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Começam os mundiais de modalidades Jovens paraolímpicos mostram seu talento

Cheios de gás Atletas voltam com tudo ao Circuito Loterias Caixa 2006

Estréia da seção Parapan Rio 2007


BOLA PRA FRENT E A amarga experiência com a copa do mundo de futebol da Alemanha nos deixa um oportuno legado à prática do esporte de alto rendimento no país. Seja a disputa coletiva ou individual, nem sempre acontecem resultados justos ou lógicos. Além da preparação física em dia e da técnica apurada – o que só se consegue com muito treino, algum dom e abnegada dedicação – fatores externos e entraves psicológicos influenciam tanto ou mais o desempenho de cada atleta. Daí, talvez, venha o grande fascínio que atividades esportivas, representação lúdica de embates verdadeiros da vida, exerçam sobre o ser humano, que traz em seu DNA milenar o instinto de superação frente a situações adversas. Quando o cenário se transporta, então, para atletas com deficiência, a dimensão é outra. Diferente, não menor ou secundária, como o Comitê Paraolímpico Brasileiro vem mostrando nestes últimos anos de atuação profissional e determinante para o reconhecimento dos nobres valores desta missão. Este número da Brasil Paraolímpico apresenta participações brasileiras em cinco mundiais, com destaque para Antônio Tenório que, apesar de ser tricampeão paraolímpico, só agora conquistou seu primeiro ouro no mundial de judô realizado na França, em julho. Outro atleta que merece honrarias é Carlos Garletti, do tiro, que conseguiu no mundial da Suíça o inédito MQS (índice de qualificação paraolímpico) para um brasileiro na modalidade. Mais uma novidade é a estréia da seção Parapan, que traçará um fiel panorama dos preparativos e bastidores de um dos mais importantes eventos multiesportivos do planeta, os Jogos Pan e Parapan-americanos do Rio 2007. Completam a revista um apanhado geral do que foi notícia no movimento paraolímpico durante este período e, claro, a volta do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação, que tem as etapas de São Caetano e Belém aqui retratadas. Boa leitura! VITAL SEVERINO NETO Presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro

NO PÓDIO 02 Simone Camargo 21 Wandemberg Nejain 37 José Mauro Vilarinho HUMOR 05 Tirinha da Turma da Monica e caricaturas de Cícero Lopes PARAPAN 06 Lançamento da mascote dos Jogos

ESPECIAL 08 Mundial de vôlei 10 Mundial de goalball 12 Mundial de judô 14 Mundial de basquete 16 Mundial de tiro NOTÍCIAS 18 Juventude paraolímpica 20 Instituto Joaquim Cruz CAPA 24 Circuito Loterias Caixa

ADRENALINA 34 Motocross SOCIAL 42 Bastidores do movimento paraolímpico CULTURA 44 Música de David Valente OPINIÃO 46 Carlos Nuzman


Dividida entre atletismo e goalball, Simone Camargo da Silva deve optar

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por uma das modalidades em busca da melhor performance Por Fernanda Villas Bôas

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Foto: Wander Roberto NE

A ESCOLHA DE

A

paulista Simone Camargo da Silva, de 29 anos, está ao telefone. Conta atenciosamente sua história de vida. Com voz meiga, pede licença em alguns momentos para atender outras ligações. Ela está no trabalho. Mais exatamente, no Departamento de Comunicação da Polícia de São Paulo.


Em Atenas, 2004, Simone optou pelo atletismo. Já em 2006, o mundial de goalball falou mais alto.

Foto: Hall Simpsaon / Divulgação CBDC

Foto: Wander Roberto ME

Foto: Wander Roberto ME

Sua rotina é corrida. Concilia treinos, estudo e trabalho. “Três dias por semana acordo às 5h30 e vou para a academia. No resto da manhã trabalho na polícia. Na parte da tarde, duas vezes por semana, treino goalball e nos outros dias estou na pista de atletismo”. À noite, nada de descanso. Ela segue para a faculdade, onde cursa Psicologia. Cansada? Que nada, ela adora o que faz. “Nos sábados eu também treino, mas depois tiro para descansar. Se estou apaixonada, me dedico muito àquilo que me proponho. É muito legal. Eu amo o que faço”. A deficiência visual congênita parece não atrapalhar. Simone nasceu completamente cega e após inúmeras cirurgias enxergou parcialmente dos seis aos 12 anos. “Acredito que nada na vida acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser, me considero muito privilegiada”. As dificuldades foram muitas. “Eu já sofri bastante. Minha mãe tinha somente o primeiro grau. Nos exercícios de inglês ela soletrava para eu conseguir fazer. Hoje, diante das possibilidades, eu me sinto no céu”.

“Qualquer escolha é muito difícil. Com certeza vou perder e ganhar alguma coisa, mas quero me agarrar nas alegrias do que eu fizer” Simone Camargo

Simone estudou numa escola para deficientes, enquanto enxergava parcialmente. De tanto pedir para os pais, foi para uma escola regular. “Eu queria estar com meus amigos da rua, estudar numa escola normal, estava cansada do internato”. Num acaso da vida, nas férias antes de ir para a escola regular, Simone se feriu e perdeu a visão completamente. Brincadeiras de criança, como ela mesma diz.

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O esporte passou a ser parte de sua vida aos 18 anos. Começou com uma competição de torball, esporte semelhante ao goalball, mas com algumas adaptações. No ano seguinte, em 1995, veio a primeira convocação e a medalha de ouro. No revezamento (4x100m), na Argentina. “Naquela época ninguém sabia que podia participar. Os próprios deficientes não conheciam as possibilidades, muitos competiam antes mesmo de treinar ou de estarem bem preparados para aquilo. Eu sofri muito, cheguei a comer pão com laranja. Não tinha muitas condições, mas queria muito aquilo”.

recuperar de uma lesão. Mas com a convocação acabei focando no atletismo. Eu estava convocada para uma Paraolímpiada e não ia abrir mão. Foi uma luta”.

Ela sempre foi corajosa. Aos 19 anos resolveu morar em Maringá, cidade no Paraná. “Fui sozinha mesmo. Passei quatro anos da minha vida treinando goalball e brincando de correr pelas ruas. Participei de provas de atletismo com pessoas que se dispunham a correr de bicicleta, só para me acompanhar. O atletismo sempre foi um pouco mais difícil de treinar, pois dependia de um guia, de coordenar horários e local”.

Simone acabou de retornar do mundial de goalball, que aconteceu entre os dias 26 de junho e 2 de julho, no Estados Unidos. A seleção chegou às quartas-de-final, mas foi eliminada pelo Canadá, melhor equipe no ranking mundial. “O histórico dos jogos foi bom, mas normalmente aprendemos em situações de decisão”. Desta vez ela não veio com a classificação para a próxima Paraolimpíada, mas com sugestões do que pode ser melhorado. “Precisamos de um pouco mais de coletividade, como a possibilidade de intercâmbios e mais treinos juntas, pois o esporte é de equipe e se não houver isso ficamos no quase. Isso mostra que temos condições e temos que ajeitar detalhes. E quando os detalhes forem ajustados vamos longe”.

Foto: Marcelo Westphalem

Os anos passaram e Simone foi conciliando participações e conquistas nas diferentes modalidades. Em 2001, com o goalball, levou terceiro lugar no Parapan da Carolina do Sul. Em 2003, o vice-campeonato mundial no Canadá. No mesmo ano conquistou o ouro nos 100m e a prata nos 200m no Parapan de Mar Del Plata. Desde essa época vem passando por uma difícil fase de decisões. “Entrei numa boa faixa de marcas no atletismo, o que tem sido um dilema para mim. É muito delicado, tenho convocações nas duas modalidades e elas vêm se alternando”.

Sempre atuante, Simone Camargo também desempenha a função de conselheira fiscal do CPB.

Como no ano da convocação para a Paraolimpíada de Atenas. “Me chamaram para participar do Troféu Brasil. Fui completar o número de competidores, para colaborar, e fiquei em segundo lugar. Com um índice que abriu portas para a competição”. Simone diz que foi uma fase difícil. “Estava conciliando os treinos para o mundial de goalball e tentando me

As conquistas foram o quinto lugar nos 100m e 200m. “Depois que voltei, fiquei chateada. Foi muito abaixo do que eu esperava. Dei um tempo e a partir daí resolvi participar do parapan e me dedicar ao goalball”. Ela acredita que para chegar à excelência em uma das modalidades é preciso dedicação exclusiva a um dos esportes. “Posso treinar as duas modalidades, mas só conseguirei resultados médios com elas”.

No momento, nenhuma decisão está tomada. Enquanto isso, Simone brinca. “Mudei o meu local de treino, agora estou na fisioterapia. Estou cortada do mundial de atletismo da Holanda, aproveitando para me recuperar de uma lesão proveniente do goalball”. Simone garante não saber qual escolha fará, mas afirma que pesará uma série de questões e não deixará de ouvir o coração. “Ambas me completam e eu tenho medo de faltar um pedacinho. Qualquer escolha é muito difícil. Com certeza vou perder e ganhar alguma coisa, mas quero me agarrar nas alegrias do que eu fizer”.


Turma da Mônica

Os três atletas da seção No Pódio deste número estiveram nos mundiais de suas respectivas modalidades: Simone Camargo, do goalball (pág. 2), Wandemberg Nejain, do basquete (pág. 21), e José Mauro Vilarinho, do vôlei (pág. 37). Divirta-se!

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Por Bruna Gosling Foto: Marco Antônio Rezende/CO-RIO

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O Sol nasce para

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Coluna de estréia do Parapan na revista traz cerimônia de lançamento da mascote dos Jogos do Rio 2007

E

le é alegre, gorducho e muito carismático. Símbolo do cenário carioca e do espírito brasileiro, o Sol, escolhido como Mascote dos Jogos Pan-americanos e Parapan-americanos Rio 2007, foi apresentado pelo Comitê Organizador dos Jogos (CO-RIO) no dia 13 de julho, como principal atração do evento comemorativo de um ano para a realização do Pan do Brasil. Diante da bela paisagem do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, a cerimônia, apresentada pela cantora Fernanda Abreu e animada por mais de 100 bailarinos, reuniu personalidades ilustres como o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, além de atletas, jornalistas e outros representantes dos governos federal, estadual e municipal. Lula se mostrou confiante quanto à realização do maior evento esportivo das Américas, mas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestigiou o evento.

“É um prazer enorme contar com o magnífico trabalho que o Comitê Paraolímpico Brasileiro faz, tendo à frente o seu presidente, e meu amigo, Vital Severino Neto”.

Carlos Arthur Nuzman, presidente do CO-RIO e do COB


exigiu cobrança do povo. “Temos que ter papel de lupa daqui pra frente, pois este não será apenas mais um Pan, mas, sim, ‘o’ Pan do Brasil, um evento que nos trará confiança internacional e abrirá as portas para recebermos outros eventos no futuro”.

