autonomização. Este acompanhamento consistiu na revisão e apreciação de projetos dos/as jovens, na sua divulgação, bem como na comunicação de eventos que pudessem integrar os seus serviços. 21


Neste contexto importa referir que, tendo em conta o interesse em autonomização revelado pelos/as jovens, o Gabinete de Inserção Profissional mostrou-se disponível para prestar esclarecimentos e apoios no que a questões com a gestão financeira diz respeito. Para auxiliar a gestão, na primeira sessão o Animar para Capacitar avançou com o material necessário. Deste modo antecipou-se o investimento requerido à iniciação da animação de eventos, já que os/as jovens não possuíam retaguarda para investir. Posto isto a receita auferida reverteu a 100 por cento para os/as jovens. Merecem destaque os seguintes projetos que foram colocados em prática de forma autónoma. Aniversário da Isabel no Jardim-de-Infância A festa de aniversário da Isabel foi planificada e dinamizada por duas jovens de 16 anos de idade. Colocaram em prática pinturas de rosto e esculturas de balões, adaptando ainda ao contexto o jogo “Soltem a Parede”.

Comemoração do Dia Mundial da Criança no Animar para Capacitar A comemoração do Dia Mundial da Criança no Animar para Capacitar em 2012 foi proposta, organizada e dinamizada por um grupo de cinco jovens com idades entre os 14 e os 21 anos de idade. Colocaram em prática pinturas de rosto, esculturas de balões, coordenando ainda um conjunto de jogos de grupo. Para finalizar os dinamizadores convidaram o grupo de dança do Animar para Capacitar e organizaram um lanche. 22


Ingresso no Curso Técnico de Design Em sequência à conclusão da formação Animakids, uma jovem ingressou no curso profissional Técnica de Design, a fim de concluir o 12º ano e obter a certificação profissional na área do design, ampliando assim o seu leque de oportunidades.

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ÍÍÍ. Ínstrumentos/Ferramentas Utilizadas De forma geral recorreu-se a três instrumentos ao longo da formação Animakids. Logo à partida concebeu-se um compromisso de participação a ser assinado por cada jovem e pela equipa formadora. Visto que a adesão à formação foi de cariz voluntária, mas a assiduidade na participação era desejada, para permitir uma continuidade na formação, este revelou ser uma mais-valia, pois gerou em ambas as partes o sentimento de comprometimento. Como ferramenta estruturadora de toda a formação técnica criou-se um dossier, um aglomerado de guiões práticos que foram disponibilizados em cada sessão. Dada a dimensão do mesmo, apresentamos neste documento apenas os dois primeiros capítulos de cada módulo, concretamente os princípios básicos e o primeiro exemplo das respetivas dinâmicas. Por último elaborou-se um questionário de satisfação que, sempre que oportuno e possível, foi aplicado aos/às beneficiários/as das animações. Este já se encontra desdobrado a outras atividades que foram sendo propostas pelos/as jovens e foram integradas nos seus projetos de autonomização.

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Dossier - Escultura de Balões –

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Princípios Basicos A escultura de balões é uma prática que requer alguma agilidade, mas de fácil apreensão. É passível de ser dinamizada junto de grandes grupos, uma vez que apresenta baixos custos a nível de materiais e os diferentes modelos exigem relativamente pouco investimento temporal na sua execução. Kit Básico: 

Bomba Balão

Balões Canudos de várias cores

Técnicas Básicas: Esta prática não requer a aprendizagem de técnicas específicas. É necessário apenas encher o balão, dar o nó e seguidamente torcer consoante a forma que se quiser obter. Exceto indicação contrária, torce-se sempre a partir do nó. Dicas: 

Para encher parcialmente o balão aconselha-se alongar o balão no ponto final desejado. Ao encher sentir-se-á maior pressão nesse ponto, sabendo-se assim quando parar.

A utilização de marcadores de acetato permite o desenho de detalhes que enriquecem as formas e lhes conferem novas expressões.

Balões de outros formatos, como por exemplo em formato de pera, permitem a elaboração de uma maior variedade de formas.

Estão disponíveis exemplos de inúmeras formas na Internet, basta dedicarse um pouco de tempo à pesquisa. Segue uma sugestão de consulta: http://aprendi.net/esculturas-de-baloes/.

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Flor: Materiais necessários: 

Bomba Balão

Dois balões canudos de diferentes cores, por exemplo verde e rosa

Passo a Passo: 1. Encher os balões, deixando aproximadamente três dedos da ponta dos balões por encher.

2. Pegar no balão verde, dobrá-lo e torcê-lo para moldar uma folha.

3. Repetir o procedimento para moldar uma segunda folha. 4. Pegar no balão rosa e atar as extremidades.

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5. Pressionar o balão a meio e torcer, obtendo a forma de “8”.

