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UNDERGROUND ROCK REPORT - 1


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ÍNDICE Capa Mortarium Páginas 4, 5, 6 e 7 Entrevista Harppia Páginas 8, 9, 10 e 11 Entrevista Pop Javali Páginas 12, 13 e 14 Entrevista Wael Daoul Páginas 16, 17 e 18 Entrevista Trevas Páginas 19, 20 e 21 Entrevista Dreadnox Páginas 24 e 25 Entrevista Kattha Páginas 26, 27 e 28 Entrevista Subghetto Páginas 30 e 31 Entrevista Tublues Páginas 32 e 33 Entrevista Blasthrash Páginas 34, 35 e 36 ... ao caos... Panda Reis Página 37 Arquivo Panzer Página 38 Entrevista In Soulitary Páginas 39, 40 e 41 Releases Páginas 42 e 43 Especial O Estranho mundo de H.P. Lovecraft Páginas 44, 45, 46 e 47 Entrevista Life in Black Páginas 48 e 49 Entrevista Volkmort Páginas 50 e 51 Entrevista Fernanda Terra Páginas 52, 53, 54 e 56

CAPA Mortarium Força de vontade e um trabalho honesto Mas do que super bem vindas as páginas da Collapse Undergrond Art, as meninas da banda Mortarium hoje são a única formação feminina a defender o Doom Metal em nosso país. Claro, pelas dimensões continentas de nossa pátria, pode ser que haja alguma outra banda perdida por ai, praticando a mesma sonoridade, mas ainda não temos conhecimento disso. Ponto, colocado isso, posso dizer que além da qualidade do seu trabalho, Vivi, Tainá e Julie buscam não apenas ser mais uma banda, existe a preocupação com a sonoridade, mas além disso, a mesma preocupação se extende para a imagem, para o conteúdo lírico, tornando a Mortarium digna de matéria de capa em qualquer publicação que queira representar esse estilo que tanto amamos, o Heavy Metal! Como voces poderão conferir na entrevista. E nesta edição ainda temos o Harppia, banda capitaneada pelobaterista Tibério Correa Neto,que nos concedeu uma espetacular entrevista onde se mostra aberto, dedicido e muito, mais muito ligado em sua arte. Abordamos desde a históriada banda até sua arte na Luthieria. Realmente imperdível! Além, também de matérias sensacionais com Pop Javali, com o guitarrisa Wael Daoul, as

bandas Trevas, Dreadnox, Kattha, Subghuetto, Tublues, Blasthrash, Panzer, In Soulitary, Life in Black, Volkmort. E uma entrevista especial onde tentamos fazer um apanhado de toda a carreira da baterista Fernanda Terra, que nos recebeu muito bem, foi educada e muito sincera. e ainda nos deu o privilégio de ser nossa modelo em um ensaio fotográfico feito por Darlene Carvalho.

Ambientado no bairro da Vila Madalena, tradional reduto cultural da cidade de São Paulo. Assim, a edição de número 2 da Collapse Underground Art, buscou trazer informações diversas e conteúdo de interesse para o cenário brasileiro, espero, de verdade que nosso intuito seja agradável a você leitor. Espero que se divirtam. Boa leitura! JP Carvalho

Expediente

Editor responsável: JP Carvalho - Jornalista Responsável: Laryssa Martins MTb: 52.455 Colaboradores nesta edição: Marcos Garcia, Vlademir Gonzales, Panda Reis, Alan Cavalcanti, Julie Souza, Gisela Cardoso e Ygor Nogueira A revista Collapse Underground Art é uma publicação digital, de atualização permanente. O conteúdo editorial é produzido pela equipe de redação e as imagens cedidas por representantes ou assessorias de imprensa. Todo o conteúdo é protegido pelas leis que regulamentam o Direito Autoral e a reprodução (de parte, ou completa) das matérias. As matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem a postura ideológica da publicação. Envie sugestões, comentários e críticas para a revista: E-mail: rrraicttuff@yahoo.com.br ou para Rua Nilo Luis Mazzei, 66 - Vila Guilherme - São Paulo - SP - CEP: 02081-070.

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CAPA

...forรงa de vontade e um trabalho honesto... 4 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Por: JP Carvalho ormada por Tainá Domingues e Julie Sousa em 2008, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) a Mortarium é atualmente a única banda feminina de Doom Metal em atividade no Brasil. Entretanto, as primeiras apresentações ao vivo ocorreram no ano de 2010, simultaneamente ao lançamento do primeiro single da banda, intitulado “Celebrate Eternity”. Após mudanças na formação, a banda lança em 2012 o single “The Awakening of the Spirit”, marcando desta forma a passagem de suas ex-integrantes e buscando incentivar outras meninas a formarem bandas, deste ou de qualquer outro gênero musical. Atualmente, a banda consolidou sua formação em um trio formado por Vivi Alves - baixo e vocal, Julie Sousa - bateria e Tainá Domingues - guitarra e vocal gutural e tem se apresentando regularmente no Rio de Janeiro e em algumas cidades do país, tendo sido convidada inclusive para dois dos mais renomados festivais de Metal: o UnderMetal, um dos mais importantes eventos do gênero, na cidade de Porto Alegre, e Eclipse Doom Festival, o maior festival de Doom Metal do Brasil, realizado em São Paulo. Este último promoveu o lançamento da Doomed Serenades – a primeira coletânea nacional de Doom Metal, com a participação de 10 das principais bandas de Doom Metal brasileiras, entre elas a Mortarium com a música The Awakening of the spirit. Neste ano de 2013, o trio lançou seu primeiro videoclip para a música “My Distress”, canção que fará parte do primeiro cd oficial da banda, a ser lançado ainda este ano. Conversamos com a banda e entre coisas coisas falamos do cenário atua da música pesada nacional, o conteúdo dessa conversa você confere a seguir.

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Olá meninas, muito obrigado pelo seu tempo e por nos conceder esta entrevista. Para começar, falem sobre o começo da banda e como é ser a única banda de Doom Metal Brasileira Feminina? Julie Sousa: A ideia de montarmos uma banda surgiu em meados de 2008 de modo totalmente despretensioso. Eu, Tainá e Ana Paula, que hoje não toca mais com a gente tivemos esse “estalo” em um evento, e decidimos levar a ideia à frente. Cada uma escolheu um instrumento cm que mais nos identificávamos e fomos aprender a tocar. Geralmente digo que não começamos do zero, começamos do “-1 “ (risos), e muitos não nos levavam a sério, achavam que

tudo não passava de uma brincadeira e portanto não nos davam créditos. Com o tempo e dedicação de cada uma de nós, as que não tocam mais hoje com a gente inclusive, conseguimos erguer a banda e estamos até hoje na cena, contribuindo com a nossa arte, fazendo a parte que nos cabe enquanto banda de Doom Metal, por sermos apreciadoras do gênero há anos. Vivi Alves: Ser na minha opinião, a única banda totalmente feminina de Doom Metal no Brasil é um fato que me faz ter cada vez mais dedicação ao nosso trabalho. O Doom Metal é muito pouco divulgado por aqui e temos cada vez mais ouvido que somos influência para muitas meninas e isso é uma responsabilidade muito grande. Esperamos ser as únicas por pouco tempo e que não só o nosso estilo se levante, mas que as meninas se encham de coragem. Temos muitos talentos preciosos no Brasil. Tainá Domingues: Ser a única banda de Doom composta pelo gênero feminino, considero uma importante reflexão sobre o assunto, por que pode indicar alguns pressupostos, como por exemplo, o não interesse das meninas pelo estilo por questão de gosto musical ou desconhecimento do mesmo, visto que há por exemplo, bastante banda feminina de thrash, punk até Heavy/Hard Metal. Nos alerta apresentar o estilo Doom para as novas gerações e sempre incentivar o aprendizado musical. Como tem sido a aceitação da Mortarium nos diversos shows que vocês fazem pelo país? Tainá: Geralmente as apresentações feitas tem tido um caráter eclético e logo esperamos um público bem diverso, mas ainda há aqueles vão para nos ouvir e nos conhecer. Tenho percebido uma “boa aceitação” partindo do ponto de vista que “boa aceitação” seja elogios do público em geral, o “despertamento” e curiosidade sobre o estilo Doom Metal, interesse pelo público feminino sobre a formação e o que nos levou a tocar. Essas e outras experiências tem valido a pena estar tocando. Vivi: Só tenho a agradecer pois por onde passamos sempre somos muito bem recebidas e a galera sempre curte o nosso som, mesmo quando não curtem ou conhecem Doom Metal. Julie: Muito boa, e ficamos honradas por isso!Pode parecer antagônico, mas o que temos percebido é que o Doom Metal tem “contagiado”, no sentido de despertar interesse das pessoas que nem mesmo o conheciam, e passam muitas vezes a conhecerem

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através de nós. Com dois singles na bagagem, a saber "The Awakening of the Spirit" e "My Distress", a banda se consolidou no cenário, como vocês veem esses trabalhos hoje? Tainá: O single "The Awakening of the Spirit" foi um momento característico da formação da banda e necessário o lançamento com objetivo de fechar um ciclo específico tão importante quanto hoje. Representou a posição daquele momento do nosso trabalho. A “My distress” ainda que mais antiga (composição) lançada mais recentemente é tão importante quanto a "The Awakening of the Spirit", mas representa bem a característica da formação atual. Vivi: Os dois singles foram lançados em momentos muito distintos da nossa trajetória. “The Awakening” ainda com vocal da nossa antiga vocalista, Laiane, e “My Distress”, já com a banda em formato de trio e em conjunto com um clip que gostamos muito de fazer, foi realmente muito importante para nós. Cada momento que passamos foi imprescindível para chegarmos ao que somos hoje. Julie: Foram marcos importantíssimos para nós, dos quais temos muito orgulho. Percebo uma preocupação com as letras e até mesma na interpretação dos temas, o que vocês podem nos falar a esse respeito? Tainá: Uma das características do Doom metal é a interpretação dos temas através de sentimentos tendo uma expressão artística única de se mostrar. Entendo isto, a banda acaba refletindo essa peculiaridade do estilo. Vivi: Nós três sempre buscamos formas de melhor expressar nossos sentimentos na nossa música. Um fato que concordamos muito é o de abordar além das nossas próprias experiências de vida, tudo aquilo que é capaz de mexer com a mente humana, interferindo nas suas atitudes e na sua sanidade. Julie: Acredito que estejamos em sintonia em vários aspectos, dentre eles a concordância em abordar temas que agucem a curiosidade e interesse em questionar a realidade que nos é imposta. E até que ponto isso interfere nas composições? Tainá: Considero a composição uma forma de organização, não 6 - UNDERGROUND ROCK REPORT

necessariamente um encadeamento de ideia, mas algo que expressa concepções dotadas de sentimentos sobre a temática, sem haver um rompimento de razão e emoção, porque ao passo que escrevo ou componho vem à emoção e meus sentimentos sobre o assunto. Na música, que considero uma expressão artística, em especial no doom, acredito difícil a dicotomia razão e emoção, justamente por ser um estilo que se mostra com uma interpretação do tema. Vivi: Interfere quase sempre em 100% uma vez que as composições sempre são iniciadas pelas letras. É a partir disso que surge o sentimento que diz como esse instrumental deve ser, o que iremos construir para estar de acordo com a emoção passada pela letra. Julie: Total interferência. Falamos do que sentimos, de como vemos essa coisa toda que chamamos de vida, e uma vez que estejamos de acordo e na mesma vibe, as composições sempre expressam essas interpretações da realidade.. Explorando temas tão profundos, vocês não correm o risco de não serem entendidas ou até mesmo mal interpretadas? Tainá: Sim. Em tudo na vida corremos o risco de ser mal interpretados, ainda mais com temas profundos. Mas a preocupação não é ser objetiva ou clara e sim mostrar nossos sentimentos em relação a temática. Vivi: Sim, mas não nos importamos com isso. Nosso trabalho é feito com muita sinceridade e muita transparência e sempre que alguém tem alguma dúvida em relação a qualquer assunto sobre a banda e os temas que abordamos, sempre estivemos à disposição para falar sobre. Isso sana qualquer má interpretação. Julie: Sem dúvidas, mas não estamos preocupadas com o teor das interpretações que são feitas, e sim com o despertamento para a crítica da realidade. Consideramos que a experiência pessoal de cada indivíduo é única, e que nunca duas pessoas distintas terão exatamente a mesma impressão ou sensação sobre qualquer expressão de arte, assim, não haveria de ser diferente conosco. Vocês estão gravando um novo trabalho, este seguirá a linha tradicional da Mortarium, ou haverá surpresas? Tainá: A nova gravação, em minha opinião, segue a linha tradicional. Mas acho que só saberemos quando o público ouvir.


Vivi: Sempre há uma surpresa quando a inspiração de compor vem do nosso próprio dia a dia(risos). Não podemos prever o que vai acontecer e as nossas reações em relação à isso. Mas a veia sempre será a mesma, há quem diga que a Mortarium tem uma característica muito peculiar e isso é difícil de se desfazer. Julie: Haverá surpresas, e se falarmos sobre deixará de ser (risos)! Conheço bandas espetaculares de Doom Metal, como Jupiterian e Hell Light, mas o estilo não é muito difundido no país. Como vocês veem o cenário Doom Metal brasileiro? Tainá: O doom é estilo musica ainda pouco conhecido pelo público brasileiro que pode ser explicável pela relação de bandas nacionais (ou até mesmo internacionais) de doom com outros estilos. Há poucas bandas, logo é pouco difundido no cenário. Algumas pessoas por desconhecer dizem que não gostam, mas, por muitas vezes, é por falta de conhecimento no estilo. Vivi: O que eu vejo é um momento interessante para o Doom. A cada evento que participamos somos apresentadas a pelo menos uma nova banda no estilo e isso já fortalece de alguma forma. No Rio de Janeiro, ainda é escasso os eventos de Doom e até as oportunidades para as poucas bandas que resolvem seguir o segmento, mas eu acredito que com o surgimento de mais bandas por aqui o interesse vai aumentar e as coisas vão começar a acontecer. Julie: Na década de 90, início dos 2000 acredito que tenha sido o auge do estilo por aqui. Atualmente, tem surgido várias bandas do gênero, boa parte delas entusiasmadas com o estilo e isso eu vejo com excelentes olhos! Penso que o Brasil tem ótimos representantes do gênero, e ótimas promessas também. E sobre o cenário da música pesada em geral? Vivi: Há quem diga que a cena morreu. Discordo. A cena somos nós. A partir do momento que fizermos também a nossa parte não só como banda mas como público, as coisas vão mudar para melhor. Se você não está satisfeito com os eventos da sua localidade, ok, você não é obrigado a sair do conforto da sua casa, porém, como pode exigir que o público queira te assistir quando é a sua vez de subir no palco? Precisamos nos lembrar que hoje a cena é feita quase 50% de músicos. Não podemos apenas querer que nos assistam, temos que fazer a nossa parte também. E os outros 50% do público, que não é músico e está lá pelo amor ao Metal, precisa também colaborar dando seu apoio as bandas autorais. Prestando atenção no seu som, nas suas letras, na mensagem que está sendo passada. É muito bom ir a um evento e ouvir aquele som que a gente ama, mas nem só de covers pode viver o Underground. Lembrem-se que as bandas autorais se dedicam pra fazer o melhor pra vocês e se ninguém ouvir isso, esse trabalho terá sido em vão! Julie: Vivemos na era das redes socias, onde com um simples click podemos conhecer, ouvir e baixar novas bandas. Isso é ótimo, na minha opinião, mas não substitui o bom e velho show de rock com as bandas locais da cidade onde moramos. O que chamamos de cenário é composto não só pelas bandas, como pelo público que comparece, produtores de shows, etc. É bom que não esqueçamos disso e sempre antes de criticar a “cena”, refletir sobre isso. O que, na visão de vocês, é preciso para uma banda sobreviver no atual cenário? Tainá: Acho importante o termo sobreviver, que considero não ter bônus ou ônus, nem perde e nem ganhar, ou seja, se manter no cenário. Vai depender do objetivo em especial de cada banda, se uma banda tem pretensões dos músicos sobreviverem do grupo musical, ai partem para uma projeção profissional de mercado (hoje o mercado, querendo ou não é o capitalista) que exige outros fatores que levam essa projeção. Caso a banda toque por hobbie, por realização pessoal ou por lazer o mínimo para se manter no cenário, além de acreditar no trabalho sem buscar atalhos, passo a passo, é “ficar no 0x0 ” como diz a minha amiga Julie Sousa. Não encher o bolso dos produtores sem minimamente receber uma assistência, um copo d’agua por exemplo. Ou acharmos que somos rockstar e participar de eventos considerados “grandes”. Acho que tem haver um equilíbrio e uma posição da banda em relação a seus objetivos musicais, não criando um juízo de valor, se é bom ou ruim. Mas sim uma posição que é justa e explicável por cada banda.

Vivi: Apoio de uma forma geral. Do público, dos organizadores. Esse apoio nem sempre é financeiro, tem muita banda por ai que toca “no amor” mas se mantém dos próprios bolsos porque tem o reconhecimento do seu público e isso é recompensador. Óbvio que apoio financeiro é essencial principalmente quando a gig é longe. Bandas tem mil coisas a providenciar e tudo isso custa. Sobreviver dentre tantas dificuldades requer muito trabalho e dedicação. Mas sem apoio, tudo se torna mais difícil. Julie: Muita força de vontade e um trabalho honesto. Obrigado pela entrevista, deixem uma mensagem aos nossos leitores. Tainá: Agradecer desde já aqueles que se propuseram a iniciar a leitura sobre a banda e o espaço de expor nossas ideias. Afirmar que qualquer que seja a preferência de estilo musical do leitor que é possível, o mesmo, iniciar sua atividade musical seja tocando ou cantando, com apenas a seguinte premissa: “eu quero fazer”. Partindo do querer mãos à obra que há muito trabalho a frente e com muita sinceridade e honestidade no fazer é possível alcançar grande projetos. Vivi: Agradeço muito pela oportunidade de mostrar um pouco da nossa verdade para os leitores e público. Essa é uma maneira de estarmos mais perto. Julie: Sem palavras para agradecer o espaço, é sempre bom poder falarmos sobre a nossa proposta, o que pensamos e queremos com a banda. Obrigada de coração pela oportunidade de nos achegarmos a quem nos acompanha. Beijão! Contatos: http://mortarium.blogspot.com.br/ www.facebook.com/Mortarium https://twitter.com/mortarium

Mortarium My Distress (Single) Independente - Nacional Quando se fala em Doom Metal, há ideias conflitantes, já que as pessoas ou imaginam bandas com sonoridades mais melodiosas e introspectivas, como My Dying Bride, Paradise Lost e outros do gênero, ou então, bandas mais pesadas e azedas como o Candlemass (mesmo usando de vocais refinados), e alguma usando ainda por cima de toques de Death Metal, buscando algo soturno e com toques bem fúnebres. E buscando um meio termo saudável entre ambas as correntes está o trio carioca Mortarium, que chega com um Single, ‘My Distress’, que precede o vindouro Full Length. O que mais chama a atenção é que o grupo é formado por três moças de talento, que sabem tocar muito bem seus instrumentos e cantar da mesma forma, não devendo nada a bandas formadas por homens ou para as bandas gringas. O clima é opressivo, denso e soturno, mas o que nos chama a atenção é justamente a diversidade musical do grupo, bem maior que

a maioria das bandas do estilo, com vocais ora normais, ora guturais, bons arranjos nas guitarras e baixo, e uma bateria que sabe ser compassada e que não fica apenas no “mais do mesmo” constante. E assim o grupo vai somando pontos. Produzido pelas mãos de Isaac Mendhl, e gravado nos estúdio Mendhl, a sonoridade da banda está bem limpa e intensa, com cada instrumento bem audível (as guitarras podem dar uma melhorada, mas estão em bom nível), e a música do trio flui naturalmente, muito densa e pesada, com uma forte dose de peso. A faixa do Single é a própria ‘My Distress’ (que vai estar no CD e que tem vídeo próprio, produzido por Cíntia Ventania, baixista do Scatha), e podemos ver que as garotas não são uma banda comum, longe disso! Com a letra baseada em um pensamento de Carlos Drummond de Andrade (ou seja, o grupo tem uma mente pensante por trás), a banda pega pesado e distorcido, mas sem deixar de ser bem climático, com ótimos vocais (os contrastes entre gutural, narrativa quase sussurrada, e guturais aqui e ali), belos riffs, baixo presente e com momentos brilhantes aqui e ali, e uma bateria bem variada (reparem nos bumbos), o grupo se sai bem, ‘My Distress’ mostra que as garotas podem oferecer muito musicalmente. Um bom nome na cena carioca, que mostra-se uma revelação e tanto. Por Marcos “Big Daddy” Garcia

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ENTREVISTA

Por: JP Carvalho om, quem não conhece o harppia? Banda formada em 1982 e que atendia peloa nome de Via Láctea. A banda era formada por Jack Santiago, Hélcio Aguirra, Marcos Patriota (ex- Aeroplano), Ricardo Ravache (ex-Aeroplano) e Zé Henrique. Em 1985, Tiberio Correa Neto, à convite de Ricardo Ravache, substitui Zé Henrique na bateria, trazendo experiência como produtor musical e artístico e empresário. O Harppia entra em estúdio, grava e lança seu primeiro EP, “A Ferro e Fogo”, neste mesmo ano de 1985. Nos anos seguintes, cada um dos integrantes desta formação, resolvem tomar rumos diferentes, pois cada um queria mudar o estilo musical da banda. Apenas Tiberio permaneceu e continuou com o Harppia. Em 1987, Sete é lançando no formato LP, de forma independente e financiada pela banda. O Harppia foi a primeira banda a se apresentar em frente à loja Woodstock Music, de Walcir Chalas. Foi num dia de carnaval de 1988, com participação especial de Daril Parisi (Platina) na guitarra. Entre 1988 e 1989, Tiberio e o jornalista

