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Fig. 9  Ectrópio grave pós-blefaroplastia.

A identificação, na avaliação pré-operatória, dos pacientes com risco de desenvolver esse problema é muito importante. Os fatores predisponentes incluem proptose, miopia elevada, hipoplasia da eminência malar, oftalmopatia tiroideana e flacidez horizontal da pálpebra inferior. A verificação do tônus da pálpebra inferior para o diagnóstico de flacidez é muito fácil e deve ser feita em todos os pacientes. Por meio da retração das pálpebras inferiores com os dedos indicadores, deve-se observar a velocidade com que a pálpebra volta à sua posição normal (quanto mais rápido melhor), e a distância da retração não deverá ultrapassar 7 a 8 mm. Nos casos leves, o tratamento deve ser conservador, incluindo sutura temporária de Frost, massagem lateral e/ou uso de curativo com fita adesiva no sentido vertical-lateral para dar suporte à pálpebra inferior. O tempo para intervir cirurgicamente no mau posicionamento da pálpebra inferior é fundamental. Nas primeiras duas semanas, pode ser utilizada a sutura de Frost, tarsorrafia temporária ou cantopexia revisional. No período entre 4 e 6 semanas, deve-se evitar a intervenção cirúrgica. A cirurgia revisional deve ser realizada após esse período, podendo ser realizada cantopexia e/ou cantoplastia (sendo que todas as técnicas corrigem a flacidez tarsoligamentar), elevação do terço médio da face e uso de expansor de lamela.

Estrabismo e alteração da motilidade dos músculos extraoculares A diplopia é uma rara porém grave complicação. O paciente pode queixar-se de visão dupla intermitente, após a blefaroplastia, devido a contusão muscular, hematoma, efeito do anestésico local ou edema. Entretanto, na maioria das vezes ela é temporária. Diplopia permanente poderá ser decorrente da lesão do músculo oblíquo inferior ou superior ou do reto inferior durante a ressecção das bolsas de gordura. O músculo oblíquo inferior é o mais comumente lesionado, pois a posição desse músculo, separando as bolsas de gordura medial e central na pálpebra inferior, torna-o suscetível ao traumatismo, principalmente na blefaroplastia por via transconjuntival. Entretanto, vários autores têm sugerido uma incidência elevada de disfunção do músculo oblíquo superior e com potencial desenvolvimento da síndrome de Brown. O traumatismo pode ser direto ou secundário ao uso agressivo do eletrocautério. O tratamento inicialmente deve ser conservador, mesmo quando a causa possa ser iatrogênica (traumatismo), devendo ser acompanhado por oftalmologista experiente em estrabismo. O tratamento cirúrgico deverá ser utilizado quando o tratamento conservador não apresentar mais possibilidade de melhora; mesmo assim, o prognóstico será reservado.

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