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Revista da Indústria Extrativa

2º Trimestre 2012 / € 7,00

Nº 06 2012

ENG.º MIRA AMARAL PRESIDENTE DO CEVALOR EM ENTREVISTA

GLOBAL STONE CONGRESS 2012 COLT RESOURCES EM PORTUGAL GRANITOS NO QATAR


XI

JORNADAS TÉCNICAS LNEG - Laboratório Nacional de Energia e Geologia Alfragide - Lisboa

14 de Novembro 2012 Uma Oportunidade para Fazer Contatos, Negócios e Atualizar Informação realiza, bienalmente, as suas Jornadas Técnicas , que têm vindo a contribuir para que produtores, consumidores, instituições e especialistas envolvidos, troquem informações, experiências e propostas, para uma melhor utilização e valorização dos recursos minerais portugueses. A

Este ano, a

a

,

organiza

Décima Primeira Edição das Jornadas no LNEG, em Lisboa

Contando com a colaboração das entidades de tutela e de empresas desta área industrial, ali serão apresentadas comunicações abordando temas de fundamental interesse para o Setor.

Inscreva-se

Para Informações e Inscrições contate:

Sede: Rua Júlio Dinis, 931 / 1.º Esquerdo / 4050-327 Porto

Delegação: Av. Manuel da Maia, 44 / 4.º Direito / 1000-203 Lisboa

Telf.: 22 609 66 99 / Fax: 22 606 52 06 E-mail: geral@aniet.pt

Telf.: 21 849 92 25 / Fax: 21 849 72 33 E-mail: delegacao.lisboa@aniet.pt

Ou

www.aniet.pt


PROGRAMA As “Jornadas Técnicas” são um evento organizado bienalmente pela ANIET que costuma mobilizar cerca de três centenas de participantes e que se destaca por proporcionar o encontro, durante um dia, entre empresários, potenciais clientes, políticos, investigadores, e técnicos ligados ao sector da indústria extrativa e transformadora (rochas ornamentais, rochas industrias, minérios e equipamentos). 9:30h 10:00h

10:30h 10:45h

11.00h 11:15h 11:45h 12:00h 12:15h 13:00h 14.30h 14:45h 15:00h 15:15h 15:45h

16:15h

16:30h 16:45h

Receção Abertura - Eng.º Victor Albuquerque, Presidente da Direção da ANIET Boas Vindas - Eng.ª Maria Teresa Ponce de Leão, Presidente do Conselho Diretivo do LNEG - Laboratório Nacional de Energia e Geologia Intervenção de Sua Excelência Sr. Secretário de Estado da Energia * Dr. Artur Trindade Moderador: Eng.º Mário Machado Leite - Vogal do Conselho Diretivo do LNEG e Director do Laboratório Principais Atividades da ANIET Eng.ª Francelina Pinto (Diretora Executiva) Breve Análise da Proposta de Revisão ao Decreto-Lei n.º 270/2001, de 6 de outubro (Lei das Pedreiras): Simplificação Legal e Eficiência Setorial Sociedade de Advogados Uría Menéndez - Proença de Carvalho Dr. João Louro e Costa Estratégia Nacional para os Recursos Minerais e Perspetivas do Sector Mineiro em Portugal DGEG-Direção Geral de Energia e Geologia Eng.º Carlos Caxaria (Subdiretor Geral) Coffee Break Plano Estratégico para o Sector dos Agregados em Espanha 2012-2025 FDA- Federación de Áridos (Espanha) César Luaces Frades (Diretor Geral) LNEG - Instituição Charneira no Ciclo de Valorização dos Recursos Minerais LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia Eng.º Machado Leite (Vogal do Conselho Diretivo) Visita aos Equipamentos de Sondagem e Litoteca do LNEG Almoço Moderador: Eng.º Jorge Mira Amaral – Presidente do Conselho de Administração do CEVALOR Detonadores Eletrónicos no Contexto das Obras de Escavação Mineira ORICA Mining Services Portugal, S.A. Prof. Pedro Bernardo (Diretor Técnico e Comercial) Tecnologias de Aplicação de Explosivos para Exploração Mineira de Interior e a Céu Aberto MaxamPor, S.A. Eng.º Filipe Tavares de Melo (Diretor Com ercial) DAPhabitat - O Sistema de Registo Nacional das Declarações Ambientais de Produtos para o Habitat Associação Plataforma para a Construção Sustentável Prof. Victor Ferreira (Presidente da Direção) Coffee Break Apresentação dos Projetos Âncora (PA) do Cluster da Pedra Natural PA 1 – Valorização da Pedra Natural – Apresentação do Estudo Estratégico de Marketing – Concurso de Design da Pedra Natural (Resultados) – Stone PT – Edição para Arquitetos PA 2 – Sustentabilidade da Indústria Extrativa Associação Valor Pedra Dra. Marta Peres (Diretora Executiva) PA 3 – Novas Tecnologias para a Competitividade da Pedra Natural CEI - Companhia de Equipamentos Industriais, Lda Eng.º Agostinho da Silva (Sócio-Gerente) Circulação Inversa na Prospeção Mineira Sociedade Atlas Copco de Portugal, Lda Hugo Dias (Diretor de Equipamentos Subterrâneos e Ferramentas de Perfuração) /Paulo Dinis (Diretor de Equipamentos de Geotecnia) Debate Conclusões /Encerramento – Eng.º Victor Albuquerque, Presidente da Direção da ANIET *Aguarda confirmação


Ficha Técnica

Sumário

5 10 14 16 20 22 28 32 36 38 42

GLOBALMENTE Positivo Global Stone Congress 2012

Nº 6

César Lucas Frades Entrevista

Ficha Técnica: Propriedade: ANIET - Associação Nacional da Indústria Extractiva e Transformadora Sede: R. Júlio Dinis 931, 1º - E . 4050327 Porto / Portugal | Tel.: +351 226096699 | Fax: +351 226065206 | E-mail: geral@aniet.pt | Site: www. aniet.pt | NIPC: 501 419 411

Júlio Faceira Entrevista Granitos Com Estratégia Para Crescer

Editor: Nuno Esteves Henriques Director: Victor Albuquerque -Presidente da Direcção da ANIET Director Adjunto: Francelina Pinto -Directora Executiva da ANIET

Construção: Investir em Edifícios de Baixo Consumo Energético para Relançar o Crescimento ANIET: Plano de Atividades para 2012/2014

Editores: COMEDIL - Comunicação e Edição, Lda. | Empresa Jornalística Registada N.º 223679 Sede: Rua Enfermeiras da Grande Guerra, 14-A . 1170-119 Lisboa Portugal | Tel.: +351 218123753 Fax: +351 218141900

Colt Resources Aposta em Portugal Luís Plácido Martins

E-mail: comedil@comedil.pt | Site: www.comedil.pt | NIPC: 502102152

Eng.º Jorge Mira Amaral Entrevista

Edição e Coordenação de Produção: Nuno Esteves Henriques | C.I.P. nº 2414 | E-mail: nuno@comedil.pt

Valorizar a Pedra Natural Através do Design Concurso "Projectar a Pedra Natural

Concepção Gráfica e Paginação: João Morais E-mail: joao@comedil. pt | Redação: Manuela Martins (manuelafigmartins@gmail.com) Publicidade e Marketing: Francelina Pinto (francelinapinto@aniet.pt) Impressão: ACD - Artes Gráficas, S.A. Distribuição: COMEDIL

Mostra do Setor de Extração, Transformação e Comercialização de Granitos e Derivados 3.ª Edição da Bienal da Pedra

Depósito Legal: 331384/11 | Registo na ERC: Isento | Tiragem: 1.000 exemplares | Periodicidade: Trimestral

Índice de Competitividade Global 2012-2013 Fortalecer a Recuperação com o Aumento de Produtividade

Os textos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores, pelo que as opiniões expressas podem não coincidir com as da ANIET.

Revista da Indústria Extrativa

2º Trimestre 2012 / € 7,00

Nº 06 2012

ENG.º Mira aMaraL Presidente do Cevalor eM entrevista

GLOBAL STONE CONGRESS 2012 COLT RESOURCES EM PORTUGAL GRANITOS NO QATAR


Victor Albuquerque

Editorial

Presidente da Direção da ANIET

Nos meses mais recentes o país parece ter acordado para a importância económica e social do setor extrativo. Este setor, que até agora raramente era notícia, começa finalmente a ter mais destaque nos media e portanto junto da opinião pública, com um enquadramento positivo, consentâneo com o seu potencial e o seu valor real. O desenvolvimento sustentável tem várias vertentes e até agora a sociedade tem sobreavaliado a ambiental em detrimento das vertentes económica e social. A situação parece estar a mudar. Damos-lhe conta, nesta edição, de algumas notícias e reportagens publicadas, em que a tónica foi a valorização dos recursos geológicos, particularmente os minerais metálicos, na criação de riqueza para o país. Quando a pobreza bate à porta o cidadão vasculha nas gavetas os pequenos tesouros escondidos. É o que está a acontecer um pouco com o país e a classe dirigente está a despertar para a necessidade de incentivar a exploração das matérias-primas do território nacional. As crises podem ser motores de crescimento e este é um dos aspetos positivos a destacar no atual contexto económico. A recente Resolução do Conselho de Ministros que deu origem a uma Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos está aí, finalmente, a dar um novo fôlego ao setor extrativo. “A sociedade contemporânea necessita amplamente da indústria extrativa, que fornece matérias -primas essenciais às indústrias transformadoras e de construção”, refere este documento que, para já, incide apenas nos minérios metálicos, mas que deixa também a promessa de ser “o referencial para todas as intervenções públicas que incidam sobre os recursos geológicos”. Esperamos sentir, a curto prazo, as consequências práticas desta declaração de intenções, com a redução, por exemplo, dos custos de eletricidade e combustíveis a pagar pela indústria do setor extrativo, uma reivindicação da ANIET pela qual nos continuaremos a bater. Veja também, nesta edição, como os nossos associados dos granitos estão a trabalhar e as estratégias que empreenderam para aumentar as exportações e que já estão a ter resultados visíveis nas estatísticas oficiais. Nas rochas ornamentais os granitos foram o subsetor que mais aumentou as vendas no mercado externo. Destacamos, ainda, uma entrevista com o Eng.º Mira Amaral que, em representação da ANIET, assume a presidência do CEVALOR cujo o mandato será marcado por uma maior aproximação e colaboração entre as duas entidades, e uma entrevista de fundo com o reconhecido geólogo português, Dr. Luís Martins, que é agora um dos principais responsáveis pela Colt Resources em Portugal. A Portugal Mineral e a ANIET continuam a acompanhá-lo oferecendo-lhe a informação de que precisa para continuar a progredir no seu negócio.

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F ORM AÇÃ O M ODUL AR C ERTIFIC AD A F O R M AÇ Ã O F I N AN C I A D A P O P H

Encontram-se abertas as pré-inscrições para a participação em ações de formação modulares certificadas financiadas, ao abrigo de uma candidatura realizada pela ANIET, aprovada pelo POPH

Ações previstas para os meses de outubro, novembro e dezembro: Designação UFCD

Código UFCD

Carga Horária

Nível

Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho – Indústria Extrativa

2627

25 horas

Nível 2

Segurança no Trabalho – Equipamentos

3782

25 horas

Nível 4

Sistemas de Gestão Ambiental

3708

50 horas

Nível 2

Controlo de Riscos Profissionais

3786

50 horas

Nível 4

Apoios Formandos :Subsídio de Alimentação conforme legislação aplicável (por sessão de formação); Seguro de acidentes pessoais que proteja os formandos contra riscos e eventualidades que possam ocorrer; Empresas - A frequência das ações de formação possibilita o cumprimento do Código de Trabalho (Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro), assegurando

Regime:

Laboral e/ou Pós-Laboral

Destinatários: Ativos com idade superior a 16 anos e que sejam detentores de baixas qualificações escolares e ou profissionais ou que possuam qualificações desajustadas às necessidades do

mercado de trabalho. Podem também aceder a UFCD´s da componente tecnológica pessoas detentoras de habilitações

o cumprimento “de trinta e cinco horas de

escolares de nível superior desde que se encontrem numa

formação contínua” (n.º 2, art.º 131).

situação de desemprego comprovada.

Preencha a ficha de pré-inscrição disponível em www.aniet.pt e envie para: Fax 22 606 52 06 e-mail: geral@aniet.pt Rua Júlio Dinis, 931 - 1.º Esquerdo - 4050-327 Porto Telf: 226 096 699 | Fax: 226 065 206


GLOBAL STONE CONGRESS 2012

GLOBALMENTE Positivo O GLOBAL STONE CONGRESS foi um evento que ultrapassou todas as expetativas. Foi desta forma que a diretora executiva da Associação VALORPEDRA, Marta Peres, fez o balanço do encontro internacional do sector da pedra natural que decorreu no Alentejo de 16 a 20 de Julho. O Congresso contou com cerca de 230 participantes, profissionais e especialistas, oriundos de quinze países: Alemanha, Austrália, Brasil, Croácia, Eslovénia, Espanha, Finlândia, Grécia, Hungria, Itália, Japão, Reino Unido, Roménia, Turquia e Portugal. Estiveram representadas 23 universidades (com 67 participantes) e 48 empresas do setor (com 68 participantes), além de várias associações, institutos públicos e centros tecnológicos.

O Primeiro-ministro português e o ministro da Economia e do Emprego presidiram à sessão inaugural que decorreu em Borba, nas instalações do CEVALOR. A intervenção de Passos Coelho centrou-se na internacionalização do setor com um forte apelo aos empresários para continuarem a diversificar os seus negócios para além da Europa, afirmando que “ a ambição portuguesa não se esgota no mercado europeu e este congresso pode ajudar bastante a abrir portas a um mundo cada vez mais global”. Passos Coelho considerou que “as empresas do setor têm feito um excelente trabalho. Portugal tem aumentado as exportações e o cluster da pedra natural deu um contributo substancial, ajudando a equilibrar as contas externas do país”.

O setor representa 1% da balança das exportações e exporta 70% da produção, para um total de 126 países. No primeiro trimestre de 2012 as exportações aumentaram 28% face ao período homólogo. As exportações para fora da Europa cresceram 22% e representam já 44% da quota do mercado. Para a Europa as vendas aumentaram 35% no primeiro trimestre do ano, continuando a ser o principal destino das exportações portuguesas (56%). Esta 4ª edição do GLOBAL STONE CONGRESS foi organizada pela Associação VALORPEDRA em colaboração com outras entidades, designadamente as que integram o cluster da pedra natural, no qual está integrada

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a ANIET. O Cluster da Pedra foi reconhecido em 2008 e desde então encontra-se a desenvolver uma estratégia de internacionalização, sustentabilidade e competitividade da pedra natural, que saiu fortalecida e reforçada com a oportunidade de Portugal ser o palco deste fórum mundial, depois de as edições anteriores terem decorrido no Brasil (2005-Guarapari), Itália (2008-Carrara) e Espanha (2010-Alicante). A par dos objetivos científicos e empresariais do encontro, como espaço de debate e de informação sobre os avanços tecnológicos e inovações com interesse para a academia e a indústria a organização do evento assumiu-o, desde o início, com uma forte intencionalidade cultural e turística e com ambições de fidelizar os congressistas como futuros turistas e promotores da região e da sua gastronomia. Foi, assim, concebido um congresso itinerante: depois da sessão inaugural, em Borba, as sessões dos dias seguintes decorreram em Vila Viçosa (cineteatro Florbela Espanca) e em Es-

Gráfico 1: Número de participantes por país Fonte: VALORPEDRA

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tremoz (cineteatro Bernardino Ribeiro). As autarquias estiveram envolvidas na organização e apoiaram a parte social do evento, em que se destacou, pelo grande acolhimento que teve entre os participantes, um concerto ao ar livre (da Banda Armada) na pedreira El Rei, em Vila Viçosa e a visita a Évora, património mundial da humanidade. O programa social do evento que se desenvolveu em vários locais turísticos históricos foi uma das valências mais apreciadas pelos congressistas. O programa do congresso destinou um dia para visitas técnicas a outras zonas do país, permitindo aos participantes o contato com o importante pólo de produção de pedra natural de Pêro Pinheiro, a região de produção de calcário sedimentar no centro do país e empresas de desenvolvimento de equipamento instaladas no norte, além da visita pormenorizada dos congressistas ao Centro Tecnológico para o Aproveitamento e Valorização das Rochas Ornamentais (CEVALOR).

Gráfico 2: Número de Entidades/ Empresas representadas Fonte: VALORPEDRA


Quando interpelados sobre a avaliação do encontro os participantes destacaram, com agrado e surpresa, a “grande variedade de temas abordados e o caráter internacional do evento” que fez deste encontro um acontecimento global. O congresso contou com 81 comunicações de temáticas diversas, desde a geologia, história, design, arquitetura, tecnologia, ambiente, etc. Portugal, Brasil, Espanha e Turquia foram os países que participaram com mais papers. Além das tradicionais sessões com oradores foram também apresentados e estiveram em exposição cerca de 40 posters na sede do CEVALOR em Borba. Os artigos apresentados no GLOBAL STONE CONGRESS 2012 vão ser submetidos a um processo de revisão por pares, a fim de selecionar alguns para publicação na Revista "Key Engineering Materials" (que ficarão também

Gráfico 3: Avaliação da dimensão técnica do Congresso Fonte: VALORPEDRA

disponíveis em texto completo na web através da plataforma www.scientific.net). Será ainda editado um livro com os trabalhos selecionados.

Gráfico 4: Avaliação da dimensão turística Fonte: VALORPEDRA

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Temas Abordados no Global Stone Congress 2012 - A Pedra Natural em Portugal - Geologia e Modelação de Depósitos - Geotecnia - Geofísica - Caracterização de Blocos - Corte - Polimento - Novos Equipamentos, Ferramentas e Processos de Fabricação - Análise das Superfícies e Métodos de Classificação - Reabilitação de Áreas Mineiras - Reciclagem e Valorização de Resíduos - Ordenamento do Território - Avaliação de Propriedades

- Desenvolvimento de Metodologias de Teste - Atividades de Normalização - Produtos e Mercados - Novas Utilizações - Tecnologias e Mercados - Estudos de Marketing - Aplicações Inovadoras para a Pedra Natural - Exemplos de Aplicação em Projetos - Modelação Virtual - Espaços Públicos - Espaços Privados (habitat) - Conservação, Alteração, Durabilidade - Técnicas e Práticas de Internacionalização da Pedra - Ferramentas para a Inovação Organizacional.

