Page 1


vidas


este livro reúne histórias e vidas, vidas e histórias de: Cidália de Novaes Fernandes Diva Barros dos Santos Elcio Urbano Cardoso Elizabete Gomes de Souza Francisca Rodrigues Giuseppe Atomari João Alves Ferreira Filho Josafá dos Santos Marlene de Souza Accyoli Rosa Monteiro Viana Rosa Vicente Maria do Socorro de Oliveira Sueli Ribeiro de Araújo Soares Terezinha de Jesus Caetano Valmira Ferreira Santos


1912

Nasceu Luís Gonzaga em Exu, Pernambuco.

1930

Luís Gonzaga alistou-se no exército. Giuseppe nasceu na Itália.

1937

Diva nasceu em Vitória da Conquista, Bahia.

1939

Luís Gonzaga deu baixa no exército.

1941

Luís Gonzaga fez sua primeira gravação como solista.

1942

Lançamento do filme “Casablanca”, escolhido pelo Elcio.

1943

Luís Gonzaga começou apresentar-se como vaqueiro.

1947

Luís Gonzaga lançou a música “Asa Branca”.

1950

Luís Gonzaga lançou a música “Cintura Fina”.

1957

Giuseppe casou-se.

1958

Nasceu o primeiro filho do Giuseppe. Diva casou-se.

1959

Elcio nasceu em São Paulo, capital.

1960

Luís Gonzaga fez parcerias musicais.

1961

Val nasceu em Alagoinhas, Bahia.

1962

Nasceu a filha do Giuseppe. Nasceu o primeiro filho da Diva.

1966

Primeira apresentação da música “Disparada”, escolhida pela Diva.

1968

Rosinha nasceu.

1969

Nasceu o segundo filho da Diva.


1970

Luís Gonzaga fez shows no Theatro Municipal de São Paulo. Elcio vibrou com os jogos da Copa do Mundo. Cidália nasceu em Anagé, Bahia.

1971

João nasceu no Ceará.

1972

Val mudou-se para São Paulo.

1975

Giuseppe visitou a Itália. Val começou a trabalhar.

1976

Socorro nasceu.

1977

Bete nasceu.

1979

Josafá nasceu em Floriano, Piauí. Lançamento da música “Olho d’Água”, escolhida pela Rosinha.

1980

Lançamento do filme “Lagoa Azul”, escolhido pela Socorro.

1984

Luís Gonzaga recebeu o primeiro disco de ouro. Lançamento de “Whisky a Go Go”, música escolhida pela Val.

1987

Giuseppe visitou a Itália novamente.

1988

Josafá morava em Itaueira.

1989

Luís Gonzaga faleceu. O irmão da Socorro veio para São Paulo.


1990

Rosinha veio para São Paulo. João veio para São Paulo. Lançamento da música “Temporal de amor”, escolhida pela Socorro.

1992

Lançamento do filme “Perfume de Mulher”, escolhido pelo Elcio.

1993

Socorro veio para São Paulo. Cidália veio para São Paulo.

1995

Socorro casou-se. Nasceu o filho da Val. Cidália casou-se e teve o primeiro filho. Josafá foi morar em Canasvieiras. João voltou ao Ceará para visitar.

1997

Nasceu o neto da Diva. Nasceu a filha da Rosinha.

1998

Bete casou-se e entrou na PUC. João conheceu sua namorada.

1999

João comprou seu primeiro carro.

2000

Giuseppe visita a Itália pela terceira vez. Nasceu a filha da Cidália.

2001

Josafá mudou-se para uma fazenda em Minas Gerais. Lançamento da música “Pacato Cidadão”, escolhida pelo Josafá.

2002

Nasceu o filho da Socorro. Elcio começou a trabalhar numa clínica de pediatria. Lançamento do filme “Cidade de Deus”, escolhido pelo João.


2003

Josafá mudou-se para Petrópolis.

2005

Giuseppe visita a Itália pela quarta vez. Josafá reencontrou sua mãe.

2008

Lançamento do filme “Prova de Fogo”, escolhido por Josafá.

2009

Rosinha entrou no Projeto Girassol.

2010 2013

Socorro começou a frequentar o Projeto Girassol. Elcio desligou-se da clínica de pediatria.

2014

Bete entrou no Projeto Girassol. A avó da Rosinha faleceu.

2015

Nasceu a primeira bisneta de Giuseppe. Giuseppe foi pela quinta vez à Itália na companhia de seu filho e de seu neto. O filho da Cidália entrou na faculdade.

2016

Val começou a frequentar o Projeto Girassol.

