Page 1

Agrupamento de Escolas de Póvoa de Lanhoso

WaterMark em trânsito… da Póvoa de Lanhoso a Llerena

Intercâmbio com o Instituto de Enseñanza Secundaria Llerena Llerena, Espanha

27 de outubro a 01 de novembro de 2013


Título: WaterMark em trânsito… da Póvoa de Lanhoso a Llerena Data da edição: Dezembro de 2013 Equipa envolvida: Alunos – Sílvia Silva, Joana Lamego (P26), Ana Maria Ribeiro, Ana Rita Silva, Cristiana Fernandes, Sara Vieira (11ºA), Rui Couto, José Pedro Soares, Alexandra Matos, Rui Rodrigues (12ºA, B, C), João Fernandes e David Fernandes (P28); Professores – Ana Teixeira, Ângelo Dias, Elisabete Silva, José Braga, Manuela Lourenço, Maria do Céu Baptista e Teresa Lacerda. Coordenação: Teresa Lacerda Fotos: José Braga, Ângelo Dias, João Fernandes e David Fernandes Captura de imagens vídeo: Ângelo Dias, José Braga Edição de vídeo: José Braga Edição do eBook: Agrupamento de Escolas da Póvoa de Lanhoso, Rua da Misericórdia, 323 – 4830-503 Póvoa de Lanhoso http://www.espl.edu.pt/

Este projeto foi financiado com o apoio da Comissão Europeia. A informação contida neste eBook vincula exclusivamente o autor, não sendo a Comissão responsável pela utilização que dela possa ser feita.

2|W a ter M ark


"Quando viajo, o que mais me importa s茫o as pessoas, porque s贸 falando com elas se conhece o ambiente." Camilo Cela

W a ter Ma rk |3


O Projeto

Comenius/eTwinning com o título WaterMark iniciou-se em

2012/13. Este projeto nasceu a partir da plataforma eTwinning (www.etwinning.net) que é constituída por uma rede de escolas europeias com o objetivo de promover o desenvolvimento de projetos colaborativos.

Turquia (coordenador do projeto), Itália, Espanha, Reino Unido e o Agrupamento de Escolas de Póvoa de Lanhoso. Entre 27 de outubro e 1 de novembro de 2013 participamos em mais uma O WaterMark inclui parceiros da

reunião do projeto, desta vez em Llerena, Espanha, para planificar as atividades a realizar

constituir uma memória de parte do trabalho desenvolvido pela equipa portuguesa durante a referida visita. durante 2013/2014. Este eBook pretende dar a conhecer e

4|W a ter M ark


O que pode apreciar neste eBook?...

WaterMark em trânsito pela Europa… ...................................................................................... 7 Uma espécie de diário… ............................................................................................................ 9 Entrevistas… ........................................................................................................................... 15 À conversa com José Miguel Gil Álvarez .............................................................................. 17 A visão das famílias de acolhimento… ................................................................................. 21 No laboratório… ...................................................................................................................... 25 Análises de amostras de água ............................................................................................. 27 Rostos… .................................................................................................................................. 29 Registos vídeo… ...................................................................................................................... 33 Primeira paragem: Elvas ...................................................................................................... 35 Momentos musicais: fado ................................................................................................... 37 Uma aula de olaria… ........................................................................................................... 39 A terminar…............................................................................................................................ 41

W a ter Ma rk |5


Elvas, 27/10/2013

6|W a ter M ark


WaterMark em trânsito pela Europa…

27 de outubro de 2013, domingo, 9h00 12 alunos, 7 professores Malas, lancheiras, câmaras de filmar e de fotografar, tripés, computadores, guitarras…

