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REVISTA DO COLÉGIO ESPÍRITO SANTO Nº 38 . EDIÇÃO ANUAL . 2019 ISSN 2178-7778

MUDANÇAS PARA VIVER EM UM NOVO MUNDO


REVISTA GÊNESIS

UM MUNDO QUE PEDE POR MUDANÇAS Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo

Ser uma Rede de Educação inovadora, reconhecida pela excelência acadêmica, que prioriza o desenvolvimento integral da pessoa humana; essa é a missão da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, da qual o Colégio Espírito Santo, orgulhosamente, faz parte. É justamente com o foco nessa missão, que o CES segue em uma busca constante por atualizações que o conectem com o mundo dinâmico em que vivemos, sem deixar de lado os valores humanos. Diante desse cenário, é preciso encontrar soluções que agreguem valor e que façam com que o Colégio posicione-se sempre de forma sólida perante as mudanças e inovações. Sendo assim, um dos passos realizados foi a atualização da nossa marca, cujo objetivo foi torná-la moderna e que, ao mesmo tempo, valorizasse a tradição. Assim, a nova marca foi pensada por meio de uma construção imagética reforçando a transmissão da essência e dos valores que conduzem o Colégio Espírito Santo pela educação por mais de 80 anos. Com muitos signos, a marca traz, em sua construção, o Espírito Santo, por meio da pomba e sua chama. A representação do Deus Trino também se faz presente por meio do triângulo de bordas arredondadas e sem ser completamente fechado, o que representa a abertura para o diálogo. Contudo, as novidades não param por aí, haverá mudanças estruturais e pedagógicas. Para acompanhar uma sociedade na qual o conhecimento de uma segunda língua torna-se imperativo para uma participação mais significativa, o programa bilíngue será estendido para os 6º e 7º anos. Mesmo com a tradição de mais de 80 anos, o Espírito Santo está aberto para transformações e busca adequar-se para atender as demandas do mundo contemporâneo.

EXPEDIENTE Rua Tuiutí, 1442 - Tatuapé São Paulo - SP (11) 3389-1000 www.colegioespiritosanto.com.br

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Diretora Geral MSSps Irmã Maria de Fátima Marques de Oliveira Diretora Educacional Clarice Aparecida Monreal P. Cavalcanti Diretora Administrativa Pricila Spera Coordenadoras Pedagógicas Nathália Soares Fernandes Hino Alice Takahashi Pires Márcia Azevedo Coelho Maria Eunice Cardoso de Oliveira

Coordenadoras de Segmento Kelly da Silva Brandão Carla Cecília Fienga Rosângela Patrício Coelho Selma Lucchesi de Carvalho Leite Editoras Cristiane Imperador Karla Priscilla Ferreira Editor Gráfico: Tiago Martins Fotos: Acervo do Colégio Espírito Santo Impressão: Engengraf Gráfica Tiragem: 1.000 exemplares


REVISTA GÊNESIS

ÍNDICE

EDITORIAL Diretora Educacional Clarice Aparecida Monreal P. Cavalcanti

4 Mais educação midiática, por favor! 5 Uma nova geração EIXO . APRENDIZAGEM CRIATIVA

6 Aprender criativamente com base nos jardins de infância 8 English for Young Learners - Programa Bilíngue EIXO . APRENDIZAGEM COLABORATIVA

9 A riqueza da interdisciplinaridade 10 A tecnologia a favor das relações e do aprendizado 10 Renovando a forma de aprender 11 Ler, interpretar, criar e declamar EIXO . APRENDIZAGEM SUSTENTÁVEL

12 Educação Ambiental: já passou da hora de entendermos a sua importância!

14 A responsabilidade social e a preservação ambiental representam um compromisso com a vida EIXO . APRENDIZAGEM SOLIDÁRIA

16 Por que fazer a diferença é o que realmente vale a pena 17 O semeador saiu a semear... 17 Solidariedade EIXO . APRENDIZAGEM COMPARTILHADA

18 Compartilhar para aprender: o eu e o você na construção do agora

21 Produtores de vlog - Cada leitura, uma aventura 22 Leitura como fruição e inspiração EIXO . VIVER EM UM NOVO MUNDO

23 O tempo não passa, tudo se transforma 24 Da solidez à fluidez: o desafio da educação no século XXI 25 O desafio de ser jovem na contemporaneidade 27 Por um mundo mais sensível EIXO . TEMPO ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Imagem: Freepik.com

28 Percebendo a passagem do tempo 29 Tempo que sobra ou falta 29 Reflexões sobre o tempo 30 A qualidade do tempo 31 Como organizar o tempo

A sociedade, em qualquer época, sempre foi muito marcada pelas transformações, algumas quase imperceptíveis, outras mais intensas e profundas. Todavia, a pós-modernidade, caracterizada pelo avanço tecnológico e sua crescente popularização que anularam a distância e o tempo, intensificou essas transformações. Vivemos, não só uma mudança de paradigmas, mas uma verdadeira mudança epocal, expressão utilizada pelo teólogo Carlos Palacio, que provoca uma crise de sentido, afeta todos os aspectos da vida humana e acomete as diferentes esferas sociais, sem deixar, também, de impactar profundamente a escolar. Segundo o Papa Francisco, “hoje a educação é dirigida a uma geração em fase de mudança e, portanto, cada educador — e a Igreja inteira, como Mãe educadora — é chamado a ‘mudar’, no sentido de saber se comunicar com os jovens que estão à sua frente.” Com certeza, todas essas alterações trazem um grande desafio para a educação: formar pessoas para um mundo em constante evolução, dinâmico, diverso e para um tempo que não sabemos como será. Emily Dickinson, poetisa, em um de seus versos nos fala de “um lugar chamado amanhã”, não como algo que remotamente virá, mas que já é potência de realização e nos convida a habitá-lo. Neste novo cenário, devemos buscar diferentes metodologias que preparem os estudantes para um futuro desconhecido, no qual eles sobreviverão, não pelo que sabem, mas pelas habilidades e competências desenvolvidas para a aplicação do conhecimento. A escola, enquanto espaço propício para aprendizagens, deixou de ser lugar de transmissão e assimilação do conhecimento e passou a ser um ambiente de experimentação, de criação, de recriação e de autoaprendizagem. Não sabemos o que realmente virá, mas temos a certeza de que o relacionamento do sujeito humano com a realidade, hoje, passa necessariamente pela tecnologia, em especial as tecnologias da informação, em todos os seus modos de realização e, esse mesmo sujeito que faz uso da tecnologia é quem a cria, pois é dotado de uma capacidade infinita de inventividade e inovação. Pode parecer paradoxal, mas a mesma tecnologia que transforma as relações humanas é constantemente transformada por elas. A educação demanda iniciar criativamente as pessoas na realidade e no jogo da vida, sem perder de vista a convivência humana, na qual se assimilam as tradições do passado, valorizam-se visões generosas de mundo, constroem-se sentidos de vida e aprende-se a lidar com o diverso. As mudanças devem ter sentido ético e de compromisso para que a humanidade e a sociedade tornem-se melhores. Assim, mais do que tratar de assuntos comumente reconhecidos no cotidiano escolar, optamos por trazer, nesta edição, uma contribuição amplificada. Reunimos textos, cuidadosamente escritos, que tratam de questões pertinentes sobre práticas pedagógicas, novas tecnologias, educação ambiental, solidariedade, mudanças e tudo mais o que possa, de alguma maneira, propor reflexões e transformar o contexto no qual estamos inseridos. O pano de fundo dessa iniciativa é uma Revista Gênesis dividida em eixos que perpassam a aprendizagem e trazem um espírito jovem para um Colégio que contribui com a educação de nosso país há mais de 80 anos e que pretende levar adiante um grande propósito: oferecer um diferencial na vida das pessoas e transformar essas e as próximas gerações, por meio da educação. 3


MAIS EDUCAÇÃO MIDIÁTICA, POR FAVOR!

Imagem: Freepik.com

REVISTA GÊNESIS

Marcio Gonçalves Doutor em Ciência da Informação, educador Google Innovator, fellow do Programa Educamídia e professor de mídias digitais de crianças, jovens e adultos.

Somos seres humanos dotados de linguagem e de comunicação. Nosso corpo fala, nossa mente articula pensamentos e produzimos informação. No mundo contemporâneo, essa produção de conteúdo está na ponta de nossos dedos. Nesse sentido, com a liberação do polo de emissão, ou seja, todos produzindo mídia de muitos para muitos, urge formar cidadãos críticos diante do enorme número de dados e informação gerados a todo o tempo. Mas, como garantir essa formação na escola, por exemplo? Por isso, precisamos de educação midiática. Educação Midiática é o conjunto de habilidades que uma pessoa deve ter para acessar, analisar, criar e participar de maneira crítica do ambiente informacional e midiático em todos os seus formatos — dos impressos aos digitais. É preciso sensibilizar as pessoas para que desenvolvam o entendimento desse tema. Quando a elas são apresentados recursos digitais para a produção consciente de conteúdo para a internet, toda a sociedade ganha com essa formação de um cidadão digital mais sábio e orientado à reflexão e ao entendimento das informações que consome. O ambiente escolar é o lócus propício para o desenvolvimento dessa educação midiática. Uma camada de uso de mídias cabe em qualquer matéria. Muitos gêneros jornalísticos e digitais podem fazer parte de uma aula de Português. Ensinar a interpretar infográficos deveria ser uma grande aula. Analisar reportagens impressas e em audiovisual também. Por meio dessa camada midiática nas matérias, é possível evitar o distanciamento do mundo teórico e da vida prática. Quando uma nova mídia surge, ela não apaga a anterior, muito pelo contrário: ganhamos com o avanço tecnológico e, consequentemente, com o nascimento de novas possibilidades. Se antes o impresso tinha imenso valor por imprimir em seus suportes grande parte do conhecimento da humanidade, hoje, os hipertextos e hiperlinks permitem que as narrativas ganhem vida em diferentes formatos de mídia. É um admirável mundo midiático. A educação midiática é importante neste momento, porque o olhar atento diante da enxurrada de informações a que somos submetidos a todo o tempo é imprescindível, já que, muitas vezes, o excesso de informação pode até ser prejudicial, 4

por conta da desinformação produzida pelos mesmos agentes produtores de conteúdo. Na posição de educadores, como podemos facilitar esse aprendizado que acontece a partir de diversos meios? Eu diria que podemos ensinar os nossos alunos a fazerem uso adequado das inúmeras plataformas, dispositivos móveis e estáticos, e integrar adequadamente diversas mídias online e offline. É preciso mostrar às crianças e aos jovens os dois lados da moeda. Quando mostramos os bastidores de uma produção de notícia, por exemplo, podemos usar a metalinguagem para inserir as mídias nesse processo de crítica na hora de produzir reportagens, documentários e fotografias. Ler criticamente, escrever com responsabilidade e participar ativamente formam uma tríplice capaz de nos conduzir nas propostas de aulas que orientam os estudantes ao pensamento crítico. Um cidadão que esteja atento a ler o mundo, torna-se um autor mais responsável. Na hora de agir e participar com suas ideias, saberá se colocar diante das pessoas, em rede, com discernimento. A educação midiática orientará os cidadãos para que sejam livres em suas escolhas. Queremos mostrar os melhores caminhos, caberá a cada um a escolha de qual seguir. É, por isso, que pedimos: mais educação midiática, por favor!


