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n28

Junho / Julho de 2008

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De olho em Pequim Brasileiros prometem fazer a melhor participação da história.

Paraolimpíadas já rendem muitos recordes

Patrocinador oficial do Comitê Paraolímpico Brasileiro


Rumo certo Amigos, A cada momento estamos mais próximos de Pequim. O que parece uma obviedade, na realidade significa que estamos cada vez mais perto do momento máximo deste ciclo paraolímpico, quando colocaremos à prova todo o planejamento e o trabalho executado, desde os últimos dias de setembro de 2004, quando desembarcamos no Brasil no retorno de Atenas. O caminho trilhado parece correto. O trabalho conjunto com as entidades filiadas, o aumento de responsabilidade que o Comitê Paraolímpico Brasileiro atribuiu a cada uma delas ajudou a amadurecer nosso movimento, tornando-o mais forte. Os resultados que temos até o momento em termos de qualificação são excelentes: 188 vagas em 17 modalidades. Um crescimento bastante significativo se comparado às 98 vagas em 13 modalidades em Atenas no ano de 2004. De acordo com as informações transmitidas pelo Comitê Organizador – BOCOG, o Brasil terá a quarta maior delegação dos Jogos Paraolímpicos Pequim 2008, atrás apenas dos chineses, donos da casa, Estados Unidos e Grã-Bretanha. Não é pouco. Teremos delegações maiores do que gigantes como Austrália e Canadá. Estamos fazendo história e colocando nosso País em um lugar de destaque no Movimento Paraolímpico Internacional.

Humor 02 Tirinha da Turma da Mônica e caricaturas de Saulo Cruz No Pódio 03 Sérgio Fróes 09 Luiz Algacir 14 José Armando Notícias 06 Copa do Mundo em Manchester 12 Copa do Mundo de Voleibol Paraolímpico

Mas não queremos parar por aí. Além de termos uma delegação grande, é preciso que ela esteja bem preparada para que tenhamos em Pequim um resultado ainda melhor do que o excelente 14º lugar obtido em Atenas, com 33 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 7 de bronze. Nosso objetivo técnico é colocar o País, pelo menos, em 12º lugar e manter o 3º lugar das Américas. Para isso estamos intensificando os intercâmbios das equipes brasileiras das diversas modalidades, adquirindo equipamentos esportivos de altíssima qualidade, ou seja, oferecendo o que há de melhor em termos de estrutura para os atletas que certamente farão a sua parte, como, aliás, sempre têm feito. Os resultados que eles têm demonstrado ao longo destes quatro anos e, principalmente nos últimos meses, nos dão a confiança de que teremos muito que comemorar em Pequim. Nesta edição da Brasil Paraolímpico mostramos alguns destes resultados que nos entusiasmam e um pouco do que podemos esperar em Pequim. Falta pouco. Mas estamos confiantes no trabalho realizado. Boa leitura!

17 All Star Rodas 20 Rio 2016 31 Classificação Funcional 38 Copa Brasil de Halterofilismo

29 Etapa Uberlândia

Competições 22 Campeonato Afro-Árabe de atletismo na Tunísia

Adrenalina 39 Corrida de Aventura e Trilha

circuito loterias caixa 26 Etapa Curitiba 27 Etapa Natal 28 Etapa Brasília

46 Bastidores

Capa 34 Preparação para os Jogos Paraolímpicos de Pequim

Cultura 42 Filme: "Ensaio sobre a cegueira" 47 Notas


Turma da Mônica

Armando do atlestismo, Sérgio do hipismo e Algacir do tênis de mesa são alguns dos destaques da seção No pódio desta edição. 

Divirta-se!


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O mundo em suas rédeas Oliva se surpreende com s óe Fr io rg Sé iro ile as br o os an Aos 25 al de hipismo o resultado do campeonato mundi


Por: Camila Benn

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ono de um sorriso largo, 1,74m de altura e apenas 66 Kg, Sérgio Fróes é hoje o melhor do mundo no hipismo. “A sensação de ter esse título é muito gratificante. Os amigos brincam com você. Não esperava nunca esse resultado, minha meta era uma medalha de bronze. E consegui conquistar uma medalha de ouro e duas de bronze para o Brasil no mundial em 2007”, afirma Sérgio.



Brasiliense, nascido em 1982 com paralisia cerebral, Sérgio Oliveira mostra que não existem impedimentos para se conseguir aquilo que deseja. Sua vida no esporte começou pela natação e atletismo. Em 1989 fez equoterapia, mas passou 12 anos afastado dos cavalos. O reencontro com o animal aconteceu alguns anos depois. “Só voltei para o hipismo quando entrei na faculdade. Coincidentemente conheci a Marcela Pimentel, minha treinadora até hoje. Comecei no salto, que é mais emoção e energia, depois passei para o adestramento onde utilizamos mais técnica. Foram surgindo algumas oportunidades e tentei as Paraolimpíadas de 2004, mas acabei não indo. Mas agora em Pequim minha meta é ouro”, explica o atleta. Quando mais jovem fez intercâmbio para os Estados Unidos onde competia pela escola nos 100, 200 e às vezes até nos 400m rasos. Dedicado aos estudos desde menino, Fróes é hoje bacharel em direito, pós-graduado em direito público e servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Sua vida é dividida entre trabalho, treino e estudos. No tempo livre sai com os amigos para bater papo e relaxar. Nos finais de semana aproveita para correr de dois a três quilômetros só para manter a forma, como ele mesmo diz. Com apenas 25 anos, Sérgio Oliva é um colecionador de medalhas. Entre elas estão o ouro no Parapan em 2003, ouro no Brasileiro em 2007, ouro no Sulamericano em 2005 e ouro no Mundial em 2007, onde se consagrou o melhor do mundo. “Pra mim todas as


competições são importantes, cada uma tem uma finalidade e um objetivo. É questão de momento e vontade”, explica o atleta. Mas ao ser questionado sobre a emoção de ganhar tais títulos, “Serjão” como é conhecido pelos amigos mais próximos, não hesitou em dizer que é muito bom ser campeão ainda mais no mundial. Sérgio divide o apartamento com o pai em uma quadra no Plano Piloto na Capital Federal. Para ele grande parte do sucesso se deve ao apoio da família. “Meus pais, meus irmãos e minha treinadora Marcela Pimentel, sempre me incentivaram a seguir em frente”, conta Fróes. Há dois anos e meio, Ringo Star, cavalo de Sérgio, acompanha o atleta na busca por vitórias e nos treinos de duas horas diárias na Sociedade Hípica de Brasília. “O que mais gosto no esporte é o cavalo, o conjunto que o homem e ele fazem”, explica Sérgio. Para as Paraolimpíadas de Pequim o cavaleiro mantém o mesmo ritmo de treinos, com corridas nos finais de semana e natação para complementar. “Espero levar o ouro. Nunca estive na China e acredito que não terei problemas com a alimentação. Acho até que vou experimentar um grilo frito”, brinca Sérgio. O sonho do jovem Sérgio Fróes Oliva é ser reconhecido e alcançar seus objetivos. “Quando você é vencedor quer sempre ser vencedor. Quando não é quer chegar a ser. Isso acontece no esporte ou na vida. Quero ser uma pessoa que vai entrar para a história. Um sonho que já conquistei é estar nas paraolimpíadas. O outro é conquistar a medalha e ajudar as pessoas de alguma forma”, afirma o atleta. O jovem se inspira na força e determinação de seus ídolos: o grande piloto brasileiro, Ayrton Senna e o também cavaleiro Rodrigo Pessoa. “Esses aí são bons no que fazem e são exemplos”, afirma Sérgio. Seu sonho é ser campeão paraolímpico. “Depois de atingir meus sonhos quero continuar montando sem obrigações, só por lazer. Mas isso ainda vai demorar alguns anos”, explica Fróes.




a p o C a n a h l i Brasil br a c i p m Ă­ l o a r a do Mundo P r e t s e h c n a M em




Por: Camila Benn

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ntre os dias 7 e 11 de maio as feras do esporte paraolímpico se encontraram em um dos maiores eventos do esporte paraolímpico internacional: a Copa do Mundo Paraolímpica de Manchester, na Inglaterra. A competição reuniu atletas de ponta, numa prévia dos jogos de Pequim. Mais de 400 esportistas de 45 países competiram em quatro modalidades: atletismo, natação, ciclismo e basquete em ca-

deira de rodas. A delegação brasileira contou com 19 atletas: três na natação, três no atletismo, um atleta guia e 12 competidoras na equipe feminina de basquete em cadeiras de rodas. O evento é realizado uma vez por ano, sempre em Manchester. Um dos objetivos é preparar o país para a organização dos Jogos Paraolímpicos de 2012, que vão acontecer em Londres.

e natação. Todos os atletas da delegação subiram ao pódio. A primeira medalha veio da piscina: ouro para Daniel Dias na prova dos 200m livre. Terezinha Guilhermina conquistou a prata nos 100 e 200m, Pedro Cezar ficou com o bronze nos 400m, mesmo competindo lesionado. Estreante em provas internacionais, o velocista André Oliveira levou o bronze nos 100m. O resultado de André foi sua melhor marca na distância.

