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218  |  Iatrogenias, Manifestações Oculares de Doenças Sistêmicas e ... A fim de evitar ocorrência de iatrogenia durante a cirurgia, deve-se escolher o local com maior preservação anatômica para a incisão (se lesão corneana, no meridiano de maior curvatura) e utilizar coesivo com alta viscosidade (aumento da midríase facilita o rompimento de sinequias, diminui mobilização do vítreo para a câmara anterior nos casos de ruptura de cápsula posterior). Para a escolha da lente intraocular, utilizar o modo afácico na biometria para os casos de luxação ou cristalino em reabsorção; nos casos com lesão corneana, utilizar a biometria do olho contralateral.

Corpo estranho intraocular A presença de corpo estranho intraocular deve ser sempre investigada. A suspeita de corpo estranho metálico pode ser confirmada através da radiografia simples nas incidências de Caldwell ou Waters. Contudo, um resultado negativo deve sempre ser interpretado com cautela. A tomografia computadorizada é capaz de detectar corpos estranhos maiores do que 0,06 mm com sensibilidade de 100%. A ressonância nuclear magnética está contraindicada na suspeita de corpo estranho metálico, pois a movimentação intraocular do corpo estranho pode provocar maior lesão às estruturas oculares. Sempre que possível, a remoção do corpo estranho deve ser realizada no primeiro ato cirúrgico, pelo risco de complicações (toxicidade e endoftalmite).

Queimadura Nos casos de queimadura química, o pronto atendimento inicial é fundamental para um melhor prognóstico, visto que o tempo de exposição da superfície ocular ao agente químico é diretamente proporcional ao risco de ocorrência de lesões graves. A irrigação copiosa com solução salina balanceada por pelo menos 30 minutos, ou até que o pH do fundo de saco conjuntival atinja um valor próximo a 7,0, deve ser realizada em todos os casos, mesmo antes de testar a visão (a menos que se suspeite de rotura do globo ocular). Nunca usar soluções ácidas para neutralizar álcalis na irrigação ou vice-versa, pois as reações acidobásicas podem gerar produtos nocivos. Após a irrigação abundante, deve-se sempre examinar cuidadosamente as pálpebras (eversão dupla), fórnices e conjuntiva para identificação e retirada de resíduos e diminuir a formação de aderências. Os corticosteroides tópicos são indicados e devem ser usados com cautela, nos primeiros 7 a 10 dias após o trauma, para diminuir a reação inflamatória. Após esse período, sua utilização aumenta o risco de ulceração e perfuração (nos casos de uso necessário, recomenda-se medroxiprogesterona a 1%). O uso de ácido ascórbico (dose recomendada 2 g/dia) fica restrito aos pacientes com boa função renal, devido à potencial toxicidade renal. Em alguns casos de queimadura, há aumento da pressão intraocular de difícil controle apenas com o uso de medicamentos tópicos. Nesses casos, pode-se administrar acetazolamida oral, com cautela (ver Hifema).

Iatrogenias  
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