REVISTA GÊNESIS

UMA NOVA GERAÇÃO Nathália Soares Fernandes Hino Coordenadora Pedagógica

“O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna.” Henri Wallon

Atualmente, as rotinas familiares já não são as mesmas de quando éramos crianças. Os papéis exercidos por homens e mulheres, tanto no mercado de trabalho quanto nas tarefas domésticas, também não são mais os mesmos. E isso é muito bom! Vivemos uma época de possibilidades. Entretanto, para que as famílias possam vivenciar essas possibilidades, é preciso garantir que as crianças, desde muito pequenas, sejam acolhidas e recebam os cuidados, o carinho e os valores de profissionais que, junto aos familiares, assumem o compromisso de formar pessoas boas. Afinal, imersos em um período de tantas mudanças — e em um intervalo tão curto entre uma e outra — esta é uma certeza que permanece: educar e contribuir com a formação de pessoas boas, que sejam conscientes da sua função na sociedade e saibam, de fato, conviver e buscar o bem comum. Diante da necessidade de muitas famílias que já atendíamos e, também, dessa realidade da nossa sociedade, em 2019, o Colégio Espírito Santo ampliou a proposta da Educação Infantil que já existia e passou a atender crianças a partir dos quatro meses. Hoje, desenvolvemos nosso trabalho com os alunos divididos por faixa etária, de acordo com a legislação vigente. Assim, as turmas do Berçário e Infantil 1 vieram compor as demais salas do nosso grupo que seguem até o Infantil 5. Nossa proposta de trabalho para a Educação Infantil tem como pilares a brincadeira, a interação, a ludicidade e a autonomia.

Com as turmas de Berçário e Infantil 1, esses também são recursos fundamentais que, junto com os cuidados de alimentação e higiene, compõem as práticas diárias com nossos bebês para desenvolvermos, dentro do tempo de cada um, as habilidades motoras e de comunicação. Recebemos filhos e netos de ex-alunos, famílias recém chegadas ao nosso bairro, à nossa cidade e, também, ao nosso país. Reafirmamos o compromisso de, juntos, contribuirmos com a formação integral dos nossos alunos, desde o início de suas vidas. E esperamos que, daqui a alguns anos, quando encerrarem sua caminhada na Educação Básica, saiam do nosso Colégio com a certeza de que construíram a sua história junto à nossa, levando em seu desenvolvimento um pouco do nosso trabalho e deixando um pouco deles aqui também.

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APRENDIZAGEM CRIATIVA

APRENDER CRIATIVAMENTE COM BASE NOS JARDINS DE INFÂNCIA Fabiana Marques Diniz André Gisele Villar Lopes Pereira Professoras

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Em um mundo hiper veloz no qual vivemos, as transformações no campo científico e tecnológico ocorrem muito rapidamente. A cada instante, novas tecnologias surgem e antigas expiram, abalando toda a sociedade, questões antigas são resolvidas e novas e mais complexas chamam a nossa atenção. Nesse cenário de mudanças frequentes, habilidades ligadas à criatividade, originalidade, fluência de ideias e tomada de decisão tornam-se preciosas e fazem parte do processo de aprender a aprender. Há muito tempo, consagrados teóricos da educação já faziam referência à educação “mão na massa”, característica do movimento maker e do “faça você mesmo”. John Dewey, filósofo e pedagogista norte-americano, cujos estudos são da metade do século 20, foi o pensador que colocou a prática em foco. Para Dewey, a escola não deveria ser uma preparação para a vida, mas a própria vida. Segundo o filósofo, a aprendizagem vem da experiência, do “fazer”, e a sala de aula deve promover uma reconstrução permanente das vivências para que cada aluno possa construir o próprio conhecimento. Nessa direção, é possível afirmar que a aprendizagem criativa apóia-se na ideia de que o estudante construa o seu conhecimento a partir de uma experimentação concreta e ativa e de um agir espontâneo, como se estivesse em um jardim de infância. A partir dessa ideia de um jardim de infância, Mitchel Resnick, diretor do grupo Lifelong Kindergarten, do Laboratório de Mídia do Massachusetts Institute of Technology, defende que, independentemente do espaço físico e das ferramentas (nem sempre tecnológicas) existentes em uma sala de aula, o importante é possibilitar aos alunos um ambiente de livre criação e expressividade,


surtindo um efeito prático na vida de quem aprende. O grupo Lifelong Kindergarten - MIT Media Lab tem buscado entender como o processo cognitivo de aprender criativamente funciona e como pode ser impulsionado. O nome do grupo, que em português pode ser traduzido para jardim de infância para a vida toda, diz muito sobre esse propósito, pois, segundo Mitchel Resnick, tudo o que precisamos saber sobre aprendizagem criativa está codificado nas metodologias de ensino do jardim de infância. Mitchel Resnick inspirou-se em outro importante pensador: Friedrich Froebel, pedagogo alemão com raízes na escola Pestalozzi, que viveu em uma época de mudanças de concepções sobre as crianças e esteve à frente desse processo na área pedagógica, como fundador dos jardins de infância cujo objetivo era possibilitar brincadeiras criativas. Observando a forma como as crianças do jardim de infância adquirem e praticam o conhecimento, Mitchel concebeu a espiral da aprendizagem criativa, segundo a qual o processo criativo desenvolve-se da seguinte maneira: em primeiro lugar imaginamos algo, em seguida criamos algo a partir do que imaginamos, depois brincamos com que estamos criando, compartilhamos a nossa criação com outras pessoas e, por fim, refletimos sobre o que criamos conversando com outros. Como estamos exercitando a criatividade durante todo o processo, a espiral está em constante expansão. Segundo o pedagogo alemão, essa dinâmica seria possível por meio de quatro princípios: projetos, parcerias, paixão e pensar brincando. Unindo tais elementos com as disciplinas escolares, conferimos significado ao processo de aprendizagem. Partindo das ideias apresentadas pelos pensadores John Dewey, Mitchel Resnick e Friedrich Froebel, dois projetos pensados de maneira muito especial contemplam a aprendizagem criativa dos alunos do primeiro ano: o “Projeto brincando em família” e o “Projeto leitura em família”. No “Projeto brincando em família”, a cada semana os alunos recebem um jogo diferente para levarem e brincarem com a família. Partimos do princípio de que o brincar estimula a criatividade e as pessoas devem ser livres para experimentar e divertirem-se de acordo com suas curiosidades naturais. É na experimentação que se descobre o que funciona e o que não funciona e, com o envolvimento da família, a criança apropria-se do conhecimento, quando seus pais e familiares engajam-se nos projetos. O segundo trabalho do último trimestre é o “Projeto leitura em família” que tem como objetivo estimular o processo de alfabetização, incentivar a leitura e promover a integração entre escola e família. A cada semana, os alunos recebem um livro diferente e, após a leitura, fazem um registro a partir de desenhos, colagens ou escrita livre, no caderno de leituras, relacionado à história lida. Durante todo o processo, errar faz parte do desenvolvimento de criação e é convertido em estímulo para experimentar novamente. Dessa maneira, o desafio da escola deve ser o de criar um ambiente propício para que o aluno saia da condição de sujeito passivo, aproprie-se de tecnologias, como ferramentas, e ocupe o eixo central da aprendizagem. A fim de prepararmos os alunos para enfrentarem os desafios da contemporaneidade, precisamos de uma escola atualizada e de um professor, líder desse processo, devidamente preparado e empoderado. A espiral da criatividade nos fornece a base concreta para pensarmos em como criar e desenvolver atividades que estimulam a criatividade. Não existem limites e as possibilidades são infinitas para proporcionarmos um caminho de diversão e aprendizagem criativa.

UMA APRENDIZAGEM CRIATIVA DISCERNE DE UMA APRENDIZAGEM TRADICIONAL POR PROPORCIONAR NÃO SÓ A APRENDIZAGEM DO CONTEÚDO, MAS POR DESPERTAR A CRIATIVIDADE DO ALUNO.

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APRENDIZAGEM CRIATIVA

ENGLISH FOR YOUNG LEARNERS PROGRAMA BILÍNGUE Ana Flávia Esteves Denise Boaventura F. Pedroso Heloísa Ladeia da Silva Professoras

Há alguns anos, dominar uma segunda língua era um diferencial curricular que colocava o indivíduo em destaque no mercado de trabalho ou em qualquer área de atuação profissional. Atualmente, no entanto, com as consequências da Globalização e a presença da Internet no cotidiano de grande parte da sociedade, o conhecimento da língua inglesa passa a ser imprescindível para a presença e atuação significativa dos indivíduos nesta realidade inédita. A nova parceria do Colégio Espírito Santo com a Universidade de Cambridge (Cambridge University Press Bilingual Partner), uma das Instituições mais reconhecidas no ensino da língua inglesa, objetiva atender a esta demanda de “cidadãos do mundo” constantemente conectados. Com três aulas semanais, inseridas na carga horária da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, o programa proporciona ao aluno o aprendizado das quatro habilidades linguísticas necessárias para a aquisição do idioma — Listening, Speaking, Reading and Writing — de forma lúdica e adaptada a cada faixa etária. Nos anos iniciais, o objetivo é a familiarização com os sons do idioma em estudo, aquisição de vocabulário, frases, canções e brincadeiras. A partir do Ensino Fundamental I, os alunos passam pelo processo de alfabetização e letramento, também na segunda língua, além da expansão do repertório linguístico e maior desenvolvimento da oralidade e compreensão auditiva. Abrangendo cultura, comunicação, diferentes conteúdos e conhecimentos, aspectos imprescindíveis para o aprendizado de uma língua estrangeira, desde a Educação Infantil, os alunos estão expostos ao Inglês de forma natural, com o objetivo de que adquiram o idioma semelhantemente à primeira língua, através de situações cotidianas, contação de histórias e projetos. O ensino híbrido, também, se faz presente nas aulas que são organizadas a partir do desenvolvimento de atividades 8

interativas, gamificação, oficinas maker, atividades por rotação e utilização de diversos espaços do Colégio. Todas as atividades de ensino são contextualizadas e ajudam a preparar a nova geração para os desafios da vida. O Projeto de Ensino Bilíngue está em implantação e os resultados já são vistos em nossos alunos. Sendo a língua uma estrutura viva, entendemos que, em uma #Escola Viva, seu aprendizado acontece em todo lugar e para um mundo sem fronteiras.