Cauê será comum ao pan e parapan As construções dos Complexos Esportivos foram planejadas visando ao conforto e à segurança das delegações paraolímpicas. Na Vila Pan-americana, construída

“Este será ‘o’ Pan do Brasil, um evento que nos trará confiança internacional e abrirá as portas para recebermos outros eventos no futuro”.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

A edição 2007 dos Jogos vai representar um marco na história do evento, pois, pela primeira vez, o Parapanamericano será disputado na mesma cidade, com as mesmas instalações e logo em seguida ao Pan-americano, como hoje ocorre nos Jogos Paraolímpicos. Na opinião do presidente do Comitê Organizador Rio 2007 (CORIO) e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, este desafio será mais um motivo de orgulho. “É um prazer enorme e uma grande alegria podermos estar juntos, contar com o magnífico trabalho que o Comitê Paraolímpico Brasileiro faz, tendo à frente o seu presidente, e meu amigo, Vital Severino Neto. Só posso estar muito feliz de ter esta parceria do CPB e do COB”, elogia Nuzman. A XV edição dos Jogos Pan-americanos reunirá 5.500 atletas, de 42 países das Américas, entre 13 e 29 de julho de 2007. Logo em seguida, de 12 a 18 de agosto, serão realizados os Jogos Parapan-americanos, com cerca de 1.300 atletas paraolímpicos, disputando 10 modalidades sob as regras do Comitê Paraolímpico das Américas. São elas: atletismo, basquete, futebol de 5, futebol de 7, halterofilismo, judô, natação, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas e vôlei.

na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, haverá 17 prédios, totalizando 1.480 apartamentos de tipologias diferentes, com 1, 2, 3 ou 4 quartos, para abrigar cerca de 8 mil pessoas, entre elas os atletas paraolímpicos. “O comitê organizador solicitou que eu adaptasse 112 apartamentos para a utilização de cadeirantes e atletas com outras deficiências durante o Parapan. Então, temos banheiros adaptados, por exemplo, com portas maiores que facilitam a circulação”, explica Roberto Saad, engenheiro responsável pela obra da Vila.

Mas a união do Parapan-americano ao Panamericano não pára por aí. Pela primeira vez na história, atletas olímpicos e paraolímpicos serão representados pela mesma mascote, Cauê. Uma prova de que o movimento do paradesporto mundial vem conquistando seu espaço com muito esforço e respeito. Para o programador visual Ney Valle, coordenador da equipe de desenvolvimento e criação da mascote do Rio 2007, a escolha do personagem se baseou nesta exigência de conciliar os dois eventos. “O sol atende a justamente isso, ele não discrimina ninguém, é democrático, nasceu para todos, e a forma que a gente deu já tem os modelos do Parapan, com o Sol praticando os esportes paraolímpicos. Ficou uma graça e nós ficamos super felizes de chegar a isso”. O CO-RIO decidiu promover uma votação popular para escolher o nome da mascote entre tês opções: Cauê, Luca e Kuará. O resultado saiu no dia 6 de agosto, tendo como vencedor Cauê.

Loteria Federal lança extração comemorativa Na véspera do lançamento da Mascote do Pan 2007, outro evento comemorativo de um ano para os Jogos foi realizado pelas Loterias Caixa, em parceria com o CO-RIO. Também em Copacabana, atletas olímpicos subiram no Caminhão da Sorte e realizaram o sorteio da Extração 4052 da Loteria Federal comemorativa Rio 2007. Para esta edição especial, foram distribuídos 75 mil bilhetes, em 9 mil casas lotéricas de norte a sul do país, todos caracterizados pela logomarca dos Jogos Pan-americanos e Parapan-americanos. A ação promocional marca o esforço da Caixa Econômica Federal no apoio e na divulgação dos Jogos Rio 2007. A Caixa é uma das patrocinadoras do evento.

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VALEU A PENA

Seleções masculina e feminina de vôlei disputam seu primeiro mundial de olho na evolução do esporte no Brasil Por Patrícia Osandón Fotos: JJ Clemente

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s equipes masculina e feminina de vôlei sentado ganharam muita experiência no Campeonato Mundial da modalidade, realizado entre os dias 17 e 25 de junho, na cidade de Roermond, na Holanda. Apesar da ausência de medalhas para o Brasil, somente o fato de ter sido esta a primeira vez que o vôlei paraolímpico brasileiro foi a um mundial já é uma vitória. É o que garante o técnico da seleção masculina, Amauri Ribeiro. “O vôlei paraolímpico no Brasil existe há pouquíssimo tempo. Ele praticamente está nascendo. Mesmo assim, tem crescido bastante em todas as regiões do país”, afirma Amauri. A seleção masculina venceu apenas o último jogo disputado no mundial, contra o Japão, por 3 sets a 0, e

Entenda o vôlei paraolímpico Surgiu em 1956, na Holanda, a partir da combinação entre o voleibol convencional e o Sitzbal, esporte alemão que não tem a rede, praticado por pessoas com limitada mobilidade e que jogam sentadas. Podem competir amputados, paralisados cerebrais, lesionados na coluna vertebral e pessoas com outros tipos de deficiência locomotora. Na Paraolimpíada de Toronto, em 1976, o voleibol sentado teve jogos de exibição. Quatro anos depois, este importante esporte coletivo foi incluído no programa de competições dos Jogos Paraolímpicos de Arnhem, Holanda, com a participação de sete seleções. Desde 93, ocorrem campeonatos mundiais da modalidade tanto no masculino como no feminino. O Brasil nunca participou de uma Paraolimpíada. Entre o vôlei paraolímpico e o convencional há menos diferenças do que possa parecer. Basicamente, a quadra é menor, assim como a altura da rede, pois os jogadores competem sentados. Outra diferença consiste no fato de o saque poder ser bloqueado. É permitido o contato das pernas de jogadores adversários, desde que não se obstrua as condições de jogo. O sistema de pontuação, o número de jogadores e a formação da equipe de arbitragem são idênticos à vertente olímpica.


Apesar da penúltima colocação no mundial, a seleção masculina ainda pode garantir a vaga para Pequim no Parapan do Rio 2007. Já a seleção feminina, que ficou em último lugar, não tem mais chance de ir à Paraolimpíada.

ficou em 11º lugar, penúltima colocação. A feminina foi derrotada em todas as partidas e ficou com a lanterna da competição, em 8º lugar. No masculino, o título ficou com a Bósnia-Herzegovina, que venceu o Irã, por 3 a 1. No feminino, as donas da casa (Holanda) ficaram com o título ao vencerem a China, por 3 sets a 2. O mundial foi classificatório para os Jogos Paraolímpicos de Pequim 2008. Agora, para conquistar sua classificação para a Paraolimpíada, os brasileiros ainda contam com o

Parapan-americano do Rio 2007, que terá disputas apenas na categoria masculina. A grande estréia em competições internacionais do vôlei brasileiro ocorreu em 2003, nos Jogos Parapan-americanos de Mar Del Plata, na Argentina, quando a equipe foi vice-campeã. Em 2005, no Mundial Juvenil (Sub-23), na Eslovênia, os brasileiros conquistaram o bronze. “Nossa participação no mundial também foi importante para que a equipe da Organização Mundial de

Delegação brasileira de vôlei Equipe masculina: Cláudio Irineu da Silva (DF), Deivisson Santos (SP), Diogo Rebouças (RJ), Giovani Eustaqui (SP), Guilherme Borrajo (SP), Jamerson Ramos (DF), José Mauro Vilarinho (RJ), Renato Leite (SP), Rodrigo Mello (SP), Thiago Porfírio (SP), Wellington Anunciação (SP), Wescley Conceição (RJ); Marco Aurélio Cziniel (auxiliar-técnico); Amauri Ribeiro (técnico); Mônica Gomes (chefe da delegação). Equipe feminina: Adria Silva (GO), Ana Paula Araújo (RJ), Consuelo Rocha (RJ), Débora Deus (GO), Elessandra Oliveira (GO), Graciana Alves (GO), Kelles Silva (RJ), Lohane Magarão (RJ), Nathalie Silva (SP), Polyana Cunha (GO), Silvana Siqueira (SP), Suellem Lima (SP); Maristela Costa (fisioterapeuta); Alexandre Medeiros (auxiliartécnico); Ronaldo Oliveira (técnico). Com informações da Associação Brasileira de Voleibol Paraolímpico (ABVP).

Voleibol para Pessoas com Deficiência (WOVD) pudesse acompanhar a evolução do vôlei brasileiro. Estamos conseguindo, aos poucos, consolidar nossa presença nas Américas. Desenvolvimento só vem após muito treinamento e investimento”, explica o técnico Amauri, que jogou pela seleção brasileira de vôlei olímpico por 15 anos. Neste período, consagrou-se com a conquista de vários títulos, entre eles a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, e a de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. “No começo da minha carreira como jogador, o vôlei olímpico enfrentou várias dificuldades. Hoje, é referência mundial. Assim, é um desafio para mim colocar o vôlei paraolímpico em um lugar de destaque”, completa.

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Por Leandro Ferraz Fotos: Hall Simpsaon / Divulgação CBDC

No Mundial de Goalball, brasileiras perdem nas quartasde-final para o Canadá, atual número um do mundo, e adiam para 2007 disputa de uma vaga em Pequim

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seleção brasileira feminina de goalball esteve nos Estados Unidos, de 26 de junho a 2 de julho, onde participou do Campeonato Mundial de Goalball da IBSA, em Spartanburg. A equipe chegou às quartas-de-final da competição e, segundo o técnico do Brasil, Wagner Camargo, “as jogadoras ficaram conhecidas como ‘wild’ (selvagens), pela força de suas bolas”. A seleção brasileira disputou sete jogos pelo Mundial e foi eliminada pelo Canadá. Não foi dessa vez que a equipe conseguiu a vaga para os

Jogos Paraolímpicos de Pequim. Uma nova chance de classificação ficará para o ano que vem, quando participarão dos III Jogos Mundiais da IBSA, que irão ocorrer no Brasil, em 2007. O Brasil estreou com uma contundente vitória sobre a Coréia do Sul (10x0). Foram 3 gols de Adriana Lino (MG), 6 gols de Márcia Vieira (PR) e 1 contra das coreanas. No segundo dia de competição, a equipe enfrentou o forte time da Alemanha e manteve o placar empatado em 2x2. As alemãs desempataram faltando 25 segundos e venceram por


As jogadoras brasileiras foram apelidadas de wild (selvagens) pela força de suas bolas.

Seleções com vaga para Pequim-2008 Masculino País

Colocação

Lituânia

Ouro

Suécia

Prata

EUA

Bronze

Eslovênia

4º lugar

Dinamarca

5º lugar

Canadá

6º lugar

Feminino Canadá

Ouro

China

Prata

EUA

Bronze

Dinamarca

4º lugar

3x2. No mesmo dia, no jogo contra os EUA, segundo melhor no ranking mundial, as brasileiras conseguiram fazer um jogo equilibrado. No entanto, desta vez com 4 segundos para terminar o jogo, que estava empatado em 3x3, as americanas balançaram a rede brasileira, marcando 4x3. No terceiro dia, o Brasil enfrentou seu quinto adversário, o Japão, e o jogo terminou empatado em 3x3. Ainda no mesmo dia, as meninas venceram a África do Sul por 10x0, e se classificaram para a segunda fase. Pelas quartas-de-final, o Brasil enfrentou o Canadá, equipe que chegou à final de duas Paraolimpíadas. A seleção brasileira dependia da vitória para disputar a semifinal e garantir uma vaga para os Jogos Paraolímpicos de Pequim em 2008. As canadenses, melhor time do mundo no ranking mundial, venceram o Brasil por 7x2, avançaram na competição e conquistaram mais um título, o de Campeãs Mundiais IBSA 2006. Com informações da Confederação Brasileira de Desporto para Cegos (CBDC).

Delegação brasileira de goalball Adriana Bonifácio Lino (MG), Ana Carolina Duarte Custódio (RJ), Márcia Bonfim Vieira (PR), Neuzimar Clemente dos Santos (ES), Renata Hermenegildo Fernande (SP), Simone Camargo da Silva (SP); Wagner Xavier de Camargo (chefe da delegação); Dailton Freitas do Nascimento (técnico); Diego Gonçalves Colletes (preparador físico); Marília Passos Magno e Silva (fisioterapeuta).