2017

A mãe de Rosinha faleceu.


esse coração oculto pulsando no meio da noite, da neve, da chuva debaixo da capa, do paletó, da camisa debaixo da pele, da carne combatente clandestino aliado da classe operária meu coração de menino

[Ferreira Gullar, Poema sujo.]


Cidália de Novaes Fernandes

1992 Vim da Bahia para São Paulo. 1995 Eu casei com Edinaldo e tive meu filho Matheus depois com cinco anos tive mais uma filha que é a Sabrina. Meus filhos são mais importantes para mim e assim eu tenho uma família e sou muito feliz. Meu nome é Cidália de Novaes, tenho 44 anos vim da Bahia e hoje moro em São Paulo, mais específico Vila Madalena Zona Oeste, e vale contar um pouco da minha história. Quando eu era criança eu morava com os meus pais era uma época muito boa eu era uma criança muito feliz tinha muitos irmãos e amigos a gente brincava muito de pega-pega, cobra cega, pulava corda e jogava bola e nadava no rio. Muitas brincadeiras e claro brincava muito mas tinha uma hora para a ajuda as mulheres no trabalho de casa. Era uma família muito feliz.


Diva Barros dos Santos 1961 Nascimento do meu primeiro filho. Em 1969 nascimento do meu segundo filho nesta época eu trabalhava na lanchonete. Vim para São Paulo em 1953 porque eu perdi meus pais. Vim morar com meu irmão. Em São Paulo trabalhei como costureira em malharia. Em 1958 me casei. Tive meu primeiro filho com 23 anos mas aí parei de trabalhar porque fui cuidar do meu filho. Mais tarde fui trabalhar com meu marido em lanchonete.

História da minha vida Eu brincava muito de dançar, tirar o leite das cabras, nadar no rio, pegar cabaça e fazer boia para não afundar e ficar boiando. Brincava o tempo inteiro. Depois ia para casa tomar banho para jantar e depois ir brincar no quintal no reflexo da lua. Brincava de ver quem conseguia mastigar um limão pulando com um pé só. Eu tive meu primeiro namorado com 14 anos. Eu vim da cidade de Vitória da Conquista na Bahia eu tinha 14 anos meus pais faleceram com diferença de 2 meses aí meu irmão por parte de minha mãe foi nos buscar para São Paulo eu e mais 4 irmãos ficamos na casa dele em Guarulhos aí eu fui trabalhar em confecção.


Elcio Urbano Cardoso 1974 No meus 15 aos 16 anos eu queria fazer um curso de mecânica SENAI. Meu pai não queria que eu fizesse curso de mecânica. Aí eu falei com ele aí ele falou comigo ele montava um salão de barbeiro para mim trabalhar. O meu pai era muito bom só com meus irmãos. Ele era muito severo ele me segurava que tinha medo que acontecesse alguma coisa comigo. 1970 Eu fui no baile com os amigos. Aí aconteceu uma briga no baile. Eu morava na Vila Guilherme. O meu pai tinha um bar tinha mesa de bilhar. Eu ia para escola cedo quando eu voltava para casa fazia lição da escola depois o meu pai deixava eu jogar um pouco nas mesas de bilhar. Antes da Vila Guilherme eu morava na Zona Leste jogava bola vôlei andava de bicicleta e jogava taco. Eu morava na Zona Leste na minha adolescência. Eu tinha amigo que todo lugar que ele ia ele passava em casa para eu ir com ele. Ele falava sempre para os pais dele se ele faltasse. Ele trabalhava no banco à noite. E ele tinha um seguro de vida do banco ele falava para o pai e a mãe se ele tivesse um acidente grave. O banco pagava toda despesa. Infelizmente ele teve um acidente. O pai dele morava de aluguel e com o seguro do filho dele ele comprou uma casa. E saiu do aluguel. Eu morava na Zona Leste com meu pai e a minha mãe e meus irmãos. E meu pai faleceu. Aí eu morava com a minha mãe, depois dos anos 1970 no fim eu moro na Vila Madalena no BNH. Eu morava no apartamento do meu irmão com a minha mãe. A minha cunhada queria que o meu irmão vendesse a casa. A minha mãe falou para meu irmão eu vendo a casa na Zona Leste com uma condição eu vendo a casa. Só que esse apartamento você passa para ele (Élcio) morar enquanto ele viver. Aí eu fui trabalhar no consultório de Pediatria. Eu trabalhei 11 anos com os médicos. Eu ficava lá fora esperando os clientes quando eles chegavam para a consulta.


