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COMPRANDO SEM

SAIR DE CASA SEGURANÇA NA INTERNET:

VAI COMPRAR PELA INTERNET? TODO CUIDADO É POUCO!

MANIA:

COMPRAS COLETIVAS: A NOVA TENDÊNCIA ENTRE OS CONSUMIDORES ONLINE

ENTREVISTA

CLAUDIO CARDOSO FALA SOBRE MARKETING DIGITAL


EDITORIAL Como falar se internet e não comentar sobre o comércio eletrônico? Pois é, esta revista tem o objetivo de discutir um assunto que mais do que nunca faz parte da vida de muita gente. Com o advento da internet ficou ainda mais fácil e cômodo, mas como o chamado e-commerce surgiu? Como o comércio eletrônico funciona? Quais as novidades e vantagens? Quais os direitos do consumidor? Isso e muito mais será desvendado neste produto, que foi criado pelo grupo Comprando Sem Sair de Casa, destinado ao trabalho final da disciplina Comunicação e Tecnologia, do curso de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.

Ana Carolina

Cláudia

Fernanda

Laís Nathália

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Quem entende, OPINA com

Cláudio Cardoso Claudio Cardoso é Doutor em Comunicação, Professor do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Comunicação, UFBA, Coordenador do Grupo de Estudos de Novas Tecnologias e Comunicação Organizacional e Consultor de e-Business em diversas organizações nacionais e internacionais, dentre elas a Petrobrás, a Agência Nacional do Petróleo, as Organizações Odebrecht. Com o advento das novas mídias na sociedade e o surgimento do comercio eletrônico, como está sendo a utilização dessas mídias nas iniciativas de compra e venda nas empresas? Imagino que você esteja chamando de novas mídias aquelas que se popularizaram, ou surgiram, após o advento da internet comercial. Estamos falando da web e seus diversos desdobramentos midiáticos, smartphones, mídias locativas etc. Essas “novas mídias” vêm sendo utilizadas em grande escala e com forte intensidade por muitas iniciativas empresariais, e os investimentos neste sentido têm ganhado em intensidade e extensão nos últimos anos. Veja o exemplo dos bancos. Todos eles fazem grandes investimentos em aplicações de internet banking, muitos utilizam mídias sociais (twitter, facebook, orkut etc.) para criarem novas relações com clientes. O que as empresas não fazem

Não sei se devemos pensar em termos de aspectos positivos ou negativos, mas antes nos darmos conta de que devemos explorar as potencialidades destas mídias, que não são, na verdade, apenas “mídias”, mas novos ambientes e contextos comunicacionais. Estes novos contextos geram uma infinindade de novas alternativas de relacionamentos e sentidos que deveriam, em minha opinião, serem mais exQuais os pontos negativos e plorados por todos. Neste senpositivos na utilização desses tido, acredito que o comércio novos meios de comunicação? eletrônico não tem tanto assim é avançarem nestas relações sem considerarem de forma absolutamente hegemônica e mandatória o lucro dos acionistas. Em outras palavras: as empresas adotam rapidamente novas tecnologias que tragam mais resultados financeiros, e deixam em segundo plano investimentos em novas relações que não privilegiem apenas e em curto prazo estes resultados.

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a contribuir, porque ele é inteiramente regido pela busca de resultados financeiros a curto prazo para os acionistas. Alguma inovação é produzida por este segmento de atividade, mas as grandes novidades emergem, acredito eu, das dimensões menos “interessadas” em termos de negócio. São as pessoas comuns interagindo na rede que vêm criando todo o tempo e desde o início as grandes novidades. Os negócios apenas surfam nas ondas produzidas pelas pessoas conectadas. A bem da verdade, algumas empresas surfam de forma muito competente. O marketing digital vem alcançando espaços e relevância nos negócios de empresas. Qual papel do marketing digital para o sucesso de vendas dessas empresas? O marketing digital se tornou muito relevante para os negócios. Segundo pesquisa recente da eBiz no Brasil, cerca de 5% dos resultados gerais do comércio passam pela internet de alguma forma. É muita coisa! E cresce muito mais do que o comércio convencional. Adicionalmente, o comércio praticado pela internet permite o acompanhamento das trasnsações e o conhecimento de dados dos clientes num nível muito maior de precisào e riqueza. A entrada de grandes massas da população no mundo virtual (como antes se dizia) arai de

