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COLLAPSE UNDERGROUND ART - 1


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ÍNDICE ... ao caos... Panda Reis Página 4 Underground´s Voice Christophe Correa Página 5 Capa Ódio Social Páginas 6, 7, 8 e 9 Entrevista Autopse Páginas 10, 11 e 12 Entrevista Psychotic Eyes Páginas 14, 15, 16 Entrevista Ajna Páginas 18, 19 e 20 Entrevista Makinária Rock Páginas 22, 23, 24, 25 e 26 Entrevista Scraper Head Páginas 28 e 29 Entrevista Blackning Páginas 30 e 31 Releases Páginas 32, 33,34, 35, 36 e 37 Especial Conheça as 10 Mulheres Guerreiras que mudaram a História Páginas 38 e 39 Especial Cogumelo 35 anos Páginas 40 Especial Meio Ambiente e Sustentabilidade Páginas 42 Entrevista Bella Utopia Páginas 44 e 45 Entrevista Omrade Páginas 46 e 47 Entrevista In Apostasia Páginas 48, 49,50 e 51 Entrevista Lords of Aesir Páginas 52, 53, 54 e 55 Entrevista Morthur Páginas 56 e 57 Entrevista 11th Dimensio Páginas 58 e 59

Editorial

...somos todos uma grande família... C hegamos ao terceiro número da Collapse Underground Art e buscamos estar antenados com o que acontece no meio músical Underground e também buscar novas bandas e apresentá-las aos nossos leitores, além de diversificar um pouco, trazendo artigos de interesse geral, buscando tornar a leitura mais interessante e fácil. Em nossa busca por novos nomes nos deparamos com surpresas inesperadas e notamos que mesmo sendo bandas iniciantes existe um preocupação com seu material de divulgação, com seus releases e suas fotos promocionais, claro, ainda nos deparamos com alguns de qualidade sofrível, e pelo menos, nós, da Collapse,tentamos de alguma forma mostrar que devem sim se preocupar com isso, assim como com a qualidade de suas composições e mais ainda com a qualidade de como elas devem ser apresentadas ao público. Afinal de contas, em pleno século XXI e com a velocidade com que as informações percorrem o mundo, existe muito pouco espaço para baixa qualidade, já que existem um sem número de outros materiais de qualidade competindo pela atenção das pessoas no mundo todo. Não quero dizer com isso que devamos estimular a concorrência desleal, até porque, devido a determinadas atitudes que vejo nas redes sociais, eu não encontro uma justificativa para que os veículos de comunicação, as bandas, os jornalistas e repórteres especializados se enxerguem como concorrentes. Não consigo ver onde uma banda que vende mil CD´s pode

tratar como concorrente outra que vendeu mil e um CD´s. No meu modo de ver, esse é um dos grandes buracos que o cenário musical em nosso país está se enfiando. Além de buscarem representações, sem o mínimo tato ou profissionalismo, diga-se, no tratamento com os fãs e com quem ajuda a divulgar o nome ou o produto para outro sem número de pessoas. Muitas vezes usando o nome do representado como desculpa para se mostrarem preconceituosos, amargurados, ameaçadores e melhor, totalmente despreparados a exercer a função que querem exercer. Mas, acho que cada qual faz sua parte como acha que deve. Nós, da Collapse, pretendemos agregar valor, qualidade e, acima de tudo, amizade e respeito, tanto com nossos leitores quanto com os nossos amigos que se propoem a fazer o mesmo trabalho que nós. Dito isso, vamos a nossa terceira edição que traz em sua matéria de capa uma entrevista descontraída com um dos representantes brasileiros do Hardcore, a banda Ódio Social, que acaba de voltar de sua primeira turne europeia e está trabalhando com afinco na divulgação do seu último trabalho. Troxemos também a banda alagoana Autopse, que vem fazendo um barulho considerável pelo mundo com seu Death Metal veloz e cheio de Groove. Temos também o Psichotic Eyes, que nos falou sobre a sua empreitada de gravar um CD acústico, das dificuldades e de como este desafio está sendo prazeiroso e desafiador. Claro, em se tratando

desta banda, não esperamos mais que qualidade absoluta. Trouxemos à pauta também o retorno do grande Ajna, que agitou muito o cenário da música pesada nacional com shows e lançamento excelentes e que agora volta para dar continuidade ao seu legado. Ainda temos o Maknária Rock que nos concedeu uma entrevista longa e cheia de sinceridade na pessoa de seu vocalista e líder Carlos Digger. Além disso, temos Scraper Head, Blackning, Bella Utopia, In Apostasia, Lords of Aesir, Morthur, os franceses do Omrade e a banda portuguesa 11th Dimension, além dos especiais onde buscamos abordar assuntos diferentes à música e claro, a coluna de Panda Reis e a estreia do nosso novo aliado, Christophe Correio, que nos trará um visão do cenário de Portugal de uma forma geral. Espero que esta edição esteja à altura da sua perpectiva. Boa leitura. JP Carvalho

Expediente Editor responsável: JP Carvalho - Jornalista Responsável: Laryssa Martins MTb: 52.455 - Revisão: Cláudia Almeida Colaboraram nesta edição: Marcos Garcia, Vlademir Gonzales, Panda Reis, Christophe Correia, Julie Sousa, Lary Durante, Gisela Cardoso, Thaís Lopes e Ygor Nogueira. A revista Collapse Underground Art é uma publicação digital, de atualização permanente. O conteúdo editorial é produzido pela equipe de redação e as imagens cedidas por representantes ou assessorias de imprensa. Todo o conteúdo é protegido pelas leis que regulamentam o Direito Autoral e a reprodução (de parte, ou completa) das matérias. As matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a postura ideológica da publicação. Envie sugestões, comentários e críticas para a revista: E-mail: rrraicttuff@yahoo.com.br ou para Rua Nilo Luis Mazzei, 66 - Vila Guilherme - São Paulo - SP - CEP: 02081-070.

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...AO CAOS...

A Queda do Império Capitalista?

Por: Panda Reis

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uito se fala das ondas de crise que tomaram de assalto o mundo contemporâneo, não há lugar no mundo em que essas ondas não tenham atingido, como um tsunami, ela inundou todos os países capitalistas do mundo, ou seja, todos os países (conhecidos) do mundo, até mesmo os poucos países que não se catalogam como tal, estamos em um mundo globalizado, e mesmo que determinados governantes não julguem seu país inserido nas realidades do sistema capitalista, eles o são, pois se relacionam comercialmente ou politicamente com os demais países. Porém não são novas as crises no sistema capitalista, na verdade desde 1929 elas acontecem de maneira mais contundente, mas foram sempre metodicamente maquiadas e manipuladas, seja através de jogadas de câmbio, medidas de controle do crédito, incentivos fiscais, planos econômicos, seja qual for a ação dos governos, não passa de medidas e atitudes que tendem a postergar crises e todas as falhas do sistema, algo como usar um band-aid para curar um ferimento feito por uma doze de repetição, mas o povo não nota, não percebe tais atitudes que tendem a proteger o Império, e de tão ideológicas, passam despercebidas pela maioria. Mas, por mais que se faça, por mais ajustes, medidas de austeridades, ajustes econômicos, perda de direitos e benefícios por parte dos trabalhadores, por mais que novas potências imperialistas (nos padrões do século XXI) apareçam, dando um possível novo horizonte para o Império Capitalista, não tem mais jeito, o sistema, o Império está destinado ao fim, é a história da humanidade que prova e comprovará isso. Sempre foi assim, desde quando a nossa civilização se formou, como a conhecemos, antes mesmo dos Assírios, antes das grandes cidades muradas, todo império constituído, por mais tempo que ele persista, resista, domine, se expanda, ele está fadado ao seu catastrófico fim, deixando para trás mais que apenas

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ruínas, mas deixando ideias, pensamentos, ideologias, conceitos, estruturas políticas e sociais, pré-conceitos e teorias que aparentemente desaparecem. O capitalismo não é o sistema mais duradouro da nossa longa história econômica e política, mesmo ele tendo dominado o mundo todo e sofrido mutações para se adequar aos momentos históricos, outros o antecederam e o influenciaram, uma mistura alucinante de sistemas tribais, feudais, monárquicos, mercantilistas, que com anos formou e moldou o capitalismo da maneira que ele é hoje. Porém o sistema nada mais é do que a repetição de todos os outros que o antecederam, um sincretismo dialético sem precedentes na nossa história humana (política e impérios só existem entre nós, Sapiens Sapiens). De tão homogêneo, de tão fundido em si mesmo, que escraviza mais pessoas, pensamentos, não se pode ter pensamentos fora desse prisma, qualquer pensamento fora do que está estabelecido é subversivo, ofensivo, “terrorístico”, a ponto de ser praticamente impossível estar fora, mesmo de maneira resistente como alguns ativistas vivem, imaginando estarem fora do sistema, do império, por morarem em squatts invadidos, sobreviver em de coleta, indo de encontro a tudo que está estabelecido na nossa sociedade, não está. A invasão, a coleta e a resistência estão inseridas dentro de um sistema, até o mais mendigo dos mendigos vive sob a alcunha capitalista , sendo parte (desprezível, é verdade) do império. Mas sinta que o império treme. Não por ideias neo-iluministas, não por termos

uma nova geração de pensadores e formadores de opiniões ou filósofos com novas ideologias, capazes de uma “revolução permanente”, mas por se esgotar em si mesmo, esgotar-se no humano, esgotar-se no sentido de existir. Nada se pode colocar no lugar desse sistema imperialista, que é o capital, sistema esse de curta duração (se analisada a história econômica), é o mais forte e com argumentos tão bem fomentados que parece pensar por si só, existir por si só, mas cairá por si só. Não da maneira poética profetizada por Karl Marx, mas de maneira anacrônica, igualmente a impérios e sistemas socioeconômicos que o antecederam e caíram. Caíram sim, mas não se extinguiram, hibridamente transformaram-se em algo ainda mais devastador para a maioria que não detém o poder. Em nome de uma pseudo sociedade, pseudo economia, pseudo neo-feudos, pseudo país, pseudo bloco econômico, os impérios têm o poder de isolar o que é subjetivo, acoplando todos em jornadas e vidas, em uma rasteira pseudo vida, que por ser menos destruidora que a anterior, dá-lhe sentido de melhoria se comparada com o passado, fazendo com que nos contentemos em viver nossa subjetividade e pseudo liberdade por 48 horas e com que achemos que está certo e honesto. O que surgirá no lugar do Império caído (globalizado, mas caído)? Infelizmente, o que Max Weber chamou de “Espírito Capitalista”, não era na verdade o capitalismo propriamente dito, mas o espírito humano que não sabe ser livre, não consegue viver de maneira autogestiva ou igualitária, não sabe ser livre e cria impérios (sejam terrenos ou celestiais) e sistemas que continuam a manter em alta a alienação de cultos a deuses, impérios, imperadores, governantes, elites e toda e qualquer maneira que afaste o verdadeiro sentimento do desejo humano, ou seja, o instinto animal por liberdade e por se sentir igual como espécie. A queda do Império Capitalista é evidente e está em curso , a queda da natureza livre humana já se extinguiu e é impossível recuperá-la de maneira globalizada. Estamos destinados a viver na existência que nós mesmos criamos, que domina até a mente mais libertária e autogestiva existente. O que surgirá no lugar? Se a espécie humana resistir, poderá vir algo novo e dominante de ideias e criador de ideologias ainda mais fortes e marcantes ou regredir a sistemas e impérios anteriores que ciclicamente e dialeticamente nos trouxeram até aqui. pandadrums@hotmail.com


UNDERGROUND´S VOICE

Por: Christophe Correia

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lá a todos irmãos. Antes de mais, parece-me oportuno apresentar-me: Sou o Chris, de Portugal, talvez alguns me conheçam através do meu projecto de apoio a bandas em formato de entrevista, a Underground’s Voice que completou recentemente 3 anos de vida com mais de 300 entrevistas publicadas em meu nome. Foi com todo o orgulho que aceitei o convite para pertecer à Collapse Underground Arte, agradeço ao enorme JP Carvalho por confiar em mim. Sempre estive habituado a fazer entrevistas e este é um desafio que me entusiasma muito, justamente por ser diferente do que faço normalmente, vou pisar outros caminhos, sair da minha zona de conforto e acima de tudo evoluír. O objectivo é tornar possível o intercâmbio de informação sobre a cena musical no Brasil e aqui em Portugal. Vou falar de tudo, das bandas que fizeram história, dos álbuns mais adorados, do público, das bandas que estão a surgir, as bandas que estão a fazer sucesso, das dificul-

dades que as bandas têm para gravar e tocar... enfim, de tudo um pouco. Também vão haver testemunhos de elementos de muitas bandas daqui. Cada edição da revista terá uma crónica minha sobre a cena musical Portuguesa no seu todo, não necessariamente apenas Metal com um tema pré-definido (e vocês podem sugerir esses mesmos temas através dos contactos que deixarei no final da crónica). Como disse esta primeira crónica é mais de apresentação e por isso, como resta pouco espaço disponível vou indicar algumas bandas Portuguesas que não podem deixar de ouvir. Muito provavelmente todos aí no Brasil conhecem Moonspell, provavelmente a banda Portuguesa mais conhecida no mundo mas que aqui nem sempre tem o reconhecimento máximo, aliás, aqui é uma banda que se ama ou odeia mas que dificilmente passa indiferente. Depois há imensas bandas que estão a construír o seu caminho pouco a pouco cujas dificildades que encontram em todo esse processo serão enunciados noutra ocasião. More Than a Thousand, Switchtense, Revolution Within, Equaleft, Corpus Christii, Gates Of Hell, Web, Theriomorphic, Terror Empire, RAMP, Grog, Holocausto Canibal, Midnight Priest, Filii Nigrantium Infernalium são apenas alguns exemplos das inúmeras bandas de qualidade que temos por aqui, passando um pouco por todos os estilos dentro do metal. Portugal é um país pequeno na cauda da Europa mas tem uma cena underground infindável com pessoas que se dedicam a fundo pela causa, lutando todos os dias com amor à camisola em

busca do seu lugar, da sua afirmação mas acima de tudo pelo convívio e prazer de estar em cima do palco. Estejam 30 ou 3 mil pessoas a assistir a entrega é máxima. Tudo o resto são dificuldades e obstáculos para superar. Não é fácil para uma banda nacional conquistar o público do seu próprio país, muito mais fácil é conquistarem público internacional quando conseguem a enorme oportunidade de tocar fora de Portugal ou uma banda internacional (mesmo que de qualidade duvidosa) conquiste o publico daqui. Dedicação, talvez seja essa a imagem de marca da cena Portuguesa! Talvez seja esse o maior trunfo capaz de contrariar a dura realidade em que estão inseridas: Sangue, suor e lágrimas. Conseguirão elas triunfar? Algumas das respostas serão dadas no próximo número. Mantenham-se atentos irmãos!!!

Underground’s Voice: www.facebook.com/UndergroundsVoice - E-mail: undergroundsvoice@gmail.com

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MATÉRIA DE CAPA

Somos uma grande família... 6 - COLLAPSE UNDERGROUND ART


Por: Lary Durante ecém-chegada da tour na Europa, a banda Ódio Social, ao decorrer dos anos, vem mostrando a que veio. Com quase quinze anos de estrada, acumulou durante esse tempo muitos trabalhos e histórias para contar. Foram 4 discos lançados, sendo eles o “Continue Morto”, 2006, “Na derrocada”, 2008, o EP “Ódio Social”, 2012, e o mais atual “Jovens Mortos”, lançado pela Red Star em 2014. Além desses discos, a banda teve participações garantidas no disco “Faccion Terrorista Ódio ao Sistema” e no disco em tributo à banda Ratos de Porão, “ Ratomaniax”, lançado em 2013, onde a música escolhida sofreu uma pequena “Ódiosocializada”, e então “Terror Declarado” virou “Terror Emacumbado”, arrancando risos de quem a ouviu. Sempre bem humorados, ousados, criativos e ativos, vêm mostrando que a máquina não pode parar, que basta você acreditar e correr atrás que as coisas acontecem. Em um bate-papo com a banda, tivemos uma noção básica do que rolou nessa tour Européia, vamos conferir?

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Primeiramente gostaria de agradecer a disponibilidade de vocês em nos ceder esse bate-papo, e dizer que o espaço estará sempre aberto a vocês, e às bandas do nosso cenário independente. Em uma breve apresentação da banda, podemos notar que durante esses últimos anos houve correria e trabalho atrás de trabalho. Alguns discos lançados, mudança na formação, muitos shows, e a tão sonhada tour na Europa. Conte-nos um pouco como foi o processo de planejamento dessa tour e o lançamento desses trabalhos. Fábio: Nós que agradecemos a força e a oportunidade de contar um pouco sobre o Ódio Social. Desde a última grande reformulação na formação da banda no fim de 2010, ficou combinado entre nós, integrantes, que batalharíamos e faríamos tudo o que estivesse ao nosso alcance para realizar alguns sonhos e objetivos que tínhamos em comum: um split, um EP, um lançamento em vinil, um álbum, uma tour nas gringas, um disco lançado fora do Bra$il. Decidimos uma sequência de tudo que iríamos fazer dali pra frente. Cada objetivo realizado abria portas para o próximo, e mesmo com alguns contratempos, nós continuamos firmes nessa caminhada. Hoje entendemos a importância do planejamento para uma banda fudida de grana e com pouquíssimo apoio, realidade da maioria das bandas do Underground. Houveram imprevistos durante esse processo, dentre eles a saída de integrantes da banda, o cancelamento do lançamento em vinil do disco Jovens Mortos por um selo Francês, entre outros, porém nada disso tirou o foco e a determinação de vocês. Com essas experiências adquiridas, o que vocês conseguiram extrair de positivo? Fábio: Tivemos a oportunidade de comprovar algo que no fundo todos nós sabemos, mas que as vezes não damos importância: acreditar em nossos sonhos. Realize seus sonhos, faça acontecer!

trutas na vida real seria muito mais embaçado ficar tanto tempo longe de casa em condições quase extremas. Sentimos muito a falta de nossos familiares, de Cataflan e da comida daqui. Agora entendemos os jogadores de futebol nas gringas (risos). Como foi a receptividade do povo europeu com vocês? Comentem um pouco sobre a chegada, os shows e apuros. Douglas: Todos foram bem receptivos muito bem organizados, cumpriram com o combinado e deram total suporte, a parte do idioma só tinha um jeito, e nessa hora vimos que era usar a malemolência maloca ou ficar de canto. Por isso decidimos meter o locurama em cada show, levamos uns aperitivos daqui e em cada show víamos que a aguardente derretia nossos novos amigos, isso facilitou na conversa! França, Alemanha, Bélgica, Holanda, República Tcheca, Portugal, foram esses alguns dos destinos de vocês.

Com tudo devidamente acertado, vocês partiram para a Europa para desbravar um território desconhecido. O que foi fundamental durante sua estadia na Europa e do que mais sentiram falta? Fábio: A amizade foi fundamental desde o planejamento até a volta. Sem muitos contatos e sem falar inglês, nós precisamos unir as forças para fazer toda a correria desde o agendamento das gigs até aprender a se virar em lugares de cultura e idiomas muito diferentes do nosso. Se não fôssemos COLLAPSE UNDERGROUND ART - 7


De todos, é possível apontar um que foi mais marcante? Se sim, por que? Fábio: Seria injusto apontar um som mais marcante. Cada gig, sem exceção, teve uma história cabulosa: viagens “total aventura”, dificuldade no agendamento, galera local firmeza demais, público insano, rango, cidades e paisagens lindas, squats bem loucos, brejas animalescas, roubadas (por que não?), bandas fudidas, picos surreais... Foram dias corridos, mudanças climáticas, estrada, fuso horário, alimentação, como foi a preparação de vocês para cada show? Quais foram os cuidados tomados para que o desgaste não interferisse negativamente no show de vocês? Douglas: Na verdade não sabíamos o que nos esperava. Lógico que seria diferente, mas chegar ao ponto de se preparar para cada show, isso não tinha como, já que o máximo que tocamos por aqui foram apenas finais de semana seguidos. Só sentimos o baque quando tivemos que montar e desmontar o back line dias seguidos, ai o bicho pegou. Decidimos nos dividir e nos organizar já que em cada final de show tínhamos que correr para o merchan e também desmontar o palco! Isso só trouxe benefício pra gente, “agilidade e check, check”. Os cuidados foram só não exagerar na caçacha (SQN) e tentar dormir o máximo (SQN), pois pegamos algumas viagens longas. O frio mais filho da puta que pegamos (pelo menos para mim) foi na República Tcheca em Tabor, -6° nunca uma noite durou tanto pra acabar como essa. E a alimentação era vegfood na maioria dos eventos, com direito a porção de feijão e chá verde. Vocês conseguiriam definir essa tour em uma palavra? Fábio: Não caberia ai uma só palavra pra descrever o que passamos, vivemos e de alguma forma “trouxemos na bagagem”. It’s Rrrrrrrock´n ´rrrroll... Peidare! Totally Respect...Falafel is Noooowwwww... Big Hug Bro... Is we on the tape...Bolt Trhower... Disabba... Fudido Pedrinha…

Cacacha…I don’t undertand…We don’t speak porra nenhuma… Ausgang exit.. Agora a pergunta que não quer calar.... “ Quais são os dez mandamentos da Tour” (Risos)? Fábio: Não sabemos se existem 10 mandamentos para uma tour, mas alguns certamente fazem parte das “Realidades da Tour”: Somos todos uma grande família. Tocarás cada show como se não houvesse o amanhã, ao final do show, cheque uma, duas, três vezes. Agilidade! Beberás toda cerveja que não contenha milho transgênico que conseguir. Usarás todos os banheiros limpos que encontrar. Comerás todo o rango que for oferecido. Usarás talco nos pés. Não desgrudarás de seu passaporte, afinal você é brasileiro. Durante a tour houve um momento em que rolou o famoso “ Fudeu”, ou o “ Xii deu ruim”? Se sim, conte-nos a respeito, e o que fizeram para contornar a situação. Leandro: Saímos do Brasil rumo a esta tour na Europa com o espírito e pensamento totalmente preparados para o que der e vier, confiamos um no outro, sabíamos de nossas possibilidades tanto físicas quanto monetárias, estávamos prontos para o perreio que viria, no final nem foram tantos assim ao meu ver. Demos sorte de encontrar pessoas tão interessadas no nosso trabalho no nosso som e isso “facilitou” muito nossa estada na Europa. Foi muito bom estar lá e se fecharmos os olhos agora lembraremos de cada detalhe de cada segundo daquilo tudo, a volta?? Meu... Só se for agora! Ficou bem claro que essa foi uma viagem fascinante e inesquecível na vida de vocês, e que agregou grande conhecimento de “sobrevivência da selva”, além de ter fortalecido o companheirismo, amizade e união entre vocês. Vocês deixaram bem claro que acreditar é tornar possível, e que tudo na vida é questão de planejamento. A pergunta é: o que vocês planejam fazer daqui para frente? Quais são os projetos e trabalhos futuros do Ódio Social? Leandro: A parada é viver um dia após o outro, planejar é legal, porém aqui no nosso país a “cena” é bem diferente, a galera aqui precisa se desdobrar para realizar alguma coisa um pouco maior. Quem faz o underground funcionar aqui no Brasil pode se considerar um verdadeiro herói. Como já foi dito, viveremos um dia após o outro. O Ódio Social está completando quinze anos de carreira e isso é outra coisa bem difícil de acontecer nos dias de hoje, bandas se desfazendo aos montes na “cena”punk hardcore crust, isso é bem ruim. Estamos esperando o lançamento em LP do nosso último álbum o “Jovens Mortos” e também em Breve split 10 polegadas com a banda alemã Killbite, aliás uma ótima banda da Alemanha, vocês precisam conhecer com certeza! O LP será lançado na Alemanha pelo selo Abekeit. Em nome da Collapse Underground Art gostaria de agradecer o bate-papo. Agora façam suas considerações finais, agradecimentos, divulgação de agenda e afins, esse espaço é de vocês! Leandro: Nós, do Ódio social, agradecemos demais o espaço que vocês da Collapse deram para nós isso só fortalece o nosso trabalho e nossa música. Queremos deixar aqui nossa revolta contra toda essa situação que se encontra nosso país, dizer também que o Underground é foco de resistência, nunca desanimem. Se vocês colarem em um evento e tiver poucas pessoas, na verdade fiquem orgulhosos, pois ali se encontram poucos, porém destemidos revoltados, que não abaixaram a cabeça para a mesmice. O punk não morreu! Ouçam nosso som, leiam nossas letras, obrigado pelo apoio!

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Ódio Social Jovens Mortos Red Star Recordings - Nacional Entre riffs bem trabalhados, distorções, acordes e beats, misturam-se letras de protesto que relatam o cotidiano e a visão da banda em relação à sociedade que vivemos. Com mais de treze anos de carreira, o Ódio Social vem mostrando todo o seu potencial e talento musical, inovando e oferecendo hardcore de qualidade a quem possa interessar. O novo trabalho da banda conta com várias participações especiais, entre elas Fábio Sampaio (Fabião) do Olho Seco, Jeferson da banda Agrotóxico e Wendel do Cólera. Em uma breve análise do disco, o que podemos adiantar aos fãs da banda é que “Jovens Mortos” é porrada na cabeça do início ao fim, e quando chega ao fim, dá vontade de ouvir tudo de novo! A primeira música que inicia o disco vem com uma energia muito grande. Sua letra vem como um tapa na cara da juventude de hoje em dia, que espera por mudanças, por um amanhã melhor, porém encontra-se em estado de apatia, sem força para lutar. Ficam sentados, estagnados, observando e reclamando de tudo que acontece à sua volta, deixando-se levar pelo comodismo. Jovens que já não acreditam mais no seu próprio ideal. Essa música é um grito de liberdade, um grito de incentivo que diz que a vida não é fácil, porém deve ser vivida e encarada com coragem, suas escolhas e suas ideias podem sim mudar o amanhã, afinal “Jovens mortos não fazem e não contam histórias”. “Me dá um cigarro” é a segunda faixa do disco e a primeira música de trabalho. Vem com uma característica bem marcante, riffs de guitarra que mesclam o rock’n’roll com o bom e velho hardcore. A execução da cozinha ficou perfeita, levadas de baixo se encontram com a batera dando um toque especial à música. Esse som contou com a participação especial do Dux ( ex R.D.H), velho conhecido na cena punk. Sua letra relata a história de um homem que foi julgado e condenado por crimes que não cometeu, julgado por uma sociedade hipócrita que apenas vê o que lhe convém. Perdeu família, perdeu sua indentidade como ser humano e hoje circula pelas ruas sozinho, sem rumo, sem expectativas, sem esperança, sem

perspectiva de vida. Algo muito comum de se ver nos dias de hoje, basta caminhar pela ruas centrais de uma grande metrópole que histórias como essa se cruzam com a nossa. “ Me dá um cigarro?! Me dá um real.” “Não passarão!” é uma música que relata as desigualdades e preconceitos sofridos por aqueles que vivem em uma sociedade que considera a classe social ou cor da pele mais importante do que o caráter. Relata a luta de quem combate o racismo e fascismo diariamente, a luta de quem busca um mundo melhor, livre de preconceitos ou barreiras. Grandes potências mundiais potencializam o extermínio dos povos pobres mundo afora. “Corvos, Abutres e Chacais” relata exatamente isso, a manipulação do povo, que trabalha para gerar lucro para os poderosos, enquanto continuam na miséria. Essa música começa com uma levada mais lenta, puxada para o punk rock, e conta com a participação nos backing vocals do Fábio Sampaio, também conhecido com Fabião, uma lenda do punk nacional, vocalista da banda Olho Seco. Pessoas que se iludem e se deixam levar pelo dinheiro e poder, enganadas e seduzidas pela ganância. Perdem completamente a essência, a sensibilidade e a ternura, maltratando e ignorando completamente pessoas que sempre estiveram ao seu lado. “ Vai sofrer” é a letra que relata o resultado dessa trágica mistura. Em setembro de 2011, o movimento punk sofreu um golpe brutal, uma grande perda! Edson Lopes Pozzi, mais conhecido como Redson, vocalista da banda Cólera, precocemente nos deixou aos 49 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Essa grande perda foi algo que entristeceu e sensibilizou muito o cenário musical. Com riffs muito bem trabalhados e uma levada bastante característica da lendária banda Motörhead, a música “ MotöRedson” é uma homenagem a esse grande músico, que por onde passava transbordava alegria, poesia e luta por mudanças. Nesse som contamos com a participação especial do atual vocalista da banda Cólera, Wendel. “Sua poesia não será em vão, focos de resistência, ecos de revolução!”. A derrocada de uma sociedade, onde o ser humano se destrói através da ganância, da vaidade e do comodismo, fica cada vez mais evidente. Essa letra relata esse caos, a “catástrofe” humana. Com a participação especial de um velho amigo da banda nos backings vocals, Wagner “Napalm” Fischer , que, aos gritos brutais, conseguiu colocar uma pitadinha de Death Metal no som do Ódio Social. Essa mistura ficou bem diferente, e bem legal, vale a pena conferir. “Segue Calado” relata a roubalheira que rola no planalto e a submissão do povo que vive na

miséria, sendo roubado, enganado e humilhado, porém aceita de cabeça baixa toda essa patifaria política, e se curva diante de um governo corrupto. É o famoso “ jeitinho brasileiro” de se virar em situações extremas. O povo roubado e humilhado está cansado dessa situação, porém segue sua vida calado. Nesse som, podemos contar com a participação especial nos backings vocals do Diögro , vocalista da banda Agaglock, que representou com toda sua potência e agressividade vocal. Pessoas que vivem trancadas em seus mundinhos, que agem como se tivessem um sentimento que não possuem, e dissimulam sua verdadeira personalidade, fingem não ver o que acontece ao seu redor só para tornar o convívio social mais suportável. “Muralha de Hipócrita” trata desse fato comum da sociedade moderna. Esse som pesadíssimo conta com a participação especial do grande JP da banda Yekun, que durante alguns anos foi linha de frente do Ódio Social como vocalista. Além de um grande amigo, JP faz parte da história e da trajetória da banda. Corruptos, corruptores e corrompidos, paralelo a esses caminhos existe o mais nobre de todos, o honesto. Infelizmente no Brasil, aprende-se desde cedo esses caminhos, e que a vida é feita de escolhas. Ou você entra no jogo dos corruptos, deixando-se corromper pelo dinheiro, e seduzir-se pelo poder, ou você se fode de trabalhar para seguir o caminho honesto. São dois lados de uma mesma moeda: o rico e o pobre, o corrupto e o honesto, o dinheiro sujo e o conquistado com honestidade e dignidade, porém a escolha é sua. Cabe a você decidir se seguirá sua vida de forma honesta ou se entrará na “ Dança dos Ratos”. Saúde pública precária, pessoas doentes em filas, morrendo em corredores de hospitais. É o estado de calamidade pública. Fruto de um governo que prioriza futebol e carnaval, enquanto o povo vive na miséria, sem emprego, sem educação, sem transporte de qualidade, sem saúde, sem nada. “Estado Grave” relata essa realidade, esse grande descaso do governo com assuntos que deveriam ser prioridade, como a saúde. Mas pra que se preocupar com isso? Afinal o Brasil é o país do futebol, então é melhor construir estádios. Um povo burro, sem cultura, sem trabalho e doente é muito mais fácil de ser manipulado. “Sem tratamento, o dinheiro foi desviado. Se o seu filho adoecer, leve ele a um estádio!”. Essa música contou com a participação especial do Jeferson, da banda Agrotóxico, e Antonio Carlos, da banda Sistema Sangria. Adianto que essa mistura de “Ódio Agrotóxico Sangria” ficou pesadíssima. Farsa eleitoral, falsa democracia, onde te obrigam a votar, escolher um candidato no qual

dizem representar as vontades e necessidades do povo. Mas na verdade não passa de um jogo sujo e imundo de cartas marcadas, onde o povo vota, elege um candidato e no segundo seguinte se arrepende, pois vê que nada mudará na política, onde tudo sempre foi e sempre será premeditado. “ Cartas Marcadas” relata exatamente isso, toda essa farsa e manipulação eleitoral. Essa música contou com a participação especial nos backings vocals da Larys, baterista da banda Ratas Rabiosas, representando toda força e acidez feminina, e em contraste vem Antônio Carlos, da banda Cracolândia, nos gritos e berros brutos. “Napalm neles”, última música do disco, é aquela que deixa quem está ouvindo o disco com um gostinho de quero mais. Acordes pesados de guitarras envolvem seus ouvidos, hipnotizando. A letra relata a revolta de quem vê e vive o sofrimento de ser prejudicado por aqueles que roubam no planalto. De quem já não vê mudança na política, porém sente aquela vontade de fazer justiça com as próprias mãos, acabar com os políticos, acabar com a corrupção, é o ódio e a revolta de alguém que já não suporta mais essa situação de bosta. “ O ódio que tenho é a vontade que é, Napalm neles!” A arte da capa é um show à parte, com traços firmes e cores bem distribuídas, que mostra um cenário não muito distante, intercalando a cidade cinza e o cemitério sombrio, e em covas abertas, jovens mortos. O artista chama-se Guilherme Bridon (Pogo Zero Zero), e aquele “tcham” maroto da arte final ficou por conta do Luiz Angelelli, da banda Imminentchaos. A arte fotográfica ficou por conta do mestre dos clicks, Apolo Sales, que registrou as imagens durante um show da banda em 17/05/2014, no “ Palco Test , gig realizada no centro de São Paulo, em uma região conhecida como Cracolândia. A tradução ficou por conta da querida Vanessa Joda, que há anos contribui com o cenário e com as bandas do underground. A gravação foi realizada em Maio de 2014, no Estúdio Hardcaos, pelo Fábio, que além de baixista da banda, é produtor e grande parceiro de muitas bandas do cenário independente nacional. A mixagem e masterização do disco foram realizadas entre maio e junho de 2014, no Mr. Som Estúdio, por Heros Trench, guitarrista da banda Korzus. Resumindo, esse disco, além de oferecer uma excelente qualidade musical, foi todo produzido por uma família que acredita no underground, no hardcore, e isso transparece a cada música, a cada acorde, a cada riff, a cada beat, a cada detalhe. Um disco que é fruto de um trabalho árduo, com muita consistência e potencial. Lary Durante