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Tenório conquista ouro inédito no Mundial de Judô e Brasil fica em sétimo lugar Por Leandro Ferraz Fotos: Divulgação Brommat 2006

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m um dia triste para o Brasil, pelo menos um brasileiro teve motivos de sobra para comemorar. No mesmo 1º de julho em que a seleção canarinho de futebol era novamente desclassificada pela França de Zidane de uma copa do mundo, um dos maiores judocas paraolímpicos do planeta, Antônio Tenório da Silva, conquistava uma inédita medalha de ouro no Mundial de Judô Paraolímpico, realizado de 29 de junho a 3 de julho, na cidade de Brommat, em solo francês. Mesmo com tantos resultados expressivos, afinal é tricampeão paraolímpico em sua categoria, o judoca brasileiro jamais havia ganho um ouro em mundiais. Além da primeira colocação de Tenório, a seleção brasileira, representada por 11 judocas no total, trouxe mais duas medalhas na categoria feminina: uma de prata, conquistada pela atleta Michele Ferreira, e uma de bronze, de Lourdes Souza. As medalhas contam pontos para o ranking mundial, que garante vaga em Pequim. No primeiro dia de competição, a atleta Lourdes Souza ganhou o bronze na categoria +78kg. Já no segundo dia, quem brilhou foi Tenório, com ouro na categoria -100kg. A prata veio com Michele Ferreira (-52kg). Após derrotar a russa Veroni Mukhamadeyeva, a sulmato-grossense competiu com a francesa Sandri Aurieres, que levou a melhor. O Campeonato Mundial na França, que teve participação de mais de 200 atletas de 38 países, foi o primeiro de uma série de eventos qualificatórios que podem assegurar vagas para os Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008. Os Jogos Mundiais da IBSA – Brasil 2007 e os campeonatos continentais (no caso brasileiro, o Parapan-americano – Rio 2007) também contarão pontos para a somatória do ranking. Com informações da Confederação Brasileira de Desporto para Cegos (CBDC).

Delegação brasileira de judô

Medalhas do Brasil Atleta

Medalha

Antônio Tenório (- 100kg)

Ouro

Michele Ferreira (- 52kg)

Prata

Lourdes Souza (+ 78kg)

Bronze

Tenório, Michele e Lourdes: medalhas que garantiram a 7a colocação para o Brasil.

Coordenadores Walter Russo Jr. (RJ) e Carmelino Souza Vieira (RJ); técnico Jucinei Costa (RJ); auxiliar técnico Ricardo Batista (PR); atletas Karla Cardoso (RJ), -48kg; Michelle Ferreira (MS), -52kg; Helder Araújo (SP), -60kg; Regina Dornelas, -63kg; Magno Marques (SP), -66kg; Wanderson Porfírio (SP), -73 kg; Lourdes Souza (RJ), +78kg; Alessandro Oliveira (SP), -81kg; Divino Dinato (GO), -90kg; Antônio Tenório (RJ), -100kg; Alexandre Silva (RN), +100kg.

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Por Julia Cense Fotos Frans Nelissen & Ad van Geffen

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Por Julia Censi Fotos: Frans Nelissen & Ad Van Geffen

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nquanto a Seleção Brasileira de Futebol se despedia dos gramados alemães, outra seleção invadia a Europa para mais um desafio. Cheia de esperança, a seleção brasileira masculina de basquete em cadeira de rodas desembarcou na Holanda para a disputa do Campeonato Mundial da modalidade, de 3 a 16 de julho. A trajetória brasileira começou ano passado com a conquista da medalha de bronze na Copa América, realizada em dezembro, em Colorado Springs, nos Estados Unidos. Com a classificação, o Brasil garantiu a vaga para o mundial no grupo A ao lado de Canadá, Itália, Israel, Japão e Holanda. No grupo B, os adversários eram Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, África do Sul, Suécia e França.

Pela frente, jogos difíceis. No primeiro confronto, com a forte seleção da Itália, o Brasil perdeu por 70 a 57. A derrota para os atuais campeões europeus não tirou o brilho das jogadas brasileiras. Mesmo com a forte marcação, o ala brasileiro Erick Epaminondas foi o destaque da partida ao marcar 18 pontos. E vieram os canadenses na segunda partida disputada pelos brasileiros. O placar de 69 a 56 acabou favorável aos atuais campeões paraolímpicos. Dessa vez, o canadense Johnson dominou o jogo e chegou ao fim com a marca de 20 pontos. Técnicos e jogadores saíram satisfeitos com a atuação brasileira e confiantes na classificação do Brasil entre os oito melhores. Mas foi difícil manter a vaga das quartas-de-finais com mais duas derrotas consecutivas. O Brasil chegou a

Classificação Final Resultado

País

1º lugar

Canadá

2º lugar

Estados Unidos

3º lugar

Austrália

4º lugar

Holanda

5º lugar

Inglaterra

6º lugar

Suécia

7º lugar

Japão

8º lugar

Itália

9º lugar

BRASIL

10º lugar

Israel

11º lugar

França

12º lugar

África do Sul


Delegação brasileira de basquete Atletas: Heriberto Roca (Águias/SP); Vitório Costa (Adfego/ GO); Wandemberg Nejaim (Águias/SP); José Soares da Silva (ADDF/PE); Glebe Alves da Silva (Leões/PE); Anderson Ferreira (Águias/SP); Marcos Silva (ADA/GO); Erick Epaminondas (CAD/ SP); Natanael Silva (ADDF/PE); José Marcos da Silva (Aedrehc/ SP); Írio Nunes (Leões/PE); e Leandro Miranda (Águias/SP). Comissão técnica: Marcelo Romão (mecânico CBBC); Belisa Oliveira (fisioterapeuta Cenesp/Esef); Adriana Constantino (auxiliar-técnica Águias/SP); Fátima Barbosa (técnica ADDF/PE); Rui Marques (árbitro CBBC); Raniero Bassi (CBBC); Fernanda Roqueti (CBBC); e Naise Pedrosa (presidente CBBC).

Seleção brasileira de basquete esbarra em países tradicionais e fica em nono lugar no mundial 15

dominar o primeiro jogo contra o Japão e acabou perdendo no último quarto (66 a 54). E contra os donos da casa não foi diferente: a Holanda venceu o jogo nos últimos minutos (72 a 61). Ainda restava o último jogo da primeira fase, contra Israel, que terminou 74 a 51 para os israelenses. A primeira vitória dos brasileiros teve gosto de vingança: se no futebol o Brasil foi eliminado pela França, na quadra a vantagem foi dos brasileiros por 79 a 63. Com o resultado, o Brasil enfrentou novamente Israel na disputa do nono lugar e finalizou sua participação com mais uma vitória (61 a 53). O Canadá comprovou o favoritismo tanto no masculino como no feminino. Ambos os jogos da final foram contra os EUA. No masculino, o Canadá conquistou o primeiro título em

campeonatos mundiais ao vencer a seleção norte-americana por 59 a 41. A seleção feminina continua imbatível em mundiais. Depois de perderem a semifinal dos Jogos Paraolímpicos de Atenas para os EUA, as canadenses deram o troco e venceram por 58 a 50, conquistando o tetracampeonato mundial (1994, 1998, 2002 e 2006). A volta para casa não foi da maneira imaginada, mas deixou a certeza de que o basquete em cadeira de rodas no Brasil passa por uma fase importante de crescimento e solidificação. A busca por uma vaga para a Paraolimpíada de Pequim fica adiada para o Parapan-americano do Rio 2007. Com informações da Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas (CBBC)


Por Leandro Ferraz Fotos: divulgação CPB

Delegação brasileira de tiro vai a Aberto na Itália e a Mundial na Suíça e consegue índice histórico com Carlos Garletti

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U

ma simples escala em Portugal deu muita dor de cabeça para a delegação brasileira de tiro esportivo. O primeiro destino era Itália, onde disputariam o Aberto de Padova com mais 23

Carlos Garletti (à esquerda) e Sérgio Vida, em intervalo do Aberto da Itália.

países, de 7 a 9 de julho. Quando chegaram em solo italiano, veio a notícia: o armamento do atirador paranaense Carlos Garletti, um dos destaques do grupo, havia sido retido em terras lusitanas.

Sem tempo para agir e abalado com o incidente, Garletti competiu em Padova com armas emprestadas o que, em sua opinião, influenciou negativamente sua performance. “Não me avisaram da apreensão e, ainda por cima, deixaram-me embarcar como se nada estivesse acontecendo”, reclama. “O problema agora é que ninguém na companhia aérea se responsabiliza por minhas armas, que custam caro. Ainda não as consegui de volta”. Apesar de tudo, Garletti deixou a Itália com 565 pontos na prova de Carabina .22 Deitado – R6, marca exatamente igual ao MQS (Minimum Qualifying Score – índice mínimo de qualificação para os Jogos Paraolímpicos). É a primeira vez que um brasileiro alcança tal índice. “Foi fabuloso e surpreendente. Por causa do problema com as armas, esperava ter um resultado péssimo”, confessa Garletti, que sofreu lesão medular há quatro anos durante um salto de vôo livre e perdeu os movimentos da perna direita.


Delegação brasileira de tiro Ana Valéria Shu (São Paulo - pistola de ar P2) Carlos Alberto Strub (Rio de Janeiro - pistola de ar P1) Carlos Garletti (Ponta Grossa - carabina de ar em pé R1, carabina de ar deitado R3, carabina .22 deitado R6 e carabina .22 deitado, em pé e de joelhos) Sérgio Adriano Vida (Curitiba - pistola de ar P1, pistola sport P3 e pistola livre P4) Lima e Silva (Rio de Janeiro - chefe da delegação) Djalma Carlos (Natal - médico) 17

No mundial da Suíça mais dois MQS são conquistados A delegação brasileira chegou à Suíça na noite do dia 12 e, já na manhã seguinte, os atletas começaram as disputas do 5º Campeonato Mundial de Tiro Adaptado, que reuniu 41 países. Ainda com armas emprestadas, Garletti quase chega a novo MQS na Carabina de Ar Deitado – R3 ao marcar 589 pontos, ficando a apenas um dos 590 do MQS. Logo depois, de novo na R6, ele atingiu 570 pontos na eliminatória e 575 pontos na classificatória, batendo por duas vezes o MQS de 565 pontos. Os outros dois integrantes da seleção, o carioca Carlos Alberto Strub e o curitibano Adriano Vida, não atingiram pontuação para o índice. De acordo com o chefe da delegação brasileira, Lima e Silva, os resultados não foram satisfatórios, mas acredita que o desem-

penho de Carlos Garletti mantém as chances de uma vaga para Pequim. “As vagas são distribuídas por continentes, regiões e até por convite. O número de atiradores em paraolimpíadas é de apenas 140 e o cálculo para se chegar a uma vaga é extremamente complexo. Mesmo assim, os três MQS do Garletti nos enchem de esperança”, afirma, confiante, Lima e Silva.

Garletti teve seu equipamento retido em uma escala em Portugal e competiu com armas emprestadas.


Por Julia Censi Fotos Mike Ronchi Produções

Dois recordes Parapan-americanos nos 50m e 100m livre em Belém são o cartão de visita de Ana Clara Carneiro, 14 anos.

Cada vez mais cedo, jovens promessas surgem no movimento paraolímpico e encantam o público pela facilidade com que superam desafios

JUVENTUDE

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Paraolímpica A

s rotinas e os sonhos são parecidos: escola na parte da manhã e treino, muito treino, à tarde. Nas pistas e nas piscinas, garotos e garotas que encontraram no esporte um novo significado. Um objetivo de vida.

Allan Oliveira, 13 anos, conheceu o atletismo através de um vizinho. Biamputado das pernas desde os nove meses de idade, esse paraense de sorriso fácil lembra das molecagens que aprontava para poder chegar às pistas. “Quando eu era pequeno, os filhos do meu vizinho iam treinar e eu chorava muito para ir junto. Eles ficavam com pena e acabavam me levando. E hoje eu estou aqui”, conta.