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forma inexorável toda sorte de atividades comerciais. A rede é o espaço broadcast do presente e do futuro.

indivíduo neste contexto. As organizações mais atentas vêm desenvolvendo suas estratégias que buscam dialogar, de alguma forma, com as novas E que papel o marketing digital demandas e o novo nível de tem na formação e construção atenção e velocidade solicitade uma imagem empresarial dos pela rede. bem sucedida? O diferencial do marketing digital é a possibilidade de interação. Isso viabiliza uma escala e uma intensidade de trocas infinitamente superior de informações entre empresas e clientes. As mídias sociais expõem opiniões diretas dos clientes que demandam ações imediatas das organizações. A depender do segmento do negócio, esta exposição afeta em maior ou menor medida a marca e a reputação da organização. Novas políticas de comunicação vêm sendo desenvolvidas e implementadas em muitas organizações, mas ainda estamos apenas no começo. O que importa é perceber um empoderamento crescente do

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Manasses Pessoa de 27 anos, Estudante de Artes do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, entrou na Universidade Federal da Bahia em 2010 e hoje estuda Área de Concentração em Gestão e Políticas da Cultura. Apaixonado por moda é dono do www. comqueroupaonline.com, um blog que fala de estilo e comportamento de um jeito bem particular. O que você acha de compras online? Acho que comprar na internet


a maioria das lojas que tem sites para vender seus produtos, também criam blogs para divulgá-los, isso ajuda muito porque sempre é possível criar uma lista de blogs que eu gosto e lá os meus leitores encontra um facilitador para compra.

foi uma das melhores coisas que surgiu na nossa contemporaneidade, principalmente porque hj para sobreviver você tem que ser ativo o tempo inteiro e para dar conta disso tudo a gente acaba ficando sem tempo para fazer outras coisas. Então, como comprar, por exemplo, um livro importante que você precisa ler, e você trabalha o dia todo, de noite tem aula? Os sites e a internet viabiliza isso em curto tempo. Com que frequência faz isso? Às vezes tem meses que compor muito, as vezes nada. Tudo depende mesmo da necessidade/demanda. Mas o mais frequente mesmo são pagamento de contas bancária, isso sim é perfeito... E mensal!

Quais os benefícios que você encontra? O principal beneficio é que você não perde tempo procurando algo nas ruas, no shopping, no comércio. Você acaba economizando esse tempo, dinheiro com transporte e com gasolina. De que forma você utiliza esses sites de compra e se você utiliza esses site no seu blog, você faz isso? Eu sempre jogo no meu blog um link de algum site que eu gosto. Se eu faço um post sobre sapatos, eu sempre deixo a dica de um site bacana para fazer compras desses sapatos e geralmente são sites que eu já usei... e fiquei satisfeito é claro! Outra coisa bacana é que

“O diferencial do marketing digital é a possibilidade de interação. Isso viabiliza uma escala e uma intensidade de trocas infinitamente superior de informações entre empresas e clientes. As mídias sociais expõem opiniões diretas dos clientes que demandam ações imediatas das organizações.

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Por dentro do E-commerce

Além de se consolidar como meio de comunicação, a internet inaugura uma nova forma de comércio.

A internet surge como uma poderosa ferramenta que tem o objetivo de facilitar a comunicação entre as pessoas. Com o avanço das tecnologias e da globalização, a internet deixou de ser apenas um canal de comunicação e multiplicação de notícias e passou a se constituir também como um meio rentável de ganhar dinheiro. Atualmente, o potencial econômico da internet pode ser refletido na criação do comércio eletrônico, o chamado e-commerce, que surge como forma de organizar as transações de bens físicos e digitalizáveis na internet. Apesar da grande gama de produtos físicos que são comercializados na rede eletrônica, o comércio eletrônico apresenta sua maior inovação, justamente, na venda de produtos intangíveis, como o software,

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filmes, músicas e serviços digitais. Do ponto de vista comercial, o e-commerce tem uma atratividade muito grande, por ser uma forma de comunicação global, que enfrenta barreiras geográficas e até e alfandegárias para a finalização da negociação. O retorno em termos de investimento, também é muito rápido. O crescimento das tecnologias de informação, além de beneficiar o comércio eletrônico, inaugura uma nova forma de organização da produção e comercialização de produtos, propiciando o aumento da produtividade das empresas e, consequentemente, a concorrência entre elas. As formas de relacionamento e produção na rede foram alteradas a partir do momento em que a internet possibilita a interação instantâ-