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ENTREVISTA

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Por: JP Carvalho A Autopse é uma banda alagoana de Thrash Metal com influências de Death Metal, formada em 2009. Tendo como diferencial duas mulheres em sua formação, Daniela Serafim vocal e Janaína Melo - bateria. Completam o time Raphael Pereira 0 - guitarra e Christian David - baixo. A banda lançou sua primeira demo em 2010, que em algumas semanas alcançou milhares de visualizações na Internet e grande repercussão em todo o mundo. Em 2011, a banda lançou seu primeiro álbum, intitulado “Descontrole Mental”, que trouxe muitas oportunidades para a banda, como a participação em grandes shows e festivais por todo Brasil, dividindo palcos com significativas bandas do Metal mundial como Korzus, Claustrofobia, Matanza, entre outros. Assim a Autopse garantiu seu espaço no cenário nacional como uma das principais revelações do Metal brasileiro. Em novembro de 2014, a banda lançou seu primeiro videoclipe da música “Fear And Death”, já de seu novo álbum que será lançado em maio de 2015 pela gravadora inglesa Secrets Service Records, no Brasil e na Europa. Conversamos com a bateria Janaína Melo e com a vocalista Daniela Serafim para saber um pouco mais desta que vem sendo uma das mais aclamadas bandas do cenário brasileiro e o conteúdo desse papo você confere a seguir Olá, para começar gostaria que você nos contasse como foi que você se tornou baterista. Janaína Melo: Sempre tive interesse por música, os instrumentos sempre me interessaram, mas bateria, especificamente aos 15 anos. Não sabia nada sobre o instrumento, mas botei na cabeça que queria aprender e corri atrás o aprendizado com força de vontade. Então quando percebi que tinha facilidade de pegar as músicas de ouvido, levei a sério mesmo, nada nem ninguém me faria desistir, o incentivo de certa forma partiu de dentro de casa pelo fato de ter um irmão baterista, isso me influenciou bastante, só de ver e ouvi-lo tocar, dai por diante o interesse por pratos e baquetas foi de imediato. Ainda naquela época do VHS, que não faz tanto tempo assim (risos)... Eu gravava shows de bandas de vários estilos

pra assistir repetidas vezes, depois só ficava observando o baterista tocar, as pegadas, viradas, batidas e etc. Depois disso eu marcava horas em estúdio pra poder praticar e desenvolver meu próprio estilo de tocar. E o que te levou ao Metal? Janaína: Primeiramente o som em si; o peso a agressividade! Eu particularmente gosto de sentir a pegada do som, e o Metal passa muito isso, uma forte pegada. O som de bandas que gosto e acompanho também influenciou bastante nessa escolha de estilo musical.   Li em algum lugar que você passou por algumas bandas antes da Autopse. Você sempre buscou esse lado mais agressivo da música? Janaína: O interesse sempre foi sim pelo Metal, mas toquei em bandas de outros estilos “mais leves”, também como; Pop Tock e Grunge. E novamente voltei pra minha linha que é o Metal. Como já havia citado “o que gosto no Metal é o peso, a agressividade e a pegada que o som passa.”   A formação da Autopse é pouco peculiar no cenário, com exceção do HellArise e de vocês não me vem à memória nenhuma banda que tenha uma formação mista, e sendo assim, fica mais fácil conviver dentro da banda? Janaína: Todas as bandas pelo qual passei as formações sempre foram mistas. Então não tive problema de convivência nenhum. Apenas uma banda que toquei, em que eu a única mulher, mas sempre foi super tranqüilo. Porém em alguns momentos, percebi que fazia falta sim outra mulher na banda, e a meu ver a formação da Autopse é completa. Eu particularmente acredito que independente de ser uma banda mista ou não, para uma banda dar certo, além de ter uma boa convivência, é essencial ter amizade, ter o mesmo foco e objetivo, é um conjunto de coisas que são essenciais para fazer acontecer e dar certo, toda essa sintonia com a galera da Autopse resulta em sermos mais do que uma banda, somos uma família. COLLAPSE UNDERGROUND ART - 13


E a reação das pessoas ao verem a banda ao vivo? Já que a Autopse tem uma postura de placo bem agressiva. Janaína: A melhor de todas, só tenho a agradecer. Onde chegamos pra tocar somos muito bem recebidos pelo público. Banda de Metal com duas mulheres na formação, mandando um som pesado ainda é algo raro de se ver tanto pelo Nordeste como pelo Brasil. A reação é demais, desperta uma curiosidade ao vivo, uns não acreditam que é uma mulher no vocal e outra na bateria. Uns observam, outros vão pra roda, batem cabeça, cantam as músicas e curtem o show todinho, no geral a aceitação é ótima, muito boa. Fale-nos como foi a aceitação do álbum Descontrole Metal? Daniela Serafim: A aceitação em geral sempre foi ótima, foi a junção de um som pesado, com letras fortes que falam dos sentimentos do ser humano e do caos da sociedade, foi algo surpreendente, pois em pouco tempo de lançamento do CD já se tornava comum ver em redes sociais as pessoas postando trechos de nossas letras, dizendo que se identificaram muito com nosso som. Em shows sempre comparecendo, cantando. Enfim, é muito satisfatório ver seu trabalho reconhecido e posso dizer que o álbum “Descontrole Mental” foi bem especial pra nós. Esse álbum consolidou o nome da banda no cenário brasileiro e levou vocês aos mais diversos palcos espalhados pelo país, sendo uma banda nova, quais foram as dificuldades que vocês encontraram? Daniela: Por ser uma banda nova, nós não enfrentamos dificuldades significativas, tanto em conseguir shows ou para entrar em grandes festivais. Na verdade, na maioria deles fomos convidados para tocar, sempre com todo respeito dos produtores e assistência ao que precisamos. Você é uma baterista de muita pegada e velocidade e os vocais de Daniela Serafim são extremos, que tipo de exercícios vocês fazem para manter a qualidade nas apresentações?

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Janaina: Tô sempre arrumando tempo, sempre procurando aprender cada vez mais sobre bateria, separo algumas horas do dia e pratico exercícios de resistência, velocidade, precisão entre outros, o importante mesmo é não ficar parado, sennão enferruja (risos). Daniela: Nos ensaios sempre tento explorar o máximo de tons de um vocal gutural e bebo bastante água pra manter a garganta sempre hidratada, também tento ter uma respiração muito disciplinada, tanto no meu dia a dia, quanto nos ensaios e shows. Para 2015 vocês prometem um novo lançamento, o que você pode nos adiantar neste novo trabalho? Daniela: Esse segundo álbum está muito diferente do primeiro, posso dizer que amadurecemos muito musicalmente. O novo álbum segue uma linha Thrash Metal com pegadas de Death Metal, o som está bem mais agressivo e trabalhado, as linhas de vocal também estão mais fortes. Além disso, nosso álbum também contará com a participação de dois grandes vocalistas do Thrash metal brasileiro. E como está a agenda da banda e o trabalho de divulgação para este novo trabalho? Daniela: Nossa agenda está bem cheia e ficamos muito felizes com isso, temos muitos shows marcados inclusive em locais onde nunca tocamos, será mais uma conquista. Além dos shows previstos também temos outros projetos para a Autopse que serão divulgados em breve, mas posso adiantar que serão novidades muito boas. Muito obrigado pela entrevista, agora o espaço é seu para suas considerações e para deixar uma mensagem aos nossos leitores. Janaína: Em primeiro lugar gostaria de agradecer pela oportunidade, sempre bom poder expor nossa experiência e trabalho. Agradecer aqueles que se propuseram à leitura dessa entrevista e as pessoas que acompanham o trabalho da banda Autopse, muito obrigada.


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ENTREVISTA

Inovador ao extremo

Por: JP Carvalho Psychotic Eyes foi formado em 1999, e nunca se furtou em ser apenas mais uma anda de Death Metal, absorveu influências, musicalidade, e buscou sempre ser “diferente” dos rumos preestabelecidos do estilo. Com isso, ganhou repeito e notoriedade, que se consolidou com o primeiro album, autointutulado, onde mostrava muita agressividade aliada à técnica individual. Longos quatro anos e novamente a banda nos brinda com um lançamento primoroso, “Only Smile Behind The Mask” deixou claro que a experiência adquirida nos palcos foi o diferencial deste novo trabalho que foi mixado e masterizado por Jean François Dagenais (guitarista do Kataklysm) e que trouxe a banda para outro nível, além da produção soberba era possível ouvir todos os detalhes deste álbum, que além da agressividade usual, trazia o Psychotic Eyes muito mais experimental com riffs e solos harmoniosos, bateria criativa e explorando novos conceitos além das linhas de baixo centradas e bem executadas, ou seja, a cama perfeita para vocalizações extremas. Uma pena que este trabalho tenha sido lançado apenas em formato digital.

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Mas, incansável, o Psychotic Eyes promete para junho 2015 um novo trabalho, já intitulado “Olhos Vermelhos”, a banda novamente aposta no diferencial e mostra que até mesmo nas adversidades tem criatividade, já que em 2014 haviam perdido seu baterista e recebido um convite para um importante show. Não tiveram dúvidas, armados de violões e sem bateria, foram até lá e mandaram um set acústico! E é assim que será Olhos Vermelhos: Acústico. Este novo trabalho já está sendo gravado no Estúdio HBC, na cidade de Guarulhos (SP), com produção de Humberto Belozupko. Tivemos um bate-papo com o guitarrista e vocalista Dimitri Brandi e o resultado você confere a seguir. Muito obrigado pela seu tempo e por nos conceder esta entrevista, primeiramente conte-nos sobre “Olhos Vermelhos” e o porquê em apostar em um Death Metal acústico? Dimitri Brandi: Primeiramente, eu que agradeço pelo espaço e pela oportunidade! O Death Metal acústico surgiu como uma oportunidade em um momento difícil pelo qual


estamos passando. Estamos sem baterista desde o começo do ano passado, quando o amigo Alexandre Tamarossi nos deixou. Alguns meses depois, apesar de não estarmos fazendo shows por causa dessa formação incompleta, surgiu um convite para tocarmos na festa de lançamento da coletânea “Ainda Respira”, na qual participamos junto com outras excelentes bandas do Rock brasileiro. Como não teríamos como fazer o show normal, eu e o Douglas inventamos essa ideia maluca de tocarmos as músicas do Psychotic Eyes com dois violões. Deu certo, a repercussão foi sensacional, o público entendeu e elogiou muito. Vimos que tínhamos uma ideia nova em mãos e resolvermos investir nesse formato, incentivados pelo Eliton Tomasi, nosso assessor de imprensa, e pelo Luiz Carlos “Barata” Chichetto, poeta autor da letra da música “Olhos Vermelhos”, organizador desse evento que mencionei e da coletânea.

progressivo, além do fato de todos nós gostarmos de estudar música e procurar ideias diferentes em estilos variados, sem preconceitos. Death, Slayer e Rush são bandas que nós três idolatramos. Então a mescla de estilos variados, composições sem muito padrão, influencias diversas, resultou nisso que é o som atual do Psychotic Eyes. Hoje, quando componho, busco sonoridades que não se pareçam com nada que já tenha ouvido antes, sem fugir do metal, claro, que é o estilo que quero tocar, o estilo que eu amo e que resume minha vida. De “Psychotic Eyes” a “I Only Smile Behind The Mask”, a banda mostrou que tem bala na agulha, e flertou com as mais diferentes formas em sua música, a que se deve essa variedade de seu trabalho? Dimitri: Apesar de eu tocar death metal, um estilo às vezes muito conservador e preso a fórmulas rígidas

Vocês acham que as pessoas vão entender o propósito deste trabalho? Dimitri: Não tenho a menor ideia! No dia da apresentação acústica, estávamos morrendo de medo, não sabíamos se o público iria entender aquilo e como seríamos recebidos. Eu esperava uma tremenda vaia, mas felizmente o que veio ao final da primeira música foi um aplauso generalizado de todos os presentes. E nem era um público do Metal, pois no lançamento da coletânea havia bandas de vários estilos, até Blues. Embora nossa proposta seja totalmente inovadora, ela vai esbarrar em dois preconceitos: o do público, digamos, “normal”, contra os vocais guturais, que é algo que choca pela agressividade; e do público tradicional do Death Metal, que vai estranhar o formato acústico, sem os elementos extremos que caracterizam o estilo. Mas espero agradar e surpreender exatamente pelo inusitado. O Psychotic Eyes é conhecido por não fazer referência a rótulos e padrões, e sempre mostrou extrema qualidade em seu trabalho. Você acredita que com este trabalho novas portas se abrirão à banda? Dimitri: Espero que sim! Como eu disse, podemos, com esse trabalho, atingir pessoas que normalmente não ouviriam Metal extremo. Se o vocal gutural assusta, talvez assuste menos acompanhado somente de violões, que destacam a melodia e as harmonias, algo que, quando se tem distorção nas guitarras e bateria tocando furiosamente, necessita um certo treino do ouvido para apreciar. Por outro lado, é uma ideia diferente, acho que estamos criando um novo estilo. Isso é algo que sempre buscamos em nossa carreira, desde o começo da banda: inovação. E faz muito tempo que não se ouve nada de novo no metal, acho que os últimos álbuns realmente inovadores saíram no começo do século, que foram os últimos álbuns do System of a Down. Depois deles, claro, houve excelentes trabalhos, não sou daqueles que só ouve metal oitentista, mas tenho que reconhecer que não houve nenhuma revolução, nenhum surgimento de algo novo. Acho que nosso death metal acústico pode marcar o ano de 2015 como o ano do nascimento de um estilo inédito. Voltando ao passado, a banda passou por diversas mudanças de formação, mesmo assim manteve o alto nível do seu trabalho. Por que essa busca incessante pelo diferente? Dimitri: No começo foi acidente, hoje é proposital. Era acidente, pois nossas formações sempre reuniram músicos com personalidades diferentes e de gostos musicais variados, que expressavam essas influências nas composições. Em nossa última e melhor formação, eu, Douglas e Alexandre, o que havia em comum entre os três era a paixão por metal e rock COLLAPSE UNDERGROUND ART - 17


e predefinidas, eu sou um grande fã de música em geral. Aprendi com meus pais a ouvir música clássica orquestrada e MPB. Pirei com o Iron Maiden no primeiro Rock In Rio. Depois tive aquela fase de ouvir rock nacional, Titãs, Plebe Rude. Quando descobri o Death Metal, achei o estilo meio estranho, a agressividade extrema me repeliu. Eu só fui entender de verdade o vocal gutural quando ouvi o ”Gothic”, do Paradise Lost, em que essa forma de cantar era um contraponto às melodias instrumentais e ao clima depressivo da sonoridade da música. Quando ouvi Death, do saudoso Chuck Schuldiner, entendi o que eu queria fazer na vida: música daquele formato. Ali havia agressividade, técnica instrumental, melodia, harmonia, emoção e beleza. O metal é o único estilo em que as possibilidades emocionais são ilimitadas, em que podemos trabalhar com todas as emoções que o ser humano pode experimentar. Nenhum outro estilo de música é tão completo. Posso, com minha música, expressar raiva, agressividade, desespero, depressão, tristeza, angústia, alegria, euforia, fúria. Essa liberdade emocional é fantástica, e eu sempre quis explorar isso. O metal consegue e proporciona isso, embora não haja uma liberdade artística completa, temos que nos ater a alguns padrões. Mas mesmo estes estão cada vez mais fluidos. Acredito que com o death metal acústico estamos dando mais um passo nessa ampliação dos limites do metal: queremos provar que é possível fazer metal extremo sem guitarras. Isso pra mim até dói dizer, pois sou um guitarrista, eu gosto de distorção, de peso, de solos, de microfonia, eu quero é fazer barulho, odeio banquinho e violão! Sabemos que “I Only Smile Behind The Mask” foi lançado somente em formato digital e comprado nos principais sites de comercio musical, porém, também pode ser baixado gratuitamente em todos os canais da banda. Você acredita que esse formato e essa forma de distribuição sejam o futuro da música? Dimitri: Acredito que sim. A música se tornou mercadoria ao longo do século XX, com a invenção da indústria fonográfica, baseada em LPs e CDs, itens de consumo que podem ser comprados e vendidos. Antes disso, o que se vendia era o espetáculo, pagava-se para ver o artista. Mesmo quando surgiram as gravações, ninguém pagava por elas, porque elas tocavam no rádio. Creio que estamos voltando à normalidade, em que se paga pelo espetáculo (shows) e ouvimos gravações de graça (streaming). Vai continuar existindo um mercado residual, principalmente de LPs, de quem quer pagar para ouvir música gravada em melhor qualidade, já que o mp3 comprime demais o som e tira vários detalhes que somente o vinil reproduz. Mas esse mercado vai ser mínimo, restrito a

colecionadores e puristas. O grande público vai ouvir música pelo streaming e vai gastar com o artista em shows e itens de merchandising. Isso, claro, para os artistas internacionais, pois no Brasil não vejo perspectiva de mudança da triste situação atual, em que não se consome o metal feito no Brasil. Os shows underground estão cada vez mais vazios e sequer há demanda por bandas brasileiras abrindo shows internacionais. O Monsters of Rock deste ano, por exemplo, pela primeira vez não teve nenhuma banda brasileira. Uma vergonha para um festival em que pude assistir a shows históricos de Angra, Viper, Dorsal Atlântica e até dos Raimundos, que em 1996 tocaram ao anoitecer. Lembro do estádio inteiro do Pacaembu gritando “eu quero ver o oco!”, cena que acho que não vai acontecer durante muito tempo: uma multidão aclamando uma banda brasileira. Voltando a “Olhos Vermelhos”, quais foram as dificuldades que vocês encontraram para produzir um trabalho assim? Dimitri: A maior dificuldade tem sido a inexperiência de dois músicos de metal extremo com a gravação acústica. Tocar violão é muito diferente de tocar guitarra, e numa gravação tudo isso aparece. Eu estou apanhando muito, na guitarra tenho mais controle e familiaridade com as técnicas de abafamento, execução e gravação. Estou acostumado a descer a lenha nas palhetadas, o que não afeta uma gravação de guitarra. Mas no violão isso vira um puteiro de ruídos, todo deslize de dedos nas cordas aparece, é um inferno para um guitarrista de death metal. Felizmente estamos tendo a ajuda do produtor Humberto Belozupko, um cara que tem uma experiência fenomenal em gravações. O esquema de gravação dele está perfeito, ele consegue extrair de nós a melhor sonoridade e execução possíveis. Será que outras bandas também vão se render a esse formato acústico no futuro? Dimitri: Espero sinceramente que sim! Como eu disse, queremos lançar um novo estilo, tomara que haja uma cena e que o metal extremo acústico vire moda! Eu adoraria ver artistas talentosos como os músicos do Cannibal Corpse, Behemoth, Kataklysm e Morbid Angel explorando sonoridades acústicas inusitadas, da mesma forma como fazem com os instrumentos elétricos. Alguns deles até já mostraram que são excelentes com um violão na mão, como nas faixas acústicas do “Blessed are the Sick” ou dos primeiros discos do Dissection. Muito obrigado pela entrevista, o espaço é seu para suas considerações e para deixar uma mensagem aos nossos leitores. Dimitri: Muito obrigado pelo espaço e pelo apoio. Creio que quem lê esta publicação pode se orgulhar de fazer parte de um público seleto e sofisticado, que não pensa como a maioria, que dá atenção e apoio à música original, feita no Brasil, autoral e artística, sem se limitar ao mais do mesmo, aos clichês do “classic rock” e das bandas cover. Espero que nosso disco acústico saia logo, estamos ansiosos para compartilhar essas novas composições com todo mundo. Death Metal na veia! Mais Informações:   www.psychoticeyes.com  www.twitter.com/psychoticeyes  www.facebook.com/psychoticeyes  www.youtube.com/psychoticeyesbrazil

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ENTREVISTA

Por: JP Carvalho banda Ajna, formada em 1990, está de volta à cena paulista com uma nova proposta e uma nova roupagem musical, moderna, atualizada, influenciada pelo Hardcore, o Metal e o Thrash Industrial, pesado e visceral. A banda volta em 2015 com novos integrantes, novas músicas, novo visual e nova proposta sonora, com letras em inglês, espanhol e português, sem perder suas características de um vocal feminino gutural, guitarras expressivas e cozinha pesada e nervosa. Trazendo ainda colagens industriais, samplers e a garra que sempre caracterizou o Ajna, banda muito ativa nos anos 90. O Ajna fez alguns trabalhos em estúdios, participou de diversas coletâneas e gravou um CD pela “Destroyer Records”, com produção musical de Marcelo Pompeu, no estúdio Mr. Som, em São Paulo no ano 2000. O CD “Mirror” foi gravado pela primeira formação do Ajna, Pitchu Ferraz - bateria, atualmente na banda Nervosa, Ivan Valle - baixo, atualmente nas bandas Hotizilla Trio e Slap Acústico e Saulio Issao Ito - guitarra, atualmente na banda Versos Em Veneno. O Ajna teve também em antigas formações músicos como Nelson Britto (Golpe De Estado) e Lippo Baldassarini (Made In Brazil e Viuva

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Negra). A nova formação do Ajna conta com Elizabeth Queiroz “Tibet”- vocal, Carlos Salles - baixo, Popó Moreira - Guitarra, Emerson Marasco - guitarra e Ivo Rocha - bateria e Samplers. Olá, obrigado pelo seu tempo e por esta entrevista. Para quem não conhece a banda, como você apresentaria o Ajna? Elizabeth Queiroz “Tibet”: A Banda Ajna é basicamente uma banda de Thrashcore, foi formada em 1990 e agora está de volta à cena paulista com uma nova proposta e uma nova roupagem musical, mais moderna, atualizada, influenciada pelo Hardcore, o Metal e o Thrash Industrial, pesado e visceral. Voltamos em 2015 com novos integrantes, novas músicas, novo visual e nova proposta sonora, com letras em inglês, espanhol e português, sem perder suas características de um vocal feminino gutural, guitarras expressivas e cozinha pesada e nervosa. Estamos trazendo ainda algumas colagens industriais, samplers e voltamos com a garra que sempre caracterizou o Ajna. O Ajna foi formado em 1990, o que você percebeu


de diferente no cenário com a volta da banda? Tibet: Na década de 90 existiam também muitas dificuldades. Não havia internet na velocidade de hoje, nem Facebook, nem Twitter, nem páginas de relacionamento. A falta de tecnologia e a dificuldade na comunicação era imensa, para fazer um vídeoclip, era uma fortuna, não tinha celular para tirar fotos e nem para filmar, era tudo caro, uma fortuna, o cenário hoje está muito mais fácil de se trabalhar e mais propenso à criatividade, e com a demanda tecnológica temos muito mais chances de superar as fronteiras e mostrar o nosso som para o mundo. Por isso estamos fazendo musicas em inglês, espanhol e português. Esse é um momento global, de união musical, onde podemos falar com bandas de todo o planeta e descolar público no mundo todo. A banda se caracterizava por cantar em português, inglês e espanhol, além de ter um vocal feminino com muito punch. Como as pessoas viam o Ajna nos anos 90? Tibet: Acho que o Ajna estava muito adiantado para a época. Na década de 90 já estávamos fazendo um som com muito groove, que hoje está em alta, fazíamos um som mais híbrido e misturadão. O problema é que na época haviam muitas bandas boas, a gente tocou muito, com várias delas, e em vários lugares legais. Estreamos no extinto Dama Xoc (1990) e tocamos em vários lugares badalados e casas de rock do Brasil. Lugares como por exemplo Brittânia (SP), Aeroanta (SP), Cadeira Elétrica (SP), Dynamo (SP), Centro Cultural São Paulo (SP), Black Jack, Garagem Rock (RJ) e outras ao longo dos doze anos dessa primeira fase do Ajna, e tocamos com bandas de peso como Dr. Sin, Angra, Kriziun, Korzus, Inocentes, 365, Ratos De Porão, Rata Blanca (Argentina) e outras. Vocês lançaram um split com a banda Exon, como foi a recepção deste trabalho? Tibet: Na verdade esse foi o primeiro trabalho do Ajna, produzido pelo André Pomba, que na verdade acho que não ficou muito bom, porque o tratamento de voz não foi o correto, não foi bem produzido. Então quase não divulgamos. Aliás as músicas desse split são ótimas e vamos resgatar algumas e dar uma cara nova pra elas. Heavy Metal da melhor qualidade. Lançamos também um EP “Mind Revolution” roduzido por Alex Vydala. Tibet, você sempre foi ativa no cenário, atuando nas mais diferentes frentes, como editora da Revista Dynamite, além de participar da produção de diversos eventos. O que te motivou a formar o Ajna com uma roupagem mais agressiva? Tibet: Como todo mundo sabe eu sou remanescente dos anos 70, participei de bandas emblemáticas do cenário nacional como Made In Brazil (onde gravei 3 LPs e fiz dezenas de shows), Gravei meu primeiro disco solo com a banda Tutti Frutti, que aliás faço questão de colocar aqui três faixas antológicas desse trabalho pra garotada escutar. https://www.youtube.com/watch?v=etakKzykekY https://www.youtube.com/watch?v=ss3nm5841Uo https://www.youtube.com/watch?v=6eZV4YYdyOU E dizer que eu já tinha um pezinho no Rock pesado. Led Zeppelin, Ozzy Osbourne e Deep Purple são da minha geração “gentem”! Mas o Rock visceral mesmo veio quando entrei para a Dynamo, que foi a Meca do Thrash Metal em São Paulo desde 1986. Foi o começo do Metal,

onde apareceram bandas como Sepultura, Dorsal Atlântica, Overdose e outras. Trouxemos para o Brasil bandas como Morbid Angel, Kreator e outras internacionais. E foi na Dynamo que eu fiz o primeiro fanzine, que depois se tornou a Revista Dynamite juntamente com Andre Cagni (Pomba), onde fui editora por nove anos. Ali rolava sonzera de segunda a segunda, uma podreira só. A Dynamo pra mim foi o CBGB paulista, visceral, arrazador, e que movimentou a cena Thrash no Brasil, ali foi o começo de tudo, depois abriram lugares legais como Cadeira Elétrica, Black Jack e outros, mas o primeiro e mais fudido foi a Dynamo. Concordo com você! Já o primeiro full Leight “Mirror” saiu pela Destroyer Records e foi gravado do Estudio Mr Som, que trouxe boa visualização à banda, quais são as suas memórias dessa época? Tibet: Antes desse CD o Ajna fez alguns trabalhos em estúdios, participou de diversas coletâneas. Aí então gravou o CD “Mirror” pela “Destroyer Records”, que teve produção musical de Marcelo Pompeu e gravamos no estúdio Mr. Som em São Paulo, no ano 2000. O Ajna contava com a baterista Pitchu Ferraz (Nervosa), além de músicos de muito prestígio no cenário nacional, como foi a sua busca pelos músicos que compõem a banda nessa volta? Tibet: Como você deve saber, o CD “Mirror” foi gravado por uma das primeira formações do Ajna, Pitchu Ferraz, Ivan Valle, e Saulio Issao Ito. O Ajna teve também em antigas formações os músicos Nelson Britto (Golpe De Estado) e Lippo Baldassarini (Made In Brazil COLLAPSE UNDERGROUND ART - 21


e Viuva Negra), além de outros. Eu cheguei a chamar a Pitchu Ferraz para essa nova formação, mas alguns meses antes ela havia entrado para a Nervosa e devido a vários compromissos agendados não deu pra ela retornar comigo, mas hoje tenho um baterista muito massa. Ivo Rocha, que toca muito e está dando uma pegada ainda mais pesada e agressiva ao Ajna. Junto comigo também estão Emersom Marasco, que fez parte de uma das formação antigas do Ajna e Popó Moreira, que fez parte de bandas Punk do cenário nacional como Invasores De Cérebros e M19, além de ser um super Jazzista na Nigth e ter um trabalho solo nesse estilo. E também no baixo eu conto com a presença super especial do Carlos Salles, que tocou no Harppia, baixista super concentrado e preciso. E o que eles trouxeram para o novo Ajna? Tibet: Como falei no inicio, acho que essa formação está mais moderna e pesada. Estamos juntos desde janeiro de 2015, faz pouco tempo ainda, mas cada um dos músicos possuem muita qualidade individual, são músicos experientes e criativos. Ainda estamos buscando nossa química e entrosamento ideal, mas isso só virá com o tempo de estrada juntos. O que podemos esperar do Ajna 2015, haverá material inédito da banda ainda este ano? Tibet: Sim estamos trabalhando em novas músicas, e logo teremos novidades. Estamos também preparando um set list pra shows e já pensando num novo clipe. Mas enquanto isso não acontece, assista nosso demo-clipe, que

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ainda é um projeto, Hermanos, música em espanhol que fala dos campesinos da Colômbia e do Peru que precisam colaborar com o narcotráfico para conseguirem sustentar suas familias, plantando, colhendo e processando as folhas de coca, para produção da basta base. Muito obrigado pela entrevista. O espaço é seu para suas considerações, deixe uma mensagem aos nossos leitores. Tibet: Eu é que agradeço a força e parabéns por apoiar o Rock nacional. A mídia é formadora de opinião e deve sempre dar espaço para o Rock nacional. Em todos os países do mundo existe uma cena rocker que se autossustenta e se autorrecicla. O problema do mercado atual não são as bandas, mas o sistema que as acomoda. O músico não vive sem o público e o público não preserva a identidade do Rock nacional, e é a mídia quem reforça isso. As casas de shows no Brasil reforçam essa falta de identidade e só abrem as portas para bandas cover. As rádios web é que estão dando força para o Rock rasileiro, e tem que tocar banda nacional mesmo! O Rock é uma linguagem universal. E voltamos ao velho e bom Rock and Roll como base. Os riffis, as batidas, as escalas são as mesmas, o Rock é atemporal, não tem idade, nem raça e se autoinfluencia. E isso é lindo, não é? It is only Rock and Roll! Então galera, escuta aí o som do Ajna! Valeu! https://www.youtube.com/watch?v=a4OU5Z4XVus Contatos: https://www.facebook.com/AJNAROCKOFFICIAL?fref=ts


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ENTREVISTA

Por: JP Carvalho banda nasceu em 2008. O grupo caiu na estrada com a proposta de fazer um Rock n’ Roll safado e cantado em bom português e lançou seu primeiro trabalho autointitulado “Makinária Rock” no ano de 2010. A Makinária Rock hoje é formada por Digger – voz, Renato Prata –

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baixo, Augusto Abade – guitarra e Luiz Gustavo – bateria. E você confere nas palavras de Carlos Digger uma verdadeira explosão de verdades, sentimentos e de amor pela música pesada nacional. Neste bate-papo Digger rasgou o verbo e disse tudo que pensa do cenário, da sua experiência e da música em geral. Confiram!


Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades. Carlos Digger: Em primeiro lugar, agradeço pelo espaço cedido JP. Meu nome é Carlos, mais conhecido na cena como Digger afinal Grave Digger é minha banda de cabeceira, o apelido acabou pegando pois tudo para mim era Grave Digger, Digger pra lá, Digger pra cá, enfim (risos) e se você falar Carlos quase ninguém conhece (risos). Sou apaixonado por esse estilo chamado Rock n’ Roll desde os meus 11 de idade, porém comecei a tocar bateria já tarde, com 15 anos, antes da Makinária Rock tive uma banda cover do Saxon, que graças a Deus não foi pra frente, e em 2008, Jow, Renato e eu nos reunimos e montamos a Makinária Rock, onde estou até hoje, desta formação inicial, permanecemos apenas eu e o Renato, que saiu por um tempo e retornou há uns dois anos, o Jow tomou outros rumos fora da música. Sou pai de dois filhos lindos, Christofer e Catharina, que já estão no caminho da música pesada, o que me orgulha muito. E por que você migrou da bateria para o vocal? Digger: É uma história engraçada, na verdade nunca fui vocalista, sempre toquei bateria, porém na Makinária Rock, quando a montamos não tínhamos um vocal de ofício, então por necessidade comecei a tentar cantar e tocar, o que acabou dando certo, e assim ficou por mais de cinco anos, porém sempre notamos que em relação a show ficava um vazio, por mais que você se comunique com a galera, não é a mesma coisa, fica um espaço no palco, foi quando chamei um amigo, Erick Wild, da banda Guerrilha e também da banda Portas Negras pra assumir a voz, curtimos pra caramba o lance em quarteto, deu uma outra cara pra banda, ficou mais banda, sabe? Porém o Erick tem uma porrada de projeto em que ele participa e estava ficando difícil de conciliar as agendas, então sentamos trocamos umas ideias e achamos melhor voltarmos a ser um trio, pois não temos outras bandas, para mim, o Renato e o Takeo (guitarrista na época), o foco era só na Makinária Rock. Porém sentimos a falta do frontman, então decidi ir atrás de um vocal, mas cara, vou te contar, como é difícil achar vocal (risos), e por incrível que pareça eu olhava nos meus contatos do facebook e só via batera, então pensei que se os dois CD’s que temos gravado são comigo no vocal, porque não arrumar um batera e eu pular pra frente, foi ai que pintou essa alteração de postos. E você acha que essa ótima relação entre todos na banda faz com que o trabalho seja mais dinâmico? Digger: Com certeza, com a gente não tem frescura, eu geralmente componho todas as músicas e meio que já faço o arranjo na mente, como não sei tocar porra nenhuma de cordas eu demostro com efeitos sonoros na boca (risos), faço a guitarra na boca, ai os caras vão criando em cima. O Takeo é um gênio cara, ele pegava muito rápido o que eu queria dizer, e ele fazia exatamente aquilo que eu imaginava, tirando a linha de guitarra é muito mais fácil para os outros, outro detalhe também é a nossa linha musical, é simples, não tem segredo, este bom relacionamento é importante pelo simples fato de que além de sermos uma banda, somos amigos, frequentamos as casas uns dos outros, trocamos ideias de outros assuntos e isso facilita muito o processo para um crescimento de uma banda. Não é porque eu componho e imagino algo que os caras não podem ter outras ideias e colocar em prática, ficando melhor até do que a ideia inicial que eu tive.

Enfim, não somos que nem o Ramones, onde ninguém se olhava. Apesar da semelhança musical em matéria de simplicidade ser um fato, nós nos damos bem, somos amigos e isso pra mim é muito importante. Hoje a Makinária Rock conta com uma nova formação, como foi esse processo? Digger: O Takeo ficou três anos conosco, foi um período muito bom, fizemos grandes shows, gravamos nosso CD, Cidade Rock, ele é um cara muito bom, um menino de ouro, muito talentoso, mas precisávamos de um pouco mais de comprometimento com horários e outras “pequenas” coisas, então decidimos pela mudança, conversamos e chegamos a um acordo. E tenho a sorte de sempre tocar com amigos, e pra minha felicidade, hoje tenho um velho parceiro nas guitarras, Augusto Abade, que também é guitarrista da lendária Tropa de Shock, é um namoro antigo, antes de chamar o Takeo, eu havia enviado uma mensagem pra ele, porém ele estava viajando e acabou não retornando, foi ai que encontrei o Takeo, porém agora não teve enrosco, chamei e ele aceitou e está sendo animal, é um cara muito bom no que faz, contribui muito com ideias, arrebenta na guitarra, está sendo muito legal, é um cara que tenho como irmão, assim como os demais. A outra mudança que tivemos foi na bateria, saiu o Marcelo Ladwig e entrou o Luis Gustavo, o mais legal é que agora temos três membros da banda que moram na mesma cidade, o que facilita muito, ele caiu muito bem na banda, pegou tudo muito rápido, ou seja, essa formação, posso afirmar, que é a melhor que tivemos até agora, tudo está fluindo muito bem, estou muito satisfeito com esse time. Você acha que a simplicidade da música torna o trabalho mais fácil de assimilar por pessoas que não tem o dom de tocar algum instrumento ou iniciação musical? Digger: Sim, acho que sim, eu particularmente curto muito bandas simples, como já falei, Ramones, AC/DC, acho que para ter um bom som não precisa colocar quinhentas mil notas, para uma pessoa que quer aprender um instrumento musical seja ele qual for, com uma música fácil e simples você consegue arranhar alguma coisa, mesmo não tendo a noção exata da coisa. Qual é a primeira coisa que um batera arrisca fazer de cara, já é o começo da Painkiller? Não, com certeza é a batida da We Will Rock You, do Queen, (risos) pois ela é mais fácil e a partir daí começa, caso você tenha interesse, a progredir musicalmente falando. Além da simplicidade, vocês cantam na língua pátria, por que optaram por cantar em português? Digger: Primeiro, porque não falo porra nenhuma em inglês (risos), brincadeira, sou um grande fã de bandas que cantam em português, Harppia, Golpe de Estado, Patrulha do Espaço, Baranga, Carro Bomba, Casa Das Máquinas, e por aí vai. Acho legal isso, estamos no Brasil porra, temos que fazer algo que 100% dos fãs entendam, muita gente escuta uma música em inglês e está pouco se fodendo para o que a letra diz, quer saber de bater a cabeça e pronto, mas muitas vezes a letra pode estar mandando você “tomar caju” e você nem ai, e outro detalhe é a pronúncia, fazer uma letra em inglês é mais fácil, porém você tem que ter um inglês fluente, não dá pra cantar robotizado, o brasileiro, quando canta em inglês, canta como se estivesse lendo, sei lá, é estranho, são poucos os que conseguem cantar em inglês COLLAPSE UNDERGROUND ART - 25


com naturalidade. Tiro o chapéu para o Pompeu do Korzus e o Tom Cremon da King Bird, que são exemplos de como cantar em inglês. E ainda tem a malandragem da língua, aquele diferencial da gíria, das colocações com sarcasmo que só um nativo entende. Como é a sua visão do cenário da música pesada no Brasil? Digger: Cara, o Brasil é muito forte em termos de Rock, só não vê quem não quer, tem para todos os gostos, quer uma coisa mais pesada, Korzus, Krisiun, Sepultura e várias outras, quer uma coisa mais Heavy Metal, Hibria, Carro Bomba, Dragonhearth entre outras, quer algo mais Rock n’ Roll , Baranga, Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Motorocker e, porque não dizer, a Makinária Rock (risos). O Brasil é rico, JP, só falta a galera em geral abrir mais a mente, largar a mão de pagar 300, 400 reais pra ver banda gringa e achar caro dez reais pra ver banda nacional, ou então tem a cara de pau de pedir pra colocar o nome da lista. Porra! Paga 300 para ver gringo e pede pra colocar nome na lista em um show de dez reais! Tá tirando né? Isso me revolta cara. Você acha que o brasileiro precisa do aval dos gringos para valorizar o que nasce dentro do seu próprio quintal? Digger: Vou te dar um exemplo, o Korzus lançou o último CD, Dicipline of Hate, que na minha opinião é uma obra-prima do Metal nacional, porém note que a gravadora fez questão de colocar na revista que o Schirmer, vocalista do Destruction, não tira mais do carro. Caralho, o CD é foda, não precisa o Schirmer falar (deixando claro que eu adoro Destruction). A importância que é dada para a gringaiada é algo absurdo, você concede uma entrevista para 26 - COLLAPSE UNDERGROUND ART

algum veículo do Brasil, como a Collpase Underground Art, a galera não dá a importância devida, mas ai você fala a mesma coisa para uma Revista Hard Rock e, meu Deus, você ganhou o Oscar, sei lá cara, tenho uma opinião meio fechada sobre isso, muitas vezes me calo pra não falar o que realmente penso e arrumar atrito por aí, pois muita gente pode interpretar mal. Opa! Divirta-se, a Collapse Underground Art é feita para que as pessoas se expressem de forma verdadeira, sem filtro e sem edição. Se quiser colocar alguns cachorros em alguns calcanhares, o espaço é seu. Digger: O que quero dizer é por que uma revista renomada aqui do Brasil não faz mais capas com bandas nacionais? Tem? Tem, mas não a quantidade que deveria ter, tipo de doze edições no ano, uma ou duas são com bandas brasileiras na capa e mesmo assim sempre as mesmas, Sepultura e Angra (não quero dizer que não mereçam), mas caralho, olha a porrada de banda competente que tem por aí, não estou falando que quero a Makinária Rock na capa, mas acharia interessante ver um Velhas Virgens com quase 30 anos de vida de capa, um Made in Brazil, que tem quase 50 anos de estrada e tantas outras, sei lá, a importância da gringa muitas vezes se dá pela própria mídia. Enfim, essas são minha visão e opinião. Mas não seria o que o público que ver? Desde sempre o brasileiro é condicionado a acreditar que tudo que vem de fora é melhor, de tecnologia a roupas íntimas. Então, não seria de começar a mudar esses pré-conceitos e investir na visualização do seu próprio produto? Digger: Também, mais o efeito disso é a divulgação que se dá em cima de algo importado, as vezes é a mesma coisa, mesma qualidade, mais... É do Brasil, “fabricado


em Manaus? Vixi, não presta”, uma coisa puxa a outra, enfim eu curto bandas gringas, claro adoro sem sombra de dúvida, mais o mesmo carinho e interesse que tenho por banda alemã, inglesa, italiana, tenho pelas brasileiras, pra mim não muda absolutamente nada. Afinal o que interessa é a música, e sendo ela universal, não importa de onde vem. Você acha que o brasileiro tem uma forma diferente de fazer e tocar música pesada? Digger: Não, vejo os músicos brasileiros com a mesma qualidade dos gringos, temos bons músicos, bons estúdios, bom engenheiros de sons, bom designers para elaboração de capas , sites, como disse, o Brasil não perde nada para ninguém em matéria de música, agora no futebol, xi! 7x1 eterno (risos). Ainda insistindo no assunto, em nosso país, as bandas crescem assustadoramente quando resolvem mostrar suas raízes, chegando mesmo a ter reconhecimento mundial, no caso de Sepultura e Angra, e em menor escala Claustrofobia, Cangaço e mais recentemente, Hate Embrace. Qual a sua visão disso? Digger: Isso é ótimo, pegue o exemplo da Claustrofobia que lançou um disco todo em português o Peste, é animal, e não deixou de ser bom só porque é em português, é sempre legal a banda mostrar suas origens, o Sepultura levantar a bandeira do Brasil nos shows seja ele onde for, isso é magnifico, pois é assim que as bandas da gringa fazem quando chegam no Brasil para um show. A Makinária Rock não enxerga a possibilidade de tocar na gringa, justamente pelo fato de cantarmos em português, isso fecha o mercado, não que eu vejo algum problema, acho normal uma banda brazuca cantar em português na Europa, qual o problema? O Rammstein não vem aqui e canta em alemão? Então, é a mesma coisa, mais os caras podem e é animal, agora se a gente quiser ir pra gringa, não rola porque é em português e blá, blá blá... Enfim. A Makinária Rock tem um demo, dois álbuns de estúdio e acabou de lançar o 1º registro ao vivo em formato digital, além claro das participações em algumas copilações, como é a relação da banda com os veículos da mídia especializada? Digger: Bem tranquilo JP, temos uma assessoria que nos da um suporte muito grande que é a Metal Media, estamos com eles a uns cinco anos e o trabalho deles é animal, em relação a revistas, sites especializados nunca tivemos problemas, pois a galera abre espaço pra gente, já participamos de diversos programas de rádio e TV web, concedemos entrevistas para revistas e blogs, ou seja a turma apoia a cena nacional, mais talvez a importância deveria ser um pouco maior, é aquilo que falei lá atrás, espaço tem, mais se você colocar em porcentagem , espaço para banda gringa 70%, banda nacional 30%, mais em particular com a Makinária Rock conseguimos figurar nesses 30%, muito deve-se ao trabalho dos mais que parceiros Rodrigo Balan e Débora Brandão da Metal Media, trabalhamos por 5 anos com eles, foi um período muito bom pra nós, a banda ganhou um destaque muito grande na mídia. E a resposta do público aos shows da banda? Digger: Vai indo muito bem, já temos uma galera que nos acompanha nos shows, sempre marcam presença, com a internet, ou melhor, com o facebook pra ajudar na divulgação temos conseguido expandir o nome da Makinária Rock, vendemos muito merchan pelo facebook, tanto é

que, em nossa fanpage e perfil, fizemos um álbum só para poder homenagear essa turma que compra CD, camiseta, temos uma porrada de fotos lá de todos os cantos do Brasil , isso é bem legal, recentemente pintou algo muito especial pra gente que foi uma fã que sempre nos acompanha nos shows, ela fez a tattoo do logo da banda no braço, cara , fiquei de boca aberta, isso é mais gratificante que qualquer pagamento em dinheiro, de verdade. Em tempos de download ilegais e gratuitos pela rede, você acha que as bandas deveriam investir mais pesado no seu mechan, procurando agregar mais qualidade e preços justos dentro da nossa realidade econômica? Digger: Sim, com certeza. Eu sou contra qualquer tipo de download, eu posso até escutar na internet e tudo mais, porém quero ter o material original, tenho mais de oitocentos CD’s todos originais, o grande problema é o custo que você tem quando grava o material, automaticamente se o seu custo foi alto, a venda deste produto terá que ser alta, se for baixo o custo de produção, claro que vende mais barato, esse tipo de coisa é bem complicado, mais eu prefiro ganhar pouco, e vender bastante do que ganhar muito e saírem poucas peças do estoque, mais como sabemos que nem todos pensam iguais, nos gravamos ano passado um áudio muito legal em Osasco porém contava ainda com o Marcelo e o Takeo na banda, não iriamos soltar esse material, porém porque não? esta com uma qualidade boa, a galera participou em peso, foi muito bacana, então pensei...vol soltar porém não em formato físico, disponibilizei então na internet esta em nosso site oficial, quem se interessar pode baixar de graça, mais existe uma diferença, eu não gastei pra ter esse audio, ou seja se eu não gastei não acho justo cobrar por ele. Um CD na mão das bandas em shows e até mesmo pelo site da mesma, não sai por mais do que 15 ou 20 Reais, um preço relativamente baixo em relação a tudo que é comercializado por ai, você acredita que mesmo com esse custo mais baixo, é possível diminuir esse preço para o consumidor final? Digger: Como eu já disse, nem todos pensam iguais, eu tenho noção do que a Makinária Rock gastou para gravar seus discos, então sei até quanto posso vender, hoje em dia existem vários tipos de embalagens, formatos, tudo isso interfere no custo, por exemplo, o nosso ultimo CD o Cidade Rock não fizemos em caixa acrílica e tudo mais, foi simplesmente no envelope, com isso consigo repassar a um preço muito baixo, agora se eu tivesse gastado mais, caixa, digipack, encarte com cinquenta folhas, já não conseguiria vender com o preço que vendo hoje, vai muito do que você gastou para produzir, e você começa a contar desde a sua gravação, depois mixagem, masterização, confecção de capa, arte. Quanto custou X, OK, divide pela quantidade de peça e manda bala, é mais ou menos assim. Como é a sua relação com produtores e casas de shows. E com que frequência a banda se apresenta? Digger: Não tenho muitos problemas, de vez em quando aparece algum pilantra querendo que a banda venda ingressos para tocar e coisas parecidas, uma coisa que nunca fiz e não apoio ninguém a fazer é esse lance de vender ingresso pra tocar, muitas vezes em cada pulgueiro que pelo amor de deus, sem uma aparelhagem descente, nem água os caras dão as bandas e ainda exigem como se a banda estivesse pisando no palco do Wacken Open Air, mais eu particularmente nunca tive problemas mais graves, ate porque COLLAPSE UNDERGROUND ART - 27


sempre cortei do inicio, deixo bem claro como a Makinária Rock trabalha, quer OK, não quer foda-se. Nossa agenda é tranquila, um ou dois shows no mês, até mesmo por isso o Marcelo consegue administrar com as demais bandas que ele toca, não dá para tocar diretão, temos nossas atividades, trabalho, faculdade, família, é bem complicado, mais na medida do possível procuramos sempre estar mandando bala ao vivo. Apoiado, agora para finalizar, planos para o futuro? Digger: Continuar na estrada fazendo o bom e velho Rock N’ Roll, acredito que até o final do ano já entraremos em estúdio para gravar material novo com essa nova formação Carlos Digger - Voz / Renato Prata - Baixo / Augusto Abade - Guitarra e Luis Gustavo - Bateria, temos algumas canções novas, vamos começar a trabalha-las e claro nosso DVD que não foi esquecido, apenas tivemos que adiar devido a troca na formação. Resuma Carlos Digger em uma frase ou palavra. Digger: Batalhador Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixa aqui uma mensagem para os nossos leitores. Digger: Obrigado a você JP e a todos que acompanham a Collapse Underground Art, muito legal este espaço que foge um pouco das entrevistas rotineiras que é muito blá,blá,blá e pouco conteúdo, vocês estão de parabéns. E a todos que apoiam a cena nacional espero que continuem firmes, pois nós aqui acreditamos que coisas boas estão por vir, a nossa cena é rica só precisa ter mais união e menos rockstars “estrelinhas”. Grande abraço a todos.

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Makinária Rock Cidade Rock Independente - Nacional Exstem trabalhos que, por serem mais voltados às raízes de estilos musicais antigos, conseguem dar um gás novo em fórmulas que o tempo já erodiu. E o Rock, com suas mais de 5 décadas de vida, recebe vez por outra, de braços abertos, trabalhos mais voltados à sua simplicidade inicial, à sua voracidade musical despojada e forte, e o Makinária Rock, de São Paulo, consegue se sair bem com seu Full Length ‘Cidade Rock’. Obviamente, o título é uma homenagem a São Paulo, a cidade com cena Rock mais forte, mas sem desprezar outras cidades e cenas nacionais (por favor, não se apeguem a bairrismos vazios), e a proposta sonora do grupo é fazer um Rock’n’Roll pesado e cheio de energia, resgatando as letras em nossa língua nativa (e assim, se tornando acessível ao grande público nacional que o estilo tem), e este Power Trio se saiu bem, com guitarras apresentando bons riffs bem crus e solos cheios de energia, baixo vibrante e pesado, bateria com peso e trabalho não muito complexo, além de vocais competentes. A banda prima por fazer um trabalho homogêneo, privilegiando a música e não egotrips musicais desnecessárias que apenas tornariam

o trabalho musical insoso. A produção, feita pelas mãos de Renan Lemos, Leandro Oliveira e do próprio grupo deixou a produção bem gordurosa e abafada, privilegiando bastante o clima artesanal que o trabalho transpira, ou seja, temos aquela produção sonora crua e essencial ao estilo. A parte visual do trabalho é bastante simples, em consonância com o que a música do grupo transpira. E falando em música, ‘Cidade Rock’ é um disco que vicia logo nas primeiras audições, e como um todo, o CD é extremamente agradável, tendo como destaques a ótima ‘Mákinária Rock’, um Rock’n’Roll bem pesado, cru e pegajoso, com ótimo refrão e bons vocais; ‘Cidade Rock’ segue a mesma linha da primeira, só que com bons arranjos de guitarras e bateria; a mais rápida ‘Magrela’, com muita energia e novamente o baixo se sobressai; a mais acessível ‘Interessa’, com um andamento mais moderado e vocais bem legais; a forte ‘Hora do Pico’, mais cadenciada e bem visceral; e a versão de ‘Pão com Cerveja’, dos veteranos mais sacanas do Rock nacional, Velhas Virgens, que ficou em uma versão bem personalizada do trio, sem desrespeitar a original. Bom é apelido para este CD... Marcos “Big Daddy” Garcia


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ENTREVISTA

Por: Valdemir Gonzales banda Scraper Head foi formada em Caxias do Sul (RS), no ano de 1993. Neste mesmo ano a banda participou de uma coletânea em vinil com bandas da região, e já no ano seguinte gravou sua primeira demo “The Death Wait Us”. Entre os anos de 1995 e 1996, a banda gravou o que seria sua segunda demo, porém recebeu uma proposta para lançar seu primeiro CD oficial, “Lost In A Dream”, que finalmente foi lançado em 1997. Logo após, o baterista Rodrigo Kahler, membro fundador da banda, mudou-se para São Paulo, e com uma nova formação, no ano de 1999, lançou um EP, “Finally My Rest”, contendo quatro músicas. Com a mesma formação, a banda faturou o Primeiro Lugar no Festival Exporock 2000. Com novos problemas de formação, o baterista Kahler mudou-se para Espanha, e com ele antigos membros da primeira formação, permeneceram por quase um ano realizando bons contatos e divulgando seu material pela Europa. Por motivos pessoais, a banda retornou ao Brasil para o seu Estado natal. Voltaram novamente para São Paulo com uma nova formação, retomando as atividades em estúdio, ensainado seu reportório e compondo novas músicas, mas os problemas de formação levou a banda a fazer uma pausa em suas atividades. No mês de Maio de 2014, devido à influência de um grande amigo da banda, o baterista Rodrigo Kahler e o vocalista Henrique (Devil) Ramos convidaram os irmãos Fabio e Daniel Suliani, ambos guitarristas da banda de Death Metal “Abominattion”, a fazer parte da nova formação da banda Scraper Head e chamaram também o antigo baixista Davi Frezza. Em julho do mesmo ano, a banda foi convidada a participar do Festival “ Old School Metal Fest “, realizado na cidade de Caxias do Sul -RS, contando também com a participação de antigos membros da banda. A banda ficou encarregada de fechar o festival como atração principal e devido à ótima aceitação por parte do público e à ótima química da atual formação, a banda seguiu fazendo shows e compondo novas músicas, fechando o ano de 2014 com bons shows. Atualmente, o primeiro vocalista da banda, Rodrigo “Toddy”, responsável pelos vocais na primeira demo e no CD oficial, voltou a fazer parte do line-up e assim a banda segue com uma nova formação estabilizada e contando com dois vocalistas.

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Tivemos uma conversa por e-mail com o vocalista Henrique (Devil), que nos contou tudo a respeito do Scraper Head e também dos planos pata o futuro, o resultado desse bate-papo você confere a seguir. Olá Henrique, muito obrigado pelo seu tempo para esta entrevista. Você poderia começar nos falando sobre o começo do Scraper Head. Henrique Devil: Opa, nós é que agradecemos!A banda foi formada 1993. No mesmo ano participamos de uma coletânea em vinil com bandas da região. Depois gravamos nossa primeira demo,“The Death Wait Us”. Depois gravamos uma segunda demo e recebemos uma proposta para lançar nosso primeiro CD, “Lost In A Dream”, que foi lançado em 1997. Além de mudanças de formação, houveram muitas mudanças de base da banda, você acha que essas mudanças atrasaram o desenvolvimento do trabalho da banda? Henrique: Acreditamos que as mudanças de formação atrasam o lado de qualquer banda, já a mudança de base no caso do Scraper Head não foi ruim. Quando Rodrigo Kahler (baterista e fundador do SH) mudou-se para São Paulo, a banda teve uma nova formação e a nova base em Sampa, que facilitou a participação no Festival Exporock 2000 e faturou o primeiro lugar (categoria músicas próprias internacional estilo Thrash Metal ) e lançou um EP com 4 (quatro) músicas que foi muito bem aceito, obtendo ótimas críticas. O primeiro lançamento de vocês foi a demo “The Death Wait Us”, como foi a recepção deste trabalho? Henrique: Um pouco antes da demo, acorreu a participação em uma coletânea em vinil com bandas da região (que causou boa impressão) e na sequência veio a demo, que fez muito barulho por aqui, muito bem aceita! A demo foi sucedida pelo full leight “Lost in a Dream”, como se deu a gravação deste trabalho? Henrique: Um pouco antes de sair o CD oficial, a banda gravou o que seria a segunda demo, mas como a primeira demo estava rolando muito bem e com boas críticas, rolou a proposta de um selo da região (Red Eyes) para lançar um CD oficial.