Guilherme Coutinho, 14 anos, participou pela primeira vez do circuito na etapa de São Caetano, em maio deste ano.

Em Belém, Allan competiu pela primeira vez em uma etapa do Circuito Loterias Caixa de Atletismo e Natação, nos 100 e 200 metros rasos. A estréia empolgou o atleta e os treinadores. Allan fez 16 segundos na prova mais curta, correndo com próteses pesadas e que ainda não são ideais para provas de velocidade. Nada que desanime ou diminua a paixão des-

se jovem atleta. “O esporte mudou minha vida. Antes eu não tinha dinheiro para comprar sapato, que eu uso muito, não tinha um futuro. Hoje eu tenho um sonho: participar de uma paraolimpíada”, diz sorrindo. Do outro lado do estádio da Universidade Estadual do Pará, o brilho vem da piscina. O brilho de três medalhas de ouro da pequena Ana Clara Carneiro. Aninha, como é carinhosamente chamada pelos outros atletas, tem apenas 14 anos e é uma das boas revelações do Circuito. Nessa segunda etapa, ela bateu dois recordes parapan-americanos nas provas de 50m e 100m livre e ficou entre os 20 melhores atletas da etapa. A trajetória como atleta é curta e tem um começo bastante parecido com o de tantos outros jovens. “Quando eu tinha seis anos, tive que fazer uma cirurgia e, para recuperar o movimento da perna, precisei fazer terapia. Depois de um tempo, o hidroterapeuta disse para eu começar a nadar porque eu tinha um ‘algo a mais’”, revela a nadadora.


Vinda do Projeto DescalSOS, que o campeão olímpico Joaquim Cruz mantém no Distrito Federal, a adolescente de 15 anos Priscila Lima (à direta, com sua irmã) já passou dos 90% do reconde mundial nos 200m rasos.

Paraolímpicos do Futuro reforça participação de jovens atletas Algo que pode ser encontrado em milhares de jovens em todo o país. E para descobrir esses talentos, o Comitê Paraolímpico Brasileiro começa a trabalhar no projeto “Paraolímpicos do Futuro”. Uma proposta inovadora que tem como objetivo principal difundir o movimento paraolímpico nas escolas do ensino fundamental e médio em todo o Brasil. A expectativa é que os estudantes tenham contato com o esporte em uma fase mais apropriada do seu desenvolvimento físico e, a partir do interesse e da aptidão, possam se integrar ao esporte paraolímpico. Até 2008 o CPB espera atingir um universo de aproximadamente 15 milhões de alunos na faixa etária entre 11 e 18 anos com a expectativa de, entre eles, serem identificados em torno de 2%, ou 300 mil alunos elegíveis para o movimento. “Sem exagero, é possível estimar nesse contingente de alunos cerca de 1% de jovens com talento para o esporte, o que significa a possibilidade de termos, a médio e longo prazo, uns 3 mil atletas com potencial”, estima o Mesmo com próteses inadequadas, Allan Oliveira, 13 anos, deixou boas marcas em sua estréia no circuito em Belém.

coordenador do desporto escolar do CPB, Vanilton Senatore. Para o presidente do CPB, Vital Severino Neto, mais importante ainda que essa clara 19 descoberta de novos talentos é a possibilidade de o Comitê contribuir para a universalização da oportunidade de acesso à prática esportiva para estudantes com deficiência. “Sem dúvida, o projeto contribuirá para a formação humana, inclusão social e melhoria da qualidade de vida de cada um deles”, explica Vital. E já é possível perceber o reflexo dessa iniciativa nas etapas do Circuito Loterias Caixa. Em pouco tempo, a participação dos jovens aumentou e os resultados começaram a aparecer. “Durante todas as etapas do Circuito em 2005 falamos com os técnicos e dirigentes de entidades, especialmente nos congressos técnicos, sobre o projeto Paraolímpicos do Futuro. Naturalmente, isso contribuiu e incentivou a participação de alguns atletas mais novos”, enfatiza Senatore. Espera-se para os Jogos Paraolímpicos de Pequim o ápice dessa renovação. Até lá, nossos pequenos guerreiros seguem treinando com a aprovação de quem já percorreu cada etapa desse longo caminho.


Texto e fotos: Marcelo Westphalem

Natural de Taguatinga, o campeão olímpico Joaquim Cruz mantém em regiões carentes do Distrito Federal o Projeto DescalSOS

20

E

m 1989 o campeão olímpico Joaquim Cruz, ouro em Los Angeles-84 e prata em Seul88, começou a enviar planilhas de treinamentos para técnicos do Distrito Federal que trabalhavam com crianças carentes de algumas cidades satélites. Depois de contatos com alguns desses treinadores, Joaquim resolveu doar alguns tênis seminovos de competição para os garotos mais dedicados. Por uma década ele prosseguiu com essa iniciativa solitária de doações de materiais esportivos, que eram adquiridos nos Estados Unidos, onde mora há mais de 20 anos. A idéia de fundar uma instituição permanente surgiu em 1999. O objetivo era aumentar a quantidade de tênis trazidos, já que ele constantemente enfrentava problemas com a alfândega brasileira. Assim nasceu o projeto Clube dos DescalSOS, que logo recebeu o patrocínio da Caixa Econômica Federal. Em 2003, Joaquim percebeu que precisava ampliar

as ações e criou o Instituto Joaquim Cruz, com a finalidade de estruturar o Clube dos DescalSOS/Caixa e participar da construção de uma sociedade mais justa, tendo como inspiração sua própria trajetória de um garoto pobre, de Taguatinga, que encontrou no esporte uma oportunidade de mudar sua realidade. Em vez de criar do zero núcleos de treinamento esportivo para crianças carentes, o projeto optou por apoiar os vários que já existiam no Distrito Federal e vinham trabalhando com seriedade, porém contando com pouca estrutura. Atualmente, a sede do Instituto fica na Asa Norte, em Brasília, e conta com três funcionários. O coordenador é o ex-atleta Ricardo Vidal. O trabalho já está dando resultados. Entre as grandes revelações está a garota Priscila Lima, 15 anos, que não tem a mão esquerda. Em 2006 ela participou pela primeira vez do Circuito Loterias Caixa de Atletismo e Natação. Priscila foi um dos destaques da primeira etapa, em São Ca-

Em visita ao CPB, Joaquim Cruz explica ao presidente Vital detalhes do Projeto DescalSOS.

etano-SP, obtendo a marca de 27s35 nos 200m rasos, que representa cerca de 94% do recorde mundial e a coloca entre os 12 melhores atletas do atletismo paraolímpico brasileiro. A revelação brasileira de Ceilândia só não foi convocada para o Mundial de Atletismo 2006, na Holanda, porque a organização da competição limitou a idade mínima em 16 anos. O Clube dos DescalSOS atende cerca de 120 crianças e jovens entre 12 e 17 anos, com e sem deficiência, distribuídas em seis núcleos: Ceilândia, Águas Lindas, dois em Sobradinho, Gama e Recanto das Emas. O objetivo do projeto – que proporciona orientação esportiva e cidadã, uniforme, complemento alimentar e participação em eventos competitivos – não é simplesmente investir em atletas de alto-rendimento. “Além de formar bons atletas, queremos também ensinar a esses jovens princípios como amizade, disciplina, respeito e determinação”, explica o professor Geovanne Caixeta, voluntário e coordenador do núcleo de Ceilândia, que percorre 70 km, três vezes por semana, para atender ao projeto.


..............

LANÇAR

V

inte e dois anos de vida. Oito de esporte. Copas do Mundo. Paraolimpíada. Títulos brasileiros. E um amor incondicional pelo Águias em Cadeira de Rodas, time de São Paulo e um dos mais conhecidos do basquetebol paraolímpico no país. Wandemberg Nejain do Nascimento, ou apenas Berg, como é chamado pelos amigos, começou a jogar basquete aos 14 anos, na ADM (Associação

Por Luciana Pereira

Foto: Gaspar Nóbrega

LIVRE PARA

O pernambucano Wandemberg Nejain declara seu amor ao Águias em Cadeira de Rodas e se orgulha de viver do basquete

21


Foto: Patrícia Osandón

Berg (de preto) na conquista do Brasileiro 2005 com seu clube de coração, o Águias em Cadeira de Rodas.

de Deficientes Motores), ainda em Pernambuco, onde nasceu, levado por um amigo, que o apresentou ao esporte. O convite para treinar em São Paulo aconteceu em pouco tempo, um ano depois, durante um campeonato da 2ª divisão, em Anápolis, 22 Goiás. “Estava jogando com o time da ADM e o Águias também estava. Então me convidaram”, lembra.

Foto: Gaspar Nóbrega

Muito desconfiado e, principalmente, muito mal-acostumado aos mimos da “voinha”, da mãe e das

duas irmãs, Wandemberg não aceitou o convite, que foi feito novamente e aceito somente um ano depois, quando tinha 16 anos. Ele conta que a adaptação foi muito difícil, não pelo time, mas por ser muito novo e ter que morar sozinho, longe da família. A companhia do amigo e atleta Rosinaldo Ferreira Porto, também do Águias, que mora com Wandemberg e outros dois companheiros de time, foi fundamental para a sua permanência em São Paulo. “Ele é meu amigo, meu irmão. É um pai mesmo”, resume. Wandemberg, atleta classificado como “ponto 2”, além de vestir a camisa do Águias, também está na

Seleção Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas e se orgulha de viver do basquete, recebendo bolsaatleta na categoria paraolímpica. A deficiência física, que compromete os movimentos das pernas e do braço direito, é seqüela de uma poliomielite, que teve aos seis meses de idade. “Sou desencanado com relação à deficiência. Vivo sem criar problemas para a minha vida. Sou um privilegiado. Só jogo basquete, que é a minha vida, já conheci lugares lindos e passei experiências incríveis, como, por exemplo, estar em uma Paraolimpíada”. Ele também fez uma passagem brilhante pela seleção sub-23. A última participação do atleta, que faz 23 anos em setembro e não joga mais com o time, foi no Mundial, em Birmingham, na Inglaterra, em agosto de 2005. A equipe brasileira ficou em 7º lugar. Na partida classificatória, na Argentina, Berg foi o cestinha da competição. Com a Seleção Brasileira, já esteve em dois mundiais: em 2002, no Japão, quando ficaram em 10º lugar, e em julho deste ano, em Amsterdã, na Holanda, com a 9ª colocação. “Acho que temos tido uma evolução no basquete em cadeira de rodas no Brasil. Contamos com ótimos atletas e técnicos e podemos ter um resultado muito melhor em Pequim”, sonha o atleta que ficou em 10º lugar com a seleção brasileira, na Paraolimpíada de Atenas, em setembro de 2004.

Nos Jogos Paraolímpicos do Brasil, em maio de 2004, preparação para a Paraolimpíada de Atenas.


Sempre falante e brincalhão, Wandemberg não disfarça a emoção quando se refere ao Águias, time em que está há seis anos e onde se realizou como atleta e como homem. No currículo, quatro títulos paulistas, dois brasileiros e uma série de campeonatos regionais. O atleta é só elogios ao time, atletas, técnicos e psicólogos. O carinho pelo Águias é tão grande que Wandemberg garante não sair de lá por nenhuma oferta de outro time do Brasil. “É muito mais do que dinheiro. Eu amo estar aqui”.

"Sou desencanado com relação à deficiência. Vivo sem criar problemas para minha vida. Sou bem privilegiado. Já conheci lugares lindos e passei experiências incríveis, como estar em uma Paraolimpíada".

A participação na Paraolimpíada de Atenas trouxe muitos ensinamentos a Wandemberg.