Afinal onde vai esta gente toda com tanta bagagem e boa disposição? A resposta é simples. A caminho de Espanha, mais concretamente de Llerena, para mais um encontro internacional do projeto WaterMark. A viagem era longa – 600 km – mas foi muito bem aproveitada. As cantorias foram uma constante e até tempo para trabalhar se arranjou. O farnel, a meio da viagem, soube muito bem; a paragem em Elvas trouxe-nos umas “Enxovalhadas” (doce tradicional da região) que não estávamos nada à espera. A embaixadora eTwinning do Alentejo, Elisabete Fiel, recebeu-nos em Elvas, promoveu uma visita guiada pela bela cidade e ainda nos ofereceu um docinho para o caminho. Chegados a Llerena, na extremadura espanhola, a cerca de 130 km de Badajoz, muito trabalho houve para fazer. Durante os dias que estivemos no Instituto de Enseñanza Secundaria Llerena, para além de se terem delineado as ações a desenvolver, tivemos oportunidade de apresentar o país, a nossa escola e algum do trabalho encetado, bem como apreciar o trabalho dos outros parceiros. Fomos envolvidos em diversas atividades realizadas na escola e tivemos a sorte de visitar locais muito interessantes. O tema principal do projeto é “A água: conhecer para respeitar”, contudo este tipo de ações contribuem para a aquisição de conhecimentos e para o desenvolvimento de competências que extravasam o assunto em estudo. Como refere a professora Maria do Céu Batista, “com a visita a Llerena conseguiu-se um intercâmbio cultural e pedagógico através da cooperação e troca de experiências que inspiram à inovação na implementação dos conteúdos programáticos a lecionar nas diferentes áreas curriculares. As atividades desenvolvidas promovem a melhoria das aprendizagens, a autonomia, a responsabilidade individual e participada dos alunos”. Para além disso, as viagens que se realizam no âmbito dos projetos europeus constituem “uma experiência muito rica no campo das emoções, uma aposta ganha no alargamento de horizontes a nível pessoal, cultural e na melhoria da competência linguística inglesa.” (professora Manuela Lourenço).

W a ter Ma rk |7


A equipa portuguesa era constituída pelos alunos Sílvia Silva, Joana Lamego (P26), Ana Maria Ribeiro, Ana Rita Silva, Cristiana Fernandes, Sara Vieira (11ºA), Rui Couto, José Pedro Soares, Alexandra Matos, Rui Rodrigues (12ºA, B, C), João Fernandes e David Fernandes (P28) e pelos professores Ana Teixeira, Ângelo Dias, Elisabete Silva, José Braga, Manuela Lourenço, Maria do Céu Baptista e Teresa Lacerda. Um grupo muito heterogéneo e que veio a revelar-se simplesmente fantástico onde o trabalho de equipa foi uma realidade constante. A boa disposição imperou ao longo de toda a estadia mas também o sentido de responsabilidade e a vontade de trabalhar. Exemplo disso é o conjunto de documentos divulgados neste eBook. Os nossos alunos ficaram alojados em casas de alunos espanhóis pelo que tiveram oportunidade de se aperceber da dinâmica da vida familiar no país de acolhimento. Fizeram amigos e foram muito elogiados pelos pais que os receberam pelo comportamento exemplar e pela capacidade de adaptação a um ambiente diferente daquele que conhecem. Esta estadia deixou marca nas famílias de acolhimento, como se pôde verificar pela emoção da despedida, mas também nos acolhidos, como é notório pelos seus comentários. “Foi uma viagem impossível de esquecer. Vivemos momentos fenomenais com pessoas extraordinárias” (Rui Rodrigues). “Sei que fiz lá amigos, … amigos que nunca esquecerei, mais do que um projeto, esta foi uma semana que mudou a minha vida… sinto-me orgulhoso de fazer parte desta equipa, deste projeto.” (Rui Couto). Foi, sem dúvida, uma semana memorável para todos. Para isso, muito contribuiu todo o empenho e trabalho da equipa espanhola com especial relevo para a sua coordenadora, Sofía Vaz. A todos e, em especial, à Sofía, o nosso sincero agradecimento. E tal como afirmava Camilo Cela “quando viajo, o que mais me importa são as pessoas, porque só falando com elas se conhece o ambiente." É esta vertente humana que não pode ser menorizada neste tipo de iniciativas… abrir horizontes aos alunos preparando-os para o futuro não só ao nível do conhecimento mas também de outras valências essenciais para que venham a ter uma atitude proativa na universidade, no mundo do trabalho e na sociedade.

Teresa Lacerda Coordenadora do WaterMark em Portugal

8|W a ter M ark


Uma espécie de diário… Alexandra Matos e Rui Couto

W a ter Ma rk |9


O texto que se segue resulta da compilação dos diários elaborados pela Alexandra Matos e pelo Rui Couto. As opiniões mais pessoais encontram-se identificadas. 10 | W a t e r M a r k


27 de outubro de 2013, domingo A caminho de Espanha… paramos em Elvas… algumas informações ficaram na memória e ficam aqui registadas para a posteridade: 800 arcos, 8km de aqueduto para trazer a água para o castelo que é o monumento mais importante da cidade de Elvas. Esta cidade é património mundial, tendo as muralhas mais bem conservadas da Europa.

Já em Llerena… Nesta primeira noite chego a casa e fui muito bem recebido pela família do Gian. Tenho um quarto com todas as condições (Rui Couto).