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nea entre vendedores, fornecedores e compradores. E as inovações vão além disso, a troca de informações online e a velocidade da comunicação, abre espaço também para parceiro e anunciantes, que tem no comércio eletrônico uma ótima ferramenta de marketing para atrair mais consumidores. Mesmo com a possibilidade de comercialização entre indivíduos, o e-commerce é mais eficiente entre empresas. A explicação para isso é que as transações que envolvem empresas são muito mais rentáveis do ponto de vista da cadeia produtiva, comparado ao comércio varejista, entre pessoas. Além disso, o fator cultural também tem influência, pois os clientes acabam confiando mais em empresas do que em negociações individuais.


Marketing digital e a força das novas mídias Eficaz e barato, o marketing digital já se tornou o maior aliado das empresas O espaço da circulação, antes restrito ao presencial ou semi-presencial, tem sua dinâmica alterada com os avanços da informatização. A criação dos eletrônicos em escala mundial e de acesso à população em geral, o padrão criado por indústrias que visam atingir não apenas o consumidor na sua necessidade imediata, mas que tem como meta criar no consumidor a necessidade de manutenção dos produtos e de gerar outros aspectos reveladores de necessidades futuras. É comum o lançamento de produtos com um elemento a mais que faz do consumo do produto indispensável. A última geração de produção é consumida com a expectativa de que será superada em um breve espaço de tempo. Esse fomento às novidades é o estímulo à produção e ao consumo. Cria-se a ansiedade do por vir e muitas vezes do que ainda não existe concretamente, mas que é possível vislumbrar virtualmente. A partir desse princípio básico das necessidades humanas e da superação das necessidades, o mundo se organiza no sentido de produção voltada para a superação e não simplesmente na reprodução do produto existente no mercado. Não bastam mudanças estéticas, faz-se necessária alteração significativa nos ele-

mentos funcionais e operacionais para garantir sucesso de consumo. Os mercados frenéticos e ávidos por novidades são reflexos de consumidores nesse mesmo perfil. Formam um conjunto homogêneo e transformador da realidade local. A realidade local associada à virtual é uma simbiose forjada no principio de que a técnica evolui para garantir liberdade ao homem. Liberdade de expressão, de pertence, de participação. Tudo se resume a existência humana e ao tempo livre para a realização dos seus projetos, seus anseios na busca pela felicidade. Mas, convém lembrar que toda técnica não constitui um fim em si mesmo. O avanço tecnológico é regulado por fatores inerentes ao homem e não a técnica. Toda tecnologia está diretamente ligada à forma como as sociedades percebe o mundo em que vive e, a cultura produzida pelas sociedades refletem suas necessidades materiais, imateriais e sentimentais. A criação de vínculos sentimentais

a qualquer tipo de objeto tem por princípio as condições de existência do individuo. O consumo, hoje padronizado por sistemas que visam à universalização das coisas nem sempre é eficaz no tocante aos casos isolados ou mesmo aos casos com padrão cultural diferenciado. Outro ponto relevante é a questão da acessibilidade aos produtos, ou mesmo ás ideias formadoras do consumo. Os produtos eletrônicos, o seu consumo e uso sistemático são dependentes de um condicionamento humano que vai além das necessidades, envolvem fatores culturais e psicológicos. Por isso é indispensável à sensibilização do consumidor virtual através de várias linguagens que chamem a atenção, desperte o interesse e a urgência do consumo. As estratégias de marketing virtual Especialistas em marketing explicam que para o sucesso das lojas virtuais é necessário in-

