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Tele Jornal

O Sant’Anna


Grandes descobertas

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assaram-se 10 anos, marcados na memória em minha jornada no Colégio Franciscano Sant'Anna e, ao longo desse tempo, pude perceber o quão diferentes podemos ser dos nossos colegas de sala de aula, talvez até de nossos amigos mais próximos. Notei também que, trabalhar em algo grande, ofereceu-me a experiência de ter de me ajustar para levar um projeto adiante, mesmo que, muitas vezes, fazendo coisas que não gosto, para desfrutar de um grande final.

Meses se passam e parecia que não tínhamos nada ainda, mas, por trás daquela máscara vazia, podíamos ver o quanto já tínhamos feito e estava tudo lá, no papel, pronto para ser posto em prática. O maior problema das grandes ideias é quando não são postas em prática deixam-nos nervosos. Parecia impossível nos mantermos calmos em uma situação tão estressante. Por muitas vezes aconteceram surtos de raiva que não eram ruins, eram bons, pois, aliviavam a pressão sobre nossos ombros já doídos de permanecer sentados apenas escrevendo.

Quando iniciamos a 2ª série do Ensino Médio, foram apresentada as propostas educacionais que teríamos ao longo do ano letivo, uma das quais seria pesquisar, gravar, produzir e editar um jornal ou documentário, baseado nos problemas ambientais que temos hoje em dia. Na verdade, já estamos cansados de saber sobre problemas de lixo, poluição e outras situações relacionadas ao meio ambiente, mas o diferencial era como iríamos apresentar nossas ideias, opiniões e pesquisas de uma forma interativa e intuitiva, mas, de longe, imaginávamos que seria algo interessante e divertido. Mais que difícil, o início do trabalho parecia impossível. Como criaríamos algo interativo, trabalhando em conjunto com todas as pessoas da turma? Conjunto é a palavra-chave, pois foi em conjunto que discutimos a importância de um trabalho dessa magnitude, foi em conjunto que trocamos ideias, compartilhamos dúvidas e, por vezes, até emoções. Foi em conjunto que baixamos a cabeça, arrumamos a desorganização e iniciamos um trabalho que não seria feito em partes, mas juntos. Uma câmera, um tripé e um bom “conjunto” era tudo que tínhamos para gravar um documentário. Havia muitas ideias nas nossas cansadas cabeças. Para qualificar o nosso trabalho foi preciso usar muita criatividade. Enfrentamos problemas na construção do nosso telejornal, como perder todo o trabalho no computador (efeitos especiais, vinhetas...), mas pensando que somos um grupo e trabalhamos em conjunto, tivemos ânimo para recomeçar e vencer obstáculos. Assim, mais uma vez, conseguimos realizar nossa intenção e concretizar nosso trabalho.

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Nunca poderia descrever o quanto aprendi com esse trabalho. Se antes dava pouca importância ao meio ambiente, tenho agora o dever de dizer que a situação está muito mais grave do que nos parece. Mais do que sujo fisicamente, nosso país está sujo mentalmente. Algumas pessoas não se importam com o ambiente onde vivem.

Falando sobre o ar, tenho a dizer que podemos passar dias sem comer, horas sem tomar água, mas não aguentaremos mais de algumas dezenas de segundos sem o precioso ar. O ar é a fonte de vida mais importante da terra. Não estou desmerecendo a água, nem qualquer outra fonte de vida, mas sou obrigado a dizer que o ar que temos hoje entra em nossos pulmões, passa para os alvéolos, direto para corrente sanguínea e inunda nosso corpo com as mais diversas substâncias tóxicas. A era do desenvolvimento tecnológico esta trazendo máquinas fantásticas prejudicando um elemento vital tão importante como o ar.

Depois de muito esforço para superar obstáculos e conseguir terminar o trabalho a tempo, pensamos que finalmente havia acabado. Achamos que, com toda a produção que fizemos, não havia mais nada a aprender. Estávamos enganados. A pres en tamos os telejorn ais com entusiasmo. Aprendemos a ver os problemas ambientais de nosso tempo. É ilógico sermos seres com grande potencial e devastarmos o ambiente, prejudicando elementos tão importantes como água, ar e solo.

Depois de aprendermos tudo isso, e formado em nossa turma uma união forte, podemos dizer que o trabalho foi uma experiência de aprendizado que nos proporcionou conhecimento e consciência dos nossos esforços, competências, habilidades e atitudes.