APRENDIZAGEM COLABORATIVA

A RIQUEZA DA INTERDISCIPLINARIDADE Paula Souza Sampaio Professora

O contexto educacional, nos últimos anos, tem adquirido novos parâmetros curriculares que nos levam a refletir sobre a prática escolar dentro e fora da sala de aula. A escola está mudando, porque nossos alunos estão sempre em evolução, em um constante processo de transformação. O ensino fragmentado, herança da Revolução Industrial, está cedendo espaço à ressignificação do processo de ensino-aprendizagem, por meio da construção do conhecimento focado na amplitude do repertório cultural, na multiplicidade de habilidades; da produção e socialização do conhecimento. Esse modelo dialógico passou a ser ainda mais disseminado após a criação e a divulgação da Base Nacional Comum Curricular (2017), que aponta a interdisciplinaridade como um dos dez planos de ação para a aprendizagem, propiciando “estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem” (Brasil, 2017, p.12). O Colégio Espírito Santo, na constante busca pelo que há de mais inovador na educação — sem perder de vista seu carisma missionário — e comprometido com a formação integral dos educandos, proporciona, aos alunos, uma grande variedade de projetos interdisciplinares consolidados. A leitura de uma obra cujo enredo trata da Segunda Guerra Mundial, proposta pela disciplina de Língua Portuguesa, por exemplo, desdobra-se no resgate histórico da formação dos povos hebreus, nas aulas de História, e encontra espaço para a discussão acerca da tolerância religiosa, nas aulas de Ensino Religioso. Tantas outras trilhas formativas ainda poderiam ser estabelecidas no campo da Geografia, da Arte, da Matemática, culminando no relato pessoal de cada aluno e na escolha de objetos que representam aquilo a que dão valor em suas vidas, reconhecendo-se enquanto sujeitos históricos ativos. Cada proposta de trabalho de natureza interdisciplinar motiva nossos alunos e professores a interagirem e a buscarem pontos de interseção, a fim de ampliar e aprofundar conceitos, ideias, práticas e processos. Nesse sentido, as aprendizagens contextualizadas são outra fonte inesgotável de possibilidades, pois oferecem as situações reais do cotidiano, impulsionando os estudantes a articularem os conhecimentos adquiridos nas diferentes disciplinas, a fim de compreender e intervir sobre a realidade observada. Desta forma, ao visitar uma aldeia indígena, muito além do reconhecimento histórico e cultural desses povos, nossos alunos registraram olhares geográficos para a observação das paisagens, refletiram sobre a vegetação e a interferência humana na natureza, reconheceram as influências estrangeiras da sociedade de

consumo no cotidiano da aldeia, descobriram uma nova forma de comunicação, contabilizaram dados e apresentaram informações por meio da linguagem matemática, caminharam, experimentaram novos alimentos, tudo “junto e misturado”, como eles próprios descreveriam. Como está posto o conhecimento no mundo! Em uma #Escola Viva como a nossa, o trabalho interdisciplinar é um organismo pulsante e harmônico, batendo no mesmo compasso, estabelecendo relações de corresponsabilidade e de unidade, sem desconsiderar as particularidades de cada área. Por fim, o estudante reconhece o significado de sua aprendizagem e percebe-se sujeito em seu processo, enquanto nós, escola, alcançamos os nossos objetivos: uma formação ética, integral, que prepare nossos jovens para a transformação da sociedade. Referência Bibliográfica BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017.

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APRENDIZAGEM COLABORATIVA

A TECNOLOGIA A FAVOR DAS RELAÇÕES E DO APRENDIZADO Erika Minozzi Duh, Luciana Basile Mendonça Lima e Tatiana Torres Maggico Professoras

As novas tecnologias sempre agregaram à espécie humana novas possibilidades. Durante a história, encontramos vários recursos que serviram à educação, respeitando os avanços sociais da época vigente. No entanto, a tecnologia educativa que presenciamos na contemporaneidade teve início na Segunda Guerra Mundial, anos 40, quando os militares americanos receberam treinamentos a partir de cursos projetados com instrumentos audiovisuais. De fato, a tecnologia vem transformando o cotidiano das pessoas e, com a educação, não poderia ser diferente: ela é e deve ser uma ferramenta para que os processos pedagógicos possam se manter atuais. Sempre preocupado com a qualidade de ensino dos alunos, o Colégio Espírito Santo oferece uma diversidade de recursos tecnológicos para que as aulas fiquem mais dinâmicas e o processo de ensino-aprendizagem mais significativo. O uso do ensino híbrido, nas práticas educativas, é um exemplo bem sucedido da parceria entre tecnologia e educação. No Ensino Fundamental I, a maior parte das práticas híbridas utilizam a técnica rotação por estações. As aulas acontecem em um espaço propício, em que os alunos integram-se com os colegas a fim de compartilharem informações e construírem novos conhecimentos, sempre com a mediação e orientação do professor. Nessas práticas, as atividades pedagógicas são inclusivas e atrativas, aliando os recursos digitais aos recursos tradicionais e promovendo a combinação entre atividades onlines e presenciais. Esse modelo de aula tem por objetivo permitir ao aluno rotacionar por estações distintas e sentir-se estimulado a desenvolver diversas habilidades, utilizando diferentes estratégias, aplicando o conhecimento construído durante o processo, fazendo a gestão do tempo e aprendendo em pares. As atividades são finalizadas com uma roda de conversa e o levantamento dos conteúdos explorados. Ao final de cada projeto, os alunos desenvolvem as habilidades esperadas e superaram as expectativas de aprendizagem, já que os diferentes ritmos são contemplados e respeitados, em aulas envolventes e proveitosas. 10

RENOVANDO A FORMA DE APRENDER Karla Bellaparte Professora

Os nativos digitais, a nova geração de crianças conectadas, convivem cercados de tecnologias e isso faz com que haja a necessidade de um olhar inovador por parte das escolas e professores para o processo educacional dessa geração. Os novos paradigmas da educação contemporânea determinam que a escola seja um ambiente planejado para proporcionar uma aprendizagem repleta de recursos e inovações; dessa forma, a tecnologia é inserida no ambiente escolar pela necessidade de se transpor as fronteiras da educação convencional, tornando mais atrativo o processo de ensino-aprendizagem. Promover a interdisciplinaridade e a aprendizagem colaborativa, propor o uso de metodologias mais atrativas, investir na aprendizagem por autoria, valorizar o conhecimento dos alunos e promover o uso das tecnologias de forma responsável são ações que vão ao encontro dos objetivos das aulas de Informática Educacional, alinhando sempre as competências e tendências educacionais contemporâneas às novas formas de construção do conhecimento. As novas tecnologias, quando utilizadas no contexto da educação, objetivando práticas mais inovadoras, oportunizam uma renovação na forma de trabalhar os conteúdos, proporcionando aos alunos eficiência e facilidade na construção do próprio conhecimento, convertendo parte da aula num espaço real de colaboração e conquistas.


APRENDIZAGEM COLABORATIVA

LER, INTERPRETAR, CRIAR E DECLAMAR Evani dos Santos Mariana Liz S. Moura da Silva Michele Calura de Souza Lourenço Professora

Em um mundo marcado pela tecnologia, ler exige atenção e concentração, mas não perde o seu valor. Ler diverte, ensina, emociona, transporta o leitor para outros mundos e possibilita o desenvolvimento de habilidades fundamentais para a construção do conhecimento. Conforme a BNCC — Base Nacional Comum Curricular (2017), o envolvimento em práticas de leitura literária possibilita o desenvolvimento do senso estético, do imaginário e do encantamento. Dentre as diversas leituras realizadas ao longo do período escolar, encontra-se a de poema, gênero que apresenta forma e linguagem especiais. Os elementos que tornam a leitura de poemas um ato prazeroso e divertido vêm do jogo de palavras, da sonoridade, da musicalidade, do ritmo e das rimas. No entanto, não só a leitura dessa composição em versos traz benefícios, mas também a sua análise, interpretação e criação. Sendo assim, a fim de ampliar o interesse dos alunos pela leitura de poemas e intensificar o contato com esse gênero literário, desenvolvemos, há aproximadamente vinte anos, o projeto “Criando e declamando poemas”, que culmina com a produção de um livro. Após a escolha do tema, que ocorre no início do ano, o projeto é desenvolvido ao longo do ano letivo, com a realização de leituras, pesquisas, atividades e muita dedicação. A cada ano, o trabalho é aperfeiçoado; se antes os poemas eram criados apenas em língua portuguesa, agora, também, há a criação em língua inglesa. No dia da declamação, há uma outra novidade: as crianças tocam, com flautas, canções ensaiadas nas aulas de Música. Ao final do projeto, percebemos o nascimento de verdadeiros escritores e ilustradores. Os alunos do 4º ano, do Ensino Fundamental, encontram-se em uma fase marcada por importantes avanços afetivos, sociais e intelectuais. É nesta fase, também, que o processo de abstração torna-se mais visível, o que permite o trabalho efetivo com poemas, com destaque à poesia, “uma das formas mais radicais que a educação pode oferecer de exercício de liberdade” (FILIPOUSKI, 2006, p. 338). Referências Bibliográficas BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. FILIPOUSKI, Ana Mariza Ribeiro. Literatura juvenil. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

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APRENDIZAGEM SUSTENTÁVEL

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: JÁ PASSOU DA HORA DE ENTENDERMOS A SUA IMPORTÂNCIA! Douglas Albuquerque Gouvêa Natalia Costa Resende Professores

Imagem: Freepik.com

Em um Brasil de desvalorização dos biomas e da biodiversidade nativa, das queimadas ilegais e descontroladas, da biopirataria de nossas riquezas farmacobotânicas e da nossa fauna silvestre e de praias nordestinas paradisíacas assoladas por óleo e petróleo, faz-se cada vez mais necessária a conscientização e a educação ambiental nos colégios.