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Celso Barbieri encabeçaram o movimento do Harppia fazer uma turnê itinerante pela cidade de São Paulo, quatro dias da semana, em um teatro de cada bairro. Sendo que cada dia uma nova banda abriria para o Harppia tendo a oportunidade de usar os mesmos equipamentos da banda. Em 1990, Harppia recebe da Rede Globo uma proposta de apresentarem um programa de Rock e também de tocarem na segunda edição do Rock in Rio. Depois de meses de ensaios exaustivos, por fim, acabou não acontecendo nem uma coisa nem outra, devido a problemas internos da produção do programa. Depois, cada integrante seguiu rumos diferente. Apenas Tiberio e Claudio permaneceram no Harppia. Em 1996, entra um novo guitarrista, Marcos Rizzato. Junto com Tiberio e Claudio, retomam a produção de novas músicas, inicialmente como uma banda instrumental. Tiberio mostrou a demo para um amigo, dono da gravadora Megahard. Ele gostou tanto do material que sugeriu para que a banda colocasse letras em inglês para


poder explorar o mercado internacional. Neste meio tempo, Bonzo Ledesma responde ao anuncio de uma revista e entra para o Harppia como vocalista. Em apenas 15 dias, o cantor teve que compor as letras e gravar as vozes para o novo album. Em 1996 Harppia’s Flight é lançado, com as faixas cantadas em inglês e instrumentais. Em 2002 surge uma outra formação da banda Harppia com ex-membros da banda, passando a existir duas versões. Esta formação não chega a durar muito tempo e o Harppia oficial, liderada por Tiberio segue mantendo suas atividades normalmente. Em 2008, Harppia é convidado para se apresentar na Virada Cultural de São Paulo. Foi um evento que reuniu todos os integrantes que gravaram os três albuns da banda, com excessões de Flavio (que abandonou o Heavy Metal), Marcos Patriota (que se radicou na Suécia) e o Filippo Lippo (que se radicou na Itália). Atualmente, após constante renovações de integrantes, a banda apresenta sua formação definitiva: Tiberio (bateria), Aya Maki (guitarra), Nando Simões (baixo) e Eric Bruce (vocal). Tivemos uma franca conversa com Tiberio,que se mostrou aberto, educado e de uma sinceridade ímpar, que você confere a seguir. Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades. Tibério Correa: Meu nome completo é Tiberio Correa Neto, tenho 63 anos de idade, sou de São Paulo, Capital, sou conhecido por ser o primeiro luhier de bateria do Brasil, sou músico há mais de 50 anos e 30 deles, só como baterista da banda Harppia. Como foi a sua inserção no mundo da música? Tibério: Conheci nos anos de 1960 um baterista que viria a ser meu cunhado e lhe disse que queria tocar bateria, após um dia todo sentado em sua bateria e fazendo um chá com pão, achei que já era um, desde então não parei mais, só que ainda, até hoje, não aprendi (risos). E como você se tornou luthier? Tibério: Desde os meus 16 anos, sempre cuidei da minha bateria e dos amigos mais chegados. Nos anos de 1960 conheci o maestro Toninho, que tinha uma orquestra, numa gafieira chamada Badaró. Como eu ia muito na Casa Manon (uma loja e importadora de instrumentos musicais - a melhor na época) e o gerente era o Leopoldo, meu amigo particular até hoje. Que me informou sobre o maestro Toninho, na época era o luthier de bateria das grandes orquestras. Quando o conheci, me apaixonei pelo seu trabalho, e me ofereci para ser seu aprendiz. A partir dai passei a frequentar a gafieira e ajudá-lo, em troca, que de noite, pudesse dar canja com a sua orquestra. Desde então, venho trabalhando e produzindo baterias. Você se tornou conhecido e reverenciado por ter produzido uma bateria, apelidada de “Foguinho”, e que fez a alegria do pessoal, tanto daqui quanto de alguns artistas internacionais que a usaram em seus shows. Como foi para você receber todo esse reconhecimento na época? Tibério: Nos anos de 1980 começei a produzir baterias, nessa epoca mandei cartas para todas as fabricas do mundo, e algumas responderam, como foi o caso da Sonor, que até me convidou para um estágio em sua fábrica na Alemanha, mas sem remuneração, e eu não tinha nem a grana da passagem, mas mesmo assim me mandaram tudo impresso como era sua produção e foi só seguir, ao modo do brasileiro, meio nas coxas, mas o resultado foi ótimo, tanto é que, existe baterias desta epoca ainda em atividades por ai e ninguém quer me vender de volta (risos). A Foguinho foi uma ideia tirada de um poster da bateria Gresht, tinha a batera na frente e um fogo atras, como sempre fui um apaixonado por carros, e existiam os com desenhos de fogo, foi juntar a fome com a vontade de comer, tratei de arrumar um desenhista que trabalhava com aerografo e produzi a bateria com maior numero de tambores, até aquela data, pois tambem queria chamar a atenção para minha banda, o Harppia. Ouvi boatos de que esta bateria se perdeu, isso é verdade? Tibério: Ela foi colocada na exposição de produtores e importadores de bateria, no Centro Cultural Vergueiro, durante uma se-

mana. Só que quando fui buscá-la, no domingo, após o evento, não havia nem sombra dela no local. Acionei os produtores do evento e ninguém sabia aonde tinha ido parar a bateria. Como eu estava de mudança para Curitiba, acionei alguns amigos meus e acabei descobrindo que ela tinha sido levada pelos representantes da Pearl no Brasil. O motivo, talvez, por ser na época a única bateria que foi capa de revista de uma importante editora e por ter sido a única usada pelas melhores bandas de Rock e Metal que tocaram no Brasil, tais como Metallica, Ramones, Exciter, Exumer e etc. E com minha mudança para Curitiba, não pude dar continuação para acioná-los judicialmente. Após um ano, aonde eles prometiam sempre, enviá-la para Curitiba e nunca cumpriam sua palavra. Voltei a São Paulo, procurei-os, e eles me disseram que como tinham mudado o local do estoque da importadora, não sabiam mais da bateria. Somente após três anos, fui descobrir que um gerente havia levado para um sítio, para que não houvesse flagrante de delito, só que a umidade tomou conta da madeira e ele resolveu fazer vasos de flores com ela. E assim foi a saga da Foguinho. Foi exatamente essa a história que ouvi! Falando em Luthieria, como você vê o desenvolvimento desta profissão no Brasil, fazendo um comparativo com a época em que você começou? Tibério: Tem vários pseudos luthiers. Mas de Bateria não conheço nenhum! A não ser trocadores de peças quebrados, o mesmo caso de pseudos luthiers de guitarra. Se você der um pedaço de madeira para eles, nem saberão como fazer o contorno do corpo e o braço de uma guitarra. O que existe no mercado são montadores de guitarra e bateria. Estou cansado de refazer serviços desses falsos luthiers. Nesses 40 anos que venho trabalhando com baterias, eu sofri muito desaforos de pessoas, que por terem dinheiro para montar uma estrutura industrial, chegaram a postarem calúnias sobre a minha pessoa como profissional. Não vale citar o nome dessas pessoas, pois a maioria nem existe mais no mercado, pois os próprios consumidores, com o tempo descobriram o quanto eram maus profissionais. Então, pelo visto, até no meio do trabalho “artesanal” existem pessoas que não pensam como profissionais e preferem pisar em algumas cabeças tentando chegar a algum lugar? Tibério: Sempre foi assim no mundo: Quem tem o dinheiro pisa em quem não tem, por melhor que esta pessoa possa ser. Na verdade, quando comecei, lá nos anos de 1960, só tinha o UNDERGROUND ROCK REPORT - 9


maestro Toninho, e depois dele, eu. Só que como eu ainda era um jovem quando comecei a produzir baterias, todos achavam que também poderiam ser, pois nunca deixei de abrir as portas de minha oficina para ninguém, e muitos, de olhar, achavam que poderiam, também tornarem-se luthier. Aí todos sabem a história: alguns com mais dinheiro, se tornaramm “grandes fabricantes” e hoje, importadores, se dizendo fabricantes. Puxe a historia de alguns “grandes fabricantes” e saberá de quem estou falando. Não é apenas um só, não. Você acha que o meio musical, ou artístico, tem essa veia podre, mas que com o tempo, as pessoas identificam os verdadeiros e acabam boicotando determinados produtos e serviços justamente por causa da conduta de seus representantes? Tibério: Infelizmente o mundo é assim, muito competitivo, algumas pessoas preferem usar certos artifícios para serem reconhecidas. Mas quando se acredita em si, as coisas podem demorar, mas um dia acontecem. O ser Humano as vezes se esquece do poder e da capacidade que existe em cada ser. Nem sempre se identificam os verdadeiros talentos e muitas vezes, isso atrasam o progresso artístico com besteiras instantâneas, que se você perguntar qual era o sucesso de três anos atrás, dificilmente uma pessoa vai se lembrar e cantar, pode até lembrar o nome da música, mas não cantar (experimente e verá). Quanto a instrumentos musicais, é praticamente a mesma coisa. Ainda bem que tivemos esta abertura nas importações, porque assim o povo (músicos) puderam reconhecer que no Brasil, tínhamos produtos bons que não era reconhecidos, como por exemplo a bateria Pinguim (houve tempo que você comprava por uma merreca, mas, só depois de conhecerem o lixo chinês, valorizaram, hoje você não compra uma Pinguim dos anos 70 por menos de R$ 1.500,00). Mas existem aqueles que se deixam levar pela mídia e dão valor ao lixo existente que nos empurram nas lojas visando sempre o lucro. Quanto aos músicos, nunca teve união, sempre é uma disputa e nada sadia, póis aí também vem a grana, puxa-saquismo, o teste do sofá e por aí a fora.

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Nem sempre um musico bom é reconhecido juntamente com sua banda. Não existe união, e se não houver união, não tem poder. As gravadoras, as TVs e rádios tocam e fazem os artistas que convém a eles. Fazem a moda, na verdade uma verdadeira lavagem cerebral. Sua resposta nos leva a sua banda, Harppia! Em algum momento foi desanimador para você ver que por mais importância que a banda tenha para o Heavy Metal brasileiro, o público nunca foi justo a banda? Tibério: Olha, ainda toco bateria, uma parte por prazer, outra pelos fãs da banda, pois ainda depois de 30 anos e 20 sem gravar músicas novas, eles continuam fiéis, até mais do que antes, talvez reconheçam minha persistência, ao longo destes anos ou mesmo pelas músicas que realmente são ótimas. Poderia ter mais público, se tivéssemos tocado mais, só que ao longo destes anos preferimos, ter menos shows e mais qualidade. Quando você faz um show somente com uma banda de abertura, você produz uma coisa especial, agora do jeito que atualmente tocamos, normalmente fechando festivais, aonde tocam, muitas vezes, até 15 bandas, não dá para produzir algo especial, pois nem o equipamento é nosso e quando vamos tocar, estão fritando e a batera, com as peles todas surradas e muita gente de ouvido entupido de som, pela maratona de até oito horas de som.) E as mudanças de formação da banda atrapalharam o andamento do processo? Como você lidou com isso? Tibério: Você sabe como é, né? Alguns tem cabecinha de merda, depois de entrarem na banda se acham os guitar hero e os best vocalistas e acabam dando trabalho, pois ensaiar com pessoas novas é jogo duro até entrosar. No Harppia é pura democracia, todo mundo faz o que quer, desde que eu deixe, (risos). Mas falando serio, é jogo duro você estar entrosado e as pessoas passarem a não dar valor a banda que esta tocando, por isso acho que esta ultima formaçao pode nao ser a melhor,nonível técnico, mas é a melhor como familia, que é o que eu sempre quiz. Quanto as pessoas falarem que nao sou um bom baterista, nao ligo, pois o Ringo Star tambem nao era, mas tinha a


melhor banda do mundo, e é assim que eu me sinto. É realmente, sentido de união e companheirismo em uma banda é o que rege o bom andamento da coisa. Como você lida com os detratores e haters, que hoje em dia se camuflan no anonimato da Internet? Tibério: Antes ficava puto, mas descobri que a melhor vingança é o desprezo, não ligo mais. Como você começou a Luthier Drums? Tibério: Quando pensei em ser um profissional em instrumentos musicais, me juntei com uma pessoa que já mexia com guitarra, uma noite dormi pensando como poderia colocar o nome da empresa, nao sei como, mas tentei juntar nosso nome , o dele Luiz e o meu Tibério e saiu Lutier, fui ao dicionario e existia a palavra luthier: denominaçao de fabricantes artezanal de instrumentos musicais, e assim ficou até os dias de hoje Só que desde os anos de 1980, quando registrei a marca, estava com 21 anos e todos que me conheciam, achavam que se eu podia qualquer um também poderia ser um luthier, gasteie gasto muito dinheiro para manter a marca, pois, naquela época quem mexia com instrumentos musicais era conhecido como tecnico em instrumentos, somente os que fabricavam violinos eram denominados de luthier.

muitas bateras para outros paises, como Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Holanda... E você ainda investe na exportação do seu produto? E quanto tempo demora até uma bateria padrão, de sete peças ficar pronta? Tibério: Sim ,continuo investindo na exportaçao das minhas baterias , mas só sob emcomenda. Para fabricar uma bateria padrao de sete peças demoro cerca de quinze dias uteis. Planos para o futuro? Tibério: Ate o fim do ano gravar um CD com músicas novas. Continuar a produzir baterias sob encomenda. Ter um filho. Resuma Tibério Correa em uma frase ou palavra. Tibério: É para mim resumir o Tiberio? Virginiano chato, perfeccionista em tudo que faz e um ótimo amigo dos verdadeiros amigos. Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores. Tibério: A mensagem que deixo nao é só para musicos, mas para todas as pessoas. Confie em você mesmo, tenha persistência em tudo que faz, jogue limpo sempre, mesmo com seus inimigos.

Como o mercado brasileiro reagiu ao lançamento da sua bateria? Tibério: Na epoca nao existia a importaçao de bateria, ficavamos restritos as nacionais, Como já vinha reformando baterias, o pessoal me conhecia e achava meu trabalho bom. Produzi os cascos e usava as melhores peças, que eram da Pinguim, cheguei a comprar baterias novas em quantidade, somente para tirar as peças e colocar nas minhas. E a aceitaçao foi otima, consegui logo no primeiro ano, vender mais do que a propria Pinguim , que era considerada a melhor do Brasil, depois fui em frente, até produzir minhas proprias peças e com o tempo trazendo de fora do pais. E hoje, com o consumidor se comporta ao se deparar com uma bateria sua? Existe algum preconceito? Já que somos levados a acreditar que o que é produzido em nosso quintal, é de um produto de menor qualidade. Tibério: Hoje em dia é muito dificil ver baterias Luthier a venda, somente se acha, em mal estado de conservação, ainda existem pessoas que me emcomendam, hoje em dia, escolho pra quem quero vender. Teve preconceito sim, mas das bandas que patrocinei gringas, pois achavam estranho o uso de chamas desenhadas na minha batera,que eu usava no Harppia, mesmo assim e não muito tempo li uma entrevista com o baterista do Metallica que ele dizia que só se lembrava do Brasil, a bateria de fogo, mais nada. O problema hoje é o preço de peças e acessorios produzidas no pais, fica mais barato importar do que produzir aqui. Já mandei UNDERGROUND ROCK REPORT - 11


ENTREVISTA

...optamos por acreditar no que há de bom... Por: JP Carvalho power trio de Hard/Heavy Pop Javali que foi formado há mais de 20 anos e agora anúncia sua primeira tour pelo velho continênte, apesar de ainda colher ótimos frutos pelo lançamento do seu mais recente trabalho,”The Game of Faith” e de figurar em diversas listas de melhores do ano por este mesmo lançamento. O Pop Javali, que é formado por Marcelo Frizzo - Vocal/Baixo, Jaéder Menossi-Guitarra e Loks Rasmunssen - Bateria. Jaeder e Marcelo tiveram um longo papo conosco que você confere a seguir.

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Primeiro gostaria de agradecer pelo seu tempo. Podemos começar perguntando sobre o início do Pop Javali, que já tem 20 anos na estrada. Jaeder Menossi: Primeiramente, agradeço pelo convite e pela oportunidade de falar à seus leitores. O início foi ótimo, o Loks e eu tínhamos uma loja e queríamos montar uma banda, fomos convidar o Marcelo que já era um músico muito conceituado na nossa região e ele aceitou de pronto. O Marcelo e eu já tínhamos algumas composições e gravamos num gravador Tascam de 4 canais nossas primeiras cinco músicas, sendo que quatro delas fizemos questão de registrar no nosso debut CD, “No Reason To Be Lonely”, pois pra nos elas soavam atuais mesmo 20 anos depois de compostas. As faixas em questão são “Silence”, “Believe”, “My Own Shield” e “Not Enough”. Marcelo Frizzo: Eu que agradeço a oportunidade e a Collapse Underground Art; um prazer e uma honra! O Pop Javali surgiu em 1992 do interesse comum de seus três integrantes por música 12 - UNDERGROUND ROCK REPORT

autoral, num estilo que mescla o Hard Rock + Heavy Metal + Rock progressivo. Todos já se conheciam, pois somos da mesma cidade (Americana) e tocávamos em diferentes projetos. Já de cara a reunião foi altamente positiva e sentimos que seria algo pra durar. Por que Pop Javali? Jaeder: Por que não? Marcelo: A banda precisava de um nome... Acredite, as sugestões anteriores foram bem piores. O fato é que a gente gosta muito do nome. Tem quem não gosta. Paciência. Não discuto gosto com ninguém. Quais seriam as facilidades e dificuldades de estar em uma banda há 20 anos? Jaeder: As facilidades são o entrosamento musical, a convivência. Fomos ficando cada vez mais próximos, até nos tornarmos uma família mesmo. A dificuldade maior atualmente é que muitas casas de Rock estão preferindo dar espaço à bandas covers em detrimento das autorais, em outros momentos esses valores eram inversamente opostos. Marcelo: A gente se conhece tão bem que não tem tempo ruim entre nós; um já conhece o outro tão bem que nunca rola treta na banda, nem mesmo quando há uma divergência de opinião. A dificuldades é a mesma para toda e qualquer banda: viver de música é algo muito difícil; a parte financeira é um complicador comum pra todo músico; tem que se criar alternativas, outras fontes de renda pra sobreviver, respirar fundo e tocar o barco.


O primeiro lançamento da banda foi o CD “No Reason To Be Lonely” ainda em 2011, porque uma demora tão grande para esse primeiro lançamento? Jaeder: Houve um período de recesso na banda, as atividades foram retomadas em 2007. Dai fomos revisitando os detalhes do material antigo que tínhamos e as coisas novas que foram surgindo durante essa pausa, mais algumas inéditas do período entre 2007 e 2011. Marcelo: Resolvemos compilar 20 anos de composições num CD, escolhendo 10 entre mais de 50 músicas que tínhamos criado no período. Não fizemos antes porque nenhuma oportunidade pareceu viável; preferimos esperar uma oportunidade de trabalho bem profissional, com respaldo de uma gravadora pra entrar de vez no mercado fonográfico. Este mesmo CD obteve ótima aceitação por parte do público e da mídia especializada, seria esta aceitação o combustível para o lançamento de “The Game of Faith”? Jaeder: Sem duvida esta aceitação nos estimulou muito. E em termos musicais, este CD nos forneceu uma primeira referência, que foi muito importante para delinear o caminho que queríamos seguir. Marcelo: Acho que “The Game Of Fate” é uma continuidade natural do nosso trabalho, embora mais maduro e melhor produzido. Mas sem dúvida que, se o primeiro CD tivesse sofrido uma grande rejeição de público e crítica, não nos sentiríamos tão seguros e confiantes para um novo trabalho. “The Game of Faith” trouxe ao Pop Javali uma grande exposição, já que este trabalho também foi muito bem recebido pelo público, quais diferenças você apontaria entre os dois trabalhos? Jaeder: Na minha opinião é a maturação de nossa identidade musical. Cada novo trabalho traz consigo influências e experiências novas que pudemos absorver entre um lançamento e outro. Marcelo: A grande diferença é a produção dos irmãos Busic, do Dr Sin, que foram os responsáveis pela técnica nas gravações. A qualidade do CD é de nível internacional, segundo comentários

que recebemos vindos do exterior. É claro que isso influencia. Além disso, as composições do álbum foram feitas entre 2012 e 2013, ou seja, numa fase de maior maturidade da banda, quer seja pessoalmente, quer seja na parte técnica de cada músico. O Pop Javali busca diferenciar suas letras, o que também está explicito na capa do último CD, essa abordagem mais refletiva vem do dia a dia de vocês? Jaeder: As letras são muito importantes, pois são através delas que muitas pessoas se identificam com a banda. No nosso caso tentamos passar nossas experiências e aprendizados, além de mensagens positivistas, até mesmo porque esse nosso mundo está meio saturado de negatividades. Marcelo: Sim. Pensamos positivo e queremos dividir isso em nossas mensagens. A gente sabe que “nem tudo são flores” nessa vida, mas optamos por acreditar no que há de bom e levantar esta bandeira. A produção dos irmãos Andria e Ivan Busic do Dr. Sin contribuiu para a sonoridade do álbum? Jaeder: Sim, contribuiu bastante nos detalhes e dicas que foram muito construtivas. Houve uma sinergia imediata e, a química entre banda e produtores funcionou, otimamente, em todas as etapas da produção. Marcelo: Definitivamente. São ‘experts’, de um talento incrível; e o fato de termos nos tornado grandes amigos contribuiu ainda mais para que tudo corresse bem. Eles colocaram o coração na produção, como se fosse um álbum deles mesmos. Vocês fizeram quatro shows com o Dr. Sin pelo estado do Paraná, como foi a aceitação da banda por lá? Jaeder: Foi acima do esperado. Maravilhoso ter a oportunidade de divulgar nosso trabalho em regiões onde ainda não havíamos nos apresentado e poder experimentar o nível altíssimo de receptividade e carinho que toda aquela gente bacana e hospitaleira nos dispensou. Marcelo: Foi surpreendentemente maravilhosa! Corríamos um risco, pois tocamos sempre antes deles, como se fosse “banda de abertura”; e o público espera ansioso a atração principal, nem

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Luciano Piantonni

sempre tendo paciência e respeito com a primeira banda. Mas, para nossa surpresa, houve muito respeito e admiração, tanto que conquistamos vários novos fãs. Foi a melhor série de shows que fizemos nos últimos anos. E agora vocês anunciaram sua primeira tour pela Europa em outubro. Quais são as suas expectativas em relação a isso? Jaeder: A expectativa é a melhor possível. Essa turnê certamente vai nos acrescentar muita bagagem e será um termômetro e estimulo fundamental para traçarmos vôos futuros ainda mais altos. Marcelo: Desde o começo de nossa carreira nossa idéia foi de alcançar uma vitrine mundial. Daí porque optamos cantar em Inglês, pela universalidade do idioma. Finalmente, após 23 anos, surge a oportunidade tão sonhada! A expectativa é a melhor possível! Com o advento da internet, as fronteiras foram definitivamente rompidas e, desde 2011, com o álbum “No Reason To Be Lonely”, conseguimos uma ótima projeção mundo afora. Em sites de música e “streaming” temos fãs espalhados pelos quatro cantos do planeta e isso serve como um ótimo termômetro pra sentir a reação de diferentes culturas à nossa música. E as opiniões e comentários tem sido os melhores possíveis. Isso nos credencia e incentiva a fazer uma tour de sucesso pela Europa. Sabemos que muitas bandas brasileiras se aventuram pela Europa, buscando maior exposição e quem sabe uma careira internacional, seria esta, também, a intenção do Pop Javali? Jaeder: Na verdade muitas bandas buscam o mercado internacional, pois não encontram no Brasil, por diversos fatores, sejam culturais, estruturais, credibilidade, etc; o devido reconhecimento. Marcelo: Sim. Uma carreira mundial é o que almejamos. Sabemos da dificuldade, tanto que são 23 anos de estrada e só agora começa a aparecer a “fumaça”... mas onde há fumaça, há fogo não é (risos)? Muito obrigado pela entrevista, o espaço é seu para deixar uma mensagem aos nossos leitores. Jaeder: Agradeço em nome do Pop Javali pela oportunidade e parabenizo pelo excelente trabalho de vocês, que ajuda enormemente a pessoas como nos a termos cada vez mais informações e nos mantermos sempre antenados com o que está rolando na cena. Muito obrigado! Marcelo: Mais uma vez agradeço muito à Collapse Underground Art pela oportunidade e desejamos sucesso. Long Live Rock N Roll! Mais Informações: www.popjavali.com.br www.facebook.com/popjavali www.twitter.com/popjavali www.youtube.com/popjavali92 www.soundcloud.com/popjavali 14 - UNDERGROUND ROCK REPORT

Pop Javali The Game of Fate Independente - Nacional Tem certos momentos que, quando ouvimos um disco, nos parece que ele nos diz muito com sua música e vibração. E o veterano trio POP JAVALI, de Americana (SP) mostra que entende de fazer música de alto nível e requinte em seu novo disco, “The Game of Fate”. Primeiramente, que se diga de passagem: o grupo faz um Hard Rock na veia dos anos 70 com alguma influência do Progressivo, mas sempre soando atual, cheio de vida e energia, em uma música que realmente fala direto ao nossos corações. A fusão de vocais muito bons (o tom de voz é bem particular, com certo toque à lá Phil Collins), excelente riffs de guitarra (e solos com ótima técnica e feeling), baixo e bateria que se fundem em uma base rítimica sólida, pesada e com boa técnica resulta em uma música vibrante, requintada e elegante, mas pesada e com bom nível de acessibilidade. Um verdadeiro unguento para os ouvidos! A produção sonora está soberba, em um nível de qualidade muito bom, mantendo cada instrumento audível separadamente, mas sem que eles soem desconectados. E como o forte da banda é a energia, percebese claramente que seus arranjos foram bem evidenciados. Mas basta olhar a ficha técnica e já sabemos o motivo disso: a produção é dos irmãos Ivan e Andria Busic (do DR. SIN), com gravação, mixagem e masterização feitas no estúdio Sonata 84. Não tinha como não ser bom! A arte, um trabalho ótimo de Ricardo Rossi, capta bem a essên-

cia do trabalho musical grupo, ao mesmo tempo em que expressa a idéia do título de forma clara. Em termos de composição, os caras realmente sabem criar música de forma caprichada, com bons arranjos, sabendo dosar peso e qualidade nas proporções certas, marca de uma banda experiente e que sabe o que faz e onde quer chegar com sua música. E sim, a música é bem espontânea, mas mostra que a banda se preocupa bastante em criar algo bem feito. O disco em si é bem homogêneo, sabendo dosar peso e elegância. O CD abre com a bela, longa e pesada “The Game of Fate” (os riffs de guitarra estão muito bem colocados, e a faixa mostra boa diversidade de momentos, especialmente nas vocalizações), a ganchuda e envolvente “Lie to Me” (uma faixa mais pesada, com um trabalho de baixo e bateria muito bom), a bem cuidada e acessível “Healing No More”, a mais Rock’n’Roll “Mindset”, a grudenta “Road to Nowhere” (as guitarras estão bem pesadas, mas os corais durante o refrão dão um toque de acessibildade ótimo), a pesada e cheia de ‘punch’ “Free Men” (com um andamento bem mais moderado), a mais intimista e variada “Time Allowed”, as brutas e pesadas “A Friend that I’ve Lost” e “Wrath of the Soul”, a um pouco mais Fusion “Enjoy Your Life”, e a energética “I Wanna Choose”. Um belo CD, sem sombra de dúvidas, e que merece não só a ouvida, mas uma cópia física em casa. E de preferência, autografada! Por: Marcos “Big Daddy” Garcia


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ENTREVISTA

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Por: JP Carvalho uitarrista paraense, filho de árabes, mistura ancestralidade oriental com a diversidade da musica erudita, do jazz e do rock pesado em album autoral. O guitarrista Wael Daou é natural de Belém. Estudou com mestres da música como o guitarrista, compositor e produtor Ziza Padilha e o guitarrista libanês Elias Njeim, com quem desenvolveu grandes habilidades instrumentais. Suas influências passam pela música oriental árabe (herança ancestral de sua família), pela música erudita, pelo Death Metal e Heavy Metal, e pelo Jazz. Na música erudita ele cita nomes Dvorak, Borodin, Mussorgsky, Chopin, Paganini. E no Heavy Metal, bandas como Death, Iced Earth, Savatage e Metallica fazem parte do universo musical do instrumentista. Daou gravou no primeiro semestre de 2013 seu primeiro trabalho como guitarrista solo, o CD Ancient Conquerors. Este trabalho apresenta uma proposta inovadora no genero do Rock instrumental em Belém, com solos acompanhados por uma banda base e uma orquestra. Conceitualmente Ancient Conquerors foi tomando forma a partir do modo que Daou ve o mundo, a partir de suas raizes, do gosto por Historia e de seus valores. Para ele, esse trabalho representa um amadurecimento musical decorrido nos últimos anos. “Esse trabalho mostra minhas diversas influencias, alem de expressar, através da música, os meus pensamentos sobre a humanidade”, explica o músico. O estilo proposto pelo guitarrista mistura esse ecletismo com muita musicalidade e sofisticação, sem abrir música de formas melodiosas e intricadas. Trata-se de algo bastante original, que vem agregar valor a musica, você percebe que o álbum traz uma mensagem e, mesmo sendo pesado, agrada os ouvidos mais exigentes, mesmo de quem não esta acostumado com gêneros mais extremos como o Death Metal. Sua história com a musica começou aos 12 anos de idade enquanto morava no Líbano, la experienciou a diversidade da música árabe e em pouco tempo formou sua primeira banda chamada Redemption. Aos 17 voltou a Belém, e estudou na conservatório Carlos Gomes em cursos livres, cursou dois anos de licenciatura em musica na UEPA e fundou sua banda de progmetal Alma Cog, banda que recebeu grande reconhecimento na cena musical paraense e organizadora de dois festivais na cidade I Prog da Alma e Alma Prog fest. Atualmente Wael Daou dá aulas, produz músicas em parceria com o Legacy Studio, e esta gravando seu segundo CD que será chamado Sand Crusader, com sete faixas inéditas a ser lançado este ano. Seu livro intitulado de “Tenha Modos” será lançado em abril e consiste em uma abordagem para guitarrista dos modos gregos e modos da menor melódica e harmônica.

