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343  |  Iatrogenias, Manifestações Oculares de Doenças Sistêmicas e ... Nevo de conjuntiva A maioria dos nevos não apresentam transformação maligna, e a excisão cirúrgica é indicada apenas por razões estéticas ou quando há irritação frequente destes. Uma rara indicação cirúrgica é quando o nevo apresenta sinais de malignização na vida adulta: aumento de tamanho, mudança de cor e prurido.

Melanose primária adquirida O tratamento de escolha é cirúrgico. Em casos de lesão multicêntrica, deve-se acompanhar a evolução da lesão a cada 6 meses; em caso de crescimento, aumento da espessura e mudança de cor, deve-se retirar cirurgicamente a lesão, e o emprego de crioterapia também é indicado. É de extrema importância que a peça cirúrgica seja enviada a um patologista e o exame anatomopatológico seja feito, pois, observando-se a presença de atipia na porção mais profunda do epitélio conjuntival, isto mostra que a lesão estava iniciando seu processo de malignização e, se surgirem outras lesões, estas devem ser acompanhadas com maior frequência ou ser cirurgicamente retiradas.

Melanoma maligno Existe grande controvérsia no tratamento do melanoma da conjuntiva. Existem opiniões que vão desde o mais radical, como tendo como primeira escolha a exenteração, até braquiterapia, irradiação com feixes de prótons, exérese local da lesão, ou ainda combinação de exérese da lesão mais radioterapia. Nos últimos anos, vem-se dando preferência à biópsia excisional combinada a crioterapia, já que, por meio de estudos histológicos e observações clínicas, demostra-se que crioterapia com temperaturas abaixo de –20°C é efetiva. A excisão da lesão deve conter margens cirúrgicas de 3 a 4 mm de conjuntiva sã ao redor da neoplasia. É muito importante que a técnica usada para a retirada da lesão seja adequada; não deve haver contato com a lesão, devendo-se tocar apenas nos tecidos adjacentes ao tumor, e a peça cirúrgica deve ser removida em bloco. Isso impede a semeadura de células tumorais nos tecidos sadios adjacentes. Se houver suspeita ou infiltração da esclera e/ou córnea comprovada, deve-se fazer uma corneoesclerectomia lamelar parcial. A exenteração deve ser feita apenas em casos em que o tumor é muito extenso, irressecável, com extensas áreas de conjuntiva, pálpebras e órbita envolvidas. Nesses casos, não há comprovação de aumento de sobrevida do paciente.

Exame anatomopatológico É muito importante lembrar que toda vez que uma lesão tumoral for biopsiada, seja ela maligna ou benigna, deve-se enviar o material para exame anatomopatológico. Esse material deve ser colocado em um pedaço de papel, orientado em relação a sua posição, aguardar alguns minutos até que fique aderido ao papel, daí então deve ser fixado em formol a 10%. O volume de formol deve ser pelo menos 5 vezes maior que o das peças cirúrgicas, e o recipiente deve ter boca larga, pois, quando o material for retirado de dentro do recipiente, não deve sofrer nenhum dano.

Iatrogenias  
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