Com o Scraper Head tendo sido formado em 1993, como você vê o cenário braisleiro da música pesada? Que diferenças existem para uma banda como o Scraper Head nos dias de hoje em comparação ao passado? Henrique: Vemos uma cena cheia de altos e baixos. Porém recheada de ótimas bandas e com grande desunião entre as bandas e público também. Bem, em 93 nem sonhavam com Internet para levar o seu som para o mundo em tempo real, tudo feito à mão, éramos praticamente sócios dos correios e especialistas em LAMBE-LAMBE (técnica usada para colar cartaz em poste e muros da cidade) Com a volta do vocalista Rodrigo Toddy, a banda passou a ter dois vocalistas, em que isso acrescentou ao trabalho da banda? Henrique: O retorno do Toddy se deu em nosso primeiro show de retorno às atividades. Ao dividirmos algumas músicas com ele, percebemos que seria ótimo seguir assim. Mas infelizmente o nosso irmão é um atleta do basquete aqui em Caxias do Sul e tem uma agenda muito compromissada, ainda não sabemos o quanto sua permanência irá durar na banda (risos). E como foi para você reformular a banda diversas vezes ao longo dos anos sem jamais perder as características? Henrique: (risos)É foda né? Não é fácil para nenhuma banda conviver com tantas mudanças na formação, o legal é que tanto eu quanto os integrantes temos muitos amigos músicos e isso facilita quando temos uma baixa e basicamente escutamos as mesmas coisas. Deixamos claro para quem está chegando que o som da banda é esse e que não será permitido modernidades e modismos. O Scraper Head pratica o chamado Death Metal Old School, que sempre teve um público fiel. Com todas as novidades que cercam a banda hoje em dia, este pode ser o momento do Scraper Head? Henrique: Na verdade, nosso som é Thrash Metal com uma cara bem Death Metal (risos). Eu sempre falo que tocamos Metal Pesado. O momento está sendo ótimo com uma formação bem sólida e com reais irmãos envolvidos, desde o momento de nosso retorno os resultados estão sendo bem

positivos. Voltamos em abril de 2014, e em julho fizemos o primeiro show fechando o festival Old School como banda principal, em outubro fomos convidados para tocar com a Nervosa, em dezembro com o Torture Squad, Krisiun e fizemos também o Natal do Metal, onde o público deu um show à parte, foi muito foda. Esse ano começamos dia 22 de maio com o Nervo Chaos e mais duas datas confirmadas, em 15 de agosto e 19 de setembro. Se é o momento para o Scraper Head nós não sabemos, mas estamos tocando com muita fúria e compondo músicas novas, o que posso dizer seguramente é que hoje tocamos para nos sentirmos bem e mostrarmos para a molecada que está chegando agora que a bagaça aqui é de muito peso e agressividade, direto, reto e sem firulas. Metal puro nas veias! Coisa de Bangers para Bangers! Quais são os planos da banda para o futuro? Henrique: Planos para o futuro? O momento é de compor novas músicas e continuar fazendo show. Ano passado estávamos empolgados em lançar o CD através do programa Financiarte, da prefeitura de Caxias do Sul, mas como rolaram shows até o fim do ano, deixamos um pouco de lado esse lance. Estamos gravando os ensaios e assim que tivermos um resultado satisfatório, poderá sair um EP para mostrar o nova formação. E gostaríamos de poder voltar a tocar em Sampa. Muito obrigado pela entrevista, o espaço é seu para suas considerações e para deixar uma mensagem aos nossos leitores. Henrique: Muito Obrigado, Collapse Underground Art, sentimo-nos honrados com essa oportunidade! Atenção Hellbangers, valorizem as bandas nacionais! O apoio e o comparecimento aos shows é de suma importância, pois se em sua cidade tem um produtor que se mata para trazer uma banda e fazer o show com sangue, suor e lágrimas e você não aparece, como esse cara vai custear o evento e futuramente trazer outras bandas? Valeu, grande abraço a todos! Stay Metal Hellbangers!!! Bebam ótimas cervejas, façam muito sexo e se afastem das drogas!!! Contato: https://www.facebook.com/scraperhead?fref=ts

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ENTREVISTA

Seja feita sua vontade Por JP Carvalho Blackning é uma banda nova, formada em dezembro de 2013, mas isso não significa que é formada por novatos. Pelo contrário, é formada por veteranos da cena, que em muito contribuíram e contribuem para a disseminação e o crescimento do cenário Heavy Metal brasileiro. Formada pelo guitarrista e vocalista Cleber Orsioli, do Andralls, pelo baixista Francisco Stanich, ex-Woslom e pelo baterista Elvis Santos, ex-Postwar, o power trio Blackning, como você pode perceber, tem suas raízes fincadas no Thrash Metal, absorvendo influências e referências dos ícones do estilo, o que determina que sua música seja rápida, agressiva com groove interessante e melodias bonitas. Com apenas quatro meses de sua formação, a banda trouxe à vida seu primeiro trabalho, Order of Chaos, um CD de qualidade inquestionável, com gravação e produção muito acima da média, comandada por Fabiano Penna, renomado músico que já passou por bandas como Andralls, Blessed, Horned God, Konsfearacy, Rebaelliun e The Ordher, e que trouxe toda a sua bagagem musical ao Blackning e brinda o ouvinte com som cristalino e pesado em seus mais de 35 minutos. Além do vídeoclipe muito interessante para a música que abre o CD, Thy Will Be Done.

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Com tanta urgência em seus trabalhos de estreia, tornou-se impossível não ir atrás de uma banda tão determinada, tornou-se quase imperativo descobrir como agregaram tanta qualidade e conteúdo em um só produto. Conversamos com o baixista Francisco Staniche e descobrimos muito mais do que trabalho, percebemos também uma vontade imensa de tocar, de compor e, como não podia deixar de ser, de continuar trilhando o caminho escolhido por eles: o Heavy Metal. Confiram a seguir! Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades. Francisco Stanich: Eu agradeço a oportunidade! Este ano foi um ano muito corrido. Em junho saí oficialmente da banda Woslom, banda que montei e que atuei por 17 anos. Meu último trabalho na banda foi o DVD “DestrucTVision”, trabalho que não vi finalizado, pois saí da banda antes do seu lançamento. Logo após minha saída, fui convidado pelo Cleber Orsioli e pelo Elvis Santos a fazer parte de uma nova banda que eles estavam montando, a Blackning. E é nesta banda que minhas atividades estão concentradas no momento. Nestes quase quatro meses de banda estamos em um processo de trabalho muito corrido, mas também muito gratificante. Neste tem-


po finalizamos as músicas, letras, gravamos, fizemos o videoclipe e todas as atividades necessárias para poder lançar nosso primeiro CD, “Order Of Chaos”, que inclusive já está na fábrica sendo prensado, com previsão para lançamento ainda este ano. Posso dizer que está sendo muito gratificante. Na Blackning, os caras têm sangue nos olhos, não têm frescura. Imaginar que estamos pra lançar nosso primeiro CD em praticamente quatro meses de trabalho da banda, sendo que apenas nós três fazemos as correrias, é algo que mostra que a banda virá com tudo, com o bom e velho Thrash Metal. E graças ao foco que estamos tendo, já conseguimos algumas parcerias importantes para a banda. E qual foi a grande diferença no modo de trabalho? Você acredita que, como um trio, a fórmula se torna mais dinâmica? Francisco: Na Blackning são três pessoas com experiência e vivência de outras bandas. E estamos podendo unir toda essa experiência, tanto nos erros como nos acertos, fazendo as coisas de forma mais rápida do que estávamos acostumados. E por ser algo novo, estamos aprendendo mais ainda. Com certeza, por sermos apenas três integrantes, as coisas fluem mais rápido. Estamos focados em fazer o melhor para a Blackning. Mas o que faz a fórmula da banda ser mais dinâmica, além de sermos um trio, é o “sangue nos olhos” de cada um de nós em fazermos a banda crescer. Estamos bem alinhados no nosso trabalho e no que temos que fazer, visando o melhor para a banda. E como foi para você estar fora do Woslom, depois de 17 anos? Francisco: Bem, sinceramente, nos primeiros meses foi meio difícil, acompanhar a banda nas redes sociais e ver que eu não estava mais lá, mas após o convite para entrar na Blackning, isto mudou. Nada como voltar à ativa para as coisas voltarem ao normal. Aproveito para desmentir alguns boatos que surgiram, dizendo que eu saí do Woslom para entrar na Blackning. Não sei quem inventou isto e também não quero saber. Saí porque era contra a postura que a banda tinha internamente, minha saída não teve nada a ver com estilo musical e nem com a forma da banda trabalhar, mas sim de como a banda estava agindo internamente, na minha visão. Quando saí do Woslom, saí com um sentimento de não querer tocar mais profissionalmente, simplesmente guardei meu baixo no armário, pois sempre me imaginei tocando com meus irmãos. Porra, era a banda que eu montei junto com o Fê, a qual demos o nome, tive momentos difíceis e alegres durante anos. Mas um tempo depois da minha saída, depois que anunciamos oficialmente que eu não fazia mais parte da banda, o Cleber Orsioli mandou uma mensagem falando que estava montando uma banda e estava procurando um baixista. No primeiro momento eu recusei, mas pensando depois nesta possibilidade e conversando com ele, percebi que tocar estava dentro de mim, no meu sangue. Quando ele mandou alguns riffs das futuras músicas eu não tive como negar, e aceitei imediatamente, pois vi amor e paixão à música! Com tudo isto que aconteceu, aprendi algo: se você ama o que faz, faça, não importa como, mas faça sempre com respeito, amor e sem ferrar ninguém. Pelo menos pra mim, não conseguiria estar no Woslom infeliz e também não iria conseguir estar na Blackning me lamentando de ter saído do Woslom. Quando entrei na Blackning foi pra começar do zero, por ser algo que amo fazer. Espero e desejo que a Blackning tenha um futuro próspero e também agradeço por poder tocar com profissionais de alto nível como meus novos irmãos Cleber Orsioli e Elvis Santos. Sobre o Woslom, foi uma questão de ponto de vista de cada um, não há culpados. Continuo amando eles e a banda, e desejo todo sucesso ao novo integrante. Não tenho

como apagar meu passado e nem quero. Espero poder estar um dia bebendo com todos meus irmãos sem mágoas. Desejo a eles toda a sorte que quero pra mim e para a Blackning. E como sempre digo, nos veremos na estrada! Com a sua colocação, acredito que foi colocada uma pedra nessa questão. Explique, por favor, qual a fórmula mágica do seu processo de composição e gravação do debut da Blackning, já que tudo foi feito de forma muito rápida. Francisco: Sim, bola pra frente (risos). Fórmula mágica não teve, teve muito trabalho mesmo (risos). Na verdade, quando entrei na Blackning, os riffs já estavam criados e o Cleber e o Elvis já estavam numa rotina de ensaios constantes para montar as estruturas das músicas. Estavam faltando as melodias de voz, letras e o arranjo do baixo. Aí foi questão de nos encontramos para finalizar esta parte. Durante a semana, eles, por morarem perto um do outro, se encontravam quase que diariamente e eu me juntava de final de semana, dando continuidade ao processo. E isto fez com que as músicas fossem finalizadas mais rapidamente. Algo que ajudou muito para cumprirmos os prazos foi ter tudo planejado com data certa para terminarmos, e isto nos permitiu ficarmos focados em entregar cada atividade dentro do cronograma estipulado. Então o que podemos esperar para um próximo trabalho da Blackning, já que agora vocês irão compor juntos? Francisco: Acho que é cedo para falar de um futuro trabalho, pois ainda estamos trabalhando neste primeiro álbum. Estamos no momento de divulgação do “Order Of Chaos” e estamos loucos pra começar a tocar em todos os cantos pra mostrar a Blackning pra galera. Mas acho que o processo não mudará muito, deveremos trabalhar desta mesma forma no futuro. Mesmo eu tendo entrado depois, já tive muito trabalho (risos), o que mudará para o próximo é que a banda terá uma participação minha desde o começo de todo o processo. Order Of Chaos tem uma das capas mais bonitas que vi. O que você pode nos falar sobre o conceito e o trabalho do artista Marcus Zerma, da Black Plague Design de Curitiba? Francisco: Que bom que gostou! Sobre a capa, queríamos algo simples e direto, mas que ao mesmo tempo mostrasse a agressividade e o conceito das músicas. Foi muito tranquilo o trabalho com o Marcus, da Black Plague. O Cleber já conhecia o trabalho dele. Nós mostramos algumas músicas e ele sacou na hora como deveria ser o conceito da capa. Foi um processo muito rápido. Já na primeira versão que ele enviou, nós fechamos a ideia e aí fomos fazendo alguns ajustes. Desejo toda a sorte do mundo a vocês! Fica aqui o espaço para suas considerações e uma mensagem aos nossos leitores. Francisco: Queria agradecer a oportunidade de poder falar um pouco sobre a Blackning. Como sempre, é um prazer poder falar com vocês, que estão sempre apoiando o cenário Underground! Para quem quiser conhecer mais sobre a Blackning, é só entrar no site www.blackning.com, acompanhar a banda em sua página no facebook. Também tem o videoclipe que acabamos de lançar, Thy Will Be Done. Vamos nos ver na estrada! Contatos: Site: www.blackning.com Management: www.metalmedia.com/blackning Booking (shows) e Merchandising: blackningthrash@gmail.com Fone: +55 11 9 8607 8281 COLLAPSE UNDERGROUND ART - 33


RELEASES

Blackning Order OF Chaos Vingança Music - Nacional úria e peso são os ingredientes gritantes que compõem “Order OF Chaos”. O disco de estreia do power trio, Blackning, extrapola as barreiras de uma sonoridade brutal e agressiva, do começo ao fim. O grupo paulista de Thrash Metal “nasceu grande” e com muita experiência na bagagem, sendo composto por ex-integrantes de bandas lendárias do cenário Underground como: Andralls, Woslom e PostWar. O debut contou com a produção de um dos principais produtores de Metal do Brasil: Fabiano Penna (The Ordher, Rebaelliun). Tendo apenas dez faixas, esse material estampa, de longe, uma qualidade surpreendente. Ritmicamente bem distribuído e com muita técnica. Riffs ríspidos, secos e pesados; a combinação de baixo, bateria e vocais leva uma roupagem mais cravada e densa, esbanjando brutalidade! Os grandes destaques do disco são as violentas e ásperas “Thy Will Be Done”, “Terrorzone”, “Unleash Your Hell” e “Against All”, cruas e bem pegadas. Fechando em grande estilo tem uma faixa tributo ao “Overdose”, outro grande ícone do Metal “Made in Brazil”, uma versão muito mais sanguinária, enérgica e matadora de “Children of War.” Se depender dessa velocidade marcante e agressiva, o Blackning logo expandirá-se nos quatros cantos do país e em terras europeias. Certamente! Thrash fucking and Beer! Ygor Nogueira

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Matanza Pior Cenário Possível Deckdisc - Nacional Tratando-se de autenticidade musical, o quinteto carioca do Matanza é o número um no assunto. Fundadores do Countrycore Old Funeral, e mestres naquilo que executam com exatidão, os mesmos retornam com o “Pior Cenário Possível”. Após três longos anos do lançamento de “Thunder Dope”, Marco Donida e Jimmy London mostram que esses “coraçõeszinhos” ainda bombeiam muito amor e carinho, nos trazendo dez faixas dos mais requintados sentimentos de: ódio, cinismo, fascismo, hipocrisia e tudo que ainda vai ficar pior! O sétimo filho da banda mais parece uma “conti-

nuidade” do aclamado “Odiosa Natureza Humana”, de 2011, muito mais afiado e ríspido. Cru e direto, típico de um “Pé Na Porta e Soco Na Cara”. Esse pode ser também o trabalho mais sólido, refinado e bem estruturado da banda. Vocais mais precisos, agressivos, cheios de cinismo e ironia; riffs mais fixados à peso e precisão - alternando na mais perfeita sincronia de Donida e Maurício; e a combinação marcante de baixo e bateria (feita por China e Jonas). Um trabalho espontâneo, seco, mas sonoramente enriquecido. Cheio de requintes de crueldade, esse disco certamente irá ficar “Sob a Mira” de todos os fãs do grupo. Com o caminhão carregado e o dedo pressionando o gatilho, o Matanza volta disposto à não tirar o pé do acelerador tão cedo. Os caras vem mostrando um excelente e árduo trabalho conquistado com muito suor há mais de 15 anos de carreira, e vão continuar fazendo isso por muito tempo ainda. Abrindo fogo sem discutir! Ygor Nogueira

“Outside the Grave”, verdade seja dita. Infelizmente, só temos duas faixas da banda: “Motel Hell”, uma tijolada na cara com um andamento diversificado e ótimo trabalho das guitarras, enquanto “Eredita Maledetta” começa mais cadenciada e pavorosa, mas logo vira um autêntico convite ao pogo, com muita adrenalina e destaque para os vocais e base rítmica. Esses Zumbis do Death Metal são amigos de longa data, mas nada de chegarem perto, se tiverem amor por suas tripas! O 7” é imperdível, e se encontra disponível para a audição na página oficial do quinteto. Mas cuidado com os dedos no teclado do PC... Esses mortos-vivos são capazes de tudo por uma boca livre! Marcos “Big Daddy” Garcia

Kamala Mantra Voice Music- Nacional esta vida, tudo é incerto. Vivemos conforme nossas sensações e sentidos. E assim, a Roda de Samsara nos prende a ela, até que transcendamos tudo aquilo que nos mantém presos ao império das nossas mentes, onde se ancoram nossos sentidos distorcidos. Uma vida, muitas vidas, sempre indo, voltando, sempre em meio à impermanência, indo do riso da alegria que nunca é satisfeita plenamente ao sofrimento constante. A mente sendo aniquilada faz com que as sensações sejam vencidas pelo caminho do meio, e o Nobre Caminho Óctuplo nos permite distinguir a verdade e perceber a totalidade do que nos cerca. E é assim que podemos representar a visão que “Mantra”, novo CD do trio Kamala, de Campinas (SP): uma autêntica libertação de visões distorcidas do que é Metal como música ou apenas como um meio de se extravasar a rebeldia (que acaba se voltando contra nós mesmos). O trio foca suas energias em criar um Thrash Metal moderno, agressivo e bruto até os dentes, chegando a esbarrar no Death Metal por isso em alguns momentos. Mas não sejam iludidos por seus sentidos e impressões iniciais: o trabalho do grupo é algo ótimo, assentado sobre estruturas harmônicas muito bem feitas, melodias subjetivas que fazem com que as músicas tenham um ganho de requinte providencial. O trabalho do grupo é feito por vocais urrados (e algumas vezes gritados) em seus timbres mais normais, riffs de guitarra absurdamente bem feitos e brutos, com intervenções de solos com boas melodias (basta ver que existe o uso de wah-wah provedencial, como visto em “Becoming a Stone”), o baixo exibindo boa técnica em muitos momentos, e uma bateria técnica e com um peso absurdo. A música da banda é tão madura que chegamos a nos perguntar porquê grande parte do público do gênero ainda é alheio ao trabalho deles, que esbanja energia, brutalidade e bom gosto. E rompe com fronteiras e dogmas musicais sem pudor algum.

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Zombie Cookbook Motel Hell Black Hole Productions - Nacional incrível como certas bandas extremas ficam melhores quanto mais o tempo passa. E é o caso do quinteto de mortos vivos de Joinville (SC) Zombie Cookbook, que depois de “Outside the Grave” (que tem uma linda versão em vinil com capa dupla) nos brinda com um 7” split EP, “Motel Hell”, dispostos a não deixar os ouvidos de quem quer que seja inteiros! Ainda praticando o mesmo Dead Metal de sempre, ou seja, um Death Metal podre com influências do Thrash Metal, só que a banda deu mais uma limpada na gravação. Sujo no estilo, gravação em nível profissional e com categoria. Mas cuidado que estes zumbis não estão para brincadeiras. Usando de vocais insanos que oscilam entre gutural e rasgado sem pudores, riffs de guitarra abusivamente distorcidos e doentios, base baixo-bateria sólida, pesada e coesa, eles são capazes de nos deixar atordoados para se alimentar de nossas entranhas! Mas lembrem-se que o quinteto é um dos melhores grupos do gênero no país. Gravação bem feita, com peso e clareza aliados, a música do grupo ficou ainda mais explosiva com esse tipo de gravação. Não existem motivos para reclamações, bastando ouvirem e verem os ouvidos caírem. E isso é fruto da gravação feita no Brasil e a mixagem e masterização nos EUA, nos Subterranean Watchtower Studios, em Columbia. E a arte, como sempre, é doentia e de muito bom gosto, transpirando aquele humor negro doentio dos filmes “cult” de horror. Os arranjos continuam bem feitos e ganchudos como antes, mas o quinteto ganhou mais peso e agressividade, além de um amadurecimento forte desde

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Produzido por Guilherme Malosso (que ainda mixou e masterizou o disco) e Yuri Camargo, com tudo feito no RG Estúdio, em Americana (SP) entre dezembro de 2014 e Março de 2015, fica claro que a banda realmente botou tudo de si no disco e que Guilherme e Yuri souberam trabalhar: qualidade de gravação abusivamente perfeita, seca, com tudo em seus devidos lugares, esbanjando timbres bem feitos e peso, mas clara, ao ponto de um instrumento não convencional como didgeridoo (um instrumento australiano de sopro usado pelos aborígenes locais, tocado por Vitor Martins), samplers e participações especiais de Guilherme nos vocais em “My Religion” e de Maya Silva em “Mantra”, “What We Deserve” e “Erawan” ficarem bem audíveis e claras. Sim, essas presenças deram um toque de criatividade a mais ao CD. A arte de Felipe Rostodella com as fontes de Allan (baixista/vocalista do trio) é bem feita, com um layout mais simples, mas explorando bem a temática mais consciente do grupo, e as imagens estilizadas de Ganesha (deus hindu que representa a sabedoria e a força para transcender problemas de uma forma lógica) representando cada um dos membros do trio. O Kamala já não anda sendo convencional desde “Seven Deadly Chacras”, de 2012, e agora, resolveu transcender ainda mais as fronteiras. Óbvio que isso demanda arranjos musicais muito bem feitos (mas que são bem espontâneos), dando um forte toque oriental/indiano ao grupo, mas sem o descaracterizar. E para se compreender “Mantra” em sua plenitude, é realmente necessário fugir de velhos padrões e permitir que sua visão se torne mais ampla. “Mantra” transpira uma forte positividade, mesmo em suas letras e momentos mais brutos. Após a intro instrumental “Warning”, o disco já começa em alto nível com “Mantra”, uma faixa bruta e ríspida, com andamento bem variado, forçando baixo e bateria a fazerem um ótimo trabalho. Em seguida, “Alive” mostra ainda mais adrenalina, mas com uma pegada Thrasher contagiante, com ótimos vocais e riffs insanos. “What We Deserve” já começa com um riff de guitarra instigante e bumbos duplos fantásticos, mas logo vira a típica faixa para rodas de pogo e a cabeça balançar até o pescoço doer, com belos arranjos de guitarras e energia aos borbotões, fora arranjos orientais muito bem encaixados, onde ouvimos o baixo recheando um momento mais ameno perfeitamente. Em “Better Energy, Less Anger”, outro apelo ao pogo e banging sem fim, recheada por baixo e vocais esbanjando força, fora uma letra que mostra um pouco de um ensinamento sublime. Mais agressividade saindo pelos falantes é o que “My Religion” oferece, uma canção cheia de arranjos bem abrasivos, reforçando o clima opressivo e permitindo que bateria e baixo se sobressaiam bastante (reparem bem nas bases e no o solo cheio de influências orientais nas notas e entenderão o que digo), sendo os mesmo elementos que encontramos na um pouco mais rápida e cativante “Becoming a Stone” (mais um solo caprichado e belos momentos do baixo). “Airavata” é uma instrumental climática, cujo nome se refere ao elefante sagrado que é montaria de Indra, divindade hindu do trovão. Segue-se a climática, pesada e intensa “Erawan”, uma faixa um pouco mais curta, mas bem abrasiva (e cujo nome se refere diretamente à cultura do povo da Tailândia, já


RELEASES que é de um museu de lá, adornado com um elefante de três cabeças). Fechando o disco, temos a bem trabalhada “Suicidal Attack”, onde ainda temos agressividade em estado bruto, mas certo apelo melódico introspectivo permeia a canção do início ao fim, dando o encerramento com chave de ouro. O Kamala mostra raça e disposição para se manter na luta, “Mantra” se coloca entre os melhores discos do ano, e mostra uma banda que sabe aliar uma música excelente, letras inteligentes e que possuem muito a ensinar a todos nós. Um CD perfeito! Marcos “Big Daddy” Garcia

Nando Moraes Ignited! Independente - Nacional É maravilhoso ver que o Brasil anda se abrindo mais e mais para ótimos trabalhos instrumentais. Sim, o Metal e o Rock não necessitam necessariamente de um vocalista para expressar todo sentimento e complexidade. Músicos como Joe Satriani, Tony MacAlpine, Marty Friedman e outros mostram isso claramente em seus trabalhos, e fica evidente que eles não se voltam apenas para outros instrumentistas, mas sim para um público mais amplo. E é um enorme prazer ouvir um disco como “Ignited!”, de Nando Moraes, que mostra qualidades fenomenais. E não é preciso saber tocar ou conhecer teoria musical para poder apreciar o disco como um todo. Antes de tudo, é preciso dizer que o trabalho de Nando (que foi um dos fundadores do ótimo quinteto Lethal Fear, e também é fundador da Adagio Escola de Música, em Amparo, São Paulo, onde atualmente é coordenador e professor) é bem eclético, ou seja, vai encontrar nuances e influências de estilos variados, como Pop, Rock, Blues, Jazz e Progressivo, sem se perder ou soar desconexo. Pelo contrário: cada momento em “Ignited!” é uma nova descoberta, uma jóia preciosa de puro êxtase aos nossos ouvidos. E podemos aferir que o estilo de Nando, como um todo, segue a escola de Joe Satriani (o que não quer dizer que imite o referido músico): é técnico, inteligente e versátil, mas ao mesmo tempo, o mais importante é a música como um todo. Ou seja, a técnica nas seis cordas é uma conseqüência da música, e não sua motivação. Mas se repararem direito, verão que baixo, bateria e teclados também possuem seus momentos de destaque. A produção e mixagem do trabalho são feitas pelo próprio Nando em parceria com Fábio Ferreira (e este último ainda masterizou o trabalho). E o objetivo foi atingido, já que a qualidade sonora é ótima, limpa e translúcida, mas encorpada e com boa dose de peso (ora, estamos falando de um guitarrista de Rock/Metal). E em termos de arte gráfica, vemos um trabalho um pouco mais simples, mas objetivo e que realmente transpira a essência musical do CD, mostrando que Nando, Doug Dominicali e Luca Aldi capricharam. É empolgante ver o dinamismo das músicas, cada uma delas com sua parti-

cularidade e características bem definidas. E como todo trabalho instrumental de alto nível, os arranjos são excelentes, não cansando os nossos ouvidos, mas servindo com um excelente ungüento para todas as judiarias populares a que nossos espíritos são expostos todo santo dia. “Rite of Passage (Staring the Flames)” abre o CD de forma esplêndida, mostrando um trabalho ótimo de contrabaixo aliado à força de riffs e intervenções solistas de guitarras perfeitas, com uma vibração intensa em um andamento não muito veloz. Em “Once in a Shuffle Time” temos uma pegada mais Progressiva/Jazzística perfeita, onde os solos são bem cheios de feeling (e a técnica encaixou perfeitamente na canção), acompanhados muito bem por ótimos teclados (parece o bom e velho Hamond, e os arranjos dele possuem seus momentos de brilho muito evidentes). “The Voyager” é um pouco mais intimista, bela e melodiosa, que chega a nos embalar pela excelente mistura entre ótimas guitarras e arranjos primorosos nos teclados (e a base rítmica chega a ser brilhante em muitos momentos). E a linda e primorosa “In Fire” é outra canção de absurda gentileza com nossos ouvidos, devido ao intimismo e bom gosto em tudo, com ótimos solos de guitarra mais uma vez. Mais pesada e azeda é “Here It Comes: The Machine!”, com um andamento em meio tempo, com muito peso e ótimos arranjos de baixo e bateria. Arranjos muito bonitos de teclados introduzem “Ignited!”, uma faixa excelente, pesada, melodiosa e cheia de toques de Jazz/Fusion, em que as guitarras fazem riffs e solos ótimos, mas onde baixo e bateria criam uma base intensa e pesada. Fechando, temos “Worth Fighting For”, uma canção apoteótica, grandiosa e onde realmente vemos a plenitude de tudo que Nando e seus colegas de banda podem, em uma autêntica aula de feeling e bom gosto. “Ignited!” é um disco com nível internacional, verdade seja dita. E Nando mostra que ele, Wael Daoul e Michel Oliveira são uma trinca de peso entre os grandes guitarristas do Brasil. Obrigado pela bela aula de bom gosto e alto nível, professor! Marcos “Big Daddy” Garcia

Encéfalo Die to Kill Independente - Nacional Honrando fervorosamente o título do seu mais novo album “Die To Kill”, mais uma vez o Encéfalo nos mostra o porque de ser uma banda tão prestigiada no nordeste, no resto do Brasil e agora também na Europa! O sucessor do aclamado “Slave OF Pain”, chega aos tímpanos dos headbangers recheado de puro peso e agressividade. Com sua pegada mais Death, mas mantendo os precisos riffs thrashers, esse álbum deixa claro o lado mais brutal e violento da banda; músicas mais longas, linha vocal mais fixada e instrumental mais encrementado e detalhado. Produzido pela própria banda o disco tem mais esse ponto favorável, pois

surpreende pela qualidade. O que mostra muito compromisso! As gravações foram feitas no Studio 746 e no VTM Studio, ambos em Fortaleza-CE. Tyago Olyveira, responsável também pela capa de “Slave OF Pain”, foi o mentor da arte do segundo trabalho dos caras. Os destaques vão para, logo de início, a metralhadora “Age Of The Darkness”, a enérgica e densa “Endless Suffering”, a brutal “Assassin”, a agressividade de “Apocalypse” - com solos muito bons -, e a pegada “Night OF The Dead”. Sem duvidas de que com esse novo álbum, o Encéfalo revela-se mais sólido e apurado, o então quarteto dá um show de competência e técnica em suas dez composições! Altamente recomendado! Ygor Nogueira

Syren Motordevil Shingami Records - Nacional O heavy metal é sem duvidas o estilo mais sagrado e consagrado perante o mundo do rock n roll, e sua horda de bandas clássicas e aclamadas é a mais vasta possível. Grandes ícones e grandes frontman’s, considerados deuses e pais o gênero. Formado em 2006, o quarteto carioca SYREN chega em 2015 com o seu mais recente trabalho, intitulado “Motordevil”. Um disco que mescla em suas onze faixas a modernidade e as tradicionais pegadas metálicas. Lançado pela Shinigami Records, o disco supera o primeiro trabalho dos caras em 2011, e traz nítidamente uma grande evolução técnica do grupo em si, tanto coletivo quanto individual! Marcante por seus solos e refrões bem acentuados, o álbum torna-se viciante à cada nova audição, sendo uma tarefa díficil destacar canções prediletas. Mas entre elas estão: “Motordevil”, “Long Road”, “Rebellion”, “Fighter” e “Eyes Of Anger”. “Motordevil” é uma boa pedida para os amantes do metal, um belíssimo trabalho e um dos melhores lançamentos do ano! Ygor Nogueira

Blues Pills Blues Pills Nuclear Blast Brasil / Voice Music Nacional rebuscar do Rock do início dos 70 se tornou uma tendência forte após o surgimento do Grunge nos Estados Unidos no início dos anos 90. De lá para cá, muitos