Elizabete Gomes de Souza O que eu aproveitei de São Paulo? Uma ideia cortei o coração de papel vermelho criança e pintei a unha de branco. Eu tinha uma boneca Aline Soueli uma saia de flor branca ganhou um tio e não não não chorei mais e a boneca eu brinquei sozinha. Eu tinha oito anos de idade. Eu estudei no IDESA. E no João Alves. Na casa do meu avô tinha uma serraria. Eu fiz uma colher de pau. Um namorado. Luiz Carlo. Avô Oscar nem ligava e brincava. E tinha que engordar o Luiz Carlo e meu avô e ele ria. O Luiz Carlo tinha 18 anos. Tinha a boneca Mallu e gosto da boneca ainda gosto da boneca.


Francisca Rodrigues Foi a infância o que eu gostava de fazer, brincava de boneca na minha infância de fazer comida na minha casa da minha amiga de infância. Tomava banho de cachoeira no domingo com minha mãe. Tinha boneca de cabelo de milho Comia batata doce Fogueira de São João E pé de moleque Estourava pipoca na panela.


Giuseppe Atomari Itália 1957 que amanhã dia 30 de março que face 60 anni que esto no Brasil. 1957 que tive muita coraga para desciar 3 irmo dois erma meu pai e minha mãe que nunca esquese tanta tristeça que tinha ala minha vita que nunca pensava que andava a ver minha familhia que fui 15 dia de navio para grascie de dio que scego al Brasil para micotrar com minha esposa que passo um pouco de tristeza ala minha vita ma minha pensamento era trabalhio fui trabalhar depois de 4 meci. Minha conhate trabalhava ala feira ma começo fui muito ruim porque não falava portugese com muito sacrifici depois 18 anni fui com minha sposa al Itália intuto minha tempo de 60 anni fui 5 verse ali Itália depois che tinha comprato minha casa.

Minha brincadeira me lembro quando tinha 4 brincava só na terra com aqua até 9 anni que fui ala scola. Fize 4 anno di scola passó para 5 anno para quinto e não feso purque devia trabalhar minha infância não fui muito bela quando fico com 18 fui servir e minha vida foi sempre trabalhando grassa adio com 27 anni venho para o Brasil e caso tive dois filhos e trabalhio al feira 35 anni depois a feira ainda fize muita cosa vendia sombrinha guarda scuiva depois vendia arbori de natal 12 anni ogi fazi são academia e scola de noites a vida foi muito dura. A cidade de São Paulo era tuto diferente avenida Consolação era uma strata só passava bondo carri quel tempo tinha muito. 1957 que io scego al Brasil avenida Paulista são casas de Fazendeiros de café. Atrás da igreja da Consolação tinha feira, livraria, prefeitura. Compro minha casa anos 1962-65 na Vila Madalena. Largo da Batata era mercatinho vendiano caprito vivo galinha coelho porco vivo tinha dituto ogi viro praça tene metrô ônibus. Teodoro Sampaio modifico a bastante tempo que era bonde ogi é ônibus como na Vila Madalena. Não tinha restaurantes. Quando em 1957 chego da Itália estava perdito sem trabalhio sem saber falar português e lembrava que io al Itália trabalhiava com stato e ganhava bem e stava muito triste. Depois de um anno começou a ficar um pai melhior com trabalho que io pensava nunca mais andava a ver minha irmã e minha mãe e meu pai depois 18 anni fui al Itália para abraçar minha mãe e pai e irmã e meu irmão e estive 5 vezes al Itália. Fim.


João Alves Ferreira Filho

Quando eu tinha 5 anos e a minha mãe foi embora para Fortaleza. Eu fiquei com meus irmãos. Com 7 anos meu pai deu a gente eu fui morar e trabalhar numa fazenda.


Josafá dos Santos

1998 Foi o ano que eu comecei a trabalhar com pintura de carros. 2005 Foi quando eu reencontrei a minha mãe depois de dez anos. 1995 Foi quando eu fui morar em uma cidade com 5000 habitantes. 2003 Quando eu fui trabalhar no Rio de Janeiro no colégio interno. Quando eu morei em Itaueira uma cidade do Piauí em 1989 eu gostava de brincar com carro de forquilha e carro de pneu. Eu acordava e ia para a escola e a tarde eu ia vender dindin e a noite eu brincava de polícia e ladrão. Quando eu era criança eu gostava de frutas como a melancia, manga, murici, cajá, pitomba e eu gostava de tomar banho no rio Parnaíba e chamava os maranhenses de papa-arroz e eles me xingavam e eu ria. Na minha juventude em 1995 eu morava em um conjunto de casas em Floriano e meu pai foi transferido para uma cidade chamada de Canavieira. Foi lá que eu vivi a minha melhor infância eu trabalhava na roça com o meu pai das 6 às 18, e a noite ia para o clube da cidade. Foi lá que eu encontrei uma menina que se chamava Klenia ela era filha do amigo do meu pai que era policial e por isso que o namoro virou oficial e todos na cidade ficaram sabendo. Esta cidade foi muito especial para mim. Nesta cidade eu tinha um amigo que sempre a gente estava junto porque a minha namorada era amiga da namorada dele e todos os dias eu ia na casa dele ou ele ia na minha. A mãe dele era minha madrinha e ela me considerava como um filho, a tanto que os outros filhos dela tinham ciúmes de mim mas mesmo assim eles gostavam de mim porque a gente sempre estava junto.


