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360  |  Iatrogenias, Manifestações Oculares de Doenças Sistêmicas e ... etiológica do tumor for de adenocarcinoma sebáceo, o espécime deve ser encaminhado para o patologista a fresco, com orientação quanto à possível etiologia do tumor, para que se possa usar colorações especiais para lipídeos. Nas suspeitas de adenocarcinoma sebáceo, devemos lembrar que essa neoplasia pode crescer de maneira horizontal sobre a conjuntiva e que a biópsia da conjuntiva com crioterapia a posteriori pode ser necessária. Uma biópsia dita excisional, ou seja, na qual o tumor é totalmente retirado no procedimento primário antes da identificação histológica do tumor, se justifica quando: 1. As características clínicas do tumor são inconfundíveis. 2. A lesão não envolve a margem palpebral e canalículos, nem o canto interno ou externo. Na biópsia excisional, as bordas superior, inferior, lateral e medial devem ser identificadas para permitir o acompanhamento posterior, caso a lesão não seja totalmente retirada. O ideal, portanto, é sempre fazer a excisão completa do tumor com monitoramento durante o ato da biópsia pelo método de congelação, ou pela técnica micrográfica de Mohs. Nesses casos, o patologista identifica qualquer resquício do tumor e a sua localização, conferindo um prognóstico muito melhor para o procedimento e ao paciente. As ressecções lamelares em que a margem palpebral é poupada devem ser realizadas de maneira que o maior comprimento do defeito tenha sua orientação no sentido vertical, de modo a diminuir o risco de retração da margem palpebral no pós-operatório. Para concluir, a cirurgia é o tratamento de eleição para a maioria das neoplasias malignas das pálpebras por proporcionar o melhor resultado estético-funcional e de controle da doença quando comparado com outros tipos de tratamento. Os tumores mais comuns, como carcinomas basocelulares, espinocelulares, adenocarcinomas sebáceos e melanomas, são tratados primordialmente por remoção cirúrgica total. Alguns tumores malignos mais raros, como linfomas e sarcoma de Kaposi, quando não são de fácil remoção, podem ser tratados com radioterapia ou quimioterapia. Nos melanomas profundos é importante pesquisar o linfonodo sentinela, através de biópsia, para evidenciar a possibilidade de metástase.

PRINCÍPIOS DA RECONSTRUÇÃO PALPEBRAL Uma vez que a neoplasia foi retirada por completo, haverá um defeito maior ou menor da pálpebra que deverá ser corrigido por um procedimento cirúrgico conhecido como reconstrução palpebral. Os defeitos palpebrais, ou seja, falhas de todas as estruturas da pálpebra e da margem palpebral são classificadas de acordo com a extensão desse defeito da pálpebra. Lesões que apresentam até um terço (30%) de comprimento da pálpebra no sentido horizontal são ditas como pequenas e, na maioria das vezes, podem ser reconstruídas por fechamento direto sem a necessidade de acréscimo de tecido (Fig. 2). O acréscimo de tecido para a reconstrução da pálpebra, superior ou inferior, se faz por meio de enxertos (tecidos sem vascularização) e retalhos (com vascularização própria) de tecidos vizinhos como a pálpebra adjacente, pele da glabela ou da face. Os enxertos podem ser de cartilagem ou tarso para a lamela posterior, e de pele palpebral ou retroauricular para substituir a lamela anterior. Os enxertos e retalhos são empregados para reconstruir defeitos palpebrais médios (de 30 a 60% do comprimento palpe-

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