A Copa este ano terminou com um saldo positivo para o Brasil. Cinco medalhas foram conquistadas nas modalidades de atletismo

A velocista Terezinha Guilhermina demonstrou na competição força e superação. Ela competiu com atletas da categoria T12




(baixa visão), uma classificação acima da sua (T11, totalmente cega). Depois de uma verdadeira “batalha” contra a ucraniana Oxana Boturchuk, a brasileira ficou com a prata por uma diferença de um centésimo de segundo. O resultado só pode ser descoberto após a análise do photo finish. “Eu esperava quebrar meu recorde, não deu. Isso me motiva mais para alcançar esse resultado em Pequim. Fiquei muito feliz com o resultado, o tempo foi muito próximo do meu recorde mundial”, avaliou Terezinha.

tian Rodriguez. Não só os atletas de modalidades individuais estrearam na Copa do Mundo Paraolímpica. A seleção brasileira de basquete feminino participou pela primeira vez da competição. Liderado pela armadora Batatinha, o time disputou a medalha de bronze contra a Inglaterra. Mesmo com todo o esforço e vontade das jogadoras, a seleção brasileira de basquete feminino em cadeira de rodas acabou ficando com o quarto lugar. A partida terminou Brasil 34 X 57 Inglaterra. A derrota, porém, não apagou o brilho da atleta Batatinha, que foi destaque em todos os jogos. “Estou triste com a derrota, foram muitos erros bobos, não podemos mais perder por isso”, explicou a jogadora.

Recordista mundial dos 200m medley e 200m livre, Daniel Dias nadou os 200m livre com dois de seus principais adversários: o inglês Antony Stephens (ex-recordista mundial da prova) e o nadador espanhol Sebas-

Mas mesmo desapontada a atleta falou sobre a importância da competição e o lado bom do evento: “Estou feliz de ter jogado com adversárias que encontraremos em Pequim, é uma ótima experiência”, completou emocionada. A cestinha da competição foi a inglesa Sally Wagner com 27 pontos. A China participou pela primeira vez de uma edição dos Jogos Paraolímpicos. Nos últimos jogos, em Atenas, a Holanda ficou em sétimo lugar e a Inglaterra, em oitavo. O Brasil garantiu vaga para Pequim ao ficar em quarto lugar no Parapan Rio 2007. Os atletas agora estão em contagem regressiva para a China. A torcida já preparou as camisetas e garante apoio e força aos nossos campeões.

RESULTADOS - BASQUETE FEMININO

RESULTADOS - NATAÇÃO 200m livre S5 1º - Daniel Dias – 2’40’’14

200m medley SM6

100m peito SB11

4º - Daniel Dias – 3’00’’99

4º - Rodrigo Machado – 1’30’’43

50m livre S7

1º - Holanda

7º - Wagner Pires – 33’’97

2º - China

2º - Antony Stephens – 2’43’90

3º - Inglaterra

3º - Sebastian Rodriguez – 2’50’’20

4º - Brasíl

RESULTADOS - ATLETISMO



100m 2º Terezinha Guilhermina 3º André Oliveira

200m 2º Terezinha Guilhermina

400m 3º Pedro César


“Perder,

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nem no palitinho”



É assim que o atleta do Tênis de Mesa, Luiz Algacir Vergílio da Silva brinca ao definir sua visão competitiva do esporte

Por: Camila Benn

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m 1973 nasceu na cidade de Curitiba um homem que alcançaria grandes títulos. “Levado”, como todo adolescente, aos 15 anos de idade Luiz caiu de uma árvore em Foz do Iguaçu e ficou paraplégico. Hoje,

aos 35 anos, da Silva como é chamado pelos colegas fora do Brasil, foi eleito duas vezes consecutivas o melhor jogador cadeirante das Américas em 2001 e 2002. Em sua casa, o campeão tem uma coleção que só um atleta de peso consegue manter: duas medalhas de ouro no Parapan (uma no individual e uma na equipe), em

2007, onde se tornou tetra-campeão em equipe; no Parapan-americano de Tênis de Mesa, no Brasil, em 2003, foi considerado o melhor atleta de Tênis de Mesa do Brasil. O atleta possui conquistas em diversos países além do 1º lugar no individual do prestigiadíssimo Euro Champ Table Tennis Tournamen, na Holanda, em 2004.


10 Sua maior realização como atleta foi no ano de 1996, quando foi para Atlanta, sua primeira vez em uma Paraolimpíada. A meta agora é ganhar medalha de ouro em Pequim e escutar o Hino Brasileiro no topo do pódio. Para realizar esse sonho Luiz trabalha duro, “treino duas horas pela manhã, duas na parte da tarde e mais duas a noite. É muito importante buscar uma variação de jogo, com pessoas diferentes para aprender lidar com vários estilos. Em Curitiba tem muitos jogadores bons, então consigo treinar bastante”, afirma o atleta. Um dos seus objetivos é vencer seus maiores adversários da França e da Coréia, onde segundo Algacir estão os dois atletas quase imbatíveis. Esta é a primeira vez que Luiz Algacir vai à China. Em 2002 o atleta foi competir em Taiwan. Ao ser questionado sobre a comida chinesa o atleta releembra o “aperto” que passou na República da China (Taiwan). “Se na época não existisse um Mc Donald’s ao lado do local de competições, eu teria morrido de fome”, brinca Luiz. Técnico em processamento de dados,


o atleta iniciou no esporte em 1992. No começo jogava basquete e brincava nas quadras de Tênis. Mas foi quando trabalhou na Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), junto com a colega e também atleta Maria Luiza Passos, que resolveu ceder ao convite insistente da amiga e praticar o Tênis de Mesa. Não deu outra, aquele convite feito no ônibus diariamente se transformou em paixão pelo vai e vem da bolinha na mesa. Desde então, Luiz viu na modalidade uma forma de entrar para a história do esporte paraolímpico. “O Tênis de Mesa mexe muito com a cabeça das pessoas, com a mentalidade delas. Ele é 80%, se não for 100%, mental. Na hora do jogo é preciso concentração e estratégia para saber onde rebater a bolinha e o que o adversário está planejando”, explica Algacir. Sua primeira competição internacional foi em 1995 na Inglaterra. “Era tudo novo, o avião bem grande, estava maravilhado e nunca imaginava que aquilo iria acontecer. Cheguei lá com a cabeça que seria fácil vencer. Não foi bem assim. A experiência valeu para aprender e me dedicar ainda mais”, conta Luiz. Com o apoio da família, da amiga Maria Luiza Passos que o apresentou ao Tênis de Mesa, e do Dr. Carlos Arakaiser que o ensinou a jogar, Luiz segue em busca do sonho de uma medalha de ouro paraolímpica. “Quero encerrar a carreira realizado, depois de alcançar todos os meus objetivos. Mas não vou conseguir ficar longe do esporte, por isso pretendo ser técnico de crianças”, afirma Algacir. Hoje, o curitibano faz trabalho voluntário para ajudar meninos que vivem nas ruas de sua cidade natal. “Quando falam para eles que o Luiz vai, a felicidade é tremenda. Gosto desse trabalho. Ensino o esporte para essa criançada. Brincamos muito. É uma maneira de tirá-los um pouco da rua”, emociona-se. A generosidade do atleta faz com que sua fé o aproxime cada vez mais de seu grande ídolo: Deus.

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Brasil quer estar entre as potências do voleibol paraolímpico no mundo Por: Camila Benn

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seleção brasileira masculina de voleibol paraolímpico participou da I Copa Intercontinental da modalidade, que aconteceu entre os dias 23 e 30 de abril, na cidade de Ismailia, no Egito. A competição teve como objetivo preparar as seleções para os Jogos Paraolímpicos de Pequim, em setembro, na China. Só os países já classificados para as Paraolimpíadas receberam o convite para estarem na Copa Intercontinental. Participaram da competição seis dos oito países que vão para Pequim. Os brasileiros ficaram na oitava colocação. Na disputa do nono lugar, o Cazaquistão venceu o Uzbequistão por 3 a 0. A

seleção brasileira vem evoluindo desde que a modalidade foi implementada no Brasil. Para o técnico da seleção e duas vezes medalhista olímpico, Amauri Ribeiro, a principal meta é fazer com que o Brasil se firme como melhor seleção da zona americana e, em médio prazo, brigar para estar entre as maiores potências do voleibol paraolímpico no mundo. “Nossos atletas precisam vivenciar mais competições importantes e acreditar mais no potencial deles, que foi mostrado no Parapan Rio 2007. Assim, vamos conseguir um bom resultado em Pequim”, afirmou. A medalha de ouro conquistada pelo Brasil nos Jogos Parapan-americanos Rio 2007, com a vitória na final contra os Estados Unidos, qualificou o nosso país para participar, pela primeira vez, de uma edição de Jogos

Paraolímpicos. Ano a ano vem crescendo o o número de participantes em campeonatos nacionais. O presidente da Associação Brasileira de Voleibol Paraolímpico, João Batista Carvalho e Silva, acredita que a importância das competições no país está ligada a divulgação da modalidade. “Isso promove o desenvolvimento do vôlei paraolímpico. O campeonato brasileiro de 2008 contará com a participação de 16 equipes, sendo oito na série A e oito na B. No feminino, seis times vão disputar a competição”, disse. A I Copa Intercontinental foi realizada no Centro Olímpico do Egito, na cidade de Ismailia, que fica as margens do Canal de Suez. O local fica a cerca de 100 quilômetros da capital Cairo. Outras informações sobre a modalidade no site: www.voleiparaolimpico.org.br.


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O sonho

de ser campeão é eterno Aos 35 anos e dono de vários títulos, José Sayovo Armando luta para ser um campeão

Por: Camila Benn

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o dia 3 de março de 1973, nasceu no Município de Catabola, província de Bié, José Sayovo Armando, um angolano que entraria para a história do esporte paraolímpico. Apaixonado por futebol desde criança, Armando estudou e trabalhou como mecânico antes de se tornar atleta. Porém não era a paixão pela bola ou pelos motores que o tornaria internacionalmente conhecido. O gosto pela pista de atletismo e o reconhecimento como atleta surgiram apenas depois que ele perdeu a visão, quando ainda era militar. “Sempre gostei muito de esporte, jogava bola o tempo todo, mas confesso que antes de perder a visão, não gostava do atletismo”, relembra José Armando.