Mari Alves

Este é um pedacinho da minha vida. A que saudade que tenho desses tempos meu de criança, dessa minha doce infância, que a muito ficou para trás. Ainda me lembro bem, apesar de minha pouca idade, que até mesmo uma gripe um estado febril não tiravam minha alegria nem tão pouco meus sonhos de criança. E se eu não tinha apetite para comer minhas costumeiras refeições do dia, logo meus pais ficavam preocupados. Então meu bondoso pai se encarregava de me fazer uma simples pergunta. Minha filha você quer comer um doce? Sem poder naquele momento ver a expressão de meu rosto, meu semblante mudara e minha resposta era sim. E o mais lindo de tudo é que a história sempre se repetia com meus sete irmãos, então lá ia ele apressado em direção a vendinha do seu Elizeu, que sem se demorar, trazendo alguns deliciosos e variados doces que nem uma criança mesmo adoentada com pouco apetite, poderia resistir. Também não posso me esquecer que com menos idade por volta de meus sete ou oito anos e com bastante saúde e energia vivia a correr e brincar com meus irmãos e amigos, pelos pomares a fora tirando e saboreando as mais gostosas frutas no pé. Sem contar dos banhos de cachoeiras e rios, sempre acompanhados de meus irmãos mais velhos. Que apesar de muito jovens entre seus onze e quinze anos eram bastante responsáveis e cuidavam com zelo dos mais novos, principalmente meu irmão mais velho, por quem tenho uma eterna gratidão e respeito, já que na ausência de meus pais ele cuidava de mim. Minha irmã mais velha que vem logo depois dele era a peste de nós quatro risos. Meu irmão era apenas um bebê, os outros nasceram alguns anos depois na sequência. Meu irmão mais velho é o único que vive longe porque casou-se com uma prima a mais de vinte anos e mora numa tranquila cidade a três horas de Recife. Tenho muita saudade dele pois nos vemos com pouca frequência. E aí: vou encerrando, um pequeno trecho da minha melhor época de vida...!


Maria do Socorro Oliveira 2002 Nascimento do meu filho Guilherme foi maravilhoso. 2003 Fui morar na Vila Madalena com meu marido e com meu filho no trabalho dele. 2004 Eu não poderia trabalhar porque tinha que fazer fisioterapia. depois 2016 Eu arrumei um trabalho maravilhoso. 2017 Eu fui para a minha médica e ela falou que eu tinha que fazer a retirada dos miomas. Quando eu morava com meus pais logo meus pais foram morar no sítio com meus irmãos e depois fomos morar na vila. Lá eu conheci meus amigos brincava de atirei o pau no gato e de barra manteiga. Minha mãe fazia boneca de pano. Eu pegava as melhores e minha mãe ficava brava comigo. Era legal eu me divertia muito com meus amigos. Eu ia para a escola com meus amigos. Comecei a trabalhar com14 anos de idade. Eu não namorava porque tinha que ajudar meus pais. Eu ficava conversando com minhas amigas da rua. São Paulo Eu morava na Paraíba e trabalhava em Campina Grande e um irmão resolveu me buscar para trabalhar aqui. Eu fui morar na casa do meu irmão a minha cunhada arrumou trabalho e fui trabalhar em Diadema. No primeiro dia foi diferente mas adorei a cidade porque eu ganho mais do que na Paraíba. Aí fui trabalhar numa escola e conheci uma amiga e fui passear na casa da prima dela e conheci meu marido. Foi muito maravilhoso e depois de um ano nós casamos.