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Foto: Wander Roberto ME

No basquete em cadeira de rodas, são dez atletas em quadra – cinco de cada time – e a classificação de cada lado deve somar, no máximo, 14 pontos, de acordo como grau da deficiência física do atleta. As classes vão de ponto 1 a ponto 4,5 e quanto menor a classificação, maior o comprometimento físico. Jogam lesionados medulares e também amputados e são proibidos movimentos com os membros inferiores. As dimensões da quadra e o tamanho da bola seguem o padrão do basquete convencional e os jogadores devem quicar a bola pelo menos uma vez a cada dois movimentos com a cadeira. “Não acho que o esporte para deficientes seja uma forma de reabilitação para a sociedade. Acredito sim que é importante fisicamente, não só para quem tem alguma deficiência, mas para todo mundo. Esporte é vida. No meu caso, é a minha profissão, é tudo para mim. Encaro dessa forma”.


CHEIOS DE

A

primeira etapa do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação 2006, realizada em 24 São Caetano/SP, em 27 e 28 de maio, começou oficialmente com uma coletiva de imprensa na cidade de São Paulo, no dia 25, quando foram apresentados os 15 atletas patrocinados pelas Loterias Caixa neste ano (veja quadro). Entre os patrocinados, o destaque fica por conta dos cinco novos atletas a completarem o time: André Brasil, Edênia Garcia, Ivanildo Vasconcellos, Terezinha Guilhermino e Odair Ferreira. Para o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vital Severino Neto, o ano de 2006 é fundamental para os atletas em função das várias competições internacionais. “Por isso é tão importante a consolidação de nossa parceria com as Loterias Caixa. Juntos, tenho certeza de que vamos tornar o esporte paraolímpico tão respeitado quanto os outros”, afirma Vital. O nadador Ivanildo Vasconcellos revela que o patrocínio trouxe tranqüilidade para ele. “Agora posso fazer um planejamento melhor e investir ainda mais em minha carreira”, comemora.

Atletas voltam com tudo ao Circuito Loterias Caixa em 2006, com primeiras etapas em São Caetano e Belém Por Leandro Ferraz Fotos: Mike Ronchi Produções


Outras preliminares esquentam início das competições Como parte da estratégia de promoção do circuito nas cidades por onde passa, ações de demonstração do esporte paraolímpico foram realizadas no Centro Educacional do Sesi, em São Caetano, no ABC Plaza Shopping e na Fundação Getúlio Vargas, em Santo André.

Rosinha em conversa com alunos do Centro Educacional do SESI, em São Caetano.

Cerca de 150 estudantes do Sesi ouviram depoimentos de dois dos maiores expoentes do esporte paraolímpico, a recordista mundial Roseane dos Santos e o tricampeão paraolímpico Antônio Tenório, e praticaram futebol com olhos vendados e basquete em cadeira de rodas, com orientação de Alex Gomes Alves, atleta da seleção de basquete desde 1994. Com aproximadamente 1.100 alunos, o Centro Educacional do Sesi possui duas crianças com deficiência e promove cursos de capacitação para que seus profissionais atendam da melhor forma a tais casos. “A inclusão não é um processo fácil. Precisa sim de uma preparação bastante criteriosa, algo que o Sesi vem desenvolvendo com afinco”, conta a coordenadora do centro educacional, Doris Franco Cherri.

25

Atletas patrocinados em 2006 Ádria dos Santos Adriano Lima André Brasil André Garcia Antônio Delfino Antônio Tenório Edênia Garcia Fabiana Sugimori Francisco Avelino Ivanildo Vasconcelos Luís Silva Odair Ferreira dos Santos Roseane dos Santos Suely Guimarães Terezinha Guilhermino

Mineira, treina em Joinvile/SC Natal/RN Rio de Janeiro/RJ Gaúcho, treina em Presidente Prudente/SP Piauiense, treina em Brasília/DF São Bernardo do Campo/SP Natal/RN Campinas/SP Natal/RN Recife/PE Gaúcho, treina em Recife/PE Presidente Prudente/SP Pernambucana, treina em Maceió/AL Recife/PE Mineira, treina em Cuiabá/MT


Recorde parapanamericano já no primeiro dia de disputas em São Caetano Abaixo, o recordista em São Caetano, Vanderson Alves. Logo depois, o nadador Moisés Batista e os atletas patrocinados pelas Loterias Caixa.

O carioca Vanderson Alves, 23 anos, abriu a primeira etapa de 2006 com um recorde parapan-americano no lançamento de disco no complexo de atletismo do Clube São José. Com 41m82, o atleta ultrapassou a marca anterior, que era de 41m63. Vanderson teve a perna esquerda amputada aos 15 anos, em um acidente na linha de trem, em Barra Mansa, Rio de Janeiro. “Pude redescobrir a minha vida por meio do esporte. Atingi o auge da carreira hoje com esse recorde. Meu sonho é ir a uma Paraolimpíada. Estou treinando muito para isso”, afirma Vanderson. Na piscina do conjunto aquático Leonardo Esperatti, o destaque ficou por conta do também carioca André Brasil, 22 anos, que quebrou o recorde brasileiro nos 100m bor-

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boleta, com o tempo de 59s99, que representa 99,25% do recorde mundial. “Agora que tenho minha classificação permanente, quero dar o máximo e garantir bons resultados”, garante Brasil. Mesmo com uma seleção mais rígida de competidores por índice técnico do que no Circuito de 2005, a etapa de São Caetano mostrou um crescimento no número de atletas inscritos. Na natação, foram quase 250 participantes, além de cerca de 200 no atletismo. “Acreditamos que o sucesso do evento em 2005 atraiu muitos atletas para a etapa de São Paulo, que tem localização privilegiada”, explica Gustavo Abrantes, coordenador de natação do CPB.

Paraolímpicos se despedem de cidade paulista no domingo Uma disputa emocionante entre duas grandes velocistas brasileiras cegas pautou o último dia de provas em São Caetano. Com o tempo de 59s65, Terezinha Guilhermino, bronze nos Jogos Paraolímpicos de Atenas, venceu os 400m de Ádria dos Santos, maior medalhista brasileira em Paraolimpíadas, que marcou 1min01s49. No sábado, 27, Terezinha também havia superado Ádria nos 100m e 200m rasos. “Ter uma adversária do nível da Ádria é um privilégio. Foi durante o circuito do ano passado que consegui me transformar na velocista que sou hoje”, diz Terezinha. Ádria afirmou que vem seguindo um planejamento que a deixará em seu ponto máximo durante o mundial de atletismo, que será disputado na Holanda, no final de agosto. “Estou treinando muito e bastante focada neste objetivo principal”, revela a campeã. O time da casa, SERC – São Caetano, contou com cinco atletas em sua delegação na piscina, entre eles

a catarinense Andréa Vieira Áreas, 22 anos, recém-contratada pelo clube da cidade sede do evento. Com uma lesão medular congênita, a atleta comemora o incentivo da prefeitura de São Caetano e promete empenho. “Vou buscar índices para competir internacionalmente. E o alto nível do Circuito Loterias Caixa só vem a ajudar”, comenta Andréa. Para o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vital Severino Neto, o principal ganho da retomada da competição em 2006 foi o grande número de inscritos, que superou todas as etapas de 2005. “Isso significa que estamos no caminho certo e que teremos a possibilidade de aumentar, e muito, a participação de pessoas com deficiência no esporte por meio de um calendário brasileiro fixo”, afirma Vital. Colaborou Patrícia Osandón


Assinatura de convênio com governo do Pará marca vinda de paraolímpicos a Belém Fotos atletismo: Mike Ronchi Produções Fotos natação: Rafael Rezende

B

elém inaugurou a participação da região Norte como sede do Circuito Loterias Caixa. E a receptividade tanto do público como dos atletas locais, além da imprensa, superou todas as expectativas. “Sem dúvida, esta é uma das melhores etapas da história do circuito em termos de estrutura, organização e apoio irrestrito do governo do Estado”, afirma o coordenador de esportes do CPB, Edílson Alves da Rocha. Entre as atividades pré-competição, destaque para a assinatura do termo de cooperação técnica entre o Comitê Paraolímpico e o governo do Pará, por meio das secretarias executivas de Educação (Seduc) e de Esporte e Lazer (Seel). O convênio é para formali-

zar a participação do Pará no projeto Paraolímpicos do Futuro, do CPB, que visa fomentar a prática do desporto paraolímpico no âmbito escolar (leia mais sobre o assunto na página 19). Dos cinco estados brasileiros que irão iniciar as atividades do projeto no segundo semestre deste ano, Pará foi escolhido para representar a região Norte, onde ocorrerão seminários para capacitar cerca de 800 professores de Educação Física de escolas do ensino fundamental e médio. Estiveram na solenidade de assinatura do convênio o secretário de Educação, Paulo Machado, o secretário de Esporte e Lazer, José Ângelo Miranda, e o presidente do CPB, Vital Severino Neto.

Fotos: Rafael Rezende

Secretário de educação Paulo Machado assina termo para incluir o Pará nas atividades do projeto Paraolímpicos do Futuro, do CPB.

Os atletas também deixaram sua marca em autógrafos para o público em shopping da cidade.

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Atletas d dão ã o máximo ááximo ximo dã na busca de vagas para mundiais

28

B

elém foi a última etapa para os atletas de atletismo garantirem vaga para o mundial da modalidade, de 28 de agosto a 11 de setembro, na Holanda. Da mesma forma, a etapa também contou pontos para o ranking na natação, que terá seu mundial de 27 de novembro a 9 de dezembro, na África do Sul. O resultado de tantos atrativos foram mais de 40 recordes brasileiros e quatro parapan-americanos batidos durante o fim de semana de disputas no complexo esportivo da Universidade Estadual do Pará (UEPA). A etapa contou com o apoio do SESC-PA. Entre os atletas patrocinados pelas Loterias Caixa, o ouro foi constante. “Com certeza serei uma das representantes do Brasil no mundial de atletismo”, diz, confiante, Terezinha Guilhermino, que chegou

na frente nos 100m, 200m e 400m rasos. “Corri com as pernas, a alma e o coração”, completa a velocista, que teria seu nome confirmado para o mundial logo após o término da etapa (conheça a lista nas páginas 30 e 31). Além de nomes consagrados, como Antônio Delfino, Ádria Santos e Roseane dos Santos, a lista de convocados para o mundial de atletismo incluiu surpresas de última hora, como os velocistas Indayana Martins e Lucas Prado, que conquistaram suas vagas em Belém, na primeira vez em que participaram do circuito. “Estou muito feliz mesmo por ver um trabalho conjunto de luta e determinação com meu técnico dar frutos tão importantes como essa convocação”, comemora Indayana, da categoria T13 (deficiência visual).