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liberais do mundo. Tínhamos pouco acesso, devido a proibição, alem de que na época ter internet em casa era como ter uma Ferrari. Com isso as minhas influencias se resumiam a Obituary, Morbid Angel, Metallica, Sepultura, Death, e Iron Maiden, o resto era música erudita e árabe, alem de algumas coisas de Jazz. E o”insight” de mesclar suas influências da música ciclica árabe com o peso do Metal? Wael Daou: Foi bem natural, eu já soava assim ao tocar, minha pegada não é bluseira nem fusion, já saia naturalmente isso ai que ta no EP “Ancient Conquerors” (risos)... Nossa criação geralmente é a repaginação do que ouvimos e do que vivenciamos em nossas vidas. Podemos ver que em seu trabalho é abordado com a forma oral da música árabe, tornando fácil a vocalização de riffs e passagens, isso é intencional? Wael Daou: Bem, podemos dizer que foi intencional por que é a minha forma de ouvir música, o foco na melodia no que diz respeito a instrumentos de cordas no libano é enorme, podemos ver o alaude ser usado bem mais melodicamente do ritmicamente. Diferente do violão que é o descendente do alaude. Então me acustumei com isso, e acabo compondo dessa forma, riff em forma de melodia. Os povos do Oriente Médio são conhecidos por terem excelente memória, transmitindo sua cultura muitas vezes de forma verbal, você acha que essa característca dá a você uma forma diferente de abordar cada música de uma forma diferente, mas mantendo a unidade? Wael Daou: A nossa interpretação de uma historia muitas vezes muda de acordo com a nossa vivencia e maturidade, posso dizer que a forma que eu toquei a arranjei as musicas do ancient é a forma que eu interpretei cada historia relacionada as musicas, Hoje dois anos depois interpreto tocando cada música diferente nos shows, tanto que 5 das 6 músicas do Ancient serão relançadas com novos arranjos! Porque dividir “Anciente Conquerors” em capítulos, onde cada música tem o nome de um grande conquistador e não só isso, o clima de cada uma delas, nos leva direto a cultura do conquistador homenageado na canção? Wael Daou: Rapaz, hoje quem somos, e a sociedade em que vivemos é em grande parte por causa dos feitos, bons ou ruins dessas personalidades históricas! Sempre gostei de historia e de certa forma ouvindos e lendo sobre esses vários personagens acabou me influenciando tambem no estilo de composição que fiz.

Olá, primeiro gostaria de agradecer pelo seu tempo e por esta entrevista. Começe nos falando sobre a sua paixão pela guitarra? Wael Daou: Eu que agradeço! bem, eu tinha 12 anos e ainda morava no Brasil quando conheci a banda Metallica, foi a primeira coisa que me passou pela cabeça ao ouvir a banda :”quero fazer isso, tocar assim!” Logo em seguida viajei pro Líbano, e tive alguns meses de aulas, e assim fui me envolvendo cada vez mais ! Com certeza a riqueza da música árabe com suas característica foi um grande aprendizado, já que a mesma se baseia na vibração e na sensibilidade auditiva. Wael Daou: Então, na minha opinião, toda música essencialmente tradicional de uma região é extremamente emocionante e sensitiva, por que é um retrato fiel à toda a bagagem histórica e cultural do local, e isso ocorreu pela não existência da “globalização” e consequentemente dos “padrões” do que é boa música, ou o que soa melhor ou pior. E isso hoje em dia se perdeu, temos “padrões” a nos adaptar, pessoas a “agradar” e isso é horrível. Meu contato com a música árabe foi enorme nos seis anos que morei la, além de estar enraizado em quem sou, foi natural o envolvimento quase que instantâneo com a sonoridade da música árabe. Como foi o seu contato com o Heavy Metal? Wael Daou: Meu mundo aos 12 anos era Metallica, após a minha mudança ao Libano fiquei um pouco limitado, era uma época que muita coisa era proibida, mesmo o país sendo hoje um dos mais UNDERGROUND ROCK REPORT - 17


Em Sand Cruzader tenho um personagem principal, onde a sua historia é contada de uma forma em que mostro os dois lados da moeda, o lado do conquistador versus o lado do conquistado. Apesar da modernidadee e da técnica abordada em “Ancient Conquerors” percebo que você tem uma preocupação com a unidade de suas músicas, o que torna “Ancient Conquerors” um trabalho agradável aos ouvidos de forma geral e não apenas para guitaristas, isso é natural na sua forma de tocar? Wael Daou: Sim, apesar de eu dedicar 80% dos meus estudos a técnica no instrumento, eu me importo mais com a composição, entendo que o que nos consagra como bons músicos é a nossa composição. O que compomos é como nosso DNA, ninguém imita ou copia, diferente de um arpejo (risos)! Essa evolução temática em cada música peguei um pouco da música clássica, tanto que sempre digo que há mais Metal nas músicas de Borodin e Mussorgsky do que em um Amp de 120 watts high gain (risos)! Como tem sido a recepção de “Ancient Conquerors” e que frutos você colheu até agora? Wael Daou: Cara a recepção foi muito muito muito além do que eu esperava, eu havia voltado a tocar depois de quatro anos parado, lancei o Ancient e com a ajuda de amigos, fui conhecendo pessoas como você, e assim foi, estou muito feliz também por convites que me foram oferecidos como participar de coletâneas, e ser endorsse Ibanez e Laney no Brasil,o que representa uma grande honra pra mim ! Como você vê o cenário da música pesada no Brasil? Wael Daou: Somos referencia mundial! Aqui é um mundo de talentos e oportunidades, precisamos apenas de mais espaço, e apoio das mídias especializadas, pessoas como você JP Carvalho são as pessoas que fazem a diferença hoje, para todos os músicos e bandas no Brasil. Acho que nós músicos brasileiros também devemos acreditar mais no nosso potencial, la fora acreditam em nosso som mais do que nós mesmos, é o que aconteceu com o Kiko Loureiro, teve gente reclamando da ida dele pro Megadeth, achei isso deprimente. Como andam os trabalhos de “Sand Cruzader”, existe previsão para o lançamento? Wael Daou: Sim, dia 08/05/2015 começamos o processo de gravação oficial para o lançamento do CD, no máximo fim de julho devo estar lançando! Liberamos para o público o single Scourge Of Humanity e tive uma repercussão fenomenal! Vem pancadaria por ai (risos)! Muito obrigado pela entrevista, o espaço é seu para suas considerações e deixar uma mensagem aos nossos leitores. Wael Daou: Eu quero agradecer a oportunidade e dizer que é uma honra pra mim ! Obrigado a todos que veem potencial em meu trabalho e me apoiam, eu realmente não teria conseguido nada sem isso! Espero sempre ultrapassar as expectativas do publico, sempre lançando conteúdo e musicas melhores a cada trabalho! Abraços!

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Wael Daou Ancient Conquerors Independente - Nacional Cada vez mais o Brasil está mostrando-se um vasto e grandioso celeiro de grandes trabalhos musicais, tanto no Metal quanto no Rock, contrariando o que se diz no mainstream e na grande imprensa, e alguns trabalhos são sublimes, mostrando-se tão grandiosos que nos leva a crer que qualquer frase dita contra o mesmo é puro preconceito “Gonçalviano”, vindo do famoso complexo de vira-latas que muitos carregam. E um trabalho realmente fantástico é o do guitarrista paraense Wael Daou, que acaba de soltar o EP ‘Ancient Conquerors’ de forma independente. O foco do trabalho é instrumental, sem vocalista, mas antes que os mais apressadinhos digam algo (se ouvir o disco, como sempre), que fique bem claro: o EP é fantástico! Primeiro de tudo: a técnica de Wael é privilegiada (coisa de quem foi aluno de feras como Ziza Padilha e do libanês Elias Njei), fugindo do ponto comum, já que a diversidade musical que influencia-o é sensível (passagens pesadas e densas se mesclam a momentos de puro Jazz e Fusion, além de momentos que deixam clara a influência de música clássica em seu estilo), mostrando que pode ser muita coisa, menos enfadonho e/ou soporífero. Obviamente, as seis cordas se destacam bastante, assim como vemos baixo e bateria pesados e coesos, e se repararem bem, ouvirão instrumentos de orquestras acompanhando cada uma das músicas, ajudando a ambientálas conforme a necessidade. Gravado no Quarto Amarelo Studio, e com produção feita pelo próprio Wael (que compôs e arranjou todas as seis faixas, além de programar a bateria), e com mixagem e masterização de Matheus Zingano, a sonoridade bem feita e brilhante, fazendo com que os in-

strumentos sejam ouvidos de forma bem nítida. A arte, um belo trabalho de Gustavo Sazes, é bem cuidada e trabalhada na medida certa, e se preparem, pois cada uma das músicas é baseada em algum consquistador da história, e há explicações sobre cada um deles no encarte. A primeira é ‘Genghis Khan Rise’, uma faixa forte e pesada, com bons riffs e conduções nos dois bumbos bem feita, até que entram os solos, mostrando boa técnica e feeling (longe daquela mania de fritação que anda rondando o Metal e o Rock há alguns anos). ‘Salah El Dine Arabe’ começa introduzida por acordes árabes acompanhando de pianos e violinos, preparando o ouvinte para uma faixa grandiosa, mais cadenciada e forte, e os solos são bem envolventes, e com momentos de maior velocidade. Ritmos compassados de guerra introduzem ‘Atilla the Hun’, com seus mais de seis minutos de grandiosidade musical, com mais ênfase nos outros instrumentos, tornando-a bem hipnótica. Em ‘Xerxes I Fallen’, a mais longa (com pouco mais de nove minutos de duração), o foco retorna aos solos bem construídos e cheios de “feeling”, em uma música cujo andamento oscila entre momentos rápidos e outros mais lentos. Já ‘Domitian’ apresenta momentos de “allegro” bem compostos, dando ênfase ao duo guitarra-teclados e melodias, apresentando alguns tempos quebrados ótimos. E para fechar, temos a bela ‘Hiram I’, com belíssimos arranjos de teclados acompanhando os solos virtuosos de Wael. Requinte, bom gosto e beleza unidos em um belo trabalho feito em nossas terras, o que é motivo de orgulho para todos nós. E produto para a exportação, digase de passagem. Por: Marcos “Big Daddy” Garcia


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ENTREVISTA

Por: JP Carvalho ower trio formado em São Paulo em meados de 1985, após mudanças na formação das antecessoras bandas Hades e Kamikaze logo após apresentação no Festival do Colégio Padre Antonio Vieira - CEPAV em Santana. A banda seguiu com o nome de Trevas, devido a composições como Legião do Inferno, Ritual e Anticristo e em virtude das novas influencias que começam a chegar ao ambiente Underground dos anos de 1980 onde os integrantes da banda costumavam frequentar. Além das tradicionais bandas como: Kiss, Iron Maiden e

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Motörhead, começavam a se influenciar por Venon, HellHamer, Possessed, Sodom entre outros, assim como as bandas nacionais de Metal, Punk/Rock e Hard/Core. Depois de uma serie de shows pela Capital e interior de São Paulo em festivais de Escolas públicas como o EMACB (Bandeirantes) e FECALE (Colégio Alberto Levy) em 1986 e na Cena Underground como o Speed Metal Festival em 1986 onde tocaram com Genocídio, Devastação e SDR, sua ultima apresentação foi com o Metauro e Cruciform na praça da Eletro em Taubaté em 1987, ocasião em que o baterista Leonel Paiva foi passar uma temporada em Portugal.


No inicio de 1988, tentaram retornar como um quarteto, somando Mauricio Aranha (Ex-Devastação) como segndo guitarrista e vocal, mas não conseguiram manter o mesmo empenho e decidiram parar, seguindo caminhos distintos na vida e na música, existem registros audiofônicos dessa época, porém a qualidade é péssima para os dias atuais. No final de 2011 com a notícia do retorno de bandas oitentistas da gloriosa época do Metal Nacional, resolveram retornar e enfrentaram seu primeiro obstáculo, o baterista Leonel Paiva já não tinha interesse no retorno e a banda com a ajuda dos amigos, Rui Três Rios e Marcelo Corujão, ambos bateristas, conseguiram relembrar algumas músicas e desenferrujar os movimentos. Com a entrada do baterista Bene Luiz, remanescente dos anos 80, onde tocava com a banda Letharge, os ensaios ficaram frequentes e se encaixando perfeitamente para a “ressurreição”, onde reinventaram o Trevas com a essência do Power Trio dos anos de 1980, mas com a pegada atual do Metal Underground. Apresentaram-se em 2013 no Pocket Show do Estúdio Datribo, juntamente com Chemical e Trassas, abriram o I Zona Norte Metal Festival com as bandas, Zona Norte Terror e Sakrah, tocaram no projeto Habakuki com as Bandas Fatal e Absoluto Poder, participaram do I Hell Metal Festival no Inferno Club juntamente com as bandas Yekun, Oligarquia e Zenith e lançaram seu EP “Ressurreição”, que contém seis músicas antigas dentre elas: Nervos de Ação, Crom, Carrasco, Legião do Inferno, Luftwaffe e Anticristo. O Trevas estão terminando novas composições e buscando shows pela Capital e Interior, sem jamais perder o objetivo da banda que é a diversão. Hoje, ao contrário do temas satanicos do início da carreira, abordam temas do cotidiano, de personagens e fatos históricos que marcaram época, sem uma proposta definida ou obrigatória, intitulam-se apenas: Uma banda de Metal nacional. Conversamos com o baixista e vocalista Eduardo Marins e com o guitarrista Aldo Ramaciotti, e o resultado você confere a seguir. Quais foram os motivadores para o retorno do Trevas? Eduardo Marins: Ouvimos dizer que houve um show no Dinamo (Antigo Carbono 14) que costumávamos a frequentar na juventude e que tinha tocado Desaster, Antares – bandas remanescentes dos anos 80 – cenário onde o Trevas viveu. Esse retorno motivou o nosso retorno. Aldo, nos anos de 1980, você foi convidado a se integrar ao Agent Steel, porque rescusou? Aldo Ramaciotti: Na verdade não foi recusa. Cheguei a pegar os sons, ensaiamos algumas vezes aqui, mas, como eu

era menor de idade, meus pais não autorizaram a minha ida. Depois de algum tempo, a banda encerrou suas atividades, porque isso aconteceu? Vocês continuaram com outros trabalhos ou abandonaram a música de vez? Aldo: Foi “desilusão” com a cena. Era uma época de muitas tretas e isso cansou. O ponto final foi no show da Vila Alpina, com o Genocidio, onde rolou uma briga “ de filme”. O Duda continou com outros projetos e eu fui tocar na noite por alguns anos. O Bene nunca parou. Vocês sentiram muita diferença do cenário da música pesada como passar dos anos? Eduardo: Sim! Nosso som era bem pesado para a época

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e fazíamos parte daquela cena toda. Hoje conservamos nossas características sonoras, porém, nosso som ficou intermediário dentro do Metal, existindo sons muito mais pesados, mais agressivos, além de uma diversidade de publico. Hoje mesclamos um publico da Velha Guarda com a nova geração. E como vocês veem o cenário da música pesada atual? Eduardo: Acho que evoluiu bastante, existem muitas bandas, muitas casas destinadas a esse estilo musical, porém, muitos lugares, muitos eventos simultâneos, resulta em pouca concentração de pessoas, acredito que esse seja um fator queimobilizando a cena underground, pois seu maior trunfo é a interação entre a diversas pessoas de diversas regiões. Com milhares de bandas surgindo todos os dias, qual tem sido a estratégia do Trevas para se destacar? Eduardo: Somos mais uma banda entre tantas, ensaiando constantemente, pois acho que a principal estratégia, ainda é um bom som e bem executado, o Ideal seria uma participação maior em eventos juntamente com outras bandas para conquistar o publico e a Internet tornou-se uma grande ferramenta importante, porém, ilusória – Underground é olho no olho... e não na telinha. Como vocês chegaram ao baterista Bene Luiz para esta reunião? Eduardo: O Bene já era conhecido e o Aldo conseguiu o contato dele com outros bateristas e ele chegou para ficar. Vocês acabaram de lançar o EP - Ressurreição, qual tem sido a reação das pessoas e da mídia especializada ao lançamento? Eduardo: Queriamos um registro dos sons e do momento atual e gravamos com o Ciero (Datribo), ficou bom, fi\zemos um lançamento virtual, muitos dizem que gostaram e mídia especializada aos poucos, vai nos ajudando a divulgar e isso é positivo. Existem planos para outro lançamento? Eduardo: Sim, Já temos novos sons em fase de ensaios e dependendo do evolução podemos até pensar em um CD mais completo, mas elaborado Obrigado pela entrevista, o espaço é seu para suas considerações e para deixar uma mensagem aos nossos leitores. Eduardo: Foi muito bom retornar a cena e perceber que nosso pensamento e nossa atitude continuam atuais. Estamos felizes por nos reencontrar com essa energia que faz parte da nossa formação pessoal e queremos tocar, agregar, contribuir para que dura mais e mais, pois sem duvida é um caminho verdadeiro e real. Acho que as bandas precisam se comunicar mais e investir mais na qualidade dos eventos.

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Trevas - Ressureição Independente - nacional Power trio formado em 1985, porém somente agora chegam ao primeiro registro oficial, e a espera valeu a pena! O Trevas pratica aquele Speed/Thrash Metal que assolou nosso país nos anos de 1980, claramente influenciado por Venon, HellHamer, Possessed, Sodom, e é contando com essa caraterística que o Trevas nos brinda com “Ressurreição”, um trabalho digno de nota e que vai fazer a festa dos Headbangers. Composto de seis músicas, muito bem executadas, onde a velocidade e a brutalidade das composições permeiam por todos o trabalho que é milimetricamente composto. Além de fazerem uso da língua pátria, sendo este um grande diferencial. Iniciando com “Nervos de Aço”, com andamento cadenciado e um ótimo trabalho de baixo, cortesia do também vocalista Duda Marins, a música resgata muito do que nós, os mais antigos vão reconhecer e tirar proveito de cada segundo. Seguida de “Crom”, “Carrasco”, “Luftwaffe” com uma introdução de tirar o fôlego,

“Legião do Inferno” e “Anticristo”, o Trevas não deixa por menos, solos melodiosos, vocais urrados e muito bem encaixados, além de um trabalho de bateria sensacional de Bene Luiz, que trouxe muita personalidade ao som da banda e acaba sendo um dos grandes destaques de “Ressurreição”. Outro grande destaque fica pelos riffs e solos do guitarrista Aldo Ramaciotti, que desde aqueles tempos já era reconhecido como um dos mais criativos guitarristas da cena brasileira, tanto que ele foi convidado a integrar o estadounidense Agent Steel quando de sua passagem pelo país. Que ele não aceitou, ficando o cargo para Silvio Golfetti, do Korzus, que foi e voltou tão rápido quanto. Gravado no estúdio DaTribo com produção da banda e de Ciero, a som ficou classudo, pesado e cristalino, apesar de para meus ouvidos ter ficado um pouco baixo, mas isso certamente não tira o brilho geral do trabalho. “Ressurreição” é apenas o primeiro trabalho desta grande que com certeza ainda vai dar muita dor de ouvido e muito o que falar no cenário! Imperdível! JP Carvalho