Dizer que podemos salvar o mundo é sermos otimistas demais, porém desistir agora é desistir de bilhões de anos de evolução. Não é uma questão de escolha, mas de continuidade de vida.

Pedro Gabriel Machado Bontempo Teixeira de Moraes. Turma: 232

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Água

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água, um bem comum e muito valioso, é indispensável para a sobrevivência dos seres vivos. Mas, nos últimos tempos, esse bem já está em falta, "escoando pelos ralos". Não é em vão que o mundo está em alerta caso ela falte algum dia.

Água foi o principal tema da turma 223/233 no projeto interdisciplinar que foi apresentado em forma de documentário. Repórteres foram à busca de informações, preocupando-se em mostrar tudo o que acontece com a água da nossa cidade. Poluição, desperdício, tratamento e consequências das más atitudes do ser humano, como o derretimento das calotas polares. Apresentamos agora algumas dessas matérias:

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Desperdício

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m problema que afeta quase todas as residências é o desperdício de água. As pessoas não estão sabendo fazer o uso adequado desse bem tão precioso. Se o desperdício continuar, teremos que enfrentar um grave problema no futuro. Nosso repórter Rodrigo Vielmo mostrará técnicas para consumirmos direito a água em nossas residências, mostrando situações enfrentadas no nosso dia a dia.

Tratamento odos devem se perguntar de onde vem a água que consomem, se ela é tratada, bem limpa e boa para

consumo.

G l a u c i a P r a d o , r e p ó r t e r d a " 223 Notícias",foi até a CORSAN, onde é tratada a água de Santa Maria para trazer informações sobre seu processo de tratamento.

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Geleiras

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aumento do nível do mar é consequência do derretimento das calotas polares. Esse derretimento se deve à elevada temperatura da Terra nos últimos anos. Acontecimentos nos afetam sem percebermos, como as mudanças do tempo, por exemplo Narrada pelo nosso repórter Carlo Camilotti, nossa próxima matéria fala um pouco sobre esse derretimento, sua origem e suas consequências, seguida de entrevistas com santa-marienses sobre o que notam na mudança do clima nos últimos tempos.

Poluição

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uitos animais aquáticos sofrem com nossos atos. A poluição das águas é um assunto sério. Muitos dejetos químicos e lixo jogados na água causam a morte dos seres que ali vivem. A matéria apresentada pela repórter Leticia Cardoso explica melhor como esse problema ocorre e como afeta a biodiversidade da água.

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Solo INTRODUÇÃO

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tualmente a mídia está voltada para o tema poluição. Então se fala sobre a poluição das águas, a poluição do ar, mas todos se esquecem de um tema igualmente importante e tão nocivo quanto os demais, que é a poluição dos solos. A definição de solo varia. Para um agrônomo, solo é uma camada superficial de terra arável, já, para um geólogo, solo é o produto do intemperismo físico e químico das rochas. Engenheiros, arqueólogos, entre outros, denominam o solo de maneiras diferentes, mas temos certeza de que o solo é apenas uma fina casca do nosso planeta. Por que não dizer, a pele do mundo? No entanto esta “pele” está sofrendo danos irreparáveis, causados pelas queimadas, lixo hospitalar, agrotóxicos, entre outros tantos. AGROTÓXICOS

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poluição do solo tem como principal causa o uso de produtos químicos na agricultura chamados de agrotóxicos. Eles são usados para destruir pragas e até ajudam na produção, mas causam muitos danos ao meio ambiente, alterando o equilíbrio do solo e contaminando os animais, através das cadeias alimentares. Quando os agrotóxicos são bem utilizados, eles impedem a ação de seres nocivos, sem estragar os alimentos. O problema, é que se não houver alguns cuidados durante o seu uso, ele pode afetar o meio ambiente e a saúde das pessoas e dos animais.

LIXO HOSPITALAR

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lixo hospitalar é um sério problema, pois, se não for descartado de forma adequada, gera uma séria ameaça à saúde pública. O principal risco é o infectocontagioso. Quando os resíduos são descartados inadequadamente no meio ambiente, provocam alterações no solo, na água e no ar e causam, nos seres humanos, doenças como cólera, hepatite, leptospirose, tifo entre outras tantas. Várias empresas dão o destino final adequado a esse tipo de lixo.

Altas temperaturas e pressão modificam suas características físicas, químicas e biológicas, ajustando-os aos padrões ideais. Depois da trituração, podem ser aterrados, evitando qualquer tipo de contaminação.