Marlene de Souza Accyoli 1976 Foi o mais importante da minha vida nasceu minha primeira filha. 1977 Foi outro ano importante nasceu meu segundo filho. 2001 Foi o ano que me realizei profissionalmente porque faço meu trabalho com muito amor com pessoas incríveis. O que mais gostava era de brincar no rio pescando ir para roça plantar milho feijão arroz abóbora. Brincava de corda de esconde-esconde. Quando eu acordava ia pro curral esperar o leite para levar pros meus irmãos tomar café e novamente ia para a roça. Na verdade todos os dias eram na roça onde passamos todos praticamente plantando e limpando, quase todos os dias praticamente sem infância. Eu não tenho muitas histórias para contar, pois não tive muita infância. A minha vida era só trabalhar e como irmã mais velha tinha que cuidar dos irmãos não tinha tempo para brincar. Minhas brincadeiras eram ir para a roça trabalhar com meu pai. Quando eu tinha 14 anos vim para São Paulo e comecei a trabalhar em casa de família e dormir no emprego. Só ia para minha casa no final de semana, e comecei a namorar e participar das quermesses que tinha nas igrejas e festinhas nas casas de mães de amigas. Estes bailes eram todos finais de semana. Na segunda-feira voltava ao trabalho e ficava na casa da patroa durante toda a semana. Quando saí da minha terra vindo para São Paulo aconteceram algumas coisas engraçadas, eu e meus irmãos, a minha mãe mandou pijamas achamos tão bonito. São Paulo é minha casa onde eu aprendi tudo o que sei foi aqui que cresci, é uma cidade a qual me ajudou a chegar até aqui, de onde tirei o sustento dos meus filhos. Mas nem sempre foi assim a minha vida foi muito difícil cheguei a passar até fome, tudo isso faz parte do meu passado hoje eu só tenho que agradecer por tudo que passei só serviu para meu crescimento. Foi assim que aprendi com erros e acertos, é uma cidade que adotei como minha casa eu tenho muito respeito por você São Paulo, muito obrigado por tudo que me ensinou. São Paulo é minha paixão. Agradecida.


Rosa Monteiro Viana 1968 Eu nasci na Bahia. 1991 Mudei para São Paulo. 1992 Fui visitar minha cidade natal. 2016 Comecei o tratamento da pele. 2009 Comecei a estudar no Projeto Girassol. Onde passou a infância: na Bahia na roça trabalhando. Lembranças: brincar de boneca, brincava de roda, esconde-esconde. Rotina: minha rotina era minha mãe acordar de manhã trabalhar na roça. Gostava de bater no meu irmão. Brincar na lagoa de pegar peixe e ficava suja de lama a minha mãe me batia. Eu comecei a trabalhar aos treze anos e namorar. Durou 1 mês porque tinha medo da minha mãe. O meu sonho é comprar uma casa aqui em São Paulo. Depois que minha mãe faleceu me deu vontade de morar aqui. Comecei a trabalhar em casa de família faz vinte e três anos criei o filho da patroa ele tem muita paciência e me leva no médico. Não fui embora porque não tenho coragem de ir embora trabalhar em outro lugar porque ele fica triste. Moro na Caropá estudo no Projeto Girassol à noite. Esse ano fiquei muito triste porque perdi a minha mãe estou de luto mas Deus está me dando força. Estou com saudades da minha mãe. Eu sei que está com Deus abençoando a gente.


Rosa Vicente Em 2011 foi muito importante para mim comprei meu apartamento na planta recebi em 2014 foi uma grande alegria mas no mesmo ano faleceu meu cunhado e minha irmã. 2016 a minha patroa outra irmã tristeza muito grande. Agora em 2017 estou fazendo plano para comprar a minha casa. Em 2009 eu juntamente com minha patroa mudamos para a Vila Madalena foi uma coisa boa demais descobri esta escola e foi uma alegria para mim comecei a estudar. Minha vida começou a mudar em 2003, a minha vida ficou mais tranquila porque eu me aposentei. Em 2003 tive outra alegria comecei a fazer implantes de dentes fiquei tão contente minha patroa ficou mais ainda. Na minha infância eu acordava e tomava leite tirado do peito da vaca era maravilhoso. Depois ia trabalhar no cafezal. Minha mãe mandava as refeições na roça eram coisas muito gostosas. Todos os dias nós tomávamos leite com conhaque de manhã. A gente era muito arteira eu subia nas mangueiras as abelhas grudavam nos meus cabelos a minha mãe tirava todas com tanto carinho a gente não tinha boneca mas era muito legal porque tinha a minha mãe e meu pai hoje vivo só com as lembranças. Eu comecei a namorar com 11 anos foi a coisa mais linda que me aconteceu foi até os 19 anos a única coisa que a gente podia fazer era dar uns beijinhos e pegar na mão. A gente bordava juntos escutava música ia aos bailes era muito legal. Nesse tempo morávamos na roça com 16 anos mudei para cidade era uma nova vida aos 24 anos vim para São Paulo onde estou até hoje aconteceu tantas coisas nascimentos morte tristeza e alegrias. Depois que eu terminei o namoro só voltei a vê-lo depois de 20 anos fiquei decepcionada ele tava careca e com uma barriga enorme. Vim para São Paulo em 1969 para trabalhar ganhar dinheiro em casa de família onde estou até hoje faz 48 anos a família foi maravilhosa chorei muito por ter deixado minha mãe depois tudo deu certo trabalhei muito mas valeu a pena porque dei tudo para a minha mãe não deixei faltar nada para ela. Comprei meu apartamento hoje ele está alugado Deus está me recompensando tudo que eu fiz hoje eu não preciso de nada a não ser amizade dos amigos. São Paulo foi uma bênção para mim e continua sendo a cidade maravilhosa. Trabalhei muito não passeei quase nada o único passeio era visitar a minha mãe no interior muito raramente ia no cinema mas era divertido fui no carnaval no gelo fiquei feliz porque comprei o meu primeiro celular ganhei muitos relógios namorei muito a minha irmã trabalhava aqui também.