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nomes, bons e/ou ruins, apareceram e sumiram. E obviamente que tudo que surge no Rock acaba gerando uma escola. E é ótimo ver que na Suécia (uma das mais férteis cena do mundo inteiro) surgiu uma banda como o Blues Pills, cujo primeiro álbum, que leva o nome do grupo, e que acaba de sair no Brasil pela parceria entre a Nuclear Blast Brasil e a Voice Music. O grupo não se encaixa no rótulo de Grunge Rock que conhecemos, longe disso. A banda realmente rebusca aquela sonoridade característica da virada dos anos 60 para os 70, com um som grudento, firme, pesado, gorduroso, e cheio de psicodelia e feeling. Óbvio que um dos primeiros nomes que nos vem à mente (em termos comparativos, mas não para dizer que são uma cópia) é do Led Zeppelin, mas também existem fortes influências do trabalho de Janis Joplin (especialmente pelo jeito forte e Bluesy de Elin Larsson cantar) e do Blues pesado de Jimi Hendrix. Mas mesmo assim, não se prendam a qualquer comparação, pois o grupo mostra personalidade bem forte. Vocais fortes e cheios de sentimento, riffs de guitarra bem feitos e solos melodiosos, contrabaixo gorduroso e bateria com peso e técnica, ambos nas medidas corretas, tudo fazendo com que o disco inteiro seja uma experiência fascinante aos nossos sentidos. Individualmente, todos são músicos de talento, mas o maior foco do quarteto é a música como um todo, e justamente esta é sua maior força. Óbvio que trabalhar com a música do grupo não é um trabalho dos mais simples, mas vemos que a produção de Don Alsterberg é bem correta: nada limpo demais, nada cru além do necessário, apenas aquela sonoridade setentista intensa, orgânica, mas sem que o trabalho deles soe datado, e também não permite que a música do grupo em uma confusão sonora. Marijake Koger-Dunham (capa) e Kiryk Drewinski (layout, digitação) fizeram o trabalho gráfico, que transpira totalmente o feeling 60/70 que o grupo carrega. E a vibração do conjunto sonoridade/arte é bem positiva. Arranjos bem dinâmicos, fazendo com que as canções do grupo soem interessantes durante toda audição do álbum, e em nada são cansativas. Realmente, a banda não se força a ser algo, apenas é, fica bem evidente. E ainda temos presenças especiais que realmente ajudam a melhorar ainda mais o que já é ótimo, com Robert Wallin no piano em “No Hope Left for Me” e órgão em “Astralplane”, além de Joel Westberg na percussão. O disco é bem homogêneo quando falamos das músicas em si, com destaques para “High Class Woman”, cheia de elementos psicodélicos, baixo distorcido bem presente, além de ótimos riffs e solos; “Ain’t no Change” com seu jeito cheio de swing e ótimo trabalho das vozes (onde realmente a influência de Janis é evidente); a mezzo intimista e mezzo rocker “Black Smoke”, bem envolvente e com uma adrenalina Bluesy fenomenal; as introspectivas e lindas “River” e “No Hope Left for Me” (ambas com a cozinha rítmica se mostrando firme, mais o talento natural de Elin com sua belíssima voz); o típico Rock’n’Roll “Devil Man”, mas cheias de nuances psicodélicas fantásticas; a versão da banda para “Gypsy”, uma velha canção de Chubby Checker, que ficou ótima. E para aqueles que adoram um algo a mais, a versão nacional tem duas músicas bônus: a semi-balada calma “Dig In”, e a psicodélica “Time is Now”, ambas do EP “Devil Man”, de 2013. Mas o CD como um todo é ótimo, logo, escolham suas favoritas. Definitivamente, o Blues Pills é mais que bem vindo no cenário atual, e esse CD realmente é ótimo. Marcos “Big Daddy” Garcia

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RELEASES

Feartone Vícios Independente-Nacional A cena brasileira vai bem, obrigado. A afirmativa vem de uma visão que, em termos de banda, o Brasil anda muito bem. Sim, muito bem, já que há não só qualidade (poucas bandas hoje fazem trabalhos ruins, ou apenas mais do mesmo), mas pela diversidade de gêneros. Sim, pois apesar da vocação brasileira para o lado extremo, muitas vertentes (extremas ou não) estão dando frutos, bandas ótimas e novas. E para dar uma limpeza total no ar e expulsar o cheiro de mofo que alguns insistem em arrastar, temos o quinteto Feartone, vindo de Cerquilho (SP), rasgando tudo e todos em sua frente com “Vícios”, seu novo EP. Groove/Thrash Metal rasgado, agressivo e ríspido de uma forma bem difícil de ver por aí. E sim, tem personalidade própria, embora tenha uma influência acentuada e maravilhosa de bandas como Pantera. Vocais urrados na melhor linha de Phil Anselmo, riffs abrasivos e bem sólidos (com solos melodiosos), base rítmica mostrando boa técnica e peso absurdo. Sim, o quinteto acerta a mão em equilibrar peso, melodia e brutalidade, mas sem deixar de fora uma técnica muito boa e também sem deixar de ser espontâneo. Mais uma vez, Adair Daufembach garante a qualidade sonora de um bom trabalho. A produção foi acertada, com mixagem e masterização bem feitas, deixando a banda soando claro, mas bruta e pesada como deve ser. Arranjos dinâmicos, mudanças de andamento nos lugares, e tudo isso torna o trabalho do grupo um momento de puro prazer. Duas faixas presentes (o que é uma pena, pois merecem mais): o caos abrasivo cheio de variações de ritmo de “Anônimo” (onde baixo e bateria, aliados aos vocais se destacam bastante), e a golfada brutal de “Sermão” (que apresenta o mesmo dinamismo e agressão da canção anterior, mas com um trabalho de guitarras de dar gosto de ouvir). Além disso, as letras em português ressaltam ainda mais o lado azedo do trabalho. São garotos de aço esses do Feartone, e “Vícios” os credencia para vôos mais altos. E futuro eles têm, e muito! Marcos “Big Daddy” Garcia

Black Oil Resist to Exist Sliptrick Records - Importado Uma das maiores realidades dos

tempos em que vivemos é a de que o Metal está em um momento que beira o paradoxal: muitas bandas buscam fazer sonoridades mais antigas, algumas conseguindo dar uma cara própria ao que já foi utilizado muitas vezes (a maioria fica apenas na clonagem Dolly Metal), enquanto outras buscam abrir novas possibilidades, ousando e desbravando. No segundo grupo, temos o Black Oil, de Anaheim, na Califórnia (EUA), que quatro anos após “Not Under My Name”, retorna à carga total com “Resist to Exist”, seu novo álbum. A banda deu mais um passo adiante de sua sonoridade suja e brutal, misturando aspectos do Deth Metal com Groove Metal com Thrash, elementos regionais do Brasil e outros país, alguns toques que lembram a fase “Chaos A.D.”/“Roots” do Sepultura, só que o grupo está ainda mais caótico, agressivo, pesado e azedo. Mas não se iludam, pois debaixo de tanta brutalidade, existe uma técnica musical refinada. Mike Black continua sendo um mestre nos vocais urrados (que contrastam bastante com seus gritos rasgados), Adassi Addasi ainda é um mestre em termos de riffs e solos (com uma técnica multicultural fantástica nas guitarras), baixo e bateria com muito peso e técnica, onde vemos muito convidados especiais. E não adianta: o quarteto não se prende a rótulos ou limites, e nem tem todo respeito e moral que possuem por mero acaso. Sua música original, experimental e de bom gosto justifica isso. Três produtores diferentes trabalharam no CD: Cristian Machado (do Ill Nino) produziu “Rise Up”, “Justified”, “Exoskeleton”, “Combustion”, e co-produziu “Revolution” em parceria com Logan Mader (que também produziu a faixa “Callate”, e é bem conhecido como guitarrista que já passou pelo Machine Head e trabalhou em vários aspectos de produção em discos de bandas como Cavalera Conspiracy, Devildriver, Gojira, entre outros), e Erik Reichers que produziu “Stand Against Everything”. Resultado: explosão de peso e agressividade massivos, mas com qualidade e clareza evidentes. Não dá para não compreender a música do grupo como um todo. O grupo, como dito acima, não esbanja agressividade sem estar muito bem construída em termos de arranjos. Tudo aqui é milimetricamente pensado e encaixado, mas ao mesmo tempo, percebe-se uma enorme espontaneidade em cada uma das oito faixas. E a presença de Tony Campos (baixista do Fear Factory e do Mynistry, que já passou por Prong e Soulfly) e Aaron Rossi (baterista do Ministry) em “Callate”; Silverio Pessoa (conhecido músico brasileiro que usa de misturas de ritmos regionais do Nordeste do Brasil com outras formas de música) em “Combustion”, Raymond Herrera (baterista original do Fear Factory e que passou pelo Brujeria) em “Revolution”; Hector Guerra (músico boliviano que trabalha com ritmos latinos), Zero (do trio de Hip Hop El Vuh), e Ricardo Vignini (conhecido violeiro, músico e produtor brasileiro) em “Stand Against Everything” deu um toque a mais de brilho ao trabalho. Mesmo aos que possuem ressalvas a estilos musicais fora do Metal, garanto que não ocorreu nada que descaracterizasse o som do Black Oil. Mais agressivo e intenso que antes, o grupo desce a marreta. O CD já abre com a bruta e ríspida “Rise Up”, com um andamento não tão veloz, exibindo um trabalho fenomenal de guitarras (di-

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gamos de passagem: a escolha de timbres para o álbum foi perfeita), seguida do caos em erupção chamado “Justified”, com energia e um andamento que bem variado que leva ao pogo sem dó, com vocais urrados ótimos e refrão empolgante. Em “Callate”, a atmosfera mais moderna e o lado Groove do grupo ficam bem evidentes, alternando espanhol e inglês perfeitamente, e a base rítmica dá um show de peso. Um pouco mais cadenciada e azeda é “Exoskeleton”, com aqueles riffs que grudam na mente, adornados de belas melodias sob tanta agressividade. “Combustion” é mais experimental, apresentando uma fusão de ritmos do Nordeste do Brasil com o peso grooveado do quarteto, contrastando os vocais urrados de Mike com a voz forte de Silvério, e se nota a presença de que não são convencionais ao Metal (como se o Black Oil se desse o trabalho de se limitar ao convencional...), e “Revolution” ressalta o lado mais HC/Crossover do grupo, mas sem perder a intensidade moderna do grupo, mais alguma influência do Industrial. “Stand Against Everything” tem toques multiculturais interessantes, indo da música oriental até as percussões brasileiras, mais alguns vocais limpos em ritmos latinos, berimbaus, viola caipira e flautas. E fechando, temos a abrasiva e brutal “Paper Slave”, outra com momentos mais modernos e outros calmos surpreendentes, onde o Samba de raiz dá suas caras. É mais um disco fundamental para o gênero. Óbvio que muitos radicais puritanos vão torcer o nariz, mas o bom Headbanger, de mente aberta, ao terminar o CD, terá a mesma reação desse escritor: se levantar da poltrona com um sorriso no rosto e aplaudir o CD. Não minimize a banda tentando rotulá-los, apenas ouça e aproveite este que é um dos melhores plays do ano, e deve sair no Brasil em breve! Marcos “Big Daddy” Garcia

Alefla End of the World MS Metal Records - Nacional Falar do Metal tradicional é algo sempre prazeroso. Sim, pois é de onde todos os subgêneros nasceram, e ver como as mutações que ocorreram em todos estes anos o tornaram cada vez mais atraente e forte, vigoroso e melodioso, sem perder o peso. E o quinteto ALEFLA, de Pindamonhangaba (SP) realmente entende de como se faz a coisa, o que é mostrado no ótimo “End of the World”, seu primeiro trabalho. Misturando muito do Metal tradicional com alguns toques de Metal melódico e Prog Metal, vemos uma banda cuja musicalidade é elegante e bem feita, mas com peso e energia de sobra, além de refrões privilegiados. Vocais ótimos e melodiosos (a voz de sua vocalista é um bálsamo aos ouvidos), uma dupla de guitarras que se entende bem em termos de riffs e solos (com pegada

pesada e boas melodias), baixo e bateria com equilíbrio perfeito de técnica e peso, e tudo isso misturado cria uma música que, se não é inteiramente nova, tem muita personalidade. E que, aliás, é alto nível! Tendo Tito Falaschi na produção e na mixagem, tudo feito no IMF Studios, em São Paulo, nos é permitido afirmar que a sonoridade do grupo beira a perfeição, uma combinação perfeita de peso e clareza (mas quem conhece o trabalho de Tito como produtor, sabe bem que ele sempre faz algo de muita qualidade), timbres muito bem escolhidos e cada instrumento aparece em seu devido lugar. A capa ostenta uma paisagem futurista onde o mundo que conhecemos acabou, mas isso é sinal de que uma nova etapa pode ser começada, em um trabalho artístico muito bem feito. O quinteto sabe o que quer fazer e explora bem os limites de sua música. Podemos perceber que a banda sabe arranjar muito bem suas composições, sem que elas soem artificiais ou forçadas. Nada disso, elas soam espontâneas e vigorosas. E o melhor de tudo: é feito com coração. Das 11 faixas (pois “Beginning of the End” é uma introdução bem climática de teclados), apesar do equilíbrio de qualidade entre elas, podemos destacar “Watching Over Me” (que já entra com aqueles riffs pesados e solos empolgantes que grudam nos nossos ouvidos, fora um trabalho muito bom dos vocais. Reparem bem no refrão), a ótima e introspectiva “Believe Me”, que alterna momentos melodiosos e outros mais lentos muito bons, fora os vocais masculinos dando um toque especial (especialmente quando se alterna com os femininos), a preciosa “End of the World” (que tem uma pegada mais acessível, mas sem deixar de ser elegante e pesada), a pesada e elegante “Battlefield” (que possui novamente um dueto de vozes perfeito), a mais técnica e com um jeitão de Power Metal “Seven Signs” (com um trabalho bem expressivo de baixo e bateria), “Hope to Live” e seus belos arranjos de guitarra e momentos etéreos, e a pegajosa “Walking Through the Night”. É uma ótima banda, verdade seja dita, e tem muito talento. Mas verdade seja dita: ainda podem oferecer bem mais. Mas por enquanto, “End of the World” é o típico disco para se pôr no CD Player e ligar a função repeat. Tem muito futuro. Marcos “Big Daddy” Garcia

Imperative Music Vol. IX (coletânea) Imperative Music - Nacional Quando se fala em compilações, muito ainda acreditam que a velha fórmula (muito usada e cultuada nos anos 80) caiu em desuso. Esta idéia se baseia nas facilidades e barateamento nos custos de gravação de trabalhos próprios. Mas elas continuam com uma impor-


RELEASES tância: a de ter inúmeras bandas disponibilizadas em um único CD/LP para os ouvintes, possibilitando ao fã conhecer mais e mais bandas jovens. E o volume IX da compilação Imperative Music chega em ótima hora, usando de um formato interessante, como o volume VIII: a presença de um nome já reconhecido para atrair a atenção de todos. No volume IX (que é o que tem maior presença das vertentes mais extremas do Metal), nos brinda com a presença de um dos nomes mais icônicos do Metal: o Death está presente, com a faixa “Born Dead”, um de seus maiores clássicos, além do Devilment, projeto paralelo de Dani Filth (vocalista do Cradle Of Filth) com “Mother Kali”. Mas não é de se surpreender que o nível de qualidade subiu em relação aos volumes anteriores: as bandas presentes no CD fizeram trabalhos musicais bem interessantes. A qualidade de gravação oscila como em todos os volumes, mas lembrando que cada uma das bandas é responsável pela gravação e produção de seus trabalhos. Mas isso é um charme a mais, já que é impossível querer que cada banda tenha qualidade igual à outra, já que, conforme varia a proposta sonora de cada uma delas, o padrão de gravação precisa mudar. Cada estilo tem suas particularidades nesse aspecto. Com bandas vindas de todos os lugares do mundo, isso nos permite ver como estamos antenados com a realidade global do Metal. E embora cada banda tenha seus próprios méritos, verdade seja dita: existem aquelas que se sobressaem. Os melhores momentos: os cariocas do Tellus Terror com a multivariada “Endtime Panorama” (com belos arranjos de teclados, vocais muito bem encaixados e guitarras ferozes. Não são um nome de ponta à toa, e seu M. M. S. sempre é uma ótima pedida), o óbvio Death em “Born Dead” (impossível não citar os pais do Death Metal, e por justamente vir de um dos seus discos mais seminais, “Leprosy”, a faixa ilustra o que o Death Metal seria alguns anos depois, mas mesmo assim, o quarteto mostra em sua música que nunca seria igualado), o raivoso Southern em “Irrelevant” (belas mudanças de andamento, vocais ótimos e belos riffs de guitarra), o explosivo Cretin, vindo dos EUA e que detona a furiosa “It” (uma pegada Death/Grindcore azeda e bruta, com um trabalho ótimo de baixo e bateria), o ousado Devilment, do Reino Unido, com “Mother Kali” (óbvio que um trabalho de Dani Filth sempre se destaca. Vocais incríveis, riffs azedos e teclados perfeitos em uma faixa intensa e bem trabalhada), a suave e bem feita “Schizophonicated”, do holandês Robbie Valentine (um dos poucos momentos não extremos da compilação, mas mesmo assim, uma faixa irrepreensível, com ótimos vocais e riffs bem melodiosos), a bem trabalhada e abrasiva “Before Night Falls” dos japoneses do Faintest Hope (uma faixa muito bem elaborada, com arranjos de guitarra mais bem feitos e melodiosos na medida, quase um Thrash Metal à lá Kreator antigo), a brutal “Infinity Horror” dos brazucas do Inernal Plague (uma faixa de Death Metal mais tradicional com um vocal gutural extremamente bruto), o ótimo trabalho do também brasileiro Lands Of Tears em “Ancient Ages of Mankind” (um Death Metal clássico bem trabalhado, com guitarras e vocais excelentes), os thrashers do Agressor em “Stupid Pleasure” (uma banda lendária do Rio

de Janeiro, com uma pegada Thrash Metal Old School excelente), a serra elétrica Death Metal do The Fallen Prophets (da África do Sul), rasgando os ouvidos alheios com “Obligated to Die” (riffs cortante, base rítmica pesada e técnica), e os brasileiros do Pantáculo Místico 666 + 777 com a sinistra e bem feita “A União do Treze” (teclados climáticos, vocais extremamente guturais bem encaixados, e melodias fúnebres bem construídas). Mas isso não quer dizer que as outras bandas com suas respectivas canções não sejam boas, longe disso. Mais um belo trabalho, e aproveitem, pois muitos dos nomes que aqui são desconhecidos são excelentes. Marcos “Big Daddy” Garcia

Certo Porcos [Ódio]666 Cogumelo Records É comum o surgimento de bandas que possuem em suas formações alguns músicos já consagrados. Em geral, isso acaba causando certo desconforto aos fãs, já que em muitos dos casos, o trabalho anterior e o atual não são semelhantes. Ou seja: a banda antiga tem um estilo, e a nova, outro bem diverso. E nesse caso encaixamos o trio mineiro Certo Porcos!, que chega destruindo tudo pela frente com o ótimo “[Ódio]666”, seu primeiro álbum. Na banda, temos Rodrigo nas guitarras e vocais, e que para quem não sabe, é um dos fundadores do lendário grupo Holocausto (sim, o mesmo que conhecemos da “Warfare Noise I” e que participou de discos como “Campo de Extermínio” e “Blocked Minds”). Mas não vão com sede ao pote em busca de Metal extremo Old School, pois se decepcionarão com certeza. O Certo Porcos! é uma banda do mais puro Hardcore com muita influência de nomes como S.O.D., Discharge, Rattus e Terveet Kädet. Óbvio que certos toques de Metal surgem aqui e ali, mas não é o enfoque principal do grupo. Mas não se iludam, que nessa simplicidade mágica do grupo, nessa fusão de vocais quase gritados e quase urrados, riffs de guitarras mais simples, base rítmica sólida e bem encaixa, existe um ótimo trabalho para nossos ouvidos. Se não chega a ser inovador, tem energia, garra e personalidade perfeitos. A gravação do trabalho apresenta ótima qualidade, suja o suficiente para ter peso e identidade HC suficientes, mas uma clareza muito bem vinda, que nos permite compreender o que o trio está fazendo. Um bom trabalho feito por André Cabelo. E em termos artísticos, a banda remete justamente ao HC dos anos 80, com toda ela em colagens de fotos e notícias de jornais que nos fazem sentir forte indignação contra o sistema. Musicalmente, o trabalho do grupo é direto e sem firulas, mas isso não significa que a banda não sabe fazer bons arranjos. Justamente por ser assim é que o disco é tão bom. O grupo não passa dos 3 minutos

de duração em suas 16 faixas (mais uma característica do Hardcore, embora “Hate Never Ends” e “Auschwitz” sejam as excessões), despejando fúria e energia suficiente para convencer um bom fã de Metal ou HC. E em “O Lavrador” (uma faixa com andamento com velocidade moderada e empolgante, e muito peso nos riffs), a azeda “Hate Never Ends” (com um andamento cadenciado e vocais raivosos e bem postados), a ganchuda “FO. D. A.” (belo trabalho de bateria, digamos de passagem), a excelente “Secret Society” (mais uma com belos riffs ganchudos), a trinca-coturnos “Albergue 35” (rápida, um convite ao pogo sem dó), e a provocativa “Goat Legs/Red Eyes” (com outra aula da cozinha. Simplicidade não implica em ausência absoluta de técnica) temos mostras de que esse trio tem muito futuro. O Certo Porcos! é daquelas bandas que se ouve, o trabalho fica na cabeça e não sai mais, logo, ouçam e sintam a energia anárquica que reside em suas músicas. Marcos “Big Daddy” Garcia

John No Arms Bar Independente - Nacional A fusão de gêneros sempre rendeu muito para os estilos dentro Metal, do Punk/HC e para o próprio Rock’n’Roll como um todo. Tal qual vemos na natureza, as fusões vão criando maior e mais ampla diversidade musical. E isso mantém o gênero vivo enquanto tantos outros ficam estagnados, parados no tempo e presos a um tipo muito específico de público. E como é bom ver que as terras de Brasília ainda revelam bandas ótimas como o John No Arms, que chega com seu primeiro álbum, “Bar”. Transpirando ironia e um forte odor de álcool, o quarteto funde elementos do Metal, do Rock’n’Roll, Punk e HC para criar uma música híbrida e pesada, que chega a nos assombrar em muitos momentos, mas sempre sendo consensual e bem diferente do que vemos por aí. O trabalho da banda lembra um pou-

co uma mistura de Motorhead e alguns aspectos do Metal extremo, outras horas com a adrenalina azeda do Punk, e lá vão eles para cima de tudo e todos, sem respeitar barreiras ou fronteiras. Vocais gritados e bem diversificados, riffs de guitarra ótimos e certeiros, baixo e bateria criando uma base rítmica variada que permite a banda explorar bastante sua imaginação e musicalidade. E o produto final é incrível. Gravado no Orbis Estúdio em Brasília (DF), “Bar” foi produzido pelo vocalista Renato BT, e mixado e masterizado por Marcos Pagani. A sonoridade é pesada, intensa e crua na medida certa, pois ouvimos cada instrumento separadamente sem problemas, ao mesmo tempo em que o peso e força da banda estão intocáveis. Arranjos fortes e bem feitos, uma dinâmica instrumental perfeita, o grupo mostra bastante desenvoltura na hora de compor. E verdade seja dita: com toda essa diversidade musical, não é um trabalho dos mais simples, mas eles pegaram o diabo pela cauda e fizeram na marra! Em 14 canções ótimas (algumas bem curtas), o John No Arms mostra que qualquer coisa que é realmente ridícula acaba virando uma anedota, e eles não se furtam em usar o bom e velho espírito irreverente do Rock’n’Roll para fazer o que quer que seja de piadas. Melhores momentos em um CD que é ótimo do início ao fim: a crua e azeda “John No Arms” (belíssimo trabalho nas guitarras em uma faixa que funde elementos de HC, Punk e alguns toques de Metal), a pogante e energética “Beer Book” (vocais sensacionais nessa mistura de Punk e Rock’n’Roll), “Viking Life” com alguns andamentos que remetem diretamente ao Metal extremo (e assim, vemos baixo e bateria se destacando bastante), a pesada e intensa “Open Till Dawn”, a totalmente Crossover mais cadenciada “Estou Cada Vez Mais Velho e Bebendo Mais (Quadrijet Inferno)” (mais uma bela exibição das guitarras em riffs ótimos e vocais gritados excelentes), a bem humorada homenagem ao falecido Quorthon em “This Guy Is A Black Metal Maniac” (uma aula de como se faz Metal em uma música curta, com outra mostra ótima performance de baixo e bateria), a ótima e intensa “The Awaited Land” (que apresenta alguns elementos das vertentes mais melodiosas e técnicas do Metal extremo), e a bruta e diversificada “Trollers, Dollars & Games, No. II”. Realmente, o cenário nacional precisa (e muito) de mais bandas como o John No Arms, que nos presenteia com boa música e nos lembra o apelo primordial do Rock: liberdade e diversão. Marcos “Big Daddy” Garcia

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Finita Voices from Sanatorium Independente - Nacional Após uma grande explosão do chamado Metal Sinfônico na primeira metade da década passada, o gênero voltou ao underground. Óbvio que isso não significa que boas bandas não possam mais surgir nessa vertente. Não há proibições nesse aspecto, e de vez em quando, algumas bandas muito boas surgem nessa linha, como a banda FINITA, um quinteto que vem de Santa Maria, tradicional cidade roqueira no RS, e chega com seu primeiro trabalho, “Voices from Sanatorium”. O diferencial da banda é que, mesmo usando um enfoque que mistura Sinfônico com Gothic Metal, temos o uso de vocais femininos ora mais macios, ora mais fortes e mesmo guturais, fora a inclusão de passagens de gêneros que não fazem parte do Metal (como o trecho de música espanhola em “Origin Lost”). A banda mostra-se que possui muito a dar ao cenário nacional, mas mesmo assim, já mostra um nível de qualidade muito bom, com vocais ótimos e diversificados, um trabalho de guitarras de cair o queixo (como bases e solos ótimos), baixo e bateria com equilíbrio entre técnica e peso, e teclados criando boas passagens e dando um toque de requinte ao disco. E o resultado é muito positivo. A qualidade da gravação é boa, mas deixa um pouco a desejar em alguns pontos. Ela soa abafada e seca demais, mas lembremos que o quinteto bancou tudo. Óbvio que isso não chega a atrapalhar a compreensão do que eles fazem, apenas poderia ser melhor. Boa dinâmica de andamentos, trabalho instrumental bem feito, o FINITA mostra bastante talento. E o talento latente da banda fica evidente em canções como “Blind Greed” (ver o contraste ente os vocais operísticos e guturais é ótimo, fora um trabalho de guitarras muito bom), a mais energética e um pouco mais agressiva “The Other Face” (outra com ótimas guitarras, fora a alternância de momentos pesados com outros mais suaves), a mais melodiosa e bela “Perspective”, e a técnica e pesada “Voices from Sanatorium” (um show de baixo e bateria, com belo acompanhamento dos teclados, guiando bem a canção). Como dito acima, o FINITA pode render ainda mais, pois tem muito potencial. Mas “Voices from Sanatorium” é uma estréia muito boa, e pode ser baixado gratuitamente, pois foi liberado pela banda. Marcos “Big Daddy” Garcia

Armored Saint Win Hands Down Metal Blade Records - Importado A cena dos EUA no início dos anos 80 deu origem a muitas bandas que, hoje, mesmo sem terem todos os holofotes voltados a eles, continuam fazendo trabalhos excelentes. E estamos falando de uma cena em que os titãs Norte Americanos andam muito mal das pernas, alguns até se distanciando do Metal. E um nome que merece muito mais exposição é o dos veteranos do Armored Saint, banda de Los Angeles (CA), que enfim retoma a artilharia pesada com o perfeito e maravilhoso “Win Hands Down”, recém lançado. O quinteto é uma banda clássica, fazendo aquilo que muitos chamam de “American Heavy Metal”, ou seja, o bom e velho Metal tradicional com um enfoque um pouquinho mais agressivo que o seu irmão bretão, mas cheio de melodias e técnica (duas características marcantes da escola Norte-Americana do Metal), embora certo toque de modernidade esteja presente. Os “Saints” enfrentaram enormes desafios nesses muitos anos de carreira, e apesar das muitas dificuldades que enfrentaram, dos dois hiatos 1992-1999 e 2003-2006, continuam na luta. John Bush é um dos melhores (se não for o melhor) vocalista americano em atividade, com uma voz bem pessoal e um estilo inconfundível, fora uma interpretação perfeita e uma dicção clara. A dupla de guitarras de Phil Sandoval e Jeff Duncan é uma autêntica muralha de riffs poderosos, solos melodiosos bem caprichados, e ótimos duetos à lá Maiden/Priest. Joe Vera continua com seu estilo técnico e pesado de tocar baixo, com vários momentos brilhantes. E Gonzo Sandoval mantém a mesma pegada pesada de sempre, formando com Joe uma cozinha rítmica pesada e azeda, guiando os andamentos do grupo muito bem. E esses cinco “Santos” mostram a diferença entre um puro-sangue do Metal anos 80 e aqueles que apenas clonam a época, e que não possuem alma. É ouvir e perceber a diferença, que é gritante. Produzido por Joey Vera e mixado por Jay Ruston (que já fez trabalhos para Anthrax, Steel Panther, Stone Sour, entre outros), não há o que falar além de: claro e pesado. Tudo em seus devidos lugares, timbres perfeitos. A capa, um trabalho fotográfico incrível, que possui um mini documentário no Youtube (https://www. youtube.com/watch?v=pl0gOQx3cTo), ficou ótima, expondo bem a idéia do título. Falar do lado musical dos Santos de Armadura nunca é difícil, mas muito menos é simples: as composições são fortes, pesadas, com belas linhas melódicas, soando como um todo (apesar do nível técnico do grupo ser ótimo), com arranjos refinados, mas em nada deixamos de sentir que a pregação desse Santo do Metal deixa de ser espontânea. O CD ainda tem as participações de Eric Ragno no piano e teclados, e Pearl Aday nos vocais em “With a Full Head of Steam”. Assim,