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vestir no branding (gestão de marcas – construção de uma identidade visual) e ter um planejamento desde a concepção do produto até a logística. No livro “Informação e Globalização na Era do Conhecimento”, Paulo Tigre explica que a busca do consumidor final na Internet é uma atividade que requer um marketing mais abrangente e criativo. As diversas modalidades de marketing eletrônico estão diretamente ligadas com produtos, necessidades de comunicação e estágio de evolução da organização na Internet. Estas formas podem, e devem, trabalhar em conjunto, dependendo do interesse e possibilidades da empresa: website,

links em outros websites, listas e grupos de discussão, mailing, anúncios em classificados eletrônicos e mais recentemente, as redes sociais. O resultado que as mídias tradicionais disponibilizavam por um custo mais alto, as novas mídias online estão superando e por um custo significantemente mais baixo. As empresas exploram esse plano de marketing para que se tornem mais acessíveis aos seus consumidores, inserindo-a no dia-a-dia do seus compradores, e para informá-los de todas as novidades, desde os lançamentos de produtos até promoções e ofertas. Torna-se um meio, em tempo real, de estar em trato

com o cliente constantemente, além de dar possibilidade de receber um feedback instantâneo da aceitação do produto e da empresa. As novas mídias transformaram as relações entre empresas e clientes, antes exclusivamente comerciais, em relações sociais.

Internet é sinônimo de economia e comodidade Pesquisas mostram que preços baixos e comodidade são os fatores que mais incentivam – e justificam – o “boom” do comércio eletrônico Uma pesquisa realizada pela Hi-Mídia, mostra que a comodidade, juntamente com a possibilidade de economizar, está entre os principais fatores que contribuem para o crescimento expoente do comércio eletrônico no Brasil. Segundo a pesquisa, para 68% dos consumidores brasileiros, o preço é o que mais chama atenção nas compras on-line, enquanto que para 56%, a comodidade é o que mais influencia na hora de realizar uma compra no comércio virtual. A expansão do comércio eletrônico no Brasil se dá tanto pelo aumento do poder de compra do brasileiro como

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pelas facilidades do acesso à web. Estatísticas de uma pesquisa feita pelo IBOPE Mídia no segundo semestre de 2010 mostram que o aumento no número de compradores online está fazendo com que o faturamento do comércio eletrônico cresça mais rápido do que a própria internet, e números de uma pesquisa realizada pelo Instituto eMarketer confirma: só para este ano, é esperado US$ 18,7 bilhões de vendas online, o que representa uma elevação de 21,9% em comparação a 2011, quando atingiu US$ 15,3 bilhões de comercialização na web. As estatísticas da IBOPE

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também mostram que 70% dos brasileiros que estão conectados na internet acessam lojas de compras virtuais - as lojas de varejos continuam sendo as mais utilizadas pelos consumidores, seguida dos leilões virtuais e dos sites de compras coletivas. Segundo Alexandre Crivellaro, diretor de inovações da IBOPE, os altos índices se dão porque o comércio eletrônico virou sinônimo de preços mais baixos. Crivellaro estima que “76% dos usuários que compram pela net buscam ofertas e descontos e os leilões e portais de compras virtuais trazem isso, por isso o sucesso”.


Pequenos empreendedores investem no e-commerce O comércio virtual é alternativa para pequenos empreendedores que querem lucrar, sem gastar e sem arriscar muito Sara Sampaio tem 29 anos, é publicitária e proprietária da Boutique Jezebel, localizada no bairro do Rio Vermelho, na cidade de Salvador. Sara sempre teve vontade abrir sua própria loja para poder apresentar para as pessoas seus garimpos e descobertas feitas entre viagens para Londres e Nova York. No início a loja era apenas física, mas Sara percebeu que era hora de investir no comércio eletrônico ao notar o aumento na demanda de outras cidades pelos produtos da sua empresa. O caso de Sara é apenas um entre os muitos pequenos empre-

endedores que escolhem investir no comércio eletrônico. As vantagens? A possibilidade de abrir, e fechar, negócios rapidamente, controlar melhor os estoques e reduzir custos significantemente. Para Sara, não precisar de vendedor para fazer o atendimento e não ter a necessidade de um ponto fixo são as maiores vantagens. “A possibilidade de atingir um número enorme de pessoas, de diferentes estados, com hábitos de compra diferentes também é um ponto bastante positivo”, completa a publicitária. A peça chave para os pequenos empreendedores é planejar o sua entrada no e-commerce, criando um site

com conteúdo significativo e em que, além da compra, o consumidor possa obter informações detalhadas sobre o produto que está sendo vendido. O site deve ainda possibilitar a interatividade com outros consumidores do mesmo produto através de blogs e redes sociais. Apesar de achar que existe um futuro onde o número de lojas onlines superam o número de lojas físicas, Sara acredita que as empresas com lojas físicas sempre terão uma credibilidade maior. “A oportunidade de oferecer ao seu cliente experiência sensorial de ir ao um ponto de venda é muito difícil de ser substituída ou copiada, por isso acredito que as lojas físicas cada vez mais irão investir em atrativos e diferencias que vão desde o atendimento até a estrutura física”, explicou.