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LIXO

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odos os dias, toneladas de lixo são descartadas pela população. A maior parte desses resíduos vão parar em lixões, que são terrenos baldios, onde o lixo fica exposto e é aproveitado por catadores. Esses lugares

provocam a intensa proliferação de moscas e outros insetos. Mas o que polui mesmo o solo é o chorume, um líquido escuro e mal-cheiroso, que é produzido pela decomposição da matéria orgânica.

Outro problema é o lixo tóxico. Como não há nenhuma preocupação em separá-lo, acaba sendo misturado aos demais, causando danos irreparáveis ao lençol freático. Santa Maria foi a segunda cidade no Brasil a implantar o sistema italiano de recolhimento de lixo, que utiliza containers, muito comum em toda a Europa. A cidade paga por ano 10,7 milhões para a empresa Revita fazer o recolhimento do lixo santa-mariense. Todavia não é todo lixo que pode ser descartado nos containers, o lixo eletrônico, por exemplo, precisa de um destino especial. O Colégio Sant’ Anna oferece um ponto de recolhimento desse tipo de material.

QUEIMADAS E DESMATAMENTO

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s queimadas são um processo utilizado para a derrubada das matas e retirada da cobertura vegetal de terrenos que serão utilizados para a prática de atividades agrícolas e pecuárias. É uma técnica bastante nociva, pois causam um grande desequilíbrio ambiental, destruindo todo o ecossistema. O solo é muito prejudicado, pois muitos micro-organismos são mortos. Além disso, a fumaça provoca a perda dos minerais, ocasionando o empobrecimento do solo, assim diminuindo a colheita. Não podemos esquecer que a fauna e a flora são totalmente destruídas. Outro grave problema é que destroem a vegetação e expõem o solo à ação dos ventos e das águas, provocando a erosão. É bem fácil de entender. Com a vegetação, o solo está protegido, e a água infiltra-se naturalmente. Sem a vegetação, o vento e principalmente as chuvas levam a terra com mais facilidade, provocando grandes desastres. As cidades estão crescendo, em um ritmo cada vez mais acelerado, sem planejamento, ocupando regiões que foram desmatadas como os morros, regiões de riscos que nunca deveriam ser habitadas. Casas são construídas, mas futuramente irão d e s a b a r. E s s a urbanização desordenada causa grandes problemas.

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OPINIÃO DA TURMA

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ais de mês para escrever, produzir, gravar um trabalho que envolveu todas as disciplinas e todos os alunos da turma. Além da oportunidade de obter grande conhecimento, fez com que nossa turma se tornasse mais unida. A realização deste trabalho não foi fácil, muitos nãos, mas valeu a pena. Não aprendemos só a teoria, aprendemos também a prática, a ir atrás das coisas e a buscar novas possibilidades .

C r e s c e m o s , amadurecemos e aprendemos. O Colégio Sant’ Anna nos prepara para o vestibular, mas muito mais que isso, o Colégio nos prepara para a vida.


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Expediente Equipe de Elaboração Tânia Marlene Costa Menegat Célia de Fátima Rosa da Veiga João Pedro Godoy Possebon Pedro Gabriel Machado Bontempo Texeira de Moraes Paola Liberalesso Dimperio Revisão de texto

Profª. Maria do Horto Marques Santana

Projeto Gráfico e Ilustração

Franciéli Vieira dos Santos Colaboração

Alana Gonçalves de Souza Aline Londero Verardo Alisson Rodrigues Dohler Amanda da Rosa Rosado Augusto Cesar Lucas Gonçalves Bárbara Giareta Cezar Barbara Taylor Soares Brum Bruna Fernandes da Rosa Carolina Mello de Christo Danielle Stangherlin Guedes da Luz Denize Graziela Corrêa dos Santos Diogo Bianchini D'Ávila Giovana Miranda João Pedro Godoy Possebon João Vítor Rocha Riesgo Juliana Cardoso Julio Marques Antolini Álvares da Cunha Karoline Chiappa Antoniazzi Lana Spagnol Dorneles Leonardo Reisdorfer Deves Luís Arthur Dallabrida Luiza Lampert Baldissera Marcella Waihrich de Oliveira Mateus Martins Machado Matheus Gindri Della Pace Vargas Matheus Yago Oliveira Maura Ferro Duarte Paula da Rosa Freitas Pedro Alberto Ferreira Odorissi Valentim Bandeira Verardo Victhória de Mello Bittencourt Victoria Martins Savio William Quincozes da Silva

