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217  |  Iatrogenias, Manifestações Oculares de Doenças Sistêmicas e ... Hifema O tratamento do hifema é controverso. São preconizados repouso, aumento de ingesta hídrica, decúbito a 30º, cicloplégico, corticosteroides tópicos e betabloqueador (nos casos de aumento da pressão intraocular). Alfa-agonistas tópicos, como, por exemplo, a brimonidina, podem afetar a vasculatura da íris; os mióticos e as prostaglandinas também devem ser evitados, pois podem promover a inflamação. Deve ser evitado também o uso sistêmico de antiinflamatórios não hormonais ou de ácido acetilsalicílico. É importante destacar que, em crianças, deve-se ter particular cuidado com o uso de corticosteroides, pelo risco de elevações bruscas de pressão intraocular e de desenvolvimento de catarata. A existência de doença falciforme ou traço falcêmico deve ser pesquisada, pois sua positividade vai influenciar o momento de indicação de possível procedimento cirúrgico além de limitar a escolha de medicamentos. Nos casos que cursam com aumento da pressão intraocular. Assim, a dorzolamida e a brinzolamida tópicas devem ser utilizadas com extremo cuidado, pois podem reduzir o pH do humor aquoso, induzindo o aumento da falcização das hemácias (o que pode ser mais um fator de risco para obstrução do trabeculado, com consequente aumento da pressão); diuréticos sistêmicos também devem ser evitados pelo risco de promoção da falcização por acidose sistêmica e contração de volume. Para os pacientes com pressão intraocular elevada, a despeito do uso de hipotensores tópicos, e sem doença ou traço falciforme, inibidores da anidrase carbônica (como a acetazolamida) e/ou manitol (hiperosmótico, diurético) podem ser utilizados com cautela. Os eletrólitos, em especial o potássio, devem ser monitorados nos pacientes em uso dessas medicações. Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência renal, hepatopatias, alterações do balanço hidroeletrolítico ou alergia a sulfa não devem utilizar esses medicamentos. Durante o acompanhamento clínico dos pacientes com hifema, o nível ocupado por sangue da câmara anterior deve ser cuidadosamente medido (altura em milímetros) e documentado em prontuário para pronta identificação de ressangramento e seu tratamento. Avaliação retiniana sob dilatação deve ser realizada sem depressão escleral. Ultrassom e gonioscopia também devem ser evitados (ou muito cuidadosamente realizados), nos casos de hifema dentro dos primeiros sete dias após o trauma, pelo risco de ressangramento. A abordagem cirúrgica do hifema (lavagem da câmara anterior) deve ser evitada dentro dos primeiros sete dias após o trauma pelo risco de ressangramento (período de integridade máxima do coágulo), salvo os casos com indicação precisa (pressão intraocular > 24 mmHg por mais de 24 horas em pacientes com doença ou traço falciforme; pressão intraocular > 60 mmHg por mais de 48 horas apesar de terapia clínica máxima ou pressão intraocular > 25 mmHg em pacientes com hifema total por mais de 5 dias).

Trauma do cristalino A indicação de realização de reparo cirúrgico no primeiro tempo (sutura de lacerações) ou em um segundo momento é controversa. Contudo, no momento de sua realização, o cirurgião deve estar preparado para possíveis complicações intraoperatórias (expansor intracapsular, retratores de íris, Azul Tripan etc.).

Iatrogenias  
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