COMITÉ CIENTÍFICO PRESIDENTE

Luís Guerra Rosa - Instituto Superior Técnico VOGAIS

Luís Lopes - Universidade de Évora Zenaide Silva - Universidade Nova de Lisboa

COMITÉ ORGANIZADOR PRESIDÊNCIA

VALOR PEDRA - Entidade Promotora/Organizadora MEMBROS

ANIET - Associação Nacional da Industria Extractiva e Transformadora ABIRochas * - Associação Brasileira da Industria das Rochas Ornamentais ASSIMAGRA - Associação Portuguesa dos Industriais de Mármores, Granitos e Ramos Afins CÂMARA MUNICIPAL DE BORBA CÂMARA MUNICIPAL DE ESTREMOZ CÂMARA MUNICIPAL DE VILA VIÇOSA CETEM* – Centro de Tecnologia Mineral do Brasil CEVALOR – Centro Tecnológico para o Aproveitamento e Valorização das Rochas Ornamentais e Industriais DGEG – Direcção Geral de Energia e Geologia IST – Instituto Superior Técnico UE – Universidade de Évora UNL – Universidade Nova de Lisboa *Membros fundadores da 1ª edição do Global Stone Congress que se realizou no Brasil em 2005.

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ENTREVISTA César Lucas Frades

César Lucas Frades Director-Geral da FdA (Federación de Áridos) A Direção da ANIET vai participar no III Congresso Nacional de Agregados a decorrer no Palácio de Cáceres, em Espanha, de 4 a 6 de Outubro, com o tema “Novos Tempos, Novas Estratégias”. Antecipando os conteúdos do evento a Portugal Mineral entrevistou César Luaces Frades, Presidente da FdA (Federación de Áridos), organizadora do Congresso.

PM - O tema do III Congresso Nacional de Áridos vai ser “Novos Tempos, Novas Estratégias”. Quer isto dizer que os empresários do setor poderão ir com expectativas de encontrar, neste encontro, respostas que os ajudem a enfrentar as dificuldades que atravessam actualmente nos seus negócios? CLF - Efetivamente, o eixo central do congresso será a apresentação pública do Plano Estratégico 2012-2025 para o setor dos agregados, em Espanha. Este importante trabalho foi concebido para propor iniciativas às empresas, aos poderes públicos, às associações e a outros grupos de interesse do setor com o objetivo de incrementar a rentabilidade das empresas. Uma vez que a situação do setor é muito semelhante em Espanha e em Portugal, certamente que os empresários portugueses encontrarão neste evento propostas para desenvol ver.

“A Procura de Agregados Vai Diminuir" PM - Pode adiantar-nos já, pelo menos em traços gerais, que alternativas é que os empresários do setor dos agregados podem prosseguir para conseguir manter as suas empresas em atividade neste contexto económico e social tão difícil que se vive actualmente?

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CLF - No horizonte 2025 o setor dos agregados aspira a gerar um crescimento rentável e sustentado, adaptando-se à procura, aumentando a dimensão e a competitividade das suas empresas, melhorando a aceitação pelos seus grupos de interesse e colaborando ativamente com as entidades políticas. Para isso elegeram-se 5 eixos estratégicos desenvolvidos em 30 linhas e 107 ações concretas. Entre estas podemos destacar como muito importantes as ações dirigidas no sentido de melhorar a rentabilidade e a competitividade através da redução de custos, economias de escala e reestruturação do setor e através de uma redução da oferta já que as expectativas de procura de agregados são muito baixas para o futuro. Também são essenciais a necessidade de erradicar a atividade ilegal e paralela, assim como um maior controlo do cumprimento e igual exigência para todas as empresas do setor. Só assim poderão alcançar-se preços similares aos dos países europeus que nos rodeiam que permitam manter um certo volume de negócios por empresa que torne possível continuar a melhorar em segurança, meio ambiente, qualidade, etc, sem renunciar à rentabilidade. O acesso aos recursos deve continuar a ser uma orientação de trabalho importante que as empresas não devem descuidar neste contexto de crise. Por último, para alcançar os objetivos principais do Plano é preciso melhorar o poder de influência do setor junto do poder político, através das associações.


PM - A reciclagem é apresentada, muitas vezes, como uma alternativa para as empresas do setor dos agregados. Mas em Portugal, por exemplo, já existe uma central de reciclagem que está parada, pois a construção e a reabilitação estão sem atividade expressiva no país. Acha mesmo que esta é uma alternativa consistente?

"O importante é que se abandonem os modelos de concessões de reciclados excessivamente intervencionistas" CLF - Atualmente, todas as atividade relacionadas com a construção estão em baixo. Em épocas recentes as empresas de agregados não apostaram na reciclagem por causa dos elevados consumos que havia de agregados naturais. No entanto, no futuro, quando a procura global de agregados for mais baixa do que no passado, e tendo

em conta que as políticas dos executivos estão inexoravelmente a orientar-se para promover e favorecer estas atividades, creio que seria um erro para o nosso setor deixar de lado a atividade de produzir agregados reciclados já que estaríamos a perder quota de mercado e a desaproveitar as muitas vantagens estratégicas de que dispomos para esse negócio. O importante é que se abandonem os modelos de concessões de reciclados excessivamente intervencionistas que foram postos em marcha por muitos governos e que se demonstrou, em Espanha, que não são eficazes. PM - No Congresso vai ser apresentado um Plano Estratégico Sectorial 2012/2025. Com a instabilidade que se vive atualmente e mudanças sociais tão bruscas e repentinas acha viável fazer planos estratégicos fiáveis para um período de tempo tão longo? Pode adiantar-nos, pelo menos em termos gerais em que consiste esse plano? CLF - É verdade que o cenário está muito instável na atualidade, especialmente devido à turbulência dos sistemas financeiros que estão a afetar muito seriamente a economia dos nossos países e, por conseguinte, a capacidade de investimento na construção, tanto pública como privada. Contudo, temos algumas certezas que 11


podem parecer uma coleção de evidências mas que não o são: os agregados são e serão necessários e para os produzir são precisas empresas. Para que estas existam deverão ser rentáveis. Portanto temos que ser capazes de orientar o setor para um modelo de empresa que tenha a capacidade de ser rentável com um mercado muito inferior ao existente nos anos anteriores à crise económica. Estimámos como horizonte do Plano Estratégico o ano 2025, em que a nossa previsão de consumo de áridos é de menos 50% do existente em 2007. Isto quer dizer que tem os dias contados o modelo de empresa do passado que baseou os seus benefícios no grande volume de produção em vez da rentabilidade por tonelada. Em 2012 e nos anos seguintes possivelmente vai continuar a reduzir-se o consumo de agregados. O primeiro desafio, portanto, é a aplicação de um plano de emergência rigoroso, para orientar as empresas sobre como lidar com um mercado que continua em recessão, de forma a poderem reorganizar-se de uma forma mais racional e positiva em vez de deixarem arrastar-se pela atual situação. Além do que já comentei anteriormente sobre o plano, os 5 eixos estratégicos principais sobre os quais vamos trabalhar são a rentabilidade empresarial, a melhoria do ambiente competitivo, a coesão setorial, a imagem e reputação e a investigação e o desenvolvimento. PM - Vai decorrer algum evento/exposição paralelo ao Congresso? Pode adiantar-nos um pouco o programa? CLF - Além do excelente programa de comunicações técnicas, espaços de debate e apresentações de empresas, esta nova edição incorpora novidades do máximo interesse para o setor como a celebração de cursos e seminários especializados para oferecer propostas para enfrentar a crise, ministradas por profissionais de reconhecido prestígio. Como já adiantei, a apresentação do Plano Estratégico 2012-2025 do setor dos agregados permitirá aos empresários do setor conhecer as chaves para melhorar a situação das suas empresas e colocá-las na disposição de enfrentar o futuro com maiores garantias. A exposição técnica e comercial preparada para a ocasião trará aos congressistas as novidades tecnológicas mais relevantes que as empresas expositoras põem ao serviço do setor e permitirá o intercâmbio de opiniões com outros especialistas e profissionais das empresas sobre os aspetos que tanto impacto têm na nossa atividade. Coincidindo com o III Congresso organizou-se um exten-

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so calendário de eventos relevantes para o setor como são um Seminário da Plataforma Tecnológica Espanhola del Hormigón, a Assembleia Geral da ANEFA, as reuniões de direção de numerosas associações, o Congresso e a Assembleia Geral da Federação Ibero americana de Produtores de Agregados-FIPA, as Jornadas Ibero americanas de Materiais de Construção e muito mais. PM - Além de Espanha e Portugal, que vai estar representado pela ANIET está prevista a participação de outros países? Quais? Que tipo de participantes esperam e quantos? CLF - A dimensão internacional do Congresso está assegurada pela presença de representantes da UEPG e de importantes delegações de empresários ibero americanos (Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Uruguai, etc).O Congresso finalizará com um encontro empresarial internacional concebido como um fórum de intercâmbio de oportunidades de negócio. PM - A FdA está a proceder, no âmbito da UEPG, a um inquérito, em vários países membros sobre o futuro da indústria do setor com base numa análise swot. Pode adiantar já, à Portugal Mineral, algumas conclusões/ ideias fortes deste inquérito? CLF - Ainda que não tenham ainda sido publicado as conclusões observa-se que, atualmente, na Europa, a situação económica que estamos a viver em alguns países como Irlanda, Itália, Grécia, Portugal e Espanha está a afetar-nos de forma muito semelhante no setor dos agregados. Portanto o setor dos agregados na Europa está a fragmentar-se em dois tipos de problemáticas muito diferentes: os países onde o acesso aos recursos é a grande prioridade e os países onde esta questão continua a ser muito relevante mas passou para um segundo plano por causa da crise da indústria. Neste segundo grupo em que nos encontramos Espanha e Portugal temos que ter muito cuidado para que a dinâmica da crise não acabe por nos complicar ainda mais o acesso aos recursos a médio e a longo prazo. Outra característica comum partilhada por vários países é que temos um excesso de normativas e procedimentos administrativos muito pouco eficientes que penalizam as empresas que se esforçam por cumprir a legalidade e paralelamente as administrações não fiscalizam devidamente as empresas que extraem agregados de forma ilegal o que cria uma desvantagem competitiva inadmissível, destruindo a rentabilidade das empresas legais. O importante deste estudo é que permitirá que a UEPG adote políticas que nos ajudem a fazer frente aos nossos problemas específicos que antes não estavam identificados.


A Indústria Extrativa em Números Minérios Metálicos, Rochas Ornamentais e Agregados As exportações de minérios metálicos (não ferrosos) subiram 17,59% nos primeiros 6 meses do ano, de acordo com as estatísticas do INE, disponibilizadas à revista Portugal Mineral. Em relação aos primeiros 3 meses do ano este valor mais que duplicou (no primeiro trimestre o aumento foi de 6%) e atingiu já, no primeiro semestre de 2012, o crescimento registado durante todo o ano de 2011. As exportações de rochas ornamentais tiveram também um comportamento positivo e registaram nos primeiros 6 meses do ano um aumentode 38% face ao período homólogo, consolidando os números referentes ao primeiro trimestre do ano que davam conta de um aumento das exportações na ordem dos 28%. Em contrapartida, e ainda segundo dados do INE, a extração de “Saibros, Areias e Pedras Britadas” (CAE

8121) desceu, nos primeiros 6 meses do ano, face ao período homólogo, de 6.711.839 euros para 6.630.194 euros. Mas estas estatísticas são preliminares e o contato com a realidade deixa antever números consolidados de produção muito inferiores, como prenunciam, aliás, as vendas de cimento. Fontes ligadas ao setor da construção divulgaram que o consumo de cimento, um dos elementos de referência tradicionalmente usado para medir a atividade do setor, está ao nível da década de 70. Em 2011, foram vendidos 4,548 milhões de toneladas de cimento, o que representa uma quebra de 15,6% face ao ano anterior, e nos situa num consumo equivalente a 1977, quando o mercado absorveu 4,422 milhões de toneladas. Mas desde o início do ano, o decréscimo acumulado é já de 24,6%, equivalente a menos 787 mil toneladas vendidas do que em 2011.

Exportações 1º Semestre 2011/2012 (Fonte:INE/Dados Preliminares)

Exportações Minérios Metálicos  Não Ferrosos (CAE  07290)    Rochas Ornamentais  Ardósia (CAE 2514)  Mármores e Outras  Pedras Calcárias (CAE  2515)  Granito (CAE 2516)  Pedras Para Calcetar  (exceto ardósia) (CAE  6801)  Lousas e Quadros  (CAE 9610)  TOTAL Rochas  Ornamentais   

Janeiro a Junho 2011  Unidade: Euros  223.958.333 

Janeiro a Junho 2012  Unidade: Euros  263.360.252 

% Variação 

Janeiro a Junho 2011  Unidade: Euros  981.398  33.478.442 

Janeiro a Junho 2011  Unidade: Euros  1.483.486  38.448.796 

%Variação 

16.603.958 17.883.015 

21.579.374 20.240.947 

+30% +13,18% 

758.945

14.493.512

1809%

69.705.758

96.246.115

+38%

+ 17,59% 

+51,16% + 14,84% 

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ENTREVISTA Júlio Faceira “Redimensionar para Vencer".

Eng. Júlio Faceira Fundador da empresa XZ Consultores, S.A.

Fundada em 1992, a XZ Consultores SA tem vindo a consolidar a sua atividade na consultadoria em organização e gestão, particularmente nas áreas da inovação, da produtividade, da qualidade, da segurança alimentar, do ambiente, da segurança e higiene no trabalho e dos recursos humanos. A XZ faz consultoria para a ANIET e para vários associados do setor. Por ocasião do 20º aniversário da empresa, que se celebra este ano, a Revista Portugal Mineral aproveitou para entrevistar o seu fundador, Júlio Faceira, engenheiro, e facultar aos seus leitores uma análise do mercado, no atual contexto socioeconómico, através da experiência e do olhar deste consultor.

PM - Como fundador de uma empresa que faz consultoria na área dos recursos humanos e organização e gestão, considera que o redimensionamento das empresas é uma das formas de os empresários contornarem as dificuldades provocadas pelo atual contexto socioeconómico? E que outros caminhos aconselharia para fazer face à atual conjuntura? JF - No actual contexto de profunda instabilidade, alteração dramática dos factores críticos para o sucesso das Organizações, inegável retracção do mercado, particularmente o nacional, e completa imprevisibilidade, às organizações são lançados diferentes objectivos um dos quais é o saber equilibrar os objectivos e actividades a realizar com o propósito de assegurar a sobrevivência no curto prazo e a sustentabilidade a médio prazo. Obviamente que, nalguns casos, o excesso de capacidade instalada e/ou a optimização de alguns processos pode conduzir à imperiosa necessidade de reduzir os recursos humanos afectos ao negócio, devendo tal opção ser desenvolvida dentro do quadro legal e sob princípios éticos e de responsabilidade social que devemos assegurar. Há outras abordagens que os gestores podem explorar para gerir o actual contexto socioeconómico. Por exemplo o reforço da inovação, não só dos produtos e serviços, mas também dos processos e do modelo de negócio, assim como a constante procura de novas

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fontes de produtividade e competitividade, suportadas pela excelência na gestão dos recursos humanos e focalizadas na transferência de mais Valor para os clientes, deve ser assumida como uma opção estruturante para a sustentabilidade das Organizações. PM - Momentos como este não são também uma oportunidade, que não deve ser desperdiçada, para as organizações contratarem talentos a custos mais baixos? JF - Admito que sim, mas parece-me ser errado o modo como esta oportunidade é equacionada. Tão importante como enquadrar nas nossas organizações novos talentos, é saber identificar os que já temos e ter competência e criatividade para optimizar e valorizar o seu potencial. Esta, parece-me, que deve ser a prioridade das nossas empresas, algumas das quais têm um excelente capital intelectual, profissionais fortemente motivados e alinhados com o negócio, mas, infelizmente, muito mal geridos, nalguns casos com elevados custos sociais e económicos para todas as partes envolvidas. PM - Fala-se também muito na inovação para pro gredir na atividade empresarial. É apenas um cliché ou acha que o investimento nesta área é de fato um meio para contornar a crise?