28 de outubro de 2013, segunda-feira Após uma noite bem passada nas novas famílias, fomos para a escola com os nossos novos amigos. Fomos recebidos pelos alunos e professores que participam no projeto WaterMark e tivemos oportunidade de interagir com os colegas das outras escolas parceiras no projeto, ou seja, originários de Inglaterra, Espanha, Itália e Turquia. De seguida, a professora Sofía Vaz conduziu-nos numa visita guiada pela escola; em cada sala específica um aluno deu uma breve explicação do local. O tempo livre que se seguiu permitiu-nos falar e conhecer melhor os outros estudantes. Foram conversas breves, pois era o primeiro dia, mas, pelo menos no que me diz respeito, tive uma ótima impressão da equipa turca, muito simpáticos (Alexandra Matos). Após a visita à escola dirigimo-nos para o centro de investigação e lá pudemos observar e estar em contacto com diversas experiências ligadas ao ramo da física, química e biologia, onde, inclusive, tivemos oportunidade de fazer "sal de banho" e perfume. Por volta do meio dia dirigimo-nos de novo para a escola e lá procedemos às apresentações dos diversos países e alunos envolvidos no projeto. Os primeiros a apresentar foram os representantes da equipa da Turquia, seguida da equipa de Inglaterra, depois a minha equipa, Portugal, e, por fim, a equipa da Itália. Cada equipa fez uma apresentação com estilo próprio, alguns com vídeos turísticos da cidade e outros com um PowerPoint representativo do projeto “Watermark”. Apesar de ter sido um pouco longo, achei que foi muito interessante (Alexandra Matos). Em seguida cada um seguiu para sua casa com o seu novo familiar.

W a t e r M a r k | 11


Neste primeiro dia senti-me realmente realizado por ver que consegui comunicar com facilidade com colegas de diversos países. O inglês é mesmo importante e o facto de ter algum domínio da língua permite-nos comunicar com pessoas cuja língua é muito diferente da nossa. Tive oportunidade de falar com Burak Kica (aluno da Turquia) e ver que partilhamos gostos… senti que os alunos da Turquia são os mais sociáveis e gostei imenso de os conhecer (Rui Couto). Neste momento estou deitado na "minha" cama, são 16h47 e o Gian (aluno que me acolheu) está a dormir (sesta) e daqui a 13 minutos (5horas) vamos sair para irmos ter com os outros alunos ao pavilhão de jogos (Rui Couto).

29 de outubro de 2013, terça-feira Hoje foi um dia muito preenchido e bastante divertido. Começamos com um pequeno-almoço saudável na Escola “Fernando Robina”, ao qual esteve associada uma explicação por uma nutricionista na biblioteca da escola. Tomámos o pequeno-almoço todos juntos e pela primeira vez comi algo muito invulgar: tostas com azeite e tomate, muito bom mesmo! (Alexandra Matos) Já com o estômago reconfortado, fomos para o laboratório da escola onde pudemos observar a realização de diversas experiências, e pudemos proceder à análise de amostras de água. Os alunos espanhóis mostraram-nos como se fazia para medir o pH da água (água normal e água da fonte) e determinar a quantidade de nitratos, entre outros. Como estávamos divididos em grupos, enquanto um grupo estava no laboratório, o outro teve a oportunidade de conviver um pouco mais com os alunos estrangeiros. Mais uma vez nos demos muito bem com os turcos, passámos a manhã a aprender e a ensinar novas palavras uns aos outros. Prosseguindo, fomos para o espaço exterior e deram-nos cartões com números para que se formassem equipas aleatórias. Assim, formadas as equipas, tivemos acesso a um mapa com a indicação de um percurso (uma espécie de peddy-paper / prova de orientação) e questões a que teríamos de responder enquanto aproveitávamos para conhecer Llerena. No fim da prova de orientação, a Ana e eu ainda fomos à escola assistir a uma aula de inglês do nosso amigo António (Alexandra Matos). Este segundo dia está a ser (16h04) muito bom pois hoje falei com todos os alunos de todos os países e aprendi a dizer muitas palavras em turco, claro que estão incluídas algumas malandrices, assim como também pude ensinar alguns dos turcos a falar um pouco português. Estou a achar esta experiência extremamente boa, estou a gostar muito (Rui Couto).