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ENTREVISTA

Heróis do Metal brasileiro Por: Marcos “Big Daddy” Garcia Um dos grupos mais interessantes que podemos ouvir nestes tempos é o quarteto carioca Dreadnox. Peguem o Metal tradicional moderno da escola de bandas como Iced Earth e Judas Priest, ponham um pouco da adrenalina do Thrash Metal e mais uns toques pessoais, e pronto: você tem a idéia clara do que a banda faz, e que pode ser conferido em “The Hero Inside”, seu mais recente trabalho. E como ninguém dorme no plantão no Metal Samsara, aproveitando o lançamento do CD e com a ajuda da BMU/ASE Press, fomos bater um papo com eles. Primeiro de tudo, obrigado demais pela entrevista. De cara, a primeira é: o que os levou a ter um tempo de quatro anos entre o CD anterior, “Dance of Ignorance”, e “The Hero Inside”? Para ser sincero, nem cheguei a ver muita coisa de lá para cá sobre vocês, e até pensei que a banda havia parado... Dead Montana: Salve, Marcão, amigos e leitores! Beleza? Nós do Dreadnox é que agradecemos a oportunidade de contar um pouco sobre o lançamento do nosso 3º álbum, “The Hero Inside”, e nossa carreira. Bom, vamos lá! Na verdade, nosso último show antes de começarmos a compor o novo CD, foi no final de setembro de 2012. Passamos praticamente 1 ano compondo, desde novembro de 2012 a setembro de 2013. No mês seguinte, começamos as gravações que foram até março de 2014. Foi um processo meticuloso para garantir sempre a qualidade que o DX preza. Em “The Hero Inside”, parece existir um contexto bem posi24 - UNDERGROUND ROCK REPORT

tivo nas letras do disco, e de certa forma, chega a ser algo ótimo em um mundo onde, todos os dias, somos bombardeados por notícias ruins. No fundo, qual é a grande mensagem do Dreadnox para os seus fãs? Dead Montana: De que todos podemos melhorar, ajudar o próximo e alertamos sobre os problemas que atingem nossas vidas de uma forma prática e bem humorada. É uma homenagem aos verdadeiros heróis que todos nós somos!!! Ainda falando do lado musical, “The Hero Inside” mostra uma banda madura e segura do que quer de sua música. Sim, pois é um disco em que as composições transpiram não só modernidade, mas uma incrível maturidade. A que atribuem isso? Experiência, novas influências musicais que se aglutinaram, ou mesmo um dedinho do (Renato) Tribuzy e do Roy Z na produção? Felipe Curi: Tudo isso, sem dúvida! Nesses quase 22 anos de banda, há toda uma vida dedicada à música! As experiências individuais e conjuntas dos músicos, o talento e toda a equipe envolvida no projeto fazem a diferença! E por falar nisso, como foi trabalhar com essas duas feras na produção e mixagem do disco? Sério, já que tudo que esses dois colocam a mão, sempre sai um trabalho de saltar os olhos em termos de qualidade. Dead Montana: Na verdade foram 4 feras: Marcelo Moreira,


baterista do Almah, Renato Tribuzy, Roy Z e Maor Appelbaum, responsável pela masterização. O Marcelo Moreira esteve presente durante todas as sessões de gravação da bateria. Ele deu excelentes sugestões junto com o Tribuzy para serem somadas as ideias que o Felipe tinha das músicas. O Tribuzy contribuiu imensamente com ideias durante as gravações de guitarra, baixo e voz. Já tínhamos trabalhado com ele no álbum anterior e, além de ser um grande amigo de longa data, sabemos o quanto é competente. E já que falamos deles dois, como foi que escolheram essa dupla de peso? Felipe Curi: O contato com o Roy Z veio através do Tribuzy. Já conhecíamos o trabalho dele como produtor de excelentes álbuns como o “Resurrection” do Rob Halford e “Accident of Birth” do Bruce Dickinson. Não tinha como escolher outra pessoa para mixar nosso CD já que tantos artistas que ele produziu e mixou são referências para nós. Antes de escolher quem iria masterizar nosso álbum, ouvimos muitos CDs e chegamos ao trabalho fantástico do Maor Appelbaum. Responsável por trabalhar com grandes nomes como Yes, Faith No More, Rob Halford, Fates Warning, Sepultura, entre outros, percebemos que ele se encaixaria perfeitamente a sonoridade do nosso álbum. O resultado de tudo isso é o que vocês podem ouvir em “The Hero Inside”. Existiu um problema com “The Hero Inside” sair, não é? É que o disco tinha uma previsão inicial de lançamento, mas acabou saindo bem depois... Poderiam nos dizer o que houve? Dead Montana: Houve um pequeno atraso na mixagem, pois o Roy Z estava trabalhando simultaneamente com outros artistas e, nesse tempo, ainda sofreu uma picada de aranha. Era pro CD sair em julho, época em que lançamos nosso single “Dreamcatcher”, mas acabou ficando pronto em setembro. Há algum tempo, o Fábio deu algumas declarações na imprensa sobre o valor de bandas como Sepultura e Angra, mostrando completa ausência de radicalismo musical. Ou seja, isso acontece com toda a banda? Mesmo porque em “The Hero Inside”, temos a clara impressão que vocês não são lá muito adeptos de rótulos... Fábio Schneider: Temos gostos e influências distintas, apesar de o Heavy Metal ser o nosso foco, e cada um as coloca livremente durante as composições. Essa diversidade faz com que o som do Dreadnox soe tão peculiar e, claro, acabe fugindo dos rótulos. “The Hero Inside” saiu em uma época um pouco difícil em que todos vivendo, já que os famosos downloads ilegais andam causando estragos a todos. O que vocês acham disso? Acreditam que exista uma saída para tal problema?

Fábio Schneider: Uma cena fortalecida, profissional e de qualidade não se abala tanto por download ilegal. Os fãs compram CDs, camisas ou qualquer artigo de merchandising, principalmente nos shows. Não se vendem tantos CDs como antes. O problema é a banda aparecer. Esse é o grande desafio! Bem, vemos que a banda fez alguns shows bem legais nos últimos meses, como abrir para o Almah no RJ e para o Angra em SP. O que podem comentar de ambos? E como anda sendo a recepção dos fãs a “The Hero Inside”? Kiko Dittert: Começamos a tour com dois shows ao lado dos amigos do Almah. Um show no Teatro Odisséia (RJ) e outro no Teatro Gacemss (Volta Redonda/RJ). Foi uma experiência e tanto tocar ao lado de músicos tão talentosos como eles. Sem contar que ficar ao lado Almah é garantia de boas risadas ! O show de SP com o Angra foi o lançamento oficial do novo álbum e demandou um planejamento elaborado, sentimos o “peso” de fazer um evento grande finalizando a tour do Angra e com a responsabilidade de apresentar o novo trabalho para o público de SP que nos recebeu muito bem! O Dreadnox fez uma excelente apresentação e os fãs deram um show de interação com a banda. Nota 10 ! Estamos recebendo mensagens motivadoras sobre o novo álbum, tanto pelo facebook como nos e-mails. É notável o impacto que as novas músicas estão causando nos fãs em todo o mundo. Já temos fãs nos EUA, Canadá, Rússia, Espanha, Inglaterra e Alemanha. Outro ponto importante foi o relatório de vendas digitais que mostrou um aumento de mais de 100% das vendas logo nos primeiros dois meses de lançamento do álbum “The Hero Inside”. E quais os próximos shows em vista? Existem planos para shows fora do Brasil? Kiko Dittert: Estamos em fase final de um projeto que logo anunciaremos para o público. Faremos algumas datas ao lado de uma banda excelente. Não posso falar muita coisa, mas adianto que é uma banda brazuka (risos)! Já recebemos algumas propostas para tocar fora do Brasil, mas não aceitamos por motivos técnicos (agenda dos músicos, logística, família etc). Sabemos da importância de levar o som brazuka para outros países e isso certamente está nos planos do DX. Agradecemos demais, e deixamos o espaço para sua mensagem aos seus fãs. Kiko Dittert: Obrigado pelo espaço e pelo apoio ao nosso trabalho! 2015 já está sendo um ano produtivo para o DX e para o cenário brasileiro de Metal. Começamos com o projeto Metal Inc Fest ao lado das bandas Syren e Statik Majik e vamos apresentar o novo álbum para os fãs de outros estados. Aguardem muitos shows! DX GO!

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ENTREVISTA

A Preciosidade do Metal Por: Marcos “Big Daddy” Garcia Metal brasileiro tem se mostrado extremamente fértil nos últimos anos, e podemos citar muitas bandas que, em 2014, lançaram trabalhos sublimes e inovadores. Um deles, que se diga de passagem, é o quarteto curitibano KATTAH, que em “Lapis Lazuli”, mostrou muito de seu potencial em criar uma música híbrida entre a cultura do Oriente Médio e a força do Heavy/Power Metal. Aproveitando a deixa que a Furia Music Productions nos concedeu, fomos lá bater um papo com Victor Brochard, guitarrista da banda, e saber um pouquinho mais sobre eles.

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Antes de tudo, queremos agradecer demais pela entrevista. E de primeira, de onde surgiu o nome KATTAH, e o que ele significa? E como surgiu a idéia de uma música híbrida entre aspectos musicais do Oriente Médio e Heavy/Power Metal? Victor Brochard: Olá, será um grande prazer respond26 - UNDERGROUND ROCK REPORT

er essa entrevista. O nome surgiu pelo Roni quando ele nos apresentou a proposta de unir um pouco da cultura árabe ao som da banda, que era um Heavy Metal em busca de diferenciais. Um dos motivos por eu ter gostado bastante da idéia, foi que eu e o Roni somos descendentes de árabes. O nome representa um personagem que retrata a maneira de ser das pessoas, da ilusão à realidade. Hoje em dia, vocês podem ser considerados veteranos na cena nacional, pois chegaram ao segundo disco no ano passado, “Lapis Lazuli”. Quais seriam as principais diferenças, estilísticas, líricas ou outras entre ele e “Eyes of Sand”, seu primeiro álbum? Victor: No “Lapis Lazuli” chegamos mais próximos da personalidade que gostaríamos de ter, alcançamos outro nível de maturidade e fomos bem mais detalhistas e cuidadosos com o resultado final. Além disso, fomos bem mais ousados que no “Eyes of Sand”, experimentando bastante sem medo de errar.


Este autor, quando estava escrevendo a resenha de “Lapis Lazuli”, procurou informações sobre a rocha em si. Como foi que ela se tornou o conceito do CD novo? Victor: O álbum foi batizado pelo Roni baseado em nossa idéia de falar sobre mistérios da humanidade no álbum. Outra caracteristica importante é que ela era considerada a pedra dos deuses pelos egípcios e suas cores remetem ao planeta Terra e ao universo, casando perfeitamente com a proposta do álbum. Ainda sobre o “Lapis Lazuli”, como foi o processo de composição e criação das músicas? Houve uma certa pressão (de vocês ou mesmo da gravadora) em relação ao que fizeram em “Eyes of Sand”? Victor: Na verdade não, já havíamos começado a trabalhar no álbum há um bom tempo atrás, foi um processo muito trabalhoso, mas sem pressão, sendo até muito agradável.

Com certeza eles conseguiram extrair o melhor de cada músico e mais importante de tudo, a personalidade da banda. Com certeza voltaremos a trabalhar com eles no futuro. Falando de shows: disco na prateleira significa shows acontecendo. Sabemos que a cena curitibana é muito boa, então, como estão sendo os shows para a promoção do CD? Já existe algum plano para shows no Velho Continente? Victor: Ano passado realizamos poucos shows devido a ser um ano de muita burocracia e bastidores. Esse ano pretendemos sair em tour pelo Brasil e mundo e já estamos negociando datas.

Em termos de recepção de crítica, “Lapis Lazuli” recebeu ótimos reviews no Brasil e no exterior. Mas em termos de público? Como os fãs têm recebido o CD? Já possuem algum feedback do exterior nesse sentido? Victor: A receptividade do público tem sido muito boa, ainda melhor do que o “Eyes of Sand” tanto no Brasil quanto no exterior, realmente ficamos muito felizes com a ótima aceitação do público e crítica.

Hora de assuntos polêmicos: “Lapis Lazuli” é um excelente trabalho, mas chega em um momento crítico, com os downloads ilegais devastando a venda de CDs físicos. Acreditam que isso pode afetá-los de alguma forma? Acham que existe alguma saída para isso? Victor: Com certeza, isso afeta bastante o ganho com vendas de CDs. De certa forma a música mudou muito dessas ultimas décadas e agora as músicas servem praticamente como uma forma de marketing para trazer público para shows. A saída talvez seja tentar utilizar essa pirataria e internet como forma de chegar mais rápido à potenciais fãs, apesar de haverem milhares de bandas aparecendo a cada dia, por isso um diferencial sempre é importante para se destacar.

Outra: Roy Z e Andy Haller foram escolhidos para trabalhar na produção do CD. Como foi trabalhar com eles? Acreditam que eles conseguiram extrair o melhor de vocês? E existe uma vontade ou possibilidade de encontrá-los mais uma vez no futuro? Victor: Foi uma grande experiência e uma grande aula.

Essa pergunta é um pouco triste: no atual momento, após o atentado terrorista de Paris, à revista Chalie Hebdo, existem fortes sentimentos anti-Islã varrendo o velho mundo, já exaltado por conta da guerra entre Israel e Palestina. Qual a opinião de vocês sobre isso? E acreditam que isso pode prejudicá-los de alguma forma,

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já que a existência de elementos árabes em sua música poderia ser mal interpretada por radicais? Como uma banda de Metal, vocês acreditam que sua música possa levar os fãs a se compreenderem melhor e buscarem uma saída pacífica dessa situação tão triste? Victor: É uma situação muito triste para o mundo mesmo, o radicalismo é algo extremamente prejudicial em qualquer área e essas pessoas utilizam a religião como desculpa para ganhar poder e gerar medo. Acredito que isso não influenciaria negativamente em nossa música pelo motivo de que existem organizações criminosas específicas que agem e são de conhecimento de grande parte das pessoas. Além disso o público do Metal costuma ser formado por pessoas inteligentes, que sabem distinguir a intenção da música. Acredito que a música é uma das melhores formas de união entre os povos do mundo, principalmente o Heavy Metal, e quando pensamos em unir diversas culturas em nossa música, estávamos pensando em unir povos, acabar com as barreiras e preconceitos que separam países de culturas diferentes e força-los a enxergar que somos todos iguais. Outra polêmica: no Metal brasileiro, temos muito divisionismo, aquela velha mania de “só tal subvertente presta”, mas vocês já mostraram ter certo ecleticismo. Não seria melhor se os fãs aprendessem a se respeitar mutuamente, e a conviver com todas essas diferenças estilísticas? Mesmo porque, no fundo, não saber viver as diferenças acaba nos remetendo a questão anterior... Victor: Concordo totalmente, existem pessoas que não gostam de determinado estilo e pessoas de são ignorantes. O Metal é um só, as vezes sendo mais agressivo, as vezes mais melódico e esse é o motivo de ser um dos melhores estilos de música. Outra das boas: para a promoção de “Eyes of Sand”, vocês soltaram um vídeo oficial para “I Believe”. Existe a idéia (em mente ou em andamento) para o lançamento de um novo vídeo oficial para promover “Lapis Lazuli”? Victor: Existe sim e até já gravamos o vídeo clipe da música “Vetus Espiritus” que deverá ser lançado em breve. Também pretendemos gravar mais vídeos nesse disco assim que possível. Voltando a falar de Metal: tudo bem que “Lapis Lazuli” é um disco bem recente, mas a banda já possui uma idéia, mesmo que vaga, do que o futuro pode trazer em termos musicais? Se “Lapis Lazuli” é um passo adiante de vocês, o que o próximo passo pode representar? Victor: Já até começamos a trabalhar em algo, com certeza o próximo álbum deverá trazer um trabalho com ainda mais nossa personalidade e talvez mais rápido e agressivo. Acredito que o nosso próximo disco deverá ser o nosso ápice de maturidade e personalidade juntando tudo o que aprendemos com os discos e turnês anteriores. Agradecemos muito pela entrevista, e o espaço é todo de vocês. Victor: Eu é quem agradeço pela ótima entrevista e gostaria de convidar a todos aqueles que ainda não conhecem a banda e ouvirem o nosso novo álbum “Lapis Lazuli” e a acompanhar a banda nos seguintes links: www.facebook.com/kattahofficial www.kattahonline.com Contactar a banda no e-mail: contact.kattah@gmail.com 28 - UNDERGROUND ROCK REPORT

Kattah Lapis Lazuli Baker Team/Scarlet Records - Importado Lápis Lazuli é um tipo de rocha de coloração azulada, considerada um amuleto sagrado em várias culturas antigas, em especial, a dos egípcios, sumérios, acadianos e assírios. Símbolo de grande poder, a idéia lendário por trás da Lápis Lazuli nos deixa evidenciado o quão bom é o trabalho do quarteto curitibano Kattah, pois seu segundo e mais recente disco, “Lapis Lazuli” é, ao mesmo tempo, poderoso e precioso. O grupo cria um forte e pesado Heavy Metal com um “insight” voltado ao Power Metal, com ótimo nível técnico, melodias acentuadas e preciosas, sempre com uma elegância e beleza bem particular, e peso. Os vocais são bem afinados, com boa dose de melodia e timbres bem escolhidos, ao passo que os riffs de guitarra são excelentes em todo o disco, e os solos são caprichados e com boa dose de técnica. Baixo e bateria tem sua porção de técnica devida, aliada a peso e um trabalho rítmico fantástico. Em sua: uma música das boas, pesada e agradável aos sentidos, e em muitos momentos, elementos de música folclórica árabe surgem (pois é a proposta musical do quarteto). Em termos de produção, basta falar o nome de Roy Z, que aliado a Andy Haller, fizeram um trabalho sonoro que beira a perfeição. Peso, melodia e técnica são ouvidos fluindo dos falantes com clareza, sem que o menor dos detalhes fique oculto. Mas não se preocupem: o disco soa pesado, e como! A arte do CD, usando mais uma vez referências culturais do Oriente Médio, é belíssima, um

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trabalho visualmente atraente e agradável, feito com profissionalismo ímpar. O Kattah tem a seu lado um diferencial: saber fundir elementos regionais árabes com arranjos de Metal muito bem feitos, logo, gera uma música híbrida e atraente em todos os momentos, nos agarrando pelos ouvidos, embora alguns elementos regionais de nosso país surjam, como em “A Capoeira” e “Lapis Lazuli”. Adicionem a isso refrões de fácil assimilação, pronto: orgasmo em forma de música. Melhores músicas: “Behind the Clay”, que se inicia a pesada e azeda, mas que está repleta de momentos mais elegantes, ótimos riffs de guitarra e vocalizações perfeitas; a trabalhada “Apocalypse”, mais uma vez com belos vocais assentados sobre um instrumental pesado e bem técnico, e um belíssimo refrão; “Alpha Centaury”, que mixa elegância, técnica e uma pegada pesada de forma perfeita; a perfeita e majestosa “Rebirth of Pharaohs”, com uma cozinha rítmica perfeita; a perfeita e grudenta “The Hidden Voice” (mais uma com belíssimo refrão, alguns momentos mais amenos e etéreos, e onde as guitarras se destacam); a quase puramente árabe “Lapis Lazuli”, uma música muito diversificada, com um insert inteligente de uma cuíca e elementos de música brasileira (cantados em português), aqui e ali; a belíssima “Land of God”; e a forte “Last Chance”, que usa de momentos mais calmos e outros mais pesados. A comparação com a Lápis Lazuli não é uma mera coincidência, já que “Lapis Lazuli” é tão precioso, místico e maravilhoso. Parabéns ao Kattah por um trabalho tão bem feito, e que é tão agradável. Marcos “Big Daddy” Garcia


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ENTREVISTA

Por: JP Carvalho Subghetto, foi formado em 1998 com a junção de duas outras, o Sccuffle e o Carniça. Essa união aconteceu no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo com o objetivo de fazer música pesada e com letras de protesto contra a má administração pública, o descaso com os menos favorecidos e a violência policial. Com essa formação o Subghetto fez várias apresentações em festivais como o Da Tribo no antigo teatro da Globo em São Paulo, uma apresentação memorável para uma comunidade no bairro do Jaguaré em São Paulo. A banda teve oportunidade de tocar com algumas bandas já conhecidas no cenário como o Piano Black, ASF, Maguerbs, entre outras. Em 2000 gravam o primeiro trabalho em estúdio, “Era do Caos” e que teve uma faixa veiculada no extinto programa A Vez do Brasil na 89 FM. Esse CD foi gravado e produzido no estúdio MR Som por Marcello Pompeu que participou da faixa “Discriminado”. Por problemas diversos, a banda se desfez em 2000, porém os integrantes continuaram amigos e seguiram seus projetos, tanto que alguns montaram um projeto chamado Artilharia. Em 2007, num papo de boteco resolveram retomar o Subghetto, que na cabeça dos integrantes tinha feito tanta gente bater cabeça e não tinham um motivo concreto para acabar! mas a banda para novamente e em 2014 voltam a fazer barulho. A nova formação agora conta com um percussionista fixo

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e um novo baixista, sendo formada por Dio: guitarra, Bob vocal, Guinho - Baixo, CB- bateriae percussçao e Tony - Bateria e percussão. Voltam com tudo aos ensaios, reformulando antigas e preparando novas músicas. Conversamos com o baterista CB para saber mais sobre a banda e tudo que eles andam aprontando, o bae papo voê confere a seguir. Olá, conte-nos sobre o começo do Subghuetto. CB: O Subghetto, banda formada em 1998 com a junção de duas outras, O Sccuffle e o Carniça. Essa união aconteceu da Penha, Zona Leste de São Paulo com o objetivo de fazer uma música pesada e com letras de protesto contra a má administração pública, o descaso com os menos favorecidos e a violência policial A banda apresenta músicas urbanas, com letras ácidas, mas ao mesmo tempo um instrumental refinado, com climas e trimbres interessantes. Como é o processo de composição de voces? CB: É muito natural e espontâneo. Sempre foi assim, existe uma ligação e uma sintonia muito grande entra a gente. As letras são escritas pelo Bob e por mim (Cb) e sempre antes dos ensaios os outros caras ja estão com a letra e chegam com as bases. E róla naturalmente. Além disso, os vocais são muito caraterísticos do Rap,


voce acha que essa abordagem torna o Subghuetto uma formação capaz de migrar por diversos cenários musicais? CB: Sem dúvidas. O Subghetto ja passou por eventos com bandas do senário reggae, hip hop e peso. Mas até esse estilo surgiu naturalmente, não foi nada forçado. Claro que tremos influências e gostos, mas tudo no subghetto acontece na emoção, não forçamos ou pré-definimos como será uma nova música. Outros membros da banda tocam em outras formações, isso de alguma forma agrega influências ao som do Subghuetto? CB: Influência isso. As esperiências adquiridas em outras formações e com outros músicos soma, acrescenta. O legal é que somos uma grande familia. O CD “A Era do Caos” teve ótima aceitação, existem planos para mais um trabalho de estúdio? CB: Existem sim. Ficamos um longo período de calmaria, sem trabalhar com o Subghetto, mas isso foi essencial para o cresimento e evolução de todos, na música, na amizade e crescimento espiritual, como pessoas mesmo. Mas eatamos compondo e com o projeto para gravação de novo trabalho em breve. Como é para você como baterista, contar com uma sessão fixa de percussão na banda? CB: É incrível, sou fã do Tony, apesar de bem mais velho aprendo todos os dias com ele,é um grande baterista. Ele não é um precussionista fixo, nas novas músicas nós alternamos bateria e percussão, ele vai pra batera e eu pra percussão e são umas experiências incríveis.

Obrigado pela entrevista, deixe uma mensagem aos nossos leitores. CB: Não poderia deixar uma mensagem que não fosse política com a situação atual e degradante do nosso país. Mas vamos em frente, vamos lutar o quento for preciso. Chega de mentiras e manipulações. Estamos cansados de ser roubados e anganados. Força!

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ENTREVISTA

Por: JP Carvalho ascida em 1998 na cidade de Lorena, interior de São Paulo, a Tublues busca resgatar aquela sonoridade dos anos de 1960e 1970, explorando a simplicidade e a musicalidade que eram tão evidentes naquela época. Contando com Cezar “Heavy” - baixo e vocal, Jairo Martins - guitarra, Alexandre Freitas - Guitarra e James Buris - Bateria, influenciado por Made in Brazil, Casa das Máquinas, Stevie Ray Vaughan, Led Zeppelin e outras bandas da época, e também pelas atuais e o Blues Rock, a banda não se limita a apenas a tocar nos bares e casas de shows espalhadas por São Paulo, uma vez que todos eles exercem atividades onde a música e a criatividade são o carro chefe. Tivemos um prazeroso bate papo com a banda que você confere a seguir:

pre o que é aparente é a realidade. O fato é que são pessoas apaixonadas por Rock, Blues e Hard Rock. C. Heavy: Não esqueça do Metal e Punk/HC sou apaixonado (risos). No final colocamos tudo em um liquidificador e já era. Sai Tublues.

Olá, primeiramente, obrigado pelo seu tempo e por nos conceder esta entrevista. Fale-nos sobre o começo da Tublues. Ale: Começamos parcialmente da necessidade de tocarmos o que sempre ouvimos e gostamos, com bons músicos e amigos, em lugares com pessoas interessadas em ouvir nosso som. E a partir disto, para as primeiras composições e gravação do “Na batida da alma” ocorreu naturalmente.