JF - Se analisarmos a evolução do investimento em Portugal, realizado quer pelas empresas privadas quer pela Administração Publica na produção de novo conhecimento resultante da investigação realizada nas nossas Universidades, constatamos que este tem vindo a aumentar de uma forma estruturante e interessante, obviamente ainda muito afastados do investimento efectuado em países como os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha …. mas, e este é talvez o aspecto mais relevante, este investimento parece não estar a traduzir-se por valor resultante, em novos produtos ou processos inovadores. Ou seja, temos de reduzir o divórcio entre as universidades e as empresas e planear e sistematizar melhor os processos de inovação com o propósito de optimizar o elevado investimento que as empresas e a sociedade estão a realizar nas actividades de investigação. A inovação, ao contrário do que alguns empresários e gestores possam pensar, não se resume à optimização pontual da imaginação e criatividade de alguns dos recursos humanos da organização. É um processo exigente, que deve ser alinhado com a estratégia, planeado rigorosamente e que deve ser gerido com o propósito de assegurar a optimização dos recursos envolvidos e induzir valor ao negócio. PM - Que conselho dá aos empresários da indústria extrativa, particularmente a dos agregados, que não tem oportunidades de apostar no mercado externo, por tal não ser rentável? JF - Um dos aspectos que me parece ser prioritário e urgente, eu diria estratégico, é a imprescindível necessidade das empresas se redimensionarem. É importante que as empresas se consciencializem que quando fazem uma aliança podem perder uma parte da sua identidade e da sua cultura, mas é fundamental acreditar que só com uma maior dimensão podem ter economias de escala, podem adoptar novos modelos de gestão, repensar o modelo de negócio, reequacionar as estratégias de marketing e lançar-se em novos nichos de mercado. PM - A opinião pública ainda tem uma ideia negativa e desfasada da realidade, em termos ambientais, da indústria extrativa? Que falta fazer para alterar esta opinião? JF - Há uma inegável insuficiência de comunicação do sector com a sociedade, a qual acusa o sector de desenvolver actividades com uma influência significativa no meio ambiente, sendo, por vezes, acusado de algum desprezo pelas questões ambientais. Tal não é a visão da generalidade dos gestores e o investimento, que continuamente efectuam, constitui uma evidência do seu empenhamento em participar activamente na preservação do meio ambiente, reconhecen-

do que o seu negócio é profundamente influenciado por esta questão. Este sector tem sido dos que mais tem investido nas questões ambientais, dos mais vigiados pelas entidades oficiais e dos mais inovadores nas técnicas ambientais que tem adoptado. PM - Vinte anos depois que balanço faz da atividade desenvolvida pela XZ?E da sensibilidade dos empresários para os vários serviços prestados? JF - Efectivamente há uma crescente procura de novas abordagens organizacionais, novos modelos de gestão e novas competências, em particular pelas organizações que acreditam que o seu sucesso implica colocarem em questão, de uma forma planeada e sistemática, os seus actuais processos e o seu modelo de negócios, e tal tem-se traduzido numa procura crescente dos nossos serviços. Os Gestores têm reconhecido na XZ Consultores a competência, experiência e implicação nos seus projectos, sendo tal evidenciado pela excelente relação de parceria que estabelecemos com os nossos clientes e a sua fidelização à nossa organização. PM - Em que áreas da vossa consultoria têm tido mais procura? JF - No actual contexto os serviços com maior procura são os focalizados no desenvolvimento da capacidade inovadora das organizações, no alinhamento dos seus modelos de gestão, na melhoria da produtividade, na simplificação das suas estruturas organizacionais, na reconcepção dos modelos de negócio, assim como na optimização do potencial dos seus recursos humanos. PM - Há uns anos atrás Portugal era considerado um dos países com mais acidentes de trabalho. Como consultor na área da higiene e segurança no trabalho acha que houve alguma evolução nos últimos 20 anos, em Portugal? JF - Quem nos viu há 20 anos e quem nos vê hoje reconhece uma evolução muito significativa na melhoria das condições de trabalho, na implementação de modelos de gestão dos riscos e da emergência mais eficazes, no maior investimento em equipamentos de protecção e na formação dos profissionais. Hoje a prevenção está presente em todas as actividades realizadas. Tal tem-se traduzido na melhoria significativa de indicadores de gestão, tais como os índices de frequência e gravidade. Obviamente há ainda um longo caminho a percorrer, quer na consciencialização dos trabalhadores e gestores, quer em termos técnicos e sócio organizacionais. Contudo os passos que já foram dados são muito relevantes e inspiram confiança na melhoria continua e sustentada. 15


Granitos Com Estratégia Para Crescer Manuela Martins

Em Junho, por ocasião da 11ª edição da Feira do Granito em Vila Pouca de Aguiar, a imprensa surpreendeu o próprio setor ao divulgar que as exportações de granito para a China tinham subido quase 500%, no primeiro trimestre do ano (2012) face ao período homólogo. Muitos pensaram que teria havido um engano nos dados do INE e que o técnico deste organismo teria, inadvertidamente, trocado calcário por granito, pois do calcário já sabemos que os chineses são os melhores clientes, tendo mesmo adquirido muitas pedreiras nas serras de Aire e Candeeiros. A outra explicação seria o mercado dos granitos estar a mudar muito, uma vez que não há tradição de importação, em tão grandes quantidades, de granitos portugueses pela China. O contrário sim, acontece com alguma frequência, porque apesar de terem menor qualidade, os granitos chineses tornam-se mais competitivos, por causa dos preços.

Restava então esperar pelas estatísticas do segundo trimestre para entender melhor o fenómeno. E elas aí estão, a apresentar outra vez a China como um mercado de excelência dos granitos portugueses! A consolidar estes dados há ainda outro fenómeno: a China sobe, entretanto, da terceira posição que detinha em 2011 para o segundo lugar, roubando o lugar à França que desce para a terceira posição. Tanto no ano passado como nos primeiros seis meses deste ano, o primeiro destino das exportações de granitos portugueses continua a ser a Espanha, apesar de uma quebra de quase 40% nas compras a Portugal, durante o ano em curso. O outro país

Ranking dos 10 principais países destinatários das exportações de granitos portugueses no 1º semestre dos anos 2011 e 2012

Exportações Granitos Janeiro a Junho 2011 Saídas por País 1.Espanha 2.França 3.China 4.Alemanha 5.Luxemburgo 6.Itália 7.Bélgica 8.Polónia 9.Japão 10.Angola

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Unidade: Euros

Exportações Granitos Janeiro a Junho 2012

Unidade: Euros

10.608.954 2.659.818 1.597.753 919.936 257.604 199.927 72.169 65.503 64.074 62.142

1. Espanha 2.China 3. França 4. Alemanha 5.Itália 6.Polónia 7.Índia 8.Líbano 9.Japão 10.Bélgica

7.655.558 7.150.224 4.235.655 521.987 453.650 433.369 226.207 165.744 101.588 86.498

% Variação -38,57% +347% +59,24% -76% %+116% +561% +182% +58,54% +19,85%

*Fonte INE: Estatísticas trabalhadas pela ANIET


a revelar uma descida acentuada é a Alemanha (-76%) (quadro 1)*. Para tentar compreender o fenómeno da China e dos granitos a revista Portugal Mineral contatou 27 empresários de grandes e médias empresas do setor, no Nor-

te, e apenas uma, que prefere não ser citada, admitiu estar a exportar granito em bloco para a China, mas em pequenas quantidades, afirmando mesmo que este ano houve uma redução nas compras. Conseguimos, depois de muitos contactos, chegar a uma empresa de granitos que revelou ser a China o seu principal e único cliente!

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Falamos de uma empresa com sede em Pero Pinheiro e pedreiras de granito no Alentejo. Uma fonte da empresa afirmou-nos que há dez anos deixaram de vender ao Japão para passar a vender à China. A China percebeu que a cultura e tradição do Japão são fortemente atraídas pelo granito cinza e passou a comprar a Portugal, para depois revender, transformado, o granito de Alpalhão ao Japão. O fator estético é determinante das compras a Portugal pois a China não tem granito desta cor. Mas os valores exportados pela empresa durante o ano em curso - 234.000 euros, apenas mais 2% do que em 2011 - não explicam, só por si, o elevado número das estatísticas do INE que denunciam um aumento de 347% nas exportações de granitos portugueses para a China (em relação a 2011) no valor de sete milhões de euros. Outra explicação plausível para o fenómeno seria tratar-se de sienito, uma pedra cinza com caraterísticas semelhantes ao granito que só existe em Monchique, explorada pela empresa Sienave. A revista Portugal Mineral interpelou o empresário da Sienave, o Senhor Rui Vida Larga, por e-mail, uma vez que estava no estrangeiro e o que ele respondeu foi que desde a década de 90 que exporta de forma continuada e regular sienito com destino ao mercado chinês, mas que a partir do ano 2000 “a nossa empresa vende contratualmente a uma empresa espanhola que por sua vez reexporta os blocos na sua grande maioria para o mercado chinês mantendo-se até à presente data. Estatisticamente vendemos diretamente para o mercado espanhol e não chinês”. Confirmámos junto do INE que o sienito está incluído no CAE (Código de Atividade Económica) do granito. Um dos empresários por nós contactado afirmou já ter visto chineses a visitar, no Norte, pedreiras de granito e que estariam interessados em investir, tal como fizeram no centro do país com as pedreiras de calcário. Uma coisa parece clara: se os chineses estão a comprar granito a Portugal é porque este é para eles um verdadeiro negócio da China (!), porque granito eles têm muito, no país deles. Não têm é o cinza português (que é também a cor do sienito) que os japoneses tanto apreciam e talvez seja esse o segredo do negócio que tentamos desvendar.

Boa Dinâmica As exportações de granitos estão com uma excelente dinâmica: no primeiro trimestre do ano aumentaram 54%. Os resultados do primeiro semestre dão conta de um abrandamento no crescimento. Mesmo assim os 24% (de Janeiro a Junho) são superiores ao comportamento dos mármores e calcários cujas exportações aumentaram, no mesmo período, 14,84%. A Polónia e a Itália afirmam-se como mercados em grande ascensão, nos quais valerá a pena investir (quadro 1). Angola aparece no Top Ten do primeiro semestre do

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ano passado (este ano aparece em 11º lugar).Assinala-se também, nas estatísticas do INE, a entrada da Índia e do Libano para o Top Ten dos melhores clientes dos granitos portugueses. Das vinte e sete (27) empresas contactadas pela Revista Portugal Mineral (todas no Norte do país) cinco (5) afirmaram ter tido uma quebra nas vendas ao exterior, durante o primeiro semestre deste ano. Coincidem numa característica: o seu principal mercado, nalguns casos o único, é a vizinha Espanha. São as empresas em pior situação pois o mercado interno está, como dizem, “parado e falido”. Seis (6), afirmaram manter o volume das exportações: algumas têm Espanha como principal cliente mas conseguiram tornar-se fornecedoras do granito para as obras do TGV que decorrem neste país. Quinze (15) afirmam ter aumentado o volume de exportações, variando esse aumento entre os 15% e os 70%. As que aumentaram o volume de negócios estão a fornecer as obras de alargamento do metro em Paris onde está também a proceder-se à aplicação de pavimento para cegos. São empresas que revelam ter encetado,

nos anos mais recentes, estratégias de captação de novos mercados, no Norte da Europa (designadamente Finlândia, Polónia, Suécia, Noruega) em África (Angola e Moçambique) e no Norte de África (Argélia, Marrocos).Outras continuam a exportar para os mesmos países da Europa mas adotaram estratégias de marketing mais agressivas, designadamente reforçando o número de representantes nos países clientes. Há ainda as que apostaram em mudar e passar a trabalhar com intermediários com uma maior dimensão empresarial e portanto uma maior capacidade de penetração nos mercado onde estão inseridas. Os contactos encetados pela revista Portugal Mineral validam, no terreno, as estatísticas do INE. Ou seja, as exportações de granito estão a aumentar, fruto de uma estratégia e de um trabalho continuado dos empresários do setor que decidiram enfrentar a crise. As exportações para a China é que ainda estão por deslindar…O segredo, diz-se, é a alma do negócio. Pode ser que entretanto alguém se acuse! manuelafigmartins@gmail.com

Empresas de Granito Expõem no Qatar presários a acreditar na adjudicação de encomendas. Além dos Granitos Irmãos Peixoto, participaram, também, neste certame, que é um dos mais importantes a nível mundial no ramo da construção, a empresa Construções Pardais-Irmãos Monteiro, Lda. e a GN-Granitos do Norte, Lda. A feira teve a presença de 2000 expositores provenientes de 45 países. Entre eles estavam mais portugueses do setor dos materiais de construção que não hesitaram em voltar, depois de já terem participado várias vezes nesta feira. Uma delegação de empresários de Alpendorada e Matos, concelho de Marco de Canaveses, na feira Project Qatar 2012, onde divulgaram a recém - criada marca "Granitos Alpendorada".

As 3 empresas com a marca granitos de Alpendorada que participaram, em Maio, na feira Project Qatar 2012, fazem um balanço muito positivo da deslocação. Uma das empresas, a Granitos Irmãos Peixoto, diz que fez 80 contatos durante a feira, o que considera muito positivo. Esses contatos ainda não deram origem à formalização de negócios mas a troca de informações e os pedidos de orçamentos sucedem-se o que leva os em-

O Qatar é atualmente um importante mercado na região do Médio Oriente e apresenta um dos maiores PIB per capita do mundo. As importações estão a crescer a um ritmo assinalável. Os empresários portugueses esperam fazer valer a qualidade dos granitos portugueses que estão à mesma distância dos atuais clientes de granitos do Qatar, a China e a Turquia. As empresas de granitos estão cada vez mais a procurar mercados de exportação fora da Europa, para contornar a crise. Duas empresas da Confraria do Granito deslocaram-se a Verona, em Itália, para exporem na Marmomacc, de 26 a 29 de Setembro. 19


Construção: Investir em Edifícios de Baixo Consumo Energético para Relançar o Crescimento Os edifícios de baixo consumo energético com elevado potencial de poupança em matéria de CO2 e de energia ainda não têm uma forte presença no mercado, apesar das suas vantagens económicas e ambientais. O setor da construção representa mais de 10% do emprego total na UE. Por esse motivo, a Comissão Europeia apresentou no dia 31 de Julho uma estratégia para relançar o setor como propulsor da criação de empregos e do crescimento sustentável da economia em geral.

Entre outros aspetos, esta estratégia pretende estimular condições de investimento favoráveis, em especial no que se refere à renovação e manutenção de edifícios, utilizando o pacote de cerca de 120 mil milhões de euros em empréstimos disponibilizado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI), como parte do Pacto para o Crescimento e o Emprego, decidido em junho; em segundo lugar, pretende estimular a inovação, melhorando as qualificações dos trabalhadores através da promoção da mobilidade; em terceiro, melhorar a eficiência dos recursos mediante a promoção do reconhecimento mútuo dos sistemas de construção sustentáveis na UE; em quarto, proporcionar normas de conceção e projeto, bem como códigos de boas práticas destinados a facilitar o trabalho das empresas de construção em outros Estados-Membros e, por último, promover a posição global das empresas de construção europeias para fomentar bons desempenhos e normas sustentáveis em países terceiros. O Vice-Presidente da Comissão Europeia Antonio Tajani, Comissário responsável pela Indústria e pelo Empreendedorismo, declarou: «Neste período de grave crise económica e social que atravessamos, os edifícios de baixo consumo energético representam investimentos seguros e viáveis para a sociedade e para os investidores privados. O setor da construção deve reconhecer esta oportunidade para inovar e atrair novos talentos. As novas tecnologias constituem um enorme potencial, não apenas para a construção de novos edifícios mas também para a renovação de milhões de edifícios existentes, para os dotar de elevada eficiência energética, em consonância com os objetivos da estratégia Europa 2020. Não podemos deixar escapar esta oportunidade. O setor da construção pode vir a ser determinante para o crescimento sustentável.»

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Por que necessita a UE de uma estratégia para o setor da construção? • a crise financeira e económica implicou uma queda de 17% no setor da construção e das infraestruturas, entre janeiro de 2008 e abril de 2012, na UE-27; • o rebentar da bolha imobiliária continuou a reduzir a atividade do setor de forma significativa, gerando desemprego; • a contração dos mercados de crédito e a prática dos atrasos de pagamento pressionaram a solvabilidade das empresas de construção; • o setor necessita permanentemente de mão de obra qualificada; • a introdução de edifícios com necessidades quase nulas de energia («edifícios de balanço energético quase zero»), tal como se anuncia na reformulada diretiva relativa ao desempenho energético dos edifícios, irá constituir um importante desafio para o setor da construção; • os esforços para melhorar a eficiência energética e para integrar as fontes de energia renováveis estão a avançar lentamente, sobretudo na renovação de edifícios existentes;


• a situação dos mercados internacionais é crítica para os operadores da UE. As condições de concorrência com outros países são difíceis, pois alguns desses países têm requisitos sociais e ambientais menos severos. Os operadores de países terceiros também beneficiam de ajudas estatais, como acontece, por exemplo, na China, o que limita as oportunidades de acesso a esses mercados por parte dos operadores da UE. Próximas etapas Será organizado um Fórum de Alto Nível com os Estados-Membros e representantes setoriais para acompanhar a execução da estratégia e formular recomendações sobre quaisquer ajustamentos necessários ou novas iniciativas a lançar. Em paralelo, grupos temáticos e de outro tipo debaterão várias abordagens para a implementação de iniciativas específicas, avaliarão os possíveis efeitos das ações em vigor, tanto ao nível nacional como setorial, sobre iniciativas específicas e identificarão oportunidades de sinergias. Contexto O setor da construção ocupa um lugar importante na economia europeia, pois gera quase 10% do PIB da UE e representa 20 milhões de postos de trabalho, nomeadamente nas micro e pequenas empresas. A competitividade do setor da construção pode influenciar significativamente a evolução da economia em geral. O desempenho energético dos edifícios e a gestão eficaz dos recursos na produção, no transporte e na utilização de produtos para a construção de edifícios e infraestruturas têm um impacto apreciável sobre a qualidade de vida dos europeus. A competitividade das empresas de construção é, por conseguinte, uma questão relevante não apenas para o crescimento e o emprego em geral, mas também para garantir a sustentabilidade do setor.

Sílica Cristalina em Debate na Comissão Europeia A UEPG (União Europeia de Agregados) enviou uma circular aos seus associados, a informar que estão em curso negociações, na Comissão Europeia, para evitar a inclusão da regulamentação sobre sílica cristalina respirável (RSC-Respirable Crystalline Sillica) na Diretiva dos produtos cancerígenos. A UEPG, juntamente com outras 18 associações, está a promover a assinatura, entre os vários associados, de um documento, para entregar à Comissão Europeia, em que justifica porque é que esta regulamentação deve antes ser integrada na Diretiva dos produtos químicos. A direção da UEPG alerta os associados para os graves danos que poderá trazer a classificação da sílica cristalina na diretiva dos produtos cancerígenos: dificuldades acrescidas para a obtenção de licenciamentos de pedreiras e uma imagem negativa da indústria junto da opinião pública. A UEPG considera que os trabalhadores devem ser protegidos com ações preventivas, nos locais de trabalho. As 18 organizações signatárias da petição a ser entregue à Comissão Europeia representam os agregados, cimento, cerâmica, fundição, fibra de vidro, vidro especial, recipiente de vidro, vidro plano, minerais industriais, lã mineral, pedras naturais, argamassa, mineração e argilas.

(Fonte: Gabinete de Imprensa da Comissão Europeia)

FORMAÇÃO OPERADOR DE PRODUTOS EXPLOSIVOS (OBTENÇÃO CÉDULA OPERADOR) No âmbito do protocolo de colaboração assinado entre a ANIET, a AP3E e a PSP, estão previstas para breve ações de formação para Operadores de Produtos Explosivos . Informamos que os manuais podem

ser já adquiridos pelo valor de 26,50€ + despesas de envio. Em caso de interesse em frequentar a formação ou em adquirir o manual deverão enviar um email para o geral@ aniet.pt .

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ANIET: Plano de Atividades para 2012/2014

O Sector Mineiro, reconhecidamente muito relevante em termos de criação e manutenção de emprego nas zonas onde os recursos são explorados, assume um peso significativo no quadro das exportações nacionais.

Para conhecimento pormenorizado dos nossos associados publicamos o texto integral do Plano de Atividades aprovado na Assembleia Geral do dia 15 de Dezembro.