12 | W a t e r M a r k


30 de outubro de 2013, quarta-feira E mais um dia se passou aqui em Llerena. Hoje saímos cedo de manhã e fomos em direção à escola como de costume. Ao chegar lá dirigimo-nos à biblioteca para ver uns vídeos realizados pela equipa espanhola. Vimos um vídeo de apresentação da Espanha, um Lipdub feito por eles e um que mostrava as memórias do primeiro ano do projeto “Watermark”. A seguir, dirigimo-nos para o autocarro, porque hoje fomos visitar duas cidades. A primeira cidade foi Cáceres, onde tivemos tempo para comer todos juntos e passear um pouco. Nesse tempo livre, tivemos a oportunidade de falar muito mais com todos os grupos, o que foi muito bom para praticarmos o nosso inglês e aprendermos um pouco mais espanhol. Também tivemos tempo para fazer algumas compras, pois queríamos levar umas lembranças para a família e amigos. A segunda cidade visitada foi Mérida, uma cidade emblemática de monumentos romanos. Mal chegámos lá, fomos logo visitar um museu que tinha imensas figuras e objetos romanos. A seguir fomos ao teatro romano, um espaço ao ar livre muito bonito e histórico. Foi muito interessante e foi onde tirámos a nossa foto de grupo. No fim da visita, voltámos para Llerena muito cansados mas sabendo que passámos mais um excelente dia em companhia de todos.

31 de outubro de 2013, quinta-feira Hoje, quinta-feira dirigimo-nos para a escola, onde aguardamos algum tempo até à chegada dos autocarros. Fomos visitar algumas vilas próximas de Llerena, o castelo de La Reina, o Museu Romano, a mina de Jayona e a capela da Virgem Ara. Visitámos, ainda, a cidade romana de Regina. Na mina de Jayona, fomos encaminhados através de um espaço verde por um guia que nos foi explicando diversos aspetos interessantes relativos a algumas plantas. Entrámos num edifício onde estava patente uma exposição e pudemos observar certos minérios bem como painéis com algumas informações históricas sobre o local. Esta mina encontra-se desativada desde 1956, mas foi um importante local de extração de ferro. Aqui pudemos observar uma falha geológica e relembrar no terreno alguns conceitos abordados na disciplina de Geologia. Na visita guiada à cidade romana de Regina, mostraram-nos as escavações que correspondiam a casas dos antigos habitantes; foram também referenciados alguns dos seus hábitos. Aproveitámos, ainda, para visitar o teatro da cidade, mais pequeno do que o de Mérida, mas igualmente muito bonito. No teatro tirámos mais fotos de grupo para juntar às nossas memórias desta viagem.

W a t e r M a r k | 13


Por volta das 14h00 chegamos a “Los Molinos” onde decorreu a festa de despedida organizada pela Associação de Pais. Pudemos provar algumas das comidas da região, como Paella e doces típicos… tudo cozinhado pelos pais que nos acolheram e que nos acompanharam ao longo desta tarde. Foram-nos oferecidas t-shirts com o nome do projeto; como elas eram brancas, aproveitámos para pedir aos nossos amigos para assiná-las e deixar mensagens carinhosas para nos lembrarmos deles. Houve música, dança e canções. A nossa colega Cristiana, acompanhada à guitarra pelo José Pedro, presenteou-nos com um bonito fado. Uma das colegas turcas também apresentou uma canção típica. A acabar o convívio foinos entregue um diploma e os professores, entre eles, trocaram lembranças e todos juntos cantámos o hino do projeto. Acabámos o dia com um jantar de alunos, seguido de uma saída, para festejarmos a nossa estadia em Llerena, num ambiente muito divertido.

01 de novembro de 2013, sexta-feira… já de regresso Após esta visita fiquei com a noção que fiz, realmente, amigos. Muitos dirão que não é possível fazer amigos numa semana, mas, agora, posso dizer que SIM… quem viveu esta experiência sabe o que custou a despedida. Fiz amigos, espero, para a vida, amigos que nunca esquecerei que nunca deixarão de existir, porque mais do que um projeto foi uma semana que mudou a minha vida… espero que este tipo de projetos se continue a realizar e terei muito gosto de poder receber alguém em minha casa. Resta-me agradecer a todos os professores, alunos e todos os que tornaram isto possível… Sinto-me orgulhoso de fazer parte desta equipa, deste projeto (Rui Couto). Esta semana foi rica em muitos aspetos e, nomeadamente, muito forte em emoções. Todos os dias convivemos com pessoas extraordinárias e extremamente simpáticas. A minha família de acolhimento não podia ter sido melhor, trataram de mim como se fosse um deles e logo no início fiquei muito à vontade. O tempo foi pouco, mas tivemos oportunidade de falar com todos e de conhecer muitas culturas e hábitos diferentes. Apenas uma semana bastounos para criarmos uma amizade com todos aqueles alunos. Sem dúvida que a despedida foi muito difícil; chorámos porque sabíamos que iríamos sentir falta dos momentos de riso, brincadeira e aprendizagem conjunta. Esta viagem não serviu só para evoluirmos em termos educacionais, relativos ao projeto, mas essencialmente fez-nos evoluir como pessoas. Tivemos de nos adaptar a um novo ambiente, a novas pessoas e a locais desconhecidos e é certo que nos obrigou a ser autónomos e independentes, o que foi muito bom. Quero agradecer aos professores o convite e a oportunidade que me deram. Espero ter mais momentos como estes e espero que estas experiências sejam uma realidade também para outros alunos pois todos poderão ganhar com isso (Alexandra Matos).

