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222  |  Iatrogenias, Manifestações Oculares de Doenças Sistêmicas e ... deve ser evitada em pacientes com alterações predisponentes da retina periférica. São conhecidos o efeito cataratogênico e a associação com cistos de íris dessa classe de fármacos. A pilocarpina é contraindicada nos casos de glaucoma neovascular, uveíte hipertensiva e glaucoma uveítico. Também é contraindicada em pacientes com doença pulmonar grave e deve ser evitada no glaucoma do desenvolvimento.

Inibidores da anidrase carbônica Os inibidores da anidrase carbônica podem ser utilizados na forma sistêmica oral (acetazolamida) ou tópica (dorzolamida e brinzolamida). A acetazolamida pode provocar parestesia, hipocalemia, acidose metabólica, litíase renal, diarreia, perda de peso, letargia e depressão mental grave. Em raros casos, pode levar a discrasia sanguínea, como anemia plástica, agranulocitose e trombocitopenia. Deve ser evitada em pacientes com alergia à sulfonamida, devido à reação cruzada. Deve ser ainda evitada em pacientes com insuficiência hepática, renal, adrenocortical e em portadores de distúrbios hidroeletrolíticos. Em termos de alterações oculares, a acetazolamida está associada à miopia transitória. Os inibidores da anidrase carbônica de uso tópico raramente apresentam efeitos colaterais sistêmicos importantes. É frequente o relato de sensação de gosto amargo após a instalação; edema de córnea em pacientes suscetíveis que apresentam alguma disfunção endotelial descrito.

Análogos de prostaglandina Latanoprosta, travoprosta e bimatoprosta são os fármacos dessa classe disponíveis atualmente no país. A bimatoprosta é uma prostamida, porém apresenta efeito parecido aos dos análogos de prostaglandina. Os análogos de prostaglandina raramente estão associados aos efeitos colaterais sistêmicos. Em termos oculares, as complicações mais importantes são o aumento da pigmentação periocular e da íris (mais evidente em íris claras), bem como alterações dos cílios (hipertricose e aumento da pigmentação). Os efeitos colaterais oculares promovidos pelos análogos de prostaglandina podem ser de intensidade suficiente, que necessite a suspensão de seu uso. O uso de análogo de prostaglandina está associado à recidiva de herpes simples ocular, sendo, portanto, contraindicada a sua utilização nessa situação. Os análogos de prostaglandina também são evitados em situações nas quais exista inflamação residual ocular, como no caso dos glaucomas uveítico e neovascular, assim como nos pacientes com risco maior para desenvolvimento de edema macular cistoide. De uma forma geral, a latanoprosta apresenta menos efeitos colaterais que a bimatoprosta.

Iatrogenias  
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