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a mensagem deles é simples: We’re Metal, then, Bang Your Fucking Head! Gonzo, Phil, Jeff e Joe já dão as cartas do jogo no noise que dá partida à “Win Hands Down”, faixa do vídeo de divulgação, que é pesada e melodiosa nas medidas certas, com belíssimos vocais de John (quanto mais velho, mais ele canta! A diversidade de tons dele é fantástica), e guitarras perfeitas (solos, duetos, bases, tudo muito bem feito). Em “Mess”, o andamento não é tão rápido, mas pesado, trabalhado e intenso, mostrando que Gonzo e Joe se entendem perfeitamente (e vejam que a técnica de ambos é ótima), fora um refrão muito empolgante. Um pouco mais melodiosa e com pegada moderna é “An Exercise in Debauchery”, mas sem perder a força do estilo do quinteto (reparem o jeitão clássico das guitarras, com solos ótimos). Mostrando um lado mais climático, intenso e refinado, temos “Muscle Memory”, alternando momentos mais melodiosos e etéreos com outros mais pesados, dando destaque aos vocais. Outra pedrada intensa é “That Was Then, Way Back When”, com refrão e backing vocals ótimos, em um andamento sinuoso e recheado de guitarras abrasivas (Phil a Jeff realmente podem ser considerados uma das melhores duplas de guitarras atualmente), mais a presença de certa aura moderna. Também com uma pegada um pouco atualizada, mas cheia de elementos do Hard’n’Heavy clássico, temos “With a Head Full of Steam”, faixa vibrante e com um trabalho de baixo perfeito e bem evidente. Entremeada por momentos pesados e brutos com algo mais introspectivo (e reparem como a voz de John se sai bem em momentos mais amenos, com um belo trabalho de violão), tempos “In An Instant”, cheia de solos com muito feeling e andamento instigante. “Dive” é mais soturna, com bela presença de piano e teclados, uma linda balada, mais comercial, mas perfeita, espontânea e elegante. Em “Up Yours”, que encerra o CD, temos outra canção muito intensa e pesada, mas com belas melodias nas guitarras, muito peso na base rítmica, vocais muito versáteis e grandes backing vocals. Se você é daqueles que acha que o grupo nunca igualaria “Symbol of Salvation”, de 1991, é bom rever seus conceitos, pois “Win Hands Down” chegou para derrubar esta idéia saudosista sem nexo, além de tomar para si um lugar entre os melhores discos do ano. Saints Will Always Conquer! Marcos “Big Daddy” Garcia

Makinária Rock Ao Vivo na Cidade Rock Independente - Nacional Bem, Metal e Rock’n’Roll possuem similaridades interessantes no tocante ao cenário: muitas bandas ainda vivem no underground, sem apoio da grande mídia (TVs e jornais de maior expressão), e lutando com as dificuldades em fazer shows. Sim, apesar de

tudo, ambos os estilos ainda carecem muito de atenção (mesmo de muitos fãs, que vivem apenas do olho nos aviões vindos de EUA e Europa). Mas isso não quer dizer que nada é feito, muito pelo contrário: um número absurdo de iniciativas ocorre longe dos olhos da maioria das pessoas. E uma muito boa é do quarteto Makinária Rock, de São Paulo, que acaba de lançar o disco ao vivo “Ao Vivo na Cidade Rock”. O quarteto mostra a força de seu Rock’n’Roll cru e direto, cheio de energia e muito peso, que deixaria muitos fãs de música mais acessível de cabelos em pé. Se não chega a ser inovador e nem quer mudar as regras do jogo, aglutina valor por ser algo mais pessoal do grupo. Vocais fortes e bem espontâneos, riffs azedos e diretos, baixo e bateria com peso, formando uma cozinha rítmica empolgante. E tudo isso em uma música mais simples e sem firulas, mas envolvente e ganchuda. Se perguntarem o que temos em termos de sonoridade, aqui a coisa é crua e densa, longe de ser uma superprodução sonora. Não, aqui a coisa é ao vivo, direta e crua, com as deficiências e virtudes de um disco do tipo feito no underground. Mas é justamente por isso que o disco tem seu valor e charme: somente quem conhece o cenário fora do mainstream é capaz de compreender. E esta gravação ao vivo, feita em Osasco, mostra a potência sonora do quarteto. O quarteto é uma máquina ao vivo, destilando músicas intensas, cuja qualidade supera as deficiências de uma gravação ao vivo, e fazem o saldo ser positivo. E o Makinária Rock sabe como fazer a coisa, e muito bem. Disso, eles entendem bem! Não tem como não destacar a crueza e força de canções como “Makinária Rock”, “Magrela” ou “Cidade Rock”, que estão presentes no CD “Cidade Rock” (e nessa última canção, a querida São Paulo é reverenciada por seus méritos ao ser a cidade que abraçou o Rock’n’Roll há muitos anos, sem desmerecer outras cidades de nosso país), as espontâneas “Valeu a Pena” e “Cansado” (do primeiro CD do grupo, “Makinária Rock”), além da nova “Eleição ou Gozação” (que estará no próximo Cd do grupo, e que já mostra uma maior diversidade, sem descaracterizar o som cru da banda), e da versão para “Deus Salva o Rock Alivia” do Made In Brazil, grupo seminal do Rock brasileiro. O CD é muito bom, diversão garantida e certa, e que está disponível para download gratuito aqui. Essa máquina de Rock não pode parar, e “Ao Vivo na Cidade Rock” serve como agradecimento aos ex-membros Marcelo Ladwig e Luis Takeo, que deram sua contribuição para a história do grupo. Marcos “Big Daddy” Garcia

Animal House Limbo Independente - Nacional Algumas bandas possuem um processo de evolução/mutação bem interessante. Elas começam de uma forma, com uma sonoridade razoavelmente bem definida, mas que devido a um “in-


RELEASES sight” experimental, a banda logo apresenta um trabalho um pouco diferente do anterior. Um dos exemplos mais interessantes é o Therion, que começou como uma banda de Death Metal até chegar aos moldes atuais. E os paranaenses do Animal House seguem esta linha, como comprovamos em “Limbo”, seu novo trabalho. Reduzido a uma dupla, a banda que antes tinha uma musicalidade um pouco mais voltada ao Heavy’n’Roll. Mas em “Limbo”, influências mais modernas se aglutinaram a musica do grupo, tornando-o ainda mais pesado e intenso. Óbvio que a melodia de antes ainda se encontra lá, bem como uma pegada empolgante, mas ganhou peso e intensidade, além de uma aura moderna. Os vocais que antes deixavam um pouco a desejar estão bem melhores, com timbres mais bem encaixados à proposta da banda, os riffs de guitarra estão pesados e mais agressivos que antes, mas sem perder a noção melódica (e os solos estão muito bem encaixados, mas nada exagerados), baixo e bateria com peso muito bons. E digamos de passagem: o nível de composição também melhorou bastante. A produção da banda está bem melhor que antes. Feito por eles mesmos, a sonoridade do Animal House ganhou mais peso e agressividade, embora sem perder a qualidade necessária para a compreensão do que estão tocando. Está pesado e intenso, mas claro. Tudo na banda deu uma melhorada, já que as composições ganharam uma boa dinâmica nos arranjos, evitando cair no ponto comum ou de cansarem nossos ouvidos. O amadurecimento lhes fez bem, e quem saiu ganhando foi o ouvinte. Com a média de 3 minutos de duração, “Limbo” nos trás quatro boas composições. A ganchuda e instigante “Last Greatest Hero” ainda mantêm aquela pegada Hard’n’Heavy de antes, mas com a força e peso do Metal moderno, com bons arranjos de guitarra e uma bateria bem pesada. Já “Monochromatic” é mais pesada e técnica, soando bem moderna, esbarrando em gêneros como o Djent e o Progressive Metal em alguns momentos (a banda tem um caldeirão de influências, logo, não é algo de se estranhar), com muito peso na bateria e vocais bem encaixados, fora um solo melodioso providencial. Seguindo com a modernidade, temos a excelente “New Age Messiah”, com uma carga de peso bem abrasiva, mas novamente temos aquela levada empolgante das raízes da banda surgindo de forma espontânea, e mais uma vez, as guitarras se destacam bastante. E fechando, temos a acústica “Middle Finger Blues”, que mostra um jeitão Southern/Country delicioso, as raízes do Rock’n’Roll, e que não fica deslocado, mas que mostra o quanto o trabalho da dupla é espontâneo. Um ótimo trabalho, e o Animal House está pronto para vôos mais altos. Marcos “Big Daddy” Garcia

Contempty Trauma Independente - Nacional Uma das coisas mais interessantes

que o meio Metal nos concede é poder assistir a evolução das bandas que estão no cenário. Algumas delas sempre ficam no “mais do mesmo”, sem dar uma mínima variada; já outras preferem dar uma mudança, sem perder de vista aquilo que já fazem. E nesse segundo caso, o quarteto Contempty, de Rio Pomba (MG), que retorna a este humilde espaço e nos brinda com seu novo trabalho, “Trauma”. O grupo faz um Doom Death Metal bem carregado, pesado, intenso e melancólico, na linha de bandas como o velho My Dying Bride, Anathema e Paradise Lost, mas o enfoque do grupo é bem diferenciado. E o ponto forte do grupo é justamente evitar o experimentalismo de muitos gigantes do gênero que acabaram em caminhos tortuosos. No caso do quarteto, eles buscam expandir fronteiras sem abrir mão de sua identidade. Os vocais da banda são em um gutural bem pessoal, fugindo um pouco da fórmula já erodida de urros em tons baixos; os riffs de guitarra são ótimos, dando uma aclimatada perfeita, usando os tempos mais lentos como uma ferramenta para a criação de uma atmosfera soturna e densa; e esta atmosfera é reforçada pelo uso muito bem pensado dos teclados, que não fazem apenas um fundo melodioso, mas que também não ficam aparecendo em excesso. E baixo e bateria se aliam para manter os tempos lentos, mas variados e pesados sempre, com boa técnica. E o fruto disso é uma música intensa, fúnebre e soturna, mas agressiva e pesada, e alguns belas melodias sinistras. Um deleite! No tocante à produção sonora, o grupo deu uma melhorada ótima em relação ao trabalho anterior, o EP “Gaping Deception in Guiltless Eyes” de 2013. A qualidade sonora está ótima, clara e pesada ao mesmo tempo, ou seja, entendemos claramente o que a banda está tocando, mas sem que o peso e aura soturna sejam obliterados. O trabalho de Ricardo “Kiko” Rezende na gravação, mixagem e materização fez a diferença. E a arte de Adelmo Queiroz ficou excelente, usando com sabedoria os contrastes do preto, branco e cinza muito bem, fora alguns toques de azul na capa. E tudo isso em uma bela embalagem Digipack. Em termos de musicalidade, o quarteto realmente se mostra inspirado. Se no EP anterior a banda já dava claros sinais de talento, eles deram um passo adiante. Houve uma evolução sensível, pois suas composições soam mais balanceadas, com arranjos que fazem a diferença. Usando de músicas longas, o quarteto nos toma de assalto. O EP abre com a intensa e ríspida “Woe is Me”, com belíssimos arranjos de teclados e vocais guturais bem carregados, mas não se enganem: a música tem uma dinâmica de mudanças ótima. “My Voiceless Heaven” começa um pouco mais rápida, e a música em si não é tão arrastada, mas com andamentos que se alternam, e assim, percebemos a qualidade do trabalho de baixo e bateria. “In Myself Rotting” é a faixa mais longa do EP (passa dos 10 minutos de duração), recheada de momentos soturnos, outros mais depressivos e melancólicos, e outros mais pesados, sempre com elegância e sem se atropelarem, e mostram que guitarra, baixo e teclados souberam dar aquele toque que valoriza ainda mais a música, e nem falamos em como os vocais se encaixam bem, usando uma série de timbres diferentes quando necessário. E fechando, temos “Knell of Demise”, outra canção bem profunda e melancólica, mas bruta e com peso absurdo, onde os riffs de guitarra se aliam bem aos teclados para dar uma dose extra de peso e criar uma atmosfera fúnebre essencial. O grupo merece mais destaque,

“Trauma” coroa um momento muito bom do quarteto, e mostra que se pode manter um gênero já muito usado sempre interessante. Parabéns ao Contempty! Marcos “Big Daddy” Garcia

Sem perder suas raízes, o Hellarise mostrou que tem potencial para se tornar um dos pilares do Metal extremo nacional. E esperemos que o álbum não demore, pois “Darkened Flames” é um aperitivo e tanto! Marcos “Big Daddy” Garcia

HellArise Darkened Flames Independente - Nacional A vantagem de acompanharmos os seguidos lançamentos de algumas bandas é justamente ver sua evolução. E a história do Metal mostra que estas progressões são sempre boas, que resultam em bons frutos (mesmo quando a banda não acerta, outra irá seguir aquele mesmo rumo e pôr as coisas em ordem). E quinteto paulista Hellarise mostra que não está para brincadeiras, que evolução é uma necessidade, e por meio do Single “Darkened Flames”, que está pavimentando um futuro muito promissor. Parece que as mudanças de formação e a estrada fizeram um enorme bem, pois tudo nesse Single deu um “boost” absurdo de qualidade. Os vocais de Flávia não só se apresentam no formato gutural esganiçado de antes, mas usa de timbres normais um pouco mais suaves muito bem pensados. Mirella mostra-se uma fera nas seis cordas, e encontrou em Daniel o companheiro ideal para gerarem uma muralha de riffs técnicos e pesados, fora solos inspirados (em um tempo em que a maioria dos guitarristas acham que solos são desnecessários). Kito mostra uma técnica mais refinada e pesada no baixo, e junto com Felippe formam uma base rítmica sólida, pesada e muito trabalhada. Ou seja, o Death/Thrash de antes deu uma melhorada enorme, ganhando alguns contornos de sonoridades mais modernas e abrasivas, que enriqueceram em muito o trabalho musical do grupo. Produzido por Mirella nos UpTracks Studio, até nesse aspecto a banda melhorou. Os timbres foram muito bem escolhidos em cada instrumento, a sonoridade está muito boa e pesada, mas bem clara. Uma produção que ajudou a dar um ar mais técnico e moderno ao grupo. E a arte de Rodrigo “Aracno” Balan é bem simples, mas eficiente,uma textura de rocha em contrastes de verde, que dão aquele ar soturno que a música pede. O que é uma pena é o fato de só termos uma canção, “Darkened Flames”, que mostra um andamento diversificado e pesado, indo do peso cadenciado ao lado mais técnico, mas sempre mantendo a brutalidade opressiva, fora a dicção estar ótima. E em termos de riffs e solo, a criatividade é enorme, pois a banda não fica com repetição infinita de um ou dois riffs apenas, mas preenche cada espaço com um arranjo bem pensado. E para comprovarem, basta acessarem aqui (http://www.hellarise.com/single/) para baixarem de graça o kit com fotos, encarte, capa e um release contendo a letra da música. Até nisso, a banda faz questão de ser diferenciada.

Chafun di Formio Pague Dez e Vá Pro Céu Independente – Nacional Uma das maiores tradições no underground brasileiro é o Hardcore/ Crossover. Desde os primeiros anos da década de 80, o país se mostrou fértil no HC, criando uma cena forte e com nomes contundentes. E ambos os gêneros foram crescendo e se fortificando no nosso país, e atualmente, rende muitos ótimos frutos. E de Ituiutaba (MG), um pouco longe da efervescência de SP e RJ, vem o quarteto Chafun Di Formio, despejando toda sua ira politizada em forma de boa música com o EP “Pague Dez e Vá pro Céu”. O mais interessante no trabalho musical do grupo é que a raiva latente do HC está com a presença mais evidente, deixando claro que o Crossover do grupo tem uma leve queda para este lado. Mas não se iludam: as influências do Thrash Metal estão claras. É pesado, azedo, empolgante e muito feroz, cuspindo um discurso politicamente incorreto e coerente para todos os lados, misturando vocais explosivos, riffs intensos e sólidos, base rítmica não muito complexa, mas dando peso e coerência sonora ao grupo. Quatro músicas deste primeiro lançamento do grupo mostram toda a potencialidade do quarteto (todas sendo bem curtas) o quanto podem render e contribuir ao cenário. Em “Pague Dez”, temos boas variações de andamento e ótimo trabalho dos vocais, fora um refrão que fica na mente nas primeiras audições e belos backing vocals. “Sarjeta”, com um andamento em tempo médio, tem todo aquele ranço Hardcore graças ao trabalho das guitarras (que mostra riffs ótimos), mas se prestarem bem a atenção, o baixo faz um trabalho técnico muito bom. Em “Olhos de Borracha”, temos alguns toques do Harcore metalizado de Nova York bem evidentes em alguns momentos, e a cozinha rítmica do grupo mais uma vez se destaca muito. E fechando, “Minha Toada” mostra um andamento mais cadenciado, bateria usando bem os dois bumbos em muitos momentos, e são justamente as guitarras que mostram o lado Crossover da banda, com outra interpretação de primeira linha. E percebam que as letras em português ajudam em muito a compreensão da mensagem ácida do quarteto. Sejam bem vindos, Chafun Di Formio, pois precisamos de bandas assim no cenário. E como o EP está disponível para download gratuito aqui, ouçam em alto volume, poguem à vontade, mas cuidado para não quererem sair pela rua arrebentando certos tipos de pessoas no braço. Marcos “Big Daddy” Garcia

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ESPECIAL

Conheça a história das 10 mulheres guerreiras que mudaram a História N

ão importa se ela é mãe, dona de casa, estudiosa, trabalhadora, um espírito livre ou todas essas opções ao mesmo tempo, toda mulher tem um pouco de guerreira dentro de si. E por mais sexista que a sociedade e a história tendam a ser, muitas dessas lutadoras conseguiram conquistar espaço e subir acima de todos os homens, mudando completamente o rumo de batalhas e a situação de países inteiros. Na lista a seguir, você confere quem foram as mais famosas mulheres guerreiras da história, desde o início da era cristã até a Segunda Guerra Mundial. Indo das irmãs que se opuseram às forças esmagadoras do Império Chinês e da responsável pela criação de uma extensa rede de ninjas do sexo feminino até a icônica Joana d’Arc e a melhor atiradora de elite conhecida, conheça os feitos dessas incríveis combatentes. 1 - As irmãs Trung (século I) Trung Trac e Trung Nhi nasceram durante o período de 1 mil anos em que o Vietnã permaneceu sob ocupação do Império da China, testemunhando desde a infância os abusos e o controle ferrenho sofrido por seus compatriotas. Após sofrerem uma tragédia particularmente pessoal, elas se armaram e conseguiram derrotar uma unidade chinesa local. O feito inspirou os vietnamitas a seguir sua liderança e, então, as irmãs Trung conseguiram formar um exército com cerca de 80 mil combatentes, delegando as posições mais elevadas de comando a mulheres de sua confiança. As forças da população não somente conseguiram expulsar os chineses no ano 40, mas também elegeram a irmãs como suas rainhas e conseguiram resistir ao retorno dos soldados da China por dois anos. Eventualmente, os chineses formaram um grande exército para derrotá-las e, segundo a lenda, os soldados inimigos foram nus ao campo de batalha para envergonhas as mulheres. Diante de sua derrota iminente, as rainhas Trung se suicidaram por afogamento no rio Hát para preservar sua honra. Hoje, as irmãs são consideradas heroínas nacionais do Vietnã. 2 - Boudicca (século I) Quando o rei de Norfolk, no norte da Inglaterra, morreu em batalha, ele declarou que seu reino deveria ser governado conjuntamente por sua esposa Boudicca, suas filhas e por Roma, mas os romanos não respeitaram a decisão e tomaram controle total, açoitando a rainha e estuprando suas descendentes. Revoltada, a governante liderou uma rebelião contra as forças de ocupação do Império Romano. Sob suas ordens, o exército popular obteve diversas vitórias contra Roma e chegou a destruir completamente a cidade de Camulodunum (que hoje se chama Colchester). Relatos de romanos afirmam que as forças britânicas não faziam prisioneiros, executando todas as pessoas que encontravam em seu caminho. Ironicamente, hoje a rebelde anti-imperialista serve como símbolo do Império Britânico e sua estátua vigia a cidade que ela demoliu. 3 - Septima Zenobia (século III) Responsável pelo governo da Síria do ano 250 até 275, Zenobia liderou seus exércitos montada em um cavalo e usando uma armadura completa para derrotar as legiões romanas sob o reino de Claudio. A vitória dela foi tão decisiva que seus inimigos tiveram que bater retirada de boa parte da Ásia Menor, ao passo 40 - COLLAPSE UNDERGROUND ART

que a Arábia, Armênia e Pérsia se tornaram seus aliados quando ela se declarou rainha do Egito por direito de ancestralidade. O sucessor de Claudio, Aureliano, enviou suas legiões mais experientes para derrubar Zenobia, mas mesmo assim precisou de quatro anos de batalhas e cercos que a cidade capital de Palmyra fosse tomada e sua governante aprisionada. A rainha foi acorrentada e exibida nas ruas de Roma junto a nove outras líderes aliadas antes de ser exilada em Tibur (hoje Tivoli) – suas filhas, no entanto, se casaram com membros de famílias influentes no império romano. 4 - Tomoe Gozen (séculos XII e XIII) Considerada a samurai feminina mais famosa de todos os tempos, Tomoe contrariou as convenções e insistiu em combater junto a seus companheiros homens da guerra de Genpei, onde seus feitos deram a ela uma posição essencial na defesa da causa japonesa. Sua habilidade com espadas e arcos era considerada lendária e alguns contos chegam a afirmar que ela era capaz até mesmo de montar cavalos indomados enquanto descia de desfiladeiros. 5 - Tamar da Geórgia (séculos XII e XIII) Filha do rei Giorgi III, Tamar possuía tamanha inteligência que foi reconhecida por seu pai como regente adjunta e herdeira legítima de seu governo. Ao assumir a coroa, ela suprimiu a oposição da aristocracia contra uma mulher no poder e se declarou rei da Geórgia, abandonando o título de rainha por passar uma imagem de menor poder. Com o passar do tempo, ela derrotou quase todos os Estados islâmicos vizinhos e sua reputação cresceu e ela chegou a ser considerava por seu povo como “Rei dos Reis e Rainha das Rainhas”. Tamar participava ativamente como comandante militar do seu exército e levou seu reino ao ápice de seu poder político, econômico e cultural. Sua vitória final contra a aristocracia foi proteger seus súditos comuns contra os abusos da nobreza. 6 - Joana d’Arc (século XV) Sofrendo de visões com Deus e seus anjos desde os 13 anos de idade, a jovem Joana d’Arc certo dia foi até o ainda não coroado rei da França, Carlos VII, convencendo-o a deixá-la enfrentar a invasão britânica durante a Guerra dos Cem Anos. Enviada para o cerco dos inimigos contra a cidade de Orléans, ela conseguiu rompê-lo em apenas nove dias e provou seu valor como estrategista e guerreira. Após liderar diversas outras ágeis vitórias, Joana levou Charles VII ao trono e se tornou a primeira pessoa da história a comandar todo o exército de uma nação com apenas 17 anos de idade. Mesmo depois de sofrer feridas em seu pescoço e cabeça, ela continuou acumulando vitórias para a França até que foi capturada e julgada herege por uma falsa corte católica, que a queimou viva. Posteriormente, o julgamento da “donzela de Orléans” foi declarado inválido pelo Papa e ela foi canonizada muitos anos depois. Hoje, Joana d’Arc se tornou uma das mulheres guerreiras mais famosas do mundo e é considerada a santa padroeira da França. 7 - Isabel I de Castela (séculos XV e XVI) Coroada rainha de Castela, na Espanha, após uma árdua


guerra de sucessão, Isabel criou a Santa Irmandade com o intuito de diminuir a grande quantidade de bandidos que tomaram as estradas do país após o conflito entre os aspirantes a regentes. Depois, ela passou a acompanhar de perto as campanhas militares de seu marido, Fernando de Castela, e participou diretamente da expulsão dos mouros de seu território. Anos depois, a rainha deu crédito às ideias de Cristóvão Colombo, mesmo contra os conselhos dos membros da corte e cientistas da época, ajudando a financiar a viagem que resultaria no que ficou conhecido como o descobrimento da América. Por fim, Isabel foi uma das signatárias do famoso Tratado de Tordesilhas, que dividia o “Novo Mundo” entre espanhóis e portugueses. 8 - Mochizuki Chiyome (século XVI) Esposa do samurai Mochizuki Nobumasa, Chiyome frequentemente ficava aos cuidados do senhor feudal (daimyo, em japonês) Takeda Shingen enquanto seu marido estava liderando forças em batalhas. Quando ficou sabendo que Nobumasa havia morrido em combate e sabendo dos rumores de que sua protegida seria descendente do clã ninja de Koga, o soberano deu uma missão especial para a viúva. Chiyome ficou responsável pelo recrutamento e treinamento de uma rede secreta de kunoichi (mulheres ninja), que agiriam como agentes secretas. Além de entregarem mensagens codificadas para aliados do daimyo, elas eram responsáveis por obter informações sobre adversários, seduzi-los para se aproximarem deles e, quando necessário, assassiná-los. Pouco tempo depois, acredita-se que a rede oculta chegou a contar com algo entre 200 e 300 ninjas. Sob as ordens de sua líder, a organização serviu ao senhor feudal até sua misteriosa morte, em 1573. Mochizuki Chiyome ficou tão famosa que se tornou uma espécie de ícone cultural no Japão, aparecendo como personagem de jogos como Red Ninja: End of Honor, Samurai Warriors e Sangoku Heroes, entre outros. 9 - Rani Lakshmibai (século XIX) Frequentemente considerada a versão indiana de Joana d’Arc, Lakshmibai também veio repentinamente de origens humildes para acabar com a festa dos britânicos. A famosa Companhia das Índias Ocidentais, de origem inglesa, tentou anexar seu território em Jhansi por meio de suborno, mas ao receber a recusa a empresa resolveu que era a hora de usar a força. O que eles não sabiam era que Lakshmibai havia sido instruída por seu pai a combater usando machados, espadas e até mesmo cavalos treinados para pular sobre fogo. Liderando uma série de rebeliões furiosas, ela defendeu seu território com toda a força até ser morta com pouco mais de 20 anos de idade, tornando-se uma mártir para o movimento de independência da Índia. 10 - Lyudmila Pavlichenko (século XX) Nascida na Rússia em plena Primeira Guerra Mundial, Lyudmila se mudou com sua família para Kiev aos 14 anos de idade, onde então passou a trabalhar como lixadora em uma fábrica de armamentos e entrou em um clube de tiro de uma organização paramilitar soviética. Seu hobby como atiradora continuou mesmo após ela ter concluído um mestrado em história na Universidade de Kiev. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela continuava estudando quando os alemães começaram sua invasão à União Soviética. Pavlichenko então se apresentou como um dos primeiros voluntários no escritório de recrutamento militar e, recusando a função se enfermeira, tornou-se uma das 2 mil mulheres atiradoras de elite do exército vermelho – das quais somente cerca de 500 sobreviveram à guerra. Após pouco mais de um ano no conflito, Lyudmila acumulou a contagem de 309 mortes confirmadas, entre as quais estão 39 snipers inimigos. Em junho de 1942, no entanto, ela foi ferida por um tiro de morteiro e foi afastada dos combates. Além de

se tornar major, instrutora de atiradores de elite e ser a primeira cidadã soviética a ser recebida por um presidente dos EUA na Casa Branca, Pavlichenko foi condecorada com a Estrela Dourada do Herói da União Soviética. Menções honrosas Além das grandes mulheres citadas ao longo desta lista, muitas outras guerreiras também marcaram seus nomes na história do mundo. Confira a seguir algumas delas: Amelia Earhart: a mais famosa aviadora dos Estados Unidos; Anna Yegorova: pilota e heroína da União Soviética na Segunda Guerra Mundial; Agustina de Aragón: a “Joana d’Arc espanhola”, ela impediu que os franceses ocupassem Saragossa durante o período napoleônico; Anne Bonny: a mais infame capitã pirata; Caterina Sforza: tirana da Itália medieval que submetia seus inimigos a torturas cruéis Ching Shih: a pirata que comandou uma frota de navios tão poderosa que derrotou a Marinha Imperial da China; Elizabeth Bathory: condessa da Transilvânia e inspiração para o mito do vampiro Drácula; Flora Sandes: a única mulher britânica a servir em combate na Segunda Guerra Mundial; Genevieve de Galard: o “anjo de Dien Bien Phu”; Grace O’Malley: a “rainha pirata de Connaught”; Hannah Dustom: colona norte-americana que escapou de seus captores matando a todo com um machado; Hawa Abdi: a ginecologista que salvou milhares de vidas e lutou como milícias na Somália por 30 anos; Isabella da França: a rainha britânica que depôs e executou o rei; Jacqueline Cochran: uma das pilotas mais bem sucedidas da história; Jeanne Hachette: a garota adolescente que defendeu sua cidade usando uma machadinha; Jennie Irene Hodges: também conhecida por seu disfarce Albert Cashier, soldado da União na Guerra Civil norte-americana; Jennifer Musa: a rainha irlandesa do Baluchistão; Khawla Bint Al-Azwar: heroína guerreira da expansão islâmica; Lozen: guerreira e líder dos apaches que era habilidosa com armas, remédios e profecias; Lydia Litvyak: a primeira mulher da história a vencer uma batalha aérea sozinha; Marie Colvin: a correspondente de guerra que encarou incontáveis regiões de conflito; Matilda de Canossa: princesa-guerreira italiana que serviu como guarda pessoa do Papa; Milunka Savic: a soldada mais condecorada da história; Nina Onilova: a órfã ucraniana que aterrorizou os nazistas com sua metralhadora; Nzinga Mbande: a rainha-guerreira africana que aterrorizou os portugueses e bebia o sangue de seus inimigos; Princesa Pingyang: uma jovem de 20 anos que liderou um exército de camponeses contra o imperador da China; Rukhsana Kauser: a fazendeira indiana de 18 anos que derrotou seis terroristas armados com metralhadoras; Tomyris: rainha-guerreira dos massegateanos que derrotou o líder de um grande império antigo. Fontes: http://www.sparknotes.com http://listverse.com http://www.badassoftheweek.com http://en.wikipedia.org/wiki/Lyudmila_Pavlichenko http://en.wikipedia.org/wiki/Mochizuki_Chiyome http://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_I_de_Castela#Isabel.2C_Rainha_de_Castela COLLAPSE UNDERGROUND ART - 41


ESPECIAL

“Uma época, um movimento, uma história”