Interessante notar que todos na banda estão profissionamente envolvidos com a música, dito isso, a diversidade de estilos com que vocês lidam no dia a dia enriquece a forma de compor da Tublues? Ale: Com certeza. Há exatamente um misto de gostos musicais que moldam nosso som, no final das contas. Porém a raiz Blues continua lá, implícita ou explícita. C. Heavy: É! (risos)

Mesmo vindo de escolas diferentes, a banda demonstra uma unidade e muita inspiração na composições, essa química vem do fato de todos terem gostos em comum? Ale: Não acho que vimos de escolas diferentes. Nem sem-

A banda tem quatro trabalhos de estúdio, um ao vivo e também um bootleg ao vivo e a participação em várias coletâneas! Me diga de onde vem tanta inspiração? Ale: Difícil responder, mas provavelmente vem de muita

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Cezar, você passou por diversas bandas de Heavy Metal em sua carreira, como o estilo agrega para o trabalho da Tublues? Ale: O diferencial vocal em relação a agudos e interpretação, creio eu, que tenha sido um adicional diferenciado e original no nosso som. C.Heavy: Bem isso que o alexandre citou. Mas procuro jogar o que aprendi, imagino, as influências...resumindo: Gostamos de experimentar.


vontade de fazer um som e passar alguma mensagem, seja a maneira que for. C. Heavy: O Alexandre praticamente resumiu tudo. A necessidade que temos da criação, de dar a cara a tapa, de mostrar o que queremos fazer e sermos ouvidos. Se Gostarem ou não, é problema de gosto de cada um. Como foi participar e ser o primeiro colocado no Festival realizado pelo EM&T em 2007? Ale: Foi um choque, com certeza. Porém o evento, dados as devidas chateações que passamos por causa dele, deixou a desejar em vários aspectos em relação à organização, estrutura, profissionalismo, entre outras. C.Heavy: Sem esquecer que, nos devem até hoje a premiação por termos ganho. 450 cópias de um DVD. Tendo uma ligação com a música de forma profissional e também com outras bandas , como vocês encontram tempo para compor, de alguma forma a falta de tempo dificulta esse processo? Ale: Sem dúvida dificulta muito. Tem também o lado pessoal de cada um, com envolvimento de família, trabalho, etc. Pra arranjar este tempo somente na porrada mesmo, rsrsrs. C.Heavy: Pra mim já fica mais fácil. Sou autônomo, trampo em casa com desenho, criação, etc.. fica bem mais fácil eu

compor, mostrar pra crianças e terminarmos a peça juntos, bem lapidada. Alexandre, como anda a produção do seu disco solo? Ale: Lancei em 2013 meu 1º disco solo instrumental intitulado “Daylights”. Pretendo, no próximo trampo, mesclar músicas instrumentais e com vocais convidados (especialmente aqueles que cantaram a vida inteira comigo). Quais são os planos futuros da banda? Ale: Lançar uma coletânea contemplando músicas próprias e agregar algumas gravações novas (talvez até mesmo uns covers). C.Heavy: Sim! Isso mesmo. Vai ser uma parada legal pra comemorar os 17 anos em junho/julho. Vamos ter uns convidados bem especiais. Queremos mostrar nessa coletânea, o que gostamos de fazer e continuamos a fazer. Muito obrigado pela entrevista, o espaço é de vocês para suas considerações e deixarem uma mensagem aos nossos leitores. Ale: Escutem Blues e Rock. A vida sem eles não tem graça! C.Heavy: Fodam tudo. A vida é muito curta pra ficar de mimimi.

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ENTREVISTA

Thrash Metal Attack Por: JP Carvalho anda formada 1998, que tem como principal objetivo, desde seu início, a composição e execução de músicas que reflitam as influências musicais de seus integrantes: o Thrash Metal. Seu início se deu em 1998 e a banda divulga a demo “License To Thrash” e, em 2002, lança a demo “Beer & Mosh”. Desde seu início se apresentando ao vivo, o que é seu principal objetivo, a banda segue, com eventuais mudanças de formação, e lança em 2005 seu CD de estreia: “No Traces Left Behind”. Em 2008, com o lançamento do segundo álbum, “Violence Just For Fun”, uma significativa mudança: a banda passa a ser um quinteto, com a entrada de um segundo guitarrista e Dario Viola concentrando-se apenas nos vocais. O CD tem uma recepção ainda mais abrangente que o de estreia, chegando a lugares até então inalcançados e levando a banda a apresentações por diversos lugares. De 2009 a 2013 a banda, apesar de manter-se ativa e apresentando-se ao vivo com considerável frequência, passa por um período de trocas de componentes que limita um pouco suas possibilidades de lançar material inédito. De qualquer maneira, em 2013, participa junto a grandes nomes da nova geração do Heavy Metal brasileiro do tributo ao Ratos de Porão “Ratomaniax”, com a faixa “Contando os mortos”. No ano de 2014 é lançado o volume 3 da série de split CDs ao vivo “Metal das Ruas”, cujos participantes são o Blasthrash e seus

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amigos crossover maníacos Bandanos. No início de 2015 um outro split CD é lançado, desta vez com os thrashers japoneses do Fastkill, contendo material inédito e um vídeo clipe é produzido para uma faixa constante desse split CD: “On The Shores Of Uncertainty”. A banda segue firme em seu objetivo, que é tocar ao vivo com a maior frequência possível, bem como não arredou um centímetro de sua proposta musical inicial; Thrash Metal rápido, intenso e, dentro das possibilidades do gênero, original. Atualmente, o Blasthrash encontra-se em processo de composição para seu vindouro terceiro álbum, que deve ocorrer entre o final de 2015 e o início de 2016. Também faz parte dos planos da banda a participação em mais splits CD, consolidando sua colaboração com bandas amigas. Conversamos com o baixista Diego Nogueira Sábio e com o vocalista Dario Viola e o resultado dessa bate papo você confere a seguir. Bom, vamos começar chutando o balde, porque a banda investe tanto em split CD´s? Vocês acreditam que esta seja uma forma de arrebanhar mais seguidores ou o fazem apenas pela amizade com a outra banda? Diego: Fala JP! Primeiramente, obrigado pelo espaço! O primeiro Split que realmente rolou por iniciativa nossa, foi o do Fastkill. Procuramos uma banda de fora do pais, justamente, para poder fazer essa “troca” que o split proporciona: A galera do outro pais, conhecer nosso som, e a galera daqui, conhecer a outra banda. No


caso do Fastkill, foi muito legal, pois postamos no Facebook que procurávamos uma banda para um Split, e eles nos procuraram. Ficamos felizes, pois tivemos uma boa vendagem dos nossos discos no Japão, e já temos publico no Pais. No caso do Split ao vivo com o Bandanos, foi iniciativa do Selo, que vai lançar um Dvd com imagens do shows de ambos, juntamente com um documentário chamado “Metal das Ruas”. Mas aprendemos que o Split, é um ótimo formato, e que abre muitas portas! Dario: Inclusive é parte de nossos planos lançarmos mais splits com bandas com que nos identifiquemos com a proposta e que, estando em lugares distantes, mostrem nosso som para um novo público assim como nós podemos mostrar o som de outras bandas por aqui. Pensamos tanto no formato comum, de duas bandas, como no “4 way”, com quatro bandas. O que vocês podem nos adiantar deste DVD “Metal nas Ruas”? Diego: Creio que esse DVD será um dos mais marcantes da nossa cena, pois ele foi focado na galera do underground mais periférico, das bandas que tocam em lugares mais simples, as que vieram do underground e não saíram até hoje dele por simplesmente não querer. São entrevistas com os caras do Bandanos, Violator, Leatherfaces, e Farscape, comigo, e outros integrantes de bandas da cena brasileira. E como extra, terá um DVD com shows de algumas das bandas que foram entrevistadas no DVD, como Fire Strike, Armadilha, Imminent Attack, Bandanos, e o Blasthrash. Não vejo a hora desse DVD sair. Desde sua estréia com o debut No Traces Left Behind, a banda cresceu e firmou seu nome no cenário da música pesada nacional, o que mudou em relação aos propósitos da banda desde então? Diego: Na época do lançamento do disco NTLB, queríamos apenas nos consolidar na cena, e tocar. Creio que tenhamos conseguido isso, com muita dificuldade, mas acho que conseguimos. Porem, os tempos atuais estão mais difíceis. Tivemos muitos problemas particulares, diversas mudanças de formação após o Lançamento, e só voltamos a consolidar a nossa formação, nos ultimos 2 anos. Ai que conseguimos voltar a ter planos, de lançar material novo. Esse lançamento com o Fastkill, chamado “Slaughters in the Antipodes”, é uma parceria dos selos Mutilation Records e Rock Stakk do Japão, e é o prenuncio do nosso 3º album, que já está em

processo de composição. Dario: Nosso objetivo, desde então, é basicamente o mesmo: tocar por aí, cada vez em mais lugares, fazendo o que gostamos, que é tocar, conhecer o pessoal que curte um som, curtir o rolê, conhecer novas bandas. Violence Just For Fun apesar de conter todas as características da banda, trouxe um Blasthrash mais coeso e apostando em temas muito velozes, ao mesmo tempo que mostrava uma evolução musical muito grande, como foi a aceitação deste segundo trabalho, e o que vocês mudaram na forma de trabalhar? Diego: Esse disco trouxe uma mudança drástica, na mudança da formação, pois foi quando o nosso vocalista, Dario Viola, deixou de tocar guitarra, Rodrigo Schmidt ( Kremate) entrou na Banda. Também, houve a troca de baterista, com a entrada do Rafael Sampaio, que está conosco até hoje. Com a entrada dos dois, conseguimos mudar a estrutura dos riffs, e pudemos acelerar um pouco mais as musicas, que era algo que queríamos, mas nosso antigo baterista relutava um pouco. Atualmente, usamos uma mescla desse disco, com o NTLB, e as influencias dos dois guitarristas atuais, para moldar o som atual do Blasthrash. Dario: No geral, nunca mudamos nossa proposta, nossa intenção de como tocar thrash metal. Como o Diego bem disse, o que aconteceu é mais devido às mudanças de formação, pois cada pessoa nova que entra, mesmo que tenha o mesmo objetivo musical que os membros anteriores, traz uma bagagem técnica e um “approach” diferente de seu instrumento. Além disso, claro, os membros que continuaram na banda, com o passar do tempo, também desenvolvem novas maneiras de abordar seu instrumento e o estilo sem, no entanto, deixar a proposta inicial de lado. Creio que seja bem claro que, apesar das diferenças naturais de como soamos ao longo do tempo, a proposta inicial nunca se perdeu, nem se perderá. Diego, como você organiza sua agenda, já que além de baixista, atua como vocalista do Anthares? Diego: É complicado man, mas não é difícil, pois alem de mim no Anthares, nossos guitarristas Henrique Perestrelo e Hugo Golon, tem bandas paralelas. Henrique no Infected, e o Hugo, em 16475701465074 bandas, ahahaha. Que eu me recorde, alem do Blast ele toca no Comando Nuclear, Infected, Virgin’s Vomit, Flagelador, e no Cemitério. É preciso ter organização, e nesse ponto, consigo me virar bem. Com o lançamento do disco do Anthares no

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final de Março, os shows vão aumentar, então precisarei me organizar melhor. Mas vale lembrar, que os planos de ambas as bandas são diferentes, isso também ajuda. o Blasthrash tem planos para uma Tour, o Anthares não tem a mesma ideia, pois os coroas não guentam uma tour extensa, hahahah. São esses detalhes, que fazem a diferença na minha organização. Como vocês veem hoje o cenário nacional? Apesar de muitas reclamações em geral, o cenário me parece que caminha de vento em popa. Diego: Depende do ponto de vista. Vejo um momento bom para shows de bandas internacionais, e relativamente legal para bandas nacionais. Temos muitos shows, rolando por todo o pais. Mais produtores independentes metendo a cara (mesmo com alguns rip offs no meio...). Mas vejo um pouco de imediatismo em algumas bandas em lançarem material e isso não me agrada. Sou a favor das bandas lançarem demos, antes de lançarem EPs ou albuns completos. Querendo ou não, as demos funcionam como bagagem para um futuro Full-Length. A cena está bem movimentada, e engajada em prol das bandas, com ajudas e intercâmbios. Isso é muito massa também. Claro que existem cenas paralelas, a Underground, e a Underground “de plástico”, mas é só ter senso, que conseguimos enxergar com facilidade, quem está na correria certa. Dario: Acho que há diferentes maneiras de se observar o que acontece no cenário. Também creio que há um Underground “verdadeiro”, em oposição ao “de plástico”, mas isso não é novidade,

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pois já acontecia desde que me lembro que comecei a curtir metal, ainda nos anos 90, com a única diferença que os meios de divulgação eram outros na época, ou seja, sem internet; alguns tinham todo o apoio da grande mídia do metal, outros faziam seus corres no consagradíssimo meio DIY. Pelo que minha memória alcança, os últimos dez, onze, doze anos, em oposição veem a ocorrência de shows nacionais e internacionais, o lançamento de material de bandas, underground ou não, numa profusão e num ritmo tão intenso, que é até difícil acompanhar. Cabe a cada um separar o que, no seu gosto pessoal, é joio do trigo, mas acho que o mais importante é que o número de bandas, de shows e de material bom lançado é mais que animador. Também acho que isso contrasta com, por exemplo, uma época que vivi, o final dos anos 90, quando a quantidade de tudo isso era menor e, mesmo existindo bandas muito boas no underground, a dificuldade pra se lançar um álbum eram maiores, assim como shows internacionais eram mais raros, e agora o Brasil definitivamente é rota obrigatória e os shows de bandas daqui tinham condições mais precárias que hoje. Muito obrigado pela entrevista, o espaço é de vocês para suas considerações e deixar uma mensagem aos nossos leitores. Dario: Um abraço a todos! Esperamos tocar na cidade de cada um que ler esta entrevista e quem quiser tomar uma cerveja comigo e trocar uma ideia é mais que bem vindo! Diego: Muito obrigado a vocês pelo espaço! Grande abraço a todos os leitores!


... AO CAOS ...

Um golpe trabalhista chamado terceirização Por: Panda Reis

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os últimos meses e mais intensamente nos últimos dias, tem se falado muito na lei de terceirização, a mídia fala sobre o assunto muito superficialmente, deixando mais dúvidas do que esclarecimentos, dando mais ênfase aos confrontos da maioria das forças sindicais e trabalhadores com a policia do que o que realmente tem relevância para o povo, se nos iremos ganhar ou perder . A verdade é que quando se fala da lei da terceirização no Brasil, que tem seu nome oficial de Projeto Lei 4330 que teve seu texto principal aprovado pela câmara dos deputados no dia 08 de Abril com 324 votos a favor, 137contra e duas abstenções, acredito que aprovada na câmara, seja vetada pela presidenta,mas voltaria para o Congresso em caráter de urgência e o veto pode ser derrubado. Mas esclarecendo o que realmente e efetivamente o Projeto Lei4330 acarretará, será o aumento da contratação de terceirizados,que já passam dos 15 milhões,

com essa lei aprovada as empresas e empresários, terão segurança jurídica para rebaixar os direitos dos trabalhadores, pois na maioria das vezes os contratos de trabalho estão vinculados a empresas prestadoras de serviços, que tem pisos salariais bem menores e menos direitos constituídos e adquiridos na convenção coletiva,claro que isso vai ocasionar uma enorme queda nos rendimentos médios reais nós, trabalhadores, será um retrocesso nos direitos trabalhista e no mercado de trabalho como um todo, um verdadeiro desastre, até mesmo para as pessoas de inclinação política à direita, que possa acreditar que meu discurso possa parecer esquerdista, todos iremos sentir com o Projeto Lei 4330, ela sendo aprovada as empresas e empresários irão eliminar gradativamente os postos de trabalho em todas as áreas, prestação de serviços, comércio e indústria, todas irão contratar um prestador de serviço que fará o mesmo trabalho com um salário menor. Fica fácil perceber quem irá lucrar com Lei o México teve uma legislação muito parecida com essa que estão tentando aprovar, e foi considerada um desastre para a clas-

se trabalhadora, vejam um exemplo, no setor bancário, essa legislação aniquilou com a categoria no País, em países como Colômbia, Argentina e Uruguai, tais mudanças trabalhistas não representaram melhoria nenhuma nas condições dos trabalhadores, não gerou aumento de empregos em nenhum desses países. Esse Projeto Lei 4330, é a solução para os empresários, para os grupos econômicos, nunca será de jeito algum uma solução para os trabalhadores e proletários. Mas também com o nosso congresso eleito, o mais conservador desde a ditadura militar, não dá pra se esperar outra coisa. Porém a classe trabalhadora, essa sim pode mudar o cenário, se todo trabalhador, independente da área de atuação e posição hierárquica (pois todos serão afetados pela leia). Podem se mostrarem contrários ao “golpe trabalhista” que o Sistema pretende dar. Os direitos adquiridos com muita luta, e até mesmo mortes no passado, poderão se perder com esse projeto lei ou em outros futuros que eles criaram. Lembram das medidas de austeridades que pipocaram na Europa nos

últimos anos ? Principalmente em Países como Grécia,Portugal, Espanha, entre outros ? Lembram do nosso fascínio pela lugar conscientização política daquele povo ? Que saíram nas ruas para protestar contra o ataque aos direitos dos trabalhadores ? Lembram como nossa medíocre mídia mostrava tudo aquilo ? Lembra dos comentários feitos nas ruas e redes sociais ? Algumas delas até criticando nossa apatia perante crises ? Que tal todos os trabalhadores ? Até mesmo essa nojenta classe média pseudo burguesa que fez panelaço e foi às ruas atendendo ao chamado da direita e da Rede Globo, que tal abraçar os uma causa “real” , e ao invés de do pranto a volta dos militares, exigir do sistema não a manutenção nossos direitos trabalhista, mas sim mais direitos trabalhista se salários justos. O Sistema já terceirizou a mente de muitos trabalhadores, que ao pensar nessa terceirização, não se enxergam como explorados e o Sistema segue terceirizando CLT, água, luz, espaços públicos ... pandadrums@hotmail.com

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ARQUIVO

Por: JP Carvalho endo considerado um dos principais nomes do Thrash Metal nacional dos anos 90, o PANZER possui uma extensa bagagem de centenas de shows e vários lançamentos, incluindo álbuns de estúdio, singles, EPs, videoclipes e coletâneas. Iniciando suas atividades em 1991 com grande quantidade de shows e com algumas demos lançadas, a banda formada por membros que já vinham da cena do final dos anos 80, lançou o primeiro registro em CD em 1996 com a coletânea “Electrical Tribes Vol. II”, que trazia todas as bandas expoentes do cenário paulistano. Devido esse lançamento o Panzer começou a tocar mais intensamente no circuito underground da capital, fazendo todos os bares e festivais possíveis. Em 1998, lançam o álbum “Inside”, que recebeu excelentes críticas da mídia especializada. Com “Inside” nas mãos e com um show de lançamento lotadíssimo no extinto e tradicional Black Jack bar, o Panzer retoma mais uma bateria de shows, seguida de matérias em revistas especializadas no Brasil e exterior, além de entrevistas em rádios FM da capital. Entre o final de 1999 e 2000 trabalham na composição e produção do álbum “The Strongest”, segundo álbum, foi lançado em 2001 e foi o divisor de águas na carreira da banda, que levou o nome Panzer a ser destaque em todas as mídias nacionais, recebendo da Roadie Crew o título de “Máquina Thrash”, o álbum também rendeu uma mini turnê pelo Nordeste brasileiro, além de dezenas de shows pelo interior de São Paulo e capital. Além do destaque nacional, o material também foi bem recebido em todo o mundo, tendo sido distribuído na América Latina pela Century Media e no Japão pelo Arco-Íris Records. Já no final de 2002 lançam o videoclipe para a música “Fake Game

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of Heroes”, com produção do videomaker Claudio Tiberius. Mas infelizmente, há alguns dias a realização do show produzido por Vânia Cavalera, que seria o último dessa fase, na concha acústica de Santo André onde o Panzer foi headliner, a banda se desfaz por problemas internos. Após um hiato de 10 anos, o Panzer volta em 2012 com o websingle “Rising”, que também recebeu um videoclipe produzido pela Metal Works e o EP, também para download, “Brazilian Threat”. Com estes lançamentos a banda retorna às atividades, com seu retorno sendo aclamado pela mídia especializada e por antigos fãs, rendendo à banda elogios como “retornando com a corda toda para o cenário” – Metal Maniacs, “A divisão thrasher mais pesada do país” – Nota 10 no Metal Samsara, “Honra todo o respaldo associado ao seu nome” – Nota 10 no HellYeah!, “Um dos lançamentos mais poderosos deste ano” – Whiplash!, “Retorno triunfal de uma das melhores bandas de Thrash Metal do país” – Road to Metal, entre outros. Em 2013 a banda continua colhendo frutos de sua reunião e novamente assentando seu nome como um dos principais no mercado brasileiro. Além de criar seu próprio festival, Panzer Fest. 201t também foi o ano de lançamento de “Honor”, álbum sucede diretamente o aclamado ‘The Strongest’, lançado no ano de 2001, trabalho que corroborou com o status de um dos principais nomes do Metal brasileiro. Lançado n Brasil pela Shinigami Records, foi considerado “um retorno triunfal” pelo site Arte Metal, e também recebeu elogios como “o melhor álbum da carreira” (Brasil Metal História), “um dos melhores CDs nacionais de 2013” (Metal Samsara), “criaram um dos grandes discos de thrash metal de 2013” (Whiplash!), “trabalho muito bem elaborado” (Roadie Crew), entre outros. A banda inicia 2014 preparando novidades e agendando shows não só no Brasil como em outros países da América do Sul.