Conquista em família na natação

N

a piscina, os irmãos Renato e Regiane Nunes Silva comemoraram a conquista de um recorde parapan-americano e dois brasileiros. Renato garantiu a nova marca parapan na prova dos 100m peito (classe SB12), com o tempo de 1min24s43. Já Regiane, além de superar seu próprio recorde brasileiro nos 100m costas (S13), com 1min46s43, bateu também a marca nos 100m livre, chegando em 1min21s83. A performance é conseqüência da dedicação dos irmãos de São Bernardo do Campo ao esporte, que aproveitaram o mês de férias na faculdade de Educação Física para dobrar o treinamento. “Agora, treinamos duas vezes por dia, de segunda a sábado”, conta Renato, ainda surpreso com seu resultado. “Realmente treinei bastante para esta etapa, mas não esperava bater o recorde parapan-americano”. André Brasil (S10), patrocinado pelas Loterias Caixa, esteve muito perto de quebrar dois recordes mundiais. O primeiro no sábado, quando fechou os 100m borboleta em 59s57, a apenas três centésimos de segundo acima do recorde

mundial da prova, que é de 59s54. O outro no domingo, nos 50m livre, quando cravou 24s84 contra 24s71 do recorde mundial. “Pela fase atual de meu treinamento, que prevê o ápice para o mundial no final do ano, foi uma surpresa quase bater o recorde. Mas é claro que gostaria de ter chegado lá”, confessa André. Mais uma revelação das piscinas, a paulista Ana Clara Cruz (S5), de apenas 14 anos, bateu dois recordes parapan-americanos na etapa: um no sábado, nos 50m livre, e outro no domingo, nos 100m livre. Assim como os outros nadadores, também mostrou-se surpresa com as marcas obtidas. “Tenho treinado muito, é verdade, mas não esperava por isso”, diz a menina campeã, com um misto de timidez e humildade. O Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação ainda contará com duas etapas neste ano. A próxima será em Porto Alegre/RS, de 15 a 17 de setembro, e a última de 3 a 5 de novembro, ainda sem local definido. Colaborou Andrea Martins

29


Atletas convocados para o mundial de atletismo Nº

NOME

CLUBE

CLASSE

PROVA 100m

1

Antônio Delfino de Souza

AEEP

T46

200m 400m 200m

2

Emicarlo Elias de Souza

SADEF/RN

T46

400m 800m Arremesso de Peso

3

Leonardo Amâncio

ADM/PE

F58

Lançamento de Disco Lançamento de Dardo

4

Moisés Vicente Neto

AEEP

T46

5

Ozivan dos Santos Bonfim

CPSP

T46

6

Roseane Ferreira dos Santos

AASantos Dumont

F58

5.000m Maratona 5.000m Maratona Arremesso de Peso Lançamento de Disco 100m

30

7

Sheila Finder

CEPE

T46

200m 400m Arremesso de Peso

8

Suely Rodrigues Guimarães

AAAUFPE

F56

Lançamento de Disco Lançamento de Dardo

9

Sônia Maria Gouveia

ADEFAL

F53

10

Tito Alves de Sena

ADFEGO

T46

Lançamento de Disco Lançamento de Dardo 5.000m Maratona Arremesso de Peso

11

Vanderson Alves da Silva

ANDEF

F57

Lançamento de Disco Lançamento de Dardo 100m

12

Yohansson Ferreira do Nascimento

ADEFAL

T46

200m 400m 100m

13

Edson Cavalcante Pinheiro

FEDER

T38

200m 400m Arremesso de Peso

14

Marlete Vicente

JUDECRI

F42

Lançamento de Disco Lançamento de Dardo 100m

15

Adria Rocha Santos

ACIC

T11

200m 400m


5.000m 16

Alex Cavalcante Mendonça

CESEC

T12

10.000m Maratona 100m

17

André Luiz Garcia de Andrade

ACERGS

T13

200m 400m 400m

18

Carlos José Barto

ADEVIBEL

T11

800m 1.500m

19

Aurélio Guedes dos Santos

CESEC

T12

10.000m Maratona 200m

20

Emerson Germano de Oliveira

CESEC

T11

400m 800m 100m

21

Felipe de Souza Gomes

CEIBC

T11

200m Salto em Distância

22

Gilson José dos Anjos

AJIDEVI

T13

800m 1.500m 100m

23

Indayana Pedrina Moia Martins

ADVIR

T13

200m 400m 100m

24

Júlio César Petto de Souza

AJIDEVI

T12

200m 400m 100m

25

Lucas Prado

AMC

T11

200m 400m 100m

26

Maria José Ferreira Alves

AJIDEVI

T12

200m 400m 800m

27

Odair Ferreira dos Santos

CT LP

T12

1.500m 5.000m

28

Nelson Ned Trajano Pereira

CT LP

T13

800m 1.500m 100m

29

Pedro Cesar da Silva Moraes

AMC

T12

200m 400m 100m

30

Terezinha Aparecida Guilhermino

AMC

T11

200m 400m

31


32


33


O D N A O V

Por Marcelo Westphalem Fotos: Silvio Bilhar/Jornal O Pódio

Por Marcelo Westphalem Fotos Silvio ...

34

ALTO Piloto de motocross sem antebraço direito, Anderson Alberton ignora limites e compete de igual para igual com motociclistas sem deficiência


pilotar apenas com a mão esquerda. Mas resolveu atender ao pedido de Anderson, pois queria incentivá-lo a superar sua deficiência. Com a ajuda de um amigo mecânico, Anderson fez a adaptação de acordo com suas necessidades. “Coloquei o acelerador, a embreagem e o freio dianteiro na mão esquerda. Para preencher o espaço da mão direita, montei uma barra de metal, ligando o guidão ao meu braço”, explica Alberton.

Com adaptações mecânicas na moto, Anderson radicaliza nas manobras.

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esmo os mais ligados ao universo das pessoas com deficiência se surpreendem ao conhecer a história de Anderson Alberton. Gaúcho, de Porto Alegre, ele nasceu sem parte do antebraço direito. Nada que abale seu instinto de aventura. “Nunca me enxerguei como um deficiente. Sempre procurei fazer tudo o que os outros faziam desde criança”, conta. Quando tinha 14 anos, Anderson ganhou de seu pai, Nilson Alberton, um kart de presente, para competir em uma categoria de iniciantes. Surpreendentemente, porém, o menino pediu ao pai que trocasse o kart por uma moto de motocross 80 cilindradas. Em princípio, o pai duvidou que o filho único pudesse


Em 1995, a Federação Gaúcha de Motociclismo entendeu que Alberton tinha direito de competir e forneceu a ele a carteira de piloto. Para a surpresa de muitos, a vitória de poder competir foi só o início de uma grande trajetória.

provas sentindo dores. Nos saltos, que atingem cerca de dez metros de altura, ele não enfrenta problemas, conseguindo aterrissar normalmente. “O Anderson é muito corajoso. Ele faz uns saltos muito altos, e nem liga pra sua deficiência. Aqui em Porto Alegre ele é um ídolo do pessoal ligado ao motocross”, conta o amigo Sílvio Bilhar.

No ano seguinte ao da sua estréia, ele se sagrou vice-campeão da categoria 80 cilindradas. Em 1997, subiu para 125cc. Mas um acidente deixou-o fora das provas durante toda a temporada. Em 1998, ele retornou com força máxima e conseguiu o 5º lugar geral. Em 1999, repetiu a quinta colocação. Em 2000, teve o melhor resultado da carreira na 125cc con36 seguindo um brilhante 3º lugar. Em todos os anos Alberton brigou por posições em disputados campeonatos, que tinham em média 25 pilotos sem deficiência.

Em 2005, a carreira de Anderson sofreu o maior de todos os golpes, o do preconceito. Mesmo sendo um campeão consagrado das pistas, o Detran julgou que ele não tinha condições de dirigir e suspendeu sua habilitação de motociclista. “Levei uma moto adaptada ao Detran, mas os examinadores disseram que não iriam sequer ver a motocicleta”, conta ele, que continua na luta para recuperar a habilitação.

O motociclista com deficiência sempre contou com o apoio da torcida. “Quando eu passo, a torcida vibra muito. Sempre recebi muito apoio nas corridas”, explica Anderson, que não gosta de andar de moto em ruas convencionais porque, ironicamente, considera perigoso. A dificuldade maior nas pistas sempre esteve nas “costeletas”, trecho em que a moto passa sobre um terreno com pequenos altos e baixos, quando sofre impacto sobre os ombros, em função da ausência plena dos movimentos do braço, e às vezes termina as

Seja com a família ou com os muitos prêmios conquistados, Anderson vive intensamente, com alegrias e dificuldades comuns a qualquer pessoa.

Atualmente, Anderson não está competindo, pois o esporte não era suficiente para garantir o sustento de sua família, composta de mulher e uma filha. Em 2003, ele vendeu a moto e o ônibus que utilizava para viajar para as corridas e montou uma oficina de carros. No ano passado, ele ainda voltou a competir na categoria para motos nacionais, que tinha mais de 20 pilotos. Mais uma vez surpreendeu, correndo quatro provas e vencendo três. Em 2007, pretende voltar para as pistas, competindo na categoria para motos nacionais. “Sempre tenha fé em você mesmo. O importante é não deixar a sociedade impor limites que não existem!”, ensina o “veterano” de 25 anos.


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O piauiense José Mauro Vilarinho encontra no vôlei paraolímpico sua realização pessoal e profissional

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e mal-humorado fosse, o piauiense José Mauro Vilarinho teria muito a reclamar de um 30 de abril de 1984, data de seu aniversário de 15 anos, coincidentemente passado dentro de um hospital, após a última das sete cirurgias necessárias para melhorar a mobilidade da perna direita, afetada pela poliomielite quando tinha apenas sete meses de idade. “Olha só o presente que eu fui ganhar!”, diz com uma risada simpática, que lhe é tradicional. Nascido em Floriano, interior do Piauí, deixou os pais e os quatro irmãos ao mudar-se para o Rio de Janeiro, quando tinha sete anos, para morar com a tia, Ruth, que era enfermeira e havia acabado de se aposentar. Com o apoio dela e a melhor infra-estrutura oferecida na cidade, pôde iniciar um trabalhoso e demorado tratamento cirúrgico por oito

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vida Por Patrícia Osandón Fotos: Divulgação ABVP

DE BEM COM A


anos. A infância e a adolescência foram recheadas de muitas idas ao hospital e processos de recuperação. “Eu era bastante retraído nessa época. Todo adolescente, por mais bonito que ele seja, se acha feio. E quando ele tem uma deficiência, esse sentimento fica pior ainda. Consegui superar toda essa fase sozinho, sem terapias nem nada, só mesmo com 38 o apoio da família. Consegui, sem muitos traumas, entrar na fase adulta como um cara resolvido e de bem com a vida”, conta. Ao longo dos anos, os pais e os irmãos de Mauro também se mudaram para o Rio, pois sempre foram bastante unidos e não conseguiam ficar muito tempo separados. “Todos eles foram e são fundamentais na minha trajetória. Nunca tive excesso de zelo em casa. Acredito que por isso mesmo meu amadurecimento foi mais fácil e pude lidar com a deficiência de forma mais tranqüila”, garante. Casou-se duas vezes, mas ainda não tem filhos. “Tenho uma vontade louca de ter uma filha, só que, pelo menos por enquanto, isso está apenas nos planos”, deixa escapar Mauro, que até já escolheu um nome para ela: Sara. A grande mudança para ele chegou aos 17 anos, quando decidiu ingressar no esporte. Por causa da deficiência, não podia escolher uma modalidade na qual devesse correr muito. Assim, decidiu-se pelo vôlei.

Mal sabia ele que a escolha mudaria sua vida para sempre. Também pensou em fazer remo, algo que ficou apenas na vontade. Por muitos anos, Mauro jogou entre atletas sem deficiência. Com pouco tempo e muito esforço nos treinamentos, tornou-se titular e chegava a ser disputado na hora da escolha dos jogadores. Em 1994, com o time da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, onde se formou em direito, foi campeão carioca universitário. “A chegada do esporte na minha adolescência fez com que eu me sentisse integrado. No vôlei, eu estava tentando superar cada vez mais uma deficiência que eu tinha de técnica esportiva, não a física. O esporte foi fundamental nessa virada de mesa com relação a toda aquela insegurança que eu estava passando e me sentia muito bem com isso”, diz.

pois ficamos sentados no chão e a movimentação é muito feita com as mãos, então usamos bastante a parte de cima do corpo e nos cansamos mais”, explica.