P

roduzido por Anderson Sabazinho (Sabazim Produções), Clinger Carlos (Heavy Metal Online) e Gisela Cardoso (Wildchild blog), o documentário sobre os 35 anos da loja e gravadora mineira Cogumelo Records já está disponível. O trabalho aborda o surgimento da Cogumelo, assim como o contexto da cena Metal mineira dos anos 1980, trazendo depoimentos de bandas, fãs e da fundadora Pat Pereira. Clinger Carlos diz: “Lembro da primeira vez que fui para Belo Horizonte e andava pelas ruas, sempre observando as placas das lojas, tentando achar a Cogumelo Records. No dia que marquei de encontrar com o meu amigo “falecido” Pank (baterista do Divine Death), no ano de 1994, na porta da Cogumelo, minha curiosidade chegou ao fim. Uma loja normal, lotada de discos das bandas que era louco pra ouvir o som, pois só tinha ouvido falar do nome. Olhava para aquelas capas do Sex Trash e para os preços dos discos, mas era impossível comprar aqueles sonhos que ali estavam. Mas, uma coisa tinha certeza,

morava ali, naquele local, a maior história da música underground do Brasil. Os anos se passaram e em 2013 a convite dos amigos Anderson Sabazinho (Sabazinho Produções) e Gisela Cardoso (Wildchild Blog), iniciamos nossa jornada para desvendar parte da história deste empreendimento que fez história por apostar num mercado que ninguém acreditava, nem mesmo os proprietários sabiam que ele poderia existir. Como no mundo da música underground não existe nada é fácil, embarcamos nesta viagem sem nos questionar como iriamos chegar ao ponto final. Mas com muita dedicação e focando no principal de tudo, que é levar a mensagem, começamos a coletar os depoimentos em vários eventos que participamos, nas minhas viagens de férias e até mesmo em minhas viagens de negócio, para não perder o foco e não gastar o que não tínhamos para realizar este documentário. Mas tudo chegou ao ponto ideal, fatores cruciais foram fornecidos para engrandecer ainda mais o projeto, como as imagens históricas fornecidas pelo amigo Said Augusto, as fotos que peguei no face da Vanda Guimaraes e a disponibilidade do João e da Pat em ajudar a realizar este documentário, além de várias outras pessoas que contribuíram. Espero que todos apreciem e saibam que foi feito, assim como todos os projetos do Heavy Metal On Line, na raça, focado em quem está ativo no underground e com o objetivo de expor a obra da Cogumelo para quem viveu e ainda viverá sua história. Lembrando que este documentário não trata-se de um documentário oficial da Cogumelo Records, que tem como objetivo lançar um projeto oficial sobre sua história em breve. Aproveito para pedir desculpas as bandas e pessoas que não foram citadas no documentário, pois é impossível abranger todos, ainda mais da forma que trabalhamos, sem patrocínio, sem produtora, com nossos próprios recursos. Espero que entendam. Aprecie sem moderação e boa viagem! https://youtu.be/PzjSI2FSDCs

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Especial

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O Meio Ambiente e a Sustentabilidade

unca antes se debateu tanto sobre o meio ambiente e sustentabilidade. As graves alterações climáticas, as crises no fornecimento de água devido a falta de chuva e da destruição dos mananciais e a constatação clara e cristalina de que, se não fizermos nada para mudar, o planeta será alterado de tal forma que a vida como a conhecemos deixará de existir. Cientistas, pesquisadores amadores e membros de organizações não governamentais se unem, ao redor do planeta, para discutir e levantar sugestões que possam trazer a solução definitiva ou, pelo menos, encontrar um ponto de equilíbrio que desacelere a destruição que experimentamos nos dias atuais. A conclusão, praticamente unânime, é de que políticas que visem a conservação do meio ambiente e a sustentabilidade de projetos econômicos de qualquer natureza deve sempre ser a idéia principal e a meta a ser alcançada para qualquer governante. Em paralelo as ações governamentais, todos os cidadãos devem ser constantemente instruídos e chamados à razão para os perigos ocultos nas intervenções mais inocentes que realizam no meio ambiente a sua volta; e para a adoção de práticas que garantam a sustentabilidade de todos os seus atos e ações. Destinar corretamente os resíduos domésticos; a proteção dos mananciais que se encontrem em áreas urbanas e a prática de medidas simples que estabeleçam a cultura da sustentabilidade em cada família. Assim, reduzindo-se os desperdícios, os despejos de esgoto doméstico nos rios e as demais práticas ambientais irresponsáveis; os danos causados ao meio ambiente serão drasticamente minimizados e a sustentabilidade dos assentamentos humanos e atividades econômicas de qualquer natureza esta-

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rá assegurada. Estimular o plantio de árvores, a reciclagem de lixo, a coleta seletiva, o aproveitamento de partes normalmente descartadas dos alimentos como cascas, folhas e talos; assim como o desenvolvimento de cursos, palestras e estudos que informem e orientem todos os cidadãos para a importância da participação e do engajamento nesses projetos e nessas soluções simples para fomentar a sustentabilidade e a conservação do meio ambiente. Uma medida bem interessante é ensinar cada família a calcular sua influência negativa sobre o meio ambiente (suas emissões) e orientá-las a proceder de forma a neutralizá-las; garantindo a sustentabilidade da família e contribuindo enormemente para a conservação do meio ambiente em que vivem. Mas, como se faz par calcular essas emissões? Na verdade é uma conta bem simples; basta calcular a energia elétrica consumida pela família; o número de carros e outros veículos que ela utilize e a forma como o faz e os resíduos que ela produza. A partir daí; cada família poderá dar a sua contribuição para promover práticas e procedimentos que garantam a devolução à natureza de tudo o que usaram e, com essa ação, gerar novas oportunidades de redá e de bem estar social para sua própria comunidade. O mais importante de tudo é educar e fazer com que o cidadão comum entenda que tudo o que ele faz ou fará; gerará um impacto no meio ambiente que o cerca. E que só com práticas e ações que visem a sustentabilidade dessas práticas; estará garantindo uma vida melhor e mais satisfatória, para ela mesma, e para as gerações futuras. Fonte: http://www.ecologiaurbana.com.br


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ENTREVISTA

Rock´n Roll Visceral Por: JP Carvalho A proposta é simples: músicas diretas com os elementos calcados no Rock e Metal. É assim que a banda Bella Utopia poderia ser definida ou até mesmo escaneada em seu raio X! Primar por qualidade, organicidade e unicidade técnica em suas composições também não é uma novidade na banda. O line atual, os últimos cinco anos, conta com Isabela Eva, Rickson Medeiros, Luis Maldonalle e Junão Cananéia, todos gabaritados e com longa experiência na cena. Foi assim que a banda entrou em estúdio e registrou o disco Dilema do Prisioneiro, que foi lançado pela Megahard no fim de 2014. O álbum, um verdadeiro petardo, conta com doze faixas cortantes, riffs, vocais guturais e 46 - COLLAPSE UNDERGROUND ART

refrões marcantes pontuam as composições. O interessante é que, apesar da violência e impacto tanto dos riffs como dos vocais, a banda desfila uma série de refrões melódicos sem perder a postura pesada. Sua fusão do Metal com letras cantadas em português trazem um diferencial para a banda. Bella Utopia, uma verdadeira cusparada rock em um moroso cenário há muito sem atitude! Conversamos com Isabella Eva e Luis Maldonalle, e o resultado desse bate-papo você confere a seguir: Olá, primeiro gostaria de agradecer pelo seu tempo e por esta entrevista. Fale-nos sobre o começo do Bella Utopia. Isabela Eva: Também agradeço pela oportunidade e


pelo espaço. Em 2003 conheci o guitarrista Luis Maldonalle e percebi que ele tinha uma bagagem muito grande de Rock e Metal, assim como eu. Gravamos o primeiro CD “Bella Utopia”, que levou o nome da banda. Depois cada um tomou um rumo diferente. Eu acabei me envolvendo na criação do evento High Fight Rock (Rock e MMA), onde eu tinha uma ideia de unir minhas duas paixões: artes marciais e Rock. Quando o projeto estava pronto convidei o Luis e foi assim que surgiu essa formação atual. E agora nesse segundo CD Dilema Do Prisioneiro a parceria continuou forte, já que dividimos as composições de todas as 12 faixas. A ideia sempre foi mesclar influências e cantar em português? Isabela Eva: Sempre. Nunca quis cantar em inglês, apesar da grande influência que tenho das várias bandas Americanas. Quase nasci em Nova York e acho que devo ter sido bastante influenciada. (Minha mãe teve que voltar para o Brasil pouco antes do meu nascimento). Mas sempre achei natural cantar em português. E mesmo mesclando as mais diversas influências, o som da banda se encontra naquele Rock’n’Roll visceral e com atitude, raríssimo hoje em dia. Esse sempre foi o caminho que vocês decidiram trilhar? Luis Maldonalle: Sim, o elemento do Rock sempre esteve presente, mesmo quando o som ainda não era tão pesado ou relativamente cru assim. É o que sempre foi o alicerce dos line ups anteriores, além do atual, na verdade, esta é sim, a proposta da banda. No release da banda está escrito que essa formação está junta há cinco anos, porém a página do Facebook indica que a banda nasceu em 2003, como foi o caminho até chegar a esta formação sólida? Isabela Eva: “Evolução da espécie”. É como eu costumo definir a banda com seu atual line up. Já passamos por outras formações e acabou surgindo uma necessidade vital de fazer um som mais pesado, sempre com influências do rock clássico e do metal. O Dilema do Prisioneiro é um trabalho que consolida uma parceria da minha necessidade vocal e letras, dos riffs pesados e bagagem musical do Maldonalle e da cozinha pesada e bem orquestrada com o Junão na bateria e o Rickson no baixo (que surgiram nessa última formação da banda). E o mais bacana é que pudemos trabalhar com o mesmo produtor nos dois CDs,o Gustavo Vazquez do Rocklab. Ele pôde acompanhar de perto nossa evolução e foi também uma peça fundamental nesse resultado da sonoridade do Dilema do Prisioneiro.

de Metal e enviei para vários. Tive proposta até de um de Portugal. Mas a Megahard chegou primeiro. O disco traz uma belíssima capa feita pelo artista romeno Chioreanu Costin, como foi o contato para este trabalho, e era essa a ideia para a capa desde o princípio? Luis Maldonalle: O contato com Costin, foi através do Guilherme Miranda que é o guitarrista da banda mineira Krow. Quanto à arte e à criação, nós, como atistas, achamos que essa quase linguagem universal artística dá a oportunidade de nos expressarmos em vários sentidos. Sendo assim, apenas deixamos o Costin confortável para criar e ter a liberdade como artista de expressar o que fosse dentro do imaginável da banda, claro, sempre representando a proposta referente ao tema Dilema do Prisioneiro. O que podemos esperar do Bella Utopia agora? Existem planos para um outro lançamento? Luis Maldonalle: Bem, talvez ainda seja cedo para falar de um outro trabalho, ainda estamos divulgando o álbum, e isso demanda ainda um certo tempo. Mas é inevitável pensar em um próximo trabalho, especialmente com o alcance que conseguimos com o Dilema. A banda encontrou seu lugar e texturas nessa esfera de rock/metal. E toda banda sabe o quanto seria motivador estar novamente dentro do estúdio compondo material novo. Muito obrigado pelo seu tempo, o espaço é seu para suas considerações e para deixar uma mensagem aos nossos leitores. Isabela Eva: Para quem quiser conhecer mais da banda, basta acessar nossa fanpage: www.facebook.com/pages/Bella-Utopia/414050741967673?fref=ts O CD pode ser adquirido também pela fanpage ou pelo site da gravadora: http://www.megahardrecords.com.br/ bella-utopia-dilema-do-prisioneiro-cd.html Acesse também nosso site: www.bellautopia.tnb.art.br Próximo show dia 26 de junho. Lançamento oficial do CD Dilema do Prisioneiro. Contatos para shows: bellautopiarock@gmail.com

O CD “Dilema do Prisioneiro” foi lançado em 2014 pela Megahard, como foi a concepção deste trabalho e como vocês chegaram a Megahard para este lançamento? Isabela Eva: Estava com essa ideia do Dilema do Prisioneiro desde quando li sobre o tema um tempo atrás. Para mim é algo que envolve ética, escolhas e como sair de uma escolha errada. Tudo foi muito bem pensado. As fotos oficiais da banda foram feitas em um presídio real, até mesmo o clip da música tema foi gravado dentro da CPP (presídio de Goiás). E esse clip terá lançamento junto com o CD. E foi uma parceria com a TNL (produtora daqui). Sobre a Megahard, eu fiz uma pesquisa sobre os selos COLLAPSE UNDERGROUND ART - 47


ENTREVISTA

Område: indo muito além da música e mistério Por: Gisela Cardoso o mundo da arte é comum encontrarmos alguns artistas que preferem o anonimato a ter que lidar com os desafios e bônus trazidos pela fama. E, apesar disso não ser tão comum no meio da música, ainda é possível encontrar alguns exemplos, como o Ghost (sendo essa, talvez, a banda mais conhecida desse gênero) e também a misteriosa Område. Formada pela dupla Barganatt XIX e Arsenic, Område é um projeto musical que cria um estilo distinto em meio à cena Rock/Heavy Metal, trazendo uma sonoridade vanguardista, fruto da mescla de suas influências da música eletrônica, ambient, metal, rock e industrial. No entanto, a sua proposta vai além dos nossos ouvidos, cada música consegue invadir as nossas mentes, embarcando-nos em uma viagem por um ambiente misterioso e sombrio. Barganatt XIX, responsável pelas guitarras e vocais, e Arsenic, que cuida dos demais instrumentos musicais, lançaram o primeiro álbum da Område, intitulado “Edari”, em abril deste ano, através do selo My Kingdom Music. E, em entrevista à Collapse Underground Art, a dupla fala sobre o lançamento de seu debut, as suas abordagens musicais e todo o mistério em torno da Område.

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Vocês têm uma proposta musical muito interessante, porque seu som pode ir muito além da nossa audição, criando uma atmosfera bem carregada. Mas então, quais eram seus objetivos iniciais quando a Område foi criada? Bargnatt: Nós não tivemos nenhum objetivo preciso, apenas queríamos tocar músicas pessoais com muita emoção, assim como as nossas banda favoritas, Ulver, Manes, por exemplo. 48 - COLLAPSE UNDERGROUND ART

Arsenic: Queríamos viajar através da audição, uma viagem maravilhosa entre passado e futuro, é por isso que usamos sons antigos com os modernos. A principal coisa que Bargnatt queria é ter que ser um pedaço escuro. Já que a Område possui uma sonoridade tão única e distinta, quais são as suas abordagens musicais? Bargnatt: Algumas vezes o Arsenic me envia algumas ideias e eu trabalho nelas, ou então eu toco guitarra e acabo que finalizando alguma parte dele. Nós sempre trocamos as nossas ideias e sentimentos no modo de criação. Arsenic: O principal objetivo era fazer uma música diferente, cada faixa deve ser diferente da anterior. A banda é como um laboratório para nós. Vocês lançaram o seu último álbum, “Edari”, em abril. Poderiam nos contar sobre como foi o seu processo de composição? Bargnatt: Trabalhamos no “Edari” por seis meses em 2014, e não tínhamos planejado isso. Em um primeiro momento, queríamos apenas tentar tocar alguma coisa juntos e, em seguida, já tínhamos oito músicas. Então, procuramos por algum selo, e a My Kingdom assinou com a Område. Arsenic: Criamos algumas partes e cada vez tivemos que explorar um monte de sons diferentes, que se encaixassem perfeitamente com o que tínhamos em mente. Às vezes, ao explorar os sons, novas ideias também surgiam, assim como novas canções. “Edari” conta com as participações de alguns músicos


em determinadas faixas. Como se deram essas parcerias? Bargnatt: Sim, cada incrível convidado atual em uma parte diferente. Asphodel (ex: “Pin up went down, öOoOoOoOoOo (chenille)”) cantou em “Satellite” e “Narrow”. Já Guillaume Bideau (ex :”Scarve, Mnemic, One Way Mirror”) cantou na faixa “Luxurious Agony”. Arsenic: Nós sabíamos que queríamos alguns instrumentos especiais, como o saxofone ou vocais especiais. Nós apenas contatamos as pessoas que conhecíamos e que podiam fazer o trabalho. Sua música realmente acrescenta alguns elementos diferentes, tais como o ambient, eletrônica, rock, etc. Às vezes, chega a ser um desafio criar um som como este? Bargnatt: É apenas o nosso sentimento de uma forma diferente, nós não temos nenhum código e nenhuma barreira quando criamos uma canção. Nós gostamos de ambient, eletrônica, rock, metal e outras coisas. Nós não temos quaisquer limites na música. Arsenic: Sim! Muitas vezes é quando a música foi concluída e vemos que temos que colocar todas estes influência, é particularmente evidente em uma canção, como na “Ottaa Sen”. Há um conceito lírico por trás do álbum como um todo? Bargnatt: O conceito não é realmente fácil de se entender. Mas, em primeiro lugar, há um nome de diferentes idiomas para cada canções. Várias letras falam sobre a nossa vida real ou histórias sobre algumas pessoas que ouvimos. Todas as letras das músicas são meio sombrias e, às vezes, também melancólicas. O que “Edari” significa? A propósito, qual é o significado por trás do nome da banda “Område”? Bargnatt: “Edari” é uma palavras basca que significa bebida ou “apero”. Já Område é uma palavra sueca que significa área ou bairro. Nós gostamos de brincar com palavras diferentes de países, como na faixa “Solefald”, em sua letra falamos em inglês, sueco, francês e outra coisa em uma mesma frase. É realmente interessante para a gente ir além do código e fazer uma parte do mistério. Arsenic: Parece que estamos muito perto da cena sueca ou norueguesa, nossa música é muito inspirada nestas cenas, mais do que as de outros países. E como tem sido o retorno do público e da mídia por este álbum? Bargnatt: O retorno dos meios de comunicação tem sido incríveis, e é muito interessante ler algumas palavras e sentimentos sobre a nossa música. Já por parte do público é dife-

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Område Edari My Kingdom Music Importado mräde é uma banda vanguardista e em sua

música misturam música eletrônica ambiente, Metal, Trip Hop e uma infinidade de texturas. Ao mesmo tempo que aplicam muita obscuridade e melancolia em sua música. Para mim, é impossível classificar a banda nos rótulos comuns a que estamos acostumados, acredito que a ideia aqui seja deixar rolar e apreciar a obra, intitulada “Edari”, como um todo. Afinal, eu acho que seja impos-

rente, pois eles realmente não entram em contato com a gente. Mas em nosso Facebook e Youtube, temos recebido ótimos comentários sobre a nossa música, e isso tem sido incrível! Arsenic: É apenas o começo para nós, mas espero que possamos continuar assim. Ninguém sabe o que o futuro nos reserva, mas sabemos que haverá algo especial. Eu estive procurando por alguns vídeos de suas performances ao vivos no Youtube, mas não consegui encontrar nenhum. Vocês não costumam fazer muitos shows? Bargnatt: Neste momento, não. Pois o Arsenic e eu temos outra banda e estamos ocupados demais para fazer uma turnê com o Område. Atualmente, é mais um projeto de estúdio, mas quem sabe no futuro. Não temos nenhum plano neste momento. Espere e verá. Arsenic: Além de nossa outra banda, o principal problema é tocar a nossa música com o nosso conceito. No momento, temos apenas um álbum que, além de curto, precisamos de outros músicos (porque até agora somos uma dupla). E se tocarmos a nossa música, queremos algo grandioso, com efeitos especiais, porque pensamos que a música merece isso. Na verdade, há algum mistério na Område que vai além da música, eu suponho. Por exemplo, eu também não consegui achar fotos de seus membros. Eu estou certa? Bargnatt: Temos algumas fotos artísticas, tiradas por Raphael Bobillot. É uma nova e incrível fotografia tirada na França. Mas nosso objetivo é manter o mistério e criar um universo artístico em torno da Område. Arsenic: Nós provavelmente publicaremos algumas fotos nossas em breve, caso precisarmos. Mas não se preocupe, você vai ver os nossos rostos algum dia. Quais são os seus planos para ainda este ano? Bargnatt: Mar, sexo e sol. Compor algum novo material para um outro álbum. Temos uma ideia para o fim deste ano, mas é cedo para falar sobre isso. Nós gostamos de provocar. Arsenic: Já temos alguns bons materiais para o próximo álbum, mas ainda temos que trabalhar muito nisso. Muito obrigada pela entrevista! Agora, por favor, vocês gostariam de dizer mais alguma coisa? Bargnatt: Muito obrigado, Gisela, pelas suas perguntas! E minhas últimas palavras são: fiquem ligados no rock, metal, ambient e em todo o tipo de música! Arsenic: Obrigado pela entrevista! E não se esqueça também de curtir a nossa página no Facebook e de nos seguir no Twitter. Estaremos de volta em breve! sível a qualquer ser humano ficar indiferente a este CD. Belas estrutura melódicas, vocais calmos e serenos, como dito anteriormente, acrescido de uma infinidade de texturas que tornam este uma trabalho de beleza significativa. As vezes aqui e ali um backing vocal mais soturno ou uma guitarra com uma pegada mais pesada, pendendo para o eletrônico e para o melancólico, levando o ouvinte a

viagens e sensações diversas, flertando aqui e ali com algo parecido ao Bohren & der Club of Gore. E nessa liberdade artística, podemos dizer que o Omräde tem pleno domínio sobre a múscia que se propoe a fazer e faz de “Edari” uma grata surpresa aos nosso ouvidos. Recomendado aos que tem a mente aberta a novas experiências. JP Carvalho

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ENTREVISTA

Por: Thais Lopes In Apostasia é uma ideia que nasceu há muitos anos, mas só tomou a forma de uma banda em abril de 2010. As músicas começaram a ser feitas e gravadas em fevereiro de 2010 por Jeff Britto (My Threnody), e em abril Felipe Brian (guitarra) e Daniel (bateria) foram finalmente convidados para formar a banda. Mais tarde, naquele mesmo ano, Felipe deixa a banda e Rafael assume as guitarras compondo a formação atual da banda. Musicalmente, a ideia é trazer de volta nas composições um pouco da música feita por aqueles que foram as raízes e que forjaram o que conhecemos hoje como Black Metal. Direto, cru e sem papo furado. Acredito que muito se perdeu na última década, quando se trata da essência do que o Black Metal originalmente é, e a In Apostasia é a tentativa de homenagear a todos os reis em suas mais simples, porém profundas formas de expressar suas ideias através da música. Ideologicamente, nas letras, abordam um tema antigo, mas importante. Cada letra é uma tentativa de dar voz a todos os que acreditam no efeito negativo que religiões e a ideia de um deus tem sobre nós enquanto sociedade. In Apostasia manifesta seu descontentamento com a 50 - COLLAPSE UNDERGROUND ART

perseguição e opressão que tantos sofreram ao longo da história, assim como nos dias de hoje, pelo simples fato de terem optado por ter uma mente pensante, questionando e escolhendo seus próprios caminhos. O fato de um sistema ter sido criado e estar implantado há dois milênios não o faz correto e acima de questionamento. Sempre fomos tratados de forma agressiva, e é chegada a hora de cessar a alienação com suas próprias armas. Confira nosso bate-papo com o baixista e vocalista Jeff Britto. Olá Jeferson, primeiramente gostaria de agradecer por ceder um pouco do seu tempo e me dar a honra de fazer minha entrevista com você! Sabemos que você foi um dos fundadores da banda Silent Cry e também criador da banda My Threnody, ambas com o som bem cadenciado e soturno, já no In Apostasia, o som é totalmente diferenciado de ambos. O que te levou a essa mudança de estilo das duas primeiras bandas para o In Apostasia? Jeff Britto: In Apostasia é que agradece o espaço. Bem, na realidade, voltando ao início da década de 90,


quando começávamos os primeiros acordes do que seria a Silent Cry, eu escutava muito Black Metal e me identificava com o estilo tanto quanto com o Doom Metal da época, e nos intervalos dos ensaios da Silent Cry eu já costumava pegar a guitarra e esboçar músicas que eram Black Metal em sua natureza, isso por volta de 1993 aproximadamente, inclusive uma parte dessa “brincadeira” pode ser conferida em uma das músicas do álbum “Symbol of Disgrace”. Então, para os que me conhecem pessoalmente e conhecem minha história, não foi nenhuma surpresa a In Apostasia acontecer, embora eu seja mais identificado devido ao My Threnody, por exemplo. Como surgiu a idéia de criar o In Apostasia, e como se deu a escolha dos músicos para fazerem parte da banda? Foi complicado fazer esta seleção? Jeff Britto: No final de 2009, eu comecei a trabalhar em composições para o que viria a ser a In Apostasia e em abril de 2010 já fizemos os primeiros ensaios. In Apostasia veio dessa minha vontade de fazer algo nessa linha, um estilo musical que eu sempre admirei, e quando as primeiras músicas estavam prontas, os músicos que convidei eram pessoas próximas, pessoas que eram do meu círculo de amizade e que eu via tocando sempre em um local onde quase todas as bandas ensaiavam na cidade, fiz o convite e felizmente aceitaram e foi aí que tudo começou de fato enquanto banda. O In Apostasia é uma banda respeitada no cenário de Black Metal e tem muita história pra contar, desde que tomou forma em abril de 2010, e mesmo assim a discografia é bem enxuta, com um EP e um álbum apenas. A que fator você acha que isso é devido? É ligado a algo da banda ou às dificuldades de se fazer Metal no Brasil? Jeff Britto: Não sei bem, mas acho que não é legal forçar para somar por somar, entendo que é mais interessante você prezar pela qualidade e não pela quantidade. Estamos trabalhando em novas composições e temos planos de lançar um álbum muito em breve, estamos em processo de mixagem nesse momento. O tempo de intervalo entre o último álbum e este que sairá é algo natural, gravar um álbum é um processo complicado, de compor as músicas, ensaiar essas músicas e depois gravar e produzir tudo, é mesmo bastante trabalhoso, e ainda mais no nosso caso que somos nossos próprios produtores, gravamos, mixamos e masterizamos tudo em nosso próprio estúdio.

não gostam dessa forma de pensar e eu respeito e entendo isso, mas a verdade é que nosso trabalho vai ser encontrado pela web, a gente disponibilizando oficialmente ou não, então eu prefiro que sejam disponibilizados links oficiais com áudio de boa qualidade e que além de tudo nós possamos contabilizar os downloads. O negativo sobre a internet é que tudo ficou muito banalizado, quando voce tem acesso fácil demais a algo, a tendência é não valorizar tanto. Por que a banda não investe mais no próprio merchandising? Uma grande parte das bandas do underground consegue algum retorno, que serve para investir na própria banda. Há alguma motivação para isso? Jeff Britto: Na verdade, a gente terceiriza essas coisas em função do trabalho que envolve e a falta de tempo em nossas vidas fora da In Apostasia. Eu prefiro entregar a responsabilidade das camisetas da banda, por exemplo, a um parceiro profissional na área, criamos as estampas, entregamos a ele e ele passa a ser responsável pela fabricação e entrega desses materiais. Para nós, isso funciona muito bem. Se porventura sairmos em uma sequência de shows, aí sim, definitivamente levaremos nosso material conosco, mas por enquanto, a forma que fazemos tem funcionado bem para nós, já que o objetivo nunca foi ganhar dinheiro com a banda de qualquer maneira. Vocês lançam seus discos de maneira totalmente independente, arcando com as despesas de gravar, mixar, masterizar e produzir os álbuns como um todo. Por que preferiram tomar as rédeas? É para manter a liberdade em todos os aspectos referentes à produção de um álbum ou mesmo certa independência que possuem dos profissionais dessas áreas? Jeff Britto: Eu fui obrigado a aprender a trabalhar com produção musical há muito tempo em função do My Threnody, cujo primeiro álbum foi produzido em minha

Os álbuns lançados são disponibilizados gratuitamente na internet. Como vocês veem o impacto da internet no quesito de divulgação/assimilação de uma banda nos dias atuais? Quais proveitos vocês têm tirado disto? Jeff Britto: No início era muito difícil conseguir divulgar uma banda, obrigatoriamente voce precisava de uma gravadora, acesso a revistas underground e tudo mais. Hoje em dia a internet proporciona a qualquer um disponibilizar e divulgar seu trabalho para qualquer lugar do mundo, e isso é bem interessante. Claro que há os que COLLAPSE UNDERGROUND ART - 51


casa enquanto eu aprendia o básico da produção musical. Aquele álbum foi onde eu aprendi que poderia fazer tudo em meu próprio tempo, podendo fazer e refazer tudo sem que dependesse de ninguém. Acordar no meio da madrugada com uma riff na cabeça, levantar e ir para o seu ambiente de produção dentro de sua casa registrar essa ideia não tem preço. Hoje na In Apostasia continuamos fazendo as coisas dessa forma. Como citado acima, o In Apostasia tem dois lançamentos, e disponibilizados somente via internet. Um passarinho dark (risos) contou-me que o terceiro álbum será lançado no formato físico. Por que esta escolha somente agora, no terceiro lançamento? Uma estratégia ou algo assim, ou seja, os dois primeiros discos seriam chamarizes do público, que agora poderá adquirir material físico? Ou foi uma espécie de “cobrança” dos fãs? Jeff Britto: Tem sim mais e mais cobranças por parte dos “fãs”, o que é um incentivo sem dúvida, mas na verdade tínhamos propostas para lançamento físico dos dois trabalhos anteriores, inclusive de fora do Brasil, porém as gravadoras interessadas não concordavam em disponibilizarmos o material também gratuitamente em nossa website oficial e, em função disso, nunca chegávamos a um consenso. Veja bem, eu particularmente não tenho ilusão de ganhar dinheiro com o tipo de música que faço, então se o objetivo é disseminar uma mensagem através de nossa música, que isso seja feito de forma efetiva. Obviamente, se a gravadora investe na banda e lança um material de qualidade é porque gastou tempo e dinheiro para isso e precisa do seu retorno, é justo e respeitamos isso, mas nós vemos essa relação gravadora e banda como uma troca, uma parceria que deve ser positiva para ambos os lados e encontramos um parceiro que lançará nosso próximo álbum físico, respeitando nosso material e nossa forma de fazer as coisas. O novo álbum do In Apostasia, que como foi anunciado por vocês, se chamará “Hail the Kings”, uma homenagem aos mestres do Black Metal. Como foi o processo de composição do novo álbum? Existe uma ideia mais explicita por traz do título e da capa do CD? Conte-nos um pouco sobre este CD já tão esperado, e inclusive quem são os “Reis” que são saudados por vocês. Acredito que sejam as influências musicais da banda, estou correta? Jeff Britto: De fato, influências, não apenas nossas na verdade. É uma forma de homenagearmos algumas das bandas que ajudaram a forjar a identidade do que é definido como Black Metal hoje. Esse álbum originalmente seria apenas um EP que iria preceder nosso full lenght do início do próximo ano, mas a ideia foi ganhando corpo e percebemos que não poderíamos fazer apenas um EP, já que um CD com aproximadamente nove músicas já seria pequeno demais para tanto material, imagine um EP, formato que comportaria apenas cinco músicas no máximo rs. Mas é isso mesmo, o álbum trará músicas inéditas nossas, mas em sua maioria são covers de algumas ban52 - COLLAPSE UNDERGROUND ART

das que consideramos importantes na história do Black Metal, como Darkthrone, Bathory, Sarcofago e algumas outras. Será realmente nossa forma de prestar homenagem e nosso respeito a esses ícones maiores da música extrema mundial. Orgulho-me de nossa cidade, somos de uma terra que já deu bons nomes ao cenário brasileiro, como Misbeliever, Agonize Death, Intellectual Moment, Silent Cry, Atheistc, Abyssal, Dead Brain, entre outros. Como você descreve a cena da região? O que temos de diferencial de outras, o que há de igual, e o que poderia ser melhorado? E por favor, estenda sua visão para a cena mineira, e mesmo brasileira. Jeff Britto: Valadares teve seus dias de “glória” na década de 90, onde nasceram várias bandas de peso e significância no senário nacional, como as que voce mencionou, mas como tudo mais, um dia tinha que acabar. Infelizmente, não houve uma reciclagem, uma renovação, e hoje pagamos por isso, tendo tão poucos que realmente são de algum significado para o que ainda resta da cena da cidade. O cenário nacional, por outro lado, tem crescido muito nos últimos anos, o Brasil cada vez mais na rota de grandes shows internacionais e bandas nacionais cada vez mais profissionais, com qualidade inquestionável não deixando absolutamente nada a desejar em comparação às chamadas “gringas”, muitos eventos regionais acontecendo por todo o Brasil, enfim, a gente vê alguns velhos e novos problemas também, mas não tem como ser perfeito, não é? Nos dias de hoje, apesar das maiores facilidades advindas das tecnologias digitais e acessibilidade a equipamento melhores, ainda é muito difícil as bandas de cidades fora dos grandes centros, como a nossa, atin-


girem outros pontos do país. Usando a sua experiência como músico esses anos todos, quais são as maiores dificuldades que você vê ao atingir outras regiões do país? E como acredita que elas poderiam ser superadas? Jeff Britto: O grande problema que eu vejo é que não é fácil para produtor nenhum realizar eventos underground onde quer que ele esteja no Brasil, é arriscado você investir uma grana alta na produção de um evento hoje. Quando você para para pensar nas bandas de menor expressão, ou ainda consideradas iniciantes e que estão localizadas no interior ou em estados distantes dos grandes centros, o custo que é gerado com transporte e todo o suporte para essa banda, muitas vezes, infelizmente, torna a participação dessa banda em eventos distantes quase impossível. O produtor e banda muitas vezes têm a vontade e se esforçam para fazer a coisa acontecer, mas o custo no final é o que define tudo, ninguém gosta de tomar prejuízo. Então, como isso poderia ser resolvido? Com um público mais presente, que apoie sua cena local e que aceite pagar os vinte reais para ver seis bandas nacionais e não fique reclamando do preço enquanto tira cento e cinquenta do bolso, rindo, para ir ao show da banda gringa do momento. No dia que o público underground entender que sem o apoio deles não existe produtor e sem produtor não existe bandas que se apresentam, a coisa não vai mudar.

nuar trabalhando em novas composições que já estão em andamento para o álbum que, possivelmente, sairá no início do próximo ano, apenas com músicas nossas, como eu havia dito o “Hail the Kings” deveria ser apenas um EP, que seria uma amostra do que o próximo álbum será e acabou virando um CD, mas ele contém em sua maior parte covers como. Em termos de evolução, eu não sei te dizer, mas posso te falar que nossas músicas continuam no mesmo formato dos lançamentos anteriores, provavelmente com mais músicas rápidas, que é algo que a gente tem gostado bastante de fazer ultimamente, mas aquela atmosfera velha continua e espero que continue sempre presente em nossas composições.

