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Educação e cidadania

JOÃO TOMAZ

DIRETOR PEDAGÓGICO Ensino Fundamental

A palavra educação origina-se do latim educacione que aponta, em seu sentido mais amplo, para o “processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral” (Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa). A partir desta concepção, percebe-se a complexidade que abrange o ato de educar, uma vez que este envolve tanto os conhecimentos e aptidões resultantes de tal processo, os métodos científicos empregados, os agentes responsáveis pelo ensino e, sobretudo, a subjetividade dos sujeitos que dele se beneficiam. Não é por acaso que grandes mestres do conhecimento humano discorreram sobre a dificuldade/ impossibilidade de se por em ato, satisfatoriamente, os ditos processos educacionais. O psicanalista Sigmund Freud, em O mal-estar na civilização, alerta-nos que educar pode se configurar como uma “profissão impossível”, uma vez que esta ação se coloca como um fundamental instrumento do processo civilizatório. Dizendo-se de outro modo, ao convocarmos a educação estaremos trazendo à cena, invariavelmente, questões ligadas à moral, à ética, aos limites. Na contemporaneidade, encontram-se facilmente sinais claros da fraqueza da lei, da ordem, do respeito ao outro. Todas as mídias registram e exibem, exaustivamente, o esquecimento daquilo que caracterizaria a condição humana, em maior ou menor escala. Um exemplo mais contundente deste fato pode ser visto na foto do garoto sírio Aylan Kurdi, três anos,

encontrado morto em uma praia da Turquia, após cair de um barco inflável, em uma tentativa de fugir do seu país devastado pela guerra. Mas pode-se perguntar que ligação tais acontecimentos teriam com o ato de educar. Onde estaríamos implicados nesta questão, sejamos pais, docentes ou aprendizes? Ora, não nos esqueçamos que o educando, em todos os seus ritos de passagem – entendendo-se por ritos de passagem a convocação que cada cultura faz para que o indivíduo evolua, cresça e possa dar conta, por si só, dos perigos que a vida apresenta –, precisa honrar o legado que o torna membro da comunidade humana. E que instrumentos teríamos a nossa disposição para alcançar este objetivo, muitas vezes visto como inalcançável? Precisamos, sim, do trabalho com o intelecto, da persistência diante daquilo que pode nos distrair da defesa dos valores humanitários e do papel fundamental da família como um referente da Lei, da ordem. Sabemos que a função de educadores não se restringe unicamente a instruir ou colocar informações na mente de um sujeito, mas a equalizar oportunidades, o que mantém o paradigma da mudança e da transformação no mundo. Estejamos juntos nesta tarefa de tornar a vida digna de ser vivida, cumprindo a nobre missão (palavra que aponta para mistério) que foi confiada àqueles que acreditam que, por meio da educação, um mundo melhor pode e deve ser construído.

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Revista Contato!  

Edição 2015 da revista Contato!.