Sueli Ribeiro de Araújo Soares

Em 1974 em 12 de outubro eu Sueli nasci no município de Andaraí, numa cidade chamada Redenção. Após os meus 6 anos eu comecei a entender coisas mas não tinha muita noção de muitas coisas. Mas aí aos 8 anos eu comecei a entender que a vida era difícil. Imagina uma criança de oito anos cuidando de três crianças de 2, 3 e 5. Eu tinha que cozinhar no fogão de lenha para meus pais e meus três irmãos. Mas nem sempre tinha o que pôr no fogo. Tinha dia que nós comemos folha de mandioca porque as raízes ainda não estavam prontas. Hoje eu me lembrei do fato muito importante que me aconteceu. Fazia três dias que eu


não comia nada. Mas perto da minha casa morava um fazendeiro e lá tinha um curral e nesse curral tinha pés de maxixe e a minha mãe ia sem o dono ver e pegava um saco de maxixe para cozinhar no caldeirão e eu comi e dormi muitas horas. Na minha meninice a minha mãe e o meu pai de criação viajavam muito de uma cidade para a outra procurando trabalho no Estado da Bahia. Eu sofria muito com a ausência deles. Lembro que eu pegava o vestido sujo para ficar cheirando. Mas nada melhorava e continuou ainda mais difícil porque eu tinha que ficar com os meus irmãos na casa dos meus avós adotivos. Os meus avós adotivos tinham preconceito comigo eles tratavam meus irmãos melhor e me maltratavam porque eu não era parente de sangue. Pode parecer mentira mas na minha adolescência não foi nada melhor. Meus pais se separaram e eu tive que ajudar minha mãe a cuidar dos meus irmãos. Eu fui trabalhar em Salvador para comprar roupas e brinquedos para eles. O mais difícil foi quando o meu pai levou o meu irmão para morar com ele e lá ele deu o meu irmão. Ele só tinha dez anos. Hoje nossa família melhorou e toda nossa vida tomou rumo. Eu me lembro que era criança e a minha avó mandava eu e as minhas tias pegar leite na fazenda e a gente pegava um talo de capim e chupava a metade do leite e a gente falava que o bezerro tinha escapado do curral e tinha mamado o leite. Na verdade eu também brincava com as minhas tias. A gente brincava de boneca, mamãe e filhinha. Quando eu tinha 12 anos meu pai adotivo me levava para as festas de família. Também nós morávamos perto de rio e pegávamos peixes na garrafa. Nós pegávamos a garrafa enchíamos de areia e pegava um chinelo havaiana velho fazia furo no meio arredondado e colocava para fazer de tampa. Colocava farinha para pegar peixes pequenos. Também eu me lembro que os meus pais gostavam de mudar muito para ver se as coisas melhoravam. O mais engraçado é que numa dessas viagens nós moramos em uma mata porque lá logo o povo ia fazer povoado. Mas tivemos uma surpresa, não tinha casa. O meu pai fez o jirau muito alto para a gente dormir porque tinha onça. Eu achei ela tão linda que se pudesse criava uma. Passado um tempo fomos embora deste local. Depois os meus pais me deixaram morar na cidade de Andaraí, na Bahia, com uma família rica e a minha vida mudou eu fiquei independente para escolher. Lembrei de uma coisa muito engraçada! Não vão rir: minha mãe não tinha fogão a gás. E eu em Salvador ganhei o fogão levei para ela em Andaraí de ônibus. E ela falou que eu tinha realizado o sonho da vida dela. Em São Paulo eu aproveitei muitas coisas boas. Eu aprendi uma profissão. Para muitos não tem tanto valor, mas para mim é importante, porque no Norte esta profissão de empregada doméstica não tem valor. Mas não só isso, também conheci o parque do Ibirapuera, 25 de Março, fui ao cinema,