6. Repetir o mesmo procedimento com ambos os círculos obtidos.

7. Empurrar o ar do balão até à ponta para obter uma bolinha, conforme imagem e enrolar o espaço vazio do talo no centro das pétalas da flor.

Bom trabalho!

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Dossier - Jogos Tradicionais -

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Princípios Basicos Os jogos tradicionais são uma prática que promove o fair-play e team-building, para além de serem muito divertidos. São passíveis de serem dinamizados junto de grandes grupos, uma vez que envolvem em simultâneo vários indivíduos e permitem a divisão por grupos. Apresentam ainda baixos custos a nível de materiais e podem ser improvisados a qualquer momento. Kit Básico: É importante referir que o kit que aqui é apresentado é uma sugestão para que se possa dinamizar alguns jogos quando estes não estão inicialmente previstos.   

Lenço Corda Giz

Nos casos em que a dinamização de jogos tradicionais está prevista é essencial verificar quais os materiais indispensáveis à sua concretização, uma vez que o kit pode estar incompleto. Técnicas Básicas: Esta prática não requer a aprendizagem de técnicas específicas. É necessário conhecer ou promover a definição conjunta de regras a fim de se poder arbitrar/orientar os mesmos de modo imparcial. Dicas: 

Estão disponíveis exemplos de inúmeros e multiculturais jogos tradicionais na Internet, basta dedicar-se um pouco de tempo à pesquisa.

Existem também coletâneas dos mesmos. Segue uma sugestão de consulta: Brincar com Tradição- Jogos tradicionais para crianças de Patrícia Pereira.

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Macaca: Materiais necessários:  

Giz Patela (pedra ou objeto substituto)

Preparação do Jogo: 1. Desenhar a macaca no solo, com o giz ou um objeto pontiagudo. 2. Numerar as casas de um a oito. 3. O espaço em volta da casa número um é a terra, e o espaço número oito é o céu. Regras do Jogo: 1. A primeira criança lança a patela, para a casa “1”. Se a patela tocar no risco ou sair para fora, a criança perde a vez, e jogará a seguinte. 2. Se a patela ficar dentro da casa, a criança terá que fazer o percurso para a apanhar. Esse percurso consiste em saltar ao pé-coxinho de casa em casa, exceto na que tem a patela. Nas casas “3/4” e “6/7”, a criança terá de saltar com os dois pés ao mesmo tempo. Chegando às casas “6/7” salta, rodando no ar, sobre si mesmo caindo nas mesmas casas. Reinicia agora o percurso inverso até chegar à casa anterior, que tem a patela e apanhá-la, equilibrando-se apenas num pé. 3. Se a criança conseguir alcançar de novo a terra, volta a lançar a patela, desta vez para a casa número dois, e realiza novamente o percurso. Se falhar, passa a vez à criança seguinte, e na próxima jogada partirá da casa onde perdeu. 4. Todas as vezes que o percurso for realizado da casa "1" à "8", a criança terá de fazer o percurso novamente, mas agora no sentido inverso, ou seja, do céu até à casa “1”. No entanto, neste percurso inverso, a criança salta apenas até à casa onde está a patela. Por exemplo, se a patela estiver na casa “2”, o/a jogador/a vai até às casas “3/4”, apanha a patela e volta para o céu. 5. Quando estes dois percursos forem completos, a criança saltará ao pécoxinho as casas “1”, “2”, “4”, “5”, “7”, “6”, “5”, “3”, “2” e “1”. 32


(Caso o tempo seja limitado, pode-se passar agora ao ponto 8. É de salientar que quando uma criança perde numa determinada casa, quando voltar a jogar é dessa casa que recomeça.) 6. Posteriormente faz-se o percurso todo caminhando, com a patela em cima do peito do pé. 7. Seguidamente, torna-se a fazer o mesmo percurso, saltando ao pé-coxinho, sem a patela, mas de olhos fechados, perguntando aos colegas: “Queimei?”. Se o jogador pisar a linha, diz-se, “Queimaste”, caso contrário, continua a fazer o percurso, podendo apenas abrir os olhos nas casas seis/sete. 8. Finalmente, terminado este percurso, a criança vai até ao céu e, de costas, atira por três vezes, a patela para a macaca, caso acerte no interior de uma casa, assinala-a com uma cruz, e coloca o seu nome. Caso contrário, cede a vez ao colega. Nas casas que já estiverem assinaladas, só o jogador que lá tiver o nome é que as pode pisar, ou caso tenha a permissão do dono dessa casa. Fim do jogo: O jogo termina quando todas as casas estiverem assinaladas, isto é “está feita a macaca”. Ganha o/a jogador/a que possuir mais casas, ou seja, mais macacas.