Ao longo do seu percurso a ANIET tem-se pautado por uma constante evolução, cujo objetivo principal visa a defesa, a representação e o acompanhamento dos seus associados e das suas actividades. Reconhecemos que os subsectores que representamos estão profundamente afetados pela recessão económica que esta crise originou na fileira da construção. O sector das Rochas Industriais está marcado, por uma quebra acentuada no volume de vendas, fruto da grande redução das obras de Construção Civil e da estagnação das Obras Públicas. Esta situação foi agravada pelo aumento da dificuldade de cobranças, a dificuldade de acesso ao crédito, o aumento dos custos de produção com grande influência dos custos energéticos onde o peso dos combustíveis tem um significado importante. Para 2012 as perspetivas apontam para a continuidade das dificuldades verificadas em 2011. O sector das Rochas Ornamentais sofreu também em 2011 pela redução de obras, o que implicou a diminuição da procura e consequentemente da produção. Na generalidade todas as unidades transformadoras reduziram o número de postos trabalho tendo-se registado inclusivamente o encerramento de várias dessas unidades. A exportação manteve-se em 2011 com ligeira tendência de subida havendo ténue predisposição para aumentar em 2012. 22 | Portugal Mineral

Existe ainda uma perspetiva positiva relacionada com os acordos recentemente anunciados de novas Concessões de exploração Mineira, que podem vir a ser um motor de crescimento da economia nacional. Pretendemos consolidar a defesa dos interesses do Sector, que apesar da atual conjuntura económica passa inevitavelmente pela necessidade de uma Associação forte, dinâmica e com dimensão apreciável. É com esta missão, e com o compromisso de um forte envolvimento, que a actual lista se propõe trabalhar. Constitui um objetivo da nova Direção, dar seguimento às atividades desenvolvidas no mandato anterior, continuando com a expansão da ANIET. Prosseguiremos com atividades que se perspetivam fundamentais para o desenvolvimento do sector e nas quais se incluem o apoio às empresas nomeadamente na prospeção de novos mercados para exportação e um levantamento exaustivo de caracterização do sector, complementadas por iniciativas que solidifiquem a ANIET como parceiro credível e interlocutor forte, ouvido pela tutela, reforçando o seu peso social e a sua importância como Associação representativa do Sector. Neste sentido, este Plano de Atividades apresenta-se numa continuidade das ações iniciadas pela anterior Direção fazendo parte das principais linhas orientadoras para o triénio 2012/2014: 1. Procura da interacção com as outras Associações que representem a Industria Extractiva e Transformadora, de modo a serem criadas condições para partilhar as experiências individuais transformando-as numa maior e mais forte capacidade de acompanhar as dificuldades, procurando aumentar o potencial de intervenção que possa criar efeitos positivos para o desenvolvimento do Sector. 2. Participar ativamente nas atividades das Confederação das Associações Portuguesas das quais a ANIET é associada, nomeadamente CPCI – Confederação portuguesa da Construção e do Imobiliário e CIP – Confederação Empresarial de Portugal, reforçando o interesse de estar ligado aos mais fortes representan-


tes Nacionais, preocupados com o desenvolvimento da actividade económica. 3. Participar com as instituições Internacionais ligadas ao Sector, nomeadamente a UEPG – União Europeia de Produtores de Agregados e a EUROMINES, na análise e no desenvolvimento das melhores práticas, recolhendo a informação que possa vir a beneficiar os Industriais Portugueses. 4. Desenvolver estudos para uma identificação da real representatividade do Sector de actividade da ANIET a nível Nacional, para sabermos com mais precisão os principais indicadores que sustentam a vida económica dos nossos Associados tendo sido, para este efeito, submetida uma candidatura da qual se aguarda decisão. Considerando estas ideias a âncora do trabalho que nos propomos desenvolver, estará a ANIET também ocupada com projectos que já fazem parte da sua responsabilidade e que continuaram a nortear os seus objectivos de trabalho: • Angariação de novos associados, para reforço da representatividade da Associação e da sua força de intervenção na definição da política Sectorial; • Colaborar com as instituições de ensino superior, através de parcerias vinculadas por protocolos e realiza-

ção de estágios profissionais, expondo a importância desta indústria e contribuindo para a uma maior qualificação técnica e tecnológica; • Manter os protocolos e parcerias actuais e estabelecer novas com várias entidades no sentido de aumentar e melhorar os serviços disponibilizados aos associados; • Prosseguir com programas de formação em áreas específicas, no sentido da melhoria da qualificação profissional do sector;

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• Continuar com as ações do gabinete técnico para apoio aos associados e consequente desenvolvimento do sector; • Participar de forma activa nas Comissões Técnicas de Normalização e outras, quer na área do Ambiente, quer na das Rochas Ornamentais e Industriais; • Acompanhar e influenciar através da União Europeia dos Produtores de Agregados - UEPG, o processo legislativo de produção de Directivas Comunitárias com implicações directas no sector; • Participar e acompanhar as actividades da EUROMINES; • Promover encontros e reuniões com representantes europeus em Portugal; • Contribuir para a melhoria da imagem do Sector, através da promoção de iniciativas neste domínio - Publicação da revista Portugal Mineral e página na internet cujo lançamento foi realizado recentemente, no âmbito da actividade da anterior Direcção; - Boletim Informativo certos de que constitui um magnífico instrumento de trabalho interactivo. • Prosseguir com a contestação da taxa autárquica pela exploração de inertes; • Negociar os Contratos Colectivos de Trabalho para os sectores representados pela ANIET; • Realização das XI e XII Jornadas Técnicas, ações de sensibilização e outros eventos com o propósito de divulgar a actividade associativa e debater problemas e assuntos relacionados com o Sector; Propomos ainda acompanhar muito de perto as actividades da Associação Valor Pedra e a participação no Cluster da Pedra Natural, nomeadamente através da intervenção da ANIET nos seguintes projetos a decorrer: 1) Projeto Ancora de Valorização da Pedra Natural Portuguesa (PA1): • Concepção de uma Estratégia de Comunicação e Marketing • Certificação da Pedra Natural e Denominação de Origem Controlada para a Pedra Natural através da Marca Stone PT • Investigação, Informação e Promoção da arquitectura, design e arte da pedra natural 2) Projeto Ancora de Sustentabilidade Ambiental da Indústria Extrativa (PA2):

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• Exploração Sustentável de Recursos no Maciço Calcário Estremenho • Cartografias Temáticas de recursos geológicos A ANIET participa também no projeto do CENTROHABITAT - Cluster Habitat Sustentável, cujo promotor é a Plataforma para a Construção Sustentável. Esta plataforma, em parceria com outras associações designadamente, a APCMC, a APICER, a ANIPB, a APCOR e a CMM pretende desenvolver, com visibilidade nacional e internacional, um “Sistema de Registo Nacional de Declarações Ambientais de Produtos (DAP) para o Habitat”. Sem prejuízo das parcerias anteriormente referidas, a ANIET candidatou-se ainda aos seguintes projetos que aguardam aprovação: 1. Informação Estratégica ou Levantamento Estatístico dos Sub-Sectores das Rochas Ornamentais, Industriais e Minas. Com este estudo pretende-se uma identificação da real representatividade do Sector de atividade da ANIET, de forma a se conhecer com mais precisão os principais indicadores que sustentam a vida económica dos seus Associados. 2. Estudo de Internacionalização. Este projeto pretende contribuir para a identificação de mercados-alvo e oportunidades para exportação e internacionalização das PME’s. 3. POPH – Programa Operacional do Potencial Humano. Visa proporcionar formação financiada aos associados da ANIET O plano de actividades aqui proposto reflecte a preocupação da consolidação da actividade da associação concentrando esforços de natureza diversa para dinamização do Sector. Contamos com uma participação activa e empenhada de toda a Direcção e restantes Órgãos Sociais.

15 de Dezembro de 2011

O Presidente da Direção

Victor Albuquerque


Feiras 2012-2014 OUTUBRO

DEZEMBRO

èè FINNBUILD

09 - 12 OUTUBRO TURKU - FINLÂNDIA

èè BAUMA

12 - 14 OUTUBRO

MARCO DE CANAVEZES PORTUGAL èè NATURAL

STONE

18 - 21 OUTUBRO

ISTAMBUL - TURQUIA

BUILDING EXHBITION

èè SAUDI

ANTÁLIA - TURQUIA

èè BUILD TECH

01 - 04 NOVEMBRO ODESSA - UCRÂNIA

èè STONE EXPO

01 - 04 NOVEMBRO ODESSA - UCRÂNIA

èè REVESTIR

05 - 08 MARÇO

RYHAD - ARÁBIA SAUDITA

SÃO PAULO - BRASIL

BUILD

èè MARBLE

03 - 06 DEZEMBRO

06 - 09 MARÇO

RYHAD - ARÁBIA SAUDITA

IZMIR – TURQUIA èè CHINA

XIAMEN STONE FAIR

2013

06 - 09 MARÇO XIAMEN - CHINA

èè XI JORNADAS

TÉCNICAS 14 NOVEMBRO LISBOA - PORTUGAL

èè KAMIEN

èè BAU

ABRIL

14 - 19 JANEIRO

MUNIQUE - ALEMANHA

èè STONETECH

18 -21 ABRIL

èè STONEEXPO LAS VEGAS - NEVADA - E.U.A.

èè JAPAN

HOME + BUILDING SHOW

14 - 16 NOVEMBRO TÓQUIO - JAPÃO

èè THE BIG FIVE SHOW

19 - 22 NOVEMBRO E.A.U. – DUBAI

èè MINERALIS

23 - 25 NOVEMBRO ALEMANHA

èè KITCHEN & BATH

INDUSTRY SHOW 19 – 21 ABRIL

EXPO

29 - 31 MARÇO

LAS VEGAS - NEVADA - E.U.A.

NEW ORLEANS - E.U.A. èè COVERINGS

èè INDIA STONEMARK

31 JANEIRO - 01 FEVEREIRO JAIPUR - ÍNDIA

12 NOVEMBRO POZNAN - POLÓNIA

29 ABRIL – 02 MAIO ATLANTA - E.U.A.

èè NATURAL

STONE SHOW

FEVEREIRO

30 ABRIL – 02 MAIO

LONDRES - REINO UNIDO

èè CEVISAMA

05 – 08 FEVEREIRO

KYIVBUILD 20 – 22 FEVEREIRO

04 - 07 JUNHO

ALMATY - KAZAQUISTÃO èè QINDAO STONE

EXHIBITION 16 - 19 JULHO QINGDAO - CHINA

AGOSTO èè CACHOEIRO

DE ITAPEMIRIM STONE FAIR 28 - 31 AGOSTO CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM BRASIL

SETEMBRO èè CERSAIE BOLOGNA

25 – 29 SETEMBRO BOLONHA – ITÁLIA

èè MARMOMMAC

26 - 29 SETEMBRO VERONA - ITÁLIA

NOVEMBRO èè FUNÉRAIRE

21 - 23 NOVEMBRO

MAIO

KIEV - UCRÂNIA

èè UZBUILD

26 FEVEREIRO - 01 MARÇO TASHKENT - UZBEQUISTÃO

èè VITÓRIA

èè KAZBUILD

PARIS - FRANÇA

VALÊNCIA – ESPANHA èè TECHNO+STONE /

CAIRO - EGIPTO

XANGAI - CHINA

29 - 31 MARÇO

èè SURFACES

20 - 24 JUNHO

JULHO

STONE

JANEIRO NOVEMBRO

èè INTERBUILD EGYPT

TÓQUIO - JAPÃO

èè YAPEX

18 - 21 OUTUBRO

èè ARCHITECTURE

05 - 08 MARÇO

03 - 06 DEZEMBRO

èè SAUDI

JUNHO

CONSTRUCTION MATERIALS

CHINA

27 NOVEMBRO - 30 DEZEMBRO XANGAI - CHINA

èè 3.ª BIENAL DA PEDRA

MARÇO

STONE FAIR

26 FEVEREIRO - 01 MARÇO VITÓRIA ESPÍRITO SANTO BRASIL

èè PIEDRA

06 - 09 MAIO MADRID - ESPANHA

èè TEKTÓNICA

08 - 12 MAIO LISBOA - PORTUGAL

èè DESIGN

2014 JANEIRO èè SWISSBAU

21 - 25 JANEIRO BASEL – SUIÇA

BUILD

08 - 10 MAIO

MELBOURNE - AUSTRÁLIA èè STONE+TEC

29 MAIO - 01 JUNHO

MAIO èè CARRARA MARMOTEC

21 – 24 MAIO CARRARA - ITÁLIA

ALEMANHA

25


ANIET convidada para integrar a Direção da UEPG Decorreu no passado dia 25 de Maio, no Chipre, a Assembleia de Delegados da UEPG – Associação Europeia de Produtores de Agregados, onde a ANIET esteve representada pelo Presidente da Direção, Eng.º Victor Albuquerque. Nesta Assembleia, a ANIET foi convidada a integrar a Direção desta Associação Europeia que é um dos principais interlocutores institucionais da indústria dos agregados junto das instâncias comunitárias.

Minérios Metálicos em Destaque na Imprensa Setor Mineiro vale 340 mil milhões de euros Em Julho e Agosto o caderno de economia do semanário Expresso publicou, em duas edições (14 de Julho e 18 de Agosto), reportagens desenvolvidas sobre o setor extrativo. O semanário esteve no Alentejo e no Douro, locais onde a empresa canadiana Colt Resources está a proceder a trabalhos de prospeção e pesquisa de ouro e de volfrâmio. Só em Montemor está previsto um investimento de 50 milhões de euros assim que se passar à fase de exploração mineira e a criação de 100 postos de trabalho direto. Na edição de 14 de Julho o Expresso acompanhou a deslocação do ministro da economia à Somincor, a concessionária das minas de Neves-Corvo, detida maioritariamente pela companhia sueco canadiana Lunding Minning. Durante a visita o presidente da Somincor 26 | Portugal Mineral

anunciou que a empresa vai investir 130 milhões de euros até final de 2013 nas minas de Neves-Corvo admitindo, ainda, in-vestir entre 300 e 700 milhões de euros nos próximos cinco anos. Os investimentos têm como objetivo aumentar a capacidade de extração e de produção de cobre e de zinco no jazigo do Lombador e poderão aumentar a vida útil das minas até 2029. Durante esta visita o ministro da economia reiterou que o setor mineiro é estratégico para o país e que o Governo está totalmente empenhado em dinamizá-lo, tanto quanto for possível, atraindo investimento estrangeiro. Álvaro Santos Pereira fez as contas e concluiu que o setor mineiro vale duas vezes o PIB nacional ou seja, cerca de 340 mil milhões de euros.


Publicada Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos Foi publicada em Setembro a Estratégia Nacional Para os Recursos Geológicos. Na ocasião, alguma imprensa informou que ía haver aumentos no cálculo das cauções a pagar pela atividades de prospeção e exploração mineiras. No entanto este documento não menciona valores nem percentagens, no que às cauções diz respeito. Uma fonte da DGEG, contatada pela revista Portugal Mineral, esclareceu que nas

explorações a céu aberto mantém-se a atual forma de cálculo das cauções. Em relação às explorações mineiras conseguimos confirmar que vai haver uma revisão da legislação mas não há ainda valores a referir. Essas alterações passarão por uma atualização dos royalties, nas explorações mais antigas, e pela definição de modalidades de caução que não tenham que passar pelas instituições bancárias para contornar a atual dificuldade em obter crédito junto destas instituições financeiras.

Nota da Direção da ANIET Foi publicado no Diário da República nº 176, Série I de 11 de setembro de 2012 a Resolução do Conselho de Ministros n.º 78/2012, que aprova a Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos - Recursos Minerais. O diploma indicado não menciona qualquer valor de referência para as cauções, que tenham em vista a garantia das obrigações assumidas perante o Estado concessionário, quer em sede de contratos de prospeção e pesquisa, quer de contratos de concessão de exploração mineira. Por agora, pelo menos em termos legislativos, não se encontra respaldo para os valores de cauções referidos na imprensa, a 4 de Setembro, por ocasião da visita do Ministro da Economia às minas de Aljustrel. Desconhecemos, porém, o que terá sido dito em Aljustrel pelo MEE, pelo SEE ou pelos membros dos respetivos gabinetes ministeriais. Atualmente são já vários e elevados os montantes caucionados por uma empresa, ao abrigo das concessões mineiras, designadamente: • Caução (contrato de concessão exploração mineira) • Seguro de responsabilidade civil ambiental • Fundo de encerramento ambiental • Seguro de responsabilidade civil geral • Seguro de responsabilidade civil industrial Uma empresa do setor, associada da ANIET, informou que o investimento inicial desembolsado para poder proceder ao início da exploração atingiu os 100 milhões de euros. A estes encargos acrescem, ainda, os custos para constituição das garantias.

Os contratos de concessão de exploração mineira, tal como os conhecemos atualmente, não preveem expressamente um montante mínimo de investimento (poderá haver uma aproximação a esse valor no âmbito do plano de lavra, o qual é sujeito à aprovação da DGEG após a outorga da concessão mineira). Por essa razão, não é possível determinar o valor da caução caso a mesma seja fixada numa percentagem do investimento acordado. Em todo o caso, uma vez que i) o valor dos investimentos no sector mineiro é muito elevado, ii) trata-se de investimentos de capital intensivo e iii) o retorno do investimento é sempre a longo prazo, uma caução de 20% ou mesmo de 10% será excessivamente onerosa e determinará certamente uma retração do investimento. Já no que se refere aos contratos de prospeção e pesquisa, tudo depende do montante do investimento acordado contratualmente em vista do reconhecimento geológico da área concedida, o qual se desenvolverá ao longo do período da concessão. Saliente-se que, no quadro legislativo atual, já consta a prestação de caução em face do investimento a realizar, sendo os valores caucionados muito baixos. Embora devam ser tomados em consideração os custos associados às garantias, reconhecemos que o Estado deverá assegurar a efetiva identificação dos recursos geológicos, impondo garantias para essa mesma execução, e não deixar à consideração do concessionário o cumprimento das obrigações contratuais, sem qualquer responsabilização financeira. Tal possibilitaria a utilização do conhecimento da mera posição de concessionário para aumentar o valor acionista do investidor, sem qualquer contrapartida para o Estado. Aliás, como reza a experiência nas áreas de prospeção e pesquisa, especialmente na última década.

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Colt Resources Aposta em Portugal Luís Plácido Martins Dr. Luís Plácido Martins Advisory Board Chairman e Director Business Development Europe da Colt Resources Inc.

Pela sua sua experiência, Luís Plácido Martins é hoje um dos maiores conhecedores do património geológico português. Em entrevista à nossa revista, ficaremos a saber, o porquê da aposta da Colt Resources em Portugal.