algumas vezes fui ao restaurante. E eu aprendi muitas coisas simples como andar de ônibus e de metrô. E tem um lugar que eu gosto muito de contemplar que é a Praça Ramos no inverno porque as pessoas estão bemvestidas e elegantes com roupas de inverno. Também tem uma coisa muito importante eu voltei a estudar que eu achava impossível, mas para quem busca nada é impossível, correr atrás dos objetivos. O meu aproveitamento em São Paulo para mim mudou a minha vida. Hoje eu tenho mais conhecimento das coisas. Ainda falando da minha profissão de empregada doméstica. Essa profissão não foi eu que escolhi foi acontecendo na minha vida mas na verdade eu gostaria de ser professora!


Terezinha de Jesus Caetano

Hoje cedo coloquei comida para o cachorro e o gato. Fui tomar banho subi para me trocar. Fiz cafÊ e feito o almoço. Fiquei sozinha. Fui no trabalho e fui para a escola. Eu adoro a professora


Valmira Ferreira Santos

1961 O ano em que nasci. 1972 Quando eu vim de Alagoinhas para São Paulo eu tinha 11 anos. 1975 Minha mãe me levou para trabalhar em casa de família no Bom Retiro foi lá que eu comecei aprender ler e escrever e aprender coisas como História do Brasil, dever e direito trabalhista. 1995 Oito de setembro o nascimento do meu filho. 2016 Quando eu comecei no Projeto Girassol. Muito importante para mim.


Eu Valmira Ferreira Santos nasci em 02 de fevereiro de 1961. Lembro eu brincando com minha mãe e minhas irmãs no quarto da casa do meu bisavô. Na cama deitada com as pernas para cima minha mãe colocava eu nos pés e ficava brincando de aviãozinho esta é a única lembrança que tenho com a minha mãe quando criança. Casa da mãe Helena Na rua sete de setembro não lembro o número rua de paralelepípedo com vizinho incomum, fábrica de caixão onde nós, as filhas da mãe Helena, brincávamos quando não estávamos dentro da casa de pães. Em 1972 uma mudança de Estado de Alagoinha para São Paulo. Muitas saudades das irmãs de criação, da vida que eu tinha na escola do sítio do meu bisavô das frutas que aqui não tem da liberdade de poder subir em uma árvore pegar uma fruta e comer em cima da árvore da casa da mãe Helena na rua Luiz Viana n. 1402 não era uma simples casa era um baita casarão a escada de madeira nós passávamos cera no corrimão para deslizar nós montávamos em cima para descer. Brincadeira não faltava fazer balanço nas árvores tomar banho de rio fazer piquenique os passeios inesperados quando aparecia um carro às vezes chamando a mãe Helena para fazer um parto que a mulher está com muitas dores a mãe Helena pegar sua maleta de trabalho e logo colocar duas ou três das meninas para ir com ela. Mãe Helena era parteira e na casa espírita da mãe Helena tinha um quarto de parturiente como se chamava na época sempre tinha uma gestante que dava a luz na casa espírita mãe Helena à noite as crianças ficava brincando de pular corda pega-pega de esconde-esconde nas brincadeiras tinha uma casa na esquina que morava quatro meninos eles quando viam que a gente estava brincando de esconde-esconde eles entravam na brincadeira nesta hora que tinha a disputa pelos meninos cada uma com seu par. Minha chegada em São Paulo foi muito triste ainda criança com 11 anos não entendia o motivo da mudança uma mudança brusca eu vinha chorando a viagem toda pela separação das outras irmãs de criação. A chegada em São Paulo foi na antiga rodoviária que ficava onde hoje é a chamada “Cracolândia” uma barulheira buzinas falatório gritos sirene pegamos um táxi para o Jardim Três Marias da Penha rua de barro uma casa de três cômodos com banheiro do lado de fora com mais casas no quintal. A novidade era um plástico com três cores na frente da TV. O carnaval lá que é diferente as pessoas ficam com uma tal de seringa com água molhando uns aos outros muitas mudanças. Não fazia muito tempo que eu estava em São Paulo acordei com um falatório era um incêndio no centro. No rádio eles pediam para levar leite e água para as pessoas que se intoxicaram com a fumaça. Escola não foi providenciada por não ter o documento de transferência da outra escola que eu a Vera e a Railde estudávamos. A mãe