Quando ficou hospitalizado conheceu aquele que foi o responsável junto com seu guia Manuel Marques, pela sua iniciação no atletismo. Ângelo Marcos, também atleta e deficiente visual o conheceu no hospital. A chateação de José Armando com a cegueira, não foi um obstáculo para o atleta já acostumado com desafios. “Ele conversou muito comigo no hospital explicando que era possível correr com a ajuda de um guia. Eu estava para baixo e não acreditava naquilo, mas mesmo assim o Ângelo continuou me incentivando. Depois que saí do hospital, um guia pegou na minha mão e me mostrou que era possível correr mesmo sem enxergar”, explicou Armando. Naquela hora Sayovo percebeu que sua paixão pelo esporte podia continuar e ele poderia ser um grande campeão um dia.

Com muito treino e dedicação, em 2004 José Armando obteve grande destaque no atletismo nas Paraolimpíadas de Atenas, realizadas entre os dias 17 e 29 de setembro. Ele quebrou o recorde mundial dos 200m rasos após marcar 23s04, baixando o tempo do cubano Adrian Iznaga, que era de 23s16. Na classe T11 (cego total), José conquistou três medalhas de ouro nos 100, 200 e 400m rasos percorridos em 11s37, 23s04 e 50s03, respectivamente. Naquele ano foi considerado o homem mais veloz do esporte paraolímpico mundial. Uma vitória notável para aquele rapaz que chegou um dia a pensar que ficaria afastado para sempre do esporte. Em 2007, o atleta perdeu o título de recordista da modalidade 100m rasos da classe T11 (totalmente cego), que ga-

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nhou em Atenas no ano de 2004, para o brasileiro Lucas Prado. “O guia que acompanhou minha evolução de 1999 até 2004 não estava comigo. Quando fui competir no Brasil, fui com outro guia”, explica Armando. “Não é fácil para um deficiente visual saber como correr. O guia tem que saber como conduzir seu atleta. Quando ele surge pouco tempo antes dos jogos é muito difícil”, afirma. Hoje o atleta se prepara para as Paraolimpíadas de Pequim com a ajuda de dois guias. Manuel Marques, amigo e incentivador que ficou afastado por um período está de volta para ajudá-lo. “Tenho dois guias porque nem todos correspondem a mesma velocidade. Cada um faz um treinamento. Por exemplo, um fica com 100, 150 e 200m e o outro 300 e 500m. O treino de 500 é para dar mais resistência para a prova de 400m rasos”, explica José Armando. O atleta já participou de competições em vários lugares do mundo, como no Canadá, Egito e no Brasil. Ao falar do país que tem o mesmo idioma que a Angola, o português, Armando sorri e conta como foi o contato com o povo brasileiro. “Gos16 tei muito do Brasil. Tem muita gente boa, muita gente fina. Fui muito bem acolhido e respeitado. Não existe preconceito”, avalia. A comida brasileira na opinião de José é praticamente igual a da Angola. No tempo livre, Sayovo se dedica a escutar os canais esportivos. Sua esposa e os seis filhos moram com ele e sentem-se orgulhos das conquistas do chefe de família. Sem um cão guia para acompanhálo no dia-a-dia, Armando conta com um sobrinho que é motorista e o leva para onde deseja. “Quando não estou com meu sobrinho, estou com meu guia Manuel”, conta o atleta. O sonho de José Sayovo Armando é ser sempre um campeão. “Acredito que todo mundo trabalha para isso, ser um campeão. É o desejo de todos”, afirma. Assim como seu ídolo, Cristiano Ronaldo, jogador de futebol, e segundo Armando, o melhor jogador do mundo, ele também é reconhecido no seu país e admirado pela garra e dedicação ao esporte paraolímpico. O atleta conta com o apoio do governo e de toda a população para atingir seus objetivos e se tornar o melhor do mundo assim como o português Cristiano Ronaldo.


All Star Rodas,

sua fonte de energia é o esporte O clube ganha destaque e vai a Pequim em busca de reconhecimento

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Por: Camila Benn

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All Star Rodas foi criado em 1996 quando o técnico Wilson Caju foi aos jogos de Stock Mandeville. “Quando cheguei lá vi essa marca que hoje é do All Star no chão de um hospital. Achei legal e disse para as meninas que ia criar um clube cujo nome seria as estrelas das rodas”,

explica Caju. Quando voltou para Belém, o técnico contou com a ajuda do governo para levar a idéia do chão para o lugar mais alto do pódio nas competições. “Vai pra quase 12 anos, uma vida, nem eu acredito. Isso tudo só foi possível graças à visibilidade que toda a imprensa dá para o clube, essa é a grande oportunidade do deficiente dar seu depoimento”, emociona-se. O basquetebol em cadeira de rodas foi

o primeiro esporte adaptado praticado no Brasil e uma das modalidades que mais atrai público nos Jogos Paraolímpicos. O jogo é disputado apenas por atletas com deficiência físico-motora, sob as mesmas regras da Federação Internacional de Basquete Amador (FIBA), com pequenas adaptações. Hoje o clube tem o impressionante número de 80 atletas ativos. Os contatos dos


participantes são devidamente catalogados e quando alguém deixa de ir por algum tempo, o All Star os procura para saber o que aconteceu. O técnico relata que uma das maiores pedras no caminho da pessoa com deficiência em relação ao esporte é a família. O preconceito com o esporte paraolímpico ainda é grande. “Os familiares costumam dizer que isso não leva a nada, e só quando começam a surgir os frutos eles passam a apoiar. O All Star faz com que a pessoa acredite nela”, explica Caju. A paraense Jucilene Morais, mais conhe-

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cida como Batatinha, é a grande estrela do All Star Rodas. Nascida em 1978 com má formação congênita (encurtamento da perna direita), a jogadora foi criada como uma criança normal. A deficiência nunca afetou o seu dia-a-dia, nem mesmo nas aulas de educação física nos tempos da escola. Com somente 1,42m de altura, Batatinha demonstra muita garra e dedicação dentro de quadra. Desde sua participação na seleção brasileira de basquete, em 1996 nos jogos sub 21 de Stock Mandeville, a atleta continua treinando no clube comandado por Caju.

“Eu teria que dar várias definições para dizer o que o All Star Rodas significa pra mim. Ele me determinou, me fez uma pessoa obstinada nos meus objetivos. Busco cada vez mais melhorar como atleta, ele me fez melhor como pessoa. O All Star Rodas é parte da minha vida, meu mundo, minha existência, meu dia a dia, meu sonho e até meu pesadelo de vez em quando”, revela Batatinha. Hoje o All Star Rodas é a base da seleção brasileira feminina de basquete. Setenta e cinco por cento das atletas convoca-


das para os Jogos Paraolímpicos de Pequim são do clube. O presidente do All Star e também técnico da seleção, Wilson Caju, se emocionou ao falar do reconhecimento. “É muito emocionante você representar seu país, é o sonho de todo profissional. Não tenho palavras para explicar. Você é reconhecido na rua. O Parapan foi uma coisa espetacular, a quadra lotada e todo mundo gritando o nome dos atletas. Me sinto privilegiado de ser técnico”, contou. Na Copa do Mundo Paraolímpica de Manchester, realizada no último mês de

maio, o time feminino ficou em quarto lugar, perdendo para a China no último minuto por apenas um ponto. Batatinha foi eleita a melhor da competição. O presidente Wilson Caju surpreendeu ao responder quais foram as maiores conquistas do clube até hoje. “Na Venezuela a equipe masculina foi campeã. Já tivemos várias vitórias, mas hoje o All Star Rodas vive das grandes conquistas do basquetebol feminino. As mulheres são o grande destaque do nosso clube”, reconhece Caju. O clube se prepara agora para as Para-

olimpíadas em Pequim. O técnico espera ficar entre as cinco melhores equipes do mundo, garantindo a vaga para as Américas. “Quero mostrar o meu estado, o All Star Rodas, o meu país, porque a gente merece. Tem que parar com esse negócio que mulher só vai porque é ajudada. Elas vão pela competência”, afirma Caju. Para mais informações sobre o Clube All Star Rodas entre em contato pelos telefones (91) 3276-2424 e (91) 9981-1123 (Caju) ou pelos e-mails wilsoncaju@bol. com.br e allstarrodas@yahoo.com.br .