O ingresso no vôlei sentado chegou apenas em 2002, quando soube que uma equipe estava sendo montada em Mogi das Cruzes. Um ano depois, foi campeão brasileiro e conquistou o título de melhor bloqueador do torneio. Ainda em 2003, fez sua primeira viagem internacional, para o Parapan-americano de Mar del Plata, quando ganhou uma prata. “Pelo fato de já ter os fundamentos da modalidade, foi muito mais fácil me adaptar ao esporte paraolímpico. A pior parte foi acostumar-me aos deslocamentos dentro de quadra,

Aos poucos, Mauro vem trilhando um caminho de sucesso. Em junho de 2006, foi o capitão da equipe que representou o país no Mundial de Vôlei, na cidade de Roermond, na Holanda. Apesar da 11ª colocação, destaca a importância da estréia brasileira em um mundial, especialmente pelo fato da seleção brasileira masculina ser bastante jovem, composta em sua maioria por jogadores na faixa dos 20 anos. “Participar de um mundial é uma sensação completamente diferente. Não tenho como explicar a experiência que foi adqui-

Mauro costuma dizer que é no vôlei paraolímpico onde tem a oportunidade de alcançar a realização pessoal e profissional. No alto dos seus 1,83m, Ele não pode atacar com tanta impulsão quanto os jogadores sem deficiência no esporte olímpico. “Mas no vôlei sentado, eu posso me realizar porque a rede é baixa”, garante o atacante de ponta. O jogador conta que quando está jogando entre jogadores sem deficiência, os que não o conhecem, pelo menos inicialmente, evitam sacar a bola para ele. “Depois que vêem que sou tão bom quanto os outros, eles mandam brasa. E brigam quando eu não vou atrás da bola!”, diz.


rida para o Brasil. Conhecemos o estilo de jogo de outros países e pudemos melhorar nossa estratégia. Não foi fácil estrear em um mundial e não transparecer o nervosismo para o time”, afirma Mauro. Ele destaca a importância do otimismo constante e do equilíbrio dentro de quadra. “Minha cabeça tem que estar sempre boa para deixar o grupo em sintonia e incentivado. O ideal para qualquer capitão é ter uma liderança que não seja imposta, mas sim aceita. Sinto que a equipe gosta que eu seja o capitão, então isso me dá mais ânimo ainda. Dentro dos meus pensamentos, peço que eu seja iluminado para conseguir conduzi-los da melhor forma possível, seja na vitória ou na derrota”. A partir de exemplos de outras equipes, Mauro destaca a importância da união dentro de quadra. “Quando um grupo está unido e bem montado, por mais que não tenha brilhantes jogadores, é difícil ganhar dele. Não adianta apenas ter um ou dois astros e não se importar com o resto. O mais importante é que todos caminhem juntos. Uma equipe unida é capaz de vitórias nunca pensadas”, diz. Compreensivo, o piauiense revela que sempre foi aberto, positivo e pró-ativo. “Procuro ver o lado bom de todas as coisas que acontecem comigo, até mesmo quando elas não são boas. Estou tentando enxergar aquela luz no fim do túnel. Gosto de

me colocar no lugar das outras pessoas”. Mesmo com tantas qualidades, Mauro faz questão de destacar um defeito: “sou teimoso e exigente demais”. Atualmente, Mauro concilia o trabalho em um setor de licitação pública no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o vôlei. “Tenho um respaldo muito bom da instituição, que entende quando preciso viajar para as competições. Sem esse apoio, não teria conseguido me aplicar ao esporte também”, afirma. Entre os sonhos de Mauro, está o de atuar na área de defensoria pública para ajudar as pessoas por meio do Direito. Para ele, é uma honra conviver com Amauri Ribeiro, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, e de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e atualmente técnico da seleção brasileira. “Admiro demais a percepção que o Amauri tinha quando era jogador, ele era muito observador. O Amauri sempre sabia o que estava acontecendo do outro lado da rede. Conviver e compartilhar experiências com ele é algo fantástico para nossa equipe”, afirma. Antes de tudo, talvez até mesmo por ter escolhido o Direito em sua vida, Mauro faz valer a cidadania para as pessoas com deficiência. “O preconceito existe, por mais que eu tente não ver. A sociedade, em geral, acaba fazendo distinções. A

pessoa com deficiência tem que ter uma cabeça muito boa para, quando for alvo de discriminação, absorver, processar e deletar. Se não, vai chegar um ponto em que nós vamos nos sentir na obrigação de nem sair de casa”, acredita. Embora fale de assuntos complicados com tanta tranquilidade, Mauro reforça que até mesmo o excesso de zelo pode ser considerado preconceito. “Apenas para citar um exemplo, vejo poucas pessoas com deficiência curtindo a noite. Encontrar alguma delas é algo raro. Isso é muito estranho, já que 14,5% da população brasileira tem alguma deficiência [segundo o Censo 2000, do IBGE]. Na maioria das vezes, o deficiente se esconde por medo de sentir o preconceito na pele. Não existe igualdade”, explica. José Mauro com o então ministro do Esporte, Agnelo Queiroz.

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Foto: Marcelo Westphalem

COMITIVA DO ESPORTE VAI AO CONGRESSO NACIONAL

Representantes do esporte paraolímpico e olímpico brasileiro foram até a Câmara e o Senado Federal, em Brasília, no dia 7 de junho, para mostrar às lideranças dos partidos que a aprovação do projeto de lei de incentivos fiscais ao esporte tem caráter emergencial. Caso não seja aprovado até o final de 2006, não poderá contribuir para as ações ligadas aos Jogos do Rio 2007. O presidente do CPB, Vital Severino Neto, afirmou que os atletas serão os maiores beneficiados com a lei. “Poderemos ter mais esperança na realização de parcerias com grandes empresas”.

LOTERIAS CAIXA FORMALIZAM PATROCÍNIO COM O CPB PARA 2006 Foto: Marcelo Westphalem

Com valor de R$ 3,8 milhões para 2006, as Loterias Caixa formalizaram o contrato de patrocínio com o CPB no dia 28 de junho. Os recursos servirão para a realização do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico, o repasse de bolsa a 15 atletas de alto rendimento e, ainda, o apoio a delegações brasileiras em competições internacionais.

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A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos, conversa com o presidente do CPB, Vital Severino Neto, observada pelo vice da CEF, Carlos Borges.

CPB E MINISTÉRIO DO ESPORTE ASSINAM CONVÊNIO

Para o vice-presidente de transferência de benefícios da Caixa, Carlos Borges, a vocação da entidade é apoiar projetos que tenham a inclusão social como lema. “A Caixa faz questão de atrelar sua imagem a atitudes que signifiquem superação, resgate da cidadania, quebra de barreiras do preconceito”, afirma Borges.

Foto: Leandro Ferraz No dia 18 de julho, o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto, e o ministro do Esporte, Orlando Silva, assinaram um termo de cooperação técnica. O objetivo é garantir a parceria do ministério para a promoção do I Campeonato Brasileiro Escolar Paraolímpico, a realizar-se em novembro. Além disso, o documento irá permitir que estudantes do ensino fundamental e médio, elegíveis para o esporte paraolímpico, possam pleitear sua inclusão no programa Bolsa-Atleta, do Ministério do Esporte, em 2007.

“Quero agradecer ao CPB por permitir que o Ministério do Esporte possa colaborar com o desenvolvimento do esporte paraolímpico no Brasil”, diz o ministro Orlando Silva em seu pronunciamento durante a solenidade.


Brasileiro de futebol de 7 define seleção CPB divulga convocados para mundial de ciclismo Seis atletas irão integrar a seleção nacional que vai competir no Mundial de Ciclismo Adaptado, na Suíça, de 9 a 18 de setembro. São eles: Heliziário dos Santos (handbike), Rafael Sillman (LC1), Flaviano Eudoxio de Carvalho (LC3), Rodrigo Feola e seu guia Leandro Ferreira (tandem).

Realizado em Campo Grande/MS, entre 13 e 18 de junho, o Campeonato Brasileiro de Futebol de 7 contou com a participação de quatro equipes. A campeã foi o Cemdef/Pantanal, que goleou por 5x1 a Andef, de Niterói/RJ. O terceiro lugar foi garantido pelo Caira/CDC Pantanal, que derrotou o IBDD, do Rio de Janeiro, por 3x2. Com o término da competição, o treinador da seleção brasileira, Paulo Cruz, convocou os 12 jogadores que disputarão a Copa América, de 6 a 14 de agosto, na Argentina.

Os ciclistas conquistaram suas vagas durante a tradicional Prova Ciclística Internacional 9 de Julho, realizada em São Paulo. O mundial de ciclismo é uma das principais competições rumo aos Jogos Paraolímpicos de Pequim.

Esquentando as raquetes Carla Maia e Iranildo Espíndola, atletas classificados para o Mundial de Tênis de Mesa, em setembro, na Suíça, participaram do Tetra Open Cologne, na Alemanha, no final de maio. Os mesatenistas não conquistaram medalhas, mas destacaram a importância de conhecer mais os adversários que enfrentarão no mundial, competição que reunirá 48 países e cerca de 350 atletas. Com a desistência do Iran, o número de vagas para o Brasil no Mundial de Tênis de Mesa aumentou para 18 atletas.

Equipe de futebol de cegos do Brasil comemora título.

Brasil é campeão no futebol Em uma campanha irretocável, a seleção brasileira de futebol de 5 sagrou-se campeã da I Copa IBSA América de Futebol para Cegos, que ocorreu de 24 a 29 de julho, em São Paulo. A final foi contra os aguerridos paraguaios, que viram o Brasil virar o placar na prorrogação (2x1). A artilharia da competição ficou também com os brasileiros, que fizeram 33 gols e levaram apenas um, o da final. Atualmente, o país é bicampeão mundial e campeão paraolímpico. Além do caneco, o Brasil utilizou a Copa América para treinar para a principal competição de 2006: o Mundial de Futebol para Cegos, que ocorrerá no final do ano.

Copa de Hipismo seleciona seis para Aberto da Bélgica A segunda etapa da Copa Brasil de Hipismo Paraolímpico, promovida em Belo Horizonte, de 30 de junho a 2 de julho, definiu os seis integrantes da delegação brasileira que disputará o Aberto da Bélgica, em setembro, evento qualificatório para os Jogos Paraolímpicos de Pequim.

A brasiliense Elisa Melaranci, 17 anos, é a atleta mais jovem e única amazona a compor a equipe, que terá ainda o paulista Dante Rodrigues, o mineiro Paulo Roberto Menezes e os brasilienses Sérgio Fróes, Davi Salazar e Marcos Alves, o Joça, único representante brasileiro do hipismo na Paraolimpíada de Atenas, em 2004.

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Por Leandro Ferraz Fotos: Mike Ronchi Produções

Diversão e arte antes das provas Os jantares promovidos pelas Loterias Caixa aos lotéricos das cidades por onde o Circuito Brasil Paraolímpico passa já viraram tradição. Imbuídas de requinte, compromisso social e diversão, as noites de quinta-feira antes do fim de semana de competições reforçam o espírito desbravador de atletas mais que eficientes em superar tempos, distâncias e preconceitos.

Operárias do movimento paraolímpico

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Os sorrisos suavizam suas ações. Sem perder a ternura, as classificadoras funcionais Jacqueline Penafort (à esquerda) e Adriana Diedrichs estão sempre a postos para classificar um número cada vez maior de novos atletas durante as etapas do circuito. Uma grande vitória das duas foi a conquista da classificação permanente de André Brasil, que enfrentou uma contestação em setembro do ano passado. Ambas debruçaram-se sobre o caso e prepararam uma sólida defesa, posta em prática durante o Campeonato Paraolímpico de Verão da África do Sul, em abril deste ano, sendo determinantes para um desfecho positivo para o atleta brasileiro.

Braçadas e afagos Grupo unido, os companheiros da natação são puro alto astral. Para o carioca André Brasil – à direita, no colo do potiguar Adriano Gomes e segurado pelo pé pelo pernambucano Ivanildo Vasconcellos –, rivalidade sempre existirá, “mas só nas piscinas”.