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A Ecologia é uma das áreas mais recentes das Ciências Biológicas. O primeiro livro de cunho ecológico publicado data do ano de 1962, escrito por Rachel Carson, intitulado “Primavera silenciosa”. Esse livro apresenta, em sua narrativa, a primeira luta dos biólogos e cientistas naturais contra o impacto do DDT (diclorodifeniltricloroetano), um pesticida usado em larga escala pelos agricultores para combater pragas e que impactou de forma direta os agentes polinizadores (como as abelhas), levando a uma primavera sem frutificação e novas florações. Desde então, a Ecologia e os movimentos de Educação e Sensibilização Ambiental vêm crescendo e disseminando-se pelo mundo, inclusive nas escolas e instituições de ensino básico. Esses temas não competem apenas às disciplinas de Ciências da Natureza e Biologia, mas são de competência transdisciplinar e permeiam diversas áreas e disciplinas. Todos os anos, a valorização do meio ambiente é um eixo integrador aqui no Colégio Espírito Santo mas, neste ano de 2019, em especial, os professores articularam-se em vários momentos para transpor as barreiras dos livros e integrar os conteúdos aos impactos antrópicos que eclodiram. Para estimular a reflexão e o debate, promovemos dinâmicas com os alunos sobre o desastre de Brumadinho, bem como a retomada do que houve no rio Doce. Realizamos momentos de sensibilização sobre o impacto das queimadas na Amazônia, o delicado equilíbrio climático do Brasil e do Mundo e a questão do impacto do derramamento de petróleo no litoral do Nordeste está em voga. Além das dinâmicas reflexivas e debates, promovemos, também, algumas ações, como conscientização quanto à destinação do lixo, em especial o lixo plástico, na Semana Sem Fronteiras deste ano, e dos anéis de alumínio, movimento organizado pelo Grêmio Estudantil. Atualmente, está sendo promovida a construção de composteiras para reciclagem dos resíduos orgânicos alimentícios, cujo adubo de alta qualidade será utilizado em uma horta futuramente desenvolvida, no Colégio, pelos estudantes do Ensino Fundamental II. A atividade de produção de composteiras visa conscientizar os alunos sobre a importância da redução do lixo orgânico e promover uma aprendizagem mais significativa a respeito dos organismos decompositores, da produção de adubo, da destinação do lixo e do impacto do consumo sustentável ao meio ambiente. A compostagem é uma prática utilizada pelos seres humanos que permite fazer, de maneira controlada e segura para a saúde, a decomposição da matéria orgânica dando origem a um material chamado composto. Ela pode ser considerada como um tipo de reciclagem do lixo orgânico, pois transforma a matéria orgânica em adubo natural a ser utilizado em jardins, hortas e na agricultura, substituindo produtos químicos, em especial, os fertilizantes que têm como função enriquecer o solo. Mas, como o lixo transforma-se em adubo? A resposta está nos seres decompositores encontrados no solo, como fungos,

bactérias, formigas e minhocas, por exemplo. Esses organismos são responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, transformando-a em húmus - material rico em nutrientes. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os resíduos orgânicos correspondem a mais de 50% do total de resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil e, somados aos resíduos orgânicos provenientes de atividades industriais e agrícolas, acumulam um total de 800 milhões de toneladas por ano. Além de ajudar a diminuir a quantidade de lixo gerada, a compostagem ajuda, também, a reduzir a produção de gases causadores do chamado efeito estufa, já que quando materiais orgânicos entram em decomposição, em aterros sanitários ou em lixões, geram o gás metano, principal responsável pelo agravamento desse efeito. Apesar desses dados, em 2018, apenas 2% dos resíduos sólidos urbanos foram destinados à compostagem. No mundo atual, em que se fala muito em sustentabilidade, talvez a utilização de composteiras orgânicas seja o primeiro passo para a redução do lixo produzido.

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APRENDIZAGEM SUSTENTÁVEL

A RESPONSABILIDADE SOCIAL E A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL REPRESENTAM UM COMPROMISSO COM A VIDA Viviane Ribeiro Linguitte Gadotti Professora

A palavra “natureza” aplica-se a tudo aquilo que tem como característica fundamental o fato de ser natural: ou seja, envolve todo o ambiente existente que não teve intervenção antrópica. Porém, a natureza tornou-se uma importante fonte de recursos econômicos para toda a sociedade, deixando, assim, de ser imaculada, haja vista a ação humana efetiva e avassaladora nos ambientes naturais. Hoje, da natureza se recolhe, para sociedade, bens lucrativos. Com essa maneira de agir e pensar gananciosamente, o homem tem cometido uma série de agressões que vem refletindo no agravamento de vários problemas socioambientais em nossa atualidade. Avoluma-se, cada vez mais, uma legião de sensatos preocupados com o futuro do nosso planeta, destacando-se o Sínodo (encontro de bispos da Igreja Católica presidido pelo Papa) deste ano, cujo tema é a floresta Amazônica. O Papa Francisco é o Papa que se dedicou à pauta ambiental e acredita que os problemas sociais e ambientais não podem ser analisados separadamente. Responsabilidade e respeito são as novas ordens sociais e ambientais do futuro e, nessa perspectiva, cabe refletir sobre o papel da escola no processo de estimular a reconexão da sociedade com a natureza, na figura das crianças e dos jovens. Como fomentar e fortalecer a consciência crítica sobre a problemática socioambiental? Como poderíamos incentivar a adoção de hábitos coletivos mais sustentáveis com o objetivo de amenizar a crise ambiental vigente? As respostas para esses questionamentos são complexas e, talvez, até inalcançáveis, porém um possível caminho a ser trilhado é protagonizar ações práticas e reflexivas, no ambiente escolar, e dar voz às crianças, seres propagadores de ações positivas de interesse social e ambiental. Uma vereda multifacetada nesse horizonte é o desenvolvimento do “Projeto horta na escola”, que tem como propósito, a partir da construção de uma horta, proporcionar um estudo baseado nas diversas áreas do conhecimento, possibilitando um aprendizado contextualizado e a formação de cidadãos mais críticos e conscientes. 14


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Vale ressaltar que as atividades desenvolvidas em uma horta escolar possibilitam aos alunos refletirem sobre seus hábitos alimentares, incentivando o reaproveitamento de matéria orgânica (composteira) para preparação do solo no cultivo de hortaliças, além de conscientizar sobre o perigo do uso dos agrotóxicos para a saúde humana e para o meio ambiente. Sendo assim, os alunos dos oitavos anos, indo ao encontro dos objetivos da Semana Sem Fronteiras, cuja delimitação do problema norteava as questões da fome na Etiópia, refletiram a respeito de meios de minimizar essa adversidade tormentosa e inaceitável em pleno século XXI. Uma possível resposta para essa questão seria, a partir de uma agricultura responsável, do ponto de vista ambiental e social, países pobres podem ser autossuficientes em produção de alimentos usando tecnologias baratas, utilizadas localmente e que não prejudicam o meio ambiente. Aliar a criatividade a um entendimento ecológico proporcionam o desenvolvimento de uma agricultura que promove a diversidade biológica e cultural o que pode ser a receita contra a fome no mundo. Diante desse cenário, os alunos foram convidados a participar de oficinas de montagem de mini hortas em jardineiras, montagem de vermicomposteira e desenvolveram trabalhos sobre o aproveitamento integral dos alimentos, sobre os benefícios da agricultura orgânica e a importância das abelhas no processo de perpetuação do Reino Vegetal. A culminância desse projeto contou com a realização de uma grande feira que teve a participação de agricultores produtores de frutas, hortaliças, tubérculos e PANC (Produtos Alimentícios Não Convencionais) orgânicos e um apicultor de mel orgânico com abelhas sem ferrão nativas brasileiras. Os alunos expuseram a sua composteira e mini horta e realizaram explanações dialogadas com os visitantes sobre os diversos temas estudados, em especial, sobre a elaboração, manutenção e cultivo de hortas caseiras. O presente trabalho, além de alcançar os objetivos propostos, inspirou ideias para novos projetos a serem desenvolvidos, como a construção de uma horta, em 2020, para o cultivo de hortaliças, o que permitirá a aplicação e ampliação do conhecimento já adquirido. A responsabilidade social e a preservação ambiental significam um compromisso com a vida e o desenvolvimento de projetos como esse, efetivamente, possibilita reflexões que resultarão em mudanças para um mundo melhor.

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APRENDIZAGEM SOLIDÁRIA

POR QUE FAZER A DIFERENÇA É O QUE REALMENTE VALE A PENA

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Erica da Silva Carneiro Professora

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O Projeto de Voluntariado, desenvolvido com os alunos dos nonos anos, tem por objetivo ser a parte prática das aulas de Ensino Religioso, ou seja, após refletir sobre conceitos de valorização da vida, alteridade, importância das ONG’s e tantos outros, é preciso viabilizar espaço para que a prática seja vivenciada e, assim, faça parte da vida de nossos alunos, não sendo apenas uma mera reflexão. A partir dessa proposta, os alunos, em grupos, são motivados a planejar propostas de atividades a serem realizadas com as crianças que frequentam o Centro de Integração do Migrante, uma Instituição mantida pelas Missionárias Servas do Espírito Santo. Além dessas atividades, os voluntários têm o papel de ajudar nas aulas de Informática, auxiliar na organização do lanche que é fornecido às crianças e abrir o coração para acolhê-las, o que não é uma tarefa difícil, já que elas os acolhem primeiro. A cada visita, a experiência confirma a mesma certeza: quando doamos o nosso tempo a alguém ou a uma causa, o que recebemos é incomensurável, pois nos preenche de tal forma que nos dá sentido, e essa é a única busca realmente válida em nossa vida. A dura realidade das crianças filhas de migrantes que, muitas vezes, não têm nem o que comer em casa, tem sensibilizado nossos alunos e despertado neles o desejo de fazer a diferença, de levar alegria e serem corresponsáveis pela transformação, por menor que seja, dessa realidade sofrida. É muito bom perceber que, naquele espaço, a diferença de classe social perde sua importância e o que prevalece é a relação, o carinho expressado em cada gesto, em cada brincadeira, em cada abraço. Naquele espaço, a construção de uma sociedade mais justa e fraterna torna-se possível, concretiza-se na alegria, no encontro entre jovens e crianças que se unem por caminhos traçados pela certeza de que um novo mundo é possível. A alegria do encontro, a expectativa contagiante da chegada de cada criança, marcam nossas tardes de sexta-feira e impelem cada aluno a sentir-se importante e necessário, alimentando a chama da esperança que nossa sociedade insiste em apagar, mas que, no sorriso ingênuo e inocente da criança, encontra o acalanto e a força necessária para reacender, iluminar, fortalecer e brilhar, mostrando para o mundo que cada um de nós faz, sim, muita diferença!