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Atletas do All Star Rodas, que são mais da metade da Seleção Brasileira Feminina de Basquete em Cadeira de Rodas, disputaram a Copa do Mundo Paraolímpica, em Manchester em maio deste ano.


s e d a id c s a d a m u é o ir e n a J e O Rio d candidatas a sede das O Brasil disputa o maior evento esportivo do mundo com Madri, Chicago e Tóquio Por: Camila Benn

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Rio de Janeiro pode passar de Cidade Maravilhosa a Cidade Olímpica e Paraolímpica em 2016. De quatro em quatro anos, uma cidade do mundo tem o privilégio de sediar o evento. Em 2016 espera-se que o Brasil consiga ser palco desta festa. O trabalho realizado nos Jogos Parapan-Americanos Rio 2007, que pela primeira vez foi na mesma cidade e em seqüência aos Jogos Pan-Americanos, é um grande aliado na concepção do projeto olímpico Rio 2016. 20

A importância do Brasil como centro internacional de esportes foi confirmada com os resultados dos Jogos Pan-Americano: o país agora está apto a oferecer instalações de treinamento e apoio a todos os atletas. “O Rio 2007 foi muito importante para o esporte brasileiro, pois proporcionou igualdade de direitos ao esporte olímpico e ao paraolímpico. Os atletas tiveram contato com as mesmas instalações, com a mesma Vila e puderam mostrar uma potencialidade até então desconhecida de grande parte do público brasileiro. O esporte nacional foi tratado como um todo no Rio 2007 e isso demonstra que houve integração. Isso muito nos ajuda no planejamento olímpico do Rio 2016”, elogiou o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vital Severino. O objetivo é que as competições sejam ao ar livre para explorar ao máximo a natureza e tornar o evento um grande encontro de beleza e esporte. Copacabana será o cenário para oito modalidades: Canoagem, Remo, Maratonas Aquáticas, Triatlho, Vôlei de Areia, Vela e outras. Algumas provas vão ser realizadas na Praia de Copacabana, um dos pontos turísticos da cidade. Os turistas que visitam o Rio de Janeiro não podem deixar de conhecer o estádio do Maracanã. Erguido em 1950 para receber a IV Copa do Mundo de Futebol, ele passou recentemente por reformas para a Cerimônia de Abertura, as partidas de futebol e o Encerramento do Pan e

Parapan. No novo projeto, o local receberá competições de cinco modalidades, além de novamente ser palco das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos em 2016. O núcleo da Barra da Tijuca será a principal área por ser uma região cercada por montanhas, belezas naturais e praias. Lá serão acomodadas 20 modalidades (56% do total) em 14 instalações. Mais da metade das instalações dos Jogos Olímpicos já existe na cidade e mais 20% será construída independente da candidatura. Serão sete núcleos de competição em quatro regiões olímpicas (Barra, Deodoro, Copacabana e Maracanã). O Rio de Janeiro foi escolhido por ser uma cidade que apresenta condições ideais em vários aspectos. A data proposta para os Jogos Olímpicos é de 5 a 21 de agosto e de 7 a 18 de setembro para os Jogos Paraolímpicos. Neste período o clima é agradável, com baixos índices pluviométricos e temperaturas de um inverno tropical. A beleza natural da cidade, com montanhas, praias e natureza vão de encontro a logomarca criada para divulgar o Rio 2016, um coração com o Pão de Açúcar dentro, que é um dos pontos turísticos da cidade. No caso de aprovação da candidatura, as férias escolares e universitárias serão ajustadas para que os estudantes possam assistir as competições e participar do evento. No dia 12 de maio todos os países da ODESUR (Organización Deportiva Sudamericana) uniram as mãos para apoiar a campanha Rio 2016 durante a XXI Assembléia Geral da entidade, realizada em Medellín, na Colômbia. Os presidentes dos 15 Comitês Olímpicos Nacionais da entidade assinaram uma moção de apoio unânime à candidatura Sul-americana do Rio de Janeiro à sede dos Jogos. Eles entenderam que a candidatura é fundamental para o desenvolvimento do esporte no continente. Os corações dos brasileiros começaram a bater mais forte e mais alto em junho, pois o Brasil está na final. O Rio de Janeiro encontra-se na lista oficial de finalistas da candidatura aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. O Comitê


m e s a d ía p m li o ra a P e s a d ía p m Oli Olímpico Internacional (COI) anunciou no dia quatro, em Atenas, que a cidade juntamente com Chicago, Tóquio e Madri, continua na disputa para receber esse grande evento esportivo. A partir de agora, as concorrentes estão autorizadas a utilizar a denominação de “cidades candidatas”. Antes elas eram só aspirantes. “A candidatura do Rio de Janeiro é muito sólida. Não tínhamos dúvida de que passaríamos por essa fase inicial, mas mesmo assim, é um resultado a se comemorar. Estamos trabalhando ombro a ombro com o Comitê de Candidatura Rio 2016 para trazer esse grande evento para o Brasil”, afirmou o Presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro – CPB, Vital Severino Neto. As cidades finalistas devem elaborar um dossiê de candidatura detalhado com todo o projeto olímpico, que será entregue ao COI em fevereiro de 2009. O Congresso do Comitê Olímpico Internacional, acontecerá no dia 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, e elegerá a cidadesede dos Jogos de 2016. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva manifestou por meio de uma carta pessoal ao presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, o apoio do Governo Brasileiro à candidatura da cidade. Se depender da torcida de todos os brasileiros e do apoio do governo, o Rio de Janeiro vai ser a sede das Olimpíadas e Paraolimpíadas em 2016.

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Atletismo brasileiro mostra superioridade na

Tunísia

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Atletas mostraram que estão bem preparados para os Jogos Paraolímpicos em Pequim Por: Camila Benn

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s brasileiros chegaram com sede de vitória no Campeonato AfroÁrabe de Atletismo na Tunísia. Foram três recordes mundiais, 16 medalhas de ouro, sete medalhas de prata e três de bronze. O carioca Paulo Douglas foi o grande destaque. Com um lançamento de 39m26, ele superou em 1m17 o recorde anterior, além de estabelecer nova marca no lançamento do disco, com 36m55. “Eu não esperava esses recor-

des, mas estou muito feliz. Isso mostra que a gente é capaz”, reconhece Paulo. O último dia de prova foi cheio de surpresas para o Brasil. No lançamento de dardo, a atleta Shirlene Santos melhorou a marca mundial que ela mesma havia estabelecido em Uberlândia. O lançamento de 31m89 da brasiliense é o novo recorde mundial do dardo. Os velocistas fecharam a competição com bons resultados nos 400m rasos. Mesmo com ventos fortes e temperatura acima de 43ºC, os brasileiros mostraram que estão preparados para Pequim.

“Quando virávamos a curva dos 200m, já quase chegando na reta dos 100m parecia que a perna não ia agüentar. Um calor insuportável e o vento contra parecia empurrar a gente pra trás”, descreve Yohansson Ferreira, que mesmo com as dificuldades climáticas foi campeão nos 100, 200 e 400m rasos da classe T46. Nas pistas uma grata surpresa ficou por conta de Edson Cavalcante. A final com o tunisiano Abbes Saidi, principal atleta da classe T38 (diplégicos espásticos afetados minimamente), foi emocionante e deixou


a torcida eufórica. Nos 100m rasos Edson fechou a prova com 11s06 contra 11s04 do tunisiano. “Eu já tinha corrido com ele, mas fiquei um pouco nervoso na largada. Ele tem uma saída muito forte, mas consegui recuperar bem no final”, avalia Edson, que também correu os 200m rasos em 23s46. O fundista Odair Santos, da classe T12 (parcialmente cego), correu pela primeira vez no ano a prova dos 1.500m, com o ótimo tempo de 4’17’’33. “Desde o começo do ano só tenho corrido os 5.000m e os 10.000m. Resolvi experimentar aqui para ter uma idéia de como estou correndo, já que em Pequim além das provas longas vou correr as provas de meio-fundo”, explica o recordista mundial das duas provas de fundo em sua categoria. Os brasileiros Lucas Prado e Felipe Gomes, 1º e 2º lugar respectivamente, dividiram o pódio com o angolano José Armando na prova dos 100m da categoria T11 (totalmente cegos). Lucas completou a prova em 11”30 e Felipe em 11”47. “Essa prova foi uma boa prévia de Pequim. Acabei segurando um pouco por causa da lesão, mas fiquei satisfeito com o resultado. Ainda tem mais por vir”, promete Lucas Prado, recordista mundial da prova com 11”26. O Campeonato Afro-Árabe foi a última competição internacional para os atletas do atletismo. “O resultado no geral foi dentro do esperado, mas com algumas surpresas no lançamento de dardo com a Shirlene e o Paulo, e nas provas de pista com Yohansson e Edson. O objetivo era conhecer o nível dos adversários dos brasileiros em Pequim”, analisa Ciro Winckler, coordenador técnico do atletismo.

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Curitiba deu a largada para as

Etapas Regionais do Circuito

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Por: Camila Benn

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ntre os dias 27 e 30 de março Curitiba recebeu a primeira etapa do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico. Atletas do Sul do país e de parte do estado de São Paulo se reuniram na capital paranaense para dar largada à fase regional do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico. A estréia da competição não poderia ter sido melhor. Cerca de 440 atletas e um total de 700 pessoas estiveram envolvidas na competição, entre técnicos, árbitros, staff e pessoal de apoio. Os números refletem o crescimento do esporte no Brasil com a realização dos Jogos Parapan-Americanos no Rio de Janeiro, e a proximidade das Paraolimpíadas em Pequim. Novos talentos

impressionaram ao competir lado a lado com atletas de renome como Terezinha Guilhermina, Lucas Prado, Yohansson Ferreira, Daniel Dias e Fabiana Sugimori. Seis recordes brasileiros e sete recordes do Circuito foram superados na natação. O atletismo também teve bons resultados. Nos 5.000m rasos o paulistano Odair Ferreira dos Santos fez o excelente tempo de 15’11’’41. Competindo na classe T12 (para atletas de baixa visão), Odair correu pela primeira vez com um guia. “Foi diferente e ao mesmo tempo interessante, estou me adaptando. O entrosamento está surgindo com os treinos, sei que o guia vai me ajudar bastante e há uma grande possibilidade de melhora nas marcas durante o ano”, prevê o atleta. Atividades como palestras, ações promocionais, sessão de autógrafos e partida

de exibição de futebol com atletas cegos em um colégio estadual foram realizadas para esquentar ainda mais os dias de competição. Outra novidade este ano é a implementação em todas as etapas regionais e nacionais do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação um moderno sistema de transmissão dos resultados em tempo real. O sistema já foi utilizado em diversos eventos nacionais e internacionais. A comunicação entre os locais de prova e a internet é realizada através do gerenciamento local do sistema, que recebe os resultados de cada prova dos terminais de apontamento e atualiza o servidor na internet a cada 10 segundos. Os resultados podem ser conferidos no hotsite do Circuito Loterias CAIXA no site do CPB: www.cpb.org.br


