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Virgínia Laura Lucas Torres

C a p í t u l o  28

Diagnóstico e Exames Complementares no Retinoblastoma

Diagnóstico História familiar é encontrada em uma minoria de casos no retinoblastoma (cerca de 10%). Os demais são casos novos esporádicos, sendo os dados de anamnese e sinais clínicos fatores importantes a serem considerados diante da possibilidade diagnóstica. No histórico da criança com retinoblastoma, usualmente não se encontram anormalidades referentes à gestação, parto ou oftalmológicas ao nascimento. A anamnese deve incluir a presença de infecções pré-natais, prematuridade, oxigenoterapia, trauma e história de contato da criança com animais, principalmente filhotes de cães. Esses dados são de auxílio para afastar os principais diagnósticos diferenciais do retinoblastoma, como a retinopatia da prematuridade, catarata congênita (persistência do vítreo primário hiperplásico) e toxocaríase. O sinal clínico mais comum é a leucocoria, frequentemente relatada pelos familiares. O estrabismo é a segunda manifestação mais frequente e está relacionado às lesões de localização macular. Na avaliação oftalmológica, a ectoscopia periocular e do segmento anterior geralmente são normais, exceto nos casos avançados, que podem demonstrar sinais inflamatórios, sinais de atrofia bulbar, glaucoma, neovasos de íris, pseudo-hipópio, hemorragia vítrea ou massa orbitária. O diagnóstico do retinoblastoma é essencialmente clínico, baseado nas suas características oftalmoscópicas, que são variáveis de acordo com o estágio da doença, número e localização das lesões. Nos estágios iniciais, geralmente não diagnosticados, a lesão apresenta-se como uma pequena elevação translúcida da retina, avascular, podendo ou não conter cálcio (Fig. 1). Nos estágios moderadamente avançados, encontra-se uma massa retiniana esbranquiçada ou rósea, contendo cálcio, com vascularização intrínseca e/ou vasos retinianos “nutridores”. São descritos três padrões de crescimento:

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Iatrogenias  
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