Confidências Um pouco mais carrancudos, mas não menos exigentes e profissionais, os coordenadores de atletismo, Ciro Winckler, e natação, Gustavo Abrantes, igualmente suam deveras suas camisas e são pau para toda obra quando o assunto é Circuito Loterias Caixa. O que terá surpreendido tanto Gustavo na conversa com Ciro durante almoço, custeado pelo SESC-PA, na etapa de Belém? 43

Grande vitória De uma família de 11 irmãos, Ezequiel Pinheiro Rosa foi levado a um orfanato quando perdeu a mãe aos 2 anos, idade em que a paralisia infantil se manifestou. Descobriu o esporte aos 14 por meio do basquete em cadeira de rodas e não parou mais de se divertir e se exercitar, nem mesmo quando, aos 19, teve meningite e ficou com o lado direito do corpo paralisado. Batalhador e persistente, Ezequiel recuperou parte dos movimentos e atualmente é casado e pai de dois filhos. O roteiro de sua vida, digno dos mais inventivos folhetins, teve mais um capítulo quando ele percorreu, em quatro dias de maio, impressionantes 400km de Londrina a Curitiba. O principal objetivo é conseguir patrocinador, apesar de expressivos resultados como um vicecampeonato na São Silvestre de 1989 e terceiro lugar na Maratona da Suíça por quatro anos (1990, 1992, 1993 e 1994). Na etapa de São Caetano do Circuito, Ezequiel também faturou o bronze nos 100m e 400m rasos. Mas logo ele deixa escapar mais uma razão para o longo percurso lá no Sul: entrar para o Guiness Book. “Minha esposa fala que eu sou louco”, diverte-se.


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Por Patrícia Osandón Fotos Gaspar Nóbrega

David Valente toca com os pés e prova que também não há barreiras quando o assunto é música

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música sempre reinou na vida do cearense David. “Apesar de não termos ninguém ligado à profissão além de mim, aprendi a escutar e a gostar de música desde menino lá em casa”, diz. O despertar para esse universo ocorreu de forma quase natural. Na terapia lúdica que fazia quando criança, por causa de uma deficiência física congênita que atinge os músculos e o impossibilita de usar as mãos normalmente, teve contato com um teclado de brinquedo. Certo dia, seu pai, o médico Alberto Jorge e hoje também seu empresário, vendo o talento que ali começa a se manifestar, resolveu presenteá-lo com um teclado de verdade. “Eu estava na minha avó quando meu pai me ligou com a novidade. Fiquei louco para chegar em casa. Passei quase dois dias inteiros sem dormir de tanto tocar”, relembra.

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Com 12 anos, David resolveu aprender a fundo a teoria musical. E somente aos 18 decidiu que era hora de iniciar a vida profissional. “Não queria fazer nada de forma precipitada. Minha intenção era construir uma trajetória séria. Não queria ser taxado apenas como o deficiente que toca com os pés”, diz. Atualmente, aos 28

David é formado em filosofia na Universidade Estadual do Ceará (UECE) por um acaso do destino. Pretendia prestar o vestibular para música, mas perdeu a prova específica de aptidão musical porque estava apresentando-se em São Paulo. Resolveu ingressar em filosofia, sua segunda opção, para depois se mudar para o curso que queria. Acabou gostando tanto que ficou até o fim. “Acho que nada acontece por acaso”, garante. Hoje em dia, define-se como um filosofante da vida. David tem um estúdio, onde trabalha para si mesmo e outros artistas. Confira o bate-bola exclusivo que a Brasil Paraolímpico fez com David Valente. BP Como foi sua infância em Fortaleza e qual a importância da música em toda sua trajetória? Sempre fui uma criança muito feliz. Tive uma infância praticamente normal. Desde menino, sempre gostei de música e me esforcei para fazer dela a minha profissão. É por meio dela que

anos, com três CDs e um DVD lançados, David pode ser considerado um gênio musical, e com um detalhe a mais: ele toca com os pés.


       faço amigos, aproximo as pessoas e realizo meus sonhos. Não acredito no talento sem esforço. É preciso trabalhar o dom para que ele possa virar talento. Eu recebi um dom e fui perseverante, batalhei para tornarme músico. Estou completando dez anos de carreira em 2006, com muita luta e batalha desde 96, quando comecei profissionalmente. BP Quais foram as adaptações necessárias para que você pudesse tocar?

O teclado que eu uso é normal, com as mesmas funções de qualquer outro. Tenho um artifício extra nele, que me permite segurar mais a nota musical e deixá-la mais longa, assim como é com os pianistas, que usam o pedal. A principal adaptação foi ter tirado o teclado do chão, pois não ficava na posição ideal para tocar com os pés. Então, peguei uma mesa e criei uma cadeira especial que me permite ficar mais alto. Costumo dizer que a adaptação veio de forma natural, foi uma autodescoberta. BP Que estilo musical mais te agrada? A música não merece comparações. No meu show, por exemplo, que tem uma média de duas horas, canto de tudo, desde romântica a um forró. Mostro o que eu sei fazer e não somente um estilo que tenho. Gosto muito do Fagner, Caetano Veloso, Chico Buarque, Fábio Júnior, Roupa Nova... Mas sou muito eclético, adoro músicas internacionais, samba, pagode. Meus amigos dizem que eu sou doido porque gosto de tudo. BP Qual a primeira reação das pessoas que não o conhecem ao vê-lo tocar e cantar?

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Pelo que tenho visto, tem gente que se admira e outros que se emocionam. Acredito que se fosse comigo, à primeira vista, eu ficaria espantado. Não digo um espanto de susto, mas de admiração. Realmente é muito raro encontrar uma pessoa que faça as coisas com os pés e que trabalhe com música. O que eu tento passar para as pessoas é que eu estou ali fazendo o meu trabalho, tentando sobreviver dele com prazer e levando alegria para quem está me ouvindo. BP Como foi a experiência de tocar nos Jogos Paraolímpicos do Brasil e no Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de 2005? Foi uma emoção muito grande estar ali com todos aqueles atletas campeões. Digo campeões não só pelas conquistas em si, mas pela força de vontade, determinação e motivação que cada um deles leva dentro de si. Fiquei honrado e gratificado de tocar e cantar e ter sentido esse carinho todo por mim. No Circuito de Fortaleza, as pessoas subiram no palco, teve muita gente que cantou comigo, como a própria Rosinha [Roseane Ferreira dos Santos, do atletismo]. Gosto muito de esportes, embora não pratique porque preciso ter muito cuidado para não me machucar, pois dependo dos meus pés para trabalhar. Eu até jogava futebol, mas agora não posso mais porque o dedo não pode ficar preto, tenho que cuidar dos pés (risos). Admiro muito os atletas paraolímpicos brasileiros. Nossos esportistas estão cada vez mais mostrando que realmente sabem, podem e conseguem fazer bonito. A prova disso são os excelentes resultados conquistados nas Paraolimpíadas.

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BP Conte um pouco sobre a participação na novela América, da Rede Globo de Televisão [David foi entrevistado no programa É Preciso saber Viver e cantou no fim da novela].

Antes de participar de América, fui convidado a colaborar com a minissérie Mad Maria, também da Rede Globo. Na trama, havia um índio sem mãos e que aprenderia a tocar com os pés. Eu fui o dublê quando ele tinha que tocar. A minha participação na novela América também foi linda, o próprio Marcos Frota é um grande amigo, alguém que está sempre lutando pela causa das pessoas com deficiência. A sociedade passou a ver a pessoa com deficiência como um ser humano, alegre ou triste, com amigos e familiares, com seus defeitos e qualidades. Foi um passo à frente nessa luta pela inclusão social. Também tive uma participação no Programa do Ratinho, do SBT, outra experiência muito bonita na minha carreira.

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Foto: Divulgação COB

JOGOS PARAPANAMERICANOS RIO 2007: Início de grandes investimentos no esporte paraolímpico brasileiro Jogos Pan-americanos, que terão lugar entre 13 e 27 de julho de 2007.

sa, entre outras áreas. Com a realização dos Jogos Parapan-americanos, que reunirão 2.000 membros de delegações, entre eles 1.300 atletas, várias questões relativas às pessoas portadoras de necessidades especiais, como a acessibilidade, poderão ser reavaliadas no Brasil. Durante os Jogos Parapan-americanos Rio 2007, serão disputadas 10 modalidades esportivas: atletismo, basquetebol em cadeiras de rodas, halterofilismo, tênis de mesa, futebol de 5, futebol de 7, judô, voleibol sentado, natação e tênis em cadeiras de rodas.

Para organizar o evento da melhor maneira possível, era preciso conhecer bem a estrutura, o funcionamento e a operação de uma competição multiesportiva paraolímpica. Por isso, representantes do Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 (CO-RIO) estiveram nos Jogos Paraolímpicos Atenas-2004 para participar do Programa Oficial de Observadores e buscar o máximo de informações e soluções a serem utilizadas na organização dos Jogos Parapan-americanos Rio 2007. Em Atenas, os observadores puderam reunir informações de operação de segurança, esportes, transporte, tecnologia, credenciamento, marketing, alimentação, acomodações e impren-

Sucesso aos atletas paraolímpicos e que a realização dos Jogos Parapanamericanos Rio 2007 seja apenas o início de grandes investimentos no esporte paraolímpico brasileiro.

Foto: Gaspar Nóbrega

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realização pela primeira vez, no Rio de Janeiro, em 2007, dos Jogos Parapan-americanos na seqüência dos Jogos Pan-americanos, utilizando a mesma estrutura para ambos eventos, é um salto de qualidade para o esporte paraolímpico nas Américas. O uso das mesmas instalações e de uma só equipe de 46 planejamento, organização e operação dos dois eventos garantirá a mesma qualidade, dando aos atletas paraolímpicos as mesmas condições de competição e treinamento que os atletas que participarão dos Jogos Pan-americanos. Organizado de acordo com os requerimentos do Comitê Paraolímpico Internacional, os Jogos Parapan-americanos serão disputados de 12 a 18 de agosto de 2007, menos de um mês depois dos

Carlos Arthur Nuzman*

Nuzman ladeado pelo presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto, e por Lars Grael.

*Carlos Arthur Nuzman é presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 (CO-RIO)


Confira o calendário dos mundiais de modalidades e do Circuito Loterias Caixa até o final de EVENTO Mundial de Atletismo Mundial de Ciclismo Aberto de Hipismo Circuito Loterias Caixa (3ª etapa) Mundial de Tênis de Mesa Mundial de Bocha Circuito Loterias Caixa (4ª etapa) Mundial de Futebol de 5 Mundial de Natação

LOCAL HOLANDA SUÍÇA BÉLGICA PORTO ALEGRE/RS SUÍÇA BRASIL/RJ FORTALEZA/CE ARGENTINA ÁFRICA DO SUL

2006

DATA 28/8 a 11/9 9 a 18/9 22/9 a 1/10 15 a 17/9 22/9 a 2/10 3 a 15/10 3 a 5/11 22/11 a 1/12 27/11 a 9/12

Revista esportiva Gostaria de agradecer o recebimento da Brasil Paraolímpico nº 20. Temos o dever de ressaltar a importância da revista para os meios esportivos brasileiros. Parabéns! Milton Mattani Presidente da CBF7S

Nas alturas Sou estudante de Educação Física e, apesar de não diferenciar a fundo qualidades editoriais esportivas, é inegável a forma profissional com que a revista Brasil Paraolímpico é feita. Além do visual ousado, o conteúdo é bastante enriquecedor, especialmente para uma área ainda pouco difundida como o esporte paraolímpico. Continuem assim! Eduardo Cunha Oliveira

Cartas para esta seção no endereço eletrônico comunicacao@cpb.org.br. Os textos poderão ser editados em razão do tamanho ou para facilitar a compreensão.


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