Natal reúne talentos e

revela prodígio paraolímpico Por: Camila Benn

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ntre os dias 10 e 13 de abril, a capital do Rio Grande do Norte, Natal, parou para receber os mais de 300 atletas que foram participar da segunda etapa regional do Circuito Loterias CAIXA Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação. As competições da etapa Regional Norte Nordeste aconteceram na pista de atletismo Magnólia Figueiredo (CAIC) e na Piscina Olímpica do Sesi, ambos no bairro de Lagoa Nova. O público pode assistir de perto o sucesso dos atletas e a emoção ao quebrarem 12 recordes brasileiros. 27 Além das grandes estrelas presentes, o Circuito cumpriu sua missão de revelar novos talentos. Os nadadores Adriano Lima, Edênia Garcia e Clodoaldo Silva levaram ouro em todas as provas que competiram. Edênia comemorou seus 21 anos no campeonato. Como presente conquistou quatro medalhas de ouro, nas provas de 100m livre S4, 200m livre S4, 50m costas S4 e 50m livre S4. Com apenas 17 anos, Phelipe Rodrigues participou durante quatro anos de competições convencionais. Em sua primeira competição paraolímpica o jovem atleta – que possui má formação congênita no pé direito – teve uma participação surpreendente e estabeleceu um novo recorde brasileiro nas provas de 50m e 100m livre. Com esse tempo, Phelipe alcançou índices para disputar uma vaga nos Jogos Paraolímpicos de Pequim no mês de Setembro. A quantidade de vagas para Pequim nas modalidades atletismo e natação já foi divulgada: serão 48 no atletismo e 24 na natação.


Brasília encerra fase regional do

Circuito Loterias CAIXA 2008 Por: Camila Benn

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os dias 26 e 27 de abril Brasília se transformou na capital do esporte paraolímpico brasileiro com a última etapa regional do Circuito Loterias CAIXA Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação. Cerca de 500 atletas da região Centro-Leste (Região Centro-Oeste, RJ, MG, ES e algumas cidades de SP) competiram em busca de índices para a etapa nacional e para os Jogos Paraolímpicos de Pequim. O número de vagas para o Brasil já está definido, mas a lista definitiva só será conhecida em julho. Antes de chegar à capital federal o Circuito passou pelas regiões Centro/ Sul e Norte/ Nordeste. O preparo dos atletas pode ser conferido em Brasília. No atletismo, oito recordes Parapan-Americanos foram superados, seis deles em provas de campo. “Se continuarmos nesse ritmo teremos boas surpresas em Pequim”, afirmou Ciro Winkler, Coordenador Técnico do Atletismo do CPB. A atleta Shirlene Santos Coelho estabeleceu novos recordes no lançamento de disco e dardo da classe F37. Também no lançamento do dardo, Marcel da Silva estabeleceu novo recorde na classe F46. Na

classe F36, o carioca Paulo Douglas Moreira é recordista no arremesso de peso e lançamento de dardo. O atleta Lunier Carvalho Sales, de Uberlândia, é o novo recordista no arremesso do peso da classe F36. Das provas de pista do atletismo saíram dois novos recordes Parapan-Americanos. O brasiliense Paulo Flaviano Pereira é o novo recordista dos 400m na classe T37. E nos 200m rasos, Edson Cavalcante Pinheiro estabeleceu novo recorde na classe T38. A natação não ficou atrás. Na modalidade foram estabelecidos quatro novos recordes brasileiros. Os destaques foram: Anderson Ricardo da Silva (100m peito SB14), Camille Rodrigues (100m costas S9), Marina Campos (100m borboleta S12 e 200m medley SM 12) e Letícia Lucas Ferreira (100m peito SB4), além do recordista mundial dos 50m, 100m livre e 100m borboleta da classe S10, André Brasil. Em seu quarto ano, o Circuito Loterias CAIXA reflete o crescimento do esporte paraolímpico brasileiro. Dividido em cinco etapas, sendo três regionais, a competição ultrapassou a marca total de 1200 atletas inscritos na disputa por vagas para as duas etapas nacionais, somando um total de 1680 participantes e profissionais de apoio.

Fique de olho na próxima etapa nacional Competição

Modalidades

Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico – Segunda Etapa Nacional

Atletismo e Natação

Local Fortaleza/ CE

Data 6 a 9 de novembro


Minas Gerais inspira atletas na quebra de recordes

Uberlândia recebeu mais de 500 atletas em busca de índices para Pequim Por: Camila Benn

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s mineiros acordaram mais cedo e enfrentaram o sol quente nos dias 7 e 8 de junho para assistir ao desempenho dos atletas no Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico – Primeira etapa Nacional e na Copa Brasil de Halterofilismo – Etapa II. O clima era tenso entre os competidores que buscavam uma vaga para as Paraolimpíadas de Pequim, na China. A cidade mineira trouxe sorte à goiana Shirlene Santos Coelho da classe F37, que bateu o recorde mundial no lançamento de dardo, com a marca de 31 metros. A atleta não esperava bater o recorde e fi-

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cou surpresa com o resultado. “Lancei bem foi uma surpresa pra mim. Estou muito feliz, agora estou ansiosa para o dia da convocação oficial para Pequim”, afirma a atleta que espera superar a marca novamente. Quem também aproveitou a competição para mostrar seu potencial foi Edson Cavalcante Pinheiro, de Porto Velho. O atleta terminou a prova dos 200m T38 em 23s87, novo recorde Parapan-americano. A marca anterior conquistada no Parapan do Rio de Janeiro também por Edson Pinheiro, era de oito centésimos acima. “Estou muito feliz, os tempos têm vindo de acordo com o treinamento, estou me preparando para a paraolimpíada, por isso já esperava baixar minhas marcas. Bati o recorde dos 100m no regional de Brasília e agora os 200m no nacional, onde o nível é maior. Tenho muita fé que esse ano será maravilhoso pra mim”, prevê o atleta. A natação não podia ficar atrás. O destaque ficou com Pollyane Miranda (classe S13, SB13, SM13) que conquistou em casa o recorde brasileiro dos 100m livre. A atleta terminou a prova em 1m17s25. “Fiquei muito feliz com esse resultado, ainda mais na prova dos 100 livre. Não 30 fiquei nervosa pois nadei em casa, foi só fazer o dever de casa de todos os dias, agora estou mais confiante”, comemora a jovem de apenas 16 anos.


CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL: DEMOCRATIZANDO O ACESSO À INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO

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Por: Camila Benn

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que para muitos antes era desconhecido agora se tornou acessível. O Comitê Paraolímpico Brasileiro disponibiliza curso de classificação funcional de atletismo. O objetivo é formar classificadores funcionais das duas modalidades para atuação nas competições organizadas e chanceladas pelo CPB em âmbito regional e nacional. O público alvo são médicos, fisioterapeutas e professores de educação física. O primeiro tipo de classificação para pessoas com deficiência física foi

desenvolvido no início do esporte para deficientes, na Inglaterra, em 1944, por meio de médicos e especialistas da área de reabilitação. Com o desenvolvimento do esporte e a efetiva participação de vários tipos de atletas com seqüelas diferentes, o primeiro método utilizado se mostrou falho por ser incapaz de agrupar os vários tipos de deficiências e funcionalidades, resultando em número excessivo de classes. Com o número crescente de atletas, a melhora considerável da performance e os avanços tecnológicos, muitas modificações têm sido feitas na tentativa de realinhar o esporte

de alto rendimento para deficientes e uma classificação que acompanhe essa evolução. Conceitualmente, a classificação utilizada hoje na prática do desporto adaptado constitui-se em um favor de nivelamento entre os aspectos da capacidade física e competitiva, colocando as deficiências semelhantes em um grupo determinado. Isso permite oportunizar a competição entre indivíduos com várias seqüelas de deficiência, pois o sistema de classificação eficiente é o pré-requisito para uma competição mais equiparada. O Comitê Paraolímpico Internacional reconhece cinco categorias de


deficiência para participar em suas competições: paralisados cerebrais, deficientes visuais, atletas em cadeira de rodas, amputados e lês autres. No Brasil, o método foi usado pela primeira vez em 1984, no Campeonato Brasileiro de Rodas, embora extra-oficialmente. Na década de 90, com a introdução da classificação funcional no basquete, também foram propostas mudanças no atletismo. “A classificação no esporte paraolímpico é peça fundamental, pois sem ela e extremamente difícil viabilizar uma competição com tantos tipos diferentes de seqüelas de deficiências e habilidades. Outro fator importante é a disponibilidade de informações aos técnicos e atletas, que são as pessoas mais importantes e que fazem o esporte acontecer. Neste sentido o CPB tem proporcionado várias palestras durante o circuito e está investindo em cursos de classificação funcional para formação de classificadores regionais e nacionais, com o objetivo de aumentar o número de classificadores para atuarem em diversas regiões do Brasil, possibilitando que as competições aconteçam em condições profissionais excelentes. Hoje o CPB possui 7 classificadores internacionais, três na modalidade de atletismo, um na modalidade de natação, um na modalidade halterofilismo, e dois na área da deficiência visual. Eles atuam na32 cional e internacionalmente”, afirma a Professora Dra. Patrícia Silvestre de Freitas, coordenadora da equipe de classificação funcional do CPB e classificadora internacional do atletismo.


