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Mas pode-se beber? É recomendado não ingerir mais de duas bebidas padrão por dia, ou até menos, caso haja uma tendência para sentir os efeitos do álcool com uma ou duas bebidas. Uma bebida padrão tem cerca de 10 a 12 gramas de álcool puro.

Cerveja

Vinho

Aperitivo

Aguardente

Capacidade do copo

3dl

1,65 dl

0,5 dl

0,5 dl

Conteúdo de Alcool Puro

12g

12g a 13g

10g a 12 g

14g a 16g

Avalie o seu consumo 1. Alguma vez sentiu que deveria diminuir a quantidade de bebida alcoólica ou parar de beber? 2. As pessoas o (a) aborrecem porque criticam o seu modo de beber? 3. Sente chateado (a) consigo mesmo (a) pela maneira como costuma beber? 4. Costuma beber pela manhã para diminuir o nervosismo ou ressaca?

Editorial Esta edição nº 11 é elaborada totalmente com o contributo dos alunos de medicina que têm estagiado na nossa unidade de saúde familiar. O testemunho de uma aluna do primeiro ano de Medicina, a insuficiência venosa como sendo uma doença frequente é o tema abordado por aluna do1º Ano de Medicina e o álcool, mitos e seus efeitos é por sua vez abordado por aluna do 6º ano da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Recomenda-se também evitar a intoxicação aguda, que pode resultar de apenas duas ou três bebidas numa única ocasião.

Mitos O O O O O O O

álcool álcool álcool álcool álcool álcool álcool

não não não não não não não

aquece mata a sede dá força ajuda a digestão e não abre o apetite é um alimento é um medicamento facilita as relações sociais

Não beba... Se estiver grávida ou a amamentar; Se conduzir ou trabalhar com uma máquina; Se tomar medicamentos; Em situação de doença; Em situação de dependência alcoólica; Se tiver menos de 18 anos.

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Se respondeu positivamente a 2 ou mais destas questões, aconselhe-se com o seu médico de família. Bárbara Marques Aluna 6º ano Faculdade de Medicina de Lisboa

Se precisar de contactar a USF, para sua comodidade, faça-o preferencialmente por:

O desenvolvimento da Medicina Geral e Familiar depende da formação, educação, investigação e garantia de qualidade dos serviços de saúde. Os sistemas de saúde baseados em cuidados primários com bons Médicos de Família, altamente treinados prestam cuidados com maior efetividade, tanto em termos clínicos como em custo-efetividade, em comparação com os sistemas com fraca orientação para os cuidados de saúde primários. É exatamente por isso que a Medicina Geral e Familiar portuguesa tem servido de bom exemplo a outros países. As Unidades privilegiados pressuposto trabalhar em

de Saúde Familiar são espaços para formação aos internos no de “formar em equipa para equipa”.

A Unidade de Saúde Familiar Arandis tem sido – e continuará a ser – um centro de formação disputado, recebendo alunos de Medicina (1º e 6ºano), internos do ano comum e internos de especialidade de Medicina Geral e Familiar. Encontra-se também aberto aos alunos de enfermagem e estagiários de secretariado clínico.

arandis.usf@gmail.com

As novas tecnologias de comunicação, nomeadamente a utilização do e-mail agilizam a comunicação. A USF Arandis incentiva os seus utentes a comunicar por este meio, nomeadamente para marcar/desmarcar consultas ou levantar questões. Sendo este o último jornal de 2012 e o primeiro de 2013 queremos desejar a todos um Bom Natal e um 2013 cheio de saúde e positivismo.

USF ARANDIS Morada: Rua Fernando Barros Leal 2560-253 TORRES VEDRAS Telefone: 261 336 373 ALA A/ 261 336 371 ALA B ● Fax: 261 336 365 E-mail: arandis.usf@gmail.com

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T I R A G E M

Q U A D R I M E S T R A L

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O U T U B R O

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A

J A N E I R O

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Responsáveis: Maria do Rosário Santos, Carlos Paiva, Teresa Lindo, Margarete Paiva, Paula Malvar, Natália Reis, Paula Brandão, Carla Antunes, Gilda Ferreira, Dolores Firmino, Hélio Firmino, Rita Oliveira, Raquel Martins, Ana Luísa Silva, Lina Ramos, Sara Gomes, Etelvina Afonso, Fernanda Pinto, Fernanda Costa, Hélder Frederico, Carla Gomes, Helena Franco

Para minimizar o risco de desenvolver dependência, deve-se sempre evitar o álcool pelo menos dois dias por semana, mesmo que em pequenas quantidades.