SOLIDARIEDADE Ana Aparecida Martins Ferreira Professora

O SEMEADOR SAIU A SEMEAR… (LC 8, 15) Max de Oliveira Faria Professor

Olá, sou o Max e minha missão no Colégio Espírito Santo, além de atuar como professor de Ensino Religioso, é acompanhar os jovens da Perseverança: um grupo, muito especial, que já faz uma caminhada religiosa desde a catequese de 1ª Eucaristia, mas que necessita exercitar sua fé com obras concretas, a fim de consolidar e afirmar sua crença em Deus. Utilizamos, em todos os momentos de encontros, dinâmicas, músicas e campanhas solidárias como pretextos, pois a real intenção é formar um cidadão consciente, atento, criativo e agente de transformação social, pois percebemos que nossa juventude não está alheia ao que acontece ao seu redor. A cada dia, encontramos grandes desafios que nos obrigam a criar novas estratégias para amenizar a vida daqueles que mais necessitam. E, justamente, esse é o perfil de nossos adolescentes “perseverantes”. A cada encontro, nossos jovens chegam com novas e boas ideias, motivações vindas de uma observação atenta da realidade que os cerca e uma gana enorme de colocar tudo em prática. Essa atitude é bem própria dessa juventude que não suporta mais a injustiça, o preconceito e todas as formas de exclusão. Venho percebendo que tenho ao meu lado pessoas muito especiais, que serão fontes de água viva no deserto da incompreensão, do descaso e da miséria espiritual. Lembro-me muito de uma oração: “Precisamos de Santos sem véu ou batina. Precisamos de Santos de calças jeans e tênis. Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos”. Percebo que a santidade não é algo distante e inalcançável, ser santo significa acreditar que uma realidade pode ser transformada com alegria, trabalho sério e criatividade. Ao final de cada encontro, saio com a nítida certeza de que minha missão de educador ganha novo sentido, pois perceber a semente transformando-se em uma bela e frutífera árvore é o

Vou rabiscar uma canção qualquer que fale das culturas negras, indígenas, mulatas, amarelas e de todas as culturas autóctones. Vou rabiscar uma canção que fale dos deuses e deusas da antiguidade, da modernidade e do além. Vou rabiscar um arco-íris que quer brilhar, mas se encontra inacabado e ofuscado. Vou rabiscar um rosto confiante, carente, que passa fome, que dorme atrás dos shoppings centers, nas calçadas das igrejas e em nossas portas. Vou rabiscar uma mão negra solidária, carinhosa, brilhante e amiga. Vou rabiscar o útero da natureza - teia do amor de Deus, que tece a Amazônia, pulmão da vida no Planeta Terra. Vou rabiscar as mãos vazias do capitalismo, cheias de egoísmo e de poder. Vou rabiscar os abraços dados sem graça. Vou rabiscar as mãos dadas que se cruzam para construir. Vou rabiscar um menino, uma menina feridos, marcados, que procuram aconchego numa noite fria. Vou rabiscar nossas mãos que acolhem, que limpam, que cozinham, que vestem, que escrevem, que pintam e que acolhem. Vou rabiscar o dia a dia do mundo das nossas crianças. Elas são como águias nas mãos de Deus e sonham com um mundo lúdico de amor e de paz. Vou, enfim, escrever a minha paixão por este mundo complexo, carente, violento e bonito. Vou rabiscar a minha e a sua incompletude, nesta etapa de inauguração do meu, do nosso grão de areia na arquitetura deste mundo. Vamos desenhar um novo mundo sem violência, sem fome, sem medo… Vamos imprimir o novo, o belo, a elegância, as liberdades individuais, a alegria e a paixão pela vida.

sonho de todo semeador. 17


APRENDIZAGEM COMPARTILHADA

COMPARTILHAR PARA APRENDER: CONSTRUÇÃO DO AGORA Patrícia Ribeiro Campos Professora

Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, buscou, através do seu conhecimento e sensibilidade, alfabetizar e politizar cidadãos. Para ele, nós somos responsáveis por nossa educação e mediados pelo mundo. Freire também defendia que os professores deveriam ser facilitadores de aprendizagem e que não deveriam desconsiderar o repertório de vida de seus estudantes. Para o filósofo, entretanto, isso não significava que um aluno precisasse, apenas, que lhe facilitassem as condições para o autoaprendizado, mas que o professor deveria assumir um papel diretivo e informativo em sua formação. Isso porque, paradoxalmente, ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas não aprendem sozinhas. Em sala de aula, todos aprendemos, porque cada um de nós carrega uma cultura e, em condições afetivas e democráticas que permitam a comunicação,

“Nos sentimos privilegiadas por participarmos do Icloc. Crescemos como seres humanos, aprimoramos o nosso conhecimento. Agradecemos pela oportunidade.” Anna Laura Natário, Giulia Moreira e Pietra Lemos Estudantes da 1ª série do Ensino Médio

essa bagagem pode ser compartilhada, misturada aos demais saberes e pensares. Nessa direção, os projetos “Construindo e Aplicando o Conhecimento e Introdução à Pesquisa Acadêmica”, que resulta na produção de uma monografia, desenvolvidos com os nonos anos do Ensino Fundamental II e com a terceira série do Ensino Médio, respectivamente, oportunizam a proatividade e colaboração necessárias para que nossos estudantes, a partir do seu cotidiano, repensem o mundo e aprendam com a sociedade e seus problemas. É preciso considerar que essa aprendizagem, diária e invisível para muitos, ocorre em todos os lugares, mas, na escola, desenvolvem-se práticas específicas que, se pensadas para além de seus muros, permitem que os estudantes dominem códigos e transitem pelas esferas sociais e humanas, atuando efetivamente. Todos já

“O Icloc foi uma experiência muito engrandecedora para nós três. Foi muito bom apresentarmos a nossa pesquisa novamente e ter acesso a outros trabalhos. Foi uma honra para nós e algo que nunca esqueceremos. Aline Piva, Gabriela Moriggi, Rafaela Colisse Estudantes da 1ª série do Ensino Médio

“Participar do Icloc Jovem foi, para nós, extremamente gratificante, pois após a nossa participação no Congresso, adquirimos mais confiança para falar em público e temos mais segurança para fazer trabalhos acadêmicos, além de termos a oportunidade de compartilhar o nosso conhecimento com outras pessoas.” Isabella Menezes, Luiza Cinzento e Marina Esteves Estudantes da 1ª série do Ensino Médio

“No começo estávamos muito nervosos, pensando que iríamos esquecer do que precisávamos falar ou algo pior. Quando chegamos ao Instituto Singularidades e apresentamos o nosso trabalho, foi um alívio e percebemos que não tinha motivo de tanta ansiedade. As outras apresentações foram interessantes e gostamos muito de vivenciar essa experiência.” Laura Martins, Maria Fernanda e Mariana Souza Estudante da 1ª série do Ensino Médio

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“Nossa experiência no Icloc foi muito proveitosa. Toda a organização do Congresso nos mostrou o quão importante é ampliar o conhecimento e compartilhá-lo com pessoas do Brasil inteiro. A partir dessa experiência, conseguimos aprimorar a nossa comunicação, coragem e curiosidade.” Isabela Morais, Julia Morais e Mateus Morais, Estudantes da 1ª série do Ensino Médio


e t.d.i. com.par.ti.lhar v.t.d., t.i. ticipar de; par ; Ter ou tomar parte em compartir; partilhar.

O EU E O VOCÊ NA sabem, por exemplo, que, em nosso país, muitos não têm acesso ao saneamento básico ou à água potável, que não descartam corretamente o lixo, que não conhecem o próprio idioma, nem leem competentemente, que consomem energia e produtos de forma irresponsável. Mas, como cidadãos, o que propor como soluções exequíveis para esses problemas? As respostas existem, as soluções são possíveis, os caminhos, acessíveis. Eles emergem dos conhecimentos adquiridos, da observação, da imitação, da partilha entre aqueles que oferecem um pouco do que sabem, para receberem o que ignoram e construírem o que transforma. Não se trata mais de dominar as rotinas do dia a dia, mas de apreender elementos fundamentais e desenvolver competências que requerem iniciativa e colaboração. Somente

aprender v.t.d de. T.i. 1. Tomar conhecimento o), graças a (alg de az cap -se 2. Tornar eriência, etc. Int. estudo, observação, exp de algo, 3. Tomar conhecimento ças a estudo, retê-lo na memória, gra etc. a, nci observação, experiê

assim, ensinando que o outro é a possibilidade e a razão do aprendizado, podemos dizer que a escola cumpre seu papel. Até mesmo, porque os outros somos nós. No dia 19 de outubro deste ano, alguns estudantes do Colégio Espírito Santo (1a e 3a séries) participaram do 5o Congresso ICLOC Jovem, voltado para alunos de escolas públicas e particulares, que proporcionou um espaço para apresentação dos trabalhos científicos realizados. Os estudantes do 9º ano apresentaram os trabalhos de pesquisa que fazem parte do “Projeto Construindo e Aplicando o Conhecimento” e os estudantes da 3a série apresentaram suas monografias, que fazem parte do “Projeto Introdução à Pesquisa Acadêmica”.

“Minha experiência no Icloc foi extremamente gratificante! Foi um momento único de aprendizado e compartilhamento de conhecimentos. Foi possível conhecer diversas opiniões de vários setores da sociedade. Foi muito importante para a minha vida acadêmica e pessoal apresentar minha monografia naquele espaço tão acolhedor. Agradeço muito pela oportunidade, foi uma experiência engrandecedora.”

“Ter participado do Icloc foi uma experiência maravilhosa. Pude compartilhar meus conhecimentos e, também, aprender um pouco mais sobre outros assuntos. Gostaria de agradecer ao CES por ter me incentivado a participar e proporcionado essa experiência de realizar uma monografia, um trabalho engrandecedor.

Yuri Andrews Santos Estudante da 3ª série do Ensino Médio

Ana Clara Mariano Iordanu Estudante da 3ª série do Ensino Médio

“Minha experiência no Icloc foi maravilhosa. Além de poder mostrar minha pesquisa a outras pessoas, pude presenciar um produtivo choque de gerações no debate, com jovens de mente aberta que buscavam novas e tecnológicas soluções para os problemas atuais e adultos que já passaram por essa fase, com experiência e vontade de colaborar.” Natan Viana Santos Estudante da 3ª série do Ensino Médio

“O Icloc foi um Congresso que me cativou e aumentou o meu desejo de participar de outros Congressos. Isso porque, depois das várias apresentações, pude perceber o quanto os jovens precisam estar prontos para tomarem decisões conscientes que envolvem o presente e o futuro do planeta. Assim, a realização de trabalhos de pesquisa podem contribuir e muito para a tomada dessas decisões.” Leonardo de Lima Inoue Estudante da 3ª série do Ensino Médio

“Minha experiência no Icloc foi única. Sou muito grata ao Colégio Espírito Santo por ter me proporcionado essa oportunidade. A equipe foi extremamente acolhedora, oferecendo auxílio e apoio o tempo todo. Além disso, o que tornou tudo mais fácil e tranquilo foi a organização impecável, tanto dos apresentadores, quanto da equipe de organização. Pude compartilhar os meus conhecimentos e aprender muito com os participantes, tornando-se, assim, uma experiência muito construtiva.” Beatriz Cardenes Estudante da 3ª série do Ensino Médio