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Dossier - Pinturas de Rosto –

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Princípios Basicos As pinturas de rosto são uma prática que requer alguma agilidade e treino. É passível de ser dinamizada junto de pequenos e grandes grupos, sendo para isso conveniente adequar a dimensão das pinturas à duração do evento e ao número estipulado de utentes. As pinturas de rosto requerem um considerável investimento inicial. No entanto esse investimento rentabiliza-se, uma vez que permite a pintura de muitos rostos. Esta prática exige ainda cuidados adicionais ao nível da higiene pessoal e acondicionamento dos materiais, pois os produtos são aplicados diretamente sobre a pele das crianças. Kit Básico:      

Cores apropriadas (três cores básicas, preto e branco) Pinceis/Esponja Recipiente para água Toalhetes Purpurinas (opcional) Espelho

Técnicas Básicas: Esta prática não requer a aprendizagem de técnicas específicas, no entanto pode ser enriquecida com a transposição de conhecimentos na área do desenho. Para ampliar o leque de tonalidades disponíveis, é deveras útil conhecer-se a roda das cores. Dicas: 

Fazer o esboço a branco orienta a pintura a cores e facilmente permite correções.

Iniciar o desenho pelo lado oposto à mão que utiliza para desenhar contribui para uma maior simetria do motivo.

Aplicar purpurinas ou desenhar pequenos ornamentos enriquece o desenho. 35


Coraçao: Materiais necessários:      

Cores apropriadas Pincel Recipiente para água Toalhetes Purpurinas (opcional) Espelho

Passo a Passo: 1. Esboçar a branco o coração.

1

2. Preencher o esboço a vermelho.

3. Traçar como pormenor o reflexo do coração a branco e aplicar purpurinas

4. Limpar devidamente o material utilizado. Bom trabalho! 36


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ÍV. Avaliaçao O produto Animakids foi continuamente testado nas suas aplicações o que originou as sucessivas alterações, culminando na versão apresentada. A avaliação foi efetuada em diferentes momentos e contextos, nomeadamente: 

No final de cada sessão entre formandos/as e equipa formadora,

No final das animações de evento, através da aplicação dos questionários de satisfação,

Em Assembleias de Jovens,

Em Reuniões de Equipa,

Em Reuniões em articulação com as entidades parceiras do Animar para Capacitar,

Em sessões de avaliação promovidas pelo PE, e

Em atendimentos com familiares dos/as jovens.

O balanço final é positivo. Mais-valias Como mais-valias destacam-se nos/as jovens: 

Maior manifestação de curiosidade perante a novidade e o desconhecido;

Aumento da capacidade de concentração e escuta;

Maior adequação de comportamentos na interação com a equipa formadora e no grupo de pares;

Aumento do sentido de responsabilidade e de cumprimento dos compromissos assumidos;

Definição de objetivos a médio e longo prazo e maior capacidade de concretização;

Motivação para a continuação ou reingresso no sistema de ensino (profissional);

Maior motivação para a procura ativa de emprego e de ocasiões de oportunidade;

Maior iniciativa de procura de informação e de apoios; 38


Melhoria ao nível da comunicação verbal;

Melhor capacidade para lidar com situações frustrantes; e, last but not least,

Maior valorização pessoal.

Dificuldades Por outro lado a equipa formadora sentiu algumas dificuldades ao longo da implementação do Animakids. Estas prendem-se à particularidade de o Animakids ter sido implementado num contexto lúdico e orientar-se maioritariamente pelos parâmetros da educação não-formal, requerendo assim uma grande abertura e flexibilidade por parte da equipa técnica. Embora a intervenção seguisse uma estrutura comum a todos os elementos, a valorização do individual prevaleceu durante todo o processo. Posto isto, a importância atribuída à expressão das ambições e dos interesses de cada um, bem como à prossecução do alcance dos objetivos próprios, acarretou para a equipa formadora a necessidade de maior determinação no que à disponibilidade para os/as jovens, a pesquisas adicionais e articulações interinstitucionais dizem respeito. Estes fatores que transcenderam a formação propriamente dita foram os que mais contribuíram para os resultados supracitados.