A possibilidade de atingir um número enorme de pessoas, de diferentes estados, com hábitos de compra diferentes também é um ponto bastante positivo

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Compras Coletivas: a nova tendência entre os consumidores online Sites de compra coletiva parecem ter encontrado a fórmula que beneficia empresas e consumidores Além das lojas virtuais existe também a nova moda dos sites de compras coletivas, que não passa de um sistema no quais anunciantes oferecem seus produtos com grandes descontos de forma a atrair os consumidores. A oferta é publicada e divulgada por um site de compra coletiva durante um tempo determinado e se, durante esse período, o número mínimo estabelecido for alcançado, todos os compradores recebem um cupom do site dando direito a compra com o desconto. Essa é a mais nova estratégia de promoção no e-commerce. A principal vantagem da compra coletiva para o comerciante é a possibilidade de alcançar consumidores que não seriam atingidos em condições normais e trazê-los para conhecer o seu produto em promoção e, eventualmente adquirir outros produtos. Além disso, a exposição da marca nos anúncios é interessante, bem como a possibilidade de se fidelizar os novos clientes e maximizar o resultado da campanha. O empresário Marcus Ribeiro abriu o site de compras coletivas Abelhaz.com há um ano e garante “esse é um bom negócio para quem gosta de internet”. Segundo Ribeiro, a estratégia para conseguir novos

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anunciantes é focar na divulgação do estabelecimento. “Bons empresários sabem que publicidade é investimento, e no site os anúncios são muito bem divulgados. É um erro pensar que a empresa vai ganhar dinheiro, mas com certeza se o cliente for bem tratado, ele volta e indica para amigos. Aí sim está o lucro da empresa”, comenta. Os sites de compras coletivas são plataformas muito fáceis de serem criadas, precisando somente de um programador, webdesigner e abrir uma micro-empresa. Procedimentos rápidos que podem agilizar a vida

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do empreendedor. O site se mantém através de comissões que variam de 20% a 40% em cima do valor total dos cupons vendidos. “O mais difícil quando se está começando é conseguir a confiança dos anunciantes, mas depois que essa etapa é vencida tudo fica muito fácil.”, completa Ribeiro. Mas todo bom negócio tem as suas fases ruins. Muitas pessoas não confiam em comprar pela internet e muito menos com descontos exorbitantes, principalmente em tratamento de estética e viagens, onde os descontos chegam a ser de


90%. “O grande atrativo é o desconto, e este deve ser planejado pelo anunciante. Eles devem também saber se irão aguentar, no período de validade dos cupons, a procura.”, explica Marcus. Muitas empresas não sabem fazer esse cálculo e acaba metendo os pés pelas mãos, mas outras como a Pole Dance Bahia conseguem faturar bastante. Segundo a proprietária e também publicitária Érica Thompson, o investimento vale a pena. “Diferente da publicidade comum, nessa você não precisa pagar nada, e sim calcular bem o desconto e conquistar os clientes. Já participei de três ofertas e o numero de alunas da academia triplicou. Hoje estou em um espaço duas vezes maior para dar conta da procura.”, comenta Érika.

coletivas

A possibilidade de aliar a internet ao comércio, juntamente com a comodidade de comprar sem sair de casa, criou um terreno fértil para as compras coletivas. Com o crescimento dessa modalidade comercial e a multiplicação rápida dos sites que prestam esse tipo de serviço, pode-se dizer que o mercado brasileiro de compras coletivas está ficando saturado de um modelo pré-estabelecido, que ainda deixa a desejar no quesito satisfação do consumidor. Em busca de um serviço que una a prestação de serviço de um serviço de qualidade e uma nova proposta que se adeque mais a realidade de cada consumidor, surgiram os sites de compras coletivas regionais. Vantagens: A proximidade com o consuA regionalização das compras midor gera mais confiança em

relação ao cumprimento das ofertas e cria a possibilidade de oferecer serviços locais com mais qualidade, pelo menos em tese. Desse ponto de vista, a criação desses sites regionais é brilhante. Eles se tornam cada vez mais segmentados e voltados para a realidade do consumidor de cada área. A grande vantagem desses pequenos sites está justamente na identificação com o público. Conhecer as necessidades do público alvo é ponto principal para o sucesso dessa modalidade. Outro ponto positivo é a identificação com os parceiros que vão anunciar, justamente por saber as particularidades de cada praça regional. Em função de todos esses fatores, investir em sites de compras coletivas regionais se torna cada vez mais lucrativo para o comerciante e mais satisfatório para o cliente.

