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123  |  Iatrogenias, Manifestações Oculares de Doenças Sistêmicas e ... Complicações Palpebrais As complicações palpebrais estão relacionadas a problemas técnicos na consecução do acesso escolhido pelo cirurgião. Cicatrizes são consequências inevitáveis de qualquer incisão. No caso da cirurgia orbitária, deve-se, sempre que possível, evitar as incisões que não respeitem as linhas de força da face e, por conseguinte, deixam cicatrizes evidentes (Fig. 1). As antigas abordagens de Krönlein (parede lateral), Lynch (parede medial), transpalpebral inferior e superciliares deveriam ser abandonadas, pois podem ser substituídas por outras mais cosméticas e que oferecem o mesmo grau de exposição. É o caso da incisão cantal lateral direta (swing eyelid flap), das abordagens transconjuntivais, da via sulcopalpebral superior ou das infraciliares. O ectrópio e a retração palpebral inferior são frequentes nas abordagens anteriores, especialmente no reparo de fraturas. A maioria dos cirurgiões bucomaxilo e craniofaciais aprende a operar o rebordo inferior e o assoalho por via infraciliar. Em pacientes traumatizados, as relações anatômicas entre o septo, retratores palpebrais e músculo orbicular estão distorcidas, de modo que o emprego da via anterior frequentemente viola esses planos anatômicos, que são críticos para o posicionamento da margem palpebral (Fig. 2). O emprego combinado de cantólise e acesso transconjuntival minimiza sobremaneira a incidência de complicações de posicionamento palpebral nas cirurgias orbitárias inferiores. Apesar de a via transconjuntival ser mais simples e menos propensa a gerar ectrópio e retração, ela não é isenta de problemas. Cirurgiões neófitos podem seccionar toda a pálpebra durante o acesso transconjuntival. Cistos e granulomas aparecem em casos esporádicos. Entrópio cicatricial e retração podem ocorrer quando o cirurgião manipula os retratores de maneira inadequada e provoca adesão entre a fáscia capsulopalpebral e o músculo orbicular (Fig. 3).

Fig. 1  Cicatriz importante secundária à ressecção de lesão venolinfática orbitopalpebral na infância. Nota-se o contorno alterado da pálpebra superior direita com ptose medial.

Fig. 2 Retração palpebral cicatricial pós-reparo de fratura por via anterior.

Fig. 3  Entrópio medial da pálpebra inferior do olho esquerdo secundário a acesso transconjuntival para descompressão orbitária. A cicatriz do sulco superior do mesmo olho também não está adequada.

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