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N Ú M E R O

Apoio:

Maria Rosário Santos

SER MÉDICO DE FAMÍLIA NA USF ARANDIS No âmbito de Prática de Saúde na Comunidade I encontrei-me a estagiar durante a primeira quinzena do passado mês de Julho na Unidade de Saúde Familiar Arandis. Antes de iniciar este estágio, o meu contacto com a Medicina Geral e Familiar resumia-se unicamente à minha reduzida experiência enquanto utente. Confesso que considerava a Medicina Geral e Familiar como uma especialidade monótona e talvez uma das menos aliciantes. O que era um médico de família em comparação com um neurocirurgião, por exemplo?! A verdade é que eu não poderia estar mais errada e felizmente apercebi-me disso logo no dia em que comecei a assistir às consultas! Tive a oportunidade de presenciar uma enorme variedade de situações clínicas com as quais nunca esperei contactar. Além disso, não fazia ideia de que um médico de família desse consultas de âmbito tão diversificado. Assisti a consultas de saúde infantil e juvenil, planeamento familiar, saúde materna, menopausa, hipocoagulados, consultas programadas de saúde de adultos e consultas abertas. Outros aspectos que observei durante o estágio foram a cumplicidade que existe entre um médico de família e os seus pacientes e a confiança que os pacientes depositam no médico, apesar do leque variado de pessoas que, com personalidades e histórias de vida únicas, recorrem aos serviços de saúde. Foi muito interessante assistir a algumas consultas, uma vez que, caso se ignorassem batas brancas e estetoscópios, uma grande parte da consulta se assemelhava a uma conversa entre amigos de longa data, independentemente de o tema em questão ser alegre ou triste. Terá sido certamente esta forte relação entre médico e doente que favoreceu o à-vontade da grande maioria dos utentes mesmo quando, ao entrar no gabinete, se deparavam com três pessoas de estetoscópio ao pescoço e a envergar bata branca. A verdade é que, apesar de ser a única aluna do primeiro ano de Medicina a acompanhar a minha tutora, tive o privilégio de passar a quase totalidade do meu estágio também com uma médica interna do ano comum. Ambas estiveram sempre disponíveis para me esclarecer dúvidas e explicar alguns aspectos importantes relativamente aos casos que íamos observando, o que contribuiu para aumentar o meu interesse em algumas áreas, já que era possível aplicar na prática alguns dos conhecimentos que tinha adquirido ao longo do meu primeiro ano do curso. Até agora referi-me unicamente a médicos e doentes mas, de facto, falta ainda mencionar os enfermeiros e os secretários clínicos, peças absolutamente fundamentais para o sucesso da USF Arandis, que foi já considerada a melhor USF a nível nacional. Considero que ter estagiado nesta Unidade de Saúde Familiar foi uma oportunidade única, não só por tudo aquilo que aprendi em termos técnicos e científicos, mas também em termos pessoais e humanos. Nada disto seria possível sem a compreensão e o apoio dos utentes e sem a excepcional equipa de profissionais que tive a honra de conhecer, que me proporcionaram uma óptima experiência e transmitiram ensinamentos que certamente me serão muito úteis no futuro, enquanto médica e pessoa, e que nunca poderei esquecer. Catarina Vale Aluna do 1º ano de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa


INSUFICIÊNCIA VENOSA A insuficiência venosa é um termo global que se refere ao mau funcionamento do sistema venoso e que abrange as varizes e outras doenças das veias, nomeadamente as tromboses venosas, vulgarmente referidas com "tromboflebites", e situações mais raras de natureza congénita, chamadas “angiodisplasias". Esta afeta as veias das pernas, tornando-as incapazes de reconduzir a totalidade do sangue de volta ao coração. Este sangue que fica acumulado nas pernas obriga as veias superficiais a dilatarem-se de forma permanente, originando os “derrames”, varizes.

Profissões que obrigam a permanecer longos períodos de tempo em posição imóvel, quer de pé quer sentado, predispõem ao aparecimento de insuficiência venosa, particularmente de varizes, da mesma forma que trabalhar em ambientes quentes.

Diagnóstico O primeiro passo no diagnóstico é uma entrevista detalhada feita pelo médico, incluindo aspetos como saúde geral, história familiar e sintomas. Paralelamente a essa entrevista, o médico realiza um exame objetivo. O diagnóstico é confirmado através da realização de uma ecografia vascular com Doppler, exame indolor que permite que o médico verifique a velocidade do fluxo sanguíneo e o grau de refluxo e visualize a estrutura das veias (características da parede, válvulas, trombos recentes e antigos, etc.).

Quem é mais afetado? Esta patologia pode afetar ambos os sexos, embora, atinja, sobretudo, o género feminino uma vez que são as mulheres que se encontram expostas a mais fatores de risco. Estão sujeitas às terapêuticas hormonais, às gravidezes, têm os seus próprios estrogénios (que têm ação sobre a veia) e desempenham múltiplas funções no dia-a-dia.