Como Funciona Cada esporte determina seu próprio sistema de classificação, baseado nas habilidades funcionais identificando as áreas chaves que afetam o desempenho para a performance básica do esporte escolhido. A habilidade funcional necessária independe do nível de habilidade ou treinamento adquirido. Um atleta que compete em mais de um esporte recebe uma classificação diferenciada para cada modalidade. A equipe de classificação pode ser composta por três profissionais da área de saúde: médico, fisioterapeuta e um professor de Educação Física. A classificação é realizada em três estágios: médico, funcional e técnico. Na parte médica é feito um exame físico para verificar exatamente a patologia do atleta bem como sua inabilidade que afeta a função muscular necessária para um determinado movimento. As informações são descritas em fichas apropriadas e arquivadas no banco de dados do CPB. Na avaliação funcional são realizados testes de força muscular, amplitude de movimento articular, mensuração de membros, coordenação motora, evidenciando os resíduos musculares utilizados para a performance na prova. Por último vem a avaliaç��o técnica que consiste 33 na demonstração da prova realizada utilizando as adaptações necessárias. São observados os grupos musculares na realização do movimento, técnica utilizada, prótese e ortese utilizada. Durante a competição os classificadores poderão continuar observando o atleta e analisar algum aspecto que tenha ficado obscuro nos outros processos de classificação. O classificador poderá monitorar uma classificação durante vários eventos. É comum que alguns atletas sejam observados durante o período de um ano ou mais. Entretanto, isto não deve ser considerado uma desvantagem e sim um procedimento normal utilizado pelos classificadores para assegurar uma classificação correta. Para Patrícia Silvestre, a classificação funcional encontra-se em pleno processo de aprimoramento. “Certamente a classificação gera ainda algum descontentamento entre os atletas e técnicos. Isso se dá pelo fato de que é impossível ter classes competindo com um tipo só de seqüelas, seria inviável fazer uma competição assim, pois teríamos várias provas com um ou dois participantes. Ainda estamos em pleno desenvolvimento da classificação e, possivelmente nas paraolimpíadas de Pequim haverá algumas modificações na classificação de algumas modalidades na tentativa de, na medida do possível, ajustar algumas classes”, avalia.


De olho em

A dois meses dos Jogos Paraolímpicos de Pequim, os atletas intensificam a preparação em semanas de treinamento e competições internacionais. O Comitê Paraolímpico Brasileiro descentraliza recursos que viabilizam as concentrações e viagens das equipes. O resultado são vitórias e vários recordes mundiais. Por: Marcela Moreira

do esporte paraolímpico no Brasil.

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O atletismo tem o maior número de representantes em Pequim, com 48 vagas, seguido pelas 24 vagas da natação. Desde sua fase regional, com competições em Curitiba, Natal e Brasília, o Circuito Loterias CAIXA Brasil Paraolímpico viabilizou a periodização do treinamento dos atletas das duas modalidades, incentivando também o surgimento de novos talentos.

altando apenas cerca de dois meses para os Jogos Paraolímpicos de 34 Pequim, os atletas brasileiros se dedicam com força total aos treinamentos nesta que promete ser a mais importante participação do Brasil de todos os tempos. O aumento substancial de modalidades e de vagas em Pequim evidencia o nível técnico dos atletas brasileiros. Das nove modalidades em Sidney e 13 em Atenas, o Brasil terá representantes em 17 este ano. Pela primeira vez as Paraolimpíadas terão na disputa por medalhas atletas brasileiros do goalball masculino, voleibol, vela e remo. Com 89 vagas a mais do que em Atenas e quase o triplo das vagas conquistadas em Sidney, o Brasil tem 187 atletas confirmados em Pequim. Esse crescimento está homogeneamente distribuído em diversas modalidades. Em relação a Atenas, dobrou o número de vagas no halterofilismo e tênis de mesa. O hipismo terá pela primeira vez uma equipe completa em Pequim. O halterofilismo também faz história com uma delegação de quatro atletas. Os números falam por si: é incontestável o crescimento

Tcheca, para a Copa Aberta da Europa (Eurowaves). O objetivo era realizar e revisar a classificação funcional desses nadadores, que pelo ranking do IPC e últimos resultados tinham a possibilidade de convocação para Pequim. Dos atletas que compuseram a delegação brasileira em Chomutov, 50% foram convocados para os Jogos Paraolímpicos de Pequim.

Outras importantes competições do calendário internacional tiveram a presença de atletas brasileiros. Na Copa do Mundo Paraolímpica realizada em Manchester (Inglaterra) entre os dias 07 e 11 de maio, fizeram uma excelente participação os três atletas da natação, três do atletismo e as jogadoras da equipe feminina de basquete em cadeiras de rodas.

No 5º Campeonato Afro-Árabe de Atletismo, realizado na Tunísia entre os dias 12 e 18 de junho, o Brasil teve como saldo nada menos que três novos recordes mundiais, 16 medalhas de ouro, sete medalhas de prata e três de bronze. O Campeonato Afro-Árabe foi a última competição internacional para os atletas do atletismo. Ao lado da natação, a seleção brasileira das duas modalidades se prepara para realizar uma semana de concentração em Macau, na China, entre os dias 22 e 30 de agosto.

Vinte e oito atletas da natação de nove estados brasileiros tiveram a oportunidade de competir com alguns dos melhores do mundo no Campeonato Internacional de Natação Paraolímpica, realizado na Alemanha entre os dias 22 e 25 de maio. Na competição foram estabelecidos três novos recordes mundiais com André Brasil e Daniel Dias. Parte desses atletas foi direto de Berlim para Chomutov, na República

Pela primeira vez na história o remo disputará uma edição dos Jogos Paraolímpicos. A expectativa é de um ótimo resultado pelo bom desempenho dos atletas nos mundiais quando os quatro barcos possíveis asseguraram a classificação para Pequim: o Quatro com Misto, o Double Skiff Misto, o Single Skiff Feminino e o Single Skiff Masculino. Embarcaram para a Alemanha o técnico Cláudio Motta, Antony


Pequim

Bomfim, Elton Santana e Regiane Nunes. O médico carioca Roberto Nahon e a técnica paulistana Eliana Mutchnik, realizaram testes de habilitação a classificadores funcionais internacionais. Competições nacionais e internacionais, semanas de treinamento e concentrações têm sido realizadas ao longo do semestre em várias modalidades. O atirador Carlos Garletti, único representante do Brasil em Pequim, esteve entre os dias 29 e 30 de abril em Bodrum, na Turquia, na Copa de Tiro Esportivo. Além da competição, Garletti participou do curso de classificação funcional in- 35 ternacional da modalidade, tornando-se o único classificador com a qualificação nas Américas. Na carabina de ar deitado, o atleta conquistou 591 de 600 pontos possíveis. Esta foi a primeira vez que um atirador brasileiro conquistou índice internacional na prova. Descentralizando recursos que viabilizam as concentrações e viagens das equipes, o Comitê Paraolímpico Brasileiro é proporcionalmente otimista em relação à expectativa de medalhas nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, que deve acompanhar o aumento do número de vagas e modalidades. O Brasil terminou os Jogos Paraolímpicos de Atenas na 14ª posição geral no ranking de medalhas, melhorando 10 posições em relação a Sidney.

Fu Niu Lele é a mascote dos Jogos Paraolímpicos de Pequim


Judô A seleção brasileira composta pelos atletas Helder Maciel, Eduardo Paes, Antonio Tenório, Karla Ferreira, Michelle Aparecida, Daniele Bernardes, Lúcia Teixeira e Deanne de Almeida realizou uma semana de treinamento em São Paulo (SP) entre os dias 19 e 22 de junho. Logo depois da semana de treinamento, os judocas participaram do 7º GP e Seletiva Internacional da modalidade, também em São Paulo.

Futebol de 5 Entre os dias 21 e 28 de junho a equipe de futebol de 5 realizou a quarta fase de treinamentos em Niterói (RJ). Sob supervisão do técnico Antônio de Pádua da Costa e do preparador físico Cleber Hidalgo, estiveram os atletas Andreonni Fabrizius, Damião Robson, Fábio Ribeiro, Jefferson Gonçalves, João Batista da Silva, Marcos José Alves, Mizael Conrado, Ricardo Steinmetz, Sandro Laina Soares e Severino Gabriel. 36

Goalball As equipes brasileiras de goalball intensificam a preparação para representar o Brasil em Pequim. Pela primeira vez a equipe masculina participa de uma Paraolimpíada. O time masculino realizou entre 17 e 26 de maio a segunda fase de preparação na cidade de João Pessoa (PB). O time feminino se concentrou em Mogi das Cruzes (SP) entre os dias 17 e 26 de maio.

Tênis Entre os dias 9 e 15 de junho a cidade italiana de Cremona recebeu os melhores tenistas do mundo na Copa Mundial Paraolímpica, a Invacare World Team Cup. Acompanhados pelo técnico Wanderson Cavalcante, participaram da competição Maurício Pomme e Carlos “Jordan” dos Santos, convocados para Pequim. Pela segunda vez o Brasil participou da competição com uma equipe feminina, composta por Candida Rejane e Samanta Almeida.


Hipismo O adestramento paraequestre embarcou no dia 02 de junho para a cidade de Saint Lo, na França, com o objetivo de realizar a segunda fase de treinamentos com os cavalos que disputarão os Jogos Paraolímpicos. Dentro do treinamento, os atletas participaram como convidados do Campeonato Francês entre os dias 07 e 08 de junho, tendo um excelente desempenho. Antes dos Jogos Paraolímpicos os atletas realizam duas semanas de treinamento, sendo uma na Alemanha e uma em Hong Kong, onde será disputada a modalidade.