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Ailyn Stefaniny Alves Bueno Amanda Hoffmann Rossi Amanda Jaenisch Floresta Bibiana Vasconcellos Freitas Bruna da Silva Dias Bruno Calsing Prata Bruno Marques Shervensquy Carlos Miguel Marques Klein Carolina de Lima Fernandes Carolina Siqueira Girondi Celso Palma Julião Christine Brasil Bevilaqua Fábio Quoos Lena Flávia Dal Molin Marodim Francieli Teles Francisco Noemio dos Santos Dias Júnior Gabriel de David Danieli Gabriela Silva Kunz Gianne Martins da Silva Gustavo Zanini Dalcol Henrique Copetti Müller Julia Brum Sacchett Laura Conterato Pretto Lucas Dionello Dutra Luccas Poerschke Pippi Marina Paula Scarsi Nicanor Macedo Dias Nicolas Fardin Correa Pedro Gabriel Machado Bontempo Texeira de Moraes Renan Amaral Gaspar Rodolfo Skrebsky Teixeira Thais Vieceli

Annie Meireles Resch Bruno Barzotti Borges Carlo Camilotti Alves Douglas Colvero Machado Erick Galvarro Silva Gabriel Albiero Real Gabriel Bonaldo Rezende Glaucia Prado de Andrade Jamille Marin Coletto João Pedro Moro Flores Juan Carlo Altmayer Letícia de Oliveira Cardoso Luan Manenti Rangel Marcos Leandro Abbis Périco Filho Mariana Peukert Lozza Marieli Cipolat Cervo Milena Marcela Gehlen Saurin Paola Liberalesso Dimperio Pedro Barboza Facin da Rosa Pedro Henrique Soares Fontoura Rainer de Matos Elsner Raquel Carolina Floss Pedrotti Rodrigo Vielmo Moura Ruandro Caceres Sacardi Sara Tessele González Thais Flores Mossate Paes Thaline Rosa dos Santos Válery de Oliveira Monteiro Vinicius Almeida Mainardi William de Souza Bernardi William Gallina Viero Yasmin Costa Faccin da Rosa


Ainda temos chance? O Colégio Franciscano Sant' Anna sempre buscou métodos diferenciados para o aprendizado de seus alunos. Procura incentivar trabalhos interativos e intuitivos que desenvolvam a criatividade e o pensamento em grupo. Um bom exemplo desses trabalhos foi a proposta de um projeto interdisciplinar. Nesse projeto, os alunos da segunda série do Ensino Médio iriam pesquisar, produzir, editar e apresentar um documentário ou jornal, baseados no tema poluição, com foco em água, ar e solo. O objetivo principal desse trabalho era apresentar os problemas que a poluição pode causar e o efeito dela no mundo, atualmente. Com essa proposta, as três turmas do Ensino Médio empenharam-se em produzir esse jornal da forma mais criativa possível. Cada turma estabeleceu laços muito fortes entre os colegas, formando uma união satisfatória. Também aprenderam e discutiram sobre a real mazela que temos hoje e, assim, produzindo um trabalho inspirador. Nós, humanos, somos seres com potencial imenso, mas também conseguimos devastar aos poucos um planeta tão grande e repleto de elementos tão importantes, como o próprio ar que respiramos. Hoje esse elemento se encontra em estado degradante, sofrendo com efeitos como a liberação de gás carbônico na atmosfera pelos automóveis, motocicletas e pela produção industrial. Nossa água, um dos bens mais preciosos que possuímos, é constantemente poluída com resíduos tóxicos os quais podem afetar nossa saúde. Nosso solo, o meio de onde tiramos nossa produção básica como trigo, soja, arroz, feijão e outros alimentos, tende a ser infectado, ora por fertilizantes e agrotóxicos, ora por lixo jogado em aterros ou até em solos de plantação.

As atitudes e decisões tomadas hoje não afetam apenas os elementos da terra, mas nós como um todo, como coletivo. Desse modo, estamos a um passo de sermos derrotados por nossas atitudes, mas também estamos a um passo de consertá-las. Afirmar que podemos salvar o mundo é sermos otimistas demais, porém desistir agora é abdicar de bilhões de anos de evolução. Não é uma questão de escolha, mas de continuidade de vida.

Pedro Gabriel Machado Bontempo Teixeira de Moraes – Turma 232

Telejornal  

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