PM: Como analisa a crescente importância dos recursos geológicos no atual momento mundial? L.M.: Eu penso que os recursos geológicos, nomeadamente os recursos minerais sempre tiveram uma grande importância a nível mundial, ao nível do desenvolvimento da humanidade, ao fim ao cabo a história dos recursos minerais é a história da humanidade, desde a Idade da Pedra. Sempre tendo em vista o melhoramento da qualidade de vida das pessoas que vivem neste planeta. A Europa, que em especial após a primeira metade do século XX, em que os recursos e as explorações mineiras tiveram uma importância absolutamente transcendente, adormeceu um pouco. Inclusivamente fizemos com que essas explorações fossem deslocalizadas para outros continentes que não a Europa, e recorremos a importações desses recursos minerais para continuar a abastecer a nossa indústria e continuar a abastecer as nossas populações. Pensou-se que essa política seria correta porque, ao mesmo tempo, haveria mais facilidade em termos de qualidade ambiental e preservação do ambiente. Isso hoje em dia, e desde que começámos com esta situação económica difícil, não só em Portugal mas em especial na Europa e também nos Estados Unidos, mostrou-se uma política totalmente errada porque ela não pode ser eterna, como estamos a ver, e portanto se nós consumimos mais do que produzimos, A abordagem tradicional que tinha sido feita, ou seja, explorar noutros locais do mundo e importar para os nossos países europeus, preservando assim o ambiente. Isso mostrou-se erra-

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do. Para corrigir essa situação e para que voltemos a ter uma indústria mineira importante, com capacidade de produção e de competir com outras de outras partes do mundo, tendo em vista, obviamente, a melhoria da qualidade de vida das populações e o bem estar social. PM: O que é que Portugal poderá ganhar com este desenvolvimento mineiro e na sua opinião quais os recursos mais importantes existentes em Portugal? L.M.: Uma das mais valias é que, à semelhança de outras indústrias, a indústria mineira gera riqueza e emprego. Nós particularmente neste momento, precisamos disso como do pão para a boca. Além disso, tem um efeito quase imediato a nível de exportações, portanto isso pode contribuir significativamente para combater o nosso défice económico e para equilibrar a nossa balança comercial. Como o mercado nacional, não só internamente como a nível europeu e mundial, está retraído, tem havido um esforço muito grande de empresários e instituições no sentido de redireccionar os seus produtos para o exterior, aumentando assim as exportações. Nomeadamente o cobre de Neves Corvo o tungsténio da Panasqueira. Em termos das substâncias que nós temos com maior importância, o nosso país tem uma geologia complexa e diversificada. Eu gosto de subdividir estas substâncias em 3 grandes grupos: os minerais metálicos, que normalmente têm uma maior nobreza e maior valor. E nós temos minas de classe mundial de cobre em Neves Corvo perto de Castro Verde e de volfrâmio ou tungsténio na Panasqueira, perto do Fundão, classe mundial e muito relevantes. Somos o segundo produtor de cobre e de


tungsténio a nível europeu. Temos ainda depósitos de cobre em offshore nos campos hidrotermais dos Açores onde a Nautilus Minerals se propõe a criar a primeira exploração nesta parte do mundo de recurso metálicos em offshore. Destacaria também o ouro, porque realmente temos vários projetos em desenvolvimento no país que apontam para que dentro em breve, dentro de dois a três anos, teremos duas, três, quatro minas a operar e a produzir ouro em Portugal. A nossa última mina de ouro com produção foi a mina de Jales, em 1992. Temos outras substâncias metálicas, nomeadamente o estanho, em especial no norte e no centro, com vários depósitos com alguma relevância em termos de dimen-

já fomos o terceiro produtor a nível mundial, estando neste momento em nono lugar. Acho que houve nos últimos anos um certo adormecimento do nosso sector empresarial nesse domínio, mas as mudanças estão a ocorrer, sendo por vezes preciso passar por uma situação complicada a nível económico para as pessoas acordarem, e penso que com a natural triagem do mercado que acontece sempre nestas situações, que o setor vai aguentar, vai progredir e vai voltar a ter o relevo que já teve outrora. Temos atualmente dois núcleos mais importantes a nível de produção, a zona de Estremoz, Borba e Vila Viçosa com os mármores conhecidos a nível mundial, que atravessa, na minha opinião e pelas razões referidas anteriormente, um momento mais complicado e depois os calcários da Serra D’aires e Candeeiros, que é neste momento o nosso principal centro produtor. Finalmente temos o setor dos granitos, em especial no norte do país mas com alguma produção também no norte do Alentejo, e que mantém alguma importância embora seja o menos relevante em termos económicos para o nosso país. Ainda dentro dos minerais não metálicos temos os chamados minerais industriais, o caulino, o quartzo, o feldspato. Temos várias explorações no norte e centro do país com bastante importância cujo principal destino é o mercado cerâmico extractiva.

são, sendo o mais importante deles todos o depósito de Ervedosa, perto do douro, onde existe ainda uma licença para prospecção e pesquisa, atribuída à empresa MTI. Essa foi a nossa mina com maior importância ao nível da produção de estanho. Temos um depósito de ferro, também de classe mundial, em Moncorvo. São cerca de 550 milhões de toneladas e existe uma licença de prospecção e pesquisa também atribuída à empresa MTI. Houve negociações recentes, como é do conhecimento público, com uma das maiores empresas do mundo, a Rio Tinto, para que fosse atribuída uma concessão mineira nessa zona mas infelizmente não chegaram a bom termo. Em termos de minerais não metálicos, temos dois subsectores principais: as rochas ornamentais, das quais

Finalmente, o terceiro grande grupo das substâncias mais importantes que temos em Portugal são os chamados recursos energéticos, com especial relevo para urânio. Temos depósito bastante importante que tem sido alvo do interesse de muitas companhias de todo o mundo é no Alto Alentejo, o depósito de Nisa. Existe também um depósito importante no nordeste do país, na zona de Bragança, na Vilariça. Nos últimos anos temos tido alguma indefinição política, que não tem permitido o desenvolvimento de projetos de prospecção e exploração de urânio em Portugal. Penso que é um erro, um “fantasma” muitas vezes presente na cabeça dos políticos por fazerem a associação de urânio a centrais nucleares. Não tem de haver essa ligação direta, o urânio pode ser produzido, explorado e direcionado para outros mercados. É uma mais valia que Portugal tem e que não tem sido aproveitada. Espero que com a nova estratégia para os recursos minerais em Portugal, que foi aprovada na semana passada em Conselho de Ministros, haja uma definição sobre que rumo dar ao urânio. 29


PM: Tendo em conta esse potencial todo de que falou, acha que a gestão política em Portugal tem sido bem feita nesse campo? L.M.: Não, como já referi anteriormente, têm sido erros em cima de erros e quase umesquecimento absoluto deste setor. Tem sido um s etor abandonado pela classe política nos últimos 25, 30 anos, anos nos quais se julgou poder viver da importação destas substâncias e manter assim o meio ambiente limpo, sem explorações. Sabe-se hoje que isso foi um erro crasso. Gostaria de aproveitar para “tirar o chapéu” a este Governo, pois foi este Governo que realmente deu o maior apoio dos últimos anos ao setor e fez despertar da letargia que a nossa classe política tem em relação a estes assuntos e que culminou, como referido, na semana passada com a publicação da nova estratégia para os recursos minerais em Portugal. Penso que é um passo muito importante. PM: Devido à sua experiência profissional, considera alguns passos que pudessem ter sido dados para melhorar a situação, visto que está a evoluir positivamente? L.M.: Por exemplo, nós temos estado presentes, embora um pouco informalmente, na maior feira do mundo que existe para a promoção do potencial mineiro de um país, que é um evento realizado em Toronto pela Prospectors & Developers Association of Canada, todo os anos em início de Março. É importante que Portugal esteja presente anualmente nesse evento, tal como fazem por exemplo, os países escandinavos, assim como noutros eventos onde é necessário ter uma presença institucional muito grande e forte, para promover o nosso país. Esta estratégia é muito positiva mas só a estratégia em si não basta, é preciso realmente termos as medidas concretas que a versão que conheço preconiza, é necessário realmente que no terreno elas sejam implementadas e que as pessoas percebam que é possível compatibilizar os valores da indústria extractiva, da indústria mineira, com os valores. Por outro lado é também necessário apoiar as instituições que dão suporte a todas estas políticas, nomeadamente a Direção Geral de Energia e Geologia, nomeadamente o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, e é fundamental que estas instituições tenham os meios humanos e financeiros para implementar no terreno esta estratégia. É do conhecimento de muita gente que estas duas instituições que referi, o LNEG e o DGEG estão depauperadas em termos de recursos humanos, estão algumas vezes com problemas a nível financeiro que os impede de desenvolver o trabalho que tão bem sabem fazer. PM: Toda esta área mineira sempre teve uma oposição social forte, por motivos ambientais. Acha que estes projetos e esta estratégia pode ser uma razão de preocupação para as comunidades? 30 | Portugal Mineral

L.M.: Eu acho que não, e muitas vezes esta preocupação das comunidades é inflacionada por infelizmente as populações desconhecerem estas matérias. Nós que estamos no setor temos também responsabilidades nisso, deveríamos realmente ter feito algo para melhor informar as populações. Hoje em dia, a tecnologia que temos ao nosso dispor permite-nos controlar esses problemas, minorar muitíssimo o impacto ambiental das explorações e ao fim ao cabo gerar riqueza e emprego para as populações locais. Eu estive até há bem pouco tempo na DGEG e uma das ideias que temos já há algum tempo, e que espero venha a ser concretizada na estratégia, é que alguns dos encargos ou rendimentos provenientes das explorações, sejam direccionados para as autarquias, e portanto, para as populações a nível local. Hoje em dia já não é só a questão do ambiente, não e só a questão económica, se o jazigo merece ou não merece ser explorado, se gera muitos ou poucos impactos ambientais e se eles conseguem ser controlados, mas são também as questões sociais, ou seja, não há projetos mineiros a serem desenvolvidos sem envolver as populações locais, e isso é fundamental. Um excelente exemplo são as minhas de Neves Corvo, quem conhecia Castro Verde há 20, 25 anos, via uma vila completamente decadente, completamente degradada e se formos hoje a Castro Verde, vemos uma cidade pujante a nível económico em que o bem estar social é evidente. Costumo utilizar uma frase que o Gandhi um dia proferiu, e que sentiu mais do que ninguém, que é “a pobreza é o pior contaminante”. PM: A Colt Resources é uma empresa canadiana de projecção mundial e que fez uma aposta clara em Portugal. O que é que pode falar sobre a aposta da Colt em Portugal e que projetos integram neste momento? L.M.: A Colt Resources é uma empresa canadiana, ainda não tem uma dimensão mundial, mas eu espero que um dia, que não esteja tão longe como isso, possa ter essa dimensão. Mas é uma empresa com alguma capacidade técnica e financeira, tem crescido muito nos últimos anos e realmente esta aposta em Portugal foi determinante para o sucesso da companhia. Que apostou em Portugal, que acreditou no nosso país, que acreditou no seu potencial mineiro. Neste momento a Colt tem aqui em Portugal uma carteira de projetos bastante relevante, principalmente uma série de licenças para prospecção e pesquisa, no norte do país, na zona do Douro, qualquer delas para ouro e para tungsténio, volfrâmio. Nessas zonas os projetos mais importantes, eu diria neste momento o projeto mais importante e mais avançado é o projeto de Tabuaço, um projeto de tungsténio. Eu relembro que a Comissão Europeia definiu há pouco tempo uma lista de matérias primas escritas


para abastecer a União Europeia e o tungsténio foi uma delas, portanto vai ser uma substância que vai ter muito relevo nos próximos tempos. Temos essa carteira de projetos na zona do douro fundamentalmente para ouro e tungsténio como já tinha dito anteriormente, e o tungsténio foi recentemente considerado pela União Europeia uma matéria prima crítica para a indústria europeia, portanto são muito importantes este tipo de projetos para a europa e para Portugal. Depois há outros projetos menos avançados, mas também interessantes. Talvez o mais interessante seja o projeto de Penedono: o Penedono foi uma antiga mina de ouro que chegou a produzir ouro em Portugal em meados e segunda parte do século XX, e onde existem alguns resultados interessantes. Depois temos alguns projetos no sul do país, temos uma licença para prospecção e pesquisa em Santa Margarida do Sado, portanto na faixa piritosa ibérica que é a nossa província mineira mais importante, que é onde estão as minas de Neves Corvo e Aljustrel, mas as coisas não têm corrido muito bem, a prospecção é mesmo assim, raramente dá e muitas vezes os resultados são negativos. Mas o projeto realmente mais importante da Colt Resources neste momento, o que está mais avançado e aquele que muito provavelmente estará mais próximo de ser mina, é o

projeto de Montemor o Novo, também no sul do país. É um projeto de ouro, foi um projeto que foi descoberto pelo serviço de fomento mineiro, eu pessoalmente integrei a equipa desse projeto e provavelmente lá para 2014/2015 estaremos a produzir ouro nesse local. Esta é, portanto, a situação da Colt Resources em Portugal. É na sequência desse trabalho que houve várias empresas que, em sucessivas fases, desenvolveram projetos de prospecção e pesquisa, a mais importante de todas foi a Rio Tinto mas depois por várias razões as negociações não avançaram. As funções que estou a desempenhar vão no sentido de procurar mais projetos, não só aqui em Portugal, porque também vamos continuar a olhar para as coisas mais importantes, mas também alguns projetos na europa, portanto eu vou ser responsável por esse setor e vou tentar nos próximos tempos encontrar mais alguns projetos interessantes na Europa. Muito provavelmente o foco estará na europa do leste, onde penso que existem várias oportunidades que podemos olhar e agarrar, mas tem de ser devagar, não pode ser tudo ao mesmo tempo, e portanto a ordem de prioridades é essa: Portugal, Europa e talvez depois, América Latina.

Audiência na Secretaria de Estado da Energia Direção da ANIET Entrega Reivindicações do Setor ao Governo A Direção da ANIET entregou, no dia 11 de Junho, na Secretaria de Estado da Energia, um pormenorizado documento (com 7 Anexos) elaborado após uma ampla consulta aos associados e no qual foram contempladas, de uma forma positiva, através de propostas muito concretas, as principais reivindicações da indústria extrativa nos vários subsetores: minas, rochas ornamentais e rochas industriais. O documento foi recebido pelo Secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, que comunicou à Direção da ANIET que iria dar seguimento às propostas apresentadas, através do envio das mesmas para os respetivos ministérios da administração interna e das finanças e que daria informações sobre a apreciação destes assuntos. Destaca-se a entrega de um exaustivo trabalho jurídico, contratado pela ANIET, com propostas minuciosas

de alteração à atual Lei das Pedreiras (Dec. Lei nº 270/2001 de 06/10 e republicado pelo Dec. Lei n.º 340/2007 de 12/10) bem como dos principais diplomas legais conexos. Os combustíveis e as taxas de explosivos são outros dos assuntos que constam deste memorando, que foi elaborado ao longo de 5 meses, após uma 1ª reunião nesta Secretaria de Estado que decorreu em Dezembro. Durante este período a ANIET promoveu e recolheu as sugestões dos seus associados que incorporou neste Memorando.

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ENTREVISTA Eng.º Jorge Mira Amaral

Eng.º Jorge Mira Amaral Presidente do Conselho de Administração do CEVALOR

PM - Na sequência das recentes eleições esta é a primeira vez que a ANIET é eleita para assumir a Presidência do Conselho de Administração do CEVALOR (Centro Tecnológico para o Aproveitamento e Valorização das Rochas Ornamentais e Industriais). Na sua opinião a que se deve este resultado? MA - A ANIET representa as Empresas de Extracção e Transformação a nível nacional e é a única Associação que representa também o sector Mineiro. Com cerca de 37 anos de existência, o seu trabalho e importância é reconhecido. O Centro Tecnológico, por sua vez é uma estrutura que apoia técnica e tecnologicamente as Empresas de Rocha Ornamental e Industrial. A estrutura dos órgãos sociais do CEVALOR tem sido sempre composta pelas associações que representam todos os sub-sectores da Pedra Natural.

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“Mesmo no actual contexto económico, o Sector perspectiva até 2015 crescer 5%" É nesta estreita ligação e com uma relação de complementaridade, entre as Associações e Centro Tecnológico, que se ganha a necessária eficiência competitiva no apoio às Empresas. A nomeação da ANIET acaba por ser, em simultâneo, uma consequência natural do percurso das Entidades, com o reconhecimento e confiança que as Empresas depositam nesta Associação. A nomeação da ANIET, ganha agora ainda mais relevância com a publicação da “Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos - Recursos Minerais”, através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 78/2012. PM - Em linhas gerais pode dizer-nos qual é o fio condutor que vai presidir à administração do Centro Tecnológico nos próximos 3 anos (2012-2014)? Que mudanças pretende introduzir? O que podem os associados esperar deste mandato?


Os desafios que se colocam actualmente aos Centro Tecnológicos, como estruturas de apoio técnico e tecnológico às Empresas, numa atitude de pró-actividade e procurando ser o parceiro privilegiado das mesmas são, no contexto actual, e na minha opinião, oportunidades para demonstrar a importância e utilidade destas infra-estruturas na eficiência e eficácia dos sectores.

MA - O CEVALOR, desde 2000, tem vindo a consolidar a sua actuação e a ser reconhecido, nacional e internacionalmente, como Entidade de Apoio Tecnológico ao Sector da Rocha Ornamental e Rocha Industrial. Em 2006, assume um novo paradigma de mudança e inovação e lidera o processo de reconhecimento do Sector como Cluster da Pedra Natural, apostando na mobilização de todos os actores para um plano de acção conjunto em que se assumiu o risco de iniciar novas actividades, nova investigação e lançar novos conceitos para a competitividade.

