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105  |  Iatrogenias, Manifestações Oculares de Doenças Sistêmicas e ... A BTX-A é contraindicada em indivíduos com hipersensibilidade conhecida a qualquer um dos componentes da fórmula, pacientes com distúrbios de transmissão neuromuscular (miastenia grave e síndrome de Lambert-Eaton), gestantes e lactentes. Com o uso bastante difundido da BTX-A, as complicações podem ser frequentes, por isso é importante saber reconhecê-las e tratá-las. Deve-se conhecer plenamente a anatomia funcional da mímica facial para que as aplicações sejam feitas com maior precisão e com a menor dose eficaz em cada ponto. Lembrar que a toxina botulínica apresenta difusão com efeito clínico estabelecido até 1 ou 2 cm, podendo chegar até 3 cm do ponto de aplicação. A seleção dos pacientes é essencial na obtenção de resultados previsíveis e deve-se alertar aqueles que se utilizam da expressão facial profissionalmente (p. ex., atores) sobre uma potencial redução na expressão facial. Nas aplicações estéticas, deve-se ter muito cuidado em relação a possíveis reações adversas, pois o paciente busca melhora da sua aparência e qualquer efeito colateral será indesejável. As complicações decorrentes da aplicação da toxina são dose-dependentes e reversíveis. Reações locais de curta duração no local da injeção incluem dor localizada, edema, eritema, equimose, cefaleia e hipoestesia. Estas costumam ser leves e transitórias. Equimose é mais comum em pacientes que tomam ácido acetilsalicílico, warfarina, vitamina E, anti-inflamatórios não hormonais e gingko biloba. Recomendamos que esses fármacos sejam interrompidos sete dias antes do tratamento. Complicações anatômicas e funcionais relacionadas ao enfraquecimento excessivo dos músculos tratados ou dos músculos adjacentes ao local de aplicação incluem ptose da pálpebra superior, diplopia, ectrópio, lagoftalmo, queda do supercílio, elevação excessiva da cauda do supercílio, piora da bolsa de gordura da região da pálpebra inferior, acentuação das rugas, ptose do lábio superior, dificuldade para a movimentação dos lábios e assimetria facial. Efeitos sistêmicos associados ao tratamento com BTX-A são mínimos. No entanto, podem ocorrer sintomas semelhantes aos da gripe, rash cutâneo, náuseas, fadiga, mal-estar, xerostomia, provavelmente decorrentes de difusão de pequena quantidade de toxina para a circulação sanguínea. Blefaroespasmo essencial (BE) é uma distonia focal idiopática caracterizada por fechamento involuntário, espasmódico e bilateral das pálpebras. O espasmo hemifacial (EH) caracteriza-se por contrações tônicas e clônicas, paroxísticas e involuntárias do sistema muscular inervado pelo sétimo nervo craniano. No início, acomete a região periorbital e, progressivamente, passa a acometer os músculos da face (corrugador, frontal, zigomático maior e menor, orbicular oris e platisma). Os espasmos persistem durante o sono, diferente do que ocorre no blefaroespasmo essencial. A BTX-A é o tratamento de escolha para ambas as doenças. As injeções são aplicadas por via subcutânea. Geralmente, a BTX-A é aplicada em vários pontos nas pálpebras superiores, inferiores e região superciliar. O efeito dura cerca de três meses em 90% dos casos. Os efeitos colaterais observados após a aplicação da toxina são transitórios, podendo ocorrer olho seco, ptose palpebral, lagoftalmo, diplopia, entrópio ou ectrópio. A paresia do músculo orbicular após aplicação da toxina geralmente leva a diminuição da amplitude do piscar, decréscimo na velocidade do movimento de fechamento palpebral e dificuldade de oclusão das pálpebras. Essas alterações podem resultar em ceratite de exposição com sintomas de olho seco, que são tratados com uso de lubrificantes oculares. Também pode ocorrer hipossecreção lacrimal pela difusão da toxina para a glândula lacrimal.

Iatrogenias  
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