Remo A delegação brasileira de remo realiza a mais esperada semana de treinamento na raia da USP, em São Paulo, entre os dias 10 e 20 de junho. A Confederação Brasileira de Remo se baseia no desempenho dos atletas após esta semana de treinamento para definir a seleção brasileira que representará o Brasil nos Jogos de Pequim.

Vôlei O 6º Campeonato Brasileiro de Voleibol Paraolímpico (série A) aconteceu entre os dias 19 e 22 de junho em Niterói-RJ. Participaram da competição as seis melhores equipes de quatro estados do Brasil. Numa vitória por 3 x 0 sobre o Suzano Paraolímpico, a equipe Cruz de Malta conquistou invicta o bicampeonato brasileiro. O técnico Amauri Ribeiro definiu os atletas convocados para a seleção brasileira em Pequim logo após a competição.

Bocha A seleção masculina de Bocha realiza um intercâmbio internacional com a seleção portuguesa – uma das melhores do mundo – entre os dias 14 e 20 de julho. O técnico Darlan França capitaneará na Cidade do Porto a equipe composta por Eliseu dos Santos, Valmir Araújo de Souza, Dirceu José Pinto e Adriano Silva.

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Delegação Paraolímpica na Copa Brasil de Halterofilismo

Por: Camila Benn

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ealizada em duas etapas, a Copa Brasil Paraolímpica de Halterofilismo aconteceu entre os dias 12 e 13 de abril em Natal (RN) e no dia 07 de junho em Uberlândia (MG). Nas duas etapas o público vibrou com uma competição de alto nível e conferiu de perto a garra, força e profissionalismo dos atletas brasileiros. Entre os atletas que participaram da competição três grandes nomes se destacam: Josilene Alves, Maria Luzineide e Alexsander Whitaker, integrantes da delegação de halterofilismo que representará o Brasil nos Jogos Paraolímpicos de Pequim. “A Copa Brasil de Halterofilismo contribuiu muito para o começo dos treinos e para termos uma noção do nosso potencial”, avaliou Whitaker, que não disputou a segunda etapa em Uberlândia por estar realizando uma clínica de treinamento nos Estados Unidos. “Foi ótimo participar da Copa Brasil de Halterofilismo. Em Natal fiz um levantamento de 110 Kg. Eu já estava treinando para fazer essa marca. Pra gente que já está convocado para Pequim é como se fosse um treinamento da seleção. Estou me dedicando muito. Hoje treino de domingo a domingo. Me sinto honrada de participar da segunda etapa porque ela é na minha região”, comemora Josilene Alves.


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Corrida de aventura e trilhas na natureza atraem deficientes Surgidas na década de 1980 na Nova Zelândia, as corridas de aventura mesclam modalidades como canoagem, orientação, mountain bike, bóia-cross e técnicas verticais em percursos que vão de praias ao asfalto e montanhas. O esporte atrai fãs de esportes radicais e exige disciplina e concentração para superar dias de esforço. Superar mais este desafio é o que fazem os atletas com baixa visão Eduardo Soares e Cristiano Rodrigues.

Por: Camila Benn

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edir constantemente seus limites é o grande desafio da corrida de aventura. A vontade de se superar é exigência básica, já que nem todos os percursos são criados para serem de fato completados por seus participantes. Exemplo disso foi a edição de 1996 da Eco Challenge (Columbia Britânica), quando das 71 equipes que largaram apenas quatro completaram o percurso. Os iniciantes têm a opção de começar em provas individuais, mais rápidas e com menores distâncias. Em um nível avançado, os atletas competem em equipes de 2,


“Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito” Fernando Pessoa

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3 ou 4 pessoas percorrendo normalmente entre 50 e 100 km. Essa distância é percorrida caminhando (trekking), pedalando (mountain bike) ou num bote (bóiacross), sendo também comum a exigência de técnicas verticais, como rapel, escalada e tirolesa, mas cada corrida possui um percurso específico com provas diferentes. É recomendável aos atletas que se dediquem de forma regular à preparação física em todas as modalidades básicas, já que ser superior em uma prova específica não garante um bom rendimento. Os postos de controle (PCs) e áreas de transição (ATs) são os espaços de troca de modalidade com passagem obrigatória por todos os membros da equipe. O caminho para o deslocamento entre um posto e outro é de escolha da equipe, que navega com bússolas e cartas de orientação, sendo estas últimas entregues a cada uma delas poucas horas antes do início da competição. Normalmente todo equipamento deve ser conduzido sem a ajuda de terceiros. Em 1997, o empresário Alexandre Freitas participou de uma corrida de aventura na Nova Zelândia e gostou tanto que resolveu trazer a modalidade para o Brasil. No ano seguinte realizou a primeira edição da Expedição Mata Atlântica (EMA), com duração de três dias e 220 Km de distância. Hoje são organizadas competições em quase todo o país, mas a maior concentração está na região Sudeste, em São Paulo. A falta de informação faz com que a participação de pessoas com deficiência na modalidade ainda seja reduzida. A ONG Grupo Terra, de São Paulo, é pioneira na promoção de passeios ecológicos e no apoio a uma equipe de corrida de aventura com dois atletas de baixa visão. Com baixa visão de nascença, o paulista Eduardo Soares acredita que a modalidade está ao alcance de qualquer pessoa com deficiência visual. “Um amigo me apresentou o Grupo Terra, quando conheci a corrida de aventura. Logo me identifiquei, é radical, emocionante, uma mistura de tudo”, relata o jovem competidor de 27 anos. Segundo Eduardo, a

adaptação mais necessária para a modalidade é a bicicleta Tandem (para duas pessoas). Com corridas em dupla e quarteto, as demais provas não apresentam grandes dificuldades. O atleta faz musculação, spinning, remo e treinamento de pista (corrida, rodagem e giro) para se preparar. “Já nasci com apenas 30% de visão. Meu sonho é fazer uma corrida de aventura de sete dias, com quase 500Km de prova”, afirmou Eduardo. Existem no mercado vários modelos de bicicletas tandem para quem deseja se aventurar nas corridas. A velocidade final de uma tandem é bastante elevada, já que ambos ciclistas unem forças para pedalar. Por isso é preciso ter prática nesse tipo de bicicleta, que exige muito mais equilíbrio e sincronia da dupla. Os preços dependem da marca vão de R$ 1.500 a R$ 10.000. A presidente da ONG Grupo Terra, Isabela Abreu, explica que o primeiro ponto para se praticar a modalidade é ter preparo físico como qualquer outro atleta. “As adaptações que temos na equipe são uma bicicleta Tandem, uma bússola braile e durante toda a prova, narramos o entorno e todos os obstáculos como pedras, galhos, buracos, desníveis e outros”, explica. O Circuito Adventure Camp é o principal circuito de provas curtas da modalidade, com apenas um dia de competições. São quatro etapas por ano em São Paulo e no Rio de Janeiro. Há também circuitos de provas mais longas que duram até quatro dias como o Eco Motion Pro. Isabela explica que todas as modalidades podem ser feitas por pessoas com deficiência visual, mas que a orientação exige o apoio dos guias, uma vez que toda a navegação é feita com bússola e carta topográfica. “O que temos é a bússola em braile e tentamos passar toda a rota antecipadamente para os atletas. Eles conseguem acompanhar para que sentido estamos correndo e quantos metros já percorremos mas ainda não dá para acompanhar as cartas topográficas”, explica Isabela, uma das fundadoras do grupo. A navegação com

bússola é requisito básico para todos os atletas, já que o uso de GPS é proibido nas competições. Para acompanhar o resto da equipe, os atletas com deficiência visual se apóiam nas mochilas, usam cordas-guia ou até mesmo o braço. O trekking é a parte mais dura para um atleta com deficiência visual, porque os obstáculos são constantes. A toda hora encontra-se um galho ou uma pedra. É preciso ter muita energia, concentração e persistência. O guia dá orientações ao longo da descida ou da subida na escalada direcionando os melhores lugares para o posicionamento dos pés e das mãos. Apaixonados por corridas de aventura, Eduardo Soares e Cristiano Rodrigues conheceram a modalidade através da ONG Grupo Terra em 2003. Com mais de dez corridas no currículo, a meta deles agora é estar entre as 20 melhores equipes do Adventure Camp. Para competir de igual para igual o atleta rema duas vezes na semana, faz musculação, spinning e corre mais de 10 Km. “É mais um esporte que o deficiente pode praticar. Quero mostrar que uma equipe que tenha um deficiente pode ser competitiva”, afirma com convicção Cristiano Rodrigues. Em 2004, uma expedição chamada Brasil Adentro percorreu 20.000 Km do país, passando por serras, vales, planícies e planaltos. Entre os exploradores estava a cadeirante Adriana Braun, paraplégica. A equipe venceu o preconceito quando uniu a expedição o ecoturismo e o esporte de aventura. Adriana com a ajuda de todos chegou na cachoeira do Buracão, na Chapada Diamantina (BA) e fez rafting em Itacaré, descendo as corredeiras. Segundo uma das fundadoras da ONG Grupo Terra, todos os esportes radicais são acessíveis para pessoas com deficiências. Hoje existem empresas especializadas em adaptações de equipamentos para esse tipo de esporte. “É preciso verificar o tipo de adaptação necessária para viabilizar a prática, mas o mais importante mesmo é acreditar que é possível”, aconselha Isabela.