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APRENDIZAGEM COMPARTILHADA

“Nossa experiência foi extremamente gratificante, pois aprimoramos o nosso conhecimento e ampliamos o nosso repertório, com o debate realizado após as apresentações.” Tiago V. Viana e Silvio Rafael F. Sousa Estudantes da 1ª série do Ensino Médio

“A minha experiência foi absolutamente enriquecedora! Pude divulgar a minha monografia para pessoas dispostas a contribuírem com perguntas construtivas. Após o evento, recebi um certificado que comprova a minha participação o que ficará marcado para sempre em mim e em meu currículo, algo simplesmente sensacional, tratando-se do futuro profissional que seguirei. Foi uma experiência, certamente, inesquecível.” Pedro Vianna Estudante da 3ª série do Ensino Médio

“A monografia por si só já foi um processo encantador e fantástico; logo, ter a oportunidade de reapresentar esse trabalho e de conhecer outros projetos que abordaram assuntos próximos foi extremamente enriquecedor. Ter acesso a outros grupos que lutam pelo futuro traz uma sensação incrível de identificação e pertencimento. Foi uma experiência que beira o indescritível, saí da apresentação motivada, emocionada e determinada a continuar na luta pelo que acredito. Não conheço maneiras de agradecer a todo apoio e incentivo.” Maria Paula Passeri Estudante da 3ª série do Ensino Médio

“Foi um enorme prazer poder disseminar os conhecimentos adquiridos ao longo dos três anos de desenvolvimento do projeto “Introdução à pesquisa acadêmica”. Fiquei extremamente realizada quando vi que todos ali presentes questionavam demonstrando interesse em meu trabalho. A repercussão foi muito boa, fui muito elogiada o que me deixou muito feliz; sem contar que tenho a certeza de que essa experiência agregará muito ao meu futuro desenvolvimento profissional.” Luana Christyna Estudantes da 3ª série do Ensino Médio

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APRENDIZAGEM COMPARTILHADA

PRODUTORES DE VLOG: CADA LEITURA, UMA AVENTURA Christiane Rodrigues Fernandes Professora

De acordo com um relatório publicado pela Cisco (líder mundial em TI e redes), 80% de todo o tráfego da internet é gerado por conteúdo em formato de vídeo. No entanto, esse conteúdo não é gerado só por adultos ou especialistas da área mas, também, por crianças e adolescentes que passam grande parte do tempo conectados. Diante dessa realidade, vislumbramos possibilidades de ampliar o uso de novas metodologias na educação, possibilitando aos alunos desenvolverem potencialidades exigidas nas profissões do futuro e estarem mais preparados para as transformações e atualizações constantes nos diversos ambientes de trabalho.

Sabemos que, atualmente, um profissional precisa ampliar as visões sobre sua atuação e desenvolver competências fundamentais, como autonomia, colaboração, curiosidade investigativa, pensamento crítico, gestão da informação, gestão de processos, resolução de problemas, comunicação, liderança e criatividade. Vivenciamos o momento da inovação na educação e torna-se urgente pensarmos formas de auxiliar as crianças e os adolescentes a tornarem-se autônomos e produtores de conhecimento. Com esse pensamento, os alunos dos quintos anos foram

desafiados a produzir uma resenha em formato de vlog, que é a abreviação de videoblog (vídeo + blog), um tipo de blog em que os conteúdos predominantes são os vídeos. A primeira etapa da atividade foi a escolha de um “livro preferido” e a estruturação de uma resenha, de acordo com as características do gênero, que estimulasse a curiosidade das pessoas e as aproximasse da prática de leitura. Os alunos produziram suas resenhas por escrito, reavaliaram os textos e transformaram-nos em falas para a gravação dos vídeos que foram, posteriormente, avaliados e gravados sob a orientação das professoras de Língua Portuguesa dos quintos anos. Os alunos puderam desenvolver a capacidade de expressão oral clara, com a intenção de serem compreendidos, utilizando tom de voz, pronúncia e ritmo adequados, competências presentes na BNCC (Base Comum Nacional Curricular). A etapa final contou com a atuação da equipe de Tecnologia da Educação do Colégio, possibilitando, assim, a concretização do vlog “Cada leitura, uma aventura”, reunindo cerca de 90 vídeos de resenhas dos mais variados estilos de livros. Finalizando o projeto, os alunos assistiram tanto aos próprios vídeos, como aos dos colegas e realizaram uma autoavaliação para aperfeiçoamento dos detalhes de comunicação dos vloggers, visando futuras gravações e ampliação do vlog. O projeto foi um sucesso e muito gratificante para alunos e educadores, pois permitiu estreitar relações, socializar conhecimentos e preferências dos nossos pequenos leitores. Para conhecer o vlog, acesse: www.sites.google.com/prod/ cessp.com.br/cadaleituraumaaventura, curta os vídeos e aventure-se pelo mundo maravilhoso da literatura. 21


APRENDIZAGEM COMPARTILHADA

LEITURA COMO FRUIÇÃO E INSPIRAÇÃO Cristiane Imperador Professora

A prática da leitura se faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a compreender o mundo a nossa volta. No constante desejo de decifrar e interpretar o sentido de tudo o que nos cerca, lançamos olhares e realizamos leituras. Lemos para aprender, para conhecer, para consultar, para refletir, brincar, por prazer… lemos para viver. Torna-se desafiante despertar o encantamento pela leitura nas crianças, principalmente nos dias atuais, em que o apelo tecnológico é muito intenso. No entanto, sabemos que a ler é uma habilidade fundamental para a busca por saber e é ela que

propicia a percepção de diferentes aspectos da realidade e incita à sua transformação. Em vista disso, o Colégio Espírito Santo acredita que a escola é um ambiente privilegiado para o acesso ao texto literário e desenvolve inúmeras ações sob a perspectiva de encantar as crianças pelo gosto da descoberta que a leitura proporciona, sem tornar tal prática enfastiante ou obrigatória. O encantamento pelos livros começa desde cedo. Na Educação infantil, são desenvolvidos inúmeros projetos que trabalham com as palavras lidas, faladas e escritas. Na sala de aula do primeiro ano, todo dia é dia de leitura. Com muito incentivo da professora, 22

eles não passam um só dia sem ler ou ouvir histórias que não ficam apenas nos livros, fontes de informação, prazer e lazer; mas fazem parte da imaginação que cria, recria e transforma leitores em escritores e ilustradores. Segundo Caroline Souza Dias de Carvalho e Emanuela Emi Arikawa Rodrigues, alunas do primeiro ano A, foi Felipe Galvão Carvalho quem inspirou os colegas a produzirem suas próprias histórias. Leitor assíduo, Felipe, que tem os livros como paixão, já escreveu algumas obras, dentre elas “A corrida com a árvore”, “A corrida com as frutas”, “As formigas”, “A casa assombrada”, “O passarinho que não sabia voar”, “O menino que não sabia ler”, “Qual é a fantasia?” e está preparando a sua próxima história: “Neve azul”. Quando crescer, Felipe quer ser escritor, porque, segundo ele, é a partir das histórias narradas nos livros que viajamos para mundos imaginários e encantadores. O gosto pela leitura nasceu assim que ele aprendeu a decifrar as palavras e passou a frequentar a Biblioteca. Nas férias, Felipe leu 32 livros e diariamente incentiva os amigos a lerem e produzirem histórias. Gabriel Kiyoshi Soares Hino, também, foi picado pelo mosquitinho da leitura e escrita e compartilha produções: ora escreve, ora ilustra. Júlia Paiva Môsna e Rafaela Garcia Massano em breve produzirão o livro “Ovelhinha Sassá e ovelhinha Julinha”. Ler é uma atividade frutífera e prazerosa. Quem ama ler tem nas mãos a chave de um mundo novo, de gente mais alegre, mais viva e questionadora. Quem não lê, não vê o mundo em sua intensidade e variedade, só fala palavras já ditas que pouco acrescentarão aos rumos da vida. Sendo assim, é sempre importante banhar-se na água corrente da leitura e sentir-se vivo e renovado. A leitura é um poderoso e essencial instrumento para a sobrevivência humana.


VIVER EM UM NOVO MUNDO

O TEMPO NÃO PASSA, O MUNDO É QUE SE TRANSFORMA Débora Romagnoli Professora

Pode parecer loucura achar que o tempo não passa, mas ao pararmos para refletir que o tempo, em si, não existe, que é somente uma forma de percepção da realidade, então, realmente, ele não passa e o que percebemos é a transformação do mundo. A famosa expressão do poeta romano Horácio: “carpe diem”, representa, diante dessa concepção de tempo, dar melhor qualidade ao dia, aos afazeres cotidianos e às experiências. Observamos a natureza, os animais e os seres humanos nascendo, crescendo, desenvolvendo-se e morrendo, a partir daquilo que chamamos tempo, não como algo em si, mas uma maneira de perceber as transformações. Um exemplo claro é quando estamos realizando algo enfadonho e temos a percepção de que a vida não passa; ao mesmo tempo que quando realizamos algo prazeroso, percebemos o tempo passar rapidamente. A percepção do tempo depende de cada experiência, de cada pessoa, de cada observador, diante de uma determinada situação. O tempo pode ser imaginado como um dos deuses mais generosos do panteão de nossa psique, pois nos presenteia com a sabedoria, a paciência, o discernimento e a saudade transformada em um sentimento de aconchego, embalada no mesmo pacote da doçura e das boas lembranças. Caso insistirmos que o tempo

seja essa entidade, esse deus do panteão da vida de nossa psique, talvez caiamos numa cilada, pois ele prega peças em nós de vez em quando. Muitos estudiosos afirmam que não importa quanto tempo é dedicado aos filhos, desde que o tempo, que é a própria vida colocada nas relações, tenha qualidade. Muito comumente ouvimos pessoas reclamando que o tempo está passando rápido demais, pois estão vendo seus filhos crescerem e pedem, de forma simbólica, para ele ir mais devagar. No entanto, se o tempo para, a vida para, se ele for devagar, a vida segue da mesma forma. Precisamos viver o presente, saborear cada instante, deixar fluir o momento com tudo aquilo que ele nos traz, “carpe diem!” Contudo, se algo é indissociável ao que chamamos de tempo, esse algo é também a sua maior característica: a mudança. O tempo, além da doçura, do discernimento e da paciência, nos traz mudanças.

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VIVER EM UM NOVO MUNDO Ao refletirmos que nada é eterno, no sentido de que as transformações e as mudanças sempre ocorrem, o que eu fui há um minuto, agora não sou mais e estou me transformando em outro ser — que pensa e, acima de tudo, sente, sem dúvidas — com novas experiências acumuladas. Sendo assim, não há como não citar dois grandes filósofos pré-socráticos conhecidos: Parmênides e Heráclito, que contribuíram para a nossa compreensão sobre o tempo e as mudanças.