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Vai comprar pela internet? Todo cuidado é pouco! É preciso, de fato, muita atenção ao realizar compras pela internet para que a sua compra não se transforme numa dor de cabeça futura. A comodidade de comprar sem sair de casa ainda encontra um freio num aspecto crucial de suas escolhas: a segurança. Para Priscila Lira, 22 anos e estudante, “comprar pela internet é correr um risco e não ter a quem recorrer”. A imaterialidade da internet, o fato dos processos não serem fisicamente apreendidos, ainda causa receio sobre as garantias e direitos no que tangem às transações comerciais. A princípio, é importante pontuar que lojas virtuais são regidas pela mesma legislação aplicada às lojas físicas no que diz respeito ao Código de Defesa do Consumidor – CDC, com uma única diferença – em se tratando das lojas virtuais, o prazo de arrependimento concedido ao consumidor é maior. Muita gente desconhece essa

aplicação ou, por outro lado, desacredita na sua efetiva aplicação, visto que não são poucas as reclamações e problemas junto ao Procon, sejam para lojas físicas ou para lojas virtuais. O medo de comprar online passa por questões como: garantia de entrega, confiabilidade na inserção de dados pessoais, qualidade do produto ou, simplesmente, a garantia de troca mediante insatisfação. É preciso, de fato, muita atenção ao realizar compras pela internet para que a sua compra não se transforme numa dor de cabeça futura. O primeiro passo é analisar a confiabilidade do site que está acessando. Existem diversas maneiras de diminuir o risco da compra: as redes sociais são excelentes para a troca de informações sobre lojas e produtos. Tal como

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no mundo não virtual, as pessoas tendem a seguir as indicações de amigos e conhecidos sobre determinadas escolhas e a internet, com as redes sociais, consegue ampliar o raio de buscas e respostas tornando mais eficiente essa prática. Além disso, existem sites específicos para estes fins – eleger as melhores lojas virtuais e indicar as reclamações mais recorrentes – como o “Reclame Aqui” e o “WOT“. Verificações de CNPJ e certificados de segurança também contribuem nas análises. Outra dica relevante é verificar se o site possui um canal de relacionamento com o cliente, on-line ou telefônico, e que este seja eficiente. Faça uso destes meios antes de finalizar sua compra. Prefira site de grandes empresas e lembre-se: sites no exterior não estão su-


jeitos ao CDC do Brasil. A segurança com os dados solicitados na internet é necessário em qualquer tipo de operação feita na web, e deve ser redobrada ao realizar compras online. As plataformas utilizadas para realizar compras solicitam dados como RG, CPF e o numero do cartão de crédito. Se o seu computador estiver infectado por um vírus ou o site estiver hackeado os dados podem ser copiados e transações feitas sem a sua autorização. Embora se auto intitulem como meros “intermediadores” entre o fornecedor e o consumidor, acreditando com isso estarem isentos de qualquer responsa-

bilidade, não nos restam dúvidas de que os sites de compras coletivas se enquadram no conceito de fornecedor do artigo 3º, do CDC, que prevê: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços”. Não podemos nos esquecer de que “fornecer” tem, entre seus significados, os de “facilitar” e “proporcionar”, que é exatamente o que esses sites de compras coletivas fazem ao comercializarem os produtos e

serviços para os consumidores, podendo, pois, serem considerados como fornecedores. Vale ressaltar que os sites de compras coletivas são remunerados em um determinado percentual sobre cada venda realizada. Este é mais um fator que os insere na categoria de “fornecedor” e enseja as responsabilidades, obrigações e deveres descritos no Código de Defesa do Consumidor, uma vez que eles, juntamente com o fornecedor do produto colocado à venda, recebem valores, o que confirma a legitimidade para serem réus em ação movida pelo consumidor que se sentir lesado ou o for efetivamente. Assim, e ainda sob o enfoque das regras do Código de Defesa do Consumidor, a responsabilidade dos sites de compras coletivas é objetiva, o que sig-