Voltando a “Hail the Kings”, quais os planos futuros da banda mediante o lançamento dele? E o que se pode esperar a partir dele? Tudo bem que ninguém conta todos os segredos da coisa (risos), mas o que pode nos revelar sobre o CD, musicalmente falando? E em qual sentido acredita que a música da banda evoluiu em relação ao EP “Awake!”, de 2010 e o álbum “Symbol of Disgrace”, de 2013? Jeff Britto: Na verdade, a ideia é tocar, tocar e conti-

Bem, encerramos por aqui, e gostaria de mais uma vez agradecer pela entrevista. Deixe seu recado aos nossos leitores e seus fãs. Jeff Britto: Primeiramente, quero agradecer a você pelo espaço e pelo apoio e, para quem ainda não conhece o trabalho da In Apostasia, você pode encontrar nossos trabalhos na íntegra, acessando nossa website oficial no endereço inapostasia.com. Acesse, confira e comente! Mais uma vez, obrigado e até a próxima!

Jefferson, cada vez mais bandas têm ido para fora do Brasil em tours pela Europa, como o Unearthly, o Chaos Synopsis, o Woslom e o Lacerated and Carbonized. Inclusive, algumas bandas, como Coldblood, têm apostado bastante no mercado sul-americano, indo a outros países de nosso continente. Existem possibilidades do In Apostasia seguir este rumo? Já há algo de concreto nesse sentido? Jeff Britto: Não, nada nesse sentido ainda. Não está nos nossos planos agora, mas no futuro, se pintar algo viável para nós, claro, seria ótimo para a banda, certamente.

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ENTREVISTA

...amar e propagar a arte com toda nossa dedicação... Por: JP Carvalho A banda Lords of Aesir nasceu no fim de 2009, na cidade de Cascavel (PR), em meio a encontros e desencontros, tanto pessoais quanto de ideias. Porém, misturar música sinfônica e Heavy Metal não é mais tão surpreendente assim, mas quando é feito por músicos formados em música, sempre há um gostinho diferente nas composições. Este é o caso do Lords Of Aesir, que mesmo apostando na mistura música erudita e Metal, faz com conhecimento de causa, afinal, todos na banda são graduados em música. Fomos bater um papo com a banda a fim de conhecer um pouco do resultado desta dedicação total dos músicos do Lords Of Aesir à música, confira a seguir. Olá, obrigado por nos conceder esta entrevista. Primeiro, gostaria que você falasse sobre a formação 54 - COLLAPSE UNDERGROUND ART

da Lords of Aesir. Karol Schmidt: Atualmente, a banda é formada pelo guitarrista Julio Machado, Karol Schmidt nos vocais e Ian Schmoeller nos teclados. Como músicos de apoio nos shows, contamos com nossos amigos Jonas Henrrique no baixo e Mael Marques na bateria. Li em algum lugar que o o nome Lords of Aesir apareceu como uma sátira ao cenário do Paraná, é verdade? Karol Schmidt: Sim, estávamos em meio a uma época onde muitas bandas com temática Folk (geralmente temática nórdica) brotavam em todos os cantos no Estado do Paraná. Como nossa banda possuía uma vocalista (mulher) com características predominantemente de canto lírico operístico, as pessoas já nos rotulavam como uma banda “Folk”, mas essa nunca foi a nossa intenção. Ficávamos até mesmo bravos com esse tipo


de comparação e denominação, então, para “chutar o balde”, colocamos esse nome na banda, assim ninguém mais veio nos indagar sobre ser Folk ou algo assim. A única música que fizemos até hoje que toma esse ar nórdico foi “Aesirs Renegade”, numa brincadeira temática com o nome da banda, composta pelo Julio (guitarrista). E talvez Elvish Night traga um ar medieval, mas isso é somente porque eu sempre gostei de música medieval e antiga. Não foi nada intencional para soar como Folk. Além de que vocês passaram por uma fase virtual, a idéia era divulgar o nome da banda pela “grande rede”? Karol Schmidt: A princípio não. Pois é! A banda nasceu como um projeto pessoal meu e do Ian Schmoeller (teclados) para termos gravadas nossas composições e ouvirmos como elas soariam se executadas, não tínhamos a intenção de fazer shows ou sair por aí tocando. Como se deu a parceria com a banda Awake, isso acabou solidificando uma formação estável na Lords of Aesir? Karol Schmidt: Ian (teclados) tocava junto com o pessoal da Awake (hoje Mystic Horizons), e lá ele conheceu o Robson (baixo) e o Mael (bateria) que nos deram uma força nas gravações. Mael continua conosco tocando nas apresentações até hoje. Com quatro Websingles e um EP na bagagem, foi mais fácil compor “Dream For Eternity...”? Karol Schmidt: Creio que foi mais complexo por se tratar de termos de readequar tudo para um full lenght, mas uma coisa é certa, foi muito prazeroso! O debut também está sendo distribuido pela Shinigami Records, como vem sendo a aceitação do trabalho até agora? Karol Schmidt: Pelo que estamos observando, tem sido satisfatória, ainda mais para uma banda que nunca teve a ambição de distribuir seu trabalho como profissional e se dedicar a tal aspecto comercial. Ficamos contentes em saber que as pessoas estão gostando de algo tão intimista, feito e criado somente para agradar ao nosso gosto pessoal e dos nossos amigos próximos e não a um público vasto em sí como está sendo hoje. Isso nos deixa surpresos e alegres! Apesar de se autointitular Symphonic Metal, percebemos no trabalho da banda uma amálgama de influências e texturas singulares a outros estilos do Metal, como vocês agregam suas influências ao trabalho da banda? Karol Schmidt: Realmente, você tem razão. Temos influências divergentes, desde a música Clássica, Medieval, a Ópera, o Power Metal, Progressivo, vertentes extremas. Tentamos misturar tudo o que acreditamos

Lords of Aesir Dream For Eternity... Shinigami Records O chamado Metal sinfônico sempre foi um estilo onde, após a evidência ocorrida entre 2001 e 2006, rendeu frutos ótimos. O fim da mesma permitiu que vários trabalhos, feitos por quem gosta verdadeiramente do gênero, despontassem. Muitos não chegaram a ter a dimensão merecida nesse tempo de lá para cá. Mas sempre é bom ouvir grupos jovens do gênero e poder conferir suas contribuições, como o excelente trio LORDS OF AESIR, que chega com seu novo trabalho, “Dream For Eternity”, que a Shinigami Records acaba de pôr no mercado. No fundo, o grupo simplesmente é focado mesmo em seus aspectos sinfônicos, elegantes, mas sempre com boa dose de peso em meio às melodias, grandes corais e excelentes orquestrações. Não se engane: no meio de tanta elegância e pompa, esse trio sabe pegar pesado. Vocais operísticos femininos são entremeados por grandes corais, ótimos riffs de guitarras, teclados em arranjos sinfônicos perfeitos, base rítmica bem feita, e fora a participação especial de instrumentos de orquestra. A lista de participações especiais é longa, mas este trabalho todo resultou em um disco excelente, capaz de satisfazer os fãs do gênero, e mesmo cativar alguns de fora. Produzido pelas mãos de Aldo Carmine Rosito, podemos dizer que a qualidade sonora do disco é muito boa. Óbvio que algo tão grandioso e cheio de participações demanda uma

produção à altura, e isso fica evidente nos timbres escolhidos e mesmo no fato de que cada instrumento e vocalização estar claro. Poderia ter sido um pouco melhor, com um som mais robusto e preenchido (temos uma impressão de estar meio “oco” em alguns momentos), mas está muito longe de ser ruim ou deficiente. A parte visual buscou um trabalho mais simples e funcional, com encarte de uma única folha dobrada em três partes, a imagem de Lúcifer na capa (sim é uma das estátuas do próprio, no caso temos a de Guillaume Geefs), letras em branco contra fundo negro, ficha técnica, foto da banda... Tudo como tem que ser. O ponto mais forte da banda é, sem sombra de dúvidas, sua capacidade em gerar ótimos arranjos musicais. Óbvio que uma banda que segue este gênero precisa, pois fazer esta mistura de Música Clássica com Metal não é lá muito simples. E sim, o grupo tem bom dinamismo em tudo que fez aqui. Beira a perfeição. Podemos dizer que “Dream For Eternity” é um disco único, excelente do início ao fim, feito com esmero, e seus melhores momentos são a linda e grandiosa “The Truth” (rápida, bastando reparar como é a evolução de canção em cada momento, com crescendos fantásticos, vocalizações ótimas, e orquestrações perfeitas), a ganchuda e de tempo mais mediano “Stand for Survival” (belíssimo trabalho do baixo, e um solo de guitarra fenomenal), a calma e belíssima “Elvish Night” (com momentos bem medievais, rica em arranjos e com vocais perfeitos), a bem trabalhada e esmerada “Aesir’s Renegade”, a linda e introspectiva “Fear of the Lies”, e a envolvente “The Voice Beyond”. Mas como já foi dito: o CD é ótimo como um todo. Uma excelente revelação do Metal nacional, e acreditem: se mostra bem original! Marcos “Big Daddy” Garcia

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nos identificar como indivíduos e transformar em um todo, uma espécie de caos cultural harmonizado, que vem até hoje dando certo. Ao menos nunca entramos em divergências ou discussões sobre as composições uns com os outros. Cada música reflete uma parte da nossa identidade musical individual. Além disso, como se dá o processo de composição Lords of Aesir? Karol Schmidt: As composições em sua maioria são do Ian Schmoeller (tecladista), algumas minhas e outras do Julio (guitarra). Sempre que criamos algo, mostramos prontamente aos demais que tecem seus comentários sobre e quem acaba finalizando tudo é o Ian, ele é o nosso “maestro”. Além de arranjos primorosos, percebemos riffs de guitarra muitos inspirados em “Dream For Eternity...”, podemos afirmar que em meio ao turbilhão sinfônico de sua música, o Lords of Aesir é uma banda de riffs? Karol Schmidt: Gostaria que o Ian ou o Julio respondessemm essa pergunta (risos)! Acredito que o que fazemos e os elementos empregados não são de maneira intencional, se formos uma banda de riffs, espero que sejam de bons riffs então. (mais risos). Você, além de formada em licenciatura musical, fez especialização em canto lírico em Florença (Itália) e o tecladista Ian Schmoeller também é formado em licenciatura musical, além de composição e regência pela EMBAP, como esse profundo conhecimento musical se mostra na música da banda? Karol Schmidt: Acredito que na humildade em sa-

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bermos aceitar a palavra do outro, escutarmos com coração e sermos todos gratos pela oportunidade de estarmos juntos vivendo essa mágica experiência de vida e fazendo música com amor. Com tanta qualidade e conhecimento, não acaba


e creio que isso, fazendo parte de nossa formação e principalmente de nossa personalidade, nos faz ver a música com outros olhos. A belíssima capa de “Dream For Eternity...” foi elabora por você, qual a relação desta arte com o título do álbum? Karol Schmidt: Foi. A arte central traz a estátua de Lúcifer como o anjo que caiu do céu (“Le génie du mal”, estátua esculpida por Guillaume Geefs, exposta no púlpito da catedral de Saint-Paul de Liège na Bélgica.). Por se tratar de uma figura icônica de uma das religiões mais emblemáticas existentes (Cristianismo), decidimos por utilizar essa imagem onde o anjo está chorando, com um dos pés acorrentado e segurando em sua mão uma baqueta e uma coroa. Como a grande parte das composições desse álbum trata da angústia humana e da ânsia pela eternidade, além do medo e da traição, vimos nessa imagem a expressão perfeita do que gostaríamos de repassar. O grande relógio ao fundo faz menção ao tempo, que nunca para.

rolando um guerra interna dentro da banda? Karol Schmidt: Pelo contrário. Podemos dizer que concretizamos o sonho dourado de todos os músicos, um grupo de amigos que não discute, apenas trocam experiências e aprendem uns com os outros, sem egos, sem manhas e sem choros. Somos educadores musicais

Muito obrigado pela entrevista. O espaço é seu para suas considerações e para deixarem uma mensagem aos nosso leitores. Karol Schmidt: Agradecemos a vocês da Colapse Underground Art e a todos que direta ou indiretamente colaboram conosco. Enquanto houver uma única pessoa disposta a escutar nossa música, certamente estaremos lá, prontos e dispostos para dar o nosso melhor por ela e assim fazermos por merecer o seu tempo e a sua atenção. Ser artista é isso, amar e propagar a arte com toda nossa dedicação. Um grande abraço a todos! E “in bocca al lupo!”.

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ENTREVISTA

Por: JP Carvalho Morthur é uma banda de Death Metal que vai além das características tradicionais do estilo. A banda toca riffs bem construídos com qualidade, peso e obscuridade, gerando imersão na atmosfera criada pela banda. Teve início em 2013, compondo músicas com temas Death/Black Metal, os integrantes: André Cândido, bateria, Fabricio Macali, baixo/vocal e Jeferson Casagrande, guitarra/vocal. Em abril de 2015, Fabricio Macali deixou a banda por motivos pessoais, em maio, depois de muito estudo, foi chamado Marco Antonio Zanco. Sua estreia foi no 1º “EN” Carna Rock Metal Fest em 2014, apresentando músicas próprias. A repercus-

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são foi realmente positiva, de forma que incentivou a criação do primeiro EP, chamado “Between The Existence And The End”. O EP ainda está em processo de gravação e para ter uma sonoridade única, a banda está fazendo todos os processos de gravação de forma independente. A banda também confirmou sua participação no “XI Obscure Faith Festival”, que acontecerá em junho, em Santa Maria , RS. A banda tem como objetivos fortalecer, evoluir e nunca deixar morrer a fonte de liberdade e extremismo chamado Metal. Conversamos com o guitarrista e vocalista Jeferson Casagrande e o resultado deste bate-papo você confere a seguir. Vindo de Erechim, no Rio Grande do Sul, não


me espanta a brutalidade sonora da banda. Vocês acham que o Estado é o berço do Death Metal brasileiro? Jeferson Casagrande: O Rio Grande do Sul certamente exporta um Death Metal de excelente qualidade, brutal e pesado. Não podemos dizer categoricamente que o estado é o berço, pois fora daqui existe muito Death Metal de altíssima qualidade, mas com certeza o que nasce aqui é primoroso e autêntico. Como foi formado o Morthur? Jeferson: Formamos a banda em 2013 com o André Cândido na bateria, Fabricio Macali no baixo/vocal e Jeferson Casagrande na guitarra/vocal, com o intuito de fazer algo além do comum. Desde o início sempre tocamos músicas autorais, criadas ainda antes da banda realmente existir. Em 2014, tivemos a estreia no 1º “En” Carna Rock Metal Fest, apresentando algumas músicas criadas ao longo de 2013. Logo após, focamos na criação de um material mais completo e conciso, buscando uma forma brutal e extrema de expressão. E como é o cenário para uma banda como o Morthur no seu estado? Jeferson: Nós notamos uma crescente valorização da cena, talvez tenhamos esta impressão por agora estarmos mais ativos do que antes. O Rio Grande do Sul é um estado rico no meio underground, então, não só a Morthur, mas toda forma de expressão underground tem seu espaço. Nós estamos lutando para ajudara manter a bandeira negra erguida neste meio reconhecido no Brasil, e estamos tendo um retorno muito positivo do nosso trabalho. O cenário da música pesada atual, salvo algumas exceções, se forma e tem sua existência no Underground, que na verdade é onde tudo acontece, como o cenário se movimenta em Erechim e no Rio Grande do Sul? Jeferson: Existem várias bandas na região dos mais variados gêneros do metal, algumas começando agora e outras já com material lançado e reconhecimento no país inteiro. Periodicamente acontecem pequenos festivais, às vezes até de médio a grande porte, mas sabemos que é muito difícil sustentar um festival, a burocracia e os gastos são imensos e na maioria das vezes até inviabiliza o evento. Sempre lutamos para colaborar e fazer com que as coisas aconteçam para nunca deixar a cena morrer.

zendo com que o mesmo goste de sua forma particular. Como andam os trabalhos para “Between The Existence And The End”? Jeferson: Hoje temos uma parte do trabalho concluído. Obrigamo-nos a dar uma pausa pela falta de tempo e pela saída do Fabricio. Agora, com a entrada do Marco Antonio, daremos segmento às gravações e se tudo correr como planejado, logo estaremos com o material pronto. Recentemente houve a troca de baixista, mas o atual, Marco Antonio Zanco, já era um velho conhecido de vocês, tendo inclusive participação nas composições da banda. O que essa mudança trouxe de diferente para o Morthur? Jeferson: O Marco Antonio sempre esteve presente, ele já conhecia a essência da Morthur e a entrada dele na banda fez com que concretizássemos o estilo e as ideias da banda em conjunto. Sendo um músico com experiência, em apenas dois ensaios conseguimos encaixar todas as músicas atuais da Morthur, então agora a tendência é evoluir cada vez mais. Muito obrigado pela entrevista, o espaço é de vocês para suas considerações e para deixarem uma mensagem aos nosso leitores. Jeferson: Primeiramente, muito obrigado por este espaço, que é fundamental para manter o underground ativo e informado. Queremos convidar vocês a conhecer o nosso trabalho através do site morthur.com, pelo site da Sangue Frio Produções sanguefrioproducoes. com ou pelas redes sociais, que nos mantém mais perto do público. Estamos planejando grandes novidades, fiquem ligados! Contatos: www.facebook.com/morthurband www.soundcloud.com/morthur www.morthur.com

Acho interessante a abordagem lírica da banda, já que vocês abordam vários temas, todos pesados e muitas vezes de difícil assimilação, vocês acham que o público consegue absorver a mensagem de suas letras? Jeferson: Gostamos do fato das pessoas terem experiências diferentes com uma mesma música. As letras não são concretas, apenas direcionam o pensamento, cada um preenche as lacunas conforme sente a composição da música, o ouvinte se torna parte da obra, faCOLLAPSE UNDERGROUND ART - 59


Por: JP Carvalho banda 11th Dimension nasceu na cidade de Lisboa em Portugal, praticando uma mescla interessante de post-Metal e metal progressivo. Acabaram de lançar um EP intitulado “Odyssey” que tem obtido ótima aceitação no cenário lisboense e pelo mundo afora. Conversamos com a vocalista Diana Rosa e o resultado deste bate-papo vocês podem conferir a seguir.

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foi o resultado de vários meses de trabalho por parte da banda que realizou de forma independente e autodidacta a gravação, mistura e produção do EP. Disponível em formato digital e físico, este conta com as ilustrações de Pedro Lopes. Apesar de o projecto contar com cerca de 2 anos de existência, os 11th Dimension estão juntos já há 4 anos através do projeto de covers de Rock Thorns, onde criaram a sua sinergia e presença de palco, passando por vários palcos desde bares a arraiais.

Antes de começarmos, faça um resumo da história do 11th Dimension. Diana Rosa: Os 11th Dimension são uma banda lisboeta de Metal Progressivo, com influências de Post-Metal, Progressive Metal e Ambient. São constituídos por Diana Rosa na voz, Filipa Simões na bateria, Pedro Marques na guitarra e Carlos Costa no baixo. Têm cerca de 2 anos de existência, durante os quais já fizeram parte de cartazes como Silveira Rock Fest 2014, Salamandra em Chamas 2014, Hell in Sintra 2014, Christmas Metal Fest 2014, entre outros. Um dos aspectos mais interessantes da banda é a mistura de influências e cultura musical que cada um dos membros traz para as músicas. Desde Death e Epic Metal até ao Rock e electrónica, todos estes elementos podem ser encontrados nas suas composições, mas sem dúvida que a influência predominante é a nova onda de bandas de Metal Progressivo e Post-Metal. Enquanto a parte instrumental vai desde os sons mais pesados e sincopados até arpeggios etéreos, a voz feminina, com claras influências líricas, traz um toque de contraste e riqueza que se fundem em músicas fortes e cheias de emoção. A letra das músicas invocam no ouvinte momentos de instrospeção, viagens da mente e a procura de algo novo. Há 1 ano, lançamos nosso primeiro EP intitulado “Odyssey”. Este

Vindo de Portugal e sendo uma banda relativamente nova, como tem sido a conquista do seu espaço no cenário português? Diana Rosa: Tem corrido relativamente bem. As dificuldades existem e, ao contrário de outras culturas musicais, na cena do Metal ainda é muito necessário chegar às pessoas por intermédio de outras bandas ou de promotoras que nos convidam para participar nos seus eventos. Felizmente, temos tido a sorte e o prazer de ter várias dessas pessoas ao nosso lado e os resultados são visíveis com concertos cada vez mais frequentes. Apesar disso ainda há muito trabalho para fazer até chegarmos a ser uma banda, como se costuma dizer, “com algum nome” e não pretendemos abrandar o ritmo do nosso trabalho.

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Em relação as apresentações, percebo que a 11th Dimension se apresenta regularmente, sendo assim você acha que o mercado da música pesada de Portugal, é bom para bandas de estilo semelhante ao de vocês? Diana Rosa: Este é um aspecto que nos tem surpreendido, pois dado que o estilo que apresentamos não encaixa exactamente na zona mais pesada do espectro musical que é o metal, nem nos sub-géneros deste estilo mais praticados e mais populares no nosso país, percebemos que havia espaço para nós quando começámos a integrar cartazes de diversos festivais de música pesada, maioritariamente dominados


por bandas bem mais pesadas do que nós. Foi um risco apostar numa sonoridade menos tradicional e mais nossa, mas o facto de mesmo assim termos tido uma boa receptividade e tantas portas abertas faz-nos acreditar que foi uma aposta ganha. E como é o cenário da música pesada em Portugal? Diana Rosa: Aqui em Portugal existem cada vez mais festivais de música pesada de Norte a Sul, mais promotoras independentes que os realizam, e mais meios de comunicação também alternativos e independentes que os divulgam, tendo assim sido aberto mais espaço nos últimos anos para as bandas como nós e para a comunidade de fãs que gosta de as ouvir. No entanto, como somos um país muito pequeno, a nossa comunidade underground é muito pequena também, e apesar de sermos “poucos mas bons”, há sempre o factor saturação associado a esta crescente de bandas e de eventos. Aqueles que apoiam de verdade estão sempre lá, e são muitas vezes as mesmas caras que vemos em concertos - o que, por um lado é bom, pois significa que há pessoas a lutar por expandir este tipo de eventos e que gostam de ouvir as bandas que há por cá -, mas falta mais gente sair de casa e ir apoiar as bandas nacionais. Há muita gente a ouvir metal em Portugal, mas parece que olham mais para fora do país e desconhecem completamente as bandas e o cenário local. Precisamos de mais rádios a passar a nossa música e das revistas grandes de música a apoiar-nos, para que se quebrem os preconceitos e a música pesada nacional ganhe mais força junto do público. Vocês lançaram um EP “Odyssey”com quatro faixas, como está sendo até agora a aceitação deste trabalho? Diana Rosa: A aceitação tem sido óptima. Fez recentemente 1 ano de lançamento do “Odyssey” e é um facto que o nosso crescimento neste ultimo ano tem sido muito grande. O nosso nome e a nossa música chega a cada vez mais pessoas, temos muitas solicitações para dar concertos, e crescemos imenso também enquanto músicos e grupo. Temos muita gente que nos apoia nos e motiva a continuar a o nosso trabalho e isso é sempre muito gratificante para qualquer músico. ”Odyssey” me passa um sentimento de unidade, onde pode-se perceber a contribuição de cada um, porém voltada ao trabalho em sí. Como se dá o processo de composição da banda? Diana Rosa: Numa fase inicial, o Pedro e o Carlos compunham a parte instrumental quase na totalidade e esta era depois trabalhada em estúdio, sofrendo alterações consoante as ideias trazidas por todos; ficando os conceitos, a parte vocal e letras ao cargo da Diana. Depois de algum trabalho em conjunto, passámos a conseguir fundir as influências e o estilo de cada um de uma forma mais natural, e consequentemente passámos também a trabalhar num processo muito mais colaborativo e orgânico. Actualmente, a nossa “fórmula” de composição está muito mais dinâmica; e ainda que cada um componha o seu instrumento, todos levamos ideias para o estúdio e trabalhamos sobre elas em conjunto.

mente importante pois para além dos amigos e fãs que já adquirimos em Portugal através dos concertos que temos dado, temos já alguns fãs espalhados pelo mundo. Sei que Portugal tem excelente bandas no cenário Underground, mas só o Moonspell conseguiu projeção mundial, o que você acha que falta para as pessoas vejam o Heavy Metal em Portugal com outros olhos? Diana Rosa: Falta mais gente começar a ter curiosidade por aquilo que é feito por cá, e que muitos portugueses que gostam destes géneros de música desconhecem totalmente. O underground é feito pelos artistas, mas é feito sobretudo pelo público, pela massa humana que interage e dá corpo a este movimento. Portanto, achamos que o crescimento das bandas depende bastante do crescimento e do apoio desta massa que sustenta a existência de tudo isto. Sem esse apoio, as bandas não crescem e torna-se muito difícil para bandas pequenas darem os primeiros passos lá fora. E como é ser uma banda com dois homens e duas mulheres? Diana Rosa: É como ser uma banda com outra composição qualquer, porque acreditamos que não é o género dos integrantes de uma banda que a define. Antes de qualquer outra coisa, somos quatro músicos e quatro amigos, e é isso que pesa. No entanto, tentamos usar esta nossa característica de sermos uma banda mista para chamar a atenção para a presença das mulheres na música pesada, que é algo que desejamos que seja encarado com cada vez mais normalidade e menos surpresa. Muito obrigado pela entrevista, o espaço é seu para suas considerações e para deixarem uma mensagem aos nosso leitores. Diana Rosa: Gostaríamos de deixar um grande obrigado à Collapse Undergroud Art, e de deixar o convite a todos os leitores para que visitem a nossa página de Facebook em https://www.facebook. com/11thdimensionpt para que fiquem a conhecer um pouco melhor a nossa banda e a nossa música. Despedimo-nos com saudações rockeiras e um enorme abraço deste lado do Atlântico para o Brasil!

No meu modo de ver, liricamente, ”Odyssey” possui sentimentos diversos espalhados por todo o trabalho, além da interpretação vocal de Diana Rosa que dá mais profundidade. Como são trabalhados os temas para uma música do 11th Dimension? Diana Rosa: “Odyssey” é composto por fragmentos daquilo que será a história contada no nosso primeiro álbum, em que estamos a trabalhar; como tal, é um trabalho conceptual e as letras de todas as músicas estão, de uma forma ou outra, ligadas a este conceito da “viagem”. Os temas abordados são a desilusão connosco próprios, com os outros e com a sociedade; a necessidade de cortar as amarras e mudar para algo melhor; o partir à descoberta de outros ambientes e descobrir algo novo e melhor para nós. Todos nós já passámos por fases da vida em que experienciámos estas sensações, portanto a inspiração para os temas é a vida em si. Todas as letras acabam por ter algo de auto-biográfico. Em tempos de downloads ilegais, como vocês fazem para que o seu trabalho atinja as pessoas, e mais, como vocês se valem da internet para divulgar a banda? Diana Rosa: Por termos perfeita noção dessas dificuldades optámos por fazer uma produção do album por nossa conta para podermos disponibilizá-lo de forma gratuita. Convidamos desde já os vossos leitores a fazer download da nossa música em http://11thdimensionpt. bandcamp.com. Para além do bandcamp estamos em muitas plataformas de streaming (Spotify, Rdio, iTunes, Google Music, Deezer, etc) e também no Youtube, onde para além de ouvir o nosso EP podem ver alguns videos que temos feito. O facto de termos optado pelo uso destas plataformas foi extremaCOLLAPSE UNDERGROUND ART - 61


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Collapse Underground Art #03  

Ódio Social, Autopse, Psychotic Eyes, Ajna, Makinária Rock, Scraper Head, Blackning, Bella Utopia, Omrade, In Apostasia, Lords of Aesir, Mor...

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