ENTREVISTA

Caminhando a passos largos! Por: JP Carvalho aixão em tocar um som original, honesto e empolgante! São estas as palavras que melhor definem a carreira da banda de Metal In Soulitary. Formada na cidade de São Paulo/SP em 2002 capitaneada pelo baterista Matthew Liles, a banda surgiu com a proposta de fazer um som técnico, agressivo e melódico, livre de rótulos, mesclando influências que vão desde o Hard Rock, passando pelo Power Metal até o Death Metal, com vocais limpos e guturais que criam um estilo próprio percebido logo na primeira audição. Em 2004 a banda lança sua primeira demo intitulada “ Mouth of Madness ”, fazendo vários shows na região e obtendo uma ótima resposta do público e críticas muito positivas sobre suas músicas e estilo. Após este período a banda passou por diversas formações, porém contando sempre com Matthew Liles (bateria) e seu amigo de longa data Elder Oliveira (baixo), integrante ativo desde o início da banda e elemento vital na caracterização e composição dos elementos que formaram o In Soulitary, e também Daniel Schneider (guitarra) com sua paixão e dedicação pela banda. Em 2010 a banda atinge um alto grau de maturidade e empenho com a adição de Marcel Briani (vocais), André Bortolai (teclados) e, mais pra frente, Rafael Pacheco (guitarras), e começa a trabalhar em seu primeiro registro oficial. Coroando esta nova fase, em 2013 lançam o EP “He Who Walks… “, obtendo ótimas críticas de sites e revistas especializadas e gerando expectativa para o lançamento seu primeiro álbum intitulado “Confinement ”. Com este lançamento, o In Soulitary pretende surpreender a todos, fãs e crítica, mostrando composições poderosas de uma banda madura, experiente e principalmente honesta em seus ideais musicais. Tivemos um ótmo bate papo com o guitarrista Rafael Pacheco e

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o resultado dessa conversa você confere a seguir. Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades. Rafael Pacheco: Obrigado pela oportunidade mano JP! Eu, um guitarrista programador, que amo a música mais do que programar e que se deus quiser um dia a música será meu sustento, meu trabalho e minha realização, mas enquanto vou pra cima e vou batendo cabeça pra organizar tudo e trilhar o plano (risos). Guitarrista da banda In Soulitary, amo fazer o som com os caras, acabamos de lançar o CD Confinement e estamos divulgando o play loucamente, na luta para mostrar para o mundo inteiro e pro Brasilzão a fora a nossa doidera. Amo os caras da banda, são todos irmãos, determinados pela causa, todos são lutadores sem nenhuma exceção dos seis integrantes da gang (risos) é foda tocar em palco pequeno com essa multidão na banda (risos). Procuro sempre nas gigs ganhar amizades dos músicos e das bandas porque assim vamos pra frente e evoluímos, com amigos, com historias de aprendizado pra evoluirmos e companheiros de estrada, porque além da amizade, a música une e marca a vida das pessoas, a música faz acontecer. Acho que desde sempre a música fez parte da minha vida, quando meu pai escutava Pink Floyd na vitrola, música flamenca, MPB... Sempre curti de tudo na música, tanto que não tenho preconceito musical no que seja música de verdade, porem minha paixão é o Metal! E como você vê o cenário da música pesada no Brasil? Rafael: Acho que o cenário de música pesada no Brasil está toUNDERGROUND ROCK REPORT - 39


mando mais espaço que há alguns anos. Tem muita banda absurdamente foda hoje arrebentando pelo país, muitas bandas de qualidade e que elevam a qualidade técnica, feeling e até de equipamento a ser usado nas gravações e apresentações por ai. A galera está investindo pacas, já vi nego vendendo carro pra comprar equipamento já que o Brasil não ajuda com os impostos para trazer equipamento bom de fora, e comprar no Brasil é chorar de desespero (risos). A única coisa que acho complicada mas acredito que esta mudando mesmo que aos poucos, é a questão da galera preferir cover do que som próprio, lotar um show de cover e tacar o foda-se pra som próprio... Isso é o que lasca a porra toda, mas tenho fé que a galera também de valor a música própria que sai dos poros, da inspiração e da vivencia pessoal de cada e não numa copia mesmo sendo muito bem feita, porem uma copia... Eu tenho fé no cenário pesado brasileiro e vou lutar a valer pra manter o peso sem me vender pra porra nenhuma, mantendo os projetos e sempre me aperfeiçoando pra galera para de pagar pau só pro manos de fora e também olhar pra dentro do Brasil que ta cheio de banda foda. Sempre faço essa pergunta, e para não fugir a regra, lá vai. Você acha que incentivos fiscais nos equipamentos e gravações, já seriam um ótimo incentivo para o Heavy Metal no Brasil? Rafael: Seriam em partes rsrs é complicada essa questão porque a parte dos equipamentos é muito importante para fazer música top, mas a questão que vem a cabeça também é: o que adianta o cara ter um mesa boogie se ele não toca porra nenhuma (risos)? O talento é o principal, sempre, estudo, disciplina, e foco. Preciso me doutrinar pra isso acontecer comigo de verdade , não minto. Mas pensando bem é um dos fatores que fazem a gente ficar no chinelo as vezes comparados aos gringos. As bandas que estão subindo na cena tem equipamentos tops, gravaram com estúdios e caras tops, mas não é porque são todos filhinhos de papai, é porque estão a anos juntando grana absurda pra comprar um cabeçote de guitarra ou gravar um CD com um produtor top. Se os impostos fossem para o inferno ajudaria pacas aos coitados dos músicos que na maioria tem que ter um trabalho paralelo e ralar de trabalhar pra comprar um equipamento bem mediano. É foda esses impostos do caralho no Brasil e eles fodem geral, e detalhe, vai pra onde essa grana? Eu não sei. Seria sim depois de brisar aqui, um ótimo incentivo, porem não seria a solução total, pois a cultura aqui nesse pais ainda tem muito o que evoluir com relação a manipulação que acontece na cabeça da galera que vai na modinha. E na questão do público, você não acha que o Headbanger brasileiro entrou numa fazer “comodista”? E se tornaram Web-bangers? Rafael: Na verdade acho que a galera em geral está fazendo tudo pela internet, protesta, conversa, joga, namora, ja vi cada coisa imbecil no facebook que da vontade de chorar (risos). O publico está sendo doutrinado pela web, e se tornando futil e artificial de certa forma. É foda, tem gente que curte pela web e vai atrás do som, vai nos shows, mas a maioria da galera tem medo (ou preguiça) de sair, de se divertir, de ouvir o som batendo no peito, de conhecer gente nova de verdade (e não só uma foto no Facebook), e ver a real, sem ser por uma tela de computador, tablet ou celular. O valor da musica me parece decaida ultimamente por alguns motivos que observo, hoje a mulekada vai numa Expomusic, por exemplo e dá mais valor para aguitarra do que para o cara que está tocando, é escroto, é triste, mas ainda tenho fé que isso esteja evoluindo e mudando. Eu acredito que o Headbanger está numa nova fase, e como disse numa pergunta anterior, eu acho que ele está mudando e está indo aos poucos curtir som proprio, coisa nova, e não só covers e repeteco. Eu continuo tendo fé no Headbanger, porque eu quero ver essa porra de cena Metal crescer e virar um lance de maior peso no Brasil, e tomar parte dessa bosta de música lixo que está dominando esse cenário da periferia e afins. Afinal, temos tudo aqui, desde músicos excepcionais até estúdio de ponta! Você acha que a tecnologia ao mesmo tempo que facilita o contato das bandas com o público, gera uma mas40 - UNDERGROUND ROCK REPORT

sa muito grande de informações das quais, as pessoas não tem tempo de conferir? Rafael: Hoje o povo está acostumado com coisas rápidas e o excesso de informação como textos longos e material muito extensas pra galera das redes sociais é uma parada cansativa ao meu ver, o povo é muito preguiçoso, pra ler tudo, ouvir tudo, ver tudo, tem que estar bem disposto pelo que parece. Então acho que pra divulgar tem que ser de forma interessante, surpreender o publico, lançar videos que são menos cansativos, material mais direto e menos chato. A minha sorte, e a sorte do In Soulitary, é que a galera da banda é bem criativa, todos em geral, e além disso temos o nosso vocal o Marcel que alucina no marketing e no design... falando nisso logo lançaremos um clipe, aguardem rs Sendo você, um profissional da Informática, como você enxerga a utilização da Web pelas bandas? Rafael: Acredito que a internet abre as portas para contatos, divulgação e interação com os amigos que curtem os sons das bandas, e também de ter o privilegio de conhecer bandas e músicos fodas, divulgando assim os amigos para os amigos e também pra fora até do país. Tudo tem seus prós e contras e temos que aproveitar ao máximo, assim como com a internet, que as vezes é foda e abre portas a valer, e ao mesmo tempo faz a parada ser bem mais concorrida no mar de bandas fodas que tem por ai tentando alcançar um pedacinho da timeline e do gosto da galera. O que você pode nos adiantar sobre o clipe? Rafael: Que está no forno, será sobre a musica Hollow, terá zumbis e vai ser uma zueira total rs, foi uma carga pesada gravar ele, agora está na fase de edição, montagem e etc e tal, vai ser bacana. E como foi a composição e gravação do CD “Confinement”, e também a aceitação do público a este trabalho? Rafael: A composição levou mais de 10 anos, eu entrei faz 1 ano e o CD saiu do forno com muita alegria nesse ano, com ajuda do Selo da Shinigami que lançou varios artistas fodas, como Iced


galera que tem a ver com o Metal que está concentrada pra esses lados daqui. Aqui é um bom lugar tambem pra galera se relacionar porque uma grande parte das bandas, produtoras, gravadoras e produtores estão concentrados por aqui. Como se dá o processo de composição da In Soulitary, já que são seis cabeças pensando? Rafael: Vixi é uma doidera, porque por exemplo o Matthew é o batera, mas ele toca guitarra, canta, toca batera, escreve letras, ele é embaçado rs. O André é o tecladista mas é um ciborgue que compoe pensando na guitarra, compoe a batera e é um monstro musical que sabe tocar em qualquer tempo, em qualquer quebrada e qualquer estilo. O Danny é um monstro de idéias, cheio de riffs malditos e solos absurdos, sempre tem uma musica na manga. O Elder sempre ta junto com o Matthew e sempre ta infernizando o Matt com idéias tambem, e o Marcel sempre cheio das ideias com letras, com vocalização sempre trazendo novidades, e mesmo nao sabendo tocar guitarra sempre da ideias legais como o clima da musica e tal... E tem eu rs, que tenho varias idéias, que procuro sempre achar tempo na loucura entre trabalho, projetos paralelos, com ideias de riffs, dando pitacos, fazendo chatisses e deixando todos loucos, porém entre a banda não existe preciosismo, a galera flui e um ajuda o outro, um aceita a opinião do outro e todos chegamos num concenso, e uma coisa posso te falar, é muita informação e muitas idéias legais estão para surgir, se bobiar temos quase um cd novo, so precisamos montar os quebra-cabecas.

Earth, Exodus, Panzer(do Brasil, banda foda com galera gente fina), e entre outros fodas, com a ajuda do nosso amigo Di Lallo, e com esforço geral da galera do In Soulitary, que fez das tripas ao coração para conseguir tudo, correr atras de tudo e fazer o sonho acontecer, sem esquecer do Marcel (vocal) que fez toda a arte, sendo que amo esse cara e o trampo dele que é fantastico, e não podendo esquecer das raizes que são o Matt e o Elder que começaram e fizeram esse sonho acontecer. A galera que escuta o som tem reagido positivamente, e tem curtindo o som, e a galera que vai ao vivo curte mais ainda, porque ve a energia e sente que a gente faz o que ama, e que sente um prazer imenso de estar la junto com todo mundo, tocando pra 5 ou pra uma multidão, porque é algo que não é por grana, definitivamente não é (risos),e sim por amor ao que fazemos, a musica, você deve me entender (risos). Sim, sim, entendo perfeitamente! E seria esse o tema da próxima pergunta. Você tem notado aumento ou diminuição de público nos shows da banda? Rafael: Eu tenho notado que quando são bandas grandes, com um certo nome ou ja bem conhecidas, que de uns anos pra cá tem aumentado bastante o numero de headbangers e de apreciadores de metal e rock, porém, no mundo mais underground eu vejo tambem uma mistura entre os velha guarda e a nova galera, entao até que tem melhorado um pouco, mas isso é mais localizado em areas longe das metropoles, porque na grande São Paulo por exemplo, a galera ta mais pra ver os gringos e a galera mais destacada, há um grande preconceito com som proprio ainda, mas isso está começando a mudar bem aos poucos, ao meu ver. E você percebe uma movimentação maior em relação ao Heavy Metal, saindo do eixo Rio/São Paulo? Rafael: Cara, vejo um lance em Sampa e no Rio, um lance que a galera toda tenta vir pra cá pra fazer acontecer, não sei dizer como estão nos outros estados, porque vejo que no sul e no nordeste tem muita banda foda pra caralho, mas acho que pra acontecer e pra galera ficar em evidencia acho que aqui é o lugar, por causa da

E como você administra o tempo com tantas atividades? Rafael: Pra sobreviver e fazer tudo o que ama é necessário se desdobrar, já que não somos abençoados por um berço de ouro, um patrocínio, ou um premio da lotérica rs é preciso muito trabalho, muita correria, e eu tiver muita sorte e ter esses brothers de banda porque todos são “sangue nos zoio” e todo mundo da a cara a tapa e se esforça pra caralho pra fazer tudo acontecer, então acho que é minha obrigação fazer de tudo pra ser alguém no In Soulitary e não desaponta-los, porque senão eu fico puto. É difícil pra caralho conciliar tudo, mas nessa hora a gente vira o Houdini rs Planos para o futuro? Rafael: Eu tenho planos com o In Soulitary, pois é um time de amigos além de companheiros de banda, e além de fazer o que amo, faço com grandes musicos e caras fora de série. Os planos que tenho com o In Soulitary é de fazer mais shows por outros estados, conhecer outros territórios e espalhar o som pra cair no ouvido do povo, e além de ter planos de fazer turnes pelo Brasil, também estamos com objetivos altos de irmos para fora do país(porque não?)... E como disse anteriormente, já estamos aos poucos, mas estamos, trabalhando num novo trabalho, vai vir porrada geral rs Resuma Rafael Pacheco em uma frase ou palavra. Rafael: Nada é impossível, basta acreditar, trabalhar e socar a porva, tacar o foda-se; e foda-se. Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores. Rafael: Eu agradeço a oportunidade de fazer parte dessa galera, e desse mundo. Agradeço o convite do mano JP da Collapse Underground Art, é um privilegio responder perguntas tão interessantes e legais, e agradeço por todos os leitores que vieram até o fim de tudo o que falei pra caralho aqui neste canal rs. Gostaria de fazer um pedido a todos os leitores de plantão, não desistam de ir atras de conhecer bandas, dos integrantes, e de galera e de sons novos, podemos nos surpreender como sempre acontece comigo com brothers novos que vou adquirindo no dia a dia, tem muito talento querendo aparecer mas só depende dos ouvintes e dos headbangers de plantão que lutam pelo metal. Pra quem quiser acesse nossa pagina no facebook, conheça a banda, estamos lá pra qualquer parada e também para quem não conhece nosso som, estamos no youtube e no revebnation para ouvirem nosso som. Obrigado Collapse Underground Art pelo espaço e pela oportunidade, e obrigado JP pela humildade e pela oportunidade, tamo junto nessa parada. UNDERGROUND ROCK REPORT - 41


RELEASES

Dreadnox The Hero Inside DX Music - Nacional Um dos conceitos que todos criamos dentro de nós mesmos durante a vida é o de herói. Todos acabam gerando para si uma visão do herói, buscando em algum modelo (que exista no mundo real ou não) as virtudes e qualidades que aspiramos ter, ou as que buscamos ter. Não é por um simples acaso que filmes com figuras heróicas acabam sempre atraindo grande interesse, e as famosas estórias em quadrinhos tragam às gerações após os anos 70 no Brasil. E é justamente o conceito do herói que existe em cada ser humano que inspirou o quarteto carioca DreadnoX a lançar seu quarto disco, o excelente “The Hero Inside”. O grupo trilha um caminho já trilhado por algumas bandas, que é o chamado Metal tradicional moderno. Ou seja, é uma banda que incorpora elementos agressivos do Thrash Metal à melodias bem explicitadas, e ótimos refrões. Mas o Dreadnox tem uma forte personalidade, que transpira em cada uma das dez faixas do disco. Os vocais de Fábio são ótimos, mostrando força, melodia e versatilidade, sabendo usar bem sua voz, enquanto as guitarras de Kiko exibem riffs técnicos, melodiosos e ganchudos, além de solos inspirados (mas sem infinitas notas à velocidade de luz), e a base rítmica de Dead Montana (baixo) e Felipe (bateria) é bem pesada e diversificada, sabendo usar de técnica e pegada para guiar os andamentos da banda. E meus caros, como é bom ouvir uma música viciante deste nível! Produzido pelo experiente Renato Tribuzy, com mixagem de Roy Z., mais a masterização Maor Appelbaum, podemos aferir que a qualidade sonora de “The Hero Inside” é perfeita, com todos os instrumentos aparecendo nas devidas proporções. Os timbres foram bem escolhidos, e a sonoridade mais seca e agressiva, o que ressalta o lado agressivo da música do quarteto, mas sem obliterar as melodias do grupo. A arte como um todo é mais um belíssimo trabalho de Gustavo Sazes, que soube captar bem a essência da música do grupo, e ao mesmo tempo, a proposta lírica do grupo. O disco abre com “Final Siege”, que tem riffs pesados e azedos, e belas vocalizações e ótimo trabalho de baixo e bateria, sendo bem azeda. Pesada e com um andamento que não chega a ser veloz, “Abuse of Power” se destaca justamente pelo contraste de vocais mais melódicos e colcha instrumental seca e agressiva (mas reparem bastante na técnica de baixo e bateria, com boas quebradas de ritmo). “Who Can Be Sure of Anything” já tem uma pegada mais melodiosa e viciante, como se o grupo colocasse a roupagem moderna e pesada de seu trabalho em um Hard’n’Heavy dos anos 80, destacando-se mais uma vez as vocalizações bem feitas de Fábio. Na faixa “The Hero Inside”, mais uma vez o quarteto mostra um andamento moderado (nem

veloz e nem lento), com belíssimo trabalho da bateria (uso bem feito e sóbrio de dois bumbos) e um solo de guitarra maravilhoso. E mais uma vez a banda mostra que sabe balancear peso, melodia e agressividade em “Manic Depressive”, mais uma vez guiada por guitarras fantásticas nos riffs e vocais muito bem assentados. Em “Nomophobia”, outra faixa onde a melodia acaba se destacando (embora próximo ao refrão, ganhe mais agressividade), onde baixo e bateria se evidenciam (e uma letra bem atual, já que nomofobia é um distúrbio que causa desconforto pela necessidade de estar conectado à internet por celulares ou computadores). Um pouco mais acessível é “Dreamcatcher”, que usa bastante de momentos mais etéreos, riffs ganchudos, refrão envolvente, e vocais que mostram que podem ir de timbres mais suaves até outros mais agressivos sem medo. “DX” é uma instrumental pesada e criativa, onde alguns toques de estilos de fora do Metal surgem, mas que soam imperceptíveis aos mais leigos. Já “The Profane” começa mais pesada, mas logo ganha alguns contornos que lembram bastante o Power Metal da primeira metade dos anos 80, com presença marcante do baixo, e um refrão maravilhoso. Fechando, temos “My Judgment Day”, também mais macia, onde a influência do Iron Maiden se faz presente, mas sem ser uma cópia do mesmo, bem dinâmica e com riffs muito bem feitos. É, mal 2015 começa e somos brindados com uma obra deste quilate? É ouvir, gamar e não largar mais! Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Espera XIII Unexpected Austral Lights Australights Records - Nacional Quando uma banda jovem lança seu primeiro álbum, o número de questionamentos sobre ela é enorme, uma pressão absurda. É preciso ter uma resistência hercúlea em certos momentos, em especial que um erro pode custar bem caro assim, logo no início. Mas em termos de Brasil, cada vez mais bandas jovens andam mostrando a cara e criando seus primeiros CDs com uma maestria de veteranos. E é esse o caso do Espera XIII, jovem quinteto de São Paulo, que nos brinda com o recém lançado e excelente “Unexpected Austral Lights”. E que de tão bom, parece fruto de muita experiência. A banda cria um híbrido entre o Death e o Black Metal. O que os diferencia é que as partes de Black Metal vêm de bandas com toques melódicos fortes, como Rotting Christ e algumas bandas nessa linha, com muito do Death Metal mais trabalhado. Ou seja: eles usam uma fórmula completamente diferente do que estamos acostumados a ouvir por aí, abrindo possibilidades que antes eram um pouco nebulosas ou mesmo desconhecidas. Urros guturais entremeados por um trabalho de guitarras muito bem feitos (riffs excelentes, cheios de momentos limpos perfeitos, e mesmo alguns solos mais melodiosos),

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cozinha rítmica perfeita no balanço entre peso e técnica, em um trabalho cheio de energia e fascinante, com momentos mais atmosféricos e soturnos ótimos. E se repararem bem, existem inserts de músicas bem atípicas em sua música. É de cair o queixo e encher a boca d’água! A produção sonora, feita por Renan Brito (guitarrista da banda e também do Spreading Hate), além de masterização feita por Andy Classen. O resultado é, obviamente, uma sonoridade forte, seca, vigorosa, e pesada, mas com qualidade e clareza sensíveis. Embora seja uma banda jovem, com muitas adversidades, o Espera XIII (Espera é uma das 13 embarcações que compunham a frota com a qual Cabral descobriu o Brasil) mostra-se um titã de persistência, dureza e criatividade. Parece que as dificuldades fizeram a banda compor com ainda mais inspiração. Nove faixas com peso e brilho bem pessoais, onde se destacam “Unexpected Austral Lights” e sua diversidade de andamentos, com um belo trabalho de vocais e guitarras; a explosiva “Alliance” com sua riqueza de arranjos e muitas mudanças de ritmo; as empolgantes “The Great Dark Spot” (que belas melodias nas guitarras) e “Kaap Die Hoop” (baixo e bateria mostrando uma técnica muito boa), a maravilhosa e mais introspectiva “Dehydration” (alguns arranjos de teclados e guitarras reforçam o clima opressivo da faixa, usando melodias bem obscuras, fora ser a faixa onde os vocais mostram uma ótima diversidade de timbres); e a gigantesca e perfeita “The Giant”, onde a banda mostra um trabalho instrumental que nos assombra, misturando melodias opressivas com um approach mais agressivo e duro, embora o andamento seja mais comportado. Mas não desprezem de forma alguma as outras, pois são igualmente ótimas. E todas podem ser ouvidas (e adquiridas) na forma digital no Bandcamp da banda. Mas deixem de ser sovinas e comprem uma cópia física, pois vale o investimento. Enfim, o Espera XIII veio para se tomar para si o posto de revelação do ano no Brasil. E se já estão nesse nível agora, o que o futuro nos guarda tende a ser brilhante. Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Andromedas Visit of the Angel Independente - Nacional O momento do Metal nacional tem sido bem positivo, apesar das crises e dores que ocorrem no cenário. Este autor acredita que são sinais de uma mudança que está começando ou já acontecendo, onde uma nova geração vai tomar as rédeas em suas mãos e guiar o gênero por caminhos mais novos, e os veteranos poderão dar uma relaxada merecida. E é interessante ver como Juiz de Fora tem nos brindado com trabalhos ótimos, em todo espectro musical do Metal. E os rapazes do Andromedas fazem bonito no EP “Visit of the Angel”. Basicamente, rotulá-los como uma mistura Power/Prog Metal com Metal

tradicional seria ser muito simplista para dar uma dimensão do que este sexteto faz. Essa fusão com eles funciona de uma forma prefeita, com belos refrões, aquela energia pegajosa do Metal tradicional, mais o bom gosto e técnica do Power/Prog Metal, só que neste último aspecto, o grupo prima por privilegiar mais o aspecto musical do que a técnica, ou seja: as músicas importam mais que a técnica individual de cada um deles (que pelo que podemos ouvir, é ótima, diga-se de passagem). Os vocais mostram uma diversidade de timbres ótima (lembra um pouco o jeitão de James LaBrie em alguns momentos, mas apenas como influência, não uma cópia), guitarras vibrantes em tudo (riffs pesados e bem feitos, solos criativos e nada exagerados, e mesmo alguns duetos ótimos), baixo e bateria com pegada pesada e boa técnica, e teclados com ótima presença. Temos 4 faixas (onde “Murmure de Angelorum” é uma introdução). Em “My Dreams” temos uma faixa bem feita, com boa dose de acessibilidade, com ótimo refrão (reparem bem na presença de bons backing vocals), e no aspecto instrumental, é bem pegajosa, com bom trabalho feito pela cozinha rítmica. Em “Visit of the Angel”, uma semi balada pesada e de muito bom gosto, obviamente, os teclados e vocais se sobressaem bastante nesta composição elegante, de arranjos fortes e refrão pesado. Após “Murmure de Angelorum”, temos “Visions and Voices”, introduzida por teclados à lá Jean Michel Jarre, para logo ganhar um jeitão pesado à lá Iron Maiden, com as guitarras cuspindo bases e solos ótimos, além dos vocais se mostrarem muito bem (uma aula do uso dos timbres), a base rítmica estar perfeita e os teclados dando aquele toque de classe progressiva. “Visit of the Angel” é apenas um aperitivo para o vindouro álbum do grupo (que deve sair até o final de 2015), mas já chegaram pondo as portas no chão. E para os que desejarem, o EP pode ser ouvido no Soundcloud da banda gratuitamente (inclusive as músicas podem ser baixadas, menos “Murmure de Angelorum”). Ponho fé, e entra no grupo das grandes revelações do ano de 2015, com toda certeza. Desse jeito, este autor vai se mudar para a querida Juiz de Fora, pois pelo andar das coisas, a cidade está se tornando um novo e forte centro no quesito de produção de bandas de alto nível. Pode acabar se tornando a Meca do estilo no país, e seria maravilhoso estar no centro dessa mudança. Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Rhino Like a Horn Ripping Flesh Independente - Nacional Devido à atual evidência do Thrash Metal, muitas bandas do gênero têm aparecido no underground brasileiro. Algumas com uma pegada mais retro, outras com algo mais moderno. Mas é preciso sempre citar algo: como o Thrash Metal é um estilo bem antigo, é necessário que a banda saiba dar personalidade à sua música. E isso, meus caros leitores, é um desafio. Muitos sucumbem diante dele, fazendo apenas o “famoso mais do mesmo”, mas existem aqueles que se sobressaem, justamente