levou as minhas irmãs para ver trabalho uma no Brás a outra na Quarta Parada eu ficava em casa para cuidar da minha outra irmã, Domicila de seis meses. Um dia enquanto a Domicila dormia eu a Roseli e a Maria Aparecida brincávamos no terreno baldio que ficava do lado das casas lembrei de olhar a Domicila que estava dormindo e levei um baita susto ela não estava na cama. Olhei embaixo da cama Domicila não estava olhei em tudo quanto era lugar não encontrei comecei a chorar. A Dona Rosa a mãe da Roseli e Maria Aparecida que são gêmeas com o José Aparecido ele perguntou onde a Domicila dormia eu mostrei a cama de casal com os travesseiros para proteger mas ela não estava. Comecei a cantar “Domicila, Domicila” e nada e eu chorava com medo de ela ter sido raptada de repente um choro era Domicila chorando embaixo do guarda-roupa e para tirar ela dali foi muito difícil a Dona Rosa não entendia como ela foi parar lá o susto passou. Eu gostava quando era terça-feira dia de feira na Vila Ré próxima da fábrica da Seven Boys. Minha mãe depois de fazer a feira parava na Seven Boys para comprar bolos e bolachas fora da embalagem era mais barato. Quando minha mãe comprou um terreno em Ferraz de Vasconcelos minhas irmãs e eu falamos que nós não íamos morar no mato ela então me colocou em uma casa de família. Entrei com 14 anos e saí 10 anos depois esta casa foi muito importante para mim lá eu aprendi muitas coisas como escrever a ler a poupar e um pouco da história do Getúlio Vargas. Meu patrão, seu José Martim da Costa Filho ele foi mais que patrão foi um pai me levou para tirar documentos quando peguei a carteira de trabalho ele me explicou que graças a Getúlio Vargas os direitos à aposentadoria e outras coisas mostrou umas fotos em que ele estava no palanque com Getúlio Vargas eles com aqueles ternos de linho branco e chapéu panamá com faixa preta. Eu comecei a escrever com a Ana Maria da Costa. Hoje ela é doutora em odontologia. Ela pedia livros emprestados para o estudo e pedia para eu copiar o livro. Quando ela se formou seu pai seu José meu patrão pegou dois anéis de sua falecida esposa a mãe da Ana Maria um anel era de rubi e o outro de esmeralda com brilhante o de rubi ele me deu o de esmeralda ele deu para a sua filha Ana Maria infelizmente o meu foi roubado dentro da perua Kombi com carroceria nós estávamos voltando de Caraguatatuba na Via Dutra quando a perua rodopiou caindo no barranco. Graças a Deus não aconteceu nada com nós ele e eu que estávamos na perua. Apareceram uns homens para ajudar e prestar socorro se fosse necessário. Nós pegamos a gaiola com o pássaro e fomos embora nem me lembrei de pegar as minhas coisas.


Existir: seja como for. A fraterna entrega do pão. Amar: mesmo nas canções. De novo andar: as distâncias, as cores, posse das ruas. Tudo que à noite perdemos se nos confia outra vez. Obrigado, coisas fiéis! Saber que ainda há florestas, sinos, palavras; que a terra prossegue seu giro, e o tempo não murchou; não nos diluímos. [Carlos Drummond de Andrade, “Passagem da noite”


edição e concepção: Malu Rangel linha do tempo: Ana Lígia Costa de Almeida, Roseany Anetelle Rodrigues, alunas e alunos do Projeto Girassol digitalização e tratamento de imagens: Efigênia Silva impressão: Arrisca

Este livro não existiria se não fossem as histórias e o comprometimento de seus autores a escrevê-las e a desenhá-las, repletos de generosidade e verdade. A dedicação do grupo que dá vida ao Projeto Girassol, no qual se incluem os trabalhos das professoras e dos professores, faz com que, todas as noites, a força da partilha do conhecimento vença qualquer barbárie. Participaram deste Projeto, durante a concepção do livro: Ana Lígia Costa de Almeida, Anapaula Iacovino Davila, Babi Mansur, Carla Gobernate Favaro, Carolina Guerra Santi, Catarina Dal Mas, Francine Conrad Fonzaghi, Lídia Maria Lopes de Souza Caselli, Livia Netto Ventura dos Santos, Magdalena Jalbut (in memoriam), Malu Rangel, Marcelo Maldonado Dal Mas, Maria Júlia Rangel De Bonis, Pedro Elias Maia Coutinho, Roseany Anetelle Rodrigues, Vanessa Maria Soares Gurgel do Amaral. Agradecimentos especiais à Efigênia Silva, Maria Aparecida dos Santos de Oliveira, Natalia Zapella, Vânia Medeiros e à equipe do colégio Oswald de Andrade.

São Paulo, setembro de 2019.


Profile for Colégio Oswald de Andrade

VIDAS - LIVRO PROJETO GIRASSOL  

VIDAS - LIVRO PROJETO GIRASSOL  

Advertisement