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PESQUISA DE PROGRAMAS 21/2008/P das meninas cresce. A principal justificativa é a cor rosa (77%) e o fato de ser doce e meigo (38%). Setenta e três por cento delas e 47% deles gostariam de tê-lo como brinquedo. O resultado deu um retorno positivo a o desenvolvimento do personagem. O gênero da versão final é mais aberto à interpretação das próprias crianças em geral, e as mudanças para um personagem menos definido pelo gênero o tornou mais atraente para meninos e meninas em idade pré-escolar

O nome do coelho deve ser Pink?

Por algum tempo, discutiu-se a possibilidade de dar ao personagem um nome individualizado, por exemplo Pink, ao invés de nomeá-lo da mesma maneira que os três outros (Rato, Elefante e Pato), de acordo com o tipo de animal que eles eram. Os meninos particularmente não gostaram disso. Quando perguntaram a Manuel (de três anos), enquanto brincava com as estatuetas, se ele conseguia imaginar que o nome do coelhinho era Pink, ele acenou negativamente com a cabeça, com cara de desagrado. “Não, seu nome não é Pink! Seu nome é, humm, Bunny!” Assim como a fita atada aos cabelos, o nome Pink define o personagem de um modo muito restrito, limitando o seu significado para os meninos.

A aparência física do coelhinho está correta?

Mais importante ainda: a aparência física do personagem foi categoricamente questionada. Ficou logo claro (quando fizemos a escultura dele) que as proporções não combinavam. Por exemplo, o fino pescoço não podia carregar a cabeça, e que sua postura acabaria sendo sempre ligeiramente curvada. As mães entrevistadas também tinham mais críticas que elogios ao protótipo: “este é um modelo inapropriado para minhas filhas”, disse uma das mães. Portanto, o departamento d e criação fez uma revisão mais meticulosa. A ideia básica era criar um personagem que não tivesse um estereótipo claro de gênero e que atraísse meninas e meninos igualmente. Esta foi a versão que a equipe editorial escolheu para o novo personagem do coelhinho. O personagem menos definido pelo gênero é o favorito? Num estudo quantitativo, testamos

Versões diferentes do personagem: o primeiro layout com fitas nas orelhas e a versão de gênero menos marcado (à direita) os dois layouts do coelho: o primeiro desenho e a versão com as marcas de gênero menos evidentes. As questões de pesquisa foram: • Se os meninos e as meninas pensam que o coelho é menino ou menina, e por que • Qual das duas versões tem mais probabilidade de ser escolhida como um brinquedo de estimação? Foram entrevistadas cara a cara 651 crianças entre três e oito anos, escolhidas de modo representativo1. Os resultados: a versão do coelho com fitas foi identificada como uma menina por 85% das crianças. Não havia diferenças de gêneros, só que os meninos mais novos identificaram o coelho como um menino. A principal razão (respondida livremente) foram as fitas atadas às orelhas (68%), a cor rosa (50%) e o fato de ser doce e meigo (18%). Setenta por cento das meninas e 39% dos meninos gostariam de tê-lo como brinquedo. A versão final do coelho foi identificada como uma menina por 48% dos garotos e 62% das garotas. Com o aumento da idade, o percentual dos meninos diminui e o

NOTAS 1 Realizado pelo Iconkids & Youth, Munique, Alemanha, Março a Abril de 2008.

REFERÊNCIAS Götz, Maya; Bachmann, Sabrina; Holler, Andrea (2007). A cooperative study to develop acceptance for a new character for the programme Sendung mit dem Elefanten (Engl.: Programme with the elephant). Artigo científico do IZI, Munique (não publicado) Götz, Maya; Christine Bulla (2008). Is that a girl or a boy? How children decide to which gender a character belongs. Artigo científico do IZI, Munique (não publicado). A Dra. Maya Götz é diretora do IZI e do Prix Jeunesse Internacional, Munique, Alemanha. Andrea Holler e Sabrina Bachmann, ambas Mestras em Artes - M.A., são freelancers no IZI.

TRADUÇÃO Daniel Carmona Leite .REVISÃO: Renata Bortoleto

©Internationales Zentralinstitut für das Jugend- und Bildungsfernsehen (IZI) 2008

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Usar personagens com poucos traços de gênero é um bom meio para se atingir meninos e meninas?  

Este artigo de Maya Götz, Sabrina Bachmann e Andrea Holler foi publicado originalmente na revista TELEVIZION , da Internationales Zentralins...

Usar personagens com poucos traços de gênero é um bom meio para se atingir meninos e meninas?  

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