porque puseram na cabeça “eu vou fazer do meu jeito”, e são essas que realmente valem a pena. E o quinteto Rhino. O que vemos no EP “Like a Horn Ripping Flesh” é de muito boa qualidade. Antes de tudo, ficam claras as referências no Thrash Metal da Bay Area, especialmente pelo approach técnico do grupo. Ao mesmo tempo, óbvio que eles querem deixar o ouvinte surdo devido à agressividade ríspida de sua música. Ou seja, eles aliam bem a brutalidade à técnica, no que podemos classificar como Modern Thrash Metal. A produção é seca, mas bem feita. E nisso, o grupo consegue ter qualidade musical clara, mas sem soar oca ou perder peso em momento algum. Pelo contrário, chega a ser uma massa sonora insana às vezes, tudo isso em uma apresentação gráfica bem simples, mas funcional. A banda capricha em suas composições, pois brutalidade explícita não significa ausência de qualidades. Nada disso, eles fazem uma música insana, mas temperada com belos arranjos e boas mudanças de ritmo. São seis faixas de amassa-crânios, com faixas cuja duração média é de três minutos, o que torna o trabalho bem dinâmico e nada cansativo. E os destaques óbvios são a bruta e agressiva “What’s Your Side” (vocais perfeitos, bem abrasivos e assentados em uma base instrumental agressiva e técnica), a mais cadenciada e azeda “Vertigo” (algumas melodias soturnas muito bem embutidas nas guitarras), e a rápida “Repulsion”. É de bandas assim que o Thrash Metal precisa... Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Atomic Bomb Metal Selvagem Black Legion Prod. - Nacional Realmente, aqueles que conheceram os anos 80 e são da época possuem uma longa experiência no cenário. O fenômeno interessante é justamente ver bandas jovens rebuscando o que existia na época. Mas aqui reside um dos maiores perigos possíveis: tentar trabalhar em um estilo já erodido pelo tempo pode levar aquele sentimento “eu já ouvi isso antes”, e isso é problemático. É preciso personalidade para se sobressair nos tempos atuais, que andam bem difíceis. E o trio carioca Atomic Bomb, de Nova Iguaçu, ainda precisa de muito amadurecimento musical. “Metal Selvagem” não é de todo ruim, mas carece de personalidade. O trio faz uma mistura do Thrash Metal mais próximo à escola germânica da primeira metade dos anos 80 com o Punk Rock. Chega a soar como uma versão Thrash Metal do Motorhead, ou um Warfare da época do “Metal Anarchy” mais sujo com toques de Sodom. E é aí que está o problema: muitas e muitas vezes, todos já ouvimos isso ser feito, e com mais personalidade. Não é que a mistura de vocais esganiçados (mas para que carregar tanto nos efeitos?), bons riffs de guitarra (e solos doentios), cozinha rítmica consistente (com o baixo aparecendo bastante) esteja em má forma ou seja ruim. A banda até tem bastante potencial, está bem perceptível, mas a tentativa de soar “Metal anos 80” está forçada demais, e joga por terra esforços preciosos que fo-

ram feitos até chegarem aqui. A produção sonora é tosca e crua, como a maioria das bandas dessa tendência gosta de fazer. E isso é ruim demais, pois acaba deixando o trabalho como um todo difícil de ser entendido muitas vezes. E talvez seja este um dos maiores calcanhares de Aquiles do CD. Já em termos de arte, ficou bem legal a capa bem feita e o layout mais simples. As músicas duram, em média, pouco mais de dois minutos, e é óbvio que não temos perda total. Em momentos como a veloz e empolgante “Speed Metal 666”, a irônica e azeda “Livre Para Pensar”, e a bruta “Cães de Guerra” e seus belos riffs. E é assim que se percebe o quanto eles podem realmente render musicalmente. “Metal Selvagem” acaba ficando na média, já que o potencial da banda é capaz de equilibrar o lado negativo. Mas acreditamos que mais uma lapidada nas músicas, um bom produtor musical, fora compreenderem que os anos 80 já acabaram há muito tempo (e assim, se torna necessário pôr vida e personalidade no que fazem) ajudará a terem melhores resultados. Mas o Atomic BomB é uma banda bem jovem ainda, e prometem bastante. Este autor deseja de coração que eles possam evoluir mais. Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Exorddium Sangue ou Glória Independente - Nacional A New Wave of British Heavy Metal (ou NWOBHM, como queira o leitor) sempre foi e será um movimento que impressiona o fã de Metal. Óbvio, já que ali, além de ressurgir após um período em que ficou fora de evidência, o gênero recebeu uma carga de energia nova. Tanto que a NWOBHM influenciou e influencia ainda hoje muitas bandas de Metal nacional. E podemos aferir que o Metal cantado em português dos anos 80 no Brasil recebeu uma imensa influência da NWOBHM, como o quinteto Exorddium, de Belo Horizonte (MG) mostra em “Sangue ou Glória”, seu primeiro álbum. A banda mostra-se muito boa no que se propõe a fazer, ou seja, recuperar o híbrido de uma sonoridade à lá Iron Maiden com letras em português que versam sobre temas ou medievais ou voltados à paixão pelo Heavy Metal em si. Apesar de soar datado, os rapazes buscam fazer as coisas do jeito deles, não sendo apenas uma releitura vazia e bolorenta à lá Dolly Metal. Aqui, a banda apresenta bons vocais (que podem melhorar um pouco no futuro em questão de impostação de voz), duetos de guitarras muito bons (com ótimas bases e solos inspirados), baixo na escola de Harris/Geezer e uma bateria com boa técnica e peso. Sim, o mais puro Metal tradicional made in Brazil, empolgante e com energia de sobra. O ponto fraco do trabalho ficou por conta da sonoridade do CD. Ela está muito crua e soa “oca” muitas vezes. E uma banda com uma música tão boa pedia uma qualidade de gravação melhor, mais apurada e pesada. “Sangue ou Glória” (que possui guitarras ótimas, além de mudanças de

andamento bem legais), a empolgante “Heavy Metal” (que belo refrão, diga-se de passagem), “Guerreiros do Metal” e a bem trabalhada “Lágrimas Soturnas” mostram uma banda de excelente potencial musical, precisando apenas de uma maior assistência no quesito de produção sonora e aparar algumas arestas em sua música. De resto, creio que eles podem ir bem longe. Tem futuro, e “Sangue e Glória” evidencia isso. Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Old James Old James Independente - Importado Muitos são aqueles que ainda sentem aquela paixão pelo Hard’n’Heavy and Roll dos anos, quando a música era feita de forma mais espontânea e onde as exibições de técnica eram uma conseqüência do trabalho em si do que uma obrigação. E é ótimo ver bandas que fazem isso hoje em dia, mas sabendo atualizar a coisa, para não soar datado ou uma imitação. E o quarteto canadense de Ontário Old James sabem muito bem como fazer a coisa, tendo em vista aquilo que transmitem em “Old James”, seu EP. Puro feeling salta de cada música, aquele Hard’n’Roll anos 70, com fortes doses de Blues e Rock’n’Roll, mais o feeling do Southern Rock. Mas a banda faz algo um pouco menos psicodélico e mais seco, onde a carga de bandas como Led Zeppelin, o velho Lynyrd Skynyrd, alguma coisa do Alice In Chains e Soundgarden, mais certa dose do Soul que nos remete um pouco ao que Lenny Kravitz faz, com muito suingue e melodia. Sim, temos vocais ótimos e bem postados, guitarras com riffs intensamente pesados e bem bluesy (e solos melodiosos com bastante feeling), baixo e bateria com técnica apurada na medida certa, e assim, resultam em uma música de sabor misto, mais inebriante aos sentidos. Produzido por Roy Hayes Cirtullo e com masterização de João Carvalho, a sonoridade tem qualidade, pois podemos ouvir cada instrumento separadamente do outro, mas sem retirar aquela espontaneidade tão necessária ao grupo, fora ter um peso e bom gosto ótimos. A capa é simples, e assim, transmite a aura da identidade do quarteto. Arranjos bem feitos, tudo em seus devidos lugares, nota-se que a banda não exagera na técnica individual, muito pelo contrário: eles fazem aquilo que a música pede, e assim, o jeito bem descompromissado e espontâneo do trabalho não é alterado. “Just Be” abre o trabalho com um jeito muito espontâneo e mantendo a energia em doses exageradas, com belo trabalho das guitarras e vocais. Em “Spade”, já temos algo mais pesado e com boa dose de suingue, baixo e bateria aparecendo bem, fora um refrão bem feito. Já “Mystery” tem um início intimista bem calcado no Blues Rock, antes de ganhar mais energia. Em “The Wave”, mais peso e espontaneidade vertendo dos falantes em alta dose, mais uma vez com baixo e bateria mostrando serviço, mas ao mesmo tempo, ótimas vocalizações. E encerrando o EP, “Don’t Put It on Me”, aquele típico Rock’n’Blues denso e pesado, algo que

Jimi Hendrix fazia com maestria, e aqui aparece em boa forma, onde as guitarras se sobressaem bastante. Ótimo trabalho, sem sombra de dúvidas, e servem para credenciar a banda para vôos mais altos. Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Camus Heavy Metal Machine Black Legion Prod. - Nacional O Heavy Metal brasileiro anda fazendo bonito, com boas bandas surgindo e fazendo o estilo mais clássico. Algumas ainda possuem uma pegada bem próxima ao Thrash Metal, logo, a pegada pesada do Metal tradicional mais a adrenalina do Thrash costumam dar bons resultados nas mãos de quem sabe o que faz. E é bem legal ver que o trio CAMUS, da cidade de Recife (Pernambuco), mostrando força e entusiasmo em “Heavy Metal Machine”, seu novo EP. O trio mostra uma bela diversidade musical (chegam a existir momentos de música regional brasileira em suas canções), não se preocupando exclusivamente ficar acomodado entre o Metal tradicional e o Thrash Metal. Não, eles têm uma boa dose de ousadia, coisa meio rara nos dias de hoje, embora sua música soe fortemente espontânea. Bons vocais, riffs e solos de guitarra muito bem feitos, baixo e bateria com peso e boa técnica, e tudo na medida certa. Óbvio que eles acertaram, e muito bem. A produção está em um bom nível de qualidade (poderia ser melhor em alguns pontos), mantendo os instrumentos com bons timbres, peso e clareza. Tudo conforme o médico recomenda para corações apaixonados pelo Heavy Metal. A arte da capa ficou muito bem antenada com o trabalho do grupo, verdade seja dita. Temos cinco canções bem arranjadas, com cada instrumento mostrando suas habilidades (mas sem exageros de individualismo). “Rise of a New Word” é mais pesada e raçuda, onde o lado Thrash Metal tem maior expressão, além de belos riffs de guitarra, o baixo mostrando uma boa técnica, tudo isso assentado em um andamento em tempo médio. Em “Dreams and Shadows”, a banda consegue um equilíbrio maior entre os aspectos Thrash e tradicional de sua proposta musical, surgindo momentos de música regional onde baixo e bateria se destacam absurdamente. Já “Heavy Metal Machine” é pegajosa, forte e pesada, com melodias ótimas e certos toques de Hard’n’Roll à lá NWOBHM, com vocais bem feitos e ótimo refrão. “The Loser” volta a apresentar um lado mais agressivo, mas com toques mais acessíveis quase imperceptíveis aqui e ali, sobressaindo-se mais uma vez o trabalho das guitarras. E fechando, “False Conviction”, onde mais uma vez, a banda mostra peso e energia, mas com melodias bem firmes e de fácil assimilação, onde peso e agressividade se mixam harmoniosamente. Realmente, a banda está de parabéns pelo ótimo trabalho, e esperamos que venha logo um álbum, pois eles merecem. Por Marcos “Big Daddy” Garcia

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ESPECIAL

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H

oward Phillips Lovecraft nasceu às 9 da manhã do dia 20 de agosto de 1890, na casa de sua família, no número 454 (na época, 194) da Angell Street, em Providence, Rhode Island. Sua mãe era Sarah Susan Phillips Lovecraft, cuja ancestralidade ascendia à chegada de George Phillips a Massachusetts, em 1630. Seu pai era Winfield Scott Lovecraft, vendedor ambulante da Gorham & Co., Silversmiths, de Providence. Quando Lovecraft tinha três anos, seu pai sofreu um colapso nervoso num quarto de hotel em Chicago e foi trazido de volta para o Butler Hospital, onde permaneceu por cinco anos até morrer em 19 de julho de 1898. Aparentemente, Lovecraft aprendeu que seu pai esteve paralisado e em coma durante esse período, mas as evidências sugerem que não foi isso que aconteceu. É quase certo que o pai de Lovecraft morreu de paresia, causada pela sífilis. Com a morte do pai, a responsabilidade de criar o filho recaiu sobre a mãe, duas tias e, em especial, sobre seu avô, o proeminente industrial Whipple Van Buren Phillips. Lovecraft foi uma criança precoce: aos dois anos já recitava poesia e aos três já lia. Foi nessa época que adaptou o pseudônimo de Abdul Alhazred, que mais tarde se tornaria o autor do mítico Necronomicon. No ano seguinte, porém, seu interesse por assuntos árabes foi eclipsado pela descoberta da mitologia grega, colhida na Age of Fable de Thomas Bulfinch e em versões para crianças da Ilíada e da Odisséia. Com efeito, o mais antigo de seus escritos que se conhece, “O poema de Ulisses” (1897), é uma paráfrase da Odisséia em 88 versos com rimas internas. Mas Lovecraft, por esse tempo, já havia descoberto a ficção fantástica, e sua primeira história – “The Noble Eavesdropper” (O nobre mexeriqueiro) –, que não chegou até nós, parece remontar a 1896. Seu interesse pelo fantástico proveio de seu avô, que entretinha Lovecraft com histórias improvisadas, à maneira gótica. Enquanto menino, Lovecraft foi um tanto solitário e sofreu de doenças freqüentes, muitas, aparentemente, de natureza psicológica. Freqüentou de maneira esporádica a Slater Avenue School, mas encharcou-se de informações por meio de leituras independentes. Por volta dos oito anos, descobriu a ciência, primeiro a química, depois a astronomia. Passou a produzir jornais em hectógrafo[4] – The Scientific Gazette (A Gazeta Científica) e The Rhode Island Journal of Astronomy (Folha de Astronomia de Rhode Island) –, para serem distribuídos entre amigos. Quando foi para a Hope Street High School (nível colegial), encontrou afinidade e encorajamento tanto nos professores quanto nos colegas e desenvolveu várias amizades bastante duradouras com rapazes da sua idade. A estréia de Lovecraft em letra impressa ocorreu 1906, quando enviou uma carta tratando de assunto astronômico ao Providence Sunday Journal. Pouco depois, começou a escrever uma coluna mensal de astronomia para o Pawtuxet Valley Gleaner, um jornalzinho rural. Mais tarde escreveu colunas para o Providence Tribune (1906-8) e o Providence Evening News (1914-1918), bem como para o Asheville (N. C.) Gazette-News (1915). Em 1904, a morte do avô de Lovecraft e a subseqüente dilapidação de seu patrimônio e negócio mergulharam a família em sérias dificuldades. Lovecraft e sua mãe se viram forçados a abandonar a glória de seu lar vitoriano para morar numa residência apertada, no número 598 da Angell Street. Lovecraft ficou arrasado com a perda do lar natal. Aparentemente, ele teria pensado em suicídio, enquanto passeava de bicicleta e contemplava as profundezas escuras do rio Barrington. Mas o gosto de aprender baniu esses pensamentos. Em 1908, porém, pouco antes de sua formatura no colégio, sofreu um colapso nervoso que o obrigou a deixar a escola sem receber o diploma. Esse fato e o conseqüente fracasso em tentar entrar para a Brown University sempre o envergonharam nos anos posteriores, não obstante ter sido ele um dos autodidatas mais formidáveis de seu tempo. Entre 1908 e 1913, Lovrecraft viveu praticamente como um eremita, dedicando-se quase só aos seus interesses astronômicos e a escrever poesia. Ao longo de todo esse período, Lovecraft se envolveu numa relação fechada e pouco saudável com a mãe, que ainda sofria com o trauma da doença e morte do marido e que desenvolveu uma relação patológica de amor-ódio com o filho. Lovecraft emergiu de seu eremitério de maneira bastante peculiar. Tendo começado a ler os primeiros magazines pulp de sua época, ficou tão irritado com as insípidas histórias de amor de um certo Fred Jackson, no Argosy, que escreveu uma carta em versos,

atacando Jackson. A carta foi publicada em 1913, suscitando uma tempestade de protestos por parte dos defensores de Jackson. Lovecraft se meteu num debate acalorado na coluna de cartas do Argosy e dos magazines congêneres, aparecendo as suas respostas quase sempre em dísticos heróicos e humorísticos, descendentes de Dryden e Pope. A controvérsia foi notada por Edward F. Daas, presidente da United Amateur Press Association (Associação Unida de Imprensa Amadora, UAPA), um grupo de escritores amadores de todo o país que escreviam e publicavam os seus próprios magazines. Daas convidou Lovecraft a se juntar à UAPA, e Lovecraft fez

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isso nos começos de 1914. Lovecraft publicou treze edições de seu próprio periódico, The Conservative (O conservador, 1915-23), e também enviou volumosas contribuições de poesia e ensaios para outros jornais. Mais tarde, tornou-se presidente e editor oficial da UAPA, atuando ainda, por breve período, como presidente da rival National Amateur Press Association (Associação Nacional de Imprensa Amadora, NAPA). Essas experiências podem ter salvado Lovecraft de uma vida de reclusão improdutiva; como ele mesmo disse certa vez: “Em 1914, quando a mão amigável do amadorismo se estendeu para mim, eu estava tão próximo do estado de vegetação quanto qualquer animal. Com o advento da (Associação) Unida, ganhei uma renovação de vida, um senso renovado da existência como sendo algo mais que um peso supérfluo, e encontrei uma esfera na qual podia sentir que meus esforços não eram totalmente fúteis. Pela primeira vez, pude imaginar que minhas investidas desajeitadas no campo da arte eram um pouco mais do que gritos débeis perdidos no mundo indiferente.” Foi no universo amador que Lovecraft recomeçou a escrever sua ficção, abandonada em 1908. W. Paul Cook e outros, percebendo as promessas dessas primeiras histórias, tais como The beast in the cave (A besta na caverna, 1905) ou The alchemist (O alquimista, 1908), instaram Lovecraft a retomar a pena. E foi o que Lovecraft fez, escrevendo, num jorro, The tomb (A tumba) e Dagon no verão de 1917. Depois, Lovecraft manteve um constante, porém esparso, fluxo de ficção, embora até pelo menos 1922 a poesia e os ensaios ainda fossem os seus modos predominantes de expressão. Lovecraft também se envolveu numa rede sempre crescente de correspondência com amigos e associados, o que o tornou um dos maiores e mais prolíficos missivistas do século. A mãe de Lovecraft, com sua condição mental e física deteriorada, sofreu um colapso nervoso em 1919, dando entrada no Butler Hospital, de onde, tal como seu marido, jamais sairia. Sua morte, porém, ocorrida em 24 de maio de 1921, deveu-se a uma cirurgia mal conduzida de vesícula. Lovecraft sofreu profundamente com a perda da mãe, mas em poucas semanas se recuperou o suficiente para comparecer a uma convenção de jornalismo amador em Boston, a 4 de julho de 1921. Foi nessa ocasião que viu pela primeira vez a mulher que se tornaria sua esposa. Sonia Haft Green era judia-russa, com sete anos a mais que Lovecraft, mas ambos parecem ter encontrado, pelo menos no início, bastante afinidade um no outro. Lovecraft visitou Sonia em seu apartamento no Brooklyn em 1922, e a notícia de seu casamento – em 3 de março de 1924 – não foi surpresa para seus amigos, mas pode ter sido para as duas tias de Lovecraft, Lillian D. Clark e Annie E. Phillips Gramwell, que foram

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notificadas por carta só depois que a cerimônia ocorreu. Lovecraft se mudou para o apartamento de Sonia no Brooklyn, e as perspectivas iniciais do casal pareciam boas: Lovecraft angariara posição como escritor profissional, por meio da aceitação de várias de suas primeiras histórias na Weird Tales, o célebre magazine fundado em 1923, e Sonia tinha uma loja de chapéus bem-sucedida na Quinta Avenida, em Nova York. Mas os problemas chegaram para o casal quase imediatamente: a loja de chapéus faliu, Lovecraft perdeu a chance de editar um magazine associado à Weird Tales (para o que seria necessário que se mudasse para Chicago), e a saúde de Sonia se esvaiu, obrigando-a a passar uma temporada no sanatório de Nova Jersey. Lovecraft tentou garantir trabalho, mas poucos estavam dispostos a empregar um “velho” de trinta e quatro anos que não tinha experiência. Em primeiro de janeiro de 1925, Sonia foi trabalhar em Cleveland, e Lovecraft se mudou para um apartamento de solteiro, junto a um setor decadente do Brooklyn, denominado Red Hook. Embora tivesse muitos amigos em Nova York – Frank Belknap Long, Rheinhart Kleiner, Samuel Loveman –, Lovecraft tornou-se cada vez mais depressivo, devido ao isolamento em que vivia e às massas de “forasteiros” na cidade. Sua ficção passou do nostálgico (“The shunned house” – 1924 – se passa em Providence) para o frio e misantrópico (“The horror in Red Hook” e “He” – ambas de 1924 – expõem claramente seu sentimento por Nova York). Finalmente, no início de 1926, fizeram-se planos para a volta de


Lovecraft a Providence, da qual sentia tanta falta. Mas onde se encaixava Sonia nesses planos? Ninguém parecia saber, muito menos Lovecraft. Embora continuasse a professar sua afeição por ela, acabou concordando quando suas tias se opuseram à vinda dela a Providence, para iniciar um negócio: seu sobrinho não podia manchar-se com o estigma de uma esposa que era negociante. O casamento praticamente acabou, e o divórcio – ocorrido em 1929 – foi inevitável. Quando Lovecraft retornou a Providence, em 17 de abril de 1926, para morar na Barnes Street, ao norte da Brown University, não foi para se sepultar, conforme fizera no período de 1908-1913. De fato, os últimos dez anos de sua vida foram o tempo de seu maior florescimento, tanto como escritor quanto como ser humano. Sua vida era relativamente pobre de ocorrências – viajou largamente por vários lugares antigos ao longo da costa leste (Quebec, Nova Inglaterra, Filadélfia, Charleston, Santo Agostinho); escreveu sua melhor ficção, isto é, desde “The call of Cthulhu” (O chamado de Cthulhu, 1926) até “At the mountains of madness” (Nas montanhas da loucura, 1931) e “The shadow out of Time” (A sombra dos tempos, 19341935); e continuou sua correspondência vasta e prodigiosa –, mas tinha encontrado seu nicho como escritor de ficção fantástica da Nova Inglaterra e também como homem de letras. Estimulou a carreira de muitos autores jovens (August Derleth, Donald Wandrei, Robert Bloch, Fritz Leiber); voltou-se para as questões políticas e econômicas, quando a Grande Depressão o levou a apoiar Roose-

velt e a se tornar um socialista moderado; e continuou absorvendo conhecimento num largo espectro de temas, de filosofia até literatura, história e arquitetura. Nos últimos dois ou três anos de sua vida, no entanto, Lovecraft passou por alguns apertos. Em 1932, morreu a sua amada tia Mrs. Clark, e ele se mudou para o número 66 da College Street, atrás da John Hay Library, levando consigo sua outra tia, Mrs. Gamwell, em 1933. (Esta casa é agora o número 65 da Prospect Street.) Suas últimas histórias, cada vez mais longas e complexas, eram difíceis de vender, e ele foi forçado a ganhar seu sustento às custas de muita “revisão” ou trabalho como ghost-writer de histórias, poesia e obras não-ficcionais. Em 1936, o suicídio de Robert E. Howard, um de seus correspondentes mais chegados, deixou-o desorientado e triste. Por essa época, a doença que o levaria à morte – um câncer no intestino – havia progredido tanto que pouco se podia fazer para tratá-la. Lovecraft tentou resistir, em meio às dores crescentes, através do inverno de 1936-1937, mas finalmente teve de dar entrada no Jane Brown Memorial Hospital, em 10 de março de 1937, onde morreu cinco dias depois. Foi sepultado em 18 de março, no jazigo da família Phillips, no Swan Point Cemetery. É provável que, percebendo a aproximação da morte, Lovecraft tenha entrevisto o esquecimento final de sua obra: nunca teve um único livro publicado em toda a vida (a não ser, talvez, a péssima edição de The shadow over Innsmouth – A sombra sobre Innsmouth –, de 1936), e suas histórias, ensaios e poemas jaziam espalhados por uma porção desconcertante de pulp magazines amadores. Mas as amizades que ele tinha forjado só por correspondência lhe valeram aqui: August Derleth e Donald Wandrei estavam determinados a preservar dignamente as histórias de Lovecraft num um livro de capa dura e criaram ao selo editorial Arkham House, destinado inicialmente à publicação de Lovecraft. Editaram The outsider and the others (O forasteiro e outras histórias), em 1939. Diversos outros volumes se seguiram pela Arkham House, até que a obra de Lovecraft passou ao papel e foi traduzida em uma dúzia de línguas. Hoje, no centenário de seu nascimento, suas histórias estão disponíveis em edições com texto corrigido, seus ensaios, poemas e cartas circulam amplamente, e muitos estudiosos têm comprovado as profundidades e complexidades de sua obra e de seu pensamento. Falta muito a ser feito no estudo de Lovecraft, mas é correto dizer que, graças ao mérito intrínseco de seu trabalho e à diligência de seus associados e apoiadores, Lovecraft conquistou um pequeno, mas inexpugnável, nicho no cânone das literaturas americana e mundial. Fonte: www.sitelovecraft.com

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ENTREVISTA

...se for pesado e empolgante... Por: JP Carvalho a união de músicos experientes do cenário metálico brasileiro, surge uma nova banda formada em São Paulo no ano de 2014 e que foi batizada com o nome Life in Black. Apesar de jovem, o grupo conta com nomes conhecidos no cenário nacional: Daniel Monfil (ex-Vengeance, Shadows of Dream) nos vocais, Ricardo Oliveira (ex-Inner Call, Metal Merchants) e Marco Alexandre (Poseidon) nas guitarras e Belmilson Santos (Poseidon, Old Boy) no baixo. O Life In Black vem com a proposta de um Heavy/Thrash pesado e melódico, exibindo todas as influências dos músicos participantes. Já preparando o álbum de estréia, a banda soltou a demo “Deviations of Human Mind” contando com duas músicas e pavimentando o caminho do promissor grupo. Conversamos com o baixista Belmilson Santos e com o vocalista Daniel Monfil num bate papo agradável que você pode conferir a seguir.