14 | W a t e r M a r k


Entrevistas… José Pedro Soares, Rui Rodrigues Ana Maria Ribeiro, Ana Rita Silva, Cristiana Fernandes, Sara Vieira

Traduções: Ana Teixeira e Manuela Lourenço

W a t e r M a r k | 15


Entrevista ao diretor da escola de Llerena (Vídeo em >>>>)

Entrevista a algumas famílias que acolheram os alunos do WaterMark (Vídeo em >>>>)

16 | W a t e r M a r k


À conversa com… José Miguel Gil Álvarez Questões e condução da entrevista: Rui Rodrigues e José Pedro Soares

Diretor do Instituto de Enseñanza Secundaria Llerena Headmaster

WaterMark PT (WM) – Boa tarde. Em primeiro lugar queremos agradecer a disponibilidade do Sr. Diretor José Miguel para responder a algumas questões da equipa portuguesa integrada no projeto WaterMark. Sou o RuiHá quanto tempo dirige esta escola? Hello. My name is Rui. I am a student from Agrupamento de Escolas da Póvoa de Lanhoso and I will interview the headmaster of Llerena School, José Miguel. How long have you been the headmaster of this school? José Miguel Álvarez (JMA) – Sou diretor desta escola desde 1999, ou seja, há 13 anos. Since 1999, for about 13 years.

WM – Gosta do cargo que ocupa? Do you enjoy what you do? JMA – Sim. Gosto muito de poder trabalhar com este tipo de projetos onde os alunos podem interagir com colegas de outras culturas e contribuindo, assim, para a formação integral dos alunos em temas como a igualdade, o respeito, o meio ambiente. Yes, what I like most is to have the possibility to work in projects and participate with students from other cultures and think about an education where we can speak, practice , about the of values and the theme of equality and respect for each other.

WM – Quando era criança imaginava-se a dirigir uma escola? When you were a child did you imagine being a director? JMA – Não, nem pouco mais ou menos. Nem me imaginaria a ser diretor quando me formei em 1989. Fui nomeado para este cargo porque o antigo diretor foi-se embora e disseram-me ‘’Queres assumir o cargo?’’ Conversei com um grupo de colegas que tinham a mesma W a t e r M a r k | 17


conceção de escola que eu e lá acabei por aceitar. Quando era pequeno imaginava-me, como qualquer criança, a ser futebolista, bombeiro ou policia mas não diretor. No, I never imagined being director even when I graduated in 1989. I became a director because the former one left and was asked if I would like to be elected. I had a group of friends that shared my opinion about school and I accepted. When I was young, I imagined myself as any child who wants to become a football player, fireman, policeman, but not a director.

WM

Quantas

horas

trabalha por dia? How many hours do you work a day? JMA – Depende, no início do ano letivo pode chegar a 12/14 horas por dia mas com o decorrer do ano trabalho cerca de 6 horas de manhã e 3/4 horas de tarde. It depends. At the beginning of the school year I can work up to 12/14 hours a day, but in a normal day life I work for about 6 hours in the morning and 3 to 4 hours in the afternoon.

WM – Qual a maior dificuldade que encontra no exercício do seu cargo? What do you find more difficult in your work? JMA – Nesta escola temos 90 professores e 900 alunos. Os professores não são todos iguais e os alunos também não. Temos alunos com doze anos e outros com trinta. Assim, organizar o funcionamento de toda a escola é o que torna mais difícil o trabalho de um diretor. Our school is big and sometimes it is difficult to organize a school with about teachers and 900 students. The teachers are different from each other, and so are the students. We have students aged 12 and students who are 30 years old, so it is difficult to organize the work of the director of the school.