Principais sintomas Na altura do Verão, as queixas de cansaço das pernas tendem a aumentar uma vez que o calor tem um efeito vasodilatador. Para além do cansaço, a dor, o inchaço, o peso e as cãibras nas pernas são os principais sintomas da insuficiência venosa.

Causas e Causas e Factores de Risco O aumento da pressão no interior das veias e o refluxo do sangue a longo prazo são as principais causas da insuficiência venosa crónica. Entre outras causas, a trombose venosa profunda e a flebite são condições que obstruem o fluxo do sangue, causam lesões permanentes nas válvulas venosas e aumentam a pressão no interior das veias. Trombose venosa profunda: consiste na formação de coágulos sanguíneos no interior das veias profundas, bloqueando o fluxo do sangue em direção ao coração. O sangue que tenta passar através das veias bloqueadas pode aumentar a pressão sanguínea na veia e sobrecarregar as válvulas, comprometendo seu funcionamento; Flebite: Esta condição consiste no inchaço e na inflamação de uma veia superficial ou profunda. A inflamação também pode resultar na formação de coágulos e, consequentemente, no desenvolvimento de trombose venosa profunda. Para além da história familiar de varizes (fator hereditário), existem outros fatores que predispõem ao aparecimento de varizes tais como a idade, o sexo, as gravidezes múltiplas, o excesso de peso, o tipo de atividade profissional, um estilo de vida sedentário, o fumar, o uso continuado de terapêutica hormonal feminina, entre outros.

Em situações de agravamento da doença, surgem os eczemas, as úlceras venosas, a descoloração da pele, o endurecimento e a rutura das veias originando o derrame.

ÁLCOOL

Como prevenir? Evite exposição solar em demasia, já que o calor provoca uma vasodilatação; Não tomar banho com água muito quente;s Não usar roupas apertadas e saltos altos; Combater a obesidade, já que o excesso de peso é um fator de risco; Ter uma vida ativa e evitar o sedentarismo; Utilizar meias de compressão; Evitar estar muitas horas de pé;

Dormir de pernas elevadas;

O que é? O álcool é um líquido incolor produzido a partir de cereais, raízes e frutos. Pode ser obtido mediante a fermentação destes produtos, atingindo concentrações que variam entre 5 e 20% (cerveja, vinho) ou por destilação e/ou adição de álcool resultante da destilação, o que aumenta a concentração etílica até 40% (aguardente, licor, gin, whisky, vodka, rum, vinhos espirituosos).

Efeitos Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais. Por exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas alcoólicas ou com uma estrutura de grande porte sentirá os efeitos do álcool com menor intensidade, quando comparada com uma outra pessoa que não está acostumada a beber ou tem menos peso.

Realizar exercício físico como caminhadas, natação, andar de bicicleta e hidroginástica;

Efeitos estimulantes

Efeitos depressores

Fazer períodos de descanso de 10-15 minutos, várias vezes ao dia com as pernas elevadas acima do nível da anda;

Euforia

Falta de coordenação motora

Evitar cruzar as pernas quando estiver sentado;

Desinibição

Descontrolo

Dormir de pernas elevadas;

Maior facilidade para falar

Sono Coma

Tratamento Meias de compressão: As meias elásticas comprimem a musculatura da perna, mantendo as veias contraídas. Dessa forma, diminuem o refluxo e a hipertensão venosa. Ajudam a aliviar os sintomas, nos casos menos graves, e a curar ferimentos e evitar que eles retornem, nos casos mais avançados. Cirurgia de varizes: a remoção da veia (safenectomia) pode ser parcial ou total, dependendo do grau de evolução. Em alguns casos, as veias varicosas são uma via importante que ajuda no retorno do sangue, e a sua remoção pode piorar os sintomas pois a drenagem da pele e do tecido celular subcutâneo não consegue fazer-se corretamente Terapêutica esclerozante: Para as situações mais superficiais – as telangiectasias, por exemplo; consiste na seca do vaso. O médico introduz em vários pontos da perna pequenas doses de um medicamento capaz de promover a secagem dos vasos. Carla Sofia Silvestre Pereira Aluna do 1º Ano de Medicina, FMUL

Efeitos a longo prazo: • • • • • • • • •

Deterioração e atrofia do cérebro Anemia Diminuição das defesas imunitárias Alterações cardíacas (miocardite) Hepatopatia Cirrose hepática Gastrite Úlceras, inflamação e deterioração do pâncreas Alterações na absorção de vitaminas, hidratos de carbono e gorduras • Ruptura de capilares • Cancro • Irritabilidade, insónia, delírios por ciúmes, mania da perseguição, psicose e demência.

Outros efeitos: • Enrubescimento da face • Dor de cabeça • Mal-estar geral

Jornal da USF Arandis Nº11  

Alcool e problemas.