Para maiores informações ligue (11) 3849-8508 ou mande um e-mail para grupoterra@grupoterra.org.br

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Um brilho na escuridão Adaptado por Fernando Meirelles do romance homônimo de José Saramago, “Ensaio sobre a cegueira” estréia no Brasil no dia 12 de setembro, em meio aos Jogos Paraolímpicos de Pequim. O filme maravilhou o autor, que se diz satisfeitíssimo com o resultado mas deixou perplexo o público que conferiu a primeira exibição pública do longa na abertura do Festival Cannes.


Sobre José Saramago Escritor, roteirista, jornalista e poeta português, Saramago foi Nobel da Literatura (1998) e conquistou o Prêmio Camões. Conhecido por suas longas frases e uso pouco convencional da pontuação, Saramago subverteu o estilo tradicional da escrita em obras como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, adaptado para o teatro. Aos 86 anos, o escritor tem pelo menos 12 obras publicadas no Brasil.

43 (Blindness), realizada pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles e com estréia nos cinemas brasileiros no mês de setembro, em meio aos Jogos Paraolímpicos de Pequim.

Por: Marcela Moreira Especial para Revista Brasil Paraolímpico

A

daptar uma obra literária canonizada para o cinema é tarefa árdua. Além do crivo do público e da crítica, o resultado precisa obter a aprovação dos leitores da obra original, que não raramente vêem na adaptação uma destruição da capacidade imaginativa proposta pelo livro. “Está aprovado, gostei muito, muito, muito, não mude nada”. Com esta frase o renomado escritor português José Saramago analisou a adaptação para o cinema do homônimo “Ensaio sobre a cegueira”

passam a perceber tão somente uma superfície leitosa sobre seus olhos.

Consagrado pela direção de filmes como “Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel”, o paulistano Fernando Meirelles é hoje um dos mais reconhecidos e premiados diretores de cinema do Brasil. No último mês de maio “Ensaio sobre a Cegueira” foi escolhido para abrir a 61ª edição do Festival de Cannes, na Riviera Francesa, convencendo os mais sensíveis de que o filme fecha uma verdadeira trilogia sobre o holocausto humano, como bem pontuou a crítica do jornal italiano Corriere della Sera.

O filme é estrelado por Julianne Moore, Mark Ruffalo e Gael García Bernal, numa co-produção entre a produtora brasileira O2 Filmes, a japonesa Bee Vine Pics e a canadense Rhombus Media. A coreano-canadense Sandra Oh, de Grey’s Anatomy, faz uma pequena porém importante participação. A direção de fotografia ficou com César Charlone, uruguaio radicado no Brasil e grande parceiro de Meirelles, com quem trabalhou em todas as suas grandes produções. A fotografia do longa é primorosa: a cegueira branca descrita por Saramago é retratada com uma intensa saturação na luz.

O longa-metragem foi rodado em Toronto (Canadá), Montevidéu (Uruguai) e nas cidades paulistanas de São Paulo e Osasco. Conta a história de uma inexplicável epidemia de cegueira que afeta um país fictício, gerando um verdadeiro caos e despertando o que há de pior no ser humano. Numa completa escuridão, homens e mulheres acabam lutando por sua dignidade em meio à barbárie. A “cegueira branca” subitamente toma conta de milhares de pessoas, que

Da crítica, o longa-metragem obteve opiniões diversificadas, porém positivas em sua maioria. Assim como a cegueira súbita, a história não é fácil. O excelente roteiro de Saramago deprime, intriga e causa um profundo desconforto. De forma alguma por ter caráter apelativo ou de mau gosto – apesar das fortes cenas – mas por nos colocar à frente do que há de mais amargo e sórdido na sociedade contemporânea.


A precariedade dos sistemas, a soberba e o lado mais negativo da humanidade são meticulosamente revelados. Em meio ao caos, surge na trama a mulher do médico (Julianne Moore), única personagem não afetada pela epidemia. Mantendo sua visão em segredo, ela passa a guiar pela cidade sete estranhos que acabam se tornando sua ‘nova família’. Os atores e Meirelles foram aplaudidos por cinco minutos na chegada em Cannes. Mas após a exibição do filme, a platéia saiu silenciosa e reflexiva. Para a jornalista Flávia Guerra o romance de Saramago “usa a cegueira para tecer uma metáfora sobre o mundo que se recusa a ver a loucura e o caos em que o consumismo e a degradação do meio ambiente estão nos atirando, com conseqüências seríssimas para o futuro da humanidade. É outra espécie de violência, distinta daquela que Fernando Meirelles enfocou em Cidade de Deus, com o qual pisou pela primeira vez no tapete de Cannes”. Para os mais curiosos, o blog do filme (http://blogdeblindness.blogspot.com), escrito por Fernando Meirelles, traz interessantes informações que vão desde como surgiu o interesse do diretor pelo 44 livro, passando pelo primeiro encontro de Meirelles com Saramago, até pormenores das filmagens captados por seu olhar particular, como na cena em que a atriz Julianne Moore caminha aos prantos por um corredor após ter matado dois dos es-

tupradores que molestaram na sua frente 12 mulheres. Outra postagem interessante do blog conta a forma como se deu a composição dos personagens. Numa mostra de respeito à liberdade criativa do diretor, Saramago preferiu não discutir com profundidade os personagens e nem o objetivo do livro. Se a adaptação pode ser “uma destruição da capacidade imaginativa proposta pelo livro”, uma pista do escritor pode tomar grandes proporções, ferindo as marcas de autoria impostas pelas impressões individuais da equipe nos detalhes da história. O filme é pesado, mas certamente está na lista dos imperdíveis de 2008. Para os

apreciadores de Saramago merece de pronto a pausa reflexiva entre as muitas vitórias do Brasil em Pequim, afinal de contas após assistir o filme o próprio escritor se disse tão feliz quanto no momento em que havia terminado o livro.

“Se pode olhar, veja. Se pode ver, repara”. Olhar com a percepção mecânica da visão, ver como uma observação mais atenta do que nos aparece à vista, uma visão analítica, e finalmente reparar no sentido de se libertar da superficialidade da visão e se aprofundar no interior do que é o homem e assim conhecê-lo. Se isso faz algum sentido, este Velho da Venda Preta será um homem que repara, que tem subjetividade e vida interior. Fernando Meirelles

Serviço Ensaio sobre a Cegueira Baseado no livro homônimo de José Saramago. Direção: Fernando Meirelles. Roteiro: Don McKellar. Gênero: Drama. Com Julianne Moore, Danny Glover, Alice Braga, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Don McKellar, Maury Chaykin e Martha Burns. Estréia no Brasil em 12 de setembro. Distribuidora: Fox Filmes.


Gerson Bordignon, Gerente Nacional de Marketing da CAIXA, premia o atleta Odair dos Santos na Etapa Regional Brasília do Circuito.

O Prefeito de Uberlândia Odelmo Leão prestigia a Etapa Nacional do Circuito Loterias CAIXA ao lado do Presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto, e do Prof. Dr. Alberto Martins.

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Sérgio Cabral, Orlando Silva, Carlos Arthur Nuzman, João Havelange e César Maia, em Atenas, comemoram mostrando a logomarca da candidatura do Rio 2016. O Rio é uma das cidades finalistas na disputa para ser sede olímpica em 2016.


VI Congresso Latinoamericano de Cegos Aconteceu entre os dias 04 e 06 de maio na cidade de Bento Gonçalves - RS, o VI Congresso Latinoamericano de Cegos. Realizado a cada quatro anos pela União Latinoamericana de Cegos (ULAC), o evento abriu espaço para a discussão de temas relativos à deficiência visual e o incentivo à formação de novas entidades. A programação também abriu espaço para o Encontro Latinoamericano de Mulheres Cegas e para a Assembléia Geral da ULAC.

Governo Federal vai apoiar Rio 2016 O Presidente Lula confirmou presença na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto. O Governo Federal está empenhado na candidatura do Rio a sede dos Jogos em 2016. Em solenidade realizada no Palácio do Governo no último dia 23, na presença de dirigentes e atletas olímpicos e paraolímpicos, o Presidente anunciou a liberação de R$ 85 milhões para dar suporte à candidatura.

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Delegação oficial está no site do CPB O Comitê Paraolímpico Brasileiro divulgou por meio de sua Diretoria Técnica a relação oficial dos atletas convocados para integrar a Seleção Brasileira que representará o país nos Jogos Paraolímpicos de Pequim. A relação oficial dos atletas que representarão o Brasil em nos Jogos está disponível no site do CPB: www.cpb.org.br. Na próxima edição da Revista Brasil Paraolímpico você confere tudo sobre Pequim.

Falando em site... O Comitê Paraolímpico Brasileiro prepara uma nova versão de seu website na internet. Elaborado com a ferramenta Plone - uma das mais modernas e versáteis do mercado - o portal permitirá atualização rápida e dinâmica de todo conteúdo, numa linguagem simples e totalmente acessível para deficiente visuais. O portal do CPB será lançado no começo de agosto e na semana seguinte os internautas poderão conferir o hotsite dos Jogos Paraolímpicos de Pequim.


Publicação bimestral do CPB 5.000 exemplares

Presidente Vital Severino Neto

Vice-presidente Financeiro Sérgio Ricardo Gatto

Vice-presidente Administrativo Francisco de Assis Avelino

Assessora Especial para Assuntos Institucionais Ana Carla Thiago

Secretário Geral Andrew Parsons

Diretor Financeiro Carlos José Vieira de Souza

Departamento de Desenvolvimento Técnico e Científico Renausto Alves Amanajás

Editor Chefe Andrew Parsons

Assessoria de Marketing e Comunicação Marcela Moreira

Reportagem Camila Benn

Imagens Publius Vergilius, Saulo Cruz, Christophe Scianni e Daniel Fachinni

Editoração Télyo Nunes

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