WM – O que é que ensinava antes de ser diretor? What did you teach before this job? JMA – Em Espanha os diretores também dão aulas. Tenho alunos de um curso profissional e leciono assuntos no ramo da administração. 18 | W a t e r M a r k


In Spain, besides being a director you also teach. I have students from a professional course and I teach administration.

WM – Que níveis de ensino existem nesta escola? What school levels are there in the school? JMA – O ensino obrigatório para os alunos dos doze aos dezasseis anos, o “bachillerato” (equivalente a parte do ensino secundário português para alunos que pretendem ingressar no ensino superior) e a formação profissional para os alunos com mais de dezasseis anos. The youngest are 12 years old and the oldest are about 25. School is compulsory for students from the age of 12 hill the age of 16-“ bachillerato”(secondary school for t\ghe ones who want to enter university ) – and we also have professional course for the students who are over 16.

WM – De um modo geral como é que os alunos se comportam? Generally speaking, how do your students behave? JMA – Os problemas disciplinares concentram-se no grupo de alunos com idades entre os treze e os quinze anos. São alunos que não tiram boas notas e, normalmente, estão na escola apenas para terminar o ensino obrigatório. De todos os alunos, teremos 8% a 10% com problemas de indisciplina. Discipline problems are mainly concentrated in the groups of students who are 13, 14, 15 years old. They are students who have bad school results and attend school to complete compulsory education. The youngest aren’t particularly problematic, and the oldest the ones who are 16, 17 and 18 years old, are at school because they want to and do not give problems. We have about 8% to 10% of students with disciplinary problems.

WM – Como se sente no fim de um ano letivo? How do you feel at the end if the school year? JMA – Tranquilo. Durante o ano demos aos alunos tudo o que pudemos, demos o nosso melhor, pelo que sinto assim uma grande satisfação e tranquilidade. I feel comfortable and pleased to know we did our best and because I have the feeling the school year came to an end.

WM – Qual o balanço que faz do seu trabalho como diretor? What would you say about your experience as director of this school?

W a t e r M a r k | 19


JMA – Tenho experiências positivas e negativas. Atividades e projetos como este são exemplos positivos. Gosto da ideia de podermos ligar Portugal, Turquia, Itália, Reino Unido e Espanha num projeto muito bom para os alunos, permitindo-lhes conhecer melhor a Europa e ajudando-os, mais tarde, a enfrentar a vida. O aspeto mais negativo é o de verificar que após muito trabalho não conseguirmos que todos os alunos reúnam condições para terminar os seus estudos. I have positive and negative experiences. This kind of projects and activities are positive. I like the idea of connecting Portugal, Turkey, Italy, the United Kingdom and Spain together In a project to the students, that is very good for them to know Europe better and that is a help to face life. The negative aspect is to recognize that after a lot of work, many students can’t finish school.

WM – Qual a sua opinião sobre a participação da escola neste tipo de projetos europeus? What is your opinion about the school participation in these projects? JMA – Totalmente positiva. Lerrena é uma vila com cerca de 6000 habitantes. Muitas famílias não têm possibilidade de viajar, e este tipo de projetos proporciona aos alunos a possibilidade de conhecerem outros países e as suas culturas, bem como darmos a conhecer o nosso próprio país. Very positive, because being Llerena a village with about 6 000 inhabitants, and because many families don’t have the possibility of travelling, this kind of projects is an opportunity for students to know other countries and cultures and ald«so, it is a way to make our country known.

WM – E em termos futuros… And what about the future? JMA – Dependerá da União Europeia e do dinheiro que eles investirem na cultura e na educação. Se continuarem a investir como têm feito penso que o “projeto Europeu” vai longe; contudo, com a crise, se abandonarem este tipo de investimento, penso que daremos um passo atrás. It will depend on the European Union and how it will invest in culture and education. If the European Union continues to invest strongly, The European Project can go further, but, if due to crisis, this project is abandoned, then we are taking astep backwards.