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A banda foi formada por músicos experientes e com passado em diversas bandas de futuro promissor no cenário. O que os levou a formar o Life in Black? Belmilson Santos: Olha, todos que participam do cenário do Heavy Metal brasileiro o fazem por paixão. E nada mais natural de quanto se está com pessoas empolgadas trabalharmos com elas. Veio o convite primeiro a minha pessoa e que 48 - UNDERGROUND ROCK REPORT

depois estendi ao Marco. E ambos mesmo tendo o Poseidon há anos ou talvez por causo disso mesmo, precisávamos de um sopro de ar renovado, empolgado e talentoso. E isso tudo encontramos na pessoa do Daniel e do Ricardo. O primeiro trabalho foi a demo “Deviations of Human Mind”, disponível para audição e download gratuito, e ouvimos que a banda pratica um Heavy Metal clássico associado à modernidade, que eu particularmente gosto muito, o som da banda foi moldado foi vocês simplesmente deixaram fluir? Belmilson Santos: Fluiu naturalmente. Cada um tem seu background, sua identidade sonora e não dá pra se determinar ou exigir o que vai ser composto. Seguindo as influências de todos e principalmente do Ricardo, que acabou trazendo a maior quantidade de riffs para esse trabalho e também pro vindouro, apesar de todos contribuírem também. Se for pesado e empolgante a gente mantém. Daniel Monfil: Bom, também queríamos soar mais atuais, afinal temos muita influência de bandas atuais e pesadas. Na verdade, seria seguir o próximo passo e acho que com essas musicas, ficamos bem satisfeitos com o resultado. “Deviations of Human Mind” apesar de contar com apenas duas músicas, mostra bem a preocupação com a qualidade, como se deu o processo de gravação deste trabalho?


Belmilson Santos: Gravamos no Sign of Sanity Studios com o Marco produzindo. Foi feita de forma rápida para mostrarmos o som da banda para todos e marcarmos território e prepararmos o terreno para a estréia. A produção foi assinada pelo guitarrista Marco Alexandre, foi mais fácil atingir a sonoridade que vocês queriam trabalhando em casa? Belmilson Santos: Sem dúvida. Mas iríamos “trabalhar em casa” se o profissional não correspondesse. O Marco é plenamente capaz de nos produzir ou de produzir outras bandas e confiamos totalmente no trabalho do cara. Daniel Monfil: Confiamos plenamente no trabalho dele (Marco), super simples, sem stress e muito focado no trabalho. Posso afirmar isso porque trabalhei com outros produtores e com ele foi super fácil. Ele soube o ponto exato para o trabalho ficar legal. Como foi a aceitação deste trabalho pelo público? Belmilson Santos: Todos até agora só elogiaram. O intuito das músicas foi realmente fazer a banda aparecer e conseguimos. Daniel Monfil: Realmente estamos muito felizes com a aceitação do CD. No momento ainda buscamos apresentar mais ainda nosso som e nome da banda, mas até agora conseguimos um bom retorno do público. Neste momento vocês estão em estúdio gravando material novo, utilizando o mesmo estúdio e com Marco Alexandre novamente assinando a produção, o que podemos esperar deste novo trabalho? Belmilson Santos: O que esperar? Peso, melodia, velocidade, surpresas. Todas as vertentes num só disco, mas sem descaracterizar a banda. Podem aguardar que a demo “Deviations...” foi somente um aperitivo do que está por vir. Se tudo correr bem, em julho teremos o material na mão. Daniel Monfil: Esperamos finalmente mostrar nosso trabalho atual e acho que vai ter muitas surpresas neste CD, as músicas ficaram muito legais, a harmonia na banda contribuiu muito pra isso e teremos músicas bem pesadas, outras rápidas e outras mais diferenciadas. Belmilson Santos: Buscamos equilibrar bem o CD e o mais importante a ser dito, se você ouviu minha antiga banda,o Poseidon ou até o Old Boy, verá que o Life in Black não lembrará em muito essas bandas. Pois, trata-se de uma outra forma de tocar e até mesmo de pensar. Mas agradará bastante quem conhece nossos trabalhos antigos. E com certeza aguardamos ansiosos o lançamento do debut.

in Black é uma banda nova no cenário, qual é a visão de vocês do atual cenário da musica pesada? Belmilson Santos: Apesar da banda ser nova, os músicos participantes são velhos (risos). E o cenário não mudou muito não. Poucos lugares decentes pra tocar, promotores sem nenhum tato, público às vezes escasso, mas, aí entra a amizade que criamos, o prazer que temos em tocar juntos e cada um empurra o outro em busca de inspiração, empolgação para continuar nessa luta, às vezes inglória do Heavy Metal nacional. Muito obrigado pela entrevista, o espaço é de vocês para suas considerações e deixarem uma mensagem aos nossos leitores. Belmilson Santos: Muito obrigado pelo apoio e espaço e a mensagem é a de sempre: muitas bandas nacionais colocam as gringas no bolso. É só tirar o cabresto e olhar para o seu lado. E afirmo: nós, Life In Black, somos uma delas. Daniel Monfil: Agradeço a oportunidade de falar sobre nosso trabalho e também espero que vocês gostem do nosso trabalho! Aguardem que logo o Life in Black estará nos palcos pra mostrar a que veio! Bora pro arrebento, Life In Black!

Vocês divulgaram nota dizendo que “com todos na banda compondo, uma mescla de influência tomará conta das composições”. Quais são as influências da banda e até que ponto seus ídolos direcionam o material produzido? Belmilson Santos: Os ídolos não direcionam nosso material de nenhuma forma. Cada músico tem sua personalidade ou deveria ter, apesar de algumas bandas covers demonstrarem o contrário (risos). As influências são diversas, do Thrash Metal Bay Area ao Progressivo. Do Metal moderno ao Blues. Tudo que você ouve acaba influenciando. A banda só não pode querer emular seus ídolos ou todas suas influências numa só música, senão o balaio de gatos tá feito. Apesar de toda a bagagem musical, o Life UNDERGROUND ROCK REPORT - 49


ENTREVISTA

Extremo e sem concessões Por JP Carvalho Volkmort teve seu início em novembro de 2004, na cidade de Timbó interior de Santa Catarina, no Sul do Brasil, onde se baseia até os dias atuais. A banda nasceu do desejo do fundador Deathos, em sua necessidade de expurgar a sua malevolência em forma de arte, escrever a sua própria história no Metal Underground, reforçar as fileiras da cena local e nacional, cravando assim, a pedra fundamental e conceitual nas profundezas do abismo da sua mente. Em maio de 2005 ocorreu o primeiro ensaio e ao longo do tempo passou por várias mudanças na sua formação, porém se manteve firme na sua sonoridade, que remete a antiga escola do Death/Doom e Black Metal. Somente em 2011, conseguiram lançar sua primeira demo, intitulada, “Supreme Evolution Of Fear”, processo iniciado em 2010. Em dezembro de 2013 anunciou ao mundo seu mais novo artefato, o Promo CD intitulado, The Beginning Of The End... Desde o início as letras evidenciam o conceito a cerca da desesperança, do abismo, sobre o quanto somos frágeis e inúteis frente ao caos eminente que nos assolará.

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Ignorando crenças e dogmas, flertam com a morte, acreditam na guerra e se alimentam com a história progressivamente decadente da humanidade através dos tempos. Conversamos por e-mail com o baixista e fundador Deathos, confira a seguir. Olá, obrigado pelo seu tempo e por esta entrevista. conte-nos sobre o começo do Volkmort. Deathos: Disponha, também agradeço pelo espaço para divulgar as nossas ideias. A Volkmort teve seu início em novembro de 2004, na cidade de Timbó interior de Santa Catarina, no Sul do Brasil, onde se baseia até os dias atuais. Eu toquei entre outras, na banda Pain Of Soul por aproximadamente três anos, e assim que saí formei a Volkmort, coloquei em prática várias ideias que trazia comigo a muito tempo, trabalhando para que sempre nos mantivéssemos firmes na nossa sonoridade, que remete a antiga escola do Death/ Doom, agregando elementos do War Metal. Nos últimos onze anos a nossa formação mudou muito, tendo se estabilizado a partir de 2011 com a entrada do vocalista Dunkel Traum. A nossa formação atual, conta com: Deathos: Panzer Bass, Unorthodox: Deaths Guitars, Sepulchral: Grave Drums e Dun-


kel TraumFlagéllum: Vocal. Como é o cenario para uma banda tão extrema em Santa Catarina? Deathos: Temos uma tradição considerável no metal extremo, com bandas de todos os estilos desta vertente, talvez as de maior expressão sejam o Flesh Grinder de Joinville, Goatpenis de Blumenau e a Krophus de São José, grande Florianópolis, todas com mais de 20 anos de estrada e com trabalhos internacionais importantes e reconhecidos. Não nos incomoda o fato da cena ser pequena por aqui, talvez seja até muito bom que seja mais restrita, porque realmente ainda ocorre uma parceria entre nós, sem demagogia, posso lhe afirmar que ainda não competimos entre nós por aqui, independemente da vertente de metal que as bandas seguem, digo ainda, porque se a tendência dos grandes centros nos contaminar, isso mudará. Contudo, novas e talentosas bandas estão surgindo e a frequência de eventos de metal está aumentando no estado inteiro, o que ainda falta nesse sentido, é o profissionalismo dos organizadores de eventos também progredir. Mesmo tendo sido formada em 2004 o primeiro registro, a demo “Supreme Evolution of Fear” só foi lançada em 2011, porque uma demora tão grande? Deathos: Tem haver com as constantes mudanças na formação exatamente nesse período, especialmente de 2005 a 2009, onde houve uma rotatividade de bateristas e vocalistas, tudo foi muito intenso e desgastante especialmente para mim que permaneci com a missão de não fraquejar e desistir. Nessa época eu e o guitarrista Unorthodox tivemos que atuar em muitas frentes, compor, melhorar o que havia sido composto e fazer a integração de cada um que entrava e saía, fazendo com que banda estagnasse vários meses. Mas, mesmo que esse período tenha sido exaustivo, também foi muito rico em termos de aprendizado pra nós, além do desafio diário de manter a banda produzindo, tivemos a oportunidade de testar músicos diferentes, e como resultado hoje sabemos exatamente qual é o perfil de músico que a banda necessita.

Já em 2013 vocês lançaram The Begining of the End”, como foi a aceitação deste trabalho? Deathos: O trabalho ainda não foi tão longe em termos de divulgação, porém temos recebido críticas boas. Esse trabalho exprime um conceito lírico que continua atual na banda, apesar da evolução musical natural em relação ele, também não obtivemos nenhum patrocínio para fazê-lo, foi totalmente independente, fizemos na raça, mas com recursos bem limitados. O lançamento também foi tímido, apenas o divulgamos no perfil da banda no facebook, não fizemos nenhum show para divulgá-lo, porém os apreciadores da banda, velhos e novos, todos entenderam e gostaram do resultado, estamos satisfeitos com ele, pois projetou o nosso trabalho para lugares onde nunca estivemos antes. Quais os planos futuros do Volkmort? Deathos: Nesse momento estamos divulgando dentro e fora do país a fita tape, Traces Of Doom lançada em 2015 pela Whort Records da Flórida (USA), que se trata de uma copilação de músicas da demo Supreme Evolution Of Fear de 2011, do promo CD The Beginning Of The End de 2013, e mais uma música inédita gravada ao vivo em um ensaio. Já temos músicas novas prontas, e as estamos ensaiando para outro lançamento provavelmente em 2016, contudo, temos uma rotina de ensaios bem definida de modo a conciliar com compromissos acadêmicos, profissionais e pessoais, também faremos poucos e bons shows ainda em 2015 que já estão em negociação. Muito obrigado pelo seu tempo, agora o espaço é seu para suas considerações e deixar uma mensagem aos nossos leitores. Deathos: Agradecemos a você JP Carvalho e a Collapse Underground Art, pelo espaço para expor o nosso ponto de vista e pelo suporte para divulgar o nosso trabalho. Queremos aproveitar e convidar a quem tenha real interesse em apreciar o nosso trabalho, para adicionarem o nosso perfil no facebook www.facebook.com/volkmort.timbo. Salute Camaradeathsdoomers!!!

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Fotos: Darlene Carvalho

ENTREVISTA

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Por: JP Carvalho esde 1992, quando uma mudança de São Paulo para Brasília fez com que surgisse o interesse em empunhar as baquetas com a ajuda do professor Daniel Oliveira, Fernanda Terra não parou. Sempre no Underground, conquistou respeito pela qualidade de sua arte, enfrentando o pré-conceitos que caminham junto das mulheres que resolvem fazer música. Tombos, aprendizados e tudo aquilo o que um artista enfrenta pela estrada moldaram uma carreira digna de nota. Não apenas grandes nomes gringos da bateria fazem parte de sua vida musical, como os onipresentes Dave Lombardo, Vinnie Paul, Gene Hoglan, Keith Moon, John Bonham, Mitch Mitchell e Terry Bozio, mas também os nacionais João Barone, Iggor Cavalera, Lilian Carmona e vários outros. Seus professores de bateria foram: Daniel Oliveira, Duda Neves, Dino Verdade, Giba Favery e Lilian Carmona, com quem aprendeu leitura rítmica. Transitando sempre por bandas de Hardcore e Punk Rock, quase sempre a única mulher na formação, Fernanda passou a ser conhecida na cena Underground no final dos anos 90, com o lançamento do álbum “Enjoy”, da banda Food4Life. Fizeram vários shows por todo o país e em 2001, a banda participou do grande evento que originou o documentário “A um passo pro fim do mundo”. No mesmo ano, também foi citada no livro “O Que é Punk” , de Antonio Bivar. Fernanda fez teste para a banda do programa “Altas Horas” da Rede Globo, chegando até a etapa final contra Vera Figueiredo. A boa aceitação de seu trabalho com o Food4Life (que também lançou um clipe para a música “Close Your Eyes”) a credenciou para um giro pelos EUA com a banda Dominatrix em 2002, substituindo a baterista que teve problemas com visto e não pôde viajar. Entre os anos de 2006 e 2011, destaca-se seu trabalho com a banda Final Fight,. Com um álbum lançado em 2008 (Quem de medo corre, de medo morre), a banda manteve-se ativa no Underground, com shows ao lado de outros grandes nomes do Punk, como Cólera, Invasores de Cérebro, M19 e Phobia. Em 2010, Fernanda começa a dar aulas de bateria no Instituto Bateras Beat. No mesmo ano, a marca de baquetas Alba lança, na Expomusic, seu primeiro modelo signature, uma parceria que dura até hoje. Em 2011, assina seu primeiro contrato internacional com a marca de pratos Paiste, que também patrocina músicos como Dave Lombardo, Ian Paice, Tommy Aldridge, Nicko McBrain, Mikey Dee, Aquiles Priester e Eloy Casagrande. Com a criação da banda de Thrash Metal Nervosa. Essa nova empreitada gerou muitos frutos: não apenas o clipe para a música “Masked Betrayer” , produzido de maneira independente em 2012 proporcionou um contrato com a gravadora Napalm Records da Áustria, a demo “2012” (lançada como EP pela Napalm com o nome “Time of Death” ), produzida de forma independente e assinada por Pompeu, vocalista do Korzus, movimentou a agenda da banda, que fechou o ano com mais de 50 shows pelo Brasil, inclusive dividindo o palco com Exodus, Raven, Grave, Samael, Exumer e Artillery. Como prova de sua dedicação e da qualidade de seu trabalho, o ano de 2012 trouxe para Fernanda novas parcerias com a marca de baterias Sonor, peles Aquarian, Batera Store, Estúdio Produssom e as marcas de roupa Contra Grife, Tapout e Adidas. Hoje Fernanda dá aulas nas escolas Everdream e Lado B Musical, sem deixar de lado os palcos, com as bandas

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Extermina (Thrash Metal com letras em português, também formada apenas por mulheres), Leprechaun (Folk Rock), substituta na banda Detonator e as Musas do Metal (do humorista Bruno Sutter) e o inusitado projeto Fire’s Claff ao lado de uma violoncelista. Tivemos um ótimo bate papo com Fernanda e falamos do seu inicio, da sua ascensão e dos planos para o futuro, confira a seguir. Você começou a tocar bateria em 1992, o que te levou ao instrumento? Fernanda Terra: Foi meio por acaso, a banda do meu irmão precisava de um baterista, comecei a fazer aula e fiquei apaixonada pelo instrumento, nunca mais parei. E como foi o seu aprendizado? Já no inicio dos anos de 1990, comprar instrumentos musicias não era exatamente fácil. Fernanda Terra: Comecei fazendo aula no vizinho Daniel Oliveira, logo depois ele começou a dar aula na BSB Musical e comecei a fazer aula lá e tocar nas audições da escola e gostei do palco. Eu era super nova, não trabalhava ainda, foi um invetimento da minha mãe (risos), ela me deu de aniversário de 15 anos uma bateria Cosmic Percussion, para começar estava ótimo! Seu início se deu no cenário Hardcore, com a banda Food 4 Life, depois Dominatrix e Final Fight, o que te levou a este cenário? Fernanda Terra: Não, na real o Food 4 Life é de 98, tive várias bandas antes dessa, banda de metal banda de cover. Mas essa realmente foi a que me fez aparecer na

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Mesmo nos locais mais distantes do eixo Rio-SP, você notou algum tipo de relutânciaao som da banda por serem um trio feminino? Fernanda Terra: Não, o fato de ser mulher nunca atrapalhou. Você tocou ao lado de grandes nomes do Metal mundial, que lembranças ou ensinamentos você tirou de cada situação? Fernanda Terra: Poxa é muito legal tocar com uma banda de longe, ainda mais respeitada no mundo todo, todas as vezes que rolou ficou uma história legal para contar, mas a melhor foi quando o Tom Huntin do Exodus viu o show atrás da bateria, fiquei “nervosa” literalmente (risos)! Gostei da attitude dele, o cara tem anos de estrada e é super humilde, ainda vem para ouvir as bandas menores de abertura. Além de terem feito muitos shows pelo Brasil, que diferenças você percebeu em relação ao público Heavy Metal e em especial, com as bandas brasileiras? Fernanda Terra: Sendo Metal ou não o que eu percebo é que quanto mais longe você vai tocar mais você agrada o publico, acho que é por isso que o pessoal da mais valor para as bandas estrangeiras, mas sempre fui bem recebida nos lugares onde fui tocar. Você conta com apoio e patrocínio de grandes marcas, Você acha que esse tipo de apoio é imprescindível para o seu trabalho? Fernanda Terra: É sim, é uma boa ajuda na arte de viver da arte, agora esto fazendo workshops e treinamentos para as baterias eletrônicas Yamaha e isso ajuda bastante. Aliás dia 23 de maio agora, faço um workshop junto com

cena. Dominatrix foi só uma tour, a batera delas não conseguiu visto para os Estados Unidos, foi logo depois do 11 de Setembro, estava dificil entrar no país, consegui o visto, elas me contrataram e fui. A Final Fight era Punk e é bem recente, Teve um momento que eu tocava com eles e com a Nervosa ao mesmo tempo. O Hardcore foi por acaso, não conhecia quase ninguem que tocava, escolher o ritmo era luxo naquela época, quando um menino do meu colégio me chamou para tocar, mas ele saiu no começo da banda e nós seguimos tocando. Apesar de já ser conhecida, o fato de você ter formado a banda Nervosa ao lado de Prika Amaral, deu um up na sua carreira, como foi a sua migração do Hardcore para o Thrash Metal? Fernanda Terra: Não considero migração não, sempre me senti em casa nesses tipos de som. Quando eu procurava meninas pra montar a Nervosa a ideia inicial era uma banda de crossover, só foi pro Thrash quando a Fernanda Lira entrou no vocal, porque ela realmente não curtia essa pegada e acho que qualquer banda tem que agradar a todos os componentes e era um ritmo que a gente curtia em comum, e também era o que eu queria fazer. E como foi a recepção da banda, já que ainda percebemos que a música pesada é um território predominantemente masculino? Fernanda Terra: Foi boa, só eramos criticadas pelo fato de não sermos muito conhecidas e já conseguir coisas grandes, o pessoal criticava muito isso, mas foi boa recepção no geral. 54 - UNDERGROUND ROCK REPORT


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as Musas do Metal o desafio foi tirar a batera que o Bruno Sutter e o Nando (batera do Massacration) fizeram, tem bastante musicas do Massacration no repertório e as referências deles são Death e Slayer. No Fire’s Claff com certeza o desafio é tocar devagar, o que é muito difícil para mim, que sempre toquei música com velocidade. Mas eu gosto de desafios então sempre estou buscando por novidades. Podemos dizer que não existem limites para Fernanda Terra? Fernanda Terra: Tudo tem limites mas eu realmente não consigo ver o meu, deve estar mais a frente (risos). Muito obrigado pela entrevista, o espaço é seu para suas considerações e para deixar uma mensagem aos nossos leitores Fernanda Terra: Obrigada JP pelo espaço, Darlene pelas fotos! É muito importante ter mídias voltada pro Underground! Parabéns pelo trabalho!! Leitores, deem valor para tudo que temos no Underground! Antigamente era tudo tão mais dificil. E quanto mais vocês derem valor, mais coisas irão surgir e mais qualidade terá. Vá aos shows, montem bandas, se informem, faça parte desse mundo de alguma forma! É um mundo paralelo onde só quem vive nele sabe o valor que tem! É isso aí te vejo nos shows!!! Contatos: www.facebook.com/fernandaterra.1 www.fernandaterra.com www.twitter.com/FERNANDATERRA www.instagram.com/fernandadrummer

o Ricardo Confessori, que também é da Yamaha, na Casa de Cultura da Frequesia do Ó. A Alba dá uma força enorme com as baquetas do meu modelo signature, esse ano completo cinco anos de parceria, e quem quiser minha baqueta, tem pra vender na Casa dos Bateristas (ou pelo site deles www.casadosbateristas.com.br) tenho apoio dessa loja também. Pratos Paiste e batera acústica Sonor não preciso nem falar também, a qualidade é ótima! Estou muito satisfeita com as marcas que me patrocinam atualmente, só marcas de qualidade! Que dica você daria a quem está começando ou buscando este tipo de parceria? Fernanda Terra: Estudar, tocar, ir pro palco, fazer historia, com o tempo as coisas fluem, se você ja estiver pronto para merecer eles mesmos irão atrás de você Hoje você toca em outra banda de Thrash Metal, a Extermina, como vem sendo a aceitação deste novo trabalho? Fernanda Terra: Muito boa a aceitação e o fato de ser cantado em português esta agradando muito o pessoal, a gente ainda não tem nada gravado só videos de shows no YouTube, mas os shows são o nosso maior retorno. Além de que, você ainda toca na Leprechaun, na Musas do Metal e no projeto Fire´s Claff, quais são os grandes desafios em tocar estilos tão diversos? Fernanda Terra: Na Leprechaun eu tive que aprender Bluegrass, a levada de Folk Rock, nunca tinha tocado, tive que treinar um pouco pra tocar na banda. No Detonator e 56 - UNDERGROUND ROCK REPORT


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Collapse Underground Art #02  

Collapse Undergrond Art# 02 Mortarium, Harppia, Pop Javali, Wael Daoul, Trevas, Dreadnox, Kattha, Subghuetto, Tublues, Blasthrash, Panzer, I...

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