A tarefa não é fácil, mas o CEVALOR conta com uma equipa de técnicos superiores multidisciplinares e com know-how, experiência e competência para enfrentar os novos desafios e ser cada vez mais eficiente na resposta ao apoio técnico e tecnológico nas Empresas. Este desafio, incluirá novas áreas que estão a ser criadas, de forma a que o Centro consiga dar resposta a todas as vertentes de gestão e de produção das Empresas. Por fim, o passado recente demonstrou que o CEVALOR tem capacidade para internacionalizar as suas competências. Espero que durante este mandato, a actuação

Em 2008, o Sector é reconhecido publicamente como Cluster da Pedra Natural e o CEVALOR assume-se como um dos principais dinamizadores das suas acções. É neste enquadramento que, a nova administração, à qual eu presido, pretende continuar a actuar. O que se perspectiva, num novo contexto económico e durante um período em que não se esperam facilidades para as Empresas e Entidades, é não parar, continuar com a dinâmica que o Centro sempre demonstrou, embora seja emergente, neste novo contexto, procurar novas formas de apoiar as Empresas, novos caminhos para a Investigação e procurar a sustentabilidade futura do Centro. Para já, é necessário reestruturar algumas áreas de actuação do Centro e torná-las mais competitivas, com o aumento de oferta de serviços para as Empresas de Rochas Industriais. Esta será, para já a prioridade. Em simultâneo, pretende-se que o CEVALOR adquira uma imagem comunicacional mais conducente com o seu posicionamento. Para esse efeito, está a ser preparada uma mudança de imagem a todos os níveis, que será apresentada brevemente. 33


meios financeiros para o apoio à produção e internacionalização. PM - O CEVALOR e a ANIET estiveram, juntamente com outras entidades, envolvidos na organização, em Portugal, do Global Stone Congress. Pode dizer-nos como decorreu este evento? Na sua opinião que benefícios é que pode trazer a curto prazo para a indústria do sector? MA - O GLOBAL STONE CONGRESS 2012 em Portugal, que decorreu em Julho, já foi considerado o melhor congresso a nível mundial dos últimos 10 anos.

internacional do Centro, em países ricos em recursos pétreos, seja consolidada. A actuação com todas as Entidades ligadas aos sub-sectores das Rochas Ornamentais e Industriais é para continuar e reforçar. Esta, é a única forma de estarmos a contribuir para a sustentabilidade da Pedra Natural em Portugal. PM - Como analisa a dinâmica e a evolução do sector das Rochas Ornamentais em Portugal, no actual contexto económico? MA - Não têm sido anos fáceis, desde 2009 que o Sector começou a sentir dificuldades. O subsector das Rochas Industriais está muito ligado aos ciclos da construção civil e ao mercado interno e enfrenta as dificuldades da estagnação na construção. O sub-sector das Rochas Ornamentais, com forte vocação exportadora, enfrenta as dificuldades inerentes à crise europeia e a forte concorrência de países asiáticos. Mas, este é um Sector com resistência e também reconhecidamente resiliente pelo histórico apresentado e, tem conseguido manter-se entre os 10 maiores países produtores e exportadores de Pedra Natural. E, este facto, deve-se à capacidade de inovação e internacionalização de algumas das nossas Empresas, que já exportam para quase todos os países do Mundo. Mesmo no actual contexto económico, o Sector perspectiva até 2015 crescer 5%. É preciso que o Estado garanta condições para o desenvolvimento das Empresas, principalmente disponibilidade de

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O seu sucesso foi fruto da mobilização e colaboração de diversos actores ligados ao Sector e ainda de outros sectores para um objectivo comum, e fica provado que, só desta forma, podemos esperar resultados. A promoção ficou a cargo da VALORPEDRA, mas estiveram envolvidas as Associações Sectoriais, o CEVALOR, várias Universidades, Câmaras Municipais, Entidades ligadas ao Turismo e Empresas. Contámos com cerca de 250 participações, onde se incluiu 80 congressistas com o mesmo número de comunicações de 15 nacionalidades diferentes. Foram debatidas todas as áreas ligadas à Pedra Natural, desde a geologia, economia, design e arquitectura, equipamentos, marketing e comunicação, história. Durante 5 dias, o que existe de novo e mais inovador em todas as áreas ligadas ao universo Pedra Natural foi apresentado e disseminado e, durante os 5 dias, ainda houve a oportunidade de promover e mostrar um Portugal de qualidade e excelência, neste sector. Aliámos, à qualidade científica e técnica do congresso, uma forte promoção do Sector da Pedra Natural e da cultura, história e turismo de Portugal. Acreditamos que o GLOBAL STONE CONGRESS 2012 contribuiu para a promoção da imagem de excelência das nossas Empresas de Pedra Natural e Empresas de Equipamentos e, conseguimos ir um pouco mais longe e demonstrar, internacionalmente, que as nossas Empresas não estão paradas, que estão bem apetrechadas e preparadas para a internacionalização. Fizemos ainda um esforço para mostrar um Portugal de excelência em todos os domínios, pelo que todos os participantes levaram uma imagem muito positiva do país. Os números do Congresso e o feedback de todos os participantes atestam a nossa convicção.


ANIET Integra Cluster Para Reabilitação Urbana A ANIET foi convidada, em Julho, pela CIP-Confederação Empresarial de Portugal, a integrar o Conselho Português da Construção e Imobiliário, uma iniciativa que se integra no projeto ”Fazer Acontecer a Regeneração Urbana” iniciado há 2 anos por esta Confederação. Este projeto tem como objetivo eliminar os já detetados constrangimentos fiscais e legais que estão a adiar um novo ciclo de desenvolvimento económico e empresarial que passa pela reabilitação urbana. Existem já projetos piloto a decorrer em algumas cidades (designadamente Viana do Castelo, Figueira da Foz e Portalegre) com o apoio e envolvimento das associações empresariais e das autarquias em que o principal objetivo é ultrapassar as dificuldades que a fileira da construção está a atravessar atraindo novos investidores privados para este setor de atividade. Nos últimos 30 anos o investimento esteve concentrado na construção nova e impõe-se alterar este paradigma. Há 550.000 fogos devolutos em todo o país e o recente censo deu a conhecer que no espaço de uma década os alojamentos vagos aumentaram 35%.

A ANIET passa, assim, a integrar uma rede de associações e empresas, sob a forma de cluster, dinamizado pela CIP, para funcionar como estrutura que dê mais protagonismo à reabilitação urbana. Recorde-se que o Governo, tanto no memorando de entendimento com a troika como no documento de estratégia orçamental 2011-2015 comprometeu-se a implementar diversas medidas na área da regeneração urbana.

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Valorizar a Pedra Natural Através do Design Concurso “Projectar a Pedra Natural” Artigo escrito por:

Com a colaboração de:

Directora Executiva da VALORPEDRA

Técnica Superior da Área de Promoção e Marketing do CEVALOR

Marta Peres

Tânia Peças

O design em Pedra Natural é uma área que tem sido fortemente apontada como Factor Crítico para o Sucesso do Sector da Pedra Natural. Com mais incidência para a sensibilização do design nas Empresas, todos os estudos chamam a atenção para a incorporação de design nas mesmas, devido à necessidade emergente das mesmas encontraram novas formas de valorizar o produto transformado e assim tornarem-se competitivas.

O objectivo do primeiro Concurso foi a sensibilização/ formação de jovens estudantes para a utilização de Pedra Natural nos seus projectos.

Maqueta do Projecto “Lollipop”

Maqueta do Projecto “2CHAIR”

Simultaneamente, assiste-se a um défice de formação nas Faculdades o que leva ao desconhecimento das potencialidades da Pedra Natural e estudos apontam que os prescritores (Arquitectos e Designers) estão cada vez mais interessados nos Novos Materiais.

Os resultados ditaram que a ligação entre a Pedra Natural e o Design de Produto/ Industrial não pode ser ocasional, mas há que ter a preocupação de desmistificar o material Pedra Natural junto de futuros Designers e demonstrar às Empresas que o caminho para a competição num Sector fortemente internacionalizado é a oferta de produto diferenciado e que vá de encontro ao que os prescritores procuram tendo em conta as tendências do momento.

É neste enquadramento que o CEVALOR – Centro Tecnológico para o Aproveitamento e Valorização da Pedra Natural iniciou em 2008 um conjunto de acções de promoção do Design na Pedra. Com o apoio do Centro Português de Design lançou nesse ano o Concurso “Projectar o Mármore em Pedra Natural” para as Universidades a nível nacional e o Concurso “Equipamento para mobiliário urbano” para profissionais de Design.

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O segundo concurso teve como objectivo sensibilizar autarquias para a utilização deste material e demonstrar às Empresas que por via do design é possível inovar no Produto.

É nesta perspectiva que o CLUSTER DA PEDRA NATURAL, lançou em 2011 o concurso “Projectar em Pedra Natural”. O Concurso “Projectar em Pedra Natural” é uma actividade do Projecto Âncora 1 – Valorização da Pedra Natural, que está a ser dinamizado pela parceria composta pela ANIET – Associação Nacional da Industria Extractiva e


Transformadora, ASSIMAGRA – Associação Portuguesa dos Industriais de Mármores, Granitos e Ramos Afins, CEVALOR – Centro Tecnológico para o Aproveitamento e Valorização das Rochas Ornamentais e Industriais, ISEP – Instituto Superior de Engenharia do Porto, LNEG – Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia e UNIVERSIDADE DE ÉVORA com o objectivo de promover, divulgar e dinamizar a pedra portuguesa, de modo a contribuir para o aumento da dinâmica de mercado das actividades da Pedra Natural.

• 3º Prémio – José Manuel Nunes Serra Guerreiro, aluno da Universidade de Évora, peça PEBBLE GRILL.

Maqueta do Projecto “Pebble Grill”

Protótipo projecto “Lollipop”

Com a colaboração do CPD – Centro Português de Design, das Empresas DIMPOMAR, Rochas Portuguesas, Lda/TONS DE PEDRA, Mármores e Granitos do Mundo, GRANIFINAS - Exploração de Pedreiras, Lda, SIENAVE – Sienitos do Algarve, Lda e SOLANCIS - Sociedade Exploradora de Pedreiras, S.A., este concurso foi direccionado a jovens estudantes de Design Industrial ou de Produto, das Universidades a nível Nacional, com a finalidade de criar um produto distinto, de carácter inovador, funcional e com valor comercial.

Os resultados do Concurso não se ficaram pela entrega de prémios aos vencedores. Os resultados embora ainda não tangíveis passam pelo esforço de sensibilização que foi possível efectuar a estudantes da área de design para a utilização de Pedra Natural nos seus projectos profissionais e algumas Empresas que participaram no Concurso estão a trabalhar com os estudantes vencedores na viabilidade de produção dos seus projectos.

Com a forte adesão das Universidades, o Concurso abrangeu duas sessões de imersão em Pedra Natural, e foram definidos os seguintes critérios de selecção “Inovação; Originalidade; Qualidade conceptual da solução (utilidade/versatilidade); e Viabilidade Produtiva”. O júri reuniu além de representantes das quatro Empresas que colaboraram no Concurso, um representante do CEVALOR, um representante da VALORPEDRA um representante do CPD e dois Designers Profissionais reconhecidos.

Os vencedores foram: • 1º Prémio – Filipa Marques dos Santos, aluna da Universidade Lusíada do Porto, peça vencedora “LOLLIPOP”;

• 2º Prémio – Ana Sofia Romão Marinho Pinto da Cruz e Margarida Sofia Roupeta Mira, alunas da Universidade Lusófona, peça “2CHAIR”;

O Projecto Vencedor foi alvo de estudo e adaptações entre a Designer vencedora e as Empresas GRANIFINAS e SIENAVE, que colaboraram no Concurso e foi produzido um protótipo para exposição em Feiras e outros Eventos.

Esta iniciativa reforçou a convicção de que o Design e a Pedra Natural ainda não têm a ligação desejável. Segundo o Júri do Concurso, “muitas das propostas recebidas reflectem o desconhecimento total do material Pedra Natural e por esse motivo foram logo eliminadas”, embora se note cada vez mais o interesse das Empresas nesta disciplina e a sua integração no processo produtivo. O futuro desta ligação passará certamente por uma maior ligação entre os Centros de Saber da Pedra Natural e as Universidades. De ambos os lados, existe o interesse e vontade pelo que se acredita que possamos estar a contribuir para que os futuros prescritores e projectistas valorizem e utilizem mais a Pedra Natural. O objectivo e perspectiva futura do CLUSTER DA PEDRA NATURAL é continuar a realizar todos os esforços de aproximação dos Designers e outros prescritores à Pedra Natural. 37


3.ª EDIÇÃO DA BIENAL DA PEDRA Decorreu de 12 a 14 de Outubro de 2012, na freguesia e Vila de Alpendorada e Matos, no Concelho do Marco de Canaveses, a 3.ª Edição da Bienal da Pedra. A abertura oficial deste evento contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto da Economia e do Desenvolvimento Regional, Dr. Almeida Henriques, e esteve ainda presente o Subdiretor Geral da DGEG-Direção Geral de Energia e Geologia, Eng.º Carlos Caxaria.

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Paralelamente à Bienal da Pedra, decorreu, o I Encontro Internacional do Trabalho da Pedra, em Escultura e Cantaria, iniciativa promovida pela Escola Profissional Centro de Estudo e Trabalho da Pedra, e que contou à semelhança da Bienal com o apoio da Câmara Municipal. Um encontro que ofereceu aos visitantes a oportunidade de apreciar artífices que, dando azo à sua criatividade, transformaram o granito em peças de arte. O 1.º prémio no valor de 750€ foi atribuído ao aluno da EPCEP, Diogo Fernandes, o 2.º prémio à aluna da FBAUP, Carmo Azevedo, e o terceiro prémio ao aluno do Lycée des Métiers d'Art Georges Guynemer (França), Téophile Aladerise. Devido à qualidade dos trabalhos o júri decidiu atribuir ainda três menções honrosas aos alunos de FBAUP Jérémy Carvalho, Jorge Lourenço e João Abreu.


Índice de Competitividade Global 2012-2013 Fortalecer a Recuperação com o Aumento de Produtividade XAVIER SALA-I-MARTÍN BEÑAT BILBAO-OSORIO JENNIFER BLANKE ROBERTO CROTTI

MARGARETA DRZENIEK HANOUZ THIERRY GEIGER CAROLINE KO World Economic Forum

Por ocasião do lançamento do Relatório de Competitividade Global 2012-2013, a perspectiva da economia mundial é, mais uma vez, frágil. O crescimento global permanece historicamente baixo durante o segundo ano consecutivo, fazendo com que os principais centros de atividade económica – em particular as grandes economias emergentes e as economias mais prósperas – esperem abrandamentos em 2012-13, confirmando a convicção de que a economia global é assolada por uma recuperação lenta e débil. Como em anos anteriores, o crescimento permanece desigualmente distribuído. Os países emergentes e em desenvolvimento estão a crescer mais depressa do que as tradicionais economias desenvolvidas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, em 2012, a zona europeia se contraia 0,3% e que os Estados Unidos continuem com uma recuperação débil e um futuro incerto. As grandes economias emergentes como o Brasil, a Federação Russa, a Índia, a China e a África do Sul estão a crescer, mas menos do que em 2011. Paralelamente, outros mercados emergentes, como a Ásia, continuarão a registar taxas de crescimento elevadas, enquanto o Médio Oriente o Norte de África e os países africanos subsarianos. O perigo de uma bolha imobiliária na China, um declínio do comércio mundial e os voláteis fluxos de capital em mercados emergentes poderão inviabilizar a recuperação e ter um impacto negativo sobre a economia global. Indiscutivelmente, a desaceleração deste ano, reflete em grande medida a incapacidade dos líderes para enfrentar os muitos desafios que já estavam presentes no ano passado. Os políticos de todo o mundo continuam preocupados com as elevadas taxas de desemprego e as condições sociais dos seus países. A instabilidade política nos Estados Unidos continua a afetar as perspectivas para a maior economia do mundo, enquanto as crises de dívida soberana e o perigo de um colapso do sistema bancário nos países periféricos da zona euro continuam 42 | Portugal Mineral

por resolver. Os altos níveis de dívida pública, juntamente com o baixo crescimento, a insuficiente competitividade e impasse político em alguns países europeus têm agitado as preocupações dos mercados financeiros sobre a ausência de soberania e sobre a própria viabilidade do euro. Dada a complexidade e a urgência da situação, os países europeus estão a enfrentar difíceis decisões de gestão económica com repercussões políticas e sociais. Embora os líderes europeus não concordem sobre como enfrentar os desafios imediatos, há o reconhecimento de que é preciso estabilizar o euro e colocar a Europa no caminho de um crescimento maior e mais sustentável, para conseguir a competitividade dos países membros. Todos estes desenvolvimentos estão altamente relacionados e exigem decisões políticas oportunas, decisivas e coordenadas. Impõe-se que os países estabilizem o crescimento económico e garantam a prosperidade crescente das suas populações. Economias competitivas conduzem a uma maior produtividade. Ao longo de três décadas, o Relatório de Competitividade Global anual do Fórum Económico Mundial estudou e comparou os diversos fatores que sustentam a competitividade nacional. Desde o início, o objetivo tem sido o de fornecer informações e estimular a discussão entre todas as partes interessadas, sobre as melhores estratégias e políticas para ajudar os países a superar os obstáculos de modo a melhorar a competitividade. No desafiante ambiente económico atual, o nosso trabalho é um crítico relembrar da importância de fundamentos económicos estruturais para o crescimento sustentado. Desde 2005, o Fórum Económico Mundial baseou a sua análise da competitividade no Índice de Competitivida-


de Global (ICG), uma ferramenta abrangente que mede os fundamentos microeconómicos e macroeconómicos da competitividade nacional. Definimos a competitividade como o conjunto de instituições políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de um país. O nível de produtividade, por sua vez, define o nível de prosperidade que pode ser obtido por uma economia. O nível de produtividade também determina as taxas de retorno obtidas por investimentos numa economia, que por sua vez são os guias fundamentais das suas taxas de crescimento. Noutras palavras, uma economia mais competitiva é a que é susceptível de manter o crescimento. O conceito de competitividade envolve, assim, componentes estáticos e dinâmicos. Embora a produtividade de um país determine a sua capacidade de manter um elevado nível de rendimento, é também um dos fatores centrais do seu retorno para o investimento, que é um dos pontos essenciais que explicam o potencial de crescimento de uma economia.

Os 12 pilares da Competitividade Muitos fatores determinantes impulsionam a produtividade e a competitividade. Compreender os fatores por detrás deste processo tem ocupado as mentes dos economistas há centenas de anos, gerando teorias que vão desde o foco de Adam Smith sobre a especialização e a divisão do trabalho à ênfase dos economistas neoclássicos sobre o investimento em capital físico e infraestruturas e, mais recentemente, o interesse em outros mecanismos, como a educação e a formação, o progresso tecnológico, a estabilidade macroeconómica, a boa governação, a firme sofisticação e eficiência do mercado, entre outros. Apesar de todos estes factores serem importantes para a competitividade e crescimento, não são mutuamente exclusivos - dois ou mais podem ser significativos ao mesmo tempo, e, de facto, é o que tem sido demonstrado na literatura económica. Este ciclo aberto a mudanças existe no ICG, por inclusão de uma média ponderada de vários componentes diferentes, cada um medindo um aspeto diferente da competitividade. Estes componentes são agrupados em 12 pilares de competitividade (ver Figura 1):

Primeiro pilar: Instituições O ambiente institucional é determinado pelo quadro legal e administrativo em que indivíduos, empresas e governos interagem para gerar riqueza. A importância de um ambiente institucional saudável e justo tornou-se ainda mais evidente durante a recente crise económica e financeira, e é particularmente crucial para a frágil recuperação, aumentando o papel desempenhado pelo

Estado a nível internacional e para as economias de muitos países. A qualidade das instituições tem uma forte influência sobre a competitividade e o crescimento. Ela influencia as decisões de investimento e organização da produção, e desempenha um papel fundamental na forma como as sociedades distribuem os benefícios e suportam os custos de estratégias e políticas de desenvolvimento. Os proprietários não estão dispostos a investir no desenvolvimento e na manutenção das suas propriedades se os seus direitos não estão protegidos. O papel das instituições vai além do quadro legal. Atitudes do governo relativamente a mercados e liberdades, e a eficiência das suas operações, também são muito importantes: a burocracia excessiva, excesso de regulamentação, a corrupção, a desonestidade na conduta de contratos públicos, falta de transparência e confiabilidade, impossibilidade de prestar os serviços adequados para o sector empresarial e dependência política do sistema judiciário são fatores que impõem custos económicos significativos para as empresas e retardam o processo de desenvolvimento económico. Além disso, a boa gestão das finanças públicas também é fundamental para garantir a confiança no ambiente de negócios nacional. Indicadores que refletem a qualidade da gestão das finanças públicas do governo são, portanto, incluídos aqui para complementar as medidas de estabilidade macroeconómica referidos no pilar 3, descrito abaixo. Embora a literatura económica se tenha concentrado principalmente em instituições públicas, as instituições privadas também são um elemento importante no processo de criação de riqueza. A recente crise financeira global, juntamente com numerosos escândalos corporativos, têm destacado a relevância da contabilização e divulgação de normas de transparência para a prevenção de fraudes e má gestão, garantindo a boa governança e mantendo a confiança do investidor e do consumidor. Uma economia é bem servida por empresas que são geridas honestamente, onde os gestores mantêm práticas éticas veementes nas suas relações com o governo, outras empresas, e o público em geral. A transparência no setor privado é indispensável para os negócios, e pode ser alcançada através da utilização de normas, bem como práticas de auditoria e contabilidade que garantem o acesso a informações em tempo útil.