DA SOLIDEZ À FLUIDEZ: O DESAFIO DA EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI Carlos Aurélio Sobrinho Professor

Em dois mil e seiscentos anos de história da Filosofia, muitos pensadores refletiram sobre o fenômeno da transformação. Diante de um mundo que se modifica com rapidez espantosa, um breve resgate de tais reflexões nos permitirá compreender o lugar assumido pela educação hoje. Nos primórdios da Filosofia, duas posições antagônicas buscaram entender qual o real significado do movimento do ser, isto é, da transformação pela qual ele passa. Heráclito de Éfeso (540 a.C - 470 a.C) afirmava que o que determina a essência do ser é a condição de estar sempre em transformação. Ao sentenciar que 24

Para Parmênides nada muda, o “ser” é e o “não ser”, não é! Enquanto que para Heráclito, seu contraponto, tudo muda o tempo todo: “Tudo flui e nada permanece.” Isso é muito bom, porque assim como a alegria vai embora, a tristeza faz o mesmo e nos renovamos. A felicidade está nesse caminho ao nos mantermos tranquilos, independentemente das circunstâncias externas. O tempo passa, ou melhor, a nossa percepção em relação às nossas experiências transformam-se. Sendo assim, podemos concluir que aquilo que insiste em não mudar, morre.

“ninguém pode se banhar duas vezes no mesmo rio”, declarava que tanto o rio quanto o sujeito que nele adentra não são os mesmos do instante anterior, tendo em vista que as transformações são processadas a cada instante de tempo. Para Heráclito, são as transformações – a eterna mudança – e não a permanência que determinam a existência do ser. Em oposição direta, para Parmênides de Eléia (530 a.C - 460 a.C) as transformações indicadas por Heráclito estariam, na verdade, apenas no âmbito da aparência. Para ele, tudo o que existe, assim o é porque possui uma essência, sendo esta imutável, permanecendo como sempre foi. Ou seja, para Parmênides, não há com o que se preocupar quanto às transformações, pois elas não alteram a essência do ser. Na disputa entre os dois filósofos, Parmênides levou vantagem. Durante séculos, foi a sua teoria que determinou a visão de mundo da civilização ocidental. O surgimento da sociedade industrial, no


século XIX, inicia um lento, porém duradouro, rompimento com tal visão, o que conduziu os indivíduos a uma nova percepção de mundo, sendo esta calcada na inconstância. Saltando da Antiguidade Grega para o mundo contemporâneo, três pensadores nos auxiliam nas reflexões acerca do tema em questão. Analisando criticamente a modernidade, Karl Marx (1818 - 1883), Marshall Berman (1940 - 2013) e Zygmunt Bauman (1925 - 2017), cada qual a seu modo e tempo, mostraram que a civilização a qual pertencemos possui como característica fundamental a não rigidez. Enquanto Marx e Berman afirmaram que na modernidade “tudo o que é sólido se desmancha no ar”, Bauman utilizou a metáfora da liquidez para explicá-la: da mesma forma que um líquido se adapta ao recipiente em que é colocado, moldando-se

a ele, o indivíduo também é levado a uma constante adaptação conforme as exigências de nosso modo de vida atual. Assim, tal como Heráclito, os pensadores Marx, Berman e Bauman conseguiram compreender que o que determina fundamentalmente a realidade – e, portanto, a nossa existência – é a inconstância decorrente das transformações. O que esses pensadores nos ensinam sobre as transformações pelas quais a instituição escolar e a educação têm passado nas últimas décadas? Durante os séculos XIX e XX, o que prevaleceu foi um modelo rígido fundado ainda na ideia parmenediana de realidade. Ou seja, acreditava-se que havia uma essência de aluno, de professor, de escola, de ensino-aprendizagem que deveria ser alcançada para obter êxito. As instituições sociais e, portanto,

também a escola, tinham como característica a rigidez, a solidez. Cada indivíduo deveria se sujeitar ao modelo-padrão e nela permanecer praticamente durante a vida toda. Já no século XXI, o movimento iniciado lentamente, no século XIX, e impulsionado pela emergência da sociedade industrial ganha força. A velocidade das transformações é cada vez mais acentuada, exigindo uma concepção de educação menos rígida e mais flexível. Sendo assim, cabe à escola contemporânea diagnosticar, de tempos em tempos, as demandas da sociedade, a fim de elaborar um projeto pedagógico que permita uma formação acadêmica e humana em consonância com as constantes inovações sociais. Em suma, ao compreendermos a máxima marxiana ou bermaniana de que “tudo o que é sólido se desmancha no ar”, assim como o fato de que nossas relações cotidianas são líquidas, conforme Bauman, estaremos aptos a iniciar as transformações tão fundamentais à educação brasileira.

O DESAFIO DE SER JOVEM NA CONTEMPORANEIDADE Agostinho Travençolo Junior Coordenador Missionário

Com o passar do tempo, tudo se transforma e com a juventude não é diferente. O que era ser jovem a 20 anos atrás não é mais. Os jovens da pós-modernidade têm desejos, sonhos e buscam objetivos diferentes, reafirmam suas personalidades, ao mesmo tempo em que fazem parte de grupos, o que se torna paradoxal, mas fortalece a juventude. Os diferentes atraem-se, unem-se em causas comuns, lutam por ideais, sem perderem de vista as suas perspectivas individuais. Nada melhor do que perceber a juventude ouvindo os 25


VIVER EM UM NOVO MUNDO

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próprios jovens falarem. O que sai do coração, torna-se razão e evidencia uma geração que marca presença em um mundo, muitas vezes, incerto e mutável. Em um bate papo informal, jovens de 15 e 16 anos falaram de seus desejos, angústias, carreira, escola, sonhos e amizades. Ser estudante, no século XXI, é viver desafios, conviver com o diferente, dedicar-se, lidar com cobranças mas, ao mesmo tempo, também é prazeroso, segundo João Pedro Dourado, principalmente, quando se “adquire vários conhecimentos, se descobre coisas novas com os professores e com os amigos, se dialoga sobre assuntos que em casa não é possível abordar”. Outro desafio, enfrentado pelos jovens, é lidar com o tempo, em uma sociedade marcada pela liquidez e tecnologia, em que tudo, rapidamente, torna-se passageiro e obsoleto. Será

que temos de ter mais tempo para perder? Será que temos de aprender rapidamente para passar no vestibular e conquistar uma carreira de sucesso? Quanto tempo temos mais? Diante dos olhos daqueles que respondem às perguntas: a juventude se esvai aceleradamente… O tempo também intensifica a cobrança que o jovem vivencia por ter de entrar em uma faculdade federal, ter de passar no ENEM. As tomadas de decisão devem ser muito rápidas. Essas cobranças, segundo eles, “vem do próprio jovem, em primeiro lugar; em seguida, são externas, por parte da família, da escola e dos professores”, lembra Tiago aluno da 1ª série do Ensino Médio. Quem pensa que os jovens são desinteressados engana-se. É fato que os interesses daqueles que nasceram entre os anos

de 2003 e 2004 são bem diferentes daqueles que nasceram na década de 80 ou mesmo 90. Os jovens engajam-se e interessam-se por aquilo que tem aplicação, faz sentido e possui significado. “Quando se aprende o que pode ser usado tudo se torna mais significativo.”, diz Anna Laura. É unânime, entre eles, que a geração atual tem muita empatia. Para Isabella, “a maioria pensa no outro antes de fazer alguma coisa. Essa relação que a gente vai criando, conforme os anos vão se passando, é muito importante e faz muita diferença.” Todos percebem que são privilegiados e valorizam o que conquistaram. Quando questionados a respeito dos sonhos, responderam que almejam um mundo em que o outro seja aceito independentemente da cor, da cultura, da religião, do país de origem. “Todos somos seres humanos, há riqueza na diversidade”, afirmou Mariana.

Passa ano, sai ano, vai juventude, vem juventude, as transformações chegam, mas há valores que permanecem. A amizade perpetua e os amigos unem-se, dão conselhos, ajudam, criticam, caso seja preciso, mas sempre com a intenção de ajudar. Ser jovem, na atualidade, é desafiador. Ser jovem, na atualidade, é engrandecedor! Alunos que participaram do bate-papo: Anna Laura Van Der H Natario, Aline Maria S. Bellangero, João Pedro Dourado F. de Maria, Isabella Menezes de Oliveira, Luiza Perestelo Cinzento, Marina Esteves Pelegrina, Mariana de Souza Ferreira, Tiago Valentim Viana, todos estudantes da 1ª série do Colégio Espírito Santo.

Texto publicado também no Blog https://blog.ssps.org.br


POR UM MUNDO MAIS SENSÍVEL Heber Ramos Sanches Professor

Tenho ouvido, constantemente, frases que indicam que nossa sociedade está em transformação, que a tecnologia tem alterado significativamente a psiquê das novas gerações, que um novo ser humano emergirá dessa revolução tecnológica. Tais anúncios têm incomodado meus pensamentos, levando-me a repensar minhas práticas pedagógicas. De tais incômodos, surgem questionamentos como: quais são os valores deste novo mundo? Que

Manipular pequenos objetos produzindo com eles sons expressivos, misturar tintas na criação de formas e na organização de pinturas, dar-se conta de como a sucessão de passos e gestos constituem uma dança são ações simples e primitivas, mas continuam gerando em nós uma intensa sensação de vida, porque essas atividades nos põe, simultaneamente, em contato com muitas de nossas dimensões existenciais. A alegria manifestada no olhar das crianças quando percebem que os poucos sons que sabem produzir em uma flauta-doce são suficientes para gerar uma melodia plenamente faz com que elas a mantenham em suas mãos, não só nos momentos de aula, mas também nos intervalos e momentos recreativos. Aprender a tocar no violão o acompanhamento de uma canção simples faz com que os amigos reúnam-se em roda em

conhecimentos são pertinentes? Que capacidades são fundamentais neste mundo? As transformações do mercado de trabalho e a necessidade de formar alunos, não para ocupar uma posição em uma grande empresa, mas para tornarem-se gestores de sua própria atividade profissional é uma verdade no atual cenário econômico. Como a educação artística pode contribuir para isso? As artes têm sido um dos mais intensos veículos da expressividade humana ao longo da história, através delas temos manifestado nossas crenças, anseios, paixões e desejos mais profundos, que são uma demonstração daquilo que mais nos caracteriza enquanto seres humanos. Não somos só racionais e tecnológicos, somos também afetivos, expressivos e espirituais e essa imensa diversidade de características é o que nos caracteriza como seres humanos. Por isso, as artes alcançam em nós a nossa mais profunda humanidade e trabalhá-las diariamente pode tornar-nos capazes de caminhar em meio às incertezas de um mundo em transformação com a convicção de que quando esse novo mundo se revelar completamente ainda seremos capazes de impor a ele nossa humanidade.