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nifica dizer que responderão civilmente, independentemente de culpa, pela reparação de eventuais danos causados aos consumidores por defeitos relativos aos serviços prestados ou produtos vendidos (artigos 12º e 14º, do CDC). Desse modo, o consumidor que efetuar uma compra coletiva e tiver algum dano dela decorrente, poderá ajuizar ação cível contra o site de compra e contra o fabricante do produto ou fornecedor do serviço adquirido, pois ambos são responsáveis, solidariamente, a teor do disposto no artigo 25, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor. Os principais motivos do consumidor recorrer ao Judiciário são as falhas na entrega de mercadorias compradas nos sites e propagandas enganosas decorrentes dos produtos que vendem, ensejando ações de reparações por danos materiais (reembolso dos valores gastos nas compras dos produtos, além da taxa do frete) e, em

alguns casos, por danos morais (indenização pelos danos sofridos em razão da falha na prestação do serviço). Outro motivo que leva ao aumento destas ações contra estes fornecedores é a falta de resolução administrativa por parte da empresas, ou seja, os sites deixam de prestar a devida assistência ao consumidor que se sente lesado, esquecendo de responder aos seus questionamentos ou tecer explicações que entendam pertinentes, caso haja atraso na entrega ou defeito no produto adquirido, o que gera dissabor ao consumidor e o induz a buscar o Poder Judiciário para resolver seu problema, comprometendo, assim, a imagem dos sites. Segundo dados do Reclame AQUI, os sites de compra coletivas Clube Urbano, Peixe Urbano, Imperdível, Click On e Oferta Única, em junho de 2010, somaram 3.391 reclamações. Agora, se neste rol forem incluídos os sites chamados “clubes de descontos”, como Brands-

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club e Privalia, o total de reclamações ultrapassa a casa das 8.500 queixas. Justamente em razão do aumento das reclamações e ações judiciais contra os sites de compras coletivas é que, desde o dia 4 de maio tramita, na Câmara dos Deputados do Paraná, o Projeto 1232/11 , de autoria do deputado João Arruda do PMDB/PR, que visa regulamentar o funcionamento desse tipo de comércio eletrônico e prevê, ainda, a criação de selo de certificação de idoneidade do site, propiciando maior segurança ao consumidor, que o identificará logo que acesse algum site certificado de compra coletiva. O objetivo principal da lei é reunir todas as informações necessárias ao consumidor, da maneira mais clara e objetiva possível, evitando qualquer tipo de dubiedade ou ‘enganosidade’ nas orientações disponibilizadas nos sites. O resultado, caso este projeto venha a ser aprovado, será a regulamentação da modalidade de comércio, resguardando os direitos do consumidor, além de impor aos sites de compras coletivas um maior cuidado na escolha dos parceiros e produtos que serão vendidos. O ideal é pesquisar sobre as empresas em que pretende fazer compras e apurar se há reclamações em relação aos produtos e serviços que disponibilizam.


Análise de Público É preciso, de fato, muita atenção ao realizar compras pela internet para que a sua compra não se transforme numa dor de cabeça futura. Em pesquisa feita através das redes sociais para identificar o perfil do consumidor online, as estatísticas mostraram que a maior parte dos indivíduos que utilizam o comércio eletrônico são mulheres entre 18 e 30 anos. O número de pessoas que não se sentem confortáveis comprando em lojas virtuais é surpreendente baixo e isso se dá devido ao investimento das empresas em aumentar o nível de segurança dos sites de compras. Comodidade e preço baixo ainda são consideradas as maiores vantagens das compras virtuais, segundo os e-consumidores. A possibilidade de ter acesso à uma maior variedade de produtos é outro fator que foi explicitado pelos indivíduos que optaram por “outros” na resposta da questão. As lojas de varejo continuam sendo as mais utilizadas pelo consumidores, seguidas das lojas de compras coletivas. Segue abaixo infográfico com as estatísticas obtidas pela pesquisa:

nota: a pesquisa foi realizada pelo grupo.

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Produto final da matéria Comunicação e Tecnologia

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