Segundo pilar: Infraestruturas Infra-estruturas amplas e eficientes são fundamentais para assegurar o funcionamento eficaz da economia, já que é um fator importante na determinação da localiza43


ção da actividade económica e nos tipos de actividades ou sectores que podem desenvolver-se numa instância particular. Uma infraestrutura bem desenvolvida reduz o efeito da distância entre as regiões, a integração no mercado nacional e a ligação a baixo custo para mercados noutros países e regiões. Além disso, a qualidade e a extensão das redes de infraestruturas afetam significativamente o crescimento económico e reduzem a desigualdade de rendimentos e de pobreza de variadas maneiras.Uma rede de infraestruturas de transporte e comunicação bem desenvolvida, é um pré-requisito para o acesso de comunidades menos desenvolvidas ao núcleo das atividades económicas e dos serviços. Modos eficazes de transporte – incluindo estradas, ferrovias, portos e transporte aéreo de qualidade - permitem aos empresários fazer chegar os seus bens e serviços ao mercado de uma forma segura e em tempo útil e facilitar a circulação dos trabalhadores para os trabalhos mais adequados. A economia também depende do fornecimento de electricidade que seja livre de interrupções e falhas, para que as empresas e fábricas possam trabalhar continuamente. Finalmente, uma rede de telecomunicações sólida e extensa permite um fluxo rápido e livre de informações, o que aumenta a eficiência económica global, ajudando a garantir que as empresas possam comunicar e que decisões sejam tomadas pelos agentes económicos, tendo em conta toda a informação relevante.

Terceiro pilar: Ambiente Macroeconómico A estabilidade do ambiente macroeconómico é importante para os negócios e, por isso, é importante para a competitividade global de um país. Embora seja verdade que a estabilidade macroeconómica, por si só, não pode aumentar a produtividade de uma nação, é também reconhecido que a instabilidade macroeconómica prejudica a economia, como temos visto nos últimos anos, nomeadamente no contexto europeu. O governo não pode fornecer serviços de forma eficiente, se tiver de fazer pagamentos de juros elevados relativos a dívidas passadas. Défices fiscais limitam a futura capacidade do governo reagir aos ciclos de negócios e investir na melhoria da competitividade. As empresas não podem operar de forma eficiente quando as taxas de inflação estão descontroladas. Em suma, a economia não pode crescer de forma sustentável a menos que o ambiente macro seja estável. A estabilidade macroeconómica tem recentemente captado a atenção do público, quando alguns países europeus precisam e precisaram do apoio do FMI e de outras economias da zona euro, para prevenir novas falhas soberanas, como níveis insustentáveis na sua dívida pública. É importante notar que este pilar avalia a estabilidade do ambiente macroeconómico, pelo que não leva em

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conta a maneira como as contas públicas são geridas pelo governo. Esta dimensão qualitativa é avaliada no pilar instituições, descrito acima.

Quarto pilar: Saúde e educação primária Uma força de trabalho saudável é fundamental para a competitividade e produtividade de um país. Os trabalhadores que estão doentes não podem trabalhar com todo o seu potencial, e serão menos produtivos. A falta de saúde leva a custos significativos para as empresas, como o fato de trabalhadores doentes estarem muitas vezes ausentes ou a operar em níveis mais baixos de eficiência. O investimento na prestação de serviços de saúde é portanto fundamental, para uma economia transparente bem como para considerações morais. Além da saúde, este pilar leva em conta a quantidade e qualidade da formação de base recebida pela população. Educação básica aumenta a eficiência de cada trabalhador individual. Além disso, trabalhadores que tenham recebido pouca educação formal, apenas podem realizar tarefas manuais simples, visto que é muito mais difícil adaptar-se aos processos de produção mais avançados e técnicos e, portanto, contribuem menos para ter ideias inovadoras. Por outras palavras, a falta de educação básica pode tornar-se um obstáculo ao desenvolvimento de negócios, com empresas a encontrar dificuldades para subir na cadeia de valor na produção de produtos mais sofisticados ou de valor intensivo, por difícil adaptação dos recursos humanos existentes. A longo prazo, será essencial evitar reduções significativas nos recursos disponíveis para essas áreas críticas, apesar de os orçamentos governamentais terem que ser cortados para reduzir os défices e endividamento.

Quinto pilar: Ensino superior e formação Educação superior e formação de qualidade é particularmente importante para as economias que querem subir na cadeia de valor, ultrapassando processos de produção e produtos simples. Em particular, a economia globalizada de hoje exige que os países criem trabalhadores com uma boa educação, capazes de realizar tarefas complexas e que se adaptem rapidamente a um ambiente em mudança e às necessidades de evolução da economia. Este pilar mede as taxas de escolarização secundária e terciária, bem como a qualidade da educação, avaliada pela comunidade empresarial. A extensão da formação de pessoal também é levado em consideração, devido à importância da vocação e da formação contínua no trabalho - que é negligenciado em muitas economias – para garantir uma constante atualização de competências dos trabalhadores.


Sexto pilar: Eficiência dos mercados Países com mercados eficientes estão bem posicionados para produzir a combinação certa de produtos e serviços, tanto através das suas próprias condições de oferta e procura, como para garantir que esses bens possam ser negociados de forma mais eficaz na economia. Concorrência de mercado saudável, tanto a nível nacional como estrangeiro, é importante na orientação da eficiência do mercado e na produtividade do negócio, garantindo que as empresas mais eficientes e que produzem os bens pedidos pelo mercado, são aquelas que prosperam. O melhor ambiente possível para a troca de bens requer o mínimo de impedimentos à actividade empresarial, através da intervenção do governo. Por exemplo, a competitividade é dificultada por ilimitados ou onerosos impostos e por regras restritivas e discriminatórias sobre o investimento directo estrangeiro (IDE) - limitando a propriedade estrangeira - bem como sobre o comércio internacional. A recente crise económica evidenciou o grau de interdependência das economias em todo o mundo e que o crescimento económico depende de mercados abertos. depende de mercados abertos. Medidas protecionistas são contraproducentes, pois reduzem a atividade económica. A eficiência do mercado depende também das condições exigidas, como a orientação para o cliente e a sofisticação dos compradores. Por razões culturais ou históricas, os clientes podem ser mais exigentes nalguns países do que noutros. Isto pode criar uma vantagem competitiva importante, pois obriga as empresas a ser mais inovadora e orientada para o cliente e, portanto, impõe a disciplina necessária para a eficiência a ser alcançado no mercado.

Sétimo pilar: Eficiência do mercado de trabalho A eficiência e flexibilidade do mercado de trabalho são fundamentais para garantir que os trabalhadores estão disponíveis para trabalhar eficazmente na economia, e incentivados a dar o seu melhor nos seus trabalhos. Os mercados de trabalho devem portanto ter a flexibilidade para mudar os trabalhadores de uma atividade económica para outra, de forma rápida e com baixo custo, e para permitir flutuações salariais sem muita ruptura social. A importância dos mercados de trabalho com bom funcionamento foi drasticamente destacada pelos eventos do ano passado nos países árabes, onde os mercados de trabalho rígidos eram uma importante causa de elevado desemprego dos jovens, o que provocou agitação social na Tunísia, que depois se espalhou por toda a região. O desemprego dos jovens é também elevado em vários países europeus, onde as barreiras à entrada no mercado de trabalho permanecem. Os mercados de

trabalho eficientes devem também assegurar uma clara relação entre os incentivos dos trabalhadores e os seus esforços, para promover a meritocracia no local de trabalho, e devem proporcionar a igualdade no ambiente de negócios entre mulheres e homens. Em conjunto, estes factores têm um efeito positivo sobre o desempenho do trabalhador e a atratividade do país para os talentos, dois aspectos que estão a ter cada vez mais importância, tendo em conta a escassez de talentos.

Oitavo pilar: Desenvolvimento do mercado financeiro A recente crise económica destacou o papel importante do bom funcionamento do setor financeiro para atividades económicas. Um sector financeiro eficiente disponibiliza os recursos poupados pelos cidadãos de uma nação, bem como aqueles que entram na economia a partir do estrangeiro, para os seus usos mais produtivos. Ele canaliza os recursos para os projetos empresariais ou de investimento com as maiores taxas de retorno e não para os que estejam associados à política. Uma avaliação completa e adequada do risco é, portanto, um ingrediente-chave de um mercado financeiro sólido. O investimento das empresas também é fundamental para a produtividade. As economias requerem sofisticados mercados financeiros, que podem tornar disponível o capital para investimentos do setor privado, a partir de fontes tais como empréstimos de um setor bancário sólido, as trocas bem-regulamentados de valores mobiliários, capital de risco e outros produtos financeiros. Para cumprir todas essas funções, o setor bancário precisa de ser confiável e transparente e - como tem sido feita de forma clara nos últimos tempos – os mercados financeiros precisam de regulamentação adequada para proteger os investidores e outros intervenientes na economia em geral.

Nono pilar: Disponibilidade tecnológica No mundo globalizado de hoje, a tecnologia é cada vez mais essencial para as empresas competirem e prosperarem. O pilar da disponibilidade tecnológica mede a agilidade com que a economia adota as tecnologias existentes, para melhorar a produtividade das suas indústrias, com especial ênfase para a sua capacidade de incentivar tecnologias de informação e comunicação (TIC) nas atividades diárias e processos de produção, para aumentar a eficiência e permitir para a competitividade. As TIC evoluíram para a "tecnologia de uso geral" do nosso tempo, dada a transferência crítica para os outros setores económicos e o seu relevante papel na indústria, permitindo a criação de infraestruturas. Portanto, o acesso e uso das TIC constituem elementos fundamentais da disponibilidade tecnológica dos países. 45


Se a tecnologia utilizada tem ou não sido desenvolvida dentro das fronteiras nacionais é irrelevante para a sua capacidade de aumentar a produtividade. O ponto central é que as empresas que operam no país precisam de ter acesso a produtos avançados e projetos, e a capacidade de os absorver e utilizar. Entre as principais fontes de tecnologia estrangeira, o IDE desempenha muitas vezes um papel fundamental, especialmente para os países com menor grau de desenvolvimento tecnológico. É importante notar que, neste contexto, o nível de tecnologia disponível para as empresas de um país precisa de ser distinguida da capacidade do país para realizar pesquisa flexível sem um objetivo definido e desenvolver novas tecnologias inovadoras, que expanda as fronteiras do conhecimento. É por isso que se separa a disponibilidade tecnológica da inovação, visada no 12º pilar, abaixo descrito.

Décimo pilar: O tamanho do mercado O tamanho do mercado afeta a produtividade desde que os grandes mercados permitam que as empresas explorem economias de escala. Tradicionalmente, os mercados disponíveis para as empresas foram limitados pelas fronteiras nacionais. Na era da globalização, os mercados internacionais podem, em certa medida, substituir os mercados domésticos, especialmente para os países pequenos. Uma vasta evidência empírica mostra que a abertura comercial é positivamente associada ao crescimento. Mesmo que algumas pesquisas recentes lancem dúvidas sobre a robustez dessa relação, há um sentimento geral de que o comércio tem um efeito positivo sobre o crescimento, especialmente para países com pequenos mercados domésticos. O caso da União Europeia ilustra a importância do tamanho do mercado para a competitividade, com significativos ganhos de eficiência, através de uma maior integração. Embora a redução de barreiras comerciais e a harmonização das normas da União Europeia contribuíssem para elevar as exportações dentro da região, mantêm-se muitas barreiras para um verdadeiro mercado único, em particular nos serviços, que provoca a disparidade de preços ou quantidades dentro e fora do país. Por isso continuamos a usar o tamanho do mercado nacional no Índice. Assim sendo, as exportações podem ser consideradas como um substituto para a exigência interna na determinação do tamanho do mercado para as firmas de um país. Incluindo os mercados interno e externo na nossa medida do tamanho do mercado, damos crédito para impulsionar a economia de exportação pelas áreas geográficas (tais como a União Europeia) que estão divididas por muitos países, mas têm um mercado único comum.

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Décimo primeiro pilar: Sofisticação dos negócios Não há dúvida de que a prática de negócios sofisticados conduzem a uma maior eficiência na produção de bens e serviços. Sofisticação empresarial diz respeito a dois elementos que estão intrinsecamente ligados: a qualidade das redes de um país de negócios globais e a qualidade das operações e estratégias de empresas individuais. Estes factores são particularmente importantes para os países num estágio avançado de desenvolvimento, quando, em grande medida, as fontes mais básicas de melhorias de produtividade foram esgotadas. A qualidade das redes de negócios de um país e das suas indústrias de apoio, tal como a quantidade e a qualidade de fornecedores locais e a extensão da sua interacção, é importante por variadas razões. Quando as empresas e fornecedores de um determinado setor estão interligados em grupos geograficamente próximos, denominados clusters, a eficiência é elevada, são criadas maiores oportunidades para a inovação, em processos e produtos, e as barreiras à entrada de novas empresas são reduzidas. Operações avançadas e estratégias de empresas individuais (branding, marketing, distribuição, processos de produção avançados e produção de produtos exclusivos e sofisticados) transferem-se para a economia e proporcionam a criação de negócios sofisticados e modernos em todos os setores do país.

Décimo segundo pilar: Inovação A inovação pode surgir a partir de novos conhecimentos tecnológicos e não tecnológicos. Inovações não tecnológicas estão intimamente relacionadas com o know-how, competências e condições de trabalho que são incorporadas nas organizações e, portanto, amplamente cobertas pela décima primeira coluna do GCI. O último pilar da competitividade foca a inovação tecnológica. Embora ganhos substanciais possam ser obtidos a partir do aperfeiçoamento das instituições, a construção de infraestruturas, a redução da instabilidade macroeconómica, ou melhoria do capital humano, todos esses fatores, eventualmente, parecem funcionar com retornos decrescentes. O mesmo acontece com a eficiência do trabalho, financeiro e de bens. A longo prazo, os padrões de vida podem ser amplamente reforçados pela inovação tecnológica. Avanços tecnológicos têm estado na base de muitos dos ganhos de produtividade que as nossas economias têm historicamente experimentado. Estes variam desde a revolução industrial do século XVIII, à invenção da máquina a vapor e à geração de eletricidade até à revolução digital mais recente. Esta está a transformar não só a maneira como as coisas estão a ser feitas, mas também a abertura de uma ampla gama de novas possibilidades em termos de produtos e serviços. A inovação é particularmente importante para as eco-


nomias à medida que se aproximam das fronteiras do conhecimento e a possibilidade de gerar mais valor só com a integração e adaptação de tecnologias exógenas tende a desaparecer. Apesar de países menos avançados poderem melhorar a sua produtividade através da adoção de tecnologias existentes ou fazer melhorias substanciais em outras áreas, para aqueles que tenham atingido o patamar de desenvolvimento de inovação, isso já não é suficiente para aumentar a produtividade. As empresas desses países devem projetar e desenvolver produtos e processos de ponta para manter uma vantagem competitiva e avançar em direção a atividades supervalorizadas. Esta progressão requer um ambiente propício para a atividade inovadora, apoiada pelo público e pelo setor priva-

do. Em particular, isso significa investimento suficiente em pesquisa e desenvolvimento (P&D), especialmente no setor privado; a presença de instituições de investigação científica de alta qualidade que podem gerar os conhecimentos básicos necessários para construir as novas tecnologias; extensa colaboração em pesquisa e desenvolvimento tecnológico entre universidades e empresas; e a protecção da propriedade intelectual, além de elevados níveis de concorrência e acesso ao capital de risco e de financiamento que são analisados em outros pilares do Índice. À luz da lentidão da recente recuperação e do aumento das pressões fiscais enfrentadas pelas economias avançadas, é importante que os setores público e privado resistam às pressões para diminuir a despesa em P&D, que será muito importante para o crescimento sustentável no futuro.

Figura 1: Índice de Competitividade Global (estrutura)

INDICE DE COMPETITIVIDADE GLOBAL

Subíndice Requisitos básicos Pilar 1. Instituições

Pilar 2. Infraestrutura Pilar 3. Ambiente macroeconómico

Pilar 4. Saúde e educação primária

Subíndice

Pilar 5. Ensino superior e Formação

s mercados

Subíndice Fatores de inovação

negócios

dos

Pilar 12. Inovação

trabalho

Pilar 8. Desenvolvimento do Pilar 9. Disponibilidade tecnológica

Pilar 10. O tamanho do mercado A chave direcional das economias

A chave de economias

A chave de economias

inovadoras

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A inter-relação dos 12 pilares Enquanto se reportam os resultados dos 12 pilares de competitividade separadamente, é importante ter em conta que eles não são independentes: eles tendem a reforçar-se mutuamente, e uma fraqueza numa área, muitas vezes tem um impacto negativo nas outras. Por exemplo, uma forte capacidade de inovação (pilar 12) será muito difícil de conseguir sem uma força de trabalho saudável, bem-educada e formada (pilares 4 e 5), que seja adepta de novas tecnologias (pilar 9) mas sem financiamento suficiente (pilar 8) para I&D ou um mercado eficiente que torne possível levar novas inovações para o mercado (pilar 6). Embora os pilares sejam agregadas num único índice, as medidas são reportadas para os 12 pilares separadamente porque tais detalhes proporcionam uma sensação de áreas específicas em que um determinado país precisa de melhorar. O anexo descreve a composição exata dos detalhes GCI e a sua técnica de construção.

ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO E O ÍNDICE PONDERADO Apesar de todos os pilares descritos acima importarão, em certa medida, para todas as economias, é claro que eles vão afetá-las de diferentes maneiras: a melhor maneira para o Camboja melhorar a sua competitividade não é a mesmo que a França deve seguir. Isto porque Camboja e França estão em diferentes estádios de desenvolvimento: como os países se movem ao longo do caminho de desenvolvimento, os salários tendem a aumentar e, para sustentar maiores rendimentos, a produtividade do trabalho deve melhorar. De acordo com a teoria económica de estádios de desenvolvimento, o GCI assume que as economias na primeira fase são principalmente fator-driven e competem com base nos seus dotes elementares -principalmente dos trabalhadores pouco qualificados e recursos naturais. As empresas competem em termos de preço e de venda de produtos básicos ou mercadorias, e a sua baixa produtividade reflete os salários baixos. Manter a competitividade nesse estádio de desenvolvimento depende principalmente do bom funcionamento de instituições públicas e privadas (pilar 1), de uma infraestrutura bem desenvolvida (pilar 2), um ambiente macroeconómico estável (pilar 3), e uma força de trabalho saudável, que recebeu pelo menos o ensino básico (pilar 4). Quando um país se torna mais competitivo, a produtividade e os salários vão aumentar com o avanço do desenvolvimento. Os países vão então mudar-se para a fase de eficiência de desenvolvimento, que significa que eles devem começar a desenvolver processos de produção mais eficientes e aumento da qualidade do produto, porque os salários aumentaram e eles não podem 48 | Portugal Mineral

aumentar os preços. Neste ponto, a competitividade é cada vez mais impulsionada pelo ensino superior e formação (pilar 5), mercados eficientes de mercadorias (pilar 6), mercados com bons trabalhadores (pilar 7), mercados financeiros desenvolvidos (pilar 8), a capacidade para aproveitar os benefícios das tecnologias existentes (pilar 9), e um grande mercado interno ou externo (pilar 10). Finalmente, como os países avançam para a fase orientada para a inovação, os salários subiram tanto que eles só são capazes de sustentar os salários e o padrão de vida associado se as suas empresas forem capazes de competir com os novos e/ou produtos únicos, serviços, modelos e processos. Nesta fase, as empresas devem competir pela produção de bens novos e diferentes através das novas tecnologias (pilar 12) e/ou processos de produção mais sofisticados ou modelos de negócios (pilar 11). O GCI considera os estádios de desenvolvimento, atribuindo maior peso a pilares que são mais relevantes para uma economia, dado o seu nível de desenvolvimento. Isto é, apesar de todas as 12 colunas importarem em certa medida, para todos os países, a importância relativa de cada um depende da fase particular do desenvolvimento de um país. Para implementar esse conceito, os pilares são organizados em três subíndices, cada um com críticas a um determinado estádio de desenvolvimento. O subíndice dos requisitos básicos é dos pilares mais importantes para os países em fase de fator-driven. A eficiência do subíndice dos potenciadores inclui os pilares críticos para os países em fase de eficiência orientada. E o subíndice da inovação e sofisticação inclui os pilares críticos para os países em fase orientada para a inovação. Os três subíndices são mostrados na Figura 1. O peso atribuído a cada subíndice em todas as fases de desenvolvimento é mostrado na Tabela 1. Para obter o peso indicado na tabela, foi feita uma regressão de probabilidades do PIB per capita em cada subíndice dos anos anteriores, permitindo coeficientes diferentes para cada estádio de desenvolvimento. O arredondamento das estimativas econométricas levou à escolha de pesos exibidos na Tabela 1. Implementação de etapas de desenvolvimento Dois critérios são utilizados para alocar os países em estádios de desenvolvimento. O primeiro é o nível de PIB per capita a preços de mercado. Esta medida amplamente disponível é utilizada como uma proxy para os salários, porque os dados internacionalmente comparáveis sobre os salários não estão disponíveis para todos os países abrangidos. Os limiares utilizados também são mostrados na Tabela 1. Um segundo critério é usado para os países que são ricos, mas onde a prospe ridade é baseada na extração de recursos. Este é medido


Tabela 1: Subíndice de pesos e limiares de rendimentos para estádios de desenvolvimento

PIB per capita (EUA $) * limiares Subíndice - Peso para requisitos básicos

Subíndice - Peso para potenciadores

Peso para fatores de inovação e

ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO

Estádio 1: Fator direcion al

Transi ção do estádio 1 para o estádio 2

Estádio 2: Transi ção do Impulsionador estádio 2 de para o estádio 3

<2.000

2.000–2.999

3.000–8.999

9.000– 17.000

>17.000

60%

40-60%

40%

20-40%

20%

5-10%

10%

10-30%

35% 5%

pela participação das exportações de bens minerais nas exportações totais (bens e serviços), e assume que os países que exportam mais de 70 por cento de produtos minerais (medido utilizando uma média de cinco anos) são um fator de grande importância. Quaisquer países abrangidos por duas das três etapas são considerados como "em transição." Para esses países, o peso muda suavemente à medida que o país se desenvolve, refletindo a transição de um estádio de desenvolvimento para outro. Isso permite-nos aumentar o peso nas áreas que estão a tornar-se mais importante para a competitividade do país à medida que o país se desenvolve, assegurando que a GCI pode gradualmente "penalizar" os países que não se estão a preparar para a próxima fase. A classificação dos países em estádios de desenvolvimento é apresentada na Tabela 2. FONTES DE DADOS Para medir esses conceitos, o GCI utiliza dados estatísticos, tais como taxas de matrícula, dívida pública, défice orçamental e expetativa de vida, que são obtidos a partir de agências internacionalmente reconhecidas, nomeadamente a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o FMI, e a Organização Mundial de Saúde (OMS). As descrições e as fontes de dados de todas estas variáveis estatísticas são apresentados nas Notas Técnicas e Fontes no final deste Relatório. Além disso, o GCI utiliza dados de opinião da pesquisa anual do Fórum Económico Mundial Executivo (Inquérito) para analisar conceitos que necessitam de uma avaliação mais qualitativa ou para os quais os dados estatísticos comparáveis internacionalmente

35-50%

50%

50%

Estádio 3: Impulsionador de inovação

50%

30%

não estão disponíveis para todo o conjunto de economias. Os processos de pesquisa e tratamento estatístico de dados são descritos em detalhes no capítulo 1.3 do presente relatório. ADAPTAÇÕES AO GCI Alguns pequenos ajustes têm sido feitos este ano para a estrutura do GCI. No pilar ambiente macroeconómico (3), o spread da taxa de juro foi removido do índice devido a limitações na comparabilidade internacional destes dados. Além disso, a banda larga móvel foi adicionada ao pilar da disponibilidade tecnológica (9), a fim de ter em conta a rápida expansão e acesso à internet através de dispositivos móveis. Uma variável que analisa a extensão para a qual os governos fornecem serviços para a comunidade empresarial, que foi coletada por meio da Pesquisa de Opinião de Executivos, foi adicionada ao pilar instituições (1). Para o indicador de patentes no pilar de inovação (12), a fonte foi alterada para incluir dados com base no Tratado de Patentes de Cooperações, em vez da Patente e Marcas dos EUA (USPTO), que tinha sido utilizada até agora. Estes dados são recolhidos e publicados conjuntamente pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Eles registam pedidos de patentes a nível mundial, não apenas nos Estados Unidos, eliminando assim um possível viés geográfico. Finalmente, a rigidez do Índice de Empregofoi retirado do pilar eficiência do mercado de trabalho (7), assim que o Banco Mundial deixou de fornecer este indicator.

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1.1: The Global Competitiveness Index 2012–2013

Tabela Table22: Countries/economies at each stage of development Stage 1: Factor-driven (38 economies)

Transition from stage 1 to stage 2 (17 economies)

Stage 2: Efficiency-driven (33 economies)

Transition from stage 2 to stage 3 (21 economies)

Stage 3: Innovation-driven (35 economies)

Bangladesh Benin Burkina Faso Burundi Cambodia Cameroon Chad Côte d’Ivoire Ethiopia Gambia, The Ghana Guinea Haiti India Kenya Kyrgyz Republic Lesotho Liberia Madagascar Malawi Mali Mauritania Moldova Mozambique Nepal Nicaragua Nigeria Pakistan Rwanda Senegal Sierra Leone Tajikistan Tanzania Uganda Vietnam Yemen Zambia Zimbabwe

Algeria Azerbaijan Bolivia Botswana Brunei Darussalam Egypt Gabon Honduras Iran, Islamic rep. Kuwait Libya Mongolia Philippines Qatar Saudi Arabia Sri Lanka Venezuela

Albania Armenia Bosnia and Herzegovina Bulgaria Cape Verde China Colombia Costa Rica Dominican Republic Ecuador El Salvador Georgia Guatemala Guyana Indonesia Jamaica Jordan Macedonia, FYR Mauritius Montenegro Morocco Namibia Panama Paraguay Peru Romania Serbia South Africa Suriname Swaziland Thailand Timor-Leste Ukraine

Argentina Bahrain Barbados Brazil Chile Croatia Estonia Hungary Kazakhstan Latvia Lebanon Lithuania Malaysia Mexico Oman Poland Russian Federation Seychelles Trinidad and Tobago Turkey Uruguay

Australia Austria Belgium Canada Cyprus Czech Republic Denmark Finland France Germany Greece Hong Kong SAR Iceland Ireland Israel Italy Japan Korea, Rep. Luxembourg Malta Netherlands New Zealand Norway Portugal Puerto Rico Singapore Slovak Republic Slovenia Spain Sweden Switzerland Taiwan, China United Arab Emirates United Kingdom United States

COBERTURA DO PAÍS are not available for the entire set of economies. The

A Survey cobertura deste ano aumentou de 142 para 144 ecoprocess and the statistical treatment of data are nomias. Os novos países abrangidos são o Gabão, Guiné, described in detail in Chapter 1.3 of this Report. Libéria, Ilhas Seychelles e Serra Leoa. A Líbia foi incluída novamente após um ano de ausência, já que não foram ADJUSTMENTS THE GCIpor causa da agitação cicapazes de realizarTO a pesquisa A few minor adjustments have beenanteriormente made to the tivevil em 2011. Três países abrangidos GCIdestructure this year. the macroeconomic ram ser excluídos doWithin Relatório deste ano. Os dados pillar (3rd), the rate daenvironment pesquisa não puderam serinterest obtidos emspread Belize has e Angoremoved from the because limitations la;been na Síria, a situação de Index segurança nãoofpermitiu que a pesquisa fosse realizada. No casoofdathese Tunísia, decidimos in the international comparability data. não comunicarmobile os resultados este ano porque uma ruFurthermore, broadband was added to the tura estrutural importante nos dados faz comparações technological readiness (9th) pillar in order to take into com as dificuldades anos anteriores. account the rapidly de expanding access toEsperamos the Internetvoltarvia a incluir esses países no futuro. mobile devices. And a variable capturing the extent to which governments provide services to the business community, which has been collected through the 50 | Portugal Mineral Executive Opinion Survey, was added to the institutions pillar (1st). For the patent indicator in the innovation pillar

(12th), the source has been changed to include data OS RANKINGS DO INDICE GLOBALTreaty DE COMPETITIVIbased on the Patents Co-operations instead of DADE 2012-2013 the US Patent and Trademark Office (USPTO), which had been used until now. These data are collected As tabelas 3 a 7 fornecem os rankings detalhados de GCI and published jointly by the World Intellectual Property deste ano. As seções seguintes abordam as conclusões Organization and the Organisation for Economic Codo GCI 2012-2013 para os melhores desempenhos a níoperation andbem Development (OECD). patent vel mundial, como para uma They série record de economias applications globally, not just in the United States, selecionadas em cada uma das cinco regiões: Europa e 22 therefore do eliminating a possible geographical América Norte, Ásia e Pacífico, América bias. Latina e CaFinally, the Rigidity of eEmployment Index was dropped ribe, Oriente Médio África do Norte, e África subsaafrom the labor 1 market efficiency pillar (7th), as the World riana. A caixa apresenta um estudo comparativo dos 23 e persistente diresultados GCI, a profunda Bank ceased to destacando provide this indicator.

visão de competitividade entre e dentro das diferentes regiões do mundo. COUNTRY COVERAGE The coverage of this year has increased from 142 to 144 economies. The newly covered countries are Gabon, Guinea, Liberia, Seychelles, and Sierra Leone. Libya was re-included after a year of absence as we were


Top 10 Como em anos anteriores, o top 10 deste ano continua dominado por um número de países europeus, com a Suíça, Finlândia, Suécia, Holanda, Alemanha e Reino Unido, confirmando o seu lugar entre as economias mais competitivas. Junto com os Estados Unidos, três economias asiáticas também figuram no top 10, com Singapura permanecendo a segunda economia mais competitiva do mundo, e Hong Kong e Japão, colocados nas 9ª e 10ª posições. A Suíça mantém a sua posição no 1 º lugar, como resultado da sua atuação contínua forte em toda a linha. Os pontos fortes mais notáveis do país estão relacionados com a inovação e a eficiência do mercado de trabalho, onde ele lidera o ranking GCI, bem como a sofisticação do seu sector de atividade, que é segundo classificado. As instituições de pesquisa científica da Suíça estão entre as melhores do mundo, e a forte colaboração entre o seu setor académico e empresarial, combinado com grandes gastos empresariais em I&D garante que muita desta pesquisa é traduzida em produtos comercializáveis e processos reforçados pela forte proteção à propriedade intelectual. Esta vigorosa capacidade inovadora é apreendida pela sua alta taxa de registo de patentes per capita, razão pela qual a Suiça ocupa um notável 2º lugar a nível mundial. A produtividade é reforçada por um setor empresarial que oferece excelentes oportunidades on-the-job (oportunidades no trabalho), tanto aos cidadãos como às empresas privadas que são proactivas em adaptar as mais recentes tecnologias, e mercados de trabalho que equilibram a proteção dos trabalhadores com os interesses dos empregadores. Além disso, as instituições públicas na Suíça estão entre as mais eficazes e transparentes do mundo (5º lugar). Estruturas de governação asseguram igualdade de condições, reforçando a confiança empresarial; estas incluem um sistema judiciário independente, um estado de direito forte e um setor público altamente responsável. A competitividade também é sustentada por excelentes infraestruturas (5º lugar), bom funcionamento dos mercados de bens (7º lugar), e mercados financeiros altamente desenvolvidos (9º lugar). Finalmente, o ambiente macroeconómico da Suíça está entre os mais estáveis do mundo (8º lugar) num momento em que muitas economias vizinhas continuam a debater-se nesta área.

Singapura mantém o seu lugar, na 2ª posição, como resultado de um excelente desempenho através de todo o Índice. O país apresenta-se no top 3 em sete das 12 categorias do índice e aparece no top 10 de outras três. As suas instituições públicas e privadas são classificadas como as melhores do mundo pelo quinto ano consecutivo. Ela também ocupa o primeiro lugar na eficiência dos seus produtos e mercados de trabalho, e encontra-se em 2º em termos de desenvolvimento do mercado financeiro. Singapura tem também infraestruturas de classe mundial (2º lugar), com excelentes estradas, portos e instalações para o transporte aéreo. Além disso, a competitividade do país é reforçada com um forte foco em educação, o que se traduziu numa melhoria constante no pilar ensino superior e formação (2º lugar) nos últimos anos, proporcionando assim trabalhadores com as habilitações necessárias para uma economia global que está em rápida mudança. A Finlândia sobe um lugar desde o ano passado para alcançar a 3 ª posição, tendo feito pequenas melhorias em diversas áreas. Semelhante a outros países da região, o país dispõe de instituições públicas com bom funcionamento e transparência (2º lugar), superando vários indicadores incluídos nesta categoria. As suas instituições privadas, classificadas em terceiro na geral, são vistas como estando entre as mais bem administradas e mais éticas do mundo. A Finlândia ocupa a primeira posição tanto no pilar da saúde e educação primária, bem como no do ensino superior e formação, que é o resultado de uma forte aposta na educação nas últimas décadas. Isto tem revelado a força de trabalho com as habilitações necessárias para adaptar-se rapidamente a um ambiente em mudança e lançou as bases para altos níveis de adoção tecnológica e de inovação. A Finlândia é um dos países mais inovadores da Europa, ocupando o segundo lugar, atrás apenas da Suíça, no pilar relacionado com a inovação. Melhorar a capacidade do país para adotar as últimas tecnologias (25º classificado) poderia conduzir a sinergias importantes que por sua vez poderiam corroborar a posição do país como uma das economias mais inovadoras do mundo. O ambiente macroeconómico da Finlândia enfraquece um pouco quando analisamos o aumento da inflação (acima de 3 por cento), mas está relativamente bem quando comparado com outras economias da zona euro.

Enquanto a Suiça demonstra muitas vantagens competitivas, manter a sua capacidade de inovação vai requerer um impulsionamento na taxa de inscrição universitária que continua a ficar atrás de muitos outros países de alta inovação, embora esta tenha vindo a aumentar nos últimos anos.

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XI

JORNADAS TÉCNICAS LNEG - Laboratório Nacional de Energia e Geologia Alfragide - Lisboa

14 de Novembro 2012 Uma Oportunidade para Fazer Contatos, Negócios e Atualizar Informação realiza, bienalmente, as suas Jornadas Técnicas , que têm vindo a contribuir para que produtores, consumidores, instituições e especialistas envolvidos, troquem informações, experiências e propostas, para uma melhor utilização e valorização dos recursos minerais portugueses. A

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Décima Primeira Edição das Jornadas no LNEG, em Lisboa

Contando com a colaboração das entidades de tutela e de empresas desta área industrial, ali serão apresentadas comunicações abordando temas de fundamental interesse para o Setor.

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Para Informações e Inscrições contate:

Sede: Rua Júlio Dinis, 931 / 1.º Esquerdo / 4050-327 Porto

Delegação: Av. Manuel da Maia, 44 / 4.º Direito / 1000-203 Lisboa

Telf.: 22 609 66 99 / Fax: 22 606 52 06 E-mail: geral@aniet.pt

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Revista da Indústria Extrativa

2º Trimestre 2012 / € 7,00

Nº 06 2012

ENG.º MIRA AMARAL PRESIDENTE DO CEVALOR EM ENTREVISTA

GLOBAL STONE CONGRESS 2012 COLT RESOURCES EM PORTUGAL GRANITOS NO QATAR

Portugal Mineral N.º6  

Portugal Mineral N.º6