torno de um instrumento musical com um objetivo comum de manifestar muitos dos mais antigos sentimentos como: amor, saudade, solidão, raiva, rancor, em um momento profundamente catártico. Ensaiar passos para a coreografia da festa junina evidencia a alma expressiva que habita e comanda um corpo, que quando utilizado assim, independente das formas e proporções que possua, torna-se belo e vivo. Toda a nova tecnologia digital que a sociedade possa produzir, assim como qualquer outro objeto produzido anteriormente, exigirá a intervenção expressiva, afetiva e espiritual humana para conferir-lhe vida. 27


TEMPO ONTEM, HOJE E AMANHÃ

PERCEBENDO A PASSAGEM DO TEMPO Luísa Helena Pereira Andrade Curzio Samantha Mattioli Gomes Professoras do Ensino Fundamental I

De acordo com que aprendemos nas aulas de História e Matemática, podemos caracterizar o tempo como sendo a demarcação de um período em que um fato acontece ou aconteceu e que pode ser medido em horas, minutos e segundos. A nossa vida é muito ditada pelos horários dos compromissos, pois o relógio é quem, basicamente, determina a nossa rotina. Acordamos pois não temos sono ou por que o despertador tocou? Almoçamos quando temos fome ou quando chega o nosso horário de almoço? Temos a impressão de que, a cada ano, o tempo passa mais depressa. A percepção de que o tempo passa devagar na infância e aceleradamente na fase adulta é uma experiência muito comum. A relatividade da percepção do tempo, também, é algo interessante a ser percebido, pois ele “passa rápido” quando fazemos algo muito prazeroso, mas parece não passar quando fazemos algo desagradável. Na infância, a memória, a atenção e as funções do cérebro estão se desenvolvendo. Quando nos tornamos adultos, aprendemos a codificar a passagem do tempo e passamos a compreender que, para aproveitá-lo, é importante saber administrá-lo. Uma das maneiras de auxiliar as crianças a começarem a entender e administrar esse tempo, é a criação de uma rotina, na qual as tarefas sejam distribuídas ao longo do dia e contemplem tanto atividades escolares como atividades de lazer.

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Quando há essa organização de horário, há também um maior êxito no rendimento escolar, na fixação do que é aprendido em sala de aula, sem deixar de lado a diversão. Isso faz com que a criança cresça mais saudável, seja um adulto responsável e capaz de enfrentar quaisquer desafios que lhes sejam apresentados. O tempo é algo muito precioso e cabe a cada um de nós aproveitá-lo da melhor maneira possível.

“Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito.” Pitágoras


REFLEXÕES SOBRE O TEMPO Thaís Ferreira Cezaro Priscila Vagione Dobre Ferreira Professoras do Ensino Fundamental II

TEMPO QUE SOBRA OU FALTA? Maria Cristina L. Valente Novak Professora do Ensino Médio

O relógio atual continua marcando 24 horas, exatamente, como os antigos relógio de sol, relógio de fogo, relógio de água, ampulheta ou relógio de areia, até se chegar ao relógio mecânico, ao digital e, ao mais preciso da atualidade, o atômico, movido a Césio 137. No entanto, pesquisas mostram que as pessoas sentem que o tempo passa sete vezes mais rápido do que há cem anos. É unânime a falta de “tempo” para tantos afazeres, para cumprirmos tantas obrigações. Neste cenário, surge a necessidade e a importância da organização temporal. Essa organização, seja para os estudantes ou não, deveria fazer parte do dia a dia de todos nós. Elencar prioridades, determinar o tempo para cada uma delas, criar momentos de relaxamento, controlar a ansiedade, valorizar amigos e não “amigos virtuais”, conviver em família o máximo possível, ajuda a nos mantermos no agora e vivermos este “tempo”. Todas essas pequenas atitudes, se implementadas, farão com que a nossa rotina de estudo ou de trabalho não seja tão pesada. A tecnologia deve ser uma aliada, um fator facilitador e temos que estar atentos para fazermos um uso saudável dessas modernidades. Temos que ter consciência de que ninguém é feliz só estudando ou só trabalhando! Então, bora lá, nos organizarmos e nos darmos “TEMPO” de sermos felizes.

O conceito de tempo foi observado inicialmente por Santo Agostinho, que o considerava como uma propriedade absoluta do universo criada por Deus. Tanto Agostinho, Aristóteles e Newton partilhavam da ideia de que o tempo era absoluto. Apenas no século XX, por meio da teoria da relatividade, foi colocado um fim a essa ideia, já que o tempo não poderia ser completamente separado do espaço e se combinava com ele para formar o chamado espaço-tempo. Em um mundo cada vez mais dinâmico, a organização do espaço-tempo é muito mais importante e necessária. No ambiente escolar, desenvolver bons hábitos de estudos, criando uma rotina, são imprescindíveis para otimização do tempo e sucesso no aprendizado. Você já ficou horas, dias ou noites estudando sem parar e o resultado obtido não foi satisfatório? A rotina possibilita segurança e domínio. As novas gerações costumam fazer várias atividades ao mesmo tempo, mexer no celular, ouvir música, assistir a televisão e ainda estudam, são os “multitasking”. Porém, para a educação, foco e concentração, durante a realização de atividades, é algo primordial. A organização do tempo é de suma importância na vida de qualquer pessoa. Primeiro devemos nos planejar, mesmo que isso tome certo tempo, mas estaremos ganhando mais para frente. Algumas ações que podem ser feitas para atingir esse objetivo são: arrumar o material em um ambiente de estudo adequado, o espaço faz com que possíveis interrupções não nos distraia; estudar diariamente e realizar as tarefas; dividir o dia em tempo de lazer e descanso e tempo de deveres; saber elencar as atividades em prioridades; ter uma agenda pessoal, contando com imprevistos. O tempo é um recurso extremamente valioso e podemos cuidar dele a partir do momento que aprendemos a administrar nossas vidas, tendo, assim, grande chance de sucesso. Planejar o tempo é atingir os objetivos em um menor prazo. 29


TEMPO ONTEM, HOJE E AMANHÃ

A QUALIDADE DO TEMPO Kelly da Silva Brandão Coordenadora de segmento

Quando ouço a frase “viver em um mundo novo”, logo penso em um mundo melhor para se viver e, em especial, um mundo melhor para as nossas crianças viverem. Mas, antes de pensarmos em um mundo novo, precisamos pensar em seres humanos melhores. Como seria bom se todas as crianças pudessem brincar livremente e tivessem maior contato com a natureza e com as pessoas; se pudessem deixar um pouco de lado a tecnologia e utilizá-la apenas como apoio e não como foco de suas vidas. Será utopia desejar um mundo novo em que as famílias possam se reunir mais e os pais possam brincar e dar mais atenção para os seus filhos, sem se preocuparem com o celular tocando ou tendo que responder a mensagens? Infelizmente, com a rotina atribulada, as pessoas, sem tempo para as coisas simples da vida, estão deixando os valores se perderem. É muito triste saber que nossas crianças estão sendo massacradas pela violência, pela falta de tempo e carinho dos pais e pelo excesso da tecnologia que vem substituindo a presença e amor. Sim, eu quero e desejo um mundo novo, no qual a fraternidade esteja presente, o amor prevaleça em todas as situações e as pessoas tenham a capacidade de partilhar e compreender o estado emocional do outro. As minhas dicas para um mundo novo são: • famílias mais unidas partilhando experiências com seus filhos; • mais passeios em parques; • mais contato com a natureza; • mais brincadeiras com os filhos; • cuidar do seu próprio lixo; • não desperdiçar a água do planeta; • vivenciar o amor todos os dias; • tratar as pessoas com respeito, independente de raça, crença ou gênero. Quando nos colocamos no lugar do outro e o tratamos com respeito, com certeza teremos um mundo melhor para se viver.

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TEMPO ONTEM, HOJE E AMANHÃ

COMO ORGANIZAR O TEMPO Selma Lucchesi de Carvalho Leite Coordenadora de segmento

Um dia possui 24 horas, 1.440 minutos, 86.400 segundos. Dependendo do dia, achamos que ele demora uma eternidade para terminar; por vezes desejamos algumas horinhas a mais para dar conta de tudo o que temos para fazer. Em um mesmo dia vemos o “tempo voar” e os ponteiros do relógio quase parar. Como fazer para dar conta de tudo, sendo que o tempo é assim tão inconstante? Por vezes, não daremos conta. Administrar o tempo tem mais a ver com realizar o que nos propomos com calma e qualidade, do que com eficiência e rapidez. Por isso, é sempre bom planejar o dia com antecedência, tendo em mente as tarefas da semana e do mês. Quando podemos evitar realizar as tarefas com urgência conseguimos cumpri-las sem desrespeitar o nosso corpo e nosso tempo interno. Não ajuda em nada ficarmos desesperados quando a rotina aperta ou surgem imprevistos. Muito menos abrir mão de momentos diários de diversão ou relaxamento. Fazer pausas nos ajudam a assimilar os aprendizados após horas de estudo e, ainda, nos permitem recarregar a energia. Tomar um café, comer um doce, tomar um bom banho, conversar com um amigo, jogar e se exercitar são momentos importantes do nosso dia que não podem ser abreviados pelas obrigações. Ter boas noites de sono é imprescindível. Ficar acordado até tarde, seja por qualquer razão, pode ser muito prejudicial. Nada pior do que não ter tempo para descansar e sonhar. Conversar com os amigos sobre a rotina escolar e as questões do dia a dia, também, pode ajudar muito. Cada pessoa encontra suas próprias estratégias para lidar com as irritações e preocupações da rotina. Às vezes, é possível encontrar formas coletivas de diminuir o peso das obrigações. Reclamar das dificuldades da vida faz parte, porém mais importante do que reclamar é buscar formas de lidar com os problemas. Encontrar uma atividade, um passatempo interessante pode ser uma ajuda e tanto quando a rotina parece nos engolir. Nada mais perigoso do que achar tudo desinteressante, o mundo é grande e todos ainda temos muito para descobrir. Aprender algo novo, treinar alguma habilidade, visitar lugares novos, assistir a filmes diferentes... Fazer o que nos interessa ajuda a ficarmos mais dispostos. A rotina é cansativa, mas viver os momentos cansativos com motivação e interesse, apaixonados e interessados por algo, pode ser bem menos exaustivo. 31


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Revista Gênesis 2019 - Mudanças para viver em um novo mundo  

A sociedade, em qualquer época, sempre foi muito marcada pelas transformações, algumas quase imperceptíveis, outras mais intensas e profunda...

Revista Gênesis 2019 - Mudanças para viver em um novo mundo  

A sociedade, em qualquer época, sempre foi muito marcada pelas transformações, algumas quase imperceptíveis, outras mais intensas e profunda...

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