WM – Muito obrigado, mais uma vez. (A entrevista apresentada tem algumas supressões mas pode ser vista integralmente em http://goo.gl/uKi5zQ)

20 | W a t e r M a r k


A visão das famílias de acolhimento… Questões e condução da entrevista: Ana Maria Ribeiro, Ana Rita Silva, Cristiana Fernandes e Sara Vieira

Falamos com famílias que acolheram alunos portugueses, turcos, italianos e ingleses. Aqui ficam alguns desses registos… Some Spanish families that hosted Portuguese, Turkish, Italian and English students were interviewed. Here are some statements. WaterMark PT (WM) – Por que razão se mostraram disponíveis para acolher alunos estrangeiros? Why were you so willing to host foreign students? Maria Dolores Juliá (acolheu a Ruchi Sikka e a Subira Bridgewater, Reino Unido) (hosted Ruchi Sikka and Subira Bridgewater from United Kingdom) – Acolher pessoas que têm costumes e idiomas diferentes está a ser uma experiência, para mim e para os meus, inesquecível. Hosting people with different customs and languages is, to me and my family, an unforgettable experience Maria Dolores Guardado (acolheu o José Pedro Soares, Portugal) (hosted José Pedro Soares from Portugal) – É uma experiência muito enriquecedora pois é uma boa forma de partilhar culturas. It is a very enriching experience since it is a way of sharing cultures. WM – Como é que se prepararam para receber os vossos hóspedes? How did you prepare to receive your guests? Antonio Medina e Ana Gordillo (acolheram o Burak Kica, Turquia) (hosted Burak Kica from Turkey) – Procuramos ter um quarto livre para alojar o “nosso aluno” turco e, também, nos preocupamos com a comida, já que ele não come carne de porco (muito usual na gastronomia espanhola). W a t e r M a r k | 21


We did everything to provide a free room to host the Turkish student and we also worried about the food, because we know he doesn´t eat pork meat (very common in the Spanish gastronomy). Maria Dolores Guardado – Tentamos organizar a estadia da forma mais acolhedora possível... Fizemos como nas festas, à espera de um convidado especial… pensamos muito nas comidas, mas foi fantástico, ele gostava de tudo! (o nosso português José Pedro não foi esquisito. É assim mesmo!) We tried to make his stay the most warming possible…we did it like in parties, waiting for a special guest…we thought about the food, and other details…it was amazing, he liked everything! (Our Portuguese, José Pedro liked wasn´t picky about the food. Good boy!) WM – E a comunicação com os alunos… como foi? What about the communication with the students…how did you manage to do it? José Miranda e Mª Nieves Muñoz (acolheram o Fuac Can Sarimsakçi, Turquia) (hosted Fuac Can Sarimsakfi from Turkey) – Não é muito fácil porque acolhemos um aluno turco. Comunicamos em inglês através do computador utilizando, para tal, o tradutor. Para além disso, comunicamos por gestos… nem sempre tenho a certeza que me entendeu! It wasn’t easy because we received a Turkish student. We communicated in English through the computer, using, for the purpose, the translator. Besides that, we also used gestures…I’m not sure he always understood us.

Lorenzo Medina e María José Cabrera (acolheram o Andrea Mastellone, Itália) (hosted Andrea Mastellone from Italy) – Para nós não é muito difícil, pois acolhemos um italiano e a língua tem algumas semelhanças, além disso o nosso hóspede aprende espanhol na escola. For us it isn’t very difficult, because we hosted an Italian student and the languages have some similarities, besides, our guest is learning Spanish at school.

22 | W a t e r M a r k


PB – Qual o balanço que fazem desta experiência? How would you evaluate this experience? Lorenzo Medina e María José Cabrera – Muito positiva, eu gostaria de a repetir. Very positive, I would like to repeat it.

Maria Dolores Guardado – Foi maravilhosa, não quero que acabe. Eu até lhe disse que era capaz de o adotar… (risos!)… só que ele disse-me que a mãe não deixaria que tal acontecesse… (mais risos!!) It was amazing, I don’t want it to end. I even told him I would adopt him…he replied me his mother wouldn’t let it happen.

Maria Dolores Juliá – Este tipo de iniciativas deveria desenrolar-se mais vezes; os governos deviam ajudar a colocar entusiasmo nas crianças, jovens e adultos para que se vejam como cidadãos do Mundo e não de um país. These kind of projects should take place more often. Governments ought to support children, teenagers and adults to perceive themselves as citizens of the world, not only of a country.

Maria Dolores Guardado – E, para além do mais, está a fazer-se escola fora das aulas e isso é maravilhoso. Moreover, school is happening outside the classrooms and that’s wonderful.

As entrevistas integrais podem ser visionadas em >>>>>>> e em >>>>>>> o resumo em http://goo.gl/VhUpVk. Aqui fica o nosso agradecimento aos pais que gentilmente partilharam connosco as suas emoções e opiniões sobre o acolhimento de alunos do projeto WaterMark. Interviews in >>>>>>> and >>>>>>> and http://goo.gl/Ooacr9.