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V. Consideraçoes Finais Em jeito de conclusão apresentam-se algumas considerações finais para quem tenha ficado aliciado pelo Animakids e queira aplicar esta estratégia de intervenção junto de uma população jovem. Ao longo de todas as implementações do Animakids e independentemente se se tratou da primeira ou da mais recente versão, pode-se afirmar que entre todos os critérios expostos a relação efetiva de comunicação e de confiança foi o mais frutífero. Para que a intervenção tenha sucesso o primeiro passo a dar é confiar-se nos/as jovens, vendo-os/as como pessoas pensadoras, participativas e sobretudo capazes. Assim sendo o grupo alvo quase instintivamente passará a estar no centro da intervenção. Não obstante é imperativo que, enquanto formador/a se crie um distanciamento analítico através da reflexão continua na e sobre a ação para que o objetivo primeiro não seja relegado. O objetivo é desenvolver competências pessoais e sociais e promover o empreendedorismo inclusivo e a capacitação, facilitando a autonomização individual de forma gradual. O acesso às ofertas formativas e de emprego e a possibilidade de encaminhamento representam oportunidades imediatas que convém fomentar nos/as jovens enquanto passo indispensável para a realização pessoal. Neste âmbito a articulação com outras instituições (parceiras) foi essencial. Por um lado conduziu a informação valiosa e ampliou o leque de oportunidades préprofissionalizantes a proporcionar aos/às jovens através da integração dos seus serviços em eventos, por outro lado potenciou a complementação da formação através da dinamização de ações de formação e sensibilização adicionais. Destacam-se aqui as entidades parceiras do Animar para Capacitar e o Gabinete de Inserção Profissional. Embora se considere que os módulos selecionados sirvam à motivação dos/as jovens, aconselha-se que estes sejam refletidos consoante o grupo específico. Poderão ser substituídos em conformidade com os interesses dos/as jovens e de acordo com a maior procura na comunidade. Primordial é ouvir-se os/as jovens, os seus interesses e ambições para os cativar e estimular a sua participação. Apesar 40


de poder significar a extensão do tempo de preparação das sessões, o ideal seria envolve-los/as em todas as fases da intervenção. Sugestões O Animar para Capacitar já desenvolveu, noutras ocasiões, workshops de sensibilização sobre a higiene e a imagem pessoal que seria pertinente dinamizar enquanto sessão complementar. É ainda opinião da equipa formadora, que uma intervenção estruturada paralela com as famílias poderia aumentar o impacto do Animakids junto dos/as jovens, uma vez que desempenharia a função de catalisador que teria continuidade e seria reforçado nos seus contextos íntimos.

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Referencias Bibliograficas Antunes, C. (2010). Passar a Bola para a Capacitação “Desformalizando” o formal: Educação, lazer e Acão social, os contextos de educação não-formal como dispositivos de capacitação para o empowerment pessoal e social. Porto: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Canário, R. (1999). Educação de adultos: Um campo e uma problemática. Lisboa: Educa – Formação. Faure, E. (1981). Aprender a Ser. Lisboa: Bertrand. Fernandes, R. E. T. (2004). Escola e Influência Educativa: O estatuto dos discursos didáticos inovadores no 1º Ciclo do Ensino Básico, em Portugal. Porto: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Freire, P. (1979). Educação como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Guerra, M. Á. S. (2002). Os Desafios da Participação: Desenvolver a democracia na escola. Porto: Porto Editora. Heckhausen, J. & Heckhausen, H. (2008). Motivation and action. Cambridge: University Press. Illicj, I. (1976). A Convivencionalidade. Lisboa: Publicações Europa-América. Maslow, A. H. (1955). Deficiency motivation and growth motivation. In M. R. Jones (ED.), Nebraska Symposium on Motivation. Lincoln: University of Nebraska. Maslow, A. H. (1970). Motivation and personality, (Rev. ed.). New York: Harper & Row. Menezes, I. (2007). Intervenção Comunitária: Uma perspectiva psicológica. Porto: Livpsic. Menger, P.-M. (2005). O Retrato do Artista enquanto Trabalhador: Metamorfoses do capitalismo. Lisboa: Roma Editora. Morand-Aymond, B. (1992). Identification des Compétences non techniques: Une enquête neuchâteloise. Genève: Faculté de Psychologie et des Sciences de l’éducation - Université de Genève. Pacheco, R. T. B. (2006). A Escola Pública e o Lazer: Impasses e perspectivas. In V. Padilha (ORG.) Dialéctica do Lazer (pp. 173-212). São Paulo: Cortez Editora. Redford, D. T. (2010). Ensiná-los a pescar: Educação e Formação em Empreendedorismo para a Inclusão Social. Im Paulo Osswald, D. Redford, M. Negrão & L. Veríssimo, Uma Escolha de Futuro: Empreendedorismo e Capacitação dos Jovens (pp. 4-5). Porto: Programa Escolhas, 4ª Geração: Uma escolha com futuro [Manual para os Técnicos. Versão Piloto]. Rogers, C. R. (1977). Tornar-se Pessoa. Lisboa: Moraes Editores. Rudolph, U. (2003). Motivationspsychologie. Weinheim: Beltz. 42


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Trilla Bernet, J. (1992). La Educación no formal: definición, conceptos básicos y ámbitos de aplicación. Barcelona: CEAC.

Documentos Consultados Associação Mundial de Recreação e Lazer (1983). Carta Internacional de Educação para o Lazer. Seminário Internacional da WLRA de Educação para o Lazer, Jerusalém – Israel [On-line], http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_exibe1.asp?cod_no ticia=195, 26/05/2010.

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