W a t e r M a r k | 23


24 | W a t e r M a r k


No laboratório… Sílvia Silva e Joana Lamego

W a t e r M a r k | 25


26 | W a t e r M a r k


Análises de amostras de água No dia 29 de Outubro de 2013 os alunos e professores do programa WaterMark assistiram a um conjunto de experiências relacionadas com a água, realizadas na escola Cieza de Leon pelos alunos da mesma.

Dividiram-nos em dois grupos e quando entramos no laboratório, surpreenderam-nos com um papel branco que foi pulverizado com ácido nítrico onde surgiram duas palavras em cor-de-rosa que diziam:

“Welcome Llerena”… até parecia uma atividade tipo CSI 

Realizou-se a medição do pH em duas amostras de água (água normal e água da fonte) utilizando-se dois métodos: com medidor do pH e com uma fita, observando-se assim diferentes valores. Posteriormente, os alunos mediram a densidade da água, determinaram o cálcio e o magnésio, determinaram os nitratos e, por fim, os fosfatos. Na nossa opinião os alunos, no início, surpreenderam-nos de uma forma bastante positiva, pelo que criaram grandes expectativas. Contudo, via-se que não estavam muito habituados a fazer apresentações em público já que, por vezes, explicavam as experiências de costas para nós o que dificultava a compreensão dos assuntos abordados. W a t e r M a r k | 27


28 | W a t e r M a r k


Rostos… José Braga, Ângelo Dias, João Fernandes e David Fernandes

W a t e r M a r k | 29


30 | W a t e r M a r k


W a t e r M a r k | 31


Mais rostos em >>>>>

32 | W a t e r M a r k


Registos vídeo… Captura de imagens vídeo: Ângelo Dias, José Braga Edição de vídeo: José Braga

W a t e r M a r k | 33


Elisabete Fiel, Embaixadora eTwinning

34 | W a t e r M a r k


Primeira paragem: Elvas Elvas, cidade alentejana, Património Mundial da Humanidade, título atribuído pela UNESCO a 30 de junho de 2012, foi o primeiro local em que paramos para uma magnífica visita guiada pela Embaixadora eTwinning da região, Elisabete Fiel. Percorremos o centro histórico, visitamos igrejas, o castelo, observamos a paisagem e, ainda, tivemos oportunidade de conhecer as “roncas”, instrumento musical típico e que pode ser observado no vídeo que registou esta primeira aventura.

Vídeo em >>>>>

W a t e r M a r k | 35


Rui Rodrigues & Cristiana Fernandes

36 | W a t e r M a r k


Momentos musicais: fado Como bons portugueses que somos, não podíamos deixar de presentear a equipa WaterMark com um fado. A Cristiana Fernandes, acompanhada à guitarra pelo José Pedro Gonçalves, encantou os presentes com a sua voz, expressividade e simpatia… O Rui Rodrigues também tocou guitarra e a Cristiana emprestou a voz a mais algumas cantigas que fazem parte no nosso espólio musical. Um excelente registo!

Vídeo em >>>>>

W a t e r M a r k | 37


38 | W a t e r M a r k


Uma aula de olaria… Tivemos oportunidade de assistir a uma bela lição de olaria por um artesão de Llerena. O empenho e emoção que este artesão colocou na explicação do seu trabalho e no fabrico de várias peças foram bem demonstrativos do gosto que tem pela profissão. Até se podia aplicar aqui o poema de Ricardo Reis: Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive

Aqui está um bom exemplo de quem põe tudo … no mínimo que faz!

Vídeo em >>>>

W a t e r M a r k | 39


40 | W a t e r M a r k


A terminar‌

W a t e r M a r k | 41


42 | W a t e r M a r k


Aqui encerramos este livro de viagens com o qual se pretendeu dar uma pequena mostra das atividades desenvolvidas ao longo de uma semana do projeto WaterMark. As reuniões de projeto que juntam elementos de diferentes países têm, também, como objetivo CELEBRAR… Celebrar o trabalho realizado, celebrar a partilha de culturas, celebrar o trabalho colaborativo, celebrar a aprendizagem conjunta… Foram muitas e muitas horas de vídeo registadas… muitos GB ocupados… Aqui fica o resumo que pretende dar uma visão global da semana que se passou em Llerena…

Vídeo em >>>>>

Durante esta semana também houve lugar para a planificação de atividades a desenvolver ao longo deste ano letivo… assim, o WaterMark vai, certamente, continuar a dar que falar.

W a t e r M a r k | 43


Llerena, Spain, 2013

Trip to Llerena, Spain  

Portuguese team was visit Llerena - October 2013

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you